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CURSO PARA A PROVA OBJETIVA

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RODADA 6

COMENTÁRIOS
#SouOuse
#AquiéMP
#TôDentro
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C U RSO PARA A
PROVA OBJ ET IVA

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DIREITO CONSTITUCIONAL
PROFA. BRUNA RIBEIRO

51 – QUESTÃO:

Acerca do direito à inviolabilidade do sigilo de dados, considerando a jurisprudência das


Cortes Superiores, assinale a alternativa correta:

a) Configura quebra de sigilo a requisição de informações pelos agentes fiscais dos entes
federados e as instituições financeiras.
b) Apenas mediante requisição judicial poderá o membro do Ministério Público ter acesso às
movimentações bancárias de conta titularizada pela prefeitura municipal.
c) Há violação do sigilo de correspondência eletrônica se a autorização judicial para
apreensão e perícia do computador não cita expressamente que poderão ser acessados os
e-mails armazenados na máquina.
d) Autorizada a interceptação telefônica em sede de investigação criminal, admite-se o
empréstimo da prova para ação que busque a responsabilização por ato de improbidade
administrativa, respeitado o direito ao contraditório.
e) A interceptação telefônica somente poderá ser decretada pelo juiz competente para
conhecer a ação penal principal.

- RESPOSTA: Alternativa D.

- PONTO DO EDITAL: 2.2. Direitos e deveres individuais e coletivos.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: A alternativa está incorreta. O art. 5º da LC 105/2001 obriga as instituições


financeiras a informarem periodicamente à Receita Federal as operações financeiras realizadas
acima de determinado valor. O art. 6º da mesma norma legal prevê que as autoridades e os
agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios podem
requisitar diretamente das instituições financeiras informações sobre as movimentações
bancárias dos contribuintes.

Analisando a matéria, o Supremo Tribunal Federal entendeu (ADI 2390/DF, ADI


2386/DF, ADI 2397/DF e ADI 2859/DF) estas previsões legais são constitucionais. Para a Corte
Maior, esta previsão não se caracteriza como “quebra” de sigilo bancário, ocorrendo apenas a
“transferência de sigilo” dos bancos ao Fisco.

Alternativa B: A alternativa está incorreta. No julgamento do HC 308.493/CE, o Supe-


rior Tribunal de Justiça já entendeu que é lícita a requisição direta de informações pelo membro
do Ministério Público à instituição financeira, tratando-se de contas bancárias de titularidade

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da prefeitura municipal. Isto porque, para a Corte, há, na hipótese, tutela do patrimônio públi-
co, não havendo que se falar em quebra de sigilo de dados.

Alternativa C: A alternativa está incorreta. No julgamento do RHC 132062/RS, o


Supremo Tribunal Federal entendeu que não há violação do sigilo de correspondência eletrônica
se o magistrado autoriza a apreensão e perícia do computador e nele estão armazenados os
e-mails do investigado que, então, são lidos e examinados. Para a Corte, a proteção a que se
refere o inciso XII do art. 5º da CR/88 se refere à comunicação de dados, e não aos dados em si
mesmos, ainda quando armazenados em computador.

Alternativa D: A alternativa está correta. O inciso o inciso XII do art. 5º da CR/88


estabelece que o sigilo das comunicações telefônicas poderá ser quebrado “por ordem judicial,
nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução
processual penal”. Regulamentando a norma constitucional, a Lei n. 9.296/96 detalha a matéria.

Interpretando os dispositivos, legais e constitucional, o Supremo Tribunal Federa, no


Inq. 2.424/QO, concluiu que é possível o translado da prova obtida por interceptação telefônica
para instruir processos de natureza administrativa ou civil.

Assim, a jurisprudência pátria tem entendendo que, sobretudo em nome da efetivi-


dade e da economia processual, nada obsta a utilização da prova emprestada na ação de im-
probidade, desde que produzida sob o signo do contraditório. Assim, a prova  produzida em
um processo pode ser aproveitada em outro, ainda que se desenvolvam em esferas diversas
(criminal, civil ou administrativa).

Alternativa E: A alternativa está incorreta. O Supremo Tribunal Federal já entendeu


que é possível que a interceptação telefônica será decretada por um juiz que atue em Vara de
Central de Inquéritos Criminais, mesmo que esse juiz não seja competente para conhecer da
futura ação penal que será proposta. Para a Corte, o art. 1º da Lei n. 9.296/96 não fixa regra de
competência, mas, sim, reserva de jurisdição para a quebra do sigilo das comunicações. Assim,
é possível admitir a divisão de tarefas entre juízes que atuam na fase de inquérito e na fase da
ação penal.

- GABARITO DA QUESTÃO: D.

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52 – QUESTÃO:

Sobre o mandado de segurança, é possível afirmar que:


a) Tratando-se de ato delegado, a legitimidade passiva, no mandamus, é da autoridade
delegada.
b) É o remédio adequado para obter efeito suspensivo a recurso criminal interposto pelo
Ministério Público.
c) É cabível contra matéria interna corporis das Casas Legislativas.
d) É possível a habilitação dos herdeiros em mandado de segurança, quando houver a morte
do impetrante.
e) É facultativa a citação do réu como litisconsorte passivo no mandado de segurança
impetrado pelo Ministério Público contra decisão proferida em processo penal.

- RESPOSTA: Alternativa A.

- PONTO DO EDITAL: 2.2. Direitos e deveres individuais e coletivos.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: A alternativa está correta. Com a delegação de poder, a autoridade


delegada para a deter a competência para praticar determinados atos de poder. Assim, a
autoridade delegada passa a deter a responsabilidade administrativa e pode corrigir possíveis
ilegalidades, sendo, portanto, a legitimada passiva em caso de impetração de mandado de
segurança.

Alternativa B: A alternativa está incorreta. O Enunciado de Súmula n. 604 do STJ


estabelece:

Súmula 604 do STJ: O mandado de segurança não se presta para atribuir


efeito suspensivo a recurso criminal interposto pelo Ministério Público.

Alternativa C: A alternativa está incorreta. O Supremo Tribunal Federal entende que


não cabe Mandado de Segurança contra os atos interna corporis, isto é, a matéria de interesse
privado das Casas Legislativas.

Bernardo Gonçalves Fernandes (FERNANDES, p. 582) esclarece que “o STF pelo


menos admite que se o conflito envolver normas constitucionais não há que se falar em matéria
interna corporis”, ou seja, caso haja contrariedade à norma constitucional, a matéria foge ao
interesse privado da Casa Legislativa, admitindo, portanto, seu questionamento por meio de
mandado de segurança.

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Alternativa D: A alternativa está incorreta. O Supremo Tribunal Federal já decidiu
que, tratando-se de ação em que se busca a tutela de direito de cunho personalíssimo, não cabe
a habilitação dos herdeiros por ocasião da morte do impetrante.

Para a Corte, falecendo o titular da ação, o processo deve ser extinto, cabendo aos
herdeiros buscar tutelar seus direitos pelas vias ordinárias.

Alternativa E: A alternativa está incorreta. O Enunciado de Súmula n. 701 do Supremo


Tribunal Federal estabelece que “No mandado de segurança impetrado pelo Ministério Público
contra decisão proferida em processo penal, é obrigatória a citação do réu como litisconsorte
passivo”.

- GABARITO DA QUESTÃO: A.

53 – QUESTÃO:

NÃO compete à União:

a) Manter o serviço postal e o correio aéreo nacional.


b) Organizar e manter o Poder Judiciário, o Ministério Público e a Defensoria Pública do
Distrito Federal e dos Territórios.
c)  Exercer a classificação, para efeito indicativo, de diversões públicas e de programas de
rádio e televisão.
d) Planejar e promover a defesa permanente contra as calamidades públicas, especialmente
as secas e as inundações.
e)  Organizar, manter e executar a inspeção do trabalho.

- RESPOSTA: Alternativa B.

- PONTO DO EDITAL: 2.5. Organização do Estado. Federalismo. Repartição de competências.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: A alternativa está correta. A matéria é competência de União, de acordo


com o inciso X do art. 21 da CR/88.

Alternativa B: A alternativa está incorreta. De acordo com o inciso X do art. 21 da


CR/88, compete à União “organizar e manter o Poder Judiciário, o Ministério Público do Distrito
Federal e dos Territórios e a Defensoria Pública dos Territórios”.

A redação do dispositivo foi alterada pela Emenda Constitucional n. 69, de 2012.


Com alteração, a organização e manutenção da Defensoria Pública do Distrito Federal cabe

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ao próprio Ente Federal. À União, cabe manter a organizar a Defensoria Pública dos Territórios
federais.

Alternativa C: A alternativa está correta. A matéria é competência de União, de acordo


com o inciso XVI do art. 21 da CR/88.

Alternativa D: A alternativa está correta. A matéria é competência de União, de acordo


com o inciso XVIII do art. 21 da CR/88.

Alternativa E: A alternativa está correta. A matéria é competência de União, de acordo


com o inciso XXIV do art. 21 da CR/88.

- GABARITO DA QUESTÃO: B.

54 – QUESTÃO:

A fiscalização das contas do Poder Executivo é exercida pelo Legislativo, mediante controle
externo, com o auxílio do Tribunal de Contas. A respeito das Cortes de Contas, julgue os itens
a seguir:

I – A apreciação das contas dos Prefeitos será exercida pelas Câmaras Municipais, salvo
quanto se tratarem de contas de gestão, caso em que o julgamento caberá diretamente ao
Tribunal de Contas respectivo.
II – O parecer técnico elaborado pelo Tribunal de Contas, quanto às contas do Prefeito, tem
natureza meramente opinativa, cabendo à Câmara dos Vereadores o julgamento final, não
sendo possível falar em julgamento ficto das contas por decurso de prazo.
III – Embora não integre o conceito de Ministério Público enquanto função essencial à Justiça,
o membro do Ministério Público de Contas possui legitimidade para impetrar mandado de
segurança contra acórdão prolatado pela Corte de Contas.
IV – É constitucional norma estadual que crie Procuradoria do Tribunal de Contas e preveja
que a ela compete a execução das multas aplicadas pela Corte.
V – Não atendida sua determinação, compete ao Tribunal de Contas da União sustar a
execução do ato ou contrato impugnado, comunicando a decisão à Câmara dos Deputados e
ao Senado Federal.

Estão corretos:

a) II, IV e V.
b) I e III, apenas.
c) II, III e IV.
d) II e III, apenas.
e) III, IV e V.

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- RESPOSTA: Alternativa D.

- PONTO DO EDITAL: 2.6. Organização dos poderes.

- COMENTÁRIOS:

Item I: O item está incorreto. A Constituição Federal estabelece que:

Art. 31. A fiscalização do Município será exercida pelo Poder Legislativo


Municipal, mediante controle externo, e pelos sistemas de controle
interno do Poder Executivo Municipal, na forma da lei.
(...)
§ 2º - O parecer prévio, emitido pelo órgão competente sobre as contas
que o Prefeito deve anualmente prestar, só deixará de prevalecer por
decisão de dois terços dos membros da Câmara Municipal.

Parcela da doutrina (com vozes importantes na jurisprudência, a exemplo do Ministro


Luís Roberto Barroso) defende que as contas dos prefeitos somente devem ser julgadas pela
Câmara Municipal quando se tratarem de contas de governo, isto é, quando se referirem à
atuação do chefe do Executivo enquanto agente político.

Segundo este entendimento, tratando-se de contas de gestão, ou seja, contas relativas


à atuação do Chefe do Executivo como gestor público (ou como ordenador de despesas), o
julgamento caberia diretamente ao Tribunal de Contas, sem participação da Casa Legislativa.

O entendimento esposado acima, conquanto relevante, não foi albergado pelo


Supremo Tribunal Federal. Assim, no julgamento do RE 848826/DF a Corte Maior decidiu que
cabe à Câmara Municipal a apreciação das contas do Prefeito, tanto as de governo quanto as de
gestão.

Item II: O item está correto. O Supremo Tribunal Federal, no RE 729744/MG, decidiu:

Parecer técnico elaborado pelo Tribunal de Contas tem natureza


meramente opinativa, competindo exclusivamente à Câmara de
Vereadores o julgamento das contas anuais do chefe do Poder Executivo
local, sendo incabível o julgamento ficto das contas por decurso de
prazo.

Para a Corte, o julgamento das contas do Prefeitos cabe exclusivamente à Câmara


Municipal, motivo pelo qual não se pode falar em julgamento ficto das contas, por dois motivos:

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1) Isso representaria uma delegação ao Tribunal de Contas, órgão
auxiliar, de uma competência constitucional que é própria das Câmaras
Municipais;
2) Estaria sendo criada uma sanção aos Prefeitos pelo decurso de prazo,
punição esta inexistente na Constituição1.

Item III: O item está correto. No julgamento da Rcl 24162 o Supremo Tribunal Federal
firmou o entendimento de que:

“O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas não dispõe de


fisionomia institucional própria, não integrando o conceito de Ministério
Público enquanto ente despersonalizado de função essencial à Justiça”.

Assim, o Ministério Público de Contas não se confunde com o Ministério Público


comum, possuindo atuação funcional própria, circunscrita ao controle externo exercido com o
auxílio das Cortes de Contas.

Apesar disto, no julgamento do RMS 52.741/GO, a Corte Maior entendeu que o


membro do Ministério Público que atua perante o Tribunal de Contas possui legitimidade e
capacidade postulatória para impetrar mandado de segurança, em defesa de suas prerrogativas
institucionais, contra acórdão prolatado pela respectiva Corte de Contas.

Item IV: O item está incorreto. O Supremo Tribunal Federal entende que é possível a
criação de Procuradoria do Tribunal de Contas, órgão com atribuição de representação judicial
e defesa das prerrogativas da Corte de Contas.

No entendimento da Corte Maior, contudo, tais Procuradorias não possuem


legitimidade para cobrar as multas aplicadas pela Corte de Contas.

Isto porque, para o Supremo:

O art. 71, § 3º, da CF/88 não outorgou ao TCU legitimidade para executar
suas decisões das quais resulte imputação de débito ou multa. A
competência para isso é do titular do crédito constituído a partir da
decisão, ou seja, o ente público prejudicado (STF. 2ª Turma. AI 826676
AgR, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 08/02/2011).

Item V: O item está incorreto. O inciso X do art. 71 da Constituição Federal de 1988


dispõe que compete ao Tribunal de Contas da União “X - sustar, se não atendido, a execução do
ato impugnado, comunicando a decisão à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal”. Quanto
aos contratos administrativos, contudo, o parágrafo primeiro o dispositivo faz importante

1 https://www.dizerodireito.com.br/2016/09/competencia-para-julgamento-das-contas.html

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ressalva: “§ 1º No caso de contrato, o ato de sustação será adotado diretamente pelo Congresso
Nacional, que solicitará, de imediato, ao Poder Executivo as medidas cabíveis”.

- GABARITO DA QUESTÃO: D.

55 – QUESTÃO:

Não é da competência exclusiva do Congresso Nacional:

a) Resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem


encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional.
b) Autorizar operações externas de natureza financeira, de interesse da União, dos Estados,
do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios.
c) Aprovar o estado de defesa e a intervenção federal, autorizar o estado de sítio, ou suspen-
der qualquer uma dessas medidas.
d) Autorizar, em terras indígenas, a exploração e o aproveitamento de recursos hídricos e a
pesquisa e lavra de riquezas minerais.
e) Aprovar, previamente, a alienação ou concessão de terras públicas com área superior a
dois mil e quinhentos hectares.

- RESPOSTA: Alternativa B.

- PONTO DO EDITAL: 2.6. Organização dos poderes.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: A alternativa está incorreta. Trata-se de matéria da competência


exclusiva do Congresso Nacional, consoante o inciso I do art. 49 da Constituição Federal:

Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional:


I - resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais
que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio
nacional;

Alternativa B: A alternativa está correta. Não se trata de matéria da competência


exclusiva do Congresso Nacional, mas sim de matéria da competência privativa do Senado
Federal consoante o inciso V do art. 52 da Constituição Federal:

Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal: (...)


V - autorizar operações externas de natureza financeira, de interesse da
União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios;

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Alternativa C: A alternativa está incorreta. Trata-se de matéria da competência
exclusiva do Congresso Nacional, consoante o inciso IV do art. 49 da Constituição Federal:

Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional: (...)


IV - aprovar o estado de defesa e a intervenção federal, autorizar o estado
de sítio, ou suspender qualquer uma dessas medidas;

Alternativa D: A alternativa está incorreta. Trata-se de matéria da competência


exclusiva do Congresso Nacional, consoante o inciso XVI do art. 49 da Constituição Federal:

Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional: (...)


XVI - autorizar, em terras indígenas, a exploração e o aproveitamento de
recursos hídricos e a pesquisa e lavra de riquezas minerais;

Alternativa E: A alternativa está incorreta. Trata-se de matéria da competência


exclusiva do Congresso Nacional, consoante o inciso I do art. 49 da Constituição Federal:

Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional: (...)


XVII - aprovar, previamente, a alienação ou concessão de terras públicas
com área superior a dois mil e quinhentos hectares.

- GABARITO DA QUESTÃO: B.

56 – QUESTÃO:

Considerando o entendimento do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal


Federal, assinale a alternativa correta:

a) Na hipótese de o membro do Ministério Público praticar falta administrativa prevista em lei


como crime, o prazo prescricional da ação civil para a perda do cargo independe do trânsito
em julgado da ação penal.
b) O termo inicial da contagem de prazo para impugnar decisão judicial é, para O Ministério
Público, a data da entrega dos autos na repartição administrativa do órgão, salvo se a
intimação houver sido pessoal, em audiência.
c) Não é obrigatória a intervenção do Ministério Público em ação de reintegração de posse
quando a parte ré, maior e capaz, residir no imóvel com seus filhos menores.
d) Havendo divergência entre membro do Ministério Público Federal e membro do Ministério
Público estadual acerca da atribuição para atuar em determinado inquérito civil, caberá ao
Supremo Tribunal Federal decidir o conflito.
e) Tratando-se de ação em que há inegável interesse público, deve o Ministério Público,
sempre, intervir nas ações de ressarcimento ao erário propostas por entes públicos.

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- RESPOSTA: Alternativa C.

- PONTO DO EDITAL: 2.7. Ministério Público. Organização, princípios, funções, garantias e


vedações. Lei Orgânica Nacional do Ministério Público. Lei Orgânica do Ministério Público do
Estado de São Paulo.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: A alternativa está incorreta. O Superior Tribunal de Justiça, no REsp


1.535.222/MA decidiu que:

Na hipótese de membro de Ministério Público Estadual praticar falta


administrativa também prevista na lei penal como crime, o prazo
prescricional da ação civil para a aplicação da pena administrativa
de perda do cargo somente tem início com o trânsito em julgado da
sentença condenatória na órbita penal.

Quando o Promotor de Justiça comete infração administrativa, a prescrição é aquela


disciplinada no art. 244 da Lei Complementar n. 75/1993. Entretanto, quando esta infração, for,
ao mesmo tempo, definida em Lei como crime, o prazo prescricional será o referente ao crime
praticado.

Ademais, a prescrição para a ação civil somente começará a correr com o trânsito em
julgado da ação penal, pois o art. 38 § 1º, I, do Código Penal, afirma que a ação civil somente
deve ser proposta após o trânsito em julgado da condenação criminal:

Art. 38. (...).


§ 1º O membro vitalício do Ministério Público somente perderá o cargo
por sentença judicial transitada em julgado, proferida em ação civil
própria, nos seguintes casos:
I - prática de crime incompatível com o exercício do cargo, após decisão
judicial transitada em julgado;

Alternativa B: A alternativa está incorreta. O Superior Tribunal de Justiça, no


julgamento do REsp 1.349.935/SE, decidiu que:

O termo inicial da contagem do prazo para impugnar decisão judicial


é, para o Ministério Público, a data da entrega dos autos na repartição
administrativa do órgão, sendo irrelevante que a intimação pessoal
tenha se dado em audiência, em cartório ou por mandado.

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Vale lembrar que a prerrogativa de intimação pessoal é prevista em inúmeros
diplomas normativos2:

Na Lei Complementar nº 75/93:

Art. 18. São prerrogativas dos membros do Ministério Público da União:


II - processuais:
h) receber intimação pessoalmente nos autos em qualquer processo e
grau de jurisdição nos feitos em que tiver que oficiar.

Na Lei n. 8.625/93:

Art. 41. Constituem prerrogativas dos membros do Ministério Público,


no exercício de sua função, além de outras previstas na Lei Orgânica:
(...)
IV - receber intimação pessoal em qualquer processo e grau de
jurisdição, através da entrega dos autos com vista;

No Código de Processo Penal:

Art. 370. (...).


§ 4º A intimação do Ministério Público e do defensor nomeado será
pessoal.

E no Código de Processo Civil:

Art. 180.  O Ministério Público gozará de prazo em dobro para manifestar-


se nos autos, que terá início a partir de sua intimação pessoal, nos termos
do art. 183, § 1º.
(...)

Art. 183. (...)


§ 1º A intimação pessoal far-se-á por carga, remessa ou meio eletrônico.

Alternativa C: A alternativa está correta. O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento


do REsp 1.243.425/RS decidiu que:

O fato de a ré residir com seus filhos menores no imóvel não torna, por
si só, obrigatória a intervenção do Ministério Público (MP) em ação de
reintegração de posse.
Segundo prevê o CPC, o MP deve intervir nas causas em que houver

2 https://www.dizerodireito.com.br/2017/10/intimacao-pessoal-dos-membros-do.html

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interesse de incapazes, hipótese em que deve diligenciar pelos direitos
daqueles que não podem agir sozinhos em juízo. Logo, o que legitima a
intervenção do MP nessas situações é a possibilidade de desequilíbrio
da relação jurídica e eventual comprometimento do contraditório
em função da existência de parte absoluta ou relativamente incapaz.
Nesses casos, cabe ao MP aferir se os interesses do incapaz estão sendo
assegurados e respeitados a contento, seja do ponto de vista processual
ou material.
Na hipótese em tela, a ação de reintegração de posse foi ajuizada tão
somente contra a genitora dos menores, não veiculando, portanto,
pretensão em desfavor dos incapazes, já que a relação jurídica subjacente
em nada tangencia a estes. A simples possibilidade de os filhos - de idade
inferior a dezoito anos - virem a ser atingidos pelas consequências fáticas
oriundas da ação de reintegração de posse não justifica a intervenção
do MP no processo como custos legis.
O STJ entendeu que o interesse dos menores na causa é meramente
reflexo. Não são partes ou intervenientes no processo, tampouco
compuseram qualquer relação negocial3.

Alternativa D: A alternativa está incorreta. No julgamento da Pet 5586/RS o Supremo


Tribunal Federal, alterando sua jurisprudência anterior acerca da matéria, decidiu que compete
a Procurador-Geral da República decidir o conflito negativo de atribuições entre Ministério
Público estadual e Ministério Público Federal.

O argumento utilizado pelos Ministros foi no sentido de que a questão não é


jurisdicional, e sim administrativa, e, por isso, a controvérsia deverá ser remetida ao Procurador-
Geral da República.

Em tempo, colaciono tabela elaborada por Marcio André Lopes Cavalcante4:

Alternativa E: A alternativa está incorreta. Nos termos do art. 178, I, do Código de


Processo Civil, o Ministério Público deve intervir nas causas em que houver interesse público. A
jurisprudência entende que se trata de interesse público primário.

Em regra, nas ações de ressarcimento está sendo discutido apenas o interesse


patrimonial do ente público (interesse público secundário ou interesse da Administração).
Sendo esse o caso, não haverá intervenção obrigatória do Ministério Público.

- GABARITO DA QUESTÃO: C.

3 https://www.dizerodireito.com.br/2015/10/em-uma-acao-de-reintegracao-de-posse-o.html
4 https://www.dizerodireito.com.br/2016/05/conflito-de-atribuicoes-envolvendo-mpe.html

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57 – QUESTÃO:

De acordo com a Lei Orgânica Nacional do Ministério Público, não se pode afirmar que:

a) Constitui prerrogativa do membro do Ministério Público somente se sujeitar à intimação


se expedida por autoridade judiciária ou por órgão da Administração Superior do Ministério
Público competente.
b) Quando no curso de investigação, houver indício da prática de infração penal por parte de
membro do Ministério Público, a autoridade remeterá, imediatamente os respectivos autos
ao Procurador-Geral de Justiça, a quem competirá dar prosseguimento à apuração.
c) O porte de arma pelo membro do Ministério Público independe de qualquer licença ou
autorização.
d) Não constitui acumulação vedada por lei ao membro do Ministério Público as atividades
exercidas em organismos estaduais afetos à área de atuação do Ministério Público e em
entidades de representação de classe.
e) Em caso de extinção da Comarca será facultado ao Promotor de Justiça remover-se
para outra Promotoria de igual entrância ou obter a disponibilidade com vencimentos
proporcionais.

- RESPOSTA: Alternativa E.

- PONTO DO EDITAL: 2.7. Ministério Público. Organização, princípios, funções, garantias e


vedações. Lei Orgânica Nacional do Ministério Público. Lei Orgânica do Ministério Público do
Estado de São Paulo.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: A alternativa está correta. É o que prevê o inciso II do art. 40 da Lei n.


8.625/93:

Art. 40. Constituem prerrogativas dos membros do Ministério Público,


além de outras previstas na Lei Orgânica:
(...)
II - estar sujeito a intimação ou convocação para comparecimento,
somente se expedida pela autoridade judiciária ou por órgão da
Administração Superior do Ministério Público competente, ressalvadas
as hipóteses constitucionais;

Alternativa B: A alternativa está correta. É o que prevê o parágrafo primeiro do art. 41


da Lei n. 8.625/93:

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Art. 41. Constituem prerrogativas dos membros do Ministério Público,
no exercício de sua função, além de outras previstas na Lei Orgânica: (...)
Parágrafo único. Quando no curso de investigação, houver indício da
prática de infração penal por parte de membro do Ministério Público,
a autoridade policial, civil ou militar remeterá, imediatamente, sob
pena de responsabilidade, os respectivos autos ao Procurador-Geral de
Justiça, a quem competirá dar prosseguimento à apuração.

Alternativa C: A alternativa está correta. É o que prevê o art. 42 da Lei n. 8.625/93:

Art. 42. Os membros do Ministério Público terão carteira funcional, ex-


pedida na forma da Lei Orgânica, valendo em todo o território nacional
como cédula de identidade, e porte de arma, independentemente, neste
caso, de qualquer ato formal de licença ou autorização.

Alternativa D: A alternativa está correta. É o que prevê o parágrafo único do art. 44 da


Lei n. 8.625/93:

Art. 44. Aos membros do Ministério Público se aplicam as seguintes


vedações: (...)
Parágrafo único. Não constituem acumulação, para os efeitos do
inciso IV deste artigo, as atividades exercidas em organismos estatais
afetos à área de atuação do Ministério Público, em Centro de Estudo e
Aperfeiçoamento de Ministério Público, em entidades de representação
de classe e o exercício de cargos de confiança na sua administração e
nos órgãos auxiliares.

Alternativa E: A alternativa está incorreta. O art. 39 da Lei n. 8.625/93 dispõe:

Art. 39. Em caso de extinção do órgão de execução, da Comarca ou


mudança da sede da Promotoria de Justiça, será facultado ao Promotor
de Justiça remover-se para outra Promotoria de igual entrância ou
categoria, ou obter a disponibilidade com vencimentos integrais e a
contagem do tempo de serviço como se em exercício estivesse (grifei).
§ 1º O membro do Ministério Público em disponibilidade remunerada
continuará sujeito às vedações constitucionais e será classificado em
quadro especial, provendo-se a vaga que ocorrer.
§ 2º A disponibilidade, nos casos previstos no caput deste artigo outorga
ao membro do Ministério Público o direito à percepção de vencimentos
e vantagens integrais e à contagem do tempo de serviço como se em
exercício estivesse.

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:

C U RSO PARA A
PROVA OBJ ET IVA

MP-SP
- GABARITO DA QUESTÃO: E.

58 – QUESTÃO:

Avalie as alternativas a seguir a respeito do controle concentrado de constitucionalidade no


âmbito estadual, assinale a alternativa incorreta:

a) A legitimidade ativa para o exercício do controle pode, ou não, seguir o paradigma da


Constituição Federal, podendo ser conferida a órgãos públicos ou privados.
b) O parâmetro do controle é a Constituição Estadual como um todo, inclusive às normas de
observância obrigatória, hipótese em que caberá recurso extraordinário em face da decisão
da ADI estadual.
c) Proferida decisão de improcedência da ADI Estadual, é possível que o Supremo Tribunal
Federal, posteriormente, venha a julgar a norma inconstitucional.
d) Ocorrendo a simultaneidade de ações diretas de inconstitucionalidade, deve a ADI Estadual
ter seu trâmite suspenso até o julgamento da ADI nacional.
e) No julgamento da ADI Estadual, não se admite que o Tribunal de Justiça, de ofício, entenda
pela inconstitucionalidade da norma parâmetro estadual, extinguindo o processo.

- RESPOSTA: Alternativa E.

- PONTO DO EDITAL: 2.4. Controle de constitucionalidade.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: A alternativa está correta. O controle concentrado, no âmbito estadual,


tem como paradigma a Constituição Estadual. Trata-se de controle de competência do Tribunal
de Justiça. Quanto à legitimidade ativa, verifica-se que a legitimidade no âmbito estadual não
foi fixada pela Constituição Federal, ficando a critério das Constituições Estaduais delimitá-la.

Assim, os “Estados podem ou não observar o paradigma da Constituição da República,


não sendo obrigados a normatizar de acordo com uma lógica simétrica (princípio da simetria).”
(FERNANDES, p. 1560).

Alternativa B: A alternativa está correta. O controle de concentrado estadual tem


como parâmetro a Constituição Estadual, em sua totalidade. Isto significa que mesmo as
normas que constituam mera repetição da Constituição Federal poderão servir de parâmetro
para a propositura de ADI Estadual.

Nas hipóteses em que a ADI estadual se referir a norma de repetição da Carta Federal,
caberá recurso extraordinário em face da decisão proferida pelo Tribunal de Justiça.

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C U RSO PARA A
PROVA OBJ ET IVA

MP-SP
Isto ocorre porque “qualquer interpretação inadequada de uma norma de reprodu-
ção obrigatória se traduz em descumprimento da Constituição Federal (por essência).” (FER-
NANDES, p. 1563).

Alternativa C: A alternativa está correta. O julgamento de procedência da ADI Estadual


extirpa a norma questionada do ordenamento jurídico, fazendo com que a matéria não possa
ser novamente questionada perante o Supremo Tribunal Federal (lembre-se que, em regra, a
declaração de inconstitucionalidade produz efeitos ex tunc).

Por outro lado, julgada improcedente a ADI Estadual, a lei ou ato normativo será
mantido no ordenamento jurídico, por ter sido considerado compatível com a Constituição. “Com
isso, certo é que o STF não se vincula a essa decisão, podendo declarar a inconstitucionalidade
da Lei estadual (via controle concentrado ou difuso) ou da lei municipal (via controle difuso ou
concentrado, via ADPF).” (FERNANDES, p. 1564).

Alternativa D: A alternativa está correta. É possível que um mesmo ato normativo


estadual viole, ao mesmo tempo, a Constituição Estadual e a Constituição Federal, hipótese
em que poderão ser propostas, simultaneamente, duas ações diretas de inconstitucionalidade
para questioná-lo, uma perante o Tribunal de Justiça (ADI Estadual – tendo como parâmetro a
Constituição Estadual) e outra perante o Supremo Tribunal Federal (ADI nacional – tendo como
parâmetro a Constituição Federal).

O entendimento do Supremo Tribunal Federal é que, neste caso de simultaneidade


de ações diretas de inconstitucionalidade, deve haver a suspensão da ADI Estadual até que haja
a decisão na ADI nacional, pela Corte Suprema.

Assim, julgada procedente a ADI nacional, a norma será extirpada do ordenamento


jurídico, fazendo com que a ADI Estadual perca seu objeto. Por outro lado, julgada improcedente
a ADI nacional, a norma continua vigente, podendo o TJ processar a julgar o ato normativo,
tendo por parâmetro a Constituição Estadual.

Alternativa E: A alternativa está incorreta. A respeito do tema, leciona Bernardo


Gonçalves Fernandes (FERNANDES, p. 1566):

Pode ocorrer que o Tribunal estadual considere inconstitucional o próprio


parâmetro de controle estadual por entende-lo ofensivo à Constituição
Federal. (...) O TJ pode chegar à conclusão, após sua análise, que
inconstitucional é a própria Constituição Estadual! O Tribunal de Justiça
competente para conhecer da ação direta de inconstitucionalidade em
face da Constituição Estadual suscite ex officio a questão constitucional
– inconstitucionalidade do parâmetro estadual em face da Constituição
Federal – declarando, incidentalmente, a inconstitucionalidade a norma

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C U RSO PARA A
PROVA OBJ ET IVA

MP-SP
constitucional estadual em face da Constituição Federal e extinguindo,
por conseguinte, o processo, nos moldes do antigo CPC, ante a
impossibilidade jurídica do pedido”.

- GABARITO DA QUESTÃO: E.

59 – QUESTÃO:

O art. Art. 103-A da Constituição Federal estabelece que o Supremo Tribunal Federal poderá,
de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reite-
radas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação
na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário
e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem
como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. A respeito da
matéria, julgue os itens a seguir:

I - O Município poderá propor, incidentalmente ao curso de processo em que seja parte, a


edição, a revisão ou o cancelamento de enunciado de súmula vinculante, devendo ocorrer a
suspensão do processo até a prolação da decisão.
II – Os recursos interpostos contra decisões proferidas antes da decisão da súmula não deve
obrigatoriamente observar o enunciado sumular.
III - Inexiste ofensa à autoridade de súmula vinculante quando o ato de que se reclama é an-
terior à decisão emanada da Corte Suprema.
IV – Não se admite reclamação contra omissão da administração pública, sob fundamento de
ofensa a súmula vinculante, quando não demonstrado o esgotamento das vias administrati-
vas.
V – São legitimados a propor a edição, a revisão ou o cancelamento de enunciado de súmula
vinculante os mesmos legitimados à propositura de ação direta de inconstitucionalidade.

Estão corretos:

a) III e IV.
b) I, III e IV.
c) II, IV e V.
d) II e III.
e) NDA.

- RESPOSTA: Alternativa A.

- PONTO DO EDITAL: 2.6. Organização dos poderes. 2.4. Controle de constitucionalidade.

COMENTÁRIOS:

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MP-SP
Item I: O item está incorreto. O parágrafo primeiro do art. 2º da Lei n. 11.417/2006
dispõe que:

Art. 2º. (...).


§ 1º O Município poderá propor, incidentalmente ao curso de processo
em que seja parte, a edição, a revisão ou o cancelamento de enunciado
de súmula vinculante, o que não autoriza a suspensão do processo.

Item II: O item está incorreto. No julgamento das Reclamações 6.541 e 6.856 o
Supremo Tribunal Federal decidiu que:

Com efeito, a tese de que o julgamento dos recursos interpostos


contra decisões proferidas antes da edição da súmula não deve
obrigatoriamente observar o enunciado sumular (após sua publicação
na imprensa oficial), data vênia, não se mostra em consonância com
o disposto no art. 103-A, caput, da CF, que impõe o efeito vinculante a
todos os órgãos do Poder Judiciário, a partir da publicação da súmula
na imprensa oficial.

Assim, ainda que a decisão impugnada tenha sido proferida anteriormente à prolação
da súmula, o recurso interposto em face da decisão deverá observar o entendimento esposado
na súmula, pois os efeitos vinculantes desta têm início com a publicação na imprensa oficial.

Item III: A alternativa está correta. Assim decidiu o Supremo Tribunal Federal nas
Reclamações n. 6.449, 8.111 e 3.939. Para o STF, no caso em que a Reclamação for interposta
em face de decisão proferida anteriormente à edição da súmula vinculante pela Corte, carecerá
interesse de agir à parte autora.

Item IV: O item está correto. O parágrafo 1º do art. 7º da Lei 11.417/2006 estabelece:

Art. 7º. Da decisão judicial ou do ato administrativo que contrariar enun-


ciado de súmula vinculante, negar-lhe vigência ou aplicá-lo indevida-
mente caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal, sem prejuízo
dos recursos ou outros meios admissíveis de impugnação.
§ 1º Contra omissão ou ato da administração pública, o uso da reclama-
ção só será admitido após esgotamento das vias administrativas.

Item V: O item está incorreto. O art. 3º da Lei n. 11.417/2006 dispõe:

Art. 3º. São legitimados a propor a edição, a revisão ou o cancelamento


de enunciado de súmula vinculante:
I - o Presidente da República;

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C U RSO PARA A
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MP-SP
II - a Mesa do Senado Federal;
III – a Mesa da Câmara dos Deputados;
IV – o Procurador-Geral da República;
V - o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil;
VI - o Defensor Público-Geral da União;
VII – partido político com representação no Congresso Nacional;
VIII – confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional;
IX – a Mesa de Assembléia Legislativa ou da Câmara Legislativa do
Distrito Federal;
X - o Governador de Estado ou do Distrito Federal;
XI - os Tribunais Superiores, os Tribunais de Justiça de Estados ou
do Distrito Federal e Territórios, os Tribunais Regionais Federais, os
Tribunais Regionais do Trabalho, os Tribunais Regionais Eleitorais e os
Tribunais Militares.

Os legitimados à propositura de Ação Direta de Inconstitucionalidade são previstos


pelo art. 103 da Constituição Federal:

Art. 103. Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação


declaratória de constitucionalidade:   
I - o Presidente da República;
II - a Mesa do Senado Federal;
III - a Mesa da Câmara dos Deputados;
IV - a Mesa de Assembléia Legislativa;
IV - a Mesa de Assembléia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito
Federal;   
V - o Governador de Estado;
V - o Governador de Estado ou do Distrito Federal;    
VI - o Procurador-Geral da República;
VII - o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil;
VIII - partido político com representação no Congresso Nacional;
IX - confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional.

A leitura dos dispositivos evidencia que o rol dos legitimados para a propositura da
ADI não equivale ao rol dos legitimados para propor a edição, revisão e cancelamento de súmula
vinculante, sendo este último mais amplo, pois prevê a legitimação do Defensor Público-Geral
da União e dos Tribunais Superiores, os Tribunais de Justiça de Estados ou do Distrito Federal
e Territórios, os Tribunais Regionais Federais, os Tribunais Regionais do Trabalho, os Tribunais
Regionais Eleitorais e os Tribunais Militares.

- GABARITO DA QUESTÃO: A.

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MP-SP
60 – QUESTÃO:

A proteção da família, da criança, do adolescente, do jovem e do idoso é disciplinada no


capítulo VII do Título VIII da Constituição Federal. De acordo com o texto constitucional, não
se pode afirmar que:

a) O Estado promoverá programas de assistência integral à saúde da criança, do adolescente


e do jovem, admitida a participação de entidades não governamentais.
b) Os programas de amparo aos idosos serão executados preferencialmente em seus lares.
c) A lei estabelecerá o plano nacional de juventude, de duração quinquenal, visando à
articulação das várias esferas do poder público para a execução de políticas públicas.   
d) A adoção será assistida pelo Poder Público, na forma da lei, que estabelecerá casos e
condições de sua efetivação por parte de estrangeiros.
e) O direito à proteção integral da criança e do adolescente abrange o estímulo do Poder
Público, através de incentivos fiscais, ao acolhimento, sob a forma de guarda, de criança ou
adolescente órfão ou abandonado.

- RESPOSTA: Alternativa C.

- PONTO DO EDITAL: 2.14. Da família, da criança, do adolescente e do idoso.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: A alternativa está correta. É o que dispõe o parágrafo primeiro do art.


227 da Constituição Federal:

Art. 227. (...)


§ 1º O Estado promoverá programas de assistência integral à saúde da
criança, do adolescente e do jovem, admitida a participação de entidades
não governamentais, mediante políticas específicas e obedecendo aos
seguintes preceitos: (...)

Alternativa B: A alternativa está correta. É o que dispõe o parágrafo primeiro do art.


230 da Constituição Federal:

Art. 230. (...).


§ 1º Os programas de amparo aos idosos serão executados preferencialmente
em seus lares.

Alternativa C: A alternativa está incorreta. O parágrafo oitavo do art. 227 da


Constituição dispõe:

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:

C U RSO PARA A
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MP-SP
Art. 227. (...).
§ 8º A lei estabelecerá:  
I - o estatuto da juventude, destinado a regular os direitos dos jovens;   
II - o plano nacional de juventude, de duração decenal, visando à
articulação das várias esferas do poder público para a execução de
políticas públicas. (Grifei).

Alternativa D: A alternativa está correta. É o que dispõe o parágrafo quinto do art. 227
da Constituição Federal:

Art. 227. (...).


§ 5º A adoção será assistida pelo Poder Público, na forma da lei,
que estabelecerá casos e condições de sua efetivação por parte de
estrangeiros.

Alternativa E: A alternativa está correta. É o que dispõe o inciso VI do parágrafo


terceiro do art. 227 da Constituição Federal:

Art. 227. (...).


§ 3º O direito a proteção especial abrangerá os seguintes aspectos: (...)
VI - estímulo do Poder Público, através de assistência jurídica, incentivos
fiscais e subsídios, nos termos da lei, ao acolhimento, sob a forma de
guarda, de criança ou adolescente órfão ou abandonado;

- GABARITO DA QUESTÃO: C.

61 – QUESTÃO:

Assinale a alternativa correta:

a) A lei orçamentária anual não conterá dispositivo estranho à previsão da receita e à fixação
da despesa, incluindo-se na proibição a autorização para contratação de operações de crédito
por antecipação de receita.
b) Os créditos especiais e extraordinários terão vigência no exercício financeiro em que
forem autorizados, salvo se o ato de autorização for promulgado nos últimos quatro meses
daquele exercício, caso em que, reabertos nos limites de seus saldos, serão incorporados ao
orçamento do exercício financeiro subsequente.
c) Os recursos que, em decorrência de veto, emenda ou rejeição do projeto de lei orçamentária
anual, ficarem sem despesas correspondentes não poderão ser utilizados, mediante créditos
especiais ou suplementares.
d) É vedada a transferência voluntária de recursos e a concessão de empréstimos, exceto por
antecipação de receita, pelos Governos Federal e Estaduais e suas instituições financeiras,

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C U RSO PARA A
PROVA OBJ ET IVA

MP-SP
para pagamento de despesas com pessoal ativo, inativo e pensionista.
e) A transposição de recursos de uma categoria de programação para outra poderão ser
admitidos, no âmbito das atividades de ciência, tecnologia e inovação, com o objetivo de
viabilizar os resultados de projetos restritos a essas funções, mediante ato do Poder Executivo,
desde que com prévia autorização legislativa.

- RESPOSTA: Alternativa B.

- PONTO DO EDITAL: 2.8. Tributação e orçamento. Sistema tributário nacional e finanças


públicas.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: A alternativa está incorreta. O parágrafo 8º do art. 165 da Constituição


Federal dispõe:

Art. 165. (...).


§ 8º. A lei orçamentária anual não conterá dispositivo estranho à
previsão da receita e à fixação da despesa, não se incluindo na proibição
a autorização para abertura de créditos suplementares e contratação de
operações de crédito, ainda que por antecipação de receita, nos termos
da lei.

Alternativa B: A alternativa está correta. É o que dispõe o parágrafo segundo do art.


167 da Constituição Federal:

Art. 167. (...).


§ 2º Os créditos especiais e extraordinários terão vigência no exercício
financeiro em que forem autorizados, salvo se o ato de autorização for
promulgado nos últimos quatro meses daquele exercício, caso em que,
reabertos nos limites de seus saldos, serão incorporados ao orçamento
do exercício financeiro subsequente.

Alternativa C: A alternativa está incorreta. O parágrafo 8º do art. 166 da Constituição


Federal dispõe:

Art. 166. (...).


§ 8º Os recursos que, em decorrência de veto, emenda ou rejeição do
projeto de lei orçamentária anual, ficarem sem despesas correspondentes
poderão ser utilizados, conforme o caso, mediante créditos especiais ou
suplementares, com prévia e específica autorização legislativa.

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:

C U RSO PARA A
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MP-SP
Alternativa D: A alternativa está incorreta. O inciso X do art. 167 da Constituição
Federal dispõe:

Art. 167. São vedados: (...)


X - A transferência voluntária de recursos e a concessão de empréstimos,
inclusive por antecipação de receita, pelos Governos Federal e Estaduais
e suas instituições financeiras, para pagamento de despesas com
pessoal ativo, inativo e pensionista, dos Estados, do Distrito Federal e
dos Municípios. 

Alternativa E: A alternativa está incorreta. O parágrafo 5º do art. 167 da Constituição


Federal dispõe:

Art. 167. (...).


§ 5º A transposição, o remanejamento ou a transferência de recursos
de uma categoria de programação para outra poderão ser admitidos,
no âmbito das atividades de ciência, tecnologia e inovação, com o
objetivo de viabilizar os resultados de projetos restritos a essas funções,
mediante ato do Poder Executivo, sem necessidade da prévia autorização
legislativa prevista no inciso VI deste artigo.

- GABARITO DA QUESTÃO: B.

62 – QUESTÃO:

Acerca dos métodos clássicos de interpretação, julgue os itens a seguir:

I – A interpretação histórico-evolutiva compreende o ordenamento jurídico como um todo


dotado de unidade e regido por cânones de hierarquia.
II - Fala-se em interpretação lógico-gramatical quando o método interpretativo se refere à
estrutura léxica do texto normativo, podendo ser restritiva, extensiva ou ab-rogante.
III – A interpretação axiológica busca identificar quais são os valores considerados pelo órgão
legislativo.
IV – A interpretação sistemática parte das consequências para retornar ao texto normativo,
sendo necessário que o intérprete estipule como o legislador agiria caso houvesse antecipado
determinada consequência.
V – A interpretação sistemática leva em consideração a estrutura momentânea do
ordenamento jurídico ou sua gênesis no tempo.

Estão corretos:

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:

C U RSO PARA A
PROVA OBJ ET IVA

MP-SP
a) I, II e V.
b) II e IV.
c) III e V.
d) I e III.
e) II e III.

- RESPOSTA: Alternativa E.

- PONTO DO EDITAL: 1.3. Princípios constitucionais. Interpretação constitucional. Eficácia das


normas constitucionais.

- COMENTÁRIOS:

Item I: O item está incorreto. A descrição do item corresponde ao método clássico da


interpretação sistemática. Bernardo Gonçalves Fernandes (FERNANDES, p. 171), assim define:

[A interpretação sistemática] enfrenta questões de compatibilidade


num todo estrutural, ou seja, compreende o ordenamento jurídico como
um todo dotado de unidade e, por isso mesmo, regido por cânones de
hierarquia (temporalidade e especialidade).

Item II: O item está correto. A interpretação lógico-gramatical é aquela com foco,
sobretudo, na semântica das palavras. Diz-se que é o método mais básico de interpretação.
Apesar de sua aparente simplicidade, não pode ser desprezado, devendo funcionar, sempre,
como ponto de partida do aplicador do direito.

Item III: O item está correto. A interpretação axiológica, como o próprio nome já faz
referência, é aquela que prioriza a identificação dos valores considerados pelo órgão legislativo
que criou a norma.

Item IV: O item está incorreto. Bernardo Gonçalves Fernandes (FERNANDES, p. 172)
esclarece que a interpretação sistemática parte do ordenamento jurídico, para, depois, chegar
às consequências da norma legal. Na interpretação axiológica, por outro lado, “parte das
consequências avaliadas para só depois retornar ao interior do sistema jurídico. Dessa forma, o
intérprete tem que ser capaz de mover com as “previsões” que o legislador faria”.

Item V: O item está incorreto. A descrição da alternativa diz respeito à interpretação


clássica histórico-evolutiva ou sociológica, e, não, à interpretação sistemática. A interpretação
histórico-evolutiva deita suas bases em uma análise da criação da norma, analisando os
trabalhos preparatórios como “elementos auxiliares à construção do sentido da norma”
(FERNANDES, p. 171).

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C U RSO PARA A
PROVA OBJ ET IVA

MP-SP
- GABARITO DA QUESTÃO: E.

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C U RSO PARA A
PROVA OBJ ET IVA

MP-SP

DIREITO DA INFÂNCIA E JUVENTUDE


PROF. MUNIZ FREIRE

63 – QUESTÃO:

Sobre o procedimento de perda e suspensão do poder familiar, assinale a alternativa correta:

a) Incide o efeito material da revelia na ação de perda ou suspensão do poder familiar.


b) Desde que haja requerimento da parte interessada, ao receber a petição do pedido de
perda ou suspensão do poder familiar, a autoridade judiciária, concomitante ao despacho de
citação, determinará a realização de estudo social ou perícia por equipe interprofissional ou
multidisciplinar para comprovar a presença de uma das causas de suspensão ou destituição
do poder familiar.
c) Admite-se a citação por edital do requerido que se encontra privado de liberdade.
d) A falta ou carência de recursos materiais não constitui motivo suficiente para a perda ou
suspensão do poder familiar.
e) A suspensão do poder familiar não pode ser proposta como medida autônoma.

- RESPOSTA: Alternativa D.

- PONTO DO EDITAL: 8. Procedimentos e recursos.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: A revelia consiste na ausência de oferecimento de contestação, geran-


do como efeito material a presunção de veracidade dos fatos alegados pela parte contrária. O
poder familiar é um direito indisponível, pois não pode ser renunciado, tampouco alienado, em
razão disso não há como incidir o efeito material da revelia no processo para sua destituição ou
suspensão, devendo necessariamente haver dilação probatória para comprovar os fatos aduzi-
dos na petição inicial.

Item incorreto.

Alternativa B: Nos termos do art. 157, §1º, do ECA, recebida a petição inicial,
a autoridade judiciária determinará, concomitantemente ao despacho de citação e
independentemente de requerimento do interessado, a realização de estudo social ou perícia
por equipe interprofissional ou multidisciplinar para comprovar a presença de uma das causas
de suspensão ou destituição do poder familiar.

Muito cuidado com material desatualizado, tal previsão trata-se de inovação


legislativa, promovida pela Lei nº 13.509 de abril de 2017. Examinador adora inovações
legislativas, por isso, bastante cuidado.

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C U RSO PARA A
PROVA OBJ ET IVA

MP-SP
Item incorreto.

Alternativa C: Nos termos do art.158, §2º, do ECA, o requerido privado de liberdade


deverá ser citado pessoalmente.

Item incorreto.

Alternativa D: Nos termos do art.23, caput, do ECA, a falta ou carência de recursos


materiais não constitui motivo suficiente para a perda ou suspensão do poder familiar. A
pobreza não serve como justificativa para retirar, de qualquer modo, o poder familiar dos pais.

Item correto.

Alternativa E: O requerente pode solicitar a perda do poder familiar, somente a


suspensão ou ambos, funcionando a suspensão como medida liminar a perda do poder familiar,
sendo esta hipótese a mais comum.

Propõe-se a suspensão de forma autônoma quando se vislumbra a possibilidade de


reestabelecimento do vínculo afetivo e social entre a criança ou adolescente com seus pais e
familiares, necessitando apenas cessar a convivência durante um período, a fim de possibilitar
o trabalho da equipe interprofissional.

Item incorreto.

- GABARITO DA QUESTÃO: D.

64 – QUESTÃO:

A respeito do Conselho Tutelar, assinale a alternativa incorreta:

a) O ECA não proíbe expressamente que companheiros possam servir no mesmo Conselho
Tutelar.
b) O Conselho Tutelar pode executar medidas socioeducativas.
c) A fiscalização de entidade de atendimento não é atribuição exclusiva do Conselho Tutelar.
d) O mandato do membro do Conselho Tutelar é de 04 (quatro) anos, admitido uma
recondução.
e) O Conselho Tutelar é um órgão não jurisdicional.

- RESPOSTA: Alternativa B.

- PONTO DO EDITAL: 6. Conselho tutelar. Processo Eleitoral.

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C U RSO PARA A
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- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: O art. 140, do ECA, estabelece que são impedidos de servir no mesmo
Conselho marido e mulher, ascendentes e descendentes, sogro e genro ou nora, irmãos,
cunhados, durante o cunhadio, tio e sobrinho, padrasto ou madrasta e enteado.

Como se percebe, o legislador não inseriu, como hipótese de impedimento, as pessoas


que mantenham união estável, apesar de a doutrina entender que deve ser aplicado, de forma
analógica, o art.448, §1º, do CPP, que trata das hipóteses de impedimento para a formação do
Conselho de Sentença no âmbito do Tribunal do Júri.

Item correto.

Alternativa B: Inicialmente, cumpre registrar que os Conselhos Tutelares não são en-
tidades de atendimento. Ora, se o Conselho Tutelar não é uma entidade de atendimento, não
é sua atribuição executar medidas de proteção ou socioeducativas. A sua esfera de atribuição
é inserir a criança ou adolescente nas medidas de proteção, fiscalizando o seu cumprimento e
promovendo meios para que ela se efetive, enquanto a execução é exclusiva das entidades de
atendimento.

Lembrando que a Lei nº 12.594/2012 define entidade de atendimento como “a pes-


soa jurídica de direito público ou privado que instala e mantém a unidade e os recursos huma-
nos e materiais necessários ao desenvolvimento de programa de atendimento”.

Item incorreto.

Alternativa C: Nos termos do art.95, do ECA, compete ao Conselho Tutelar, Poder


Judiciário e Ministério Público, fiscalizar as entidades governamentais e não-governamentais
de atendimento à criança e adolescente. Apesar de a Defensoria Pública não constar expressa-
mente no referido artigo, prevalece que esta também pode exercer esse poder de fiscalização
das entidades de atendimento, até porque é função institucional da Defensoria Pública zelas
pelos direitos das crianças e dos adolescentes.

Item correto.

Alternativa D: Nos termos do art. 132, do ECA, o mandato dos membros do Conselho
Tutelar é de 04 anos, admitida uma recondução, mediante novo processo de escolha.

Item correto.

Alternativa E: Nos termos do art. 131, do Estatuto da Criança e do Adolescente,


o Conselho Tutelar é órgão permanente e autônomo, não jurisdicional, encarregado pela
sociedade de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente.

29
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C U RSO PARA A
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MP-SP
Item correto.

- GABARITO DA QUESTÃO: B.

65 – QUESTÃO:

Sobre o conceito de ato infracional, medida socioeducativa e suas espécies, assinale a


alternativa correta:

a) A medida de internação sanção tem prazo máximo de 90 dias.


b) A medida de prestação de serviços à comunidade tem prazo mínimo de 06 meses.
c) A audiência de admoestação verbal não precisa ser conduzida pelo Juiz da Infância e
Juventude.
d) O prazo máximo da medida de liberdade assistida é de 03 anos.
e) A medida de internação provisória, em processos de apuração de grande complexidade e
múltiplos infratores, não pode perdurar por mais de 45 dias.

- RESPOSTA: Alternativa D.

- PONTO DO EDITAL: 4. Prática de ato infracional.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: A internação sanção pressupõe a reiteração injustificada do


descumprimento de medida anteriormente imposta, sendo medida que é aplicada pelo juízo
da execução das medidas socioeducativas, tendo prazo máximo de duração de três meses,
conforme dispõe o art. 122, §1º, do ECA, in verbis:

Art. 122 (…).


§ 1º O prazo de internação na hipótese do inciso III deste artigo não po-
derá ser superior a 3 (três) meses, devendo ser decretada judicialmente
após o devido processo legal. 

Item incorreto.

Alternativa B: Nos termos do art. 117, do ECA, a prestação de serviços comunitários


consiste na realização de tarefas gratuitas de interesse geral, por período não excedente a seis
meses, junto a entidades assistenciais, hospitais, escolas e outros estabelecimentos congêne-
res, bem como em programas comunitários ou governamentais.

Portanto, seis meses é o período máximo, e não mínimo da medida de prestação de


serviços à comunidade.

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C U RSO PARA A
PROVA OBJ ET IVA

MP-SP
Item incorreto.

Alternativa C: Apesar de ser a mais branda das medidas socioeducativas, a


advertência tem papel importante, cabendo ao Juiz demonstrar ao adolescente que o ato por
ele praticado, embora não mereça resposta mais acentuada, produz consequências negativas
para ele e toda a sociedade, tanto que a sua reiteração poderá ensejar a aplicação futura de
medidas mais severas.

Para aplicar a medida de advertência, é designada uma audiência própria,


denominada audiência de admoestação verbal, que deve ser presidida pelo Juiz da Infância e
Juventude, não podendo ser delegada. Nesse sentido:

RECURSO ESPECIAL. ECA. REMISSÃO CUMULADA COM MEDIDA SÓCIO-


EDUCATIVA DE ADVERTÊNCIA. AUDIÊNCIA DE ADMOESTAÇÃO VERBAL
CONDUZIDA POR FUNCIONÁRIO DO CARTÓRIO DA VARA DA CRIANÇA
E DO ADOLESCENTE.IMPOSSIBILIDADE. FUNÇÃO INDELEGÁVEL DO
JUIZ. RECURSO PROVIDO. I. Reveste-se de ilegalidade a audiência de
admoestação verbal - determinada por ocasião da homologação de
remissão cometida a menor infrator, cumulada com medida sócio-
educativa de advertência – conduzida por oficial do Cartório da Vara
especializada. II. Nos termos do art. 112 c/c o art. 146 do Estatuto da
Criança e do Adolescente, é função indelegável do Juiz a aplicação de
medida sócio-educativa. III. Recurso provido, para que se determine
a realização de novas audiências de advertência, de acordo com os
procedimentos previstos na Lei n.º 8.069/90. (REsp 104.485/DF, Rel.
Ministro GILSON DIPP, QUINTA TURMA, julgado em 13/03/2002, DJ
15/04/2002, p. 243).

Item incorreto.

Alternativa D: O ECA estabelece apenas o prazo mínimo da medida de liberdade


assistida (seis meses), não prevendo o seu prazo máximo. Por analogia, entende-se que o prazo
máximo para a medida será de três anos, visto que é o prazo máximo previsto para a medida de
internação. Com esse entendimento, colaciona-se o julgado abaixo:

CRIMINAL. HC. ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. MEDIDA


SÓCIO-EDUCATIVA DE LIBERDADE ASSISTIDA APLICADA PELO PRAZO
MÍNIMO DE SEIS MESES. AUSÊNCIA DE PRAZO DETERMINADO.
APLICAÇÃO DO INSTITUTO DA PRESCRIÇÃO REGULADO NO CÓDIGO
PENAL. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES.APLICAÇÃO DO PRAZO DE TRÊS
ANOS PREVISTO NO ART. 121, § 3º, DA LEI N.º 8.069/90. INTERPRETAÇÃO
SISTEMÁTICA. PRAZO PRESCRICIONAL REDUZIDO DA METADE.

31
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C U RSO PARA A
PROVA OBJ ET IVA

MP-SP
PRESCRIÇÃO IMPLEMENTADA. ORDEM CONCEDIDA. I. Em virtude
da inegável característica punitiva, e considerando-se a ineficácia
da manutenção da medida sócio-educativa, nos casos em que já se
ultrapassou a barreira da menoridade e naqueles em que o decurso de
tempo foi tamanho, que retirou, da medida, sua função reeducativa,
admite-se a prescrição desta, da forma como prevista no Código Penal.
Precedentes. II. Não tendo sido fixado pelo magistrado singular um
prazo definido para o cumprimento da medida de liberdade assistida,
fazendo-se referência tão-somente ao prazo mínimo de 06 (seis) meses,
não se pode, pura e simplesmente, tomar tal prazo como parâmetro
para o cálculo da prescrição. III. Em caso como o dos autos, em que
não há prazo certo para a medida sócio-educativa imposta ao paciente,
para se analisar a ocorrência, ou não, da prescrição, de acordo com uma
interpretação sistemática da Lei n.º 8.069/90, deve-se considerar o prazo
de 03 (três) anos, fixado no art. 121, § 3º, do referido diploma legal, que
é o limite imposto pelo legislador para a permanência em medida sócio-
educativa de internação. IV. Sendo o réu menor de 21 anos à época do
fato delituoso, reduz-se à metade o prazo prescricional, nos termos do
art. 115 do Código Penal. V. Transcorridos mais de quatro anos desde a
data da aplicação da medida sócio-educativa sem que tenha ocorrido
nenhuma das hipóteses de interrupção do prazo prescricional previstas
no art. 117 do Código Penal, deve ser reconhecida a ocorrência da
prescrição intercorrente ou superveniente. VI. Ordem concedida, para
cassar a decisão que determinou a aplicação de internação-sanção ao
paciente, declarando-se a ocorrência da prescrição da medida sócio
educativa de liberdade assistida. (HC 46.231/SP, Rel. Ministro GILSON
DIPP, QUINTA TURMA, julgado em 14/03/2006, DJ 03/04/2006, p. 378).

Item correto.

Alternativa E: A internação provisória pode ser definida como a medida de internação


deflagrada antes da sentença que, assim como qualquer modalidade de restrição da liberdade,
é medida excepcional, a ser decretada em decisão fundamentada do magistrado, quando
houver indícios suficientes de autoria e materialidade delitiva.

A internação provisória tem prazo máximo de 45 dias. Não havendo a conclusão do


procedimento de apuração do ato infracional com a prolação da respectiva sentença, o adoles-
cente deve ser liberado imediatamente, pouco importando a complexidade ou quantidade de
infratores envolvidos.

Uma vez esvaziado o referido lapso temporal, o adolescente deve ser colocado
imediatamente em liberdade, sob pena, inclusive, de a autoridade responsável incorrer no
crime tipificado no art. 235, do ECA. Nesse sentido, é o entendimento do STJ, senão vejamos:

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C U RSO PARA A
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HABEAS CORPUS. ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. ATO
INFRACIONAL ANÁLOGO AO CRIME DE ROUBO CIRCUNSTANCIADO.
INTERNAÇÃO PROVISÓRIA MANTIDA NO JULGAMENTO DO RECURSO
DA DEFESA. MEDIDA CAUTELAR QUE PERDUROU POR MAIS DE 7 MESES
E FOI DECLARADA EXTINTA ANTES DO JULGAMENTO DA APELAÇÃO.
CONSTRANGIMENTO ILEGAL EVIDENCIADO. ORDEM CONCEDIDA. 1.
Consoante preceitua do art. 108 do ECA, a internação, antes da sentença,
pode ser determinada pelo prazo máximo de 45 dias. 2. É ilegal a
manutenção da internação provisória pelo Tribunal a quo, em recurso
exclusivo da defesa, no qual foi declarada a nulidade do procedimento
judicial desde o recebimento da representação, pois a medida cautelar,
cumprida durante mais de 210 dias pelo adolescente, extrapolou,
em muito, o prazo legal e foi extinta pelo juiz de primeiro grau meses
antes do julgamento da apelação. Ademais, no novo julgamento da
representação, o adolescente não poderá ter sua situação agravada,
sob pena de reformatio in pejus, e nem poderá ser compelido a
cumprir, em duplicidade, a medida socioeducativa extrema. 3. Habeas
corpus concedido para que o paciente possa aguardar em liberdade o
novo julgamento da representação por ato infracional. (HC 306.667/
SP, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA, julgado em
24/02/2015, DJe 02/03/2015).

Item incorreto.

- GABARITO DA QUESTÃO: D.

66 – QUESTÃO:

Ao apreciar a publicidade de gênero alimentício destinada às crianças, o Superior Tribunal


de Justiça entendeu que:

a) É abusiva a publicidade, direta ou indireta, de alimentos dirigido às crianças.


b) É permitida a publicidade direta de alimentos dirigidos às crianças, ao passo que a
publicidade indireta é abusiva.
c) É permitida a publicidade indireta de alimentos dirigidos às crianças, ao passo que a
publicidade direta é abusiva.
d) É permitida a publicidade, direta ou indireta, de alimentos dirigido às crianças.
e) Embora não seja abusiva a publicidade, direta ou indireta, de alimentos dirigida às crianças,
esta não pode usar comandos imperativos.

- RESPOSTA: Alternativa A.

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C U RSO PARA A
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- PONTO DO EDITAL: 1. Criança e Adolescente. Princípios e direitos fundamentais do Estatuto
da Criança e do Adolescente.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Inicialmente, cumpre diferente publicidade direta e indireta. A


publicidade direta deve ser compreendida como a comunicação que tem por objeto principal
a veiculação de um produto, tentando convencer da necessidade e vantagem de sua aquisição.
Exemplo: uma propaganda na TV de uma marca de roupa, perfume etc.

A publicidade indireta é uma formas de divulgar uma marca, empresa, produto


ou serviço sutilmente e fora de um contexto publicitário. No marketing indireto, o objeto de
promoção do anunciante nunca é o destaque principal, sendo posicionado de uma maneira
secundária, subliminar e com uma exposição mais branda. Trata-se de um marketing que
procura deixar o consumidor menos pressionado, ou seja, busca ter uma aceitação maior. Por
isso, suas ações se caracterizam por serem mais leves e menos agressivas. Exemplo: No filme
do 007, quando ele vai pegar o carro que a agência fornece para ele, a imagem foca na marca
do carro.

Ao tratar sobre a publicidade de alimentos destinados às crianças, o STJ entendeu


que é abusivo o marketing (publicidade ou promoção de venda) de alimentos dirigido, direta ou
indiretamente, às crianças.

A decisão de compra e consumo de gêneros alimentícios, sobretudo em época de


crise de obesidade, deve residir com os pais. Daí a ilegalidade, por abusivas, de campanhas
publicitárias de fundo comercial que utilizem ou manipulem o universo lúdico infantil. Nesse
sentido:

PROCESSUAL CIVIL. DIREITO DO CONSUMIDOR. AÇÃO CIVIL PÚBLICA.


VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE.
SÚMULA 284/STF. PUBLICIDADE DE ALIMENTOS DIRIGIDA À CRIANÇA.
ABUSIVIDADE.VENDA CASADA CARACTERIZADA. ARTS. 37, § 2º, E 39, I, DO
CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. 1. Não prospera a alegada violação
do art. 535 do Código de Processo Civil, uma vez que deficiente sua
fundamentação. Assim, aplica-se ao caso, mutatis mutandis, o disposto
na Súmula 284/STF. 2. A hipótese dos autos caracteriza publicidade
duplamente abusiva. Primeiro, por se tratar de anúncio ou promoção de
venda de alimentos direcionada, direta ou indiretamente, às crianças.
Segundo, pela evidente “venda casada”, ilícita em negócio jurídico
entre adultos e, com maior razão, em contexto de marketing que utiliza
ou manipula o universo lúdico infantil (art. 39, I, do CDC). 3. In casu,
está configurada a venda casada, uma vez que, para adquirir/comprar

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C U RSO PARA A
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o relógio, seria necessário que o consumidor comprasse também 5
(cinco) produtos da linha “Gulosos”. Recurso especial improvido. (REsp
1558086/SP, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA,
julgado em 10/03/2016, DJe 15/04/2016).

Alternativa correta.

Alternativa B: Ver explicação alternativa A.

Alternativa incorreta.

Alternativa C: Ver explicação alternativa A.

Alternativa incorreta.

Alternativa D: Ver explicação alternativa A.

Alternativa incorreta.

Alternativa E: Ver explicação alternativa A.

Alternativa incorreta.

- GABARITO DA QUESTÃO: A.

67 – QUESTÃO:

Sobre o instituto da remissão, assinale a alternativa correta:

a) A remissão ministerial, também denominada processual, pode ser cumulada com a medida
socioeducativa de liberdade assistida.
b) A remissão importa em reconhecimento de autoria.
c) A remissão judicial pode assumir natureza jurídica de exclusão do processo.
d) Quando o membro do Ministério Público decide oferecer representação, em vez de ofertar
a remissão, ele deve expor os fundamentos dessa atitude, a fim de serem avaliados pela
defesa técnica.
e) Em caso de discordância parcial quanto aos termos da remissão, não pode o juiz modificar
os termos da proposta do Ministério Público no ato da homologação, para fins de excluir
medida em meio aberto cumulada com o perdão.

- RESPOSTA: Alternativa E.

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C U RSO PARA A
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- PONTO DO EDITAL: 8. Procedimentos e recursos. 9. Promotor de Justiça da Infância e da
Juventude.

- COMENTÁRIOS:

Nesta questão, vamos falar um pouco sobre o instituto da remissão, que tem grande
relevância no âmbito do deslinde do processo infracional. É tema que deve constar na revisão
de vocês.

A remissão consiste em um instituto previsto nos arts. 126 a 128, do Estatuto da


Criança e do Adolescente, que proporciona o deslinde mais célere do procedimento de apuração
do ato infracional. Trata-se de uma forma de implementação pelo ECA da denominada Justiça
Restaurativa, oportunidade em que o processo judicial pode ser excluído, suspenso ou extinto,
desde que a composição do conflito seja perfectibilizada entre as partes, de forma livre e
consensual. Ante a importância do conhecimento da literalidade dos artigos, segue a transcrição
abaixo:

Art. 126. Antes de iniciado o procedimento judicial para apuração de


ato infracional, o representante do Ministério Público poderá conceder
a remissão, como forma de exclusão do processo, atendendo às
circunstâncias e conseqüências do fato, ao contexto social, bem como
à personalidade do adolescente e sua maior ou menor participação no
ato infracional.
Parágrafo único. Iniciado o procedimento, a concessão da remissão pela
autoridade judiciária importará na suspensão ou extinção do processo.

Art. 127. A remissão não implica necessariamente o reconhecimento


ou comprovação da responsabilidade, nem prevalece para efeito de
antecedentes, podendo incluir eventualmente a aplicação de qualquer
das medidas previstas em lei, exceto a colocação em regime de semi-
liberdade e a internação.

Art. 128. A medida aplicada por força da remissão poderá ser revista
judicialmente, a qualquer tempo, mediante pedido expresso do
adolescente ou de seu representante legal, ou do Ministério Público.

O ECA contempla duas espécies de remissão, em razão do momento em que é


concedida, podendo ser classificada de pré-processual/ministerial ou processual/judicial. A
remissão pré-processual ou ministerial deve ser entendida como uma forma de exclusão do
processo de apuração do ato infracional, sendo ofertada pelo Ministério Público e homologada
pela autoridade judicial, necessitando do prévio consentimento do adolescente e seu
representante legal.

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C U RSO PARA A
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A remissão processual/judicial, por sua vez, ocorre quando o processo de apuração
já se iniciou com o oferecimento da representação pelo Ministério Público, sendo concedido
pela autoridade judicial, ocasionando a suspensão ou extinção do processo.

O instituto da remissão pode ser concedido pela autoridade competente cumulado


ou não com medidas socioeducativas diversa da semiliberdade e internação (restritivas da
liberdade do adolescente).

Quando a remissão é concedida isoladamente, sem a cominação de qualquer


medida socioeducativa, esta é denominada remissão própria. Por sua vez, quando concedida
acompanhada de alguma medida socioeducativa diversa da prisão, a remissão será denominada
como imprópria.

Alternativa A: Conforme exposto acima, nos termos do art. 127, a remissão pode
ser cumulada com medida socioeducativa diversa da semiliberdade e internação, fato que
demonstra que o final da assertiva está correto.

No entanto, a remissão ministerial ocorre quando não há oferecimento de


representação, ou seja, antes do início da fase processual/judicial da apuração do ato infracional.

Logo, a remissão ministerial também é denominada de pré-processual, e não


processual como indicado na assertiva.

Item incorreto.

Alternativa B: Nos termos do art.127, do ECA, a remissão não importa em


reconhecimento de autoria, não prevalecente para fins de antecedentes.

Item incorreto.

Alternativa C: A remissão processual/judicial ocorre quando o processo de apuração


já se iniciou com o oferecimento da representação pelo Ministério Público, sendo concedido
pela autoridade judicial, ocasionando a suspensão ou extinção do processo. A remissão assume
a natureza jurídica de exclusão do processo, quando é oferecida pelo Ministério Público.

Item incorreto.

Alternativa D: Conforme entende a jurisprudência do STJ, optando por oferecer a


representação, o Ministério Público não está obrigado a motivar as razões pelas quais deixou de
conceder a remissão, nesse sentido:

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C U RSO PARA A
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HABEAS CORPUS – ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE –
REPRESENTAÇÃO – DESNECESSIDADE DE MOTIVAR A AUSÊNCIA
DE OFERECIMENTO DA REMISSÃO – POSSIBILIDADE DE REMISSÃO
JUDICIAL – PRINCÍPIO DA BAGATELA – NECESSIDADE DE EXAME DO CASO
CONCRETO – ESTREITA VIA DO WRIT – FATOS, EM TESE, DESPROVIDOS
DE INSIGNIFICÂNCIA – APLICAÇÃO DOS BENEFÍCIOS DA LEI 9.099/1995
– IMPOSSIBILIDADE – ORDEM DENEGADA.- Optando por oferecer a
representação, o Ministério Público não está obrigado a motivar as razões
pelas quais deixou de conceder a remissão.- Oferecida a representação, é
possível a concessão de remissão judicial, desde que ouvida a acusação,
podendo a defesa esposar os motivos pelos quais entende ser cabível a
aplicação do benefício.- Impossível o reconhecimento do princípio da
bagatela por meio da estreita via do habeas corpus, em que se é vedado
o profundo exame do contexto fático-probatório, se a conduta imputada
à menor é, em tese, desprovida de insignificância. - Os benefícios
despenalizadores da Lei 9.099/1995 são incompatíveis com os ditames
do Estatuto da Criança e do Adolescente, que previu exaustivamente
os procedimentos e medidas mais eficazes para a efetiva proteção dos
menores infratores. Ordem denegada. (HC 74.880/SP, Rel. Ministra JANE
SILVA (DESEMBARGADORA CONVOCADA DO TJ/MG), QUINTA TURMA,
julgado em 29/08/2007, DJ 24/09/2007, p. 337).

Item incorreto.

Alternativa E: Havendo discordância, total ou parcial, da remissão, deve ser


observado o rito do art. 181, § 2° do ECA, sob pena de suprimir do órgão ministerial, titular
da representação por ato infracional, a atribuição de conceder o perdão administrativo como
forma de exclusão do processo, faculdade a ele conferida legitimamente pelo art. 126 do ECA.
Nesse sentido:

RECURSO ESPECIAL. LEI N. 8.069/1990. REMISSÃO PRÉ-PROCESSUAL.


INICIATIVA DO MINISTÉRIO PÚBLICO. DIVERGÊNCIA TOTAL OU PARCIAL.
APLICAÇÃO DO ART. 181, § 2°, DO ECA. RECURSO PROVIDO. 1. É prerro-
gativa do Ministério Público, como titular da representação por ato in-
fracional, a iniciativa de propor a remissão pré-processual como forma
de exclusão do processo, a qual, por expressa previsão do art. 127 do
ECA, já declarado constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, pode
ser cumulada com medidas socioeducativas em meio aberto, as quais
não pressupõem a apuração de responsabilidade e não prevalecem para
fins de antecedentes, possuindo apenas caráter pedagógico. 2. O Juiz,
no ato da homologação exigida pelo art. 181, § 1°, do ECA, se discordar
da remissão concedida pelo Ministério Público, fará remessa dos autos

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C U RSO PARA A
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ao Procurador-Geral de Justiça e este oferecerá representação, desig-
nará outro promotor para apresentá-la ou ratificará o arquivamento ou
a remissão, que só então estará a autoridade judiciária obrigada a ho-
mologar. 3. Em caso de discordância parcial quanto aos termos da re-
missão, não pode o juiz modificar os termos da proposta do Ministério
Público no ato da homologação, para fins de excluir medida em meio
aberto cumulada com o perdão. 4. Recurso especial provido para anular
a homologação da remissão e determinar que o Juízo de primeiro grau
adote o rito do art. 181, § 2°, do ECA. (REsp 1392888/MS, Rel. Ministro
ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA, julgado em 30/06/2016, DJe
01/08/2016).

Item correto.

- GABARITO DA QUESTÃO: E.

68 – QUESTÃO:

Assinale a alternativa que contém todas as medidas aplicáveis às entidades de atendimento


governamentais que desenvolvem programa de internação, mas não cumprem com as suas
obrigações:

a) Advertência, afastamento provisório de seus dirigentes, afastamento definitivo de seus


dirigentes.
b) Advertência, afastamento provisório de seus dirigentes, afastamento definitivo de seus
dirigentes e cassação do registro
c) Advertência, afastamento provisório de seus dirigentes, afastamento definitivo de seus
dirigentes e fechamento da unidade ou interdição do programa.
d) Advertência, suspensão total ou parcial do repasse de verbas públicas, interdição de
unidade ou suspensão do programa e cassação do registro.
e) Afastamento provisório de seus dirigentes, afastamento definitivo de seus dirigentes e
fechamento da unidade ou interdição do programa.

- RESPOSTA: Alternativa C.

- PONTO DO EDITAL: 2. Entidades de atendimento.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: As entidades de atendimento são responsáveis pelo planejamento e


execução de programas de proteção e socioeducativos destinados às crianças e adolescentes,
identificados como regimes de atendimentos, podendo assumir uma natureza governamental
ou não governamental.

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Como se vê, uma das funções da entidade de atendimento é ser responsável
pela execução da medida socioeducativa de internação. Ante a importância dessa medida
socioeducativa, o ECA dispõe uma série de obrigações que tem que ser observadas tanto pela
entidade de atendimento governamental ou não governamental, a fim de atingir o desiderato
protetivo do Estatuto. Tais obrigações estão previstas no art.94, do ECA, abaixo transcrito:

Art. 94. As entidades que desenvolvem programas de internação têm as


seguintes obrigações, entre outras:
I - observar os direitos e garantias de que são titulares os adolescentes;
II - não restringir nenhum direito que não tenha sido objeto de restrição
na decisão de internação;
III - oferecer atendimento personalizado, em pequenas unidades e
grupos reduzidos;
IV - preservar a identidade e oferecer ambiente de respeito e dignidade
ao adolescente;
V - diligenciar no sentido do restabelecimento e da preservação dos
vínculos familiares;
VI - comunicar à autoridade judiciária, periodicamente, os casos em que
se mostre inviável ou impossível o reatamento dos vínculos familiares;
VII - oferecer instalações físicas em condições adequadas de
habitabilidade, higiene, salubridade e segurança e os objetos necessários
à higiene pessoal;
VIII - oferecer vestuário e alimentação suficientes e adequados à faixa
etária dos adolescentes atendidos;
IX - oferecer cuidados médicos, psicológicos, odontológicos e farmacêu-
ticos;
X - propiciar escolarização e profissionalização;
XI - propiciar atividades culturais, esportivas e de lazer;
XII - propiciar assistência religiosa àqueles que desejarem, de acordo
com suas crenças;
XIII - proceder a estudo social e pessoal de cada caso;
XIV - reavaliar periodicamente cada caso, com intervalo máximo de seis
meses, dando ciência dos resultados à autoridade competente;
XV - informar, periodicamente, o adolescente internado sobre sua situa-
ção processual;
XVI - comunicar às autoridades competentes todos os casos de adoles-
centes portadores de moléstias infecto-contagiosas;
XVII - fornecer comprovante de depósito dos pertences dos adolescentes;
XVIII - manter programas destinados ao apoio e acompanhamento de
egressos;
XIX - providenciar os documentos necessários ao exercício da cidadania
àqueles que não os tiverem;

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C U RSO PARA A
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XX - manter arquivo de anotações onde constem data e circunstâncias
do atendimento, nome do adolescente, seus pais ou responsável, paren-
tes, endereços, sexo, idade, acompanhamento da sua formação, relação
de seus pertences e demais dados que possibilitem sua identificação e a
individualização do atendimento.

Caso tais entidades não cumpram com as suas obrigações, diversas sanções podem
ser aplicadas, variando conforme a natureza governamental ou não governamental da entida-
de. Para esta compreensão, faz-se necessário a transcrição do artigo 97, do ECA:

Art. 97. São medidas aplicáveis às entidades de atendimento que


descumprirem obrigação constante do art. 94, sem prejuízo da
responsabilidade civil e criminal de seus dirigentes ou prepostos:
I - às entidades governamentais:
a) advertência;
b) afastamento provisório de seus dirigentes;
c) afastamento definitivo de seus dirigentes;
d) fechamento de unidade ou interdição de programa.
II -às entidades não-governamentais:
a) advertência;
b) suspensão total ou parcial do repasse de verbas públicas;
c) interdição de unidades ou suspensão de programa;
d) cassação do registro.

Sendo assim, a única alternativa que responde a questão de forma correta é a letra C,
que contém todas as medidas descritas no inciso I.

Alternativa incorreta.

Alternativa B: Ver explicação alternativa A.

Alternativa incorreta.

Alternativa C: Ver explicação alternativa A.

Alternativa correta.

Alternativa D: Ver explicação alternativa A.

Alternativa incorreta.

Alternativa E: Ver explicação alternativa A.

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Alternativa incorreta.

- GABARITO DA QUESTÃO: C.

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DIREITO COMERCIAL E EMPRESARIAL


PROF. MICHEL EDUARDO STECHINSKI

69 – QUESTÃO:

A respeito da massa falida, assinale a alternativa correta:

a) Trata-se de um ente despersonificado.


b) Tem por finalidade encerrar o ciclo de uma empresa.
c) No sentido objetivo refere-se ao conjunto de credores do falido.
d) No sentido subjetivo refere-se ao conjunto de bens.
e) Trata-se de uma universalidade de direito.

- RESPOSTA: Alternativa B.

- PONTO DO EDITAL: 13. Falências.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Incorreta. A expressão “massa falida” indica, em sentido amplo,


o conjunto de bens e credores do falido. É tratada pelo direito como um ente personificado,
consistente em uma universalidade de fato que durará desde a decretação da falência até
o seu encerramento. Esse ente personificado assume todos os bens e credores do falido e é
administrado e representado pelo administrador judicial.

Alternativa B: Correta. Assim, a massa falida, ente personificado, sucede o falido


e, gerida pelo administrador judicial, reúne bens e credores do falido, com o fim de, uma vez
vendidos os bens e pagos os credores, encerrar o ciclo de uma empresa

Alternativa C: Incorreta. No sentido objetivo — refere-se ao conjunto de bens que


compõem o acervo do falido, advindos, principalmente, da arrecadação. A massa falida objetiva
é o ativo da empresa, o conjunto de bens e créditos que formarão esse ativo. A referida massa
será́ utilizada para o pagamento dos credores.

Alternativa D: Incorreta. No sentido subjetivo — refere-se ao conjunto de credores do


falido. Trata-se da massa falida subjetiva, advinda, principalmente, das habilitações de crédito.
A massa falida subjetiva é o passivo da empresa, o conjunto de credores que formarão esse
passivo.

Alternativa E: Incorreta. É tratada pelo direito como um ente personificado,


consistente em uma universalidade de fato que durará desde a decretação da falência até o seu
encerramento.

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- GABARITO DA QUESTÃO: B.

70 – QUESTÃO:

A respeito dos títulos de crédito, assinale a alternativa incorreta de acordo com o entendi-
mento Sumular do STJ:

a) O prazo para ajuizamento de ação monitória em face do emitente de nota promissória sem
força executiva é quinquenal, a contar do dia seguinte ao vencimento do título.
b) Em ação monitória fundada em cheque prescrito ajuizada contra o emitente, é dispensável
a menção ao negócio jurídico subjacente à emissão da cártula.
c) A simples devolução indevida de cheque não caracteriza dano moral
d) Caracteriza dano moral a apresentação antecipada de cheque pré-datado.
e) O endossatário de título de crédito por endosso-mandato só responde por danos
decorrentes de protesto indevido se extrapolar os poderes de mandatário.

- RESPOSTA: Alternativa C.

- PONTO DO EDITAL: 12. Títulos de crédito. Títulos de crédito no Código Civil e na legislação es-
pecial. Letra de câmbio. Nota Promissória. Cheque. Duplicatas mercantil e de serviços. Títulos
de crédito rural. Títulos de crédito industrial. Títulos de financiamento comercial. Títulos de
financiamento comercial. Títulos de garantia imobiliária. Conhecimento de depósito e Warrant.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: A assertiva está correta, por isso não deve ser assinalada. Trata-se da
redação da Súmula 504 do STJ.

Alternativa B: A assertiva está correta, por isso não deve ser assinalada. Trata-se da
redação da Súmula 531 do STJ.

Alternativa C: Está incorreta esta alternativa, por isso deve ser assinalada. Trata-se
da Súmula 388 do STJ.

Súmula 388 do STJ: A simples devolução indevida de cheque caracteriza


dano moral.

Alternativa D: Está correta esta alternativa, por isso não deve ser assinalada. Trata-se
da redação da Súmula 370 do STJ.

Alternativa E: Está correta esta, por isso não deve ser assinalada. Trata-se da redação
da Súmula 476 do STJ.

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PROVA OBJ ET IVA

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- GABARITO DA QUESTÃO: C.

71 – QUESTÃO:

A respeito dos contratos mercantis, assinale a alternativa correta:

a) O contrato de franquia é bilateral, oneroso, de execução continuada, atípico e, para obter


efeito em relação a terceiros, exige forma escrita e registro especial.
b) O contrato de Alienação Fiduciária em Garantia é conhecido como contrato fim.
c) No contrato de Alienação Fiduciária em Garantia, excepcionalmente, é possível que a
garantia de financiamento seja bem diverso do financiado.
d) No contrato de depósito o banco encontra-se na posição de credor.
e) O contrato eletrônico não poderá ser considerado empresarial.

- RESPOSTA: Alternativa A.

- PONTO DO EDITAL: 11. Contratos mercantis.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Está correta esta primeira alternativa. É a lição de Ricardo Negrão, para
quem, percebe-se que o contrato de franquia é bilateral, oneroso, “de execução continuada,
atípico e, para obter efeito em relação a terceiros, exige forma escrita e registro especial”.

Alternativa B: Está incorreta esta alternativa. A Alienação Fiduciária em Garantia é um


contrato por meio do qual alguém (devedor fiduciante) obtém financiamento para a aquisição
de bem durável (um automóvel, a título de ilustração) de uma instituição financeira (credor
fiduciário). A garantia do financiamento será o próprio bem, pois o devedor aliena­do fiducia­
riamente ao credor.

O bem assim adquirido se mantém na posse direta do devedor fiduciante


e permanecerá vinculado ao saldo devedor, porque, em caso de inadimplemento do
financiamento, o referido bem servirá para absorver ou pelo menos mitigar o valor da dívida
contraída. Diz­-se que o credor, por isso, detém a posse indireta e o domínio resolúvel do bem,
domínio que se extinguirá somente após a quitação do financiamento.

Nas palavras do prof. Fabio Ulhôa Coelho, trata­ -se de contrato-meio que
instrumentaliza outros contratos. Para Arnaldo Rizzardo, é “negócio fiduciário de garantia, pelo
qual o devedor transfere a favor do credor a propriedade de uma coisa móvel, permanecendo
ele com a posse, e colocando-se na posição de depositário.”

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C U RSO PARA A
PROVA OBJ ET IVA

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Alternativa C: Está incorreta esta alternativa. A garantia do financiamento será o
próprio bem, pois o devedor aliena­fiducia­riamente ao credor.

Alternativa D: Está incorreta esta alternativa. No Contrato de Depósito, o Banco,


predominantemente, encontra-se na posição de “devedor” - operação passiva —, pois recebe
os valores dos clientes, comprometendo-se a devolvê-­los do modo e no prazo convencionados.
De acordo com o PLC 1.572/2011, no depósito bancário, “o depositante se torna credor do
banco pelas importâncias que lhe entrega” (art. 429, inc. III), sendo-lhe devidos juros, se
convencionados, nos termos do art. 529, inc. III, do PLS 487/2013. Além disso, a remuneração
do depósito poderá́ ser decorrência direta da lei, como no caso da poupança.

Alternativa E: Está incorreta esta alternativa. O encontro de vontades que se


estabeleça por meio das tecnologias de informação para aquisição de bens de consumo e/ou
prestação de serviços, por exemplo, pela internet, é contrato eletrônico. Tal contrato eletrônico
poderá́ ser clas­sificado como de consumo ou empresarial. Nesse último caso, as partes deverão
exercer atividade empresarial.

- GABARITO DA QUESTÃO: A.

72 – QUESTÃO:

A respeito das disposições penais na Lei 11.101/2005, assinale a alternativa incorreta:

a) A sentença que decreta a falência ou concede a recuperação judicial ou extrajudicial é


condição objetiva de punibilidade das infrações penais contidas na Lei n. 11.101/2005.
b) O marco inicial de persecução dos crimes falimentares é a data da decretação da falência,
da decisão que conceder a recuperação judicial ou, ainda, da sentença que homologar a
recuperação extrajudicial.
c) Na falência, na recuperação judicial e na recuperação extrajudicial de sociedades, os seus
sócios, diretores, gerentes, administradores e conselheiros, de fato ou de direito, bem como
o administrador judicial, equiparam-se ao devedor ou falido para todos os efeitos penais
decorrentes desta Lei, na medida de sua culpabilidade.
d) Por expressa disposição de lei, o rito a ser observado no processamento dos crimes contra
a atividade empresarial será o ordinário.
e) Os efeitos acessórios das condenações por crimes falimentares são automáticos.

- RESPOSTA: Alternativa D.

- PONTO DO EDITAL: 13. Falência.

- COMENTÁRIOS:

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Alternativa A: Está correta esta alternativa, logo não deve ser assinalada. A sentença
que decreta a falência ou concede a recuperação judicial ou extrajudicial é condição objetiva
de punibilidade das infrações penais contidas na Lei n. 11.101/2005 (art. 180). À evidência, o
referido decisum não atrairá automaticamente a tipicidade das mesmas condutas, nem a
ilicitude delas. Como ensina Francisco Dirceu Barros, a condição objetiva de punibilidade “é a
condição exterior à conduta delituosa, que, via de regra, está fora do tipo penal e do elemento
subjetivo do agente, tornando-se uma condição para punir. É causa extrínseca ao fato delituoso
(...) é anexo do tipo ou suplemento do tipo”.

Alternativa B: Está correta esta alternativa, logo não deve ser assinalada. O marco
inicial de persecução dos crimes falimentares é a data da decretação da falência (art. 99), da
decisão que conceder a recuperação judicial (art. 58) ou, ainda, da sentença que homologar a
recuperação extrajudicial (art. 164, § 5o, da Lei n. 11.101/2005). O marco definirá a classificação
dos crimes em pré-falimentares ou pós-­falimentares, a depender de terem eles sido cometidos
antes ou depois da referida data.

Alternativa C: Está correta esta alternativa, logo não deve ser assinalada. Importante
destacar que o art. 179, da Lei n. 11.101/2005, equipara ao devedor empresário e ao falido, para
todos os efeitos penais, as pessoas que elenca, quais sejam:

“Na falência, na recuperação judicial e na recuperação extrajudicial


de sociedades, os seus sócios, diretores, gerentes, administradores e
conselheiros, de fato ou de direito, bem como o administrador judicial,
equiparam-se ao devedor ou falido para todos os efeitos penais
decorrentes desta Lei, na medida de sua culpabilidade”.

Alternativa D: Está incorreta esta alternativa, logo deve ser assinalada. Por expressa
disposição de lei, o rito a ser observado no processamento dos crimes contra a atividade
empresarial será́ o sumário, mais especificamente o caminho legal traçado pelos arts. 531 a
540, do CPP.

Alternativa E: Está correta esta alternativa, logo não deve ser assinalada. O art. 181,
da Lei n. 11.101/2005, elenca os efeitos acessórios das condenações por crimes falimentares. A
primeira observação necessária é de que tais efeitos, verdadeiras sanções acessórias, não são
automáticos, ou seja, dependerão do contexto e deverão ser fundamentadamente motivados e
declarados na sentença condenatória.

- GABARITO DA QUESTÃO: D.

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TUTELA DOS DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS


PROF. VINÍCIUS RESENDE

73 – QUESTÃO:

De acordo com as disposições contidas no Estatuto do Idoso (Lei 10.741/03), assinale a


alternativa correta:

a) Independentemente de ordem judicial, poderá o Ministério Público, em favor do idoso em


situação de risco, determinar o seu abrigo em entidade.
b) O acolhimento de idosos em situação de risco social, por adulto ou núcleo familiar, não
caracteriza a dependência econômica, para os efeitos legais.
c) Aos idosos, a partir de 60 (sessenta) anos, que não possuam meios para prover sua
subsistência, nem de tê-la provida por sua família, é assegurado o benefício mensal de 1 (um)
salário-mínimo, nos termos da Lei Orgânica da Assistência Social – Loas.    
d) Com a edição da lei da super-prioridade (Lei 13.466/2017), apenas os idosos acima de 80
(oitenta) anos passaram a ter prioridade de restituição do imposto de renda.
e) No sistema de transporte coletivo interestadual deve-se garantir pelo menos 04 (quatro)
vagas gratuitas por veículo para idosos com renda igual ou inferior a 02 (dois) salários
mínimos.

- RESPOSTA: Alternativa A.

- PONTO DO EDITAL: VIII. 2.3. Idoso. Pessoa com deficiência. Inclusão social. Saúde Pública.
Assistência Social. Educação. Serviços de relevância pública. Acessibilidade. Pessoas portadoras
de transtornos mentais. Igualdade racial.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Alternativa CORRETA.

As medidas de proteção são mecanismos que visam assegurar a efetividade da


proteção do direito do idoso. De nada adiantaria haver a garantia de direitos, se não fosse
possível assegurá-los.

Essas medidas de proteção serão utilizadas sempre que os direitos dos idosos forem
ameaçados ou violados nos seguintes casos (art. 43 do Estatuto do Idoso):

g Por ação ou omissão da sociedade ou do Estado;

g Por falta, omissão ou abuso da família, curador ou entidade de atendimento;

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g Em razão da sua condição pessoal.

A alternativa está CORRETA, pois, de fato, o Ministério Público pode adotar as medidas
de proteção, independentemente de ordem judicial.

É isso que está disposto no art. 45 do Estatuto do Idoso. Vejamos:

Art. 45. Verificada qualquer das hipóteses previstas no art. 43, o


Ministério Público ou o Poder Judiciário, a requerimento daquele,
poderá determinar, dentre outras, as seguintes medidas:

As medidas que o Ministério Público pode adotar para proteger os idosos são:

g Encaminhamento à família ou curador, mediante termo de responsabilidade;

g Orientação, apoio e acompanhamento temporários;

g Requisição para tratamento de sua saúde, em regime ambulatorial, hospitalar


ou domiciliar;

g Inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio, orientação e tratamento


a usuários dependentes de drogas lícitas ou ilícitas, ao próprio idoso ou à pessoa de sua
convivência que lhe cause perturbação;

g Abrigo em entidade;

g Abrigo temporário.

Alternativa B: Alternativa INCORRETA.

A alternativa está INCORRETA, pois o acolhimento de idoso caracteriza sim


dependência econômica.

Trata-se do disposto no art. 36 do Estatuto do Idoso:

Art. 36. O acolhimento de idosos em situação de risco social, por adulto


ou núcleo familiar, caracteriza a dependência econômica, para os efeitos
legais.   

Ex.: dedução no imposto de renda daquele que acolhe o idoso.

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Todas as entidades de longa-permanência do idoso, ou casa-lar, são obrigadas a
firmar contrato de prestação de serviço com a pessoa idosa abrigada (art. 35, caput do EIDO).

É possível que a entidade filantrópica ou casa-lar cobre participação do idoso no


custeio da entidade (art. 35, §1º do EIDO). Entretanto, o Conselho Municipal do Idoso ou o
Conselho Municipal da Assistência Social estabelecerá a forma de participação do idoso, isto
é, quanto ele deve pagar para entidade, que não poderá exceder a 70% de qualquer benefício
previdenciário ou de assistência social percebida pelo idoso (art. 35, §2º do Estatuto do Idoso).

R Ficar atento que muitas questões colocam que a entidade não pode cobrar
participação pecuniária do idoso. As entidades podem sim cobrar valores dos idosos.

R Aplica-se o Código de Defesa do Consumidor aos contratos de serviço celebrados


entre o idoso e as entidades de longa permanência ou casa-lar, diante da vulnerabilidade da
pessoa idosa.

Alternativa C: Alternativa INCORRETA.

Não é a partir dos 60 (sessenta) anos, mas sim a partir dos 65 (sessenta e cinco) anos
(art. 34 do Estatuto do Idoso).

Art. 34. Aos idosos, a partir de 65 (sessenta e cinco) anos, que não
possuam meios para prover sua subsistência, nem de tê-la provida por
sua família, é assegurado o benefício mensal de 1 (um) salário-mínimo,
nos termos da Lei Orgânica da Assistência Social – Loas.  

O Estatuto do Idoso tem o propósito de tutelar de forma específica os direitos do


Idoso, estabelecendo direitos e medidas de proteção dessa categoria de pessoas.

O Estatuto considera idoso as pessoas com idade igual ou superior a 60 anos.

A Lei 10.741/03 (Estatuto do Idoso) adotou, portanto, um critério cronológico para se


definir quem é o idoso.

Art. 1º. É instituído o Estatuto do Idoso, destinado a regular os direitos


assegurados às pessoas com idade igual ou superior a 60 (sessenta)
anos.

Entretanto, nem todos os direitos assegurados no Estatuto do Idoso são conferidos à


pessoas com idade igual ou superior a 60 anos.

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g Ex.1: a gratuidade em transportes coletivos públicos e urbanos e semiurbanos é
garantida aos idosos com idade igual ou superior a 65 anos (art. 39 do Estatuto do Idoso). Nesse
caso, o art. 39, §3º do Estatuto permite que a legislação local disponha sobre as condições para
exercício de gratuidade nos meios de transporte para aqueles que possuem entre 60 e 65 anos.

Art. 39. Aos maiores de 65 (sessenta e cinco) anos fica assegurada


a gratuidade dos transportes coletivos públicos urbanos e semi-
urbanos, exceto nos serviços seletivos e especiais, quando prestados
paralelamente aos serviços regulares.

g Ex.2: o benefício mensal de 1 salário mínimo, nos termos da LOAS (Lei Orgânica
da Assistência Social), só é concedido aos idosos com idade igual ou superior a 65 anos¸ que
não possuam meios para prover a sua subsistência, nem de tê-la provida por sua família (art.
34 da Estatuto do Idoso).

Alternativa D: Alternativa INCORRETA.

A Lei da super-prioridade (Lei 13.466/2017) trouxe que aqueles que possuem mais de
80 (oitenta) anos terão atendimento preferencial em relação aos demais idosos (aqueles com
mais de 60 anos).

Entretanto, essa super-preferência não afastou as prioridades que os demais idosos


já possuíam, previstas no art. 3º do Estatuto do Idoso.

A prioridade no recebimento da restituição do Imposto de Renda continua vigente


para todos os Idosos no Estatuto (art. 3º, §1º, IX, do Estatuto do Idoso).

Art. 3º. É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder


Público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do
direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte,
ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito
e à convivência familiar e comunitária.
§ 1º A garantia de prioridade compreende: (...)
IX – prioridade no recebimento da restituição do Imposto de Renda.  

A Lei 13.466/2017 trouxe basicamente três alterações no Estatuto do Idoso:

g Os maiores de 80 tem preferência especial em relação aos demais idosos (60


anos) (art. 3º, §2º, do Estatuto do Idoso);

g Em todo atendimento a saúde, os maiores de 80 anos terão preferência especial


sobre os demais idosos, exceto em caso de emergência (art. 15, §7º, do Estatuto do Idoso);

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g Os maiores de 80 anos tem prioridade na tramitação dos processos judiciais
(art. 71, §5º, do Estatuto do Idoso).

Alternativa E: Alternativa INCORRETA.

A alternativa está INCORRETA, pois devem ser destinadas 02 (duas) vagas gratuitas
para idosos com renda igual ou inferior a 02 (dois) salários mínimos.

O art. 39 do Estatuto do Idoso garante aos maiores de 65 anos a gratuidade nos


transportes coletivos públicos urbanos e semiurbanos.

g Não há a garantia dessa gratuidade para os serviços seletivos e especiais, quando


prestados paralelamente aos serviços regulares.

Para ter acesso a gratuidade, basta que se apresente um documento pessoal que
comprove a idade (art. 39, §1º do Estatuto).

g O STJ entende que é ilegal a exigência de prévio cadastramento administrativo do


idoso para que ele tenha direito ao transporte gratuito. Para o STJ a simples apresentação do
documento que comprove a idade já garante o direito ao idoso (AgRg no SLS 1.453/RH/2012 e
REsp 1.057.274/RS/2010).

Nesses veículos em que será assegurada a gratuidade, serão reservados 10% dos
assentos para os idosos, que deverão ser devidamente identificados com a placa da reservado
preferencialmente para idosos (art. 39, §2º do Estatuto do Idoso).

No caso de pessoas entre 60 e 65 anos, a legislação local poderá dispor sobre as


condições para exercício da gratuidade nos meios de transporte.

g O STF entende constitucional à lei municipal que concede a gratuidade também


ao transporte rural (STF, RE 639.088/RS).

g O STJ entende caber dano moral coletivo contra a empresa de transporte que não
garante a gratuidade e ao banco que não assegura a acessibilidade aos idosos (REsp 1.057.274/
RS/2010 e REsp 1.221.756/RJ/2012).

No caso do transporte coletivo interestadual deverão ser observadas as seguintes


regras (art. 40 da Lei 10.741/03):

g A reserva de 2 vagas gratuitas por veículos para idosos com renda igual ou inferior
a 2 salário mínimos;

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g Desconto de 50% no valor mínimo da passagem, para os idosos que excederem as
vagas gratuitas, com renda igual ou inferior a 2 salários mínimos.

g Nesses casos de transporte coletivo interestadual a gratuidade se dá a partir dos


60 anos (e não de 65 anos, que é a regra para os transportes públicos coletivos).

- GABARITO DA QUESTÃO: A.

74 – QUESTÃO:

A respeito do instituto da tomada de decisão apoiada, assinale a alternativa correta:

a) O procedimento de tomada de decisão apoiada se dará judicialmente ou extrajudicialmen-


te, sendo que neste último caso exige-se o registro em cartório.
b) Em caso de negócio jurídico que possa trazer risco ou prejuízo relevante, havendo diver-
gência de opiniões entre a pessoa apoiada e um dos apoiadores, o juiz deverá destituir o
apoiador divergente e nomear outra pessoa para prestação de apoio.
c) É vedado ao terceiro com quem a pessoa apoiada mantenha relação negocial solicitar que
os apoiadores contra-assinem o contrato ou acordo.
d) A decisão tomada por pessoa apoiada terá validade e efeitos sobre terceiros, sem restri-
ções, desde que esteja inserida nos limites do apoio acordado.
e) A tomada de decisão apoiada pode ser requerida pela pessoa com deficiência, pelo Minis-
tério Público ou por qualquer das pessoas legitimadas para promover a curatela.

- RESPOSTA: Alternativa D.

- PONTO DO EDITAL: VIII. 2.3. Idoso. Pessoa com deficiência. Inclusão social. Saúde Pública.
Assistência Social. Educação. Serviços de relevância pública. Acessibilidade. Pessoas portadoras
de transtornos mentais. Igualdade racial.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Alternativa INCORRETA.

Alternativa B: Alternativa INCORRETA.

Alternativa C: Alternativa INCORRETA.

Alternativa D: Alternativa CORRETA.

Alternativa E: Alternativa INCORRETA.

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Vamos conversar um pouco do instituto da tomada de decisão apoiada, instituído
no art. 1.783-A do Código Civil.

O Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/2015) trouxe um importante


instituto ao Código Civil, que é a tomada de decisão apoiada (TDA).

Nota-se que existem pessoas que possuem algum tipo de deficiência, mas que
podem exprimir sua vontade (o que afasta, definitivamente, a incidência de qualquer tipo de
incapacidade).

g Ex.: a pessoa que possui Síndrome de Down não é incapaz e pode manifestar sua
vontade.

De fato, quando a pessoa com deficiência consegue expressar a sua vontade, o


caminho não pode ser a incapacidade relativa, com a consequente decretação da curatela,
mas sim a tomada de decisão apoiada, que é destinada às pessoas que conseguem manifestar
a sua vontade, ainda que de forma precária.

A tomada de decisão apoiada é destinada a pessoas plenamente capazes, porém


em situação de vulnerabilidade por conta de alguma deficiência.

A tomada de decisão assistida é um processo pelo qual a pessoa com deficiência


elege pelo menos 2 pessoas idôneas, com as quais mantenha vínculos e que gozem de sua
confiança, para prestar-lhe apoio na tomada de decisão sobre atos da vida civil, fornecendo-
lhes os elementos e informações necessários para que possa exercer sua capacidade (art. 1.783-
A, caput, do CC).

A tomada de decisão apoiada será determinada pelo juiz por meio de procedimento
de jurisdição voluntária. Para formular o pedido, a pessoa com deficiência e os apoiadores
devem apresentar termo em que constem os limites do apoio a ser oferecido e os compromissos
dos apoiadores, bem como o prazo da vigência do apoio (art. 1.783-A, §1º, do CC).

Trata-se, portanto, de um pedido judicial, de jurisdição voluntária (não há previsão


de tomada de decisão apoiada feita extrajudicialmente) (RAZÃO PELA QUAL A ALTERNATIVA A
ESTÁ INCORRETA).

O pedido para tomada de decisão apoiada é requerido pela pessoa a ser apoiada (e
não pelos apoiadores) (art. 1.783, §2º, do CC).

Não há previsão expressão de legitimidade do Ministério Público ou dos demais


legitimados para promover a curatela (RAZÃO PELA QUAL A ALTERNATIVA E ESTÁ INCORRETA).

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R Segundo Cristiano Chaves, apesar de não haver expressa previsão legal, aqueles que podem
pedir a curatela (ex.: Ministério Público e familiares) também podem requerer a tomada de
decisão apoiada, pois “quem pode o mais, pode o menos”.

Recebida a petição inicial do pedido de tomada de decisão assistida, o juiz deve


designar equipe interdisciplinar para proceder a avaliação da pessoa interessada, além de
realizar uma entrevista pessoal com a pessoa e com os que prestarão apoio.

Por expressa previsão legal, o Ministério Público deve participar como fiscal da
ordem jurídica (custos juris) nos procedimentos de tomada de decisão apoiada (1.783-A, §3º,
do CC), apesar de não haver nenhuma pessoa com deficiência no processo (já que a pessoa com
deficiência não é incapaz).

A decisão judicial indicará, expressamente, os limites do apoio a ser prestado àquela


pessoa.

A decisão tomada por pessoa apoiada terá validade e efeito perante terceiros, sem
restrições, desde que inserida nos limites do apoio acordado (art. 1.783-A, §4º, do CC) (RAZÃO
PELA QUAL A ALTERNATIVA D ESTÁ CORRETA).

Havendo divergência de opiniões entre a pessoa apoiada e um dos apoiadores,


deverá o juiz, ouvido o Ministério Público, decidir sobre a questão (art. 1783-A, §6º, do CC).

Assim, percebe-se que em caso de divergência, quem decide é o juiz (não há nenhuma
previsão de nomear novo apoiador) (RAZÃO PELA QUAL A ALTERNATIVA B ESTÁ INCORRETA).

Registra-se ainda, que o terceiro com quem a pessoa apoiada mantém relação
negocial pode solicitar que os apoiadores contra-assinem o contrato ou acordo, especificando,
por escrito, sua função em relação ao apoiado (RAZÃO PELA QUAL A ALTERANTIVA C ESTÁ
INCORRETA).

- GABARITO DA QUESTÃO: D.

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75 – QUESTÃO:

Com relação ao tema servidão ambiental, considere as seguintes afirmativas:

I – A servidão ambiental é um dos instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente.


II – A servidão ambiental se aplica às Áreas de Preservação Permanente e à Reserva Legal
mínima exigida.
III – A servidão ambiental deverá ser formalizada por instrumento público, ao qual se dará
ampla divulgação, vedada a sua formalização por instrumento particular.
IV – Admite-se a servidão gratuita hipótese em que terá um prazo mínimo de 15 (quinze) anos.

Assinale a alternativa correta:

a) Todas as afirmativas estão corretas.


b) Está correto o disposto na I e IV, apenas.
c) Está correto o disposto na I e II, apenas.
d) Está correto o disposto na I, II e III, apenas.
e) Está correto o disposto na II e IV, apenas.

- RESPOSTA: Alternativa B.

- PONTO DO EDITAL: VIII. 2.1 Meio Ambiente e Urbanismo. Bem jurídico ambiental. Direito
do Ambiente: conceito, princípios, objeto, instrumentos legais. Tutela constitucional do
ambiente. Política Nacional do Meio Ambiente. Espaços ambientalmente protegidos. Sistema
Nacional do Meio Ambiente. Tutela administrativa do ambiente: poder de polícia, competência,
licenciamento, responsabilidade administrativa. Tutela e responsabilidade civil do ambiente.
Participação popular na proteção do ambiente. Legislação ambiental, de parcelamento do solo
e da cidade.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Alternativa INCORRETA.

Alternativa B: Alternativa CORRETA.

Alternativa C: Alternativa INCORRETA.

Alternativa D: Alternativa INCORRETA.

Alternativa E: Alternativa INCORRETA.

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Já conversamos sobre servidão ambiental em outro simulado, mas eu queria dar
ênfase para essa matéria, muito importante com relação ao tema de Política Nacional do Meio
Ambiente.

A servidão ambiental está prevista no art. 9º-A da Lei 6.938/81, introduzido pela Lei
12.651/2012 (Código Florestal).

Art. 9º-A. O proprietário ou possuidor de imóvel, pessoa natural ou


jurídica, pode, por instrumento público ou particular ou por termo
administrativo firmado perante órgão integrante do Sisnama, limitar o
uso de toda a sua propriedade ou de parte dela para preservar, conservar
ou recuperar os recursos ambientais existentes, instituindo servidão
ambiental. (Redação dada pela Lei nº 12.651, de 2012).

A servidão ambiental é dos instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente e


consiste na renúncia voluntária do proprietário rural ao direito de uso, exploração ou supressão
dos recursos naturais existentes em sua propriedade.

Ela é, sem dúvidas, um dos instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente,


conforme art. 9º, XIII da Lei 6.938/81 (RAZÃO PELA QUAL A AFIRMATIVA I ESTÁ CORRETA)

Art. 9º. São instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente: (...)


XIII - instrumentos econômicos, como concessão florestal, servidão
ambiental, seguro ambiental e outros.   

Obs.: Pessoal, não deixem de dar uma lida no art. 9º da Lei 6.938/81 que trata
dos instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente. Prova adora perguntar desses
instrumentos.

A servidão ambiental pode ser instituída por: instrumento público, instrumento


particular ou por termo administrativo (art. 9º-A, caput, da Lei 6.938/81), (RAZÃO PELA QUAL A
ALTERNATIVA III ESTÁ INCORRETA).

Art. 9o-A.  O proprietário ou possuidor de imóvel, pessoa natural ou


jurídica, pode, por instrumento público ou particular ou por termo
administrativo firmado perante órgão integrante do Sisnama, limitar o
uso de toda a sua propriedade ou de parte dela para preservar, conservar
ou recuperar os recursos ambientais existentes, instituindo servidão
ambiental.  

Para comprovação da servidão ambiental, ela deverá ser averbada na matrícula do


imóvel no Cartório de Registro de Imóveis competente (art. 9º-A, §4º, da Lei 6.938/81).

57
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A servidão ambiental não se aplica às Áreas de Preservação Permanente e à Reserva
Legal mínima exigida (art. 9º-A, §2º, da Lei 6.938/81) (RAZÃO PELA QUAL A ALTERNATIVA II ESTÁ
INCORRETA)

A servidão ambiental pode ser estabelecida por prazo determinado (temporária),


situação em que deverá durar no mínimo 15 anos (art. 9º-B, §1º, da Lei 6.938/81), ou pode ser
também perpétua (RAZÃO PELA A ALTERNATIVA IV ESTÁ CORRETA). A servidão poderá também
ser gratuita ou onerosa.

Art. 9º-B.  A servidão ambiental poderá ser onerosa ou gratuita,


temporária ou perpétua.   
§ 1º O prazo mínimo da servidão ambiental temporária é de 15 (quinze)
anos.    

Na hipótese de compensação de Reserva Legal, a servidão ambiental deve ser


averbada na matrícula de todos os imóveis envolvidos (art. 9º-A, §5º, da Lei 6.938/81).

É vedada, durante o prazo de vigência da servidão ambiental, a alteração da


destinação da área (art. 9º-A, §6º, da Lei 6.938/81). Isso não quer dizer que a servidão não possa
ser alienada, mas sim que a área dela no imóvel não pode ser alterada.

- GABARITO DA QUESTÃO: B.

76 – QUESTÃO:

O Prefeito do Município de Pirapozinho permitiu que seu amigo, Pedro Mutreta, famoso
fazendeiro da região, utilizasse os tratores da Prefeitura para auxiliar na colheita da soja.
Diante da situação narrada, assinale a alternativa correta:

a) O ato do Prefeito poderá sujeitá-lo a pena de multa de até 100 vezes o valor de sua
remuneração.
b) O ato do Prefeito poderá sujeitá-lo a pena de suspensão dos direitos políticos de 03 a 05
anos.
c) O ato do Prefeito poderá sujeitá-lo a suspensão dos direitos políticos de 08 a 10 anos.
d) O ato do Prefeito poderá sujeitá-lo ao pagamento de multa civil no valor de 02 vezes o valor
do dano.
e) O ato do Prefeito poderá sujeitá-lo proibição de contratar com o Poder Público pelo prazo
de 03 anos.

- RESPOSTA: Alternativa D.

58
:

C U RSO PARA A
PROVA OBJ ET IVA

MP-SP
- PONTO DO EDITAL: VIII. 2.2 Patrimônio Público: Controle da Administração Pública. Tribunal
de Contas. Mandado de segurança (individual e coletivo). Mandado de Injunção. Ação popular.
Ação civil pública. Improbidade administrativa. Proteção ao patrimônio público e social.
Processo Administrativo. Responsabilidade fiscal. Orçamento público.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Alternativa INCORRETA.

Alternativa B: Alternativa INCORRETA.

Alternativa C: Alternativa INCORRETA.

Alternativa D: Alternativa CORRETA.

Alternativa E: Alternativa INCORRETA.

Para resolver a questão era necessário dois conhecimentos: saber qual a natureza
do ato de improbidade administrativa praticada pelo Prefeito e saber decorado as sanções
previstas na Lei 8.429/92

O caso narrado no enunciado configura ato de improbidade administrativa que causa


prejuízo ao erário (art. 10 da Lei 8.429/92).

Art. 10. Constitui ato de improbidade administrativa que causa lesão ao


erário qualquer ação ou omissão, dolosa ou culposa, que enseje perda
patrimonial, desvio, apropriação, malbaratamento ou dilapidação
dos bens ou haveres das entidades referidas no art. 1º desta lei, e
notadamente: (...)
XIII - permitir que se utilize, em obra ou serviço particular, veículos,
máquinas, equipamentos ou material de qualquer natureza, de
propriedade ou à disposição de qualquer das entidades mencionadas no
art. 1° desta lei, bem como o trabalho de servidor público, empregados
ou terceiros contratados por essas entidades.

O ato do Prefeito de permitir que seu amigo utilize os tratores do Município, em causa
própria, configura ato de improbidade que causa lesão ao erário.

Atenção à caso o próprio Prefeito tivesse utilizado os tratores em seu favor seria
hipótese de improbidade administrativa que importa enriquecimento ilícito (art. 9º da Lei
8.429/92).

59
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C U RSO PARA A
PROVA OBJ ET IVA

MP-SP
Art. 9°. Constitui ato de improbidade administrativa importando
enriquecimento ilícito auferir qualquer tipo de vantagem patrimonial
indevida em razão do exercício de cargo, mandato, função, emprego ou
atividade nas entidades mencionadas no art. 1° desta lei, e notadamente:
(...)
IV - utilizar, em obra ou serviço particular, veículos, máquinas,
equipamentos ou material de qualquer natureza, de propriedade ou à
disposição de qualquer das entidades mencionadas no art. 1° desta lei,
bem como o trabalho de servidores públicos, empregados ou terceiros
contratados por essas entidades;

Dito isso, a única alternativa que poderia ser assinalada é a letra D, que a única que
traz uma das sanções relativas aos atos de improbidade administrativa que causam prejuízo
ao erário. Todas as demais tratam de sanções relativas a atos que ensejam enriquecimento
ilícito ou que violam princípios da administração pública.

Segue tabela que sistematiza as sanções dos atos de improbidade (importante


decorar esse quadro):

Proibição de
Suspensão
Modalidade de Contratar Ressarcimento
dos Direitos Multa Civil
Improbidade com a ao Erário
Políticos
Administração
Enriquecimento Até 3x o valor do Sim, se houver
8 a 10 anos 10 anos
Ilícito (art. 9º) enriquecimento dano ao erário
Prejuízo ao
5 a 8 anos Até 2x o prejuízo 5 anos Sim
Erário (art. 10)
Lesão a
Até 100x o valor Sim, se
Princípio da
3 a 5 anos da remuneração 3 anos houver dano à
Administração
do agente Administração
(art. 11)

- GABARITO DA QUESTÃO: D.

60
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77 – QUESTÃO:

A respeito dos atos de improbidade administrativa, assinale a alternativa correta:

a) Em razão do princípio da legalidade, os atos de improbidade administrativa estão previs-


tos na Lei 8.429/92.
b) Frustrar a licitude de concurso público é ato de improbidade que causa prejuízo ao erário.
c) Ordenar ou permitir a realização de despesas não autorizadas em lei ou regulamento é ato
de improbidade administrativa que atenta contra princípios da administração pública.
d) Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício é ato de improbidade adminis-
trativa que causa prejuízo ao erário.
e) Frustrar a licitude de processo licitatório é ato de improbidade administrativa que causa
prejuízo ao erário.

- RESPOSTA: Alternativa E.

- PONTO DO EDITAL: VIII. 2.2 Patrimônio Público: Controle da Administração Pública. Tribunal
de Contas. Mandado de segurança (individual e coletivo). Mandado de Injunção. Ação popular.
Ação civil pública. Improbidade administrativa. Proteção ao patrimônio público e social.
Processo Administrativo. Responsabilidade fiscal. Orçamento público.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Alternativa INCORRETA.

Os atos de improbidade administrativa foram classificados em quatro modalidades:

g Enriquecimento ilícito (art. 9º da Lei 8.429/92): verbos receber, usar, adquirir,


aceitar, perceber à ocorre quando todas as vantagens vão para o agente.

g Lesão ao erário (art. 10 da Lei 8.429/92) casos em que não há vantagem patrimonial
para o agente, mas lesa-se o erário.

g Atentar contra princípios da administração (art. 11 da Lei 8.429/92): quando a


violação dos deveres de observância dos agentes.

g Atos de Improbidade Administrativa Decorrentes de Concessão ou Aplicação


Indevida de Benefício Financeiro ou Tributário (art. 10-A da Lei 8.429/92): são atos contrários à
lei que rege o imposto do ISS.

O caput dos três primeiros artigos citados, terminam com a palavra “notadamente”,
deixando claro que é um rol exemplificativo, no qual podem haver outras possibilidades
(tipicidade aberta).

61
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C U RSO PARA A
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Alternativa B: Alternativa INCORRETA.

O ato de frustrar a licitude de concurso público é ato de improbidade que atenta


contra princípio da administração. Isso está expressamente previsto no art. 11, V, da Lei
8.429/92:

Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra


os princípios da administração pública qualquer ação ou omissão que
viole os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade, e lealdade
às instituições, e notadamente:
(...)
V - frustrar a licitude de concurso público;

Alternativa C: Alternativa INCORRETA.

O ato de ordenar ou permitir a realização de despesas não autorizadas em lei ou


regulamento é ato de improbidade administrativa que causa prejuízo ao erário (art. 10, XI, da
Lei 8.429/92).

Art. 10. Constitui ato de improbidade administrativa que causa lesão ao


erário qualquer ação ou omissão, dolosa ou culposa, que enseje perda
patrimonial, desvio, apropriação, malbaratamento ou dilapidação
dos bens ou haveres das entidades referidas no art. 1º desta lei, e
notadamente: (...)
IX - ordenar ou permitir a realização de despesas não autorizadas em lei
ou regulamento;

Alternativa D: Alternativa INCORRETA.

O ato de retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício é ato de


improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública (art. 11,
II, da Lei 8.429/92).

Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra


os princípios da administração pública qualquer ação ou omissão que
viole os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade, e lealdade
às instituições, e notadamente:
(...)
II - retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício;

Alternativa E: Alternativa CORRETA.

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Diferentemente do caso dos concursos públicos, o ato de frustrar a licitude de
licitação é ato de improbidade que causa prejuízo ao erário (art. 10, VIII, da Lei 8.429/92).

Art. 10. Constitui ato de improbidade administrativa que causa lesão ao


erário qualquer ação ou omissão, dolosa ou culposa, que enseje perda
patrimonial, desvio, apropriação, malbaratamento ou dilapidação
dos bens ou haveres das entidades referidas no art. 1º desta lei, e
notadamente: (...)
VIII - frustrar a licitude de processo licitatório ou de processo seletivo
para celebração de parcerias com entidades sem fins lucrativos, ou
dispensá-los indevidamente; 

Cuidado para não confundir o caso de concursos públicos e licitação:

g Frustrar a licitude de licitação à ato que causa prejuízo ao erário;

g Frustrar a licitude de concurso público à ato que atenta contra princípios da


administração.

- GABARITO DA QUESTÃO: E.

78 – QUESTÃO:

A respeito das disposições contidas no Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/90),


assinale a alternativa correta:

a) O prazo decadencial dos vícios aparentes e ocultos de bens duráveis é o mesmo, alterando-
se apenas o termo a quo.
b) Obsta a decadência a reclamação comprovadamente formulada pelo consumidor perante
o PROCON local.
c) A garantia legal independe de termo expresso, mas é possível a exoneração contratual do
fornecedor desde que haja expressa concordância do consumidor, por escrito e em termo
separado.
d) A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais é objetiva.
e) No caso de fornecimento de produtos in natura, será responsável perante o consumidor o
fornecedor imediato, ainda que identificado claramente seu produtor.

- RESPOSTA: Alternativa A.

- PONTO DO EDITAL: VIII. 2.4. Consumidor. A proteção e defesa do consumidor na Constituição


Federal de 1988. Política nacional de relações de consumo. Direitos básicos do consumidor.
Prevenção e reparação de danos. Desconsideração da personalidade jurídica. Práticas

63
:

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comerciais. Proteção contratual. Sanções administrativas. Defesa do consumidor em juízo.
Ações coletivas. Sistema Nacional de Defesa do Consumidor.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Alternativa CORRETA.

Os prazos decadenciais para vícios aparentes ou ocultos no CDC são exatamente os


mesmos, alterando-se apenas o termo a quo, como será demonstrado abaixo.

A decadência trata-se de direito potestativo (direito de reclamar), conferindo ao


consumidor o direito a uma das alternativas previstas nos arts. 18 a 20 do CDC, quando houver
vicio no produto ou serviço, seja de qualidade ou de quantidade. Os prazos decadenciais
encontram-se previstos no art. 26 do CDC.

A prescrição refere-se ao direito de indenização, do qual é titular o consumidor


lesado por defeito do produto ou do serviço (direito subjetivo). A prescrição no CDC para a
reparação dos danos causados pelo fato do produto ou serviço se dá em 5 anos.

Dessa forma, a decadência está ligada ao vício do produto ou serviço e a prescrição


está ligada ao fato do produto ou serviço.

g Prescrição à fato do produto ou serviço;

g Decadência à vício do produto ou serviço.

O prazo do art. 26 do CDC é decadencial, pois se trata de decurso de prazo para que
o consumidor exerça um direito potestativo (direito de reclamar), impondo uma sujeição
ao fornecedor, para que este possa sanar os vícios do produto ou serviço em razão da
responsabilidade por vício de inadequação prevista nos arts. 18 a 25 do CDC.

Esses prazos decadenciais são conhecidos como garantia legal.

Os prazos para vício aparente ou de fácil constatação são:

Não duráveis: 30 dias


Duráveis: 90 dias

g Esses prazos são contados da efetiva entrega do produto ou do término da


execução do serviço (art. 26, §1º do CDC).

64
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Os prazos para vício oculto são:

Não duráveis: 30 dias


Duráveis: 90 dias

Os prazos para vícios aparentes ou vícios ocultos são os mesmos, a diferença está em
quando começa a contar o prazo, no caso dos vícios ocultos, a contagem inicia-se no momento
da ciência do vício.

g Vício aparente (fácil constatação) à conta-se da data da entrega do produto ou


do término da execução dos serviços (art. 26, §1º, do CDC);

g Vício oculto à conta-se do momento em que ficar evidenciado o vício (art. 26,
§3º, do CDC).

O vício aparente é aquele que é constatado no primeiro contato do consumidor


com o produto ou o serviço.

Por outro lado, o vício oculto é aquele que já estava presente quando da aquisição
do produto ou do término do serviço, mas que somente se manifestou algum tempo depois, ou
seja, é aquele que não se dá com o simples exame pelo consumidor.

Alternativa B: Alternativa INCORRETA.

No direito do consumidor o prazo decadencial, será suspenso, nas hipóteses


previstas no art. 26, §2º, do CDC. São duas as causas que obstam o prazo decadencial pelo CDC:

g Reclamação comprovada do consumidor perante o fornecedor até a resposta


negativa;

g ð Instauração de inquérito civil até o seu encerramento.

g Para o STJ, não obsta a decadência a reclamação formalizada perante os órgãos e


entidades de defesa do consumidor (STJ, REsp 65.498/SP/1996).

g O inquérito policial não obsta a decadência, apenas o inquérito civil.

Alternativa C: Alternativa INCORRETA.

A alternativa está INCORRETA, pois o fornecedor não pode se exonerar, em nenhuma


hipótese, da garantia legal (art. 24 do CDC).

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C U RSO PARA A
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Art. 24. A garantia legal de adequação do produto ou serviço independe
de termo expresso, vedada a exoneração contratual do fornecedor.

No âmbito do direito do consumidor há duas espécies de garantia: garantia contratual


e a garantia legal.

A garantia legal nada mais é que os prazos decadenciais demonstrados na


ALTERNATIVA A.

g Ex.: é uma garantia legal o prazo de 90 dias que o consumidor tem para reclamar
vício de aparente ou fácil constatação de bens duráveis.

Por outro lado, a garantia contratual é aquela fornecida por liberalidade do


fornecedor.

Havendo cláusula de garantia contratual, esta será complementar à legal (art. 50 do


CDC). Dessa maneira, deve-se somar o prazo legal no término do prazo da garantia contratual,
ou seja, enquanto houver a garantia contratual, a garantia legal não corre, tratado de hipótese
de impedimento do prazo decadencial do direito de reclamação.

g Ex.: se alguém compra uma TV que tem uma garantia de 1 ano, o consumidor
poderá reclamar até 1 ano e 3 meses da entrega da TV.

Art. 50. A garantia contratual é complementar à legal e será conferida


mediante termo escrito.

A garantia contratual não tem prazo definido no CDC, os quais dependem da política
comercial do fornecedor. Além disso, é importante observar, que a garantia contratual pode
ser aplicada a determinadas peças e componentes, ou aspectos específicos dos produtos e
serviços, desde que o consumidor seja informado a esse respeito.

g Ex.: garantia do motor do carro pode ser maior que a garantia dos freios.

A garantia contratual não é obrigatória, o fornecedor concede se quiser.

g A garantia contratual deve ser concedida por escrito (art. 50 do CDC).

Garantia Contratual Garantia Legal


É obrigatória, não podendo o fornecedor dela
É complementar à legal e será facultativa.
se exonerar.
Será conferida mediante termo escrito. Independe de termo escrito.

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Alternativa D: Alternativa INCORRETA.

A responsabilidade do profissional liberal será apurada mediante a verificação de


culpa (responsabilidade subjetiva) (art. 14, §4º, do CDC).

Art. 14. (...).


§ 4° A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais será apurada
mediante a verificação de culpa.

Não é caso de culpa presumida (como algumas provas já colocaram no enunciado


tentando confundir), mas sim de culpa provada.

g Ex.: o médico que está no plantão possui responsabilidade subjetiva, devendo sua
culpa ser provada no caso concreto.

Alternativa E: Alternativa INCORRETA.

No caso de fornecimentos de produtos in natura, será responsável perante o


consumidor o fornecedor imediato, exceto quando identificado claramente seu produtor (art.
18, §5º, do CDC).

Art. 18. (...).


§5° No caso de fornecimento de produtos in natura, será responsável
perante o consumidor o fornecedor imediato, exceto quando identificado
claramente seu produtor.

g Ex.: um sacolão deixa claro para o consumidor que quem produziu determinados
limões foi a empresa “Irmãos Produtores & CIA”. Nesse caso, o sacolão não será responsável
pelos produtos in natura.

- GABARITO DA QUESTÃO: A.

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79 – QUESTÃO:

A respeito das disposições relativas a desconsideração da pessoa jurídica no âmbito direito


do consumidor, assinale a alternativa incorreta:

a) A desconsideração será efetivada quando houver falência, estado de insolvência,


encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má administração
b) As sociedades integrantes dos grupos societários e as sociedades controladas, são
solidariamente responsáveis pelas obrigações decorrentes do Código de Defesa do
Consumidor.
c) Poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for, de alguma
forma, obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados aos consumidores.
d) As sociedades coligadas só respondem a título de culpa.
e) As sociedades consorciadas são solidariamente responsáveis pelas obrigações relativas ao
direito do consumidor.

- RESPOSTA: Alternativa B.

- PONTO DO EDITAL: VIII. 2.4. Consumidor. A proteção e defesa do consumidor na Constituição


Federal de 1988. Política nacional de relações de consumo. Direitos básicos do consumidor.
Prevenção e reparação de danos. Desconsideração da personalidade jurídica. Práticas
comerciais. Proteção contratual. Sanções administrativas. Defesa do consumidor em juízo.
Ações coletivas. Sistema Nacional de Defesa do Consumidor.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Alternativa CORRETA.

Alternativa B: Alternativa INCORRETA.

Alternativa C: Alternativa CORRETA.

Alternativa D: Alternativa CORRETA.

Alternativa E: Alternativa CORRETA.

A matéria de “desconsideração da pessoa jurídica” no âmbito do direito do consumidor


está tratada no art. 28 do CDC, o qual vale a pena ser transcrito na íntegra:

Art. 28. O juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica da socie-


dade quando, em detrimento do consumidor, houver abuso de direito,
excesso de poder, infração da lei, fato ou ato ilícito ou violação dos es-

68
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tatutos ou contrato social. A desconsideração também será efetivada
quando houver falência, estado de insolvência, encerramento ou inati-
vidade da pessoa jurídica provocados por má administração.
§ 1º (Vetado).
§ 2º As sociedades integrantes dos grupos societários e as sociedades
controladas, são subsidiariamente responsáveis pelas obrigações
decorrentes deste código.
§ 3º As sociedades consorciadas são solidariamente responsáveis pelas
obrigações decorrentes deste código.
§ 4º As sociedades coligadas só responderão por culpa.
§ 5º Também poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que
sua personalidade for, de alguma forma, obstáculo ao ressarcimento de
prejuízos causados aos consumidores.

Com relação à responsabilidade das sociedades devemos fazer as seguintes


diferenciações (art. 28, §2º, 3º e 4º do CDC):

a) Grupo de Sociedades à é formado pela sociedade controladora e suas controladas,


mediante convenção, pela qual se obrigam a empregar recursos ou esforços para a realização
dos respectivos objetos, ou para participar de atividades ou empreendimentos comuns.

Para o art. 28, §2º do CDC, se esgotar os recursos da sociedade controladora ou da


controlada, uma deverá responder subsidiariamente com os encargos umas das outras.

b) Consórcio à é uma reunião de sociedades que se agrupam para exercer um


determinado empreendimento. Para o art. 28, §3º do CDC, a responsabilidade entre as
sociedades consorciadas é solidária.

c) Sociedades Coligadas à quando uma participa com 10% ou mais do capital


da outra, porém, sem controlá-la. Justamente pela falta de controle nas deliberações das
decisões de uma sobre a outra é que a responsabilidade deverá ser apurada mediante culpa na
participação do evento danoso (art. 28, §4º do CDC).

Tipo de Sociedade Tipo de Responsabilidade


Integrantes de Grupos Societários e
Subsidiária
Coligadas
Consorciadas Solidária
Coligadas Só respondem a título de culpa

g Decorar esse quadro, pois ele cai muito nas provas.

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A desconsideração da personalidade jurídica no CDC poderá ocorrer sempre que
a personalidade for obstáculo ao ressarcimento dos consumidores (art. 28, §5º do CDC). O
CDC adotou, portanto, a teoria menor, exigindo-se a mera insolvência da pessoa jurídica para o
pagamento de suas obrigações para que ocorra a desconsideração da pessoa jurídica.

Para os direitos afetos ao consumidor, não há as exigências do Código Civil de haver


desvio de finalidade ou confusão patrimonial (art. 50 do CC).

Existem duas grandes teorias a respeito da desconsideração da personalidade


jurídica: teoria maior e teoria menor.

• Teoria Maior à a teoria maior entende que para que ocorra a desconsideração da
pessoa jurídica é necessária a presença de dois requisitos:

Abuso de personalidade jurídica (desvio de finalidade ou confusão patrimonial);


Causar prejuízo ao credor.


Essa é a teoria adotada no art. 50 do CC.

• Teoria Menor à a teoria menor exige menos requisitos, ela exige apenas o requisito
de causar prejuízo ao credor (insolvência da pessoa jurídica).

Para essa teoria, o risco empresarial normal às atividades econômicas não pode
ser suportado por terceiro que contratou com a pessoa jurídica, mas sim pelos sócios e
administradores dela, ainda que demonstrem uma conduta proba.

Essa teoria foi adotada no art. 4º da Lei 9.605/90 (Lei de Crimes Ambientais), de
forma que em se tratando de dano ao meio ambiente é possível a desconsideração da pessoa
jurídica, apenas com a comprovação de prejuízo ao meio ambiente. Essa teoria também foi
adotada no art. 28, §5º do Código de Defesa do Consumidor, podendo haver a desconsideração
quando houver danos aos consumidores.

Art. 50 do Código Civil – Teoria Maior Art. 28 do CDC – Teoria Menor


As hipóteses são restritas As hipóteses são amplas
Exige o desvio de finalidade ou a Basta haver a insolvência do
confusão patrimonial fornecedor
Não pode ser aplicada de ofício. Exige Pode ser aplicada de ofício. O CDC
requerimento da parte ou do MP possui normas de ordem pública.

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C U RSO PARA A
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MP-SP
g No Código do Consumidor o juiz pode aplicar de ofício a desconsideração da
personalidade jurídica, pois se trata de norma de ordem pública e interesse social. Por outro
lado, na desconsideração da pessoa jurídica prevista no Código Civil, exige-se requerimento da
parte ou do Ministério Público para que ela seja efetuada.

g O juiz pode decretar a desconsideração da pessoa jurídica no próprio processo de


execução, não sendo necessária ação específica para isso (STJ, RMS 16.274/2004).

As modalidades de desconsideração da pessoa jurídica são:

g Desconsideração Direta ou Comum Ò na desconsideração direta, os bens de


sócios ou administradores respondem por dívidas da pessoa jurídica (art. 50 do CC e art. 28 do
CDC).

g Desconsideração Inversa Ò também conhecida como desconsideração às


avessas ocorre nos casos dos bens da pessoa jurídica responderem por dívidas dos sócios ou
administradores (art. 133, §2º, do CPC/2015).

g Ex.: a pessoa é casada sob o regime de comunhão parcial e quer pedir o divórcio,
mas antes disso começa a alienar os seus bens pessoas para a sua pessoa jurídica, para que não
participe da partilha.

g Desconsideração Indireta Ò na desconsideração indireta, existe a figura da


empresa controladora cometendo fraudes e abusos por meio de outra empresa que figura
como controlada ou coligada.

Assim, a empresa controlada afigura-se como simples longa manus da empresa


controladora.

Dessa forma, na desconsideração indireta é possível atingir o patrimônio da empresa


controladora por atos da empresa controlada.

g Desconsideração Expansiva Ò a desconsideração expansiva da pessoa jurídica


tem a função de atingir o patrimônio do sócio oculto de determinada sociedade. Nesse caso, o
indivíduo se esconde atrás de um terceiro “laranja” para não ser responsabilizado por eventual
inadimplemento de qualquer obrigação da sociedade.

g Teoria da Sucessão de Empresas à trata-se de uma evolução da teoria da


desconsideração da personalidade jurídica, pela qual, nos casos de abuso de personalidade
jurídica em que for patente a ocorrência de fraude, poderá o magistrado estender as
responsabilidades de uma empresa para outra, denominadas de empresa sucedida e sucessora.

71
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- GABARITO DA QUESTÃO: B.

80 – QUESTÃO:

Com relação ao plano diretor, assinale a alternativa incorreta:

a) O plano diretor é obrigatório para todas as cidades integrantes de áreas de especial


interesse turístico.
b) O plano diretor, aprovado pela Câmara Municipal, obrigatório para cidades com mais de
vinte mil habitantes, é o instrumento básico da política de desenvolvimento e de expansão
urbana
c) O plano diretor poderá fixar áreas nas quais o direito de construir poderá ser exercido acima
do coeficiente de aproveitamento básico adotado, mediante contrapartida a ser prestada
pelo beneficiário.
d) A lei que instituir o plano diretor deverá ser revista, pelo menos, a cada cinco anos.
e) O plano diretor é obrigatório para áreas incluídas no cadastro nacional de Municípios com
áreas suscetíveis à ocorrência de deslizamentos de grande impacto, inundações bruscas ou
processos geológicos ou hidrológicos correlatos.

- RESPOSTA: Alternativa D.

- PONTO DO EDITAL: VIII. 2.1 Meio Ambiente e Urbanismo. Bem jurídico ambiental. Direito
do Ambiente: conceito, princípios, objeto, instrumentos legais. Tutela constitucional do
ambiente. Política Nacional do Meio Ambiente. Espaços ambientalmente protegidos. Sistema
Nacional do Meio Ambiente. Tutela administrativa do ambiente: poder de polícia, competência,
licenciamento, responsabilidade administrativa. Tutela e responsabilidade civil do ambiente.
Participação popular na proteção do ambiente. Legislação ambiental, de parcelamento do solo
e da cidade.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Alternativa CORRETA.

O plano diretor é obrigatório para todas as cidades integrantes de áreas de especial


interesse turístico (art. 41, IV, do Estatuto da Cidade).

Art. 41. O plano diretor é obrigatório para cidades: (...)


IV – integrantes de áreas de especial interesse turístico;

A Constituição em seu art. 182, §1º trouxe apenas que o plano diretor será obrigatório
nas cidades com mais de 20 mil habitantes. Entretanto, o art. 41 da Lei 10.257/01 trouxe outras
hipóteses, em que o plano diretor será obrigatório, mesmo para cidades com menos de 20 mil

72
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C U RSO PARA A
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habitantes:

Com mais de 20 mil habitantes;


Integrantes de regiões metropolitanas e aglomerações urbanas;


Onde o Poder Público Municipal pretenda utilizar os instrumentos sucessivos de



parcelamento, edificação e utilização compulsória do solo urbano;

Integrantes de áreas de especial interesse turístico;


Inseridas na área de influências de empreendimentos ou atividades de



significativo impacto ambiental de âmbito regional ou nacional;

Incluídas no cadastro nacional de Municípios com áreas suscetíveis à ocorrência



de deslizamentos de grande impacto, inundações bruscas ou processos geológicos e
hidrológicos correlatos.

O Estatuto da Metrópole (Lei 13.089/2015) estabelece em seu art. 10 a



necessidade de elaboração para regiões metropolitanas e aglomerações urbanas do plano de
desenvolvimento urbano integrado, que deve ser aprovado por lei estadual. A elaboração
desse plano de desenvolvimento urbano integrado não exime o Município de aprovar o seu
plano diretor (art. 10, parágrafo único da Lei 13.089/2015).

Caso o Município não elabore o seu plano diretor, ele ficará impossibilitado de utilizar
de diversos instrumentos previstos na Lei 10.257/01.

Alternativa B: Alternativa CORRETA.

O plano diretor visa a organizar os espaços habitáveis. Para isso, o plano diretor é o
que irá definir de forma concreta, qual é a função social do imóvel urbano, potencializando as
funções da cidade.

O plano diretor é aprovado por lei municipal e é o instrumento básico da política de


desenvolvimento e expansão urbana (art. 182, §1º da CR).

O plano diretor será sempre obrigatório para cidades com mais de 20 mil habitantes.

Art. 182. (...).


§ 1º O plano diretor, aprovado pela Câmara Municipal, obrigatório para
cidades com mais de vinte mil habitantes, é o instrumento básico da
política de desenvolvimento e de expansão urbana.

73
:

C U RSO PARA A
PROVA OBJ ET IVA

MP-SP
O plano diretor é o que irá definir como será o planejamento urbanístico municipal,
motivo pelo qual apresentará aspectos físicos, econômicos, sociais e administrativos.

Art. 39. A propriedade urbana cumpre sua função social quando atende
às exigências fundamentais de ordenação da cidade expressas no plano
diretor, assegurando o atendimento das necessidades dos cidadãos
quanto à qualidade de vida, à justiça social e ao desenvolvimento das
atividades econômicas, respeitadas as diretrizes previstas no art. 2o
desta Lei.

O Estatuto da Cidade não exige forma qualificada de lei municipal para editar o
plano diretor, bastando, assim, a edição de lei ordinária, salvo previsão diversa em lei orgânica
municipal.

O plano diretor é a base de toda a legislação urbanística que deve ser produzida nos
Municípios. A lei municipal concretizará os parâmetros e objetivos definidos no plano geral.

Há diversos instrumentos previstos no Estatuto da Cidade, que só poderão ser


implantados se tratados no plano diretor, razão pela qual se entende que ele é um ato/condição
para esses instrumentos.

g Ex.: outorga onerosa do direito de construir e operações urbanas consorciadas;

O plano diretor é parte integrante do processo de planejamento municipal, devendo


o plano plurianual, as diretrizes orçamentárias e o orçamento anual incorporar as diretrizes e as
prioridades nele contidas (art. 40, §1º da Lei 10.257/01).

O plano diretor deverá englobar o território do Município como um todo (art. 41, §2º
da Lei 10.257/01). Assim, o plano diretor considera todo o território municipal, que engloba não
só a área urbana, mas também as áreas rurais.

O plano diretor, mesmo em áreas rurais, deve se referir apenas a questões



urbanísticas, não podendo o Município legislar sobre direito agrário, o qual é de competência
exclusiva da União.

A lei municipal que institui o plano diretor deverá ser revista, pelo menos, a cada 10
anos (art. 40, §3º da Lei 10.257/01).

Na elaboração do plano diretor e na fiscalização de sua implementação, o Poder


Legislativo e Executivo Municipais deverão garantir (art. 40, §4º da Lei 10.257/01):

74
:

C U RSO PARA A
PROVA OBJ ET IVA

MP-SP
Promoção de audiências públicas e debates com a participação da população e

de associações representantes dos vários segmentos da comunidade;

Publicidade quanto aos documentos e informações produzidos;


Acesso de qualquer interessado aos documentos e informações produzidos.


Alternativa C: Alternativa CORRETA.

Trata-se da redação do art. 28 do Estatuto da Cidade:

Art. 28. O plano diretor poderá fixar áreas nas quais o direito de construir
poderá ser exercido acima do coeficiente de aproveitamento básico
adotado, mediante contrapartida a ser prestada pelo beneficiário.

Esse dispositivo refere-se a chamada outorga onerosa do direito de construir.

A outorga onerosa do direito de construir, também chamada pelo doutrina de solo


criado, trata-se de instituto através do qual o plano diretor pode fixar áreas nas quais o direito
de construir poderá ser exercido acima do coeficiente de aproveitamento básico adotado,
mediante contrapartida a ser prestada pelo beneficiário (art. 28, caput da Lei 10.257/01).

O coeficiente de aproveitamento básico é a relação entre a área edificável e a área


do terreno (art. 28, §1º da Lei 10.257/01).

Além do mais, o plano diretor também poderá fixar áreas nas quais poderá ser
permitida a alteração de uso do solo, mediante contrapartida, a ser prestada pelo beneficiário
(art. 29 da Lei 10.257/01). Assim, o Estatuto da Cidade traz não só a possibilidade de outorga
onerosa do direito de construir, mas também de mudança do zoneamento do imóvel, desde
que a infraestrutura e a densidade de cada região assim aconselhem.

Alternativa D: Alternativa INCORRETA.

A lei que instituir o plano diretor deverá ser revista a cada 10 anos (e não cada 5 anos).

Trata-se da disposição contida no art. 40, §3º, do Estatuto da Cidade:

Art. 40. (...).


§ 3º A lei que instituir o plano diretor deverá ser revista, pelo menos, a
cada dez anos.

Alternativa E: Alternativa CORRETA.

75
:

C U RSO PARA A
PROVA OBJ ET IVA

MP-SP
O plano diretor também é obrigatório para todas as cidades incluídas no cadastro
nacional de Municípios com áreas suscetíveis à ocorrência de deslizamentos de grande impac-
to, inundações bruscas ou processos geológicos ou hidrológicos correlatos (art. 41, VI, do Esta-
tuto da Cidade).

Art. 41. O plano diretor é obrigatório para cidades: (...)


VI - incluídas no cadastro nacional de Municípios com áreas suscetíveis à
ocorrência de deslizamentos de grande impacto, inundações bruscas ou
processos geológicos ou hidrológicos correlatos.

Para evitar repetições desnecessárias, remeto o leitor aos comentários feitos na


alternativa A, em que foram apresentadas todas as hipóteses em que o plano diretor são
obrigatórias.

- GABARITO DA QUESTÃO: D.

81 – QUESTÃO:

A respeito da tutela do direto à saúde, assinale a alternativa correta:

a) De acordo com entendimento do Superior Tribunal de Justiça é vedado o bloqueio e


sequestro de verbas públicas em caso de recusa no fornecimento de medicamentos pelo
ente federado, mas se admite outras formas de coerção a exemplo da fixação de multa diária.
b) A União não parte legítima par figurar no polo passivo nas demandas que exigem o
fornecimento de medicamentos.
c) A União tem legitimidade passiva em ação de indenização por danos decorrentes de erro
médico ocorrido em hospital da rede privada durante atendimento custeado pelo SUS.
d) De acordo com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, uma vez que a saúde é
um direito universal, a capacidade financeira do paciente não é requisito para o deferimento
ou não, por parte do Poder Judiciário, do fornecimento de medicamentos fora da lista do
Sistema Único de Saúde (SUS).
e) O Superior Tribunal de Justiça não admite o chamamento ao processo da União em ações
que versam sobre o fornecimento de medicamentos.

- RESPOSTA: Alternativa E.

- PONTO DO EDITAL: VIII. 2.3. Idoso. Pessoa com deficiência. Inclusão social. Saúde Pública. As-
sistência Social. Educação. Serviços de relevância pública. Acessibilidade. Pessoas portadoras
de transtornos mentais. Igualdade racial.

- COMENTÁRIOS:

76
:

C U RSO PARA A
PROVA OBJ ET IVA

MP-SP
Alternativa A: Alternativa INCORRETA.

A primeira parte da assertiva está incorreta, mas a segunda está correta.

De fato admite-se a fixação de multa diária em desfavor dos entes federados, mas
a jurisprudência também tem admitido o sequestro de verbas públicas em ações relativas à
saúde.

O STJ admite o bloqueio e sequestro de verbas públicas em caso de fornecimento


de medicamentos. Para o STJ, tratando-se de fornecimento de medicamentos, cabe ao Juiz
adotar medidas eficazes à efetivação de suas decisões, podendo, se necessário, determinar,
até mesmo, o sequestro de valores do devedor (bloqueio), segundo o seu prudente arbítrio, e
sempre com adequada fundamentação. (STJ. 1ª Seção. REsp 1.069.810-RS, Rel. Min. Napoleão
Nunes Maia Filho, julgado em 23/10/2013 (recurso repetitivo)).

Segundo o STJ, o direito à saúde, garantido constitucionalmente (arts. 6º e 196 da


CR), deve prevalecer sobre os princípios de Direito Financeiro ou Administrativo. O direito
fundamental à saúde deverá prevalecer sobre os interesses financeiros da Fazenda Pública, a
significar que, no confronto de ambos, prestigia-se o primeiro em prejuízo do segundo. Assim,
o regime constitucional de impenhorabilidade dos bens públicos e da submissão dos gastos
públicos decorrentes de ordem judicial a prévia indicação orçamentária deve ser conciliado
com os demais valores e princípios consagrados pela Constituição. Estabelecendo-se, entre eles,
um conflito específico e insuperável, há de se fazer um juízo de ponderação para determinar
qual dos valores conflitantes merece ser específica e concretamente prestigiado, sendo certo
que o direito à saúde deverá ser prestigiado (Min. Teori Zavascki em voto proferido no STJ,
REsp. 840.912/RS/2007).

Assim, se, no caso concreto, estiver demonstrada que a aquisição do medicamento


é medida urgente e impostergável para a saúde do autor, deve-se concluir que prevalece o
direito fundamental à saúde em detrimento da regra que diz que os recursos públicos são
impenhoráveis. Isso porque haveria um grande risco à vida do cidadão caso ele fosse obrigado
a aguardar o procedimento de execução por quantia certa contra a Fazenda Pública.

r É permitida a imposição de multa diária (astreintes) a ente público para compeli-


lo a fornecer medicamento a pessoa desprovida de recursos financeiros (STJ, REsp 1.474.665/
RS/2017, Inf. 606 do STJ e REsp 1.654.994/SE/2017).

Alternativa B: Alternativa INCORRETA.

A União é sim parte legítima para figurar no polo passivo em ações de medicamentos.

77
:

C U RSO PARA A
PROVA OBJ ET IVA

MP-SP
A União é parte legítima para integrar o polo passivo das ações que objetivem
fornecimento de medicamentos, realização de exames ou outras providências vinculadas ao
SUS.

Trata-se de responsabilidade solidária que decorre da solidariedade dos entes pú-


blicos no cumprimento e efetivação do direito à saúde. Em razão disso, a União é parte legitima
para figurar no polo passivo das demandas vinculadas ao SUS, bem como o particular é livre
para ingressar com a ação contra todos os entes federados ou contra apenas um deles (STF,
ARE 953.770/RN/2016, RE 583.066/MA/2016 e RE 855.178/SE/2015).

Alternativa C: Alternativa INCORRETA.

De acordo com o STJ, a União não tem legitimidade passiva em ação de indenização por
danos decorrentes de erro médico ocorrido em hospital da rede privada durante atendimento
custeado pelo SUS.

De acordo com a Lei 8.080/90, a responsabilidade pela fiscalização dos hospitais


credenciados ao SUS é do Municípios, a quem compete responder em tais casos (STJ, EREsp
1.388.822/RN/2015, Inf. 563 do STJ).

Conforme disposto no art. 18, inciso X, da Lei 8.080/90, compete aos Municípios
celebrarem contratos e convênios com entidades prestadoras de serviços privados de saúde,
bem como controlar e avaliar a respectiva execução.

Assim, não pode a União ser responsabilizada, já que não cabe a ela a fiscalização.

Alternativa D: Alternativa INCORRETA.

O Superior Tribunal de Justiça, recentemente, fixou três requisitos para que o Poder
Judiciário determine o fornecimento de medicamentos fora da lista do Sistema Único de Saúde
(SUS):

g Comprovação, por meio de laudo médico fundamentado e circunstanciado


expedido por médico que assiste o paciente, da imprescindibilidade ou necessidade do
medicamento, assim como da ineficácia, para tratamento de moléstia, dos fármacos
fornecidos pelo SUS;

g Incapacidade financeira de arcar com o custo do medicamento prescrito;

g Existência de registro na ANVISA do medicamento

78
:

C U RSO PARA A
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MP-SP
Assim, nota-se que a capacidade financeira é sim um dos requisitos que o juiz deve
avaliar antes de deferir ou não o fornecimento de medicamentos fora da lista do SUS.

Atenção à muito importante decorar esses três requisitos, não só para prova objetiva,
mas principalmente para uma segunda fase. Essa tese foi fixada recentemente e tem sido muito
utilizada na prática.

Alternativa E: Alternativa CORRETA.

De acordo com o Superior Tribunal de Justiça, não se admite o chamamento ao


processo da União, em ações que versam sobre o fornecimento de medicamentos, pois entende
o STJ que o chamamento ao processo ocorre apenas em ações solidárias de pagar quantia
certa e não nas obrigações de fazer (STJ, AgRg no REsp 1.249.125/SC/2011 e REsp 1.203.244/
SC/2014).

Da mesma forma, entende o STF, que o chamamento ao processo da União em


ações que envolvem medicamentos é medida meramente protelatória que não traz nenhuma
utilidade ao processo, além de atrasar a resolução do feito, revelando-se inconstitucional, por
dificultar o acesso do direito à saúde (RE 607.381/SC/2011).

Não confundir isso com o fato de a União ter legitimidade passiva para ações que
envolvam medicamentos, por se tratar de responsabilidade solidária.

É como se Autor colocasse a União no polo passivo apenas se ele quiser. Caso ele não
o faça, não pode o Estado ou Município querer chamar a União para o processo.

- GABARITO DA QUESTÃO: E.

82 – QUESTÃO:

A respeito das disposições contidas na Lei 8.080/90, considere as seguintes afirmações:

I - O processo de planejamento e orçamento do Sistema Único de Saúde (SUS) será


descendente.
II - A iniciativa privada poderá participar do Sistema Único de Saúde (SUS), em caráter
suplementar.
III – No âmbito do SUS, os Municípios podem constituir consórcios para desenvolver em
conjunto as ações e os serviços de saúde que lhe correspondam.
IV – É permitido que a pessoa jurídica estrangeira participe na assistência à saúde quando
se destinar a instalar, operacionalizar ou explorar hospital geral, inclusive filantrópico,
hospital especializado, policlínica, clínica geral e clínica especializada e ações e pesquisas de
planejamento familiar.

79
:

C U RSO PARA A
PROVA OBJ ET IVA

MP-SP
A respeito das afirmações acima, assinale a alternativa CORRETA:

a) Todas as afirmativas estão corretas.


b) Estão corretas II e III, apenas.
c) Estão corretas I, II e III
d) Estão corretas III e IV, apenas.
e) Estão corretas I e II.

- RESPOSTA: Alternativa D.

- PONTO DO EDITAL: VII. 2.3. Idoso. Pessoa com deficiência. Inclusão social. Saúde Pública. As-
sistência Social. Educação. Serviços de relevância pública. Acessibilidade. Pessoas portadoras
de transtornos mentais. Igualdade racial.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Alternativa INCORRETA.

Alternativa B: Alternativa INCORRETA.

Alternativa C: Alternativa INCORRETA.

Alternativa D: Alternativa CORRETA.

Alternativa E: Alternativa INCORRETA.

Item I: INCORRETO – O processo de planejamento e orçamento do Sistema Único de


Saúde (SUS) será ascendente (e não descendente), do nível local até o federal.

Trata-se do disposto no art. 36 da Lei 8.080/90. Vejamos:

Art. 36. O processo de planejamento e orçamento do Sistema Único de


Saúde (SUS) será ascendente, do nível local até o federal, ouvidos seus
órgãos deliberativos, compatibilizando-se as necessidades da política
de saúde com a disponibilidade de recursos em planos de saúde dos
Municípios, dos Estados, do Distrito Federal e da União.

Item II: INCORRETO – Conforme conversamos na Rodada II, a iniciativa privada


pode sim particular do SUS, contudo, essa participação se dá de forma complementar e não
suplementar.

Tal disposição está prevista no art. 4º, §2º, da Lei 8.080/90:

80
:

C U RSO PARA A
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MP-SP
Art. 4º. (...).
§ 2º A iniciativa privada poderá participar do Sistema Único de Saúde
(SUS), em caráter complementar.

O art. 199 da Constituição ainda estabelece que:

Art. 199. A assistência à saúde é livre à iniciativa privada.


§ 1º As instituições privadas poderão participar de forma complementar
do sistema único de saúde, segundo diretrizes deste, mediante
contrato de direito público ou convênio, tendo preferência as entidades
filantrópicas e as sem fins lucrativos.

Há uma diferença significativa entre a saúde suplementar e saúde complementar


(isso já caiu em várias segundas fases).

g Saúde Suplementar Ò é a atuação da iniciativa privada na área da saúde, através


da oferta de planos de saúde e seguros privados. Isso nada mais é que as pessoas da iniciativa
privada prestando serviços de saúde. Nesse caso, cabe à ANS fiscalizar essas entidades.

g Saúde Complementar Ò é a atuação da iniciativa privada no próprio SUS. É a


iniciativa privada complementando o SUS.

A participação complementar dos serviços privados é formalizada mediante contrato
ou convênio, observadas, a respeito, as normas de direito público (art. 24, §1º, da Lei 8.080/90).

g Saúde Suplementar Ò planos de saúde;

g Saúde Complementar Ò complemento ao SUS.

Item III: CORRETO – Os Municípios podem constituir consórcios para desenvolver


ações em conjunto.

Trata-se do disposto no art. 10 da Lei 8.080/90:

Art. 10. Os municípios poderão constituir consórcios para desenvolver


em conjunto as ações e os serviços de saúde que lhes correspondam.
§ 1º Aplica-se aos consórcios administrativos intermunicipais o princípio
da direção única, e os respectivos atos constitutivos disporão sobre sua
observância.
§ 2º No nível municipal, o Sistema Único de Saúde (SUS), poderá
organizar-se em distritos de forma a integrar e articular recursos,
técnicas e práticas voltadas para a cobertura total das ações de saúde.

81
:

C U RSO PARA A
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MP-SP
Item IV: CORRETO – O art. 199, §3º, da CR veda a participação direta ou indireta de
empresas ou capitais estrangeiros na assistência à saúde no Brasil:

Art. 199. (...).


§ 3º É vedada a participação direta ou indireta de empresas ou capitais
estrangeiros na assistência à saúde no País, salvo nos casos previstos em
lei.

Importante destacar que a própria Constituição trouxe a possibilidade de a lei prever


exceções a essa norma.

A Lei 8.080/90 (Lei do SUS), em consonância com o mandamento constitucional,


trouxe e seu art. 23 as hipóteses em que será possível a participação direta ou indireta de em-
presas ou capital estrangeiro na assistência à saúde, dentre as quais se encontram o disposto
na questão:

Art. 23.  É permitida a participação direta ou indireta, inclusive controle,


de empresas ou de capital estrangeiro na assistência à saúde nos
seguintes casos:     
I - doações de organismos internacionais vinculados à Organização das
Nações Unidas, de entidades de cooperação técnica e de financiamento
e empréstimos; 
II - pessoas jurídicas destinadas a instalar, operacionalizar ou explorar:  
a) hospital geral, inclusive filantrópico, hospital especializado,
policlínica, clínica geral e clínica especializada; e
b) ações e pesquisas de planejamento familiar;
III - serviços de saúde mantidos, sem finalidade lucrativa, por empresas,
para atendimento de seus empregados e dependentes, sem qualquer
ônus para a seguridade social; e 
IV - demais casos previstos em legislação específica.  

- GABARITO DA QUESTÃO: D.

82
:

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83 – QUESTÃO:

Sobre o direito a educação, analise as afirmativas abaixo e assinale a alternativa correta:

a) Os sistemas de ensino dos Estados e do Distrito Federal compreendem as instituições de


educação superior mantidas pelo Poder Público municipal.
b) Os Municípios incumbe-se assumir o transporte escolar dos alunos da rede estadual e
municipal.
c) As instituições de ensino fundamental, de ensino médio e da educação infantil criadas e
mantidas pela iniciativa privada compõem os sistemas de ensino dos Estados e do Distrito
Federal.
d) A educação infantil, primeira etapa da educação básica, tem como finalidade o
desenvolvimento integral da criança de até 6 (seis) anos, em seus aspectos físico, psicológico,
intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade.
e) As creches, ou entidade equivalentes, serão oferecidas para crianças de até 04 (quatro)
anos de idade.

- RESPOSTA: Alternativa A.

- PONTO DO EDITAL: VIII. 2.3. Idoso. Pessoa com deficiência. Inclusão social. Saúde Pública.
Assistência Social. Educação. Serviços de relevância pública. Acessibilidade. Pessoas portadoras
de transtornos mentais. Igualdade racial.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Alternativa CORRETA.

A alternativa está CORRETA. É exatamente o que está disposto no art. 17, II, da Lei
9.394/96:

Art. 17. Os sistemas de ensino dos Estados e do Distrito Federal


compreendem: (...)
II - as instituições de educação superior mantidas pelo Poder Público
municipal;

Pessoal, cuidado com essa pegadinha, que sempre induz o aluno a erro. As instituições
de educação superior mantidas pela Prefeitura integram o sistema de ensino dos Estados.

Importante saber o que integra os sistemas de ensino dos Estados (art. 17 da Lei
9.394/96):

83
:

C U RSO PARA A
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MP-SP
g As instituições de ensino mantidas, respectivamente, pelo Poder Público estadual
e pelo Distrito Federal;

g As instituições de educação superior mantidas pelo Poder Público municipal;

g As instituições de ensino fundamental e médio criadas e mantidas pela iniciativa


privada;

g Os órgãos de educação estaduais e do Distrito Federal, respectivamente.

Alternativa B: Alternativa INCORRETA.

Aos Municípios cabe assumir o transporte dos alunos da rede municipal (art. 11, VI,
da Lei 9.394/96). Para os alunos da rede estadual, a responsabilidade pelo transporte é dos
Estados (art. 10, VII, da Lei 9.394/96).

Art. 10. Os Estados incumbir-se-ão de: (...)


VII - assumir o transporte escolar dos alunos da rede estadual.

Art. 11. Os Municípios incumbir-se-ão de: (...)


VI - assumir o transporte escolar dos alunos da rede municipal.  

Alternativa C: Alternativa INCORRETA.

A alternativa está INCORRETA, em razão da expressa “educação infantil”.

As instituições de ensino fundamental e médio criadas e mantidas pela iniciativa


privada integram o Sistema de Ensino dos Estados e do Distrito Federal (art. 17, III, da Lei
9.394/96).

Art. 17. Os sistemas de ensino dos Estados e do Distrito Federal


compreendem: (...)
III - as instituições de ensino fundamental e médio criadas e mantidas
pela iniciativa privada;

Por outro lado, as instituições de educação infantil criadas e mantidas pela iniciativa
privada integram os sistemas municipais.

Alternativa D: Alternativa INCORRETA.

A educação infantil se destina a crianças de até 05 (cinco) anos (e não 6 anos) (art.
29 da Lei 9.396/96).

84
:

C U RSO PARA A
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MP-SP
Art. 29.   A educação infantil, primeira etapa da educação básica,
tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança de até 5
(cinco) anos, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social,
complementando a ação da família e da comunidade.  

Pessoal, vamos elaborar um esquema para não confundir essa questão da idade no
âmbito da educação.

A educação escolar compõe-se:



g Educação básica: 04 a 17 anos

g Educação superior

A educação básica ainda se divide em:

g Educação infantil: até 5 anos


g Creches: até 03 anos.
g Pré-escolas: 04 a 05 anos.
g Ensino fundamental: tem duração e 09 anos e inicia-se aos 06 anos de idade.
g Ensino médio: duração de 03 anos.

Alternativa E: Alternativa INCORRETA.

Da mesma forma que a alternativa anterior, ela está INCORRETA, pois as creches são
para crianças de até 03 (três) anos (art. 30, I, da Lei 9.394/96).

Art. 30. A educação infantil será oferecida em:


I - creches, ou entidades equivalentes, para crianças de até três anos de
idade;
II - pré-escolas, para as crianças de 4 (quatro) a 5 (cinco) anos de idade.

- GABARITO DA QUESTÃO: A.

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84 – QUESTÃO:

A respeito do processo coletivo, assinale a alternativa correta:

a) Admite-se o manejo de ação civil pública para o controle abstrato de constitucionalidade.


b) Apesar de se admitir o litisconsórcio entre o Ministério Público Estadual e o Ministério
Público Federal, este só poderá ocorrer se ficar demonstrada alguma razão específica que
justifique a atuação de ambos na lide.
c) Em caso de indeferimento da instauração do inquérito civil, caberá recurso ao Conselho
Superior do Ministério Público, no prazo de 05 (cinco) dias.
d) Nas ações civis públicas que o Ministério Público não for o autor, fica facultado ao parquet
atuar como fiscal da lei.
e) De acordo com o princípio da indisponibilidade da demanda coletiva, o Ministério Público
deve assumir e continuar no polo ativo do processo coletivo em todos os casos de desistência
do autor originário.

- RESPOSTA: Alternativa B.

- PONTO DO EDITAL: VIII. 3. Ação civil pública. Conceito e objeto. Tutela principal e provisória.
Interesse de agir. Legitimação ativa e passiva. Litisconsórcio e assistência. Atuação do Ministério
Público. Competência. Sentença. Multa diária e outras cominações. Liminar. Recursos. Coisa
julgada. Cumprimento da sentença e fundo para reconstituição dos bens lesados.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Alternativa INCORRETA.

A ação civil pública difere-se da ação direta de inconstitucionalidade, pois na


primeira o pedido visa garantir a tutela dos interesses transindividuais e na segunda visa
suprimir a eficácia da lei em todo o território nacional (garantir a supremacia constitucional).

Em ambas as ações, a causa de pedir remota (questões de direito) pode ser a


inconstitucionalidade de uma norma. Entretanto, em se tratando de ação civil pública, o
reconhecimento da inconstitucionalidade incidental de uma norma, poderia suprimir toda e
qualquer eficácia erga omnes de uma lei. Nesse caso, as ações civis públicas estariam servindo
de sucedâneo à ação direta de inconstitucionalidade, o que definitivamente não é permitido.

Por isso, a jurisprudência não tem admitido o uso de ação civil pública ou coletiva
para atacar lei em tese (controle abstrato)

Pelo atual sistema constitucional brasileiro, somente por meio de ação direta
de inconstitucionalidade é que se pode retirar a eficácia erga omnes de uma lei. Aos juízes

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singulares só é permitido atacar a constitucionalidade de uma norma pelo controle difuso,
retirando a eficácia da norma apenas inter partes. A Constituição conferiu apenas aos Tribunais
o poder de retirar a eficácia erga omnes das leis e não aos juízes singulares.

Assim, da mesma forma que ocorre nas ações populares e no mandado de segurança,
nas ações civis públicas, a inconstitucionalidade de um ato pode ser causa de pedir (via
incidental), mas nunca poderá ser o pedido (STF, RE 227.159/GO, Inf. 260 do STF e RE 511.961/
SP/2009).

Isso ocorre, pois estando o pedido de inconstitucionalidade presente apenas na


causa de pedir, os fundamentos da ação não irão produzir efeitos erga omnes. Por outro lado,
caso a declaração de inconstitucionalidade estivesse presente no pedido, haveria eficácia
contra todos, o que não seria permitido por violar o sistema de controle abstrato de normas
inconstitucionais.

O STJ entende que é cabível a ação civil pública para atacar a inconstitucionalidade
de leis de efeitos concretos (é um ato administrativo, revestido de características de lei).

g Ex.1: lei que crie cargos públicos contra os ditames da Constituição (STJ, REsp
1.101.359/CE)

g Ex.2: uma lei local ferindo a Constituição cria cargos comissionados.

Em resumo, a ação civil pública pode ser utilizada para retirar alguns efeitos da
norma inconstitucional. Entretanto, se a ação civil pública quiser a retirada da eficácia total da
norma abstrata e genérica, está terá característica de ação direta de inconstitucionalidade e não
será cabível.

Alternativa B: Alternativa CORRETA.

Quanto à possibilidade de litisconsórcios entre Ministério Públicos na ação civil


pública, a doutrina não é unânime:

g 1ª Corrente à uma parte bem minoritária da doutrina entende que o litisconsórcio


entre os Ministério Públicos é inconstitucional, pois o art. 128, §5º, da CR, reserva a lei
complementar a disciplina da organização, atribuição e estatuto de cada Ministério Público.

Ademais, como o Ministérios Público atua perante os órgãos jurisdicionais, suas


atribuições são limitadas a competência desses órgãos, não podendo o MP estadual atuar
perante a justiça federal e vice-versa. Alega-se ainda que haveria violação aos princípios da
unidade e indivisibilidade ministerial, pois admitir litisconsórcio entre eles, é admitir que são
órgãos diferentes.

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g 2ª Corrente (maioria da doutrina, STF e STJ) à José dos Santos Carvalho Filho,
Hugo Nigro Mazzilli e maioria da doutrina e posição do STF e STJ entendem ser perfeitamente
possível o litisconsórcio entre Ministérios Públicos, pelos seguintes fundamentos:

g O princípio da unidade só existe dentro de cada ramo do Ministério Público: os


representantes compõem uma mesma instituição apenas do respectivo ramo em que estão
inseridos.

g A atuação em conjunto de membros de diversos ramos do Ministério Público


produziria melhores resultados;

Além disso, embora a autuação de cada ramo do Ministério Público se dê, em regra,
perante determinada justiça, não haveria óbice na Constituição ou nas suas leis orgânicas a
que eles, excepcionalmente, atuem perante outras esferas do Judiciário.

g Não há que se falar em violação do princípio federativo, pois se assim fosse, não
seria possível litisconsórcio entre União, Estados, Distrito Federal e Municípios.

O STF e o STJ, atualmente, admitem o litisconsórcio entre Ministérios Públicos


(STF, ACO 1.020/SP/2009 e STJ, REsp 382.659/RS/2003 e REsp 1.444.484/RN/2014).

Na ação civil pública, a formação de litisconsórcio ativo facultativo entre Ministério


Público Estadual e Ministério Público Federal depende da demonstração de alguma razão
específica que justifique a presença de ambos na lide (STJ, REsp 1.254.428/MG/2016, Inf. 585
do STJ).

Assim, se os Ministérios Públicos decidirem ingressar com a ação civil pública em


litisconsórcio, é indispensável que demonstrem a presença de alguma razão específica que
justifique a presença de ambos na lide.

g Ex.: no caso concreto, o MPMG e o MPF ingressaram, em litisconsórcio, com ação


civil pública contra empresa de TV a cabo, pedindo que ela fosse proibida de cobrar taxa de
instalação e mensalidade de ponto extra dos consumidores. Entendeu o STJ, que nada justificava
a presença no MPF na lide, pois os consumidores já estavam devidamente protegidos pela
atuação do MPMG.

Alternativa C: Alternativa INCORRETA.

De fato, admite-se recurso contra o indeferimento de instauração de inquérito civil, o


qual deverá ser destinado ao Conselho Superior do Ministério Público. Entretanto, o prazo para
interposição do recurso é de 10 (dez) dias (e não de 5).

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Isso encontra-se previstos tanto no art. 5º, §1º da Resolução 23/2007 do CNMP, quanto
no art. 118 do Ato 484/CPJ do MPSP:

Art. 5º. Em caso de evidência de que os fatos narrados na representação


não configurem lesão aos interesses ou direitos mencionados no artigo
1º desta Resolução ou se o fato já tiver sido objeto de investigação ou
de ação civil pública ou se os fatos apresentados já se encontrarem
solucionados, o membro do Ministério Público, no prazo máximo de
trinta dias, indeferirá o pedido de instauração de inquérito civil, em
decisão fundamentada, da qual se dará ciência pessoal ao representante
e ao representado.
§ 1º Do indeferimento caberá recurso administrativo, com as respectivas
razões, no prazo de dez dias.

Art. 118. Da decisão do órgão do Ministério Público que indeferir,


fundamentadamente, a representação para a instauração do inquérito
civil, caberá recurso ao Conselho Superior do Ministério Público, no prazo
de 10 (dez) dias, contados da data da juntada aos autos do comprovante
da ciência dada ao representante.

Alternativa D: Alternativa INCORRETA.

Quando o Ministério Público não for parte na ação civil pública, ele obrigatoriamente
deverá atuar com fiscal da lei (art. 5º, §1º da LACP).

Isso significa que o Ministério Público sempre atuará nas ações civis públicas, seja
como parte ou como custos legis.

Intervindo como fiscal da lei, o Ministério Público não tem que tutelar o autor ou o
réu, mas apenas defender os interesses a que a instituição está constitucionalmente vinculada.

Atualmente, como fiscal da lei, o Ministério Público terá vista depois das partes, será
intimado de todos os atos do processo, poderá produzir provas e requerer medidas e diligências
necessárias à apuração da verdade (art. 179 do CPC/2015).

Além do mais, mesmo como fiscal da lei, o Ministério Público pode recorrer, conforme
art. 179, II, do CPC/2015.

Súmula 99 do STJ: O Ministério Público tem legitimidade para recorrer no


processo em que oficiou como fiscal da lei, ainda que não haja recurso
da parte.

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C U RSO PARA A
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Nos processos coletivos, como é obrigatória a intervenção do Ministério Público,
caso o parquet deixe de ser intimado, o processo será nulo a partir do momento em que seu
órgão deveria ter sido intimado (art. 279, §1º, do CPC/2015).

g A nulidade só pode ser decretada após a intimação do Ministério Público, que se


manifestará sobre a existência ou inexistência de prejuízo (art. 279, §2º, do CPC/2015).

Alternativa E: Alternativa INCORRETA.

A alternativa está INCORRETA, pois não é em todos os casos de desistência que o


Ministério Público deverá assumir a demanda.

O art. 5º, §3º, da Lei 7.347/85 estabelece que:

Art. 5º. (...).


§ 3º Em caso de desistência infundada ou abandono da ação por
associação legitimada, o Ministério Público ou outro legitimado assumirá
a titularidade ativa.

Assim, o Ministério Público somente deverá assumir a titularidade ativa em caso de


desistência infundada da ação.

Pelo princípio da indisponibilidade mitigada da ação coletiva o processo coletivo


é irrenunciável pelo autor coletivo. A razão é uma só: o bem que é objeto do processo coletivo
não pertence ao autor, mas sim à coletividade.

A consequência prática do princípio da indisponibilidade é que não poderá haver


desistência infundada da ação e, se houver, não implicará em extinção do processo, mas sim
em sucessão processual (art. 5º, §3º, da LACP).

Nota-se que se trata do princípio da indisponibilidade mitigada, pois se a desistência


for fundada, será possível o processo ser extinto.

- GABARITO DA QUESTÃO: B.

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85 – QUESTÃO:

A respeito do microssistema da tutela coletiva assinale a alternativa incorreta:

a) A multa coercitiva só será exigível do réu após o trânsito em julgado da decisão favorável
ao autor.
b) Na chamada indenização fluída (fluid recovery), ocorre uma legitimação extraordinária
subsidiária para liquidação coletiva, cujo produto da execução se destina a um fundo.
c) Nas ações coletivas que versam sobre interesses e direitos difusos, a sentença fará coisa
julgada erga omnes, exceto se o pedido for julgado improcedente por insuficiência de provas,
hipótese em que qualquer legitimado poderá intentar outra ação valendo-se de nova prova.
d) Decorrido o prazo de um ano sem habilitação de interessados em número compatível com
a gravidade do dano, poderão os legitimados da ação civil pública promover a liquidação e
execução da indenização devida.
e) A sentença fará coisa julgada erga omnes, nas ações que versarem sobre direitos individuais
homogêneos, exceto se o pedido for julgado improcedente por insuficiência de provas,
hipótese em que qualquer legitimado poderá intentar outa ação, com idêntico fundamento
valendo-se de nova prova, situação em que a coisa julgada opera secundum eventum
probationis.

- RESPOSTA: Alternativa E.

- PONTO DO EDITAL: VIII. 3. Ação civil pública. Conceito e objeto. Tutela principal e provisória.
Interesse de agir. Legitimação ativa e passiva. Litisconsórcio e assistência. Atuação do Ministério
Público. Competência. Sentença. Multa diária e outras cominações. Liminar. Recursos. Coisa
julgada. Cumprimento da sentença e fundo para reconstituição dos bens lesados.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Alternativa CORRETA.

Dentre as medidas de apoio que podem ser utilizadas pelo magistrado para a tutela
específica das obrigações, a principal é a fixação de multa, também conhecida como astreintes.

As astreintes são uma multa coercitiva não compensatória cujo valor e cuja
periodicidade é estipulada pelo Poder Judiciário (art. 500 do CPC/2015).

Art. 500.   A indenização por perdas e danos dar-se-á sem prejuízo da


multa fixada periodicamente para compelir o réu ao cumprimento
específico da obrigação.

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g As astreintes não tem caráter punitivo, ao contrário de outras multas, como aquela
decorrente de ato atentatório contra a jurisdição.

g As astreintes são fixadas pelo juiz de ofício ou a requerimento.

g É permitida a imposição de multa diária (astreintes) a ente público para compeli-


lo a fornecer medicamento a pessoa desprovida de recursos financeiros (STJ, REsp 1.474.665/
RS/2017, Inf. 606 do STJ e REsp 1.654.994/SE/2017).

Com relação ao momento da incidência das astreintes, a multa incide desde o dia
em que se esgotar o prazo judicial fixado para o seu cumprimento. Por sua vez, quanto ao
momento da exigibilidade, esta somente ocorrerá após o trânsito em julgado da decisão
favorável ao autor (art. 12, §2º, da LACP).

g Dessa forma, o momento de incidência da multa, não se confunde com o momento


de exigibilidade.

Art. 12. (...).


§ 2º A multa cominada liminarmente só será exigível do réu após o
trânsito em julgado da decisão favorável ao autor, mas será devida
desde o dia em que se houver configurado o descumprimento.

Alternativa B: Alternativa CORRETA.

O fluid recovery ocorre nas situações em que há liquidação subsidiária, que ocorre
quando decorre o prazo de um ano sem habilitação de interessados em número compatível
com a gravidade do dano (art. 100 do CDC).

Art. 100. Decorrido o prazo de um ano sem habilitação de interessados


em número compatível com a gravidade do dano, poderão os legitimados
do art. 82 promover a liquidação e execução da indenização devida.
Parágrafo único. O produto da indenização devida reverterá para o fundo
criado pela Lei n.° 7.347, de 24 de julho de 1985.

O fluid recovery é utilizado quando se tratar de direitos individuais homogêneos, na


situação em que nem todos os lesados promovem a suas respectivas execuções individuais e
nem pediram para que fosse efetuada uma execução coletiva, situação que não ocorre o que o
art. 100 do CDC chama de “habilitação de interessados em número compatível com a gravidade
do dano”.

Nessa hipótese, em razão da inércia das vítimas (que muitas vezes nem sabem que
foram lesionadas), o causador do dano será obrigado a pagar por todo o dano. Entretanto, ao

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invés de ser destinado aos lesados, esse valor será revertido ao fundo de reconstituição dos
direitos difusos, criado pela LACP (art. 100, parágrafo único, do CDC).

Por essa razão, diz-se que a reparação é fluída (fluid recovery), já que o valor
arrecadado não se reverte concreta e individualmente para cada uma das vítimas, mas sim
de forma fluída e difusamente, destinando os valores a toda coletividade através do fundo de
direitos difusos.

Dessa forma, a reparação fluída (fluid recovery) é utilizada nas seguintes situações:

g Os beneficiários do dano não são identificáveis;

g O prejuízo é individualmente irrelevante, mas globalmente relevante;

g Quando não há habilitação dos beneficiários.

Assim, quando se tratar de direitos individuais homogêneos, a legitimidade do


Ministério Público (ou de outro legitimado) para execução surgirá após o prazo de 1 ano do
trânsito em julgado, se não houver habilitação de interessados em número compatível com a
gravidade do dano (art. 100 do CDC).

Nessa situação, o valor arrecadado será destinado ao Fundo de Defesa de Direitos


Difusos, previsto no art. 13 da LACP.

Isso ocorre, pois, por alguma razão, as vítimas se desinteressaram pelo cumprimento
individual da sentença, retornando a legitimidade para os entes públicos previstos no art. 5º da
Lei 7.347/85 e art. 82 do CDC. Isso evita que a sentença se torne inócua, evitando que o causador
do dano seja liberado do pagamento de indenizações.

Antes de se instaurar a liquidação subsidiária, há necessidade de publicação de


edital, por analogia ao art. 94 do CDC, para que se tenha início a contagem do prazo de 1 ano
para habilitação dos interessados (STJ, REsp 869.583/DF/2012).

Esse prazo de 1 ano é decadencial. Assim, ultrapassados esse 1 ano, a vítima não
poderá executar seu crédito individual e nada mais poderá fazer. Caso assim não fosse, o
devedor seria obrigado a pagar mais do que o valor do dano por ele gerado, já que, em tese, no
valor que ele pagou está englobado o valor que ele causou a todas as vítimas.

g Ex.1: uma empresa lesou 1.000 vítimas. Dessas, após 1 ano do trânsito em julgado,
400 já ajuizaram execuções individuais e 600 já solicitaram que um colegitimado promova a
execução coletiva. Nessa situação não haverá fluid recovery, pois todo o valor executado irá
para as vítimas.

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g Ex.2: uma empresa lesou 1.000 vítimas. Dessas, após 1 ano do trânsito em julgado,
300 já ajuizaram execuções individuais, 500 já solicitaram a colegitimado que prova a execução
coletiva e 200 vítimas permaneceram inertes. Nesse caso, 800 vítimas serão ressarcidas por
meio da execução (seja ela individual ou coletiva), mas 200 delas nada receberão, havendo o
fluid recovery, que será destinado ao fundo de direitos difusos.

g A Lei 7.913/89, que regula a ação civil pública de proteção dos direitos individuais
homogêneos dos investidores lesados no mercado de valores imobiliários, dispõe que o valor
da condenação ficará depositado em uma conta remunerada, à disposição do juízo, até que o
investidor, convocado mediante edital, habilite-se ao recebimento da parcela que lhe couber
(art. 2º, §1º, da Lei 7.913/89). Nesse caso, o prazo antes de se realizar o fluid recovery é de 2
anos, contados da publicação do edital convocatório. Ademais, passado esse prazo de 2 anos,
caso o valor não tenha sido reclamado, ocorrerá o fluid recovery, sendo o valor destinado ao
fundo de direitos difusos previsto no art. 13 da LACP.

O art. 99, caput, do CDC estabelece prioridade dos créditos relativos a direitos
individuais homogêneos em relação aos créditos relativos aos direitos difusos e coletivos.
Assim, se um mesmo fato gerar danos difusos, coletivos e individuais homogêneos, terão
prioridade na execução, aqueles valores decorrentes dos direitos individuais homogêneos.

Para assegurar essa prioridade, a destinação dos valores revertidos ao fundo de


direitos difusos ficará sustada enquanto pendentes de segundo grau as ações de indenização
pelos danos individuais, salvo se o patrimônio do devedor for manifestamente suficiente para
responder pela integralidade de dívidas (art. 99, parágrafo único, do CDC).

Art. 99. Em caso de concurso de créditos decorrentes de condenação


prevista na Lei n.° 7.347, de 24 de julho de 1985 e de indenizações pelos
prejuízos individuais resultantes do mesmo evento danoso, estas terão
preferência no pagamento.
Parágrafo único. Para efeito do disposto neste artigo, a destinação da
importância recolhida ao fundo criado pela Lei n° 7.347 de 24 de julho
de 1985, ficará sustada enquanto pendentes de decisão de segundo grau
as ações de indenização pelos danos individuais, salvo na hipótese de o
patrimônio do devedor ser manifestamente suficiente para responder
pela integralidade das dívidas.

Alternativa C: Alternativa CORRETA.

A alternativa trata da coisa julgada nas ações coletivas que envolvam direitos difu-
sos.

A resposta encontra-se no art. 103, I, do CDC:

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Art. 103. Nas ações coletivas de que trata este código, a sentença fará
coisa julgada:
I - erga omnes, exceto se o pedido for julgado improcedente por
insuficiência de provas, hipótese em que qualquer legitimado poderá
intentar outra ação, com idêntico fundamento valendo-se de nova
prova, na hipótese do inciso I do parágrafo único do art. 81;

Nas ações coletivas que versam sobre direitos difusos, a sentença terá eficácia
erga omnes, se a ação for julgada procedente. Nesse caso, a sentença coletiva vincula os
colegitimados e beneficia todas as vítimas e sucessores.

Nos direitos difusos, se a ação for julgada improcedente, a sentença terá eficácia
erga omnes, apenas em relação aos demais colegitimados e isso somente ocorrerá se for de
improcedência for outro motivo que não seja insuficiência de provas.

Dessa forma, a improcedência de ação que defenda interesses difusos, por qualquer
motivo que seja, não prejudica eventuais ações individuais (art. 103, §1º, do CDC). Nesse
mesmo contexto, apenas em caso de procedência¸ que a sentença terá eficácia erga omnes,
beneficiando todos os sujeitos indetermináveis.

No caso de improcedência por falta de provas, em que não se forma a coisa julgada
erga omnes, qualquer legitimado, inclusive o da ação coletiva julgada improcedente, poderá
intentar outra ação, com idêntico fundamento, valendo-se de prova nova (art. 16 da LACP).

Art. 16. A sentença civil fará coisa julgada erga omnes, nos limites da
competência territorial do órgão prolator, exceto se o pedido for julgado
improcedente por insuficiência de provas, hipótese em que qualquer
legitimado poderá intentar outra ação com idêntico fundamento,
valendo-se de nova prova.

Além do mais, por força do art. 103, §§1º e 3º, do CDC, os efeitos da coisa julgada
não prejudicarão interesses e direitos individuais dos integrantes da coletividade, do grupo,
categoria ou classe.

Vamos falar um pouco também da coisa julgada nos direitos coletivos e deixamos
a coisa julgada nos direitos individuais homogêneos para os comentários da ALTERNATIVA E.

No caso dos direitos coletivos, isto é, aqueles interesses que pertençam ao grupo,
categoria ou classe de pessoas, a coisa julgada será ultra partes, se a ação for julgada procedente.

Nesse caso, também só terá eficácia ultra partes apenas em relação aos demais
colegitimados à ação coletiva e desde que ela seja julgada improcedente por motivo que não
seja a falta de provas.

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Nessas situações, seja a sentença de procedência ou de improcedência, a eficácia
ultra partes, não afeta toda a coletividade. Nesse caso, a sentença apenas poderá beneficiar,
aquelas pessoas que pertençam, ao grupo, categoria ou classe de pessoas.

Da mesma forma que para os interesses difusos, nos interesses coletivos a


improcedência por falta de provas, em que não se forma coisa julgada ultra partes, permite que
qualquer legitimado, inclusive o autor da ação coletiva julgada improcedente, possa intentar
outra ação, com idêntico fundamento, valendo-se de prova nova.

Em qualquer caso, seja de direitos difusos ou coletivos, a sentença de improcedência


não prejudica a propositura de ações individuais (art. 103, §§1º e 3º, do CDC).

Alternativa D: Alternativa CORRETA.

A alternativa trouxe a questão do fluid recovery, trazendo exatamente o disposto no


art. 100, caput, do CDC.

Para evitar repetições desnecessárias, remeto o leitor aos comentários feitos na


alternativa B, que tratou do mesmo instituto.

Alternativa E: Alternativa INCORRETA.

A alternativa está INCORRETA, pois nas ações que versam sobre direitos individuais
homogêneos, ainda que a improcedência por falta de provas, não é possível a repropositura
da ação por outro legitimado.

Vamos conversas um pouco da coisa julgada nas ações coletivas que envolvem
direitos individuais homogêneos.

Na ação que tutela os direitos individuais homogêneos, a sentença de procedência


também terá eficácia erga omnes, mas para beneficiar não a coletividade de uma forma geral,
mas sim todas as vítimas e seus sucessores que sofreram danos de origem comum, isto é,
relacionados ao mesmo acontecimento fático.

Nesse caso, como os direitos individuais homogêneos são divisíveis, a eficácia da


sentença de procedência terá um efeito comum em relação a todas as vítimas e sucessores, que
é a possibilidade de transporte da coisa julgada coletiva, ou seja, de utilização da sentença
coletiva em benefício próprio, mas haverá uma divisibilidade quanto aos efeitos, uma vez que
a reparação dos danos será na medida do dano sofrido individualmente.

Aquele que se habilitar como litisconsorte na ação coletiva (art. 94 do CDC), ficará
sujeito ao que for decidido na ação coletiva. Assim, se a ação coletiva for julgada improcedente,

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o lesado individual que tenha ingressado como litisconsorte não poderá ingressar com a ação
individual (art. 103, §2º, do CDC).

Por outro lado, aquele que não se valeu da prerrogativa prevista no art. 104 do CDC
e não ingressou na ação coletiva julgada improcedente, poderá propor ação de indenização a
título individual (art. 103, §2º, do CDC).

Art. 103. (...)


§ 2° Na hipótese prevista no inciso III, em caso de improcedência do
pedido, os interessados que não tiverem intervindo no processo como
litisconsortes poderão propor ação de indenização a título individual.

g Assim, a eficácia erga omnes quando houver improcedência por pretensão


infundada, se aplicará apenas aos demais colegitimados e a àqueles que tenham ingressado
como litisconsorte.

No caso de sentença de improcedência por falta de provas, no caso de ação que


tutela direitos individuais homogêneos, entende o STJ que por não haver previsão no art. 103,
III, do CDC, não é possível a repropositura da ação coletiva de direitos individuais homogêneos
julgada improcedente, ainda que por falta de provas e ainda que se dê em outro estado da
federação (STJ, REsp 1.302.596/SP/2015, Inf. 575 do STJ). Nesse caso, os lesados apenas poderão
propor a ação a título individual.

Art. 103. Nas ações coletivas de que trata este código, a sentença fará
coisa julgada: (...).
III - erga omnes, apenas no caso de procedência do pedido, para
beneficiar todas as vítimas e seus sucessores, na hipótese do inciso III
do parágrafo único do art. 81.

R Em resumo, no caso de improcedência em ação que verse sobre direitos individuais


homogêneos, independentemente do fundamento da improcedência (se é falta de provas ou
pretensão infundada), os colegitimados em nenhuma hipótese poderão ingressar novamente
com a ação.

Dessa forma, podemos resumir os efeitos da coisa julgada da seguinte forma:

Interesses Interesses Interesses Individuais


Difusos Coletivos Homogêneos
Coisa julgada Coisa julgada
Procedência Coisa julgada erga omnes
erga omnes ultra partes

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Há coisa julgada (em


relação aos colegitimados),
Improcedência
Coisa julgada Coisa julgada mas não é erga omnes, pois
por pretensão
erga omnes ultra partes não impede que as vítimas
infundada
individualmente ingressem
com o processo individual
Há coisa julgada (em
relação aos colegitimados),
mas não é erga omnes, pois
não impede que as vítimas
Improcedência individualmente ingressem
Não há coisa Não há coisa
por insuficiência com o processo individual.
julgada julgada
de provas A doutrina e o STJ entendem
que colegitimados não
podem propor nova ação
nesses casos, somente os
indivíduos lesados

- GABARITO DA QUESTÃO: E.

86 – QUESTÃO:

A respeito da competência no processo coletivo, assinale a alternativa incorreta:

a) As ações civis públicas que versam sobre direitos das crianças e adolescentes deverão ser
propostas no local onde ocorreu ou deva ocorrer o dano.
b) No termo de ajustamento de conduta não é possível alterar o foro previsto em lei para a
propositura de eventual ação civil pública.
c) Para os danos de âmbito nacional ou regional será competente o foro da Capital do Estado
ou no Distrito Federal.
d) Não são admissíveis ações coletivas nos Juizados Especiais Cíveis.
e) As ações civis públicas que versam sobre direitos dos idosos deverá ser propostas no
domicílio do idoso, cujo juízo terá competência absoluta para processar a causa.

- RESPOSTA: Alternativa A.

- PONTO DO EDITAL: VIII. 3. Ação civil pública. Conceito e objeto. Tutela principal e
provisória. Interesse de agir. Legitimação ativa e passiva. Litisconsórcio e assistência. Atuação
do Ministério Público. Competência. Sentença. Multa diária e outras cominações. Liminar.
Recursos. Coisa julgada. Cumprimento da sentença e fundo para reconstituição dos bens
lesados.

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- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Alternativa INCORRETA.

Nas ações civis públicas fundadas no Estatuto da Criança e Adolescente, a competência


não é do local do dano, mas sim do foro do local onde ocorreu ou deva ocorrer a ação ou
omissão, cujo juízo terá competência absoluta para processar a causa, conforme art. 209, V, do
ECA.

Art. 209. As ações previstas neste Capítulo serão propostas no foro do


local onde ocorreu ou deva ocorrer a ação ou omissão, cujo juízo terá
competência absoluta para processar a causa, ressalvadas a competência
da Justiça Federal e a competência originária dos tribunais superiores.

g O ECA traz, portanto, uma exceção à regra geral de que as ações civis públicas são
propostas no local do dano (ficar atento, pois isso é muito cobrado em concursos!).

Alternativa B: Alternativa CORRETA.

A lei estabeleceu, como regra geral, que as ações civis públicas ou coletivas devem
ser propostas no foro do local do dano (art. 2º da LACP e art. 93, I do CDC).

Trata-se de competência funcional absoluta, por expressa disposição legal e o STF e


STJ possuem esse mesmo entendimento.

Por se tratar de competência absoluta, a competência para ação civil pública não
pode ser alterada em foro de eleição de termo de ajustamento de conduta.

Pelo mesmo motivo, a competência não pode ser alterada pela ausência de oposição
de exceção de incompetência.

Alternativa C: Alternativa CORRETA.

Em se tratando de interesses difusos ou coletivos (direitos indivisíveis) que podem


gerar dano de caráter regional ou nacional, não há previsão normativa específica na LACP para
determinar a competência.

Dessa forma, aplica-se por analogia o art. 93, II, do CDC (STJ, REsp 1.101.057/MT/2011),
que a princípio aplicar-se-ia apenas aos direitos individuais homogêneos, o qual determina
que a competência para julgar as ações de danos de âmbito nacional ou regional é da capital
do Estado ou no do Distrito Federal.

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g Ex.: dano ambiental que assola todo o Estado de São Paulo. Nesse caso, não se
propõem a ação civil pública em uma comarca do interior, mas sim na comarca de São Paulo/
SP.

g Quando for aplicar o art. 93, I, do CDC aos interesses difusos e coletivos (valendo-
se da parte que “onde deva ocorrer o dano”, a competência será absoluta, face a aplicação do
art. 2º da LACP c/c art. 90 do CDC (competência funcional).

Art. 93. Ressalvada a competência da Justiça Federal, é competente para


a causa a justiça local:
I - no foro do lugar onde ocorreu ou deva ocorrer o dano, quando de
âmbito local;
II - no foro da Capital do Estado ou no do Distrito Federal, para os danos
de âmbito nacional ou regional, aplicando-se as regras do Código de
Processo Civil aos casos de competência concorrente.

Nas ações civis públicas ou coletivas, quando o dano ocorra ou deva ocorrer em
mais de uma comarca, mas não tenha abrangência regional ou nacional, qualquer umas delas
será competente (concorrência concorrente), sendo a competência fixada pela prevenção (art.
2º, parágrafo único, da LACP). Assim, se mais de uma ação for ajuizada em várias comarcas, será
competente aquela que primeiro tomou ciência da causa.

Art. 2º. (...).


Parágrafo único. A propositura da ação prevenirá a jurisdição do juízo
para todas as ações posteriormente intentadas que possuam a mesma
causa de pedir ou o mesmo objeto.

g O dano pode ser local, ainda que se atinja mais de um Estado da federação.

g Ex.: será local um dano ambiental que causou danos a duas cidades na divisa entre
dois Estados.

Quando o dano se estender por mais de uma região, tem-se entendido que o dano
será nacional e que a competência será concorrente entre as Capitais dos Estados e do Distrito
Federal. Nesse caso, entende-se que a escolha ficará a critério do Autor, para mais cômoda de-
fesa dos interesses transindividuais lesados e mais eficaz acesso à Justiça.

g No caso de dano de âmbito nacional, o STJ já se manifestou por diversas vezes


que não há prevalência do foro do Distrito Federal sobre o foro da Capital do Estado, podendo
o dano ser proposto em qualquer destes (STJ, CC 17.533/DF/2000 e REsp 218.492/ES).

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Ademais, o simples fato de o dano ser de abrangência regional ou nacional não é razão
suficiente para determinar a competência da Justiça Federal. Somente serão de competência
da Justiça Federal quando as ações civis públicas envolverem interesse da União, entidade
autárquica ou empresa pública federal, na condição de autora, ré, assistentes ou opoentes.

Assim, independentemente de natureza do direito (seja ele difuso, coletivo ou


individual homogêneo) temos que:

g Dano de âmbito local à local em que ocorreu ou deva ocorrer o dano;

g Dano de âmbito nacional ou regional à foro da Capital do Estado ou no Distrito


Federal (não há prevalência do foro do Distrito Federal).

Alternativa D: Alternativa CORRETA.

Os Juizados Especiais, sejam eles federais ou estaduais, não possuem competência


para julgamento de ações coletivas.

Na Lei dos Juizados Especiais Federais (Lei 10.259/01), expressamente há essa


vedação no art. 3º, §1º, I, da Lei 10.259/01 e no Enunciado 32 do FONAJE. Entretanto, essa
vedação, não afasta a possibilidade de as vítimas titulares de direitos individuais homogêneos
ajuizarem suas ações individuais (STJ, CC 83.676/2007 e CC 58.211/MG/2006).

Enunciado 32 do FONAJE: Não são admissíveis as ações coletivas nos


Juizados Especiais Cíveis.

Alternativa E: Alternativa CORRETA.

O Estatuto do Idoso também trouxe uma diferença de regra da LACP, em que a


competência para ação civil pública em favor do idoso será no domicílio do idoso e também se
trata de competência absoluta (art. 80 da Lei 10.741/2003).

Art. 80. As ações previstas neste Capítulo serão propostas no foro do


domicílio do idoso, cujo juízo terá competência absoluta para processar
a causa, ressalvadas as competências da Justiça Federal e a competência
originária dos Tribunais Superiores.

Em resumo, as regras de regras de competência absoluta no processo coletivo são:

g Direito difuso, coletivo e individual homogêneo à local onde ocorreu o dano ou


deva ocorrer o dano;

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g Direito difuso, coletivo e individual de âmbito regional ou nacional à foro da
Capital do Estado ou no Distrito Federal;

g Direito do ECA à local da ação ou omissão;

g Direito do Estatuto do Idoso à local do domicílio do idoso.

- GABARITO DA QUESTÃO: A.

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DIREITOS HUMANOS
PROF. ENDRIGO OBARA

87 – QUESTÃO:

Acerca da evolução histórica e da tradicional classificação dos direitos humanos em


dimensões, julgue os itens a seguir.

I - Os direitos humanos de primeira dimensão são aqueles que impõem uma obrigação po-
sitiva aos Estados, devendo este intervir ativamente para que tais direitos sejam efetivados,
como ocorre com o direito à propriedade e à liberdade de pensamento e expressão.
II - O marco histórico que consolidou a internacionalização dos direitos humanos foi o fim
da Primeira Guerra Mundial, na qual foram cometidas diversas atrocidades que motivaram a
mudança de concepção acerca do âmbito de aplicação de diversos direitos.
III - O direito ao meio ambiente equilibrado é um exemplo de direito humano de terceira
dimensão.
IV - Os principais precedentes históricos dos direitos humanos foram o Direito Humanitário,
a Organização Internacional do Trabalho e a Liga das Nações.
V - Os direitos humanos de primeira dimensão antecederam, cronologicamente, os de
segunda dimensão no Direito Internacional.

Está correto o disposto em:

a) I, II e IV, apenas.
b) II e V, apenas.
c) II e III, apenas.
d) I, III e V, apenas.
e) III e IV, apenas.

- RESPOSTA: Alternativa E.

- PONTO DO EDITAL: 1.1. Conceito e evolução histórica: as dimensões dos Direitos Humanos.

- COMENTÁRIOS:

Item I: Antes de adentrar efetivamente na resposta no item, é fundamental que se


trate acerca dessa tradicional classificação dos direitos humanos em dimensões (classificação
expressamente disposta no edital de vocês!!).

A teoria das gerações (ou dimensões) dos direitos humanos foi lançada pelo jurista
francês, Karel Vasak, que, em Conferência proferida no Instituto Internacional de Direitos
Humanos de Estrasburgo (França), no ano de 1979, classificou os direitos humanos em três

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gerações, cada uma com características próprias (posteriormente, determinados autores
defenderam a ampliação da classificação de Vasak para quatro ou até cinco gerações).

Cada geração foi associada a um dos componentes do dístico da Revolução Francesa,


que dizia: Liberdade (direitos de primeira geração), Igualdade (direitos de segunda geração) e
Fraternidade (direitos de terceira geração).

Nessa classificação, os direitos humanos de primeira geração seriam aqueles que


exigem um absenteísmo estatal, quer dizer, a não intervenção do Estado, como, por exemplo,
os direitos civis e políticos. Pode-se citar como exemplos dos direitos humanos de primeira
geração o direito à propriedade e o direito à liberdade de expressão, os quais exigem, para
sua integral concretização, a não intromissão estatal, devendo os cidadãos gozarem de sua
propriedade e liberdade de expressão de forma livre e desembaraçada. Nessa toada, o item I
está incorreto, posto que os direitos humanos de primeira geração impõem, na verdade, uma
obrigação NEGATIVA (de não fazer) ao Estado no sentido de que deve o poder público abster-se
de interferir na esfera desses direitos.

Em contrapartida, os direitos humanos de segunda geração são aqueles que impõem


uma obrigação positiva aos Estados na medida que exigem uma postura ativa (obrigação de
fazer) do poder público para efetivação dessa espécie de direitos. Assim, os direitos de segunda
geração são os direitos econômicos, sociais e culturais, os quais necessitam de intervenções
estatais para se efetivarem no plano concreto. Como exemplo de direitos humanos de segunda
geração podem ser citados o direito à educação, o direito à saúde, o direito ao trabalho, os
quais necessitam de políticas públicas dos Estados para que sejam realmente observados.

Já os direitos de terceira dimensão coincidem com o ideal de fraternidade da


Revolução francesa e ensejam o reconhecimento de direitos difusos, inerentes à comunidade
internacional, como o meio ambiente e a paz.

Há autores, ainda, que sustentam a existência quadridimensional dos direitos


humanos. Paulo Bonavides, conforme assevera Ingo Sarlet5, defende o direito à democracia, ao
pluralismo, bioética e à informação como inerentes à quarta dimensão dos direitos humanos.

Por fim, uma quinta dimensão dos direitos humanos recairia sobre o direito à paz,
como uma forma de dar autonomia e destacar esse direito dos demais, dada a essencialidade
da paz para a manutenção da existência do ser humano.

Item II: A internacionalização do debate sobre direitos humanos, iniciado pouco an-
tes da 1º Guerra Mundial, vai se expandir verdadeiramente no pós- Segunda Guerra Mundial,
que é considerado o grande marco histórico da internacionalização dos direitos humanos

5 SARLET, Ingo Wolfgang. A eficácia dos direitos fundamentais: uma teoria geral dos direitos fundamentais na
perspectiva constitucional. 11ª Ed. Porto Alegre. Livraria do Advogado, 2012, pp. 35-36.

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(antes, os direitos humanos eram tratados apenas internamente por cada país, cabendo a cada
Estado regular e dispor o conteúdo e a forma de cumprimento desses direitos. A internaciona-
lização dos direitos humanos significa, portanto, a análise de tais direitos não mais apenas nos
planos internos de cada país, mas, sobretudo, à nível universal).

Durante a 2ª Guerra Mundial, foram praticadas diversas atrocidades em detrimento


das pessoas, vivenciando-se situações de total desprezo à dignidade da pessoa humana. Por
isso, após o fim da guerra, diversos países se uniram e criaram a ONU, entidade voltada para
a preservação da paz e segurança internacional, para o desenvolvimento das nações e para a
promoção dos direitos humanos.

Portanto, embora tenha reflexos anteriores, a internacionalização dos direitos


humanos possui como marco histórico o fim da Segunda Guerra Mundial com a consequente
criação da Organização das Nações Unidas e o advento da Declaração Universal dos Direitos do
Homem (DUDH).

Portanto, o item II está incorreto, posto que o marco histórico da internacionalização


dos direitos humanos foi o fim da Segunda Guerra Mundial, e não da Primeira Guerra, como
apontou o item.

Item III: Como comentado no item I, os direitos humanos de terceira dimensão


são aqueles de titularidade difusa. São oriundos da constatação da vinculação do homem ao
planeta Terra, com recursos finitos, divisão absolutamente desigual de riquezas em verdadeiros
círculos viciosos de misérias e ameaças cada vez mais concretas à sobrevivência da espécie
humana, sendo, portanto, o direito ao meio ambiente equilibrado um de seus exemplos.

Portanto, o item III está correto.

Item IV: A doutrina (Flávia Piovesan, Rafael Barretto, dentre outros) indica 3(três)
grandes precedentes históricos ao surgimento do direito internacional dos direitos humanos: o
Direito Humanitário, a Liga das Nações e a Organização Internacional do Trabalho.

Direito Humanitário:

Segundo Rafael Barretto,

“O Direito Humanitário corresponde a um conjunto de normas e medidas


que disciplinam a proteção de direitos humanos em situações de graves
violações de direitos, especialmente em períodos de guerra, havendo
atenção especial quanto à situação dos prisioneiros de guerra, dos
combatentes feridos em batalha e dos civis não envolvidos no conflito
armado.

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Essas discussões, que se iniciaram pouco antes da primeira guerra
mundial, com o Movimento da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho,
materializam talvez o primeiro grande diálogo internacional voltado aos
direitos humanos” (Barretto, Rafael. Direitos Humanos. Ed. Juspodivm.
Salvador. 4ªEd. 2014, pág. 101).

A ideia básica é a de assegurar situações mínimas de proteção às pessoas durante


os períodos de guerra, evitando-se, por exemplo, que prisioneiros de guerra sejam vítimas de
tortura, garantindo-se aos feridos os cuidados necessários à recuperação da saúde e mantendo-
se os civis não envolvidos no conflito a salvo de risco.

O maior exemplo do movimento humanitário é o Movimento Internacional da Cruz


Vermelha e do Crescente Vermelho, ou, como é mais conhecido, movimento da Cruz Vermelha,
que atuam, ainda atualmente, na prestação de assistência humanitária durante, sobretudo,
conflitos armados e outras emergências.

Liga das Nações:


A Liga das Nações é uma entidade criada por alguns países logo após a 1ª Guerra
Mundial, em 1920, e teve por finalidade promover a cooperação, paz e segurança internacional.

Evidentemente, a temática dos direitos humanos- cuja afirmação é imprescindível


para haver paz e segurança internacional- integrou o âmbito das discussões da Liga das Nações.
Por isso, afirma-se que a criação da entidade constitui precedente histórico na afirmação
internacional dos direitos humanos.

Infelizmente, a história nos mostra que a Liga não obteve muito êxito em seus
objetivos, porquanto, alguns anos após, houve a 2ª Guerra Mundial, na qual ocorreram diversas
barbáries e violações de direitos humanos. Sem embargos, a Liga das Nações teve importância
histórica, sendo apontada como embrião de formação da Organização das Nações Unidas.

OIT (Organização Internacional do Trabalho):


A Organização Internacional do Trabalho (OIT), criada em 1919, também após a


1ª Guerra Mundial, é uma entidade que visa a instituir e promover padrões internacionais de
condições de trabalho e bem estar dos trabalhadores.

Por meio da OIT, a questão dos direitos humanos passa (embora restrito aos direitos
sociais dos trabalhadores) a ser pauta das discussões internacionais de todos os países mem-
bros da instituição, sendo fator fundamental para expansão do debate internacional sobre di-
reitos humanos.

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Nesse ponto, é importante frisar que uma das críticas ao termo “gerações” de diretos
humanos consiste no fato de que o termo “gerações” implica um sentido de cronologia dos
direitos de forma que se passa a impressão de que os direitos civis e políticos surgiram antes dos
direitos sociais no cenário internacional, o que não merece prosperar em virtude justamente
das normas da Organização Internacional do Trabalho.

A OIT, já em 1919, editou normas internacionais acerca dos direitos dos trabalhadores,
direito social por excelência, o que evidencia a anterioridade, no plano internacional, dos
direitos sociais em relação aos direitos civis e políticos.

Portanto, o item IV está correto, visto que os principais precedentes históricos dos
direitos humanos são, segundo a doutrina mais abalizada: o Direito Humanitário, a OIT e a Liga
das Nações.

Item V: Trata-se de item incorreto, posto que os direitos sociais (segunda dimensão)
foram consagrados em convenções internacionais do trabalho (a partir do surgimento da OIT
em 1919) antes mesmo que os próprios direitos de primeira geração (cujos diplomas internacio-
nais são do pós- Segunda Guerra Mundial, como a DUDH de 1948).

Esse ponto é um dos motivos pelos quais o termo “Gerações” de direitos humanos é
criticado por boa parte da doutrina, sendo preferível a terminologia “Dimensões dos Direitos
Humanos”.

Eis as principais críticas doutrinárias quanto ao termo “Gerações” de direitos


humanos:

1) Falsa ideia de sobreposição entre as categorias de direitos humanos, vez que


a utilização do termo “geração” retrata uma falsa ideia de sobreposição entre as diversas
categorias de direitos humanos, quer dizer, referido termo evidencia certa ideia de substituição
de uma geração pela outra. Sobre este ponto, é a lição de Antônio Augusto Cançado Trindade6:

O quarto exemplo diz respeito à fantasia das chamadas “gerações de


direitos”, a qual corresponde a uma visão atomizada ou fragmentada
destes últimos no tempo. A noção simplista das chamadas “gerações
de direitos”, histórica e juridicamente infundada, tem prestado um
desserviço ao pensamento mais lúcido a inspirar a evolução do direito
internacional dos direitos humanos. Distintamente do que a infeliz
invocação da imagem analógica da “sucessão geracional” pareceria
supor, os direitos humanos não se “sucedem” ou “substituem” uns aos

6 CANÇADO TRINDADE, Antônio Augusto. In. PIOVESAN, Flávia. Direitos Humanos e o Direito Constitucional
Internacional. 12 ed. São Paulo: Saraiva, 2011, p. 47.

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outros, mas antes se expandem, se acumulam e fortalecem, interagindo
os direitos individuais e sociais (...)

2) Falsa ideia de antiguidade ou posteridade de um rol de direitos humanos em


relação aos outros, quer dizer, a classificação em “ gerações” transmite uma falsa ideia de
ordem cronológica entre as dimensões de direitos humanos. Diz-se falsa pois os direitos sociais
precederam os direitos individuais e políticos no plano internacional, conforme leciona André
de Carvalho Ramos7:

Em segundo lugar, a enumeração das gerações pode dar a ideia de


antiguidade ou posteridade de um rol de direitos em relação a outros: os
direitos de primeira geração teriam sido reconhecidos antes dos direitos
de segunda geração e assim sucessivamente, o que efetivamente não
ocorreu. No Direito Internacional, por exemplo, os direitos sociais
(segunda geração) foram consagrados em convenções internacionais
do trabalho (a partir do surgimento da Organização Internacional do
Trabalho em 1919), antes mesmo que os próprios direitos de primeira
geração (cujos diplomas internacionais são do pós- Segunda Guerra
Mundial, como a Declaração Universal de Direitos Humanos de 1948).

3) Criação da falsa ideia de fragmentariedade entre as categorias de direitos


humanos, quer dizer, transmite-se uma ilusória ideia de compartimentação entre cada
categoria de direitos humanos, o que acaba por desrespeitar duas das principais características
dos direitos humanos, quais sejam, a indivisibilidade e a interdependência. Nesse sentido, é a
lição de André de Carvalho Ramos8:

Em terceiro lugar, a teoria geracional é rechaçada por apresentas os


direitos humanos de forma fragmentada e ofensiva à indivisibilidade.
Embora essa teoria geracional, à primeira vista, seja razoável para fins
didáticos, na prática serve como justificativa para diferenciação do
regime de implementação de uma geração em face da outra. O caso
sempre lembrado dessa consequência da teoria geracional é a diferença
entre o regime de proteção dos direitos de primeira geração em relação
aos direitos de segunda geração. Em vários países, combatem-se
com rigor a discriminação e as ofensas ao princípio da igualdade no
tocante aos direitos individuais clássicos, mas se aceitam as imensas
desigualdades no âmbito dos direitos sociais.

- GABARITO DA QUESTÃO: E.

7 RAMOS, André de Carvalho. Curso de Direitos Humanos. 3ª ed. São Paulo: Saraiva, 2016, p. 60
8 RAMOS, André de Carvalho. Curso de Direitos Humanos. 3ª ed. São Paulo: Saraiva, 2016, p. 60

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88 – QUESTÃO:

Em relação à posição hierárquica dos tratados internacionais de Direitos Humanos no


ordenamento jurídico brasileiro, levando em consideração inclusive orientações do Supremo
Tribunal Federal, assinale a alternativa correta:

a) Atualmente existem 3 (três) tratados internacionais de direitos humanos com status de


emenda constitucional no ordenamento jurídico brasileiro.
b) O Pacto de San José da Costa Rica possui status de emenda constitucional.
c) Segundo o Supremo Tribunal Federal, os tratados internacionais de direitos humanos
aprovados sem o rito especial disposto no art. 5º, §3º, da CF/88, possuem status de lei
ordinária.
d) A possibilidade de os tratados internacionais de direitos humanos possuírem status de
emenda constitucional está prevista na Constituição Federal de 1988 desde seu advento.
e) Recentemente aprovado, o Tratado de Marraqueche foi internalizado com status supralegal.

- RESPOSTA: Alternativa A.

- PONTO DO EDITAL: 1.3 Tratados e Convenções Internacionais sobre Direitos Humanos


incorporados pelo ordenamento brasileiro. Conflito com as normas constitucionais.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Após a Constituição de 1988 havia certa celeuma acerca da hierarquia


dos tratados de Direitos Humanos na ordem jurídica interna, ou seja, se possuiriam status de
norma ordinária, supralegal ou de matéria constitucional.

Prevalecia no STF o entendimento de que os tratados de DH possuiriam status


jurídicos de lei ordinária federal e, portanto, seriam submetidos aos critérios de cronologia
e especialidade. Contudo, tal posição não era bem aceita pela doutrina que alegava a
supralegalidade dos tratados de DH com fundamento nos parágrafos 1º e 5º do artigo 5º da
Constituição Federal.

A título de conhecimento histórico transcrevo abaixo trecho do Curso de Direitos


Humanos de André de Carvalho Ramos (2015, p.366) que resume de modo cristalino todo o
debate doutrinário e jurisprudencial ocorrido antes da promulgação da Emenda Constitucional
nº 40/2004:

“Tal caos sobre a hierarquia normativa dos tratados de direitos huma-


nos pode ser resumido em quatro posições de maior repercussão:
i) natureza supraconstitucional, em face de sua origem internacional;
ii) natureza constitucional (forte apoio doutrinário);

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iii) natureza equiparada à lei ordinária federal (majoritária no STF, de
1988 a 2008);
iv) natureza supralegal (acima da lei e inferior à Constituição, voto
solitário do Min. Sepúlveda Pertence, no RHC 79.785/RJ).

Apesar da diversidade de posições, o posicionamento do STF até 2008 foi o seguinte:


o tratado de direitos humanos possuía hierarquia equivalente à lei ordinária federal, como
todos os demais tratados incorporados.

Ocorre que adveio a Emenda Constitucional nº 45/2004, que acrescentou o parágrafo


3º ao artigo 5º da Constituição Federal:

Art. 5º. (...).


§ 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que
forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos,
por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes
às emendas constitucionais.

Após promulgação da mencionada Emenda Constitucional, passou a prevalecer, no


STF (RE 466.343/ 2008), a Teoria do Duplo Estatuto dos Tratados de DH. Segundo essa teoria
os tratados aprovados sob o rito previsto no parágrafo 3º do artigo 5º da CF possuem status de
emenda constitucional e os demais tratados, sejam aqueles que entraram em vigor antes ou
depois da EC 45, possuem status supralegal.

Ao afirmar que os tratados de DH, mesmo que não aprovados pelo rito previsto na EC
45, possuem natureza jurídica supralegal o STF os exclui dos critérios tradicionais de resolução
de antinomia. Portanto, independentemente de serem posteriores ou mais especificas as nor-
mas internas devem ser compatíveis com os tratados de DH. O voto do Ministro Gilmar Mendes
no caso da prisão do depositário infiel ilustra bem o exposto acima:

“Desde a adesão do Brasil, sem qualquer reserva, ao Pacto Internacional


dos Direitos Civis e Políticos (art. 11) e à Convenção Americana sobre
Direitos Humanos – Pacto de San José da Costa Rica (art. 7º, 7), ambos
no ano de 1992, não há mais base legal para prisão civil do depositário
infiel, pois o caráter especial desses diplomas internacionais sobre
direitos humanos lhes reserva lugar específico no ordenamento
jurídico, estando abaixo da Constituição, porém acima da legislação
interna. O status normativo supralegal dos tratados internacionais de
direitos humanos subscritos pelo Brasil, dessa forma, torna inaplicável
a legislação infraconstitucional com ele conflitante, seja ela anterior
ou posterior ao ato de adesão. Assim ocorreu com o art. 1.287 do CC de
1916 e com o Decreto-Lei 911/1969, assim como em relação ao art. 652

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do novo CC” (RE 466.343, Rel. Min. Cezar Peluso, voto do Min. Gilmar
Mendes, julgamento em 3-12-2008, Plenário, DJE de 5-6-2009, com
repercussão geral).

Assim, após o advento da EC 45 de 2004, o STF reviu seu posicionamento, através do


RE 466.343/2008, e atualmente entende da seguinte forma em relação à posição hierárquica
dos tratados de direitos humanos:

Tratados Internacionais de Direitos Humanos aprova-


NATUREZA CONSTITUCIONAL
dos pelo rito do art.5º, §3º, da CF/88.
Todos os demais Tratados Internacionais de Direitos
Humanos, anteriores ou posteriores à EC n.45,
NATUREZA SUPRALEGAL
aprovados pelo rito comum (maioria simples, turno
único em cada Casa do Congresso).

Agora, faço uma indagação importante: quantos tratados internacionais de direitos


humanos possuem status de emenda constitucional atualmente no Brasil?

A resposta é: TRÊS!!

A Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência é um tratado


internacional distinto de seu Protocolo Facultativo.

A Convenção da ONU sobre os direitos das Pessoas com Deficiência trata, em seus
50 artigos, acerca dos princípios, dos direitos das pessoas com deficiência, das obrigações
estatais, do Comitê sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, dentre outras disposições
relacionadas diretamente com a proteção daqueles que possuem algum tipo de deficiência.

Já o Protocolo Facultativo à Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência


diz respeito ao reconhecimento da competência do Comitê sobre os Direitos das Pessoas com
Deficiência para receber petições individuais e o procedimento após o recebimento de tais
comunicações.

Portanto, embora assinados, pelo Brasil, em Nova York na mesma data (30 de março
de 2007) e aprovados, de acordo com rito do art. 5º, §3º, da CF/88, pelos mesmos decretos
legislativo (Decreto Legislativo nº 186, de 9 de julho de 2008) e presidencial (Decreto nº 6.949,
de 25 de agosto de 2009), tratam-se de tratados internacionais de direitos humanos distintos.

Por fim, recentemente foi editado Decreto nº 9.522, de 8 de outubro de 2018, que
promulga o Tratado de Marraqueche para Facilitar o Acesso a Obras Publicadas às Pessoas
Cegas, com Deficiência Visual ou com Outras Dificuldades para Ter Acesso ao Texto Impresso,
firmado em Marraqueche, em 27 de junho de 2013.

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Portanto, a alternativa A está correta!

Alternativa B: O Pacto de San José da Costa Rica refere-se à Convenção Americana


sobre Direitos Humanos (CADH), o principal tratado interamericano de direitos humanos.

O Pacto de San José da Costa Rica foi promulgado no Brasil pelo Decreto n. 678, de 6
de novembro de 1992, ou seja, anteriormente à EC n. 45 de 2004. Assim, a Convenção Americana,
embora de suma importância e evidência nos estudos dos direitos humanos, foi aprovada pelo
rito comum e, portanto, possui, segundo a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, status
supralegal, e, não, constitucional.

Portanto, a alternativa B está incorreta.

Alternativa C: Trata-se de alternativa incorreta, porquanto, como já comentado na


alternativa A, segundo a atual jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (RE 466.343/2008),
os tratados internacionais de direitos humanos aprovados pelo rito comum (e não pelo rito
especial do art. 5º, §3º, da CF/88) possuem hierarquia supralegal, e não legal, como apontou a
opção C.

Alternativa D: Trata-se de alternativa incorreta, uma vez que a possibilidade de os


tratados internacionais de direitos humanos possuírem status de emenda constitucional deriva
do Poder Constituinte Derivado Reformador, posto que adveio com a promulgação da Emenda
Constitucional n. 45/2004, a qual trouxe certas inovações salutares no que tange aos direitos
humanos na Constituição Federal. Dentre elas citam-se:

1) Alteração do status formal dos tratados de direitos humanos (art. 5º, §3º, da
CF/88);

2) Possibilidade de submissão ao Tribunal Penal Internacional (art. 5º, §4º, da


CF/88);

3) Deslocamento de competência para a justiça federal nos casos de violações de


direitos humanos que impliquem descumprimento de obrigações internacionais (art. 109,
§5º, da C/88).

Alternativa E: Trata-se de item incorreto, posto que embora tenha sido recentemente
aprovado e promulgado, o Tratado de Marraqueche foi internalizado com status de emenda
constitucional, pois foi observado o procedimento do rito especial disposto no art. 5º, §3º, da
CF/88.

- GABARITO DA QUESTÃO: A.

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89 – QUESTÃO:

Assinale a alternativa correta:

a) O direito à saúde, juntamente ao direito à educação e ao direito à previdência social,


compõe a seguridade social, que consiste no conjunto integrado de ações de iniciativa dos
Poderes Públicos e da sociedade destinadas a assegurar tais direitos.
b) Segundo a Constituição Federal, o sistema único de saúde deve ser organizado de acordo
com certas diretrizes, como, por exemplo, a centralização, com direção única em cada esfera
de governo.
c) A assistência à saúde é livre à iniciativa privada, sendo vedada, todavia, a participação
direta ou indireta de empresas ou capitais estrangeiros na assistência à saúde no País, salvo
nos casos previstos em lei.
d) O benefício de prestação continuada no âmbito da assistência social não se encontra
expressamente previsto na Constituição Federal de 1988.
e) A assistência social será prestada a quem dela necessitar, sendo seus benefícios concedidos
a depender da carência e do tempo de contribuição à seguridade social, salvo as exceções
legais.

- RESPOSTA: Alternativa C.

- PONTO DO EDITAL: 1.5. Sistema Único de Saúde. 1.6. Sistema Único de Assistência Social.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Trata-se de alternativa incorreta, posto que contraria o disposto no


art. 194 da Constituição Federal de 1988, que dispõe que a seguridade social é composta pelos
direitos à saúde, à previdência social e à assistência social.

Art. 194. A seguridade social compreende um conjunto integrado de


ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade, destinadas
a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência
social.

Alternativa B: Trata-se de alternativa incorreta, uma vez que o art. 198, inc. I, da
CF/88, dispõe, como uma das diretrizes do sistema único de saúde, a DESCENTRALIZAÇÃO, com
direção única em cada esfera de governo. Senão vejamos:

Art. 198. As ações e serviços públicos de saúde integram uma rede


regionalizada e hierarquizada e constituem um sistema único, organizado
de acordo com as seguintes diretrizes:
I - Descentralização, com direção única em cada esfera de governo;

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II - Atendimento integral, com prioridade para as atividades preventivas,
sem prejuízo dos serviços assistenciais;
III - participação da comunidade.

Alternativa C: Trata-se da alternativa correta, uma vez que nos termos do art. 199,
caput c/c §3ª, da CF/88, a assistência à saúde é livre à iniciativa privada, sendo vedada, todavia,
a participação direta ou indireta de empresas ou capitais estrangeiros na assistência à saúde no
País, salvo nos casos previstos em lei.

Art. 199. A assistência à saúde é livre à iniciativa privada.


§ 1º As instituições privadas poderão participar de forma complementar
do sistema único de saúde, segundo diretrizes deste, mediante
contrato de direito público ou convênio, tendo preferência as entidades
filantrópicas e as sem fins lucrativos.
§ 2º É vedada a destinação de recursos públicos para auxílios ou
subvenções às instituições privadas com fins lucrativos.
§ 3º É vedada a participação direta ou indireta de empresas ou capitais
estrangeiros na assistência à saúde no País, salvo nos casos previstos em
lei.

Alternativa D: Trata-se de alternativa incorreta, posto que o Benefício de Prestação


Continuada (BPC) é tratado na Constituição Federal de 1988 como um dos objetivos da
assistência social, estando previsto expressamente no art. 203, V, da Magna Carta.

Art. 203. A assistência social será prestada a quem dela necessitar,


independentemente de contribuição à seguridade social, e tem por
objetivos:
I - a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à
velhice;
II - o amparo às crianças e adolescentes carentes;
III - a promoção da integração ao mercado de trabalho;
IV - a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e
a promoção de sua integração à vida comunitária;
V - a garantia de um salário mínimo de benefício mensal à pessoa
portadora de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios
de prover à própria manutenção ou de tê-la provida por sua família,
conforme dispuser a lei.

Destaca-se que o BPC consiste, nos termos do art. 20 da Lei nº 8.742/93 (LOAS), na
garantia de um salário-mínimo mensal à pessoa com deficiência e ao idoso com 65 (sessenta e
cinco) anos ou mais que comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção nem
de tê-la provida por sua família, independentemente de contribuição à seguridade social.

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Alternativa E: Trata-se de alternativa incorreta, posto que, diferentemente da previ-
dência social, na qual os benefícios só são concedidos àqueles que efetivamente contribuam
para o sistema da seguridade social, os benefícios da assistência social independem de prévias
contribuições ou período de carência. Nesse sentido, caput do art. 203 da Constituição Federal
de 1988:

Art. 203. A assistência social será prestada a quem dela necessitar,


independentemente de contribuição à seguridade social, e tem por
objetivos:

- GABARITO DA QUESTÃO: C.

90 – QUESTÃO:

A Declaração Universal de Direitos Humanos é concretizada através do Pacto Internacional de


Direitos Políticos e do Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais. Acerca
de tais documentos internacionais de direitos humanos, assinale a alternativa correta:

a) A Declaração Universal de Direitos Humanos prevê apenas direitos de primeira dimensão,


não dispondo acerca de direitos de segunda dimensão.
b) O Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos entrou em vigor em 1966 no plano
internacional.
c) O Segundo Protocolo Adicional ao Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos
trouxe a possibilidade de o Comitê de Direitos Humanos receber e examinar comunicações
provenientes de indivíduos sujeitos à sua jurisdição que aleguem ser vítimas de uma violação,
pelos Estados partes, de qualquer dos direitos enunciados no Pacto.
d) O Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais prevê, desde sua
assinatura, a possibilidade de denúncias individuais ao Comitê de Direitos Econômicos,
Sociais e Culturais da ONU.
e) Segundo o Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos, em situações excepcionais
que ameacem a existência da nação e sejam proclamadas oficialmente, os Estados Partes
do Pacto podem adotar, na estrita medida exigida pela situação, medidas que suspendam
as obrigações decorrentes do presente Pacto. Todavia, certos direitos não poderão ser
suspensos, como, por exemplo, o direito à liberdade de pensamento, de consciência e de
religião.

- RESPOSTA: Alternativa E.

- PONTO DO EDITAL: 1.2. Sistema Internacional de promoção e proteção dos Direitos Humanos.
Sistema Interamericano.

- COMENTÁRIOS:

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Alternativa A: A Declaração Universal de Direitos Humanos (DUDH), elaborada
em 1948 pela extinta Comissão de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas, é o
principal instrumento do sistema global de direitos humanos e é considerado um divisor de
águas no que tange à internacionalização dos direitos humanos após a 2ª Guerra Mundial.

Referido ato internacional possui como fundamento a dignidade da pessoa humana


e buscou universalizar a proteção do ser humano, sendo, atualmente, um ponto de irradiação e
convergência dos instrumentos de direitos humanos em níveis global e regional.

A DUDH, por ser uma declaração com natureza de resolução, e não de tratado, quer
dizer, por ser um conjunto de normas diretivas, necessitou de outros atos internacionais com
natureza de tratado para que se tornasse cogente e imperativo: o Pacto Internacional de Direi-
tos Civis e Políticos e o Pacto Internacional de Direitos Sociais, Econômicos e Culturais.

A Declaração Universal de Direitos Humanos forma, juntamente ao Pacto Interna-


cional de Direitos Civis e Políticos e ao Pacto Internacional de Direitos Sociais, Econômicos e
Culturais, a Carta Internacional de Direitos Humanos (International Bill of Rights) – TEMA JÁ
COBRADO NA PROVA DE PROMOTOR DO MPE/SP!!

Em seu bojo, Declaração Universal de Direitos Humanos traz a previsão de direitos de


primeira dimensão (arts. 1 ao 22) e de segunda dimensão (arts. 22 a 27).

Portanto, a DUDH não se restringe aos direitos civis e políticos, dispondo, também,
de direitos sociais, econômicos e culturais. Nesse sentido, destaca-se o artigo 22 da DUDH:

Artigo 22.
Todo o homem, como membro da sociedade, tem direito à segurança
social e à realização, pelo esforço nacional, pela cooperação internacio-
nal e de acordo com a organização e recursos de cada Estado, dos direi-
tos econômicos, sociais e culturais indispensáveis à sua dignidade e ao
livre desenvolvimento de sua personalidade

Assim, a alternativa A está incorreta!

Alternativa B: O Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos foi adotado pela
XXI Sessão da Assembleia-Geral das Nações Unidas, em 16 de dezembro de 1966.

Todavia, dispõe o art. 49 do referido pacto:

Artigo 49.
1. O presente Pacto entrará em vigor três meses após a data do
depósito, junto ao Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas,

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do trigéssimo-quinto instrumento de ratificação ou adesão.
2. Para os Estados que vierem a ratificar o presente Pacto ou a ele aderir
após o deposito do trigéssimo-quinto instrumento de ratificação ou
adesão, o presente Pacto entrará em vigor três meses após a data do
deposito, pelo Estado em questão, de seu instrumento de ratificação ou
adesão.

Ocorre que a 35ª adesão aconteceu apenas em 23 de março de 1976 e, portanto,


embora, assinado em 1966, tal tratado entrou em vigor somente 10 (dez) anos depois.

Por fim, salienta-se que o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos entrou
em vigor no Brasil em 1992 com a promulgação do Decreto nº 592.

Alternativa C: O Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos possui 2 (dois)


protocolos facultativos.

O Primeiro Protocolo Facultativo ao Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos


foi adotado pela Resolução da Assembleia Geral da ONU – na mesma ocasião em que o Pacto foi
adotado- em 16 de dezembro de 1966, com a finalidade de instituir mecanismos de análise de
petições individuais de vítimas ao Comitê de Direitos Humanos por violações de direitos civis e
políticos previstos no Pacto.

Já o Segundo Protocolo adicional ao Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos


com vistas à abolição da pena de morte foi adotado e proclamado pela Resolução n. 44/128 da
Assembleia Geral da ONU, de 15 de dezembro de 1989. No Brasil foi aprovado junto do Protoco-
lo Facultativo ao Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos, em 16 de junho de 2009, pelo
Decreto Legislativo n.311/2009, com a reserva expressa no art. 2º.

Dessa forma, o Brasil fez reserva para assegurar a possibilidade de aplicação da pena
de morte em caso de guerra declarada.

Quanto à aplicação da pena de morte, destaca-se os ensinamentos de André de


Carvalho Ramos, segundo o qual existem três fases da regulação jurídica internacional da pena
de morte:

“A primeira fase é a da convivência tutelada, na qual a pena de morte


era tolerada, porém com estrito regramento” qual abrangia, segundo
o autor, limites como o da natureza do crime, vedação da ampliação,
devido processo legal penal e vedações circunstancias. “A segunda fase
do regramento internacional da pena de morte é a do banimento com
exceções, (...) A terceira — e tão esperada —fase do regramento jurídico
da pena de morte no plano internacional é a do banimento em qualquer

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circunstância” (RAMOS, André de Carvalho. In: PETERKE, Sven (Coord.).
Manual Prático de Direitos Humanos Internacionais. Brasília: ESMPU/DF,
2010, p. 248-250.)

Portanto, o item C está errado, pois foi o Primeiro Protocolo Facultativo ao Pacto In-
ternacional de Direitos Civis e Políticos que trouxe a possibilidade de o Comitê de Direitos Hu-
manos receber e examinar comunicações provenientes de indivíduos sujeitos à sua jurisdição
que aleguem ser vítimas de uma violação, pelos Estados partes, de qualquer dos direitos enun-
ciados no Pacto.

Alternativa D: O Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais


foi adotado em conjunto com o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos em 1966,
entrando em vigor somente em 1976.

O PIDESC é considerado um marco no plano internacional, pois assegurou destaque


aos direitos econômicos, sociais e culturais, combatendo a resistência de vários países que viam
os direitos sociais em sentido amplo como sendo meras recomendações.

Embora fundamental para quebra do próprio paradigma que envolvia os direitos


sociais, o PIDESC não trouxe, originariamente, a possibilidade de comunicações individuais
pelas vítimas das violações dos direitos nela dispostos, o que torna incorreta a alternativa D.

Dessa forma, adveio o Protocolo Facultativo do PIDESC que é um instrumento


internacional, adicional ao Pacto, que institui mecanismos de denúncia individual aos Estados
pelas violações dos direitos humanos enunciadas no Pacto.

Os Estados que ratificam o Protocolo Facultativo do PIDESC reconhecem a compe-


tência do Comitê de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais - Comitê DESC, órgão de vigilância
do PIDESC, para receber e examinar comunicações de violações dos direitos econômicos, so-
ciais e culturais.

O Protocolo Facultativo ao PIDESC foi aprovado por unanimidade na Assembleia das


Nações Unidas no dia 10 de dezembro de 2008, mas entrou em vigor apenas em 5 de maio de
2013.

Destaca-se que o Brasil não aderiu a tal protocolo ainda.

Alternativa E: O Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos elenca diversos


direitos humanos de primeira dimensão que devem ser observados por todos Estados membros.

Todavia, como não existem direitos absolutos, referido tratado traz a possibilidade
de determinados direitos serem suspensos em determinadas situações excepcionais.

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Nessa toada, dispõe o art. 4º do PIDCP:

Artigo 4.
1. Quando situações excepcionais ameacem a existência da nação e
sejam proclamadas oficialmente, os Estados Partes do presente Pacto
podem adotar, na estrita medida exigida pela situação, medidas que
suspendam as obrigações decorrentes do presente Pacto, desde que tais
medidas não sejam incompatíveis com as demais obrigações que lhes
sejam impostas pelo Direito Internacional e não acarretem discriminação
alguma apenas por motivo de raça, cor, sexo, língua, religião ou origem
social.
2. A disposição precedente não autoriza qualquer suspensão dos artigos
6, 7, 8 (parágrafos 1 e 2) 11, 15, 16, e 18.
3. Os Estados Partes do presente Pacto que fizerem uso do direito de
suspensão devem comunicar imediatamente aos outros Estados Partes
do presente Pacto, por intermédio do Secretário-Geral da Organização
das Nações Unidas, as disposições que tenham suspendido, bem como
os motivos de tal suspensão. Os Estados partes deverão fazer uma
nova comunicação, igualmente por intermédio do Secretário-Geral da
Organização das Nações Unidas, na data em que terminar tal suspensão.

Assim, em situações excepcionais que ameacem a existência da nação e sejam


proclamadas oficialmente, os Estados Partes do presente Pacto podem adotar, na estrita
medida exigida pela situação, medidas que suspendam as obrigações decorrentes do presente
Pacto, todavia os seguintes direitos não podem sofrer tal suspensão:

1) O direito à vida;
2) O direito à vedação da tortura, penas ou tratamentos cruéis,
desumanos ou degradantes;
3) O direito à vedação à escravidão e à servidão;
4) O direito à vedação da prisão por descumprimento de obrigação
contratual;
5) O direito ao princípio da legalidade penal;
6) O direito à personalidade jurídica
7) O direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião

Portanto, a assertiva E está correta, porquanto o direito à liberdade de pensamento,


de consciência e de religião não podem ser suspensos.

- GABARITO DA QUESTÃO: E.

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DIREITO ADMINISTRATIVO
PROF. VINÍCIUS RESENDE

91 – QUESTÃO:

Nas licitações, em caso de igualdade de condições das propostas, assinale a alternativa que
traz o primeiro critério de desempate que deve ser observado pela Administração Pública:

a) Será realizado sorteio.


b) Será considerada vencedora a proposta cujos bens e serviços sejam produzidos ou
prestados por empresas brasileiras.
c) Será considerada vencedora a proposta cujos bens e serviços sejam produzidos ou
prestados por empresas que comprovem cumprimento de reserva de cargos prevista em
lei para pessoa com deficiência ou para reabilitado da Previdência Social e que atendam às
regras de acessibilidade previstas na legislação.
d) Será considerada vencedora a proposta cujos bens e serviços sejam produzidos ou
prestados por empresas que invistam em pesquisa e no desenvolvimento de tecnologia no
País
e) Será considerada vencedora a proposta cujos bens e serviços sejam produzidos ou
prestados no País.

- RESPOSTA: Alternativa E.

- PONTO DO EDITAL: X. 8. Licitação e contratos administrativos. Ajustes, parcerias, convênios e


consórcios.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Alternativa INCORRETA.

Alternativa B: Alternativa INCORRETA.

Alternativa C: Alternativa INCORRETA.

Alternativa D: Alternativa INCORRETA.

Alternativa E: Alternativa CORRETA.

A isonomia é garantida nas licitações pelo não estabelecimento de privilégios ou


discriminações. A não observância disso pode corresponder a desvio de poder, inclusive ao
crime previsto no art. 90 da Lei 8.666/93.

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O princípio da igualdade não inibe a instituição de requisitos para a participação. Os
requisitos são admissíveis quando forem compatíveis com o objeto que será contratado. O que
a lei veda em seu art. 3º, §1º, II, é estabelecer tratamento diferenciado de natureza comercial,
legal, trabalhista e previdenciário entre empresas brasileiras e estrangeiras.

Entretanto, com a edição da Lei 12.349/2010 passaram a haver exceções a esse


princípio, de modo que há diferenças de tratamento entre licitantes em determinados certames,
visando, em linhas gerais, a favorecer aqueles que forneçam produtos e serviços nacionais,
bem como fortalecer empresas atuantes de áreas relacionadas à pesquisa científica e à criação
de tecnologias nacionais e aqueles produzidos ou prestados por empresas que comprovem o
cumprimento de reserva de cargos para pessoas como deficiência ou reabilitado da Previdência
Social.

Assim, uma das exceções, reside no critério de desempate, segundo o qual, em


igualdade de condições será assegurado, sucessivamente, a preferência aos bens e serviços
(art. 3º, §2º, da Lei 8.666/93):

1º) Produzidos ou prestados no país (ALTERNATIVA CORRETA – ESTE É O PRIMEIRO


CRITÉRIO DE DESEMPATE)

2º) Produzidos ou prestados por empresas brasileiras;

3º) Produzidos ou prestados por empresas que invistam em pesquisa e no


desenvolvimento de tecnologia no país;

4º) Produzidos ou prestados por empresas que comprovem cumprimento de reserva


de cargos prevista em lei para pessoa com deficiência ou para reabilitado da Previdência
Social e que atendam às regras de acessibilidade previstas na legislação (introduzido pela
Lei 13.146/2015).

g Nesse último caso, as empresas deverão cumprir durante todo o período de


execução do contrato, a reserva de cargos prevista em lei para pessoa com deficiência ou para
reabilitado da Previdência Social, bem como as regras de acessibilidade previstas na legislação
(art. 66-A, caput, da Lei 8.666/93). Ademais, cabe à administração fiscalizar o cumprimento
dos requisitos de acessibilidade nos serviços e nos ambientes de trabalho (art. 66-A, parágrafo
único, da Lei 8.666/93).

g Margens de preferência à além dos critérios de desempate, outra forma de


vantagem para as empresas nacionais são as “margens de preferência” para produtos e serviços
nacionais que atendam as normas técnicas brasileiras e para bens e serviços produzidos ou
prestados por empresas que comprovem o cumprimento de reserva de cargos prevista em
lei para pessoa com deficiência ou para reabilitado da Previdência Social e que atendam as

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regras de acessibilidade previstas na legislação, previstas no art. 3º, §§5º a 10, da Lei 8.666/93,
introduzida pela Lei 12.349/2010.

g Ex.: uma licitação do tipo menor preço, é possível que uma empresa que fabrique
produtos nacionais vença a licitação, ainda que apresente um produto 20% mais caro que uma
empresa estrangeira.

Art. 3º. (...).


§ 5º Nos processos de licitação, poderá ser estabelecida Margem De
Preferência para:
I - produtos manufaturados e para serviços nacionais que atendam a
normas técnicas brasileiras; e
II - bens e serviços produzidos ou prestados por empresas que comprovem
cumprimento de reserva de cargos prevista em lei para pessoa com
deficiência ou para reabilitado da Previdência Social e que atendam às
regras de acessibilidade previstas na legislação.

Essas margens de preferência serão estabelecidas pelo Poder Executivo Federal e a


soma delas não pode ultrapassar o montante de 25% sobre o preço dos produtos manufaturados
e serviços estrangeiros (art. 3º, §8º, da Lei 8.666/93).

g Essas “margens de preferência” estão regulamentadas no Decreto 7.546/2011.

g Essas “margens de preferência” podem ser estendidas, total ou parcialmente, aos


bens e serviços originários dos Estados partes do Mercosul (art. 3º, §§10, da Lei 8.666/93).

Nas contratações destinadas à implantação, manutenção e ao aperfeiçoamento


de sistemas de tecnologia de informação e comunicação, considerados estratégicos em ato
do Poder Executivo Federal, a licitação poderá ser restrita a bens e serviços com tecnologia
desenvolvida no País e produzidos de acordo com o processo produtivo básico (art. 3º, §12, da
Lei 8.666/93).

R A Lei Complementar 123/2006, garante a possibilidade de tratamento diferenciado


para Microempresa e Empresa de Pequeno Porte. Havendo empate entre as propostas
apresentadas haverá preferência da ME ou EPP, que terá uma margem de 10% do valor da
melhor proposta. Assim, caracteriza-se um empate ficto, no qual terá direito a ME ou EPP de
igualar a proposta feita pelo vencedor do certame.

g Quando a modalidade for pregão o favorecimento para as ME e EPP será de 5%.

g As regras contidas para ME e EPP previstas na LC 123/2006 apesar de colocá-las


em situação privilegiada, não previu que a Administração Pública tenha que contratar por

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uma preço mais caro aquilo que foi oferecido pela ME ou EPP. O que a LC 123/2006 foi prever
uma “repescagem”. Assim, se a ME ou EPP apresentar um valor até 10% do valor apresentado
por uma empresa normal, ela terá a chance de cobrir esse valor. Se não conseguir, quem será
contratado é a empresa que ofereceu o menor valor e não a ME ou EPP.

- GABARITO DA QUESTÃO: E.

92 – QUESTÃO:

Com relação aos contratos administrativos, assinale a alternativa que não está de acordo
com a Lei 8.666/93:

a) A Administração Pública poderá rescindir o contrato de forma unilateral por razões de


interesse público, de alta relevância e amplo conhecimento, justificadas e determinadas
pela máxima autoridade da esfera administrativa a que está subordinado o contratante e
exaradas no processo administrativo a que se refere o contrato.
b) A aplicação da sanção temporária de participação em licitação e impedimento de contratar
com a Administração, por prazo não superior a 2 anos, é de competência exclusiva do Ministro
de Estado, Secretário Estadual ou Municipal, conforme o caso.
c) Possuem efeito suspensivo os recursos administrativos contra as decisões de habilitação
ou inabilitação de licitante e de julgamento das propostas.
d) A Administração Pública pode aplicar ao contratado, de forma cumulativa, as sanções de
advertência e multa.
e) A violação das normas que regem o trabalho de menores de 18 (dezoito) anos é motivo
suficiente para rescisão unilateral do contrato por parte da Administração Pública.

- RESPOSTA: Alternativa B.

- PONTO DO EDITAL: X. 8. Licitação e contratos administrativos. Ajustes, parcerias, convênios e


consórcios.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Alternativa CORRETA.

As causas de rescisão unilateral estão previstas no art. 78 da Lei 8.666/93.

Para que ocorra a rescisão unilateral do contrato não é necessária autorização


judicial, mas é necessário que seja assegurado o contraditório e a ampla defesa.

Podemos considerar dois como os principais motivos para a rescisão unilateral: o


primeiro é referente ao (não) cumprimento do contrato pelo particular e o segundo referente
aos interesses da própria Administração previstos no contrato.

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O primeiro inclui o não cumprimento das cláusulas contratuais ou quando elas são
cumpridas de forma irregular (morosidade indevida, atraso imotivado, decretação de falência
etc.).

g É possível a rescisão por culpa do contratado em casos de descumprimento a regra


protetiva do menor trabalhador (art. 78, XVIII, da CR).

Há a previsão de rescisão unilateral também em casos de haver exclusivamente


razões administrativas. Nesse caso, não haverá culpa do contratado, mas pelo contrário,
somente razões administrativas. Segundo o art. 78, inciso XII, poderá o contrato ser rescindo
por razões de interesse público, desde que de alta relevância e amplo conhecimento, devendo
a providência ser justificada e determinada pela máxima autoridade da esfera administrativa
(art. 78, XII, da Lei 8.666/93).

Art. 78.  Constituem motivo para rescisão do contrato: (...).


XII  -  razões de interesse público, de alta relevância e amplo
conhecimento, justificadas e determinadas pela máxima autoridade da
esfera administrativa a que está subordinado o contratante e exaradas
no processo administrativo a que se refere o contrato;

Art. 79.  A rescisão do contrato poderá ser:


I - determinada por ato unilateral e escrito da Administração, nos casos
enumerados nos incisos I a XII e XVII do artigo anterior;

Em relação aos efeitos da rescisão unilateral dos contratos administrativos, caso


essa se dê por inadimplemento do contratado, a Administração nada tem a pagar-lhe.

Entretanto, se a rescisão foi ocasionada pela Administração e não por culpa do


contratado, haverá indenização, provados os prejuízos pelo descumprimento do contrato.

Alternativa B: Alternativa INCORRETA.

A imposição de penalidades diretamente pela Administração está prevista no art. 87


da Lei 8.666/93.

Para imposição de sanção não é necessária autorização judicial, devendo ser


assegurado ao particular contraditório e ampla defesa no âmbito de um processo administrativo
prévio à imposição da penalidade.

As penalidades que a Administração pode impor são:

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g Multa de mora, por atraso na execução do contrato (art. 86 da Lei 8.666/93);

g Advertência;

g Multa, na forma prevista no instrumento convocatório ou no contrato;

g Suspensão temporária de participação em licitação e impedimento de contratar


com a Administração, por prazo não superior a 2 (dois) anos;

Declaração de inidoneidade para licitar ou contratar com a Administração Pública


enquanto perdurarem os motivos determinantes da punição ou até que seja promovida a
reabilitação perante a própria autoridade que aplicou a penalidade, que será concedida sempre
que o contratado ressarcir a Administração pelos prejuízos resultantes e após decorrido o prazo
da sanção aplicada com base no inciso anterior.

A ALTERNATIVA está INCORRETA, pois a sanção que deve ser aplicada pelo Ministro de
Estado, Secretário Estadual ou Municipal é a sanção de declaração de inidoneidade para licitar
ou contratar com a Administração (e não a sanção de suspensão temporária de participação
de licitação).

A suspensão temporária de participação em licitação será aplicada pelo próprio


órgão licitante.

A declaração de inidoneidade para licitar ou contratar com a administração pública


é sanção de competência exclusiva do Ministro de Estado, Secretário Estadual ou Secretário
Municipal (art. 87, §3º, da Lei 8.666/93).

Nesse caso, o interessado poderá apresentar defesa final no prazo de 10 dias. Essa
defesa final é uma segunda defesa, posterior àquela defesa prévia. Essa defesa final aplica-
se só para a sanção de declaração de inidoneidade que é aplicada pelo Ministro de Estado,
Secretário Estadual ou Secretário Municipal, apresentada antes que essas autoridades tomem
a decisão.

Após a aplicação da sanção de declaração de inidoneidade para licitar, o interessado


poderá requerer a reabilitação após 2 anos da sua aplicação (art. 87, §3º, da Lei 8.666/93).

Art. 87. (...).


§  3º  A sanção estabelecida no inciso IV deste artigo é de competência
exclusiva do Ministro de Estado, do Secretário Estadual ou Municipal,
conforme o caso, facultada a defesa do interessado no respectivo
processo, no prazo de 10 (dez)  dias da abertura de vista, podendo a
reabilitação ser requerida após 2 (dois) anos de sua aplicação.  

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g A ausência de abertura de prazo para oferecimento da defesa final sobre a possível
aplicação da pena inidoneidade acarreta nulidade no processo administrativo a partir desse
momento processual (STJ, MS 17.431/DF/2012).

g O interessado só poderá ser reabilitado após 2 anos.

Alternativa C: Alternativa CORRETA.

O art. 109 da Lei 8.666/93 trata dos recursos administrativos (em sentido amplo)
que podem ser apresentados pelos licitantes, pelo particular contratado, ou por outros
interessados, com o fim de contestar atos do procedimento licitatório, sanções aplicadas pela
administração ou outras decisões que afetem direitos ou interesses dos administrados de algum
modo envolvidos nessas questões.

O art. 109 da Lei 8.666/93 apresenta três espécies de petições passíveis de formulação
pelos particulares afetados por medidas ou decisões da administração pública: recurso, pedido
de reconsideração e representação.

No caso do recurso, ele será cabível no prazo de 5 dias úteis, a contar da intimação
do ato nos casos de:

g Habilitação ou inabilitação do licitante (tem efeito suspensivo);

g Julgamento das propostas (tem efeito suspensivo);

g Anulação ou revogação da licitação;

g Indeferimento do pedido de inscrição em registro cadastral, sua alteração ou


cancelamento;

g Rescisão unilateral do contrato;

g Aplicação das penas de advertência, suspensão temporária ou de multa.

g No caso da modalidade convite, o prazo para interposição dos recursos será de 2


dias úteis (art. 109, §6º, da Lei 8.666/93).

O recurso contra habilitação ou inabilitação do licitante e o recurso interposto em face do


julgamento das propostas têm efeito suspensivo (são situações que o procedimento licitatório
não tem como prosseguir sem que o recurso seja julgado). Nas demais hipóteses, a regra geral
é que não tenha efeito suspensivo, mas se presentes razões de interesse público, poderá a
autoridade conceder efeito suspensivo aos demais casos (art. 109, §2º, da Lei 8.666/93).

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Art. 109. (...).
§ 2º Recurso previsto nas alíneas “a” e “b” do inciso I deste artigo terá
efeito suspensivo, podendo a autoridade competente, motivadamente
e presentes razões de interesse público, atribuir ao recurso interposto
eficácia suspensiva aos demais recursos.

g Apresentado o recurso, os demais licitantes poderão impugná-lo também no


prazo de 5 dias úteis (art. 109, §3º, da Lei 8.666/93). Se a modalidade for convite, o prazo para
impugnar será de 2 dias úteis (art. 109, §6º, da Lei 8.666/93).

O recurso será dirigido à autoridade superior por intermédio de quem praticou o


ato recorrido, a qual poderá reconsiderar sua decisão em até 5 dias úteis, ou nesse mesmo
prazo, fazer o recurso subir para a autoridade superior. A autoridade superior também deverá
proferir decisão no prazo de 5 dias úteis, contados do recebimento do recurso, sob pena de
responsabilidade (art. 109, §4º da Lei 8.666/93).

g Trata-se, portanto, de um recurso hierárquico, ou seja, sua decisão compete à


autoridade imediatamente superior àquela que praticou o ato recorrido.

O pedido de reconsideração será cabível em face da decisão que declare a idoneidade


para licitar ou contratar com a administração pública, proferida por Ministro de Estado,
Secretário Estadual ou Municipal. O prazo para a apresentação do pedido de reconsideração é
de 10 dias úteis, contados da intimação da decisão (art. 109, III, da Lei 8.666/93).

Cabe representação no caso de decisões relacionadas com o objeto da licitação ou


do contrato, de que não caiba recurso hierárquico. O prazo para a representação é de 5 dias
úteis, contados da intimação da decisão, sendo que na modalidade convite, o prazo é de 2 dias
úteis.

g Nenhum prazo de recurso, representação ou pedido de reconsideração inicia ou


corre sem que os autos do processo estejam com vista franqueada ao interessado (art. 109, §5º,
da Lei 8.666/93).

g Na contagem de todos os prazos constantes na Lei 8.666/93 exclui-se o dia do


início e inclui-se o dia do vencimento e considera-se os dias consecutivos, salvo quando houver
expressa disposição em contrário. Os prazos só se iniciam e terminam em dia de expediente no
órgão ou na entidade (art. 110 da Lei 8.666/93).

Alternativa D: Alternativa CORRETA.

A multa pode ser cominada com qualquer outra das sanções (art. 87, §2º, da Lei
8.666/93), inclusive com a sanção de advertência.

127
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PROVA OBJ ET IVA

MP-SP
g Para aplicar qualquer das sanções, a administração deve conceder o prazo para
defesa prévia de 5 dias úteis (art. 87, §2º da Lei 8.666/93).

As multas aplicadas pela administração podem ser descontadas da garantia presta-


da pelo contratado. Se a multa aplicada for superior à garantia prestada, além da perda da ga-
rantia, o contratado responderá pela diferença, que será descontada, pela própria administra-
ção, dos pagamentos por ela eventualmente devidos ao contratado ou cobrada judicialmente
(art. 87, §1º, da Lei 8.666/93).

Art. 87. (...).


§ 1º Se a multa aplicada for superior ao valor da garantia prestada, além
da perda desta, responderá o contratado pela sua diferença, que será
descontada dos pagamentos eventualmente devidos pela Administração
ou cobrada judicialmente.

Alternativa E: Alternativa CORRETA.

O art. 78, XVIII, da Lei 8.666/93 expressamente estabelece ser caso de rescisão
unilateral do contrato o descumprimento pelo contratado das normas que regem o trabalho
de menores de 18 anos.

Art. 78.  Constituem motivo para rescisão do contrato: (...)


XVIII – descumprimento do disposto no inciso V do art. 27, sem prejuízo
das sanções penais cabíveis.  

Art.  27.    Para a habilitação nas licitações exigir-se-á dos interessados,


exclusivamente, documentação relativa a: (...)
V – cumprimento do disposto no inciso XXXIII do art. 7o da Constituição
Federal.   

- GABARITO DA QUESTÃO: B.

128
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93 – QUESTÃO:

Com relação às disposições contidas na Lei 8.987/95 (Lei de Serviços Públicos), assinale a
alternativa incorreta:

a) As concessões de serviços públicos devem obrigatoriamente ser precedidas de licitação na


modalidade concorrência.
b) Na extinção da concessão do serviço público pela encampação, a concessionária terá direito
à indenização, a qual poderá ser prévia ou posterior à extinção do contrato, a depender da
culpa ou não da concessionária.
c) Se cabível a interrupção do serviços público em situação de emergência ou após prévio
aviso, quando motivada por razões de ordem técnica ou de segurança das instalações e por
inadimplemento do usuário, considerado o interesse da coletividade.
d) A encampação exige lei autorizativa específica.
e) Os serviços prestados pela concessionária não poderão ser interrompidos ou paralisados,
até a decisão judicial transitar em julgado, que reconheça o inadimplemento contratual do
poder concedente.

- RESPOSTA: Alternativa B.

- PONTO DO EDITAL: X. 9. Serviços públicos. Concessão e permissão de serviço público. Parcerias


público-privadas.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Alternativa CORRETA.

As concessões e permissões de serviço público devem sempre ser precedidas


de licitação. Isso ocorre por expressa determinação do art. 175 da CR. Dessa forma, para as
concessões e permissões não há qualquer possibilidade de dispensa ou inexigibilidade de
licitação.

As concessões devem obrigatoriamente ser precedidas de licitação na modalidade


concorrência (art. 2º, II, da Lei 8.987/95).

Art. 2º. Para os fins do disposto nesta Lei, considera-se: (...)


II - concessão de serviço público: a delegação de sua prestação, feita pelo
poder concedente, mediante licitação, na modalidade de concorrência,
à pessoa jurídica ou consórcio de empresas que demonstre capacidade
para seu desempenho, por sua conta e risco e por prazo determinado;

129
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C U RSO PARA A
PROVA OBJ ET IVA

MP-SP
Por outro lado, nas permissões não há qualquer menção sobre qual modalidade de
licitação a ser adotada, de modo que poderá ser adotada qualquer modalidade, de acordo com
o preço e objeto a ser contratado.

O art. 15 da Lei 8.987/95 estabelece possíveis critérios de julgamento a serem


adotados nas licitações prévias às concessões e permissões de serviço público.

Em regra, a concessão ou permissão não terá caráter de exclusividade. A exceção


a essa regra é no caso de inviabilidade técnica ou inviabilidade econômica, as quais devem
ser justificadas (art. 16 da Lei 8.987/95). Dessa forma, em regra, é possível a concessão ou
permissão de um mesmo serviço público para mais de um concessionário.

Será desclassificada a proposta que, para sua viabilização, necessite de vantagens


ou subsídios que não estejam previamente autorizados em lei e a disposição de todos os
concorrentes (art. 17 da Lei 8.987/95).

g Também será desclassificada a proposta de entidade estatal alheia à esfera político-


administrativa do poder concedente que, para a sua viabilização, necessite de vantagens ou
subsídios do poder público controlador da referida entidade (art. 17, §1º, da Lei 8.987/95).

g Será considerado vantagem ou subsídio, qualquer tipo de tratamento tributário


diferenciado, ainda que em consequência da natureza jurídica do licitante, que comprometa a
isonomia fiscal que deve prevalecer entre os concorrentes (art. 17, §2º, da Lei 8.987/95).

Nas licitações precedidas das concessões e permissões é possível que haja a inversão
de ordem das fases de habilitação e julgamento (art. 18-A da Lei 8.987/95).

g Essa inversão é facultativa, devendo constar no edital (isso a difere da inversão na


modalidade pregão que é sempre obrigatória).

Alternativa B: Alternativa INCORRETA.

A alternativa está INCORRETA, pois a encampação se dará sempre por razões de


interesse público (conveniência e oportunidade). Não há que se indagar sobre a responsabilidade
da concessionária na encampação.

Além do mais, na encampação é sempre prévia.

Há duas formas de rescisão unilateral pela Administração Pública: a encampação e


a caducidade.

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A encampação ocorre nas situações em que há interesse público (conveniência e
oportunidade) a Administração não quer mais o contrato e o rescinde de forma unilateral (art.
37 da Lei 8.987/95). A encampação possuirá efeitos ex nunc.

Os requisitos para que haja a encampação são:

g Interesse público;

g Lei autorizativa;

g Pagamento prévio da indenização.

Na encampação caberá a indenização prévia para o concessionário e dependerá de


lei autorizativa específica.

Por sua vez, a caducidade ocorre quando há inexecução total ou parcial do contratos
pelo concessionário (art. 38 da Lei 8.987/95).

Art. 38. A inexecução total ou parcial do contrato acarretará, a critério


do poder concedente, a declaração de caducidade da concessão ou
a aplicação das sanções contratuais, respeitadas as disposições deste
artigo, do art. 27, e as normas convencionadas entre as partes.

Na caducidade é necessário conceder contraditório e ampla defesa para o


concessionário.

Há necessidade de comunicação à concessionária, antes da instauração do processo


administrativo, de descumprimentos contratuais que lhe são imputados, com fixação de prazo
para que ela corrija as falhas e transgressões apontadas (art. 38, §3º, da Lei 8.987/95).

As hipóteses de caducidade foram previstas no art. 38, §1º, da Lei 8.987/95.

A caducidade é um ato discricionário, assim, o simples fato de ter ocorrido uma


hipótese de caducidade, não quer dizer que ela necessariamente ocorrerá (ficando a critério do
poder concedente, que alternativamente, poderá aplicar ao delegatário inadimplente outras
sanções previstas no contrato).

Há um único caso em que será ato vinculado que é quando houver a transferência
de concessão ou do controle societário da concessionária sem prévia anuência do poder
concedente (art. 27 da Lei 8.987/95).

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Art. 27. A transferência de concessão ou do controle societário da
concessionária sem prévia anuência do poder concedente implicará a
caducidade da concessão.

Seja qual for a causa da decretação da caducidade, a concessionária tem direito a


indenização. O cálculo segue sempre a mesma regra: corresponde às parcelas não amortizadas
ou não depreciadas dos investimentos realizados nos bens reversíveis que tenham sido
realizados com o objetivo de garantir a continuidade e atualidade do serviço concedido (art. 36
da Lei 8.987/95).

A diferença é que nesse caso a indenização não é prévia (a lei diz que a indenização
será calculada durante o decurso do processo). Ademais, descontam-se do montante da
indenização o valor das multas contratuais e o valor dos danos causados pela concessionária
(art. 38, §5º, da Lei 8.987/95).

g É claro que se o valor das multas e dos danos ultrapassarem o valor da indeni-
zação, a concessionária nada receberá, e pelo contrário, poderá a Administração cobrar dela
indenização.

A caducidade é feita através de processo administrativo, em que se ficar


comprovada a inadimplência, a caducidade será declarada por decreto do poder concedente,
independentemente de indenização prévia, calculada no decurso do processo.

g Na caducidade também tem indenização! A única diferença é que ela não será
prévia, mas sim apurada no decorrer do processo.

Extinta a concessão pela caducidade, não resultará para o poder concedente qualquer
espécie de responsabilidade em relação aos ônus, obrigações ou compromissos com terceiros
ou com empregados da concessionária (art. 38, §6º da Lei 8.987/95).

Alternativa C: Alternativa CORRETA.

Os serviços públicos devem ser prestados sem interrupções, não podendo ser
paralisado.

Entretanto, a paralisação do serviço público será permitida em três situações (art. 6º,
§3º, da Lei 8.987/95):

g Interrupção em situação de emergência (mesmo sem prévio aviso);

g Após prévio aviso, por motivo de ordem técnica ou de segurança das instalações;

132
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C U RSO PARA A
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MP-SP
g Após prévio aviso, por inadimplemento do usuário, considerando o interesse da
coletividade.

Art. 6º. (...).


§ 3º Não se caracteriza como descontinuidade do serviço a sua
interrupção em situação de emergência ou após prévio aviso, quando:
I - motivada por razões de ordem técnica ou de segurança das instalações;
e,
II - por inadimplemento do usuário, considerado o interesse da
coletividade.

g Segundo o STJ, o aviso por meio das emissoras de rádio de que o serviço será
interrompido satisfaz a exigência do art. 6º, §3º, da Lei 8.987/95 de que os usuários sejam
previamente avisados (STJ, REsp 1.270.339/SC/2017, Inf. 598 do STJ).

g O STJ entende não ser possível a paralisação do serviço públicos essenciais de


acordo com a natureza do órgão, pois poderia prejudicar os outros serviços públicos. O STJ
até reconhece a possibilidade de se interromper o fornecimento de energia pra uma pessoa
jurídica de direito público, contudo, não é possível a interrupção de serviços essenciais, como
hospitais, escolas e mercados municipais, pois existem outros meios jurídicos legais pra buscar
a tutelar jurisdicional, como a ação de cobrança (STJ, REsp 1.142.903/AL/2010).

g Ex.: ainda que um hospital não pague conta de luz, não é possível cortar o
fornecimento de luz e água.

Alternativa D: Alternativa CORRETA.

Uma das formas de extinção do contrato de concessão é através da encampação.

A encampação ocorre nas situações em que há interesse público (conveniência e


oportunidade) a Administração não quer mais o contrato e o rescinde de forma unilateral (art.
37 da Lei 8.987/95). A encampação possuirá efeitos ex nunc.

Os requisitos para que haja a encampação são:

g Interesse público;
g Lei autorizativa;
g Pagamento prévio da indenização.

Na encampação caberá a indenização prévia para o concessionário e dependerá de


lei autorizativa específica.

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C U RSO PARA A
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g A indenização, como em todas as modalidades, segue a regra do art. 36 da Lei
8.987/95.

Art. 37. Considera-se encampação a retomada do serviço pelo poder


concedente durante o prazo da concessão, por motivo de interesse
público, mediante lei autorizativa específica e após prévio pagamento
da indenização, na forma do artigo anterior.

Alternativa E: Alternativa CORRETA.

Uma das formas de extinção do contrato de concessão é através da rescisão judicial.

A rescisão judicial decorre do descumprimento de normas contratuais pelo poder


concedente e é sempre judicial (art. 39 da Lei 8.987/95). Nesse caso, os efeitos serão ex nunc.

g A expressão “rescisão” é utilizada pela Lei 8.987/95 apenas para se referir a extinção
por iniciativa da concessionária.

Os serviços prestados pela concessionária não poderão ser interrompidos ou


paralisados, até a decisão judicial transitar em julgado, que reconheça o inadimplemento
contratual do poder concedente (art. 39, parágrafo único, da Lei 8.987/95).

g Nos contratos de concessão e permissão de serviços públicos é absoluta a


inoponibilidade de exceção do contrato não cumprido (exceptio non adimpleti contractus) pela
concessionária, diferentemente do que acontece nos contratos administrativos em geral, em
que o contratado só é obrigado a suportar 90 dias de inadimplência da administração pública
(art. 78, XV da Lei 8.666/93).

g Contratos administrativos em geral à 90 dias de inadimplência;

g Contratos de concessão e permissão à trânsito em julgado da decisão.

Art. 39. O contrato de concessão poderá ser rescindido por iniciativa da


concessionária, no caso de descumprimento das normas contratuais
pelo poder concedente, mediante ação judicial especialmente intentada
para esse fim.
Parágrafo único. Na hipótese prevista no caput deste artigo, os serviços
prestados pela concessionária não poderão ser interrompidos ou
paralisados, até a decisão judicial transitada em julgado.

- GABARITO DA QUESTÃO: B.

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MP-SP
94 – QUESTÃO:

A respeito dos atos administrativo, assinale a alternativa correta:

a) A permissão e a autorização são atos discricionários e precários.


b) Não há no direito brasileiro a possibilidade de edição de decretos autônomos.
c) A licença é um ato discricionário.
d) Quando obrigatório, o parecer tem natureza vinculante.
e) Os atos compostos são aqueles que resultam da manifestação de vontade de dois ou mais
órgãos distintos que se fundem para formar um único ato.

- RESPOSTA: Alternativa A.

- PONTO DO EDITAL: X. 6. Ato administrativo.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Alternativa CORRETA.

De fato, tanto a permissão quanto a autorização são atos administrativos


discricionários e precários.

Os atos negociais são os atos que exprimem a manifestação da vontade bilateral e


concordante, entre a Administração e o particular.

São aqueles atos por meio dos quais a administração concede direitos pleiteados
por particulares.

A Administração e o particular sugerem a realização de um negócio jurídico, de modo


que a pretensão do particular coincide com a manifestação de vontade da Administração. São
atos editados a partir da manifestação de vontade do particular, no qual a Administração irá
concordar.

Os atos negociais podem ser tanto vinculados como discricionários. Quando


forem vinculados, uma vez atendidas pelo particular todas as exigências legais, não poderá
a administração indeferir o pedido. Por sua vez, se o ato negocial for discricionário, poderá a
Administração, a partir de um critério de conveniência e oportunidade, deferir ou não o pedido.

g Os atos negociais não gozam de imperatividade ou coercibilidade, pois não


estabelecem obrigações ou aplicam penalidades, mas sim garantem a concessão de um
benefício.

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São atos negociais:

g Autorização Ò é ato discricionário e precário por meio do qual a Administração


autoriza o uso do bem público por um particular no interesse eminentemente do beneficiário ou
quando concede ao particular o exercício de determinadas atividades materiais que dependem
de fiscalização (exercício do poder de polícia).

g Ex.1: autorização para porte de arma.

g Ex.2: autorização para funcionamento de uma escola privada.

Por se tratar de ato precário, o ato pode ser desfeito a qualquer momento pela
Administração, sem que o particular tenha direito à indenização.

g Permissão Ò é ato discricionário e precário, que concede ao particular o direito a


utilização de bem público especial ou prestação de serviço.

A permissão é sempre concedida no interesse público (isso que difere a autorização


da permissão, já que na autorização o interesse é eminentemente privado).

g Licença Ò é ato de polícia, por meio do qual o Poder Público permite a realização
de determinada atividade sujeita à fiscalização do Estado. Trata-se de ato vinculado e é conce-
dida desde que cumpridos os requisitos objetivamente previstos em lei.

Alternativa B: Alternativa INCORRETA.

Com a edição da EC 32/2001 passou-se a se admitir no ordenamento brasileiro a


edição de decretos autônomos em duas situações (art. 84, VI, da CR):

g Tratar da organização administrativa, desde que não haja aumento de despesa


e nem a criação ou extinção de órgãos públicos;

g Determinar a extinção de cargos públicos, quando vagos.

Os regulamentos são atos normativos privativos do Chefe do Poder Executivo por


meio da expedição de um decreto. Em outras palavras, pode-se dizer que o Decreto é a forma
do regulamento.

Os regulamentos podem ser regulamentos executivos (são aqueles editados para


dar fiel execução às leis) e podem ser regulamentos autônomos (atuam substituindo a lei e tem
o condão de inovar no ordenamento jurídico).

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Assim, a doutrina majoritária vem se posicionando no sentido que admite-se no
direito brasileiro os regulamentos autônomos nos casos previstos no art. 84, IV, da CR.

Alternativa C: Alternativa INCORRETA.

A alternativa está INCORRETA, pois a licença é um ato vinculado (e não discricionário).

A licença é um ato de polícia por meio do qual o Poder Público permite a realização de
determinada atividade sujeita à fiscalização do Estado. Trata-se de ato vinculado e é concedida
desde que cumpridos os requisitos objetivamente previstos em lei.

g Ex.1: licença para construir uma casa;

g Ex.2: licença para exercício de atividade profissional.

g Caso específico da licença de construção Ò em relação à licença de construção


existe uma discussão acerca da possibilidade de revogação da licença. Isso porque, parte da
doutrina argumenta que não seria possível a sua revogação, por se tratar de atos vinculados
(em regra, os atos vinculados não podem ser revogados, pois essa pressupõe a análise de
conveniência e oportunidade, o que não estão presentes nos atos vinculados).

Contudo, a doutrina e jurisprudência se firmaram no sentido de ser possível a sua


revogação desde que justificadas por razões e interesse público superveniente, situação em
que o ente estatal deverá indenizar o particular (STJ, REsp 1.011.581/RS/2008).

Alternativa D: Alternativa INCORRETA.

O parecer é uma das espécies de atos enunciativos.

Os atos enunciativos são os atos que apenas atestam, certificam ou declaram uma
situação de interesse do particular ou da própria Administração. São eles:

g Atestado;
g Certidão;
g Apostila ou averbação;
g Parecer;

O parecer é o ato administrativo por meio do qual se emite opinião de órgão consultivo
do Poder Público, sobre assunto de sua competência, sejam assuntos técnicos ou jurídicos,
concluindo pela atuação de determinada forma pelo órgão consulente.

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O parecer pode ser facultativo ou obrigatório, a depender da exigência legal da sua
presença ou não.

g Nas situações em que a lei exigir o parecer, a sua ausência ensejará a nulidade do
ato, por vício de forma.

Mesmo quando obrigatório, o parecer não tem natureza vinculante, sendo somente
ato que manifesta opinião técnica ou jurídica sobre determinado assunto. Assim, o parecer não
obriga a autoridade que a ele se dirige.

Nesse sentido, discute-se acerca da responsabilidade do parecerista quando,


seguindo a sua orientação, a Administração causa danos a terceiros:

g 1ª Corrente Ò entende que o agente que emitiu o parecer se torna responsável


solidário do agente que praticou o ato em observância ao parecer.

g 2ª Corrente Ò a doutrina majoritária entende não haver essa responsabilidade,


pois o ato praticado pelo agente não se confunde com o parecer e não decorre obrigatoriamente
dele, em razão do caráter não vinculante do ato opinativo.

Sendo assim, a doutrina majoritária aponta que somente haverá responsabilidade


do parecerista quando ele tiver atuado de forma dolosa ou com erro grosseiro ao emanar o ato
de opinião.

Alternativa E: Alternativa INCORRETA.

Pessoal, já conversamos sobre isso na II Rodada, mas quero insistir nesse assunto,
pois atos compostos e atos complexos são muito cobrados pelos examinadores de uma forma
geral.

A alternativa está INCORRETA em razão da expressão “órgãos distintos”. Nos atos


compostos, diferentemente dos atos complexos, a manifestação de vontade se dá dentro do
mesmo órgão.

Quanto à composição de vontade, os atos administrativos se classificam em: simples,


compostos e complexos.

g Simples à quando provém de uma única manifestação de vontade.

g Compostos à o ato resulta da manifestação de um órgão, mas cuja edição ou


produção de efeitos depende de outro ato (aqui são dois atos). Ocorre sempre que a eficácia
do ato só é obtida pela ratificação ordenada de outro agente, que não aquele que exteriorizou

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inicialmente a vontade do Poder Público. Existe, portanto, nesse caso, um ato principal e um ato
secundário, que apenas concorda ou discorda. Nesse caso, as duas manifestações de vontade
estão dentro do mesmo órgão;

g Ex.: ratificação e vistos.

g Complexos à são os atos que resultam da manifestação de vontade de dois ou mais


órgãos, cuja vontade se funde para formar um único ato. Nesse caso, as duas manifestações
estão em patamar de igualdade, já que ambas são importantes e possuem a mesma força.
Nesse caso, as duas manifestações de vontade estão em órgãos distintos.

g Ex.1: nomeação do PGJ pelo governador;

g Ex.2: aposentadoria de servidor do TRF deve ser feita por ato do TRF que enviada
para o TCU que pode concordar ou anular;

g A revogação de um ato complexo somente pode ser feita com a manifestação de


vontade dos dois órgãos.

g Ex.: a aplicação dos recursos do FUNDEB é feita através de portaria conjunta do


Ministério da Educação e do Ministério da Fazenda (ato complexo). Para que essa portaria seja
revogada é necessária a manifestação de ambos os Ministérios e não de apenas um deles (STJ,
MS 14.731/DF/2016, Inf. 597 do STJ).

Para diferenciar esses atos temos que:

g Atos simples → 1 vontade dentro de 1 órgão;

g Atos compostos → mais de 1 vontade dentro do mesmo órgão (são dois atos);

g Atos complexos → mais de 1 vontade em órgãos distintos (é apenas um ato).

g Dica Ò “ato compleXo” depende da manifestação de um órgão “eXterno”.

- GABARITO DA QUESTÃO: A.

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95 – QUESTÃO:

A respeito da descentralização e desconcentração administrativa, assinale a alternativa


correta:

a) Na descentralização o órgão superior exerce controle hierárquico sobre o órgão inferior.


b) Na descentralização por outorga há transferência não só da execução do serviço público,
mas também da sua titularidade.
c) Na desconcentração nunca haverá a criação de novos órgãos públicos.
d) Na descentralização há distribuição interna de competências, sem a criação de nova
pessoa jurídica.
e) As autarquias do estado de São Paulo, entidades integrantes da Administração Indireta,
estão subordinadas às respectivas Secretarias de Governo, órgãos integrantes da
Administração Direta.

- RESPOSTA: Alternativa B.

- PONTO DO EDITAL: X. 1. Administração Pública. Descentralização e desconcentração


administrativa.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Alternativa INCORRETA.

A alternativa está INCORRETA, pois na descentralização há controle finalístico e não


controle hierárquico.

A Administração Pública exerce dois tipos de controle: controle hierárquico e


controle finalístico.

• Controle Hierárquico à aquele que é exercido quando há hierarquia. Ele decorre do


escalonamento vertical de órgãos da administração direta ou indireta.

O controle hierárquico é que ocorre entre a Administração e os seus órgãos


(desconcentração administrativa).

g Ex.1: os Ministérios exercem um controle hierárquico sobre suas secretarias.

g Ex.2: um autarquia controla os atos de suas superintendências.

O controle hierárquico será sempre um controle interno.

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O controle hierárquico é pleno (irrestrito), permanente e automático (não depende
de norma específica que o estabeleça e autorize).

• Controle Finalístico à ocorre quando não há hierarquia, mas somente se está


cumprindo as suas finalidades. É aquele exercido pela administração direta, sobre as pessoas
jurídicas da administração indireta (descentralização administrativa).

g Ex.: supervisão ministerial nas autarquias.

Diferentemente do controle hierárquico, o controle finalístico depende de norma


legal que o estabeleça, determine os meios de controle, os aspectos a serem controlados e as
ocasiões da realização do controle.

Alternativa B: Alternativa CORRETA.

A alternativa está CORRETA, pois na descentralização administrativa há transferência


tanto da titularidade, quanto da execução dos serviços.

Vejamos.

A descentralização administrativa pode se dar por outorga, por delegação ou


criando outra pessoa de forma territorial.

a) Descentralização por outorga à a descentralização por outorga (também


conhecida como delegação técnica, funcional, por serviços ou delegação legal) é quando a
União, Estado ou Município cria uma entidade para passar o serviço.

A descentralização por outorga, pressupõe a edição de uma lei, que cria a entidade
ou que lhe autoriza a criação. É o que ocorre na criação das entidades da administração indireta
(autarquias, fundações, empresas públicas e sociedades de economia mista).
Na descentralização por outorga ocorre a transferência da titularidade do serviço e
da execução do serviço que foi descentralizado.

g Ex.: a União criou a autarquia IBAMA para fiscalizar o meio ambiente.

b) Descentralização por delegação à a descentralização por delegação (também


conhecida como descentralização por colaboração ou delegação negocial) é aquela que
o Estado transfere, por contrato (concessão ou permissão de serviços públicos) ou por ato
unilateral (autorização de serviços públicos), unicamente a execução do serviço (não há
transferência da titularidade do serviço). Ocorre quando uma entidade da administração
pública contrata um particular para prestar o serviço público (delegatário de serviço público).

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g Descentralização por outorga Ò se dá mediante lei e transfere a execução e a
titularidade do serviço;

g Descentralização por delegação Ò se dá mediante contrato ou ato unilateral e


transfere apenas a execução do serviço.

A descentralização por delegação pode ocorrer por lei (quando for transferir para
os entes da Administração Indireta, seja de direito público ou privado) ou por meio de contrato
administrativo. Nessa última modalidade, para que ocorra essa contratação a CR exige um
procedimento licitatório (art. 175 da CR).

Alternativa C: Alternativa INCORRETA.

A alternativa está INCORRETA, pois na desconcentração há exatamente a criação de


órgãos, dentro da mesma pessoa jurídica, para repartição de competências.

Remeto o leitor aos comentários da próxima alternativa para evitar repetições


desnecessárias.

Alternativa D: Alternativa INCORRETA.

O conceito trazido na alternativa refere-se à desconcentração (e não a


descentralização).

A desconcentração é uma repartição interna de competências.

Na desconcentração ocorre uma repartição interna, na qual ocorre a criação de


órgãos.

Os órgãos públicos foram uma forma encontrada para se especializar em cada


atividade (núcleo especializado de competência) para que desse mais eficiência à atividade
administrativa.

g Ex.: a União que cria os Ministérios.

A desconcentração ocorre no âmbito da mesma pessoa jurídica. Assim, há uma


relação de hierarquia, de subordinação, entre os órgãos dela resultantes.

São nesses casos que ocorre a chamada teoria do órgão.

O órgão público é um centro de competências de uma entidade encarregado


de cumprir algumas atribuições públicas, cuja atuação é imputada à pessoa jurídica a que
pertencem.

142
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MP-SP
Por outro lado, na descentralização há a criação de nova pessoa jurídica, com a
distribuição externa de competências.

Alternativa E: Alternativa INCORRETA.

A alternativa está INCORRETA em razão da expressão “subordinadas”.

Em nenhuma forma de descentralização há hierarquia. Na relação entre a


administração direta e a administração indireta diz-se que há vinculação (e não subordinação),
sendo que a primeira exerce sobre a segunda um controle finalístico.

As autarquias são pessoas jurídicas de direito público criadas por lei específica para
exercer funções próprias do Estado que requeiram uma especialização.

Como possuem personalidade jurídica própria, nesse caso fala-se em descentraliza-


ção (e não em desconcentração).

As autarquias estão submetidas a um controle finalístico (e não hierárquico), exercido


pelo ente estatal que a instituiu, que irá exercer a tutela das autarquias, verificando se elas estão
atendendo à sua finalidade (por isso controle finalístico).

O controle finalístico pressupõe expressa previsão legal, que determinará os limites


e instrumentos de controle.

g Controle Finalístico ≠ Controle Hierárquico à o controle hierárquico pressupõe a


existência de apenas uma pessoa jurídica que irá controlar os seus órgãos e não exige expressa
previsão legal, o controle é presumido.

- GABARITO DA QUESTÃO: B.

96 – QUESTÃO:

Assinale a alternativa correta:

a) Uma vez aplicada a sanção disciplinar, o Poder Judiciário poderá substituir a pena aplicada
pela Administração quando demonstrado o desvio de finalidade ou o abuso de poder.
b) É possível que o servidor estável perca o cargo através de procedimento de avaliação
periódica de desempenho, na forma do regulamento, assegurada a ampla defesa.
c) A extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos, poderá ser feita mediante decreto
do Presidente da República, dispensando-se a edição de lei.
d) Não haverá responsabilidade disciplinar do servidor em caso de absolvição criminal por
ausência de provas.

143
:

C U RSO PARA A
PROVA OBJ ET IVA

MP-SP
e) A readaptação é o retorno do servidor inativo à atividade quando for constatada por perí-
cia médica a insubsistência dos motivos da aposentadoria.

- RESPOSTA: Alternativa C.

- PONTO DO EDITAL: 5. Agentes públicos.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Alternativa INCORRETA.

A alternativa está INCORRETA, pois não cabe ao Poder Judiciário substituir a sanção
disciplinar por outra. O máximo que Poder Judiciário poderá fazer é anular a decisão, quando
eivada de algum tipo de ilegalidade.

Nesse caso, caberá à Administração proferir uma nova decisão, suprindo a ilegalidade
anterior.

O controle judicial verifica exclusivamente a legalidade ou legitimidade dos atos


administrativos, nunca o mérito. A avaliação de conveniência e oportunidade deve sempre ser
exercida pelo Administrador (Poder Executivo) e nunca pelo juiz (Poder Judiciário), sob pena de
ferir o princípio da separação de poderes.

O controle judicial sempre decreta a anulação do ato administrativo e nunca a


revogação, pois essa decorreria do controle de mérito.

Alternativa B: Alternativa INCORRETA.

A alternativa está INCORRETA em razão da expressa “na forma do regulamento”, pois,


na realidade, exige-se lei complementar (art. 41, 1º, III, da CR).

Segundo o art. 41 da CR, o tempo de estágio probatório é de 3 anos e somente após


esse período o agente público terá adquirida a estabilidade.

A estabilidade tem como finalidade principal assegurar aos ocupantes de cargos


públicos de provimento efetivo uma expectativa de permanência no serviço público, desde que
adequadamente cumpridas suas atribuições.

A estabilidade só existe para os cargos de provimento efetivo e sujeitos ao regime


jurídico estatutário, não se aplicando aos celetistas ou aos ocupantes de cargos em comissão.

A estabilidade somente poderá ser perdida nas hipóteses do art. 41 da CR:

144
:

C U RSO PARA A
PROVA OBJ ET IVA

MP-SP
Sentença judicial transitada em julgado;

Processo administrativo em que seja assegurada a ampla defesa e contraditório;


Procedimento de avaliação periódica de desempenho, na forma da lei



complementar, assegurada a ampla defesa;

Alternativa C: Alternativa CORRETA.

O regulamento autônomo também conhecido como decreto autônomo, é aquele


regulamento independente da lei. Ele inova na ordem jurídica, exercendo o papel da lei. O seu
fundamento de validade está na Constituição e assim não depende de lei anterior (art. 84, VI,
da CR).

Esses decretos autônomos podem ser editados em duas situações:

g Organização e funcionamento da administração federal, quando não implicar


aumento de despesa e nem criação ou extinção de órgãos públicos;

g Extinção de funções ou cargos públicos quando vagos.

Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:


(...)
VI - dispor, mediante decreto, sobre:
a) organização e funcionamento da administração federal, quando
não implicar aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos
públicos;
b) extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos;
(...)

g Os decretos autônomos devem ser vistos como uma exceção que só podem
ocorrer nos casos expressamente previstos na Constituição.

Essas duas hipóteses de edição de decretos autônomos pelo Presidente da República


são delegáveis aos Ministros de Estado (art. 84, parágrafo único, da CR).

Assim, a alternativa está INCORRETA, pois a extinção de funções ou cargos públicos,


quando vagos, pode ser feita mediante decreto pelo Presidente da República, não sendo
necessária a edição de lei.

Alternativa D: Alternativa INCORRETA.

145
:

C U RSO PARA A
PROVA OBJ ET IVA

MP-SP
A responsabilidade pode ser civil, penal e administrativa. A regra que norteia essas
responsabilidades é o princípio da independência relativa das instâncias.

Uma mesma conduta pode ensejar a responsabilidade penal, civil e administrativa,


podendo assim surgir três processos diferentes. Entretanto, a regra é que haja independências
das instâncias, podendo haver decisões diferentes em cada um desses processos.

Entretanto, a esfera penal vinculará a esfera civil e administrativa quando:

Absolvição por inexistência do fato;


Absolvição por estar provado que o réu não concorreu para a infração (negativa

de autoria);

g Essas causas em que o processo penal vincula as demais esferas são conhecidas
como absolvição geral.

Se no processo penal houver absolvição por outro fundamento que não esses, não
vinculará os demais ramos do direito (ex: insuficiência de provas).

O art. 126 da lei 8.112/90 afirma que a responsabilidade administrativa somente se


vincula a decisão penal em casos absolvição por inexistência do fato ou negativa de autoria:

Art.  126.    A responsabilidade administrativa do servidor será afastada


no caso de absolvição criminal que negue a existência do fato ou sua
autoria.

Alternativa E: Alternativa INCORRETA.

A alternativa está INCORRETA, pois ela trouxe o conceito de reintegração e não de


readaptação.

A readaptação corresponde a investidura do agente em cargo compatível com a


limitação que tenha sofrido em sua capacidade física ou mental, devendo tal limitação ser
fixada em inspeção médica.

O art. 24 da Lei 8.112/90 traz o conceito:

Art. 24.  Readaptação é a investidura do servidor em cargo de atribuições


e responsabilidades compatíveis com a limitação que tenha sofrido em
sua capacidade física ou mental verificada em inspeção médica.

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MP-SP
Por outro lado, a reintegração é o retorno ao Serviço Ativo do Servidor que fora
demitido, quando a demissão for anulada administrativamente ou judicialmente, voltando
para o mesmo cargo que ocupava anteriormente.

A reintegração está prevista no art. 28 da Lei 8.112/90:

Art.  28.    A reintegração é a reinvestidura do servidor estável no cargo


anteriormente ocupado, ou no cargo resultante de sua transformação,
quando invalidada a sua demissão por decisão administrativa ou
judicial, com ressarcimento de todas as vantagens.

- GABARITO DA QUESTÃO: C.

97 – QUESTÃO:

A respeito do controle que o Tribunal de Contas exerce sobre a Administração Pública,


assinale a alternativa incorreta:

a) Não cabe ao Tribunal de Contas sustar imediatamente os contratos celebrados pelo Poder
Público, devendo comunicar ao Congresso Nacional, que solicitará, de imediato, ao Poder
Executivo as medidas cabíveis.
b) No âmbito Municipal é vedada a criação de Tribunais, Conselhos ou órgãos de contas.
c) Nos processos perante o Tribunal de Contas da União asseguram-se o contraditório e a
ampla defesa quando da decisão puder resultar anulação ou revogação do ato administrativo
que beneficie o interessado, excetuada a apreciação da legalidade do ato de concessão inicial
de aposentadoria, reforma e pensão.
d) Compete ao Tribunal de Contas da União apreciar as contas prestadas anualmente pelo
Presidente da República, mediante parecer prévio que deverá ser elaborado em sessenta
dias a contar do seu recebimento.
e) O Ministério Público atuante perante o Tribunal de Contas possui legitimidade para
executar as decisões da corte.

- RESPOSTA: Alternativa E.

- PONTO DO EDITAL: X. 13. Controle da Administração Pública.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Alternativa CORRETA.

De fato, não cabe ao Tribunal de Contas sustar, imediatamente, os contratos


celebrados pelo Poder Público.

147
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C U RSO PARA A
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MP-SP
Em se tratando de atos administrativos, quando o TCU verificar qualquer ilegalidade,
deverá ele assinalar prazo para que o órgão ou entidade adote providências para exato
cumprimento da lei (art. 71, IX, da CR). Findo o prazo, caso o órgão ou entidade não tenha
adotado qualquer medida, deverá ele sustar a execução do ato impugnado, comunicando a
decisão à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal (art. 71, X, da CR).

Por outro lado, quando se tratar de contratos administrativos, o ato de sustação será
adotado diretamente pelo Congresso Nacional, que solicitará, de imediato, ao Poder Executivo
para as medidas cabíveis (art. 71, §1º, do CR). Entretanto, se o Congresso Nacional ou o Poder
Executivo, no prazo de 90 dias, não tomarem qualquer providência, o Tribunal de Contas
decidirá a respeito (art. 71, §2º, da CR).

Assim, com relação sustação de atos administrativos e contratos administrativos


temos que:

g Atos administrativos → TCU;

g Contratos administrativos → Congresso Nacional (se passados 90 dias se qual-


quer providência, o Tribunal de Contas decidirá a respeito).

Alternativa B: Alternativa CORRETA.

O art. 31, §4º, da CR veda expressamente a criação de Tribunais de Contas Municipais.

Trata-se da redação do art. 31, §4º, da CR:

Art. 31. (...).


§ 4º É vedada a criação de Tribunais, Conselhos ou órgãos de Contas
Municipais.

Entretanto, já havia Tribunais de Contas Municipais antes da promulgação da


Constituição e esses devem continuar existindo. Quando houver, eles auxiliarão as Câmeras
Municipais no controle externo do Poder Executivo.

g Na hipótese do Tribunal de Contas Estadual auxiliar as Câmaras dos Vereadores,


o STF tem permitido que se criem “Tribunais de Contas dos Municípios”, que serão um órgão
estadual, vinculado ao Tribunal de Contas dos Estado, que atua na fiscalização de todos os
Municípios de determinado estado (STF, ADI 687/PA/1995). Esse órgão estadual é chamado de
“Tribunal de Contas dos Municípios” (e não de “Tribunal de Contas do Município”, o qual é
vedado pela Constituição).

148
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C U RSO PARA A
PROVA OBJ ET IVA

MP-SP
Ex.: três Estados criaram o “Tribunal de Contas dos Municípios”: TCM/BA, TCM/GO e
TCM/PA.

g Os Tribunais de Contas do Município (que é vedado pela CR) foram criados pelos
municípios de São Paulo e Rio de Janeiro.

g A Constituição Federal não proíbe a extinção de Tribunais de Contas dos


Municípios (STF, ADI 5763/CE/2017, Inf. 883 do STF).

O controle externo do Poder Executivo Municipal é realizado pela Câmara dos


Vereadores auxiliada pelo Tribunal de Contas Estadual ou pelo Tribunal de Contas Municipal
(onde houver) (art. 31, §1º, da CR).

Art. 31. A fiscalização do Município será exercida pelo Poder Legislativo


Municipal, mediante controle externo, e pelos sistemas de controle
interno do Poder Executivo Municipal, na forma da lei.
§ 1º O controle externo da Câmara Municipal será exercido com o auxílio
dos Tribunais de Contas dos Estados ou do Município ou dos Conselhos
ou Tribunais de Contas dos Municípios, onde houver.

Alternativa C: Alternativa CORRETA.

Quanto ao processo administrativo nos Tribunais de Contas, cumpre anotar a


Súmula Vinculante 03 do STF.

Súmula Vinculante 03: Nos processos perante o Tribunal de Contas


da União asseguram-se o contraditório e a ampla defesa quando da
decisão puder resultar anulação ou revogação do ato administrativo
que beneficie o interessado, excetuada a apreciação da legalidade do
ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma e pensão.

Alternativa D: Alternativa CORRETA.

O julgamento das contas dos Chefes do Executivo não é feito pelo Tribunal de
Contas, mas sim pelo respectivo Poder Legislativo. O Tribunal de Contas apenas aprecia as
contas, mediante parecer prévio conclusivo, que deverá ser elaborado em até 60 dias a contar
do seu recebimento (art. 71, I, da CR).

g O art. 49, IX, da CR traz competência exclusiva do Congresso Nacional para julgar
anualmente as contas prestadas pelo Presidente.

149
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C U RSO PARA A
PROVA OBJ ET IVA

MP-SP
Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional:
IX - julgar anualmente as contas prestadas pelo Presidente da República
e apreciar os relatórios sobre a execução dos planos de governo;

Dessa forma, o Tribunal de Contas apenas presta um apoio técnico fornecendo


parecer prévio, mas sempre quem irá julgar é o respectivo Poder Legislativo.

Por outro lado, o art. 71, II, da CR dá total autonomia para o TCU julgar (e não apreciar)
as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiro, bens e valores públicos da
administração direta e indireta.

Assim, temos que:

g Contas do Presidente da República à o TCU apenas aprecia, quem julga é o


Congresso Nacional;

g Contas dos administradores em geral à o TCU é quem julga.

Alternativa E: Alternativa INCORRETA.

As decisões do Tribunal de Contas que resultem imputação de débito ou multa, te-


rão eficácia de título executivo (art. 71, §3º, da CR), devendo a ação ser proposta pelo ente
público beneficiário da condenação e não pelo próprio Tribunal de Contas.

g Os Tribunais de Contas podem criar suas procuradorias jurídicas próprias (assim


como pode o Poder Legislativo), para que atuem nos atos que essas entidades precisem prati-
car em juízo ou para dar consultoria e assessoramento técnico. Contudo, essas procuradorias
jurídicas próprias do TCU ou do Poder Legislativo não podem cobrar as multas aplicadas pelo
Tribunal de Contas (STF, ADI 4070/RO/2016).

Assim, é inconstitucional lei estadual que preveja que compete à Procuradoria


do Tribunal de Contas cobrar judicialmente as multas aplicadas pelo Tribunal de Contas. A
competência para a cobrança é do titular do crédito constituído com a decisão do Tribunal de
Contas, isto é, do ente público prejudicado.

g O Ministério Público não possui legitimidade para ajuizar a ação de execução des-
se título executivo extrajudicial decorrente de condenação proferida pelo Tribunal de Contas. A
competência para ajuizar a ação de execução é do ente público prejudicado (STF, repercussão
geral, ARE 823.347/2014 e STJ, REsp 1.464.226/MA/2014, Inf. 552 do STJ).

- GABARITO DA QUESTÃO: E.

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C U RSO PARA A
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98 – QUESTÃO:

A respeito do tema desapropriação, assinale a alternativa incorreta:

a) Quando a Administração não confere destinação de interesse público ao bem expropriado,


o antigo proprietário poderá recebê-lo de volta em razão do direito à retrocessão.
b) A União possui competência privativa para legislar em matéria de desapropriação.
c) A desapropriação é forma originária de aquisição da propriedade, pois não provém de
nenhum título anterior.
d) Na desapropriação direta, os juros compensatórios são devidos desde a antecipada imis-
são na posse e, na desapropriação indireta, a partir da decisão que reconhece a ocupação do
imóvel.
e) Por serem de domínio público, as margens dos rios navegáveis estão excluídas de
indenização.

- RESPOSTA: Alternativa D.

- PONTO DO EDITAL: 11. Intervenção do Estado na propriedade.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Alternativa CORRETA.

A tredestinação é a destinação que não está em conformidade com o que foi


determinado no ato expropriatório.

A tredestinação ilícita ocorre quando há desvio de finalidade, isto é, quando o


bem não for mais destinado ao interesse público, situação em que a desapropriação deve ser
considerada nula, devendo o bem ser reintegrado ao proprietário.

g Ex.: o Poder Público desapropria um bem e transfere a um terceiro particular sem


que haja interesse público.

É possível que haja tredestinação lícita, que é modificação da finalidade do imóvel,


desde que mantida uma razão de interesse público (STJ, REsp 968.414/SP).

g Ex.: desapropria um imóvel para fazer uma escola, mas se faz um hospital.

g Retrocessão à é o direito atribuído ao proprietário do bem expropriado de recebê-


lo de volta, em face da tredestinação do bem. A retrocessão é um instituto que ocorre quando
o Estado desapropria para realizar algo de interesse público, mas não faz nada lá.

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MP-SP
g Ex.: o Estado desapropriou para construir um hospital, mas não fez nada no bem.

Alternativa B: Alternativa CORRETA.

No estudo das competências em termos de desapropriação devemos levar em


consideração a competência para legislar, a competência declaratória e a competência
executória.

A competência para legislar em matéria de desapropriação é privativa da União,


competência essa que pode ser delegada aos Estados e ao Distrito Federal mediante lei
complementar (art. 22, parágrafo único, da CR).

A competência para declarar a utilidade pública ou interesse social do bem a ser


desapropriado é de todos os entes políticos, pois a eles cabe proceder à valoração dos casos
de necessidade pública, utilidade pública e de interesse social.

Se o interesse for nacional, a competência será da União, se for regional será dos
Estados e se for local a competência será dos Municípios.

g No caso da desapropriação para reforma agrária a competência é privativa da


União (art. 184 da CR). Na desapropriação urbana a competência é do Município (art. 182, §4º,
III, da CR). Assim temos que:

g Desapropriação comum à todos os entes federados;

g Desapropriação para reforma agráriaà União;

g Desapropriação urbana à Município;

g Desapropriação confiscatória à União.

A competência executória da desapropriação alcança além das entidades


da Administração direta e indireta, os agentes delegados do Poder Público, como os
concessionários e permissionários.

g As pessoas que exercem funções delegadas do Poder Público, para que possam
realizar a desapropriação, dependem de estar expressamente autorizados por lei ou contrato
(art. 3º do Decreto-Lei 3.365/41).

Além do mais, os consórcios públicos poderão promover desapropriações e insti-


tuir servidões nos termos de declaração de utilidade ou necessidade pública, ou interesse so-
cial pelo Poder Executivo.

152
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C U RSO PARA A
PROVA OBJ ET IVA

MP-SP
g Quem decreta se a área será desapropriada ou não é o Chefe do Executivo, contu-
do, a realização da desapropriação é que pode ser feita pelo consórcio.

O art. 31, VI, da Lei 8.987/95 (Lei de Serviços Públicos) trouxe a possibilidade da
concessionária promover desapropriações e constituir servidões autorizadas pelo poder
concedente.

O que ocorre nesse caso é que a prévia decretação de utilidade ou necessidade


pública é feita exclusivamente pelo Poder Público. A concessionária, apenas poderá promover
a desapropriação (realizar a execução da desapropriação).

g Na hipótese de ser encargo da concessionária a desapropriação, a ela incumbirá


pagar as indenizações devidas.

Alternativa C: Alternativa CORRETA.

A desapropriação é o procedimento público pelo qual o Poder Público transfere a


propriedade para si, por razões de utilidade pública, de necessidade pública ou de interesse
social, normalmente mediante pagamento de justa e prévia indenização.

Trata-se de forma supressiva de intervenção do Estado na propriedade.

A desapropriação em regra é feita mediante prévia e justa indenização em dinheiro


(art. 5º, XXIV, da CR), salvo nas exceções constitucionalmente autorizadas como no caso de
pagamento em títulos da dívida pública de emissão previamente aprovada pelo Senado
Federal, no caso da área urbana não edificada, subutilizada ou não utilizada (art. 182, §4º, III,
da CR) e em caso de pagamento em títulos da dívida agrária, no caso de reforma agrária por
interesse social (art. 184 da CR).

A desapropriação atinge o caráter perpétuo da propriedade. A doutrina clássica


classifica a desapropriação como forma originária de aquisição da propriedade, pois não
provém de nenhum título anterior.

g Como a desapropriação é uma forma originária de aquisição da propriedade, o


ente desapropriante não responde por nenhum tributo cujo fato gerador tenha ocorrido antes
do ato de aquisição (STJ, REsp 1.668.058/ES/2017, Inf. 606 do STJ). Apesar de os débitos do IPTU
serem obrigações propter rem (art. 130 do CTN), essa ideia se aplica apenas para as formas
derivadas de aquisição da propriedade, mas não para formas originárias de aquisição da
propriedade.

Alternativa D: Alternativa INCORRETA.

153
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C U RSO PARA A
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MP-SP
A alternativa está INCORRETA, pois na desapropriação indireta os juros
compensatórios são devidos a partir da efetiva ocupação do imóvel (e não a partir de decisão
judicial).

Trata-se do teor da Súmula 69 do STJ:

Súmula 69 do STJ: Na desapropriação direta, os juros compensatórios


são devidos desde a antecipada imissão na posse e, na desapropriação
indireta, a partir da efetiva ocupação do imóvel.

Mas, o que é desapropriação indireta?

A desapropriação indireta ocorrerá quando há o apossamento irregular de um bem,


quando ocorre o esbulho possessório do bem. É uma forma supressiva de intervenção sem a
observância do procedimento, sem as formalidades legais.

Na desapropriação indireta não ocorre a declaração da utilidade pública e nem o


prévio e justo pagamento.

O fundamento da desapropriação indireta está no “fato consumado”, previsto no art.


35 do Decreto-Lei 3.365/41:

Art. 35.  Os bens expropriados, uma vez incorporados à Fazenda Pública,


não podem ser objeto de reivindicação, ainda que fundada em nulidade
do processo de desapropriação. Qualquer ação, julgada procedente,
resolver-se-á em perdas e danos.

Segundo o STJ, os requisitos que demonstram a desapropriação indireta são:

g Apossamento do bem pelo Estado sem a observância do procedimento prévio;

g Afetado com destinação pública incorporada pelo Estado: o Estado já deu


destinação pública ao bem;

g Irreversibilidade da situação fática: a devolução do bem não é mais possível.

g Ex.: a casa que existia já foi demolida.

O STJ também entende que há desapropriação indireta quando há total


desvalorização do bem (esvaziamento econômico).

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C U RSO PARA A
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As providências que o particular pode tomar para proteger dos desmandos do Estado
são:

• Ameaça à posse à ação de interdito proibitório;


• Turbação à posse à ação de manutenção de posse;
• Esbulho possessório à ação de reintegração de posse;
• Esbulho + Afetação (incorporação ao patrimônio público) à ação de desapropriação
indireta.

Geralmente quem realiza a ação de desapropriação é o Estado. Entretanto, nos caso


de desapropriação indireta a ação é ajuizada pelo particular que quer ter o seu bem de volta.

A ação de desapropriação indireta para a maioria dos autores tem natureza jurídica
de direito real (STJ, CC 46.771). Assim, se é ação de direito real a competência para julgar a ação
é a da situação do imóvel (art. 47 do CPC/2015).

Na ação de desapropriação indireta, o pagamento será feito pelo regime de


precatórios (art. 100 da CR).

g Como a desapropriação indireta é cunho patrimonial, não há interesse público


que justifique a intervenção do Ministério Público (STJ, REsp 652.621/RJ/2005).

Alternativa E: Alternativa CORRETA.

As margens dos rios navegáveis são de domínio público, razão pela qual não podem
ser expropriadas e nem serão indenizadas.

Trata-se da redação da Súmula 479 do STF:

Súmula 479 do STF: As margens dos rios navegáveis são domínio


público, insuscetíveis de expropriação e, por isso mesmo, excluídas de
indenização.

- GABARITO DA QUESTÃO: D.

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99 – QUESTÃO:

A respeito das entidades que compõem o chamado terceiro setor, assinale a alternativa
incorreta:

a) Os entes de cooperação ou terceiro setor não integram a Administração Indireta.


b) O contrato de gestão é o instrumento firmado entre o Poder Público e a entidade qualificada
como organização social, com vistas à formação de parceria entre as partes para fomento e
execuções de atividades de interesse público.
c) Os chamados serviços sociais autônomos não são dotados de parafiscalidade.
d) Não há previsão legal de dispensa de licitação para contratação de organizações da
sociedade civil de interesse público (OSCIP).
e) A qualificação de uma entidade como organização social é um ato discricionário do poder
público.

- RESPOSTA: Alternativa C.

- PONTO DO EDITAL: 18. Fomento público. Terceiro setor.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Alternativa CORRETA.

Os entes de cooperação ou terceiro setor estão fora da Administração Pública.

g Eles também são conhecidos como entidades paraestatais (ao lado do Estado).

Os entes de cooperação são aqueles que cooperam, que colaboram com o Estado na
busca de suas finalidades.

Os entes de cooperação são, portanto, os entes que colaboram ou cooperam com


o Estado no desempenho de uma atividade de interesse coletivo, embora não integrem a
Administração, residindo apenas ao lado dela.

Essas organizações não-governamentais são pessoas jurídicas de direito privado


que, sem fins lucrativos, exercem atividades de interesse público, mas não exclusivos de Esta-
do, que recebem fomento para o seu desenvolvimento, mas que não integram a Administração.

As características das entidades paraestatais são:

g Pessoa jurídica de direito privado;

156
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g Sem fins lucrativos;

g Exercem atividade de interesse público;

g As atividades não exclusivas de Estado;

g Recebem fomento do Estado (bens, pessoal e recursos públicos);

g Não integram a administração pública.

Por exercerem atividades de interesse público, eles recebem ajuda do Estado


(fomento), desde que preenchidos determinados requisitos estabelecidos por lei específica
para cada modalidade. Sujeitam-se ao controle pela administração pública e pelo Tribunal de
Contas.

O seu regime jurídico é predominantemente privado, contudo parcialmente


derrogado por regras de direito público (aplica-se algumas regras de direito público).

Alternativa B: Alternativa CORRETA.

A organização social está prevista na Lei 9.637/98 e assim como os demais entes de
colaboração é formada por particulares, não integra a administração pública e não tem fins
lucrativos.

A organização social presta serviços públicos não exclusivos de estado.

g As organizações sociais não prestam serviços públicos por delegação.

Nenhuma entidade nasce com o nome de organização social. A entidade é criada


como associação ou fundação pelos particulares e habilitando-se perante o Poder Público,
recebe a qualificação.

Essa qualificação se dá através de um contrato de gestão, que a partir dele nasce a


organização social.

O contrato de gestão (também conhecido como acordo-programa) trata-se de um


ajuste cuja finalidade é o cumprimento de uma espécie de programa, em troca de algo que seja
do interesse da parte que se compromete a atingir as metas nele definidas.

No contrato de gestão firmado entre a administração direta e as organizações


sociais, a administração direta entrega à organização social bens, pessoal e recursos públicos,
passando a controlar a execução das metas estabelecidas no contrato de gestão.

157
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Dessa maneira, o contrato de gestão representa uma forma de fomento do Estado
(bens, pessoal e recursos públicos) para com as organizações sociais, mas em contrapartida,
elas se sujeitam à fiscalização da destinação do fomento recebido (ocorre uma redução da
autonomia gerencial dessas entidades privadas).

ATENÇÃO à as OSCIPS não celebram contrato de gestão, mas sim termo de parceria
(isso cai demais em prova!).

g OS à contrato de geStão;

g OSCIP à termo de parCeria.

Alternativa C: Alternativa INCORRETA.

Os serviços sociais autônomos são sim dotados de parafiscalidade.

Vamos falar um pouco desses serviços.

Os serviços sociais autônomos são pessoas jurídicas de direito privado fora da


Administração, que integram a iniciativa privada. Eles são também conhecidos como sistema
“S”: SEBRAE, SENAI, SESC, SESI, SEST, SENAC, SENAR, SENAT.

Essas entidades privadas representam as categorias econômicas.

g Ex.: Confederação Nacional da Indústria, Confederação Nacional do Comércio e


Confederação Nacional dos Transportes.

Esses serviços tem a finalidade de fomentar as categorias profissionais, através de


ensino qualificado ou assistência.

Eles não prestam serviços públicos delegados pelo Estado, mas exercem atividade
privada de interesse público, o que alguns doutrinadores preferem denominar serviços não
exclusivos do Estado.

Embora essas entidades não componham a administração e nem sejam instituídas


pelo poder público, a criação dos serviços sociais depende de autorização legislativa. A criação
ocorrerá quando a confederação nacional respectiva inscreve os respectivos atos constitutivos
no Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas.

Os serviços sociais autônomos possuem dotação orçamentária específica e podem


receber contribuição parafiscal, ou seja, são dotados de parafiscalidade, podendo receber a
delegação da capacidade tributária (aptidão para cobrar tributos).

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PROVA OBJ ET IVA

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g A competência tributária é a aptidão para instituir tributos, essa competência é
indelegável e somente os entes políticos podem criar. A capacidade tributária é a aptidão para
cobrar os tributos, essa sim é delegável e o ente que puder cobrar o tributo será dotado de
parafiscalidade.

O fato, porém, é que, mesmo não cobrando diretamente, o serviço social autônomo
tem a possibilidade de cobrar tributos (tem arrecadação de contribuição).

Alternativa D: Alternativa CORRETA.

Essa é uma diferença importante entre as OS e as OSCIPS, para as segundas não há


qualquer previsão legal de dispensa de contratação quando elas forem ser contratadas pelo
poder público.

Há dispensa (e não inexigibilidade) de licitação quando a administração pública


for contratar serviços a serem prestados pelas organizações sociais (ela que está sendo
contratada), desde que esse serviço esteja previsto no contrato de gestão (art. 24, XXIV, da Lei
8.666/93).

Art. 24.  É dispensável a licitação: (...)


XXIV - para a celebração de contratos de prestação de serviços com as
organizações sociais, qualificadas no âmbito das respectivas esferas de
governo, para atividades contempladas no contrato de gestão.   

Por outro lado, para as OSCIPS a Lei 8.666/93 não trouxe qualquer previsão, razão
pela qual deverão participar de todo o procedimento licitatório.

Em resumo, quando o Poder Público for contratar, ele poderá contratar uma
organização social mediante dispensa de licitação. Para as OSCIPs não há essa possibilidade.

Alternativa E: Alternativa CORRETA.

Nenhuma entidade nasce com o nome de organização social. A entidade é criada


como associação ou fundação pelos particulares e habilitando-se perante o Poder Público,
recebe a qualificação.

Essa qualificação se dá através de um contrato de gestão, que a partir dele nasce a


organização social.

A qualificação como organização social é ato discricionário (e não vinculado) do


poder público.

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Após aprovação do contrato de gestão pelo Conselho de Administração da
organização social, o contrato deverá ser submetido ao Ministro de Estado ou autoridade
supervisora da área correspondente à atividade fomentada.

Por outro lado, para as OSCIPs o ato de qualificado é feito pelo Ministro de Justiça e
se trata de ato vinculado (uma vez atendidos os requisitos previstos em lei, o Poder Público é
obrigado a qualificá-la).

g OS Ò o ato de qualificação é feito pelo Ministro de Estado e é um ato discricioná-


rio;

g OSCIP Ò o ato de qualificação é feito pelo Ministro da Justiça e é um ato vinculado;

- GABARITO DA QUESTÃO: C.

100 – QUESTÃO:

Considere as seguintes afirmações:

I - Em se tratando de recurso administrativo, o mérito da decisão pode ser revisto pela


autoridade julgadora.
II - Nos recursos administrativos se admite a chamada reformatio in pejus, não havendo
violação aos princípios da ampla defesa e do contraditório.
III - O ato de delegação e sua revogação devem ser publicados em meio oficial, sendo este ato
revogável a qualquer tempo pela autoridade delegante.

Assinale a alternativa CORRETA:

a) Apenas I e II estão corretas.


b) I, II e III estão corretas.
c) Apenas I está correta.
d) Nenhuma das alternativas está correta.
e) Apenas II e III estão corretas.

- RESPOSTA: Alternativa B.

- PONTO DO EDITAL: X. 7. 7. Processo administrativo.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Alternativa INCORRETA.

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Alternativa B: Alternativa CORRETA.

Alternativa C: Alternativa INCORRETA.

Alternativa D: Alternativa INCORRETA.

Alternativa E: Alternativa INCORRETA.

Item I: A afirmação está CORRETA, pois nos recursos administrativos é possível que a
autoridade julgadora reanalise o mérito.

Trata-se do disposto no art. 56 da Lei 9.784/90, segundo o qual das decisões


administrativas cabe recurso por razões de legalidade e de mérito.

Art. 56. Das decisões administrativas cabe recurso, em face de razões de


legalidade e de mérito.

Nesse ponto, cuidado para não confundir com o controle dos atos administrativos
exercidos pelo Poder Judiciário.

O Judiciário não pode adentrar no mérito do ato administrativo (conveniência e


oportunidade), mas apenas analisar os aspectos da legalidade do ato.

Item II: A afirmação está CORRETA, pois nos processos administrativos, é possível
que haja reforma para pior em recurso interposto pelo autor (não há vedação do reformatio
in pejus), em decorrência da busca pela verdade material e do princípio da autotutela, já que
o poder público pode anular os atos ilegais.

Para que isso seja, feito, segundo o STJ, é necessário que haja prévio contraditório e
ampla defesa do prejudicado, se houver possibilidade de reformatio in pejus (art. 64, parágrafo
único, da Lei 9.784/99).

Art. 64. O órgão competente para decidir o recurso poderá confirmar,


modificar, anular ou revogar, total ou parcialmente, a decisão recorrida,
se a matéria for de sua competência.
Parágrafo único. Se da aplicação do disposto neste artigo puder decorrer
gravame à situação do recorrente, este deverá ser cientificado para que
formule suas alegações antes da decisão.

Item III: A afirmação está CORRETA, vez que traduz exatamente o disposto no art. 14,
caput e §2º, da Lei 9.784/99.

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De fato, o ato de delegação e a sua revogação deve ser publicados no meio oficial.
Além do mais, o ato de delegação é revogável a qualquer momento.

Art. 14. O ato de delegação e sua revogação deverão ser publicados no


meio oficial.
§ 1º O ato de delegação especificará as matérias e poderes transferidos,
os limites da atuação do delegado, a duração e os objetivos da delega-
ção e o recurso cabível, podendo conter ressalva de exercício da atribui-
ção delegada.
§ 2º O ato de delegação é revogável a qualquer tempo pela autoridade
delegante.

- GABARITO DA QUESTÃO: B.

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