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HOSPITAL DE DOENÇAS TROPICAIS DR. ANUAR AUAD – SES/GO

ANAIS II JORNADA DE PSICOLOGIA HOSPITALAR DO HDT-HAA

(25 E 26 DE AGOSTO DE 2016)

GOIÂNIA

AGOSTO

2016

SECRETÁRIO DE ESTADO DA SAÚDE Dr. Leonardo Moura Vilela SUPERINTENDÊNCIA TÉCNICO-CIENTÍFICO DO ISG Dr. André

SECRETÁRIO DE ESTADO DA SAÚDE Dr. Leonardo Moura Vilela

SUPERINTENDÊNCIA TÉCNICO-CIENTÍFICO DO ISG Dr. André Mansur de Carvalho Guanaes Gomes

DIRETORIA GERAL DO HDT/HAA Dra. Anamaria Arruda

DIRETORIA TÉCNICA HDT/HAA Dra. Letícia Mara Conceição Aires

DIRETORIA EXECUTIVA Aline Oliveira

DIRETORIA DE ENSINO E PESQUISA HDT/HAA Dra. Ledice Inacia de Araujo Pereira

Hospital de Doenças Tropicais - HDT Alameda Contorno, Nº 3556. Goiânia - GO CEP: 74853-120 Fone: (62)3201-3673 / (62)3201-3674

EXPEDIENTE

COMISSÃO CIENTÍFICA:

Tutora:

Cristina Vianna Moreira dos Santos, CRP 09/2862

Residentes:

Amanda Araújo Malta de Sá, CRP 09/8802

Rosely Vieira Cecílio, CRP 09/9108

COMISSÃO ORGANIZADORA:

Andrea dos Santos Silva, CRP 09/4371

Bruno Fernandes Borginho, CRP 09/7706

Cássio Fernandes de Oliveira, CRP 09/6728

Fernanda Oliveira Xavier, CRP 09/3049

Geiza Vieira Gonçalves CRP 09/4680

Lúcia Regina Chein Trindade, CRP 09/867

Luciana Mendonça de Carvalho, CRP 09/6079

Hospital de Doenças Tropicais Dr. Anuar Auad – SES/GO Alameda Contorno, n. 3556, Jardim Bela Vista, Goiânia – Goiás. Tel.: (62)3201-3632/3673

Ficha catalográfica

Elaborada por: Marla Alfonso Cavalcante Leobas CRB1 - 2496

J82 Jornada de Psicologia Hospitalar do HDT/HAA (2. :

2016: Goiânia, Go).

Anais da II Jornada de Psicologia Hospitalar do HDT/HAA -- Hospital de Doenças Tropicais Dr. Anuar Auad – SES/GO -- Goiânia: HDT/HAA, 2016.

40 p.

ISSN: 2526-1800

1. Pesquisa científica – resumos. 2. Psicologia I- II. HDT.

Título.

PROGRAMAÇÃO II JORNADA DE PSICOLOGIA – HDT/HAA PSICOLOGIA HOSPITALAR E INFECTOLOGIA: FORMAÇÃO E PRÁTICA DIA

PROGRAMAÇÃO

II JORNADA DE PSICOLOGIA – HDT/HAA

PSICOLOGIA HOSPITALAR E INFECTOLOGIA: FORMAÇÃO E PRÁTICA

DIA 25/08/2016

Pré-evento 13:00-15:00 – Minicurso Alterações neurocognitivas associadas ao HIV/AIDS Instrutora: Profa. Dra Maria Rita Polo Gastón – CRP 06/85260 Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de São Paulo e Universidade São Judas Tadeu

15:00-17:00 – Oficina Técnicas de relaxamento Instrutora: Esp. Ana Maria Caran Miranda – CRP 09/88 Hospital Araújo Jorge

15:00-17:00 – Oficina Grupos, afetividade e poder na prática profissional Instrutora: Dra. Maria da Penha Nery – CRP 01/3502 Associação Brasiliense de Psicodrama

Evento

19:00h – Mesa de Abertura: solenidade Diretor do ISG Diretora Geral do HDT Diretora do DEP Assessora Operacional Presidente do CRP-09 Coordenadora do Curso de Psicologia - UNIP/ Goiânia Coordenadora do Centro de Psicologia Aplicada - CPA Coordenadora do Setor de Psicologia

19:30h-21:00h – Conferência de Abertura A Aids em perspectiva: memórias revisitadas de uma aprendiz a

19:30h-21:00h – Conferência de Abertura A Aids em perspectiva: memórias revisitadas de uma aprendiz a psicóloga Profa. Dra. Lenise Santana Borges – CRP 09/315 Pontifícia Universidade Católica-GO

Coquetel de Abertura da II Jornada de Psicologia

DIA 26/08/2016 8:00h-09:30h – Mesa Redonda 1 Residência de Psicologia: desafios e perspectivas no cenário goiano Coordenação: Cristina Vianna Moreira dos Santos – CRP 09/2862 Tutoras de Psicologia das Residências Multiprofissionais

09:30h-10:00h – Intervalo

10:00h-11:30h – Mesa Redonda 2 Onde está o sujeito no hospital? Reflexões sobre o trabalho multiprofissional Coordenação: Andrea dos Santos Silva – CRP 09/4371 Profissionais do Serviço Social, Enfermagem, Nutrição e Fisioterapia

11:30h-13:30h – Intervalo de almoço

13:30h-15:00h – Mesa Redonda 3 Pesquisas de Residência em Psicologia na área de Infectologia Coordenação: Cristina Vianna Moreira dos Santos – CRP 09/2862

Sexualidade do paciente vivendo com HIV/Aids Amanda Araújo Malta de Sá – CRP 09/8802 Residente R2 – Hospital de Doenças Tropicais/Hospital Dr Anuar Auad

Avaliação da qualidade de vida em portadores de hanseníase Rosely Vieira Cecílio – CRP 09/9108 Residente R2 – Hospital de Doenças Tropicais/Hospital Dr Anuar Auad

Reações emocionais do paciente com diagnóstico recente de HIV/Aids Silvia Regina Ferrari Becker – CRP 09/9004 Residente Egressa – Hospital de Doenças Tropicais/Hospital Dr Anuar Auad

15:00h-16:00h – Mesa Redonda 4 Dimensões do isolamento no contexto das doenças infectocontagiosas: perspectivas na

15:00h-16:00h – Mesa Redonda 4 Dimensões do isolamento no contexto das doenças infectocontagiosas: perspectivas na infância e na idade adulta Coordenação: Luciana Mendonça de Carvalho – CRP 09/6079 Lúcia Regina Chein Trindade – CRP 09/867 Hospital de Doenças Tropicais/Hospital Dr Anuar Auad Bruno Fernandes Borginho – CRP 09/7706 Hospital de Doenças Tropicais/Hospital Dr Anuar Auad

16:00h-16:30h – Intervalo

16:30h-17:30h – Mesa Redonda 5 Mulheres e HIV Coordenação: Aline C. Resende Pedro – CRP 09/3091 Raimundo Nonato Leite Pinto – CRM-GO 4363 Hospital de Doenças Tropicais/Hospital Dr Anuar Auad Silvane Tomilin – CRP 09/5065 Hospital de Doenças Tropicais/Hospital Dr Anuar Auad

17:30h-18:00h – Avaliação e Premiação de Pôsteres Psicologia da Saúde e Hospitalar Coordenação: Comissão Científica

APRESENTAÇÃO

A proposta da II Jornada de Psicologia do HDT/HAA é promover conhecimento, por meio de diferentes formas de comunicação de trabalhos científicos como conferência, mesas-redondas e apresentação de pôsteres sobre a psicologia hospitalar com ênfase em infectologia e o trabalho da Residência em Psicologia no contexto da Residência Multiprofissional. O evento teve como objetivos proporcionar espaço para a reflexão de profissionais e estudantes sobre a Psicologia Hospitalar no campo da Infectologia e no contexto da Residência em Psicologia do HDT/HAA, trazer visibilidade para o trabalho do Setor de Psicologia do Hospital de Doenças Tropicais – HDT/HAA que inclui ações de assistência aos pacientes e familiares e, visibilidade para o trabalho da Residência em Psicologia no contexto da Residência Multiprofissional que inclui ações de assistência aos pacientes e familiares, bem como pesquisas na área.

O trabalho do Setor de Psicologia pretende se tornar referência em atendimento psicológico na área hospitalar considerando as especificidades das doenças infectocontagiosas e pretende contribuir para a construção do conhecimento científico, promovendo a qualidade da prática de ensino em Residência em Psicologia com enfoque na Infectologia, rompendo com as barreiras e estigmas nesta área.

SUMÁRIO

RESUMOS DAS MESAS-REDONDAS

Aids em perspectiva: memórias revisitadas de uma aprendiz a psicóloga (BORGES, Lenise Santana) 11

Avaliação de qualidade de vida em pacientes portadores de hanseníase em um hospital de referência em doenças infectocontagiosas de Goiânia-GO (CECÍLIO, Rosely Vieira; CASTILHO, Mírian Lane de Oliveira Rodrigues) 12

As dimensões do isolamento no contexto das doenças infectocontagiosas:

perspectivas na infância e na idade adulta (TRINDADE, Lúcia Regina Chein,

BORGINHO, Bruno Fernandes)

14

A sexualidade do paciente vivendo com HIV/AIDS (SÁ, Amanda Araújo Malta de;

16

VIANNA, Cristina)

Mulheres com HIV/AIDS - medicina, religião e família no enfrentamento da doença (PINTO, Raimundo Nonato Leite) 18

Mulheres, HIV e a gestação - aspectos psicológicos (TOMILIN, Silvane)

19

Poder e afetividade na prática profissional (NERY, Maria da Penha)

21

Reações emocionais vivenciadas por pacientes internados/hospitalizados com diagnóstico recente de HIV/AIDS (BECKER, Sílvia Regina Ferrari; VIANNA,

Cristina)

23

RESUMOS DOS TRABALHOS

A atuação interdisciplinar da psicologia e do serviço social em atendimentos no hospital de urgência governador Otávio Lage de Siqueira – HUGOL (VIEIRA, Juliana Rosa Pires; MOREIRA, Jéssica Layanne Aparecida Pinho) 25

Além da medicina: estratégias de fé no enfrentamento do câncer (MORAIS, Damaris Nunes de Lima Rocha; BARROS, Arlene de Castro) 27

Assistência psicológica ao paciente cardiopata: revisão da literatura (SILVA, Thatiane de Oliveira Gomes Silva; MOURA, Guilherme; MAGALHÃES, Andréa Batista) 29

Consulta ginecológica e obstétrica: assistência e eficácia do acompanhamento psicológico (GOMES, Guilherme Moura; SILVA, Thatiane de Oliveira Gomes; OLIVEIRA, Lorrayna Dias Galindo de; MAGALHÃES, Andréa Batista) 31

Corpo que não responde: o luto pela mudança corporal em um processo inicial

33

de reabilitação pós-trauma (LELES, Mariana Batista Leite)

Estratégias de enfrentamento utilizadas pelo paciente oncológico diante do prognóstico de terminalidade (NASCIMENTO, Danielle Sousa Nascimento; BARROS, Arlene de Castro)…………………………………………………………35

O corpo que sofre: negritude e HIV/AIDS (OLIVEIRA, Ricardo Alves de)………37

Sinais e sintomas de estresse vivenciados pela equipe multidisciplinar na clínica

cirurgica de um hospital escola (OLIVEIRA, Amanda Rodrigues Mendes de;

ZANINI, Daniela Sacramento; TARTUCE, Luciana Marya Gusmão)………… …39

11

RESUMOS DAS MESAS REDONDAS

AIDS EM PERSPECTIVA: MEMÓRIAS REVISITADAS DE UMA APRENDIZ A PSICÓLOGA

Dra. Lenise Santana Borges 1

Esse texto apresenta uma perspectiva parcial e fragmentada da minha vivência em montar um serviço de Psicologia no Hospital de Doenças Tropicais no final dos anos 1980 na cidade de Goiânia. Tomando como inspiração os encontros com o sociólogo, ativista, Herbert Daniel e com as ideias e práticas do movimento feminista trago algumas reflexões que me possibilitam entender a Aids como um fenômeno multicausal, englobando aspectos epidemiológicos, sociais, econômicos, psicológicos e políticos, refletindo as intensas transformações e complexidades das sociedades ditas pós-tradicionais. Um dos aspectos a ser destacado nessa experiência aponta para a importância de estratégias envolvidas no ato de esconder ou publicizará vida amorosa e sexual como um dos fatores geradores de possíveis agravos da doença. Ilustro esse aspecto com trechos de fala do próprio Hebert Daniel e de alguns(mas) pacientes ressaltando as dificuldades impostas pelas relações tortuosas entre a sexualidade, a Aids, e os processos de assumir ou não a própria sexualidade. Nesse processo de convívio com os(as) pacientes aprendi a importância do trabalho em grupo e que a saída pela mobilização social e o reforço dos ativismos têm profundos efeitos de resistência e se apresentam como estratégias importantes para o enfrentamento da epidemia. Finalizo sugerindo a importância de uma formação mais integral na psicologia, na qual a teoria não esteja dissociada da prática chamando atenção para a necessidade da incorporação da discussão sobre gênero e sexualidade e para uma prática profissional mais comprometida com a sociedade.

Palavras-chave: Psicologia, Aids, Prática Profissional.

1 Professora – Pontifícia Universidade Católica de Goiás

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AVALIAÇÃO DE QUALIDADE DE VIDA EM PACIENTES PORTADORES DE HANSENÍASE EM UM HOSPITAL DE REFERÊNCIA EM DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS DE GOIÂNIA-GO

Rosely Vieira Cecílio 1 Dra. Mírian Lane de Oliveira R. Castilho 2

A hanseníase é uma doença infectocontagiosa de evolução lenta, causada pelo Mycobacterium

leprae, ou bacilo de Hansen, que se manifesta principalmente por sinais e sintomas

dermatoneurológicos: lesões na pele e nos nervos periféricos, principalmente nos olhos, mãos e pés.

É de grande importância para a saúde pública, devido a sua alta infectividade e baixa

patogenicidade, e seu alto poder incapacitante, atingindo uma faixa etária economicamente ativa. A

prevalência da hanseníase registrada pela OMS em 2010 foi em 1º lugar na Índia e em 2º lugar no

Brasil. Os municípios brasileiros com endemicidade mais elevada estão localizados no entorno da

Amazônia (Rondônia, Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul, Tocantins e Pará). Em Goiás

especificamente até novembro de 2015 surgiram 1.288 novos casos de hanseníase. O diagnóstico de

hanseníase traz consigo um impacto emocional negativo, podendo promover atitudes de auto

estigmatização. Os sintomas, as dores, e as deformidades físicas afetam a vida pessoal e de relação

do hanseniano, levando a prejuízos biopsicossociais que demandam assistência multiprofissional,

causando detrimento na qualidade de vida dos pacientes. A Psicodermatologia é uma área de

interface entre a Psicologia e a Dermatologia, que busca melhor compreender as doenças de pele, de

forma a considerar os fatores emocionais envolvidos no adoecimento, seja como desencadeante,

seja como agravante. As intervenções junto aos pacientes baseiam-se numa compreensão

psicossomática em que mente e corpo influenciam-se mutuamente. O presente estudo tem caráter

prospectivo, onde se pretende avaliar o grau de comprometimento da qualidade de vida de pacientes

com hanseníase em tratamento ambulatorial e internação no Hospital de Doenças Tropicais de

Goiânia, no período de 01/2016 a 03/2017. A amostra será composta por 100 participantes

independentes do sexo, adultos com idade mínima de 18 anos e máxima de 85 anos, incluindo os

analfabetos funcionais. A coleta de dados será realizada no HDT, de forma individual, nos

ambulatórios de dermatologia e na unidade de internação do hospital. Martins (2009) enfatiza que

avaliar a qualidade de vida dos portadores de hanseníase, mostra-se de fundamental importância

para o desenvolvimento de novas práticas assistenciais e de políticas públicas que tenham como

objetivos, a promoção da saúde e prevenção da doença e que repercutam positivamente na esfera

psico-sócio-cultural. A pesquisa oferece também benefícios por possibilitar um diagnóstico da real

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situação da endemia da hanseníase em Goiânia, e de prejuízos na qualidade de vida a qual

esta população está submetida, e não traz qualquer risco à sua saúde. A qualidade de vida será

avaliada por dois instrumentos: o SF-36 (traduzido e validado por Ciconelli et al., 1999), que é um

questionário multidimensional com 8 escalas: capacidade funcional, aspectos físicos, dor, estado

geral da saúde, vitalidade, aspectos sociais, aspectos emocionais e saúde mental, e o DLQI

(Dermatology Life Quality Index – traduzido e validado por Zogbi, 2004), que é composto por 10

itens relacionados à qualidade de vida específica para problemas de pele, e mais um questionário

sócio demográfico contendo: nome, data de nascimento, gênero, estado civil, escolaridade,

profissão, tempo de diagnóstico, renda e local de residência. A análise das informações será

realizada pelo software estatístico: Statistical Package for Social Sciences (SPSS) versão 21.0 para

o Windows, possibilitando análises estatísticas de matrizes de dados, e correlação entre todas as

variáveis.

Palavras-chave: Qualidade de Vida, Hanseníase, Psicodermatologia.

1 Psicóloga Residente em Psicologia – HDT/HAA 2 Médica Dermatologista – HDT/HAA

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AS DIMENSÕES DO ISOLAMENTO NO CONTEXTO DAS DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS: PERSPECTIVAS NA INFÂNCIA E NA IDADE ADULTA

Lúcia Regina Chein Trindade 1 Bruno Fernandes Borginho 2

No contexto hospitalar são tomadas medidas de biossegurança para prevenção, controle e

eliminação de riscos decorrentes da assistência ao paciente. Contudo, algumas dessas medidas

acabam por segregar o paciente, durante o período de transmissibilidade da doença infecciosa, a fim

de evitar que outras pessoas sejam infectadas. A pessoa, nessa situação, é influenciada pela sua

visão sobre a sua doença, pela visão de sua família, da sociedade e pela história desse tipo de

enfermidade. O fato de adquirir uma doença contagiosa já se constitui em uma experiência

traumática e ser, ainda, internado em uma unidade de isolamento faz com que o paciente perceba

sua situação de forma mais negativa. Quando o paciente está restrito à enfermaria, muitas das vezes

estes passam pela sensação de privação de liberdade e crenças distorcidas antecipatórias de que essa

situação será vivenciada para outras questões de sua vida. Isso ocorre, pois ainda há tabus e

estigmas associados a ambos, mesmo as doenças contagiosas sendo antigas e o HDT/HAA ser a

referência no tratamento dessas doenças. Nessa unidade, o psicólogo aborda com o paciente sua

hospitalização, o que ela significa para si e para sua família, conhece um pouco de sua história de

vida e do adoecimento. As questões psicológicas são abordadas de maneira breve e focal, visando

sempre àqueles aspectos relacionados ao processo de adoecimento/hospitalização. Intervenções

psicológicas são importantes durante a internação hospitalar para melhor adaptação do paciente a

esse ambiente e para auxiliá-lo na elaboração e aceitação de sua doença e tratamento. No entanto,

em uma situação de isolamento, os recursos são mais escassos e a possibilidade de interação com o

outro é reduzida. Nesse contexto de isolamento também são restritos alguns estímulos sensoriais

fundamentais para o desenvolvimento cognitivo e afetivo da criança como o toque dos pais ou

simplesmente vê-los adequadamente devido o uso de máscaras. Assim, é necessário adaptar, tanto

para o profissional, quanto para a família, a manifestação de afeto e cuidado para que não se

interrompa o desenvolvimento afetivo e neuropsicomotor da criança. No contexto de precaução de

contato, o momento de maior toque é durante a amamentação, nesse período é que se é estimulada a

maternagem e estar em isolamento proporciona maior liberdade às mães para serem espontâneas

nesse afeto. Quando a precaução é de aerossóis ou gotículas, mesmo não vendo o rosto da mãe, esta

é estimulada a conversar com a criança. No contexto pediátrico o isolamento faz aumentar o

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estresse da criança e de seu acompanhante. A limitação de recursos que a motivem a se levantar a

cada dia favorece o surgimento da falta de colaboração com o tratamento, rebaixamento de humor,

inapetência e recusa de alguns medicamentos. Nesse sentido a intervenção deve ser a de dar voz ao

que a criança expressa, as vezes auxiliando-a a nomear o que sente e o que quer, e ao mesmo tempo

oferecer recursos que possam estimulá-la no leito. Utilizar de um diálogo indireto até se chegar

junto com a criança numa reflexão positiva do momento que está vivendo, além de ensiná-la sobre

esse processo e como aprender a viver melhor nessa fase de sua vida, estimulando também seu

desenvolvimento cognitivo. Já na fase de pré-adolescência e adolescência o paciente já tem uma

compreensão mais ampla do adoecimento. Ao mesmo tempo que o adoecimento pode ser uma

ferida egóica em seu pensamento de invencibilidade, este tem a necessidade de falar, mas sem ser

analisado sob a ótica de seus pais. Assim, é necessário criar um ambiente seguro, onde se possa dar

espaço à expressão de sentimentos, sejam eles quais forem: medo, raiva, tristeza

postura acolhedora e não invasiva, às vezes abordar assuntos que não sua doença (pois todos já

falam sobre isso e cobram atitudes de colaboração com o tratamento), ou apoiar pequenas

transgressões no rígido ambiente hospitalar, como deixar dormir até mais tarde ou favorecer algum

cuidado especial. É importante ressaltar que no modelo de atendimento hospitalar é o psicólogo

quem procura o paciente, oferecendo ajuda a ele e ficando disponível também para sua família. A

família, igualmente angustiada e sofrida, também precisa da atenção do psicólogo e deve ser

envolvida no trabalho com o paciente por ser uma das raras motivações que este tem para enfrentar

o sofrimento. O psicólogo, então, deve facilitar, criar e garantir a comunicação efetiva e afetiva

entre paciente/família e equipe, mediando esse diálogo. Nosso trabalho como psicólogo é dar voz

àquele que muitas vezes é silenciado, que se vê despersonalizado em troca de um tratamento. Dar

abertura para a comunicação e expressão de suas necessidades de emoções. A criança, o

adolescente, os adultos e seus familiares, necessitam ser assistidos de forma integral, para que se

possa acolher seus sentimentos e tentar atender as necessidades e desejos na medida do possível.

Deve-se ter uma

Palavras-chave: Isolamento, Doenças Infectocontagiosas, Reações Emocionais.

1 Psicóloga – HDT/HAA

2 Psicólogo – HDT/HAA

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A SEXUALIDADE DO PACIENTE VIVENDO COM HIV/AIDS

Amanda Araújo Malta de Sá 1 Dra. Cristina Vianna 2

O Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) vem ocupando lugar de destaque dentre as mais

temidas patologias dos tempos atuais e representa um sério problema de saúde pública, considerada

epidemia global, com rápida disseminação e agravamento. As principais formas de transmissão do

HIV são por vias: sexual, sanguínea (em receptores de sangue ou hemoderivados e em usuários de

drogas injetáveis), vertical (da mãe para o filho, durante a gestação, parto ou aleitamento) e

ocupacional (administração e infecção através de perfuro-cortantes). Cabe ressaltar que, dentre elas,

a transmissão sexual é considerada pela OMS como a mais comum em todo mundo. Como

estratégias no combate ao HIV, os dois grandes enfoques são a prevenção e o tratamento. As

principais estratégias de prevenção envolvem o uso de preservativos, o uso de agulhas e seringas

esterilizadas ou descartáveis, o controle do sangue e derivados, a adoção de cuidados na exposição

ocupacional a material biológico e o manejo adequado das outras DST's. Para tratar pessoas

infectadas com o vírus institui-se o uso regular e contínuo da terapia antirretroviral (TARV), que

tende a diminuir sua morbidade e mortalidade, melhorando a qualidade e a expectativa de vida das

pessoas que vivem com HIV/Aids. Logo após a descoberta do HIV, o acometimento pelo vírus foi

associado aos homossexuais, hemofílicos, haitianos, heroinômanos e profissionais do sexo,

tornando a patologia extremamente estigmatizada. Por este motivo, muitas pessoas temem ser

julgadas por terem o vírus, pois há ainda a tendência em associá-lo a esses grupos. Sendo assim, é

muito comum que sujeitos infectados ocultem o diagnóstico como estratégia para minimizar o seu

impacto social nos meios familiar, social ou profissional. O diagnóstico de infecção pelo HIV

modifica as expectativas do sujeito em relação a si próprio e ao meio em que vive. A cronicidade da

patologia repercute no âmbito pessoal e social, podendo comprometer as relações interpessoais e a

autoestima. Além disso, são necessárias mudanças no estilo de vida, que envolvem a adaptação ao

tratamento. Pesquisas apontam que a qualidade de vida de pessoas soropositivas é afetada

principalmente no domínio da atividade sexual. Isto pode estar relacionado a várias dificuldades,

como manejar e conviver com o HIV/Aids, compartilhar o diagnóstico, medo de perder o parceiro

pelo adoecimento e pelos conflitos, mágoas e ressentimentos que podem estar envolvidos na

aquisição do HIV. A sexualidade é de fundamental importância para o ser humano, por todo o seu

desenvolvimento, e pode ser vivenciada harmoniosamente ou permeada por sentimentos

desagradáveis e conflituosos. O sujeito portador do vírus HIV tem outros desafios acrescentados aos

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já existentes e provenientes de sua sociedade e cultura, por estar em uma condição de possível

transmissor e ter a necessidade de se adaptar a esta realidade. Nesse contexto de transformação da

intimidade, dos valores e das formas de pensar, o que favorece a flexibilidade da sociedade a

acolher novas configurações das relações amorosas, estão inseridas as pessoas que vivem com

HIV/Aids. Sentimentos de angústia, tristeza e medo podem fazer parte da realidade de sua vivência

sexual. Torna-se, então, um desafio para os sujeitos infectados lidar com o risco concreto da

transmissão da infecção e, especialmente, com o estigma, preconceito e discriminação associados à

Aids. Esta problemática pode desencadear redução da libido, diminuição na frequência das relações

sexuais ou até mesmo a abstinência, interferindo no exercício da sexualidade das pessoas que vivem

com HIV. Tais problematizações teóricas despertaram o interesse de uma psicóloga residente, de um

hospital de referência em infectologia de Goiás, dentro do contexto da Residência Multiprofissional,

de desenvolver um projeto de pesquisa cujo objetivo geral é investigar a vivência da sexualidade de

sujeitos que convivem com o vírus HIV. Os objetivos específicos são: identificar as principais

dificuldades de sujeitos soropositivos em seus relacionamentos afetivos e/ou sexuais e levantar

como são vivenciadas essas dificuldades por este público; e investigar se existem mecanismos de

enfrentamento a essas dificuldades e como são vivenciados. O projeto de pesquisa foi avaliado e

aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital de Doenças Tropicais Dr. Anuar Auad

(HDT/HAA) em dezembro de 2015. Esta é uma pesquisa qualitativa em que a amostra foi de

conveniência. Os participantes que concordaram em participar da pesquisa fazem acompanhamento

e tratamento no hospital e foram entrevistados sob a perspectiva do método fenomenológico. Suas

entrevistas foram transcritas e atualmente estão em processo de análise. Esta pesquisa originará o

Trabalho de Conclusão de Residência da profissional em processo de aprendizagem em serviço.

Palavras-chave: HIV/Aids, Sexualidade, Psicologia da Saúde.

1 Psicóloga Residente em Infectologia – HDT/HAA

2 Tutora de Residência em Psicologia – HDT/HAA

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MULHERES COM HIV/AIDS - MEDICINA, RELIGIÃO E FAMÍLIA NO ENFRENTAMENTO DA DOENÇA

Dr. Raimundo Nonato Leite Pinto 1

A infecção pelo vírus HIV/AIDS representa um importante problema de Saúde Pública mundial. Recentemente, temos observado uma feminização da epidemia. Esse fato motivou o desenvolvimento da presente pesquisa, tendo como objeto de estudo mulheres com HIV/AIDS. Os objetivos principais da pesquisa foram apresentar a situação da epidemia no mundo, no Brasil e em Goiás; estabelecer a relação entre a medicina e a religião, inclusive na visão das mulheres soropositivas; destacar os sentimentos das pacientes por se encontrarem portadoras de um vírus com características letais; a importância da religião no enfrentamento desses desafios impostos pela doença; e, por fim, relacionar o papel da instituição família no combate ao HIV/AIDS. A pesquisa foi realizada, utilizando-se como instrumento um questionário que foi aplicado exclusivamente pelo pesquisador em 30 pacientes comprovadamente contaminadas pelo vírus. Todas as expressões religiosas mencionadas estão incluídas no Cristianismo. As pacientes estudadas reconhecem a importância da relação entre a medicina e a religião e demonstraram categoricamente que apreciam e valorizam tanto os conhecimentos médicos quanto a manifestação do fenômeno religioso no enfrentamento da infecção. As pacientes deixaram patente a importância da religião no enfrentamento da doença. Quanto ao papel da família, naquelas que apoiam o membro soropositivo é evidente a manifestação da importância no combate à evolução da doença.

Palavras-chave: Religião, Saúde, HIV/AIDS, Mulher, Família.

1 Professor – Pontifícia Universidade Católica de Goiás

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MULHERES, HIV E A GESTAÇÃO - ASPECTOS PSICOLÓGICOS

Silvane Tomilin 1

Dados recentes apontam que para cada homem infectado existe, atualmente, uma mulher na mesma condição, indicando uma crescente feminização do HIV/Aids. Fatores socioculturais, objetivos e subjetivos, como a pobreza, a baixa escolaridade, a iniquidade de gênero, a exposição ao uso de drogas lícitas e ilícitas, a falta de acesso aos serviços de saúde e o estigma social, são alguns fatores que contribuem para este quadro que atinge, especialmente, as mulheres em idade reprodutiva. A descoberta do diagnóstico, que pode acontecer nos primeiros exames do pré-natal, no momento do parto ou em momento anterior a gestação, causa um impacto psicológico intenso, muitas vezes agravado com a revelação de outras doenças concomitantes. O Ministério da Saúde, através da Secretaria de Vigilância e Saúde, criou o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Prevenção da Transmissão Vertical de HIV, Sífilis e Hepatites Virais com o objetivo de oferecer à gestante medidas profiláticas para diminuir o risco de Transmissão Vertical, ou seja, reduzir que a infecção seja transmitida ao futuro bebê. Assim, orienta-se que a gestante faça o Teste Rápido para HIV no primeiro e último trimestre, que inicia o seguimento clínico e adesão à TARV - Terapia Antirretroviral – no mínimo na 14ª semana de gestação; que o parto obedeça dois critérios dependendo da Carga Viral (CV) apresentada no último exame, sendo cesariana eletiva para CV maior que 1.000 cópias e parto normal para CV menor que 1.000 cópias. De acordo com o Protocolo, orienta-se que a parturiente receba de forma intravenosa o AZT no parto e que o recém- nascido receba a medicação em forma de xarope nas seis primeiras horas e durante 28 dias de vida. Outra recomendação é o não aleitamento materno. Como a maternidade é uma experiência socialmente estimulada em nossa sociedade, bem como a amamentação, por diversos benefícios como a proteção orgânica e o fortalecimento do laço afetivo, tanto para a mãe quanto para o filho, a gestante soropositiva vive um paradoxo entre a alegria e a tristeza neste momento de sua vida. Sentimentos ambivalentes como medo e culpa pela possibilidade de infectar o bebê; a revelação do diagnóstico trazendo aproximação ou separação conjugal/familiar, preconceito e discriminação, entre outros, são uma constante, fazendo com que a experiência da maternidade para a paciente, torne este momento ainda mais intenso. Ainda há poucos estudos brasileiros com enfoque nos aspectos psicológicos da maternidade neste contexto, mas segundo alguns autores a maternidade permanece numa posição bastante idealizada para as gestantes, sendo colocada acima da infecção e com expectativas positivas que incluem a capacidade de cuidar da criança, especialmente se conta

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com rede de apoio. Porém, a feminização da doença, o aspecto crônico da mesma e os estigmas sociais criados em torno dela, indicam que a gestante soropositiva necessita de um acompanhamento psicossocial que a atenda nas suas necessidades emocionais e socioculturais, numa assistência integrada e humanizada. Garantir que esta mulher tenha qualidade de vida, que seja reconhecida e respeitada na sua subjetividade, mas promovendo ações que lhe possibilitem, por exemplo, a sobrevivência e a melhoria da adesão, com intervenção interdisciplinar e transetorial. Medidas que poderão auxiliá-la a perceber de forma positiva a vivência da maternidade, efetivando suas ações como corresponsável neste processo.

Palavras-chave: Gestação, Diagnóstico, HIV/Aids, Apoio Psicossocial.

1 Psicóloga – HDT/HAA

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PODER E AFETIVIDADE NA PRÁTICA PROFISSIONAL

Dra. Maria da Penha Nery 1

Trabalhar com os sofrimentos das pessoas, dos grupos e com mediação de conflitos nos obriga a compreender a influência da afetividade nas práticas de poder. Há muitos teóricos que nos ajudam a embasar nossas intervenções terapêuticas, no sentido do bem estar pessoal e coletivo, do empoderamento dos sujeitos oprimidos, da construção do diálogo empático, da distribuição do poder e da criatividade. Quanto mais conscientes do porquê e do para quê de nossa atuação socioclínica, mais libertador será nosso trabalho. Dada à relevância do tema, oferecemos um workshop, na II Jornada de Psicologia Hospitalar, em Goiânia, sobre “afetividade e poder no exercício profissional”. Perguntamos quais eram as expectativas dos participantes, o que eles conheciam sobre o assunto e em que poderiam usar o que iriam aprender. Logo após a oficina, fizemos as mesmas perguntas. Estiveram presentes 52 pessoas, 23 responderam dizendo, em síntese, que pouco conheciam sobre afetividade e poder, ou da interação dos temas; enfatizaram que era importante para suas relações e para a atuação do psicólogo, ou do profissional da saúde em qualquer contexto de trabalho. E disseram que poderiam utilizar os conhecimentos para ajudar a diminuir os sofrimentos nas interações humanas. A oficina se compôs de parte expositiva, em que se falou de alguns teóricos que estudam os temas, dentre eles: Foucault, Moreno, Marx, Moscovici e Adorno; parte vivencial, com sociodrama, em que ativamente os participantes expõem e dramatizam cenas relacionadas aos conteúdos e a parte dos debates. No sociodrama, surgiram cenas relacionadas aos afetos e identificações entre as pessoas, que continham critérios de escolhas, como por exemplo, “para quem eu contaria um problema”, “quem eu escolheria para trabalhar” ou “com quem estudaria hoje”. A cada um desses critérios, as escolhas provocavam a criação de subgrupos. Esse fenômeno ajudou-os a refletir sobre afetividade e alguns requisitos do poder, como a atração, a identidade, a união de grupos, a história grupal, e sobre os conflitos resultantes das constantes subdivisões grupais em nossas vidas. Nas subdivisões em nos ambientes de trabalho, por exemplo, podem ocorrer emoções que contribuem para a criatividade ou para o adoecimento das pessoas. Os participantes também trouxeram cenas relacionadas ao poder autoritário, em que expuseram o sofrimento de cada um dos lados. Coletivamente criaram uma cena, em que um personagem atacava, impunha ou agredia para obter resultados e outro se submetia, se inferiorizava e se subjugava. Ambos os personagens e a plateia trouxeram os diversos conflitos e dificuldades pessoais e interpessoais, assim como seus temores e sentimentos. O grupo ajudou a buscar saídas

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para a experiência angustiante do confronto, tentando o diálogo, a intuição e a empatia. Conseguiram perceber que há momentos em que vivemos mais um lado do que outro e que a radicalização gera crises. Também vieram cenas relacionadas às maneiras de exercer o poder com criatividade, com a construção de argumentos, com a busca de distribuir afetos que produzam o bem estar nas relações. Falamos sobre algumas técnicas para melhoria da comunicação que o profissional da saúde pode utilizar, dentre elas o duplo (expressar pelo interlocutor uma emoção que ele contém e perguntar-lhe se é isso mesmo) e a inversão de papéis (ajudar os interlocutores a se imaginarem no lugar um do outro, promover a intuição e a expressão de sentimentos). O debate teórico/prático ficou enriquecido com a experiência das cenas vividas pelo grupo. Algumas das conclusões dos participantes foram: seria importante aprofundar cada conteúdo abordado, com supervisão de casos, por meio de técnicas e métodos sociodramáticos de mediação; observaram a interrelação entre a distribuição de afetos, da expansividade afetiva entre pessoas e grupos que promovem diversos exercícios de poder; perceberam que no desempenho de papéis sociais, os conflitos precisam ser trabalhados, principalmente os que trazem historicamente as condutas de domínio, opressão, repressão, ameaças, vigilâncias e submissões e as ideologias machistas, racistas e das questões de gênero e de classe. Concluímos que os conflitos de poder e afetivos necessitam ser cada vez mais conhecidos teoricamente e que também trazem nossas histórias, que precisam ser revistas, para que a atuação profissional não contribua ainda mais para o sofrimento físico e psíquico de nossos pacientes e para os transtornos nas relações no trabalho.

Palavras-chave: Poder, Afetividade, Sociodrama, Prática Profissional, Conflitos.

1 Associação Brasiliense de Psicodrama

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REAÇÕES EMOCIONAIS VIVENCIADAS POR PACIENTES INTERNADOS/HOSPITALIZADOS COM DIAGNÓSTICO RECENTE DE HIV/AIDS

Sílvia Regina Ferrari Becker 1 Dra. Cristina Vianna 2

Partindo da concepção de que o estado emocional de uma pessoa tem grande influência na

qualidade de sua saúde psicológica e na relação que ela tem com a doença, esta pesquisa visa

compreender e descrever as reações emocionais vivenciadas por pacientes

internados/hospitalizados, logo após terem recebido a notícia inesperada do diagnóstico de uma

doença crônica como HIV/Aids. Este trabalho foi realizado em um hospital de referência em

infectologia do estado de Goiás, na região centro-oeste. A pesquisa foi desenvolvida no contexto da

Residência em Psicologia que compõe o Programa de Residência Multiprofissional no referido

hospital. O projeto de pesquisa foi avaliado e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do

Hospital de Doenças Tropicais Dr. Anuar Auad (HDT/HAA) em junho de 2015. Esta é uma

pesquisa qualitativa em que a amostra foi de conveniência. Os participantes foram dez pacientes,

seis do sexo masculino e quatro do sexo feminino, com idade variando entre 20 e 51 anos de idade,

que receberam diagnóstico recente de HIV/Aids em até seis meses, e estavam

internados/hospitalizados em condições físicas e psicológicas mínimas, apresentando-se

conscientes, orientados e verbalizando para responder a pesquisa. A coleta de dados se deu por meio

de entrevista semiestrutura sendo composta de um roteiro com dez questões sobre as reações

emocionais vivenciadas frente ao diagnóstico. Cada participante foi convidado a responder

individualmente a entrevista, com tempo de aproximadamente trinta minutos, no consultório do

Setor de Psicologia, visando garantir o sigilo durante a coleta de dados. As entrevistas foram

realizadas pela pesquisadora principal, gravadas e transcritas para análise e discussão dos

resultados. Identificou-se que diante da descoberta de uma doença crônica o paciente apresenta

diversas reações emocionais, passando por várias fases. Normalmente, essas reações se iniciam com

a negação, incluindo choque, torpor e descrença. A negação funciona como um para choque, sendo

um mecanismo de defesa que se faz necessário no primeiro momento, passando pela revolta, depois

pela barganha, podendo vir acompanhada de depressão. Finalmente, segue-se para a fase de

aceitação da doença por parte do paciente, chegando ao seu enfrentamento que inclui a adesão ao

tratamento. Estas reações emocionais foram encontradas nos pacientes participantes da pesquisa. Os

participantes puderam relatar sobre o impacto do diagnóstico, suas reações e sentimentos como

medo de morte, do preconceito e da discriminação, do abandono por parte dos familiares e amigos,

e dos diversos tipos de perdas experimentadas ao longo do adoecimento. Os resultados apontaram

que pacientes com menor tempo de revelação do diagnóstico mostravam-se em fase de negação,

questionando a si mesmos, como o adoecimento poderia ter acontecido com eles, seguindo para um

estado de revolta contra tudo e todos, tentando barganhar, negociando primeiramente com Deus,

fazendo promessas de viver, de agora para frente, uma vida correta. Pacientes com um tempo maior

de diagnóstico encontravam-se em fase de aceitação, entrando em contato com a doença e

assumindo sua condição atual, começando a mobilizar recursos internos de enfrentamento,

entendendo a necessidade e a importância de continuar seguindo aderente ao tratamento, encarando

os desafios em meio a toda dificuldade. Este trabalho sobre reações emocionais no diagnóstico

recente permite conhecer a trajetória da doença e suas implicações, as cicatrizes provocadas pelo

adoecimento, as marcas da exclusão social e o impacto psicossocial na vida dessas pessoas que

convivem com HIV/Aids.

Palavras-chaves: HIV/Aids, Diagnóstico Recente, Psicologia da Saúde.

1 Residente Egressa em Psicologia – HDT/HAA 2 Tutora de Residência em Psicologia – HDT/HAA

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RESUMOS DOS TRABALHOS

A ATUAÇÃO INTERDISCIPLINAR DA PSICOLOGIA E DO SERVIÇO SOCIAL EM ATENDIMENTOS NO HOSPITAL DE URGÊNCIA GOVERNADOR OTÁVIO LAGE DE SIQUEIRA - HUGOL

Juliana Rosa Pires Vieira 1

Jéssica Layanne Aparecida Pinho Moreira 2

A atuação interdisciplinar vem sendo construída frente à necessidade de expansão do saber

biopsicossocial no entendimento do processo continuum saúde-doença. O modelo biopsicossocial tende a favorecer uma compreensão completa e aprofundada dos problemas humanos, relacionando

a doença com a existência do homem, focando na individualidade e na integralidade psico-bio-

sócio-cultural. Acompanhando a transição dos paradigmas assistenciais o conceito de saúde, antes entendido como simples ausência de doença, evoluiu para uma percepção muito mais abrangente, “um estado de completo bem-estar físico, mental e social” (OMS, 1990). Nesse contexto, a atuação da psicologia e do serviço social no âmbito hospitalar, visa a promoção de saúde, de forma ampla, otimizando o trabalho interdisciplinar. O Pronto Atendimento (PA) do Hospital de Urgência Governador Otávio Lage de Siqueira (HUGOL) é um setor do hospital considerado a “porta de entrada” da instituição, área crítica, possuindo função social integradora. Nesse ambiente, chegam pacientes emergentes, com risco iminente de vida, em situações agudas e em urgência, o que

envolve imprevisibilidade, fator estressante para pacientes, familiares e membros da equipe. Nessas situações (urgência e emergência) os pacientes sentem dor, medo de morrer, de ter que se submeter

a cirurgias, de sequelas físicas e psicológicas, às vezes sentem raiva, culpa, impotência e outras

manifestações psíquicas que desorganizam emocionalmente o indivíduo, além de vulnerabilidade social, vínculos familiares rompidos e situações de violações de direitos (Cotta & Miranda, 1997). A integração da equipe de saúde, principalmente a psicologia e o serviço social objetiva facilitar a reorganização desse paciente, por meio de recursos psicológicos e sociais que visam e retorno ao equilíbrio e a adaptação hospitalar, com consequente emancipação e melhora da autonomia do indivíduo. O presente trabalho tem a intenção de demonstrar que a atuação interdisciplinar da psicologia e serviço social contribui para a ampliação de saberes, permitindo uma a visão holística e integral do usuário do SUS, além de favorecer o atendimento humanizado. A fundamentação teórico-metodológica utilizada baseia-se em relatos de experiências da psicologia e do serviço social do pronto atendimento no HUGOL. Estas especialidades atuam neste setor 24 horas por dia, sete dias por semana, sendo suas atribuições realizadas conjuntamente, conforme rotinas estabelecidas em procedimentos operacionais padrões. No acolhimento inicial, na escuta qualificada e na sondagem de demandas, os profissionais atuam na expectativa de minimizar o sofrimento e

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fantasias inerentes ao processo de adoecimento, verificam, em conjunto com as demais equipes assistenciais, possíveis vulnerabilidades ou violações de direitos das crianças ou idosos, informam e reforçam as normas e rotinas hospitalares, esclarecem sobre direitos e deveres além de garantirem a realização das devidas notificações nos órgãos competentes e serviços de captação de órgãos. Os profissionais do serviço social e da psicologia exercem, no PA, um papel integrador a partir do momento que acompanham, sistematicamente, o cuidado ofertado, mediando a relação usuário x familiar x profissional de saúde, com consequente melhora do fluxo de informações, aumento da resolutividade, redução dos fatores ansiogênicos inerentes ao processo de hospitalização e fidelização do paciente e da família. Em casos de óbito, onde a família necessita ser acolhida, são estes profissionais que oferecem o suporte e os orientam, com vistas ao reforço dos recursos internos para que os mesmo se fortaleçam. A estratégia de atendimento em conjunto entre o serviço social e a psicologia visa acolhimento de forma integral, humanizado, resolutivo, além de otimizar o

tempo do paciente e da família. Na rotina da assistência foi evidenciado que o reconhecimento dos fatores psicossociais das doenças reforça a atuação interdisciplinar, garantindo o empoderamento do paciente, fomentando que o mesmo torne-se protagonista e elemento ativo no seu tratamento, o que significa ampliação da autonomia desse sujeito, favorecendo a tomada de decisões, fortalecendo seus direitos e deveres enquanto cidadão. Conclui-se que a atuação interdisciplinar é ferramenta primordial para que se alcancem os objetivos do cuidado ofertado em unidades de urgência/emergência, que são, além de ações resolutivas direcionadas para a manutenção da vida e redução de agravos, garantir integralidade na assistência a saúde, de forma digna e humanizada. A prática interdisciplinar fundamenta a humanização do atendimento hospitalar. Constitui elemento essencial para que seja alcançado o princípio constitucional que determina que a saúde é direito de todos e dever do Estado. (Constituição Brasileira de 1988).

Palavras-chaves: Psicologia, Serviço Social, Interdisciplinar.

1 Psicóloga – Hospital de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (HUGOL)

2 Assistente Social – Hospital de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (HUGOL)

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ALÉM DA MEDICINA: ESTRATÉGIAS DE FÉ NO ENFERNTAMENTO DO CÂNCER

Damaris Nunes de Lima Rocha Morais 1 Arlene de Castro Barros 2

Folkman, Lazarus, Gruen e DeLongis (1986) entendem coping como esforços cognitivos (processo)

e comportamentais do indivíduo com o objetivo (função) de administrar (reduzir, minimizar,

dominar ou tolerar) as demandas internas e externas da situação de estresse. Para Panzini e

Bandeira (2007) o coping religioso/espiritual - CRE é um conceito importante e atual. É uma

variável importante na investigação das relações religião/espiritualidade e saúde, pois possibilita o

estudo de estratégias positivas e negativas nessa relação, as quais podem orientar os profissionais a

fazerem intervenções mais adequadas em contexto de tratamento de saúde. Guerrero, Zago,

Sawada e Pinto (2011) afirmam que para minimizar o sofrimento, obter maior esperança de cura,

buscar a sobrevivência e atribuir significado ao seu processo de saúde-doença, o paciente se apega à

fé como estratégia de enfrentamento. Fornazari e Ferreira (2010) mencionam que o paciente com

câncer deve ser compreendido integralmente, inclusive em seus aspectos religiosos/espirituais, e,

respeitado em suas crenças e valores, os quais são parte de sua singularidade. Destacam que o

enfrentamento religioso pode contribuir para a adesão do paciente ao tratamento, com a redução do

estresse e ansiedade, na ressignificação da enfermidade e na relação equipe profissional-paciente. A

partir da observação no dia-a-dia do hospital, percebe-se que a religiosidade/espiritualidade ocupa

lugar de destaque na vida dos pacientes oncológicos, tornando-se importante aos profissionais de

saúde o reconhecimento dessa dimensão espiritual para que se tornem capazes de trabalhar

integralmente o ser. Desta forma, este trabalho teve como objetivo primário investigar a

religiosidade/espiritualidade de pacientes em tratamento de câncer em um hospital oncológico de

Goiânia e, como objetivos secundários, identificar quais estratégias de enfrentamento

religioso/espiritual são mais utilizadas por eles e conhecer qual o lugar da fé no enfrentamento do

tratamento do câncer. Investigou-se a religiosidade/espiritualidade - R/E de 42 pacientes do SUS,

sendo 29 mulheres e 13 homens, com idade variando entre 24 e 80 anos, em tratamento de câncer,

internados ou em atendimento ambulatorial em hospital oncológico de Goiânia-GO. Aplicou-se a

Medida Multidimensional Breve de R/E(Cursio, 2013) e chegou-se à conclusão que os pacientes da

amostra tem alto índice de R/E (72,29), pontuações maiores quando comparadas ao estudo para

validação da referida escala em 9 das 10 dimensões analisadas e que a fé tem um grande impacto

sobre as crenças dos pacientes, gerando uma expectativa positiva com relação ao tratamento. Dos

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participantes 52,4% se declararam protestantes, 38,1% católicos, 7,1% espíritas e 2,4 (um participante) cristão, o qual poderia ser enquadrado em qualquer delas, pois todas são religiões consideradas cristãs no Brasil; 80,9% obtiveram índice alto ou muito alto de religiosidade; 76,2% se consideram muito ou moderadamente religiosos e 76,2% também se consideram muito ou moderamente espiritualizados; todos (100%), consideram a fé importante no enfrentamento da doença; 76, 2% encontram força e conforto na religião; 90,5% creem em um Deus que cuida deles; 80,9% trabalham em união com Deus; 97,6% veem Deus como força, suporte e guia; 61,9% acreditam que muitas pessoas da sua comunidade religiosa os ajudariam quando enfermos; 61,9% sentiriam muito confortados por essas pessoas e 90,5 dos participantes já tiveram alguma recompensa pela sua fé. Os estudos de Gobatto e Araújo (2010), Panzini e Bandeira (2007), Faria e Seidl (2005) e Mesquita et al. (2013), corroboram os dados encontrados em religiosidade/espiritualidade, isto é, que esta ocupa lugar de destaque na vida dos pacientes. Para Peres, Simão e Nasello (2007), o reconhecimento da espiritualidade como componente essencial da personalidade e da saúde é imprescindível. Os profissionais da saúde precisam ser esclarecidos sobre os conceitos de religiosidade/espiritualidade, e estas, como recurso de saúde. A compreensão dos processos saudáveis e nocivos de práticas religiosas e espirituais contribuirá para melhorar a qualidade de atendimento às necessidades do paciente, diminuindo os preconceitos, e formando melhores profissionais.

Palavras-chave: coping religioso/espiritual, câncer, enfrentamento, religiosidade/espiritualidade.

1 ,2 Pontifícia Universidade Católica de Goiás

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ASSISTÊNCIA PSICOLÓGICA AO PACIENTE CARDIOPATA: REVISÃO DA LITERATURA

Thatiane de Oliveira Gomes Silva¹ Guilherme Moura² Andréia Magalhães Batista³

REFERENCIAL TEÓRICO: O trabalho hospitalar é árduo por lidar a todo o momento com

limites e possibilidades em diferentes perspectivas. As demandas psicológicas estão cada vez

maiores, devido a isso é importante considerar que o paciente não está somente com algum órgão

adoecido, mas também pode estar adoecido psicologicamente. No âmbito da cardiologia, os

pacientes cardiopatas enfrentam um momento muito difícil em suas vidas com a mudança das

atividades cotidianas e desgaste emocional ocasionado de uma internação ou cirurgia cardíaca. O

paciente cardiopata necessita também do acompanhamento psicológico, uma vez que o coração é

um dos órgãos mais importantes do corpo e possui o estereótipo de simbologia e representação das

emoções. Ruschel et all (2000), observaram que aspectos psicológicos não abordados durante a

internação pós-operatória podem aumentar a predisposição para complicações emocionais e

prejudicar a recuperação do paciente. Segundo Parahyba (2002) a aceitação da enfermidade é um

processo doloroso, onde a falta, fragilidade e vulnerabilidade se confrontam frente à vida. Nesse

momento, o paciente precisa ser ouvido e acolhido por um psicólogo para que o mesmo possa

relatar suas dificuldades e sofrimento frente à doença. O sentimento de medo, desapontamento e

angústia ficam em evidência quando se trata de uma doença cardiovascular, neste sentido é clara a

importância da assistência psicológica para esse paciente. O acompanhamento psicológico mesmo a

curto prazo, leva ao paciente o benefício de falar sobre suas angústias e também de conhecer melhor

o diagnóstico e tratamento. OBJETIVOS: Identificar a relevância da assistência psicológica ao

paciente cardiopata, considerando a percepção do paciente em relação ao coração adoecido.

JUSTIFICATIVA: Do ponto de vista científico, pois, o coração tem também valor simbólico, e não

se trata apenas de um órgão muscular. Deve ser analisado como um órgão binário, onde se instala o

desejo das emoções e caracteriza a vida ou a morte e por sua vez fonte de afeto. Nessa perspectiva,

vê-se a necessidade de um suporte psicológico ao paciente cardiopata. Assim, identificando qual o

significado do coração para o paciente é possível intervir e acolhê-lo. METODOLOGIA: Revisão

qualitativa de literatura através da busca de artigos científicos na base de dados eletrônicas:

Biblioteca Virtual da Saúde (BVS) e SCIELO, durante os meses de Março à Junho de 2016. Foram

utilizados os descritores: Psicologia, Cardiopatia e Assistência. RESULTADOS: De acordo com

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Quintana (2013) é fundamental o suporte psicológico para o paciente cardiopata em um processo

cirúrgico a qual inclui o esclarecimento das dúvidas presentes e diagnóstico, identificação da

percepção do paciente quanto ao seu coração, minimização do sofrimento psíquico e melhor

aderência ao tratamento. É essencial compreender a doença e procurar orientar o paciente. É

perceptível ainda que o coração carregue várias conotações como, por exemplo, a sede das

emoções, o que prejudica a aceitação da doença. As pessoas que se deparam com a doença cardíaca,

experienciam uma situação angustiante. O indivíduo sentindo a doença física, geralmente, faz um

paradoxo da simbologia do órgão dos sentimentos, em resumo, sendo o órgão das emoções. Diante

desse antagonismo, este, entrará em uma desordem psíquica. O psicólogo hospitalar com ênfase na

cardiologia irá trabalhar na desmistificação e auxiliar o paciente a entender o real significado do

coração. CONCLUSÕES: Conviver com um coração adoecido é conviver com uma série de

restrições e o suporte psicológico oferecido para o paciente traz um beneficio maior, desde o

esclarecimento sobre o diagnóstico ao tratamento o que irá facilitar também a comunicação entre

paciente, familiar e equipe de saúde. O acompanhamento e acolhimento psicológico possibilitam

tratar da ansiedade e angústia vivenciadas pelo paciente, propiciando melhor aceitação e

enfrentamento da doença.

Palavras-chave: Psicologia; Cardiopatia e Assistência.

¹Acadêmica - Curso de Psicologia da Universidade Salgado de Oliveira Goiânia ²Acadêmico - Curso de Psicologia da Universidade Salgado de Oliveira Goiânia ³Mestra em Psicologia da Saúde e Docente do Curso de Psicologia Goiânia

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CONSULTA

EFICÁCIA DO ACOMPANHAMENTO PSICOLÓGICO

OBSTÉTRICA:

GINECOLÓGICA

E

ASSISTÊNCIA

E

Guilherme Moura Gomes¹ Thatiane de Oliveira Gomes Silva ¹ Lorrayna Dias Galindo de Oliveira¹ Andrea Batista Magalhães Batista 2

REFERENCIAL TEÓRICO: A Psicologia da Saúde é a forma mais adequada de se tratar o

indivíduo na área da ginecologia e obstetrícia, acredita-se que se faz um trabalho de forma a

colaborar com o entendimento dos pacientes sobre a doença ou a forma do adoecer (atendimento

primário), durante a doença instalada no indivíduo e fazendo as elaborações necessárias

(atendimento secundário), e após os tratamentos já estabelecidos com aqueles indivíduos e com a

certeza de um diagnóstico com a possibilidade de uma reinserção do mesmo após o tratamento

(atendimento terciário). De acordo com o Conselho Federal de Psicologia (CFP, 2004), o

profissional especialista na área tem a função de tratar dos pacientes de forma secundária e terciária

dentro do fazer psicológico, entendendo que o campo de atuação sugere essa prática específica e já

imposta. A atuação da Psicologia na área de Ginecologia e Obstetrícia é trabalhar primordialmente

com a natureza feminina, a relação que a mulher tem com o seu corpo, com seu próprio Ser, com

sua vida sexual, com a sua identidade feminina e de certa forma entender como essa mulher lida

com seu mundo. Soucasaux (1990) afirma que existe uma intensa tendência para que a mulher

projete seus conflitos em setores do corpo relacionados à sua área genital e menciona que do ponto

de vista psicossexual, a mulher canaliza para seu corpo muito mais libido do que o homem. Este

fato pode explicar a alta ocorrência de somatizações, queixas e problemas psicossomáticos nos

órgãos sexuais femininos. O que leva a analisar a importância do tratamento para mulheres que se

submetem as avaliações que compreendam esses fatos nas áreas de ginecologia e obstetrícia.

Knobel (1986) faz uma diferenciação entre a psicoterapia focal e a psicoterapia breve: na primeira,

procura-se resolver a queixa do paciente ou um conflito predominante; na segunda, trata-se de

ajudar a encarar os diversos conflitos predominantes que determinam variados quadros na

psicopatologia psicodinâmica. Mostrando, portanto as formas de se realizar o tratamento nas áreas

de ginecologia e obstetrícia utilizando das terapias breves e focais. OBJETIVOS: Conferir o

trabalho realizado no campo da Psicologia dentro da área da ginecologia e obstetrícia, verificando a

atuação frente às demandas que são encontradas nesse ambiente e seus métodos de trabalho

verificando suas possibilidades, alcances e limitações. JUSTIFICATIVA: Com a alta de mulheres

que passam por situações de risco em suas gestações ou que possuem algum tipo de adoecimento

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frente às questões emocionais que influenciam diretamente no contexto familiar e social, entende-

se, portanto, a necessidade da atuação psicológica e a sua forma de serem aplicadas as demandas

encontradas. METODOLOGIA: Revisão qualitativa de literatura através da busca de artigos

científicos na base de dados eletrônicos: Biblioteca Virtual da Saúde (BVS) e SCIELO, durante os

meses de Março á Junho de 2016. Foram utilizados os descritores: Psicologia, Ginecologia e

Obstetrícia. RESULTADO: De acordo com os estudos de Soucasaux (1990) Entende-se a

necessidade do tratamento de mulheres que passam por situações de risco emocional frente à

situação em que se encontram fragilizada e que necessitam de acompanhamento, pois, demonstram

somatizar de forma mais evidente àquelas emoções relacionadas ao corpo e as suas relações; bem

como por mulheres gestantes que passam por um período de tensão e também por mudanças físicas

que causam angustia, fragilidades dentre outros. Para uma adesão ao trabalho do psicólogo Knobel

(1986) fala das possibilidades de se fazer tratamentos específicos, breves e focais para uma melhor

adesão ao que for trabalhado junto a essas mulheres que se encontram nos períodos pré-parto e pós-

parto e também para aquelas que fazem acompanhamentos diversos. CONCLUSÃO: Entende-se

questões muito próprias dentro do hospital especificamente com a ginecologia e obstetrícia,

questões que muitas vezes serão trabalhadas em clínica para aprofundar aquela culpa, aquele

sentimento de perda, aquela sensação de diminuição da mulher em relação a si, pois o trabalho do

psicólogo tange justamente as questões que envolvem a mulher no contexto especificado, tudo

aquilo que a contempla. Mas é nesse âmbito hospitalar que se faz intervenções breves e

significativas para/com essas mulheres, identificar o que se precisa trabalhar e ser focal, ter onde

mexer, fazer um trabalho redondo de começo, meio e fim.

Palavras-chave: Psicologia; Ginecologia e Obstetrícia.

¹Acadêmicos - Curso de Psicologia da Universidade Salgado de Oliveira Goiânia ²Doutorada pela PUC-Goiás, Mestra em Psicologia da Saúde pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás, Especialista em Neuropsicologia e Psicoterapeuta clínica, Docente e Pesquisadora da Pontifícia pela Universidade Católica de Goiás na área de Psicologia da Saúde e Hospitalar.

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CORPO QUE NÃO RESPONDE: O LUTO PELA MUDANÇA CORPORAL EM UM PROCESSO INICIAL DE REABILITAÇÃO PÓS-TRAUMA

Mariana Batista Leite Leles 1

Após vivenciar um trauma grave e vencer a eminência de morte, uma das etapas mais angustiantes vivenciadas por paciente e familiares envolvidos nesse contexto, é o reconhecimento de sua nova condição. Quando a melhora neurológica de um paciente ultrapassa sua recuperação corporal, é difícil assimilar a nova realidade de um corpo que já não responde prontamente aos desejos que acompanham nosso existir. Compreender a impossibilidade de realizar tarefas simples, quando, no íntimo, ainda somos atraídos pelos mesmos estímulos gerados por nossa rotina diária, faz com que o ser-no-mundo sinta-se um não reconhecedor de suas próprias possibilidades. Para Falkenbach (2009), o corpo é sinônimo de identidade, “é um meio de contato físico e social do indivíduo com o externo, a imagem corporal do sujeito está relacionada com suas potencialidades e limitações”. Deixar de contar com um corpo habitual, no qual nos reconhecemos e nos encontramos, e passar a conviver com um corpo atual que não corresponde da mesma forma aos estímulos, e ao qual não nos identificamos, põe em evidência, situações de dependência, limitação e sensação de desamparo. Nosso corpo ocupa um lugar no mundo, executa movimentos, anda, corre, dança, escreve, produz artes, desenvolve expressões, interage, possui estruturas. Ele reage de inúmeras formas ao longo da vida, sente frio, calor, dor, prazer, sente o contato com o outro. Ele é um “conjunto de significações vividas que caminha para seu equilíbrio”. (MERLEAU-PONTY, 2011, p. 212). Diante da interrupção, mesmo que temporária de um modo próprio de existir, sentir e interagir, o paciente se depara com um desconhecimento de si mesmo, que vem acompanhado de angústias e incertezas. Com base na teoria da Corporeidade de Merleau-Ponty, e no processo de luto pelo corpo perdido, buscou-se observar o fenômeno vivenciado neste estudo de caso, e perceber os aspectos psicoemocionais mais sobressalentes durante o processo de internação e reabilitação inicial de um paciente jovem, vítima de trauma neurológico com Lesão Axonal Difusa (LAD), e consequentes limitações físicas associadas (espasticidade e ataxia). A LAD, conforme descrito por Genarelli (1998), “refere-se a uma lesão associada ao trauma crânio encefálico, que se desenvolve e se estabelece após uma sequência de eventos, gerando um bloqueio no transporte axonal e sequente ruptura do axônio”, podendo ocasional sequelas limitantes ou permanentes (ANDRADE et Al. 2009). Dentre os principais aspectos psíquicos e emocionais observados durante o processo inicial de recuperação do paciente, após melhora no nível de consciência, identificou-se episódios de labilidade afetiva, humor deprimido, busca por conhecimento do corpo atual, resiliência, capacidade

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de enfrentamento e ressignificação. Nos familiares, foi possível observar uma reorganização da

estrutura e dinâmica familiar, mudança de papéis sociais, períodos de negação e revolta, assim

como características particulares de cada integrante (ansiedade, agressividade, recursos religiosos).

Tais aspectos caminham de encontro aos resultados identificados em estudos anteriores, que versam

sobre o luto na mudança corporal pós-acidentes, e sobre convivência com sequelas temporárias

causadas por traumas. Kovács (2008) argumenta que a perda, temporária ou permanente, envolve

diversos sentimentos e a expressão destes é essencial no processo de elaboração do luto. O que se

destaca no processo de evolução deste caso clínico, é a possibilidade de reorganização do indivíduo

enquanto ser-no-mundo, no momento em que sua recuperação neurológica e psíquica ultrapassam

suas possibilidades físicas momentâneas. Atingir a compreensão de que o ser, em sua vivência da

corporeidade não é apenas um corpo isolado, mas sim um complexo de possibilidades, é tomar

dimensão da grandiosidade de nossa existência enquanto seres únicos e singulares.

Palavras-chave: Corporeidade; Sequelas físicas; Ressignificação e enfrentamento.

1 UniEvangélica, Programa de Residência Multiprofissional, Eixo Urgência e Trauma- Residência de Psicologia, Hospital de Urgências de Goiânia – HUGO.

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ESTRATÉGIAS DE ENFRENTAMENTO UTILIZADAS PELO PACIENTE ONCOLÓGICO DIANTE DO PROGNÓSTICO DE TERMINALIDADE

Danielle Sousa Nascimento 1 Arlene de Castro Barros 2

Diante do prognóstico de terminalidade, o paciente oncológico vivencia intensa aflição, pesar e

ansiedade. O apoio psicossocial na terminalidade é de extrema importância, devido aos preconceitos

e estigmas que permeiam a morte, acompanhada de aspectos ameaçadores e persecutórios que

amedrontam o indivíduo que recebe o prognóstico de impossibilidade de cura. A busca por entender

o movimento emocional requer o levantamento das estratégias de enfrentamento utilizadas por esse

paciente. O presente estudo teve como objetivos investigar as estratégias de enfrentamento mais

utilizadas pelos pacientes oncológicos diante do prognóstico de terminalidade e a contribuição

dessas estratégias para esses pacientes lidarem com a impossibilidade de cura e finitude da vida. A

amostra proposta para a pesquisa compreendia 10 pacientes, de ambos os sexos, com idade entre 18

e 90 anos; sem restrição de escolaridade, nível socioeconômico, religião, raça e estado civil;

internados ou em atendimento ambulatorial em hospital oncológico de Goiânia – Goiás;

conscientes, orientados e respondentes; em acompanhamento psicológico, cientes do prognóstico de

terminalidade. Os instrumentos de coleta de dados propostos para a pesquisa foram: Questionário

Sociodemográfico e de Hábitos de Vida com entrevista semiestruturada e Escala Modos de

Enfrentamento de Problemas. Após aprovação do Comitê de Ética, a pesquisadora buscou

informações, através de registros nos prontuários e/ou colhidas com a equipe multidisciplinar e

familiares, que indicassem o prognóstico de terminalidade dos pacientes internados nos serviços de

Ginecologia e Mama, Neurologia, e Oncologia Torácica, bem como aqueles que aguardavam por

consultas nas salas de espera dos ambulatórios. A partir dessa verificação, selecionou-se 10

pacientes internadas no serviço de Ginecologia e Mama, apenas, por terem o prognóstico de

terminalidade. Depois da triagem inicial, a pesquisadora prestou atendimento com apoio

psicológico às pacientes e seus familiares, com o intuito de investigar se havia ciência sobre o

prognóstico de terminalidade, obedecendo aos critérios de participação do estudo. Foram realizados

em média três atendimentos psicológicos para cada paciente e familiar. Através dos atendimentos

constatou-se que as pacientes não podiam participar das etapas seguintes da pesquisa, pois não

preenchiam os requisitos propostos. Os resultados da pesquisa mostraram dados consideráveis,

apesar dos objetivos não terem sido alcançados, em razão da impossibilidade de executar todas as

etapas propostas para o estudo, pois além da triagem e atendimento com o apoio psicológico, era

necessária a aplicação dos instrumentos de coleta de dados em pacientes cientes do seu prognóstico

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de terminalidade, que concordassem com a pesquisa e assinassem o TCLE. 100% das pacientes

demonstrou não ter ciência sobre o prognóstico de terminalidade, com 90% manifestando o desejo

de melhorar e retornar para casa. Uma paciente (10%), apesar de não saber do prognóstico, não

apresentou esse desejo, mas sentimento de angústia por não saber sobre seu quadro clínico e

desconfiança em relação à equipe médica e seus acompanhantes. Uma das pacientes (10%) afirmou

que o médico disse que ela estava melhorando, o que mostra uma fala contrária ao prognóstico.

Quanto aos acompanhantes das pacientes, 100% confirmaram que as pacientes não sabiam do

prognóstico de terminalidade. Três acompanhantes (30%) afirmaram que as pacientes desconfiavam

do prognóstico. Um dos acompanhantes (10%) também não tinha ciência do prognóstico. 10% dos

acompanhantes afirmaram ter recebido orientações do médico para não revelar à paciente quanto ao

diagnóstico. Quatro acompanhantes (40%) relataram achar melhor não contar para a paciente com

receio de que elas sofressem. Três acompanhantes (30%) informaram que as pacientes questionaram

sobre as informações repassadas pelo médico, porém apenas um deles (10%) manifestou o desejo

de que a paciente soubesse, porém não conseguia contar. Os relatos apresentados evidenciaram o

desconhecimento das pacientes sobre o prognóstico de terminalidade, o que pode acarretar em

prejuízos para a relação da tríade médico, doente e família. É direito do paciente saber o seu

diagnóstico, prognóstico e tratamento de uma maneira clara e verdadeira, para que possa tomar suas

próprias decisões, exercendo assim o princípio da autonomia. A partir do momento que a equipe

e/ou a família encobrem essas informações, o paciente perde o direito de decidir sobre si, seu

tratamento, sua vida e seu processo de morrer. Os dados obtidos mostram a necessidade de maior

investigação sobre a dificuldade dos médicos ao lidar com a terminalidade dos pacientes e os

entraves gerados por essa limitação na relação médico-paciente-família. Mais estudos sobre essa

problemática podem contribuir para a melhora dessa relação, o que seria benéfico tanto para os

profissionais quanto para os pacientes e familiares. Além dos estudos sobre a resistência dos

médicos para lidar com a terminalidade, sugerem-se pesquisas acerca da escolha dos pacientes

quanto à ciência ou não do seu real prognóstico, para que os dados inferidos, a partir das

investigações, provoquem na equipe médica um movimento de mudança referente à comunicação

médico e paciente, baseada na verdade, conforme a necessidade apresentada por cada doente.

Palavras-chave: enfrentamento, paciente oncológico, terminalidade.

1 Trabalho de Conclusão de Curso, Departamento de Psicologia, Pontifícia Universidade Católica de Goiás

2 Mestre - Orientadora

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O CORPO QUE SOFRE: NEGRITUDE E HIV/AIDS

Ricardo Alves de Oliveira 1

O trabalho a seguir tem como tema central o sofrimento psicossocial de sujeitos portadores do vírus

HIV/AIDS e negros, buscando entender como se dá a vivência de pessoas que se encontram nesta condição. Possui como objetivo geral buscar compreender como se dá a vivência do sofrimento psicossocial em sujeitos negros e portadores do vírus HIV/AIDS. Os objetivos específicos são: a) Descrever quais são os principais sintomas fisiológicos do HIV/AIDS, buscando entender o diagnóstico, curso e prognóstico e quais suas implicações na vida dos sujeitos, b) Identificar quais os processos psicossociais envolvidos no sofrimento dos sujeitos com diagnóstico positivo para o HIV/AIDS. c) Mostrar quais as possíveis relações do sofrimento psicossocial em sujeitos positivos para o HIV/AIDS e a negritude, d) Identificar quais são as principais formas de enfrentamento e

ressignificação da doença. O interesse por esse estudo se justifica diante da especulação do autor em tentar melhor compreender o processo de saúde-doença implicado em pacientes soropositivos para

o HIV/AIDS, e quais são os sofrimentos envolvidos. Desta forma, foram elencados neste projeto,

aspectos do sofrimento fisiológico, englobando sintomas e fases da doença, tais como suas consequências na vida destes sujeitos. O referencial teórico possui bases na psicossociologia e em artigos que abordam tal temática. Além disso, busca-se compreender os efeitos colaterais que os medicamentos produzem no organismo, vendo isso também como parte do processo saúde- doença. Já no aspecto do sofrimento psicossocial, elencamos quais as principais áreas afetadas, haja vista que o sujeito com HIV/AIDS sofre tanto psiquicamente, como socialmente. Além do mais, compreender como se dá a intersecção entre o fator doença e a questão racial, haja vista existirem poucas pesquisas que abordem essa temática. Por fim, busca-se entender quais são as principais formas de enfrentamento e ressignificação da doença, tendo em vista que a partir do diagnóstico, toda a vida deste sujeito é afetada, em vários aspectos. Para o sujeito negro, esse processo se intensifica ainda mais, haja vista que o mesmo sofre duplamente. São dois estigmas que marcam um corpo, dentro de uma sociedade racista e higiênica. As pessoas negras e portadoras do vírus sofrem tanto pelas questões implicadas na opressão do racismo, quanto pelo estigma da doença. Diante de várias fontes de sofrimento, as pessoas portadoras do vírus HIV/AIDS acabam buscando distintas formas de enfrentamento e ressignificação da doença, os quais, segundo pesquisas realizadas por Seidl (2005), demonstram algumas categorias: (a) enfrentamento focalizado no problema, adesão ao tratamento, reavaliação positiva e otimismo; (b)

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acompanhamento psicológico individual ou em grupo, participação em entidades e ações de solidariedade, adoção de hábitos saudáveis e de autocuidado; (c) fortalecimento psicológico, busca de suporte social e busca de informação. Além disso, se têm normalização, onde se convive relativamente bem com a doença. A distração aparece como outra formar de enfrentamento, outros, porém; buscam na religião uma forma de lidar com a doença. E por fim se tem uma última forma de enfrentamento, que é a focalização na emoção, a qual se expressa em três aspectos: esquiva/fuga, desamparo, fatalismo. O trabalho possui um cunho teórico se caracterizando como qualitativo, tendo como metodologia a pesquisa bibliográfica. A pesquisa qualitativa se caracteriza pelo aprofundamento da compreensão de um tema, de um grupo ou instituição, por exemplo. Neste tipo de abordagem qualitativa, não se possui como foco a representatividade numérica, ocupando-se assim com aspectos da realidade que não podem ser quantificados. Compreendemos que o sofrimento psicossocial em pessoas positivas para o HIV/ AIDS se manifesta em vários aspectos que podem comprometer e interferir na vida destas pessoas. Neste sentido, o suporte de familiares, cônjuges, amigos e pessoas próximas são essenciais para que o sofrimento seja amenizado. Além disso, é essencial que essas pessoas tenham acompanhamento psicológico, o qual poderá contribuir para uma ressignificação da doença e um saber fazer com o sofrimento. Outro aspecto que deve ser ressaltado é o fato de ver a pessoa enquanto ser humano, e não somente como meramente um portador de uma doença. Para isso é necessário que vários preconceitos sejam desconstruídos.

Palavras - Chave: Sofrimento; HIV/AIDS, Enfrentamento.

1 Universidade Federal de Goiás

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SINAIS

MULTIDISCIPLINAR

ESCOLA

E

SINTOMAS

DE

NA

ESTRESSE

VIVENCIADOS

CLINICA

CIRURGICA

DE

PELA

EQUIPE

UM

HOSPITAL

Amanda Rodrigues Mendes de Oliveira 1 Dra. Daniela Sacramento Zanini 2 Luciana Marya Gusmão Tartuce 2

O estresse é uma palavra inglesa que tem origem na palavra latina "stringere" e tem o significado de

angustia, aperto. Lipp e Tanganelli (2002) referem que a palavra tem sido utilizada para descrever situações ameaçadoras sobre o organismo, debilitando-o e consumindo sua reserva de energia de

vida armazenada. Straub (2005) sugeriu que o primeiro autor a utilizar o termo estresse foi Walter

Cannon. Em experimento com gatos em 1932, esse cientista descobriu que eles desenvolveram uma

reação de resposta do corpo ao latido de cães, chamada de reação de luta-fuga e liberando efusão de adrenalina, que juntamente com cortisol ajuda a preparar o organismo para defender-se de uma

ameaça. Atualmente, os estudos sobre o estresse abrangem não apenas as consequências no corpo e na mente, mas também o impacto que ele causa na qualidade de vida do indivíduo. O estresse é

como sinônimo de esforço de adaptação do organismo para enfrentar situações ameaçadoras à sua

vida e a seu equilíbrio interno, podendo progredir em três fases: reação de alerta, resistência e exaustão (Panizzona, Luz & Fenstrseifer, 2008).Em seus estudos, Camelo e Angerami (2004)

mencionam Selye, que em 1936 observou que o estresse produzia sofrimento ao organismo, além de reações de defesa e adaptação frente ao agente estressor e considerou o estresse como modelo

trifásico: alarme, resistência e exaustão. Embora Selye tenha identificado três fases do estresse,

Lipp, no decorrer de seus estudos, identificou outra fase do processo de estresse. Nesta nova fase foi dado o nome de quase-exaustão, justamente por se encontrar entre a fase de resistência e a de

exaustão. Entre os ambientes de trabalho potencialmente estressantes podemos destacar o âmbito hospitalar. Krahl (2001) ressalta que os processos de atividade onde ocorre o enfrentamento das exigências impostas pelo ambiente, sempre visando à segurança e ao bem-estar do paciente é potencialmente estressor para este artífice. A clínica cirúrgica é um dos ambientes deste contexto hospitalar, no qual se pode notar níveis de estresse vivencial. Segundo Aquino (2005) as equipes de

saúde que trabalham em centros cirúrgicos e, por conseguinte na clínica cirúrgica, são confrontadas diariamente com questões relacionadas à morte e se utilizam muitas vezes de mecanismos de defesa para lidar com o estresse advindo da convivência com o sofrimento do paciente. Esta pesquisa consiste em um estudo transversal, descritivo e correlacional, cujo objetivo é identificar sinais e

sintomas de estresse vivenciados por profissionais de saúde na clínica cirúrgica situada em um

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hospital escola do município de Goiânia. Percebendo a importância de alertar este profissional sobre as formas possíveis de utilização dos recursos emocionais diante do estresse vivenciado em seu ambiente de trabalho, visando à saúde e a prevenção de possíveis doenças futuras. Também considerando as escassas pesquisas, principalmente no âmbito da Psicologia, que investigam os problemas deste profissional no contexto da clínica cirúrgica, optou-se por esta pesquisa neste âmbito específico. Desta forma, objetivo do presente estudo é avaliar sinais e sintomas de estresse dos profissionais de saúde na clínica cirúrgica, verificando se os mesmos estão relacionados com sexo, utilização de fármacos e acompanhamento psicoterápico. Participaram desta pesquisa, 30 profissionais da área da saúde subdivididos em cargos de nível técnico, nível superior, residentes e estagiários curriculares, trabalhadores da clínica cirúrgica, de ambos os sexos, nas dependências do hospital escola situado na região metropolitana do estado de Goiás. Foram utilizados questionário sócio demográfico e Inventário de Sintomas de Stress para Adultos de Lipp, que foram respondidos individualmente e no próprio local de trabalho. Os resultados do presente estudo indicaram alto nível de estresse psicológico e físico em todos os participantes, além de alto índice de utilização de fármacos, sendo que a porcentagem de participantes que realizaram ou realizam acompanhamento psicoterápico é baixa. Esta pesquisa visa a importância de alertar os profissionais sobre as formas possíveis de utilização dos recursos emocionais diante do estresse vivenciado em seu ambiente de trabalho, visando à saúde e a prevenção de possíveis doenças futuras. Esta pesquisa visa demonstrar como esses diversos temas ainda estão em pauta e precisam ser mais bem investigados, visando e assumindo uma compreensão dos padrões temporais da experiência humana nos mais diversos contextos. Torna-se fundamental que a investigação futura tente ultrapassar a natureza descritiva e correlacional do estudo apresentado testando novos pressupostos baseados em modelos conceituais neste domínio. Por último, é indispensável considerar que em uma perspectiva, as combinações entre alguns fatores expostos por diversos autores traduziram ainda mais pesquisas e esforços até agora produzidos pela investigação sobre os sinais e sintomas de estresse e em suas mais diversas conjunturas. Palavras-chaves: estresse, clínica cirúrgica, psicologia hospitalar.

1 Acadêmico Pontifícia Universidade Católica de Goiás - Autora

2 Professora Dra. Pontifícia Universidade Católica de Goiás – Co-autora