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FACULDADE BATISTA DO CARIRI

TEOLOGIA DA EDUCAÇÃO CRISTÃ

Professor: Marcos Paulo


Aluno: Jonas André Gonçalves

Resumo dos capítulos 1 e 2 do Livro Teologia da Educação Cristã/Lawrence. O.


Richards, edições Vida Nova, São Pulo – Brasil.

Conforme Richards, toda a reflexão sobre a vida cristã tem como ponto principal
nossas pressuposições. Todo o estudo sobre a educação cristã tem por objetivo
responder a questões como: o que significa ser cristão? Mas o pressuposto por trás disto
é a vida cristã a ser alcançada. A educação cristã não gera apenas um novo
comportamento moral para o individuo, mas e, principalmente, gera uma nova vida,
vida esta que se encontra em Jesus - “Eu vim para que tenham vida e a tenham em
abundância.” (Jo 10.10).
Esta vida não diz respeito apenas à vida física, a educação cristã aponta também
para a vida eterna. Ao analisar a raiz da palavra vida no hebraico (‫ )חָ יָה‬chaiyah
Richards explica que já no A.T este conceito não se limitava apenas no aspecto físico,
mas também no espiritual e futuro. Não ficando para trás, o N.T., também tem sua
maneira de falar sobre este aspecto, tanto físico como espiritual, usando palavras
diferentes, deixando mais clara a diferença entre vida física e espiritual. Conforme
Richards, o Novo Testamento vai além e dá novos aspectos ao significado de “vida”.
Ele tem uma palavra (bi,oj) para a vida aqui na terra e suas funções ( Lc 8.14, 2 Tm
2.4, 1 Pe 4.2, 3), e outra (zwh), (Rm 7.3) que tem uma rica variedade de significados.
O oposto de vida é a morte, a qual a Bíblia não deixa de tratar. O N.T. usa a
palavra (qa,natoj) que tem o sentido literal de morte natural do corpo, e também
possui um sentido figurado, dando ênfase para a morte espiritual, de acordo com o
contexto. A Bíblia diz claramente que as pessoas estão mortas se Deus não as chamar
para a vida (Jo 5.24; 8.51; Rm 7.10; 8.6; 1 Jo 3.14). Aqui vale ressaltar o que Richards
diz: “o evangelho é a proclamação da vida”, afirmando que pela atuação do próprio
Deus pessoas mortas no pecado recebem vida em Cristo. Morte e vida definem a Igreja
de Cristo e Seu povo. A posse da vida distingue o Cristo de todas as outras pessoas;
este forma com seus iguais uma comunidade que tem a vida divina, diferenciando a
Igreja de todas as instituições humanas. Entender nossa fé como vida nos dá a chave
para desenvolvermos uma educação cristã clara e teologicamente sadia.
Uma nova vida prometida é o que Richards afirma quando diz: “a promessa de
vida eterna fala de restauração das capacidades perdidas”. A vida traz uma nova
capacidade de perceber a realidade (Hb 11.3), a capacidade de experimentar e expressar
o verdadeiro amor (1 Tm 1.5, 1 Pe 1.22), e traz a opção de viver em comunhão com
Deus (cf Hb 2.12-15). A promessa de vida, no entanto, não fala de restauração da
“humanidade”. Pessoas espiritualmente vivas e mortas participam da mesma
humanidade, porque a essência do homem é a imago Dei e não a queda. A vida nova
não fará de alguém mais do que um ser humano e não dará mais valor ou maior
dignidade à pessoa. Ela não muda necessariamente as capacidades intelectuais de
alguém, transformando-o num cientista ou carpinteiro melhor. O dom divino de vida
também não muda a maneira básica das pessoas aprenderem e crescerem. É vital que
compreendamos que a humanidade toda é igual. Então, o que muda quando Cristo nos
dá vida nova? Muda a capacidade de compreender e se aprofundar no significado da
vida como Deus a planejou.
Em todos os aspectos nos quais a queda trouxe morte, Cristo trouxe vida, e com
esta, poder, libertando-nos para que cresçamos e sejamos transformados. A educação
cristã recebe um enfoque novo quando vemos na vida a marca da fé cristã. Valorizando
todos os seres humanos como pessoas, respeitando-os como tendo valor e dignidade, a
educação cristã tenta comunicar e fazer crescer a fé - vida.
Esta é a essência da verdadeira educação cristã, a vida. E o fator principal por
trás disto é a glória de Deus. Portanto, a educação cristã tem de se preocupar com a
vida, com o crescimento da vida eterna dentro da personalidade humana, em direção à
semelhança com o Deus que a dá. Também, a educação cristã deve se preocupar com a
transformação progressiva do crente no caráter, valor, motivação, atitudes e
entendimento do próprio Deus. Pois, A verdade “Como Ele é, nós somos no mundo”
dirige nossa atenção para o desenvolvimento de toda a personalidade, refletindo com
perfeição cada vez maior a personalidade de Jesus Cristo.
Toda esta transformação deve seguir um curso mútuo onde reconhecemos que
vida é o que define a nossa fé em Cristo, e que o objetivo da educação cristã é promover
o crescimento da vida eterna dentro de cada crente. A Bíblia deixa claro que o Corpo
deve ajudar o indivíduo. Um dos principais propósitos de Deus ao nos unir na Igreja é
que o Corpo sirva a cada membro, ajudando-o a crescer em Cristo. Para fazer isto
possível, cada um tem a capacidade de servir aos outros. Assim, a comunidade cristã
torna-se um todo dinâmico, transformador, ajudador e educador mútuo.
Pode-se concluir das palavras de Richards o seguinte:
Primeiro, o segredo da nossa fé é vida. O que diferencia o crente de outras
pessoas é a vida de Deus, que ele recebe em Cristo. Ela diferencia também a Igreja de
outras instituições humanas.
Segundo, que a vida de Deus, a vida eterna que nós possuímos pela fé, tem o
propósito de nos tornar como Cristo. Por esta razão, a educação cristã se concentra em
ajudar o crente a crescer até ser como Cristo. Ela visa o processo de transformação de
personalidade e caráter!
Terceiro, que o Corpo prove o crescimento do crente. Servindo aos outros e que
cada um seja edificado para “alcançar a altura espiritual de Cristo”, fazendo toda a
comunidade amadurecer. A educação cristã, portanto, não quer ensinar no isolamento,
mas pela interação de homens e mulheres que tem parte na vida divina, oferecida a
todos pelo evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo.
Tudo isto deve ter como objetivo a glória de Deus!