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XXXIV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO

Engenharia de Produção, Infraestrutura e Desenvolvimento Sustentável: a Agenda Brasil+10

Curitiba, PR, Brasil, 07 a 10 de outubro de 2014.

ESTUDO DE TEMPOS E MOVIMENTOS:


ANALISANDO A PRESTAÇÃO DE
SERVIÇO EM UM CONSULTÓRIO
ODONTOLÓGICO

Patricia Katherine Ramos Vital (Univasf )


patriciakatherine.eng@gmail.com
Weliston Luiz da Cruz Pereira da Silva (Univasf )
weliston.luiz@gmail.com
Maria Adriana Ferreira Lopes (Univasf )
engadriana.lopes@hotmail.com
Raydjane Dedier de Morais (Univasf )
jane_rayd@hotmail.com

O presente trabalho aborda o estudo de tempos e movimentos em uma


empresa prestadora de serviços odontológicos, situada na região do
Vale do São Francisco, mais precisamente em Petrolina-PE, cuja
finalidade de todo o estudo é avaliar o desempenho de um processo,
assim como o de seus agentes transformadores e transformados, o
tempo necessário para efetua-lo, bem como os movimentos
desenvolvidos pelos agentes (prestador do serviço e cliente) do sistema
avaliado. Para tanto se faz fundamental o acompanhamento técnico
(visitas) e o uso da literatura a fim de embasar tais atividades no
âmbito teórico dos conceitos de tempo, movimento e prestação de
serviço. A partir dai e com o recolhimento de informações
quantitativas, são calculados os tempos ideais para a realização da
atividade e como estes afetam o desempenho da prestação do serviço,
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sendo este também influenciado pelo espaço físico e a qualidade do


atendimento. Por fim, sugestões de melhorias são feitas a fim de
otimizar o processo de maneira geral.

Palavras-chaves: Tempos, movimentos, odontológico.

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1. Introdução

Pode-se entender que os serviços de uma maneira geral são uma atividade econômica central
para qualquer sociedade, e o desenvolvimento deste setor é um processo natural na evolução
para este estágio (FITZSIMMONS; FITZSIMMONS, 2000). Nos últimos anos as atividades
ligadas ao serviço tiveram um aumento considerável em relação aos outros setores da
economia, e segundo Corrêa (2003) tem chamado cada vez mais a atenção dos pesquisadores
da área de gestão de operações desde a década de 1970, ainda de acordo com o autor se o
comercio for integrante do setor são responsáveis por 60% da geração de riqueza na economia
nacional(CORRÊA, 2003), dessa forma percebe-se que os serviços estão cada vez mais,
tomando uma boa fatia do mercado e renda do nosso país.

A análise do estudo dos tempos e movimentos é o instrumento fundamental para se


racionalizar o trabalho da melhor maneira possível. Dessa forma este é executado melhor e
mais economicamente por meio da análise, ou seja, da divisão de todos os movimentos
necessários para a realização e execução de cada operação de uma tarefa. Taylor, o mentor
desta ideia, viu a oportunidade de decompor cada tarefa em uma série mais organizada de
movimentos simples, já os que desperdiçavam tempos eram eliminados. A essa análise do
trabalho seguia-se o estudo dos tempos e movimentos, ou seja, a determinação do tempo
médio para a realização de uma tarefa (CHIAVENATO, 2003).

Uma importante operação de suporte ao setor comercial na cidade consiste nos serviços
odontológicos, fundamentais na saúde bucal das pessoas já que estas são responsáveis pelo
cartão de visita de todos, uma vez que uma boca com dentes bem cuidados também é
importante no momento de conseguir algum objetivo profissional.

Devido a grande e crescente procura por parte das pessoas ao serviço odontológico resolveu-
se então estudar um pouco mais a respeito de como é o tempo e movimento desses
profissionais e o desencadeamento desses processos tanto para o profissional quanto para o
paciente (cliente).

O presente artigo tem por objetivo realizar um estudo de caso em uma empresa odontológica
prestadora de serviços, a fim de avaliar e analisar os tempos e movimentos realizados pela
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profissional responsável. Para tal será realizado um estudo a cerca do tema para assim aplicar
na prática os conhecimentos adquiridos, aliados com a literatura de forma que se obtenham
resultados podendo assim propor melhorias nos métodosatuais e culminando com a análise
das conclusões obtidas e sugestões para trabalhos futuros.

2. Referencial Teórico

2.1 Definição de Processo e Operações

Segundo Johansson et al. (1995), define processo como um conjunto de atividades


interligadas e integradas que utilizam uma matéria prima, passando por uma transformação
para obter um resultado ou produto/serviço acabado. Espera-se que ao final do processo de
transformação obtenha-se um resultado que agregue valor e a criar um resultado mais eficaz.
De acordo com Barnes(1977) pode-se definir operação como o conjunto de atividades
desenvolvidas sobre uma determinada matéria, desenvolvido por trabalhadores em conjunto
com maquinas em um espaço de tempo. Vale ressaltar que a operação é também vista como o
trabalho realizado para efetuar a transformação do fluxo de operadores e equipamentos no
tempo e no espaço.

2.2 Estudo dos Tempos e Movimentos

O estudo dos tempos e movimentos são obtidos a partir da união das ferramentas de medição
do trabalho criadas por Taylor e da sistematização dos movimentos dos funcionários criadas
por Gilbreth. Essa ideia consiste em um estudo do trabalho que tem por objetivo determinar o
tempo gasto por um funcionário treinado e trabalhando em condições e ritmo normal para
executar uma atividade determinada daí vem o estudo dos tempos, e desenvolver e padronizar
o método de trabalho. Em operações intensivas de mão-de-obra o estudo dos tempos é de
extrema importância na definição da capacidade produtiva. O estudo dos tempos de qualquer
atividade se inicia com a escolha do funcionário que terá seu trabalho cronometrado esse, no
entanto, deve estar treinado e apresentar pouca variabilidade na realização da atividade.

2.3 Definição da amostra e tratamento de dados

Após a escolha do funcionário a ser cronometrado, é necessário definir uma amostra de


cronometragens para a composição e realização do estudo. (n) é deduzida a partir da

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expressão (1).

(1) N = (A*z) ÷ (X*Er*d2)

Sendo A a amplitude da amostra de cronometragens,Z o nível de confiança da distribuição


normal, X é a media dos valores da amostra, Er o erro relativo que depende do nível de
confiança adotado, d2 é um coeficiente obtido nas tabelas estatísticas em função do numero
de cronometragens realizadas.

2.4 Cálculo do tempo padrão (TP)

O cálculo do tempo padrão segundo Martins e Laugeni (2006), apontam a necessidade de


normalização dos tempos médios (TM) obtidos, se obtêm o tempo normal como sendo:

TN= TM x V.

A partir dai teremos o tempo padrão dado por:

TP= TN x FT.

Onde (TN) é o tempo normal, que é o Tempo Real de ciclo de uma operação, ou seja, o tempo
decorrido desde a saída de uma peça da operação até a saída de uma outra peça, corrigido pelo
ritmo de cada operador individualmente e (FT) é o fator de tolerância, fator esse que nos
mostra que não é possível que um trabalhador exerça sua função sem interrupções o dia
inteiro, dessa maneira devem ser previstas interrupções no trabalho para que sejam atendidas
as necessidades pessoais de cada um bem como um descanso, permitindo assim um alivio dos
efeitos da fadiga em seu ambiente de trabalho. Para Calcular o Tempo Normal (TN) é
necessário aplicar algumas fórmulas para obter esse tempo, é necessário também saber a
eficiência do operador (EF) a habilidade do mesmo (H), bem como o esforço exercido por ele.
Abaixo seguem as fórmulas necessárias:

TNi = TRi + EFi

EF = 1 + H + E

TNi = ∑ Tri + EFi = ∑ TNi

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Se a tarefa for dividida em n elementos, o tempo normal (TN) de toda a tarefa será o
somatório de todos os tempos normais de todos os elementos.

Já para Calcular o tempo padrão (TP) são necessárias outras expressões matemáticas para
obter esse tempo. Se faz de extrema importância saber o tempo normal (TN) e alguns fatores
de tolerância (FT) que são divididos em tolerância um (T1) que é a tolerância (em decimal)
devido a natureza da atividade; tolerância dois (T2) tolerância (em decimal) devido ao ciclo
ou monotonia; tolerância três (T3) tolerância (em decimal) devido ao ambiente; tolerância
quatro (T4) tolerância (em decimal) devido a temperatura e umidade. Vale salientar que todas
as tabelas com esses dados do fator de tolerância estão em anexo ao final deste artigo. Seguem
as fórmulas necessárias para se obter o tempo padrão.

TPi = TNi + FTi

FTi = 1 + (T1 + T2 + T3) + T4

A partir desses cálculos pode-se finalmente achar todos os tempos de trabalho de um operador
em condições normais de exercer suas atividades dentro da organização onde ele atua.

2.5 Capacidade Produtiva

Entende-se como capacidade produtiva, como sendo a capacidade de produção que a empresa
tem de produzir seus produtos. Produzindo o tanto que seus recursos lhe permitirem, sabendo
disso esse recurso torna-se um gargalo quando limita a produção da fabrica a um ponto em
que essa passa a oferecer menos do que a demanda exige, dessa forma a melhor maneira de
determinar essa capacidade é fazer um estudo dos recursos que ela possui, porém, no caso
deste artigo trata-se da capacidade de atendimento ao cliente enquanto o mesmo está dentro
do consultório odontológico e participa simultaneamente do processo do inicio ao final.

3. Metodologia

O presente trabalho se caracteriza por uma pesquisa de cunho quantitativo cujo objetivo é
analisar os tempos e movimentos desenvolvidos por um profissional da área médica
odontológica, bem como seus pacientes. A pesquisa foi realizada em um consultório
odontológico localizado na cidade de Petrolina-PE, o qual possui cerca de com 4 funcionários,
sendo dois cirurgiões dentistas e duas auxiliares gerais, tendo em média uma demanda de 16 à
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20 pacientes por dia. Vale salientar que, segundo informações da auxiliar, diversos serviços
são ofertados pelo consultório dentre os quais os mais realizados são o de manutenção de
aparelhos, limpeza e obturação.

Assim, acoleta dos dados foi realizada no período de 24 a 26 de Julho de 2013, em que,
primeiramente, se estabeleceu um contato prévio a fim de saber o histórico da empresa,
através de um questionário, e como era feito o atendimento ao cliente, então, com estudo
prévio de alguns conceitos da literatura sobre tempos, movimentos, ergonomia dentre outros e
com o auxilio de instrumentos apropriados, tais como cronômetros e trena foram feitas
medidas dentro do consultório odontológico com o intuito de analisar se o espaço físico do
local estava propicio a uma boa ergonomia tanto do profissional quanto do paciente.
Cronometrados os procedimentos odontológicos realizados pelo profissional em vários
pacientes (clientes), pode-se observar se tal atendimento condizia, em relação à agilidade,
com o tempo esperado para a função realizada, ou seja, a depender o procedimento e do
paciente em questão, quanto tempo o profissional gastaria para executar todo o processo.

Com isso, foi possível desenvolver o presente trabalho mapeando e analisando o processo de
atendimento odontológico, mais especificamente obturação dentária, em que uma
cronoanálise é realizada pela equipe no intuito de otimizar os temposde execução do
procedimento a fim de se obter melhores resultados e se estes estão dentro do padrão
esperado.

4. Resultados e discussões

A partir dos conceitos e expostosnas seções anteriores e dos dados coletados no consultório
odontológico foi possível cronometrar os tempos, mapear e analisar o processo de
atendimento por completo, bem como suas operações.

O processamento da obturação dentária, isto é, entradas, transformação e agregação de valor


do agente a ser transformado e as saídas estão descritas na Tabela 1. Já para mais detalhes de
todo o procedimento, dentre elas a descrição das etapas, as operações e a média dos tempos de
cada atividade efetuada pelo sistema encontra-se no ANEXO I.

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Tabela 1- Processo de entrada e saída. Obturação dentária


Input Processo de Transformação Outputs

Mão de obra (dentista);

Energia; Atendimento (obturação do dente) ao Paciente com o dente obturado, e


paciente pelo dentista. resíduo.
Equipamentos dentários;

Paciente sem dente obturado

Fonte: Autoria própria.

Foi realizado um fluxograma demonstrando a sequência do processo odontológico, tal


representação gráfica é mostrada na Figura 1. O mapofluxograma demonstrado na Figura 2
representa a movimentação física de um cliente através dos centros de processamento,
seguindo a sequência descrita pelo fluxograma. Diante disso, podem-se identificar os
possíveis pontos de entrave, na qual facilita na indicaçãodas soluções a serem empregadas.

Figura 1- Fluxograma do Arranjo físico

Fonte: Autoria própria.

Figura 2- Mapofluxograma do consultório Odontológico.

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Fonte: Autoria própria.

4.1 Cronoanálise

Nesta etapa foram feitos os estudos dos tempos de cada operação, ou seja, quanto tempo em
minutos, gasta-se para realizar uma operação dentro do processo de atendimento odontológico
ao cliente. Cronômetros foram utilizados para essa medição e a apuração de cinco amostras
(tempo real), juntamente com os devidos cálculos, resultou no Tempo Real medido para cada
operação ( ) demonstrado na Tabela 2.

Tabela 2- Tempo real ( em min)


Operação Tempo 1 Tempo 2 Tempo 3 Tempo 4 Tempo 5 TR
1 Espera para ser atendido 2,50 3,00 3,00 3,20 2,80 2,90
2 Falar com a recepcionista 1,40 1,00 0,99 1,00 1,25 1,13
3 Espera 01 18,30 18,30 18,50 18,50 18,50 18,42
4 Atendimento 15,10 16,00 15,20 16,00 15,55 15,57
5 Espera 02 3,70 3,50 2,50 2,50 2,80 3,00
6 Efetuação do Pagamento 1,05 1,60 1,00 2,00 2,50 1,63
7 Saída do paciente 0,40 0,40 0,40 0,40 0,40 0,40
Total (min) 43,05
Fonte: Autoria própria.

Para o calculo do Tempo Padrão ( ) foi necessária o Tempo Normal ( ) e o Fator de

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Tolerância ( ) de cada operação. A Eficiência (E) e Habilidade (H) do operador, nesse caso

o dentista, foram atribuídas de acordo com o ANEXO II. As tolerâncias devido à natureza da
atividade, ao ciclo ou monotonia, ao ambiente e a temperatura e umidade foram atribuídos de
acordo com o ANEXOIII, ANEXO IV, ANEXO V e ANEXO VI.

Figura 3- Calculo do Tempo Padrão (em min)

Fonte: Autoria própria.

De acordo com a Figura 3, podemos dizer que o Tempo Padrão total é em torno de 51,46 min
(3,20 + 1,32 + 20,67 + 20,30 + 3,31+ 2,21 + 0,45).

Para levantamento e análise das atividades manuais são utilizadas algumas ferramentas
gráficas de análises de atividade simultâneas. Um dessas ferramentas é o Diagrama Homem-
Máquina na qual representa o trabalho coordenado de um operador na operação simultânea
com uma ou mais máquinas. Como o estudo trata-se de um consultório odontológico as
maquinas aqui descritas são os aparelhos odontológicos.

Figura 4- Diagrama Homem-Máquina

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Gráfico Homem-Maquina
Homem Maquina
Cliente T (min) Dentista T (min) Ajudante T (min) Aparelhos Odontológicos T (min)

Espera 2,90 Ocioso 2,90

Fala com a Recepciona o


1,13 1,13
recepcionista cliente
Ocioso 22,45 Parado 22,45

Espera 18,42
Auxilia a
8,02
Dentista

Ser atendido 15,57 Atendimento 15,57 Atendimento 15,57

Espera 3,00
Ocioso 31

Efetua o Pagamento 1,63


Ocioso 5,03 Parado 5,03

Sai 0,40

Fonte: Autoria própria.

Tabela 3- Resumo dos tempos (em min)


Cliente Dentista Ajudante Aparelhos Odontológicos

Tempo Parado 24,32 27,48 33,90 27,48

Tempo de Trabalho 18,73 15,57 9,15 15,57

Tempo total do ciclo 43,05 43,05 43,05 43,05

% utilização 43,51 36,17 21,25 36,17


Fonte: Autoria própria.

A Figura 4 e a Tabela 3 aqui apresentadas mostra a interação entre dois trabalhadores e o


cliente no consultório com a utilização das maquinas, todo o ciclo durou 43,05 minutos. O

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tempo de utilização do dentista e da ajudante corresponde a 15,57e 9,15 min, respectivamente,


o que mostra que os dois não estão trabalhando no mesmo ritmo. Porém, é possível observar
que a interação homem-maquina é bem distribuída, uma vez que os tempos estão próximos,
com exceção do ajudante que possui muito tempo parado durante o procedimento, de 33,9
min. Mesmo assim todos os processos podem ser melhorados e mais eficientes com a
diminuição ou eliminação dos tempos ociosos e de maquinas paradas.

4.2 Sugestões de Melhoria

Após a realização desta pesquisa, notou-se o quão importante é avaliar com certa constância a
qualidade dos serviços prestados em consultórios odontológicos. Quando se fala em Plano de
Melhoria, o intuito é a solução de possíveis problemas, sendo que estes devem ser
equacionados e, ao mesmo tempo, julgar se eles merecem consideração e se esse é o momento
oportuno para a solução. A melhor resposta para a solução do problema poderá ser uma que
tenha o menor custo de mão de obra, menor custo de investimento, a que exige a menor área
de serviço ou resulte na maior utilização de matérias, ou aquele a que permita que o
consultório possa entrar em atendimento total no menor período de tempo. Sempre levando
em consideração as restrições em um estágio de problema-solução e o tempo para a solução
de problemas. Por estas razões é necessária uma pesquisa de possíveis soluções, pois o foco
está em encontrar a solução que se enquadre nos critérios e especificações estabelecidas, e
uma avaliação das alternativas, requerendo uma consideração cuidadosa com relação às
dificuldades futuras que poderão ser encontradas. E por fim, como nem sempre a pessoa que
determina a melhor solução para o problema é quem realiza, se faz necessário de um relatório
escrito ou verbal pra ser comunicado a outras pessoas. Na maioria dos estabelecimentos não
existe uma solução final para o problema. A solução pode ser aceita e utilizada até encontrar
outra melhor.

O ambiente clinico caracteriza o cartão de visitas do profissional, seja ele de qualquer área,
logo nesta parte necessita um pouco a mais de atenção. A localização, a organização, o layout
do consultório evidencia o grau de interesse do profissional para com os seus clientes. O
consultório que oferece facilidade de acesso aos clientes já mostra um diferencial no
atendimento. Uma sala de espera confortável, juntamente com uma equipe bem treinada

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proporcionam conforto e tranqüilidade ao paciente. Ao analisar o processo do atendimento


pode-se perceber que por a sala do profissional ser muito pequena não se faz possível a
alteração do layout, vale salientar também que o espaço entre as maquinas precisa ser o mais
reduzido possível, pois durante o procedimento em todo momento a profissional está em
contato com as maquinas. O que foi sugerido foi uma mudança das maquinas de lugar, pois a
porta da sala abre praticamente em cima da cadeira onde fica o paciente e como a sala é
compartilhada com outro profissional o transito para sair da sala fica de difícil acesso como
também deixando o paciente incomodado com outras pessoas passando ao seu lado. Com a
troca das maquinas para o fundo da sala evitaria esse transito, bem como aumentaria o espaço
para entrada e saída da sala. Outra melhoria sugerida é em relação a limpeza, uma vez que é
feita enquanto o paciente esta dentro da sala, aumentando ainda mais a quantidade de pessoas
dentro de um local apertado. Sugeriu-se que a limpeza fosse feita entre um atendimento e
outro de forma que o cliente não perceba a presença de auxiliares na hora do seu atendimento,
podendo atrapalhar o mesmo.

Outra melhoria sugerida foi o pós-atendimento, a avaliação do atendimento prestado torna-se


necessário para se ter um feedback entre o profissional e o paciente, de modo que seja um
diferencial para o melhoramento do serviço. Esse pós-atendimento poderia ser uma ligação
telefônica ou uma pesquisa de satisfação, para que assim fosse mensurado a qualidade do
serviço.

Com os dados obtidos na pesquisa realizada com os clientes do consultório, juntamente com o
que foi possível observar enquanto consumidor, percebeu-se que a disponibilidade de horário
é um indicador importante, a falta de horários ou o longo tempo de espera ocasiona no maior
gargalo, visto que existe uma grande quantidade de clientes a serem atendidos no dia. Uma
sugestão encontrada seria o agendamento da consulta de acordo com o procedimento, alguns
tratamentos são mais rápidos, outros mais longos, logo cabe ao profissional saber medir a
média de tempo gasto com cada um. O que leva a outro motivo de insatisfação dos pacientes,
a falta de pontualidade dos dentistas, que acaba atrasando as consultas e gerando longas
esperas, logo se faz necessário que o dentista se prontifique a chegar no horário marcado para
se ter um serviço de melhor qualidade.

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5. Conclusão

Por tal pesquisa, pode-se concluir que ao ser feito um estudo de tempos e movimentos, é de
suma importânciaque o procedimento sejarealizado com eficiência, pois, só assim se é capaz
de mensurar os tempos e movimentos da pessoa que o realiza, em condições normais de
trabalho, para então definir-se um padrão de tal operação.No presente trabalho, foi escolhida a
atividade deobturação, e a partir desta foram feitas as análises necessárias, tais como o cálculo
dos tempos padrão e real, e analisando-se os resultados, constata-se uma diferença de 8,41
minutos, ou seja, tempo significativo para tal função.

No caso aqui relatado, é de fácil percepção que um grande problema da empresa em questão é
dado pelo tempo de espera do cliente para ser atendido, que no caso da obturação levou quase
18 minutos de espera. Outro problema observado é em relação a capacidade física de
atendimento, isto é, a clinica é pequena demais para a grande demanda que possui, porém,
pela localidade da mesma, não há possibilidade de ampliação dificultando o atendimento ágil
ao cliente.

Portanto, faz-se necessário repensar um projeto de mudança de local para tornar o trabalho do
profissional mais ágil e eficiente, onde, tempos e movimentos corretos e menores podem
diminuir a fadiga do trabalhador proporcionando-lhe melhor produtividade e,
consequentemente, aumento da qualidade no serviço ofertado.

REFERÊNCIAS

BARNES, R. Estudo de Movimentos e de Tempos: Projeto e Medida do Trabalho. São Paulo: Edgar
Blücher, 1977.

CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à Teoria Geral da Administração. 7ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier,
2003.

CORRÊA, H. Teoria geral da administração: abordagem histórica da gestão de produção e operações. São
Paulo: Atlas, 2003.

FITZSIMMONS, J.; FITZSIMMONS, M. Administração de serviços: operações, estratégia e tecnologia de


informação. Porto Alegre: Bookman, 2000.

JOHANSSON, H. J. et al. (1995) - Processos de negócios: Como criar sinergia entre a estratégia de mercado
e a excelência operacional. São Paulo: Pioneira, 227 p.

NORMANN, R. Administração de serviços: Estratégia e liderança na empresa de serviços. São Paulo:


Atlas, 1993.

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ANEXO I

Tabela 4- Detalhamento das operações


Tempo
Etapas Atividade Operação
(min)
Etapa 1 Chegada do paciente Momento em que o paciente chega ao consultório 0
Etapa 2 Espera 1 Espera para falar com a recepcionista 2,90
Momento em que o paciente fala com a recepcionista
Etapa 3 Fala com a recepcionista 1,13
para ser atendido
Etapa 4 Espera 2 Espera para ser atendida pela dentista 18,42
Etapa 5 Começa o atendimento Paciente entra na sala, deita na cadeira de dentista. 1,18
Nesta etapa a dentista abre a boca do paciente e faz
Etapa 6 Análise do dente 0,20
análise do dente à ser obturado
Etapa 7 Cavidade profunda O dente lesionado é furado com uma broca 0,97
Necessário à força de adesão da restauração com resina
Etapa 8 Aplicação do primer 0,20
composta ao dente.
Etapa 9 Fotopolimerização Espectro de luz azul é aplicado ao dente 0,34
É utilizado ácido fosfórico 37% iniciando a aplicação
Etapa 10 Condicionamento com ácido 0,25
pelo esmalte
Etapa 11 Condicionamento com ácido É utilizado ácido fosfórico 37% contando pela dentina 0,25
Primeira camada-ácido utilizado para suportar situações
Etapa 12 Aplicação do sistema adesivo 0,20
adversas na etapa cavidade bucal.
Etapa 13 Aplicação do sistema adesivo Segunda camada 0,20
Etapa 14 Jato ar Leve jato da ar utilizado para enrijecer o solvente 0,55
Etapa 15 Fotopolimerização Espectro de luz azul é aplicado ao dente 0,34
Preparação do aparelho de
Etapa 16 Momento em que é feita a troca de agulhas no aparelho 1,17
inserção de resina
Primeira camada-utilizado quando se deseja ter uma
Etapa 17 Inserção de resina 0,90
aparência natural do dente
Etapa 18 Separação dos cúspides É feito com uma sonda exploradora 0,33
Etapa 19 Fotopolimerização Espectro de luz azul é aplicado ao dente 0,67
Etapa 20 Inserção de resina Segunda camada 0,50
Novamente é feito a separação com uma sonda
Etapa 21 Separação dos cúspides 0,40
exploradora
Etapa 22 Fotopolimerização Espectro de luz azul é aplicado ao dente 0,95
Etapa 23 Aplicação de corante É utilizado corantes nas cores amarelo e branco 0,27
Etapa 24 Expelir saliva Paciente cospe no cuspidor 0,067
Etapa 25 Fotopolimerização Espectro de luz azul é aplicado ao dente 0,75

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Etapa 26 Inserção de resina Incisal Cúspide mésio-lingual 0,37


Etapa 27 Fotopolimerização Espectro de luz azul é aplicado ao dente 0,70
Etapa 28 Inserção de resina Incisal Cúspide mésio-vestibular 0,47
Etapa 29 Fotopolimerização Espectro de luz azul é aplicado ao dente 0,65
Etapa 30 Inserção de resina Incisal Cúspide disto-vestibular 0,41
Etapa 31 Fotopolimerização Espectro de luz azul é aplicado ao dente 0,69
Etapa 32 Inserção de resina Incisal Cúspide disto-lingual 0,45
Etapa 33 Fotopolimerização Espectro de luz azul é aplicado ao dente 0,67
Etapa 34 Polimento A dentista usa uma pequena fita para polir o dente 0,17
Etapa 35 Lavagem final do dente Com um jato de água, a dentista lava o dente polido. 0,05
Etapa 36 Expelir saliva O paciente cospe no cuspidor 0,067
Etapa 37 Finalização do procedimento A paciente saí da cadeira de dentista e vai a recepção 0,17
Etapa 38 Espera Paciente esperou a recepcionista lhe atender 3,0
Etapa 39 Efetuação do pagamento Momento em que a paciente paga o serviço prestado 1,63
Etapa 40 Saída do paciente Momento em que o paciente saí da clinica 42,63

ANEXO II

Figura 5- Tabela de ritmo

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ANEXO III

Figura 6- T1 – Tolerância (em decimal) devido à natureza da atividade

ANEXO IV

Figura 7- T2 – Tolerância(em decimal) devido à duração do ciclo ou monotonia

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ANEXO V

Figura 8- T3 – Tolerância (em decimal) devido ao ambiente

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Obs.: Quando ocorrer a presença de vários agentes, considerar aquele de maior valor.

ANEXO VI

Figura 9- T4 – Tolerância (em decimal) devido à temperatura e umidade

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