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Aula 22 - Chuvas de

Projeto

Profa. Diana J. Padilha Hidrologia Aplicada


 Bacias hidrográficas pequenas (como em áreas urbanas)
raramente possuem dados observados de vazão e nível de
água.

 Assim, as estimativas de vazões máximas não pode ser


realizada usando os métodos estatísticos.

 Costuma-se utilizar métodos de estimativa a partir das


características locais das chuvas intensas.
 Os métodos para estimativa das vazões máximas a partir da chuva
dependem do tamanho da bacia.

 Em bacias pequenas, utiliza-se o método racional:


 Permite estimar a vazão de pico em função do tempo de concentração
e do coeficiente de escoamento da bacia;
 Porém, não permite obter informações mais detalhadas sobre o
hidrograma da cheia causada por uma chuva intensa.

 Em bacias maiores, normalmente são utilizados modelos de


transformação chuva-vazão, baseados na chuva efetiva e no
hidrograma.
 Os métodos de estimativa de vazões máximas a partir da chuva são
especialmente importantes em bacias urbanas e em processo de
urbanização.

 Podem ser aplicados com eventos de chuva observados, mas é mais


frequente a sua aplicação com eventos idealizados, denominados chuvas
de projeto.

 Uma chuva de projeto é um evento chuvoso idealizado, ao qual está


associado um tempo de retorno.

 Considera-se que o TR da vazão máxima gerada por uma chuva de projeto


(cheia de projeto) é igual ao TR da própria chuva de projeto.
 Chuvas de projeto são normalmente obtidas a partir das
curvas que relacionam a intensidade, a frequência e a duração
das chuvas (curva IDF).

 As características principais das chuvas de projeto são:


 Duração

 Intensidade média

 Distribuição temporal
Duração das chuvas de projeto

 É definida de forma a garantir que toda a bacia esteja


contribuindo ao mesmo tempo com o escoamento que chega
ao exutório (ponto escolhido para estimar a vazão máxima).

 Por esse motivo, a duração da chuva de projeto deve ser, no


mínimo, igual ao tempo de concentração da bacia.
Intensidade média das chuvas de projeto

 Pode ser obtida com base em uma curva IDF definida a partir de
dados de um pluviógrafo instalado na região da bacia.

 Definida a duração da chuva, com base no tempo de concentração


da bacia, a intensidade da chuva é obtida, a partir da curva IDF,
para um dado tempo de retorno.

 O TR depende das características do projeto e dos potenciais


prejuízos resultantes de uma eventual falha.
Intensidade média das chuvas de projeto

Tabela 1 – Tempos de retorno adotados para projeto


de estruturas de drenagem
Estrutura TR (anos)
Microdrenagem 2 a 10
Macrodrenagem 25 a 50
Grandes corredores de tráfego 100
Áreas de edificação de uso estratégico (hospitais, bombeiros, polícia, etc) 500
Locais em que há risco de perdas de vidas humanas 100
Intensidade média das chuvas de projeto

 Na ausência de curvas IDF para locais próximos à bacia em análise,


pode-se recorrer à análise estatística de dados de chuva de
pluviômetros, coletados em intervalo de tempo diário.

 A partir destes dados, é possível obter estimativas de chuvas


intensas de 1 dia de duração com tempos de retorno de 2, 5, 10, 50 e
100 anos.

 As chuvas intensas de 1 dia são, posteriormente, desagregadas para


durações inferiores a 1 dia, usando relações de altura pluviométrica
entre duas durações diferentes.
Intensidade média das chuvas de projeto

 Distribuição de Gumbel (ou distribuição de valores extremos


do tipo 1)
𝑇𝑅
𝑥 = 𝑥ҧ − 𝑠 . 0,45 + 0,7797 . ln ln
𝑇𝑅 − 1

Onde: x = precipitação máxima;


𝑥ҧ = média das precipitações máximas anuais;
s = desvio padrão das precipitações máximas anuais
Tabela 2 – Relações de altura de chuva entre durações
sugeridas pela CETESB para o Brasil
Relação entre alturas
Duração original Duração final
pluviométricas
30 minutos 5 minutos 0,34
30 minutos 10 minutos 0,54
30 minutos 15 minutos 0,70
30 minutos 20 minutos 0,81
30 minutos 25 minutos 0,91
1 hora 30 minutos 0,74
24 horas 1 hora 0,42
24 horas 6 horas 0,72
24 horas 8 horas 0,78
24 horas 10 horas 0,82
24 horas 12 horas 0,85
1 dia 24 horas 1,14
Distribuição temporal das chuvas de projeto

 Um método frequentemente utilizado é conhecido como o método


dos blocos alternados.

 Baseia-se no uso de uma curva IDF para diferentes durações de


chuva, menores do que a duração total da chuva de projeto.

 A altura total de chuva para cada duração é obtida multiplicando a


intensidade pela duração, e a altura incremental é dada pela
subtração entre a altura total e a altura total da duração anterior.
Distribuição temporal das chuvas de projeto

 Exemplo: Considere que a chuva de projeto deve ter uma


duração total de 120 minutos, e que será dividida em 6
intervalos de 20 minutos. Considerando o tempo de retorno
de 10 anos e a curva IDF do 8° Distrito de Meteorologia, em
Porto Alegre, tem-se a relação dada na Tabela 3.
Distribuição temporal das chuvas de projeto

1297,9 . 𝑇𝑅0,171
𝐼=
𝑡𝑑 + 11,619 0,85
Tabela 3 – Exemplo de elaboração de uma chuva de projeto com intensidade variável a
partir de uma curva IDF
Duração Intensidade Altura total Incremento
(minutos) (mm/h) (mm) (mm)
20 102,2 34,1 34,1
40 67,4 44,9 10,8
60 51,0 51,0 6,1
80 41,4 55,2 4,2
100 35,0 58,3 3,1
120 30,4 60,8 2,5
Distribuição temporal das chuvas de projeto

 Para obter a distribuição da chuva de projeto pelo método dos


blocos alternados, os valores incrementais são reorganizados de
forma que o máximo incremento ocorra, aproximadamente, no
meio da duração da chuva total.

 Os incrementos (ou blocos de chuva) seguintes são reposicionados


alternadamente depois e antes do bloco de chuva mais intensa, até
preencher toda a duração .
Distribuição temporal das chuvas de projeto

Tabela 4 – Blocos de chuva de Tabela 5 – Blocos de chuva de


20 minutos de duração cada 20 minutos de duração
um, organizados em ordem reorganizados pelo método de
decrescente blocos alternados
Ordem Incremento Ordem Incremento
decrescente (mm) nova (mm)
1° 34,1 5° 3,1
2° 10,8 3° 6,1
3° 6,1 1° 34,1
4° 4,2 2° 10,8
5° 3,1 4° 4,2
6° 2,5 6° 2,5
Distribuição temporal das chuvas de projeto

Tabela 6 – Distribuição
temporal da chuva de projeto
pelo método de blocos
alternados

Duração Precipitação
(minutos) (mm)
20 3,1
40 6,1
60 34,1
80 10,8
100 4,2
120 2,5
Atenuação das chuvas com a área

 Chuvas de projeto são definidas a partir de dados coletados em


pluviógrafos ou pluviômetros, cuja área de captação é muito
pequena, com dados representando estimativas pontuais de
precipitação.

 Bacias hidrográfica grandes tem menor probabilidade de serem


atingidas por chuvas intensas simultaneamente em toda a sua área
do que bacias pequenas.
Atenuação das chuvas com a área

 Para obter as chuvas de projeto em bacias relativamente grandes é


necessário compensar o fato de que a intensidade média das chuvas
em grande área é menor.

 Para isso, usualmente é empregado um fator de redução, que é


relacionado com a área da bacia e com a duração da chuva.
Atenuação das chuvas com a área

 Esse tipo de fator é obtido empiricamente, a partir de dados de um


grande número de pluviógrafos localizados em uma mesma região,
ou a partir de dados de chuva estimada por radar.

 O fator de redução areal representa a relação entre chuva de


pluviógrafo e chuva média na bacia.
Atenuação das chuvas com a área

 No Brasil, é utilizado o fator de redução areal obtido por Silveira


(2001):

𝐴
𝐹𝑅𝐴 =1−
27,3 . 𝑡 0,215

FRA Fator de redução areal (adimensional)

A Área da bacia (km²)

t Duração da chuva (minutos)


Metodo Racional

 Em 1851, 9 engenheiro irlandês Thomas James Mulvany propôs um


método para estimar vazões máximas de bacias a partir de dados de
chuva, que mais tarde passou a ser conhecido como o “método
racional”.

 É aplicável para bacias de até, aproximadamente, 3 km².


Metodo Racional

𝐶 .𝑖 .𝐴
𝑄=
3,6

Q Vazão máxima (m³/s)

A Área da bacia (km²)

C Coeficiente de escoamento superficial

i Intensidade da chuva (mm/h)


Metodo Racional

Tabela 7 – Valores do coeficiente de escoamento do método racional (C) para


diferentes tipos de cobertura da bacia
Superfície Intervalo Valor esperado
Asfalto 0,70 a 0,95 0,83
Concreto 0,80 a 0,95 0,88
Calçadas 0,75 a 0,85 0,80
Telhado 0,75 a 0,95 0,85
Grama em solo arenoso plano 0,05 a 0,10 0,08
Grama em solo arenoso inclinado 0,15 a 0,20 0,18
Grama em solo argiloso plano 0,13 a 0,17 0,15
Grama em solo argiloso inclinado 0,25 a 0,35 0,30
Áreas rurais 0,00 a 0,30 -
Metodo Racional

Tabela 8 – Valores do coeficiente de escoamento do método racional (C) de acordo


com o tipo de ocupação da bacia

Zonas C
Centro da cidade densamente construído 0,70 a 0,95
Partes adjacentes ao centro com menor densidade 0,60 a 0,70
Áreas residenciais com poucas superfícies livres 0,50 a 0,60
Áreas residenciais com muitas superfícies livres 0,25 a 0,50
Subúrbios com alguma edificação 0,10 a 0,25
Matas, parques e campos de esportes 0,05 a 0,20
Exercício 1
Qual é a intensidade média e duração da chuva de projeto, com
tempo de retorno de 20 anos, em uma bacia num local A, próximo de
Curitiba, e em uma bacia num local B, onde não existe nenhum curva
IDF conhecida, mas onde existem dados de chuvas máximas diárias?
As duas bacias tem tempo de concentração de 30 minutos, e a tabela
abaixo apresenta os dados de chuvas máximas diárias no local B, de
1988 a 2005.

5726,64 . 𝑇𝑅0,159 𝑇𝑅
𝐼= 𝑥 = 𝑥ҧ − 𝑠 . 0,45 + 0,7797 . ln ln
𝑡𝑑 + 41 1,041 𝑇𝑅 − 1
Exercício 1

Ano P máxima diária (mm) Ano P máxima diária (mm)


1988 88 1997 79
1989 125 1998 127
1990 78 1999 90
1991 128 2000 124
1992 130 2001 84
1993 61 2002 88
1994 81 2003 71
1995 95 2004 92
1996 99 2005 183
Tabela 2 – Relações de altura de chuva entre durações
sugeridas pela CETESB para o Brasil
Relação entre alturas
Duração original Duração final
pluviométricas
30 minutos 5 minutos 0,34
30 minutos 10 minutos 0,54
30 minutos 15 minutos 0,70
30 minutos 20 minutos 0,81
30 minutos 25 minutos 0,91
1 hora 30 minutos 0,74
24 horas 1 hora 0,42
24 horas 6 horas 0,72
24 horas 8 horas 0,78
24 horas 10 horas 0,82
24 horas 12 horas 0,85
1 dia 24 horas 1,14
Exercício 2
Qual é a vazão máxima de uma bacia com 0,6 km² em Curitiba, numa
área residencial com poucas superfícies livres, considerando que o
tempo de concentração da bacia é de 30 minutos e tempo de retorno
de 5 anos?
5726,64 . 𝑇𝑅0,159 𝐶 .𝑖 .𝐴
𝐼= 𝑄=
𝑡𝑑 + 41 1,041 3,6

Zonas C
Centro da cidade densamente construído 0,70 a 0,95
Partes adjacentes ao centro com menor densidade 0,60 a 0,70
Áreas residenciais com poucas superfícies livres 0,50 a 0,60
Áreas residenciais com muitas superfícies livres 0,25 a 0,50
Subúrbios com alguma edificação 0,10 a 0,25
Matas, parques e campos de
Aulaesportes
17 – Chuva de Projeto 0,05 a 0,20
Exercício 3
Defina a chuva de projeto de 3 horas de duração, em intervalos de
meia hora, e tempo de retorno de 5 anos, com base na curva IDF
disponível mais próxima de sua cidade. Use o método dos blocos
alternados.

1752,27 . 𝑇𝑅0,148
𝐼=
𝑡𝑑 + 17 0,84
Exercício 4
Calcule a vazão de uma bacia com 0,6 km², localizada em uma região
adjacente ao centro da cidade, que não possui parâmetros da curva
IDF. Considere que o tempo de concentração da bacia é de 20
minutos, e o tempo de retorno de 7 anos, levando em conta também
os dados de precipitação diária dispostos na tabela abaixo.
Exercício 4

Ano P máxima diária (mm) Ano P máxima diária (mm)


1996 83,4 2006 174,9
1997 135,0 2007 179,6
1998 191,9 2008 108,2
1999 174,8 2009 107,0
2000 109,8 2010 89,0
2001 115,3 2011 85,1
2002 101,0 2012 95,6
2003 63,8 2013 79,0
2004 84,9 2014 87,1
2005 210,8 2015 100,0