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Internacional Journal of Cardiovascular Sciences.

2015;28(1):61-69 61

ARTIGO ORIGINAL

Betaína e Colina Dietéticas Relacionadas à Homocisteína Plasmática:


Estudo de Base Populacional, São Paulo, Brasil
Betaine and Choline Intakes are Related to Total Plasma Homocysteine: Health Survey of São Paulo, Brazil
Raíssa do Vale Cardoso Lopes1, Michelle Alessandra de Castro2, Valéria Troncoso Baltar3,
Dirce Maria Lobo Marchioni2, Regina Mara Fisberg2
1
Universidade de São Paulo - Faculdade de Saúde Pública - Departamento de Nutrição - Programa de Pós-graduação (Mestrado) - São
Paulo, SP - Brasil
2
Universidade de São Paulo - Faculdade de Saúde Pública - Departamento de Nutrição - São Paulo, SP - Brasil
3
Universidade Federal Fluminense - Instituto de Saúde Coletiva - Departamento de Epidemiologia e Bioestatística - Niterói, RJ - Brasil

Resumo

Fundamentos: Elevadas concentrações de homocisteína plasmática (Hcyp) têm sido associadas ao risco aumentado
de doenças cardiovasculares. A Hcyp pode ser diminuída por meio da remetilação à metionina, que usa folato
ou betaína como doador do grupo metil.
Objetivos: Avaliar a ingestão de betaína e colina e sua relação com a homocisteína em residentes do município
de São Paulo.
Métodos: Obtidos dados de 584 indivíduos, de ambos os sexos, a partir do estudo de base populacional ISA-SP
2008. Médias geométricas de Hcyp foram analisadas de acordo com tercis de ingestão de colina e betaína e foi
aplicado teste de tendência.
Resultados: Foram analisados 584 indivíduos: 222 (38,0%) homens e 362 (62,0%) mulheres, com média de idade
55,0±19,0 anos. A prevalência de hiper-homocisteinemia foi maior entre os homens (28,0%), idosos (21,0%) e
indivíduos com menor renda familiar (21,0%). Cerca de 31,0% dos indivíduos com hiper-homocisteinemia
apresentou deficiência de folato (<7,5 nmol/L) e 26,0%, deficiência de vitamina B12 (<200 pmol/L). Observou-se
diminuição nas médias geométricas de homocisteína conforme aumento nos tercis de betaína em ambos os sexos,
adultos, eutróficos e em todas as categorias de escolaridade. A colina esteve relacionada à Hcyp em ambos os
sexos, indivíduos de maior renda familiar, não fumantes e consumidores de bebidas alcoólicas.
Conclusões: Este estudo sugere a importância da ingestão de betaína por sua associação inversa com a concentração
de Hcyp em adultos e idosos do município de São Paulo. A colina desempenhou papel protetor em subgrupos
específicos da população.
Palavras-chave: Betaína; Colina; Homocisteína; Dieta; Doenças cardiovasculares

Abstract (Full texts in English - www.onlineijcs.org)


Background: High concentrations of plasma homocysteine (Hcyp) have been associated with increased risk of cardiovascular
diseases. Hcyp can be decreased by remethylation to methionine, which uses folate or betaine as a donor of the methyl group.
Objectives: To evaluate the intake of betaine and choline and its relation to homocysteine in residents of the city of São Paulo.
Methods: Data from 584 individual, of both sexes, from the population-based study ISA-SP 2008. Geometric averages of Hcyp
were analyzed according to choline and betaine intake tertiles and trend test was applied.
Results: The study analyzed 584 individuals: 222 (38.0%) men and 362 (62.0%) women, mean age 55.0 ± 19.0 years. The prevalence
of hyperhomocysteinemia was higher among men (28.0%), the elderly (21.0%) and those with lower household income (21.0%).
Approximately 31.0% of individual with hyperhomocysteinemia presented folate deficiency (<7.5 nmol/L) and 26.0% presented
vitamin B12 deficiency (<200 pmol/L). There was a decrease in the geometric means of homocysteine according to an increase in
betaine tertiles in both sexes, adults, normal and in all categories of education. Choline was related to Hcyp in both sexes, higher
household income individuals, non-smokers and alcohol consumers.
Conclusions: This study suggests the importance of betaine intake due to its inverse relationship with the concentration of Hcyp
in adults and elderly in the city of São Paulo. Choline played a protective role in specific subgroups of the population.
Keywords: Betaine; Choline; Homocysteine; Diet; Cardiovascular diseases

Correspondência: Raíssa do Vale Cardoso Lopes


Av. Dr. Arnaldo, 715 - Cerqueira César - 01246-904 - São Paulo, SP - Brasil
E-mail: raissa.vale.lopes@usp.br

DOI: 10.5935/2359-4802.20150009 Artigo recebido em 17/12/2014, aceito em 11/01/2015, revisado em 15/01/2015.


62 Lopes et al. Int J Cardiovasc Sci. 2015;28(1):61-69
Betaína e Colina Relacionadas à Homocisteína Plasmática Artigo Original

Introdução sob o nº 2001 e todos os participantes assinaram o Termo


de Consentimento Livre e Esclarecido.
Elevadas concentrações de homocisteína plasmática têm
sido associadas a risco aumentado para o desenvolvimento A coleta de dados do estudo ISA-Capital foi realizada
de doenças cardiovasculares, sobretudo aterosclerose e entre 2008 e 2011. Variáveis demográficas, socioeconômicas
eventos coronarianos isquêmicos1-4. e de estilo de vida (consumo alimentar, atividade física,
fumo e ingestão de bebidas alcóolicas) foram obtidas em
Um dos mecanismos biologicamente plausíveis para o domicílio por meio de questionários aplicados por
efeito aterotrombótico da homocisteína refere-se à sua entrevistadores teinados.
auto-oxidação com subsequente geração de peróxido de
hidrogênio, causando dano às células endoteliais e Na etapa seguinte, coletadas amostras de sangue,
proliferação das células musculares lisas dos vasos4,5. medidas antropométricas (peso, estatura e circunferência
Concentrações elevadas de homocisteína podem ainda da cintura) e aferida a pressão arterial dos mesmos
ativar respostas inflamatórias envolvidas na etiologia da indivíduos avaliados na primeira etapa do estudo. Para
aterosclerose6. isso, ocorreu nova visita domiciliar, por enfermeiro
treinado, seguindo procedimentos padronizados
A diminuição das concentrações de desenvolvidos especificamente para o estudo. A segunda
ABREVIATURAS E
homocisteína pode ocorrer por meio de medida dietética foi coletada uma semana antes da visita
ACRÔNIMOS
sua remetilação à metionina, utilizando domiciliar, por meio de entrevista telefônica e com o
folato ou betaína como doadores do grupo intuito de investigar a associação de variáveis dietéticas
• Hcyp – homocisteína
plasmática metil. A betaína, obtida diretamente da com as variáveis antropométricas e bioquímicas.
dieta ou da oxidação de seu precursor, a
• BHMT – betaína-homocisteína
metiltransferase colina, pode remetilar a homocisteína por Análise da dieta
meio da enzima betaína-homocisteína
• HPLC – cromatrografia Obteve-se a primeira medida do consumo alimentar por
metiltransferase (BHMT). A atividade da
líquida de alta resolução um recordatório alimentar de 24 horas, aplicado pelo
BHMT torna-se fundamental quando a
método Multiple Pass Method desenvolvido pelo
disponibilidade de folato é reduzida
Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, no
devido à baixa ingestão ou baixa utilização do pool de folato
qual a coleta de dados é estruturada em cinco etapas12.
pelo organismo7. Além do folato, deficiências das vitaminas
Esse método contribui para que o indivíduo se recorde
B6 e B12 também podem contribuir para a elevação da
dos alimentos e bebidas consumidos no dia anterior à
homocisteína plasmática8, uma vez que são compostos inter- entrevista e os relate de maneira detalhada, reduzindo
relacionados no ciclo metabólico da homocisteína. os erros na medida dietética13.
Independentemente do folato e das vitaminas B6 e B12,
maiores ingestões de colina e betaína dietéticas foram Na segunda medida do consumo alimentar, o recordatório
relacionadas a menores concentrações de homocisteína9. alimentar de 24 horas foi aplicado por telefone por
estudantes de Nutrição, de acordo com os procedimentos
As principais fontes alimentares de colina são produtos do Automated Multiple Pass Method (AMPM), também
de origem animal, como carne vermelha, ovos e aves; estruturado em cinco etapas e que inclui a digitação direta
enquanto a betaína é obtida principalmente dos grãos10. no programa Nutrition Data System for Research. Os
estudantes receberam treinamento para o uso do
Considerando a importância da betaína e colina no programa e utilizaram manual explicativo para auxiliá-los
metabolismo da homocisteína e a escassez de trabalhos na coleta de dados.
dedicados a investigar seu consumo em humanos, o
presente estudo tem por objetivo avaliar a ingestão desses Utilizada a técnica de modelagem estatística Multiple
nutrientes e investigar sua relação com a homocisteína Source Method (MSM), uma plataforma online, para
plasmática em adultos e idosos do município de São Paulo. estimar a ingestão habitual dos nutrientes baseando-se
nos dados de consumo dos dois recordatórios de 24 horas.
O MSM fornece estimativas da ingestão habitual por meio
Métodos da combinação de probabilidade e quantidade de
consumo14.
Os dados utilizados neste estudo foram provenientes do
estudo transversal de base populacional “ISA - Capital
Marcadores bioquímicos
2008”, com amostra probabilística dos residentes da área
urbana do município de São Paulo, Brasil11. Adultos A coleta de sangue foi realizada em domicílio por
(20-59 anos) e idosos (≥60 anos) de ambos os sexos com profissional de enfermagem capacitado, após período de
dados de consumo alimentar completos foram 12 horas de jejum do participante. Coletados por
selecionados para o presente estudo (n=584). venipuntura cerca de 10 ml de material sanguíneo em
dois tubos secos, e centrifugados a 1 448 rpm por 15 min
O Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Saúde em temperatura ambiente. Depois da centrifugação, as
Pública da Universidade de São Paulo aprovou o estudo amostras de plasma foram armazenadas a -80ºC.
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Artigo Original Betaína e Colina Relacionadas à Homocisteína Plasmática

Para a dosagem de homocisteína empregou-se o método A contribuição relativa (CR) dos alimentos para betaína e
de cromatrografia líquida de alta resolução (HPLC). A colina da dieta foi calculada de acordo com Block20, na qual:
análise de vitamina B6 sérica foi realizada por HPLC15,
enquanto folato e vitamina B6 séricos foram dosados pelo Colina ou Betaína total proveniente do alimento i
CR = x 100
método de eletroquimioluminescência16-18. Colina ou Betaína total proveniente de
todos os alimentos
Para a classificação dos indivíduos com hiper- Neste trabalho, foram descritos apenas os alimentos que
homocisteinemia, adotados os seguintes pontos de corte: contribuíram com 1% ou mais para betaína e colina da
Hcyp ≥12 µmol/l, para indivíduos com idade entre dieta dos indivíduos do estudo.
15-65 anos, e Hcyp ≥16 µmol/l, para aqueles com idade
>65 anos19.
Resultados
Análise estatística
Para cada indivíduo, foi calculada a média de ingestão Foram analisados 584 indivíduos: 222 (38,0%) homens e
de colina e betaína, medida pelos dois recordatórios de 362 (62,0%) mulheres, sendo 285 (49,0%) idosos. A média
24 horas. A ingestão desses nutrientes foi descrita sob a de idade da população estudada foi 55,0±19,0 anos; a
forma de mediana devido à ausência de normalidade da média de idade do grupo não idoso foi 39,0±12,0 anos,
distribuição de colina e betaína revelada pelo teste de enquanto a média de idade dos idosos foi 71,0±7,0 anos.
assimetria e curtose (Skewness- Kurtosis).
A Tabela 1 apresenta a prevalência de hiper-
As médias geométricas de homocisteína plasmática foram homocisteinemia segundo variáveis demográficas,
analisadas segundo tercis de ingestão de colina e betaína e antropométricas e de estilo de vida. A prevalência de
realizou-se teste de tendência não paramétrico. Empregou-se hiper-homocisteinemia foi estatisticamente superior no
o programa Stata versão 12.0, considerando-se o nível de sexo masculino (28,0%) em comparação ao feminino
significância estatística de 5%. (10,0%) (p<0,001). Além disso, a hiper-homocisteinemia

Tabela 1
Concentrações plasmáticas de homocisteína da população estudada, de acordo com variáveis demográficas, socioeconômicas
e de estilo de vida

Homocisteína plasmática
Variáveis Normala Elevada b p
n c
% n c
%
Masculino 159 71,6 63 28,4
Sexo <0,001
Feminino 325 89,8 37 10,2
Não idoso 259 86,6 40 13,4
Grupo etário 0,014
Idoso 225 78,9 60 21,1
Baixo peso 44 84,6 8 15,4
Eutrofia 191 83,0 39 17,0
Estado nutricional 0,648
Sobrepeso 106 86,9 16 13,1
Obesidade 126 81,3 29 18,7
≤8 anos 297 82,0 65 18,0
Escolaridade 0,541
≥9 anos 184 84,0 35 16,0
≤1 salário mínimo 196 79,0 52 21,0
Renda 0,034
>1 salário mínimo 288 85,7 48 14,3
Ex-fumante 116 78,9 31 21,1
Hábito de fumar Fumante 86 81,1 20 18,9 0,211
Não fumante 282 85,2 49 14,8
Sim 212 81,5 48 18,5
Alcoolismo 0,442
Não 272 84,0 52 16,0

a
Hcyp média: 9,4 µmol/l (n=484)
b
Hcyp média: 20,4 µmol/l (n=100)
c
Indivíduos com dados incompletos foram excluídos
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Betaína e Colina Relacionadas à Homocisteína Plasmática Artigo Original

foi mais prevalente em idosos (21,0%) e em indivíduos aumento nos tercis de consumo de betaína para todas as
com renda familiar per capita igual ou inferior a um categorias das variáveis estudadas, com exceção dos
salário mínimo (21,0%). idosos, indivíduos não eutróficos, não fumantes,
indivíduos com renda familiar per capita superior a um
Indivíduos com hiper-homocisteinemia apresentaram salário mínimo e não consumidores de bebidas alcoólicas.
diferenças significativas no consumo de energia e Já para a colina, a relação com os níveis plasmáticos de
nutrientes em comparação com os indivíduos sem hiper- homocisteína foi observada em ambos os sexos,
homocisteinemia, com exceção dos carboidratos,
indivíduos com renda familiar per capita superior a um
equivalente de folato dietético e folato sintético (Tabela 2).
salário mínimo, em não fumantes e em consumidores de
Para as variáveis bioquímicas, as medianas de folato
bebidas alcoólicas (Tabela 4).
sérico, vitamina B6 e vitamina B12 mostraram-se
estatisticamente menores nos indivíduos com hiper-
A Tabela 5 exibe os alimentos de maior contribuição para
homocisteinemia. Ademais, cerca de 31,0% dos indivíduos
com hiper-homocisteinemia apresentaram deficiência de a ingestão de betaína e colina, bem como o consumo
folato (<7,5 nmol/L) e 26,0% tinham deficiência de médio em gramas dos alimentos e dos nutrientes. Cerca
vitamina B12 (<200 pmol/L). de 69,0% do total de betaína da dieta foi fornecido pela
ingestão de 10 alimentos, dentre eles pães brancos
A Tabela 3 apresenta as médias geométricas de (21,0%), cereais e massas (15,0%) e biscoitos (13,0%). Já
homocisteína plasmática segundo os tercis de ingestão para a colina, 60,0% do total desse nutriente foi fornecido
de betaína para variáveis demográficas, socioeconômicas por 10 alimentos. Destes, carne bovina (20,0%), aves
e de estilo de vida. Observou-se diminuição das médias (11,0%) e ovos (6,0%) apresentaram os maiores percentuais
geométricas de homocisteína plasmática conforme de contribuição.

Tabela 2
Variáveis dietéticas e bioquímicas da população estudada de acordo com a concentração plasmática de homocisteína

Homocisteína plasmática
 
Variáveis Normal Elevada
pa
Mediana IQ Mediana IQ

Energia (kcal) 1644 645,4 1494 705,9 0,037

Carboidratos (g) 202,0 74,4 188,8 74,4 0,066

Proteínas (g) 71,3 29,9 61,2 32,2 0,005

Lipídios (g) 55,2 30,0 50,8 29,4 0,046

Betaína (mg) 118,1 62,1 104,9 46,1 0,001

Colina (mg) 243,1 111,7 219,7 116,0 0,008


Dietéticas
Metionina (g) 1,6 0,7 1,4 0,7 0,006

Equiv. de folato dietético (DFE - µg) 492,6 176,9 488,0 176,9 0,307

Folato natural (µg) 172,9 64,3 167,9 63,9 0,036

Folato sintético (µg) 187,8 92,6 190,1 93,2 0,811

Vitamina B6 (mg) 1,4 0,6 1,3 0,6 0,005

Vitamina B12 (µg) 3,9 2,5 3,5 2,4 0,024

Folato sérico (hmol/l) 9,7 5,5 7,3 5,5 <0,001

Bioquímicas Vitamina B6 sérica (hmol/l) 53,7 28,5 71,8 29,9 <0,001

Vitamina B12 sérica (rmol/l) 275,0 162,0 211,5 126,0 <0,001

a
teste de U-Mann Whitney; IQ - intervalo interquartil
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Artigo Original Betaína e Colina Relacionadas à Homocisteína Plasmática

Tabela 3
Médias geométricas de homocisteína plasmática da população estudada, de acordo com os tercis de ingestão de betaína

Betaína (mg)
Variáveis
n T1 T2 T3 p-valora
Masculino 222 12,1 10,6 9,3 0,001
Sexo
Feminino 362 8,3 8,1 7,2 0,019
Não idoso 299 9,0 8,8 7,8 0,014
Grupo etário
Idoso 285 12,4 11,1 10,5 0,121
Baixo peso 52 9,4 9,5 9,1 0,328
Eutrofia 230 10,0 9,2 8,1 0,002
Estado nutricional
Sobrepeso 122 8,9 8,7 7,8 0,264
Obesidade 155 9,5 9,5 8,2 0,131
≤8 anos 362 10,1 8,9 8,2 0,028
Escolaridade
≥9 anos 219 9,2 9,4 8,2 0,016
≤1 salário mínimo 248 9,7 9,1 7,7 0,008
Renda
>1 salário mínimo 336 9,6 9,3 8,4 0,057
Ex-fumante 147 11,1 9,3 8,1 0,024
Hábito de fumar Fumante 106 10,4 8,4 8,9 0,043
Não fumante 331 8,8 9,4 7,9 0,056
Sim 260 10,8 9,2 8,6 0,001
Alcoolismo
Não 324 8,8 9,3 7,7 0,132
a
teste de tendência não paramétrico

Tabela 4
Médias geométricas de homocisteína plasmática da população estudada de acordo com os tercis de ingestão de colina

  Colina (mg)
Variáveis
n T1 T2 T3 p-valora
Masculino 222 12,7 10,5 9,6 0,005
Sexo
Feminino 362 8,7 7,7 6,9 <0,001
Não idoso 299 8,9 8,5 8,1 0,164
Grupo etário
Idoso 285 12,2 11,2 10,3 0,708
Baixo peso 52 9,4 9,1 9,5 0,908
Eutrofia 230 9,5 9,5 8,1 0,072
Estado nutricional
Sobrepeso 122 9,0 7,9 8,5 0,212
Obesidade 155 10,3 8,3 8,5 0,309
≤8 anos 362 9,7 9,2 8,5 0,085
Escolaridade
≥9 anos 219 9,8 8,8 8,3 0,061
≤1 salário mínimo 248 9,2 9,3 8,1 0,186
Renda
>1 salário mínimo 336 10,2 8,7 8,5 0,024
Ex-fumante 147 10,1 9,8 8,5 0,327
Hábito de fumar Fumante 106 9,9 8,6 9,4 0,935
Não fumante 331 9,5 8,8 7,9 0,004
Sim 260 10,5 9,1 8,8 0,048
Alcoolismo
Não 324 9,2 8,6 7,8 0,060
a
teste de tendência não paramétrico
66 Lopes et al. Int J Cardiovasc Sci. 2015;28(1):61-69
Betaína e Colina Relacionadas à Homocisteína Plasmática Artigo Original

Tabela 5
Consumo médio de alimentos de maior contribuição para betaína e colina na população estudada

Grupos de alimentos % Consumo médio (g) Nutriente (mg)

Pães brancos 20,59 71 51,02


Cereais e massas 15,49 202 116,07
Biscoitos 12,69 39 69,97
Pães integrais 5,80 59 67,69
Chá-mate 4,80 297 220,52
Betaína
Cerveja 3,11 849 68,75
Carne bovina 2,34 120 14,60
Beterraba 1,93 51 77,07
Aves 1,38 101 7,04
Pizza 1,30 176 55,78

Carne bovina 19,73 120 104,75


Aves 10,52 101 81,61
Ovos 6,28 64 140,21
Leite 5,45 202 31,24
Fígado bovino 4,08 158 695,37

Colina Feijões 3,24 74 27,44


Peixes 2,39 221 142,12
Bolosa 2,33 55 88,26
Linguiças 2,20 84 50,42
Cerveja 1,84 849 84,03

Pão francês 1,71 72 10,66

a
sem cobertura e recheio

Discussão decorrentes tanto do envelhecimento 19 quanto da


deficiência de vitaminas, sobretudo de vitamina B1223.
Este estudo é pioneiro em investigar a relação entre
betaína e colina dietéticas e homocisteína plasmática em A maior parte das variáveis dietéticas apresentou
amostra de base populacional em indivíduos de São diferentes medianas de ingestão segundo as concentrações
Paulo. de homocisteína plasmática. Observadas menores
medianas de ingestão de colina, betaína, folato natural e
A prevalência de hiper-homocisteinemia maior em vitaminas B6 e B12 em indivíduos com hiper-
homens e em idosos confirma os resultados igualmente homocisteinemia. Salienta-se que esses nutrientes se
obtidos por Jacques et al. 21 no estudo de coorte de inter-relacionam no ciclo metabólico da homocisteína4,8,9.
Framingham. Segundo Neves et al.22, sexo e idade são os
principais fatores fisiológicos relacionados à hiper- Indivíduos com hiper-homocisteinememia também
homocisteinemia. Homens têm, em média, concentrações apresentaram menores concentrações séricas de folato e
plasmáticas de homocisteína 21,0% maiores que as vitaminas B6 e B12, em acordo com os resultados obtidos
mulheres. Além disso, indivíduos mais velhos tendem a por Refsum et al.24. A baixa disponibilidade de folato no
apresentar maiores níveis circulantes de homocisteína organismo, indicada pelas concentrações séricas ou
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Artigo Original Betaína e Colina Relacionadas à Homocisteína Plasmática

eritrocitárias reduzidas do nutriente, sugere que a via de de homocisteína27,28 e que fumantes tendem a ter menores
remetilação da homocisteína à metionina possa estar níveis circulantes de vitaminas B6, B12 e folato, nutrientes
dependente de betaína como doadora do grupo metil, o relacionados ao metabolismo da homocisteína28,29. O
que reforça a importância do consumo adequado de maior consumo de betaína associou-se a menores níveis
betaína e colina para a redução da homocisteína em de homocisteína para fumantes; já para a colina, os
indivíduos do município de São Paulo. maiores níveis de consumo associaram-se à diminuição
da homocisteína apenas para os não fumantes. Ainda
Neste estudo, indivíduos do menor estrato de renda que a razão para esses resultados não seja clara, é possível
familiar per capita apresentaram prevalência de hiper- que diferenças no consumo alimentar entre esses grupos
homocisteinemia superior aos indivíduos do maior possam explicar os efeitos de colina e betaína para a
estrato de renda. De acordo com a literatura25,26, o fator redução da homocisteína.
socioeconômico é importante e consistente preditor de
morbimortalidade. No entanto, ainda não há estudos na No que se refere ao consumo de bebidas alcoólicas, não
literatura que investiguem a influência de variáveis foram observadas diferenças na prevalência de hiper-
socioeconômicas na concentração plasmática de homocisteinemia entre consumidores e não consumidores.
homocisteína de indivíduos, dificultando assim a Contudo, os efeitos provocados pelo álcool sobre a
comparação e interpretação dos resultados. concentração plasmática de homocisteína parecem variar
segundo o grau de consumo. Maiores concentrações de
As concentrações plasmáticas de homocisteína mostraram homocisteína plasmática total estão diretamente
tendência de redução do primeiro ao último tercil de associadas ao consumo crônico e excessivo de bebidas
ingestão de betaína para muitas das categorias das alcoólicas30, possivelmente pela interferência do álcool
variáveis estudadas. Embora não seja possível estabelecer no ciclo da metionina 31 e pela ação antagônica no
relação de causalidade devido ao delineamento metabolismo do folato32. Porém, o consumo moderado
transversal, este estudo sugere que o consumo de betaína de bebidas alcoólicas (≤2 drinques/dia) parece ter efeito
exerça papel protetor contra a elevação da homocisteína sobre a diminuição da homocisteína total33. Assim, os
plasmática em indivíduos da cidade de São Paulo. Dentre achados na literatura sugerem um efeito ambíguo do
os alimentos que mais contribuíram para o aporte de álcool em relação à homocisteína, exercendo efeito
betaína na dieta, destacam-se os pães, os cereais e as protetor quando ingerido moderadamente; e efeito
massas, alimentos que também são fontes de outros prejudicial quando consumido em excesso33.
nutrientes envolvidos no metabolismo da homocisteína,
como as vitaminas do complexo B. No presente estudo, as concentrações de homocisteína
plasmática entre os consumidores de bebidas alcoólicas
Maior consumo de colina associou-se a menores mostrou tendência de redução segundo os tercis de ingestão
concentrações plasmáticas de homocisteína para um de colina e betaína. Em estudo anterior, Cho et al. 9
número menor de variáveis, tais como sexo (masculino observaram que mesmo quando a ingestão de folato é
e feminino), renda per capita (maior que um salário baixa, uma vez que as ingestões de colina e betaína sejam
mínimo) e alcoolismo (consumidores de bebidas adequadas, o metabolismo do grupo metil pode funcionar
alcoólicas). Desta forma, os resultados apontam para o adequadamente. É possível que a interferência do
papel protetor da colina sobre a homocisteína plasmática consumo excessivo de álcool no metabolismo do folato
em subgrupos específicos da população. Cabe salientar reforce a importância da betaína e da colina na
que os alimentos de maior contribuição para a ingestão remetilação da homocisteína.
de colina foram alimentos de origem animal (carne
bovina, aves e ovos), que também são fontes de proteínas, Apesar do papel protetor na redução dos níveis de
as quais podem aumentar a produção endógena de homocisteína e, consequentemente, na diminuição do
homocisteína. Assim, o efeito protetor da colina pode ser risco cardiovascular, estudos recentes34,35 mostram que
contrabalanceado pelas proteínas de origem animal da o n-óxido de trimetilamina (TMAO), um metabólito
dieta, resultando na ausência de associação com a formado pela microbiota intestinal a partir de nutrientes
homocisteína plasmática, conforme observado em grande que contenham trimetilamina, como a colina, está
parte dos indivíduos estudados. relacionado com a patogênese da aterosclerose e a
severidade das doenças cardiovaculares.
Em relação ao hábito de fumar, não foram observadas
diferenças na prevalência de hiper-homocisteinemia. As limitações deste estudo merecem menção. Uma vez
Sabe-se que fumar promove aumento das concentrações que os dados foram obtidos de estudo transversal, deve-se
68 Lopes et al. Int J Cardiovasc Sci. 2015;28(1):61-69
Betaína e Colina Relacionadas à Homocisteína Plasmática Artigo Original

ter cautela em assumir conclusões sobre o efeito causal podem contrabalancear seu efeito, resultando na ausência
da exposição de interesse sobre os fatores bioquímicos de associação com a homocisteína plasmática.
estudados. Além disso, não há dados sobre variações
genéticas que, reconhecidamente, podem afetar as
concentrações de homocisteína plasmática. Potencial Conflito de Interesses
Declaro não haver conflitos de interesses pertinentes.

Fontes de Financiamento
Conclusões O presente estudo recebeu auxílio financeiro do Conselho
Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq
Este estudo sugere a importância de alimentos fonte de (processos n° 473100/2009-6 e n° 124652/2010-7) e da Fundação
betaína por seu papel protetor em relação aos níveis de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo - FAPESP
(processo n° 2009/15831-0).
elevados de homocisteína plasmática em indivíduos da
cidade de São Paulo. Já para a colina, os resultados Vinculação Acadêmica
apontam efeito protetor em subgrupos específicos da O presente estudo não está vinculado a qualquer programa de
população, considerando que proteínas de origem animal pós-graduação.

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