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EXIGÊNCIAS NUTRICIONAIS DE OVINOS

Luciana Castro Geraseev1


Juan Ramón Olalquiaga Perez2

1. INTRODUÇÃO

A criação de ovinos no Brasil, dadas as condições econômicas,


climáticas e agrostológicas, torna-se adequada à produção de carne e lã, por
possuir um vasto mercado interno com potencial para absorver em crescente
proporção esses produtos; no entanto, é necessário melhorar os métodos de
produção.

Dentro desse contexto, ou seja, quando a produtividade é a meta a ser


atingida, deve-se satisfazer, dentre outros, três pontos essenciais em um
sistema de produção: genética, saúde e nutrição. Esses pontos apresentam-se
interligados e precisam ser atendidos para que os resultados obtidos sejam
maximizados.
Dessa forma, de nada adianta ter animais geneticamente superiores se
não houver condições nutricionais e sanitárias para que essa superioridade se
manifeste. Portanto, a adoção de um manejo nutricional adequado e específico
para cada situação é imprescindível para obtenção de um nível de produção
economicamente viável.

2. REQUERIMENTOS NUTRICIONAIS PARA DIVERSAS CATEGORIAS


O primeiro passo para adoção de um programa nutricional racional é o
conhecimento das exigências dos animais. Os requerimentos nutricionais em
energia, proteína e minerais são afetados por vários fatores, entre eles: idade
do animal, tamanho corporal, taxa de crescimento, estágio da gestação e
atividade muscular, além de fatores do meio ambiente, como: temperatura,
umidade, intensidade solar, etc.
Em virtude dessa série de fatores, as exigências dietéticas são difíceis

1
Zootecnista – Doutoranda – DZO – UFLA – e-mail:lgerasev@ufla.br
2
Prof. Doctor em Nutrição de Ruminantes – DZO – Universidade Federal de Lavras – Lavras,
MG - jroperez@ufla.br

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de serem determinadas, mas apesar das dificuldades encontradas, vários
experimentos têm sido realizados com esse objetivo.
Os primeiros sistemas de recomendação nutricional utilizavam relações
entre as quantidades de um nutriente e o desempenho do animal, as
exigências eram definidas a partir da quantidade do nutriente necessário para
maximizar o desempenho do animal, ou a eficiência de utilização dos
alimentos. Essas relações, empíricas, têm a utilização bastante limitada, pois a
medida que os animais, alimentos ou quaisquer condições ambientais são
alteradas, essas relações tornam-se inválidas (Costa, 1996).
Atualmente, os trabalhos têm utilizado o método fatorial para
determinação das exigências dos animais. Este método fraciona as exigências
em seus diversos componentes: mantença, crescimento, engorda, gestação e
lactação.
A exigência de mantença é a necessidade comum para manter os
processos fisiológicos normais, como circulação, respiração, digestão, etc. A
soma das necessidades de mantença com a de produção representa a
exigência líquida do animal (ARC, 1980).
A partir dessa exigência líquida é levado em consideração o que cada
alimento pode fornecer para o animal e assim é obtida a exigência dietética. A
essa exigência dietética ainda costuma-se acrescentar um fator de segurança
devido as diferenças entre os indivíduos; e a partir dessas exigências dietéticas
médias é calculada a quantidade de alimento que devera ser fornecida em
função da categoria, peso e produção do animal (Silva, 1996).
A seguir serão discutidas as exigências nutricionais de ovinos em
energia, proteína e macrominerais.

3. ENERGIA
A energia é o nutriente mais limitante na produção de ovinos. O
aporte energético insuficiente resulta em retardamento do crescimento,
aumento da idade a puberdade, redução da fertilidade, diminuição na produção
de lã e leite, além de aumentar a susceptibilidade dos animais a doenças e
parasitas (Susin, 1996).

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As principais fontes de energia para ovinos são: pasto, feno, silagens e
grãos, sendo o baixo conteúdo energético e a baixa qualidade dos volumosos a
principal causa de deficiência energética.

3.1 EXIGÊNCIAS DE ENERGIA

As exigências energéticas dos animais são as mais difíceis de serem


avaliadas, porque a eficiência de utilização da energia para vários processos
fisiológicos, como mantença, crescimento, engorda e lactação, é variável, além
de haver outras interferências como clima, exercícios do animal e concentração
de energia assimilável na energia bruta do alimento (Silva e Leão, 1979).

3.1.1 EXIGÊNCIAS DE ENERGIA PARA MANTENÇA

A exigência de energia para mantença pode ser definida como sendo a


quantidade de energia do alimento que não resultará em ganho nem em perda
de energia corporal. Representa a produção de calor em jejum, e é obtida pela
extrapolação ao nível zero de ingestão de energia metabolizável (EM) da
equação de regressão do logaritmo da produção de calor, em função da
ingestão de energia metabolizável (Lofgreen e Garret, 1968).

Em animais alimentados, a produção de calor é derivada do metabolismo


basal, incremento calórico e o calor produzido pelas atividades do animal. Não
havendo consumo de alimentos, o incremento calórico é igual a zero e os
componentes da produção de calor são o metabolismo basal e o calor
produzido pelas atividades voluntárias do animal que são consideradas iguais
aos requerimentos de energia líquida de mantença (Blaxter, 1962).

Vários fatores podem afetar o metabolismo de jejum e


consequentemente as exigências de mantença, entre eles podemos citar: raça,
sexo, idade, peso do animal, nível nutricional ao qual o animal encontra-se
submetido, atividade física, etc (NRC, 1985) . Na tabela 1 são apresentados
dados sobre o metabolismo de jejum de ovinos em várias idades.

Tabela 1. Metabolismo de jejum de ovinos em várias idades após 18-32 horas


de jejum.

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Idade Peso Vivo Metabolismo de Jejum
(semanas) kg Kcal/Kg0,75
1 5,8 132
3 9,1 111
6 13,0 119
9 18,0 116
15 24,3 68
24 28,2 63
36 33,9 62
48 39,3 57
184 62,9 59
Fonte: Silva e Leão, 1979

A maior exigência de mantença observada nos animais mais jovens,


está relacionada, principalmente, com a proporção dos órgãos internos. De
modo geral, as exigências de mantença constituem a maior proporção do total
de energia requerida pelo animal, isto ocorre porque as necessidades dos
órgãos internos são maiores que as exigidas pelo tecido muscular (ARC, 1980).

Trabalhos desenvolvidos por diversos autores, dentre eles, Barcroft


(1947), Bard (1961), Forster (1964) e Milnor (1968), citados por Smith e
Baldwin (1973), relatam que o fígado, coração, glândulas mamárias e tecido do
trato gastrintestinal estão entre os tecidos de maior atividade metabólica nos
animais.

Baseado nessa informação, várias pesquisas tem demonstrado que as


diferenças nos tamanhos relativos dos órgãos, entre raças, também podem
estar associadas as diferenças nas exigências de mantença. Segundo o NRC
(1996) os requerimentos de energia de mantença do Bos taurus são superiores
aos requerimentos do Bos indicus, o que de acordo com Jorge (1999), pode ser
atribuído em parte ao menor tamanho dos órgãos internos nos animais
zebuínos. Em ovinos, alguns trabalhos conduzidos na Universidade Federal de
Lavras, também demonstraram que o metabolismo de jejum, e
consequentemente, as exigências energéticas para mantença podem ser
afetadas pela raça. Na Tabela 2 são apresentados dados sobre o metabolismo
de jejum de cordeiros deslanados Santa Inês e cordeiros lanados.

Tabela 2. Metabolismo de jejum de cordeiros deslanados Santa Inês e


cordeiros lanados.

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Peso Vivo (kg) Exigência de Mantença (kcal/dia)
Santa Inês Lanados
35 1006 815
40 1112 902
45 1214 985
Fonte: Geraseev et al., 2000; ARC (1980)

Como mencionado anteriormente, a exigência de mantença do animal


compreende o metabolismo de jejum e o gasto energético com as atividades
físicas. Esse gasto representa um acréscimo de 25 até 100% nas exigências
energéticas de animais em grupos ou submetidos a regime de pastejo. Esse
acréscimo se deve a gastos energéticos no aumento das atividades voluntárias
dos animais ao buscar a sua alimentação diretamente no pasto ou competir,
dentro do contexto social que se forma no rebanho, na tomada de alimentos no
comedouro (ARC, 1965).

Corbett et al. (1969) encontraram que para ovinos em velocidade


constante, os gastos energéticos na locomoção em sentido horizontal foram de
0,46 ± 0,05 Kcal/Kg/Km. Para o deslocamento vertical os gastos foram 7,15 ±
0,66 cal/Kg/m. Houve também indicação de que a movimentação intermitente
foi mais dispendiosa energeticamente e os resultados obtidos nessas condições
foram 0,66 ± 0,08 Kcal/Kg/Km horizontal e 7,88 ± 3,19 cal/Kg/m vertical.

Na tabela 3 são apresentados os valores referentes aos gastos


energéticos para diversas movimentações do animal, segundo o ARC (1980).

Tabela 3. Gastos energéticos para diferentes movimentações

Movimentação Gasto energético

Movimento horizontal 2,65 J / kg PV / metro

Movimento vertical 28 J / kg de PV / metro

Permanecer em pé por 24 horas 10 kJ / kg PV / dia

Mudança na posição do corpo 260 J / kg PV


Fonte ARC (1980)

Outro fator que pode afetar as exigências de mantença dos animais é o


nível nutricional a que esse se encontra submetido. Quanto melhor o nível
nutricional, maior será a exigência de mantença do animal em virtude da menor

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eficiência na utilização da energia (Ferrel e Jenkins, 1985). Greenwood et
al.(1998) observaram que cordeiros em crescimento submetidos a uma
alimentação restrita apresentaram um menor crescimento dos órgãos internos,
maior eficiência de utilização da energia metabolizável e menor exigência de
mantença quando comparados com cordeiros recebendo alimentação à
vontade.

Tabela 4. Efeito do nível nutricional sobre a exigência de mantença de ovinos


Nível Nutricional Exigência de Mantença
(g MS / kg 0,75 / dia)
Baixo 30,5
Médio 44,1
Alto 54,6
Fonte: Ferrel e Jenkins, 1985

3.1.2 EXIGÊNCIAS DE ENERGIA PARA O GANHO

Quanto as exigências energéticas para o ganho, essas são calculadas a


partir da deposição de energia líquida por quilo de ganho corporal; desse
modo, na determinação dessa exigência, é necessário considerar a variação na
composição corporal em função do aumento de peso dos animais (ARC, 1980).
Na Tabela 5 são apresentados dados sobre a composição corporal em energia
de cordeiros Santa Inês em crescimentos, obtidos em experimentos
conduzidos na Universidade Federal de Lavras.

Tabela 5. Concentração de energia no corpo vazio de cordeiros Santa Inês em


crescimento dos 15 aos 35 kg de peso vivo.
Peso Corpo Vazio (PCV) Peso Vivo (PV) Energia
(kg) (kg) (kcal / kg PCV)
12,22 15 2105
16,72 20 2326

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21,23 25 2510
26,59 30 2590
31,14 35 2787
Fonte: Geraseev et al. (2000); Silva (1999)

De modo geral, os conteúdos totais de proteína e gordura no corpo dos


animais aumentam à medida que o peso vivo se eleva. Por outro lado, em
termos de concentração, ou seja, g/kg de PV ou Mcal/kg de PV, com a
elevação do peso corporal, ocorre decréscimo no conteúdo corporal de
proteína e aumento na concentração de gordura com incremento paralelo no
conteúdo de energia (Gonçalves, 1988). De acordo com o ARC (1980), à
medida que a idade avança, aumenta o conteúdo de gordura e diminui o de
proteína no corpo e no ganho de peso.

Em conseqüência dessa maior deposição de tecido adiposo com o


avançar da idade, observa-se que a exigência para o ganho aumenta com o
aumento do peso vivo do animal. Isso explica o fato do custo de arraçoamento
de um animal mais velho ser maior quando comparado com o custo de um
mais jovem.

Além do peso vivo, fatores como, por exemplo, raça e sexo, também
influenciam na exigência para o ganho. De modo geral, as fêmeas depositam
mais gordura do que os machos e, conseqüentemente, apresentam maiores
exigências para o ganho.

Tabela 6. Concentração energética no ganho de peso de corpo vazio (GPCV)


Energia (MJ / kg GPCV)
Peso corporal
vazio (kg) Machos Capões Fêmeas
10 8,1 9,5 9,2
20 12,2 13,6 14,5
30 16,3 17,5 19,8
40 20,5 21,1 25,1
Fonte: ARC, 1980

3.1.3 EXIGÊNCIAS DE ENERGIA PARA A GESTAÇÃO

A gestação é uma fase muito importante na vida produtiva da ovelha, já que


as transformações que ocorrem afetam não somente o aparelho reprodutivo,
mas também todo o organismo. Segundo Rattray et al. (1974) e Minola e
Goyenechea (1975), o metabolismo da ovelha sofre profundas modificações,

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principalmente nos últimos 45 dias ou último um terço da gestação, quando os
tecidos fetais têm maior desenvolvimento, já que neste período o feto se
desenvolve em torno de 70% do seu peso. De acordo com Kolb (1980), durante
essa fase, observa-se uma notável melhora nos processos de absorção, pelo
tubo digestivo, em particular no que se refere à assimilação de substâncias
minerais.
Segundo Annenkov (1982), para se estimar as exigências nutricionais de
ovelhas durante a fase de gestação, é fundamental o conhecimento do
crescimento pré-natal e a composição química do feto e das estruturas
uterinas. As exigências líquidas para gestação são obtidas pelo abate de
fêmeas em várias fases da gestação, seguido por análise da composição
mineral do feto e das estruturas diretamente relacionadas com o seu
desenvolvimento.
Para estimar o peso total, as quantidades de proteína, gordura e energia
depositadas no feto e no útero grávido de ovelhas, o ARC (1980), NRC (1985),
CSIRO (1990) e AFRC (1993) utilizam parâmetros da equação de Gompertz
(log Y= A - B e-ct), em que t= tempo de gestação em dias e Y= quantidades de
nutrientes depositados em g ou MJ.
O desenvolvimento mamário nas ovelhas é um complemento das
exigências de gestação, e de acordo com Bauman e Currie (1980), seu maior
crescimento coincide com o terço final da gestação, período em que o útero
gravídeo tem necessidade crescente de energia e a demanda de nutrientes é
máxima. Segundo Rattray et al. (1974), até os 70 dias de gestação, as
glândulas mamárias de ovelhas gestantes e não-gestantes apresentam pesos
muito próximos entre si, sendo que no final da gestação ocorrem mudanças
histológicas e aumento considerável de peso, proporcionado pelo acúmulo de
secreções.
De modo geral, as estimativas dos requerimentos de energia de animais
gestantes são determinadas nos dois últimos meses de gestação, sendo
ignorados os requerimentos do período inicial. Segundo o NRC (1985), para as
ovelhas no início de gestação, o requerimento total de nutriente não é
significativamente diferente dos nutrientes exigidos para mantença, uma vez
que o crescimento fetal é muito pequeno. Nos dois meses finais de gestação,

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as exigência são consideravelmente aumentadas, chegando a 175% dos
requerimentos de não-gestantes de mesmo peso corporal.
As estimativas de requerimentos de energia para a gestação em ovinos
tem sido muito variáveis. O ARC (1980) recomenda, para ovelhas de 75 kg de
peso vivo e aos 105, 119 e 147 dias de gestação, os respectivos valores de
11,8; 13,1 e 17,1 MJ/dia de energia líquida para gestação. Destacando-se que,
em ovelhas gestantes de dois fetos, os valores são, em média, 30% superiores
em comparação à gestação simples. O AFRC (1993), referindo-se aos
requerimentos de energia metabolizável de ovelhas de 60 kg de peso vivo e
aos 100 e 140 dias de gestação, foi de 10,1 e 16,3 MJ/dia de energia
metabolizável, respectivamente.

Tabela 7. Exigência de energia líquida (kcal/dia) de ovelhas com diferentes


número de fetos e em diferentes estágios da gestação
Estágio da Gestação (dias)
Número de fetos 100 120 140
1 70 145 260

2 125 265 440

3 170 345 570


Fonte: NRC, 1985

3.1.4 EXIGÊNCIAS DE ENERGIA PARA A LACTAÇÃO

A exigência líquida de energia para lactação é representada pela


quantidade de energia que é excretada no leite diariamente; portanto, os
fatores que irão afetar essa exigência são a quantidade de leite produzido e o
teor de gordura do leite.

O ARC (1980), analisando a composição do leite de ovelhas, determinou


a seguinte equação para estimar o seu valor energético:
E = 32,80 G + 2,5 D + 2203,3
Em que:
E = Valor energético do leite (kJ/kg)
G = Concentração de gordura (g/kg)

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D = dias de lactação

Caso o valor de concentração de gordura não seja conhecido, o valor


médio de 70 g/kg pode ser utilizado. O sistema australiano (CSIRO, 1990) usou
a mesma equação proposta pelo ARC (1980), para estimar o valor energético
do leite; porém, na ausência de informação sobre o teor de gordura no leite,
esse sistema recomenda o valor de 80 g /kg.

Tabela 8. Exigência de energia metabolizável de ovelhas lactantes (MJ/dia)


Peso Vivo Ganho diário Produção de leite (kg /dia)
(kg) (kg/dia) 1,0 1,5 2,0
40 0 13,0 16,9 21,0

75 0 16,3 20,2 24,1

Comparando-se as exigências de energia das ovelhas gestantes com as


exigências de ovelhas lactantes, é possível observar que para ovelhas
lactantes essa exigência pode ser cerca de duas vezes maior do que a
exigência no final da gestação (NRC, 1985). Na prática, o que ocorre é que
muitas vezes é difícil fornecer nutrientes em quantidade suficiente para atender
às exigências dessa categoria, e como resultado, o animal é forçado a utilizar
suas reservas corporais, principalmente no início da lactação (Susin, 1996).

4. EXIGÊNCIAS EM PROTEÍNA

A proteína é o principal componente dos órgãos e estruturas moles do


organismo animal e um grande e contínuo suprimento alimentar é necessário
durante toda a vida, para crescimento e recuperação. Dessa forma, a
transformação de proteína alimentar em proteína orgânica é parte
importantíssima do processo de nutrição ( Maynard et al., 1984 ).
A quantidade de proteína em dietas para ovinos é, na maioria das vezes,
mais importante do que a qualidade. A proteína da dieta é, em parte,
degradada no rúmen e seu componente nitrogenado será reutilizado pelos
microorganismos para a síntese de proteína microbiana. A utilização da
proteína microbiana fornecerá aminoácidos que serão absorvidos e utilizados
para síntese protéica do animal (Susin, 1996).

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As exigências de proteína variam com a idade, sexo, raça, estado
fisiológico, dentre outros fatores. Quanto às exigências de mantença, sabe-se
que ao fornecer uma dieta ao animal com adequado nível de energia para sua
mantença, é provável que a proteína microbiana sintetizada com base na
proteína degradada no rúmen seja suficiente para atender às necessidades
protéicas de mantença do animal. No entanto, Orskov (1990) adverte que se o
alimento fornecido contém nível energético abaixo da mantença, a produção de
proteína microbiana é insuficiente e, conseqüentemente, o organismo não só
perderá gordura, como também proteína. De acordo com Owens e Bergen
(1983), as exigências protéicas são maiores para cordeiros após a desmama e
para ovelhas em lactação com duas ou mais crias.

4.1 EXIGÊNCIAS EM PROTEÍNA PARA MANTENÇA

Tal como para a energia, existe uma quantidade mínima de nitrogênio


que é necessária para o catabolismo incidente na manutenção dos processos
vitais. Segundo Mitchell (1929), citado por Swanson (1977), esse catabolismo
somado às perdas orgânicas de nitrogênio correspondem à proteína líquida
de mantença:
a - Nitrogênio perdido no tegumento (Nt);
b - Nitrogênio metabólico perdido nas fezes (NMF);
c - Nitrogênio endógeno perdido na urina (NEU).
O nitrogênio tegumentar (Nt) é constituído pelas perdas no crescimento
do pêlo, caspa e descamações da pele, além de alguns compostos
nitrogenados das secreções cutâneas (ARC, 1965; Swanson, 1977),
podendo-se acrescentar, talvez, as descamações córneas e podais. O ARC
(1965) estimou essas perdas em 0,02 g de N/Kg0.73/dia, o que equivale a
0,125 g de PB / kg0,73/dia.

O nitrogênio endógeno urinário (NEU), segundo Folin (1950), citado pelo


ARC (1965), pode ser proveniente de duas origens: uma endógena e outra
exógena. Segundo esse mesmo autor, fase endógena, possivelmente,
provenha da degradação e substituição das estruturas protéicas simples de
tecidos em reações irreversíveis, das quais é típica a desidratação da creatina

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e creatinina; enquanto a fase exógena seria o gasto de N nas reações
reversíveis de síntese e degradação.

De acordo com o ARC (1965), as perdas endógenas urinárias de


nitrogênio são relativamente constantes e são função do tamanho físico-
corporal. O valor médio de nitrogênio urinário endógeno (Nue), obtido para
ovinos e bovinos, foi 0,35 g de N/Kg0,75/dia.

O nitrogênio metabólico fecal (NMf), segundo o ARC (1965), é aquele


procedente da incompleta reabsorção do N contido nos líquidos secretados no
canal alimentar e nas células epiteliais desprendidas da parede intestinal.
Enquanto a excreção do Nue é considerada relativamente constante, o NMf é
bastante variável em função da composição da dieta e da espécie animal.

Tanto em monogástricos quanto em ruminantes, grande parte do NMf é


derivado de corpos microbianos. Em ruminantes, isso pode ser evidenciado
indiretamente: quando o nitrogênio da dieta é de somente 1 % da MS e a
quantidade de carboidratos é plenamente satisfatória, a MS digerível pode
estar acompanhada de altas perdas de NMF, e isso é possivelmente causado
pelo excesso de corpos microbianos que escapam à digesta intestinal ou por
uma alta fermentação no ceco-colo (Swanson, 1977).

Dois métodos são usados para a determinação do NMF: determinação


direta, com a utilização de dietas isentas ou baixas em nitrogênio, e indireta,
por extrapolação a nível zero, por meio da utilização de níveis variáveis da
proteína bruta. Os resultados obtidos pelos dois métodos são variáveis (ARC,
1965).

Na tabela 9 são apresentados alguns resultados de excreções urinária e


fecal de obtidos utilizando dietas isentas de N.

Tabela 9. Excreção de N urinário e fecal de ovinos recebendo dietas isentas de


N (valores expressos em mg de N/ kg PV0,75)
Peso Vivo (kg) N urinário N fecal N total

24 73 161 234

34 73 128 201
Fonte: Silva, 1996

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Quanto às exigências para mantença, o NRC (1985) adotou o sistema
fatorial para estimar a exigência protéica de ovinos com o rúmen
adequadamente desenvolvido. A exigência de PB, em g/dia, é estimada pela
soma das frações correspondentes à proteína metabólica fecal (PMf), proteína
urinária endógena (Pue) e proteína gasta nas perdas de pêlo e secreções
dérmicas (PPD). Essa exigência líquida é transformada em exigência dietética
por um fator de correção do valor protéico líquido dos alimentos:

PB em g/dia = (PMf + Pue + PPD) / VPL

A PMf está relacionada com a ingestão de matéria seca, sendo adotado


um valor de 33,44 g /kg MSI; a Pue expressa em g/dia é calculada segundo o
ARC (1980), como 0,14675 x PV + 3,375. A PPD também calculada segundo o
ARC (1980): 0,1125 x PV em kg0,75. O VPL foi estabelecido como 0,561,
baseado na digestibilidade real de 0,85 e no valor biológico de 0,66.

O sistema australiano (CSIRO, 1990) calcula a exigência líquida de


proteína para mantença, pela fração da proteína urinária endógena (Pue, em
g/dia, = 0,147 PV + 3,375), conforme descrito pelo ARC (1980) e a fração da
proteína fecal endógena (Pfe), que corresponde a 15,2 g Pfe / kg MSI. O valor
de Pfe está baseado em quantidades dos compostos nitrogenados presentes
nas várias partes do aparelho digestivo, que podem ser recuperados pelo
animal na forma de aminoácidos. Por esse método, foi estimada uma perda
líquida de proteína nas fezes de aproximadamente 18g/kg MSI, que é um
pouco maior do que a metade do valor de 31,3 g /kg MSI adotado pelo ARC
(1980).
Na tabela 10 são apresentadas as exigências protéicas líquidas
de mantença (g/dia), segundo o ARC (1980).

Tabela 10. Exigências de proteína líquida para mantença (g/dia) de cordeiros


em crescimento.
Peso Vivo (kg) Proteína Bruta(g/kg MSI)
20 9
30 11
40 12
Fonte: ARC (1980)

4.2 EXIGÊNCIAS EM PROTEÍNA PARA O GANHO

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A exigência em proteína para o ganho dos animais é função direta da
deposição de proteína corporal, sendo essa deposição dependente da taxa de
síntese e degradação da proteína por unidade de tempo. Vários fatores podem
afetar essa taxa de deposição e, conseqüentemente, as exigências dos
animais, dentre as quais podemos citar: peso do animal, idade, sexo, estado
fisiológico, nível de produção, quantidade de energia ingerida, etc. (Silva,
1996).

Na Tabela 11 são apresentados alguns dados sobre a exigência de


proteína para o ganho de cordeiros Santa Inês em crescimento, obtidos em
experimentos conduzidos na Universidade Federal de Lavras.

Tabela 11. Estimativas das exigências de proteína líquida para o ganho em


peso vivo de cordeiros Santa Inês em crescimento dos 25 aos 45 kg
de peso vivo.
Peso Vivo (PV) Proteína (g /dia)
(kg)
25 149,6
30 146,6
35 130,0
40 126,7
45 124,2
Fonte: Geraseev et al. (2000); Silva (1999)

Pelos dados apresentados na Tabela 11 é possível notar que à medida que


a idade avança a exigência protéica do animal diminui. Além da idade, o sexo
também pode influenciar as exigências protéicas dos animais. De modo geral,
as fêmeas apresentam menor exigência quando comparadas com os machos;
esse fato pode ser explicado pela maior proporção de gordura corporal nas
fêmeas (ARC, 1980). Na Tabela 12 são apresentadas as exigências líquidas
totais e para o ganho de proteína para cordeiros em crescimento, segundo o
ARC (1980).

Tabela 12. Exigências líquidas totais e para o ganho de proteína (g/dia) de


cordeiros em crescimento ganhando 200 g/dia.
Peso Vivo (kg) Sexo Exigência Total Exigência para o ganho

20 Macho 40 31
Fêmea 37 28
40 Macho 40 28

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Peso Vivo (kg) Sexo Exigência Total Exigência para o ganho

Fêmea 36 24
Fonte: ARC (1980)

Os requerimentos de proteína para o ganho propostos pelo ARC (1980)


foram calculados utilizando-se as seguintes as equações:
Machos = 160,4 – 1,22 PV + 0,0105 PV2
Fêmeas = 156,1 – 1,94 PV + 0,0173 PV2
Ao contrário do que ocorre com a energia, em que a maior parte da
exigência do animal é representada pela mantença, com a proteína, a maior
parte da exigência é representada pelo ganho; isso ocorre porque as
necessidades dos órgãos internos são muito menores do que as exigidas pelo
tecido muscular (ARC, 1980).
As exigências de proteína também podem ser calculadas por meio da
relação energia: proteína. Assim, Rajpoot, em 1978, citado por Sengar (1980),
estimou a exigência de proteína para ganho mediante a relação 1 Mcal de ED:
25 g de PD.

4.3 EXIGÊNCIAS EM PROTEÍNA PARA A GESTAÇÃO E LACTAÇÃO


Da mesma forma que para a energia, a exigência de proteína
líquida para gestação é obtida considerando-se a deposição líquida de proteína
no útero grávido e na glândula mamaria, nas diferentes etapas da gestação. Os
valores de proteína depositada nos diferentes estágios de gestação são
calculados com base em uma equação de regressão da quantidade de proteína
depositada, em função do tempo de gestação (ARC, 1980).
O NRC ( 1985 ) recomenda, para ovelhas não-lactantes, nas quinze
primeiras semanas de gestação, 156, 159, 161 e 164 g de proteína total, para
40, 50, 60 e 70 kg de peso vivo, respectivamente, e 202, 204, 207 e 210 g, nas
últimas semanas de gestação, para os mesmos pesos.
Pela Tabela 13 verificam-se as exigências de proteína digestível para
ovelhas gestantes em diferentes estágios da gestação com 1 ou 2 fetos,
segundo as recomendações do ARC (1980).

Tabela 13. Exigência de proteína digestível (g/dia) de ovelhas com diferentes


número de fetos e em diferentes estágios da gestação

- 41 -
Peso Vivo Número de fetos Estágio da gestação (dias)
(kg) 105 119 147
40 1 55 60 90
2 65 80 115
75 1 90 100 130
2 100 115 175
Fonte: ARC, 1980

Em virtude do grande aumento de exigência de proteína que ocorre no


final da gestação, alguns estudos têm demonstrado que a adição de fontes
protéicas com alto “bypass” (fração protéica que não é digerida no rúmen, mas
que pode ser digerida após passar pelo rúmen ou ser excretada nas fezes)
melhorou o desempenho de ovelhas no final da gestação (Orr et al. 1985) ou
durante a lactação (Loerch et al. 1985).

Assim como para a energia, a exigência líquida de proteína para


lactação é representada pela quantidade de proteína que é excretada no leite
diariamente, ou seja, essa exigência é dada pela produção de leite x o teor de
proteína no leite. Segundo um levantamento de dados feito pelo ARC (1980), o
valor médio de proteína no leite é de 48,9 g de proteína verdadeira / kg de leite.

Tabela 14. Exigência de proteína digestível(g/dia) de ovelhas lactantes

Peso Vivo Ganho diário Produção de leite (kg /dia)

(kg) (kg/dia) 1,0 1,5 2,0

40 0 140 190 245

75 0 150 205 260


Fonte: ARC (1980)

Assim como ocorreu com a energia, as exigências de proteína das


ovelhas lactantes é superior às exigências das ovelhas gestantes. Na prática,
recomenda-se a suplementação dessa categoria com proteína “by-pass”,
principalmente no início da lactação (Susin, 1996).

5 EXIGÊNCIAS DE MACROMINERAIS

- 42 -
Os ovinos necessitam receber, durante todo seu ciclo de vida, além dos
demais nutrientes, macro e micro elementos inorgânicos em quantidades e
proporções adequadas para garantir seu desempenho máximo. O conteúdo e a
disponibilidade dos minerais e o conhecimento das exigências dos animais são
importantes para a efetiva formulação de dietas.

Muitos fatores influenciam a determinação das exigências minerais,


incluindo a natureza e os níveis de produção, o nível e a forma química do
elemento nos ingredientes da dieta, as inter-relações com outros nutrientes, o
consumo do suplemento mineral, a raça e o meio ambiente (Conrad et al.,
1985).

5.1. EXIGÊNCIAS DE MACROMINERIAS PARA MANTENÇA

As exigências de macrominerais para a mantença correspondem à


quantidade de macromineral necessária para cobrir as perdas endógenas que
ocorrem pelas fezes e urina. As perdas endógenas compreendem a fração do
mineral excretada proveniente da saliva, sucos gástricos, sais biliares e restos
celulares que não foram reabsorvidos (Georgieviskii, 1982).

5.1.1 Exigências de cálcio para a mantença

O AFRC (1991) pondera que a secreção de cálcio fecal endógeno é


pequena; ela ocorre ao longo do trato digestivo e não há um local específico
responsável pela maior parte da secreção, a qual independe da ingestão de
cálcio e não varia com a digestibilidade do alimento na faixa de 45 a 65%, mas
aumenta com o nível de ingestão de alimento.

Em ovinos, têm sido constatadas diferenças na secreção de cálcio


endógeno, quando o animal ingere forrageiras verdes. A excreção de cálcio
urinário endógeno é extremamente pequena e independe da ingestão de
cálcio. Dentro do exposto e frente aos resultados de experimentos disponíveis,
o modelo proposto para a estimativa da secreção de cálcio endógeno em
ovinos ficou na dependência da ingestão de matéria seca (MSI), expresso da
seguinte maneira:

- 43 -
Ca endógeno (g/dia) = 0,228 + 0,623 MSI (kg /dia)

5.1.2 Exigências de fósforo para mantença

O AFRC (1991) considera que ocorre grande secreção de fósforo


endógeno, sendo a maior parte pela saliva que, às vezes, é maior do que a
ingestão; portanto, a perda endógena depende da ingestão de fósforo. Menor
ingestão reduz fósforo salivar; conseqüentemente, reduz a secreção de fósforo
endógeno.

Segundo Silva (1996), o fósforo endógeno também depende da ingestão


de alimento que, por sua vez, é função do tipo de dieta que vai influenciar na
secreção salivar, e depende da individualidade do animal em questão. Há
também uma competição de fósforo absorvido entre os processos de produção
e secreção.
De acordo com Silva (1996), o sistema fatorial assume que mantença é
constante, isto é, independe do nível de produção; no entanto, o fósforo
endógeno depende da quantidade de fósforo absorvido, que é influenciado pela
ingestão, a qual, por sua vez, está relacionada com a produção. Além disso, as
estimativas da fração endógena, com dietas pobres em fósforo, subestimam o
fósforo endógeno.
Conforme o AFRC (1991), a estimativa da exigência de fósforo para
mantença foi relacionada com o suprimento de energia, em virtude do seu
papel central no metabolismo energético do animal. Dessa forma, a exigência
de fósforo para mantença foi relacionada com a ingestão de matéria seca (MSI)
e com a metabolizabilidade (qm) da energia bruta (EB) do alimento, sendo:

P endógeno = 1,6 ( - 0,06 + 0,693 MSI ), quando qm for < que 0,7 e;
P endógeno = 1,0 ( - 0,06 + 0,693 MSI ), quando qm for > que 0,7.
Em que: P endógeno é expresso em g/dia, MSI em kg/dia e qm é a
metabolizabilidade da EB da dieta ( EM/ EB ).

Na Tabela 15 estão apresentadas as estimativas das perdas endógenas


fecais de fósforo em ovinos, segundo o AFRC (1991) e ARC (1980).

- 44 -
Tabela 15. Estimativas das perdas endógenas fecais de fósforo em ovinos,
segundo o AFRC (1991) e ARC (1980)
Peso vivo P endógeno ( mg / kg PV) P endógeno ( mg / kg PV)
(kg) AFRC ARC
20 13,4 14,0
30 12,7 14,0
40 12,3 14,0
Fonte: ARC(1980), AFRC(1991)

5.2 EXIGÊNCIAS DE MACROMINERAIS PARA O GANHO

De maneira geral, os animais jovens são mais eficientes na absorção


dos minerais do que os animais adultos; porém, as exigências são maiores
para os animais mais jovens, em virtude da maior taxa de crescimento ósseo.

A gordura é outro fator que afeta as exigências de minerais; animais


com maior teor de gordura no corpo tendem a apresentar uma menor
concentração de minerais na carcaça e, conseqüentemente, menor exigência
de minerais.

Tabela 16. Composição corporal em minerais e gorduras de ovinos em


diferentes idades.

Peso Vivo % Gordura % Ca %P


(kg)

15 10,02 1,52 0,86

25 13,86 1,46 0,69

35 18,62 1,32 0,62


Fonte: Geraseev, 1998

Apesar da variação na composição corporal em função da idade do


animal, o ARC (1980) e o NRC (1985) assumiram que os requerimentos
líquidos de macrominerais para o ganho minerais são constantes e
independem do peso do animal. Nas recomendações das exigências minerais,

- 45 -
o ARC (1980) considerou um requerimento absoluto de cálcio, fósforo,
magnésio, potássio e sódio para cordeiros em crescimento de 11 g de Ca, 6 g
de P, 0,41 g de Mg, 1,8 g de K e 1,1 g de Na/ kg de PV/dia, enquanto o NRC
(1985) estimou o requerimento de cálcio e fósforo como 183 mg de Ca e 103
mg de P/ kg de PV/dia.

Entretanto, o AFRC (1991) adotou equações baseadas no crescimento


ósseo para estimar as exigências de cálcio e fósforo e considerou que a
deposição desses elementos no corpo decresce à medida que o animal torna-
se adulto. Para animais com 15 e 35 kg de PV, os valores encontrados por
esse comitê foram 11,48 e 9,06 g de Ca/kg PV, e 6,62 e 5,48 g de P/kg PV,
respectivamente.

5.3 EXIGÊNCIAS DE MACROMINERAIS NA GESTAÇÃO

As recomendações nutricionais para ovelhas nas primeiras 15 semanas


de gestação, normalmente, são calculadas para exceder ligeiramente as
exigências de manutenção. Porém, no terço final da gestação, quando ocorrem
cerca de 70% do crescimento fetal, as exigências nutricionais em
macrominerais aumentam consideravelmente, sendo este período uma fase
crítica na nutrição da ovelha. Uma nutrição inadequada nesta fase resultará em
toxemia da gestação, nascimento de cordeiros pequenos, aumento da
mortalidade pós-natal, diminuição do instinto materno e diminuição da
produção de leite, (Susin, 1996).

5.3.1. Exigências de Cálcio durante a gestação

Conforme Silva (1996), com a deposição de cálcio no feto, e em menor


quantidade na placenta, simultaneamente há crescimento do útero, úbere e
ganho de peso da mãe; no entanto, esses ganhos maternos não são
computados na estimativa das exigências líquidas para gestação.

- 46 -
O AFRC (1991) utiliza o mesmo esquema e valores adotados pelo ARC
(1980), e as taxas de deposição de Ca, em g/dia, podem ser calculadas da
derivada da equação de Gompertz, em que:

Ca (g/dia) = 2,303 Bc exponencial (-ct + 2,303 A – 2,303 B e-ct)

Os valores calculados por essa equação para 63, 91, 119 e 147 dias de
gestação, respectivamente, são 0,05; 0,28; 0,75 e 1,20 g de cálcio por dia.

Apesar dos reconhecidos efeitos de raça, alimentação e idade da


ovelha, peso ao nascer, sexo e número de recém-nascidos, época do ano etc.,
para gestação, o NRC (1985) admite que o recém-nascido tem 22,6% do peso
metabólico da mãe na época do parto, para parto simples, e 36,1% para
gêmeos, sendo as exigências líquidas para útero gravídeo calculadas como
descrito pelo ARC (1980).

5.3.2 Exigências de Fósforo durante a gestação

O ARC (1980), também à semelhança do que foi feito com o cálcio,


ajustou os dados disponíveis na literatura à uma equação no modelo de
Gompertz, sendo:

Log Y = A – B x e-ct , em que:

Y é o peso do feto ou de cada componente do feto, expresso em kg, t é o


tempo de gestação em dias e é a base do logaritmo neperiano.

Para estimar os conteúdos de fósforo no feto e no útero gravídeo de


ovelhas, pela equação de Gompertz, são utilizados os seguintes parâmetros:

Parâmetros para A → feto = 1,813 e para útero gravídeo = 1,981.

Parâmetros para B → Feto = 12, 692 e para útero gravídeo = 5,862.

Parâmetros para c → Feto = 0,02412 e para útero gravídeo = 0,01650.

O AFRC (1991) também usa o mesmo esquema e valores adotados pelo


ARC (1980). As taxas de deposição de fósforo (P em gramas por dia) podem

- 47 -
ser calculadas da derivada da equação de Gompertz em relação ao tempo, em
que:

P (g/dia) = 2,303 Bc exponencial (-ct + 2,303 A – 2,303 b e-ct)

Os valores calculados por essa equação para 63, 91, 119 e 147 dias de
gestação, respectivamente, são 0,06; 0,23; 0,45 e 0,57 g de fósforo por dia.Os
valores recomendados pelo NRC (1985) são os mesmos do ARC (1980);
porém, admitindo que o recém-nascido tem 22,6% do peso metabólico da mãe
na época do parto para parto simples, e 36,1% para gêmeos.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Para melhorar a eficiência da produção ovina, é necessário o


conhecimento das exigências nutricionais de cada categoria, para que seja
possível a aplicação de estratégias de alimentação, em que o balanceamento
das dietas leva em consideração a demanda nutricional dos animais e, desse
modo, deficiências ou desperdícios são evitados.

No Brasil, porém, ainda existe uma grande lacuna com relação à adoção
de práticas de alimentação adequadas, em virtude, principalmente, de poucas
informações sobre os requerimentos nutricionais dos ovinos sob nossas
condições climáticas.
De modo geral, os cálculos de rações têm sido baseados em normas
estrangeiras, como o National Research Council (NRC) e o Agricultural
Research Council (ARC), sem qualquer preocupação, até então, em adequá-
las às nossas condições, mesmo sabendo que esses requerimentos variam em
função de fatores genéticos, nutricionais e ambientais (Silva, 1996). Em
conseqüência da diversidade dessas condições, as tabelas estrangeiras podem
não ser as mais adequadas para as condições brasileiras, sendo necessário a
realização de estudos com o objetivo de estabelecer esses requerimentos para
nossas condições.

- 48 -
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