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Por que economizar tanto para quando

você car velho?


By Guilherme, valoresreais.com
Agosto 19º, 2018

Economizar dinheiro.

Um verbo (“economizar”) e um substantivo (“dinheiro”) que, quando


associados, causam reações emocionais muito díspares em diferentes
pessoas.

Alguns desdenham. Outros se preocupam. Mas a verdade é que a maioria


não está nem aí para o seu signi cado. A maioria prefere gastar, hoje, aqui, e
agora.

No amplo universo de pessoas que precisam de educação nanceira, um


grupo ao qual o blog tem seu preocupado ultimamente é o público dos
jovens, constituído por aquele segmento de pessoas que ainda têm décadas à
frente de trabalho e de vida para desfrutar.

As pessoas jovens, tirando honrosas exceções, geralmente são as quem


menos se preocupam com o futuro, por uma razão até meio lógica: o futuro
tá muito distante.

Imagine um sujeito nos seus 21 anos de idade. Praticamente um millenial. Ele


vai car velho quando? Ele vai se aposentar quando?

Se tomarmos como métrica de referência de idade de aposentadoria aquela


idade padronizada dos 65 anos, esse sujeito só irá se aposentar em 2062.
Dois mil e sessenta e dois!
Como o futuro dele tá muito longe, ele logo pensaria: “pra quê gastar meu
tempo me preocupando agora com algo que só irá ocorrer pra lá da metade
da década?”

É difícil mesmo imagina como estará o Brasil, como estará o mundo, em que
pé estarão as coisas, lá em 2062. É tempo pra caramba.

Mas é preciso se preparar para o futuro – principalmente os jovens.

O texto de hoje, portanto, é especialmente dirigido aos leitores que


compõem o público jovem do blog – pessoas na casa dos seus vinte e
poucos anos (ou até menos), que estão prestes a ingressar – ou já estão
ingressados – no mercado de trabalho, que provavelmente vão comemorar o
Reveillon da virada do ano de 2099 para o ano 2100 e que precisam,
portanto, de dinheiro (além de saúde, óbvio) para viverem bem essa fase da
vida deles.

Muitos desses jovens devem ler matérias como as postadas nesse e em


outros blogs, que enfatizam virtudes, valores e metas tais como frugalidade,
contenção de gastos, investimentos, e independência nanceira, e
provavelmente também devem se perguntar “se isso é para eles”. Mais
especi camente, devem se perguntar: “por que economizar tanto para quando
eu car velho?”
Muitos desses jovens são talentosos, e esforçados em suas pro ssões, e
certamente cam se indagando qual é o sentido de fazer uma poupança
privada para o futuro, considerando que a empresa paga tão bem, ou que a
aposentadoria pública (se for um concursado) dará conta do recado.

Pior: boa parte deles vivem imersos num ambiente perverso movido a
aparência, massagem do ego próprio e futilidades, sendo rodeados por
pessoas que, assim que recebem um aumento de salário ou um bônus, em
vez de poupar e investir para quando car velho, logo estacionam seu Jeep
Compass de R$ 150 mil na garagem ao lado (se fosse em 1994 seria um
veículo Corsa comprado por R$ 9 mil), veículo esse na maioria das vezes
comprado nanciado em mais de 60 parcelas com juros estratosféricos. E se
perguntam: “por que eu não faço isso também?” A nal de contas, “eu
também acabei de receber meu bônus salarial”.

Abaixo enumerarei alguns bons motivos que justi cam uma atitude
orientada à formação de reservas para o longo prazo.

O futuro não é garantido


A vida é cheia de incertezas. Aliás, uma das características mais marcantes
da vida de qualquer ser humano é justamente o fator aleatório.

Nada garante que você consiga se manter em seu emprego atual até 2062.
Muitas coisas podem acontecer no meio do caminho.

Mas a incerteza não diz respeito apenas ao trabalho. A incerteza atinge


muitas outras facetas da vida moderna. A sua saúde, por exemplo, é uma
dessas facetas.

Por mais que você se cuide, faça exercícios físicos, siga uma dieta rigorosa, e
não fume e não beba, nada garante que outros fatores endógenos ou
exógenos desequilibrem seu organismo, fazendo-o paciente de uma UTI ou
dependente de um tratamento extremamente caro e custoso.
E aí, vai fazer como para bancar esses gastos, se não houver dinheiro e
outras formas de proteção nanceira para a sua vida?

É justamente pelo fato de o futuro ser uma página em branco, cujo controle
não está totalmente nas suas mãos, é que você precisa de suporte nanceiro
para enfrentá-lo. Ter reservas nanceiras lhe dá não apenas escudo forte
diante de imprevistos, mas também te abre um leque de opções que, sem
dinheiro, seria simplesmente impossível de obter.

Poder trabalhar menos, com mais qualidade de vida –


ou até se aposentar
Todo mundo tem na família – ou conhece alguém no próprio trabalho – de
idade avançada, com mais de 60 anos, e que só tá lá no emprego pela única e
exclusiva nalidade porque precisa do dinheiro (salário) desse emprego.

Essa pessoa não tá lá porque ama o trabalho, porque tem paixão em


trabalhar. Não. Ela tá lá porque precisa pagar as contas, e porque sem o
salário não teria como se sustentar. Você gostaria de ser uma dessas pessoas?

Poupar dinheiro quando se é jovem carrega, se o dinheiro for bem


trabalhado ao longo dos anos e décadas subsequentes – uma vantagem
simplesmente extraordinária: a de poder diminuir o ritmo do trabalho à
medida que os anos forem se passando, ou mesmo a de se aposentar
de nitivamente do trabalho, dispensando até mesmo a aposentadoria
estatal.

E esse é um privilégio que só pode ser desfrutado por pessoas que se


empenharam e batalharam na árdua luta de poupar e investir para o futuro.

E convenhamos: essa tarefa é muito mais fácil quando você tem 21 anos do
que quando você tem 42 anos (o dobro da idade), porque, quando você tiver
63 anos (o triplo da idade), aí então não cabe nem comparação, porque pode
ser tarde demais.

Trabalhar com mais qualidade de vida é um desa o comum a todas as


pessoas, de todas as faixas etárias. Quanto mais cedo você focar para
conseguir esse objetivo, menores serão os custos para a sua saúde física e
mental.

A propósito dessa tema, vejam um ilustrativo depoimento do colega Frugal


Aportador, que trabalha na área de saúde:

“Não sou nenhum novato na minha área. Já são quase 13 anos de


formação acadêmica. E desses longos anos, pelo menos, 7 anos de
plantões noturnos. São 7 anos de noites de sono perdidas e de
jornada dupla de trabalho… E como não tenho mais meus 23 anos,
estou começando a sentir no meu corpo o peso disso tudo.

Já é comum sentir um pouco de enxaqueca no dia seguinte aos


plantões. A nal de contas, no dia seguinte ainda tenho uma jornada
de 6 horas para levar pela frente. Já ando carregando analgésicos
comigo, exatamente para os dias em que a dor bate um pouco mais
forte. Vejo colegas com seus 50-60 anos fazendo plantões noturnos
até hoje e me pergunto que merda de vida é essa que eles levam. É
uma merda mesmo amigos, hospital não é fácil, independente de
qual setor você esteja trabalhando, é sempre estressante.

Estou com menos de 40 e já ando no limite. Tudo que eu não quero é


esse tipo de vida para mim”.
É por esses e outros fatores que muitas pessoas cam motivadas a poupar e
a investir para o futuro. Para ter mais qualidade de vida. Para não
dependerem tanto, à medida que a velhice for se aproximando, da
obrigatoriedade de ter empregos e funções somente para pagar as contas do
dia a dia.

Outro dia eu estava no caixa de supermercado e, como você bem deve


saber, a maioria dos empregados que trabalham nesse setor é formada por
pessoas jovens, normalmente (mas não sempre) constituída por pessoas em
seu primeiro emprego, ou então alunos aprendizes.

Qual não foi minha surpresa ao ver que o caixa da minha la era de um
senhor de mais de 50 anos de idade, o qual, numa breve conversa, me disse
que precisava do emprego para pagar as contas da casa, porque a
aposentadoria do INSS não estava sendo su ciente.

Você quer trabalhar nos seus sessenta e poucos anos como caixa do Subway
movido pela única e exclusiva nalidade de necessidade nanceira?

Juros compostos
Essa é batata e provavelmente você já deve estar cansado de ler sobre isso:
quanto mais cedo você começa a investir, mais chances você dá ao seu
dinheiro de produzir os frutos necessários para produzir e se reproduzir,
seja na forma de juros, seja na forma de dividendos ou aluguéis.

Pergunte a qualquer investidor experiente quais foram seus melhores


investimentos, e ele certamente responderá que foram investimentos que
demoraram anos e mais anos, talvez até décadas, para fruti car e
começarem a dar seus bons resultados.

Os melhores investimentos não dão resultado da noite para o dia: eles


precisam ser plantados e regados diuturnamente, com aportes disciplinados,
com a escolha de ativos adequados, e com o monitoramento constante a m
de otimizar sua produtividade, principalmente em termos de redução de
custos: diminuição de carga tributária, redução de custos operacionais, e
ganhos sempre reais, ou seja, acima da in ação, para manutenção e
expansão do poder de compra do dinheiro investido.

E isso – fazer os juros compostos trabalharem – é muito mais fácil de fazer


acontecer quanto mais tempo for dado para os investimentos maturarem.
Planos de investimentos que são iniciados aos vinte e poucos anos têm
muito mais chances de darem certo do que planos de investimentos
iniciados aos cinquenta e poucos anos. Além do capital inicial não precisar
ser grande, você ainda terá literalmente um caminhão de tempo à sua frente
pra fazer o plano fruti car e atingir suas metas de longo prazo.

Contrabalançar o capital humano


É interessante a relação inversa entre capital nanceiro e capital humano:
você, no começo de sua idade produtiva, praticamente iniciará do zero sua
jornada rumo à independência nanceira, mas, por outro lado, estará com
um capital humano – suas habilidades cognitivas – pronto para ser posto à
prova no mercado de trabalho.

À medida que o tempo for passando, porém, seu capital humano terá uma
tendência ao enfraquecimento e ao esgotamento, a nal de contas, a saúde e
o cérebro vão sofrendo um processo de desgaste natural com o decorrer do
tempo.

Por outro lado, se você economizar para quando car velho, estará num
processo inverso – eu disse INVERSO – no que tange ao seu capital
nanceiro: ele percorrerá uma linha ascendente, e não descendente, no
grá co de formação de seu patrimônio.

Assim, economizar para quando car velho faz todo o sentido do mundo, pois
te dará uma proteção extra quando suas habilidades cognitivas e capacidade
física estiverem em declínio.
É como se, no começo de sua vida, você trabalhasse pelo dinheiro para que,
no nal dela, quando você já não tiver forças su cientes, e o mercado de
trabalho estiver muito difícil, o dinheiro começar a trabalhar por você.

Ruim mesmo é acontecer aquilo que eu disse antes, ou seja, se o seu capital
humano se deteriorar em paralelo com seu capital nanceiro, pois aí serão
dois problemas a se resolver: a falta de saúde, e a falta de dinheiro.

Conclusão
A hora é agora.

Aproveite as oportunidades de economizar e investir dinheiro enquanto


elas ainda estiverem disponíveis.

Não gaste dinheiro com coisas desnecessárias, pois um real hoje, poupado e
bem investido, pode te dar um futuro nanceiro muito melhor e mais
garantido.

Os leitores mais velhos do blog devem se lembrar que, mais ou menos na


época do surgimento do Plano Real, em 1994, o surgimento do carro Corsa
causou uma alvoroço no público consumidor de carros.

De cabeça – alguém me corrija se eu estiver errado – esse carro estava sendo


vendido na época por R$ 9 mil (aproximadamente USD 8 mil)

Se o camarada tivesse esse dinheiro naquela época, mas optasse por não
gastar com carro, e resolvesse poupá-lo, visando sua aposentadoria
nanceira, numa aplicação bem conservadora, que rendesse basicamente o
CDI – como um fundo DI ou um CDB DI, ele teria hoje, sabe quanto?

Mais de R$ 350 mil. Segundo o app da Calculadora do Banco Central, o


valor hoje bruto seria de R$ 429.443,89. Mesmo descontando IR de 15%
sobre os rendimentos, o valor líquido nal seria de mais de R$ 350 mil, que
daria para comprar, com folga, uma frota de carros Corsa.

E isso considerando: um único aporte feito lá atrás, e uma aplicação


conservadora. Dá pra imaginar quanto o sujeito teria se adicionasse aportes
periódicos ao valor inicial, e esse investimento fosse feito em uma cesta de
ativos bem diversi cada, com vistas a reduzir o risco e aumentar os
retornos?

Esse exemplo é apenas uma amostra do poder de se economizar para o


longo prazo.

Portanto, poupar e investir para o futuro é essencial não só para garantir


uma aposentadoria com mais liberdade e menos dependência em relação a
terceiros (família, Estado, vizinhos etc.), mas também porque é possível
inclusive antecipar essa aposentadoria, criando um leque de opções para
viver a vida no futuro que, de outra forma, jamais seria possível.

Tenha uma boa semana!

Créditos da imagem: Free Digital Photos