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Irivaldo Mota Dias

PROTOCOLO IPv6 (Internet Protocol version 6) E

SUA TRANSIÇÃO EM REDES DE COMPUTADORES

Universidade Jean Piaget de Cabo Verde

Pólo Universitário da Cidade do Mindelo


Caixa Postal 165, Rua Angola
Cidade Mindelo, São Vicente
Cabo Verde

23.8.16
Protocolo IPv6 (Internet Protocol version 6) e a sua transição em redes de computadores

II
Protocolo IPv6 (Internet Protocol version 6) e a sua transição em redes de computadores

Irivaldo Mota Dias

PROTOCOLO IPv6 (Internet Protocol version 6) E

SUA TRANSIÇÃO EM REDES DE COMPUTADORES

Universidade Jean Piaget de Cabo Verde

Pólo Universitário da Cidade do Mindelo


Caixa Postal 165, Rua Angola
Cidade Mindelo, São Vicente
Cabo Verde

23.8.16
III
Protocolo IPv6 (Internet Protocol version 6) e a sua transição em redes de computadores

Irivaldo Mota Dias, autor da monografia


intitulada “Protocolo IPv6 (Internet protocol
version 6) e sua transição em redes de
computadores”, declara que, salvo fontes
devidamente citadas e referidas, o presente
documento é fruto do seu trabalho pessoal,
individual e original.

Cidade do Mindelo aos, 23 Agosto de 2016

Irivaldo Mota Dias

Memória Monográfica apresentada à


Universidade Jean Piaget de Cabo Verde como
parte dos requisitos para a obtenção do grau de
Licenciatura em Engenharia de Sistemas e
IV
Informática.
Protocolo IPv6 (Internet Protocol version 6) e a sua transição em redes de computadores

«As pessoas que vencem neste mundo são as que procuram as circunstâncias de que precisam

e, quando não as encontram, as criam»

George Bernard Shaw

V
Protocolo IPv6 (Internet Protocol version 6) e a sua transição em redes de computadores

Sumário

Este trabalho, tem como objetivo enfatizar a importância do protocolo IPv6 e


consequentemente a necessidade da migração do protocolo IPv4 para o IPv6 para a
continuação da Internet.

Trata-se de uma pesquisa teórica experimental, no qual é realizado um levantamento


bibliográfico, seguido da configuração de um cenário de transição entre os protocolos IPv4 e
IPv6 e implementação de alguns serviços em ambos os protocolos e análise dos resultados
obtidos.

Existem inúmeras mudanças no IPv6, muitos conceitos terão de ser reaprendidas. O presente
trabalho descreve o protocolo IPv6, incluindo as suas características que o compõem, algumas
das técnicas de transição existentes que serão necessárias no período em que o IPv6 terá de
coexistir com IPv4, os novos protocolos de roteamento que também evoluíram para adaptar-
se ao IPv6. Optou-se pela implementação de uma rede de testes com uma mista entre os
protocolos, utilizando o emulador de redes cisco Packet tracer version 6.2, com o objetivo de
apresentar o funcionamento dos dois protocolos durante a fase de coexistência, através da
simulação de uma rede local, que comunicam entre si via técnicas de transição. E além disso
apresentar um conjunto de pontos que serão necessários entender na comunicação entre o
protocolo IPv4 e o IPv6.

Uma certeza é que mais tarde ou mais cedo a utilização do IPv6, será uma realidade a nível
mundial, logo a necessidade do conhecimento do protocolo.

Palavras-chave: Protocolo, Rede, Internet, IPv4, IPv6, Transição.

VI
Protocolo IPv6 (Internet Protocol version 6) e a sua transição em redes de computadores

Abstract

This work aims to emphasize the importance of IPv6 protocol and consequently the need for
migration from IPv4 to IPv6 for the continuation of the Internet.

This is an experimental theoretical research, which is based on a literature, followed by the


configuration of a simulation environment and implementation of some services in both
protocols and analysis of the results.

There are numerous changes in IPv6, other concepts have to be relearned. This paper
describes the IPv6 protocol, including its characteristics that make it up, and some of the
existing techniques that will be needed in the period when IPv6 will coexist with IPv4, new
routing protocols also have evolved to adapt to IPv6. We opted for the implementation of a
test network with a mixed between protocols using the emulator cisco networks Packet Tracer
version 6.2, with the aim of presenting the operation of the two protocols during the
coexistence phase, by simulating a network site, since they are only different protocols and
communicate with each other via transition techniques. And present a set of points that will be
needed in communication between IPv4 and IPv6.

One certainty is that later or earlier use of IPv6, will be a reality in the world, so the need for
protocol knowledge.

Keywords: Protocol, Network, Internet, IPv4, IPv6, Transition.

VII
Protocolo IPv6 (Internet Protocol version 6) e a sua transição em redes de computadores

Dedicatória

Este trabalho é dedicado a minha mãe Cesária dos Santos Mota, e ainda as minhas avós
materna Margarida Júlia dos Santos e paterna Ana Evangelista Silva Dias, que estiveram
sempre presente em todos os momentos da minha vida.

VIII
Protocolo IPv6 (Internet Protocol version 6) e a sua transição em redes de computadores

Agradecimentos

A todos os meus irmãos e irmãs Davilson dos Santos, Airton dos Santos, Wendy dos Santos,
Eliana dos Santos, Yanira Dias, Bruno Dias, Thiana Dias e Poldjon Dias.

Aos meus sobrinhos Gabriel Morais, Ivan Santos e Lucas Gabriel.

Em especial, a minha namorada Catlinda Andrade da Graça, pelo amor e carrinho.

Aos meus colegas Eduíno Évora, Liciana Marli da Cruz, Jairson Monteiro pelos incentivos a
quando do desenvolvimento dos nossos trabalhamos de fim de curso.

A todos os professores que de uma forma ou de outra colaboraram na aprendizagem de


conhecimentos adquiridos durante esses 4 anos.

A amiga Arinita Sofia Santos Alves, pelo carinho e pela amizade.

A professora Iolanda Borges, por dedicar parte do seu tempo para me ajudar, pelo incentivo e
dedicação.

Ao meu orientador Prof. Eng. Ruben Veiga, pelo incentivo durante o desenvolvimento deste
trabalho.

Aos meus colegas da república em especial a minha prima pelos anos de convivência, que
para além de amigos, fomos uma família.

A todos os meus colegas, que durante esses quatro anos fizeram parte da minha vida e ficarão
guardados em minha memória para sempre.

A todos aqueles que direta ou indiretamente, contribuíram para a minha formação,


especialmente a minha mãe, os meus sinceros reconhecimentos.

Um muito obrigado a todos, pelo incentivo e apoio…

IX
Protocolo IPv6 (Internet Protocol version 6) e a sua transição em redes de computadores

Siglas e abreviaturas
AFRINIC -African Network Information Center
DHCPv6 - Dynamic Host Configuration Protocol version 6
EUI-64 – Extended Unique Identifier 64
IANA - Internet Assigned Numbers Authority
ICANN- Internet Corporation for Assigned Names and Numbers
ICMPv6- Internet Control Message Protocol version 6
IEEE – Institute of Electric and Electronic Engineers
IPng- Internet Protocol next generation
IPSec - Internet Protocol Security
IPv4 - Internet Protocol Version 4
IPv6- Internet Protocol Version 6
MAC - Media Access Control
MTU - Maximum Transmission Unit
NA – Neighbor Advertisement
NAT - Network Address Resolution
NDP - Neighbor Discovery Protocol
NS - Neighbor Solicitation
NTP - Network Time Protocol
OSPFv3 - Open Shortest Path First version 3
QoS - Quality of Service
RA - Router Advertisement
RFC - Request for Comments
RIPng – Routing Information Protocol next generation
RS – Router Solicitation
SLAAC - Stateless Address Auto Configuration
ULA – Unique Local Address

X
Protocolo IPv6 (Internet Protocol version 6) e a sua transição em redes de computadores

Conteúdo

CAPÍTULO 1: INTERNET E O IPV4 ................................................................................. 19

1.1 Evolução da Internet ......................................................................................................... 19


1.2 Redes de Computadores ................................................................................................... 21
1.3 Protocolo IPv4 .................................................................................................................. 22
1.3.1 Esgotamento do Protocolo IPv4 ................................................................................... 23

CAPÍTULO 2: O PROTOCOLO IPV6 ................................................................................ 28

2.1 Principais características do Protocolo IPv6 .................................................................... 28


2.2 Estrutura do cabeçalho IPv6 ............................................................................................. 29
2.3 Fragmentação e determinação do percurso ...................................................................... 33
2.4 Endereçamento IPv6 ......................................................................................................... 33
2.5 Tipos de endereços IPv6 ................................................................................................... 39
2.6 Sub-redes em IPv6 ............................................................................................................ 43
2.7 Protocolos de Apoio ao IPv6 ............................................................................................ 44
2.8 Atribuição de endereços no IPv6 ...................................................................................... 46
2.9 DHCPv6 ........................................................................................................................... 48
2.10 DNS (Domain Name System) ....................................................................................... 48
2.11 O QoS (Quality of service) ........................................................................................... 49
2.12 Mobilidade IPv6 ........................................................................................................... 49
2.13 Protocolos de Roteamento ............................................................................................ 50
2.14 Segurança em redes IPv6 .............................................................................................. 51

CAPÍTULO 3: TRANSIÇÃO IPV4 PARA O IPV6 ............................................................ 54

3.1 Compatibilidade de hardware e software ......................................................................... 54


3.2 Técnicas de Transição ...................................................................................................... 55
3.3 Implementação do Protocolo IPv6 em Cabo verde .......................................................... 60

CAPÍTULO 4: IMPLEMENTAÇÃO DAS TÉCNICAS DE TRANSIÇÃO DUAL

STACK E TUNELAMENTO 6IN4………………………………………………………...61

4.2 Constituição dos equipamentos utilizados........................................................................ 63


4.3 Descrição das redes utilizadas no Laboratório. ................................................................ 63

CONCLUSÃO......................................................................................................................... 74

BIBLIOGRAFIA .................................................................................................................... 77

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Protocolo IPv6 (Internet Protocol version 6) e a sua transição em redes de computadores

Tabelas
Tabela 1: Abreviação de alguns endereços IPv6 ...................................................................... 35
Tabela 2: Alocação dos endereços IPv6 ................................................................................... 37
Tabela 3: Endereços Multicast com atribuição permanente ..................................................... 43
Tabela 4: Técnicas de Transição, vantagens e desvantagens. .................................................. 59
Tabela 5: Endereços configurados nos roteadores ................................................................... 65
Tabela 6: Tabela dos endereços dos dispositivos configurados na rede................................... 68

XII
Protocolo IPv6 (Internet Protocol version 6) e a sua transição em redes de computadores

Figuras

Figura 1: Comparação dos dispositivos ligados com a população humana ............................. 20


Figura 2: Internet atualmente .................................................................................................... 21
Figura 3: Arquitetura em camadas da rede TCP/IP .................................................................. 23
Figura 4: Contadores do esgotamento de endereços da IANA e das RIRs .............................. 26
Figura 5: Estrutura do pacote IPv6 ........................................................................................... 29
Figura 6: Comparação dos cabeçalhos IPv6 e IPv4 ................................................................. 30
Figura 7: Formato do cabeçalho IPv6. ..................................................................................... 31
Figura 8: Representação de um endereço IPv6 ........................................................................ 34
Figura 9: Representação em hexadecimal e binário ................................................................. 34
Figura 10: Mapa dos Registros Regionais da Internet distribuídos pela IANA ....................... 37
Figura 11: Formato de um endereço IPv6 ................................................................................ 38
Figura 12: Estrutura do prefixo de um endereço global unicast IPv6 ...................................... 39
Figura 13: Endereço Global Unicast ........................................................................................ 40
Figura 14: Comparação do ICMPv4 e o ICMPv6 .................................................................... 44
Figura 15: Estrutura geral de um pacote ICMPv6 .................................................................... 44
Figura 16: Formato EUI-64 ...................................................................................................... 47
Figura 17: Configuração RIPng ................................................................................................ 51
Figura 18: Logo Silver .............................................................................................................. 55
Figura 19: Técnica de transição Dual Stack ............................................................................. 56
Figura 20: Técnica de transição Tunelamento .......................................................................... 57
Figura 21: Técnica de transição Tradução ................................................................................ 58
Figura 22: Protótipo da rede ..................................................................................................... 63
Figura 23: Backbone IPv4 ........................................................................................................ 64
Figura 24: Configuração do Túnel (6in4) entre os roteadores A e B ....................................... 64
Figura 25: Rede dual stack/hibrida........................................................................................... 66
Figura 26: Rede IPv4 ................................................................................................................ 66
Figura 27: Rede IPv6 ................................................................................................................ 67
Figura 28: Configuração do backbone com o OSPF (IPv4) ..................................................... 69
Figura 29: Comunicação entre o Router_A e o Router_B........................................................ 69
Figura 30: Protocolo RIPng ...................................................................................................... 70
Figura 31: PC0_IPv4 comunica PC_IPv6/IPv4 ....................................................................... 70
Figura 32: Comunicação entre o PC_IPv6/IPv4 para PC0_IPv4 ............................................. 71
Figura 33: Obtenção e endereço via DHCPv4.......................................................................... 71
Figura 34: Obtenção e endereço via DHCPv6.......................................................................... 72
Figura 35: Autoconfiguração SLAAC ...................................................................................... 72
Figura 36: Acesso a pagina web via endereço .......................................................................... 73

XIII
Protocolo IPv6 (Internet Protocol version 6) e a sua transição em redes de computadores

Introdução

A Internet, que nos dias de hoje assume um papel preponderante, surgiu da necessidade de
ligar computadores de forma permitir e facilitar a partilha da informação, sendo o protocolo
IP o responsável pelo transporte de dados na Internet existindo duas variantes IPv4 e IPv6.
Este trabalho intitulado “Protocolo IPv6 (Internet Protocol version 6) e sua transição em
redes de computadores” tem como finalidade a obtenção do grau de Licenciatura em
Engenharia de Sistemas e Informática da Universidade Jean Piaget de Cabo Verde, Pólo
Mindelo, na vertente de Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC).

Neste estudo, pretende-se enfatizar a importância do protocolo IPv6, face ao protocolo IPv4,
bem como o planeamento prévio da transição dos protocolos que tem de ser feita para a
continuidade do bom desempenho da Internet, evidenciando-se os seus pontos fortes,
principalmente a sua ampla capacidade de endereçamento, visando selecionar a problemática
de endereçamento de entre outros problemas próprios do IPv4, bem como algumas técnicas de
transição. Véstias (2009, p.367)

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Protocolo IPv6 (Internet Protocol version 6) e a sua transição em redes de computadores

O crescimento exponencial da Internet e dos serviços inerentes registado ao longo dos anos a
presente data tem resultado numa demanda cada vez maior de novos utilizadores da rede
global. Com este crescimento, emergiu uma questão bastante pertinente que é o esgotamento
dos endereços públicos IPv4 (Internet Protocol version 4), pois, o sistema de endereçamento
atual claramente não permite a sustentabilidade da Internet no que tange à expansão.
Florentino (2012, p.19)

Como solução mais viável para resolver esta questão, houve a necessidade de haver o
desenvolvimento de um novo protocolo IP Internet Protocol, capaz de acompanhar essa
expansão bem como de permitir novos serviços na rede, e deste modo surgiu então o IPng
(Internet Protocol next generation), hoje conhecido como Internet Protocol version 6 ou seja
o IPv6.

Ainda segundo Vestias (2012, p.375), esta migração, não pode ser feita de um dia para o
outro, não só devido ao grande número de dispositivos configurados com IPv4, mas também
devido ao problema de compatibilidade de software. Tendo em conta, que esta migração deve
acontecer de uma forma gradual e concisa ainda com o IPv4 como protocolo dominante
atualmente em funcionamento, existe uma fase de transição, onde os dois protocolos devem
operar simultaneamente na rede global durante a transição, retirando pouco á pouco o IPv4,
até uma Internet unicamente com o IPv6. Estes dois protocolos não são compatíveis, pois
possuem arquiteturas diferentes, o que levou a criação de mecanismos de transição que
garante a interoperabilidade. Estes podem ser divididos em categorias: pilha dupla,
tunelamento, e tradução de endereços. O IPv6 apresenta novos recursos e melhorias, tais
como número maior de endereços IP, qualidade do serviço, segurança, mobilidade, entre
outros.

Muitas empresas como Google, Facebook e o Yahoo já deram o primeiro passo para iniciar
essa transição, oferecendo seus serviços através do IPv6. [1]

 Justificativa e relevância do estudo


Hoje vivemos num mundo globalizado, onde quase tudo gira à volta da Internet, podendo ter
acesso a vários serviços à partir de vários dispositivos como computador, telemóveis, Ipad,
Tablet, onde num futuro próximo quase tudo conectar-se-á à rede de Internet. Com os
números de dispositivos conectados à rede de Internet, crescendo cada vez mais, há

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Protocolo IPv6 (Internet Protocol version 6) e a sua transição em redes de computadores

necessidade de substituir o protocolo IPv4 que começou a esgotar na IANA em 2011.


Florentino (2012, p.20). Percebendo a importância do assunto, é necessário aprofundar os
conhecimentos sobre o protocolo IPv6, pois está relacionado com um tópico de grande
importância na nossa área de formação, e por isso pretendemos aprofundar este tema muito
pertinente e desafiador. Pretende-se também dar um contributo para o conhecimento deste
tema que é novo a nível mundial e nacional.

 Pergunta de partida

Atualmente os dispositivos se comunicam na Internet na sua maioria através do protocolo


IPv4, devido ao grande crescimento de utilizadores da Internet (rede pública) bem como
Intranet (rede privada), há uma necessidade de um número maior de endereços IPs, houve um
esgotamento de endereços disponíveis para distribuição aos utilizadores e a necessidade de
implementação de melhorias, mais endereços IP, segurança, mobilidade entre outros para uma
evolução da rede de Internet e ainda assegurar que as redes de protocolos diferentes possam
comunicar durante a fase de transição para o IPv6.

Partindo desta ideia, formulamos a seguinte pergunta:

o Como as redes IPv4 irão comunicar-se com as redes IPv6, e vice-versa, sendo que são
protocolos com características diferentes?

Objetivos do Trabalho
Traçada a questão orientadora e a justificativa do trabalho, delineamos os seguintes objetivos:

 Objetivo Geral

 Estudar o novo protocolo de Internet o IPv6, seu funcionamento e a implementação de


um cenário de transição utilizando o (Dual Stack e o Tunelamento 6in4), como
técnicas escolhidas na fase de transição possibilitando a comunicação entre redes
IPv4 e IPv6.

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Protocolo IPv6 (Internet Protocol version 6) e a sua transição em redes de computadores

 Objetivo Especifico
 Estudar a arquitetura do IPv6 e algumas diferenças mais importantes em
relação ao IPv4.
 Apresentar as principais características, funcionalidades, benefícios do
protocolo IPv6.
 Apresentar algumas informações sobre as técnicas de transição e o processo da
sua implementação.
 Desenvolvimento de uma rede composta pelos dois protocolos, utilizando o
software Cisco Packet Tracer Student versão 6.2, para configurações e testes,
apresentando os recursos do protocolo IPv6 e a coexistência com IPv4 na
durante a fase de transição.

 Metodologia
Para o desenvolvimento deste projeto foi feita uma pesquisa por bibliográfica de autores de
referência sobre o tema em estudo, bem como uma pesquisa documental, e em sítios Web da
especialidade e outros, por forma a fomentar teoricamente todos os conceitos base e as
inovações do protocolo. E uma pesquisa nas RFCs – Request for Comments – Requisições
para Comentários, regulamentada pela IETF – Internet Engineering Task Force –. Os livros
específicos sobre o protocolo, os sítios web e os RFCs, são documentos técnicos que
possibilitaram explicar todos os conceitos à volta do novo protocolo de Internet.
Para desenvolver a parte prática criou-se um ambiente de testes virtual e optou-se por utilizar
o Cisco Packet Tracer Student na versão 6.2, que é um emulador de redes da CISCO.
Optamos por este software, primeiramente por não ser possível fazer a simulação com
equipamentos próprios devido aos custos que isso acarretaria, e também por causa da
facilidade que o aplicativo nos possibilita nas configurações, obtendo deste modo resultados
mais próximos da realidade. E, ainda por ser desenvolvida por uma das maiores empresas de
fabrico de equipamentos de redes, a CISCO, possibilitando simular algumas das
configurações desenvolvidas ao longo do trabalho. [2]

 Estrutura do Trabalho

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Protocolo IPv6 (Internet Protocol version 6) e a sua transição em redes de computadores

Para uma melhor compreensão, após a introdução onde fizemos uma breve apresentação do
trabalho, sobre o tema a ser estudado. Também apresentar a motivação pela escolha do tema,
formulação do problema, justificativa, objetivos a serem alcançados e organização do
trabalho, optou-se por organizar este trabalho em 4 capítulos.

 Capítulo 1 – No primeiro capítulo apresentamos uma breve evolução histórica da


Internet bem como o seu crescimento, as definições das redes de computadores bem
como a sua evolução atualmente, descrever de forma sucinta o protocolo IPv4, as suas
limitações, as medidas criadas para atenuar a escassez de IP, por fim esgotamento dos
endereços IPv4 (públicos).

 Capítulo 2 – No segundo capítulo apresentamos o protocolo de Internet o IPv6.


Seguidamente vai-se entrar no seu funcionamento, estudar a sua arquitetura e
apresentar as principais características, funcionalidades, benefícios do protocolo IPv6,
protocolos de apoio ao IPv6, novas formas de atribuição de endereços, mobilidade,
novo formato do DNS, QoS, protocolos de roteamento e com a segurança.

 Capítulo 3 – No terceiro capítulo apresentamos a parte da transição explanada a


classificação o mecanismos de transição Tunelamento e Dual Stack bem como o seu
funcionamento, alguns critérios de escolha dos mecanismos de transição, e ainda
determinados aspetos de segurança a ter em conta na transição.

 Capítulo 4 – No quarto capítulo apresentamos a parte prática, onde desenvolvemos


alguns aspetos práticos, realização de algumas configurações de uma rede com as
técnicas de transição Dual Stack e Tunelamento (6in4), protocolos de roteamento
OSPF 2 IPv4 e RIPng (IPv6), apresentando interoperabilidade entre os protocolos.

Por fim a conclusão do trabalho, na qual apontamos os aspetos positivos e negativos para uma
implementação bem-sucedida do IPv6, bem como as recomendações a serem retificadas e
sugestões de possíveis trabalhos futuros com novas implementações e expansões.

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Protocolo IPv6 (Internet Protocol version 6) e a sua transição em redes de computadores

Capítulo 1: Internet e o IPv4

Durante este capítulo serão apresentados uma base da evolução da Internet, caracterização do
protocolo IPv4 bem como os principais fatores que limitam o protocolo IPv4, enquanto
protocolo da Internet, e por fim o esgotamento do mesmo.

1.1 Evolução da Internet

A quando da criação da Internet, não se imaginava que ela viria a crescer de forma
exponencial, devido ao desenvolvimento das tecnologias de informação e de comunicação
bem como da Web.

Para Brito (2013, p.21), a Internet é uma rede totalmente baseada em padrões abertos, onde
toda tecnologia que a compõe é publicada pela IETF em documentos públicos acessíveis a
qualquer pessoa, que são denominados RFC. Essa é uma das características crucias da rede.
Complementa Kurose e Ross (2010, p.38), “a Internet cresceu de um protótipo de pesquisa
para um sistema global de comunicação que alcança o mundo todo, entretanto o seu tamanho
não é tão surpreendente como a sua taxa de crescimento”.

Para Bozzano (1998), houve um crescimento explosivo no tamanho e na complexidade


topológica da Internet. Este crescimento gerou uma série de problemas em sua infraestrutura.

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Protocolo IPv6 (Internet Protocol version 6) e a sua transição em redes de computadores

A explosão e instabilidade nas tabelas de roteamento, redução considerável de endereços IPs


disponíveis e sobrecarga de atividades de seus administradores. Além disso, as redes que
compõe a Internet são alvos constantes de acessos indevidos, causados por sua frágil estrutura
de segurança.

Segundo Florentino (2012, pp.15-16).

A Internet originalmente não foi concebida para ter usso comercial que temos hoje.
O projeto militar conhecido como ARPANET deu origem a tudo em plena Guerra
Fria, em que o objetivo era criar uma rede mundial de comunicação na qual não
existisse um nó central, e que fosse semelhante a uma imensa teia de aranha onde
cada no pudesse se comunicar com qualquer nó por vários caminhos alternativos.
Destruindo um nó, os outros manteriam contato sem nenhum problema.

Ainda, segundo o mesmo autor, nos anos que se seguiram, o backbone1 que futuramente seria
conhecido por Internet se desenvolveu nas grandes universidades norte-americanas. Foi um
período em que não havia grandes preocupações com segurança nem com a escalonabilidade
a rede mundial, pois havia poucos nós conectados entre si. Não se imaginava que a Internet
ganharia as proporções a que chegou nas décadas seguintes. A figura 1 complementa as
afirmações de Kurose e Ross (2010), como podemos observar a Internet tem crescendo de
forma exponencial tendo mais dispositivos conectados do que seres humanos.

Figura 1: Comparação dos dispositivos ligados com a população humana

Fonte: Chandra (2014, p.4)

1
Backbone ("espinha dorsal" ou "rede de transporte") é uma rede principal por onde os dados dos clientes da
Internet trafegam. Ele controla o esquema de ligações centrais de um sistema mais abrangente com elevado
desempenho. [3]

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Protocolo IPv6 (Internet Protocol version 6) e a sua transição em redes de computadores

1.2 Redes de Computadores

Para entendermos o funcionamento da Internet primeiro precisamos saber o que são redes de
computadores. Vários conceitos são apresentados para o termo redes de computadores por
isso em modo consensual pode-se afirmar segundo, Forouzan (2006, p.37), “como sendo um
conjunto de dispositivos conectados por links de comunicação denominados frequentemente
de nós. Um nó pode ser um computador, uma impressora ou qualquer outro dispositivo capaz
de enviar e receber dados gerados noutros nós da rede”. De maneira que podemos observar na
figura 2 a rede de Internet atualmente não está constituída unicamente por computadores IOT
(Internet of things), mas sim por um vasto leque de outros dispositivos como telemóveis,
tabletes, televisores, casas, roupas, entre outros.

Figura 2: Internet atualmente

Fonte: [4]

A IOT, Internet das coisas é quando um determinado objeto pode representar-se de forma
digital, ele pode ser controlado de qualquer lugar. Esta conectividade significa mais dados
coletados a partir de mais lugares, proporcionando assim outras maneiras de aumentar a
eficiência e melhorar a segurança. [2]

Para Kurose e Ross (2010, p.2), “o termo redes de computadores está começando a soar um
tanto desatualizado, dados os muitos equipamentos não comuns que estão sendo ligados à
Internet”.

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Protocolo IPv6 (Internet Protocol version 6) e a sua transição em redes de computadores

1.3 Protocolo IPv4

Para Fazzanaro (2013), o protocolo IP é o principal protocolo para o funcionamento da


Internet e define as regras através das quais as informações fluem na rede mundial, sendo que
cada dispositivo deve ser identificado univocamente na rede, ou seja, sem possibilidade de
engano. Está identificação é feita através de um número, chamado de endereço IP, ou apenas
por IP. Esse número deve ser único, para que não exista na Internet dois dispositivos com
mesmo endereço.

Para Forouzan (2008, p.463), os pacotes na camada IP são denominados de datagramas. Um


datagrama IPv4 é um pacote de tamanho variável constituído por cabeçalho e dados. O
cabeçalho possui um tamanho que varia de 20 a 60 bytes e contém informação essencial para
os serviços de roteamento e entrega. Também para Filippetti (2008, p.137), o cabeçalho IPv4
é composto por 14 campos. Ainda conforme Fazzanaro (2013, pp.23-24) o IPv4 é constituído
por 32 bits (4 bytes) separado por ponto (.) em 4 blocos chamados de octetos, isso devido ao
fato de que cada bloco comporta 8 bits, derivando assim o termo octeto. Sua representação é
decimal e vai de 0 a 255.

Segundo Tanenbaum (2002, p.337) uma porção do endereço IP representa o endereço de rede

e a outra o endereço do host2. Considerando que cada bit é composto por 0 e 1, isso possibilita

criar algo em torno de 4.3 bilhões de endereços diferentes. Ainda com Filippetti (2008,

pp.138.140), existe quatro diferentes protocolos coexistentes na camada de rede IPv4, são IP,

ICMP, ARP, RARP, cada um desempenhando a sua função específica. E, o elemento que

mantém a Internet ligada é o protocolo da camada de rede, o IP. Pois, Tanenbaum (2002,

pp.333-334) defende o seguinte:

2
Host: é qualquer máquina ou computador conectado a uma rede, podendo oferecer informações, recursos,
serviços e aplicações. [5]

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Protocolo IPv6 (Internet Protocol version 6) e a sua transição em redes de computadores

Ao contrário da maioria dos protocolos da camada de rede mais antigos, o IP foi


projetado desde o início tendo como objetivo a interligação de redes. Uma boa
maneira de pensar na camada de rede é essa. A tarefa do IP é fornecer a melhor
forma possível (ou seja, sem garantias) de transportar datagramas da origem para o
destino, independente dessas máquinas estarem na mesma rede ou de haver outras
redes entre elas.

Como podemos ver na figura 3 todas as camadas de rede TCP/IP, têm em comum o protocolo
IP.
Figura 3: Arquitetura em camadas da rede TCP/IP

Fonte: Brito (2013, p.39)

1.4 Esgotamento do Protocolo IPv4

Limitações do protocolo IPv4

Para Véstias (2009, p.365), o protocolo IP está em uso desde o início dos anos 80 e não sofreu
grandes alterações, pelo contrário, o número de utilizadores, bem como os requisitos de
comunicação têm aumentado rapidamente. Se pensarmos num número de pessoas com acesso
a Internet, através dos seus computadores pessoais ou dos seus telefones, facilmente nos
questionamos sobre como é que o IPv4 ainda suporta uma rede tão grande.

Para Florentino (2012, pp.17-18), na primeira onda, a rede mundial conectava apenas
computadores entre si. Hoje vivemos uma segunda fase em que a Internet conecta pessoas, e
as redes socias estão cada vez mais presentes no dia-a-dia das pessoas comuns. A terceira
onda da Internet, a chamada Internet das coisas (IoT), permitirá integrar casas, computadores,
eletrodomésticos, enfim todos os eletroeletrónicos que cercam a vida moderna poderão se
conectar e interagir, necessitando de endereços IP para que essa comunicação se realize.

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Protocolo IPv6 (Internet Protocol version 6) e a sua transição em redes de computadores

Para compreendermos de uma forma sintetizada as limitações do protocolo IPv4 seguem os


seguintes aspetos que conforme Véstias (2009, p.366), mais tarde ou mais cedo irão limitar,
senão inviabilizar, a utilização do IPv4.

 Espaço de endereçamento IPv4 esgotado, derivado ao crescimento exponencial da


Internet: este esgotamento levou com que as organizações passassem a usar o NAT,
utilizando os endereços privados em um único endereço IP público quebrando assim a
barreira da verdadeira ligação extremo a extremo;

 Necessidade de configuração simplificada: diversas implementações atuais necessitam


ser configuradas manualmente ou com o DHCP, pelo administrador do sistema. Com o
aumento do número de dispositivos, há uma necessidade mais urgente de simplificar e
automatizar o processo, dai a necessidade de um método onde não haja a necessidade
dessas serem feitas pelo administrador do sistema;

 Segurança ao nível do IP: a privacidade em comunicações de dados privados no meio


público da Internet impõe serviços de criptografia que protejam os dados de serem vistos
ou alterados. Embora exista o padrão IPsec para fornecer segurança para pacotes IPv4, sua
implementação é opcional, levando muitas vezes a não utilização, ainda a
incompatibilidade do NAT com o IPsec;

 Qualidade de serviço na transmissão de dados em tempo-real: o mecanismo de


qualidade de serviço que baseia no campo TOS (Type of Service) e na identificação do tipo
de dados através do UDP ou TCP, mas não é o ideal e tem sido usado e executado de
diversas formas, dificultando a garantia de qualidade durante a transmissão de um
determinado pacote.

 Formato do cabeçalho: cabeçalho com tamanho variado que pode ir de 20 a 60 bytes,


onde 40 bytes de campos opcionais são raramente usados, mas estão sempre presentes
exigindo um processamento extra, aumentando assim a largura de banda e a latência na
transmissão do pacote.

Para além destas limitações, acima apresentadas achamos pertinente mostrar outras razões
que na nossa perspetiva inviabilizaram o protocolo durante o seu desenvolvimento, tais
como: o aumento da população, o desenvolvimento das tecnologias bem como a taxa de
penetração da Internet no mundo. Destas passamos a citar:

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 População mundial em 2015 de aproximadamente 7,2 bilhões. [6]

 Total de dipositivos ligados em 2012 de 8.7 bilhões milhões. [7]

 Conexões On-line em 2014 foi de 14 bilhões. [8]

 Estimativas de dispositivos ligados a Internet em 2020 e de 25 bilhões. [9]

1.4.1 Soluções Paliativas ao Esgotamento do IPv4

O protocolo foi adotado em 1983, com mais de 4 bilhões de endereços possíveis, como o seu
esgotamento eminente, estudos começaram a ser feitos a partir de 1990 para colmatar o
esgotamento dos endereços, período este onde desenvolveram algumas medidas paliativas ao
esgotamento. Florentino (2012) dessas medidas foram criadas as seguintes técnicas CIDR,
DHCP, NAT, e a RFC 1918, para minimizar o esgotamento eminente, Fazzanaro (2013,
p.39), mas estas serviram unicamente para que se pudesse desenvolver outro protocolo que
suprimisse essas carências do IPv4. A seguir as medidas desenvolvidas:

 CIDR – (Classless Inter-domain Routing) – documentado na RFC 4632 – roteamento sem


uso de classes – permitiu um melhor aproveitamento dos endereços disponíveis o intuito
dessa divisão tenha sido tornar a distribuição de endereços mais flexível. [7]

 DHCP – (Dynamic Host Configuration Protocol) – documentado na RFC 2131 – essa


técnica nada mais é que a alocação automática de IP nos hosts e muito utilizado pelos
ISPs3. Devido a isso quando um cliente se conecta na rede, automaticamente adquire um
endereço IP e ao desconectar-se poderá ser utilizado por um outro cliente, com isso há uma
economia nos blocos de endereços IPs fornecidos pelos ISPs. Fazzanaro (2013, p.37)

 NAT – (Network Address Translation) – documentado RFC 3022 – complementa o


mesmo autor que a outra tecnologia foi o NAT, a sua conceção vai contra o que propõe um
dos princípios originais da Internet, ou seja, oferecer um endereço global único para os
hosts da rede. O NAT prejudicada ainda conexões diretas como, P2P (Peer-to-Peer), VoIP

3
ISP (Internet Service Provider) - é uma empresa que fornece acesso à Internet em sua região geográfica.
Recuperado em 10 de Dezembro, 2015 em http://www.crimespelainternet.com.br/o-que-e-um-isp/

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(Voice over Internet Protocol), VPN, (Virtual Private Network). Além disso, dificulta o
rastreamento de um pacote na Internet, já que não sabe qual host que enviou aquele pacote
e isso geram um problema de segurança. Fazzanaro (2013, pp. 37-38)

1.4.2 O esgotamento dos endereços IPv4

Fazzanaro (2013, p.30), alerta sobre outros aparelhos eletrónicos que incluíram a Internet
como meio de comunicação seja para jogar, realizar compras, consultar previsão de tempo,
realizar transações bancárias. Talvez um dos aparelhos que mais consumiram e continuam
consumindo endereços IPs são os telemóveis e smartphones. A Internet está presente em
consolas de jogos, em frigoríficos, câmaras de vigilância, relógios, sistemas de veículos, e
ainda em muito outros produtos eletrónicos.
Desde 2011 que o estoque central da IANA esgotou-se completamente afirma Florentino
(2012, p.20), sendo que cada RIR deve contar apenas com seus estoques locais restantes. Isto
quer dizer que os endereços IPv4 irão acabar em diferentes momentos em diferentes partes do
globo. A primeira região a ter seus estoques de IPv4 esgotada foi a da Ásia, controlada pela
APNIC.

A figura 4 exibi o esgotamento dos endereços públicos na IANA a partir de 2011. Os dois
contadores que foram desenvolvidos pela INTEC Inc, onde podemos testemunhar o
esgotamento dos endereços IPv4. Podemos ver que a IANA, já não conta com endereços e por
outro lado a RIR ARIN, também não detém mais endereços e as restantes encontram-se nas
suas fases finais. A atualização é feita em tempo real.

Figura 4: Contadores do esgotamento de endereços na IANA e nas RIRs

Fonte: [10]

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Como podemos ver, vários são os fatores que nos levam à adoção do protocolo IPv6, mas a
mais importante de todas é a falta de endereços IP.

Segundo Brito (2011, p.3), o ano de 2011 foi o ano da “Contradição” para a Internet, porque
foi neste ano que os estoques de endereços IPv4 (IANA) esgotaram, e por conseguinte,
aconteceu também que a ONU (Organização das Nações Unidas), declarou a Internet como
sendo um direito fundamental dos homens, por ser uma ferramenta imprescindível para o
exercício da liberdade de expressão.

Complementa Bozzano (1998), que foi formado o grupo IPNGWG (Internet Protocol Next
Generation Working Group) para tratar unicamente de questões referente à nova geração do
protocolo Internet. Depois de várias pesquisas e debates polêmicos, foi adotado o IPv6 como
o novo protocolo a ser utilizado na Internet. Este protocolo foi projetado para suplantar as
dificuldades do protocolo anterior IPv4, introduzindo várias melhorias como
autoconfiguração, segurança e mobilidade entre outros.

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Capítulo 2: O Protocolo IPv6

Neste segundo capítulo é apresentado a próxima versão do protocolo da Internet, o IPv6, os


aspetos mais importantes dessa nova tecnologia, iniciando pelas suas principais caraterísticas,
seguindo-se a simplificação do cabeçalho, suporte melhorado para cabeçalhos de extensão, a
mobilidade, autoconfiguração, suporte nativo à segurança, de entre outras características que
fazem parte do protocolo IPv6.

2.1 Principais características do Protocolo IPv6

De acordo com Moreira et al. (2012, pp. 14-15) O protocolo foi desenvolvido em 1995, foi
revisto em 1998, e foi publicado em RFC em 1990, podemos testemunhar que o protocolo a
muito que existe. Tendo em conta a data do seu desenvolvimento, podemos afirmar que “o
IPv6 e um velho novo protocolo”.

O IPv6 foi desenvolvido com o intuito de solucionar definitivamente o problema de escassez


de endereços disponíveis na Internet.

Segundo Amoss e Minoli (2008, pp.5-6), o protocolo traz um conjunto benefícios, dentre
estes benefícios podemos destacar os seguintes:

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 Escalabilidade: possui endereços de 128 bits oferece um espaço de 2^128. Assim, o


número de endereços disponíveis é 2^128 ~ 10^39.

 Segurança: inclui recursos de segurança, como criptografia, autenticação.

 Aplicações em tempo real: para prover melhor suporte para tráfico em tempo real
como o VoIP, foi incluido o campo labeled flows no QoS fazendo com que o router
reconhece o fluxo ponto-a-ponto, no fluxo transmitido que o pacote pertence.

 Plug-and-play: inclui um mecanismo de plug-and-play que facilita a ligação de


equipamentos à rede de forma automática.

 Mobilidade: inclui mecanismos de mobilidade mais eficientes e aprimorados,


essencial para as redes móveis.

 Protocolo otimizado: incorpora às melhores práticas do IPv4, mas remove as


características obsoletas.

 Endereçamento e roteamento: melhora hierarquia do endereçamento e roteamento.

 Extensibilidade: projetado para ser extensível e oferecendo suporte para novas


opções e extensões.

As razões para se adotar o protocolo IPv6, são mais do que suficientes para a sua integração
nas redes de computadores e inevitavelmente num futuro próximo.

2.2 Estrutura do cabeçalho IPv6

Davies (2012, p.91), diz que o cabeçalho IPv6 é uma versão simplificada do cabeçalho IPv4,
onde são eliminadas os campos raramente utilizados.

Figura 5: Estrutura de um pacote IPv6

Fonte: Davies (2012, p.91)

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2.2.1 Modificações feitas no cabeçalho IPv6

Em relação às modificações feitas no cabeçalho, o mesmo autor afirma (pág. 97), que o
número de campos do cabeçalho passou para 8 campos. Enquanto a versão anterior continha
12 campos fixos e algumas opções, sendo o único campo mantido é o campo da versão.
Originando as seguintes mudanças que possibilitam as seguintes vantagens:

 O número de campos que deve ser processado por um roteador intermediário caiu de 6
para 4, fazendo o encaminhamento de pacotes mais eficiente.

 Os campos raramente utilizados, como os campos de apoio a fragmentação e opções


no cabeçalho, foram movidos para cabeçalhos de extensão.

 O IPv4 tem um cabeçalho de tamanho variável 20 a 60 bytes, onde 40 dos bytes de


campos opcionais nem sempre são utilizados, mas estão sempre presentes. O IPv6 tem
um cabeçalho fixo de 40 bytes.

Para melhor analisar as modificações feitas no cabeçalho IPv6, verifiquemos a figura 6.


Figura 6: Comparação dos cabeçalhos IPv6 e IPv4

Fonte: [11]

Acrescenta-se que dos 40 bytes, 32 são utilizados para indicar os endereços de origem e de
destino, ficando portanto, apenas 8 bytes para os restantes campos. Vestias (2009, p.398)

2.2.2 Cabeçalho do protocolo IPv6

A figura 7, a presenta o cabeçalho IPv6, que ficou mais simples em comparação, ao IPv4
constituído por apenas 8 campos.

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Figura 7: Formato do cabeçalho IPv6.

Fonte: Filippetti (2008, p.174)

Conforme a figura 7, o cabeçalho do IPv6 está dividido nos seguintes campos (Moreira et al.
P.27)
 Version (versão 4 bits) – identifica a versão do protocolo utilizado, neste caso, o valor
é 6.
 Traffic Class (classe de tráfego 8 bits) – identifica os pacotes por classes de serviços
ou prioridade do mesmo modo das funcionalidades e definições do campo tipo de
serviço do IPv4.
 Flow Label (identificador de fluxo 20 bits) – identifica pacotes do mesmo fluxo de
comunicação. Este campo é configurado pelo endereço de destino para separar os
fluxos de cada uma das aplicações e os nós intermediários de rede podem utilizá-lo de
forma agregada com os endereços de origem e destino para realização de tratamento
específico dos pacotes.
 Payload Length (tamanho do dados 16 bits) – indica o tamanho, em bytes, apenas dos
dados enviados junto ao cabeçalho IPv6. Substituiu o campo tamanho total do IPv4,
que indicava o tamanho do cabeçalho mais o tamanho dos dados transmitidos.
Contudo, o tamanho dos cabeçalhos de extensão também são somados nesse novo
campo.
 Next Header (próximo cabeçalho 8 bits) – identifica o cabeçalho de extensão que
segue o atual. Foi renomeado chamava-se antes de Protocolo para refletir a nova
organização dos pacotes IPv6, uma vez que ele deixou de conter os valores referentes
a outros protocolos, para indicar os tipos dos cabeçalhos de extensão.
 Hop Limit (limite de encaminhamento 8 bits) – o campo é decrementado a cada salto
de roteamento e indica o número máximo de roteadores pelos quais o pacote pode

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passar antes de ser descartado. Ele padronizou o modo como o campo tempo de vida
(TTL) do IPv4 vinha sendo utilizado, o qual diferia significativamente da descrição
original que o definia como o tempo, em segundos, para o pacote ser descartado caso
não chegasse há seu destino.
 Source Address (endereço de origem 128 bits) – indica o endereço de origem do
pacote.
 Destination Address (endereço de destino (128 bits) – indica o endereço de destino do
pacote.

2.2.3 Cabeçalhos de extensão

O protocolo IPv6 introduziu um novo mecanismo para substituir o campo opções, os


cabeçalhos de extensão. A fim de melhorar a eficiência de encaminhamento. Com essa
mudança, o processamento dos roteadores quando comparado com IPv4, é melhor já que com
o IPv4 cada nó da rede tem que analisar por inteiro cabeçalho IPv4, resultando em uma
sobrecarga de processamento. [12]

Citando o autor Florentino (2012, p.27), os cabeçalhos de extensão, tem como objetivo
aumentar a velocidade de processamento nos roteadores, visto que o único cabeçalho de
extensão processado em cada roteador é o hop-by-hop, os demais são tratados apenas pelo nó
identificado no campo endereço de destino do cabeçalho base.

O mesmo autor afirma que o IPv6 define seis cabeçalhos de extensão que devem ser
suportados por todos os dispositivos que interfere na comunicação (p.27).

Assim sendo, vamos descrever os seis cabeçalhos por ordem de recomendação, ainda com
Florentino (2012, p.29):

 Cabeçalho de opções hop-by-hop: usado para transportar informações que devem ser
processadas por todos os nós ao longo do caminho do pacote.
 Cabeçalho de opções de destino: usado para transportar informações que devem ser
processadas pelo nó de destino do pacote.
 Cabeçalho de encaminhamento: usado para listar um ou mais nós intermediários que
deveriam ser visitados até o pacote chegar ao destino, é utilizado como parte do
mecanismo de suporte à mobilidade do IPv6.

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 Cabeçalho de fragmentação: transporta informações sobre os fragmentos dos


pacotes IPv6, ou usado quando o tamanho do pacote é maior do que a MTU máxima
para esse link.
 Cabeçalho de autenticação: é utilizado pelo IPSec para promover autenticação e
garantir integridade aos pacotes IPv6.
 Cabeçalho de encapsulamento de segurança: também utilizando pelo IPSec, garante
a integridade a confidencialidade dos pacotes.

2.3 Fragmentação e determinação do percurso

No IPv6 o responsável pela fragmentação é o host que envia o datagrama, e não os routers
intermédios como é no IPv4. Os routers intermédios descartam os datagramas maiores que o
MTU da rede. O MTU será o MTU máximo suportado pelas diferentes redes entre a origem e
o destino, para isso o host envia pacotes ICMP de vários tamanhos até que chega ao host
destino, todos os dados ao serem transmitidos são fragmentados no tamanho deste pacote que
alcançou o destino. [13]

2.4 Endereçamento IPv6

Sustentando nas afirmações de Florentino (2012), um endereço IPv6 é divido em 8 grupos de


16 bits cada um separados pelo caractere de dois pontos (:), sendo que cada grupo de 16 bits,
é chamado de deca-hexateto, possuindo 4 símbolos hexadecimais (base 16) que podem variar
de 0000 a FFFF. Também Filippetti (2008, p.176), que o endereçamento IPv6, inclui prefixo
de rede e sufixo de host. No entanto, não existem classes de endereços, como acontece na
versão 4.
Complementa Hagen (2014, p.18), que com 2^128, possibilita o endereçamento de
340.282.366.920.938.463.374.607.421.768.211.456 (~340 undecilhões), equivalendo a 79
trilhões de trilhões de vezes a quantidade de endereços do IPv4, que é aproximadamente 4
bilhões de endereços. O tamanho de um endereço IPv6 é de 128, bits 64 para rede e os outros
64 bits são para host. Assim, complementa Moreira et al. (2012), diz que exceto em alguns
casos específicos, todas as sub-redes em IPv6 tem o mesmo tamanho de prefixo, 64 bits (/64),
o que possibilita 2^64 = 18.446.744.073.709.551.616 dispositivos por sub-rede. Segundo
Moreira et al. (2012), esta representação possibilita a agregação dos endereços de forma

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hierárquica, identificando a topologia da rede através de parâmetros como posição geográfica,


provedor de acesso, identificação da rede, divisão da sub-rede, diminuindo assim o tamanho
da tabela de roteamento e agilizar o encaminhamento dos pacotes.

2.4.1 Endereço IPv6 em formato binário

Conforme Vestias (2009, p.386), os 128 bits, do endereço é escrito em formato hexadecimal,
e a conversão de binário para hexadecimal é basta agrupar 4 dígitos binários para obter o
dígito hexadecimal correspondente.

0010000111011010 0000000011010011 0000000000000000 0010111100111011


0000001010101010 0000000011111111 1111111000101000 1001110001011010

128 bits
2.4.1.1 Sintaxe de um endereço IPv6 em hexadecimal

O endereço IPv6 e formado por 8 grupos de 16 bits delimitados por (:) dois pontos.

20010DB8AAAA11110000000000000100/64

Figura 8: Representação de um endereço IPv6

Fonte: Graziani (2013, p.61)

Os quatro dígitos hexadecimais que compõem os 16 bits, podem variar de zero (0) a F,
enquanto os 4 bits, binários podem variar com zeros (0s) e uns (1s) como podemos confirmar
no exemplo a seguir. Figura 9:
Representação em hexadecimal e binário

Fonte: Graziani (2013, p. 54)

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2.4.2 Regras de simplificação de endereços IPv6

Pelo facto dos endereços serem extensos foram criada técnicas para simplifica-los, conforme
nos diz Florentino (2012) é possível omitir os zeros (0s) a esquerda, sequências de quatro
zeros (0000) podem ser substituídas por apenas um zero entre dois pontos (:0:) sequências de
grupos de 4 zeros, podem ser substituídas por dois pontos duplos (::) e ainda os caracteres
hexadecimais podem ser escritas em maiúsculos ou minúsculas.
Exemplos de simplificação de endereços.

Assim segue o seguinte endereço, onde aplicaremos as regras de abreviação.

2100:00AE:091B:38CC:0000:0000:BCD1:0000

O endereço abreviado 2100:AE:91B:38CC:0:0:BCD1:0 Onde 0000 = 0, omissão dos zeros


(0) a esquerda.

Outra forma de abreviação do endereço 2100:AE:91B:38CC::BCD1:0 Onde dois pontos


duplo (::) representa um grupo sucessivo de zeros (0000), e omissão dos zeros (0) a esquerda.

Vale a pena salientar que o uso do dois pontos (::) é permitido apenas uma única vez no
endereço, caso contrário poderá causar ambiguidade na representação do endereço.

Exemplo de um endereço inválido: 2100:00AE:091B:38CC::0000:BCD1::

A tabela 1 indica alguns endereços IPv6, e suas formas de abreviação.

Tabela 1: Abreviação de endereços IPv6

Fonte: Graziani (2013, p.60)


Quanto às URLs (Uniform Resource Locator), passam a ser representados em parenteses reto
[ ], desta forma não haverá ambiguidades caso, seja necessário indicar o número de uma porta
juntamente com o URL, devem ser apresentados segundo os exemplos a seguir:

 HTTP://[2001:12FF:0:4::22]/index.html - HTTP://[2001:12FF:0:4::22]:8080 [14]

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2.4.3 Alocação dos endereços IPv6 na Internet

A alocação dos endereços é de responsabilidade da IANA (Internet Assigned Numbers


Authority), que é também a autoridade responsável pela sua supervisão dos endereços IPs, a
coordenação da atribuição de parâmetros de protocolo previsto nas normas técnicas da
Internet e da gestão do DNS, incluindo a delegação de domínios de nível superior e
supervisão do nome de raiz do sistema do servidor. Sobre ICANN4, a IANA continua a
distribuir endereços para os RIRs5. [14]

Pode-se confirmar com Hogg e Eric (2009, p.129), que alocação atual dos endereços Globais
Unicast feita pela IANA, estão sendo distribuídas da seguinte forma:

 RIR AFRINIC para África range 2C00:0000::/12; RIR APNIC para Asia e regiões
do Pacífico range 2400:0000::/12; RIR ARIN para América do Norte e partes da
região do Caribe range 2600:0000::/12; RIR LACNIC para América Latina e partes
da região do Caribe range 2800:0000::/12; RIR RIPE NCC para Europa, Oriente
Médio e parte central da Ásia range 2A00:0000::/12;

A figura 10 ilustra a divisão feita aos RIRs em operação atualmente segundo Fazzanaro
(2013, p.17), pelos vários continentes no mundo com os seus respetivos nomes e range de
endereços atribuídos pela IANA.

4
ICANN: é uma organização sem fins lucrativos responsável por coordenar os sistemas da Internet de
identificadores exclusivos, incluindo os sistemas de nomes de domínio e numérica endereços que são usados e
segura destes elementos únicos sistemas de identificadores, que são vitais para a operação da Internet. [15]
5
RIRs: são organizações sem fins lucrativos que gerência e controla os mais diversos serviços oferecidos na
Internet, entre eles os endereços IPs e os sistemas autónomos existindo 5 cada uma responsável pelo seu
continente (AfriNIC, APNIC, ARIN, LACNIC, RIPE NCC). Fazzanaro (2013)

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Figura 10: Mapa dos Registros Regionais da Internet distribuídos pela IANA

Fonte: Adaptado de Fazzanaro (2013, p.17)

Para compreendermos melhor os prefixos até agora alocados podemos consultar a tabela 2. O
tipo de endereço do IPv6 é indicado pelos bits iniciais do endereço. O campo de comprimento
variável que compreende estes bits iniciais é chamado Format Prefix (FP). A alocação inicial
desse prefixo é apresentada na tabela a seguir.

A tabela que se segue visa demonstrar a alocação dos endereços IPv6.


Tabela 2: Alocação dos endereços IPv6

Fonte: [16]

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2.4.4 Prefixo de endereços IPv6

O prefixo é a parte do endereço que indica os bits que têm valores fixos ou os bits
identificadores da rede, identificadores de rotas e de sub-rede. No IPv6 são expressos da
mesma forma que a notação do CIDR para o IPv4. O prefixo do IPv6 é escrito com a notação
Endereço-IPv6/Tamanho do prefixo onde tamanho do prefixo é um valor decimal que
especifica a quantidade de bits contíguos à esquerda do endereço que compreendem o prefixo.
[17]

Segundo Moreira et al. (2012), por norma é recomendável que o endereço tenha tamanho /64,
visto que esse é o tamanho padrão e algumas funcionalidades, dependem dele como a
autoconfiguração. Também é preciso considerar a necessidade de expansão futura, assim
como a necessidade de agregação nos protocolos de roteamento.
No caso do endereço IPv6, passamos a ter o conceito de prefixo para designar a rede
ou sub-rede e não existe o conceito de prefixo de tamanho variável. O número de
bits da sub-rede é sempre 64 e o de identificação do dispositivo é sempre de 64 bits.
A norma permite que se escrevam endereços com prefixos de tamanho diferente,
mas na prática são todos de 64 bits. Qualquer endereço que tenha um prefixo de
tamanho inferior a 64 bits representa um conjunto de endereços que foram
sumarizados. Prefixos com tamanho superior a 64 bits podem ser usados, por
exemplo, em ligação ponto a ponto. Véstias (2009, p.387)

Figura 11: Formato de um endereço IPv6

2100:00AE:091B: 38CC: 0000:0000:BCD1:1001


Prefixo Sub-rede Utilizador/Dispositivo
(48 bits) (16bits) (64 bits)
Fonte: Filippetti (2008, p.176)

2.4.5 Estrutura Hierárquica do Endereçamento IPv6

Para compreender melhor o endereçamento, vamos dividir o prefixo do endereço global


unicast da figura 11, onde poderemos verificar a sua constituição. [12]
Como já referenciado anteriormente o endereço é composto por 128 bits, sendo que 64 bits é
para redes e 64 para Inteface ID. Complementa Vestias (2009, p.368), que o prefixo pode ou
não incluir sub-redes, quando escrevemos um endereço IPv6, devemos indicar que parte do
endereço esta associado ao prefixo, usando uma barra seguida do número de bits do prefixo.

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Figura 12: Estrutura do prefixo de um endereço global unicast IPv6

Fonte: Do autor

Davies (2012) prefixo RIR (/12) – é atribuída pela IANA para cada RIR são atribuídos blocos
de endereços, representados pelos primeiros três carateres hexadecimais do endereço; Prefixo
ISP (/32) – cada país ou região conta com as empresas que são responsáveis pela distribuição
da Internet aos clientes. SITE (/48) – quando uma empresa ou um cliente final solicita um
bloco de endereços ao seu ISP, para cria a sua própria rede interna da organização; Prefixo
SUB-NET (/64) – ficam 16 bits ficam à cargo do responsável da rede para a gestão de sub-
redes internas. Interface ID é a parte de 64 bits que identifica a interface à qual o pacote deve
ser entregue.

Segundo Florentino (2012, p.43), de todo o espaço de endereçamento possível com o IPv6,
estão sendo utilizado os valores que vão de 2 e 3 em hexadecimal. A faixa vai de 2000::/3, a
3FFF:FFFF:FFFF:FFFF:FFFF:FFFF:FFFF:FFFF:/3, destes estão sendo utilizados 13 % do
espaço total, sendo que os restantes 87% estão reservados a utilização futura.

2.5 Tipos de endereços IPv6

Seguidamente vai se descrever os três tipos de endereços definidos no IPv6, segundo Véstias,
(2009, p.371), os endereços são: Unicast, Multicast, e Anycast.

 Unicast – Endereços disponíveis para atribuir a uma interface de um equipamento, ou


seja atua como se fosse uma conexão ponto-a-ponto, já que um pacote destinado a um
endereço Unicast, é entregue apenas a uma interface.

 Multicast – Endereço de um grupo de equipamentos. Um pacote com um endereço


multicast é enviado a todos os membros do grupo.

 Anycast – A utilização de endereços Anycast permite atribuir o mesmo endereço a


mais de um equipamento. Por exemplo, um grupo de servidores com o mesmo tipo de

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serviço pode ser configurado com o mesmo endereço. Um pacote enviado para este
endereço será recebido pelo servidor mais próximo.

Segundo Fazzanaro (2013, p.77), uma interface no IPv6 pode ter mais que um endereço,
podendo ser Unicast, Multicast, ou Anycast. Prosseguindo com Hagen (2006, p.54), que nós
diz que o endereço no IPv6, não existe broadcast, este que foi substituído pelo endereço de
multicast, o multicast-all-nodes, na qual todos os nós que fazem parte quando a interface é
ativada. A identificação e feita pelo endereço FF02::1.

2.5.1 Endereços Unicast

Ainda conforme Véstias (2009, p. 371), os endereços Unicast estão divididos por classes:
 Endereços Globais (Global Unicast Address);
 Endereços Locais Únicos ULA (Unique Local Address);
 Endereços de Ligação Local (Link-Local);
 Endereços Especiais;
 Endereços de Transição;

2.5.2 Endereço Global Unicast

É equivalente aos endereços públicos roteáveis utilizado no IPv4. Os endereços globais são
atribuídos por entidades próprias (IANA) por forma a garantir a sua unicidade. Estes são
identificados como tendo os três primeiros bits iguais a 001, ou seja, com o prefixo 2000::/3 .
(id., p. 387)
Figura 13: Endereço Global Unicast

Fonte: [19]

Os endereços de Unicast Globais contêm quatro campos: [19]

1. Os três bits de são definidos como 001.

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2. O prefixo de roteamento global indica o para o site de uma organização específica, a


combinação dos três bits fixos e do prefixo de roteamento global de 45 bits cria um
prefixo de site de 48 bits, atribuído individualmente a cada organização.

3. A identificação de sub-rede da organização para utiliza o campo contém 16 bits, dando


a possibilidade de criar 65.536 sub-redes ou vários níveis de hierarquia de
endereçamento.
4. A identificação de interface é feita pelos 64 bits restantes.

2.5.3 Endereço Unique Local Address (ULA)

É um endereço com grande probabilidade de ser globalmente único, utilizado apenas para
comunicações locais, geralmente dentro de um mesmo enlace ou conjunto de enlaces. Um
endereço ULA não é roteável na Internet, a faixa alocada é a FD00::/8. [17]
Segundo Vestias (2009), poderíamos utilizar o endereço 2001:AAC:0:234::/64 e
FD00:123:AB:234::/64 numa mesma interface, sendo o primeiro como endereço global e
outro como endereço local.

2.5.4 Endereço Link-Local

Para Davies (2012), os endereços link-local são reservados exclusivamente nas comunicações
locais e são configurados automaticamente. Permitindo, gerar automaticamente uma ligação
entre dois hosts. Por exemplo, em uma rede IPv6 com um único link e sem roteadores, os
hosts usam os endereços são utilizadas entre os roteadores para se comunicarem um com. São
ainda utilizados na descoberta de vizinhança, pelos protocolos de roteamento e
autoconfiguração, entre outros. Os endereços de link local são iniciados em FE80::/10,
FE90::/10, FEA0::/10 e FEB0::/10, sendo que os 64 bits reservados para a identificação da
interface são configurados utilizando o formato IEEE EUI-64. Os roteadores não devem
encaminhar para outros enlaces, pacotes que possuam como origem ou destino um endereço
link-local. [17]

2.5.5 Endereços Especiais


Conforme Comer (2007, p.281), endereços especiais são um conjunto de endereços que são
reservados, isto é nunca são atribuídos aos hosts. Alguns endereços especiais segundo
Filippetti (2014, p.181).

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 Endereço não especificado (Unspecifield) – um endereço não especificado é


representado com todos os dígitos a zero (0) – 0:0:0:0:0:0:0:0 ou abreviado (::),
equivalente ao 0.0.0.0 no IPv4. Um endereço não especificado é apenas usado como
endereço origem, caso em que indica que ainda não foi atribuído um endereço.

 Endereço de Retorno (loopback) – o endereço de retorno é representado com todos


os bits zero (0), exceto o último – 0:0:0:0:0:0:0:1 ou abreviado (::1).

 Endereços de documentação – faixa de endereço reservado para utilização em textos


e documentações - 2001:0DB8::/32, para que não haja a exposição de algum endereço
público nos documentos técnicos.[17]

2.5.6 Endereços de Transição ou de compatibilidade entre IPv4 e IPv6

Véstias (2009, pp.376-377).


 Endereços compatíveis com o IPv4 – são endereços IPv6 criados a partir do IPv4,
em que os últimos 32 bits do endereço IPv6 são iguais aos de 32 bits do endereço
IPv4. São utilizados pelos dispositivos IPv6/IPv4 para comunicarem com dispositivos
IPv6 através de uma rede IPv4.

 0:0:0:0:0:0:193.136.239.163 ------- Endereço IPv6 compatível com IPv4;

 ::FFFF:192.168.0.1------ Endereço IPv4 mapeado em IPv6;

2.5.7 Endereços Multicast

Endeços multicast são identificados com os primeiros 8 bits iguais a FF. Seguem-se os três
campos específicos deste tipo de endereços: Flags, Scope e Group ID. Vestias (2009, p.390),
o endereço multicast é crucial para o funcionamento do IPv6, fazendo parte da essência da sua
operacionalização por meio da criação de vários grupos padronizados em que as interfaces
passam a integrar no momento em que são ativadas. Os endereços multicast jamais devem ser
utilizados na origem de uma comunicação, uma vez que ele representa um grupo composto
por muitos nós. [17]

A tabela 3 indica os endereços Multicast que estão sempre presentes, e estão padronizados na
RFC 2375.

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Tabela 3: Endereços Multicast com atribuição permanente.

Fonte: [18]

2.5.8 Endereços Anycast

Por último o endereço o Anycast que é uma novidade trazida pelo protocolo IPv6. [20] Segundo
Véstias (2009, p.391), corresponde a um endereço atribuído a múltiplos interfaces. Pacotes
que tenham como destino ume endereço Anycast são entregues à interface mais próxima.
Podendo ser utilizado como um endereço de origem de um pacote IPv6. Este tipo de
endereçamento será útil na deteção rápida de um determinado servidor ou serviço. Como um
grupo de servidores de DNS configurados com endereçamento Anycast, assim um host
passará a alcançar o servidor mais próximo utilizando este tipo de endereço. [17]

2.6 Sub-redes em IPv6

O processo de criação de sub-rede é idêntico ao do IPv4. A partir de um determinado prefixo


(site-prefix), o administrador de rede estende-o com bits retirados do campo de identificação
do utilizador para criar prefixos de sub-redes (subnet prefix). O número de bits para
identificação das sub-redes depende do número sub-redes necessário. Com 16 bits de sub-rede
conseguem criar-se 65536 sub-redes, cada uma com a possibilidade de ter 2^ 64 utilizadores.
Com este número, é pouco provável que tenhamos do nos preocupar com o projeto de sub-
redes. Vestias (2009, p.370).

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2.7 Protocolos de Apoio ao IPv6

Protocolos de apoio ao IPv6: ICMPv6 (Internet Control Message Protocol version 6); NDP
(Neighbor Discovery Protocol).

2.7.1 ICMPv6

O ICMPv6 é uma atualização do protocolo ICMPv4, desempenhando as funções que eram


dos protocolos IGMP, ICMP, ARP, RARP, com o objetivo de realizar diagnósticos e enviar
mensagens sobre as características da rede, é obrigatória em todos os nós da rede que utilizam
IPv6 para se comunicar. Situa-se logo após o cabeçalho base do IPv6, se não existir
cabeçalhos de extensão, pelo valor 58 no campo próximo cabeçalho, Ela e constituída por
mensagens de erro e de informação. [21]

O protocolo ICMPv6, conta com novas funcionalidades, sendo que o bloqueio por completo
de mensagens ICMP não é recomendado, uma vez que estas mensagens são de uso
fundamental para as funcionalidades básicas do IPv6. Hughes (2010 p. 126)

Figura 14: Comparação do ICMPv4 e o ICMPv6

Fonte: Forouzan (2006, p.475)

2.7.2 Estrutura do Protocolo ICMPv6


De acordo com Hagen (2014, p.73), o protocolo ICMPv6 é responsável por relatar os erros se
os pacotes não poderem ser processados de forma adequada e envia mensagens informativas
sobre o estado do rede e ainda executa funções de diagnóstico, tais como o ping, que é
mensagens de resposta de para testar a disponibilidade de um nó.

Figura 15: Estrutura geral de um pacote ICMPv6

Hagen (2014, p.74)

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 Type 1 byte: tal como outros cabeçalhos IP, identifica o tipo de mensagem que se
segue;
 Code 1 byte: depende do anterior, no entanto, maioritariamente é utilizado para
aumentar a granularidade da informação do campo type;
 Checksum 2 byte: campo responsável por detetar informação corrompida. Este valor é
criado com base nos endereços IPv6 do emissor e do destinatário das mensagens;
 Message Body: dependendo do campo Type e Code o conteúdo deste campo vária.

O protocolo ICMPv6, é composto por mensagens de erro e de informação os de erro variam


de 0 a 127, e às de informação mensagens variam entre 128 a 255. Estes podem ser
consultados com mais detalhes na RFC 4443.

2.7.3 O NDP (Neighbor Discovery Protocol)

Tem como finalidade, resolver os problemas de interação entre nós vizinhos em uma rede. Ela
atua sobre dois aspetos primordiais na comunicação IPv6, a autoconfiguração de nós e a
transmissão de pacotes. [21]
Para que haja comunicação numa rede, os nós precisam obter algumas informações além do
endereço de destino, informações essas que são obtidas através do NDP. [21]. O NDP é um
complemento do protocolo ICMPv6, fornece suporte para a realização de três funcionalidades
na autoconfiguração: Parameter Discovery , Address Autoconfiguration Duplicate Address
Detection. Já no caso da transmissão de pacotes entre nós, o suporte é dado para a realização
de seis funcionalidades Router Discovery, Prefix Discovery, Address ResolutionNeighbor,
Unreachability Detection, Redirect, Next-Hop Determination. Podemos dizer segundo Davies
(2012), que o DAD (duplicate address detection), é um elemento-chave na autoconfiguração
sendo que é responsável para que não haja endereços duplicados.

O NDP foi construído com base nas mensagens do protocolo ICMPv6 para a realização de
suas tarefas.

Para o isso foram reservadas 5 tipos de mensagens: [21]

 Router Solicitation (RS) – ICMPv6 do tipo 133: utilizada pelos hosts para requisitar
aos roteadores mensagens Router Advertisements imediatamente;

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 Router Advertisement (RA) – ICMPv6 do tipo 134: enviadas periodicamente, ou em


reposta a uma Router Solicitation, são utilizadas pelos roteadores para anunciar sua
presença em uma enlace e na Internet;

 Neighbor Solicitation (NS) – ICMPv6 do tipo 135: mensagem multicast enviada por
um nó para determinar o endereço MAC e a acessibilidade de um vizinho, além de
detetar a existência de endereços duplicados;

 Neighbor Advertisement (NA) – ICMPv6 do tipo 136: enviada como resposta a uma
Neighbor Solicitation, pode também ser enviada para anunciar a mudança de algum
endereço MAC dentro do enlace;

 Redirect tipo 137 – ICMPv6 do tipo: utilizada por roteadores para informar ao host
um roteador mais indicado para alcançar um destino.

2.8 Atribuição de endereços no IPv6


Quando pensamos na questão da atribuição de endereços, o IPv6 permite que a configuração
seja realizada de diversas formas: Autoconfiguração Stateless (SLAAC), Configuração
Estática, Configuração Estática EUI-64, DHCPv6 Stateless, DHCPv6 Stateful.

2.8.1 O Stateless Address Auto-Configuration (SLAAC)

O Stateless Address Auto-Configuration, ou SLAAC como é conhecido é uma inovação do


IPv6, onde endereços podem ser configurados automaticamente sem a necessidade do
servidor DHCP. Este método não mantém nenhum registro, ele é gerado pelo próprio host
usando combinações de informações locais, divulgadas pelos roteadores. Os roteadores
divulgam o prefixo que identifica a sub-rede, enquanto os hosts clientes formam o seu
endereço IP concatenando ao prefixo divulgado o seu endereço MAC. O endereço IP é gerado
com base nas seguintes variáveis: MAC Address, ID de interface escolhido de forma
aleatória, informação recebida por parte dos roteadores.
Este método de autoconfiguração consiste basicamente em duas etapas configuração do
prefixo e configuração do sufixo de host. Sendo que os hosts aprendem o prefixo da rede
através das mensagens ICMPv6 Tipo 134 RA anunciada pelos roteadores. O sufixo é
automaticamente originado a partir do endereço físico MAC da interface de rede, este formato

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de configuração será extremamente útil para facilitar o processo de atribuição de endereços na


IoT (Internet of things). [22] Hagen (2014), se não houver nenhum router presente, o host pode-
se gerar um endereço link-local com o prefixo FE80::/64. Por medida de segurança sistemas
operativos como a Windows utiliza outra forma de obter o endereço de utilizador, que é
obtenção do endereço de forma aleatória e não por EUI-64.

2.8.2 Configuração Estática e Configuração Estática EUI-64

Configuração estática segundo Vestias (2009), é feita de forma manual pelo administrador da
rede, atribuindo um endereço completo ou considerando um prefixo /64. O administrador tem
de indicar o endereço para o prefixo, o seu tamanho e o endereço de utilizador sendo possível
conceber um endereço único. Enquanto configuração Estática EUI-646, indicamos o prefixo e
o tamanho do utilizador e formado a partir do endereço MAC do dispositivo. Complementa
Vestias (2009), que não é apenas copiar o endereço MAC, pois este tem 48 bits e são
necessários 64 bits.Segue a figura 16 com o endereço MAC, para que se possa entender como
é originada o endereço EUI-64. Com o endereço MAC 00-90-27-17-FC-0F, são 48 bits
faltando ainda os 16 bits que tomarão o valor FFFE, em hexadecimal, inseridos no meio do
endereço MAC, além disso temos que colocar o 7 bit mais a esquerda com o valor 1.

Figura 16: Formato EUI-64

Fonte: [22]

6
EUI-64 (Extended Unique Identifier 64): é a principal razão pela qual se fixou o tamanho do ID de interface
em 64 bits. Com 64 bits podemos utilizar o endereço MAC do IEEE 802 (48 bits) ou o endereço MAC IEEE
1394 (64 bits) para identificar o endereço da interface. Vestias (2009, p.373)

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2.9 DHCPv6

Como já referido no primeiro capítulo pág. 34, o DHCP foi criado como forma de minimizar
o esgotamento dos endereços IPv4, sendo que no IPv6 é para gerenciamento das redes.
RFC3315. Brito (2014, p.280), o DHCPv6 conta com um recurso bastante útil para
provedores (ISPs) denominado Delegação de Prefixos (Prefix-Delegation), comumente
referenciado como DHCPv6-PD, o prefixo é recebido pelo servidor que é capaz de gerar
automaticamente e entregá-los às sub-redes diretamente conectadas. Pode ser detalhado e
explicado na RFC 3769.

Complementa Brito (2014), que o DHCPv6 pode ser configurado para atribuir endereços de
maneira dinâmica em redes IPv6 por meio de duas modalidades: Stateless e Statefull. A
modalidade Stateless trabalha em conjunto com o novo mecanismo de autoconfiguração
SLAAC que surgiu no IPv6, enquanto a modalidade Statefull é uma reprodução do que já
existe no IPv4. Vestias (2009, p.373) No statefull, é similar ao DHCPv4, onde o servidor
guarda os registros dos endereços atribuídos e é responsável por informar o endereço IPv6,
tamanho do prefixo, endereço do router por defeito, DNS, enquanto no stateless, o servidor
não mantém um registro dos endereços atribuídos aos clientes, porque as máquinas irão
formar automaticamente seu endereço a partir do endereço físico da interface de rede (MAC)
através de anúncios dos prefixos dos roteadores. São informados apenas os endereços
complementares, tais como, DNS. Moreira et al. (2012, p.73)

Complementa Vestias (2009), que o DHCPv6 difere do DHCPv4, na forma como o cliente
procura os servidores DHCP, uma vez que em IPv6 não existe broadcast, ela é feita por via
de multicast, pelo endereço FF02::1:2, estes pacotes são identificados pelos roteadores e
encaminhados para as restantes redes.

2.10 DNS (Domain Name System)

Em relação ao DNS, para Florentino (2012), o serviço será de grande importância na


implementação de redes IPv6, devido ao tamanho dos endereços. O DNS, sofreu algumas
mudanças necessárias, para o suportar o IPv6, criou-se um registro para armazenar endereços
no formato de 128 bits denominado AAAA ou quad-A. Um servidor DNS ao realizar uma
consulta, a busca é feita primeiro por registos do tipo AAAA (IPv6), caso não haja resposta, a
consulta é feita do tipo A (IPv4) com o mesmo nome. [24]

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2.11 O QoS (Quality of service)


Para Moreira et al. (2012, p.118) no IPv4, todos os pacotes são tratados da mesma forma, sem
nenhuma preferência no momento de encaminhá-los. Os requisitos impostos pelas novas
aplicações on-line, como VoIP, videoconferência, jogos on-line, necessitam de garantia de
banda no tráfego das aplicações, e que seu pacote seja transportado com a garantia de mínimo
de atraso, latência ou perda de pacotes. Deste modo, o IPv6, veio trazer mecanismos
adicionais que buscam tratar essa questão de qualidade de serviço.

As redes atuais de alta velocidade seguem a filosofia de Differentiated Services (DiffServ)7, de


forma que o QoS (Quality of Service), cumpra os requisitos mencionados. O cabeçalho inclui
dois campos relativos ao QoS: o Traffic Class e Flow Label. [25]

Moreira et al. (2012, p.118)

 Traffic Class (8 bits): permite ao host de origem ou a um roteador identificar a


prioridade do pacote, sendo que este campo é semelhante ao campo Type of Service
do cabeçalho IPv4.
 Flow Label (20 bits): foi proposto para identificar pacotes de um fluxo específico,
para isso, o host de origem atribui o mesmo valor ao campo Flow Label para cada
pacote transmitido pertencente a um fluxo e os valores permanecem inalterados à
medida que o pacote é transportado pelas redes. Também é esperado que o campo
Flow Label simplifique o fornecimento de serviços que necessitam diretamente do
QoS.

2.12 Mobilidade IPv6


A mobilidade deve atender a um requisito básico que é de permitir que o utilizador do
dispositivo mude de sub-rede sem com isso perder a conexão, de forma transparente,
conservando o seu endereço IP original, que deve ser acessível através de um host
intermediário. O objetivo do IPv6, nesse caso, é fornecer meios para que o host móvel possa

7
DiffServ - DS: é um protocolo para especificar e controlar o tráfego de rede de classe para que certos tipos de
tráfego obter precedência - por exemplo, o tráfego de voz, que requer um fluxo relativamente ininterrupto de
dados, pode ter precedência sobre outros tipos de tráfego. [26]

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se comunicar com outros hosts ainda configurados sob o protocolo IPv4, utilizando para esse
fim o protocolo de IP móvel (Mobile IP). [28] Mobile IPv6 adicionou as capacidades de
roaming de nós móveis em rede IPv6. A principal vantagem desta norma é que os nós móveis
mudam seu ponto de ligação à Internet IPv6 sem alterar o seu endereço IP. Isso permite que
dispositivos móveis posam se deslocar de uma rede para outra e ainda manter as conexões
existentes. [27]

2.13 Protocolos de Roteamento

Para Filippetti (2008, p.234) o processo de roteamento é efetuado para se transmitir um pacote
de dados de um dispositivo em uma rede para um dispositivo em outra. Sendo que existe
roteamento estático que é o processo de criação de tabelas de rotas (routing tables) pelo
administrador, manualmente, enquanto dinâmico utiliza protocolos de roteamento (routing
protocols) para se comunicar com os routers vizinhos e, automaticamente.

O roteamento no IPv6 é semelhante ao roteamento no IPv4 com CIDR, a não ser pelo fato dos
endereços IPv6 serem de 128 bits em vez dos 32. Em relação aos protocolos de roteamento
sofreram naturalmente, alterações por forma a se adaptarem ao protocolo IPv6, e aos
endereços de 128 bits tendo surgido os protocolos RIPng, OSPFv3, EIGRPv6, enquanto os
outos foram só adaptados IS-IS, BGP4. No trabalho optamos por utilizar somente os
protocolos RIPng e o OSPFv3, sendo que o RIPng será implementado no trabalho prático.

2.13.1 Protocolo RIPng

De acordo com Florentino (2012), RIPng (Routing Information Protoco next generation) é
um protocolo que baseia-se em RIPv2, com as mesmas características e capacidades do
RIPv2. RIPng permitir a troca de informações pelos roteadores através de uma rede IPv6, é
um protocolo vetor de distância, como RIP, também limitado com no máximo 15 saltos.
Foram atualizados alguns recursos extras, como um prefixo IPv6 de destino. As atualizações
são enviadas através da porta UDP 521 utilizada para enviar e receber informações entre os
roteadores RIP, utilizando o endereço Multicast FE02::9 para comunicar com os seus
vizinhos.

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Ao contrário do IPv4, o protocolo deve ser configurado em cada uma das interfaces
pretendidas. Exemplo, da ativação do protocolo de roteamento RIPng na interface serial 0/0
na figura 17.
Figura 17: Configuração RIPng

Fonte: Vestias (2009, p.381)

2.13.2 Protocolo de roteamento OSPFv3

Para Florentino (2012, p.134) o protocolo OSPFv3 (Open Short Path First version 3) é
definido na RFC 2740, é um protocolo de roteamento Link State independente do antigo
OSPFv2, sendo que as troca de mensagens OSPFv3 utilizam os endereços link local.
Algumas mudanças foram necessárias segundo Vestias (2009, pp.409-410), para que o
protocolo suportasse IPv6, e dentre elas se destacam:
 OSPF por ligação: uma única ligação poderá ter várias sub-redes, ou seja, uma
interface OSPF interliga-se a uma ligação em vez de a uma sub-rede;
 Endereços e identificadores: o cabeçalho de um pacote OSPF, não contém endereços
IPv6, até porque os campos de identificação do router, da área e do estado da ligação
mantêm os 32 bits.
 Múltiplos processos OSPF por ligação: permite que existem múltiplas instâncias do
OSPF a executar sobre a mesma ligação. Deste modo, podemos ter uma única ligação
partilhada por vários sistemas autónomos ou por múltiplas áreas.
 Sem autenticação: o OSPFv3 não inclui qualquer mecanismo de autenticação, pois
executa sobre o IPv6, baseia-se na autenticação do IPv6.

2.14 Segurança em redes IPv6

A garantia de segurança é um processo muito complexo em si, mesmo quando se fala em


redes de computadores. Devido ao aumento das formas de ataque as redes que se vem sendo
feito assim também e necessário criar formas de defesas. Sendo claro que não existe perfeição
quando se fala de segurança, pelo que é imprescindível avaliar os problemas que podem
comprometer a segurança de uma rede e avaliar as melhores soluções. O IPv6 traz a utilização

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do IPsec de forma obrigatória, mas este deve ser habilitado em cada nó pelos administradores
de redes.
Hogg e Vyncke (2009, p.499), no que diz respeito à segurança se compararmos os dois
protocolos em termos de segurança devemos ter em conta as semelhanças e as diferenças. As
semelhanças permitem que aproveitemos a experiência das redes IPv4 para proteger redes
IPv6, no entanto, as novas características do IPv6 exigirá novas soluções para ajudar a
proteger as redes de próxima geração. Sendo que existem novas oportunidades, e
possibilidade de as tornar mais forte do que as redes IPv4. Mas isso acarreta o desafio de
compreender o funcionamento do IPv6.

2.14.1 O IPSec (Internet Protocol Security)


Para Sheila et al. (2010), é um conjunto de protocolos para proteger comunicações IP,
autenticando o remetente e fornecendo proteção de integridade mais confidencialidade
opcionalmente para os dados transmitidos. Isto é conseguido através do uso de dois
cabeçalhos de extensão: a encapsular Security Payload (ESP) e o cabeçalho de autenticação
(AH). A negociação e gestão de proteções de segurança IPsec e as chaves secretas associadas
é tratado pelo protocolo Internet Key Exchange (IKE). O IPsec também é especificado para
garantir segurança de determinados protocolos como OSPFv3. Ainda segundo o site da IBM o
IPsec não funciona com NAT uma vez que um pacote que passa através de um dispositivo
NAT, o endereço original no pacote é alterado, invalidando assim o pacote. [29]

2.14.2 O SEND (Secure Neighbor Discovery)


Conforme RFC3971, SEND foi criado devido a falsificação de pacotes, que já havia no IPv4.
O IPv6 desenvolveu-se mecanismo para resolver este problema, utilizando a autenticação dos
dispositivos e evitar que pacotes sejam falsificados.

2.14.3 O Firewall

Segundo a RFC 4890, nas redes baseadas em IPv6, o firewall passa a ser um elemento ainda
mais importante, afinal, com o fim do NAT, a comunicação fim-a-fim volta a ser realidade, e
todas as redes serão endereçadas por meio de endereços públicos (Global Unicast). As regras
do firewall deve ser bastante seletiva, para que apenas determinadas mensagens específicas do

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ICMPv6 devem ser bloqueadas, em quanto que várias outras são essenciais para manter a
operação da rede. [30]

A segurança em redes IPv6 não difere substancialmente da segurança em redes IPv4. Muitas
formas de ataque continuam iguais e a forma de evitá-las também, ataques como, Sniffin,
ataques à camada de aplicação, Man-in-the-Middle, Vírus, DoS no entanto o IPsec não é a
solução para todos os tipos de ataques.

Segue um conjunto de recomendações para aumentar a segurança em redes IPv6 segundo


Florentino (2012, pp.98-99).

 Filtre mensagens ICMPv6 não essenciais: elas podem ser usadas em uma serie de
ataques.

 Procure usar IPSEC sempre que precisar de uma comunicação segura entre máquinas
IPv6.

 É recomendável usar endereços IPv6 Unique Local FC00::/7 para manter a


obscuridade de nós que que não desejamos publicar na Internet.

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Capítulo 3: Transição IPv4 para o IPv6

Neste terceiro capítulo abordamos algumas das técnicas de transição, seus modos de
funcionamento, vantagens de uma sobre a outra e ainda alguns aspetos de segurança a ter
conta na transição.

Para Moreira et al. (2012), a estrutura da Internet está baseada no protocolo IPv4, deste modo
uma troca imediata de protocolo torna-se inviável, devido ao tamanho e a proporção que esta
rede possui. Para uma transição bem-sucedida, a compatibilidade entre o IPv4 e IPv6 deve ser
assegurada. A transição deve ser transparente para os utilizadores finais, noutras palavras, um
utilizador “normal” da Internet não terá qualquer ideia que essa transição está a decorrer.

3.1 Compatibilidade de hardware e software

A adoção do protocolo IPv6, envolve uma serie de mudanças e atualizações, em relação a


hardware e software, devemos garantir que os equipamentos existentes, especialmente
equipamentos de comunicação central que conectem a rede sejam capazes de suportar IPv6.

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Isso pode ser tão simples como um fazer upgrade patch ou firmware, ou poderá exigir a troca
de alguns equipamentos. [31]

Moreira et al. (2012, p.112), nos dizem que sistemas operativos, e outros elementos de rede
como Roteadores, Switches, Firewalls, já se encontram preparados para o IPv6 como
Windows desde (versão 2000), Linux e Mac OS. [32]

Houve também a necessidade de se criar uma forma padronizada de classificação de suporte


ao IPv6, onde equipamentos e softwares podem ser colocados em níveis semelhantes de
capacidade de operação e recursos disponíveis de IPv6. Com essa finalidade, o IPv6 Fórum
criou um comitê internacional chamado “IPv6 Ready Logo Commitee” ou “v6LC”. Esse
comitê tem por responsabilidade gerenciar o programa de certificação dos softwares e
hardwares, dando a concessão de uma logomarca para determinado nível de suporte ao IPv6.
[11]

A figura 18, podemos verificar a Logomarca que indica que o produto foi previamente
analisado nos laboratórios certificados, e possui suporte a recursos básicos do IPv6. [11]
Figura 18: Logo Silver

Fonte: [11]

3.2 Técnicas de Transição

Para auxiliar o processo de migração segundo Loshin (2004), foram desenvolvidas algumas
técnicas de transição, que visam manter, a compatibilidade de toda a base das redes instaladas
sobre IPv4 com o protocolo IPv6. Estes mecanismos podem ser classificados nas seguintes
categorias:
 Dual Stack – (Pilha Dupla): os dois protocolos são implementados na mesma rede, em
equipamentos como roteadores, estando assim aptos a comunicar através dos dois
protocolos;
 Tunneling – (Tunelamento): são criados túneis IPv6 sobre uma rede IPv4, possibilita
trafego de pacotes IPv6 sobre estruturas de rede IPv4 e vice-versa;

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 Translation – (Tradução): faz a tradução entre protocolos, e quando um pacote IPv4


chega a uma rede IPv6, o dispositivo responsável pela tradução converte o pacote IPv4
em IPv6, à saída o pacote IPv6 é convertido num pacote IPv4, permite a comunicação
entre nodos com suporte apenas a IPv6 com nodos que suportam apenas IPv4.

Para Moreira et al. (2012, p.112), de forma geral, os critérios que devem ser utilizados na
escolha da técnica a ser utilizada, são:
 Deve-se preferir técnicas que impliquem na utilização do IPv6 nativo pelos
utilizadores finais, de forma que túneis IPv4 dentro de IPv6 devem ser preferidos em
detrimento de túneis IPv6 sobre IPv4;
 Deve-se preferir técnicas Stateless em detrimento de técnicas Statefull;
 Deve-se evitar técnicas para prolongar o uso do protocolo IPv4, sem a adoção do
IPv6;
 Deve-se analisar a adequação da técnica à topologia da rede onde será aplicada
 Deve-se analisar a maturidade da técnica e as opções de implantação, como por
exemplo suporte à mesma nos equipamentos de rede e em softwares.

3.2.1 Técnica de transição Pilha Dupla (Dual Stack)

Para Forouzan (2006, p.475), é aconselhável que todos os host, antes de transitar para a
versão 6, possam lidar com a pilha formada pelos dois protocolos em simultâneo, criando uma
Dual Stack. Dessa forma, cada estação deve rodar simultaneamente IPv4 e IPv6 até que toda a
Internet tenha transitado pata o IPv6. Para determinar que versão usar quando um host tiver
que enviar um pacote ao destino, o host de origem faz uma consulta (query) de DNS. Se o
DNS retornar um endereço IPv4, o host de origem transmite um pacote IPv4, se o DNS
retornar um endereço IPv6, o host de origem transmite um pacote IPv6.
Figura 19: Técnica de transição Dual Stack

Fonte: [a]

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Segundo Moreira et al. (2012), para que haja o funcionamento da técnica Dual Stack algumas
modificações necessitam ser feitas:

 DNS – é recomendado que servidores DNS sejam habilitados a resolver nomes e


endereços tanto para IPv4, quanto para o IPv6. Deve responder a consultas de registros
do tipo AAAA (quad-A), para v6 e do tipo A para v4;

 Protocolos de roteamento – o roteamento IPv6 é independente da configuração do


roteamento IPv4, caso a rede onde será implementada a pilha dupla utilize um
protocolo de roteamento interno com suporte IPv4, OSPFv2 por exemplo, será
necessário transitar para um protocolo de roteamento que suporte tanto IPv6 quanto
IPv4.

 Firewall – Revisar as configurações de firewall.

3.2.2 Técnica de transição Tunelamento (Tunneling)

É uma técnica para atravessar redes que não tenham suporte nativo do protocolo que está a ser
utilizado. Em geral são usados túneis que encapsulam IPv6 dentro do IPv4, permitindo dessa
forma atravessar redes que não tem IPv6, mas também podemos encontrar a situação inversa.
Os pacotes originais são transportados até um ponto da rede por meio do protocolo original,
depois encapsulados para atravessar a parte da rede que não o suporta e depois
desencapsulados na outra extremidade para serem enviados ao destino final em forma nativa.
[33] Estes podem ser configurados da seguinte forma: roteador-a-roteador, host-a-roteador,
roteador-a-host e Roteadores IPv6/IPv4
Figura 20: Técnica de transição Tunelamento

Fonte: IPv6.br

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Existem diferentes variedades técnicas de tunelamento disponíveis. Destes seguem alguns,


como Túnel Manual, Túnel 6to4, Túnel 6in4, Túnel 6rd, Túnel 6over4, Túnel ISATAP, Túnel
Teredo, Túnel Broker. RFC 4213

3.2.3 Técnica de transição Tradução (Translation)


Esta técnica consiste em usar algum dispositivo na rede que transforme os pacotes de IPv4
para IPv6 e vice-versa. Esse dispositivo deve ser capaz de realizar a tradução nos dois
sentidos de modo de permitir a comunicação.

Figura 21: Técnica de transição Tradução

Fonte: [33]
De entre as técnicas de tradução destacam-se ainda as seguintes técnicas: SIIT (Stateless
IP/ICMP translation); BIS (Bump in the Stack); BIA (Bump in the API); TRT (transport relay
translator); SOCKS64 (Socks-based Ipv6/Ipv4 Gateway); ALG (application layer gateway).

3.2.4 Vantagens e desvantagens de algumas técnicas de transição

Como podemos constatar, uma das grandes dificuldades no processo de implantação do IPv6
é o desenvolvimento de uma diversidade enorme de técnicas de transição, o que dificulta a
escolha. Cada uma dessas técnicas apresenta características específicas, e pode ser utilizada
individualmente ou em conjunto de modo a atender as necessidades de cada situação. Segue
uma tabela onde são apresentada algumas vantagens e desvantagens de algumas técnicas de
transição.

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Tabela 4: Técnicas de Transição, vantagens e desvantagens.

Fonte: [34]

Na visão de Hogg e Vyncke (2009), é de extrema importância criar políticas de segurança


relacionadas com as técnicas de transição, destes podem se destacar os seguintes:

 Prefere Dual Stack, como o mecanismo de transição, mas garantir cada protocolo de
forma igual.

 Use túneis configurados manualmente somente usando IPsec preferido e executar a


filtragem nas extremidades do túnel.

 Computadores com Windows, impedir o uso Teredo, a menos que uma política de
segurança seja utilizada.

 Utilizar pilha dupla na migração, protegendo as duas pilhas com firewall;

 Dar preferência aos túneis manuais, no lugar dos automáticos;

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3.3 Implementação do Protocolo IPv6 em Cabo verde

Segundo a AfriNIC, a RIR responsável pela Internet em Africa, atualmente em Cabo Verde
há três provedores de serviço de Internet a CV Multimédia SA, NOSi EPE e a UNITEL
Tmais SA, todos funcionando com blocos IPv4. Conforme o antigo Ministro da Presidência
do Conselho de Ministros, Démis Lobo Almeida, já foi criado uma comissão para o início da
implementação do IPv6 em Cabo Verde. (B.O, Resolução nº115/2015)

O Conselho de Ministros, reunido em sessão ordinária, no dia 19 de Novembro de


2015, aprovou, designadamente o Projeto de Resolução que aprova a Estratégia
Nacional para a transição do Protocolo de Internet versão 4 (IPv4) para o Protocolo de
Internet versão 6. A Estratégia Nacional para a transição do IPv4 para o IPv6 ora
aprovada permitirá consolidar as políticas de transição para o IPv6, definindo-se, para
o efeito, um conjunto de medidas distribuídas por vários eixos estratégicos,
nomeadamente os (i.) da «Formação de um grupo técnico especializado no tema
IPv6»; da (ii.) «Campanha para o uso do IPv6»; (iii.) Dos «Equipamentos»; (iv.) Da
«Compreensão dos riscos e do desenvolvimento de uma política de segurança»; (v.)
Da «Formação e treinamento»; e (vi) da «Monitorização e acompanhamento». (B.O,
Resolução nº115/2015)

Também a presente, resolução cria a Comissão Permanente de Implementação da Estratégia


Nacional para a Transição do IPv4 para o IPv6, constituída por representantes da Agência
Nacional de Comunicações (ANAC), que coordena, o Núcleo Operacional para Sociedade de
Informação (NOSI), das Operadoras de Comunicações Eletrónicas devidamente autorizados,
e pelas Universidades Públicas e Privadas que ministram cursos no âmbito das TIC.” (B.O,
Resolução n.º 115/2015)

Como podemos constatar, Cabo Verde está a dar os primeiros passos na implementação do
protocolo IPv6.

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Capítulo 4: Implementação das técnicas de transição


Dual Stack e Tunelamento 6in4

Este quarto capítulo será destinado à parte prática, onde será criado um cenário prático,
utilizando o emulador de rede Cisco Packet Tracer Student na sua versão 6.2, para fomentar
alguns dos aspetos teóricos. Faremos a implementação de um ambiente simulado de uma rede
demonstrando o método de transição dual Stack e o Tunelamento (6in4).

As técnicas de transição não foram desenvolvidas com finalidade resolver o problema de falta
de endereços IPv4, que está ocorrendo na rede mundial de Internet, mas sim de permitir que
no momento de transição que as redes sejam capazes de se comunicarem tanto com IPv4
quanto com IPv6. Pois haverá “ilhas IPv4” e “ilhas IPv6”, não sendo a comunicação direta
possível foram criadas as técnicas para que as redes não ficassem isoladas. São técnicas que
serão utilizadas somente no período de transição, pois, a rede mundial tornar-se-á cada vez
mais IPv6, até ficar unicamente IPv6.

A escolha das duas técnicas de transição (Dual Stack e o Túnel 6in4), prende-se na facilidade
de configuração que estas possibilitam e pela estruturação da rede proposta. Pois, como
referido antes, a técnica é escolhida com base num estudo da rede que deve ser feito a priori.

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Não obstante todas as técnicas de transição ter as suas particularidades (vantagens e


desvantagens), não há uma que pode ser implementada e resolver por completo os desafios da
transição para o IPv6. Podem ser também utilizadas em conjunto, como foi o nosso caso.

A Pilha Dupla possui implementação mais simples, possibilitando uma implementação


gradual na rede, sendo que a rede já está em IPv4, possibilitando que no futuro próximo, isso
pode simplificar a descontinuação do IPv4, pois será necessário apenas desabilitar o IPv4 nos
nós IPv4/IPv6. Contudo as configurações da rede serão distintas para cada um dos protocolos.

O túnel 6in4, é uma técnica de transição que permite a comunicação entre as redes IPv6 sobre
redes IPv4.

Foi utilizada no trabalho para permitir que as redes com IPv6, pudessem comunicar passando
pelos roteadores com IPv4.

O túnel 6in4 fornece comunicação entre as “ilhas IPv6” usando a rede IPv4 de forma
transparente, onde os pacotes IPv6 são encapsulados em pacotes IPv4 e transmitidos através
de uma rede IPv4. Esta pode ser implementada em roteadores de borda sem que haja
necessidade de muita configuração. Na entrada do túnel, cria um cabeçalho IPv4 com o
pacote IPv6 encapsulado e o transmite através da rede IPv4.

4.1. Desenvolvimento de uma rede de testes.

Será realizado testes práticos, onde serão feitos alguns testes de funcionamento entre os
protocolos, e apresentar os resultados dos protocolos executando em simultâneo. Esta rede
será constituída por um backbone principal (IPv4), que é o onde passa a comunicação IPv6
utilizando a técnica de transição 6in4 para as 3 redes, sendo uma hibrida (IPv6/IPv4), uma
unicamente IPv6, e outra unicamente IPv4. Optamos por criar uma rede para demostrar que é
possível sim a transição de forma faseada, e ainda garantir a coexistência entre os dois
protocolos que será necessária, durante a migração, visto que são dois protocolos
incompatíveis na comunicação de forma direta, a comunicação só é possível utilizando as
técnicas de transição.

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4.2 Constituição dos equipamentos utilizados

Será utilizado cinco roteadores Cisco modelo 1841, que são responsáveis por conectar as
redes, 4 switchs modelo 2950-24 que interliga os PCs aos respetivos roteadores, 3 servidores
funcionando todos em dual stack, para que possam ser a cessada via IPv6 e IPv4, uma
impressora, e 11 PCs conectados às suas redes, que simboliza os utilizadores dos mesmos. A
figura 22 descreve o protótipo da rede proposto.

Figura 22: Protótipo da rede

Fonte: Do autor
O laboratório foi estruturado conforme o protótipo descrito na figura 22. É composto por 4
cenários: Backbone IPv4, rede dual stack/hibrida, rede unicamente IPv6, e outra unicamente
IPv4. O túnel (6in4) foi implementado entre o roteador A e B.

4.3 Descrição das redes utilizadas no Laboratório.

4.3.1 Rede IPv4 (Backbone):

É constituído com 3 (três) roteadores (Router_A, Router_B e o Router_C), que estão ligados
entre si nas interfaces utilizando cabos serial, estes com endereços IPv4 (172.16.2.0) prefixo
/30. Entre os Router_A e o Router_B, foi feita a configuração da técnica de tunelamento 6in4,
sendo esta capaz de trafegar comunicação com IPv4 e IPv6. Estas configurações podem ser
consultadas no apêndice B.

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Figura 23: Backbone IPv4

Fonte: Do autor
Os comandos apresentados na figura 24, são os comandos necessários para configurar o túnel
manual 6in4. Podemos observar estes comandos que estão no retângulo de cor amarela, e de
negro, o comando para configurar o protocolo de roteamento RIPng que foi utilizado para
fazer o roteamento IPv6, enquanto para o IPv4 foi utilizado OSPF 2 nas respetivas interfaces.

De referir que o comando ipv6 unicast-routing, é o primeiro comando a ser inserido nos
roteadores da CISCO para ativar o encaminhamento IPv6, pois por defeito apenas o IPv4 está
ativo.

Figura 24: Configuração do Túnel (6in4) entre os roteadores A e B

Fonte: Do autor

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Segue-se a tabela mais pormenorizada dos endereços que foram configurados nos 5 (cinco)
roteadores do backbone, assim como todas as configurações.

A tabela 6 nos apresenta todos os endereços utilizados nas interfaces dos roteadores.

Tabela 5: Endereços configurados nos roteadores

Fonte: Do autor

4.3.2 Rede IPv6/IPv4

Trata-se de uma rede dual stack ou hibrida com dispositivos IPv4, IPv6 e IPv4/IPv6, sendo
que estas conseguem se comunicar umas com as outras, bem como para a rede IPv4 exceto os
PCs que não estão em dual stack. A rede IPv4 tem o endereço de rede 172.16.0.0 prefixo /23,
mas também conta o endereço de rede IPv6 2001:DB8:AAAA::/64. A rede IPv4 tem como
gateway o endereço 172.16.2.1 e para IPv6 2001:DB8:AAAA::1/64. Foram utilizados
endereços globais unicast com prefixo /64. Esta rede está constituída pelo router_D, e ainda
por 3 servidores (DHCPv6/DHCPv4, Web e pelo DNS), que se encontram em dual stack para

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que possam ser acessadas via IPv4 e IPv6, e também é constituída por 4 PCs, uma em
IPv6/IPv4, uma IPv4, IPv6, e outras duas DHCPv4_IPv4 DHCPv6_IPv6 para demostrar a
possibilidade de configuração via o servidor DHCPv6 e v4.

Figura 25: Rede dual stack/hibrida

Fonte: Do autor

4.3.3 Rede IPv4

É uma rede unicamente IPv4 uma rede que tem o endereço de rede e 172.16.2.0 prefixo /26.
Esta rede só contem PCs configurados com endereços IPv4 sendo possível comunicar entre si
só com PCs IPv4 e os que estão em dual stack. A rede é representada pelos 3 PCs e pelo
switch, sendo o gateway o endereço 172.16.2.1 pelo FastEthernet 0/0 do roteador Router_C.
Esta rede foi implementada protótipo por forma a demostrar que é possível a coexistência dos dois
protocolos, através de técnicas de transição.

Figura 26: Rede IPv4

Fonte: Do autor

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4.3.4 Rede IPv6

É uma rede unicamente IPv6, que contém endereços IPv6, sendo que ela só comunica com
IPv6 ou com PCs em dual stack. É representada por 2 PCs, por uma impressora que
comunicam com a rede híbrida, e por fim ela conta com um roteador que está configurado
com SLAAC, onde os PCs podem configurar a rede através da autoconfiguração EUI-64.
Sendo que a configuração de hosts nesta rede só pode ser com IPv6 ou dual stack. Esta rede
utiliza tanto a FastEthernet 0/0 do roteador Router_B, com o endereço de gateway
2001:DB8:CCCC::1/64 como a FastEthernet 0/0 do roteador Route_SLAAC, com o
endereço 2001:DB8:EEEE:AAAA::1/64.

Figura 27: Rede IPv6

Fonte: Do autor

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Tabela 6: Tabela dos endereços dos dispositivos configurados na rede

Fonte: Do autor

No backbone foi utilizado o protocolo de roteamento OSPF para o IPv4 como pode ser
demostrado na figura 28 pelo roteador Router_A. Este tipo de protocolo é um protocolo de
roteamento dinâmico, link-state que permite dividir a rede em áreas; no nosso trabalho
optamos por configurar todos os roteadores na área 0.

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4.3.5 Testes realizados no laboratório.

Figura 28: Configuração do backbone com o OSPF (IPv4)

Fonte: Do autor

Para demostrar o funcionamento entre os dois roteadores fizemos uso do comando ping no
prompt de comando do Router_A para o Router_B, como pode ser comprovada na figura 29 a
comunicação entre os dois roteadores.

Figura 29: Comunicação entre o Router_A e o Router_B

Fonte: Do autor

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Conforme observado na figura 30. Os caminhos iniciados com “L” são as rotas locais, “C” e
“R” diretamente conectadas ao Router_A apreendidas pelo RIPng.

Figura 30: Protocolo RIPng

Fonte: Do autor

Com a figura 31 podemos comprovar a comunicação da rede puramente IPv4 com o


PC0_IPv4 para a rede, Dual Stack/hibrida com o PC_IPv6/IPv4. Quatro pacotes enviados e 4
recebidos.

Figura 31: PC0_IPv4 comunica PC_IPv6/IPv4

Fonte: Do autor

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Com a figura 32 podemos comprovar que a comunicação da rede IPv6 Dual Stack/hibrida
com o PC IPv6/IPv4 com o a rede IPv4 com o PC0_IPv4. Quatro pacotes enviados e 4
recebidos.

Figura 32: Comunicação entre o PC_IPv6/IPv4 para PC0_IPv4

Fonte: Do autor

Além das configurações manuais foram feitas, configurações utilizando o DHCPv4 e


autoconfiguração na rede Dual Stack , para obter endereço via o servidor DHCPv4, e também
o endereço via autoconfiguração, conforme as figuras 33 e 34.

Figura 33: Obtenção de endereço via DHCPv4

Fonte: Do autor

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Figura 34: Obtenção de endereço via autoconfiguração

Fonte: Do autor

Podemos ver também a autoconfiguração SLAAC, onde o PC consegue um endereço de rede


por meio da utilização do seu endereço MAC EUI-64, sendo que o roteador lhe disponibiliza
o prefixo de rede.

Figura 35: Autoconfiguração SLAAC

Fonte: Do autor

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Acesso à página Web via endereço do servidor pelo PC_IPv6.


Figura 36: Acesso à página web via endereço

Fonte: Do autor

Acesso à página Web via nome da página Web (www.monoipv6.cv) pelo PC_IPv6.

Fonte: Do autor

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Conclusão

Concluindo este trabalho, podemos afirmar que protocolo IP é a base da Internet há mais 30
anos. O protocolo IPv4 foi concebido numa época onde não havia o uso que temos na
atualidade derivado do crescimento exponencial da Internet; este protocolo não sofreu
grandes alterações. Pelo contrário, o número de utilizadores cresce a cada dia, e derivado ao
desenvolvimento das tecnologias e da web, surgem novas aplicações, sendo que as exigências
das comunicações aumentaram. Ao longo do trabalho apresentamos o protocolo IPv4, e como
vimos, esgotou em 2011 na IANA. Em virtude dos factos mencionados, o IPv4 está a ser
substituído de forma gradual, e toda a rede de Internet terá que suportar o protocolo IPv6.
Desta forma para conseguirmos migrar para o IPv6, há uma fase de transição onde é
imprescindível assegurar a utilização dos protocolos em conjunto, retirando o IPv4 por partes,
sendo que não há uma data para a substituição definitiva desse protocolo.

As melhorias trazidas pelo novo protocolo são várias desde sua capacidade de endereçamento
que, resolve definitivamente a falta de endereços, autoconfiguração é uma mais-valia em
termos de configuração simplificada, pois os equipamentos podem-se autoconfigurar, visto
que estamos na era da Internet das coisas, o IoT (Internet of Things), segurança, a utilização
do IPsec, de forma nativa traz grandes ganhos em termos de segurança, melhorias a nível do

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QoS, com a introdução de um campo no cabeçalho para tratar das qualidades exigidas e pelas
comunicações em tempo real, a simplificação do cabeçalho, bem como o seu tamanho fixo,
faz com que o roteamento seja mais rápido e mais eficaz. Bem como a distribuição dos
endereços de forma hierárquica entre outros.
Tendo em conta toda essas características a transição para o protocolo se faz necessária
devido ao protocolo atual não suportar mais o crescimento das redes; portanto somente o IPv6
permitirá o crescimento contínuo das redes.

Vale apena ressaltar que os protocolos são diferentes e não são diretamente compatíveis, o
que implica que seja implementada técnicas de transição (IPv4 para IPv6).
Com a implementação das duas técnicas de transição propostas (Pilha Dupla e Tunelamento
6in4), podemos demostrar que é possível a comunicação entre redes que esteja utilizando os
diferentes protocolos, podendo- se dizer que os resultados obtidos foram satisfatórios porque
todos funcionaram em pleno e as técnicas de transição mostraram-se eficazes.
Tendo apresentado o funcionamento entre as 3 redes propostas (Rede IPv4/IPv6, Rede
Unicamente IPv6, e Rede Unicamente IPv4), a rede operou com o protocolo IPv4 bem como
IPv6, os serviços (autoconfiguração, WEB, SLAAC, DNS, protocolo de roteamento,
endereçamento). O nosso trabalho buscou demostrar que com o esgotamento do IPv4, será
necessário uma migração das redes IPv4 para IPv6, mas que antes a uma fase de transição que
deve ser feita de forma faseada, em que temos de garantir a comunicação entre elas. Para isso
o trabalho procurou mostrar alternativas de transição entre os protocolos.

O protocolo IPv6, como uma nova tecnologia trás um conjunto de desafios para os
administradores de redes e profissionais das TICs de uma forma geral. A implementação do
protocolo em uma rede tem de ser sujeita a um estudo prévio, e deve ser implementado de
forma gradual a bem de todo o funcionamento da rede, a escolha das técnicas de transição, a
nível da segurança, visto que as técnicas de transição podem ser exploradas por pessoas mal-
intencionadas. Também durante o desenvolvimento deste trabalho foi possível constatar que,
apesar do IPv6 não ser algo tão novo, é um assunto desconhecido pelos profissionais que
trabalham com a informática, uma vez que se pensa ser algo do futuro, e não atual. É
imprescindível que os profissionais das TICs se conscientizem da necessidade de entender o
funcionamento do protocolo IPv6, e as características da sua operação.

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Esperamos, que o desenvolvimento deste trabalho possa contribuir para o entendimento de


algumas das características e benefícios do IPv6, em relação ao seu antecessor o IPv4, bem
como as técnicas de transição propostas para a faze de transição.

Trabalhos Futuros

 Análise de performance do protocolo IPv6 em relação ao IPv4.

 Avaliação das vulnerabilidades que irão surgir com a utilização mais intensiva do
protocolo IPv6.

 Segurança em redes IPv6.

 Estudo para a implementação do protocolo IPv6 na Universidade Jean Piaget Pólo


Mindelo.

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Algumas Recomendações

 Nas novas compras de equipamentos, a principal exigência é que o hardware funcione


com o IPv6, para prevenir custos com trocas dos equipamentos que não têm suporte a
IPv6.

 Na escolha da técnica de transição deve ser feito um estudo prévio para ver qual a
técnica que se encaixa na rede, visto que não existe uma técnica que digamos que é a
melhor. Cada técnica deve ser implementada conforme as necessidades específicas de
cada rede em particular.

 Também será importante junto das universidades do país e outras instituições de


formação das TICs, rever o conteúdo ensinado sobre redes IP, para que
gradativamente seja parte integrante dos seus programas, visto também que o
profissional de redes e das TICs tem que lidar com o IPv6 que já é uma realidade
mundial.

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APÊNDICE A

Esquema e configuração do laboratório de testes.

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APÊNDICE B

Configurações feita nos roteadores

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APÊNDICE C

Configuração SLAAC

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ANEXO 1

Recomendações de segurança em redes IPv6

Falha, Ataque e Defesa no IPv6

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ANEXO 2

Algumas comparações entre os protocolos

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ANEXO 3

Guia didático para a compreensão do endereçamento no IPv6.

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