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ALAP

Técnico Legislativo

Redação parlamentar .......................................................................................................... 1


Discurso parlamentar: o discurso e a comunicação; o discurso político; estrutura do discurso;
persuasão e eloquência ......................................................................................................... 41
Conhecimentos de Linguística, Literatura e Estilística aplicados ao discurso legislativo:
funções da linguagem ............................................................................................................ 46
Níveis de linguagem .......................................................................................................... 52
Análise de gêneros e estilos de textos. Textos objetivos e subjetivos, textos informativos,
didáticos, argumentativos, apologéticos e elegíacos. A racionalidade e a emotividade, a
pessoalidade e a impessoalidade na criação de textos .......................................................... 54
Denotação e conotação ..................................................................................................... 78
Figuras de linguagem ........................................................................................................ 82
Vícios de linguagem........................................................................................................... 92
Retórica e teoria da argumentação. Fundamentos de retórica. Teoria da argumentação:
formas de raciocínio; raciocínio e argumento; dedução e indução; o raciocínio categórico-
dedutivo. Vícios de raciocínio: tautologia; generalização falsa; conclusão não decorrente;
analogia improcedente; ausência de conclusão; sofisma ....................................................... 97
Produção de textos. Elementos estruturais do texto: frase, oração e período; coordenação e
subordinação ........................................................................................................................ 104
Parágrafo-padrão e tópico frasal ...................................................................................... 105
Coesão textual: anafóricos e articuladores ...................................................................... 108
Coerência textual: metarregras da repetição, progressão, não contradição e relação ..... 122
Aspectos intrínsecos (conteúdo e essência) e extrínsecos (forma e estilo) do texto:
qualidades de harmonia, coesão, coerência, concisão, objetividade e clareza, correção
gramatical e domínio do tema; vícios de prolixidade, linguagem rebuscada, verbosidade, frases
e períodos muito longos, uso exagerado de chavões ou clichês; pensamento superficial; frágil
argumentação ...................................................................................................................... 133
Manual de Redação da Presidência da República (3ª ed., 2018) ..................................... 162

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Apostila gerada especialmente para: Beatriz de Jesus de Oliveira Barros 028.993.602-05
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Redação parlamentar

MANUAL DE REDAÇÃO PARLAMENTAR E LEGISLATIVA1

Recomendações Gerais

Pode-se pretender justificar como particularidade de estilo o uso sistemático de figuras de retórica, de
expressões enviesadas e de tantos outros ornamentos linguísticos que normalmente comprometem a
clareza do texto e dificultam sua compreensão.
Se tal uso é admissível em peças literárias e, parcimoniosamente, em discursos, ele se revela
inadequado à redação de outros textos próprios do trabalho legislativo, que devem primar pela clareza e
objetividade. Aliás, o princípio constitucional da publicidade, que também rege a elaboração das leis, não
se esgota na mera publicação do texto, estendendo-se, ainda, à necessidade de que seja compreensível
pelo cidadão comum.
Logo, como regra, ao elaborar pronunciamentos, proposições legislativas, pareceres, estudos, notas
técnicas e outros trabalhos típicos da atividade cotidiana do Senado, a Consultora ou o Consultor
Legislativo deve ter em mente que o texto deve ser compreendido não apenas por quem o solicitou, mas
também pelo público em geral, muitas vezes destinatário direto daquela mensagem. A partir do advento
da TV Senado, as Senadoras e os Senadores passaram a se dirigir cada vez mais ao telespectador, em
vez de a um restrito público presente ao Plenário. Resulta daí a necessidade de uma interlocução
permanente, equilibrada e harmoniosa entre a Consultoria e quem lhe solicita o trabalho. Quando o uso
de linguagem mais sofisticada ou de termos técnicos for imperativo, deve-se buscar explicá-los em termos
mais simples e acessíveis.
Cabe destacar, entretanto, que o processo de comunicação só se realizará plenamente, satisfazendo
as expectativas do emissor e do receptor, quando o texto for exposto em linguagem que atenda aos
seguintes requisitos, alguns deles definidos no art. 11 da Lei Complementar nº 95, de 26 de fevereiro de
1998:
a) clareza, que torna o texto inteligível e decorre:
• do uso de palavras e expressões em seu sentido comum, salvo quando o assunto for de natureza
técnica, hipótese em que se empregarão a nomenclatura e a terminologia próprias da área;
• da construção de orações na ordem direta, evitando preciosismos, rebuscamentos próprios do
linguajar jurídico e da linguagem acadêmica, neologismos, intercalações excessivas, jargão (ementas de
súmulas, p. ex.), lugares-comuns, modismos e termos coloquiais;
• do uso do tempo verbal, de maneira uniforme, em todo o texto;
• do emprego dos sinais de pontuação de forma judiciosa, evitando os abusos estilísticos;

b) precisão, que complementa a clareza e caracteriza-se pela:


• articulação da linguagem comum ou técnica para a perfeita compreensão da idéia veiculada no texto;
• manifestação do pensamento ou da idéia com as mesmas palavras, sempre que possível, evitando
o emprego de sinonímia com propósito meramente estilístico;
• escolha de expressão ou palavra que não confira duplo sentido ao texto, exceto nos casos em que o
duplo sentido seja utilizado como recurso de retórica;
• escolha de termos que tenham o mesmo sentido e significado em todo o território nacional ou na
maior parte dele, evitando o emprego de expressões regionais ou locais;

c) coerência, que implica a exposição de idéias bem elaboradas, que tratam do mesmo tema do início
ao fim do texto em sequência lógica e ordenada, na qual raciocínios e argumentos utilizados tenham
necessariamente fecho facilmente compreensível, sendo que o texto deve conter apenas as idéias
necessárias e pertinentes ao assunto proposto;

d) concisão, alcançada quando se apresenta a idéia com o mínimo possível de palavras, o que pede
o uso de frases breves, a eliminação dos vocábulos desnecessários e a substituição de palavras e termos
longos por outros mais curtos, como preceituava Winston Churchill: “Das palavras, as mais simples; das
mais simples, as mais curtas”;

1
https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/529094/001026541_Manual_de_redacao.pdf?sequence=1. Acesso em: 06/09/2019.

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e) consistência, decorrente do emprego do mesmo padrão e do mesmo estilo na redação do texto, o
que evita a contradição ou dubiedade entre as idéias expostas.

Cabem aqui, ainda, outras recomendações de caráter geral. A primeira delas, sem dúvida, é procurar
atender da maneira mais completa possível à solicitação encaminhada pelo Senador. Para isso, é
fundamental a sua plena compreensão, o que requer contato direto com o solicitante sempre que houver
dúvidas quanto ao pedido formulado.
O primeiro parágrafo de uma Nota Técnica, de uma Nota Informativa, de um Estudo ou de um Parecer
não deve repetir o texto da ementa do trabalho, pela simples razão de que ela já está lá a dizer de que
trata o texto elaborado em sequência.
As paráfrases devem ser sempre preferidas às citações longas e, às vezes, abusivas. As citações
devem reduzir-se ao mínimo necessário e apenas em situações em que sejam imprescindíveis à
argumentação.
Quadros e tabelas podem e devem ser utilizados sempre que um número considerável de dados
precisar ser examinado em um texto. A facilidade de visualização e de entendimento dos dados
apresentados justifica plenamente o uso desse recurso. No entanto, sua utilização não é adequada nos
textos destinados à leitura, como pareceres e discursos.
Em textos destinados à leitura em voz alta, como discursos e pareceres, as citações e referências
bibliográficas devem ser feitas no corpo do texto, de forma adequada à oralidade. Nas demais
modalidades de texto, quando houver necessidade de fazer referências bibliográficas, estas devem figurar
sempre em nota de rodapé, nunca no corpo do texto principal. A bibliografia, quando necessária ou
conveniente, será colocada no final do texto, de acordo com as recomendações do Manual de Elaboração
de Textos.
Documentos que não estejam disponíveis para acesso pelo público não devem ser citados como
bibliografia em minutas de Pareceres, Notas Técnicas ou Informativas, Estudos, etc., pela simples razão
de que o destinatário desses trabalhos terá dificuldade de acesso ao documento citado e, portanto, à
informação que interessa.
As recomendações que tratam dos Pronunciamentos constituem, de todos, o componente mais longo
neste Manual. Isso se deve ao fato de que trazem informações importantes sobre os instrumentos da
Retórica para o exercício do convencimento, úteis para praticamente todos os tipos de texto abordados
por este Manual, que objetivam, no mais das vezes, convencer seus destinatários do ponto de vista
esposado pelo autor. Recomenda-se, portanto, a sua leitura mesmo aos que não estejam particularmente
interessados no tratamento de discursos parlamentares.
Em documentos de caráter técnico, como a Nota Informativa, a Nota Técnica e o Estudo, deve-se
evitar tratamento laudatório, do tipo “nobre Senador”, “preclaro Deputado” ou “ilustre representante do
Estado X”.
Para o exame mais detalhado de outras questões relacionadas aos textos parlamentares e legislativos,
recomenda-se a consulta ao livro Comunicação em Prosa Moderna, de Othon M. Garcia, e ao Manual de
Elaboração de Textos e ao Manual de Técnica Legislativa desta Consultoria.

As Modalidades de Trabalhos

Na Consultoria Legislativa são produzidos diversos tipos de textos expositivos e argumentativos. Pode-
se dizer que os mais demandados são: Parecer, Nota Técnica, Nota Informativa, Estudo, Relatório,
Resumo, Justificação de Proposição e Pronunciamento. Apresentam-se, a seguir, características de cada
um desses tipos de texto, suas finalidades, casos em que são utilizados e orientações para a sua
elaboração. E, como complementação, é apresentado ao menos um exemplo de cada modalidade.

Parecer

O Parecer sobre matéria submetida à apreciação do Senado Federal consiste no texto escrito que
consubstancia a decisão da comissão, ou do Plenário, tomada por maioria. Todo Parecer deve ser
conclusivo em relação à matéria a que se referir, podendo a conclusão ser: pela aprovação, total ou
parcial; pela rejeição; pelo arquivamento; pelo destaque, para proposição em separado, de parte da
proposição principal, quando originária do Senado, ou de emenda; ou pela apresentação de projeto,
requerimento, emenda ou subemenda, ou de orientação a seguir em relação à matéria. (RISF, art.133, I
a V).
A prática na Consultoria Legislativa do Senado Federal estabeleceu que o Parecer se compõe de, no
mínimo, relatório, análise e voto. Dessa forma, o relator designado oferece sua sugestão de Parecer que,

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após apreciada, passa a constituir o Parecer da comissão ou do Plenário, em substituição a comissão,
sobre a matéria. Quando há proposições que tramitam em conjunto, será elaborado um Parecer único
sobre a proposição principal e as apensadas.
Assim, as minutas de Parecer a serem elaboradas pelos Consultores Legislativos constituem-se,
basicamente, de:

Ementa: dela deve constar de onde emanará o Parecer (comissão, Plenário, em substituição a
comissão, ou Mesa do Senado Federal); o tipo de proposição, por extenso, com seu número e ano, o
número adotado na Casa de origem, entre parêntesis – se originária da Câmara dos Deputados –, ou o
número do documento no órgão que o expediu, quando se tratar de mensagem presidencial. A seguir,
apresenta a matéria a que se refere, em caracteres itálicos, e se a decisão tem caráter terminativo. De
acordo com o art. 134 do RISF, a ementa deve ser indicativa da matéria, tornando-se desnecessário
reproduzir a ementa da proposição que se examina.
Quando se tratar de Parecer a proposições apensadas, a ementa deve relacionar todas elas, com seu
tipo, abreviado, número e ano, e, ao final, a matéria a que se referem, de forma sucinta e genérica.
Em seguida à ementa, identifica-se o relator.

Relatório: deve sintetizar o conteúdo da proposição, apresentar de forma resumida os principais


argumentos constantes da justificação em defesa da iniciativa e informar os principais passos da
tramitação da proposta, até aquele momento. Se a matéria tiver sido apreciada na Câmara dos
Deputados, pode-se relatar, também de forma resumida, a tramitação naquela Casa. Faz-se necessário
alertar que um relatório sobre qualquer projeto deve resgatar o sentido proposicional do texto, o que
poderia ser a resposta à seguinte pergunta: que modificação está sendo proposta no ordenamento
jurídico? Isso porque uma simples modificação pode recorrer a inúmeros artigos, parágrafos e incisos; ou
incidir sobre diversas leis vigentes. Nesse sentido, relatar a proposição não significa reproduzir o que diz
cada um dos artigos ou respectivos desdobramentos, mas sim informar qual a inovação proposta. Quando
se tratar de um projeto extenso, dividido em títulos, capítulos, seções e subseções, essa mesma indicação
deve ser seguida: informar o objetivo da proposição como um todo, a matéria sobre a qual dispõe cada
uma de suas divisões e o modo como está organizado o conteúdo.

Análise, em que se examinam os aspectos específicos da proposição, determinados regimentalmente.


Assim, em conformidade com a competência da comissão à qual foi encaminhada para apreciação e o
despacho do Presidente do Senado, a análise deve avaliar, de forma organizada, a constitucionalidade,
a juridicidade, a regimentalidade e o mérito, e, quando necessário, a urgência e a admissibilidade. A
adequação formal da proposição quanto à técnica legislativa também deve ser objeto de avaliação, como
dispõem a Lei Complementar nº 95, de 1998, e o Regimento Interno do Senado Federal. É importante
que o texto seja direto e apresente linguagem argumentativa e objetiva, no sentido de fundamentar o voto.
A escolha dos termos deve pautar-se pela busca de clareza, e a formulação das sentenças, pelo princípio
da concisão. Também aqui, sendo necessário recorrer a idéias ou a textos de outros autores, devem-se
privilegiar as paráfrases em lugar de citações integrais.

Voto: constitui a conclusão do Parecer, em que devem ser empregadas expressões diretas, que não
deixem dúvida quanto ao seu conteúdo. Nas diversas alternativas de voto e de seus desdobramentos, é
sempre preferível a utilização de linguagem de sentido usual, ao uso de termos extravagantes, que podem
confundir quanto ao sentido da conclusão adotada. Algumas dessas expressões já estão consagradas no
jargão legislativo, como as que constam dos exemplos incluídos neste Manual.
Observe-se que, sempre que o Parecer concluir com sugestão ou proposta que envolva matéria de
requerimento ou emenda, a proposição correspondente deverá ser redigida.
Devem-se mencionar duas outras hipóteses de conclusão de Parecer, que são disciplinadas em
capítulos específicos do RISF.
A primeira é a sugestão de declaração de prejudicialidade de matéria, que poderá ser motivada por
uma das seguintes razões: haver perdido a oportunidade, ou haver sido prejulgada pelo Plenário, em
outra deliberação. Conforme o art. 334 do capítulo XVIII do RISF, a declaração de prejudicialidade será
feita pelo Presidente, no Plenário.
A segunda hipótese, referida no Capítulo XIX do RISF, é a de sobrestamento do estudo de qualquer
proposição. O sobrestamento pode ser proposto, mediante requerimento de comissão ou de Senador,
para aguardar: a decisão do Senado ou o estudo de comissão sobre outra proposição; o resultado de
diligência; ou o recebimento de outra proposição sobre a mesma matéria.

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Entre os casos peculiares de Parecer, destacam-se os de apreciação de indicações, de propostas de
emenda à Constituição, de medidas provisórias ou projetos de lei de conversão, de operações de crédito,
e de requerimentos de informações.
A indicação corresponde a sugestão de Senador ou Senadora ou comissão para que o assunto nela
focalizado seja objeto de providência ou estudo pelo órgão competente da Casa, com a finalidade do seu
esclarecimento ou formulação de proposição legislativa. A indicação não é discutida nem votada. Assim,
a deliberação tem por base a conclusão da comissão à qual foi encaminhada e, se for pela apresentação
de projeto, este será formalizado.
A proposta de emenda à Constituição possui como particularidade o fato de ser examinada
exclusivamente pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, antes da apreciação pelo Plenário.
O Parecer apresenta as mesmas características dos demais.
No caso das medidas provisórias, o Parecer é elaborado pela comissão mista específica encarregada
de examinar a matéria. Deve-se examinar, preliminarmente, sua constitucionalidade, especificamente
quanto ao atendimento dos pressupostos de urgência e de relevância, os relativos a impedimentos e
vedações; e, em seguida, o mérito da proposta. Quando necessário, será examinada a adequação
orçamentária e financeira da medida. Como a tramitação das medidas provisórias tem início na Câmara
dos Deputados, se forem efetuadas alterações no texto original naquela Casa, a proposição a ser
apreciada pelo Senado passa a constituir projeto de lei de conversão (PLV) oriundo da medida provisória.
Nesse caso, o Parecer tem por objeto o texto do projeto de lei de conversão. Mas também pode ser
aprovada a Medida Provisória na Câmara em sua forma original e, nesse caso, o Parecer no Senado
analisará a própria medida provisória. Porém, não se pode excluir a possibilidade de haver emendas no
Senado, transformando-se em PLV nessa Casa. Confirmando-se essa hipótese, deverá retornar à
Câmara dos Deputados.
As autorizações para operações de crédito externas de interesse da União, dos Estados, do Distrito
Federal, dos Territórios e dos Municípios estão entre as competências privativas do Senado. Essas
operações, encaminhadas por mensagem do Executivo, são apreciadas pela Comissão de Assuntos
Econômicos (CAE). No Parecer sobre operações de crédito, o relatório apresenta resumo da operação e
do seu objetivo, e a análise deve cotejar o atendimento das resoluções do Senado pertinentes, que
dispõem sobre os limites e condições para os diferentes tipos de operação financeira. O voto concluirá
pela aprovação ou rejeição da proposta, apresentando-se, em ambos os casos, minuta de projeto de
resolução, sujeita à deliberação da CAE e, posteriormente, do Plenário.
Os requerimentos que demandam Pareceres escritos são os de voto de aplauso, regozijo, louvor,
solidariedade, congratulações; o de voto de censura; os requerimentos de sobrestamento de proposição
de autoria de Senador; e os requerimentos de informações.
As minutas desses Pareceres devem ser elaboradas segundo as regras gerais já enunciadas, mas no
caso de Pareceres sobre requerimentos de informações há particularidades a destacar. Em primeiro
lugar, como se destina a orientar decisão da Mesa, a ementa deve ser iniciada com a expressão “Para
instruir decisão da Mesa do Senado Federal, sobre o Requerimento nº XXX, de [ano],” seguida de
descrição sucinta do objeto do requerimento. Nesse caso, a análise deve atender de modo conciso às
condições constitucionais e regimentais para a admissibilidade do requerimento (art. 50, § 2º CF e arts.
215, 216 e 217 do RISF), concluindo pela recomendação de enviá-lo ou não à autoridade competente,
ou, caso necessário, pelo oferecimento de reparos ao seu texto.
Quando se tratar de informações sigilosas, o requerimento será apreciado pela CCJ, observando-se o
que prescreve a Seção II do Ato da Mesa nº 1, de 2001, e a Lei Complementar nº 105, de 2001.
Normalmente, as intenções do autor do requerimento se encontram consignadas nos termos de seu
objeto. Isso é fundamental para sua admissibilidade, nos termos do que preconiza o art. 1º, § 2º, do Ato
da Mesa nº 1, de 2001, ou seja, as informações solicitadas deverão ter relação estreita e direta com o
assunto que se procura esclarecer. No entanto, é possível que, na forma em que ele foi redigido, o teor
das questões a serem submetidas à autoridade destinatária não guarde correspondência com tais
intenções. Nesses casos, é lícito elaborar minuta de Parecer favorável (se for o caso), com o oferecimento
das adaptações necessárias ao atendimento do que se pretende obter com a inquirição; ou, então, propor
sua rejeição, se o problema for incontornável.

Nota Técnica

A Nota Técnica é, por excelência, instrumento de manifestação do Consultor Legislativo, do seu


entendimento sobre questão específica ou assunto de caráter geral. Serve, fundamentalmente, para
registrar, perante o solicitante do trabalho, dúvidas, sugestões e pontos de vista de natureza técnica.

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Destina-se, também, a ressalvar a responsabilidade da Consultora ou do Consultor sobre o trabalho
elaborado, quando houver divergência entre a sua posição e a do demandante do trabalho.
Trata-se de recurso que deve ser usado com parcimônia, somente nas situações que tornem a sua
utilização indispensável. O contato com o demandante pode, em muitas situações, dispensar a
elaboração de Nota Técnica, mas a decisão final sobre a sua necessidade é da Consultora ou do
Consultor.

A Nota Técnica, nos termos do art. 6º do Regimento Interno da Consultoria Legislativa, deve permitir:
• expor, fundamentadamente, o seu entendimento sobre a solicitação que lhe é encaminhada;
• esclarecer o solicitante sobre questões atinentes a constitucionalidade, legalidade, regimentalidade,
oportunidade e conveniência da proposta;
• solicitar orientações sobre a posição do parlamentar quanto ao mérito da proposta ou sobre questões
relevantes;
• informar a existência de normas legais ou de proposições legislativas que disciplinam, total ou
parcialmente, o conteúdo da solicitação;
• apontar a necessidade de realização de estudo mais aprofundado em razão da complexidade do
tema;
• sugerir soluções ou opções não vislumbradas na solicitação;
• registrar fatos que considere relevantes.

Em decorrência, uma Nota Técnica deve ser informativa, esclarecedora, objetiva e sintética. Contudo,
nas circunstâncias em que a Nota Técnica precisar ser mais analítica, deverá desenvolver argumentação
convincente e circunscrever-se a argumentos pertinentes ao contexto.

Nota Informativa

A Nota Informativa tem como principal objetivo responder consultas de Senadoras e Senadores.
Portanto, ainda que ela reflita a visão da Consultora ou do Consultor Legislativo sobre o tema, a sua
função principal é responder indagações, esclarecer questões ou analisar assuntos, de forma objetiva,
em resposta a uma demanda formulada.
É importante distinguir a Nota Informativa do Estudo, que tem caráter monográfico e a pretensão de
abranger um dado tema com profundidade. Já a Nota Informativa deve ser breve, para responder a
consultas de modo sucinto e objetivo.
Assim, além do requisito da objetividade, a Nota Informativa deve delimitar claramente a questão
abordada, a ser tratada de forma didática e esclarecedora, restringindo-se aos dados e às informações
pertinentes ao contexto. Outras características, como a boa articulação da explanação, a consistência do
raciocínio e a coerência interna do texto são fundamentais.

Estudo

O Estudo é um trabalho de pesquisa e análise, com características semelhantes aos de uma


monografia2, feito por demanda de parlamentar, da Direção da Consultoria Legislativa ou por iniciativa de
Consultora ou Consultor Legislativo. Sua função é esclarecer determinado tema de maneira aprofundada,
fornecendo, de forma organizada e analítica, as informações necessárias à compreensão do assunto.
Tendo em vista as atribuições institucionais do Congresso Nacional, as demandas por Estudos
costumam estar vinculadas a mudanças legais e normativas, bem como a avaliações de políticas públicas.
Portanto, é pertinente que o Estudo contenha avaliações de mérito, e apresente sugestões de atualização
legislativa e de aprimoramento de políticas adotadas pelo Executivo, bem como que proponha novas
políticas, caso se entenda necessário.
Como todo trabalho de caráter técnico, o Estudo necessita atender a preceitos metodológicos mínimos,
como, por exemplo, realização de uma pesquisa prévia, buscando o amparo na literatura atualizada;
inclusão da citação dos autores e das obras utilizadas na construção dos argumentos; exposição das
ideias de forma clara, concisa e objetiva, com uso de linguagem direta, condizente com a redação
científica.
Almeja-se, na redação do Estudo, o equilíbrio entre a simplicidade e a precisão e o rigor do vocabulário
técnico, sem que se caia no hermetismo. A relação dialética entre esses aspectos é o fio condutor para
uma apresentação didática, levando em conta que o leitor não é um especialista na matéria.
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Para os fins deste Manual, entende-se por monografia o tratamento escrito de um tema específico que resulte de pesquisa com o propósito de apresentar uma
contribuição relevante ou original.

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As características do Congresso Nacional exigem um esforço por parte de Consultoras e Consultores
para definir bem o foco do Estudo, ajustando-o às necessidades do parlamentar e ao contexto vigente.
Nesse sentido, a questão da oportunidade para a utilização do trabalho ganha relevância. O Estudo deve
ter, portanto, os elementos de qualidade necessários a qualquer texto técnico e científico e, ao mesmo
tempo, ser capaz de atender aos Senadores e às Senadoras de forma tempestiva.

O texto do Estudo deve ser pensado como fonte de informação para o leitor, fornecendo desde os
conceitos fundamentais relativos ao assunto até uma visão mais aprofundada dos respectivos conteúdos.
Nesse sentido, também é relevante que o autor faça uso dos diversos recursos que facilitem a
compreensão, especialmente os visuais, tais como gráficos, tabelas ou mesmo figuras. Nesse caso, é
importante citar as fontes utilizadas, bem como respeitar as normas de padronização desses recursos.
Com relação aos dados bibliográficos, o Manual de Elaboração de Textos da Consultoria Legislativa
oferece boa orientação sobre a forma de fazer citações. Recomenda-se que as citações de bibliografia
sejam registradas ao longo do texto, acompanhadas de inserções em notas de rodapé (vide os exemplos
de Estudo), de forma a facilitar a leitura. Fica a critério do autor anexar os dados bibliográficos completos
ao final do documento.
Em razão de sua extensão, recomenda-se que cada Estudo seja precedido de um sumário executivo.
Esse sumário consiste em um parágrafo que descreva o foco do trabalho, seus objetivos, as principais
visões existentes sobre o assunto, e a sua conclusão. Sua função é atrair a atenção do leitor para o
conteúdo da pesquisa.
É importante registrar que essas recomendações se aplicam, no que couber, aos Textos para
Discussão organizados pela Coordenação de Estudos da Consultoria Legislativa, os quais se enquadram
perfeitamente na categoria de Estudos.

Relatórios

Os Relatórios de que trata este Manual são os de indicação de autoridade, indicação a premiações,
documento final de Comissão Temporária ou de Comissão Parlamentar de Inquérito e sobre avisos do
Tribunal de Contas da União (TCU).
Uma visão geral sobre esses documentos nos leva a considerar que um Relatório tem dois objetivos
simultâneos: informar e servir de base a uma tomada de decisão ou deliberação.
Os relatórios de indicação de autoridade ou relativos a premiações apresentam resumidamente os
perfis dos indicados, destacam os itens mais importantes de seus currículos relativamente ao cargo ou
prêmio em questão, sem avaliações positivas ou negativas. Verificam, também, se existe algum
impedimento formal. Deve-se atentar para a extensão do texto, pois esse tipo de relatório se destina à
leitura, em ambiente de Comissão ou de Plenário.
O documento final de Comissão Temporária ou de Comissão Parlamentar de Inquérito é um tipo de
relatório peculiar, cuja configuração reproduz a dinâmica, a divisão de trabalho, os passos metodológicos,
os fatos apurados, as conclusões. Dele deve constar um sumário executivo, com o resumo das principais
informações.
Nos casos de relatórios sobre os avisos enviados pelo TCU ao Congresso Nacional, resultantes da
apreciação de contas ou da realização de auditorias, em cumprimento às determinações constitucionais,
cabe, inicialmente, resumir seu conteúdo. A conclusão poderá ser pela tomada de conhecimento e
arquivamento, ou pela adoção de outras medidas (apresentação de requerimento de informações, pedido
de nova providência, etc.). Neste último caso, as minutas sugeridas devem ser elaboradas pelo Consultor
ou pela Consultora.
Por fim, seja qual for o relatório, prevalecem as instruções das Recomendações Gerais deste Manual,
quanto a estilo, clareza, coerência, concisão, precisão e consistência.

Resumo de Audiência/Depoimento/Conferência

Os resumos de acompanhamento de reuniões, audiências, seminários, depoimentos, conferências,


etc. têm a finalidade de informar, em linhas gerais, o ocorrido em eventos realizados, em geral, pelas
Comissões do Senado. Trata-se, portanto, de texto em linguagem simples e objetiva, não
necessariamente técnica, com relato direto dos principais fatos do evento, tais como: nome do evento,
data e hora de realização, quem falou, em nome de qual instituição; se foi reportada alguma constatação
ou denúncia, se houve sugestões, se foram apresentados documentos. O texto deve ter apenas o
tamanho necessário para isso, sem prolixidades ou excesso de detalhes.

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Pronunciamentos

As minutas de pronunciamentos elaboradas pela Consultoria Legislativa se destinam às intervenções


das Senadoras e dos Senadores em Plenário e, excepcionalmente, às participações em eventos em que
estes representam a instituição ou estejam a convite de setores da sociedade. Aqui serão definidas as
características essenciais dessa peça oratória, com base na já consolidada experiência da Consultoria
Legislativa e também nos princípios da Retórica.
Cabe enumerar, inicialmente, os tipos mais comuns de falas proferidas pelos parlamentares: são
discursos que se destinam a: a) expor uma situação e solicitar uma providência ou tomada de decisão;
b) discorrer sobre instituição, programa ou política pública em andamento, de maneira positiva; c)
homenagear uma personalidade, uma cidade ou uma instituição.
Tomando por base os ensinamentos da Retórica, observa-se que esses discursos correspondem,
respectivamente, a deliberativos, de propaganda e epidíticos.
Entre os deliberativos encontram-se, por exemplo, as apresentações de proposições (projetos de lei,
propostas de emenda à Constituição, etc.), em que o autor levanta um problema que reclama uma
providência legislativa. Nessa exposição, o parlamentar não se limita a informar sobre a proposição
apresentada, pois seu intento é obter a adesão dos pares para a aprovação daquele projeto. Nessa
mesma categoria se encontram os discursos de denúncias, em que são expostas as falhas ou faltas em
algum setor da sociedade ou do governo que demandam uma tomada de atitude, seja de cada
parlamentar, individualmente, seja de alguma das Comissões, seja do Plenário. Entre as deliberações a
serem tomadas pela audiência está a de aderir àquela denúncia, apoiar o orador e fazer coro com ele, ou
opor-se à sua manifestação.
Os discursos de propaganda destinam-se a mencionar (de maneira elogiosa) uma política pública, do
Governo Federal ou de um Estado ou Município específico. Se uma instituição está desenvolvendo um
programa considerado digno de elogios, de apoio, o orador ou a oradora vem a público para falar sobre
essa política, a fim de manter a adesão daqueles que já a apoiam.
Já os discursos epidíticos – ou de falar bem – se destinam, explicitamente, a fazer uma homenagem.
Pode ser a uma data comemorativa – aniversário de Brasília, Dia Nacional da Consciência Negra –, ou a
uma personalidade – Juscelino Kubitscheck, Rachel de Queiroz –, ou a uma cidade, e assim por diante.
Uma característica fundamental das minutas de pronunciamento é a da oralidade, ou seja, por se tratar
de uma peça escrita-para-ser-lida, deve guardar consonância com as falas espontâneas. Podemos
apontar, entre outras características dessa oralidade, a extensão das frases, encadeadas de tal modo
que respeitem o ritmo respiratório. Assim sendo, fugirá de uma tendência da língua escrita, que é a de
fazer, às vezes, períodos muito longos, ou frases que não estão na ordem direta.
O Consultor ou a Consultora, ao elaborar a minuta, deve levar em conta aspectos como o ritmo, a
entonação, a facilidade da pronúncia, e assim por diante. Um bom procedimento é a leitura do texto em
voz alta após a sua conclusão.
Deve-se lembrar que, diferentemente do leitor de um texto escrito, o ouvinte não tem como recorrer ao
que foi expresso anteriormente. Enquanto o texto escrito tem uma dimensão e uma possibilidade de
recorrência “espacial”, o discurso falado tem uma dimensão “temporal”. Se o leitor pode recorrer à frase
e até aos parágrafos anteriores, o ouvinte tem como referência a última frase. Em decorrência, repetições
de palavras ou de expressões, que seriam deselegantes no texto para ser lido, podem ser importantes
para a fixação de idéias nos discursos.
Em se tratando de pronunciamentos que falam de políticas públicas, é provável que seja necessário
citar números, cifras, estatísticas, percentuais. Mas é bom não abusar. Números demais poderão
confundir o ouvinte. Outro cuidado, nesse caso, refere-se justamente à impossibilidade de o ouvinte
dimensionar tais grandezas, que têm como objetivo servirem de argumento para o convencimento que se
está buscando. Recorrer a imagens, comparações, analogias e outros expedientes pode ser um excelente
método de fazer com que as grandezas sejam bem compreendidas pelos ouvintes- assistentes.
Como qualquer peça retórica, os pronunciamentos devem recorrer às estratégias de convencimento e
de persuasão. Enquanto o primeiro se faz com fundamento em razões, baseadas em fatos, eventos,
conhecimentos, leis, tratados, jurisprudências, a segunda se funda na mobilização dos afetos.
Então, um discurso que se proponha a falar sobre a educação trará uma série de argumentos
destinados a convencer, tais como índices de analfabetismo entre jovens e adultos, comparações com
outros países, ganhos econômicos auferidos com anos a mais de escolarização. Essa é a parte do
convencimento. Mas recorrerá também aos afetos. Primeiramente, lançando mão do acordo pré-
estabelecido de que a educação é um valor a ser perseguido pela nação. Assim, poderá mencionar
aspectos como a vergonha provocada pela incapacidade da leitura e da escrita; poderá, igualmente, falar
da humilhação causada pelos modestos ganhos de uma pessoa com poucos anos de escolarização;

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chamará aos brios as autoridades governamentais, que permitem que o País receba baixa pontuação nos
índices internacionais de desenvolvimento humano, e assim por diante.
Já se vê que não é tão fácil distinguir, por vezes, o limite entre o “convencer” e o “persuadir”. Mas é
nessa confluência e nesse limiar que reside a qualidade de um bom discurso. Se excessivamente
baseado em “fatos”, “números”, “estatísticas”, pode tornar-se por demais duro ou entediante e, com isso,
afastar a audiência. Se o discurso recorre muito à emotividade, pode ser acusado de falta de objetividade.
Assim sendo, deve-se buscar o equilíbrio das estratégias de convencimento e de persuasão.
A questão que se coloca, então, é: como selecionar os argumentos? Para responder a essa indagação,
novamente, a Retórica vem em nosso socorro, com as noções de orador, auditório e acordo. Embora
aparentemente simples, essas noções revelam a necessidade de maior pesquisa sobre cada um deles.
Como orador, podemos entender aquele que pronuncia o discurso. Mas essa identidade está longe de
se esgotar na identificação do título (Senador/Senadora), acrescido do nome, do Estado e do partido. O
orador ou a oradora se identifica com regiões geográficas, com questões de gênero, com valores
ideológicos, com afeições e afinidades de inúmeros matizes. E todos esses elementos fazem parte da
configuração do orador.
Com o auditório, ocorre o mesmo. Se, fisicamente, se pode identificar o Plenário do Senado, não se
deve esquecer que a transmissão é feita ao vivo, via rádio e TV; então, a audiência do Senador ou da
Senadora é, virtualmente, todo o Brasil (auditório universal). Mas, como esses oradores não falam sempre
para esse auditório universal, é necessário que seja identificado o recorte do auditório especializado para
o qual falam. Awareness of the audience (consciência da plateia, dos valores do grupo para quem se
fala), como recomendava Sigmund Freud, é fundamental.
Uma característica desse auditório particular é que ele tem poder de deliberar em favor ou contra as
posições sustentadas pelo que fala. Assim, cabe indagar: O discurso é para as autoridades do Poder
Executivo? Para um ministro em especial? Para o segmento das professoras e dos professores
brasileiros? É para os militares? Para os nordestinos? Para os paulistas? Enfim, configurar o auditório
requer que se verifique junto ao parlamentar que demandou o pronunciamento qual é sua audiência
privilegiada. Esse recorte, muitas vezes, pode ser feito pelo próprio Consultor ou Consultora, com base
no tema em debate: A quem interessa esse programa, essa política? Quem ganha e quem perde com a
adoção dessa nova lei?
Por acordo, vamos entender o conjunto de proposições ou premissas que já vigoram no auditório, que
são presumidamente assumidas pelos ouvintes. Digamos que a Constituição de 1988, com suas
determinações e declarações de princípios, representa o acordo vigente. Então, será baseado nela que
o orador buscará convencer a audiência de que esta ou aquela medida deve ser tomada, justamente para
cumprir o acordo.
No discurso deliberativo, o parlamentar procura convencer a audiência a tomar esta ou aquela
deliberação, sempre com base no acordo vigente. Se a Constituição já garante um período de ensino
básico de oito anos, mudar esse patamar para nove configura um aperfeiçoamento de uma ação,
justamente para reforçar o acordo ou alcançar uma aprovação mais ampla, que é a necessidade da
universalização do ensino. Se a política de salário mínimo consiste em reajustá-lo anualmente para
acompanhar a inflação, propor reajustes reais configura uma medida para cumprir um acordo maior, que
lista as necessidades básicas (alimentação, moradia, etc.) a serem sustentadas pelo salário mínimo.
Também no discurso de propaganda o orador atua dentro do acordo, para reforçá-lo, confirmá-lo. No
discurso de falar bem, então, é que se aprofunda o trabalho em torno do acordo.
Cinco são as principais qualidades do orador, conforme recomenda o Pe. Antônio Vieira, no seu
Sermão da Sexagésima, pregado na Capela Real, no ano de 1655: a pessoa, a ciência, a matéria, o
estilo, a voz. “A pessoa que é, e ciência que tem, a matéria que trata, o estilo que segue, a voz com que
fala.” Passados três séculos e meio, não mudaram muito esses valores.
O responsável pela minuta de pronunciamento deve levar em conta tais características para elaborar
o texto. Assim, deve fazer com que a personalidade política do orador (pessoa) apareça ao longo do
pronunciamento – de onde vem (estado, região, gênero, cor, grau de instrução, carreira política), que
valores políticos porta (partido político, visão de mundo, posição perante o governo), que visão de
economia propaga, em nome de quem vem a público, etc.
A ciência a que se referia Vieira são os elementos de convencimento, as razões, tudo aquilo que se
funda nos conhecimentos. Mas, para Vieira, não basta a exatidão das razões:
“As razões não hão-de ser enxertadas, hão-de ser nascidas. O pregar não é recitar. As razões próprias
nascem do entendimento, as alheias vão pegadas à memória, e os homens não se convencem pela
memória, senão pelo entendimento.

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Porque o que há-de dizer o pregador, não lhe há-de sair só da boca; há- lhe de sair pela boca, mas da
cabeça. O que sai só da boca para nos ouvidos; o que nasce do juízo penetra e convence o
entendimento.”

A noção de estilo é a mesma que utilizamos hoje, sempre levando em conta o que é próprio de cada
orador. Utilizando-se da analogia bíblica, em que desceram as línguas sobre os apóstolos, Vieira
exemplifica essa natureza personalizada:
“(...) Porque não servem todas as línguas a todos, senão a cada um a sua. Uma língua só sobre Pedro,
porque a língua de Pedro não serve a André; outra língua só sobre André, porque a língua de André não
serve a Filipe; outra língua só sobre Filipe, porque a língua de Filipe não serve a Bartolomeu, e assim dos
mais. E senão vede-o no estilo de cada um dos Apóstolos, sobre que desceu o Espírito Santo. Só de
cinco temos escrituras; mas a diferença com que escreveram, como sabem os doutos, é admirável.”

Com a noção de voz, Vieira não se refere apenas ao aspecto fisiológico da fala, mas o tom com que
fala o orador e os recursos de que se utiliza: se mais cordato, ou mais agressivo; se desafiador ou
conciliador; e assim por diante. Cita João Batista, que era uma voz que clamava no deserto: Pois por que
se definiu o Batista pelo bradar e não pelo arrazoar; não pela razão, senão pelos brados? Porque há
muita gente neste mundo com quem podem mais os brados que a razão, e tais eram aqueles a quem o
Batista pregava.
Mas menciona também Moisés:
“Desça minha doutrina como chuva do céu, e a minha voz e as minhas palavras como orvalho que se
destila brandamente e sem ruído.”

Por matéria, Vieira se referia ao fio da meada, ao foco da questão. E se utiliza de uma metáfora:
“Uma árvore tem raízes, tem tronco, tem ramos, tem folhas, tem varas, tem flores, tem frutos. Assim
há-de ser o sermão: há-de ter raízes fortes e sólidas, porque há-de ser fundado no Evangelho; há-de ter
um tronco, porque há-de ter um só assunto e tratar uma só matéria; deste tronco hão-de nascer diversos
ramos, que são diversos discursos, mas nascidos da mesma matéria e continuados nela; estes ramos
não hão-de ser secos, senão cobertos de folhas, porque os discursos hão-de ser vestidos e ornados de
palavras.”

Quanto à extensão, é necessário levar em conta não apenas o que foi indicado na Solicitação de
Trabalho à Consultoria Legislativa (STC), mas também a densidade do tema, assim como a relevância
no contexto em que será pronunciado.
No que diz respeito à estrutura, os tratados de Retórica costumavam trazer uma sequência
recomendada, que começava com o exórdio, que é a introdução do tema. Pode ser um elogio, uma
censura, um conselho, que induza a audiência a fazer alguma coisa, ou deixar de fazer algo. Ao exórdio
deveria seguir-se a narração – também conhecida como argumentação –, onde o assunto propriamente
dito deveria ser desenvolvido, ilustrado. Na sequência, deveriam vir as provas, as demonstrações daquilo
que se afirmou. E, por fim, viria a peroração, isto é, o apelo do orador em favor da adesão do auditório à
sua tese.
Ainda segundo as recomendações da Retórica tradicional, o discurso deveria constar de quatro fases:
na primeira, buscar-se-ia predispor o ouvinte em favor do orador; na segunda, ampliar ou atenuar o que
foi dito; na terceira, excitar as paixões no ouvinte; na quarta, proceder a uma recapitulação.
Versões mais atualizadas dessas recomendações constam de diversos manuais de redação que
tratam do texto dissertativo. Nesses livros, são consideradas três partes como fundamentais: introdução,
desenvolvimento e conclusão. Como esses nomes genéricos parecem dizer pouco, autores como Othon
M. Garcia3 vão mais longe e esclarecem que a introdução deve ser apresentada na forma de uma
proposição inicial. Uma proposição, nesse caso, equivale a uma premissa, uma lei geral, um princípio
sobre o qual todos estejam de acordo, mas apresentada de forma a constituir um problema, na forma de
uma oração negativa ou afirmativa. Garcia compara essa proposição à premissa maior de um silogismo,
isto é, uma formulação em termos genéricos, em que estejam presentes ou sejam subentendidas as
ideias de “todo” ou “nenhum”; “sempre” ou “nunca”. Essa formulação pode ter como fonte uma área
científica, uma lei, ou mesmo um dito popular do senso comum. Desse ponto de vista, qualquer tema
pode ser problematizado: educação básica, taxa de juros, políticas de ação afirmativa, política salarial.
No desenvolvimento, deve vir a argumentação, da qual, também segundo Garcia, podem constar
fatos, exemplos, ilustrações, dados estatísticos, testemunhos autorizados e outros tipos de prova.

3
GARCIA, Othon M. Comunicação em Prosa Moderna. 17ª. ed. Rio de Janeiro : FGV,1998.

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Fatos são aqueles que provêm da realidade: “tal coisa aconteceu”. E esse evento narrado funcionará, no
corpo da argumentação, como uma das provas arroladas pelo orador. Se o tema é educação básica, o
fato narrado pode ser a exclusão da pré-escola que sofrem as crianças de seis anos de idade, se
pertencentes a famílias de baixa renda. Esse fato pode ser apresentado como um exemplo [na
comunidade tal, da zona rural do município qual, as crianças de 6 anos estão fora da escola]; ou um dado
estatístico [x% das crianças de 6 anos de famílias que ganham até y salários mínimos estão fora da
escola, por não poderem pagar a pré-escola]; ou mesmo uma ilustração [Fulano, filho de Sicrano e
Beltrana, 6 anos, morador de Cafundó do Judas...]. O testemunho autorizado consiste na citação de um
autor célebre na área [Como afirmava Paulo Freire,...] ou de uma lei [Segundo a Constituição Federal,
art. tal, ...].
Por fim, a conclusão variará conforme a natureza do discurso. Se deliberativo, deverá fazer uma
conclamação do tipo [Nome ou cargo do agente com poder] deve [verbo de ação] em favor de
[beneficiários]. Se de um discurso de propaganda, ainda prevalece a natureza deôntica (o dever ser),
nesse caso com uma ação diluída, pois se trata apenas de apoiar uma política, uma instituição, um
programa.
Já se o discurso for do tipo de falar bem, bastará uma recapitulação. Mas pode ser que se encaminhe,
também, para um tipo de atitude recomendada aos ouvintes, algo como “sigamos o exemplo de tal
estadista, pois nossos dias reclamam uma pessoa com sua coragem, determinação, confiança e poder
de liderança”. Desse modo, veremos que, em graus diversos, todos os discursos terão uma natureza
deliberativa.
A Retórica tradicional consagrou também os topoi, ou topos, os lugares do discurso. Recapitulando,
teremos os lugares de quantidade, de qualidade, de ordem, de essência, de pessoa, do existente4.
Segundo o lugar de quantidade, um bem que sirva a um número maior de pessoas será preferível a
um que sirva a menos gente; o durável, superior ao perecível, e assim por diante. Regras de maioria,
como as vigentes nas democracias, levam em conta esse princípio.
Já o lugar de qualidade, ao contestar a supremacia do numérico, valoriza o que é singular: uma obra
de arte, por exemplo, ou uma espécie ameaçada de extinção.
O lugar de ordem cria uma hierarquia do que vem primeiro: superioridade do anterior sobre o
posterior, das causas sobre os efeitos, e assim por diante. O lugar de ordem é fundamental para as
comparações.
O lugar de essência valoriza aquilo que mais se aproxima de determinado ideal, seja ele de beleza,
de justiça, de democracia, de bravura. O Senado Federal, por exemplo, instituiu o Diploma Mulher-Cidadã
Bertha Lutz, por identificar na homenageada um ideal de atuação.
O lugar de pessoa assegura que, em primeiro lugar, vêm as pessoas, depois as coisas. Assim sendo,
um orador poderá lançar mão de políticas que valorizem as pessoas, e não as metas econômicas ditadas
pelo mercado.
O lugar de existente faz com que se dê prioridade para o que já está aí, disponível, em detrimento do
que pode vir no futuro, tal como traduzido no ditado popular “mais vale um pássaro na mão que dois
voando”.
Ainda no que diz respeito à estruturação de um discurso, podemos identificar alguns pontos que dele
devem constar, independentemente de se situarem no princípio, no meio ou na conclusão. São eles:

I) Cortesias, agradecimentos, elogios, manifestações de apoio, em que o orador aponta, no auditório


universal, “quem são os seus”, com quem se identifica, a quem se dirige. Essas cortesias vão muito além
dos meros pronomes de tratamento e vocativos (Ilustríssimo, Vossa Excelência, etc.). São concretizados
por menções a locais, personalidades admiradas por ambos (orador e auditório), citações religiosas,
jurídicas, e assim por diante.
II) Menção a problemas, perigos, inimigos e advertências, em que o orador faz uma verdadeira análise
de conjuntura dos problemas que deverão ser solucionados com suas proposições e conclamações.
Quanto mais o orador for rigoroso nessa leitura da realidade, mais poder ele concede ao auditório, mais
elementos de convencimento ele traz para a deliberação.
III) Crenças e valores, que podem ser expostas por afirmações ou negações enfáticas, pela citação de
princípios morais, políticos, religiosos e econômicos. Trabalham o acordo com o auditório (“vocês que
acreditam nos mesmos valores que eu...”).
IV) dentidade do orador, em que é configurado o quem-sou-eu- para-lhes–falar-assim: de onde venho,
qual minha formação, que experiência de vida tenho, que feitos realizei. É fundamental para dar
credibilidade a todo o conjunto da peça oratória.

4
ABREU, Antônio Suárez. A arte de argumentar. São Paulo : Ateliê Editorial, 2005.

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V) Proposições e conclamações constituem a parte em que o orador diz a que veio: ele apenas
denuncia uma situação, ou traz soluções? Não é necessário que as propostas enunciadas venham a ser
executadas por ele próprio, mas o auditório deve concordar com o orador em que determinada iniciativa
precisa ser tomada por este ou aquele agente com poderes para tal.

Os exemplos de discursos que constam deste Manual têm como princípio organizador não a natureza
normativa, de algo a ser seguido ao pé da letra, mas simplesmente pretendem dar uma ideia das
modalidades que representam: deliberativo, de propaganda ou epidítico.

Justificação de Proposição

Embora a parte do articulado das proposições legislativas seja tratada no Manual de Técnica
Legislativa, discorremos aqui sobre a parte denominada “Justificação”, tendo em vista a semelhança que
esta guarda com as demais modalidades de texto aqui expostas.
A Justificação (conjunto de justificativas) reúne os argumentos do autor para apoiar a proposição.
Desse ponto de vista, assemelha-se muito aos arrazoados dos pronunciamentos parlamentares, razão
pela qual se enquadra no conjunto das peças oratórias do tipo deliberativas (ver tópico sobre
Pronunciamentos).
A escolha de argumentos (técnicos, econômicos, políticos, afetivos) deve ser coerente, congruente e
suficiente para amparar a proposta legislativa. Algumas das perguntas fundamentais a serem respondidas
pelo texto são:
– Que elementos da realidade (social, política, econômica) serviram de base à iniciativa?
– Haverá algum grande prejuízo para a sociedade se não for aprovada uma lei (requerimento,
resolução, decreto legislativo, emenda à constituição) sobre o assunto?
– Em que esfera do ordenamento jurídico se insere a proposição, isto é, que outras matérias já tratam
do tema, qual o amparo constitucional, em que inova e em que aperfeiçoa a legislação?
A extensão desse texto deve ser proporcional à relevância da inovação legislativa, devendo cobrir
todos os aspectos necessários ao convencimento quanto à necessidade de aprovar a proposição.

Procedimentos para Revisão

A revisão tem relevância tão decisiva quanto a elaboração do trabalho. A maior parte do trabalho de
pesquisa e escrita cabe, naturalmente, ao encarregado pelo texto; mas uma revisão criteriosa e cuidadosa
pode contribuir não apenas para a qualidade final do trabalho, mas também para evitar que saiam da
Consultoria documentos com algum erro formal ou de conteúdo.
Não se pode esquecer que o primeiro revisor é o próprio elaborador. E que este só deve dar andamento
ao trabalho depois de ter feito as revisões necessárias. Cabe, ainda, perguntar quantas vezes se deve ler
um texto para ter segurança de que se detectaram todos os possíveis erros. Essa quantidade de leituras
só o revisor, ciente de suas características pessoais, pode responder. Mas pelo menos duas leituras
devem ser feitas.
As recomendações a seguir têm como objetivo relembrar os principais requisitos de uma boa revisão.
Além das anotações no próprio texto (revisão eletrônica ou em impresso), o revisor pode e deve fazer
comentários ao elaborador e até fazer sugestões que aprimorem o conteúdo do trabalho. As observações
não devem restringir-se aos elementos que merecem reparo, mas, se couber, devem ressaltar os
aspectos positivos do texto.
No que diz respeito ao padrão linguístico a ser observado, o revisor deve levar em conta as
recomendações do Manual de Elaboração de Textos, bem como as obras de referência nele listadas
(outros manuais, gramáticas e dicionários). Entretanto, certas escolhas de estilo do autor devem ser
respeitadas, desde que não firam os princípios gerais aqui adotados.
Além de procurar a melhor expressão para o texto, o revisor deve atentar para aspectos formais e de
mérito: O texto está de acordo com o solicitado? Existe alguma impropriedade nas citações? O texto se
atém ao tema do trabalho? As leis citadas estão vigentes?
Embora a responsabilidade pelo conteúdo seja do elaborador, o revisor deve apontar as falhas, se
encontrar, relativas à coerência entre números citados e remissões internas, clareza do texto, técnica
legislativa adotada pela Consultoria Legislativa, grau de polidez, etc.
Acima de tudo, deve prevalecer a consciência – para revisor e autor – de que, antes de serem textos
autorais, os trabalhos da Consultoria Legislativa são documentos institucionais, pelos quais respondem
os autores, em primeira instância, mas cuja responsabilidade final é da Consultoria Legislativa.

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Exemplos de Parecer

Minuta

PARECER Nº , DE 2006

Da COMISSÃO DE EDUCAÇÃO, em decisão terminativa, ao


Projeto de Lei do Senado (PLS) nº XXX, de 1999, que modifica a
Lei nº 9.766, de 18 de dezembro de 1998, que altera a legislação
do Salário-Educação.

RELATOR: Senador [NOME DO SENADOR]

I – RELATÓRIO

O PLS nº XXX, de 1999, de autoria do Senador [nome do Senador], modifica a Lei nº 9.766, de 18 de
dezembro de 1998, que altera a legislação do salário-educação, para incluir como beneficiários dessa
contribuição social os alunos do ensino fundamental na modalidade de educação indígena, destinando a
estes últimos 1% (um por cento) do total dos recursos arrecadados.
A precariedade da oferta da educação indígena é alegada como justificativa do projeto. Essa educação
está hoje restrita, na sua quase totalidade, às séries iniciais do ensino fundamental em escolas estaduais
e municipais, não obstante as boas intenções do Poder Executivo Federal (Decreto nº 26, de 1991) e as
disposições da Lei nº 9.394, de 1996, conhecida como Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional
(arts. 78 e 79). O reforço de recursos financeiros significaria um impulso considerável para tornar efetiva
a educação indígena no território nacional.
O projeto, encaminhado à Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, recebeu parecer favorável,
com emenda do relator, substituindo a expressão “nações indígenas” por “populações indígenas”.

II – ANÁLISE

Não há dúvida de que as populações indígenas, durante séculos, foram duramente atingidas por um
processo de invasão que lhes retirou não somente inúmeras vidas como os elementos de sua própria
identidade. Mais recentemente, advogou-se uma política de integração, que buscava proteger e preservar
a vida biológica, anulando, entretanto, seus traços culturais, que deveriam ser “civilizados”, ou seja,
assimilados pela cultura dominante. De 1988 para cá, a partir da Constituição Federal, reconheceu-se o
valor intrínseco das etnias e culturas e o dever da sociedade brasileira de preservá-las e, mais ainda,
desenvolvê-las. Para tanto, é fundamental que o processo de educação indígena seja reconhecido e
organizado em currículo condizente com as necessidades étnicas, e executado em escolas próprias, de
caráter bilíngue e multicultural.
Avanços significativos têm sido alcançados, inclusive no campo da designação de professores índios
em suas escolas e da sua formação científica e pedagógica, em nível médio e superior, dentro dos novos
parâmetros. A inclusão das matrículas dos alunos índios no Fundo de Manutenção e Desenvolvimento
do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério (Fundef) também facilitou o atendimento às crianças
e adolescentes indígenas.
Na prática, os alunos indígenas do ensino fundamental já estão sendo atendidos pelos recursos do
salário-educação, tanto da quota federal, quanto das quotas estaduais e municipais, uma vez que 60%
da arrecadação são redistribuídos conforme o número de matrículas nas redes estaduais e municipais,
de acordo com a Lei nº 10.832, de 29 de dezembro de 2003, que alterou o art. 2º da Lei nº 9.766, de
1998.
O mérito do PLS nº XXX, de 1999, é, sem dúvida, o de assegurar para a educação indígena um
investimento mínimo, no valor de 1% da receita do salário-educação, que, em 2003, teria sido de
aproximadamente R$ 45 milhões. Na forma proposta pelo autor do projeto, ou seja, de aplicar 1% da
quota federal e 1% de cada quota estadual, ocorreria, entretanto, um problema: em alguns Estados a
população indígena – e, por conseguinte, de alunos de escolas indígenas – é muito maior,
proporcionalmente, que em outros. Assim, por exemplo, poder-se-ia incorrer em situações de um aluno
indígena de Mato Grosso do Sul ou do Amazonas receber dez ou vinte vezes menos recursos que um
aluno índio de Sergipe ou do Rio Grande do Norte.
Além disso, existe um problema formal: entre a apresentação do projeto, em 1999, e hoje, entrou em
vigor a Lei nº 10.832, de 2003, que subdividiu as quotas estaduais em uma estadual e tantas municipais

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quantos são os Municípios de cada Estado. A redação do art. 2º do PLS fica, portanto, prejudicada, pois
não corresponderia mais às intenções de seu autor.
Existe, entretanto, no nosso entendimento, uma saída que garante a consecução dos objetivos do
projeto: concentrar a subvinculação dos recursos para a educação indígena na quota federal, que poderá
ser redistribuída de acordo com as demandas das populações nativas de cada Estado.

III – VOTO

Diante do exposto, nosso voto é pela aprovação do Projeto de Lei do Senado nº XXX, de 1999, com
as seguintes emendas:

EMENDA Nº – CE

Dê-se à ementa do PLS nº XXX, de 1999, a seguinte redação:

“Modifica as Leis nºs 9.424, de 24 de dezembro de 1996, e 9.766, de 18 de


dezembro de 1998, que dispõem sobre o salário-educação, para destinar recursos
dessa contribuição social à educação indígena.”

EMENDA Nº – CE

Dê-se ao art. 2º do PLS nº XXX, de 1999, a seguinte redação:

Art. 2º O art. 15 da Lei nº 9.424, de 24 de dezembro de 1996, passa a viger acrescido do seguinte §
4º:

“Art. 15. ........................................................................


.......................................................................................
§ 4º Pelo menos três por cento do montante correspondente à quota federal a que
se refere este artigo serão destinados a programas e projetos de educação
indígena nos Estados e nos Municípios onde, comprovadamente, existam
populações indígenas. (NR)”

Sala da Comissão,

, Presidente

, Relator

Minuta

PARECER Nº , DE 2006

Da COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO, JUSTIÇA


E CIDADANIA, em caráter terminativo, sobre os Projetos de Lei do Senado nos
XXX (altera o art. 128 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940, Código
Penal, para não punir a prática do aborto realizado por médico em caso de
anencefalia fetal) e YYY (altera a redação do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de
dezembro de 1.940, Código Penal, para acrescentar o inciso III ao artigo 128,
incluindo entre as suas excludentes de antijuridicidade, hipótese permissiva de
interrupção de gravidez), ambos de 2004, sob regime de tramitação conjunta.

RELATOR: Senador [NOME DO SENADOR]

I – RELATÓRIO

São submetidos a esta Comissão, para decisão terminativa, nos termos dos arts. 101, II, d, 258 e
seguintes do Regimento Interno do Senado Federal, os Projetos de Lei do Senado nos XXX e YYY, ambos
de 2004, o primeiro de autoria do Senador [NOME DO SENADOR 1] e o segundo do Senador [NOME

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DO SENADOR 2]. Em decorrência da aprovação do Requerimento nº ZZZ, de 2005, do Senador [NOME
DO SENADOR 2], os referidos projetos passaram a tramitar em conjunto, conforme decisão do Plenário
do Senado Federal, na sessão do dia 19 de abril de 2005.
As proposições em exame, cada uma a seu modo, pretendem instituir uma nova causa de exclusão
da ilicitude no art. 128 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal (CP), para
que o aborto de feto anencéfalo não seja considerado crime.
Para tanto, o Projeto de Lei do Senado (PLS) nº XXX, de 2004, vale-se da designação “aborto no caso
de gravidez de feto com anencefalia”, excluindo a ilicitude da conduta “se o feto apresenta anencefalia e
o aborto é precedido de consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal”. Na
justificação, o autor afirma que, “por força da inexistência de qualquer tratamento que possa curar ou,
pelo menos, amenizar o problema, as futuras mães são submetidas a um profundo sofrimento psicológico
por todo o período gestacional, pois têm a consciência de carregar, em seus ventres, fetos sem qualquer
possibilidade de vida extrauterina”.
O PLS nº YYY, de 2004, utiliza uma estratégia diferente, embora visando alcançar o mesmo objetivo.
É que a proposição invoca a expressão “ausência de vida no gestado”, para pleitear o mesmo critério (de
verificação da morte) utilizado nos processos de retirada e doação de órgãos, tecidos e partes do corpo
humano, nos termos do art. 3º da Lei nº 9.434, de 4 de fevereiro de 1997. Com efeito, o autor considera
a punição do aborto de feto anencéfalo um paradoxo inaceitável, pois, se a cessação da atividade cerebral
determina a morte clínica para efeito de doação de órgãos, com muito mais razão poderíamos identificar
a “ausência de vida” no feto sem cérebro: “conceber que a cessação da gravidez de um feto anencefálico,
ou sem atividade cerebral, possa constituir crime, valendo lembrar que essa gestação, não raro, acaba
por colocar em risco a vida da gestante, importa em impedir que a gestante retire um feto morto”.

II – ANÁLISE

A matéria insere-se na competência privativa da União para legislar sobre direito penal, consoante o
disposto no art. 22, I, da Constituição Federal (CF).
Do ponto de vista da constitucionalidade material, deparamo-nos com uma situação problemática de
conflito de interesses: de um lado, a vida (ou esperança de vida) do nascituro; do outro, a integridade
biopsíquica da gestante. A antecipação terapêutica do parto do feto anencéfalo vem despertando a defesa
apaixonada de um e de outro lado. Logo, parece-nos perfeitamente compreensível a discussão tão
acalorada sobre o tema, principalmente ao sabermos que o Supremo Tribunal Federal (STF) está prestes
a decidir a questão (vide o julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental nº
54/DF, de 2004).
Como ponto de partida, e tentando lançar um olhar mais isento sobre tão polêmica questão, devemos
indagar o que é a anencefalia. Com apoio na literatura especializada, o médico e Consultor Legislativo
[Nome do Consultor] explica que “a anencefalia é uma das alterações na formação do sistema nervoso
central resultante da falha, em etapas precoces do desenvolvimento embrionário, do mecanismo de
fechamento do tubo neural conhecido como indução dorsal. A mais grave das enfermidades produzidas
por essa falha, a craniorraquisquise total, resulta invariavelmente na morte fetal precoce (nos primeiros
meses da gestação). A etapa seguinte em termos de gravidade da lesão é a da anencefalia, que se
caracteriza pela ausência dos hemisférios cerebrais e de ossos cranianos (frontal, occipital e
parietais). O tronco cerebral e a medula espinhal estão preservados, exceto nos casos em que a
anencefalia se acompanha de defeitos no fechamento da coluna vertebral (mielomeningocele)”.
E prossegue: “Na anencefalia, a inexistência das estruturas cerebrais (hemisférios e córtex), com a
solitária presença do tronco cerebral, provoca a ausência de todas as funções superiores do sistema
nervoso central que estão relacionadas à existência da consciência e que implicam a cognição, a vida de
relacionamento, comunicação e afetividade. Há somente a preservação efêmera das funções vegetativas
que controlam parcialmente a respiração, a vasomotricidade e as funções dependentes da medula
espinhal. Esse quadro neurológico preenche todos os critérios da morte neocortical, em oposição à
abolição completa da função encefálica, que, atualmente, define a morte encefálica. (...) O feto
anencefálico, por sua vez, é intrinsecamente inviável por ser portador de malformação neurológica que
se enquadra na definição de morte neocortical. (...) podemos concluir que faz pouco sentido aguardar que
a gestação chegue a termo para fazer o parto de um anencéfalo, visto que ele continuará tão inviável
quanto era no início da gravidez. A interrupção da gravidez nunca será a causa da morte do feto e, sim,
a ocasião em que ela ocorre.”
Diante da irreversibilidade do quadro clínico da anencefalia, que, por sua vez, é incompatível com o
prolongamento da vida extrauterina, impõe-se o questionamento de fundo eminentemente ético: devemos
obrigar a gestante a suportar a gravidez nessa dolorosa e infeliz condição?

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Respeitamos as opiniões divergentes, inclusive as de natureza religiosa, mas consideramos inaceitável
e profundamente injusto, sob qualquer pretexto ou doutrina, submeter a mulher a uma situação tão danosa
para sua integridade física, moral e psicológica. E convém aqui examinar a questão à luz do princípio da
proporcionalidade, já que toda medida de restrição aos direitos fundamentais da pessoa humana deve
ser proporcional, adequada e necessária. No caso, a manutenção da gravidez não teria nenhuma utilidade
prática para a preservação da vida do nascituro, ou seja, seria uma medida absolutamente inútil, já que
a anencefalia conduz inexoravelmente à morte do feto. Ao contrário, vemos, sim, a perigosa
instrumentação do ser humano para a consecução de fins que lhe são estranhos.
Não vislumbramos, pois, nenhum vício de inconstitucionalidade nos aludidos projetos, porquanto a
previsão de uma causa de exclusão da ilicitude no caso de interrupção da gravidez de feto anencéfalo
reflete uma decisão de política criminal inteiramente condizente com o respeito à dignidade da pessoa
humana – princípio fundamental da República Federativa do Brasil, nos termos do art. 1º, III, da CF.
Ademais, poder-se-ia invocar, em favor da gestante, a inexigibilidade de conduta diversa – causa de
exclusão da culpabilidade de construção teórica amplamente aceita, segundo a qual inexiste crime se, no
caso concreto, não for razoável exigir do agente comportamento diverso. E é justamente o caso. Não nos
parece razoável exigir que a gestante continue a padecer dos maiores sofrimentos físicos e psicológicos
para levar adiante uma gravidez sabidamente frustrada. Igualmente, não nos parece razoável exigir que
a mulher se entregue dolorosamente a todas as alterações fisiológicas decorrentes da gravidez,
aumentando sua penúria emocional.
A propósito, é interessante fazer uma reflexão sobre as persuasivas palavras do Ministro Marco
Aurélio, publicadas pela Folha de S. Paulo de 29 de outubro de 2004, reportando-se ao deferimento da
medida cautelar no já mencionado processo em curso no STF. Na oportunidade o Ministro reconhece a
dor, a angústia e a frustração experimentadas pela mulher grávida compelida a gestar um feto que não
sobreviverá. Afirma ainda o Ministro ser uma violência à dignidade humana qualquer pessoa nessa
situação ficar à mercê da permissão do Estado para livrar-se de semelhante sofrimento, configurando
uma situação de “frontal desrespeito à liberdade e à autonomia da vontade, direitos básicos,
imprescindíveis, consagrados em toda sociedade que se afirme democrática”.
Não convém perder de vista, ainda, que a última palavra é sempre da gestante, cabendo-lhe optar,
conforme sua consciência, pela manutenção ou interrupção da gravidez. Por essa razão, a estratégia
jurídica escolhida (isto é, a previsão de uma nova causa de exclusão da ilicitude) mostra-se como
instrumento mais adequado para dar vazão a essa decisão de foro íntimo.
Passemos, agora, a examinar mais de perto as fórmulas textuais dos projetos.
No que diz respeito ao PLS nº YYY, de 2004, em que pese sua inteligente justificação, vemos sérias
complicações de ordem técnica:

a) A remissão a outro diploma normativo (Lei nº 9.434, de 1997) pode trazer embaraços futuros, como
a perda de atualidade do dispositivo legal.

b) O PLS parece confundir morte encefálica com anencefalia. A rigor, a causa de exclusão da ilicitude
introduzida no art. 128 do CP, como redigida, não alcançaria a hipótese de anencefalia, simplesmente
porque os critérios de identificação da morte encefálica não estão voltados para a fase intra-uterina. A
morte encefálica pressupõe cérebro desenvolvido; a anencefalia tem a ver com a não-formação ou
formação incompleta do cérebro, admitindo, inclusive, atividade tronco-cerebral. Com efeito, os critérios
que atestam a morte encefálica não estão aptos a diagnosticar a anencefalia.

c) Ao falar em “ausência de vida no gestado”, o PLS pode gerar confusões, sobretudo em relação ao
conceito de “feto morto retido”, situação que normalmente exige intervenção obstétrica para a indução do
parto e que, por razões óbvias, nunca constituiu crime.

d) A expressão “ausência de vida no gestado” abrange todas as causas de óbitos fetais e a


interpretação do dispositivo pode levar à exigência de que a indução de parto de feto morto retido só seja
permitida se respeitado o disposto no art. 3º da Lei nº 9.434, de 1997.

e) A intervenção do obstetra para induzir parto de feto morto retido é necessidade imperiosa em muitos
casos, numa autêntica situação de estado de necessidade, pois a retenção do concepto por mais que
quatro semanas pode levar a uma séria complicação chamada de “coagulação intravascular
disseminada”, que põe em risco a vida da gestante.

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Quanto ao PLS nº XXX, de 2004, existem mais insuficiências do que propriamente imprecisões
técnicas. É que a referida proposição não detalha os requisitos de validade do diagnóstico e do
consentimento da gestante. Entendemos, por força do mais elevado comando de segurança jurídica: a)
que o diagnóstico deve ser subscrito por dois outros médicos (que não participem, portanto, do
procedimento cirúrgico de interrupção da gravidez); b) que as técnicas de diagnóstico da anencefalia
sejam reguladas pelo Conselho Federal de Medicina, de modo a uniformizar os procedimentos de
investigação da referida anomalia; c) que a manifestação do consentimento da gestante ou de seu
representante legal deve ser feita por escrito, para evitar, assim, qualquer tipo de dúvida ou
questionamento futuro.

III – VOTO

Em face do exposto, somos pela rejeição do Projeto de Lei do Senado nº YYY, de 2004, e pela
aprovação do Projeto de Lei nº XXX, de 2004, nos termos do seguinte substitutivo:

PROJETO DE LEI DO SENADO Nº XXX (SUBSTITUTIVO), DE 2004

Altera o Código Penal para prever a exclusão da ilicitude do aborto de feto anencéfalo.

Art. 1º O art. 128 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), passa a vigorar
acrescido dos seguintes inciso III e parágrafo único:

“Art. 128. ...................................................................................


....................................................................................................

Aborto no caso de gravidez de feto anencéfalo


.....................................................................................................
III – se o feto apresenta anencefalia, diagnosticada por dois médicos que não integrem a equipe que
realizará o aborto, e o procedimento é precedido de consentimento por escrito da gestante ou, quando
incapaz, de seu representante legal.
Parágrafo único. Na hipótese do inciso III, o diagnóstico de anencefalia obedecerá aos critérios clínicos
e tecnológicos definidos por resolução do Conselho Federal de Medicina. (NR)”

Art. 2º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Sala da Comissão,

, Presidente

, Relator

Minuta

PARECER Nº , DE 2006

Da COMISSÃO DE ASSUNTOS ECONÔMICOS, sobre o Projeto de Lei do


Senado nº XXX, de 2006 - Complementar, que acrescenta os §§ 1º, 2º e 3º ao art.
32 da Lei Complementar nº 87, de 13 de setembro de 1996 (Lei Kandir), para
estabelecer ressarcimento integral de valores desonerados a ser realizado pela
União a Estados e ao Distrito Federal.

RELATOR: Senador [NOME DO SENADOR]

I – RELATÓRIO

O Projeto de Lei do Senado (PLS) nº 30, de 2006 – Complementar, tem por objetivo assegurar aos
Estados o ressarcimento integral e efetivo, pela União, da desoneração do Imposto Sobre Operações
Relativas à Circulação de Mercadorias e Sobre Prestação de Serviço de Transporte Interestadual e

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Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) incidente sobre produtos primários e produtos industriais
semielaborados destinados à exportação.
Segundo a proposição, o ressarcimento por parte da União ocorrerá, no máximo, até o dia quinze do
mês subsequente ao da efetiva desoneração tributária.
Em segundo lugar, será dado aos Estados o direito de reduzir o pagamento de suas dívidas para com
a União no mesmo valor da desoneração tributária não ressarcida. Tudo se dará como um encontro de
contas: para cada real que a União deixar de pagar aos Estados por conta do ressarcimento da
desoneração tributária será descontado um real na amortização da dívida estadual com a União.
Por fim, no prazo de até trinta dias após a aprovação da lei, a União ressarcirá todas as desonerações
efetuadas pelos Estados ao longo dos anos e que não foram objeto de efetivo ressarcimento.

II – ANÁLISE

A disputa entre a União e os Estados em torno da desoneração do ICMS sobre produtos primários e
produtos industriais semielaborados é bastante conhecida nesta Casa. Permito-me fazer uma breve
reconstituição dos fatos, para melhor embasar o meu voto.
O art. 155, § 2º, X, a, da Constituição, estabelece que o ICMS não deve incidir sobre as exportações,
assegurada a manutenção e o aproveitamento dos créditos pagos nas operações anteriores. Ou seja,
não se deve tributar a exportação e, além disso, o exportador tem direito ao ressarcimento dos créditos
de ICMS pagos nos insumos adquiridos para produzir o bem exportado.
O mesmo art. 155, § 2º, no inciso XII, diz que cabe à lei complementar definir todas as características
do ICMS. Tal lei é justamente aquela chamada de Lei Kandir (Lei Complementar nº 87, de 1996), que se
pretende modificar na proposição em exame e que, na sua atual versão determina que:

Art. 3º O imposto não incide sobre:


.....................................................................................................
II – operações e prestações que destinem ao exterior mercadorias, inclusive
produtos primários e produtos industrializados semielaborados, ou serviços;
.....................................................................................................

Tendo em vista que o ICMS é um tributo estadual, e que a política de comércio exterior é de
responsabilidade do Governo Federal, a mesma Lei Kandir estabeleceu, em seu art. 31, um sistema de
ressarcimento dos Estados pelos tributos não arrecadados.
O Anexo da Lei Kandir determina que o montante a ser distribuído entre os Estados e os Municípios
será aquele fixado no Orçamento Geral da União. A partilha dos recursos entre os Estados é feita de
acordo com coeficientes fixados na lei.
Posteriormente, a Emenda Constitucional (EC) nº 42, de 2003, inseriu o art. 91 no Ato das Disposições
Constitucionais Transitórias (ADCT), com determinação explícita para que a União faça transferência para
Estados e Municípios, com a finalidade de ressarci-los pela não arrecadação de ICMS sobre produtos
exportados. Esse artigo determinou que, enquanto não for editada lei complementar que regule a matéria,
ficam valendo os critérios estabelecidos na Lei Kandir.
Na prática, há três queixas feitas pelos governos estaduais:

1ª) o montante total do ressarcimento é inferior ao que eles deixam de arrecadar ao isentar os produtos
primários e semielaborados da cobrança do ICMS;

2ª) o valor a ser transferido é incerto, sendo sujeito a cortes na fase de elaboração do orçamento e a
contingenciamento na fase de execução;

3ª) os Estados cujas economias estão fortemente baseadas na exportação de produtos primários (por
exemplo, Pará e Rio Grande do Sul) sofreram fortes quedas de arrecadação e não têm o que tributar em
suas economias.

Daí se compreende a motivação do PLS em análise. Seu autor pretende, em primeiro lugar, obrigar a
União a fazer os ressarcimentos integrais, não mais os condicionando a um valor máximo negociado
quando da aprovação do Orçamento Geral da União. Em segundo lugar, propõe criar um mecanismo que
dê aos Estados a segurança de obtenção desses créditos em caso de não-pagamento pela União. Tal
mecanismo seria um encontro de contas mediante redução do pagamento de dívidas à União. Em terceiro

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lugar, o Projeto visa recuperar os ressarcimentos não pagos no passado, obrigando a União a fazer o
pagamento desses “atrasados” em até trinta dias após a entrada em vigor da lei proposta.
Apesar do mérito inconteste do Projeto, considero que há óbices intransponíveis à sua aprovação. Em
primeiro lugar, seria inconstitucional obrigar a União a conceder descontos no pagamento da dívida dos
Estados, uma vez que existe um contrato firmado entre a União e cada Estado, fixando as condições do
refinanciamento da dívida, contrato esse que constitui um ato jurídico perfeito. Não pode o Congresso
Nacional determinar, unilateralmente, a alteração desse contrato. Uma lei que o fizesse, feriria o art. 5º,
inciso XXXVI, da Constituição: a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa
julgada.
O Projeto também fere o art. 17 da Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar nº 101, de
2000), o qual prevê que, a criação, por lei, de despesa de caráter continuado deve ser acompanhada da
indicação da fonte de custeio da nova despesa, de estimativa do seu impacto orçamentário- financeiro e
de comprovação de que as metas de resultados fiscais não serão afetadas. Ora, o Projeto mudaria
substancialmente o processo de ressarcimento, que passaria do modelo atual de negociação de um valor
máximo a ser incluído no Orçamento para um valor em aberto, dependente do volume de exportações
realizado no futuro. Como se vê, não há dúvida de que, com essa nova sistemática proposta, tornar-se-á
difícil respeitar os ditames da Lei de Responsabilidade Fiscal.

III – VOTO

Frente ao exposto, manifesto-me pela rejeição do PLS nº 30, de 2006 – Complementar.

Sala da Comissão,

, Presidente

, Relator

Parecer Sobre Requerimento de Informações

Minuta

PARECER Nº , DE 2006

Da MESA DO SENADO FEDERAL, sobre o Requerimento nº XXX, de 2006, que solicita informações ao
Sr. Ministro de Estado da Justiça a respeito de pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos
qualificadas como Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP).

RELATOR: Senador [NOME DO SENADOR]

I – RELATÓRIO

Subscrito pelo Senador [Nome do Senador], o Requerimento nº XXX, de 2006, objetiva a solicitação
de informações ao Ministro de Estado da Justiça sobre pessoas jurídicas de direito privado sem fins
lucrativos qualificadas como Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), pela
Secretaria Nacional de Justiça daquele Ministério. As informações solicitadas referem-se a denominação,
CNPJ, endereço, telefone, fax, data da publicação, nome do responsável e respectivo CPF, bem como a
finalidade da entidade.
O Requerimento não contém justificação do pedido, o que é facultado pelo disposto no art. 238 do
Regimento Interno do Senado Federal (RISF).

II – ANÁLISE

De acordo com o art. 216 do RISF, são critérios de admissibilidade dos requerimentos de informação
previstos no § 2º do art. 50 da Constituição da República, aqueles que se destinam ao esclarecimento de
qualquer assunto submetido à apreciação do Senado ou atinente a sua competência fiscalizadora.
Preceitua também que não poderão conter pedido de providência, consulta, sugestão, conselho ou
interrogação sobre propósito da autoridade a quem se dirija.

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O Ato da Mesa nº 1, de 2001, que regulamenta a tramitação de requerimento de informação, impõe
que as informações solicitadas deverão ter relação estreita e direta com o assunto que se procura
esclarecer, nos termos do § 2º de seu art. 1º.
Como o requerimento em exame envolve a solicitação de informações factuais e dados objetivos, em
princípio não haveria qualquer óbice ao atendimento dos pressupostos de admissibilidade prescritos nas
normas regimentais.
Entretanto, tendo em vista o atendimento do pressuposto referido no § 2º do art. 1º do mencionado
ato, impõe-se que o autor do requerimento esclareça a que se destinarão as informações a serem
prestadas ou o que o motiva a obtê-las.

III – VOTO

Em face do exposto, votamos pelo sobrestamento do Requerimento nº XXX, de 2006, até que o autor
esclareça o objetivo do pedido, em atendimento à norma contida no § 2º do art. 1º do Ato da Mesa nº 1,
de 2001.

Sala de Reuniões,

, Presidente

, Relator

Parecer Sobre Mensagem Presidencial

Minuta

PARECER Nº , DE 2006

Da COMISSÃO DE ASSUNTOS ECONÔMICOS, sobre a Mensagem nº XXX, de


2006, do Presidente da República (nº XXX, de ...... de ................de 2006, na
origem), encaminhando ao Senado Federal proposta para que seja autorizada a
República Federativa do Brasil a contratar operação de crédito externo, no valor
total de até US$ 23.155.000,00 (vinte e três milhões, cento e cinquenta e cinco mil
dólares dos Estados Unidos da América), com o Fundo Internacional para
Desenvolvimento da Agricultura (FIDA).

RELATOR: Senador [NOME DO SENADOR]

I – RELATÓRIO

Os recursos da operação constante da Mensagem nº XXX, de 2006, do Presidente da República (nº


XXX, de de de 2006, na origem), serão destinados ao Projeto de Suporte ao Desenvolvimento
de Empreendimentos de Agricultores Familiares do Nordeste Brasileiro.
De acordo com a Exposição de Motivos do Ministro da Fazenda, o empréstimo a ser contratado visa a
contribuir com a redução dos níveis de pobreza e desigualdade social e desenvolver a capacidade de
pequenos agricultores familiares do Nordeste.
O custo total do programa está estimado em US$ 46,6 milhões, sendo que, além dos recursos previstos
para serem contratados com o Fundo
Internacional para Desenvolvimento da Agricultura (FIDA), serão aportados, como contrapartida da
União e dos agricultores beneficiados, US$ 22 milhões e US$ 1,47 milhão, respectivamente.
Ressalte-se que a contrapartida prevista para os agricultores não consta no Contrato de Empréstimo
negociado, assim como a contrapartida da União incorpora, além dos recursos do Orçamento Geral da
União (OGU), os recursos provenientes da aplicação pelo Programa Nacional de Agricultura Familiar
(PRONAF) em crédito rural na região, equivalentes à US$ 16,9 milhões.
A operação de crédito externo pretendida já se acha com suas condições financeiras devidamente
incluídas no Sistema de Registro de Operações Financeiras (ROF), do Banco Central do Brasil (BACEN).
Dessa forma, a referida operação de crédito foi referendada por intermédio da carta de credenciamento
Decec/Diope/Suaut-2005/082, de 16 de dezembro de 2005.

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Ademais, as condições financeiras do empréstimo são as usualmente praticadas pelo FIDA, um
organismo internacional do qual o Brasil é país-membro, e que, geralmente, apresenta condições mais
favoráveis do que as oferecidas pelas instituições privadas.
A presente operação com o FIDA se processará na modalidade de empréstimo em moeda, sobre a
qual incidem juros vinculados à taxa fixada pelo Banco Internacional para a Reconstrução e
Desenvolvimento (BIRD) para empréstimo em cesta de moedas. Destaque-se que, em 2005, a taxa fixada
foi de 4,36% ao ano e, em 2006, será da ordem de 5,09% ao ano.
Nas condições financeiras do empréstimo não são previstos encargos relacionados à comissão de
crédito e à inspeção e supervisão geral, cujos custos serão inteiramente assumidos pelo FIDA.

II – ANÁLISE

As operações de crédito externo dessa natureza, em apreciação na Comissão de Assuntos


Econômicos, sujeitam-se ao cumprimento de uma série de condições e exigências definidas na
Constituição Federal e na Resolução nº 96, de 1989, do Senado Federal. A observância dos preceitos ali
contidos constitui, pois, condição imprescindível para que o Senado Federal possa conceder a
autorização solicitada.
Nesse contexto, relativamente à solicitação em exame, deve-se destacar:

a) Os limites de endividamento da União, estipulados nos arts. 2º, 3º e 4º da referida resolução, são
atendidos, conforme é informado e demonstrado em anexos ao Parecer STN/COREF/GERFI nº XXX, de
...... de ................ de 2005, complementado pelo Parecer GERF/COREF/STN nº XX, de ........ de
..................... de 2006.

b) O parecer da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, PGFN/ COF/Nº XXX, de ....... de


.................. de 2006, encaminhado ao Senado Federal, conclui que a minuta de contrato de empréstimo
contém cláusulas admissíveis, tendo sido observado o disposto no art. 5º da Resolução nº 96, de
1989, do Senado Federal, que veda disposições contratuais de natureza política, atentatórias à
soberania nacional e à ordem pública, contrárias à Constituição e às leis brasileiras, bem assim
que impliquem a compensação automática de débitos e créditos.

c) Relativamente à exigência constitucional de que programas ou projetos constem do Plano


Plurianual e da Lei Orçamentária Anual, é informado pela Secretaria de Planejamento e Investimentos
Estratégicos (SPI) que o programa referido encontra-se incluído no Plano Plurianual da União 2004/2007,
nos termos da Lei nº 10.933, de 11 de agosto de 2004, no Programa Agricultura Familiar (PRONAF), a
ser viabilizado pela ação 4280 – Fomento a Projetos de Diversificação Econômica e Agregação de Valor
na Agricultura Familiar, no valor total para o quadriênio de R$ 62.400.000,00, e que os recursos previstos
são suficientes para suportar as ações inseridas no projeto para o período em questão.

As dotações orçamentárias existentes para o ano de 2005, assim como as previstas para o corrente
ano, serão suficientes para dar suporte ao Programa no exercício corrente, de acordo com a Secretaria
do Tesouro Nacional, baseada, por sua vez, em informações acerca das dotações orçamentárias
previstas para o Programa prestadas pela Secretaria de Orçamento Federal.
Ressalte-se que, de acordo com cálculos estimativos realizados pela Secretaria do Tesouro Nacional,
a operação de crédito pretendida implicará custos efetivos equivalentes a 6,3% a.a., levando aquela
Secretaria a concluir que essa taxa é aceitável se comparada com o custo de captação do Tesouro, em
dólar dos Estados Unidos da América, no mercado internacional.
Enfatize-se também que as restrições e exigências estabelecidas na Lei Complementar nº 101, de 4
de maio de 2000, foram observadas pela União.

III – VOTO

Somos, assim, pela autorização pleiteada pela Mensagem nº XXX, de 2006, nos termos do
seguinte:
PROJETO DE RESOLUÇÃO Nº , DE 2006

Autoriza a República Federativa do Brasil a contratar operação de crédito externo


no valor total de até US$ 23.155.000,00 (vinte e três milhões, cento e cinquenta e
cinco mil dólares dos Estados Unidos da América) com o Fundo Internacional para
Desenvolvimento da Agricultura (FIDA).
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O SENADO FEDERAL resolve:

Art. 1º A República Federativa do Brasil é autorizada a contratar operação de crédito externo no valor
total de até US$ 23.155.000,00 (vinte e três milhões, cento e cinquenta e cinco mil dólares dos Estados
Unidos da América) com o Fundo Internacional para Desenvolvimento da Agricultura (FIDA).

Parágrafo único. Os recursos dessa operação de crédito destinam-se ao Projeto de Suporte ao


Desenvolvimento de Empreendimentos de Agricultores Familiares do Nordeste Brasileiro.

Art. 2º As condições financeiras básicas da operação de crédito são as seguintes:


I – Devedor: República Federativa do Brasil;
II – Credor: Fundo Internacional para Desenvolvimento da Agricultura (FIDA);
III – Valor Total: até US$ 23.155.000,00 (vinte e três milhões, cento cinquenta e cinco mil dólares dos
Estados Unidos da América);
IV – Modalidade de Empréstimo: empréstimo em moeda;
V – Prazo de Carência: três anos, contados a partir da data da aprovação do empréstimo pelo FIDA;
VI – Amortização: parcelas semestrais, vencendo-se a primeira em 1º de março de 2008, e a última,
em 1º de setembro de 2022;
VII – Juros: exigidos semestralmente e pagos nas mesmas datas da amortização; a taxa de juros
adotada pelo FIDA para cada ano é a taxa de juros estipulada pelo Banco Internacional para a
Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD) para empréstimo em cesta de moedas no período de julho a
dezembro do ano anterior.

Parágrafo único. As datas de pagamento do principal e dos encargos financeiros, previstas na minuta
contratual, poderão ser alteradas em função da data de sua assinatura.

Art. 3º O exercício da autorização concedida por esta Resolução deverá ocorrer em um prazo de 540
(quinhentos e quarenta) dias, contados da data de sua publicação.

Art. 4º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.

Sala da Comissão,

, Presidente

, Relator

Exemplos de Nota Técnica

NOTA TÉCNICA Nº XXX, DE 2006

Referente à STC nº 2006XXXXX, do Senador [NOME DO SENADOR], acerca de


elaboração de minuta de projeto de lei que concede anistia de dívidas referentes
a foros e taxas de ocupação de imóveis da União localizados na região da
Amazônia Legal e ocupados por famílias carentes ou de baixa renda.

Elaboramos a minuta, em atendimento à STC. Todavia, entendemos necessárias algumas


considerações a respeito do tema. Nos termos da solicitação, apenas os imóveis da União localizados na
Amazônia Legal estariam abrangidos. A nosso ver, disposição com esse teor configuraria um caso típico
do que, em controle de constitucionalidade, costuma-se chamar “exclusão de benefício incompatível com
o princípio da igualdade”.
Trata-se de uma forma de inconstitucionalidade relacional, verificada quando a norma concede
benefícios a determinado grupo, não fazendo o mesmo relativamente a outro grupo que se encontra nas
mesmas condições que serviram de justificativa para a concessão. Nesses casos, a inconstitucionalidade
não existe em virtude do benefício em si, mas da ofensa ao princípio da isonomia, por instituir tratamento
desigual a iguais.
Não nos parece conforme com o princípio da igualdade conceder a mencionada anistia apenas às
famílias carentes ocupantes de imóveis federais situados na Amazônia Legal. Se o propósito da norma é
livrar de tais dívidas famílias que somente a duras penas poderiam honrá-las, o critério orientador é a

Apostila gerada especialmente para: Beatriz de Jesus de Oliveira Barros 028.993.602-05


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renda e não o local do imóvel. Ademais, o art. 19, III, da Lei Maior reza ser vedado à União criar distinções
entre brasileiros. Por tais razões, entendemos que, em sendo concedida anistia, deveria ser ela estendida
a todas as famílias que se encontrassem na mesma situação e não somente àquelas residentes na
Amazônia Legal.
Cabe ressaltar, contudo, que, em casos dessa natureza, a jurisdição constitucional costuma adotar a
técnica denominada “declaração de inconstitucionalidade sem pronúncia de nulidade”. Predomina a ideia
de que a Corte Constitucional não pode atuar como legislador positivo para ampliar a incidência da norma,
de sorte a determinar a extensão do benefício a quem não havia sido contemplado pela lei. Assim, as
decisões do Tribunal se limitam a reconhecer o estado de inconstitucionalidade, sem, por outro lado,
suspender a eficácia da norma, o que conduz a um cenário ainda pior, no qual todo o universo de
possíveis beneficiados é prejudicado, em nome da preservação da isonomia.
Quanto à possibilidade de lei de iniciativa parlamentar prever a renúncia de receitas, o entendimento
é controverso. Conquanto haja jurisprudência do Supremo Tribunal Federal negando a reserva de
iniciativa no caso concreto (ADIMC nº 2.072), existem também julgados no sentido inverso (ADIMC nº
2.345), considerando que, por força do disposto no art. 165, III, da Lei Maior, quaisquer leis com
repercussão no orçamento público são de iniciativa privativa do Chefe do Executivo.
Sendo isso o que tínhamos a informar, colocamo-nos à disposição do Senhor Senador para outros
esclarecimentos que considerar necessários.

Consultoria Legislativa, ...... de ........................ de 2006.

[NOME DO CONSULTOR]
Consultor Legislativo

NOTA TÉCNICA Nº XXX, DE 2006

Referente à STC nº 2006XXXXX, do Senador [NOME DO SENADOR], que


demanda a elaboração de projeto de lei para que os memoriais descritivos dos
títulos de propriedade rural tragam os marcos de localização descritos por
coordenadas geográficas emitidas pelo Global Positioning System – GPS.

O Projeto de Lei solicitado objetiva estabelecer prazo de dez anos para que os memoriais descritivos
dos títulos de propriedade rural tragam os marcos de localização descritos por coordenadas geográficas,
emitidas pelo Global Positioning System – GPS (Sistema de Posicionamento Global) ou por sistemas
análogos, tendo os rumos entre marcos descritos em azimutes verdadeiros, com suas respectivas
distâncias fixadas em quilômetros e submúltiplos, e as áreas totais, em hectares e subdivisões.
Ademais, a proposição deverá determinar que: 1) a partir da vigência da lei, todas as escrituras de
mudança de propriedade, desmembramento ou parcelamento já tenham seus marcos descritos na forma
acima mencionada; 2) se o total da área encontrado nos limites dos polígonos descritos pelo memorial
não corresponder ao descrito no título original, caberá ao expedidor do título ou ao seu sucessor legal
providenciar a complementação da área; 3) havendo sobra de área, seja esta alienada ao ocupante, por
venda direta, ao preço da terra nua; e, por fim, 4) todas as divisas de Estados e limites de Municípios que
não sejam demarcados por acidentes geográficos expressamente definidos tenham seus marcos
definidos no referido modo.
Informa, ainda, o solicitante, que o art. 3º da Lei nº 10.267, de 28 de agosto de 2001, alterou, entre
outros, o art. 176 da Lei nº 6.015, de 31 de dezembro de 1973, a qual, por seu turno, dispõe sobre os
registros públicos e dá outras providências.
Os §§ 3º e 4º do art. 176 estabelecem que, sempre que o imóvel rural for desmembrado, parcelado ou
remembrado, constarão de sua identificação, no correspondente cartório de registro de imóveis, as
coordenadas dos vértices definidores de seus limites, georreferenciadas ao Sistema Geodésico Brasileiro
e com precisão posicional a ser fixada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
Embora a Lei nº 10.267, de 2001, não tenha estabelecido um prazo ao cabo do qual os imóveis rurais
devam ser identificados segundo os novos parâmetros, note-se que, de acordo com o procedimento
assentado naquele diploma legal, a atualização dos memoriais descritivos será, de todo modo, inexorável,
mesmo que a médio ou longo prazo.
O Incra, por sua vez, editou, em novembro de 2003, a Norma Técnica para Georreferenciamento de
Imóveis Rurais, com o propósito de orientar os profissionais que atuam no mercado de demarcação,
medição e georreferenciamento de terras a atenderem ao que dispõe a Lei nº 10.267, de 2001. Desde

Apostila gerada especialmente para: Beatriz de Jesus de Oliveira Barros 028.993.602-05


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então, aquela Instituição tem se dedicado à coleta e ao gerenciamento dos novos dados identificadores
das propriedades rurais situadas no País.
Tanto é assim, que desenvolveu a Rede Incra de Bases Comunitárias do GPS (RIBaC), um conjunto
de quarenta e quatro estações de referência do GPS implantadas em diversos pontos do território
brasileiro, que tem o propósito de auxiliar a execução dos serviços de agrimensura desenvolvidos, direta
ou indiretamente, pelo Incra, quando é utilizada esta tecnologia.5
As estações estão localizadas em unidades próprias do Incra e, em virtude da celebração de acordos,
em áreas de universidades federais ou estaduais, bem assim em sedes de órgãos e de empresas públicas
e privadas.
Conforme nos foi informado pelo engenheiro agrônomo Fábio Vicente Ferreira, funcionário do Incra
lotado na sede do órgão, em Brasília, um novo sistema para o gerenciamento de dados será desenvolvido
ainda este ano, a fim de que nele se registrem e administrem todas as informações disponíveis
concernentes aos imóveis, já atualizadas – o que deve ser concluído até o ano de 2008, caso os recursos
necessários ao projeto sejam devidamente alocados.
Informou, ainda, que, conquanto raro, caso ocorra discordância entre os confinantes acerca da
definição de imóveis por meio do novo procedimento, o Incra deve aguardar a definição judicial dos limites,
a ser efetuada mediante a ação demarcatória, prevista no Capítulo VIII (Da Ação de Divisão e da
Demarcação de Terras Particulares) do Título I (Dos Procedimentos Especiais de Jurisdição Contenciosa)
do Livro IV (Dos Procedimentos Especiais) do Código de Processo Civil.
Em suma, um projeto de lei por meio do qual o Senador [Nome do Senador] pretendesse alvitrar um
novo método para a identificação e caracterização de imóveis rurais, nos termos da STC sob enfoque,
estaria maculado em sua juridicidade, porquanto, embora 1) possuísse o atributo da generalidade; 2)
fosse consentâneo com os princípios gerais do Direito; 3) se afigurasse dotado de potencial coercitividade;
e 4) o meio eleito para o alcance dos objetivos pretendidos (normatização via edição de lei) fosse o
adequado, a matéria nele vertida não inovaria o ordenamento jurídico.
Colocamo-nos à disposição do Senador para quaisquer observações ou esclarecimentos adicionais
que julgar necessários.

Consultoria Legislativa, ....... de ...................... de 2006.

[NOME DO CONSULTOR]
Consultor Legislativo

Exemplos de Nota Informativa

NOTA INFORMATIVA Nº XXX, DE 2006

Referente à STC nº 2006XXXXX, do Senador [NOME DO SENADOR], que indaga


sobre a responsabilização penal pela utilização indevida de “cobaias humanas”
em experiências médicas.

Preliminarmente, importa registrar que as pesquisas na área de saúde, envolvendo seres humanos,
são regulamentadas pelo Conselho Nacional de Saúde, por meio das seguintes resoluções:

a) Res. CNS 196/96, que dispõe sobre as Diretrizes e Normas Regulamentadoras de Pesquisas
Envolvendo Seres Humanos; e

b) Res. CNS 251/97, que estabelece Normas de Pesquisa com Novos Fármacos, Medicamentos,
Vacinas e Testes Diagnósticos Envolvendo Seres Humanos.

Supostamente, a consulta encaminhada pelo Senador refere-se aos experimentos realizados sem
observância das normas regulamentares. Nesse contexto, do nosso ponto de vista, pode haver
cometimento de três crimes diversos.
Se há concreto perigo para a vida ou para a saúde do voluntário que se submete ao experimento, tem-
se o delito definido no art. 132 do Código Penal (CP):

Art. 132. Expor a vida ou saúde de outrem a perigo direto e iminente.

5
Para maiores informações sobre a RIBaC, vale conferir a página eletrônica http://ribac.incra.gov.br/default2.htm.

Apostila gerada especialmente para: Beatriz de Jesus de Oliveira Barros 028.993.602-05


23
Pena – detenção, de três meses a um ano, se o fato não constitui crime mais
grave.

É o caso, por exemplo, da pessoa que, necessitando de intervenção cirúrgica, é submetida a técnica
experimental, que, apesar de aparentemente vantajosa em termos de resultado, é mais arriscada do que
a técnica tradicional. Neste caso, a simples exposição ao perigo configura o delito do art. 132 do CP.
Se o paciente sofre efetiva lesão ou vem a morrer em virtude da técnica experimental, não é o caso
de crime de perigo, mas de lesão corporal ou homicídio (arts. 129 e 121 do CP, respectivamente).
Observe-se que o delito de lesão corporal não se limita à ofensa à integridade corporal ou à saúde de
outrem, como bem se percebe da descrição da conduta, segundo o caput do art. 129 do Código Penal.
Pois bem, lesão corporal e homicídio são os tipos penais que, ao lado do perigo para a vida ou a saúde
de outrem, podem ocorrer em experimentos irregulares com seres humanos. Tome-se o exemplo da
inoculação de vírus em pessoas sadias, para realização de testes. Se a doença contraída não for letal, o
caso é de lesão corporal, cuja modalidade (leve, grave ou gravíssima) dependerá da enfermidade. Na
hipótese de se tratar de vírus de gripe comum, a lesão corporal será de natureza leve (art. 129, caput, do
CP), cuja pena é de detenção, de três meses a um ano.
Se da moléstia resultar incapacidade para as ocupações habituais por mais de trinta dias; ou perigo
de vida; ou debilidade permanente de membro, sentido ou função; ou aceleração de parto, o crime será
lesão corporal grave, e a pena, reclusão, de um a cinco anos (art. 129, § 1º, do CP).
Finalmente, se dela resultar incapacidade permanente para o trabalho; ou enfermidade incurável; ou
perda ou inutilização de membro, sentido ou função; ou deformidade permanente ou aborto, o crime será
de natureza gravíssima, com pena de reclusão, de dois a oito anos (art. 129, § 2º, do CP).
Tratando-se de vírus causador de doença letal, o tipo será de homicídio simples (art. 121, caput, do
CP), cuja pena cominada é de reclusão, de seis a vinte anos.
O elemento subjetivo, nessas hipóteses, é, quase sempre, o dolo eventual, em que o agente assume
o risco de produzir o resultado. Além disso, cabe registrar que o delito pode ser tipificado como tentativa
(art. 14, II, do CP), se evitado por circunstâncias alheias à vontade do agente.
Por derradeiro, cumpre comentar recente caso ocorrido no Amapá, em que seres humanos contraíram
malária por terem sido utilizados em experimentos realizados por organização não-governamental
estrangeira. Partindo do pressuposto incontestável de que houve irregularidade na condução do
experimento, a conduta dos responsáveis, a nosso ver, configura o crime de lesão corporal de natureza
grave (art. 129, § 1º, do CP), pois a malária, além de apresentar risco para a vida, frequentemente
incapacita o doente para as ocupações habituais por mais de trinta dias.
Com essas considerações, colocamo-nos à disposição do ilustre Solicitante para quaisquer
esclarecimentos que entender necessários.

Consultoria Legislativa, ..... de ................... de 2006.

[NOME DO CONSULTOR]
Consultor Legislativo

NOTA INFORMATIVA Nº XXX, DE 2006

Referente à STC nº 2006XXXXX, do Senador [NOME DO SENADOR], que


consulta sobre a transferência de alunos entre instituições de educação superior.

O Senador [Nome do Senador] faz consulta sobre a matéria, motivado por correspondência
encaminhada por cidadã da Paraíba, estudante de Enfermagem nas Faculdades Integradas de Patos
(FIP), que solicita seu apoio para transferir-se para o curso de Medicina da Universidade Federal da
Paraíba (UFPB).
Em resposta, cabe esclarecer que a Lei nº 9.394, de 1996, conhecida como Lei de Diretrizes e Bases
da Educação (LDB), estabelece:

Art. 49. As instituições de educação superior aceitarão a transferência de


alunos regulares, para cursos afins, nas hipóteses de existência de vagas, e
mediante processo seletivo. (grifo nosso)

Parágrafo único. As transferências ex officio dar-se-ão na forma da lei.

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24
As instituições de educação superior são, portanto, responsáveis por regulamentar seus processos
seletivos para transferência voluntária, de acordo com a disponibilidade de vagas em cada curso. Essa
prerrogativa atende a dois princípios fundamentais: de um lado, a autonomia universitária; de outro, a
igualdade de condições de acesso para todos os interessados.
Situação diferente é a da transferência ex officio, ou seja, em função do cargo, que se dá por força da
remoção ou transferência de servidor público federal civil ou militar estudante, ou de seu dependente
estudante, acarretando mudança de domicílio para o município onde se situe a instituição recebedora, ou
para a localidade mais próxima desta.
Destaque-se que, conforme o art. 99 da Lei nº 8.112, de 1990, a garantia de efetivação da transferência
se dá entre instituições congêneres: de instituição pública para outra instituição pública; e de instituição
privada para instituição privada. Assim, mesmo se fosse esse o caso, o pleito da estudante não poderia
ser atendido.
Ressalte-se, por fim, que, em consonância com o disposto na LDB, a UFPB disciplina o processo de
transferência voluntária de alunos para seus cursos por meio da Resolução nº 20, de 2001, do Conselho
Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão. Essa resolução dispõe sobre as vagas disponíveis e os critérios
de seleção empregados, bem como sobre todos os procedimentos e requisitos que devem ser atendidos
pelos interessados. Para acessá-la, basta consultar o seguinte endereço eletrônico:

www.prg.ufpb.br/coletania2/2004coletRESOLU.html#r2001

Caso sejam necessários esclarecimentos adicionais sobre a matéria, a Consultoria Legislativa


encontra-se à disposição para prestá-los.

Consultoria Legislativa, ..... de .................... de 2006.

[NOME DO CONSULTOR]
Consultor Legislativo

Exemplos de Estudo

ESTUDO SOBRE CRIANÇAS DE RUA (31 PÁGINAS NO ORIGINAL)

ESTUDO Nº XXX, DE 2006

Referente à STC n° 2005XXXXX, do Senador [NOME DO SENADOR], acerca da


situação das crianças de rua no Brasil.

1. Sumário

Em primeiro lugar, aborda-se o conceito de “criança de rua”, para construir um perfil claro dessa
categoria, quantos são e onde se localizam. Uma vez que mais de 2/3 das crianças que estão nas ruas
têm contato com suas famílias, o Estudo procura também verificar quais são os elementos de
desagregação familiar. Constata-se que as dificuldades econômicas e os conflitos intrafamiliares são as
causas da presença dessas crianças nas ruas. Outro aspecto tratado no Estudo são as normas jurídicas
relevantes, área em que o Brasil avançou muito, especialmente na proteção da infância. Entretanto,
percebe-se ainda um nítido distanciamento entre as leis e seu cumprimento. Na parte final do Estudo,
procura-se evidenciar as políticas públicas de êxito, oferecendo, por fim, possíveis caminhos e sugestões
de ação, especialmente no sentido do combate à concentração de renda e da articulação de ações do
Estado e da sociedade civil.

2. Introdução

O presente Estudo visa atender solicitação de trabalho à Consultoria Legislativa, encaminhada pelo
Senador [NOME DO SENADOR], sobre a situação das crianças de rua no Brasil, as razões do problema,
as estatísticas disponíveis, os programas governamentais e as experiências internacionais pertinentes,
além de sugestão de programa que possa envolver a sociedade civil para o enfrentamento do problema.

Apostila gerada especialmente para: Beatriz de Jesus de Oliveira Barros 028.993.602-05


25
3. Conceito de criança de rua

No Brasil, a pobreza e a exclusão social são temas amplamente discutidos e fontes de inúmeras
publicações. Contudo, o problema das crianças de rua – deles derivado e já antigo6 – está longe de
receber tratamento idêntico. De fato, escassos são os estudos sobre crianças de rua com alcance
nacional, quase sempre restritos ao âmbito acadêmico e pertencentes à área de saúde, de serviço social,
de sociologia ou de psicologia. Isso dificulta a efetiva quantificação do problema no País, conhecido por
deter metade do número total de crianças de rua da América Latina7, e compromete a visão de conjunto
necessária ao seu enfrentamento.
(...)

4. Perfil das crianças em situação de rua

Para muitos, a infância — etapa fundamental para o desenvolvimento pleno das potencialidades
físicas, mentais e psicossociais do ser humano — tem lugar nas ruas. Com o propósito de definir o perfil
desse grupo, o presente Estudo lança mão do resultado de várias pesquisas, sobretudo das informações
compiladas por Irene Rizzini com base em mais de quarenta trabalhos sobre a população infanto-juvenil
de rua nas cidades latino- americanas8.
(...)

5. Contexto Familiar

As pesquisas indicam que mais de 2/3 das crianças que estão nas ruas têm contato com suas famílias.
Logo, qualquer abordagem do problema que pretenda ser séria deve considerar a situação dessas
famílias, geralmente muito pobres.
(...)

6. Motivos que conduzem as crianças à rua

Os estudos são unânimes em apontar as dificuldades econômicas da família como motivo básico para
a ida das crianças para a rua, onde elas buscam formas de gerar renda para garantir a própria
sobrevivência e a de seus familiares. No Rio, 86% das crianças que estão nas ruas alegam ter essa
motivação, contra 71% no Recife e 68,6% em Brasília.9
(...)

7. A vida das crianças na rua

Viver a esmo, morar em locais provisórios, dedicar-se a múltiplas atividades temporárias são traços
comuns às crianças em situação de rua, que se comunicam de um modo bastante peculiar e não têm
tempo nem condição de viver a infância. Elas assumem um estilo de vida em tudo provisório, regido pela
desconfiança, pelo individualismo e, sobretudo, pelo imediatismo.
(...)

8. Em busca de novos horizontes

Diante da realidade dramática vivida pelas crianças em situação de rua, cabe indagar acerca do que
se tem feito no Brasil e do que se pode fazer para evitar a perpetuação desse fenômeno, seja no plano
legal, seja no plano fático.
(...)

6
Na historiografia nacional, há registros de crianças “física e moralmente abandonadas nas ruas” desde o século XIX. Ver RIZZINI, Irene. O século perdido. Rio
de Janeiro : USU/Amais, 1997, p. 12.
7
TACON, P. Carlinhos. The hard gloss of city polish. UNICEF News, v. 111, a. 11, 1982, p. 4.
8
RIZZINI, Irene. Deserdados da sociedade : os “meninos de rua” da América Latina. Rio de Janeiro : Ed. Universitária Santa Úrsula. Série Banco de Dados, v.
2,1995.
9
Rizzini, Deserdados..., op. cit., p. 73.

Apostila gerada especialmente para: Beatriz de Jesus de Oliveira Barros 028.993.602-05


26
9.Considerações Finais

(...)

Consultoria Legislativa, de de 2006.

[NOME DA CONSULTORA] [NOME DO CONSULTOR]


Consultora Legislativa Consultor Legislativo

Estudo Sobre Desenvolvimento Regional

ESTUDO Nº XXX, DE 2006

Referente à STC no 2004XXXX, do Senador [NOME DO SENADO], acerca de


projetos de lei que dizem respeito ao desenvolvimento regional de áreas menos
favorecidas do País.

Sumário

O Estudo traz argumentos que justificam a adoção de políticas para o desenvolvimento regional. Em
seguida, são analisados os Projetos de Lei do Senado (PLS) no 9, de 1999, e no 455, de 2003; e os
Projetos de Lei Complementar (PLP) no 76 e no 91, de 200310. Constata-se que o PLS nº 9, de 1999, e o
nº 455, de 2003, são positivos, pois tratam de regras de financiamento para desenvolvimento dirigido
especialmente para duas macrorregiões, Nordeste e Norte, que concentram as áreas mais carentes em
termos de renda e de crescimento econômico do País. Mas, dada a heterogeneidade dessas
macrorregiões, seria útil incluir, nos dois Projetos, dispositivos que destinassem um percentual dos
recursos para microrregiões mais carentes e para micro e pequenas empresas. O PLP no 76 e o PLP no
91, de 2003, propõem, respectivamente, a recriação da Sudene e da Sudam, entidades que devem
exercer os papéis de planejamento e de articulação dos órgãos e de fomento, não tendo mais a função
executora, mas de coordenação. Tais propostas são também positivas, tendo em vista o histórico de
desvios de recursos e a concentração dos investimentos em grandes empreendimentos e em áreas mais
ricas dentro das regiões menos desenvolvidas. As conclusões do Estudo apontam para 1) a necessidade
de melhor investir na construção de uma estrutura que possibilite a geração de conhecimentos para a
utilização dos recursos da própria região, de modo a promover o desenvolvimento sustentado das áreas
mais carentes; 2) a importância de haver recursos para financiar ações que não encontram amparo na
iniciativa privada; e 3) a necessidade da criação de instituições supralocais, tais como as novas propostas
para a Sudene e para a Sudam, pois a adoção de políticas locais de desenvolvimento não significa a
atuação dentro de um só município ou Estado, porque a estruturação do tecido produtivo não se restringe
a fronteiras políticas.

I – O Desenvolvimento Regional no Brasil

Ao longo de quatro séculos, o Brasil foi um país rural e exportador de matérias-primas. Somente a
partir da década de 30 do século XX, é que emerge o Brasil urbano e industrial. As antigas bases primário-
exportadoras, embora montadas no amplo litoral do País, eram dispersas por diversas regiões, com as
indústrias tradicionais associadas a elas. Havia um “arquipélago” de regiões que quase não se ligavam
umas com as outras por se articularem, predominantemente, com o mercado externo11.
(...)

No entanto, não se pode ignorar, quando são discutidas políticas para atenuar as desigualdades
regionais, que há uma divisão de trabalho entre as regiões brasileiras (Bacelar de Araújo, 1999).
(...)

10
Foram oferecidos Substitutivos ao PLP 76/2003 e ao PLP 91/2003. Foram poucas as mudanças sugeridas. Por isso, serão mencionados no texto apenas os
Projetos de Lei Complementar. Os Projetos de Lei Complementar no 76 e no 91, de 2003, tramitam no Senado como Projetos de Lei da Câmara (PLC) no 59 e no
60, de 2004.
11
Bacelar de Araújo, Tânia (1999). Por uma Política Nacional de Desenvolvimento Regional. Revista Econômica do Nordeste, vol. 30, n. 2, abril-junho.

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27
II – As Matérias Relacionadas ao Desenvolvimento Regional

Em primeiro lugar, serão analisados os Projetos de Lei do Senado no 9, de 1999, e no 455, de 2003,
que tratam da aplicação de recursos financeiros no contexto da política nacional de desenvolvimento
regional.
(...)
Resta analisar o Projeto de Lei Complementar no 76, de 2003, que institui a Superintendência de
Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), e o Projeto de Lei Complementar no 91, de 2003, que institui a
Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). Os Projetos são bastante parecidos. Por
isso seus méritos serão analisados de forma conjunta, apesar de as necessidades das duas regiões, em
termos de desenvolvimento regional, serem diferentes.
Antes de passar à análise dos dispositivos, é importante fazer um comentário sobre a recriação das
superintendências
(...)
As finalidades da Sudene e da Sudam estão determinadas, respectivamente, nos arts. 3o e 4o, incisos
I a VIII, do PLP nº 76, de 2003 e do PLP nº 91, de 2003.
(...)
Diante disso, algumas linhas deveriam ser seguidas pelas superintendências. [EXAME CRÍTICO DOS
PROJETOS]
(...)

III – Conclusões

Consultoria Legislativa, de de 2006.

[NOME DO CONSULTOR]
Consultor Legislativo

Exemplos de Relatório

DE INDICAÇÃO DE AUTORIDADE

Minuta

RELATÓRIO Nº , DE 2006

Da COMISSÃO DE RELAÇÕES EXTERIORES E DEFESA NACIONAL, sobre


a Mensagem nº XXX, de 2006 (Mensagem nº XXX, de 2006, na origem), que
submete à apreciação do Senado Federal o nome do Senhor [NOME DO
INDICADO], Ministro de Segunda Classe da Carreira de Diplomata do Quadro
Especial do Ministério de Relações Exteriores, para exercer o cargo de
Embaixador do Brasil junto a [NOME DO PAÍS].

RELATOR: Senador ALVARO DIAS

O Senhor Presidente da República submete à apreciação do Senado Federal a indicação do Senhor


[NOME DO INDICADO], para exercer o cargo de Embaixador do Brasil junto a [NOME DO PAÍS].

A Constituição Federal, no art. 52, inciso IV, atribui competência privativa ao Senado Federal para
examinar previamente, e deliberar por voto secreto, sobre a escolha dos Chefes de Missão Diplomática
de caráter permanente.
O Ministério das Relações Exteriores, atendendo a preceito regimental, elaborou curriculum vitae do
interessado, do qual extraímos, para este Relatório, as seguintes informações: concluído o Curso de
Preparação à
Carreira de Diplomata do Instituto Rio Branco, em 1978, foi nomeado Terceiro Secretário, e
subsequentemente recebeu promoções por merecimento.
Dentre os cargos exercidos e as missões importantes de que participou, cumpre destacar os seguintes:
Cônsul-Adjunto, no Consulado- Geral em [NOME DA CIDADE 1]; Primeiro Secretário em [NOME DA
CIDADE 2] e em [NOME DA CIDADE 3]; Chefe de Gabinete do Ministro de Estado Extraordinário dos

Apostila gerada especialmente para: Beatriz de Jesus de Oliveira Barros 028.993.602-05


28
Esportes; Cônsul-Geral Adjunto no Consulado- Geral em [NOME DA CIDADE 4]; Conselheiro em [NOME
DA CIDADE 5], e Assessor do Departamento de Promoção Comercial.
O Senhor [NOME DO INDICADO] possui diversas condecorações nacionais e estrangeiras, dentre as
quais vale destacar a Ordem de Rio Branco, no grau de Oficial, e a Ordem Nacional do Mérito do Equador,
no grau de Comendador. Na área acadêmica, possui o Curso de Altos Estudos do Instituto Rio Branco,
onde apresentou tese versando sobre a Nova Diplomacia Consular: o Cônsul como agente político e sua
atuação nos Estados Unidos da América.
No que concerne ao posto para o qual o Senhor [NOME DO INDICADO] é atualmente indicado, cumpre
destacar tratar-se de posto de singular importância na nova política externa brasileira, sendo [NOME DO
PAÍS] emblemático país da África Ocidental, não obstante sua exiguidade territorial. O país possui peculiar
natureza continental e insular, pois o território se prolonga por duas importantes ilhas oceânicas, em uma
das quais se localiza a capital do país, [NOME DA CIDADE 6].
Do informe encaminhado pelo Ministério de Relações Exteriores consta que [NOME DO PAÍS]
encontra-se, presentemente, em transformação. Os diversos anos de crescimento econômico
praticamente nulo e o isolamento diplomático tornaram o país um dos mais pobres da África, e de menores
índices de desenvolvimento social. Após o boom petrolífero de 1997, a impressionante taxa de
crescimento do PIB de 30% ao ano começa, finalmente, a provocar impacto positivo, ainda que modesto,
nos índices de desenvolvimento humano [ADJETIVO PÁTRIO]. A população, antes preponderantemente
rural, tem migrado para as cidades, onde as oportunidades de trabalho avolumam-se em razão da
indústria petrolífera e da construção civil.
Com um governo que busca inserção internacional, [NOME DO PAÍS] tem procurado estreitar seus
vínculos com o Brasil, inclusive com recente abertura de Embaixada em Brasília. O Brasil, no mesmo
sentido, também abriu embaixada em [NOME DA CIDADE 6], em 2006, o que dá ao relacionamento
bilateral importante significado.
O adensamento das relações entre o Brasil e os países africanos corresponde a inadiável agenda a
ser implementada de forma mais vigorosa pela política externa brasileira. Aliados tradicionais do Brasil
nos fóruns internacionais, além de parceiros não negligenciáveis em comércio exterior, os países
africanos carecem de atenção sempre crescente do governo brasileiro. Em relação a [NOME DO PAÍS],
em particular, tudo resta por fazer, mercê do pouco comércio e das escassas relações políticas e culturais
que hoje se mantêm.
Diante do exposto, em cumprimento ao que dispõe o art. 52, IV, da Constituição Federal, submeto a
escolha do Senhor [NOME DO INDICADO] a esta Comissão, na expectativa de que seus integrantes já
disponham de elementos suficientes para deliberar sobre a indicação presidencial.

Sala da Comissão,

, Presidente

, Relator

Minuta

RELATÓRIO Nº XXX, DE 2006

Da COMISSÃO DE ASSUNTOS ECONÔMICOS, sobre a Mensagem nº XXX,


de 2005 (nº XXX, de ..../..../2005, na origem), que submete à apreciação do
Senado Federal o nome da Senhora [NOME DA INDICADA] para exercer o cargo
de Conselheira do Conselho Administrativo de Defesa Econômica – CADE.

RELATORA: Senadora [NOME DA SENADORA]

O currículo da candidata que acompanha a Mensagem Presidencial, de conformidade com o art. 383,
I, do Regimento Interno do Senado Federal, atesta sua qualificação acadêmica – ela é formada pela
Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – e sua ampla experiência
profissional na área jurídica. Aqui, destacam-se os diversos cargos que ocupou ao longo de sua carreira
de Procuradora do Estado de São Paulo, desde 1987 até 2003: Chefe das Consultorias Jurídicas das
Secretarias de Saúde, da Administração e da Educação do Estado de São Paulo. Mediante afastamentos
temporários da Procuradoria, exerceu outros cargos relevantes na administração estadual, tais como os
de Chefe de Gabinete nos seguintes órgãos: Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (FEBEM),

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Secretaria de Estado da Assistência e Desenvolvimento Social e Secretaria de Saúde do Estado de São
Paulo. Foi também Assessora Jurídica do Governo do Estado de São Paulo. Desde fevereiro de 2004,
está no comando da Subchefia para Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência da República.

Ademais, tem exercido atividades de magistério em instituições de ensino, como a Pontifícia


Universidade Católica de São Paulo e a Faculdade de Saúde Pública de São Paulo. A indicada também
apresenta uma extensa relação de participações em eventos nas áreas de Direito e de Administração
Pública.
Considera-se, assim, que as informações constantes do currículo da Senhora [NOME DA INDICADA]
comprovam sua qualificação para o adequado desempenho do cargo.
Ressalte-se que, nos termos do art. 4º da Lei nº 8.884, de 11 de junho de 1994, os Conselheiros são
escolhidos entre cidadãos com mais de trinta anos de idade. Mencione-se também que, de acordo com
o § 1º do referido artigo, os Conselheiros têm mandato de dois anos, permitida uma recondução.
Estes são os elementos disponíveis para que esta Comissão delibere sobre a indicação, pelo Senhor
Presidente da República, da Senhora [NOME DA INDICADA] para o cargo de Conselheira do Conselho
Administrativo de Defesa Econômica (CADE), para mandato de dois anos.

Sala da Comissão,

, Presidente

, Relatora

De Indicação a Prêmio

Minuta

RELATÓRIO Nº , DE 2006

Do CONSELHO DO DIPLOMA MULHER-CIDADÃ BERTHA LUTZ, sobre a


indicação do nome da Senhora [Nome da Indicada] para ser agraciada com o
referido Diploma.

RELATORA: Senadora [NOME DA SENADORA]

Com base na Resolução nº 2, de 2001, do Senado Federal, submete-se à apreciação do Conselho do


Diploma Mulher-Cidadã Bertha Lutz o nome da Senhora [Nome da Indicada], por sua contribuição
relevante à defesa dos direitos da mulher e questões de gênero.
A [Título e Nome da Indicada], como é conhecida, foi indicada pelo [Cargo da Autoridade e Órgão], e
pelas [Outras Instituições].
A candidata é paulistana e bacharel em Direito. A partir de 1976, exerceu a atividade de Escrivã e
Delegada de Polícia, quando esteve à frente de vários departamentos da Secretaria de Segurança
Pública. Em 1985, instalou a primeira Delegacia de Polícia de Defesa da Mulher, iniciativa que motivou a
abertura de outras similares em todo o País e mesmo no exterior. Até 1990, coordenou as Delegacias da
Mulher do Estado de São Paulo. Nessa atividade, proferiu palestras em ciclos e seminários, no Brasil e
no exterior, sobre o tema Discriminação e Violência contra a Mulher e a Segurança Pública.
Em 1990, foi eleita [Cargo Eletivo] e, seguidamente reeleita em 1994, 1998 e 2002, encontrando-se,
no momento, no exercício do seu quarto mandato. Na atividade parlamentar, atuou em várias Comissões
Parlamentares de Inquérito – como a do Crime Organizado, Narcotráfico e Sistema Prisional, da qual foi
presidente. Atualmente, integra as Comissões de Segurança Pública e de Direitos Humanos, e preside a
Comissão de Administração Pública da Assembleia Legislativa. Entre os vários projetos de lei
apresentados pela candidata, destacam-se o que pune o assédio sexual nas empresas públicas, o que
estabelece estatísticas diferenciadas para os casos de violência doméstica e o que aumenta o número
de entidades com direito à indicação de candidatos à Ouvidoria da Polícia.
De 1992 a 1994, esteve à frente da [Nome do Órgão e Estado], ocasião em que promoveu o primeiro
levantamento de meninos e meninas de rua da cidade de São Paulo, trabalho que subsidiou várias ações
governamentais.
A indicada foi agraciada com diferentes condecorações, entre as quais a Medalha do Pacificador e a
Ordem do Mérito Militar, outorgadas pelo Exército Brasileiro.

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A candidata foi presidente da [Instituição 1] e da [Instituição 2], onde implantou o projeto Ação pela
Saúde e Cidadania, que já dura cinco anos e presta atendimento a grande número de pessoas.

Sala do Conselho,

, Presidente

, Relatora

De Comissão Temporária

RELATÓRIO FINAL DA COMISSÃO MISTA ESPECIAL DO CONGRESSO NACIONAL PARA


REGULAMENTAÇÃO DA REFORMA DO JUDICIÁRIO E PROMOÇÃO DA REFORMA PROCESSUAL

Presidente: Deputado JOSÉ EDUARDO CARDOZO


Relator: Senador JOSÉ JORGE

Brasília, ........................... de 2006.

COMPOSIÇÃO DA COMISSÃO

SENADORES DEPUTADOS

Antero Paes de Barros José Eduardo Cardozo


Alvaro Dias Luiz Eduardo Greenhalgh
José Jorge Osmar Serraglio
Demóstenes Torres Sandra Rosado
Valdir Raupp Vilmar Rocha
Sérgio Cabral Roberto Magalhães
Leomar Quintanilha Zulaiê Cobra
Serys Slhessarenko Ibrahim Abi-Ackel
Magno Malta Paes Landim
Mozarildo Cavalcanti Inaldo Leitão
Jefferson Péres Colbert Martins
--------- Luiz Piauhylino

Assessoria Técnica:

Bruno Dantas Nascimento – Consultor Legislativo do Senado Federal em Direito Processual Civil
(Coordenador)
Jayme Benjamin Sampaio Santiago – Consultor Legislativo do Senado Federal em Direito Processual
Penal
Roberta Maria Corrêa de Assis – Consultora Legislativa do Senado Federal em Direito do Trabalho
Dalide Barbosa Alves Corrêa – Assessora Jurídica especial do Relator

Secretaria:

José Roberto de Oliveira Silva – Secretário

Exemplo de Resumo de Audiência/Depoimento/Conferência

RESUMO DE AUDIÊNCIA PÚBLICA

Referente à STC nº 2006XXXXX, da CONSULTORIA LEGISLATIVA, acerca da


audiência pública ocorrida em ...... de ............. de 2005, com a finalidade de
discorrer sobre a crise que atravessa o setor orizícola do Brasil..

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A reunião contou com a presença do Sr. José M. dos Anjos, Diretor do Departamento de
Comercialização e Abastecimento Agrícola e Pecuário da Secretaria de Política Agrícola, do Ministério da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA); do Embaixador José Antonio M. de Carvalho, Diretor-
Geral do Departamento de Integração do Ministério das Relações Exteriores; do Sr. Ronaldo Lázaro
Medina, Coordenador-Geral de Administração Aduaneira da Receita Federal; do Sr. Juarez Petry de
Souza, Vice-Presidente da Federação da Associação de Arrozeiros (FEDERARROZ); do Sr. Carlos Rivaci
Sperotto, Presidente da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (FARSUL); e do Sr.
Marco Aurélio M. Tavares, do Instituto Rio-Grandense do Arroz (IRGA).
Em linhas gerais, o diagnóstico da situação do setor orizícola no Brasil é a seguinte:

1. Há um excedente de oferta de arroz. Nos últimos dois anos, o Brasil tornou-se auto-suficiente na
produção desse cereal, com a safra aumentando cerca de três milhões de toneladas, para quase 13
milhões de toneladas.
2. A elevação da oferta se deu, em grande medida, devido ao aumento de produtividade no setor.
3. As importações, notadamente do Mercosul, continuam elevadas, tendo se aproximado de três
milhões de toneladas nos últimos três anos.
4. Uruguai e Argentina conseguem oferecer arroz mais barato devido à menor tributação incidente
sobre insumos, como fertilizantes e pesticidas. Como exemplos de vantagens de custo associadas às
diferentes estruturas tributárias, os agricultores daqueles países compram máquinas produzidas no Brasil
a um preço até 40% inferior ao que é pago pelos produtores brasileiros; os custos de adubação e de
herbicidas no Rio Grande do Sul são, respectivamente, 46% e 130% maiores que os dos outros países
do Mercosul.
5. Tendo em vista o aumento da produção doméstica e as importações provenientes do Mercosul, o
excesso de oferta fez com que o preço pago ao produtor estivesse abaixo do custo de produção. Para o
arroz irrigado, o custo é da ordem de R$ 30,00 a saca, e o mercado está pagando entre R$ 18,00 e R$
19,00. Para o arroz de sequeiro, os valores são, respectivamente, de R$ 25,00 e R$ 15,00.
6. A continuar a atual situação, haverá uma forte crise no setor orizícola. Os Estados mais afetados
serão o Rio Grande do Sul – responsável pela produção de 50% do arroz consumido no Brasil
–, Mato Grosso, Santa Catarina e o Maranhão. Destaca-se, no caso do Rio Grande do Sul, que o
cultivo de arroz é a base econômica de 130 municípios situados na metade sul do Estado.
7. A se confirmar um cenário mais sombrio, com forte queda da produção, o País pode mesmo vir a
passar por uma crise de abastecimento alimentar, uma vez que o consumo doméstico corresponde a
cerca de 50% do arroz comercializado no mercado mundial.
8. Os recursos disponíveis do Ministério da Agricultura para Aquisições do Governo Federal (AGF) ou
para oferta de opções de venda são insuficientes para absorver o excesso de produção. Já foram gastos
cerca de R$ 200 milhões, e há disponibilidade de mais R$ 80 milhões, o que permitirá absorver cerca de
740 mil toneladas. Esse volume, entretanto, é bem inferior ao excesso de produção, estimado em 2,3
milhões de toneladas.

Todos os palestrantes concordaram com o diagnóstico apresentado acima. A única discordância em


relação à descrição do quadro atual ocorreu entre os representantes dos produtores e o Sr. Ronaldo
Lázaro Medina, da Receita Federal. Os produtores alegam que há forte contrabando, o que contribui para
deprimir, de forma desleal, o preço do produto. Para o Sr. Medina, essa acusação não procede, porque,
sendo a importação de arroz isenta de tributos federais e do ICMS em vários Estados, não há estímulo
para a sonegação e, consequentemente, para o contrabando.
Entre as soluções propostas para a crise, foram enumeradas as seguintes:

a) imposição de salvaguardas contra a importação de arroz de países do Mercosul;


b) aumento das exportações, de forma a escoar o excedente de produção;
c) aquisição do excedente por parte do Governo Federal, que poderia utilizá-lo em programas como o
Fome Zero ou em ajuda internacional a países pobres;
d) liberação de tarifas para aquisição de insumos no Mercosul;
e) inclusão do arroz nas pautas de negociação em acordos internacionais;
f) inclusão do varejo nas negociações, por ser esse o elo da cadeia produtiva que aufere as maiores
margens; e
g) liberação imediata de recursos para o plantio da próxima safra, amenizando o grave problema de
liquidez por que passam os produtores.

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Com exceção do Embaixador José de Carvalho, do Ministério das Relações Exteriores, que não
defendeu a imposição de salvaguardas e deu ênfase à necessidade de ampliar as exportações, a pauta
de reivindicações foi relativamente consensual entre os expositores.

Consultoria Legislativa, ..... de ............... de 2006.

[NOME DO CONSULTOR]
Consultor Legislativo

Exemplos de Pronunciamento

DISCURSO DELIBERATIVO

O SR. CRISTOVAM BUARQUE (PDT – DF)12

Senhor Presidente:

Disse, uma vez, ao Presidente Lula, numa carta, que o Presidente Mandela fez uma única coisa, uma
só coisa que o colocou como o primeiro presidente de um novo ciclo. Senador Alberto Silva, Senador
Paulo Paim, Mandela garantiu que, na África do Sul, brancos e negros possam caminhar na mesma
calçada. E o que o Presidente Lula poderia fazer para deixar a sua marca – sem isso, não vai ter nenhum
legado para deixar – é garantir que pobres e ricos possam estudar em escolas equivalentes no Brasil.
Nem disse “nas mesmas escolas”, porque sei como há uma reação do piso superior da pirâmide social
ao piso inferior.
Por coincidência, discorrerei sobre o que falou o Senador Paulo Paim, não diretamente sobre o caso
de Sua Excelência, em relação ao qual manifesto a minha solidariedade, pela falta de respeito à sua
história e à história de seu partido no Rio Grande do Sul na luta pelo direito dos negros.
O assunto que me traz aqui é o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica
(Fundeb), lembrando, Senador Paulo Paim, que há 150 anos, quando esta Casa discutia a proibição do
tráfico dos escravos, houve uma reação de muitos dos abolicionistas, que sentiam a obrigação de votar
a favor da proibição do tráfico dos escravos, porque era um passo, mas, ao mesmo tempo, votavam
encabulados, porque se mantinha a escravidão no Brasil, que perdurou por mais 40 anos. Votava-se para
proibir que novos escravos chegassem, mas não se votava para libertar os escravos que aqui estavam,
nem mesmo os que tinham mais de 60 anos – o que demorou algum tempo para acontecer –, nem mesmo
os filhos dos escravos, pois a Lei do Ventre Livre só foi votada posteriormente.
Sinto-me na mesma situação, Senador Paulo Paim, ao votar no projeto do Fundeb. Não votar pela
aprovação do Fundeb, que vai trazer alguns recursos a mais para a Educação Básica, é tentar impedir
que a pobre educação receba algum dinheiro. Mas votar pela criação do Fundo com a ideia de que se
está fazendo a abolição, quando se está dando apenas um minúsculo passo, que pouquíssimo vai
melhorar a educação brasileira...
O mesmo aconteceu com o Fundef, que tem dez anos. É claro que houve melhora. O Brasil seria pior
sem o Fundef, mas ficamos para trás cada vez mais, nesses dez anos, em relação aos outros países,
porque eles não fizeram a lei para a proibição do tráfico de escravos, mas a lei da abolição, investindo na
educação. Fizeram um programa de vinte, trinta anos, definiram o quanto era preciso, investiram e, mais
do que isso, interferiram na educação. Esse é o primeiro ponto débil do Fundeb.
O primeiro ponto débil é que a educação não se muda apenas com mais dinheiro. Educação se muda
com mais dinheiro, com soluções criativas e com a ação efetiva do Estado. Com salários baixos para os
professores não se melhora a educação, mas só aumentá-los também não resolve. Faz-se necessário
colocar banheiros nas escolas, pois vinte, trinta mil não os têm no Brasil; colocar equipamentos modernos;
exigir que os professores estudem e se dediquem. Não adianta mais dinheiro se ele não vier casado com
outras ações.
Não adianta dar mais dinheiro para os prefeitos e até obrigá-los a gastar mais, se não criarmos uma
lei de responsabilidade educacional para os prefeitos. Existe uma lei federal de responsabilidade fiscal.
O prefeito que não paga ao banco fica inelegível, mas o prefeito que não põe menino na escola continua
elegível. Não há nenhuma regra que obrigue o Poder Público a abolir o analfabetismo num prazo sério,
responsável – não se pode exigir que nossos prefeitos e governadores sejam mágicos. Definamos um

12
Discurso proferido no Plenário do Senado, em 10.02.2006. Retirado das notas taquigráficas, inclui apartes para oferecer visão sobre a dinâmica da atividade
parlamentar.

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33
prazo compatível com a realidade, mas exijamos que eles o cumpram. Reitero, só mais dinheiro não
significa melhoria.
Além disso, o Fundeb é muito pouco. Não adianta fazer essa festa de que se está colocando dinheiro
para salvar a educação. O Brasil já gasta mais de cinquenta bilhões de reais por ano em educação básica.
O Governo Federal vai colocar um bilhão e novecentos milhões a mais. O que vai mudar com um bilhão
e novecentos milhões a mais? É óbvio que é melhor um bilhão e novecentos milhões de reais a mais do
que nada, mas dizer que vai mudar, que vai melhorar é falso. Equivale a R$25,00 a R$30,00 a mais por
mês no salário dos dois milhões de professores do Brasil. E dizer que vai mudar? Isso não passa de um
modesto projeto do tipo da proibição do tráfico dos escravos. Foi um avanço, mas, vergonhosamente, o
Brasil continuou com a escravidão por mais quarenta anos.
Mesmo assim, como vamos votar contra um projeto que traz mais um pouquinho? A solução, Senador
Mão Santa, é apresentar emendas. E eu as preparei. Tenho um substitutivo pronto, estabelecendo, por
exemplo, que, em vez de 60%, se aumentem para 80% os recursos do Fundeb que vão para os
profissionais de educação; que se faça o Fundeb permanente; que se case o Fundeb com um projeto de
responsabilidade educacional, que defina metas a serem cumpridas e não apenas quanto de dinheiro vai
ser gasto; e que se inclua nas emendas a especificidade de que esse dinheiro não pode ser
contingenciado.
Lembro que, quando se fez – voltando à mesma comparação – a lei que proibia o tráfico dos escravos,
Senador Paulo Paim, muita gente dizia que era uma lei para inglês ver. A expressão “para inglês ver”
explica-se porque a lei veio como pressão dos ingleses, que não queriam mais o tráfico. E aqui disseram:
“vamos fazer uma lei para os ingleses verem, depois a gente não cumpre”.
Eu temo que o Fundeb, além de ser apenas dinheiro e não a ação efetiva do Estado, um cuidado
especial com a criança, seja um pouco para inglês ver, porque vai ser contingenciado, como o Fundef
vem sendo contingenciado desde o governo anterior, que o criou. Nunca gastamos muito mais que a
metade do que obriga a lei do Fundef, nem no Governo Fernando Henrique nem no Governo Luiz Inácio
Lula da Silva.
Como Ministro, cheguei a fazer uma carta ao Ministro Palocci, dizendo que eu tinha vergonha do que
o meu governo, do qual eu participava, estava fazendo com o Fundef. Escrevi na carta. Sei até que isso
não é uma linguagem muito apropriada de um Ministro a outro, mas eu escrevi: é uma vergonha que
estejamos deixando de cumprir a lei do Fundef, que dá um pouquinho de dinheiro para que os professores
dos Estados mais pobres recebam um pouquinho mais de salário.
Repito: temo que essa lei seja para inglês ver, porque vai haver contingenciamento. Eu tenho certeza
de que ela não vai, lamentavelmente, resolver os problemas da educação brasileira, porque prevê muito
poucos recursos. E mais grave ainda: ela não vai resolver, porque trata apenas do dinheiro. É como se
um pai, para cuidar de sua criança, precisasse dar somente dinheiro. Ele deve dar carinho, fiscalizar como
a criança vai à escola e dar tudo aquilo de que uma criança precisa para se desenvolver. O Fundeb dá
apenas dinheiro: é como se desse uma injeçãozinha no sangue anêmico da educação brasileira.
Outra das emendas que eu gostaria de propor é no sentido de fazê-lo permanente e não somente
provisório, e também de criar uma poupança para a educação com 2% dos recursos nacionais. Apenas
2%! Não estou falando em 20%, mas propondo que 2% apenas dos recursos do Poder Público brasileiro
sejam destinados a um fundo para mudar a educação, que seria a poupança deste País, um fundo que
duraria até 2022, para que pudéssemos comemorar o segundo centenário da Independência com horário
integral em todas as escolas deste País, com professores bem remunerados – desde que bem preparados
e dedicados – dando aula em escolas bem equipadas, com prédios bonitos.
Tudo isso é possível e poderíamos fazê-lo por intermédio de emendas. No entanto, Senador Mão
Santa, hoje me sinto meio com as mãos amarradas para apresentar essas emendas, porque, ao
apresentá-las, corremos o risco de atrasar a aprovação do Fundeb. Voltando ao exemplo anterior,
poderão dizer que é como se estivéssemos adiando a proibição do tráfico de escravos para
continuarmos lutando pela abolição total da escravatura. Até que ponto se justifica, em nome de lutar pela
realização do radicalismo de abolir a escravatura, adiar a aprovação de uma lei que proíbe trazer novos
escravos para o Brasil?
Na próxima semana, haverá uma tentativa de se aprovar o Fundeb sem nenhuma discussão aqui no
Plenário, sem nenhuma discussão nas Comissões, a não ser na Comissão de Constituição, Justiça e
Cidadania. Ora, de um lado não podemos aceitar simplesmente aprovar o Fundeb sem uma discussão,
e por outro não podemos adiar a aprovação, porque corremos o risco de que a lei só possa vigorar a partir
de 2007! Por isso, deixo registrado hoje, aqui, no momento em que se discute o Fundeb, o
constrangimento que sinto ao votar a favor de uma lei que não vai além da proibição do tráfico de
escravos; que não tem a ousadia que este Senado Federal esperou para ter, por mais de quarenta anos,
para votar, no dia 13 de maio de 1888, a abolição total da escravatura.

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O Brasil precisa dizer que a educação sem qualidade, de uma criança que seja, mantém este País
escravizado, mantém este País atrasado, mantém este País dependente; precisa dizer que, depois de
fazermos a República, a Abolição, o crescimento, a democracia, a estabilidade monetária, chegamos ao
século XXI e percebemos que não completamos a tarefa e a obra dos que nos antecederam como líderes
deste País. Apesar de termos uma bandeira e um hino – somos independentes; apesar de elegermos um
presidente e não um imperador – temos uma República; apesar de termos crescido durante cinquenta
anos mais do que qualquer outro País no mundo; apesar de termos uma democracia do ponto de vista
da formalidade do processo político; apesar de termos uma estabilidade monetária razoável, este País
não está completo. E não está completo porque não nos preocupamos com uma coisa: a integração social
do povo brasileiro.
Veja, Senador Paulo Paim, o debate em relação às cotas. Agora se diz que as cotas ferem direitos.
Engraçado, em nome da Constituição proíbe-se que injustiças sejam corrigidas! Ninguém se lembra da
Constituição quando ela diz que o salário mínimo tem de garantir tudo aquilo de que uma pessoa precisa
para viver. Eu nunca vi ninguém levantar a inconstitucionalidade de um governo porque o salário mínimo
não permite pagar aquilo de que um cidadão e uma cidadã precisam para manter as suas famílias. Para
isso, não há direitos iguais.
Ninguém recorre à Constituição, Senador Paim, sabe para quê? Para apoiar o seguinte: se todos têm
direitos iguais, um pai pobre pode pegar pela mão o seu filho, levá-lo para uma escola de rico, dizer que
ele tem de ter direito igual ao dos que estão lá dentro e exigir a matrícula dele naquele colégio". Por que
o direito não vale para que o pobre leve o seu filho para os colégios de ricos? Mas a Constituição vale
para não corrigir injustiças no momento de equilibrar as desigualdades.
Não fizemos ainda a integração social do Brasil. Estamos comemorando 50 anos de Juscelino, um
grande presidente, que fez a integração territorial, mas que não avançou na direção da integração social.
No caso de Juscelino, tínhamos uma desculpa: acreditava-se que o crescimento econômico seria o
instrumento capaz de fazer essa integração. Não o é. O único instrumento capaz de fazer a integração
social é a educação desde a primeira infância.
Eu passo a palavra ao Senador Paulo Paim para um aparte.

O Sr. Paulo Paim (Bloco/PT – RS) – Senador Cristovam Buarque, quero cumprimentar Vossa
Excelência por seu pronunciamento. Como é bom, Senador Cristovam Buarque, estar agora neste
Plenário discutindo temas como este, discutindo a questão social.
Eu aproveito a bondade do espaço que Vossa Excelência me concede – o Senador Mão Santa sinaliza
para me assegurar que será flexível com o tempo – para lembrar o que algumas pessoas me dizem:
“Parece que você está meio constrangido no Plenário ultimamente”. É claro que há um constrangimento:
é só CPI para cá e CPI para lá, denúncias, lista de Furnas e lista não-sei-de-onde, Santo André, enfim,
uma loucura geral.
Como é bom, numa sexta-feira, estarmos aqui sentados e ouvindo Vossa Excelência, um
presidenciável – todos nós sabemos que Vossa Excelência está apresentando a sua candidatura à
Presidência da República –, discutindo a questão social e com o eixo fundamental na educação.
Todos nós sabemos que o caminho de qualquer país em direção ao avanço da humanidade e à
construção de um mundo melhor para todos passa pelo debate da educação. E Vossa Excelência, como
eu dizia antes, é daqueles homens ousados. Vossa Excelência tem coragem – muitos não gostam de
falar sobre a questão das cotas. Vossa Excelência debate a questão das cotas num altíssimo nível,
argumentando com a igualdade de oportunidades para todos – pobres, negros, índios, enfim, sem
nenhum tipo de discriminação.
Eu fico feliz em ouvir o pronunciamento de Vossa Excelência. Este País tem de se debruçar,
efetivamente, sobre o debate da questão social com o eixo na educação. Por isso, Senador Cristovam,
tive a ousadia de propor a esta Casa a criação de um fundo, via emenda constitucional, para contemplar
o ensino profissional – não só o profissional, claro, mas ligado à educação maior, da qual Vossa
Excelência também é um defensor. Faremos, com certeza, um bom debate no momento adequado.
O meu aparte é mais para dizer que tenho um respeito enorme por sua história, por seu passado e por
seu presente. Tenho um orgulho enorme do trabalho que Vossa Excelência está fazendo hoje e fará
também no futuro. Parabéns, Senador Cristovam. O Senador Eurípedes, seu suplente, está ao meu lado
e, quando eu ia fazer o aparte, percebi que comungava desse ponto de vista. Já que ele não tem direito
a falar, quero dizer que é a minha visão e, tenho certeza também, a visão do Senador Eurípedes.
Parabéns a Vossa Excelência.

Apostila gerada especialmente para: Beatriz de Jesus de Oliveira Barros 028.993.602-05


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O SR. CRISTOVAM BUARQUE (PDT – DF) Agradeço as palavras vindas de Vossa Excelência e a
lembrança de falar no Senador Eurípedes, que é meu suplente – lembro que sou coerente: nosso mandato
foi dividido e 50% dele está com um negro, que é o Senador Eurípedes, meu suplente.
Senador Lobão, vim aqui falar não foi de cotas, mas do constrangimento que sinto em votar a favor de
um Fundeb insuficiente, incompleto e, ao mesmo tempo, da dificuldade de ficar contra algum avanço que
se faz. Eu comparava isso com a aprovação, no Senado, da lei de proibição do tráfico de escravos, que
constrangeu muitos abolicionistas que votaram a seu favor, porque, de qualquer maneira, era um passo,
mas muito tímido.
E quero dizer ao Senador Paim, sobre as cotas, que um país sério realmente não precisa de cotas,
não precisa porque todos têm direitos iguais desde o começo. Um país meio sério tem cotas para corrigir
as desigualdades. Agora, um país que se nega a ter cotas não tem nenhuma seriedade, porque está
mantendo os privilégios. Eu gostaria de que o meu Brasil não precisasse de cotas. Mas prefiro que o
Brasil tenha cotas a que o Brasil ignore a desigualdade e mantenha os privilégios.
Senador Mão Santa, nesta última semana, recebi dezenas de entidades ligadas à educação brasileira.
Todos vieram pedir que não fossem apresentadas emendas ao Fundeb, que se aprovasse o projeto como
veio, para que não voltasse à Câmara dos Deputados. Pediram também que não demorássemos. A todos
eles disse lamentar que o Presidente esteja apressado, porque eu entreguei o Projeto do Fundeb na Casa
Civil em 2003, como Ministro à época. E mais: não com um bilhão e pouco, mas com quatro bilhões e
meio de reais, que eram para vir imediatamente e não após quatro anos. E um Fundeb complementado
com a lei de responsabilidade educacional, com o compromisso de os prefeitos começarem a implantar
o horário integral nas escolas, para que, ao longo de dez, quinze anos, todas as escolas brasileiras se
integrem.
O Presidente não teve nenhuma pressa. Agora, todos estão apressados. E, ao ver aqueles
representantes da educação – que respeito profundamente – tão desesperados para que aprovemos esse
projeto como está, com tão pouco dinheiro e com nenhuma ação efetiva do Estado, que é mais importante
ainda que dinheiro, o Brasil passou a ter a ideia de que o bom prefeito é o que gasta muito; o bom prefeito
é o que faz muito. E, se fizer muito gastando pouco, ele é melhor ainda. Mas não olhamos isso. Queremos
ver se gastou muito na educação, mesmo que tenha feito pouco pela educação, porque os gastos foram
equivocados. Porém, ao ver aqueles representantes da educação, senti-me como se estivesse diante dos
abolicionistas do século XIX que vinham pedir apenas para proibirmos o tráfico de escravos.
Às vezes, essa modéstia das reivindicações pela educação me deixa num profundo pessimismo sobre
o futuro do Brasil. Nesses dez anos, em que o Fundef nos fez melhorar, ficamos para trás em relação a
todos os países de porte médio do mundo, mas com o Fundeb que está aí, nos próximos dez anos, vamos
ficar mais atrás ainda, porque eles não fizeram apenas o Fundeb; eles estão fazendo uma revolução na
educação.
O Brasil pode fazer isso. O Presidente Lula se comprometeu a fazê-lo em seu programa de Governo.
Essa é a história do seu partido. Estamos aqui prontos para ver o Governo Federal, em mais uma ou duas
semanas, comemorar com grande festa o que não passa de uma proibição do tráfico de escravos. É muito
pouco o que estamos fazendo para justificar a responsabilidade que temos com o futuro do Brasil.
Mesmo assim, diante de todos os pedidos que recebi dessas entidades, vou pensar um pouco mais
se devo ou não insistir nas emendas que preparei para propor à PEC nº 9, que cria o Fundeb, porque não
quero ser acusado, amanhã, de estar adiando a proibição do tráfico de escravos, apesar de sentir-me, de
coração, um abolicionista como o meu conterrâneo Joaquim Nabuco.
Era o que eu tinha a dizer, Senhor Presidente. Agradeço a paciência de Vossa Excelência e a dos
Senadores presentes.

Discurso de Propaganda

DO SENADOR ROMERO JUCÁ (PSDB – RR)13

Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Senadores:

Na sociedade contemporânea, já denominada sociedade do conhecimento ou da informação, a


disseminação de novas tecnologias, especialmente no campo da informática e da robótica, tornou-se
imperativa, tanto para a sobrevivência das comunidades quanto para a melhoria dos padrões de vida dos
cidadãos.

13
Discurso proferido no Plenário do Senado, em 30.05.2001.

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A essa escalada tecnológica juntaram-se, de forma concomitante, o fenômeno da globalização
econômica e o advento das privatizações – uma tendência mundial e irreversível que veio redefinir o papel
do Estado e sua relação com a comunidade.

O Governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso, atento às transformações que caracterizam


essa nova era, procurou modernizar-se e tornar mais ágil o aparelho estatal, sem, contudo, descurar do
atendimento às camadas mais carentes e mais vulneráveis da população.
Entre as preocupações fundamentais do Governo Fernando Henrique têm-se destacado as
telecomunicações, imprescindíveis, hoje, ao desempenho de qualquer atividade, pública ou privada, no
âmbito interno ou no contexto internacional. Nesse aspecto, merece particular aplauso a atuação do
Ministério das Comunicações, sob a segura orientação do Ministro Pimenta da Veiga, bastando lembrar
que o Brasil, embora lutando para recuperar o tempo perdido, ocupa já a décima colocação mundial em
número de telefones fixos; e a oitava em número de aparelhos celulares e de usuários da Internet.
Cotejada com os países em desenvolvimento, nossa colocação é ainda mais destacada: quarto lugar
em número de telefones fixos, segundo em celulares e primeiro entre usuários da Internet.
O desempenho brasileiro na área de telecomunicações foi tão grande, Senhor Presidente, que, em
apenas dois anos, entre julho de 1998 e julho do ano passado, o número de terminais fixos instalados
saltou de 22 milhões e 200 mil para 33 milhões e 300 mil. As empresas concessionárias do serviço
telefônico fixo, ultrapassando as metas estabelecidas pelo Governo, ofereceram, no final do ano passado,
já em regime de duopólio, mais de 38 milhões de acessos instalados. O número de telefones celulares
em operação, que era de 5 milhões e 600 mil em julho de 1998, saltou para 19 milhões dois anos depois.
Para o ano de 2005, com a competição também das bandas C, D e E, espera-se a operação de nada
menos que 58 milhões de aparelhos celulares.
Agora, neste começo de 2001, o Ministério das Comunicações dá mais um grande passo para cumprir
os compromissos e os desafios que o Governo Federal se impôs. Trata-se da parceria firmada entre a
pasta liderada pelo Ministro Pimenta da Veiga e o Ministério da Educação, visando à implantação do
programa Telecomunidade. Em termos práticos, o convênio representa o primeiro passo para a
consecução de um objetivo primordial, que é a universalização do acesso público à Internet, de forma a
integrar as diversas comunidades entre si, especialmente aquelas de maior carência, bem como
democratizar esse acesso, estendendo-o ao público de pequeno poder aquisitivo.
O programa Telecomunidade, como bem o definiu o Ministro Pimenta da Veiga, representa um
instrumento decisivo na preparação da sociedade brasileira para sua efetiva inclusão na era digital.
Com essa determinação, o Governo Federal vai aplicar no programa, todos os anos, centenas de
milhões de reais – recursos provenientes do Fundo de Universalização dos Serviços de
Telecomunicações (FUST).
A preocupação governamental decorre da possibilidade de as operadoras disputarem os segmentos
de maior lucratividade, relegando a segundo plano, ou mesmo deixando sem qualquer assistência, os
grupos sociais e as localidades que não apresentam boas perspectivas de lucro.
A disseminação do uso da Internet no Brasil tem-se dado com espantosa velocidade. Para um País
que entrou tardiamente no processo de globalização, que enfrenta tantos desafios e que convive com
tantos contrastes, não nos parece mau resultado acompanhar a taxa mundial, de 7% da população
usuária da rede virtual. Isso, no Brasil, significa um universo de 12 milhões de pessoas.
No entanto, o que preocupa é o fato de que 71% da população usuária da Internet pertencem às
classes A e B. Além disso, 57% de todos os usuários se concentram na região Sudeste.
O objetivo governamental, portanto, volta-se para a democratização do acesso à rede. Isso significa
levar o benefício a milhões de pessoas de menor poder aquisitivo e, também, dotar as comunidades mais
distantes ou mais pobres da infraestrutura necessária à utilização da Internet.
Os recursos oriundos do FUST contemplarão, até 2005, entre outros, os objetivos de atendimento a
pequenas localidades, com menos de
100 habitantes, com serviços de telecomunicações; atendimento a comunidades de baixo poder
aquisitivo; atendimento a áreas remotas, ou fronteiriças de interesse estratégico; fornecimento dos
serviços a instituições de assistência a deficientes; implantação de telefonia rural; instalação de redes de
alta velocidade para serviços de teleconferência entre estabelecimentos de ensino e bibliotecas;
implantação de acesso às redes digitais de informação destinadas a instituições de saúde; e implantação
de acessos, em condições favorecidas, para uso dos estabelecimentos de ensino.
O atendimento ao setor de ensino, como se pode depreender pelo convênio recentemente celebrado,
é uma das prioridades para o Governo Federal, por ser um fator essencial ao enriquecimento pedagógico
nas escolas de ensino médio das redes federal, estaduais e municipais. Numa etapa inicial, Senhor
Presidente, pretende-se atender 12.515 escolas públicas de ensino médio, em 5.063 municípios,

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abrangendo um universo de 6 milhões e 500 mil alunos e 280 mil professores. Numa etapa posterior,
serão contempladas também as escolas do ensino fundamental e as instituições federais, estaduais e
municipais de ensino profissionalizante.

A exclusão do conhecimento digital, Senhor Presidente, nobres Colegas, equipara-se hoje ao


analfabetismo funcional, o que justifica a preocupação de nossas autoridades em disseminar, nas escolas
e nas comunidades carentes, o acesso aos computadores e à Internet. Por esse motivo, queremos
aplaudir a parceria dos Ministérios das Telecomunicações e da Educação, sabedores que somos de que
as novas tecnologias de informação representam poderoso instrumento para reduzir as desigualdades,
promover as pessoas e alavancar o progresso.

Muito obrigado!

Discurso Epidítico, de Natureza Solene

SENADOR RAMEZ TEBET (PMDB – MS)

(saudações aos presentes, conforme o protocolo)

Devo, em primeiro lugar, cumprimentar Vossas Senhorias pela iniciativa de promover este debate. O
tema é fundamental no contexto democrático e de crescente interdependência entre países americanos,
particularmente os do Mercosul. Com efeito, não poderia deixar de mencionar minha satisfação em tecer
algumas considerações iniciais sobre esta “Cúpula Parlamentar de Integração Continental”.

Senhoras e Senhores,

Os povos do continente americano podem divergir nas ideias, ter gostos e culturas diferentes, mas um
propósito na vida de todos deve identificá-los, uni-los: a busca do desenvolvimento econômico e social
pleno. Sem dúvida, a tarefa de promovermos e de intensificarmos os processos de integração econômica
e política nas Américas, particularmente no contexto da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA),
traz consigo inúmeros desafios. Ao mesmo tempo, o estreitamento de laços políticos, econômicos e
sociais entre países-irmãos, que a ALCA pode proporcionar, constitui-se em oportunidade inigualável para
alcançarmos a unidade de ideais dentro da riqueza e da diversidade hemisféricas.
Nesse sentido, o Poder Legislativo, inserido nos regimes democráticos em vigência nas Américas,
assume papel crucial, por ser o porta-voz legítimo dos anseios populares, a voz soberana da sociedade,
a clamar por maior justiça e desenvolvimento sociais.
Bem sabemos, Senhoras e Senhores, que a Área de Livre Comércio das Américas não é a primeira
tentativa de se integrar, política e economicamente, os países americanos. Reconhecemos a importância
fundamental da IX Conferência Internacional Americana, ao aprovar, em Bogotá, nos idos de 1948, a
criação da Organização dos Estados Americanos (OEA), sediada em Washington. A congregação de
países do hemisfério em torno de princípios tais como o respeito aos direitos humanos, à
autodeterminação dos povos e à dignidade da pessoa humana, logo após o fim da Segunda Guerra
Mundial, reafirmou perante o mundo os propósitos pacíficos das Américas.
Reconhecemos, também, a relevância das significativas, ainda que insuficientes, experiências de
integração regional que tiveram curso no subcontinente sul-americano a partir da década de 1960.
Podemos citar, nesse contexto, com o fito de exemplificação, a criação, pelo Tratado de Montevidéu,
em 1960, da Associação Latino-Americana de Livre Comércio, com o objetivo final de constituir mercado
comum regional a partir de uma zona de livre comércio.
É válido, outrossim, lembrarmo-nos dos esforços que motivaram a criação do Pacto Andino, em
Cartagena, em 1969. A formação da Associação Latino-Americana de Integração (ALADI), em agosto de
1980, expressa a vontade política dos povos de semelhante circunstância geográfica e histórica de se
unirem e de se beneficiarem mutuamente.
Convido-os, contudo, Senhoras e Senhores, a irmos além das experiências mencionadas. Espero que
tenhamos aprendido com o que as experiências passadas têm a nos ensinar, para que possamos
construir um continente mais justo e solidário. A conjuntura histórica atual, democrática e pluralista,
favorece-nos sobremaneira. O MERCOSUL é exemplo eloquente da afirmação dos valores democráticos
sobre toda e qualquer espécie de veleidade autoritária.
É no pluralismo político-democrático que encontraremos as respostas para as dificuldades a serem
enfrentadas durante o processo de integração continental que buscamos. O Parlamento, como caixa de

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ressonância da sociedade que representa, deve acompanhar de perto as negociações envolvidas na
possível criação da ALCA, para que as decisões firmadas entre os países envolvidos sejam não só
eficazes, mas também legítimas.

Se, por um lado, a proposta da Área de Livre Comércio das Américas se caracteriza por ambição sem
precedentes, tal a variedade e complexidade dos temas envolvidos, por outro, a presença maciça de
lideranças de todos os países americanos, nesta reunião de cúpula, permite-nos acalentar a expectativa
de mudanças sem precedentes rumo à integração continental solidária. O fim último a que todos
aspiramos é o desenvolvimento. Para tanto, a integração continental deve transformar, qualitativamente,
as estruturas econômicas e sociais dos povos envolvidos.
Só há sentido na integração quando esta vem servir ao bem-estar dos povos envolvidos, quando vem
minimizar e corrigir as distorções e os desequilíbrios gritantes que geram instabilidade política e
inconformismo social. Entendemos que as instituições democráticas dos países americanos podem
fortalecer-se com um processo de integração que seja não só aberto e transparente, mas, sobretudo, não
discriminatório na análise das matérias objeto de negociação.
Vemos, com preocupante frequência, o estabelecimento de subsídios agrícolas, sobretaxas industriais
e quotas que servem apenas para perpetuar os privilégios dos mais ricos. Se a ALCA pretende ser o foro
de defesa do livre-comércio e do progresso de todos, teremos de enfrentar, sem vãos temores, o
pernicioso protecionismo dos países ricos na agricultura.
O peso que cai sobre nossos ombros neste momento, Senhoras e Senhores Parlamentares aqui
presentes, advém da consciência de que compete a nós, representantes eleitos pelo povo, criarmos
mecanismos institucionais que façam a integração continental frutificar no hemisfério, não apenas de
forma potencial, mas efetiva, na vida de cada cidadão e cidadã das Américas.
O fortalecimento dos laços fraternais que unem a todos deve ter o condão de superar as divergências
econômicas e comerciais, em nome do objetivo inalienável representado pelo desenvolvimento
econômico, político e social. Os trágicos eventos terroristas que têm vitimado o mundo fazem-nos atentar
não para o que mudou na ordem mundial, mas, paradoxalmente, para o que ainda não mudou: a
necessidade de lutarmos contra a exclusão e as desigualdades sociais que, em última análise, impedem
o exercício da liberdade individual, tal como preconizado nas cartas constitucionais de nossos países.
Os fins pacíficos da integração continental aqui discutida devem ter como corolário a justiça social e
a solidariedade entre os povos, para se extinguir a forma mais primária de violência, que é a exclusão
social. Precisamos estabelecer entre nós, parlamentares e autoridades negociadoras, elevados níveis de
confiança na viabilidade de um projeto hemisférico, para servirmos de exemplo para o mundo e perante
nossas próprias comunidades.
O parlamento é, por excelência, o espaço do diálogo e do entendimento. Esperamos que, unidos pela
procura de uma integração que beneficie a todos, possamos imprimir transformação histórica que se
traduza na garantia de existência digna a todos os habitantes do continente americano.
A integração continental, particularmente no contexto da possível criação da ALCA, está a exigir de
nós, parlamentares e demais autoridades, sinceridade de propósitos e transparência nas negociações.
Nós mandatários eleitos pelo sufrágio universal, devemos zelar pelo bem maior que é a legitimidade em
face da opinião pública. É nosso dever, portanto, combater todas as formas de protecionismo, que
constituem obstáculos à prosperidade de todos.
Estamos convictos de que a valorização da cooperação e da interdependência entre os povos
americanos solidificará as relações fraternais já existentes, superará as dificuldades pontuais no processo
de negociação e contribuirá para avanços sociais significativos em todo o hemisfério.

Muito obrigado.

Exemplo de Justificação

Minuta

PROJETO DE LEI DO SENADO Nº , DE 2006

Dispõe sobre a fixação de datas comemorativas de alta significação para os diferentes segmentos
étnicos que compõem a sociedade brasileira, em atendimento ao disposto no § 2º do art. 215 da
Constituição Federal.

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(...)

JUSTIFICAÇÃO

O intento do presente projeto de lei é regulamentar o disposto no § 2º do art. 215 da Constituição


Federal, que assim reza:

Art. 215. .....................................................................................


.....................................................................................................
§ 2º A lei disporá sobre a fixação de datas comemorativas de alta significação
para os diferentes segmentos étnicos nacionais.

A convivência, as contradições e os conflitos entre os padrões culturais de três troncos básicos – o


índio autóctone, o branco europeu e o negro africano –, documentados pela história oficial ou relatados
pela tradição, propiciaram a formação da nacionalidade brasileira.
O dispositivo constitucional que norteia a apresentação do projeto de lei buscou sua motivação no
imperativo da criação de datas comemorativas que rememorem essa interação cultural formadora da
sociedade nacional, sejam elas documentadas pela chamada história oficial, sejam elas fruto da evolução
social, auspiciosamente constatada entre nós.
Nesse sentido, buscou-se fixar, por intermédio do presente instrumento legal, as datas destinadas às
homenagens ao índio, ao branco e ao negro, com o intuito de promover sua celebração em todo o País.
Importa ressaltar que o art. 1º da proposição reitera o 19 de abril como Dia do Índio – conforme
estabelece o Decreto-Lei nº 5.540, de 2 de junho de 1943 –; o 22 de abril, como Dia do Descobrimento
do Brasil – marco oficial do primeiro contato do branco europeu com terras brasileiras –; e fixa o 20 de
novembro como o Dia Nacional da Consciência Negra.
Esta última data, que celebra a memória de Zumbi dos Palmares, incorpora a evolução e as mudanças
registradas pela sociedade nacional e resulta da militância do movimento negro pela erradicação do
preconceito e pelo reconhecimento oficial dos traços negros da nossa cultura.
Parece-nos útil recordar que o nome de Zumbi dos Palmares está inscrito no Livro dos Heróis da Pátria,
depositado no Panteão da Liberdade e da Democracia, na Praça dos Três Poderes, em Brasília, e
representa, com fidelidade, o atual estado da questão racial entre nós, hoje, significativamente diversa de
alguns anos atrás, tanto no plano da sua articulação teórico- acadêmica, quanto no das crenças inerentes
à cultura popular.
Por outro lado, o projeto de lei, atento à realidade da nossa nação continental e à sua trajetória
histórica, garante espaço aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios para a proposição de datas
que homenageiem outros segmentos étnicos, habitantes dos seus respectivos territórios, e cuja
significação encontre respaldo em suas tradições, em seus valores e em seu contexto sociocultural, tendo
em vista que as efemérides referem-se diretamente às crenças comuns a todos os membros de uma
coletividade.
Convictos da importância da presente iniciativa, esperamos a acolhida do projeto de lei pelos ilustres
Pares.

Sala das Sessões,

Senadora [NOME DA SENADORA]

Questões

01. (AL/GO - Revisor Ortográfico - IADES/2019) A respeito da redação parlamentar, assinale a


alternativa correta.
(A) Nesse tipo de redação, citações devem reduzir-se ao mínimo necessário e somente em situações
em que sejam imprescindíveis à argumentação.
(B) Quadros e tabelas não devem ser utilizados na redação parlamentar.
(C) Em textos destinados à leitura em voz alta, como discursos e pareceres, as citações e referências
bibliográficas devem ser feitas em notas de rodapé.
(D) Documentos que não estejam disponíveis para acesso pelo público devem ser citados como
bibliografia em minutas de pareceres, notas técnicas ou informativas e estudos.
(E) Em documentos de caráter técnico, como a nota informativa, a nota técnica e o estudo, o tratamento
deve ser laudatório, do tipo “nobre senador”, “preclaro deputado” ou “ilustre representante do Estado X”.

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Gabarito

01. A

Comentários

01. Resposta: A
(B) Quadros e tabelas podem e devem ser utilizados sempre que um número considerável de dados
precisar ser examinado em um texto.
(C) Em textos destinados à leitura em voz alta, como discursos e pareceres, as citações e referências
bibliográficas devem ser feitas no corpo do texto, de forma adequada à oralidade
(D) Documentos que não estejam disponíveis para acesso pelo público não devem ser citados como
bibliografia em minutas de Pareceres, Notas Técnicas ou Informativas, Estudos, etc.
(E) Em documentos de caráter técnico, como a Nota Informativa, a Nota Técnica e o Estudo, deve-se
evitar tratamento laudatório, do tipo “nobre Senador”, “preclaro Deputado” ou “ilustre representante do
Estado X”

Discurso parlamentar: o discurso e a comunicação; o discurso político;


estrutura do discurso; persuasão e eloquência

LÍNGUA E DISCURSO (FALA)

Segundo os estudos de Bakhtin, a língua é um fato social, concreto, individualmente manifestado pelo
falante. Tornando, assim, a enunciação como realidade da linguagem e inserindo, também, a situação de
enunciação como elemento necessário à compreensão das trocas linguísticas.
Neste fenômeno de interação, na enunciação, o interlocutor ocupa o lugar de sujeito ativo na
constituição do sentido e a linguagem articula o linguístico, o social e o ideológico.
O discurso pode ser estudado sob diferentes aspectos, seguem algumas concepções:
Para Orlandi: “O discurso é a palavra em movimento, prática de linguagem: com o estudo do discurso
observa-se o homem falando”.
De acordo com Fairclough: O discurso é um modo de ação, maneira pela qual as pessoas se permitem
agir sobre o mundo e sobre os outros indivíduos, construindo o mundo em significado.
Para Charaudeau e Maingueneau: O discurso é um lugar no qual um texto encontra outros textos de
seu próprio contexto, o que nos remete à importância dos contextos sócio históricos, ou seja, da influência
constante de todos os participantes da comunicação por meio do discurso.
De acordo com Alvesson & Karreman: O discurso é “um meio para a interação social” e, dessa forma,
a partir da existência de diversas realidades, contextos e agentes participantes na construção dos
discursos, a interação advinda desse processo acaba por fazer com que os indivíduos sejam moldados
pelas práticas discursivas existentes nas organizações.
Antes de tratarmos da Análise do Discurso14, primeiramente, devemos ter em nosso universo mental
concepções adequadas de linguagem que devem permear um trabalho sério com a nossa principal
ferramenta de trabalho; a saber; a linguagem humana.
Por isso para estudarmos, adequadamente, certa língua, devemos, antes de mais nada, estipular
critérios técnicos, científicos para tal estudo, critérios estes, criados por Ferdinand Saussure, famoso
linguista franco-suíço, considerado o pai da ciência que estuda a linguagem humana, isto é, a Linguística.
Estes critérios são conhecidos na Linguística como Diacronia e Sincronia, depois disso temos que ter
em nosso universo mental concepções claras de linguagem.
Em vista disso, trataremos dessas concepções de linguagem no decorrer deste trabalho e a seguir
tentaremos mostrar o que elas têm a ver com um ensino produtivo de nossa língua e, a posteriori, com a
Análise do Discurso.
De acordo com Kock há três concepções de linguagem no transcorrer da história da humanidade:
“a. como representação(“espelho”) do mundo e do pensamento;”
“b. como instrumento(“ferramenta”) de comunicação;”
“c. como forma (“lugar”) de ação ou interação;”

14
http://www.gestaouniversitaria.com.br/artigos/analise-do-discurso-o-que-e-como-se-faz-e-para-que-serve

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Dentre as três concepções acima mencionadas, a que mais nos interessa para este trabalho seria a
terceira, apesar de não só a primeira, como também a segunda serem muito defendidas, atualmente, por
isso, centrará o nosso trabalho naquela concepção de linguagem, ainda assim comentaremos as três.
Nesse sentido, a primeira afirma que a linguagem seria, exclusivamente, para representar o mundo,
isto é, a realidade a qual nos cerca e aquilo que pensamos sobre a mesma, ou seja, seria uma espécie
de “espelho” por que perpassam nossos pensamentos e os seres vivos, ou não, os quais nos rodeiam.
Já a segunda seria uma linguagem centrada apenas na comunicação, a linguagem funcionaria tão
somente para transmitir mensagens, pressupondo, assim, um emissor e um receptor perfeitos, ideais,
todavia; basta uma análise da realidade (ainda que superficial) para percebemos que nem a linguagem e
nem o processo de comunicação são tão simples assim como quer a teoria da comunicação.
A terceira concepção, que, a nosso ver, é a mais interessante, a linguagem seria fruto de uma interação
entre enunciador/ enunciatário, falante/ouvinte, autor/leitor, etc.
Prestando-se não só como representação do pensamento, mas também como processo de
comunicação, uma peça fundamental para a interação entre os seres humanos e, neste caso, a linguagem
estaria, intrinsecamente, ligada com o contexto sócio-histórico-ideológico do qual participa.
Logo, para um estudo mais sério, profundo, profícuo e produtivo de nossa língua materna, deveríamos
embasar o ensino e aprendizagem da Língua Portuguesa considerando as três concepções de linguagem,
citadas, anteriormente, aproveitando, dessa forma, o que cada uma dessas concepções tem de relevante;
isto é, no caso da primeira concepção: a linguagem como expressão do pensamento, deve-se ensinar
aos discentes a organizarem melhor e com mais lógica, exatidão e clareza seus pensamentos, e em se
tratando da segunda, a linguagem como “ferramenta”, “instrumento” de comunicação, podemos ensinar
aos nossos alunos a se comunicarem melhor e, adequadamente, em todas as situações de interação
social por que passem.
Desse modo, também estaríamos fazendo uso da terceira concepção de linguagem, ou seja, a
linguagem como forma, lugar de ação/ interação social entre os indivíduos, isto é, utilizando ao mesmo
tempo e de maneira adequada as três concepções de linguagem, estaremos propiciando, certamente, um
ensino mais produtivo de nossa língua materna. E qual a relação destas três concepções de linguagem
com a Análise do Discurso?
A relação se dará através da terceira concepção de linguagem, uma vez que para a Análise do
Discurso interessa, principalmente, esta concepção de linguagem, porque, segundo esta concepção, o
indivíduo age, reage e interage através da linguagem, a saber; as pessoas não só consideram a
comunicação, a expressão do pensamento, mas também consideram o lugar de onde estão falando, as
imagens que os interlocutores têm de si, dos outros e ainda o contexto sócio-histórico-ideológico no qual
estão inseridos.

Sobre a questão da análise do discurso: origem e importância

Trataremos, neste momento, da origem e da importância da Análise do Discurso, que doravante será
abreviada por A.D, por uma questão de economia linguística.
Sendo assim, mostraremos breve histórico da A. D, que de acordo com Vieira, passou pelas seguintes
fases:
1. Origem: berço – retórica clássica de Aristóteles, porque para este filósofo os recursos retóricos e a
persuasão em contextos públicos marcavam a argumentação da época;
2. Na segunda metade do século XX, os estudos inerentes ao discurso eram direcionados pela análise
filológica que examinava o texto à luz da história;
3. Formalistas russos – a análise de textos foi especialmente inspirada no trabalho de Propp (1958)
sobre a morfologia dos contos russos que proporcionou um dos primeiros impulsos para a análise
sistemática do discurso narrativo. Os formalistas russos contribuíram muito para os estudos discursivos
com conceitos importantes, tais como: literariedade, verossimilhança e intertextualidade;
4. Estruturalismo: um dos movimentos tradicionais, porém, devido ao seu caráter monológico, não
ultrapassou em seus estudos o nível da frase. O texto não foi prioridade em suas investigações, uma vez
que o objeto das pesquisas estruturais era a fala e não a escrita, os pesquisadores estruturalistas
analisavam, praticamente, tudo: o número de fonemas, os morfemas, os sintagmas contidos na frase,
mas, não ultrapassavam em suas análises os limites da sentença ou frase. Por isso, durante o movimento
estruturalista, a análise centrou-se na frase e não no texto;
5. Simultaneamente, a este momento histórico da linguística, o único movimento a considerar o texto
como unidade de análise foi a Tagmênica, teoria analítica criada pelo linguista norte-americano Kenneth
L. Pike. (que usou o termo tagmema, menor unidade significativa de uma forma gramatical, sua correlação
seria a de função ou classe gramatical em nossa língua.) cuja intenção era traduzir os evangelhos para

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as línguas indígenas; por isso, os estudos de textos desse período, tornaram-se, sem sombra de dúvida,
fator relevante para os estudos discursivos, a posteriori em 1950, nos estados unidos, Harris publica a
obra intitulada Discourse Analysis que mostra como analisar enunciados linguísticos que vão além da
frase;
6. Os trabalhos de Roman Jakobson que vincularam o conceito de função da linguagem aos estudos
da língua, ao lado das propostas de Benveniste para o estudo da enunciação, foram de extremo valor
para o desenvolvimento da análise do discurso. Além disso, é Benveniste (1974) que instaura um
momento de fertilidade para os estudos discursivos, ao definir enunciação como um processo de
apropriação da língua, ou seja, a língua, vista sob este prisma, é apenas uma possibilidade que ganha
realidade somente no ato enunciativo ao expressar sua relação com o mundo. Dessa forma, o referente,
nesse caso: o mundo, deixa de estar fora da linguagem para incorporar-se à enunciação;
7. Acrescente-se ainda que a valorização do sujeito-locutor, ou melhor, a construção do sentido passa
por essa noção de sujeito-locutor. E isto se torna uma das contribuições mais significativas para a Análise
do Discurso, porque, consoante Benveniste, o sujeito deixa marcas, rastros de sua presença nos
enunciados por ele produzidos.
Do exposto, resta-nos, agora, em conformidade com Orlandi, mostrar a Análise do Discurso de origem
francesa tal como é concebida hoje:
• vínculo: tradição intelectual europeia – busca no texto a reconstrução histórica do sujeito, ao unir a
reflexão do texto com a história, a linha francesa resgata a interdisciplinaridade em análise do discurso,
porque, o discurso passa a ser também objeto de estudo de historiadores e psicólogos, por isso, tanto o
marxismo quanto a psicanálise fazem parte dos estudos discursivos;
Por outro lado, a França, cuja tradição é literária, também contribuiu muito com os principais
fundamentos para a Análise do Discurso.
• Michel Pêcheux, em 1969 na França, lança bases para uma análise automática do discurso.
Sendo assim, procuraremos, por meio desse trabalho, mostrar não só a origem da A.D, mas também
sua importância para o estudo da linguagem humana, porque, como vimos, antes da A.D os estudos
linguísticos não ultrapassavam, praticamente, o nível da frase ou da sentença.

Contribuições da linguística, do marxismo e da psicanálise para a análise do discurso

De acordo com Orlandi, foram as seguintes contribuições da Linguística, do Marxismo e da Psicanálise


para a A. D.
a) Linguística: pelo conceito de Estrutura e ainda por ser uma ciência da linguagem, garantindo, assim,
à Análise do Discurso certo rigor científico. As análises, agora, são transfrásticas, isto é, vão além da
frase.
b) Marxismo: Althusser, em Aparelhos Ideológicos do Estado, amplia o conceito de ideologia de Marx
e Engels, apesar de esse conceito ser altamente produtivo para a Análise do Discurso, porque, segundo
Marx e Engels, a ideologia deve ser identificada com a separação que se faz entre produção das ideais
e as condições sociais e históricas em que são produzidas.
Logo, consoante Orlandi, o que interessa para a Análise do Discurso no Marxismo é, justamente, essa
relação da ideologia com as condições sociais da produção do discurso e da História.
c) Psicanálise: a partir da descoberta do Inconsciente em Freud, o conceito de Sujeito sofre uma
alteração drástica nas Ciências Humanas.
Em vista disso, ainda de acordo com Orlandi, Lacan ao reler Freud busca no Estruturalismo, embasado
em Saussure e Jakobson um novo conceito de Inconsciente, ou seja, para Lacan o Inconsciente se
estrutura a partir de uma cadeia de significantes cuja principal característica seria a repetição e a
interferência no discurso efetivo, como se houvesse sempre ali um já-dito, um discurso atravessado por
outro discurso, isto é, o discurso Inconsciente.
Dessa forma, percebemos que as contribuições das áreas do conhecimento, acima mencionadas:
Linguística, Marxismo e Psicanálise ajudaram (e muito) a desenvolver os estudos inerentes ao discurso.

Sobre a questão de alguns conceitos na análise do discurso

A seguir trataremos de alguns conceitos concernentes à Análise do Discurso, que não é como muita
gente pensa uma disciplina autônoma, mas, uma fusão de três ramos distintos do conhecimento científico,
a saber, Linguística, Marxismo e Psicanálise.
Assim, conforme nos assegura Orlandi, a Análise do Discurso pode ser considerada uma escola de
origem europeia, cujo pai Michel Pêcheux lança bases para esta escola em 1969, ou de origem
americana, iniciada por Harris, em 1952, com a Obra Discourse Analysis.

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Logo, a grande “sacada” da A.D - Análise do Discurso seria de não mais embasar os estudos
linguísticos no nível da frase, ou sentença isolada; agora; os estudos linguísticos estão no nível do
discurso ou do texto.
Por isso, mostraremos em consonância com Orlandi, abaixo,alguns conceitos referentes a esta área
tão relevante para o estudo da linguagem humana, ou seja, conceituações referentes aos estudos ligados
ao campo do discurso, dessa maneira, serão estes os principais conceitos que veremos:

a) Assujeitamento Ideológico: consiste em fazer com que cada indivíduo, inconscientemente, seja
levado a ocupar seu lugar na sociedade, identificando, assim, com grupos ou classes sociais.
b) Autor: função social do sujeito que pode e deve ser definido pela escola, atravessado pela
exterioridade e pelas exigências de coerência, não - contradição, etc.
c) Condições de Produção: instância verbal da produção do discurso, determinadas pelo contexto
sócio-histórico-ideológico, os interlocutores, o lugar de onde falam à imagem que fazem de si e do outro
e do referente.
d) Diálogo: em sentido estrito, comunicação verbal entre duas pessoas, sentido amplo, como quer
Bakhtin, é toda comunicação verbal qualquer, forma de interação. Compreende, assim, estritamente, um
enunciado, um enunciador e um enunciatário.
e) Enunciação: emissão de um conjunto de enunciados que é produto da interação verbal de indivíduos
socialmente organizados. A enunciação se dá no aqui e agora sem jamais se repetir, marca-se,
exclusivamente, embora não somente, pela singularidade.
f) Enunciador: é o produtor do enunciado, isto é, o ponto de vista do locutor dependendo da posição
social que ocupa.
g) Formação Discursiva: é o que pode e deve ser dito a partir de um lugar sócio historicamente
determinado e atravessado por uma formação ideológica. Num mesmo texto podem aparecer formações
discursivas diferentes, cuja consequência imediata são as variações de sentido.
h) Formação Social: é o lugar onde se estabelecem as relações entre as classes sociais historicamente
definidas, mantendo entre si relações de aliança, antagonismo ou dominação.
i) Interdiscursividade: relação de um discurso com outros discursos.
j) Interlocução: processo de interação entre os indivíduos os quais podem usar tanto a linguagem
verbal, quanto a não-verbal.
k) Intertexto: relação de um texto com outros textos.
l) Língua: sob uma perspectiva discursiva, seria a realização concreta da fala, resultante de uma
relação não-excludente, ou seja, porque não há língua sem fala, e nem fala sem língua, uma depende da
outra para existir, a saber; a língua está para a fala, assim como a fala está para a língua.
m) Linguagem: sob uma perspectiva do discurso, seria fruto da interação entre sujeitos socialmente,
historicamente e ideologicamente constituídos.
n) Locutor: função enunciativa que o sujeito falante exerce.
o) Polifonia: conceito criado de acordo com Orlandi, inicialmente, por Bakhtin que o aplicou à literatura,
retomado, posteriormente, por Ducrot que lhe deu um tratamento linguístico, ou melhor, refere-se ao fato
de que todo discurso está construído pelo discurso do outro, toda fala atravessada pela fala do outro.
p) Pré-construído: todo discurso pressupõe outro discurso que lhe é anterior.
q) Regras de formação: regras constitutivas de uma formação discursiva, conceitos e diversas
estratégias capazes de explicitar, descrever uma formação discursiva, permitindo ou excluindo certos
temas ou teorias.
r) Sentido: está intrinsecamente ligado com a formação discursiva da qual participa, produzido no
processo de interlocução e atravessado pelas condições de produção (contexto sócio-histórico-
ideológico) do discurso.
s) Sujeito: sobre uma perspectiva discursiva, deixa de assumir uma noção idealista, imanente, o sujeito
da linguagem não é o sujeito em si, mas tal como existe socialmente e interpelado pela ideologia, ou seja,
não há ideologia sem sujeito, nem sujeito sem ideologia. Por isso, o sujeito não é a fonte, a origem dos
sentidos, porque à sua fala atravessam outras falas, outras vozes, enfim; outros dizeres e por que não
dizer até outros não-dizeres.
t) Forma sujeito: conceito criado por Pêcheux para indicar que o sujeito é afetado pela ideologia.
u) Superfície discursiva: constituída por um conjunto de enunciados pertencentes a uma mesma
formação discursiva.
v) Texto: unidade complexa constituída de regularidades e irregularidades cuja análise implica suas
condições de produção (contexto sócio-histórico-ideológico, situação, interlocução), conforme Orlandi de
natureza intervalar, já que como objeto teórico não apresenta uma unidade completa em si mesma, pois

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o sentido do texto se constrói no espaço discursivo dos interlocutores. E como objeto empírico de análise,
pode ser considerado algo acabado, pronto com começo, meio e fim.
w) Tipos de esquecimento: segundo Michel Pêcheux, em sua obra intitulada por “Semântica e
Discurso”, traduzida por Orlandi e outros, podemos distinguir duas formas de esquecimento:
x) Esquecimento 1 – também chamado de esquecimento ideológico, é da instância do inconsciente,
resultante do modo pelo qual a ideologia nos afeta.
y) Esquecimento 2 – é da ordem da enunciação, já que ao falarmos dizemos de uma maneira e não
de outra, estabelecemos, assim, verdadeiras relações parafrásticas as quais indicam que os dizeres
sempre podem ser outros.
Sabendo que o discurso é a matéria prima para o analista, faz-se, nesse momento, necessário
conceituar esse termo, tarefa árdua por si só.
Assim, segundo Orlandi, discurso seria “o efeito de sentidos entre os locutores.” Considerando o
Contexto Sócio-Histórico-Ideológico (condições sociais, a História Oficial e também a História particular
de cada pessoa, por fim, a ideologia que permeia as relações humanas) no qual o discurso e o Sujeito
estão inseridos, a saber; o discurso seria o resultado, a consequência do efeito de sentido sobre os
locutores.

Discurso Parlamentar15

Discurso parlamentar pode ser conceituado como aquele que é pronunciado pelos membros do
parlamento. Essa definição, contudo, além de óbvia, é tautológica e insuficiente para um estudo mais
aprofundado. Um deputado, por exemplo, pode pronunciar-se numa universidade, pode fazer um discurso
de cima de um palanque, pode, em uma entrevista, até mesmo dentro do parlamento, falar
ininterruptamente durante minutos a respeito de um tema. Nesses casos, seriam discursos de um
parlamentar, e não discursos parlamentares. Esses seriam os proferidos de maneira formal por
vereadores, deputados estaduais, deputados federais e senadores nos plenários de suas respectivas
Casas. Um deputado federal, portanto, quando se pronuncia formalmente no plenário principal da Câmara
dos Deputados ou nos plenários das Comissões, faz um discurso parlamentar. Se o fizesse de um
palanque, seria um discurso político. Daí se depreende que todo discurso parlamentar é um discurso
político, mas nem todo discurso político é um discurso parlamentar.
Trask define discurso como sendo:
“(...) qualquer fragmento conexo de escrita ou fala. Um discurso pode ser produzido por uma única
pessoa que fala ou escreve, ou também por duas ou mais pessoas que tomam parte numa conversação
ou, mais raro, numa troca de escritos”.16

Quem produz o discurso parlamentar é o deputado, mesmo que o conteúdo do que esteja falando ou
lendo não seja de sua lavra. Mesmo que um assessor tenha elaborado o texto, é do deputado a autoria
do discurso a partir do momento em que usa o microfone da tribuna para proferi-lo.
Pode acontecer de outros deputados fazerem breves intervenções no discurso do orador que está com
a palavra, as quais são chamadas de apartes, que muitas vezes propiciam o debate entre os aparteantes
e o orador. As apartes podem integrar o seu pronunciamento ou até suplantar o discurso, ou ser
equivalente, caso o orador principal permita.
Também interfere no significado do discurso o local onde é pronunciado. O local faz parte do contexto
onde a peça discursiva é produzida. Por exemplo, na Câmara dos Deputados, os oradores que ocupam
a tribuna ou usam os microfones de apartes devem seguir normas regimentais sobre o uso da palavra,
regras concernentes ao eficiente e organizado andamento dos trabalhos legislativos.
O discurso parlamentar é um texto que se baseia em um esboço escrito que dá a esses discursos um
forte planejamento. Diferente do texto escrito para ser lido, o esboço possibilita uma certa espontaneidade
do orador.
Esse tipo de discurso não tem muita diferença dos discursos eleitorais, pois em ambos os enunciadores
fazer uso de mentiras, de persuasão, de artimanhas e estratégias diversas. Estes discursos são a prova
viva de que política não é apenas conquistar o poder, mas também o exercer.

15
http://bd.camara.leg.br/bd/bitstream/handle/bdcamara/3626/revisao_discurso_parlamentar_souza.pdf
16
TRASK, R. L. Dicionário de linguagem e linguística. São Paulo: Contexto, 2006.

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Discurso Político
17
Podemos considerar o discurso político como um lugar social dos jogos de máscaras. Toda palavra
exposta da política precisa ser apreendida ao mesmo tempo pelo que ela não significa, nunca deve ser
tomada ao pé da letra.
O discurso político é um gênero discursivo, que possui subgêneros, ou espécies mesmo de discursos,
como o discurso de direita, o de esquerda, o fascista, etc. Sua verdade está sempre ameaçada em um
jogo de significações. É possível dizer que esse tipo de discurso é dinâmico, frágil e, facilmente, expõe
sua condição provisória.
18
Há um princípio de influência que é produzido por meio do ato linguageiro de um enunciador como
meio de persuadir os seus interlocutores, tentando guiar o seu o pensamento.
O tipo de argumentação mais utilizado nesse tipo de discurso é a construção do raciocínio através dos
dados, sendo assim, o enunciador faz uso de dados como provas concretas para fundamentar o seu
ponto de vista e conseguir persuadir um auditório, conquistando, assim, novos adeptos para a sua
candidatura.
São utilizados nesse tipo de discurso, como estratégia de persuasão, recursos retóricos e
procedimentos linguísticos.
No jogo do discurso político, o ator político busca persuadir seus eleitores. Ele sabe que não dá para
sempre dizer tudo com sinceridade, por isso é preciso usar o recurso das máscaras, o que dá a aparência
de estar dizendo a verdade. É um trabalho no âmbito da verossimilhança, que parece verdadeiro.
O político enunciador precisa fazer com que sua verdade se sobressaia perante seus adversários
políticos. Para conseguir isso, é necessário o conhecimento prévio dos valores, do comportamento e da
ética dos eleitores que pretende persuadir. Isso indica que todo discurso é um discurso de poder.
19
Existem alguns locais mais comuns onde o discurso político acontece, como, nos legislativos
federais, estaduais e municipais, no executivo, na palavra do presidente da república, dos governadores
de estado, dos prefeitos. Porém, em épocas de eleição, por exemplo, o discurso político sai dos seus
limites habituais, chegando ao ponto do cidadão comum estar executando um discurso político.

Conhecimentos de Linguística, Literatura e Estilística aplicados ao discurso


legislativo: funções da linguagem

Quando se pergunta a alguém para que serve a linguagem, a resposta mais comum é que ela serve
para comunicar. Isso está correto. No entanto, comunicar não é apenas transmitir informações. É também
exprimir emoções, dar ordens, falar apenas para não haver silêncio entre outros. Assim vejamos algumas
situações recorrentes:

Função Referencial

Quando a linguagem serve para informar. Exemplo: “Estados Unidos invadem o Iraque”

Essa frase, numa manchete de jornal, informa-nos sobre um acontecimento do mundo.


Com a linguagem, armazenamos conhecimentos na memória, transmitimos esses conhecimentos a
outras pessoas, ficamos sabendo de experiências bem-sucedidas, somos prevenidos contra as tentativas
mal sucedidas de fazer alguma coisa. Graças à linguagem, um ser humano recebe de outro
conhecimentos, aperfeiçoa-os e transmite-os.
A linguagem é a maneira como aprendemos desde as mais banais informações do dia a dia até as
teorias científicas, as expressões artísticas e os sistemas filosóficos mais avançados.
A função informativa da linguagem tem importância central na vida das pessoas, consideradas
individualmente ou como grupo social. Para cada indivíduo, ela permite conhecer o mundo; para o grupo
social, possibilita o acúmulo de conhecimentos e a transferência de experiências. Por meio dessa função,
a linguagem modela o intelecto.
É a função informativa que permite a realização do trabalho coletivo. Operar bem essa função da
linguagem possibilita que cada indivíduo continue sempre a aprender.

17
TELES, T. R. Discurso, Análise do Discurso e Discurso Político: ponderações conceituais. Estcien 7-1, p. 33-48, jan./abr. 2017.
18
EDUARDO, L. F. M. As estratégias do discurso político: uma análise de imagens e procedimentos linguísticos. Palimpsesto. 13-19, 2014.
19
PINTO, C. R. J. Elementos para uma análise de discurso político. BarBarói, 24-1, 2006.

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A função informativa costuma ser chamada também de função referencial, pois seu principal
propósito é fazer com que as palavras revelem da maneira mais clara possível as coisas ou os eventos a
que fazem referência.

Função Conativa

Quando a linguagem serve para influenciar e ser influenciado. Exemplo: “Vem pra Caixa você
também.”

Essa frase fazia parte de uma campanha destinada a aumentar o número de correntistas da Caixa
Econômica Federal. Para persuadir o público alvo da propaganda a adotar esse comportamento,
formulou-se um convite com uma linguagem bastante coloquial, usando, por exemplo, a forma vem, de
segunda pessoa do imperativo, em lugar de venha, forma de terceira pessoa prescrita pela norma culta
quando se usa você.
Pela linguagem, as pessoas são induzidas a fazer determinadas coisas, a crer em determinadas ideias,
a sentir determinadas emoções, a ter determinados estados de alma (amor, desprezo, desdém, raiva,
etc.). Por isso, pode-se dizer que ela modela atitudes, convicções, sentimentos, emoções, paixões. Quem
ouve desavisada e reiteradamente a palavra “negro”, pronunciada em tom desdenhoso, aprende a ter
sentimentos racistas; se a todo momento nos dizem, num tom pejorativo, “Isso é coisa de mulher”,
aprendemos os preconceitos contra a mulher.
Não se interfere no comportamento das pessoas apenas com a ordem, o pedido, a súplica. Há textos
que nos influenciam de maneira bastante sutil, com tentações e seduções, como os anúncios publicitários
que nos dizem como seremos bem sucedidos, atraentes e charmosos se usarmos determinadas marcas,
se consumirmos certos produtos.
Com essa função, a linguagem modela tanto bons cidadãos, que colocam o respeito ao outro acima
de tudo, quanto espertalhões, que só pensam em levar vantagem, e indivíduos atemorizados, que se
deixam conduzir sem questionar.
Emprega-se a expressão função conativa da linguagem quando esta é usada para interferir no
comportamento das pessoas por meio de uma ordem, um pedido ou uma sugestão.

Função Emotiva

Quando a linguagem serve para expressar a subjetividade. Exemplo: “Eu fico possesso com isso!”

Nessa frase, quem fala está exprimindo sua indignação com alguma coisa que aconteceu. Com
palavras, objetivamos e expressamos nossos sentimentos e nossas emoções. Exprimimos a revolta e a
alegria, sussurramos palavras de amor e explodimos de raiva, manifestamos desespero, desdém,
desprezo, admiração, dor, tristeza. Muitas vezes, falamos para exprimir poder ou para afirmarmo-nos
socialmente. Durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, ouvíamos certos políticos
dizerem “A intenção do Fernando é levar o país à prosperidade” ou “O Fernando tem mudado o país”.
Essa maneira informal de se referirem ao presidente era, na verdade, uma maneira de insinuarem
intimidade com ele e, portanto, de exprimirem a importância que lhes seria atribuída pela proximidade
com o poder. Inúmeras vezes, contamos coisas que fizemos para afirmarmo-nos perante o grupo, para
mostrar nossa valentia ou nossa erudição, nossa capacidade intelectual ou nossa competência na
conquista amorosa.
Por meio do tipo de linguagem que usamos, do tom de voz que empregamos, etc., transmitimos uma
imagem nossa, não raro inconscientemente.
Emprega-se a expressão função emotiva para designar a utilização da linguagem para a
manifestação do enunciador, isto é, daquele que fala.

Função Fática

Quando a linguagem serve para criar e manter laços sociais. Exemplo:


__Que calorão, hein?
__Também, tem chovido tão pouco.
__Acho que este ano tem feito mais calor do que nos outros.
__Eu não me lembro de já ter sentido tanto calor.

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Esse é um típico diálogo de pessoas que se encontram num elevador e devem manter uma conversa
nos poucos instantes em que estão juntas. Falam para nada dizer, apenas porque o silêncio poderia ser
constrangedor ou parecer hostil.
Quando estamos num grupo, numa festa, não podemos manter-nos em silêncio, olhando uns para os
outros. Nessas ocasiões, a conversação é obrigatória. Por isso, quando não se tem assunto, fala-se do
tempo, repetem-se histórias que todos conhecem, contam-se anedotas velhas. A linguagem, nesse caso,
não tem nenhuma função que não seja manter os laços sociais. Quando encontramos alguém e lhe
perguntamos “Tudo bem?”, em geral não queremos, de fato, saber se nosso interlocutor está bem, se
está doente, se está com problemas. A fórmula é uma maneira de estabelecer um vínculo social.
Também os hinos têm a função de criar vínculos, seja entre alunos de uma escola, entre torcedores
de um time de futebol ou entre os habitantes de um país. Não importa que as pessoas não entendam
bem o significado da letra do Hino Nacional, pois ele não tem função informativa: o importante é que, ao
cantá-lo, sentimo-nos participantes da comunidade de brasileiros.
Na nomenclatura da linguística, usa-se a expressão função fática para indicar a utilização da linguagem
para estabelecer ou manter aberta a comunicação entre um falante e seu interlocutor.

Função Metalinguística

Quando a linguagem serve para falar sobre a própria linguagem. Um bom exemplo disso é quando
dizemos frases como:
“A palavra ‘cão’ é um substantivo”; “É errado dizer ‘a gente viemos’”; “Estou usando o termo ‘direção’
em dois sentidos”; “Não é muito elegante usar palavrões”.
Não estamos falando de acontecimentos do mundo, mas estamos tecendo comentários sobre a própria
linguagem. É o que chama função metalinguística. A atividade metalinguística é inseparável da fala.
Falamos sobre o mundo exterior e o mundo interior e ao mesmo tempo, fazemos comentários sobre a
nossa fala e a dos outros. Quando afirmamos como diz o outro, estamos comentando o que declaramos:
é um modo de esclarecer que não temos o hábito de dizer uma coisa tão trivial como a que estamos
enunciando; inversamente, podemos usar a metalinguagem como recurso para valorizar nosso modo de
dizer.

Função Poética

A linguagem que serve como fonte de prazer. Brincamos com as palavras. Os jogos com o sentido e
os sons são formas de tornar a linguagem um lugar de prazer. Divertimo-nos com eles. Manipulamos as
palavras para delas extrairmos satisfação.
Oswald de Andrade, em seu “Manifesto antropófago”, diz “Tupi or not tupi”; trata-se de um jogo com a
frase shakespeariana “To be or not to be”. Conta-se que o poeta Emílio de Menezes, quando soube que
uma mulher muito gorda se sentara no banco de um ônibus e este quebrara, fez o seguinte trocadilho: “É
a primeira vez que vejo um banco quebrar por excesso de fundos”. A palavra banco está usada em dois
sentidos: “móvel comprido para sentar-se” e “casa bancária”. Também está empregado em dois sentidos
o termo fundos: “nádegas” e “capital”, “dinheiro”.
Em função estética, o mais importante é como se diz, pois o sentido também é criado pelo ritmo, pelo
arranjo dos sons, pela disposição das palavras, etc.
Na estrofe abaixo, retirada do poema “A Cavalgada”, de Raimundo Correia, a sucessão dos sons
oclusivos /p/, /t/, /k/, /b/, /d/, /g/ sugere o patear dos cavalos:

E o bosque estala, move-se, estremece...


Da cavalgada o estrépito que aumenta
Perde-se após no centro da montanha...
Apud: Lêdo Ivo. Raimundo Correia: Poesia. 4ª ed.
Rio de Janeiro, Agir, p. 29. Coleção Nossos Clássicos.

Observe-se que a maior concentração de sons oclusivos ocorre no segundo verso, quando se afirma
que o barulho dos cavalos aumenta.
Quando se usam recursos da própria língua para acrescentar sentidos ao conteúdo transmitido por
ela, diz-se que estamos usando a linguagem em sua função poética.
Para melhor compreensão das funções de linguagem, torna-se necessário o estudo dos elementos da
comunicação.

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Antigamente, tinha-se a ideia que o diálogo era desenvolvido de maneira "sistematizada" (alguém
pergunta - alguém espera ouvir a pergunta, daí responde, enquanto outro escuta em silêncio, etc).
Exemplo:

ELEMENTOS DA COMUNICAÇÃO
Emissor emite, codifica a mensagem
Receptor recebe, decodifica a mensagem
Mensagem conteúdo transmitido pelo emissor
Código conjunto de signos usado na transmissão e recepção da mensagem
Referente contexto relacionado a emissor e receptor
Canal meio pelo qual circula a mensagem

Porém, com recentes estudos linguísticos, tal teoria sofreu certa modificação, pois, chegou-se a
conclusão de que ao se tratar da parole (sentido individual da língua), entende-se que é um veículo
democrático (observe a função fática), assim, admite-se um novo formato de locução, ou, interlocução
(diálogo interativo):

Locutor quem fala (e responde)


Locutário quem ouve e responde
Interlocução diálogo

As respostas, dos "interlocutores" podem ser gestuais, faciais etc. por isso a mudança (aprimoração)
na teoria.
As atitudes e reações dos comunicantes são também referentes e exercem influência sobre a
comunicação
Também podemos pensar que as primeiras falas conscientes da raça humana ocorreu quando os sons
emitidos evoluiram para o que podemos reconhecer como “interjeições”. As primeiras ferramentas da fala
humana.
A função biológica e cerebral da linguagem é aquilo que mais profundamente distingue o homem dos
outros animais.
Podemos considerar que o desenvolvimento desta função cerebral ocorre em estreita ligação com a
bipedia e a libertação da mão, que permitiram o aumento do volume do cérebro, a par do desenvolvimento
de órgãos fonadores e da mímica facial.
Devido a estas capacidades, para além da linguagem falada e escrita, o homem, aprendendo pela
observação de animais, desenvolveu a língua de sinais adaptada pelos surdos em diferentes países, não
só para melhorar a comunicação entre surdos, mas também para utilizar em situações especiais, como
no teatro e entre navios ou pessoas e não animais que se encontram fora do alcance do ouvido, mas que
se podem observar entre si.

Questões

01. (SEDU/ES - Professor de Língua Portuguesa - CESPE) No processo educacional, o professor é


um medidor que direciona as fontes de pesquisas para recursos já existentes, jornais, revistas,
enciclopédias, vídeos, e que agora pode optar por mais curiosos, se auto-ajudam, desenvolvem a maior
parte das atividades sozinhos e aumentam a capacidade de concentração. O computador estimula o
aprendizado de novos idiomas e contribui para o desenvolvimento das habilidades de comunicação e de
estrutura lógica do pensamento.

Julgue os itens subsequentes, relativos às ideias e estruturas do texto acima.

A função da linguagem predominante no texto é a metalinguística.


( ) Certo ( ) Errado

02. (INSS - Analista - FUNRIO) Que se perdoe o exagero da frase: o Fla-Flu começou no Recife. Sim,
é bem verdade que a disputa de futebol entre times de Flamengo e Fluminense é cria do Rio de Janeiro,
nas Laranjeiras, em um domingo de julho de 1912. Mas o verdadeiro Fla-Flu, não. O clássico como é
hoje, com a grandeza contrastada pela miudeza de duas palavras monossílabas separadas por um hífen,

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veio à luz na capital pernambucana. E, feito uma partida, teve dois tempos: o primeiro antes mesmo de o
jogo existir, em 1908, quando nasceu Mario Filho; e o segundo justamente em 1912, quando Nelson
Rodrigues saiu do ventre de sua mãe. As impressões digitais deixadas pelos irmãos nas teclas de suas
máquinas de escrever criaram o imaginário do clássico que completa 100 anos neste sábado. O Fla-Flu
teria outra dimensão sem eles.

A função metalinguística está presente na seguinte passagem do texto:


(A) com a grandeza contrastada pela miudeza de duas palavras monossílabas separadas por um hífen.
(B) o primeiro antes mesmo de o jogo existir, em 1908, quando nasceu Mario Filho.
(C) criaram o imaginário do clássico que completa 100 anos neste sábado.
(D) a disputa de futebol entre times de Flamengo e Fluminense é cria do Rio de Janeiro.
(E) O clássico como é hoje ...veio à luz na capital pernambucana.

03. (CISSUL/MG - Técnico Enfermagem - IBGP/2017)


Saúde pública no brasil: dias atuais

Superlotação, ausência de médicos e enfermeiros, falta de estrutura física, pacientes dispersos por
corredores de hospitais e pronto socorro, demora no atendimento, falta de medicamentos e outros
problemas mais, essa é a triste realidade da saúde pública do Brasil nos dias atuais.
O descontentamento de quem utiliza as redes de saúde pública no Brasil tem se tornado cada vez
mais nítido no rosto de cada brasileiro. Basta irmos a qualquer unidade básica de saúde, que logo
perceberemos as dificuldades que as pessoas enfrentam durante uma consulta: são horas na fila de
espera, algumas não resistem e acabam passando mal, outras de tanto esperar, preferem ir embora para
suas casas sem receber o devido atendimento.
Nos dias atuais, o Brasil é considerado, pelo ranking mundial, como a sexta maior economia do mundo.
Mas como pode uma das maiores economias ter seu sistema de saúde pública defasado?
Além das dificuldades e da falta de estrutura, a saúde do nosso país também tem enfrentado um
problema gravíssimo, que envolve o dinheiro dos cofres públicos: os desvios de verbas destinadas à
saúde.
Infelizmente tanto a imprensa quanto os Ministérios Públicos Federal e Estadual têm divulgado
diversos casos de irregularidades e corrupção que envolvem parlamentares em esquemas milionários de
investimentos que deveriam servir para salvar vidas, mas, infelizmente, acabam indo ralo abaixo ou até
mesmo para enriquecer políticos “canalhas” que não estão nem um pouco preocupados com a saúde do
povo.
Na tentativa de amenizar os problemas de saúde pública no Brasil, a presidenta Dilma Roussef, lançou
no dia 8 de julho deste ano, o programa “Mais Médicos”, que tem como objetivo “importar” cerca de 15
mil médicos estrangeiros para reforçar e melhorar o atendimento nas regiões mais carentes de
profissionais de saúde.
Mas vale ressaltar que essa decisão não é fruto apenas do Governo Federal e sim do povo que, nas
últimas manifestações, foi às ruas com suas faixas e cartazes reivindicar seus diretos à saúde, a um
atendimento de qualidade e a melhorias nas redes públicas de saúde do país.
Nos dias atuais, a saúde pública no Brasil está em coma profundo, respirando por aparelhos, entre a
vida e a morte, será que as novas medidas poderão salvá-la? Será que esse caso é reversível?
http://www.portaleducacao.com.br/medicina/artigos/52515/saude-publica-no-brasil-dias-atuais Acesso em: 18/09/2016 - Texto Adaptado.

A função de linguagem predominante no texto é:


(A) Fática.
(B) Referencial.
(C) Metalinguística.
(D) Emotiva

04. (TRT 23ª Região - Analista Judiciário - FCC) A linguagem publicitária procura organizar o texto
de forma que se imponha sobre o receptor da mensagem, persuadindo-o, seduzindo-o. Nas mensagens
em que predomina essa função, busca-se envolver o leitor com o conteúdo transmitido, levando-o a adotar
este ou aquele comportamento.
Adaptado: www.brasilescola.com

Essa função da linguagem é chamada de


(A) metalinguística.
(B) conativa.

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50
(C) referencial.
(D) fática.
(E) poética.

05. (CRM/PR - Advogado - QUADRIX)


CFM amplia lista de itens obrigatórios nos consultórios

O Conselho Federal de Medicina (CFM) anunciou reforço na fiscalização das unidades de saúde do
País. Resolução da entidade publicada ontem lista uma série de procedimentos que deverão ser
observados em todo o País. "Unidades que não seguirem as especificações terão um prazo para atender
às exigências", afirmou o vice-presidente da entidade e relator da resolução, Emmanuel Fortes. As
fiscalizações começam em janeiro e irregularidades não resolvidas renderão relatório para o Ministério
Público e Tribunais de Contas. Médicos que atuarem no serviço em cargos de chefia poderão sofrer
processos éticos.
"A ideia não é suspender o atendimento. É garantir a segurança da população", disse Fortes. De
acordo com ele, as exigências listadas na recomendação trazem itens já definidos pela Agência Nacional
de Vigilância Sanitária. "Acrescentamos itens de instrumentação, que são indispensáveis e não eram
mencionados nas normas já existentes."
As exigências variam de acordo com o grau de complexidade de atendimento médico. Consultórios
simples, por exemplo, são obrigados a ter pia, sabonete, estetoscópio e balança. "Pode parecer óbvio,
mas existem serviços cujos consultórios não apresentam nem cadeira para pacientes e acompanhantes",
diz Fortes.
(www. estadao. com. br)

Qual é a função da linguagem que prevalece no texto?


(A) Referencial.
(B) Fática.
(C) Poética.
(D) Metalinguística.
(E) Conativa

Gabarito

01.ERRADO / 02.A / 03.B / 04.B / 05.A

Comentários

01.Resposta: ERRADO
A questão está errada, uma vez que o texto tem caráter informativo, linguagem denotativa.

02.Resposta: A
A metalinguagem não tem o objetivo de significar por sim, porém, o objetivo de dizer o que o outro
significa. Na alternativa A o autor tomou o código de comunicação para o assunto da mensagem.

03.Resposta: B
A linguagem referencial é denotativa, tem caráter informativo, com o objetivo de informar, anunciar,
neste texto, é claro esta função porque informa a triste realidade da saúde pública do Brasil.

04.Resposta: B
A função conotativa utiliza a linguagem figurada, no texto aborda a linguagem publicitária que é
carregada de imagens, símbolos, e linguagem persuasiva.

05.Resposta: A
O propósito do texto é revelar a fiscalização por parte do CFM em relação aos consultórios, a finalidade
é apenas ser claro sobre o determinado assunto, ou seja, tem um caráter de linguagem referencial.

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Níveis de linguagem

É a capacidade que possuímos de expressar nossos pensamentos, ideias, opiniões e sentimentos. A


linguagem está relacionada a fenômenos comunicativos; onde há comunicação, há linguagem.
Podemos usar inúmeros tipos de linguagens para estabelecermos atos de comunicação, tais como:
sinais, símbolos, sons, gestos e regras com sinais convencionais (linguagem escrita e linguagem mímica,
por exemplo).
Num sentido mais genérico, a linguagem pode ser classificada como qualquer sistema de sinais que
se valem os indivíduos para comunicar-se. Podendo ser dividida em:

Linguagem Verbal (falada): aquela que faz uso das palavras para comunicar algo.

Linguagem Não Verbal (escrita): aquela que utiliza outros métodos de comunicação, que não são
as palavras. Dentre elas estão a linguagem de sinais, as placas e sinais de trânsito, a linguagem corporal,
uma figura, a expressão facial, um gesto, etc.

Língua

É um instrumento de comunicação, sendo composta por regras gramaticais que possibilitam que
determinado grupo de falantes consiga produzir enunciados que lhes permitam comunicar-se e
compreender-se. Como por exemplo, os falantes da língua portuguesa.
A língua também possui um caráter social e pertence a um conjunto de pessoas, as quais podem agir
sobre ela. E cada membro da comunidade pode optar por esta ou aquela forma de expressão, mas por
outro lado, não é possível criar uma língua particular e exigir que outros falantes a compreendam. Dessa
forma, cada indivíduo pode usar de maneira particular a língua comunitária, originando a fala.
A fala está sempre condicionada pelas regras socialmente estabelecidas da língua, mas é
suficientemente ampla para permitir um exercício criativo da comunicação. Deste modo um indivíduo pode
pronunciar um enunciado das seguintes maneiras: A família de Regina era paupérrima; ou A família de
Regina era muito pobre.
As diferenças e semelhanças constatadas devem-se às diversas manifestações da fala de cada um.
Note, além disso, que essas manifestações devem obedecer às regras gerais da língua portuguesa, para
não correr o risco de produzir enunciados incompreensíveis, como por exemplo: Família a paupérrima de
era Regina.

Língua Falada e Língua Escrita

Não devemos confundir língua com escrita, pois são dois meios de comunicação distintos. A escrita
representa um estágio posterior de uma língua. A língua falada é mais espontânea, abrange a
comunicação linguística em toda sua totalidade. Além disso, é acompanhada pelo tom de voz, algumas
vezes por mímicas, incluindo-se fisionomias. A língua escrita não é apenas a representação da língua
falada, mas sim um sistema mais disciplinado e rígido, uma vez que não conta com o jogo fisionômico,
as mímicas e o tom de voz do falante.
No Brasil, por exemplo, todos falam a língua portuguesa, mas existem usos diferentes da língua devido
a diversos fatores. Dentre eles, destacam-se:

Fatores culturais: o grau de escolarização e a formação cultural de um indivíduo também são fatores
que colaboram para os diferentes usos da língua. Uma pessoa escolarizada utiliza a língua de uma
maneira diferente da pessoa que não teve acesso à escola.
Fatores contextuais: nosso modo de falar varia de acordo com a situação em que nos encontramos,
quando conversamos com nossos amigos, não usamos os termos que usaríamos se estivéssemos
discursando em uma solenidade de formatura.
Fatores profissionais: o exercício de algumas atividades requer o domínio de certas formas de língua
chamadas línguas técnicas. Abundantes em termos específicos, essas formas têm uso praticamente
restrito ao intercâmbio técnico de engenheiros, químicos, profissionais da área de direito, informática,
biólogos, médicos, linguistas entre outros especialistas.

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Fatores naturais: o uso da língua pelos falantes sofre influência de fatores naturais, como idade e
sexo. Uma criança não utiliza a língua da mesma maneira que um adulto, daí fala-se em linguagem infantil
e linguagem adulta.

Fala

É a utilização oral da língua pelo indivíduo. É um ato individual, pois cada indivíduo, para a
manifestação da fala, pode escolher os elementos da língua que lhe convém, conforme seu gosto e sua
necessidade, de acordo com a situação, o contexto, sua personalidade, o ambiente sociocultural em que
vive, etc.
Desse modo, dentro da unidade da língua, há uma grande diversificação nos mais variados níveis da
fala. Cada indivíduo, além de conhecer o que fala, conhece também o que os outros falam; é por isso
que somos capazes de dialogar com pessoas dos mais variados graus de cultura, embora nem sempre
a linguagem delas seja exatamente como a nossa.

Níveis da Fala
Devido ao caráter individual da fala, é possível observar alguns níveis:

Nível coloquial-popular: é a fala que a maioria das pessoas utilizam no seu dia a dia, principalmente
em situações informais. Esse nível da fala é mais espontâneo, ao utilizá-lo, não nos preocupamos em
saber se falamos de acordo ou não com as regras formais estabelecidas pela língua.

Nível formal-culto: é o nível da fala normalmente utilizado pelas pessoas em situações formais.
Caracteriza-se por um cuidado maior com o vocabulário e pela obediência às regras gramaticais
estabelecidas pela língua.

Questões

01. (CGE/RO - Auditor de Controle Interno - FUNRIO/2018)

Entrevista de Carlos Heitor Cony

“Hoje, se os Mamonas Assassinas [banda de pop-rock que estourou em 1995, morta em um acidente
de avião 1 ano depois] escreverem um livro sobre a teoria do quanta, não vai faltar editor e não vai faltar
leitor. (...) A indústria do livro era muito elitista naquela época, havia um certo elitismo. O livro era
considerado um objeto, quase um totem, uma coisa sagrada. Acho o fenômeno do Paulo Coelho muito
útil. É um homem que vende milhões de exemplares, faz o editor ganhar dinheiro, e esse editor pode
investir em outras coisas.” (Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura).

O nome de “Mamonas Assassinas” dado à banda de pop-rock mostra um traço de modernidade, que
é:
(A) a preferência pela linguagem coloquial.
(B) a presença da linguagem figurada.
(C) a busca de originalidade criativa.
(D) a utilização de imagens infantis.
(E) a falta de coerência, gerando incomunicabilidade.

02. (TJ/SP - Escrevente Técnico Judiciário - VUNESP/2018) Quem assiste a “Tempo de Amar” já
reparou no português extremamente culto e correto que é falado pelos personagens da novela. Com
frases que parecem retiradas de um romance antigo, mesmo nos momentos mais banais, os personagens
se expressam de maneira correta e erudita.
Ao UOL, o autor da novela, Alcides Nogueira, diz que o linguajar de seus personagens é um ponto que
leva a novela a se destacar. “Não tenho nada contra a linguagem coloquial, ao contrário. Acho que a
língua deve ser viva e usada em sintonia com o nosso tempo. Mas colocar um português bastante culto
torna a narrativa mais coerente com a época da trama. Fora isso, é uma oportunidade de o público
conhecer um pouco mais dessa sintaxe poucas vezes usada atualmente”.
O escritor, que assina o texto da novela das 18h ao lado de Bia Corrêa do Lago, conta que a decisão
de imprimir um português erudito à trama foi tomada por ele e apoiada pelo diretor artístico, Jayme
Monjardim. Ele revela que toma diversos cuidados na hora de escrever o texto, utilizando, inclusive, o

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dicionário. “Muitas vezes é preciso recorrer às gramáticas. No início, o uso do coloquial era tentador. Aos
poucos, a escrita foi ficando mais fácil”, afirma Nogueira, que também diz se inspirar em grandes
escritores da literatura brasileira e portuguesa, como Machado de Assis e Eça de Queiroz.
Para o autor, escutar os personagens falando dessa forma ajuda o público a mergulhar na época da
trama de modo profundo e agradável. Compartilhou-lhe o sentimento Jayme Monjardim, que também
explica que a estética delicada da novela foi pensada para casar com o texto. “É uma novela que se passa
no fim dos anos 1920, então tudo foi pensado para que o público entrasse junto com a gente nesse túnel
do tempo. Acho que isso é importante para que o telespectador consiga se sentir em outra época”, diz.
(Guilherme Machado. UOL. https://tvefamosos.uol.com.br. 15.11.2017. Adaptado)

No texto, há exemplo de uso coloquial da linguagem na passagem:


(A) então tudo foi pensado para que o público entrasse junto com a gente nesse túnel do tempo.
(B) Com frases que parecem retiradas de um romance antigo, [...] os personagens se expressam de
maneira correta e erudita.
(C) Quem assiste a “Tempo de Amar” já reparou no português extremamente culto e correto...
(D) o autor da novela [...] diz que o linguajar de seus personagens é um ponto que leva a novela a se
destacar.
(E) Ele revela que toma diversos cuidados na hora de escrever o texto, utilizando, inclusive, o
dicionário.

Gabarito

01.C / 02.A

Comentários

01. Resposta: C
a) a preferência pela linguagem coloquial. (Um Ex. de como ficaria o nome: Planta que Mata)
b) a presença da linguagem figurada. (Um Ex. de como poderia fica: 1 milhão de mamonas (hipérbole)
Vítima (Antítese - 'ideia oposta")
c) a busca de originalidade criativa. (Realmente esse nome se destaca, chamando atenção, perante
os ouvintes de músicas.
d) a utilização de imagens infantis. (A mamona contém ricina e está entre as plantas mais tóxicas do
mundo. Logo tá mais para a utilização de imagem perigosa)
e) a falta de coerência, gerando incomunicabilidade. (Os conceitos já respondem)
Coerência - ligação, nexo ou harmonia entre dois fatos ou duas ideias; relação harmônica, conexão.
Incomunicabilidade - Característica ou condição de quem ou do que está incomunicável;
inacessibilidade.

02. Resposta: A
a) ... então tudo foi pensado para que o público entrasse junto com a gente (alguém entra com alguém
(conosco) em algum lugar) nesse túnel do tempo. (Somente nessa alternativa existe emprego da
linguagem coloquial, ou seja, a que é usada diariamente sem emprego de formalismos. Precedidos da
preposição com, os pronomes nós e vós formam conosco e convosco.)

Análise de gêneros e estilos de textos. Textos objetivos e subjetivos, textos


informativos, didáticos, argumentativos, apologéticos e elegíacos. A
racionalidade e a emotividade, a pessoalidade e a impessoalidade na criação de
textos

O gênero textual é a forma como a língua é empregada nos textos em suas diversas situações de
comunicação, de acordo com o seu uso temos gêneros textuais diferentes. É importante lembrar que um
texto não precisa ter apenas um gênero textual, porém há apenas um que se sobressai.
Os textos, tanto orais quanto escritos, que têm o objetivo de estabelecer algum tipo de comunicação,
possuem algumas características básicas que fazem com que possamos saber em qual gênero textual o
texto se encaixa.
Algumas dessas características são: o tipo de assunto abordado, quem está falando, para quem está
falando, qual a finalidade do texto, qual o tipo do texto (narrativo, argumentativo, instrucional, etc.).

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Distinguindo

É essencial saber distinguir o que é gênero textual, gênero literário e tipo textual. Cada uma dessas
classificações é referente aos textos, porém é preciso ter atenção, cada uma possui um significado
totalmente diferente da outra. Veja uma breve descrição do que é um gênero literário e um tipo textual:
Gênero Literário - é classificado de acordo com a sua forma, podendo ser do gênero líricos, dramático,
épico, narrativo e etc.
Tipo Textual - este é a forma como o texto se apresenta, podendo ser classificado como narrativo,
argumentativo, dissertativo, descritivo, informativo ou injuntivo. Cada uma dessas classificações varia de
acordo como o texto se apresenta e com a finalidade para o qual foi escrito.

Gêneros textuais pertencentes aos textos narrativos

Romance
É um texto completo, com tempo, espaço e personagens bem definidos e de caráter
mais aceitável. Também conta as façanhas de um herói, mas principalmente uma história de amor vivida
por ele e uma mulher, muitas vezes, “proibida” para ele.
Apesar dos obstáculos que o separam, o casal vive sua paixão proibida, física, adúltera, pecaminosa
e, por isso, costuma ser punido no final. É o tipo de narrativa mais comum na Idade Média. Ex.: Tristão e
Isolda.

Conto
É um texto narrativo breve, e de ficção, geralmente em prosa, que conta situações rotineiras, anedotas
e até folclores. Inicialmente, fazia parte da literatura oral. Boccacio foi o primeiro a reproduzi-lo de forma
escrita com a publicação de Decamerão.
Diversos tipos do gênero textual conto surgiram na tipologia textual narrativa: conto de fadas, que
envolve personagens do mundo da fantasia; contos de aventura, que envolvem personagens em um
contexto mais próximo da realidade; contos folclóricos (conto popular); contos de terror ou assombração,
que se desenrolam em um contexto sombrio e objetivam causar medo no expectador; contos de mistério,
que envolvem o suspense e a solução de um mistério.

Fábula
É um texto de caráter fantástico que busca ser inverossímil. As personagens principais são não
humanos e a finalidade é transmitir alguma lição de moral.

Novela
É um texto caracterizado por ser intermediário entre a longevidade do romance e a brevidade do conto.
Como exemplos de novelas, podem ser citadas as obras O Alienista, de Machado de Assis, e A
Metamorfose, de Kafka.

Crônica
É uma narrativa informal, breve, ligada à vida cotidiana, com linguagem coloquial. Pode ter um tom
humorístico ou um toque de crítica indireta, especialmente, quando aparece em seção ou artigo de jornal,
revistas e programas da TV.

Gêneros textuais pertencentes aos textos descritivos

Diário
É escrito em linguagem informal, sempre consta a data e não há um destinatário específico,
geralmente, é para a própria pessoa que está escrevendo, é um relato dos acontecimentos do dia. O
objetivo desse tipo de texto é guardar as lembranças e em alguns momentos desabafar. Veja um exemplo:

“Domingo, 14 de junho de 1942


Vou começar a partir do momento em que ganhei você, quando o vi na mesa, no meio dos meus outros
presentes de aniversário. (Eu estava junto quando você foi comprado, e com isso eu não contava.)

Na sexta-feira, 12 de junho, acordei às seis horas, o que não é de espantar; afinal, era meu aniversário.
Mas não me deixam levantar a essa hora; por isso, tive de controlar minha curiosidade até quinze para

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as sete. Quando não dava mais para esperar, fui até a sala de jantar, onde Moortje (a gata) me deu as
boas-vindas, esfregando-se em minhas pernas.”
Trecho retirado do livro “Diário de Anne Frank”.

Outros exemplos de gêneros textuais pertencentes aos textos descritivos são: relatos de viagens;
folhetos turísticos; cardápios de restaurantes; classificados; etc.

Gêneros textuais pertencentes aos textos expositivos

Resumos e Resenhas
O autor faz uma descrição breve sobre a obra (pode ser cinematográfica, musical, teatral ou literária)
a fim de divulgar este trabalho de forma resumida.
Na verdade resumo e/ou resenha é uma análise sobre a obra, com uma linguagem mais ou menos
formal, geralmente os resenhistas são pessoas da área devido o vocabulário específico, são estudiosos
do assunto, e podem influenciar a venda do produto devido a suas críticas ou elogios.

Outros exemplos de gêneros textuais pertencentes aos textos expositivos são: jornais; enciclopédias;
resumos escolares; verbetes de dicionário; etc.

Gêneros textuais pertencentes aos textos argumentativos

Artigo de Opinião
É comum20 encontrar circulando no rádio, na TV, nas revistas, nos jornais, temas polêmicos que
exigem uma posição por parte dos ouvintes, espectadores e leitores, por isso, o autor geralmente
apresenta seu ponto de vista sobre o tema em questão através do artigo de opinião.
Nos gêneros argumentativos, o autor geralmente tem a intenção de convencer seus interlocutores e,
para isso, precisa apresentar bons argumentos, que consistem em verdades e opiniões.
O artigo de opinião é fundamentado em impressões pessoais do autor do texto e, por isso, são fáceis
de contestar.

Discurso Político
O discurso político21 é um texto argumentativo, fortemente persuasivo, em nome do bem comum,
alicerçado por pontos de vista do emissor ou de enunciadores que representa, e por informações
compartilhadas que traduzem valores sociais, políticos, religiosos e outros. Frequentemente, apresenta-
se como uma fala coletiva que procura sobrepor-se em nome de interesses da comunidade e constituir
norma de futuro. Está inserido numa dinâmica social que constantemente o altera e ajusta a novas
circunstâncias. Em períodos eleitorais, a sua maleabilidade permite sempre uma resposta que oscila entre
a satisfação individual e os grandes objetivos sociais da resolução das necessidades elementares dos
outros.
Hannah Arendt (em The Human Condition) afirma que o discurso político tem por finalidade a
persuasão do outro, quer para que a sua opinião se imponha, quer para que os outros o admirem. Para
isso, necessita da argumentação, que envolve o raciocínio, e da eloquência da oratória, que procura
seduzir recorrendo a afetos e sentimentos.
O discurso político é, provavelmente, tão antigo quanto a vida do ser humano em sociedade. Na Grécia
antiga, o político era o cidadão da "pólis" (cidade, vida em sociedade), que, responsável pelos negócios
públicos, decidia tudo em diálogo na "agora" (praça onde se realizavam as assembleias dos cidadãos),
mediante palavras persuasivas. Daí o aparecimento do discurso político, baseado na retórica e na
oratória, orientado para convencer o povo.
O discurso político implica um espaço de visibilidade para o cidadão, que procura impor as suas ideias,
os seus valores e projetos, recorrendo à força persuasiva da palavra, instaurando um processo de
sedução, através de recursos estéticos como certas construções, metáforas, imagens e jogos linguísticos.
Valendo-se da persuasão e da eloquência, fundamenta-se em decisões sobre o futuro, prometendo o que
pode ser feito.

Outros exemplos de gêneros textuais pertencentes aos textos argumentativos são: abaixo-assinados;
manifestos; sermões; etc.

20
http://www.odiarioonline.com.br/noticia/43077/VENDEDOR-BRASILEIRO-ESTA-MENOS-SIMPATICO
21
https://www.infopedia.pt/$discurso-politico

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Gêneros textuais pertencentes aos textos injuntivos

Exemplos de gêneros textuais pertencentes aos textos injuntivos são: receitas culinárias; manuais de
instruções; bula de remédio; etc.

Gêneros textuais pertencentes aos textos prescritivos

Exemplos de gêneros textuais pertencentes aos textos prescritivos são: leis; cláusulas contratuais;
edital de concursos públicos; etc.

Outros Exemplos

Carta
Esta, dependendo do destinatário pode ser informal, quando é destinada a algum amigo ou pessoa
com quem se tem intimidade. E formal quando destinada a alguém mais culto ou que não se tenha
intimidade.
Dependendo do objetivo da carta a mesma terá diferentes estilos de escrita, podendo ser dissertativa,
narrativa ou descritiva. As cartas se iniciam com a data, em seguida vem a saudação, o corpo da carta e
para finalizar a despedida.

Propaganda
Este gênero geralmente aparece na forma oral, diferente da maioria dos outros gêneros. Suas
principais características são a linguagem argumentativa e expositiva, pois a intenção da propaganda é
fazer com que o destinatário se interesse pelo produto da propaganda. O texto pode conter algum tipo de
descrição e sempre é claro e objetivo.

Notícia
Este é um dos tipos de texto que é mais fácil de identificar. Sua linguagem é narrativa e descritiva e o
objetivo desse texto é informar algo que aconteceu.
A notícia é um dos principais tipos de textos jornalísticos existentes e tem como intenção nos informar
acerca de determinada ocorrência. Bastante recorrente nos meios de comunicação em geral, seja na
televisão, em sites pela internet ou impresso em jornais ou revistas.
Caracteriza-se por apresentar uma linguagem simples, clara, objetiva e precisa, pautando-se no relato
de fatos que interessam ao público em geral. A linguagem é clara, precisa e objetiva, uma vez que se
trata de uma informação.

Editorial
O editorial é um tipo de texto jornalístico que geralmente aparece no início das colunas. Diferente dos
outros textos que compõem um jornal, de caráter informativo, os editoriais são textos opinativos.
Embora sejam textos de caráter subjetivo, podem apresentar certa objetividade. Isso porque são os
editoriais que apresentam os assuntos que serão abordados em cada seção do jornal, ou seja, Política,
Economia, Cultura, Esporte, Turismo, País, Cidade, Classificados, entre outros.
Os textos são organizados pelos editorialistas, que expressam as opiniões da equipe e, por isso, não
recebem a assinatura do autor. No geral, eles apresentam a opinião do meio de comunicação (revista,
jornal, rádio, etc.).
Tanto nos jornais como nas revistas podemos encontrar os editoriais intitulados como “Carta ao Leitor”
ou “Carta do Editor”.
Em relação ao discurso apresentado, esse costuma se apoiar em fatos polêmicos ligados ao cotidiano
social. E quando falamos em discurso, logo nos atemos à questão da linguagem que, mesmo em se
tratando de impressões pessoais, o predomínio do padrão formal, fazendo com que prevaleça o emprego
da 3ª pessoa do singular, ocupa lugar de destaque.

Reportagem
Reportagem é um texto jornalístico amplamente divulgado nos meios de comunicação de massa. A
reportagem informa, de modo mais aprofundado, fatos de interesse público. Ela situa-se no
questionamento de causa e efeito, na interpretação e no impacto, somando as diferentes versões de um
mesmo acontecimento.
A reportagem não possui uma estrutura rígida, mas geralmente costuma estabelecer conexões com o
fato central, anunciado no que chamamos de lead. A partir daí, desenvolve-se a narrativa do fato principal,

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ampliada e composta por meio de citações, trechos de entrevistas, depoimentos, dados estatísticos,
pequenos resumos, dentre outros recursos. É sempre iniciada por um título, como todo texto jornalístico.
O objetivo de uma reportagem é apresentar ao leitor várias versões para um mesmo fato, informando-
o, orientando-o e contribuindo para formar sua opinião.
A linguagem utilizada nesse tipo de texto é objetiva, dinâmica e clara, ajustada ao padrão linguístico
divulgado nos meios de comunicação de massa, que se caracteriza como uma linguagem acessível a
todos os públicos, mas pode variar de formal para mais informal dependendo do público a que se destina.
Embora seja impessoal, às vezes é possível perceber a opinião do repórter sobre os fatos ou sua
interpretação.22

Gêneros Textuais e Gêneros Literários

Conforme o próprio nome indica, os gêneros textuais se referem a qualquer tipo de texto, enquanto os
gêneros literários se referem apenas aos textos literários.
Os gêneros literários são divisões feitas segundo características formais comuns em obras literárias,
agrupando-as conforme critérios estruturais, contextuais e semânticos, entre outros.
- Gênero lírico;
- Gênero épico ou narrativo;
- Gênero dramático.

Gênero Lírico
É certo tipo de texto no qual um eu lírico (a voz que fala no poema e que nem sempre corresponde à
do autor) exprime suas emoções, ideias e impressões em face do mundo exterior. Normalmente os
pronomes e os verbos estão em 1ª pessoa e há o predomínio da função emotiva da linguagem.

Elegia
Um texto de exaltação à morte de alguém, sendo que a morte é elevada como o ponto máximo do
texto. O emissor expressa tristeza, saudade, ciúme, decepção, desejo de morte. É um poema
melancólico. Um bom exemplo é a peça Roan e Yufa, de William Shakespeare.

Epitalâmia
Um texto relativo às noites nupciais líricas, ou seja, noites românticas com poemas e cantigas. Um
bom exemplo de epitalâmia é a peça Romeu e Julieta nas noites nupciais.

Ode (ou hino)


É o poema lírico em que o emissor faz uma homenagem à pátria (e aos seus símbolos), às divindades,
à mulher amada, ou a alguém ou algo importante para ele. O hino é uma ode com acompanhamento
musical.

Idílio (ou écloga)


Poema lírico em que o emissor expressa uma homenagem à natureza, às belezas e às riquezas que
ela dá ao homem. É o poema bucólico, ou seja, que expressa o desejo de desfrutar de tais belezas e
riquezas ao lado da amada (pastora), que enriquece ainda mais a paisagem, espaço ideal para a paixão.
A écloga é um idílio com diálogos (muito rara).

Sátira
É o poema lírico em que o emissor faz uma crítica a alguém ou a algo, em tom sério ou irônico. Tem
um forte sarcasmo, pode abordar críticas sociais, a costumes de determinada época, assuntos políticos,
ou pessoas de relevância social.

Acalanto
Canção de ninar.

Acróstico
Composição lírica na qual as letras iniciais de cada verso formam uma palavra ou frase. Ex.:

22
CEREJA, William Roberto & MAGALHÃES, Thereza Cochar. Texto e interação. São Paulo, Atual Editora, 2000

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58
Amigos são
Muitas vezes os
Irmãos que escolhemos.
Zelosos, eles nos
Ajudam e
Dedicam-se por nós, para que nossa relação seja verdadeira e
Eterna
https://www.todamateria.com.br/acrostico/

Balada
Uma das mais primitivas manifestações poéticas, são cantigas de amigo (elegias) com ritmo
característico e refrão vocal que se destinam à dança.

Canção (ou Cantiga, Trova)


Poema oral com acompanhamento musical.

Gazal (ou Gazel)


Poesia amorosa dos persas e árabes; odes do oriente médio.

Soneto
É um texto em poesia com 14 versos, dividido em dois quartetos e dois tercetos.

Vilancete
São as cantigas de autoria dos poetas vilões (cantigas de escárnio e de maldizer); satíricas, portanto.

Gênero Épico ou Narrativo


Na Antiguidade Clássica, os padrões literários reconhecidos eram apenas o épico, o lírico e o
dramático. Com o passar dos anos, o gênero épico passou a ser considerado apenas uma variante do
gênero literário narrativo, devido ao surgimento de concepções de prosa com características diferentes:
o romance, a novela, o conto, a crônica, a fábula.

Épico (ou Epopeia)


Os textos épicos são geralmente longos e narram histórias de um povo ou de uma nação, envolvem
aventuras, guerras, viagens, gestos heroicos, etc. Normalmente apresentam um tom de exaltação, isto é,
de valorização de seus heróis e seus feitos. Dois exemplos são Os Lusíadas, de Luís de Camões,
e Odisseia, de Homero.

Ensaio
É um texto literário breve, situado entre o poético e o didático, expondo ideias, críticas e reflexões
morais e filosóficas a respeito de certo tema. É menos formal e mais flexível que o tratado.
Consiste também na defesa de um ponto de vista pessoal e subjetivo sobre um tema (humanístico,
filosófico, político, social, cultural, moral, comportamental, etc.), sem que se paute em formalidades como
documentos ou provas empíricas ou dedutivas de caráter científico. Exemplo: Ensaio sobre a tolerância,
de John Locke.

Gênero Dramático
Trata-se do texto escrito para ser encenado no teatro. Nesse tipo de texto, não há um narrador
contando a história. Ela “acontece” no palco, ou seja, é representada por atores, que assumem os papéis
das personagens nas cenas.

Tragédia
É a representação de um fato trágico, suscetível de provocar compaixão e terror. Aristóteles afirmava
que a tragédia era "uma representação duma ação grave, de alguma extensão e completa, em linguagem
figurada, com atores agindo, não narrando, inspirando dó e terror". Ex.: Romeu e Julieta, de Shakespeare.

Farsa
A farsa consiste no exagero do cômico, graças ao emprego de processos como o absurdo, as
incongruências, os equívocos, a caricatura, o humor primário, as situações ridículas e, em especial, o
engano.

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Comédia
É a representação de um fato inspirado na vida e no sentimento comum, de riso fácil. Sua origem grega
está ligada às festas populares.

Tragicomédia
Modalidade em que se misturam elementos trágicos e cômicos. Originalmente, significava a mistura
do real com o imaginário.

Poesia de cordel
Texto tipicamente brasileiro em que se retrata, com forte apelo linguístico e cultural nordestinos, fatos
diversos da sociedade e da realidade vivida por este povo.

Questões

01. (TRT 1ª Região - Técnico Judiciário - INST.AOCP/2018)


A indústria do espírito
JORDI SOLER

O filósofo Daniel Dennett propõe uma fórmula para alcançar a felicidade: “Procure algo mais importante
que você e dedique sua vida a isso”.
Essa fórmula vai na contracorrente do que propõe a indústria do espírito no século XXI, que nos diz
que não há felicidade maior do que essa que sai de dentro de si mesmo, o que pode ser verdade no caso
de um monge tibetano, mas não para quem é o objeto da indústria do espírito, o atribulado cidadão comum
do Ocidente que costuma encontrar a felicidade do lado de fora, em outra pessoa, no seu entorno familiar
e social, em seu trabalho, em um passatempo, etc. [...]
A indústria do espírito, uma das operações mercantis mais bem-sucedidas de nosso tempo, cresceu
exponencialmente nos últimos anos, é só ver a quantidade de instrutores e pupilos de mindfulness e de
ioga que existem ao nosso redor. Mindfulness e ioga em sua versão pop para o Ocidente, não
precisamente as antigas disciplinas praticadas pelos mestres orientais, mas um produto prático e de
rápida aprendizagem que conserva sua estética, seu merchandising e suas toxinas culturais. [...]
Frente ao argumento de que a humanidade, finalmente, tomou consciência de sua vida interior, por
que demoramos tanto em alcançar esse degrau evolutivo ?, proporia que, mais exatamente, a burguesia
ocidental é o objetivo de uma grande operação mercantil que tem mais a ver com a economia do que com
o espírito, a saúde e a felicidade da espécie humana. [...]
A indústria do espírito é um produto das sociedades industrializadas em que as pessoas já têm muito
bem resolvidas as necessidades básicas, da moradia à comida até o Netflix e o Spotify. Uma vez instalada
no angustiante vazio produzido pelas necessidades resolvidas, a pessoa se movimenta para participar de
um grupo que lhe procure outra necessidade.
Esse crescente coletivo de pessoas que cavam em si mesmas buscando a felicidade já conseguiu
instalar um novo narcisismo, um egocentrismo new age, um egoísmo raivosamente autorreferencial que,
pelo caminho, veio alterar o famoso equilíbrio latino de mens sana in corpore sano, desviando-o
descaradamente para o corpo. [...]
Esse inovador egocentrismo new age encaixa divinamente nessa compulsão contemporânea de
cultivar o físico, não importa a idade, de se antepor o corpore à mens. Ao longo da história da humanidade
o objetivo havia sido tornar-se mais inteligente à medida que se envelhecia; os idosos eram sábios, esse
era seu valor, mas agora vemos sua claudicação: os idosos já não querem ser sábios, preferem estar
robustos e musculosos, e deixam a sabedoria nas mãos do primeiro iluminado que se preste a dar cursos.
[...]
Parece que o requisito para se salvar no século XXI é inscrever-se em um curso, pagar a alguém que
nos diga o que fazer com nós mesmos e os passos que se deve seguir para viver cada instante com plena
consciência. Seria saudável não perder de vista que o objetivo principal dessas sessões pagas não é
tanto salvar a si mesmo, mas manter estável a economia do espírito que, sem seus milhões de
subscritores, regressaria ao nível que tinha no século XX, aquela época dourada do hedonismo suicida,
em que o mindfulness era patrimônio dos monges, a ioga era praticada por quatro gatos pingados e o
espírito era cultivado lendo livros em gratificante solidão.
(Adaptado de: <https://brasil.elpais.com/brasil/2017/09/26/opinion/1506452714_976157.html>. Acesso em 27 mar. 2018)

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Sobre tipologia e gêneros textuais, assinale a alternativa correta.
(A) O texto “A indústria do espírito” apresenta, majoritariamente, a tipologia narrativa, a qual
tipicamente emprega verbos no pretérito, como é possível notar neste excerto: “A indústria do espírito,
uma das operações mercantis mais bem-sucedidas de nosso tempo, cresceu exponencialmente nos
últimos anos [...]”.
(B) Não há um número definido de tipologias textuais, uma vez que elas surgem e desaparecem
conforme as necessidades sociodiscursivas de determinada comunidade.
(C) O segundo parágrafo do texto “A indústria do espírito” é composto por períodos simples, típicos da
tipologia injuntiva.
(D) A maneira com que o texto “A indústria do espírito” se inicia, utilizando uma citação, é comum no
gênero textual carta aberta.
(E) O texto “A indústria do espírito” é um exemplar do gênero textual artigo de opinião.

02. (IF/SC - Professor de Língua Portuguesa - 2017) De acordo com Bakhtin, os usos da língua são
tão variados quanto as possibilidades de interação humana. Assim, enunciados específicos para
determinadas situações sociais, constituídos historicamente, configuram aquilo que esse autor chama
de______.
Assinale a alternativa que preenche CORRETAMENTE a lacuna do texto acima.
(A) Textos
(B) Tipos textuais
(C) Gêneros
(D) Discursos
(E) Contextos

03. (Pref. Teresina/PI - Professor de Língua Portuguesa - NUCEPE/2016) Ainda sobre gênero, é
correto afirmar que uma característica predominante nos gêneros textuais é a:
(A) forma linguística.
(B) clareza das ideias.
(C) função sociocomunicativa.
(D) assunto temático.
(E) correção gramatical.

04. (SEE/PE - Professor - FGV/2016) Os diversos gêneros textuais destacam uma qualificação
predominante para cada enunciador; em um texto informativo, por exemplo, o enunciador tem como
marca específica
(A) o interesse de convencimento.
(B) o domínio de um conhecimento.
(C) a necessidade de expressão de uma emoção.
(D) a condição de prever conhecimentos futuros.
(E) o objetivo de ensinar procedimentos.

05. (MPE/GO - Secretário Auxiliar - 2018)

A Outra Noite

Outro dia fui a São Paulo e resolvi voltar à noite, uma noite de vento sul e chuva, tanto lá como aqui.
Quando vinha para casa de táxi, encontrei um amigo e o trouxe até Copacabana; e contei a ele que lá
em cima, além das nuvens, estava um luar lindo, de Lua cheia; e que as nuvens feias que cobriam a
cidade eram, vistas de cima, enluaradas, colchões de sonho, alvas, uma paisagem irreal.
Depois que o meu amigo desceu do carro, o chofer aproveitou um sinal fechado para voltar-se para
mim:
– O senhor vai desculpar, eu estava aqui a ouvir sua conversa. Mas, tem mesmo luar lá em cima?
Confirmei: sim, acima da nossa noite preta e enlamaçada e torpe havia uma outra - pura, perfeita e
linda.
– Mas, que coisa...
Ele chegou a pôr a cabeça fora do carro para olhar o céu fechado de chuva. Depois continuou guiando
mais lentamente. Não sei se sonhava em ser aviador ou pensava em outra coisa.
– Ora, sim senhor...

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E, quando saltei e paguei a corrida, ele me disse um "boa noite" e um "muito obrigado ao senhor" tão
sinceros, tão veementes, como se eu lhe tivesse feito um presente de rei.
(Rubem Braga, Ai, Copacabana, disponível em http://biscoitocafeenovela.blogspot.com.br/2014/09/sessao-leitura-outra-noite-rubembraga.html.
Acesso em 14/01/2018)

Quanto ao gênero, o texto sob análise apresenta características de:


(A) Uma crônica.
(B) Uma fábula.
(C) Um artigo.
(D) Um ensaio.
(E) Nenhuma das alternativas.

Gabarito

01.E / 02.C / 03.C / 04.B / 05.A

Comentários

01. Resposta: E
Artigo de opinião é um texto onde o autor apresenta uma opinião ou ponto de vista, neste texto, o autor
começa propondo ou afirmando uma fórmula mágica para encontrar a felicidade. A frase inicial “Dennett
propõe uma fórmula para alcançar a felicidade: Procure algo mais importante que você e dedique sua
vida a isso”, deixa claro uma opinião ou afirmação onde as pessoas podem encontrar a felicidade.

2. Resposta: C
De acordo com Bakhtin, os usos da língua tão variados dá-se o nome de gêneros.

3. Resposta: C
Todos os gêneros textuais têm a característica sociocomunicativa, por mais que divergem quanto ao
conteúdo e forma, todos têm a finalidade da comunicação. Ou seja, a função sociocomunicativa.

04. Resposta: B
A característica principal de um texto informativo é a informação clara e objetiva, e determinado
domínio e conhecimento do assunto falado, uma vez que tem a necessidade de transmitir algo preciso,
claro e correto.

05. Resposta: A
A crônica é um tipo de texto em que o autor desenvolve suas ideias baseando-se em fatos ocorridos
no dia a dia, ou sobre qualquer outro assunto considerado comum em nosso meio, ligados à política, ao
mundo artístico, esporte e à sociedade de uma forma geral.

TIPOLOGIA TEXTUAL

Para escrever um texto, necessitamos de técnicas que implicam no domínio de capacidades


linguísticas. Temos dois momentos: o de formular pensamentos (o que se quer dizer) e o de expressá-
los por escrito (o escrever propriamente dito).
Fazer um texto, seja ele de que tipo for, não significa apenas escrever de forma correta, mas sim,
organizar ideias sobre determinado assunto.
Existe uma variedade enorme de entendimentos sobre a forma correta de definir os tipos de texto.
Embora haja uma discordância entre várias fontes sobre a quantidade exata de tipos textuais, vamos
trabalhar aqui com 5 tipos essenciais:
- Texto Descritivo;
- Texto Narrativo;
- Texto Dissertativo;
- Texto Injuntivo;
- Texto Expositivo.

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Texto Descritivo

É a representação com palavras de um objeto, lugar, situação ou coisa, onde procuramos mostrar os
traços mais particulares ou individuais do que se descreve. É qualquer elemento que seja apreendido
pelos sentidos e transformado, com palavras, em imagens.
Sempre que se expõe com detalhes um objeto, uma pessoa ou uma paisagem a alguém, está fazendo
uso da descrição. Não é necessário que seja perfeita, uma vez que o ponto de vista do observador varia
de acordo com seu grau de percepção. Dessa forma, o que será importante ser analisado para um, não
será para outro.
A vivência de quem descreve também influencia na hora de transmitir a impressão alcançada sobre
determinado objeto, pessoa, animal, cena, ambiente, emoção vivida ou sentimento.

Exemplo:
Chamava-se Raimundo este pequeno, e era mole, aplicado, inteligência tarda. Raimundo gastava duas
horas em reter aquilo que a outros levava apenas trinta ou cinquenta minutos; vencia com o tempo o que
não podia fazer logo com o cérebro. Reunia a isso grande medo ao pai. Era uma criança fina, pálida, cara
doente; raramente estava alegre. Entrava na escola depois do pai e retirava-se antes. O mestre era mais
severo com ele do que conosco.
(Machado de Assis. "Conto de escola". Contos. 3ed. São Paulo, Ática, 1974)

Esse texto traça o perfil de Raimundo, o filho do professor da escola que o escritor frequentava.
Deve-se notar:
- que todas as frases expõem ocorrências simultâneas (ao mesmo tempo que gastava duas horas para
reter aquilo que os outros levavam trinta ou cinquenta minutos, Raimundo tinha grande medo ao pai);
- por isso, não existe uma ocorrência que possa ser considerada cronologicamente anterior a outra do
ponto de vista do relato (no nível dos acontecimentos, entrar na escola é cronologicamente anterior a
retirar-se dela; no nível do relato, porém, a ordem dessas duas ocorrências é indiferente: o que o escritor
quer é explicitar uma característica do menino, e não traçar a cronologia de suas ações);
- ainda que se fale de ações (como entrava, retirava-se), todas elas estão no pretérito imperfeito, que
indica concomitância em relação a um marco temporal instalado no texto (no caso, o ano de 1840, em
que o escritor frequentava a escola da Rua da Costa) e, portanto, não denota nenhuma transformação de
estado;
- se invertêssemos a sequência dos enunciados, não correríamos o risco de alterar nenhuma relação
cronológica - poderíamos mesmo colocar o últímo período em primeiro lugar e ler o texto do fim para o
começo: O mestre era mais severo com ele do que conosco. Entrava na escola depois do pai e retirava-
se antes...

Características
- Ao fazer a descrição enumeramos características, comparações e inúmeros elementos sensoriais;
- As personagens podem ser caracterizadas física e psicologicamente, ou pelas ações;
- A descrição pode ser considerada um dos elementos constitutivos da dissertação e da argumentação;
- É impossível separar narração de descrição;
- O que se espera não é tanto a riqueza de detalhes, mas sim a capacidade de observação que deve
revelar aquele que a realiza;
- Utilizam, preferencialmente, verbos de ligação. Exemplo: “(...) Ângela tinha cerca de vinte anos;
parecia mais velha pelo desenvolvimento das proporções. Grande, carnuda, sanguínea e fogosa, era um
desses exemplares excessivos do sexo que parecem conformados expressamente para esposas da
multidão (...)” (Raul Pompéia – O Ateneu);
- Como na descrição o que se reproduz é simultâneo, não existe relação de anterioridade e
posterioridade entre seus enunciados;
- Devem-se evitar os verbos e, se isso não for possível, que se usem então as formas nominais, o
presente e o pretério imperfeito do indicativo, dando-se sempre preferência aos verbos que indiquem
estado ou fenômeno.
- Todavia deve predominar o emprego das comparações, dos adjetivos e dos advérbios, que conferem
colorido ao texto.
A característica fundamental de um texto descritivo é essa inexistência de progressão temporal.
Pode-se apresentar, numa descrição, até mesmo ação ou movimento, desde que eles sejam sempre
simultâneos, não indicando progressão de uma situação anterior para outra posterior.

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Tanto é que uma das marcas linguísticas da descrição é o predomínio de verbos no presente ou no
pretérito imperfeito do indicativo: o primeiro expressa concomitância em relação ao momento da fala; o
segundo, em relação a um marco temporal pretérito instalado no texto.
Para transformar uma descrição numa narração, bastaria introduzir um enunciado que indicasse a
passagem de um estado anterior para um posterior. No caso do texto inicial, para transformá-lo em
narração, bastaria dizer: Reunia a isso grande medo do pai. Mais tarde, Iibertou-se desse medo...

Características Linguísticas
O enunciado narrativo, por ter a representação de um acontecimento, fazer-transformador, é marcado
pela temporalidade, na relação situação inicial e situação final, enquanto que o enunciado descritivo, não
tendo transformação, é atemporal.
Na dimensão linguística, destacam-se marcas sintático-semânticas encontradas no texto que vão
facilitar a compreensão:
- Predominância de verbos de estado, situação ou indicadores de propriedades, atitudes, qualidades,
usados principalmente no presente e no pretérito imperfeito do indicativo (ser, estar, haver, situar-se,
existir, ficar).
- Ênfase na adjetivação para melhor caracterizar o que é descrito. Exemplo:

"Era alto, magro, vestido todo de preto, com o pescoço entalado num colarinho direito. O rosto aguçado
no queixo ia-se alargando até à calva, vasta e polida, um pouco amolgado no alto; tingia os cabelos que
de uma orelha à outra lhe faziam colar por trás da nuca - e aquele preto lustroso dava, pelo contraste,
mais brilho à calva; mas não tingia o bigode; tinha-o grisalho, farto, caído aos cantos da boca. Era muito
pálido; nunca tirava as lunetas escuras. Tinha uma covinha no queixo, e as orelhas grandes muito
despegadas do crânio."
(Eça de Queiroz - O Primo Basílio)

- Emprego de figuras (metáforas, metonímias, comparações, sinestesias). Exemplo:

"Era o Sr. Lemos um velho de pequena estatura, não muito gordo, mas rolho e bojudo como um vaso
chinês. Apesar de seu corpo rechonchudo, tinha certa vivacidade buliçosa e saltitante que lhe dava
petulância de rapaz e casava perfeitamente com os olhinhos de azougue."
(José de Alencar - Senhora)

- Uso de advérbios de localização espacial. Exemplo:

"Até os onze anos, eu morei numa casa, uma casa velha, e essa casa era assim: na frente, uma grade
de ferro; depois você entrava tinha um jardinzinho; no final tinha uma escadinha que devia ter uns cinco
degraus; aí você entrava na sala da frente; dali tinha um corredor comprido de onde saíam três portas;
no final do corredor tinha a cozinha, depois tinha uma escadinha que ia dar no quintal e atrás ainda tinha
um galpão, que era o lugar da bagunça..."
(Entrevista gravada para o Projeto NURC/RJ)

Recursos:
- Usar impressões cromáticas (cores) e sensações térmicas. Ex.: O dia transcorria amarelo, frio,
ausente do calor alegre do sol.
- Usar o vigor e relevo de palavras fortes, próprias, exatas, concretas. Ex.: As criaturas humanas
transpareciam um céu sereno, uma pureza de cristal.
- As sensações de movimento e cor embelezam o poder da natureza e a figura do homem. Ex.: Era
um verde transparente que deslumbrava e enlouquecia qualquer um.
- A frase curta e penetrante dá um sentido de rapidez do texto. Ex.: Vida simples. Roupa simples. Tudo
simples. O pessoal, muito crente.

A descrição pode ser apresentada sob duas formas:

Descrição Objetiva: quando o objeto, o ser, a cena, a passagem é apresentada como realmente é,
concretamente. Ex.: "Sua altura é 1,85m. Seu peso, 70 kg. Aparência atlética, ombros largos, pele
bronzeada. Moreno, olhos negros, cabelos negros e lisos".
Não se dá qualquer tipo de opinião ou julgamento. Ex.: “A casa velha era enorme, toda em largura,
com porta central que se alcançava por três degraus de pedra e quatro janelas de guilhotina para cada
lado. Era feita de pau-a-pique barreado, dentro de uma estrutura de cantos e apoios de madeira-de-lei.

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Telhado de quatro águas. Pintada de roxo-claro. Devia ser mais velha que Juiz de Fora, provavelmente
sede de alguma fazenda que tivesse ficado, capricho da sorte, na linha de passagem da variante do
Caminho Novo que veio a ser a Rua Principal, depois a Rua Direita – sobre a qual ela se punha um pouco
de esguelha e fugindo ligeiramente do alinhamento (...).” (Pedro Nava – Baú de Ossos)

Descrição Subjetiva: quando há maior participação da emoção, ou seja, quando o objeto, o ser, a
cena, a paisagem é transfigurada pela emoção de quem escreve, podendo opinar ou expressar seus
sentimentos. Ex.: "Nas ocasiões de aparato é que se podia tomar pulso ao homem. Não só as
condecorações gritavam-lhe no peito como uma couraça de grilos. Ateneu! Ateneu! Aristarco todo era um
anúncio; os gestos, calmos, soberanos, calmos, eram de um rei..." ("O Ateneu", Raul Pompéia)

Os efeitos de sentido criados pela disposição dos elementos descritivos:

Do ponto de vista da progressão temporal, a ordem dos enunciados na descrição é indiferente, uma
vez que eles indicam propriedades ou características que ocorrem simultaneamente. No entanto, ela não
é indiferente do ponto de vista dos efeitos de sentido: descrever de cima para baixo ou vice-versa, do
detalhe para o todo ou do todo para o detalhe cria efeitos de sentido distintos.
Observe os dois quartetos do soneto “Retrato Próprio", de Bocage:

Magro, de olhos azuis, carão moreno,


bem servido de pés, meão de altura,
triste de facha, o mesmo de figura,
nariz alto no meio, e não pequeno.

Incapaz de assistir num só terreno,


mais propenso ao furor do que à ternura;
bebendo em níveas mãos por taça escura
de zelos infernais letal veneno.
Obras de Bocage. Porto, Lello & Irmão,1968.

O poeta descreve-se das características físicas para as características morais. Se fizesse o inverso, o
sentido não seria o mesmo, pois as características físicas perderiam qualquer relevo.
O objetivo de um texto descritivo é levar o leitor a visualizar uma cena. É como traçar com palavras o
retrato de um objeto, lugar, pessoa etc., apontando suas características exteriores, facilmente
identificáveis (descrição objetiva), ou suas características psicológicas e até emocionais (descrição
subjetiva).
Uma descrição deve privilegiar o uso frequente de adjetivos, também denominado adjetivação. Para
facilitar o aprendizado desta técnica, sugere-se que o concursando, após escrever seu texto, sublinhe
todos os substantivos, acrescentando antes ou depois deste um adjetivo ou uma locução adjetiva.

Descrição de objetos constituídos de uma só parte:


- Introdução: observações de caráter geral referentes à procedência ou localização do objeto descrito.
- Desenvolvimento: detalhes (lª parte) - formato (comparação com figuras geométricas e com objetos
semelhantes); dimensões (largura, comprimento, altura, diâmetro etc.)
- Desenvolvimento: detalhes (2ª parte) - material, peso, cor/brilho, textura.
- Conclusão: observações de caráter geral referentes a sua utilidade ou qualquer outro comentário
que envolva o objeto como um todo.

Descrição de objetos constituídos por várias partes:


- Introdução: observações de caráter geral referentes à procedência ou localização do objeto descrito.
- Desenvolvimento: enumeração e rápidos comentários das partes que compõem o objeto,
associados à explicação de como as partes se agrupam para formar o todo.
- Desenvolvimento: detalhes do objeto visto como um todo (externamente) - formato, dimensões,
material, peso, textura, cor e brilho.
- Conclusão: observações de caráter geral referentes a sua utilidade ou qualquer outro comentário
que envolva o objeto em sua totalidade.
Descrição de ambientes:
- Introdução: comentário de caráter geral.

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- Desenvolvimento: detalhes referentes à estrutura global do ambiente: paredes, janelas, portas,
chão, teto, luminosidade e aroma (se houver).
- Desenvolvimento: detalhes específicos em relação a objetos lá existentes: móveis,
eletrodomésticos, quadros, esculturas ou quaisquer outros objetos.
- Conclusão: observações sobre a atmosfera que paira no ambiente.

Descrição de paisagens:
- Introdução: comentário sobre sua localização ou qualquer outra referência de caráter geral.
- Desenvolvimento: observação do plano de fundo (explicação do que se vê ao longe).
- Desenvolvimento: observação dos elementos mais próximos do observador - explicação detalhada
dos elementos que compõem a paisagem, de acordo com determinada ordem.
- Conclusão: comentários de caráter geral, concluindo acerca da impressão que a paisagem causa
em quem a contempla.

Descrição de pessoas:
- Introdução: primeira impressão ou abordagem de qualquer aspecto de caráter geral.
- Desenvolvimento: características físicas (altura, peso, cor da pele, idade, cabelos, olhos, nariz,
boca, voz, roupas).
- Desenvolvimento: características psicológicas (personalidade, temperamento, caráter, preferências,
inclinações, postura, objetivos).
- Conclusão: retomada de qualquer outro aspecto de caráter geral.

A descrição, ao contrário da narrativa, não supõe ação. É uma estrutura pictórica, em que os aspectos
sensoriais predominam. Porque toda técnica descritiva implica contemplação e apreensão de algo
objetivo ou subjetivo, o redator, ao descrever, precisa possuir certo grau de sensibilidade. Assim como o
pintor capta o mundo exterior ou interior em suas telas, o autor de uma descrição focaliza cenas ou
imagens, conforme o permita sua sensibilidade.

Texto Narrativo

A Narração é um tipo de texto que relata uma história real, fictícia ou mescla dados reais e imaginários.
O texto narrativo apresenta personagens que atuam em um tempo e em um espaço, organizados por
uma narração feita por um narrador.
É uma série de fatos situados em um espaço e no tempo, tendo mudança de um estado para outro,
segundo relações de sequencialidade e causalidade, e não simultâneos como na descrição. Expressa as
relações entre os indivíduos, os conflitos e as ligações afetivas entre esses indivíduos e o mundo,
utilizando situações que contêm essa vivência.
Todas as vezes que uma história é contada (é narrada), o narrador acaba sempre contando onde,
quando, como e com quem ocorreu o episódio. É por isso que numa narração predomina a ação: o texto
narrativo é um conjunto de ações; assim sendo, a maioria dos verbos que compõem esse tipo de texto
são os verbos de ação. O conjunto de ações que compõem o texto narrativo, ou seja, a história que é
contada nesse tipo de texto recebe o nome de enredo.
As ações contidas no texto narrativo são praticadas pelas personagens, que são justamente as
pessoas envolvidas no episódio que está sendo contado. As personagens são identificadas (nomeadas)
no texto narrativo pelos substantivos próprios.
Quando o narrador conta um episódio, às vezes (mesmo sem querer) ele acaba contando "onde" (em
que lugar) as ações do enredo foram realizadas pelas personagens. O lugar onde ocorre uma ação ou
ações é chamado de espaço, representado no texto pelos advérbios de lugar.
Além de contar onde, o narrador também pode esclarecer "quando" ocorreram as ações da história.
Esse elemento da narrativa é o tempo, representado no texto narrativo através dos tempos verbais, mas
principalmente pelos advérbios de tempo. É o tempo que ordena as ações no texto narrativo: é ele que
indica ao leitor "como" o fato narrado aconteceu.
A história contada, por isso, passa por uma introdução (parte inicial da história, também chamada de
prólogo), pelo desenvolvimento do enredo (é a história propriamente dita, o meio, o "miolo" da narrativa,
também chamada de trama) e termina com a conclusão da história (é o final ou epílogo).
Aquele que conta a história é o narrador, que pode ser pessoal (narra em 1ª pessoa: Eu) ou
impessoal (narra em 3ª pessoa: Ele).
Assim, o texto narrativo é sempre estruturado por verbos de ação, por advérbios de tempo, por
advérbios de lugar e pelos substantivos que nomeiam as personagens, que são os agentes do texto, ou

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seja, aquelas pessoas que fazem as ações expressas pelos verbos, formando uma rede: a própria história
contada.
Tudo na narrativa depende do narrador, da voz que conta a história.

Elementos Estruturais (I):


- Enredo: desenrolar dos acontecimentos.
- Personagens: são seres que se movimentam, se relacionam e dão lugar à trama que se estabelece
na ação. Revelam-se por meio de características físicas ou psicológicas. Os personagens podem ser
lineares (previsíveis), complexos, tipos sociais (trabalhador, estudante, burguês etc.) ou tipos humanos
(o medroso, o tímido, o avarento etc.), heróis ou anti-heróis, protagonistas ou antagonistas.
- Narrador: é quem conta a história.
- Espaço: local da ação. Pode ser físico ou psicológico.
- Tempo: época em que se passa a ação.
- Cronológico: o tempo convencional (horas, dias, meses);
- Psicológico: o tempo interior, subjetivo.

Elementos Estruturais (II):


Personagens - Quem? Protagonista/Antagonista
Acontecimento - O quê? Fato
Tempo - Quando? Época em que ocorreu o fato
Espaço - Onde? Lugar onde ocorreu o fato
Modo - Como? De que forma ocorreu o fato
Causa - Por quê? Motivo pelo qual ocorreu o fato
Resultado - previsível ou imprevisível.
Final - Fechado ou Aberto.

Esses elementos estruturais combinam-se e articulam-se de tal forma, que não é possível
compreendê-los isoladamente, como simples exemplos de uma narração. Há uma relação de implicação
mútua entre eles, para garantir coerência e verossimilhança à história narrada.
Quanto aos elementos da narrativa, esses não estão, obrigatoriamente sempre presentes no discurso,
exceto as personagens ou o fato a ser narrado.

Tipos de Foco Narrativo


- Narrador-personagem: é aquele que conta a história na qual é participante. Nesse caso ele é
narrador e personagem ao mesmo tempo, a história é contada em 1ª pessoa.
- Narrador-observador: é aquele que conta a história como alguém que observa tudo que acontece
e transmite ao leitor, a história é contada em 3ª pessoa.
- Narrador-onisciente: é o que sabe tudo sobre o enredo e as personagens, revelando seus
pensamentos e sentimentos íntimos. Narra em 3ª pessoa e sua voz, muitas vezes, aparece misturada
com pensamentos dos personagens (discurso indireto livre).

Estrutura:
- Apresentação: é a parte do texto em que são apresentados alguns personagens e expostas algumas
circunstâncias da história, como o momento e o lugar onde a ação se desenvolverá.
- Complicação: é a parte do texto em que se inicia propriamente a ação. Encadeados, os episódios
se sucedem, conduzindo ao clímax.
- Clímax: é o ponto da narrativa em que a ação atinge seu momento crítico, tornando o desfecho
inevitável.
- Desfecho: é a solução do conflito produzido pelas ações dos personagens.

Tipos de Personagens:
Os personagens têm muita importância na construção de um texto narrativo, são elementos vitais.
Podem ser principais ou secundários, conforme o papel que desempenham no enredo, podem ser
apresentados direta ou indiretamente.
A apresentação direta acontece quando o personagem aparece de forma clara no texto, retratando
suas características físicas e/ou psicológicas, já a apresentação indireta se dá quando os personagens
aparecem aos poucos e o leitor vai construindo a sua imagem com o desenrolar do enredo, ou seja, a
partir de suas ações, do que ela vai fazendo e do modo como vai fazendo.

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- Em 1ª pessoa:

Personagem Principal: há um “eu” participante que conta a história e é o protagonista. Exemplo:

“Parei na varanda, ia tonto, atordoado, as pernas bambas, o coração parecendo querer sair-me pela
boca fora. Não me atrevia a descer à chácara, e passar ao quintal vizinho. Comecei a andar de um lado
para outro, estacando para amparar-me, e andava outra vez e estacava.”
(Machado de Assis. Dom Casmurro)

Observador: é como se dissesse: É verdade, pode acreditar, eu estava lá e vi. Exemplo:

“Batia nos noventa anos o corpo magro, mas sempre teso do Jango Jorge, um que foi capitão duma
maloca de contrabandista que fez cancha nos banhados do Brocai.
Esse gaúcho desamotinado levou a existência inteira a cruzar os campos da fronteira; à luz do Sol, no
desmaiado da Lua, na escuridão das noites, na cerração das madrugadas...; ainda que chovesse reiúnos
acolherados ou que ventasse como por alma de padre, nunca errou vau, nunca perdeu atalho, nunca
desandou cruzada! ...
(...)
Aqui há poucos - coitado! - pousei no arranchamento dele. Casado ou doutro jeito, afamilhado. Não
nos víamos desde muito tempo. (...)
Fiquei verdeando, à espera, e fui dando um ajutório na matança dos leitões e no tiramento dos assados
com couro.”
(J. Simões Lopes Neto – Contrabandista)

- Em 3ª pessoa:

Onisciente: não há um eu que conta; é uma terceira pessoa. Exemplo:

“Devia andar lá pelos cinco anos e meio quando a fantasiaram de borboleta. Por isso não pôde
defender-se. E saiu à rua com ar menos carnavalesco deste mundo, morrendo de vergonha da malha de
cetim, das asas e das antenas e, mais ainda, da cara à mostra, sem máscara piedosa para disfarçar o
sentimento impreciso de ridículo.”
(Ilka Laurito. Sal do Lírico)

Narrador Objetivo: não se envolve, conta a história como sendo vista por uma câmara ou filmadora.

Sequência Narrativa
Uma narrativa não tem uma única mudança, mas várias: uma coordena-se a outra, uma implica a
outra, uma subordina-se a outra. A narrativa típica tem quatro mudanças de situação:
- uma em que uma personagem passa a ter um querer ou um dever (um desejo ou uma necessidade
de fazer algo);
- uma em que ela adquire um saber ou um poder (uma competência para fazer algo);
- uma em que a personagem executa aquilo que queria ou devia fazer (é a mudança principal da
narrativa);
- uma em que se constata que uma transformação se deu e em que se podem atribuir prêmios ou
castigos às personagens (geralmente os prêmios são para os bons, e os castigos, para os maus).

Toda narrativa tem essas quatro mudanças, pois elas se pressupõem logicamente. Com efeito, quando
se constata a realização de uma mudança é porque ela se verificou, e ela efetua-se porque quem a realiza
pode, sabe, quer ou deve fazê-la.
Tomemos, por exemplo, o ato de comprar um apartamento: quando se assina a escritura, realiza-se o
ato de compra; para isso, é necessário poder (ter dinheiro) e querer ou dever comprar (respectivamente,
querer deixar de pagar aluguel ou ter necessidade de mudar, por ter sido despejado, por exemplo).
Algumas mudanças são necessárias para que outras se deem. Assim, para apanhar uma fruta, é
necessário apanhar um bambu ou outro instrumento para derrubá-la. Para ter um carro, é preciso antes
conseguir o dinheiro.

Narrativa e Narração
Existe alguma diferença entre as duas? Sim. A narratividade é um componente narrativo que pode
existir em textos que não são narrações. A narrativa é a transformação de situações. Por exemplo, quando

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se diz “Depois da abolição, incentivou-se a imigração de europeus”, temos um texto dissertativo, que, no
entanto, apresenta um componente narrativo, pois contém uma mudança de situação: do não incentivo
ao incentivo da imigração europeia.
Se a narrativa está presente em quase todos os tipos de texto, o que é narração?
A narração é um tipo de narrativa. Tem ela três características:
- é um conjunto de transformações de situação;
- é um texto figurativo, isto é, opera com personagens e fatos concretos;
- as mudanças relatadas estão organizadas de maneira tal que, entre elas, existe sempre uma relação
de anterioridade e posterioridade.

Essa relação de anterioridade e posterioridade é sempre pertinente num texto narrativo, mesmo que a
sequência linear da temporalidade apareça alterada. Assim, por exemplo, no romance machadiano
Memórias póstumas de Brás Cubas, quando o narrador começa contando sua morte para em seguida
relatar sua vida, a sequência temporal foi modificada. No entanto, o leitor reconstitui, ao longo da leitura,
as relações de anterioridade e de posterioridade.

Resumindo: na narração, as três características explicadas acima (transformação de situações, fi-


guratividade e relações de anterioridade e posterioridade entre os episódios relatados) devem estar
presentes conjuntamente. Um texto que tenha só uma ou duas dessas características não é uma
narração.

Exemplo - Personagens

"Aboletado na varanda, lendo Graciliano Ramos, O Dr. Amâncio não viu a mulher chegar.
- Não quer que se carpa o quintal, moço?
Estava um caco: mal vestida, cheirando a fumaça, a face escalavrada. Mas os olhos... (sempre
guardam alguma coisa do passado, os olhos)."
(Kiefer, Charles. A dentadura postiça. Porto Alegre: Mercado Aberto)

Exemplo - Espaço

Considerarei longamente meu pequeno deserto, a redondeza escura e uniforme dos seixos. Seria o
leito seco de algum rio. Não havia, em todo o caso, como negar-lhe a insipidez."
(Linda, Ieda. As amazonas segundo tio Hermann. Porto Alegre: Movimento, 1981)

Exemplo - Tempo

“Sete da manhã. Honorato Madeira acorda e lembra-se: a mulher lhe pediu que a chamasse cedo."
(Veríssimo, Érico. Caminhos Cruzados)

Texto Dissertativo

A dissertação é uma exposição, discussão ou interpretação de uma determinada ideia. É, sobretudo,


analisar algum tema. Pressupõe um exame crítico do assunto, lógica, raciocínio, clareza, coerência,
objetividade na exposição, um planejamento de trabalho e uma habilidade de expressão.
É em função da capacidade crítica que se questionam pontos da realidade social, histórica e
psicológica do mundo e dos semelhantes. Vemos também, que a dissertação no seu significado diz
respeito a um tipo de texto em que a exposição de uma ideia, através de argumentos, é feita com a
finalidade de desenvolver um conteúdo científico, doutrinário ou artístico.

Características
- ao contrário do texto narrativo e do descritivo, ele é temático;
- como o texto narrativo, ele mostra mudanças de situação;
- ao contrário do texto narrativo, nele as relações de anterioridade e de posterioridade dos enunciados
não têm maior importância - o que importa são suas relações lógicas: analogia, pertinência, causalidade,
coexistência, correspondência, implicação, etc.
- a estética e a gramática são comuns a todos os tipos de redação. Já a estrutura, o conteúdo e a
estilística possuem características próprias a cada tipo de texto.

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Dissertação Expositiva e Argumentativa
A dissertação expositiva é voltada para aqueles fatos que estão sendo focados e discutidos pela
grande mídia. É um tipo de acontecimento inquestionável, mesmo porque todos os detalhes já foram
expostos na televisão, rádio e novas mídias.
Já o texto dissertativo argumentativo vai fazer uma reflexão maior sobre os temas. Os pontos de
vista devem ser declarados em terceira pessoa, há interações entre os fatos que se aborda. Tais fatos
precisam ser esclarecidos para que o leitor se sinta convencido por tal escrita. Quem escreve uma
dissertação argumentativa deve saber persuadir a partir de sua crítica de determinado assunto. A
linguagem jamais poderá deixar de ser objetiva, com fatos reais, evidências e concretudes.

São partes da dissertação: Introdução / Desenvolvimento / Conclusão.

Introdução
Em que se apresenta o assunto; se apresenta a ideia principal, sem, no entanto, antecipar seu
desenvolvimento. Tipos:

- Divisão: quando há dois ou mais termos a serem discutidos. Ex.: “Cada criatura humana traz duas
almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para dentro...”
- Alusão Histórica: um fato passado que se relaciona a um fato presente. Ex.: “A crise econômica que
teve início no começo dos anos 80, com os conhecidos altos índices de inflação que a década colecionou,
agravou vários dos históricos problemas sociais do país. Entre eles, a violência, principalmente a urbana,
cuja escalada tem sido facilmente identificada pela população brasileira.”
- Proposição: o autor explicita seus objetivos.
- Convite: proposta ao leitor para que participe de alguma coisa apresentada no texto. Ex.: Você quer
estar “na sua”? Quer se sentir seguro, ter o sucesso pretendido? Não entre pelo cano! Faça parte desse
time de vencedores desde a escolha desse momento!
- Contestação: contestar uma ideia ou uma situação. Ex.: “É importante que o cidadão saiba que
portar arma de fogo não é a solução no combate à insegurança.”
- Características: caracterização de espaços ou aspectos.
- Estatísticas: apresentação de dados estatísticos. Ex.: “Em 1982, eram 15,8 milhões os domicílios
brasileiros com televisores. Hoje, são 34 milhões (o sexto maior parque de aparelhos receptores
instalados do mundo). Ao todo, existem no país 257 emissoras (aquelas capazes de gerar programas) e
2.624 repetidoras (que apenas retransmitem sinais recebidos). (...)”
- Declaração Inicial: emitir um conceito sobre um fato.
- Citação: opinião de alguém de destaque sobre o assunto do texto. Ex.: “A principal característica do
déspota encontra-se no fato de ser ele o autor único e exclusivo das normas e das regras que definem a
vida familiar, isto é, o espaço privado. Seu poder, escreve Aristóteles, é arbitrário, pois decorre
exclusivamente de sua vontade, de seu prazer e de suas necessidades.”
- Definição: desenvolve-se pela explicação dos termos que compõem o texto.
- Interrogação: questionamento. Ex.: “Volta e meia se faz a pergunta de praxe: afinal de contas, todo
esse entusiasmo pelo futebol não é uma prova de alienação?”
- Suspense: alguma informação que faça aumentar a curiosidade do leitor.
- Comparação: social e geográfica.
- Enumeração: enumerar as informações. Ex.: “Ação à distância, velocidade, comunicação, linha de
montagem, triunfo das massas, holocausto: através das metáforas e das realidades que marcaram esses
100 últimos anos, aparece a verdadeira doença do século...”
- Narração: narrar um fato.

Deve conter a ideia principal a ser desenvolvida (geralmente um ou dois parágrafos). É a abertura do
texto, por isso é fundamental. Deve ser clara e chamar a atenção para dois itens básicos: os objetivos do
texto e o plano do desenvolvimento. Contém a proposição do tema, seus limites, ângulo de análise e a
hipótese ou a tese a ser defendida.

Desenvolvimento
É a argumentação da ideia inicial, de forma organizada e progressiva. É a parte maior e mais
importante do texto. Podem ser desenvolvidas de várias formas:
- Trajetória Histórica: cultura geral é o que se prova com este tipo de abordagem.
- Definição: não basta citar, mas é preciso desdobrar a ideia principal ao máximo, esclarecendo o
conceito ou a definição.

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- Comparação: estabelecer analogias, confrontar situações distintas.
- Bilateralidade: quando o tema proposto apresenta pontos favoráveis e desfavoráveis.
- Ilustração Narrativa ou Descritiva: narrar um fato ou descrever uma cena.
- Cifras e Dados Estatísticos: citar cifras e dados estatísticos.
- Hipótese: antecipa uma previsão, apontando para prováveis resultados.
- Interrogação: toda sucessão de interrogações deve apresentar questionamento e reflexão.
- Refutação: questiona-se praticamente tudo: conceitos, valores, juízos.
- Causa e Consequência: estruturar o texto através dos porquês de uma determinada situação.
- Oposição: abordar um assunto de forma dialética.
- Exemplificação: dar exemplos.

Exposição de elementos que vão fundamentar a ideia principal que pode vir especificada através da
argumentação, de pormenores, da ilustração, da causa e da consequência, das definições, dos dados
estatísticos, da ordenação cronológica, da interrogação e da citação. No desenvolvimento são usados
tantos parágrafos quantos forem necessários para a completa exposição da ideia.

Conclusão
É uma avaliação final do assunto, um fechamento integrado de tudo que se argumentou. Para ela
convergem todas as ideias anteriormente desenvolvidas.
- Conclusão Fechada: recupera a ideia da tese.
- Conclusão Aberta: levanta uma hipótese, projeta um pensamento ou faz uma proposta, incentivando
a reflexão de quem lê.

É a retomada da ideia principal, que agora deve aparecer de forma muito mais convincente, uma vez
que já foi fundamentada durante o desenvolvimento da dissertação (um parágrafo). Deve, pois, conter de
forma sintética, o objetivo proposto na instrução, a confirmação da hipótese ou da tese, acrescida da
argumentação básica empregada no desenvolvimento.

Exemplo:

Direito de Trabalho

Com a queda do feudalismo no século XV, nasce um novo modelo econômico: o capitalismo, que até
o século XX agia por meio da inclusão de trabalhadores e hoje passou a agir por meio da exclusão. (A)
A tendência do mundo contemporâneo é tornar todo o trabalho automático, devido à evolução
tecnológica e a necessidade de qualificação cada vez maior, o que provoca o desemprego. Outro fator
que também leva ao desemprego de um sem número de trabalhadores é a contenção de despesas, de
gastos. (B)
Segundo a Constituição, “preocupada” com essa crise social que provém dessa automatização e
qualificação, obriga que seja feita uma lei, em que será dada absoluta garantia aos trabalhadores, de que,
mesmo que as empresas sejam automatizadas, não perderão eles seu mercado de trabalho. (C)
Não é uma utopia?!
Um exemplo vivo são os boias-frias que trabalham na colheita da cana de açúcar que devido ao avanço
tecnológico e a lei do governador Geraldo Alkmin, defendendo o meio ambiente, proibindo a queima da
cana-de-açúcar para a colheita e substituindo-os então pelas máquinas, desemprega milhares deles. (D)
Em troca os sindicatos dos trabalhadores rurais dão cursos de cabelereiro, marcenaria, eletricista, para
não perderem o mercado de trabalho, aumentando, com isso, a classe de trabalhos informais.
Como ficam então aqueles trabalhadores que passaram à vida estudando, se especializando, para se
diferenciarem e ainda estão desempregados? Como vimos no último concurso da prefeitura do Rio de
Janeiro para “gari”, havia até advogado na fila de inscrição. (E)
Já que a Constituição dita seu valor ao social que todos têm o direito de trabalho, cabe aos governantes
desse país, que almeja um futuro brilhante, deter, com urgência esse processo de desníveis gritantes e
criar soluções eficazes para combater a crise generalizada (F), pois a uma nação doente, miserável e
desigual, não compete a tão sonhada modernidade. (G)

1º Parágrafo – Introdução
A. Tema: Desemprego no Brasil.
Contextualização: decorrência de um processo histórico problemático.

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2º ao 6º Parágrafo – Desenvolvimento

B. Argumento 1: Exploram-se dados da realidade que remetem a uma análise do tema em questão.
C. Argumento 2: Considerações a respeito de outro dado da realidade.
D. Argumento 3: Coloca-se sob suspeita a sinceridade de quem propõe soluções.
E. Argumento 4: Uso do raciocínio lógico de oposição.

7º Parágrafo: Conclusão
F. Uma possível solução é apresentada.
G. O texto conclui que desigualdade não se casa com modernidade.

É bom lembrarmos que é praticamente impossível opinar sobre o que não se conhece. A leitura de
bons textos é um dos recursos que permite uma segurança maior no momento de dissertar sobre algum
assunto. Debater e pesquisar são atitudes que favorecem o senso crítico, essencial no desenvolvimento
de um texto dissertativo.

Ainda temos:

Tema: compreende o assunto proposto para discussão, o assunto que vai ser abordado.
Título: palavra ou expressão que sintetiza o conteúdo discutido.
Argumentação: é um conjunto de procedimentos linguísticos com os quais a pessoa que escreve
sustenta suas opiniões, de forma a torná-las aceitáveis pelo leitor. É fornecer argumentos, ou seja, razões
a favor ou contra uma determinada tese.

Pontos Essenciais
- toda dissertação é uma demonstração, daí a necessidade de pleno domínio do assunto e habilidade
de argumentação;
- em consequência disso, impõem-se à fidelidade ao tema;
- a coerência é tida como regra de ouro da dissertação;
- impõem-se sempre o raciocínio lógico;
- a linguagem deve ser objetiva, denotativa; qualquer ambiguidade pode ser um ponto vulnerável na
demonstração do que se quer expor. Deve ser clara, precisa, natural, original, nobre, correta
gramaticalmente. O discurso deve ser impessoal (evitar-se o uso da primeira pessoa).

Texto Injuntivo

Os textos injuntivos têm por finalidade instruir o interlocutor, utilizando verbos no imperativo para atingir
seu intuito. Os gêneros que se apropriam da estrutura injuntiva são: manual de instruções, receitas
culinárias, bulas, regulamentos, editais etc.
Exemplos:

Manual de instruções de um computador

“[...] Não instale nem use o computador em locais muito quentes, frios, empoeirados, úmidos ou que
estejam sujeitos a vibrações. Não exponha o computador a choques, pancadas ou vibrações, e evite que
ele caia, para não prejudicar as peças internas [...]”.

Bula

“[...] Manter o medicamento em temperatura ambiente (15º C a 30º C). Proteger da luz e da umidade.
O prazo de validade do produto é de 24 meses. Não utilizar medicamentos com prazo de validade vencido.
Deve-se evitar o uso do produto durante a gravidez e o período de lactação. Informe ao seu médico a
ocorrência de gravidez na vigência do tratamento ou após o seu término. Informe ao médico se está
amamentando.
Recomenda-se observar cuidadosamente as orientações do médico. Siga a orientação do seu médico,
respeitando sempre os horários, as doses e a duração do tratamento. Não interromper o tratamento sem
o conhecimento do seu médico. BUTAZONA CÁLCICA é um medicamento potente e deverá ser usado
por uma semana no máximo.” [...]

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Texto Expositivo

Aqueles textos que nos levam a uma explicação sobre determinado assunto, informa e esclarece sem
a emissão de qualquer opinião a respeito, é um texto expositivo.

Regras gramaticas para este tipo textual (Exposição)

Neste tipo de texto são apresentadas informações sobre:


- Assuntos e fatos específicos;
- Expõe ideias;
- Explica;
- Avalia;
- Reflete.

Tudo isso sem que haja interferência do autor, sem que haja sua opinião a respeito. Faz uso de
linguagem clara, objetiva e impessoal. A maioria dos verbos está no presente do indicativo.

Exemplos: Notícias Jornalísticas.

Texto Preditivo

Segundo o dicionário Michaelis, o adjetivo preditivo quer dizer “Relativo a predição; Que prediz ou
afirma de antemão antes que se patenteie a verdade por meio da adução de prova(s)”23.
A partir dessa informação, fica mais claro compreender que um texto preditivo possui a intenção de
prever algo, falar sobre o que vai ocorrer.
Esse tipo de texto é encontrado com mais frequência em previsões do tempo, previsões econômicas,
em horóscopos e provérbios. São textos que possuem como características verbos no futuro do presente,
no infinitivo e o texto se direciona ao ouvinte.

Texto Didático
24
Esse tipo de texto possui objetivos pedagógicos e está disposto de uma forma a que qualquer leitor
tenha a mesma conclusão. Sua construção dá-se de maneira conceitual, visando a necessidade de
compreensão do assunto exposto por parte do interlocutor.
A linguagem de um texto didático não é figurativa, mas sim própria, utilizando os termos de maneira
exata. A apresentação das informações pode considerar, ou não, os conhecimentos prévios do leitor.
Trata-se de um tipo textual muito utilizado em artigos científicos e livros didáticos.
Algumas características desse tipo de texto são: impessoalidade, objetividade, coesão, abordagem
que permite uma interpretação única e específica.

Texto Apologético25

Quem primeiro consagrou a “apologia” como referência a alguns escritos de defesa aos cristãos foi
Eusébio. Ele mencionava as apologias endereçadas àqueles que possuem o poder de decidir
concernentemente ao controle da execução dos cristãos no Império. Para ele, “apologia” ser uma “fala do
discurso de defesa” não era novidade.
O gênero apologético cristão requer a análise das características discursivas das obras, muita além de
uma simples comparação de padrões de linguagem.
Para os gregos antes do século II d.C., uma apologia poderia significar o ato de defesa. Depois passou
a funcionar como nome para as propriedades discursivas que caracterizam os escritos de defesa dos
cristãos e de sua religião nos dois séculos seguintes. Alguns padrõs são:
- um discurso de defesa dos cristãos em função de sua religião;
- os adversários podem ser autoridades políticoadministrativas; os adversários podem ser filósofos ou
intelectuais; ou, simplesmente, o discurso pode se impor contra as calúnias da plebe pagã;
- a temática é sempre uma resposta à cultura oposta;
- não há uma elaboração minuciosa dos textos e nem um método sistemático;

23
https://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/busca/portugues-brasileiro/preditivo/.
24
https://bit.ly/2GOaX42.
25
ARZANI, A. VENTURINI, R. L. B. Os gêneros dos escritos apologeneticos cristãos antigos. Jornada de Estudos Antigos e Medievais. UEM. 2011.

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- suas obras obedecem à lógica da contestação às objeções embora seja possível identificar alguns
elementos retóricos;
- suas obras lançam mão de uma linguagem culta, mas nem sempre com muito refinamento.

Texto Elegíaco26

A elegia é um gênero poético que se caracteriza mais pela temática do que por uma estrutura formal:
seus assuntos principais são a tristeza dos amores interrompidos pela morte ou pela infidelidade. As
primeiras elegias exibiam uma métrica específica, com emprego de dísticos formados de versos
hexâmetros. Todavia, é possível desenvolver a elegia em versos livres, porém sempre reconhecida em
virtude de sua temática peculiar.
Tornou-se um dos gêneros poéticos mais popilares no século XVI. O primeiro escrutir português de
elegias foi Sá de Miranda, mas Luís de Camões foi o principal representante do gênero.

IMPESSOALIZAÇÃO DA LINGUAGEM

Técnica de redação muito utilizada nas dissertações argumentativas, a impessoalização27 da


linguagem ajuda a eliminar marcas de subjetividade em uma redação.
Você já deve saber que o tipo textual mais cobrado nas redações de concursos e vestibulares em todo
o país é a dissertação argumentativa. O texto dissertativo-argumentativo exige que o estudante
construa e defenda seu ponto de vista, apresente uma tese inicial e desenvolva argumentos que
comprovem o seu principal ponto de vista. Embora esse tipo textual possa ser fundamentado em opiniões
pessoais, ele não deve apresentar marcas de pessoalidade.
Os textos formais exigem a impessoalização da linguagem. Isso significa que, às vezes, é necessário
omitir os agentes do discurso para ocultar nossa opinião pessoal e as diversas vozes que compõem um
texto. Imagine que você precise discorrer sobre a pena de morte. Imagine também que você seja contra
esse tipo de punição. Para apresentar seus argumentos contrários à pena de morte, você não precisa
redigi-los na primeira pessoa, ou seja, “Eu”. Períodos como Eu não acho que a pena de morte seja a
solução contra a criminalidade, acredito que investir em educação e diminuir a desigualdade social são
as melhores saídas contra a violência que assola o país podem ser construídos da seguinte maneira: A
pena de morte não é a solução contra a criminalidade; investir em educação e na diminuição da
desigualdade social são as melhores saídas contra a violência que assola o país. Percebeu que os
elementos Eu acho que e acredito foram eliminados? Uma pequena adaptação que, além de atenuar a
dialogia no período, contribuiu para uma posição impessoal frente ao assunto “pena de morte”.
Para ajudar na adequação da linguagem nos textos do tipo dissertativo-argumentativo, o sítio de
Português traz cinco dicas de redação sobre a impessoalização do discurso. Saiba agora mesmo como
isso pode ser feito sem prejudicar a construção de sentidos de seu texto. Boa leitura e bons estudos!

Como impessoalizar a linguagem do texto dissertativo-argumentativo?

1: Coloque o sujeito no plural para generalizá-lo:


Evite construir o discurso na primeira pessoa do singular (eu) e adote o uso da primeira pessoa e da
terceira pessoa do plural (nós e eles). Dessa maneira, você evitará elementos que possam atribuir marcas
de subjetividade em seu texto. Veja o exemplo:

Analisados os fatos, concluímos que... (em vez de concluí que).


Por meio de nossas ideias, procuramos demonstrar que (em vez de por meio de minhas ideias,
procurei demonstrar que).

2: Oculte o agente:
Para neutralizar o discurso e deixá-lo mais objetivo, opte, sempre que possível, por ocultar o agente.
Isso pode ser feito por meio de expressões como é importante, é preciso, é indispensável, é urgente, já
que elas não revelam o autor da ação:

É preciso tomar decisões para coibir a criminalidade.


É indispensável que as autoridades esclareçam os recentes casos de corrupção no país.

26
https://bit.ly/2kAI5nO.
27
http://portugues.uol.com.br/redacao/impessoalizacao-linguagem.html (adaptado)

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3: Uso gramatical do sujeito indeterminado:
Não quer que o leitor identifique com exatidão quem é o agente da ação? Basta fazer uso gramatical
do sujeito indeterminado. Essa técnica pode ser utilizada quando, por acaso, surgir alguma informação
sobre a qual você desconheça a exata procedência. Observe:

Aprende-se na escola a importância da leitura.


Acreditava-se que os militares instituiriam a ordem e o progresso no país.
Fala-se muito sobre a diminuição da maioridade penal.

4: Opte por um agente inanimado:


Outra maneira eficiente para impessoalizar a linguagem do texto é optar por um agente inanimado.
Dessa maneira, a responsabilidade em relação à ação será diluída. Veja os exemplos:

A diretoria da empresa elegeu um novo coordenador executivo.


Os deputados votaram um projeto de lei que vai de encontro aos interesses da população.
As autoridades competentes devem garantir ao cidadão o direito de ir e vir.

5: Uso da voz passiva:


Na voz passiva, o sujeito da oração torna-se paciente, isto é, ele sofre a ação expressa pelo fato verbal.
Empregá-la é um recurso que contribui para a impessoalização da linguagem, já que na voz passiva o
sujeito poderá estar oculto. Observe os exemplos:

As novas descobertas sobre a cura para o câncer foram realizadas em centros de estudo nos Estados
Unidos.
Está sendo comprovada a importância da escrita à mão no processo de aprendizado.

Questões

01. (Câmara Santa Rosa/RS - Procurador Jurídico - INST.EXCELENCIA/2017)

Retrato
Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,


tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
a minha face?
MEIRELES, Cecília. Obra Poética de Cecília Meireles. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1958.

Para expressar as mudanças físicas de seu corpo e como o mesmo se encontra depois delas, o eu
lírico utiliza predominantemente os recursos da:
(A) Narração.
(B) Descrição.
(C) Dissertação.
(D) Nenhuma das alternativas.

02. (UTFPR - Técnico de Laboratório - 2018) “Requerimento é o instrumento por meio do qual o
signatário pede, a uma autoridade pública, algo que lhe pareça justo ou legal. O requerimento pode ser
usado por qualquer pessoa que tenha interesse no serviço público, seja, ou não, servidor público. Deve
ser dirigido à autoridade competente para receber, apreciar e solucionar o caso, podendo ser manuscrito
ou digitado/datilografado. Uma vez que o requerimento é veículo de solicitação sob o amparo da lei,
somente pode ser dirigido a autoridades públicas. Pedidos a entidades particulares fazem-se por carta

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ou, quando provenientes de órgão público, por ofício. Podem-se, no entanto, dirigir requerimentos a
colégios particulares. Esses, com efeito, exercem, por uma espécie de delegação, atividades próprias do
poder público, pelo qual têm seus serviços rigidamente regulados e fiscalizados”.
(Adalberto J. Kaspary – Redação Oficial – Normas e Modelos)

O texto em questão pertence, predominantemente, à tipologia textual:


(A) narração.
(B) dissertação.
(C) descrição.
(D) injunção.
(E) exposição.

03. (Pref. Cruzeiro/SP - Professor Língua Portuguesa - INST.EXCELENCIA/2016) São várias as


situações comunicativas cotidianas, sejam elas orais ou escritas. O dinamismo da comunicação é
responsável pela criação dos diversos gêneros textuais, mas, antes deles, existem os tipos textuais,
estruturas nas quais os gêneros se apoiam. Os aspectos constitutivos de um texto divergem mediante a
finalidade do texto: contar, descrever, argumentar, informar, etc. Um único texto pode apresentar
passagens de vários tipos de texto. A tipologia textual apresenta características intrínsecas, como
vocabulário, relações lógicas, tempos verbais, construções frasais e outras peculiaridades inscritas em,
basicamente, cinco tipos.

Assinale a alternativa CORRETA.


(A) Narração; Dissertação; Descrição; Exposição; Injunção.
(B) Conjunção; Dissertação; Descrição; Exposição; Comunicação.
(C) Comunicação; Conjunção; Dissertação; Descrição; Exposição.
(D) Narração; Descrição; Injunção; Exposição; Coesão; Dissertação.
04. (João Pessoa/PB - Técnico Controle Interno - CESPE/2018)

Acerca das propriedades linguísticas do texto precedente, julgue o item subsequente.


O texto apresentado combina elementos das tipologias expositiva e injuntiva.
( ) Certo ( ) Errado

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05. (PC/RJ - Papiloscopista Policial - IBFC)

Notícia de Jornal
(Fernando Sabino)

Leio no jornal a notícia de que um homem morreu de fome. Um homem de cor branca, 30 anos
presumíveis, pobremente vestido, morreu de fome, sem socorros, em pleno centro da cidade,
permanecendo deitado na calçada durante 72 horas, para finalmente morrer de fome.
Morreu de fome. Depois de insistentes pedidos e comentários, uma ambulância do Pronto Socorro e
uma radiopatrulha foram ao local, mas regressaram sem prestar auxílio ao homem, que acabou morrendo
de fome.
Um homem que morreu de fome. O comissário de plantão (um homem) afirmou que o caso (morrer de
fome) era da alçada da Delegacia de Mendicância, especialista em homens que morrem de fome. E o
homem morreu de fome.
O corpo do homem que morreu de fome foi recolhido ao Instituto Anatômico sem ser identificado. Nada
se sabe dele, senão que morreu de fome.
Um homem morre de fome em plena rua, entre centenas de passantes. Um homem caído na rua. Um
bêbado. Um vagabundo. Um mendigo, um anormal, um tarado, um pária, um marginal, um proscrito, um
bicho, uma coisa - não é um homem. E os outros homens cumprem seu destino de passantes, que é o
de passar. Durante setenta e duas horas todos passam, ao lado do homem que morre de fome, com um
olhar de nojo, desdém, inquietação e até mesmo piedade, ou sem olhar nenhum. Passam, e o homem
continua morrendo de fome, sozinho, isolado, perdido entre os homens, sem socorro e sem perdão.
Não é da alçada do comissário, nem do hospital, nem da radiopatrulha, por que haveria de ser da
minha alçada? Que é que eu tenho com isso? Deixa o homem morrer de fome.
E o homem morre de fome. De trinta anos presumíveis. Pobremente vestido. Morreu de fome, diz o
jornal. Louve-se a insistência dos comerciantes, que jamais morrerão de fome, pedindo providências às
autoridades. As autoridades nada mais puderam fazer senão remover o corpo do homem. Deviam deixar
que apodrecesse, para escarmento dos outros homens. Nada mais puderam fazer senão esperar que
morresse de fome.
E ontem, depois de setenta e duas horas de inanição, tombado em plena rua, no centro mais
movimentado da cidade do Rio de Janeiro, Estado da Guanabara, um homem morreu de fome.
(Disponível em http://www.fotolog.com.br/spokesman_/70276847/: Acesso em 10/09/14)

Em um texto narrativo, as falas dos personagens podem figurar em destaque, marcadas por uma
pontuação adequada, ou ser parafraseadas pelo narrador. Há também casos nos quais não é possível
delimitar as falas de narrador e personagem. Com base nessas informações, assinale a alternativa que
apresenta a correta classificação do tipo de discurso utilizado no trecho a seguir:

“Um homem morre de fome em plena rua, entre centenas de passantes. Um homem caído na rua. Um
bêbado. Um vagabundo. Um mendigo, um anormal, um tarado, um pária, um marginal, um proscrito, um
bicho, uma coisa - não é um homem.” (5º§)
(A) Discurso direto livre
(B) Discurso direto
(C) Discurso indireto livre
(D) Discurso indireto
(E) Discurso direto e indireto

Gabarito

01.B / 02.E / 03.A / 04.CERTO / 05.C

Comentários

01. Resposta: B
Por mais que o texto é um poema, a descrição é uma das características deste texto.

02. Resposta: E
O texto é uma simples exposição de fatos, por isso a alternativa E correta.

Apostila gerada especialmente para: Beatriz de Jesus de Oliveira Barros 028.993.602-05


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03. Resposta: A
Narração contar uma história, dissertação ideias são desenvolvidas, descrição sempre descrevendo
alguma coisa, exposição ligado ao expor fatos, e injunção são textos que instruem e orientam o leitor.

04. Resposta: CERTO


Expositivo porque expõe fatos correntes do Brasil sobre a ética, as marcas injuntivas, por exemplo:
“Diga não”.

05. Resposta: C
Uma das características do discurso indireto livre, a fala das personagens e do narrador se misturam.

Denotação e conotação

Denotação e Conotação

Denotação é o sentido da palavra interpretada ao pé da letra, isto é, de acordo com o sentido geral
que ela tem na maioria dos contextos em que ocorre. É o sentido próprio da palavra, aquele encontrado
no dicionário. Exemplo: “Uma pedra no meio da rua foi a causa do acidente”.
A palavra “pedra” aqui está usada em sentido literal, ou seja, o objeto mesmo.

Conotação é o sentido da palavra desviado do usual, isto é, aquele que se distancia do sentido próprio
e costumeiro. Exemplo: “As pedras atiradas pela boca ferem mais do que as atiradas pela mão”.
“Pedras”, nesse contexto, não está indicando o que usualmente significa, mas um insulto, uma ofensa
produzida pelas palavras.

Ampliação de Sentido
Fala-se em ampliação de sentido quando a palavra passa a designar uma quantidade mais ampla de
significado do que o seu original.
“Embarcar”, por exemplo, que originariamente era usada para designar o ato de viajar em um barco,
ampliou consideravelmente o sentido e passou a designar a ação de viajar em outros veículos. Hoje se
diz, por ampliação de sentido, que um passageiro:
- embarcou em um trem.
- embarcou no ônibus das dez.
- embarcou no avião da força aérea.
- embarcou num transatlântico.

“Alpinista”, na origem, era usado para indicar aquele que escala os Alpes (cadeia montanhosa
europeia). Depois, por ampliação de sentido, passou a designar qualquer tipo de praticante de escalar
montanhas.

Restrição de Sentido
Ao lado da ampliação de sentido, existe o movimento inverso, isto é, uma palavra passa a designar
uma quantidade mais restrita de objetos ou noções do que originariamente. É o caso, por exemplo, das
palavras que saem da língua geral e passam a ser usadas com sentido determinado, dentro de um
universo restrito do conhecimento.
A palavra aglutinação, por exemplo, na nomenclatura gramatical, é bom exemplo de especialização
de sentido. Na língua geral, ela significa qualquer junção de elementos para formar um todo, porém em
Gramática designa apenas um tipo de formação de palavras por composição em que a junção dos
elementos acarreta alteração de pronúncia, como é o caso de pernilongo (perna + longa).
Se não houver alteração de pronúncia, já não se diz mais aglutinação, mas justaposição. A palavra
Pernalonga, por exemplo, que designa uma personagem de desenhos animados, não se formou por
aglutinação, mas por justaposição.
Em linguagem científica é muito comum restringir-se o significado das palavras para dar precisão à
comunicação.

Apostila gerada especialmente para: Beatriz de Jesus de Oliveira Barros 028.993.602-05


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A palavra girassol, formada de gira (do verbo girar) + sol, não pode ser usada para designar, por
exemplo, um astro que gira em torno do Sol, seu sentido sofreu restrição, e ela serve para designar
apenas um tipo de flor que tem a propriedade de acompanhar o movimento do Sol.
Há certas palavras que, além do significado explícito, contêm outros implícitos (ou pressupostos). Os
exemplos são muitos. É o caso do adjetivo outro, por exemplo, que indica certa pessoa ou coisa,
pressupondo necessariamente a existência de ao menos uma além daquela indicada.
Prova disso é que não faz sentido, para um escritor que nunca lançou um livro, dizer que ele estará
autografando seu outro livro. O uso de outro pressupõe necessariamente ao menos um livro além daquele
que está sendo autografado.

Questões

01. (PC/CE - Delegado de Polícia Civil - VUNESP)

A morte do narrador

Recentemente recebi um e-mail de uma leitora perguntando a razão de eu ter, segundo ela, uma visão
tão dura para com os idosos. O motivo da sua pergunta era eu ter dito, em uma de minhas colunas, que
hoje em dia não existiam mais vovôs e vovós, porque estavam todos na academia querendo parecer com
seus netos.
Claro, minha leitora me entendeu mal. Mas o fato de ela ter me entendido mal, o que acontece com
frequência quando se discute o tema da velhice, é comum, principalmente porque o próprio termo
“velhice" já pede sinônimos politicamente corretos, como “terceira idade", “melhor idade", “maturidade",
entre outros.
Uma característica do politicamente correto é que, quando ele se manifesta num uso linguístico
específico, é porque esse uso se refere a um conceito já considerado como algo ruim. A marca essencial
do politicamente correto é a hipocrisia articulada como gesto falso, ideias bem comportadas.
Voltando à velhice. Minha leitora entendeu que eu dizia que idosos devem se afundar na doença, na
solidão e no abandono, e não procurar ser felizes. Mas, quando eu dizia que eles estão fugindo da
condição de avós, usava isso como metáfora da mentira (politicamente correta) quanto ao medo que
temos de afundar na doença, antes de tudo psicológica, devido ao abandono e à solidão, típicos do mundo
contemporâneo. Minha crítica era à nossa cultura, e não às vítimas dela. Ela cultua a juventude como
padrão de vida e está intimamente associada ao medo do envelhecimento, da dor e da morte. Sua opção
é pela “negação", traço de um dos sintomas neuróticos descritos por Freud.
Walter Benjamim, filósofo alemão do século XX, dizia que na modernidade o narrador da vida
desapareceu. Isso quer dizer que as pessoas encarregadas, antigamente, de narrar a vida e propor
sentido para ela perderam esse lugar. Hoje os mais velhos querem “aprender" com os mais jovens
(aprender a amar, se relacionar, comprar, vestir, viajar, estar nas redes sociais). Esse fenômeno, além de
cruel com o envelhecimento, é também desorganizador da própria juventude. Ouço cotidianamente, na
sala de aula, os alunos demonstrarem seu desprezo por pais e mães que querem aprender a viver com
eles.
Alguns elementos do mundo moderno não ajudam a combater essa desvalorização dos mais velhos.
As ferramentas de informação, normalmente mais acessíveis aos jovens, aumentam a percepção
negativa dos mais velhos diante do acúmulo de conhecimento posto a serviço dos consumidores, que
questionam as “verdades constituídas do passado". A própria estrutura sobre a qual se funda a
experiência moderna – ciência, técnica, superação de tradição – agrava a invisibilidade dos mais velhos.
Em termos humanos, o passado (que “nada" serve ao mundo do progresso) tem um nome: idoso. Enfim,
resta aos vovôs e vovós ir para a academia ou para as redes sociais.
(Luiz Felipe Pondé, Somma, agosto 2014, p. 31. Adaptado)

O termo empregado com sentido figurado está em destaque na seguinte passagem do texto:
(A) Mas o fato de ela ter me entendido mal, o que acontece com frequência quando se discute o tema
da velhice… (segundo parágrafo).
(B) O motivo da sua pergunta era eu ter dito, em uma de minhas colunas, que hoje em dia não existiam
mais vovôs e vovós… (primeiro parágrafo).
(C) Walter Benjamim, filósofo alemão do século XX, dizia que na modernidade o narrador da vida
desapareceu. (Penúltimo parágrafo).
(D) A própria estrutura sobre a qual se funda a experiência moderna – ciência, técnica, superação de
tradição – agrava a invisibilidade dos mais velhos. (Último parágrafo).

Apostila gerada especialmente para: Beatriz de Jesus de Oliveira Barros 028.993.602-05


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(E) Minha leitora entendeu que eu dizia que idosos devem se afundar na doença, na solidão e no
abandono… (quarto parágrafo).

02. (PC/CE - Escrivão de Polícia Civil - VUNESP)

Ficção universitária

Os dados do Ranking Universitário publicados em setembro de 2013 trazem elementos para que
tentemos desfazer o mito, que consta da Constituição, de que pesquisa e ensino são indissociáveis. É
claro que universidades que fazem pesquisa tendem a reunir a nata dos especialistas, produzir mais
inovação e atrair os alunos mais qualificados, tornando-se assim instituições que se destacam também
no ensino.
O Ranking Universitário mostra essa correlação de forma cristalina: das 20 universidades mais bem
avaliadas em termos de ensino, 15 lideram no quesito pesquisa (e as demais estão relativamente bem
posicionadas). Das 20 que saem à frente em inovação, 15 encabeçam também a pesquisa. Daí não
decorre que só quem pesquisa, atividade estupidamente cara, seja capaz de ensinar.
O gasto médio anual por aluno numa das três universidades estaduais paulistas, aí embutidas todas
as despesas que contribuem direta e indiretamente para a boa pesquisa, incluindo inativos e aportes de
Fapesp, CNPq e Capes, é de R$ 46 mil (dados de 2008). Ora, um aluno do ProUni custa ao governo algo
em torno de R$ 1.000 por ano em renúncias fiscais.
Não é preciso ser um gênio da aritmética para perceber que o país não dispõe de recursos para colocar
os quase sete milhões de universitários em instituições com o padrão de investimento das estaduais
paulistas. E o Brasil precisa aumentar rapidamente sua população universitária. Nossa taxa bruta de
escolarização no nível superior beira os 30%, contra 59% do Chile e 63% do Uruguai.
Isso para não mencionar países desenvolvidos como EUA (89%) e Finlândia (92%). Em vez de insistir
na ficção constitucional de que todas as universidades do país precisam dedicar-se à pesquisa, faria mais
sentido aceitar o mundo como ele é e distinguir entre instituições de elite voltadas para a produção de
conhecimento e as que se destinam a difundi-lo. O Brasil tem necessidade de ambas.
(Hélio Schwartsman,: http://www1.folha.uol.com.br, 2013.)

Assinale a alternativa em que a expressão destacada é empregada em sentido figurado.


(A) ... universidades que fazem pesquisa tendem a reunir a nata dos especialistas...
(B) Os dados do Ranking Universitário publicados em setembro de 2013...
(C) Não é preciso ser um gênio da aritmética para perceber que o país não dispõe de recursos...
(D) ... das 20 universidades mais bem avaliadas em termos de ensino...
(E) ... todas as despesas que contribuem direta e indiretamente para a boa pesquisa...

03. (TJ/SP - Escrevente Técnico Judiciário - VUNESP) Leia o texto para responder a questão.

Um pé de milho

Aconteceu que no meu quintal, em um monte de terra trazido pelo jardineiro, nasceu alguma coisa que
podia ser um pé de capim – mas descobri que era um pé de milho. Transplantei-o para o exíguo canteiro
na frente da casa. Secaram as pequenas folhas, pensei que fosse morrer. Mas ele reagiu. Quando estava
do tamanho de um palmo, veio um amigo e declarou desdenhosamente que na verdade aquilo era capim.
Quando estava com dois palmos veio outro amigo e afirmou que era cana.
Sou um ignorante, um pobre homem da cidade. Mas eu tinha razão. Ele cresceu, está com dois metros,
lança as suas folhas além do muro – e é um esplêndido pé de milho. Já viu o leitor um pé de milho? Eu
nunca tinha visto. Tinha visto centenas de milharais – mas é diferente. Um pé de milho sozinho, em um
anteiro, espremido, junto do portão, numa esquina de rua – não é um número numa lavoura, é um ser
vivo e independente. Suas raízes roxas se agarra mão chão e suas folhas longas e verdes nunca estão
imóveis.
Anteontem aconteceu o que era inevitável, mas que nos encantou como se fosse inesperado: meu pé
de milho pendoou. Há muitas flores belas no mundo, e a flor do meu pé de milho não será a mais linda.
Mas aquele pendão firme, vertical, beijado pelo vento do mar, veio enriquecer nosso canteirinho vulgar
com uma força e uma alegria que fazem bem. É alguma coisa de vivo que se afirma com ímpeto e certeza.
Meu pé de milho é um belo gesto da terra. E eu não sou mais um medíocre homem que vive atrás de
uma chata máquina de escrever: sou um rico lavrador da Rua Júlio de Castilhos.
(Rubem Braga. 200 crônicas escolhidas, 2001)

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80
Assinale a alternativa em que, nas duas passagens, há termos empregados em sentido figurado.
(A) ... beijado pelo vento do mar... (3º §) / Meu pé de milho é um belo gesto da terra. (3º §)
(B) Mas ele reagiu. (1º §) / ... na verdade aquilo era capim. (1º §)
(C) Secaram as pequenas folhas... (1º §) / Sou um ignorante... (2º §)
(D) Ele cresceu, está com dois metros... (2º §) / Tinha visto centenas de milharais... (2º §)
(E) ... lança as suas folhas além do muro... (2º §) / Há muitas flores belas no mundo... (3º §)

04. (IF/SC - Técnico de Laboratório)


Assinale a opção em que NÃO há palavra usada em sentido conotativo.
(A) Tuas atitudes são o espelho do teu caráter.
(B) Regras podem ser estabelecidas para uma convivência pacífica.
(C) Pipocavam palavras no texto, como se fossem rabiscos coloridos do próprio pensamento
(D) Choviam risadas naquela peça de humor.
(E) A sabedoria abre as portas do conhecimento.

05. (FAPESE - Assistente em Administração - UFS/2018) No período “Tomara que a revolta que eu
e muitos sentiram não morra nas redes sociais”, a forma verbal “morra” (do verbo morrer) é:
(A) usada em sentido denotativo;
(B) 3ª. pessoa do singular do pretérito perfeito, do modo indicativo;
(C) uma flexão regular da 3ª. pessoa do singular, do pretérito imperfeito, do modo subjuntivo;
(D) a flexão de 3ª. pessoa do singular, do futuro do pretérito, do modo indicativo;
(E) usada em sentido conotativo.

Gabarito

01.D / 02.A / 03.A / 04.B / 05.E

Comentários

01. Resposta: D
O sentido figurado ou conotativo, é aquele em que se atribui à palavra ou expressão, um sentido
ampliado, diferente do sentido literal/usual.
d) A palavra "Indivisibilidade" foi usada com o sentido de "isolamento", "exclusão" e, portanto, é o
gabarito.

02. Resposta: A
Nata: na.ta sf (lat matta) 1 Camada que se forma à superfície do leite; creme. 2 A melhor parte de
qualquer coisa, o que há de melhor; a fina flor, o escol. N. da terra: nateiro; terra fértil.

03. Resposta: A
... beijado pelo vento do mar.... (3º §) / Meu pé de milho é um belo gesto da terra. (3º §)
Mas aquele pendão firme, vertical, beijado pelo vento do mar, (que o vento bate no pé de milho) veio
enriquecer nosso canteirinho vulgar com uma força e uma alegria que fazem bem. É alguma coisa de vivo
que se afirma com ímpeto e certeza. Meu pé de milho é um belo gesto da terra. (Como nasce da terra,
para o autor parece um presente desta).
Sentido figurado: A palavra tem valor conotativo quando seu significado é ampliado ou alterado no
contexto em que é empregada, sugerindo ideias que vão além de seu sentido mais usual.

04. Resposta: B
(A) Atitudes são o espelho;
(B) CERTA;
(C) Pipocavam palavras no texto;
(D) Choviam risadas;
(E) Sabedoria abre as portas

05. Resposta E
Conotativo = sentido figurado
Denotativo = dicionário (sentido real da palavra)
A revolta morre, logo sentido figurado.

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81
Figuras de linguagem

Em textos literários28, as figuras de linguagem são usadas para emprestar mais brilho, nobreza,
energia, encanto, tornando a linguagem mais expressiva, buscando seu autor alcançar estilo próprio.
Embora características desses tipos de texto, vêm sendo utilizadas em questões de textos de vários
concursos.
Também chamadas Figuras de Estilo, são recursos especiais de que se vale quem fala ou escreve,
para comunicar à expressão mais força e colorido, intensidade e beleza.

Podemos classificá-las em quatro tipos:


- Figuras de Palavras (ou tropos);
- Figuras de Harmonia;
- Figuras de Construção (ou de sintaxe);
- Figuras de Pensamento.

Figuras de Palavra

São as que dependem do uso de determinada palavra com sentido novo, incomum. São elas:

Metáfora: É um tipo de comparação (mental) sem uso de conectivos comparativos, com utilização de
verbo de ligação explícito na frase.
Exemplo:
“Sua boca era um pássaro escarlate.” (Castro Alves)

Catacrese: consiste em transferir a uma palavra o sentido próprio de outra, utilizando-se formas já
incorporadas aos usos da língua. Se a metáfora surpreende pela originalidade da associação de ideias,
o mesmo não ocorre com a catacrese, que já não chama a atenção por ser tão repetidamente usada.

Exemplos:
Batata da perna Azulejo vermelho
Pé da mesa Cabeça de alho
Menina dos olhos Céu da boca
Braço da cadeira Folha de papel

Comparação ou Símile: é a comparação entre dois elementos comuns; semelhantes. Normalmente


se emprega uma conjunção comparativa: como, tal qual, assim como, que nem.
Exemplo: “Como um anjo caído
Fiz questão de esquecer...” (Legião Urbana)

Sinestesia: É a fusão de no mínimo dois dos cinco sentidos físicos.


Exemplos: “De amargo e então salgado ficou doce, - Paladar
Assim que teu cheiro forte e lento - Olfato
Fez casa nos meus braços e ainda leve - Tato
E forte e cego e tenso fez saber - Visão
Que ainda era muito e muito pouco.” (Legião Urbana)

Antonomásia: quando substituímos um nome próprio pela qualidade ou característica que o distingue.
Exemplo: O Águia de Haia (= Rui Barbosa)
O Cantor das Multidões (= Orlando Silva)
O Pai da Aviação (= Santos Dumont)

28
SCHICAIR. Nelson M. Gramática do Português Instrumental. 2ª. ed Niterói: Impetus, 2007.

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82
Metonímia: Troca-se uma palavra por outra com a qual ela se relaciona. Ocorre a metonímia quando
empregamos:
- O autor ou criador pela obra. Exemplo: Gosto de ler Jorge Amado (observe que o nome do autor
está sendo usado no lugar de suas obras).
- O efeito pela causa e vice-versa. Exemplos: Ganho a vida com o suor do meu rosto. (o suor é o
efeito ou resultado e está sendo usado no lugar da causa, ou seja, o “trabalho”).
- O continente pelo conteúdo. Exemplo: Ela comeu uma caixa de doces. (= doces).
- O abstrato pelo concreto e vice-versa. Exemplos: A velhice deve ser respeitada. (= pessoas
velhas).
- O instrumento pela pessoa que o utiliza. Exemplo: Ele é bom volante. (= piloto ou motorista).
- O lugar pelo produto. Exemplo: Gosto muito de tomar um Porto. (= a cidade do Porto).
- O símbolo ou sinal pela coisa significada. Exemplo: Os revolucionários queriam o trono. (= império,
o poder).
- A parte pelo todo. Exemplo: Não há teto para os necessitados. (= a casa).
- O indivíduo pela classe ou espécie. Exemplo: Ele foi o judas do grupo. (= espécie dos homens
traidores).
- O singular pelo plural. Exemplo: O homem é um animal racional. (o singular homem está sendo
usado no lugar do plural homens).
- O gênero ou a qualidade pela espécie. Exemplo: Os mortais somos imperfeitos. (= seres
humanos).
- A matéria pelo objeto. Exemplo: Ele não tem um níquel. (= moeda).

Observação: Os últimos 5 casos recebem também o nome de Sinédoque.

Sinédoque: Troca que ocorre por relação de compreensão e que consiste no uso do todo pela parte,
do plural pelo singular, do gênero pela espécie, ou vice-versa.
Exemplo: O mundo é violento. (= os homens)

Perífrase: é a substituição de um nome por uma expressão que facilita a sua identificação.
Exemplo: O país do futebol acredita no seu povo. (país do futebol = Brasil)

Figuras de Harmonia

São as que reproduzem os efeitos de repetição de sons, ou ainda quando se busca representá-los.
São elas:

Aliteração: Repetição consonantal fonética (som da letra) geralmente no início da palavra.


Exemplo: “Sonhei que estava sonhando um sonho sonhado...” (Martinho da Vila)

Assonância: Repetição da mesma vogal no decorrer de um verso ou poema.


Exemplo: “Sou Ana, da cama
Da cana, fulana bacana
Sou Ana de Amsterdã.” (Chico Buarque)

Paronomásia: Reprodução de sons semelhantes através de palavras de significados diferentes.


Exemplos: “Berro pelo aterro pelo desterro
Berro por seu berro pelo seu erro
Quero que você ganhe que você me apanhe
Sou o bezerro gritando mamãe...” (Caetano Veloso)

Figuras de Construção

Dizem respeito aos desvios de padrão de concordância quer quanto à ordem, omissões ou excessos.
Dividem-se em:
Omissão - Assíndeto, Elipse, Zeugma
Repetição - Anáfora, Polissíndeto e Pleonasmo
Ruptura - Anacoluto
Inversão - Anástrofe, Hipálage, Hipérbato, Sínquise e Quiasmo
Concordância Ideológica - Silepse

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83
Figuras de Omissão

Omissão

Assíndeto: Ocorre por falta ou supressão de conectivos.


Exemplos:
a) “Saí, bebi, enfim, vivi.” (Nel de Moraes)
b) “Vim, vi e venci.” (Julio César)

Elipse: Supressão de vocábulo(s) que são facilmente identificável (is).


Exemplos:
a) “(Eu) Queria ser um pássaro dentro da noite.”
b) “No céu, (há) estrelas que brilham indômitas.”

Zeugma: Elipse especial que consiste na supressão de um termo já anteriormente expresso no


contexto.
Exemplos:
a) “Nós nos desejamos e (nós) não nos possuímos.”
b) “Foi saqueada a vila, e (foram) assassinados os partidários dos Filipes.” (Camilo Castelo Branco)

Repetição
Anáfora: É a repetição intencional de palavras no início de um período, frase ou verso.
Exemplos: “Eu quase não saio
Eu quase não tenho amigo
Eu quase não consigo
Ficar na cidade sem viver contrariado.” (Gilberto Gil)

Polissíndeto: Repetição enfática de conjunções coordenativas (geralmente e).


Exemplos: “E saber, e crescer, e ser, e haver
E perder, e sofrer, e ter horror.” (Vinícius de Morais)

Pleonasmo: Repetição da ideia, isto é, redundância semântica e sintática, divide-se em:

- Gramatical - com objetos direto ou indireto redundantes, chamam-nos pleonásticos.


Exemplos:
a) “Perdoo-te a ti, meu amor.”
b) “O carro velho, eu o vendi ontem.”

- Vicioso - deve ser evitado por não acrescentar informação nova ao que já havia sido dito
anteriormente.
Exemplos: Subir para cima; descer para baixo; repetir de novo; hemorragia sanguínea; protagonista
principal; monopólio exclusivo.

Ruptura
Anacoluto: A construção do período deixa um ou mais termos sem função sintática. Dê atenção
especial porque o anacoluto é parecido com o pleonasmo, ou melhor, na tentativa de um pleonasmo
sintático, muitas vezes, acaba-se por criar a ruptura.
Exemplo:
“Os meus vizinhos, não confio mais neles.” - a função sintática de os meus vizinhos é nula, não há;
entretanto, se houvesse preposição (Nos meus vizinhos, não confio mais neles), o termo seria objeto
indireto, enquanto neles seria o objeto indireto pleonástico.

Inversão
Anástrofe: Inversão sintática leve.
Exemplos:
a) “Tão leve estou que já nem sombra tenho.” (ordem inversa) (Mário Quintana)
b) “Estou tão leve que já não tenho sombra.” (ordem direta)

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Hipálage: Inversão de um adjetivo (uma qualidade que pertence a um é atribuída a outro substantivo).
Exemplos:
a) A mulher degustava lânguida cigarrilha.
Lânguida = sensual, portanto lânguida é a mulher, e não a cigarrilha como faz supor.

b) “Em cada olho um grito castanho de ódio.” (Dalton Trevisan)


Castanhos são os olhos, e não o grito.

Hipérbato: Inversão complexa de termos da frase.


Exemplo:
“Enquanto manda as ninfas amorosas grinaldas nas cabeças pôr de rosas.” (Camões)
(Enquanto manda as ninfas amorosas pôr grinaldas de rosas na cabeça.)

Sínquise: Há uma inversão violenta de distantes partes da oração. É um hipérbato “hiperbólico”.


Exemplo: “...entre vinhedo e sebe
corre uma linfa e ele no seu de faia
de ao pé do Alfeu Tarro escultado bebe.” (Alberto de Oliveira)

(Uma linfa corre entre vinhedo e sebe, e ele bebe no seu Tarro escultado, de faia, ao pé do Alfeu.)

Quiasmo: Inversão de palavras que se repetem.


Exemplo: “Tinha uma pedra no meio do meu caminho /
no meio do meu caminho tinha uma pedra.” (G. D. Andrade)

Concordância Ideológica
Silepse: É a concordância feita pela ideia, e não através das prerrogativas das classes das palavras.
São três:
- de Gênero: masculino e feminino não concordam.
Ex.: “A vítima era lindo e o carrasco estava temerosa quanto à reação da população.”
Perceba que vítima e carrasco não receberam de seus adjetivos lindo e temerosa a 'atenção' devida,
por quê? Isso se deve à ideia de que os substantivos sobrecomuns designam ambos os sexos, e não
ambos os gêneros, portanto, por questões estilísticas, o autor do texto preferiu a ideia à regra gramatical
rígida que impõe que adjetivos concordem em gênero com o substantivo, não em sexo.

- de Número: singular e plural não concordam entre si.


Ex.: “O esquadrão sobrevoaram o céu azul daquela manhã de verão.”

Ocorre algo semelhante na silepse de número, apenas se ressalve que nesses casos o 'desprezo' se
dá quanto à concordância verbal, afinal, esquadrão é palavra de natureza coletiva (coletivo de aviões) e,
mais uma vez por questões estilísticas, o autor preferiu à regra, na qual se baseia a Gramática Normativa,
o livre voar de suas ideias.

- de Pessoa: sujeito e verbo não concordam entre si.


Ex.: “A gente não sabemos escolher presidente.
A gente não sabemos tomar conta da gente.” (Ultraje a Rigor)

Nos casos de silepse de pessoa há, por parte do autor, uma clara intromissão, característica do
discurso indireto livre, quando, ao informar, o emissor se coloca como parte da ação.

Figuras de Pensamento

São recursos de linguagem que se referem ao aspecto semântico, ou seja, ao significado dentro de
um contexto.

Antítese: É a aproximação de palavras de sentidos contrários, antagônicos.


Exemplos: “Onde queres prazer, sou o que dói
E onde queres tortura, mansidão
Onde, queres um lar, Revolução
E onde queres bandido, sou herói.” (Caetano Veloso)

Apostila gerada especialmente para: Beatriz de Jesus de Oliveira Barros 028.993.602-05


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Paradoxo ou Oxímoro: É mais que a aproximação antitética; é a própria ideia que se contradiz.
Exemplos:
a) “O mito é o nada que é tudo.” (Fernando Pessoa)
b) “Mas tão certo quanto o erro de seu barco a motor é insistir em usar remos.” (Legião Urbana)

Apóstrofe: É a evocação, o chamamento. Identifica-se facilmente na função sintática do VOCATIVO.


Exemplos: “Ó lindo mar verdejante,
tuas ondas entoam cantos,
és tu o dono reinante
das brancas marés espumantes ... “ (Nel de Moraes)

Perífrase: Designação dos objetos, acidentes geográficos, indivíduos e outros que não queremos
simplesmente nomear.
Exemplos:
a) “Última Flor do Lácio, inculta e bela,
és a um tempo esplendor e sepultura.” (Olavo Bilac)
Flor do Lácio (= Língua Portuguesa)

b) Cidade Luz [= Paris)


c) Veneza Brasileira (= Recife)
d) Cidade Maravilhosa (= Rio de Janeiro)
e) Rei dos Animais (= leão)

Gradação: É uma sequência de palavras ou ideias que servem de intensificação numa sequência
temporal.
Ex.: “Dissecou-a a tal ponto, e com tal arte, que ela,
Rota, baça, nojenta, vil.” (Raimundo Corrêa)

Ironia: Consiste em dizer o oposto do que se pensa, com intenção sarcástica ou depreciativa.
Exemplos:
a) “A excelente Dona lnácia era mestra na arte de judiar de criança.” (Monteiro Lobato)
b) “Dona Clotilde, o arcanjo do seu filho quebrou minhas vidraças.”

Hipérbole: É a figura do exagero, a fim de proporcionar uma imagem chocante ou emocionante.


Exemplos:
a) “Rios te correrão dos olhos, se chorares!” (Olavo Bilac)
b) “Existem mil maneiras de preparar Neston.”

Eufemismo: Figura que atenua ideias desagradáveis ou penosas.


Exemplos:
a) “E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir
Deus lhe pague.” (Chico Buarque)
Paz derradeira = morte

b) “Aquele homem de índole duvidosa apropriou-se (ladrão) indevidamente dos meus pertences.”
(roubou)

Disfemismo: Expressão grosseira em lugar de outra, suave, branda.


Ex.: Você não passa de um porco ... um pobretão.

Personificação ou Prosopopeia: Consiste em dar vida a seres inanimados.


Exemplos:
a) “O vento beija meus cabelos
As ondas lambem minhas pernas
O sol abraça o meu corpo.” (Lulu Santos - Nelson Motta)

b) “Sob o sol respira o mar,


dedilhando as ondas, belo olhar.
Faiscando espumas, lágrimas

Apostila gerada especialmente para: Beatriz de Jesus de Oliveira Barros 028.993.602-05


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saúdam sereias amantes:
Te escutam, te amam, te lambem.” (Nel de Moraes)

Reificação: Consiste em 'coisificar' os seres humanos.


Exemplo: “Tia, já botei os candidatos na lista.”

Lítotes: Consiste em negar por afirmação ou vice-versa.


Exemplos:
a) “Ela até que não é feia.” (logo, é bonita!)
b) “Você está exagerando. Não subestime a sua inteligência.” (porque ela é inteligente.)

Questões

01. (IF/PA - Assistente em Administração - FUNRIO) “Quero um poema ainda não pensado, / que
inquiete as marés de silêncio da palavra ainda não escrita nem pronunciada, / que vergue o ferruginoso
canto do oceano / e reviva a ruína que são as poças d’água. / Quero um poema para vingar minha insônia.”
(Olga Savary, “Insônia”)

Nesses versos finais do poema, encontramos as seguintes figuras de linguagem:


(A) silepse e zeugma
(B) eufemismo e ironia.
(C) prosopopeia e metáfora.
(D) aliteração e polissíndeto.
(E) anástrofe e aposiopese.

02. (IF/PA - Auxiliar em Administração - FUNRIO) “Eu sou de lá / Onde o Brasil verdeja a alma e o
rio é mar / Eu sou de lá / Terra morena que eu amo tanto, meu Pará.” (Pe. Fábio de Melo, “Eu Sou de
Lá”)
Nesse trecho da canção gravada por Fafá de Belém, encontramos a seguinte figura de linguagem:
(A) antítese.
(B) eufemismo.
(C) ironia
(D) metáfora
(E) silepse.

03. (Pref. de Itaquitinga/PE - Técnico em Enfermagem - IDHTEC)

MAMÃ NEGRA (Canto de esperança)

Tua presença, minha Mãe - drama vivo duma Raça, Drama de carne e sangue Que a Vida escreveu
com a pena dos séculos! Pelo teu regaço, minha Mãe, Outras gentes embaladas à voz da ternura ninadas
do teu leite alimentadas de bondade e poesia de música ritmo e graça... santos poetas e sábios... Outras
gentes... não teus filhos, que estes nascendo alimárias semoventes, coisas várias, mais são filhos da
desgraça: a enxada é o seu brinquedo trabalho escravo - folguedo... Pelos teus olhos, minha Mãe Vejo
oceanos de dor Claridades de sol-posto, paisagens Roxas paisagens Mas vejo (Oh! se vejo! ...) mas vejo
também que a luz roubada aos teus [olhos, ora esplende demoniacamente tentadora - como a Certeza...
cintilantemente firme - como a Esperança... em nós outros, teus filhos, gerando, formando, anunciando -
o dia da humanidade.
(Viriato da Cruz. Poemas, 1961, Lisboa, Casa dos Estudantes do Império)

O poema, Mamã Negra:


(A) É uma metáfora para a pátria sendo referência de um país africano que foi colonizado e teve sua
população escravizada.
(B) É um vocativo e clama pelos efeitos negativos da escravização dos povos africanos.
(C) É a referência resumida a todo o povo que compõe um país libertado depois de séculos de
escravidão.

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(D) É o sofrimento que acometeu todo o povo que ficou na terra e teve seus filhos levados pelo
colonizador.
(E) É a figura do colonizador que mesmo exercendo o poder por meio da opressão foi “ninado “ela
Mamã Negra.

04. (Pref. de Florianópolis/SC - Auxiliar de Sala - FEPESE) Analise as frases abaixo:


1. “Calções negros corriam, pulavam durante o jogo.”
2. A mulher conquistou o seu lugar!
3. Todo cais é uma saudade de pedra.
4. Os microfones foram implacáveis com os novos artistas.

Assinale a alternativa que corresponde correta e sequencialmente às figuras de linguagem


apresentadas:
(A) metáfora, metonímia, metáfora, metonímia
(B) metonímia, metonímia, metáfora, metáfora
(C) metonímia, metonímia, metáfora, metonímia
(D) metonímia, metáfora, metonímia, metáfora
(E) metáfora, metáfora, metonímia, metáfora

05. (COMLURB - Técnico de Segurança do Trabalho - IBFC) Leia o poema abaixo e assinale a
alternativa que indica a figura de linguagem presente no texto:

Amor é fogo que arde sem se ver


Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer; (Camões)

(A) Onomatopeia
(B) Metáfora
(C) Personificação
(D) Pleonasmo

06. (Prefeitura de Paulínia/SP - Agente de Fiscalização - FGV)

Descaso com saneamento deixa rios em estado de alerta

A crise hídrica transformou a paisagem urbana em muitas cidades paulistas. Casas passaram a contar
com cisternas e caixas-d’água azuis se multiplicaram por telhados, lajes e até em garagens. Em regiões
mais nobres, jardins e portarias de prédios ganharam placas que alertam sobre a utilização de água de
reuso. As pessoas mudaram seu comportamento, economizaram e cobraram soluções.
As discussões sobre a gestão da água, nos mais diversos aspectos, saíram dos setores tradicionais e
técnicos e ganharam espaço no cotidiano. Porém, vieram as chuvas, as enchentes e os rios urbanos
voltaram a ficar tomados por lixo, mascarando, de certa forma, o enorme volume de esgoto que muitos
desses corpos de água recebem diariamente.
É como se não precisássemos de cada gota de água desses rios urbanos e como se a água limpa que
consumimos em nossas casas, em um passe de mágica, voltasse a existir em tamanha abundância, nos
proporcionando o luxo de continuar a poluir centenas de córregos e milhares de riachos nas nossas
cidades. Para completar, todo esse descaso decorrente da falta de saneamento se reverte em
contaminação e em graves doenças de veiculação hídrica.
Dados do monitoramento da qualidade da água – que realizamos em rios, córregos e lagos de onze
Estados brasileiros e do Distrito Federal – revelaram que 36,3% dos pontos de coleta analisados
apresentam qualidade ruim ou péssima. Apenas 13 pontos foram avaliados com qualidade de água boa
(4,5%) e os outros 59,2% estão em situação regular, o que significa um estado de alerta. Nenhum dos
pontos analisados foi avaliado como ótimo.
Divulgamos esse grave retrato no Dia Mundial da Água (22 de março), com base nas análises
realizadas entre março de 2015 e fevereiro de 2016, em 289 pontos de coleta distribuídos em 76
municípios.
(MANTOVANI, Mário; RIBEIRO, Malu. UOL Notícias, abril/2016.)

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Em termos de linguagem figurada, o fato de a divulgação do texto ter sido feita no Dia Mundial da Água
funciona como
(A) metáfora.
(B) pleonasmo.
(C) eufemismo.
(D) ironia.
(E) hipérbole.

07. (Pref. de Chapecó/SC - Engenheiro de Trânsito - IOBV)

O OUTRO LADO

só assim o poema se constrói:


quando o desejo tem forma de ilha
e todos os planetas são luas, embriões da magia
então podemos atravessar as chamas
sentir o chão respirar
ver a dança da claridade
ouvir as vozes das cores
fruir a liberdade animal
de estarmos soltos no espaço
ter parte com pedra e vento
seguir os rastros do infinito
entender o que sussurra o vazio
– e tudo isso é tão familiar
para quem conhece
a forma do sonho
(WILLER, Claudio, Estranhas experiências, 2004, p. 46)

No poema acima, do poeta paulista Claudio Willer (1940), no verso “ouvir as vozes das cores”, entre
outros versos, é expressa uma figura de linguagem. Esta pode ser assim definida: “Figura que consiste
na utilização simultânea de alguns dos cinco sentidos”
(CAMPEDELLI, S. Y. e SOUZA, J. B. Literatura, produção de textos & gramática. São Paulo, Saraiva, 1998, p. 616).

Como é denominada esta figura de linguagem?


(A) Eufemismo.
(B) Hipérbole.
(C) Sinestesia.
(D) Antítese.

08. (MPE/RJ - Técnico do Ministério Público - FGV)

A charge acima apresenta uma estrutura que poderia ser representada pelo seguinte tipo de linguagem
figurada:
(A) antítese;
(B) paradoxo;

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(C) metonímia;
(D) pleonasmo;
(E) eufemismo.

09. (PC-SP - Investigador de Polícia - VUNESP/2018)

Meio-dia

A tarde é uma tartaruga com o casco empoeirado a arrastar-se penosamente, as sombras foram
esconder-se debaixo da barriga dos cavalos, tudo parece uma infinita quarentena – mas está marcado
exatamente meio-dia nos olhos dos gatos.
(Mario Quintana, Da preguiça como método de trabalho)

Na passagem – A tarde é uma tartaruga com o casco empoeirado… –, a figura presente é


(A) a metáfora, associando-se a tarde à ideia de lentidão da passagem do tempo.
(B) a sinestesia, misturando-se sensações para descrever a tarde vagarosa.
(C) a catacrese, configurando-se a morosidade da tartaruga como ideia cristalizada.
(D) o eufemismo, abrandando-se o sentido da ideia de enfado vivido na tarde.
(E) a metonímia, substituindo-se a ideia de vagarosidade por tartaruga.

10. (CISMEPAR/PR - Advogado - FAUEL)

O assassino era o escriba


Paulo Leminsky

Meu professor de análise sintática era o tipo do


sujeito inexistente.
Um pleonasmo, o principal predicado da sua vida,
regular como um paradigma da 1ª conjugação.
Entre uma oração subordinada e um adjunto
adverbial,
ele não tinha dúvidas: sempre achava um jeito
assindético de nos torturar com um aposto.
Casou com uma regência.
Foi infeliz.
Era possessivo como um pronome.
E ela era bitransitiva.
Tentou ir para os EUA.
Não deu.
Acharam um artigo indefinido em sua bagagem.
A interjeição do bigode declinava partículas
expletivas,
conectivos e agentes da passiva, o tempo todo.
Um dia, matei-o com um objeto direto na cabeça.

A respeito da identificação do sujeito do texto com um “pleonasmo”, podemos afirmar que se trata de
uma figura de linguagem cujas características apontam para:
(A) a redundância e a repetitividade.
(B) a insegurança e o excesso.
(C) a circunspecção e a introversão.
(D) o talento e a comodidade.

Gabarito

01.C / 02.D / 03.A / 04.C / 05.B / 06.D / 07.C / 08.A / 09.A / 10.A

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Comentários

01. Resposta: C
Prosopopeia - significa atribuir a seres inanimados (sem vida) características de seres animados
ou atribuir características humanas a seres irracionais.
Metáfora - é uma figura de linguagem onde se usa uma palavra ou uma expressão em um sentido
que não é muito comum, revelando uma relação de semelhança entre dois termos.
“Quero um poema ainda não pensado, / que inquiete as marés → de silêncio da palavra ainda não
escrita nem pronunciada, / que vergue o ferruginoso → canto do oceano / e reviva a ruína → que são
as poças d’água. / Quero um poema para vingar minha insônia.”

02. Resposta: D
“Eu sou de lá / Onde o Brasil verdeja a alma e o rio é mar / Eu sou de lá / Terra morena que eu amo
tanto, meu Pará.”
Comparação implícita
Metáfora - Figura de Palavra.
Antítese, Eufemismo, Ironia - Figura de Pensamento.
Silepse - Figura de Construção.

03. Resposta: A
Figuras de palavras (ou tropos) são figuras que se caracterizam por alterar o sentido próprio de uma
palavra. São elas: metáfora, metonímia, catacrese, perífrase, sinestesia e comparação.
Metáfora consiste em usar uma palavra pela outra por força de uma comparação mental.
O vocábulo mãe em sentido denotativo indica aquela que deu à luz, criou, deu segurança, carinho etc.
No texto o vocábulo é associado ao drama de carne e sangue, desgraça, dor vivido pelos escravos. Nessa
linha o título "mamã negra" é uma comparação mental entre "mãe" (sentido denotativo) e o país
(continente) africano.
Exemplos de metáfora: Ela é um anjo de doçura, e ele é um cavalo de grosseria.
Fonte: Nova Gramática da Língua Portuguesa - Rodrigo Bezerra

04. Resposta: C
Note que ambas são figuras de linguagem, e cada uma tem suas características:
A - Metáfora. Comparação implícita entre seres que nós fazemos. Nessa comparação não usamos a
palavra 'como'. Exemplo: Meu cartão de crédito é uma navalha. [Navalha = no sentido que corta profundo,
cartão como navalha significa que prejudica muito a vida financeiro]. Outro exemplo: Essa mulher é uma
cobra [cobra = sentido de perigosa, astuta]
B - Metonímia. Substitui um ser por outro com alguma relação de significa. Exemplo: O bonde passa
cheio de pernas. [Pernas = pessoas].
Com isso vamos analisar as alternativas:
(A)” Calções negros corriam, pulavam durante o jogo.” - calções = jogadores. Metonímia
(B) A mulher conquistou o seu lugar! - mulher = mulheres [representando todas as classes de
mulheres]. Metonímia.
(C) Todo cais é uma saudade de pedra. Comparação do cais com uma saudade de pedra. Metáfora.
(D) Os microfones foram implacáveis com os novos artistas. [Microfones = os críticos] Metonímia.

05. Resposta: B
METÁFORA: Apresenta uma palavra utilizada em sentido figurado, uma palavra utilizada fora da sua
acepção real, em virtude de uma semelhança submetida. É uma comparação sem elementos
comparativos.

06. Resposta: D
Dia mundial da água: Dia de comemorar
Porém, não há tanto o que comemorar diante de tantos fatos “ruins” ocorridos com a água. Logo, uma
ironia.

07. Resposta: C
Sinestesia ocorre quando há uma combinação de diversas impressões sensoriais (visuais, auditivas,
olfativas, gustativas e táteis) entre si, e também entre as referidas sensações e sentimentos.

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08. Resposta: A
(A) antítese; (oposição de ideias, neste caso explicitada pela divergência entres os tempos em relação
ao consumo de comida)
(B) paradoxo; (também dão a ideia de oposição, todavia de maneira expressamente absurda como por
exemplo: “quanto mais trabalha, mais fico pobre”, é um absurdo trabalhar tanto e mesmo assim ficar
pobre.
(C) metonímia; (ideia entre dois termos que se substituem, como por exemplo: “li Machado de Assis”.
Você provavelmente não leu “O” Machado de Assis, mas sim um livro que ele escreveu.
(D) pleonasmo; (repetição de ideias)
(E) eufemismo. (suavização, amenização de um tratamento ao qual poderia ser empregado de modo
grosseiro: faltar com a verdade significa mentir.

09. Resposta: A
Metáfora: emprego de palavra fora do seu sentido normal, por analogia, ex. A Amazônia é o pulmão
do mundo.
Sinestesia: quando se cruzam sensações diferentes, ex. Doce esperança. (paladar x sentimento)
Catacrese: emprego impróprio de uma palavra, por não se dispor de palavra própria para designar
certas ações, ex. Enterrar uma agulha na pele. (pele não é terra para ser enterrada)
Metonímia: substituição de um nome por outro em virtude de uma semelhança, ex. A juventude
brasileira. (juventude = jovens)

10. Resposta: A
Pleonasmo é a redundância de termos no âmbito das palavras, mas de emprego legítimo em certos
casos, pois confere maior vigor ao que está sendo expresso (p.ex.: ele via tudo com seus próprios olhos).

Vícios de linguagem

Vícios de Linguagem29 são todos os desvios da norma gramatical, semânticos, quer sejam
morfológicos, ou ainda sintáticos.

Barbarismo

São erros produzidos por inobservância das regras semânticas, ortográficas e flexionadas, são eles:

- Ortoépicos: são os erros de pronúncia das palavras.


Ex.: eu robo /ó/, em vez de eu roubo.

- Ortográficos: são erros de ortografia.


Ex.: magestade (em vez de majestade), xuxu (em vez de chuchu)

Importante: Algumas palavras não constituem barbarismo ortográfico por possuírem dupla grafia:

Abdômen ou abdome Catorze ou quatorze


Afeminado ou efeminado Degelar ou desgelar
Aluguel ou aluguer Derrubar ou derribar
Apostila ou apostilha Flauta ou frauta
Arrebentar ou rebentar Hidravião ou hidroavião
Arrebitar ou rebitar Infarto, enfarto ou enfarte
Assoalho ou soalho Loiro ou louro
Assobio ou assovio Nenê ou neném
Assoprar ou soprar Rasto ou rastro
Bêbado ou bêbedo Trilhão ou trilião
Observação: as palavras em negrito são as que prevalecem por causa de sua origem.

29
SCHICAIR. Nelson M. Gramática do Português Instrumental. 2ª. ed Niterói: Impetus, 2007.

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- Prosódicos: são os erros provocados por alteração da posição da sílaba tônica.
Ex.: interim (em vez de ínterim), púdico (em vez de pudico).

- Semânticos: são as palavras empregadas com impropriedade vocabular.


Ex.: Vamos retificar tudo na seção de amanhã. (Vamos ratificar tudo na sessão de amanhã.)

- Flexionais: são erros que se cometem ao se flexionar um vocábulo seja em número, grau, gênero
ou pessoa.
Ex.: barzinhos (em vez de "barezinhos"); o óculos (em vez de "os óculos").

Solecismos

São os erros produzidos pela inobservância das regras de sintaxe, que podem ser:
- De regência
Ex.: Chego em casa cedo e vou na festa da Martinha. (Chego a casa cedo e vou à festa da Martinha.);

- De concordância
Ex.: Mora duas casa depois das minhas irmã. (duas casas - minhas irmãs);

- De colocação
Ex.: Havia dito-me mentiras e loucuras (Havia-me dito...);

Ambiguidade ou Anfibologia

Ocorrência de duplo sentido na frase. Exemplos:


A senhora idosa viu o incêndio do prédio.
Dona Marta ficou em frente à escada rolante parada.

Preciosismo

Linguagem rebuscada, com prejuízo da clareza. Exemplos:


O servilismo ao Código Apriorístico é de mister significância à plebe.
Ou seja: A obediência à Constituição é fundamental ao desenvolvimento da população.

A eloquente verborragia de teus ditames balouçam minha inerme consciência.


Ou seja: A fácil capacidade de falar e impor suas vontades embaralham meu pouco conhecimento.

Plebeísmo

Linguagem vulgar, coloquialismo típico de quem não possui escolaridade. É o contrário do


preciosismo. Exemplo:
Eu tô achando que vô si dá bem no concurso.
Ou seja: Eu tenho certeza de que conseguirei passar no concurso.

Redundância, Pleonasmo Vicioso ou Tautologia

É a mera repetição de palavra ou expressão. Exemplos:


Solicito, por favor, a gentileza de enviar-me o documento solicitado.
Há muito tempo atrás ...
Agradeça a Deus por comer essa comida, meu filho.

Exemplos de Tautologias consagradas:

elo de ligação infiltrar para dentro


acabamento final acabar de uma vez
certeza absoluta superávit positivo
número exato vandalismo criminoso
prêmio extra conviver junto

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ganhar grátis encarar de frente
juntamente com enfrentar de cara
expressamente proibido fato real
em duas metades iguais multidão de pessoas
há anos atrás amanhecer o dia
hemorragia de sangue criança nova
monopólio exclusivo refazer tudo de novo
vereador da cidade compartilhar conosco
outra alternativa surpresa inesperada
girar em torno completamente vazio

Cacofonia

Efeito desagradável decorrente de construção mal elaborada na oralidade.


- Cacófato - encontro de sílabas de dois ou mais vocábulos, ocasionando formação de outro sentido,
inconveniente ou pejorativo.
Ex.: Amo ela desde que vi ela e beijei a boca dela!
Reescritura: Eu a amo desde que a vi e beijei sua boca.

- Colisão - sequência de consoantes iguais.


Ex.: Se se estuda, aprende-se certo;
Reescritura: Caso estude, é certo que aprenda.

- Eco - terminação repetida.


Ex.: a) Decida se formicida ou germicida é bactericida, Cida!
b) A gente sente que a mente latente está descontente.

- Hiato - vogais sucessivas.


Ex.: a) Não vai à aula à tarde?
b) Exegese é esse esplendor?

- Obscuridade: Consiste em construir a frase de tal modo que o sentido se torne obscuro,
embaraçado, ininteligível, confuso.
Exemplos:
Foi evitada uma efusão de sangue inútil. Sangue é inútil? Reflita.
(em vez de "efusão inútil de sangue").

- Parequema: Consiste em principiar uma palavra com sílaba igual ou muito semelhante à última sílaba
da palavra antecedente.
Exemplos: Cama macia; capa parda; sempre presente; alegre grito.

- Arcaísmo: Consiste em utilizar-se de palavra ou expressão que, apesar de correta, está em desuso.
Exemplos: Frecha (em vez de flecha); cousa (em vez de coisa); panegírico (em vez de elogio).

- Neologismo: Palavra ou expressão nova introduzida na língua por questões estilísticas. Costumam-
se classificar os neologismos em:

- Extrínsecos - são os estrangeirismos. Exemplos:


Fazer um "background";
Pedir "login" e senha.

- Intrínsecos ou Vernáculos - são formados com os recursos da própria língua culta ou popular.
Os de origem culta subdividem-se em:
1) Científicos / técnicos: taxímetro (redução: táxi), telespectador, aeromoça, penicilina, televisão,
comunista, etc.
2) Literários ou artísticos: tigresa, sesquiorelhal, paredro (= pessoa importante, prócer), vesperal,
etc.

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Observação: Os neologismos populares são gírias: 'Sacar' (entender, saber do assunto); 'a
pampa'(muito); legal (excelente); biruta, transa, com certeza, etc.

Questões

01. Responda a alternativa correta:


I - Meu pai era homem de imaginação; escapou à tanoaria nas asas de um calembour. Era um bom
caráter, meu pai, varão digno e leal como poucos.
II - Ela tinha agora a beleza da velhice, um ar austero e maternal; estava menos magra do que quando
a vi, na vez passada, numa festa de São João, na Tijuca.
III - Creio que prefere mais a anedota do que a reflexão, como os outros leitores, seus confrades, e
acho que faz muito bem.

Os textos apresentam, respectivamente:


(A) cacófato, eco e pleonasmo.
(B) solecismo, cacófato e hiato.
(C) obscuridade, eco e barbarismo.
(D) galicismo, cacófato e solecismo.

02. “O vereador cumprimentou o deputado em seu gabinete”. A frase apresenta:


(A) eco.
(B) barbarismo.
(C) cacofonia
(D) ambiguidade.

03. Dentre as frases a seguir, a única que não contém solecismo é:


(A) Concluído os relatórios, enviaram o material ao Diretor.
(B) Os adevogados desta empresa ganharam todas as causas.
(C) A Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro está situada à Rua Afonso Cavalcanti.
(D) Dado os resultados da última pesquisa, o grupo está confiante.

04. (Pref. Lages/SC - Procurador - FEPESE/2016) Vivia longe dos homens, só se dava bem com
animais. Os seus pés duros quebravam espinho e não sentiam a quentura da terra. Montado, confundia-
se com o cavalo, grudava-se a ele. E falava uma linguagem cantada, monossilábica e gutural, que o
companheiro entendia. A pé, não se aguentava bem. Pendia para um lado, para o outro, cambaio, torto
e feio. Às vezes utilizava, na relação com as pessoas, a mesma língua com que se dirigia aos brutos –
exclamações, onomatopeias. Na verdade, falava pouco. Admirava as palavras compridas e difíceis da
gente da cidade, tentava reproduzir algumas, em vão, mas sabia que elas eram inúteis e talvez perigosas.
Graciliano Ramos – Vidas Secas – excerto

Identifique abaixo as afirmativas corretas (C) e as erradas (E).

( ) A frase: “O personagem interviu na fala do companheiro” apresenta um vício de linguagem.


( ) Em: “Prefiro isso àquilo” temos um desvio da norma culta no uso da crase.
( ) Polissemia consiste em agrupar em uma, palavras sensações vindas dos vários órgãos do sentido,
como em “O sol de outono caía com uma luz pálida e macia”.
( ) Há a presença de parônimos na frase: “O cumprimento foi dado ao rapaz que tinha o comprimento
exato daquelas paragens”.
( ) Na redação oficial, os pronomes de tratamento requerem o verbo na terceira pessoa do plural.
Assim, está certa a seguinte oração: “Aguardamos que Vossa Senhoria se manifeste a respeito do nosso
pedido”.

Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.


(A) C - C - E - C - E
(B) C - E - C - E - E
(C) C - E - E - C - C
(D) E - C - E - E - C
(E) E - E - C - C - C

Apostila gerada especialmente para: Beatriz de Jesus de Oliveira Barros 028.993.602-05


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05. (TRE/SP - Analista Judiciário - FCC/2017) Em “Ele desceu para baixo agora mesmo.”, o Vício de
Linguagem expresso é:
(A) Solecismo.
(B) Cacofonia ou cacófato.
(C) Barbarismo.
(D) Estrangeirismo.
(E) Pleonasmo vicioso.

06. Todas as alternativas abaixo contêm barbarismo, exceto:


(A) A seleção brasileira está desde ontem sobre "linha dura" na Toca da Raposa.
(B) Todas as razões do mundo não conseguiram justificar aquele jesto
(C) Esperava que nesse interim sua situação financeira melhorasse.
(D) A estada do Presidente no hotel foi de três dias.
(E) O mecanismo do elevador engasgou e ele se deteu.

Gabarito

01.D / 02.D / 03.B / 04.C / 05.B / 06.D

Comentários

01. Resposta: D
I – “calembour” palavra de origem francesa
II – “vez passada” / vespa assada?
III – “prefere mais a anedota do que a reflexão” – solecismo de regência. Correção: prefere a anedota
a reflexão.

02. Resposta: D
gabinete do vereador ou do deputado?

03. Resposta: B
em adevogados, há um barbarismo

04. Resposta: C
(C) Interviu está errado! É interveio! Há vício de linguagem!
(E) Não apresenta vício. Preferir algo à outra coisa!
(E) Polissemia é vários significados!
(C) Parônimo - vocábulos Parecidos na escrita e Parecidos na fonética (Cumprimento/Comprimento);
(C) Verbos sempre concordaram com a 3ª Pessoa (singular ou plural) e não com os Pronomes
Vosso(a) (2ª Pessoa);

05. Resposta: B
I - O verbo reconhecer é VTD. Em VTD utiliza-se os pronomes oblíquos: o, a, os, as, na, no.
II - O verbo Ver é VTD. Os pronomes oblíquos adequados são: o, a, os, as, na, no. Porém, existe uma
palavra atrativa (NÃO) que atrai o pronome para antes do verbo. Ficando " não (palavra
atrativa) a (pronome) vejam como"
III- verbo aproveitar pode estar transitivo direto com sentido de fazer bom uso de; usar bem; tirar
vantagem de (algo ou alguém)."Aproveitei as sobras e fiz uma sopa."
O verbo aproveitar é transitivo indireto com a preposição "de" quando estiver pronominal. Ex.: O
malandro se aproveitou da mocinha romântica.
No texto, o verbo é VTI. Por isso, o pronome "ela" deve ser flexionado para "dela" (de+ela). E, também,
por possuir o elemento atrativo "que", deve ser atraído para a frente do verbo... Ficando: que (elemento
atrativo) dela (pronome) se aproveitem.

06. Resposta: D
A) barbarismo de morfologia: sobre em vez de sob
B) barbarismo de grafia; jesto em vez de gesto
C) barbarismo de pronúncia: interim em vez de ínterim
E) barbarismo de morfologia: deteu em vez de deteve

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Retórica e teoria da argumentação. Fundamentos de retórica. Teoria da
argumentação: formas de raciocínio; raciocínio e argumento; dedução e
indução; o raciocínio categórico-dedutivo. Vícios de raciocínio: tautologia;
generalização falsa; conclusão não decorrente; analogia improcedente; ausência
de conclusão; sofisma

Retórica30

A retórica surgiu na Grécia Antiga, como uma prática metódica, ensinada, de uso da eloquência.
Emergiu na Sicília, por volta do século V antes de Cristo.
O tirano Corax precisava responder a uma multidão que exigia a resolução de problemas. Consegui
obter sucesso em sua explicação, por conta de um discurso eloquente que convenceu a multidão. Ao ver
seu êxito, Corax resolveu ensinar a retórica como arte da oratória e da persuasão.
Como pode ser notado, a retórica emergiu em um contexto judiciário, numa situação de acusação e
defesa-justificação.
Essa arte ganhou tanta atenção que se confunde com o desenvolvimento da democracia grega,
passando a ser ensinada em seu sistema de educação e vista como fundamental na ação política, na
administração das cidades e no sistema de decisão, deliberação e julgamento de causas nos tribunais.
Os gregos tinham a retórica como uma arte da eloquência. Seu estudo corresponde ao estudo do
discurso e das técnicas para persuadir, manipular ou convencer uma plateia. Quintiliano define a retórica
como: “a retórica é a are de falar sobre o que constitui um problema nos negócios cíveis, de maneira a
persuadir”.
A retórica era dividida em três gêneros de discursos:

Gênero Judiciário
Era a prática de acusação ou defesa nos tribunais, sustentado no critério de “justo”. Seu principal meio
de argumentação era o antimema, algo como um raciocínio dedutivo.

Gênero Deliberativo
Tinha a função de orientar as decisões das assembleias públicas sobre o que seria de utilidade à
cidade. A analogia e o exemplo eram seus principais argumentos.

Gênero Epidíctico
Era a louvação acerca do critério do belo e sua argumentação principal era a amplificação.

O ensino da retórica também era dividido em quatro partes, que serviam para uma melhor estruturação
do discurso.

Invenção
Ocupa-se da concepção inicial do discurso, buscando um tema essencial e os argumentos mais
pertinentes, paradigma ou antimema, por exemplo. A invenção também era constituída pelos lugares
comuns, que eram utilizados em qualquer momento do discurso. A invenção compreendia uma busca
pelas razões verdadeiras que poderiam apoiar a causa.

Disposição
É colocar em ordem as razões, apresentar o discurso acompanhando um roteiro preciso. Começa pela
exortação, depois vem a narração, a confirmação e epílogo, que geralmente é patético, podendo comover
a plateia.

Elocução
Objetiva a adequação das palavras e pensamentos aos meios fornecidos pela invenção; apresenta um
estilo que é próprio do orador.

30
MARI, H. et all. Análise do discurso: fundamentos e práticas. Belo Horizonte: Núcleo de Análise do Discurso-FALE/UFMG, 2001.

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97
Ação
É a passagem ao ato, onde o discurso se materializa. Há a regulação de gestos e voz, assim como
mímicas e qualquer coisa que pode ajudar na amplificação dos efeitos do discurso.

Quem desempenhou um importante papel no desenvolvimento da retórica foram os sofistas, que eram
oradores hábeis, orgulhavam-se que podiam utilizar a arte da retórica para defender uma determinada
tese e, ao mesmo tempo, seu contrário.
Eles instrumentalizaram a linguagem visando a persuasão. Acentuaram com habilidade a
potencialidade do discurso, o poder da linguagem a serviço da política e a dimensão polissêmica das
palavras.
Platão considerava a retórica como algo que não era positivo, sujeita diversos tipos de manipulação.
Propôs a filosofia como discurso positivo de apreensão do real, tendo o logos como o discurso apodíctico
onde o conceito de verdade se torna real.
A noção de verdade possuía dois princípios fundamentais: o de conformidade com a realidade e o de
não-contradição.
Aristóteles também buscou desenvolver um trabalho de codificação da retórica. Com ele, a retórica
perde a definição sofística de arte da eloquência e do “falar bem”, torna-se um conjunto de técnicas
“racionais”, que buscam a persuasão de um auditório.
Para Aristóteles, o processo de questionamento se reduzia ao provável caráter de uma tese, que só
pode ser defensável se sua verdade for provável e previsível a priori.
A tese só consegue a adesão do auditório se estiver de acordo com as crenças desse auditório. A
relação entre orador e auditório é essencial.
O orador incorpora o Ethos, uma vez que sua credibilidade é função de seu caráter. O auditório, por
sua vez, representa o Pathos, as paixões que o orador precisa considerar em seu auditório. O logos é a
representação do discurso organizado efetivamente, de acordo com a situação para uma melhor
adaptação a ela e à tese defendida.

Gêneros do Discurso e Suas Características31

Finalidade Tempo Categoria Auditório Avaliação Argumentotipo


Judiciário Acusar / Passado Ética Juiz/jurados Justo / Entimema
Defender Injusto (dedutivo)
Deliberativo Aconselhar / Futuro Epistêmica Assembleia Útil / Exemplo
Desaconselhar Prejudicial (indutivo)
Epidíctico Elogiar / Presente Estética Espectador Belo / Feio Amplificação
Censurar

FALÁCIAS ARGUMENTATIVAS

Todo texto argumentativo32 busca convencer. Para alcançar esse objetivo, os argumentos tornam-se
imprescindíveis. Há várias estratégias argumentativas, as citações, exemplos, argumento, contra-
argumento, entre outras.
Todos os argumentos são válidos? Posso usar qualquer exemplo para embasar meu texto? Ao
argumentar, buscam-se razões que embasem uma conclusão, por isso é preciso tomar cuidado com as
falácias.

Falácia é um substantivo, derivado de um adjetivo latino fallace, que significa enganador, ilusório.
Todas as vezes em que um raciocínio errado ou mentiroso é colocado como verdadeiro ocorre a falácia.

Todo argumento falacioso pode encontrar razões psicológicas, íntimas, emocionais, mas nunca
lógicas. Por isso, é preciso estar atento à construção textual, porque o texto argumentativo deve usar
argumentos plausíveis, pautados na lógica. Então, cuidado com aqueles que parecem sustentar uma
conclusão, mas na realidade não sustentam.

31
MOSCA, L. L. S. Velhas e novas retóricas: convergências e desdobramentos. In: MOSCA, L. L. S. (org.). Retóricas de ontem e de hoje. 3ª ed. São Paulo:
Humanitas, 2004 [1997]. p. 17-54.
32
http://portugues.uol.com.br/redacao/fuja-falacia-no-texto-argumentativo.html
http://www.pucrs.br/gpt/falacias.php

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A seguir, veja alguns exemplos de argumentos falaciosos:

“Todo político é corrupto”.


“A violência no Brasil é resultado dos programas de TV.”
“Joana morreu depois de fazer radioterapia. Então quem tem câncer não deve fazer esse
procedimento.”

Os argumentos acima são falaciosos, visto que não são pautados na lógica, portanto, não podem
sustentar uma conclusão.
No primeiro exemplo, a afirmação não leva em consideração que possam existir políticos honestos. Já
no segundo, afirma-se que a única culpada pela violência é a mídia e isso não é uma verdade absoluta,
uma vez que a violência tem outras causas. No último exemplo, o fato de os eventos terem acontecido
em sequência, não significa que um seja a causa do outro.
Como visto acima, a falácia pode fragilizar sua argumentação, por isso não a use. Lembre-se de que
os argumentos precisam ser contundentes.

Tipos de Falácias

Apelo à força - Consiste em ameaçar com consequências desagradáveis se não for aceita ou acatada
a proposição apresentada. Ex.:
- Você deve se enquadrar nas novas normas do setor. Ou quer perder o emprego?
- É melhor exterminar os bandidos: você poderá ser a próxima vítima.
- Cala essa tua boca, ou não te dou o dinheiro para o show.
- Ou nós, ou a desgraça, o caos.

Contra-argumentação: Argumente que apelar à força não é racional, não é argumento, que a emoção
não tem relação com a verdade ou a falsidade da proposição.

Apelo à misericórdia, à piedade (ignorância de questão, fuga do assunto) - Consiste em apelar à


piedade, à misericórdia, ao estado ou virtudes do autor. Ex.: Ele não pode ser condenado: é bom pai de
família, contribuiu com a escola, com a igreja, etc.

Contra-argumentação: Argumente que se trata de questões diferentes, que o que é invocado nada tem
a ver com a proposição. Quem argumenta assim ignora a questão, foge do assunto.

Apelo ao povo - Consiste em sustentar uma proposição por ser defendida pela população ou parte
dela. Sugere que quanto mais pessoas defendem uma ideia mais verdadeira ou correta ela é. Incluem-
se aqui os boatos, o “ouvi falar”, o “dizem”, o “sabe-se que”. Ex.: Dizem que um disco voador caiu em
Minas Gerais, e os corpos dos alienígenas estão com as Forças Armadas.

Contra-argumentação: Os educadores, os professores, as mães têm o argumento: se todos querem


se atirar em alto mar, você também quer? O fato de a maioria acreditar em algo não o torna verdadeiro.

Apelo à autoridade - Consiste em citar uma autoridade (muitas vezes não qualificada) para sustentar
uma opinião. Ex.: Segundo Schopearhauer, filósofo alemão do séc. XIX, “toda verdade passa por três
estágios: primeiro, ela é ridicularizada; segundo, sofre violenta oposição; terceiro, ela é aceita como auto-
evidente”. (De fato, riram-se de Copérnico, Galileu e outros. Mas nem todas as verdades passam por
esses três estágios: muitas são aceitas sem o ridículo e a oposição. Por exemplo: Einstein).

Contra-argumentação: Mostre que a pessoa citada não é autoridade qualificada. Ou que muitas vezes
é perigoso aceitar uma opinião porque simplesmente é defendida por uma autoridade. Isso pode nos levar
a erro.

Apelo à novidade - Consiste no erro de afirmar que algo é melhor ou mais correto porque é novo, ou
mais novo. Ex.: Saiu a nova geladeira Pólo Sul. Com design moderno, arrojado, ela é perfeita para sua
família, sintonizada com o futuro.

Contra-argumentação: Mostre que o progresso ou a inovação tecnológica não implica


necessariamente que algo seja melhor.

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Apelo à antiguidade - É o erro de afirmar que algo é bom, correto apenas porque é antigo, mais
tradicional. Ex.: Essas práticas remontam aos princípios da Era Cristã. Como podem ser questionadas?

Contra-argumentação: Argumenta que o fato de um grande número de pessoas durante muito tempo
ter acreditado que algo é verdadeiro não é motivo para se continuar acreditando.

Falso dilema - Consiste em apresentar apenas duas opções, quando, na verdade, existem mais. Exs.:
- Brasil: ame-o ou deixe-o.
- Você prefere uma mulher cheirando a alho, cebola e frituras ou uma mulher sempre arrumadinha?
- Você não suporta seu marido? Separe-se!
- Quem não está a favor de mim está contra mim.

Contra-argumentação: Simples. Mostre que há outras opções.

Falso axioma - Um axioma é uma verdade auto-evidente sobre a qual outros conhecimentos devem
se apoiar. Exs.:
- duas quantidades iguais a uma terceira são iguais entre si.
- a educação é a base do progresso.

Muitas vezes atribuímos, no entanto, “status” de axioma a muitas sentenças ou máximas que são, na
realidade, verdades relativas, verdades aparentes. Ex.: Quem cedo madruga Deus ajuda.

Contra-argumentação: Mostre que muitas frases de efeito, impactantes, bombásticas, retóricas, muito
respeitadas podem ser meras estratégias mediantes as quais alguém tenta convencer, persuadir o
ouvinte/leitor em direção a um argumento. No caso dos provérbios, mostre que se contradizem:
- Ruim com ele, pior sem ele X Antes só do que mal acompanhado.

- Depois da tempestade vem a bonança X Uma desgraça nunca vem sozinha.


- Longe dos olhos, perto do coração X O que os olhos não veem o coração não sente.

Generalização não qualificada - É uma afirmação ou proposição de caráter geral, radical e que, por
isso, encerra um juízo falso em face da experiência. Ex.: A prática de esportes é prejudicial à saúde.

Contra-argumentação: Mostre que é necessário especificar os enunciados. Othon Garcia ilustra como
se pode especificar a falácia acima, dada como exemplo: A prática indiscriminada de certos esportes
violentos é prejudicial à saúde dos jovens subnutridos.

Generalização Apressada (erro de acidente) - Trata-se de tirar uma conclusão com base em dados
ou em evidências insuficientes. Dito de outro modo, trata-se de julgar todo um universo com base numa
amostragem reduzida. Exs.:
- Todo político é corrupto.
- Os padres são pedófilos.
- Os mulçumanos são todos uns fanáticos.

Contra-argumentação: Argumente que dois professores ruins não significam uma escola ruim; que em
ciência é preciso o maior número de dados antes de tirar uma conclusão; que não se pode usar alguns
membros do grupo para julgar todo o grupo.
Faça ver que se trata, na maioria das vezes, de estereótipo: imagem preconcebida de alguém ou de
um grupo. Faça ver também que são fonte de inspiração de muitas piadas racistas, como as piadas de
judeus (visto como avarento), de negro (vista como malandro ou pertencente a uma classe inferior), de
português (visto no Brasil como sem inteligência), etc.
É por isso que essa falácia está intimamente relacionada ao preconceito.

Ataque à pessoa - Consiste em atacar, em desmoralizar a pessoa e não seus argumentos. Pensa-se
que, ao se atacar a pessoa, pode-se enfraquecer ou anular sua argumentação. Ex.: Não deem ouvidos
ao que ele diz: ele é um beberrão, bate na mulher e tem amantes.
Observação: Uma variação de “argumentum ad homimem” é o “tu quoque” (tu também): Consiste em
atribuir o fato a quem faz a acusação. Por exemplo: se alguém lhe acusa de alguma coisa, diga-lhe “tu
também”! Isso, evidentemente, não prova nada.

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Contra-argumentação: Mostre que o caráter da pessoa não tem relação com a proposição defendida
por ela. Chamar alguém de corrupto, nazista, comunista, ateu, pedófilo, etc., não prova que suas ideias
estejam erradas.

Bola de Neve (derrapagem, redução ao absurdo reductio ad absurdum) - Consiste em tirar de


uma proposição uma série de fatos ou consequências que podem ou não ocorrer. É um raciocínio levado
indevidamente ao extremo, às últimas consequências. Exs.:
- Mãe, cuidado com o Joãozinho. Hoje, na escolinha, ele deu um beijo na testa de Mariazinha. Amanhã,
estará beijando o rosto. Depois.... quando crescer, vai estar agarrando todas as meninas.
- O álcool e uma dieta pobre também são grandes assassinos. Deve o governo regular o que vai à
nossa mesa? A perseguição à indústria de fumo pode parecer justa, mas também pode ser o começo do
fim da liberdade. (Veja, agosto 2000, p.36)

Contra-argumentação: Argumente dizendo que as consequências, os fatos, os eventos podem não


ocorrer.

Depois disso, logo por causa disso - É o erro de acreditar que em dois eventos em sequência um
seja a causa do outro. No extremo, é uma forma de superstição: eu estava com gravata azul e meu time
ganhou; portanto, vou usá-la de novo. Ex.: O chá de quebra-pedra é bom para cálculos renais. Tomei e
dois dias depois expeli a pedra.
Observação: uma variação deste sofisma é o chamado “non sequitur” (não se segue, “nada a ver”) em
que uma conclusão nada tem a ver com a premissa: Venceremos, pois Deus é bom. (Deus é bom, mas
não está necessariamente a seu lado; os inimigos podem dizer a mesma coisa).

Contra-argumentação: Mostre que correlação não é causação: o fato de que dois eventos aconteçam
em sequência não significa que um seja a causa do outro. Diga que pode ter sido apenas uma
coincidência.

Falsa analogia - Consiste em comparar objetos ou situações que não são comparáveis entre si, ou
transferir um resultado de uma situação para outra. Exs.:
- Minhas provas são sempre com consulta a todo tipo de material. Os advogados não consultam os
códigos? Os médicos não consultam seus colegas e livros? Não levam as radiografias para as cirurgias?
Os engenheiros, os pedreiros não consultam as plantas? Então?
- Os empregados são como pregos: temos que martelar a cabeça para que cumpram suas funções.
- Tomei mata-cura e fiquei bom. Tome você também.

Contra-argumentação: Argumente que os dois objetos ou situações diferem de tal modo que a analogia
se torna insustentável. Mostre que o que vale para uma situação não vale para outra.

Mudança do ônus da prova - Consiste em transferir ao ouvinte o ônus de provar um enunciado, uma
afirmação. Ex.: Se você não acredita em Deus, como pode explicar a ordem que há no universo?

Contra-argumentação: Mostre que o ônus da prova, isto é, a responsabilidade de provar um enunciado


cabe a quem faz a afirmação.

Falácia da ignorância - Consiste em concluir que algo é verdadeiro por não ter sido provado que é
falso, ou que algo é falso por não ter sido provado que é verdadeiro. Exs.:
- Ninguém provou que Deus existe. Logo, Deus não existe.
- Não há evidências de que os discos voadores não estejam visitando a Terra; portanto, eles existem.

Contra-argumentação: Argumente que algo pode ser verdadeiro ou falso, mesmo que não haja provas.

Exigência de perfeição - É o erro de reivindicar apenas a solução perfeita para qualquer plano. Ex.:
A automação cada vez maior dos elevadores desemprega muitas pessoas. Isso, portanto, é ruim,
economicamente desaconselhável.

Contra-argumentação: Argumente que planos, medidas ou soluções não devem ser vistos como
integralmente perfeitos ou prejudiciais. Mostre que podem existir objeções para qualquer medida. Que os
desvantagens de um plano são suplantados pelas vantagens.

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Questão complexa (pergunta capciosa, falácia da interrogação, da pressuposição) - Consiste em
apresentar duas proposições conectadas como se fossem uma única proposição, pressupondo-se que já
se tenha dado uma resposta a uma pergunta anterior. Exs.:
- Você já abandonou seus maus hábitos?
- Você já deixou de roubar no mercado onde trabalha?

Contra-argumentação: mostre que existem duas proposições e que uma pode ser aceita e outra não.

Questões

01. (TCM/SP - Agente de Fiscalização - FGV)

Alterar o ECA independe da situação carcerária


(O Globo, Opinião, 23/06/2015)

Nas unidades de internação de menores infratores reproduzem-se as mesmas mazelas dos presídios
para adultos: superpopulação, maus-tratos, desprezo por ações de educação, leniência com iniciativas
que visem à correição, falhas graves nos procedimentos de reinclusão social etc. Um levantamento do
Conselho Nacional do Ministério Público mostra que, em 17 estados, o número de internos nos centros
para jovens delinquentes supera o total de vagas disponíveis; conservação e higiene são peças de ficção
em 39% das unidades e, em 70% delas, não se separam os adolescentes pelo porte físico, porta aberta
para a violência sexual.
Assim como os presídios, os centros não regeneram. Muitos são, de fato, e também a exemplo das
carceragens para adultos, locais que pavimentam a entrada de réus primários no mundo da criminalidade.
Esta é uma questão que precisa ser tratada no âmbito de uma reforma geral da política penitenciária, aí
incluída a melhoria das condições das unidades socioeducativas para os menores de idade. Nunca, no
entanto, como argumento para combater a adequação da legislação penal a uma realidade em que a
violência juvenil se impõe cada vez mais como ameaça à segurança da sociedade. O raciocínio segundo
o qual as más condições dos presídios desaconselham a redução da maioridade penal consagra, mais
do que uma impropriedade, uma hipocrisia. Parte de um princípio correto – a necessidade de melhorar o
sistema penitenciário do país, uma unanimidade – para uma conclusão que dele se dissocia: seria
contraproducente enviar jovens delinquentes, supostamente ainda sem formação criminal consolidada, a
presídios onde, ali sim, estariam expostos ao assédio das facções.
Falso. A realidade mostra que ações para melhorar as condições de detentos e internos são
indistintamente inexistentes. A hipocrisia está em obscurecer que, se o sistema penitenciário tem
problemas, a rede de “proteção” ao menor consagrada no Estatuto da Criança e do Adolescente também
os tem. E numa dimensão que implica dar anteparo a jovens envolvidos em atos violentos, não raro crimes
hediondos, cientes do que estão fazendo e de que, graças a uma legislação paternalista, estão a salvo
de serem punidos pelas ações que praticam.
Preservar o paternalismo e a esquizofrenia do ECA equivale a ficar paralisado diante de um falso
impasse. As condições dos presídios (bem como dos centros de internação) e a violência de jovens
delinquentes são questões distintas, e pedem, cada uma em seu âmbito específico, soluções apropriadas.
No caso da criminalidade juvenil, o correto é assegurar a redução do limite da inimputabilidade, sem
prejuízo de melhorar o sistema penitenciário e a rede de instituições do ECA. Uma ação não invalida a
outra. Na verdade, as duas são necessárias e imprescindíveis.

Diante do leitor, a voz do autor do texto é:


(A) autoritária, pois mostra suas opiniões como certezas;
(B) politicamente aliciadora, pois tenta convencer por meio de falácias argumentativas;
(C) intimidadora, pois desconsidera intelectualmente os que participam de sua opinião;
(D) sedutora, pois tenta manipular argumentos para que os leitores possam ficar convencidos;
(E) pouco efetiva, pois o texto carece de conclusão que indique solução para o problema levantado.

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102
02. (DNPM - Técnico Administrativo - CESGRANRIO)

Como navegar em alto mar

A família Schürmann ficou conhecida no Brasil pelas viagens que fez pelo mundo a bordo de seu
veleiro. Como um de seus membros, posso dizer que vivemos incontáveis aventuras, mas descobrimos
que o nosso projeto ia além da busca por novas culturas e desafios. Percebemos que diariamente
vivíamos a realidade – e até mesmo o sonho – de muitos empresários. Aprendemos na prática o que
empresas e executivos procuram aprimorar no seu dia-a-dia, como, por exemplo, reagir em situações
adversas, enfrentar desafios e transformá-los em oportunidades, tomar decisões para administrar um
empreendimento com sucesso e conviver em equipe. Em nossas palestras, procuramos destacar que o
barco a vela é uma excelente ferramenta para fazer uma
analogia com as empresas. Nós vivemos durante 20 anos dentro de um veleiro de 44 metros quadrados.
Para que tudo desse certo nessas condições, foi preciso um bom planejamento, uma tripulação unida e
perseverança para enfrentar as mais inesperadas situações. As empresas passam por problemas
similares. Veja alguns deles:
Quando nos deparávamos com um mar tempestuoso, procurávamos enfrentá-lo com firmeza. A
análise das condições meteorológicas através de mecanismos de informações, como satélite, barômetro
e formações de nuvens nos ajudava a prever a dimensão da situação. Com esses dados em mãos, tudo
ficava mais fácil e previsível. Tínhamos também uma tripulação bem treinada. Numa empresa é a mesma
coisa. Você precisa utilizar os recursos tecnológicos e intelectuais disponíveis para cada uma das
situações. E, para se sentir seguro, não há nada melhor do que promover treinamentos periódicos e
sistemáticos.
Sempre que estamos no mar, temos de ajustar constantemente a embarcação, regular as velas, revisar
os materiais e preparar a tripulação. É importante administrar riscos em situações de pressão e tomar
decisões rápidas nos momentos difíceis.
Os ventos fortes sempre forçam o velejador a fazer mudanças de rumo, mas ele nunca esquece que
o objetivo precisa ser alcançado. Tem de encontrar soluções e fazer o barco se mover com rapidez e
segurança na tempestade. Para isso, deve contar com uma tripulação unida, em que cada um cumpre
bem o seu papel. Para que tudo siga o planejado, é preciso investir em comunicação. Em um veleiro
oceânico, assim como nas empresas, a comunicação é fator crítico para o sucesso.
Essas são algumas das lições preciosas que aprendemos em alto-mar. Acredite sempre em dias
melhores. Nem mesmo quando perdemos os nossos mastros em meio a uma tempestade na Nova
Zelândia e ficamos dias à deriva deixamos de acreditar. O segredo foi estarmos preparados para superar
momentos difíceis e tensos como aquele.
SCHÜRMANN, Heloisa, Revista Você S/A, Ago. 2004.

Uma "analogia" (l. 15) é um tipo de:


(A) alteração.
(B) comparação.
(C) exemplo.
(D) explicação.
(E) hierarquização.

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103
03. (IF/GO - Assistente em Administração - CS/UFG)

Na tira, a situação comunicativa estabelece uma relação hierárquica entre as personagens. O recurso
linguístico que estabelece a relação hierárquica e define a situação comunicativa é a
(A) analogia.
(B) personificação.
(C) comparação.
(D) intertextualidade.

Gabarito

01.A / 02.B / 03.A

Comentários

01. Resposta: A
O autor apresenta fatos e situações da população carcerária para realizar uma mudança no ECA, seus
argumentos, opiniões são autoritárias, porque é possível perceber os fatos que cita, que na maior parte
são fatos reais e péssimos, demonstrando uma certa arbitrariedade em sua opinião, compreendendo ser
a única alternativa.

02.Respota: B
Analogia é uma relação de semelhança estabelecida entre duas ou mais entidades distintas.

03.Resposta: A
A analogia aplicada na tirinha são as relações de hieraquia que é estabelecida no diálogo entre as
duas personagens.

Produção de textos. Elementos estruturais do texto: frase, oração e período;


coordenação e subordinação

Caro(a) candidato(a), esses assuntos já foram abordados na apostila de Língua Portuguesa.

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104
Parágrafo-padrão e tópico frasal

“Ideias confusas geram redações confusas”. Esta frase leva-nos a refletir sobre a organização33 das
ideias em um texto.
A eficácia do texto dependerá da forma pela qual estas ideias se apresentarão mediante o transcorrer
do discurso. Partindo deste pressuposto, temos a noção de quão importante é a estruturação dos
parágrafos, que permitem que o pensamento seja distribuído de forma lógica e precisa, com vistas a
permitir uma efetiva interação entre os interlocutores.
Obviamente que outros fatores relacionados à competência linguística do emissor participam deste
processo, entre estes: pontuação adequada, utilização correta dos elementos coesivos, de modo a
estabelecer uma relação harmônica entre uma ideia e outra, dentre outros.

Estruturação

Os elementos essenciais para a composição de um texto são: introdução, desenvolvimento e


conclusão34.
Analisemos cada uma das partes separadamente:

Introdução
Apresentação direta e objetiva da ideia central do texto.
Caracteriza-se por ser o parágrafo inicial.

Desenvolvimento
Estruturalmente, é a maior parte contida no texto.
O desenvolvimento estabelece uma relação entre a introdução e a conclusão, pois é nesta etapa que
as ideias, argumentos e posicionamento do autor vão sendo formados e desenvolvidos com o intuito de
dirigir a atenção do leitor para a conclusão.
Em um bom desenvolvimento as ideias devem ser claras e capazes de fazer com que o leitor anteceda
a conclusão.

Os três principais erros cometidos durante a elaboração do desenvolvimento são:


1. Distanciamento do texto em relação à discussão inicial.
2. Concentrar-se em apenas um tópico do tema e esquecer os demais.
3. Tecer muitas ideias ou informações e não conseguir organizá-las ou relacioná-las, dificultando,
assim, a linha de entendimento do leitor.

Conclusão
É o ponto de chegada de todas as argumentações elencadas no desenvolvimento, ou seja, é o
fechamento do texto e dos questionamentos propostos pelo autor.
Na elaboração da conclusão deve-se evitar as construções padrões como: “Portanto, como já
dissemos antes...”, “Concluindo...”, “Em conclusão, ...”.

Sequência Lógica

O texto deve ter uma sequência lógica, que são exatamente as ideias bem estruturadas que vão levar
ao leitor compreender o sentido do texto; ou seja, o que se pretende transmitir. Por isso, não pode haver
ideias ambíguas (duplo sentido) e nem contraditórias (expressando oposição) do que já fora declarado
no texto; também não pode conter frases inacabadas, incompletas ou sem sentido.
Após a definição da ideia, o parágrafo é o ponto de partida para uma boa redação. Não se faz um bom
texto sem um bom parágrafo para sustentar as ideias principais e secundárias. Chegou a hora de
fundamentar sua ideia.

33
http://ricardovigna.wordpress.com/2009/02/02/estudos-de-linguagem-1-estrutura-frasal-e-pontuacao/
34
https://www.algosobre.com.br/redacao/a-unidade-basica-do-texto-estrutura-do-paragrafo.html

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105
Parágrafo

Parágrafo é cada unidade de informação construída ou formada no texto, a partir de um tópico frasal
(ideia central ou principal do parágrafo – é a “puxada do assunto”). O parágrafo é um dos mais importantes
componentes do texto. Ele sempre deverá ser desenvolvido a partir de uma ideia-núcleo, responsável por
nortear as ideias secundárias.

Parágrafo-padrão: é uma unidade de composição constituída por um ou mais de um período, em que


se desenvolve determinada ideia central, ou nuclear, a que se agregam outras, secundárias, intimamente
relacionadas pelo sentido e logicamente decorrentes dela.

Parágrafos curtos: próprios para textos pequenos, fabricados para leitores de pouca formação
cultural. A notícia possui parágrafos curtos em colunas estreitas, já artigos e editoriais costumam ter
parágrafos mais longos. O parágrafo curto também é empregado para movimentar o texto, no meio de
longos parágrafos, ou para enfatizar uma ideia.

Parágrafos médios: comuns em revistas e livros didáticos destinados a um leitor de nível médio. Cada
parágrafo médio construído com três períodos que ocupam de 50 a 150 palavras.

Parágrafos longos: em geral, as obras científicas e acadêmicas possuem longos parágrafos, por três
razões: os textos são grandes e consomem muitas páginas; as explicações são complexas e exigem
várias ideias e especificações, ocupando mais espaço; os leitores possuem capacidade e fôlego para
acompanhá-los.

Esteticamente, o parágrafo se caracteriza como um sutil recuo em relação à margem esquerda da


folha; conceitualmente, o parágrafo completo deve dispor de introdução, desenvolvimento e conclusão.
Introdução – também denominada de tópico frasal, constitui-se pela apresentação da ideia principal,
feita de maneira sintética de acordo com os objetivos do autor...
Desenvolvimento – fundamenta-se na ampliação do tópico frasal, atribuído pelas ideias secundárias,
com vistas a reforçar e conferir credibilidade na discussão.
Conclusão – caracteriza-se pela retomada da ideia central associando-a aos pressupostos
mencionados no desenvolvimento, procurando arrematá-los.

(Ideia-núcleo) A poluição que se verifica principalmente nas capitais do país é um problema relevante,
para cuja solução é necessária uma ação conjunta de toda a sociedade.
(Ideia secundária) O governo, por exemplo, deve rever sua legislação de proteção ao meio ambiente,
ou fazer valer as leis em vigor; o empresário pode dar sua contribuição, instalando filtro de controle dos
gases e líquidos expelidos, e a população, utilizando menos o transporte individual e aderindo aos
programas de rodízio de automóveis e caminhões, como já ocorre em São Paulo.
(Conclusão) Medidas que venham a excluir qualquer um desses três setores da sociedade tendem a
ser inócuas no combate à poluição e apenas onerar as contas públicas.
35
O tópico frasal é a ideia central ou nuclear. Pode ser explicitado logo no início do parágrafo,
apresentado a partir de uma definição (comum em redação científica), a partir de uma divisão (assunto
se divide em X partes) e também com uma alusão histórica ou menção a evento recente.
Quanto aos textos narrativos, os parágrafos costumam ser caracterizados pelo predomínio dos verbos
de ação, retratando o posicionamento dos personagens mediante o desenrolar do enredo, bem como pela
indicação de elementos circunstanciais referentes à trama: quando, por que e com que ocorreram os
fatos.
Nesta modalidade, a ocorrência dos parágrafos também se atribui à transcrição do discurso direto, em
especial às falas dos personagens.
Referindo-se aos textos descritivos, sua utilização está relacionada pela minuciosa exposição dos
detalhes acerca do objeto descrito, representado por uma pessoa, objeto, animal, lugar, uma obra de arte,
dentre outros, de modo a permitir que o leitor crie o cenário em sua mente.
Colaborando na concretização destes propósitos, sobretudo pela finalidade discursiva – visando à
caracterização de algo –, há o predomínio de verbos de ligação, bem como do uso de adjetivos e de
orações coordenadas ou justapostas.

35
https://bit.ly/2k8mCT3.

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106
Questões

01. (Câmara de Salvador/BA - Analista Legislativo Municipal – FGV/2018)

Quem protege os cidadãos do Estado?


Renato Mocellin & Rosiane de Camargo, História em Debate

O conjunto de leis nacionais, assim como de tratados e declarações internacionais ratificadas pelos
países, busca garantir aos cidadãos o acesso pleno aos direitos conquistados. Há, no entanto, inúmeras
situações em que o Estado coloca a população em risco, estabelecendo políticas públicas autoritárias,
investindo poucos recursos nos serviços públicos essenciais e envolvendo civis em conflitos armados,
por exemplo.
Existem diversas organizações internacionais que atuam de forma a evitar que haja risco para a vida
das pessoas nesses casos, como a Anistia Internacional, a Cruz Vermelha e os Médicos sem Fronteiras.
Por meio de acordos internacionais, essas instituições conseguem atuar em regiões de conflito onde há
perigo para a população.
Os Médicos sem Fronteiras, por exemplo, nasceram de uma experiência de voluntariado em uma
guerra civil nigeriana, no fim dos anos 1960. Um grupo de médicos e jornalistas decidiu criar uma
organização que pudesse oferecer atendimento médico a toda população envolvida em conflitos e
guerras, sem que essa ação fosse entendida como uma posição política favorável ou contrária aos lados
envolvidos. Assim, seus membros conseguem chegar a regiões remotas e/ou sob forte bombardeio para
atender os que estão feridos e sob risco de vida.
Para que a imparcialidade dos Médicos sem Fronteiras seja possível, é preciso que as partes
envolvidas no conflito respeitem os direitos dos pacientes atendidos. Assim, a organização informa a
localização de suas bases e o tipo de atendimento que deve ocorrer ali; o objetivo é proporcionar uma
atuação transparente, que sublinhe o caráter humanitário da ação dos profissionais da organização.

Sobre a estruturação geral do texto, é correto afirmar que:


(A) o final do primeiro parágrafo cita todos os casos em que o Estado interfere com a segurança e
tranquilidade da população;
(B) o segundo período do primeiro parágrafo se opõe à ideia central do primeiro período do mesmo
parágrafo;
(C) o terceiro e o quarto parágrafos contemplam particularmente as organizações citadas no segundo
parágrafo;
(D) o último parágrafo indica um projeto futuro da organização Médicos sem Fronteiras;
(E) entre o primeiro e o segundo parágrafos há uma relação lógica de causa/consequência.

02. (TRT - 1ª Região - Técnico Judiciário Instituto AOCP/2018)

“Eu era piloto…

Quando ainda estava no sétimo ano, um avião chegou à nossa cidade. Isso naqueles anos, imagine,
em 1936. Na época, era uma coisa rara. E então veio um chamado: ‘Meninas e meninos, entrem no
avião!’. Eu, como era komsomolka*, estava nas primeiras filas, claro. Na mesma hora me inscrevi no
aeroclube. Só que meu pai era categoricamente contra. Até então, todos em nossa família eram
metalúrgicos, várias gerações de metalúrgicos e operadores de altos-fornos. E meu pai achava que
metalurgia era um trabalho de mulher, mas piloto não. O chefe do aeroclube ficou sabendo disso e me
autorizou a dar uma volta de avião com meu pai. Fiz isso. Eu e meu pai decolamos, e, desde aquele dia,
ele parou de falar nisso. Gostou. Terminei o aeroclube com as melhores notas, saltava bem de
paraquedas. Antes da guerra, ainda tive tempo de me casar e ter uma filha.
Desde os primeiros dias da guerra, começaram a reestruturar nosso aeroclube: os homens foram
enviados para combater; no lugar deles, ficamos nós, as mulheres. Ensinávamos os alunos. Havia muito
trabalho, da manhã à noite. Meu marido foi um dos primeiros a ir para o front. Só me restou uma fotografia:
eu e ele de pé ao lado de um avião, com capacete de aviador… Agora vivia junto com minha filha,
passamos quase o tempo todo em acampamentos. E como vivíamos? Eu a trancava, deixava mingau
para ela, e, às quatro da manhã, já estávamos voando. Voltava de tarde, e se ela comia eu não sei, mas
estava sempre coberta daquele mingau. Já nem chorava, só olhava para mim. Os olhos dela são grandes
como os do meu marido…

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No fim de 1941, me mandaram uma notificação de óbito: meu marido tinha morrido perto de Moscou.
Era comandante de voo. Eu amava minha filha, mas a mandei para ficar com os parentes dele. E comecei
a pedir para ir para o front…
Na última noite… Passei a noite inteira de joelhos ao lado do berço…”
Antonina Grigórievna Bondareva, tenente da guarda, piloto

* komsomolka: a jovem que fazia parte do Komsomol, Juventude do Partido Comunista da União
Soviética.
(Disponível em: ALEKSIÉVITCH, Svetlana. A guerra não tem rosto de mulher. Tradução de Cecília Rosas. São Paulo: Companhia das Letras, 2016.)

Referente à estruturação do texto II, é correto afirmar que


(A) o segundo parágrafo está centrado no relato do casamento da narradora e no fato de que ela teve
uma filha antes da guerra.
(B) o tipo de narrador presente no texto é o narrador-onisciente, que tem acesso aos pensamentos e
sentimentos de todas as personagens e a todas as informações do enredo.
(C) é possível dividir a narrativa em três grandes momentos: como a narradora se tornou piloto; o
trabalho da narradora durante a guerra; o fim da guerra, em 1941.
(D) o questionamento “E como vivíamos?”, levantado pela narradora, é uma pergunta retórica, recurso
argumentativo que consiste em apresentar uma pergunta e não respondê-la, estimulando, assim, que os
leitores reflitam sobre possíveis respostas.
(E) todos os parágrafos, com exceção do primeiro, iniciam-se com expressões que têm como função
localizar temporalmente os eventos narrados.

Gabarito

01.B / 02.E

Comentários

01. Resposta: B
a) É aquela alternativa que não tem lógica se você ler o texto, até porque ao final do primeiro parágrafo
diz que o Estado põe em risco a população, e não que interfere com segurança e tranquilidade.
b) Gabarito, realmente o segundo período se opõe ao primeiro, sendo que o primeiro diz que o Estado
busca garantir aos cidadãos acesso pleno aos direitos, e logo após no segundo período diz que o próprio
Estado põe em risco a população com políticas públicas autoritárias, pouco investimento etc.
c) o 2º parágrafo cita 3 organizações (anistia internacional / cruz vermelha / médicos sem fronteiras),
nos 3º e 4º parágrafos fala somente do médico sem fronteiras;
d) não é um projeto futuro, é a realidade que acontece, é algo presente.
e) Não há relação de causa e consequência.

02. Resposta: E
“Eu era piloto…” - 1º parágrafo.
“Quando ainda estava no sétimo ano (...)” - 2º parágrafo.
“Desde os primeiros dias da guerra (...)” - 3º parágrafo.
“No fim de 1941 (...)” - 4º parágrafo.
“Na última noite (...)” - 5º parágrafo.
Com exceção do primeiro parágrafo, todos os demais buscam localizar temporariamente a narrativa
do texto.

Coesão textual: anafóricos e articuladores

Uma das propriedades que distinguem um texto de um amontoado de frases é a relação existente
entre os elementos que os constituem. A coesão textual é a ligação entre palavras, expressões ou frases
do texto. Ela manifesta-se por elementos gramaticais, que servem para estabelecer vínculos entre os
componentes do texto. Observe:

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“O iraquiano leu sua declaração num bloquinho comum de anotações, que segurava na mão.”

Nesse período, o pronome relativo “que” estabelece conexão entre as duas orações.
Se tivermos: “O iraquiano leu sua declaração num bloquinho comum de anotações e segurava na mão,
retomando na segunda um dos termos da primeira: bloquinho. O pronome relativo é um elemento coesivo,
e a conexão entre as duas orações, um fenômeno de coesão. Leia o texto que segue:

Arroz-doce da infância

Ingredientes
1 litro de leite desnatado
150g de arroz cru lavado
1 pitada de sal
4 colheres (sopa) de açúcar
1 colher (sobremesa) de canela em pó

Preparo
Em uma panela ferva o leite, acrescente o arroz, a pitada de sal e mexa sem parar até cozinhar o
arroz. Adicione o açúcar e deixe no fogo por mais 2 ou 3 minutos. Despeje em um recipiente, polvilhe a
canela. Sirva.
Cozinha Clássica Baixo Colesterol, nº4. São Paulo, InCor, agosto de 1999,.

Toda receita culinária tem duas partes: lista dos ingredientes e modo de preparar. As informações
apresentadas na primeira são retomadas na segunda. Nesta, os nomes mencionados pela primeira vez
na lista de ingredientes vêm precedidos de artigo definido, o qual exerce, entre outras funções, a de
indicar que o termo determinado por ele se refere ao mesmo ser a que uma palavra idêntica já fizera
menção.
No nosso texto, por exemplo, quando se diz que se adiciona o açúcar, o artigo relaciona ao açúcar
citado na primeira parte. Se dissesse apenas adicione açúcar, deveria adicionar mais além do citado
anteriormente, pois se trataria de outro açúcar, diverso daquele citado no rol dos ingredientes.
Há dois tipos principais de mecanismos de coesão: retomada ou antecipação de palavras,
expressões ou frases e encadeamento de segmentos.

Retomada ou Antecipação por meio de uma palavra gramatical (pronome, verbos ou advérbios)

“No mercado de trabalho brasileiro, ainda hoje não há total igualdade entre homens e mulheres: estas
ainda ganham menos do que aqueles em cargos equivalentes.”

Nesse período, o pronome demonstrativo “estas” retoma o termo mulheres, enquanto “aqueles”
recupera a palavra homens.

- Os termos que servem para retomar outros são denominados anafóricos; os que servem para
anunciar, para antecipar outros são chamados catafóricos. No exemplo a seguir, desta antecipa
abandonar a faculdade no último ano:
“Já viu uma loucura desta, abandonar a faculdade no último ano?”

- São anafóricos ou catafóricos os pronomes demonstrativos, os pronomes relativos, certos advérbios


ou locuções adverbiais (nesse momento, então, lá), o verbo fazer, o artigo definido, os pronomes pessoais
de 3ª pessoa (ele, o, a, os, as, lhe, lhes), os pronomes indefinidos. Exemplos:

- O pronome relativo “quem” retoma o substantivo mestre.


“Ele era muito diferente de seu mestre, a quem sucedera na cátedra de Sociologia na Universidade
de São Paulo.”

- O pronome pessoal “elas” recupera o substantivo pessoas; o pronome pessoal “o” retoma o nome
Machado de Assis.
“As pessoas simplificam Machado de Assis; elas o veem como um descrente do amor e da amizade.”

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- O numeral “ambos” retoma a expressão os dois homens.
“Os dois homens caminhavam pela calçada, ambos trajando roupa escura.”

- O advérbio “lá” recupera a expressão ao cinema.


“Fui ao cinema domingo e, chegando lá, fiquei desanimado com a fila.”

- A forma verbal “fará” retoma a perífrase verbal vai inaugurar e seu complemento.
“O governador vai pessoalmente inaugurar a creche dos funcionários do palácio, e o fará para
demonstrar seu apreço aos servidores.”

- Em princípio, o termo a que “o” anafórico se refere deve estar presente no texto, senão a coesão fica
comprometida, como neste exemplo:
“André é meu grande amigo. Começou a namorá-la há vários meses.”

A rigor, não se pode dizer que o pronome “la” seja um anafórico, pois não está retomando nenhuma
das palavras citadas antes. Exatamente por isso, o sentido da frase fica totalmente prejudicado: não há
possibilidade de se depreender o sentido desse pronome.
Pode ocorrer, no entanto, que o anafórico não se refira a nenhuma palavra citada anteriormente no
interior do texto, mas que possa ser inferida por certos pressupostos típicos da cultura em que se inscreve
o texto. É o caso de um exemplo como este:
“O casamento teria sido às 20 horas. O noivo já estava desesperado, porque eram 21 horas e ela não
havia comparecido.”

Por dados do contexto cultural, sabe-se que o pronome “ela” é um anafórico que só pode estar-se
referindo à palavra noiva. Num casamento, estando presente o noivo, o desespero só pode ser pelo atraso
da noiva (representada por “ela” no exemplo citado).

- O artigo indefinido (um, uma, uns, umas) serve geralmente para introduzir informações novas ao
texto. Quando elas forem retomadas, deverão ser precedidas do artigo definido (o, a, os, as), pois este é
que tem a função de indicar que o termo por ele determinado é idêntico, em termos de valor referencial,
a um termo já mencionado.
“O encarregado da limpeza encontrou uma carteira na sala de espetáculos. Curiosamente, a carteira
tinha muito dinheiro dentro, mas nem um documento sequer.”

- Quando, em dado contexto, o anafórico pode referir-se a dois termos distintos, há uma ruptura de
coesão, porque ocorre uma ambiguidade insolúvel. É preciso que o texto seja escrito de tal forma que o
leitor possa determinar exatamente qual é a palavra retomada pelo anafórico.

- O anafórico “sua” pode estar-se referindo tanto à palavra ator quanto a diretor.
“Durante o ensaio, o ator principal brigou com o diretor por causa da sua arrogância.”

- Não se sabe se o anafórico “que” está se referindo ao termo amiga ou a ex-namorado no exemplo
abaixo. Permutando o anafórico “que” por “o qual” ou “a qual”, essa ambiguidade seria desfeita.
“André brigou com o ex-namorado de uma amiga, que trabalha na mesma firma.”

Retomada por palavra lexical - (substantivo, adjetivo ou verbo)

Uma palavra pode ser retomada, quer por uma repetição, quer por uma substituição por sinônimo,
hiperônimo, hipônimo ou antonomásia.
Sinônimo: é o nome que se dá a uma palavra que possui o mesmo sentido que outra, ou sentido
bastante aproximado: injúria e afronta, alegre e contente.
Hiperônimo: é um termo que mantém com outro uma relação do tipo contém/está contido;
Hipônimo: é uma palavra que mantém com outra uma relação do tipo está contido/contém. O
significado do termo rosa está contido no de flor e o de flor contém o de rosa, pois toda rosa é uma flor,
mas nem toda flor é uma rosa. Flor é, pois, hiperônimo de rosa, e esta palavra é hipônimo daquela.
Antonomásia: é a substituição de um nome próprio por um nome comum ou de um comum por um
próprio. Ela ocorre, principalmente, quando uma pessoa célebre é designada por uma característica
notória ou quando o nome próprio de uma personagem famosa é usado para designar outras pessoas
que possuam a mesma característica que a distingue:

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“O rei do futebol (=Pelé) só podia ser um brasileiro.”
“O herói de dois mundos (=Garibaldi) foi lembrado numa recente minissérie de tevê.”
*Referência ao fato notório de Giuseppe Garibaldi haver lutado pela liberdade na Europa e na América.

“Ele é um Hércules.” (=um homem muito forte).


*Referência à força física que caracteriza o herói grego Hércules.

“Um presidente da República tem uma agenda de trabalho extremamente carregada. Deve receber
ministros, embaixadores, visitantes estrangeiros, parlamentares; precisa a todo o momento tomar graves
decisões que afetam a vida de muitas pessoas; necessita acompanhar tudo o que acontece no Brasil e
no mundo. Um presidente deve começar a trabalhar ao raiar do dia e terminar sua jornada altas horas
da noite.”

A repetição do termo presidente estabelece a coesão entre o último período e o que vem antes dele.

“Observava as estrelas, os planetas, os satélites. Os astros sempre o atraíram.”

Os dois períodos estão relacionados pelo hiperônimo astros, que recupera os hipônimos estrelas,
planetas, satélites.

“Eles (os alquimistas) acreditavam que o organismo do homem era regido por humores (fluidos
orgânicos) que percorriam, ou apenas existiam, em maior ou menor intensidade em nosso corpo. Eram
quatro os humores: o sangue, a fleuma (secreção pulmonar), a bile amarela e a bile negra. E eram
também estes quatro fluidos ligados aos quatro elementos fundamentais: ao Ar (seco), à Água (úmido),
ao Fogo (quente) e à Terra (frio), respectivamente.”
Ziraldo. In: Revista Vozes, nº3, abril de 1970, p.18.

Nesse texto, a ligação entre o segundo e o primeiro períodos se faz pela repetição da palavra humores;
entre o terceiro e o segundo se faz pela utilização do sinônimo fluidos.
É preciso manejar com muito cuidado a repetição de palavras, pois, se ela não for usada para criar um
efeito de sentido de intensificação, constituirá uma falha de estilo.
No trecho transcrito a seguir por exemplo, fica claro o uso da repetição da palavra vice e outras
parecidas (vicissitudes, vicejam, viciem), com a evidente intenção de ridicularizar a condição secundária
que um provável flamenguista atribui ao Vasco e ao seu Vice-presidente:

“Recebi por esses dias um e-mail com uma série de piadas sobre o pouco simpático Eurico Miranda.
Faltam-me provas, mas tudo leva a crer que o remetente seja um flamenguista.”

Segundo o texto, Eurico nasceu para ser vice: é vice-presidente do clube, vice-campeão carioca e bi-
vice-campeão mundial. E isso sem falar do vice no Carioca de futsal, no Carioca de basquete, no
Brasileiro de basquete e na Taça Guanabara. São vicissitudes que vicejam. Espero que não viciem.
José Roberto Torero. In: Folha de S. Paulo, 2000.

A elipse é o apagamento de um segmento de frase que pode ser facilmente recuperado pelo contexto.
Também constitui um expediente de coesão, pois é o apagamento de um termo que seria repetido, e o
preenchimento do vazio deixado pelo termo apagado (=elíptico) exige, necessariamente, que se faça
correlação com outros termos presentes no contexto, ou referidos na situação em que se desenrola a
fala.
Vejamos estes versos do poema “Círculo vicioso”, de Machado de Assis:

(...)
Mas a lua, fitando o sol, com azedume:

“Mísera! Tivesse eu aquela enorme, aquela


Claridade imorta, que toda a luz resume!”
Obra completa. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1979, VIII,

Nesse caso, o verbo dizer, que seria enunciado antes daquilo que disse a lua, isto é, antes das aspas,
fica subentendido, é omitido por ser facilmente presumível.

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Qualquer segmento da frase pode sofrer elipse. Veja que, no exemplo abaixo, é o sujeito meu pai que
vem elidido (ou apagado) antes de sentiu e parou:

“Meu pai começou a andar novamente, sentiu a pontada no peito e parou.”

Pode ocorrer também elipse por antecipação. No exemplo que segue, aquela promoção é
complemento tanto de querer quanto de desejar, no entanto aparece apenas depois do segundo verbo:

“Ficou muito deprimido com o fato de ter sido preterido. Afinal, queria muito, desejava ardentemente
aquela promoção.”

Quando se faz essa elipse por antecipação com verbos que têm regência diferente, a coesão é
rompida. Por exemplo, não se deve dizer “Conheço e gosto deste livro”, pois o verbo conhecer rege
complemento não introduzido por preposição, e a elipse retoma o complemento inteiro, portanto teríamos
uma preposição indevida: “Conheço (deste livro) e gosto deste livro”. Em “Implico e dispenso sem dó os
estranhos palpiteiros”, diferentemente, no complemento em elipse faltaria a preposição “com” exigida pelo
verbo implicar.
Nesses casos, para assegurar a coesão, o recomendável é colocar o complemento junto ao primeiro
verbo, respeitando sua regência, e retomá-lo após o segundo por um anafórico, acrescentando a
preposição devida (Conheço este livro e gosto dele) ou eliminando a indevida (Implico com estranhos
palpiteiros e os dispenso sem dó).

Coesão por Conexão


Há na língua uma série de palavras ou locuções que são responsáveis pela concatenação ou relação
entre segmentos do texto. Esses elementos denominam-se conectores ou operadores discursivos. Por
exemplo: visto que, até, ora, no entanto, contudo, ou seja.
Note-se que eles fazem mais do que ligar partes do texto: estabelecem entre elas relações semânticas
de diversos tipos, como contrariedade, causa, consequência, condição, conclusão, etc. Essas relações
exercem função argumentativa no texto, por isso os operadores discursivos não podem ser usados
indiscriminadamente.
Na frase “O time apresentou um bom futebol, mas não alcançou a vitória”, por exemplo, o conector
“mas” está adequadamente usado, pois ele liga dois segmentos com orientação argumentativa contrária.
Se fosse utilizado, nesse caso, o conector “portanto”, o resultado seria um paradoxo semântico, pois esse
operador discursivo liga dois segmentos com a mesma orientação argumentativa, sendo o segmento
introduzido por ele a conclusão do anterior.

- Gradação: há operadores que marcam uma gradação numa série de argumentos orientados para
uma mesma conclusão. Dividem-se eles, em dois subtipos: os que indicam o argumento mais forte de
uma série: até, mesmo, até mesmo, inclusive, e os que subentendem uma escala com argumentos mais
fortes: ao menos, pelo menos, no mínimo, no máximo, quando muito.

“Ele é um bom conferencista: tem uma voz bonita, é bem articulado, conhece bem o assunto de que
fala e é até sedutor.”
Toda a série de qualidades está orientada no sentido de comprovar que ele é bom conferencista;
dentro dessa série, ser sedutor é considerado o argumento mais forte.

“Ele é ambicioso e tem grande capacidade de trabalho. Chegará a ser pelo menos diretor da
empresa.”

Pelo menos introduz um argumento orientado no mesmo sentido de ser ambicioso e ter grande
capacidade de trabalho; por outro lado, subentende que há argumentos mais fortes para comprovar que
ele tem as qualidades requeridas dos que vão longe (por exemplo, ser presidente da empresa) e que se
está usando o menos forte; ao menos, pelo menos e no mínimo ligam argumentos de valor positivo.

“Ele não é bom aluno. No máximo vai terminar o segundo grau.”


No máximo introduz um argumento orientado no mesmo sentido de ter muita dificuldade de aprender;
supõe que há uma escala argumentativa (por exemplo, fazer uma faculdade) e que se está usando o
argumento menos forte da escala no sentido de provar a afirmação anterior; no máximo e quando muito
estabelecem ligação entre argumentos de valor depreciativo.

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- Conjunção Argumentativa: há operadores que assinalam uma conjunção argumentativa, ou seja,
ligam um conjunto de argumentos orientados em favor de uma dada conclusão: e, também, ainda, nem,
não só... mas também, tanto... como, além de, a par de.

“Se alguém pode tomar essa decisão é você. Você é o diretor da escola, é muito respeitado pelos
funcionários e também é muito querido pelos alunos.”

Arrolam-se três argumentos em favor da tese que é o interlocutor quem pode tomar uma dada decisão.
O último deles é introduzido por “e também”, que indica um argumento final na mesma direção
argumentativa dos precedentes.
Esses operadores introduzem novos argumentos; não significam, em hipótese nenhuma, a repetição
do que já foi dito. Ou seja, só podem ser ligados com conectores de conjunção segmentos que
representam uma progressão discursiva. É possível dizer “Disfarçou as lágrimas que o assaltaram e
continuou seu discurso”, porque o segundo segmento indica um desenvolvimento da exposição. Não teria
cabimento usar operadores desse tipo para ligar dois segmentos como “Disfarçou as lágrimas que o
assaltaram e escondeu o choro que tomou conta dele”.

- Disjunção Argumentativa: há também operadores que indicam uma disjunção argumentativa, ou


seja, fazem uma conexão entre segmentos que levam a conclusões opostas, que têm orientação
argumentativa diferente: ou, ou então, quer... quer, seja... seja, caso contrário, ao contrário.

“Não agredi esse imbecil. Ao contrário, ajudei a separar a briga, para que ele não apanhasse.”

O argumento introduzido por ao contrário é diretamente oposto àquele de que o falante teria agredido
alguém.

- Conclusão: existem operadores que marcam uma conclusão em relação ao que foi dito em dois ou
mais enunciados anteriores (geralmente, uma das afirmações de que decorre a conclusão fica implícita,
por manifestar uma voz geral, uma verdade universalmente aceita): logo, portanto, por conseguinte, pois
(o pois é conclusivo quando não encabeça a oração).

“Essa guerra é uma guerra de conquista, pois visa ao controle dos fluxos mundiais de petróleo. Por
conseguinte, não é moralmente defensável.”

Por conseguinte introduz uma conclusão em relação à afirmação exposta no primeiro período.

- Comparação: outros importantes operadores discursivos são os que estabelecem uma comparação
de igualdade, superioridade ou inferioridade entre dois elementos, com vistas a uma conclusão contrária
ou favorável a certa ideia: tanto... quanto, tão... como, mais... (do) que.

“Os problemas de fuga de presos serão tanto mais graves quanto maior for a corrupção entre os
agentes penitenciários.”
O comparativo de igualdade tem no texto uma função argumentativa: mostrar que o problema da fuga
de presos cresce à medida que aumenta a corrupção entre os agentes penitenciários; por isso, os
segmentos podem até ser permutáveis do ponto de vista sintático, mas não o são do ponto de vista
argumentativo, pois não há igualdade argumentativa proposta:

“Tanto maior será a corrupção entre os agentes penitenciários quanto mais grave for o problema da
fuga de presos”.

Muitas vezes a permutação dos segmentos leva a conclusões opostas: Imagine-se, por exemplo, o
seguinte diálogo entre o diretor de um clube esportivo e o técnico de futebol:

“__Precisamos promover atletas das divisões de base para reforçar nosso time.
__Qualquer atleta das divisões de base é tão bom quanto os do time principal.”

Nesse caso, o argumento do técnico é a favor da promoção, pois ele declara que qualquer atleta das
divisões de base tem, pelo menos, o mesmo nível dos do time principal, o que significa que estes não
primam exatamente pela excelência em relação aos outros.

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Suponhamos, agora, que o técnico tivesse invertido os segmentos na sua fala:

“__Qualquer atleta do time principal é tão bom quanto os das divisões de base.”

Nesse caso, seu argumento seria contra a necessidade da promoção, pois ele estaria declarando que
os atletas do time principal são tão bons quanto os das divisões de base.

- Explicação ou Justificativa: há operadores que introduzem uma explicação ou uma justificativa em


relação ao que foi dito anteriormente: porque, já que, que, pois.

“Já que os Estados Unidos invadiram o Iraque sem autorização da ONU, devem arcar sozinhos com
os custos da guerra.”

Já que inicia um argumento que dá uma justificativa para a tese de que os Estados Unidos devam
arcar sozinhos com o custo da guerra contra o Iraque.

- Contrajunção: os operadores discursivos que assinalam uma relação de contrajunção, isto é, que
ligam enunciados com orientação argumentativa contrária, são as conjunções adversativas (mas,
contudo, todavia, no entanto, entretanto, porém) e as concessivas (embora, apesar de, apesar de que,
conquanto, ainda que, posto que, se bem que).
Qual é a diferença entre as adversativas e as concessivas, se tanto umas como outras ligam
enunciados com orientação argumentativa contrária?
Nas adversativas, prevalece a orientação do segmento introduzido pela conjunção.

“O atleta pode cair por causa do impacto, mas se levanta mais decidido a vencer.”

Nesse caso, a primeira oração conduz a uma conclusão negativa sobre um processo ocorrido com o
atleta, enquanto a começada pela conjunção “mas” leva a uma conclusão positiva. Essa segunda
orientação é a mais forte.
Compare-se, por exemplo, “Ela é simpática, mas não é bonita” com “Ela não é bonita, mas é simpática”.
No primeiro caso, o que se quer dizer é que a simpatia é suplantada pela falta de beleza; no segundo,
que a falta de beleza perde relevância diante da simpatia. Quando se usam as conjunções adversativas,
introduz-se um argumento com vistas à determinada conclusão, para, em seguida, apresentar um
argumento decisivo para uma conclusão contrária.
Com as conjunções concessivas, a orientação argumentativa que predomina é a do segmento não
introduzido pela conjunção.

“Embora haja conexão entre saber escrever e saber gramática, trata-se de capacidades diferentes.”

A oração iniciada por “embora” apresenta uma orientação argumentativa no sentido de que saber
escrever e saber gramática são duas coisas interligadas; a oração principal conduz à direção
argumentativa contrária.
Quando se utilizam conjunções concessivas, a estratégia argumentativa é a de introduzir no texto um
argumento que, embora tido como verdadeiro, será anulado por outro mais forte com orientação contrária.
A diferença entre as adversativas e as concessivas, portanto, é de estratégia argumentativa. Compare
os seguintes períodos:

“Por mais que o exército tivesse planejado a operação (argumento mais fraco), a realidade mostrou-
se mais complexa (argumento mais forte).”
“O exército planejou minuciosamente a operação (argumento mais fraco), mas a realidade mostrou-
se mais complexa (argumento mais forte).”

- Argumento Decisivo: há operadores discursivos que introduzem um argumento decisivo para


derrubar a argumentação contrária, mas apresentando-o como se fosse um acréscimo, como se fosse
apenas algo mais numa série argumentativa: além do mais, além de tudo, além disso, ademais.

“Ele está num período muito bom da vida: começou a namorar a mulher de seus sonhos, foi promovido
na empresa, recebeu um prêmio que ambicionava havia muito tempo e, além disso, ganhou uma bolada
na loteria.”

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O operador discursivo introduz o que se considera a prova mais forte de que “Ele está num período
muito bom da vida”; no entanto, essa prova é apresentada como se fosse apenas mais uma.

- Generalização ou Amplificação: existem operadores que assinalam uma generalização ou uma


amplificação do que foi dito antes: de fato, realmente, como aliás, também, é verdade que.

“O problema da erradicação da pobreza passa pela geração de empregos. De fato, só o crescimento


econômico leva ao aumento de renda da população.”

O conector introduz uma amplificação do que foi dito antes.

“Ele é um técnico retranqueiro, como aliás o são todos os que atualmente militam no nosso futebol.

O conector introduz uma generalização ao que foi afirmado: não “ele”, mas todos os técnicos do nosso
futebol são retranqueiros.

- Especificação ou Exemplificação: também há operadores que marcam uma especificação ou uma


exemplificação do que foi afirmado anteriormente: por exemplo, como.

“A violência não é um fenômeno que está disseminado apenas entre as camadas mais pobres da
população. Por exemplo, é crescente o número de jovens da classe média que estão envolvidos em toda
sorte de delitos, dos menos aos mais graves.”

Por exemplo assinala que o que vem a seguir especifica, exemplifica a afirmação de que a violência
não é um fenômeno adstrito aos membros das “camadas mais pobres da população”.

- Retificação ou Correção: há ainda os que indicam uma retificação, uma correção do que foi afirmado
antes: ou melhor, de fato, pelo contrário, ao contrário, isto é, quer dizer, ou seja, em outras palavras.

“Vou-me casar neste final de semana. Ou melhor, vou passar a viver junto com minha namorada.”

O conector inicia um segmento que retifica o que foi dito antes.


Esses operadores servem também para marcar um esclarecimento, um desenvolvimento, uma
redefinição do conteúdo enunciado anteriormente.

“A última tentativa de proibir a propaganda de cigarros nas corridas de Fórmula 1 não vingou. De fato,
os interesses dos fabricantes mais uma vez prevaleceram sobre os da saúde.”

O conector introduz um esclarecimento sobre o que foi dito antes.


Servem ainda para assinalar uma atenuação ou um reforço do conteúdo de verdade de um enunciado.

“Quando a atual oposição estava no comando do país, não fez o que exige hoje que o governo faça.
Ao contrário, suas políticas iam na direção contrária do que prega atualmente.

O conector introduz um argumento que reforça o que foi dito antes.

- Explicação: há operadores que desencadeiam uma explicação, uma confirmação, uma ilustração do
que foi afirmado antes: assim, desse modo, dessa maneira.

“O exército inimigo não desejava a paz. Assim, enquanto se processavam as negociações, atacou de
surpresa.”

O operador introduz uma confirmação do que foi afirmado antes.

Coesão por Justaposição


É a coesão que se estabelece com base na sequência dos enunciados, marcada ou não com
sequenciadores.

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- Sequenciadores Temporais: são os indicadores de anterioridade, concomitância ou posterioridade:
dois meses depois, uma semana antes, um pouco mais tarde, etc. (são utilizados predominantemente
nas narrações).

“Uma semana antes de ser internado gravemente doente, ele esteve conosco. Estava alegre e cheio
de planos para o futuro.”

- Sequenciadores Espaciais: são os indicadores de posição relativa no espaço: à esquerda, à direita,


junto de, etc. (são usados principalmente nas descrições).

“A um lado, duas estatuetas de bronze dourado, representando o amor e a castidade, sustentam uma
cúpula oval de forma ligeira, donde se desdobram até o pavimento bambolins de cassa finíssima. (...) Do
outro lado, há uma lareira, não de fogo, que o dispensa nosso ameno clima fluminense, ainda na maior
força do inverno.”
José de Alencar. Senhora. São Paulo, FTD, 1992, p. 77.

- Sequenciadores de Ordem: são os que assinalam a ordem dos assuntos numa exposição:
primeiramente, em segunda, a seguir, finalmente, etc.

“Para mostrar os horrores da guerra, falarei, inicialmente, das agruras por que passam as populações
civis; em seguida, discorrerei sobre a vida dos soldados na frente de batalha; finalmente, exporei suas
consequências para a economia mundial e, portanto, para a vida cotidiana de todos os habitantes do
planeta.”

- Sequenciadores para Introdução: são os que, na conversação principalmente, servem para


introduzir um tema ou mudar de assunto: a propósito, por falar nisso, mas voltando ao assunto, fazendo
um parêntese, etc.

“Joaquim viveu sempre cercado do carinho de muitas pessoas. A propósito, era um homem que sabia
agradar às mulheres.”

- Operadores discursivos não explicitados: se o texto for construído sem marcadores de


sequenciação, o leitor deverá inferir, a partir da ordem dos enunciados, os operadores discursivos não
explicitados na superfície textual. Nesses casos, os lugares dos diferentes conectores estarão indicados,
na escrita, pelos sinais de pontuação: ponto-final, vírgula, ponto-e-vírgula, dois-pontos.

“A reforma política é indispensável. Sem a existência da fidelidade partidária, cada parlamentar vota
segundo seus interesses e não de acordo com um programa partidário. Assim, não há bases
governamentais sólidas.”

Esse texto contém três períodos. O segundo indica a causa de a reforma política ser indispensável.
Portanto o ponto-final do primeiro período está no lugar de um porque.
A língua tem um grande número de conectores e sequenciadores. Apresentamos os principais e
explicamos sua função. É preciso ficar atento aos fenômenos de coesão. Mostramos que o uso
inadequado dos conectores e a utilização inapropriada dos anafóricos ou catafóricos geram rupturas na
coesão, o que leva o texto a não ter sentido ou, pelo menos, a não ter o sentido desejado. Outra falha
comum no que tange a coesão é a falta de partes indispensáveis da oração ou do período. Analisemos
este exemplo:

“As empresas que anunciaram que apoiariam a campanha de combate à fome que foi lançada pelo
governo federal.”

O período compõe-se de:


- As empresas;
- que anunciaram (oração subordinada adjetiva restritiva da primeira oração);
- que apoiariam a campanha de combate à fome (oração subordinada substantiva objetiva direta da
segunda oração);
- que foi lançada pelo governo federal (oração subordinada adjetiva restritiva da terceira oração).

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Observe-se que falta o predicado da primeira oração. Quem escreveu o período começou a encadear
orações subordinadas e “esqueceu-se” de terminar a principal.
Quebras de coesão desse tipo são mais comuns em períodos longos. No entanto, mesmo quando se
elaboram períodos curtos é preciso cuidar para que sejam sintaticamente completos e para que suas
partes estejam bem conectadas entre si.
Para que um conjunto de frases constitua um texto, não basta que elas estejam coesas: se não tiverem
unidade de sentido, mesmo que aparentemente organizadas, elas não passarão de um amontoado
injustificado.

“Vivo há muitos anos em São Paulo. A cidade tem excelentes restaurantes. Ela tem bairros muito
pobres. Também o Rio de Janeiro tem favelas.”

Todas as frases são coesas. O hiperônimo cidade retoma o substantivo São Paulo, estabelecendo
uma relação entre o segundo e o primeiro períodos. O pronome “ela” recupera a palavra cidade,
vinculando o terceiro ao segundo período. O operador também realiza uma conjunção argumentativa,
relacionando o quarto período ao terceiro. No entanto, esse conjunto não é um texto, pois não apresenta
unidade de sentido, isto é, não tem coerência. A coesão, portanto, é condição necessária, mas não
suficiente, para produzir um texto.

Questões

01. (CRP 2º Região PE - Assistente Administrativo - Quadrix/2018)

No terceiro quadrinho, a palavra "isso" ajuda a estabelecer, no texto, um processo de


(A) coesão sequencial.
(B) coesão referencial anafórica.
(C) coesão referencial catafórica.
(D) coesão exofórica.
(E) perda de coesão.
02. (Pref. de Teresina/PI – Professor – Português – NUCEPE) A coerência e a coesão são
mecanismo da textualidade que se estabelecem no texto a partir da:
(A) conectividade.
(B) intencionalidade.
(C) aceitabilidade.
(D) intertextualidade.
(E) informatividade.

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03. (TER/PI – Analista Judiciário – CESPE)

Na história em quadrinhos, a coesão e a coerência textuais são estabelecidas por meio

(A) da retomada do termo “informação”, no último quadrinho.


(B) da explicitação das formas existentes no mundo que, em tese, poderiam equivaler a vida.
(C) do questionamento acerca do que vem a ser vida.
(D) da resposta ao próprio questionamento do indivíduo do primeiro quadrinho.
(E) das formas alfabéticas do segundo quadrinho.

04. (UFMS – Assistente em Administração – UFMS)

Concurso marca 400 anos da morte de Shakespeare


Vídeos que melhor mostrarem a atualidade da obra do dramaturgo inglês serão premiados com
viagem ao Reino Unido e vale-presente

REDAÇÃO 5 de maio de 2016


Passados 400 anos da sua morte, por que William Shakespeare continua atual? É essa a pergunta
que embala o concurso cultural Shakespeare Hoje, promovido pelo British Council e parte da
programação “Shakespeare Lives”, que vem celebrando por meio de uma série de eventos, que se
estenderão ao longo do ano, os quatro séculos da morte do dramaturgo inglês.
Destinado a professores e alunos de escolas públicas e particulares de todo o Brasil, o concurso pede
para que os participantes produzam um vídeo que mostre a importância e atualidade da obra
shakespeariana.
As produções devem ter, no máximo, quatro minutos e podem ser feitas em grupos de até cinco alunos
que estejam cursando o Ensino Fundamental II ou Médio e com a coordenação de um professor.
O material deve abordar textos e personagens de Shakespeare e pode conter excertos de peças,
adaptações ou conteúdos autorais que sejam inspirados pela obra do autor.
Os melhores vídeos serão premiados com uma viagem para o Reino Unido e vales-presentes no valor
de 1 mil reais. As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas até o dia 28 de outubro.
(www.cartaeducacao.com.br/agenda/concurso-marca-400-anos-da-morte-de-shakespeare, 2016)

Assinale a alternativa INCORRETA no que se refere à coesão e/ou à coerência do texto lido.

(A) No estabelecimento de coesão lexical no texto, os nomes “vídeos”, “produções” e “material” são
empregados em relação de sinonímia.
(B) No trecho “É essa a pergunta que embala o concurso cultural Shakespeare Hoje[...]” (1º parágrafo),
o pronome demonstrativo “essa” estabelece referência catafórica por se referir ao substantivo “pergunta”.
(C) Em “Passados 400 anos da sua morte, por que William Shakespeare continua atual?” (1º
parágrafo), a sequência formada pela preposição “por” e pelo pronome interrogativo “que” pode ser
substituída, sem prejuízo de sentido, pela expressão “por qual motivo”.

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(D) Entre as marcas de coesão referencial do texto, está o uso dos pronomes “sua” em “Passados 400
anos da sua morte” e “essa” em “É essa a pergunta que embala o concurso”. (1º parágrafo)
(E) Entre as marcas de coesão lexical do texto, está o uso de “autor” (penúltimo parágrafo) e
“dramaturgo inglês” (primeiro parágrafo) em referência a “William Shakespeare”. (1º parágrafo).

05. (Pref. de Natal/RN – Psicólogo – IDECAN)

Conheça Aris, que se divide entre socorrer e fotografar náufragos


Profissional da AFP diz que a experiência de documentar o sofrimento dos refugiados deixou-o mais
rígido com as próprias filhas.

O grego Aris Messinis é fotógrafo da agência AFP em Atenas. Cobriu guerras e os protestos da
Primavera Árabe. Nos últimos meses, tem se dedicado a registrar a onda de refugiados na Europa. Ele
conta em um blog da AFP, ilustrado com muitas fotos, como tem sido o trabalho na ilha de Lesbos, na
Grécia, onde milhares de refugiados pisam pela primeira vez em território europeu. Mais de 700.000
refugiados e imigrantes clandestinos já desembarcaram no litoral grego este ano. As autoridades locais
estão sendo acusadas de não dar apoio suficiente aos que chegam pelo mar, e há até a ameaça de
suspender o país do Acordo Schengen, que permite a livre circulação de pessoas entre os Estados-
membros.
Messinis diz que o mais chocante do seu trabalho é retratar, em território pacífico, pessoas que trazem
no rosto o sofrimento da guerra. “Só de saber que você não está em uma zona de guerra torna isso ainda
mais emocional. E muito mais doloroso”, diz Messinis. Numa guerra, o fotógrafo também corre perigo,
então, de certa forma, está em pé de igualdade com as pessoas que protagonizam as cenas que ele
documenta. Em Lesbos, não é assim. Ele está em absoluta segurança. As pessoas que chegam estão
lutando por suas vidas. Não são poucas as que morrem de hipotermia mesmo depois de pisar em terra
firme, por falta de atendimento médico.
Exatamente por causa dessa assimetria entre o fotojornalista e os protagonistas de suas fotos, muitas
vezes Messinis deixa a câmera de lado e põe-se a ajudá-los. Ele se impressiona e se preocupa muito
com os bebês que chegam nos botes. Obviamente, são os mais vulneráveis aos perigos da travessia.
Messinis fotografou os cadáveres de alguns deles nas pedras à beira-mar.
O fotógrafo grego diz que a experiência de ver o sofrimento das crianças refugiadas deixou-o mais
rígido com as próprias filhas. As maiores têm 9 e sete anos. A menor, 7 meses. Quando vê o que acontece
com as crianças que chegam nos botes, Messinis pensa em como suas filhas têm sorte de estarem vivas,
de terem onde morar e de viverem num país em paz. Elas não têm do que reclamar.
(Por: Diogo Schelp 04/12/2015.
Disponível em: http://veja.abril.com.br/blog/a-boa-e-velha-reportagem/conheca-aris-que-se-divide-entresocorrer-e-fotografar-naufragos/.)

Na construção do texto, a coerência e a coesão são de fundamental importância para que sua
compreensão não seja comprometida. Alguns elementos são empregados de forma efetiva e explícita
com tal propósito. Nos trechos a seguir foram destacados alguns elementos cuja função anafórica
contribui para a coesão textual, com EXCEÇÃO de:
(A) “[...] pessoas que trazem no rosto o sofrimento da guerra.” (2º§)
(B) “Ele conta em um blog da AFP, ilustrado com muitas fotos [...]” (1º§)
(C) “O fotógrafo grego diz que a experiência de ver o sofrimento [...]” (4º§)
(D) “[...] onde milhares de refugiados pisam pela primeira vez em território europeu.” (1º§)

06. (Pref. de Niterói/RJ – Administrador – COSEAC)

O Brasil é minha morada

1 Permita-me que lhes confesse que o Brasil é a minha morada. O meu teto quente, a minha sopa
fumegante. É casa da minha carne e do meu espírito. O alojamento provisório dos meus mortos. A caixa
mágica e inexplicável onde se abrigam e se consomem os dias essenciais da minha vida.
2 É a terra onde nascem as bananas da minha infância e as palavras do meu sempre precário
vocabulário. Neste país conheci emoções revestidas de opulenta carnalidade que nem sempre
transportavam no pescoço o sinete da advertência, justificativa lógica para sua existência.
3 Sem dúvida, o Brasil é o paraíso essencial da minha memória. O que a vida ali fez brotar com
abundância, excedeu ao que eu sabia. Pois cada lembrança brasileira corresponde à memória do mundo,
onde esteja o universo resguardado. Portanto, ao apresentar-me aqui como brasileira, automaticamente

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sou romana, sou egípcia, sou hebraica. Sou todas as civilizações que aportaram neste acampamento
brasileiro.
4 Nesta terra, onde plantando-se nascem a traição, a sordidez, a banalidade, também afloram a alegria,
a ingenuidade, a esperança, a generosidade, atributos alimentados pelo feijão bem temperado, o arroz
soltinho, o bolo de milho, o bife acebolado, e tantos outros anjos feitos com gema de ovo, que deita raízes
no mundo árabe, no mundo luso.
5 Deste país surgiram inesgotáveis sagas, narradores astutos, alegres mentirosos. Seres anônimos,
heróis de si mesmos, poetas dos sonhos e do sarcasmo, senhores de máscaras venezianas, africanas,
ora carnavalescas, ora mortuárias. Criaturas que, afinadas com a torpeza e as inquietudes do seu tempo,
acomodam-se esplêndidas à sombra da mangueira só pelo prazer de dedilhar as cordas da guitarra e do
coração.
6 Neste litoral, que foi berço de heróis, de marinheiros, onde os saveiros da imaginação cruzavam as
águas dos mares bravios em busca de peixes, de sereias e da proteção de Iemanjá, ali se instalaram
civilizações feitas das sobras de outras tantas culturas. Cada qual fincando hábitos, expressões, loucas
demências nos nossos peitos.
7 Este Brasil que critico, examino, amo, do qual nasceu Machado de Assis, cujo determinismo falhou
ao não prever a própria grandeza. Mas como poderia este mulato, este negro, este branco, esta alma
miscigenada, sempre pessimista e feroz, acatar uma existência que contrariava regras, previsões,
fatalidades? Como pôde ele, gênio das Américas, abraçar o Brasil, ser sua face, soçobrar com ele e
revivê-lo ao mesmo tempo?
8 Fomos portugueses, espanhóis e holandeses, até sermos brasileiros. Uma grei de etnias ávidas e
belas, atraída pelas aventuras terrestres e marítimas. Inventora, cada qual, de uma nação foragida da
realidade mesquinha, uma espécie de ficção compatível com uma fábula que nos habilite a frequentar
com desenvoltura o teatro da história.
(PIÑON, Nélida. Aprendiz de Homero. Rio de Janeiro: Editora Record, 2008, p. 241-243, fragmento.)
A leitura correta do texto indica que o elemento de coesão textual destacado em cada fragmento abaixo
está ERRONEAMENTE informado na opção:
(A) “justificativa lógica para SUA existência.” (2º §) / “emoções revestidas de opulenta carnalidade”.
(B) “O que a vida ALI fez brotar com abundância, excedeu ao que eu sabia.” (3º §) / “o Brasil é o paraíso
essencial da minha memória.”
(C) “Criaturas que, afinadas com a torpeza e as inquietudes do SEU tempo, acomodam-se esplêndidas
à sombra da mangueira”. (5º §) / “Criaturas”.
(D) “CUJO determinismo falhou ao não prever a própria grandeza.” (7º §) / “Este Brasil”.
(E) “Como pôde ele, gênio das Américas, abraçar o Brasil, ser sua face, soçobrar com ele e revivê-LO
ao mesmo tempo?” (7º §) / “o Brasil”.
07. (COMPESA – Analista de Gestão – FGV) As opções a seguir apresentam pensamentos em que os
pronomes sublinhados estabelecem coesão com elementos anteriores.
Assinale a frase em que esse referente anterior é uma oração.
(A) “Um diplomata é um sujeito que pensa duas vezes antes de não dizer nada”.
(B) “A minha vontade é forte, mas a minha disposição de obedecer-lhe é fraca”.
(C) “Não existe assunto desinteressante, o que existe são pessoas desinteressadas”.
(D) “A dúvida é uma margarida que jamais termina de se despetalar”.
(E) “Se você pensa que não tem falhas, isso já é uma”.

08. (SEE-PE – Professor de Matemática – FGV) “O único consolo que sinto ao pensar na
inevitabilidade da minha morte é o mesmo que se sente quando o barco está em perigo: encontramo-nos
todos na mesma situação.”
(Tolstói)

Alguns elementos do pensamento de Tolstói se referem a termos anteriores, o que dá coesão ao texto.
Assinale a opção em que o termo cujo referente anterior está indicado incorretamente.
(A) “que sinto” / consolo.
(B) “o mesmo” / consolo.
(C) “que se sente” / consolo.
(D) “todos” / nos.
(E) “na mesma situação” / inevitabilidade da morte.

Gabarito
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01.B / 02.A / 03.A / 04.B / 05.C / 06.D / 07.E / 08.E

Comentários

01. Resposta: B
Há função anafórica, isto é, alude ao que foi dito anteriormente. Quando Haroldo diz "isso", refere-se
a uma fala anterior de Calvin.

02. Resposta: A
A coerência ou conectividade conceitual é a relação que se estabelece entre as partes de um texto,
criando uma unidade de sentido.
A coesão, ou conectividade sequencial, é a ligação, o nexo que se estabelece entre as partes de
um texto, mesmo que não seja aparente.

03. Resposta: A - A Senhora no quadrinho dá continuidade a "Tudo é apenas informação", e não


responde "O que é a 'vida'?"

04. Resposta: B
A) CORRETA: todos esses nomes se referem aos vídeos produzidos por professores e alunos de
escolas públicas e particulares sobre William Shakespeare (ver o 2° parágrafo).
B) ERRADA: “[...] por que William Shakespeare continua atual? É essa a pergunta que embala o
concurso cultural Shakespeare Hoje [...]” . “Essa” estabelece referência anafórica com a pergunta
destacada.
C) CORRETA.
D) CORRETA: “Passados 400 anos da sua morte, por que William Shakespeare continua atual? [...]”
(referência catafórica); “[...] por que William Shakespeare continua atual? É essa a pergunta que embala
o concurso cultural Shakespeare Hoje [...]” (referência anafórica).
E) CORRETA.

05. Resposta: C
Pronomes relativos - são anafóricos;
Conjunções - termos que ligam orações ou palavras do mesmo gênero - Jamais farão papel de
termos anafóricos.

06. Resposta: D
Expressão referencial: cujo
Referente: Machado de Assis
Processo de Articulação: anáfora

07. Resposta: E
a) “Um diplomata é um sujeito que pensa duas vezes antes de não dizer nada”. (ERRADO) o "QUE"
é Pronome Relativo (o qual) e refere-se a "sujeito".
b) “A minha vontade é forte, mas a minha disposição de obedecer-lhe é fraca”. (ERRADO) o LHE faz
referência a "a minha vontade", sendo objeto indireto.
c) “Não existe assunto desinteressante, o que existe são pessoas desinteressadas”. (ERRADO) o
"que" não faz referência a nenhum termo da oração anterior.
d) “A dúvida é uma margarida que jamais termina de se despetalar”. (ERRADO) Assim como na letra
A, o "QUE" é Pronome Relativo (a qual), referindo-se a "margarida"
e) “Se você pensa que não tem falhas, isso já é uma”. (CERTO) o ISSO faz referência a oração
anterior. ISSO é uma falha...isso o que? você pensar que não tem falhas.

08. Resposta: E
Sinto que o único consolo é o mesmo que se sente.
Na mesma situação refere-se a barco em perigo.

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121
Coerência textual: metarregras da repetição, progressão, não contradição e
relação

Coerência é a característica daquilo que tem lógica e coesão, quando um conjunto de ideias apresenta
nexo e uniformidade. Para que algo tenha coerência, este objeto precisa apresentar uma sequência que
dê um sentido geral e lógico ao receptor, de forma que não haja contradições ou dúvidas acerca do
assunto.

Vamos ver um exemplo:

Infância

O camisolão
O jarro
O passarinho
O oceano
A vista na casa que a gente sentava no sofá

Adolescência

Aquele amor
Nem me fale

Maturidade

O Sr. e a Sra. Amadeu


Participam a V. Exa.
O feliz nascimento
De sua filha
Gilberta

Velhice

O netinho jogou os óculos


Na latrina
Oswaldo de Andrade. Poesias reunidas.
4ª Ed. Rio de Janeiro
Civilização Brasileira, 1974, p. 160-161.

Talvez o que mais chame a atenção nesse poema, ao menos à primeira vista, seja a ausência de
elementos de coesão, quer retomando o que foi dito antes, quer encadeando segmentos textuais. No
entanto, percebemos nele um sentido unitário, sobretudo se soubermos que o seu título é “As quatro
gares”, ou seja, as quatro estações.
Com essa informação, podemos imaginar que se trata de flashes de cada uma das quatro grandes
fases da vida: a infância, a adolescência, a maturidade e a velhice.
A primeira é caracterizada pelas descobertas (o oceano), por ações (o jarro, que certamente a criança
quebrara; o passarinho que ela caçara) e por experiências marcantes (a visita que se percebia na sala
apropriada e o camisolão que se usava para dormir);
A segunda é caracterizada por amores perdidos, de que não se quer mais falar;
A terceira, pela formalidade e pela responsabilidade indicadas pela participação formal do nascimento
da filha;
A quarta, pela condescendência para com a traquinagem do neto (a quem cabe a vez de assumir a
ação).
A primeira parte é uma sucessão de palavras; a segunda, uma frase em que falta um nexo sintático; a
terceira, a participação do nascimento de uma filha; e a quarta, uma oração completa, porém
aparentemente desgarrada das demais.
Como se explica que sejamos capazes de entender esse poema em seus múltiplos sentidos, apesar
da falta de marcadores de coesão entre as partes?

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122
A explicação está no fato de que ele tem uma qualidade indispensável para a existência de um texto:
a coerência.

Que é a unidade de sentido resultante da relação que se estabelece entre as partes do texto. Uma ideia
ajuda a compreender a outra, produzindo um sentido global, à luz do qual cada uma das partes ganha
sentido.

No poema acima, os subtítulos “Infância”, “Adolescência”, “Maturidade” e “Velhice” garantem essa


unidade. Colocar a participação formal do nascimento da filha, por exemplo, sob o título “Maturidade” dá
a conotação da responsabilidade habitualmente associada ao indivíduo adulto e cria um sentido unitário.
Esse texto, como outros do mesmo tipo, comprova que um conjunto de enunciados pode formar um
todo coerente mesmo sem a presença de elementos coesivos, isto é, mesmo sem a presença explícita
de marcadores de relação entre as diferentes unidades linguísticas.
Em outros termos, a coesão funciona apenas como um mecanismo auxiliar na produção da unidade
de sentido, pois esta depende, na verdade, das relações subjacentes ao texto, da não contradição entre
as partes, da continuidade semântica, em síntese, da coerência.
A coerência é um fator de interpretabilidade do texto, pois possibilita que todas as suas partes sejam
englobadas num único significado que explique cada uma delas. Quando esse sentido não pode ser
alcançado por faltar relação de sentido entre as partes, lemos um texto incoerente, como este:

A todo ser humano foi dado o direito de opção entre a mediocridade de uma vida que se acomoda e a
grandeza de uma vida voltada para o aprimoramento intelectual.
A adolescência é uma fase tão difícil que todos enfrentam. De repente vejo que não sou mais uma
“criancinha” dependente do “papai”. Chegou a hora de me decidir! Tenho que escolher uma profissão
para me realizar e ser independente financeiramente.
No país em que vivemos, que predomina o capitalismo, o mais rico sempre é quem vence!
Apud: J. A. Durigan, M. B. M. Abaurre e Y. F. Vieira (orgs).
A magia da mudança. Campinas, Unicamp, 1987, p. 53.

Nesses parágrafos, vemos três temas (direito de opção; adolescência e escolha profissional; relações
sociais sob o capitalismo) que mantêm relações muito tênues entre si. Esse fato, prejudicando a
continuidade semântica entre as partes, impede a apreensão do todo e, portanto, configura um texto
incoerente.
Há no texto, vários tipos de relação entre as partes que o compõem, e, por isso, costuma-se falar em
vários níveis de coerência.

Coerência Narrativa
Consiste no respeito às implicações lógicas entre as partes do relato. Por exemplo, para que um sujeito
realize uma ação, é preciso que ele tenha competência para tanto, ou seja, que saiba e possa efetuá-la.
Constitui, então, incoerência narrativa o seguinte exemplo:

Lá dentro havia uma fumaça, e essa fumaça não deixava que nós víssemos qualquer pessoa, pois era
muito intensa.
Meu colega foi à cozinha me deixando sozinho, fiquei encostado na parede da sala e fiquei observando
as pessoas que lá estavam. Na festa havia pessoas de todos os tipos: ruivas, brancas, pretas, amarelas,
altas e baixas.36

Nesse caso, a incoerência narrativa, é o fato de o sujeito não poder ver, porque a fumaça impedia,
mas ele viu.

Coerência Argumentativa
Precisa ter muita atenção ao sustentar ideias e opiniões, para que não entremos em contradição.
Coerência argumentativa é defender ponto de vista sem entrar em contradição. Ex.: Um determinado
texto defende a ideia que todos são iguais perante à lei, posteriormente no final defende o privilégio de
algumas pessoas não estarem obrigadas a pagar impostos. Nesse caso, ocorre uma incoerência nos
argumentos. Apresenta um argumento e ao mesmo tempo vai contestá-lo.

36
FIORIN, platão, para entender o texto, Ática, 1992.

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123
A coerência argumentativa diz respeito às relações de implicação ou de adequação entre premissas e
conclusões ou entre afirmações e consequências.
Não há coerência, por exemplo, num raciocínio como este:

Há muitos servidores públicos no Brasil que são verdadeiros marajás.


O candidato a governador é funcionário público.
Portanto o candidato é um marajá.

Segundo uma lei da lógica formal, não se pode concluir nada com certeza baseado em duas premissas
particulares. Dizer que muitos servidores públicos são marajás não permite concluir que qualquer um
seja.
A falta de relação entre o que se diz e o que foi dito anteriormente também constitui incoerência. É o
que se vê neste diálogo:

“__ Vereador, o senhor é a favor ou contra o pagamento de pedágio para circular no centro da cidade?

Coerência Figurativa
Compreende a articulação harmônica das figuras do texto, com base na relação de significado que
mantém entre si. As figuras devem pertencer ao mesmo tema e grupo de significado.
Por exemplo, mostrar a vida no Polo Norte, as figuras serão: neve, rena, roupas de pele. Não caberia
figuras como: palmeira, cactos, roupas de praia etc.

Coerência Temporal
Entende-se aquela que concerne à sucessão dos eventos e à compatibilidade dos enunciados do
ponto de vista de sua localização no tempo. Não se poderia, por exemplo, dizer: “O assassino foi
executado na câmara de gás e, depois, condenado à morte”.

Coerência Espacial
Diz respeito à compatibilidade dos enunciados do ponto de vista da localização no espaço. Seria
incoerente, por exemplo, o seguinte texto: “O filme ‘A Marvada Carne’ mostra a mudança sofrida por um
homem que vivia lá no interior e encanta-se com a agitação e a diversidade da vida na capital, pois aqui
já não suportava mais a mesmice e o tédio”.
Dizendo lá no interior, o enunciador dá a entender que seu pronunciamento está sendo feito de algum
lugar distante do interior; portanto ele não poderia usar o advérbio “aqui” para localizar “a mesmice” e “o
tédio” que caracterizavam a vida interiorana da personagem. Em síntese, não é coerente usar “lá” e “aqui”
para indicar o mesmo lugar.

Coerência do Nível de Linguagem Utilizado

É aquela que concerne à compatibilidade do léxico e das estruturas morfossintáticas com a variante
escolhida numa dada situação de comunicação. Ocorre incoerência relacionada ao nível de linguagem
quando, por exemplo, o enunciador utiliza um termo chulo ou pertencente à linguagem informal num texto
caracterizado pela norma culta formal.
Tanto sabemos que isso não é permitido que, quando o fazemos, acrescentamos uma ressalva: com
perdão da palavra, se me permitem dizer. Observe um exemplo de incoerência nesse nível:

“Tendo recebido a notificação para pagamento da chamada taxa do lixo, ouso dirigir-me a V. Exª,
senhora prefeita, para expor-lhe minha inconformidade diante dessa medida, porque o IPTU foi
aumentado no governo anterior, de 0,6% para 1% do valor venal do imóvel exatamente para cobrir as
despesas da municipalidade com os gastos de coleta e destinação dos resíduos sólidos produzidos pelos
moradores de nossa cidade. Francamente, achei uma sacanagem esta armação da Prefeitura: jogar mais
um gasto nas costas da gente.”

Como se vê, o léxico usado no último período do texto destoa completamente do utilizado no período
anterior.

Ninguém há de negar a incoerência de um texto como este: Saltou para a rua, abriu a janela do 5º
andar e deixou um bilhete no parapeito explicando a razão de seu suicídio, em que há evidente violação
da lei sucessivamente dos eventos.

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124
Entretanto talvez nem todo mundo concorde que seja incoerente incluir guardanapos de papel no jantar
do Itamarati descrito no item sobre coerência figurativa, alguém poderia objetivar que é preconceito
considerá-los inadequados. Então, justifica-se perguntar: o que, afinal, determina se um texto é ou não
coerente?
A natureza da coerência está relacionada a dois conceitos básicos de verdade: adequação à realidade
e conformidade lógica entre os enunciados.
Vimos que temos diferentes níveis de coerência: narrativa, argumentativa, figurativa, etc. Em cada
nível, temos duas espécies diversas de coerência:

Extratextual
Aquela que diz respeito à adequação entre o texto e uma “realidade” exterior a ele.

Intratextual
Aquela que diz respeito à compatibilidade, à adequação, à não contradição entre os enunciados do
texto.

A exterioridade a que o conteúdo do texto deve ajustar-se pode ser:

O conhecimento do mundo
O conjunto de dados referentes ao mundo físico, à cultura de um povo, ao conteúdo das ciências, etc.,
que constitui o repertório com que se produzem e se entendem textos. O período “O homem olhou através
das paredes e viu onde os bandidos escondiam a vítima que havia sido sequestrada” é incoerente, pois
nosso conhecimento do mundo diz que homens não veem através das paredes. Temos, então, uma
incoerência figurativa extratextual.

Os mecanismos semânticos e gramaticais da língua


O conjunto dos conhecimentos sobre o código linguístico necessário à codificação de mensagens
decodificáveis por outros usuários da mesma língua. O texto seguinte, por exemplo, está absolutamente
sem sentido por inobservância de mecanismos desse tipo:
“Conscientizar alunos pré-sólidos ao ingresso de uma carreira universitária informações críticas a
respeito da realidade profissional a ser optada. Deve ser ciado novos métodos criativos nos ensinos de
primeiro e segundo grau: estimulando o aluno a formação crítica de suas ideias as quais, serão a
praticidade cotidiana. Aptidões pessoais serão associadas a testes vocacionais sérios de maneira
discursiva a analisar conceituações fundamentais.”
Apud: J. A. Durigan et alii. Op. cit., p. 58.

Fatores de Coerência

O Contexto
Para uma dada unidade linguística, funciona como contexto a unidade linguística maior que ela: a
sílaba é contexto para o fonema; a palavra, para a sílaba; a oração, para a palavra; o período, para a
oração; o texto, para o período, e assim por diante.

“Um chopps, dois pastel, o polpettone do Jardim de Napoli, cruzar a Ipiranga com a Avenida São João,
o “Parmera”, o “Curíntia”, todo mundo estar usando cinto de segurança.”

À primeira vista, parece não haver nenhuma coerência na enumeração desses elementos. Quando
ficamos sabendo, no entanto, que eles fazem parte de um texto intitulado “100 motivos para gostar de
São Paulo”, o que aparentemente era caótico torna-se coerente:

100 motivos para gostar de São Paulo

1. Um chopps
2. E dois pastel
(...)
5. O polpettone do Jardim de Napoli
(...)
30. Cruzar a Ipiranga com a av. São João
(...)

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125
43. O “Parmera”
(...)
45. O “Curíntia”
(...)
59. Todo mundo estar usando cinto de segurança
(...)

O texto apresenta os traços culturais da cidade, e todos convergem para um único significado: a
celebração da capital do estado de São Paulo no seu aniversário. Os dois primeiros itens de nosso
exemplo referem-se a marcas linguísticas do falar paulistano; o terceiro, a um prato que tornou conhecido
o restaurante chamado Jardim de Napoli; o quarto, a um verso da música “Sampa”, de Caetano Veloso;
o sexto e o sétimo, à maneira como os dois times mais populares da cidade são denominados na variante
linguística popular; o último à obediência a uma lei que na época ainda não vigorava no resto do país.

A Situação de Comunicação
__A telefônica.
__Era hoje?

Esse diálogo não seria compreendido fora da situação de interlocução, porque deixa implícitos certos
enunciados que, dentro dela, são perfeitamente compreendidos:

__ O empregado da companhia telefônica que vinha consertar o telefone está aí.


__ Era hoje que ele viria?

O Conhecimento de Mundo
31 de março / 1º de abril
Dúvida Revolucionária

Ontem foi hoje?


Ou hoje é que foi ontem?

Aparentemente, falta coerência temporal a esse poema: o que significa “ontem foi hoje” ou “hoje é que
foi ontem?”. No entanto, as duas datas colocadas no início do poema e o título remetem a um episódio
da História do Brasil, o golpe militar de 1964, chamado Revolução de 1964. Esse fato deve fazer parte de
nosso conhecimento de mundo, assim como o detalhe de que ele ocorreu no dia 1º de abril, mas sua
comemoração foi mudada para 31 de março, para evitar relações entre o evento e o “dia da mentira”.

As Regras do Gênero
“O homem olhou através das paredes e viu onde os bandidos escondiam a vítima que havia sido
sequestrada.”
Essa frase é incoerente no discurso cotidiano, mas é completamente coerente no mundo criado pelas
histórias de super-heróis, em que o Super-Homem, por exemplo, tem força praticamente ilimitada; pode
voar no espaço a uma velocidade igual à da luz; quando ultrapassa essa velocidade, vence a barreira do
tempo e pode transferir-se para outras épocas; seus olhos de raios X permitem-lhe ver através de
qualquer corpo, a distâncias infinitas, etc.
Nosso conhecimento de mundo não é restrito ao que efetivamente existe, ao que se pode ver, tocar,
etc.: ele inclui também os mundos criados pela linguagem nos diferentes gêneros de texto, ficção
científica, contos maravilhosos, mitos, discurso religioso, etc., regidos por outras lógicas. Assim, o que é
incoerente num determinado gênero não o é, necessariamente, em outro.

Sentido Não Literal

“As verdes ideias incolores dormem, mas poderão explodir a qualquer momento.”

Tomando em seu sentido literal, esse texto é absurdo, pois, nessa acepção, o termo ideias não pode
ser qualificado por adjetivos de cor; não se podem atribuir ao mesmo ser, ao mesmo tempo, as qualidades
verde e incolor; o verbo dormir deve ter como sujeito um substantivo animado.

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126
No entanto, se entendermos ideias verdes em sentido não literal, como concepções ambientalistas, o
período pode ser lido da seguinte maneira: “As ideias ambientalistas sem atrativo estão latentes, mas
poderão manifestar-se a qualquer momento.”

O Intertexto

Falso diálogo entre Pessoa e Caeiro

__ a chuva me deixa triste...


__ a mim me deixa molhado.
José Paulo Paes. Op. Cit.,

Muitos textos retomam outros, constroem-se com base em outros e, por isso, só ganham coerência
nessa relação com o texto sobre o qual foram construídos, ou seja, na relação de intertextualidade. É o
caso desse poema.
Para compreendê-lo, é preciso saber que Alberto Caeiro é um dos heterônimos do poeta Fernando
Pessoa; que heterônimo não é pseudônimo, mas uma individualidade lírica distinta da do autor (o
ortônimo); que para Caeiro o real é a exterioridade e não devemos acrescentar-lhe impressões subjetivas;
que sua posição é antimetafísica; que não devemos interpretar a realidade pela inteligência, pois essa
interpretação conduz a simples conceitos vazios, em síntese, é preciso ter lido textos de Caeiro.
Por outro lado, é preciso saber que o ortônimo (Fernando Pessoa ele mesmo) exprime suas emoções,
falando da solidão interior, do tédio, etc.

Incoerência Proposital
Existem textos em que há uma quebra proposital da coerência, com vistas a produzir determinado
efeito de sentido, assim como existem outros que fazem da não coerência o próprio princípio constitutivo
da produção de sentido.
Poderia alguém perguntar, então, se realmente existe texto incoerente. Sem dúvida existe: é aquele
em que a incoerência é produzida involuntariamente, por inabilidade, descuido ou ignorância do
enunciador, e não usada funcionalmente para construir certo sentido.
Quando se trata de incoerência proposital, o enunciador dissemina pistas no texto, para que o leitor
perceba que ela faz parte de um programa intencionalmente direcionado para veicular determinado tema.
Se, por exemplo, num texto que mostra uma festa muito luxuosa, aparecem figuras como pessoas
comendo de boca aberta, falando em voz muito alta e em linguagem chula, ostentando suas últimas
aquisições, o enunciador certamente não está querendo manifestar o tema do luxo, do requinte, mas o
da vulgaridade dos novos-ricos.
Para ficar no exemplo da festa: em filmes como “Quero ser grande” (Big, dirigido por Penny Marshall
em 1988, com Tom Hanks) e “Um convidado bem trapalhão” (The party, Blake Edwards, 1968, com Peter
Sellers), há cenas em que os respectivos protagonistas exibem comportamento incompatível com a
ocasião, mas não há incoerência nisso, pois todo o enredo converge para que o espectador se solidarize
com eles, por sua ingenuidade e falta de traquejo social.
Mas, se aparece num texto uma figura incoerente uma única vez, o leitor não pode ter certeza de que
se trata de uma quebra de coerência proposital, com vistas a criar determinado efeito de sentido, vai
pensar que se trata de contradição devida a inabilidade, descuido ou ignorância do enunciador.
Dissemos também que há outros textos que fazem da inversão da realidade seu princípio constitutivo;
da incoerência, um fator de coerência. São exemplos as obras de Lewis Carrol “Alice no país das
maravilhas” e “Através do espelho”, que pretendem apresentar paradoxos de sentido, subverter o
princípio da realidade, mostrar as aporias da lógica, confrontar a lógica do senso comum com outras.
Reproduzimos um poema de Manuel Bandeira que contém mais de um exemplo do que foi abordado:

Teresa

A primeira vez que vi Teresa


Achei que ela tinha pernas estúpidas
Achei também que a cara parecia uma perna
Quando vi Teresa de novo
Achei que seus olhos eram muito mais velhos
[que o resto do corpo
(Os olhos nasceram e ficaram dez anos esperando
[que o resto do corpo nascesse)
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Da terceira vez não vi mais nada
Os céus se misturaram com a terra
E o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face
[das águas.
Poesias completas e prosa. Rio de Janeiro,
Aguilar, 1986, p. 214.

Para percebermos a coerência desse texto, é preciso, no mínimo, que nosso conhecimento de mundo
inclua o poema:

O Adeus de Teresa

A primeira vez que fitei Teresa,


Como as plantas que arrasta a correnteza,
A valsa nos levou nos giros seus...
Castro Alves

Para identificarmos a relação de intertextualidade entre eles; que tenhamos noção da crítica do
Modernismo às escolas literárias precedentes, no caso, ao Romantismo, em que nenhuma musa seria
tratada com tanta cerimônia e muito menos teria “cara”; que façamos uma leitura não literal; que
percebamos sua lógica interna, criada pela disseminação proposital de elementos que pareceriam
absurdos em outro contexto.

Progressão Temática37

É um procedimento que dá sequência a textos orais ou escritos, fazendo esse texto avançar ao mesmo
tempo em que apresenta informações novas sobre aquilo de que se fala (o tema).
O texto precisa ter uma unidade temática e, ao mesmo tempo, apresentar novas informações sobre
esse tema, mas sem mudar o tema de maneira aleatória, como estar falando sobre carro e logo em
seguida começar a falar de animais.
A organização e hierarquização das unidades semânticas do texto ocorrem através de dois eixos: tema
e rema. O tema é a base da comunicação, sobre aquilo que se fala, já o rema apresenta nova informação
que se introduz no texto.
Por meio da articulação desses dois eixos é que o texto progride. É possível que só exista um único
tema e vários remas sobre o mesmo. Porém, também é possível que o tema seja desdobrado em diversos
subtemas, também fazendo o texto avançar.
A manutenção do tema e essas formas de progressão são essenciais para a coesão e coerência e
coesão textual.

Questões

01. (TJ/MT - Técnico Judiciário - UFMT) A coerência refere-se aos nexos de sentido estabelecidos
entre as informações ou argumentos de um texto. A falta de coerência pode prejudicar o entendimento
do leitor. Assinale o trecho que NÃO apresenta problema de coerência.
(A) Quando eu estava vendo televisão nos EUA, as propagandas me chamaram a atenção.
(B) Andando pela calçada, o ônibus derrapou e pegou o funcionário quando entrava na livraria.
(C) Embarcou para São Paulo Maria Helena Arruda, onde ficará hospedada no luxuoso hotel Maksoud
Plaza.
(D) Desde os três anos de idade minha mãe me ensinava a ler e escrever.

02. (UFRPE - Administrador - SUGEP-UFRPE)

A leitura

Várias vezes, no decorrer do último século, previu-se a morte dos livros e do hábito de ler. O avanço
do cinema, da televisão, dos videogames, da internet, tudo isso iria tornar a leitura obsoleta. No Brasil da
virada do século XX para o século XXI, o vaticínio até parecia razoável: o sistema de ensino em franco
declínio e sua tradição de fracasso na missão de formar leitores, o pouco apreço dado à instrução como

37
http://www.ceale.fae.ufmg.br/app/webroot/glossarioceale/verbetes/progressao-tematica.

Apostila gerada especialmente para: Beatriz de Jesus de Oliveira Barros 028.993.602-05


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valor social fundamental e até dados muito práticos, como a falta e a pobreza de bibliotecas públicas e o
alto preço dos exemplares impressos aqui, conspiravam (conspiram, ainda) para que o contingente de
brasileiros dados aos livros minguasse de maneira irremediável. Contra todas as perspectivas, porém,
vem surgindo uma nova e robusta geração de leitores no país, movida – entre outras iniciativas – por
sucessos televisivos, como as séries Harry Potter e Crepúsculo.
Também para os cidadãos mais maduros abriram-se largas portas de entrada à leitura. A autoajuda (e
os romances com fortes tintas de autoajuda) é uma delas; os volumes que às vezes caem nas graças do
público, como A menina que roubava livros, ou os autores que têm o dom de fisgar o público com suas
histórias, são outra. E os títulos dedicados a recuperar a história do Brasil, como 1808, 1822, ou Guia
politicamente incorreto da História do Brasil, são uma terceira, e muito acolhedora, dessas portas.
É mais fácil tornar a leitura um hábito, claro, quando ela se inicia na infância. Mas qualquer idade é
boa, é favorável para adquirir esse gosto. Basta sentir aquela comichão do prazer, da curiosidade – e
então fazer um esforço para não se acomodar a uma zona de conforto, mas seguir adiante e evoluir na
leitura.
Bruno Meier. In: Graça Sette et al. Literatura – trilhas e tramas. Excerto adaptado.

Em coerência com as ideias globais expressas no Texto, um título adequado a ele poderia ser:
(A) A leitura: o impasse do descaso concedido à instrução transmitida na escola.
(B) A leitura: sinais evidentes de que surge uma nova onda de leitores.
(C) A leitura: o dom de se deixar cativar pela graça de histórias e romances.
(D) A leitura: o franco declínio do sistema de ensino brasileiro.
(E) A leitura: o acesso dos cidadãos mais maduros às suas influências.

03. (SEARH/RN - Professor de Ensino Religioso - IDECAN)

Caça aos racistas

Alunos da Universidade Princeton querem tirar o nome de Woodrow Wilson de uma das mais
importantes faculdades da instituição, a Woodrow Wilson School of Public and International Affairs. O
motivo, é claro, é o racismo.
Thomas Woodrow Wilson (1856‐1924) ocupou a Presidência dos EUA por dois mandatos (1913‐1921).
Era membro do Partido Democrata, levou o Nobel da Paz em 1919 e foi reitor da própria universidade.
Mas Wilson era inapelavelmente racista. Achava que negros não deveriam ser considerados cidadãos
plenos e tinha simpatias pela Ku Klux Klan. Merece ter seu nome cassado?
A resposta é, obviamente, “tanto faz". Um nome é só um nome e, para quem já morreu, homenagens
não costumam mesmo fazer muita diferença. De resto, discussões sobre racismo são bem‐vindas.
Receio, porém, que a demanda dos alunos caminhe perigosamente perto do anacronismo. Sim, Wilson
era racista, mas não podemos esquecer que a época também o era. O 28º presidente dos EUA não está
sozinho.
“Não sou nem nunca fui favorável a promover a igualdade social e política das raças branca e negra...
há uma diferença física entre as raças que, acredito, sempre as impedirá de viver juntas como iguais em
termos sociais e políticos. E eu, como qualquer outro homem, sou a favor de que os brancos mantenham
a posição de superioridade." Essa frase, que soa particularmente odiosa a nossos ouvidos modernos, é
de Abraham Lincoln, que, não obstante, continua sendo considerado um campeão dos direitos civis.
O problema são os americanos; eles são atavicamente racistas, dirá o observador anti-imperialista.
Talvez não. “O negro é indolente e sonhador, e gasta seu dinheiro com frivolidades e bebida". Essa pérola
é de Che Guevara. Alguns dizem que, depois, mudou de opinião. Quem não for prisioneiro de seu próprio
tempo que atire a primeira pedra.
(SCHWARTSMAN, Hélio. Folha de S. Paulo, 13 de dezembro de 2015.)

Para que haja manutenção da coerência, consistência e sentidos textuais; assinale a reescrita correta
a seguir.
(A) “O motivo, é claro, é o racismo.” (1º§) / O motivo é claro: o racismo.
(B) “Um nome é só um nome, ...” (3º§) / Um nome é, obviamente, só o nome.
(C) “A resposta é, obviamente, ‘tanto faz’” (3º§) / A resposta, é claro, “tanto faz”.
(D) “Alguns dizem que, depois, mudou de opinião.” (5º§) / A partir daí mudou de opinião.

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04. (PC/DF - Perito Criminal - Ciências Contábeis - IADES)

Disponível em: <http://www.policiacomunitariadf.com/operacaointegrada15a-


dp/denuncia_banner-2/>. Acesso em: 18 mar. 2016.

Assinale a alternativa que, em conformidade com as regras de pontuação e de ortografia vigentes,


reproduz com coerência a relação de sentido estabelecida entre os períodos “Não se cale. Você pode
salvar uma vida”.
(A) Você pode garantir a salvação de uma vida, portanto não se cale.
(B) Não haja de forma omissa: você pode salvar uma vida.
(C) Não se cale, por que você pode salvar uma vida.
(D) Você pode salvar uma vida, por isso não fique hexitoso: denuncie.
(E) Não se cale: porque assim, você salvará uma vida.

05. (CRO/PR - Auxiliar de Departamento - Quadrix)

clubedamafalda.blogspot.com

A respeito da linguagem da tirinha, assinale a alternativa correta.


(A) A expressão “strip tease”, presente no último quadrinho, cria um problema de coerência por se
tratar de um termo técnico.
(B) A reação da menina, no último quadrinho, deve-se ao fato de que sua mãe utiliza uma linguagem
muito técnica para explicar a queda dos dentes de leite.
(C) A palavra “negócio”, presente no primeiro quadrinho, cria um problema de coerência por se tratar
de uma gíria típica de médicos.
(D) A palavra “poing”, presente no primeiro quadrinho, é uma interjeição que indica a frustração da
menina diante do fato de que seus dentes cairão.
(E) A palavra “poing”, presente no primeiro quadrinho, é uma onomatopeia que representa a queda
dos dentes de leite.

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06. (SEGEP/MA - Analista Ambiental - FCC) A maioria das pessoas pensam que vai se aposentar
cedo e desfrutar da vida, mas um estudo sugere que estamos fadados a nos aposentar cada vez mais
tarde se quisermos manter um padrão de vida razoável.
Em 2009, pesquisadores publicaram um estudo na revista Lancet e afirmaram que metade das
pessoas nascidas após o ano 2000 vai viver mais de 100 anos e três quartos vão comemorar seus 75
anos.
Até 2007 acreditávamos que a expectativa de vida das pessoas não passaria de 85 anos. Foi quando
os japoneses ultrapassaram a expectativa para 86 anos. Na verdade, a expectativa de vida nos países
desenvolvidos sobe linearmente desde 1840, indicando que ainda não atingimos um limite para o tempo
de vida máximo para um ser humano.
No início do século XX, as melhorias no controle das doenças infecciosas promoveram um aumento
na sobrevida dos humanos, principalmente das crianças. E, depois da Segunda Guerra Mundial, os
avanços da medicina no tratamento das enfermidades cardiovasculares e do câncer promoveram um
ganho para os adultos. Em 1950, a chance de alguém sobreviver dos 80 aos 90 anos era de 10%;
atualmente excede os 50%.
O que agora vai promover uma sobrevida mais longa e com mais qualidade será a mudança de hábitos.
A Dinamarca era em 1950 um dos países com a mais longa expectativa de vida. Porém, em 1980 havia
despencado para a 20a posição, devido ao tabagismo.
O controle da ingestão de sal e açúcar, e a redução dos vícios como cigarro e álcool, além de atividade
física, vão determinar uma nova onda do aumento de expectativa de vida. A própria qualidade de vida,
medida por anos de saúde plena, deve mudar para melhor nas próximas décadas.
O próximo problema a ser enfrentado é a falta de dinheiro para as últimas décadas de vida: estamos
nos aposentando muito cedo e o que juntamos não será o suficiente. Precisamos guardar 10% do salário
anual e nos aposentar aos 80 anos para que a independência econômica acompanhe a independência
física na aposentadoria.
Os pesquisadores propõem que a idade de aposentadoria seja alongada e que os sexagenários
mudem seu raciocínio: em vez de pensar na aposentadoria, que passem a mirar uma promoção.
(Adaptado de: TUMA, Rogério. Disponível em: http://www.cartacapital.com.br/revista/911/o-contribuinte-secular)

... estamos fadados a nos aposentar cada vez mais tarde se quisermos manter um padrão de vida
razoável. (1o parágrafo)

Sem prejuízo da correção e da coerência, o segmento sublinhado acima pode ser substituído por
(A) caso queiramos
(B) na hipótese de quisemos
(C) como queríamos
(D) pelo fato de querermos
(E) apesar de querermos

Gabarito

01.A / 02.B / 03.A / 04.A / 05.E / 06.A

Comentários

01. Resposta: A
b) Andando pela calçada, o ônibus derrapou e pegou o funcionário quando entrava na livraria.
R:O ônibus derrapou e pegou o funcionário que estava andando na calçada no momento em que entrava
na livraria.
c) Embarcou para São Paulo Maria Helena Arruda, onde ficará hospedada no luxuoso hotel Maksoud
Plaza.
R: Maria Helena Arruda embarcou para São Paulo, onde ficará hospedada no luxuoso hotel Masound
Plaza.
d) Desde os quatro anos minha mãe me ensinava a ler e escrever.
R: Minha mãe me ensinava a ler e escrever desde que eu tinha quatro anos.

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131
02. Resposta: B
b) A leitura: sinais evidentes de que surge uma nova onda de leitores.
Porque engloba o público em geral - a robusta geração de leitores (crianças, adolescentes e adultos).
Linha 6.
a) A leitura: o impasse do descaso concedido à instrução transmitida na escola. Completamente
errada! A escola costuma incentivar o hábito da leitura ao aluno. Não é à toa que alguns colégios
distribuem livros gratuitos para os estudantes. E ainda algumas dão voucher de descontos em livrarias e
etc.
c) A leitura: o dom de se deixar cativar pela graça de histórias e romances. Errada! a leitura não é um
dom e sim um hábito! Linha 11
d) A leitura: o franco declínio do sistema de ensino brasileiro. Errada. O sistema de ensino pode está
em franco declínio, mas não é por causa da leitura. Há outros fatores que contribuem para a má
qualidade de ensino aos alunos como: AHAHA Deixa pra lá! senão irei comentar sobre política e não vai
dar certo!
e) A leitura: o acesso dos cidadãos mais maduros às suas influências. Errada. Então quer dizer que
só os cidadãos maduros podem ter acesso à leitura? E quanto as crianças e aos adolescentes? Eles não
podem ter acesso?

03. Resposta: A
A questão é ardilosa, mas a única proposição que não apresenta inclusão de novas ideias em sua
reconstrução é a primeira.
Em resposta a recurso, a Banca Examinadora argumentou: "Em 'O motivo, é claro, é o racismo.' (1º§)
a expressão separada por vírgulas 'é claro' não constitui vocativo. Vocativo é um termo acessório da
oração que serve para pôr em evidência o ser a quem nos dirigimos, sem manter relação sintática com
outro como em 'Amigos, peçam alegria a Deus.' (Amigos = vocativo), não é o que ocorre em 'é claro'. A
alternativa 'C) 'A resposta é, obviamente, ‘tanto faz'' (3º§) / A resposta, é claro, 'tanto faz'.' não pode ser
considerada correta, pois, no texto original, a expressão “tanto faz” é a resposta; já na reescrita sugerida,
não se sabe qual é a resposta, fica uma lacuna através da expressão 'tanto faz', ou seja, existe a
afirmação de que a resposta pode ser qualquer uma".
Por fim, a alternativa B apresenta duas alterações de sentido: a inclusão do advérbio obviamente,
adicionando informação ao texto, e a troca do artigo indefinido por artigo definido, alterando o sentido do
substantivo nome.

04. Resposta: A
A reescrita mais coerente e de acordo com as normas de pontuação e ortografia vigentes é a que
consta na alternativa A.
Nas demais, ocorrem os seguintes erros;
B – o verbo agir no modo imperativo afirmativo é aja e não “haja”.
C – em lugar de “por que” deveria ter sido empregado porque, uma vez que se trata de uma oração
explicativa.
D – “hexitoso” está com grafia incorreta, o correto seria hesitoso.
E – o uso do dois pontos depois de “cale” está errado e deveria ser suprimido. Deveria também haver
uma vírgula antes de “assim” ou ser suprimida a que vem logo após esse vocábulo.

05. Resposta: E
Há interjeições denominadas de "imitativas ou onomatopaicas". São aquelas que exprimem os sons
das coisas, dos objetos - zás!!, chape!, bum!

06. Resposta: A
a) CERTO. Caso (condicional) queiramos
b) ERRADO. Na hipótese (condicional) de quisermos
c) ERRADO. Como (conformativa) queríamos
d) ERRADO. Pelo fato (causal) de querermos
e) ERRADO. Apesar de (adversativa) querermos

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132
Aspectos intrínsecos (conteúdo e essência) e extrínsecos (forma e estilo) do
texto: qualidades de harmonia, coesão, coerência, concisão, objetividade e
clareza, correção gramatical e domínio do tema; vícios de prolixidade, linguagem
rebuscada, verbosidade, frases e períodos muito longos, uso exagerado de
chavões ou clichês; pensamento superficial; frágil argumentação

Caro(a) candidato(a), a maioria dos assuntos deste tópico você já estudou ao longo desta apostila,
assim como da apostila de Língua Portuguesa. Apresentaremos, aqui, alguns assuntos requisitados
aque ainda não foram abordados.
38
Cabe destacar, entretanto, que o processo comunicacional só se realizará plenamente, satisfazendo
às expectativas do emissor e do receptor, quando o texto for exposto em linguagem que atenda aos
seguintes requisitos:

Clareza, que torna o texto inteligível e decorre


- do uso de palavras e expressões em seu sentido comum, salvo quando o assunto for de natureza
técnica, hipótese em que se empregarão a nomenclatura e terminologia próprias da área;
- da construção de orações na ordem direta, evitando preciosismos, neologismos, intercalações
excessivas, jargão técnico, lugares-comuns, modismos e termos coloquiais;
- do uso do tempo verbal, de maneira uniforme, em todo o texto;
- do emprego dos sinais de pontuação de forma judiciosa, evitando os abusos estilísticos.

Precisão, que complementa a clareza e caracteriza-se pela


- articulação da linguagem comum ou técnica para a perfeita compreensão da ideia veiculada no texto;
- manifestação do pensamento ou da ideia com as mesmas palavras, evitando o emprego de sinonímia
com propósito meramente estilístico;
- escolha de expressão ou palavra que não confira duplo sentido ao texto;
- escolha de termos que tenham o mesmo sentido e significado em todo o território nacional ou na
maior parte dele, evitando o emprego de expressões regionais ou locais.

Coerência
Implica a exposição de ideias bem elaboradas, que tratam do mesmo tema do início ao fim do texto
em sequência lógica e ordenada. Isso significa que o texto deve conter apenas as ideias pertinentes ao
assunto proposto.

Concisão
É alcançada quando se apresenta a ideia com o mínimo de palavras possível, o que importa no uso
de frases breves, na eliminação dos vocábulos desnecessários e na substituição de palavras e termos
longos por outros mais curtos.

Consistência
Decorrente do emprego do mesmo padrão e do mesmo estilo na redação do texto, o que evita a
contradição ou dubiedade entre as ideias expostas.

Chavões/Clichês39

Alguns dos chavões mais frequentes são as locuções e combinações invariáveis de palavras que
também comprometem o texto. Em casos desse tipo, as frases feitas também se enquadram, que, apesar
de terem origem na linguagem popular (dar a volta por cima, por exemplo), acabam por se repetir à
exaustão, produzindo o mesmo efeito do lugar-comum.
Alguns exemplos:
- abrir com chave de ouro;
- acertar os ponteiros;
- a duras penas;
- agarrar-se à certeza de;

38
https://bit.ly/2k6iUJC.
39
https://www.estadao.com.br/manualredacao/esclareca/lugarcomum.

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- agradar a gregos e troianos;
- alto e bom som;
- ao apagar das luzes.

TEMA E TÍTULO

Segundo Vânia Duarte, tecer um bom texto é uma tarefa que requer competência por parte de quem
a pratica, pois a construção textual não pode ser vista como um emaranhado de frases soltas e ideias
desconexas. Pelo contrário, elas devem estar organizadas e justapostas entre si, denotando clareza de
sentido em relação à mensagem que se deseja transmitir.
Como sabemos, a redação é um dos elementos mais requisitados em processos seletivos de uma
forma geral. Por essa razão, devemos estar aptos para desenvolvê-la de forma plausível e,
consequentemente, alcançarmos o sucesso almejado. Geralmente, a proposta é acompanhada de uma
coletânea de textos, que deve ser lida de forma atenta para percebermos qual é o tema abordado em
questão.40
Diante disso, é essencial que entendamos a diferença existente entre estes dois elementos: Título e
Tema. Para tal, aprofundaremos mais nossos conhecimentos sobre o assunto.

Consideremos o exposto abaixo:

Tema: o crescente dinamismo que permeia a sociedade, aliado à inovação tecnológica, requer um
aperfeiçoamento profissional constante.

Título: a importância da capacitação profissional no mundo contemporâneo.

Como podemos perceber, o tema é algo mais abrangente e consiste no assunto que deve ser
explorado ao longo do texto.
Já o título é algo mais sintético, é como se fosse afunilando o assunto que será posteriormente
discutido.
O importante é sabermos que: do tema é que se extrai o título, haja vista que o tema é um elemento-
base, fonte norteadora para os demais passos.
Existem certos temas que não revelam uma nítida objetividade, como o exposto anteriormente. É o
caso de fragmentos literários, trechos musicais, frases de efeito, entre outros.
Nesse caso, exige-se mais do leitor quanto à questão da interpretação, para daí chegar à ideia central,
como podemos identificar por meio deste excerto:

“As ideias são apenas pedras postas a atravessar a corrente de um rio, se estão ali é para que
possamos chegar à outra margem, a outra margem é o que importa”. (José Saramago)

Essa linguagem, quando analisada, leva-nos a inferir o seguinte e que este poderia ser o título:
A importância da coerência e da coesão para o sentido do texto.
Fazendo parte também dessa composição estão os temas apoiados em imagens, como é o caso de
gráficos, histórias em quadrinhos, charges e pinturas. Tal ocorrência requer o mesmo procedimento por
parte do leitor, ou seja, que ele desenvolva seu conhecimento de mundo e sua capacidade de
interpretação para desenvolver um bom texto.
O concurso ou o vestibular pode dar tanto o tema quanto o título, de acordo com Gustavo Atallah Haun.
Cabe ao redator saber manejar as duas formas.
Caso seja dado o título, este se tornará obrigatório no início da prova, centralizado, na primeira linha
(se não houver um lugar específico para ele!). Podem daí surgir duas possibilidades, o tema estar inserido
nos textos de apoio que acompanham o enunciado da questão ou do título você terá que tirar o tema.
Se for dado o tema em destaque, durante ou após o enunciado da redação, você terá que falar
especificamente dele, independente do assunto tratado nos textos de apoio.
Muitas bancas examinadoras não exigem o título. Na maioria das vezes ele é opcional. Porém, quando
for obrigatório vai ter sempre na instrução da prova: “Dê um título ao seu texto” ou “Seu texto deve ter
título” e similares. Portanto, leia com atenção as instruções da sua prova de produção textual.

40
https://brasilescola.uol.com.br/redacao/tema-titulofatores-componentes-construcao-textual.htm

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Principais Diferenças entre Tema e Título

TEMA TÍTULO
É geralmente uma oração com começo, meio e
Normalmente não tem verbo
fim, por isso tem sempre um verbo.
É o assunto de que trata o texto É o resumo do que você escreveu
Está inserido no texto, comentado, discutido, Aparece antes do texto, na primeira linha
trabalhado dentro do mesmo. ou em lugar específico.

Considerações quanto ao Tema

O tema pode vir amplo, genérico, ou já delimitado. Atenção máxima quanto a isso. No primeiro caso,
pode-se pedir para escrever sobre “Violência”, por exemplo, e dentro desse tema tão universal, você ter
que especificar, delimitá-lo: “A violência doméstica está crescendo no Brasil em pleno século XXI”.
Outro aspecto importante que se tem que ficar atento é se o tema é de âmbito objetivo ou subjetivo.
Para entender a diferença entre um tema objetivo e um tema subjetivo, faz-se necessário, antes,
relembrar que há mais de uma forma de usar as palavras: no sentido real ou no sentido figurado. Essa
diferenciação não se faz apenas no uso da linguagem escrita ou falada, mas também ao se fazer uso de
outras linguagens. Explico: quando se assiste a um filme, é possível associar seu enredo a outros
significados que não apenas aquele aparente; você assistiu a “Matrix”, por exemplo? Será que aquela
história de se viver um mundo falso, que alguém programa para nós, não é uma grande metáfora? Vemos
tudo o que existe? O que existe é real ou nossos sentidos nos enganam? O verde que você vê é o verde
que eu vejo? Como saber?
Você poderá pensar desta forma também ao admirar uma pintura, uma escultura, um grafite na rua, e
se perguntar: o que será que se quis dizer com essa representação? Enfim, consegue perceber a
possibilidade de mais de uma leitura nas diferentes linguagens? Os examinadores esperam que você
seja analítico, que faça associações, que entenda não ser mundo algo estático sócio-econômico-política
e culturalmente. Então, guarde esses conceitos:

- Denotação: palavra usada em sentido literal (objetividade). Ex.: Meu coração está batendo acelerado.
- Conotação: palavra usada em sentido figurado (subjetividade). Ex.: Meu coração galopa quando te
vê...

Lembre-se:

Denotação Conotação
Palavra com significação restrita Palavra com significação ampla
Palavra com sentido comum ao dicionário Palavra cujos sentidos extrapolam o sentido comum
Palavra usada de modo automatizado Palavra usada de modo criativo
Linguagem comum Linguagem rica e expressiva

Construindo um Texto a Partir de um Tema Objetivo e Subjetivo


Vimos anteriormente que, o tema é a proposta para a redação. Você irá delimitar o assunto e a partir
dessa delimitação irá formular sua tese (a afirmação central sobre o assunto, que será desenvolvida e
comprovada no texto). Observe que há uma tendência de os vestibulares apresentarem o tema e uma
coletânea de textos, de todos os tipos: fragmentos filosóficos, excertos literários; poemas; reportagens ou
notícias de jornais e revistas; cartuns ou pinturas. Normalmente, o avaliador não deseja um texto com
visão limitada sobre o assunto. Caso tenha pela frente um tema subjetivo, haverá a necessidade de se
interpretar a proposta.

Observe os seguintes modelos:

- Modelo com tema subjetivo


1º. Tema subjetivo: “Tudo o que é sólido desmancha no ar.” (Karl Marx)

2º. Delimitação do Assunto:


- a observação de como a história elimina estruturas aparentemente eternas.

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135
- trata-se de uma referência às instituições, comportamentos, modelos econômicos, que se modificam
no tempo.

3º. Tese: Nosso cotidiano parece cercado por estruturas fixas, imutáveis, sejam instituições, relações
de poder, formas de vida. Mas, se dermos um passo atrás e olhamos a história, o que encontramos é
uma sucessão de transformações, em que estas estruturas, que pareciam eternas, são criadas e
destruídas.

Esse foi um exemplo com tema subjetivo. Vejamos um exemplo de tema objetivo. Lê-se o tema e
imediatamente se reconhece sobre o que se pode falar no texto.

- Modelo com tema objetivo


1º. Tema: Desenvolvimento e Meio Ambiente.

2º. Delimitação do Assunto:


- como conciliar desenvolvimento econômico e preservação do meio ambiente?
- estar o meio ambiente em estado de degradação é sinal de evolução da sociedade capitalista ou
“involução”?

3º. Tese: Depois de as grandes potências econômicas passarem pelo período de exploração da maior
parte dos recursos naturais existentes, e pelo completo descuido com o meio ambiente, surge a
preocupação em se controlar esse processo, antes desordenado, para que se possa falar em gerações
futuras.

Questões

01. (SEDUC/RJ - Professor Matemática - CEPERJ)

O título “Todo Mundo” significa:


(A) o mundo inteiro
(B) toda a Terra
(C) a totalidade do Universo
(D) todo o planeta
(E) todas as pessoas do mundo

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02. (SEDS/PE - Sargento Polícia Militar - MSCONCURSOS)

Se o título da charge fosse excluído:


(A) Seu sentido mudaria completamente.
(B) Ela poderia adquirir outro sentido.
(C) Ela ficaria sem sentido algum.

(D) Não iria causar prejuízo algum de sentido.


(E) Ela teria um sentido oposto.

03. (Pref. de Belo Horizonte/MG - Analista - FDC)

Texto – Mesmo Extinta, CPMF Rende 1,7 Bilhão Ao Governo

Para especialistas, arrecadação é reflexo do excesso da burocracia. Mais de quatro anos após a
extinção da CPMF por decisão do Congresso, o governo continua engordando seu caixa com o tributo,
cobrado de empresas e pessoas físicas. De janeiro de 2008, quando o imposto do cheque deixou de
existir, até o mês passado, já foi arrecadado R$ 1,750 bilhão. Esse valor é suficiente, por exemplo, para
o governo arcar com um ano da desoneração da folha de pagamento de setores já beneficiados pela
medida, como confecções e calçados. Segundo técnicos da Receita, a arrecadação residual da CPMF
ocorre devido a ações administrativas e judiciais. Para especialistas, isso mostra o excesso e o tamanho
da burocracia no país.
(O Globo, 25/03/2012)

O título do texto tem valor:


(A) crítico, já que denuncia uma irregularidade da Receita.
(B) social, porque mostra o valor de justiça social do tributo.
(C) político, pois indica um ponto fraco da administração pública
(D) paradoxal, pois algo extinto não pode continuar a gerar frutos.
(E) irônico, visto que denuncia uma manobra de esperteza governamental.

Gabarito

01.E / 02.B / 03.D

Comentários

01. Resposta: E
O significado expressão, está dizendo que são pessoas. Todas as pessoas que vivem no mundo. Sem
dizer que o quadrinho trabalha a ideia da rede de computadores na qual muitas pessoas estão ligadas.

02. Resposta: B
Sim, poderia ter outro sentido, a partir do momento que os personagens tivessem outra reposta. Porque
dá entender que ele não precisa se vacinar uma vez que é opositor da gripe A.

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03. Resposta: D
O paradoxo do título do texto, é o fato de algo estar extinto, acabado, ainda continuar rendendo frutos
como se fosse algo ativo.

REESCRITURA DE FRASES - NORMA CULTA

Norma Culta

A norma culta define um conjunto de rigorosos padrões linguísticos que, por sua vez, servem para
definir o uso correto e impecável de determinado idioma. Na maioria das vezes, esse é o padrão utilizado
por pessoas com nível de escolaridade elevado.
Quem quer dominar uma língua perfeitamente, escrever e falar de forma correta, seguindo os padrões
da normal culta, precisa estudar – e muito – a gramática. Isto quer dizer que a norma culta é forma mais
correta de falar.

Norma Popular

É aquela linguagem que não é formal, ou seja, não segue padrões rígidos, é a linguagem popular,
falada no cotidiano.
O nível popular está associado à simplicidade da utilização linguística em termos lexicais, fonéticos,
sintáticos e semânticos. Esta decorrerá da espontaneidade própria do discurso oral e da natural economia
linguística. É utilizada em contextos informais.

Aquisição da Linguagem e o Propósito da Língua

A aprendizagem da língua inicia-se em casa, no contexto familiar, que é o primeiro círculo social para
uma criança que imita o que ouve e aprende, aos poucos, o vocabulário e as leis combinatórias da língua.
Um jovem falante também vai exercitando o aparelho fonador, ou seja, a língua, os lábios, os dentes, os
maxilares, as cordas vocais para produzir sons que se transformam, mais tarde, em palavras, frases e
textos.
Um falante ao entrar em contato com outras pessoas em diferentes ambientes sociais como a rua, a
escola, etc., começa a perceber que nem todos falam da mesma forma. Há pessoas que falam de forma
diferente por pertencerem a outras cidades ou regiões do país, ou por fazerem parte de outro grupo ou
classe social. Essas diferenças no uso da língua constituem as variedades linguísticas.
A língua é um poderoso instrumento de ação social, ela possibilita transmitir nossas ideias e transmitir
um conjunto de informações sobre nós mesmos. Desta forma, ela pode tanto facilitar quanto dificultar o
nosso relacionamento com as pessoas e com a sociedade no que diz respeito a nossa capacidade de
uso e articulação da língua.
Certas palavras e construções que empregamos acabam denunciando quem somos socialmente, ou
seja, em que região do país nascemos, qual nosso nível social e escolar, nossa formação e, às vezes,
até nossos valores, círculo de amizades e hobbies, como skate, rock, surfe, etc. O uso da língua também
pode informar nossa timidez, sobre nossa capacidade de nos adaptarmos às situações novas e nossa
insegurança.

Variedades Linguísticas

A língua escrita e falada apresenta uma série de variações e transformações ao passar do tempo. Tais
variações decorrem das diferenças entre as épocas, condições sociais, culturais e regionais dos falantes.
Tomemos como exemplo a transformação ortográfica do vocábulo “farmácia” que antes era grafado com
“ph”, assim, a palavra era escrita “pharmácia”.
Todas as variedades linguísticas são adequadas, desde que cumpram com eficiência o papel
fundamental da língua, o de permitir e estabelecer a comunicação entre as pessoas.

Graus de Formalismo

São muitos os tipos de registros quanto ao formalismo, tais como: o registro formal, que é uma
linguagem mais cuidada; o coloquial, que não tem um planejamento prévio, caracterizando-se por
construções gramaticais mais livres, repetições frequentes, frases curtas e conectores simples; o informal,

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que se caracteriza pelo uso de ortografia simplificada e construções simples (geralmente usado entre
membros de uma mesma família ou entre amigos).
As variações de registro ocorrem de acordo com o grau de formalismo existente na situação de
comunicação; com o modo de expressão, isto é, se trata de um registro formal ou escrito; com a sintonia
entre interlocutores, que envolve aspectos como graus de cortesia, deferência, tecnicidade (domínio de
um vocabulário específico de algum campo científico, por exemplo).

Atitudes não Recomendadas

Expressões condenáveis Uso recomendado


A nível de / Ao nível Em nível, No nível
Face a / Frente a Ante, Diante, Em face de, Em vista de, Perante
Onde (Quando não exprime
Em que, Na qual, Nas quais, No qual, Nos quais
lugar)
Sob um ponto de vista De um ponto de vista
Sob um prisma Por (ou através de) um prisma
Em virtude de, Por causa de, Em consequência de, Por, Em
Em função de
razão de

Expressões não Recomendadas

- a partir de (a não ser com valor temporal).


Opção: com base em, tomando-se por base, valendo-se de...

- através de (para exprimir “meio” ou instrumento).


Opção: por, mediante, por meio de, por intermédio de, segundo...

- devido a.
Opção: em razão de, em virtude de, graças a, por causa de.

- dito.
Opção: citado, mencionado.

- enquanto.
Opção: ao passo que.

- inclusive (a não ser quando significa incluindo-se).


Opção: até, ainda, igualmente, mesmo, também.

- no sentido de, com vistas a.


Opção: a fim de, para, com a finalidade de, tendo em vista.

- pois (no início da oração).


Opção: já que, porque, uma vez que, visto que.

- principalmente.
Opção: especialmente, sobretudo, em especial, em particular.

Expressões que Demandam Atenção

- acaso, caso – com se, use acaso; caso rejeita o se.


- aceitado, aceito – com ter e haver, aceitado; com ser e estar, aceito.
- acendido, aceso (formas similares) – idem
- à custa de – e não às custas de.
- à medida que – à proporção que, ao mesmo tempo que, conforme.
- na medida em que – tendo em vista que, uma vez que.
- a meu ver – e não ao meu ver.
- a ponto de – e não ao ponto de.

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- a posteriori, a priori – não tem valor temporal.
- em termos de – modismo; evitar.
- enquanto que – o que é redundância.
- entre um e outro – entre exige a conjunção e, e não a.
- implicar em – a regência é direta (sem em).
- ir de encontro a – chocar-se com.
- ir ao encontro de – concordar com.
- se não, senão – quando se pode substituir por caso não, separado; quando não se pode, junto.
- todo mundo – todos.
- todo o mundo – o mundo inteiro.
- não pagamento = hífen somente quando o segundo termo for substantivo.
- este e isto – referência próxima do falante (a lugar, a tempo presente; a futuro próximo; ao anunciar
e a que se está tratando).
- esse e isso – referência longe do falante e perto do ouvinte (tempo futuro, desejo de distância; tempo
passado próximo do presente, ou distante ao já mencionado e a ênfase).

Erros Comuns
- "Hoje ao receber alguns presentes no qual completo vinte anos tenho muitas novidades para contar”.
Uso inadequado do pronome relativo. Ele provoca falta de coesão, pois não consegue perceber a que
antecedente ele se refere, portanto nada conecta e produz relação absurda.
- "Ainda brincava de boneca quando conheci Davi, piloto de cart, moreno, 20 anos, com olhos cor de
mel. "Tudo começou naquele baile de quinze anos", "... é aos dezoito anos que se começa a procurar o
caminho do amanhã e encontrar as perspectiva que nos acompanham para sempre na estrada da vida”.
Você pode ter conhecimento do vocabulário e das regras gramaticais e, assim, construir um texto sem
erros. Entretanto, se você reproduz sem nenhuma crítica ou reflexão expressões gastas, vulgarizadas
pelo uso contínuo. A boa qualidade do texto fica comprometida.

- Tema: Para você, as experiências genéticas de clonagem põem em xeque todos os conceitos
humanos sobre Deus e a vida? "Bem a clonagem não é tudo, mas na vida tudo tem o seu valor e os
homens a todo momento necessitam de descobrir todos os mistérios da vida que nos cerca a todo
instante”.
É de extrema importância seguir o que foi proposto no tema. Antes de começar o texto leia atentamente
todos os elementos que o examinador apresentou. Esquematize as ideias e perceba se não há falta de
correspondência entre o tema proposto e o texto criado.

- "Uma biópsia do tumor retirado do fígado do meu primo (...) mostrou que ele não era maligno”.
Esta frase está ambígua. Não se sabe se o pronome ele refere-se ao fígado ou ao primo. Para se evitar
a ambiguidade, deve-se observar se a relação entre cada palavra do texto está correta.

- "Ele me tratava como uma criança, mas eu era apenas uma criança”.
Problema com o uso do conectivo “mas”. O conectivo mas indica uma circunstância de oposição, de
ideia contrária a. Portanto, a relação adversativa introduzida pelo "mas" no fragmento acima produz uma
ideia absurda.

- "Entretanto, como já diziam os sábios: depois da tempestade sempre vem a bonança. Após longo
suplício, meu coração apaziguava as tormentas e a sensatez me mostrava que só estaríamos separadas
carnalmente”.
Não utilize provérbios ou ditos populares. Eles empobrecem a redação e fazem parecer que o autor
não tem criatividade ao lançar mão de formas já gastas pelo uso frequente.

- "Todos os deputados são corruptos”.


Evite pensamentos radicais. É recomendável não generalizar e evitar, assim, posições extremistas.

- "Bem, acho que - você sabe - não é fácil dizer essas coisas. Olhe, acho que ele não vai concordar
com a decisão que você tomou, quero dizer, os fatos levam você a isso, mas você sabe - todos sabem -
ele pensa diferente. É bom a gente pensar como vai fazer para, enfim, para ele entender a decisão”.
O ato de escrever é diferente do ato de falar. O texto escrito não deve apresentar marcas de oralidade.

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- "Mal cheiro", "mau-humorado".
Mal opõe-se à bem e mau, a bom. Assim: mau cheiro (bom cheiro), mal-humorado (bem-humorado).
Igualmente: mau humor, mal-intencionado, mau jeito, mal-estar.

- "Fazem" cinco anos.


Fazer, quando exprime tempo, é impessoal: Faz cinco anos. / Fazia dois séculos. / Fez 15 dias.

- "Houveram" muitos acidentes.


Haver, como existir, também é invariável: Houve muitos acidentes. / Havia muitas pessoas. / Deve
haver muitos casos iguais.

- Para "mim" fazer.


Mim não faz, porque não pode ser sujeito. Assim: Para eu fazer, para eu dizer, para eu trazer.

- Entre "eu" e você.


Depois de preposição, usa-se mim ou ti: Entre mim e você. / Entre eles e ti.

- "Há" dez anos "atrás".


Há e atrás indicam passado na frase. Use apenas há dez anos ou dez anos atrás.

- "Entrar dentro".
Problema de redundância. O certo seria: entrar em.
Veja outras redundâncias: Sair fora ou para fora, elo de ligação, monopólio exclusivo, já não há mais,
ganhar grátis, viúva do falecido.

- Vai assistir "o" jogo hoje.


Assistir como presenciar exige a: Vai assistir ao jogo, à missa, à sessão.
Outros verbos com a: A medida não agradou (desagradou) à população. / Eles obedeceram
(desobedeceram) aos avisos. / Aspirava ao cargo de diretor. / Pagou ao amigo. / Respondeu à carta. /
Sucedeu ao pai. / Visava aos estudantes.

- Preferia ir "do que" ficar.


Prefere-se sempre uma coisa à outra: Preferia ir a ficar. É preferível segue a mesma norma: É preferível
lutar a morrer sem glória.

- Não há regra sem "excessão".


O certo é exceção.
Veja outras grafias erradas e, entre parênteses, a forma correta: "paralizar" (paralisar), "beneficiente"
(beneficente), "xuxu" (chuchu), "previlégio" (privilégio), "vultuoso" (vultoso), "cincoenta" (cinquenta), "zuar"
(zoar), "frustado" (frustrado), "calcáreo" (calcário), "advinhar" (adivinhar), "benvindo" (bem-vindo),
"ascenção" (ascensão), "pixar" (pichar), "impecilho" (empecilho), "envólucro" (invólucro).

- Comprei "ele" para você.


Eu, tu, ele, nós, vós e eles não podem ser objeto direto. Assim: Comprei-o para você. Também: Deixe-
os sair, mandou-nos entrar, viu-a, mandou-me.

- "Aluga-se" casas.
O verbo concorda com o sujeito: Alugam-se casas. / Fazem-se consertos. / É assim que se evitam
acidentes. / Compram-se terrenos. / Procuram-se empregados.

- Chegou "em" São Paulo.


Verbos de movimento exigem a, e não em: Chegou a São Paulo. / Vai amanhã ao cinema. / Levou os
filhos ao circo.

- Todos somos "cidadões".


O plural de cidadão é cidadãos. Veja outros: caracteres (de caráter), juniores, seniores, escrivães,
tabeliães, gângsteres.

Apostila gerada especialmente para: Beatriz de Jesus de Oliveira Barros 028.993.602-05


141
- A última "seção" de cinema.
Seção significa divisão, repartição, e sessão equivale a tempo de uma reunião, função: Seção Eleitoral,
Seção de Esportes, seção de brinquedos; sessão de cinema, sessão de pancadas, sessão do Congresso.

- Vendeu "uma" grama de ouro.


Grama, peso, é palavra masculina: um grama de ouro, vitamina C de dois gramas.

- "Porisso".
Duas palavras, por isso, como de repente e a partir de

- Não viu "qualquer" risco.


Deve-se usar “nenhum”, e não "qualquer.
Não viu nenhum risco. / Ninguém lhe fez nenhum reparo. / Nunca promoveu nenhuma confusão.

- A feira "inicia" amanhã.


Alguma coisa se inicia, se inaugura: A feira inicia-se (inaugura-se) amanhã.

- O peixe tem muito "espinho".


Peixe tem espinha.
Veja outras confusões desse tipo: O "fuzil" (fusível) queimou. / Casa "germinada" (geminada), "ciclo"
(círculo) vicioso, "cabeçário" (cabeçalho).
- Não sabiam "aonde" ele estava.
O certo: Não sabiam onde ele estava.
Aonde se usa com verbos de movimento, apenas: Não sei aonde ele quer chegar. / Aonde vamos?

- "Obrigado", disse a moça.


Obrigado concorda com a pessoa: "Obrigada", disse a moça. / Obrigado pela atenção. / Muito
obrigados por tudo.

- Ela era "meia" louca.


Meio, advérbio, não varia: meio louca, meio esperta, meio amiga.

- "Fica" você comigo.


Fica é imperativo do pronome tu. Para a 3.ª pessoa, o certo é fique: Fique você comigo. / Venha pra
Caixa você também. / Chegue aqui.

- A questão não tem nada "haver" com você.


A questão, na verdade, não tem nada a ver ou nada que ver. Da mesma forma: Tem tudo a ver com
você.

- Vou "emprestar" dele.


Emprestar é ceder, e não tomar por empréstimo: Vou pegar o livro emprestado. Ou: Vou emprestar o
livro (ceder) ao meu irmão.
Repare nesta concordância: Pediu emprestadas duas malas.

- Ele foi um dos que "chegou" antes.


Um dos que faz a concordância no plural: Ele foi um dos que chegaram antes (dos que chegaram
antes, ele foi um). / Era um dos que sempre vibravam com a vitória.

- "Cerca de 18" pessoas o saudaram. Cerca de indica arredondamento e não pode aparecer com
números exatos: Cerca de 20 pessoas o saudaram.

- Tinha "chego" atrasado.


"Chego" não existe. O certo: Tinha chegado atrasado.

- Queria namorar "com" o colega.


O com não existe: Queria namorar o colega.

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142
- O processo deu entrada "junto ao" STF.
Processo dá entrada no STF.

- As pessoas "esperavam-o".
Quando o verbo termina em m, ão ou õe, os pronomes o, a, os e as tomam a forma no, na, nos e nas:
As pessoas esperavam-no. / Dão-nos, convidam-na, põe-nos, impõem-nos.

- Vocês "fariam-lhe" um favor?


Não se usa pronome átono (me, te, se, lhe, nos, vos, lhes) depois de futuro do presente, futuro do
pretérito (antigo condicional) ou particípio. Assim: Vocês lhe fariam (ou far-lhe-iam) um favor? / Ele se
imporá pelos conhecimentos (e nunca "imporá-se"). / Os amigos nos darão (e não "darão-nos") um
presente. / Tendo-me formado (e nunca tendo "formado-me").

- Chegou "a" duas horas e partirá daqui "há" cinco minutos.


“Há” indica passado e equivale a faz, enquanto “a” exprime distância ou tempo futuro (não pode ser
substituído por faz): Chegou há (faz) duas horas e partirá daqui a (tempo futuro) cinco minutos. / O atirador
estava a (distância) pouco menos de 12 metros. / Ele partiu há (faz) pouco menos de dez dias.

- Estávamos "em" quatro à mesa.


O “em” não existe: Estávamos quatro à mesa. / Éramos seis. / Ficamos cinco na sala.

- Sentou "na" mesa para comer.


Sentar-se (ou sentar) em é sentar-se em cima de. Veja o certo: Sentou-se à mesa para comer. / Sentou
ao piano, à máquina, ao computador.

- Ficou contente "por causa que" ninguém se feriu.


A locução não existe. Use porque: Ficou contente porque ninguém se feriu.

- O time empatou "em" 2 a 2.


A preposição é “por”: O time empatou por 2 a 2. Repare que ele ganha por e perde por. Da mesma
forma: empate por.

- Não queria que "receiassem" a sua companhia.


O i não existe: Não queria que receassem a sua companhia. Da mesma forma: passeemos, enfearam,
ceaste, receeis (só existe i quando o acento cai no “e” que precede a terminação ear: receiem, passeias,
enfeiam).

- Eles "tem" razão.


No plural, têm é com acento. Tem é a forma do singular. O mesmo ocorre com vem e vêm e põe e
põem: Ele tem, eles têm; ele vem, eles vêm; ele põe, eles põem.

- Acordos "políticos-partidários". Nos adjetivos compostos, só o último elemento varia: acordos político-
partidários. Outros exemplos: Bandeiras verde-amarelas, medidas econômico-financeiras, partidos
social-democratas.

- Andou por "todo" país.


Todo o (ou a) é que significa inteiro: Andou por todo o país (pelo país inteiro). / Toda a tripulação (a
tripulação inteira) foi demitida.
Sem “o”, “todo” quer dizer cada, qualquer: Todo homem (cada homem) é mortal. / Toda nação
(qualquer nação) tem inimigos.

- "Todos" amigos o elogiavam.


No plural, todos exige os: Todos os amigos o elogiavam. / Era difícil apontar todas as contradições do
texto.

- Ela "mesmo" arrumou a sala.


“Mesmo” é variável: Ela mesma (própria) arrumou a sala. / As vítimas mesmas recorreram à polícia.

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143
- Chamei-o e "o mesmo" não atendeu.
Não se pode empregar o mesmo no lugar de pronome ou substantivo: Chamei-o e ele não atendeu. /
Os funcionários públicos reuniram-se hoje: amanhã o país conhecerá a decisão dos servidores (e não
"dos mesmos").

- Vou sair "essa" noite.


É este que designa o tempo no qual se está o objeto próximo: Esta noite, esta semana (a semana em
que se está), este dia, este jornal (o jornal que estou lendo), este século (o século 21).

- A temperatura chegou a 0 "graus". Zero indica singular sempre: Zero grau, zero-quilômetro, zero
hora.

- Comeu frango "ao invés de" peixe.


“Em vez de” indica substituição: Comeu frango em vez de peixe.
“Ao invés de” significa apenas ao contrário: Ao invés de entrar, saiu.

- Se eu "ver" você por aí...


O certo é: Se eu vir, revir, previr. Da mesma forma: Se eu vier (de vir); se eu tiver (de ter); se ele puser
(de pôr); se ele fizer (de fazer); se nós dissermos (de dizer).

- Evite que a bomba "expluda". Explodir só tem as pessoas em que depois do “d” vêm “e” e “i”: Explode,
explodiram, etc. Portanto, não escreva nem fale "exploda" ou "expluda",
- Disse o que "quiz".
Não existe z, mas apenas s, nas pessoas de querer e pôr: Quis, quisesse, quiseram, quiséssemos;
pôs, pus, pusesse, puseram, puséssemos.

- O homem "possue" muitos bens.


O certo: O homem possui muitos bens. Verbos em uir só têm a terminação ui: Inclui, atribui, polui.
Verbos em uar é que admitem ue: Continue, recue, atue, atenue.

- A tese "onde".
Onde só pode ser usado para lugar: A casa onde ele mora. / Veja o jardim onde as crianças brincam.
Nos demais casos, use em que: A tese em que ele defende essa ideia. / O livro em que... / A faixa em
que ele canta... / Na entrevista em que...

- Já "foi comunicado" da decisão.


Uma decisão é comunicada, mas ninguém "é comunicado" de alguma coisa. Assim: Já foi informado
(cientificado, avisado) da decisão. Outra forma errada: A diretoria "comunicou" os empregados da
decisão. Opções corretas: A diretoria comunicou a decisão aos empregados. / A decisão foi comunicada
aos empregados.

- A modelo "pousou" o dia todo.


Modelo posa (de pose). Quem pousa é ave, avião, viajante, etc.

- Espero que "viagem" hoje.


Viagem, com g, é o substantivo: Minha viagem. A forma verbal é viajem (de viajar).
Evite também "comprimentar" alguém: de cumprimento (saudação), só pode resultar cumprimentar.
Comprimento é extensão. Igualmente: Comprido (extenso) e cumprido (concretizado).

- O pai "sequer" foi avisado.


Sequer deve ser usado com negativa: O pai nem sequer foi avisado. / Partiu sem sequer nos avisar.

- O fato passou "desapercebido".


Na verdade, o fato passou despercebido, não foi notado. Desapercebido significa desprevenido.

- "Haja visto" seu empenho...


A expressão é “haja vista” e não varia: Haja vista seu empenho. / Haja vista seus esforços. / Haja vista
suas críticas.

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144
- A moça "que ele gosta".
Quem gosta, gosta de, o certo é: A moça de que ele gosta.

- É hora "dele" chegar.


Não se deve fazer a contração da preposição com artigo ou pronome, nos casos seguidos de infinitivo:
É hora de ele chegar. / Apesar de o amigo tê-lo convidado. / Depois de esses fatos terem ocorrido.

- A festa começa às 8 "hrs.".


As abreviaturas do sistema métrico decimal não têm plural nem ponto. Assim: 8h, 2km (e não "kms."),
5m, 10kg.

- "Dado" os índices das pesquisas...


A concordância é normal: Dados os índices das pesquisas... / Dado o resultado... / Dadas as suas
ideias...

- Ficou "sobre" a mira do assaltante.


Sob é que significa debaixo de: Ficou sob a mira do assaltante. / Escondeu-se sob a cama.
Sobre equivale a em cima de ou a respeito de: Estava sobre o telhado. / Falou sobre a inflação. E
lembre-se: O animal ou o piano têm cauda e o doce, calda. Da mesma forma, alguém traz alguma coisa
e alguém vai para trás.

- "Ao meu ver". Não existe artigo nessas expressões: A meu ver, a seu ver, a nosso ver.

Substituição de palavras ou de trechos de texto

As figuras de linguagem41 são recursos linguísticos a que os autores recorrem para tornar a linguagem
mais rica e expressiva. Esses recursos revelam a sensibilidade de quem os utiliza, traduzindo
particularidades estilísticas do emissor da linguagem. As figuras de linguagem exprimem também o
pensamento de modo original e criativo, exploram o sentido não literal das palavras, realçam sonoridade
de vocábulos e frases e até mesmo, organizam orações, afastando-a, de algum modo, de uma estrutura
gramatical padrão, a fim de dar destaque a algum de seus elementos. As figuras de linguagem costumam
ser classificadas em figuras de som, figuras de construção e figuras de palavras ou semânticas.

Reorganização da estrutura de orações e de períodos do texto

A eficácia do texto dependerá da forma pela qual estas ideias se apresentarão mediante o transcorrer
do discurso. Partindo deste pressuposto, temos a noção de quão importante é a estruturação dos
parágrafos, que permitem que o pensamento seja distribuído de forma lógica e precisa, com vistas a
permitir uma efetiva interação entre os interlocutores.
Obviamente que outros fatores relacionados à competência linguística do emissor participam deste
processo, entre estes: pontuação adequada, utilização correta dos elementos coesivos, de modo a
estabelecer uma relação harmônica entre uma ideia e outra, coerência, oração e período, dentre outros.

Reescrita de textos de diferentes gêneros e níveis de formalidade

Os níveis de formalidade42 podem ser entendidos como níveis de linguagem. Eles têm relação direta
com a intenção comunicativa, isto é, qual é o objetivo do texto e qual o contexto em que a comunicação
é veiculada? Quem é o emissor e para quem é dirigida a Comunicação?
Para entendermos melhor isso, pensemos no seguinte exemplo: recorte a fala de um juiz em um
tribunal e Enderece a uma criança.
Certamente o juiz não vai ser entendido.
Para que haja a devida comunicação, ele deve escolher palavras adequadas ao entendimento daquele
público-alvo: a criança.
Assim, os níveis de linguagem levam em conta esses estratos (camadas sociais, econômicas,
culturais, etárias, situacionais), a cujo contexto a linguagem deve adaptar-se.

41
https://www.infoescola.com/portugues/figuras-de-linguagem/
42
https://centraldefavoritos.com.br/2016/12/20/reescrita-de-textos-de-diferentes-generos-e-niveis-de-formalidade/(adaptado)

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145
O que determinará o nível de linguagem empregado é o meio social no qual o indivíduo se encontra.
Portanto, para cada ambiente sociocultural há uma medida de vocabulário, um modo de se falar, uma
entonação empregada, uma maneira de se fazer a combinação das palavras, e assim por diante.
Com base nessas considerações, não se deve pensar a comunicabilidade pelas noções de certo e
errado, mas pelos conceitos de adequado e inadequado, segundo determinado contexto. Assim, não se
espera que um adolescente, reunido com outros em uma lanchonete, assim se expresse: “Vamos ao
shopping assistir a um filme”.
Naturalmente, ele vai reestruturar o seu texto (retextualizar) para se adaptar ao seu meio: “Vamos no
shopping assistir um filme”.
43
Verifique a Equivalência Entre os Marcadores Temporais

Exemplo: “Nos últimos quarenta anos, um dos maiores avanços tecnológicos mundiais foi a internet.”

Reescrita: “Há quarenta anos, ocorreu um dos maiores avanços tecnológicos mundiais: a internet.”

Note que a frase foi reescrita, porém o marcador temporal foi mantido. Há quarenta anos tem o mesmo
significado de Nos últimos quarenta anos.

Verifique a Equivalência Entre o Sentido das Conjunções

Exemplo: “Desde que se tenha disposição para promover algumas mudanças de comportamento, que,
inicialmente, podem parecer complicadas, será possível construir um novo cenário e passar
definitivamente de devedor para investidor.”
Desde que - caso - sentido de condição (afirmativo)

Reescrita: “A menos que se tenha disposição para promover algumas mudanças de comportamento,
que, inicialmente, podem parecer complicadas, não será possível construir um novo cenário e passar
definitivamente de devedor para investidor.”

A menos que - caso não - condição (negativo)

Apesar do exemplo apresentar um sentido de condição afirmativo e o segundo um negativo, o sentido


original da frase foi mantido, pois ambas dizem que, para passar de devedor para investidor, é preciso
disposição e mudanças de comportamentos, que podem parecer difíceis no começo.

Verifique o sentido específico do vocabulário:

Exemplo: “Atualmente, há quatro idiomas oficiais na Suíça.”

Reescrita “Atualmente, existem quatro idiomas oficiais na Suíça.”

Nesse caso, existem é sinônimo de há.

Verifique o Acréscimo ou a Retirada de Artigos, Pronomes, Preposições, Advérbios, Etc.

Exemplo: “Todos os homens são intelectuais, pode-se dizer, mas nem todos os homens têm na
sociedade a função de intelectuais.”

Reescrita: “Pode-se dizer que, apesar de não exercer sempre, na sociedade, a função de intelectual,
todo o ser humano é intelectual.”

Nesse caso, a conjunção adversativa mas foi substituída por apesar de, e todos os homens por todo
o ser humano. A frase foi modificada, porém seu sentido se manteve: mesmo não exercendo, em
sociedade, o papel de intelectual, todo ser humano é um intelectual.

43
https://bit.ly/2KjUWVI.

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146
Verifique a Mudança da Voz Verbal

“O cachorro mordeu o gato.” (voz ativa)

“O gato foi mordido pelo cachorro.” (voz passiva)

Apesar da mudança da voz verbal, o sentido da frase é o mesmo.

Verifique o Deslocamento de Advérbio

“Hoje ele disse que limparia a casa.”


“Ele, hoje, disse que limparia a casa.”
“Ele disse, hoje, que limparia a casa.”
“Ele disse que limparia a casa hoje.”

Nos três primeiros exemplos, hoje quer dizer o momento em que ele disse. Já no último exemplo, hoje
quer dizer quando ele vai limpar a casa.

Questões

01. (Pref. Florianópolis/SC - Auxiliar de Sala - FEPESE) Assinale a alternativa que apresenta
incorreção na regência verbal de acordo com a norma culta:
(A) Quero a Pedro.
(B) Custou-lhe aceitar a verdade
(C) Eles se referiram sobre o outro governo.
(D) Esta é a cidade com a qual sonhamos.
(E) Assisti à conferência e não gostei.

02. (Pref. de São Luís/MA - Auditor Fiscal de Tributos I - FCC/2018) Na primeira audiência, ele se
esforçou em manter-se calado. Indignado com tudo, rejeitava e respondia a qualquer gesto que
considerasse suspeito, de quem quer que fosse. Via no banco quem o acusava do que não fizera. Era
coisa que levaria tempo para digerir. Ou então, seria motivo de vingança, até mesmo de crime.

... respondia a qualquer gesto que considerasse suspeito, de quem quer que fosse.

Seguem propostas de alteração na frase acima. A redação que está em conformidade com a norma-
padrão e não prejudica o sentido original é:
(A) respondia a quaisquer que fosse os gestos que considerasse suspeito, de quem quer que fosse.
(B) respondia a quaisquer gestos que considerasse suspeitos, fossem de quem fossem.
(C) respondia a todo e qualquer gesto que os considerasse suspeitos, de quem quer que fosse.
(D) respondia a gestos, qualquer um, que considerasse suspeitos, vindo de quem quer que fossem.
(E) respondia a gesto qualquer que fosse, que o considerasse suspeito, de quem fosse a pessoa.

03. (PC/SP - Auxiliar de Papiloscopista Policial - VUNESP/2018)

(Bill Watterson, Existem tesouros em todo lugar: as aventuras de Calvin e Haroldo. 1a ed. São Paulo: Conrad Editora do Brasil, 2013)

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A reescrita de “... ninguém diz para ele o que fazer.” e “... as pessoas devem expressar sua
individualidade...”, com as expressões destacadas substituídas por pronomes, em conformidade com
a norma-padrão da língua, resulta, respectivamente, em:
(A) ninguém o diz o que fazer / as pessoas devem-na expressar.
(B) ninguém diz-lhe o que fazer / as pessoas devem expressá-la.
(C) ninguém lhe diz o que fazer / as pessoas devem expressar-lhe.
(D) ninguém lhe diz o que fazer / as pessoas devem expressá-la.
(E) ninguém diz-lhe o que fazer / as pessoas devem a expressar.

04. (CODEBA - Guarda Portuário - FGV) O lixo eletrônico contém uma grande quantidade de
material radioativo que causam danos a saúde e ao meio ambiente.
Reciclando seu lixo eletrônico você evita que esse material fique jogado por aí fazendo mal ao nosso
planeta.

O texto do cartaz apresenta numerosos erros segundo a norma culta da Língua Portuguesa.
Assinale a opção em que o segmento retirado do texto está correto.
(A) “O lixo eletrônico contém".
(B) “material radioativo que causam danos".
(C) “causam danos a saúde".
(D) “a saúde e ao meio ambiemte".
(E) “esse material fique jogado por ai".

05. (SEDU/ES - Professor de Língua Portuguesa - FCC) Assim, a expressão norma culta deve
ser entendida como designando a norma linguística praticada, em determinadas situações (aquelas
que exigem certo grau de formalidade), por aqueles grupos sociais mais diretamente relacionados com
a cultura escrita, em especial por aquela legitimada historicamente pelos grupos que controlam o poder
social. [...] A cultura escrita, associada ao poder social, desencadeou também, ao longo da história,
um processo fortemente unificador, que visou e visa uma relativa estabilização linguística, buscando
neutralizar a variação e controlar a mudança. Ao resultado desse processo, a essa norma estabilizada,
costumamos dar o nome de norma-padrão ou língua padrão.
(FARACO, 2002, p.40)
Depreende-se da leitura do texto que a
(A) norma culta é a língua falada pelos que, detendo maior prestígio social, buscam impô-la aos menos
favorecidos.
(B) norma culta e a norma–padrão são expressões sinônimas, pois ambas neutralizam as variedades
incultas e populares.
(C) norma-padrão é escrita e refratária à variação linguística, pois busca estabilizar a língua,
normatizando-a.
(D) norma-padrão restringe-se às situações comunicativas sociais em que o falante tem reconhecido
poder social.
(E) norma-padrão é aquela falada pela maioria da população em situações que exijam formalidade
discursiva.

06. (Pref. Itupeva/SP - Procurador Municipal - FUNRIO)

Dengue e vistoria

As equipes de combate ao Aedes aegypti já vistoriaram 18,6 milhões de imóveis em todo país. O
balanço é do segundo ciclo de campanha de caça ao mosquito, iniciado este mês. Mas nem todo mundo
atendeu ao chamado dos agentes de saúde: muitos imóveis visitados estavam fechados ou os moradores
não abriram suas portas. Até agora, a vistoria só aconteceu de fato em 33,4% do total de 67 milhões de
residências que deveriam ser monitoradas.
Nesse segundo ciclo de visitas, os agentes já visitaram 22,4 milhões de imóveis. Desses, 3,8 milhões
não foram vistoriados, de acordo com informações do Ministério da Saúde. A abrangência das visitas
também foi divulgada. Dos 5.570 municípios brasileiros, 4.438 já registraram as visitas no Sistema
Informatizado de Monitoramento da Presidência da República (SIM-PR), segundo o novo balanço,
concluído no dia 24. Os agentes de saúde encontraram focos de larvas de Aedes aegypti em 3,2% dos
locais visitados.

Apostila gerada especialmente para: Beatriz de Jesus de Oliveira Barros 028.993.602-05


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“Nesse segundo ciclo de visitas, os agentes já visitaram 22,4 milhões de imóveis. Desses, 3,8 milhões
não foram vistoriados, de acordo com informações do Ministério da Saúde”. As formas demonstrativas
“nesse” e “desses”:
(A) obedecem a uma mesma regra de estruturação textual.
(B) referem-se a termos afastados temporalmente.
(C) estão ligados a termos espacialmente próximos.
(D) comprovam um emprego contrário à norma culta.
(E) demonstram um uso coloquial na língua portuguesa.

07. (CFP - Analista Técnico - Quadrix)

Com açúcar, com afeto

Com açúcar, com afeto, fiz seu doce predileto


Pra você parar em casa, qual o quê
Com seu terno mais bonito, você sai, não acredito
Quando diz que não se atrasa
Você diz que é operário, sai em busca do salário
Pra poder me sustentar, qual o quê

No caminho da oficina, há um bar em cada esquina


Pra você comemorar, sei lá o quê
Sei que alguém vai sentar junto, você vai puxar assunto
Discutindo futebol
E ficar olhando as saias de quem vive pelas praias
Coloridas pelo sol

Vem a noite e mais um copo, sei que alegre ma non troppo


Você vai querer cantar
Na caixinha um novo amigo vai bater um samba antigo
Pra você rememorar
Quando a noite enfim lhe cansa, você vem feito criança
Pra chorar o meu perdão, qual o quê
Diz pra eu não ficar sentida, diz que vai mudar de vida
Pra agradar meu coração
E ao lhe ver assim cansado, maltrapilho e maltratado

Como vou me aborrecer, qual o quê


Logo vou esquentar seu prato, dou um beijo em seu retrato
E abro meus braços pra você
Chico Buarque

Releia esta passagem do texto:


“Diz pra eu não ficar sentida".

Essa é uma construção típica da oralidade, característica da linguagem brasileira de uso corrente, no
entanto, segundo a Norma Culta da Língua Portuguesa, o período acima configura alguns desvios em
relação ao padrão normativo gramatical escrito. Se fôssemos adequá-lo à Norma, em sua totalidade,
como deveríamos reescrevê-lo?
(A) Diz-me que não fique sentida.
(B) Diz a mim para não ficar sentida.
(C) Diz-me não ficar sentida.
(D) Diz a mim para que não fique sentida.
(E) Diz para eu não ficar sentida.

08. (Pref. Lauro Muller/SC - Auxiliar Administrativo - FAEPESUL) Assinale o período em que a
concordância verbal NÃO é aceita pela gramática culta da Língua Portuguesa:
(A) Promovem-se muitas festas beneficentes nesta instituição de ensino.
(B) Os Estados Unidos comemora novas eleições.

Apostila gerada especialmente para: Beatriz de Jesus de Oliveira Barros 028.993.602-05


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(C) Fala-se de crises políticas, corrupção e propina.
(D) Deve haver orientações para as famílias prejudicadas pelas enchentes.
(E) Segundo a reportagem, fazia anos que estavam afastados dos pais.

Gabarito

01.C / 02.B / 03.D / 04.A / 05.C / 06.A / 07.A / 08.B

Comentários

01. Resposta: C
Eles se referiram ao outro governo. - Correto
Eles se referiram sobre o outro governo. Errado

02. Resposta: B
Atentem-se para a concordância entre as palavras (singular e plural).

03. Resposta: D
Ninguém diz para ele (OI) o que fazer (OD) /as pessoas devem expressar sua individualidade(OD)
1ª frase usa o lhe o ninguém obriga a próclise.
2ª objeto direito e verbos terminados em r, s, z retira-se a consoante e acrescenta o lo(la), los(las) e a
acentuação caso necessária.

04. Resposta: A
a) “O lixo eletrônico contém". Verbo conter no ele contém, eles contêm _ correto
b) “material radioativo que (pronome relativo) causam danos". O pronome relativo "que" é o sujeito do
verbo causar, porém ele se refere ao termo que o antecede (material radioativo) e por isso deverá o verbo
concordar com o termo que antecede o pronome relativo - material radioativo que CAUSA danos
c) “causam danos À saúde". (CRASE)
d) “à saúde e ao meio ambiemte". (Tinha que haver paralelismo, ou seja, como "meio ambiente" estão
antecedido por ao, saúde tem que vir com crase)
e) “esse material fique jogado por AÍ" (ORTOGRAFIA)

05. Resposta: C
Assim, a expressão norma culta deve ser entendida como designando a norma linguística praticada,
em determinadas situações (aquelas que exigem certo grau de formalidade), por aqueles grupos sociais
mais diretamente relacionados com a cultura escrita, em especial por aquela legitimada historicamente
pelos grupos que controlam o poder social. [...]
A cultura escrita, associada ao poder social, desencadeou também, ao longo da história, um processo
fortemente unificador, que visou e visa uma relativa estabilização linguística, buscando neutralizar a
variação e controlar a mudança.
Ao resultado desse processo, a essa norma estabilizada, costumamos dar o nome de norma-padrão
ou língua padrão.

06. Resposta: A
Pertencem a mesma classe de "PRONOMES DEMONSTRATIVOS"
Os pronomes demonstrativos são utilizados para explicitar a posição de uma certa palavra em relação
a outras ou ao contexto. Essa relação pode ocorrer em termos de espaço, tempo ou discurso.

07. Resposta: A
Quem diz, diz alguma coisa a alguém. Logo, DIZER é VTDI:
Diz-me (objeto indireto) que não fique sentida (objeto direto)

08. Resposta: B
Por conta do artigo " OS" o correto é a concordância no plural: Os Estados Unidos comemoram novas
eleições

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150
IDEIAS PRINCIPAIS E IDEIAS SECUNDÁRIAS

Para uma boa compreensão textual é necessário entender a estrutura interna do texto, analisar as
ideias primárias e secundárias44 e verificar como elas se relacionam.
As ideias principais estão relacionadas com o tema central, o assunto núcleo; as ideias secundárias
unem-se às ideias principais e formam uma cadeia, ou seja, ocorre a explanação da ideia básica e, a
seguir, o desdobramento dessa ideia nos parágrafos seguintes, a fim de aprofundar o assunto.

Ideia principal:
Meu primo já havia chegado à metade da perigosa ponte de ferro quando, de repente, um trem saiu
da curva, a cem metros da ponte.

Ideias secundárias:
Com isso, ele não teve tempo de correr para a frente ou para trás, mas, demonstrando grande
presença de espírito, agachou-se, segurou, com as mãos, um dos dormentes e deixou o corpo
pendurado.

A ideia principal refere-se ao a ação perigosa, agravada pelo aparecimento do trem.


As ideias secundárias aparecem para complementar a ideia principal.
Para treinarmos a redação de pequenos parágrafos narrativos, vamos nos colocar no papel de
narradores, isto é, vamos contar fatos com base na organização das ideias.
Leia o trecho abaixo:

Meu primo já havia chegado à metade da perigosa ponte de ferro quando, de repente, um trem saiu
da curva, a cem metros da ponte. Com isso, ele não teve tempo de correr para a frente ou para trás, mas,
demonstrando grande presença de espírito, agachou-se, segurou, com as mãos, um dos dormentes e
deixou o corpo pendurado.

Como você deve ter observado, nesse parágrafo, o narrador conta-nos um fato acontecido com seu
primo. É, pois, um parágrafo narrativo. Analisemos, agora, o parágrafo quanto à estrutura.
A ideia principal, como você pode observar, refere-se a uma ação perigosa, agravada pelo
aparecimento de um trem. As ideias secundárias complementam a ideia principal, mostrando como o
primo do narrador conseguiu sair-se da perigosa situação em que se encontrava.
Os parágrafos devem conter apenas uma ideia principal acompanhado de ideias secundárias.
Entretanto, é muito comum encontrarmos, em parágrafos pequenos, apenas a ideia principal. Veja o
exemplo:

O dia amanhecera lindo na Fazenda Santo Inácio.


Os dois filhos do sr. Soares, administrador da fazenda, resolveram aproveitar o bom tempo. Pegaram
um animal, montaram e seguiram contentes pelos campos, levando um farto lanche, preparado pela mãe.

Nesse trecho, há dois parágrafos.


No primeiro, só há uma ideia desenvolvida, que corresponde à ideia principal do parágrafo: O dia
amanhecera lindo na Fazenda Santo Inácio.
No segundo, já podemos perceber a relação ideia principal + ideias secundárias. Observe:

Ideia principal
Os dois filhos do sr. Soares, administrador da fazenda, resolveram aproveitar o bom tempo.

Ideia secundárias
Pegaram um animal, montaram e seguiram contentes pelos campos, levando um farto lanche,
preparado pela mãe.

Agora que já vimos alguns exemplos, você deve estar se perguntando: “Afinal, de que tamanho é o
parágrafo?”
O que podemos responder é que não há como apontar um padrão, no que se refere ao tamanho ou
extensão do parágrafo.

44
http://portugues.camerapro.com.br/redacao-8-o-paragrafo-narrativo-ideia-principal-e-ideia-secundaria/ (Adaptado)

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151
Há exemplos em que se veem parágrafos muito pequenos; outros, em que são maiores e outros, ainda,
muito extensos.
Também não há como dizer o que é certo ou errado em termos da extensão do parágrafo, pois o que
é importante mesmo, é a organização das ideias. No entanto, é sempre útil observar o que diz o dito
popular – “nem oito, nem oitenta…”.
Assim como não é aconselhável escrevermos um texto, usando apenas parágrafos muito curtos,
também não é aconselhável empregarmos os muito longos.
Essas observações são muito úteis para quem está iniciando os trabalhos de redação. Com o tempo,
a prática dirá quando e como usar parágrafos – pequenos, grandes ou muito grandes.
Até aqui, vimos que o parágrafo apresenta em sua estrutura, uma ideia principal e outras secundárias.
Isso não significa, no entanto, que sempre a ideia principal apareça no início do parágrafo. Há casos em
que a ideia secundária inicia o parágrafo, sendo seguida pela ideia principal. Veja o exemplo:
As estacas da cabana tremiam fortemente, e duas ou três vezes, o solo estremeceu violentamente sob
meus pés. Logo percebi que se tratava de um terremoto.
Observe que a ideia mais importante está contida na frase: “Logo percebi que se tratava de um
terremoto”, que aparece no final do parágrafo. As outras frases (ou ideias) apenas explicam ou
comprovam a afirmação: “as estacas tremiam fortemente, e duas ou três vezes, o solo estremeceu
violentamente sob meus pés” e estas estão localizadas no início do parágrafo.
Então, a respeito da estrutura do parágrafo, concluímos que as ideias podem organizar-se da seguinte
maneira:
Ideia principal + ideias secundárias
ou
Ideias secundárias + ideia principal

É importante frisar, também, que a ideia principal e as ideias secundárias não são ideias diferentes e,
por isso, não podem ser separadas em parágrafos diferentes. Ao selecionarmos as ideias secundárias
devemos verificar as que realmente interessam ao desenvolvimento da ideia principal e mantê-las juntas
no mesmo parágrafo. Com isso, estaremos evitando e repetição de palavras e assegurando a sua clareza.
É importante, ao termos várias ideias secundárias, que sejam identificadas aquelas que realmente se
relacionam à ideia principal. Esse cuidado é de grande valia ao se redigir parágrafos sobre qualquer
assunto.

Questões

01. Assinale a alternativa cuja ideia não se relaciona com as outras ideias do parágrafo. Depois,
complete o parágrafo utilizando qualquer uma que possa completar a ideia dada.

Havia no rosto de cada criança a expectativa de uma festa maravilhosa.


(A) a mesa, arrumada com todo carinho, estava repleta de docinhos e enfeites coloridos, reservando
surpresas deliciosas para a meninada.
(B) os palhaços entraram no palco, dando cambalhotas, fazendo piruetas e alegrando a todos.
(C) O dentista chegou e as foi chamando, uma a uma, para iniciar o tratamento.

02. Assinale a alternativa cuja ideia não se relaciona com as outras ideias do parágrafo. Depois,
complete o parágrafo utilizando qualquer uma que possa completar a ideia dada.

Os peixes nadavam agilmente no aquário.


(A) na casa repleta, os animais viviam tranquilos e em harmonia.
(B) todos davam reviravoltas, iam até o fundo, subiam à tona para pegar alimento, numa agitação
encantadora.
(C) as crianças, num alegria contagiante, jogavam migalhas de pão, e os peixes, muito agitados,
vinham à tona para alcançá-las.

03. Assinale a alternativa cuja ideia não se relaciona com as outras ideias do parágrafo. Depois,
complete o parágrafo utilizando qualquer uma que possa completar a ideia dada.

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152
Na sala, a professora iniciava sua aula de Português.

(A) os alunos, atenciosos, iam arrumando o material de desenho sobre as carteiras: régua, esquadro,
compasso, lápis de cor, etc.
(B) os alunos, a pedido da professora, abriram os livros à pág. 40, e iniciaram a leitura silenciosa do
texto.
(C) todos os alunos abriram o livro e a professora iniciou a explicação do texto.

04. Assinale a alternativa cuja ideia não se relaciona com as outras ideias do parágrafo. Depois,
complete o parágrafo utilizando qualquer uma que possa completar a ideia dada.

O cantor popular iniciou o espetáculo musical.


(A) em seu repertório havia canções variadas com que ele homenageava todos os Estados brasileiros.
(B) no teatro lotado, o povo assistia ao balé moderno.
(C) o som alegre dos instrumentos musicais misturava-se às canções mais conhecidas da plateia.

05. Complete os parágrafos a seguir, escolhendo no uma ou mais ideias que estejam relacionadas
com a ideia em dada.

Na avenida, interditada ao tráfego, os blocos carnavalescos desfilavam animadamente.


(A) os ônibus passavam lotados de foliões.
(B) o povo, contagiado pela alegria do samba, cantava e dançava
(C) as fantasias dos sambistas eram um espetáculo maravilhoso.

06. Complete os parágrafos a seguir, escolhendo uma ou mais ideias que estejam relacionadas com
a ideia em dada.

No meio da noite, despertei e ouvi vozes agitadas no corredor.


(A) o quarto estava claro e silencioso.
(B) pelas frestas da janela entravam alguns raios de sol.
(C) a luz do lampião entrava por debaixo da porta. Sentei-me na cama e fiquei a ouvir a discussão.
(D) na casa reinava silêncio absoluto.

07. Complete os parágrafos a seguir, escolhendo uma ou mais ideias que estejam relacionadas com
a ideia em dada.
…………………………………………………. As pessoas procuravam uma sombra que as abrigasse do
sol do meio-dia. As crianças só queriam brincadeiras com água. Os carrinhos de refrigerantes e picolés
estavam rodeados por uma pequena multidão.

(A) o calor estava ameno.


(B) estava um dia abafado e quente.
(C) o sol nascera encoberto pelas nuvens e o vento frio fazia tremer os lábios.
(D) o final da tarde estava muito quente.

08. Complete os parágrafos a seguir, escolhendo uma ou mais ideias que estejam relacionadas com
a ideia em dada.

O baile estava animado. ………………………. A orquestra alternava sambas, valsas e tangos, num
ritmo contagiante.

(A) no salão, os pares rodopiavam ao som das músicas alegres.


(B) o salão estava repleto e a música eletrônica era alegre.
(C) no salão vazio, alguns casais dançavam ao som dos discos.

09. Complete os parágrafos a seguir, escolhendo uma ou mais ideias que estejam relacionadas com
a ideia em dada.

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153
O cavaleiro tentava domar o animal selvagem. O cavalo debatia-se para os lados, erguia a cabeça,
empinava o peito e, em movimentos rápidos, levantava e abaixava as patas, tentando derrubar o homem
ao chão. No entanto, ……………………………
(A) o animal resistia bravamente
(B) o cavaleiro, perdendo o equilíbrio, soltou-se da sela.
(C) o cavaleiro, equilibrando-se habilmente na sela, domou o animal.

Gabarito

01.C / 02.A / 03.A / 04.B / 05.B e C. / 06.C / 07.B / 08.A / 09.C

Comentários

01. Resposta: C
A alternativa C é a única que não se adequa à ideia dada, pois as crianças estavam em um ambiente
de festa e não em um consultório dentário, esperando a vez de serem atendidas. As alternativas A e B
podem ser usadas para completar a ideia dada.

02. Resposta: A
A ideia principal do parágrafo é que os peixes nadavam no aquário. Portanto, a alternativa A é a única
que não se adequa a essa ideia.

03. Resposta: A
Se a professora se preparava para uma aula de Português, os alunos não deveriam estar com o
material de desenho sobre a carteira. Portanto, a alternativa A não se adequa à ideia contida no parágrafo.
As alternativas B e C podem ser usadas para completar a ideia dada.

04. Resposta: B
Você deve ter observado que a ideia inicial fala de um espetáculo musical. Por isso, não podemos
dizer que a plateia assistia a um balé moderno (alternativa B), que não é, essencialmente, um número
musical. As alternativas A e C se adequam perfeitamente à ideia do parágrafo dado.

05. Resposta: B e C
A alternativa A (os ônibus passavam lotados de foliões) não pode ser utilizada para completar a ideia
principal, pois há um detalhe, a avenida interditada ao tráfego, que a faria ficar incoerente. Pense bem,
se a avenida estava interditada ao tráfego, os ônibus não poderiam passar por lá, não é? As outras
alternativas podem ser utilizadas pois se adequam à ideia do parágrafo dado.

06. Resposta: C
Se você observou bem, deve ter notado que tudo acontece no meio da noite, portanto, não podemos
dizer que o quarto estava claro e que pelas frestas das janelas entravam raios de sol. Outro fator a ser
observado é que se ouviam vozes agitadas, portanto a casa não estava em silêncio absoluto. Nesse caso,
apenas a alternativa C pode ser utilizada para completar a ideia do parágrafo.

07. Resposta: B
A alternativa B é a mais adequada para fazer parte do parágrafo. A razão porque não se pode utilizar
as outras alternativas é simples:
. As pessoas procuravam uma sombra que as abrigasse do sol do meio-dia, por isso a ideia de que
o final da tarde estava muito quente não pode ser usada aqui;
. Tudo leva a crer que o calor estava insuportável, portanto não poderíamos dizer que o calor estava
ameno ou que o sol nascera encoberto pelas nuvens e o vento frio fazia tremer os lábios.

08. Resposta: A
A melhor opção é a alternativa A porque:
. A orquestra alternava ritmos como o samba, valsas, tangos, portanto não podemos dizer que os discos
eram alegres, pois numa festa com orquestra os discos eletrônicos não são usados.
. Se afirmamos que o baile estava animado, não podemos dizer que o salão estava vazio.

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154
09. Resposta: C
A alternativa C é a mais adequada para fazer parte do parágrafo. Com certeza, você deve ter percebido
que apesar das tentativas do animal para derrubar o cavaleiro, ele conseguiu equilibrar-se, dominando o
cavalo. Essa é a ideia principal do texto. Por isso, não podemos dizer que o cavalo resistiu bravamente e
que o cavaleiro, perdendo o equilíbrio soltou-se da sela. O que faz a diferença aqui é a expressão no
entanto.

ORGANIZAÇÃO DA ESTRUTURA FRASAL

Toda frase consiste em uma organização, uma combinação de elementos linguísticos agrupados
segundo certos princípios, que a caracterizam como uma estrutura. Para evidenciar estas estruturas,
temos de decompor a frase/oração em unidades menores (sujeito, verbos, complementos).45
Este procedimento denomina-se comunicação:

Ex.: Maria está na casa da vizinha.


Sujeito + verbo + complemento

Ex. Na casa da vizinha está Maria.


Complemento + verbo + sujeito

Estes subconjuntos são blocos significativos e possuem equivalência entre si, pois a troca de um pelo
outro, não destrói a integridade das orações, como demonstraram os exemplos.
A estes blocos, ou unidades significativas, chamamos: Sintagmas.

Sintagmas

Elementos constituintes das unidades significativas da oração, relaciona-se por dependência e ordem.
Possuem um núcleo em relação aos demais constituintes, mas pode compor-se de apenas um núcleo.
Além das orações com os dois sintagmas obrigatórios: SN + SV, há ainda a possibilidade de oração
com três partes: SN+SA+SV+SP.

Base da Oração
SN - Sintagma Nominal = sujeitos
SA - Sintagma Adjetival = substantivos
SV - Sintagma Verbal = verbos
SP - Sintagma Preposicionado = objetos

Estes constituintes oracionais são a natureza do sintagma, o qual depende do tipo de elemento que
constitui núcleo da frase. De modo que as vantagens de sua compreensão constituem em:
- Ter controle sobre os mecanismos que utilizamos nos usos da linguagem.
- Aumentar a versatilidade no uso que podemos fazer desses mecanismos.

Os Sintagmas Nominais e Verbais obrigatoriamente existem como unidades significativas nas


frases. Por isso, as frases sempre podem ser decompostas nesses dois subconjuntos, mesmo que elas
sejam longas, ou mesmo que o sujeito esteja oculto ou não seja lexicalmente preenchido (sujeito
inexistente).

Ex.: (SN) A irmã de uma conhecida de meu marido/ (SV) recebeu uma belíssima homenagem de seus
companheiros de trabalho.

Já os Sintagmas Preposicionados (SP), quando assumem função de advérbio, são facultativos na


estrutura sintática das frases; móveis, podendo ser deslocados de sua posição normal (após o SN e o
SV); apresentam-se como modificadores circunstanciais, geralmente sob a forma de locuções adverbiais.

Ex.: (SN) As flores / (SV) enfeitam os jardins / (SP) na primavera.


Ex.: (SN) O padeiro / (SV) entrega o pão / (SP) na minha casa / (SP) de madrugada.

45
http://morfossintaxe2013.blogspot.com/2013/11/principios-de-organizacao-da-estrutura.html

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155
Questões

01. (PC/SP - Investigador de Polícia)

Derivada do latim, língua portuguesa é a sétima mais falada no mundo

O português é a língua oficial de nove países e tem mais de 260 milhões de falantes. De acordo com
o instituto americano SIL International, há mais de 7000 idiomas no mundo, e o português é o sétimo mais
falado.
Parte do grupo das línguas românicas, que inclui o espanhol e o italiano, entre outras, o português é
derivado do latim – idioma que teve origem na Itália, na pequena região do Lácio, onde está Roma.
O latim disseminou-se na Europa juntamente com a expansão do domínio do Império Romano.
Foi com as tropas romanas que o latim chegou à face sul do continente europeu (onde hoje estão os
territórios de Portugal e Espanha), entre os séculos 3° e 2° a.C.
Devido a ocupações anteriores, a Península Ibérica já tinha a presença de outros povos (e suas
línguas, por consequência), como os celtas. Ao longo do tempo, o latim falado foi incorporando elementos
linguísticos dessas e de outras populações.
Quando o Império Romano ruiu, no século 5° d.C., a Península Ibérica já estava totalmente latinizada,
e o idioma manteve-se em uso por seus habitantes.
No século 15, com a expansão marítima de Portugal, a língua foi espalhada por suas colônias. O uso
de outros idiomas ou dialetos locais era, muitas vezes, proibido.
Hoje há muito mais falantes de português fora de Portugal, que tem apenas 10 milhões de habitantes.
https://www1.folha.uol.com.br. Adaptado

O substantivo funciona como núcleo do sintagma em que ocorre. Esse sintagma pode ser nominal e,
quando não preposicionado, desempenhar a função de sujeito, entre outras.
Maria Helena de Moura Neves, Gramática de usos do português. Adaptado

No trecho do 4° parágrafo – Foi com as tropas romanas que o latim chegou à face sul do continente
europeu… –, o termo que exemplifica a definição, sendo um substantivo como núcleo do sujeito da
oração, é
(A) tropas.
(B) face.
(C) continente.
(D) latim.
(E) romanas.

02. (Pref. Matões/MA - Agente de Trânsito - LEGATUS)

Por menos bêbados ao volante, cidade cria programa que dá corridas do Uber.

Detalhe mostra o aplicativo Uber, para transporte de passageiros

Uma cidade do Estado norte-americano de Nova Jersey que caminha para bater o recorde de número
de casos de embriaguez ao volante se tornou a primeira dos Estados Unidos a fazer uma parceria com
aplicativos de transporte como o Uber.
Para manter as ruas seguras em Evesham, uma cidade de 45 mil pessoas no sul do Estado, qualquer
um que beber em um de 19 bares e restaurantes terá direito a uma corrida de Uber para casa, em um
programa financiado por doadores iniciado na semana passada.
As doações de organizações sem fins lucrativos e empresas também estão financiando uma segunda
opção de corrida iniciada nesta sexta-feira por meio do aplicativo BeMyDD. O aplicativo permite que o
usuário possa chamar um motorista para levá-lo para casa junto com seu próprio carro.

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"Estamos lidando com pessoas que podem ter bebido muito, então precisamos tornar simples para
elas abrir o celular e apertar um botão", disse o prefeito de Evesham, Randy Brown.
A cidade está caminhando para atingir 250 prisões por direção alcoolizada em 2015, um recorde para
a localidade, segundo Brown.
www.folhauol.com.br – acesso em 24 de outubro de 2015

Assinale a alternativa cuja disposição dos sintagmas das orações dos excertos, retirados do texto,
torna o enunciado ambíguo
(A “Uma cidade do Estado norte-americano de Nova Jersey que caminha para bater o recorde de
número de casos de embriaguez ao volante [...]”
(B) “[...] qualquer um que beber em um de 19 bares e restaurantes terá direito a uma corrida de Uber
para casa [...]”
(C) “As doações de organizações sem fins lucrativos e empresas também estão financiando uma
segunda opção de corrida iniciada nesta sexta-feira por meio do aplicativo BeMyDD.”
(D) “O aplicativo permite que o usuário possa chamar um motorista para levá-lo para casa junto com
seu próprio carro.”
(E) "Estamos lidando com pessoas que podem ter bebido muito, então precisamos tornar simples para
elas abrir o celular e apertar um botão."

03. (TJ/ES - Analista Judiciário - CESPE) O fato de que o homem vê o mundo por meio de sua cultura
tem como consequência a propensão do homem a considerar o seu modo de vida como o mais correto e
o mais natural. Tal tendência, denominada etnocentrismo, é responsável, em seus casos extremos, pela
ocorrência de numerosos conflitos sociais. O etnocentrismo, de fato, é um fenômeno universal. É comum
a crença de que sua própria sociedade é o centro da humanidade, ou mesmo a sua única expressão. A
dicotomia “nós e os outros” expressa, em níveis diferentes, essa tendência. Dentro de uma mesma
sociedade, a divisão ocorre sob a forma de parentes e não parentes. Os primeiros são melhores por
definição e recebem um tratamento diferenciado. A projeção dessa dicotomia para um plano extragrupal
resulta nas manifestações nacionalistas e nas formas extremadas de xenofobia. O ponto fundamental da
referência não é a humanidade, mas o grupo. Daí a reação, ou pelo menos a estranheza, em relação aos
estrangeiros. Comportamentos etnocêntricos resultam também em apreciações negativas dos padrões
culturais de povos diferentes.Práticas de outros sistemas culturais são catalogadas como absurdas,
deprimentes e imorais.

Com relação às estruturas semânticas e linguísticas do texto acima, julgue os itens subsequentes.

No desenvolvimento textual, os sintagmas “Dentro de uma mesma sociedade” e “plano extragrupal”


referem-se aos “níveis diferentes” mencionados no texto.
( ) Certo ( ) Errado

Gabarito

01.D / 02.D / 03.CERTO

Comentários

01. Resposta: D
Para saber o núcleo basta perguntar QUE(M) É QUE + VERBO?
Quem é que CHEGOU? o latim

02. Resposta: D
A ambiguidade ocorreu em não conseguir determinar se o carro é do bêbado ou do motorista.

03. Resposta: CERTO


A dicotomia está evidenciada através da diferenciação da sua própria cultura e a cultura "dos outros",
sendo assim esses os dois níveis diferentes evidenciados no texto.

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INFORMAÇÕES EXPLÍCITAS E IMPLÍCITAS

Em um texto, principalmente um texto legislativo, é preciso que as informações estejam bem claras,
explícitas. Por isso, evite escrever de uma maneira em que as informações se tornem implícitas, que
deixam dúvidas.

Texto:

“Neto ainda está longe de se igualar a qualquer um desses craques (Rivelino, Ademir da Guia, Pedro
Rocha e Pelé), mas ainda tem um longo caminho a trilhar (...).”
(Veja São Paulo,1990)

Esse texto diz explicitamente que:


- Rivelino, Ademir da Guia, Pedro Rocha e Pelé são craques;
- Neto não tem o mesmo nível desses craques;
- Neto tem muito tempo de carreira pela frente.

O texto deixa implícito que:


- Existe a possibilidade de Neto um dia aproximar-se dos craques citados;
- Esses craques são referência de alto nível em sua especialidade esportiva;
- Há uma oposição entre Neto e esses craques no que diz respeito ao tempo disponível para evoluir.

Todos os textos transmitem explicitamente certas informações, enquanto deixam outras implícitas. Por
exemplo, o texto acima não explicita que existe a possibilidade de Neto se equiparar aos quatro
futebolistas, mas a inclusão do advérbio “ainda” estabelece esse implícito. Não diz também com
explicitude que há oposição entre Neto e os outros jogadores, sob o ponto de vista de contar com tempo
para evoluir. A escolha do conector “mas”, entre a segunda e a primeira oração, só é possível levando
em conta esse dado implícito. Como se vê, há mais significados num texto do que aqueles que aparecem
explícitos na sua superfície. Leitura proficiente é aquela capaz de depreender tanto um tipo de significado
quanto o outro, o que, em outras palavras, significa ler nas entrelinhas. Sem essa habilidade, o leitor
passará por cima de significados importantes ou, o que é bem pior, concordará com ideias e pontos de
vista que rejeitaria se os percebesse.
Os significados implícitos costumam ser classificados em duas categorias: os pressupostos e os
subentendidos.

Pressupostos

São ideias implícitas que estão implicadas logicamente no sentido de certas palavras ou expressões
explicitadas na superfície da frase. Exemplo:

“André tornou-se um antitabagista convicto.”

A informação explícita é que hoje André é um antitabagista convicto. Do sentido do verbo tornar-se,
que significa "vir a ser", decorre logicamente que antes André não era antitabagista convicto. Essa
informação está pressuposta. Ninguém se torna algo que já era antes. Seria muito estranho dizer que a
palmeira tornou-se um vegetal.

“Eu ainda não conheço a Europa.”

A informação explícita é que o enunciador não tem conhecimento do continente europeu. O advérbio
“ainda” deixa pressuposta a possibilidade de ele um dia conhecê-la.
As informações explícitas podem ser questionadas pelo receptor, que pode ou não concordar com
elas. Os pressupostos, porém, devem ser verdadeiros ou, pelo menos, admitidos como tais, porque esta
é uma condição para garantir a continuidade do diálogo e também para fornecer fundamento às
afirmações explícitas. Isso significa que, se o pressuposto é falso, a informação explícita não tem
cabimento. Assim, por exemplo, se Maria não falta nunca a aula nenhuma, não tem o menor sentido dizer
“Até Maria compareceu à aula de hoje”. “Até” estabelece o pressuposto da inclusão de um elemento
inesperado.
Na leitura, é muito importante detectar os pressupostos, pois eles são um recurso argumentativo que
visa a levar o receptor a aceitar a orientação argumentativa do emissor. Ao introduzir uma ideia sob a
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forma de pressuposto, o enunciador pretende transformar seu interlocutor em cúmplice, pois a ideia
implícita não é posta em discussão, e todos os argumentos explícitos só contribuem para confirmá-la. O
pressusposto aprisiona o receptor no sistema de pensamento montado pelo enunciador.
A demonstração disso pode ser feita com as “verdades incontestáveis” que estão na base de muitos
discursos políticos, como o que segue:
“Quando o curso do rio São Francisco for mudado, será resolvido o problema da seca no Nordeste.”

O enunciador estabelece o pressuposto de que é certa a mudança do curso do São Francisco e, por
consequência, a solução do problema da seca no Nordeste. O diálogo não teria continuidade se um
interlocutor não admitisse ou colocasse sob suspeita essa certeza. Em outros termos, haveria quebra da
continuidade do diálogo se alguém interviesse com uma pergunta deste tipo:

“Mas quem disse que é certa a mudança do curso do rio?”

A aceitação do pressuposto estabelecido pelo emissor permite levar adiante o debate; sua negação
compromete o diálogo, uma vez que destrói a base sobre a qual se constrói a argumentação, e daí
nenhum argumento tem mais importância ou razão de ser. Com pressupostos distintos, o diálogo não é
possível ou não tem sentido.
A mesma pergunta, feita para pessoas diferentes, pode ser embaraçosa ou não, dependendo do que
está pressuposto em cada situação. Para alguém que não faz segredo sobre a mudança de emprego,
não causa o menor embaraço uma pergunta como esta:

“Como vai você no seu novo emprego?”

O efeito da mesma pergunta seria catastrófico se ela se dirigisse a uma pessoa que conseguiu um
segundo emprego e quer manter sigilo até decidir se abandona o anterior. O adjetivo “novo” estabelece
o pressuposto de que o interrogado tem um emprego diferente do anterior.

Marcadores de Pressupostos
- Adjetivos ou palavras similares modificadoras do substantivo
Ex.: Julinha foi minha primeira filha.
“Primeira” pressupõe que tenho outras filhas e que as outras nasceram depois de Julinha.

Ex.: Destruíram a outra igreja do povoado.


“Outra” pressupõe a existência de pelo menos uma igreja além da usada como referência.

- Certos verbos
Ex.: Renato continua doente.
O verbo “continua” indica que Renato já estava doente no momento anterior ao presente.

Ex.: Nossos dicionários já aportuguesaram a palavra copydesk.


O verbo “aportuguesar” estabelece o pressuposto de que copidesque não existia em português.

- Certos advérbios
Ex.: A produção automobilística brasileira está totalmente nas mãos das multinacionais.
O advérbio “totalmente” pressupõe que não há no Brasil indústria automobilística nacional.

Ex.: - Você conferiu o resultado da loteria?


- Hoje não.
A negação precedida de um advérbio de tempo de âmbito limitado estabelece o pressuposto de que
apenas nesse intervalo (hoje) é que o interrogado não praticou o ato de conferir o resultado da loteria.

- Orações adjetivas
Ex.: Os brasileiros, que não se importam com a coletividade, só se preocupam com seu bem-estar e,
por isso, jogam lixo na rua, fecham os cruzamentos, etc.
O pressuposto é que “todos” os brasileiros não se importam com a coletividade.

Ex.: Os brasileiros que não se importam com a coletividade só se preocupam com seu bem-estar e,
por isso, jogam lixo na rua, fecham os cruzamentos, etc.

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Nesse caso, o pressuposto é outro: “alguns” brasileiros não se importam com a coletividade.

No primeiro caso, a oração é explicativa; no segundo, é restritiva. As explicativas pressupõem que o


que elas expressam se refere à totalidade dos elementos de um conjunto; as restritivas, que o que elas
dizem concerne apenas a parte dos elementos de um conjunto. O produtor do texto escreverá uma
restritiva ou uma explicativa segundo o pressuposto que quiser comunicar.

Subentendidos
Os subentendidos são mensagens implícitas deduzidas subjetivamente pelo interlocutor.
Justamente por essa ideia de dedução, os subentendidos de uma declaração podem não ser
verdadeiros. Vejamos três exemplos de subentendido, o qual normalmente surge em contextos sociais:
Ex.: Ana - Vamos ao cinema?
Carlos - Mas está chovendo...
Possível subentendido: Carlos sugere que não quer ir ao cinema.

Ex.: Amigo do Mário - É da casa do Mário?


Mãe do Mário - Ele teve de sair, mas já volta.
Possível subentendido: A mãe do Mário entende que o amigo do filho queria falar com ele.

Ex.: Marido - Está muito frio lá fora!


Esposa - Tudo bem, eu já vou fechar a janela.
Possível subentendido: A esposa entende que o marido fez um pedido.

Para finalizar, segundo Platão e Fiorin, uma informação importante: “Os subentendidos são as
insinuações escondidas por trás de uma afirmação. Quando um transeunte com o cigarro na mão
pergunta: Você tem fogo?, acharia muito estranho se você dissesse: Tenho e não lhe acendesse o cigarro.
Na verdade, por trás da pergunta subentende-se: Acenda-me o cigarro por favor.46”.

Questões

01. (SPTRANS - Advogado - VUNESP) Na era da internet, com seus “rsrsrs" e as “longas" mensagens
de 140 caracteres do Twitter, que lugar haveria para a retórica, a invenção dos gregos clássicos para
permitir que nas democracias o bom cidadão pudesse defender seus pontos de vista falando bem? Na
semana passada, o julgamento do mensalão no STF pôs em evidência os advogados dos réus. Eles
foram lá exercitar sua retórica, uma vez que as peças de defesa já haviam sido escritas e enviadas aos
ministros do tribunal. Os defensores, com raras exceções, saíram-se muito mal no quesito da retórica –
que não é blá-blá-blá. Quando assumiu o posto de presidente da Suprema Corte dos Estados Unidos,
Earl Warren perguntou a um colega mais antigo em quem confiava plenamente o que ele deveria ler para
conseguir escrever suas sentenças no alto nível que as circunstâncias exigiam. O colega de Warren,
Hugo Black, respondeu: “Basta ler Retórica, de Aristóteles". Sábio conselho. Com a democracia, os
gregos criaram esse mecanismo de sustentação oral baseado na lógica e na honestidade de pensamento
a que chamaram de retórica. Os cidadãos eram frequentemente obrigados a defender em público não
apenas ideias, mas sua propriedade e até a própria liberdade. Aristóteles ensinou que persuadir uma
audiência nada tem a ver com eloquência. Isso é sofisma. O que separa um cidadão grego dotado da
retórica de um mero sofista? A retórica vencedora não depende do dom da oratória, mas do valor moral
do orador.
(Otávio Cabral e Carolina Melo. A retórica não é blá-blá-blá. Veja.2012)

Na frase final do primeiro parágrafo está implícito que, em sua maioria, os defensores dos réus do
mensalão
(A) praticaram a retórica somente como oratória vazia.
(B) restringiram sua defesa a peças escritas.
(C) foram convincentes em suas manifestações escrita e oral.
(D) renunciaram ao recurso da sustentação oral.
(E) falaram livremente, como deve ocorrer nas democracias.

02. (TRT 20ª Região - Técnico Judiciário - FCC) O Brasil é hoje um dos líderes mundiais do comércio
agrícola, ocupando a primeira posição nos embarques de açúcar e de carne bovina e a segunda, nas

46
PESTANA, Fernando, A gramática para concursos, 2013, Elsevier Editora Ltda.

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160
vendas de soja e de carnes de aves. Já era o maior exportador mundial de café, mas até há uns 20 anos
a maior parte de sua produção agropecuária era menos competitiva que a das principais potências
produtoras.
Esse quadro mudou, graças a um persistente esforço de modernização do setor. Um levantamento da
Organização Mundial do Comércio (OMC) conta uma parte dessa história, mostrando o aumento da
presença brasileira nas exportações globais ente 1999 e 2007. Uma história mais completa incluiria
também um detalhe ignorado pelos brasileiros mais jovens: o suprimento do mercado interno tornou-se
muito melhor quando o país se transformou numa potência exportadora e as crises de abastecimento
deixaram de ocorrer.
Essa coincidência não ocorreu por acaso. A prosperidade mundial e o ingresso de centenas de
milhões de pessoas no mercado de consumo, em grandes economias emergentes, favoreceram a
expansão do comércio de produtos agropecuários nas duas últimas décadas. Mas, apesar das condições
favoráveis criadas pela demanda em rápida expansão, houve uma dura concorrência entre os grandes
produtores. A competição foi distorcida pelos subsídios e pelos mecanismos de proteção adotados no
mundo rico e, em menor proporção, em algumas economias emergentes.
A transformação do Brasil num dos líderes mundiais de exportação agropecuária foi possibilitada por
uma combinação de ações políticas e empresariais. Um dos fatores mais importantes foi o trabalho das
instituições de pesquisa, amplamente reforçado a partir da criação da Embrapa, nos anos 70. A ocupação
do cerrado por agricultores provenientes de outras áreas - principalmente do Sul - intensificou-se nessa
mesma época.
Nos anos 80, rotulados por economistas como "década perdida", a agropecuária exibiu dinamismo e
modernizou-se, graças ao investimento em novas tecnologias e à adoção de melhores práticas de
produção. O avanço tecnológico foi particularmente notável, nessa época, na criação de gado de corte e
na produção de aves. Isso explica, em boa parte, o sucesso comercial dos dois setores nos anos
seguintes. Com o abandono do controle de preços, a transformação da agropecuária acelerou-se nos
anos 90 e o Brasil pôde firmar sua posição como grande exportador. A magnitude da transformação fica
evidente quando se observam os ganhos de produtividade.
As colheitas cresceram muito mais do que a área ocupada pelas lavouras. Aumentou a produção de
carne bovina, indicando uma pecuária muito mais eficiente. No setor de aves, o volume produzido
expandiu-se consideravelmente. Isso permitiu não só um grande avanço no mercado externo, mas
também um enorme aumento do consumo por habitante no mercado interno. Proteínas animais tornaram-
se muito baratas, refletindo-se nas condições de vida de milhões de brasileiros.
(O Estado de S. Paulo, Notas & Informações, A3, 29 de novembro de 2009)

Está implícito no texto o fato de que


(A) a década de 80 foi corretamente rotulada de "década perdida", em razão dos escassos
investimentos na produção agropecuária brasileira.
(B) os mecanismos de proteção adotados por algumas nações permitiram um considerável aumento
na oferta mundial de produtos agropecuários.
(C) a modernização ocorrida no setor cafeeiro colocou o Brasil entre os principais exportadores de
produtos agrícolas no mercado internacional.
(D) o setor agrícola brasileiro, por ter produtividade inferior à dos demais países, foi um obstáculo à
presença do país no mercado internacional.
(E) os exportadores brasileiros enfrentaram barreiras comerciais impostas por outros países
produtores para ampliar sua participação nas exportações mundiais.

03. (AL/SP - Agente Legislativo - FCC) O reflorestamento tem o papel de conservar a biodiversidade
da Mata Atlântica e retomar as funções ecológicas que a tornam tão importante. Mas é possível fazer com
que uma floresta secundária avance para a condição de floresta nativa? Segundo a diretora de
restauração florestal da SOS Mata Atlântica, as florestas secundárias geralmente não conseguem atingir
as mesmas condições ecológicas que as primárias, mas têm o seu valor. "Uma floresta estabelecida,
ainda que secundária, absorve água e forma um reservatório natural, impede o assoreamento dos rios e
gera emprego e renda para quem atua na restauração."
A manutenção de funções ecológicas na floresta secundária depende de seu desenvolvimento. "Se
ela atingir determinado tamanho, diversidade e microclima adequado, poderá ter funções semelhantes às
da mata nativa", diz ela. Também a capacidade de absorver carbono é uma das diferenças entre as duas
florestas. A mata secundária sequestra muito mais carbono, mas isso não a torna melhor do que a
primária, ela explica.

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O grau de biodiversidade é um dos principais fatores que diferenciam florestas primárias e secundárias.
Esse grau depende de vários aspectos, especialmente a idade e a existência de mata nativa nas
proximidades. As florestas secundárias são definitivamente mais vulneráveis do que a primária,
principalmente em relação ao fogo. Na Amazônia, a idade média de uma floresta secundária é de seis ou
sete anos, já que muitas delas são queimadas mais de uma vez.
A diretora avalia ainda que a perda de espécies na mata secundária está relacionada ao ambiente
mais aberto. Intervenções como corte de cipó e plantio de espécies que funcionem como uma barreira
podem contribuir para a restauração e a conservação das florestas.
(Ana Bizzotto. O Estado de S. Paulo, Especial Sustentabilidade,
H6, 30 de janeiro de 2009)

Está implícito no texto, como resposta à questão colocada no Imagem 01º parágrafo, que
(A) as áreas de florestas replantadas podem ter as mesmas funções ecológicas, porém apresentam
menor diversidade em relação às florestas nativas.
(B) as condições ecológicas de uma floresta secundária são inferiores às da floresta nativa, o que
determina diferenças em suas funções.
(C) a dificuldade de comparar os dois tipos de florestas é muito grande, considerando-se as enormes
diferenças entre elas.
(D) a absorção de carbono, função essencial exercida pelas florestas, comprova a semelhança entre
as nativas e as secundárias.
(E) o plantio de espécies diferentes na mata secundária pode torná-la até mesmo mais resistente a
intempéries do que a mata nativa.
Gabarito

01.A / 02.E / 03.A

Comentários

01. Resposta: A
O blá-blá-blá, no texto refere-se a uma fala vazia, sem sustância ou conteúdo interessante ao receptor.

02. Resposta: E
Não está escrito e explícito no texto, mas pela interpretação é possível verificar as barreias comerciais
impostas por outros países, a leitura atenta permite ver esta afirmação como algo implícito.

03. Resposta: A
Está implícito no texto, a alternativa A, “as áreas de florestas replantadas podem ter as mesmas
funções ecológicas, porém apresentam menor diversidade em relação às florestas nativas”. Uma vez que
o texto começa com perguntas, que a florestas as florestas secundárias tem o seu valor e cumpre
determinada especificações.

Manual de Redação da Presidência da República (3ª ed., 2018)

Caro candidato(a), o Manual de Redação da Presidência possui 6 capítulos.


Em nossa apostila, abordaremos apenas os capítulos 1 e 2, já que os demais capítulos
correspondem a conteúdos gramaticais.

Capítulo I
ASPECTOS GERAIS DA REDAÇÃO OFICIAL47

1. Panorama da comunicação oficial

A finalidade da língua é comunicar, quer pela fala, quer pela escrita. Para que haja comunicação, são
necessários:
a) alguém que comunique;
47
http://www4.planalto.gov.br/centrodeestudos/assuntos/manual-de-redacao-da-presidencia-da-republica/manual-de-redacao.pdf.

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b) algo a ser comunicado;
c) alguém que receba essa comunicação.

No caso da redação oficial, quem comunica é sempre o serviço público (este/esta ou aquele/aquela
Ministério, Secretaria, Departamento, Divisão, Serviço, Seção); o que se comunica é sempre algum
assunto relativo às atribuições do órgão que comunica; e o destinatário dessa comunicação é o público,
uma instituição privada ou outro órgão ou entidade pública, do Poder Executivo ou dos outros Poderes.
Além disso, deve-se considerar a intenção do emissor e a finalidade do documento, para que o texto
esteja adequado à situação comunicativa.
A necessidade de empregar determinado nível de linguagem nos atos e nos expedientes oficiais
decorre, de um lado, do próprio caráter público desses atos e comunicações; de outro, de sua finalidade.
Os atos oficiais, aqui entendidos como atos de caráter normativo, ou estabelecem regras para a conduta
dos cidadãos, ou regulam o funcionamento dos órgãos e entidades públicos, o que só é alcançado se,
em sua elaboração, for empregada a linguagem adequada. O mesmo se dá com os expedientes oficiais,
cuja finalidade precípua é a de informar com clareza e objetividade.

2. O que é redação oficial

Em uma frase, pode-se dizer que redação oficial é a maneira pela qual o Poder Público redige
comunicações oficiais e atos normativos. Neste Manual, interessa-nos tratá-la do ponto de vista da
administração pública federal.
A redação oficial não é necessariamente árida e contrária à evolução da língua. É que sua finalidade
básica – comunicar com objetividade e máxima clareza – impõe certos parâmetros ao uso que se faz da
língua, de maneira diversa daquele da literatura, do texto jornalístico, da correspondência particular etc.
Apresentadas essas características fundamentais da redação oficial, passemos à análise
pormenorizada de cada um de seus atributos.

3. Atributos da redação oficial

A redação oficial deve caracterizar-se por:


- clareza e precisão;
- objetividade;
- concisão;
- coesão e coerência;
- impessoalidade;
- formalidade e padronização; e
- uso da norma padrão da língua portuguesa.

Fundamentalmente, esses atributos decorrem da Constituição, que dispõe, no art. 37: “A administração
pública direta, indireta, de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência
(...)”. Sendo a publicidade, a impessoalidade e a eficiência princípios fundamentais de toda a
administração pública, devem igualmente nortear a elaboração dos atos e das comunicações oficiais.

3.1 Clareza e precisão

CLAREZA
A clareza deve ser a qualidade básica de todo texto oficial. Pode-se definir como claro aquele texto
que possibilita imediata compreensão pelo leitor. Não se concebe que um documento oficial ou um ato
normativo de qualquer natureza seja redigido de forma obscura, que dificulte ou impossibilite sua
compreensão. A transparência é requisito do próprio Estado de Direito: é inaceitável que um texto oficial
ou um ato normativo não seja entendido pelos cidadãos. O princípio constitucional da publicidade não se
esgota na mera publicação do texto, estendendo-se, ainda, à necessidade de que o texto seja claro.
Para a obtenção de clareza, sugere-se:
a) utilizar palavras e expressões simples, em seu sentido comum, salvo quando o texto versar sobre
assunto técnico, hipótese em que se utilizará nomenclatura própria da área;
b) usar frases curtas, bem estruturadas; apresentar as orações na ordem direta e evitar intercalações
excessivas. Em certas ocasiões, para evitar ambiguidade, sugere-se a adoção da ordem inversa da
oração;

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c) buscar a uniformidade do tempo verbal em todo o texto;
d) não utilizar regionalismos e neologismos;
e) pontuar adequadamente o texto;
f) explicitar o significado da sigla na primeira referência a ela; e
g) utilizar palavras e expressões em outro idioma apenas quando indispensáveis, em razão de serem
designações ou expressões de uso já consagrado ou de não terem exata tradução. Nesse caso, grafe-as
em itálico, conforme orientações do subitem 10.2 deste Manual.

PRECISÃO
O atributo da precisão complementa a clareza e caracteriza-se por:
a) articulação da linguagem comum ou técnica para a perfeita compreensão da ideia veiculada no
texto;
b) manifestação do pensamento ou da ideia com as mesmas palavras, evitando o emprego de
sinonímia com propósito meramente estilístico; e
c) escolha de expressão ou palavra que não confira duplo sentido ao texto.

É indispensável, também, a releitura de todo o texto redigido. A ocorrência, em textos oficiais, de


trechos obscuros provém principalmente da falta da releitura, o que tornaria possível sua correção. Na
revisão de um expediente, deve-se avaliar se ele será de fácil compreensão por seu destinatário. O que
nos parece óbvio pode ser desconhecido por terceiros. O domínio que adquirimos sobre certos assuntos,
em decorrência de nossa experiência profissional, muitas vezes, faz com que os tomemos como de
conhecimento geral, o que nem sempre é verdade. Explicite, desenvolva, esclareça, precise os termos
técnicos, o significado das siglas e das abreviações e os conceitos específicos que não possam ser
dispensados.
A revisão atenta exige tempo. A pressa com que são elaboradas certas comunicações quase sempre
compromete sua clareza. “Não há assuntos urgentes, há assuntos atrasados”, diz a máxima. Evite-se,
pois, o atraso, com sua indesejável repercussão no texto redigido.
A clareza e a precisão não são atributos que se atinjam por si sós: elas dependem estritamente das
demais características da redação oficial, apresentadas a seguir.

3.2 Objetividade

Ser objetivo é ir diretamente ao assunto que se deseja abordar, sem voltas e sem redundâncias. Para
conseguir isso, é fundamental que o redator saiba de antemão qual é a ideia principal e quais são as
secundárias.
Procure perceber certa hierarquia de ideias que existe em todo texto de alguma complexidade: as
fundamentais e as secundárias. Essas últimas podem esclarecer o sentido daquelas, detalhá-las,
exemplificá-las; mas existem também ideias secundárias que não acrescentam informação alguma ao
texto, nem têm maior relação com as fundamentais, podendo, por isso, ser dispensadas, o que também
proporcionará mais objetividade ao texto.
A objetividade conduz o leitor ao contato mais direto com o assunto e com as informações, sem
subterfúgios, sem excessos de palavras e de ideias. É errado supor que a objetividade suprime a
delicadeza de expressão ou torna o texto rude e grosseiro.

3.3 Concisão

A concisão é antes uma qualidade do que uma característica do texto oficial. Conciso é o texto que
consegue transmitir o máximo de informações com o mínimo de palavras. Não se deve de forma alguma
entendê-la como economia de pensamento, isto é, não se deve eliminar passagens substanciais do texto
com o único objetivo de reduzi-lo em tamanho. Trata-se, exclusivamente, de excluir palavras inúteis,
redundâncias e passagens que nada acrescentem ao que já foi dito.
Detalhes irrelevantes são dispensáveis: o texto deve evitar caracterizações e comentários supérfluos,
adjetivos e advérbios inúteis, subordinação excessiva. A seguir, um exemplo1 de período mal construído,
prolixo:

Exemplo:
Apurado, com impressionante agilidade e precisão, naquela tarde de 2009, o resultado da consulta à
população acriana, verificou-se que a esmagadora e ampla maioria da população daquele distante estado
manifestou-se pela efusiva e indubitável rejeição da alteração realizada pela Lei no 11.662/2008. Não

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satisfeita, inconformada e indignada, com a nova hora legal vinculada ao terceiro fuso, a maioria da
população do Acre demonstrou que a ela seria melhor regressar ao quarto fuso, estando cinco horas a
menos que em Greenwich.

Nesse texto, há vários detalhamentos desnecessários, abusou-se no emprego de adjetivos


(impressionante, esmagadora, ampla, inconformada, indignada), o que lhe confere carga afetiva
injustificável, sobretudo em texto oficial, que deve primar pela impessoalidade. Eliminados os excessos,
o período ganha concisão, harmonia e unidade:

Exemplo:
Apurado o resultado da consulta à população acreana, verificou-se que a maioria da população
manifestou-se pela rejeição da alteração realizada pela Lei no 11.662/2008. Não satisfeita com a nova
hora legal vinculada ao terceiro fuso, a maioria da população do Acre demonstrou que a ela seria melhor
regressar ao quarto fuso, estando cinco horas menos que em Greenwich.

3.4 Coesão e coerência

É indispensável que o texto tenha coesão e coerência. Tais atributos favorecem a conexão, a ligação,
a harmonia entre os elementos de um texto. Percebe-se que o texto tem coesão e coerência quando se
lê um texto e se verifica que as palavras, as frases e os parágrafos estão entrelaçados, dando
continuidade uns aos outros.
Alguns mecanismos que estabelecem a coesão e a coerência de um texto são: referência, substituição,
elipse e uso de conjunção.
A referência diz respeito aos termos que se relacionam a outros necessários à sua interpretação. Esse
mecanismo pode dar-se por retomada de um termo, relação com o que é precedente no texto, ou por
antecipação de um termo cuja interpretação dependa do que se segue.

Exemplos:
O Deputado evitou a instalação da CPI da corrupção. Ele aguardou a decisão do Plenário.
O TCU apontou estas irregularidades: falta de assinatura e de identificação no documento.

A substituição é a colocação de um item lexical no lugar de outro(s) ou no lugar de uma oração.

Exemplos:
O Presidente assinou o acordo. O Chefe do Poder Executivo federal propôs reduzir as alíquotas.
O ofício está pronto. O documento trata da exoneração do servidor.
Os governadores decidiram acatar a decisão. Em seguida, os prefeitos fizeram o mesmo.

A elipse consiste na omissão de um termo recuperável pelo contexto.

Exemplo:
O decreto regulamenta os casos gerais; a portaria, os particulares. (Na segunda oração, houve a
omissão do verbo “regulamenta”).

Outra estratégia para proporcionar coesão e coerência ao texto é utilizar conjunção para estabelecer
ligação entre orações, períodos ou parágrafos.

Exemplo:
O Embaixador compareceu à reunião, pois identificou o interesse de seu Governo pelo assunto.

3.5 Impessoalidade

A impessoalidade decorre de princípio constitucional (Constituição, art. 37), e seu significado remete
a dois aspectos: o primeiro é a obrigatoriedade de que a administração pública proceda de modo a não
privilegiar ou prejudicar ninguém, de que o seu norte seja, sempre, o interesse público; o segundo, a
abstração da pessoalidade dos atos administrativos, pois, apesar de a ação administrativa ser exercida
por intermédio de seus servidores, é resultado tão-somente da vontade estatal.

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A redação oficial é elaborada sempre em nome do serviço público e sempre em atendimento ao
interesse geral dos cidadãos. Sendo assim, os assuntos objetos dos expedientes oficiais não devem ser
tratados de outra forma que não a estritamente impessoal.
Percebe-se, assim, que o tratamento impessoal que deve ser dado aos assuntos que constam das
comunicações oficiais decorre:
a) da ausência de impressões individuais de quem comunica: embora se trate, por exemplo, de um
expediente assinado por Chefe de determinada Seção, a comunicação é sempre feita em nome do serviço
público. Obtém-se, assim, uma desejável padronização, que permite que as comunicações elaboradas
em diferentes setores da administração pública guardem entre si certa uniformidade;
b) da impessoalidade de quem recebe a comunicação: ela pode ser dirigida a um cidadão, sempre
concebido como público, ou a uma instituição privada, a outro órgão ou a outra entidade pública. Em
todos os casos, temos um destinatário concebido de forma homogênea e impessoal; e
c) do caráter impessoal do próprio assunto tratado: se o universo temático das comunicações oficiais
se restringe a questões que dizem respeito ao interesse público, é natural não caber qualquer tom
particular ou pessoal.

Não há lugar na redação oficial para impressões pessoais, como as que, por exemplo, constam de
uma carta a um amigo, ou de um artigo assinado de jornal, ou mesmo de um texto literário. A redação
oficial deve ser isenta da interferência da individualidade de quem a elabora. A concisão, a clareza, a
objetividade e a formalidade de que nos valemos para elaborar os expedientes oficiais contribuem, ainda,
para que seja alcançada a necessária impessoalidade.

3.6 Formalidade e padronização

As comunicações administrativas devem ser sempre formais, isto é, obedecer a certas regras de forma
(BRASIL, 2015a). Isso é válido tanto para as comunicações feitas em meio eletrônico (por exemplo, o e-
mail , o documento gerado no SEI!, o documento em html etc.), quanto para os eventuais documentos
impressos.
É imperativa, ainda, certa formalidade de tratamento. Não se trata somente do correto emprego deste
ou daquele pronome de tratamento para uma autoridade de certo nível, mais do que isso: a formalidade
diz respeito à civilidade no próprio enfoque dado ao assunto do qual cuida a comunicação.
A formalidade de tratamento vincula-se, também, à necessária uniformidade das comunicações. Ora,
se a administração pública federal é una, é natural que as comunicações que expeça sigam o mesmo
padrão. O estabelecimento desse padrão, uma das metas deste Manual, exige que se atente para todas
as características da redação oficial e que se cuide, ainda, da apresentação dos textos.
A digitação sem erros, o uso de papéis uniformes para o texto definitivo, nas exceções em que se fizer
necessária a impressão, e a correta diagramação do texto são indispensáveis para a padronização.
Consulte o Capítulo II, “As comunicações oficiais”, a respeito de normas específicas para cada tipo de
expediente.
Em razão de seu caráter público e de sua finalidade, os atos normativos e os expedientes oficiais
requerem o uso do padrão culto do idioma, que acata os preceitos da gramática formal e emprega um
léxico compartilhado pelo conjunto dos usuários da língua. O uso do padrão culto é, portanto,
imprescindível na redação oficial por estar acima das diferenças lexicais, morfológicas ou sintáticas,
regionais; dos modismos vocabulares e das particularidades linguísticas.
Recomendações:
- a língua culta é contra a pobreza de expressão e não contra a sua simplicidade;
- o uso do padrão culto não significa empregar a língua de modo rebuscado ou utilizar figuras de
linguagem próprias do estilo literário;
- a consulta ao dicionário e à gramática é imperativa na redação de um bom texto.

Pode-se concluir que não existe propriamente um padrão oficial de linguagem, o que há é o uso da
norma padrão nos atos e nas comunicações oficiais. É claro que haverá preferência pelo uso de
determinadas expressões, ou será obedecida certa tradição no emprego das formas sintáticas, mas isso
não implica, necessariamente, que se consagre a utilização de uma forma de linguagem burocrática. O
jargão burocrático, como todo jargão, deve ser evitado, pois terá sempre sua compreensão limitada.

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Capítulo II
AS COMUNICAÇÕES OFICIAIS

4. Introdução

A redação das comunicações oficiais deve, antes de tudo, seguir os preceitos explicitados no Capítulo
I, “Aspectos gerais da redação oficial”. Além disso, há características específicas de cada tipo
de expediente, que serão tratadas em detalhe neste capítulo. Antes de passarmos à sua análise,
vejamos outros aspectos comuns a quase todas as modalidades de comunicação oficial.

4.1 Pronomes de tratamento

Tradicionalmente, o emprego dos pronomes de tratamento adota a segunda pessoa do plural, de


maneira indireta, para referenciar atributos da pessoa à qual se dirige. Na redação oficial, é necessário
atenção para o uso dos pronomes de tratamento em três momentos distintos: no endereçamento, no
vocativo e no corpo do texto. No vocativo, o autor dirige-se ao destinatário no início do documento. No
corpo do texto, pode-se empregar os pronomes de tratamento em sua forma abreviada ou por extenso.
O endereçamento é o texto utilizado no envelope que contém a correspondência oficial.
A seguir, alguns exemplos de utilização de pronomes de tratamento no texto oficial.
Tratamento no
Autoridade Endereçamento Vocativo Abreviatura
corpo do texto
Presidente da A Sua Excelência o Excelentíssimo Senhor
Vossa Excelência Não se usa
República Senhor Presidente da República,
Excelentíssimo Senhor
Presidente do A Sua Excelência o
Presidente do Congresso Vossa Excelência Não se usa
Congresso Nacional Senhor
Nacional,
Presidente do Excelentíssimo Senhor
A Sua Excelência o
Supremo Tribunal Presidente do Supremo Vossa Excelência Não se usa
Senhor
Federal Tribunal Federal,
Vice-Presidente da A Sua Excelência o Senhor Vice-Presidente
Vossa Excelência V. Exa.
República Senhor da República,
A Sua Excelência o
Ministro de Estado Senhor Ministro, Vossa Excelência V. Exa.
Senhor
Secretário-
Executivo de
Ministério e demais A Sua Excelência o Senhor Secretário-
Vossa Excelência V. Exa.
ocupantes de Senhor Executivo,
cargos de natureza
especial

Tratamento no
Autoridade Endereçamento Vocativo Abreviatura
corpo do texto
A Sua Excelência o
Embaixador Senhor Embaixador, Vossa Excelência V. Exa.
Senhor
Oficial-General das A Sua Excelência o
Senhor + Posto, Vossa Excelência V. Exa.
Forças Armadas Senhor
Outros postos
Ao Senhor Senhor + Posto, Vossa Senhoria V. Sa.
militares
Senador da A Sua Excelência o
Senhor Senador, Vossa Excelência V. Exa.
República Senhor
A Sua Excelência o
Deputado Federal Senhor Deputado, Vossa Excelência V. Exa.
Senhor
Senhor Ministro do
Ministro do Tribunal A Sua Excelência o
Tribunal de Contas da Vossa Excelência V. Exa.
de Contas da União Senhor
União,
Ministro dos
A Sua Excelência o
Tribunais Senhor Ministro, Vossa Excelência V. Exa.
Senhor
Superiores

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167
Os exemplos acima são meramente exemplificativos. A profusão de normas estabelecendo hipóteses
de tratamento por meio do pronome “Vossa Excelência” para categorias especifícas tornou inviável arrolar
todas as hipóteses.

4.1.1 Concordância com os pronomes de tratamento

Os pronomes de tratamento apresentam certas peculiaridades quanto às concordâncias verbal,


nominal e pronominal. Embora se refiram à segunda pessoa gramatical (à pessoa com quem se fala),
levam a concordância para a terceira pessoa. Os pronomes Vossa Excelência ou Vossa Senhoria são
utilizados para se comunicar diretamente com o receptor.

Exemplo:
Vossa Senhoria designará o assessor.

Da mesma forma, os pronomes possessivos referidos a pronomes de tratamento são sempre os da


terceira pessoa.

Exemplo:
Vossa Senhoria designará seu substituto. (E não “Vossa Senhoria designará vosso substituto”)

Já quanto aos adjetivos referidos a esses pronomes, o gênero gramatical deve coincidir com o sexo
da pessoa a que se refere, e não com o substantivo que compõe a locução.

Exemplos:
Se o interlocutor for homem, o correto é: Vossa Excelência está atarefado.
Se o interlocutor for mulher: Vossa Excelência está atarefada.

O pronome Sua Excelência é utilizado para se fazer referência a alguma autoridade (indiretamente).

Exemplo:
A Sua Excelência o Ministro de Estado Chefe da Casa Civil (por exemplo, no endereçamento do
expediente)

4.2 Signatário

4.2.1 Cargos interino e substituto

Na identificação do signatário, depois do nome do cargo, é possível utilizar os termos interino e


substituto, conforme situações a seguir: interino é aquele nomeado para ocupar transitoriamente cargo
público durante a vacância; substituto é aquele designado para exercer as atribuições de cargo público
vago ou no caso de afastamento e impedimentos legais ou regulamentares do titular. Esses termos devem
ser utilizados depois do nome do cargo, sem hífen, sem vírgula e em minúsculo.

Exemplos:
Diretor-Geral interino
Secretário-Executivo substituto

4.2.2 Signatárias do sexo feminino

Na identificação do signatário, o cargo ocupado por pessoa do sexo feminino deve ser flexionado no
gênero feminino.

Exemplos:
Ministra de Estado
Secretária-Executiva interina
Técnica Administrativa
Coordenadora Administrativa

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4.3 Grafia de cargos compostos

Escrevem-se com hífen:


a) cargos formados pelo adjetivo “geral”: diretor-geral, relator-geral, ouvidor-geral;
b) postos e gradações da diplomacia: primeiro-secretário, segundo-secretário;
c) postos da hierarquia militar: tenente-coronel, capitão-tenente;

Atenção: nomes compostos com elemento de ligação preposicionado ficam sem hífen: general de
exército, general de brigada, tenente-brigadeiro do ar, capitão de mar e guerra;

d) cargos que denotam hierarquia dentro de uma empresa: diretor-presidente, diretor-adjunto, editor-
chefe, editor-assistente, sócio-gerente, diretor-executivo;
e) cargos formados por numerais: primeiro-ministro, primeira-dama;
f) cargos formados com os prefixos “ex” ou “vice”: ex-diretor, vice-coordenador.

O novo Acordo Ortográfico tornou opcional o uso de iniciais maiúsculas em palavras usadas
reverencialmente, por exemplo para cargos e títulos (exemplo: o Presidente francês ou o presidente
francês). Porém, em palavras com hífen, após se optar pelo uso da maiúscula ou da minúscula, deve-se
manter a escolha para a grafia de todos os elementos hifenizados: pode-se escrever “Vice-Presidente”
ou “vice-presidente”, mas não “Vice-presidente”.

4.4 Vocativo

O vocativo é uma invocação ao destinatário. Nas comunicações oficiais, o vocativo será sempre
seguido de vírgula.
Em comunicações dirigidas aos Chefes de Poder, utiliza-se a expressão Excelentíssimo Senhor ou
Excelentíssima Senhora e o cargo respectivo, seguidos de vírgula.

Exemplos:
Excelentíssimo Senhor Presidente da República,
Excelentíssimo Senhor Presidente do Congresso Nacional,
Excelentíssimo Senhor Presidente do Supremo Tribunal Federal,

As demais autoridades, mesmo aquelas tratadas por Vossa Excelência, receberão o vocativo Senhor
ou Senhora seguido do cargo respectivo.

Exemplos:
Senhora Senadora,
Senhor Juiz,
Senhora Ministra,
Na hipótese de comunicação com particular, pode-se utilizar o vocativo Senhor ou Senhora e a forma
utilizada pela instituição para referir-se ao interlocutor: beneficiário, usuário, contribuinte, eleitor etc.

Exemplos:
Senhora Beneficiária,
Senhor Contribuinte,

Ainda, quando o destinatário for um particular, no vocativo, pode-se utilizar Senhor ou Senhora seguido
do nome do particular ou pode-se utilizar o vocativo “Prezado Senhor” ou “Prezada Senhora”.

Exemplos:
Senhora [Nome],
Prezado Senhor,

Em comunicações oficiais, está abolido o uso de Digníssimo (DD) e de Ilustríssimo (Ilmo.).


Evite-se o uso de “doutor” indiscriminadamente. O tratamento por meio de Senhor confere a
formalidade desejada.

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5. O padrão ofício

Até a segunda edição deste Manual, havia três tipos de expedientes que se diferenciavam antes pela
finalidade do que pela forma: o ofício, o aviso e o memorando. Com o objetivo de uniformizá-los, deve-se
adotar nomenclatura e diagramação únicas, que sigam o que chamamos de padrão ofício.
A distinção básica anterior entre os três era:
a) aviso: era expedido exclusivamente por Ministros de Estado, para autoridades de mesma hierarquia;
b) ofício: era expedido para e pelas demais autoridades; e
c) memorando: era expedido entre unidades administrativas de um mesmo órgão.

Atenção: Nesta nova edição ficou abolida aquela distinção e passou-se a utilizar o termo ofício nas
três hipóteses.

A seguir, será apresentada a estrutura do padrão ofício, de acordo com a ordem com que cada
elemento aparece no documento oficial.

5.1 Partes do documento no padrão ofício

5.1.1 Cabeçalho

O cabeçalho é utilizado apenas na primeira página do documento, centralizado na área determinada


pela formatação (ver subitem “5.2 Formatação e apresentação”).
No cabeçalho deverão constar os seguintes elementos:
a) brasão de Armas da República: no topo da página. Não há necessidade de ser aplicado em cores.
O uso de marca da instituição deve ser evitado na correspondência oficial para não se sobrepor ao Brasão
de Armas da República.
b) nome do órgão principal;
c) nomes dos órgãos secundários, quando necessários, da maior para a menor hierarquia; e
d) espaçamento: entrelinhas simples (1,0).

Exemplo:

[Nome do órgão]
[Secretaria/Diretoria]
[Departamento/Setor/Entidade]
Os dados do órgão, tais como endereço, telefone, endereço de correspondência eletrônica, sítio
eletrônico oficial da instituição, podem ser informados no rodapé do documento, centralizados.

5.1.2 Identificação do expediente

Os documentos oficiais devem ser identificados da seguinte maneira:


a) nome do documento: tipo de expediente por extenso, com todas as letras maiúsculas;
b) indicação de numeração: abreviatura da palavra “número”, padronizada como Nº;
c) informações do documento: número, ano (com quatro dígitos) e siglas usuais do setor que expede
o documento, da menor para a maior hierarquia, separados por barra (/); e
d) alinhamento: à margem esquerda da página.

Exemplo:
OFÍCIO Nº 652/2018/SAA/SE/MT

5.1.3 Local e data do documento

Na grafia de datas em um documento, o conteúdo deve constar da seguinte forma:


a) composição: local e data do documento;
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b) informação de local: nome da cidade onde foi expedido o documento, seguido de vírgula. Não se
deve utilizar a sigla da unidade da federação depois do nome da cidade;
c) dia do mês: em numeração ordinal se for o primeiro dia do mês e em numeração cardinal para os
demais dias do mês. Não se deve utilizar zero à esquerda do número que indica o dia do mês;
d) nome do mês: deve ser escrito com inicial minúscula;
e) pontuação: coloca-se ponto-final depois da data; e
f) alinhamento: o texto da data deve ser alinhado à margem direita da página.

Exemplo: Brasília, 2 de fevereiro de 2018.

5.1.4 Endereçamento

O endereçamento é a parte do documento que informa quem receberá o expediente.


Nele deverão constar os seguintes elementos:
a) vocativo: na forma de tratamento adequada para quem receberá o expediente (ver subitem “4.1
Pronomes de tratamento”);
b) nome: nome do destinatário do expediente;
c) cargo: cargo do destinatário do expediente;
d) endereço: endereço postal de quem receberá o expediente, dividido em duas linhas: primeira linha:
informação de localidade/logradouro do destinatário ou, no caso de ofício ao mesmo órgão, informação
do setor;
segunda linha: CEP e cidade/unidade da federação, separados por espaço simples. Na separação
entre cidade e unidade da federação pode ser substituída a barra pelo ponto ou pelo travessão. No caso
de ofício ao mesmo órgão, não é obrigatória a informação do CEP, podendo ficar apenas a informação
da cidade/unidade da federação; e
e) alinhamento: à margem esquerda da página.

O pronome de tratamento no endereçamento das comunicações dirigidas às autoridades tratadas por


Vossa Excelência terá a seguinte forma: “A Sua Excelência o Senhor” ou “A Sua Excelência a Senhora”.
Quando o tratamento destinado ao receptor for Vossa Senhoria, o endereçamento a ser empregado é
“Ao Senhor” ou “À Senhora”. Ressalte-se que não se utiliza a expressão “A Sua Senhoria o Senhor” ou
“A Sua Senhoria a Senhora”.

Exemplos:

A Sua Excelência o Senhor À Senhora Ao Senhor


[Nome] [Nome] [Nome]
Ministro de Estado da Justiça Diretora de Gestão de Chefe da Seção de
Pessoas Compras
Esplanada dos Ministérios Bloco SAUS Q. 3 Lote 5/6 Ed Sede Diretoria de Material,
T I Seção
70064-900 Brasília/DF 70070-030 Brasília. DF Brasília – DF

5.1.5 Assunto

O assunto deve dar uma ideia geral do que trata o documento, de forma sucinta. Ele deve ser grafado
da seguinte maneira:
a) título: a palavra Assunto deve anteceder a frase que define o conteúdo do documento, seguida de
dois-pontos;
b) descrição do assunto: a frase que descreve o conteúdo do documento deve ser escrita com inicial
maiúscula, não se deve utilizar verbos e sugere-se utilizar de quatro a cinco palavras;
c) destaque: todo o texto referente ao assunto, inclusive o título, deve ser destacado em negrito;
d) pontuação: coloca-se ponto-final depois do assunto; e
e) alinhamento: à margem esquerda da página.

Exemplos:
Assunto: Encaminhamento do Relatório de Gestão julho/2018.
Assunto: Aquisição de computadores.

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5.1.6 Texto do documento

O texto do documento oficial deve seguir a seguinte padronização de estrutura:


I – nos casos em que não seja usado para encaminhamento de documentos, o expediente deve conter
a seguinte estrutura:
a) introdução: em que é apresentado o objetivo da comunicação. Evite o uso das formas: Tenho a
honra de, Tenho o prazer de, Cumpre-me informar que. Prefira empregar a forma direta: Informo, Solicito,
Comunico;
b) desenvolvimento: em que o assunto é detalhado; se o texto contiver mais de uma ideia sobre o
assunto, elas devem ser tratadas em parágrafos distintos, o que confere maior clareza à exposição; e
c) conclusão: em que é afirmada a posição sobre o assunto.

II – quando forem usados para encaminhamento de documentos, a estrutura é modificada:


a) introdução: deve iniciar com referência ao expediente que solicitou o encaminhamento. Se a
remessa do documento não tiver sido solicitada, deve iniciar com a informação do motivo da comunicação,
que é encaminhar, indicando a seguir os dados completos do documento encaminhado (tipo, data, origem
ou signatário e assunto de que se trata) e a razão pela qual está sendo encaminhado; e

Exemplos:
Em resposta ao Ofício no 12, de 1o de fevereiro de 2018, encaminho cópia do Ofício no 34, de 3 de
abril de 2018, da Coordenação-Geral de Gestão de Pessoas, que trata da requisição do servidor Fulano
de Tal.

Encaminho, para exame e pronunciamento, cópia do Ofício no 12, de 1o de fevereiro de 2018, do


Presidente da Confederação Nacional da Indústria, a respeito de projeto de modernização de técnicas
agrícolas na região Nordeste.

b) desenvolvimento: se o autor da comunicação desejar fazer algum comentário a respeito do


documento que encaminha, poderá acrescentar parágrafos de desenvolvimento. Caso contrário, não há
parágrafos de desenvolvimento em expediente usado para encaminhamento de documentos.

III – tanto na estrutura I quanto na estrutura II, o texto do documento deve ser formatado da seguinte
maneira:
a) alinhamento: justificado;
b) espaçamento entre linhas: simples;
c) parágrafos:
i espaçamento entre parágrafos: de 6 pontos após cada parágrafo;
ii recuo de parágrafo: 2,5 cm de distância da margem esquerda;
iii numeração dos parágrafos: apenas quando o documento tiver três ou mais parágrafos, desde o
primeiro parágrafo. Não se numeram o vocativo e o fecho;
d) fonte: Calibri ou Carlito;
i corpo do texto: tamanho 12 pontos;
ii citações recuadas: tamanho 11 pontos; e
iii notas de Rodapé: tamanho 10 pontos;
e) símbolos: para símbolos não existentes nas fontes indicadas, pode-se utilizar as fontes Symbol e
Wingdings;

5.1.7 Fechos para comunicações

O fecho das comunicações oficiais objetiva, além da finalidade óbvia de arrematar o texto, saudar o
destinatário. Os modelos para fecho anteriormente utilizados foram regulados pela Portaria no 1, de 1937,
do Ministério da Justiça, que estabelecia quinze padrões.
Com o objetivo de simplificá-los e uniformizá-los, este Manual estabelece o emprego de somente dois
fechos diferentes para todas as modalidades de comunicação oficial:
a) Para autoridades de hierarquia superior a do remetente, inclusive o Presidente da República:
Respeitosamente,
b) Para autoridades de mesma hierarquia, de hierarquia inferior ou demais casos: Atenciosamente,
Ficam excluídas dessa fórmula as comunicações dirigidas a autoridades estrangeiras, que atendem a
rito e tradição próprios.

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O fecho da comunicação deve ser formatado da seguinte maneira:
a) alinhamento: alinhado à margem esquerda da página;
b) recuo de parágrafo: 2,5 cm de distância da margem esquerda;
c) espaçamento entre linhas: simples;
d) espaçamento entre parágrafos: de 6 pontos após cada parágrafo; e
e) não deve ser numerado.

5.1.8 Identificação do signatário

Excluídas as comunicações assinadas pelo Presidente da República, todas as demais comunicações


oficiais devem informar o signatário segundo o padrão:
a) nome: nome da autoridade que as expede, grafado em letras maiúsculas, sem negrito. Não se usa
linha acima do nome do signatário;
b) cargo: cargo da autoridade que expede o documento, redigido apenas com as iniciais maiúsculas.
As preposições que liguem as palavras do cargo devem ser grafadas em minúsculas; e
c) alinhamento: a identificação do signatário deve ser centralizada na página.
Para evitar equívocos, recomenda-se não deixar a assinatura em página isolada do expediente.
Transfira para essa página ao menos a última frase anterior ao fecho.

Exemplo:

(espaço para assinatura)


NOME
Ministro de Estado Chefe da Casa Civil da Presidência da República

(espaço para assinatura)


NOME
Coordenador-Geral de Gestão de Pessoas

5.1.9 Numeração das páginas

A numeração das páginas é obrigatória apenas a partir da segunda página da comunicação.


Ela deve ser centralizada na página e obedecer à seguinte formatação:
a) posição: no rodapé do documento, ou acima da área de 2 cm da margem inferior; e
b) fonte: Calibri ou Carlito.

5.2 Formatação e apresentação

Os documentos do padrão ofício devem obedecer à seguinte formatação:


a) tamanho do papel: A4 (29,7 cm x 21 cm);
b) margem lateral esquerda: no mínimo, 3 cm de largura;
c) margem lateral direita: 1,5 cm;
d) margens superior e inferior: 2 cm;
e) área de cabeçalho: na primeira página, 5 cm a partir da margem superior do papel;
f) área de rodapé: nos 2 cm da margem inferior do documento;
g) impressão: na correspondência oficial, a impressão pode ocorrer em ambas as faces do papel.
Nesse caso, as margens esquerda e direita terão as distâncias invertidas nas páginas pares (margem
espelho);
h) cores: os textos devem ser impressos na cor preta em papel branco, reservando-se, se necessário,
a impressão colorida para gráficos e ilustrações;
i) destaques: para destaques deve-se utilizar, sem abuso, o negrito. Deve-se evitar destaques com uso
de itálico, sublinhado, letras maiúsculas, sombreado, sombra, relevo, bordas ou qualquer outra forma de
formatação que afete a sobriedade e a padronização do documento;
j) palavras estrangeiras: palavras estrangeiras devem ser grafadas em itálico;
k) arquivamento: dentro do possível, todos os documentos elaborados devem ter o arquivo de texto
preservado para consulta posterior ou aproveitamento de trechos para casos análogos. Deve ser utilizado,
preferencialmente, formato de arquivo que possa ser lido e editado pela maioria dos editores de texto
utilizados no serviço público, tais como DOCX, ODT ou RTF.

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l) nome do arquivo: para facilitar a localização, os nomes dos arquivos devem ser formados da seguinte
maneira:
tipo do documento + número do documento + ano do documento (com 4 dígitos) + palavras-chaves do
conteúdo

Exemplo:
Ofício 123_2018_relatório produtividade anual

Seguem exemplos de Ofício:

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6 Tipos de documentos

6.1 Variações dos documentos oficiais

Os documentos oficiais podem ser identificados de acordo com algumas possíveis variações:
a) [NOME DO EXPEDIENTE] + CIRCULAR: Quando um órgão envia o mesmo expediente para mais
de um órgão receptor. A sigla na epígrafe será apenas do órgão remetente.
b) [NOME DO EXPEDIENTE] + CONJUNTO: Quando mais de um órgão envia, conjuntamente, o
mesmo expediente para um único órgão receptor. As siglas dos órgãos remetentes constarão na epígrafe.

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c) [NOME DO EXPEDIENTE] + CONJUNTO CIRCULAR: Quando mais de um órgão envia,
conjuntamente, o mesmo expediente para mais de um órgão receptor. As siglas dos órgãos remetentes
constarão na epígrafe.

Exemplos:
OFÍCIO CIRCULAR Nº 652/2018/MEC
OFÍCIO CONJUNTO Nº 368/2018/SECEX/SAJ
OFÍCIO CONJUNTO CIRCULAR Nº 795/2018/CC/MJ/MRE

Nos expedientes circulares, por haver mais de um receptor, o órgão remetente poderá inserir no rodapé
as siglas ou nomes dos órgãos que receberão o expediente.

6.2 Exposição de Motivos

6.2.1 Definição e finalidade

Exposição de motivos (EM) é o expediente dirigido ao Presidente da República ou ao Vice- Presidente


para:
a) propor alguma medida;
b) submeter projeto de ato normativo à sua consideração; ou
c) informá-lo de determinado assunto.

A exposição de motivos é dirigida ao Presidente da República por um Ministro de Estado. Nos casos
em que o assunto tratado envolva mais de um ministério, a exposição de motivos será assinada por todos
os ministros envolvidos, sendo, por essa razão, chamada de interministerial.
Independentemente de ser uma EM com apenas um autor ou uma EM interministerial, a sequência
numérica das exposições de motivos é única. A numeração começa e termina dentro de um mesmo ano
civil.

6.2.2 Forma e estrutura

As exposições de motivos devem, obrigatoriamente:


a) apontar, na introdução: o problema que demanda a adoção da medida ou do ato normativo proposto;
ou informar ao Presidente da República algum assunto;

b) indicar, no desenvolvimento: a razão de aquela medida ou de aquele ato normativo ser o ideal para
se solucionar o problema e as eventuais alternativas existentes para equacioná-lo; ou fornecer mais
detalhes sobre o assunto informado, quando for esse o caso; e
c) na conclusão: novamente, propor a medida a ser tomada ou o ato normativo a ser editado para
solucionar o problema; ou apresentar as considerações finais no caso de EMs apenas informativas.

As Exposições de Motivos que encaminham proposições normativas devem seguir o prescrito no


Decreto nº 9.191, de 1º de novembro de 2017. Em síntese, elas devem ser instruídas com parecer jurídico
e parecer de mérito que permitam a adequada avaliação da proposta.
O atendimento dos requisitos do Decreto nº 9.191, de 2017, nas exposições de motivos que
proponham a edição de ato normativo, tem como propósito:
a) permitir a adequada reflexão sobre o problema que se busca resolver;
b) ensejar avaliação das diversas causas do problema e dos efeitos que podem ter a adoção da medida
ou a edição do ato, em consonância com as questões que devem ser analisadas na elaboração de
proposições normativas no âmbito do Poder Executivo;
c) conferir transparência aos atos propostos;
d) resumir os principais aspectos da proposta; e
e) evitar a devolução a proposta de ato normativo para complementação ou reformulação da proposta.

A exposição de motivos é a principal modalidade de comunicação dirigida ao Presidente da República


pelos ministros. Além disso, pode, em certos casos, ser encaminhada cópia ao Congresso Nacional ou
ao Poder Judiciário.

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Exemplo de exposição de motivos:

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6.2.3 Sistema de Geração e Tramitação de Documentos Oficiais (Sidof)

O Sistema de Geração e Tramitação de Documentos Oficiais (Sidof) é a ferramenta eletrônica utilizada


para a elaboração, a redação, a alteração, o controle, a tramitação, a administração e a gerência das
exposições de motivos com as propostas de atos a serem encaminhadas pelos Ministérios à Presidência
da República.
Ao se utilizar o Sidof, a assinatura, o nome e o cargo do signatário, apresentados no exemplo do item
6.2.2, são substituídos pela assinatura eletrônica que informa o nome do ministro que assinou a exposição
de motivos e do consultor jurídico que assinou o parecer jurídico da Pasta.

6.3 Mensagem

6.3.1 Definição e finalidade

A Mensagem é o instrumento de comunicação oficial entre os Chefes dos Poderes Públicos,


notadamente as mensagens enviadas pelo Chefe do Poder Executivo ao Poder Legislativo para informar
sobre fato da administração pública; para expor o plano de governo por ocasião da abertura de sessão
legislativa; para submeter ao Congresso Nacional matérias que dependem de deliberação de suas Casas;

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para apresentar veto; enfim, fazer comunicações do que seja de interesse dos Poderes Públicos e da
Nação.
Minuta de mensagem pode ser encaminhada pelos ministérios à Presidência da República, a cujas
assessorias caberá a redação final.
As mensagens mais usuais do Poder Executivo ao Congresso Nacional têm as seguintes finalidades:
a) Encaminhamento de proposta de emenda constitucional, de projeto de lei ordinária, de projeto de
lei complementar e os que compreendem plano plurianual, diretrizes orçamentárias, orçamentos anuais
e créditos adicionais:

Os projetos de lei ordinária ou complementar são enviados em regime normal (Constituição, art. 61)
ou de urgência (Constituição, art. 64, §§ 1o a 4o). O projeto pode ser encaminhado sob o regime normal
e, mais tarde, ser objeto de nova mensagem, com solicitação de urgência.
Em ambos os casos, a mensagem se dirige aos membros do Congresso Nacional, mas é encaminhada
com ofício do Ministro de Estado Chefe da Casa Civil da Presidência da República ao Primeiro-Secretário
da Câmara dos Deputados, para que tenha início sua tramitação (Constituição, art. 64, caput).
Quanto aos projetos de lei que compreendem plano plurianual, diretrizes orçamentárias, orçamentos
anuais e créditos adicionais, as mensagens de encaminhamento dirigem-se aos membros do Congresso
Nacional, e os respectivos ofícios são endereçados ao Primeiro-Secretário do Senado Federal. A razão
é que o art. 166 da Constituição impõe a deliberação congressual em sessão conjunta, mais
precisamente, “na forma do regimento comum”. E, à frente da Mesa do Congresso Nacional, está o
Presidente do Senado Federal (Constituição, art. 57, § 5o), que comanda as sessões conjuntas.

b) Encaminhamento de medida provisória:

Para dar cumprimento ao disposto no art. 62 da Constituição, o Presidente da República encaminha


Mensagem ao Congresso, dirigida a seus Membros, com ofício para o Primeiro- Secretário do Senado
Federal, juntando cópia da medida provisória.

c) Indicação de autoridades:

As mensagens que submetem ao Senado Federal a indicação de pessoas para ocuparem


determinados cargos (magistrados dos tribunais superiores, ministros do Tribunal de Contas da União,
presidentes e diretores do Banco Central, Procurador-Geral da República, chefes de missão diplomática,
diretores e conselheiros de agências etc.) têm em vista que a Constituição, incisos III e IV do caput do
art. 52, atribui àquela Casa do Congresso Nacional competência privativa para aprovar a indicação.
O curriculum vitae do indicado, assinado, com a informação do número de Cadastro de Pessoa Física,
acompanha a mensagem.

d) Pedido de autorização para o Presidente ou o Vice-Presidente da República se ausentarem do país


por mais de 15 dias:

Trata-se de exigência constitucional (Constituição, art. 49, caput, inciso III e art. 83), e a autorização é
da competência privativa do Congresso Nacional. O Presidente da República, tradicionalmente, por
cortesia, quando a ausência é por prazo inferior a 15 dias, faz uma comunicação a cada Casa do
Congresso, enviando-lhes mensagens idênticas.

e) Encaminhamento de atos de concessão e de renovação de concessão de emissoras de rádio e TV:

A obrigação de submeter tais atos à apreciação do Congresso Nacional consta no inciso XII do caput
do art. 49 da Constituição. Somente produzirão efeitos legais a outorga ou a renovação da concessão
após deliberação do Congresso Nacional (Constituição, art. 223, § 3o). Descabe pedir na mensagem a
urgência prevista na Constituição, art. 64, uma vez que o § 1o do art. 223 já define o prazo da tramitação.
Além do ato de outorga ou renovação, acompanha a mensagem o correspondente processo
administrativo.

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f) Encaminhamento das contas referentes ao exercício anterior:

O Presidente da República tem o prazo de 60 dias após a abertura da sessão legislativa para enviar
ao Congresso Nacional as contas referentes ao exercício anterior (Constituição, art. 84, caput, inciso
XXIV), para exame e parecer da Comissão Mista permanente (Constituição, art. 166,
§ 1o), sob pena de a Câmara dos Deputados realizar a tomada de contas (Constituição, art. 51,
caput, inciso II) em procedimento disciplinado no art. 215 do seu Regimento Interno.

g) Mensagem de abertura da sessão legislativa:

Deve conter o plano de governo, exposição sobre a situação do País e a solicitação de providências
que julgar necessárias (Constituição, art. 84, inciso XI). O portador da mensagem é o Chefe da Casa Civil
da Presidência da República. Esta mensagem difere das demais, porque vai encadernada e é distribuída
a todos os congressistas em forma de livro.

h) Comunicação de sanção (com restituição de autógrafos):

Esta mensagem é dirigida aos Membros do Congresso Nacional, encaminhada por ofício ao Primeiro-
Secretário da Casa onde se originaram os autógrafos. Nela se informa o número que tomou a lei e se
restituem dois exemplares dos três autógrafos recebidos, nos quais o Presidente da República terá aposto
o despacho de sanção.

i) Comunicação de veto:

Dirigida ao Presidente do Senado Federal (Constituição, art. 66, § 1º), a mensagem informa sobre a
decisão de vetar, se o veto é parcial, quais as disposições vetadas, e as razões do veto. Seu texto é
publicado na íntegra no Diário Oficial da União, ao contrário das demais mensagens, cuja publicação se
restringe à notícia do seu envio ao Poder Legislativo.

j) Outras mensagens remetidas ao Legislativo:

• Apreciação de intervenção federal (Constituição, art. 36, § 2º).


• Encaminhamento de atos internacionais que acarretam encargos ou compromissos gravosos
(Constituição, art. 49, caput, inciso I);
• Pedido de estabelecimento de alíquotas aplicáveis às operações e prestações
interestaduais e de exportação (Constituição, art. 155, § 2o, inciso IV);
• Proposta de fixação de limites globais para o montante da dívida consolidada (Constituição, art. 52,
caput, inciso VI);
• Pedido de autorização para operações financeiras externas (Constituição, art. 52, caput,
inciso V);
• Convocação extraordinária do Congresso Nacional (Constituição, art. 57, § 6o);
• Pedido de autorização para exonerar o Procurador-Geral da República (Constituição, art. 52, inciso
XI, e art. 128, § 2o);
• Pedido de autorização para declarar guerra e decretar mobilização nacional (Constituição, art. 84,
inciso XIX);
• Pedido de autorização ou referendo para celebrar a paz (Constituição, art. 84, inciso XX);
• Justificativa para decretação do estado de defesa ou de sua prorrogação (Constituição, art. 136, §
4o);
• Pedido de autorização para decretar o estado de sítio (Constituição, art. 137);
• Relato das medidas praticadas na vigência do estado de sítio ou de defesa (Constituição, art. 141,
parágrafo único);
• Proposta de modificação de projetos de leis que compreendem plano plurianual, diretrizes
orçamentárias, orçamentos anuais e créditos adicionais (Constituição, art. 166, § 5o);
• Pedido de autorização para utilizar recursos que ficarem sem despesas correspondentes, em
decorrência de veto, emenda ou rejeição do projeto de lei orçamentária anual (Constituição, art. 166, §
8o);
• Pedido de autorização para alienar ou conceder terras públicas com área superior a 2.500 ha
(Constituição, art. 188, § 1º).

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6.3.2 Forma e estrutura

As mensagens contêm:
a) brasão: timbre em relevo branco
b) identificação do expediente: MENSAGEM No, alinhada à margem esquerda, no início do texto;
c) vocativo: alinhado à margem esquerda, de acordo com o pronome de tratamento e o cargo do
destinatário, com o recuo de parágrafo dado ao texto;
d) texto: iniciado a 2 cm do vocativo; e
e) local e data: posicionados a 2 cm do final do texto, alinhados à margem direita.

A mensagem, como os demais atos assinados pelo Presidente da República, não traz identificação de
seu signatário.

Exemplo de mensagem:

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6.4 Correio eletrônico (e-mail)

6.4.1 Definição e finalidade

A utilização do e-mail para a comunicação tornou-se prática comum, não só em âmbito privado, mas
também na administração pública. O termo e-mail pode ser empregado com três sentidos. Dependendo
do contexto, pode significar gênero textual, endereço eletrônico ou sistema de transmissão de mensagem
eletrônica.
Como gênero textual, o e-mail pode ser considerado um documento oficial, assim como o ofício.
Portanto, deve-se evitar o uso de linguagem incompatível com uma comunicação oficial.
Como endereço eletrônico utilizado pelos servidores públicos, o e-mail deve ser oficial, utilizando-se a
extensão “.gov.br”, por exemplo.
Como sistema de transmissão de mensagens eletrônicas, por seu baixo custo e celeridade,
transformou-se na principal forma de envio e recebimento de documentos na administração pública.

6.4.2 Valor documental

Nos termos da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001, para que o e-mail tenha valor
documental, isto é, para que possa ser aceito como documento original, é necessário existir certificação
digital que ateste a identidade do remetente, segundo os parâmetros de integridade, autenticidade e
validade jurídica da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira – ICP- Brasil.
O destinatário poderá reconhecer como válido o e-mail sem certificação digital ou com certificação
digital fora ICP-Brasil; contudo, caso haja questionamento, será obrigatório a repetição do ato por meio
documento físico assinado ou por meio eletrônico reconhecido pela ICP-Brasil.
Salvo lei específica, não é dado ao ente público impor a aceitação de documento eletrônico que não
atenda os parâmetros da ICP-Brasil.

6.4.3 Forma e estrutura

Um dos atrativos de comunicação por correio eletrônico é sua flexibilidade. Assim, não interessa definir
padronização da mensagem comunicada. No entanto, devem-se observar algumas orientações quanto à
sua estrutura.

6.4.3.1 Campo “Assunto”

O assunto deve ser o mais claro e específico possível, relacionado ao conteúdo global da mensagem.
Assim, quem irá receber a mensagem identificará rapidamente do que se trata; quem a envia poderá,
posteriormente, localizar a mensagem na caixa do correio eletrônico.
Deve-se assegurar que o assunto reflita claramente o conteúdo completo da mensagem para que não
pareça, ao receptor, que se trata de mensagem não solicitada/lixo eletrônico. Em vez de “Reunião”, um
assunto mais preciso seria “Agendamento de reunião sobre a Reforma da Previdência”.

6.4.3.2 Local e data

São desnecessários no corpo da mensagem, uma vez que o próprio sistema apresenta essa
informação.

6.4.3.3 Saudação inicial/vocativo

O texto dos correios eletrônicos deve ser iniciado por uma saudação. Quando endereçado para outras
instituições, para receptores desconhecidos ou para particulares, deve-se utilizar o vocativo conforme os
demais documentos oficiais, ou seja, “Senhor” ou “Senhora”, seguido do cargo respectivo, ou “Prezado
Senhor”, “Prezada Senhora”.

Exemplos:
Senhor Coordenador,
Prezada Senhora,

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184
6.4.3.4 Fecho

Atenciosamente é o fecho padrão em comunicações oficiais. Com o uso do e-mail, popularizou-se o


uso de abreviações como “Att.”, e de outros fechos, como “Abraços”, “Saudações”, que, apesar de
amplamente usados, não são fechos oficiais e, portanto, não devem ser utilizados em e-mails
profissionais.
O correio eletrônico, em algumas situações, aceita uma saudação inicial e um fecho menos formais.
No entanto, a linguagem do texto dos correios eletrônicos deve ser formal, como a que se usaria em
qualquer outro documento oficial.

6.4.3.5 Bloco de texto da assinatura

Sugere-se que todas as instituições da administração pública adotem um padrão de texto de


assinatura. A assinatura do e-mail deve conter o nome completo, o cargo, a unidade, o órgão e o telefone
do remetente.

Exemplo:
Maria da Silva Assessora
Subchefia para Assuntos Jurídicos da Casa Civil
(61)XXXX-XXXX

6.4.4 Anexos

A possibilidade de anexar documentos, planilhas e imagens de diversos formatos é uma das vantagens
do e-mail. A mensagem que encaminha algum arquivo deve trazer informações mínimas sobre o conteúdo
do anexo.
Antes de enviar um anexo, é preciso avaliar se ele é realmente indispensável e se seria possível
colocá-lo no corpo do correio eletrônico.
Deve-se evitar o tamanho excessivo e o reencaminhamento de anexos nas mensagens de resposta.
Os arquivos anexados devem estar em formatos usuais e que apresentem poucos riscos de
segurança. Quando se tratar de documento ainda em discussão, os arquivos devem, necessariamente,
ser enviados, em formato que possa ser editado.

6.4.5 Recomendações

- Sempre que necessário, deve-se utilizar recurso de confirmação de leitura. Caso não esteja
disponível, deve constar da mensagem pedido de confirmação de recebimento;
- Apesar da imensa lista de fontes disponíveis nos computadores, mantêm-se a recomendação de tipo
de fonte, tamanho e cor dos documentos oficiais: Calibri ou Carlito, tamanho 12, cor preta;
- Fundo ou papéis de parede eletrônicos não devem ser utilizados, pois não são apropriados
para mensagens profissionais, além de sobrecarregar o tamanho da mensagem eletrônica;
- A mensagem do correio eletrônico deve ser revisada com o mesmo cuidado com que se revisam
outros documentos oficiais;
- O texto profissional dispensa manifestações emocionais. Por isso, ícones e emoticons não devem
ser utilizados;
- Os textos das mensagens eletrônicas não podem ser redigidos com abreviações como “vc”, “pq”,
usuais das conversas na internet, ou neologismos, como “naum”, “eh”, “aki”;
- Não se deve utilizar texto em caixa alta para destaques de palavras ou trechos da mensagem pois
denota agressividade de parte do emissor da comunicação.
- Evite-se o uso de imagens no corpo do e-mail, inclusive das Armas da República Federativa do Brasil
e de logotipos do ente público junto ao texto da assinatura.
- Não devem ser remetidas mensagem com tamanho total que possa exceder a capacidade do servidor
do destinatário.

Já que estamos falando sobre correspondências oficiais, é interessante conhecer o Decreto Nº


9.758, que modificou algumas formas de tratamento e de endereçamento nas comunicações com
agentes públicos da administração pública federal.

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DECRETO Nº 9.758, DE 11 DE ABRIL DE 201948

Dispõe sobre a forma de tratamento e de endereçamento nas comunicações com agentes públicos da
administração pública federal.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, caput , inciso VI,
alínea “a”, da Constituição,

DECRETA:

Objeto e âmbito de aplicação

Art. 1º Este Decreto dispõe sobre a forma de tratamento empregada na comunicação, oral ou escrita,
com agentes públicos da administração pública federal direta e indireta, e sobre a forma de
endereçamento de comunicações escritas a eles dirigidas.
§ 1º O disposto neste Decreto aplica-se às cerimônias das quais o agente público federal participe.
§ 2º Aplica-se o disposto neste Decreto:
I - aos servidores públicos ocupantes de cargo efetivo;
II - aos militares das Forças Armadas ou das forças auxiliares;
III - aos empregados públicos;
IV - ao pessoal temporário;
V - aos empregados, aos conselheiros, aos diretores e aos presidentes de empresas públicas e
sociedades de economia mista;
VI - aos empregados terceirizados que exercem atividades diretamente para os entes da administração
pública federal;
VII - aos ocupantes de cargos em comissão e de funções de confiança;
VIII - às autoridades públicas de qualquer nível hierárquico, incluídos os Ministros de Estado; e
IX - ao Vice-Presidente e ao Presidente da República.
§ 3º Este Decreto não se aplica:
I - às comunicações entre agentes públicos federais e autoridades estrangeiras ou de organismos
internacionais; e
II - às comunicações entre agentes públicos da administração pública federal e agentes públicos do
Poder Judiciário, do Poder Legislativo, do Tribunal de Contas, da Defensoria Pública, do Ministério Público
ou de outros entes federativos, na hipótese de exigência de tratamento especial pela outra parte, com
base em norma aplicável ao órgão, à entidade ou aos ocupantes dos cargos.

Pronome de tratamento adequado

Art. 2º O único pronome de tratamento utilizado na comunicação com agentes públicos federais é
“senhor”, independentemente do nível hierárquico, da natureza do cargo ou da função ou da ocasião.

Parágrafo único. O pronome de tratamento é flexionado para o feminino e para o plural.

Formas de tratamento vedadas

Art. 3º É vedado na comunicação com agentes públicos federais o uso das formas de tratamento,
ainda que abreviadas:
I - Vossa Excelência ou Excelentíssimo;
II - Vossa Senhoria;
III - Vossa Magnificência;
IV - doutor;
V - ilustre ou ilustríssimo;
VI - digno ou digníssimo; e
VII - respeitável.

48
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2019/decreto/D9758.htm. Acesso em: 02/08/2019.

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§ 1º O agente público federal que exigir o uso dos pronomes de tratamento de que trata o caput ,
mediante invocação de normas especiais referentes ao cargo ou carreira, deverá tratar o interlocutor do
mesmo modo.
§ 2º É vedado negar a realização de ato administrativo ou admoestar o interlocutor nos autos do
expediente caso haja erro na forma de tratamento empregada.

Endereçamento de comunicações

Art. 4º O endereçamento das comunicações dirigidas a agentes públicos federais não conterá
pronome de tratamento ou o nome do agente público.
Parágrafo único. Poderão constar o pronome de tratamento, na forma deste Decreto, e o nome do
destinatário nas hipóteses de:
I - a mera indicação do cargo ou da função e do setor da administração ser insuficiente para a
identificação do destinatário; ou
II - a correspondência ser dirigida à pessoa de agente público específico.

Vigência

Art. 5º Este Decreto entra em vigor em 1º de maio de 2019.

Brasília, 11 de abril de 2019; 198º da Independência e 131º da República.

JAIR MESSIAS BOLSONARO


Marcelo Pacheco dos Guarany

Questões

01. (AGU - Técnico em Comunicação Social - IDECAN/2019)


No que tange à clareza dos textos oficiais, com base no que orienta o Manual de redação da
Presidência da República, não é correto afirmar que
(A) se pode definir como claro aquele texto que possibilita imediata compreensão pelo leitor. No
entanto, a clareza não é algo que se atinja por si só: ela depende estritamente das demais características
da redação oficial.
(B) o esforço de ser conciso atende, basicamente, ao princípio de economia linguística, à mencionada
fórmula de empregar o mínimo de palavras para informar o máximo. Não se deve de forma alguma
entendê-la como economia de pensamento, isto é, não se devem eliminar passagens substanciais do
texto no afã de reduzi-lo em tamanho. Trata-se exclusivamente de cortar palavras inúteis, redundâncias,
passagens que nada acrescentem ao que já foi dito.
(C) para ela concorrem também a impessoalidade, que evita a duplicidade de interpretações que
poderia decorrer de um tratamento personalista dado ao texto; e o uso do padrão culto de linguagem, em
princípio, de entendimento geral e por definição avesso a vocábulos de circulação restrita, como a gíria e
o jargão.
(D) na revisão de um expediente, deve-se avaliar se ele será de fácil compreensão por seu destinatário.
O objetivo é levar o destinatário a pesquisar o sentido que foi dado ao texto por terceiros, uma vez que
quem o produz não tem condições de explicitar todas as ideias, por se tratar de assuntos sempre técnicos,
que exigem linguagem própria.
(E) a revisão atenta exige, necessariamente, tempo. A pressa com que são elaboradas certas
comunicações quase sempre compromete sua clareza. Não se deve proceder à redação de um texto que
não seja seguida por sua revisão. Evite-se, pois, o atraso, com sua indesejável repercussão no redigir.

02. (Câmara de Serrana/SP - Analista Legislativo - VUNESP/2019) De acordo com o Manual de


Redação da Presidência da República, os textos oficiais “por seu caráter impessoal, por sua finalidade de
informar com o máximo de clareza e concisão, requerem o uso do padrão culto da língua”. Tal preceito
está corretamente preservado em:
(A) Encaminhamos a Vossa Senhoria todos os documentos relativos ao processo, para vossa análise
das principais questões ali presente.
(B) A maioria dos documentos encaminhado já foram protocoladas na semana passada, mas ainda
existem alguns que fogem a essa condição.

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(C) Em relação às cópias anexas, cumpre frisar que se trata de uma amostra representativa, adequada
para esse primeiro momento de análise.
(D) Todos os documentos solicitados foram encaminhados, embora tenha faltado dois que seriam
básicos para consolidar o relatório do departamento.
(E) Por haverem questões ainda controversas quanto aos documentos, deixamos eles sob os cuidados
dos advogados do setor para que sejam melhor analisados.

03. (AGU - Administrador - IDECAN/2019) No que tange à linguagem dos atos normativos, com base
no que orienta o Manual de redação da Presidência da República, é correto afirmar que
(A) as comunicações que partem dos órgãos públicos federais devem ser compreendidas por todo e
qualquer cidadão brasileiro. Para atingir esse objetivo, há que evitar o uso de uma linguagem restrita a
determinados grupos. Não há dúvida de que um texto marcado por expressões de circulação restrita,
como a gíria, os regionalismos vocabulares, tem sua compreensão dificultada. Entretanto, abre-se
exceção para os jargões técnicos, inerentes ao assunto abordado.
(B) o padrão culto nada tem contra a simplicidade de expressão, desde que não seja confundida com
pobreza de expressão. Caso se considere um caminho para a pobreza de linguagem, o uso do padrão
culto possibilita, com reservas, o emprego de linguagem rebuscada, mas não de contorcionismos
sintáticos e figuras de linguagem próprios da língua literária.
(C) se deve buscar, em nome da uniformidade, um “padrão oficial de linguagem”, com uso do padrão
culto nos atos e comunicações oficiais. É claro que haverá preferência pelo uso de determinadas
expressões, ou será obedecida certa tradição no emprego das formas sintáticas, e isso implica,
necessariamente, que se consagre a utilização de uma forma de linguagem burocrática.
(D) a linguagem técnica deve ser empregada apenas em situações que a exijam, sendo de evitar o
seu uso indiscriminado. Certos rebuscamentos acadêmicos, e mesmo o vocabulário próprio a
determinada área, são de difícil entendimento por quem não esteja com eles familiarizado. Deve-se ter o
cuidado, portanto, de explicitá-los em comunicações encaminhadas a outros órgãos da administração e
em expedientes dirigidos aos cidadãos.
(E) a necessidade de empregar determinado nível de linguagem nos atos e expedientes oficiais
decorre do próprio caráter público desses atos e comunicações. Em relação à sua finalidade, os atos
oficiais estabelecem regras para a conduta dos cidadãos e regulam o funcionamento dos órgãos públicos,
o que só é alcançado se for empregada a linguagem técnica adequada própria do órgão regulador.

Gabarito

01. D / 02. C / 03. D

Comentários

01. Resposta: D
O Manual de redação da Presidência da República diz que, na revisão de um expediente, é preciso
avaliar se a linguagem utilizada ficou clara para o destinatário, pois nem todos possuem o conhecimento
técnico necessário sobre determinado assunto. “Na revisão de um expediente, deve-se avaliar se ele será
de fácil compreensão por seu destinatário. O que nos parece óbvio pode ser desconhecido por terceiros.
O domínio que adquirimos sobre certos assuntos, em decorrência de nossa experiência profissional,
muitas vezes, faz com que os tomemos como de conhecimento geral, o que nem sempre é verdade.
Explicite, desenvolva, esclareça, precise os termos técnicos, o significado das siglas e das abreviações
e os conceitos específicos que não possam ser dispensados”.

02. Resposta: C
A) Errado. ''Para vossa análise ...'' nesse caso, a concordância deveria ter sido feita na 3ª Pessoa, ou
seja, ''sua análise ...'', uma vez que pronomes de tratamento levam a concordância para a 3ª Pessoa .
B) Errado. ''Encaminhado'' deveria concordar com seu referente ''documentos'', plural.
C) Correto.
D) Errado. Erro de concordância de ''tenha faltado'' com seu sujeito ''dois que seriam ...''. O correto
seria “tenham faltado”.
E) Errado. Erro de concordância do verbo ''haver'', que, no sentido de existir, é impessoal, ficando na
3ª Pessoa do singular.

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03. Resposta: D
O Manual diz:
Para a obtenção de clareza, sugere-se:
a) utilizar palavras e expressões simples, em seu sentido comum, salvo quando o texto versar sobre
assunto técnico, hipótese em que se utilizará nomenclatura própria da área;
b) usar frases curtas, bem estruturadas; apresentar as orações na ordem direta e evitar intercalações
excessivas. Em certas ocasiões, para evitar ambiguidade, sugere-se a adoção da ordem inversa da
oração;
c) buscar a uniformidade do tempo verbal em todo o texto;
d) não utilizar regionalismos e neologismos;
e) pontuar adequadamente o texto;
f) explicitar o significado da sigla na primeira referência a ela; e
g) utilizar palavras e expressões em outro idioma apenas quando indispensáveis, em razão de serem
designações ou expressões de uso já consagrado ou de não terem exata tradução. Nesse caso, grafe-as
em itálico, conforme orientações do subitem 10.2 deste Manual.

Apostila gerada especialmente para: Beatriz de Jesus de Oliveira Barros 028.993.602-05


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