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Fundação Centro de Ciências e Educação Superior a Distância do Estado do Rio de Janeiro

Centro de Educação Superior a Distância do Estado do Rio de Janeiro

AVALIAÇÃO PRESENCIAL –AP 1


Período - 2013/2º
Disciplina: Introdução ao Agronegócio
Coordenador: Luiz Carlos de Oliveira Lima

Data para entrega:

Aluno (a): ...........................................................................................................................

Pólo: ...................................................................................................................................

Boa sorte!
Questão 1. Com base na aula sobre as diferentes correntes metodológicas, que consideram
a localização das atividades econômicas nos territórios, procure resumir os principais
aspectos estudados de cada uma das abordagens: distrito industrial; polo; aglomerado. (3,0
pontos).

RESPOSTAS:
1.1. O polo de crescimento pode ser definido como um conjunto de forças de atração de atividades
(agricultura, indústria e serviços) e de agentes econômicos (empresas públicas, privadas, consumidores e
agentes de governos). O espaço econômico é constituído por diversos polos de crescimento com ênfase no
papel das inovações e das grandes firmas nesse processo. As decisões, em particular nos mercados com
elevada concentração da produção por empresa, nos mercados com poucos produtores ou mercados de
oligopólio são tomadas por unidades dominantes – entre as quais se inclui o Estado – com base em seu
poder de monopólio e exercem um efeito de desequilíbrio positivo na economia. O desequilíbrio positivo ao
crescimento econômico é criado quando a oferta de produtos e serviços cresce além da demanda, induzindo,
com o aumento de emprego e renda, maior consumo. A ideia de dominação se verifica quando uma unidade
que predomina sobre outra exerce sobre esta uma irreversível influência. Isso em virtude de suas dimensões,
de seu poder de negociação, da natureza de sua atividade etc. A dominação ocorre sempre que uma firma
controla um espaço econômico, como o mercado para um produto ou serviço ou grupos de produtos ou
serviços. O efeito de dominação é cumulativo, aumenta ao longo do tempo, surge do desenvolvimento
inerente do mercado ou acidentalmente. A economia move-se não apenas pela busca do lucro, mas também
do domínio do mercado.

1.2. O distrito industrial: As principais vantagens da produção em massa que podem ser apontadas são: a
economia de mão de obra, a economia de máquina e a economia de materiais, que vai perdendo importância
relativamente às duas outras. As economias internas obtidas por uma boa organização de compras e de
vendas ou por aumento de escala de produção figuram entre as principais causas da tendência para fusão de
muitas empresas da mesma indústria ou comércio em uma única entidade gigantesca. As economias externas
envolvendo investimento público em infraestrutura de transporte, armazenagem e portos estão constantemente
crescendo em importância, em todos os ramos de negócios. Observando e trazendo conhecimentos para
quem precisa os jornais e as publicações profissionais e técnicas de todos os gêneros contribuem muito
positivamente para a tomada de decisões nas empresas. As transformações na manufatura dependem menos
de simples regras empíricas e mais dos largos desenvolvimentos de princípios científicos, e muitos destes
desenvolvimentos são realizados por estudiosos na procura do conhecimento. Em muitas indústrias, um
produtor individual pode conseguir consideráveis economias internas mediante um grande aumento de sua
produção.

1.3. O conceito de aglomerado é definido como uma concentração setorial e/ou geográfica de empresas,
nas mesmas atividades ou em atividades estreitamente relacionadas, em que se obtêm importantes e
acumulativas economias externas, de aglomeração e especialização, de produtores, fornecedores e mão de
obra especializada, de serviços anexos específicos ao setor, com a possibilidade de ação conjunta em busca de
eficiência coletiva. A diversidade e a intensidade de relações funcionais entre empresas explicam a formação
de um aglomerado. Os aglomerados se dão tanto em torno dos recursos naturais como em torno de atividades
baseadas em aprendizagem e conhecimento.

QUESTÃO 2. Como você sabe e foi discutido em detalhes, devido aos hábitos alimentares,
a cadeia produtiva do trigo e seus derivados, tem uma grande importância para a segurança
alimentar do País. Como você também sabe, a cadeia produtiva do trigo é composta pelo
grão de trigo, consumo de farinha de trigo, pão, massas e doces. Com base nas figuras abaixo,
descreva e analise a demanda de produtos derivados do trigo, principalmente na perspectiva da
demanda final e intermediária. (3,0 pontos).

FIGURA 1: CADEIA PRODUTIVA AGROINDUSTRIAL DO TRIGO


FIGURA 2: PRODUTOS DERIVADOS DO TRIGO

FIGURA 3: RELAÇÃO PRODUÇÃO E CONSUMO NACIONAL

RESPOSTA:
O consumo e a distribuição dos produtos derivados do trigo envolvem grande número de
agentes, incluindo as dimensões da produção da indústria de transformação e indústria moageira.
É crescente a exigência dos consumidores por produtos de qualidade e variedade. E, neste
sentido, as cadeias produtivas devem adaptar-se a essas novas tendências.
Diante disso, a percepção de que existe um ator de fundamental importância, que é o
consumidor final dos produtos gerados pela cadeia, pode ser estendida à percepção de que
existem vários atores que contribuem ou interferem de algum modo na finalização do produto.
Como os dados disponíveis apontam um baixo consumo relativo de derivados do trigo no Brasil,
esta cadeia produtiva deve se preparar para buscar novas formas de trabalhar os produtos e sua
imagem de forma a ampliar o número de consumidores.
Assim, é importante destacar os seguintes aspectos:
a) Em nível nacional, 60% da farinha é destinada à produção de pão. E desta, 90%
destinada à produção de pães do tipo francês e apenas 10% da matéria-prima é utilizada para a
produção de pão do tipo industrial.
b) Do restante da matéria-prima, 30% é destinado à indústria de massas e 10% para o
mercado de doces e biscoitos.
c) Em virtude da renda e munidos por alguns “tabus” de que estes produtos engordam, os
consumidores brasileiros apresentam baixo consumo de derivados de trigo.
O consumo de derivados de trigo no Brasil está muito concentrado em um único produto que
é o pão do tipo francês. O consumo dele, apesar de apresentar-se em níveis abaixo do exigido
pela Organização Mundial da Saúde, é considerado pela literatura como um bem inferior, ou seja,
com o aumento da renda do consumidor reduz o seu consumo. Outro aspecto a ser considerado é
o de que a matéria-prima utilizada para a produção de pão do tipo francês, apesar da exigência por
qualidade, não apresenta grandes variabilidades.
No entanto o segmento de massas, biscoitos e pães industrializados possui grande
potencial de crescimento da demanda. Estes são os setores mais exigentes na diversificação de
matérias-primas e que apresentam grande potencial de integração vertical para trás, através de
contratos, na cadeia produtiva. Desta forma, as relações que permeiam a dimensão do consumo
de derivados de trigo contêm inúmeras ameaças e oportunidades que devem ser compreendidas e
equacionadas de forma a nortear e ampliar a cadeia produtiva do trigo.
Assim, identificando o potencial de consumo de determinados derivados, estes são
repassados para os demais elos da cadeia produtiva, culminando com a necessidade de matérias-
primas específicas e, com isso, a viabilidade de uma parte da produção nacional de trigo.
O consumo de trigo no Brasil vem, desde a década de 1970, seguindo uma tendência
de alta. Esse fato é mais representativo a partir do início da década de 1990, quando ocorreram
grandes mudanças na condução da política de trigo, acarretando a reestruturação da indústria
como um todo.
Observando-se a média dos últimos anos, aproximadamente 75% do consumo
brasileiro destinam-se à fabricação de farinha e 25% à produção do farelo. Da farinha produzida,
50% vão para o segmento de panificação, 15% para massas alimentícias, 15% para biscoitos, 10%
para pães industrializados e 10% para produtos domésticos.

QUESTÃO 3. Numa perspectiva histórica, analise o papel que a agropecuária e


agroindústria tem desempenhado no processo de desenvolvimento econômico brasileiro.
Para isso, utilize as cinco principais funções desse setor (demanda por alimentos,
geração de poupança, liberação de mão de obra, saldo comercial, mercado interno) (4,0
pontos).

RESPOSTA:
De modo geral, os principais estudiosos destacam a importância da agropecuária no
processo de desenvolvimento econômico nacional e consideram, basicamente, o cumprimento de
cinco principais funções:
1) atender à demanda por alimentos da população total;
2) transferir capital para a expansão do setor não agrícola;
3) liberar mão de obra para ser utilizada em outros setores produtivos;
4) ampliar o volume de divisas (moeda estrangeira), a partir da exportação do excedente de
produção agropecuária, para aumentar a importação de insumos e bens de capitais necessários ao
desenvolvimento de outras atividades econômicas;
5) constituir-se em mercado consumidor dos setores secundário e terciário.
A primeira função é bem clara, dispensando maiores considerações. No entanto, as demais
merecem esclarecimentos.
A capacidade de transferir capital para outros setores pode ocorrer de forma direta ou
indireta. Nesse caso, a agropecuária pode transferir recursos investindo diretamente em outros
segmentos ou utilizando a intermediação bancária para emprestar recursos a outros setores. De
forma indireta, o governo atua transferindo capital da agropecuária para atividades não agrícolas a
partir de políticas fiscais, ao cobrar tributos da agropecuária e garantir reduções de impostos ou até
mesmo isenções fiscais para outros setores.
Já a liberação de mão de obra decorrente do processo de mecanização do campo permite
garantir o aumento do número de trabalhadores nos setores industriais e de serviços.
Com relação à geração de divisas, estas são fundamentais para a importação de insumos e
bens de capitais (máquinas, equipamentos) necessários ao desenvolvimento de outras atividades
econômicas.
Por fim, considerando o avanço da modernização da agropecuária, cria-se um
mercado para produtos industrializados mediante o crescimento da demanda por máquinas,
suprimentos e diversos tipos de insumos.