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Pe Henri Ramiere

Los católicos liberales


«Si creeis con la Iglesia Católica que la única verdadera dicha del hombre está en Dios y en Jesucristo, cesad de
preconizar un sistema social que está basado en la negación práctica de Jesucristo y de Dios. Sed enteramente
católicos o enteramente liberales, y procurad que no llegue más a nuestros oídos la manifiesta contradicción
encerrada en estas discordantes palabras: Católicos liberales».

(Palabras con que termina el excelente libro "«Les Doctrines Romaines sur le Libéralisme envisagées dans les
rapports avec le Dogma Chrétien et avec les besoins des Sociétés Modernes» del Padre Ramiere)

“La intolerancia al respecto de los defensores de los principios, es, con la tolerancia hacia los patrones del error,
uno de los síntomas más característicos del contagio liberal” (R. P. Ramière).

A questão do liberalismo diz respeito aos mais graves interesses e aos mais
fundamentais dogmas do cristianismo.
R. P. Henri Ramière d.C.d.G. (1821-1884)

Da: Les doctrines romaines sur le libéralisme envisagées dans leur rapports avec le dogme chrétien et avec les
besoins des societes modernes, Paris 1870 pag. 1-19. Tradução: Gederson Falcometa

Antes de tudo é importante esclarecer para vantagem daqueles católicos que não entendem a ligação entre a
questão do liberalismo e do dogma católico e que acreditam defender seriamente os interesses da Igreja
aconselhando-lhes a separarem-se, sobre este ponto, de sua própria tradição.

I – Origem do liberalismo

Para fazer-lhes compreender que se enganam, basta recordar a sua história recente; digam-nos eles como a doutrina
que gostariam que fosse aceita pela Igreja se introduziu no mundo. O sabem bem como nós; até o século passado
essa não tinha encontrado um só defensor, nem no interior do cristianismo nem no seio do paganismo. No mundo
bárbaro como naquele civilizado foi sempre acordado a fundar a garantia das instituições sociais nas crenças
religiosas; e Rousseau, quando afirma que nenhum Estado foi jamais fundado sem que a religião lhe servisse de
base, não fazia que constatar o testemunho certíssimo da história e resumir os ensinamentos dos filósofos pagãos,
como também dos doutores cristãos.

Quando então se pensou repudiar esta constante e universal persuasão do gênero humano? Quem são aqueles
novos sábios que inventaram uma teoria ignorada ou rejeitada pelos mestres da antiga sapiência?

Sabemos bem quem são estes sábios; são aqueles que, no século passado, declararam a Jesus Cristo e a sua Igreja
uma guerra mortal e que, para triunfar nesta guerra, empreendida segundo eles para o triunfo da verdade e da
justiça, fizeram uso das mais malvadas calúnias e das mais audazes mentiras.

Já esta origem é assaz suspeita, e os católicos que hoje se fazem promotores de uma doutrina inventada pelos
inimigos mais mortais do catolicismo tem verdadeiramente necessidade de toda a generosidade de seus corações
para não tornarem-se cientes do grave risco que correm ao serem chamarizes de uma mistificação infernal.

II. – Tática dos primeiros autores do liberalismo

Este temor não pode que agravar-se, se antes de deixar-se conquistar pela especiosa aparência do liberalismo, nos
pegassem a pena de estudar, nos escritos dos seus primeiros autores, o ímpio plano que aqueles selaram sob este
aspecto sedutor. Todavia nada é mais certo: estas pessoas, as menos liberais e as mais intolerantes do mundo
quando estava em jogo a sua ganância ou o seu amor próprio, começaram a pregar o liberalismo ou, como então se
dizia, a tolerância em fato de religião, apenas com o fim de poder com isto chegar mais seguramente a destruir toda
religião. «Écrasons l’infâme!» [Destruamos o infame!], tal era o seu lema; e a infame era para eles a Igreja de Jesus
Cristo. – Mas este lema era reservado a sua correspondência secreta. No exterior eles afetavam para a religião
toda forma de respeito. Era apenas por devoção a doutrina de Jesus Cristo que reclamavam a tolerância em favor
dos erros que atacavam esta mesma doutrina. «Quanto mais somos ligados a santa religião de Nosso Senhor Jesus
Cristo, mais devemos aborrecer o abominável uso que se faz da sua lei divina.» Assim se exprimia Voltaire em uma
carta destinada a ser lida pelos profanos, e exatamente no momento em que se acordava com d’Alembert para
difundir uma das suas mais ímpias publicações, o Testamento de Jean Meslier. E d’Alembert era perfeitamente de
acordo com seu mestre naquilo que diz respeito ao melhor meio para enganar os cristãos: «São crianças que não
precisamos tornar obstinadas, lhe escrevia (em 22 de fevereiro de 1764)…,, segundo meu parecer tratar-lhes com
muito cortesia, dizer que eles tem razão, que aquilo que creem e que pregam é claro como o dia… mas que, dada a
perversidade e a teimosia humana, é bom permitir a qualquer um de pensar como gosta.»

III. – Habilidade desta tática.

De fato esta tática, se não se distingue pela sinceridade, não lhe falta ao menos certa habilidade; se reclamará a
liberdade para o erro até para que, por força de mentiras, esse consiga recrutar uma armada: e não apenas haverão
soldados, se colocará em suas mãos as armas da intolerância para perseguir os discípulos da verdade. Eis o segredo
da grande conspiração dos primeiros apóstolos do liberalismo qual nos foi revelada pelo correspondente principal e
mais intimo confidente dos conjuradores. «Todos os grandes homens foram intolerantes, escreve Grimm, e é preciso
sê-lo. Se si encontra sobre o próprio caminho um príncipe bonachão, é preciso pregar-lhe a tolerância afim de que
caia na armadilha, e que o partido destruído tenha o tempo de recuperar-se e por sua vez de destruir o adversário.
Assim o discurso de Voltaire, que insiste sobre a tolerância, é um discurso feito aos tolos, ou a gente enganada, ou a
pessoas que não tem algum interesse na coisa [1].»

Mas o segredo da seita, nos foi entregue de modo bem mais completo ainda pelo seu próprio patriarca, na obra
destinada a funcionar como manifesto da nova doutrina, isto é, no tratado da Tolerância, onde afirma que a
liberdade é devida a todas as opiniões, mas que não pode ser acordada a fé cristã, designada, segundo a atitude
constante da seita, com nome defanatismo. No começo do capítulo intitulado: Só o caso em que a intolerância é de
direito humano, ele formula a seguinte tese: «Para que um governo não tenha o direito de punir os erros dos
homens, é necessário que estes erros não sejam delitos, e são delitos apenas quando esses turbam a sociedade;
esses turbam a sociedade quando inspiram o fanatismo; é necessário então que os homens parem de ser fanáticos
para merecer a tolerância.» É claro: quando certos liberais modernos, uma vez chegando ao poder, propriamente no
momento em que proclamavam toda sorte de liberdade, se permitiram de perseguir os sacerdotes católicos, de
abater as Igrejas e de privar as pobres religiosas do abrigo em que se retiraram para trabalhar e rezar em comum,
eles não fizeram outra coisa que mostrar-se fiéis ao programa traçado a muito tempo pelo seu principal mestre do
liberalismo. Mas quanto mais esta prática da escola é fiel e constante, mais nos surpreende que tenha conservado o
poder de enganar indefinidamente exatamente aqueles que a cada dia pode esperar para tornarem-se suas vítimas.

IV. – O liberalismo mira provocar a indiferença, que é mais perigosa do que a hostilidade.

É preciso, porém, admitir que não todos os apóstolos do liberalismo se escondem, sob as suas hipócritas atestações
de tolerância, o segundo fim de tornarem-se perseguidores; existem alguns que são mais sinceros porque nos
oferecem acordar iguais direitos a verdade e ao erro. Mas se arriscaria de enganar-se se quisesse ver nesta oferta
uma prova de maior benevolência nos confrontos da religião; pode ser, ao invés, o resultado de um ódio mais
profundo e mais hábil. A verdade tem de fato um inimigo mais mortal que o erro: a indiferença. Aqueles que
sustentam uma ideia errônea com isto mesmo proclamam, em certa medida, os direitos da verdade; porque se
esforçando para fazer aceitar como verdadeira uma coisa falsa, supõe como princípio evidente que apenas a
verdade tem o direito de impor-se a adesão da inteligência. Mas se a inteligência chega a um estado tal pelo qual
não faz mais distinção entre a verdade e o erro e pelo qual, faltando-lhe a força de afirmar ou negar qualquer coisa,
se deixa ir a deriva onde a conduz a onda da dúvida e o vento da opinião: então nada pode mais salva-la de um
completo naufrágio: e aquele tesouro que é a verdade, e que Deus lhe havia confiado, é necessariamente engolido
completamente e sem fuga no abismo da indiferença.

Não duvidamos: a imparcialidade mostrada por um grande número de partegianos mesmo sinceros do liberalismo
não é outra coisa que o resultado de um similar absoluto desprezo pela verdade; e se esses atribuem tanto valor as
liberdades modernas, é porque as julgam mais adequadas que as próprias perseguições para provocar
definitivamente e irremediavelmente o divórcio entre a fé cristã e as sociedades do futuro. E é preciso bem
reconhecer que dão prova nisto de um conhecimento da natureza humana que faltou aos mais ferozes
perseguidores; ao invés de exporem-se as inevitáveis reações que provocam a violência, eles preferem esperar pela
completa ruína da religião por parte da ação, sim, mas lenta mas também irresistível, do ambiente social. Eles
compreendem que o individuo, podendo nascer e crescer apenas dentro da sociedade, lhe sofre inevitavelmente as
incessantes influências; quem não se rende conta, em efeito, quantos poucos são os homens capazes de pensar por
si e de subtraírem-se completamente a tirania da opinião? Baseando-se sobre esta verdade experiencial, muitos dos
mais inteligentes entre os inimigos da Igreja não são participes da impaciência dos seus cumplices mais desejosos do
seu fim; eles esperam, e até agora os acontecimentos não desmentiram suas esperanças, que, em toda parte a
sociedade se colocará em um estado de completa indiferença nos confrontos de Jesus Cristo, as massas sofreram
inevitavelmente o contágio desta atmosfera e se destacaram, pouco a pouco, da religião. A destruição da realeza
social de Jesus Cristo representa, então, para eles a preliminar obrigatória e infalível da total decadência da religião;
e a tolerância civil é para esses um meio certo, mesmo que possa ser um pouco lento, para chegar a tolerância
doutrinal, isto é, a indiferença absoluta.

V. – Oposição direta entre o princípio do liberalismo e o dogma cristão.

Mas não é somente pela sua origem e pelas suas consequências quase inevitáveis que o liberalismo é contrário a
religião de Jesus Cristo, é também pela sua essência; não apenas essa fornece aos inimigos da Igreja as armas para
destruí-la, mas a atava de per sè nos dogmas mais essenciais.

De fato é suficiente examinar esta doutrina no seu princípio para compreender que essa nega os direitos soberanos
de Jesus Cristo quando declara que as sociedades temporais são independentes do domínio Dele. Segundo este
princípio a sociedade civil é meramente terrestre, e não deve ocupar-se em nenhum modo, nem direta ou
indiretamente, dos direitos das verdades e dos interesses eternos; o seu único e supremo fim é a felicidade temporal
dos próprios membros, e a razão é a sua única tocha: Jesus Cristo para esta sociedade é então um estranho. Que ele
seja Deus ou não, ela não sabe, não se lhe ocupa, não é tarefa sua, mas unicamente tarefa dos indivíduos; e se um
número maior ou menor dos seus membros reconhece Jesus Cristo como Filho de Deus, o poder público não
permitirá que se use a violência para impedi-lo, propriamente como faria se outros cidadãos quisessem reconhecer
Maomé como seu profeta.

Esta é a teoria que faz de base as liberdades que a Igreja não cessa de reprovar em linha de princípio, embora de
fato as possa tolerar naquelas sociedades que tem cessado de serem cristãs. Pio IX expressou clarissimamente esta
teoria na Encíclica Quanta Cura, condenando aqueles quais que ousam ensinar «que a perfeição dos governos e o
progresso civil exigem absolutamente que a sociedade humana seja constituída e governada sem ter em conta a
religião, como se não existisse, ou ao menos sem fazer alguma diferença entre a verdade religião e as falsas. Mais,
contrariamente a doutrina da Escritura, da Igreja e dos santos Padres, não temem afirmar que o melhor governo é
aquele no qual ao poder não é reconhecido a obrigação de reprimir, com sanção de penas, os violadores da religião
católica, se não quando a ordem pública o requeira.»

Esta doutrina, que Pio IX qualifica como ímpia e absurda, seria verdadeira se a realeza de Jesus Cristo fosse
perfeitamente estranha a esfera em que opera a sociedade; mas porque o filho de Deus, fazendo-se homem e
fundando a sua Igreja para que continuasse a sua obra sobre a terra, quis abrir as sociedades, como também aos
indivíduos que a compõem, esta única via de perfeição e de salvação, é evidente que não se pode erigir a princípio a
completa independência da sociedade civil em suas relações sem tornar-se culpável de uma verdadeira e própria
apostasia.

Então, se deve também renunciar a exaltar como preciosas conquistas aquelas liberdades que Pio IX, como Gregório
XVI, chama delírio, isto é, a liberdade absoluta de pensamento, de imprensa e de culto.

Que são em efeito essas liberdades? – Essas não tem nada em comum com a liberdade moral propriamente dita,
que a Igreja jamais deixou de defender contra os erros que em todos os séculos e também hoje não cessaram de
ataca-la; não se trata do direito de buscar a verdade no âmbito histórico, científico, filosófico e até mesmo na ordem
religiosa: a Igreja encorajou o exercício deste direito mais do que toda instituição humana; e as obras dos grandes
gênios cristãos estão a demonstrar com qual feroz independência esses souberam tirar-lhe proveito. A liberdade que
a Igreja condena como liberdade de perdição, é, ao invés, aquela que se arroga o direito de atacar a doutrina de
Cristo, de obscurecê-la com sofisma, de travesti-la com calúnia, de distanciar-lhe as almas para as quais essa é a
única via de salvação. Não é talvez manifesto que, se Jesus Cristo é chefe e rei das sociedades, estas ultimas não
podem reconhecer aos seus membros o direito de atacar a doutrina deste Rei divino e de insultar a sua autoridade?
Tudo isto que se pode consentir é de se tolerar, em determinadas circunstâncias, estes ataques e estes insultos
como um mal menor que não pode ser combatido sem comportar desordem ainda maior; mas investir estas
iniquidades com a majestade do direito, e lhe coroa com a aureola do progresso, isto significa evidentemente
proclamar decaído o Deus-Homem e fundar sobre o anticristianismo todo o edifício da sociedade moderna.

Portanto, a doutrina liberal é realmente a negação da soberania social de Jesus Cristo. É verdadeiro que os liberais
católicos não exprimem esta negação assim claramente quanto os seus confrades não católicos; nós acreditamos até
mesmo que muito poucos, no caso em que a questão da realeza social de Jesus Cristo fosse claramente colocada a
eles, hesitariam a resolvê-la afirmativamente. Temos tido por mais de uma vez a ocasião de convencer-nos que o
maior número desses não suspeitam nem mesmo que as suas teorias lhe conduzem até a negação deste dogma;
existem neles, a este respeito, muito mais ilusões que erros voluntários; e é por isto que nos parece de máxima
importância dissipar a ilusão reportando a discussão ao seu princípio, sobre o qual não se pode existir, entre cristãos,
alguma divergência.

Seja este princípio claramente e universalmente admitido, junto as suas consequências necessárias, e a Igreja não
pensará e nem sequer impedirá àqueles dos seus filhos que são mais ligados as liberdades modernas de defendê-la
como fato e consequência do nosso estado social [2].

Jamais ela impedirá aos bispos americanos dos Estados Unidos e da Inglaterra de reivindicar, como uma preciosa
conquista, a liberdade de que goza a Religião nestes países em que se foi um tempo submissa a mais iniqua
opressão; nem serão culpáveis todos aqueles que nas liberdades modernas reconheceram apenas um fato em
relação a um particular estado social. Desgraçadamente a interpretação mais benevolente não pode impedir-nos de
notar totalmente o contrário nas palavras e nos escritos de um certo número de católicos liberais; se os mais sábios
evitam as fórmulas de que se servem os líderes do liberalismo anti-cristão para erigir as suas teorias em princípios
absolutos, demonstram porém, claramente, com toda a sua linguagem, que aos seus olhos estes pretensos
princípios são totalmente o contrário que heresias e assim, bem longe de unir-se a condenação da Igreja, parecem
fazer-lhe uma grande concessão contentando-se de supor a verdade sem afirmar estes mesmos princípios muito
abertamente; e se surpreendem que uma conivência assim discreta com o erro possa desconcertar a Igreja, que
todavia São Paulo chama «coluna e fundamento da verdade». Mas a insistência e a aparente severidade da Igreja
cessaram de surpreender-lhes quando compreenderem que se se trata, para ela, de um dogma sobre o qual não lhe
é permitido transigir como sobre aquele da própria divindade do Salvador.

VI – Consequência deste modo de colocar a questão

Não é ainda chegado o momento de provar a verdade deste dogma, mas o seu modo de colocar a questão deveria já
ser suficiente para abrir os olhos dos católicos que acreditam a este respeito de poder seguir um partido oposto
àquele indicado pelo vigário de Jesus Cristo. Nós certamente não admitimos que, também nas questões de conduta,
e sobretudo quando se trata de interesses gerais da Igreja, seja consentido a um católico de recusar a própria
obediência a quem Jesus Cristo investiu da suprema autoridade; mas mesmo supondo que sobre isto fosse possível
fazer-se iludir, não o seria certamente sobre questões que dizem respeito ao dogma: e no entanto, que o dogma
esteja em questão é certíssimo, e é difícil explicar como católicos iluminados tenham podido enganar-se nisto.

Na suprema batalha que a Igreja sustenta há um século sobre o terreno social está em causa o dogma, como o era
nas lutas contra o paganismo dos imperadores romanos e contra o arianismo dos Césares de Bizâncio; é sempre a
mesma guerra e sempre o mesmo inimigo. O orgulho da razão humana, que não quer de modo algum submeter-se
ao Deus vivo, recusa por primeira coisa reconhecer a Sua existência e a Sua unidade; vencendo nesta primeira luta,
esse busca salvaguardar a própria independência negando a divindade daquele ao qual Deus seu Pai deu o domínio
de todas as coisas; e é aqui que hoje esse pretende recuperar todas as vantagens perdidas nas suas duas primeiras
lutas, ao menos privando o Deus-Homem da sua realeza social, apoio necessário da Sua autoridade sobre as almas e
condição indispensável do seu reino universal sobre a humanidade.

Nestas três batalhas o Anticristianismo, para assustar e seduzir os servos de Jesus Cristo fez uso das mesmas
promessas e das mesmas ameaças; se é dito por eles que sustentando com uma firmeza muito absoluta os direitos
de Deus esses impediam o domínio da sociedade humana, e que esses, ao contrário, haveriam tirado toda sorte de
vantagens das sábias concessões feitas ao espírito dos tempos; ainda hoje se faz aos cristãos o mesmo discurso, com
a diferença que a recompensa das concessões que são requeridas não é mais o favor dos Césares quanto àquele da
opinião, sozinha a potência soberana no seio das sociedades modernas. Mas qualquer que seja a coisa que se faça,
não se chegará nem a assustar e nem a nos corromper; os favores e os anátemas da opinião encontraram todos os
verdadeiros cristãos igualmente imóveis quanto as promessas e as ameaças dos Césares; e nós defenderemos a
soberania social do Deus-Homem com igual firmeza de quanto lhe demonstraram os cristãos dos primeiros séculos
no confessar a sua divindade.

Fonte: Progetto Barruel

NOTAS:

[1] Corrispondenza di Grimm, carta de 1 de junho de 1772, citada pelo conde de Maistre no preâmbulo as Lettere
sull’Inquisizione spagnola. Este trecho foi eliminado pelas ultimas edições do Grimm.

[2] Mons. de Ségur no seu notável livro intitulado: A Liberdade, se exprime exatamente como nós sobre este
argumento: «Se aceitássemos as liberdades modernas como um fato que é consequência do nosso estado social,
mas sem erigí-lo em principio, seriamos liberais quanto ao Papa e a Chiesa.» (§ XXXVII, pag. 175.)

http://salveregina.altervista.org/blog/arquivos/1158#more-1158

El Padre Enrique Ramière


“La doctrina Liberal es, pues, en realidad la negación de la soberanía social de Jesucristo”. (La Soberanía Social de
Jesucristo, ed. Subirana, Barcelona, 1884, p. 19).

“Mas el liberalismo no es tan sólo contrario a la religión de Jesucristo por su origen y por sus consecuencias casi
inevitables; lo es también por su esencia. Además de proporcionar a los enemigos de la Iglesia armas para destruirla,
la ataca por sí mismo en sus más fundamentales dogmas. Basta, en efecto, examinar esta doctrina en su principio,
para comprender que niega los derechos soberanos de Jesucristo, declarando las sociedades temporales
independientes de su imperio. Según este principio, la sociedad civil es puramente terrena y no tiene en manera
alguna que ocuparse, ni directa ni indirectamente, en los derechos de la verdad ni de los intereses eternos, su único y
supremo fin es la felicidad temporal de sus miembros, y la razón su única guía”. (Ibídem, p.17-18).

DIREITO À VERDADE!
“O primeiro de todos os bens sociais é a verdade; e o mais precioso de todos os direitos, que os homens reunidos
em sociedade devem assegurar uns aos outros, é o direito de empregar sua inteligência para adquirir, conservar e
aumentar este tesouro.

(…)

Daqui, temos que concluir que não existe para o homem um interesse superior ao de adquirir a verdade. E ela é tão
necessária ao indivíduo para o cumprimento de seus mortais destinos, como indispensável para as sociedades
progredirem e existirem. A verdade é para eles o que é para um edifício a lei do equilíbrio, que mantém cada uma de
suas partes solidamente fixadas em seu lugar e unidas às demais partes. O equilíbrio das sociedades é tão somente o
resultado do devido respeito aos direitos e do livre cumprimento dos deveres.

(…)

Mas quem não vê que o respeito ao direito e o constante cumprimento do dever supõem um conhecimento dos
princípios sobre os quais um e outro se fundam? A verdade, empregada devidamente pela razão e pela fé, é a única
que pode colocar o homem no estado de dominar suas paixões egoístas, respeitar o direito, mesmo que seja
contrário a seu interesse, por mais que lhe imponha um sacrifício, e conservar deste modo a ordem da sociedade”.

(La soberania social de Jesucristo, ó Las Doctrinas de Roma acerca Del Liberalismo, P. H. Ramiére S.J., 1875,
Barcelona, Librería de La Viuda e Hijos de J. Subirana, p. 74.76).

Estar em estado de graça santificante é ter Deus


"Podemos imaginar a um paupérrimo junto a um imenso tesouro, sem que se faça rico por estar próximo dele, pois
o que faz a riqueza não é a proximidade, mas a posse do ouro. Tal é a diferença entre a alma justa e a alma do
pecador. O pecador, o próprio condenado, têm ao seu lado e em si mesmo o bem infinito e, não obstante,
permanecem em sua indigência, porque este tesouro não lhes pertence; ao passo que o cristão em estado de graça
tem em si o Espírito Santo, e com Ele a plenitude das graças celestiais como tesouro que lhe pertence em
propriedade e do qual pode usar quando e como lhe pareça.

Como é grande a felicidade do cristão! Que verdade, bem entendida por nosso entendimento, para alargar nosso
coração! Que influxo em nossa vida inteira se a tivéssemos constantemente ante nossos olhos! A persuasão que
temos da presença real do corpo de Jesus Cristo no cibório nos inspira o mais profundo horror à profanação desse
recipiente de metal. Que horror teríamos também à menor profanação de nosso corpo se não perdêssemos de vista
esse dogma de fé, tão certo como o primeiro, ou seja, a presença real em nós do Espírito de Jesus Cristo! É por
ventura o divino Espírito menos santo que a carne sagrada do Homem-Deus? Ou pensamos que dá Ele à santidade
desses recipientes de ouro e templos materiais mais importância que à santidade de seus templos vivos e
tabernáculos espirituais?"

Padre Enrique Ramièrie, S.J., El Corazón de Jesús y la divinización del Cristiano, págs. 216-217.

ENRIQUE RAMIÉRE, S. I. EL CORAZÓN DE JESÚS Y LA DIVINIZACIÓN DEL


CRISTIANO INTRODUCCIÓN
Et vita manifestata est, et vidimus, et testetmur, et annuntiamus vobis vitam aetemam, quae erat apud Patrem, et
apparuit nobis.—Quod vidimus et audivimus, annuntiamus vobis, ut et vos societatem habeatis nobiscum, et
societas nostra sit cum Patre, et cum Filio eius lesu Christo. (1 lo. I, 2, 3.) § 1. MENSAJE DIVINO ANUNCIADO AL
MUNDO POR LOS APÓSTOLES: LA DIVINIZACIÓN DE LOS HIJOS DE LOS HOMBRES POR EL HIJO DE DIOS HECHO
HOMBRE. Todos nosotros, uniéndonos a este Hijo único Io. V, 20, podemos llegar a ser, no sólo de nombre, sino
tam¬bién de hecho, hijos de Dios 1 Io. III, I. El mensaje, pues, que los Apóstoles estaban encargados de anunciar a
todos los pueblos de la tierra, y a todas las generaciones de la humanidad, es, como acabamos de oír, la divinización
de los hijos de los hombres, por medio del hijo de Dios hecho hombre. He ahí el se¬creto comunicado
confidencialmente al Discípulo amado mientras reposaba su cabeza en el Corazón del Salvador. No es, pues, de
maravillar que, admi¬tido hasta el santuario en donde el misterio se efec¬tuó, nos lo haya revelado más claramente
que los otros evangelistas; pues con más verdad que los otros puede decir: «La vida eterna que estaba en el seno de
Dios, la hemos visto y palpado», y venimos, como testigos de vista, a manifestaros sus resplan¬dores. § 2. ESCASO
NÚMERO DE LOS QUE COMPRENDEN ESTE MEN¬SAJE; LOS QUE LO ADMITEN, NO LO ACEPTAN EN TODA SU
MAGNIFICENCIA. Este mensaje notificado a todos los cristianos no es, por desgracia, cabalmente entendido sino por
muy pocos. No quieren creer que un Dios que ha padecido y muerto por ellos, les ame hasta el punto de hacerles
vivir de su vida y gozar de su propia felicidad.. § 3. MUCHOS CRISTIANOS, AUN DE LOS TENIDOS POR INSTRUÍDOS, LO
ENTIENDEN MAL. Elegid un cristiano, aun de los más piadosos e instruidos, y preguntadle cómo entiende la divina
adopción a la que ha sido elevado por el bautismo. Probablemente os responderá que él ve en eso una
misericordiosa ficción, análoga a la adopción que se usa entre los hombres. Semejante manera de concebir la
vocación del cristiano rebaja infinitamente su sublimidad. Han sido derramados en nuestros corazones los do¬nes
del Espíritu Santo, mas con ellos se nos ha dado realmente al mismo Espíritu Santo. No solamente estamos sobre
nuestra naturaleza, sino también so¬bre toda naturaleza; en una palabra, estamos real¬mente divinizados, somos
capaces de hacer actos verdaderamente divinos y de merecer una felicidad cuyo objeto es el mismo Dios. §6.
PROPÓNESE LA MATERIA DE LA PRESENTE OBRA: EL CORAZÓN DE JESÚS ES LA VIDA DEL CRSTIANO Si la función
propia del corazón es conservar la vida, no hay duda que nuestro muy amado Salva¬dor, exhortándonos a honrarle
bajo el emblema de su Divino Corazón, tuvo principalmente ante los ojos hacernos entender que Él era el principio
de nuestra vida sobrenatural. Ese es, en efecto, como en las siguientes páginas demostraremos, el verda¬dero
sentido de la devoción al Sagrado Corazón, y por eso precisamente se deriva esta devoción de la esencia misma de la
religión cristiana. ¿Qué nos enseña esta santa religión? Que, en vir¬tud de la Encarnación del Hijo de Dios, todos los
hombres están llamados a vivir una vida verdade¬ramente divina, cuyo principio es el Hombre-Dios, quien, después
de haberlos santificado en la tierra, les hará gozar en el cielo de la felicidad de Dios. Dogma capital, compendio de
todos los artículos de nuestra fe, sobre el cual se funda toda la moral cristiana, y cuya realización debe llevarse al
cabo mediante todos los ejercicios de nuestro culto. § 7. DOGMA SUBLIME, CAPITAL, CONSOLADOR, ALENTADOR...
Si esta unión real de nuestras almas con Nues¬tro Señor Jesucristo por el Espíritu de Dios, esta inhabitación
substancial del Divino Espíritu en nos¬otros, esta vida divina que nos ha sido dada en el Bautismo y aumentada por
los otros sacramentos, no son vanas palabras, antes al contrario, es la más real de las realidades, es evidente que no
hay entre los dogmas de la religión cristiana otro más sublime, consolador y digno de nuestra meditación. § 8.
DOGMA ENSEÑADO CON CLARIDAD E INSISTENCIA POR EL SEÑOR Y SUS APÓSTOLES. El misterio de nuestra unión
con Él es el tema principal del discurso que el divino Maestro dirige después de la cena a sus discípulos. Ha llegado el
momento de darles las últimas encomiendas, y de mostrarles su amistad, revelándoles todo lo que aprendió de su
Padre. Hasta entonces no les ha podido hablar sino en figuras; pero ahora les ha preparado, por medio de la
participación del sa¬cramento de su amor, para oír el gran secreto de su amor, para aprender que no son más que
una sola cosa con Él, y que la unión en la misma vida ha de llegar a ser tan íntima que se asemeje a la del Padre y del
Hijo en una sola naturaleza. § 9. CUAN BIEN ENTENDÍAN Y VIVÍAN ESTA DOCTRINA LOS ANTIGUOS CRISTIANOS. Los
escritos de los Padres más antiguos están llenos de esta doctrina. Pero, en el siglo iv sobre todo, fue desarrollada con
claridad incomparable, cuando el espíritu de mentira quiso oscurecer, con la herejía de Macedonio, el dogma de la
divinidad del Espíritu Santo. Los doctores que Dios suscitó para combatir esta herejía: San Basilio, San Gre¬gorio
Nacianceno, Dídimo de Alejandría y en es¬pecial San Cirilo, toman sus principales argumen¬tos de la presencia real
del Divino Espíritu en las almas, y de los efectos del todo divinos que en ellas obra. ¿Cómo, dicen ellos, uno que no
sea Dios podría deificar las almas, hacerlas vivir de una misma vida divina, por más separadas que estén las unas de
las otras? Y para demostrar la verdad de esta deificación que el Espíritu de Jesucristo produce en nosotros, sírvense
de las más vivas com¬paraciones. Ni la unión del vino con el agua, ni la del perfume con la tela por él penetrada, ni la
del fuego con el hierro inflamado y hecho ascua, ni la de dos trozos de cera juntamente fundidos, les pa¬rece
bastantemente íntima para dar a entender la intimidad y eficacia de la unión del Divino Espí¬ritu con el alma del
cristiano § 10. ACONTECIMIENTO QUE VA A RENOVAR LA IMPORTANCIA QUE ESTE DOGMA PARECÍA HABER
PERDIDO. OBS¬TÁCULO: EL JANSENISMO. Era a principios del siglo XVII. Disponíase Sata¬nás a dar un doble ataque
que debía sobrepujar en violencia a todas las pasadas luchas. Por una par¬te, quería, por medio del jansenismo,
destruir la piedad, exagerándola, y hacer imposible la unión del alma con Dios, trocando en desesperación la
humildad cristiana. Por otra, valiéndose del filo¬sofismo, intentaba destruir la fe y enaltecer tanto la razón del
hombre, que éste acabara por menos¬preciar la unión a la que su Dios le destinaba. Pre¬cisamente cuando va a
comenzar esta doble gue¬rra, revela Jesucristo a Santa Margarita María la devoción a su Divino Corazón, y hace
aparecer una valerosa falange de santos sacerdotes a quie¬nes da la misión de poner de manifiesto el dogma de su
unión con los cristianos. Hubo un momento en que se creyó con funda¬mento que el misterio del divino amor iba,
como foco ardiente, a irradiar sus abrasadores rayos so¬bre el clero francés entero, y por medio del clero sobre los
fieles, y por medio de Francia sobre todo el mundo cristiano. Mas ¡ay! Las tinieblas de la herejía vinieron pronto a
impedir la irradiación bienhechora; no sólo los fieles, sino también el cle¬ro y algunas Órdenes Religiosas se dejaron
conta¬minar con los nuevos errores. La doctrina tan católica de la inhabitación real del Espíritu Santo en las almas es
desacreditada por el abuso que de ella hace el jansenismo; el gran movimiento de renovación religiosa, cuyo
comien¬zo había visto el siglo XVII, apenas sobrevivió a sus promotores, y al cabo de un siglo, Francia casi no ejerce
más influjo en el mundo que el de su in¬credulidad. § 11. OBSTÁCULOS VENCIDOS. Sin embargo, el Corazón de Jesús
no ha sido vencido; y, si nuestra nación faltó hace dos siglos a su misión, ya reparará su felonía. No se arre¬piente
Dios de hacer beneficios, y cuando Él llama sabe hacerse obedecer. Ha llegado la hora en la que, la revelación hecha
a la bienaventurada hija de San Francisco de Sales, va a producir sus fru¬tos; y al mismo tiempo que la devoción al
Cora¬zón de Jesús, como germen largo tiempo escondido en el suelo, sale a flor de tierra y la cubre; la teo¬logía del
Corazón de Jesús aparece asimismo y es calurosamente acogida. El jansenismo está vencido; aunque la falsa
fi¬losofía tiene aún echadas muy hondas raíces en muchas inteligencias, no puede, sin embargo, de¬jar de ser un
conglomerado de sistemas y sofismas. Sólo nosotros, escritores católicos, hemos de pre¬sentar a las almas una
doctrina a la vez nueva y antigua, tan sabrosa para el corazón como luminosa para el entendimiento. Abracémosla
con el enten¬dimiento y también con el corazón. Amando, más aún que estudiando, se llega a comprenderla.
Ame¬mos, pues, y amemos cada día más; así entende¬remos mejor de día en día con cuánta verdad es el Corazón
de Jesús nuestra vida .

El Corazón de Jesús y la indisolubilidad del matrimonio


El encarnizamiento de los enemigos de Dios trabaja por destruir la indisolubilidad del matrimonio

Por: Padre Enrique Ramiére | Fuente: http://infocatolica.com


«Es de todos conocido el infernal encarnizamiento con que escritores y enemigos de Dios y de la sociedad trabajan
por socavar el edificio social, destruyendo la indisolubilidad del Matrimonio.

Con una fuerza de lógica que nos parece irresistible, se apoyan en la imposibilidad del hombre, dejado a sí mismo,
de cumplir las obligaciones de un estado que pide una constancia de voluntad y un imperio sobre las pasiones
superior a las fuerzas ordinarias de la naturaleza. Imposible refutar con éxito tal argumento, si se rechazan las
enseñanzas de Jesucristo y se sustrae el Matrimonio al influjo sobrenatural de la gracia. Demostrar que la
indisolubilidad del Matrimonio es una institución necesaria para la conservación de la familia y el verdadero
progreso de la sociedad, es fácil; pero esto no prueba que esté, en manos del hombre dejado a sí mismo, hacerlo.
¡Cuántas cosas necesarias no puede el hombre conseguir y conservar con sus propias fuerzas!

Estamos, pues, en presencia de uno de esos enigmas sociales cuya única solución está en el Corazón de Jesús;
solución sublime y consoladora en teoría y realizable en la práctica, como la constante experiencia de diecinueve
siglos lo ha ido demostrando. Lo que el corazón humano no puede encontrar en sí, la entrega perfecta a otro, la
abnegación, la fidelidad inviolable, la inalterable ternura, concédelo la caridad de Corazón de Jesús a los que se unen
a Él. ¡Gran Dios! ¿Es posible que la sociedad titubee todavía, después de tan largas experiencias, y en presencia de
peligros que, si profana el Matrimonio, le amenazan? ¿Es posible que, cuando el Vicario de Jesucristo le recuerda,
como en la célebre Encíclica de 8 de diciembre de 1864, las condiciones vitales del Matrimonio cristiano, rechace sus
saludables enseñanzas como un atentado contra el moderno progreso, en vez de recibirlas con agradecimiento?

Por lo menos nosotros, cristianos, sabemos qué hemos de pensar acerca de tan importante materia y entendemos
qué es el Matrimonio sin Jesucristo y con Jesucristo.

Sin Él, es una sociedad sin fundamento ni suficientes garantías de duración; yugo intolerable frecuentemente, y más
frecuentemente aún, asociación puramente exterior en la que ninguna parte toman los corazones. Con Él, el vínculo
sagrado que une los corazones y los purifica y santifica y aumenta sus fuerzas y mitiga sus dolores y acrecienta las
alegrías del hogar doméstico haciéndolas más meritorias y los prepara para gustar en el cielo las delicias de la unión
del Hijo de Dios con su Iglesia, cuya imagen viva es el mismo sacramento en este mundo».

Padre Enrique Ramière, El Corazón de Jesús y la divinización del cristiano, p.931.

En que se confirma por la Escritura y Santos Padres que la gracia nos diviniza
Así todo se entiende; y la vida divina, depositada al principio en el alma como en un imperceptible germen, se va
desenvolviendo poco a poco durante todo el periodo del crecimiento, hasta que llegado a la completa madurez,
produzca su fruto, que no es otro que la bienaventuranza del paraíso.

Por el contrario, si la gracia no fuera, como la gloria, una real participación de la naturaleza divina, habría manifiesta
desproporción entre el fin y los medios; el mérito sobrenatural no sería en manera alguna mérito y el mismo orden
sobrenatural no sería más que un desorden.

Y así las Sagradas Escrituras atribuyen a la gracia esta calificación. El justo de la tierra, como los bienaventurados del
cielo, es en realidad un ser divinizado, y su divinización es tan real y cierta, que los Santos Doctores se apoyan en ella
para demostrar la divinidad del Espíritu Santo que es su autor.

“¿No es de todo punto necesario, pregunta San Cirilo a los Arrianos, tener un poder superior al de una simple
criatura para deificar unos seres que su naturaleza nada tienen de divino? ¿Puede acaso concebirse una criatura de
deificadora? Solo Dios tiene este poder, y lo ejerce cuando, por medio de su Espíritu, comunica a las almas Santas lo
que sólo Él posee en propiedad”. “En virtud de esta comunicación, el hombre, que hasta entonces no vivía más que
una vida animal e irracional, comienza a vivir una vida superior, la vida divina”

Es ciertamente un segundo nacimiento. La primera existencia data del día en que un alma espiritual vino a animar a
su cuerpo; nace por segunda vez, cuando el Espíritu de Dios viene a vivificar su alma. Desde entonces hay en él dos
hombres que luchan el uno contra el otro, como Jacob y Esaú luchaban en el seno de Rebeca. El uno hijo del
hombre, Esaú, es mayor de edad; mas el otro, Jacob, hijo de Dios, heredero de la promesa, se esfuerza por suplantar
a su hermano. Como todos los hijos de Adán, el cristiano encuentra en sí mismo instintos carnal es que le inclinan a
la tierra; mas estas inspiraciones terrestres son combatidas por las inefables aspiraciones que le llevan sin cesar
hacia arriba y le hacen menosprecian todo lo que pasa.

Reunía hecha en sí, con maravillosa armonía, como pequeño mundo que era, todas las fuerzas que mueven el
inmenso universo, las físicas, químicas, vitales, espirituales; Dios completa su obra maestra, dándole, con su Espíritu,
fuerzas divinas.

Este Divino Espíritu, al venir a habitar el alma del cristiano, comunica a la inteligencia la mente de Dios, derrama en
el corazón la caridad de Dios, convirtiéndose en principio de todas sus tendencias y en el móvil de todas sus
acciones.

El animal se guía por el instinto, el hombre por el Espíritu de Dios. Por Él juzga de todo; por Él ora y lanza el cielo
gemidos inenarrables, a los cuales Dios no puede hacerse él sordo. El Divino Espíritu es para él como una segunda
memoria, y le sugiere oportunamente lo que le conviene. Él es su consejero, y le dirige interiormente de manera que
no le queda la menor duda de lo que debe hacer. Él es su inspirador y quién le pone en la boca lo que ha de decir.
Escondido en las profundidades de la naturaleza corruptible, como el germen viviente en medio del grano de trigo,
hace nacer la vida en el seno de la muerte; y, por un trabajo no interrumpido, modela y trasforma imagen de Dios el
alma que dócilmente se le somete.

No podemos, pues, dudar que, tanto en las fatigas de la prueba como en el delicioso reposo de la patria, la vida
sobrenatural es una vida verdaderamente divina. Vida que ciertamente no resulta de la identificación del ser creado
con él increado; que no supone tampoco, que el hombre subsista por una personalidad divina, sino tan sólo que obra
divinamente. Conserva toda su integridad su ser, su personalidad, sus propias facultades; mas se le añaden a ellas las
virtudes, que son como ciertas facultades sobrenaturales; con estas virtudes se une Dios mismo sustancialmente al
cristiano y le hace verdaderamente partícipe de su naturaleza.

Hay, pues, así en la gracia como en la gloria, algo creado y algo increado. Así como en el cielo las almas
bienaventuradas, iluminadas por los resplandores del Verbo de Dios, reciben en sí mismas una claridad que las hará
semejantes a este Divino sol y capaces de unirse a Él; así en la tierra, el alma, unida por la gracia al Espíritu Santo,
recibe en sí misma, ya por movimientos pasajeros, ya por cualidades permanentes, el influjo del Divino Espíritu. Más,
así como en el cielo el lumen gloriae no impide que la unión del alma con el Verbo de Dios sea inmediata, así, en la
tierra, la gracia creada no impide que el alma se una inmediatamente al Espíritu Santo.

Lo repetimos, y ¡ojalá lo entiendan bien todos los cristianos que le hieren estas páginas!; no, no es una vana
metáfora la divinización del hombre, que hemos visto como el fin de todo los planes del Creador en la actual
providencia. Es la más en real de todas las realidades. Los Santos Doctores que han recibido de Dios la misión
especial de combatir los errores relacionados con el Espíritu Santo, parece que no encuentran expresión bastante
enérgica y comparación suficientemente viva para hacernos palpar con las manos la intimidad de la unión, por la que
se comunica al alma justa.

Prueban ellos que si, en sentido verdadero de toda verdad, esta unión no fuera sustancial, no podría producir los
efectos que se le atribuyen. Debe, en primer lugar, librarnos de la muerte y llenar nuestro espíritu de vida; restaurar
en nosotros la imagen divina, borrada por el pecado, y principalmente hacernos hijos adoptivos de Dios.

Ahora bien, tales efectos no podrían adjudicarse, según estos Santos Doctores, a una gracia separada de la sustancia
misma del espíritu Santo. De donde concluyen que, sólo la presencia íntima del Espíritu Santo en nuestras almas,
puede hacernos disfrutar estas ventajas.

No niegan, ciertamente los Santos Doctores, que, al ajustar el divino Espíritu con el alma santa tan maravillosa unión,
produzca en ella actos y hábitos inherentes al alma misma, y por los cuales queda propiamente constituida en un
estado sobrenatural. Sólo los luteranos han osado decir que la justificación consistía en la simple aplicación de la
santidad de Dios, y no en un don Inherente al alma y por consiguiente creado como ella.

Por lo que a los Doctores católicos se refiere, verdad es que no han puesto jamás en duda que hay en el alma justa
una luz sobrenatural creada, que es la fe, y un amor sobrenatural creado que es la caridad; más lo que los Santos
Padres enseñan y hemos de admitir con ellos, es que la excelsa dignidad y exaltación de la naturaleza humana no
consiste tanto en la recepción de esos dones creados, por precisos que sean, cuánto todo en la posesión de la
persona misma del Espíritu Santo, que se une a sus dones, y por medio de ellos habita en nosotros, nos vivifica, nos
adopta, nos deifica y nos incita a toda clase de buenas obras.

Del libro “El Corazón de Jesús y la divinización del cristiano“, del Padre Enrique Ramière SJ