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16/09/2019 Governo federal não teve influência na redução de homicídios no País - CartaCapital

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JUSTIÇA

Governo federal não teve in uência n


homicídios no País
THAIS REIS OLIVEIRA b 16 DE SETEMBRO DE 2019

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As maiores quedas de assassinatos ocorreram em estados do Nord


governados pela oposição e sem apoio federal

Sérgio Moro fez questão de al netar os jornalistas quando foi ao púlpito falar sobre o lançamento da
iniciativa mais recente de seu ministério, no m do mês passado. Na visão do ministro, a redução da
criminalidade por Bolsonaro não tem tido a “necessária exposição” nas telas e páginas da mídia brasi
completou: “Não me lembro de outro período histórico que tivesse havido uma redução de 22% dos
homicídios nos quatro primeiros meses”. É verdade. Segundo dados
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Pública, que monitora mês a mês os indicadores em todo o Brasil, as mortes violentas caíram 22% no
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Pública, que monitora mês a mês os indicadores em todo o Brasil, as mortes violentas caíram 22% no
primeiro semestre ECONOMIA
POLÍTICA deste ano emSOCIEDADE
comparação com
JUSTIÇAo do ano passado. DIVERSIDADE
MUNDO Mais de 6 mil vidas foram poup
EDUCAÇÃO

lá para cá. Vinte e três estados e o Distrito Federal registraram quedas.

É falso,OPINIÃO
porém, queBLOGS
o governoMAIS
federal tenha tido alguma in uência nessa redução.

➤ Leia também:
Caso Marielle Franco: pais são contra federalização das investigações
Emprego precário e salário estagnado travam crescimento
Miguel Arroyo: Escolas militarizadas criminalizam infâncias populares

A queda gradual nos homicídios ocorre, na prática, desde 2015. Naquela época, 9 estados tiveram me
mortes do que no ano anterior. Em 2016, foram 15 – número que se repetiu em 2017, quando os esta
regiões Norte e Nordeste foram palco de sucessivas rebeliões e episódios de violência nas periferias.
indicadores de 2018 con rmam tal tendência. Segundo a edição mais recente do Anuário do Fórum Br
de Segurança Pública, matou-se 10,4% menos naquele ano do que no período imediatamente anterior.

“Os patamares altos eram explicados por um conjunto muito pequeno de estados, que em 2018 cons
retomar o controle da situação. Por isso os números caíram, especialmente no Nordeste”, explica Ren
Sérgio de Lima, diretor da instituição.

A baixa da violência naquela região é a maior do País. Três estados tiveram quedas superiores a 30%
primeiro semestre deste ano: Sergipe, Rio Grande do Norte e Ceará. Este último, aliás, respondeu sozi
um quinto da queda nas mortes no Brasil. Diante do turbilhão de crises encomendadas, o governo ten
apropriar-se dessa melhora nos indicadores. Volta e meia, Bolsonaro e os comandados aludem para r
qualquer crítica. Conforme ele declarou nas redes sociais, um sinal de que o governo “está no caminh
Não é o que dizem governadores e especialistas.

Autor de um extenso trabalho sobre facções criminosas, o sociólogo Gabriel Feltran classi ca os hom
em cinco tipos diferentes. Em primeiro lugar vêm as mortes por con itos do mundo do crime. Em 201
assassinatos corresponderam a cerca de 80% das mortes violentas no Brasil. A série histórica do anu
mostra que os estados que tiveram maior queda na última década (São Paulo, Paraná, Piauí e Mato G
do Sul) são os mesmos nos quais o Primeiro Comando da Capital não apenas consolidou o domínio d
cadeias, mas a presença hegemônica na regulação dos códigos de conduta do crime. “O PCC implem
mecanismos pragmáticos de redução dos con itos internos ao universo criminal, regulando os homic
internos.”

! Negociação. A reacomodação dos con itos entre o PCC e facções locais a


os indicadores no Norte e Nordeste.

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Na sequência aparecem os casos ligados à letalidade policial: vítimas e o ciais mortos em confronto
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totalizam 11,45% do total das mortes violentas intencionais no Brasil e, em 2018, cresceram quase 20
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signi ca que 1 em cada 10 assassinatos ocorreu pelas mãos da polícia. Nessa guerra, morre em méd
policial para cada 18 mortes cometidas pela polícia. As vítimas dessa violência continuam a ser os jo
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pobres e negros: mais de 75% dos mortos por policiais em 2018 tinham a pele escura e idade entre 15
anos. Ao contrário do que o governo alardeia, a violência policial não tem relação de causa e efeito co
baixa nos homicídios. Se a matança fardada estivesse ligada à paz nas ruas, São Paulo não teria visto
redução de 11% na taxa de homicídios, cuja letalidade policial encolheu 10%. E em Roraima, o estado
violento do País no ano passado, não teria havido um crescimento de 65% na taxa de homicídios, uma
que a taxa de mortes policiais subiu 183%.

Em seguida aparecem os feminicídios (entre 6% e 8%), latrocínios (3,3%) e assassinatos ligados à hom
(1%). Os crimes violentos contra a mulher tiveram um aumento explosivo no último ano. Cresceu 4% o
de feminicídios e houve recorde nos registros de estupros. “Esses registros mostram que nossa socie
continua cruel e violenta, e que essa violência não está no bandido de fuzil na esquina.” diz Lima.

A verdade é que as propostas do governo Bolsonaro para a segurança, como a exibilização na posse
armas e o pacote anticrime, ainda não foram implementadas. Também minguou o repasse federal ao
estados. O Sistema Único de Segurança Pública, lançado no m do ano passado pelo governo Temer,
saiu do papel. A única parcela do Fundo Nacional de Segurança liberada até agora, de 250 milhões de
dividida por todos os estados, tem sido usada para custear a atuação da Força Nacional – que de nac
tem só o nome. Todo o contingente de peritos, policiais e bombeiros é emprestado pelos estados, que
continuam a pagar os salários desses o ciais. Não houve, até agora, nenhuma medida contundente n
Segurança Pública, diz Lima. “Apenas discurso político”, completa.

! As maiores reduções de assassinatos ocorreram em estados do Nordeste,


governados pela oposição e sem apoio federal
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Para continuar a investir, os governadores cobram atuação efetiva da União. “Todas as despesas com
segurança
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são custeadas
MAIS
pelo estado, o investimento do governo é irrisório”, a rma Antonio d
Pádua, secretário de Defesa Social de Pernambuco. O estado tem uma das iniciativas mais longevas
combate à violência. Há 12 anos, toda a estratégia de segurança pública foi encapsulada em um prog
chamado Pacto pela Vida, que levou um prêmio de gestão pública da Organização das Nações Unidas
2018, foi inaugurada uma secretaria especializada em prevenção às drogas e à violência. A redução d
mortes no estado em 2019 foi de 23%.

Na segunda 9, a reportagem acompanhou a participação dos governadores Rui Costa, da Bahia, e Hel
Barbalho, do Pará, em um evento com empresários em São Paulo. Tanto o governador baiano quanto
paraense defenderam uma atuação mais ampla no combate à violência. “Se o Estado não é capaz de
serviço públicos, a validade da política policial expira, o crime volta mais empoderado. Além da crimin
em si, o descrédito estatal fragiliza a sociedade”, disse Barbalho. Menos de um mês após o massacre
deixou 56 mortos no presídio de Altamira, o Pará registrou um dia inteiro sem mortes.

O governador Rui Costa pediu que o trá co de drogas seja tratado como crime federal. “O PCC é uma
organização criminosa complexa, de âmbito internacional hoje, não há como os estados isoladament
resolverem essa questão. Ou a União busca uma ação articulada com outros países, ou vamos car p
sempre tentando.” O petista também defendeu um novo olhar à questão das drogas. “Precisamos tes
outras abordagem além da criminal e policial.”

Naquela data em que chamou pra si as boas-novas, Moro lançava um programa batizado de “Em Fren
Brasil”. O nome ufanista esconde uma proposta esquálida. A versão piloto da proposta será testada a
cinco cidades: Ananindeua (PA), Paulista (PE), Cariacica (ES), São José dos Pinhais (PR) e Goiânia (G
sob investimento 25 vezes menor que o indicado. Ficou fora, por exemplo, a cidade cearense de Mara
mais violenta do País, segundo o Ipea.

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