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FACULDADE DE SINOP
CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO

JERRY ADRIANI ALVES DA SILVA

CONDOMÍNIO HABITACIONAL DE INTERESSE SOCIAL COM


CONCEITOS SUSTENTÁVEIS

Sinop/MT
2019
1

JERRY ADRIANI ALVES DA SILVA

CONDOMÍNIO HABITACIONAL DE INTERESSE SOCIAL COM


CONCEITOS SUSTENTÁVEIS

Trabalho de Conclusão de Curso


apresentado à Banca Avaliadora do
Departamento de Arquitetura e
Urbanismo, da Faculdade de Sinop -
FASIPE, como requisito parcial para a
obtenção do título de Bacharel em
Arquitetura e Urbanismo.

Orientador: Profº: Jonathan Osti.


Coorientador Profº. Drº Marcos
Fernandes de Carvalho.

Sinop/MT
2019
2

JERRY ADRIANI ALVES DA SILVA

CONDOMÍNIO HABITACIONAL DE INTERESSE SOCIAL COM


CONCEITOS SUSTENTÁVEIS

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Banca Avaliadora do Curso de Arquitetura e


Urbanismo, FASIPE Faculdade de Sinop, como requisito parcial para obtenção do título de
Bacharel em Arquitetura e Urbanismo.

Aprovado em _______/________________ 2019.

________________________________________
Jonathan Osti
Professor Orientador
Departamento de Arquitetura e Urbanismo - FASIPE

________________________________________
Professor (a). Avaliador (a)
Departamento de Arquitetura e Urbanismo - FASIPE

________________________________________
Professor (a). Avaliador (a)
Departamento de Arquitetura e Urbanismo - FASIPE

________________________________________
Arq. Jennifer Beatriz Uveda.
Coordenadora do Curso de Arquitetura e Urbanismo
FASIPE – Faculdade de Sinop

Sinop/MT
2019
3

DEDICATÓRIA

“Dedico este trabalho ao amor da minha vida,


minha esposa Eliane Fondelis, que teve papel
fundamental para o projeto ser concluído.
Dedico-o, também, ao meu filho Vinícios, que
foi responsável por me alegrar nos momentos
de estresse e dificuldades”;
4

AGRADECIMENTOS

- A Deus por ter mе dado saúde е força para


superar as dificuldades.
- Ao professor Jonathan Osti, pela orientação,
apoio е confiança.
- Ao Prof. Drº. Marcos Fernandes de Carvalho
pela oportunidade е apoio na elaboração deste
trabalho.
- A todos que direta ou indiretamente fizeram
parte da minha formação, о meu muito
obrigado.
5

EPÍGRAFE

Duas coisas definem você: sua paciência


quando você não tem nada e sua atitude
quando você tem tudo (Autor Desconhecido).
6

SILVA, da Jerry Adriani Alves. Condomínio habitacional de interesse social com conceitos
sustentáveis. 2019. 88 fls. Monografia de Conclusão de Curso. – FASIPE – Faculdade de
Sinop.

RESUMO

Este estudo objetivou apresentar um relato sobre a história das moradias, as tentativas através
de vários modelos em amenizar a falta de moradia para as pessoas de baixa renda no Brasil.
Apresentou estudos de quatro casos de construção de condomínios de interesse social que
serviram de referência para a elaboração do projeto arquitetônico e de um novo modelo de
conjunto de interesse social vertical com conceito sustentável e que vise uma melhoria na
qualidade de vida e conforto a essa demanda. Para este estudo foi utilizado a metodologia
quanti-qualitativo, com o objetivo de apresentar resultados que possam corroborar com estudos
já existentes sobre a temática proposta, e com isso produzir estratégias e um novo projeto que
possa ser utilizado como referência na construção de conjuntos habitacionais de interesse social.

Palavras chaves: Arquitetura. Habitação. Social. Sustentabilidade.


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SILVA, by Jerry Adriani Alves. Housing condominium of social interest with sustainable
concept. 2019.88 fls. Course conclusion monograph. - FASIPE - Faculty of Sinop.

ABSTRACT

This study aimed to present an account of the history of housing, the attempts through various
models to alleviate homelessness for low income people in Brazil. It presented a study of three
cases of construction of condominiums of social interest that will serve as reference in the
elaboration of the architectural project of a new model of vertical social interest with a
sustainable concept that aims at a better quality of life and comfort to this demand. For this
study, the quantitative-qualitative methodology was used, aiming to present results that can
corroborate with existing studies on the proposed thematic, and with that produce strategies and
a new project that can be used as reference in the construction of housing complexes interest.

Key words: Architecture. Housing. Social. Sustainability.


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LISTA DE GRÀFICOS

Gráfico 1 - A sua casa possui a quantidade de cômodos suficientes para que sua família possa
viver com conforto? .................................................................................................................. 34
Gráfico 2 - Você acredita que a distância da sua casa do centro da cidade te impede de ter
acesso a saúde, educação e lazer de qualidade? ....................................................................... 35
Gráfico 3 - Você acredita que a distância da sua casa do centro da cidade te impede de
conquistar um emprego que você julga melhor? ...................................................................... 35
Gráfico 4 - O que é mais importante para você? ...................................................................... 36
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LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Casas conjunto Sebastião de Matos antes das obras de infraestrutura básica. ........ 37
Figura 2 - Vista aérea do conjunto Sebastião de Matos. .......................................................... 37
Figura 3 - Imagem da Secretaria de Assistência Social Trabalho e Habitação Sinop/MT. ...... 38
Figura 4 - Modelo planta padrão casas conjunto habitacional Sebastiao de Matos ................. 39
Figura 5 - Imagem aérea do conjunto Sebastião de Matos ...................................................... 39
Figura 6 - Paredes sem reboco casa conjunto habitacional Sebastiao de Matos. ..................... 40
Figura 7 - Vista aérea do bloco A conjunto habitacional Pedregulho ...................................... 41
Figura 8 - Vista aérea do bloco A conjunto habitacional Pedregulho ...................................... 42
Figura 9 - Imagem da planta de implantação do Conjunto Pedregulho ................................... 43
Figura 10 - Imagem dos pavimentos do bloco A...................................................................... 43
Figura 11 - Modelos plantas conforme dormitórios dos apartamentos .................................... 44
Figura 12 - Imagem ginásio de esportes e piscina .................................................................... 44
Figura 13 - Imagem Lavanderia coletiva Conjunto habitacional Pedregulho .......................... 45
Figura 14 - Imagem da vista geral do edifício habitacional de Marselha................................. 46
Figura 15 - Imagem das janelas do edifício de Marselha ......................................................... 46
Figura 16 - Imagem da construção sobre pilotis edifício de Marselha ..................................... 47
Figura 17 - Imagem da planta de implantação do edifício de Marselha ................................... 48
Figura 18 - Imagem de corte da planta dos apartamentos do edifício de Marselha ................. 49
Figura 19 - Imagem de corte da planta dos apartamentos do edifício de Marselha ................. 49
Figura 20 - Imagem da cozinha dos apartamentos do edifício de Marselha ............................ 49
Figura 21 - Imagem do comércio do edifício de Marselha....................................................... 50
Figura 22 - Imagem do edifício de Heliópolis .......................................................................... 50
Figura 23 - Imagem do Playground edifício de Heliópolis ...................................................... 51
Figura 24 - Imagem aérea dos blocos do edifício de Heliópolis .............................................. 52
Figura 25 - Imagens da construção em andamento do edifício de Heliópolis .......................... 52
Figura 26 - Imagens da construção em andamento do edifício de Heliópolis .......................... 52
Figura 27 - Imagem da planta geral dos apartamentos tipo edifício de Heliópolis .................. 53
Figura 28 - Imagem da planta do apartamento tipo único (esquerda) edifício de Heliópolis .. 53
Figura 29 - Imagem da planta do apartamento térreo (direita) edifício de Heliópolis ............. 53
Figura 30. Imagem de implantação do terreno a ser construído. .............................................. 57
Figura 31. Imagem dos brises com as trepadeiras .................................................................... 58
Figura 32. Estrutura metálicas em aço galvanizado ................................................................. 60
10

Figura 33. Estrutura da parte interna e externa das placas de Steel Frame .............................. 60
Figura 34. Estrutura da cobertura com telhas termo acústico................................................... 61
Figura 35. Modelo de telha termo acústico a ser utilizada ....................................................... 61
Figura 36 e 37. Exemplo de vidro utilizado no projeto e modelo a ser utilizado na
construção ................................................................................................................................. 62
Figura 38. Modelo de cisterna para aproveitamento da água da chuva .................................... 62
Figura 39. Modelo de lixeira para coleta de lixo reciclável ..................................................... 63
Figura 40. Paver da calçada do condomínio habitacional ........................................................ 64
Figura 41 e 42. Modelo de paver da calçada do condomínio habitacional ............................. 64
Figura 43 Pergolado em Steel Frame revestido de madeira de reaproveitamento ................... 65
Figura 44. Planta da área verde, pista de caminhada e área de contemplação ......................... 66
Figura 45. Planta de implantação ............................................................................................. 66
Figura 46. Quadro das áreas totais............................................................................................ 67
Figura 47. Planta baixa do piso térreo ...................................................................................... 67
Figura 48. Planta layout do piso térreo ..................................................................................... 68
Figura 49. Planta de corte AA .................................................................................................. 69
Figura 50. Planta de corte BB ................................................................................................... 70
Figura 51. Planta de corte CC ................................................................................................... 70
Figura 52. Planta de cobertura .................................................................................................. 71
Figura 53 e 54. Planta de fachada Norte ................................................................................... 72
Figura 55 e 56. Planta de fachada Sul ...................................................................................... 72
Figura 57 e 58. Planta de fachada Leste ................................................................................... 73
Figura 59 e 60. Planta de fachada Oeste ................................................................................... 74
Figura 61. Planta apartamento individual ................................................................................. 75
Figura 62. Planta da casa de gás ............................................................................................... 75
Figura 63 e 64. Planta playground / 3d playground ................................................................. 76
Figura 65. Planta do estacionamento ........................................................................................ 76
Figura 66 e 67. Planta da área verde, pista de caminhada e área de contemplação / 3d da área
verde, pista de caminhada e área de contemplação .................................................................. 77
11

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 13
1.1. Justificativa ........................................................................................................................ 14
1.2 Problematização ................................................................................................................. 14
1.3 Objetivos ............................................................................................................................. 15
1.3.1 Objetivo Geral ................................................................................................... 15
1.3.2 Objetivos Específicos ........................................................................................ 15
2. REVISÃO DE LITERATURA .......................................................................................... 16
2.1 Casa, Moradia e Habitação ................................................................................................. 16
2.2 História da habitação coletiva no mundo .......................................................................... 17
2.3 História da habitação coletiva no Brasil ............................................................................. 19
2.4. Sustentabilidade ................................................................................................................. 24
2.4.1 Água .................................................................................................................. 26
2.4.2 Steel Frame........................................................................................................ 27
2.4.3. Iluminação ........................................................................................................ 29
3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS..................................................................... 31
3.1 Tipos de Pesquisa ............................................................................................................... 31
3.2 População e Amostra .......................................................................................................... 32
3.3 Coletas de Dados ................................................................................................................ 32
4. ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS ............................................................. 34
5. ESTUDOS DE CASOS ....................................................................................................... 37
5.1 Conjunto Habitacional Sebastião de Matos ........................................................................ 37
5.2 Conjunto Habitacional Pedregulho..................................................................................... 41
5.3 Conjunto Habitacional Marselha ........................................................................................ 46
5.4 Conjunto Habitacional Heliópolis ...................................................................................... 50
6. MEMORIAL DESCRITIVO E JUSTIFICATIVO ........................................................ 55
6.1 Projeto ................................................................................................................................ 55
6.2 Partido Arquitetônico ......................................................................................................... 55
6.3 Finalidade ........................................................................................................................... 56
6.4 Dados Gerais / Localização ................................................................................................ 56
6.5 Topografia ......................................................................................................................... 57
6.5.1 Sol ...................................................................................................................... 57
6.6 Acessibilidade..................................................................................................................... 58
12

6.7 Sustentabilidade .................................................................................................................. 59


6.8 Materiais ............................................................................................................................. 59
6.8.1 Steel Frame........................................................................................................ 59
6.8.2 Telhas termo acústicas....................................................................................... 61
6.8.3 Vidros temperados............................................................................................. 62
6.8.4 Cisternas de concreto......................................................................................... 62
6.8.5 Lixeiras para materiais reciclados ..................................................................... 63
6.8.6 Paver em concreto pré-moldados ...................................................................... 63
6.8.7 Pergolados em steel frame ................................................................................. 64
6.9 Setorização.......................................................................................................................... 65
7.0 PROJETOS ARQUITETÔNICO (PROJETO EM PRANCHA 01 A 06) .................. 78
CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................................. 79
Apêndice .................................................................................................................................. 80
REFERÊNCIAS...................................................................................................................... 81
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1. INTRODUÇÃO

A sociedade contemporânea vem passando por grandes transformações, tanto no


contexto econômico e social, bem como o contexto cultural. O homem faz parte desse processo,
e o trabalho faz dele um ser que, vive em busca de realizações, sejam elas pessoais e ou
profissionais.
O homem passa boa parte de sua vida em sua moradia, por isso viver em um ambiente
com conforto e qualidade de vida garante que outros aspectos em sua vida também estejam em
conformidade. Desde muito cedo temos relatos da forma de morar que os primeiros homens das
cavernas estabeleceram, com o passar do tempo e a evolução essas moradias foram sendo
modificadas, passando a serem de palafitas e madeira.
No Brasil a moradia ganha relevância no período da revolução industrial, que é quando
as famílias saem das zonas rurais para irem trabalhar nos centros urbanos nas fábricas. Nesse
período começam a aparecer os sinais de escassez de moradia e o governo tenta intervir de
forma a contribuir para a melhora da situação. As questões de moradia sempre estiveram
presentes como uma preocupação evidente em todos os âmbitos governamentais, donde foram
lançadas iniciativas como o dos Institutos de aposentadoria e pensão, Banco Nacional de
Habitação e projetos como Minha Casa Minha Vida. A construção de conjuntos habitacionais
de interesse social em grande escala está associada ao processo de urbanização e crescimento
populacional nas zonas urbanas.
Com o passar do tempo foi implantado novos modos construtivos que podem beneficiar
as famílias que são atendidas por projetos sociais de moradia, entre eles está a construção por
steel frame, que visa ser uma construção mais limpa, sustentável e barata ao término da obra.
Este trabalho tem como objetivo inicial um estudo voltado para a construção vertical de
moradias de interesse social de maneira mais sustentável e assim possibilitar a essas famílias
qualidade de vida e conforto, uma vez que os projetos existentes não possuem essas
características.
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1.1 Justificativa

A partir do conceito já existente do modelo construtivo dos conjuntos habitacionais de


interesse social de forma horizontal, surgiu a preocupação em recria-los e reestrutura-los com
um novo projeto arquitetônico baseado em uma nova forma de construção (verticalizada). Os
projetos atuais por exemplo apontam falhas em relação aos aspectos básicos a serem
observados, como menor impacto ambiental no Brasil, a utilização de materiais de qualidade e
baixo custo, melhor aproveitamento de área a ser construída, utilização adequada dos recursos
naturais como, água através da utilização de cisternas e luminosidade através dos sistemas de
luz solar. Tendo em vista que a arquitetura pode auxiliar nesses processos, utilizando-se de um
conceito moderno e inovador de forma a garantir conforto e proporcionar a melhora na
qualidade de vida das pessoas que utilizam esse tipo de habitação.

1.2 Problematização

Conforme Art 25 do plano Internacional dos Direitos Humanos de 1948, é previsto


que todo cidadão possa ter assegurado um padrão de vida que lhe garanta saúde e bem-estar.
Dentre os itens básicos e necessários está a habitação (moradia). Deve-se proporcionar aos
cidadãos condições dignas de habitação com um modelo que atenda as demandas de
necessidades das famílias em todos os âmbitos, sejam eles ambientais, sociais, conforto e
qualidade de vida. O projeto de pesquisa busca criar e desenvolver um projeto arquitetônico
que vise o menor impacto ambiental, social e financeiro, para garantir uma melhor qualidade
de vida para famílias de baixa renda as quais são beneficiadas pelos conjuntos habitacionais de
interesse social. Portanto faz-se necessário o seguinte questionamento; se os projetos
arquitetônicos de conjuntos habitacionais de interesse social existentes oferecem condições de
moradia adequada para as famílias de baixa renda, garantindo quesitos básicos como transporte,
acessibilidade, infraestrutura, conforto e qualidade de vida. Neste sentido temos a possibilidade
de fazer algo melhor do que os padrões atuais?
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1.3 Objetivos

1.4.1 Geral

Criar e desenvolver um modelo de projeto arquitetônico com conceito de


sustentabilidade, de forma construtiva vertical, moderna e inovadora e que atenda as demandas
de habitação de interesse social no município de Sinop-MT.

1.4.2 Específicos
 Criar o projeto arquitetônico em todos os seus aspectos;
 Criar área de lazer com espaço natural e convívio social;
 Criar espaços com acessibilidade;
 Utilizar recursos naturais de forma sustentável;
 Utilizar materiais de baixo impacto ecológico / ambiental;
 Criar estrutura de reciclagem para materiais orgânicos;
 Gerar energia solar, com menor impacto ambiental, e
 Utilizar água da chuva através de manejo com calhas e cisternas para reaproveitamento
da mesma.
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2. REVISÃO DE LITERATURA

2.1 Casa, Moradia e Habitação

Os termos casa, moradia e habitação estão relacionados ao local construído pelo homem
e que possui a finalidade de proporcionar segurança, proteção e conforto para sua família e para
o sujeito, de modo que esses espaços vão sendo organizados conforme a necessidade da família
e sua forma de viver. No entanto, Medeiros (2016) conceitua que os termos podem não
apresentar diferenças significativas, dependendo da forma em que cada um deles é empregado,
pode levar a um significado próprio.
Ainda de acordo com o autor, habitação se entende por uma estrutura que serve de
abrigo e de referência para a família e ou para uma pessoa, enquanto habitat está ligada as
condições da localidade onde se encontra a habitação, e em moradia o autor entende que é uma
exigência decorrente da condição humana, abrigar-se, proteger-se e possuir um espaço ou local
que possa servir de referência para sua vida social de modo geral (MEDEIROS, 2016)
Souza (2004) sugere que o enfoque na condição de habitação seja o local, isto é, o
imóvel ou o bem enquanto moradia tem relação com o subjetivo do indivíduo.
No entanto Miguel (2002) conceitua casa como sendo uma parte ou um todo de um
edifício onde o mesmo está destinado a habitação humana, quando o mesmo diz está destinado
está se referindo a uma construção de uso familiar, onde possa haver troca de emoções entre os
moradores do local, e assim possam fazer desse local um lar ou casa. Dessa forma a casa se
apresenta como forma/espaço, e a partir de vários fatores como qualidade dos materiais
utilizados na sua construção, a forma como foram utilizados os espaços e até mesmo a estética
do local gera valor econômico para essa família (MIGUEL, 2002).
Miguel (2002) salienta que a casa é como uma unidade, e o resultado é complexo pois
implica em condições sociais, fatores econômicos e transformações nas condições da casa, que
leva em consideração o modo de vida das pessoas que ali habitam.
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Não se deve confundir o termo habitação com um simples teto para morar, pois
juntamente com o direito à moradia estão difundidos outros direitos essenciais, como segurança
por exemplo, paz, dignidade, dentre outros, que são citados nos documentos dos direitos
humanos (MEDEIROS, 2016).
Propiciar uma habitação digna para a população urbana não tem relação com garantir
somente acesso as unidades habitacionais, conhecidas como abrigos. A habitação possui em
sua estrutura composições que complementam esse termo, entre eles os aspectos de
infraestruturas como, por exemplo, o esgoto, a água tratada, a iluminação pública, a
pavimentação asfáltica, a drenagem pluvial, entre outras (BARON, 2011).
A habitação consiste em um bem de grande valor e está previsto por leis, e a sua garantia,
está no plano Internacional dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas do ano
de 1948 exposto no Art. 25.
1.Toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família
saúde e bem-estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os
serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença,
invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência fora de
seu controle (ONU, 1948, p. 6).

No plano nacional esse direito está garantido pela constituição de 1988 no Art 6 que
em 2000 passou a ser emenda constitucional com a seguinte redação “São direitos sociais a
educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção
à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição”
(BRASIL,1988). Por isso a moradia além de fazer parte do grupo das necessidades básicas de
um ser humano, é direito de todo cidadão, porém as classes de menor poder aquisitivo
encontram muitas dificuldades para ter acesso a esse direito (MARTINS, 2007).

2.2 História da habitação coletiva no mundo

Cada período na história possuiu uma forma muito particular de construção, levando-
se em conta vários aspectos como, local, cultura e os recursos existentes (LEITE; REBELLO,
2007).
O primeiro conjunto de pessoas em ambiente social surgiu ainda na época das cavernas
com os homens pré-históricos. Haja vista que desde essa época o homem utiliza-se de recursos
naturais para construir sua habitação, as cavernas foram utilizadas inicialmente como forma de
se proteger das chuvas e dos animais com o passar do tempo o homem começou a utilizar
peles de animais, folhas, galhos e ossos para construir tendas, cabanas e até mesmo buracos na
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terra eram utilizados como forma de abrigo considerando-se que os homens dessa época eram
nômades e não possuíam casas, utilizavam-se das cavernas e grutas e mais adiante as tendas
como forma de abrigo visto que eles ficavam naquele local somente enquanto conseguissem
obter alimentos (caça e água) (LEITE; REBELLO, 2007).
Com o passar do tempo e a evolução do homem foram surgindo novas formas de
construção como o barro, as palafitas, madeiras e alvenaria (LEITE; REBELLO, 2007).
A idade antiga é o início do surgimento das primeiras civilizações desenvolvidas, como
os Mesopotâmicos que criaram uma forte rede de comercio que girava em torno do rio Nilo,
dessa forma surgiu uma das primeiras sociedades organizadas, e sua forma de morar era escassa
levando em consideração que eles viviam em terras de planícies aluviais e não havia madeiras
como forma de matéria prima, por isso o recurso de maior acesso naquela época era a terra
(LOURENÇO, 2013).
As casas eram simples, com telhados feitos de argila e troncos de palmeiras e de forma
plana, o que contribuía para a entrada da água da chuva, quando essas eram com maior
intensidade, a maioria das casas mais humildes não possuíam janelas e a iluminação ficava por
conta de lampiões movidos a óleo de gergelim (LOURENÇO, 2013).
A idade média é marcada por um período histórico da Europa que vai do século V ao
século XV e consiste em uma organização política e social voltada para o feudalismo, ou seja,
de forma servil. Na idade média o modo de morar e trabalhar se tornam difundidos, onde a
convivência não é apenas das pessoas com vínculos familiares, mas patrão (mestre artesão) e
subordinados (funcionários e aprendizes) trabalhando e convivendo no mesmo local que muitas
vezes era um único cômodo (TRAMONTANO, 1998).
É muito comum no dia a dia confundirem o conceito de arquitetura moderna com
arquitetura contemporânea. Na maioria das vezes o conceito de moderno remete as pessoas a
algo atual, e isso não é uma verdade absoluta, pois o conceito surgiu na Europa em meados de
1453 com a tomada de Constantinopla pelos Turcos até 1789 com o início da revolução
Francesa (FRACALOSSI, 2011).
No século XVIII na Inglaterra ocorreu o início da revolução industrial, e houve um
aumento significativo na produção industrial gerando, assim um aumento populacional
desenfreado como consequência desse acontecimento as pessoas migraram das zonas rurais
para os centros urbanos dessa forma, o modo de moradia precisou ser repensado (ALMEIDA,
2007).
Segundo Almeida (2007), um dos problemas enfrentados nos centros urbanos com
relação a zona rural, era a maneira como a condição higienista era tratada, uma vez que no
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campo os dejetos eram descartados longe do convívio humano, na cidade esse evento ocorria a
céu aberto sem nenhuma preocupação, inclusive desenvolvendo atividades em seu entorno.
Almeida (2007) apud Engels (1845) publicou o livro “A classe operária na Inglaterra”
onde descreveu a cidade de Manchester como o típico cenário da revolução industrial naquele
momento. Relatou que o local era quase que de exclusividade operária, chamando a atenção da
higiene das tabernas e das lojas do local. Para Engels (1875), a nada por ser comparado as vielas
e vilas que vivem os operários.
Segundo Engels (1875) é muito difícil conseguir imaginar a desordem das casas, sem
nenhuma organização urbanística, de tal forma que não existe um alinhamento mínimo. As
casas eram construídas quase que umas sobre as outras, de modo que todo o espaço fosse
utilizado, pois onde quer que houvesse espaço, lá era construída outra casa, até que todos os
pedaços de terra existente entre as casas tenham sidos utilizados. As ruas sem pavimentação
asfáltica, não apresentavam condições de escoamento dos dejetos, parecendo com um chiqueiro
de porcos, por onde as pessoas caminhavam e afundavam os seus pés. Somente durante o
período de muita seca é que se tornava possível a utilização das vielas como caminhos
acessíveis. As casas se tornaram ilhas, com caminhos intermináveis de ruelas e becos
secundários, transformando-se cada vez mais em direção aos centros das cidades
(ENGELS,1975, p.78).
Em suma, a grande parte das moradias citadas por Engels, eram construídas por
empreiteiros proprietários das indústrias que estavam situadas no entorno dessas vilas operárias
a fim de aproveitar a maior quantidade de espaços livres e, dessa maneira, obter mais lucro com
os alugueis e vendas desses imóveis posteriormente que no início eram construídos para
favorecer os trabalhadores mas que ao longo do tempo foram se tornando imóveis para locação
e venda, tendo em vista que as casas eram construídas em terras que eram alugadas e com o
tempo os empreiteiros acabavam comprando essas terras e vendendo esses imóveis
(ALMEIDA, 2007).

2.3 História da habitação coletiva no Brasil

É sabido que antes da colonização dos Portugueses no Brasil já havia povos habitando
nessa terra, os índios espalhados em várias tribos possuíam uma forma muito similar de moradia
(VAZ, 2003).
A maioria das tribos habitam em ocas, que são construídas a partir de troncos de
arvores e coberta por folhas de palmeiras e palhas (VAZ, 2003).
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Com a chegada dos Portugueses demorou em torno de 30 anos para que se pudesse
observar as primeiras alterações na forma de construir dos brasileiros (VAZ, 2003).
No ano de 1534 a coroa Portuguesa implanta de forma efetiva a colonização do
território através das capitanias hereditárias, formando as vilas e uma nova configuração
arquitetônica ainda sem muito planejamento e recursos, as casas eram desalinhadas e não
possuía edifícios administrativos, a coroa percebeu que essa forma de povoação não estava
dando certo e intensificou as atividades urbanas no ano de 1549 construindo a cidade de
Salvador e mais tarde em 1565 a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, essas cidades foram
as primeiras a seguir um traço quadriculado de urbanismo (VAZ, 2003).
No século XVI a urbanização seguiu lentamente com a formação de pequenas vilas
dispersas ao longo de todo o litoral (MARTINHO, 1995).
A partir do século XVII ocorreu acontecimentos como invasões de outros povos e o
final do ciclo da cana que fez com que a coroa adentrasse mais no país dessa forma fazendo
com que a população se dispersasse e gerasse novos povoados (MARTINHO, 1995).
Durante o período de maior exploração do ouro em Minas Gerais fez com que a
população aumentasse em torno de 400 mil habitantes, necessitando um planejamento urbano
maior naquele local (MARTINHO, 1995).
No início da colonização o trabalho que prevalecia naquele momento era o trabalho
escravo que delimitava as condições financeiras daquela época, as cidades eram construídas de
maneira uniforme as casas eram uma construção em fita, não existia nenhuma forma de passeio
e inexistia vegetação, a construção das casas ocupavam todo o perímetro do terreno possuindo
duas águas, na cobertura era comum a utilização de telhas de barro (VAZ, 2003).
Os sobrados eram de dois ou três pavimentos e com uma construção bem primitiva
como pau-a-pique, taipa ou adobe, na parte inferior utilizava o espaço para comercio e o
pavimento superior para moradia (VAZ, 2003).
Enquanto no exterior ocorria o boom da revolução industrial, o Brasil caminhava no
sentido de evolução industrial no ramo têxtil, seguido pela evolução dos produtos de
alimentação (CUNHA, 2007).
Segundo Fausto (1998), até 1930 o Brasil era um país, predominantemente agrícola,
porém com o passar dos anos foi se observando o grande crescimento populacional urbano.
Nas maiores cidades do país, dentre elas a cidade de São Paulo, entre os anos de 1890
a 1900, ocorreu um crescimento populacional de 14% anual. Como resultado desse crescimento
deu-se então início aos primeiros vestígios do que hoje é chamado de crise habitacional
(FAUSTO, 1998).
21

Esse processo ocorreu devido às situações degradantes em que os trabalhadores viviam


naquele período como, por exemplo, questões básicas de higiene, que possibilitavam
contaminações através da água e epidemias de doenças. Foi nesse período que ocorreram as
primeiras medidas de intervenção governamental para amenizar as condições apresentadas, pois
gerava risco as condições sanitárias das cidades (FAUSTO, 1998).
Nesse período as habitações mais vistas eram os cortiços, estalagens e habitações
operárias, que em sua maioria ofereciam locais insalubres, sem ventilação e iluminação
adequada, banheiros e área de lavagem de roupas de maneira coletiva (FAUSTO, 1998).
Em decorrência das circunstâncias apresentadas pela condição de moradia e o aumento
desenfreado das cidades, o Estado tomou como medida intervir a forma de habitação para
controlar sua expansão. Bonduki (1998) sintetiza que o governo se utilizou de três maneiras na
tentativa de amenizar a situação naquele momento, a primeira delas foi a do controle sanitário,
a segunda foi o código de postura e legislação e a terceira foi a participação diretamente nas
obras se saneamento como a implantação da rede de esgoto, água tratada das áreas mais baixas.
Na ocorrência da primeira crise habitacional como forma de controlar a situação, o
Estado se une as instituições privadas oferecendo a elas benefícios em troca de construções
habitacionais na tentativa de resolver o problema de moradia, o Estado atua de forma limitada
através de favores, para que as instituições privadas construíssem as habitações para os seus
trabalhadores, oferecendo a essas empresas benefícios como isenção de impostos porém com
uma condição, que era não construir essas vilas no centro urbano. As empresas por sua vez,
aceitavam e ofereciam essas habitações aos seus empregados, essas habitações se denominavam
“vilas operárias” que consistiam em “casas unifamiliares construídas em série; realizadas por
empresas, para abrigar seus funcionários ou por instituições particular, como forma de
investimento” (BARON, 2011, p.107).
No período da República Velha com relação a qualquer tipo de regulamentação,
normatização e produção de habitação ou formas de locação desse período eram praticamente
inexistentes. Foi em 1923 com a chamada lei Elói Chaves que foi instituída as Caixas de
Aposentadoria e Pensão, um órgão que acabou beneficiando poucas pessoas, esse é o relato da
primeira tentativa de se instituir uma previdência no país, porém sem sucesso, desse modo
acabou se extinguindo e dando lugar aos Institutos de Aposentadoria e Pensão IAPs
(BONDUKI, 2014).
Em 1933 os IAPs, foram sendo criados conforme a demanda de classes trabalhadoras,
o primeiro instituto de aposentadoria e pensão a ser criado foi o dos Marítimos no ano de 1933.
(SILVA, 2016).
22

Em 1934 surgiu o instituto de aposentadoria e pensão dos bancários, em 1938 a dos


servidores do Estado, em 1940 cria-se o instituto de transportes e cargas e a dos comerciários
(SILVA, 2016).
A criação desses órgãos favoreceu o início de uma nova etapa no conceito de moradia
e habitação daquela época. O valor investido pelas IAPs em habitação nada tem a ver com o
fato de quererem diminuir ou contribuir com os problemas habitacionais do momento, mas
como forma de valorização do capital investido no fundo previdenciário que deveria ser
utilizado e preservado para os beneficiários (BONDUKI, 2014).
Em 1946 surge a Fundação Casa Popular, sendo o primeiro órgão que o Estado
implementou de nível nacional e que estava voltada de forma exclusiva as demandas de
residências populares a famílias de menor poder aquisitivo (AZEVEDO, 2011).
Com a queda do então presidente Joao Goulart, estingue-se também a Fundação Casa
Popular, dando espaço a um novo plano de habitação chamado de Banco Nacional de
Habitação. Esse foi o principal agente da política habitacional no período do regime militar,
funcionando como um banco centralizador para outros agentes financeiros de modo que
garantia crédito e depósitos dos financiamentos do setor imobiliário da época (VILLAÇA,
1986).
Villaça (1986) salienta que o orçamento do Banco Nacional de Habitação (BNH) era
advindo de arrecadação de forma compulsória de 1% da folha de pagamento das empresas
brasileiras que contratavam em regime de CLT, naquele momento ainda não existia o
recolhimento do imposto de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que foi criado
em 1966 e nem Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo - a caderneta de poupança, com
isso o Banco Nacional de Habitação tornava-se o segundo maior banco do país.
Ficou bem característico do regime militar a sua forma de gestão rígida, centralizada,
realizando no país mais de 4,3 milhões de unidades uniformizadas e padronizadas (AZEVEDO,
2011).
Conforme o surgimento do BNH em 1964 e 1965 também surgiram as Companhias de
Habitação Popular (COHABs) dessa forma se integraram ao Sistema Financeiro de Habitação
(SFH) com a perspectiva de diminuir o déficit por moradias e assim utilizar os recursos do BNH
(MANDAJI, 2014).
Com o passar do tempo, o BNH não conseguiu atender, satisfatoriamente, as demandas
do período sendo então em 1986 extinto e assim dando lugar a Caixa Econômica Federal (CEF)
(MANDAJI, 2014).
23

Com a extinção do BNH houve um abalo na política de habitação social nacional, onde
ela deixa de ser prioridade federal e passa a ser de competência municipal, dessa forma o agente
financeiro CEF atua como parceiro financiador (MANDAJI, 2014).
Com isso a quantidade de valor investido na habitação social diminuiu e por
consequente a diminuição na construção das moradias também ocorreu gerando então uma
escassez habitacional (MANDAJI, 2014).
Neste sentido Campos (2005) complementa que; a falta de habitações continua a existir
devido ao modelo econômico que exclui e a alimenta as desigualdades sociais, e que isso está
interligado com fator de renda inferior oferecida a essa população e a falta de geração de
emprego, levando-os a se deslocar para áreas mais periféricas das cidades na tentativa de
conseguir atender as suas necessidades mínimas.
Nos planos de governo do presidente Fernando Collor de Melo foi lançado o Plano de
Ação Imediata para a Habitação (PAIH) que previa a construção de 245 mil habitações em um
prazo de 180 dias, mas não foi capaz de cumprir a meta estabelecida. No governo seguinte,
Itamar Franco lançou o programa Habitar Brasil e Morar Município, os quais beneficiariam
famílias de baixa renda, mas como os programas possuíam muitas exigências burocráticas e
restrições nem todos os municípios conseguiram captar os recursos necessários para implantá-
los (AZEVEDO, 2011).
No início dos anos 2000 foi aprovado o Estatuto das Cidades, pela Lei Federal 10.257,
que previa oferecer um maior suporte jurídico no que tange as estratégias e planejamento
urbano. Destaca-se que essa lei propõe “que a descentralização e a democratização caminhem
juntas para garantir a plena legitimidade social dos processos de planejamento urbano [...] e
gestão de cidades. ” (FERNANDES, 2008, p. 44).
Mota (2010) salienta sobre o quesito habitação no Estatuto, que o mesmo reforçou
sobre o a garantia da função social através os instrumentos de propriedade e regularização
fundiária, concessão para fins de moradia em zonas especiais de interesse social.
O plano de governo atualmente utilizado para as demandas de habitação social no país
é o programa Minha Casa Minha Vida, que surgiu em 2009, dividindo-se em três etapas. A
primeira etapa, segundo Pacheco (2000), tinha como proposta inicial a construção de um milhão
de novas casas, dividida em três faixas de renda, sendo que na faixa um cada família não poderia
ter renda mensal maior que o valor de R$ 1.395,00, na segunda faixa a renda poderia variar de
R$ 1.395,00 a R$ 2.790,00 mensais, e na terceira faixa a renda poderia ser entre R$ 2.790,00 a
R$ 4.650,00.
24

Cada faixa de renda tem uma forma singular de aprovação. Na faixa um os municípios
são os responsáveis por selecionar e hierarquizar a demanda de famílias atendidas através dos
programas sociais, já na faixa dois e na faixa três o imóvel é adquirido de forma direta através
da instituição financeira e agente financiador (PACHECO, 2000).
A segunda fase do programa que ocorreu entre 2009 e 2011 e o número de unidades
foi ampliado para dois milhões. Nesse período ocorreu uma modificação na faixa de renda de
todas as faixas, a faixa um passou a ser de R$ 1.600,00, na faixa dois entre R$ 1.600,00 e R$
3.100,00 e na faixa três R$ 3.100,00 a R$ 5.000,00, nessa nova etapa houve uma prioridade
para as faixas de renda menor, no qual correspondeu 60% das aprovações de contratos
(PACHECO, 2000).
Já na terceira fase que foi lançada em 2016 o programa tinha como meta construir 2
milhões de moradias até o ano de 2018. Nessa nova etapa as regras de concessão foram
modificadas com relação a faixa de renda (PACHECO, 2000).
Segundo Rolnik (2015), na fase três foi acrescentada mais uma faixa de renda ficando
então a faixa um destinado às famílias com renda mensal bruta de até R$ 1.800,00; faixa, um e
meio destinado as famílias com renda de até R$ 2.350,00; faixa dois, famílias com renda entre
R$ 2.351,00 e R$ 3.600,00 e faixa três, famílias com renda bruta mensal acima de R$ 3.600,00
e até R$ 6.500,00.

2.4 Sustentabilidade

Araújo (2014), conceitua sustentabilidade como


um sistema construtivo que promove alterações conscientes no entorno, de forma a
atender as necessidades de edificação e uso do homem moderno, preservando o meio
ambiente e os recursos naturais, garantindo qualidade de vida para as gerações atuais
e futuras (ARAUJO, 2014, p. 1).

A definição de sustentabilidade foi estabelecida com base em um processo histórico


longo, bem como a compreensão da existência dos problemas sociais, econômicos e de ordem
ambiental (SARTORI, 2004).
Desse modo, a sustentabilidade é a forma como se deve tratar as decisões e ações que,
entre si, equilibrem o contexto social, econômico e ambiental. Segundo Zappa (2013), esses
aspectos são descritos de maneira que o desenvolvimento social deve ser baseado em condições
de princípios como justiça social, oportunidades iguais, coesão social, solidariedade e proteção
do capital humano.
25

Enquanto o aspecto econômico tem por objetivo principal atingir o equilíbrio ente os
meios de produção e o consumo, gerar empregos e gerar a estabilidade dentro do sistema de
economia e comércio internacional. Já o aspecto ambiental, tem em vista a promoção do
desenvolvimento ambiental através da utilização dos recursos naturais de forma equilibrada,
dentro dos aspectos urbanos e rurais (ZAPPA, 2013, p. 9).
A concepção de construção sustentável consiste em desenvolver um modelo que além
de enfrentar os principais aspectos ambientais existentes, proponha uma solução que atenda a
necessidade dos usuários, sem abdicar das tecnologias e materiais existentes no marcado. Deve
ser vista de maneira global e suas complexidades devem ser avaliadas (ARAÚJO, 2014).
É de forma progressiva que a sustentabilidade vem sendo implantada nas formas
construtivas, sendo suas abordagens bastantes recentes. Os termos mais utilizados dentro desse
contexto são, construção sustentável, produção mais limpa, economia verde, responsabilidade
social, consumo sustentável entre outros (ARAÚJO, 2014).
Foi no ano de 1972 na cidade de Estocolmo que foi realizada a primeira ação em
âmbito global voltada para o desenvolvimento sustentável, porém o tema passou a ser uma
questão de política ambiental a partir da Rio 92, que tratava assuntos sobre o meio ambiente e
desenvolvimento. Através do relatório Nosso Futuro Comum, a ONU elaborou o conceito de
que “desenvolvimento sustentável é aquele que busca as necessidades presentes sem
comprometer a capacidade das gerações futuras de atender suas próprias necessidades”
(MIKHAILOVA, 2004, p. 207).
Para Dovers e Handmer (1992), “sustentabilidade é a capacidade de um sistema
humano, natural ou misto resistir ou se adaptar à mudança endógena ou exógena por tempo
indeterminado”.
Segundo Sartori (2004) apud Elkington (1994) o conceito de sustentabilidade se define
como sendo uma forma equilibrada entre três pilares que são, o ambiental, o econômico e o
social. A autora sugere que existe uma grande expectativa por parte das empresas em relação a
sustentabilidade, mas isso vem ocorrendo de forma progressiva, pois as empresas compreendem
que o mercado se tornou exigente nesse quesito, e que não conseguiram se manter no mercado
possuindo apenas habilidades de gerenciamento de negócios, aparato tecnológico e
gerenciamento de capital humano (SARTORI, 2004).
Mikhailova (2004) salienta que o desenvolvimento sustentável vai além do gerenciar
recursos naturais com responsabilidade e proteger o meio ambiente, deve ser uma ação que visa
a melhoria da condição da vida humana em sua forma mais ampla contribuindo com questões
26

sociais, desigualdades e a pobreza, mas sem desprezar os aspectos ambientais que é necessário
para a vida de todas as pessoas.
Desde o período da década de 70, as moradias populares são modelos de construções
mal planejadas e mal-acabadas, que privilegiam a quantidade e não a qualidade em seus
aspectos. “Dezenas de conjuntos habitacionais foram levantados da mesma forma, sem
considerar aspectos bioclimáticos, de conforto ambiental e de eficiência energética" (Centro
Brasileiro de Construção Sustentável, 2012, p. 22).
Uma construção moderna e autossustentável é o ápice do desejo da construção civil de
modo a buscar um ideal de perfeição, que segundo Wieczynski (2015, p. 2) “auto
sustentabilidade é a capacidade de manter-se a si mesmo, atendendo a suas próprias
necessidades, gerando e reciclando seus próprios recursos a partir do seu sítio de implantação”.
Portanto, a escolha de materiais utilizados tem grande impacto no conceito de sustentabilidade
dentro de um projeto de construção mais sustentável.
Devem ser escolhidos materiais que provoquem pouco impacto durante a obra e após
sua vida útil na construção, porém sabe-se também que esses materiais possuem um custo mais
elevando, o que significa que o custo da obra aumenta e nem sempre a população de baixa renda
tem acesso a esses materiais em suas construções (WIECZYNSKI, 2015).
Neste sentido Wieczynski (2015) ressalta que o desperdício de materiais em uma
construção gera em torno de 1,2 ton/m de projeto construído, ou seja, em um apartamento de
100 m os resíduos descartados são em torno de 120 ton.
Hoje as grandes empresas estão mais preocupadas com o impacto ambiental em suas
construções, mas isso se dá devido as normas que devem ser seguidas como as ISO 21930 e
ISO 15392, que regulamentam a forma construtiva sustentável (WIECZYNSKI, 2015).

2.4.1 Água

O aumento populacional e a necessidade de moradia atrelada ao crescimento da


produção no setor da construção civil, tem levado ao consumo em demasia da água potável no
planeta. Por mais incrível que pareça no mundo apenas 2,5% da água existente é propícia para
o consumo, ou seja, água doce (IGB, 2008).
Segundo Pessarello (2008, p. 2), “para a confecção de um metro cúbico de concreto,
se gasta em média 160 a 200L de água, e ainda na compactação de um metro cúbico de aterro
podem ser consumidos até 300L de água”. Ou seja, o consumo de água é um fator que deve ser
27

considerado nas grandes construções de forma que a sua utilização interfere diretamente na
relação de sustentabilidade e meio ambiente.
Outro dado de relevância com relação ao consumo de água versus a construção civil,
é que no Brasil a média de tempo de uma construção com relação as construções americanas é
cerca de três vezes mais, e duas vezes maior que as europeias, isso se dá devido a forma
construtiva designada (SILVA, 2013). Portanto além do desperdício de recursos naturais como
a água, o período em que uma construção demora para ser finalizada interfere diretamente nos
recursos utilizados como a água.
Nesse caso se essas construções optarem por materiais de baixo impacto e menos
consumo de água, o impacto ambiental será menor e o tempo poderá ser otimizado tornando a
construção mais rápida e mais sustentável (SILVA, 2013).
A água é um recurso natural finito, pois cada vez mais o seu uso sem controle gera o
desperdício e a possibilidade de sua escassez, dessa forma pode-se utilizar materiais e fazer a
sua reutilização tanto nos canteiros de obras como nos grandes edifícios e conjuntos
habitacionais (PALHARES, 2016).
Uma forma muito utilizada para o armazenado e reaproveitamento da água da chuva,
e água das calhas, são as cisternas que podem ser construídas com baixo custo e proporcionar
uma obra mais sustentável (PALHARES, 2016).
Elas podem ser de fibra ou de cimento dependendo da necessidade e demanda do local
em que será instalada, mas, independente do material a ser utilizado para a cisterna o seu uso
garante que a água seja melhor aproveitada gerando uma obra mais sustentável (PALHARES,
2016).
Outra opção de material a ser utilizado como forma de mais sustentável é o Steel frame
que veremos no tópico a seguir.

2.4.2 Steel Frame

No Brasil ainda é um sistema construtivo recente, mas que vem ganhando força no
meio da construção civil. SteeI Frame (SF) passou a ser utilizado em meados da década de 90
como uma forma alternativa às opções existentes naquela época (alvenaria). Segundo Bobrzyk
(2011, p. 23), “A designação Light SteeI Frame vem do inglês em que "steel = aço", "light =
leve" e "framing" deriva de "frame = estrutura, esqueleto". Portanto, pode ser interpretado como
um sistema estruturado em aço constituído por elementos individuais interligados que, em
conjunto resistem às cargas solicitantes e dão forma à edificação. É apresentado como leve
28

porque apresenta elementos de baixo peso, produzidos a partir de chapas de aço com espessura
reduzida (CRASTO, 2005).
Os seus componentes são formados por perfis de aço galvanizado que podem ser
utilizados para a criação de painéis que darão a estrutura da obra e pode ser utilizado para a
construção das fundações, vigas, pisos e tesouras dos telhados (JUNIOR,2008).
As partes externas das placas de SF são compostas por perfil de aço galvanizado,
painel estrutural de OBS, isolante termo acústico que podem ser de lã mineral ou PET, pois
esses apresentam desempenho melhor que somente a alvenaria aplicada e placa cimentícia, para
acabamento pode-se utilizar o material desejado (GOMES,2016).
Já na parte interna das placas de SF encontra-se o perfil galvanizado, isolante termo
acústico, e para acabamento pode-se utilizar gesso acartonado, massa niveladora, fita micro
perfurada (GOMES,2016).
As etapas do sistema construtivo de um projeto em SF são: Estrutura da edificação
com a execução das fundações, montagens das estruturas, coberturas, fechamentos externos,
instalações elétricas e hidráulicas, fechamento interno, impermeabilização, revestimento e
acabamentos (JUNIOR,2008).
Para a execução das fundações do modo construtivo em SF, o mais recomendado são:
radier, sapata corrida e embasamento, cada uma das opções apresentadas devem levar em
consideração o solo, o peso da estrutura total sobre a fundação (GOMES,2016).
Após as verificações pode-se dar início a construção, com o terreno já nivelado cava-
se as vigas de baldrame para servir de gabarito e suporte para as paredes estruturais. Na
sequência coloca-se as tubulações de água e esgoto, uma camada de brita acima e a manta de
impermeabilização (JUNIOR,2008).
Na montagem das estruturas, os perfis galvanizados são demarcados e cortados de
modo a ficar com medidas exatas do projeto e assim podendo formar os primeiros painéis
(GOMES,2016).
As coberturas também são compostas por tesouras metálicas revestidas em sua maioria
com madeiras ou placas cimentícias, e os telhados podem ser de telhas cerâmicas, telhas de
concreto, telhado shingle, e termo acústico (GOMES,2016).
No fechamento externo é colocado um bloqueio de umidade e na sequencia os painéis
com medidas exatas fixados por parafusos (JUNIOR,2008).
Para a parte de acabamento pode utilizar inúmeros materiais como: massa corrida,
textura, tinta lisa, revestimento cerâmicos, gesso (JUNIOR,2008).
29

O sistema SF hoje é a opção mais viável quando o assunto é construção sustentável,


pelo fato do seu consumo de água para a construção ser equivalente a zero, e a sua construção
seca não necessita do recurso. A precisão nos cálculos da construção com SF faz com que a
construção tenha uma execução com menor desperdício de materiais gerando então um menor
número de resíduos, proveniente da construção (PEREIRA, 2018).
A construção por SF possui muitas vantagens em relação à alvenaria, dentre elas:
agilidade no prazo da construção, redução no peso da estrutura geral da construção, menor taxa
de erros na execução da construção, edificação sustentável sem consumo de recursos naturais
como a água, melhor isolamento térmico e acústico, maiores possibilidades de acabamentos e
menor custo total na construção (PEREIRA, 2018).
Mesmo com todas as vantagens apresentadas, no Brasil pode ser encontrado apenas
3% das edificações com esse modelo construtivo, isso se dá devido ao padrão rígido que o país
ainda possui na questão da construção civil (PEREIRA, 2018).

2.4.3 Iluminação

A esfera de produção de energia solar no mundo vem crescendo e se destacando, os


países que mais se desenvolveram nesses aspectos foram a China, Japão, Itália, Estados Unidos,
Alemanha, Espanha.
Apesar do Brasil possuir grande potencial na produção de energia solar essa
capacidade é pouco explorada, pois no ano de 2016 apenas 0,01% de toda a energia produzida
no país é oriundo da fonte de energia solar (NASCIMENTO, 2017).
Uma opção viável a longo prazo de energia renovável é a energia fotoelétrica,
conhecida como energia solar. Esse tipo de energia pode ser obtido através de um sistema que
capta através de placas a luz do sol e transforma em energia, podendo ser utilizado como
aquecedores de água ou gerador de energia elétrica (GAUZIN-MULLER, 2011).
Assim como a energia obtida através da forma eólica a fotovoltaica é uma das opções
que mais vem crescendo no mundo. A energia solar pode contribuir na geração de eletricidade
para uma comunidade, bairro e ou até mesmo um edifício de moradia ou centro empresarial
(KEELER, 2010).
A geração de energia solar acontece a partir de placas fotovoltaicas ou fotoelétricas
que são instaladas nos telhados dos locais onde irá gerar a energia (GAUZIN-MULLER, 2011).
30

Elas possuem alguns materiais que são semicondutores, os mais utilizados são os
módulos de silício cristalino e o de silício de película fina, conhecido como silício amorfo
(GAUZIN-MULLER, 2011).
As células de silício cristalino são utilizadas desde a década de 50, enquanto o silício
amorfo é uma tecnologia mais recente. Porém cada necessidade demanda de uma placa
diferente, pois a de cristalino é a mais indicada para a transformação de luz em eletricidade,
apesar da sua eficiência seu custo ainda é bem mais elevado (GAUZIN-MULLER, 2011).
31

3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Este capítulo apresenta a metodologia adotada para o desenvolvimento do estudo.

3.1. Tipo de Pesquisa

O estudo realizado classifica-se, quanto à natureza, como pesquisa básica, pois sua
finalidade visou à produção de conhecimento para que possa ser utilizado em outros trabalhos
posteriormente com interesse no tema apresentado edifícios de moradias de interesse social
sustentável (VIANNA, 2013) e também movido pela curiosidade de investigar o tema,
ampliando-se o conhecimento acerca deste.
Quanto aos seus objetivos, caracteriza-se como pesquisa descritiva que, segundo Gil
(1994, p. 28), “tem como objetivo primordial a descrição das características de determinada
população ou fenômeno ou estabelecimento de relações entre variáveis”; neste caso, a
caracterização das condições de assédio moral em servidores bancários.
Quanto à abordagem, foi adotada a metodologia quanti-qualitativo, sendo o modelo
qualitativo um método que visa explicar sobre o fenômeno através dos dados obtidos, mas a
sua forma não é quantificada, ou seja, não há números para comprovar o porquê desse resultado,
Gerhardt e Silveira (2009, p. 32) afirmam que “o objetivo da amostra é de produzir informações
aprofundadas e ilustrativas, seja ela pequena ou grande, o que importa é que ela seja capaz de
produzir novas informações”. Por sua vez, o método quantitativo contribui com resultados em
números como esclarece Fonseca (2002, p. 20) apud Gerhardt e Silveira (2009, p.33),
“diferentemente da pesquisa qualitativa, os resultados da pesquisa quantitativa podem ser
quantificados”, ou seja, apresentados através de gráficos, tabelas e outros recursos de
apresentação.
32

Assim, os dados obtidos serão quantificados, mas também analisados para


compreender as razões que o geram e sensações experimentadas por aqueles que moram em
habitações de interesse social e suas demandas.
Os procedimentos de pesquisa empregados para a realização do estudo foram a revisão
de literatura, com a qual se estudaram a forma de morar e seus aspectos mais importantes como
o desenvolvimento das habitações sociais no mundo e no Brasil. A partir desse referencial
teórico estudado, elaborou-se questionário para aplicação junto à amostra, objetivando recolher
dados para confrontar com o exposto no capítulo 2, na intenção de se observar as necessidades
das famílias contempladas pelas habitações.

3.2. População e Amostra

A população foi composta por famílias de baixa renda que residem em um conjunto
habitacional de interesse social no município de Sinop-Mato Grosso.
Já a amostra constitui-se 15 famílias, que residem no bairro Sebastião de Matos. Não
houve critérios para escolha de gênero e ou idade, porém a partir da técnica empregada na coleta
de dados o resultado obtido foram de 20 amostras gerais com idade entre 18 e 50 anos. Essa
quantidade de amostra pode não ser um número representativo, mas sim um número
significativo do fenômeno estudado, que segundo Gil (1994, p. 89) é “uma pequena parte dos
elementos que compõem o universo”.

3.3. Coleta de Dados

Como método para a coleta de dados, será utilizada a técnica de estudo “Bola de Neve”
(SnowBall), que consiste em utilizar uma rede de contatos para formar uma cadeia de
referências e construir um número de amostragem satisfatória para o estudo. Inicialmente, será
entregue o questionário para uma pessoa específica (nesse caso, um morador do bairro) e esse,
por sua vez, repassa o questionário para outro com o mesmo perfil selecionado (nesse caso,
para os vizinhos ao seu entorno) e assim sucessivamente ocorre até se obter o número de
amostras apresentado. Essa técnica foi empregada devido à inviabilidade de acesso às famílias,
pelo fato de encontrar dificuldades de ter acesso a essas famílias.
Biernacki e Waldorf (1981, p. 141) apud Vinuto (2014, p.204) esclarecem sobre a
utilização desse método
33

The method is well suited for a number of research purposes and is particularly
applicable when the focus of study is on a sensitive issue, possibly concerning a
relatively private matter, and thus requires the knowledgement of insiders to locate
people for study (BIERNACKI; WALDORF, 1981, p. 141)1.

Corroborando com a afirmação Lakatos e Marconi (2003) explica que não se deve
utilizar apenas uma técnica no processo da pesquisa e, nem somente aquelas que são mais
conhecidas, mas buscar todo material possível e necessário para o bom desempenho do projeto
de pesquisa, podendo em diversos casos combinar questionários estruturados e
semiestruturados com entrevistas a amostra escolhida, isso vai depender da finalidade de cada
pesquisa, e o método de investigação é de escolha do pesquisador.
Para a tabulação e obtenção dos resultados, serão utilizados os programas Microsoft
Excel 2010 e Microsoft Word 2010 da Microsoft.
A partir dessa perspectiva instrumental serão analisados os dados obtidos no estudo, e
serão metodologicamente apresentados. Para a organização do estudo e seus resultados, o
próximo tópico apresentará a análise e interpretação dos dados através de gráficos, tabelas e
figuras.

1
Tradução livre: “O método é adequado para uma série de fins de pesquisa e é particularmente aplicável quando
o foco do estudo é uma questão sensível, possivelmente sobre algo relativamente privado, e, portanto, requer o
conhecimento das pessoas pertencentes ao grupo ou reconhecidos por estas para localizar pessoas para estudo”.
34

4. ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DE DADOS

O capitulo IV apresenta o resultado das análises e a interpretações dos dados obtidos


através do questionário aplicado.
Na pergunta primeira pergunta foi questionado se “A sua casa possui a quantidade de
cômodos suficientes para que sua família possa viver com conforto? ”
Foi obtido 16 respostas (76,2%) não, e 5 (23,8%) sim, ou seja, maioria respondeu que
a casa não possui cômodos suficientes para toda a família viver confortavelmente, essa é uma
realidade nas casas de conjuntos de interesse social na cidade de Sinop-MT, isso é o que
demonstra o gráfico 1.
Gráfico 1: A sua casa possui a quantidade de cômodos suficientes para que sua família possa viver
com conforto?

Fonte: Própria (2019)

Quando foi questionado sobre a distância da residência e o impedimento de acesso aos


serviços de qualidade como saúde educação e lazer a resposta foi de que 14 (66,7%), esses
acreditam que a distância impede ao acesso a esses serviços tão essenciais a vida e a dignidade
humana, enquanto que 7 (33,3%) não percebe dessa maneira, conforme apresentado no gráfico
2.
35

Gráfico 2: Você acredita que a distância da sua casa do centro da cidade te impede de ter acesso a
saúde, educação e lazer de qualidade?

Fonte: Própria (2019)

O gráfico 3 apresentou o resultado de quando questionado sobre a distância ser um


empecilho para a conquista de um emprego com condições melhores obtivemos o seguinte
13(61,9%) acreditam que sim, morar longe do centro é um fator que impede a melhoria na
condição financeira através de um trabalho em condições melhores, porém 8 (38,1%) diz que
morar longe do centro não é causa de impedimento de conquistar um emprego com melhores
condições.

Gráfico 3: Você acredita que a distância da sua casa do centro da cidade te impede de conquistar um
emprego que você julga melhor?

Fonte: Própria (2019)

Quando perguntado se havia coleta seletiva de lixo no bairro, o resultado foi de 100%
de respostas não, ou seja, o bairro não possui esse serviço que é indispensável para uma cidade
organizada e bem estruturada.
36

Nas respostas do gráfico 4, foi questionado o que era mais importante para o morador
daquele bairro, pode-se concluir que, as pessoas têm mais de uma opção como importante,
sendo que 90,5% priorizam a saúde como fator de maior importância e em segundo lugar a
segurança com 52,4%, seguido do lazer 33,3% e o transporte 28,6%.

Gráfico 4: O que é mais importante para você?

Fonte: Própria (2019)


37

5.ESTUDOS DE CASOS

5.1 Conjunto Habitacional Sebastião de Matos.

Figura 1. Casas conjunto Sebastião de Matos antes das obras de infraestrutura básica.

Fonte: Só notícias (2010).

Quando se fala em conjunto habitacional de interesse social na cidade de Sinop o


conjunto Sebastião de Matos mostrado na Fig.1, é a referência (SINOP, 2012).

Figura 2. Vista aérea do conjunto Sebastião de Matos.

Fonte: Só notícias (2010).


38

O projeto total do conjunto contempla 482 moradias, conforme mostrado na Fig. 2 e


foi iniciado no ano de 2010 e entregues em duas etapas no ano de 2012.
Foram entregues 272 casas as famílias cadastradas no programa habitacional Meu Lar,
parceria da prefeitura municipal, com governo federal por meio Caixa Econômica Federal
(SINOP, 2012).

Figura 3. Imagem da Secretaria de Assistência Social Trabalho e Habitação Sinop/MT.

Fonte: Só notícias (2010).

Cada família realizou o cadastro juntamente ao setor de habitação mostrado na Fig. 3


e aguardou até serem chamados para a entrega de das residências. O critério de seleção de cada
família foi baseado no cadastro único realizado junto ao setor de habitação na assistência social
do município com famílias de baixa renda com no máximo um salário mínimo declarado por
família (SINOP, 2012).
O conjunto foi entregue as famílias com os serviços de infraestrutura básica como água
encanada, rede elétrica e pavimentação asfáltica (SINOP, 2012).
39

Figura 4. Modelo planta padrão casas conjunto habitacional Sebastiao de Matos.

Fonte: Própria (2018).

As casas entregues são padronizadas com 32m² na construção geral, possuindo 02


quartos, sala e cozinha conjugada e banheiro conforme Fig. 4 (SINOP, 2012).
Todo o projeto custou aos cofres públicos o equivalente a 14 milhões de reais.
Para compreender o contexto foi realizado uma visita no bairro a fim de coletar mais
informações sobre o projeto executado.
Em conversa informal com os moradores do bairro ficou evidente o descaso por parte
da administração pública com as famílias atendidas por esse projeto.

Figura 5. Imagem aérea do conjunto Sebastião de Matos

Fonte: Google Earth (2018).


40

A partir da Fig. 5 pode-se observar que a disposição em que o conjunto Sebastião de


Matos foi implantado oferece luz solar diretamente nas fachadas das casas durante um
prolongado período diurno.
Dessa maneira é visível que não houve uma preocupação por parte do projetista em
atender as especificações de construção e de conforto, levando em consideração que o estado
do Mato Grosso possui o clima quente e seco durante boa parte do ano.
Sabe-se que todo projeto de interesse social é destinado as famílias de baixa renda e
por pessoas sem condições de adquirir um imóvel com condição digna para se viver. Desse
modo ao visitar as casas do conjunto Sebastião de Matos é possível observar que as casas foram
entregues sem condições adequadas de moradia.

Figura 6. Paredes sem reboco casa conjunto habitacional Sebastiao de Matos.

Fonte: Própria (2018).

Em todas elas faltam rebocos, falta piso cerâmico, faltam acabamentos básicos, como
tubulações hidráulicas, conforme Fig. 6, o telhado é ineficiente com relação a chuva.
Relatos demonstram que em diversos episódios os telhados sofreram intemperes pelo
vento e precisaram ser refeitos, fato que se repetiu por anos seguidos, isso se dá devido ao fato
das casas não possuírem beirais estruturados para garantir a segurança do telhado.
Segundo Heck (2017), todo o investimento necessário para garantir a qualidade da
moradia deve ser de responsabilidade do órgão público que ofertou a moradia a essas famílias
de baixa renda, uma vez que o investimento da obra deveria garantir que ao término da
construção as famílias não necessitassem ter nenhum gasto pelo período de 5 anos subsequentes
a entrega das residências. Porém não foi isso que aconteceu, pois, todas as famílias beneficiadas
tiveram que investir em materiais para finalizar a obra.
Após todas essas características descritas pelos moradores, esse conjunto deixa muito
a desejar em aspectos dos projetos de interesse social.
41

As casas são construídas em série, não respeitam a diversidade das famílias


beneficiadas pelo programa, o projeto arquitetônico oferece uma dimensão muito reduzida com
relação ao que as famílias necessitam, o bairro é bem distante do centro urbano, dessa maneira
a segregação dessas famílias se torna evidente, e consequência dessa segregação é o alto índice
de violência que essa população sofre conforme relato dos próprios moradores.
Neste sentido Cunha (2007) aponta que os conjuntos de interesse social deveriam
atender a essas famílias de forma satisfatória, uma vez que esses movimentos sociais beneficiam
a camada política de determinada região, tornando esse empreendimento como forma de
captação de futuros eleitores e dessa maneira garantir cargos no setor público.
O projeto implantado não leva em consideração a qualidade de vida daquelas pessoas
e nem o conforto ambiental onde esse conjunto foi construído, pela observação foi possível
verificar que o material utilizado na obra também deixa a desejar no quesito qualidade. Não foi
possível verificar nenhum processo de sustentabilidade no conjunto habitacional.
Conforme Cecchetto (2015), o desenvolvimento sustentável na construção deveria
atender alguns requisitos e entre eles está a prioridade em atender à necessidade dos mais
carentes, pois acredita-se que isso faz parte de um processo de humanização e que a
sustentabilidade não pode ser rígida e deve haver possibilidades de adaptações se necessário
para que o projeto tenha sucesso.
Ele fala sobre a responsabilidade que cada geração possui sobre os recursos naturais
existentes hoje e que essa geração atual não deve impedir gerações futuras de ter acesso a esses
recursos.

5.2 Conjunto Habitacional Prefeito Mendes de Moraes (Pedregulho)

Figura 7. Vista aérea do bloco A conjunto habitacional Pedregulho.

Fonte: http://au17.pini.com.br/arquitetura-urbanismo/235/historia-em-detalhe-299896-1.aspx
42

Pedregulho assim é conhecido o conjunto habitacional Prefeito Mendes de Morais na


cidade do Rio de Janeiro no bairro São Cristóvão, situado na encosta do morro do Pedregulho
conforme Fig. 7. Foi projetado pelo arquiteto Affonso Eduardo Reidy e sua obra durou 6 anos,
entre os anos de 1946 e 1952.
Ele tinha como finalidade propiciar aos funcionários públicos de baixa renda da
Prefeitura uma moradia mais próxima ao ambiente de trabalho e em forma de moradia social.
A obra foi inspirada no trabalho de Le Corbusier (BONDUKI, 2014).
Para a elaboração desse projeto foi realizado um minucioso levantamento da
população que iria ocupar as moradias e dessa forma conseguiram levantar as demandas
específicas daquela população (BONDUKI, 2014).
Com isso elaboraram um levantamento eficiente em todos os seus aspectos, onde
resultou-se em 570 famílias beneficiadas, o que gerou aproximadamente 2.400 pessoas
ocupando o edifício (BONDUKI, 2014).
Estruturalmente o projeto resultou em linhas sinuosas sobre pilotis que acompanhavam
a topografia do local onde foi construído (BONDUKI, 2014).
Janelas no modo horizontal e sua ventilação cruzada proporcionava aos moradores
ventilação constante, uma vez que haviam janelas dos dois lados do apartamento, paredes
independentes do sistema estrutural (BONDUKI, 2014).
Todos esses princípios inspirados no conceito de Le Corbusier combinados com o
concreto armado sem preocupação a simetria de Reidy deram vida ao conjunto Pedregulho
(BONDUKI, 2014).

Figura 8. Área total de construção Pedregulho.

Fonte: https://pt.slideshare.net/mdtrindade/ed-pedregulho-affonso.
43

A área total de construção do empreendimento é de 52.142m², mais especificamente


na encosta do morro Pedregulho onde estavam localizados os reservatórios de água da cidade,
seu terreno é acidentado com uma variação de 50 metros conforme mostrado na Fig. 8
(BONDUKI, 2014).

Figura 9. Imagem da planta de implantação do Conjunto Pedregulho.

Fonte: https://pt.slideshare.net/mdtrindade/ed-pedregulho-affonso.

Todo o projeto possui 4 blocos de habitação, escola primária, escola secundária, centro
de saúde, lavanderia coletiva, mercado, quadra poliesportiva descoberta, piscina, teatro e
academia mostrado na Fig. 9 (NASCIMENTO, 2017).

Figura 10. Imagem dos pavimentos do bloco A

Fonte: https://pt.slideshare.net/mdtrindade/ed-pedregulho-affonso.
44

No bloco A são 272 apartamentos dos mais variados tipos espalhados ao longo de 260
m de extensão, conforme Fig. 10 e estão localizados na parte mais alta do terreno.
Nesse pavimento os apartamentos são de uma peça só, apresentando em sua estrutura
uma altura de pé direito de 2,50m, conforme Fig. 11.
A cada 50m ficam localizadas as escadas coletivas que dão acesso aos outros
pavimentos (BONDUKI, 2014).

Figura 11. Modelos plantas conforme dormitórios dos apartamentos.

Fonte: https://pt.slideshare.net/mdtrindade/ed-pedregulho-affonso.

Ainda nesse bloco é possível localizar pontes de acesso a administração e ao serviço


social, que compreende escola infantil, academia e teatro infantil mostrado na Fig. 12
(BONDUKI, 2014).
Figura 12. Imagem ginásio de esportes e piscina.

Fonte: https://pt.slideshare.net/mdtrindade/ed-pedregulho-affonso
45

Reidy com um pensamento bem à frente de seu tempo organizou uma lavanderia
coletiva com equipamentos de última geração trazidos diretamente da Alemanha (BONDUKI,
2014).
A ideia naquele momento era fazer com que as mulheres pudessem ter o seu tempo
otimizado podendo assim se dedicar em outros afazeres como outros trabalhos e ao cuidado dos
filhos conforme Fig. 13 (BONDUKI, 2014).

Figura 13. Imagem Lavanderia coletiva Conjunto habitacional Pedregulho.

Fonte: https://pt.slideshare.net/mdtrindade/ed-pedregulho-affonso.

Os blocos B1 e B2, possuem 80m de extensão com duas ordens de apartamentos


duplex e 56 apartamentos com dois, três e quatro dormitórios (BONDUKI, 2014).
O projeto do bloco C possuía 12 pavimentos com 192 apartamentos de dois e três,
quatro dormitórios sem elevador o qual nem chegou a ser construído (BONDUKI, 2014).
No ano de 1986 esse conjunto foi tombado pelo Departamento Geral do Patrimônio
Cultural do Rio de Janeiro (DGPC) e no ano de 2010 foi realizada uma licitação para que fosse
recuperado através de uma restauração de toda a parte estrutural, instalações e os revestimentos
de todas as áreas comuns (NASCIMENTO, 2017).
46

5.3 Conjunto Habitacional Marselha

Figura 14. Imagem da vista geral do edifício habitacional de Marselha.

Fonte: http://piniweb17.pini.com.br/construcao/arquitetura/edificio-projetado-por-le-corbusier-em-marseille-na-
franca-e-250286-1.aspx.

Le Corbusier, projetou o edifício Unité d’Habitation, (unidade de habitação Marselha)


na França, um conjunto habitacional de interesse social mostrado na Fig. 14 (KROLL, 2014).
No ano de 1947 logo após a segunda guerra mundial foi criado o Ministério de
Reconstrução da França o qual requisitou que Le Corbusier projetasse o edifício de Marselha,
uma habitação coletiva com 360 unidades, em que pudesse alojar 1600 pessoas (SÁ, 2015).
O Governo Francês solicitou que fosse executada essa obra de interesse social para
oferecer moradia as pessoas que estavam saindo da zona rural para trabalharem nas indústrias
(SÁ, 2015).
Esse projeto apresentou todas as características modernistas possíveis dentro das
diretrizes apresentadas, como planta livre, teto-jardim, uso de pilotis no térreo, janelas
horizontais e fachada livre conforme Fig. 15 (KROLL, 2014).

Figura 15. Imagem das janelas do edifício de Marselha.

Fonte: http://www.cronologiadourbanismo.ufba.br
47

Sua estrutura moderna foi projetada com base em dois sistemas construtivos diferentes
como o concreto armado e componentes pré-fabricados com pilotis, fachada livre, jardim-
terraço, janela em fita conforme Fig.15 e Fig. 16. Le Corbusier utilizou-se do sistema modulor
de medidas que por ele foi inventado.
O edifício possuía a forma e a volumetria que imitava um transatlântico com 24m de
largura e 140m de comprimentos e 56m de altura, organizado em 18 pavimentos com o total de
337 apartamentos (SAMPAIO, 2002).

Figura 16. Imagem da construção sobre pilotis edifício de Marselha.

.
Fonte: http://www.cronologiadourbanismo.ufba.br

O uso do concreto armado em sua construção é a base da estrutura principal, o uso dos
pilotis é para possibilitar a passagem livre pelas pessoas, conforme a imagem da Fig. 16
(SAMPAIO, 2002).
48

Figura 17. Imagem da planta de implantação do edifício de Marselha.

Fonte: http://www.cronologiadourbanismo.ufba.br

A implantação do edifício foi em uma única quadra e orientada conforme a posição do


sol ficando na transversal com relação ao terreno e nas janelas expostas a maior frequência do
sol foram utilizados os brises soleil conforme a Fig. 17.
Esse edifício foi projetado pra atender famílias de até 8 pessoas, com apartamentos
que chegam a 98m² e 3,66m de largura. Seus apartamentos tem variaçoes que vão de quitinetes
com peças unicas sem salas com pé direito duplo até apartamentos de 2 e 3 dormitórios.
Na Fig. 18 é possível observar que no primeiro pavimento os apartamentos possuem a
sala e a cozinha conjugadas e fazem parte do piso inferior.
No segundo piso estão localizados os quartos, no local de corredor do pavimento
acima, nesse pavimento fica localizado o banheiro.
Na maioria dos apartamentos as salas possuem um pé direito duplo para garantir maior
luminosidade pois os apartamentos são estreitos conforme o corte que se apresenta na Fig. 19
dos apartamentos do edifício de Marselha (CORBUSIER, 1910).
49

Figura 18. Imagem de corte da planta dos apartamentos do edifício de Marselha.


LEGENDA

1.Rua interior;
2. Entrada;
3. Sala comum
com cozinha;
4. Dormitório
dos pais com
banheiro;
5. Armários,
varais, tábua de
passar e chuveiro
para as crianças.
6.Dormitório das
crianças.
7.Vazio da sala
comum.
Fonte: http://www.cronologiadourbanismo.ufba.br

Figura 19. Imagem de corte da planta dos apartamentos do edifício de Marselha.

Fonte: Le Corbusier (1910).

Figura 20. Imagem da cozinha dos apartamentos do edifício de Marselha.

Fonte: Google imagens (2018).


50

Algo que chama a atenção é o fato de que nem todos os cômodos possuírem janelas,
em cômodos como cozinhas, por exemplo como mostrado na Fig. 20.

Figura 21. Imagem do comércio do edifício de Marselha.

Fonte: http://www.cronologiadourbanismo.ufba.br.

Nos pavimentos 3 e 4 estão localizados os locais de uso coletivo como escritórios,


livrarias, restaurantes, no 7º e no 8º pavimento ficam localizados as áreas comerciais conforme
Fig. 21, e neles estão os correios, jornaleiro, armazém, lavanderia, cabelereiro, cafeterias e até
um pequeno hotel para abrigar hóspedes dos moradores.
A parte da cobertura possui espaços para lazer, creche, piscina, ginásio de esportes,
academia ao ar livre e pista de corrida em formato circular (Le Corbusier, 1910).

5.4 Condomínio Residencial Heliópolis - SP

Figura 22. Imagem do edifício de Heliópolis.

Fonte: Google Imagens (2018).


51

Metragem total do terreno: 48.209,87 m². Área construída: 40.472,01 m². Área do
apartamento: 49 m². Arquiteto responsável: Ruy Ohtake.
Os edifícios de interesse social na sua maioria possuem formas retilíneas e formas
quadradas ou retangulares, mas o arquiteto Ruy Ohtake inovou projetando o condomínio de
Heliópolis em que sua forma construtiva a referência é circular conforme mostrado na Fig. 22,
se tornando um apelido ao condomínio de os “redondinhos” de Heliópolis (CAU/BR, 2018)
A história desse projeto é algo que deve ser observado, uma vez que sua construção
nasceu a partir da escuta das demandas dos próprios moradores da favela. Eles relatavam que
em conjuntos habitacionais tradicionais que haviam muitos corredores com o passar do tempo
se tornavam locais de comércio e espaços para vendas de drogas (CAU/BR, 2018)
Nesse caso corredores Ruy Ohtake projetou o edifício sem corredores, apenas com um
hall de 5X5 direcionando para as portas de entrada dos apartamentos (CAU/BR, 2018)
Para Ohtake o arquiteto urbanista tem um papel múltiplo de atuação na arquitetura
social “Quando atua em programas sociais, o arquiteto tem que assumir duas atitudes: como
técnico e como cidadão. É fundamental conversar com a comunidade, sentir o que os moradores
pensam, não se fechar em um escritório para projetar de forma isolada” (CAU/BR, 2018)
O condomínio habitacional Heliópolis está localizado na favela da Zona Sul da cidade
de São Paulo e essa construção faz parte do projeto de urbanização das favelas através do
programa do plano municipal de habitação (SÃO PAULO, 2011).

Figura 23. Imagem do Playground edifício de Heliópolis.

Fonte: Google Imagens (2018).

O projeto total compreende 24 torres com 18 apartamentos de tipologia única gerando


432 moradias, o local também possui uma mini quadra e playground como espaço de lazer
conforme mostrado na Fig. 23.
52

O resultado disso segundo Ohtake é possibilitar um pouco de dignidade as famílias


atendidas que segundo ele o projeto Minha Casa Minha Vida não foi capaz de proporcionar
“Foi um desastre parece uma plantação de alface, tudo igual. Apenas as empreiteiras ficaram
satisfeitas, pois foram contratadas para fazer os projetos e as obras numa empreitada só”
(CAU/BR, 2018).

Figura 24. Imagem aérea dos blocos do edifício de Heliópolis.

Fonte: Google Imagens (2018).

O projeto foi iniciado em 2008 e uma das etapas concluídas no ano de 2010.
Na primeira etapa foram criadas 11 torres em formato circular com 5 andares, cada
bloco possui 18 apartamentos com 49m² padronizado.
Ao todo são 4 apartamentos por pavimento e 2 apartamentos para pessoas que
necessitam de acessibilidade no térreo conforme mostrado na Fig. 24 (SÃO PAULO, 2011).

Figura 25 e 26. Imagens da construção em andamento do edifício de Heliópolis.

Fonte: Google Imagens (2018).


53

Toda a estrutura do edifício de Heliópolis foi construída sobre concreto armado, com
os fechamentos em blocos de alvenaria estrutural, com sistema convencional de construção a
partir de vigas e pilares.
As coberturas são planas e com lajes que servem de suporte para as caixas d’águas de
cada bloco conforme mostrado na Fig. 25 e Fig. 26.

Figura 27. Imagem da planta geral dos apartamentos tipo edifício de Heliópolis.

Fonte: Google Imagens (2018).

A Fig. 27 apresenta a planta padrão de todos os blocos com 4 apartamentos de 49m²


em cada pavimento tipo único e 2 apartamentos no térreo, um hall de entrada de 5X5 e as portas
de entrada de cada apartamento.

Figura 28 e 29. Imagem da planta do apartamento tipo único (esquerda) e apartamento térreo (direita) edifício
de Heliópolis.

Fonte: Google Imagens (2018).


54

Planta de pavimento tipo único mostrado na Fig. 28, com 49 m² com dois dormitórios,
sala, cozinha e banheiro, toda tubulação hidráulica está localizada em uma parede. A sala possui
três janelas que possibilita a entrada de luz natural e ventilação cruzada.
Planta do apartamento no pavimento térreo com acessibilidade conforme a Fig. 29,
houve a preocupação do arquiteto com relação a acessibilidade, apesar de serem mínimas o que
já possibilita o acesso ao banheiro e ao quarto de pessoas com mobilidade reduzidas por
exemplo.
55

6. MEMORIAL DESCRITIVO E JUSTIFICATIVO

6.1 Projeto

A escolha desse tema para o projeto apresentado levou em consideração aspectos que
poderiam favorecer a comunidade em sua totalidade, desenvolvido e implantado em uma área
localizada no entorno dos bairros Menino Jesus I e Menino Jesus II no bairro São Cristóvão,
visando atender um número maior de habitantes possíveis.
O projeto foi idealizado e elaborado de forma que, possa ser levado em conta a
população que irá habitar nesse condomínio e as suas necessidades básicas, como qualidade de
vida e conforto. Ao projetar um conjunto habitacional de interesse social nessa localidade, torna
essa população que atualmente mora nesse tipo de moradia não permaneça a margem da
sociedade, sendo excluídas e segregadas, haja visto que, essa é a atual realidade no município
de Sinop no estado do Mato Grosso.
Ao realizar o estudo das necessidades foram levantadas todas as possibilidades de
utilizações de materiais com o menor impacto ambiental possível como o steel frame,
construções de caixas cisternas para captação água da chuva, coleta seletiva de materiais
recicláveis, materiais de baixo impacto ambiental, construção com o menor consumo de água,
conforto e acessibilidade.

6.2 Partido Arquitetônico

O partido arquitetônico proposto neste trabalho visou desenvolver e projetar um


edifício de conjunto habitacional de interesse social com requisitos de sustentabilidade que,
pudesse integrar os moradores, e, aproveitar de maneira correta os recursos naturais existentes
como, a água da chuva e a coleta de lixo reciclável, buscando alcançar um conceito de
construção mais sustentável, logo, buscou-se por terrenos da prefeitura que estavam em desuso
56

e gerando custos aos cofres públicos como uma alternativa de construção de apartamentos para
pessoas de baixa renda.
Entretanto, o partido arquitetônico buscou demonstrar que, através da utilização de
materiais de baixo custo e impacto ambiental como o steel frame, onde a construção é mais
rápida e com o menor número de rejeitos, podem ser construídos edifícios de até seis
pavimentos com qualidade.
Esse modelo evidencia que é possível oferecer moradia de qualidade para pessoas de
baixa renda através do investimento do poder público.

6.3 Finalidade

O estudo apresentado teve por finalidade desenvolver um projeto que possa utilizar os
terrenos em situações de abandono pelo setor público (Prefeitura), tornando essas áreas
habitáveis e diminuindo os custos com compras de terrenos, como já ocorreu nos modelos
anteriores ( condomínios horizontais) e, possibilitar a construção de um novo edifício com um
modelo de habitação social verticalizado com conceito sustentável, uma vez que, Sinop não
possui nenhum edifício com os conceitos demonstrados no estudo.
Portanto, o projeto atenderá uma grande demanda de pessoas que possuem baixa renda
e lhes darão a possibilidade de obter uma moradia com conforto e qualidade de vida. Através
desse projeto haverá possibilidades de redução de custos para a construção pois os materiais
empregados serão sustentáveis e de baixo impacto ambiental. Os conceitos sustentáveis
aplicados no projeto irão garantir um menor custo para os moradores do condomínio.
Ao utilizar esse terreno para a construção do condomínio, as famílias contempladas
poderão ter maior acesso aos serviços oferecidos para a comunidade ao entorno do condomínio
como saúde, lazer e educação, pois o mesmo está localizado em uma área privilegiada, pois ao
seu entorno possuem todos os tipos de comércio e áreas de lazer e saúde.

6.4 Dados Gerais / Localização

O terreno utilizado para o projeto de construção do condomínio habitacional de


interesse social com conceito sustentável fica localizado, ao Sul do bairro Menino Jesus II, ao
Norte do bairro Menino Jesus I, especificamente a 174 mts ao Norte da escola Jose Reinaldo
de Oliveira no bairro Menino Jesus I, a 117 mts ao Sul da Rua Um no bairro Menino Jesus II,
a 592 mts ao Leste do bairro Jardim Vila Itália I e, 197 mts ao Oeste da BR 163.
57

Na mesma localidade encontram-se a 320 mts de distância o Mercado Alves, 607 mts
de distância da UPA Menino Jesus, 264mts da Escola de ensino médio “São Vicente de Paula”
que atende toda região do São Cristóvão e Alto da Gloria, 239 mts da Creche São Cristóvão,
215 mts do ponto de ônibus, 337 mts do Ginásio de esportes São Cristóvão, 323 mts da Igreja
Católica São Cristóvão, a 500 mts do Supermercado Machado Supercenter (Figura 30).

Figura 30. Imagem de implantação do terreno a ser construído.

Fonte: Google Maps (2019).

Desse modo, a escolha por esse terreno foi estratégica e objetiva no sentido de que, ao
entorno do condomínio a população encontra todos os serviços de necessidades básicas como
escolas, mercados, pontos de ônibus, creches, igrejas, unidades de saúde e supermercados, com
possibilidades de lazer nas áreas das praças públicas e ginásio de esportes.

6.5 Topografia

O terreno possui em sua topografia a característica de planície ou comumente chamado


de “mesa”, essa topografia favorece na elaboração do projeto pois, não requer custos com
aterramentos ou extração de terra do local, desse modo o custo total da edificação se torna
mesmo oneroso.

6.5.1 Sol

A cidade de Sinop localiza-se em uma área privilegiada com relação ao sol, pois o
mesmo permanece em evidencia em grandes períodos, devido a essa abundância solar foram
58

necessários a implementação de pergolados em forma de brises verticais com cavidades para


que pudesse haver plantações de arbustos estilo trepadeiras conforme apresentado na Fig.31.

Figura 31. Imagem dos brises com as trepadeiras

Fonte: Própria (2019).

Para minimizar o alto índice de calor que essas áreas recebem durante os dias mais
quentes, os mesmos atuam como uma contensão de calor e de maneira ecológica contribui para
o urbanismo da edificação.

6.6 Acessibilidade

O projeto foi elaborado conforme as normas ABNT de acessibilidade, ou seja, todas


as áreas contemplam acessos aos portadores de deficiências e necessidades especiais como
idosos, neste sentido, as rampas de acesso foram projetadas de modo que, sua elevação seja
adequada a essa demanda.
Os elevadores que dão acesso a todos os pavimentos também foram projetados
conforte as normas de acessibilidade.
Todos os apartamentos foram criados de tal modo que não é exclusivo para portadores
de deficiências, mas possuem todas as especificações técnicas que atendem a essa característica
ou seja, se futuramente houver algum morador com a necessidade de adaptação não será
necessária nenhuma reforma no local pois o mesmo já está dentro das normas.
Para a área externa foi criado um estacionamento com a 12 vagas ao total, distribuídas
entre vagas para pessoas cadeirantes e vagas prioritárias para idosos e gestantes.
59

6.7 Sustentabilidade

Para atender a esse requisito a edificação desenvolveu um projeto que em sua


construção o material utilizado seria o que se causaria o menor impacto ambiental, neste sentido
o material escolhido foi o Steel Frame, onde possibilitará uma construção limpa sem acúmulos
de resíduos, sem o consumo excessivo de água e com baixo custo de material em relação ao
modo construtivo tradicional o concreto e tijolos cerâmicos.
Para o melhor aproveitamento dos recursos naturais foram elaboradas 03 cisternas
abaixo do solo, com capacidade de 45 mil litros de água em armazenamento de cada cisterna,
ou seja, são 135 mil litros de água que poderão ser utilizados na área da lavanderia através de
um sistema hidráulico exclusivo, podendo também ser utilizado na regra das plantas que foram
inseridas no brises.
Para contribuir com a sustentabilidade foram desenvolvidas lixeiras de coleta seletiva
de materiais reciclados coletivas, desse modo, todos os moradores possam realizar o descarte
adequado do lixo que será encaminhado a sua devida finalidade.
Custos como energia elétrica não serão a preocupação dos moradores do condomínio,
pois o mesmo possuirá em seu projeto a possibilidade de serem instaladas placas fotovoltaicas
através de passarelas que foram construídas acima do telhado, desse modo, o telhado foi
elaborado para a região norte onde há a maior incidência de insolação diária, podendo desse
modo produzir maior quantidade de energia solar para o condomínio.

6.8 Materiais

Dentre os materiais que serão utilizados para a construção do edifício optou-se por um
conceito mais ecológico e com menor custo, portanto, cada material foi escolhido com a
intencionalidade de diminuir custos e tornar a obra o mais sustentável possível.

6.8.1 Steel Frame.

A construção tem por base estruturas metálicas de aço galvanizado que darão a
sustentação ao edifício, de tal modo que, haverá 03 blocos com 06 pavimentos sobre cada bloco
(Figura 32).
60

Figura 32. Estrutura metálicas em aço galvanizado

Fonte: Google Imagens (2019).

As paredes do edifício serão em steel frame que possuem em sua estrutura as partes
externas das placas de Steel Frame compostas por perfil de aço galvanizado, painel estrutural
de OBS, isolante termo acústico que podem ser de lã mineral ou PET.
Já na parte interna das placas de Steel Frame encontra-se o perfil galvanizado, isolante
termo acústico, e para acabamento pode-se utilizar gesso acartonado, massa niveladora, fita
micro perfurada (Figura 33).

Figura 33. Estrutura da parte interna e externa das placas de Steel Frame

Fonte: Google Imagens (2019).


61

6.8.2 Telhas termo acústicas

O fato da construção ser em steel frame torna-se uma construção mais leve, e nesse
sentido, utiliza-se essa cobertura em telhas termo acústico.
A escolha desse material para a cobertura do edifício teve por objetivo principal a,
substituição das telhas de fibro cimentos, cerâmicas e de concretos.
Para diminuir os custos as mesmas podem ser compradas com medidas exatas da
cobertura, ou seja, reduzindo as perdas ao mínimo possível.
A mesma possui um peso estrutural baixo, um bom desempenho acústico, são
altamente duráveis e exigem pouca manutenção.
Não mofa e nem contribui para proliferação de insetos e microrganismos (Figura 34 e
35).

Figura 34. Estrutura da cobertura com telhas termo acústico

Fonte: Google Imagens (2019).

Figura 35. Modelo de telha termo acústico a ser utilizado

Fonte: Google Imagens (2019).


62

6.8.3 Vidros temperados

Para a contensão de guarda corpo, nas fachadas foram utilizadas placas de vidros
temperados transparentes de 10 mm, conforme especificações da ABNT (Figura 36 e 37).

Figura 36 e 37. Exemplo de vidro utilizado no projeto e modelo a ser utilizado na construção

Fonte: Google Imagens / Própria (2019).

6.8.4 Cisternas de concreto

As cisternas possibilitarão o armazenamento total de 135 mil litros de água,


provenientes da captaçao da água da chuva, distribuidas em 03 cisternas individuais, que
irão encaminha essa água para 04 caixas externas localizadas na parte superior do edifício
e essa água será direcionada através de um sistema hidráulico exclusivo que vai para a área
de serviço/lavanderia, onde poderá vir a ser utilizadas para os fins domésticos como,
limpeza e regra de plantas (Figura 38).

Figura 38. Modelo de cisterna para aproveitamento da água da chuva

Fonte: Google Imagens (2019).


63

6.8.5 Lixeiras para materiais reciclados

Para contribuir com o meio ambiente, serão instaladas 03 lixeiras semelhantes com o
modelo da Fig. 39, a fim de, proporcionar aos moradores a possibilidade de separar e dar
finalidade adequada ao lixo reciclável, optou-se por esse modelo onde o mesmo possuem
contêineres identificados por cores e legendas para facilitar o manuseio dos moradores.
A cor azul ficou destinada ao armazenamento de papel, a cor verde, vidro, a cor
vermelho, plástico e a cinza para o lixo comum (Figura 39).

Figura 39. Modelo de lixeira para coleta de lixo reciclável

Fonte: Google Imagens (2019).

6.8.6 Paver em concreto pré-moldados

O calçamento escolhido foi o paver permeável de concreto pré-moldado, pelo baixo


custo, uniformidade estética, além de, garantir uma durabilidade maior, pois o mesmo tem
índices de rachaduras bem menores que o calçamento de concreto convencional (Figura 40,41
e 42).
64

Figura 40. Paver da calçada do condomínio habitacional

Fonte: Própria (2019).


Figura 41 e 42. Modelo de paver da calçada do condomínio habitacional

Fonte: Google Imagens (2019).

6.8.7 Pergolados em steel frame

O pergolado é um dos elementos que foram utilizado para o bloqueio parcial do sol na
edificação, a junção de várias peças, gerou um efeito de brises.
Seu material de steel frame revestido com madeira de reaproveitamento proporcionou
um aspecto mais leve a edificação.
Em função do seu formato em “coucho” possibilitou que fossem plantadas espécies
trepadeiras e assim amenizar a temperatura do edifício, pois o mesmo possui os pergolados
verticais em todos os 04 lados do empreendimento (Figura 43).
65

Figura 43 Pergolado em Steel Frame revestido de madeira de reaproveitamento

Fonte: Própria (2019).

6.9 Setorização

A área total do terreno do edifício possui 14.257 m², dividido entre os seguintes
setores:

 03 blocos com 06 pavimentos de planta tipo;


 01 Casa de gás;
 01 Playground;
 01 Área de contemplação;
 03 Estacionamentos dispostos em localidades diferentes do edifício com 74 vagas no
total geral;
 01 Área verde e;
 01 Pista de caminhada.
66

Figura 44. Planta da área verde, pista de caminhada e área de contemplação

Fonte: Própria (2019).

Figura 45. Planta de implantação

Fonte: Própria (2019).


67

Figura 46. Quadro das áreas totais

Fonte: Própria (2019).

Figura 47. Planta baixa do piso térreo

Fonte: Própria (2019).


68

Figura 48. Planta layout do piso térreo

Fonte: Própria (2019).

A planta do condomínio habitacional de interesse social com conceito sustentável foi


elaborada com 04 apartamentos de planta tipo por pavimento, possuem escadas com 19 degraus,
rampas de acesso com elevação 5%, corredores com medidas mínimas de 2,18 cm, varandas
com medidas entre 3,35 e 4,04 cm, 02 elevadores com os requisitos de acessibilidade.
Na área central do pavimento há um poço de luz para proporcionar a ventilação
cruzada e a luz natural (Figura 47 e 48).
69

Figura 49. Planta de corte AA

Fonte: Própria (2019).

Corte AA demonstra elevação dos quartos 03, das cozinhas, e das salas de tvs de um
dos pavimentos, de maneira que, apresentam o corte de 02 apartamentos assim sucessivamente
ocorrerá nos outros pavimentos.
Esse corte torna evidente os pergolados na área sul e norte do edifício.
No que tange a cobertura, o corte salienta a estrutura metálica do telhado e a inclinação
de 25%.
A passarela para manutenção do telhado e das áreas de ventilação e a volumetria do
motor do elevador, das platibandas, a volumetria da caixa d´água (Figura 49).
70

Figura 50. Planta de corte BB

Fonte: Própria (2019).

O corte BB apresenta o guarda corpo localizado no hall de circulação aos apartamentos


do pavimento, exibe as escadas na área sul do pavimento, os pergolados na área norte e sul,
elevador do lado norte, volumetria em corte da caixa d´água no lado sul (Figura 50).

Figura 51. Planta de corte CC

Fonte: Própria (2019).


71

O corte CC passa pelos quartos 02 e 03 de cada pavimento, pelos corredores internos


dos apartamentos, pelo elevador, e evidencia os pergolados do lado leste e oeste (Figura 51).

Figura 52. Planta de cobertura

Fonte: Própria (2019).

A cobertura está evidenciada a platibanda do edifício, a volumetria e corte do elevador,


a parte posterior a volumetria da caixa d´água e entre a telha e a laje as caixas d´agua que irão
receber a água vinda das cisternas (Figura 52).
72

Figura 53 e 54. Planta de fachada Norte

Fonte: Própria (2019).

Figura 55 e 56. Planta de fachada Sul

Fonte: Própria (2019).


73

A fachada sul está voltada para a área verde, pista de caminhada, e o playground, onde
recebe a luz natural somente no período matutino. Seu brises vertical atua da mesma maneira
que atua na fachada norte, e está voltado para o bairro Menino Jesus I (Figura 55 e 56).
A fachada norte está voltada para o sol da parte vespertina, por isso os pergolados
foram desenvolvidos para minimizar essa incidência solar nesse período, o mesmo está voltado
para o bairro Menino Jesus II (Figura 53 e 54).

Figura 57 e 58. Planta de fachada Leste

Fonte: Própria (2019).


74

A fachada leste assim como a fachada sul recebe apenas o sol do período matutino, e
está voltada para a direção do bairro Vila Itália I (Figura 57 e 58).

Figura 59 e 60. Planta de fachada Oeste

Fonte: Própria (2019).

A fachada Oeste assim como a fachada norte recebe a maior incidência solar durante
o período diurno e está voltada para a BR 163 (Figura 59 e 60).
Os pergolados projetados em cada bloco possuem angulação específicas para que
atendam às necessidades da diminuição de incidência solar nos pavimentos daquele bloco.
75

Figura 61. Planta apartamento individual

Fonte: Própria (2019).

Cada apartamento possui uma área de 77,40m², divididos em 06 ambientes sendo eles:
Cozinha com 9,66 m² , a sala possui 15,91m², o corredor 5,10m² , o quarto 01 8,29 m²,
o quarto 02 9,42 m², o quarto 03 11,97 m², banheiro 5,93 m² com requisitos de acessibilidade.
Esse projeto foi elaborado de maneira que, familias que possuem pessoas com
deficiencias possam morar com a mesma qualidade de vida que, as pessoas que não possuem
nenhum tipo de deficiencia, desse modo o projeto foi pensado para que nã haja necessidade de
ajustamento para acessibilidade dessas pessoas (Figura 61).

Figura 62. Planta da casa de gás

Fonte: Própria (2019).


76

A casa de gás possui paredes nas áreas onde serão posicionados os registros de
distribuição, com grades vazadas nas laterais como forma de proteção do local (Figura 62).

Figura 63 e 64. Planta playground / 3d playground

Fonte: Própria (2019).

Na área do playground foram utilizados materiais como madeiras de reaproveitamento


e brinquedos de plástico reciclado, garantindo segurança e proporcionando lazer as crianças
moradoras do condomínio (Figura 63 e 64).

Figura 65. Planta do estacionamento

Fonte: Própria (2019).


77

Na área do estacionamento foi priorizado 06 vagas no total para pessoas com


deficiência (cadeirantes) e 06 vagas para idosos e gestante.
O estacionamento comporta um total de 74 vagas, distribuídas em três alas, sendo elas
leste, oeste e ao norte da edificação (Figura 65).

Figura 66 e 67. Planta da área verde, pista de caminhada e área de contemplação / 3d da área verde, pista de
caminhada e área de contemplação

Fonte: Própria (2019).

A área verde, a pista de caminhada e a área de contemplação, proporcionam aos


moradores uma experiência única, através da integração com a natureza e seus aspectos, como
forma de lazer e interação entre os moradores (Figura 66 e 67).
78

7. PROJETOS ARQUITETÔNICO (PROJETO EM PRANCHA 01 A 06)


79

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao longo desse trabalho foi possível identificar que os recursos naturais estão ficando
cada vez mais escasso, ou seja, a cada dia que passa a água do planeta está diminuindo, dessa
forma, encontrar opções de construção em que a utilização desses recursos possa ser diminuída
é um avanço para a construção civil.
Ao projetar um edifício que vai atender uma demanda de pessoas de classe baixa renda
se fez necessário um estudo aprofundado das condições de moradias oferecidas a essa
população, portanto, pode-se concluir que, as moradias oferecidas atualmente através de
condomínios habitacionais horizontais, não proporcionavam a essas famílias condições de vida
adequadas e com qualidade e conforto.
Foi possível compreender através do questionário que, as famílias se sentiam
discriminadas e excluídas da sociedade em decorrência da localidade onde habitavam, neste
sentido, o estudo pode desenvolver um projeto que poderá vir a ser construído, pois atende a
todas as necessidades básicas de uma família e reintegra esse grupo a sociedade.
Buscando equilibrar as formas de custos de uma construção desse porte, optou-se por
materiais de baixo impacto ambiental e soluções que visam a melhoria da qualidade de vida das
pessoas, proporcionando uma equiparação entre custo e benefício.
Cada etapa do projeto elaborado buscou atender todas as necessidades de uma família
padrão, oferecendo uma possibilidade de moradia com dignidade e conforto.
Esse projeto pode demonstra que, é possível construir boas habitações com materiais
de baixo impacto ambiental como o Steel Frame, sem perder a qualidade e a estética do edifício.
Que o estudo aqui apresentado possa corroborar com os estudos já existes sobre o tema
e assim contribuir com a transmissão do saber.
80

APENDICE

1-A sua casa possui a quantidade de cômodos suficientes para que sua família possa viver
com conforto?
( ) SIM ( ) NÃO

2-Você acredita que a distância da sua casa do centro da cidade te impede de ter acesso a
saúde, educação e lazer de qualidade?
( ) SIM ( ) NÃO

3-Você acredita que a distância da sua casa do centro da cidade te impede de conquistar
um emprego que você julga melhor?
( ) SIM ( ) NÃO

4-Seu bairro tem coleta seletiva de lixo (coleta de lixo reciclado)?


( ) SIM ( ) NÃO

5-O que é mais importante para você;


( ) saúde ( ) lazer ( ) transporte ( ) segurança
81

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