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2018: O pior ano da renda xa

www.clubedospoupadores.com
Dezembro 6º, 2018

O ano de 2018 será lembrado como um dos piores anos da história para
investidores com per l conservador, que concentram os seus investimentos
na renda xa, principalmente em pós- xados como poupança, CDB, LCI,
LCA, fundos de renda xa, Tesouro Selic e outros.

Foi em 2018 que a taxa Selic atingiu a sua mínima histórica. Essa taxa é
de nida pelo Banco Central a cada 45 dias e impacta diretamente todos os
investimentos de renda xa e indiretamente todos os demais.

O impacto é instantâneo na taxa DI (CDI) que é a referência para os fundos


mais conservadores dos bancos e títulos privados que eles emitem como
CDB, LCI, LCA, etc. A in uência negativa gerada pela queda da taxa Selic na
rentabilidade do título público Tesouro Selic também é imediata. A
rentabilidade do “investimento” mais utilizado pelos brasileiros (a
poupança) também é atingida, já que ela se limita a render 70% da taxa Selic
quando a mesma está abaixo de 8,5%, como ocorre nesse momento. Logo
abaixo temos o comportamento da taxa DI (CDI) acumulada nos últimos 12
meses.

O grá co mostra quase duas décadas de uma grande tendência de baixa do


CDI acumulado nos últimos 12 meses. Um investimento pós- xado que
rende o equivalente a 100% do CDI teria essa variação de rentabilidade nos
últimos anos. Observe que a queda se dá na forma de diversos ciclos.

Veja que o início desse último grande ciclo de redução dos juros começou
no dia 19/10/2016, quando a Selic foi reduzida de 14,25% para 14%, e
terminou 518 dias depois quando a Selic atingiu a sua mínima (histórico da
meta da Selic).

Essa redução da Selic fez o CDI cair 7,63 pontos percentuais, tornando a
rentabilidade dos investimentos atrelados a ele 54,38% menor do que antes.
Quando observamos o CDI de 2003 (26,22% ao ano) constatamos que hoje o
CDI é 70% menor do que já foi 15 anos atrás.
É claro que o futuro é uma caixa de surpresas, mas se acreditarmos que tudo
acontece seguindo tendências, para o futuro, podemos imaginar novos
ciclos com um movimento de alta dos juros seguido de um movimento de
baixa onde cada nova queda poderá nos levar para taxas ainda menores do
que a registrada no ciclo anterior.

Observe a gura abaixo:

Veja na gura acima que podemos imaginar um “canal de tendência” e


desenhar um novo ciclo (linha verde) respeitando a linha superior que faria
o juro atingir algo acima de 8% nos próximos anos para depois cair para algo
próximo de 5% ou até menos. Isso criaria uma nova mínima histórica para o
CDI e taxa Selic. É claro que isso seria um cenário otimista para a economia
do país. Podemos usar a imaginação para projetar todo tipo de cenário. São
exercícios que todo pequeno investidor deveria ser capaz de fazer.

Quando o Banco Central reduziu a taxa Selic para a menor taxa da história,
no primeiro trimestre de 2018, a sua verdadeira intensão era continuar essa
redução dos juros por mais tempo. A in ação estava baixa e a atividade
econômica precisava ser reaquecida. As manchetes da imprensa
destacavam:
Diversos eventos impediram uma maior redução dos juros durante 2018.
Em maio, tivemos greves e protestos que paralisaram o país (fonte). O
desabastecimento fez a in ação disparar e muitos pediram o retorno do
tabelamento de preços, especialmente o tabelamento dos combustíveis,
como aconteceu na década de 80 durante os diversos planos econômicos
desastrosos no governo Sarney (fonte). Depois, iniciamos um período
eleitoral conturbado. Um pré-candidato estava preso (fonte). O outro estava
hospitalizado após uma tentativa de homicídio (fonte). A tensão política no
país atingiu níveis extremos. O dólar superou a sua maior cotação da
história em relação ao real (fonte). A última vez que o dólar atingiu um
preço tão elevado foi em janeiro de 2016, quando a taxa Selic estava na sua
máxima (14,25%).

Enquanto tudo isso acontecia no Brasil, no exterior, os juros nos EUA


continuavam a sua tendência de alta, a guerra comercial entre os EUA e a
China se acirrava e o presidente Trump anunciava, para os seus 56 milhões
de seguidores no Twitter, que “A Força Espacial (dos EUA) está a caminho”.
Ele determinou a criação do sexto braço das forças armadas dos EUA que
será uma “Força Espacial”, como aquelas dos lmes do “Star Wars” (fonte).
Mesmo com toda essa turbulência interna e externa, os juros no Brasil
continuaram na sua mínima histórica. Isso nos sugere que se 2018 não
tivesse sido um ano tão complicado, provavelmente o Banco Central teria
encontrado espaço para reduzir ainda mais os juros para estimular a
economia.

Tudo isso nos leva a creditar que os juros devem se manter baixos por mais
tempo, principalmente se a recuperação da nossa economia continuar
muito lenta. Além disso, se o governo conseguir implementar as reformas
necessárias para equilibrar as contas públicas e se os níveis de
irresponsabilidade scal e de corrupção no futuro forem menores, teremos
mais motivos para que a taxa de juros se mantenha baixa por mais tempo.
Mesmo com novos ciclos com aumento e redução de juros, os valores
máximos e mínimos provavelmente seriam descendentes (cada vez
menores).

Já se nada for feito e nenhuma reforma sair do papel, é bem provável que os
nossos lhos e netos aprendam na prática como foi a vida econômica dos
seus pais e avós nas décadas de 80 e 90, antes do Plano Real (recordando).

Uma nova realidade (de juros baixos) obrigará o investidor que se classi ca
como “conservador” a buscar os conhecimentos e as habilidades necessárias
para se tornar um conservador de verdade.

Vou mostrar o que seria isso. Existe uma grande diferença entre ser
um investidor conservador de verdade e ser um investidor que se classi ca
como conservador para mascarar diversas limitações que do investidor. Se o
único investimento que você sabe fazer é aplicar dinheiro na poupança ou
em um fundo oferecido pelo gerente de um grande banco onde você tem
conta, você ainda não é um investidor conservador de verdade. Talvez
você se classi que como conservador por uma limitação na sua capacidade
de investir.
Vou apresentar um exemplo. Observe essa imagem que encontrei na
internet e que foi atribuída a uma reportagem da revista Exame (não
localizei a reportagem). Ela re ete a carteira de investimentos dos
investidores conservadores, moderados e agressivos seguindo um padrão
que podemos encontrar nos EUA ou em qualquer país onde a educação
sobre investimentos é mais desenvolvida e os juros básicos da economia são
baixos.

O grá co acima mostra que o investidor conservador é aquele que possui


pelo menos 5% do seu patrimônio em investimentos de renda variável,
como ações ou fundos de ações (1%) e fundos imobiliários (4%). O
conservador ainda teria até 13% dos seus investimentos em fundos
multimercado. Esse tipo de fundo pode aplicar uma parte do dinheiro dos
seus participantes em investimentos de renda variável como ações e fundos
que investem em ações.
O conservador ainda teria 30% do seu patrimônio investido em títulos de
renda xa (como um CDB pré- xado ou Tesouro Pre xado) ou fundos que
investem nesses mesmos títulos de renda xa. Teríamos ainda 12% do
patrimônio investido em títulos públicos atrelados à in ação como Tesouro
IPCA. Os 40% restantes estariam em títulos conservadores, pós- xados,
com Tesouro Selic, títulos privados como CDB, LCI e LCA ou fundos DI
que investem o seu dinheiro nesses mesmos títulos cobrando elevadas taxas
administrativas.

Eu conheço poucas pessoas que se classi cam como investidores


conservadores que possuem ações, títulos públicos, fundos imobiliários,
fundos de ações e multimercado. As pessoas que possuem esse nível de
diversi cação no Brasil di cilmente se consideram conservadores, mas
dependendo da parcela investida em investimentos de maior risco, elas são
conservadoras.

Veja a tabela que encontrei em uma publicação estrangeira. O material sobre


educação nanceira que encontramos no exterior sugere que o investidor
conservador possua entre 10% e 20% dos seus investimentos em ações ou
em fundos que investem em ações. Isso parece muito distante da realidade
do investidor conservador brasileiro.

O que chamamos de conservador no Brasil poderia ser chamado


de “ultraconservador”. O problema é que esse tipo de investidor costuma
seguir esse per l por ter conhecimentos limitados, medos, preconceitos e
até pouca vontade para dedicar algum tempo estudando e experimentando
outras modalidades de investimento.

Esse tipo de investidor ultraconservador será o per l mais atingido


negativamente se o ano de 2018 for apenas o primeiro de muitos anos ruins
para a renda xa. Se 2019, 2020, 2021 e os outros anos apresentarem
resultados tão ruins, certamente muitos projetos de aposentadoria e até de
independência nanceira estarão comprometidos por um histórico de juros
muito baixos.
A independência nanceira depende de três variáveis: o quanto podemos
poupar, os juros dos investimentos que sabemos fazer e o tempo para
atingir essa independência. Rentabilidade baixa e in ação elevada obriga o
investidor a poupar mais ou buscar formas de elevar a rentabilidade dos
seus investimentos. Na prática, só temos algum controle sobre duas
variáveis (o quanto podemos poupar e a rentabilidade da nossa carteira de
investimentos), já que o nosso tempo de vida é uma variável que ignoramos,
mas sabemos que é limitada.

Se você acredita que é um investidor ultraconservador ou um conservador


que pode melhorar, minha sugestão para 2019 é a de que você de na como
prioridade deixar de ser conservador por limitação dos investimentos que
você domina. Se você conquistar o conhecimento necessário para investir
uma pequena parcela do seu patrimônio em investimentos de maior risco,
certamente os seus resultados nanceiros nos próximos anos serão
potencializados, caso a economia volte a crescer. É fundamental que você
aprenda a tomar esse tipo de decisão livremente em qualquer cenário (de
juros em alta ou em baixa)

Observe que a diferença entre um investidor conservador, moderado e


agressivo não é a existência ou inexistência de investimentos de risco, mas
sim, a proporção do patrimônio que o investidor consegue expor ao risco,
com segurança, para obter rentabilidades maiores.

Teoricamente todos os investidores deveriam ter os conhecimentos para


investir e qualquer ativo de renda xa ou variável. Através de uma decisão
consciente, esse investidor poderia estabelecer qual o tamanho do seu
investimento exposto a riscos maiores. Neste caso, o investidor se
classi caria como um conservador de verdade, plenamente consciente de
suas escolhas em qualquer cenário.
Aqui no Clube dos Poupadores já temos centenas de artigos sobre todos os
investimentos de renda xa. Para um estudo mais rápido e aprofundado eu
recomendo os meus livros mais recentes sobre como investir em títulos
públicos e o livro como investir em CDB, LCI e LCA, mas tudo deve
começar pelo seu projeto para atingir um maior nível de independência
nanceira.

Novidade: Na semana anterior ao dia do Natal, no dia 20 de dezembro,


pretendo lançar o meu novo livro sobre investimentos na bolsa. Ele será
voltado para o investimento de médio e longo prazo utilizando análise de
grá cos. Para o futuro, pretendo escrever outros livros utilizando outros
tipos de análise e outros tipos de investimento.

Nota importante: Para que eu possa ter mais tempo livre para escrever
novos artigos e ainda possa concluir outros livros para 2019 e 2020, não
teremos mais área de comentários nos artigos do Clube dos Poupadores. O
tempo que utilizo para ler, aprovar e responder comentários se tornou
maior do que o tempo gasto para escrever novos artigos gratuitos e livros.
Nosso site já tem mais de 47.000 comentários respondidos por mim. Mesmo
com todo o meu esforço, sempre existe uma la com 2000 a 3000
comentários para serem lidos, aprovados e respondidos. A la não para de
crescer. Acredito que uma área de comentários só tem valor quando pode
ser administrada, com cada comentário lido e respondido, mas isso exige
tempo e esforço que poderia ser utilizado de outra forma. O nível do
conteúdo das áreas de comentários dos sites de jornais e revistas
comprovam isso. Para manter contato comigo teremos um formulário de
contato.