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Produzido Por

Almir Chedialt

RT o

&Lumiar Ett*ora
Idealizado, prodt¿zido e editado
por Almir Chediak

Volume 2

.64 músicas contendo melodia, letra e harmonia (acordes cifrados)


para violáo, guitarra, piano, órgáo e outros instrumentos.

. Todos os acordes cifrados estáo representados graficamente


para violáo e guitarra.

fu ,u r^r Editora 6u ediqáo


Songbooh 0 Gilberto Gil

No woman no cry (Ndo chore mais)............ tr


Volume I O eterno Deus Mu danga...........
Oragáo pela libertagáo da Áftca do SuI..........
tr
tr
Gilberto Gil: em constante ebuligáo A/nir Chediak.......... tr Pai e máe.,.... tr
Sem patente Caetano Velo so.......... tr Pega a voga cabeludo................. tr
Album de famflia..... tr o
Preciso de vocé.........
Biografi a An tónio Rís é rio tr
cl
i.ancho da Rosa Encarnada.... u
Gil: pontos de luz António Risério.....
Refavela....... tr
Reti¡os espirituais..... tr
Roda............. tr
nlrilstcAs,' Sarará miolo tr
Afoxé é.........i................... tr Sonho molhado................... o
Agua de menir\os....... cl Soy loco por ti América o
A máo da limpeia... tr Super homem - a cangáo..... tr
Amarra teu arado á uma estrela tr Tempo Rei............... tr
Amor até o fim............ tr Toda menina baiana.......... tr
Axé baba...... tr Toda saudade tr
Babá Alapalá tr TradiEáo....... n
Back in 8ahia............ tr Vamos fugir.............
Batada do lado sem 1u2........
Baúcum........ tr
Beira-rrar..... tr Discografra.. tr
Casinha Feliz tr
Chuck Berry fields forever......... tr
Cliché do cliché...... tr
Coragem pra suportar. tr
De Bob Dylan a Bob Marley (Um samba provocagdo)...,. tr Volume 2
Deixar voc0............. tr Gilberto Gil: em constante ebuligáo A/n ir C he diak.......... 6
De onde vem o baiáo. E
g Impressóes tropicais J o r g e M autne r................, 8
Do Japáo...... Gil, filho da Bahia M uniz Sodré...,.. l0
Domingo no parque..... tr Entrevisüa..... t2
E1a................ tr
E la poeira.... tr
Ele falava nisso todo dia................ tr
E

Frevo rasgado................... tr
Funk-se quem puder.. tr
Geléia gera1............. tr
Jeca úoraI...... tr
Lady Neyde. tr
Louvagáo..... E
Luar............. tr
Luzia luluza. u
Mar de Copacabana. tr
Meio de campo.......... tr
Metáfora...... tr
Minha ideologia, minha religiáo......... tr
Minha senhora........ tr
Mulher de coronel....
Yl*ga(Photographblues).. tr
bios barracos da cidade (Barracos)... tr
1iossa."......... tr
Songbonk 0 Gilberto Gil

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ISBN - 85-85426-03-9 1992 rsBN-85-8126-05-5

lOs copyights das composig6es trRevisáo de Texto¡ o Composigáo g¡fli6s dqs part¡tures IFotocomposigÁo:
musicais inseridas neste álbum estáo Nerval M. Gongalves e editoraSo eletrdr¡ics: Cena¿l Griífica Editora [¡da.
indicados no final de cada música e Mauro Sérgio B. de Freitas Jacob lopes
o Tr¡nscrig6o de pcrtiturs:
g Editor rrsponsóvel: o Composigío eletr6nica dc rordes
Ricardo Gilly, Fred Martins, Sérgio
A]mi¡ Chediak Nacif, Bival e Guilherme Mayah
c letrs co¡n cifr¡s:
Jacob lopes e [,ou Nogueira
o Crpe: o Revisio musicsl:
I D¡reitos de edigáo para o BrasiV
Bruno Libe¡ari Ricardo Gilly o Acmrpuüeme¡¡to editorid :
Publishhg rights for Brazil:
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tr Arte e Produgño gráEce:
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Tonim Fernandes 6 Assistente de produgio: -
Tef:55 21 228+8152 Filxr 55 21 38'12-281'7
o l¡tícia Dobbin www.lumiar.com.br
SuFrvisáo musical:
Ian Guest lumiarvendas@uol.com.br / lumiarbr@uol.com.b
Gilborto Gil: em constante
ilberto Gil estiá entre os compositores mais O repertório para este songbook foi escolhido
criativos e musicais de todos os tempos. juntamente com Gilberto Gil. Encontramo-nos
lnstrumentista e harmonizador de primei- e, de posse de uma listagem de mais de 300 com-
ra linha, táo criativo que dificilmente toca duas posiEóes, chegamos a uma selegáo de 130 cangóes,
vezes a mesma harmonia de uma música. distribuídas em dois volumes. l¡mbro-me de que
A produgáo deste songbook foi a mais demora- nesta nossa entevista, a primeira pergunta que fiz
da e trabalhosa de toda a série já editada. Este tra- foi se ele preferia que no repertório escolhido cons-
balho teve início no ano de 1986, um pouco de- tassem aBenas músicas de sua autoria, isto é, sem
pois dejá ter comegado a produgáo do songbook parceiros, e ele foi taxativo: "Quero as músicas
de Caetano Veloso, o primeiro da série. Gil seria mais representativas e muitas sáo em parceria.,'Gil
o segundo, o que náo foi possível devido á sua falta é um compositor eclético, que já teve muitos par-
de tempo para os enconfos necessários is revisóes cei¡os como Chico Buarque, Caetano Veloso, Ca-
musicais ou mesmo para as entrevistas sobre sua pinan, Torquato Neto, Joáo Donato, Jorge Maut-
vida, que compóem o material básico para a feitu- ner, entre outros presentes neste songbook.
ra de sua biografia, e que resulta numa entrevista Para escrever os textos introdutórios deste tra-
que faz parte do segundo volume desta obra. balho, convidamos Caetano Veloso. o escritor

L-
ebuliqáo
baiano Antonio Risério, o compositor, inté¡prete Na transcriEáo das músicas, tomaram-se como
e filósofo Jorge Mautner, e o professor e escritor base as gravagóes originais dos discos, que, na
Muniz Sodré. sua maioria, tém como intérprete o próprio Gil,
Gilberto Gil acompanhou e ajudou em todo o que, além de cantar, participa dos ananjós e toca
processo de produgáo desta obra, desde a escolha violáo ou guitarra. A partir daí, foram feitas as re-
do repertório, nas revisóes musicais, pesquisas visóes, em que Gil em algumas músicas manteve a
de fotos. Enfim, a sua participagáo direta foi harmonia original e em oums rearmonizou-as para
da maior importáncia para a plena realizagáo des- fica¡em mais ricas ou para facilitarem a execugáo.
te songbook. Agradego a todos que colaboraram direta ou indi-
retamente para que este tabalho fosse realizado.
Fazem parte do repertório c4ngoes de todas as fa-
ses de Gil, desde o seu primeiro üsco lnuvagáo,
gravado em 196ó, atn o Parabolicattwró, de 1992. Almir Chediatr

t
G
'6
-E
ImpressÓes tropicais
ilberto Gil é, ao mesmo tempo-espago, um Aliás, de táo autoconsciente deste fato, Gilberto Gil
clássico e um moderno, um erudito e um fez uma cangáo especificamente sobre o espírito
popular, um artista de inspiraEáo indivi- santo. Mas sobre quais temas este pensador de vio-
dual e um artista industrial da indústria das artes láo e cantor do templo do deus de vários nomes náo
atuais. um conservador e um revolucioniírio. se debrugou?
Suas cangóes váo desde o filosofar pré-socrático Sua velocidade é de qualidade ciclónica e, ao
até a captagáo de nuances familiares e pops e kits- mesmo tempo-espago, caminha pelo caminho do
ches e bregas. Sua carreira toda é possuída pelo fogo meio do Tao.
do espírito santo, e cantar e compor sáo fungóes da
missáo religiosa que o impulsiona, sem explicagáo
em plena densidade dos mistérios inexplicáveis. Jorge llfautner
I
a
I
I
Songbook tr Gilberto Gil a
a

Gil, filho da Bahia


orriam em Salvador os idos de
Dilmar Cavalher/AJB
a
a
I
64. Certa noite, voltando dareda-
gáo do Jornal da Bahia:paracasa,
a
aconteceu-me parar num barzinho e ver
umjovem de paletó e graváta+d.rar o vio-
I
láo de um estojo para acompanhgr uma a
espécie de mendigo, possivelmen\e um a
desses homens de interior;tangidos\ pelo
acaso, que cantava afinadamente um te- a
ma sertanejo. Chamou-mera atenEáo de
imediato a qualidade do inskumentista:
I
acordes bossa-novísticos, rápidos, preci- a
sos; no rosto, uma alegria cativante. Eis
que de repente irrompe no bar um poli-
a
cial militar, dirige-se ao violonista, avi- a
sando: "Náo é mais permitido o sereno."
Nunca me esqueci da literalidade da-
{
quele aviso: simplesmente proibiam-se a
as serenatas, a música nas ruas. E o inci-
dente me ficou como metáfora da violén- a
cia do Golpe, quejá pesava nas cabeEas a
de toda uma geraEáo de jovens, como urn
molosso deitado sobre a vítima. Mas eu I
nunca mais esqueceria também que, na-
quele instante, pude fazer contato com
{
um jovem extraordinário, o violonista a
Gilberto Gil.
a
Na verdade, eujá ouvira falar dele, de
suas composiEóes, seu canto afinadíssi- a
mo, seu violáo náo menos. Só náo lhe a
tinha visto o rosto. A patir daí, naquele
mesmo ano,.estive próximo a ele em oca- a
sióes variadas, e fez-se em mim acerteza
de que a singularidade artística de Gil-
I
berto Gil seria um dia reconhecida em {
grandes traqos.
:L*W a
Cedo ficou evidente para mim que a
música náo era o único dom de Gil. Ele
Gil: umadas atragóes doshow Canando o
I
era discursivamente articulado (foi o ora-
dor de sua formatura na universidade), ti-
gem, destacam-se os tons "perversamen- porque música, política e pensamento in- a
te polimorfos" de sua criagáo ele per- terpeneüarn-se enquanto modos de ser do
nha consciéncia político-social ativa, de- - a
tence ao mesmo sertáo de LuizGonzaga, estar-aí, enquanto conhecimento, Platáo
monstrava sempre saber do que estava
á mesma dissonáncia de Joáo Gilberto, á náo expulsaria Gil de sua República. a
falando. Era, aliás, a opiniáo que tinha
mesma rítmica dos atabaques de terreiro,
dele um Gláuber Rocha
á mesma pulsáo de grito doído que viaja O sereno a
Tons do blues do Mississippi ao reggae jamai- é pemiüdo, a
cano, sem se esquecer da pemada política.
"perrrersamente Mas talvez seja isso mesmo que, em certo sim! a
polimorfos" momento, se chamou de tropicalismo. Bem faz Almir Chediak em eternizar o a
Estou convicto de que, existindo ora compositor neste songbook. É uma ma-
E Gil, régua e compasso da Bahia nas como músico, ora como político, Gilber- neira de as geraEóes ficarem sabendo {
máos, dentro do espírito do jogo de An- to Gil está plenamente coerente com seu que, na longa noite de trevas vivida pela a
gola, deu a volta ao mundo, camará. impulso originiírio, que no fundo sempre NaEáo, o baiano Gilberto Gil foi um dos
Ao longo de todos esses anos, mante- foi o do exercício filosófico, entendido heróis que, de violáo em punho e o mun- I
nho, entretanto, como retrato seu, a im- náo como história académica dos sisternas
do na voz, retrucaram: o sereno é permi- a
pressáo do instante no bar: um criador, de pensar', mas como reflexo intelectual da
tido, siml
filho da classe média, cont recursos cul- paixáo de viver. Nesta esfera, náo faz sen- a
tos, que interage com o povo. Nesta ima- tido a separagáo radical entre as coisas, Muniz Sodré
a
1() {
Songtrook tr Cilberto Gil

L¡ta Cerqueira

ffi
p

Shos 20¿nos de Gilberto Gil Sáo Paulo. 1985


Songbook tr Gilbedo Gil

Entrevista I GilbeftO Gil


ALMIR CHEDIAK Como foí que
-
aconteceu a música na sua vida?
Comegou cedo?
GILBERTO GIL ComeEou muito
-
cedo. A consciéncia de estar cercado
pela música, num cerco idílico, como se
uma especie de ninfa, de fada, ou alguma
coisa {esse tiPo estivesse ali a me
seduzir, chegoü,muito cedo na minha
vida. Eu brincava com as coisas,
Drestava atenqáo na natureza' nas
pessoas;ia esóolhendo coisas pelo sabor'
As coisas boas no doce, as coisas boas no
salgado, as boas sensaEóes para o corpo'
as sensagóes de ofegáncia nas corridas
pelo quintal, pelos campos, os jo_gos,. o
i¿¿i"é. Tudo isso enüava na minha vida
e, é claro, eu ia criando as identificaEóes'
as aproximagóes.

Eu dizia:'Vou
aer murtigueito"
Mas com a música era diferente.
Música, quando eu escutava, estabelecia
entáo um espago diferenciado na minha
no Canecáo, 1988
atenEáo. Como se, de rePente, alguma
coisa, algum ente de um mundo Batista, Carlos Galhardo, Francisco
ALMIR uma Pracinha
específico, estivesse falando comigo de - Obviamente,
com uma igreja? Alves, Augusto Calheiros, Jararaca e
uma forma que as outras coisas náo Ratinho, Emilinha Borba, Marlene.
GIL Uma pracinha com uma igreja, é
falavam. Como as cores náo falavam,
claro,- com coreto, com tudo. Um rio que Angela Maria já mais tarde, CaubY
como as densidades náo falavam. Peixoto também, mas náo em ltuaEu.
passava ao lado, as fazendas. A cidade
Música falava comigo diretamente. Eles só váo aparecer quando eu já estou
fica na caatinga, rnas, como fica num
Tinha uma seduqáo, uma coisa mágica' em Salvador, depois de 1950, porque em
vale á beira de um rio, é uma cidade
Logo cedo, aos dois, trés anos de idade' 50 eu já vou pra Salvador.
verde, florida. Eu vivi ali. As referéncias
eu já tinha me decidido que, quando ALMIR Seu pai era médico, nao é?
básicas da música local eram o -
pudesse, quando estivesse capacitado, GIL E.
sanfoneiro Cinézio, a banda A Lira
i¡ia estabelecer formas de contato com
Ituaguense, uma banda'de música
-
aquele mundo. Quando.minha máe
perguntava, eu respondla que quena ser
filarmónica, os violeiros que tocavam A fungáo curadora'
musigueiro quando crescesse. Meu pai,
nas feiras. As feiras eram aos sábados. balsámica, do
Nas quintas ou sextas-feiras, alguns
minha avó, todos perguntavam: "O que trabalho de meu Pai
tropeiros já chegavam e, em geral, com
vocé vai ser quando crescer?" Eu dizia:
eles vinham os violeiros, cantadores'
"Vou ser musigueiro." Eu jáqueria fazer ALMIR Sua móe era dona-de-casa?
música, ter alguma coisa com música.
E as duas referéncias mecánicas, que -
eram o rádio a música tocada no rádio, GIL Professora, ela ensinava na
- - Meu pai trabalhava em casa' Eu
- Vocé mortva
ALMIR numa cidade principalmente na Rádio Nacional, na escola.
do ínterior? Raaio tupi, eventualmente na Mayrink tinha mais contato com a vida
Veiga, que eram captadas lá em Ituaqu profissional dele, porque o eonsultório
GIL Eu morava em ltuagu, uma
- pequena, com menos de mil e os discos, muito raros também. era contíguo, era pratica[rente um
cidade -Duas ou trés casas tinham vitrolas, cómodo da casa. Entáo, eu acompanhava
habitantes naquela época. Uma cidade
gramofones, enfim, onde alguns discos muito mais de perto o entrar e sair de
muito emblemática, muito matriz da
chegavam. Discos do Bob Nelson, do clientes. A presenEa do sangue, a
comunidade humaria urbana. Era uma
Orlando Silva, do Luiz Gonzaga. coisas presenEa da afliEáo, a dor, o alívio, o
sede <le município pequena, mas tinha
assim. E aí, claro, esse mundo já dava iernédio, a fungáo curadora, balsámica,
prefeitura, tinha coletoria, o Fórum, os
uma referéncia mais arnpla. Todo aquele do trabalho dele. Tanto que nos
Correios, a Cámara de Vereadores, o primeiros momentos eu queria ser
juiz, o advogado, o Promotor, o Padre, a cast da Nacional, praticamente todos <ls _

grandes cantores de sucesso: as irmás médico também. Queria antes de tudo ser
paróquia, enfim, os médicos da cidade.

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Songbook tr Gilberto Gil

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Slow Dia donm noite neon no Circo Tihany, margo de 198ó

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Songbook tr Gilberto Gil

I
Gil com a turma do colégio, I
I
músico, musigueiro, mas também minha irmá na cozinha, ao lado dela. Ela paciente correndo risco de vida, se fosse I
queria ser médico por causa do meu pai. sentada com a gamela de carne, de do PSD e meu pai náo estivesse, morria, (
Já a minha máe trabalhava no centro porco, galinha, tratando as carnes, e nós e vice-versa. Uma disputa política muito
acirrada. Meu pai era um dos chefes (
escolar, na escola que eu náo ao lado, com a tabuada, ou a cartilha,
freqüentava. Ia eventualmente, nas datas estudando as ligóes. políticos da cidade. Enfim, um líder por (
comemorativas, nas festas. Me razóes óbvias, e minha família era uma
alfabetizei enr casa com minha avó, que Dtinha casa era famflia de destaque. (
era professora aposentada. Minha avó
Lídia, tia de meu pai, na verdade, máe de
un Palco Gom A vida política era muito presente em
casa. A prese.nga dos candidatos, o
I
criagáo de meu pai. Ela era irmá do meu
mudangas constarrtes desfile dos eleitores assiaando petigóes (
avó, e, falecido o meu avé quando meu de inscrigáo no tribunal, a distribuiEáo de
ALMIR teve uma infóncia cédulas. Me lembro muito de quartos I
pai era muito pequeno, ela criou meu pai -Vocé
em Salvador. Professora e aposentada,
bem-estruturada? cheios de cedulas dos candidatos a prefeito, I
foi pro interior viver 1á em casa e se GIL muito bem vereador, deputado, a governador etc.
incumbiu de minha aifabetizaqáo, minha
- Bastante,
administrada. Para os padróes de Ituagu, Minha casa era um comité em todas as I
e de minha irmá, que é um ano mais nova família da classe dominante, famflia épocas de eleigóes, pelo menos nas duas (
burguesa. Meu pai era um dos líderes ou trés eleiEóes que oconeram uma
do que eu. Minha avó cuidava da casa. -
Meu pai no eonsultório, minha máe na locais, um dos dois médicos da cidade, pra Presidéncia da República, em 50 I
que eu me lembro bem.
-
escola o dia todo, ela cuidava da náo só da cidade, da regiáo toda, do (
município e de outos municípios. Além ALMIR En 50, quemfoi o candidato?
administragáo doméstica, determinava o
GIL
-
Foi Getúlio. Enfim, esse era um (
que fazer, que louEa usar, a compra do disso, ficava incumbido de uma faixa
muito grande da populaEáo, porque a vida
-
dos cenários que a vida da casa
querosene. E tomava conta diretamente
proporcionava. Tinha vários. O cenário
(
da cozinha, era ela quem cozinhava, era muito politizada maniqueisticamente.
quem determinava a lista da feira, a Entáo, meu pai, do PSD, e o doutor Luiz das festas, a procissáo, por exemplo, que I
providéncia das verduras. dos legumes Gouveia, que era o outro médico, da eu descrevo numa música. E uma música
muito ligada a isso, quer dizer, d família,
(
junto ás fazendas vizinhas, ela cuidava UDN. Quem era do PSD se tratava com
de tudo. E é muito presente, ainda muito meu pai, quem era da UDN, o doutor promovendo junto com a Igreja e as (
viva em mim a imagern de nós, eu e Gouveia tratava. E havia casos em que o lideranQas cornunitiírias as festas
{
t4 I
Songbook tl Gilberto Gil

Gil com amigos do 39 ano científico do Colégio Marista, com 17 anos de idade, Colagáo de grau em Administragáo de Emgesas, na Reitoria da Universid¿de
Salvador, 1959 Federal da Bahia. 29 de dezembro de 1964

ALMIR
religiosas da cidade. Isso era muito
comum. Minha casa era sede de
- Se vocé fosse um garoto da
cídade, talvez ndo fosse músico.
interior da Bahia, com quem nós lnhamos
pouco contato. Aliás, os primeiros
encontros nos dias de festas religiosas. GIL Talvez eu náo tivesse tido a contatos que passei a ter com eles foram
-
possibilidade de aprofundar essa relaEáo depois de morar em Salvador. Enquanto
A procissáo passava pela porta. Outro
cenário importante eram as festasjuninas com a música, com a poesia. Teria, morava em IfuaEu, náo os conheci, náo
onde, ao redor da fogueira lá de casa, se talvez, mas diferentemente. Náo tive a oportunidade. E um outro tio que
reunia parte importante da gente da aóredito. Pra minha geragáo, aquelas morava no Rio. Praticamente, nem no
cidade e chefes de famílias vindos das condigóes foram fundamentais pra Rio morava. Era embarcadiEo do Lloyd,
fazendas das redondezas, os clientes muitos de nós. E o mesmo caso do trabalhava nos navios , vivia pelo mundo.
gratos do meu pai. Pessoas que tinham Caetano, do Joáo Gilberto, de uma série Passava um, dois anos viajando. Ficava
sido curadas por ele. de outros. em Nova York, ás vezes ficava na
Europa, enfim, eu só vim a conhecé-lo já
Outro cenário muito comum era o desfile Meu pai é da muitos anos depois, quando já
das pessoas que vinham trazer presentes,
fazer pagamentos. Meu pai recebia
geragáo do Caymmi adolescente em Salvador. Entáo, a
família era muito pequena. Náo havia
muitas leitoas, muitos porcos, muitas ALMIR Vo cé tinha pare nt e s músic o s, uma presenga grande de parentes e
galinhas, carneiros em pagamento aos -
mesmo nao profissionais? pessoas próximas.
serviEos prestados como médico. Minha GIL Náo. Minha família é muito ALMIR Que importáncia teve o feto
casa era um palco com mudanEas -
pequena. Aproximagáo, pelo lado do
-
de seu pai ser negro e médico?
constantes, com vários cen¡írios, vários meu pai, nós só tínhamos com a minha GIL Ser negro, ser branco. "Terra de
teatros se desenrolando. As festas cívicas
avó, que era tia dele. Eramos os únicos
- mulato. Terra de preto, doutor/
branco,
também eram marcantes, com desfile vivendo lá em ItuaEu, e, em Salvador, Sáo Salvador, Bahia de Sáo Salvador",
dos escolares e dos soldados, com a quando íamos nas férias, tínhamos como diz Caymmi.
banda tocando os dobrados militares. alguns parentes do meu pai, mas muito Ele pertence a isso, é da geragáo do
Essa é uma das imagens tambem fortes de poucos. Náo era uma família grande. A Caymmi. é a mesma coisa, o mesmo
IruaEu. Festas juninas, festas religiosas, família de minha máe também era muito tipo, o mulato de cabega branca, cabelo
festas cívicas, o dia-a-dia da vida pequena. Tinha um tio, irmáo dela, que branco. Inclusive, era muito confundido
missionária de meu pai. morava com a famflia em Caravelas, no com Dorival Caymmi nas ruas.

r5
(

(
Songbook tr Gilberto Gil I
José Anlm¡o / AJB
Aconteceu várias vezes de estar andando {
em Salvador e as pessoas apontarem, (
"olha o Dorival Caymmi". Porque muito
cedo, também como Caymmi, ele teve I
cabclos brancos, aos trinta anos já tinha
I
cabelos brancos.
Essa coisa era muito importante, quer I
dizer, ele ter percorrido aqueles estágios
todos da ascensáo social pros negros e I
mulatos. Era um dos raros. vamos dizer (
assim, esffcimes, um dos bern-sucedidos
negros pequeno-burgueses. E minha máe, (
professora, a mesma coisa. As famfias de
(
ambos tinham tido muitas dificuldades
para educá-los, para conseguir que I
SeJgassem aquele degrau de importáncia
social¡om a educaEáo. Ambos I
conseguiram, se casaram e constituíram I
uma família. Eu nasci nesse contexto.
Tive toda uma vida programada para dar I
continuidade a isso, pra ser doutor, me (
letrar, rne ilustrar, ocupa¡ posigóes
importantes na vida, continuar esse I
trabalho de consolidaEáo'de uma
(
burguesia negra na Bahia. Eu pertengo a
essa linha mesmo. (
Pedi i
minha (
máe pra estudaf, I
acofdeom (
ALMIR I
- Vocéfoi
avó achava isso?
um bom aluno? Sua
(
GIL _- Bom, ela era muito exigente.
Vinha de uma tradiEáo de exigéncia do I
mestrado, uma época de muita
disciplina. Tinha sido professora na
{
Escola Marqués de Abrantes, em Gil em show, novembro de 1966 (
Salvador. Com ela haviam estudado
vários meninos que vieram a ser pessoas
(
casa da minha tia, irmá de meu pai, que demonstrado interesse em estudar
importantes, chefes de Polícia, era a professora que tinha substituído música e o acordeom era um instrumento I
deputados, secretários de Estado e tudo minha avó na Escola Marqués de ligado a todo aquele mundo de formagáo
isso. Era uma pessoa muito ciosa de sua Abrantes. Fomos morar com ela, eu e meu: o sertáo, Luiz Gonzaga, os
I
importáncia; uma negra daquelas como
se fosse uma máe-de-santo. Entáo, já na
minha irmá, pra fazer o ginásio, porque sanfoneiros da regiáo, o mundo rural, I
náo tinha ginásio em Ituaqu. Além disso, tudo aquilo. E o acordeom emergia
fase da velhice, da aposentadoria, a casa meu pai e minha máe, ambos de também como instrumento imponante na I
que administrava e as duas crianEas de Salvador, achavam que eu devia fazer lá o vida das cidades grandes, no Rio de a
quem tomava conta eram todo o mundo, ctuso ginasial, havendo aquela facilidade Janeiro, na Academia Mascarenhas, em
eram o resultado, o resíduo de toda a vida de ter uma casa onde pudéssemos hcar. Sáo Paulo, Pernambucc, Salvador. Ele a
dela. Entáo, vocé imagina com que zelo,
com que disposigáo ela tocava a vida
Minha máe professora, minha avó
professora, minha tia professora, meu pai
teve naqueles anos cinqüenta a mesma
importáncia que o violáo veio a ter nos
I
daquela casa e, pofanto, vocé imagina médico, todos tinham tido a vida colegial, anos sessenta. Quer dizer, era um a
de que éramos objeto, eu e minha irmá. sabiam o que era, todos estavam muito instrumento ligado á formaEáo cultural
Eramos objeto do mais acurado trabalho ligados áquilo. Eu fui entáo pra dos adolescentes das famílias de classe
I
e zelo da parte dela. Salvador, com minha irmá, fazer o média nas cidades. O acordeom dava a
ALMIR Quando vocé foi para ginásio, fui pros Maristas, fiz o curso de acesso, pra muitos jovens, ao mundo da
Salvador?- admissáo durante um ano. No final do música, á iniciaqáo musical, á iniciagáo a
GIL Eu fui pra Salvador entre os nove ano, prestei exame, em 1952 entrei, aos artística. Entáo, nessa época, a
e dez-anos. dez anos, na primeira série ginasial. entusiasmadíssimo por uma novidade,
ALMIR foi com seus pais? No mesmo ano, entrava na Academia de por uma revoluEáo na utilizagáo do a
GIL -Vocé
Náo. Meus pais ficaram em Acordeom. Minha máe comprou um acordeom, que tinha sido determinada
Ituagu- e eu fui para Salvador morar na acordeom pra mim. Eu já tinha pelo Luiz Gonzaga, que era um criador,
a
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Songbook tr Gilberro Gil
MarcG/AJg
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reciclador do instrumento no Brasil, pedi errar, que era o bairro mais ALMIR-Sorteasua.
á minha máe que me pusesse pra estudar representativo da formagáo da cidade GIL Ali comegou minha vida. Fui
acordeom. E fui estudar com o Dr. José naquele período da História. Era o baino -
estudar num ginásio distante. Um
Benito Colmenero, um médico com a maior concentraqáo de igrejas, ginásio, pa¡a os padróes da Bahia de
espanhol, que, ao mesmo tempo em que onde está o Convento do Carmo, onde entáo, de classe alta, um lugar que
comegava a carreira como médico, abria tinha sido fundada a cidade, onde tinha concentrava os filhos da elite baiana.
sua primeira academia. sido assinado o tratado entre holandeses Estudava nesse lugar e morava nesse
e portugueses, na rendiEáo dos outro, que concentrava a elite média, a
O Santo António holandeses, enfim, uma concentraEáo elite negra, rírabe, espanhola, a elite dos
muito grande. A procissáo da Semana imigrantes. O Santo António era uma
era rrrna pérOla Santa saía dali. Ao lado fica o péroia, uma pérola negra, uma cidade
negFa Pelourinho, uma densidade cultural, aquele bairro. Hoje decadente, mas
uma significaqáo muito forte. Embaixo, naquela época, absolutamente
E aí. fui estudar acordeom, comegando a descendo a ribanceira, ficava o porto de florescente. Representava o que havia de
viver a vida de um bairro de uma cidade Salvador. A presenga dos marinhei¡os mais importante na acumulagáo cultural
grande, diferente de ltuagu, o bqirro de estrangeiros eles chegavam e da classe média baiana.
Santo Antdnio. Ao mesmo tempb, um imediatamente - se encaminhavam para o E, ali, eu fui crescendo, adolescente, I l,
dos bairros mais animados. mais bairro de Santo António. Os grandes 12 anos, tocando acordeom, me
representativos da vida na cidade de blocos de carnaval, como Os Corujas relacionando com aquele mundo do
Salr ador, porque era de classe média (hoje em dia, Os Internacionais), Os carnaval, aquela efervescéncia e aquela
bai.ra, com muitos negros, muitos Filhos de Gandhi, todos eles nascidos ali capacidade de explosáo que o bairro
árabes , muitos espanhóis, muita gente do no bairro de Santo António. Entáo, eu fui tinha. Já comegando a acompanhar o
interior. Eu diria, quase sem medo de parar nesse lugar. futebol, indo para os jogos, pelo menos

L7
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Songbook tr Gilbedo Gil
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GiJ, Sáo Paulo,
I
a
quando ougo o Joáo Gilberto pela primeira
todos os domingos, torcer pelo Bahia.
Me afeiEoando também áquele mundo do
já nesse baino, já nessa casa, exatamente
no período mais fértil da vida da cidade, vez tocando. Até entáo, náo tinha me I
futebol, estudando no colégio, me dezembro, janeiro e fevereiro, quando interessado por violáo. Ouvia, gostava do a
violáo, do regional. Gostava muito do
dedicando a esportes, tocando no
conjunto do colégio, O Bando Alegre,
ocorrem todas as festas e o Camaval.
Entáo, eu já estava acostumado a passar Jacob, do Waldi¡ Azevedo, de tudo o que I
pelo menos esses trés meses da minha estava ligado ao mundo das cordas
onde fui tocar acordeomjá com 12, l3
populares, mas nada me atraía pra aquilo.
a
anos de idade. ComeEando a me vida. na infáncia, ali nesse bairro.
interessar por música de um modo geral, Quando eu vim morar, foi como se fosse ALMIR Era o Regional do Canhoto,
- a
uma adogáo definitiva do bairro por mim nao e!
comegando a descobrir as pessoas que a
tocavam, que cantavam. Me interessando e de mim pelo bairro. Quer dizer, claro GIL E, mas eu náo conhecia ainda.
pelas discussóes sobre música na que mudava muito o fato de eu estar Eram-pessoas que a gente náo ti¡rha a I
barbeana. que ficava na esquina.
Discutíamos as preferéncias. Cauby
morando ali. distante de meus Pais,
freqüentando um colégio, pela primeira
oportunidade de conhecer de nome,
porque estavam nos bastidores. Eles náo I
Peixoto comeEando a surgir e nós, os mais vez, na cidade. Entáo, havia adaptaEÓes eram as grandes estrelas, entáo a gente a
náo conhecia de nome. E ainda náo tinha
novos, preferindo Cauby Peixoto,
discutindo com os antigos, que preferiam
exigidas. mas ao bairro. mesmo. em sl,
aos cheiros das frutas e dos sorvetes, dos a curiosidade específica de saber. Das I
Nélson GonEalves. Ali fluem, ao mesmo verdureiros. dos taboqueiros que
vendiam, aquela coisa toda, eu já estava
cordas, quem a gente destacava mesmo
era o Jacob e o Waldir Azevedo, eram as
I
tempo, existéncia, cultura, meditagáo,
todas as grandes meditagóes sobre a acostumado. A adaptagáo ao bairro náo duas estrelas das cordas pequenas
-
o I
vida, os primeiros amores.
ALMIR As namoradas surgiram?
foi táo difícil. bandolim e o cavaquinho.
O primeiro grande interesse pelo violáo,
I
GIL -
As namoradas surgiram Por aí, Joáo Gilberto foi quem me despertou foi Joáo Gilberto. a
-
nas festas de bairro, as festas quem me despertou Quando ouvi aquele violáo, aquilo ali, na
I
verdade, realizava no violáo todo um
importantes. Lá no Santo António tinha
muitas festas. Ali ao lado, a Lapinha
para o violáo mundo que a gente já Procurava no I
também tinha uma muito importante, a acordeom, no piano. Quando chego aos
ALMIR E o ac'ordeomJbi até quantos 18, l9 anos, venho de uma experiéncia a
de Reis. Entáo os romances aconteciam. -
ALMIR
- Vocé sentiu uma diferenEa
anos?
GIL-Oacordeomfoi atéos l8'
no acordeom que já tinha sido
enriquecida, tinha saído daquele
I
muito grande quando saiu do interior?
GtL -- Náo muita, porque, quando pelo menos como instrumento único,
19,
contexto brejeiro, vamos dizer assim, da I
morávamos em Ituaqu, todos os anos como referéncia nrusical única. porque
entre os 19 e os 20 eu Pego o violáo, já
academia, onde se cultivavam as
nrúsicas seftaneias, as coisas tblclóricas
I
vínhamos passar as férias em Salvador,
I
l8 I
Songbook tr Gilberto Gil

Josó Carlo! Bra3il/ AJ8


.1l.fiii¡i:,i.¡iir.;:¡

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::''l'iiffii"li'l ffi
Show lza¿ Te¡ro Piringuinha, Sáo Paul,q abritdc t98l

e os clássicos de Zequinha de Abreu e por causa do Chega de saudade- sonoridade cla¡amente defrnida no violáo
Ernesto Nazareth, e já se passava a Pedi á minha máe e ela mandou dinheiro através de Joáo Gilbefo, que aí me criou
cultivar a sonoridade de Glenn Miller, para comprar um violáo. Comprei pela a apeténcia, me deu apetite pelo violáo.
das bi6 bands da época, com o jazz manhá e, de tarde, peguei uma lancha ALMIR E vocé estudou por música7
comegando a interessar a gente. Nós para ir veranear em Salinas. Era época de GIL -
Estudei os métodos de solfejo
tÍnhamos formado um conjunto, no férias já, e quem encontro na lancha? O -
e divisáo.
bairro, chamado Os Desafinados. Clodoaldo Brito, Codó, que me viu com ALMIR Por quanto tempo?
aquele violáo. Eu já conhecia o Codó da GIL -
Quatro anos, com muito
$ueria inventar Rádio Sociedade da Bahia, sabia que era - porque náo me interessava na
desleixo,
um grande violonista. Enfim, ele me
as coisas que pediu o violáo e afinou. Codó foi a
verdade. O que eu queria era o som,
queria a possibilidade técnica imediata
estavam sendo primeira pessoa a afinar meu violáo. de acessar os sons e, aí, utilizá-losjá em
inventadas Logo o Codó pra afinar pela primeira vez funEáo de um gosto meu, que se
meu violáo! desenvolvia com aquela cultura musical
ALMIR Por causa da música Junto com o violáo eu tinha comprado o que emergia na época. Queria inventar as
-
Desafinado? método do Canhoto, entáo comecei a coisas que estavam sendo inventadas.
GIL Exatamente. Tínhamos um destrinchar aqueles primeiros acordes ali Queria os malabarismos, já queria de
- nesse conjunto,
vibrafone onde naquelas semanas de férias. Um més e LuizGonzaga pra lá. Queria a inventiva
revezávamos, eu e o Everton, um outro pouco depois, numa loja de música de de Luiz Gonzaga ligada a tudo isso que
menino que também tocava acordeom, Salvador. encontrei o método do vinha a se associar com as harmonias da
tocava mais que eu inclusive, era mais Bandeirantes, e comecei a aprender com modernidade. As coisas teóricas, velhas,
modemizado. Entáo, ele tocava cifra, acordes cifrados. Comecei a náo me interessavam. Entáo, eu náo tive
acordeom no conjunto, eu também aprender as inversóes, as alteragóes e a no curso, pro lado teórico, uma
tocava, e revezávamos no vibrafone. E aí perceber que aqueles acordes tinham a dedicagáo muito grande, porque o curso
foi exatamente quando esse mundo da ver com o que eu ouvia no Joáo Gilberto. era clássico. Ele ensinava a gente a
harmonia moderna comeqou a penetrar. ALMIR E aí vocé jóficou sensível d dividir, solfejar, ler as partituras, tocar.
Foi exatamente quando chega o Joáo harmonia.- No comego vocé já botaya Mas todo material que nos oferecia era
Gilberto realizando no violáo tudo isso, uma sétima maior? caduco, mais velho. Entáo, náo me
condensando no violáo todo esse mundo GIL Já. Sextas e quintas aumentadas, interessei teoricamente pelo curso.
que a gente já comeEava a abordar - terceiras, já tinha tudo isso, por
décimas ALMIR ¿ aí yieram as composigóes?
atrar'és do acordeom. Foi aí que eu causa do jazz, por causa daquilo tudo. GIL -
É, com o violáo. No acordeom,
resolvi tocar violáo, por causa do Joáo, Porque encontrei, pela primeira vez, aquela eu já -
compunha muito. mas náo

l9
Songbook D Gilberto Gil
son¡a D'Alreida / AJB
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1989

registrava como composlEao. acompanhava, náo dava essa imagem. Era um outro samba, com saborpraieiro,
Improvisava muito, inventava baióes, LuizConzaga despertava a imagem que dava essa coisa de coqueiros, luares,
xotes, inventava choros, sambas, mas popular, a imagem da festa, de muitas palmeiras e sereias e pescadores, co{pos
náo memorizava propriamente. pessoas. Era como se, ao cantar, ao tocar, nus, fortes. Quer dizer, CaYmmi
LlizGonzaganáo fosse um, fosse muitos. deslocava um pouco aquela coisa do
ALMIR- Vocé ds vezes pensava, " seró confinamento do samba is matrizes
que isso é meu mesmo?" O Joáo era o contrário. Dava a idéia de
solidáo, de uma pessoa, de um músico. cariocas. Enfim, Caymmi, pela primeira
Entáo, comecei a ter a idéia da solidáo, vez, dava esse gosto, essa colsa que
A idéia da solidáo, da individualidade como criador. Foi o antecedia a reggaes e merengues na
da individualidade primeiro a despertar isso em mim. E aí, música brasileira. A música de Caymmi
como criador passei a ter a necessidade de ter minha já era isso. Náo foi h toa que Joáo
própria música, minha própria canEáo, a Gilberto compós Bim-bom. Bim-bom é
GIL Exatamente. E por isso mesmo cangáo que dissesse de mim para mim uma das raras composiEóes de Joáo e é um
-
eu náo registrava. Náo havia, até entáo, mesmo, por mim mesmo e que fosse, pouco esse mundo do sertáo e do Ca¡ibe,
nenhum interesse pela canEáo como para os outros, um símbolo concentrado um pouco baiáo e um pouco merengue. E
compositor. Havia interesse do músico da minha pessoa. o afro-cubano. Joáo Gilberto é isso, é
ALMIR LuizGonzaga e é Caymmi.
pela frase, pelo fraseado. Entáo, quando -//a suafase de acordeonista,
o Dorival Caymmi era um compositor Engragado, que quando peguei o violáo e
vi Joáo pela primeira vez, me interessei
pelo dizer das coisas; pela primeira vez, presente também? fui vendo as cifras e aprendendo acordes,
intuí a capacidade que a pessoa tem de GIL Era. Muito presente. Ele era da quando fui fazer a batida da bossa nova,
ser ao mesmo tempo um instrumentista e
- de um Luiz Gonzaqa. transmitia
estatura queria acompanhar, pensava em samba e
um cantor, cantar e se acomPanhar. E o mesmo. É como se fosse*o'mesmo náo conseguia fazer a batida. Só fui ter a
claro que Luiz Gonzaga já tinha universo, como se fossem matrizes decifraEáo da batida, da divisáo do Joáo
despertado isso. Mas Luiz Gonzaga tinha contemporáneas, matrizes equivalentes, Gilberto, quando comecei a pensar em
despertado o lado, vamos dizer assim, embora náo fossem as mesmas. A matriz baiáo. Aí deu. Só consegui sentir a
comunicativo, expresso, aberto dessa beira-mar do Caymmi equivalia i matriz relaEáo bordáo, cordas agudas, quer
coisa. O Joáo estirnulava o lado sertáo do Luiz Gonzaga, pela forma, dizer, arelaEáo dedo polegar e os trés do
cornunicativo fechado, intimista. Ele pelo mundo das harmonias que meio nos agudos, quando comecei a
dava a imagem da concentraEáo numa dominavam, pelas estruturas melódicas pensar em baiáo. Entáo, Pra mim ficou
pessoa, enquaf¡to Luiz Gonzaga, mesmo que manipuiavam etc. Era o mesmo logo tranqüila a associaEáo de Joáo com
sendo uma pessoa que cantava e se mundo. Caymmi era um pouco o Caribe. o sertáo, com o baiáo. Foi logo de cara.

.2()
Songbook tr Gilberto Gil
Wiboñ SantG/AJB

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f! ,' iii-, ,

ALMIR ¿' aí vocé comegou a compor me casei com Nana (Caymmi), dois Gessy-Lever. Esse emprego nunca
-
a tocar no ródio, como é que foi isso?
,
anos. Depois me casei com Sandra, doze ameagou afastar vocé da música?
GIL Eu comecei no rádio através de anos. E agora, Flora. Já tá indo pra doze GIL Tinha um projeto. Eu deveria
- Nessa época, quando comecei a
jingles. anos também. - o estágio de mais seis meses no
terminar
tocar violáo e continuava o trabalho com ALMIR A Luzía-Luluza, de outra Brasil, ir pra Inglatena, Índia e
-
música sua, er6 namorada, uma amiga? Austrália, prafazer estágios nas trés
Os Desafinados, estava fazendo o
vestibular para a faculdade de GIL Náo. É uma personagem fictícia. estruturas, nos trés conjuntos industriais
Administragáo de Empresas. Quando
- deles nesses países. E volta¡ pro Brasil
chego á universidade, em Salvador, Nunca fiquei para assumir um cargo de geréncia, um
cargo de alto nível, já na cúpula da
chego também á televisáo, ao mundo da solteiro, desde que empresa. Mas eu desisti, resolvi ficar
gravagáo através dos jingles , quer dizer,
á ampliagáo do convívio com o meio
me casei pela com a música.
musical, aos contratos, aos concertos, ao primeira vez ALMIR EIes viram em vocé talento
-
contato com a música erudita, a música pra coisa...
ALMIR GIL E tinha um fator que era
clássica, a música experimental. Isso até - Vocé nunca ficou muito
tempo solteiro entre os casamentos? -
importante pra eles. Eu deveria ser o
os 22 anos, quando me formei e vim pra
Sáo Paulo. Me casei com Belina e vim GIL De um pra outro? Praticamente primeiro executivo negro de alto nível
pra Sáo Paulo.
-
sem intervalo. Náo houve espago, há 26 daqui, isso também fazia parte do projeto
anos que sou casado. Me casei em 65 político deles.
ALMIR Casou-se com a móe da
Narinha?
- com Belina. Saí da Belina já pra viver ALMIR
- Quer dizer, o Gilberto Gil
com Nana, saí da Nana pra viver com poderia substituir o Mário Amato na
GIL Máe da Nara e de Marflia.
Fiesp (risos)...
ALMIR
- Sandra, saí da Sandra pra viver com
- Vocé fala delas em uma de
suas músicas, Volkswagen blue...
Flora. Nunca fiquei solteiro, desde que GIL
-
O projeto era esse.
me casei pela primeira vez. ALMIR vocé foi para Sao
GIL: "Minha caravela. minha ALMIR ¿'ssa coisa de família é muito
- Quando
Paulo coincidiu com a ida de Bethánia
- Fala do meu pai, da minha
carabela." -
forte em vocé? para o Rio?
máe, das duas meninas "duas GIL É, Em sido. O casamenó tem sido GIL Coincidiu. Inclusive há um fato
- e Nara.
marinaravilhas "-. Marília -
uma coisa... náo consegui ficar sozinho. muito- engragado. A vinda da Bethánia
pra fazer o Opiníao foi muito decisiva
ALMIR
- E vocé ficou casado por
quanto tempo, Gil?
Tive oito hlhos, farnfia grande, va¡iada.
ALMIR Quando vocé se casou e se pra minha ida pra Sáo Paulo, pra
GIL Com Belina? Dois anos. Depois
-
mudou para Sao Paulo, se empregou na Gessy-Lever. Porque, ao terminar o
-
2l
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Songbook tr Gilberto Gil (


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Stwv 20ans d¿ Gilbeno Gú S¡o P¡ulo. l9t5
I
curso de Administragáo, em 64, o
encaminhamento prioritário do
Caetano em Sáo Paulo foi fator definitivo
pra que optasse pela Gessy-Lever e náo
era universitório, vocé conheceu I
desdobramento da minha formatura era a pelo Master em Michigan.
nessa época?
GIL Eu conheci o Chico em janeiro I
Pós-Graduagáo, o Master nos Estados ALMIR
-
de 65, quando fui a Sáo Paulo fazer o I
Unidos, em Michigan, para o qual eu já - Como foi o processo da sua teste da Gessy. Quando saí da Bahia para
vinha me preparando. Estava pronto para
entrada na Gessy-Lever?
GIL Eu rne formei em dezembro de
f.azer o teste, alguém me deu o enderego I
ir para lá quando surgiu o teste da
Gessy-Lever na Bahia, coincidindo com
- essa época, a empresa foi á
64. Por da Telma Soares, que era cantora, era
enturmada. Entáo, em Sáo Paulo,
I
a vinda da Bethánia pra Sáo Paulo. Aí, na
Bahia, a Pernambuco, ao Rio, ao Paraná,
a Santa Catarina, e recrutou 36
procurei por ela, e numa noite dessas I
hora da opEáo, dei preferéncia á Gessy,
porque Bethánia, Caetano, Gal já
estudantes. Fomos a Sáo Paulo fazer
testes e, desses 36, quatro foram
fomos parar no Joáo Sebastiáo Bar, do
Paulo Cotrim. Era o aniversiírio de
I
estavam viajando pra Sáo Paulo.
ALMIR
selecionados para assumir o
alguém, e todo mundo foi parar nesse I
GIL
-
- Vocé estava casado?
Me casei pra vir para Sáo Paulo.
treinamento, eu da Bahia, dois de Sáo
Paulo e um do Paraná.
bar. Conheci o Chico nessa noite.
Cantamos, demos canja. Telma disse I
Exatamente em maio de 65, um més
antes de vir para Sáo Paulo, já com
que eu cantava na Bahia, eu cantei uma
música, Chico cantou outra.
I
minha vinda decidida.
Conheci o Ghico ALMIR
- Vocés ficaram amigos?
I
ALMIR Como essa decisáo em janGlro de 65 GIL Ficamos amigos logo em
I
repercutiu- na sua família? - questáo de um més ou dois. No
seguida,
GIL Na verdade, essa minúcia náo
- a ser uma questáo na minha
ALMIR-Esses primeiros anos emSdo final de fevereiro, Chico visitou a Bahia I
chegou
famflia, porque eu estava distante. E, de
Paulo sdo, apesar da Gessy-Lever, anos
em que vocé comega realmente a se
com a turma da Arquitetura, a turma de
calouros da faculdade dele, e nos
I
todo o modo, era um desdobramento que tornar umprortssional de música, ndo é? encontramos por acaso em Salvador. Eu I
ia se dar numa circunstáncia considerada
de avango. Eu vinha pra Sáo Paulo
GIL
-
É, sem dúvida. Quando estou na
Gessy é exatamente quando comego a
saía do tabalho na Alfándega á meia-noite
fui funcionário público, fiscal do
-Ministério da Fazenda. f,z concurso em
I
frabalhar numa multinacional, numa
grande empresa, com um projeto. Quer
freqüentar o Bar Bossinha, as noites em
1960, fui nomeado em 1962 e nabalhei até
I
dízer, em relaEáo a ir para os Estados
Sáo Paulo. Comecei a freqüentar o Teato
de Arena, o Redondo, que era ao lado do resolver muda¡-me para Sáo Paulo. I
Unidos, esse peso ponderado náo foi
muito considerado. Mas pra mim foi
Teatro de Arena. No Bar Bossinha,
cantava aos sábados á noite e fui me
Enfim, essa noiúe, saindo da Alfándega,
encontrei o Chico na praga principal, ali
I
fundamental, poque a questáo da nrúsica, enfurmando com o pessoal da música. no Elevador Lacerda, com a tunna de I
a questiio da presenga de Bethánia e ALMIR O Chico Buarque, que ainda
- colegas universitiírios, fazendo vaquinha
I
22 I
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Songbook 0 Gilberto Gil

Frederico Rozário/Folha

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Gilberto Gil e io. outuko de I

pra compr¿¡r cachaga. Eu, passando de toda, de solidariedade, Louvagdo entrou ponderamos muito, pesamos os prós e os
terno e gravlt^, vi aquela roda, aquele como mote, tocou o dia todo, os dias contras, as dificuldades todas que iam
violáo tocando ali, achei aquele som seguintes etc. A Elis se referiu ao fato no surgir. Meu pai disse: "Vocé é quem
familiar, fui lá e era o Chico Buarque. programa dela, na segunda-feira sabe. Está a fim, topa a parada?" Ficou
ALNÍIR jó
- Vocé compunha bastante
naquela época?
seguinte, e a música se tornou umhit na
cidade de Sáo Paulo. Daí em diante, se
meio apreensivo, mas deu forEa. Belina
também disse isso. "Vamos lá..."
GIL Já. Já tinha Roda, Maria. tornou um hit nacional. E eu comecei a ALMIR E vocé? Ficou apreensivo?
- telecoteco, P rocissdo.
Serenata ser solicitado. "Quem é o compositor?", GIL -
Fiquei, mas topei a parada.
Louvagdo ainda náo. LouvaEóo foi feita ficou aquela curiosidade e, "traz pro -
Naquela época, o Marcos Lázaro era
já em Sáo Paulo, com Torquato. progra.ma O e et
fino da bosse..." quem praticamente tomava conta do
comecei a freqüentar O fino da bossa por elenco da Record, fazia os contratos. Fui
Tinha conhecido Elis causa disso. conversar com ele e me ofereci como
através de Ruy Guerra ALMIR
- E na Gessy, o pessoal torcia
o naríz? Como era?
artista pra fazer outras coisas. Ele
comeEou a me arrumar uns showzinhos
e Edu Lobo GIL Havia uma dicotomia muito em Santos, Belo Horizonte, com o
nítida-pra eles. E muito incómoda, tanto Quarteto em Cy, com a Tuca, com outros
ALiVÍIR
- Vocé estava
quando LouvaEáo
na Gessy
aconteceu?
que fui chamado a optar. Me lembro que
o chefe de pessoal na Gessy, um jovem
artistas. O Guilherme Araújo também já
tinha providenciado os contratos com a
GIL Estava. Tem uma história muito aberto, muito inteligente, me gravadora, a Philips, para eu gravar meu
- Elis tinha gravado
en-eraEada. Louvagáo. chamou um dia e disse: "Olha, Gil, está primeiro disco.
Eu tinha conhecido Elis através do Ruy surgindo um problema aqui. Vocé está ALMIR As músicas desse primeiro
Guerra e do Edu, quando ela voltou da entrando na última fase do treínamento, -
disco sao típicas do que se viniafazendo
Europa, ali no final de 65, início de 66. E sua ida para a Inglatena. India e a na música popular brasileira daquele
ela havia gravado LouvaEdo naquele Austrália já está sendo definida, e eles momento?
disco ao vivo com o Jair Rodrigues, o querem saber se vocé vai. Está GIL O disc o Louvagóo? Louvagdo era
Dois na bossa. E foi um estouro. Ar, parecendo, pela sua freqüéncia na isso - toada nordestina. música de
acontece o incéndio na Record, o televisáo, que vocé está fazendo a opEáo -
protesto, samba, marcha-rancho,
primeiro incéndio da Record, no pela música, e isso precisa ficar Vandré, Torquato, Rancho da rosa
Aeroporto. Foi bem cedo de manhá, e definido." Eu pedi a ele uma semana, e encarnada, Vira-mundo, os baióes,
estavam tocando Louvagdo. Resultado, falei com meu pai, liguei pro meu pai, Procissdo, Roda, LouvaEdo...
com o incéndio, o programador ficou que morava em Vitória da Conquista. E ALMIR daí comeEa umavirada
com aquilo marcado e na programagáo falei com Belina, conversamos muito, -Bem,
musical na sua cabeea.

23
¡
¡
¡
¡
¡
Songbook tr Gilberto Gil ¡
GIL É aí que entra, que comega Sáo
R¡cardo Co€lho/AJB
I
Paulo,- o cosmopolitismo de Sáo Paulo, I
aquela coisa vem logo.
ALMIR Vocé ouvia muito rádío?
I
GIL -
Ouvia, era obrigatório. ¡
-
ALMIR Os Beatles bateram com
-
muitaforga? Vocé se encantou com eles? I
GIL Totalmente, completamente. ¡
Era a-grande referéncia como novidade,
náo é? Rubber soul, Revolver e Sgt. a
Pepper's. Esses trés discos foram
marcantes para nós e proporcionaram
¡
toda essa convulsáo. a
ALMIR Domingo no parque é c
- aparece para o público como
música que
¡
seu romoimento? a
GIL-É. É o Eopicalismo . Domingo no
parque se inseria nas investidas a
"ma¡tinianas", isto é, á maneira do a
George Martin (produtor dos Beatles), e
na verdade ela é o qué? Um afoxé de ¡
capoeira, com ritmo de capoeira
popzado, trazido pro contextopop. Quer
¡
dizer, aquele ritmo, aquela levada do I
berimbau, que atravessa a música toda
num contexto Pop.
I
ALMIR
- Entáo os Beatles, em termos
de música internacional, foram a
I
primeira grande influéncia. O Joao I
Gilberto daqui e os Beatles de fora?
GIL E, a primeira grande influéncia. i:ii, i:1 E]r¡j:i:lii+|,+,;1n::.ft$dHiW-:ii;ii.:air?+ii,iiir:'1i1,i.rii;ri:iliri:rirr:ri:¡.:ri,i;:'ii1:ii,:i,:l¡ili'n:,r.r;i
I
- vem Bob Dylan, depois vem
Depois, Gil concedendo entrevila sobre o langamento do LP E¡rr¿, Rio, agosto de 1983 I
Rolling Stones, vem Jim.i Hendrix, vai
ALMIR ou era GIL Chegou. Era o clima geral. a
incorporando tudo, mas eles é que
abriram a porta.
- Era divertido
angustiante? - tudo
Aquilo agressóes, ameaqas a
GIL Pra mim era angustiante, rondava um - pouco, embora nenhum-
ALMIR
- No seu segundo disco, o
dísco do "fardao" , tinha um pouco de
-
principalmente angustiante. Para episódio específico tivesse acontecido I
Sgt. Pepper's cli.
GIL Um pouco, náo é? Tinha
Caetano, náo sei. Caetano se divertia
mais, e investia mais, contabilizava
conosco. Mas a gente pertencia áquele
grupo dos malvistos, por razóes náo
I
- com os Mutantes, já PoP , já
Procissáo mais, computava mais o sentimento do necessariamente iguais ás daqueles que I
roct, amplificada.
ALMIR Como foi a receptividade do
investimento cultural que ele estava
fazendo, pra ele, pra música popular,
eram identificados com aquele
partisanismo...
I
- Domingo no parqueZ
público para pra cultura. ALMIR Coz a esquerda mesmo, náo é ?
-Com a esquerda, com a luta da
I
GIL
GIL Foide perplexidade e aceitaEáo.
- preferida do público, no voto
A música Defendelrdo a - a luta estudantil, operiíria.
esquerda, I
popular, foi ela. O júri escolheuPonteío, estéüca tropicalista ALMIR
- Vocés enfrentavam má
vontade da esquerda?
I
mas, no voto popular, venceu Domíngo
no parque. ALMIR O que o angustiava era GIL Nós acumulávamos má vontade a
- - lado. Da esquerda, da direita.
ALMIR
- Dá paraJodo
dizer que houve um a rejeigóo?
GIL Pra mim era o fato de ser muito
de todo
ALMIR processo é bruscamente
I
tripé de influéncias: Gilberto, Luiz
-
outsider e de ser identificado com uma
- Es se
interrompido pela prisao de vocés. I
Gonzaga,e Beatles?
GIL
emblema
E, bossa nova, com Joáo como
- maior; o Gonzaga, que eu já
intoleráncia, com uma impertinéncia
com um gosto pela ruptura muito gnndes.
e Vocés foram presos em Sao Paulo?
GIL Fomos presos em Sáo Paulo, eu e
I
vinha trazendo, é Procissáo, Roda, Me angustiavam muito as manifestagóes
- Naquele momento, a gente
Caetano. I
sofria um isolamento, isolamento na
Louvagdo; e os Beatles. Domingo no
parque, ele falava nisso todo dia,
de hostilidade, que se multiplicaram
muito no meio. Viírios colegas viravam a imprensa, no próprio meio artístico. Nós I
Luzia-Luluza, que é como se fosseA day cara, literalmente. Houve uma
hostilizagáo violenta por parte de muitos
pertencíamos a um grupo rest¡ito e foram
poucas as adesóes. Vozes isoladas aqui e
I
in the life, o arranjo, a estrutura,
o encaminhamento todo. colegas. Eu era menos arrojado que o ali. Gláuber Rocha, Zé Celso, Hélio I
ALMIR
-N¿sse
período, 67 168, qs coisas
¡wo o
Caetano, ele sempre foi mais arrojado.
ALMIR Aquela coisa de CCC
Oiticica, gente que se identificava corn
aquilo tudo que fazíamos. Os irmáos
I
foram se rs.dicalizarrdo, a sociedade
olhava como uma coisa estranha?
-
(Comando de CaEa aos Comunistas) Campos, o Augusto fazendo a nossa I
GII,
-
Flavia uma oienza generalizada. chegou a rondar vocés, ameaEar vocés? defesa, defendendo a estética tropicalista
I
2¿L I
Songbook ll Gilberto Gil

l* íI
t
{#$

Ao lado de Chico Buarque na gravagáo do programa Chico e Ca¿t¿no - TV Globo, l9gó

como algo novo e importante, ALMIR Dois dias depois do Natal? aí se torna mais fácil, porque aí comega o
revolucionário enfim. Mas o grande GIL -
Dois dias depois do Natal, diálogo, tinha aproximagáo. Eu me
meio musical, todo ele ficou arredio, -
quinze dias depois do AI-5, numa lembro que lá no quartel dos PQDs,
desconfiado. sexta-feira, exatamente, chega a Polícia depois da primeira semana, os sargentos
ALMIR E o episódio da prisao Federal. Chega enviada do Rio, pelo se aproximam, pois a prisáo ficava na
mesmo?
- Segundo Exército, e nós somos trazidos guarda, ali na entrada do quartel, onde há
de Sáo Paulo, direto de casa para o Rio. o movimento todo, o tráfego do quartel
Sexta-feira" Foi assustador. Fomos transportados se dá por ali.
numa Veraneio da Polícia, eu e Caetano, ALMIR
quinze dias juntos. Me lembro que era o dia da - E vocés tinham acesso um ao
outro, vocé e Caetano?
depois do AI-5 chegada da Apollo á Lua. As cinco horas GIL Náo, náo. Caetano estava em
da tarde chegamos ao Rio, fomos para o outro-quartel, ao lado.
GIL Tem o AI-5, no dia 13 de Ministério da Guerra, ali na Presidente ALMIR Vocé tinha acesso a algum
- Nos dias seguintes
dezembro. fica aquela Vargas, e, de lá, para a Tijuca. Na -
outro preso, para conversar?
atmosfera de apreensáo. As ameaEas, os Tijuca, ficamos uma semana em GIL Náo. Aí fase, náo. Só
telefonemas. O Jó Soares avisa: "Olha, solitária, um quartinho fechadinho. Uma - 15 dias nessa
naqueles da Vila Militar. Na
tenho notícias de que estáo atrás de semana ali, isolados. Depois, nos póem Tijuca, foi uma semana de isolamento,
vocés". O Randal Juliano faz campanha num camburáo fechado e vamos parar na seguida do convívio com outros presos
contra nós na televisáo, nos acusando de Vila Militar. Rí já tem mais genie, uma durante l5 dias na Vila Militar. Depois,
ter cantado o Hino Nacional, de ter cela maior, com umas l2 pessoas. Lá o isolamento de novo, mas já mais
desrespeitado o Hino Nacional e a estáo o Perfeito Fortuna, o Ferreira brando, porque aí comega o diálogo,
bandei¡a, enfim, uma série de fofocas, Gullar, o António Callado, o Paulo comegam os interrogatórios.
muita intriga contra nós. E fica aquela Francis, e ali ficamos mais 15 dias. Daí, ALMIR jó podía se sentir vivo?
coisa de váo prender, náo váo prender, somos transferidos para prisóes GIL Já, -Aliumvocé
pouco mais. Vém os
foge, náo foge, sai do Brasil, náo sai do individuais, náo solit¡írias, mas prisóes -
interrogatórios, os majores, os coronéis
Brasil. Eu e Caetano resolvemos ficar e individuais em Deodoro, no PQD nos interrogar, conversar; vém os
aguardar a situagáo. Por mais apreensáo (Regimento Pára-quedista). sargentos, e um deles, o sargento Juarez,
que houvesse, a gente náo achou que a ALMIR
coisa pudesse ficar táo complicada. Aí,
- Comparado ao que veio
antes, aí a vida se torna mais fócil?
me ttaz um violáo. ..
ALMIR
no dia2'1,28... GIL É. Considerado o que veio antes. GIL - Vocé compós?
Compus quatro músicas,
- -
25
Songbook tr Gilbelo Gil

:ü!í,tií#!ii!iji!ll¡ji!:
:i;:i.i*,,,| t;ffiib;i:.;'n,
i:j:i:!jir!t!ii!ta,¡.:il
Show no Roc& i¿ Rio, 20 de janeiro de 1985

Futurível, Vitrines, Cérebro eletrdnico circunstáncia particularmente passou os dois, trés primeiros meses
e mais uma. atormentada e torturante. simplesmente cumprindo as ordens do
ALMIR ALMIR Durou quanto tempo essa Exército. Depois, comega a questionar,
- Vocé se desesperou na
história?
- porque náo é dado a ele nenhum
solitdria?
GIL Desespero, náo, mas a sensaEáo
GIt- Sáo dois meses esse peíodo. De inquérito, nenhuma formalizaEáo de
culpa, nada que pudesse dar a ele os
era de- prostragáo,
27 de dezembro a25 de fevereiro, se náo
acabrunhamento, instrumentos legais para a custódia. E
me engano.
angúsfia totais. Náo me recordo de
ALMIR Da cadeia vocés saem para comega a questionar isso.
semana mais triste na minha vida. -
uma espécie de prisóo domiciliar ALMIR Nesse período vocés estáo
ALMIR Tinha uma sensagdo de na Bahia?
-
impedidos de trabalhar?
-
inju*iEa, ou isso nem passa pela cabega? GIL Impedidos de trabalhar, rJe dar
GIL InjustiEa era tudo aquilo que Peguei pela -
entrevistas, fazer aparigóes públicas, sair
-
estava acontecendo. Pessoalmente, eu
náo tinha tempo de colocar a questáo
primeirí¡vez uma de Salvador...
ALMIR Nem que vocé quisesse ver
nesses termos. Injustiqados foram todos guitarra elétrica seu pai no- interior?
os libertiírios, todas as pessoas que GIL Náo podia. E aí, o coronel Luiz
lutavam, que se dedicavam á expansáo GIL Saímos do quartel de - comega a questionar tudo isso e se
Arthur
dos horizontes existenciais, nos mais -
pára-quedistas, fomos para a Polícia estabelece o processo de distensáo, _

variados sentidos, no sentido das Federal, donnimos lá e, no dia seguinte, encaminhado a partir deste coronel. E ele
liberdades estéticas, das liberdades pegamos um aviáo da FAB, com escolta quem comeEa a negociar nossa saída do
políticas etc. A contextualizagáo do que de policiais, que nos levou para Salvador. Brasil, argumentando exatamente com a
ocorria conosco era pra mim um Aí entáo, somos soltos, em regime de falta de inquérito, a falta de culpa
elemento de sustentagáo, porque eu custódia. Temos de nos apresentar formada etc. Daí, ele vem ao Rio e volta
dizia, bom, isso náo tá acontecendo regularmente á Polícia Federal. com a seguinte posiEáo: o Exército,
comigo, foi o Gláuber que foi preso, foi o ALMIR Vocé respondeu a algum enfim, a ditadura, o poder central, acena
Paulo Francis, o Callado, o Ferreira inquérito?
- com a possibilidade de saída do Brasil.
Gullar, tanta gente. Entáo aquilo tudo, GIL Náo. Essa foi uma das questóes Nós questionamos, avaliamos e
de certa forma, foi uma reintegraEáo no
- pelo chefe da Polícia Federal
argüidas acabamos considerando essa
contexto da intelligentsia, do mundo em Salvador, o coronel Luiz Arthur, possibilidade. Aí vem o problema de
artístico etc.. embora através de uma encarresado de nossa custódia. Ele como viabilizar isso. E, primeiro, de

26
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Songbook tr Gilberto Gil

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como manifestar, de alguma forma, som na guitarra elétrica, e aí comeqa essa menos umas 20 pessoas, as meninas
nossa situagáo. Quer dizer, o que fazer, minha penetragáo nesse universo. vestem uma escultura móvel, feita por
como dar uma satisfaEáo ao nosso ALMIR Nesse momento, o reggae já elas, que é uma espécie de dragáo.
público? Nós queríamos também um chama sua- atengóo? Várias delas constituem o corpo do
resgate mínimo daquela coisa. A GIL O reggae só aparece pra nós dragáo e, quando tiram o corpo do
situagáo era negociada, fica claro isso, - No primeiro ano em Londres,
depois. dragáo, estáo nuas. Teve um happening,
entáo negociamos a gravaEáo de um morei em Chelsea. No segundo, em que acabou na Rollíng Stone. A revista
disco, com a possibilidade de algumas Nottinghill Gate. É aí que a gente toma citou aquilo como uma das coisas mais
entrevistas, enfim, apariEóes públicas contato como reggae, porque é em interessantes ocorridas no festival. A
mínimas. Eu faEo um disco, Caetano faz Nottinghill Gate, exatamente, o grande reportagem dizia que era um grupo de
outro. Tudo, lá na Bahia, em Salvador. foco do reggae. brasileiros, comandados por Caetano e
Rogério Duprat vai lá, recolhe o material Gil, dois exilados etc. Eram os últimos
-qravado
e traz para o Rio e Sáo Paulo Militáncia artísüca dias da Swinging London.
para complementar. Além disso, mais aberta ALMIR A Inglaterra ainda passava
negociamos um sáow de despedida, que, por um
-
período extremamente fértil
muitos anos depois, virou disco também ALMIR E bateu com muita forga? musicalmente?
s fiq¡v6 ó9. Fizemos também GIL -
Náo, o reggae só foi bater com GIL É, eram os Beatles lanqando
-entrevistas locais e alguma coisa chegou a -
forEa em mim aqui. Abbey- Road, a Yoko Ono comegando a
ser publicada nos jomais do Sul. Aí entáo, ALMIR Plastic Ono Band com o Lennon, Let it
saímos do Brasil. Na véspera da saída, eu
- Quando vocé morava em
Londres, vocé foi ao festival da ilha de bleed dos Rolling Stones, era o Traffic. o
gravo Aquele abrago, em compacto, Wight, que é tido como o último grande goodbye do Cream, o Led Zeppelin
e é aquele sucesso, aquele estouro, e é festival rn estilo Woodstock. Vocé tocou lá? comegando. O início do rock
incluído no LP logo em seguida. GIL Tocamos em off, em paralelo. progressivo, do Genesis, do King
ALMIR Quando sai o disco, vocé jó Fomos - levados pro palco, eu, Caetano, Crimson, todo esse pessoal, e eu gostava
-
nao está mais no Brasil? os meninos da Bolha (grupo de rock muito dessa área aí.
GIL Náo. Fomos pra Portugal, pra brasileiro), músicos de Londres e mais ALMIR vocé iaver isso ndo. tinha
Pa¡is -e delápra Londres, onde nos aquela entourage eurortia, meninas da interesse?
-E
fixamos. Lá resolvi: "E aqui que vou me Bélgica e da Alemanha que formavam o GIL Ia. Ia muito ver tudo aquilo,
rirar." Peguei pela primeira vez uma guitarra núcleo de convívio nosso em Londres. -
gostava muito, porque lá eu podia fazer a
elérrica. comeEo a explorar, a tirar um Vamos todos pro palco, somos mais ou militáncia artística mais aberta.

27
Songbook tr Gilbefo Gil

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ALMIR Quando vocé vohou para Macalé pelo interior de Sáo Paulo, a servir a esses elementos, a incorporar
o Brasil?
- Macalé abrindo com um grupo, eu esses elementos.
GIL Em junho de 72. fazendo solo. Aí comegam as excursóes ALMIR Gil, vocé gosta mesmo é de
-
ALMIR Gozado é que, quando vocé nacionais mais freqüentes, anuais. Ao
-
subir no palco, disco é uma obrigagño?
-
voltou, aparentemente há muito pouco Expresso 2222 se segue o disco ao vivo, GIL Eu sou artista disso, sou como
disso na sua música. gravado no Tuca. em Sáo Paulo. -
aqueles caras de rythm' n'blues, qtue
GIL Náo, náo vai por aí. Náo sou um aquele show para pegam uma viola, um violáo r sobem
- de envergadura musical, do ALMIR
músico o disco?
-Vocé fez ali... Disco é obrigagáo. Fago porque
ponto de vista de treino e trato, pra náo tem jeito, porque é a única forma de
trabalhar nesse nível. O que fica GIL Náo, o disco é conseqüéncia do manter o público informado em larga
incorporado mesmo é o blues, o show.- O Tuca é apresentagáo do Circuito escala, em escala massiva. E o que
rock-blues , essa coisa que vai até o Eric Universitiário, aproveitou-se e gravou-se. realimenta a possibilidade do reencontro
Clapton. Que vem de B. B . King e vai até com o público através do show.
Clapton. Eu fico aí nessa, no miáximo Sou eomo aqueles ALMIR Disco ao vivo é bom?
-
com aqueles matizes que podem ser GAfas de GIL Adoro meus discos ao vivo.
assimilados pelo Nordeste, pela Bahia, o -
Montreux é um dos discos de que
blues, o rythm'n'blues. rytÍhm'n'blu.es mais gosto.
ALMIR Por sinal, quando vocé ALMIR E discos de estúdio, como
- ALMIR Desde o comego vocé tem -
voltou, foi logo ao Nordeste. -
essa alegria no palco? Ou é uma coisa
Refazenda ¿ Refavela, que sao
GIL E, fiz o langamento de 2222 em riquíssimos, tém repertórios fantásticos,
- Foi uma retomada do processo.
Recife.
que surge pós-Londres? o que vocé acha?
O arquivamento dos planos intemacionais GIL Depois de Londres, aumenta. GIL Gozado, Refazenda tem um
por um período era prioritiírio, Depois- que eu vou pra frente de uma - e tanto, um repertório
repertório
fundamental, retomar a coisa aqui. Entáo banda, com a guitarra elétrica, com a extraordiniário, malcuidado por mim,
veio o Expresso 2222, a primeira postura diferente, a postura de um malcuidado do ponto de vista de
excursáo nacional. Depois vem o driver, um chofer, é diferente. Aqui, era gravagáo. Náo mixei, náo estava nem
primeiro circuito universitiírio, pelo banquinho e violáo. A banda, a guitarra presente na mixagem, náo supervisionei
interior de Sáo Paulo, em 73, quando elétrica deram outra dimensáo, outra os arranjos que Perinho fezpra
deixo Guilherme Araújo e assumo a postura. Vocé vai, vocé corre, vocé orquestra, tudo ele fez sozinho, eu fui pra
minha empresa, a Gege . Daí, saio com danqa, vocé brinca. A composiqáo passa estrada. O disco resulta empobrecido da

28
Songbook tr Gilberto GiI

Lita C6rque¡rE

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io.g.rtofi Jti"itl. jváiñfíá-ffitráKtr'&ff &ffiffii"¡set

minha presenga de arte-fin alizador. americano, o Nightingale. GIL É, náo gostei. Estava tudo chato,
Refavela, ao contrário, bem-cuidado, ALMIR Realce é Disco de Ouro? - Agora já me conformei, já
difícil.
Vocé sabe- quanto ele vendeu?
sou
repertório também extraordin¡írio, um
mais apaziguado com a nogáo de limites,
empuxo cultural extraordiniírio, que é a GIL Vendeu 300 mil discos, foi o noEáo de contexto, de elasticidade.
coisa da minha ida á África, a disiussáo - que mais
meu disco vendeu até hoje. Agora já sei até onde posso ir. Sou
polémica sobre a negritude militante, a Logo depois de gravar Realce, vou pra limitado mesmo e já sei que sou limitado.
negntude artistizada, cosmopolita, de Montreux, participar do festival. O Tenho muito compromisso com essa
marketing cultural etc., tudo isso no gozado é que eu estava meio deprimido, coisa do pequeno. E uma coisa meio de
disco. E eu cuido do disco, escolho, me achando estéril, sem criatividade. E Kafka, o artista, o grande criador, "ou
gravo l5 músicas, seleciono I l, e vou lá me lembro que recebi uma carta do elejá nasce pequeno ou ele se faz
e esculhambo o disco na mixagem. Os Caetano; quando ele ouve o disco de pequeno". Eu passo a vida lutando pra
dois discos sáo melhores do que Montreux, manda uma carta pra mim ser pequeno.
resultaram. O Refazenda é melhor como dizendo: "Mas, como vocé tá estéril? De ALMIR Vocé briga contra vocé.
repertório, como atitude de revisita ás que é que vocé tá se queixando?" -
GIL-Náo sei se é brigarcontamim, mas
raízes nordestinas etc., mas resulta mal,
brigo conta a expectativa. Conta o ego,
porque eu abandono o disco na arte-final. Passo a vida conü" essas coisas de me inserir no contexto
E no Refavela, ao contrário, assumo o
disco integralmente, até a arte-final, com lutando pra das grandes coisas. Quero ser ¡lc¡ueno
mesmo, nasci para isso. E gosto muito.
uma certa usurpaEáo das capacidades ser pequeno ALMIR Caetano contou wne história
técnicas que podiam, realmente, resolver -
genial, de que vocé qucr termirnr sua vída
o disco. Vou lá, me meto a sabicháo e ALMIR Quer dizer, a sua carreira
esculhambo o disco. americana- comeEa, sua carreira
toc an¿o um tamborzinho.
GIL Exatamente. Ou, enüio, dirigindo
.{LIVfIR
- E no Realce, vocé fíca mundial ganha impulso, seu disco é -
um caminháo pelas estradas. Foi o que eu
apa:iguado? grande sucesso no Brasil e vocé se
disse a ele. Ele disse: "Náo! Vá pro
GIL Fico. Aí resolve tudo. Tem um achando estéril?
- som, é o melhor som de disco
tremendo GIL Eu achava que estava. Isso volta
tamborzinho, po4pe vocé é pessimo
meu até hoje. É o único disco brasileiro - Voltou
sempre. depois, na época do Um
motorista! Fique mesmo músico, porque
músico a gente já sabe que vocé é bom!
meu gravado nos Estados Unidos. Foi banda um, eu larguei o disco no meio, Moto'rista, vocé é pessimo."
s¡avado logo depois da excursáo que fiz porque achava que estava fraco.
para promover meu primeiro disco ALMIR ndo gostou do que fez?
-Vocé
29
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Songbook n Gilberto Gil

BandaUrn
GILBERTO GIL

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Am7(11)

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Ba¡-da Um, Banda Um, Ban-da Um, Ban--da ó, i0 iC iC i0 ie Ban-da Um.

F#m F#^zn D7M / El(e) / A / / / EZO\/ / /t* Ve+ F#m F#^zn


Ba¡da Um, Ban-da Um, Ban-da ó, ó ió ió ió ió Ban-da Um. Ba¡da Um.

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Ba¡-da Um,Ban--da ó, iC ie ie i0 iC Ban-da Um, Banda Um, Ban-da

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Um Ban---{a ó, 6 Ban-----da Um que to-----------{a um balan--------------ao

/ c#m / A
pa-recen--------do pol-ka Um banda Um banda Um
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Ban-----{a Um que

c,#m / Am7(rl) / c#m / D7M / E7(e) / A


to-__--ca um balan---{o pa-recen-----------ds n¡m-!a Um banda Um banda Um
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Ban----da Um que é Á--frica, que é bál----tic4 que é cél-tica Um

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banda Améri-+a do Sul Ban------da Um que evHa um baila__do de

c#m / D7;sl / w(g) / A{. E¡e* F#m F#mr'B D7M


todo plane----ta Um banda Um ba¡da Um Ban-da Um, Banda Um, Ban-da Um,

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Songbook tr Gilberto Gil !
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um, Ban_da ó, i0 ie ie ie ie Ban-da Um, Banda Um, Ban-da Um, J
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Ban-da Um, Um,
Um, Ban----da Ó, ie ie ie ie iC Banda Barda
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qualquer pesso-a Um banda, pes-soa afins Ban-----da
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u-ma a-Sa dsl-1¿ So--bre o mun---do Um banda so-bre patins J
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Ban---da Um tica Nas onsurfís ' ' das da manhá nascen-te Um Banda, ban-da
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Songbook E G.ilberto Gil

E/cfl Fü- Fürr'/E D7N{ E1(e) F.74o)

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Film7(bs) cfim7 c*7

D7M F'7(3.)

@Copyigtu Dy GEGE PRODUQOFJ ARTISTiCAS LTDA


Av. Ataulfo de Paiva, 52'7 - sala 702 - Rio de Janeiro - Brasil.
Todos os direitos reservados.

33
Songbook El Gilberto Gil

Alinha e o lintro
GILBERTO GIL

Em('T Em7(9) Bm7 Bb"(b13) Am7 F#m7(11) B7(i i, ) A7(3" )


)

I'T|-rn

ffi A1 c7M(#s)
+ttill
fftm
IITTN
EmÍ
ffi ffi-m
Blw Dm7(9) G¡ (9)

ffi G/n Em7 Ai (e)


^7(9)

ffi''m ffi-'m"m-m'm"m
Em(lM). / / Em7(9) / / /F.mt / Bb'(br3)
E a sua vida que eu quero bordar na minha Como se eu fosse o pa--no e voce

Am7 / / /n**Qt) / -^- 87


B7(A) Emz(e) / / / t¡t(?") -Fosse
fqs-se a linha Ea agulha do re-al' nas máos da fan tasia
/ t¡l / cltvt / co / uttrff, / ctwt / P*mt(tt) /
bordando ponto a pon-to NOSSO fli¿-¿-di-¿ E fes-5s aparecendo aos poucos

B7(A) B7 Em8 / Bzo+ /nnJ9)/ G\(e) Db7(?1') C7M / c#"


nosso a-mor Os nos-sos sentimentos lou---+os, nosso amor O zig-zag

/ Gzn / Vo* / nmtA / B¡o+ / Gln / Bzn* G.zo ñ(s)


do tormento, as cores da alegria curva generosa da compreensáo

Al(e) A7(?n) A7 Eb7(e) / ot / G7M(#s) / c7M / r*nr(0u /


Forman------do a pétala da rosa da oaixáo A su-a vida, o meu caminho,

B7(tft) B7 Eml / Btn* / Dm7(s\ / GZe) Db7(*fi) C7M / C#"


nosso a-mor Vocé, a linha, e eu, o linho, nosso amor Nossa colcha

/Gto / Bto* / / Bzo*


nmtReproduzidos / Gzn /
de cama, nossa toa-lha de mesa no borda--4o A ca-sa' a estrada, a

B¡n* Gzo Az(s) A1(e) A7(1,, ) L7(s) Eb7(e) /


/ m bele-za
corre0te-za O sol, a a ve. ¿ f¡-ys¡e, o ninho da
34
Songbook tr Gilberto Gil

nm(M)

Fflm7(11) B7(fi'l nz

G7M(flt G7M Fflm7(11) B7(fi1) 87

clp¡ nbzl¡f,¡

lzrill'l Eb7 (e)

@ copyright by GEGE PRODUqóES ARTISTICAS LTDA


Av. Ataulfo de Paiva, 527 - sala 702 - Rjo de Janei¡o - Brasil.
Todos os direitos reservados.

35
Songbmk D Gilberto Gil

Andar corn É
GILBERTO GIL

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A G#m7

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ffi"m fTTit
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Introdugo: E6 / / / 87 / Bi B7 E6 / / / B7 / n'^ 87

E6 / / / B7 /BIB7 E6 / / /
A¡da¡ com fé eu vou, que a fé náo cos-tuma "faiá" Andar com fé eu vou' que a fé náo

87 /B'nB7 E6 / / / s7 /87487 E6 /
cos-tuma "faiá" Anda¡ com fé eu vou, que a fé náo cos-tuma "faiá" Anda¡ com fé eu

/ / 87 / BIBI E6 / / / st / / / t
vou, que a fé náo costuma "faiá" Que a fé ¡á na mulher A fé tá na cobra co-ral Ó--¡'

/ e+mt / n#m7/87/ E6 / / / st / / / A/ G#m7


num peda-1o de páo A fé tá na maré Ta na lámina de um pu-nhal O-0' na

/ F#m7/BlB7E6 / / / /BlB7 E6.


s7 "faiá" /
luz, na escuridáo Anda¡ com fé eu vou, que a fé náo costuma Anda¡ com fé

87 / B.lFt E6 87 /Bi
cu vou, que a fé náo cos-tuma "faiá" Andar com fé eu vou, que a fé náo cos-tuma "faiá"

87 E6 87 /B1B7E6 / 87/
Anda¡ com fé eu vou, que a fé náo cos-tuma "faiá" A fé tá na manhá A fé tá ¡e ¿¡si¡s-

/ / t / c#m7 / l#ml/r7/86 /// B7


cer O-ó, no calor do veráo A fé tá viva e sá A fé também tá pra mor-rer
//¿,/ c+mt / F#m1 / BI Bi E6 / // 87 / F1" B7
Ó-0, tris-te na solidáo Andar com 1é eu vou, que a fé náo cos-tuma "faiá"

81 / 8,"87 E6 /
Anda¡ com fé eu vou, que a fé náo cos-tuma "faiá" Andar com fé eu vou, que a fé náo

87 /BiB7 E6 / B7 /BiB7 E6 /
cos-tuma " faiá" Andar com fé eu vou, que a fé náo cos-tuma "iaiá" Certo ou errado

//87 / //t¡/ c#mt / F#m7/87/ E6 /


até A fé vai on=de quer que eu vá Ó-O a pé ou de aviáo Mesnio a quem náo

/ / B7 / / 1t,/ c*ml / P*mt/n.1,r786


tem fé A fé costu-a acompa-nhar Ó-O pe-lo sim, pelo náo Anda¡

B7 / B1O B7 E6
com fé eu vou cue a fé náo cos-tuma "faiá"

L
36
I
Songbook tr Gilb€rto cil

x E6

l,oX
2 vezes

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87
Songbook fl Gilberto Gil

Aquele abrago
GILBERTO GIL

F7(e) G7(13) G#7(13)

"'m"m -m
A7(13) C*hr7

ffi-m-m
..Este
samba vai pra Dorival caymmi, Joáo Gilberto e caetano Veloso"

E7(9) / / .w(st / A7(13) /w(s)^^,/ - A7(13)


' ' O Rio de Ja-nei¡ó / E7(9)
conrinua lin--j-do continua sen---do
^7(|3)
O Rio de Ja-neiro
/ tt(ts) / w(g't o *l t*t F#7
80 aquá.
de ,.-fJÍl')*"*1" " -* no Aro, ^1{ R.ul"o
c#m7 / g*'t
c#ml / / F#7 /
abra----{o Aló torcida do Fla-mengo Aque-le abra------qo A16, alÓ Realen--go Aquele

c#m7 Aió t,orcida n*t Aque--le


/ do Flamengo st / (Olha
/ abrai{o ^ o
F7(e) .,/st(s)^. l.
bre---quel)
.A7(13)
Chacrinha conti-nua
abra--go
/ ut(s\ / t¡t(tt) / .,E,
w(s') , /. A7(13)./ E7(9) /
balangando a pan----{¿ buzinando a moqa e coma¡dando & Íl&S---s&
A7(13) /
/ E\(s)E continua tt(t't) / c#m1 | Fn /
dando as ordens no tenei------ro Aló, alÓ seu fl¡¿s¡i-¡tta
Velho

c#m7 P*t / / c*ml / F*l /


guerrei-------+o Aló, al'6 Terezi nha Rio d" Janeiro AlO, alÓ seu Chacri--nha Velho

c#m7 / F#7 / B7 / .. w(g) / A7(13) / /


palha----!o Aló, utO Terezi----nha Aque---le a-bra-----no Aló moqa da fave-la
/ w(s) / / / t¡t(tt) // E7(e) /
Aque-le abra-ao Todo mundo da Porte--Lla Aque-ls abra----{o Todo

/ /
A7(13) / / Aque-le
/ w(s) / ..^/ ^ / A7(13)
més de feverei-ro pasiso Al0 Banda de lpane-ma

// / c*mt // rn // Eu mes-mo üa--------{o


/ / c*mz
Aque-le aUra-I]---go Meu caminho pe-lo mun-do
/ / / FYt// / c#m1 / - / /
A Bahia iá me cleu Régua e compas-so Quem sabe de mim sou

F#7// / C#m7 / / / r*t c7(13) c'#7(13) A7(13)


eu Aque--le a .bra----go Pra vocé que me es---queceu

/ E7(e) / / / A7(13) // / c*mt / /


Aque-'le abra------{o Al0 Rio de Janei--------ro Aque-le abra--{o Todo o

/ F#7 // /wl F7(e) /


povo brasilei-ro Aque--le a-bra----qo (Olha o bre----------que!)

38
Songbook O Gilberto Gil

87l.9) A7(r3) E7(.9) A7(r3) E'7(9) A7(13)

87(9) A7(r3) E7(e) A7(r3)

c[ m7

B7(e) A7(r3) 87lB)

A7( l3 ) A7(13)

Cf, nr7

Fil7 c7ú3) cil7(r3) A7(r3)

s pz(s) A7(r3)

Fade Out
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39
{
I
I
I
I
Songbook ü Gilberto Gil
I
Aqrd e agoila
GILBERTO GIL

Am7 G7 GbTM AbmT EbmTill) DbmT(rr) Cb7(rr'i)

"m"'m
BbmT(9) C7(i" ) BbmT(rr)
ffi-m'.m*m-m
A7(#11) DbTOe) c7(b9)

"'m'"m'"m-m-m
F7M / cml / t'ml r:n't /
/ eml/e ago.a emz / Am7
O meihor luqar do mun------do é aqui O melhor lugar do mun----do é

/cmt / ct / / / / / / / eantt/ ¡,¡m7 / EbmT(rr)/ / / / / DbmT(ll)


aqui e ago-ra inde-fini---*do Aqui, onde Agora, que é'

cb7(r1',) BbmT(9) // / / / obmT(rl) C7(?,,) B7.I'4/ / / / / BbmT(ll)


Qua-se quan---!o Qua¡do ser leve ou pesa------do Deixa de fazer

A7(#1r) Abl Ab7 AbmT Db7(be) GbTM/ 1^vml / nnmT(rl)/ / / // DbmT(ll)


senti----------de Aqui, de onde o o-lho mi----=---ra Agora,

cb7(ri) BbmT(e)/ / / / / DbmT(rr) C7(lu) B7l.I/ ////


que o ouvi----4o €SCu-tá O tempo, que a vQz náo fa----la Mas que

A7(#11)
BbmT(lr)
' tribu Cm7 /
Abl Ab7 Gm7 C7(be) F7M / O melhor Am7 / emt
o coragáo ta lugar do mun------4o é aqui

/ v*r/ cmt / ¡rmt / cmt/ ct/// ////catrtt/


e agora O melhor lugar do mun---do é aqui e agc*ra

AbmT / n¡m¡(rr\//// / numz(tt)- Cb7(rf). BbmT(9) /////


Aqui, onde a cor é cla-ra Agora, que é tu-----------do escu.--..-ro
DbmT(tr) C7(,¡r) B7lvf / / / / / BbmT(Il)
- A7(#11) Abl Ab7 AbmT Db7(b9)
Viver em Guadai-jalaja--¡a Dentro de um hgo madu-ro
cb7lvt / s¡mt / namT(ll) /1 / / / DbmT(ll) .Cb7(l1r) Bbm7(g)//
Aqui,ióngé,e*NovaDéIiAgora'Sete'oi-toouno+€
/ / / DbmT(lI) C7(irr) B7¡4.// / / / AmorBbmftrr) A7(#11) Abl
é ' ' quesráo "'..' de Pe4e
Senti¡ é tudo que Ino-

Ab7 Gm7 C7(be) F¡¡¿ / Gm7 / tml / Cml / ptql / eml


O melhor lugar do mun-----do é aqui e agora O melhor
--ve ¡'amT /
/ tmt /Gmt/ ct/// ////eu:r-¡r'/
lugar do ¡¡r¡¡-{e é aqui e ago-ra Aqui perto pas-Sa um

4E
Songbmk n Cilberto Cil

EbmT(lr) // / / / DbmT(rr) cb7(n1) BbmT(9) ///// DbmT(rl) C7(3" )


ri-_o Agoraeu vi um lillar-to Morrer deve ser

B/M // / / / nbmT(ll) A7(#lt) Abl Ab7 AbmT Db7(be) GbTM /


,^^
LIU
f;
tl r-U Qua¡to na hora do Par---to Aqui,

AbmT / numz(rr) / / / / / Dbm7(il) cb7(,1) BbmT(9) / / / // DbmT(rl)


fora de peri---- o Agora, dentrtr de instan-tes Depois de

C7(?'r ) B7M / /// / sbmT(ll) A7(#ll) Abl Ab7 Gm7 C7(b9) F7M
nldo que eu di--go Muito embora mui-to
/cml/ Am7 /cmt/ nnt/ Gm7 / l¡ml
O melhor lugar do mun-------do é aqui e agora O melhorlusar do mun---{o é

/ emt / et / / / cuntt / / / et / / / cbTM / / / ww / / /


aqui E agG-ra

Gm7

9\ 9.
EbmT(ll) EbmT(11) DbmT(ll) cb 1r) BbmT(e) BbmT(e) DbmT(ll) C tt)

BbmT(11) A7([11) ' ¡bl AbmT nfi/¡t¡


^b7

D.C.
3 vezes
"9

g Am7 G7 G'7M

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4l
I
I
I
I
I
Songbook tl Gilberto Gil I

Anra
GILBERTO GILE TORQUATO NETO

F#m7 R7 Em7 A7(r3) Dm7(11) Drn7 G7(13)

G1 Am7 G7M Am7(9) D7(b9)

"'m "m -m
ffi"'m
G BbTM Bb

EbmT(11) EbmT Ab7(r3)

:"m *m'"m
Ab7 Db

ffi'm
EbmT(bS) Abm F7 llhmT AbmT
ffi
Db7 DbmT

CmTOs) Gb,rSt
ffi-m D#m7(b5)

c6///F#m7/st/ Em7 / A7(13) Dm7(11) Dm7


Toda rua tem seu cur-so Te m seu lei-to de água gl¿-¡¿

G?(13) G7 C7M / Omt / CtV / Cm7 / Bm7 / Am7 /


Por on----de passa a memó-¡i¿ Lem-bran-----do es-tórias de um

c7M/ Em7/tmt{s)/ D7(be)/ c// // / / / Bm7 /


tem---po que náo a{a-ha De uma ru-a de uma ru-a
Bbru/tmt/D7(be)/e/// Em7/ / / rt(ts)
Eu le¡¡-f¡s a-go-{a que o tem-po, ni¡_guém mais

,ro
et
Songbook B Gilberto Gil

D7/ / / e //// / / / Bm7/ BbTM/t¡mt/otfts¡


Ninguém mais ca¡-----ta Muito embo---{a de ci-ran-das, or,

/ e/ / / Em7/. / / ttz(tt)/ //oz/ / / c// /


de ci¡an----das E de cofre¡-----do atrás de ban____das
^s.-¡i-¡ss
Dm7/el/ c/ / / Bb/ / / c///Eb///Ab/
Atrás de bandas que passavrrm como o ri-----o Par-na-í-ba O rio man-so
/ / ea / / / ¡^¡/ / / EbmT(ll) EbmT Ab7(13) Lbz Db/ / / cb/
pas-sava no fim da ru-a E molha-va os seus la-ie--{os
//Db///n///A///Ebm7(b5)/Abz(13)/
onde a noi-te re-fleti-a o brilho man-so O tem--po cla-ro da

Db/ Abm / Db / Abm / Db I Atm / ob /


l¡-¿ Eh ! Sáo Jo-áo Eh ! Pacarúba Eh ! Rua do Barrocáo Eh !

cb F7 BbmT / AbmT Db7 cb / cm7 / F7 / n¡ml


Pa¡na-íba passan----do a minha ru-a
Separa-ndo das ou-¡ras do Ma-ra¡hao
///tttmt/oat/e¡/// // // DbmT/ // cb7 / / /
De longe, pensan----do ne--la, meu cora-gáo de

cm7(b5)i / / Bm7/ / / Gbzsa/ / / EbmT/ / /tamt


meni-no Bate for--te, Co-¡¡o um si-no que anun-+ia a pro_cis_sáo
/ o¡t / Abmz Dbl cb / Db,mz Gbl B / /
Eh I minha rua, meu povo Eh ! gente que mal nasceu Das do-res
/ t¡ / / / B/ n7 / Fm7 / Bb7
que morreu ce/---{o Luzia que se perdeu, Macapre-to, Zé vehi-nho Es-te

/ / EbmT Ab7 / EbmT / / / Ab7 /naz / cb //


6s¡i-¡s crescido Que tem o pe ito feri-------do, anda vi-vo. náo mor-reu
.t' i/)¡
n tT]
)¡ ,{ ni-ln I n
/ / / /
'
cb Bc#7c#mz /
Ab7 / / / / F#m7
Anda vi-vo, náo mor-reu Eh! Pacatúba Meu tempo de brinca¡

B7 E Gyl C#m7 G#7 C#m7 C#7 F#m7 87 E


iá foi se embe-ra Eh! Pa¡-naíba pas-sando pela rua até ago-ra
A7 D#m7(b5) G#t Db / / / cb /¿'¡/ cb/n/na
Agora" por aqui, 'tÓ' com vontade Eu volto pra matar es-ta sau-da------<je
1 il FT'it-
XXXXXXXX.^¿, rl
//// / Abm / ov/ Abm / Bbm Gb cb Db
Eh! Sáo Joáo Eh! Pacatúba Eh! Rua do Barrocáo

43
J

Songbook tr Gilberto Gil

Ff m7 B7 Em7 A7(13) Dm7(11) Dm7 G7(13) G7 c7M Dm7


3

Cm7 Bm7 Am7 G7M Em7 Am7(e) D7üe)

nbzpt Am7 D7üe)

A7(13)

EbmT(rr) EbmT ¡bz(r¡) ¡bt

nbmztbst Ah7(13)

t'bm7

BbmT AbmT Db7

tLt*
Songbook tr Gilberto Gil

AbmT AhmT obz

DbmT ebt

¿,bt EbmT ¡bt Db:- Gb ¡.bt

1' N FT¡X
. X'XX j-.J
cbB cflz cfimz cflm7

oflmz$9 cfiz

'1'
"DIl-l
Bhm
l--J J--J
ch cb
I
D)-;i- nbm Gh
Bhm
l

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45
Songbook o Gilberto Gil

Barato total
*GILBERTO GIL

Bb7(e) Db7(9) c7(e) Ab6 Bb7

-m
ffiffi ffi
F6/// Bb7(e) / naTl¡¡ c7(e) F6/// Bb7(e) / oaz(c) c7(e)
LL Lá,, tá, Á, 16,, lá, tá, 16, Lá, tá, lá, rá. rá, lá, rá' tá'

F6///Bb7(e) / Db7(e) lct(n) F6 /// Bb7(e) / Db7(e) c7(e)


Lá, lá, lá, Iá1, lá, lá, lá, lá, L6, lá, lá, lá, lá' rá', rá' tá,

F6/// Bb7(e) / re
Quando a gente tá contente Tanto faz o quente Tanto faz o frio Tanto f.az Que eu

/ ¡.ae / Bb7(e) / Db7(e) c7(e) F6


me esqueQa do meu compro-misso Com isso e aquilo Que aconteceu dez minutos atrás Dez

///sú(c)/n6///
minutos at¡rís de uma idéia Já, dño pra uma teia de a¡a¡ha crescer E prender sua vida na

Ab6 / Bb7(e) / Db7(e) c7(e) F6 / / / Bb7(e)


cadeia do pensamento Que de um momento pro outro Comega a doer Lá, tá,, lá"

/ oatg) c7(e) F6 / / Bb7(e) / Db7(e) c7(e) F6 ///


lá. lá, rá. lá, t^, tá,, Lá, lá1, lá, lá, lá, lá!, lá, IA. Lá,

Bb7(e) / Db7(e) C7(e) F6 / / / Bbz(e) / Db7(e) c7(e)


W lá, lá, lá, lá, lí1, lá, Lá, lá1, lá, lá, lá1, lá. lá, Á,

Ab6// / Db7(e) cl(e)


Quando a gente tá, contente Gente é gente -- Gato é gato Ba¡ata pode ser um ba¡ato to-tal Tudo

F7/Bb7(e)/G7 / ct(s) / F7
que vocé disser Deve fazer bem Nada que vocO comer Deve fazer mal Quando a gente tá

t/
tt / F.at //
contente Nem pensar que está contente Ner-n pensar que está cotrtente A gente quer Nem pensar

c1 / ct(s)/ss/// Bb7(e)
A gente quer A gente quer, a gente quer A gente quer é viver Lá' tá, lá, lu lá,

/ o¡z(s') c7(e)F6/// Bb7(e)- / Db7(e) c7(e)F6/// Bb7(e)


lá, lá, lá, Lá,, rá, )'á, lá, lá1, lL lá, lá', Lá, lá, rá, lL lá'

/ naz(qD cl(e\ F6 / / / Bb7(e) ' / Db7(e) cl(s)


Iá, rá" lí1, Lá, lá, lá, lá, lá" lá, lá, lá,

4A
Songbook tr Gilbcrto Gil

Dbz(e)

sbt tcl

Db7 (e) c7 (e) F6

obztsl c7 (e) ohztc)

sbto) c7(e)

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47
J
J
J
J
I
Songbook tr Gilberto Gil
rt
.|'a.--ü frraeufrrba G
!
GILBERTO GIL E CAETANO VELOSO
é
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DG í
F
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J
J
D/ c / D / G /o lc/ D / G lO /e !
Bat macumba ie. i0 Bat macumba Óba Bat macumba ie, iC Bat macumba óba Bat macumba
!
It
/ o / c / D /c/ D / c /o / e / D
!
ie, ie Bat macumba 6ba Bat macumba iC, iC Bat macumba 6ba Bat macumba iC' ie Bat
rt
G /N / G / ol c /n / e / n / G /o / t!
macumba 6 Bat macumba ie, iC Bat macumba Bat macumba ie, iC Bat macum Bat !
!
G/o/G/n/e/o/e/l/G/D/c/D/ !
macumba ié, ie Bat mam Bat macumba ie' iC Bat Bat macumba iC, ie Ba Bat
!
c / o/e / D / e /D/G/D / c /D/G/D / G /o/ !
macumba ie, ie Bat macumba ie Bat macumba Bat macum
J
/ E/D/G/D / I
G/ N / G /D/G/ D / C/D/G lD / GlD/G/D G

Bat mam Bat Ba Bat Bat mam !


rl
lD / c / o / e / D/ c / D / c / D / G/ o / G / D / !
Bat macum Bat macumba Bat macumba iC
!
e D /e/t / / G / !
c/n / G / D/c/n /
Bat macumba ie, iC Bat macumba ie, iC Ba Bat macumba ie' ie !
!
/ e/ n / c / D / e / D / e / D/ G /o / e rt
Bat Bat macumba ie, ie Bat mam Bat macumba i¿, iC Bat macum Bat macumba rt
/ D / G /o / G / D / e /n / c / n / G rt
ie. ie Bat macumba Bat macumba ié, ié Bat macumba Ó Bat macumba ic, ic Bat macumba It
I
lo / c / n / e /n / e / o / c / a / rt
óba Bat macumba iC, ie Bat macumba óba Bat macumba ie, ie Bat macumba Óba Bat
It
c / D/ e / o l | | i l t I o/G / D / G rt
macumba ié, ié Bat macumba 6ba Bat macumba ié, ie Bat macumba óba Bat macumba !
It
/ n / c / D/G/ DIG/ D/// !
i¿. ié Bat macumba Óba
U
48 r||
S"ngüooe tr Gilberto Gil

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alempo

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)kt

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Songbmk C Cilberto Gil

Choror6
GILBERTO GIL

c#7(#e) A7(13 ) A7(1 : )* A7(? i' )

"'m
ffi'm'm
E1z c#

-m -m "m Blo* A,z C#

F#1

"'m
/ c#7(#e) / p*mt / C#7(#9\ / F#m7 /
Tenho a de quem cho-ra De quem cho-ra ¡s-¡he dó Quando

c#7(#e) / s*mz / Em7/D7M/C#7(#9)


o cho--ro de quem che__ra Náo é cho--ro é cho-roró Tenho pe__--na
/ n*mt / c#l(#s) / p*mz / cf7(#s) /
de quem cho--ra De quem cho---ra 1s-¡l¡6 dó Quando o cho--ro de

F#m7 /
l--l-l l-T1 j-T] J-n
nmt / ttt\\l A7(! ! ¡* )
A7(? 3 A7(1,,,)
quem cho--ra Náo f, gl¡s-¡s é cho-roró
,l-TI J-J.l ¡ 1

A7(!f) A7(?3)* / n DTzw c E7r c* A7


Qual----do uma pes-soa chora seu choro baixinho De lá-grima correr pelo

J- J-t j-l J-]


/ n B,zO* A¡C* B ArC* Bto* E BZ¡y- AZc* B A¡c* Bzn*
cantinho do olha¡ Náo se pode du--vi-da¡ da razáo daquela dor

E F F#7 / B7 / E7 /
J-n il=
t¡t("|) A7(? 3 )*
l-T1 t-n
A7(13 ) A7(9 ir )
Náo se pode atrapa-lhar, sentindo seja o que for

I r-''l I
¡xxxxxx f-l ñ 't

A7(?3) A7(13)* D D1¡n* c E1t c,+ L7


Mas quando a pes-soa chora choro em desa-tino Baten-do pino co-mo
5l
Songbook ú Gilberto Gil

J-l Atc* Blo*


J-lLlc* B Azc* Blo*
/s Blo* A/C# B EB7 D#
quem vai se a¡rebentar Aí penso que é melhor ajudar aquela dor

st /w /
r-Tl l-Tl )* t-Tl ) J-l=
EFF#7 / AJr\\> A7(! 3 A7(13 A7(9 ?' )

A encontrar o seu lu-gar no meio do choro-rÓ


t..-t
rr.Jv!X/ l-F bv
A7(13 ) A7(13 )* D DTls* G /A7
Choro-rO, choro-r6' choro-rÓ É muita água, é mágoa É jeito

/ n/ D7/c /A7/
bobo de chorar Choro-ró, chororÓ, choro-rÓ É mágoa, é muita água, a gente Pode se

D /n DTlf* c c#o A7 / D/
afogar Choro-ró, choro-ró, choro-r6 É muita água, é mágoa É jeito bobo de chorar

D7/ G/A7 / st* ///nm¡


Choro-ró, chororó, choro-ró É mágoa, é muita água, a gente pode se acabar

///r.7*/// EbTM/// E7*/// EbTM/// E7*///Eb7M///D/

rflm?

A7t'J)

A7¿13)
J-fr J-fi * ¡)v
A7¿¿) A7¿rl) azd3i* DuFil

,l-J
/D$ A/cfl

J--
B/Dil A/cf,
I
B
l--l
A/cü B
Songbook tr Gilberro Gil

llrl
{z¿J)
A7¿J)
l-fi rF
J-fi A7ü,} J-llrfi
azrf,? A7¿J)
A7¿J)*
A7¿13)*
^7(r3

D7tFil

D7lFfi

nbz*t

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e s

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53
Songboot tr Gilbero Gil

Budanago
GILBERTO GIL

c7

ffi-m"'m
, Introdusáo:/ / pl / ct / Fl / cl / Fi / ct / F8 /
rÍ /ct / F9/ C7 / F" / C7 / p"/ct
c7 / é ter-ra Dorival é
Dorival é ím-----par Dorival é pa¡ Dorival ma¡

/ Fc / Ct / fr /ct / sg /ct / r6'g /


Dorival 'tá no pé Dorival 'tá Da máo Dorival 'tá no cóu Dorival 'tá no cháo

c1 / FE /cz / Ft/c1 / Fi /ct / t8 /ct


Dorival é be-lo Dorival é bom Dorival é tu-{o Que estiver no tom
/ Ú /ct / rí /ct / F /c7 / F8

Dorival vai can-ta¡ Dorival em C--D Dorival vai sam-baf Dorival na T-V
/cl/eml/cl/eml/c¡/cmz/C1 re-al da inspiragño Como príncipe principiou A
Dorival é um buda nagó Filho da casa

/ eml / c7 / W /ct / FÉ lcz /


idade de ouro da cangáo Mas um ¿iu ¡¿n-gó Deulhe a i-lumina-1áo Lá na beira

ri/ct/F]8/c7/F.8/c7 Lá no de A-lah (foi) Lá


do mar (foi) Na prai-a de Arma-----{áo (foi náo) Jardim

/ F8 / C7 / Ft / ct / F' /ct
no alto 5e¡-¡[6 (foi náo) L na mesa de um ba¡ (foi) Dent¡o do cora---Qáo Lá l6t

/ Ft /ct / Fl /cz / Fi /ct / F8

iá t6 lá lá tá Lá rá, r^ iá. láL lá iá Iá la i^ Lá tá i6 lá lá tá i^ Lá tA tá i6 tá rá iá

lct / FÍ lct / F,/c1 / Fi lct / tl/ct /


Dorival é E-va Dorival, Adáo Dorival é li-ma Dorival, limáo Dorival

F9 /c1 / F8 /c7 / Ft /ct / Fi lct /


éamáeDorivaléopaiDorivaléope-áoBalangamasnáocaiDorival
Gm7/c7/eml/ct/emz/
é um monge chinés Nascido na Roma negra, Salvador Se é que ele fez for---{una, ele a fez

c7 / em7 / c7 / Fi lct / ti / c7
Apostando tudo na carta do amor Ases, damas e reis Ele teve e pas-sou (e' iá) Teve

/n8/c7/sE/c7/Fi/ct
(iÓ, iÓ) Ele viu, nem li-gou (iá, iá) Segurdores fi-éis (ió' iÓ)
o mundo a seus pes
/ sl / c7 / s8 / c7 / FÍ /ct
E ele se adian-tou (iá, iá) Só levou seus pin-céis (i0' i0) A viola e uma 'flor
/ Fi /c7 / rl/c1 / F8 /ct / F8/c7
Dorival é ín---dio Desse que anda nu Que bebe gara-----+a Que come bijú

I Fl /ct / sl /ct / F9 /ct / Fi


Dorival no Ja--Páo Dorival. Srunu--rai Dorival é a na----{áo Balanqa mas nao
Songbook O Gilberto Gil

FÍ Cl

ñ
Songbook tr Gilberto Gil

7 ) 7
% % %
Songbook O Gilb€rto G.il

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57
Songbook D Gilberto Gil

Cada tern¡ro errr seu lugar


GILBERTO GIL

-m-m"mffiffiffiffiffiffiffi
E RtI* C#m7 E1M/R G#" f#l (9) A,¡C# F*'t F#7(#11) F*m7

AZC# c#7(b13) c#^Zt ATllf G#m7 Am7 D7(9) G Bi B7

'm-m
(9)
ffiffiffi"m-m"'m'm ffi
A#, C# GI1,zW A(rdd9) Am(¡dd9) E(¡dd9)

ffiffiffiffi
) Di (#11)

ffiffiffiffi'm
Bl C#m7(ir

E
ffiffiffiffiffiffiffiffiffi
Bzn* c#m7 ETMTv /
s4" Ltc# / / F*t /
s*ltsl
Náo vou mudar um mundo lou-co, dando
Preciso refrea¡ um pou----------{o o meu desejo de ajudar
C#ml / F#7(#rr) F#7 F#m7 / Ele* / c#71ur3) / g¡^7 C#mn
socos para o ar Náo posso me esquecer eue a pres-sa E a inimiga da perfeigáo
A7M / c*ml / smt / ot(g't / c/ Bi/87/Bl/87/
Seu eu ando o tempo todo a ja-to Ao me-nos aprendi a ser o último a sair do aviáo

E BZO* C#m7 E7M7g c*t" / F#l¿O) / A¡c* / F#7 /


heciso me livrar do ofí----+io de ter que ser sempre bom Bondade pode ser um ví----cio, leva¡

C#m7 / F#7(#rr) F#7 F#m7 E¡e+ / c#t(br3) / g¡^7 c#m7g'


a lugar nenhum Náo posso me esquecer que o aqoi----te também foi usado por Jesus

A7M c,+ml
/ / l¡ml / D7(9) / G/ B'o/87
Se eu ando o tempo todo afli--to Ao'me-nos aprendi a dar meu grito e a c¿uregar a minha cruz
/ c*t(an) / A7v' / B](e) / c*mt(l') / c#7(b13) / n*r / BI(e) /
ó,O, ó, O, cada coisa em seu lugar Ó, O, Ó, O, a bondade, quan--{o
c#m¡('tt\ / c#7(br3) / tttvt / A#"/ cF//¡G#77r¡5 / / /
for bom ser bom A justi-------ga, quando for melhor O perdáo, se for preciso perdoar

c#ml / B7o / E Bzn* c#ml E7M7g ¡;p / F#i$ / A,zc* / F#7 /


Agora deve estar chegan-------do a hora de ir descansa¡ Um velho sábio na Bahi-a
c#m7 / F#?(#rl) F#? F#m7 / n¡ e+ / c'#7(b13)
recomendou: "Devagar" Náo posso me esquecer que um di-a Houve em que eu nem

/ c*ml c#m7s A7M / e+m7 / Am7 / D7(9) /


estava aqui Se ando por aí corren--do Ao me-nos eu vou a-prenden---do o jeito
G/ BZ/87 / ew(atr/ A7lM/ Bl(e) / c#m7(ir)
de náo ter mais aonde ir Ó, O, Ó, O, cada tempo em seu lugar
/ c*t(vtt\ / AzMl/ BIQ)/ c#m7(?r\ / G#7Gr3)/ nrvr /A#/
Ó, O, O, Ó, a velocida--4e, quando for bom A sauda-----de, quan------do for melhor
cf ///G#77s¡ / / / c#ml/ Bi/ E Btt* c#mlE7M/B A(add9)/
Solidáo, quando a desilu-sáo chegar
Am(adde) / E(adde) / / / DÍ(#11) / / / / / / /

5A
Songboot tr Gilberto Gil

B/Dil Cflm7 Gfl.

Fil7(il11)

D7(e)

Gfl7(bl3) B1(e) cflmz(1, )

cf70r3) ATNI Bke) cflmz(L ¡ c$7Ór3)

A7l,'' Gfr7lBil

A(a dd 9) Am(a dd9) E(a dd 9)

oÍtf rrl

Fade Out

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59
I
I
I
I
t
Songbook E Gilbeno Gil
I
Cérebro elet¡Onico I
I
GILBERTO GIL
I
I
G7
I
t
I
I
t
t
c/et/ c7 /st / nm/st / ct/ot / c/ I
O cérebro eletrÓ-nico faz tu--do Faz qua-se tudo Quase tudo Mas ele é mudo
I
G7/ c7 /w / Em /st / c7 /ot I
O cérebro elet¡Ó-nico coma¡-da Manda e desma¡--{a Ele é quem ma¡da Mas I
I
/e / eu nm
/st Só / ttz / Em/ sz/ Só
Em/
posso I
ele náo anda posso pensar se Deus e-xiste, só eu eu chorar
I

A7/ Em D7/e /ct/e /ct / t


quando estou triste, só eu Eu cá com os meus botóes De carne e os-so Eu fa-lo
I

c /st Eu / Em /sl / Em/tl /nm/


vivo ou mono
I

e ou--{o Pen-so e Pos-so Eu pos-so de--cidir se Porque' I

B7/nm/m /nm /w/c /c7/ I

porque s6¡ vi-vs Vi-vo pra ca--chorro E sei que cé-rebro e-letr6-nico nenhum I

c/ct/ c/st Em /w / nm I

me d^ socor-ro Em meu ca-minho i-nevi-tável para a mol-te Porque eu Sou


I

/ l¡l / nm/ w / gm /¡r7/Em/ I

yi_ys Ah, sou muito vivo E sei que a mor-te f ¡ss-5s impul-so primi-tivo Eu sei I

D7/C /ct/ c/ct/c/st bo-tóes de ferro e


I

oue sf,-¡gf¡s s-ls¡¡$-¡ics nenhum me dá Socor-ro Com seus


!

/ Em A7 D7
seus olhos de vi----dro

6()
Songbook O Gilberto Gil

C7

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61
Songbmk El Gilberto Gil

Copo vazio
GILBERTO GIL

B7 E,m7 A7(e) D7 A7
c7(e) C

II

ffi ffi ffi ffi ffi ffi ffi Di vt(e) E7(e)

-m
Em(cdd9) Bb7

-m
G C7

III

ffi ffi ffi ffi ffi


c7(e) / / /c///st/ / / smt///ttt\/ / / w/
É sempre bom lembra¡ Que um copo vazio Está cheio de ar

/ / c.t(st / / / c / / / st / Que / sombrio


^/ o ar nmt 1 / / tt(D/-1
de um ros-to
/
Está cheio
E semDre bom lembra¡
D7 / / / 87 / / / c / / / D7 / / / G7(e) / / / /
de um ar va-zi----o vazi-o daqui-lo que no ar do copo ocupa um lugar E

/ / / c / / /st- / / / nmt / / /tt /


sempre bom lembra¡, guardar de cor Que o ar va-zio de um rosto 5srnf¡l-o Está

D7/c///G|O)///c///w/-//nmz///
de dor É' ' semp.e bom lembrar Que um copo va--zio
ctrJio
Az(e) / / / v // c7 Bi / / // / / / Em7 / / / / /
Está che-io de u Que o ar no co-po Ocupa o lugar do vinho

/ctBz / / / / / / / nmlaaar)/ / / / / / svt A7 /


Que o vinho busca ocupar o lugar da dor Que a dor

/ / / / / / D8 / / / / / //tt / / //
ocupa a meta-de da verdade A verdadeira nature-za interior Uma metade che-ia

/ / / w(g)///////st / / / / / / / E7(e)///
Uma metade vazi-a Uma metade triste-za Uma metade alegn-a

/ d;/
/ / / / cA magia / m / / / ct(s)/ / / / / / / Ac / D7
/ verda-de
/ da
verdade in-teira Todo-poderoso a-mor magia

///G|(g)///////////C///B7//
i¡¡si-¡¿ todo podero-so arnor É sempre bom lembrar Que um

/ smt///n / Pt /c///
copo va-zlo Está che-io de ar
Songbook tr} Gilberto Gil

G7(e)

G7(e)

A7(e)

G7(e)

G7 (e)

tt
D7 C7 B7

J
Em(a dd9) Em(a dd9) 4, A7

G7(e)

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63
Songbook tr Gilberto Gil

Cores vir¡as
GILBERTO GIL

E4(be)

ffi ú.tc,#

E6 / st / ns / B7 /ne / st/ E6 / B7 /ns / B7 /


Tomar pé na maré des-se veráo Es-perar pelo eotarde-<er Mergulhar na profunda

E6 / /
st /ne / st desse ne / B7 /nq$D F(#11) M(be)^ F(#11) ao A4
sen-sagáo De goz' bom vi-v-ei noiri-' ;i"'' Gra-------{as calor

A4 E4(b9) F#-7 AIE F#-l E{b9) F(#11)


F(#11)
F#m7 Ben-feitor
F#m7 E4(b9) F(#11)
des------e -u -^trzn ^,*^ Na-tural
do sol '"-giáo
E4(be)F(#rl) c7M // / ct // / ctrtr / / / G7 / / /
dajangada,docoqueiralDopescadordecora-zulBe_lavisáo

/ / / / / //
c7M///////J
c;:-táo póttat Sabor de mel, vigor do sal Cores d; p"oá de paváo Cenas de uma vibraEáo

/ E6tc* / / /Bzt / / /E6tc* / / /


E,/ / / A7M / / / B¡t / / nós Po$res mortais Quan-tos verÓes
total Co--res vivas Eu penso em

B¡tl / / B6¡e* / / /Btt, / / ¡ F#77¡4 / Bzt / ne / / /


o-lha-res fás Fás desses céus ño a-zuls
Ve--+áo, nossos

64
Songbook tl Gilberto Gil

E4(be) F(iln) E4$, r([11) AtE Ff, m7

E 4(be) F (f;11 ) F(fl11)

E4(be) F(illt) E4(be) F(illl)

c7ll

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65
Songbook tr Gilberto Gil

Divino rnaravilhoso
GILBERTO GIL E CAETANO VELOSO

-m
A c# D E G#m7(bs)

ffi c#7 F#m


ffi ffi ffi
G c#7(be) Em

ffi ffi ffi ffi


A/ / / c# / / / A / / / c* / / /v / // E /
Atenqáo ! Ao dobrar uma esquina Uma alegria Atengáo, menina ! Voc0 vem ? Quantos anos

/ / A/ / / c# / / / o / / / a / / / A / //
vocé tem ? Atengáo ! Precisa ter olhos fi¡mes Pra este sol Pa¡a esta escuridáo A-ten--{áo !

G#m7(b5) /C+t/s*m / / /n/ e AD c#7(be) F#m


Tu------l{o é peri-go-so Tudo é divine-ma¡avi-iho-so Atengáo pa-ra o re-fráo !

/ * / / / nm // / A / / / nm // / t'E
É preciso estar aten-to e forte Náo temos tempo de temer a morte
/ / / Em // / A / / / nm // / t / // c#
preciso estar áten-to e forte Náo temos tempo de temer a morte Aten--1áo I Pa¡a

/ / / t¡ / / / c# / / / n / // E /
a estrofe e pra o refráo Pro palawáo Pa¡a a palavra de ordem Atengáo !
Pa¡a o samba

/ / A / / / c'*¡nz(¡s) /cn/t*m / / / o/ e
!
exaltagáo Aten----1áo Tu-----do é peri-go-so Tudo é divino-ma¡avi-lho-so
A D c#7(be) F#m / t / / / nrn // / A / / /
AtenEáo pa-ra o re-fráo \ É preciso estar ot€n--to e forte Náo temos tempo de temer
Em // / t^ / / / sm // / t / / / nm //
a morte É preciso esta¡ aten-to e forte Náo temos tempo de temer a morte

/ t¡ / tA-ten---{áo
// no aito
/ //c* Para as janelas / !// c* / / /
A-ten---gáo ! Ao pisar o asfalto, o mangue
D / / / E / / / t' / / / sm // / A /
A--tenqáo ! Para o sangue sobre o cháo É preciso estar aten--to e forte Náo temos tempo
/ / Em // / 4 / / / sm // / A / / / sm
de temer a morte E preciso estar oteo-to e forte Náo temos tempo de temer A

// / ¿, / / / c*mz(us) / cn / r*m / / / D/ G
morte Aten--1ño ! Tu-----do é peri-go-so Tudo é divino ¡¡¿¡'¿yi lhs-sg
A D C#7(be) F#m / + / / / nm // / A///
Aten-gáo pa-ra o re-fráo ! E preciso estar aten-to e forte Náo temos tempo de temer
Ern // / A / / /Em // / A / ¡-/ / sm // /
a morte É preciso estar aten-to e forte Náo temos rrrrrPw uv rvrrrLr a morte
Songbook n Gilberto Gil

cümztbsl cI7 cfiz(br) rfim

cümzÓsl cfr7 F$- D c¡z$r¡ r¡-

Em

cfzürt rflm

Fúe Oul

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67
Songbook tr Gilberto Gil

florningou
GILBERTO GIL E TORQUATO NETO

-m -m
D7(e) D7(#e) Bb B7

Em7 A7
ffi'"m'"ffi ffi ffi Bm? Gj Ab7(e) G7(e)

"m
Introduqáo:lottol // f
ffi nzt+sl/llot//
ffi ffi'"m ffi
///
/ e/ c/ D7 / c / na// / e /c / e/ st
Sáo nés horas. da ta¡de, é domingo, pa pa pau-á-aa Da janela, a cida--de se ilumi-na

/ nmt / n / ¡rmz / ot / c/ c/ nz / c / smt /


Como nunca jamais se i-lumi-nou Sño trés horas da tarde, é domin-go Na cidade e no

Em7 / l¡mt/D7 / c/ // G7 / / / c / // /
Cris-to Redentor É, C É domingo no trolley que pas-sa É domingo na moga e
/ Eml L7 D7 / c / gmt Em7 Am7 D7 G /Sa /m / / / G /
na pra--------{a É domingo 0, é, domingou, meu amor Hoje é dia de

c/c/st/nmt/ A7 /t¡mt /ot / G/ C/


fei------+a, é domin-go Quanto custa hoje em di-a o fei-jáo ? Sáo trés horas da tarde, é,

D7 / c / Bm7 / nml / Amt / ot / c / / / G7 / //C /


doÍún-go Em I-?anema e no meu coraEáo É, e É domingo no Vie-t-ná Na

// / / Emz A7 D7 / c / smt Em7 Am7 D7 C / / / D7 / / / c


Aust¡á-lia e em Itapoñ , É domingo e, e, domingou, meu a-mor
/ / / v '\-.-/ / / c / / / ot / // smt / / / Em7

Quem tiver coraEáo mais aJli-to Quem quiser encontrar seu amor De uma volta na Praga

/ //smt / Emt / ¡;mz /ot /c / / /ot / / / c /


do Li----do Ó skind6. ó skind6, ó skind0 lelé Quem quiser procnrar residén------cia Quem

// D7 / //smt / / / smt / / / smt / nmt / ¿.ml


está noivo e já pensa em casar Pode olha¡ o jornal, pacién-----<ia Tralalá, t¡alalá' e'

/ ot/ c / c / c/ w/ Em7 / A7/Am7/¡tz/


e ce----do Mas náo tfaz o que eu que-ro saber
O jornal de manhá chega AS

G/ c / Di / c / Bm7 / Em7 / t¡mz / D7 / G /


notícias que le-io conhe--go Já sabia antes ¡¡1ss-rn6 ds ler E' e Qual o filme que
G7 / // c / // / / Em7 A7 D7 / c / Bm7 Em7 Am7
vocé quer ver ? Que saudade precisa esquecer ? E domingo C, e, domingou, meu
Songboo& 0 Gilberto Gil

D7c/Bb/D7///c/c/e/w/Em7/A7/Am7
a-mor Olha a rua, meu benL meu benzi-nho Tanta gente que vai e que vem

/nt / c / c / ot / c / Bm7 / nmt / Am7 /ot / e


Sáo trés horas da ta¡de, f d6¡¡i¡-ge \,r¿-¡¡ss dar um passe-io também É, é

/ // G7 / / /c / // / / nmt A7 D7/ c /
O bondinho vi-aja teo len-to Olhe o tempo passando, olhe o tem-po É dom.ingo, oura

Bm7Em7Am7D7G/C/ Bm7Em7Am7D7G/C/
vez domingou, meu a-mor É domingo, outra vez domingou, meu a-mor E domingo, outra

Bm7 Em7 Am7 D7 c /// ot/// c/// D7/// c / // Bm7 Em7


vez domingou, meu a-mor É domingo, outra vez domingou,

Am7 D7 c /// //// G/// /1.a1(\ G7(e)/


meu a-mor

Am7 D7 Am7 D7

Em7 A7 D7

Bm7 Em7 Am7 D7


ft-
t'
G
Itr
sc
Songbook tr Gilberto Gil

-ftil-
tr-
A

toX
e$

Bm7 Em7 A.m1 D7 Bm7 Em7 Am7 D7

I tl
x^
Bm7 Em7 Am7 D7 G D 7(e)
^bio)

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Songbook tr Gilberto Gil

Buvifn daBatria
GILBERTO GIL

-m
c7(13)

D7 G7(e) c7M(e)
ffi
c7

EbTM(9) Ab7 DbTNI


ffi ffi
G7 Dm?(1r) Em7

ffi G7(13) Bm7(b5)

Bm7(rl)BbTGrr) Am7 / nm7(1r) Bb7(#1r) Am7 C7(13) F7M


Eu vim Eu vim da Ba-hia cantar Eu vim da Ba-hia
Fmó E7 A7 D?. c7(9) C7M(9) / Am7 / D7 /
contar Ta¡ta coisa bo-nita :1ue tem Na Bahia, que é meu lugar Tem meu cháo,
c7(e) / c7 / F7 Bb7 EbTM(e) Ab7 DbTM
tem meu céu, tem meu mar A Bahia que vive pra dizer Como é que faz
G7 C7M(e) / Sm7(1r) F,7 Am7 / Dm7(11) G7
pra viver On----de a gen-te náo tem pra comer Mas de fome náo

C7M / Em7 A7 D7M / nml A7 D7M


mor-re Porque na Bahia tem máe Iemanjá De outto lado, o Senhor do

/ omz G7 c7M / Bn7(11) E7 Am7 Dj Gm7 C7


Bonfim Que a-juda o ba-iano a viver Pra canta¡, pra sam-bar, pra va-ler

F7M / nz(*s) / A7 / D7(e) c7(13) C7


Pra mor-rer de alegria Na festa de ru-a, no samba de roda Na noi-----{e de

F7 Bm7(b5) E7 A1 A7 D7 G7 C7 / SmZ(¡S) E7
lua, no canto do mar Eu vim da Ba_hia Mas eu vol-to
L74 A7 D7 G7 c7/ Bm7(b5) E1(#e) Am7 / D7(e) /
p¡a lá. Eu vim da Ba-hia Mas alsum dia Eu volto pra lá

Am7 / ol(c) / t¡mt / nze) / trml /


7l
Songbúk tr Gilberto Gil

Bm7(11) Bb7(u) Bm7(11) sbz0tU Am7

c7(e) c7M(e)

EbTM(e)

Dm7(11)

Bm7(1r) E7 Gm7 C7

E7 qe)

8m705) L7 D7

A7 D7 Bm7(b5)
So¡rg¡oof B Gilberto Gil

nbz$rr¡

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73
Songbook tr Gilb€rto Gil

flono do pedago
cTLBERTo crI-. wALy serouÁo E ANToNro cÍceno

-m'm Ezo

"m
Bbzn

DTlf(#s)

ffi
D7M(e) / / tVo ///GtD// /D/// D7M(e) / //
Sou um gato esperto Nlo sou tatu náo Náo sou nem do mato Quan----do eu ganho a rua

ato///Gto / / /D/// D7M(e) / /Gzo / / /


Eu ga-nho corpo Na-------da eu acho chato Gin____go, ti¡o chinfra Do-no do pedago

Bbzo / / /otvt<c)/// / / / / Gzo ///Bbto


Escre-vo e driblo amor e dor So--$erano, trago quem eu quero Eu sei ser qua--dro,

/ // D7M(e)/// D / / / c#m / / /otu/ // c#m/ // crM.


giz e apagador Eu e meus amigos Te-rnos nesta vida poderosos a1i-a-----------dos Cor,

/ / / ci / / / c / / /e////// /
calor, sabor i¿ ¡t¡-¿ E, de repente, um co-ragño que eu já ftz Que ^//////
eu já fiz Táo

/ D7M(e)///Gzn///BVn///oz¡vtts\/// / / / / Gto / / /Bbzt///


feliz Gingo, tiro chinfra Do--no do pedaqo

D7M(e)/// / / / / Gzo / l/Bbto///D7M(s)/// / / / /


Tra--4o quem eu quero Dono do pedago Gin-go, tiro chinfra

G/o 1 1 /Bbra///DiMl(s)///
Do--no do pedago
Songbook tr Gilberto Gil

h
+l

G/D

tnrrÍWnot

B'ID
Instrumental

u,m#lPta D7M(flt G/D D7M(üt G/D

BbID
Instrumenlal

\-z\--z

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Songbook tr Gilberto Gil

flráo
GILBERTO GIL

Dm7(9) F^/C Am Am(7M) Am7(9) Eb'

"m
c7M(e)
ffi"'m ffi ffi ffiv
E7(i 3) An7 Gm7 C7(b9) FTNÍ Fm6 Fm(7N{)

rntrodusáo:
ffiffiffiffiffiffiffiffi
ci|/l / / / nñe) / / / cm / / / n*(s) / / / ctwt / / /nne) / / / cr|{ / / / omt(g) // /
c7r\{ //// / / / Fmtc//// / / / tm /// t¡m{ttu)
Dráo, o amor da gente é como um .gráo
Uma semente de ilusáo

// / tmttst/// nt" './ / / Dm7(e) / / / c7M(e)


Tem que moner pra germinar Plant'qr n'algum lugar Ressuscita¡ no cháo

/ //w<\\> ///tmt / / / emt / cl(be) / s7l¡ / / /nme


Nossa semeadu--ra Quem poderá fazer Aquele amor morrer Nossa caminha du---ra
/// Fm(7M)/ / / sms / //Fm(7Nr)/ / / cTM/ //nmz$t/// c7M///
Dura caminha------da Pela esrada escu-ra

Dmz(s)/// clM/// Dmz(e)/// clM/// omt(s)/// cTNr/// |


ftl/v
| / Fm.'¡
Dráo, náo p€nse na separagáo

//// / / /t¡m///t¡m?rtto / / / Am7(e)///na' /


Náo despedace o coragáo O verdadeiro amor é váo Estende-s€

//omz(g) / // c7M(e) / / / wt\\t ///1'mt ///Gm7


infini-to. imenso ¡¡e¡6li-¡6 Nossa a¡quitetu-----ra Quem poderá fazer

/ ctbg) / F7M / / / / rmc/ //sm(zu)


/sme ///Pm7rvt)/Cama
aquele a-mor morrer Nossa caminha du--ra de tata-me

/ / / crM/ //Dm¡$/// clM//// / / / Emzc//// / /


Pela vida ¿-fe-¡¿ Dráo os meninos sáo todos sáos Os pecados sáo
/ tm /// t¡m(m) / / / Am7(e)/// n¡" / / / omt(g) /
todos meus Deus sabe a minha confissáo Náo há o que perdoar Por isso

/czu(s\ / / / w(\\)///smz // /cmt / c7(be) /


mesmo é que há de haver mais compaixáo Quem poderá fazer aquele amor molTer

F7M / / /pme///rmortrl/ / / Fm6/ //rmzttD/ / / czM/// Dm7(e)


Se o amor é como um gráo Mone, nasce tri-go Vive, morre páo

/// cTM///nñot/// c7M


Dráo

7A
Songbook tr Gilb€rto Cil

X.zt

AmOM) Am7(9)

E7¿,)

c7üe)

c7M
Instrumental

,to X

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77
Songbook tr Gilbeto Gil

Ele e eu
GILBERTO GIL

G¡o Fzt
"'m'm-m"m "mrv
D1z A al(e) Dbzt a7(b13)

ffi E7(be) Eb7(9)

-m"m'm""m-'m"m Am7(9) A#7(e) Am7

ffi Fzr
'm
Ab7(#11) Gm7 Db7(9) cY(e) G7(13) ATOe) Am6* Eo/ A

ffi ffi ffi-m'm'm


'm'mffiffi ffi
D¡A D? t Dm6/ A Frif{#s)/ A A7(1" )* Am(7M) A7(b13)* G4(add9)

ffiffiffi m.
L7 / / /D1z¿, / Gzo / Al(e) / Ft t / Dbzt
Ele vive cal-mo E na ho-ra do Porto da Barra fica elét¡ico
A7(b13)/I^me / / /e1(\/ / / w(s¡ / w@s) / Eb7(e)
Eu vivo elé_trico E na ho__ra do pe¡_¡s da Barra
//oz(s)/ / /ezg) /e*tg/ trmzlt¡AyT(s)/ Bm7(e)/ / /
fico calmo Ele vive ele-tri-*on-sumi-da{on-Suma-do-mu-----{amen-te bem
/ rze)/ Ez(e) / Am7/ / / ot(s) / // ta:(*n\ / Gml/
mais calmo Porque cur--te ca-da gol-pe do mar.te-lo na bi-gor-na
Db7(e) c7(e) / / tmt/ / / ot(g) // c7(r3) /// A7 /
do desti-no E na hora do Por-to da Barra fi-+a a fim Eu

/ / D7.tt / / /
A¡(e) / / / ;t(¡s) / Am6* / F"/A / E.zL
vivo gal-rn-ar----ga-la¡'-ga-aberta-mente bem mais louco Porque
Dlr / / / D".¡t / n$n) / ¡ime / Dm67¡ / /
es-pe-ro pelo bei-¡o arrependido Da serpen do comeEo Ena

F7M(#srlA
t--l
-te rr_t r-]
/ A7(irr )* / Am(7M) / A7(bl3)* / e G4(adde)G Am c G4(add9)
ho--ra do Porto da Barra fi-----co aflito
¡,1
cAm// L / A7(i,, )* /
I-] f-l_l
FTM(#S)/ ¡'mertD / A7(bl3)* / G G4{add9) G Am
E na he-ra do Porto da Ba¡ra fi------------co aflito
x! ¡ J,
I

T-l
G G4(add9) G Am/ / Fn,{(#s)/A / 47(lu)*/da 4rn(7tvr) / tz6tt¡* / G G4(add9)
E na he----ra do Porto Ba¡ra fi---------co aJlito

78
Songbook tr Gilberto Gil

.r-l*l r-l j/I.\ I


G Am G G4(add9) G Am // FtM.(#s)/ L / A7(1,, )* / Am(7M) A7Gr3)* /
Ena ho-ra do Porto da Ba¡ra fi---------------- o aflito

I-]
G G4(add9)
r.]_l
GAm
ofu¡i A7órg

c7(e) F7(e) v$4 rcbzQl

Am7(9) Bm7(9)

F7 (e) E7 (e)

obte) cz (c) G7(13)

^7bs)

FO/A EOIA A7órg

Dm6/A AmOM)

l--l
G G4(¡dd9)

A7ÓrO*
ru ñtt
x'It x.I d
GAm
I

@ copyrisht áy GAPA - GUILITERME ARAÚ,O PRODUCÓES nntSlCAS LTDA.


Adm. por WARNEVCIIAPPELL EDI9ÓES MUSICAIS LTDA.
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79
Songbook tr Gilberto Gil

Etaruxra
GILBERTO GIL

c*1(#s\ c7M

"m-m-m
c7M(#s) B7(#s)

A7 A7(#s)
ffi
"'m"m"m
ffi
lntrodugo:/ / / / s* / / / otvt / / / r* / / /

D7M / / / F# / // D7M / / / cnffql/l c7M(#s)


Falam tan-to numa no-va e--ra Quase esque-{em do eter-no é Só

/ c7M / nz$s\ /// c7M(#s) / ctvt / wgs)///


vocé poder me ouvi¡ ago-ra lá sig-¡i¡i-*a que dá W
D7M / / / F# / // D7r!{ / c*t(*s)/// ct}d{*s)
Novo tem-po sempre Se inaugu-r4 I A cada instan---{e que vocé viver o
/ c7r\r / B7(#t' /// c7r!r(#s) / ctv. /c7
que foi iá e'------------.r.a E náo há €-------------{ÍI Por mais no-va que possa cazer
///c7M///G7///c7r!Í/ //
de vol-----ta O tempo que vocO perdeu, per-deu Nño vol---{a Em-bora o mundo, o mundo De

c7/ / / ctIM / / / ci / / c*t t¡t / / / D /ntu/


tan-ta vsl-ta Em-tora olhar o mundo cause tan-to me-{o Ou talvez tanta revol-ta
I hl
Jo (_-l
A7(#s) D7M / / / F* / // D7M / / / cvt(#s)///
A verdaie sempre está üa hHa Em-tora vo.----+e pense que náo é

c7M(#s) / c7M / w(*s) /// c?M(#s) / ctrvt


Como o seu s¿be-|s cres---{e alHa Sem que vo---+é pos-sa perceber

B7(#s)/// otll / / / F# / // D7M / / / c#7(#s)


0s cabe-los da ¿¡e¡-¡id¿-{s ¡6¡-!os que os tempos de ago-ra
Sáo mais
/// ctM.t*s> / c7M / B7(#s) /// c7M(#s) /
Sáo mais lon-gos que os trempos de outro-ra Sáo mais lon-gos que

c7M / c7/ / / crw / / / c7/ / / cTlvf / /


os tempos da o-rÍl oo-vi Da nova, nova, nova, nova No-va o---4n Da era, eqa. eda,

/ ct/ / / criil / / / G7/ / / c7M/ / / c7/


e-ra E-¡a no-va Da nova, nova, nova nova No-va H& Da era, e-ra, e--ra, o-ra E--+a

xI (_-a
hl
/ e+t ¡t / / / D7 / DTM / st(*s't D?M / // F#///
no-va Que sempre es--teve, que está pra nas-cer f¿l¡n 1¿¡-¡s...
ao
Songbook E Gilberto Cil

cil7(f s)

c7M(f,s) B 7(ils) c7M(üs)

Ocz I cil7 A7

I)k' \)k'\t a
D7M A7(üs)'\/
D.C.
Ao#

c7M

| |\l
x.
I tJl
x'^
A7(üsr D7M

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8l
Songffi tr Gilberto Gil

Botérico
GILBERTO GIL

G¡o Vn F#

ffi ffi.m
*ffi ''m"m-m"m
ElY ) E¡ (9) A7

-m "m"m"'m -m-m
A: (e) A7( l', ) A7* Ab7(#11)

Introdusso: o/// //// Gto/// //// o/// //// Gtn/// ////


D // / Ezo/ //////Gtn / / / / / / /o////////
Náo adianta nem me abandona¡ Porque mistério sempre há de pintar por aí

/ / / E¡o / // //// Gto / / / / / / / D//


Pessoas até muito mais váo lhe amar Até muito mais difí---ceis que eu pra vocé

/ Gto / / / // / / o/// ////r*///nw / /


Que eu, que dois, que dez, que dez mi-lhÓes Todos iguais Até que nem tanto

/ sw / ///// / E7(,1) / E7(s) / ElQ)/87 / tt/Ll|p)A7(?")L7+/Ab7(#11)


esotérico assim Se eu sou at-go incom-preensível Meu De-us é mais

/e///em / / / o /// //// / // / Ezn/ // ////


Mistério sempre há de pintar por aí Náo adianta nem me abandonar

Gtn / / / / / / / / / / / / / / / o ///
Nem ficar táo apaixonada, que na---da! Que náo sa-be nada¡ Que mone a-fogada por mim

82
Songboo& tr Gilberto Cil

nl(r)
I ll I
A7 el(r) A7fl?,

ez' abz(rr;

Fadc ü.t
@ copyríght át
cApA - GUILIIERME An¡,ú¡O pnOOUtoEs ARTIsTIcAs LTDA.
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8g
Songbook trt Gilberto Gil

GILBERTO GIL

G1 G7(#e) c7(b9)

"'m "'m '"m


ffi AbTNT
ffi ffi
Dm7(bs) Ab7
Fm7 Bb7(b* ir ) G7(b13)

_m ffi ffi ffi ffi


F,¡ C c(#s) ri (e) Fm7(9) Bb7(13)

ffi ffi ffi ffi


cm // Fm // cm // Fm
Yó yó yó yO yO YO yO yÓ vÓ YO vÓ vO vó vt' YÓ vÓ vÓ

/ / cm // Fm / / cm // G7 G7(#e) G7
yó Yó yó yÓ YÓ YÓ Y0 YÓ YÓ Yó ail-ah I

cm / / / / / emt / / c7(be) / / Fm7 / / Bb7(9?,) /


Baixa Santo s¿l-y¿iq¡ Baixa Seja como for Acha Nossa di-reEAo

/ emt / / c7(b13) / / AbTM / / / / / omtlaq/ / Lbj


Flecha Nosso co-raQeo Puxa Pelo Dos-so ¿Imor Racha Os muros

/ /ct// /// ////// cm // Fm / / cm // Fm


da prisáo Extra Resta uma ilusá-áo Extfa Resta

//cm//Fm//cm//G7G7(#s)G7Cm// prisáo
uma ilusá-6o Extra Abra-se, cada--{ra-se a Baixa

/ / / Gm7 / / c7(be) / / FnnT / / Bb7(lil) / /


Cristo ou O-xalá Baixa Santo ou Orixá Rocha, chuva, l¿-5s¡' gás

cniT // c7(b13) / / AbTM // / / / omz(us)// Ab7 /


Bicho Planta, tan-to faz Brecha Faqa-se abrir Deixa Nossa dor

/ez// /// / // /// cm //rm / / cm//Fm


fugir Extr.a Entra, por favo-or Extfa Entra, por

a4
Songbook c Gilberto Gil

/ / cm // Fm / I cm //et c7(#e) GzF,zc /


favo---or Extra Abra-se, cada-bra-se o temor Eu, tu e todos no
/ c(*s) / / Fl(e) / / pt(g) / / Fm7(e) / /
mundo No fundo, tememos por nosso fu--turo ET e todos os santos.

Bb7(13) / / Ab7 // G7 / / cm// G7


valei-nos! Liwai-nos desse tempo !
escuro Lá lá lá. 1á, lá iá lá lá Lá lá

/ / cm// Gi// cm // Fm //
tá lá tá iíL lá lá Yó y6 yó yó yó yó .yó y6 yó yó

cm / / Fm / / cm ,/ / Fm / / cm
yó yó yó yó Yó yó yó uh Yó yó yó yó yó yó yó yó yó Ah-ah I

/ / G7 G7(#e\ Gj

instrumental

GTtD G7

c7 bs)

c7ü13)

nmzds)

85
Son$ok tr Gilberto Gil

c($s) Fm7(9)

nbz(r¡)

*x
Se4rep,
et

cTqe) G7

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86
Songbmk D Gilberto Gil

knobis GILBERTO GIL E CAPINAM

Bb(¡r )

9s¡ Fl¡' E7/e*

ilI

ffi ffi

Dm7/ /
Mi-Se-{e-ro-ra
/ c///
nobis
Dm7/
O-r4 H8
/ / c /
pro no-bis
// Dm7
E
/
no sem-jre
C
se-rá, ó

///omt///c / / /Bb7(h)///tmt///Gi /et/


Íaiá É no sem-pre, sem-pre seráo

czga/Vt/Abo/ctc / E1¡c+ / Am7 /


Iá náo so-rnos como na chega------da Ca-lados e ma_gos, es_peran_do o

czs¡ / Ft¡ / E7lC,+ / CZe / ETze* / czc / ETze*


jan-tar Na borda do pra-to se limi-+a a jan-ta As espi-nhas do peixe

/ cte / ETte# / czc / ETH / cte / ETze*/omt///


de vol--ta pro mar As espi-nhas do peixe de vol-------{a pro mar
c///omt/Nfi-ss-¡s-{e-re
/ / c/// Dmz/ H8/ / c /
pro no-bis
// D m7/
no sem_pre
nobis O-ra, E

c///Dn7///c///et///c/
se-rá, O Iaiá É no sem-pre, sem----pre seráo Toma¡a que um dia, dia, um dia

Am7 / Dm7 / ct / c / czs¡ / Fz¿, / Bb7C,1\ c /


se-ja Para todos e sempre a mesma cer-ve-ja Toma-ra um que um dia, dia,
/t¡mt / Dm7 / / / / / páoct// / / que / c /
dia náo Para todos e sempre metade do um dia, dia, um dia
To-mara

Am7 /om7 / G7 / c / c¡s¡ / Vt¡ / Bb7(lú\ / c


se-Ja Que se-ja de linho a tG-alha da me-sa Toma-ra que um dia, dia, um
/tmz/oml / //// G7/omt///c///omt///c
-sa
dia náo Na mesa da gente tem banana e feijáo

///omt / / / c / //omt/ 6'---¡a / / pro cno-bis


/ / / Dmt / / /
E no sem-pre
c / //
]v[i-5e¡s-¡e-¡s nobis O-ra, será, Ó Iaiá

87
Songbmk tr Gilberto Gil

/ c / / / nv(i,,)///tmt///Gl4 / G7 / C / Ctnu
Dm7 / /
É no sem-pre, Sem-pre seráo . Já, náo So-rnoS

/ Vt / Ab / czc / -, ETe* / amz / czn¡ / F¡t'


como na che-ga--------da O sol já é cla-----{o nas águas quietas do mangue }s¡-
/ ETe+ / c¡c I nTe* / Cte / ETte* / czc /
{amemos yi-¡l¡s no linho da me--sa Mo-lhada de vi-nho e mancha----------da de

ETe+/c¡c/87¡e+/ctc/ETe+/omt///c///
sangue Mo-lhada de vi-nho e ma¡cha--------{a de sangue

Dm7///c///Dm7///c///Dmt///c/ pro no-bis E no sem-pre se-¡á,


Mi--se-re-re-re nobis O------{a, o-ra Ó

/ / Bbl(?tr) / / / Am7 / / / ////trm / / /nm /


lu^ É no sem---?re, Sem---fre seráo Be, re, a, bra, se, i, le, sil

//¿,m/ / /omz / // cm/ / / ct / F / //nmt


Fe, u, fu, se, i, le, sil Ce, a, ca, ne, a-ga, a, o, til, áo Ora Pro no-bis
G7 c / t¡mt / nmt G7 / c / // //// Dm7/// c/// Dm7/// c///
G-ra pro nobis Ora pro nobis

Dm7// / c///nmt/ / / c/ //Dmt/ / c / //Dmz


6 laiá
¡vfi-sere-re-re nobis O-ra, o-ra pro no-bis E no sem_pre será, E

/// c / //
no sem-pre, sem--pr9 Serao

DO
"c
J

Bb7(fii) c7¿ gl

E7lcl

ETtcü ETtcil ETtGI E7tGfi

ETtGI E7/Gil
Songbmk tr Gilberto Gil

Dm7 C

ffiov
| \.1/ | tl
a

s Bb7(ill,)

-lt.c.

Dm7 G7 Dm7 G7

Dm7

Fade Out

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89
I
I
I
I
I
Songbook É Gilbero Gil t
Flora
GILBERTO GIL

G¡ (9) G7(b9) c7M(#S) c7M A1(e) A7(e) A#n{7M)

ffi ffi
DlmT(bS) Ft(#1r) En{ia E7M(9)
ffi-m F#7M BbTOe)

"m
A7M c#i(e) c#7(e)
ffi BrnG x)7p¡
ffi-m
F#ó Abz(e)

ffi ffi ffi Em7(b5)

-m-'m
Bb¡(e) Bb7(e) Bm(7M)
ab7(b9) DbTM(fs) Db7ñt

ffi FmG')
ffiry ffi ffi-m
-m
Gb7(#11) F7M(e)

VI
'"m
D7M(#s) D7M B¡ (9) An(7Ir) Fm7(bs) c7(#11)

''mil vuI

F#m(?M)

-m"m D#¡ (e) Df7(e) C*m(3

"mur
"),,C* cm(i\\ze

ffi c'M.(g)zc
ffiG7(e)

-m
AbTM BTIVÍ Bb7

90
ffi
Sontbdk o cilbcrro ci¡

cl(e) / c7(be) / cTryf(#t / ctl' / AlQ) / A7(e) / A*n(7tO


Imagino-te já ido-sa Frond+*a tgF<a a fo--

/B¡mt /D#n?Os) / Fz(#n) / EnGg / E7M(e) / FrM ///wn¡


lha-gem Multipli-cada & rama----f,em de &-gora

/ sara\ / ¡tlM / / / clbe) / c7M(#s) - ctll / / Flores


tudo t¡ans--<orri-------do ./
¿.at c1¡e) Ll(s)
Tendo

A7(e) / .A#D(7IO / Bm7 / D#m7(bs) / Fr(#ll) /


e fru---tos da i-rna-gem Com o que fa_--_jo essa

Em(ll / ETrvr(e) / c*14e) / cft(s) / sm(lM)2tr# /we / FzM / / /


üa------gem Pelo reino do teu no-¡n€ Ó Fle--+a !

FffM / saz(bg\ / t¡z:s{ / t¡¡t / GlQ) / / / / / / / / / c7(be) / cilvr(#s) /


Ima4ino{e jaquei-*a
crM/A74p\/_ A7(9) / A#m(?Tvt) /F¡mt/ D#m7O5) / F7(#u)
Posta------{a i bei----ra da tra----{a Velha forte,

- /
far--{A
Em(?) / E7M(e)/ rrvr ///t*tu/saz(bs)/tttu/tt¡t/cle)/
be----------l a se_nhora

c7(be) / c7M(#s) / ctu / Llo) / A7(e) / A#m(7rVf)


Pelo cháo muitos caro-------!os Como que res-----{os dos

/
nos-6os
Bm7 ,/ o*mz(us, / F?(#tl) / nmg\ / E7M(e) / cüe\ /
pró---prios sc-nhos de-vora----------*---dos Pelo

c#7(s) / Bm(l\an / r*e / wvr / / / wn¡/ s¡t(¡s) / stM. / /\at / A},IQ)


piássaro da atrG-ra ó Flo---------+a!

/ / / / / / / / / Ab7(be) / Db7ñ{(#s) / ouzvt / Bb¡(e) / Eb7(e) /


Ima-gino+e futu---------{a Ainda mais linda, madu-

Bm(7M) / cm7 / smt(e,s) / cb7(#tr) / Fm('I) / F7M(e) / F#7M ///


Pura no sabor de amor e de a-mora

c7M /St /g¡7IM / t¡t / Al{e) / t¡z(c') / DzTú(#s) / otv. /B1(9 /


Toda aluela luz 8co-------------{o Na dogu-

B7(e) /
_ra e
Cm(7M) /
na be___le_za
C#m1 / r'mz(us) / c7(#ll) / F#m(?lVl) /
Te--rei Sr-no. com cer ta---------------4a

F#7rú / D#Ze) / D#7(e) / c#m(¡ "Yc+ / e*e / cm(I\ze / c6 / tr¡tu /


Debai-xo da tu.'a s6¡¡-f¡¿ ó Flo--a !

c7 / sTNr / s¡z / AIQ) / ttt(c) / A'¡IQ) / t¡¡t(g) / cIQ) / ct@s) / cl(s) / c7(be) /
C7Tú(,/GGoG1(9)G7(9)C7M(9)76GoG1(9)37(9)iHu,",(o)C1M(g)/G

Go G¡(9) G7(e) c7M(9)/c co c¡(9) c7(e) crM(e)/c co cl(e) c7(e)


ó Flora !

9t
Songbook D Gilberto Gil

c1(e) czócl c7M(üt A1(e)

A7(e) AfmflM) oifmzlbs¡ F7(fl ll)

cke) G7 bs)

c7M(f,s) A1(e) A7(e) rflm0M)

nflmztbsr F7d11)

cfllor c{7(e) nm1lM¡rfi Ffl6

^,.ñ.

A7M

^húst

DbTM(flt nhllr¡ nbztsl Bm0M)


Scrgbook g Gilb€rto Gil

Emzó9 cbz(ri rm($

elrrl A7(e)

CmOM)

cz1flr¡ FflmOM) ofllrrr

cmllMyc

ebzu alrrl
b

rbllr¡ clel

cltcl czu(gyc- co e'nt9l G7(e) czu(g)tc co

clo¡ G7(e) c7M(9yc co ctrcl G7(e) c7M(9yc c" cltrl c7(e)

c7M(9)/c c]trl c7(e) c7M(eyc G" clrrl G7(e)

Fde Out
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93
Songbook tl Cilberto Gil

Indigo blue
GILBERTO GIL

c7M

'"m"m'm
A7 BTG13) c7(#1r)

-m "m
Em7///A7///ol///Em7///////t¡z
Índi-go blue, índi-go blue ÍnOi-go blu-seo Índigo blue, índi-go

/// Di / / /nmt/// // / / A1 /// P',/


blue io¿i-go blu-sáo Índigo blue, índi-go blue ÍnCigo

/ /nmt/// / / / / A7 /// DI/ / /nmt ///


blu-sño ÍnOigo blue, índi-go blue Índigo blu-sáo

/ / / / / / / Dl / / lnmt // / /
^7
Sob o blusáo, sob a blu-sa Nas encos--{as lisas do monte do peito Dedos

/ / / A7 / / / DZ / /lnmt / // /
ale-gres e al:oi-tos Se apres-S¿rm em busca do pico do pei-to De onde os

/ / / A7 / / / Di / / / w{ú.tt)/// C7M//
efei----+os gozo-sos das ondas de prazer se propa-ga-ráo Por tÑa essa

/ w(an) / / / czlM / / / c7(#rr) / // B7or3) / / / Emz///


ter------ta amiga Desde a serra da bani-ga As gru-tas do co-----+a-1ño

// / A7 /// Dl / / /nmt/// / / / / A7
Índi-go blue, índi-go blue Índi-go blu-sáo Índigo blue, índi-go

/// Dl / / /nmt/// // / / /// DT/


blue Índi-go biu-sáo Índigo blue, ^7 biue
índi-go Índigo

/ /nmt/// // / / A7 /// Dl/ / /smt ///


blu-sáo Índigo blue, índi-go blue ÍnOlgo blu-sao

/ / / / / / / D¡ / / / Em7 /// /
^7
Sob o blusáo e a gaml--_s¿ Os ¡¡¡!59¿-l6s ¡¡{sg¡-l6s dizem respei-to A quem,

/ / / tt / / / Di / / /smt ///
por direi-to, c¿ure-ga es-sa terra nos ombros Com todo o respei-{o E a

/ / / / t¡t / / / D¡ / / / w$t3)/ / / cin, / /


deposita a cada di-a num leito de ou-vons Suspenso no céu Tornan----do-se

/ stfttt\ / / / crM. c7(#tr) /


/ / / // B7Ol3) / / /nn7///
seu abri-go Seu guar----diáo, seu ami-go Seu ¿¡¡¿¡-1e fi-sl
Songbook tr Gilberto Cil

B7dr3)

Fde Out

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