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5º ANO

A. A MORTE DE D. FERNANDO E O PROBLEMA DA SUCESSÃO

a. Tempos Difíceis

 Durante a segunda metade do século XIV, a população


portuguesa viveu tempos difíceis, porque:

• O clima era instável, com períodos de chuva que


prejudicaram a agricultura durante muitos anos, porque
a falta de cereais era muita o que originou a fome e
morte a muitas pessoas.

• A falta de higiene nas cidades provocou doenças


contagiosas – epidemias e peste. A peste negra chegou a
Portugal em 1348 e em menos de 3 meses matou cerca
de um terço da população

b. Problemas de Sucessão

 Neste período de crise económica o Rei D. Afonso IV


desentendeu-se com o seu filho D. Pedro por causa da relação
entre D. Pedro (seu filho) e D. Inês de Castro

 A 30 de Abril de 1383, D. Beatriz, filha única de D. Fernando


D. Leonor de Teles casou com o rei D. João I de Castela

 Para garantir a independência de Portugal foi assinado um


Tratado na Vila de Salvaterra de Magos

 Contudo, e apesar do Tratado de Salvaterra de Magos, D.


Fernando morre e os problemas de sucessão ao trono começam
a surgir em 22 de Outubro de 1383. Tudo isto vai provocar uma
revolução.

c. A revolta popular

 Aquando da morte de D. Fernando, D. Leonor pede


conselhos ao seu conselheiro galego (conde João Fernandes
Andeiro) que a convenceu a mandar aclamar D. Beatriz sua filha
como Rainha de Portugal. Apesar da maior parte da Nobreza e
Clero concordar, o povo de Lisboa não concordou, porque não
gostava de D. Leonor e como tal tinham medo que Portugal
fosse dominado pelo Rei Castelhano. Então o povo revoltou-se
contra a aclamação de D. Beatriz como rainha de Portugal,
assim como a Burguesia e alguns Nobres

B. AS MOVIMENTAÇÕES POPULARES E OS GRUPOS EM


CONFRONTO

a. A Conspiração

 A revolta popular contra D. Leonor e o rei de Castela


aumentava de dia para dia. Foi então que foi feita uma
conspiração (grupo organizado contra) em Lisboa para matar o
Conde Andeiro. Quem estava à frente desta conspiração era
Álvaro Pais, um velho e rico Burguês que tinha sido chanceler-
mor dos Reis D. Pedro e D. Fernando.

 Mas para este acto ser feito sem desconfianças, era


preciso alguém que entrasse facilmente e sem levantar
suspeitas no Paço Real. O escolhido foi D. João, mestre da
Ordem Militar de Avis e meio irmão de D. Fernando. Assim, a 6
de Dezembro de 1383, o Mestre de Avis, entrou no Paço da
Rainha e com um grupo de homens armados matou o conde
Andeiro.

b. O Regedor e Defensor do Reino

 Com o assassinato do Conde Andeiro, D. Leonor a temer


pela sua vida refugiou-se em Santarém e escreveu ao seu genro
D. João I de Castela que fosse em seu auxilio.

 Como o clima era de instabilidade e temia-se que


houvesse uma invasão Castelhana o povo elegeu o Mestre de
Avis como “Regedor e Defensor do Reino”, que prometeu servi-
lo com a sua vida.
 O dinheiro necessário para sustentar as despesas de uma
guerra foi garantido pela Burguesia, que era o grupo social com
mais possibilidades para o fazer.

c. O Reino Divide-se

 O entusiasmo popular espalhava-se por todo o país e as


principais cidades apoiavam a acção do Mestre de Avis e dos
seus companheiros de armas.

 Entre a população portuguesa formavam-se então dois


grupo que se confrontavam:

o O grupo que apoiava D. Beatriz – era constituído pela


maioria de senhores da nobreza e do clero que receavam
perder os poderes que já tinham

o O grupo que apoiava o Mestre de Avis – era constituído


pelo povo que esperava conseguir melhores condições de
vida, pela burguesia e por alguns nobres e clérigos.

C. A RESISTÊNCIA À INVASÃO CASTELHANA

a. O Inicio da Guerra

 Em resposta ao pedido de D. Leonor, o rei de Castela


invadiu Portugal entrando pela Guarda e dirigindo-se para
Santarém, Vila que apoiava D. Beatriz. Entretanto outro
exército investia no Alentejo, mas tropas comandadas por D.
Nuno Álvares Pereira vão ao seu encontro e vencem os
Castelhanos pelo da Vila Fronteira na batalha de Atoleiros.

 Quando D. João de Castela cercou Lisboa em 29 de Maio


de 1384, os habitantes da cidade, a comando do Mestre de
Avis, resistiram duramente aos ataques inimigos, à falta de
alimento, à peste. E Foi precisamente devido à peste que ao fim
de quatro meses obrigou os castelhanos a se retirarem da
cidade
b. O Povo elege o Rei

 Apesar do cerco em Lisboa já ter sido levantado, a


insegurança continuava presente devido ao medo de novas
invasões.

 Era necessário eleger um rei, por isso reúnem-se as


cortes em Coimbra a 6 de Abril de 1385 e elegem D. João
mestre de Avis como Rei de Portugal.

 Logo que D. João foi aclamado rei, nomeou D. Nuno


Álvares Pereira, chefe supremo de todos os exércitos
portugueses.

 Pouco tempo depois, os castelhanos invadiram de novo


Portugal, com um poderoso exército de cerca de trinta e dois
mil homens. Apesar dos Portugueses serem menos de dez mil
homens, derrotaram totalmente os Castelhanos na Batalha de
Aljubarrota, perto de Leiria em 14 de Agosto de 1385

c. As Comemorações

 Da vitória da Batalha de Aljubarrota muitos episódios se


contam, um deles é o de Beatriz de Almeida, onde se consta
que ela teria morto com a pá do forno sete castelhanos que se
tinham refugiado na sua casa, ficou por isso conhecida como a
Padeira de Aljubarrota e é um dos símbolos da justiça popular.
A Batalha de Aljubarrota foi durante muitos anos comemorada
com procissões solenes, e D. João I mandou construir a poucos
quilometras de onde se tinha dado a batalha o Mosteiro de
Santa Maria da Vitória, mais conhecido por Mosteiro da
Batalha:

D. A CONSOLIDAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA

a. Novos tempos
 Após a Vitória de Aljubarrota, D. João I para se afirmar
como rei e consolidar a independência de Portugal, tomou
várias medidas:

o Começou por retirar privilégios e terras aos nobres e


clérigos que tinham apoiado D. Beatriz e o rei de Castela

o Deu como recompensa a alguns Burgueses terras e


títulos de nobreza – “nova nobreza”

o Permitiu também que elementos da burguesa tivessem


cargos importantes no Conselho do Rei e nas Cortes

b. O Tratado de Paz

 D. João I tenta precaver-se contra novos ataques


Castelhanos e garantir auxilio caso fosse necessário, assim em
9 de Maio de 1386 faz “um tratado de amizade” com a
Inglaterra no qual os dois países prometiam ajudar-se
mutuamente. Esta aliança foi reforçada como de costume com
um casamento, neste caso com do D. João I com D. Filipa de
Lencastre, em 1387

 Só em 31 de 1411 é que o problema com Castela é


definitivamente resolvido com o tratado de paz entre Castela e
Portugal