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CURSO TÉCNICO DE SEGURANÇA DO TRABALHO

PROGRAMAS DE SEGURANÇA

Relatório Técnico Referente ao:


“Estudo Realizado das Condições de Saúde e dos
Ambientes de Trabalho na Citricultura do
Estado de Sergipe”

Aracaju-SE

2018

Sumário
Dados Técnicos ................................................................................................................ 3

1. Introdução.................................................................................................................. 4

2. Objetivo ..................................................................................................................... 4

3. Resumo das condições .............................................................................................. 4

4. Medidas preventivas e corretivas .............................................................................. 6

5. Conclusão .................................................................................................................. 8

6. Bibliografia................................................................................................................ 9

7. Data do Documento e Assinatura do Profissional ..................................................... 9

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Dados Técnicos

Título do Estudo Analisado: Estudo das condições de saúde e dos ambientes de trabalho
na citricultura do estado de Sergipe

Área de concentração: Produção de Citrus

Período dos Levantamentos de Campo: junho a novembro de 2013

Período das Avaliações de Saúde: novembro de 2013 a maio de 2015

Resumo: Estudo dos ambientes de trabalho na produção de citrus e das condições de


saúde a partir de levantamentos de campo realizados em duzentos e cinquenta
estabelecimentos rurais de sete municípios do Estado de Sergipe.

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1. Introdução

Durante os anos de 2013 a 2015, o Ministério Público do Trabalho em parceria


com a Universidade Federal de Sergipe realizou um estudo das condições do ambiente e
dos processos de trabalho em sete municípios produtores de laranja do Estado de Sergipe.
O estudo teve como objetivo a obtenção de dados sociais e relativos à segurança do
trabalho visando o aumento da produtividade, qualidade de vida para os trabalhadores e
redução de acidentes de trabalho.

O presente trabalho analisa o estudo proposto em toda a sua parte relativa a


segurança do trabalho com enfoque aos Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s),
sugestões de medidas preventivas e corretivas para as condições de trabalho dos
trabalhadores da citricultura.

2. Objetivo

Uma análise técnica dos dados coletados pelo estudo de modo a sugerir adoção de
medidas de segurança que visem eliminar ou neutralizar os riscos aos quais os
trabalhadores da citricultura estão submetidos.

3. Resumo das condições

O trabalho rural na citricultura exige um elevado esforço físico e, em sua grande


maioria, os empregadores pouco se preocupam com as condições do meio visando à
melhoria de qualidade de vida para seus trabalhadores, apenas busca-se o aumento de
produtividade aliado à redução de custos.

O fato de não existir o controle dos acidentes, doenças e mortes relativos à


atividade, relaciona-se a isso a não adoção de medidas que visavam à proteção e a
promoção da saúde dos trabalhadores, referentes às características do ambiente laboral.

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O Estado de Sergipe é um dos maiores produtores de citrus, dos municípios que
concentram grande parte da produção, os analisados para o estudo foram: Boquim,
Cristinapólis, Itabaianinha, Salgado, Tomar do Geru, Umbaúba e Lagarto.

No sistema produtivo, os dados coletados foram baseados nos perfis dos


responsáveis pelos estabelecimentos, caracterização dos estabelecimentos, mão de obra
contratada, utilização de adubos e uso de venenos agrícolas.

Quanto aos acidentes de trabalho, analisaram-se os perfis dos acidentados,


tipologia e consequências dos acidentes. Sobre os indicadores de saúde foram realizadas
coleta de sangue e urina, exames clínicos, odontológicos, espirométrico e auditivos.

Foram observados que a maioria da mão-de-obra empregada nos estabelecimentos


eram de membros da própria família ou aliada com trabalhadores contratados. Todos os
estabelecimentos fazem uso da adubação química e a maioria utilizavam os venenos
agrícolas para o controle de plantas espontâneas, pragas e doenças.

Em relação ao treinamento quanto ao manuseio desses produtos agroquímicos,


poucos alegaram não ter participado (23,1% dos entrevistados), alguns ainda não tinham
conhecimento de qual produto utilizavam, nem ao menos sabiam a diferença de pragas e
doenças.

A utilização de EPI’s adequados para o preparo e aplicação dos venenos agrícolas


restringiam-se a luvas, máscaras descartáveis e óculos, dos poucos que faziam o uso,
outros faziam uso de roupas comuns e a prática de asseio e higiene pós-aplicação eram
mínimas.

Alguns estabelecimentos informaram casos de intoxicações que foram necessárias


atendimento médico, apesar de muitos entrevistados se queixarem de cores de cabeça,
mal estar, tontura, dor de barriga entre outras, por parte das pessoas que estavam
envolvidas no manuseio dos venenos agrícolas.

Em relação aos acidentes de trabalho, foram totalizados 38 eventos de um total de


232 estabelecimentos dos 6 municípios que ocorreram os acidentes, os agentes causadores
foram as ferramentas manuais (26,3%), manuseio de venenos agrícolas (23,6%) e foram
citados 3 acidentes de percurso em motocicletas.

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Em 44,7% causaram lesões corporais, do total dos acidentes informados, e 23,7%
apresentaram sequelas. Dois dos acidentes de trajeto resultaram em morte. Nota-se como
principais causas a falta de treinamento e a não utilização de EPI’s.

Em relação aos indicadores de saúde, esta ainda encontra-se em fase de coleta, até
a publicação do estudo, foram coletados 704 voluntários envolvendo questionários,
avaliações clínicas e coletas laboratoriais, o que representa pouco menos que um quarto
dos entrevistados.

Nessa fase observaram-se alterações clínicas e laboratoriais, porém que não


podem ainda ser associadas às condições de trabalho. O estudo objetiva que no final
dessas análises e com os dados seguros, possa obter uma discussão para a implantação de
melhorias das condições de trabalho da população citrícola do Estado.

O estudo expõe ainda que os fatores socioeconômicos e as condições dos


trabalhadores envolvidos na citricultura apresentam um perfil de risco para o
desenvolvimento de doenças relacionadas aos agrotóxicos.

4. Medidas preventivas e corretivas

Diante da análise do estudo realizado pelo Ministério Público do Trabalho - MPT


e Universidade Federal de Sergipe - UFS, observou-se que o trabalho era executado sem
controle, planejamento e contra as legislações vigentes, sejam em relação à produção,
produtos utilizados, empregados e segurança do trabalho.

Diversos problemas podem ser pontuados como:

 Falta de treinamento;
 Falta de exames médicos, de controle de doenças ocupacionais e acidentes de
trabalho;
 Falta de EPI’s;
 Falta de boas práticas de higiene e asseio;
 Erros na manipulação, estocagem e descarte de produtos químicos;
 Análise e controle de riscos, entre outros.

De acordo com a NR 1 (Disposições Gerais), os trabalhadores devem conhecer os


riscos aos quais estão expostos e na NR 6 (Equipamento de Proteção Individual - EPI),

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todo empregador é obrigado ao fornecimento de EPI, de forma gratuita e adequada aos
riscos.

Para a segurança do trabalhador rural, existe uma norma regulamentadora


específica, a NR 31 (Segurança e Saúde no Trabalho na Agricultura, Pecuária,
Silvicultura, Exploração Florestal e Aquicultura), nas quais podemos citar algumas
medidas que deveriam ser empregadas para o estudo analisado:

 Garantia de adequadas condições de trabalho, higiene e conforto para todos os


trabalhadores (Item 31.3.3, alínea a);
 Realização de avaliações dos riscos para a segurança e saúde dos trabalhadores e
adoção de medidas de prevenção e proteção visando à segurança e em
conformidade com as normas de segurança e saúde (Item 31.3.3, alínea b);
 Promoção de melhorias nos ambientes e nas condições de trabalho, buscando a
preservação do nível de segurança e saúde dos trabalhadores (Item 31.3.3, alínea
c);
 Cumprir e fazer cumprir as disposições legais e regulamentares sobre segurança
e saúde no trabalho (Item 31.3.3, alínea d);
 O empregador deve garantir a realização de exames médicos aos trabalhadores
(Item 31.5.1.3.1, NR 31);
 Os trabalhadores devem ter acesso à prevenção e a profilaxia de doenças
endêmicas e a aplicação de vacina antitetânica. (Item 31.5.1.3.9, NR 31);
 O fornecimento de capacitação sobre prevenção de acidentes com agrotóxicos a
todos os trabalhadores, por parte do empregador, expostos diretamente aos
agrotóxicos. (Item 31.8.8, NR 31);
 No item 31.8.9 da NR 31, são citadas algumas das medidas que devem ser tomadas
para trabalhadores que lidem diretamente e indiretamente com os agrotóxicos
como os EPI’s adequados aos riscos, em boas condições e devidamente
higienizados (descontaminado depois de cada jornada de trabalho), além de
orientar quanto ao uso correto; fornecimento de materiais para a higiene pessoal;
garantir que nenhuma vestimenta contaminado seja levado fora do ambiente de
trabalho ou seja reutilizado; bem como o uso de roupas pessoais na aplicação de
agrotóxicos;

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 A conservação, manutenção, limpeza e utilização dos equipamentos só devem ser
realizadas por pessoas previamente treinadas e protegidas (Item 31.8.13, NR 31);
 Locais de armazenamento de agrotóxicos, adjuvantes e produtos afins devem
conter as especificações determinadas no item 31.8.17 da NR 31;

Em relação aos EPI’s, a Norma Regulamentadora- NR 31 determina quais são


adequados ao trabalhador rural, de acordo com as necessidades de cada atividade:

 Proteção da cabeça, olhos e face: capacete contra impactos provenientes de queda


ou projeção de objetos; chapéu ou outra proteção contra o sol, chuva e salpicos;
protetores impermeáveis e resistentes para trabalhos com produtos químicos;
protetores faciais contra lesões ocasionadas por partículas, respingos, vapores de
produtos químicos e radiações luminosas intensas; óculos contra lesões
provenientes do impacto de partículas, ou de objetos pontiagudos ou cortantes e
de respingos;
 Óculos contra irritação e outras lesões;
 Protetores auriculares para as atividades com níveis de ruído prejudiciais à saúde;
 Respiradores com filtros mecânicos, químicos ou combinados; aparelhos de
isolamento, autônomos ou de adução de ar para locais de trabalho onde haja
redução do teor de oxigênio;
 Luvas e mangas de proteção contra lesões ou doenças;
 Botas impermeáveis e antiderrapantes, com biqueira reforçada, com solado
reforçado, com cano longo ou botina com perneira; perneiras em atividades onde
haja perigo de lesões provocadas por materiais ou objetos cortantes, escoriantes
ou perfurantes; calçados impermeáveis e resistentes; ou calçados fechados para as
demais atividades;
 Aventais; jaquetas e capas; macacões; coletes ou faixas de sinalização; roupas
especiais para atividades específicas (apicultura e outras);
 Cintos de segurança para trabalhos acima de dois metros, quando houver risco de
queda.

5. Conclusão

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Ao analisar o estudo e o vídeo repassado em sala de aula, observam-se as
condições degradantes as quais são expostas os trabalhadores rurais da citricultura do
Estado de Sergipe. As medidas sugeridas devem ser implantadas com caráter de urgência,
a fim de eliminar os riscos e poder melhorar a qualidade de vida desses trabalhadores.

Diante das adequações sugeridas expostas é importante frisar que vai muito além
das NR’s citadas. A segurança do trabalho deve ser tratada como prioridade por lidar com
um bem precioso que é a vida.

6. Bibliografia

Estudo das Condições de Saúde e dos Ambientes de Trabalho na Citricultura do


Estado de Sergipe. Ministério Público do Trabalho de Sergipe, Universidade Federal de
Sergipe. São Cristovão –SE, Editora UFS, 2015.

Normas Regulamentadoras. Ministério do Trabalho e Emprego – TEM. Disponível em:


http://trabalho.gov.br/seguranca-e-saude-no-trabalho/normatizacao/normas-
regulamentadoras, acesso em 28 de maio de 2018.

7. Data do Documento e Assinatura do Profissional

O profissional responsável pela elaboração do documento deverá assinar o


documento no campo a seguir.

Aracaju, 04 de junho de 2018.

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