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AUGUSTO BORGES MANRIQUE

SEMINÁRIO VII – IMPOSTO SOBRE A RENDA PESSOA JURÍDICA

Questionário relativo ao Seminário VII


apresentado ao Curso de Pós-Graduação em
Direito Tributário do IBET, como pré-requisito
para a obtenção parcial da média final do
Modulo exigibilidade do crédito tributário.

Goiânia/GO
2019

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1) Quais as formas de apuração e de recolhimento do IRPJ determinados pelo legislador
ordinário? Diferencie-as. Há direito subjetivo do contribuinte ao arbitramento do
lucro, no caso de imprestabilidade de sua contabilidade?
A luz do artigo 441 do CTN, temos forma de apuração e recolhimento do IRPJ é
determinado de acordo com regime tributário em que a pessoa jurídica se enquadra, assim,
o IRPJ pode ser apurado pelo lucro real, lucro presumido, lucro arbitrado ou pelo sistema
do simples nacional.
No caso nas alíquotas do imposto de renda pessoa jurídica tributados pelos regimes de
lucro real, lucro presumido ou lucro arbitrado as alíquotas são de 15% sobre os resultados
obtidos (base de cálculo).
O IRPJ sobre o lucro real pode ser apurado tomando como base de calculo o lucro real
obtido pela pessoa jurídica, no referido regime considera os valores reais que a pessoa
jurídica apresenta, cobrando sobre este a alíquota de 15% sobre o faturamento. Ademais,
na hipótese do faturamento ultrapassar o faturamento de R$20.000,00/MÊS, ainda haverá
um adicional de 10% sobre o valor excedido.
Já no IRPJ no lucro presumido é destinado a pessoas juridicas de alto faturamento, nesta
modalidade as pessoas jurídicas não precisam apresentar a contabilidade de forma
detalhada, é atribuído ao lucro tributado com base no faturamento obtido, e desta forma se
enquadrando em percentual que de 1,6% a 32% do faturamento, e sobre o valor presumido
aplica-se a alíquota de 15%.
IRPJ sobre o lucro arbitrado é apurado quando a pessoa jurídica não atende as condições
necessárias na prestação de contas, nesta modalidade de apuração de IRPJ, quem apura o
valor do lucro é a autoridade tributária,

2) Qual o conceito jurídico de permuta? Ela pode ser equiparada ao instituto da


compra e venda? A permuta implica acréscimo patrimonial? Há incidência do
imposto sobre a renda nas operações de permuta? Quais os impactos tributários
sobre a operação de permuta trazidos pela Lei n. 12.973 de 2014? O regime de
apuração (lucro real ou lucro presumido) influencia no tratamento tributário a ser
dispensado às permutas imobiliárias para fins de incidência do IRPJ? (Vide Parecer
COSIT/RFB n. 09/14 e Parecer PGFN n. 454/92).
Permuta ou troca são expressões equivalentes, sendo considerado como um contrato
bilateral, no qual consiste na alienação de uma coisa por outra.
É de se notar que o contrato de permuta guarda bastante similitude com o de compra e
venda, contudo, a compra e venda consistente na troca da coisa por seu referente em
dinheiro. Diferente da permuta que constitui uma alienação de uma coisa por outra, ou
seja, em síntese, a compra e venda, como troca, traz como particularidade primordial o fato
de um ter uma coisa trocada por dinheiro.
Compreendo que a permuta não constitui acréscimo patrimonial, e sobre esta matéria o STJ
manifestou recentemente reconhecendo que o contrato de permuta não implica, na maioria
das vezes, apuração de renda ou lucro, nem receita ou faturamento.

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O CTN define como será calculada a renda:
Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante, real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos
tributáveis

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Partindo da premissa de que o contrato de permuta consiste na troca de um bem por outro,
compreendo que não há, na maioria das vezes, apuração de renda ou lucro, nem acréscimo
patrimonial, não incidindo a cobrança de IRPJ nas operações de permuta.

3) Com relação à base de cálculo do IRPJ pergunta-se:


a) “Entradas” e “ingressos” são sinônimos de “receita”? As despesas reembolsadas por
clientes integram a receita bruta dos escritórios e empresas que trabalham com bens e
direitos de terceiros (como escritórios de advocacia, contabilidade, empresas de cobrança,
etc.) que adotam o lucro presumido? Esses reembolsos podem ser tributados pelo IRPJ?
(Vide anexo I).
As “entradas” ou “ingressos” que são os valores recebidos pela pessoa jurídica, no entanto,
nem todos os ingressos são receitas, alguns deles têm natureza de meros movimentos
financeiros e não representa qualquer acréscimo no patrimônio da empresa (ex. reembolso de
clientes).
A partir desta premissa compreendo que receita é um tipo de entrada ou ingresso que se integra
ao patrimônio da empresa, sem reserva, condição ou compromisso no passivo, acrescendo-o
como elemento novo e positivo, ou seja, a receita passa a pertencer à entidade com sentido de
permanência.
Conforme decisão proferida pelo CARF as despesas reembolsadas por clientes integram a
receita bruta de escritórios de advocacia que optam pela tributação por lucro presumido, e
portanto, esses valores devem fazer parte da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa
Jurídica (IRPJ).
Discordo do posicionamento do CARF, uma vez que compreendo que os reembolsos são
ingressos que não acrescem o patrimônio da pessoa jurídica como elemento novo e positivo,
não resultam da atividade da pessoa jurídica, e também não espelham a capacidade
contributiva da sociedade e tampouco alteram o patrimônio, incrementando-o, assim, entendo
que os reembolsos não são receitas.

b) O ICMS pode compor a base de cálculo do IRPJ no caso de empresas sujeitas ao


regime de tributação pelo lucro presumido? Justifique. (vide REsp 1.760.429/RS, TRF 4
- Apelação Cível nº 5018422-58.2016.4.04.7200/SC anexo II)
Compreendo que na tributação da pessoa jurídica com base no lucro presumido, e por
considerar a forma de apuração do IRPJ , compreendo ser é possível incidir ICMS na base de
cálculo.
Entretanto, caso o consumidor pretenda deduzir os impostos na apuração do IRPJ, a melhor
forma de apuração do IRPJ e com base lucro real declarado pelo contribuinte.

4) A legislação do imposto de renda prescreve que a compensação dos prejuízos fiscais


apurados é limitada à denominada trava de 30% (conforme artigo 250 do RIR). Por
outro lado, regula ainda a forma com que o direito à compensação subsiste,
especialmente em face de eventos de cisão, incorporação ou fusão de sociedades
(conforme artigos 513 e 514 do RIR). Indaga-se: é cabível a denominada “incorporação
reversa” ou “incorporação às avessas”, isto é, a operação em que figura como

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incorporadora a sociedade detentora de prejuízos fiscais, realizada justamente para que
estes não se percam? Trata-se de planejamento tributário lícito, ou seria, esse caso,
hipótese de fraude ou simulação? Estaria essa operação proibida pelo parágrafo único
do artigo 116 do Código Tributário Nacional? Explique. (Vide anexos IV, V, VI).
Considerando que a incorporação resulta necessariamente num aumento ou redução de capital
da sociedade incorporadora e o desaparecimento da sociedade incorporada.
Na incorporação reversa consiste na incorporação da sociedade investidora e não da investida.
Nesse caso, a sociedade investidora deixa de existir e o CNPJ de ambas passa a ser o da
investida. Em termos societários a incorporação difere da fusão, uma vez que na fusão há o
encerramento das duas companhias para o surgimento de uma nova companhia.
Não há qualquer dispositivo legal que impeça a incorporação às avessas com a finalidade de
aproveitar de saldos de prejuízos fiscais da investida. É, portanto, uma forma de planejamento
tributário lícita. A incorporação reversa visa ao aproveitamento do saldo de prejuízo fiscal
acumulado e evitar o que dispõe a legislação do imposto de renda (RIR/99)
Art. 514. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar
prejuízos fiscais da sucedida (Decreto-Lei nº 2.341, de 1987, art. 33).
Entretanto, há diversos precedentes impedindo a incorporação às avessas quando a investida é
mera empresa veículo ou quando não é uma empresa operacional. A operação é feita com
artificialismo e, nesse caso, constitui simulação jurídica. É o que depreende-se do julgamento
do conselho de contribuintes abaixo:

5) Empresa CTX que atua no ramo de importação e exportação, situada no Estado de


Santa Catarina se utilizou do Programa Pró-Emprego e Regime Especial (do art. 148-
A do Regulamento do ICMS/SC). De acordo com esse regime os valores das
importações ficam com tributação efetiva de 3,45% no caso do programa Pró-
Emprego e de 0,92% no caso do Regime Especial. Em fiscalização realizada a
autoridade autuante afirma que os benefícios configuram subvenção corrente para
custeio ou operação, circunstância em que incide o IRPJ.
(arts. 392, 519 e 521 do RIR/99 e art. 36 da IN SRF nº 93/97.) Contudo o contribuinte
considerou em sua escritura como subvenção de investimento, portanto, fora do
âmbito de incidência do IRPJ. Em razão disso foi lavrado Auto de Infração com
cobrança de IRPJ. Nesse contexto questiona-se (Vide anexo VII):
a) No que consistem as subvenções para investimento e para custeio?
O conceito de subvenção está sempre associado à ideia de auxílio, ajuda, a subvenção não
tem o caráter nem de paga nem de compensação, é mera contribuição pecuniária destinada
a auxílio em favor de uma pessoa, ou de uma instituição, para que se mantenha, ou para
que execute os serviços ou obras pertinentes a seu objeto.
b) Os créditos presumidos de ICMS, outorgados pelos Estados a sues contribuintes,
podem ser considerados subvenções?
Compreendo que os créditos presumidos de ICMS concedidos no contexto de incentivo
fiscal não teriam o condão de integrar a base de cálculo de outros tributos(Ex. IRPJ), sob
pena de ferir o pacto federativo, dado que, em rigor, a União estaria “pegando para si”
parte da receita de ICMS renunciado pelos Estados aos seus contribuintes.