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GABARITOS E

RESOLUÇÕES

ENEM | 1o Dia - Ciclo 1


2019
QUESTÃO 1

Trips and Tips for Single Travelers


The concept of solo travelling among Europeans has
grown in popularity as the benefits are clear – you have
the freedom to do whatever you want, there isn’t another
person you have to please (or argue with), plus it is also
easy for solo travellers to interact with others and make
friends along the way. […]
DIY* holiday share is a great concept for solo travellers
who want to escape organized tours. The concept is
finding a companion of your own through websites such as
triptogether.com. Sites like this one allow members to post
pictures and descriptions of themselves, along with details
about their upcoming trip which other users can match with
their requirements.
Some of them do have a whiff or dating elements, and
some do use it to find love in foreign places. However, for
others, it’s a matter of convenience and companionship.
World Travel Guide, 4 set. 2018. Disponível em: <https://worldtravelguide.net/features/
feature/trips-and-tips-for-single-travellers/>. Acesso em: 25 set. 2018. (Adapt.).

* DIY: Do It Yourself.

É cada vez maior o número de pessoas que optam por via-


jarem sozinhas. Uma característica apontada pelo texto so-
bre esse tipo de viagem é a
A facilidade para fazer novas amizades duradouras nas
viagens­.
B possibilidade de escapar do meio de um tour de agên-
cia sem ser notado.
C liberdade para escolher as atividades que serão
realizadas­.
D interação com outros viajantes para que a viagem seja
ainda melhor.
E inexistência de um acompanhante ao qual você precise
agradecer a viagem.

Gabarito:  C

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias


Competência: 2
Habilidade: 5

No primeiro parágrafo do texto, menciona-se que uma das


características de uma viagem que a pessoa faz sozinha é
a liberdade para escolher as atividades a serem realizadas:
“you have the freedom to do whatever you want”.

Alternativa A: incorreta. O texto não fala de amizades du-


radouras, apenas de fazer amigos durante a viagem.
Alternativa B: incorreta. O texto não fala de escapar do
meio de um tour de agência, mas de evitá-lo.
Alternativa D: incorreta. O texto menciona a interação com
outras pessoas, mas não afirma em momento algum que
isso torna a viagem melhor.
Alternativa E: incorreta. O texto não fala sobre agradecer
a um acompanhante na viagem, e sim sobre não haver a
necessidade de agradar a um acompanhante.
QUESTÃO 2

Disponível em: <https://bit.ly/2yAnGTC>. Acesso em: 15 out. 2018.

O grafite é uma arte urbana importante no mundo atual


para transmitir mensagens à população. No pôster anterior,
que utiliza uma arte do grafiteiro Banksy, alerta-se o leitor
do anúncio de que
A os poderosos venceram e reverteram a mudança
climática­.
B uma manifestação sobre as mudanças climáticas ocor-
rerá em março.
C a humanidade não sobreviverá à mudança climática.
D o planeta Terra sucumbirá à mudança climática pelas
mãos dos poderosos.
E as indústrias são os principais agentes causadores da
mudança climática.

Gabarito:  C

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias


Competência: 2
Habilidade: 6

De acordo com o texto, “a Terra sobreviverá à mudança


climática, mas nós [a humanidade] não”.

Alternativa A: incorreta. A mudança climática não foi re-


vertida, e a imagem não faz referência a uma vitória dos
poderosos.
Alternativa B: incorreta. No contexto da imagem, “march”
significa “marcha”, e não “março”.
Alternativa D: incorreta. O texto informa que o planeta so-
breviverá à mudança climática.
Alternativa E: incorreta. Embora, de acordo com a pers-
pectiva de muitos, isso seja um fato, o anúncio não mencio-
na em parte alguma que as indústrias sejam os principais
agentes causadores da mudança climática.
QUESTÃO 3

WATTERSON, Bill. Calvin and Hobbes. Disponível em: <https://jabberworks.livejournal.com/686575.html>. Acesso em: 15 out. 2018.

Na tira da série Calvin and Hobbes, o silêncio de Hobbes no terceiro quadrinho justifica-se porque o tigre
A não está em busca de felicidade ou euforia, ao contrário de Calvin.
B concorda com Calvin e expressa isso ao ficar em ­silêncio.
C também está em busca de momentos de euforia para sua vida.
D entende que o silêncio é uma forma de evitar ­conflitos.
E fica ofendido por fazer parte do mundo ao qual Calvin diz não pertencer.

Gabarito:  D

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias


Competência: 2
Habilidade: 7

No último quadrinho, Hobbes diz que “descobriu que ficar em silêncio salva amizades”, ou seja, o silêncio evita conflitos
que provocam o desgaste da relação.

Alternativa A: incorreta. Não é possível afirmar se Hobbes busca ou não felicidade ou euforia.
Alternativa B: incorreta. O último quadrinho mostra que Hobbes discorda de Calvin.
Alternativa C: incorreta. Em momento algum Hobbes menciona o que busca para sua vida.
Alternativa E: incorreta. Não é possível afirmar isso de acordo com a tira apresentada.
QUESTÃO 4

Researching Invasive Species


[…]
Take the case of the European green crab. These
invaders were first spotted in Newfoundland in 2007. Since
then, they have devastated eelgrass habitats, digging up
native vegetation as they burrow for shelter or dig for prey.
Eelgrass is down 50 percent in places the crabs have
moved into. Some sites have suffered total collapse.
That’s been devastating for fish that spend their juvenile
days among the seagrass. Where the invasive crabs have
moved in, the total weight of fish is down tenfold.
The loss of eelgrass also means these underwater
meadows soak up less planet-warming carbon dioxide from
the atmosphere.
BARAGONA, Steve. Voice of America News, 17 set. 2018. Disponível em:
<https://voanews.com/a/researchers-finding-bright-sides-to-some-invasive-
species-/4614727.html>. Acesso em: 15 out. 2018. (Adapt.).

A chegada de espécies invasoras a um hábitat traz diver-


sas mudanças para a região na qual se instalam. Uma das
mudanças percebidas em Newfoundland desde a chegada
do caranguejo verde europeu foi
A a redução significativa do pescado em certas áreas.
B a queda pela metade da existência de enguias.
C a intoxicação dos peixes que se alimentam do invasor.
D a queda do nível da água na região invadida.
E uma menor emissão de dióxido de carbono na região.

Gabarito:  A

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias


Competência: 2
Habilidade: 5

O segundo parágrafo diz que há queda de dez vezes no


pescado (“the total weight of fish is down tenfold”).

Alternativa B: incorreta. O texto fala da redução de 50%


de “eelgrass”, que é uma espécie de vegetação.
Alternativa C: incorreta. Em momento algum o texto fala
de peixes que se alimentam do caranguejo verde.
Alternativa D: incorreta. O texto não menciona alterações
no nível da água.
Alternativa E: incorreta. O último parágrafo diz que a re-
dução da vegetação nessas águas reduz a absorção de
dióxido de carbono.
QUESTÃO 5

Messy Room
Whosever room this is should be ashamed!
His underwear is hanging on the lamp.
His raincoat is there in the overstuffed chair,
And the chair is becoming quite mucky and damp.
His workbook is wedged in the window,
His sweater’s been thrown on the floor.
His scarf and one ski are beneath the TV,
And his pants have been carelessly hung on the door.
His books are all jammed in the closet,
His vest has been left in the hall.
A lizard named Ed is asleep in his bed,
And his smelly old sock has been stuck to the wall.
Whosever room this is should be ashamed!
Donald or Robert or Willie or –
Huh? You say it’s mine? Oh, dear,
I knew it looked familiar!
SILVERSTEIN, Shel. Disponível em: <http://famouspoetsandpoems.com/poets/shel_
silverstein/poems/14818>. Acesso em: 15 out. 2018.

Shel Silverstein foi um escritor americano, falecido em


1999, famoso por suas canções e livros infantis. O poema
“Messy Room” descreve um quarto que, de acordo com o
texto,
A está bagunçado por ser dividido entre quatro jovens­.
B tem livros organizados dentro do armário.
C é dividido pelo eu lírico e seu amigo Ed.
D possui uma cadeira que está ficando úmida.
E precisa ser organizado por seu dono.

Gabarito:  D

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias


Competência: 2
Habilidade: 5

A capa de chuva jogada sobre a cadeira estofada está dei-


xando-a úmida, como se lê em “His raincoat is there in the
overstuffed chair, / And the chair is becoming quite mucky
and damp.”.

Alternativa A: incorreta. As duas últimas linhas do poema


informam que o quarto pertence apenas ao eu lírico, embo-
ra ele não tivesse se dado conta disso até então.
Alternativa B: incorreta. Os livros estão amontoados den-
tro do armário, segundo o poema.
Alternativa C: incorreta. O quarto não é dividido, pertence
apenas ao eu lírico. Ed é um lagarto que está sobre a cama
(“A lizard named Ed is asleep in his bed”).
Alternativa E: incorreta. A afirmação da alternativa não
passa de uma inferência, pois não é apontada no texto.
QUESTÃO 1

Disponível em: <http://magicasruinas.com.ar/publicidad/piepubli1133.htm>.


Acesso em: 6 nov. 2018.

Carlos Gardel foi o cantor de tango mais famoso na Argenti-


na e também no mundo. De acordo com o texto publicitário,
a foto de Gardel na cabine do meio de transporte em ques-
tão está ligada à ideia de
A tradição. D superação.
B inovação. E tecnologia.
C melancolia.

Gabarito:  A

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias


Competência: 2
Habilidade: 6

O texto afirma que os condutores costumam colocar em


suas cabines objetos relacionados a seus gostos e tradi-
ções (“La gente que las conduce impone allí sus gustos,
sus tradiciones”), como a foto de Gardel. Além disso, o tex-
to aponta que a empresa “está con la Argentina personal
de las tradiciones”.

Alternativa B: incorreta. Embora a ideia de inovação este-


ja presente na publicidade, pois trata de um novo meio de
transporte para a época (o monotrilho), ela não emprega a
imagem de Gardel para fazer isso. A imagem do cantor está
ligada à ideia de tradições, reforçada como algo importante
para a empresa.
Alternativa C: incorreta. Não há uma ideia de melancolia
em relação a Gardel na propaganda. A imagem do cantor
está ligada a algo bastante positivo, que deve ser mantido
vivo.
Alternativa D: incorreta. No quinto parágrafo, afirma-se
que, com a foto de Gardel presente na cabine, o condu-
tor fará seu trabalho de modo mais simples, mais fácil (“la
­conducción de un tren será más sencilla”); não há, portan-
to, uma ideia de dificuldade ou de superação.
Alternativa E: incorreta. A empresa demonstra estar ligada
tanto à ideia de futuro (com a tecnologia) quanto à de pas-
sado (das tradições), na qual que se enquadra a imagem
de Gardel.
QUESTÃO 2

Día del Lunfardo: por qué la “voz de la


calle” está más viva que nunca
Cuando camina por las calles de San Cristóbal, Doña
Otilia Da Veiga aguza el oído. “Entre la muchachada de
mi barrio se escucha: ‘A Cacho hacele caso porque es un
garbarino’… O: ‘La vieja de Quique está re buena. ¡Ahre!’”.
Otilia sonríe y anota mentalmente: “El tiempo dirá”.
Tal vez algún día no lejano, “garbarino”, “ahre”, como
también “tinchísimo” o “same”, pasarán al olvido, o se
depositarán en los diccionarios de Lunfardo. En cualquier
caso hoy, igual que hace un siglo, “el pueblo agranda el
idioma”, para emplear el lema de la Academia Porteña
del Lunfardo que preside Doña Otilia Da Veiga. Eso es
justamente lo que se celebra cada 5 de septiembre en el
Día del Lunfardo.
“Lunfardo. Jerga empleada originalmente por la gente
de clase baja de Buenos Aires, parte de cuyos vocablos
y locuciones se introdujeron posteriormente en el español
popular de la Argentina y Uruguay”, dice la Real Academia
Española. Digamos algo más, junto con Luis Alposta
(Mosaicos porteños, Planeta, 2017): “es, esencialmente,
un conjunto de voces de muy diversos orígenes que se
introducen en la conversación familiar de todas las clases
sociales con fines expresivos, irónicos o humorísticos”.
[...]
AMUCHÁSTEGUI, Irene. Infobae, 5 set. 2018. Disponível em: <https://infobae.com/
cultura/2018/09/05/dia-del-lunfardo-por-que-la-voz-de-la-calle-esta-mas-viva-que-nunca/>.
Acesso em: 6 nov. 2018.

No dia 5 de setembro, é comemorado o Día del Lunfardo, o


qual se refere a uma gíria que, de acordo com seu histórico
apresentado no texto,
A era motivo de orgulho para o povo argentino, mas pas-
sou a enfraquecer a língua espanhola de modo geral.
B podia ser escutada antigamente apenas quando se
aguçasse os ouvidos, embora seja hoje percebida em
qualquer lugar.
C estava em desuso e caindo no esquecimento, por isso
passou a integrar os dicionários.
D era usada com fins expressivos, irônicos ou humorísti-
cos, mas atualmente perdeu essas funções.
E era empregada pela classe baixa de Buenos Aires e
hoje é usada em todas as camadas sociais.

Gabarito:  E

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias


Competência: 2
Habilidade: 5

Conforme a explicação de “Lunfardo” dada pela Real


­Academia Española, a gíria surgiu nas classes baixas da
capital Argentina. Contudo, de acordo com a complemen-
tação de Luis Alposta, hoje “Lunfardo” está presente em
conversas familiares de todas as classes sociais.

Alternativa A: incorreta. O lema da Academia Porteña del


Lunfardo afirma que “el pueblo agranda el idioma”; dessa
forma, a gíria é vista como algo que enriquece a língua es-
panhola, e não o contrário.
Alternativa B: incorreta. A expressão “aguza el oído” é
usada no texto para se referir a Doña Otilia Da Veiga, que
faz questão de prestar atenção nas gírias enquanto pas-
seia pelas ruas.
Alternativa C: incorreta. Não há referência no texto sobre
“Lunfardo” ter caído no esquecimento e só integrar os dicio-
nários; apenas se menciona a possibilidade de isso aconte-
cer com algumas palavras no futuro.
Alternativa D: incorreta. Na verdade, os usos com fins ex-
pressivos, irônicos ou humorísticos são atuais.
QUESTÃO 3

6 cosas imperdibles en Ciudad de México


Si quieres decir que estuviste en la Ciudad de México
y la viviste como un auténtico chilango, aquí tienes tu lista
de imperdibles:
Visitar el centro histórico
Visitar el Centro Histórico, Patrimonio de la Humanidad.
[...]

Subir a la Torre Latinoamericana


Subir a la Torre Latino. Porque es el rascacielos con las
mejores panorámicas de la ciudad. [...]

Comer en la calle
Comer en la calle tacos de canasta, guajolotas (tortas de
tamal), carnitas, chilaquiles, pozole, esquites, quesadillas.
A cualquier hora del día, busca los lugares con más fila.

Tour en los autobuses turísticos (hop on-hop off)


Si tienes poco tiempo y prefieres una visita rápida, o
quieres “reconocer el terreno” antes de explorar la ciudad,
te sugerimos que subas al Turibús o al Capital Bus.

Comprar artesanías mexicanas


El mercadito de San Jacinto los sábados en San Ángel.
En las tiendas del MAP tienes artesanías de la mayor
calidad. Si te gustan los mercados, ve a la Ciudadela o a
San Juan.
Conexpres. Disponível em: <http://conexpres.com/6-cosas-imperdibles-en-ciudad-de-
mexico/>. Acesso em: 6 nov. 2018. (Adapt.).

A lista de passeios imperdíveis do guia de viagem destina-


-se às pessoas que
A insistem em fazer passeios predominantemente históri-
cos, apesar de estes causarem cansaço.
B preferem comer em restaurantes famosos para apre-
ciar o melhor da gastronomia.
C gostam de contar que fizeram programas radicais, rela-
cionados a lugares muito altos.
D querem afirmar que viveram como um típico habitante
da Cidade do México durante sua estadia no lugar.
E costumam comprar muitos produtos artesanais em via-
gens para provar que estiveram no local.

Gabarito:  D

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias


Competência: 2
Habilidade: 6

O primeiro parágrafo afirma que a lista de passeios é re-


comendada a pessoas que desejam ir à Cidade do México
para visitar os locais que os nativos frequentam (“chilango”,
habitante da Cidade do México) e fazer o que eles fazem.

Alternativa A: incorreta. Embora visitar o centro histórico


conste na lista, esta não é predominantemente feita de pas-
seios históricos.
Alternativa B: incorreta. Os passeios indicados no guia de
viagem incluem comer comida de rua, indicando, entre ou-
tros pratos populares, tacos, carnitas e quesadillas.
Alternativa C: incorreta. Ainda que entre os passeios lis-
tados inclua-se a ida à Torre Latino-americana, isso se dá
em virtude de o local possibilitar uma bela vista panorâmica
da cidade, e não porque compreende um passeio radical.
Alternativa E: incorreta. O texto inclui lugares nos quais
se pode comprar artesanato local, mas apenas o fato de
comprar artesanatos não atingiria plenamente o objetivo
do turista que deseja ter uma rotina mais parecida com a
de um morador.
QUESTÃO 4

En la mañana desayuno las dudas que sobran de la


[noche anterior
Luego salgo a ganarme la vida temprano, haga frío o
[calor
Porque no hay tiempo de amargarse ni llorar por un
[pasar mejor
La prioridad es el plato en la mesa y como sea hay que
[ganárselo
Entonces, veo que la cosa se pone muy brava y cada
[día más
Si mi esposa va tirando del carro conmigo, juntos a la par
Y como no hay un peso para mandar a los chicos a
[estudiar
También los llevamos a cartonear
¿Sino con quién los vamos a dejar?

En la calle me recibí, en el arte de sobrevivir


Revolviendo basura, juntando lo que este sistema dejó
[para mí
Y a los que manejan el país, a esa gente le quiero decir
Les propongo se cambien de lado un momento
Y a ver si se bancan vivir mi vida de cartonero. [...]
Attaque 77. “Cartonero”. Disponível em: <https://bit.ly/2xEieyG>. Acesso em: 26 set. 2018.

A letra da canção expõe a realidade de um “cartonero”, a


qual afeta toda a sua família. Umas das consequências
dessa situação é
A a mulher se irritar com o marido.
B os filhos não irem à escola.
C os pais abandonarem os filhos.
D o pai decidir viver sozinho na rua.
E a mãe e o pai precisarem roubar comida.

Gabarito:  B

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias


Competência: 2
Habilidade: 5

Como consequência da pobreza da família, os filhos não


são mandados à escola e precisam acompanhar os pais
em seu trabalho como catadores (“cartoneros”): “Y como no
hay un peso para mandar a los chicos a estudiar / ­También
los llevamos a cartonear” (“peso” é o nome que se dá à
moeda empregada em muitos países latino-americanos).

Alternativa A: incorreta. Na verdade, a mulher acompanha


o seu marido (“Si mi esposa va tirando del carro conmigo,
juntos a la par”) e, em nenhum momento, é apresentado o
sentimento dela sobre a situação em que vivem. No trecho
“veo que la cosa se pone muy brava”, o marido refere-se à
situação da família, e não à reação de sua mulher.
Alternativa C: incorreta. Em nenhum momento a canção
indica que os pais tenham abandonado os filhos. Na ver-
dade, fica claro que as crianças acompanham seus pais
quando vão trabalhar, já que não há dinheiro para mandá-
-las à escola.
Alternativa D: incorreta. O contato que o pai tem com a rua
(“En la calle me recibí, en el arte de sobrevivir / Revolviendo
basura”) se dá em virtude da natureza de seu trabalho (“mi
vida de cartonero”, ou seja, vida de catador), e não porque
ele tenha decidido abandonar a família e viver na rua.
Alternativa E: incorreta. Quando se refere à comida, o pai
afirma que “La prioridad es el plato en la mesa y como sea
hay que ganárselo”. A escolha pelo verbo “ganar” indica que
ele e a mulher vão atrás da comida (“el plato en la mesa”)
para sua família de maneira positiva (no caso, trabalhando
de catadores para conseguir o dinheiro para comprá-la).
QUESTÃO 5

Quino. Mafalda. Disponível em: <https://stryptor.herokuapp.com/mafalda/10-079>. Acesso


em: 6 nov. 2018.

Na tirinha, o efeito humorístico está ligado à(ao)


A opinião política semelhante entre Mafalda e o pai de
Libertad.
B dilema eleitoral de não encontrar um bom candidato.
C falta de conhecimento das personagens sobre os can-
didatos em uma eleição­.
D esperteza das crianças para conversar sobre política.
E poder das campanhas políticas sobre a opinião das
crianças­.

Gabarito:  B

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias


Competência: 2
Habilidade: 5

O pai de Libertad já escolheu um candidato para votar nas


eleições, porém não demonstra estar satisfeito com sua
decisão – de acordo com a filha dele, “anda con una cara”.

Alternativa A: incorreta. Mafalda não demonstra sua opi-


nião, apenas questiona Libertad sobre a decisão do pai da
amiga quanto às eleições.
Alternativa C: incorreta. Nesse caso, não cabia à Mafalda
ou à Libertad ter conhecimentos sobre os candidatos; por-
tanto, não seria esse o foco humorístico da tirinha.
Alternativa D: incorreta. Mafalda e Libertad, ambas crian-
ças, não estão propriamente discutindo sobre política, mas
apenas comentando sobre a escolha do candidato do pai
de Libertad, sem aprofundamentos.
Alternativa E: incorreta. Não são mencionadas campanhas­
políticas; fica apenas subentendido que, do ponto de
vista do pai de Libertad, nenhum candidato seria bom o
suficiente­.
QUESTÃO 6

Acho que foi em 1982. No Instituto de Estudos da


Linguagem da Unicamp, como decorrência da criação do
curso de Letras, isto é, do ingresso de alunos que seriam,
por hipótese, professores de Português nas escolas de
primeiro e/ou segundo graus (até então só funcionava no
departamento que deu origem ao instituto um bacharela-
do em Linguística), veio à baiIa a questão da necessida-
de ou não de haver, no currículo de Letras, disciplinas de
ensino de gramática normativa. Até então, no bacharelado
em Linguística e no currículo que o curso de Letras herda-
va daquele bacharelado, elas não existiam. Supunha-se,
por um lado, que os alunos já tinham estudado suficien-
temente as gramáticas tradicionais, e era chegada a hora
de eles aprenderem a analisar fatos de língua segundo ou-
tras teorias, mais sofisticadas. Por outro lado, muitos dos
professores do Departamento de Linguística estávamos
convencidos, já, de que ensinar língua e ensinar gramá-
tica são duas coisas diferentes. E achávamos que nosso
trabalho era formar professores que ensinassem língua, e
não professores de gramática. Além disso, achávamos que
ensinar mais gramática tradicional era de certa forma inútil,
dado que até nossos privilegiados alunos ainda achavam
que deviam ter aulas da matéria, após cerca de dez anos
de estudos! Alguns alunos entendiam a questão da mesma
forma. Outros insistiam que não sabiam gramática e que
deveriam aprendê-la para poder ensiná-la nas escolas. Por
essas duas razões, tal conteúdo deveria ser contemplado
no currículo. Houve seminários sobre a questão, com alu-
nos e professores participando de discussões (às vezes,
bate-bocas) bastante animadas.
POSSENTI, Sírio. Por que (não) ensinar gramática na escola.
Campinas: Mercado das Letras, 1996.

O texto trata sobre o ensino da gramática normativa em


cursos de formação de professores. Quanto à organização
e apresentação das ideias no trecho apresentado, pode-se
classificá-lo como um(a)
A narração subjetiva, cujo foco narrativo é protagonizado
por um professor universitário.
B descrição subjetiva, em que a sequência de eventos é
direcionada pela experiência de um aluno universitário.
C dissertação acadêmica, visto que o objetivo do autor é
opinar objetivamente sobre o tema abordado.
D texto instrucional, haja vista que sua finalidade de com-
posição é destacar a importância da gramática norma-
tiva no ensino superior.
E narração objetiva, pois apresenta os eventos a partir de
um narrador em primeira pessoa que não se relaciona
com o tema.

Gabarito:  A

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias


Competência: 6
Habilidade: 18

Há desenvolvimento temporal e sequências opinativas no


trecho, em que o narrador se relaciona diretamente com
o texto, tornando sua abordagem subjetiva. Além disso, é
possível depreender que ele é um dos professores dos cur-
sos de Letras e Linguística, como se observa em “E achá-
vamos que nosso trabalho” e “achávamos que ensinar mais
gramática tradicional”.

Alternativa B: incorreta. Uma vez que o texto é desen-


volvido temporalmente, não é possível classificá-lo como
descritivo, visto que esse tipo de texto não apresenta se-
quência de eventos. Ademais, o narrador não faz parte do
grupo de alunos envolvidos na discussão.
Alternativa C: incorreta. Embora seja possível inferir que
esse trecho seja parte de um livro acadêmico, conforme
consta na referência bibliográfica apontada abaixo do tex-
to, esse excerto apresenta uma introdução temática ao
conteú­do. Trata-se, portanto, de um prefácio narrativo.
Alternativa D: incorreta. Não há elementos no texto que
permitam inferir a intenção do autor de instruir o leitor acer-
ca de um determinado procedimento.
Alternativa E: incorreta. Apesar de se tratar de uma nar-
ração, o conteúdo do texto é desenvolvido subjetivamen-
te, visto que o autor se relaciona diretamente com o tema
abordado.
QUESTÃO 7

Violência doméstica: a sua denúncia


pode salvar uma vida
Por acontecer entre quatro paredes, a violência domés-
tica é um crime muitas vezes invisível. E não é à toa que o
número de denúncias é absurdamente menor do que o total
de mulheres que sofrem violência dentro de casa.
As razões que levam uma vítima de violência domés-
tica a não denunciar seu agressor são as mais variadas. A
promessa de que aquilo não vai mais acontecer, ameaças
constantes, a pressão da família em manter o silêncio, de-
pendência financeira e por aí vai. “Só quem sofre agres-
são sabe o que é passar por isso. Ninguém pode apontar o
dedo”, diz Bárbara Hoelscher, sobrevivente de uma agres-
são física cometida pelo ex-namorado.
E é por isso que, de uma vez por todas, a gente precisa
quebrar esse pensamento de que “em briga de marido e
mulher não se mete a colher”. Essa “colher” pode salvar
vidas – tanto a vida de uma mulher quanto a de seus filhos.
Dados do Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher)
revelam que 78% das mulheres vítimas de violência têm
filhos. Destes, 80% presenciam ou sofrem violência junto
com a mãe.

E como posso denunciar se não sou a vítima?


Você pode seguir três caminhos: denunciar por meio do
Ligue 180, da delegacia mais próxima (de preferência, a de
Defesa da Mulher, se houver uma na sua cidade) ou da Pro-
motoria de Justiça. “Por meio do Ligue 180, a pessoa não
precisa nem se identificar. O importante é falar tudo o que
você sabe sobre a agressão: dados sobre o tipo de violên-
cia, onde essa violência está ocorrendo, o endereço, ou onde
essa vítima pode ser localizada etc.”, diz Fabiana Dal’Mas,
promotora de Justiça do Grupo de Enfrentamento à Violência
Doméstica e Familiar do Ministério Público de São Paulo.
WARKEN, Julia. M de Mulher, 7 ago. 2017. Disponível em: <https://mdemulher.abril.com.br/
familia/violencia-domestica-a-sua-denuncia-pode-salvar-uma-vida/>.
Acesso em: 12 out. 2018. (Adapt.).

Em todos os textos, é possível destacar finalidades comu-


nicativas distintas que pautam a criação da mensagem. No
artigo apresentado, verifica-se o emprego tanto da função
referencial quanto da apelativa. O uso desta última função é
evidenciado
A pela utilização de dados numéricos, que tornam a men-
sagem mais objetiva.
B pelas constantes expressões orais, que mantêm o ca-
nal comunicativo aberto.
C pelo uso do discurso direto, o qual apresenta um depoi-
mento da autora acerca da violência.
D pela descrição emotiva das cenas e indicação objetiva
dos meios de denúncia.
E pela reiteração de expressões exortativas, que estabe-
lecem interlocução com o leitor.

Gabarito: E

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias


Competência: 6
Habilidade: 19

Ao empregar expressões exortativas e de persuasão, como


“a gente precisa” e “você”, a autora estabelece interlocução
com o leitor, ao mesmo tempo que apresenta a ele ideias
imperativas.

Alternativa A: incorreta. O emprego de dados numéricos


é próprio da função referencial, portanto a alternativa não
completa o texto do enunciado.
Alternativa B: incorreta. A recorrência das expressões
orais, embora intencione a manutenção do canal comuni-
cativo, não produz carga persuasiva.
Alternativa C: incorreta. O discurso direto usado no texto
apresenta um depoimento de um terceiro, e não da autora
do texto.
Alternativa D: incorreta. Não ocorre descrição das cenas
de violência. A notícia apenas faz referência a elas, sem
apontar detalhamento descritivo. Logo, os casos citados
contribuem essencialmente para a função referencial do
texto, o que inviabiliza a alternativa.
QUESTÃO 8

A doce canção
Pus-me a cantar minha pena
com uma palavra tão doce,
de maneira tão serena,
que até Deus pensou que fosse
felicidade – e não pena.

Anjos de lira dourada


debruçaram-se da altura.
Não houve, no chão, criatura
de que eu não fosse invejada,
pela minha voz tão pura.

Acordei a quem dormia,


fiz suspirarem defuntos.
Um arco-íris de alegria
da minha boca se erguia
pondo o sonho e a vida juntos.

O mistério do meu canto.


Deus não soube, tu não viste.
Prodígio imenso do pranto:
– todos perdidos de encanto,
só eu morrendo de triste!

Por isso tão docemente


meu mal transformar em verso,
oxalá Deus não o aumente
para trazer o Universo
de polo a polo contente!
MEIRELES, Cecília. Obra completa. São Paulo: Global, 2017. p. 361.

No poema apresentado anteriormente, o eu lírico


A se envaidece da faculdade de dar sentido e forma poé­
tica alegres à tristeza que experimenta secretamente.
B afirma ser uma espécie enviada de Deus na Terra para
semear poesia e alegria entre os homens.
C repudia o próprio dom poético de atribuir sentido ao
sofrimento humano, o que lhe rende bênçãos divinas.
D lamenta secretamente a aptidão poética de metamor-
fose do sofrimento, pedindo a Deus que extinga esse
condão.
E exprime o desejo de que Deus não lhe amplie a capa-
cidade de converter sofrimento em poesia, consciente
da faculdade que tem.

Gabarito:  E

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias


Competência: 5
Habilidade: 17

Enquanto as quatro primeiras estrofes do poema contêm,


de maneira geral, descrições do dom do eu lírico de con-
verter o sofrimento em sentido e forma poética alegres, a
última serve de conclusão; aqui, o eu lírico, consciente des-
sa elevada capacidade, manifesta o desejo de que Deus
não a amplie, para que não aumente, da mesma maneira,
o sofrimento.

Alternativa A: incorreta. Não é possível afirmar que o eu


lírico “se envaideça” da faculdade de dar sentido e forma
poé­tica alegres à tristeza que experimenta secretamente.
O desejo expresso no final não confirma essa hipótese;
uma vez que aquela faculdade tem como pressuposto
o sofrimento, tê-la é também carregar uma espécie de
maldição­.
Alternativa B: incorreta. Embora haja referência a Deus
em mais de uma passagem do poema, não se observa nele
qualquer traço de espírito missionário.
Alternativa C: incorreta. É exagerado afirmar que o eu líri-
co repudia o próprio dom poético; da mesma maneira, a ex-
pressão “atribuir sentido ao sofrimento humano” não con-
tém uma definição adequada da capacidade do eu lírico.
Além disso, também não há referência a bênçãos divinas
alcançadas por possuir esse dom.
Alternativa D: incorreta. Embora lamente o sofrimento se-
creto, o eu lírico não deseja que Deus extinga o dom que
tem – deseja apenas, na última estrofe, que não o amplie.
QUESTÃO 9

Mirante
Há certos patamares na existência
de onde se divisam coisas não
belas, mas necessárias a quem pensa
que forjar uma significação

seja talvez – à falta de melhor –


uma maneira de dar arremate
àquilo que sobreviveu à dor,
à confusão, à culpa, aos disparates.

Se o panorama, então, desapontar,


lá de cima, quem teve em tempos planos
um sonho alpino, ao menos terá tido

o mérito menor de revelar


que a decepção, arrematando os anos,
é o que há em matéria de sentido.
BRITTO, Paulo Henriques. Nenhum mistério.
São Paulo: Companhia das Letras, 2018. p. 16.

Embora seja um poeta contemporâneo, Paulo Henriques


Britto utiliza a forma tradicional de soneto, em cuja conclu-
são predomina a(o)
A adesão plena às benesses oferecidas pela maturidade.
B celebração exultante da sabedoria adquirida em “tem-
pos planos”.
C recuperação, pela memória, das coisas belas divisadas
na juventude.
D abandono do privilégio que permite observar coisas
necessárias­.
E aceitação de que os desencantos produzem significado­.

Gabarito:  E

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias


Competência: 5
Habilidade: 17

Nessa alternativa, é reproduzida adequadamente a ideia


contida nas duas últimas estrofes: a de que o panorama
privilegiado revela que as decepções são produtoras de
significação.

Alternativa A: incorreta. No poema, não há alusão a “be-


nesses” (isto é, privilégios ou vantagens) oferecidas pela
maturidade. Ao contrário: panoramas privilegiados (e a ma-
turidade pode ser um deles) revelam decepções produtoras
de sentido.
Alternativa B: incorreta. No poema, não há referência a
celebrações exultantes. Da mesma maneira, os “tempos
planos” são acompanhados da ideia de “sonhos alpinos”,
isto é, sonhos elevados, mas não da ideia de aquisição de
sabedoria.
Alternativa C: incorreta. As duas primeiras estrofes do
­poema referem-se a coisas não belas divisadas em pa-
tamares privilegiados da existência; não se menciona a
recupe­ração de “coisas belas divisadas na juventude”.
Alternativa D: incorreta. A conclusão não se refere nem
sugere que o privilégio, que permite observar coisas neces-
sárias, seja abandonado. Ao contrário: a conclusão sugere
que perspectivas privilegiadas podem permitir produção de
significados.
QUESTÃO 10

Dicionário etimoLÓGICO I
• Armarinho: Vento que vem do mar.
• Barganhar: Herdar um botequim.
• Detergente: Ato de deter pessoas.
• Unção: Um que não está doente.
• Melancólica: Dor de barriga provocada por exces-
so de melão.
• Veracidade: Apreciar a metrópole.
FERNANDES, Millôr. Disponível em: <www2.uol.com.br/millor/dicionario/001.htm>.
Acesso em: 15 out. 2018. (Adapt.).

Para montar seu próprio vocabulário de forma humorística,


o escritor e dramaturgo Millôr Fernandes explora a(o)
A proximidade gráfica e sonora das palavras.
B duplo sentido que as palavras possuem.
C sentido figurado dos vocábulos.
D relação de sinonímia entre as palavras.
E formação por aglutinação dos vocábulos.

Gabarito:  A

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias


Competência: 6
Habilidade: 20

Millôr Fernandes explora a similaridade gráfica e sonora


entre as palavras. Por exemplo, o escritor define “armari-
nho” como “vento que vem do mar”; dessa forma, deve-se
ler o substantivo como “ar marinho”. O mesmo ocorre com
as outras palavras.

Alternativa B: incorreta. A priori, as palavras definidas pelo


escritor não possuem duplo sentido.
Alternativa C: incorreta. Nas definições, não é explorado
o sentido figurado dos vocábulos. Por exemplo, “apreciar
a metrópole” – definição para “veracidade” – não é sentido
figurado deste vocábulo.
Alternativa D: incorreta. Não se explora a relação de si-
nonímia nas definições. Por exemplo, “veracidade” não é
sinônimo de “apreciar a metrópole”.
Alternativa E: incorreta. As palavras definidas não são for-
madas por aglutinação.
QUESTÃO 11

Fala
Tudo
será difícil de dizer:
a palavra real
nunca é suave.

Tudo será duro:


luz impiedosa
excessiva vivência
consciência demais do ser.

Tudo será
capaz de ferir. Será
agressivamente real.
Tão real que nos despedaça.

Não há piedade nos signos


e nem no amor: o ser
é excessivamente lúcido
e a palavra é densa e nos fere.

(Toda palavra é crueldade)


FONTELA, Orides. Poesia completa. São Paulo: Hedra, 2015. p. 47.

No poema de Orides Fontela, está expressa uma concep-


ção de linguagem poética
A ambivalente, porque se manifesta por meio de antíte-
ses como “excessiva vivência” e “agressivamente real”.
B associada à escrita dificultosa de palavras e sentimen-
tos violentos, exagerados e desamorosos.
C que parte do pressuposto de que não pode haver poe-
sia na realidade crua das palavras.
D cuja força e intensidade se baseiam na lucidez da fala
de caráter pungente, impiedoso e cruel.
E baseada na fragmentação violenta do indivíduo, ex-
pressa em orações agramaticais.

Gabarito:  D

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias


Competência: 6
Habilidade: 18

No poema “Fala”, o eu lírico afirma a dificuldade de declarar


“a palavra real” (1a estrofe), a dureza da linguagem que ex-
pressa o excesso de consciência (2a estrofe), a pungência
agressiva da “palavra real” (3a estrofe) e a densidade impie-
dosa da palavra lúcida (4a estrofe). Tudo culmina no último
verso, em que se reafirma a crueldade da palavra.

Alternativa A: incorreta. Não há, nos versos de Orides


Fontela, a caracterização da linguagem poética como am-
bivalente; os exemplos “excessiva vivência” e “agressiva-
mente real” não contêm antíteses.
Alternativa B: incorreta. Não há, nos versos de Orides
Fontela, referência à dificuldade de expressar, por meio
da escrita, “sentimentos violentos, exagerados e desamo-
rosos”. Na verdade, essa dificuldade está relacionada à
realidade pungente das palavras, independente dos seus
significados. Nos versos, o próprio amor é impiedoso, as-
sim como a palavra (4a estrofe).
Alternativa C: incorreta. Nos versos de Orides Fontela, a
realidade crua das palavras pode ser componente da lin-
guagem poética, como se pode verificar na composição do
poema como um todo e especialmente na terceira estrofe.
Alternativa E: incorreta. Nos versos de Orides Fontela, a
fragmentação violenta do indivíduo é consequência da rea-
lidade pungente das palavras, mas não chega a ser mani-
festada em orações agramaticais.
QUESTÃO 12

O certo é “biscoito” ou “bolacha”?


Ambos são corretos, mas “biscoito” entrou primeiro na
língua portuguesa, e esse é o único critério pelo qual é pos-
sível apontar um vencedor. Os dois termos são equivalen-
tes no que diz respeito à legislação e ambos são válidos
quando se aplica sua etimologia ao modo como o alimento
é produzido hoje no Brasil. O país é atualmente o segundo
maior produtor de biscoitos/bolachas do mundo, com 1,2
mil toneladas fabricadas por ano, segundo a Associação
Nacional da Indústria de Biscoitos (Anib). Ainda segundo o
órgão, o produto está presente em 99,9% dos lares brasi-
leiros, e a média adquirida pelas pessoas em cada visita ao
mercado é de 700 g.

Etimologia do biscoito
“Biscoito” vem do latim “bis” (duas vezes) + “coctus­”
(cozido) e chegou ao português pela palavra francesa
“­bescuit”, que surgiu no século XII. O nome vem da prática
de assar o alimento duas vezes para que ficasse menos
úmido e durasse mais sem estragar. A prática de assar
mais de uma vez se aplica à bolacha (biscoito recheado)
dos dias de hoje, porque ela vai ao forno quatro vezes.

Etimologia da bolacha
“Bolacha” vem de “bolo” (do latim “bulla”, objeto esfé-
rico) com o sufixo “acha”, que indica diminutivo. A palavra
holandesa “koekje” significa a mesma coisa e gerou termos
como “cookie” e “cracker”. Para diferenciá-los dos biscoi-
tos, convencionou-se que koekje e derivados são os que
utilizam um componente levantador, como o fermento. Os
produtos brasileiros utilizam, então podemos chamá-los de
bolachas.
BIANCHIN, Victor. Superinteressante, 4 jul. 2018. Disponível em: <https://super.abril.com.br/
mundo-estranho/o-certo-e-biscoito-ou-bolacha/>. Acesso em: 8 out. 2018. (Adapt.).

Como forma de garantir a clareza e a fluidez na leitura do


texto, diversos mecanismos linguísticos são usados para
promover o encadeamento entre as ideias desenvolvidas.
Com relação a esse aspecto, observa-se no excerto apre-
sentado que
A o pronome “esse”, em “e esse é o único critério”, reto-
ma coesivamente o vocábulo “biscoito”.
B o vocábulo “produto”, em “o produto está presente em
99,9% dos lares”, deveria ser aplicado exclusivamen-
te no plural, uma vez que se refere a dois alimentos
diferentes­.
C a partícula “que”, em “que surgiu no século XII”, cum-
pre função pronominal, pois retoma um vocábulo já
enunciado­.
D a partícula “que”, em “convencionou-se que koekje e
derivados”, exerce função adjetiva, visto que antecipa
uma oração qualificadora.
E a vírgula, em “utilizam, então”, foi usada para marcar
uma pausa na leitura do texto, sendo que seu emprego
foi desnecessário.

Gabarito:  C

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias


Competência: 6
Habilidade: 18

No trecho em questão, “que” desempenha função de pro-


nome relativo, pois retoma a expressão nominal “palavra
francesa ‘bescuit’”, usada anteriormente.

Alternativa A: incorreta. O pronome apontado pela alter-


nativa retoma coesivamente a expressão “entrou primeiro
na língua portuguesa”.
Alternativa B: incorreta. O vocábulo “produto” faz remis-
são a “biscoito” ou “bolacha”, palavras que, segundo o tex-
to, são sinônimas. Por apresentarem sentidos idênticos, a
forma singular é justificável no contexto.
Alternativa D: incorreta. Em “convencionou-se que ­koekje
e derivados”, a partícula “que” não é pronome relativo,
mas conjunção subordinativa integrante. Por isso, a ora-
ção introduzida por ela não tem uma função adjetiva, mas
substantiva­.
Alternativa E: incorreta. A vírgula usada marca não só a
elipse da expressão “um componente levantador”, mas
também separa da primeira oração uma outra, coordenada
conclusiva, iniciada pela conjunção “então”. Logo, o empre-
go dessa vírgula é imprescindível para o correto entendi-
mento do texto e a adequação à norma.
QUESTÃO 13

Disponível em: <http://vidadiaria.com.br/index.php/educacao/1045-unopar-torne-se-


professor-e-aumente-a-sua-renda-saiba-mais>. Acesso em: 11 jan. 2019. (Adapt.).

O anúncio apresentado foi alvo de inúmeras críticas nas


redes sociais, sendo acusado de menosprezar a profissão
de professor. Por meio da análise dos elementos constitu-
tivos dessa propaganda, pode-se inferir que seu público-
-alvo são
A professores que estão desempregados.
B graduandos interessados em transferir o curso.
C vestibulandos que desistiram do vestibular.
D pessoas que já têm Ensino Superior completo.
E indivíduos que não têm graduação.

Gabarito:  D

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias


Competência: 7
Habilidade: 23

A propaganda exorta o receptor a realizar a 2a graduação.


Dessa maneira, ela é voltada a quem já tem o Ensino Su-
perior completo.

Alternativa A: incorreta. A propaganda é direcionada a


quem ainda não é professor, o que se pode verificar pelo
emprego do verbo “tornar-se”.
Alternativa B: incorreta. A propaganda é direcionada a
quem quer tornar-se professor e já possui uma graduação,
e não a quem deseja transferir o curso.
Alternativa C: incorreta. Apesar de, na propaganda, haver
menção de que “não precisa de vestibular”, ela não é vol-
tada aos vestibulandos especificamente, que desistiram do
vestibular.
Alternativa E: incorreta. Se uma graduação é um pressu-
posto para tornar-se professor, então esse indivíduo, de
acordo com o anúncio, já possuiria alguma graduação.
QUESTÃO 14

Time is Honey
A minha geração talvez seja a primeira que pôde cres-
cer e tornar-se adulta sem saber fritar um bife. O merca-
do (tanto com m maiúsculo como minúsculo) nos oferece
saladas lavadas, pratos congelados, comida desidratada,
self-services e deliveries. Cortar, refogar, assar e fritar são
verbos pretéritos.
PRATA, Antonio. Disponível em: <http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/10/time-is-
honey.html>. Acesso em: 1 nov. 2018. (Adapt.).

À luz do contexto, ao afirmar que “cortar, refogar, assar e


fritar são verbos pretéritos”, o cronista
A comete um deslize gramatical, haja vista que tais ver-
bos estão empregados no infinitivo.
B ilustra a sociedade atual, para a qual tais ações não
são mais praticadas.
C reitera uma informação apresentada anteriormente, já
que saber cozinhar não é mais preciso.
D deixa implícita a ideia de que dominar gramática é im-
portante para interpretar corretamente um texto.
E chama a atenção do leitor para a estruturação de uma
crônica, em que são recorrentes verbos no pretérito.

Gabarito:  C

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias


Competência: 6
Habilidade: 18

No começo do texto, Antonio Prata afirma que sua geração


talvez “seja a primeira que pôde crescer [...] sem saber fri-
tar um bife”. Dessa maneira, quando afirma que as ações
de “cortar, refogar, assar e fritar são verbos pretéritos”, isto
é, verbos do passado, o cronista pretender reafirmar o que
já tinha dito anteriormente: como há pratos congelados,
self-services e deliveries, um indivíduo não precisa mais
saber cozinhar.

Alternativa A: incorreta. Não há deslize gramatical no tre-


cho em questão.
Alternativa B: incorreta. As ações ainda são ­praticadas,
mas por restaurantes e por empresas que fabricam
­congelados.
Alternativa D: incorreta. Dominar a gramática é importante
para uma boa interpretação de texto. Todavia, tal ideia não
aparece no texto apresentado.
Alternativa E: incorreta. Em uma crônica, podem ocorrer
verbos no pretérito. Todavia, tal ideia não aparece no texto
apresentado.
QUESTÃO 15

Soneto de fidelidade
De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento


E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim quando mais tarde me procure


Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):


Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
MORAES, Vinicius de. In: MORICONI, Italo (Org.). Os cem melhores poemas brasileiros do
século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. p. 101.

O amor que o eu lírico do poema quer experimentar em


vida é
A inoportuno quando vivido muito intensamente.
B vivido profundamente com apenas uma pessoa.
C sempre intenso e pode estender-se no tempo.
D fortuito como viver de forma despreocupada.
E desinteressado e sugestionável.

Gabarito:  C

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias


Competência: 6
Habilidade: 18

Na primeira estrofe, o eu lírico afirma que será atento ao


seu amor “antes [de tudo], e com tal zelo, e sempre, e
tanto” – afirmação que já pressupõe extensão no tempo
(com o advérbio “sempre”) e intensidade (com o advérbio
“tanto”). Essa concepção intensa de amor se manifesta na
famosa expressão cunhada por Vinicius de Moraes: que o
amor seja “infinito enquanto dure”, isto é, intenso no tempo
que durar. Esse amor pode estender-se no tempo, porque,
no poema, ele é construído também como durável: na pri-
meira estrofe, a atenção ao amor é primordial e constante;
notam-se também as formas verbais no futuro, indicando
alguma duração no tempo. Finalmente, a concepção amo-
rosa do eu lírico diz mais respeito à experiência subjetiva
do amor do que aos relacionamentos propriamente ditos.
O que o eu lírico pretende é amar sempre e intensamente
– daí não haver, no poema, referência à parceira amorosa.

Alternativa A: incorreta. A concepção amorosa do eu líri-


co sempre implica intensidade, como se verifica na famosa
expressão da última estrofe: que o amor seja “infinito en-
quanto dure”.
Alternativa B: incorreta. Não há alusões ao ser amado no
poema, de maneira que não se pode afirmar que o amor
descrito no soneto seja vivido profundamente com apenas
uma pessoa. O mesmo se pode afirmar sobre a “fidelidade”
do título.
Alternativa D: incorreta. Não há alusão, no poema, à
casua­lidade do amor.
Alternativa E: incorreta. Não há alusão no poema ao de-
sinteresse (tanto no sentido de “indiferença”, quanto no de
“desprendimento”) do amor. O eu lírico também não afirma
que o amor se deixe sugestionar.
QUESTÃO 16

Este volume da coleção “Linguagem e letramento em


foco” toma a escrita e a reescrita como as questões cen-
trais, mas seu tema, de fato, não é a produção de textos.
Parte do princípio de que a escrita é uma atividade que, na
escola, deve ser abundantemente praticada, com diversas
finalidades, entre as quais está o próprio aprendizado da
escrita. Por isso, não insiste em alguns aspectos que estão
relacionados ao texto como um produto que se escreve e
se lê em determinadas circunstâncias – isso seria objeto
de um trabalho específico sobre as condições de produção
e de circulação dos textos. Aqui, insiste-se nas práticas de
escrita e, principalmente, de reescrita de textos como uma
forma – a mais eficaz de todas – de aprender a escrever
textos que não contenham características que os tornem
pouco aceitáveis ou mesmo inaceitáveis. Assim, o que se
propõe é que a escrita e, principalmente, a reescrita são as
formas de dominar normas de gramática e de textualidade,
em um dos sentidos de dominar tais normas: domínio efe-
tivo, mesmo que não consciente e explícito, das regras de
uma língua e das regras de construção de textos. No caso,
de textos escritos.
POSSENTI, Sírio. Aprender a escrever (re)escrevendo.
Ministério da Educação, 2005. p. 5-6.

Apesar de não apresentar uma linguagem rebuscada e


excessivamente técnica, o texto apresentado, do linguista
e professor Sírio Possenti, explora a função referencial da
linguagem para atingir seu objetivo comunicativo.
A impessoalidade, uma das marcas dessa função, aparece
mais bem exemplificada no trecho
A “a escrita é uma atividade que, na escola, deve ser
abundantemente praticada”, pelo fato de o verbo “de-
ver” conferir um tom de incerteza ao enunciado.
B “Por isso, não insiste em alguns aspectos que estão
relacionados ao texto”, haja vista que nele ocorre um
sujeito elíptico.
C “isso seria objeto de um trabalho específico sobre as
condições de produção”, por causa do pronome de-
monstrativo, que se refere ao próprio texto do professor­.
D “reescrita de textos como uma forma – a mais eficaz de
todas – de aprender a escrever textos”, uma vez que os
travessões demarcam um juízo de valor do enunciador.
E “o que se propõe é que a escrita e, principalmente, a
reescrita, são as formas de dominar normas”, já que o
agente da ação verbal não ocorre marcado na estrutura­.

Gabarito:  E

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias


Competência: 6
Habilidade: 18

Uma das marcas de impessoalidade é o pronome apassi-


vador “se” (e, consequentemente, a estrutura passiva sin-
tética em si), já que o agente da ação verbal não ocorre
na estrutura sintática. No trecho “o que se propõe é que a
escrita [...]”, não é relevante quem faz a proposta (no caso,
o próprio Sírio Possenti), mas o que é proposto; o foco é no
objeto proposto, não no sujeito propositor; daí o caráter im-
pessoal do trecho, que se repete no texto, já que a mesma
estrutura ocorre em outros pontos: “como um produto que
se escreve e se lê em determinadas circunstâncias”.

Alternativa A: incorreta. O verbo “dever” confere tom im-


perativo ao enunciado, não de incerteza. Além disso, a im-
pessoalidade não é caracterizada por incerteza.
Alternativa B: incorreta. A ocorrência de sujeito elíptico
não é suficiente para marcar impessoalidade. Por exemplo,
na frase “Amo escrever”, ocorre sujeito elíptico, mas não há
impessoalidade.
Alternativa C: incorreta. A ocorrência de pronomes de-
monstrativos não é suficiente para marcar impessoalidade.
Além disso, o pronome não se refere ao próprio texto, mas
ao fato de relacionar um texto a determinadas circunstân-
cias de produção.
Alternativa D: incorreta. O juízo de valor demarcado pelos
travessões não é marca de impessoalidade.
QUESTÃO 17

TEXTO I
A body art é a arte que usa o corpo, geralmente o pró-
prio corpo do artista, como um meio. Desde o fim da dé-
cada de 60, foi uma das mais populares e controvertidas
formas de arte e disseminou-se pelo mundo. Representa,
sob muitos aspectos, uma reação à impessoalidade da arte
conceitual e do minimalismo. O que estava ausente, em
boa parte da arte do período, era a presença corporal do
criador de arte. Nos exemplos em que ela assume a for-
ma de um ritual público ou de uma performance, também
se sobrepõe à arte performática, embora seja criada fre-
quentemente na intimidade e, em seguida, comunicada ao
público por meio da documentação. Reações emocionais
dos espectadores são provocadas por meio de obras inten-
cionalmente distanciadas, enfadonhas, chocantes, engra-
çadas ou que convidam à reflexão.
DEMPSEY, Amy. Estilos, escolas & movimentos: guia enciclopédico da arte moderna.
São Paulo: Cosac & Naify, 2003. p. 244. (Adapt.).

TEXTO II

Letícia Parente, Marca registrada, 1975, 9 min. Porta-pack ½ polegada.


Câmera: Jom Tob Azulay.

Ao considerar a definição de body art, apresentada no tex-


to I, o efeito chocante obtido pela obra de arte Marca re-
gistrada, da artista Letícia Parente, apresentada no texto
II – cena do vídeo no qual ela se apresenta costurando no
próprio pé, com linha e agulha, a frase em língua inglesa
“Made in Brasil” –, leva, primordialmente, à reflexão sobre
a(o)
A ausência de sentido da vida moderna.
B objetificação do corpo da mulher brasileira.
C predomínio da cultura norte-americana no Brasil.
D racismo estrutural da sociedade brasileira.
E prostituição das mulheres.

Gabarito:  B

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias


Competência: 4
Habilidade: 13

Ao inscrever, usando linha e agulha, a frase “Made in Bra-


sil” no próprio corpo, Letícia Parente promove uma reflexão
sobre a objetificação e a mercantilização do corpo das mu-
lheres. A frase “Made in”, completada com um topônimo, é
encontrada em mercadorias como forma de registro de sua
origem; aqui, a frase está inscrita no corpo de uma mulher,
o que sugere que o próprio corpo seja uma mercadoria –
daí a reflexão sobre a objetificação do corpo das mulheres,
em termos globais. O uso de “Brasil” especifica o questio-
namento, aplicando-o ao contexto nacional.

Alternativa A: incorreta. O conjunto de recursos utilizados


na obra – registro em vídeo; costura, com linha e agulha, no
próprio corpo; utilização da frase usada em mercadorias –
não permite que se reflita diretamente sobre a ausência de
sentido da vida moderna.
Alternativa C: incorreta. A utilização da língua inglesa na
frase “Made in Brasil” sugere a força da cultura norte-ameri-
cana no Brasil, mas o conjunto de recursos usados na obra
vai além dessa interpretação.
Alternativa D: incorreta. Não há elementos no conjunto da
obra que permitam reflexão direta sobre o racismo estrutu-
ral da sociedade brasileira. No máximo, pode-se lembrar
que a objetificação dos corpos já se fazia presente na es-
cravidão colonial.
Alternativa E: incorreta. Embora a prostituição seja uma
forma de objetificação do corpo das mulheres, não há ele-
mentos no conjunto da obra que permitam uma reflexão
direta sobre a prostituição.
QUESTÃO 18

Vocabulário para focas


Em uma redação, seja ela de jornal impresso, radiofô-
nico, televisivo ou on-line, são utilizados diversos jargões
e expressões próprias. Assim, é fundamental conhecer o
significado de cada uma dessas expressões para exercer
melhor o seu trabalho. Abaixo, listamos algumas (é difícil
reunir todas, pois existem redações que estão criando no-
vos termos e substituindo outros), a ideia aqui é apresentar
as principais e as mais utilizadas. Caso você não encontre
algum termo, escreva nos comentários para que possamos
acrescentar na lista.
Abrir foto – Ampliar o tamanho da foto na página. Esse
artifício é usado para valorizar uma foto de qualidade ou
cobrir espaço quando o texto é pequeno.
Baixar – Mandar uma página para as oficinas do jornal.
Aí termina o trabalho editorial e começa a parte industrial
do processo.
Briefing – Conjunto de informações que uma empresa
reúne para apresentar ao seu profissional de comunicação
(seja ele um funcionário ou uma agência externa) sempre
que deseja tornar algum fato público, seja por meio de cam-
panhas publicitárias ou de ocupação de espaço editorial.
Contraplano – Gravar trechos da entrevista focando o
repórter, para fazer cortes na edição da matéria. Geralmen-
te, o contraplano é gravado após o término da entrevista.
Foca – Apelido dado ao jornalista aprendiz, usado para
falar do jornalista recém-formado.
[...]
COUTINHO, Emilio. Disponível em: <http://casadosfocas.com.br/vocabulario-de-
jornalismo/>. Acesso em: 10 out. 2018. (Adapt.).

Todo texto é estruturado considerando uma determinada


finalidade pretendida pelo autor. Com base nessa informa-
ção, a função sociocomunicativa do texto anterior é
A apresentar vocabulários específicos do jornalismo para
um público generalizado.
B explicar jargões do jornalismo para um leitor graduado
em jornalismo.
C definir expressões universitárias para ingressantes no
curso de jornalismo.
D estabelecer um dicionário aberto com contribuição de
leitores leigos.
E instruir jornalistas experientes a respeito das novas ex-
pressões profissionais criadas em universidades.

Gabarito:  B

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias


Competência: 7
Habilidade: 23

A finalidade do texto é explicar, para jornalistas recém-


-formados, conhecidos no meio jornalístico como “focas”,
expressões típicas desse grupo profissional, chamadas de
jargões.

Alternativa A: incorreta. O texto é dirigido a jornalistas re-


cém-formados; portanto, seu público é específico.
Alternativa C: incorreta. O texto é dirigido a profissionais
formados em jornalismo, não a ingressantes no curso de
jornalismo.
Alternativa D: incorreta. O texto é dirigido a “focas”, ou
seja, jovens profissionais formados em comunicação social/
jornalismo e, dessa forma, não é aberto à participação de
­pessoas leigas.
Alternativa E: incorreta. O texto é dirigido a recém-forma-
dos em cursos universitários, e não a profissionais expe-
rientes que buscam atualização.
QUESTÃO 19

O nosso primeiro Natal de família, depois da morte


de meu pai acontecida cinco meses antes, foi de conse-
quências decisivas para a felicidade familiar. Nós sempre
fôramos familiarmente felizes, nesse sentido muito abstrato
de felicidade: gente honesta, sem crimes, lar sem brigas
internas nem graves dificuldades econômicas. Mas, devido
principalmente à natureza cinzenta de meu pai, ser des-
provido de qualquer lirismo, duma exemplaridade incapaz,
acolchoado no medíocre, sempre nos faltara aquele apro-
veitamento da vida, aquele gosto pelas felicidades mate-
riais, um vinho bom, uma estação de águas, aquisição de
geladeira, coisas assim. Meu pai fora de um bom errado,
quase dramático, o puro sangue dos desmancha-prazeres.
ANDRADE, Mário de. “O peru de Natal”. Contos novos. São Paulo: Livraria Martins Fontes
Editora, 1975. p. 95.

No texto de Mário de Andrade, são descritos três tipos de


felicidade: uma primeira, genérica, associada à família do
narrador; uma segunda, na qual está marcada a personali-
dade do pai; e uma terceira, ausente da casa do narrador.
As palavras ou expressões que sintetizam cada uma delas,
na ordem em que são apresentadas no texto, são
A “graves dificuldades econômicas”; “lirismo”; “um bom
errado, quase dramático”.
B “sentido muito abstrato de felicidade”; “aproveitamento
da vida”; “gosto pelas felicidades materiais”.
C “sentido muito abstrato de felicidade”; “acolchoado no
medíocre”; “gosto pelas felicidades materiais”.
D “consequências decisivas”; “exemplaridade incapaz”;
“quase dramático”.
E “graves dificuldades econômicas”; “natureza cinzenta
de meu pai”; “aproveitamento da vida”.

Gabarito:  C

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias


Competência: 6
Habilidade: 18

A expressão “sentido muito abstrato de felicidade” se re-


fere à felicidade genérica de famílias como a do narrador;
“acolchoado no medíocre” se refere ao acomodamento do
pai à mediocridade, e “gosto pelas felicidades materiais”
sintetiza exatamente o que falta à família do narrador – e
que se observa nos exemplos “um vinho bom, uma estação
de águas, aquisição de geladeira”.

Alternativa A: incorreta. Faltou à expressão “graves di-


ficuldades econômicas” um termo indicador de negação
para que ela representasse o primeiro modelo de felicida-
de; “lirismo” é precisamente o que falta ao pai do narrador;
“um bom errado, quase dramático” é expressão que não
se refere à felicidade aspirada, mas à mediocridade do pai.
Alternativa B: incorreta. As expressões “sentido muito
abstrato de felicidade” e “gosto pelas felicidades materiais”
correspondem, respectivamente, ao primeiro e terceiro ti-
pos de felicidade, mas a expressão “aproveitamento da
vida” é oposta ao modelo de felicidade do pai do narrador.
Alternativa D: incorreta. A expressão “consequências de-
cisivas” não sintetiza a forma genérica de felicidade descri-
ta no texto; já “exemplaridade incapaz” sintetiza a forma de
felicidade manifesta no pai do narrador da mesma maneira
que “quase dramático”.
Alternativa E: incorreta. Faltou à expressão “graves dificul-
dades econômicas” um termo indicador de negação para
que ela representasse o primeiro modelo de felicidade; as
expressões “natureza cinzenta de meu pai” e “aproveita-
mento da vida”, por sua vez, sintetizam adequadamente o
segundo e terceiro tipos de felicidade.
QUESTÃO 20

“Seja a mudança que você quer ver no mundo.”


(Mohandas­K. Gandhi)
Comecei a ler sobre Gandhi nessas publicações ba-
ratas e superficiais que se vendem em banca de revista.
Esses livros raramente aprofundam a verdadeira persona-
lidade do líder indiano, tratando-o como uma espécie de
santo distante, uma entidade mais religiosa que política. A
verdade é que esses livros se rendem a uma concepção
pouco profunda do Mahatma, muito comum no Ocidente.
Gandhi foi, na verdade, um rebelde contra as opressões
do mundo, um desobediente, um libertário. Mas talvez seja
menos incômodo aos donos do mundo vender apenas a
imagem do pacifista, escondendo debaixo do tapete a do
insurgente.
UCHOAS, Leandro. Seja a mudança: o Brasil visto e debatido a partir do legado de Gandhi.
São Paulo: Paulinas, 2018.

As frases de efeito permanecem na memória coletiva de


uma sociedade por revelarem uma verdade com a qual
seus indivíduos se identificam. Por meio da frase “Seja a
mudança que você quer ver no mundo”, Gandhi
A exorta seus interlocutores a tomar iniciativa e a não es-
perar do mundo uma mudança.
B estimula seus compatriotas a mudar o estilo de vida, de
uma forma ativa para uma reativa.
C explora seus sentimentos para causar comoção na po-
pulação da Inglaterra, país que dominava a Índia até
1947.
D ironiza seus conterrâneos, que adotam uma postura
passiva ao invés de uma postura ativa.
E faz um apelo à comunidade internacional para que a
intolerância seja combatida em todas as estruturas
sociais­.

Gabarito:  A

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias


Competência: 7
Habilidade: 23

O verbo “ser”, na frase apresentada, está empregado no


imperativo. Dessa maneira, a mensagem está centrada em
um interlocutor genérico, persuadindo-o (e, portanto, exor-
tando-o) a criar ou a mudar de comportamento: mudar a si
próprio ao invés de esperar que os outros mudem.

Alternativa B: incorreta. A mudança almejada por Gandhi


é a de um comportamento reativo/passivo para um ativo.
Alternativa C: incorreta. Não há marcas da função emotiva
da linguagem na frase apresentada.
Alternativa D: incorreta. Não há ironia na frase a
­ presentada.
Alternativa E: incorreta. Não há marcas linguísticas que
indiquem um combate à intolerância na frase apresentada.
QUESTÃO 21

Algoritmo do Facebook: como ele funciona


e como aumentar o seu tráfego orgânico
[...]
O Facebook, rede social líder em número de usuá-
rios ativos diariamente, é ainda uma das mais importantes
ferramentas para o marketing digital. Com seus mais de
1,18 bilhão de acessos únicos por dia, a rede já conta com
85,6 milhões de usuários apenas no Brasil.
Consegue imaginar isso? As chances de seu público
estar conectado no Facebook nesse exato momento são
altíssimas! Por isso, é fundamental entender como funcio-
na a dinâmica dessa rede, principalmente se você for par-
tidário da busca por acessos orgânicos, ou seja, acessos
que não dependam de anúncios ou pagamentos por fora
para a rede, mas apenas do interesse dos usuários e do
seu conhecimento sobre a rede.
Aqui no país, o Facebook está em primeiro lugar no
ranking de redes sociais mais usadas e, ao que tudo indi-
ca, ainda está longe de ser desbancado pelo WhatsApp ou
YouTube, considerados ávidos concorrentes pela tela do
seu smartphone. Logo, é importantíssimo saber utilizá-lo.
Mas você sabe como manter as suas postagens na rede
em primeiro lugar para que pelo menos uma parcela des-
ses 85,6 milhões de usuários no país possa encontrá-las?
Dominar os segredos do Facebook é o diferencial de
um profissional de social media, e pode ser o que faltava
para que sua próxima estratégia digital dê certo!
RIBEIRO, Laura. Marketing de Conteúdo, 11 dez. 2016.
Disponível em: <https://marketingdeconteudo.com/algoritmo-do-facebook/>.
Acesso em: 10 nov. 2018. (Adapt.).

O emprego de termos conectivos em um texto é feito para


garantir que a conexão lógica entre as partes atenda à fi-
nalidade de comunicação pretendida pelo autor. Conside-
rando isso, em relação aos termos destacados do texto, o
conectivo
A “isso” introduz novas afirmações na oração em que é
usado.
B “por isso” contrapõe ideias citadas anteriormente.
C “ou seja” apresenta uma conclusão para as afirmações
anteriores.
D “logo” retoma as afirmações anteriores para concluí-las
posteriormente.
E “mas” condiciona as afirmações dadas no parágrafo
anterior.

Gabarito:  D

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias


Competência: 6
Habilidade: 18

A conjunção “logo” retoma as informações anteriores para


oferecer uma conclusão acerca delas.

Alternativa A: incorreta. No texto, o pronome substanti-


vo “isso” é usado anaforicamente para retomar uma ideia
dada anteriormente. Seu emprego não direciona para a
oração posterior.
Alternativa B: incorreta. A locução “por isso” possui valor
conclusivo, retomando ideias apresentadas anteriormente.
Alternativa C: incorreta. A locução “ou seja” apresenta va-
lor explicativo, pois define ao leitor o conceito de “acessos
orgânicos”.
Alternativa E: incorreta. A conjunção “mas” introduz um
sentido adversativo entre as orações, enfatizando as infor-
mações posteriores a si.
QUESTÃO 22

Ai se sêsse
Se um dia nós se gostasse;
Se um dia nós se queresse;
Se nós dois se impariásse,
Se juntinho nós dois vivesse!
Se juntinho nós dois morasse
Se juntinho nós dois drumisse;
Se juntinho nós dois morresse!
Se pro céu nós assubisse?
Mas porém, se acontecesse
qui São Pêdo não abrisse
as porta do céu e fosse,
te dizê quarqué toulice?
E se eu me arriminasse
e tu cum eu insistisse
prá qui eu me arrezorvesse
e a minha faca puxasse,
e o bucho do céu furasse?...
Tarvez qui nós dois ficasse
tarvez qui nós dois caísse
e o céu furado arriasse
e as virge todas fugisse!!!
LUZ, Zé da. Academia Brasileira de Literatura de Cordel. Disponível em:
<www.ablc.com.br/ai-se-sesse/>. Acesso em: 1 out. 2018.

O título é uma síntese precisa do texto, com função estraté-


gica em sua articulação: desperta o interesse do leitor, e es-
tabelece vínculos com informações textuais e ­extratextuais.
O título do texto apresentado, “Ai se sêsse”, contempla es-
sas características, porque
A antecipa ao leitor o modo verbal e a variedade linguís-
tica predominantes no texto.
B estabelece vínculo com o leitor ao representar, no poe-
ma, seu modo de falar.
C usa da repetição do som /se/ para representar o som
dos amantes caindo do céu furado.
D contém uma expressão incorreta, exigindo do leitor o
trabalho de reinterpretar o título como “Ai se fosse”.
E homenageia o modo atual de falar no Brasil, em oposi-
ção ao português europeu.

Gabarito:  A

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias


Competência: 8
Habilidade: 25

O título antecipa o modo verbal predominante no texto, a


saber, o subjuntivo, marcado pela desinência “-sse”. Além
disso, pela norma-padrão, a forma correta não é “sêsse”,
mas “fosse”. Dessa forma, o título antecipa também a varie-
dade linguística informal encontrada no poema.

Alternativa B: incorreta. Não é possível afirmar que o lei-


tor pertença ao grupo dos falantes da mesma variedade
linguística do eu lírico.
Alternativa C: incorreta. A repetição do som /se/ no título
não tem relação com a queda dos amantes do céu.
Alternativa D: incorreta. Não se pode afirmar que a ex-
pressão “sêsse” é incorreta, pois o poema não adota a
norma-padrão, mas sim uma variedade linguística informal.
Alternativa E: incorreta. Não é possível afirmar que o
modo retratado no poema é falado no Brasil inteiro.
QUESTÃO 23

— Leiam agora esses versos d’Os Lusíadas que estão


mais abaixo do quadro. Lembrem-se de que Os Lusíadas
foram escritos por aquele que é considerado o maior poeta
da língua portuguesa, Luís de Camões, tido até como o
verdadeiro “inventor” da nossa língua literária...
“E não de agreste avena, ou frauta ruda” (canto I,
verso 5)
“Doenças, frechas, e trovões ardentes” (X, 46)
“Era este Ingrês potente, e militara” (VI, 47)
“Nas ilhas de Maldiva nasce a pranta” (X, 136)
“Pruma no gorro, um pouco declinada” (II,98)
“Onde o profeta jaz, que a lei pubrica” (VII, 34)
Irene olha bem séria para suas “alunas” e pergunta:
— Nós agora devíamos estar rolando no chão de tanto
rir, não é? Pois acabamos de descobrir que o tão badalado
Camões também “não sabia português”, era “burro” e fala-
va “língua de índio”!
BAGNO, Marcos. A língua de Eulália. 15 ed. São Paulo: Editora Contexto, 2006.

Analisar certas palavras empregadas por Luís de Camões


em Os Lusíadas, publicado em 1572, e compará-las com
as formas hoje empregadas no Brasil é importante porque
A mostra como o conceito de ignorância permaneceu o
mesmo ao longo do tempo.
B evidencia que o preconceito linguístico atinge a to-
dos os falantes do português, inclusive os grandes
­escritores.
C possibilita ao brasileiro uma reflexão sobre o que é con-
siderado certo e errado nas construções linguísticas.
D esclarece que, em uma língua, o importante é comuni-
car, mesmo que as palavras estejam erradas.
E promove uma língua culta e estável, cujas estruturas
permanecem inalteradas ao longo do tempo.

Gabarito:  C

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias


Competência: 6
Habilidade: 20

Ao comparar a língua portuguesa antiga com a atual, o


falante notará que formas hoje consideradas erradas um
dia foram consideradas corretas. Dessa maneira, a noção
de certo e de errado é bastante relativa e, principalmente,
questionável, o que leva o falante a refletir sobre a língua e
a não ter preconceito com certas construções linguísticas.

Alternativa A: incorreta. A importância da comparação en-


tre a língua portuguesa antiga e a atual não tem relação
com a manutenção do conceito de ignorância ao longo do
tempo.
Alternativa B: incorreta. Não há evidências textuais que
permitam afirmar que os grandes escritores sofrem precon-
ceito linguístico.
Alternativa D: incorreta. A noção de certo e de errado é
questionável. Dessa maneira, não se pode afirmar que
existam formas erradas.
Alternativa E: incorreta. Nenhuma língua humana é está-
vel e estanque.
QUESTÃO 24

[...]
Crônica tem essa vantagem: não obriga ao paletó-e-
-gravata do editorialista, forçado a definir uma posição cor-
reta diante dos grandes problemas; não exige de quem a
faz o nervosismo saltitante do repórter, responsável pela
apuração do fato na hora mesma em que ele acontece; dis-
pensa a especialização suada em economia, finanças, po-
lítica nacional e internacional, esporte, religião e o mais que
imaginar se possa. Sei bem que existem o cronista político,
o esportivo, o religioso, o econômico etc., mas a crônica
de que estou falando é aquela que não precisa entender
de nada ao falar de tudo. Não se exige do cronista geral a
informação ou comentários precisos que cobramos dos ou-
tros. O que lhe pedimos é uma espécie de loucura mansa,
que desenvolva determinado ponto de vista não ortodoxo
e não trivial e desperte em nós a inclinação para o jogo da
fantasia, o absurdo e a vadiação de espírito.
[...]
ANDRADE, Carlos Drummond de. Revista Bula. Disponível em: <https://revistabula.
com/4103-a-ultima-cronica-de-drummond/>. Acesso em: 10 nov. 2018.

No texto anterior, Drummond apresenta sua visão a respei-


to do trabalho de um cronista. Considerando as reflexões
propostas pelo autor, alguns gêneros textuais criados no
século XXI podem ser aproximados à crônica, como
A os blogs especializados, nos quais jornalistas comen-
tam as principais notícias de uma área de conhecimento­.
B os canais de vídeos on-line, em que as opiniões são
apresentadas sem especificidade obrigatória.
C as enciclopédias virtuais, criadas abertamente por usu-
ários do mundo todo e editadas pela comunidade de
leitores.
D as redes sociais de imagens, que oferecem textos visu-
ais amplamente subjetivos e desprovidos de opiniões­.
E os programas de comunicação instantânea, em
que a interação entre leitores dinamiza a busca por
informações­.

Gabarito: B

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias


Competência: 1
Habilidade: 1

Os canais virtuais de sites, como YouTube e Dailymotion,


apresentam conteúdos variados do dia a dia e não exigem
dos seus autores conhecimento especializado nos assun-
tos abordados.

Alternativa A: incorreta. O autor defende que não se deve


exigir do cronista conhecimento rigorosamente técnico,
mas esse conhecimento é exigido em um blog jornalístico.
Alternativa C: incorreta. Embora as enciclopédias on-line
possam ser redigidas por um público leigo, elas ainda apre-
sentam uma estrutura ortodoxa, característica oposta à
crônica.
Alternativa D: incorreta. Não há relação possível entre re-
des sociais de imagens e a articulação verbal de um ponto
de vista desenvolvido como ocorre na crônica.
Alternativa E: incorreta. As mensagens eletrônicas troca-
das por aplicativos, como o WhatsApp, embora não apre-
sentem uma estrutura ortodoxa, também não apresentam
valor reflexivo ou opinativo, restando a elas um valor pura-
mente interativo.
QUESTÃO 25

— Perfeitamente. Panegírico de Santa Mônica! Como


isto me faz remontar os anos da minha mocidade! Nun-
ca me esqueceu o seminário, creia. Os anos passam, os
acontecimentos vêm uns sobre outros, e as sensações
também, e vieram amizades novas, que também se foram
depois, como é lei da vida... Pois, meu caro colega, nada
fez apagar aquele tempo da nossa convivência, os padres,
as lições, os recreios... os nossos recreios, lembra-se? o
Padre Lopes, oh! o Padre Lopes...
ASSIS, Machado de. Dom Casmurro. Rio de Janeiro: Editora Garnier, 1899.

O livro Dom Casmurro foi publicado pela primeira vez em


1899. Desde então, a língua portuguesa vem passando por
diferentes tipos de mudanças, como semântico-lexicais,
morfológicas e sintáticas. Um exemplo de mudança sintá-
tica, em relação ao português atual, pode ser encontrado
no trecho
A “Nunca me esqueceu o seminário, creia”.
B “Os anos passam, os acontecimentos vêm”.
C “e vieram amizades novas, que também se foram de-
pois, como é lei da vida...”.
D “apagar aquele tempo da nossa convivência”.
E “o Padre Lopes, oh! o Padre Lopes...”.

Gabarito:  A

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias


Competência: 8
Habilidade: 27

O verbo “esquecer” foi empregado com uma regência que


não ocorre mais no português espontâneo falado no Brasil.
Nessa frase, “o seminário” é o sujeito do verbo, e “me” é
seu objeto indireto, motivo pelo qual o verbo está no singu-
lar. Atualmente, no Brasil, não se usa mais “esquecer” com
a acepção de “cair no esquecimento”: “O seminário nunca
esqueceu a mim”, isto é, “O seminário nunca caiu no meu
esquecimento”. Hoje, no português brasileiro, o sujeito do
verbo “esquecer” tem que ser uma pessoa, por exemplo:
“Bentinho nunca esqueceu o seminário”.

Alternativas B, C, D e E: incorretas. Essas estruturas sin-


táticas ainda ocorrem no português atual.
QUESTÃO 26

Disponível em: <https://portalguacuano.com.br/?p=6030>. Acesso em: 14 set. 2018.

Na campanha publicitária apresentada, o texto não verbal se relaciona com o texto verbal como forma de enfatizar o sen-
tido apelativo. Essa ênfase é gerada porque o texto não verbal
A promove os agentes do SUS como confiáveis e principais responsáveis pela saúde das crianças.
B metaforiza o cuidado paterno, igualando-o aos agentes lúdicos da vacinação.
C faz um apelo à vacinação contra a paralisia infantil por meio da expressão da personagem lúdica.
D ilustra como o medo infantil da vacinação pode ser superado com a presença dos pais.
E ironiza o imaginário infantil, que comumente associa os pais às figuras de proteção, como as vacinas.

Gabarito:  B

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias


Competência: 7
Habilidade: 21

A imagem projeta no espelho a figura paterna, que é metaforizada na personagem Zé Gotinha. Com isso, a propaganda
indica que os pais devem atuar como agentes responsáveis pela saúde de seus filhos, enquanto o SUS oferece a vacina-
ção pública.

Alternativa A: incorreta. A imagem apresenta um agente de saúde, a personagem Zé Gotinha, como responsável pela
criança, na medida em que ele espelha a figura do pai, ou seja, indica que a família deve responsabilizar-se pela vacinação
das crianças, atuando junto com o SUS para garanti-la.
Alternativa C: incorreta. A imagem relaciona a personagem Zé Gotinha à vacinação em um aspecto geral e associa a
personagem ao combate de diversas doenças. A informação a respeito da paralisia infantil, mencionada na alternativa, não
está alocada visualmente e encontra-se apenas no texto verbal.
Alternativa D: incorreta. A cena retratada na imagem carrega um símbolo de felicidade e descontração, desmistificando o
conceito de que a vacinação é um trauma para a criança. O sentimento de medo que crianças enfrentam não é abordado
na propaganda.
Alternativa E: incorreta. Embora haja relação entre a figura dos pais e da personagem Zé Gotinha, que representa a va-
cinação, o sentido estabelecido não é de ironia, pois a intenção da imagem é reforçar o apelo do texto verbal.
QUESTÃO 27

Cotidiano
Todo dia ela faz tudo sempre igual
Me sacode às seis horas da manhã
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã

Todo dia ela diz que é pra eu me cuidar


E essas coisas que diz toda mulher
Diz que está me esperando pro jantar
E me beija com a boca de café

Todo dia eu só penso em poder parar


Meio dia eu só penso em dizer não
Depois penso na vida pra levar
E me calo com a boca de feijão

Seis da tarde como era de se esperar


Ela pega e me espera no portão
Diz que está muito louca pra beijar
E me beija com a boca de paixão

Toda noite ela diz pra eu não me afastar


Meia-noite ela jura eterno amor
E me aperta pra eu quase sufocar
E me morde com a boca de pavor

Todo dia ela faz tudo sempre igual


Me sacode às seis horas da manhã
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã
BUARQUE, Chico. Construção. Philips Records, 1971.

Nessa canção, descrita pela voz de um eu lírico masculino,


há uma tematização crítica da rotina na vida de um casal.
É possível pressupor uma referência a essa rotina, princi-
palmente, no verso
A “E me beija com a boca de hortelã”.
B “Diz que está me esperando pro jantar”.
C “E me calo com a boca de feijão”.
D “Seis da tarde como era de se esperar”.
E “E me beija com a boca de paixão”.

Gabarito:  D

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias


Competência: 6
Habilidade: 18

A expressão “como era de se esperar” pressupõe que o eu


lírico viva, rotineiramente, a mesma cena às seis da tarde.
Essa pressuposição é originada a partir do verbo “era”, o
qual carrega consigo a ideia implícita de habitualidade. A
ausência desse verbo nas demais alternativas sinaliza que
apenas em D é possível pressupor uma rotina direcionada
ao passado do eu lírico.

Alternativa A: incorreta. O verso não permite pressupor


que a ação indicada seja frequente.
Alternativa B: incorreta. Embora seja possível perceber
uma carga implícita relacionada à vida de um casal, não há
aspecto visível nele que possa indicar uma rotina.
Alternativa C: incorreta. Nesse verso, não há menção à
rotina experimentada pelo eu lírico.
Alternativa E: incorreta. O verso não permite pressupor
que a ação indicada seja frequente.
QUESTÃO 28

A emenda saiu pior do que o soneto


Querendo uma avaliação, certo candidato a escritor
apresentou soneto de sua lavra ao poeta português Manuel­
Maria Barbosa du Bocage (1765-1805) pedindo-lhe que
marcasse com cruzes os erros encontrados. O escritor leu
tudo, mas não marcou cruz nenhuma, alegando que elas
seriam tantas que a emenda ficaria ainda pior do que o
soneto. A autoridade do mestre era incontestável. Bocage
levou essa forma poética a tal perfeição que fazia o que
bem queria com um soneto, tornando-se muito popular,
principalmente em improvisos satíricos e espirituosos, pe-
los quais é conhecido.
SILVA, Deonísio da. A vida íntima das frases. 2 ed. [S.l.]: Novo Século, 2012.

Algumas palavras e expressões são responsáveis por es-


tabelecer nexos lógicos entre as partes de um texto. No
excerto apresentado, um mesmo conector empregado no
trecho “elas seriam tantas que a emenda ficaria ainda pior
do que o soneto” também é encontrado, estabelecendo a
mesma relação de sentido, no trecho
A “pedindo-lhe que marcasse com cruzes os erros en-
contrados”.
B “O escritor leu tudo, mas não marcou cruz nenhuma”.
C “A autoridade do mestre era incontestável”.
D “tornando-se muito popular, principalmente em improvi-
sos satíricos e espirituosos”.
E “Bocage levou essa forma poética a tal perfeição que
fazia o que bem queria com um soneto”.

Gabarito:  E

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias


Competência: 6
Habilidade: 18

Entre as orações da frase do enunciado, tem-se estabe-


lecida uma relação de causa-consequência, marcada pela
conjunção consecutiva “que”. As frases “elas seriam tantas
que a emenda ficaria ainda pior do que o soneto” e “Bocage
levou essa forma poética a tal perfeição que fazia o que
bem queria com um soneto” estabelecem a mesma relação
de sentido com a conjunção consecutiva “que”.

Alternativa A: incorreta. No trecho transcrito, não ocorre


uma conjunção consecutiva, mas uma conjunção ­integrante.
Alternativa B: incorreta. No trecho transcrito, não ocorre uma
conjunção consecutiva, mas uma conjunção ­adversativa.
Alternativa C: incorreta. No trecho transcrito, não ocorre
nenhuma conjunção.
Alternativa D: incorreta. No trecho transcrito, não ocorre
uma conjunção consecutiva, mas uma conjunção aditiva.
QUESTÃO 29

Jacinto morava no 202 dos Champs-Elysées, em Pa-


ris, mas bocejava de tédio, insatisfeito da gente fútil, das
máquinas e dos livros. Certo dia, em companhia de Zé Fer-
nandes, seu amigo, volta à província portuguesa de onde
viera, o Minho. Um desencontro ferroviário dispersa-lhe a
bagagem, mas ele segue caminho. A natureza, que agora
conhece de perto, encanta-o. Conhece Joaninha, que por
ele nutre um afeto sincero e puro, há tempos procurado inu-
tilmente. Acaba permanecendo em Tormes e abandonando
a artificiosa Paris. Encontrara a “suma felicidade”.
MOISÉS, Massaud. Presença da Literatura Portuguesa. v. III. São Paulo: Cultrix, 1984.

A modalidade padrão da língua portuguesa tem em sua


constituição construções que não ocorrem – ou, se ocor-
rem, ocorrem com pouca frequência – na fala espontânea,
como se pode exemplificar pelo trecho
A “Jacinto morava no 202”.
B “mas bocejava de tédio”.
C “Certo dia, em companhia de Zé Fernandes, seu amigo­”.
D “A natureza, que agora conhece de perto, encanta-o”.
E “Conhece Joaninha, que por ele nutre um afeto sincero
e puro”.

Gabarito:  D

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Competência: 8
Habilidade: 25

No português espontâneo, a forma pronominal no objeto


direto é “ele”, e não “o”. Dessa forma, “encanta-o” pertence
à variante culta da língua, pois, na informal, seria “encanta
ele”.

Alternativas A, B, C e E: incorretas. As construções apre-


sentadas existem no português espontâneo.
QUESTÃO 30

“Optical Parking System”


Está nas páginas das revistas especializadas em au-
tomóveis uma peça publicitária de um veículo produzido
por uma das multinacionais com fábrica no Brasil: “Opti-
cal Parking System”. A maravilhosa engenhoca é um dos
equipamentos do veículo. O caro leitor sabe o que vem a
ser o bendito “Optical Parking System”? Bem, para ser jus-
to, convém dizer que o próprio anúncio explica (quase em
português): “Display do sensor de estacionamento”. Para
quem não entendeu, explico: na tradução, foi empregada
a palavra “display”, que talvez pudesse ser substituída por
“mostrador”, “painel” ou sabe Deus o quê.
Antes que alguém se empolgue e comece a pensar que
este texto é um manifesto contra todo e qualquer estrangei-
rismo ou a favor de purismos linguísticos, vou logo dizendo:
devagar com o andor, por favor.
O problema é outro. Mais precisamente, é a bizarrice
de certos usos de estrangeirismos. Se um publicitário usa
“target” no seu meio profissional, vá lá. Qualquer publicitá-
rio sabe o que é isso, mas quem não é do ramo não tem
nenhuma obrigação de saber o que é essa bobagem, so-
bretudo porque há na língua materna o termo “alvo”, que é
absolutamente equivalente e infinitamente mais conhecido.
CIPRO NETO, Pasquale. Folha de S.Paulo, 6 dez. 2012. Disponível em:
<https://bit.ly/2SpNVol>. Acesso em: 30 out. 2018. (Adapt.).

Pasquale Cipro Neto é professor de Língua Portuguesa e


autor de manuais de gramática. Apesar disso, seu artigo de
opinião contém vocabulário informal para se adequar a seu
público-alvo, como ocorre no trecho
A “convém dizer que o próprio anúncio explica”.
B “na tradução, foi empregada a palavra ‘display’”.
C “manifesto contra todo e qualquer estrangeirismo”.
D “Se um publicitário usa ‘target’ no seu meio profissional,
vá lá”.
E “sobretudo porque há na língua materna o termo ‘alvo’”.

Gabarito:  D

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias


Competência: 8
Habilidade: 25

A expressão “vá lá” é traço de informalidade.

Alternativas A, B, C e E: incorretas. Não há traços de in-


formalidade nos trechos apresentados.
QUESTÃO 31

Relampiano
Tá relampiano
Cadê neném?
Tá vendendo drops
No sinal pra alguém
Tá vendendo drops
No sinal pra alguém

Todo dia é dia


Toda hora é hora
Neném não demora
Pra se levantar

Mãe lavando roupa


Pai já foi embora
E o caçula chora
Pra se acostumar
Com a vida lá de fora
Do barraco
[...]
Lenine. Na pressão, 1999.

Na canção de Lenine, algumas palavras e expressões co-


loquiais simulam um discurso oral. O emprego dessas mar-
cas de informalidade tem por função
A indicar a baixa escolaridade do falante.
B representar uma variação regional da língua.
C introduzir dialetos específicos de comunidades serta-
nejas.
D questionar a inadequação vocabular em um contexto
que exige a norma.
E representar a interação comunicacional espontânea e
comum no cotidiano.

Gabarito:  E

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Competência: 8
Habilidade: 26

O autor simula uma conversa cotidiana na vida das perso-


nagens, de modo que a adequação à norma não é exigida
nesse contexto de uso espontâneo da língua.

Alternativa A: incorreta. As formas reduzidas “pra” e “tá”,


bem como a alteração sonora em “relampiano”, embora
apresentem desvio normativo, são cotidianamente repro-
duzidas por diversos grupos de falantes em contextos in-
formais, inclusive por usuários da língua que dominam a
norma. Por conta disso, a alternativa deve ser considerada
incoerente.
Alternativa B: incorreta. As formas orais “pra” e “tá” são
comuns a falantes de distintas regiões do país e, portanto,
não podem ser consideradas representativas de uma re-
gião específica.
Alternativa C: incorreta. Não há expressões no texto que
possam ser consideradas típicas do sertão brasileiro. A for-
ma verbal “relampiano” é comum em dialetos de grandes
cidades.
Alternativa D: incorreta. A interação cotidiana, simulada no
trecho da música, dispensa o uso da norma-padrão, tor-
nando a alternativa incoerente.
QUESTÃO 32

Figura 1

PEDROSA, Adriano; TOLEDO, Tomás (Org.). A mão do povo brasileiro 1969/2016


(Catálogo da exposição). São Paulo: Masp, 2016. p. 174-5.

Figura 2

PEDROSA, Adriano; TOLEDO, Tomás (Org.). A mão do povo brasileiro 1969/2016


(Catálogo da exposição). São Paulo: Masp, 2016. p. 17.

As fotos apresentadas são da exposição “A mão do


povo brasileiro 1969/2016”, realizada no Museu de Arte de
São Paulo (MASP), no ano de 2016. Na figura 1, no alto,
observam-se, principalmente, gaiolas penduradas no teto;
no primeiro plano, em um tablado, utensílios domésticos de
cozinha, como pilões de madeira e de granito e panelas,
além de uma mesa rústica de madeira. Ao fundo, apresen-
tam-se, pendurados na parede, utensílios rurais, em close
na figura 2: balanças, lanternas de coche, lamparinas, can-
deias, esquadros, grade, morsas, plainas, alicates, formas
para fabricação de hóstias, tesouras de tosquiar e de jardi-
nagem, martelos, marcadores de gado, enxadas, fechadu-
ras, entre outros.
Os objetos expostos na mostra “A mão do povo brasileiro
1969/2016”, bem como sua apresentação e disposição na
sala do MASP, são indicadores da(o)
A valorização da produção manual do artesanato como
forma de arte que supera formalmente o cânone erudi-
to tradicional que ocupa o museu.
B desprestígio das manifestações abstratas de arte, alija-
das do museu e substituídas por objetos de artesanato.
C riqueza da produção artesanal brasileira, por meio da
qual o museu incorpora o sentido da utilidade prática
esvaziada de proposta estética.
D valorização da produção manual popular, que prescin-
de do espaço do museu para afirmar-se como arte re-
conhecida pelo público.
E ressignificação artística do artesanato popular para
além da utilidade cotidiana e do museu, que relativiza o
próprio cânone com essas obras.

Gabarito:  E

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Competência: 4
Habilidade: 12

De fato, o artesanato popular apresentado no museu ganha


novos matizes de significação – especialmente o estético –
que vão além de sua utilidade prática; da mesma maneira,
ao escolher expor aqueles objetos em suas salas, o museu
também se renova, porque revê o cânone que lhe servia
de pressuposto para apresentação das obras e para sua
disposição no espaço.

Alternativa A: incorreta. A valorização da produção ma­


nual do artesanato como forma de arte está presente nas
fotografias apresentadas, mas não se pode afirmar que
essa produção supera formalmente o cânone erudito tradi-
cional que ocupa o museu. Não se trata, aqui, de uma ma-
nifestação superar a outra, mas de rever o próprio conceito
tradicional de arte e relativizá-lo.
Alternativa B: incorreta. Não há nada nos objetos apre-
sentados nas duas fotos que indique desprestígio das ma-
nifestações abstratas de arte. Mais equivocado ainda é
­afirmar que estas estejam “alijadas do museu”.
Alternativa C: incorreta. Como se apontou na justificati-
va da alternativa correta, obras e museu ganham novos
matizes de significação a partir da exposição de peças de
artesanato. Essas peças contêm em si a utilidade prática,
cotidiana, que acaba por obliterar-lhes, em alguma medida,
o valor estético, que o museu desvela e potencializa.
Alternativa D: incorreta. A valorização da produção manual
popular não prescinde do espaço do museu para afirmar-se
como arte reconhecida pelo público. Trata-se do contrário:
é precisamente por meio da apresentação dessas peças
no museu, dispostas daquela maneira, que se revela e se
potencializa seu valor estético.
QUESTÃO 33

_ TEX201809170905Aninhae suas pedras


Não te deixes destruir…
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces.
[Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha
um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.
Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede.
CORALINA, Cora. Melhores poemas de Cora Coralina. 1 ed.
São Paulo: Global Editora, 2015.

O poema apresentado foi escrito por Cora Coralina, pseu-


dônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, impor-
tante autora vanguardista das vozes femininas na literatura
brasileira. Ao analisar as formas verbais e os pronomes que
compõem os versos, observa-se que o eu lírico do texto
A é a autora do poema, a qual discute os processos de
formação da poesia consigo, tornando o poema, por-
tanto, um exemplo da metapoesia.
B dirige-se às poetas mulheres de seu tempo, aconse-
lhando-as a não esmorecerem diante da velhice.
C aborda o tema da importância da poesia para a vida
dos mais jovens, indicando que a poesia é fonte exclu-
siva daqueles que ainda vivem na mocidade.
D cria uma interlocução subjetiva com o próprio poema,
sugerindo a ele que não tenha receio em esconder-se
dos leitores, pois pode trazer afago a eles.
E acredita que possa ser imortalizado a partir da criação
poética, uma vez que a poesia pode viver eternamente
no coração dos jovens leitores, entre os quais se inclui
a personagem Aninha.

Gabarito: A

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Competência: 6
Habilidade: 18

No texto, ocorre uma fusão entre a voz do eu lírico e a au-


tora do poema, metaforizada na personagem Aninha. Os
verbos imperativos e o emprego da segunda pessoa criam,
além da função apelativa da linguagem, uma interlocução
entre autora e eu lírico. Essa interlocução revela-se como
um conselho acerca da importância do poema para a auto-
ra e para os leitores. Assim, o próprio poema lança uma re-
flexão acerca do fazer poético, tornando-se, portanto, uma
metapoesia.

Alternativa B: incorreta. Não há indícios no texto de que


a personagem Aninha desempenhe função representativa
para todas as mulheres da literatura brasileira. Além disso,
o tema não aborda a velhice – embora haja menção ao
recomeço, o verbo refere-se à criação poética.
Alternativa C: incorreta. O poema aborda a importância da
poesia na vida de todos, o que inclui os mais jovens, mas
não apenas eles. Ademais, observa-se que os versos que
mencionam a juventude se referem à vida da personagem
Aninha, e não necessariamente à poesia.
Alternativa D: incorreta. A interlocução criada pelos ver-
bos, nos versos “Faz de tua vida mesquinha / um poema”,
impossibilita interpretar que o diálogo é feito entre o eu líri-
co e o poema. Há a necessidade de uma terceira pessoa,
Aninha, que fará da própria vida uma poesia.
Alternativa E: incorreta. Apesar de o poema indicar que a
poesia pode ser eterna no coração dos leitores, a persona-
gem Aninha é, na verdade, a autora do texto, aquela que
faz o poema. Assim, é impossível afirmar que Aninha faz
parte do grupo dos leitores.
QUESTÃO 34

O açúcar
O branco açúcar que adoçará meu café
nesta manhã de Ipanema
não foi produzido por mim
nem surgiu dentro do açucareiro por milagre...

Vejo-o puro
e afável ao paladar
[...]

Este açúcar era cana


e veio dos canaviais extensos
que não nascem por acaso
no regaço do vale.

Em lugares distantes, onde não há hospital


nem escola,
homens que não sabem ler e morrem de fome
aos 27 anos
plantaram e colheram a cana
que viraria açúcar.

Em usinas escuras,
homens de vida amarga
e dura
produziram este açúcar
branco e puro
com que adoço meu café esta manhã em Ipanema.
GULLAR, Ferreira. Dentro da noite veloz. São Paulo: Companhia das Letras, 2018.

A língua dispõe de palavras que permitem ao emissor da


mensagem posicionar-se espacialmente em relação ao
mundo que o circunda. No poema apresentado, há várias
marcas linguísticas que situam o eu lírico em uma posição
oposta à dos objetos de sua apreciação, como atestam as
expressões
A “branco açúcar” e “afável ao paladar”.
B “canaviais extensos” e “não nascem por acaso”.
C “dentro do açucareiro” e “Este açúcar”.
D “nesta manhã de Ipanema” e “vida amarga”.
E “homens que não sabem ler” e “usinas escuras”.

Gabarito:  D

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Competência: 6
Habilidade: 18

O pronome “esta” na expressão “nesta manhã de Ipanema”


situa a enunciação no lugar onde o eu lírico fez sua afirma-
ção. Já a expressão “vida amarga” faz referência à vida dos
homens que trabalham onde o açúcar é produzido.

Alternativa A: incorreta. As duas expressões fazem refe-


rência ao eu lírico.
Alternativa B: incorreta. As duas expressões fazem refe-
rência ao local de produção do açúcar.
Alternativa C: incorreta. As duas expressões fazem refe-
rência ao eu lírico.
Alternativa E: incorreta. As duas expressões fazem refe-
rência ao local de produção do açúcar.
QUESTÃO 35

Os meios de comunicação veiculam ou produzem no-


tícias, representações e expectativas nos indivíduos com
propagandas, informações e noticiários que, de um lado,
estimulam o uso de produtos dietéticos e práticas alimenta-
res para emagrecimento e, de outro, instigam ao consumo
de lanches tipo fast-food. Não se trata de uma decisão ou
ação das empresas midiáticas; elas integram um contexto
empresarial e um sistema de crenças em que há uma es-
treita relação entre uma suposta verdade biomédica e um
desejo social e individual. O corpo é um campo de luta que
envolve diferentes saberes, práticas e imaginário social.
SERRAL, Giane Moliari Amaral; SANTOS, Elizabeth Moreira dos. “Saúde e mídia na construção
da obesidade e do corpo perfeito”. Ciência & Saúde Coletiva, v. 8, n. 3, 2003. p. 692. (Adapt.).

O texto retrata uma contradição no que diz respeito à forma


como a mídia trata da relação das pessoas com o corpo,
pois, ao mesmo tempo que se oferece uma imagem da ma-
greza como a estética ideal,
A expõem-se produtos que prometem melhorar a saúde.
B incentiva-se o consumo de alimentos não saudáveis.
C estimula-se a aceitação individual das diferenças.
D instiga-se o desejo de comprar produtos dietéticos.
E promove-se um embate entre o corpo e o imaginário
social.

Gabarito:  B

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Competência: 3
Habilidade: 11

A contradição observada no texto é em relação à propa-


ganda midiática, que veicula uma imagem estética ideal, a
qual seria atingida por meio de produtos emagrecedores,
principalmente, ao mesmo tempo que incentiva o consu-
mo de alimentos não saudáveis, os quais, certamente, não
contribuem para o emagrecimento.

Alternativa A: incorreta. O texto não menciona produtos


que prometem melhorar a saúde.
Alternativa C: incorreta. Não é discutida no texto a aceita-
ção das diferenças.
Alternativa D: incorreta. A alternativa estabelece conso-
nância com a ideia apresentada no enunciado, não expres-
sando a contradição do texto.
Alternativa E: incorreta. Tal embate (imagem de magreza x
alimentos não saudáveis) é expresso no imaginário social,
sendo o corpo o “campo de batalha”, no qual as pes­soas,
influenciadas por esses ideais, vão tentar se encaixar. A al-
ternativa faz, portanto, uma leitura incorreta do texto.
QUESTÃO 36

Soneto XXX
Ao coração que sofre, separado
Do teu, no exílio em que a chorar me vejo,
Não basta o afeto simples e sagrado
Com que das desventuras me protejo.

Não me basta saber que sou amado,


Nem só desejo o teu amor: desejo
Ter nos braços teu corpo delicado,
Ter na boca a doçura de teu beijo.

E as justas ambições que me consomem


Não me envergonham: pois maior baixeza
Não há que a terra pelo céu trocar;

E mais eleva o coração de um homem


Ser de homem sempre e, na maior pureza,
Ficar na terra e humanamente amar.
BILAC, Olavo. Poesias. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1977. p. 70.

Se considerada a forma literária do soneto e sua tradição,


bem como o contexto no qual se insere Olavo Bilac, a con-
cepção de amor apresentada no poema pode ser sintetiza-
da por meio do seguinte vocábulo ou expressão
A platonismo. D dialética da libertação.
B poesia de elite. E política.
C quebra de expectativa.

Gabarito:  C

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias


Competência: 5
Habilidade: 16

A forma tradicional do soneto supõe uma concepção tra-


dicional de amor elevado, isto é, distante das expressões
carnais. No poema, quebra-se essa expectativa: o eu lírico
propõe que a forma mais elevada de amor é a carnal.

Alternativa A: incorreta. A concepção de amor expressa no


poema não é platônica, porque pressupõe o contato carnal.
Alternativa B: incorreta. Não há referências no poema que
permitam afirmar que a concepção de amor nele expressa
seja elitista.
Alternativa D: incorreta. Não há referências no poema que
permitam afirmar que a concepção de amor nele expressa
seja dialética e libertadora.
Alternativa E: incorreta. Não há referências no poema que
permitam afirmar que a concepção de amor nele expressa
seja política.
QUESTÃO 37

Jamais lera jornais habitualmente. Se tomava um e ten-


tava ler qualquer coisa, logo lhe vinha o sono. Tudo que
não viesse ferir-lhe o ouvido, não suportava e não lhe ia à
inteligência. Não compreendia um desenho, uma caricatu-
ra, por mais grosseira e elementar que fosse. Para que pu-
desse receber qualquer sensação duradoura e agradável,
era-lhe preciso o “som”, o “ouvido”.
Música, desde que fosse aquela a que estava habitua-
do, encantava-lhe; canto, mesmo acima da trivial modinha,
arrebatava-o; versos, quando recitados, apreciava muito; e
um grande discurso, cujos primeiros períodos ele não seria
capaz de lê-los até o fim, entusiasmava-o, fosse qual fosse
o assunto, desde que o dissesse grande orador. Era pobre
de visão e o funcionamento do seu aparelho visual era limi-
tado às necessidades rudimentares da vida.
BARRETO, Lima. Clara dos Anjos. São Paulo: Companhia das Letras, 2012. p. 216-7.

No fragmento anterior, o narrador descreve os alcances e


os limites da capacidade perceptiva da personagem Joa-
quim dos Anjos, morador do subúrbio carioca nos primeiros
anos do século XX. Considerando a descrição da persona-
gem como um todo, predomina a(o)
A contraste entre a incapacidade de apreender conteúdos
visuais e a sensibilidade aguçada para a sonoridade­.
B preguiça de ler e de interpretar tipicamente associada
aos moradores do subúrbio carioca.
C capacidade perceptiva elevada no que se refere a ele-
mentos sonoros, por meio da qual a personagem tem
acesso a todos os conteúdos da escrita.
D pressuposto de que a apreensão de conteúdos por
meio da escrita é adquirida apenas por meio do hábito.
E sugestão de que a capacidade da personagem de ler e
de observar gravuras está comprometida pela riqueza
sonora da cultura brasileira.

Gabarito:  A

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias


Competência: 6
Habilidade: 18

De fato, o que se observa no fragmento de Lima Barreto é


o contraste entre a incapacidade de apreender conteúdos
visuais, expressa no primeiro parágrafo, e a sensibilidade
aguçada para a sonoridade, no segundo.

Alternativa B: incorreta. Não há referência expressa ou


implícita no fragmento à “preguiça de ler e de interpretar”.
Também não se encontra no texto a generalização feita
em “tipicamente associada aos moradores do subúrbio
­carioca”.
Alternativa C: incorreta. De fato, a capacidade perceptiva
da personagem é alta no que se refere a elementos sono-
ros; contudo, não há no texto referência à hipótese de que
a personagem use essa capacidade para acessar todos os
conteúdos da escrita.
Alternativa D: incorreta. Na primeira oração do fragmen-
to, existe uma sugestão de que a apreensão de conteúdo
por meio da escrita é adquirida por meio do hábito. Não se
pode afirmar, contudo, que ela predomine no texto, como
pede o enunciado, ou que o hábito seja o único meio de
apreensão.
Alternativa E: incorreta. Não existe no texto a sugestão
de que a capacidade da personagem de ler e de observar
gravuras está comprometida pela riqueza sonora da cultura
brasileira.
QUESTÃO 38

Poema patético
Como a voz de um pequeno braço de mar perdido dentro de uma caverna,
Como um abafado soluço que irrompesse de súbito de um quarto fechado,
Ouço-te, agora, a voz, ó meu desejo, e instintivamente recuo até as origens de minha angústia
Policiada e vencida, oh! afinal vencida por tantos e tantos séculos de resignação e humildade
Em que hora remota, em que época já tão distanciada, foi que os ares vibraram pela última vez, diante de teu último
[grito de rebeldia?
Quantas vezes, ó meu desejo, tu me obrigaste a acender grandes fogueiras dentro da noite
E esperar, cantando, pela madrugada?

Mas, e hoje? Hoje a tua voz ressoa dentro de mim, como um cântico de órgão
Como a voz de um pequeno braço de mar perdido dentro de uma caverna
Como um abafado soluço que irrompesse, de súbito, num quarto fechado.
MOURA, Emílio. In: MORICONI, Italo (Org.). Os cem melhores poemas brasileiros do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. p. 107.

Tendo em vista a forma e a estrutura do poema, para o eu lírico, o desejo


A ainda se faz presente de forma quase silenciosa, representado por meio das imagens que abrem e fecham o poema­.
B serve de pretexto para uma excursão subjetiva e introspectiva ao passado, que culmina na memória da extinção do
desejo e de sua voz.
C é personificado em uma segunda pessoa dominante e poderosa, que dialoga com o eu lírico resignado e humilde­.
D emite um grito de rebeldia que se estende do passado remoto ao presente, no qual ainda se manifesta altivamente­.
E ainda preserva a intensidade do passado, que se manifesta nas imagens que abrem e fecham o poema­.

Gabarito:  A

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias


Competência: 5
Habilidade: 17

A leitura integral do poema revela que o desejo ainda se faz presente – é o que se define em “Hoje a tua voz ressoa dentro
de mim”. Essa manifestação é “quase silenciosa”, porque as imagens que abrem e fecham o poema referem-se a ambien-
tes fechados – o braço de mar na caverna e o soluço no quarto fechado – cujos sons, de baixo volume, não podem ser
ouvidos por quem está fora deles.

Alternativa B: incorreta. Não se pode afirmar que o desejo e sua voz tenham sido extintos. Na última estrofe, afirma-se
que “a tua voz [a voz do desejo] ressoa dentro de mim”. O que ocorreu foi que o desejo foi domado, e sua voz acabou
restrita ao mundo subjetivo do eu lírico.
Alternativa C: incorreta. De fato, o desejo é personificado no poema; é o que se verifica no vocativo destacado em “Ouço-
-te, agora, a voz, ó meu desejo”. Mas não se pode afirmar que essa segunda pessoa seja, no presente, dominante e
poderosa – embora o tenha sido no passado. Além disso, não há diálogo explícito entre o eu lírico e a voz de seu desejo.
Alternativa D: incorreta. No passado, o desejo do eu lírico emitia gritos de rebeldia, mas eles foram silenciados, como se
observa na expressão “último grito de rebeldia”. A voz do desejo, no presente, não é altiva, mas é quase silenciosa, como
se observa nas imagens que abrem e fecham o poema.
Alternativa E: incorreta. O desejo do eu lírico não preserva a intensidade do passado: as imagens que abrem e fecham o
poema estão repletas de vocábulos indicadores de baixa intensidade, destacados a seguir: “Como a voz de um pequeno
braço de mar perdido dentro de uma caverna / Como um abafado soluço que irrompesse de súbito de um quarto fechado”.
QUESTÃO 39

KUCZYŃSKI, Pawel. Disponível em: <http://mesquita.blog.br/da-serie-meu-oficio-e-


incomodar-11>. Acesso em: 9 nov. 2018.

A charge é um gênero de finalidade crítica e que comporta


cargas implícitas em sua construção. Muitas vezes, esses
sentidos implícitos indicam o posicionamento do autor em
relação ao tema abordado. Ao considerar esse comentário,
o autor da charge apresentada
A tem por finalidade primária sugerir uma maneira de
melhorar a distribuição dos alimentos no planeta como
forma de sanar a fome mundial.
B coloca em evidência situações distintas acerca da ali-
mentação humana, mostrando, na imagem, o contraste
entre saciedade e necessidade.
C indica a existência abundante de alimentos para todas
as pessoas, esclarecendo que a fome mundial é resul-
tado da pouca empatia entre os seres humanos.
D faz oposição à dieta baseada em vegetais, legumes e
hortaliças, tornando implícita a ideia de que o cultivo de
tais alimentos é dificultoso e incapaz de sanar a fome
mundial.
E sugere que a fome torna as pessoas capazes de ações
questionáveis e impulsivas, indicando que são inevitá-
veis conflitos violentos entre desprovidos de alimentos
e aqueles que dispõem de mantimentos.

Gabarito:  B

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias


Competência: 7
Habilidade: 21

Ao indicar que alguns seres humanos são obrigados a se


alimentarem com produtos inadequados, como o prato re-
tratado na cena, a charge direciona a crítica para a opo-
sição entre a saciedade e a necessidade de sustentar-se
com aquilo que há disponível.

Alternativa A: incorreta. A charge não apresenta aspec-


tos visuais que direcionem a crítica à má distribuição de
alimentos no mundo, tampouco indica um apelo para a so-
lução do problema.
Alternativa C: incorreta. Embora a charge indique falta de
empatia entre as pessoas, não há indicativos de que haja
alimentos disponíveis para todos; pelo contrário, a imagem
retrata a ideia de escassez e limite de mantimentos.
Alternativa D: incorreta. A charge não traz indícios de
que a alimentação baseada em produtos naturais onere o
solo ou que ela seja incapaz de produzir mantimentos para
­todos.
Alternativa E: incorreta. A imagem do prato mastigado pode
indicar, corretamente, que a fome leve pessoas a ações ini-
magináveis, mas não há indicativos de que a agressividade
possa ser resultado da privação de ­alimentos.
QUESTÃO 40

A procissão
Os choferes ficam zangados
Porque precisam estacar diante da pequena procissão
Mas tiram os bonés e rezam
Procissão tão pequenina tão bonitinha
Perdida num bolso da cidade
Bandeirolas
Opas* verdes
Crianças detentoras de primeiros prêmios
De bobice
Vão passo a passo
Bandeirolas
Opas verdes
Um andor nos ombros mulatos
De quatro filhas alvíssimas de Maria
Nossa Senhora vai atrás
Um milagre de equilíbrio
Mas o que eu mais gosto
Nesta procissão
É o Espírito Santo
Dourado
Para inspirar os homens
De minha terra
Bandeirolas
Opas verdes
O padre satisfeito
De ter parado o trânsito
Com Nosso Senhor nas mãos
E um dobrado atrás.
ANDRADE, Oswald de. Pau-Brasil. Rio de Janeiro: Editora Globo, 1990. p. 121-2.

* opa: espécie de capa usada por membros de algumas


irmandades em cerimônias religiosas.

O poema “A procissão”, de Oswald de Andrade, é repre-


sentativo da primeira geração Modernista, o que se pode
verificar por meio
A do desdém do eu lírico às manifestações populares de
cultura que rasuram o cotidiano da cidade moderna.
B da reiteração de antíteses como “Um andor nos om-
bros mulatos / De quatro filhas alvíssimas de Maria”,
em referência ao Barroco brasileiro.
C de versos curtos nos quais está manifesta, no plano
formal, a aceleração da vida e da tecnologia na cidade
moderna­.
D do apagamento do grande ícone da vida moderna – o
trânsito de automóveis – e do retorno às formas tradi-
cionais de vida e de poesia.
E da afirmação de elementos da cultura popular que se
incorporam às descrições e formas literárias da vida
moderna.

Gabarito:  E

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias


Competência: 5
Habilidade: 16

No poema de Oswald de Andrade, observa-se, de fato, a


incorporação da procissão religiosa – traço marcante da
religiosidade popular – ao cotidiano da cidade moderna. A
síntese desse processo é o próprio poema, no qual a valo-
rização dessa incorporação é feita em versos livres.

Alternativa A: incorreta. O eu lírico do poema não des-


denha das manifestações populares de cultura; pelo con-
trário: ele celebra a rasura que produzem no cotidiano da
cidade moderna.
Alternativa B: incorreta. A reiteração de antíteses, em si,
não é característica marcante da primeira geração dos mo-
dernistas. Além disso, no poema, essa figura não é usada
de forma sistemática nem se refere diretamente ao Barroco
brasileiro.
Alternativa C: incorreta. De fato, os versos curtos são uti-
lizados no poema, mas a hipótese de que sejam a expres-
são formal da aceleração da vida e da tecnologia na cidade
moderna é inadequada, porque a cena descrita no texto é
precisamente a da interrupção dessa aceleração.
Alternativa D: incorreta. Não se verifica, no poema, uma
proposta de retorno às formas tradicionais de vida e de poe­
sia. O que é proposto e elogiado é a integração de eventos
da tradição popular ao cotidiano agitado.
QUESTÃO 41

A solidão e sua porta


Quando mais nada resistir que valha
a pena de viver e a dor de amar
e quando nada mais interessar
(nem o torpor do sono que se espalha).

Quando pelo desuso da navalha


a barba livremente caminhar
e até Deus em silêncio se afastar
deixando-te sozinho na batalha

a arquitetar na sombra a despedida


do mundo que te foi contraditório,
lembra-te que afinal te resta a vida

com tudo que é insolvente e provisório


e de que ainda tens uma saída:
entrar no acaso e amar o transitório.
PENA FILHO, Carlos. Livro geral. Recife: UFPE, 1969.

A esperança sinalizada na última estrofe do soneto


A é contraditória, porque se ampara no ambiente soturno
sugerido na expressão “despedida do mundo”, da ter-
ceira estrofe.
B implica a aceitação e o amor das contingências da vida:
eis a escapatória para o que foi contraditório no mundo.
C é resultado direto do “torpor do sono que se espalha”,
proposto na primeira estrofe, que contamina o soneto
de conformismo desalentado.
D é homóloga aos sentimentos expressos nas três pri-
meiras estrofes, servindo-lhes de síntese.
E serve de quebra de expectativa no conjunto do poema,
aproximando o eu lírico da transitoriedade divina de
que se vira afastado.

Gabarito:  B

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias


Competência: 6
Habilidade: 18

De fato, a última estrofe contém a aceitação e o amor das


contingências da vida: o eu lírico sugere que se deve “en-
trar no acaso” e “amar o transitório”.

Alternativa A: incorreta. A esperança da última estrofe não


se ampara no ambiente soturno sugerido na expressão
“despedida do mundo”, da terceira estrofe. Pelo contrário:
na conclusão, o eu lírico supera o desalento manifestado
ao longo do soneto.
Alternativa C: incorreta. A conclusão não é corolário direto
do “torpor do sono que se espalha”, proposto na primeira
estrofe; pelo contrário, ela inverte esse sentido.
Alternativa D: incorreta. A conclusão do poema não lhe
serve de síntese, porque inverte a ambiência soturna das
três primeiras estrofes.
Alternativa E: incorreta. De fato, a conclusão serve de
quebra de expectativa no conjunto do poema, mas não há
alusão, em nenhum fragmento, à “transitoriedade divina” a
que se faz referência na alternativa.
QUESTÃO 42

A sala de musculação corresponde ao espaço destina-


do ao desenvolvimento e delineamento dos músculos. As
máquinas geralmente são agrupadas de acordo com cada
região corporal. Assim, formam-se os setores de peito, de
braços, de coxas, de costas etc., especialmente ocupados
pelo público masculino, que, por sua vez, mantém-se longe
das atividades aeróbicas e de fortalecimento dos glúteos, o
que configura uma certa divisão sexual do trabalho. Já as
mulheres concedem ênfase máxima à “malhação” dessa
região, bem como a do abdômen, coxas e pernas. [...]
HANSEN, Roger; VAZ, Alexandre Fernandez. “Treino, culto e embelezamento do corpo:
um estudo em academias de ginástica e musculação”. Revista Brasileira de Ciências do
Esporte, v. 26, n. 1, set. 2004. p. 138.

Os autores do texto, ao descreverem a organização de


uma sala de musculação de academia, sugerem que essa
configuração reforça uma
A divisão de tarefas entre os profissionais de Educação
Física.
B necessidade de convencer o público masculino a forta-
lecer peito, braços etc.
C separação social entre o corpo masculino e o feminino.
D procura cada vez maior das pessoas pela musculação.
E tentativa das academias de atrair um público mais
heterogêneo­.

Gabarito:  C

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias


Competência: 1
Habilidade: 1

No texto, os autores indicam que, nas academias, ocorre


a separação entre homens e mulheres, uma vez que eles
malham mais os grupos musculares superiores, enquanto
elas malham mais os glúteos.

Alternativa A: incorreta. A divisão observada pelos autores


não é entre os profissionais, mas entre os praticantes das
atividades, pois homens e mulheres acabam se dividindo.
Alternativa B: incorreta. Não há uma necessidade de con-
vencer o público masculino a fortalecer certos setores do
corpo, mas uma clara divisão no interesse de homens e mu-
lheres, que acabam se especializando em alguns grupos­.
Alternativa D: incorreta. Não há, no texto, a sugestão de
que as pessoas estejam procurando mais essa atividade,
pois os autores se limitam a tratar da configuração das
academias­.
Alternativa E: incorreta. Não há, no texto, uma suges-
tão de que as academias tentem atrair um público mais
heterogêneo­.
QUESTÃO 43

Solar*
Minha mãe cozinhava exatamente:
arroz, feijão-roxinho e molho de batatinhas.
Mas cantava.
PRADO, Adélia. O coração disparado. Rio de Janeiro: Record, 2012.

* solar: terra ou castelo onde habitava a nobreza; qualquer palácio


ou casa de aspecto imponente e majestoso.

Analisando os elementos constitutivos do poema, a conjun-


ção “mas”, que estabelece relação de adversidade entre
duas partes do texto, revela que
A o gosto da mãe do eu lírico pelo canto não se refletia
no gosto pelas tarefas domésticas, que a sobrecarre-
gavam no cotidiano.
B a ação de cantar era incompatível com a ação de pre-
parar alimentos, já que tal preparação pressupunha
atenção e dedicação.
C a riqueza do lar do eu lírico devia-se ao fato de sua
mãe extrair um sentimento de alegria de uma condição
socioeconômica desfavorável.
D a solução para a infelicidade da mãe do eu lírico, a
quem pertenciam os afazeres domésticos, era cantar
enquanto preparava o almoço.
E o eu lírico pertencia a uma família nobre e abastada,
motivo pelo qual sua mãe cantava enquanto cozinhava
os alimentos.

Gabarito:  C

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias


Competência: 6
Habilidade: 18

O advérbio “exatamente” enfatiza o fato de a mãe do eu


lírico cozinhar apenas “arroz, feijão-roxinho e molho de ba-
tatinhas”, ou seja, não havia carne na comida (a chamada
“mistura”), o que caracteriza, em certo contexto, o preparo
de uma alimentação simples. Dessa forma, o poema trata
de uma família economicamente simples, o que poderia ser
motivo para não haver alegria e felicidade no lar. Todavia,
a conjunção “mas” estabelece uma relação de oposição,
introduzindo o argumento mais relevante: de um lado, a
simplicidade ou a privação da família, o que poderia ser
motivo de tristeza; do outro, a cantoria da mãe, o que su-
bentende felicidade, já que o cantar pode estar relacionado
a um estado mental positivo. Isso entra em consonância
com o título do poema, “Solar”, sugerindo que a riqueza do
lar do eu lírico residia no fato de sua mãe cantar apesar da
comida simples.

Alternativa A: incorreta. Não há marcas linguísticas que


indiquem o desgosto da mãe do eu lírico pelos afazeres
domésticos.
Alternativa B: incorreta. Não há marcas linguísticas que
indiquem a incompatibilidade do cantar com o cozinhar.
Alternativa D: incorreta. Não há marcas linguísticas que
indiquem que a mãe do eu lírico era de fato infeliz e que
todos os afazeres domésticos lhe pertenciam.
Alternativa E: incorreta. Pela simplicidade dos ingredien-
tes da comida, o eu lírico sugere pertencer a uma família
modesta. Se a família do eu lírico fosse abastada, não teria
sido empregada a conjunção “mas” para caracterizar o so-
lar ao qual o título se refere.
QUESTÃO 44

Editorial de O Globo sobre a Lei de Biossegurança


Dificilmente a Câmara dos Deputados conseguirá apro-
var em curto prazo a Lei de Biossegurança que precisa
votar por ter sido modificada no Senado. É muito longa a
pauta de projetos à espera de apreciação: além de outras
importantes leis, há projetos de emendas constitucionais
e uma série de medidas provisórias que trancam a pauta.
Mas, com tudo isso, esta edição entende que é importan-
te que os deputados tenham consciência da necessidade
de conceder aos cientistas brasileiros, o mais rapidamente
possível, a liberdade de que eles necessitam para desen-
volver pesquisas na área das células-tronco embrionárias.
[...]
Ainda assim, comparado com o projeto proibitivo que
veio originalmente da Câmara, entendemos que o novo
texto da Lei de Biossegurança é um importante passo à
frente. O Globo defende a liberdade de atuação dos cientis-
tas brasileiros, por isso o projeto merece ser apreciado com
rapidez e aprovado pelos deputados.
BERALDO, Jairo. UFU Editorial. Disponível em: <http://textrutura.com.br/ufu-editorial/>.
Acesso em: 8 out. 2018. (Adapt.).

O texto apresentado é classificado como um editorial, gê-


nero da esfera jornalística em que se veiculam discussões
acerca de notícias de grande relevância. A principal carac-
terística que define o texto anterior como editorial, em opo-
sição ao artigo de opinião ou à reportagem, é a(o)
A linguagem objetiva usada na construção do texto.
B abordagem imparcial a respeito do fato apresentado.
C posicionamento subjetivo que analisa criticamente o
tema.
D emprego pronominal que indica a autoria de um grupo
jornalístico.
E ausência de discursos indiretos para manter a impar-
cialidade do texto.

Gabarito:  D

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias


Competência: 6
Habilidade: 18

A recorrência de verbos e pronomes de terceira pessoa,


como em “esta edição entende” e “O Globo defende” indica
tratar-se da opinião de um grupo jornalístico, o que é carac-
terística fundamental do gênero editorial.

Alternativa A: incorreta. Embora o texto apresente objetivi-


dade, essa não é uma característica exclusiva do editorial,
pois ela também é frequente em reportagens.
Alternativa B: incorreta. O gênero editorial é usado para
apresentar a opinião de um coletivo jornalístico a respeito
de um fato, o que desclassifica a alternativa.
Alternativa C: incorreta. O emprego de subjetividade e po-
sicionamento crítico, apesar de serem marcas do gênero
editorial, também são características do artigo de opinião.
Alternativa E: incorreta. A ausência ou presença de discur-
sos indiretos é facultativa ao gênero editorial, uma vez que
não se pressupõe imparcialidade nesse tipo de texto.
QUESTÃO 45

Capitulação
Delivery
Até para telepizza
É um exagero.
Há quem negue?
Um povo com vergonha
Da própria língua
Já está entregue.
Luis Fernando Verissimo.

Esse breve poema de Luis Fernando Verissimo traz uma


reflexão sobre os empréstimos lexicais. A respeito dos ele-
mentos que concorrem para a organização e estruturação
do poema,
A o vocábulo “até” revela um juízo de valor do eu lírico,
que esperava que, pelo menos, o termo “telepizza” não
fosse substituído por estrangeirismo.
B a pergunta no quarto verso tem valor retórico e denota
que as pessoas reconhecem a importância de haver
alternativas aos vocábulos do português.
C a palavra “própria” funciona como indicador de posse
e refere-se ao substantivo “vergonha”, intensificando a
crítica ao emprego de estrangeirismos.
D o vocábulo “já” estabelece o pressuposto de que a lín-
gua portuguesa, desde seu nascimento, já estava fada-
da à influência de anglicismos.
E o verbo no presente “está” reforça a ideia de submissão
do brasileiro, sugerindo que, apenas no futuro, os estran-
geirismos terão sido incorporados à língua portuguesa­.

Gabarito:  A

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias


Competência: 6
Habilidade: 18

O vocábulo “até” é um denotador de inclusão e dispara o


pressuposto de que, pelo menos, o termo “telepizza” não
fosse alvo também de estrangeirismo.

Alternativa B: incorreta. Não há indícios de que a sociedade


reconheça a importância do emprego de estrangeirismos­.
Alternativa C: incorreta. O vocábulo “própria” não se refere
a “vergonha”, mas a “povo”: “Um povo com vergonha de
sua língua já está entregue”.
Alternativa D: incorreta. Não há indícios que permitam fa-
zer tal afirmação.
Alternativa E: incorreta. A incorporação de estrangeiris-
mos ao português não é um evento futuro, mas um evento
passado que perpassa o presente.
REDAÇÃO
_ RED201808080104
INSTRUÇÕES PARA A REDAÇÃO
1. O rascunho da redação deve ser feito no espaço apropriado.
2. O texto definitivo deve ser escrito a tinta, na folha própria, em até 30 linhas.
3. A redação que apresentar cópia dos textos da Proposta de Redação ou do Caderno de Questões terá o número de linhas copiadas
desconsiderado na correção.
4. Receberá nota zero, em qualquer das situações expressas a seguir, a redação que:
4.1. tiver até 7 (sete) linhas escritas, sendo considerada “texto insuficiente”.
4.2. fugir ao tema ou não atender ao tipo dissertativo-argumentativo.
4.3. apresentar parte do texto deliberadamente desconectada do tema proposto.

TEXTOS MOTIVADORES

TEXTO I TEXTO III

Declaração Universal dos Direitos


Humanos (10 de dezembro de 1948)
Art. 25.
1. Todo ser humano tem direito a um padrão de vida
capaz de assegurar a si e à sua família saúde e bem-estar,
inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados mé-
dicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segu-
rança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez,
velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistên-
cia fora de seu controle.
Disponível em: <http://unesdoc.unesco.org/images/0013/001394/139423por.pdf>.
Acesso em: 9 set. 2018.

São Paulo, divisa entre o bairro do Morumbi e a


TEXTO IV
comunidade de Paraisópolis.
Em 1948, o direito à moradia passou a ser considerado
Tuca Vieira. Disponível em: <https://tucavieira.com.br/A-foto-da-favela-de-Paraisopolis>.
Acesso em: 9 set. 2018.
um direito fundamental pela Declaração Universal dos Di-
reitos Humanos, e o Brasil, como membro da ONU, assina
TEXTO II embaixo do que diz a Declaração dos Direitos Humanos.
Onde mais falta moradia? Além da declaração da ONU, o Brasil também integra
Comparação entre déficit de moradias e total de imóveis o Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e
com potencial de ocupação nos Estados, em 2015 Culturais, que foi promulgado em 1996, segundo o qual os
Estados que o assinaram “reconhecem o direito de toda
domicílios vagos déficit habitacional pessoa a ter um nível de vida adequado para si próprio e
sua família, inclusive à alimentação, vestimenta e moradia
1,5 mi adequadas”.
Número de moradias

1,25 mi
UFs com déficit maior que moradias O Comitê dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais
potenciais
1 mi
da ONU, em 1991, definiu que [...] por “moradia” deveria
750 mil
se entender um local salubre, com condições mínimas à
sobrevivência, como saneamento – água, tubulação para
500 mil
esgoto, coleta de lixo, pavimentação – e luz elétrica. Além
250 mil
de ser seguro e acessível aos serviços públicos básicos,
0 tais quais escolas, postos de saúde, praças e pontos de
SP
MG
BA
RJ
RS
CE
PE
MA
PR
PA
GO
SC
RN
ES
AM
DF
PB
MS
PI
AL
SE
MT
RO
TO
AP
AC
RR

ônibus – ou de outros transportes coletivos. Transcenden-


Fonte: Fundação João Pinheiro
do o conceito de lar, casa, “cafofo”, quando falamos em
Nota: Dados mais recentes direito à moradia, esse é o conceito ideal.
MERELES, Carla. Politize!, 30 ago. 2017. Disponível em: <http://politize.com.br/direito-a-
Disponível em: <https://aosfatos.org/noticias/o-deficit-habitacional-no-brasil-em-4-graficos/>. moradia/>. Acesso em: 9 set. 2018. (Adapt.).
Acesso em: 10 set. 2018.

PROPOSTA DE REDAÇÃO
A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, re-
dija um texto dissertativo-argumentativo na modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema “Caminhos para
combater a falta de moradia no Brasil”, apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecio-
ne, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para a defesa de seu ponto de vista.

COMENTÁRIO DA REDAÇÃO

A proposta apresenta, de forma resumida, informações e dados relacionados ao déficit habitacional brasileiro, trazendo a
desigualdade social como evidência desse cenário, bem como o desrespeito à legislação vigente no país. Espera-se que o
aluno consiga interpretar os textos motivadores e delimitar, por meio de exemplos concretos e argumentos que expandam
as informações fornecidas pela coletânea, seu ponto de vista. São expansões possíveis algumas respostas às seguintes
perguntas norteadoras: quais as possíveis causas para que a falta de moradia ainda seja persistente no Brasil? Quem
são os mais afetados? Há políticas públicas direcionadas à resolução do problema? São tais políticas eficazes? Quais as
possíveis soluções de curto, médio e longo prazo?
É fundamental que sejam considerados os direitos humanos assegurados e também que a proposta de intervenção não
seja genérica; ou seja, ela deve apontar ações concretas e aplicáveis no contexto social prático.
QUESTÃO 46

[...] o problema da Alemanha residia, no fundo, nas ati-


tudes, nos valores e nas mentalidades; são eles, portanto,
que os nazistas se esforçaram para modificar, substituindo
os pertencimentos de classe, religiosos e regionais por uma
consciência nacional exacerbada capaz de entusiasmar o
povo alemão em vista do combate a vir e de mobilizá-lo
quando a guerra eclodisse. Não se tratava de confrontar
os ideais estreitos da classe média inferior das pequenas
cidades, mas de forjar um povo à imagem de um exército –
disciplinado, resistente, fanaticamente convencido e pronto
para morrer pela causa. A “comunidade nacional” não era
um slogan destinado a transformar as estruturas sociais,
mas o símbolo de uma nova consciência de si. Inculcar
esse tipo de valores no povo alemão implicava, antes de
tudo, valorizar a propaganda, e não a política social.
KERSHAW, Ian apud ROLLEMBERG, Denise. “Revoluções de direita na Europa do
entreguerras: o fascismo e o nazismo”. Estudos históricos, v. 30, n. 61,
Rio de Janeiro, maio/ago. 2017.

De acordo com o texto anterior, os estados totalitários na


Europa, que se estabeleceram após a Primeira Guerra
Mundial­,
A tiveram como base o nacionalismo surgido na Itália fas-
cista, que foi oposto daquele da Alemanha nazista.
B promoveram a exaltação sobre suas especificidades
regionais em detrimento das necessidades nacionais.
C focaram em políticas sociais, abdicando de projetos mi-
litares e expansionistas.
D favoreceram o conflito de classes a partir da bandeira
do nacionalismo.
E utilizaram a propaganda de massa como mecanismo
capaz de consolidar um sentimento nacional comum.

Gabarito:  E

Ciências Humanas e suas Tecnologias


Competência: 1
Habilidade: 1

Conforme o texto, a propaganda (rádio, discursos, para-


das militares, slogans e filmes) foi um importante meio de
fomentar um nacionalismo exacerbado nos respectivos
países que adotaram regimes fascistas, como Itália, Ale-
manha e até o Brasil, do Estado Novo de Getúlio Vargas
(1937-1945).

Alternativa A: incorreta. O nacionalismo exacerbado e


autoritário é uma das características predominantes nos
estados totalitários da época, e foi amplamente difundido
pela propaganda de massa tanto na Itália fascista, onde
se originou em sua forma mais personalista, como na Ale-
manha nazista, que acrescentou componentes racistas e
eugenistas ao fascismo, com a perseguição (e posterior
extermínio) a judeus, pessoas com deficiência, ciganos,
eslavos e homossexuais.
Alternativa B: incorreta. As características regionais foram
suprimidas em prol do desenvolvimento de uma definição
única e absoluta de nação.
Alternativa C: incorreta. O texto reforça o militarismo das
sociedades totalitárias e também indica o abandono das prá-
ticas e políticas sociais.
Alternativa D: incorreta. A supressão do conflito de clas-
ses era obtida, por exemplo, por meio do nacionalismo.
QUESTÃO 47

[...] os impulsos fundamentais por trás do que se co-


nhece como a “Era dos Descobrimentos” sem dúvida sur-
giram de uma mistura de fatores religiosos, econômicos,
estratégicos e políticos, é claro que nem sempre dosados
nas mesmas proporções. [...]
BOXER, Charles apud SIQUEIRA, Lucília. “O nascimento da América portuguesa
no contexto imperial lusitano: considerações teóricas a partir das diferenças entre a
historiografia recente e o ensino de História”. História, v. 28, n. 1, São Paulo, 2009. p. 111.

Os fatores religiosos, econômicos e políticos que impulsio-


naram as Grandes Navegações foram, respectivamente,
A a Reforma Protestante, o capitalismo industrial e as re-
voluções burguesas.
B as reformas religiosas, o metalismo e a centralização
política do poder.
C o calvinismo, o mercantilismo e a relação de suserania
e vassalagem.
D a expansão da fé cristã, a desmonetização da econo-
mia e o fortalecimento da burguesia.
E o Cisma do Ocidente, a manutenção da balança co-
mercial favorável e a crise do Antigo Regime.

Gabarito:  B

Ciências Humanas e suas Tecnologias


Competência: 2
Habilidade: 8

As reformas religiosas, tanto as protestantes quanto a cató-


lica, contribuíram para o rompimento da mentalidade cristã
medieval (e estática) da época e, assim, impulsionaram a
expansão marítima. Da mesma forma, a busca por metais
preciosos (metalismo) e a consolidação do absolutismo,
com a centralização do poder real, foram essenciais às
navegações.

Alternativa A: incorreta. O capitalismo industrial e as re-


voluções burguesas são eventos posteriores às Grandes
Navegações.
Alternativa C: incorreta. A relação de suserania e vassa-
lagem foi característica do apogeu do feudalismo e não
­possui relação com as Grandes Navegações, ocorridas du-
rante a Idade Moderna.
Alternativa D: incorreta. As Grandes Navegações ganha-
ram importância, entre outros aspectos, por buscarem pro-
dutos de alto valor comercial. A passagem da Idade M­ édia
para a Idade Moderna ficou marcada por um processo
de valorização de uma economia monetizada, expressa
na busca de metais preciosos e no acúmulo da moeda (o
­metalismo).
Alternativa E: incorreta. O Cisma do Ocidente ocorreu
durante a Baixa Idade Média (1378-1477), em um con-
texto que não se relaciona com as Grandes Navegações.
Já a expansão marítima fortaleceu a formação do Antigo
­Regime.
QUESTÃO 48

Pousada Sankay (acima, à esquerda) antes da noite de Réveillon­


(2009/2010), quando foi soterrada por uma avalanche. Foto: André
Luiz Mello/Agência O Dia Rio.

O processo de deslizamento é um fenômeno de mo-


delagem natural que pode ser intensificado por ações
antrópicas.
As ações humanas que contribuíram para o ocorrido foram
o(a)
A relevo mamelonar e o regime pluviométrico.
B assoreamento e o extrativismo mineral.
C agropecuária e a pesca.
D ocupação irregular de encostas e o desmatamento.
E desertificação e a laterização.

Gabarito:  D

Ciências Humanas e suas Tecnologias


Competência: 6
Habilidade: 26

A região litorânea de Angra dos Reis, principalmente as


áreas de encostas, é ocupada por moradores locais e
­
também apresenta atividades comerciais vinculadas ao
turismo. Para que esse processo de ocupação ocorresse,
foi necessário fazer cortes nas encostas, para o estabele-
cimento de moradias e de rede hoteleira, e desmatar as
vertentes, o que gera o perigo de desmoronamento des-
sas áreas de risco, especialmente em períodos de intensa
precipitação­.

Alternativa A: incorreta. O relevo mamelonar é um fator


natural que influencia a ocorrência de deslizamentos de
terra, bem como o regime pluviométrico da região de An-
gra dos Reis, porém a questão solicita ações antrópicas,
responsáveis pela ocupação de áreas de risco como uma
encosta para atividades sobretudo comerciais.
Alternativa B: incorreta. O assoreamento ocorre quando as
terras das margens de um rio deslizam para dentro do leito,
depositando-se no fundo do rio e diminuindo sua profun-
didade. Extrativismo mineral contribui para deslizamentos,
uma vez que, para a exploração, ocorre o ­desmatamento.
Alternativa C: incorreta. A agropecuária é uma atividade
que provoca grande desgaste e exposição dos solos, con-
tribuindo para a ocorrência de fenômenos como desliza-
mentos dos solos, porém não é uma atividade praticada na
região em questão. A atividade pesqueira, por mais comum
que seja na região litorânea, não exerce influência sobre os
solos das encostas.
Alternativa E: incorreta. A desertificação é um processo
de ordem ambiental e climática que provoca a formação
de áreas desérticas, não sendo pertinente à região de An-
gra dos Reis. Já a laterização é o processo no qual o solo
acumula grande quantidade de óxidos hidratados de ferro
ou alumínio, o que modifica a composição e a coloração
do terreno, tornando-o ácido e resultando na formação de
uma camada endurecida na superfície do solo (laterita), di-
ficultando a penetração da água. Esse fenômeno poderia,
se combinado a outras ações antrópicas, contribuir para o
evento em Angra dos Reis.
QUESTÃO 49

Contrário às teorias pessimistas sobre o esvaziamen-


to de valores do século XXI, Luc Ferry propõe outro olhar
sobre a humanidade. A ausência de um deus ou da razão,
como princípio fundador, teria aberto espaço – com a evo-
lução da história da família – para a importância primordial
que hoje é dada à busca pelo amor. O intelectual francês
denomina essa nova dimensão do comportamento humano
de “espiritualidade laica”.
“Luc Ferry: a revolução do amor”. Fronteiras do pensamento, 27 ago. 2015. Disponível em:
<https://bit.ly/2FP1hIx>. Acesso em: 29 out. 2018.

De acordo com o texto apresentado, Ferry, ao propor o


amor como base de uma espiritualidade laica,
A refugia-se da transcendência, ancorando-se nos valo-
res tradicionais da família enquanto instituição social
para fundamentar sua ética.
B enquadra-se no chamado niilismo passivo, pois nega
os valores que fundamentaram a história do Ocidente.
C liga-se ao pensamento marxista, ao rejeitar as ideias
de religião e família como base da civilização.
D mantém-se partidário do pensamento de Nietzsche ao
negar a possibilidade de um esteio para a vida social.
E elabora um propósito para a existência que não está
ligado a uma crença supraterrena, uma transcendência
na imanência.

Gabarito:  E

Ciências Humanas e suas Tecnologias


Competência: 5
Habilidade: 23

A ideia de Luc Ferry, a qual ele mesmo denomina uma


transcendência na imanência, é a busca de um sentido
para a existência que não dependa de crenças religiosas,
mas que se encontre na essência ou na substância de algo.

Alternativa A: incorreta. Ferry busca, exatamente, uma


transcendência na imanência laica, o que se opõe a éti-
cas, principalmente religiosas, de outros períodos. Para
ele, a busca pelo amor não se traduz necessariamente nos
valores tradicionais da família, como foi mencionado na
alternativa.
Alternativa B: incorreta. A constatação da nadificação dos
antigos valores, se acompanhada da criação de novos, é
chamada de niilismo ativo ou reativo, em contraposição ao
niilismo passivo. Ferry nega a ideia de que a vida huma-
na se apoia no “nada” (niilismo), pois acredita que a busca
pelo amor é importante no século XXI.
Alternativa C: incorreta. Luc Ferry é um conhecido pensa-
dor conservador francês, distante, assim, do marxismo, em-
bora também busque outros valores para nossa ­civilização.
Alternativa D: incorreta. Ao contrário do que é afirmado na
alternativa, o autor busca a formulação de um esteio para
as sociedades contemporâneas no amor.
QUESTÃO 50

Somos a voz do progresso


E do Brasil a esperança.
Os nossos braços de ferro
Dão-lhe grandeza e pujança.
Seja na terra fecunda,
Seja no céu ou no mar.
Sempre estaremos presentes,
Tendo na Pátria o altar.
KERNER, Ari apud BILHÃO, Isabel. “‘Trabalhadores do Brasil!’: as
comemorações do Primeiro de Maio em tempos de Estado Novo varguista”.
Revista Brasileira de História, v. 31, n. 62, São Paulo, dez. 2011.

A “Canção do trabalhador” composta por Ari Kerner, em


1940, e interpretada por Carlos Galhardo, promove uma
exaltação
A do desenvolvimento industrial no Brasil, assim como da
importância dos trabalhadores nesse processo.
B dos soldados enviados, pelo Brasil, à Segunda Guerra
Mundial.
C do positivismo que promovia a defesa de maior desen-
volvimento agrário no Brasil.
D de um sentimento antinacionalista fortalecido pelos tra-
balhadores ligados aos ideais comunistas.
E dos trabalhadores rurais e da economia cafeeira, já que
não houve desenvolvimento industrial na época.

Gabarito:  A

Ciências Humanas e suas Tecnologias


Competência: 1
Habilidade: 1

A música apresentada, intitulada “Canção do trabalhador”,


coloca o operário na condição de protagonista de um pro-
cesso de “progresso”, que, à época, estava associado ao
desenvolvimento industrial.

Alternativa B: incorreta. A canção não faz referência aos


militares, os quais, por sua vez, só entraram na guerra a
partir de 1942.
Alternativa C: incorreta. Os ideais positivistas, no Brasil,
associavam-se à noção de desenvolvimento industrial.
Alternativa D: incorreta. A canção apresenta uma série de
referências nacionalistas como “Somos a voz do progres-
so / E do Brasil a esperança”.
Alternativa E: incorreta. O Estado Novo foi um período de
desenvolvimento industrial no Brasil.
QUESTÃO 51

Modesto Brocos, A redenção de Cam, 1895, óleo sobre tela,


Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro, Brasil.

A redenção de Cam é uma pintura realizada pelo pintor


espanhol Modesto Brocos, em 1895. A cena retratada foi
assim definida pelo brasileiro Olavo Bilac: “Vede a aurora-
-criança, como sorri e fulgura, no colo da mulata – aurora
filha do dilúvio, neta da noite. Cam está redimido! Está go-
rada a praga de Noé!”.
Sobre a obra apresentada, diz-se que ela
A retratou as relações cordiais entre negros e brancos,
exemplo da noção de democracia racial, como exposta
por Gilberto Freyre.
B mostrou a perversidade do homem branco, posiciona-
do de modo cínico à direita do quadro, exemplificando
o racismo cordial expresso por Florestan Fernandes.
C exibiu uma noção de patrimonialismo tal qual abordada
por Sérgio Buarque de Holanda, uma vez que mostra a
promiscuidade na relação público-privado.
D expressou a opinião de grandes juristas e médicos
brasileiros, a exemplo de Renato Khel e Nina Rodri-
gues, como uma obra que aborda o “branqueamento”
do país.
E criticou o eurocentrismo e o darwinismo social de Her-
bert Spencer, uma vez que destacou as mulheres ne-
gras e pardas.

Gabarito:  D

Ciências Humanas e suas Tecnologias


Competência: 5
Habilidade: 25

Trata-se de uma obra de cunho racista, típica do darwinis-


mo social e da eugenia do período, que exalta o suposto
branqueamento trazido pelos imigrantes europeus.

Alternativa A: incorreta. Não há, na obra, uma noção de


“convivência de raças”, mas do fim da população negra por
uma política de branqueamento.
Alternativa B: incorreta. O homem branco, à direita do
quadro, representa um salvador, ícone da política de bran-
queamento, e não um motivo de crítica ou de cinismo.
Alternativa C: incorreta. A noção de patrimonialismo pres-
supõe uma relação estreita e corrupta entre o público e o
privado, entre pessoas e instituições, por exemplo, ideia
que não está expressa na obra em questão, que retrata
uma cena cotidiana.
Alternativa E: incorreta. Longe de criticar o racismo e o
eurocentrismo, a obra é exatamente uma expressão dessa
mentalidade.
QUESTÃO 52

Ela [a história] não tem necessidade, como na con-


cepção idealista de história, de procurar uma categoria em
cada período, mas de permanecer constantemente sobre
o solo da história real; não de explicar a práxis partindo da
ideia, mas de explicar as formações ideais a partir da práxis
material e chegar, com isso, ao resultado de que todas as
formas e [todos os] produtos da consciência não podem ser
dissolvidos por obra da crítica espiritual, por sua dissolução
na “autoconsciência” ou sua transformação em “fantasma”,
“espectro”, “visões” etc., mas apenas pela demolição práti-
ca das relações sociais reais [realen] de onde provêm es-
sas enganações idealistas.
MARX, Karl; ENGELS, Friedrich apud ZAGO, Luís Henrique. “O método dialético e a análise
do real”. Kriterion, v. 54, n. 127, Belo Horizonte, jun. 2013. p. 114.

O texto apresentado remete ao conceito de


A materialismo histórico-dialético ao preconizar a luta das
diversas visões de mundo (tese, antítese e síntese)
como essência da história.
B mais-valia, uma vez que destaca a exploração da clas-
se operária como esteio das sociedades capitalistas
contemporâneas.
C fetiche da mercadoria, pois destaca o valor de troca
como oriundo do valor de uso, deixando de lado a no-
ção do valor-trabalho.
D materialismo histórico-dialético, pois as contradições
simbólicas só se resolvem por meio da transformação
das condições objetivas.
E práxis, uma vez que, por meio da discussão filosófica,
busca esclarecer e revolucionar as desigualdades do
sistema capitalista.

Gabarito:  D

Ciências Humanas e suas Tecnologias


Competência: 3
Habilidade: 25

O materialismo histórico-dialético marxista crê que há, no


mundo material, uma determinação em última instância de
nossas projeções idealistas.

Alternativa A: incorreta. Como apresentado no texto, não


se trata da luta entre “as visões”, à maneira hegeliana, mas
de um processo concreto, oriundo das relações sociais
­reais.
Alternativa B: incorreta. Embora a definição de mais-valia
explicitada na alternativa esteja correta, não é esse o con-
ceito que está sendo discutido no texto.
Alternativa C: incorreta. Embora a definição de fetiche da
mercadoria na alternativa esteja correta, não é esse o con-
ceito que está sendo discutido no texto.
Alternativa E: incorreta. A ideia de práxis fundamenta-se,
justamente, na noção de que o pensamento, se não acom-
panhado pela transformação concreta do real, pode perder-
-se em ideologia.
QUESTÃO 53

A Federação Russa, como também é chamada, nun-


ca desistiu de retornar ao seu lugar de origem no tabuleiro
geopolítico do mundo e, ainda, de inserir-se na economia
capitalista de mercado. Com o fim da URSS, a Rússia co-
meçou um rápido e complexo processo de transformação
política e econômica.
MORAES, Marcos Antonio de. O ressurgimento da Rússia. Campinas: Átomo, 2016.

Um fator que identifica o atual posicionamento geopolítico


russo reside na(o)
A alinhamento com Cuba na América Central.
B política de expansionismo juntamente com a China.
C reposicionamento militar em diferentes regiões do
globo­.
D aliança com países que financiam o terrorismo.
E aproximação da União Europeia e da Otan.

Gabarito:  C

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Competência: 2
Habilidade: 9

Após os anos de 1990 (marcado por um cenário de instabi-


lidade, como o separatismo no Cáucaso), o país voltou a se
posicionar em diferentes regiões do globo como principal
herdeira da URSS. A partir de 2000, conduzida por Putin e
aproveitando as altas do preço do petróleo, a Rússia inten-
sificou seu reposicionamento na geopolítica mundial, como
pode ser visto em sua atuação na Síria e na Ucrânia.

Alternativa A: incorreta. O país hoje busca se posicionar


na América Central por meio do Canal do Panamá.
Alternativa B: incorreta. China e Rússia adotam ações
conjuntas em seus discursos e são potências no Conselho
de Segurança da ONU com poder de veto, mas ainda não
executam ações expansionistas conjuntas.
Alternativa D: incorreta. Embora os EUA acusem muitas
vezes a Rússia de financiar ações terroristas, tal fator não
pode ser usado para explicar o posicionamento geopolítico
russo.
Alternativa E: incorreta. As ações da Rússia em 2008 na
Geórgia e em 2014 na Ucrânia afastaram ainda mais o país
do Ocidente, pois sofreu retaliações dos EUA e da União
Europeia.
QUESTÃO 54

A despreocupação com a conduta das mulheres não é


menos nociva à prosperidade do Estado do que à felicidade
das cidades. Como o homem e a mulher fazem parte da
família, é de se esperar que o Estado esteja dividido em
dois, metade homens, metade mulheres; donde se segue
que todo Estado em que as mulheres não têm leis está na
anarquia pela metade. É o que acontece na Lacedemônia.
Licurgo, que pretendia enrijecer seu povo com todos os
trabalhos penosos, só pensou nos homens e não prestou
nenhuma atenção nas mulheres. Elas se entregam a todos
os excessos da intemperança e da dissolução.
Aristóteles. A política. ed. 2, v. VI. Roberto Leal Ferreira (Trad.).
São Paulo: Martins Fontes, 1998. p. 5-6.

Segundo o trecho de Aristóteles apresentado, na Grécia


Antiga,
A a mulher possuía o mesmo papel social tanto em Ate-
nas como em Esparta.
B as mulheres atenienses eram consideradas cidadãs e
participavam da democracia.
C as mulheres espartanas podiam integrar o corpo militar
da pólis.
D as mulheres, em Atenas, estavam submetidas a leis
que restringiam a vida política ao voto.
E as mulheres, em Esparta, desfrutavam de maior liber-
dade sobre o exercício político.

Gabarito:  E

Ciências Humanas e suas Tecnologias


Competência: 3
Habilidade: 11

Em Esparta, diferentemente de Atenas, as mulheres pos­


suíam maior liberdade política e podiam, muitas vezes,
aconselhar os homens em suas decisões. De acordo com o
­trecho: “Licurgo, que pretendia enrijecer seu povo com todos
os trabalhos penosos, só pensou nos homens e não prestou
nenhuma atenção nas mulheres”, deixando-as, assim, livres
para poderem exercer mais funções na política.

Alternativa A: incorreta. Em Esparta, diferentemente de


Atenas, as mulheres possuíam maior liberdade política e
podiam, muitas vezes, aconselhar os homens em suas de-
cisões. Em Atenas, as mulheres, assim como os estrangei-
ros e os escravos, não eram consideradas cidadãs.
Alternativa B: incorreta. Somente poderia ser considerado
cidadão em Atenas o homem livre, filho de pais atenienses
e maior de idade.
Alternativa C: incorreta. O serviço militar era restrito aos
homens em Esparta.
Alternativa D: incorreta. As mulheres em Atenas eram ex-
cluídas de todos os processos políticos, incluindo o voto.
QUESTÃO 55

A criação da Unasul faz parte de processo recente de


superação da desconfiança que havia entre os países sul-
-americanos desde os movimentos de independência, no
século XIX. Até 2008, a América do Sul se relacionava com
o resto do mundo por meio de um modelo do tipo “arquipé-
lago”: cada país atuava de maneira isolada e desintegrada,
dialogando primordialmente com os países d ­ esenvolvidos
de fora da região. Quando do estabelecimento da Unasul,
os países da região passaram a articular-se em torno de
áreas estruturantes, como energia e infraestrutura, e a
coordenar posições políticas. A Unasul privilegia um mo-
delo de “desenvolvimento para dentro” na América do Sul
– complementando, dessa forma, o antigo modelo de “de-
senvolvimento para fora”.
Ministério das Relações Exteriores. Disponível em: <https://bit.ly/2MFJwdr>.
Acesso em: 6 nov. 2018.

Tendo como referência o processo de integração, o referido


bloco sul-americano apresenta como fator facilitador para o
chamado “desenvolvimento para dentro”
A o estabelecimento de uma moeda única.
B a produção e o controle dos sistemas técnicos.
C uma razoável integração da infraestrutura.
D os bons indicadores sociais.
E as identidades culturais semelhantes.

Gabarito: C

Ciências Humanas e suas Tecnologias


Competência: 2
Habilidade: 9

A União de Nações Sul-Americanas (Unasul) é uma organi-


zação intergovernamental fundada em 2008, cujo principal
objetivo é fomentar a integração entre os seus países-mem-
bros por meio, entre outros fatores, do desenvolvimento de
um complexo de infraestrutura, saindo do modelo de isola-
mento, tipo “arquipélago”, que costumava caracterizar cada
um dos vizinhos e integrantes do bloco.

Alternativa A: incorreta. A Unasul não se caracteriza por


ser uma união econômica ou aduaneira, nem tem como ob-
jetivo a unificação monetária.
Alternativa B: incorreta. A produção e o controle dos siste-
mas técnicos ainda são características predominantes dos
países desenvolvidos, que desenvolvem as patentes des-
ses processos.
Alternativa D: incorreta. Embora nos últimos anos a região
apresente melhora nos indicadores sociais, tal índice não é
fundamental para o processo de integração.
Alternativa E: incorreta. A familiaridade cultural facilita,
mas não é essencial para fomentar a integração.
QUESTÃO 56

Nesse incessante fluxo de gerações, nenhuma parte


é superior a outra em autoridade [...]. Uma simples refle-
xão nos ensinará que nossos antepassados, como nós
mesmos, não foram senão arrendatários vitalícios de uma
imensa propriedade de direitos. A propriedade plena não
pertence a eles, nem a nós mesmos, mas à inteira família
humana em todas as idades.
PAINE, Thomas apud CARVALHO, Daniel Gomes de. O pensamento radical de Thomas
Paine (1793-1797): artífice e obra da Revolução Francesa. Tese (Doutorado em História
Social) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2017. p. 171.

O filósofo inglês Thomas Paine cunhou a formulação sobre


os privilégios da nobreza durante a Revolução Francesa,
em oposição ao conservadorismo de Edmund Burke. No
trecho apresentado, tal oposição evidencia-se ao
A negar a possibilidade de renovação, tendo em vista
que os direitos não são válidos para todas as gerações.
B proclamar a igualdade de todas as gerações, minando
a autoridade dos mais experientes.
C opor-se à propriedade privada, defendendo que toda a
sociedade deve ser uma única família.
D aproximar-se do anarquismo, sustentando que nenhum
grupo pode legislar sobre outro.
E criticar a tradição, negando a autoridade das gerações
mortas sobre as gerações vivas.

Gabarito:  E

Ciências Humanas e suas Tecnologias


Competência: 5
Habilidade: 24

O filósofo Thomas Paine tornou-se conhecido por se opor


ao conservadorismo de Edmund Burke. Nesse sentido,
Paine criticava o peso da tradição, sobretudo da nobreza,
ao dizer que as gerações mortas não poderiam legislar
sobre as vivas, nem fornecer privilégios a apenas alguns,
diferenciando-os.

Alternativa A: incorreta. Exatamente porque os direitos


humanos, no sentido moderno, são imutáveis e válidos
para todos, sem distinção de classe social, toda geração
tem a liberdade de se autodeterminar, a fim, sobretudo, de
superar as desigualdades e abolir os privilégios de classe.
Alternativa B: incorreta. A oposição ao peso da tradição
como fator absoluto não implica necessariamente negar a
importância da experiência ou dos mais velhos.
Alternativa C: incorreta. Thomas Paine, conhecido filósofo
liberal, era um defensor da propriedade privada. No texto, a
noção de família humana é usada no sentido político.
Alternativa D: incorreta. No contexto da Revolução Fran-
cesa, ainda não existia o anarquismo como movimento
­político.
QUESTÃO 57

A maioria do eleitorado brasileiro reside e vota nos mu-


nicípios do interior. E, no interior, o elemento rural predomi-
na sobre o urbano. Esse elemento rural, como já notamos,
é paupérrimo. São, pois, os fazendeiros e chefes locais
que custeiam as despesas do alistamento e da eleição.
Sem dinheiro e sem interesse direto, o roceiro não faria
o menor sacrifício nesse sentido. Documentos, transpor-
te, alojamento, refeições, dias de trabalho perdidos e até
roupa, calçado, chapéu para o dia da eleição, tudo é pago
pelos mentores políticos empenhados na sua qualificação
e comparecimento.
LEAL, Victor Nunes. Coronelismo, enxada e voto: o município e o regime representativo no
Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

Durante a República Velha, o sistema de votação


A independia dos interesses da elite, pois o voto era
secreto­.
B visava garantir algum controle sobre o resultado das
eleições.
C funcionava por meio da coação dos coronéis aos
seus currais eleitorais, evitando a hegemonia dos
cafeicultores­.
D era subaproveitado pela população que, desinformada,
não utilizava o voto secreto como forma de subverter a
ordem dos coronéis.
E era pouco eficaz nas zonas rurais das pequenas cida-
des, pois não beneficiava os eleitores nas eleições.

Gabarito:  B

Ciências Humanas e suas Tecnologias


Competência: 5
Habilidade: 24

O voto, na República Velha, era feito de maneira “à des-


coberta” para que os coronéis, ao oferecer uma série de
benefícios à população, organizassem seus respectivos
currais eleitorais e atendessem, assim, aos interesses das
elites cafeeiras, garantindo algum controle sobre o resulta-
do das votações.

Alternativa A: incorreta. O voto no Brasil, durante a Re-


pública Velha, era feito de maneira “à descoberta” e, como
demonstrado no texto, sofria forte influência das elites lo-
cais, principalmente dos coronéis, que pressionavam a po-
pulação local, pela coação ou com benefícios oferecidos a
pessoas carentes e sem instrução, a votar nos candidatos
de sua preferência.
Alternativa C: incorreta. Os coronéis também estavam
atrelados aos interesses dos cafeicultores.
Alternativa D: incorreta. O voto no Brasil, durante a Repú-
blica Velha, era feito de maneira “à descoberta” e, como de-
monstrado no texto, sofria forte influência das elites locais,
principalmente dos coronéis.
Alternativa E: incorreta. Pelo contrário; na zona rural, os
moradores recebiam benefícios para que pudessem votar e
para que, assim, fosse garantido o apoio aos políticos que
os atendiam. Logo, o sistema era eficaz e manteve por um
bom tempo a influência das oligarquias locais na política da
República Velha.
QUESTÃO 58

Para os trabalhadores brasileiros, a guerra causou


muitos problemas. Além de serem recrutados para lutar na
Europa, em 1942, a disciplina das fábricas ficou muito pa-
recida à dos quartéis; férias e faltas foram proibidas, e a
jornada de trabalho foi aumentada para dez horas. Para os
trabalhadores rurais que se transformaram nos “soldados
da borracha” enviados aos confins da Amazônia, muitas
vezes fugidos das implacáveis secas do Sertão Nordesti-
no, as promessas de condições dignas de vida e moradia
decente não se materializaram. Com o fim da guerra, aca-
baram abandonados à própria sorte.
NAPOLITANO, Marcos. História do Brasil República: da queda da monarquia ao fim do
Estado Novo. São Paulo: Contexto, 2017. p. 133-4.

Durante o Estado Novo, a Consolidação das Leis do Traba-


lho (CLT) unificou e garantiu direitos aos trabalhadores. O
trecho apresentado, porém, trata de uma realidade em que
A os trabalhadores urbanos, após a CLT, tiveram seus di-
reitos inalterados, mesmo diante do contexto nacional
ou internacional.
B os direitos trabalhistas, durante a Segunda Guerra
Mundial, foram ampliados e estendidos aos trabalha-
dores rurais com a CLT.
C o contexto da Segunda Guerra Mundial suprimiu, du-
rante o conflito, uma série de direitos recém-conquis-
tados, apesar de o Estado Novo ter sido responsável
pela consolidação dos direitos trabalhistas.
D os trabalhadores rurais, conhecidos como “soldados da
borracha”, tiveram mais direitos que os trabalhadores
urbanos devido à importância do látex durante a Se-
gunda Guerra Mundial.
E a disciplina nas fábricas, durante a Segunda Guerra
Mundial, foi responsável por criar as primeiras regras
sobre o trabalho, tanto na cidade como no campo, no
Brasil.

Gabarito:  C

Ciências Humanas e suas Tecnologias


Competência: 3
Habilidade: 12

A CLT, em 1943, unificou as leis trabalhistas no Brasil. No


entanto, como expresso no excerto, alguns desses direitos
não foram aplicados durante a Segunda Guerra Mundial,
sob a justificativa de que o contexto exigiu uma nova forma
de disciplina, igual à praticada nos quartéis em tempo de
guerra.

Alternativa A: incorreta. A CLT, realizada durante a Segun-


da Guerra Mundial, alterou os direitos dos trabalhadores
urbanos durante o conflito, tal como mostrado no trecho.
Alternativa B: incorreta. Os trabalhadores rurais não foram
representados pela CLT. O texto reforça ainda a ausência
de direitos, assim como a precariedade do trabalho duran-
te a Segunda Guerra Mundial, quando muitos trabalhado-
res foram mandados a regiões remotas, para trabalhar na
extração do látex, e depois foram abandonados à própria
sorte.
Alternativa D: incorreta. A extração de látex foi intensifi-
cada durante a Segunda Guerra Mundial; no entanto, os
trabalhadores envolvidos nesse processo permaneceram
sem direitos trabalhistas e, com o fim do conflito, foram
abandonados à própria sorte pelo Estado.
Alternativa E: incorreta. Já havia algumas legislações so-
bre trabalho no Brasil antes mesmo do início do conflito. A
CLT foi realizada durante a Segunda Guerra Mundial, mas
o conflito serviu como justificativa para alterar os direitos
recém-conquistados. Além disso, os trabalhadores rurais
permaneceram sem direitos.
QUESTÃO 59

A vida não deve mais, tendencialmente, deixar-se dis-


tinguir do filme sonoro. Ultrapassando de longe o teatro de
ilusões, o filme não deixa mais à fantasia e ao pensamento
dos espectadores nenhuma dimensão na qual estes pos-
sam, sem perder o fio, passear e divagar no quadro da
obra fílmica, permanecendo, no entanto, livres do controle
de seus dados exatos, e é assim precisamente que o filme
adestra o espectador entregue a ele para se identificar ime-
diatamente com a realidade.
ADORNO, Theodor; HORKHEIMER, Max apud FREITAS, Verlaine. “Indústria Cultural:
o empobrecimento narcísico da subjetividade”. Kriterion, v. 46, n. 112,
Belo Horizonte, dez. 2005. p. 336.

O conceito de Indústria Cultural formulado por Adorno e


Horkheimer, pensadores da Escola de Frankfurt, revela que
A essa indústria só produz a partir de uma demanda es-
pecífica, de modo que, para combater seus efeitos,
deve-se mudar esta demanda.
B o homem é conduzido à passividade e impossibilitado
de qualquer transformação social devido ao acesso a
uma produção de cultura alienante.
C essa indústria preenche as fantasias e estimula o pen-
samento crítico dos espectadores como uma produção
específica, voltada ao mercado.
D as massas são distraídas e alheias às produções em
questão, perdendo horas a fio em filmes e em outras
produções da Indústria Cultural.
E essa indústria condiciona os homens a esperarem um
tipo específico de produção, o que é potencialmente
castrador da criatividade.

Gabarito:  E

Ciências Humanas e suas Tecnologias


Competência: 5
Habilidade: 21

A Indústria Cultural adestra o espectador e, por meio de


suas representações, substitui a percepção individual da
realidade por outra, condicionada por essa indústria.

Alternativa A: incorreta. Para Adorno e Horkheimer, a In-


dústria Cultural condiciona as massas de modo a criar a
própria demanda e mantê-las submissas.
Alternativa B: incorreta. Trata-se de um exagero dizer que
a Indústria Cultural destrói qualquer possibilidade de mu-
dança; sendo assim, os escritos dos autores não teriam ra-
zão de existir, pois também dependem de meios industriais
para a reprodução de seus textos e livros, por exemplo.
Alternativa C: incorreta. O texto defende que o pensamento­
dos espectadores é condicionado pela produção da Indús-
tria Cultural, sendo castradas a liberdade e a ­criatividade.
Alternativa D: incorreta. O filme, para os autores, adestra
os espectadores, mesmo que para isso utilize-se da distra-
ção. Não se trata, por isso, de um mero alheamento.
QUESTÃO 60

[...] Nietzsche não recua nunca diante de uma verda-


de – e da generalização dela: a sua doença revela-lhe a
base doente de toda a civilização burguesa, o fenômeno
da decadência europeia. Apoderando-se das sugestões
de Bourget, denuncia o enfraquecimento dos instintos vi-
tais pelo racionalismo burguês. Ataca incessantemente o
representante simbólico desse racionalismo: Sócrates. Re-
descobre os filósofos pré-socráticos, e, entre eles, o maior,
o seu mestre: Heráclito, o filósofo da transformação eterna.
CARPEAUX, Otto Maria. “Nietzsche e as consequências”. Cadernos Nietzsche, v. 37, n. 3,
São Paulo, out./dez. 2016. p. 76.

No texto apresentado, Nietzsche reconhece Heráclito como


seu legítimo antecessor devido ao fato de Heráclito
A argumentar que há uma identidade entre ser e pensar.
B buscar explicações totalizantes acerca do cosmos.
C pensar o devir como a própria base do real.
D sustentar que tudo no Universo possui uma origem.
E erigir uma explicação atomista da natureza.

Gabarito:  C

Ciências Humanas e suas Tecnologias


Competência: 1
Habilidade: 1

Heráclito é o filósofo do devir, isto é, da transformação eter-


na. A noção de que tudo passará abre espaço para a base
do questionamento niilista: a concepção segundo a qual
nada possui uma essência eterna.

Alternativa A: incorreta. Em seus textos, Nietzsche rejeita


frontalmente a identidade entre ser e pensar, tal qual anun-
ciada por René Descartes e, anteriormente, por Parmêni-
des de Eleia.
Alternativa B: incorreta. Em seus textos, Nietzsche con-
ceitua como ilusões os grandes sistemas filosóficos moder-
nos e quaisquer explicações totalizantes, qualificadas por
ele como “ídolos”.
Alternativa D: incorreta. Para Nietzsche, a própria ideia de
origem aparece como um ídolo, cuja essência é, no pensa-
mento ocidental, o niilismo.
Alternativa E: incorreta. O atomismo tem sua origem não
em Heráclito, mas em Leucipo e Demócrito.
QUESTÃO 61

A política, para Maquiavel, não é definida substan-


cialmente como o fez Aristóteles, mas de acordo com as
possibilidades reais do “dever ser” e do “poder ser”. Assim,
sublinha Maquiavel, existem virtudes que podem arruinar
o Estado e vícios que, inversamente, podem salvá-lo. Por
isso que nenhum valor pode ser considerado absoluto. O
que do ponto de vista da moral tradicional é plenamente
condenável, na ética política maquiaveliana é perfeitamen-
te aceitável.
SANTOS, Rodrigo dos. Força, armas, leis e milícia em I Primi Scritti Politici, de Maquiavel.
Dissertação (Mestrado em Filosofia) – PUC-SP, São Paulo, 2015. p. 17.

Considerando o conceito de ética na modernidade apre-


sentado no excerto, afirma-se que Maquiavel
A separa moral e política, rompendo, assim, com todo o
pensamento medieval.
B especifica a natureza da política, que porta uma ética
distinta da ética cristã.
C defende que os fins justificam os meios, tornando-se
pai da corrupção contemporânea.
D opõe-se a Aristóteles, assumindo uma postura platôni-
ca e rejeitando o substancialismo.
E assume uma postura antimoderna ao advogar pela
existência de uma pluralidade de éticas.

Gabarito:  B

Ciências Humanas e suas Tecnologias


Competência: 5
Habilidade: 24

O historiador Isaiah Berlin percebeu que, em Maquiavel,


há o reconhecimento da existência de uma pluralidade de
éticas, o que torna esse filósofo fundamental para a moder-
nidade, uma vez que ele estabelece que a política possui
uma ética específica, pragmática, que a distingue da ética
cristã, vigente até então no modo de se fazer política.

Alternativa A: incorreta. Maquiavel não separa moral


e política, mas percebe que a política possui uma moral
específica­.
Alternativa C: incorreta. Maquiavel nunca disse que “os
fins justificam os meios”; essa frase é falsamente atribuída
a ele. Para o autor, os fins só justificariam os meios se os
fins estivessem justificados pelo bem comum, para o bene-
fício dos súditos, e não apenas para beneficiar o monarca.
Alternativa D: incorreta. A posição de Maquiavel, embora
seja diferente da de Aristóteles, diverge ainda mais da so-
focracia, ou “governo de sábios”, ou da “moderação”, de
Platão.
Alternativa E: incorreta. A noção maquiaveliana de uma
pluralidade de éticas é, exatamente, o fundamento das re-
flexões contemporâneas sobre o assunto.
QUESTÃO 62

De 1956 a 1961 entramos na terceira fase de desenvol-


vimento do pós-guerra, que se caracterizou por dois fatores
mais destacados: o aumento da participação direta e indire-
ta do governo nos investimentos, e a entrada de capital es-
trangeiro privado e oficial para financiar parcela substancial
do investimento em certos setores.
TAVARES, Maria C. Da substituição de importações ao capitalismo financeiro: ensaios sobre
Economia Brasileira. 7 ed. Rio de Janeiro: Zahar Editores,1978.

De acordo com o trecho apresentado, no Brasil, durante a


República Democrática (1946-1964),
A a economia permaneceu estagnada, com incentivos
aos setores agrícolas e com a precarização do setor
industrial.
B a aplicação do modelo liberal prevaleceu sem que hou-
vesse intervenção do Estado na economia.
C o desenvolvimento aconteceu sem que houvesse em-
préstimos estrangeiros ou prejuízos inflacionários.
D a formação de indústrias de base e de bens de consu-
mo aconteceu pelo viés desenvolvimentista.
E o Estado foi obrigado a desenvolver a indústria a par-
tir do capital privado, sem que houvesse recursos
nacionais­.

Gabarito:  D

Ciências Humanas e suas Tecnologias


Competência: 3
Habilidade: 15

Nesse período, o desenvolvimentismo, ou nacional-de-


senvolvimentismo, foi um modelo econômico largamente
­aplicado no Brasil e que promoveu, principalmente, o de-
senvolvimento industrial do país.

Alternativa A: incorreta. Durante a República Democráti-


ca, houve amplos incentivos (públicos e privados) ao de-
senvolvimento industrial.
Alternativa B: incorreta. Nesse período, mesmo os pre-
sidentes mais conservadores intervieram na economia
­nacional.
Alternativa C: incorreta. Durante esse período, o Brasil
contraiu elevados empréstimos estrangeiros, ampliando
sua dívida externa, o que causou uma inflação significativa.
Alternativa E: incorreta. Durante todo o período, ainda que
houvesse investimentos de capital privado, o dinheiro pú-
blico (nacional ou a partir de empréstimos) sempre esteve
presente no desenvolvimento industrial.
QUESTÃO 63

Evolução da estrutura da oferta de energia


Brasil – 1970-2030

1970

Derivados da
cana-de-açúcar
5%
Petróleo
e derivados
34%

Lenha e 2030
carvão vegetal
Carvão mineral Outras fontes
44% Hidráulica e e derivados primárias renováveis
eletricidade 3% 7%
14% Derivados da
cana-de-açúcar Petróleo
Outras fontes primárias renováveis, e derivados
18%
urânio (U308) e derivados, gás natural (0%) 30%
Lenha e
carvão vegetal
2000 6%
Hidráulica e Gás
Derivados da Outras fontes primárias
eletricidade natural
cana-de-açúcar renováveis 2%
13% 16%
11%
Carvão
Lenha e Urânio (U308) mineral e
carvão vegetal e derivados derivados
Petróleo e
12% 3% 7%
derivados
Hidráulica e 46%
eletricidade
16%
Gás
Urânio (U308) Carvão natural
e derivados mineral e 5%
1% derivados
7%

GUERREIRO, Amilcar; TOLMASQUIM, Mauricio T.; GORINI, Ricardo. “Matriz energética brasileira: uma prospectiva”. Novos estudos – CEBRAP, n. 79, São Paulo, nov. 2007.
Disponível em: <https://bit.ly/1TSBwRY>. Acesso em: 29 out. 2018.

Analisando a evolução e a tendência da matriz energética brasileira, fica claro que ela
A caracteriza-se por ter no petróleo e seus derivados a principal fonte de geração de energia desde 1970.
B está passando por um processo de diversificação das fontes de energia.
C atualmente atravessa um processo de ampliação do uso da lenha e do carvão vegetal.
D está passando por um processo de substituição dos derivados da cana-de-açúcar.
E tem como principal fonte de geração de energia a nuclear.

Gabarito:  B

Ciências Humanas e suas Tecnologias


Competência: 6
Habilidade: 28

A matriz energética brasileira tem apresentado uma maior diversidade de fontes energéticas ao longo dos anos. Na década
de 1970, a matriz energética se concentrava em 5 fontes; já nos anos 2000 e 2030, é demonstrada uma maior diversidade,
com 8 fontes e com melhor distribuição percentual.

Alternativa A: incorreta. A análise dos gráficos permite­ observar que, na década de 1970, a matriz energética brasileira
tinha como principais fontes a lenha e o carvão vegetal. Já nos anos 2000, o petróleo e seus derivados se tornaram a
principal fonte da matriz brasileira. Por fim, em 2030, a tendência é que eles percam espaço.
Alternativa C: incorreta. A análise dos gráficos permite observar que a lenha e o carvão vegetal têm diminuído a participa-
ção na matriz energética brasileira nas últimas décadas e apresenta tendência de queda até 2030.
Alternativa D: incorreta. A análise dos gráficos permite observar que os derivados da cana-de-açúcar têm aumentado sua
participação na matriz energética brasileira, tendendo a atingir 18% em 2030.
Alternativa E: incorreta. A análise dos gráficos permite observar que a energia nuclear tem aumentado sua ­participação na
matriz energética brasileira; porém sua participação ainda é muito pequena, sendo, atualmente, responsável por apenas 1%
da produção energética brasileira.
QUESTÃO 64

[...] seu objetivo superior foi criar a escola útil aos fins
do Estado e, nesse sentido, ao invés de preconizarem uma
política de difusão intensa e extensão do trabalho escolar,
pretenderam os homens de Pombal organizar uma escola
que, antes de servir aos interesses da fé, servisse aos im-
perativos da Coroa.
CARVALHO, Laerte Ramos de apud BOTO, Carlota. “A dimensão iluminista da reforma
pombalina dos estudos: das primeiras letras à universidade”. Revista Brasileira de
Educação, v. 15, n. 44, maio/ago. 2010. p. 283.

As reformas pombalinas, no século XVIII, em Portugal,


A estreitaram a relação entre a Coroa portuguesa e os
jesuítas.
B promoveram transformações de caráter iluminista,
como separar a Igreja da educação.
C fortaleceram o absolutismo monárquico, enfraquecen-
do as críticas iluministas.
D impediram a consolidação de um despotismo esclare-
cido em Portugal.
E enfraqueceram a educação em Portugal, tornando-a
útil aos interesses jesuíticos.

Gabarito:  B

Ciências Humanas e suas Tecnologias


Competência: 3
Habilidade: 15

Marquês de Pombal ficou conhecido por ser um “déspota


esclarecido” e promoveu, enquanto ministro, transforma-
ções de caráter iluminista, como o controle estatal sobre
a educação, dissociando-a da Igreja, tendo como um dos
efeitos a expulsão dos jesuítas do território brasileiro.

Alternativa A: incorreta. Marquês de Pombal expulsou os


jesuítas do Império Português.
Alternativa C: incorreta. Marquês de Pombal adotou me-
didas de caráter iluminista como uma forma de manter a
Corte portuguesa no poder.
Alternativa D: incorreta. Marquês de Pombal, por adotar
medidas de caráter iluminista para manter o poder real por-
tuguês, ficou conhecido como “déspota esclarecido”.
Alternativa E: incorreta. Marquês de Pombal promoveu,
enquanto ministro, transformações de caráter iluminista,
como a desvinculação de instituições religiosas da edu-
cação. Assim, com essa medida utilitarista, seria possível
trazer benefícios para o Estado e para o cidadão (com a
laicidade do ensino).
QUESTÃO 65

O destino de nosso tempo, que se caracteriza pela ra-


cionalização, pela intelectualização e, sobretudo, pelo “de-
sencantamento do mundo”, levou os homens a banirem da
vida pública os valores supremos e mais sublimes. Tais va-
lores encontraram refúgio na transcendência da vida mís-
tica ou na fraternidade das relações diretas e recíprocas
entre indivíduos isolados.
WEBER, Max apud TEIXEIRA, Carla Costa. “Honra moderna e política em Max Weber”.
Mana, v. 5, n. 1, Rio de Janeiro, abr. 1999. p. 121.

De acordo com o texto apresentado, para Max Weber, a


racionalização faz parte da modernidade e
A é oposta à formação do capitalismo, sistema que, se-
gundo o autor, é caracterizado pela irracionalidade da
exploração e da destruição da natureza.
B deve ser banida da história, devido às mazelas que
criou, de maneira que a sociedade deve organizar-se
para recuperar a sensibilidade mítica.
C tem sua origem na ética luterana, que postulava a im-
portância do lucro e do reinvestimento para confirmar a
própria salvação.
D exige de nós uma reformulação dos sistemas éticos, ao
banir o mítico da esfera política, tal qual anunciado por
Maquiavel em sua época.
E foi consequência da ciência moderna, que se desen-
volveu, não obstante, em várias regiões do planeta,
capitalistas ou não.

Gabarito:  D

Ciências Humanas e suas Tecnologias


Competência: 4
Habilidade: 18

De acordo com o trecho, Weber retomou as discussões éti-


cas maquiavelianas para propor novas ideias e discussões
políticas.

Alternativa A: incorreta. A grande característica do capita-


lismo, segundo Max Weber, é exatamente a racionalização.
Alternativa B: incorreta. Embora Weber não deixasse de
fazer críticas à modernidade, não há, no seu pensamento,
restrição ou proposta de retorno ao mundo pré-moderno.
Alternativa C: incorreta. Ao tratar das origens do capitalis-
mo ocidental, Weber se remeteu diretamente aos calvinis-
tas, e não aos luteranos.
Alternativa E: incorreta. Weber foi enfático ao dizer que a
ciência moderna era uma exclusividade do Ocidente e uma
das causas elementares da formação do capitalismo.
QUESTÃO 66

Lenin era assimilado a Robespierre, e, com base nes-


se terreno conhecido, podiam-se opor partidários da “indul-
gência” a partidários da “intransigência”. Lenin eliminava
os partidos, tal como Robespierre eliminara os girondinos,
os indulgentes. Ora, os revolucionários russos analisavam
os eventos um pouco do mesmo modo. Em alguns casos,
fevereiro de 1917 era comparado a 1789, e outubro, à di-
tadura jacobina; em outros, a fevereiro de 1917, a 10 de
agosto de 1792 (queda do rei) e outubro, ao Terror; logo
após, passou-se a identificar a NEP com o Termidor.
FERRO, Marc apud FLORENZANO, Modesto. “A Revolução Russa em perspectiva histórica
e comparada”. Lua Nova, n. 75, São Paulo, 2008. (Adapt.).

De acordo com o trecho, os processos que envolveram a


Revolução Francesa e a Revolução Russa foram
A semelhantes, pois haviam sido pautados pelo mesmo
caráter ideológico: o socialismo marxista.
B diferentes, pois a Revolução Francesa tolerou os movi-
mentos de oposição.
C semelhantes, possuindo, inclusive, etapas que pude-
ram ser avaliadas como equivalentes.
D diferentes, pois a Revolução Russa manteve seus pa-
râmetros ideológicos desde fevereiro de 1917.
E semelhantes, pois ambas defenderam a elaboração de
uma constituição republicana e democrática.

Gabarito:  C

Ciências Humanas e suas Tecnologias


Competência: 3
Habilidade: 13

O texto compara fevereiro de 1917 ao ano de 1789; outu-


bro de 1917 ao período de ditadura jacobina; a NEP (Nova
Política Econômica, em russo) ao período do Termidor,
evidenciando o caráter intransigente tanto de Robespierre
quanto de Lenin, mesmo em momentos distintos da histó-
ria, mas que se assemelham, pois promoveram a disrupção
da ordem social e política, cada um à sua época.

Alternativa A: incorreta. A Revolução Francesa foi feita


com base nos ideais iluministas pela queda do Antigo Regi-
me sem que houvesse ainda, formalmente, uma ideologia
socialista.
Alternativa B: incorreta. A Revolução Francesa, principal-
mente durante o governo jacobino, foi bastante dura com
seus opositores, levando muitos deles à guilhotina.
Alternativa D: incorreta. A Revolução Menchevique de
fevereiro foi sucedida por outra revolução, liderada pelos
bolcheviques, em outubro de 1917.
Alternativa E: incorreta. A elaboração de uma constituição
republicana e democrática não pautou a Revolução Russa
da mesma forma que a Revolução Francesa.
QUESTÃO 67

[...] todo cidadão brasileiro tem o subjetivo público de


exigir do Estado o cumprimento da prestação educacional,
independentemente de vaga, sem seleção, porque a regra
jurídica constitucional o investiu nesse status, colocando o
Estado, ao lado da família, no poder-dever de abrir a to-
dos as portas das escolas públicas e, se não houver va-
gas nestas, das escolas privadas, pagando as bolsas aos
estudantes.
CRETELLA JR., José. Comentários à Constituição Brasileira de 1988, v. 8.
Rio de Janeiro: Forense, 1993. p. 36.

De acordo com o trecho, a Constituição brasileira de 1988,


também conhecida como “Constituição cidadã” e promul-
gada com a redemocratização,
A ampliou o acesso à educação por meio de garantias
institucionais.
B priorizou o sistema privado em detrimento de um mo-
delo público.
C eximiu o Estado de ser agente responsável pela
­educação.
D excluiu a família do processo educacional.
E limitou-se a conceder educação pública apenas se
houvesse vagas.

Gabarito:  A

Ciências Humanas e suas Tecnologias


Competência: 5
Habilidade: 22

A Constituição federal de 1988, que marca a redemocra-


tização e o reestabelecimento do Estado democrático de
direito no Brasil após o regime militar, veio para garantir
o acesso à educação sem qualquer tipo de restrição aos
indivíduos, com a colaboração da sociedade, entre outros
direitos sociais e garantias institucionais, de acordo com o
Art. 236: “À educação, direito de todos e dever do Estado
e da família, será promovida e incentivada com a colabo-
ração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da
pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua
qualificação para o trabalho.”.

Alternativa B: incorreta. O excerto demonstra que não


houve priorização de um modelo sobre o outro, garantindo,
inclusive, que o ensino privado pudesse ser custeado pelo
governo em caso de ausência de vagas no sistema público.
Alternativa C: incorreta. O Estado não foi eximido do pro-
cesso educacional; pelo contrário, assumiu papel funda-
mental ao estabelecer direitos e garantia constitucional do
acesso à educação para todos.
Alternativa D: incorreta. A Constituição brasileira não ex-
clui a família, mas adiciona o Estado ao processo educacio-
nal: “porque a regra jurídica constitucional o investiu nesse
status­, colocando o Estado ao lado da família”.
Alternativa E: incorreta. O texto afirma que é dever do Es-
tado garantir que haja ensino privado, custeado pelo gover-
no, em caso de ausência de vagas na rede pública.
QUESTÃO 68

O positivismo, porém, não inventou nem criou um novo


espírito filosófico. Ele é fruto do desenvolvimento das ciên-
cias. O novíssimo organon elaborado por Augusto Comte
visa descrever e sintetizar, num largo panorama, o estado
geral das ciências no alvorecer do século XIX.
COSTA, J. Cruz. “Augusto Comte e as origens do positivismo”.
Revista de História da USP, v. 1, n. 3, 1950.

Segundo o texto apresentado, o “espírito filosófico”, relacio-


nado ao positivismo de Augusto Comte, envolvia
A uma tentativa de formular uma ciência humana nos
moldes das ciências da natureza.
B a segurança de que apenas a democracia e a educa-
ção poderiam levar ao progresso.
C uma desconfiança acerca da ciência, a qual potencial-
mente poderia ser maléfica e destrutiva.
D a segurança de que o ensino de Filosofia conduziria a
humanidade ao estágio positivo.
E a crença de que apenas a luta de classes poderia levar
os homens ao estágio positivo.

Gabarito:  A

Ciências Humanas e suas Tecnologias


Competência: 3
Habilidade: 15

A sociologia proposta por Comte foi formulada nos moldes


das ciências da natureza, chamada, por isso, de “física
social”.

Alternativa B: incorreta. Comte objetivava não a democra-


cia, mas uma ditadura tecnocrática que levasse a socieda-
de ao progresso.
Alternativa C: incorreta. Há, em Comte, um otimismo acer-
ca do potencial libertador do pensamento científico.
Alternativa D: incorreta. O estágio positivo seria caracteri-
zado, justamente, pela supressão da filosofia e pela hege-
monia da ciência.
Alternativa E: incorreta. Corporativista, Augusto Comte
não enxergava os interesses das diversas classes como
antagônicos, mas como convergentes.
QUESTÃO 69

Trata-se [...] de captar o poder em suas extremidades,


em suas últimas ramificações, [...] captar o poder nas suas
formas e instituições mais regionais e locais, principalmen-
te no ponto em que ultrapassando as regras de direito que
o organizam e delimitam [...]. Em outras palavras, captar
o poder na extremidade cada vez menos jurídica de seu
exercício.
FOUCAULT, Michel apud FERREIRINHA, Isabella Maria Nunes; RAITZ, Tânia Regina. “As
relações de poder em Michel Foucault: reflexões teóricas”. Revista de Administração Pública,
v. 44, n. 2, Rio de Janeiro, mar./abr. 2010. p. 369.

De acordo com o texto apresentado, para Foucault, a no-


ção de poder
A é uma construção a partir de um contrato social, no
qual abdicamos de nossa liberdade total para adqui-
rirmos uma maior segurança em nossa vida cotidiana.
B é exercido fundamentalmente pelo Estado a partir das
leis, do Exército e da polícia, sempre adquirindo tons
autoritários e ditatoriais, de modo que só há liberdade
se dele nos livrarmos.
C está consolidado nas mãos das elites dominantes, o
que só pode ser desconstruído por meio da tomada do
Estado pelas classes trabalhadoras organizadas em
um partido.
D pode ser limitado por meio de elementos como a divi-
são de poderes, pelo tamanho do Estado, assim como
pela soberania da lei e pelo contratualismo.
E reprime, mas também produz efeitos de saber e verda-
de, não estando localizado em uma instituição específi-
ca, tampouco é algo que se cede por contrato.

Gabarito:  E

Ciências Humanas e suas Tecnologias


Competência: 3
Habilidade: 14

De acordo com Foucault, o poder só se constrói em re-


lação a algo de maneira impositiva, não contratualista, e,
com isso, cria efeitos de verdade ou superioridade em seu
exercício, sempre em determinada direção, não se saben-
do ao certo quem o detém, e sim quem não o detém. Para
ele,os acontecimentos deveriam ser considerados em tem-
po, história e espaço definidos, em sua microestrutura ou
“microfísica”.

Alternativa A: incorreta. Foucault não é um contratualista,


de maneira que, para ele, a origem do poder não se consti-
tui por meio de um acordo ou contrato.
Alternativa B: incorreta. Foucault, embora não descon-
sidere o poder do Estado, pensa em uma microfísica das
relações de poder, em diferentes tipos de instituição, como
algo muito mais efetivo em nossa época.
Alternativa C: incorreta. Para Foucault, se não houvesse
uma transformação nas relações, a revolução ou a tomada
do poder pelas classes trabalhadoras poderia reproduzir as
antigas formas de dominação e poder.
Alternativa D: incorreta. Para Foucault, o poder não é algo
que se “possui”, mas que só pode ser entendido em relação
a algo na microfísica das relações de poder – e é em seu
exercício que o poder pode ser reconhecido.
QUESTÃO 70

De um ano para o outro, a temperatura média da Terra


varia pouco. Isso indica a existência de um equilíbrio global
de longo prazo entre a energia recebida do Sol e a energia
irradiada de volta pelo sistema Terra. [...] Eventualmente, a
energia adquirida pela atmosfera é perdida para o espaço.
No entanto, o equilíbrio radioativo é um processo dinâmico.
Como resultado, há uma preocupação crescente de que
um dos elementos, a atividade humana, fará a atmosfera
absorver mais energia irradiada pela Terra, elevando as
temperaturas globais.
PETERSEN, James F. Fundamentos da Geografia Física.
São Paulo: Cengage Learning, 2014.

100%
70%
infravermelhos
25 deixando a Terra
%
ab
ref

sor
25% idos

vid
let

os Gases atmos
féricos

88%
45% gases
29% 104%
absorvidos
processos radiação
ref
5% idos

atmosféricos terrestre
let

O fenômeno fundamental para a existência de vida na Terra


apresentado no texto e na imagem e uma atividade huma-
na que pode, diretamente, intensificar a ação desse fenô-
meno são, respectivamente,
A aquecimento global – desmatamento.
B ilha de calor – canalização de rios.
C inversão térmica – impermeabilização dos solos.
D efeito estufa – uso de combustíveis fósseis.
E efeito Coriolis – agropecuária extensiva.

GabariTO:  D

Ciências Humanas e suas Tecnologias


Competência: 6
Habilidade: 30

O efeito estufa é um fenômeno natural e fundamental para


a existência de vida na Terra, pois, através da camada de
gases apolares ou de traços (em pequena quantidade na
atmosfera), como metano, gás carbônico e vapor de água,
na atmosfera, ocorre a passagem dos raios solares, con-
tribuindo para a absorção de calor, que retorna para a su-
perfície, mantendo a temperatura da Terra positiva. O uso
de combustíveis fósseis ou hidrocarbonetos pelos seres
humanos, por sua vez, libera grandes volumes de GEEs na
atmosfera, o que aumenta a absorção de calor, provocando
a elevação das temperaturas planetárias.

Alternativa A: incorreta. O aquecimento global é um fenô-


meno caracterizado pela elevação das temperaturas glo-
bais, porém não está vinculado à origem de vida na Terra.
O desmatamento tem influência direta sobre o clima no pla-
neta, uma vez que as plantas consomem gás carbônico da
atmosfera.
Alternativa B: incorreta. Ilha de calor é um fenômeno que
está relacionado ao aumento das temperaturas nas áreas
urbanas centrais em relação às áreas periféricas. A cana-
lização de rios e a impermeabilização dos solos podem in-
fluenciar os índices de evaporação e os ciclos de chuvas
de uma região.
Alternativa C: incorreta. Inversão térmica é um fenômeno
natural verificado nas grandes cidades no período do inver-
no, quando ocorre a estabilização temporária da circulação
atmosférica de uma região. A impermeabilização dos solos
dificulta a absorção de águas pelos solos, causando gra-
ves problemas urbanos, além de aumentar a absorção da
radiação solar.
Alternativa E: incorreta. O efeito Coriolis é um fenômeno
que atua na circulação dos ventos em relação ao movimen-
to de rotação da Terra. A agropecuária extensiva colabora
com as alterações climáticas no planeta, uma vez que há
uma alteração na paisagem para a adequação dessa ativi-
dade, além do consumo de água e degradação dos solos.
QUESTÃO 71

Eis a verdade, amigos: — desde 50 que o nosso futebol


tem pudor de acreditar em si mesmo. A derrota frente aos
uruguaios, na última batalha, ainda faz sofrer, na cara e na
alma, qualquer brasileiro. [...]
Por “complexo de vira-latas” entendo eu a inferioridade
em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do
resto do mundo. Isto em todos os setores e, sobretudo, no
futebol.
RODRIGUES, Nelson. À sombra das chuteiras imortais.
São Paulo: Companhia das Letras, 1993. p. 51-2.

A análise feita por Nelson Rodrigues às vésperas da Copa


de 1958 faz referência à memória da Copa de 1950, reali-
zada no Brasil. Essa análise é uma
A postura realista e crítica do autor diante da supervalori-
zação do esporte na vida social brasileira.
B contradição, uma vez que, quanto ao aspecto eco-
nômico, a década de 1940 foi marcada por grande
desenvolvimento­.
C crítica de algo ocorrido no futebol até a década de 1970,
quando o esporte passou a ter uma visão política.
D reação à participação do Brasil na Segunda Guerra
Mundial ao aliar-se aos países derrotados.
E metáfora para a condição de subdesenvolvimento do
país, que ainda não era industrializado.

Gabarito:  E

Ciências Humanas e suas Tecnologias


Competência: 1
Habilidade: 2

Para Nelson Rodrigues, o “complexo de vira-latas” extra-


polava o futebol, já que o brasileiro se colocava em uma
condição de inferioridade diante de tudo; isso refletia a au-
toimagem de um país que se via como menos desenvolvido
em comparação às nações industrializadas.

Alternativa A: incorreta. O autor não critica a valorização


dada pelo brasileiro ao futebol, até porque ele mesmo usa
esse esporte como metáfora para a situação do país.
Alternativa B: incorreta. Nos anos 1940, o Brasil não se
transformou em uma nação industrializada, pois, mesmo
após a introdução das indústrias de base, o Brasil continua­
va a ser um país de exportações agrícolas e importador de
bens de consumo industriais.
Alternativa C: incorreta. O “complexo de vira-latas” no
futebol foi superado na Copa de 1958, com o primeiro título
do Brasil. Em 1970, o Brasil venceria a Copa pela terceira
vez, durante o regime militar.
Alternativa D: incorreta. O Brasil foi aliado dos Estados
Unidos, ou seja, do lado vitorioso da guerra.
QUESTÃO 72

[...] em um sentido estritamente filosófico, dizer ao


mesmo tempo que “há” corpos abjetos e que eles não têm
reivindicação ontológica parece ser o que habermassianos
denominariam uma contradição performativa. Bem, pode-
ríamos tomar uma posição medieval e escolástica a esse
respeito e dizer, ah sim, que alguns tipos de seres têm
existência ontológica mais completa que outros, et cetera,
et cetera. Permaneceríamos, assim, dentro de um tipo de
esquema filosófico que seria conceitualmente satisfatório.
Mas eu gostaria de fazer um outro tipo de pergunta. Ou
seja: como é que o domínio da ontologia, ele próprio, está
delimitado pelo poder? [...] Nesse caso, estamos falando
sobre a distribuição de efeitos ontológicos, que é um instru-
mento de poder, instrumentalizado para fins de hierarquia
e subordinação.
PRINS, Baukje; MEIJER, Irene Costera. “Como os corpos se tornam matéria”.
Florianópolis, jan. 2002.

No texto anterior, em relação à ontologia ou ao estudo filo-


sófico do ser, o ponto de vista apresentado
A sustenta que os corpos ditos abjetos não têm uma
existência ontológica menos relevante que os ditos
normais.
B mostra como a ontologia, ciência do ser, define-se por
um padrão binário, a partir do qual se sustentam as
construções humanas.
C expressa como o sexo é um fator biológico, ao passo
que o gênero é uma construção social.
D evidencia uma preocupação com os desvios de gêne-
ro, que, para ela, podem ter como efeito transtornos de
personalidade.
E filia-se a uma posição escolástica que revela a ontolo-
gia como uma construção, cuja relevância depende da
posição do filósofo em questão.

Gabarito:  A

Ciências Humanas e suas Tecnologias


Competência: 5
Habilidade: 25

No texto, a distinção entre normal e abjeto, na trilha de Fou-


cault, é uma construção das relações de poder e, por isso,
pode ser transgredida em nome de outra ordem simbólica
mais inclusiva.

Alternativa B: incorreta. No trecho, a lógica binária é, em


si, uma construção das relações de poder, e não contempla
a realidade de outras existências ontológicas que, sob esse
pensamento antiquado, seriam consideradas “­abjetas”.
Alternativa C: incorreta. Trata-se de um clichê que, embo-
ra muito repetido, não condiz com a posição defendida no
texto. Nesse sentido, não somente o gênero, mas também
o sexo é uma construção, pelo motivo de que não existe
uma realidade humana pré-discursiva que possa ser expli-
cada no interior do próprio discurso.
Alternativa D: incorreta. Na perspectiva apresentada no
texto, a noção de desvio e normalidade representam em si
construções de um poder localizado no tempo e no espaço,
e não realidades biológicas imutáveis.
Alternativa E: incorreta. Para os escolásticos, não há
como desconstruir existências ontológicas, posto que elas
são estabelecidas pela vontade de Deus.
QUESTÃO 73

Desertificação de terras áridas no mundo

Fonte: DREGNE apud CONTI, 1998. Disponível em: <https://bit.ly/2EPE9sP>. Acesso em: 29 out. 2018.

A distribuição de regiões desérticas no planeta pode ser justificada por serem áreas
A com variações longitudinais influenciadas pelos ventos alísios­.
B de baixa pressão caracterizadas por movimentos de descida do ar frio e seco.
C de alta pressão atmosférica marcadas por movimentos dispersores de ventos.
D de características ciclonais geradoras de ventos divergentes­.
E com intensa pluviosidade causada pela variação de latitude­.

Gabarito:  C

Ciências Humanas e suas Tecnologias


Competência: 6
Habilidade: 27

As áreas de alta pressão apresentam a descida do ar frio e seco, oriundo da alta troposfera, gerando na superfície áreas­
divergentes (anticiclonais) que impedem a entrada do ar úmido, o que promove baixos índices de umidade.

Alternativa A: incorreta. A variação de longitude não exerce influência em questões climáticas ou atmosféricas.
Alternativa B: incorreta. Áreas de baixa pressão são conhecidas como centros ciclônicos, nos quais ocorre a ascensão
de ar quente, promovendo a elevação dos índices pluviométricos. Já o movimento de descida do ar frio ocorre em áreas
de alta pressão, diminuindo, assim, os índices pluviométricos.
Alternativa D: incorreta. Áreas ciclonais são caracterizadas por serem células de baixa pressão, marcadas pela conver-
gência do ar e sua posterior ascensão.
Alternativa E: incorreta. A variação de latitude influencia diretamente apenas os índices de insolação sofridos pela super-
fície terrestre, e não os índices de pluviosidade.
QUESTÃO 74

Desde o século XVI, porém, as refinarias holandesas


trabalhavam com produto brasileiro, que tramitava por Por-
tugal rumo à Antuérpia e, posteriormente, Amsterdã. [...] Do
lado de cá, interessaria a exportação do produto melhor
acabado, tendo, portanto, maior valor agregado. Do lado
metropolitano – a Holanda era a metrópole indireta da eco-
nomia açucareira brasileira –, interessaria importar açúcar
bruto.
GAMA, Ruy apud VIEIRA, Pedro Antônio. “A inserção do ‘Brasil’ nos quadros da economia-
mundo capitalista no período 1550-c.1800: uma tentativa de demonstração empírica através
da cadeia mercantil do açúcar”. Economia e sociedade, v. 19, n. 3, Campinas, dez. 2010. p.
519.

O financiamento flamengo na economia açucareira


A favoreceu o interesse holandês, durante a União Ibéri-
ca, em estabelecer a empresa açucareira no Nordeste
do Brasil.
B fortaleceu a relação político-econômica entre Portugal
e Holanda, que perdurou sem empecilhos durante o
Período Colonial.
C transformou a Holanda, durante o Período Colonial, na
verdadeira metrópole do Brasil, retirando a autonomia
­portuguesa.
D foi mantido em moldes semelhantes ao da economia
cafeeira, mesmo após a independência do Brasil.
E gerou mais lucros para Portugal, culminando, assim,
no rompimento dos investimentos holandeses ainda no
início do século XVI.

Gabarito:  A

Ciências Humanas e suas Tecnologias


Competência: 3
Habilidade: 15

A Holanda, que já obtinha altos lucros com os investimen-


tos na produção do açúcar, aproveitou a ruptura política
decorrente da União Ibérica – a unificação da Coroa por-
tuguesa à Espanha – para invadir a empresa açucareira
no Nordeste do Brasil e controlar diretamente a fonte de
produção dos engenhos locais.

Alternativa B: incorreta. A relação entre Portugal e Holan-


da foi interrompida no período em que Portugal esteve sub-
metido à Coroa espanhola.
Alternativa C: incorreta. Mesmo com a alta lucratividade
sobre a atividade açucareira, a Holanda não se tornou a
metrópole do Brasil. Portugal manteve o controle sobre a
colônia inteira, com exceção das regiões, no Nordeste, que
sofreram com as invasões holandesas.
Alternativa D: incorreta. O financiamento holandês acon-
teceu apenas para a atividade açucareira. O investimento
em café se deu posteriormente, no século XIX.
Alternativa E: incorreta. Os holandeses obtiveram altos
lucros por ficarem com a parte final do comércio açucarei-
ro. Assim, mantiveram o financiamento até as invasões no
século XVII.
QUESTÃO 75

O El Niño é um fenômeno oceânico caracterizado pelo


aquecimento incomum das águas superficiais nas porções
central e leste do Oceano Pacífico, nas proximidades da
América do Sul, mais particularmente na costa do Peru.
[...] Em termos sazonais, o fenômeno inicia-se com mais
frequên­cia no período que antecede o Natal.
O fato do El Niño ser mais conhecido popularmente
como um fenômeno climático decorre da forte influência
das condições oceânicas no clima, donde se fala da intera-
ção oceano-atmosfera.
MENDONÇA, Francisco; DANNI-OLIVEIRA, Inês Moresco. Climatologia: noções básicas e
climas do Brasil. São Paulo: Oficina de Textos, 2007.

Diante da interação oceano-atmosfera, um dos efeitos cli-


máticos do El Niño identificado no Brasil é a(o)
A diminuição das médias térmicas durante o inverno na
região Sudeste.
B ocorrência de secas intensas na estação de chuvas na
região Nordeste.
C aumento acentuado das médias pluviométricas no les-
te amazônico.
D diminuição drástica da média pluviométrica na região
Sul.
E diminuição das médias térmicas durante o inverno na
região Centro-Oeste.

Gabarito:  B

Ciências Humanas e suas Tecnologias


Competência: 6
Habilidade: 26

Com a ocorrência do El Niño, a região Nordeste sofre com


ocorrência de secas na estação chuvosa, uma vez que os
índices pluviométricos caem de forma significativa em vir-
tude da formação de uma célula de alta pressão na região.

Alternativa A: incorreta. Com a ocorrência do El Niño, a


região Sudeste apresenta uma manutenção das médias
pluviométricas e uma elevação das médias térmicas no in-
verno, uma vez que a MPA perde força.
Alternativa C: incorreta. Com a ocorrência do El Niño, a re-
gião do leste amazônico enfrenta queda nos índices pluvio-
métricos, aumentando a possibilidade de seca na região.
Alternativa D: incorreta. Com a ocorrência do El Niño, a
região Sul enfrenta um aumento das temperaturas e dos
índices pluviométricos.
Alternativa E: incorreta. Com a ocorrência do El Niño, a
região­Centro-Oeste é a que menos enfrenta alterações,
pois fatores como relevo e continentalidade influenciam
mais diretamente a região, que apresenta uma pequena
elevação dos índices pluviométricos e das temperaturas.
QUESTÃO 76

Os furacões, também chamados de tufões ou


­ urricanes, são grandes turbilhões atmosféricos, de algu-
h
mas centenas de quilômetros de diâmetro. Os furacões
originam-se sobre os oceanos tropicais, em pontos onde
ocorrem uma súbita baixa de pressão atmosférica.
CONTI, José Bueno. Clima e meio ambiente. São Paulo: Atual, 1998.

Em relação ao sentido dos furacões, eles acontecem


A no sentido horário no Hemisfério Sul.
B no sentido anti-horário no Hemisfério Sul.
C fora de um padrão de circulação.
D no sentido horário no Hemisfério Norte.
E de acordo com a intensidade das correntes.

Gabarito:  A

Ciências Humanas e suas Tecnologias


Competência: 6
Habilidade: 27

Devido à força inercial de Coriolis, movimentos ciclonais,


como os furacões, giram no sentido horário no Hemisfério
Sul. Já no Hemisfério Norte, sua orientação é no sentido
anti-horário.

Alternativa B: incorreta. No Hemisfério Sul, esses movi-


mentos ciclonais acontecem no sentido horário.
Alternativa C: incorreta. Devido à força inercial de Coriolis,
existe um padrão na circulação no sentido dos furacões.
Alternativa D: incorreta. No Hemisfério Norte, movimentos
ciclonais acontecem no sentido anti-horário, de acordo com
a força inercial de Coriolis.
Alternativa E: incorreta. A intensidade das correntes marí-
timas não interfere no sentido dos ventos.
QUESTÃO 77

APA de Petrópolis

Estado do Rio de Janeiro

APA - Petrópolis

Oceano Atlântico
Fonte: Centro de Informações e Dados do Rio de Janeiro.
Disponível em: <https://bit.ly/2zhDtqi>. Acesso em: 30 out. 2018.

A criação da APA de Petrópolis tem uma série de objetivos,


porém o de maior importância é a
A preservação de um dos principais remanescentes da
mata atlântica da região.
B recuperação de espécies com risco de extinção típicas
do cerrado.
C regularização de áreas de reserva e exploração
­mineralógicas.
D manutenção de áreas desmatadas para exploração
agropecuária.
E demarcação de terras para a criação de um corredor
ecológico.

Gabarito:  A

Ciências Humanas e suas Tecnologias


Competência: 6
Habilidade: 30

A APA de Petrópolis está localizada na região Sudeste,


área de predomínio de mata atlântica. Diante dos elevados
índices de desmatamento dessa vegetação, a criação de
uma Área de Proteção Ambiental tem como objetivo a pre-
servação desse bioma.

Alternativa B: incorreta. As APAs têm como objetivo a pre-


servação da paisagem e do conjunto cultural e uma explo-
ração sustentável da região, o que inclui a preservação de
espécies. Porém, a área em questão é de mata atlântica, e
não de cerrado.
Alternativa C: incorreta. A delimitação de APAs tem como
objetivo a ideia de uso sustentável de recursos, sem causar
impactos ao ambiente, o que não é coerente com a explo-
ração de jazidas minerais. Por isso, não há demarcação de
áreas de reservas e exploração mineralógicas.
Alternativa D: incorreta. A delimitação de APAs tem como
objetivo a ideia de uso sustentável de recursos, sem causar
impactos ao ambiente, o que não é coerente com o uso dos
espaços para agropecuária – principalmente por ser uma
área serrana. Por isso, não há demarcação de áreas de
desmatamento para exploração agropecuária.
Alternativa E: incorreta. Corredores ecológicos são faixas
de vegetação que ligam unidades de conservação e prote-
ção. Dessa forma, a APA de Petrópolis poderia se conectar
a outra APA a partir de um corredor ecológico, porém ela
não tem a finalidade de ser um corredor ecológico.
QUESTÃO 78

[...] O apego da Coroa à atividade negreira está acima


de qualquer suspeita [pois]: em 1810, D. João VI curvou-
-se ao compromisso genérico de abolição gradual do tráfico
apenas para evitar retaliações mais duras; em 1815, sacri-
ficou o comércio negreiro ao norte do Equador em nome
de uma relativa tolerância britânica no Hemisfério Sul; [en-
quanto que] a partir de 1822, o governo imperial travou uma
verdadeira guerra de posição, trincheira por trincheira, a fim
de conferir sobrevida inesperadamente longa ao lucrativo
negócio.
MAGNOLI, Demétrio. O corpo da pátria: imaginação geográfica e política externa no Brasil
(1808-1912). São Paulo: Ed. da Unesp/Moderna, 1997. p. 86. (Adapt.).

De acordo com o excerto anterior, o tráfico negreiro no


Brasil
A foi uma atividade repudiada pela Coroa.
B foi proibido por pressões internas da sociedade.
C foi proibido sem que houvesse resistências.
D foi abolido em 1810 por pressões inglesas.
E foi mantido por um longo período por ser rentável.

Gabarito:  E

Ciências Humanas e suas Tecnologias


Competência: 2
Habilidade: 7

O excerto reforça o desejo pela manutenção do tráfico ne-


greiro, devido aos lucros advindos dessa prática: “a partir
de 1822, o governo imperial travou uma verdadeira guerra
de posição, trincheira por trincheira, a fim de conferir sobre-
vida inesperadamente longa ao lucrativo negócio.”.

Alternativa A: incorreta. A Coroa defendeu a manutenção


do tráfico negreiro como expresso no trecho final do texto.
Alternativa B: incorreta. O tráfico negreiro foi proibido após
uma série de pressões inglesas, e não por conta de pres-
sões internas, pois era um negócio lucrativo para a Coroa.
Alternativa C: incorreta. Mesmo após as pressões ingle-
sas, a Coroa brasileira resistiu e manteve o tráfico até 1850,
quando foi proibido por meio da Lei Eusébio de Queirós.
Alternativa D: incorreta. O tráfico negreiro foi mantido le-
galmente no Brasil até 1850.
QUESTÃO 79

O cinturão de máxima diversidade biológica do planeta


– que tornou possível o advento do homem – [...] se desta-
ca pela extraordinária continuidade de suas florestas, pela
ordem de grandeza de sua principal rede hidrográfica e pe-
las sutis variações de seus ecossistemas, em nível r­ egional
e de altitude. Trata-se de um gigante domínio de terras bai-
xas florestadas, disposto em anfiteatro, enclausurado entre
a grande barreira imposta pelas terras cisandinas e pelas
bordas dos planaltos brasileiro e guianês.
AB’SÁBER, Aziz. Os domínios de natureza no Brasil: potencialidades paisagísticas.
São Paulo: Ateliê Editorial, 2003. (Adapt.).

Os elementos descritos no texto correspondem ao do-


mínio morfoclimático brasileiro que vem sendo ameaçado
pela expansão de atividades econômicas na região.
O domínio e a atividade em questão são, respectivamente,
A amazônico, com o aumento da agropecuária extensiva.
B caatinga, prejudicado pelo extrativismo vegetal.
C mares de morros, ocupado pela indústria de transfor-
mação.
D araucária, devastado pela mineração.
E cerrado, ocupado com fontes alternativas de energia.

Gabarito:  A

Ciências Humanas e suas Tecnologias


Competência: 6
Habilidade: 26

O domínio amazônico é caracterizado por florestas equato-


riais, predomínio de climas úmidos (com chuvas austrais e
boreais) e terras baixas e planícies, sendo situado ao norte
do Brasil e margeado pelos planaltos brasileiro e guianês.
As características climáticas e de relevo têm contribuído
para a expansão da agropecuária extensiva, com destaque
para a pecuária bovina e para o cultivo de soja, com o des-
matamento e a retirada de camadas do solo.

Alternativa B: incorreta. O domínio da caatinga é caracte-


rizado pelo clima semiárido e, no relevo, pela presença de
depressões, solos secos e de baixa profundidade. O extra-
tivismo vegetal é uma atividade econômica presente tanto
na caatinga, principalmente na zona da mata, quanto no
amazônico.
Alternativa C: incorreta. O domínio de mares de morros é
caracterizado pelo clima úmido, pelo relevo com presença
de serras e formações mamelonares, pelo solo que sofre
com a erosão provocada pelo alto índice pluviométrico e
pela vegetação predominante de mata atlântica. A ativida-
de industrial brasileira, apesar do processo de desconcen-
tração, segue concentrada na região Sudeste (devido aos
grandes centros populacionais e à infraestrutura de circula-
ção, energia e produção).
Alternativa D: incorreta. O domínio da araucária é carac-
terizado pelo clima subtropical e pela presença da mata
de araucária e nitossolo. Apesar da presença do cinturão
carbonífero no domínio de araucária, a principal atividade
que o ameaça é a agricultura, em função da fertilidade da
região.
Alternativa E: incorreta. O domínio do cerrado, o maior
bioma brasileiro, é caracterizado pelo clima tropical con-
tinental, pela vegetação de cerrado, arbustiva, gramínea
e com árvores espaçadas, pelos solos pouco férteis em
grande parte do domínio e pela presença de depressões e
planaltos cristalinos. A principal atividade produtiva da re-
gião é a agropecuária, sendo justamente a expansão des-
sas atividades que tem ameaçado o domínio amazônico e
também o cerrado.
QUESTÃO 80

[...] havia até 15 anos passados três classes distintas


no comércio de café do Rio: – o comissário, – o ensaca-
dor, – o exportador. O comissário recebia o café do interior.
Adiantava dinheiro ao fazendeiro, representando em face
do produtor o papel de banqueiro. O fazendeiro, além dos
juros que variavam entre 9 e 12%, pagava ao comissário
uma comissão de 3% como, de resto, acontece ainda hoje.
[...] O ensacador comprava por conta própria o café aos co-
missários. [...] O exportador não fazia, como hoje, a classifi-
cação do café para os mercados externos. Ele se limitava a
comprá-lo já manipulado do ensacador para a exportação.
PIRES, Margarido apud PEROSA, Roberto. “Comércio e financiamento na lavoura
de café de São Paulo – no início do século”. Revista de Administração de Empresas,
v. 20, n. 1, São Paulo, jan./mar. 1980. p. 67.

De acordo com o texto apresentado, no Brasil, a cafeicultu-


ra trouxe dinamismo para a economia e para a sociedade
à época, pois
A promoveu o desenvolvimento das zonas rurais em de-
trimento dos espaços urbanos.
B gerou riquezas para os senhores de terras, estreitando,
assim, a camada de intermediários.
C rompeu com o caráter primário exportador da econo-
mia brasileira.
D colaborou com o estabelecimento de uma mentalidade
capitalista financeira.
E desenvolveu-se de forma semelhante à economia açu-
careira pelo seu caráter agrário.

Gabarito:  D

Ciências Humanas e suas Tecnologias


Competência: 4
Habilidade: 18

A economia cafeicultora colaborou com o desenvolvimento


de uma mentalidade capitalista financeira, voltada para o
aprimoramento do sistema bancário e de bolsas de valo-
res, que trouxe também dinamismo à sociedade da época,
com o aumento de uma mão de obra especializada, ligada
ao espaço urbano e ao crescimento de cidades como São
Paulo, Ribeirão Preto e Campinas.

Alternativa A: incorreta. Como apresentado no excerto, a


economia cafeicultora dependia de uma série de relações
financeiras – e de intermediários – pertinentes sobretudo
ao espaço urbano.
Alternativa B: incorreta. De acordo com o texto, a econo-
mia cafeicultora dependia de uma série de intermediários
para a sua realização, ou seja, ela promoveu um alarga-
mento, e não um estreitamento da camada média ou de
intermediários. Estes eram muito ligados ao espaço urbano
que crescia e se desenvolvia no Brasil, sendo responsá-
veis, entre outras coisas, não só pelo plantio, pela colheita
ou pelo ensacamento, mas também pelo transporte dos
grãos, pelo recebimento do café do interior, pela comercia-
lização nas cidades, pela exportação etc.
Alternativa C: incorreta. Apesar de ser precedida e acom-
panhada de um desenvolvimento industrial, a econo-
mia cafeeira ainda mantinha seu eixo no caráter primário
­exportador.
Alternativa E: incorreta. A economia cafeeira tem uma sé-
rie de diferenças em relação à economia açucareira: de-
pendência do espaço urbano e do capitalismo financeiro
internacional; maior exigência de maquinários; ausência do
financiamento holandês, além do emprego da mão de obra
livre.
QUESTÃO 81

As 48 horas dos dias 14 e 15 de maio trazem mar-


cas profundas do passado a israelenses e palestinos – e
­emoções conflitantes de um lado a outro. No ano de 1948,
a primeira data marca a fundação do Estado de Israel, a
concretização de uma aspiração histórica e uma conquista
para os judeus anos após os horrores do Holocausto. Do
lado palestino, o dia 15 é lembrado como o início de um
êxodo em massa que está na raiz do conflito travado há
décadas com os israelenses.
“O que é a ‘nakba’, a ‘catástrofe’ que há 70 anos mudou destino de palestinos e está na
raiz de conflito com Israel”. BBC, 15 maio 2018. Disponível em: <https://bbc.in/2sHs1BN>.
Acesso em: 7 nov. 2018.

Anualmente, os palestinos relembram os acontecimentos


de 1948 como “al nakba”, palavra árabe para “a catástrofe”.
Tais acontecimentos se relacionam com o(a)
A não reconhecimento dos territórios palestinos por Israel­.
B baixo IDH característico da região.
C intenso êxodo do povo árabe.
D partilha da Palestina realizada pela ONU.
E fim da administração do Reino Unido.

Gabarito:  C

Ciências Humanas e suas Tecnologias


Competência: 3
Habilidade: 15

“Nakba” é uma palavra árabe traduzida como “tragédia” ou


“catástrofe”. A palavra faz menção a 1948, quando Israel
adotou uma política expansionista sobre os territórios pa-
lestinos, forçando um intenso êxodo da população árabe
que vivia na região.

Alternativa A: incorreta. O não reconhecimento dos territó-


rios palestinos é anterior ao episódio de 1948.
Alternativa B: incorreta. Os baixos indicadores sociais re-
sultam do cenário de instabilidade política e de conflitos na
região.
Alternativa D: incorreta. A partilha da Palestina foi realiza-
da em 1947.
Alternativa E: incorreta. O Reino Unido transferiu o man-
dato da Palestina para a ONU em 1947, antes do evento
retratado.
QUESTÃO 82

Existe aí [nas sociedades arcaicas] um enorme con-


junto de fatos. E fatos que são muito complexos. Neles,
tudo se mistura, tudo o que constitui a vida propriamente
social das sociedades que precederam as nossas – até às
da proto-história. Nesses fenômenos sociais “totais”, como
nos propomos chamá-los, exprimem-se, de uma só vez,
as mais diversas instituições: religiosas, jurídicas e morais
(estas sendo políticas e familiares ao mesmo tempo); eco-
nômicas (estas supondo formas particulares da produção e
do consumo, ou melhor, do fornecimento e da distribuição);
sem contar os fenômenos estéticos em que resultam estes
fatos e os fenômenos morfológicos que essas instituições
manifestam.
MAUSS, Marcel apud GASTALDO, Édison. “O fato social total brasileiro: uma perspectiva
etnográfica sobre a recepção pública da Copa do Mundo no Brasil.” Horizontes
antropológicos, v. 19, n. 40, Porto Alegre, jul./dez. 2013. p. 188. (Adapt.).

A noção de “fato social total”, de Marcel Mauss, deriva da


noção de fato social de Durkheim, pois ambos(as)
A postulam a inexorabilidade do fato social sobre a vida
humana e a história, de modo que o homem não pode
dele se desvencilhar.
B compreendem uma criação humana que não é propria-
mente psíquica ou biológica, mas fundamentalmente
social.
C os pensadores acreditam que a essência das socieda-
des humanas é a própria luta de classes, da qual deri-
vam as nossas representações simbólicas.
D constituem uma posição sociológica materialista ao
considerar a produção e o consumo como fatores de-
terminantes da história.
E os autores buscam, nas sociedades arcaicas, formas
universais primárias da sociabilidade humana, as quais
ajudariam a compreender o presente.

Gabarito:  B

Ciências Humanas e suas Tecnologias


Competência: 3
Habilidade: 11

De acordo com Durkheim, a noção de fato social implica


buscar a compreensão, do ponto de vista científico, de uma
criação humana que não seja exatamente psíquica ou bio-
lógica, mas fundamentalmente social.

Alternativa A: incorreta. O fato social, embora externo, ge-


ral e coercitivo, não pode ser uma determinação, pois, nes-
se caso, o próprio processo histórico, de maior dimensão,
seria invalidado.
Alternativa C: incorreta. Para Durkheim e Mauss, a luta
de classes – longe de ser um fator estruturante de nossas
relações sociais – constitui uma contingência.
Alternativa D: incorreta. Para Durkheim e Mauss, as re-
presentações humanas não derivam necessariamente de
fatores materiais ou das relações de produção, como Marx,
e, por isso, não podem ser enquadrados como pensadores
materialistas.
Alternativa E: incorreta. Não há, em Durkheim, qualquer
crença de que uma sociedade primitiva necessariamente
exprima formas universais que possibilitem a compreensão
de fatos presentes.
QUESTÃO 83

A ameaça que degrada os solos e avança pelas terras


secas do semiárido é a salinização. O resultado é devasta-
dor. A primeira impressão que a gente tem é que todo esse
terreno foi coberto por uma fina camada de areia, mas,
olhando de perto, a gente observa que a mancha branca
no chão é formada por uma concentração de sais. Esse
processo de salinização acaba com a fertilidade do solo.
G1, 6 jul. 2013. Disponível em: <https://glo.bo/2F8Ghw0>. Acesso em: 7 nov. 2018.

O processo retratado pela reportagem tem, entre suas cau-


sas principais, o(a)
A excesso de agrotóxicos e fertilizantes.
B prática do plantio direto.
C uso de plantas transgênicas.
D irrigação dos cultivos.
E rotação de culturas.

Gabarito:  D

Ciências Humanas e suas Tecnologias


Competência: 6
Habilidade: 30

O processo de irrigação, especialmente com águas retira-


das de açudes e reservatórios, apresenta, entre suas con-
sequências, sobretudo em regiões quentes, a salinização
do solo em razão da existência de variados sais, em lagos,
rios e açudes, retirados dos solos pela lixiviação e que se
depositam na superfície do solo após a irrigação.

Alternativa A: incorreta. O uso excessivo de agrotóxicos e


fertilizantes afeta a dinâmica da fertilidade do solo, porém
não é responsável pela salinização.
Alternativa B: incorreta. O plantio direto consiste em uma
técnica agrícola de conservação do solo, e não de destrui-
ção de sua fertilização.
Alternativa C: incorreta. Plantas transgênicas têm como
objetivo aumentar a produtividade no campo, pois são mais
resistentes a pragas e defensivos agrícolas.
Alternativa E: incorreta. Rotação de culturas consiste em
uma técnica de conservação do solo.
QUESTÃO 84

Uma rede de laços de dependência, tecendo os seus


fios de alto a baixo da escala humana, conferiu à civilização
da feudalidade europeia a sua marca mais original. Como,
sob a ação de que circunstâncias e de que ambiente men-
tal, auxiliada também por quais empréstimos, tomados
de um passado mais distante, essa estrutura tão especial
pôde nascer e evoluir, é o que nos esforçamos por mostrar
em um volume precedente. No entanto, nunca nas socieda-
des às quais se dá tradicionalmente o epíteto de “feudais”,
os destinos individuais tinham sido regidos exclusivamen-
te por essas relações de sujeição próxima ou de coman-
do imediato. Os homens repartiam-se nelas também em
grupos, situados uns acima dos outros, diferenciados pela
vocação profissional, pelo grau de poder ou de prestígio.
Além disso, acima da poeira das inúmeras circunscrições,
de toda espécie, subsistiram sempre poderes de raio mais
amplo e de natureza diferente.
BLOCH, Marc apud AUBERT, Eduardo Henrik. “Uma sociedade fragmentada e
fundamentalmente una: la société féodale e a sociedade feudal”. Tempo, v. 14, n. 27,
Niterói, 2009. p. 169.

Dentre os elementos culturais e sociais que caracterizavam


o regime feudal, os laços de dependência mencionados no
texto referem-se à
A economia de subsistência, praticada no manso servil.
B sociedade estamental, dividida em classes bem defini-
das e hierarquizadas.
C corveia, um imposto para contribuição ao senhor feudal
e aos servos.
D formação das universidades, como polos de saber liga-
dos à Igreja.
E vida rural, centrada no feudo como unidade produtiva
autossuficiente.

Gabarito:  B

Ciências Humanas e suas Tecnologias


Competência: 3
Habilidade: 11

O texto afirma que “os destinos individuais tinham sido re-


gidos exclusivamente por essas relações de sujeição pró-
xima ou de comando imediato. Os homens repartiam-se
nelas também em grupos, situados uns acima dos outros,
diferenciados pela vocação profissional, pelo grau de poder
ou de prestígio”, tratando tanto dos contratos feudais (suse-
rania e vassalagem e servidão), como das relações entre
os diferentes estamentos, bem definidos e hierarquizados.

Alternativa A: incorreta. O texto trata das relações sociais,


suas divisões e respectivas funções, mas não trata do as-
pecto econômico do medievo, como a economia de sub-
sistência ou o fato de os feudos terem sido relativamente
autossuficientes, dentro desse sistema de produção.
Alternativa C: incorreta. A corveia era um imposto pago
pelos servos aos senhores feudais. Além disso, apesar de
o texto tratar dos contratos feudais, esse imposto em par-
ticular, ou qualquer outro, não é mencionado no excerto
apresentado.
Alternativa D: incorreta. As universidades surgiram na Ida-
de Média, mas o texto não fala sobre isso, nem sobre sua
vinculação com a Igreja em seu surgimento.
Alternativa E: incorreta. O processo de ruralização é uma
importante característica da formação do mundo feudal; no
entanto, o texto não fala sobre a vida rural ou urbana ou
sobre a autossuficiência dos feudos.
QUESTÃO 85

Em 2001, Jim O’Neill, à época recém-indicado para o


cargo de chefe de pesquisa econômica global da Goldman
Sachs, procurou criar uma categoria na qual pudesse in-
serir os países de grande território e em rápido desenvol-
vimento que ele considerou que seriam instrumentais para
atual transformação econômica global. [...]
STUENKEL, Oliver. “Capturando o espírito de uma década”. Disponível em:
<https://bit.ly/2ARbgZ3>. Acesso em: 7 nov. 2018.

Jim O’Neill, citado no texto, criou uma categoria de paí­


ses que, ao seu ver, orquestram a transformação econômi-
ca global.
O termo criado e os países inseridos nesse grupo são,
respectivamente,
A BRIC – Brasil, Rússia, Índia e China.
B Alba – Venezuela, Equador, Bolívia e Cuba.
C Mercosul – Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
D NAFTA – EUA, México e Canadá.
E CAN – Equador, Colômbia, Equador e Bolívia.

Gabarito:  A

Ciências Humanas e suas Tecnologias


Competência: 3
Habilidade: 14

Brasil, Rússia, Índia e China, no fim dos anos 1990, apre-


sentaram altas taxas de crescimento mundial, ganhando
destaque dentro das 20 maiores economias do mundo
(G20), embora o BRIC não constitua um bloco econômico
formal, como a União Europeia, o NAFTA ou o Mercosul.
Em 2011, após a admissão da África do Sul, o “S” (South
Africa) foi adicionado à sigla BRIC, tornando-se BRICS.

Alternativa B: incorreta. A Alternativa Bolivariana para os


Povos da Nossa América, ou Alba, é uma contraproposta
ao desenvolvimento da Alca.
Alternativa C: incorreta. O Mercosul se caracteriza por ser
um bloco formal criado em 1991.
Alternativa D: incorreta. O NAFTA, ou Área de Livre Co-
mércio das Américas, é uma zona de livre comércio forma-
lizada em 1994.
Alternativa E: incorreta. CAN, ou Comunidade Andina,
teve seu processo de formação iniciado em 1969.
QUESTÃO 86

[...] É acertado, pois, dizer que pela prática de atos jus-


tos se gera o homem justo, e pela prática de atos tempe-
rantes, o homem temperante; sem essa prática, ninguém
teria sequer a possibilidade de tornar-se bom. Mas a maio-
ria das pessoas não procede assim. [...] Nisto se portam, de
certo modo, como enfermos que escutassem atentamen-
te os seus médicos, mas não fizessem nada do que estes
lhes prescrevessem. Assim como a saúde desses últimos
não pode restabelecer-se com tal tratamento, a alma dos
segundos não se tornará melhor com semelhante curso de
Filosofia.
Aristóteles apud BOTO, Carlota. “Ética e educação clássica: virtude e felicidade no justo
meio”. Educação & Sociedade, v. 22, n. 76, Campinas, out. 2001. p. 127.

Segundo Aristóteles, de acordo com o trecho, a ética e a


virtude se traduzem no(a)
A cumprimento dos ideais estabelecidos pela tradição de
uma cidade.
B boa ação que esteja em conformidade com nossos va-
lores particulares.
C bom propósito que se concretiza por meio da ação e
do hábito.
D realização de seu propósito no cosmos, descoberto por
meio da Filosofia.
E conhecimento do mundo das ideias por meio do exer-
cício da dialética.

Gabarito:  C

Ciências Humanas e suas Tecnologias


Competência: 5
Habilidade: 23

Para Aristóteles, em contraposição a Platão, não basta co-


nhecer o bem para tornar-se uma boa pessoa; é preciso
efetivar a boa ação e concretizá-la por meio do hábito, de
maneira análoga ao imperativo categórico kantiano. Ou
seja, segundo a ética aristotélica, a prática (o hábito) cons-
trói a virtude.

Alternativa A: incorreta. Não necessariamente a tradição


de uma cidade traduz-se em virtude.
Alternativa B: incorreta. A virtude não procede de nossos
ideais particulares, mas da moderação de vícios conheci-
dos por meio da razão.
Alternativa D: incorreta. Não se trata de descobrir seu lu-
gar no cosmos, mas de agir de acordo com os princípios
virtuosos­.
Alternativa E: incorreta. As noções do mundo das ideias
são provenientes da filosofia platônica, e não da filosofia
aristotélica.
QUESTÃO 87

O vento deve se tornar a segunda principal fonte de


energia elétrica do Brasil em 2019. Os investimentos em
energia eólica estão partindo até de empresas de petróleo.
Em poucos países do mundo a energia do vento cresceu
tão rapidamente quanto no Brasil.
“Vento pode ser segunda principal fonte de energia elétrica do país em 2019.” G1, 7 ago.
2018. Disponível em: <https://glo.bo/2M2CJ1l>. Acesso em: 7 nov. 2018.

O investimento na ampliação de energia eólica no país tem


relação direta com a
A intensificação da dependência de petróleo, uma fonte
não renovável.
B diversificação do parque industrial, que ampliou sua ca-
pacidade produtiva.
C redução no consumo de energia, por conta de políticas
compensatórias.
D ampliação do uso de fontes limpas de energia, para
maior diversificação da matriz.
E modificação no sistema elétrico, diante do avanço de
novas tecnologias.

Gabarito:  D

Ciências Humanas e suas Tecnologias


Competência: 6
Habilidade: 28

Os investimentos na ampliação do parque eólico brasileiro


são uma proposta de maior diversificação da matriz elétri-
ca, assim como o alinhamento global de melhoria dos indi-
cadores ambientais.

Alternativa A: incorreta. Os investimentos na energia eóli-


ca reduzem a dependência de petróleo.
Alternativa B: incorreta. A diversificação – e também a
descentralização – do parque industrial brasileiro é resulta-
do de políticas econômicas como um todo, não se referindo
somente a um setor, embora o país venha passando por
um processo de desindustrialização nos últimos anos.
Alternativa C: incorreta. A ampliação busca atender tam-
bém a um aumento da demanda por energia no Brasil.
Alternativa E: incorreta. A modificação do sistema elétrico
se relaciona com a matriz como um todo, e não somente
com uma fonte de energia específica ou com os avanços
tecnológicos por si só.
QUESTÃO 88

Durante a revolução portuguesa de 1974 e 1975, um


manifestante discursa: “Hoje em dia atribui-se a certas
doen­­ças o nome de doenças da civilização. Elas são an-
tes doenças da barbárie […] provocadas pela pressão do
ritmo de vida, pela poluição sonora, pela poluição a todos
os níveis, pela alimentação enlatada, industrializada. Não
podem ser chamadas doenças da civilização, mas doenças
da barbárie!”.
VARELA, Raquel; SANTA, Roberto della. “O Maio de 68 na Europa: Estado e revolução”.
Revista de Direito e Práxis, v. 9, n. 2, Rio de Janeiro, abr./jun. 2018. p. 976.

O movimento dos jovens ocidentais, a partir de 1968, pro-


moveu um novo embate durante a Guerra Fria. Entre as
defesas desse movimento, está presente no texto o(a)
A defesa da ideologia soviética como maneira de suprimir
as diversas formas do capitalismo.
B discurso contrário à produção capitalista em massa e
de defesa do meio ambiente.
C formação de uma ideologia ecologista contrária ao de-
senvolvimento tecnológico.
D discurso a favor de manter a polarização ideológica
promovida pela Guerra Fria.
E discurso contrário ao ideal civilizatório, promovendo a
defesa da volta da barbárie.

Gabarito:  B

Ciências Humanas e suas Tecnologias


Competência: 4
Habilidade: 20

Havia, entre as pautas dos jovens a partir de 1968, a defesa


de um movimento ecologista contrário à produção massifi-
cada. Esse tipo de produção, pertencente ao capitalismo,
era (e ainda é) considerado prejudicial ao meio ambiente.

Alternativa A: incorreta. O excerto promove uma crítica ao


capitalismo, mas não apresenta qualquer defesa de ideais
socialistas.
Alternativa C: incorreta. O excerto promove críticas aos efei-
tos negativos do desenvolvimento do capitalismo, mas não
apresenta críticas à tecnologia ou a seu ­desenvolvimento.
Alternativa D: incorreta. Além do excerto não apresentar
essa defesa, a polarização ideológica era um dos principais
alvos de críticas por parte dos jovens.
Alternativa E: incorreta. O excerto apresenta uma crítica
ao ideal civilizatório no contexto de então, acusando esse
ideal de ser mais próximo de barbárie do que de civilização.
O excerto não faz, no entanto, apologia à barbárie.
QUESTÃO 89

Ao sobrevoar o condado de Datong, é possível avistar


pandas gigantes. Um até acena. Eles são feitos de milha-
res de painéis solares. Juntos, e somados a outros painéis,
eles formam uma fazenda de cem megawatts cobrindo 248
acres. Na verdade, é um parque solar até pequeno para os
padrões chineses – mas certamente é patriótico.
“As impressionantes fazendas solares da China que estão transformando a geração de
energia mundial”. Folha de S.Paulo, 14 out. 2018.
Disponível em: <https://bit.ly/2PhSPFM>. Acesso em: 7 nov. 2018.

A fonte de energia a que o texto se refere é


A renovável, como o petróleo, que é um recurso perma-
nente e inesgotável.
B não renovável, pois o Sol, como qualquer estrela, vai
deixar de existir.
C renovável, tendo as forças internas do planeta como
princípio de formação.
D renovável, mas limitada, pois sua obtenção é impossi-
bilitada em dias nublados.
E renovável, pois é produzida a partir da radiação solar.

Gabarito:  E

Ciências Humanas e suas Tecnologias


Competência: 6
Habilidade: 29

A energia solar se caracteriza por ser renovável, uma vez


que a velocidade de reposição é maior que a velocidade de
consumo.

Alternativa A: incorreta. O petróleo é uma fonte não reno-


vável de energia.
Alternativa B: incorreta. O fato de o Sol, como qualquer
estrela, um dia deixar de existir faz com que o astro seja
classificado como uma fonte esgotável, porém renovável.
Além disso, a extinção da estrela solar é um processo que
levará bilhões de anos, o que não impede a utilização da
estrela como fonte de energia renovável nos dias atuais,
por meio de tecnologias inovadoras.
Alternativa C: incorreta. O calor interno proveniente do
núcleo da Terra contribui para a obtenção de energia geo-
térmica, não solar.
Alternativa D: incorreta. A presença de nuvens não altera
a classificação da fonte de energia; mesmo em dias nu-
blados, há incidência de luz, que pode ser captada pelos
painéis solares mais sofisticados.
QUESTÃO 90

Erosão abrange um conjunto de processos gerados pelo campo gravitacional terrestre que são responsáveis pela
desagregação, remoção e transporte de partículas e fragmentos de solo ou rocha, por ação do vento, água, gelo ou orga-
nismos. Esses processos ocorrem em diferentes ambientes e segundo uma dinâmica natural ou geológica.
Tipos de erosão linear

AUGUSTO FILHO, Oswaldo. “Geologia aplicada a problemas ambientais”. In: CHASSOT, Attico; CAMPOS, Heraldo. (Org.). Ciências da terra e meio ambiente.
São Leopoldo: Unisinos, 1999.

Com base no texto e na imagem apresentados anteriormente, a forma de erosão ilustrada e o fator de ordem natural que
contribui para sua ocorrência são
A fluvial – cobertura vegetal.
B eólica – tipo de solo.
C marinha – pluviosidade.
D glacial – terraplanagem inadequada.
E pluvial – topografia em declive.

Gabarito:  E

Ciências Humanas e suas Tecnologias


Competência: 6
Habilidade: 30

A erosão pluvial ocorre a partir da precipitação, e observa-se na imagem a ocorrência de chuva, que pode levar à erosão.
A topografia em declive é um fator natural que pode influenciar diretamente o processo erosivo, uma vez que a erosão
pluvial depende da velocidade com que a água da chuva escorre pela superfície do solo.

Alternativa A: incorreta. Erosão fluvial ocorre a partir da correnteza do leito de um rio mas, de acordo com a imagem, isso
não seria possível. A cobertura vegetal é um fator que influencia no processo erosivo, uma vez que sua presença contribui
para a fixação do solo, porém também não está presente na imagem.
Alternativa B: incorreta. Erosão eólica ocorre a partir da atuação do vento, mas, de acordo com a imagem, nada indica
a presença de vento. O tipo de solo é um fator que influencia o processo erosivo, pois a consistência e a granulometria
afetam diretamente na intensidade e velocidade da erosão.
Alternativa C: incorreta. A erosão marinha ocorre a partir da atuação de águas oceânicas, mas, de acordo com a imagem,
não há presença de oceano. A pluviosidade é um fator que influencia o processo erosivo, uma vez que a intensidade da
chuva colabora para a desagregação, remoção e transporte de partículas e fragmentos de solo, o que seria adequado à
imagem.
Alternativa D: incorreta. A erosão glacial ocorre a partir da atuação de processos ocorridos em geleiras glaciais mas, de
acordo com a imagem, nada indica a presença de baixas temperaturas ou glaciação. Já a terraplanagem inadequada é uma
ação antrópica que pode intensificar os processos erosivos por alterar a topografia do relevo e a compactação de solos,
porém não é um processo natural, conforme pedido na questão.

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