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Buggpedia: O que é o Beta Ratio?

By William Castro Alves, andrebona.com.br


Dezembro 12º, 2018

quarta-feira, dezembro 12, 2018 9:00 am BV News, Investimentos

Beta Ratio

O que é o Beta Ratio? Para que serve?

O Beta, não tem nenhuma tradução como comumente tem os outros índices
de origem americana. Ele é uma medida de volatilidade, ou como muitos
chamam de “risco sistémico”, de um título ou ativo que compõem uma
carteira. Para aqueles que não entendem muito bem o signi cado de
volatilidade, segue uma explicação sucinta, mas que facilita muito o
entendimento:

“Volatilidade é medida de dispersão dos retornos de um título ou índice de


mercado. Quanto mais o preço de uma ação varia num período curto de
tempo, maior o risco de se ganhar ou perder dinheiro negociando esta
ação, e, por isso, a volatilidade é uma medida de risco”.

Ou seja, a grosso modo é quanto um ativo, fundo ou índice “chacoalha”… o


quanto ele oscila para cima ou para baixo e em qual velocidade.
O Beta é usado também no cálculo do CAPM (Escrevi sobre ele já, só clicar
nesse link), o CAPM é um modelo de preci cação de ativo, que calcula o
retorno esperado de um ativo a partir do seu Beta e do Retorno esperado
pelos investidores em relação ao mercado.

COMO CALCULAR

O beta é uma medida de gestão de risco e seu cálculo pode parecer um


pouco complicado para alguns. Ele é calculado dividindo-se a covariância do
retorno da carteira (Ri ou Ra) pelo retorno do índice de mercado (Rm ou
Rb), divido novamente pela variância do mercado (Var Rm ou Rb). A
equação mais comum é essa:

Existe também outra forma de escrever essa equação, e ca desse jeito:

β (Beta) = Covariância (Rm,Ri) / Variância de Rm

O resultado é conhecido como coe ciente beta.

Não vou me ater a exemplos, mas só na explicação do que é a covariância e


variância para m de informação.

A covariância é a relação linear entre duas variáveis. É utilizada para


compreender a direção da relação entre as variáveis que estão sendo
analisadas. O coe ciente de correlação é uma função da covariância. Por
isso ela é utilizada no cálculo.
Já a variância, é uma medida de dispersão que vem da teoria da
probabilidade e estatística. Ela permite identi car um conjunto de dado e
entender o quão distante cada valor desse conjunto está do valor esperado
ou central (médio).

Além disso, o índice usado para variação de mercado deve estar


correlacionado com o ativo. Não dá para usar um ETF de renda xa para
calcular o beta de uma ação. Para ações deve se usar ou Ibr-x ou Ibovespa.
Caso for ações americanas, o mais usado é o S&P 500 (Standard and Poor’s
500).

Acho que mais do que isso não é necessário entender a fundo. Visto que
todas as empresas listadas na bolsa já têm seu beta calculado e é bastante
fácil de encontrar. Sites como o investing.com e Reuters já divulgam esse
índice calculado, o que facilita muito a vida do investidor.

ENTENDENDO O BETA RATIO

Uma maneira bem simples do investidor pensar em risco, é dividir ele de


duas formas. A primeira seria categorizar como “risco sistêmico”, que é o
risco de todo mercado estar em declínio. Como a crise de 2008, não importa
o quão diversi cado você estava durante o começo da crise, isso não
impediria (e nem impediu) de perder valor em sua carteira de ações. A
segunda é o “risco não sistêmico” ou também conhecido como “riscos
idiossincráticos”, estão associados a um evento individual. Como a surpresa
que foi a empresa Eternit deixar de usar o amianto (principal matéria prima
da companhia) para fabricação e telhas, além disso a empresa usava para o
segmento de louças, metais sanitários e componentes de sistemas
construtivos. O Amianto é um produto cancerígeno, con rmado pela OMS
(Organização Mundial da Saúde) e é proibido em alguns estados do Brasil. O
“risco não sistêmico” pode ser mitigado ou minimizado pela diversi cação.
Agora vale um exemplo para entender o beta de uma companhia. Vamos
pegar como exemplo a empresa Magazine Luiza (MGLU3). Ela possui um
beta de 1,31 (2018). O que isso quer dizer? Bom, isso diz ao investidor que
esse ativo é mais volátil que o mercado, ou seja, presume-se que seja 31%
mais volátil que o mercado. Logo, se o mercado subir 10%, espera-se que as
ações da Magazine Luiza subam 13,1% em relação ao mercado. Vale lembrar
que, ao adicionar esse ativo na sua carteira, você está aumentando o risco da
carteira, mas também aumentará o seu retorno esperado.

E caso o beta fosse de 1? Neste caso, quando o beta é inferior a 1, que dizer
que esse ativo é teoricamente menos volátil que o mercado. Como as ações
da Vivo (VIVT4), que tem um beta de 0,58 (2018). Isso quer dizer que se o
mercado subir 10%, espera-se que a ação suba 5,8% em relação ao mercado.
O contrário também acontece para os dois casos, se o mercado cair 10%,
espera-se que as ações da Vivo caiam metade da queda do mercado.

E se o beta for igual a 1? Se o beta for exatamente 1, como é o da Even


Construtora e Incorporadora (EVEN3) em 2018, quer dizer que o preço está
correlacionado com o mercado. Adicionar um ativo como esse a sua carteira
com o beta de 1, não irá acrescentar nenhum risco a mais ou a menos, mas
também não vai aumentar a probabilidade de a carteira fornecer um retorno
em excesso.

O Beta também tem algumas limitações. Ele pressupõe que os retornos das
ações, fundos ou índices são normalmente distribuídos a partir de uma
perspectiva estatística. No entanto, todos sabemos que os mercados não são
ordenados e estão propensos a grandes surpresas, por isso, o beta pode
“prever” sobre um movimento que nem sempre é verdade. Não é só olhar
para o beta de uma ação, ver que ele é 1,85 e achar que a ação vai
“outperformar” o mercado e vice-versa.

Por m, podemos concluir que o Beta é muito importante quando se trata


de gestão de portfólios e carteiras de investimentos. É um índice que todo
investidor deve conhecer, mas que não deve toma-lo como verdade absoluta
na hora de decidir em qual ativo investir.

Espero ter ajudado!

Breno Bonani

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