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GESTÃO DE INOVAÇÃO E

TECNOLOGIA
AULA 4

Profª Dayse Mendes


CONVERSA INICIAL

Caro aluno, esta aula tem como objeto a questão da tecnologia e sua
pesquisa, transferência e absorção no Brasil. Trata das formas como ocorrem as
mudanças tecnológicas em um sistema delimitado de transformação e de
inovação, no qual se verificam duas vertentes de mudanças: a science-push e a
demand-pull.
Nosso estudo evidenciará os efeitos das transformações tecnológicas nas
organizações e na nossa sociedade, bem como mostrará como a pesquisa
tecnológica está envolvida com uma série de atores distintos e como é
gerenciado todo esse sistema voltado ao alavancar dos processos de inovação
e de tecnologia em nosso país.
Apresenta-se o Brasil como um país de industrialização tardia e,
consequentemente, com dificuldades quanto aos processos de inovação, de
criação e de disseminação de conhecimento.
Assim, este estudo mostrará o quanto o nosso país ainda é dependente,
em grande parte, de tecnologia externa, razão pela qual necessita de
mecanismos claros de transferência e de absorção para melhorar seus
processos produtivos e organizacionais.

TEMA 1 – PROCESSOS DE MUDANÇAS TECNOLÓGICAS

A tecnologia tornou-se tão enraizada na concepção da sociedade humana


que seu conceito se tornou sinônimo a evolução do homem.
Não há como imaginar a vida humana sem o uso de tecnologias. Na
verdade, há indícios arqueológicos de que o início do uso de ferramentas por
hominídeos se deu ao mesmo tempo que se iniciaram as primeiras relações
sociais.
Tal afinidade persiste, e acompanhar as mudanças tecnológicas é
fundamental para o entendimento da nossa sociedade, pois mudanças
tecnológicas impactam nossa forma de viver, assim como as mudanças que
decorrem na sociedade impactam o uso e a transformação tecnológica em um
processo de autoalimentação contínuo.
Vale acrescentar que a tecnologia não deve ser confundida com simples
equipamentos — tais como um computador, um smartphone, um drone etc. —

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nem tampouco com informação resultante de análise de dados, por meio de
esquemas, manuais, equações.
Na literatura especializada há vários conceitos sobre tecnologia, dos mais
simples aos mais complexos. Adota-se aqui o conceito de Rosenthal e Moreira
(1992, p.147), que dizem que:

Tecnologia é, antes de mais nada, conhecimento e, mais


especificamente, conhecimento útil, no sentido de ser aplicado, ou
aplicável, às atividades humanas — especialmente, mas não
exclusivamente àquelas ligadas aos processos de produção,
distribuição e utilização de bens e serviços — e de contribuir para a
elevação quantitativa e/ou qualitativa dos resultados de tais atividades
e processos.

Esse conceito traz uma série de dimensões relevantes relacionadas à


tecnologia, destacando-se a questão do conhecimento (do indivíduo e das
organizações), bem como do aspecto econômico da tecnologia, haja vista este
estar associado à eficácia organizacional.
Assim, ao mesmo tempo que a tecnologia está associada às pesquisas
científicas e aos seus avanços, também está às forças de mercado e à
lucratividade das empresas.
Embasados nesses elementos mencionados, foram constituídas, de
acordo com A. Cribb e S. Cribb (2007), dois processos bem distintos quanto ao
objeto e à metodologia tecnológicos: a science-push e a demand-pull.
Segundo A. Cribb e S. Cribb (2007), uma mudança tecnológica devida ao
science-push está associada à difusão do progresso técnico, na qual a
modernização supõe a aplicação de conhecimentos científicos modernos à
produção. Nesse caso, o desenvolvimento econômico advém dos avanços
científicos, que seriam determinados por fatores externos ao sistema econômico.
“Em outras palavras, ela é interpretada como dada por Deus, cientistas e
engenheiros em que a ciência seria uma espécie de deus-ex-machina exógeno
e neutro”, consoante Dosi, citado por A. Cribb e S. Cribb (2007, p.7-8).
Para Maçaneiro e Cunha (2011, p. 30), a abordagem science-push —
fundamentada em modelo linear de inovação — representa um processo que
decorre da pesquisa científica de caráter básico. Vejamos:

A pesquisa básica se constitui no trabalho científico de caráter teórico


ou experimental, apresentando uma aplicação genérica que é refinada
pela aplicada. Esta tem por objetivo a obtenção de resultados com
finalidades práticas e específicas, em que o desenvolvimento
tecnológico inclui o teste de tais ideias e teorias. Assim, o modelo linear
é completado com a comercialização das inovações em grande escala.

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Ou seja, o produtor comercial não participaria do processo de criação
tecnológica, à medida que este pertence ao cientista, adotando uma postura de
dependência quanto à criação tecnológica, bem como utilizando a nova
tecnologia somente no momento em que a perspectiva de lucro estiver clara.
Para A. Cribb e S. Cribb (2007, p. 8), “neste sentido, a mudança
tecnológica é entendida como um processo de imitação, refletindo os
comportamentos de quatro categorias de indivíduos: os adotantes-pioneiros, os
imitadores-precoces, os imitadores-atrasados e os retardatários”.
Em contraponto ao processo de science-push encontra-se a ideia de que
a mudança tecnológica seja determinada pelo mercado, processo denominado
demand-pull.
Nessa situação, a mudança tecnológica seria devida à demanda e à oferta
de produtos, bem como aos preços de mercado desses produtos.
Consoante A. Cribb e S. Cribb (2007, p.8) “para a abordagem demand-
pull, a mudança tecnológica não é exógena ao processo de produção”.
Aliás, pelo contrário: ela depende dos processos de invenção e de
inovação. Como esta é uma atividade essencialmente econômica, a mudança
tecnológica dela decorrida também depende do mercado e das transformações
que ocorrem.
Segundo A. Cribb e S. Cribb (2007, p. 8), “a abordagem demand-pull
supõe que as unidades produtivas reconhecem, primeiro, suas necessidades
para, em seguida, tentar satisfazer estas através de esforços tecnológicos.
Assim, a mudança tecnológica é concebida como determinada pelas condições
do sistema econômico”.
Os defensores dessa abordagem entendem que a interação entre
instituições de pesquisa e empresas para o desenvolvimento de mudança
tecnológica só é possível por meio do sistema econômico, que cria e fortalece
tal relação, pois é a demanda de produtos que força as transformações nas
tecnologias existentes.
Dessa forma, de acordo com Hayami e Ruttan, citados por A. Cribb e S.
Cribb, (2007, p.8), "tecnologias podem ser desenvolvidas de modo a facilitar a
substituição de fatores relativamente escassos (portanto, dispendiosos) por
fatores relativamente abundantes (e portanto, baratos)".

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Figura 1 – Science-push x Demand-pull

Crédito: A1Stock/Shutterstock.

É evidente que nenhuma das duas abordagens se sustenta sozinha. A


science-push não leva em conta que os fatores econômicos realmente
desempenham papel fundamental na inovação e, portanto, nas mudanças
tecnológicas. Por outro lado, a abordagem demand-pull não explica o surgimento
das invenções, que nascem independentes do mercado, de acordo com a
vontade de seu criador. Faz-se necessário, portanto, que as organizações
entendam e se preocupem com os dois modelos. O Quadro 01 traz uma
comparação entre os dois processos.

Quadro 1 – Diferenças entre Science-push e Demand-pull

Descrição/atributo Science-push Demand-pull


Incerteza tecnológica Alta Baixa
Despesas com P&D 1 Alta Baixa
Duração P&D Longa Curta
Integração cliente e P&D Difícil Fácil
Tipo de pesquisa de
Qualitativa-exploratória Quantitativa-levantamento
mercado
Tipo de processo inovativo Tentativa e erro/aprendizado Fato estruturado
Fonte: Adaptado de Maçaneiro; Cunha, 2011, p. 31.

A mudança tecnológica precisa ser vista como um processo caracterizado


por interações contínuas e numerosas. Ela depende tanto do conhecimento
científico-tecnológico quanto das forças do mercado. Ou seja:

A mudança tecnológica é o resultado de um processo não linear mas


sim "interativo", envolvendo diferentes atividades executadas por
vários atores num contexto em perpétua evolução. Este processo é

1 P&D: Pesquisa & Desenvolvimento


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caracterizado pela "acumulação" de capacidades não só de usar
recursos para a produção de bens comerciais, mas também de
introduzir, absorver, renovar e criar técnicas. (A. Cribb e S. Cribb, 2007,
p.11)

No entanto, no Brasil pouco se vê desse processo interativo. De acordo


com Nikolsky (2010), usa-se no país o modelo linear, no qual se imagina que as
inovações devem surgir na academia por meio de pesquisas básicas que se
transformariam em pesquisa aplicada, de modo que — somente então — sejam
transferidas para o setor produtivo.

TEMA 2 – EFEITOS DA INOVAÇÃO TECNOLÓGICA

Seja por meio do processo science-push, seja pelo processo de demand-


pull, as inovações tecnológicas afetam não só a sociedade como um todo, mas
particularmente as organizações.
Sabe-se que elas são meios utilizados pelas organizações para que estas
tenham vantagem competitiva em relação às suas concorrentes, além de
poderem se tornar objetivos organizacionais para atender às demandas de seus
clientes.
No entanto, as organizações, consoante a Organização para Cooperação
e Desenvolvimento Econômico (OCDE, 2005), “podem ou não ser bem-
sucedidas na realização de seus objetivos com a implementação de inovações,
ou as inovações podem ter outros efeitos adicionais além dos que motivaram
inicialmente a sua implementação”.
Os resultados efetivamente observados decorrentes das inovações
podem ser denominados efeitos das inovações.
Assim, os efeitos da inovação tecnológica podem ser os mais variados
possíveis, já que cada organização é única.
Para a OCDE (2005), os efeitos das inovações ocorrem especialmente —
mas não apenas — em três forças distintas, que orientam as atividades de
inovação nas empresas. São elas: competição, demanda e mercados; produção
e distribuição; e organização do local de trabalho.
Segundo a OCDE (2005), como efeitos podemos listar para cada força:

• Competição, demanda e mercados: reposição de produtos tornados


obsoletos; aumento da gama de bens e serviços; desenvolvimento de
produtos não agressivos ao meio ambiente; aumento ou manutenção da
parcela de mercado; entrada em novos mercados; aumento da visibilidade
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ou da exposição dos produtos; tempo reduzido de resposta às
necessidades dos consumidores.
• Produção e distribuição: aumento da qualidade dos bens e serviços;
aumento da flexibilidade de produção ou provisão de serviços; aumento
da capacidade de produção ou de provisão de serviços; redução dos
custos unitários de produção.
• Redução do consumo de materiais e energia; redução dos custos de
concepção dos produtos; redução dos tempos de produção; obtenção dos
padrões técnicos industriais; redução dos custos operacionais para a
provisão de serviços; aumento da eficiência ou da velocidade do
fornecimento e/ou distribuição de bens ou serviços; melhoria das
capacitações de tecnologia da informação (TI).
• Organização do local de trabalho: melhoria da comunicação e da
interação entre as diferentes atividades de negócios; melhoria do
compartilhamento e da transferência de conhecimentos com outras
organizações; melhoria da capacidade de adaptação às diferentes
demandas dos clientes; desenvolvimento de relações fortes com os
consumidores; melhoria das condições de trabalho.

Mas não são observados efeitos somente nas organizações. A sociedade


como um todo também é afetada pelas inovações. Melhorias sensíveis na área
da saúde, da educação, da comunicação e do trabalho são sentidas e
vivenciadas. Jovens empreendedores se sentem mais motivados a criar, a
desenvolver e a lançar no mercado suas ideias, pois sabem que o acesso a suas
criações foi facilitado pelos novos processos disponíveis a partir do surgimento
da internet e das redes sociais.
Por outro lado, qualquer avanço tecnológico também traz efeitos
negativos. Algumas formas de trabalho deixam de existir, tornando mais escasso
o mercado para pessoas que não são digitalmente incluídas, o que gera um
círculo vicioso em que o excluído do mercado de trabalho tem cada vez menos
acesso às inovações tecnológicas e, consequentemente, menor possibilidade de
trabalho.
Há também dependência da internet, que gera sedentarismo, pouca
socialização e afastamento da realidade é outro efeito negativo na atualidade.
No caso específico do Brasil, em que ainda se busca uma inserção bem-
sucedida nos novos padrões de desenvolvimento que emergem na chamada
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Sociedade do Conhecimento, os mencionados efeitos, tanto os positivos quanto
os negativos, já são socialmente sentidos.
Quanto aos efeitos citados pela OCDE para as empresas, Lotufo (2009,
p.41) leciona que:

torna-se necessária a aceleração de processos que propiciem um


ambiente favorável ao estabelecimento de um novo ciclo de expansão,
integrado por fatores dinâmicos tais como: centros de pesquisa e
desenvolvimento, ambiente cultural aberto, recursos humanos bem
formados e organizações públicas e privadas flexíveis.

TEMA 3 – GESTÃO DE PESQUISA TECNOLÓGICA

Para explanar sobre gestão de pesquisa tecnológica é necessário,


inicialmente, conceituá-la.
Pesquisa tecnológica é aquela atrelada à demanda real de usuários, de
consumidores e do mercado, de forma que, ao atender a essa demanda, seja
possível gerar valor econômico.
Conforme Nikolsky (2010), a pesquisa tecnológica utiliza o acervo de
conhecimentos existentes, tanto científicos quanto tecnológicos e culturais, para
proporcionar a satisfação do consumidor.
Para Nikolsky (2010, p. 36), “esse acervo está disponibilizado na literatura
técnica e nos registros de patentes e pode ser acessado desde que se disponha
de recursos humanos qualificados”.
Dessa forma, o valor econômico que provém da pesquisa tecnológica está
condicionado não ao domínio do conhecimento, mas à competência em utilizá-
lo para alcançar a inovação pretendida.
Freitas Jr. et al (2014, p. 9) resumem o conceito de pesquisa tecnológica
da seguinte maneira:

A pesquisa tecnológica ocupa-se em desenvolver artefatos, entendidos


aqui não apenas como produtos físicos, concretos, mas também
intelectuais, que visem o controle da realidade. Esta modalidade de
pesquisa é pautada pela tarefa que se propõe solucionar [...]. A
pesquisa tecnológica tem como produto, invariavelmente, o
desenvolvimento de uma nova tecnologia.

A gestão da pesquisa tecnológica surge no Brasil, conforme Robert


(1983), pela necessidade de se modernizar nossa sociedade. Como já é de
senso comum, a inovação em nosso país é uma preocupação de décadas e
ainda não está resolvida.

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Apesar das políticas de fomento de vários governos, desde a década de
1980 os avanços para que o Brasil seja criador em vez de consumidor de
tecnologia ainda não se consolidou. Posturas antagônicas entre os homens da
ciência e os profissionais da tecnologia ainda persistem.
Para Robert (1983), somente quando eles se relacionam é que se
observam avanços e benefícios para a sociedade, mesmo que seus objetivos e
sua forma de agir sejam distintos.
Os profissionais da ciência querem liberdade criativa, e os da tecnologia
estão necessariamente atrelados ao que o mercado demanda. Cabe aos
administradores de ciência e tecnologia fazer a correlação entre eles.
O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC,
2016), no intuito de levar o Brasil a um novo patamar de desenvolvimento
tecnológico — visto não ter obtido êxito, até o momento, na promoção do domínio
do conhecimento — propôs a revisão e a atualização da Estratégia Nacional de
Ciência, Tecnologia e Informação (CT&I), para o período de 2016 a 2022.
Tal documento contém a orientação estratégica de médio prazo para a
implementação de políticas públicas de Ciência, Tecnologia e Inovação no país,
em busca de emparelhamento com as nações mais desenvolvidas no campo da
CT&I.
Para que as estratégias elaboradas pelo MCTIC possam ser colocadas
em prática, é necessária a atuação de uma série atores do Sistema Nacional de
Ciência, Tecnologia e Inovação (SNCTI).

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Figura 2 – Principais atores do SNCTI

Fonte: MCTIC, 2016, p.14

A pesquisa tecnológica acontece no terceiro nível dos atores do SNCTI;


os operadores de CT&I, por meio do trabalho de pesquisadores e tecnologistas.
Como se pode observar na Figura 3, há uma série de arranjos
institucionais que são admitidos como operadores de CT&I. Um deles (de maior
relevância), segundo o MCTIC, são os Programas de Pós-Graduação instalados
em universidades públicas.
No entanto, neles se observa com maior ênfase a pesquisa pura. Embora
seja nessa área que a maior parte da produção científica do país ocorra, não há
necessariamente uma relação mais estreita com o mercado. Ou seja, a pesquisa
tecnológica acaba não sendo o foco desse operador.
Conforme o MCTC (2016, p. 18), há também outros operadores
relevantes para o SNCTI, tais como: “os Institutos de Pesquisa; os Institutos
Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IFE); e os Institutos Estaduais de
CT&I. Nesse nível [...] cabe destacar o papel exercido pelos INCTs que
congregam as unidades de pesquisa de maior excelência no País”.
Mas, tratando-se de pesquisa tecnológica, o grupo de operadores mais
relevante é:

aquele relacionado com os processos de desenvolvimento tecnológico


e de inovação empresarial. Esses operadores podem compor
ecossistemas de inovação circunscritos territorialmente, nos moldes
dos polos tecnológicos ou clusters de alta tecnologia. Nesses
ambientes, além da proximidade territorial, as instituições podem
contar com o apoio de universidades, tal como se constata em parques
tecnológicos e em incubadoras de empresas. As entidades também
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podem compor outros ecossistemas de inovação, com intensidades
variadas de relacionamento entre startups e empresas inovadoras já
consolidadas no mercado. Esses atores privados utilizam diversos
instrumentos disponíveis no SNCTI, seguindo as tendências
internacionais de apoio à inovação, e apresentam como desafio
contínuo para a expansão do SNCTI o aumento da interação entre
universidades e empresas. (MCTIC, 2016, p. 18)

A gestão da pesquisa tecnológica requer uma forte parceria envolvendo


os diferentes operadores em um processo interativo de construção de meios e
de fins comuns.
Conforme Campanário (2002), os principais resultados da parceira são
obter sinergia técnica, financeira e comercial e reduzir riscos e custos associados
à transferência de tecnologia. Para o autor:

A distância que separa o pesquisador e seus laboratórios do


consumidor final, que em última instância é o beneficiário do processo
de inovação, deve ser reduzida não só com técnicas de gestão mais
apuradas tecnicamente, mas sobretudo através da mudança do
modelo de fomento, com destaque para o papel de todos os agentes
na construção de parcerias, com ênfase para a demanda.

Nesse sentido, cabe destacar uma das agências de fomento do SNCTI: a


Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), que é uma
organização social cuja missão é apoiar projetos empresariais que tenham como
base a inovação por meio da cooperação universidade-empresa, utilizando-se
de mecanismos ágeis e transparentes de contratação, como bem define o
documento do MCTIC (2016, p.45).
A Embrapii tem por responsabilidade observar as oportunidades de
exploração das sinergias entre instituições de pesquisa tecnológica e empresas
industriais, sempre em prol do fortalecimento da capacidade de inovação
brasileira.
Ao apoiar instituições de pesquisa tecnológica em áreas selecionadas de
competência — para que sejam executados projetos de desenvolvimento de
pesquisa tecnológica para inovação, em cooperação com empresas do setor
industrial —, a Embrapii auxilia no fortalecimento dessas relações, de modo a
possibilitar a gestão de pesquisas tecnológicas com maior eficácia, haja vista
reunir academia e mercado.
A referida empresa, segundo suas próprias palavras (Embrapii, 2018):

atua por meio da cooperação com instituições de pesquisa científica e


tecnológica, públicas ou privadas, tendo como foco as demandas
empresariais e como alvo o compartilhamento de risco na fase pré-
competitiva da inovação. Ao compartilhar riscos de projetos com as

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empresas, tem objetivo de estimular o setor industrial a inovar mais e
com maior intensidade tecnológica para, assim, potencializar a força
competitiva das empresas tanto no mercado interno como no mercado
internacional.

Figura 3 – Interação entre empresas e instituições de pesquisa

Fonte: Embrapii, 2018.

A Embrappi é um dos fomentadores existentes que tem por objetivo


proporcionar a gestão da pesquisa tecnológica nos operadores de CT&I.
Conforme Robert (1983, p.3), tal gestão deve observar três etapas
distintas:

1. Selecionar adequadamente projetos a serem executados por


determinada instituição ou centro de pesquisa e desenvolvimento;
2. Executar esses projetos com a máxima eficiência no que se refere
ao uso dos recursos humanos, financeiros e materiais; e
3. Fazer com que os resultados obtidos através desses projetos sejam
de fato aplicados.

TEMA 4 – TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA

A transferência de tecnologia pode ser conceituada como um processo


(ou seja, um conjunto de etapas) pelo qual o conhecimento tecnológico passa de
uma fonte para um receptor.
O referido processo pode ser realizado de maneira formal, por meio de
licenciamento ou de cessão de um ente (que detém uma propriedade intelectual)
para um indivíduo, empresa ou, até mesmo, para um governo.

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Pode também acontecer de maneira informal, no qual os canais de
transferência podem ser publicações e relatórios, troca de informações
informais, treinamento e consultoria.
A expressão transferência de tecnologia designa a passagem dos
conhecimentos — de uma fase a outra — quanto ao processo de produção de
nova tecnologias, independentemente dos agentes econômicos envolvidos.
No caso das empresas em uma situação de transação comercial, a
transferência de tecnologia indica, segundo Barbieri (1990, p.131),

o processo pelo qual uma empresa passa a dominar o conjunto de


conhecimentos que constitui uma tecnologia que ela não produziu.
Para isso é necessário que essa tecnologia seja completamente
assimilada pela empresa receptora. Assim, para que ocorra uma
transferência, a empresa receptora deve também efetuar algum
esforço para desenvolver tecnologia própria, mesmo que seja caráter
adaptativo.

Observa-se que o processo de transferência de tecnologia acontece pelo


fato de que tecnologias são interdependentes e precisam ser desenvolvidas,
para depois serem usadas como inovações nas empresas.
No entanto, a autossuficiência tecnológica por parte de uma única
companhia é um procedimento normalmente antieconômico.
Uma forma que exige menos recursos para se conseguir novas
tecnologias é o processo de transferência, pois para muitas organizações a
criação de inovações tecnológicas não é factível pela inexistência dos recursos
necessários, tais como: tempo, dinheiro, capacidade produtiva ou conhecimento.
Porém, há a necessidade de se elevar o patamar tecnológico para que
uma empresa ou nação possa se manter competitiva.
O processo de transferência de tecnologia, de acordo com Lenagh (2012),
ajuda a desenvolver a propriedade intelectual em estágio inicial no que diz
respeito a ferramentas para uso direto pela comunidade de pesquisa (ou em
bases para novas plataformas) a produtos ou a serviços a ser transformados
para uso público.
Parcerias bem-sucedidas são formadas entre pesquisadores de
diferentes universidades ou indústrias, a fim de avançar o conhecimento em um
campo específico ou de desenvolver ainda mais uma tecnologia.
Essas colaborações podem resultar em licenciamento ou em
oportunidades de pesquisa patrocinada que beneficiem ambos os parceiros.

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Além disso, a transferência de tecnologia garante que os interesses e
direitos de quem detém a propriedade intelectual sejam protegidos.
Conforme Lenagh (2012), a transferência bem-sucedida e o
desenvolvimento da tecnologia ajudam a promover tanto o ente pesquisador
como seus parceiros comerciais.
O fornecedor da tecnologia obtém reconhecimento e aumenta sua
reputação por seu potencial de pesquisa e inovação. Os receptores da tecnologia
podem reduzir os custos incorridos durante o estágio de pesquisa e de
desenvolvimento, licenciando tecnologia.
Outro benefício para quem desenvolve a tecnologia envolve o uso da
receita de licenciamento para apoiar mais pesquisas e educação na instituição.
Além disso, os investimentos em tecnologia também ajudam a estimular
o desenvolvimento econômico local. O beneficiário final da transferência de
tecnologia é o público, que se beneficia tanto dos produtos que chegam ao
mercado quanto dos empregos resultantes do desenvolvimento, da fabricação e
da venda de produtos.
Segundo Tidd, Bessant e Pavitt (2015), os fatores essenciais para garantir
o sucesso do processo de transferência passam pela identificação de fontes
confiáveis e proveitosas de tecnologias, por meio das quais se constroem redes
de relacionamentos que permitirão à empresa selecionar aquelas que satisfaçam
sua necessidade em termos da solução tecnológica mais adequada.
Dias e Porto (2014, p. 491) argumentam que ao considerar uma relação
formal para a transferência, em que haja a necessidade de elaboração de
instrumento jurídico,

os atores envolvidos no processo devem possuir fortes habilidades de


negociação, a fim de garantir uma solução satisfatória para todas as
partes. Por sua vez, a equipe da empresa deve possuir capacidade
para executar o projeto, além de criar meios para internalizar o
conhecimento adquirido.

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Figura 4 – Etapas-chave do processo de TT sob a ótica da demanda

Fonte: Dias; Porto, 2014, p. 491.

No Brasil, esse tipo de procedimento ainda é pouco presente. Ele


acontece de forma mais recorrente por meios informais. Porém, tem crescido e
ganhou espaço especialmente a partir da promulgação da Lei n. 10.973, de 02
dezembro de 2004 (a chamada Lei da Inovação), que determina que qualquer
Instituição Científica e Tecnológica (ICT) tenha seu próprio Núcleo de Inovação
Tecnológica (NIT) ou em associação com outra ICT.
Conforme Dias e Porto (2013, p. 265):

A Lei de Inovação foi um passo importante ao estabelecer um conjunto


de incentivos para fortalecer a interação entre empresas e ICT, e
reconhece que a presença do inventor é fundamental no processo de
transferência de tecnologia, especialmente nos países em
desenvolvimento, onde a capacidade de absorção de tecnologia pelas
empresas é fraca.

Por meio da Lei de Inovação foi possível para as universidades criar


escritórios reguladores dos processos de transferência de tecnologia.
Esses escritórios (ETT) têm como missão central aumentar as chances
de que as descobertas de universidades e institutos de pesquisa se convertam
em produtos e em serviços dos quais a sociedade possa se beneficiar.
Nesse sentido, um dos programas criados pelo MCTIC com o objetivo de
promover a inovação nas empresas é a Plataforma iTec — Desafios e Soluções
Tecnológicas.

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Essa iniciativa auxilia no “desenvolvimento da inovação aberta com
transferência de tecnologia entre instituições de pesquisa e os setores
empresariais com a geração de novos negócios”, de acordo com MCTIC (2016,
p.46).
A plataforma é aberta e pretende ser um ambiente de colaboração, de
parcerias e de negócios para acelerar o desenvolvimento tecnológico de forma
prática, assertiva e confiável.

Figura 5 – Fluxo de funcionamento da Plataforma iTec

Fonte: Plataforma iTec, S.d.

Por outro lado, a facilitação do processo de transferência de tecnologia


ocorre por meio da intervenção de um órgão, o Instituto Nacional de Propriedade
Intelectual (INPI), que avalia e averba os contratos de transferência.
Tal instituto foi criado com a missão de executar, em âmbito nacional, as
normas que regulam a Propriedade Industrial.
Ele tem como atribuição se pronunciar quanto à conveniência de
assinatura, de ratificação e de denúncia de convenções, tratados, convênios e
acordos sobre propriedade industrial.
A aquisição de tecnologia com intervenção do INPI pode ser nacional ou
internacional, que se materializa como licenciamento ou cessão.
Ao fazer o licenciamento, o titular cede a outra parte o direito de
comercialização do conhecimento com o pagamento de royalties, conforme
acordado entre as partes e especificado em contrato.
Com a cessão, por outro lado, o titular transfere o direito sobre o
conhecimento a outra parte, isto é, este passa a ter a propriedade intelectual,
razão pela qual poderá utilizá-la com bem lhe servir.
A possibilidade de transferência internacional se dá, sobretudo, por ser o
Brasil um país considerado technological follower. Isto é, por ainda estar
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desenvolvendo seu potencial de inovação tecnológica e, portanto, ser um
seguidor ou um imitador dos países tecnologicamente desenvolvidos.
Para reduzir o nosso hiato tecnológico, o país deve apresentar uma
transferência de tecnologia rápida e eficiente. Mas tal redução não depende
exclusivamente dos processos burocráticos estabelecidos para a transferência.
Há também um aspecto social a ser considerado que diz respeito à
capacidade do país quanto à sua infraestrutura econômica e social; a seu o nível
educacional ou à sua competência técnica; ao seu sistema educacional; às suas
instituições políticas, comerciais, industriais e financeiras, como bem salientado
por Negri (2006).

TEMA 5 – ABSORÇÃO DE TECNOLOGIA

O conceito de capacidade de absorção foi definido, em texto clássico de


Cohen e Levinthal, citado Negri (2006, p. 102) como a “habilidade de reconhecer
o valor de um novo conhecimento, assimilá-lo e aplicá-lo a fins comerciais”.
Tal capacidade de avaliar e de utilizar o conhecimento que está no exterior
de uma empresa é, em grande medida, função das capacidades ou do nível de
conhecimento prévio dessa companhia, podendo ser desenvolvida como um
subproduto dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) ou das
próprias operações produtivas das empresas.
A capacidade de absorção ou de aprendizado é um dos elementos
fundamentais para o desempenho tecnológico das empresas e para que elas
possam se apropriar de eventuais transbordamentos de tecnologia das mais
diversas fontes.
De certa forma, é uma continuidade do processo de transferência
tecnológica, à medida que o receptor precisa ter condições de absorver a
tecnologia e o conhecimento transferidos.
Como fonte de tecnologia para absorção, pode-se ter informação de
empresas concorrentes ou de consultoria, denominadas fontes empresariais.
Outro tipo de fonte é a acadêmica. A tecnologia é transferida das
universidades, centros de pesquisa e institutos de certificação para as
organizações.
As empresas podem utilizar qualquer uma dessas duas fontes ou ambas.
Nesse caso, a organização teria capacidade de absorver conhecimentos

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produzidos tanto por outras empresas quanto por instituições de pesquisa,
consoante Negri (2006, p. 109).
Para que ocorra o processo de absorção na organização, Ozolins (1991,
p. 36) afirma que há um ciclo a ser observado:

A escolha, a qual engloba avaliação dos cenários tecnológicos,


políticos e econômicos, comerciais, de busca de alternativas, obtenção
de dados, análise comparativa das alternativas (e, finalmente, a
escolha); a contratação, que inclui negociação e formalização do
acordo entre a cedente de tecnologia e a recebedora da tecnologia,
de acordo com a legislação pertinente, onde estão descritos o objeto
do contrato, obrigação das partes, direitos, remuneração, etc.; e a
absorção que se inicia na aquisição da tecnologia, passa por sua
implantação, operação e uso, resultando no saber fazer mais a
experiência do ter feito.

A capacidade de absorção, para Negri (2006), está relacionada a dois


aspectos genéricos: o esforço tecnológico da empresa e as habilidades pessoais
dos seus colaboradores. Ou seja, a empresa precisa ter interesse na tecnologia
e capacidade técnica para absorvê-la.
Quanto ao primeiro aspecto, Negri (2006, p. 106) entende que:

O primeiro grupo de fatores considerados importantes na determinação


da capacidade de absorção das firmas é o seu esforço tecnológico. Os
gastos em P&D das firmas, por um lado, as capacitam para a
realização de inovações e, por outro, as tornam mais capazes de
internalizar o conhecimento produzido por outras fontes. Assim,
espera-se que, dado o caráter cumulativo da tecnologia, a capacidade
de adquirir e aplicar conhecimentos produzidos externamente seja
maior nas firmas que possuem maior esforço tecnológico, ou seja,
maiores gastos em P&D.

No que diz respeito ao segundo conjunto de fatores explicativos, a


habilidade das empresas em reconhecer e assimilar novos conhecimentos, Negri
(2006, p. 106) salienta que ele

decorre, em grande medida, das capacidades individuais de seus


trabalhadores. [...] a diversidade de formações entre as empresas pode
ser um elemento facilitador do acesso e da assimilação de
conhecimentos desenvolvidos externamente. Assim, a qualificação dos
profissionais é um dos fatores com influência decisiva na capacidade
da firma em absorver conhecimentos de outras fontes.

Ozolins (1991, p. 41) explica que há uma série de pressupostos que


devem ser observados por uma organização que pretenda passar por um
processo de absorção de tecnologia. São eles:

A absorção tecnológica é medida por fatos e resultados concretos,


passíveis de serem objetivamente aferidos no tempo. A absorção
tecnológica dificilmente ocorrerá se não houver real necessidade de
sua implantação; será tão melhor absorvida, quanto maiores forem os

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desafios inerentes aos problemas que a envolverem. A absorção
tecnológica somente ocorrerá se houver tempo para a sua assimilação.
A escolha da tecnologia deverá ser tal, que proporcione possibilidades
reais de uso competitivo após sua absorção. Note-se que poderá
surgir, por razões de causa-efeito, geração de tecnologia própria. A
absorção de tecnologia deverá agregar valor ao centro tecnológico.
Deve-se entender quais as suas reais vocações e qual o seu potencial.
A absorção tecnológica, em si, resume-se, ao final, em uma questão
comportamental.

Quadro 2 – Absorção de tecnologia

Fonte: Ozolins, 1991, p. 41.

FINALIZANDO

Nesta aula você pôde entender como acontecem os processos de


mudança tecnológica.
Elas puderam ser compreendidas sob dois aspectos, o de science-push e
o de demand-pull.
Ambas provocam efeitos na sociedade e, por consequência, nas
empresas.
Você pôde perceber que, embora sempre haja algum tipo de política ou
de fomento à inovação e à tecnologia no Brasil, os efeitos em nossas empresas
ainda são tímidos.

19
No momento, há um plano estratégico com alcance até 2022 para
gerenciar todo o sistema de inovação e de tecnologia do país, que envolve vários
atores distintos, de modo a alavancar os inerentes processos.
Finalmente, você pode compreender que o Brasil é um país de
industrialização tardia e que tem dificuldades quanto aos processos de inovação,
de criação e de disseminação de conhecimento. Precisa, portanto, dos
processos de transferência e de absorção de tecnologia para melhorar seus
processos produtivos e organizacionais.

20
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