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ções sobre a natureza e a evolução da doença, sobre como lidar com

eventuais comportamentos inadequados ou mesmo agressivos, além de


adaptações e modificações necessárias no ambiente e programas de ativi-
dades específicas para os pacientes, são exemplos de tais medidas. A
participação de outros profissionais de saúde, particularmente aqueles
que trabalham no campo da reabilitação, é de grande importância.

Qual é o papel do cuidador?


O cuidador tem um papel fundamental no tratamento e no suporte
diário, contínuo, aos pacientes. É comum na experiência clínica se ob-
servar que indivíduos com Doença de Alzheimer que têm cuidadores
melhor preparados e com uma atitude mais positiva frente à doença,
costumam exibir um curso clínico menos desfavorável.

Se o cuidador não estiver preparado, ele


pode adoecer psicologicamente? Como os
cuidadores e familiares devem agir?
A sobrecarga física e psicológica dos cuidadores, sobretudo dos fa-
miliares, é muito expressiva e aumenta ainda mais nas fases avançadas
da doença, em que a dependência vai se tornando cada vez maior.
Além disso, diversos estudos, e também a prática clínica, revelam que
www.abneuro.org
os familiares/cuidadores têm freqüência aumentada de insônia e de-
pressão, o que reforça a necessidade de uma atenção especial dirigida a
eles pelo médico.
Apoio:

Por que o neurologista é o médico


adequado a lidar com a Doença de
Alzheimer?
A Doença de Alzheimer acarreta degeneração de sinapses (cone-
xão entre os neurônios) e perda neuronal em áreas cerebrais específi-
cas, que resultam nos diferentes sintomas característicos já menciona-
dos. O neurologista, por conhecer profundamente a anatomia e os prin-
cípios do funcionamento cerebral, bem como por receber treinamento
específico em sua formação para o exame destas funções, é sem dúvida
um profissional em situação privilegiada para o diagnóstico e tratamen-
to desta doença.
O que é a Doença de Alzheimer? Existe doença que se confunda com Alzheimer Existe prevenção?
A Doença de Alzheimer é a mais freqüente doença neurodegenerativa e dificulta o diagnóstico? Não existe, até o momento, nenhuma forma de prevenção absoluta da
na espécie humana. Trata-se de uma doença que acarreta alterações do fun- Dezenas de doenças podem acarretar quadro clínico de demência e fa- doença. Infelizmente, quanto maior a longevidade ou a sobrevida de uma
cionamento cognitivo (memória, linguagem, planejamento, habilidades vi- zem parte do diagnóstico diferencial da Doença de Alzheimer. A avaliação pessoa, maior o risco de desenvolver a Doença de Alzheimer. No entanto,
suais-espaciais) e muitas vezes também do comportamento (apatia, agita- clínica cuidadosa apoiada por exames complementares, como tomografia com- sabe-se que hábitos saudáveis de vida, como alimentação adequada, in-
ção, agressividade, delírios, entre outros), que limitam progressivamente a putadorizada ou ressonância magnética do cérebro e testes laboratoriais, per- cluindo consumo regular de peixes, frutas, cereais, e baixa ingestão de ali-
pessoa nas suas atividades da vida diária, sejam profissionais, sociais, de mitem fazer o diagnóstico adequado na maior parte dos casos. mentos gordurosos, atividade física regular (como caminhadas) e também
lazer ou mesmo domésticas e de autocuidado. O quadro clínico descrito ca- atividade intelectual variada (como leitura, jogos) reduzem o risco de apare-
racteriza o que em Medicina é denominado “demência”. cimento da doença. É importante salientar também o impacto positivo ofere-
cido pelo adequado controle de fatores de risco vascular.
Como é o diagnóstico?
Não há, até o momento, nenhum método que isoladamente permita o
Como e por que se desenvolve a doença? diagnóstico de Doença de Alzheimer com absoluta precisão. Avanços substanci-
As causas da Doença de Alzheimer não são conhecidas. Sabe-se que em ais têm ocorrido nesta área, com alguns exames mais específicos e promissores
Como é o tratamento?
uma minoria dos casos (menos de 2% do total) ela pode ter origem genéti- em fase de pesquisa. No entanto, o diagnóstico ainda é feito pela identificação Embora a Doença de Alzheimer não seja curável, ela é tratável. Muitas
ca, com história familial, condicionando início mais precoce dos sintomas de quadro clínico característico e pela exclusão de outras causas de demência, pessoas não têm esta informação ou não reconhecem os benefícios dos me-
(antes dos 60 anos). A maioria dos casos, no entanto, corresponde à chama- por meio dos exames complementares já citados (laboratoriais e de imagem). dicamentos aprovados para o seu tratamento, que podem ajudar no controle
da forma esporádica da doença, em que ou não há história familial ou esta é Quando é seguido o roteiro diagnóstico apropriado, baseado em reco- de alguns sintomas. Alguns destes remédios são inclusive disponibilizados
apenas ocasional, não configurando uma transmissão genética. mendações e consensos internacionais e também nacionais, a identificação pelo Ministério da Saúde de forma gratuita.
Muitas vezes os sintomas da doença, especialmente nas fases iniciais, da doença fica em torno de 85% nas fases iniciais, aumentando de forma O tratamento da Doença de Alzheimer inclui intervenções farmacológi-
são considerados como próprios do envelhecimento, o que em muitos casos expressiva com o acompanhamento do paciente. Alguns casos, no entanto, cas (medicamentosas) e não-farmacológicas. Dentre as primeiras, há dois
retarda o diagnóstico e o início do tratamento. podem apresentar manifestações clínicas atípicas ou, em fases muito iniciais, grupos de medicamentos: o primeiro representado por compostos que atuam
oferecer maiores dificuldades para sua correta identificação, necessitando de aumentando os níveis do neurotransmissor acetilcolina no cérebro, e o se-
avaliação mais especializada. gundo, por uma outra medicação que age sobre o neurotransmissor
Quais são os primeiros sintomas? glutamato. Do primeiro grupo fazem parte donepezil, galantamina e
Na grande maioria dos casos o primeiro sintoma é a perda de memória rivastigmina, todos indicados para o tratamento das fases inicial e interme-
para fatos recentes. É importante salientar que esta perda de memória deve diária (correspondendo à sintomatologia leve a moderada) da doença. O
representar um declínio em relação ao funcionamento anterior e que tam- segundo grupo é representado pela memantina, aprovada para o tratamen-
bém deve ser de intensidade suficiente para interferir com o desempenho do to das fases intermediária e avançada da doença (correspondendo à
indivíduo em suas atividades diárias. Ou seja, uma perda de memória leve e sintomatologia moderada a grave).
ocasional não deve ser valorizada da mesma forma. É importante ressaltar que estas medicações têm efeito sintomático e
Além das alterações de memória, outros sintomas comuns são dificul- eficácia modesta, embora beneficiando uma parcela significativa dos pa-
dades para encontrar palavras, dificuldades de planejamento, desorienta- cientes. Como podem ter efeitos colaterais, o tratamento deve ser iniciado
ção no tempo e no espaço. Alterações do comportamento também são fre- sempre com doses baixas, que serão aumentadas gradativamente, procedi-
qüentes e vão se tornando mais intensas com a progressão da doença, mento este que deve ser acompanhado por um médico.
desde apatia e depressão até delírios (idéias fantasiosas), alucinações, agi- O tratamento não-medicamentoso da Doença de Alzheimer é dirigido não
tação e agressividade. apenas ao paciente, como também aos seus familiares e cuidadores. Orienta-

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