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DIREITO DA SAÚDE E DA
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
PEDRO MARQUES – pedropmarques@gmail.com
Mestrado em Gestão de Unidades de Saúde – ESSP (Nov.2010)
Apresentação
2

 Quem sou?
 Nome

 Profissão

 Percurso profissional
 Quem são?
Sumário
3

 O Sistema de Saúde – Conceitos Normativos


 Lei de Bases da Saúde
 SNS
 Organização
 Serviços
 Competências

 O SNS e o Estado Social


 Modelos Organizativos Comparados
 Os Gabinetes do Cidadão/Utente e os Conselhos da
Comunidade/Consultivos
O Sistema de Saúde – Conceitos
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Normativos
 Sistema de Saúde Serviço ≠ Nacional de Saúde

 O Sistema PÚBLICO de Saúde está a cargo do


Sistema Nacional de Saúde (SNS). Porém, para
além deste, há sistemas privados, cooperativos,
sociais e mistos, todos eles concorrentes para o
Sistema de Saúde.
O Sistema de Saúde – Conceitos
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Normativos
 A par do SNS, o sistema de saúde abrange todas
as entidades públicas que, não dependentes do
Ministério da Saúde, desenvolvam actividades de
promoção, prevenção e tratamento na área da
saúde, bem como todas as entidades privadas e
todos os profissionais livres que acordem com o
SNS a prestação de todas ou de algumas daquelas
actividades – LEI DE BASES DA SAÚDE
O Sistema de Saúde – Conceitos
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Normativos
 Lei 56/79, de 15 de Setembro
 Criação do SNS
 Artigo 2º: ―O SNS é constituído pela rede de
órgãos e serviços prevista neste diploma, que, na
dependência da Secretaria de Estado da Saúde e
actuando de forma articulada e sob direcção
unificada, gestão descentralizada e democrática,
visa a prestação de cuidados globais de saúde a
toda a população”.
O Sistema de Saúde – Conceitos
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Normativos
 Artigo 4º: ―O acesso ao SNS é garantido a todos
os cidadãos, independentemente da sua condição
económica e social”.
 Artigo 6º: ―O SNS envolve todos os cuidados
integrados de saúde, compreendendo a promoção
e vigilância da saúde, a prevenção da doença, o
diagnóstico e tratamento dos doentes e a
reabilitação médica e social‖.
O Sistema de Saúde – Conceitos
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Normativos
 Artigo 7º: ―O acesso ao SNS é gratuito, sem
prejuízo do estabelecimento de taxas moderadoras
diversificadas tendentes a racionalizar a utilização
das prestações.‖
O Sistema de Saúde – Conceitos
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Normativos
 CRONOLOGIA
 1899
O Dr. Ricardo Jorge inicia a organização dos serviços de
saúde pública
 Regulamento Geral dos Serviços de Saúde e Beneficência
Pública (já em 1901)
 A prestação de cuidados de saúde era então de índole
privada, cabendo ao Estado apenas a assistência aos
pobres
O Sistema de Saúde – Conceitos
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Normativos
 CRONOLOGIA
 1945
 Decreto-Lei nº 35108, de 7 de Novembro de 1945
 Reforma sanitária de Trigo de Negreiros
 É reconhecida a debilidade da situação sanitária no país e
a necessidade de uma resposta do Estado
 São criados institutos dedicados a problemas de saúde
pública específicos, como a tuberculose e a saúde materna
O Sistema de Saúde – Conceitos
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Normativos
 CRONOLOGIA
 1946
 Lei nº 2011, de 2 de Abril de 1946
 Estabelece a organização dos serviços prestadores de
cuidados de saúde então existentes, lançando a base para
uma rede hospitalar
 Programa de construção de hospitais que serão entregues a
Misericórdias
O Sistema de Saúde – Conceitos
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Normativos
 CRONOLOGIA
 1958
 Decreto-Lei nº 41825, de 13 de Agosto
 Criação do Ministério da Saúde e da Assistência
 Serviços de saúde pública e Serviços de assistência pública
deixam de pertencer ao Ministério do Interior
O Sistema de Saúde – Conceitos
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Normativos
 CRONOLOGIA
 1963
 Lei nº 2120, de 19 de Julho de 1963
 Bases da política de saúde e assistência
 Atribui ao Estado a organização e manutenção dos serviços que,
em nome do interesse nacional ou por serem complexos, não
possam ser entregues à iniciativa privada
 O Estado deve fomentar a criação de instituições particulares que
se integrem nos princípios legais e ofereçam condições mínimas
para a prossecução dos seus fins
 O Estado deve exercer acção meramente supletiva em relação às
iniciativas e instituições particulares
O Sistema de Saúde – Conceitos
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Normativos
 CRONOLOGIA
 1968
 Decreto-Lei nº 48357, de 27 de Abril de 1968
 Decreto-Lei nº 48358, de 27 de Abril de 1968
 Estatuto hospitalar
 Uniformização dos hospitais
 Uniformização das carreiras de saúde (Médicos,
Enfermeiros, Administração, Farmácia)
 Regulamento Geral dos Hospitais
O Sistema de Saúde – Conceitos
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Normativos
 CRONOLOGIA
 1971
 Decreto-Leinº 413/71, de 27 de Setembro
 Reconhecimento do direito à saúde de todos os portugueses
 Cabe ao Estado assegurar…
 …esse direito, através de uma política unitária de saúde da
responsabilidade do Ministério da Saúde
 …a integração de todas as actividades de saúde e assistência
 …a noção de planeamento central e de descentralização na
execução
 Surgem os ―centros de saúde de primeira geração‖
O Sistema de Saúde – Conceitos
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Normativos
 CRONOLOGIA
 1971
 Decreto-lei nº 414/71, de 27 de Setembro
 Regime legal que permitirá a estruturação progressiva de
carreiras profissionais para os diversos grupos diferenciados:
 Carreiras médica de saúde pública
 Médica hospitalar
 Farmacêutica
 Administração hospitalar
 Técnicos superiores de laboratório,
 Técnicos de ensino de enfermagem
 Enfermagem de saúde pública
O Sistema de Saúde – Conceitos
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Normativos
 CRONOLOGIA
 1971
 Enfermagem hospitalar
 Técnicos terapeutas
 Técnicos de serviço social
 Técnicos auxiliares de laboratório
 Técnicos auxiliares sanitários
 Trata-se de uma medida que visa efectivar, em articulação
com outros passos, uma política de saúde e assistência social
O Sistema de Saúde – Conceitos
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Normativos
 CRONOLOGIA
 1973
 Decreto-Lei nº 584/73, de 6 de Novembro
 Separação da Saúde a partir do Ministério da Assistência,
sendo criado o Ministério da Saúde
 Porém, no ano seguinte, é transformado em Secretaria de
Estado e integrado no Ministério dos Assuntos Sociais -
Decreto-Lei n.º 203/74, de 15 de Maio
O Sistema de Saúde – Conceitos
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Normativos
 CRONOLOGIA
 1974
 Revolução de Abril, situação favorável à criação do SNS
 1976
 Aprovada a CRP
 Todos os cidadãos têm direito à protecção da saúde e o dever de
a defender e promover
 Criação de um serviço nacional de saúde universal, geral e
gratuito
 Cabe ao Estado garantir o acesso de todos os cidadãos,
independentemente da sua condição económica, aos cuidados da
medicina preventiva, curativa e de reabilitação, bem como uma
racional e eficiente cobertura médica e hospitalar
O Sistema de Saúde – Conceitos
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Normativos
 CRONOLOGIA
 1976
 Decreto-Lei nº580/76, de 21 de Julho
 Estabelece a obrigatoriedade de prestação de um ano de
serviço na periferia para os recém-licenciados em medicina
 Condição essencial para o ingresso na carreira médica
 Foi o início das extensões de saúde que ainda hoje
proliferam
O Sistema de Saúde – Conceitos
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Normativos
 CRONOLOGIA
 1978
 Despacho Arnaut
 Publicado em Diário da República, 2ª série, de 29 de Julho
de 1978
 Verdadeira antecipação do SNS
 Abre o acesso aos Serviços Médico-Sociais a todos os
cidadãos, independentemente da sua capacidade
contributiva.
 É garantida pela primeira vez a universalidade,
generalidade e gratuitidade dos cuidados de saúde e a
comparticipação medicamentosa
O Sistema de Saúde – Conceitos
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Normativos
 CRONOLOGIA
 1979
 Lei nº56/79, de 15 de Setembro
 Criação do SNS
 Instrumento do Estado para assegurar o direito à protecção
da saúde, nos termos da Constituição
 O acesso é garantido a todos os cidadãos,
independentemente da sua condição económica e social,
bem como aos estrangeiros, em regime de reciprocidade,
apátridas e refugiados políticos
O Sistema de Saúde – Conceitos
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Normativos
 CRONOLOGIA
 1979
O SNS envolve todos os cuidados integrados de saúde,
incluindo:
 promoção e vigilância de saúde
 prevenção da doença
 diagnóstico e tratamento dos doentes
 reabilitação médica e social
O acesso é gratuito, mas contempla a possibilidade de
criação de taxas moderadoras, a fim de racionalizar a
utilização das prestações
 Hoje, como sabemos, é apenas tendencialmente gratuito
O Sistema de Saúde – Conceitos
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Normativos
 CRONOLOGIA
 1979
O diploma estabelece que o SNS goza de autonomia
administrativa e financeira
 Estrutura-se numa organização descentralizada e
desconcentrada
 Compreende órgãos centrais, regionais e locais
 Dispõe de serviços prestadores de cuidados de saúde
primários (centros comunitários de saúde) e de serviços
prestadores de cuidados diferenciados (hospitais gerais,
hospitais especializados e outras instituições especializadas).
O Sistema de Saúde – Conceitos
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Normativos
 CRONOLOGIA
 1981
 Decreto-Leinº305/81, de 12 de Novembro
 Criação da carreira de Enfermagem
 Procurava duas realidades
 Responder a situações de injustiça criadas ou agravadas pelo
Decreto n.º 534/76, de 8 de Julho, que aprovara o quadro do
pessoal de enfermagem do Ministério dos Assuntos Sociais
 Responder aos progressos técnicos e científicos entretanto
verificados e à realidade do país
O Sistema de Saúde – Conceitos
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Normativos
 CRONOLOGIA
 1982
 Decreto-Lei nº254/82, de 29 de Junho
 Cria as administrações regionais de cuidados de saúde
(ARS), que sucedem às mal sucedidas administrações
distritais dos serviços de saúde, criadas pelo Decreto-Lei
nº488/75.
O Sistema de Saúde – Conceitos
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Normativos
 CRONOLOGIA
 1982
 Decreto-Lei nº254/82, de 29 de Junho
 Cria as administrações regionais de cuidados de saúde
(ARS), que sucedem às mal sucedidas administrações
distritais dos serviços de saúde, criadas pelo Decreto-Lei
nº488/75.
 Decreto-Lei nº357/82, de 6 de Setembro
 Concede ao SNS autonomia administrativa e financeira.
 O Departamento de Gestão Financeira dos Serviços de
Saúde ficou incumbido de gerir as verbas que lhe são
globalmente atribuídas
O Sistema de Saúde – Conceitos
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Normativos
 CRONOLOGIA
 1982
 Decreto-Lei nº310/82, de 3 de Agosto
 Regulamentação das carreiras médicas:
 de saúde pública
 clínica geral
 médica hospitalar
 O médico de clínica geral é entendido como o profissional
habilitado para prestar cuidados primários a indivíduos, famílias
e populações definidas, exercendo a sua intervenção em termos
de generalidade e continuidade dos cuidados, de personalização
das relações com os assistidos e de informação sócio-médica.
O Sistema de Saúde – Conceitos
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Normativos
 CRONOLOGIA
 1983
 Decreto-Leinº344-A/83, de 25 de Julho
 Lei Orgânica do IX Governo Constitucional, cria o Ministério
da Saúde
 A autonomia é ditada:
 Pela importância do sector
 Pelo volume dos serviços
 Pelas infra-estruturas que integra
 Pela importância que os cidadãos lhe reconhecem
O Sistema de Saúde – Conceitos
30
Normativos
 CRONOLOGIA
 1983
 Despacho Normativo nº97/83, de 22 de Abril
 Aprova o Regulamento dos Centros de Saúde, dando lugar
aos ―centros de saúde de segunda geração‖.
 Os centros de saúde surgem como unidades integradas de
saúde, tendo em conta os princípios informadores da
regionalização e as carreiras dos profissionais de saúde.
O Sistema de Saúde – Conceitos
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Normativos
 CRONOLOGIA
 1984
 Decreto-Lei nº74-C/84, de 2 de Março
 Criação da Direcção-Geral dos Cuidados de Saúde Primários
 Põe fim aos serviços médico-sociais da Previdência
 Marca a expansão do SNS.
 A DGCSP torna-se o órgão central com funções de:
 Orientação técnico-normativa
 Direcção e avaliação da actividade desenvolvida pelos órgãos e
serviços regionais, distritais e locais que intervêm na área dos
cuidados de saúde primários
 O clínico geral adquire o estatuto de Médico de Família
O Sistema de Saúde – Conceitos
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Normativos
 CRONOLOGIA
 1986
 Decreto-Lei nº57/86, de 20 de Março
 Regulamenta as condições de exercício do direito de acesso ao
SNS
 Visa estabelecer uma correcta e racional repartição dos encargos
do Serviço Nacional de Saúde, quer pelos chamados subsistemas
de saúde, quer ainda por todas as entidades, de qualquer
natureza, que, por força da lei ou de contrato, sejam responsáveis
pelo pagamento da assistência a determinados cidadãos.
 Dado que o objectivo não é o lucro, os preços a cobrar deverão
aproximar-se, tanto quanto possível, dos custos reais.
 Prevê taxas para moderar a procura de cuidados de saúde.
O Sistema de Saúde – Conceitos
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Normativos
 CRONOLOGIA
 1988
 Decreto-Lei nº19/88, de 21 de Janeiro
 Aprova a lei de gestão hospitalar
 Enfatiza-se a necessidade da introdução de princípios de
natureza empresarial
 Sendo a qualidade o princípio maior da gestão hospitalar,
a rentabilidade dos serviços torna-se um valor de peso na
administração. São disso exemplo a criação de planos
anuais e plurianuais para os hospitais e a criação de centros
de responsabilidade como níveis intermédios da
administração
O Sistema de Saúde – Conceitos
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Normativos
 CRONOLOGIA
 1988
 Decreto Regulamentar nº3/88, de 22 de Janeiro
 Introduz alterações substanciais no domínio dos órgãos e do
funcionamento global do hospital, bem como quanto à estrutura
dos serviços.
 São reforçadas as competências dos órgãos de gestão
 São abandonadas as direcções de tipo colegial
 Os titulares dos órgãos de gestão passam a ser designados pela
tutela
 Desenha-se o perfil de gestor para o exercício da função de
chefe executivo
 São introduzidos métodos de gestão empresarial
 São reforçados e multiplicados os controlos de natureza tutelar
O Sistema de Saúde – Conceitos
35
Normativos
 CRONOLOGIA
 1989
 2ª Revisão Constitucional
 A alínea a) do nº 2 do artigo 64º é objecto de alteração,
estabelecendo que o direito à protecção da saúde é
realizado através de um serviço nacional de saúde
―universal e geral e, tendo em conta as condições
económicas e sociais dos cidadãos, tendencialmente
gratuito‖
 Coloca-se a ênfase no princípio de justiça social e de
racionalização dos recursos
O Sistema de Saúde – Conceitos
36
Normativos
 CRONOLOGIA
 1990
 Lei nº48/90, de 24 de Agosto
 Lei de Bases da Saúde
 Pela primeira vez, a protecção da saúde é
perspectivada, não só como um direito, mas
também como:
 Uma responsabilidade conjunta dos cidadãos…
 …da sociedade…
 … e do Estado
 em liberdade de procura e de prestação de cuidados
O Sistema de Saúde – Conceitos
37
Normativos
 CRONOLOGIA
 1990
 A promoção e a defesa da saúde pública são efectuadas
através da actividade do Estado e de outros entes públicos
 As organizações da sociedade civil podem ser associadas
àquela actividade
 Os cuidados de saúde são prestados por serviços e
estabelecimentos do Estado ou, sob fiscalização deste, por
outros entes públicos ou por entidades privadas, sem ou com
fins lucrativos
 O Estado actua através de serviços próprios, mas também
celebra acordos com entidades privadas para a prestação de
cuidados
 Apoia e fiscaliza a restante actividade privada
O Sistema de Saúde – Conceitos
38
Normativos
 CRONOLOGIA
 1990
 Decreto-Lei nº73/90, de 6 de Março
 Regime das carreiras médicas. Os médicos, a par de
outros técnicos de saúde passam a constituir um corpo
especial de funcionários
 Nos regimes de trabalho, para além da fixação de uma
duração semanal de trabalho igual à da maioria dos
funcionários, admite-se e motiva-se a prática do regime
de dedicação exclusiva, sem condicionamentos e com
possível alargamento da duração semanal do trabalho
 A formação médica pós-licenciatura e pré-carreira deixa
de integrar o diploma das carreiras
O Sistema de Saúde – Conceitos
39
Normativos
 CRONOLOGIA
 1991
 Decreto-Lei nº437/91, de 8 de Novembro
 Regime legal da carreira de enfermagem
 Regulamentar o exercício da profissão, garantindo a
salvaguarda dos direitos e normas deontológicas
específicos e a prestação de cuidados de enfermagem
de qualidade aos cidadãos
 Clarifica conceitos, caracteriza os cuidados de
enfermagem, especifica a competência dos profissionais
legalmente habilitados a prestá-los e define a
responsabilidade, os direitos e os deveres dos mesmos
O Sistema de Saúde – Conceitos
40
Normativos
 CRONOLOGIA
 1992
 Decreto-Lei nº54/92, de 11 de Abril
 Regime de taxas moderadoras para o acesso aos
serviços de urgência, às consultas e a meios
complementares de diagnóstico e terapêutica em regime
de ambulatório, bem como as suas isenções
 As receitas arrecadadas com o pagamento parcial do
custo dos actos médicos constituirão receita do Serviço
Nacional de Saúde, contribuindo para o aumento da
eficiência e qualidade dos serviços prestados a todos e,
em especial, dos que são fornecidos gratuitamente aos
mais desfavorecidos
O Sistema de Saúde – Conceitos
41
Normativos
 CRONOLOGIA
 1992
 Decreto-Lei nº177/92, de 13 de Agosto
 Regime de prestação de assistência médica no
estrangeiro aos beneficiários do Serviço Nacional de
Saúde
 Reduz o seu âmbito de aplicação à assistência
médica de grande especialização que, por falta de
meios técnicos ou humanos, não possa ser prestada
no País
 Excluem-se as propostas de deslocação ao
estrangeiro que provenham de instituições privadas
O Sistema de Saúde – Conceitos
42
Normativos
 CRONOLOGIA
 1993
 Decreto-Lei nº11/93, de 15 de Janeiro
 Novo Estatuto do SNS
 procura superar a incorrecta – do ponto de vista
médico e organizativo – dicotomia entre cuidados
primários e cuidados diferenciados
 A indivisibilidade da saúde e a necessidade de uma
criteriosa gestão de recursos levam à criação de
unidades integradas de cuidados de saúde,
viabilizando a articulação entre centros de saúde e
hospitais
O Sistema de Saúde – Conceitos
43
Normativos
 CRONOLOGIA
 1993
 Decreto-Lei nº335/93, de 29 de Setembro
 Criação das regiões de saúde, dirigidas por
administrações com competências e atribuições
reforçadas
 Adopção de mecanismos especiais de
mobilidade e de contratação de pessoal, como o
incentivo a métodos e práticas concorrenciais
O Sistema de Saúde – Conceitos
44
Normativos
 CRONOLOGIA
 1998
 Decreto-Lei nº97/98, de 18 de Abril
 Estabelece o regime de celebração das convenções a que se
refere a base XLI da Lei nº48/90, de 24 de Agosto - Lei de
Bases da Saúde
 Decreto-Lei nº117/98, de 5 de Maio
 Regime remuneratório experimental dos médicos da carreira de
clínica geral
 Procura-se consolidar e expandir as reformas da organização da
prestação dos cuidados, através do adequado e justo
reconhecimento dos diferentes níveis, qualitativos e quantitativos,
do desempenho dos profissionais de saúde
O Sistema de Saúde – Conceitos
45
Normativos
 CRONOLOGIA
 1998
 Resolução do Conselho de Ministros nº140/98, de 4 de
Dezembro
 Define um conjunto de medidas para o
desenvolvimento do ensino na área da saúde
 Reforço da aprendizagem tutorial na comunidade, nos
centros de saúde e nos hospitai
 Reorganização da rede de escolas superiores de
enfermagem e de tecnologia da saúde, através da sua
passagem para a tutela do Ministério da Educação
 Reorganização da formação dos enfermeiros, com a
passagem da formação geral para o nível de
licenciatura
O Sistema de Saúde – Conceitos
46
Normativos
 CRONOLOGIA
 1999
 Decreto-Lei nº286/99, de 27 de Julho
 Estabelece a organização dos serviços de saúde
pública
 Dita que a implantação se opera a dois níveis:
 Regional
 Local
O Sistema de Saúde – Conceitos
47
Normativos
 CRONOLOGIA
 1999
 Decreto-Lei nº374/99, de 18 de Setembro
 Cria os centros de responsabilidade integrados (CRI)
nos hospitais do SNS – estruturas orgânicas de
gestão intermédia, agrupando serviços e/ou
unidades funcionais homogéneos e ou afins
 O objectivo consiste em aumentar a eficiência e
melhorar a acessibilidade, mediante um maior
envolvimento e responsabilização dos profissionais
pela gestão dos recursos postos à sua disposição
O Sistema de Saúde – Conceitos
48
Normativos
 CRONOLOGIA
 1999
 Despacho Normativo nº61/99, de 11 de Setembro
 Cria as Agências de Contratualização
 Cabe-lhe explicitar as necessidades de saúde e
defender os interesses dos cidadãos e da sociedade,
visando assegurar a melhor utilização dos recursos
públicos para a saúde e a máxima eficiência e
equidade nos cuidados de saúde a prestar
O Sistema de Saúde – Conceitos
49
Normativos
 CRONOLOGIA
 1999
 Decreto-Lei nº156/99, de 10 de Maio
 Regime dos Sistemas Locais de Saúde (SLS)
 Conjunto de recursos articulados na base da
complementaridade e organizados segundo
critérios geográfico-populacionais
O Sistema de Saúde – Conceitos
50
Normativos
 CRONOLOGIA
 1999
 Visam facilitar a participação social e, em
conjunto com os centros de saúde e hospitais,
pretendem promover a saúde e a racionalização
da utilização dos recursos
 Constituídos pelos centros de saúde, hospitais e
outros serviços e instituições, públicos e privados,
com ou sem fins lucrativos, com intervenção,
directa ou indirecta, no domínio da saúde
O Sistema de Saúde – Conceitos
51
Normativos
 CRONOLOGIA
 1999
 Decreto-Lei nº157/99, de 10 de Maio
 Um novo regime de criação, organização e
funcionamento dos centros de saúde
 Os chamados ―centros de saúde de terceira
geração‖ são dotados de autonomia técnica,
administrativa e financeira e património próprio, sob
superintendência e tutela do Ministro da Saúde
 Prevê-se a existência de associações de CS‘s
O Sistema de Saúde – Conceitos
52
Normativos
 CRONOLOGIA
 2002
 Lei nº27/2002, de 8 de Novembro
 Novo regime de gestão hospitalar
 Introduzem-se modificações profundas na Lei de
Bases da Saúde
 Novo modelo de gestão hospitalar, aplicável aos
estabelecimentos hospitalares
 Modelos de gestão de tipo empresarial (EPE)
O Sistema de Saúde – Conceitos
53
Normativos
 CRONOLOGIA
 2003
 Decreto-Lei nº60/2003, de 1 de Abril
 Traduz a necessidade de uma nova rede integrada
de serviços de saúde, onde, para além do papel
fundamental do Estado, possam co-existir entidades
de natureza privada e social, orientadas para as
necessidades concretas dos cidadãos
 Volvidos dois anos, este diploma será revogado,
sendo repristinado o Decreto-Lei nº157/99, de 10
de Maio
O Sistema de Saúde – Conceitos
54
Normativos
 CRONOLOGIA
 2003
 Decreto-Lei nº173/2003, de 1 de Agosto
 Surgem as taxas moderadoras, com o objectivo
de moderar, racionalizar e regular o acesso à
prestação de cuidados de saúde, reforçando o
princípio de justiça social no SNS
O Sistema de Saúde – Conceitos
55
Normativos
 CRONOLOGIA
 2003
 Decreto-Lei nº309/2003, de 10 de Dezembro
 Nasce a Entidade Reguladora da Saúde (ERS)
 Traduz-se, desta maneira, a separação da
função do Estado como regulador e supervisor,
em relação às suas funções de operador e de
financiador
O Sistema de Saúde – Conceitos
56
Normativos
 CRONOLOGIA
 2006
 Decreto-Lei nº101/2006, de 6 de Junho
 Cria a Rede Nacional de Cuidados Continuados
Integrados (RNCCI)
 Dar resposta ao progressivo envelhecimento da
população, ao aumento da esperança média de
vida e à crescente prevalência de pessoas com
doenças crónicas incapacitantes
O Sistema de Saúde – Conceitos
57
Normativos
 CRONOLOGIA
 2007
 Surgem as primeiras unidades de saúde familiar
(USF) - Reforma dos CSP‘s.
 Decreto-Lei nº298/2007, de 22 de Agosto
 Regime jurídico da organização e do funcionamento
das USF e regime de incentivos a atribuir aos seus
elementos
 Objectivo de obter ganhos em saúde, através da
aposta na acessibilidade, na continuidade e na
globalidade dos cuidados prestados
O Sistema de Saúde – Conceitos
58
Normativos
 CRONOLOGIA
 2008
 Decreto-Lei nº28/2008, de 22 de Fevereiro
 Criação dos agrupamentos de centros de saúde
(ACES) – reforma dos CSP‘s
 Objectivo: dar estabilidade à organização da
prestação de CSP‘s, permitindo uma gestão
rigorosa e equilibrada e a melhoria no acesso
aos cuidados de saúde
O Sistema de Saúde – Conceitos
59
Normativos
 CRONOLOGIA
 2009
 Decreto-Lei nº81/2009, de 2 de Abril
 Reestrutura a organização dos serviços
operativos de saúde pública a nível regional e
local, articulando com a organização das
administrações regionais de saúde e dos
agrupamentos de centros de saúde
 No horizonte está a modificação do perfil de
saúde e doença das populações
Lei de Bases da Saúde
60

 BASE IV
 Sistema de saúde e outras entidades
 Sistema de saúde visa a efectivação do direito à
protecção da saúde.
 Estado actua através de serviços próprios, celebra
acordos com entidades privadas para a prestação
de cuidados e apoia e fiscaliza a restante
actividade privada na área da saúde.
 Cidadãos e as entidades públicas e privadas
devem colaborar na criação de condições que
permitam o exercício do direito à protecção da
saúde e a adopção de estilos de vida saudáveis
Lei de Bases da Saúde
61

 BASE VI
 Responsabilidade do Estado
Cabe ao Ministério da Saúde
Propor a definição da política nacional
de saúde
 Promover e vigiar a respectiva execução
 Coordenar a sua acção com a dos
ministérios que tutelam áreas conexas
 Todos os departamentos devem ser
envolvidos na promoção da saúde
Lei de Bases da Saúde
62

 BASE XII
 Sistema de Saúde
 Constituído por:
 Serviço Nacional de Saúde
 Todas as entidades públicas que desenvolvam
actividades de promoção, prevenção e
tratamento na área da saúde
 Todas as entidades privadas
 Todos os profissionais livres que acordem com a
primeira a prestação de todas ou de algumas
daquelas actividades
Lei de Bases da Saúde
63

 BASE XIV
 Estatuto dos Utentes
Por exemplo, o direito de se ser tratado
«pelos meios adequados, humanamente e
com prontidão, correcção técnica,
privacidade e respeito» (Base XIV, n.º 1,
alínea c) ) e o dever de «observar as
regras sobre a organização e o
funcionamento dos serviços e
estabelecimentos» (idem, n.º2, alínea b) )
Lei de Bases da Saúde
64

 BASE XXIV
 Características do SNS
 É universal quanto à população abrangida
 Presta integradamente cuidados globais ou
garantir a sua prestação
 É tendencialmente gratuito para os utentes,
tendo em conta as condições económicas e
sociais dos cidadãos
Lei de Bases da Saúde
65

 Base XXIV
 Características do SNS
 Garantir a equidade no acesso dos utentes, com o objectivo
de atenuar os efeitos das desigualdades económicas,
geográficas e quaisquer outras no acesso aos cuidados
 Ter organização regionalizada e gestão descentralizada e
participada
Lei de Bases da Saúde
66

 Base XXVI
 Gestão dos Hospitais e dos Centros de Saúde
A gestão das unidades de saúde deve obedecer, na
medida do possível, a regras de gestão empresarial e a lei
pode permitir a realização de experiências inovadoras de
gestão, submetidas a regras por ela fixadas
 Pode ser autorizada a entrega, através de contratos de
gestão, de hospitais ou centros de saúde do SNS a outras
entidades ou, em regime de convenção, a grupos de
médicos.
SNS: Organização, Serviços e
67
Competências
 DL 212/2006, de 27 de Outubro
 Lei Orgânica do Ministério da Saúde
O Ministério da Saúde, abreviadamente designado por MS,
é o departamento governamental que tem por missão
definir a política nacional de saúde, exercer as
correspondentes funções normativas e promover a
respectiva execução e avaliar os resultados
SNS: Organização, Serviços e
68
Competências
 DL 212/2006, de 27 de Outubro
 Lei Orgânica do Ministério da Saúde
 Atribuições do MS:
 Assegurar as acções necessárias à formulação, execução,
acompanhamento e avaliação da política de saúde
 Exercer, em relação ao SNS, funções de regulamentação,
planeamento, financiamento, orientação, acompanhamento,
avaliação, auditoria e inspecção
 Exercer funções de regulamentação, inspecção e fiscalização
relativamente às actividades e prestações de saúde
desenvolvidas pelo sector privado, integradas ou não no sistema
de saúde, incluindo os profissionais neles envolvidos
SNS: Organização, Serviços e
69
Competências
 DL 212/2006, de 27 de Outubro
 Artigo 4º
 Administração directa do Estado:
 Alto Comissariado da Saúde - ACS
 Inspecção-Geral das Actividades em Saúde – IGAS
 Secretaria-Geral
 Direcção Geral da Saúde – DGS
 Autoridade para os Serviços de Sangue e da Transplantação
SNS: Organização, Serviços e
70
Competências
 DL 212/2006, de 27 de Outubro
 Artigo 5º
 Administração indirecta do Estado:
 Administração Central do Sistema de Saúde – ACSS
 INFARMED — Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos
de Saúde
 Instituto Nacional de Emergência Médica – INEM
 Instituto Português do Sangue
 Instituto da Droga e da Toxicodependência – IDT
 Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge
SNS: Organização, Serviços e
71
Competências
 DL 212/2006, de 27 de Outubro
 Artigo 5º
 Administração indirecta do Estado – organismos periféricos:
 Administração Regional de Saúde do Norte
 Administração Regional de Saúde do Centro
 Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo
 Administração Regional de Saúde do Alentejo
 Administração Regional de Saúde do Algarve
SNS: Organização, Serviços e
72
Competências
 ACS
SNS: Organização, Serviços e
73
Competências
 ACS
 A ACS tem sob sua coordenação o Plano Nacional de Saúde 2011-2016
 Os valores fundamentais sobre os quais se fundamentam o
Sistema de Saúde são a universalidade, o acesso a cuidados de
qualidade, a equidade e a solidariedade
 Os valores orientadores do processo de construção do são os da
excelência técnico-científica, transparência, participação e
envolvimento dos actores e intervenientes do sistema de saúde
 Dos princípios sublinha-se a continuidade com o Plano Nacional
de Saúde(PNS) 2004-2010, a orientação por um modelo
conceptual estratégico, a fundamentação técnica e científica, a
consultadoria especializada nacional e internacional, a
consideração dos resultados da avaliação do Sistema de Saúde
Português pela OMS e sua discussão nacional, e a definição de
instrumentos estratégicos e de monitorização de suporte ao plano
SNS: Organização, Serviços e
74
Competências
 ACS
 O PNS 2011-2016 tem como visão – Maximizar os ganhos em
saúde da população através do alinhamento e integração de
esforços sustentados de todos os sectores da sociedade, com foco
no acesso, qualidade, políticas saudáveis e cidadania
 São objectivos do processo de construção do PNS 2011-2016
 A obtenção de um documento ―Plano Nacional de Saúde 2011-
16‖ que contribua com orientações estratégicas claras, dirigidas
à maximização da obtenção de ganhos em saúde, de forma
sustentável, contínua, monitorizável e avaliável
 O desenvolvimento de um elevado consenso e concertação de
todos os intervenientes e actores envolvidos na criação de ganhos
de saúde, ou influentes no estado de saúde dos Portugueses,
incluindo sectores que não tenham como objectivo primário os
ganhos em saúde
SNS: Organização, Serviços e
75
Competências
 ACS
 A elaboração e discussão de estudos, pareceres e
instrumentos que permitam uma compreensão integrada e
abrangente do estado de saúde dos portugueses e do
seu sistema de saúde, bem como a fundamentação
técnico-científica das estratégias preconizadas
 O delineamento de estratégias de saúde portuguesas
que incorporem as melhores opções e recomendações
nacionais e internacionais em política de saúde, resultado
de uma avaliação de impacto, de um maior envolvimento
de peritos nas decisões estratégicas, e do reconhecimento
das boas práticas em política de saúde portuguesas a
nível internacional
SNS: Organização, Serviços e
76
Competências
 ACS
A criação de processos mais claros e eficientes de
articulação entre as decisões estratégicas, a atribuição
e gestão de recursos, a implementação de acções e a
sua avaliação de impacto na saúde;
 A elaboração de um instrumento de envolvimento dos
profissionais de saúde na melhoria contínua da
qualidade e do seu desempenho, dos cidadãos na
auto-promoção da saúde e de centralização do
sistema de saúde no cidadão
SNS: Organização, Serviços e
77
Competências
 IGAS
SNS: Organização, Serviços e
78
Competências
 IGAS
 Missão
 Assegurar o cumprimento da lei e elevados níveis
técnicos de actuação, em todos os domínios da
prestação dos cuidados de saúde, quer pelos
organismos do Ministério da Saúde ou por este
tutelados, quer ainda pelas entidades públicas,
privadas ou do sector social.
 Funções essenciais:
 Inspecção
 Auditoria
 Fiscalização
 Acção Disciplinar
SNS: Organização, Serviços e
79
Competências
 Secretaria-Geral do MS
SNS: Organização, Serviços e
80
Competências
 SG
 De acordo com o disposto no Decreto
Regulamentar nº 66/2007, de 29 de Maio,
a DGS tem como Missão ―regulamentar,
orientar e coordenar as actividades de
promoção da saúde, prevenção da doença e
definição das condições técnicas para
adequada prestação de cuidados de saúde‖
(nº1 do artigo 2º)
SNS: Organização, Serviços e
81
Competências
 SG
 Tem ainda como atribuições:
 Emitir orientações e desenvolver programas específicos
 Emitir orientações e avaliar a prestação de cuidados de
saúde nas redes hospitalar, de centros de saúde e unidades
de saúde familiares e de cuidados continuados
 Elaborar e difundir orientações para a Excelência
 Coordenar e assegurar a vigilância epidemiológica a nível
nacional
 Elaborar e divulgar estatísticas de saúde e promover o seu
aperfeiçoamento contínuo
SNS: Organização, Serviços e
82
Competências
 ACSS
SNS: Organização, Serviços e
83
Competências
 ACSS
 É um instituto público integrado na administração
indirecta do Estado, dotado de autonomia
administrativa, financeira e património próprio
 Missão: administrar os recursos humanos, financeiros,
instalações e equipamentos, sistemas e tecnologias da
informação do SNS e promover a qualidade
organizacional das entidades prestadoras de cuidados
de saúde, bem como proceder à definição e
implementação de políticas, normalização,
regulamentação e planeamento em saúde, nas áreas
da sua intervenção, em articulação com as ARS
SNS: Organização, Serviços e
84
Competências
 ARS‘s
 As ARS ―exercem as suas atribuições nas áreas
correspondentes ao nível II da Nomenclatura de Unidades
Territoriais para Fins Estatísticos (NUTS)‖, havendo sedes em:
 ARS do Norte, I. P., no Porto;
 ARS do Centro, I. P., em Coimbra;
 ARS de Lisboa e Vale do Tejo, I. P., em Lisboa
 ARS do Alentejo, I. P., em Évora;
 ARS do Algarve, I. P., em Faro
SNS: Organização, Serviços e
85
Competências
 ARS‘s
 Missão e Atribuições
 ―Garantir à população da respectiva área geográfica de
intervenção o acesso à prestação de cuidados de saúde de
qualidade, adequando os recursos disponíveis às
necessidades em saúde e cumprir e fazer cumprir o Plano
Nacional de Saúde na sua área de intervenção‖
 E tem dezenas de atribuições (ver na aula)
SNS: Organização, Serviços e
86
Competências
 DL 212/2006, de 27 de Outubro
 Artigo 6º
 Entidade Administrativa Independente - ERS
 É uma entidade administrativa independente no âmbito do MS
SNS: Organização, Serviços e
87
Competências
 ERS
 Artigo 6º
 Entidade Administrativa Independente - ERS
 É uma entidade administrativa independente no âmbito do MS
SNS: Organização, Serviços e
88
Competências
 ERS
 Missão
É uma entidade de regulação e supervisão do sector da
prestação de cuidados de saúde, independente no exercício
das suas funções
 Cujas atribuições se desenvolvem em áreas fundamentais
relativas ao acesso aos cuidados de saúde, à observância
dos níveis de qualidade e à garantia de segurança,
zelando pelo respeito das regras da concorrência entre
todos os operadores, no quadro da prossecução da defesa
dos direitos dos utentes
SNS: Organização, Serviços e
89
Competências
 Sector Empresarial do Estado
 Sem prejuízo dos poderes conferidos por lei ao
Conselho de Ministros e ao membro do Governo
responsável pela área das finanças, a competência
relativa à definição das orientações das entidades do
sector empresarial do Estado na área da saúde, bem
como ao acompanhamento da respectiva execução, é
exercida pelo membro do Governo responsável pela
área da saúde
SNS: Organização, Serviços e
90
Competências
 Sector Empresarial do Estado
A competência relativa à definição das orientações
das entidades do sector empresarial do Estado na
área da saúde, bem como ao acompanhamento da
respectiva execução, é exercida pelo membro do
Governo responsável pela área da saúde
O SNS e o Estado Social
91

 Conceito de Estado Social


 Modelo de Estado Social é aquele em que o Estado é
o agente regulamentador da vida e saúde social,
política e económica, em parceria com sindicatos e
empresas privadas, em níveis diferentes, que podem
variar de acordo com a nação em questão. Cabe ao
Estado garantir serviços públicos e protecção à
população, numa base prestativa que assenta num
sistema contributivo e redistributivo
O SNS e o Estado Social
92

 Conceito de Estado Social


É uma forma organizativa de sociedade que permite
conceber, criar e implementar uma resposta colectiva
às necessidades de cada uma das pessoas. Desse
modo, responde ao colectivo, de modo individual
 1689, na Inglaterra redigiu-se a Carta de Direitos (Bill
of Rights)
 Documento feito na Inglaterra pelo Parlamento que
determinou, entre outras coisas, a liberdade, a vida e a
propriedade privada
O SNS e o Estado Social
93

 Conceito de Estado Social - USA


A Guerra da Independência dos Estados Unidos da
América (1775–1783), também conhecida como
Guerra Revolucionária Americana, começou após a
assinatura do Tratado de Paris que, em 1763, pôs fim
à Guerra dos Sete Anos
 Teve como principal motor a burguesia colonial e levou
à independência das Treze Colónias - os Estados
Unidos da América - (proclamada em 4 de Julho de
1776), sendo o primeiro país a dotar-se de uma
constituição política escrita
O SNS e o Estado Social
94

 Conceito de Estado Social - USA


 Direito à independência e à livre escolha de cada povo e
de cada pessoa ("o direito à vida, à liberdade e à procura
da felicidade" é definido como inalienável e de origem
divina)
 Mas, ainda construindo uma federação de estados dotados
de uma grande autonomia e aprovando uma constituição
política (a primeira da História mundial) onde se
consignavam os direitos individuais dos cidadãos, se
definiam os limites dos poderes dos diversos estados e do
governo federal, e se estabelecia um sistema de equilíbrio
entre os poderes legislativo, judiciário e executivo de modo
a impedir a supremacia de qualquer deles, além de outras
disposições inovadoras
O SNS e o Estado Social
95

 Conceito de Estado Social – França


 Veio depois a Revolução Francesa e, com ela, a exaltação
da Liberdade, Igualdade, Fraternidade. Esta decorreu entre
5 de maio de 1789 e 9 de novembro de 1799, alterando o
quadro político e social de França
 Como se pode ler na wikipedia ―a Revolução é considerada
como o acontecimento que deu início à Idade
Contemporânea. Aboliu a servidão e os direitos feudais e
proclamou os princípios universais de "Liberdade, Igualdade
e Fraternidade" (Liberté, Egalité, Fraternité), frase de
autoria de Jean-Jacques Rousseau‖
O SNS e o Estado Social
96

 Conceito de Estado Social – França


A Constituição de 1791 estabeleceu em França as
linhas gerais para o surgimento de uma sociedade
burguesa e capitalista em lugar da anterior, feudal e
aristocrática
 Foi esta realidade que fez emergir os direitos sociais
e com eles a génese do que hoje conhecemos como
Estado Social na Europa, alargando o espectro dos
direitos dos cidadãos
O SNS e o Estado Social
97

 Conceito de Estado Social – redefinição


 Estado Social é aquele em que o Estado é o agente
regulamentador da vida e saúde social, política e
económica, em parceria com sindicatos e empresas
privadas, em níveis diferentes, que podem variar de
acordo com a nação em questão
 Cabe ao Estado garantir serviços públicos e protecção
à população, numa base prestativa que assenta num
sistema contributivo e redistributivo
O SNS e o Estado Social
98

 Conceito de Estado Social – influências ideológicas


 Está muito ligado ao de Social-Democracia, sobretudo por
ter tido uma enorme expansão na Europa, com grande
enfoque no Norte da Europa (os países escandinavos como
a Suécia, Noruega, Dinamarca e Finlândia) sob a
orientação do economista e sociologista sueco Karl Gunnar
Myrdal
 Ironicamente Gunnar Myrdal, um dos principais
idealizadores do Estado de bem-estar-social dividiu, em
1974, o Prémio Nobel da Economia com um seu rival
ideológico, de seu nome Friedrich August von Hayek, um dos
maiores defensores do mercado livre, economista da Escola
Austríaca com grande influência liberal
O SNS e o Estado Social
99

 Conceito de Estado Social – influências ideológicas


 Porém, é no pensamento keynesiano que se inspirou
(John Maynard Keynes 1883-1946) o novo modelo de
organização do Estado-Providência. Este economista
defendia que o Estado se deveria fundar ―numa
organização político-económica oposta às concepções
neoliberais, fundamentada na afirmação do Estado
como agente indispensável de controlo da economia,
com o objectivo de conduzir a um sistema de pleno
emprego‖
O SNS e o Estado Social
100

 Conceito de Estado Social – influências ideológicas


 Este desejo de bem-estar-social teve a sua génese,
curiosamente, na Grande Depressão Americana de
1929 (New Deal de Franklin Delano Roosevelt) e num
contexto de crescentes direitos de cidadania,
conquistados e ampliados no pós I Grande Guerra
(1914-18)
 Foi neste contexto que nasceram e ganharam força na
Europa duas importantes correntes: a social democracia
e o comunismo
O SNS e o Estado Social
101

 Conceito de Estado Social – influências ideológicas


 Em ambos os casos, pelo menos em teoria, se defendiam
direitos sociais indissociáveis à existência de qualquer
cidadão
 Todo o indivíduo terá direito, desde que nasce e até que
morre, a um conjunto de bens e serviços assegurados pelo
Estado, directa ou indirectamente, através do seu poder de
regulamentação sobre a sociedade civil
 Entre esses estão a educação em todos os níveis, a
assistência médica gratuita, o apoio aos desempregados, a
garantia de um rendimento mínimo, e recursos adicionais
para a criação dos filhos
O SNS e o Estado Social
102

 Conceito de Estado Social – influências ideológicas


 Não se pode ainda ignorar o papel de Konrad
Adenauer (1876-1967) neste domínio, pois conseguiu
aglutinar as tradições sociais, cristãs, conservadores e
liberais
 O seu nome representa a visão da reconstrução
democrática da Alemanha, a consolidação externa
numa sociedade de valores transatlânticos,
transfronteiriços, a visão da unificação europeia e a
orientação na economia social do mercado
O SNS e o Estado Social
103

 Conceito de Estado Social – fases históricas


 Analisando a intervenção do Estado na sociedade francesa
e inglesa, os politólogos vão definir três fases de
implementação do Estado Providência:
 Experimentação
 Esta fase coincide com o alargamento do direito de voto e o
aparecimento de segurança social, impulsionada por Otto Von
Bismarck que vai resultar na política central da Alemanha do pré I
Guerra Mundial e depois da própria República de Weimar (de
acordo com esta interpretação, o poder económico privado
desgastou a economia liberal do Reich Alemão de 1871
 No final de 1870, Bismarck alterou a política económica alemã,
fazendo-a passar de liberal para proteccionista
 Em 1898, o Supremo Tribunal autorizou formalmente os cartéis,
legalizando a economia cartelista alemã
O SNS e o Estado Social
104

 Conceito de Estado Social – fases históricas


 Analisando a intervenção do Estado na sociedade
francesa e inglesa, os politólogos vão definir três fases
de implementação do Estado Providência:
 Consolidação
 Estado não poderia ficar indiferente àquilo que se passava e,
por isso, chega a hora de intervir através da criação de
emprego, como se pode ver nas políticas de Franklin Roosevelt
O SNS e o Estado Social
105

 Conceito de Estado Social – fases históricas


 Analisando a intervenção do Estado na sociedade francesa e
inglesa, os politólogos vão definir três fases de implementação
do Estado Providência:
 Expansão
 No pós-II Guerra Mundial, o Estado de bem-estar social expande-se. O
modelo tinha sido bem sucedido na Suécia e seria aplicado de uma forma
generalizada
 Patrocinava um acordo social em três partes: o proletariado (representado
pelos sindicatos), o patronato e o Estado, o mediador
 Quando a política não resulta o Estado intervém e tenta resolver a situação
para agradar a ambas as partes
 Por exemplo na Alemanha e a partir de 1960, o governo liderado por
Konrad Adenauer adoptou um conjunto de disposições que reforçaram os
fundamentos do Estado social: as reformas em favor dos expulsos e dos
refugiados, subsídios de habitação, seguros de doença e regulamentação
acrescida do mercado de trabalho
O SNS e o Estado Social
106

 Conceito de Estado Social – fases históricas


 Analisando a intervenção do Estado na sociedade francesa
e inglesa, os politólogos vão definir três fases de
implementação do Estado Providência:
 Expansão
 Até aos anos 80 o processo produziu os 30 Gloriosos anos de
crescimento económico e estava a ganhar o confronto com o
Liberalismo capitalista, modelo em crise após os problemas
financeiros de 1973 e pela guerra do Vietname, elemento
destabilizador da economia dos EUA
 Isso vai levar a que Margaret Thatcher diga que o Estado deixou
de ter condições económicas para sustentar um Estado Providência e
vai retirar os vários direitos que os cidadãos tinham adquirido ao
longo de várias décadas
O SNS e o Estado Social
107

 Conceito de Estado Social – encruzilhadas


O Estado Social pode estar em crise – e está. Mas
ainda persiste e subsiste
 Entre os seus objectivos há dois essenciais: a garantia
do bom funcionamento do mercado segundo o
pensamento de Adam Smith (1723-1790, Iluminista
ingês e pai do liberalismo económico) e a defesa dos
direitos dos cidadãos na saúde, educação e
alimentação
 Uma das ideias fundamentais deste pensamento é a
igualdade de oportunidades
O SNS e o Estado Social
108

 Conceito de Estado Social – encruzilhadas


 Hoje, na Europa, 40% do PIB vai para políticas sociais. A
sua origem vem de Lorenz Von Stein, jurista alemão, que
elaborou nos seus ensaios a ideia de que o Estado também
deve intervir na economia para corrigir os prejuízos que
possam haver para os seus cidadãos
 Von Stein alertava para o perigo de uma reforma social na
qual acabassem por não ser feitas as reformas necessárias.
Esta ideia remonta a meados do século XIX e, no final desse
século, outro pensador, Wagner, vai criar a Lei de Wagner
onde prevê o aumento da intervenção pública nessas áreas,
dizendo que se não houver um aumento de administração
não há crescimento económico
O SNS e o Estado Social
109

 Conceito de Estado Social – encruzilhadas


A crise do Modelo de Estado Social é evidente e há
pelo menos 2 correntes explicativas:
 Explicação liberal: esta teoria defende que se está a viver
uma crise de governabilidade e a razão é o excesso de
democracia, de controlo público sobre as empresas e sobre
a economia. Para os neoliberais, o Estado-Providência é
antieconómico, já que desvia investimentos, provoca
improdutividade, leva a ineficácia e ineficiência do
aparelho estatal e, no fundo, é a negação da liberdade e
da propriedade privada
O SNS e o Estado Social
110

 Conceito de Estado Social – encruzilhadas


 A crise do Modelo de Estado Social é evidente e há pelo
menos 2 correntes explicativas:
 Explicação de Esquerda: há uma sobrecarga do Estado porque
existem vários grupos que lutam pelo poder e pelo controlo da
economia. Para chegar ao Governo, cada grupo promete cada
vez mais, despoletando os gastos públicos. Para os neomarxistas,
o Estado-Providência está a viver uma crise fiscal derivada de um
excesso de produção e quem se apropria dos resultados de
produção é o proprietário capitalista, deixando o proletariado
sem lucro e sem dinheiro para pagar impostos a fim de manter o
estado viável. Falam igualmente de uma crise de legitimidade,
criticando as políticas de privatização total
O SNS e o Estado Social
111

 Conceito de Estado Social – encruzilhadas


A crise do Modelo de Estado Social é evidente e há
pelo menos 2 correntes explicativas:
 Estamos a viver em plena crise e aparecem já algumas
reformas que tentam resolver problemas como a segurança
social, mas a própria mutação demográfica na Europa não
ajuda a resolver a problemática do Estado Providência
 A direita diz que não há dinheiro e é preciso patrocinar
reformas
 A esquerda diz que dinheiro há, ele está é mal distribuído
O SNS e o Estado Social
112

 Conceito de Estado Social – encruzilhadas


O problema é então o da SUSTENTABILIDAE DO
MODELO SOCIAL EUROPEU e em cada um dos seus
Estados-Membros
 Na Europa, o modelo social depende muito do
crescimento económico e da capacidade de cada
Estado o poder manter e alimentar. Numa economia
muito marcada pelo ritmo imposto pela Alemanha é
natural que todos olhem para o ‗motor‘ da economia
europeia e se questionem
O SNS e o Estado Social
113

 Conceito de Estado Social – encruzilhadas


 Do outro lado do Oceano, onde muito do que hoje se faz
de Estado-Social teve a sua génese, olha-se também para
a ―Velha Europa‖
 A matriz do conceito europeu, que agora começa a aportar
à costa norte-americana, com a Administração Obama (e já
lhe valeu a derrota no início de Novembro de 2010) a
olhar para os que nada têm como uma obrigação do
Estado e não apenas como benesse da mão caritativa
estendida pelas organizações bem intencionadas da
sociedade civil, está directamente relacionada com um
aparelho de Estado bem organizado e uma economia
saudável
O SNS e o Estado Social
114

 Conceito de Estado Social – encruzilhadas


 Unânime é, também, a ideia seguidora da célebre
frase de que Lampedusa pôs na boca do príncipe de
Salina, no romance O Leopardo: "Para que as coisas
permaneçam iguais, é preciso que tudo mude‖
 Mudanças, todos concordam e parecem ser (estão a ser
há duas décadas, pelo menos) o seguro de vida do
modelo
 Mas que mudanças?

 Aí, começam as divergências


O SNS e o Estado Social
115

 Conceito de Estado Social – encruzilhadas


 Em Portugal, o tema é tratado com base em clichés
próprios da espuma dos dias de pré-campanha
eleitoral - quem está no Poder vai cortando nos
benefícios sociais e critica os que na Oposição, à
Direita, defendem maior participação dos privados na
prestação de serviços, e, à Esquerda, os que querem
mais intervenção pública
 Todos argumentam em nome da defesa do tal Estado
social ou providência e da sua sobrevivência
O SNS e o Estado Social
116

 Conceito de Estado Social – encruzilhadas


 Há também uma opinião generalizada de que os modelos
europeus dos estados mais socialmente empenhados são os
países mais a Norte
 Em termos genéricos, os nórdicos, como a Suécia ou a
Finlândia, ainda estão no topo da lista dos que mais
gastam com o "bem-estar", a par da Holanda
 Mas o Reino Unido não perdeu, apesar do "Teatcharismo"
dos anos 80, a fama (e o proveito) de dispor do melhor
sistema nacional de saúde. E de ser, na saúde, um dos
melhores exemplos do Mundo e uma fonte de inspiração
permanente para Portugal
O SNS e o Estado Social
117

 Conceito de Estado Social – encruzilhadas


O desafio é cortar noutras áreas da despesa do
Estado ou aumentar a riqueza produzida e, com isso,
obter novas fontes de receita
 Em Portugal, com a redução das prestações sociais, o
modelo está a ser enfraquecido. Mantém-se ainda, no
entanto, o paradigma constitucional da
universabilidade e gratuitidade (ou tendência para a
gratuitidade) dos bens sociais
O SNS e o Estado Social
118

 Conceito de Estado Social – encruzilhadas


 Outras questões se colocam: até onde deve ir o Estado
na partilha das responsabilidades com os privados?
 Continua a ser possível/desejável a gratuitidade
universal dos sistemas de Saúde e Educação, por
exemplo?
 Nas pensões sociais, os cortes são inevitáveis?
 Como podem os Estados, empobrecidos, obter receita
para continuar a financiar os apoios sociais?
 As perguntas têm respostas muito díspares, que
espelham linhas de pensamento bem demarcadas
O SNS e o Estado Social
119

 Conceito de Estado Social – encruzilhadas


 Ao dizer que "acabou a utopia de tudo para todos",
Bagão Félix define-se e escolhe o crescimento
económico como garante para se manter o Estado
social, o qual, na sua opinião, "já é, e deve ser, mais
provisionador de direitos e regulador do que produtor
de serviços sociais―
 Diz ainda que ―em primeiro lugar, é preciso
crescimento económico para que o Estado possa ter
mais dinheiro para distribuir"
O SNS e o Estado Social
120

 Conceito de Estado Social – encruzilhadas


 Boaventura Sousa Santos, mais conotado com a
Esquerda, tem outra visão
 Considera "uma falsa questão" a falta de recursos do
Estado para garantir "a diminuição das disparidades
sociais causadas pela sociedade capitalista―
 ―É uma questão de prioridades e de diversificação das
receitas‖
 Defende uma forte tributação do sistema financeiro,
não deixando de lado os paraísos fiscais para onde
"voam" milhões de euros
O SNS e o Estado Social
121

 Conceito de Estado Social – encruzilhadas


 Manuela Silva, economista e ex-Presidente da
Comissão Nacional Justiça e Paz defende algo
semelhante
 ―Há uma grande ameaça sobre o Estado social, que é
incentivada pelos privados. Inculca-se na opinião
pública a ideia de que os serviços privados de Saúde
são mais eficientes, em simultâneo desinveste-se no
sector público‖
O SNS e o Estado Social
122

 Conceito de Estado Social – encruzilhadas


 Manuela Silva considera também a escassez de
recursos dos estados "uma falsa questão―
 "O Estado não pode ser alimentado exclusivamente
pela taxação dos rendimentos de trabalho e não é
aceitável que haja fortunas acumuladas através de
transacções bolsistas que não são tocadas pelo fisco―
 Tudo - o presente e o futuro do Estado social - é uma
opção política
Modelos organizativos comparados
123

 Considerações gerais
 Os sistemas de saúde têm variado em consonância com
os sistemas políticos vigentes
 O 25 de Abril em Portugal originou uma mudança no
sistema de saúde português
 Com a criação do Serviço Nacional de Saúde (SNS), é
assegurado a todos os cidadãos o direito à saúde e à
protecção na doença (1979)
Modelos organizativos comparados
124

 Considerações gerais
 O Reino Unido, pioneiro deste tipo de modelo, já o tinha
realizado, em 1948
 Os italianos criaram o seu SNS em 1978
 Os gregos em 1983
 Os espanhóis em 1984
 Os modelos de sistemas de saúde actualmente existentes, a
nível mundial, podem aglutinar-se em três grandes grupos:
 Serviço Nacional de Saúde
 Seguro Social
 Seguro Livre
Modelos organizativos comparados
125

 Modelo do Serviço Nacional de Saúde


 O Modelo do Serviço Nacional de Saúde reconhece o
direito à saúde e à assistência em igualdade de condições
em função da cidadania ou da residência
 É o chamado ―Modelo Beveridge‖ (William Henry
Beveridge, 1º Barão de Beveridge, 1879-1963), baseado
no modelo organizativo adoptado pelo Reino Unido a
seguir à Segunda Guerra Mundial que, por sua vez, seguiu
o modelo do "seguro de doença" do alemão Otto von
Bismarck, de 1883
 É o modelo seguido nos países nórdicos, no Reino Unido, na
Irlanda, Itália, Grécia, Portugal e Espanha
Modelos organizativos comparados
126

 Modelo do Serviço Nacional de Saúde


O sistema de financiamento é progressivo com base em
impostos gerais, a cobertura é universal e equitativa e
os recursos em geral são públicos
 O nível de despesa resulta comparativamente menor
em relação aos outros dois sistemas
 Os utentes têm uma capacidade de escolha limitada,
ainda que em que todos os sistemas possam escolher
livremente o seu médico assistente
Modelos organizativos comparados
127

 Modelo do Seguro Social


 O direito à assistência está baseado num princípio de
solidariedade e obrigação social
 Os sistemas com estas características baseiam-se na
legislação social alemã do final do século XIX — o modelo
Bismark — e este é o modelo adoptado pela Alemanha,
França, Áustria, Bélgica, Suíça, Luxemburgo e, com uma
grande relevância de seguro livre, tornando-o um sistema
misto, pela Holanda
 Os cidadãos podem contribuir directamente para o sistema
através da forma de seguro obrigatório, que em muitos
casos está associado a empresas ou a associações
profissionais
Modelos organizativos comparados
128

 Modelo do Seguro Social


 Os cuidados são universais e equitativos baseados no
princípio da solidariedade, subvencionando-se as
pessoas com menores recursos
 A planificação central não é tão marcada como nos
serviços nacionais de saúde
 Ainda que os médicos possam exercer a sua actividade
de forma liberal, a sua maioria trabalha em instituições
públicas ou sem fins lucrativos
 Os utentes têm uma grande capacidade de escolha do
médico assistente
Modelos organizativos comparados
129

 Modelo do Seguro Livre


 Não se reconhece o direito à assistência de cuidados
de saúde e em seu lugar reconhece-se o princípio da
autonomia individual
 Um sistema com estas características é (tem sido) o dos
Estados Unidos
 Os cidadãos adquirem uma cobertura assistencial em
função dos seus interesses e da sua capacidade de
pagamento
 Milhões de americanos de baixo nível de rendimento
não têm acesso a bons cuidados de saúde
Modelos organizativos comparados
130

 Modelo do Seguro Livre


 O sistema está fragmentado, a cobertura não é universal e a
existente é muito desigual
 Há sistemas compensatórios — muito questionados — para a
população sem recursos. Há um planeamento central escasso
 Os prestadores são independentes e na sua maioria privados
 Os gastos do sistema são muito elevados
 Os utentes têm capacidade de escolha do médico ainda que seja
limitado por restrições das companhias seguradoras
 Actualmente, a maioria das reformas nos sistemas de saúde
tentam conseguir melhorias de eficácia e de eficiência na
produção de serviços
 Estas medidas inserem-se numa política de reorientar os serviços
para o cidadão
Modelos organizativos comparados
131

 Reino Unido
Modelos organizativos comparados
132

 Reino Unido
O SNS do Reino Unido (NHS) é baseado no princípio
da universalidade e garante cuidados de saúde
gratuitos a todos os seus cidadãos desde 1948
 O seu financiamento é assegurado pelos impostos,
proporcionais ao rendimento dos contribuintes
 Os profissionais de saúde são tecnicamente autónomos,
têm liberdade de instalação e de prescrição, podem
exercer no sector privado, no sector público ou em ambos
Modelos organizativos comparados
133

 Reino Unido
 Caso pretendam exerce no sector público, terão de celebrar
contrato com o NHS
 Os cuidados de saúde primários são assegurados pelos GP‘s
(General Practitioners), a quem são assegurados recursos para
a aquisição de cuidados secundários ou terciários para os
utentes
 Os hospitais do NHS estão agrupados em estruturas públicas
independentes, conhecidas por ―trusts‖
 O Reino Unido costuma ser um dos países do TOP20 da OMS,
medindo os sistemas nacionais de saúde entre 191 países
Modelos organizativos comparados
134

 Espanha
Modelos organizativos comparados
135

 Espanha
 À semelhança de muitos outros sistemas nacionais de saúde,
o espanhol é marcado por sucessivas reformas imperfeitas,
tendo predominado:
 Um regime de seguro de doença obrigatório através do Insalud
(Instituto Nacional de La Salud)
 Um dispositivo público para os cuidados primários
 Uma rede de hospitais públicos
 Caracteriza-se ainda por associar, de modo muito
complexo, o financiamento público com o financiamento
privado e, ao mesmo tempo, com prestações igualmente
pelos sectores público e privado
Modelos organizativos comparados
136

 Espanha
 O sistema de saúde de Espanha esteve ligado, na sua
génese, ao desenvolvimento da Segurança Social e do
Estado-Providência e só em 1978, com a promulgação da
Constituição Espanhola, é que foi reconhecido, no seu artigo
43º, o direito à protecção da saúde
 A Lei Geral da Saúde nº14, de 1986, configurou o Sistema
de Saúde Espanhol, criando um sistema nacional, de
cobertura universal e financiamento público através de
impostos, integrado funcionalmente pelos serviços de saúde
de todas as províncias autónomas
Modelos organizativos comparados
137

 Espanha
 A despesa em saúde ronda 8% do PIB, um pouco menos
que em Portugal, em termos relativos
 A gestão operativa foi transferida para as 17 comunidades
autónomas e tem havido excesso de médicos, o que todos
bem sabemos porque os conhecemos nos nossos serviços
Carta dos Direitos e dos Deveres
138

 Lei de Bases da Saúde


 Direitos
 Escolher o serviço e os profissionais de saúde, na medida dos
recursos existentes e de acordo com as regras de organização
 Decidir receber ou recusar a prestação de cuidados que lhes é
proposta, salvo disposição especial da lei
 Ser tratados pelos meios adequados, humanamente e com
prontidão, correcção técnica, privacidade e respeito
 Ter rigorosamente respeitada a confidencialidade dos dados
pessoais
Carta dos Direitos e dos Deveres
139

 Lei de Bases da Saúde


 Direitos
 Ser informados sobre a sua situação, as alternativas possíveis de
tratamento e a evolução provável do seu estado
 Receber assistência religiosa
 Reclamar e fazer queixa sobre a forma como são tratados e, se
for caso disso, receber indemnização por prejuízos sofridos
 Constituir entidades que os representem e defendam os seus
interesses
 Constituir entidades que colaborem com o sistema de saúde,
nomeadamente sob a forma de associações para a promoção e
defesa da saúde ou de grupos de amigos de estabelecimentos
de saúde
Carta dos Direitos e dos Deveres
140

 Lei de Bases da Saúde


 Deveres
 Respeitar os direitos dos outros utentes
 Observar as regras de organização e funcionamento
dos serviços
 Colaborar com os profissionais de saúde em relação
à sua própria situação
 Utilizar os serviços de acordo com as regras
estabelecidas
 Pagar os encargos que derivem da prestação dos
cuidados de saúde, quando for caso disso
Carta dos Direitos e dos Deveres
141

 Carta
 Direitos
 O doente tem direito a ser tratado no respeito
pela dignidade humana
 O doente tem direito ao respeito pelas suas
convicções culturais, filosóficas e religiosas
 O doente tem direito a receber os cuidados
apropriados ao seu estado de saúde, no âmbito
dos cuidados preventivos, curativos, de
reabilitação e terminais
Carta dos Direitos e dos Deveres
142

 Carta
 Direitos
 O doente tem direito à prestação de cuidados
continuados
 O doente tem direito a ser informado acerca
dos serviços de saúde existentes, suas
competências e níveis de cuidados
 O doente tem direito a ser informado sobre a
sua situação de saúde
Carta dos Direitos e dos Deveres
143

 Carta
 Direitos
 O doente tem o direito de obter uma segunda
opinião sobre a sua situação de saúde
 O doente tem direito a dar ou recusar o seu
consentimento, antes de qualquer acto médico ou
participação em investigação ou ensino clínico
 O doente tem direito à confidencialidade de
toda a informação clínica e elementos
identificativos que lhe respeitam
Carta dos Direitos e dos Deveres
144

 Carta
 Direitos
 O doente tem direito de acesso aos dados
registados no seu processo clínico
 O doente tem direito à privacidade na
prestação de todo e qualquer acto médico
 O doente tem direito, por si ou por quem o
represente, a apresentar sugestões e
reclamações
Carta dos Direitos e dos Deveres
145

 Carta
 Deveres
 O doente tem o dever de zelar pelo seu estado
de saúde
 O doente tem o dever de fornecer aos
profissionais de saúde todas as informações
necessárias para obtenção de um correcto
diagnóstico e adequado tratamento
 O doente tem o dever de respeitar os direitos
dos outros doentes
Carta dos Direitos e dos Deveres
146

 Carta
 Deveres
 O doente tem o dever de colaborar com os
profissionais de saúde, respeitando as indicações que
lhe são recomendadas e, por si, livremente aceites
 O doente tem o dever de respeitar as regras de
funcionamento dos serviços de saúde
 O doente tem o dever de utilizar os serviços de
saúde de forma apropriada e de colaborar
activamente na redução de gastos desnecessários
Cidadãos e Comunidade
147

 A fazer
A fazer
 A fazer para a próxima sessão
Questões e Debate
148