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Instituto Educacional Politécnica – INEPI – Saúde da Criança

Centro de Ensino Profissional e Estudos Avançados de Formosa da Serra Negra – CESPEAFSN


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Acadêmico (a):

Professor (a):

Curso: Técnico em Enfermagem

Cidade: ____________________________________________________ UF: _______

Data: _____ / _____ / _______

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POLÍTICA NACIONAL DE ATENÇÃO INTEGRAL À SAÚDE DA CRIANÇA
O Brasil assumiu, na Constituição Federal de 1988, a garantia do direito universal à saúde, com a criação
do Sistema Único de Saúde (SUS) e, em 1990, a proteção integral da criança, com o advento do Estatuto da
Criança e do Adolescente (ECA). Além disso, ratificou os mais importantes pactos, tratados e convenções
internacionais sobre os direitos humanos da criança.
Desde então, a saúde da criança vem apresentando melhora significativa. O país conquistou grande
diminuição nas taxas de mortalidade infantil (menores de 1 ano) e de mortalidade na infância (menores de 5 anos).
Também se observa admirável controle da morbimortalidade por doenças imunopreveníveis e diarréia, grande
diminuição dos índices de desnutrição e melhora crescente nos indicadores de aleitamento materno.
Apesar dos avanços nos indicadores de saúde infantil e dos investimentos nas políticas públicas federais
voltadas à saúde da criança, como a Rede de Atenção à Saúde Materna, Neonatal e Infantil (Rede Cegonha), o
Programa Intersetorial Brasil Carinhoso e o Programa Criança Feliz, fica evidente a necessidade de ampliar o
enfrentamento das iniquidades relacionadas às condições de saúde e, ao mesmo tempo, universalizar todos os
avanços para grupos de maior vulnerabilidade, tais como as crianças indígenas, quilombolas, ribeirinhas, com
deficiências e as com doenças raras, além de garantir não só a sobrevivência, mas o desenvolvimento integral de
todas as crianças, condição essencial para o exercício da cidadania e a garantia do desenvolvimento nacional,
bem como para o cumprimento dos compromissos do país diante das metas dos objetivos de desenvolvimento
sustentável (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, 2015).
Frente a desafios tão complexos e plurais e visando à qualificação das estratégias e ações voltadas à
Saúde da Criança na agenda da saúde pública brasileira, nas esferas federal, estadual e municipal, mostrou-se
necessária a elaboração de uma Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança (Pnaisc) que venha
de encontro ao pleito de entidades da sociedade civil e militantes da causa dos direitos da criança e do
adolescente, como a Rede Nacional da Primeira Infância (RNPI), a Pastoral da Criança, o Conselho Nacional dos
Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), além de organismos internacionais como o Fundo das Nações
Unidas para a Infância (Unicef) e a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).
A elaboração da Pnaisc foi fruto de amplo e participativo processo de construção coletiva, com início no
ano de 2012, participaram da sua formulação especialistas em Saúde da Criança, representantes das
Coordenações de Saúde da Criança das Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde das Capitais, o Conselho
Nacional dos Secretários de Saúde Estaduais (Conass) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de
Saúde, além do envolvimento da Pastoral da Criança e da Rede Nacional pela Primeira Infância (RNPI), entre
outras instituições da sociedade civil.
Culminando este longo trabalho coletivo, de debate técnico e articulação política interfederativa, a Pnaisc
passou por discussão e aprovação no Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) e
no Conselho Nacional de Saúde (CNS), bem como por pactuação na Comissão Intergestores Tripartite (CIT), após
intenso diálogo com o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, possibilitando que, finalmente,
em 5 de agosto de 2015, fosse publicada a Portaria GM/MS n.º 1.130, de 5 de agosto de 2015, instituindo a
Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança (Pnaisc).
A Pnaisc está estruturada em princípios, diretrizes, eixos estratégicos e objetivos.
Os princípios que orientam esta política afirmam a garantia do direito à vida e à saúde, o acesso universal
de todas as crianças à saúde, a equidade, a integralidade do cuidado, a humanização da atenção e a gestão
participativa. Propõe diretrizes norteadoras para a elaboração de planos e projetos de saúde voltados às crianças,
como a gestão interfederativa, a organização de ações e os serviços de saúde ofertados pelos diversos níveis e
redes temáticas de atenção à saúde; promoção da saúde, qualificação de gestores e trabalhadores; fomento à
autonomia do cuidado e corresponsabilização de trabalhadores e familiares; intersetorialidade; pesquisa e
produção de conhecimento e monitoramento e avaliação das ações implementadas.
OBJETIVO
A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança tem por objetivo: Promover e proteger a saúde
da criança e o aleitamento materno, mediante a atenção e cuidados integrais e integrados, da gestação aos 9
(nove) anos de vida, com especial atenção à primeira infância e às populações de maior vulnerabilidade, visando à
redução da morbimortalidade e um ambiente facilitador à vida com condições dignas de existência e pleno
desenvolvimento (BRASIL, 2015b, art. 2º).
PRINCÍPIOS
Esta Política é orientada pelos seguintes princípios:
1. Direito à vida e à saúde; 5. Equidade em saúde;
2. Prioridade absoluta da criança; 6. Ambiente facilitador à vida;
3. Acesso universal à saúde; 7. Humanização da atenção;
4. Integralidade do cuidado; 8. Gestão participativa e controle social.
DIRETRIZES
As diretrizes da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança (Pnaisc) devem ser observadas na
elaboração dos planos, dos programas, dos projetos e das ações de saúde voltadas para a criança, a seguir:
1. Gestão interfederativa das ações de saúde da criança;
2. Organização das ações e dos serviços na rede de atenção;
3. Promoção da Saúde;
4. Fomento à autonomia do cuidado e da corresponsabilidade da família;
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5. Qualificação da força de trabalho do SUS;
6. Planejamento e desenvolvimento de ações;
7. Incentivo à pesquisa e à produção de conhecimento;
8. Monitoramento e avaliação;
9. Intersetorialidade (BRASIL, 2015).
EIXOS ESTRATÉGICOS DA PNAISC
Os avanços no acesso universal às políticas de saúde para a população brasileira são inquestionáveis,
porém a mortalidade infantil – notadamente o componente neonatal – e na infância persistem em níveis acima do
aceitável, especialmente em algumas regiões do país.
Além disso, novos desafios apresentam-se como resultante dos contextos de mudanças sociais,
econômicas e demográficas, da transição epidemiológica, das situações de vulnerabilidades sociais, como os
acidentes, as violências, os desastres e as calamidades, o acesso ao uso de álcool e drogas por crianças.
Outro desafio é em relação ao reconhecimento e à afirmação dos direitos relacionados à diversidade
cultural e especificidades de crianças com deficiências, indígenas, negras, quilombolas, ciganas, população rural e
das águas, crianças em situação de rua, em serviços de acolhimento, filhos e/ou filhas de mulheres no sistema
prisional e crianças de famílias onde há situação de uso abusivo de álcool ou outras drogas. Ainda se colocam os
desafios dos processos de medicalização da vida, desde o parto e nascimento, passando pela patologização das
dificuldades escolares, de terceirização do cuidado com a criança, do bullying no ambiente escolar, entre outros.
Para superar tamanhos desafios e para qualificar a Atenção Integral à Saúde da Criança nesses contextos,
a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança (Pnaisc) estrutura-se em sete eixos estratégicos, a
seguir relacionados:
1. Atenção humanizada e qualificada à gestação, ao parto, ao nascimento e ao recém-nascido.
2. Aleitamento materno e alimentação complementar saudável.
3. Promoção e acompanhamento do crescimento e do desenvolvimento integral.
4. Atenção integral a crianças com agravos prevalentes na infância e com doenças Crônicas.
5. Atenção integral à criança em situação de violências, prevenção de acidentes e promoção da cultura de paz.
6. Atenção à saúde de crianças com deficiência ou em situações específicas e de Vulnerabilidade.
7. Vigilância e prevenção do óbito infantil, fetal e materno. (BRASIL, 2015b, art. 6º).
POLÍTICAS E PROGRAMAS DE SAÚDE VOLTADOS À CRIANÇA BRASILEIRA
Nas primeiras décadas do século XX os programas nacionais eram direcionados preferencialmente a
grupos de risco e mais vulneráveis, gestantes e crianças, de alcance limitado e verticalizado. As primeiras
iniciativas, mais sistematizadas, de programas direcionados à criança ocorreram no final dos anos 60 quando foi
criado o Programa de Saúde Materno-Infantil (PSMI). O PSMI, tipicamente direcionado ao cuidado de grupo
populacional vulnerável, coexistia com outros programas destinados ao controle de patologias, sem a consequente
e necessária articulação entre as suas ações estratégicas.
No Brasil, nestas duas décadas que antecederam a Constituição Federal de 1988, foram adotadas
importantes iniciativas para a melhoria da saúde e redução da mortalidade infantil e na infância, entre as quais se
destaca o Programa Nacional de Imunizações (PNI), instituído em 1973, com a ampliação da cobertura vacinal
média da população, em especial das crianças. Em 1981 o Programa Nacional de Incentivo ao Aleitamento
Materno (Pniam), para induzir um conjunto de ações relacionadas à promoção, à proteção e ao apoio ao
aleitamento materno.
Na sequência, em 1984, foi criado o Programa de Assistência Integral à Saúde da Criança (Paisc), que
priorizava as crianças pertencentes a grupos de risco, ao mesmo tempo em que buscava qualificar a assistência,
aumentar a cobertura dos serviços de saúde e incentivar as ações de promoção da saúde de forma integral. Foi,
sem dúvida, um grande marco para o desenvolvimento da saúde da criança em muitos aspectos.
Nos anos 90, a proposta do Programa de Saúde da Família (PSF) e do Programa de Agentes
Comunitários de Saúde (Pacs) como estratégia para viabilizar a estruturação dos serviços de Atenção Básica nos
municípios foi decisiva na interiorização de algumas categorias profissionais e na ampliação do acesso aos
serviços de saúde, com influência direta sobre a saúde infantil.
Contudo, apesar dos esforços, a Taxa de Mortalidade Infantil (TMI) no país apresentava-se elevada e
evidenciava as desigualdades regionais e mesmo entre grupos populacionais. O Ministério da Saúde lançou então,
em 1995, o Projeto de Redução da Mortalidade Infantil (PRMI) que tinha como objetivo a intensificação dos
diversos programas governamentais, promovendo a articulação intersetorial com instituições internacionais, tais
como Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e Organização Pan-Americana da Saúde, organizações
não-governamentais, sociedades científicas, conselhos de secretários de saúde e a sociedade civil.
Nesse período, houve a incorporação da estratégia Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na
Infância (Aidpi), apresentada ao Brasil em 1997 pela OMS, que propunha uma nova forma de oferta de assistência
à criança, abordando, de forma simultânea e integrada, o conjunto de doenças de maior prevalência na infância,
propondo a sistematização do atendimento clínico e integração de ações curativas com medidas preventivas e de
promoção à saúde. Seu principal objetivo era reduzir as taxas de morbimortalidade por desnutrição, diarréias,
pneumonias, malária e sarampo, além das dificuldades de acesso ao registro de nascimento.
Por ocasião da Declaração do Milênio das Nações Unidas, a partir do ano 2000 foram intensificadas
algumas ações para a saúde da criança que tinha por meta a redução de desigualdades nos campos de educação,
igualdade de gênero, meio ambiente, renda e saúde em países subdesenvolvidos e em desenvolvimento.
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Em 2004 foi lançado o Pacto pela Redução da Mortalidade Materna e Neonatal, como instrumento para
a busca de soluções sustentáveis e garantia de corresponsabilização governamental e da sociedade no que tange
à mortalidade infantil e materna.
Em 2005, o Ministério da Saúde (MS) publicou a Agenda de Compromissos com a Saúde Integral da
Criança e a Redução da Mortalidade Infantil, com o objetivo de apoiar a organização de uma rede única integrada
de assistência à criança, identificando as principais diretrizes a serem seguidas pelas instâncias estaduais e
municipais.
Em 2006, a redução da mortalidade infantil como política de governo foi ratificada ao ser incluída entre as
prioridades operacionais do Pacto pela Vida, e, dois anos depois, o “Mais Saúde: Direito de Todos”, criou as
condições para articular a estratégia “Brasileirinhas e Brasileirinhos Saudáveis: primeiros passos para o
desenvolvimento nacional”, visando ao desenvolvimento integral da criança, com foco especial na Primeira Infância
(BRASIL, 2009c; MENDES, 2012).
Em 2009, o Programa “Compromisso Mais Nordeste e Mais Amazônia Legal pela Cidadania” foi
desenvolvido para minimizar as desigualdades regionais, tendo como meta reduzir em 5% ao ano as taxas de
mortalidade neonatal e infantil em 256 municípios prioritários.
A ampliação do acesso à Atenção Básica no Brasil e a incorporação da filosofia do Paisc na atenção à
saúde da criança foram aspectos decisivos para o avanço nos indicadores assistenciais e da situação de saúde
das crianças brasileiras. As ações programáticas relacionadas à imunização, à promoção, à proteção e ao apoio ao
aleitamento materno, ao acompanhamento do crescimento e do desenvolvimento e à prevenção e controle das
doenças diarréicas e respiratórias são as expressões de ações perenes ao longo das últimas décadas.
A essas intervenções se agregam ações de mobilização social, e um extenso conjunto de leis de proteção
ao aleitamento, a exemplos do Programa Empresa Cidadã, instituído pela Lei n.º 11.770, de 9 de setembro de
2008, regulamentado pelo Decreto n.º 7.052, de 23 de dezembro de 2009, que prorroga por 60 dias a duração da
licença-maternidade, e a Lei n.º 13.257, de 8 de março de 2016, que prorroga para 15 dias a duração da licença-
paternidade (Lei n.º 13.257/2016), a Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para lactentes, crianças de
primeira infância, bicos, chupetas e mamadeiras (Nbcal) e a Lei n.º 11.265, de 3 de janeiro de 2006 (BRASIL,
2006c), regulamentada pelo Decreto n.º 8.552, de 3 de novembro de 2015, que estabelece critérios para a
comercialização de alimentos para lactentes e crianças de primeira infância, além de produtos de puericultura
correlatos.
Desde 2000, identificou-se a necessidade de maior investimento e foco na organização e na qualificação
da atenção obstétrica e neonatal, considerando-se o aumento do impacto do componente neonatal na mortalidade
infantil na última década. Neste ano, o Programa de Humanização no Pré-Natal e Nascimento (PHPN) instituiu a
organização regionalizada e integral da atenção à saúde da gestante desde o pré-natal até o parto e o pós-parto,
com referenciamento e integração para a continuidade do cuidado. Incentivou ainda a qualificação e a
humanização da atenção ao parto e ao recém-nascido, considerando os direitos da mulher e da criança, e a
possibilidade de impacto na redução da mortalidade materna e neonatal, que ocorre em grande proporção nas
primeiras 48 horas após o parto, com 25% das mortes infantis nas primeiras 24 horas de vida.
Ainda neste sentido e buscando a qualificação do cuidado neonatal, também no ano 2000, foi publicada a
Portaria GM/MS n.º 693, de 5 de julho de 2000, instituindo a Norma de Orientação para a implantação do Método
Canguru, destinado a promover a “Atenção humanizada ao recém-nascido de baixo peso”, que, em 2007, seria
atualizada e substituída pela Portaria GM/MS n.º 1.683, de 12 de julho de 2007 (BRASIL, 2007a). Inaugurava-se ali
uma política pública que, mais do que estimular a posição do bebê junto ao peito de sua mãe e/ou de seu pai, iria
se disseminar vertiginosamente por Unidades Neonatais de maternidades de todo o país, promovendo um conjunto
de práticas de atenção neonatal humanizadas que, pouco a pouco, consolidariam-se com evidências científicas
pela obtenção de uma série de benefícios, entre os quais a promoção de melhores taxas de aleitamento materno e
o fortalecimento do vínculo mãe-bebê.
O Brasil ainda possui o desafio de diminuir a mortalidade neonatal (bebês até 28 dias de vida), sendo que
a precoce (bebês com até 7 dias de vida) representa de 60% a 70% da mortalidade infantil e 25% destas mortes
ocorrem no primeiro dia de vida. Em que pese todo investimento em políticas públicas nos últimos anos, a taxa de
mortalidade neonatal vem caindo em menor velocidade quando comparada à mortalidade infantil pós-neonatal,
especialmente nos estados das Regiões Norte e Nordeste. Deste modo, O Ministério da Saúde apresentou, em
2017, a “Estratégia QualiNEO (EQN)” que integra ações inseridas na Pnaisc, as quais ofertam qualificação da
assistência aos recém-nascidos em consonância com três eixos da Pnaisc, recepção do recém-nascido no local de
nascimento, implementação das boas práticas (Contato pele a pele, amamentação na primeira hora,
clampeamento do cordão em tempo oportuno e a garantia do acompanhante), triagens, Iniciativa Hospital Amigo
da Criança (Ihac), Método Canguru, Reanimação e Transporte Neonatal, prevenção e investigação do óbito infantil.
Outro movimento voltado para a organização de serviços e qualificação da atenção e do cuidado da
criança em situação de violências foi a “Linha de Cuidado para a Atenção Integral à Saúde de Crianças,
Adolescentes e suas Famílias em Situação de Violências” (BRASIL, 2010d), com diretrizes e orientações, para
gestores e profissionais de saúde, sobre promoção da saúde e prevenção de violências, numa lógica de
continuidade do cuidado que perpassa o acolhimento, o atendimento, a notificação e o seguimento em rede,
buscando integração com profissionais da rede da Assistência Social, Educação, Conselho Tutelar entre outros,
com o objetivo de assegurar não apenas o cuidado e a atenção em saúde, mas também a proteção e a defesa dos
direitos da criança.

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Em 2011, foi criada a Rede de Atenção à Saúde da Mulher e da Criança, denominada Rede Cegonha
(Portaria n.º 1.459, de 24 de junho de 2011), com o objetivo de assegurar às mulheres o direito ao planejamento
reprodutivo e à atenção humanizada à gravidez, ao parto e puerpério e às crianças o direito ao nascimento seguro,
ao crescimento e ao desenvolvimento saudáveis.
A Rede Cegonha (RC) previu aporte de recursos de investimento para reforma de maternidades e custeio
para a reorganização da atenção obstétrica e neonatal regionalizada e hierarquizada, propiciando ambiência
adequada e apoio assistencial multiprofissional com o intuito de favorecer a fisiologia do parto e nascimento e
incentivo ao parto normal.
Considerando as evidências científicas e o respeito aos direitos da mulher e da criança no parto e
nascimento, a RC contemplou novo modelo de atenção de modo a valorizar o protagonismo feminino e a
participação do pai, além de promover segurança, proteção e promoção da saúde materna e infantil. Também
foram considerados o controle social e a prevenção dos efeitos de intervenções desnecessárias ao parto e ao
recém-nascido, e a vinculação mãe e filho, revalorizando assim o nascimento como momento singular da mulher,
do bebê, dos membros da família e da comunidade que influenciam na sobrevivência e na qualidade de vida, com
repercussões imediatas e futuras para a criança (BRASIL, 2011a).
No âmbito do Programa Bolsa Família, uma ação federal intersetorial, denominada Brasil Carinhoso,
ampliou benefícios para a superação da extrema pobreza na primeira infância de famílias tendo em sua
composição crianças de zero a 6 anos. Essa iniciativa do governo reuniu um conjunto de ações articuladas entre
os Ministérios da Saúde, Educação e Assistência Social no sentido de fomentar as ações de Desenvolvimento
Integral para a Primeira Infância (BRASIL, 2012j).
O SUS trouxe muitos avanços nas políticas públicas sociais do Brasil, especialmente para a saúde da
criança. No entanto, ainda existem demandas de qualificação nessa linha de cuidado, e é neste sentido que o País
tem inovado, tanto em aspectos normativos quanto na implementação de programas e ações específicas. Os
desafios que se descortinam são grandiosos e complexos e requerem, além de compromisso e determinação, o
envolvimento não só do poder público, mas de toda sociedade.
SITUAÇÃO DE SAÚDE DA CRIANÇA BRASILEIRA
As mudanças que ocorreram nos determinantes sociais da saúde no país e as importantes ações
governamentais descritas anteriormente tiveram impacto favorável em vários indicadores de saúde da criança,
especialmente na mortalidade infantil.
As evidências têm demonstrado que as principais estratégias que contribuíram para essa redução foram a
ampliação do acesso à vacinação, das taxas de aleitamento materno, do nível de escolaridade da mãe, da
cobertura da Atenção Básica à saúde/saúde da família, e, na última década, o Programa Bolsa Família, levando à
diminuição da pobreza e, com suas condicionalidades, induzindo maior utilização da atenção básica à saúde pelas
famílias, entre outras (RASELLA et al., 2013).
Apesar de os indicadores atuais do Brasil já serem melhores que os padrões propostos para o mundo, fica
clara a meta do país de perseguir o desafio de acabar com toda e qualquer morte evitável de recém-nascidos e
crianças menores de 5 anos (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, 2015).
DEFINIÇÃO DE CRIANÇA E PRIMEIRA INFÂNCIA PARA A PNAISC
O Ministério da Saúde (MS), para efeitos da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança
(Pnaisc), segue o conceito da Organização Mundial da Saúde (OMS), que considera: “Criança” – pessoa na faixa
etária de 0 a 9 anos, ou seja, de 0 até 10 anos incompletos ou 120 meses; “Primeira infância” – pessoa de 0 a 5
anos, ou seja, de 0 até completar 6 anos ou 72 meses. Adolescente: para o MS, é o indivíduo de 10 a 19 anos (ou
20 anos incompletos). (BRASIL, 2015b, art. 3º).
Para atendimento em serviços de Pediatria no SUS, a Política abrange “crianças e adolescentes de 0 a 15
anos, ou seja, até completarem 16 anos ou 192 meses, sendo este limite etário passível de alteração de acordo
com as normas e rotinas do estabelecimento de saúde responsável pelo atendimento” (BRASIL, 2015b).
Os direitos da criança estão consagrados na Constituição Federal de 1988 e reafirmados no Estatuto da
Criança e do Adolescente (ECA), que considera a criança, a pessoa até 12 anos incompletos, e o adolescente, a
pessoa entre 12 e 18 anos de idade. A Convenção sobre os Direitos da Criança (CDC) de 1989 considera a
criança todo ser humano com menos de 18 anos de idade.
SAÚDE DA CRIANÇA: CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO
O conceito de crescimento: é um processo dinâmico e contínuo, expresso pelo aumento do tamanho
corporal. Constitui um dos indicadores de saúde da criança. O acompanhamento sistemático do crescimento, do
ganho de peso e altura.
Desenvolvimento: o conceito é amplo e se refere a uma transformação complexa, contínua, dinâmica e
progressiva, que inclui, além do crescimento, maturação, aprendizagem e aspectos psíquicos e sociais.
Costuma-se falar em desenvolvimento de forma distinta entre desenvolvimento físico, cognitivo e
psicossocial, como uma forma de facilitar o estudo do desenvolvimento humano.
Na estrutura fisiológica humana, o que é inato não é suficiente para produzir um indivíduo sem a
participação do meio ambiente. Tudo em um ser humano (suas características, seus modos de agir, pensar, sentir,
seus valores, etc.) depende da sua interação com o meio social em que vive.
Por tal motivo, ao atender uma criança, o profissional de saúde não pode vê-la como um ser isolado, mas
como parte de seu contexto familiar, com características e funcionamento próprios. É importante prestar atenção

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na relação que os membros da família estabelecem com a criança, na maneira como se dispõem a cuidar dela, em
seu percurso escolar desde os primeiros anos, enfim, na forma como ela é recebida e “endereçada” ao mundo
(BRASIL, 2005).
A Enfermagem na Atenção Básica atua em todas as fases do ciclo de vida dos indivíduos, visando à
promoção, prevenção, proteção e recuperação da saúde.
O profissional de saúde, desde o pré-natal, deve estar atento às mudanças e às necessidades de
adaptação que ocorrem nas famílias diante do nascimento de um novo ser. De igual forma, o profissional de saúde
deve saber que não é uma tarefa fácil uma família adaptar-se a uma nova realidade, especialmente quando se
trata do primeiro filho. Os laços afetivos formados, em especial entre pais e filhos, influenciam o desenvolvimento
saudável do bebê e determinam modos de interação positivos, que possibilitam o ajustamento do indivíduo aos
diferentes ambientes de que ele irá participar.
O apego, vínculo emocional recíproco entre um bebê e seu cuidador, constrói-se baseado em
relacionamentos preliminares estabelecidos ainda com o feto e com a criança imaginada pelos pais, antes mesmo
do seu nascimento. Após o nascimento, o bebê, para sobreviver, precisa de alguém que cuide dele e que assegure
que suas necessidades físicas (alimentação, limpeza, cuidado, proteção, entre outras) e psicossociais (de se sentir
seguro, amado, protegido, valorizado) sejam atendidas.
A prática da amamentação favorece a formação de vínculo entre mãe e filho e deve ser estimulada.
Entretanto, a amamentação não é um comportamento inato, mas sim um hábito que se adquire e se aperfeiçoa
com a prática, que depende de aprendizado e da interação positiva entre os fatores culturais e sociais.
Durante os dois primeiros anos, um aspecto importantíssimo do seu desenvolvimento é o desenvolvimento
afetivo, caracterizado no apego, que é o vínculo afetivo básico. A criança estabelece o vínculo com as pessoas que
interagem com ela de forma privilegiada, com características de condutas, representações mentais e sentimentos.
ATENDIMENTO À CRIANÇA - VISITA DOMICILIÁRIA (VD)
O atendimento à criança engloba uma sequência de ações ou medidas preventivas desde antes do
nascimento evitando seu adoecimento para, desta forma, promover crescimento e desenvolvimento adequados.
Com a aproximação da equipe de saúde do contexto de vida das famílias, a visita domiciliar torna-se um
instrumento importante para a troca de informações vinculadas às necessidades particulares de cada indivíduo,
favorecendo, desta forma, atividades educativas e mais humanizadas.
Visitas domiciliares são recomendadas às famílias de gestantes e de crianças na primeira semana pós-
parto e, posteriormente a esse período, a periodicidade deve ser pactuada com a família a partir das necessidades
evidenciadas e considerando-se os fatores de risco e de proteção. Cabe lembrar que a visita domiciliar não é
apenas uma atribuição do agente comunitário, pois toda a equipe faz uso dessa prática, podendo a primeira
consulta do RN e da puérpera ocorrer em domicílio, conduzida pelo(a) médico(a) e/ou enfermeiro(a).
A puérpera e o recém-nascido (rn) deverá receber a visita domiciliária de enfermagem logo que chegam ao
domicílio, durante a primeira semana. Nesta visita deve-se: Parabenizar pela chegada da criança; Perguntar como
foi à experiência do parto, como se sentiu; Observar indícios de depressão pós-parto e se houve intercorrências
pós-parto; Fazer avaliação física da loquiação, episiorrafia ou rafia da cesárea; Avaliar as mamas, observar a
amamentação, orientando e incentivando o aleitamento materno exclusivo; Orientar o retorno à atividade sexual e
planejamento reprodutivo; Verificar situação vacinal da mãe e da criança; Orientar quanto à utilização da rede
social de apoio à família; Verificar se foram realizados os exames de triagem neonatal e orientar a levar os
resultados na consulta médica; Verificar o preenchimento completo do cartão de gestante/puérpera.
Esta primeira VD é uma oportunidade importante para orientar as peculiaridades do cuidado ao Recém-
nascido (RN) como: Cólica, choro excessivo, cuidados com o coto umbilical, higiene em geral, posição do RN no
berço sempre de barriga para cima, deixar fora do berço: travesseiros, brinquedos, almofadas e outros objetos
fofos, padrão de sono, eliminações – aspecto das fezes e urina, observar aceitação da amamentação.
Por fim, os principais objetivos da primeira visita domiciliar ao recém-nascido e à sua família são os
seguintes: Observar as relações familiares; Facilitar o acesso ao serviço de saúde; Possibilitar ou fortalecer o
vínculo das famílias com as equipes de saúde; Escutar e oferecer suporte emocional nessa etapa de crise vital da
família (nascimento de um filho); Estimular o desenvolvimento da parentalidade; Orientar a família sobre os
cuidados com o bebê; Identificar sinais de depressão puerperal; Promover o aleitamento materno exclusivo até o 6º
mês de vida; Prevenir lesões não intencionais; Identificar sinais de perigo à saúde da criança.
PRIMEIRO ANO DE VIDA DE CRIANÇAS SEM RISCO
O nascimento de um bebê é um momento de transição-chave do ciclo de vida da família. Por tal razão, é
muito comum o surgimento de dúvidas, inseguranças e questionamentos. A família deverá reconhecer a equipe de
saúde como um ponto de apoio para a superação das dificuldades desta etapa.
A primeira consulta do recém-nascido deverá ocorrer na sua primeira semana de vida, que constitui um
momento propício para estimular e auxiliar a família nas dificuldades do aleitamento materno exclusivo, para
orientar e realizar imunizações, para verificar a realização da triagem neonatal (teste do pezinho) e para
estabelecer ou reforçar a rede de apoio à família.
O Ministério da Saúde recomenda sete consultas de rotina no primeiro ano de vida (na 1ª semana, no 1º
mês, 2º mês, 4º mês, 6º mês, 9º mês e 12º mês), além de duas consultas no 2º ano de vida (no 18º e no 24º mês)
e, a partir do 2º ano de vida, consultas anuais, próximas ao mês do aniversário. Essas faixas etárias são
selecionadas porque representam momentos de oferta de imunizações e de orientações de promoção de saúde e
prevenção de doenças. As crianças que necessitem de maior atenção devem ser vistas com maior frequência.
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 Consulta Médica e Consulta do Enfermeiro 1º mês (preferencialmente nos primeiros 10 dias).
 Consulta do Enfermeiro - 3º; 5º; 7º; 8º; 10º; 11º mês.
 Após o 6º mês acontecerão: consultas médicas, do enfermeiro e, participação em grupos com a equipe,
agenda que dependerá das características locais, considerando, principalmente, indicadores
epidemiológicos.
 Do 1° ao 2° ano de vida – Trimestralmente.
Intercalando Consulta Médica, de Enfermagem e participação nos grupos com a equipe
 Do 2° ao 5° ano de vida - Semestralmente
Intercalando Consulta Médica, de Enfermagem e participação nos grupos com a equipe.
EXAME FÍSICO NA PRIMEIRA CONSULTA DO RECÉM-NASCIDO
Peso, comprimento e perímetro cefálico, desenvolvimento social e psicoafetivo, estado geral, face, pele,
crânio, olhos, orelhas e audição, nariz, boca, pescoço, tórax, abdome, genitália, anus e reto, membros superiores e
inferiores, coluna vertebral, avaliação neurológica.
TRIAGEM NEONATAL
O Ministério da Saúde instituiu no SUS, em 2001, o Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN),
por meio da portaria GM/MS nº 822, criando os Serviços de Referência em Triagem Neonatal (SRTN). O processo
envolve várias etapas: realização do exame laboratorial, busca ativa dos casos suspeitos, confirmação diagnóstica,
tratamento e acompanhamento multidisciplinar especializado desses pacientes.
Teste do Olhinho: Este exame é Lei Estadual nº 12551 de 05 de março de 2007. Ele deve ser feito nas primeiras
24 horas de vida do bebê e se trata de uma luz direcionada ao olho da criança a uma distância de 20 centímetros,
que deve refletir um tom vermelho semelhante ao observado em fotografias com flash. Caso a cor seja opaca,
branca ou amarelada, significa que o recém-nascido possui alguma patologia e que deve ser tratada. O teste do
olhinho previne e diagnostica doenças como a retinopatia da prematuridade, catarata congênita, glaucoma,
retinoblastoma, infecções, traumas de parto e a cegueira. Uma vez detectado como alterado, deverá ser
encaminhado ao oftalmologista para acompanhamento e conduta, sendo que a identificação precoce pode
possibilitar o tratamento no tempo certo e o desenvolvimento normal da visão.
Teste do Coraçãozinho: realizado nas maternidades da rede pública de saúde, o exame de oximetria de pulso,
mais conhecido como Teste do Coraçãozinho. O teste permite identificar e prevenir precocemente problemas
cardíacos ou alguma doença grave no coração nos recém-nascidos, em caso positivo, o paciente é submetido ao
exame de ecocardiograma para confirmar o diagnóstico. O procedimento é simples, rápido e indolor. Consiste em
medir a oxigenação do sangue e os batimentos cardíacos do recém-nascido com o auxílio de um oxímetro
instalado nos primeiros dias de vida no pulso e no pé. De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Pediatria,
cerca de 10 em cada mil nascidos podem apresentar alguma malformação congênita e, entre esses, dois podem
ter cardiopatias graves e precisar de intervenção médica urgente.
Teste da Orelhinha: foi regulamentado pela lei federal nº 12303 em 2010 e deve ser feito, prioritariamente,
durante o primeiro mês de nascimento. Ele é realizado por fonoaudiólogos e dura de três a cinco minutos. O exame
é indolor, pode ser realizado com a criança dormindo e ocorre por meio de um pequeno fone colocado na parte
externa do ouvido do bebê. Este fone é capaz de gerar estímulos sonoros que mostram como o ouvido do recém-
nascido reage aos sons. Com a realização do Teste da Orelhinha dois resultados podem aparecer: Se o ouvido do
bebê responder aos estímulos do exame, tudo está bem, ele apresenta audição normal e deve iniciar a fala em
torno de 1 ano de vida e ser capaz de construir frases simples aos 2 anos. Caso isso não aconteça, realizar uma
nova avaliação da audição.
Caso o ouvido do bebê não responda aos estímulos do exame, atenção! O bebê deverá ser encaminhado
para um acompanhamento que inclui a realização de outros exames para esclarecer se o problema é temporário
ou permanente.
Se por algum motivo o bebê não realizou o teste na maternidade ou hospital: o profissional de saúde logo
na primeira consulta deverá encaminhar o bebê para os locais competentes em sua região. A descoberta tardia
pode dificultar o tratamento, além de prejudicar o desenvolvimento da criança.
Teste do Pezinho: exame feito a partir de sangue coletado do calcanhar do bebê permite identificar
doenças graves, como: o hipotireoidismo congênito, doenças metabólicas e doenças que afetam o sangue.
Geralmente são doenças que não apresentam sintomas no nascimento e, se não forem tratadas cedo, podem
causar sérios danos à saúde, inclusive retardo mental grave e irreversível. O sucesso desta ação está diretamente
relacionado com a realização da coleta na idade ideal, que é após as primeiras 48h de vida antes da Alta
Hospitalar ou na primeira semana de preferência no 5º dia de vida. É realizado nas Unidades Básicas de Saúde.
O teste deverá ser feito a partir do 3º dia de vida da criança, quando já ocorreu uma ingestão adequada de
proteínas e é possível analisar com mais segurança o metabolismo, evitando-se resultados falsos negativos.
Assim, a coleta para o exame deve ser realizada entre o 3º e o 7º dia de vida da criança. Embora não seja
o ideal, aceita-se que seja feita a coleta até o 30º dia de vida do bebê.
Crianças com laudos de diagnóstico definitivo de uma das doenças triadas devem estar em
acompanhamento com especialista ou já com a consulta agendada.
Nos casos sem acompanhamento a UBS deverá agendar consulta com especialista.

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DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA
O acompanhamento do desenvolvimento biopsicossocial é um marco fundamental da atenção à saúde da
criança. Além da importância para promoção da saúde, desenvolvimento de potencialidades, diagnóstico e
tratamento precoce de patologias, contribui para uma melhor qualidade de vida.
De acordo com as orientações do Ministério da Saúde (MS) encontradas na Caderneta de Saúde da
Criança, o seu crescimento e desenvolvimento são importantes indicadores de saúde e sofrem influência de fatores
biológicos e ambientais.
É importante estimular desde cedo o desenvolvimento da criança para que ela adquira autoconfiança,
autoestima e desenvolva capacidade de relacionar-se bem com outras crianças, com a família e com a
comunidade.
Vigiar o desenvolvimento da criança nos primeiros anos de vida é de fundamental importância, pois é nesta
etapa da vida extrauterina que o tecido nervoso mais cresce e amadurece, estando, portanto, mais sujeito a
agravos.
É também nesta época que a criança responde melhor aos estímulos que recebe do meio ambiente e às
intervenções, quando necessárias. Portanto, é importante que neste período o profissional de saúde, juntamente
com a família e a comunidade, faça a vigilância do desenvolvimento infantil e verifique o adequado preenchimento
da Caderneta de Saúde da Criança com os parâmetros para o desenvolvimento da criança.
DESENVOLVIMENTO DE 0 A 12 MESES
0 a 1 mês – Observe se seus braços e pernas ficam flexionados e sua cabeça lateralizada.
Posicione seu rosto a aproximadamente 30 cm acima do rosto da criança e observe se a criança olha para você,
de forma evidente. Bata palmas ou balance um chocalho a cerca de 30 cm de cada orelha da criança e observe se
ela reage com movimento dos olhos ou mudança da expressão facial.
1 a 2 meses – Sorria e converse com a criança; sem fazer cócegas ou tocar sua face. Observe se ela responde
com um sorriso. Observe se, em alguns momentos, a criança abre as mãos espontaneamente. Emite sons -
Observe se a criança emite algum som que não seja choro. Caso não seja observado, pergunte ao acompanhante
se faz em casa. Observe se a criança movimenta ativamente os membros superiores e inferiores.
2 a 4 meses – Fique em frente ao bebê e converse com ele. Observe se ele responde com sorriso e emissão de
sons como se estivesse “conversando” com você. Pode pedir que a mãe/ cuidador o faça. Ofereça um objeto
tocando no dorso da mão ou dedos da criança. Esta deverá abrir as mãos e segurar o objeto pelo menos por
alguns segundos. Fique à frente da criança e converse com ela. Observe se ela emite sons. Coloque a criança de
bruços, numa superfície firme. Chame sua atenção com objetos e observe se ela levanta a cabeça apoiando-se
nos antebraços.
4 a 6 meses – Coloque um objeto ao alcance da criança (sobre a mesa ou na palma de sua mão) chamando sua
atenção para o mesmo. Observe se ela tenta alcançá-lo. Coloque um objeto na mão da criança e observe se ela
leva-o à boca. Faça um barulho suave (sino, chocalho, etc.) próximo à orelha da criança e observe se ela vira a
cabeça em direção ao objeto. Repita no lado oposto. Coloque a criança em superfície plana de barriga para cima.
Incentive-a virar para a posição de bruços.
6 a 9 meses – Coloque-se à frente da criança e brinque de aparecer e desaparecer, atrás de um pano ou de outra
pessoa. Observe se a criança faz movimentos para procurá-lo quando desaparece, como tentar puxar o pano ou
olhar atrás da outra pessoa. Ofereça um objeto para a criança segurar. Observe se ela transfere-o de sua mão
para outra. Se não fizer, ofereça outro objeto e observe se ela transfere o primeiro para outra mão. Observe se a
criança fala “papa”, “dada”, ”mama”. Se não o fizer pergunte à mãe/cuidador se o faz em casa. Coloque a criança
numa superfície firme, ofereça-lhe um objeto para ela segurar e observe se ela fica sentada sem o apoio das mãos
para equilibrar-se.
9 a 12 meses – Faça algum gesto conhecido pela criança como bater palmas ou dar tchau e observe se ela o
imita. Caso ela não o faça, peça à mãe/cuidador para estimulá-la. Coloque próximo à criança um brinquedo ou uma
bolinha de papel. Chame atenção da criança para que ela a pegue. Observe se ao pegá-la ela usa o movimento de
pinça, com qualquer parte do polegar associado ao indicador. Observe se a criança produz uma conversação
incompreensível consigo mesma, com você ou com a mãe/cuidador. Caso não for possível observar, pergunte se
ela o faz em casa. Observe se a criança consegue dar alguns passos com apoio.
DESENVOLVIMENTO PONDEROESTATURAL
Normalmente os bebês nascem com peso entre 2,5 kg e 4 kg e sua altura fica entre 47 e 54 centímetros. A
partir do 2º mês de vida, o esperado para o ganho de peso é de 18 a 30 g/dia, mas, o crescimento individual de
cada criança poderá ter variações. Nas crianças em aleitamento materno, a enfermagem deverá avaliar o momento
da mamada (posição, pega e fluxo de leite).
Pela aferição de peso e estatura é possível o diagnóstico nutricional. Esta aferição deve ser realizada na
consulta de enfermagem, médica, no atendimento do auxiliar de enfermagem e em grupos de puericultura.
Deve-se garantir sempre a retirada completa das roupas, fraldas e calçados.
Estatura: 1º semestre de vida -> 15 cm; 2º semestre de vida -> 10 cm; 1º ano de vida -> 25 cm; 2º ano de
vida -> 10 a 12 cm/ano; 3º e 4º ano de vida -> 7cm/ano.
Peso: Nos primeiros meses de vida, o esperado para ganho de peso é de 700 a 1000 gramas/mês (mínimo de 20
gramas/dia). Ocorre uma perda de 10% do peso do nascimento até o 10º dia de vida. Ganho de 20 a 30 g/dia
durante os 3 primeiros meses de vida e triplicação do peso de nascimento até o 12º mês de vida.
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EVOLUÇÃO E CRESCIMENTO DO PERÍMETRO CEFÁLICO ESPERADO
1° e 2° mês de vida 2 cm por mês
3° e 4° mês de vida 1,5 cm por mês
5° e 12° mês de vida 0,5 cm por mês
No 2° ano de vida 0,3 cm por mês
EVOLUCÃO ESPERADA DA ESTATURA
1° semestre de vida 15 cm
2° semestre de vida 10 cm
1° ano de vida 25 cm/ano
2° ano de vida 10 a 12 cm/ano
3° e 4° ano de vida 7 cm/ano
Até o inicio da puberdade 5 a 6 cm/ano
Ganho de 20 a 30 g/dia durante os 3 primeiros meses de vida e triplicação do peso de
nascimento até o 12º mês de vida.
CLASSIFICAÇÃO DOS RISCOS A SEREM OBSERVADOS:
Risco de crescimento e desenvolvimento:
Curva descendente ou horizontal, ganho de peso insuficiente, agravos nutricionais,
prematuridade, desenvolvimento não compatível com a idade, atraso no desenvolvimento
neuropsicomotor e infecção de repetição.
Risco de infecções de repetição:
Internação, atraso vacinal, desnutrição e aleitamento misto.
Riscos identificados ao nascer:
Baixo peso ao nascer (<2.500g) Prematuridade (menos de 37 semanas gestacionais);
Risco ambiental:
Falta de saneamento básico, moradia inadequada, desestruturação familiar, situações de
violência doméstica e sexual, uso e dependência de drogas lícitas e ilícitas.
Risco socioeconômico:
Desemprego, pais sem escolaridade, família proveniente de área social de risco, pessoas em
situação de rua, mãe adolescente.
COMPLEMENTAÇÃO VITAMÍNICA
As vitaminas são nutrientes adquiridos geralmente de fontes alimentares, pela incapacidade do organismo
de sintetizá-las. Exceção se faz à vitamina D, que pode ser sintetizada pelo organismo desde que haja exposição
de forma regular à luz solar.
Recomenda-se a exposição direta da pele à luz solar, a partir da segunda semana de vida, sendo
suficiente a quota semanal de 30 minutos com a criança usando apenas fraldas (seis a oito minutos por dia, três
vezes por semana), ou de duas horas/semana em exposição parcial (17 minutos por dia) com exposição apenas
da face e mãos da criança.
Vitaminas A e D devem ser suplementadas a partir do 7º dia de vida até dois anos de idade como medida
profilática.
Nos casos de alimentação deficiente com riscos de carência, a vitamina deve ser utilizada sob a forma
medicamentosa, principalmente nos primeiros anos de vida.
A deficiência de Ferro é a mais frequente dentre as carências nutricionais das crianças em todo o mundo,
constituindo um grave problema de saúde pública. A deficiência de Ferro causa repercussões negativas para o
desenvolvimento mental e motor das crianças, ocasionando uma redução do rendimento escolar.
Considerando a crescente prevalência de anemia ferropriva e as dificuldades de grande parte da
população ao acesso aos alimentos ricos em Ferro ou aos alimentos fortificados, foi desenvolvido um Programa de
Prevenção de Anemia Ferropriva na infância onde é indicado a Suplementação de Ferro elementar.
O Ministério da Saúde, por meio do Programa Nacional de Suplementação de Vitamina A (BRASIL,
2004), busca reduzir e controlar a deficiência nutricional de vitamina A em crianças de 6 a 59 meses de idade e
mulheres no período pós-parto imediato (antes da alta hospitalar) residentes em regiões consideradas de risco. A
perspectiva é expandir o programa para outras regiões, considerando-se a relevância da deficiência enquanto
problema de saúde pública.
Vitamina K, atualmente, existem informações suficientes para se manter a recomendação de administrar
vitamina K ao nascimento, na dose de 0,5 a 1 mg por via intramuscular como profilaxia contra a doença
hemorrágica neonatal.
ALEITAMENTO MATERNO
Todo desenvolvimento fisiológico depende direta ou indiretamente da nutrição, principalmente na criança,
que está em plena aquisição de massa e crescimento.
A criança que é alimentada somente com leite materno até os 6 meses de vida apresenta menor
morbidade. Por isso, maiores são os efeitos benéficos à sua saúde.
A formação ou o fortalecimento do vínculo entre os pais e o bebê é importante também para auxiliar os
pais na percepção das necessidades do bebê e para estimulá-los a prover os cuidados necessários a ele.
O leite materno deve ser oferecido exclusivamente para a criança até os primeiros 6 meses de idade.
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A Estratégia ancorada na promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno, iniciando na gestação,
considerando-se as vantagens da amamentação para a criança, a mãe, a família e a sociedade, bem como a
importância de estabelecimento de hábitos alimentares saudáveis (BRASIL, 2015).
O aleitamento materno tem se constituído em tema fundamental para a saúde e a qualidade de vida da
criança. Evidências científicas comprovam que a amamentação, quando praticada de forma exclusiva até os 6
meses e complementada com alimentos apropriados até os 2 anos de idade ou mais, demonstra grande potencial
transformador no crescimento, no desenvolvimento e na prevenção de doenças na infância e idade adulta e
promoção não apenas da sobrevivência infantil, mas do pleno desenvolvimento do ser humano.
É muito importante conhecer e utilizar as definições de aleitamento materno adotadas pela Organização
Mundial da Saúde (OMS) e reconhecidas no mundo inteiro. Assim, o aleitamento materno costuma ser classificado
em:
Aleitamento materno exclusivo: quando a criança recebe somente leite materno, diretamente da mama ou
extraído, e nenhum outro líquido ou sólido, com exceção de gotas ou xaropes de vitaminas, minerais e/ou
medicamentos.
Aleitamento materno predominante: quando o lactente recebe, além do leite materno, água ou bebidas à base
de água, como sucos de frutas ou chás.
Aleitamento materno: quando a criança recebe leite materno, diretamente do seio ou extraído,
independentemente de estar recebendo qualquer alimento ou líquido, incluindo leite não humano.
Aleitamento materno complementado: Quando a criança recebe, além do leite materno, qualquer alimento sólido
ou semissólido com a finalidade de complementá-lo, e não de substituí-lo. Nessa categoria a criança pode receber,
além do leite materno, outro tipo de leite.
VANTAGENS:
Nutricionais – É um alimento fisiologicamente perfeito para a criança. A maioria das mulheres produz leite em
quantidade e qualidade adequadas. O leite de mães de prematuros é diferente daquelas de bebês de termo.
Colabora efetivamente, para diminuir a taxa de desnutrição energético-proteica e, consequentemente, a
mortalidade infantil.
Imunológicas e Físicas – Protege a criança contra infecções, principalmente do aparelho digestivo, pois retarda a
exposição a possíveis contaminações alimentares em ambientes desfavoráveis. Diminui a probabilidade de
processos alérgicos decorrentes da exposição precoce às proteínas do leite de vaca.
Importância da sucção – O exercício da sucção auxilia no desenvolvimento adequado da cavidade oral e
conformação do palato duro, contribui para prevenir o respirador bucal e as infecções respiratórias, reduz os riscos
de a mãe ter câncer de mama.
Psicológicas – Contribui para melhora da relação afetiva mãe e filho.
Econômicas – Representa economia real.
Técnica de amamentação
A melhor posição para amamentar é aquela confortável e prazerosa para a mãe e a criança.
A criança deve estar virada para a mãe, junto de seu corpo, bem apoiada e com os braços livres (abraçando a
mãe). A cabeça da criança deve ficar de frente para o peito e o nariz bem na frente do mamilo. Só coloque a
criança para sugar quando esta abrir bem a boca. Quando a criança pega bem o peito, o queixo encosta na mama,
os lábios ficam virados para fora, o nariz fica livre e aparece mais aréola na parte de cima da boca do que na de
baixo.
Ritmo – Cada criança tem seu próprio ritmo de mamar, o que deve ser respeitado. Deixe-a mamar até que fique
satisfeita. Espere que ela esvazie bem a mama e então ofereça a outra.
Característica do Leite – O leite no início da mamada tem mais água e elimina a sede; e no final, tem mais
gordura e por isso, elimina a fome proporcionando maior ganho de peso.
Esvaziamento das Mamas – No início da mamada a criança suga com mais força porque está com fome, assim,
esvazia melhor a mama oferecida. Por isso, é bom que a mãe comece cada mamada pelo peito em que a criança
mamou por último, podendo, a criança, ter a oportunidade de esvaziar bem as duas mamas. O importante para a
mãe é ter bastante leite, devendo tomar líquidos várias vezes ao dia (6 a 8 copos de 250 ml).
Oferta – Orientar a mãe a dar o peito toda vez que a criança chorar. Isso também fará com que haja maior
produção de leite.
Intervalo entre as mamadas – Alguns bebês são muito quietos e reclamam pouco, dormindo muitas horas. Isso
faz com que tenham hipoglicemia, principalmente os prematuros. Orientar para acordá-los a cada 3 horas para
mamar, pelo menos nos primeiros 15 dias de vida, depois haverá adaptação natural.
Término da mamada – Ao retirar a criança do peito, para que ela solte o mamilo sem machucá-lo, a mãe pode
colocar o dedo mínimo no canto da boca da criança, entre as gengivas. Depois da mamada, é importante colocar
a criança na posição vertical para que ela possa arrotar.
Os profissionais de saúde devem disponibilizar o tempo que for necessário para dar apoio à mãe e ao seu
bebê durante o início e a manutenção da amamentação.
O aconselhamento comportamental e a educação para a prática de aleitamento materno são
procedimentos recomendados. Eles podem ser iniciados desde a primeira consulta de pré-natal. Além disso, as
mães devem receber informações de como buscar suporte à prática de amamentar.
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BENEFÍCIOS DO ALEITAMENTO MATERNO
Benefícios para o bebê: Diminuição de morbidade, especificamente relacionada a infecções como diarréia,
infecção no trato respiratório, infecção do trato urinário; Redução de alergias, reduz o risco de asma e de sibilos;
Redução da obesidade; Diminuição do risco de hipertensão, colesterol alto e diabetes; Melhor nutrição; Efeito
positivo no desenvolvimento intelectual; Melhor desenvolvimento da cavidade bucal; Redução de hospitalizações e
diminuição das taxas de morte súbita do lactente.
Benefícios para a mãe: Involução uterina mais rápida e redução na hemorragia uterina pós-parto, devido à
liberação de ocitocina; Perda mais rápida do peso acumulado na gestação; Auxílio no aumento do intervalo entre
as gestações; Maior interação mãe-bebê; Benefício relativo aos aspectos econômicos, uma vez que o leite materno
não tem custos; Praticidade, pois o leite materno está sempre pronto para ser consumido.
PROBLEMAS RELACIONADOS ÀS MAMAS
Fissuras (rachaduras) no bico do peito - As fissuras são um sinal de que é preciso melhorar a pega. A principal
causa da fissura mamária é a pega incorreta do bebê no momento da amamentação, mau posicionamento da mãe
e/ou do bebê - Se o peito rachar, a mãe pode passar seu leite nessa fissura.
Mastite - É uma infecção que geralmente causa dor e desconforto nos peitos. É mais comum entre as mães que
estão nas primeiras semanas de amamentação de seus recém-nascidos, mas algumas também podem passar por
isso mais tarde. O tratamento da mastite geralmente requer a indicação de antibióticos pelos profissionais de
saúde.
Mamilo invertido - Caracteriza-se quando o bico do peito não se sobressai muito em relação à aréola, além de
não se projetar facilmente para fora quando estimulado, dificultando a amamentação. E, esta é apenas uma das
formas que ele pode ser classificado.
Ingurgitamento mamário (mamas empedradas) - Quando isso acontece, é preciso esvaziar bem as mamas. - A
mãe não deve deixar de amamentar; ao contrário, deve amamentar com frequência, sem horários fixos, inclusive à
noite. - É importante retirar um pouco de leite antes da mamada para amolecer a mama e facilitar para o bebê
pegar o peito.
Pouco leite - Para manter uma boa quantidade de leite, é importante que a mãe amamente com frequência. A
sucção é o maior estímulo à produção do leite: quanto mais o bebê suga, mais leite a mãe produz. - É importante,
também, dar tempo ao bebê para que ele esvazie bem o peito em cada mamada.
Leite fraco - Não existe leite fraco! Todo leite materno é forte e bom. A cor do leite pode variar, mas ele nunca é
fraco. - Nem todo choro do bebê é de fome. A criança chora quando quer aconchego ou sente algum desconforto.
Sabendo disso, não deixe que ideias falsas atrapalhem a amamentação. É importante acreditar que a mãe é capaz
de alimentar o filho nos primeiros seis meses só com o seu leite.
Contra Indicação ao Aleitamento Materno
Mães infectadas pelo HIV; Mães infectadas pelo HTLV1 e HTLV2 (vírus linfotrópico humano de linfócitos
T); Uso de medicamentos incompatíveis com a amamentação. Alguns fármacos são citados como contraindicações
absolutas ou relativas ao aleitamento, como, por exemplo, os antineoplásicos e radiofármacos. Criança portadora
de galactosemia, doença do xarope de bordo e fenilcetonúria Interrupção Temporária da Amamentação
Infecção Herpética: quando há vesículas localizadas na pele da mama. A amamentação deve ser mantida na
mama sadia.
Varicela: se a mãe apresentar vesículas na pele cinco dias antes do parto ou até dois dias após o parto,
recomenda-se o isolamento da mãe até que as lesões adquiram a forma de crosta. A criança deve receber
imunoglobulina humana antivaricela zoster (Ighavz), que deve ser administrada até 96 horas do nascimento,
devendo ser aplicada o mais precocemente possível.
Doença de Chagas: na fase aguda da doença ou quando houver sangramento mamilar evidente. Abscesso
mamário, até que ele tenha sido drenado e a antibioticoterapia iniciada. A amamentação deve ser mantida na
mama sadia.
Consumo de drogas de abuso: recomenda-se a interrupção temporária do aleitamento materno, com ordenha do
leite, que deve ser desprezado. O tempo recomendado de interrupção da amamentação varia dependendo da
droga.
Orientações gerais sobre os cuidados com o recém-nascido
Algumas orientações são importantes e devem ser fornecidas aos pais, como, por exemplo:
 A lavagem de mãos por todas as pessoas que têm contato com o bebê deve ser orientada em todas as
visitas de puericultura, com o objetivo de evitar a propagação de micro-organismos causadores de doenças
respiratórias.
 Oriente a família de modo a não permitir que pessoas fumem dentro de casa ou que aqueles que acabaram
de fumar peguem o bebê no colo.
 Oriente-os a respeito do banho e sobre os cuidados com o coto umbilical, que deve cair nas primeiras duas
semanas. Para isso, o coto deve ser mantido limpo e seco.
 Oriente-os também sobre a troca de fraldas, a prevenção de assaduras, os hábitos de sono e os diferentes
tipos de choro. Na troca de fraldas, a fim de evitar as assaduras, os cuidadores devem secar bem o bebê
após o banho e não podem utilizar talcos.
 Oriente-os a respeito da posição supina (de “barriga para cima”) para dormir e a sua relação de proteção
contra a morte súbita do lactente. Caso se pratique o coleito (quando o bebê é colocado para dormir na
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cama dos pais), alerte-os para os casos em que certos comportamentos dos pais (como o hábito de ingerir
bebida alcoólica, o uso de drogas ilícitas ou cigarros, a utilização de medicação que age no sistema nervoso
central ou quando os pais se encontrarem muito cansados) podem acarretar maior risco de morte súbita
para o bebê, além de lesões não intencionais, ao cair da cama, ao ser prensado ou sufocado por um dos
pais, principalmente quando se trata de crianças menores de 4 meses. Também por segurança, os pais
devem ser instruídos a não dormir com o bebê em sofás ou poltronas.
 Existem também boas evidências para o aconselhamento antecipado referente ao choro noturno e aos
diferentes significados do choro: fome, desconforto, dor. Durante a avaliação de uma criança cujos pais
queixam-se de choro excessivo, os seguintes aspectos devem ser avaliados: estado geral da criança,
história pré-natal e perinatal, momento de início e duração do choro, tensão no ambiente, hábitos de
alimentação, diurese, evacuação, dieta da mãe (se estiver amamentando), refluxo gastroesofágico, história
familiar de alergias, resposta dos pais referente ao choro e fatores que aliviam ou agravam o choro.
 Em relação ao uso de chupetas (“bicos”), atualmente, a introdução desse hábito tem sido desaconselhada
pela possibilidade de interferir negativamente na duração do aleitamento materno, entre outros motivos.
Embora não haja dúvidas de que o desmame precoce ocorra com mais frequência entre as crianças que
usam chupeta, ainda não são totalmente conhecidos os mecanismos envolvidos nessa associação.
ALIMENTAÇÃO COMPLEMENTAR SAUDÁVEL
Uma alimentação saudável ou uma “boa prática alimentar” foi definida por especialistas como a ingestão
de alimentos adequados em quantidade e qualidade para suprir as necessidades nutricionais, permitindo um bom
crescimento e desenvolvimento da criança. Considera-se também que a consistência adequada dos alimentos
pode proteger a criança de aspiração. Além disso, sua quantidade não deve exceder a capacidade funcional dos
seus sistemas orgânicos cardiovascular, digestório e renal.
Uma alimentação saudável se inicia com o aleitamento materno (BRASIL, 2004), que isoladamente é
capaz de nutrir de modo adequado a criança nos primeiros 6 meses de vida. Já a partir dos 6 meses de vida,
devem ser introduzidos alimentos complementares ao aleitamento materno, por dois anos ou mais.
Práticas alimentares inadequadas nos primeiros anos de vida estão relacionadas à morbidade de crianças,
caracterizada por doenças infecciosas, afecções respiratórias, cárie dental, desnutrição, excesso de peso e
carências específicas de micronutrientes como as de ferro, zinco e vitamina A.
A articulação das ações de promoção do aleitamento materno, com aquelas da promoção da alimentação
complementar saudável, pode contribuir para reverter esse cenário, diminuindo, respectivamente, a ocorrência de
mortes em crianças menores de 5 anos em todo o mundo (JONES et al., 2003).
A OMS, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e o MS recomendam que a amamentação
seja exclusiva nos primeiros 6 meses de vida e complementada até 2 anos de idade ou mais, com a introdução de
alimentos sólidos/semissólidos de qualidade e em tempo oportuno.
DEZ PASSOS PARA ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL
Passo 1. Dar somente leite materno até os seis meses, sem oferecer água, chás ou quaisquer outros alimentos.
Passo 2. A partir dos seis meses, introduzir, de forma lenta e gradual, outros alimentos, mantendo o leite materno
até os dois anos de idade ou mais.
Passo 3. Após os seis meses, dar alimentos complementares (cereais, tubérculos, carnes, leguminosas, frutas,
legumes), três vezes ao dia, se a criança receber leite materno, e cinco vezes ao dia, se estiver desmamada.
Passo 4. A alimentação complementar deverá ser oferecida de acordo com os horários de refeição da família, em
intervalos regulares, respeitando sempre a vontade da criança.
Passo 5. A alimentação complementar deve ser espessa desde o início e oferecida com colher; começar com
consistência pastosa (papas/purês) e, gradativamente, aumentar a consistência até chegar à alimentação da
família.
Passo 6. Oferecer à criança diferentes alimentos ao dia. Uma alimentação variada é, também, uma alimentação
colorida.
Passo 7. Estimular o consumo diário de frutas, verduras e legumes nas refeições.
Passo 8. Evitar açúcar, café, enlatados, frituras, refrigerantes, balas, salgadinhos e outras guloseimas nos
primeiros anos de vida. Usar sal com moderação.
Passo 9. Cuidar da higiene no preparo e manuseio dos alimentos; garantir o seu armazenamento e conservação
adequados.
Passo 10. Estimular a criança doente e convalescente a se alimentar; oferecer sua alimentação habitual e seus
alimentos preferidos, respeitando a sua aceitação.
INTRODUÇÃO ALIMENTAR COMPLEMENTAR
Deve ser indicado a partir do 6º mês de vida, mantendo o aleitamento materno.
Recomendações Gerais:
Adaptação aos Alimentos: Iniciar um alimento de cada vez, verificando aceitação da criança, evitar misturas de
frutas em sucos ou papas, pois se houver intolerância não saberemos o que provocou. O fato de a criança estar
com fezes firmes é um sinal que o preparo do leite e alimentos está bom, sem agressões microbianas ao seu
intestino (o que levaria as diarreias).
Hábitos Alimentares: Respeitar os hábitos alimentares da família, desde que não haja privação de alimentos
benéficos para a saúde da criança, como nos tabus alimentares.
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Equilíbrio Nutricional: Orientar quanto ao equilíbrio nutricional, oferecendo alimentos dos três grupos:
Construtores/proteicos (carnes, ovos, leguminosas como feijão e grãos), reguladores (verduras, legumes e frutas,
fontes de fibras e vitaminas) e energéticos (carboidratos e gorduras).
Higiene, Preparo, Conservação: Dar extrema importância à higiene quanto ao preparo e conservação dos
alimentos (lavagens das mãos, dos utensílios de cozinha, da esterilização de mamadeiras, lavagem de verduras e
frutas, fervura, limpeza da geladeira, etc.).
As peças de encaixe de mamadeiras, assim como a mamadeira (garrafa), devem ser muito bem lavadas e
escovadas com detergente em água corrente. A seguir devem ser escaldadas para desinfecção e guardadas em
recipiente tampado, de preferência em geladeira, sendo esterilizadas novamente a cada uso. Manter o furo original
para que a criança faça força ao sugar, mantendo os exercícios bucais.
Esquema para introdução dos alimentos complementares
Faixa Etária Tipo de Alimento
Até o 6º mês Leite materno
6º mês Leite materno, papa de frutas
6º ao 7º mês Primeira papa salgada, gema de ovo, suco de frutas
7º ao 8º mês Segunda papa salgada
9º ao 11º mês Gradativamente passar para a comida da família
12º mês Comida da família
Obs.: O ideal é que o leite de vaca e seus derivados, só devem ser inseridos a partir do 1º ano de vida.
Promoção e Acompanhamento do Crescimento e do Desenvolvimento Integral
Consiste na vigilância e estímulo do pleno crescimento e desenvolvimento da criança, em especial do
“Desenvolvimento na Primeira Infância (DPI)”, pela Atenção Básica à saúde, conforme as orientações da
Caderneta de Saúde da Criança, incluindo ações de apoio às famílias para o fortalecimento de vínculos familiares
(BRASIL, 2015)
Destacam-se as ações estratégicas do eixo de promoção e acompanhamento do crescimento e do
desenvolvimento integral:
1. A disponibilização da Caderneta de Saúde da Criança, com atualização periódica de seu conteúdo.
2. A qualificação do acompanhamento do crescimento e desenvolvimento da primeira infância pela Atenção
Básica à Saúde.
3. O Comitê de Especialistas e de Mobilização Social para o Desenvolvimento Integral da Primeira Infância,
no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).
4. O apoio à implementação do Plano Nacional pela Primeira Infância.
No âmbito municipal, devem ser implementadas as ações de Vigilância Alimentar e Nutricional, incluindo
avaliação antropométrica, avaliação de consumo alimentar, além da identificação e da priorização do atendimento
das famílias e crianças em programas de transferência de renda ou de distribuição de alimentos disponíveis.
Também devem ser priorizados os programas de suplementação preventiva com micronutrientes,
organizados na Atenção Básica (BRASIL, 2005).
O crescimento é resultante da integração de fatores genéticos, biológicos, psíquicos e sociais, com as
características intrínsecas (biológicas) e extrínsecas (ambientais) (MARCONDES, 2004).
Durante a gravidez, o período de crescimento intrauterino é vital para o ser humano, quando se observa
maior velocidade no processo de crescimento. O controle pré-natal periódico, desde o 1º trimestre, inclusive com
apoio da Caderneta da Gestante, pode apoiar o início de seu desenvolvimento saudável, assim como a promoção
e respeito ao seu tempo de nascer, evitando o risco de interrupção prematura da gravidez, por meio de cesáreas
sem indicação estrita, especialmente antes de 39 semanas e sem trabalho de parto.
O acompanhamento sistemático do crescimento, com o devido registro do ganho de peso, altura e Índice
de Massa Corporal (IMC), nas curvas de crescimento, faz
parte da rotina das UBS, permitindo a identificação de crianças com ganho pondero- estatural alterado em
relação aos padrões, risco nutricional (desnutrição ou obesidade) e, associado a uma avaliação integral permite o
diagnóstico de outros agravos (anemia, infecções etc.) e vulnerabilidades, com as devidas intervenções
médicas/nutricionais (exames complementares, tratamentos etc.) e/ou de suporte social necessárias, em tempo
oportuno.
Assim, em cada contato entre a criança e os profissionais dos serviços de saúde
deve ser verificado seu crescimento e sua condição nutricional, como parte de uma avaliação integral.
Condições inadequadas de nutrição, ligadas ou não a outras situações de vulnerabilidade (baixa renda, maus-
tratos/violência intrafamiliares etc.) exigem acompanhamento especial. O acompanhamento do crescimento de
crianças com baixo peso ou pré-termos para a idade gestacional exige um cuidado maior e deve ser priorizado.
Desenvolvimento Neuropsicomotor, Cognitivo e Emocional
O desenvolvimento cognitivo integral está ligado a relações satisfatórias entre funcionalidades: sensorial,
perceptiva, motora, linguística, intelectual e psicológica, cujo progresso de tais dimensões se estruturam a partir de
etapas de maturação neurocerebral do indivíduo (BRASIL, 2016b).
A interação da criança com os membros da família e com a rede social de proteção assegura não apenas
sua sobrevivência, mas contribui para o desenvolvimento neuropsicomotor, cognitivo e emocional. O vínculo da
criança com a mãe/cuidador exerce importante papel para a aquisição de habilidades, em conjunto com o
crescimento e amadurecimento cerebral que acompanham o desenvolvimento. Este processo é complexo e se
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apoia na dimensão biológica e psicoafetiva, mas depende estritamente do ambiente para seu florescimento. É na
interação com o ambiente familiar, com as redes de cooperação, escolar e social mais amplas que a criança
poderá se desenvolver plenamente.
As relações familiares e com o meio em que vive, possibilita o desenvolvimento das potencialidades que o
bebê traz consigo e sua subjetividade, que vai sendo engendrada na medida da sua convivência com a família.
Para os casos de crianças com atraso no seu desenvolvimento, deve haver interface e encaminhamento
responsável para pediatra e outros profissionais do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (Nasf) – outros
especialistas médicos, terapeuta ocupacional, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, psicólogo –,Deve-se avaliar a
necessidade
O MS, por meio da Portaria GM/MS n.º 1.058, de 4 de julho de 2005, prevê a disponibilização da
Caderneta de Saúde da Criança, passaporte da cidadania, a todas as crianças nascidas nas maternidades
(públicas e privadas) do país. Trata-se de ferramenta estratégica para servir de fio condutor da atenção integral
preconizada pela Pnaisc, instrumento insubstituível de registro e acompanhamento do crescimento e
desenvolvimento (CD) e de orientações para esta atenção integral até a criança completar 9 anos de vida, e a
partir dos 10 anos a caderneta entregue é a do adolescente.
ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AOS PROBLEMAS COMUNS NA INFÂNCIA
Nas últimas décadas, tem-se observado importante mudança no perfil de morbimortalidade da população
brasileira, denominada de “transição epidemiológica”, caracterizada pela redução das doenças infectocontagiosas,
aumento das doenças crônicas não transmissíveis e, mais recentemente, o aumento de casos de anomalias
congênitas.
A transição epidemiológica ocorre devido a fatores como a urbanização, o acesso aos serviços de saúde,
os meios de diagnóstico e as mudanças culturais expressivas. No Brasil, porém, esta transição apresenta
características particulares, decorrentes das diferenças sociais, econômicas e regionais, e o envelhecimento da
população, apresentando assim um modelo de transição onde ainda temos significativa ocorrência de agravos
causados por doenças infectocontagiosas e, ao mesmo tempo, o crescimento da morbimortalidade por doenças
crônicas não transmissíveis.
Tais mudanças criaram novas demandas para o sistema de saúde, que precisa assistir as crianças que
apresentam condições crônicas de saúde com uma gama variada de etiologias e prevalências distintas, que vão
desde doenças como problemas alérgicos, obesidade, diabetes, hipertensão, distúrbios neurológicos, câncer e
problemas de saúde mental até doenças raras como síndromes genéticas e metabólicas, lembrando ainda, que as
condições crônicas de saúde apresentam um largo espectro de gravidade (MOREIRA; GOMES; SÁ, 2014).
A prevenção de doenças crônicas passa por um leque de ações de promoção da saúde, com especial foco
na gravidez e primeira infância, bem como intervenções de prevenção específicas para populações com fatores de
risco, ligados ao estilo de vida e ao caráter genético.
Em relação às chamadas “doenças prevalentes na infância”, as doenças diarréicas e respiratórias
persistem com importância como causas de adoecimento, em especial em regiões e populações de maior
vulnerabilidade, como indígenas, quilombolas, ribeirinhas etc., e quando associadas à desnutrição colocam em
risco a vida.
As doenças respiratórias são o primeiro motivo de consulta em ambulatórios e serviços de urgência, o
que demanda capacitação das equipes de saúde para uma atenção qualificada, com continuidade da assistência
até a resolução completa dos problemas, evitando-se internação hospitalar desnecessária. A pneumonia é uma
das principais doenças da infância e importante causa de morte evitável em menores de 5 anos. A asma e sua
associação com a alergia e pneumonia merecem atenção especial, seja por se tratar de uma das principais causas
de internação e procura em serviços de urgência, seja pela interferência na qualidade de vida da criança. As
parasitoses intestinais, com a doença diarréica, demandam ações intersetoriais integradas e promotoras de
acesso à água tratada e ao esgotamento sanitário, além de tratamento adequado (BRASIL, 2005a).
PEDICULOSE
Doença produzida pela presença de um ácaro parasita (lêndeas e/ou o “piolho” no cabelo) que provoca
prurido em couro cabeludo na sua maioria das vezes.
Orientações:
Hábitos de higiene; Prevenção na família; Remoção das lêndeas - Utilizar o pente fino; Investigar outros
casos no núcleo familiar e escolar; Crianças menores de dois anos, encaminhar para Consulta Médica.
CONSTIPAÇÃO INTESTINAL
É a eliminação de fezes de consistência endurecida, em pequenos volumes, ocasionando grande esforço e
dor por parte da criança, independente do intervalo entre as evacuações.
Orientações:
Diminuir alimentos obstipantes (batata, cenoura cozida, banana-maçã e farináceos); Oferecer alimentos ricos em
fibras: verduras, mamão, laranja, tomates verdes, cenoura crua, farelo de trigo e aveia; Aumentar a ingestão
hídrica; Oferecer chá de ameixa preta, 1 a 2 ameixas de molho em 75 ml de água filtrada. Se a criança controla o
esfíncter, estimular o uso do vaso sanitário, após as refeições principais, momento em que o reflexo gastrocólico
estimula as contrações em massa e a evacuação pode ser facilitada.
Garantir a criança uma postura fisiológica durante a evacuação; Exercícios e massagem abdominal no sentido
horário; No caso de fissura anal, orientar passar lidocaína gel 20 minutos, ou mais, antes das evacuações.
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Observação:
Nos recém-nascidos com aleitamento materno exclusivo pode ocorrer ausência de evacuação até sete dias
(constipação intestinal fisiológica), porém devem ser avaliados pelo médico.
CÓLICA DO RECÉM-NASCIDO - Orientações
Colocar a criança em decúbito ventral apoiada nos braços sem mamar; Massagear o abdome em movimentos
circulares no sentido horário; Compressas mornas no abdome; Não utilizar medicamentos tipo anti-espasmódico
ou chás; Tranquilizar a mãe, incentivando o vínculo e observar a dinâmica familiar; Orientar dieta do lactente sem
aleitamento materno; Encaminhar para avaliação médica.
DIARREIA
Doença caracterizada pela perda de água e eletrólitos, que resulta no aumento do volume e da frequência
das evacuações e diminuição da consistência das fezes, apresentado algumas vezes muco e sangue (disenteria).
Considera-se diarréia quando há ocorrência de três ou mais evacuações amolecidas ou líquidas em um
período de 24 horas. A maioria dos episódios de diarréia é provocada por um agente infeccioso e dura menos de
duas semanas. Caso a diarréia dure mais de 14 dias, é considerada diarréia persistente.
Orientações: Aumentar a oferta de líquidos: água, leite materno, chá, suco, água de coco, sopa (alimentos de
fácil digestão e absorção). Não introduzir novos alimentos; Diminuir a quantidade de alimentos, mas aumentar o
número de refeições para evitar a anorexia; Melhorar o teor energético, cuidado com o acréscimo de gorduras;
Oferecer de hora em hora soro distribuído na rede pública, principalmente após evacuações líquidas; As crianças
com desidratação leve ou moderada devem receber terapia de reidratação oral na Unidade de Saúde e ser
reavaliada pelo Enfermeiro; Não oferecer suco artificial, refrigerantes; Orientar sinais de desidratação e, no caso,
retorno ao serviço de saúde.
FEBRE
A febre é um dos sintomas mais comuns em crianças e importante motivo de preocupação dos pais. A
febre é um mecanismo fisiológico do corpo que tem efeitos benéficos no combate à infecção.
A temperatura corporal normal varia com: idade (na criança até 1 ano de idade é mais elevada que a do
adulto), período do dia (mais baixa na madrugada e no início da manhã, máxima no final da tarde e no início da
noite), local de medição (temperatura retal é maior do que a bucal, e esta é maior do que a axilar); também devem
ser considerados temperatura ambiental elevada, excesso de agasalhos.
Febre pode ser definida como a temperatura acima de 37,2 ºC (axilar), 37,5 ºC (bucal) ou 38 ºC (retal).
Orientações no aconselhamento de pais ou cuidadores enfatizar:
A febre é não uma doença, mas sim um mecanismo fisiológico do corpo que tem efeitos benéficos no combate à
infecção; A maioria das febres é de curta duração; O grau de febre nem sempre se correlaciona com a gravidade
da doença; O tratamento da febre tem apenas a finalidade de melhorar o conforto da criança; Doses ajustadas ao
peso corporal de paracetamol (15-30 mg/kg), ibuprofeno (5-10 mg/kg), e dipirona (16 mg/kg), atingem pico de efeito
3-4 horas após a administração; Dipirona, por seus potenciais efeitos adversos, só deve ser utilizada se não houver
outras opções; Banho e compressas frias não funcionam quando usados isoladamente e devem ser feitos apenas
se ajudam a melhorar o conforto da criança; Armazenar os medicamentos em local seguro; Observar sinais de
risco e procurar o serviço de saúde quando necessário.
GRIPE
Causada pelo Influenza, um vírus RNA
A influenza pode apresentar-se de várias formas clínicas, dependendo principalmente da idade do hospedeiro. As
crianças menores de dois anos de idade apresentam morbidade semelhante à observada nos grupos de risco para
infecção grave por influenza, caracterizada por elevada taxa de hospitalização, aumento do número de consultas
médicas e complicações por infecção secundária.
Esta gravidade deve-se à falta de imunidade e provavelmente ao pequeno calibre de suas vias aéreas. Mais
de 1% das infecções por vírus influenza em crianças menores de 1 ano de idade resulta em hospitalização.
A imunização anual contra influenza tem sido a principal medida para a profilaxia da doença e redução da
morbimortalidade. As vacinas são modificadas anualmente, com base em recomendações da Organização Mundial
da Saúde (OMS). Recomenda-se aplicar anualmente nos meses de outono, antes do período epidêmico do vírus.
É aprovada para crianças acima dos 6 meses de vida.
PARASITOSE INTESTINAL
Ascaridíase, Giardíase, Amebíase
Orientações:
Utilizar água tratada ou fervida; Lavar bem os alimentos e deixá-los de molho em água com hipoclorito 2,5% (duas
gotas por litro) por 30 minutos e lavar novamente; Comer carne bem cozida ou assada; Manter sempre as mãos
limpas, principalmente antes das refeições, após evacuações e ao preparar os alimentos; Manter as unhas curtas e
limpas;
Proteção dos alimentos contra poeira, moscas e outros animais; Estar sempre com os pés calçados; Manter vasos
sanitários e fossas sempre cobertos e higienizados; Não usar água parada para banho ou brincar; Se indicado
medicamento, salientar usar conforme foi orientado; Crianças abaixo de 10 kg devem ser encaminhadas para
consulta médica.

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Investigar queixas nos demais membros da família: Na suspeita em adultos, solicitar exame parasitológico de
fezes. No caso de queixas das demais crianças da família, encaminhar para o médico.
CÁRIE DENTÁRIA
Fatores de risco:
Uso noturno de mamadeira adoçada (com açúcar, achocolatados ou mel), consumo excessivo de carboidratos,
ausência de higiene e de flúor, transmissibilidade.
Orientações:
Orientar uso individual de escova, escovar os dentes após ingestão de alimentos, guardá-las higienizadas e secas,
separadamente; Limpeza dos primeiros dentinhos com escova macia e creme dental infantil em quantidade mínima
(um grão de arroz); Escovar ou oferecer água após uso de antibióticos; Oferecer alimentos duros: frutas que
motivam a boa mastigação (maçã); Lavar a chupeta com água corrente e não com a própria saliva. Não assoprar
os alimentos, pois um dos causadores da cárie dentária, o streptococcus mutans, que é presente na boca, pode
ser transmitido desta forma. Não compartilhar talheres; Orientar higiene oral desde o primeiro dente decíduo.
HIGIENE ORAL
A higiene oral deve ser realizada a partir da presença do primeiro dente decíduo, continuar fazendo a
higiene da boca, friccionando cuidadosamente os dentes.
Recomenda-se que a primeira consulta odontológica do bebê seja feita entre o nascimento do primeiro
dente (geralmente aos 6 meses) e os 12 meses de idade.
De 06 a 18 meses - Para bebês em fase de erupção dos dentes incisivos: gaze ou fralda umedecida em água
potável, duas vezes ao dia.
De 18 A 36 meses – Para bebes em fase de erupção de molares já é possível limpar os dentes da criança com
escova dental macia, duas vezes ao dia.
Após esta faixa etária deve ser feita com a supervisão de um adulto de maneira mais completa.
Em localidades onde a água de abastecimento público é fluorada, esta limpeza deve ser feita só com
escova e água, sem dentifrício ou com dentifrício sem flúor, pelo risco de ingestão de pasta, comum nas crianças
desta faixa etária; que pode levar a fluorose.
O uso do fio dental está indicado quando os dentes estão juntos, sem espaços entre eles, uma vez ao dia.
Entre 3 a 7 anos
Após a criança ter escovado os próprios dentes, os pais deverão complementar esta higienização. Evitar mamadas
na madrugada, principalmente mamadeiras açucaradas e mesmo o leite materno, principalmente em crianças
maiores de um ano: oferta inoportuna de alimentos desencadeia risco de aspiração, obesidade e “cárie de
mamadeira” de difícil tratamento e controle.
PROBLEMAS NUTRICIONAIS PREVALENTES NA INFÂNCIA
A Política Nacional de Alimentação e Nutrição (Pnan), atualizada pela Portaria n.º 2.715, de 17 de
novembro de 2011, tem como uma de suas diretrizes a prevenção e o controle dos distúrbios nutricionais e das
doenças associadas à alimentação e nutrição e à promoção da alimentação e modos de vida saudáveis (BRASIL,
2012).
Os principais agravos nutricionais das crianças brasileiras são a anemia, a obesidade e a desnutrição
(BRASIL, 2009f). Para o enfrentamento desses quadros é necessária ação integrada em todas as instâncias,
federal, estadual e municipal, assim como a participação dos profissionais de saúde em ações que levem a uma
melhor nutrição e saúde de toda a população e, principalmente, dos grupos mais vulneráveis (BRASIL, 2012).
Apesar das medidas individuais e populacionais adotadas no país, mantém-se a elevada prevalência de
anemia.
ANEMIA – A anemia é a condição na qual o conteúdo de hemoglobina no sangue está abaixo do normal como
resultado da carência de um ou mais nutrientes essenciais. A hemoglobina é o pigmento dos glóbulos vermelhos
(Eritrócitos) e tem a função de transportar o oxigênio dos pulmões para os tecidos. Valores normais para crianças
de seis meses a seis anos são de 11 g/dl. A anemia por deficiência de ferro é, na atualidade, o principal problema
nutricional em escala de saúde pública do mundo e suas repercussões nos primeiros anos de vida são o menor
desenvolvimento cognitivo, motor e/ou social/emocional (BRASIL, 2009f).
A anemia é um dos fatores mais importantes relacionados ao baixo peso ao nascer, à mortalidade materna
e ao déficit cognitivo em crianças. A deficiência de ferro é a causa mais comum de anemia e a carência nutricional
específica mais prevalente tanto em países industrializados como nos em desenvolvimento sendo ainda
considerada uma carência em expansão em todos os segmentos sociais, atingindo principalmente crianças
menores de dois anos e gestantes.
As equipes de Atenção Básica devem estar atentas às recomendações para a suplementação profilática
com sulfato ferroso a partir dos 6 meses de idade. Outras medidas, desde o nascimento como o clampeamento
tardio do cordão umbilical e o aleitamento na primeira hora de vida, podem prevenir esse agravo e devem ser
consideradas no rol de atribuições de todos os profissionais que assistem a criança no nascimento. A
amamentação exclusiva nos 6 primeiros meses de vida e a orientação para práticas adequadas de alimentação
complementar saudável devem ser estimuladas na Atenção Básica para prevenção da anemia (BRASIL, 2009).
A deficiência de vitamina A é um agravo prevalente no país, doença nutricional grave que é a causa mais
frequente de cegueira prevenível entre crianças e adultos. Além das alterações oculares que podem levar à
cegueira, a deficiência contribui para o aumento das mortes e doenças infecciosas na infância.

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O Programa Nacional de Suplementação de Ferro, do Ministério da Saúde e a política de fortificação
obrigatória das farinhas de trigo e milho com ferro e ácido fólico e a orientação nutricional constituem o conjunto de
estratégias voltadas para o controle e a redução da anemia por deficiência de ferro no país. Tais estratégias
recomendam a suplementação a todas as crianças de 6 a 18 meses (ou, se não estiverem em período de
aleitamento materno exclusivo, a partir dos 4 meses) e mais cedo para as crianças de baixo peso ao nascer e pré-
termo (abaixo de 37 semanas) também sugerem profilaxia a partir dos 6 meses nas crianças que não recebem
ferro suficiente por meio da alimentação complementar (BRASIL, 2005).
Recomenda-se ainda o uso do sulfato ferroso em gotas, já amplamente utilizado e disponível nas
farmácias das unidades de saúde.
Orientações:
 Comparar a palma da mão da criança com a da mãe e do examinador.
 Tipo de aleitamento e aceitação das refeições de sal.
 Antecedentes da criança, prematuridade, baixo peso ao nascer e morbidade neonatal.
 Administrar o sulfato ferroso -> 3 a 5mg/kg/dia por 3meses - trinta minutos antes das refeições, associado
a sucos ricos em vitamina C e escovar os dentes em seguida.
 Estimular a ingestão de alimentos variados, evitando a ingestão de leite e derivados, de refrigerantes,
chocolate e achocolatados, chá preto ou mate próximo às refeições (diminui a absorção de ferro).
 Alertar o cuidador para a mudança da coloração das fezes.
 Crianças com alterações, encaminhar para consulta médica.
Recomendações:
A carne deve, sempre que possível, fazer parte da composição das papas; Deve-se oferecer um pedaço
pequeno de fígado de boi uma vez por semana; Deve-se oferecer uma fruta com vitamina C in natura, amassada,
após as refeições principais, como o almoço e o jantar; Deve-se preferir a fruta em vez do suco natural. “No
entanto, o suco natural (feito na hora) pode ser oferecido, em pequenas quantidades, após as refeições principais”.
Frutas ricas em vitamina C: laranja, limão, caju, lima, acerola, abacaxi, goiaba, tomate etc.
OBESIDADE
Outro problema a ser enfrentado é a obesidade, que já supera a desnutrição na população infantil. A
prevalência de sobrepeso e obesidade infantil está aumentando em todo o mundo, com reflexos na saúde pública.
No Brasil, a obesidade vem aumentando em todas as camadas sociais e pode gerar consequências no curto e
longo prazo, sendo importante preditivo da obesidade na vida adulta.
Sua prevenção inicia-se desde a gestação, com a promoção do crescimento fetal intraútero pleno,
prevenção do crescimento intrauterino restrito e da prematuridade, incluindo a ocorrência de nascimento de RN “a
termo precoces”/prematuros tardios, que aumenta o risco de desenvolvimento de obesidade na vida adulta.
Portanto, intervir precocemente, ou seja, prevenir a obesidade na infância significa diminuir, de uma forma
racional e menos onerosa, a incidência de doenças crônicodegenerativas (aterosclerose e a hipertensão arterial).
Fatores de risco → história familiar, hábitos alimentares desregrados, alto consumo de alimentos
energéticos/baixo consumo em alimentos ricos em fibras e a falta de atividade física (sedentarismo).
Sinais e sintomas: Ganho de peso acima do esperado para estatura, segundo a idade e sexo e aumento
de tecido celular subcutâneo.
Orientações:
Montar uma rotina alimentar, junto à família, definindo horários para o café da manhã, almoço, lanche da
tarde e jantar; Evitar ingestão de alimentos nos intervalos das refeições; Incentivar a família a aumentar o consumo
de grãos, frutas e verduras, salientando a importância da mastigação, diminuir o consumo de alimentos ricos em
carboidratos de absorção rápida e gorduras e a não ingestão de líquidos durante as refeições; Ingerir água a
vontade entre as refeições; Estimular a prática de exercícios físicos regulares, lazer em áreas livres e parques,
diminuindo o tempo destinado a assistir televisão; Solicitar à família fazer um diário alimentar e trazê-lo às
consultas.
A prevenção da obesidade é necessária desde o nascimento, com o estímulo ao
aleitamento materno (fator protetor) e a formação de hábitos alimentares saudáveis nos primeiros anos de vida
(SKINNER et al., 2002).
Obs.: A obesidade por si só, é fator de risco importante. Portanto, toda criança com sobrepeso ou obesa deve
passar em consultas médicas periódicas independentes de ter outros fatores de risco associados. Reforçar
orientação quanto aos 10 passos para alimentação saudável, agendar retorno conforme a necessidade do
acompanhamento.
DESNUTRIÇÃO – A desnutrição pode ocorrer precocemente na vida intrauterina (baixo peso ao nascer) por
fatores relacionados à gestação, e frequentemente cedo na infância, em decorrência da interrupção precoce do
aleitamento materno exclusivo e alimentação complementar inadequada nos primeiros 2 anos de vida, associada,
muitas vezes, à ocorrência de repetidos episódios de doenças infecciosas diarréicas e respiratórias (BRASIL,
2009d).
As equipes de AB têm um papel fundamental na prevenção e no manejo dos agravos nutricionais, devendo
incentivar ações de promoção à saúde, como orientação alimentar para as famílias, acompanhamento pré-natal,
incentivo ao parto normal e ao aleitamento materno, orientação sobre introdução de alimentos complementares,
acompanhamento do crescimento e desenvolvimento, suplementação de vitamina A dos 6 aos 59 meses e a
suplementação de ferro em doses preventivas para crianças de 6 a 24 meses.
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Nas situações em que os agravos nutricionais persistirem faz-se necessária a atenção especializada. É
fundamental a definição de equipes e serviços de referência que possam garantir a continuidade do cuidado por
meio da articulação da Redes de Atenção à Saúde RAS.
Orientações para baixo peso
Abordar hábito alimentar; Oferecer 6 a 7 refeições por dia; Evitar guloseimas entre as refeições; Orientar
diluição correta do leite e preparo de papas e purês; Oferecer frutas e sucos; Oferecer pratos coloridos com
verduras e legumes; Incentivar aleitamento materno e orientar alimentação complementar adequada; Preencher
gráfico de crescimento e desenvolvimento da caderneta da criança.
Atenção Integral à Criança em Situação de Violências
A violência é um fenômeno que se desenvolve e dissemina nas relações sociais e interpessoais,
implicando sempre uma relação de poder que não faz parte da natureza humana. A violência sempre é expressão
de uma relação de poder em que o lado mais forte usa da força para impor seu desejo ou humilhar o polo mais
frágil.
Há diversos tipos de violência, tais como: física, psicológica, sexual, negligência, exploração sexual e
bullying.
Os temas relacionados às violências e aos acidentes, também definidos como causas externas,
configuram-se como grave problema de saúde pública, devido ao caráter endêmico, à pressão sobre os serviços
de saúde e ao impacto com graves repercussões na vida das famílias. O Brasil tem reduzido a mortalidade infantil
e na infância, mas não tem conseguido sucesso na diminuição de mortes e lesões evitáveis por essas causas.
Para efeito da política, considera-se como violência “quaisquer atos ou omissões dos pais, responsáveis,
instituições e, em última instância da sociedade em geral, que redundam em dano físico, emocional, sexual e
moral” abrangendo ainda a negligência e/ou abandono. O termo acidente é consagrado pelo uso, contudo,
podemos assumir que tais eventos são, em maior ou menor grau, previsíveis e preveníveis, retirando-lhes, assim, a
conotação fortuita e casual que lhe pode ser atribuída (BRASIL, 2001a). Para ambos os agravos, tanto os
acidentes como as violências, devem-se investir em ações de prevenção e de promoção, considerando-se que são
eventos evitáveis.
As medidas normativas, especialmente o Estatuto da Criança e do Adolescente, repudiam a violência, e
este defende que: “nenhuma criança será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração,
violência, crueldade e opressão”. A criança tem o direito de ser educada e cuidada sem o uso de castigo físico, de
tratamento cruel ou degradante como forma de correção, disciplina ou qualquer outro pretexto (Lei n.º 13.010, de
26 de junho de 2014) (BRASIL, 1990b, BRASIL, 2014n).
A violência, definida como agressão n Código Internacional de Doenças, é muito frequente na faixa etária
de 0 a 9 anos, embora nem sempre leve à internação hospitalar ou ao óbito. A partir de 2009, o módulo de
Vigilância de Violências e Acidentes (Viva) passou a integrar o sistema de Informação de Agravos de Notificação,
versão net (Sinan- Net), disponível para os 5.565 municípios brasileiros.
Nos serviços de saúde, a abordagem da criança e sua família em situação de violência demanda a
humanização do cuidado, com acolhimento e cuidado multiprofissional, para que o problema não seja reduzido aos
aspectos físicos e biológicos.
Em relação ao atendimento de crianças e adolescentes, vale sugerir alguns princípios gerais no sentido de
nortear as intervenções:
 No atendimento à criança e adolescente em situação de violência é importante fazer o levantamento da
história de vida para ampliar a compreensão sobre o contexto da pessoa. Essa análise envolve conhecer a
situação familiar e da rede social. Identificar se existe apoio social externo representado por pessoas ou
instituições da comunidade.
 É importante avaliar o grau de vulnerabilidade e risco que a pessoa está sujeita.
 O cuidado deve buscar a garantia de direitos, tendo como princípio orientador o atendimento integral às
múltiplas dimensões envolvidas no fenômeno da violência. As ações devem potencializar a autonomia,
favorecer a participação na rede, reduzir danos, mudanças nas condições que geram, mantém ou facilitam a
dinâmica na situação de violência, facilitar acesso às políticas de saúde e sociais, educação, trabalho, renda
e assistência (encaminhamentos para rede de saúde e social).
 Garantir o direito à convivência familiar e comunitária, proteção integral e preservação de vínculos familiares
e comunitários. O afastamento da criança é medida que deve ser usada em casos de risco significativo para
a integridade da pessoa. Se os pais apresentam abusos ou dependência ao álcool ou outras drogas, a
Unidade Básica faz o acolhimento e pode encaminhar o familiar para o CAPS-AD, se necessário.
 Reconhecer no exame físico sinais de violência: equimoses, escoriações, hiperemia, mordeduras, incisões
com arma branca e lesões em genitália. Caso seja necessário, acionar o Conselho Tutelar. Eventualmente,
pode contatar diretamente com o Juizado da família.
 Realizar a notificação obrigatória dos casos suspeitos ou confirmados de violência.
 Propiciar um ambiente seguro, terapêutico para expressão dos sentimentos da criança.
 Utilizar metodologias lúdicas (desenho, brinquedo e artes cênicas) para identificar situações de violência.
Valoriza-se, nesse processo, a postura ética, a confidencialidade e o sigilo, com diagnóstico ágil e seguro,
mediante o uso de técnicas que melhor atendam ao superior interesse da criança como pessoa em condição
peculiar de desenvolvimento (MAGALHÃES, 2011).
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A violência sofrida durante a infância e adolescência, pode desestruturar a base de formação física e
psíquica da pessoa, comprometendo a autoestima e a capacidade de estabelecer relações afetivas. Todas essas
formas de maus tratos podem causar danos, muitas vezes irreversíveis, ao desenvolvimento biopsicossocial.
Crianças e adolescentes em situação de violência precisam de cuidado para curar suas feridas.
PREVENÇÃO DE ACIDENTES
A palavra “acidente” é tradicionalmente usada para definir a ocorrência de eventos que resultem em uma
lesão. Por ser mais abrangente, considera as categorias: “intencional” e “não intencional”, sendo que a categoria
“intencional” pode ser subdividida em violência “interpessoal” e “autoprovocada”.
A OMS define um acidente como algo que resultou ou poderia ter resultado em uma lesão; contudo, a
palavra “acidente” carrega uma conotação de imprevisibilidade ou casualidade, levando a crer que seja
incontrolável ou não prevenível, como se fosse uma determinação do destino.
Os acidentes na infância representam importante causa de morte, gerando enorme sofrimento às famílias,
e são responsáveis por custo econômico elevado ao sistema de saúde, principalmente nos casos em que deixam
sequelas e invalidez por toda a vida.
De acordo com os dados da PNDS 2006, as principais causas de acidentes com crianças, registrados nos
serviços de saúde, são as quedas (81%), as queimaduras (10%), os choques elétricos (8,6%), as mordeduras de
animais (7,6%) os afogamentos (6,1%), as intoxicações (4,9%), os esmagamentos (4%), os acidentes de
transporte (4%), o envenenamento (1%) e outros tipos de acidentes (1,3%). Esses acidentes ocorreram 81% das
vezes na própria residência, 11,3% em outra casa, 3,9% na rua, 1,9% na escola e 2% em outros lugares (BRASIL;
CENTRO BRASILEIRO DE ANÁLISE E PLANEJAMENTO, 2009).
As ações de prevenção para adoção de atitudes que promovam a segurança das crianças devem levar em
consideração os fatores de risco e vulnerabilidade e o estágio de desenvolvimento de cada criança, tendo em vista
tratar-se de período de crescimento em que o comportamento exploratório é natural e pode colocá-la em situações
que apresentem risco a sua integridade. Com a adoção de atitudes simples de proteção no ambiente doméstico
muitos dos acidentes podem ser evitados como a adoção de grades, redes e barreiras de proteção, entre outras.
Os profissionais da Atenção Básica, por atuarem nas comunidades e manterem um contato mais próximo
com as famílias e suas crianças, podem realizar ações educativas para evitar e prevenir acidentes, especialmente
durante as visitas domiciliares. Deve-se avaliar aspectos de segurança no ambiente doméstico, orientar os
responsáveis, com linguagem acessível e sem julgamentos, sobre medidas simples para a segurança da criança,
de acordo com a Caderneta de Saúde da Criança (BRASIL, 2014i).
Por isso, é importante que os profissionais de saúde reflitam sobre essas categorias e suas repercussões
ao abordar os casos de “acidentes” e a prevenção de situações que coloquem em risco a integridade física e
mental da criança que sofreu algum tipo de “acidente”. São atitudes que podem contribuir para a desconstrução do
caráter imprevisível de eventos cuja cadeia causal pode ser identificada e rompida.
Cuidados para garantir a segurança das crianças, a fim de evitar acidentes
Quedas – Proteja o berço e o cercado com grades altas com no máximo 6 cm entre elas. Nunca deixe a criança
sozinha em cima de qualquer móvel, nem por um segundo. Jamais deixe a criança sob os cuidados de outra
criança. Coloque, nas janelas, redes de proteção ou grades que possam ser abertas em casos de incêndio. Instale
barreiras de proteção nas escadas. Certifiquese de que o tanque de lavar roupas está bem fixo, para evitar
acidentes. Coloque proteções nas escadas e janelas. Proteja os cantos dos móveis.
Queimaduras – No banho, verifique a temperatura da água (o ideal é 37ºC). Enquanto estiver com a criança no
colo, não tome líquidos quentes. Evite fumar dentro de casa, principalmente com a criança no colo. Use as bocas
de trás do fogão e mantenha os cabos das panelas voltadas para o centro do fogão. Mantenha as crianças longe
do fogo, de aquecedores e ferros elétricos. As crianças não devem brincar com fogo. Evite que usem fósforo e
álcool.
Sufocação – Nunca use talco próximo ao rosto da criança. Ajuste o lençol do berço, cuidando para que o rosto do
bebê não seja encoberto por lençóis, cobertores, almofadas e travesseiros. Utilize brinquedos grandes e
inquebráveis. Afaste sacos plásticos, cordões e fios.
Intoxicação – Mantenha produtos de limpeza e medicamentos fora do alcance das crianças, em locais altos e
trancados.
Afogamentos – Nunca deixe a criança sozinha na banheira. Não deixe as crianças sozinhas perto de baldes,
tanques, poços e piscinas.
Medicamentos – Nunca dê à criança um remédio que não tenha sido receitado pelo médico.
Acidentes no trânsito – Código de Trânsito Brasileiro (CTB) determina que, nesta fase, a criança deve ser
transportada no bebê-conforto ou no assento infantil conversível para carros e veículos de trânsito automotivo (uma
cadeira especial em forma de concha, levemente inclinada, que deve ser colocada no banco de trás, voltada para o
vidro traseiro, conforme as orientações do fabricante).
Atropelamentos – Evite acidentes na rua. Segure a criança pelo pulso. Assim, você impede que ela se solte e
corra em direção à rua. Não permita que a criança brinque em locais com trânsito de veículos (garagem e rua) e
escolha lugares seguros para as crianças brincarem (parques, ciclovias, praças e outros lugares próprios para o
lazer infantil).
Choques – Coloque protetores nas tomadas e nos fios elétricos, deixando-os longe do alcance de crianças.
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TRABALHO INFANTIL
O trabalho infantil, é considerado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) um grave problema
social, expõe a criança às mais diversas situações de vulnerabilidade, que afetam o seu desenvolvimento
biológico, social e psicológico.
É considerado como violência, uma vez que priva as crianças de sua infância, seu potencial e sua
dignidade, o que é prejudicial para seu desenvolvimento físico e psicológico, especialmente quando são envolvidas
em atividades perigosas e exploração comercial e sexual, colocando em risco sua saúde, segurança e
desenvolvimento moral.
Desde os anos 90, o Brasil tornou-se reconhecido pela adoção de medidas legislativas avançadas na luta
contra o trabalho infantil (TI), sendo que a Constituição Federal proíbe o trabalho por menores de 16 anos, exceto
dos 14 a 16 na condição de aprendiz. No período de 1992 e 2011 reduziu em 56% o Trabalho Infantil; e entre 2009
e 2011 mais de 597 mil crianças deixaram atividades laborais em todo o território nacional.
O desconhecimento ainda vigente, particularmente na faixa etária abaixo de 10 anos e em relação a alguns
tipos de trabalho (informal, ilegal, doméstico, familiar), tem impedido que medidas mais eficazes de erradicação
sejam implantadas.
O trabalho infantil compromete, a curto e médio prazo, o crescimento e o desenvolvimento (físico,
sensorial, cognitivo e psicológico), além de privar do acesso à escola (ou a um bom rendimento escolar) e ao
convívio em sociedade. Em relação a acidentes de trabalho, a prevalência entre menores de 16 anos é cerca de 6
vezes maior que entre adultos.
O SUS conta com a Rede Nacional de Saúde do Trabalhador (Renast), composta de Centros de
Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest). O sistema de coleta de dados permite quantificar as piores formas
de trabalho infantil, e tem sido aprimorado, como a “Notificação de Acidentes do Trabalho Graves e com Crianças e
Adolescentes”. Os profissionais da Atenção Básica, Estratégia da Saúde da Família (ESF), em parceria com os
profissionais dos Cerests, por terem acesso aos lares brasileiros, podem contribuir na identificação e no combate
ao trabalho infantil e a proteção ao trabalhador adolescente.
PROGRAMA NACIONAL DE IMUNIZAÇÃO – PNI
É indiscutível o relevante papel de prevenção e promoção que as imunizações desempenham na Atenção
Básica à Saúde. Poucas ações são tão fortemente evidenciadas como capazes de proteger a saúde infantil e de
impactar a incidência e a prevalência de doenças na infância.
As ações de vacinação são coordenadas pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), com o objetivo
de erradicar, eliminar e controlar as doenças imunopreveníveis no território brasileiro.
A vacinação é a maneira mais eficiente de evitar diversas doenças imunopreveníveis, como a varíola
(declarada mundialmente erradicada em 1980), a poliomielite/paralisia infantil (eliminada das Américas em 1994),
sarampo, tuberculose, rubéola, gripe, hepatite A e B, febre amarela, entre outras.
Os registros, na Caderneta de Saúde da Criança, das vacinas do Calendário Nacional de Vacinação
recebidas pela criança, devem ser sempre observados pelos profissionais da Atenção Básica e mesmo de outros
serviços de saúde que venham a ter contato com ela, com objetivo de que esteja sempre com a vacinação
atualizada (BRASIL, 2014i).
É importante verificar se o recém-nascido recebeu a 1° dose da vacina contra hepatite B e da BCG na
maternidade e se será necessário indicar a aplicação dessas vacinas na unidade de saúde.
Para reduzir as taxas de morbimortalidade das doenças imunopreveníveis é importante conhecer a
situação dessas doenças, que devem ser notificadas imediatamente pela equipe de saúde, para se traçar as
medidas de prevenção e controle.
As equipes de saúde devem organizar-se para acompanhar a cobertura vacinal das crianças de sua área,
realizar o controle e a busca ativa de crianças com vacinas atrasadas. O atraso vacinal pode ser um indicativo de
dificuldades de acesso ou outras situações de vulnerabilidade enfrentadas pela família.
Essas ações de vigilância são essenciais para a prevenção de doenças e agravos, além de ampliar a
cobertura vacinal, principalmente a partir dos 5 anos de vida, que não tem sido atingida. Investimentos específicos
devem ser empregados pelos gestores municipais e estaduais, no intuito do aumento da cobertura vacinal em todo
território.
SAÚDE BUCAL
A educação e a motivação de todo o núcleo familiar são importantes para a saúde bucal da criança,
especialmente nos primeiros anos de vida (BRASIL, 2006).
A incorporação de hábitos de higiene bucal, o controle da ingestão de açúcares e a alimentação saudável
feita pela família resultarão em saúde bucal para a criança e, consequentemente, melhor qualidade de vida para
todos. A equipe de saúde deve estar atenta para avaliar quais são os hábitos familiares e estimular, desde o pré-
natal, o envolvimento da mãe e dos familiares no cuidado da saúde bucal do bebê.
A Política Nacional de Saúde Bucal, intitulada Brasil Sorridente, pauta-se nos princípios e nas diretrizes
do SUS. Na Atenção Integral à Saúde da Criança essa política se insere de forma transversal, integral e
intersetorial nas linhas de cuidado direcionadas à mulher e à criança, com o objetivo de promover a qualidade de
vida desse público, por meio das ações de promoção, prevenção, cuidado, qualificação e vigilância em saúde
(BRASIL, 2004a).
Uma das principais doenças bucais, a cárie dentária. Nos últimos anos, especialmente após a
implementação do Brasil Sorridente, houve redução significativa do índice de cárie dentária em crianças brasileiras.
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Segundo critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil passou a fazer parte do grupo de
países com baixa prevalência de cárie aos 12 anos, ao reduzir o índice de dentes cariados, perdidos ou obturados.
O acesso à saúde bucal deve ter início no pré-natal e será incorporado no acompanhamento do crescimento e no
desenvolvimento da criança. A equipe de saúde deve trabalhar de forma articulada, encaminhando a gestante para
a consulta odontológica ao iniciar o pré-natal. Deve-se garantir ao menos uma consulta odontológica durante o pré-
natal, com agendamento das demais consultas, conforme as necessidades individuais da gestante. A equipe de
Saúde Bucal deverá efetuar os registros das ações realizadas nas Cadernetas de Saúde da Criança e da Gestante
(BRASIL, 2004a, 2008b).
Para estabelecer um bom vínculo, os profissionais da equipe de Saúde Bucal podem realizar o primeiro
contato por meio de atividades em grupo (ex.: orientações aos pais e responsáveis e, em seguida, o exame clínico
dos bebês), interconsulta (ex.: atendimento conjunto do médico ou enfermeiro com o cirurgião-dentista) ou consulta
sequencial programada (ex.: estipular o dia da consulta odontológica no mesmo dia e horário da consulta de
acompanhamento médico e de enfermagem).
O vínculo criado entre a equipe de saúde e a família possibilita que esta não se sinta ansiosa em suas
primeiras consultas odontológicas e permite que hábitos sejam identificados e modificados para melhorar a saúde
bucal da criança e da família (BRASIL, 2005a).
Recomenda-se que a primeira consulta odontológica do bebê seja feita entre o nascimento do primeiro
dente (geralmente aos 6 meses) e uma segunda aos 12 meses de idade. Após o 1º ano de vida, a equipe de
Saúde Bucal deverá realizar uma programação de consultas periódicas para a criança, em função da avaliação de
risco e vulnerabilidade, devendo-se garantir pelo menos uma consulta ao ano, com o devido preenchimento da
Caderneta de Saúde da Criança.
Por volta dos 18 meses aparecem os molares decíduos, o que vai exigir maiores cuidados de limpeza
(introdução obrigatória da escova dental), pois estes dentes apresentam sulcos retentivos de placa bacteriana. Aos
36 meses, deve estar completa a dentição decídua, que consta de 10 dentes superiores e 10 inferiores.
A faixa etária entre 2 e 9 anos de idade é ideal para estimular o desenvolvimento de hábitos saudáveis e
para participação em programas educativos/preventivos de saúde bucal. O enfoque familiar é importante, uma vez
que o aprendizado se dá também por meio da observação do comportamento dos pais (BRASIL, 2008b).
O ambiente escolar é também um espaço eficiente para o desenvolvimento de atividades de prevenção de
doenças e promoção da saúde bucal, desenvolvido pelo Programa Saúde na Escola (PSE). Os profissionais de
saúde devem desenvolver, com os educandos, atividades de escovação supervisionada, aplicação de flúor nos
casos necessários e atividades educativas em sala de aula, com o envolvimento de outros temas de saúde
(alimentação saudável, autoestima, autocuidado, entre outros) e no próprio território, além da realização anual da
avaliação da saúde bucal dos escolares (BRASIL, 2004a, 2012h).
PROGRAMA SAÚDE NA ESCOLA – PSE
A nova concepção em saúde na escola foi incorporada nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) em
1997, consagrando o tema da saúde como transversal às disciplinas e às ações no contexto escolar, nas
dimensões da promoção da saúde, de prevenção de doenças e agravos e de atenção e cuidados à saúde de
crianças e adolescentes.
As Políticas de Saúde e de Educação investiram no Programa Saúde na Escola (PSE), instituído pelo
Decreto Presidencial n.º 6.286, de 5 de dezembro de 2007 (BRASIL, 2007c), tendo como principais desafios o uso
de estratégias pedagógicas coerentes com a produção de educação e saúde integral, fundamental para produzir
autocuidado, autonomia e participação dos escolares de acordo com a idade que se encontram.
São inúmeras as possibilidades de atuação do PSE no território, no desenvolvimento de atividades lúdicas
de promoção da saúde, na identificação precoce e oportuna de problemas de saúde, no desenvolvimento e
aprendizagem, na construção de estratégias articuladas que evitem a medicalização das dificuldades escolares, na
qualificação dos profissionais, familiares e responsáveis, ampliando a capacidade de produzir diálogo e vínculos
entre as partes envolvidas.
A organização das ações do PSE, por meio das equipes das Unidades Básicas de Saúde e das escolas,
está estruturada de forma intersetorial, segundo os seguintes componentes: avaliação das condições de saúde,
promoção da saúde e prevenção de doenças e agravos, e formação de profissionais de saúde e educação.
A avaliação das condições de saúde tem por objetivo avaliar a saúde bucal, ocular, auditiva, situação
vacinal, vigilância alimentar e nutricional e o desenvolvimento, com encaminhamento para a rede de saúde,
quando necessário. A avaliação conjunta das equipes de Saúde e da Educação, com a participação da família e/ou
responsáveis, promove o desenvolvimento integral da criança e permite trocas de saberes, de informações e
corresponsabilidades.
A promoção da saúde e prevenção de doenças e agravos acontece quando se articula práticas de
educação e saúde, visando garantir oportunidade a todos os educandos de fazerem escolhas mais favoráveis à
saúde e desenvolverem a autonomia e autocuidado, portanto, serem autores do processo de produção da própria
saúde e a melhoria de sua qualidade de vida em relação: (i) à alimentação saudável e segurança alimentar e
nutricional; (ii) a práticas corporais atividade física e lazer; (iii) à saúde mental e estratégias que evitem a
medicalização; (iv) à prevenção da gravidez não planejada, DSTs e aids; (v) ao direito à saúde sexual e
reprodutiva; (vi) à prevenção ao uso do álcool, tabaco e outras drogas; (vii) à prevenção de violências e acidentes,
promoção da cultura de paz e direitos humanos; (viii) à saúde ambiental e desenvolvimento sustentável, entre
outras ações e estratégias de promoção da saúde.
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A gestão do PSE é centrada em ações intersetoriais, que requerem a articulação das redes de Saúde, de
Educação e dos demais setores, por meio de Grupos de Trabalho Intersetorial (GTI), nas três esferas de governo:
federal, estadual e municipal.
O GTI possui responsabilidades de gestão do incentivo financeiro, do material clínico e pedagógico, e do
apoio às equipes de saúde e educação nos territórios. Articula a continuidade da atenção na rede de saúde,
subsidia processos de planejamento e formação intersetorial, contribui com a implementação das ações, do
monitoramento e da avaliação e promove intercâmbio das tecnologias produzidas pelas equipes, entre outras
funções.
A proposta é que se construa um projeto comum de cuidado às crianças, integrando a escola, a Unidade
Básica de Saúde e as famílias/responsáveis para a produção de saúde delas, de acordo com a sua fase de
crescimento e desenvolvimento, potencializando os fatores de proteção e minimizando as vulnerabilidades.
SAÚDE DO ADOLESCENTE
A atenção à saúde do adolescente tem sido um importante desafio para a organização dos serviços de
saúde. Destaca-se cada vez mais a necessidade do estabelecimento de políticas para a adolescência,
considerando o grande contingente populacional que estes grupos representam e também a importância do
desenvolvimento integral de suas potencialidades.
Segundo a Organização Mundial da Saúde e o Ministério da Saúde a adolescência é delimitada como o
período entre os 10 e 20 anos incompletos; o período de 10 a 24 anos é considerado como juventude. O Estatuto
da Criança e do Adolescente (ECA) delimita adolescentes entre 12 e 18 anos, percebendo-se então que, por um
período, adolescência e juventude coincidem.
A prática da Atenção Integral à Saúde do adolescente se reveste de grandes desafios. O principal é o de
desfazer-se do conceito que associa o adolescente aos problemas e preocupações e de que ser jovem representa
riscos de ter ou ser problema. O risco generalizado não deve definir e nem circunscrever negativamente esse
período de vida.
Recomenda-se a utilização de vocabulário novo na interlocução da Saúde com a adolescência: os fatores
de proteção, autoestima, plano e perspectivas de vida, percepção de talentos, criatividade, juízo crítico,
espiritualidade são exemplos de áreas de abordagem que podem fazer parte da atenção à Saúde dos
Adolescentes, conferindo-lhe uma nova roupagem, onde risco e proteção são abordados de maneira conjunta.
Esta transição está relacionada à aquisição de uma maior autonomia em diversos campos da vida,
expressa na possibilidade de manter-se profissionalmente, na aquisição de valores pessoais, no estabelecimento
de uma identidade sexual, de relações afetivas estáveis e de relações de reciprocidade com a geração precedente,
familiares e membros da sociedade.
ATENDIMENTO AO ADOLESCENTE
O atendimento ao adolescente deve sempre levar em conta, dentre outras variáveis, o processo de
crescimento e desenvolvimento e sua vulnerabilidade a inúmeros agravos físicos, psíquicos e sociais, cuja análise
permitirá a identificação dos fatores protetores que devam ser promovidos e os riscos que deverão ser afastados
e/ou atenuados. Abrange ações interdisciplinares, intersetoriais e interinstitucionais, voltadas para a prevenção e
promoção da saúde, para o atendimento local e para o encaminhamento de situações e problemas específicos
desta faixa etária.
A própria condição de ausência de oportunidade para refletir, construir um projeto de vida e concretizá-lo,
pode colocar qualquer adolescente em situação de risco, independente da situação social em que se encontre.
Didaticamente poderíamos classificá-los em:
Risco biológico – Obesidade, doenças crônicas, etc.
Risco emocional – Depressão, ansiedade, uso e abuso de drogas, etc.
Risco familiar – Pais alcoolistas, com transtornos mentais, paternidade/maternidade prejudicada (conflito no
desempenho do papel mãe/pai) etc.
Risco social – Morar em áreas de tráfico de drogas, pobreza extrema, exploração sexual infantil, violência etc.
CONSULTA DE ENFERMAGEM AO ADOLESCENTE - ORIENTAÇÕES
A consulta de enfermagem fundamenta-se no processo de interação, investigação, diagnóstico, educação
e intervenção, baseada em uma relação de confiança e empatia onde o enfermeiro deve manter uma postura de
compreensão e atenção a todas as informações, queixas e necessidades que levaram o adolescente a procurar
esse atendimento.
 Durante a primeira consulta é importante estabelecer um “pacto” ou “contrato” com o adolescente e sua família,
sendo informados sobre o sigilo da consulta, a partir do qual, o que for dito pelo adolescente só será repassado
aos pais com o consentimento deste, exceto em situações de risco de vida próprio ou de terceiros.
 É fato que qualquer criança ou adolescente não precisa de acompanhantes para passar em consulta em
qualquer instituição de saúde, e a presença dos pais (onde há conflitos familiares presentes) associa os
“contratos” ao adulto e não ao próprio adolescente.
 Seguindo estes mesmos princípios, quando o adolescente procurar o atendimento sozinho e mostrar
maturidade para se responsabilizar por seu tratamento, seus pais serão convidados a comparecer somente, se
ele estiver de acordo.
 É fundamental dispor de um tempo adequado para cada atendimento, principalmente para a realização de uma
abordagem integral e de orientações preventivas. Alguns retornos podem ser necessários para estabelecer um
vínculo de confiança e esclarecer situações mais complexas.
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 Se o adolescente não estiver à vontade para responder, o profissional poderá postergar essas questões para
outro encontro.
 No caso dos profissionais da Estratégia Saúde da Família, ao identificar um adolescente com questões de risco
ou de saúde mais complexa tem a necessidade de tentar expandir seu vínculo através do Agente Comunitário
de Saúde para auxiliá-lo no acompanhamento, incentivá-lo a buscar mais vezes esse profissional para discutir e
refletir sobre seus problemas como também envolver toda a família.
 No Histórico de Enfermagem ou levantamento de dados é importante abordar como ele está se sentindo em
relação às mudanças corporais e emocionais pelas quais está passando, ao seu relacionamento com a família
e com seus pares, a forma como utiliza as horas de lazer, as suas vivências anteriores no serviço de saúde, as
expectativas quanto ao atendimento atual e a seus planos para o futuro se conhece a rede da região.
 Além disso, a menarca, a espermarca, ciclo menstrual, tristeza, melancolia, dificuldade em lidar com as
frustrações, não se sentir compreendido, rejeições, uso de drogas e ideia ou tentativa de suicídio, são temas
que podem estar presentes na vida de alguns adolescentes e o fato de perguntar (se preocupar) é importante e
estratégico, pois abre uma possibilidade de identificação e pode reforçar a empatia entre o profissional e o
adolescente.
A CONSULTA DE ENFERMAGEM DEVE CONTEMPLAR:
Higiene e alimentação; Orientações sobre os métodos anticoncepcionais; Orientações preventivas para
DST/AIDS, gravidez precoce não planejada e aborto; Avaliação e fornecimento de anticoncepção de emergência;
Vacinação; Orientação sobre sexualidade e informações sobre diferentes opções sexuais; Identificação da
influência familiar, grupo cultural, social, mídia; Observação de risco para exploração sexual, violência doméstica e
fugas; Vinculação escolar e bullying; Orientações sobre álcool, drogas, uso de piercings e tatuagens; Convidar para
grupos existentes na Unidade e na Comunidade; Encaminhamentos para acompanhamento médico, psicológico e
odontológico.
CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO PUBERAL - AVALIAÇÃO
É na puberdade que se inicia o aparecimento dos caracteres sexuais secundários: broto mamário no sexo
feminino e no masculino aumento dos testículos e desenvolvimento dos pelos pubianos em ambos os sexos.
Termina com o completo desenvolvimento físico, parada do crescimento, que se constata pela soldadura
das cartilagens de conjugação dos ossos longos e aquisição da capacidade reprodutiva, em vista do
amadurecimento das gônadas. (VILELA; FUGIMORE, 2009).
Os adolescentes durante a puberdade ganham cerca de 20% de sua estatura final e 50% de seu peso
adulto. Ao rápido crescimento em estatura, característico desta fase, dá-se o nome de estirão puberal.
Recomenda-se a avaliação antropométrica (peso, altura e avaliação nutricional) anualmente até o final da
adolescência e com maior frequência se for detectado algum problema (baixa estatura, baixo peso, sobrepeso e
obesidade).
MATURAÇÃO SEXUAL
SEXO FEMININO – A primeira manifestação é o surgimento do broto mamário, em média aos 9 anos, que pode
ser doloroso e unilateral, demorando até 6 meses para o crescimento do contralateral. No mesmo ano há o
aparecimento dos pelos pubianos. Aproximadamente aos 10 anos de idade começam a aparecer os pelos axilares
acompanhados pelo desenvolvimento das glândulas sudoríparas, o que pode proporcionar o odor característico do
adulto. A primeira menstruação, denominada menarca, pode vir prescindida de uma secreção vaginal clara. A
idade média para a menarca gira em torno de 12 anos aproximadamente. Os primeiros ciclos menstruais
geralmente são anovulatórios e irregulares, por até 3 anos pós-menarca. Após a menarca a adolescente pode
crescer em média 7 cm.
SEXO MASCULINO – A primeira manifestação de maturação sexual é o aumento do volume testicular, por volta
dos 10 anos. O crescimento peniano ocorre geralmente um ano após o crescimento dos testículos, sendo que
primeiro o pênis cresce em comprimento e depois em diâmetro. Os pelos pubianos aparecem em torno dos 11
anos, em seguida são os pelos axilares, faciais e os do restante do corpo. A primeira ejaculação denominada
espermarca, ocorre em média aos 12 anos, e a mudança da voz acontece mais tarde. No adolescente masculino
é comum identificar entre os 13 e 14 anos, a ginecomastia púbere (aumento do tecido mamário), frequentemente
bilateral, com consistência firme e móvel e, ás vezes pode ser bem doloroso. Regride espontaneamente em até 2
anos. Quando não involui em 24 meses, deverá ser avaliada pelo médico da equipe/unidade para possível
encaminhamento. A polução noturna é a ejaculação noturna involuntária, ou seja, saída de sêmen durante o sono,
decorrente de um estímulo cerebral para sonhos eróticos que levam ao orgasmo. É um evento fisiológico normal,
mas ás vezes pode causar constrangimentos e dúvidas aos adolescentes, que devem ser orientados e
tranquilizados pelo enfermeiro ou outro profissional da equipe.
ATENÇÃO: Considera-se retardo puberal a ausência de qualquer característica sexual secundária em meninas
após os 13 anos de idade, e em meninos após 14 anos (M.S,2008). Considera-se puberdade precoce, quando
ocorre o aparecimento de caracteres sexuais secundários antes dos 8 anos, nas meninas, e antes dos 9 anos nos
meninos. (CARVALHO, 2007)
ALIMENTAÇÃO NA ADOLESCÊNCIA
A adolescência é um período de transição entre a infância e a idade adulta, potencialmente determinada
por fatores psicológicos, socioeconômicos e culturais que irão interferir diretamente na formação dos hábitos
alimentares.
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A nutrição tem papel crítico no desenvolvimento do adolescente sendo o consumo de dieta inadequada
uma influencia desfavorável sobre o crescimento somático e maturação. Outro fator que influencia sobre as
necessidades nutricionais é a realização de exercício físico.
Atualmente, a preferência dos adolescentes por lanches rápidos, substitutos das grandes refeições e
principalmente do jantar, geralmente favorece o desequilíbrio na dieta. A combinação dos alimentos nem sempre é
variada, resultando em cardápios muito calóricos e pouco nutritivos.
A associação entre este estilo de vida pouco saudável e o surgimento do elevado número de pessoas com
sobrepeso e/ou obesidade, com o aumento de doenças crônico-degenerativas (hipertensão arterial, diabetes,
alteração nos níveis de colesterol e triglicérides, doenças cardiovasculares e cerebrovasculares), constitui-se um
problema prioritário de saúde pública, inclusive no grupo etário de crianças e de adolescentes.
PARA MELHOR ESTILO DE VIDA É NECESSÁRIO ORIENTAR:
Fazer as refeições em ambiente tranquilo, juntamente com a família (criar rotina) sem associar às
atividades de entretenimento (televisão, revistas, computador, etc.). Incorporar ao cotidiano, técnicas como comer
devagar e mastigar bem os alimentos, permitindo um melhor controle da ingestão e uma adequada percepção da
saciedade e plenitude; Ingerir todos os grupos de alimentos (pães, massas e tubérculos, frutas e hortaliças, carnes
e peixes, feijão e outras leguminosas, leite e derivados e quantidades moderadas de gorduras, sal e açúcares);
Reduzir o consumo de sanduíches, biscoitos recheados, frituras, balas e outras guloseimas. Esses alimentos
possuem elevados teores de gorduras saturadas, açúcar simples, corantes e conservantes; Aumentar a ingestão
de líquidos, principalmente, água, nos intervalos das refeições, evitando o excesso durante as mesmas. Diminuir o
consumo de refrigerantes e sucos artificiais; Consumir regularmente alimentos fontes de fibra: hortaliças,
leguminosas, cereais integrais como arroz, pães e aveia, frutas; Incorporar a prática de atividade física regular
como caminhar, andar de bicicleta, jogar bola e outras; Estimular busca de atividades prazerosas como hobbies,
ter animal de estimação, fazer trabalho voluntário, participação em atividades de grupos como dança, teatro,
musica, arte, etc.
IMUNIZAÇÃO DO ADOLESCENTE – A maioria dos adolescentes frequentemente apresenta carteira de vacinação
incompleta, com esquema básico de vacinação interrompido. Nesse caso, não é necessário reiniciar o esquema e
sim completá-lo.
Outra situação comum é aquela em que não há informação disponível sobre vacinação anterior. Se a
informação for muito duvidosa, recomenda-se considerar como não vacinado.
SEXUALIDADE – a adolescência, afloram-se muitos questionamentos relacionados à identidade sexual, às
transformações do corpo e à vivência das primeiras experiências sexuais. A sexualidade não está restrita ao ato
sexual. Envolve desejos e práticas relacionados à satisfação, ao prazer, à afetividade e autoestima.
É importante para todas as pessoas e especialmente para os adolescentes e jovens conhecer o
funcionamento do seu corpo.
Para promover a saúde sexual e a saúde reprodutiva de adolescentes e jovens, é fundamental a realização
de ações educativas que tenham como princípio a igualdade entre homens e mulheres, incentivo ao respeito mútuo
nas relações e que sejam rejeitadas todas as formas de violência e atitudes discriminatórias – discriminação contra
homossexuais ou a ridicularização dos que não sejam sexualmente ativos, entre outras. Essas atividades podem
ser realizadas nos diversos espaços comunitários (clubes, escolas, local recreativos, associações).
Utilizando uma linguagem acessível, simples e objetiva, devem ser dadas informações completas e
precisas sobre sexualidade, contracepção, gravidez, proteção contra doenças sexualmente transmissíveis e
realização do preventivo de câncer do colo uterino.
O início da atividade sexual, cedo/precoce ou tardia, deve ser precedido das informações necessárias para
uma vida sexual saudável, livre de doenças e de problemas.
PRINCIPAIS AGRAVOS NA ADOLESCÊNCIA
OBESIDADE – É um distúrbio do estado nutricional traduzido por aumento de tecido adiposo localizado ou
generalizado, provocado por desequilíbrio nutricional associado ou não a distúrbios genéticos ou endócrino-
metabólicos.
Doença crônica multifatorial, de difícil tratamento, disseminada em todas as camadas sociais, sendo sua
etiologia uma complexa interação entre fatores genéticos e ambientais.
A obesidade é considerada um problema de saúde pública devido a sua alta incidência na população em
geral, sendo considerada pela Organização Mundial da Saúde como uma epidemia.
Para o acompanhamento da obesidade existem vários métodos de avaliação nutricional para identificar o
sobrepeso e a obesidade, como a antropometria e a avaliação da composição corporal.
Consequências da obesidade:
Hipertensão arterial, hiperlipidemia, doença cardiovascular, cálculos biliares, diabetes; Irregularidades
menstruais, infertilidade, gravidez de risco, eclampsia e pré-eclampsia, maior possibilidade de infecção no
puerpério; Diminuição dos níveis de testosterona e maior chance de desenvolver a ginecomastia púbere;
Isolamento social, baixa autoestima, depressão, dificuldade de aceitação pelo grupo.
CONSULTA DE ENFERMAGEM - OBESIDADE
É necessário estabelecer objetivos e intervenções individualizadas, baseadas na idade, grau de obesidade,
fatores comportamentais, psicológicos, sociais e na presença de comorbidades.
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O objetivo principal do atendimento é fornecer recomendações para mudanças na dieta e atividade física,
que podem ser implementadas dentro do ambiente familiar e que promovam a saúde, crescimento e
desenvolvimento adequados.
O envolvimento da família é fundamental para auxiliar a mudança no comportamento alimentar dos
adolescentes, sendo assim é necessário capacitar os pais a fim de facilitar a mudança de comportamento dos
adolescentes para uma alimentação saudável e um estilo de vida mais ativo.
No histórico de enfermagem investigar:
A vontade de emagrecer; Hábito alimentar da família; Hábito alimentar do adolescente dentro e fora de casa
(realizar um diário com o adolescente sobre a sua alimentação); Prática de atividade física (frequência, tipo e
tempo de atividade); Obesidade na família - pai, mãe, irmãos e avós; Tratamentos anteriores na tentativa de
emagrecimento: dietas, medicamentos e exercícios; Problemas de saúde associados e internações devido às
consequências da obesidade.
TRANSTORNOS ALIMENTARES
A anorexia e bulimia constituem transtornos alimentares frequentemente de prognóstico reservado, e que
acometem, principalmente, adolescentes e adultos jovens, mais do sexo feminino, apresentando gravidade
semelhante em ambos os sexos.
Anorexia Nervosa – O diagnóstico de anorexia nervosa, cujo significado é perda do apetite, requer quatro critérios
diagnósticos definidos no Manual das Desordens Mentais.
1. Recusa em manter o peso dentro dos limites considerados normais para altura e idade (abaixo de 15% do
peso considerado ideal).
2. Medo de ganhar peso.
3. Distúrbio grave da imagem corporal, medida predominante da autoavaliação, com negação da gravidade
da doença.
4. Ausências de ciclos menstruais ou amenorréia (mais que três ciclos).
A anorexia nervosa afeta principalmente, jovens adolescentes frequentemente entre os 13 e 17 anos, do
sexo feminino, que voluntariamente reduzem a ingestão alimentar por um medo mórbido de engordar, com perda
progressiva e desejada de peso, chegando a graus extremos de caquexia, inanição e até à morte. As estimativas
de mortalidade giram em torno de 15% a 20 %.
Geralmente, o quadro é desencadeado por um fator estressante como, por exemplo, comentários sobre o
peso, pressão profissional ou uma ruptura afetiva. Apesar de emagrecido, o adolescente costuma perceber-se
gordo ou desproporcional, o que se denomina insatisfação ou distorção da imagem corporal.
A perda de peso constitui-se no grande objetivo do adolescente, que faz uso de dietas severas, períodos
de jejum, pratica exercícios físicos em exagero e usa ou abusa de medicações laxativas, diuréticas e/ou inibidores
do apetite.
É justamente, pelo quadro de desnutrição que os familiares buscam tratamento médico, muitas vezes com
resistência por parte do adolescente.
Ao realizar a consulta, o profissional deve levar em conta que o adolescente tem dificuldade em dizer o que
está sentindo ou pensando, este adolescente tem uma baixa autoestima e imagem corporal perturbada.
Bulimia – Os critérios para o diagnóstico de bulimia pelo Manual das Desordens Mentais incluem os seguintes
itens:
1. Episódios de ingestão excessiva com sensação de perda de controle (às vezes em períodos de duas
horas, ingerem quantidades consideradas muito grandes, que outras pessoas não afetadas não ingeririam
nesse mesmo período nem nessas circunstâncias).
2. A ingestão excessiva é compensada por comportamento de expurgo (vômitos auto induzidos, laxantes ou
diuréticos) ou não expurgo.
3. A ingestão excessiva e os comportamentos compensatórios ocorrem pelo menos duas vezes por semana,
por três meses.
4. Insatisfação com a forma do corpo e com o peso.
Esses acessos incontroláveis de ingestão alimentar ocasionam sentimentos de baixa autoestima, culpa,
vergonha, depressão levando ao isolamento social, evitando reuniões sociais ou viagens.
A etiopatogenia da bulimia nervosa também inclui, com grande frequência, conflitos familiares, história de
abuso sexual na infância e questões sobre o desenvolvimento de feminilidade.
Geralmente, o início dos sintomas ocorre nos últimos anos da adolescência até os 40 anos, estando a
idade média de início em torno dos 20 anos de idade. É mais frequente no sexo feminino, na mesma proporção da
anorexia nervosa.
COMPORTAMENTOS COMUNS EM ADOLESCENTE BULÍMICO
Após as refeições ficam longos períodos no banheiro - provocação de vômitos; Uso freqüente e indevido
de laxantes e/ou diuréticos; Excessos de exercícios físicos, negligenciando outras atividades sociais; Comem mais
que o habitual várias vezes na semana, perdendo o controle da quantidade ingerida; Com frequência sentem-se
tristes ou irritados sem motivo aparente.
Nestes casos, a desnutrição não costuma ser tão marcante quanto na anorexia nervosa. Porém, o impacto
na vida social e familiar causado por ambas as doenças são semelhantes.

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O tratamento dos transtornos alimentares são, quase sempre, desafiadores e complexos, visto que se
depara com um quadro de confusão, perplexidade, chegando ao franco desespero do adolescente e de seus
familiares.
Várias modalidades terapêuticas específicas são necessárias, entre elas, destaca-se a terapia nutricional,
baseada na orientação e reeducação alimentar, a psicofarmacoterapia, a psicoterapia individual e do grupo familiar
que devem ser desenvolvidas por uma equipe multidisciplinar.
SAÚDE BUCAL DO ADOLESCENTE
As estratégias de prevenção dos principais agravos à saúde bucal devem incluir aquelas que impeçam o
aparecimento de doenças. As principais afecções que devem ser observadas pelos Enfermeiros são: cáries,
gengivites, má-oclusão, traumatismos, halitose, aftas e outras.
CÁRIE – A cárie é causada por bactérias presentes na placa bacteriana.
Conduta: Instruir sobre higiene bucal, ingestão de dieta não-cariogênica, detecção precoce de hábitos viciosos
(mascar chicletes, excesso de ingestão de doces, morder ponta de canetas e lápis, uso de drogas e outros).
Encaminhar ao Serviço Odontológico.
AFTAS – Caracterizam-se por lesões ulcerosas agudas, localizadas na mucosa bucal, podendo ocorrer em grupos
ou isoladas. Podem ser úlceras pequenas, menores de 1 cm de diâmetro, que persistem por 10 a 14 dias e se
curam sem cicatrizes.
As crises recorrentes são comuns com duas ou três úlceras em cada surto. As mulheres são acometidas
com mais frequência que os homens.
As causas são desconhecidas, porém sabe-se que a baixa imunidade por deficiência de ferro, vitamina
B12 e ácido fólico aumenta a susceptibilidade.
Estresse, trauma local por mordida ou uso incorreto da escova dental também são fatores que auxiliam o
aparecimento de aftas.
Conduta: Orientar o adolescente para evitar alimentos ácidos (frutas cítricas, tomate, ketchup, mostarda e outros)
e realizar bochechos frequentes com água morna sem soluções alcoólicas. Caso não melhore encaminhar para
avaliação Odontológica ou Médica.
GENGIVITE – É a inflamação da gengiva causada principalmente, pelo acúmulo de placa bacteriana, restos
alimentares e toxinas.
Clinicamente a gengiva fica inchada, coloração avermelhada, aspecto brilhante e sangramento ao toque,
durante a escovação ou o uso do fio dental.
A gengivite, quando não tratada, pode evoluir para a doença periodontal, que compromete os tecidos de
sustentação dos dentes, como o osso e os ligamentos periodontais, podendo levar à perda dos dentes.
Conduta: A higiene bucal correta com escova e fio dental remove a placa bacteriana. Orientar para que não deixe
de realizar a higiene bucal quando houver sangramento. Encaminhar para avaliação Odontológica.
HALITOSE – O mau hálito não é uma doença, mas um sinal de alerta de que existe alguma condição anormal a
ser localizada e corrigida.
O difícil convívio com o mau hálito pode levar o adolescente a tentar contornar de forma errada o problema
(chupar balas e mascar chicletes) e não ter resultado positivo.
É importante salientar que a halitose é uma severa restrição social, podendo levar o adolescente a passar
por constrangimentos profissionais e afetivos.
As causas podem estar relacionadas às seguintes condições: Má higiene dos dentes, língua e gengiva, da prótese
e dos aparelhos ortodônticos.
Outras causas: Gastrite, Sinusopatia, Caseum em amígdalas
Conduta:
Estimular a correta higiene bucal: escovação dos dentes e da língua, uso frequente do fio dental,
gargarejos salinos para remover resíduos das amígdalas. Orientar a evitar dietas emagrecedoras que causam
hipoglicemia e redução de saliva. Orientar para comer bem devagar, mastigar bem os alimentos e respeitar os
horários das refeições. Orientar para evitar jejum prolongado, beber no mínimo 1 litro e meio de água por dia.
Orientar a não fumar e não ingerir bebidas alcoólicas.
GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA
Segundo dados do Ministério da Saúde o número de partos no Brasil vem decrescendo nestes últimos 5
anos, na faixa etária entre 15 a 19 anos. Este fato deve-se à intensificação das campanhas em relação ao uso de
preservativo, disseminação de informação quanto aos métodos anticoncepcionais e um maior acesso da população
aos serviços de saúde.
Apesar deste decréscimo, a gravidez na adolescência continua sendo um fator preocupante no caso de
situação de risco. As consequências da gravidez serão agravadas de acordo com a idade, paridade, aderência ao
pré-natal, ganho ponderal e fatores psicológicos, socioeconômicos e culturais da adolescente.
É importante lembrar que gestantes menores de 16 anos necessitam ser acompanhadas pelos serviços de
referência devido ao potencial de risco. Envolve a necessidade de reestruturação e reajustamento em várias
dimensões: em primeiro lugar, verificam-se mudanças de identidade e uma nova definição de papéis – a mulher
passa a se olhar e a ser olhada de uma maneira diferente.

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A experiência da gravidez na adolescência pode, no olhar da adolescente, não ser vivenciada como um
problema, dependendo das circunstâncias em que ocorre.
A falta de perspectiva em relação à vida pode tornar a gravidez e, consequentemente, a maternidade um
projeto de vida e a possibilidade de mudança de status no meio familiar de origem e ingresso na vida adulta.
A paternidade para esses jovens pode promover a sua ascensão à vida adulta, redefinindo sua identidade
de “homem sério e maduro” especialmente, entre familiares uma vez que assumem o papel de Chefe de Família.
Dicas para o Atendimento de adolescentes grávidas
 Realizar o pré-natal de baixo risco (gestante com 16 anos ou mais), definindo preferencialmente, um dia da
semana para o atendimento de adolescentes;
 Assumir uma postura acolhedora e compreensiva frente a adolescente e sua família;
 Estimular a participação do pai da criança durante todo o pré-natal, desde consultas até grupos, exames,
etc.;
 Desenvolver grupos específicos para adolescentes grávidas e seus companheiros, sempre que possível,
dando ênfase a questões próprias desta faixa etária;
 Enfatizar a necessidade do cuidado com a saúde reprodutiva a fim de prevenir uma segunda gravidez não
desejada e DSTs/AIDS;
 No caso de teste de gravidez negativo, encaminhar para grupo de saúde reprodutiva;
 Não rotular os adolescentes como incapazes de cuidar de uma criança;
 Encaminhar os adolescentes para atividades culturais, esporte, lazer, etc;
 Orientar os familiares para uma postura menos recriminatória e punitiva;
 Orientar a necessidade do apoio familiar ao invés de assumir a função do adolescente como pais.
VIOLÊNCIA NA ADOLESCÊNCIA
BULLYING – e acordo com Fante (2005, p.62-63), o bullying começa frequentemente, pela recusa de aceitação de
uma diferença, seja ela qual for, mas sempre notória e abrangente, envolvendo religião, raça, estatura física, peso,
cor dos cabelos, deficiências visuais, auditivas e vocais; ou é uma diferença de ordem psicológica e social, sexual
e física; ou está relacionada a aspectos como força, coragem e habilidades desportivas intelectuais.
Ele é o responsável pelo estabelecimento de um clima de medo e perplexidade em torno das vítimas, bem
como dos demais membros da comunidade educativa que indiretamente se envolvem no fenômeno sem saber o
que fazer (FANTE, 2005, p.61).
Mesmo com a identificação do fenômeno e de seus participantes, muitos diretores e professores negam
sua existência e/ou não enxergam meios de coibir e/ou prevenir seu desenvolvimento.
Enquanto isso resta àqueles que sofrem ações do bullying, as opções de deixar a escola carregando o
peso das tensões infligidas. Suportar em silêncio as agressões que os tornarão rancorosos em relação a toda
imagem ou pessoa associada ao ambiente escolar ou reproduzir em outras pessoas, a humilhação e violência que
sofreram, ampliando dessa maneira o seu alcance, limitando seu desenvolvimento enquanto cidadão (FANTE,
2005).
INTERVENÇÃO DO ENFERMEIRO
Na Unidade Básica de Saúde (UBS), quando for detectada uma situação de bullyng, a equipe deve
procurar o Diretor da Escola e propor um trabalho em conjunto, através de formação de grupos, onde os pais têm
uma fundamental importância na participação.
Estes grupos têm o objetivo de estimular a curiosidade em relação ao bullyng, suas implicações no
universo escolar e consequentemente, na sociedade.
Nestes encontros é importante apresentar alguns depoimentos que são encontrados em comunidades de
redes sociais. Quanto às crianças ou adolescentes, estes devem receber um atendimento com especial atenção e
ser encaminhado para o Serviço de Psicologia.
A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E A VIOLÊNCIA SEXUAL
A morbimortalidade de adolescentes e jovens também é marcada por modalidades de violências como a
violência física ou sexual, a negligência e a violência psicológica. Dentre estas, sendo que a maior parte das
vítimas não-letais pertence ao sexo feminino, estão a violência sexual e a violência doméstica, que, em geral, não
evoluem a óbito, mas podem causar severos danos à saúde física e mental.
A violência doméstica e/ou violência intrafamiliar é um fenômeno multifatorial que apresenta várias formas
de violência interpessoal, cometidas por pessoas que têm laços familiares, conjugais ou de parentesco com as
suas vítimas, vínculo afetivo e, ou relações de poder de ordens física, etária, social, psíquica, hierárquica ou de
gênero.
A violência sexual é todo ato, com assimetria de poder, onde uma pessoa obriga a outra a realizar práticas
sexuais contra a sua vontade, por meio de força física, influência psicológica ou ameaça e pelo uso de armas ou
drogas.
Na vertente da violência, outra cruel expressão de violação de direitos humanos é a exploração sexual de
adolescentes e jovens no território brasileiro, que tem um impacto direto sobre a saúde sexual e a saúde
reprodutiva.
Para a abordagem dessas graves questões, referentes à violência doméstica e sexual e à exploração
sexual, de crianças e adolescentes, é necessário:

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 Apoiar as ações de promoção da saúde e de prevenção de riscos e agravos nas regiões de saúde,
organizando as redes temáticas para a questão;
 Articular as linhas de cuidado integral que reorientem e qualifiquem os serviços de saúde para atenção
integral a adolescentes e jovens, de ambos os sexos, vítimas e autores de violência e a seus familiares,
apoiando-se na rede social na qual se integram essas famílias;
 Fazer com que as ações dialoguem com a política de Saúde da Mulher, Saúde da Criança e Aleitamento
Materno e Saúde do Homem; DST/Aids, Promoção de Saúde, Redução de Acidentes e de Violências,
Política de Atenção Básica, Saúde Bucal, com a Alta e a Média Complexidade, com o VIVA/SINAN, a
Rede Nacional de Prevenção das Violências e de Promoção da Saúde, com a Funasa, com o processo de
Regulação e de Controle e com a Política de Saúde Mental.
 A integração das ações com outros setores, colaborando na organização das redes intersetoriais de
proteção e de garantia de direitos para adolescentes, com parceiros de interface como a Política Nacional
para Mulheres, o Plano Nacional de Enfrentamento da Violência e da Exploração Sexual contra Crianças e
Adolescentes; a Política Nacional de Tráfico de Pessoas, a Agenda Social, o Pronasci, o ProJovem
Adolescente, a Secretaria de Direitos Humanos, com o Ministério da Justiça, com o ministério de
Desenvolvimento Social e de Combate à Fome.
Nesse contexto, o setor da saúde visa à promoção do direito à saúde de todas as pessoas, à garantia dos
direitos de crianças e adolescentes preconizados no Estatuto da Criança e do Adolescente, apoiado no exercício
dos direitos sexuais e direitos reprodutivos livres de discriminação, coerção e violência; articulando ações
intersetoriais para notificação de casos, atendimento integral, prevenção de agravos, promoção da saúde.
DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS
As Doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) são prevalentes entre adolescentes e aumentam o risco
de infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV).
A atividade sexual sem a utilização de preservativos torna os adolescentes e jovens mais expostos às
DST.
Todo adolescente com suspeita de DST que apresente os sinais ou queixas deve ser orientado a procurar
a UBS para um exame clínico.
Alguns sinais e queixas que indicam o surgimento de DST:
 Meninas: Corrimento vaginal, verrugas e feridas, coceira e ardência, dor durante o ato sexual, dor no baixo
ventre.
 Meninos: Corrimento uretral (pinga-pinga), verrugas e feridas, coceira e ardência.
Quem apresenta mais risco de contrair DST?
Qualquer um pode pegar DST – casado, solteiro, jovem, adulto, rico ou pobre; Quem tem relações sexuais
sem camisinha/preservativo; Pessoas que usam drogas injetáveis e compartilham seringas; Companheiro de
usuários de drogas injetáveis que compartilham seringas; Pessoas que receberam transfusão de sangue não
testado.
Às vezes, não aparecem sintomas ou sinais visíveis por fora, e isso é comum ocorrer com as mulheres.
Mas, mesmo assim, a doença pode ser passada para o parceiro ou parceira sexual.
A inclusão do adolescente em ações de promoção à saúde tem sido um grande desafio para o enfermeiro
no seu dia a dia.
Não existem fórmulas prontas para a realização dos grupos de adolescentes, mas o objetivo principal
destes grupos deve basear-se na participação, desenvolvimento de reflexão crítica e estímulo à criatividade e
iniciativa.
PROGRAMA SAÚDE NAS ESCOLAS (PSE).
Atualmente existe um programa voltado para escolares, chamado Programa Saúde nas Escolas (PSE). O
profissional que trabalha com adolescentes deve entendê-los, estar disponível para ouvi-los, dentro da sua
realidade, respeitar a diversidade de ideias, sem julgar. A promoção à saúde e prevenção de agravos para o
adolescente deve ser desenvolvida pela equipe em integração com diferentes instituições na comunidade, como a
escola, ação social, cultura, grupos de jovens, de arte, capoeira, hip hop, entre outros. Deve-se aproveitar para
divulgar informações, ajudando no esclarecimento de dúvidas e na sensibilização da comunidade.
 Esquema vacinal; Sexualidade: doenças sexualmente transmissíveis (DST), HIV/Aids, anticoncepção,
gravidez; Uso de álcool e outras drogas; Importância da educação; Violência e acidentes; Riscos no
trânsito; Atividade física e saúde; Hábitos saudáveis; Saúde bucal.
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