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CLASSE

0DJ 1'\.L

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-

S DE PALAVRAS: VISÃO GERAL

I t CLASSE 0 DJ 1'\.L ~ - S DE PALAVRAS: VISÃO GERAL \'.I ➔ COMO

\'.I

COMO CHEGAMOS AO

,'"'

• ARISTóTE

4e - - ~u~--·sABEMOS HOJE SOBRE AS CLASSES DE PALAVRAS? LES 7 partes âí ct · ---- :J

- -

Q

J§Çll[S.QJ NOME, VERBO E PARTÍCULA.

CENTRAL: Como denominar?

ANTE

.

Parte

S, uma QUESTÃO

s

d

o discurso -A ·

.

ª 0

I

Classes de vocáb

Partes da oraç- ~os_- Droni~ro de Trácia / Apolônio Díscolo / Evanildo Bechara

Classes de p

n st ~tel~~ (origem grega)/ Tradição francesa (/es parties du díscours)

.

origem latina (partes orationis) - Donato/ Prisciano a avras - Celso Cunha

1

E

.

Cslpec1es de vocábulos - Mattoso Câmara Jr. asses gram a r reais morfolog1cas - denominação mais usada no ensino de LP

·

1

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.

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AS PR@PCOSTAS lDA T~ADIÇÃ ® G~EC @-LATINA

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e, e, ~!l~ -v'\ \- C)'-]

I -: Gr~gos = [I ionísi0 d~ ~J[á_çja)J ou O Trácio (170-90 a. e . ) - A Arte da Gramát ica , editada pela primeira vez em 1715.

1 - N~ME : parte do discurso flexionável em casos que , de modo comum ou próprio , indica ? - ·[ º?Jeto (soma , literalmente , "corpo") ou ação (prâgma) , distinção que constitui a base da

diferenciação entre ' concreto ' e ' abstrato ' .

,

,,2-

, ·

• ·

- ·

,-

2.,VERBO : palavra indeclinável que indica tempos, pessoas, números, representando, ainda, ~ão praticada ou recebida .

3. PARTICÍPIO : não é considerado espécie nem de nome nem de verbo ; é uma classe à parte 1 .

4 . ARTIGO : parte declinável do discurso que se coloca antes (artigo protático I artigo definido) e depois (artigo hipotático I pronome relativo) do nome.

5. PRONOME: palavra usada no lugar do nome , indicativa de referência pessoal definida (pessoais e possessivos).

6. PREPOSIÇÃO : palavra que se coloca antes de todas as partes do discurso .

7. ADVÉRBIO : parte não flexionável do discurso colocada antes ou depois do verbo 2 .

8. CONJUNÇÃO : palavra que liga como ordenação o pensamento e revela os vazios da expressão 3 .

o pensamento e revela os vazios da expressão 3 . l i - Gregos= Apolôn io

l i - Gregos= Apolôn io Dí scolo - gram~ti ca de

1 e 2. NOME e VE RB O: sem eles "qualquer proposição está incompleta , enquanto , se falta r uma das outras partes , não deixa de haver a propos ição ; entre os dois, o primeiro lugar é o nome , porq ue exprime os seres , enquanto o ve rbo só exprime o estado particular , ativo ou Passl ·vo".

Al exandr ia (sé c. li d.C.)

(

\

.,. ' ~~{1

}

J

/:,

!

1

ry

1

,)

1 Trad icio nalmente , várias razões dificulta m a aceitação do particípio como uma espé~ie _de _nome: ~exiSlência de formas ativas e passiyas , a reg~n_çia -~ a própria _dj_§~~(bl!_i_~o. Por outro lado , a ex1st~n çi a çle g.enero e casos

- ímpeãtãsmfTITíãçãÕ.ent re ·os ve rbos .

2

Define-se , poi s, por referên cia ao verbo , o que sign ifica que so e considerado como associado ª essa parte

.

.

,

,

.

.

d

0

discurso.

3

Traz a ideia de Ar ist óteles sobre a condiçao nao s1grnficat 1va

_

_

.

.

.

-

. da con Junça~ .

A

- 0 coloca os pensamentos conJunça

em uma conexão lógica e, portanto , há uma ordenação necessária , urna táxis.

CLASSES DEP ALAVRA DO PORTUGUÊS- PROF. HERBERTT NEVE S

Página 1

\

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l ,

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1

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C

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1,< o • \

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,

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d

e a

-1

,

v.

, -:

3 · PARTIC IPIO: · vem logo após o verbo e o nome porque participa . .

4 _!ansfor~ação do verbo em formas fle~ ivas nominais)

mbos (tem origem na

0

rono;,e não

P

-

RTl~O . vem em seguida porque se liga ao nome e ao particIpIo , enquanto

-º--ª-<lrn Ite .

PREPO

. 5 · PRONC?ME : vem depois do artigo porque se coloca no lugar do nome , enquanto O artigo se

coloca Junto do nome coexiste com ele e assim deve preceder o pronome. 6 ·

nteriormente

nomeadas , porque "por origem é posterior" a elas , já que existe para se lhes antepor, seJa

. 7 · ADVERBIO: é uma espécie de adjetivo do verbo; do mesmo modo que o verbo e segu nd0 "

.

'

· SIÇAO: -

não

pode

enunciada '

antes '

ser

das

partes

do

discurso

a

por c?mposição seja por aproximação.

do nome, o_advérbio é segundo da preposição, a qual precede o · CO~J_UNÇAO: é a última das partes do discurso, porque nada poderia s1gnif1car sem matena das palavras".

8

PRINCIPAIS PROPOSTAS GREGAS (QUADRO - SÍNTESE ) (BAGNO , 2011 , P. 41 7)

 

ª

 

HERACLITO

 

PLATÃO

ARIS TÓTELES

 

ESTOICOS

     

1.

ónoma ("nome"): substantivos

1

1.

ónoma

1. ónoma ("nome")

 

adjetivos

 

1

("nome):

e

1

 

2.

rhãma ("verbo")

1

 

1. logos

 

substantivo/

 

3.

syndesmos ("conjunção"):

 

1

 

sujeito

 
 

("linguagem,

conjunções e preposições

 

1

razão,

   

2. rhêma ("verbo")

4.

árthron ("artigo"): pronomes

 

1

natureza,

2.

rhêma

retos e pessoais; artigos definidos

cosmo")

("verbo"):

 

demais pronomes

 

e

 

verbo/

3. syndesmos

5 . metokhé (" part icíp io")

 

predicado

("conectivo"): preposições, conjunções, pronomes

6.

epírrhema ("advérbio")

 

111 - Latinos = Varrão: manteve a classificação dos gregos.

IV -

Latinos = Prisciano: oito classes de palavras com seus acidentes (gênero, número, caso

etc.) - tradição latina mais antiga

nomen, nomina

caso etc.) - tradição latina mais antiga nomen, nomina ronomen, ronomina verbum, · verba adverbium, adverbia

ronomen,

ronomina

verbum,·verba

adverbium, adverbia

• Os gramáticos latinos ainda incluíram : nomína substantíva, nomína adjetiva, numera/ia.

AS PROPOSTAS DA TRADIÇÃO DE LÍNGUA PORTUGUESA

As primeiras gramáticas de LP seguiram a tradição greco-romana:

1536 - Grammatica da lingoagem portugueza - Fernão de Oliveira • 1540 - Grammatica da língua portuguesa - João de Barros

Classes de vocábulos (proposta tradicionalista):

• NGB (1959): seis classes variáveis e quatro invariáveis 4 .

•NGP (1967): também propõe dez classes.

~Ant es da NGB, art igo e numeral não eram cons iderados classes autônomas, seguindo a t radição latina .

ALGUNS PRINCÍPIOS DE ANÁLISE

• Fatos são diferente

• ClassT

.

s

d

e

h. tpoteses: , as class1f1caçoes . . _ das gramat,cas , sao _ h1poteses, . , nao _ fatos

é

u

,~car e_P~rte_do nosso conhecimento de mundo. A classificação das formas linguísticas

m o_s pn_nc1pa1s instrumentos que utilizamos para constru ir, processar e compreender as

expressoes linguísticas. • Cada palavra da língua é um feixe de características (TRAÇOS). Ex.: "comer": é verbo. é regular, é da segunda conjugação, aceita 0D , não exige 0D , expressa uma ação - > O falante tem os traços das classes na representação mental das palavras. • Toda _classificação depende de um ponto de vista, por isso não faz sentido perguntar, de uma maneira geral, "quais são as classes de palavras em português". • Metodologicamente = classes ou categorias?

ENSINO DAS CLASSES DE PALAVRAS: questões e problemas

P:, Escola tem confundido fatos com h ipóteses.

que o

• E preciso

se desprender da

ideia de

que está na

incontestável. • Regras gramaticais = regularidades

Mesmo ass im , é bom observar que

gramática é factual e, por isso,

Fruto de intuições geniais, sem dúvida, e de grandes sacadas dos filósofos, a nomenclatura

 

grega

ambiente cultural, religioso , social, econômico , político

está,

como

qualquer

produto

intelectual

humano,

profundamente

enraizada

, e ideológico _existente nos momentos \

no

históricos e nos lugares específicos em que ela foi produzida. E fundamental, portanto,

 

expulsar o

fantasma

que

tantas

pessoas

teimam

em

invocar quando se reterem à

nomenclatura gramatical tradicional e à quimérica necessidade de ensiná-la tal e qual aos alunos na escola, sem submetê-la a crítica, como se tosse um conjunto de dogmas religiosos ,

cuj o descumprimento leva ao inferno e à perdição da alma . (BAGNO , 2011 , p.417 )

 

CRITÉRIOS PARA CLASSIFICAÇÃO TRADICIONAL DAS PALAVRAS

•ASPECTOS

MORFOLÓGICOS (características forma is)

•ASPECTOS SINTÁTICOS/FUNCIONAIS (função ou papel das palavras na frase) •ASPECTOS SEMÂNTICOS (de que modo as palavras significam)

Relembrando -+ Que critérios podem atuar na identificação das classes de palavras?

a)

Em

primeiro

lugar,

valem

a forma

e

a

distribuição , que , às

vezes ,

são

criténos

sufi cientes .

 

b)

Em segundo lugar, vem a função exercida pala palavra na oração , critério previsto para ser utilizado quando os critérios de forma e distribuição levam a uma ambiguidade.

e)

Em últim o lugar, vem o sentido (que é um critér io da gramática trad ic ional) , que constitui, na verdade, um resu ltado da função e da classe , e, além disso, está sujeito a generalizações excessivas, o que o torna inseguro, embora sempre se tenha tido de reconhecer que às unidades de forma correspondem unidades de conteúdo.

nl ➔ PINILLA , 2009 Substantivo r E .--f o nome de todos os seres

nl

PINILLA, 2009

Substantivo

r

E

.--f

o nome de todos os seres (critério seman 1co

-

--

--

-

-

) que existem ou que

1

-1

1D1ag1namos ex1s_t1r

E

toda

e qualquer

 

tantivo

(critério

cr itério

palavra

_

_

que , iunto

de

~m

subs

--

Adjetivo

   

.

funcional) , indica uma gualidade, estado, defeito ou condicaQ (

 
 

semântico).

   

Advérbio

E a palavra invariável (critério morfológico) que mod1f1ca essencia !mente 0 verbo (critério funcional) exprimindo uma ci rcunstânc ia (tempo , modo,

y

-

--

-

.--- . -

--

 

-

lugar etc.) (critério semântico).

 

E a palavra que pode sofrer as flexões de tempo, pessoa , número e 1

Verbo

~o_do (critéri~ morfológico). [

 

)

é a palavra que pode ser <:_onj ugada; 1

indica essencialmente um desenvolvimento, um processo (acao , eSlado

 

--

ou

fenômeno ) (critério semântico ).

 

Artigo

E

ª P~avra que antecede o substantivo (critério funcional) e indica 0

 

seu ge_nero e número (critério morfológico) , individualizando-o ou aeneral1zando-o (critério semântico).

 

A

P~lavra que substitui ou acom12anha um substantivo (nome} (cr itér io

 

Pronome

funcional)

em

relacão

às

gessoas

do

discurso

(critér io

morfossem ântico).

 

Numeral

E

a oa lavra aue dá ideia de número (critério semântico).

 

Preposição

E

a

palavra

invariável

(critério

morfológico)

que

 

liga

duas

outras

 

palavras entre si (cr itério funcional) , estabelecendo entre elas certas rela ~ões (critério semântico ).

,

Conjunção

E

a palavra invariável (critério morfológico) que liga orações , ou . ainda ,

 

termos de uma mesma fun cã o sintática (critério func iona l).

 

Interjeição

E

a . palavra invariável (critério morfológico) que exprime emoção ou

 

se

nt imento re pe ntino {critér io semântico }.

 
 
 

1

PROBLEMAS DO ENSINO TRADICIONAL

• Mistura de critérios

• Exclusividade das classes

• Descontextualização

• Desconsideração dos usos (Ex .: marcadores conversaciona is) •Tentativa de enquadramento da totalidade das palavras

AS PROPOSTAS DE CLASSIFICAÇÃO DAS PALAVRAS

➔ 1) Separando os critérios (PINILLA, 2009) Critério e Funcional (função ou papel na Semântico
➔ 1) Separando os critérios (PINILLA, 2009)
Critério e
Funcional
(função ou papel na
Semântico
(modo de significação:
Classe
oração)
Mórfico
(caracterização da
estrutura da
palavra)
extralinguístico e
intralingu ístico)
Substantivo
Palavra que funciona
como núcleo de uma
expressão ou como
Palavra que designa os
seres ou objetos reais ou
imaginários.
termo determinado.
.,A
Palavra formada por
morfema lexical
(base de significação)
e morfemas
gramaticais.
~
~
' o·
CL ASSES OE PALAVRA DO PORTU GUES- PROF . HERBERT f NEVES

~

 

' Adjetivo

Palavra

 
     

com

   

f

,

que funciona o espe

f

e, icador do e urna

núcleo d

expressão (

Palavra formada por morfema lexical (base de significação) e morfemas gramaticais.

Palavra que especifica e caracteriza seres an imados ou inanimados reais ou imaginários atribuindo-lhes estados ou qualidades.

 

at .b

.

ao qual

r, _u, um estado ou

qualidade).

 

Pronome

       

(6 SUbtiposJ

P?lavra que substitui 0 nucleo ou funciona corno termo deterrninante do núcleo de urna expressão.

 

Palavra formada unicamente por morfema gramatical.

Palavra que serve para des~naraspessoasou coisas, indicando-as (não nomeia as pessoas ou coisas nem as qualidades ações, e~ados, quantidades etc.).

'

 

Artigo

Palavra que funciona como termo determinante do núcleo de uma expressão.

 

Palavra formada unicamente por morfema gramatical (palavra variável em gênero e número).

Palavra que define ou indefine o substantivo a que se refere (definido, indefinido).

Numeral

Palavra que funciona

 

Palavra formada unicamente por morfema gramatical.

 

Palavra que indica a quantidade dos seres, sua ordenação ou proporção (cardinal, ordinal, múltiplo, fracionário, coletivo) .

 

como especificador do núcleo de uma expressão ou como substituto desse mesmo núcleo. (numeral: substantivo, adjetivo).

 

Verbo

Palavra que funciona como núcleo de uma expressão ou como termo determinado.

 

Palavra formada por morfema lexical

Palavra que indica um processo (ações, estados, passagem de um estado a

 

(base de significação)

e

morfemas

outro). Processo verbal 4 fenômeno em desenvolvimento, com indicação temporal.

 
 

gramaticais.

 

Advérbio

Palavra que funciona basicamente como determinante de um

 

Advérbios formados por morfema lexical mais morfema gramatical ou apenas por morfema gramatical.

 

Palavra que especifica a significação de um processo verbal.

 

processo verba/.

 

Conectivos

Palavra gramatical que

funciona como

elemento de ligação (conexão) entre

 

Palavra formada apenas por morfema gramatical.

 

Palavra que relaciona palavras e orações e indica origem, posse, finalidade,

(preposição

e

conjunção)

 

meio, causa etc.

J ---== == JL!P;ª:'ª~v~ra: s~ o:,u~o~ra:,;ço~=e=s=. d!========:!::::===== = = ====l

2 ) Conhecendo outras propostas:

• Câmara Jr. (1970): nomes, verbos e pronomes

• Schneider (1974 ): nomes , verbos , pronomes , adjetivos e adverbros

• Bas íli o ( 1987): substantivos , adj etivos , verbos e advérb ios

• Neves (1990) : itens lexicais e itens gramaticais

• Classes abertas e classes fechadas

,

.

• Proposta de Azeredo por função comunicativa (2000) ➔ Tratados processos estabelecidos pelas palavras na sentença e no texto

o

Designação: substantivo

 

o

Modificação: adjetivo, advérbio

 

o

Predicação: verbo nocional (função mais típica da palavra)

 

o

Indicação: pronomes, advérbios

 

o

Quantificação:

advérbios

intensificadores

(muito) , locuções

adverbiais

(em

excesso),

pronomes, numerais

 

o

Conectivos e transpositores: conjunções, preposições

 

o

Determinação: artigos, pronomes

 

• Categorizações das funções de palavras (AZEREDO, 2009):

(a)

Categorização lexical: modos de recortar e categorizar o mundo, estabelecida pelos substantivos, adjetivos, verbos e alguns advérbios;

(b)

Categorização determinativa: estabelecida por determinantes (palavras que antecedem os substantivos), que especificam sentidos e atuam nos processos de constituição textual (como as relações de referenciação);

(e)

Categorização combinatória: funções sintáticas e semânticas que as palavras executam nos âmbitos sintático e textual;

(d)

Categorização morfossintática: estabelecida a partir dos diferentes processos flex ionais

no âmbito morfossintático.

3) O texto pode exercer algum papel no estudo e classificação das palavras?

• Exame do funcionamento das classes de palavras ligado à manifestação das diversas funções da linguagem .

• Significa unir critérios (abordagem funcionalista):

o semânticos: construção de sentido da frase , bem

o sintáticos: arranjo construtor de sentido o pragmáticos: organização do enunciado linguístico depende da situação discursiva e

como do texto

das intenções envolvidas na interação.

• Como fazer essa união?