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Uma publicação da Igreja Batista da Lagoinha

1ª Edição: abril/2012

Transcrição:

Eva Vilma Leão R. Júlio

Copidesque:

Adriana Santos

Revisão:

Nicibel Silva

Capa e Diagramação:

João Paulo Fortunato


Introdução

As mensagens apresentadas neste livreto abor-


dam temas diferentes, porém o que Deus pode nos
falar por meio deles, certamente, nos trarão ensi-
namentos para a vida. Seja qual for a sua situação,
creio você será edificado com estas mensagens,
porque acima de tudo, elas contêm princípios de
Deus, e são eles que nos conduzem a uma vida feliz,
que glorifica ao Pai e nos tornam cristãos plenos.
Na primeira parte falo sobre restauração, to-
mando como exemplo a história de Manassés, apre-
sentada no livro de 2 Crônicas. Já a segunda parte
aborda a necessidade de ouvirmos a voz de Deus e

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sermos guiados por ela para termos paz. Então, que
o Espírito Santo fale ao seu coração, querido leitor,
levando por intermédio de tudo que está registrado
neste livro e fundamentado na Palavra de Deus, o
entendimento da verdade.
Boa leitura!

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Primeira parte

Vida
marcada pelo
recomeço

“Palavra do Senhor que veio a Jeremias, dizen-


do: Dispõe-te, e desce à casa do oleiro, e lá ouvirás
as minhas palavras. Desci à casa do oleiro, e eis que
ele estava entregue à sua obra sobre as rodas. Como
o vaso que o oleiro fazia de barro se lhe estragou na
mão, tornou a fazer dele outro vaso, segundo bem lhe
pareceu. Então, veio a mim a palavra do Senhor: Não
poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de
Israel? – diz o Senhor; eis que, como o barro na mão do
oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel.”
(Jeremias 18.1-6)

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Em Romanos, capítulo 9, versículo 21 ao 24, está
escrito:
“Ou não tem o oleiro direito sobre a massa, para do
mesmo barro fazer um vaso para honra e outro, para de-
sonra? Que diremos, pois, se Deus, querendo mostrar a
sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita
longanimidade os vasos de ira, preparados para a perdi-
ção, a fim de que também desse a conhecer as riquezas
da sua glória em vasos de misericórdia, que para glória
preparou de antemão, os quais somos nós, a quem tam-
bém chamou, não só dentre os judeus, mas também
dentre os gentios?”
A restauração não é algo que ocorre de manei-
ra instantânea, há um processo de modelagem, no
qual somos submetidos pelo Oleiro. Mas isso só pode
acontecer se reconhecermos a necessidade de sermos
restaurados e nos colocarmos nas mãos do Senhor.
Jesus sempre leva a sério a nossa intenção quando
entregamos a nossa vida em suas mãos, e se essa en-
trega for sempre absoluta, o resultado não se limitará
apenas a reconstruir um aspecto da nossa vida e sim
toda a nossa existência será restaurada.
Na Bíblia encontramos a história de um rei pie-
doso, pai de um filho muito conhecido, Manassés.

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Para quem não sabe, a história desse filho não é tão
linda quanto a de alguns homens da Escritura. Ele
foi ímpio, caiu desastrosamente por causa do peca-
do que cometeu, conforme nos conta o texto que
está em 2 Crônicas, capítulo 33, verso 1:
“Tinha Manassés doze anos de idade quando
começou a reinar e cinquenta e cinco anos reinou
em Jerusalém. Fez o que era mau perante o Senhor,
segundo as abominações dos gentios que o Senhor
expulsara de suas possessões, de diante dos filhos
de Israel. Pois tornou a edificar os altos que Eze-
quias, seu pai, havia derribado, levantou altares
aos baalins, e fez postes-ídolos, e se prostrou dian-
te de todo o exército dos céus, e o serviu. Edificou
altares na Casa do Senhor, da qual o Senhor tinha
dito: Em Jerusalém, porei o meu nome para sempre.
Também edificou altares a todo o exército dos céus
nos dois átrios da Casa do Senhor, queimou seus filhos
como oferta no vale do filho de Hinom, adivinhava pe-
las nuvens, era agoureiro, praticava feitiçarias, tratava
com necromantes e feiticeiros e prosseguiu em fazer o
que era mau perante o Senhor, para o provocar à ira.
Também pôs a imagem de escultura do ídolo que ti-
nha feito na Casa de Deus, de que Deus dissera a Davi

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e a Salomão, seu filho: Nesta casa e em Jerusalém, que
escolhi de todas as tribos de Israel, porei o meu nome
para sempre e não removerei mais o pé de Israel da
terra que destinei a seus pais, contanto que tenham
cuidado de fazer tudo o que lhes tenho mandado,
toda a lei, os estatutos e os juízos dados por intermé-
dio de Moisés. Manassés fez errar Judá e os moradores
de Jerusalém, de maneira que fizeram pior do que as
nações que o Senhor tinha destruído de diante dos fi-
lhos de Israel.”
E em 2 Reis, no capítulo 21, verso 16, diz: “Além
disso, Manassés derramou muitíssimo sangue ino-
cente, até encher Jerusalém de um ao outro extre-
mo, afora o seu pecado, com que fez pecar a Judá,
praticando o que era mau perante o Senhor.”
Em 2 Crônicas 33, verso 10, está escrito:
“Falou o Senhor a Manassés e ao seu povo,
porém não lhe deram ouvidos. Pelo que o Senhor
trouxe sobre eles os príncipes do exército do rei da
Assíria, os quais prenderam Manassés com gan-
chos, amarraram-no com cadeias e o levaram à
Babilônia. Ele, angustiado, suplicou deveras ao
Senhor, seu Deus, e muito se humilhou perante o
Deus de seus pais; fez-lhe oração, e Deus se tornou

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favorável para com ele, atendeu-lhe a súplica e o
fez voltar para Jerusalém, ao seu reino; então, re-
conheceu Manassés que o Senhor era Deus. Depois
disto, edificou o muro de fora da Cidade de Davi,
ao ocidente de Giom, no vale, e à entrada da Porta
do Peixe, abrangendo Ofel, e o levantou mui alto;
também pôs chefes militares em todas as cidades
fortificadas de Judá. Tirou da Casa do Senhor os
deuses estranhos e o ídolo, como também todos os
altares que edificara no monte da Casa do Senhor e
em Jerusalém, e os lançou fora da cidade. Restaurou
o altar do Senhor, sacrificou sobre ele ofertas pacíficas
e de ações de graças e ordenou a Judá que servisse ao
Senhor, Deus de Israel. Contudo, o povo ainda sacri-
ficava nos altos, mas somente ao Senhor, seu Deus.
Quanto aos mais atos de Manassés, e à sua oração ao
seu Deus, e às palavras dos videntes que lhe falaram
no nome do Senhor, Deus de Israel, eis que estão escri-
tos na História dos Reis de Israel. A sua oração e como
Deus se tornou favorável para com ele, todo o seu pe-
cado, a sua transgressão e os lugares onde edificou
altos e colocou postes-ídolos e imagens de escultura,
antes que se humilhasse, eis que tudo está na História
dos Videntes. Assim, Manassés descansou com seus

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pais e foi sepultado na sua própria casa; e Amom, seu
filho, reinou em seu lugar.”
“Senhor, fale ao coração deste leitor precioso. Que
os ouvidos dele sejam abertos somente para ouvi-lo,
para conhecer mais do teu amor, em nome de Jesus,
amém.”

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A alegria da
nova chance

Pode-se dizer que a história de Manassés se divi-


de em duas partes. Podemos chamar a primeira de
“vaso quebrado”, e a segunda de “restauração”. Na
primeira parte, Manassés foi um verdadeiro arsenal
de pecado, de maldades.
Vimos o texto bíblico, a afirmação de que ele foi
mau não somente diante dos homens; mas prin-
cipalmente perante o Senhor. Diante dos padrões
dos homens algo pode não ser mau, pode ser aceito
pela sociedade, pode ser comum, mas quem deter-

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mina o que é mau não são os homens. Uma nação
pode estabelecer uma lei pela qual o aborto é na-
tural, o casamento de homossexuais é algo natural,
mas o que conta não é o que os homens determi-
nam, é o que a Palavra de Deus mostra.
A conduta de Manassés foi um contraste em
relação à de seu pai, Ezequias, que foi um rei
piedoso, temente ao Senhor. A descrição que te-
mos do reinado e da vida de Manassés é muito
dura, pois representou a expressão do mais ver-
gonhoso paganismo. Endemoniado e perverso
provocou a ira de Deus e superou todos os limi-
tes de maldade. Manassés praticou todo tipo de
ocultismo, satanismo. Cometeu ritual até contra a
vida dos próprios filhos. Sua desobediência explíci-
ta fez com que a paciência do Senhor se esgotasse,
pois ninguém afronta a Deus. E diante de tudo o
que fez, ele poderia ter a chance de ser restaurado?
Teria outra oportunidade? Poderia ser liberto das
amarras impostas pelos assírios? Restituído? Diz o
texto que Manassés foi levado cativo para a Babilô-
nia e jogado no fundo de um presídio, submetido
às situações de humilhação. E é assim que aconte-
ce com todo aquele que desobedece a Deus, que

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não se submete a Ele, mas se entrega a uma vida
de afronta ao Criador. O que mais me surpreende
nas Escrituras é o milagre da restauração divina, nós
nunca vamos compreender o amor de Deus. Quan-
do olhamos para a história de Manassés, podemos
pensar que não haveria mais recuperação para ele,
mas esse é o pensamento humano. Deus não pensa
assim. Jamais. E quando conhecemos a misericór-
dia desse Deus, entendemos que Ele é Senhor, é o
Autor da história. Faz e refaz o vaso quebrado, pois
também é o Oleiro. O momento pode ser o pior na
vida de uma pessoa, ela pode se encontrar afunda-
da no lodo do pecado, mas Jesus Cristo estende a
mão e a oferece sua misericórdia, uma nova oportu-
nidade. Não importa quão baixo uma pessoa tenha
caído, não importa quão desgraçada tenha sido a
vida de alguém, se a pessoa estiver disposta a se
colocar nas mãos do Oleiro, Ele a restaurará. Deus
pega o barro e o coloca novamente sobre a roda
para restaurá-lo, mas há necessidade de alguns
passos que devemos considerar nesse processo
de restauração, uma atitude precisa ser tomada se
quisermos experimentar, como Manassés expe-
rimentou, a alegria da nova chance. Todo aquele

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que deseja ser reerguido por Jesus precisa levantar
e caminhar rumo a Jesus. E o primeiro passo nesse
processo de reconstrução é a restauração do desejo
e a disponibilidade de ouvir a voz de Deus. Apesar
de Manassés conhecer a Deus, ele se recusou a ou-
vir o que o Senhor lhe dizia. Seu pai o educou NO
caminho, mas ele se desviou, desprezou os ensina-
mentos que recebeu. Escolheu não ouvir a voz de
Deus, mas andar no caminho de morte. Descobrir o
momento em que se afastou da direção do Senhor
é essencial. É importante que a pessoa consiga de-
tectar a circunstância que a fez deixar de ouvir a
voz do Pai para ouvir a própria voz. E essa verdade
pode também ser constatada na história do profeta
Eliseu, conhecido por ter feito um machado flutuar.
Confira parte do texto:
“Sucedeu que, enquanto um deles derribava
um tronco, o machado caiu na água; ele gritou
e disse: Ai! Meu senhor! Porque era empresta-
do. Perguntou o homem de Deus: Onde caiu?
Mostrou-lhe ele o lugar. Então, Eliseu cortou um
pau, e lançou-o ali, e fez flutuar o ferro, e disse:
levanta-o. Estendeu ele a mão e o tomou.” (2 Reis
6.5-7)

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Note que o discípulo perguntou a Eliseu onde
havia caído o machado e não o motivo de o ma-
chado ter caído: “Onde caiu?” Isso nos remete ao
texto que está no livro de Apocalipse: “Lembra-te,
pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das
primeiras obras.” (Apocalipse 2.5) O profeta tomou
um madeiro que é o símbolo da cruz, jogou-o exa-
tamente no mesmo lugar onde o machado havia
caído, e logo a ferramenta flutuou. Foi um milagre
que somente Deus pode realizar. Fazer um ferro flu-
tuar não é ação humana, jamais.
Agora eu lhe pergunto: “Onde você caiu?” em
outras palavras: O que afastou você de Deus? Em
que momentos ou circunstâncias de sua vida você
deixou de ouvir ou obedecer a voz do Senhor? Por
favor, não responda dizendo que é impossível vol-
tar a ter comunhão com o Eterno Deus, ter uma
vida de santidade e obediência ao Senhor. Observe
que o machado estava no fundo do rio, o peso e a
velocidade das águas o impediam de flutuar, mas
o madeiro, símbolo da cruz, o atraiu. Jesus disse
em João 12.32: “E eu, quando for levantado da terra,
atrairei todos a mim mesmo.” Jesus Cristo não falou
que iria atrair os santos, os sãos, porque estes não

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precisam de médico. Acredito que Ele se referia,
principalmente, aos doentes, que estão com a vida
arruinada, desgraçada, que acham que não há mais
esperança. Deus fez o milagre da recuperação do
machado e deseja sempre fazer o milagre da res-
tauração das vidas.
O segundo passo no processo de reconstrução é
a restauração da oração, nos versos 12 e 13, do tex-
to de 2 Crônicas 33, lemos: “Ele (Manassés, no fundo
do cárcere cheio de correntes), angustiado, suplicou
deveras ao Senhor seu Deus e muito se humilhou pe-
rante o Deus de seus pais, fez-lhe oração.” Ele deixou
de lado a autossuficiência e orou a Deus. Manassés
precisou se colocar nas mãos do oleiro, ir novamen-
te para a roda. A figura da roda pode remeter à mes-
mice, monotonia, o fazer tudo novamente, porém
não é bem assim. No livro de Juízes temos a narra-
ção sobre o que Sansão passou ao ser preso após
ter sido traído por Dalila. Ele foi levado para Gaza
e o prenderam com correntes de bronze. O coloca-
ram para trabalhar na prisão, virando um moinho.
Mas foi nesse tempo de “ir para a roda”, amassar
barro, dar voltas, que o cabelo voltou a crescer (veja
Juízes 16).

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Manassés estava com o coração muito endure-
cido, resistente a ação de Deus, e foi preciso passar
por momentos duros, difíceis no cativeiro para que
ele se arrependesse do seu orgulho, para que recor-
resse a Deus na sua prisão. A angústia tomou conta
do coração de Manassés, ele orou e Deus se tornou
favorável para com ele. Toda oração é respondida
com “sim” ou com um “não”, e tanto o sim como
não, vindos de Deus, é o melhor, sempre. Será que
Deus o odiava? Não, Deus sempre o amou, a des-
peito de todas as afrontas houve o amor do Senhor.
Tanto que Deus “atendeu-lhe a súplica e o fez voltar
para Jerusalém, ao seu reino; então, reconheceu Ma-
nassés que o Senhor era Deus”. (2 Crônicas 33.13)
Guarde essa verdade dentro do coração: não im-
porta qual seja a sua situação. Se você, verdadeira-
mente, se humilhar diante dele, a graça e misericórdia
do Senhor restaurarão a sua vida. Manassés se humi-
lhou. Está registrado na Bíblia que algumas pessoas
quando são repreendidas endurecem a cerviz (parte
posterior da cabeça, compreendendo a nuca e o pes-
coço), e são quebrantadas, quebradas sem que haja
cura – os textos de 2 Reis 17.14 e Neemias 9.17 falam
um pouco sobre isso. Muitos sabem dessa verdade,

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mas escolhem continuar afrontando ao Senhor; en-
tretanto, isso pode não durar para sempre e chegará
o momento em que Deus dará um basta.

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A disposição
de mudar

Junto ao reconhecimento da restauração é ne-


cessário disposição de voltar, de mudar, tal como
fez o filho pródigo de Lucas 15, a partir do verso 11.
Ele escolheu voltar, ficar junto do pai. Não decidiu
ser um visitante, mas sim permanecer em casa. Nin-
guém deve apenas olhar para as rachaduras que
tem no vaso. Deve, essencialmente, se concentrar
na maravilhosa graça do Pai e saber que Ele tem um
projeto para a vida.
O processo de reabilitação de Manassés não
terminou com a ação da restauração divina, depois
que ele foi restaurado por Deus teve que restaurar a

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si mesmo. Muitas pessoas que experimentam a res-
tauração em Deus creem que o processo termina
quando a restauração ocorre, e quando isso acon-
tece, o resultado não é nada bom, porque pouco
tempo depois as pessoas se tornam piores do que
eram. É fundamental compreender que quando
a ação de restauração de Deus sobre a nossa vida
termina, começa a nossa parte. Vou chamar a nossa
ação de restauração e a terceira parte, de restaura-
ção do muro. No versículo 14 lemos: “Depois disto,
edificou o muro fora da cidade de Davi, ao ocidente
de Giom, no vale, e à entrada da Porta do Peixe, abran-
gendo Ofel, e o levantou mui alto; também pôs chefes
militares em todas as cidades fortificadas de Judá.”
Tomemos este exemplo, Deus restaurou Manassés
e os muros, estes falam de proteção, logo não po-
dem ter buracos, brechas, não podem dar lugar ao
diabo, conforme aprendemos na Palavra (Efésios
4.27). A palavra de Deus diz: “Não deis lugar ao dia-
bo”, nós precisamos dessa muralha à nossa volta.
Precisamos reconstruir os muros, só Deus pode tra-
zer perdão, mas nós precisamos reconstruir a nossa
vida, fazer muros em volta como Manassés fez, bem
altos, no mundo espiritual. Precisamos ser cercados

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de irmãos que estejam orando por nós, pessoas as
quais estaremos dando conta da nossa vida. Cada
irmão deve estar em uma Célula, pois nesses gru-
pos há pessoas, como o líder, por exemplo, que ora,
intercede pela vida de cada integrante. Mas é preciso
que a pessoa reconstrua os muros. Isso vale para qual-
quer área da vida, e a sentimental é uma delas. Muitos
casais experimentam dias maus no casamento, em
que tudo parece estar desfacelado, mas pela bondade
e misericórdia de Deus a reconciliação acontece; con-
tudo, esta não pode ser vista como o final, como se
tudo estivesse resolvido. O cuidado com os muros é
essencial, pois do contrário, a reconciliação pode du-
rar apenas pouco tempo. Manassés entendeu o quan-
to era importante cuidar dos muros após experimen-
tar a intervenção miraculosa de Deus e “restaurou o
altar do Senhor, sacrificou sobre ele ofertas pacíficas e de
ações de graças e ordenou a Judá que servisse ao Senhor,
Deus de Israel”. (versículo 16) Depois de reconstruir os
muros, ele restaurou o altar. Não espere apenas que
Deus dê a você a vontade de orar, a vontade de ler a
Bíblia, a vontade de adorar, a vontade de congregar,
nós não nos movemos por desejos ou sensações. Ter
comunhão com Deus não é uma questão apenas de

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desejo, mas começa com um exercício da nossa von-
tade, algo que temos que escolher. Precisamos querer.
No Velho Testamento, há um texto que diz que o fogo
arderá continuamente no altar e não se apagará; en-
tretanto, o sacerdote tinha que levar a lenha. Por isso
Manassés retirou da Casa do Senhor os deuses estra-
nhos e os ídolos, como também todos os altares do
monte da Casa do Senhor em Jerusalém, os lançou
fora da cidade, no lixo e restaurou o altar do Senhor
(verso 16). Deus não precisa de ninguém para realizar
a obra dele; porém, Ele nos dá algumas responsabili-
dades, como a de restaurar o altar.
Quando o altar foi restaurado, Manassés restaurou
a sua entrega, a sua oferta, ele apresentou sacrifícios
de ofertas. Lamentavelmente, muitos não entendem
a importância que a oferta tem para as suas vidas, eles
acham que as ofertas são simplesmente utilizadas nas
despesas da igreja, mas na realidade, a oferta consiste
em adoração e louvor. Manassés entendeu isso e ofe-
receu ofertas de ações de graças, ele restaurou o lou-
vor. Não deixe de restaurar a sua vida de louvor a Deus,
pois Ele sempre lhe manterá saudável. Cuide-se! Saiba
que ociosidade na vida cristã é o espaço que o inimigo
necessita para começar a obra dele.

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Segunda parte

A Voz de Deus

Deus tem o melhor para os que têm o coração


convertido a Ele, o temem, que são guiados pela
Palavra, pelo evangelho genuíno. Fique atento, pois
se nós, pastores ou anjos vindos do céu, pregarmos
um evangelho que vá além do que está na Bíblia,
seja anátema, maldição. Não seja destruído por fal-
ta de conhecimento. Não se deixe levar por falsas
doutrinas. Estude e medite nas Escrituras, sempre.
Entenda que não há comunhão entre luz e trevas,
entre um morto e um vivo.
Oro para que nesta hora cadeias e conceitos
sejam quebrados, e que você, leitor amado, receba
a unção de Deus sobre a sua vida. Que você possa
tomar posse da bênção e da oração:

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“Pai Santo, queremos louvá-lo e bendizê-lo. Ora-
mos pela tua Palavra, não estamos vazios de fé, in-
crédulos, mas ao contrário, oramos com toda fé, com
toda certeza e segurança de que os olhos do Senhor
estão sobre nós. Desejamos o que o Senhor tem para
nós. Que as nossas escolhas sejam feitas no discerni-
mento da tua Palavra em obediência à tua vontade.
Pedimos a cobertura do sangue de Jesus, a graça do
Senhor para que sejamos firmes e verdadeiros na deci-
são que tomarmos. Que sejam dissipados, dissolvidos
do nosso coração e da nossa mente valores errados e
experiências negativas, para a glória do Senhor Jesus,
amém.”
A fonte principal de direção de Deus na nos-
sa vida é a Palavra, por isso você precisa ler a Bí-
blia. Deus fala conosco por meio dela e do ho-
mem interior – que é o nosso espírito. Dentro
dele há uma parte que Deus colocou para nos
guiar, que é a consciência, a qual faz parte do
espírito do homem. Todo ser humano tem espí-
rito e é o que nos faz ser diferentes dos animais.
Ele também é a parte divina que chega à nossa
vida, fomos criados à imagem do Senhor. Exis-
te dentro do homem um DNA espiritual que é

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a própria característica de Deus. Em Romanos,
capítulo 2, versículos 14, 15 e 16, está escrito:
“Quando, pois, os gentios, que não têm lei, pro-
cedem, por natureza, de conformidade com a lei,
não tendo lei, servem eles de lei para si mesmos. Es-
tes mostram a norma da lei gravada no seu coração,
testemunhando-lhes também a consciência e os seus
pensamentos, mutuamente acusando-se ou defen-
dendo-se, no dia em que Deus, por meio de Cristo Je-
sus, julgar os segredos dos homens, de conformidade
com o meu evangelho.”
Ninguém pode desejar viver guiado apenas
pela consciência, fora dos padrões da Palavra de
Deus. A causa de algumas pessoas darem “cabeça-
das” na vida é a consciência maculada (manchada).
No jardim do Éden não tinha Bíblia, mas quando
o homem pecou, a primeira coisa que ele fez foi
esconder-se, fugir da presença de Deus porque a
consciência o acusava. E é isso que a consciência
faz, ela começa a acusar, mas pelo fato de a pessoa
não dá ouvidos, ela vai se cauterizando. A consci-
ência pode ser cauterizada, anestesiada. A Bíblia diz
que um abismo chama outro abismo (Salmo 42.7),
ou seja, a pessoa peca uma vez, não se arrepende,

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peca de novo e não se arrepende, essas atitudes
indicam uma consciência cauterizada. Aquele que
escolhe viver segundo o evangelho de Jesus Cristo,
tem a consciência restaurada e passa a ter uma sen-
sibilidade apurada pelo fato de estar sendo guiado
pelo Senhor por meio das Escrituras e pela voz de
Deus falando ao interior dele. Deus pode nos fa-
lar por meio das autoridades que Ele coloca sobre
nossa vida, por isso enfatizamos que todos devem
participar de um grupo de crescimento, uma Célu-
la, em que há um líder para acompanhá-lo. A Bíblia
diz de forma muito clara que na multidão dos con-
selheiros você é guiado e tem paz. Quando você é
pressionado a tomar uma decisão imediata e pre-
cisa dar uma resposta no dia posterior, pois se não
o fizer irá perder a oportunidade, “deixe para lá”,
não seja guiado por pressão porque sua decisão
será precipitada. Toda direção do Senhor, toda voz
que ouvimos precisa de confirmação e esta pode
vir por intermédio de sonhos, visões, profecias, vi-
sitação de anjos, de circunstâncias, de sinais e até
mesmo pela música, e principalmente pela paz, que
é o árbitro do coração. Tudo o que é feito ou estar
para fazer, mas não traz paz, não é da vontade de

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Deus. Seja o que for, uma compra, viagem, passeio,
uma decisão qualquer, busque primeiramente ou-
vir a Deus. “Seja a paz de Cristo o árbitro em vosso
coração, à qual, também, fostes chamados em um
só corpo; e sede agradecidos.” (Colossenses 3.15) No
futebol, o árbitro é um juiz, o qual segundo o site
Brasil Profissões “coordena a atuação durante o jogo,
e por meio do apito anuncia tanto o início como o fi-
nal da partida, além de fazer cumprir as regras do es-
porte, como a cobrança de faltas, pênaltis, expulsão,
escanteio, entre outros. Sua atuação é fundamental e
sem ela, o jogo não se inicia.” Veja a importância dele
numa partida de futebol, podemos fazer uma com-
paração, mesmo que pareça estranha, da paz com
esse profissional, pois sem ele não há jogo. Sem a
paz de Cristo, não há “jogo” também. Não faça nada
sem ela. Sinta-a, porque o nosso Deus não é Deus
de confusão ou perturbação. Lance fora tudo aqui-
lo que não traz paz. Em Filipenses, capítulo 4, verso
7, está escrito: “E a paz de Deus, que excede todo o
entendimento, guardará o vosso coração e a vossa
mente em Cristo Jesus.” Não procure ser precipitado
em nada, mesmo que as circunstâncias sejam con-
trárias. Se você não sente paz não tome nenhuma

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decisão. Muitas vezes agimos pela esperteza, pelas
vantagens, mas depois acontece uma explosão, o
preço pago é alto demais. No livro de João, capítulo
14, versículo 27, está registrado: “Deixo-vos a paz, a
minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mun-
do. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.”
Não sei se você conhece a história de um cris-
tão que tirou da dor um cântico de louvor ao Se-
nhor. Ele vivenciou um sofrimento inimaginável,
somente ele e Deus sabem a dimensão do que se
passou. Mas esse nosso amado irmão tinha a paz
de Cristo, que excede verdadeiramente todo en-
tendimento. Paz que acontece mesmo diante do
sofrimento e que não sei como explicá-la, aliás,
não há muita explicação... Pois bem, esse homem
planejava viajar com a esposa e filhas para a Eu-
ropa, mas devido a compromissos de negócios,
ele precisou permanecer em Chicago, mas enviou
a esposa e as filhas, conforme estava programado,
depois iria encontrá-las. Porém, poucos dias após
o embarque, o navio em que estavam naufragou
e as filhas morreram. Sua esposa sobreviveu e lhe
enviou um telegrama que dizia: “Salva, porém só”.
Você consegue imaginar o que ele passou? A dor

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que sentiu? Será que diria ao menos uma frase da
canção que ele compôs? Entretanto, em meio a
todo sofrimento, ele estava sustentado por Deus,
teve a certeza que o Dono da Vida estava ao seu
lado e então pôde cantar que em Jesus encontrou
força e paz:

“Se paz a mais doce me deres gozar,


Se dor a mais forte sofrer;
Oh, seja o que for, Tu me fazes saber
Que feliz com Jesus hei de estar.
Embora me assalte o cruel Satanás,
E ataque com vis tentações,
Oh, sim certo estou, mesmo em tais provações, Em Je-
sus acharei força e paz.
Sou feliz com Jesus!
Sou feliz com Jesus,
Meu Senhor!
Jesus meu Senhor, ao morrer sobre a cruz
Livrou-me da culpa e do mal;
Salvou-me Jesus, oh, mercê sem igual!
Sou feliz, hoje vivo na luz.
A vinda eu anseio do meu Salvador;
Em breve virá me buscar;

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E então lá no céu vou pra sempre morar,
Com remidos na luz do Senhor.”
Creio que esse homem apaixonado por Jesus viveu
a realidade do Salmo 30, versículo 11 e 12, ao expe-
rimentar tal sofrimento: “Converteste o meu pranto
em folguedos; tiraste o meu pano de saco e me cingis-
te de alegria, para que o meu espírito te cante louvores
e não se cale. Senhor, Deus meu, graças te darei para
sempre.”
O exemplo de vida do irmão que acabei de ci-
tar ensina que com Jesus é possível recomeçar. Ele
recomeçou após a morte porque a paz de Cristo,
imensurável, tomou conta de seu coração e lhe deu
a certeza que Nele tudo é possível, até mesmo a su-
peração de sofríveis perdas. Mas talvez você tenha
que recomeçar após decisões, escolhas erradas que
fez. Quero que saiba que a nossa vida é marcada pe-
los recomeços; se você quiser ter a verdadeira paz
e ouvir a Deus, Ele vai guiá-lo em tudo e em todo o
tempo. Você não precisa viver dando “cabeçadas”,
sofrendo consequências pela falta de orientação.
Decida agora mesmo ser orientado pelo Senhor
por meio da Palavra dele, a Bíblia. Arrependa-se pe-
las vezes que caminhou segundo a orientação do

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mundo, de acordo com a sua opinião ou de amigos
e parentes que não têm Jesus Cristo como Senhor
e Salvador de suas vidas. Recomece louvando ao
Senhor e testemunhando Cristo àqueles que estão
perdidos. Mostre a eles que Jesus é o único Deus
verdadeiro. Que Ele é o Príncipe da Paz, e por causa
dele podemos nos alegrar nos sofrimentos, os quais
produzem paciência, que traz a aprovação de Deus,
e essa aprovação cria a esperança. E essa esperança
não nos deixa decepcionados (Romanos 5.3-5).

Deus abençoe!

Márcio Valadão

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JESUS TE
AMA E QUER
VOCÊ!

1º PASSO: Deus o ama e tem um plano


maravilhoso para sua vida. “Porque Deus amou
o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigê-
nito, para que todo o que nele crê não pereça, mas
tenha a vida eterna.“ (Jo 3.16.)

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2º PASSO: O Homem é pecador e está
separado de Deus. “Pois todos pecaram e ca-
recem da glória de Deus.“ (Rm 3.23b.)

3º PASSO: Jesus é a resposta de Deus,


para o conflito do homem. “Respondeu-lhe
Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida;
ninguém vem ao Pai senão por mim.“ (Jo 14.6.)

4º PASSO: É preciso receber a Jesus em


nosso coração. “Mas, a todos quantos o rece-
beram, deu-lhes o poder de serem feitos filhos
de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome.“
(Jo 1.12a.) “Se, com tua boca, confessares Jesus
como Senhor e, em teu coração, creres que Deus
o ressuscitou dentre os mortos, será salvo. Porque
com o coração se crê para justiça e com a boca
se confessa a respeito da salvação.” (Rm 10.9-10.)

5º PASSO: Você gostaria de receber a


Cristo em seu coração? Faça essa oração
de decisão em voz alta: “Senhor Jesus eu pre-

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ciso de Ti, confesso-te o meu pecado de estar
longe dos teus caminhos. Abro a porta do meu
coração e te recebo como meu único Salvador
e Senhor. Te agradeço porque me aceita assim
como eu sou e perdoa o meu pecado. Eu desejo
estar sempre dentro dos teus planos para mi-
nha vida, amém”.

6º PASSO: Procure uma igreja evangé-


lica próxima à sua casa.
Nós estamos reunidos na Igreja Batista da
Lagoinha, à rua Manoel Macedo, 360, bairro
São Cristóvão, Belo Horizonte, MG.
Nossa igreja está pronta para lhe acom-
panhar neste momento tão importante da
sua vida.
Nossos principais cultos são realizados
aos domingos, nos horários de 10h, 15h e
18h horas.
Ficaremos felizes com sua visita!

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Uma publicação da Igreja Batista da Lagoinha

Gerência de Comunicação

Rua Manoel Macedo, 360 - São Cristóvão

CEP: 31110-440 - Belo Horizonte - MG

www.lagoinha.com

Twitter: @Lagoinha_com

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