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Fundação Centro de Ciências e Educação Superior a Distância do

Estado do Rio de Janeiro


Centro de Educação Superior a Distância do Estado do Rio de Janeiro

AVALIAÇÃO PRESENCIAL –AP 1


Período - 2012/2º
Disciplina: Introdução ao Agronegócio
Coordenador: Luiz Carlos de Oliveira Lima

Data para entrega:

Aluno
(a): .............................................................................................................
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Pólo: ..........................................................................................................
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Boa sorte!
QUESTÃO 1. Na aula 5, foi discutido, com bastante detalhes, a importância da cadeia
produtiva do trigo e seus derivados, para a segurança alimentar do País. Como você sabe, a
cadeia produtiva do trigo é composta pelo grão de trigo, c onsumo de farinha de trigo, pão,
massas e doces. Descreva e analise a demanda de produtos derivados do trigo, principalmente na
perspectiva da demanda final e intermediária (4,0 pontos).

RESPOSTA:
O consumo e a distribuição dos produtos derivados do trigo envolvem grande
número de agentes, incluindo as dimensões da produção da indústria de transformação
e indústria moageira. É crescente a exigência dos consumidores por produtos de
qualidade e variedade. E, neste sentido, as cadeias produtivas devem adaptar-se a
essas novas tendências.
Diante disso, a percepção de que existe um ator de fundamental importância,
que é o consumidor final dos produtos gerados pela cadeia, pode ser estendida à
percepção de que existem vários atores que contribuem ou interferem de algum modo
na finalização do produto. Como os dados disponíveis apontam um baixo consumo
relativo de derivados do trigo no Brasil, esta cadeia produtiva deve se preparar para
buscar novas formas de trabalhar os produtos e sua imagem de forma a ampliar o
número de consumidores.
Assim, é importante destacar os seguintes aspectos:
a) Em nível nacional, 60% da farinha é destinada à produção de pão. E desta,
90% destinada à produção de pães do tipo francês e apenas 10% da matéria-prima é
utilizada para a produção de pão do tipo industrial.
b) Do restante da matéria-prima, 30% é destinado à indústria de massas e 10%
para o mercado de doces e biscoitos.
c) Em virtude da renda e munidos por alguns “tabus” de que estes produtos
engordam, os consumidores brasileiros apresentam baixo consumo de derivados de
trigo.
O consumo de derivados de trigo no Brasil está muito concentrado em um único
produto que é o pão do tipo francês. O consumo dele, apesar de apresentar-se em
níveis abaixo do exigido pela Organização Mundial da Saúde, é considerado pela
literatura como um bem inferior, ou seja, com o aumento da renda do consumidor
reduz o seu consumo. Outro aspecto a ser considerado é o de que a matéria-prima
utilizada para a produção de pão do tipo francês, apesar da exigência por qualidade,
não apresenta grandes variabilidades.
No entanto o segmento de massas, biscoitos e pães industrializados possui
grande potencial de crescimento da demanda. Estes são os setores mais exigentes na
diversificação de matérias-primas e que apresentam grande potencial de integração
vertical para trás, através de contratos, na cadeia produtiva. Desta forma, as relações
que permeiam a dimensão do consumo de derivados de trigo contêm inúmeras
ameaças e oportunidades que devem ser compreendidas e equacionadas de forma a
nortear e ampliar a cadeia produtiva do trigo.
Assim, identificando o potencial de consumo de determinados derivados, estes
são repassados para os demais elos da cadeia produtiva, culminando com a
necessidade de matérias-primas específicas e, com isso, a viabilidade de uma parte da
produção nacional de trigo.
O consumo de trigo no Brasil vem, desde a década de 1970, seguindo uma
tendência de alta. Esse fato é mais representativo a partir do início da década de 1990,
quando ocorreram grandes mudanças na condução da política de trigo, acarretando a
reestruturação da indústria como um todo.
Observando-se a média dos últimos anos, aproximadamente 75% do
consumo brasileiro destinam-se à fabricação de farinha e 25% à produção do farelo. Da
farinha produzida, 50% vão para o segmento de panificação, 15% para massas
alimentícias, 15% para biscoitos, 10% para pães industrializados e 10% para produtos
domésticos.

QUESTÃO 2. Analise o papel da agropecuária e do agronegócio no processo de


desenvolvimento econômico brasileiro. Além de indicar as cinco principais
funções desse setor (3,0 pontos).

RESPOSTA:
De modo geral, os principais estudiosos destacam a importância da agropecuária
no processo de desenvolvimento econômico nacional e consideram, basicamente, o
cumprimento de cinco principais funções:
1) atender à demanda por alimentos da população total;
2) transferir capital para a expansão do setor não-agrícola;
3) liberar mão-de-obra para ser utilizada em outros setores produtivos;
4) ampliar o volume de divisas (moeda estrangeira), a partir da exportação do
excedente de produção agropecuária, para aumentar a importação de insumos e bens
de capitais necessários ao desenvolvimento de outras atividades econômicas;
5) constituir-se em mercado consumidor dos setores secundário e terciário.
A primeira função é bem clara, dispensando maiores considerações. No entanto,
as demais merecem esclarecimentos.
A capacidade de transferir capital para outros setores pode ocorrer de forma
direta ou indireta. Nesse caso, a agropecuária pode transferir recursos investindo
diretamente em outros segmentos ou utilizando a intermediação bancária para
emprestar recursos a outros setores. De forma indireta, o governo atua transferindo
capital da agropecuária para atividades não-agrícolas a partir de políticas fiscais, ao
cobrar tributos da agropecuária e garantir reduções de impostos ou até mesmo
isenções fiscais para outros setores.
Já a liberação de mão-de-obra decorrente do processo de mecanização do campo
permite garantir o aumento do número de trabalhadores nos setores industriais e de
serviços.
Com relação à geração de divisas, estas são fundamentais para a importação de
insumos e bens de capitais (máquinas, equipamentos) necessários ao desenvolvimento
de outras atividades econômicas.
Por fim, considerando o avanço da modernização da agropecuária, cria-se
um mercado para produtos industrializados mediante o crescimento da demanda por
máquinas, suprimentos e diversos tipos de insumos.

QUESTÃO 3. Discuta as condições da comercialização e produção de trigo no Mercosul.


Especialmente, as relações comerciais e econômicas entre Brasil e Argentina. Por que essas
relações favorecem a importação de trigo, principalmente para o nordeste brasileiro? (3,0 pontos).

RESPOSTA:
A Argentina exporta 30% de sua produção para o mercado brasileiro, o que representa cerca de 90%
das importações brasileiras de trigo. A comercialização do trigo argentino acompanha o mercado internacional
do trigo durum. Em função do acordo de livre comércio do Mercosul, o trigo argentino está livre da
incidência da Tarifa Externa Comum (TEC), de 11,5%, e do Adicional de Frete para Renovação da Marinha
Mercante (AFRMM), de 25% sobre o frete, tornando mais barata a importação do trigo argentino, razão pela
qual o mercado brasileiro se tornou praticamente cativo desse país.
Entretanto, as importações de trigo em grão argentino estão sujeitas ao imposto interno sobre
exportações (retenciones) de 20%, de caráter temporário, instituído na Argentina em janeiro de 2002, quando
houve a mudança da política de câmbio fixo para câmbio livre. Não existe hoje nenhum acordo de comércio
específico para o trigo, nem quota de importação.
Também não há qualquer obrigatoriedade de importação dos países do Mercosul.
Predominam regras livres, cabendo exclusivamente aos importadores, decisões de
importar de qualquer origem, aos preços de mercado. Contudo, com esses custos de
importação, as compras fora do Mercosul ficam mais caras, permitindo aos
exportadores argentinos, após negociarem os volumes excedentes ao consumo do
Mercosul, utilizarem os respectivos percentuais tarifários da TEC e do AFRMM como
margem de ganho em relação aos do mercado internacional.acordo de comércio
específico para o trigo, nem quota de importação.
Com relação à farinha de trigo, tem ocorrido a seguinte anomalia: para se livrar
do imposto de 20% sobre as exportações de farinha de trigo, os moinhos argentinos
estão adicionando sal à farinha e exportando-a para o Brasil como “mistura”, que está
sujeita a uma alíquota menor, de 5%. Essa farinha concorre com a farinha produzida
pelos nossos moinhos, chegando ao Brasil, barata e pressionando para baixo o preço
da farinha no ponto final de consumo, razão da reclamação dos moinhos brasileiros,
que estão pagando um preço elevado pelo grão e não conseguindo repassar esse custo
para a farinha.
Uma das principais mudanças no ambiente institucional ao longo da década de
1990 foi a redução das barreiras tarifárias e não tarifárias às importações de trigo em
grão e derivados. Esse movimento de queda de barreiras comerciais deu-se tanto com
relação a importações provenientes do mercado internacional em geral, quanto
principalmente com relação a importações provenientes do Mercosul.
Os produtos com importações restringidas até 1992 − como a farinha − passam a
ter as importações liberadas. A tarifa externa comum foi reduzida para 10%, no caso
de trigo em grão, glúten e sêmola, 12%, no caso de farinha, 16%, no caso de massas, e
18%, no caso de biscoitos e produtos de panificação. Como decorrência, o mercado
nacional abriu para produtos das mais variadas origens, como biscoitos dinamarqueses
e massas italianas. O mais importante é que não há restrições tarifárias às importações
internas ao Mercosul, o que coloca o SAG do trigo brasileiro em confronto direto com o
competitivo concorrente argentino.