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PROCESSOS E MÉTODOS DE MOBILIZAÇÃO DO SOLO

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Processos de Mobilização do Solo

Objetivos

•Aumentar a profundidade do solo

•Aumentar a capacidade de retenção de água

•Facilitar o arejamento

•Facilitar a absorção de elementos nutrientes pelas raízes

•Facilitar o desenvolvimento das raízes tanto em


profundidade como de raízes finas superficiais (absorção
de nutrientes)

•Melhorar as condições de infiltração

•Reduzir o escoamento superficial

•Reduzir a erosão do solo

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Processos de Mobilização do Solo

Operações Manuais

–Abertura de covas ou covachos


• Remoção localizada do terreno

–Equipamento

• Enxadas, picaretas ou pequeno sacho

–Preparação por pontos predefinidos

• Covas variam entre 30x30x30 e 40x40X30-40 cm

• Covachos-abertura de buracos de < dimensões (sementeira de pinheiro


bravo e sobreiro)

–Utilização

• Terrenos onde não é possível a mecanização

• Declive(> 35%) - terraços ou manual

•Pedregosidade elevada (muita rocha)

• Afloramentos rochosos

• Áreas de proteção (ex. linhas de água), conservação e regeneração

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Operações Mecanizadas
• Lavouras, Gradagens, Escarificações e Fresagens

- Lavoura
A lavoura consiste no reviramento, mais ou menos completo, de uma leiva de largura e
de profundidade variáveis.
Os objetivos que se pretendem alcançar com a lavoura são múltiplos e variados de que
se destacam:
- aumento da porosidade do solo e destruição de uma parte dos torrões de
grandes dimensões, com eventuais consequências nos movimentos da água e na
capacidade de retenção do solo;
- destruição e enterramento de infestantes;
- enterramento de estrume, de adubos e, por vezes, de sementes.

Em teoria, corta-se uma leiva de secção retangular ABCD e vira-se para uma posição
A’B’C’D’, variável com a relação entre a largura e a profundidade.

1- terra crua 2 – leiva 3 – rego 4 – parede do rego

5 – fundo do rego 6 – aresta da leiva

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- ALFAIAS PARA REALIZAR LAVOURAS
As alfaias de preparação do terreno que efetuam a lavoura são designadas
por charruas. As charruas classificam-se, segundo a natureza das suas peças
ativas e do tipo de trabalho que podem efetuar, em três grandes grupos:
charruas de aivecas, charruas de discos e charruas especiais.

CHARRUAS DE AIVECAS

O corpo é um conjunto formado pelas peças ativas – relha e aiveca – e


pelas peças de suporte – cepo e chapa de encosto, necessários para abrir
um único rego.

1 – cepo 2 – chapa de encosto 3 – calcanhar 4 – relha

5 – aiveca 6 – rabo da aiveca

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Uma charrua pode ter vários ferros, isto é, pode ter vários conjuntos de
peças que lhe permitem realizar vários regos em cada passagem.

Charrua de três ferros

1 – apo 2 – teiró 3 – relha 4 – formão 5 – aiveca

6 – raspa da aiveca

Charrua reversível

Esta categoria engloba todas as charruas de corpos duplos (direitos e


esquerdos) montados num apo ou num quadro comum.

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Os corpos podem aparecer em duas posições: a 180º, nas charruas de meia
volta e a 90º nas charruas de um quarto de volta.

Charrua de um ferro
reversível a 180º, montada.
(neste caso a reversão pode
ser automática ou
semiautomática).

1 – Alavanca de reversão semiautomática.

Charrua de dois ferros


reversível a 180º, montada.
(neste caso a reversão pode
ser automática ou manual).

1 – reversão manual 2 – reversão automática

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Charrua de um ferro
reversível a 90º, montada.
(neste caso a reversão é
automática).

CHARRUAS DE DISCOS

O conjunto das peças ativas de uma charrua de aivecas é aqui substituído


por um disco, montado individualmente, com dupla obliquidade e que tem,
também, como objetivo, cortar a terra e fazer o seu reviramento.

I – vista horizontal; II- – vista vertical III – vista de perfil

1 – ângulo de ataque 2 – ângulo de inclinação 3 – direção de avanço

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Charrua de discos fixos

Os discos voltam a terra para um só lado pelo que, estas charruas apenas
podem fazer lavouras á volta.

1 – roda de guia 2 – apo 3 – raspadeira 4 –disco

5 – espera de descanso

Charrua de discos reversíveis

As charruas deste tipo funcionam, na maioria dos casos nacionais, através


da rotação do teiró em torno de um eixo.

1 – alavanca de reversão

2 – cabeçote do 3º ponto

3 – raspadeira 4 – disco 5 – roda de guia 6 – leme da roda de guia

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CHARRUAS ESPECIAIS

Charruas de conceção original que se destinam à lavoura visando objetivos


específicos bem definidos.

Charruas vinhateiras

Charrua composta por um número múltiplo de corpos (direitos e esquerdos)


montados num quadro extensível que permite a adaptação a vinhas com
diferentes distâncias entrelinhas.

A simples troca dos corpos esquerdos e direitos permite efetuar lavouras de


escava ou de amontoa consoante as necessidades da cultura.

Quando se realiza a amontoa utiliza-se um corpo duplo – derregador - que


deixa um rego central; na escava, o derregador não se aplica pelo que fica
colocado em posição frontal.

1 – quadro extensível

2 – engate com dispositivo de


levantamento na vertical

3 – corpos direitos

4 – derregador

5 – corpos esquerdos

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Charrua em posição de escava Esquema do trabalho realizado
por um charrua na escava com
uma só passagem

Charrua em posição de amontoa Esquema do trabalho realizado


por um charrua na amontoa
com uma só passagem

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Levantamento na vertical – com o
objetivo de reduzir o raio de
viragem nas cabeceiras existem
sistemas de levantamento vertical
hidráulico.

Derregadores

São alfaias que possuem um a três corpos de forma a executarem um a três


regos. Cada corpo pode-se considerar como uma junção de um corpo
esquerdo com um corpo direito de uma charrua, movimentando a terra para
a esquerda e para a direita de forma a efetuar leiras ou camalhões deixando
um rego entre eles.

Derregador de três corpos regulável

1 – Corpo derregador

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GRADAGENS

As grades mais comuns são as de dentes e as de discos.

Destinam-se essencialmente a trabalhar a zona mais superficial do solo


destruindo infestantes, fazendo o destorroamento e preparando a cama de
sementeira.

GRADE DE DENTES

Alfaias para mobilização a pequena profundidade (até 5cm) tendo como


órgãos ativos dentes de diversa configuração.

Destinam-se principalmente à destruição de torrões e nivelamento do


terreno. Fazem também a destruição das infestantes na camada superficial
do solo (entre 3 e 5 cm) e dos detritos vegetais trazidos para a superfície
nas operações culturais anteriores.

GRADE EM Z

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GRADE MALEÁVEL

Grade sem quadro definido formada por elementos articulados, ligados


entre si, formando um verdadeiro tapete maleável.

1 – pormenor do dente flexível.

GRADE DE DENTES EM MOLA (VIBROCULTOR) COM GRADE DE


GAIOLAS ROLANTES

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GRADES DE DISCO

Têm como órgãos ativos discos semelhantes aos da charrua de discos mas,
normalmente mais pequenos. Existem, no entanto, algumas grades pesadas
equipadas com discos que podem chegar aos 91,5 cm.

Existem discos de rebordo liso e de rebordo recortado. Os discos de


rebordo recortado rompem melhor a superfície dura do terreno e facilitam o
corte e o enterramento de resíduos vegetais.

Por vezes as grades são equipadas com discos recortados à frente e lisos
atrás.

GRADE SIMPLES

GRADE DE QUATRO CORPOS EM X

1 – linha de tração

2 – componentes representantes

das forças que se opõem ao

deslocamento dos discos.

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GRADE DESCENTRADA OU TIPO “OFFSET”

Composta por dois corpos dispostos em V que mobilizam o solo na mesma


faixa de terra. Assim o terreno é mobilizado duas vezes a cada passagem.

1 – ângulo de ataque (discos da frente)

2 – linha de tração

3 – componentes das forças que se

opõem ao deslocamento

4 – ponto de encontro da resultante

das forças que se opões ao deslocamento

5 – ângulo de ataque dos eixos traseiros

6 – perpendicular à linha de tração

GRADE LIGEIRA

Por convenção, designam-se grades ligeiras àquelas cujo peso por disco
não exceda os 50kg. Possuem entre 14 e 22 discos com dimensões que
podem ir das 18’’ às 24’’.

1 – quadro central
2 – corpo traseiro
3 – raspadeira
4 – disco liso
5 – disco recortado
6 – corpo dianteiro

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GRADE PESADA
Têm um peso por disco superior a 100kg e são, normalmente, rebocadas.

1 – caixa de pesos

2 – quadro

3 – corpo dianteiro

4 – lança de reboque

5 – corpo traseiro

GRADE SEMIPESADA

Com um peso por disco entre os 50 e os 100kg.

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ESCARIFICADORES

Dá-se este nome a um conjunto de alfaias, mais ou menos pesadas,


compostas por um quadro retangular ou por uma simples barra a que se fixa
um conjunto de braços ou dentes, rígidos ou flexíveis que terminam em
ferros ou bicos de vários tipos. Localmente esta alfaia é conhecida por
gadanha e realiza trabalhos que permitem:

- mobilizar o terreno sem reviramento a profundidades que podem chegar


aos 25cm fazendo a fragmentação do solo;

- combater as infestantes;

- fazer com que elementos mais duros e volumosos como torrões ou pedras
subam à superfície.

Os escarificadores distinguem-se segundo a natureza dos dentes e bicos que


os equipam.

ESCARIFICADOR DE DENTES ARTICULADOS DE MOLAS


DUPLAS

É o mais utilizado em Portugal. As molas funcionam como segurança para


o caso de se encontrar algum obstáculo.

1 – Quadro

2 – molas

3 – dente ou braço

4 - bico

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ESCARIFICADOR DE DENTES QUADRADOS DE DUPLA VOLTA

Os dentes são em barra de secção quadrada e têm flexibilidade limitada.

1 – Dente ou braço

2 – barra

3 - bico

ESCARIFICADOR PESADO, “CHISEL”

Destinado a mobilizações profundas e, o mais comum, possui dentes


rígidos.

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FRESA

Alfaia composta por um rotor de uma ou mais velocidades, acionado pela


tdf.

O rotor consiste num veio horizontal munido de facas que podem ter
diversas configurações e que atacam o terreno num largura que pode variar
entre os 80cm e os 3m.

FRESA AXIAL ou SIMÉTRICA

Fica alinhada com o eixo longitudinal do trator. Para evitar que o terreno
fresado seja compactado é necessário que a fresa tenha uma largura de
trabalho superior à largura do rodado do trator.

1 – Avental 4 – veio de cardans

2 – capot 5 – veio

3 – roda reguladora de 6 – falange


profundidade
7 - faca

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FRESA AXIAL DE QUATRO VELOCIDADES

1 – transmissão lateral

2 – caixa de velocidades

3 – capot

4 – corrente de afinação
do avental

5 – avental

6 – patim de regulação de
profundidade

FRESA DESCENTRADA

Permite trabalhar mais próximo das culturas de maior desenvolvimento


vegetativo, por exemplo, debaixo de árvores de copa baixa. Tem ainda a
vantagem de cobrir o rasto do trator de um dos lados.

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