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MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO

UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS


REGIONAL CATALÃO

OBRAS DE TERRA

Tópico:

ANÁLISE DA ESTABILIDADE DE TALUDES

Profª Paola Mundim


pmundim_souza@hotmail.com
1 - INTRODUÇÃO
● Os métodos para análise de estabilidade de taludes, atualmente em
uso, baseiam-se na hipótese de haver equilíbrio numa massa de solo,
na eminência de entrar em um processo de escorregamento.

● Daí a denominação geral de métodos de “EQUILÍBRIO-LIMITE”.

● Com base no conhecimento das forças atuantes, determinam-se as


tensões de cisalhamento induzidas, por meio de equações de
equilíbrio.

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1 - INTRODUÇÃO

●O objetivo da análise de estabilidade é AVALIAR A


POSSIBILIDADE DE OCORRÊNCIA DE ESCORREGAMENTO
DE MASSA de solo presente em talude natural ou construído.

● Em geral, as análises são realizadas comparando-se as tensões


cisalhantes mobilizadas com resistência ao cisalhamento.

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1 - INTRODUÇÃO
● A análise termina com a comparação dessas tensões com a
comparação da resistência ao cisalhamento do solo em questão.

● A partir de 1916, os suecos desenvolveram os métodos de análise, hoje


em uso, baseados nos métodos de equilíbrio-limite.

● Constataram que as linhas de ruptura eram aproximadamente


circulares e que o escorregamento ocorria de tal modo que A MASSA
DE SOLO INSTABILIZADA SE FRAGMENTAVA EM FATIAS
OU LAMELAS, COM FACES VERTICAIS.

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1 - INTRODUÇÃO
● Na década de 1930, Fellenius estendeu a análise a partir de lamelas
para levar em conta também a coesão na resistência ao
cisalhamento do solo.

● No estudo da estabilidade de taludes costuma-se definir o coeficiente


de segurança (F) como a relação entre a resistência ao cisalhamento
do solo (s) e a tensão cisalhante atuante ou resistência mobilizada
(τ):
𝑠
𝐹=
𝜏
• Sendo a resistência ao cisalhamento, calculada em termos das
tensões efetivas 𝑠 = 𝑐 ′ + 𝜎.
ഥ tan Φ′

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1 - INTRODUÇÃO

• Evidentemente, não se conhece a posição da linha de ruptura ou


“linha crítica”, isto é, da linha à qual está associado o coeficiente
de segurança mínimo → o que se consegue por tentativas.

• Atualmente essa tarefa é facilitada graças aos recursos de


computação.

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1 - INTRODUÇÃO

TIPOS DE ANÁLISE

• TEORIA DE EQUILÍBRIO LIMITE

• ANÁLISE DE TENSÕES

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2 – MÉTODOS DE EQUILÍBRIO-LIMITE

O método de análise por equilíbrio limite consiste na determinação


do equilíbrio de uma massa ativa de solo, a qual pode ser delimitada
por uma superfície de ruptura circular, poligonal ou de outra
geometria qualquer.
O método assume que a ruptura se dá ao longo de uma superfície e
que todos os elementos ao longo desta superfície atingem a condição
de FS, simultaneamente.

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2 – MÉTODOS DE EQUILÍBRIO-LIMITE
Na aplicação de um método de análise, busca-se uma avaliação
quantitativa da estabilidade de um talude, com a determinação de um
número denominado fator de segurança (F ou FS).
• Para FS = 1 o fator de segurança corresponde a uma situação de
Equilíbrio Limite → uma pequena variação das forças em equilíbrio
pode conduzir à ruptura da massa de solo.
• Para FS < 1 o fator de segurança corresponde uma situação de
instabilidade ou ruptura → essa condição para projeto, significa que
ele precisará ser refeito ou modificado pois não terá condições de ser
executado.
• Para FS > 1 o fator de segurança corresponde uma situação estável →
O talude tem uma reserva de resistência em relação às forças que
tendem à ruptura.
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2 – MÉTODOS DE EQUILÍBRIO-LIMITE
O fator de segurança está vinculado ao método pelo qual foi
determinado.
• Valor real do FS: A escolha correta do método e a qualidade dos
parâmetros permitirá que o valor calculado se aproxime do valor real.

• Análise de equilíbrio limite baseia-se na estabilidade de uma massa


de solo que se encontra na iminência de uma ruptura segundo uma
superfície, denominada superfície potencial de ruptura.

• Nas condições de Equilíbrio Limite as forças que tendem a provocar a


ruptura são exatamente balanceadas pelas forças que resistem ao
movimento → FS=1
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2 – MÉTODOS DE EQUILÍBRIO-LIMITE

Todos os métodos de análise de equilíbrio limite devem definir os


seguintes aspectos:

• O mecanismo dos movimentos,


• A resistência dos solos,
• O fator de segurança.

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2 – MÉTODOS DE EQUILÍBRIO-LIMITE

Princípios básicos

No mecanismo do movimento de uma massa de solo estão


caracterizados os seguintes elementos:
• A forma da superfície potencial de ruptura,
• As forças atuantes na massa de solo,
• A cinemática dos movimentos.

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2 – MÉTODOS DE EQUILÍBRIO-LIMITE
Forma da superfície potencial de ruptura

As condições geológicas de um talude influenciam a forma e o


desenvolvimento da superfície potencial de ruptura:
• Rupturas planas,
• Rupturas em cunhas,
• Rupturas com forma cilíndrica ou circular.
• Em terrenos com estratigrafia complexa, podem ocorrer
combinações de mais de um desses tipos ou mesmo superfícies de
forma qualquer.
Portanto, nas hipóteses básicas de cada método deve ficar definida a
forma da superfície de ruptura esperada.
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2 – MÉTODOS DE EQUILÍBRIO-LIMITE
Forças atuantes

Admitindo-se conhecida a superfície potencial de ruptura, a massa


de solo por ela delimitada e pelo contorno do talude, poderá estar
submetida aos seguintes campos de forças:

• Peso do solo, resultante da ação da gravidade,


• Cargas aplicadas na superfície ou no interior do maciço de solo,
• Resultante das pressões neutras, decorrentes da presença do lençol
freático ou da percolação através do talude.

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2 – MÉTODOS DE EQUILÍBRIO-LIMITE
Forças atuantes

A resultante dessas forças denominada


resultante das forças de massa poderá ser
decomposta:
❑ Na direção normal à superfície de
ruptura (N);
❑ Na direção tangencial a ela (T).

Esta força cisalhante representa a parcela das forças de desabamento


que deve ser resistida pela resistência mobilizada pelo terreno, para
que não ocorra o deslocamento da massa de solo.

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2 – MÉTODOS DE EQUILÍBRIO-LIMITE
Forças atuantes

Logo, primeiramente, deve-se analisar a capacidade do solo de


resistir ao cisalhamento.
𝑠 = 𝑐 ′ + 𝜎.
ഥ tan Φ′

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2 – MÉTODOS DE EQUILÍBRIO-LIMITE
Cinemática dos movimentos

É a natureza dos deslocamentos que ocorrerão, se a resistência do


terreno for ultrapassada pelas forças de deslizamento.

A superfície de ruptura constitui uma delimitação entre o volume de


solo instável, que vai se movimentar, e o solo estável, situado abaixo
dela.

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2 – MÉTODOS DE EQUILÍBRIO-LIMITE
Fator de Segurança (FS)

O fator de segurança FS é igual à relação dos esforços resistentes pelos


esforços solicitantes (instabilizantes).

Observação: quanto menor for a qualidade da campanha de investigação


do solo, maior deverá ser o fator de segurança, principalmente se o
projetista não tiver experiência com o material que estiver trabalhando.

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2 – MÉTODOS DE EQUILÍBRIO-LIMITE
A resistência ao cisalhamento do solo apresenta dois componentes:
coesão e atrito, sendo representada como:
𝜏𝑓=𝑐 ′ +𝜎′ 𝑡𝑔𝜑′

Onde τf = resistência média ao cisalhamento do solo

Representação da equação com a coesão e atrito que se desenvolvem ao


longo da superfície potencial de ruptura:
𝜏𝑑=𝑐′𝑑 +𝜎′ 𝑡𝑔𝜑′𝑑

Onde τd = tensão de cisalhamento média desenvolvida ao longo da


superfície potencial de ruptura.

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2 – MÉTODOS DE EQUILÍBRIO-LIMITE

✓ Por definição, FS é o fator pelo qual os parâmetros de resistência


podem ser reduzidos de tal forma a tornar o talude em estado de
equilíbrio limite ao longo de uma superfície; isto é:

✓ O FSadm de um projeto corresponde a um valor mínimo a ser atingido


e varia em função do tipo de obra e vida útil.

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2 – MÉTODOS DE EQUILÍBRIO-LIMITE
❖ A definição do valor admissível para o fator de segurança (FSadm) vai
depender, entre outros fatores, das consequências de uma eventual
ruptura, em termos de perdas humanas e/ou econômicas.
❖ A Tabela que segue apresenta uma recomendação para valores de
FSadm e os custos de construção para elevados fatores de segurança.

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2 – MÉTODOS DE EQUILÍBRIO-LIMITE

❖ Deve-se ressaltar que o valor de FSadm deve considerar não somente


as condições atuais do talude, mas também o uso futuro da área,
preservando-se o talude contra cortes na base, desmatamento,
sobrecargas e infiltração excessiva.

1,30

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2 – MÉTODOS DE EQUILÍBRIO-LIMITE

❖ Este tipo de abordagem para determinação do FSadm é denominado


determinístico, pois estabelece-se um determinado valor para o FS.

❖ Nos últimos anos, este tipo de abordagem tem sido criticado e têm-
se sugerido que estudos de estabilidade avaliem a probabilidade de
ruptura.

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2 – MÉTODOS DE EQUILÍBRIO-LIMITE

Forças instabilizantes:

❖ Comumente forças gravitacionais e/ou de percolação → Induzem o


movimento de massa ao longo da superfície de ruptura.

Forças resistentes:

❖ Que se opõem a ação do movimento de massa, em função da


mobilização da resistência ao cisalhamento do material.

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2 – MÉTODOS DE EQUILÍBRIO-LIMITE

Considerações:

❑ Os valores de resistência ao cisalhamento são muito influenciados


pela anisotropia do material, impactando diretamente no valor de FS.

❑ FS é influenciado pelas inúmeras variáveis do maciço, ligados a


fatores geológicos; presença de água.

❑ A simplificação através da adoção de FS constante é descomedido


quando tem-se materiais diferentes ao longo da superfície de
ruptura.
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2 – MÉTODOS DE EQUILÍBRIO-LIMITE
Parâmetros analisados:
▪ coesão
▪ atrito
▪ pressões neutras
▪ fendas de tração
▪ planos de escorregamento preferencial
▪ peso específico
▪ rupturas parciais
▪ presença ou não de vegetação e raízes
▪ chuvas
▪ peculiaridades específicas do caso em análise
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2 – MÉTODOS DE EQUILÍBRIO-LIMITE
Os métodos de Equilíbrio-Limite partem dos seguintes pressupostos:

▪ Solo é considerado um material rígido-plástico, isto é, ROMPE-SE


BRUSCAMENTE, SEM SE DEFORMAR;
▪ Coeficiente de segurança constante ao longo da superfície de
ruptura;
▪ Existência de uma linha de escorregamento de forma conhecida ou
arbitrada, delimitando acima a porção instável do maciço.

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