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RESOLUÇÃO CNE/CEB Nº 2, DE 11 DE e serviços educacionais especiais,

SETEMBRO DE 2001.(*) organizados institucionalmente para apoiar,


Institui Diretrizes Nacionais para a complementar, suplementar e, em alguns
Educação Especial na Educação Básica. casos, substituir os serviços educacionais
comuns, de modo a garantir a educação
O Presidente da Câmara de Educação escolar e promover o desenvolvimento das
Básica do Conselho Nacional de Educação, potencialidades dos educandos que
de conformidade com o disposto no Art. 9o, apresentam necessidades educacionais
§ 1o, alínea “c”, da Lei 4.024, de 20 de especiais, em todas as etapas e
dezembro de 1961, com a redação dada modalidades da educação básica.
pela Lei 9.131, de 25 de novembro de 1995,
nos Capítulos I, II e III do Título V e nos Parágrafo único. Os sistemas de ensino
Artigos 58 a 60 da Lei 9.394, de 20 de devem constituir e fazer funcionar um setor
dezembro de 1996, e com fundamento no responsável pela educação especial, dotado
Parecer CNE/CEB 17/2001, homologado de recursos humanos, materiais e
pelo Senhor Ministro de Estado da financeiros que viabilizem e deem
Educação em 15 de agosto de 2001, sustentação ao processo de construção da
educação inclusiva.
RESOLVE:
Art. 4 Como modalidade da Educação
Art. 1 A presente Resolução institui as Básica, a educação especial considerará as
Diretrizes Nacionais para a educação de situações singulares, os perfis dos
alunos que apresentem necessidades estudantes, as características
educacionais especiais, na Educação biopsicossociais dos alunos e suas faixas
Básica, em todas as suas etapas e etárias e se pautará em princípios éticos,
modalidades. políticos e estéticos de modo a assegurar:

Parágrafo único. O atendimento escolar I - a dignidade humana e a observância do


desses alunos terá início na educação direito de cada aluno de realizar seus
infantil, nas creches e pré-escolas, projetos de estudo, de trabalho e de
assegurando-lhes os serviços de educação inserção na vida social;
especial sempre que se evidencie, mediante II - a busca da identidade própria de cada
avaliação e interação com a família e a educando, o reconhecimento e a
comunidade, a necessidade de atendimento valorização das suas diferenças e
educacional especializado. potencialidades, bem como de suas
necessidades educacionais especiais no
Art. 2 Os sistemas de ensino devem processo de ensino e aprendizagem, como
matricular todos os alunos, cabendo às base para a constituição e ampliação de
escolas organizar-se para o atendimento valores, atitudes, conhecimentos,
aos educandos com necessidades habilidades e competências;
educacionais especiais, assegurando as III - o desenvolvimento para o exercício da
condições necessárias para uma educação cidadania, da capacidade de participação
de qualidade para todos. social, política e econômica e sua
ampliação, mediante o cumprimento de
Parágrafo único. Os sistemas de ensino seus deveres e o usufruto de seus direitos.
devem conhecer a demanda real de
atendimento a alunos com necessidades (*)CONSELHO NACIONAL DE
educacionais especiais, mediante a criação EDUCAÇÃO. Câmara de Educação Básica.
de sistemas de informação e o Resolução CNE/CEB 2/2001. Diário Oficial
estabelecimento de interface com os órgãos da União, Brasília, 14 de setembro de 2001.
governamentais responsáveis pelo Censo Seção 1E, p. 39-40.
Escolar e pelo Censo Demográfico, para
atender a todas as variáveis implícitas à Art. 5 Consideram-se educandos com
qualidade do processo formativo desses necessidades educacionais especiais os
alunos. que, durante o processo educacional,
apresentarem:
Art. 3 Por educação especial, modalidade
da educação escolar, entende-se um I - dificuldades acentuadas de
processo educacional definido por uma aprendizagem ou limitações no processo de
proposta pedagógica que assegure recursos desenvolvimento que dificultem o
acompanhamento das atividades ampliem positivamente as experiências de
curriculares, compreendidas em dois todos os alunos, dentro do princípio de
grupos: educar para a diversidade;
a) aquelas não vinculadas a uma causa
orgânica específica; III – flexibilizações e adaptações
b) aquelas relacionadas a condições, curriculares que considerem o significado
disfunções, limitações ou deficiências; prático e instrumental dos conteúdos
básicos, metodologias de ensino e recursos
II – dificuldades de comunicação e didáticos diferenciados e processos de
sinalização diferenciadas dos demais avaliação adequados ao desenvolvimento
alunos, demandando a utilização de dos alunos que apresentam necessidades
linguagens e códigos aplicáveis; educacionais especiais, em consonância
com o projeto pedagógico da escola,
III - altas habilidades/superdotação, grande respeitada a frequência obrigatória;
facilidade de aprendizagem que os leve a
dominar rapidamente conceitos, IV – serviços de apoio pedagógico
procedimentos e atitudes. especializado, realizado, nas classes
comuns, mediante:
Art. 6 Para a identificação das necessidades
educacionais especiais dos alunos e a a) atuação colaborativa de professor
tomada de decisões quanto ao atendimento especializado em educação especial;
necessário, a escola deve realizar, com
assessoramento técnico, avaliação do aluno b) atuação de professores- intérpretes das
no processo de ensino e aprendizagem, linguagens e códigos aplicáveis;
contando, para tal, com:
c) atuação de professores e outros
I - a experiência de seu corpo docente, seus profissionais itinerantes intra e
diretores, coordenadores, orientadores e interinstitucionalmente;
supervisores educacionais;
d) disponibilização de outros apoios
II - o setor responsável pela educação necessários à aprendizagem, à locomoção
especial do respectivo sistema; e à comunicação.

III – a colaboração da família e a V – serviços de apoio pedagógico


cooperação dos serviços de Saúde, especializado em salas de recursos, nas
Assistência Social, Trabalho, Justiça e quais o professor especializado em
Esporte, bem como do Ministério Público, educação especial realize a
quando necessário. complementação ou suplementação
curricular, utilizando procedimentos,
Art. 7 O atendimento aos alunos com equipamentos e materiais específicos;
necessidades educacionais especiais deve
ser realizado em classes comuns do ensino VI – condições para reflexão e elaboração
regular, em qualquer etapa ou modalidade teórica da educação inclusiva, com
da Educação Básica. protagonismo dos professores, articulando
experiência e conhecimento com as
Art. 8 As escolas da rede regular de ensino necessidades/possibilidades surgidas na
devem prever e prover na organização de relação pedagógica, inclusive por meio de
suas classes comuns: colaboração com instituições de ensino
superior e de pesquisa;
I - professores das classes comuns e da
educação especial capacitados e VII – sustentabilidade do processo inclusivo,
especializados, respectivamente, para o mediante aprendizagem cooperativa em
atendimento às necessidades educacionais sala de aula, trabalho de equipe na escola e
dos alunos; constituição de redes de apoio, com a
participação da família no processo
II - distribuição dos alunos com educativo, bem como de outros agentes e
necessidades educacionais especiais pelas recursos da comunidade;
várias classes do ano escolar em que forem
classificados, de modo que essas classes VIII – temporalidade flexível do ano letivo,
comuns se beneficiem das diferenças e para atender às necessidades educacionais
especiais de alunos com deficiência mental que necessário e de maneira articulada, por
ou com graves deficiências múltiplas, de serviços das áreas de Saúde, Trabalho e
forma que possam concluir em tempo maior Assistência Social.
o currículo previsto para a série/etapa
escolar, principalmente nos anos finais do § 1º As escolas especiais, públicas e
ensino fundamental, conforme estabelecido privadas, devem cumprir as exigências
por normas dos sistemas de ensino, legais similares às de qualquer escola
procurando-se evitar grande defasagem quanto ao seu processo de credenciamento
idade/série; e autorização de funcionamento de cursos e
posterior reconhecimento.
IX – atividades que favoreçam, ao aluno que
apresente altas habilidades/superdotação, o § 2º Nas escolas especiais, os currículos
aprofundamento e enriquecimento de devem ajustar-se às condições do
aspectos curriculares, mediante desafios educando e ao disposto no Capítulo II da
suplementares nas classes comuns, em LDBEN.
sala de recursos ou em outros espaços
definidos pelos sistemas de ensino, § 3º A partir do desenvolvimento
inclusive para conclusão, em menor tempo, apresentado pelo aluno, a equipe
da série ou etapa escolar, nos termos do pedagógica da escola especial e a família
Artigo 24, V, “c”, da Lei 9.394/96. devem decidir conjuntamente quanto à
transferência do aluno para escola da rede
Art. 9 As escolas podem criar, regular de ensino, com base em avaliação
extraordinariamente, classes especiais, cuja pedagógica e na indicação, por parte do
organização fundamente-se no Capítulo II setor responsável pela educação especial
da LDBEN, nas diretrizes curriculares do sistema de ensino, de escolas regulares
nacionais para a Educação Básica, bem em condição de realizar seu atendimento
como nos referenciais e parâmetros educacional.
curriculares nacionais, para atendimento,
em caráter transitório, a alunos que Art. 11 Recomenda-se às escolas e aos
apresentem dificuldades acentuadas de sistemas de ensino a constituição de
aprendizagem ou condições de parcerias com instituições de ensino
comunicação e sinalização diferenciadas superior para a realização de pesquisas e
dos demais alunos e demandem ajudas e estudos de caso relativos ao processo de
apoios intensos e contínuos. ensino e aprendizagem de alunos com
necessidades educacionais especiais,
§ 1º Nas classes especiais, o professor visando ao aperfeiçoamento desse
deve desenvolver o currículo, mediante processo educativo.
adaptações, e, quando necessário,
atividades da vida autônoma e social no Art. 12 Os sistemas de ensino, nos termos
turno inverso. da Lei 10.098/2000 e da Lei 10.172/2001,
devem assegurar a acessibilidade aos
§ 2º A partir do desenvolvimento alunos que apresentem necessidades
apresentado pelo aluno e das condições educacionais especiais, mediante a
para o atendimento inclusivo, a equipe eliminação de barreiras arquitetônicas
pedagógica da escola e a família devem urbanísticas, na edificação – incluindo
decidir conjuntamente, com base em instalações, equipamentos e mobiliário – e
avaliação pedagógica, quanto ao seu nos transportes escolares, bem como de
retorno à classe comum. barreiras nas comunicações, provendo as
escolas dos recursos humanos e materiais
Art. 10 Os alunos que apresentem necessários.
necessidades educacionais especiais e
requeiram atenção individualizada nas § 1º Para atender aos padrões mínimos
atividades da vida autônoma e social, estabelecidos com respeito à acessibilidade,
recursos, ajudas e apoios intensos e deve ser realizada a adaptação das escolas
contínuos, bem como adaptações existentes e condicionada a autorização de
curriculares tão significativas que a escola construção e funcionamento de novas
comum não consiga prover, podem ser escolas ao preenchimento dos requisitos de
atendidos, em caráter extraordinário, em infraestrutura definidos.
escolas especiais, públicas ou privadas,
atendimento esse complementado, sempre
§ 2º Deve ser assegurada, no processo alunos, respeitadas, além das diretrizes
educativo de alunos que apresentam curriculares nacionais de todas as etapas e
dificuldades de comunicação e sinalização modalidades da Educação Básica, as
diferenciadas dos demais educandos, a normas dos respectivos sistemas de ensino.
acessibilidade aos conteúdos curriculares,
mediante a utilização de linguagens e Art. 16 É facultado às instituições de ensino,
códigos aplicáveis, como o sistema Braille e esgotadas as possibilidades pontuadas nos
a língua de sinais, sem prejuízo do Artigos 24 e 26 da LDBEN, viabilizar ao
aprendizado da língua portuguesa, aluno com grave deficiência mental ou
facultando- lhes e às suas famílias a opção múltipla, que não apresentar resultados de
pela abordagem pedagógica que julgarem escolarização previstos no Inciso I do Artigo
adequadas, ouvidos os profissionais 32 da mesma Lei, terminalidade específica
especializados em cada caso. do ensino fundamental, por meio da
certificação de conclusão de escolaridade,
Art. 13 Os sistemas de ensino, mediante com histórico escolar que apresente, de
ação integrada com os sistemas de saúde, forma descritiva, as competências
devem organizar o atendimento educacional desenvolvidas pelo educando, bem como o
especializado a alunos impossibilitados de encaminhamento devido para a educação
frequentar as aulas em razão de tratamento de jovens e adultos e para a educação
de saúde que implique internação profissional.
hospitalar, atendimento ambulatorial ou
permanência prolongada em domicílio. Art. 17 Em consonância com os princípios
da educação inclusiva, as escolas das redes
§ 1º As classes hospitalares e o regulares de educação profissional, públicas
atendimento em ambiente domiciliar devem e privadas, devem atender alunos que
dar continuidade ao processo de apresentem necessidades educacionais
desenvolvimento e ao processo de especiais, mediante a promoção das
aprendizagem de alunos matriculados em condições de acessibilidade, a capacitação
escolas da Educação Básica, contribuindo de recursos humanos, a flexibilização e
para seu retorno e reintegração ao grupo adaptação do currículo e o encaminhamento
escolar, e desenvolver currículo flexibilizado para o trabalho, contando, para tal, com a
com crianças, jovens e adultos não colaboração do setor responsável pela
matriculados no sistema educacional local, educação especial do respectivo sistema de
facilitando seu posterior acesso à escola ensino.
regular.
§ 1º As escolas de educação profissional
§ 2º Nos casos de que trata este Artigo, a podem realizar parcerias com escolas
certificação de frequência deve ser especiais, públicas ou privadas, tanto para
realizada com base no relatório elaborado construir competências necessárias à
pelo professor especializado que atende o inclusão de alunos em seus cursos quanto
aluno. para prestar assistência técnica e convalidar
cursos profissionalizantes realizados por
Art. 14 Os sistemas públicos de ensino essas escolas especiais.
serão responsáveis pela identificação,
análise, avaliação da qualidade e da § 2º As escolas das redes de educação
idoneidade, bem como pelo credenciamento profissional podem avaliar e certificar
de escolas ou serviços, públicos ou competências laborais de pessoas com
privados, com os quais estabelecerão necessidades especiais não matriculadas
convênios ou parcerias para garantir o em seus cursos, encaminhando-as, a partir
atendimento às necessidades educacionais desses procedimentos, para o mundo do
especiais de seus alunos, observados os trabalho.
princípios da educação inclusiva.
Art. 18 Cabe aos sistemas de ensino
Art. 15 A organização e a operacionalização estabelecer normas para o funcionamento
dos currículos escolares são de de suas escolas, a fim de que essas tenham
competência e responsabilidade dos as suficientes condições para elaborar seu
estabelecimentos de ensino, devendo projeto pedagógico e possam contar com
constar de seus projetos pedagógicos as professores capacitados e especializados,
disposições necessárias para o atendimento conforme previsto no Artigo 59 da LDBEN e
às necessidades educacionais especiais de com base nas Diretrizes Curriculares
Nacionais para a Formação de Docentes da para educação infantil ou para os anos
Educação Infantil e dos Anos Iniciais do iniciais do ensino fundamental;
Ensino Fundamental, em nível médio, na
modalidade Normal, e nas Diretrizes II - complementação de estudos ou pós-
Curriculares Nacionais para a Formação de graduação em áreas específicas da
Professores da Educação Básica, em nível educação especial, posterior à licenciatura
superior, curso de licenciatura de graduação nas diferentes áreas de conhecimento, para
plena. atuação nos anos finais do ensino
fundamental e no ensino médio;
§ 1º São considerados professores
capacitados para atuar em classes comuns § 4º Aos professores que já estão
com alunos que apresentam necessidades exercendo o magistério devem ser
educacionais especiais àqueles que oferecidas oportunidades de formação
comprovem que, em sua formação, de nível continuada, inclusive em nível de
médio ou superior, foram incluídos especialização, pelas instâncias
conteúdos sobre educação especial educacionais da União, dos Estados, do
adequados ao desenvolvimento de Distrito Federal e dos Municípios.
competências e valores para:
Art. 19 As diretrizes curriculares nacionais
I – perceber as necessidades educacionais de todas as etapas e modalidades da
especiais dos alunos e valorizar a educação Educação Básica estendem-se para a
inclusiva; educação especial, assim como estas
Diretrizes Nacionais para a Educação
II - flexibilizar a ação pedagógica nas Especial estendem-se para todas as etapas
diferentes áreas de conhecimento de modo e modalidades da Educação Básica.
adequado às necessidades especiais de
aprendizagem; Art. 20 No processo de implantação destas
Diretrizes pelos sistemas de ensino, caberá
III - avaliar continuamente a eficácia do às instâncias educacionais da União, dos
processo educativo para o atendimento de Estados, do Distrito Federal e dos
necessidades educacionais especiais; Municípios, em regime de colaboração, o
estabelecimento de referenciais, normas
IV - atuar em equipe, inclusive com complementares e políticas educacionais.
professores especializados em educação
especial. Art. 21 A implementação das presentes
Diretrizes Nacionais para a Educação
§ 2º São considerados professores Especial na Educação Básica será
especializados em educação especial obrigatória a partir de 2002, sendo
aqueles que desenvolveram competências facultativa no período de transição
para identificar as necessidades compreendido entre a publicação desta
educacionais especiais para definir, Resolução e o dia 31 de dezembro de 2001.
implementar, liderar e apoiar a
implementação de estratégias de Art. 22 Esta Resolução entra em vigor na
flexibilização, adaptação curricular, data de sua publicação e revoga as
procedimentos didáticos pedagógicos e disposições em contrário.
práticas alternativas, adequados ao
atendimentos das mesmas, bem como FRANCISCO APARECIDO CORDÃO
trabalhar em equipe, assistindo o professor Presidente da Câmara de Educação Básica
de classe comum nas práticas que são
necessárias para promover a inclusão dos
alunos com necessidades educacionais
especiais.

§ 3º Os professores especializados em
educação especial deverão comprovar:

I - formação em cursos de licenciatura em


educação especial ou em uma de suas
áreas, preferencialmente de modo
concomitante e associado à licenciatura