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Elementos de Máquinas

Eixos e eixos arvores

Disciplina: Elementos de Máquinas


Professor: Anaí M. Santos e Paulo Boccasius
Eixos

• Definição: Elementos de máquinas utilizados


para suportar componentes rotativos e/ou
transmitir potência ou movimento rotativo ou
axial.
• Os eixos trabalham em condições
extremamente variáveis de ambiente e
carregamento.
Eixos

• Eixos são elementos de máquinas que têm


função de suporte de outros componentes
mecânicos e não transmitem potência. As
árvores, além de suporte, transmitem potência.
Geralmente, na prática, usa-se apenas o termo
eixo para denominar estes componentes.
Classificação quanto ao movimento

Os eixos e as árvores podem ser fixos ou giratórios e sustentam


os elementos de máquina. No caso dos eixos fixos, os
elementos (engrenagens com buchas, polias sobre rolamentos e
volantes) é que giram.
Classificação

• Eixos Maciços • Eixos Vazados


• A maioria dos eixos maciços tem • Normalmente, as máquinas-
seção transversal circular maciça, ferramenta possuem o eixo-árvore
com degraus ou apoios para ajuste vazado para facilitar a fixação de
das peças montadas sobre eles. A peças mais longas para a usinagem.
extremidade do eixo é chanfrada • Utilizados onda se deseja alivio de
para evitar rebarbas. As arestas peso.
são arredondadas para aliviar a
concentração de esforços.
Classificação

• Eixos cônicos • Eixos roscados


• Os eixos cônicos devem ser • Esse tipo de eixo é composto de
ajustados a um componente que rebaixos e furos roscados, o que
possua um furo de encaixe cônico. permite sua utilização como
A parte que se ajusta tem um elemento de transmissão e também
formato cônico e é firmemente como eixo prolongador utilizado na
presa por uma porca. Uma chaveta fixação de rebolos para retificação
é utilizada para evitar a rotação interna e de ferramentas para
relativa. usinagem de furos.
Classificação

• Eixos-árvore ranhurados • Eixos-árvore estriados


• Esse tipo de eixo apresenta uma • Assim como os eixos cônicos,
série de ranhuras longitudinais em como chavetas, caracterizam-se
torno de sua circunferência. Essas por garantir uma boa
ranhuras engrenam-se com os concentricidade com boa fixação,
sulcos correspondentes de peças os eixos-árvore estriados também
que serão montadas no eixo. Os são utilizados para evitar rotação
eixos ranhurados são utilizados relativa em barras de direção de
para transmitir grande força. automóveis, alavancas de
máquinas etc.
Eixos-árvore flexíveis

• Consistem em uma série de


camadas de arame de aço
enroladas alternadamente em
sentidos opostos e apertadas
fortemente. O conjunto é
protegido por um tubo flexível e a
união com o motor é feita
mediante uma braçadeira
especial com uma rosca.
• São eixos empregados para
transmitir movimento a
ferramentas portáteis (roda de
afiar), e adequados a forças não
muito grandes e altas velocidades
(cabo de velocímetro).
Forças axiais e radiais

• As forças axiais têm direção perpendicular (90º) à seção


transversal do eixo, enquanto as forças radiais têm direção
tangente ou paralela à seção transversal do eixo .
Tipos de espigas

• Para suporte de forças radiais, usam-se espigas retas, cônicas,


de colar, de manivela e esférica .
Tipos de espigas

• Para suporte de forças axiais, usam-se espigas de anéis


ou de cabeça.
Exemplos de Eixos
Materiais

• Há uma variedade enorme de materiais que se prestam


para a fabricação de eixos. Devem apresentar:

• Suficiente resistência mecânica


• Baixa sensibilidade aos efeitos de concentração de
tensões
• Baixo custo
Materiais

• Aços liga: tratados térmicamente

Baixo Carbono
• Aços carbono
Médio Carbono
Materiais

• Aços liga: tratados térmicamente: quando utilizados se


obtém por cálculo diâmetros menores e grandes
resistências comparados aos aços carbono.

• Desvantagem:
• alto custo
• mais sensíveis a concentrações de tensão

• Aço-liga:
• ABNT 4120 (20 Mn Cr4) – 4130 (25 Mo Cr4) – 6150 (50
Cr V4)
Materiais

Aços-carbono de baixo e médio carbono são atualmente os


mais empregados em eixos na indústria. Aços mais
empregados:

ABNT 1025 (St42,11) – 1035 (St50,11)


ABNT 1045 (St60,11) – 1060 (St70,11)
Tensões de ruptura e de
escoamento
Materiais para eixos
Carregamentos atuantes
Carregamentos atuantes

• A carga em eixos de transmissão de rotação é


predominantemente uma de dois tipos:
• Torção devido ao torque transmitido
• Flexão devido às cargas transversais em engrenagens,
polias e catracas.
• Calculando-se a carga resultante.
• Essas cargas normalmente ocorrem em combinação,
porque, o torque transmitido pode estar associado com
forças nos dentes das engrenagens ou de catracas
fixadas aos eixos. O caráter de ambas as cargas pode
ser fixo (constante) ou variar no tempo.
Carregamentos atuantes

• Torção
• Flexão
• Tração – Compressão
• Efeitos combinados
Torção

• Torção - solicitação que tende a girar as secções de


uma peça, uma em relação às outras.

Normalmente a torção ocorre em eixos rotativos utilizados para transmissão


de potência e torque.
O dimensionamento do eixo deve se realizado considerando que o material é
elástico e linear, (Lei de Hooke).
Momento torçor (Mt)

• Denomina-se momento torçor (Mt) de uma manivela ao


produto da força (F) pelo raio (R).
Momento torçor (Mt)

• O momento torçor pode ser obtido também pela


seguinte fórmula:
Flexão
• Flexão - solicitação que tende a modificar o eixo
geométrico de uma peça.

As tensões atuantes a partir da linha neutra são do tipo tração e


compressão.
A identificação das regiões de tração ou compressão dependem
da deformação do eixo (linha elástica.
A flexão pode ser simétrica ou assimétrica
Momento Fletor( M f )

• A seção ( x ) da barra em figura está solicitada parte à


compressão e parte a tração, isto é, as fibras superiores
da barra são comprimidas e as fibras inferiores são
tracionadas.
Momento Fletor( M f )

• Denomina-se momento fletor (Mf) da seção(x), a soma


algébrica dos momentos, em relação a(x), de todas as
forças Pi que precedem ou seguem a seção.
Tração e compressão em eixos

• Tração - solicitação que tende a alongar a peça no


sentido da reta de ação da resultante do sistema de
forças.

Compressão - solicitação que tende a encurtar a peça


no sentido da reta de ação da resultante do sistema
de forças.
Efeitos combinados

Um sistema de forças pode ser aplicado num corpo de diferentes maneiras,


originando portanto diversos tipos de solicitações, tais como tração,
compressão, cisalhamento, flexão e torção.
Quando cada tipo se apresenta isoladamente, diz-se que a solicitação é
simples . No caso de dois ou mais tipos agirem contemporaneamente a
solicitação é composta.
Dimensionamento

• O projetista de máquinas está freqüentemente envolvido


com a tarefa de projetar um eixo (tipo de material,
comprimento e principalmente o diâmetro) que atenda
de forma segura todos os requisitos solicitados.
Dimensionamento

Às vezes é possível projetar eixos de transmissão úteis que não têm


variações do diâmetro de seção ao longo de seu comprimento, mas é mais
comum que os eixos tenham um número de degraus ou ressaltos onde o
diâmetro mude para acomodar elementos fixados tais como mancais,
catracas, engrenagens entre outros.
Situações

• Árvores sujeitas a esforços simples de torção


• Árvores sujeitas a esforços combinados de torção e
flexão
• Árvores sujeitas a esforços combinados de torção e
flexão e carga axial
• Árvores sujeitas a esforços variáveis
• Árvores com solicitações quanto a rigidez
Situações

• →Dimensionamento: Para dimensionarmos um eixo ou


eixo-árvore é importante identificarmos o tipo de
esforço que age no mesmo.
• 1.Dimensionamento à Flexão: Quando o eixo está
submetido somente a cargas que causam flexão.
• •Ex: eixos que suportam peças e trabalham fixos (eixo
de um vagão de trem).
Dimensionamento à Flexão
Momento fletor

• O momento fletor no plano vertical é determinado em


função da carga radial que atua no mecanismo. Como
as fibras do eixo sofrem esforços alternados (tração e
compressão), admite-se o giro de 180° e a utilização da
representação seguinte:

Convenção de
sentido e sinal
Exemplo

• Dimensione o eixo de um carrinho transportador de


peças representado no diagrama abaixo. Pelas suas
características sabe-se que o mesmo está submetido a
flexão simples a carga atuante é de 150kgf e a tensão
de escoamento do material do eixo é 42kgf/mm².

ΣMA = 0
ΣMA = F1 x a – RB x (a + b)
ΣFY = 0
ΣFY = RA + RB – F1
Solução

• Flexão simples
• Carga atuante é de 150kgF
• Tensão de escoamento (σe) do material do eixo é 42kgf/mm².

1.Reação B 2.Reação A
ΣMA = 0 ΣFY = 0
ΣMA = F1 x a – RB x (a + b) ΣFY = RA + RB – F1
ΣMA = 150 x 400 – RB x 1000 ΣFY = RA + RB – 150
150 x 400 – RB x 1000 = 0 RA + RB – 150 = 0
RB= 150 x 400/1000 = 60 kgf RA + 60 – 150 = 0
RA = 150 – 60 = 90 kgf
Solução

• 3.Momento fletor
• Mf = RA x a
• Mf = 90 x 400 = 36.000 kgF.mm ou
• Mf = RB x b
• Mf = 60 x 600 = 36.000 kgF.mm

• 4.Tensão admissível a flexão


• σf= σ𝑒/𝑘 = 42/4 = 10,5 kgf / mm²

• 5.Diâmetro Em geral os diâmetros


dos eixos são escolhidos
de acordo com o
diâmetro interno do
mancal
Dimensionamento à Torção

• Todos os eixos que giram e transmitem potência sofrem


flexão e torção (Flexo-torção).
• A torção ocorre devido, pelo menos, a dois momentos
que agem, no eixo, em sentidos contrários (a carga
puxa de um lado e o torque puxa do outro e tendem a
cisalhar o eixo). Assim, todos os eixos que transmitem
potência deveriam ser calculados à flexo-torção.
• Porém, quando as engrenagens, polias, etc. são fixadas
bem próximo aos mancais (apoios) o momento fletor
diminui consideravelmente e o eixo pode ser
dimensionado somente a torção.
Dimensionamento à Torção
Dimensionamento à Torção
Exemplo

• Na transmissão representada abaixo, considerando que


as polias estão bem próximas aos mancais dimensione
os eixos sabendo que:
• O motor possui potência de 12,5cv e rotação de
1755rpm,
• a polia motora possui diâmetro de 150mm e a movida
250mm e o material dos eixos é o aço ABNT1025.
Solução

• Motor: P = 12,5cv e n = 1750 rpm


• Polia motora Ø = 150mm
• Polia movida Ø = 250mm
• Material Aço ABNT 1025 com 23kgf/mm²

• 1- Momento torsor 1:
• Mt1 = 716200 x 𝑃/𝑛1 = 716200 x 12,5/1750= 5116 kgf.mm

• 2.Tensão admissível a torção;


• σf= σ𝑒/𝑘 = 23/6 = 3,83 kgf / mm²
• Ƭ = 2/3xσf = 2/3 x 3,83 = 2,55 kgf / mm²


Solução

• 3.Diâmetro (1)

d1= 1,71 x ³√5116/2,55 = 21,56 mm

• 4.Momento torçor (2)


• n2 = n1xd1/d2 = 1750 x150/250 = 1050 rpm
• Mt2 = 716200 x 𝑃/𝑛2 = 716200 x 12,5/1050 = 8526 kgf.mm

• 5.Tensão admissível a torção;


• σf= σ𝑒/𝑘 = 23/6 = 3,83 kgf / mm²
• Ƭ = 2/3xσf = 2/3 x 3,83 = 2,55 kgf / mm²
Solução

6.Diâmetro (2)

d2 = 1,71 x ³√8526/2,55 = 26 mm

• Em geral os diâmetros dos eixos são escolhidos de


acordo com o diâmetro interno do mancal de
deslisamento ou mancal de rolamento.
Efeitos combinados

• Dimensionamento à Flexo-torção:
• Na realidade muito raramente um eixo-árvore estará submetido a
torção simples, mas quase sempre a flexo-torção.
• Desta forma o dimensionamento é baseado na tensão de flexão
(σf) e num momento ideal (Mid) que considera o fato de que a
tensão de torção (τ) também está envolvida neste tipo de
dimensionamento e σf (tensão de flexão) e τ (tensão de torção)
podem ou não pertencerem ao mesmo tipo de solicitação
(constante; pulsante; alternante).
Efeitos combinados

• Para que isto seja possível vários estudiosos buscaram formas de


conseguir juntar estes dois tipos de tensão. Dentre eles BACH
que idealizou o coeficiente de BACH (α0).
• Este coeficiente serve para aumentar ou diminuir a
importância da τ (tensão de torção) em relação a σf (tensão de
flexão) e para estabelecer a justa proporção das respectivas
influências sobre a fadiga. Em outras palavras o valor de τ é
convertido em acréscimo de σf por meio do coeficiente α0.

Desta forma, ao calcularmos o coeficiente de BACH a τ


(tensão de torção) é absorvida pela σf (tensão de flexão).
Efeitos combinados

• Para calcular o Momento ideal (Mid) existem várias alternativas,


no Brasil usa-se uma hipótese denominada “Máxima dilatação
principal”, cuja equação é a seguinte:

Determinado o valor do Momento ideal, o prosseguimento do


cálculo é feito como se o eixo fosse uma “viga fletida” solicitada
por um momento fletor Mid. Assim, teremos:
Rasgo de chaveta

• Os eixos, na maioria dos casos, possuem rasgo de chaveta, que,


é uma das maneiras de fixa-los a outros elementos como polias,
engrenagens, etc; fazendo com que os mesmos girem com a
mesma rotação.
• Sendo assim, os eixos apresentam uma seção transversal
conforme a figura abaixo. Considerando que o rasgo para chaveta
deve ter uma profundidade “t”, especificada por norma.
• Quando o eixo é dimensionado o valor obtido é a cota “d”, para
obtermos o diâmetro maior “D” usamos: D = d + 2 x t
Exemplo

• Dimensione o eixo, representado na figura abaixo, sabendo-se


que o mesmo é de Aço SAE 1045 e a carga atuante sobre ele é
de no máximo 400kgf.
Solução

• Material Aço ABNT 1045 com 30kgf/mm²


• Carga atuante sobre o eixo 400kgf
• Ø = 500mm R = 250mm
• Distância = 600mm

• 1.Momento fletor :
• Mf = RA x a
• Mf = 200 x 300 = 60.000 kgf.mm
Solução

→Momento torçor
Mt = F x d (kgf.mm)

Onde:
•Mt = Momento torçor
•Ft = Força tangencial
•d = raio da peça

2.Momento torçor
Mt = F x d (kgF.mm)
Mt = 400 x 250 = 100.000kgF.mm
Solução

• 3.Momento ideal – Mid

Mid = 105.312,29 kgf.mm α0 = 1,15

4.Tensão admissível
σf= σ𝑒/𝑘 = 30/6 = 5 kgf/mm²

5.Diâmetro