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AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE OURÉM - 120960

Ano letivo 2018/2019

Ficha Formativa
Nome: ___________________________________________________________ N.º: _____ Turma: ________

Defesas do organismo contra a infeção

Introdução: As defesas do organismo contra a infeção incluem barreiras naturais, como


a pele, mecanismos não específicos, como certos tipos de glóbulos brancos e a febre, e
mecanismos específicos, como os anticorpos. Em regra, se um micro-organismo atravessa as
barreiras naturais do corpo, os mecanismos de defesa específicos e não específicos destroem-no
antes que se multiplique.

Barreiras naturais
Geralmente a pele evita a invasão de muitos micro-organismos, a menos que esteja
fisicamente danificada devido, por exemplo, a uma lesão, à picada de um inseto ou a uma
queimadura. Contudo, existem exceções, como a infeção pelo papiloma vírus humano, que provoca
as verrugas.

Outras barreiras naturais eficazes são as membranas mucosas, como os revestimentos das
vias respiratórias e do intestino. Geralmente estas membranas estão cobertas de secreções que
combatem os micro-organismos. Por exemplo, as mucosas dos olhos estão banhadas em lágrimas,
que contêm uma enzima chamado lisozima. Este ataca as bactérias e ajuda a proteger os olhos das
infeções.

As vias respiratórias filtram de forma eficaz as partículas do ar que se introduzem no


organismo. Os canais tortuosos do nariz, com as suas paredes cobertas de muco, tendem a eliminar
grande parte da substância que entra. Se entretanto um micro-organismo atinge as vias aéreas
inferiores, o batimento coordenado de umas saliências semelhantes a pelos (cílios) cobertas de muco
transportam-no para fora do pulmão. A tosse também ajuda a eliminar esses micro-organismos.

O tubo gastrointestinal dispõe de uma série de barreiras eficazes, que incluem o ácido do
estômago e a atividade antibacteriana das enzimas pancreáticos, da bílis e das secreções intestinais.
As contrações do intestino (peristaltismo) e o desprendimento normal das células que o revestem
ajudam a eliminar os microrganismos prejudiciais.

O aparelho geniturinário masculino encontra-se protegido pelo comprimento da uretra (cerca


de 20 cm). Devido a este mecanismo de proteção, as bactérias não costumam entrar na uretra
masculina, a menos que sejam ali introduzidas de forma não intencional, através de instrumentos
cirúrgicos. As mulheres contam com a proteção do ambiente ácido da vagina. O efeito de
arrastamento que a bexiga desencadeia no seu esvaziamento é outro dos mecanismos de defesa em
ambos os sexos.

As pessoas com mecanismos de defesa debilitados estão mais vulneráveis a certas infeções.
Por exemplo, aqueles indivíduos cujo estômago não segrega ácido são particularmente vulneráveis à
tuberculose e à infeção causada pela bactéria Salmonella. O equilíbrio entre os diferentes tipos de
micro-organismos na flora intestinal residente também é importante para manter as defesas do
organismo. Por vezes, um antibiótico tomado para uma infeção localizada em qualquer outra parte
do corpo pode quebrar o equilíbrio entre a flora residente, permitindo assim que aumente o número
de microrganismos que causam doenças.

Mecanismos de defesa não específicos


Qualquer lesão, incluindo uma invasão de bactérias, causa inflamação. A inflamação serve,
parcialmente, para encaminhar certos mecanismos de defesa até ao ponto onde se localiza a lesão
ou a infeção. Com a inflamação, aumenta o débito sanguíneo e os glóbulos brancos podem
atravessar a parede dos vasos sanguíneos e dirigir-se à zona inflamada com maior facilidade. O
número de glóbulos brancos na corrente sanguínea também aumenta, já que a medula óssea liberta
uma grande quantidade desses glóbulos que tinha armazenado e, de imediato, começa a produzir
mais.

A primeira variedade de glóbulos brancos que entra em cena são os neutrófilos, que começam
a ingerir os micro-organismos invasores e tentam conter a infeção num espaço reduzido. Se a
infeção continuar, os monócitos, outra classe de glóbulos brancos com uma capacidade ainda maior
para ingerir micro-organismos, chegarão em quantidades cada vez maiores.
Todavia, estes mecanismos não específicos de defesa podem ser ultrapassados por uma grande
quantidade de micro-organismos invasores, ou por outros fatores que reduzam as defesas do corpo
humano, como os contaminantes do ar (incluindo o fumo do tabaco).

Febre
A febre, definida como uma elevação da temperatura corporal superior aos 37,7ºC (medidos
com o termómetro na boca), é, na realidade, uma resposta de proteção perante a infeção e a lesão.
A elevada temperatura corporal estimula os mecanismos de defesa do organismo ao mesmo tempo
que causa um mal-estar relativamente pequeno ao indivíduo.

Normalmente, a temperatura corporal sobe e baixa todos os dias. O ponto mais baixo é
atingido às 6 horas da manhã e o mais alto entre as 4 e as 6 horas da tarde. Embora seja habitual
dizer-se que a temperatura normal do corpo é de 37ºC, o mínimo normal às 6 horas da manhã é de
37,1ºC e o máximo normal às 4 horas da tarde será de 37,7ºC.

O hipotálamo, uma parte do cérebro, controla a temperatura corporal; a febre é consequência


de uma nova regulação do termóstato do hipotálamo. A temperatura corporal aumenta até um novo
nível superior do termóstato, deslocando o sangue da superfície da pele até ao interior do corpo,
reduzindo com isso a perda de calor. Os arrepios podem ocorrer para estimular a produção de calor
através da contração muscular. Os esforços do organismo para conservar e produzir calor
continuarão até que o sangue chegue ao hipotálamo a uma nova temperatura, mais elevada. Então
os mecanismos habituais manterão a referida temperatura e, posteriormente, quando o termóstato
voltar ao seu nível normal, o corpo eliminará o excesso de calor através do suor e mediante o desvio
do sangue para a pele. Os arrepios podem surgir também quando a temperatura desce.

A febre pode seguir um curso em que a temperatura atinge um máximo diário e depois volta
ao seu nível normal. Por outro lado, a febre pode ser remitente, isto é, a temperatura varia mas
nunca volta ao normal. Certas pessoas, como os alcoólicos, tanto os de idade avançada como os
mais jovens, podem ter uma baixa da temperatura como resposta a uma infeção grave.
As substâncias causadoras de febre recebem o nome de piréticos. Elas podem vir do interior
ou do exterior do organismo.

Contudo, a infeção não é a única causa de febre; ela pode também ser consequência de uma
inflamação, um cancro ou uma reação alérgica.

Determinação da causa da febre


Em geral, a febre tem uma causa óbvia, como a gripe ou a pneumonia. Porém, noutros casos
a causa é subtil, como uma infeção do revestimento interno do coração (endocardite bacteriana).
Quando uma pessoa tem pelo menos 38,3ºC de febre e uma investigação exaustiva não consegue
descobrir a causa, o médico pode chamar-lhe febre de origem desconhecida. As causas potenciais
da referida febre incluem toda e qualquer perturbação que eleve a temperatura corporal, mas as
causas mais frequentes entre os adultos são as infeções, as doenças causadas por anticorpos
formados contra os tecidos do próprio indivíduo (doenças autoimunes) e um cancro ainda não
descoberto (em especial, uma leucemia ou um linfoma).
Para determinar a causa, o médico averigua os sintomas e as doenças presentes e passadas,
a medicação atual, a exposição a infeções, viagens recentes, etc. O quadro que acompanha a febre
muitas vezes não ajuda a fazer o diagnóstico. No entanto, há algumas exceções: por exemplo, uma
febre que aparece cada dois ou três dias é típica da malária.

As viagens recentes, em particular ao estrangeiro, ou a exposição a certas substâncias ou


animais podem dar pistas sobre a causa da febre. Em regiões de um determinado país são mais
frequentes certas infeções, enquanto noutras predominam infeções diferentes.

Uma pessoa que tenha bebido água contaminada (ou que tenha comido gelo feito com água
infetada) pode desenvolver uma febre tifoide. Quem trabalha numa fábrica de enlatados de carne
pode ter uma brucelose.

Depois de fazer este tipo de perguntas, o médico executa um exame físico completo para
procurar a origem da infeção ou encontrar evidência de alguma afeção. Conforme a intensidade da
febre e as condições do paciente, assim a consulta pode ser realizada no consultório do médico ou
então no hospital.

As análises de sangue podem ser utilizadas para detetar a presença de anticorpos contra um
micro-organismo, para o fazer crescer num meio de cultura e para determinar o número de glóbulos
brancos. Pode observar-se um aumento nos valores de um anticorpo específico e isso pode ajudar a
identificar o micro-organismo invasor. O aumento na quantidade de glóbulos brancos costuma
indiciar infeção. A fórmula leucocitária (a proporção entre os diversos tipos de glóbulos brancos)
proporciona mais pistas. Um aumento dos neutrófilos, por exemplo, sugere uma infeção aguda por
bactérias. Um aumento dos eosinófilos sugere uma infestação parasitária, por exemplo, por cestodes
ou por nematodes.

A ecografia, a tomografia axial computadorizada (TAC) e a ressonância magnética (RN) podem


ajudar a estabelecer um diagnóstico. A gamagrafia com leucócitos marcados pode ser utilizada para
identificar áreas de infeção ou inflamação.

Para realizar este exame, o paciente recebe uma injeção de glóbulos brancos que contêm um
marcador radioativo. Como os glóbulos brancos são atraídos para as zonas infetadas e, neste caso,
eles possuem um marcador radioativo, o exame pode detetar uma zona de infeção. Se os resultados
deste exame forem negativos, o médico pode precisar de colher uma amostra de fígado (biopsia), da
medula óssea ou de outra área da qual suspeite. A amostra é posteriormente examinada ao
microscópio.
Tratamento da febre
Dados os potenciais efeitos benéficos da febre, discute-se se ela deve ser tratada de forma
rotineira. De qualquer modo, uma criança que tenha tido uma convulsão como resultado da febre
(ataque febril) deve receber tratamento. Do mesmo modo, um adulto com um problema cardíaco ou
pulmonar deve recebê-lo, porque a febre pode aumentar a necessidade de oxigénio. Estas
necessidades aumentam cerca de 7 % por cada 0,17ºC de aumento da temperatura corporal a partir
dos 37ºC. A febre também pode provocar alterações na função cerebral.

Os fármacos utilizados para fazer descer a temperatura corporal recebem o nome de


antipiréticos. Os mais usados e eficazes são o paracetamol e os anti-inflamatórios não esteroides,
como a aspirina. No entanto, nas crianças e adolescentes não se combate a febre com aspirina
porque esta aumenta o risco de desencadear a síndroma de Reye (doença grave, de rápida
progressão e muitas vezes fatal, que acomete o cérebro e o fígado, ocorre em crianças e está
relacionada ao uso de salicilatos em conjunto com uma infeção viral), que pode ser mortal.

Mecanismos de defesa específicos


Uma vez desenvolvida a infeção, entra em ação todo o poder do sistema imunitário. Este
produz várias substâncias que atacam especificamente os micro-organismos invasores. Por exemplo,
os anticorpos aderem a eles e ajudam a imobilizá-los. Podem assim destruí-los diretamente ou então
ajudar os glóbulos brancos a localizá-los e a eliminá-los. Além disso, o sistema imunitário pode enviar
um tipo de células conhecidas como células T citotóxicas (killer) (outro tipo ainda de glóbulos
brancos) para atacar especificamente o organismo invasor.
Os fármacos anti-infeciosos, como os antibióticos, os agentes antimicóticos ou antivirais, podem
auxiliar as defesas naturais do corpo humano. No entanto, se o sistema imunitário se encontrar
gravemente enfraquecido, esses medicamentos não costumam ser eficazes.

Causas específicas de febre


 Infeção, por exemplo, de origem bacteriana ou viral.
 Cancro.
 Uma reação alérgica.
 Perturbações hormonais como o feocromocitoma ou o hipertiroidismo.
 Doenças autoimunes, como a artrite reumatoide.
 Exercício excessivo, especialmente em clima quente.
 Excessiva exposição ao sol.
 Certos fármacos, como os anestésicos, anti psicóticos e anticolinérgicos, bem como uma
sobredosagem de aspirina.

 Lesão do hipotálamo (parte do cérebro que controla a temperatura), por exemplo em virtude de
um traumatismo ou um tumor cerebral.

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