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Genogramas: o que são e como fazer?

por Professor Felipe de Souza | Psicologia


Olá amigos!
Há um tempo atrás, fui solicitado por uma querida leitora para escrever a respeito dos Genogramas. Para quem
não sabe, genogramas são representações simbólicas das relações entre os membros de uma família. São
diferentes das famosas árvores genealógicas pois apontam não só os graus de parentesco como padrões de
comportamento, atitudes e doenças físicas e psíquicas. A grosso modo, podemos entender os genogramas
como uma descrição representativa, resumida, das relações entre os membros de uma família.

O que são genogramas?


Mais fácil do que descrever o que é um Genograma é visualizar um. Veja abaixo o desenho de um genograma
simples:

Este Genograma simples foi elaborado pelo psicólogo Claudio Drews. Já em uma primeira visualização (ainda
que não saibamos a respeito dos símbolos específicos) podemos ver que um genograma se parece com uma
árvore genealógica. Porém, ao contrário das árvores genealógicas que mostram diversas relações, os
genogramas se concentram geralmente na geração ascendente imediata (pai e mãe) e seguinte (avós paternos
e maternos). Evidente que se for possível acrescentar informações dos bisavós, o genograma ficará mais
completo.
Além das relações básicas de parentesco, acrescenta-se hipóteses clínicas e históricos médicos das pessoas
do parentesco. A ideia, claro, não é culpar o pai, mãe, avô ou avó por ter uma doença X ou Y, mas sim entender
que um determinado problema pode ter tido uma origem anterior. Se este tipo de consideração for levada em
conta, ficará a ideia de que não se trata de culpa de um membro da família, mas de uma informação relevante
sobre a história individual.
Voltando ao Genograma simples, elaborado por Drews, podemos notar algumas informações instantaneamente.
Os números indicam as idades, o quadrado representa o sexo masculino e o círculo o sexo feminino. As linhas
horizontais mostram as relações de irmãos e irmãs ou relações conjugais, enquanto as setas verticais indicam a
paternidade e a maternidade.
As informações abaixo de cada sigla (a sigla representa as iniciais do nome e do sobrenome) indicam doenças
físicas ou psíquicas ou comportamentos e atitudes habituais de cada um.
Assim, neste Genograma simples podemos ver que U.B.S casou-se (e separou-se pois os dois sinais na seta
indicam separação) com A.M.S, de 28 anos e com ela teve um filho, C. M.S, atualmente com 11 anos. U.B.S
tem um irmã de 42 anos, M.B.S, e uma irmão de 40 anos, L. B. S. Podemos notar também que a mãe de U.B.S
tem 69 anos e o pai suicidou-se aos 45 anos.
Todas estas informações ficam mais fáceis de localizar no Genograma, dai a sua utilidade.
Bem, agora que já vimos o que é um Genograma, podemos passar para uma definição mais detalhada. Um
genograma – também conhecido como diagrama familiar – é uma representação imagética das relações
familiares de uma pessoa com as respectivas informações médicas e psíquicas de cada membro da mesma.
Em certo sentido, é como uma árvore genealógica, porém, bem mais completa pois inclui dados sobre padrões
repetitivos nas gerações ou tendências hereditárias.
Os Genogramas tem sido utilizados por psicólogos que trabalham na abordagem familiar-sistêmica e também
por médicos, psiquiatras, psicólogos sociais, além de pesquisadores da genética, educadores, entre outros.
Os Genegromas foram desenvolvidos por Monica McGoldrick e Randy Gerson em seu livro Genograms:
Assessment and Intervention (em tradução literal: Genogramas: Avaliações e Intervenções), publicado no ano
de 1985.

Como fazer um Genograma?


Bem, o primeiro passo para fazer um Genograma é ter os nomes dos familiares e as respectivas relações de
parentesco. Nesse sentido, podemos começar desenhando primeiro a árvore genealógica para, posteriormente,
ir coletando mais dados sobre cada um dos membros da família.
Se formos utilizar no consultório, podemos desenhar um Genograma simples com os nomes do paciente, de
seus pais e avós paternos e maternos. Informações sobre ano de nascimento (e falecimento se for o caso),
casamento e separação, doenças conhecidas são acrescentadas em seguida.
Um passo que pode ser feito também nesta fase é perguntar para o paciente a respeito dos sentimentos e
aproximações e afastamentos afetivos com cada um dos membros da família. É comum que cada pessoa se
identifique mais com um lado de sua família ou, por exemplo, mais com o avô paterno do que com o avô
materno, ou vice-versa.
Se o paciente ou pessoa interessada em fazer o seu Genograma tiver informações sobre os seus bisavós, o
Genograma ficará ainda mais completo. Se pensarmos apenas nas informações genéticas que determinam
traços físicos (como cor dos olhos), poderemos ver como é incrível que uma determinada informação genética
de um parente que nasceu, talvez, há mais de cem anos, possa ter contribuído com características físicas
observáveis atualmente. Mas o mais incrível é notar que algumas características psíquicas também passam de
geração para geração.
Como o objetivo inicial do Genograma foi o de fazer o levantamento da história médica e psicológica dos
membros de uma família, é comum vermos Genogramas que são especificamente criados tendo em vista este
objetivo. Mas também podemos fazer um gráfico que conte menos sobre doenças físicas e mentais e mais
sobre traços de personalidade, características mentais (como inteligência, educação, gostos e hobbies),
interesses profissionais e acadêmicos e por ai vai.
Para concluir esta parte do nosso texto, gostaria de compartilhar com vocês o excelente trabalhado do
psicólogo Cláudio Drews e, antes disso, uma imagem que traduzi contendo os principais símbolos dos
Genogramas. Vocês notarão que os símbolos podem variar um pouco, mas isto não importa. O que importa é
que o criador de um Genograma saiba o que cada símbolo significa em seu Genograma.

Principais símbolos dos Genogramas

Conclusão
Neste texto, o objetivo foi descrever o que é um genograma e como fazer um. Podemos criar um Genograma
tendo em vista diversos objetivos, como investigar mais a respeito do histórico médico de uma pessoa, analisar
relações emocionais e afetivas entre os membros de uma família, traçar possíveis causas genéticas para
doenças físicas e/ou mentais , além de outros possíveis usos como padrões de comportamentos inconscientes
que se repetem de geração em geração ou reaparecem após uma ou duas gerações.
Em meu mestrado, certa vez, estava lendo um texto sobre a História da Irlanda e fiquei impressionado com o
fato de que os irlandeses há não muito tempo consideravam que qualquer um tinha uma árvore genealógica
que ia até os avós apenas, ou seja, a história dos bisavós, trisavós ou tataravós não era considerada pois
estava perdida para sempre. O que mais me impressionou foi o fato de que, logo em seguida, eu percebi que
acontece coisa igual conosco.
Quem sabe da história dos seus avós? Quem sabe da história dos seus bisavós? E depois dos bisavós, hein?
O mais comum é que as pessoas nem saibam qual foi o nome dos seus bisavós… quem diria saber
informações a respeito da saúde e da doença, das tendências psíquicas, sonhos e vontades! O interessante de
fazer um Genograma é perceber este desconhecimento sobre a nossa origem e ir pesquisar. Não raro podemos
encontrar quem possa nos dizer mais sobre o nosso passado familiar…