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LIVRO AUXILIAR DO

-ESTUDANTE -

DE -
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progumma official do Collegio D. Pedro li)
Nova edição corrccta c augmentada
pelo Prof.
..
ROCHA CAMPOS
do Cymnasio Aoalo Latino - Ex-profelfor do Lyc<u Sale&iano
Jesus, do Gymnasio Oswaldo Cruz, do Externato Marques da Cruz,
Scienc.ias e Letras - D•plomado feia Escola Normal Secun•
de S. Paulo - Propedeuta pelo Gymnuio do Estado' e Ex-Acade.
mico de Medicina da Faculdade de São Paulo,

LIVRARIA ZENITH
Antonio F. de Moraes- editor
RuA DE S. BENTO, 4Q-B -C.iiXA PoSTAL, 1210
S. PAULO
LIVRO AUXILIAR DO ESTUDANTE

()
PONTOS •

.~E HISTORIA DO BRASIL


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(Segundo o programma offídal do Collegío D. Pedro II)


\ Nova edição correcta e augmentada
i
pelo Prof.
\
ROCHA CAMPOS

-.·
\ Director do Gymnasio Anglo Latino - Ex-profe&eor do Lyceu Salesiano
C. de Jesus, do Gymnosio Oswaldo Cruz, do Externato Marques da Cruz,
do Instituto Sciencias e Let(as - Diplomado pela Escola Normal Secun-
d :ia de S. Paulo - Propedeuta pelo Gymna•io do Estado e l!x-Acade-
mico de Medicina da Faculdade de São Paulo,

LIVRARIA ZENITH
Antonio F. de Moraes- editor
.
-'

l_
PREFACIO
Do mesmo autor : Os pontos que aqui estão reunidos foram
CURSO OYMNASIAL feitos de accordo com o programma do
Pedro 11 destinados aos nossos estudantes.
Pontos de Oeographia . ' questão de facilitação ás memo-
Por uma
3$500
Pontos de Cosmographia rias que os lerem, deixei de encravar nos
4$000 mesmos, um grande numero de datas, dando
Pontos de Chorographia do Brasil. 3$500 • as mais importantes --- o que se jaz ~esmo
CURSO DE PJ-fA RMACIA em obras deste genero.
O assumpto, o quanto parece, vae claro,
Resumo de Historia Natural . e, se algumas duvidas se apresentarem é
5$000
porque ellas já são duvidas dos nossos
acontecimentos.
Aos alumnos, peço revelarem as falhas
que a~i se encontrarem.
O AUTOR.
La LIÇAO - DESCOBRIMENTO DO BRASIL
- O INCOLA.

O descobrimento do Brasil prende-se muito


intimamente aos acontecimentos marítimos de ou-
tr'ora, pois, elle nada mais foi do que uma successão
de viagens, realisadas por Portugal.
Estavamos na epoca dessa grande actividade
dos mares , a qual desde os gregos veio até a pe-
niusula iberica sobresahindo desta, Portugal, pe_
queno na Europa e grande n,o áominio; p,equeno
na · terra, porém gloriOso nos mar.es.
Assim lé rque, as primeiras explorações ma-
rítimas das quaes dependemos, datam desde a fun-
dação do Observatorio de Sagres, pelo infante D.
Henrique.
Nessas explorações salientaram-se Tristão Vaz
Teixeira e João Zarco, descobrindo as ilhas de
Porto Santo e da Madeirat a primeira em 1418 e
a segunda em 1419; a de Santa Maria, pertencente
aos Açores em 1432, por Gonçalo Cabral; o cabo
do Bojador por Gil Eanes, em 1438, o archipelagb·
de Cabo Verde, em 1446, por Antonio Nola e Luiza
Cadamosto; o cabo da Boa-Esperança, primeira-
mente chamado das TÓnnentas~ no sul da Africa,
por Bartholomeu Dias, em 1486.
Direitos reservados para todtos os effeitos da lei. Dessas expedições, talvês até essa epoca, esta
tivesse sido mais importante, pois, ella deu a Por-
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por D. Manuel, que, em poucas palavras, salientou,
tugal um caminho seguro para as Indias, que tanto nesse !dia, o fim e a importancia daquella expedição.
esse povo desejava. Assim, Cabral, entre as salvas do estylo, com
Mais tarde, Vasco da Gama dobrou o cabo as solemnidades que tinha direito, deixou o Tejo,
da 'Boa Esperança, explorou algumas partes da com destino ás Indias, afim de expandir o com.'mer-
Africa, penetrou em Melinde tendo ido até Calicut, cio portug uez. Chegou no dia 14 desse mesmo mv
firmando !melhoir o caminho das lndias em 1498. ás ilhas das Canarias, no dia 22, no archipelago
Após !algumas outras descobertas que a nós de Cabo Verde, na ilha de São N icolau.
foram de pouca importancia~ praparou<:e a de Pe- Parece que aqui desgarrou-se a nau de Vasco
dro Alvares Cabral, e com ella entraremos em de Athayde.
assumpto do nosso programlma. Cabral, ao passar pelo golfo da Guiné, para
evitar as calmarias africanas, foi obrigado a afas-
DESCOBRIMENTO DO BRASIL tar-se e tanto afastou-:se para as bandas do suclo.e ste,
que, !a 21 de Abril aJvistou sign<l!eS de terra, vendo
Reinava em Portugal, D. Manuel, chamado o pelas aguas, hervas marinhas.
Venturoso, em 1500, quando u:ma esquadra composta Navegou .sempre, e no dia seguinte, a 22, de-
de 13 navios, sendo 10 caravellas e 3 navios redon-
parou 1c om aves marinhas, e á tarde divisem, muito
dos, fôra organisada e entregue a Pedro Alvares
ao longe, um monte, que o chamou, monte Paschoat
Cabral.
por celebrar-se, nesse tempo, a festa da Paschoa.
Essa esquadra tinha. como commandante, Ca-
Procurou Cabral um abrigo para a sua esqua-
bral; Sancho de Thoar, seu immediato; Pero Vaz
dra, o qual, em 24 foi enoontrado, tendo-lhe da(lo
Caminha, escrivão-mór; Duarte Pacheco, astronomo;
o nome de Porto Seguro.
frei Henrique de Coimbra, Bartholomeu Dias, Gas-
Ahi, num ilhéo, foi celebrada, a 25, uma mis-
par de Lemos, Vasco de Athahyde, André Gon-
sa, por frei Henrique de Coimbra.
çalves e outras pessoas gradas.
No dia Lo de Maio de 1500 celebrou-se a
Marcou-se o dia 8 de Março de 1500 lpara a
primeira missa em terra firme no Brasil~ sendo a
sahida 'de Cabral, no emtanto, elle só a fez no
cruz e o altar feitos de um mbdo tosco com ma-
dia seguinte. deiras nossas.
Foi celebrada uma missa por D. Diogo Ortiz
Cabral deu á terra que acabara de descobrir,
na. !ermida de Belém, na qual o bispo benzou o
o nome de ilha da Vera Cruz, pois, suppunha elle
estandarte que Cabral trouxera, sendo-lhe entregue
trata r -se de uma grande ilha.
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DUVIDAS A RESPEITO DA DATA DO
Mais tarde chamou-lhe de Santa Cruz,, e em DESCOBRIMENTO DO BRASIL
1504, deu-lhe o. nome de Brasil, pelo facto de ser
essa terra productora da madeira «Pau Brasil», ver- O Brasil fui descoberto a 22 de Abril de 1500,
e, no emtanto, festejamos no dia 3 de Maio esse
melha como brasa.
acontecimento, sem que haja razão para tal.
Essa viagem, esses acontecimentos e essas a-
venturas foram escriptas por Pero Vaz Canrinha, Apontam os autores diversas duvidas, taes como:
em 1. o de Maio. - Duvidas acerca do calendari()t.
Cabral tomou posse da terra descoberta e en- .Nesse ~tempo, seguia-se o calendario juliano,
viou, segundo pensam alguns autores, Gaspar de que passou por refórmas feitas p0r Gregorio XIII,
Lemos, ou segundo outros, André Gonçalves, para as quaes consistiram em supprimirem-se 10 dias
Portugal, afim de levar a noticia a D. Manuel. do 'mez de Outubro daquelle·anno; porém, isso não
Cabral e· o seu emissario deixaram a t:erra no teve influencia, pois, mesmo reEormado, a data. ca-
dia 12 ide Maio de 1500, indo aquelle para as In- hiria então em 2 de Maio e njp em 3.
dias 1e este para Lisboa. -Duvidas acerca da posse da terra.
Após ter D. Manuel sc~entificado perante as Alguns autores querem que a data da posse da
nações amigas a nova gloria que Portugal acaba- terra tivesse sido em 3 de Maio, po·r ém a propria
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va de conquistar, descobrindo essa terra, algw1s carta de Pero Vaz Caminha, que foi publicada ém
povos •q uizeram chamar a si essa gloria, o que jus- 1817, narra que a posse foi a l.o de Maio e a par-
tamente aconteceu com os hespanhóes e os francezes. tida de Cabral, a 2 do mesmo rnez.
Aos lhespanhóes podemos acreditar~ pois, em -Duvidas acerca da abertura do parlamento.
Janeiro ·de 1500, Vicente Yanez Pin~on descobriu Por José Bonifacio, em 1823, foi designado o
o tabo de Santa Maria de la ConSQlation, hoje o dia 3 de Maio~ dia da descoberta do Brasil, para
cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco; desco- a installaçâo dos trabalhos da Assembléa Consti-
briu ainda mais para o norte o mar Dulce, que tuinte.
é o actual rio Amazonas> chegando até o rio CONCLUSÃO
Oyapock. Mais tarde esteve tambem em nossa ter-
ra, Diego de Leppe. :Portanto, examinando-se os acontecimentos e
O facto de terem os francezes percorrido essa consultando-se os documentos,, o Brasil devia ter
terra, não tem fundamento algum. sido descoberto a 22 de Abril de 1500.
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USOS E COSTUMES
O INCOLA
'M oradia : A sua morada era cham ada tabá,
Incola, selvicola, selvagem ou índio, são o s cercad a por páu a pique, connsti;uida, de prefe-
nomes dados ao povo inculto que habitava o Brasil, rencia , á beira d'agua, coberta de folhagem e bar-
na epoca da sua descoberta. ro, indicando assim o estado atrazado em que esta-
P erfil: O indígena é de estatura regular, côr vam os índios.
u m. tanto tocada a oobre, ca bello·s grosso s, geral- Utensílios: O patiguá era uma espeCie de ma-
mente mal tratados, orelhas pequenas, olhos tam - la feita dre pallla ; a igaça ba, especie de talha
bem pequenos mas activos, sobrancelhas arqueadas, para agua e vinho; rêdes, cuia, etc.
labios rg rossos e corpo com ffilUSCulatura desen- Alimentação: A caça, as he r vas, a mandioca,
volvida. o milho, o feij ão, o cará, eram os seus principaes
Divisão: Os índios do Brasil diviidiam-se em alime ntos. 1 :
n ações e estas em tribu s. . Trabalho: Conheciam a fabricação de algumas
As duas nações eram: tupys e os ta pUtas. Os bebidas, a arte ceramica, a fabricação de subs-
tupys ,c ompo rta vam' as tribus seguintes: Os Ca rijós, tancias corante s, o trabalho d e pennas de ave, a
no Rio Grande .do Sul e S. Pau1o; o s Tamoyos, no canôa :e s-e us perte nces.
R io rde Janeiro; os Tupinambás e T upmiquins, na Roupagem: Os índios viviam' semi-nús, menos
Bahia ; os Cahetés, em P-e rnambuco; os Potygua- os que habitavam lugares frio s, os quae s usavam
ras no Rio Grande do Norte e na Parahyba. peUes d e a nimaes com' que se cobriam'. E gualmente
' . .
O s tapuyas repartiam-se pelas segumtes tn- serviam -lhe âe roupagém as pennas e os tecidos
bus: os Chavantes, Botocudos, Aymorés e outras. , de plantas fibrosas.
Origem: Ainda os grandes historiadores não Armam·e nto: Como meio de defesa o índio
estão de accôrdo com relação á origem do nosso possuía o arco, a flexa, a clava e o utros objectos.
selvag,em. Não obstante, para alguns, parece te- A guerra: Bravos e ageis luctadores, os índios
rem relles vindo da Asia.~ e, para outros, d as Ca- faziam ;:t sua g uerra com as armas já descriptas.
narias, da Scandínavia, ou mesrr:i.o da costa occiden- O inimigo, ás vez,es, na presença da tribu e de
tal da Ameríca do Sul. grandes festas ao redor de fogueira s, e ra devorado
Distribuição: A nação dos Tupys occupava o pelos p resentes, o que se c.ha:m:a anthropolphagia.
littoral do Brasil e os Tapuyas, o inte rior. Musica: lOs seus instrumenfps m usicaes mais
Línguas: E r am dialectos do tupy-guarany.
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communs ~eram a busina., o tambqr e uma especie 2.a LIÇAO - PRIMEIRAS EXPEDIÇOES.
de chocalho. .
O Brasil, sendo descoberto, tornou-se uma ne·
Tratamento: Alguns índios tinham algum cui-
sidade a sua exploração, razão porque, Portugal
dado para com o corpo, pois conheciam o u_so do
rganizou id ive rsas . expedições, chefiadas por ho
pente, a lubrificação e córt<e do cabello, a pmtura
1fiens competentes, sendo ellas, as principaes:
da pelle, etc. . .
1 '.La em 1501, com!mandada por André Gonçal-
Enfeites: Os seus enfeit'es consistiam e~ co-
ves 10u D. Nuno Manoel.
lares de ossinhos, pennas usadas como e spec1e .de
2.a em 1503, oommandada por Gonçalo Coelho.
chapéo e avental, pequenos ped~ço: de madeua,
3.a em 1510 e 1512.
e mesmo de ossos que chamavam d~ botoques, os
4.a em 1516, commandada por Christovam
quaes eram introduzidos na pelle.
. Jacques,
RELIGIÃO 5.a em, 1530, cohlhlandaçla· por Martim Affon-
Rendiam homenagem ao sol, á lua, ás estrel- so de Souza.
las, :um Deus do céo e ao seu pagé. A primeira expediçao deixou o Tejo em Maio
Davam ao sol o nome de Uara.cy; á lua, Jacy · de ''1501, çorplmrandada por André Gonçalves, oru,
segundo out11os, por D. NuDJOI Manoel. ·
GOVERNO
· · · · Essa e xpedição percorreu to do ou quasi todo
Elegiam para seu chefe, um1 índio respei._tado o 'littoral do Brasil e dava, a cada parte em que
da sua tribu, a quem davaml-lhe o nome de cae1que. tocava, o nome do Santo do dia.
Assim lé que temos: cabo de São Ro que, tOt-
No emtantD, esses índios, levados pelo carinho
. ~do .em 16 de Agosto ; Sa nto Agostinho, em 28
e sendo facil a sua civilização, nos tempos em que
e stamos, têm passado por transformaç~es que p/Õem
·ao ·~esmo mez; ri o S. Francisco, em 4, de <Outu-
bro; bahía de T<Ooos os Santos, em 1,o de. No vem-
em evidencia os trabalhos dos Salestanos de D.
·bro; Rio de J ane iro,, em 1. 0 de J anei ro já 'do
Bosco do General :&ondon, e de outros, aos quaes
. -
' inestimaveis serviços pela mtssao . an.n o seguinte, . isto é, de 1W2; Ingra dos Reis a
devemos a que
6 de J anei.ro ; S. Sebastião a 20 de Janeiro, etc.
se incumbiram, catechisando-os e assim, essa ?en-
te, habitante das floresta.s longinqua:s, tem vmdo
' A segunda exped:ç[o não te ve o caracter pu-
' ~amente exploratorio, pois procurou p'elos nossos
para 0 meio civilizado, onde presta e pode prestar
~ares, u'm caminho para o sul, para a ilha de .:VIa-
relevantes serviços. . laca.
- 14 -- ló -

Viaj01u nella, Amerioo V,espucÍQ. E.m Março d e 1531, essa exped~ção tocou na
As !expedições de 15'10 e 1512 deram a oo- b hia 'd e Todos os Santos e depolis de certa de-
nhecer lOS vultos, Caramurú e João Ramialhq mora 'foi pCI!ra o "Su1, onde anc,omou no Rio de Janeiro.
Após o seu casa.mento~ Caramurú foi á f Daqui fez seguir homens para a terra dentro
ropa, regressando mais tarde para a Bahia. m caracter exploratorio. Em Agosto, Martim Af-
A expedição de 1512, quasi que debaixo do onso 'd e Souza tocou nas proximidades do nosso
mestnb destino naufragou nas proximidades de S. actual Estado. Penetrando pelo interio.r encontrou
Paulo, onde fioou cornp de gredado, João Ralillli João Ramalho.
lho, 'que tambem realizou o seu t asamento com Martim Affonso foi para ó Sul, voltou c fun-
uma putra índia, chamada Bartyra, filha de Ti- deou !novamente em São Paulo, onde ~.ançou o
byriçá,. , fundamento Ide São Vicente.
João 'Ramalho ronsagrou, unido a Caramurú, Seguindo p1ais para o interior, na região serra
grande •partJe ida sua actividade á colonisaçã,o do acima, lcreou a povoaçã,o de Santo André da Bor-
Brasil. da do Campo, nas planícies de Piratininga, tudo
A 4.a e~pedição veio em 1516,, com:mandada em 1532. '
por Christovam J acques, que, em 1526, chefiou ou-
YFinalmente, enviou seu irmão Pero Lopes de
tra esquadra. Souza rem maio de 1532 a Portugal, afim de que
Na primeira veZ', Jacques veio defender a re- este le\·asse ao seu rei a noticia do que fize ra.
gião littoranea, pois já era muito cubiçado o Bra-
Nessa ~poca, isto é, em 1533, foi então qne
sil (pelo elemento estrangeiro <que nella fundou. __ D. João III resolveu dividir o Brasil em capitanias
feitorias.
Na segunda Vlez, J acques prendeu e poz a pique ifoanâo a de S. , Vicente a Martim Affonso.
tres 'navios frandezes que .e stavam na bahia de Em 1534, Martim Affonso de Souza seguiu
Todos os Santos. para Portugal.
A 5.a expediçã~, a mais importante dellas, 3.a LIÇÃO - CAPITANIAS HEREDITAR IAS
sahiu de ;Lisboa em Dezemlbro d'e 1530, comman- INICIO DA COLONPZAÇ ÃO.
dada por Martim Affonso de Souza.
Affonso âe •Souza inicipu a colonisação do Bra- Cada dia a mais que o Brasil ganhava na
sil, trazendo 400 homens que cumprianr pena, os sua {existeneia:) e ' q ua.;.1to m;ais o seu no:-ne e a sua
quaes 'foram utilizados na cultura de terras. riqueza futura eram \propaladas no seio _elas na-
Em '1531, Marti'm Affonso prendeu tres navios ções dessa epoca, mah era obrig4toria a sua co-
francezes carregados de páo brasiL lonização.
- 16 17

D. João III, tendo na sua frente esse enorme encarregados da cobrança e da fiscalização dos
bloco ide terra,. tra~u de dividil-o em pedaços li- impostos pertencentes á corôa.
mitados, que seriam entregues á administração ~e E de tal modo, o Brasil ficou dividido nesses
pessoas de merecimento do reino, a capitães, e 12 pedaços de terra, que do sul para o norte foram:
dahi o nome de capitanias hered.itarias. Lo Capitania de Santo Amaro
Em 1534 foi assim: o Brasil dividido em t'a 2.o Capitania de S. Vicente
capitanias. 3.o Capitania da Parahyba do Sul
Porém, .Jmesmo entregues aos capitães dona- 4.o Capitania de Espírito Santo
tarios, estes gozavam de certas regalias, umas para 5.o Capitania de Porto Seguro
6.o Capitania de Jlhéos
SI e outras para a corôa, cujas principaes eram:
7.o Capitania da Bahia de Todos os Santos
O capitão ficava de plena posse, perpetua e 8.o Capitania de Pernambuco
heredi taria :elas suas terras. 9.o Capitania de Itamaracá.
Podi.a!m lançar o fundamento de aldeas que lO.o Capitania do Maranhão•
seriam K:,idades futuras e fazer tudo o que con- lt.o Capitania do Ceará.
12.o Capitania do Piauhy.
corresse para o prog1,esso da Capitania.
Podiam prender índios, utilisando-os nos seus
La - CAPITANIA' DE S. AMARO
serviços e vendel.;os em Lisbôa.
Podia fundar fóros, crear a justiça, coUegios Foi doaRia a Pero Lopes de Souza e exten-
e repartir a terra a pessoas de confiança do ca-' dia-se deS!de Laguna até Canan:éa.
pitão donataro. Pero Lopes nãJO veio mais ao Bra.sil, então a
Podiam exportar os seus productos para Por- sua eapitania foi governada pdr Gonçalo Affon-
tugal livre de quaesquer tributos, a menos que não so e João Gonçalves.
fossem em navios portuguezes.
2.a - CAPITANIA DE S. VICENTE
Deviam ·r eservar á coróa o quinto1 dos me-
taes e das pedras preciosas, o rnpnopolio do páo- Foi idoada a Martim Affonso de Souza. F,oi
brasil, etc. uma (das que mais prosperaram.
Deviam reservar o dizimb do peixe pescado Começava e:m Cananéa e ia até Cabo Frio.
á rêde e o mesmo dos outros productos. Ahi, .em 1536, Braz Cubas lançou o funda-
Deviam deixam permanec·e rem os empregados mento da cidade de Santos.
da \Fazenda nas capitanias~ pois, estes eram os Martim ,A ffonso de Sotuza não voltando mais
- 18-
19 -
ao Brasil, os nucleo s coloni aes que fundou ;.;m S.
Vicent e foram govern ados, o primei ro por Gon. 6.a - CAPIT ANIA DE ILH:Ê OS
çalo \MoMe iro e o segund o por João Ramal ho. Foi ldoadJa a Jo rge Figuei redo Corrêa , come-
çando na capita nia de Porto Seguro , indo até a
3.a- CAPIT ANIA DA PARA HYBA DO SUL a barra da BahÍla de Todos os Santos .
Começ ava em Cabo Frio e ia até Itape.n i- Esse ldonat ario não veio ao Brasil. manda ndo
rim, :sendo doada a Pero Goes da Silveir a, que •O rseu amigo Franci soo Romer'p em
seu lugar.
foi derrot ado numa lucta travad a com os índios, Houve 1evantJe dos índios , o que prejud icou
d epois de fundar a povoaç ão chama da Villa d a tal admin istraçã o.
Rainh a.
7.a - CAPIT ANIA DA BAHI A DE TODO S OS
4.a -CAP ITAN IA DE ESPIR ITO SANT O
SANT OS.
Doada a Vasco Fernan des Coutin ho, extend ia-
se Ide Itapem írim até o rio l'viucury. O seu âonata rio foi Franci sço Pereir a Couti-
nho. Exten dia dlesde a barra da Bahia de Todos
Vasco Fe;;·;1andes Coutin ho quand o ,-eio para
o B rasil trou xe colono s e fundou a pü\. oação .:le os Sa:ntos até o rio São Franci sbo.
Espíri to Sa n to. As cultur as 'd essas terras foram devast adas pe-
los \índios e estabe leceu-,Sie aJi uma lucta de 7 an-
Essa Capita nia foi infeliz pelo leva nte dos co-
lonos e dos índios. nos entre indíge nas e os po:rtuguezes ~ o- que concor -
reu para que Coutin ho abando lnasse o seu quinhã o
Vasco F,erna ndes Cou tinho viu os seus dias
e, âe volta, naufra gou, send!O devora do pelos seus
passar em miseri as extrem as e, quand o morto, o
seu >Oorpo recebe u farrap os que o cobrira m. inimig os.

8.a - CAPIT ANIA DE PERN AMBU CO


5.a - CAPIT ANIA DE PORT O SEGU RQ
D esde o rio :Mucury até limite duvido so, pa- Doada a Duarte Coelhq , ia dP rio São Franci s-
recend o !essa terra fica r entre Mucun e o Jequeti- co taté o lguara ssú.
nhonh a. Foi essa capita nia pert,en cente a Pero de· Foi a capita nia que mais prospe mu, juntam ente
Campo s Touri nho . <X>m (a de São Vicent e.
Essa ca p itania não aprese ntou progre sso digno :buart e Coelho fundou a cidade de Olinda
1
d e nota, e n trando em decade ncia. alliou- se á tribu dos Tabaja ras e com elles venceu
os Caheté s.
- 20- - 21 -
9.:)_ .. - CAPIT ANIA DE ITAMA RACA' 4.a LIÇÃO - GOVE RNO GERA L - THOM E·
Foi doada a Pero Lopes de Souza que tambem DE SOUZA E DUAR TE DA COSTA .
teve um pedaço de terra nas bandas do sul.
Lopes tinha essa terra que ia do rio Iguaras sú THOM E' DE SOUZA
até a actual bahia da Traição . Como vimos, as capitan ias não surtiram os ef-
Essa Capitan ia foi govern ada por João Gon-
çalves e m lugar de Pera Lopes. feitos desejad os, razão porque D. }Qão III estabe-
leceu, em 1549, os govern adores geraes do BrasiL
lO.a - CAPIT ANIA DO MARA NHAO O primeir o del1es foi Thomé de SouzaA que
erá dotado de tino admini strativo já reconhe cido
Os seus donata rios fo ram Jo ão de Barros e q'liando esteve na India e em Africa.
Ayres da Cunha.
Extend. ia-se desde a bahia da Traição at·: o Thomé de Souza veio em 1549, chegan do á
Maranh ão. Bahia em Março daquell e mesmo anno.
Em sua ICOm!pan hia, corno cornma ndantes de
11.a - CAPIT ANIA DO CEARA ' <mtra~ embarc ações que faziam parte dessa expe-
I

Foi o seu d·onata rio Antonio Çardos o de Bar- dição, aqui aportar am, Pero Góes da Silveira , An-
ros; indo a,s terras, desde o n o Tagua ribe até o tonio Cardos o d e Barros , Francis co Silva e outros.
Munda hú.
A comitiv a de Thomé de Souza era formad a
,i2.a - · CAPIT ANIA DO PIAU H Y de 600 homens d'arma s, 400 degreg ados, o ouvido r
geral, Pero Borges de Souza.
Esta éompre hendia tambem uma outra parte
do Maranh ão, doada a Fernão Ah·ares de Andrad e, Este ~ a,quelle s homens acirn!a mencio nados
que :Organizou algumas expediç ões, sendo cllas de vinham desempenhar cargos no gove rno que nessa
resultad os infructi feros. occasiã o se iniciava .
• Vieram tambem com o govern ador, 5 padres
No reSl.Úno aqui exposto , ventos ·que esse pro- jesuítas ..sob as ordens do Padre Manoe l da No-
cesso de coloniz ação não ideu os resultad os alme- brega, com o fi:m de catechis are:m os irtdios.
jados, pois .a luc~a constan te: travad a com os indios,
as difficul dades deste ou daquelle capitão ,. a ~á Delles destaco u-se o Padre Aspilcu eta Navarr o,
orienta ção de outros foram factore s que levaram que pela sua intellig encia e dedicaç ão conseg uiu
D. João III a organis ar um outro system a pelo captar a sympat hia do gentio.
qual os progres sos fossem mais efficaze s, surgind o Igualm ente, Caramu rú prestou relevan tes se r-
então a creação dos go vernad ores geraes. viços nesse governo .
-22- .. 23 -·

Os principaes actos de Thomé de Souza fo-


estabelecida e dado pelo motivo de ser realizado
ram: a 'f undação .da cidade de S. Salvador, hoje
no dia 25 de Janeiro de 1554, <fia esse consagrado
·a capital da Bahia e primeira capital do Brasil, cu-
á conversão do Apostolo São Paulo. J
jos progressos foram rapidissimbs.
Não obstante, Duarte da Costa teve o seu go-
Olhou !depois para o estado em que enoontra- ,
verno cheio de impecilhos, como a viela irregular
vam-se as capitanias do sul.
do seu filho Alviaro ela Costa, a ida de D. Pero
Organisou o serviço mil;itar,. cuidou da agri-
Fernandes Sardinha a Portugal com o fim ele nar-
cultura, 'da criação do gado em geral, e estabele-
rar ra o rei as desintelligencias a:qui havidas, o nau-
ceu a,qui; a séd!e de U!ITl bispado, sendo D. :Pero
fragio ela embarcação Nossa Senhora da Ajuda
Fernandes 'Sardinha~, o primeiro bispo, que chegou
em que viajava o bispo, a devoração deste pelos
em Junho de 1552.
índios Cahetés, o estabelecimento dos francezes no
Mandou ainda Thomé de Souza melhorar a Rio 'ele Janeiro ...
vida dos índios.
Essa invasão franceza foi em 1555, chefiada
Emfim) o seu goverllJO foi bom e durou de
por Nicolau Durand Willegaignonx que estabele-
1549 1a 15B3,, anno este em que foi substituído por
ceu na ilha ele Sergipe, hoje chamada Willegaignon,
Duarte da Costa.
'situada !dentro ela bahia Guanabara. '
DUARTE DA COSTA N aquella ilha, os francezes fundaram o forte
de Coligny e iniciaram os seus ataques,._ apoderan-
O governo de Duarte da Costa durou 5 annos; do-se 'die div-e rsos lugares e recebendo novos re-
começou ~ 1553 e terminou em 1558. forços da sua patria.
A tSUa comitiva compunha-se de 250 pessoas
Porém, Duarte ela Costa, enfraquecido c desa-
a contar~se com 16 jesuítas,, sobresahindo-se dentre 'nilmado cada v;ez m'a is, não poucle expulsar os
elles, José de Anchieta.
francezes. Ao lado dessas luctas, houve tambem,
Esses 'p adres traziam a rniesma missão dos ou- ·com Duarte da Costa, um serio le vante dos índios,
tros do governo de Tho.mié de Souza.
·q ue foram chefiados por Cufíabebe, dominando elles
O governo de Duarte da Costa mais foi de d esde Cabo Frio até Bertioga.
infelicidades do que de progressos,. se bem que
E assim findaram-se os dias amargos do go-
nelle é q11.1te se fez a fundaç1ão do collegio de São
verno de Duarte ela Costa, que nãJo possuía forças,
Paulo, nas planiôes de Piratininga, por Anchieta, animo e deixou-se levar pelos tantos factos que o
nome a,quelle que prevaleceu para a cidade ahi entristeceram, sendo o ,seu successor, ern 1558, Mem
de Sá.
-24
-- 25 --
5.a LIÇÃO: - MEM DE SA' OS FRANCE·-
no Rio, ali fortificou-se e lançou os fundamentos
ZES !NO RIO DE JANEIRO.
da cidade de S. Sebastião, em 1556.
O que teve Duarte da Costa de desanimo e Novos combates foram executados, até que,
aborrecimentos, possuiu Mem de Sá de coragem por informações de Anchieta, Mem de Sá veiO
e energia, enfrentando, sempre com triumphos, sem- da Bahia, em auxilio de seu sobrinho, aqui che-
pre com tinos administrativos, a situação precaria, gando lem 1567.
2.. situação desorientada em que estava o Brasil
Na sua passagem por Espírito Santo, uniu-se
na epoca da posse do seu governo. aos ind1os commandados pelo grande Ararigboia,
!Mem de Sá foi o 3. 0 governador, veio em: Ja- salientando-se leste e Tybiriçá
neiro de 1558 e os seus primeiros actos foram ex- Essas forças, uma vez na barra da actual Gua-
pulsar lOS francezes do IÜo de Janeiro, travando nabara, !deram ataques formidaveis, conseguindo a
com elles diversos ataques, e dar uma solução aos debandada dos francezes, morrendo Estacio de Sá
índios que tamhem achavam:~se em levante pelas devido ter recebido uma flecha no rosto.
bandas do E. Sant:JO e da Bahia, organisando contra Depois desses acontecimentos, São Sebastião,
e11es, expedições, tendo sido morto num: dos com- que aJchava-se nas proximidades do Pã:o d,e Assu-
bates, 10 seu filho Fernã;o de Sá. ' car, foi mudada para o morro de São J anuario, ho-
Em '1560 Mem de Sá djeu inicio a.o ataque aos je chamado do Castello, onde repousaram as cinzas
francezes, ~omeçando pelo bombardeio de \Jifille- de Estacio de Sá. Esse morro nos nossos dias desap-
gaignon. .T rês dias depois Wi.llegaignon foi arrasa- pareceu em virtude das obras de embellezamento
da, aprisionando-se mais ou menos 100 nessoas. do Rio de Janeiro, tendo sido transportadas dali,
Retirou-se 'depois Mem d'e Sá ~ara S. Vicente. as relíquias de um convento que no mesmo sitio
Não tardou muito, os francezes que retiraram- existiram, para outro logar do Rio, transporte esse
se para as cercanias do ·Rio de Janeiro, receberam feito, debaixo de uma imponente romaria cívica-
novos reforços, e, sabedor disso, Mem de Sá pede religiosa-militar.
novos !COntingentes para Portugal, os quaes vieram · Em 1568 foi nomeado primeiro governador de
commandados por Estacio de Sá, sobrinho do go- São Sebastião do Rio de Janeiro, Salvador Corrêa
vernador_ Estacio de Sá chegou em 1564 e reuniu--se de Sá. Mem d e Sá retirou-se para a Bahia de onde,
ao reforço de Braz Fragoso, foi depois a S. Vicente, por ve ezs, requereu um substituto, tendo sido no-
de onde, encorajado, dirigiu-se á Praia Vermelha, meado em Fevereiro de 1570, Luiz de Vasconcellos,
que não tomou posse, por ter sido atacado em
-· i 6 -
27 -

meio de sua viagem, por J acques Soria e Jean Cap-


O conselheiro Luiz de Hrito atacou os mdios st-
deville, ataque esse dado tarribem aos 40 jesuítas
tuados nas mragens do rio Real, e preveniu a for-
que vinham com Vasconcellos.
mação da capitania que mais tar.d e chamou-se Ser-
Finalmente, em 2 de Março. de 1572, morreu,
gipe. Poré'm:, não teve a mesm'a sorte com os ín-
na Bahia, Mem de Sá, tendo assim! o seu governo
dios estabelecidos na Parahy'ba,, pois, a sua frota
durado 15 annos, espaço de tempo ,e sse, cheio de
foi destroçada por fortes temporaes.
luctas em que sacrificaram-se vidas preciosas, tan-
O !dr. Antonio Salema foi victorioso no ata-
to incultas como civilizadas~ porém, Mem de Sá
que dirigido aos gentios, dominadores de Cabo Frio.
tev;e e terá o seu nome esculpido nas paginas da
Em '1576 chegou á Bahia o terceiro bispo do
nossa Historia, oomo governador de merecimentos
que foi. Brasil, D. Antànio Barreiros.

REUNIÃO DOS DOIS GOVERNOS EM UM SO


6.a LIÇÃO - DIVISÃO DO BRASIL EM DOIS
GOVERNOS E REUNIÃO POSTERIOR D. Sebastião vendo as grandes incoveniencias
EM UM SO. no estabeLecimento de dois governos, resolveu reu-
nil-os em um .só e isso fez em' 1577, sendo nome,ado
D. Luiz de Vasconcellos; oomo vimos na 5.a o conselheiro Luiz eLe Brito que . não tomou posse,
lição, foi vktima de um ataque, t·endo ent~o D. sendo substituído por LourenÇIO da Veiga, cuja pos-
Sebastião nomeado, em 1572, o conselheiro Luiz Bri- se deu-se em Janeiro de 1578.
to de Almeida que foi o substituto de Mem' de Sá. Em 1579, D. Sebastião dirigiu-se para a . A-
No lemtanto o Brasil offerecia muita exten- frica, empenhado numa guerra, onde morreu a 4
sáo para ser a séde de um: só governo, resolvendo de Agosto die 1578 na batalha de Alcacer-Quibir.
pois, a Côrte dividil-o em duas zonas govema.- Sobe então ao throno, o cardeal D. Henrique,
mentaes, 1a do Norte e a do. Sul. filho de D. Manoel, o unico que restava dentre os
A do No r te foi confiaJda ao conselheiro Luiz outros, em 1578 e morreu em 1580.
Brito e della faziam parte todas as capitanias de Vagou novamentJe o throno portuguez. Após a
Porto Seguro para o Norte. disputa por varios candidato.s que se julgavam com
A do Sul foi confiada ao dr. Antonio Salema, dir·e ito 1ao throno pelas suas descendencias, sómen-
á qual faziam parte as capitanias do Sul. te D. Antonio foi acclamado rei em Setubal e mais
A séde do governo •do Norte era a cidade de tarde !em Lisboa. D . Antonio foi derrotado, nessa
S. Salvador, e a do Sul, o Rio de Janeiro. occasião pelas tropas hespanhOJas que eram com-
- 28- - 29

mandad as pelo duque d'Alba, refugiando-s·~ na Fran- termedio de uma esquadr a, consegu iu conquis tar
ça, ·consegu indo, de tal mod.~ as tropas de Hes- a Parahyb a, travando diversos combate s com os
panha entrarem em Lisboa, cujo throno cahe no indígena s, coloniza ndo, mais tarde, essas terras do
domínio hespanh ol, tendo sido acclama do rei, D. norte. No decorrer de 1585, a Hesp.an ha e a In-
Philippe li, reconhec ido em Portuga l, nas suas co- glaterra entraram em lucta.s; aproveit ando-se dessa
lonias, inclusive o Brasil. occasião , os corsario s inglezes , cujo principa l foi
Edward Feuton, iniciaram uma série de desord'e ns
7.a LIÇÃO - DOMIN id HESPA NHOL - FRAN. no nosso littoral, sendo victima daquelle corsario ,
CE,zES NO MARAN BAO COLON IZA- a cidade de Santos.
ÇÃO DO NORTE . Telles Barreto lrnOrrenldo em 1587> o seu o-0r
b
O domínio hespanh ol iniciou-s e com a entrada verno ipassou a uma junta interina , compost a do
de Philippe II no throno de Portuga l, em 1581. bispo D. Antonio Barreiro s, Antonio Coelho Aguiar
Esse imperad or soube oonquis tar grandes e ge- e de Christov arn de Barros.
raes · sympath ias pelos actos que praticou , taes co- Essa junta governo u .até 1591, em cujo lapso
mo, conservo u e 1Ó dava emprego s e a occupaç ão de tempo, os ing1ezes fizeram novas tentativa s ao
a cargos aos portugue zes, tanto em Portuga l como Brasil, e àellas de stacam-s2 a de Thomaz Cavendi sh
no Brasil, e outras colonias portugue zas. e Cock, que atacaram Santos, meio de improvis o,
Nesse tempo, D. Philippe II teve de oppôr depois incendia ram S. Vicente.
resistenc ia aos franoe~es que tentaram im"adir o Não tardou, porém, o seu castigo, pois uma
Rio de Janeiro, conquis tando o throno afim de forte tempest ade arremes sou os seus navios á cos-
entregai -o ,a, D. Antonio , o qual o passaria a D. ta, perdend o alguns dos seus homens.
Catharin a de M-edieis, porém tal tentativa e con- Mal satisfeit os, vão agora os inglezes para o,
quist~ não produzir am os effeitos desejado s, ·pois, Espírito Santo, onde tambem as suas tentativa s fa-
os franoeze s, mais uma vez, foram expulsos pelo lhara:m. Quatro annos ril:ais tarde, e m 1595, o inglez
I
governa dor Salvado r Corrêa de Sá. James Lancast er e o hollande z John Venner ata-
Appareo e então o 6.o governa dor geral do Bra. caram Recife e nesse tempo assumía já as redeas
sil, ?\1anoel Telles Barreto, nOillleado por Philippe do governo , o 7. 0 governa dor, Francisc o dé Souza.
II, ~uja posse deu-se em 1583, em substitui ção a Nessa ~epoca, Manuel Mascare nhas fez a oon-
Lourenç o da Veiga que havia fa.llecido. quista e a colonisa ção dO' Rio Grande do Norte
No anno de 1584. Philippe de Moura, por in- e daqui data a construc ção do. forte dos Tres Reis
- 30- - 31 -

Magos, entregue ao capltao Jeronymo de Albu- Alexandre de Moura. quando os fra ncezes foram
querque. Com a morte de Philipp,e li, subiu ao batidos de vez. Jeronymo d e A.lburq uerque fo1 no-
throno o filho Philippe III , em 1598. E sse im pera- meado para governar a capitania do Ma ranhão.
~or sustentou o 7.o governador D . Francisco de Em 1618 falleceu, e o B ra sil estava en tregue ao
Souza até 1602, sendo neste tempo subs tituído pelo 11.o governado r , Luiz de Souza, que mais tarde
S.o governador, Diogo Bote lho, que te ve de luctar foi subs tituído por Castello Branco, deposto em 1619.
contra o bispo D. Constantino Barradas. Philippe III morreu em 1621, reinando Phí-
Em 11602, porém, D. Barradas é substituído lippe IV, filho de D . Philippe III .
por D. Mare<>s Teixeira, o quinto bispo do Brasil. Philippe IV reuniu o Pará , õ Maranhão, o ,
No governo de Botelho fez-se a conquista do Piahuy e o Ceará em um só go verno, chamado
Ceará, porém os resultados não foram bons. Em do l\Iaran hão, sendo governado por Francisco Coe-
1609, ;Botelho foi succedido por Diogo de Me nezes, lho, cuja posse eHectuou-se em 1626.
o 19.o gov~rnador, que creou o l.o tribunal da rela- Em 1622, Philippe IV nomeou Diogo Furtado
ção, no Brasil, em S. Salvador e agora é que o Cea- de Mendonça, gov.ernador geral do Brasil, quan-
rá poude ser conquistado e co1onizado, isto em 1610. do \um outro e1emento extrangeiro invadiu o Bra-
sil, 10 que as nossas Historias assig nalam debaixo
FRANCE!ZES NO MARANHÃO do titulo - Primeira tnvasão hollanáeza.
Em 1612, em pleno governo de Diogo de Me-
S.a LIÇÃO - P RI MEIRA INVAS ÃO HOLLAN-
nezes, os francezes, com tres navios, sob o commando
DE•Z A.
de ;Daniel de Ia Touche, o senhor de la Ravadiére,
invadem o Maranhão, onde estabeleceram-se, :! ahi, :A 'Hollanda, ao lado das outras nações que
em 1594, já os armadores Jacques Riffault e Charles tentaram apoderar-se do Brasil, organisou, em 1621,
de Vaux haviam-se estabelecido. uma poderosa companhia, denominada «1ndias Oc-
Fundou-se então a \cidade de São Luiz, na ilha cidentaes», destinada a invadir o Brasil.
do 1mesmo nome~ em honra a Luiz XIII, o rei Dezoito annos antes havia; esse mesmo povo,
da França. Em 1612, ainda, Diogo de Me nezes organisado a w mpan!hia «Indias Orientaes», que
foi substituído por Gaspar de Souza,_ 10. 0 gover- devia trabalhar na Asia.
nador, \Cujo governo durou até 1617. A Co'mpanhia das «lndias OICCidentaes»~ pre-
Porém, este governador teve o ensejo de pre- parou uma esquadra, cujo elemento componente era:
1
senciar a expulsão dos francezes do Maranhão, por Almirante: J acob Willekeus .

..
I
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Vice-almirante: ,pieter Heyn. Encontrados esses dois adversarios, travaram-


Cornma.ndante das tropas: Johan van Dorth. se entre a s suas forças, renhidos combates, donde
23 navios, 3 hiates, cerca de 1.600 marinheiros, resultou a morte de Johan van Dorth, por Francisco
m'ai!;, ou menos 1.700 soldados, e 500 boccas de fogo. Padilla, em 1624.
Assim constituída, essa esquadra sahiu da Hol- Em 1625 lnorreu tambem o successor de van
1anda 1errr Dezembro !de 1623; e tomou o rumo da Dorth, ~lbert Schouten, que foi substituído po 1
Bahia, onde chegou em 9 de Maio de 1624. seu irtnão Willem Schouten.
Nas proximidades da Bahia o ataque foi ini- Nessa occasião, a Hespanha, sabedora de tudo.
ciado por Albert Schouten que substituiu van Dorth, mandou para.. o Brasil, sob o Goim.mando de D. Fra-
devido •este ter-se atrazado em viagem e dirigido dique de Toledo Ororio, urna esquadra composta
para outro rumo. de :52 navios com cerca de 12.500 homens .
A victoria coube então aos hollandezes 1 que . D. Fradique de Toledo Ozorio, marqut;z de
apoderaram-se dos navios surtos naquel~e lugar e V al~~eza, chegou na Bahia em 29 de lV1arço de 1625,
tomando a cidald!Ej, pi)en:deliam o seu g,o vernador, Dio. apnswnando os navios hoUandezes ali ancorados.
go lde Mendonça Furtado, o qual foi removido para . Em Abril, dia 30, Ernesto K:iff que fo{ 0 subs-
um'a Idas embarcações de guerra e mandado para tituto de \Vii1em Schouten, assignou o termo de
a Hollanda. capitulação, e assi:m a Bahia, no dia l,o de Maio
Diogo Mendonça foi substuu;ido por Antão Mes. desse mesmo anno, cabia novamente em poder da
quita de Oliveira, tambem deposto, tendo como seu Hespanh~. Mais ou menos nos tempos da chegada
successor 10 bispo D. Marcos Teixeira. de Frad1quc de Toledo Ozorio, vinha tambem ao
"
D. Marcos tratou incontinente de defen~.ler a Brasil, para a Bahia, o 14. 0 governador, Francisco
cidade, !chamando para auxilial-.o, Antonio Cardo' de l\ioura Rolím, que substituiu J.fathias de Al-
so e Lourenço de Albuquerque, commandante s das buquerque.
forças em organisação. . Final~ente, em 1626. o Brasil foi entregue a
Porém a Hollanda, já victoriosa, com a v inda Dtogo Lmz de Oliveira, 15. 0 governador, chamado
de van Dorth, deu-Jbe o titulo de governado · da conde de Miranda.
cidade, tomando elle conta desse governo em no- Fracassava, no emtanto
. ' neste tempo, a pri-
lme Ida sua patria.
meira tentativa hollandeza.
No emtanto, pela legalidade, foi nomead : > go-
vernador da cidade, Mathias de Albuquerque.
- ~5
-34-
gr ~~i ro::i, Sebasti.io Souto, o indígena Poty ,e outros
9." LJÇAO SEC{ 1 NDA INVASÃO HOLLA.N
ttóe.. salientaram-se já pe~b seu heroísmo, já pela
DErzA. -;n· r4.get11.
A. Holla.nd.a, não !'>atisfeita com o::. insucoe:;sos Mathias de .-\lbuquerque conseguiu fa, ~r gran -
da prinwira inYasão. organisou uma outra esqua- d<' numero de prisioneiros.
dra. que tomou o rurno não mais da Bahia, mas Os hollandezes, nesse tempo, pediam refon:;os
sim de Pernambuco. ra.ra a sua patria
A e$quadra de agora [oi do seguinte modo Aqui chegados. mait 1250 soldados. ~ob o com-
constituÍda: mando de Steyn Ca~feld.s, foi atacada a ilha de
Commandante em chefe: Hendrick ( 'ornelisoon Itamaracá, cujo resultado fôra infruçtifero.
Loncq. . Em 1631. uhla poderosa esquadra veio da Hes-
Almirante: Piet:er Adria.nzoon. panho sob o commando de D. Antonio Oquendo,
Coumrandante -das t1-opas: van \VeerdemburC h. fazendo rumo da Bahia.
70 navios, 3780 marinheiros, 2500 soldados e Em 12 de Seternhro de 1631 a esquadra de
1200 boccas de fogo. Oquendo encontrou com uma. outra hollandeza sob
Essa poderosa esquadra enfrentou a cida,de de as ordens de Adrian J ansen Pater, nas proximi,
Olinda em f.evereiro de f630. Mathias de Albu- clacles do archipela,go dbs Abr,olhos, que resultou
querque que havia voltado para Pernambu~, op~ a derrota dos hollandezes e dahi, Jansen Pater,
poz resistencia, porém W eerd~mburch consegmu de não querendo ca!hir nas ~ inimigas, jogow,-s~
sembarcar com 2948 homens em Páo Amarello, sen- ao mar, envolvido na sua bandeira, proferindo as
do tambem tomada Olinda., seguintes palavras: «Somtente o Oc'.eano é o uni co
Mathias de Albuquerque, juntamente com os tumulo de um almirante batavo.
seu:, homens, poz-se em fuga: incendiando o Reei· Após essa victoria, ~.Sartfcliee, conde
fe e os naYios que estavam no porto e retirando-se, de Bagnuolo, á frente de 700 homens, desembar-
fundou o Arraial elo Bom Jesus. nas margens do cou, voltando para a Europa, D. Antonio de ()).
rio Capiberibe. . quendo.
'Ahi iniciou o ,ataque po.r ;neio de gu,crrilhas, Os hollandezes indendiaram Olinda e foram
conhecidas pelo nome de ~~a.nhia de embosca- reunir-se em Recife, em 1631, daqui dirigiram-se
das. que muitos prejuízos causaram aos hollandezes. para a Parahyba e Rio Grande do · rorte, estive-
Nessas batalhas surgern nomes taes comu •> ram novamente em Pernambuco, porém em todos
preto Henrique Dias, Felippe Camarão, Vidal Ne- (' sses lugares foram derrotados.

\l
-- 36-

No anno seguinte, em 1632, verdadeira trai -


ção foi feita por Domingos Fernandes Calabar,
-· 37
que deixou o seu exercito e entrou para a s força s
tes de contas com Calabar, sendo o mesmo enfor-
hollandezas, para as quaes ensinou todo o cami-
cado, o s,eu corpo dilacerado foi posto em pastes,
nho a seguir, conseguindo estas alguns triumphos,
no d ia 22 de Julho de 1635.
dentre elles, as tdrnadas de Iguarassú e o forte
do rio Fonnoso. Nes* tempó, com o fim de pôr termo a essa
serít de luc tas, veio para o Brasil, D. Fradique de
>Em 1633, o general Rembach, que substi tuiu Toledo bzorio.
Weerdemburch no commando das tropas, a tacou
P~.r combater, nessas condições, D. Fradique
o celebre arraial dl Bom Jesus, ataque esse repel-
necessryava de um grande reforço, porém, não ob-
lido por Mathias tie Albuquerque, cujas forças e ram
tendo-q e sendo preso, por desgosto, falleceu pou~
em muiro menor nuffilero que as/ do inimigo. C(J de pois.
Cdm/ a;.. r-etirada e !depois a morte de Rembach,
D. Luiz de Ro:jas y Borja veio ao Brasil e
f~rido nessa lucta, substitui-<0 Sigismundo Schko ppe,
desembarcou e m Alagoas em 1635, substituindo Ma-
que guiado ainda pqr Calabar, tomiOu o forte d os
thias ld,e Albuquerque, que, por determinação do
Tres ReiJs Magos, , saqueou Itamaracá e conquis.-
seu rei, seguiu para a Europa, onde 'for preso
tou a Parahyha e o c:abQ de Santo ·Agostinho.
e encerrado no castel1o de São Jorge, ·em Lisboa
Mathias de Albuquerque, sabedor da derrota
e só em 1640 teve a sua libertação.
de uma esquadra proveniente de Portugal, co rno
medida estrategica, em Julho de 1635, com a s suas D. Luiz Rojas y Borja atacou os hollan.dezes,
os quaes tinham por chefe Artichofski.
forças, retirou-se para Alagoas.
No emta nto Rojas y ~orja foi infeliz, pois
Ao contrario, porém:, do que fez Calabar, Se- foi derrotado n.a batalha da Matta Redonda em 1636.
bastião Souto, disfarçado em amigo dos hollande-
Vem como seu substituto o conde de Bagnuolo
zes, ao chegar em Por:to Calvo; aconselhou os hol-
tempo em que a Hollanda enviou Mauricio de Nas-
landezes, na pessoa de seu chefe Alexandre Pi-
sau como seu governador do Brasil
quard, que atacasse o inimigo, resultando desse e n-
N assau travou batalha com Bagnuolo, resul-
contro a victoria para as forÇ!as de Mathia~ de
tando a fuga d e Bagnuo1o e o heroismo de Hen-
Albuquerque, que dentre outros prisioneiro desta- rique Dias. ·
cava-se Calabar.
Na fuga daquelle COJlde sahiu tambem a 'tropa
Os hollandezes derrotados, foram feitos os ajus-
portugueza para a Bahia, e N assau tornou-se se-
nhor do te rreno até o rio S. Francisco, onde fea
erguer, no seu d~ saguadouro o forte Mauricio.
.

Nassau partiu então para a Bahia e dcpDis l\Iaurici o de Nassau rctirou·s e de Perna.m bu-
foi a Recife, visto a não tomada daquella cidadt'. co cm 1644. e, da. Parahyb a, seguiu ,rjagem para a
Porém, em 1639, chegava ao Brasil D. Fer- Europa, daixand o o governo entregue a uma com-
nando Mascare nhas, conde da Torre, que na ponta missão de conselhe iros.
das Pedras travou combate com os hollande zes, Nesse mes<mo anno, André Vicl'al Negreir os.
sendo derrotad o por estes. foi nomead o governa dor do Maranh ão.
Por esse motivo, o Conde da Torre foi chama- Esse governa dor muito fez em relação á ex-
do a Portuga l e ali foi preso na Torre cfe S. Julião. pulsão dos hollandc zes . principa lmente. quando estes
estes foi declarad a a insurrei ção pernamb'ucana.
Em 1640 veio ao Brasil, D. Jorge de ::vrascarc -
nhâs chamad o marquez de l'vlpntalvão, como go- Organis ou-se a partida dos independ entes, com-
vernado~ e nesse anno deu-se em Portuga l a li- posta por ~egreiros. Fernand es Vieira, Antonio
bertação ' elo Brasil :elo jugo hespanh ol, sencliJ en- Cardow , Henriqu e Dias, e outros, homens esses
tão acclama do D. João IV. que consegu ira·m derrotar os hollande zes em 1645.
Restaura -se, pois, Portuga l, em Dezemb ro de cuja batalh,a effectuo u-se no monte das Tabocas .
1640, e o Brasil, a sua antiga Cí lonia, ·cahe de Diversa s foram as façanha s criminos as prati-
novo em seu poder. cadas pelos hollande zes, como raptos de mulherec;,
Alguma s discordi as surgiram , não querend o o incendio s . etc., porém nã.o tardou muito a sua ren-
po,·o/ por ,rezes, acceitar a acclama ção de D. Jo~~ dição, com a to:rnla.da de Nazaret h, de Porto Cal-
VI co.no rei. Porém, decorrid o algum tempo. fm \·o. do forte Maurici o e de outros pontos impor-
o rei acceito. portante s, pelo partido dos independ ent·es.
No em tanto, o proprio n1.arquez de Montah ão. l\fais tarde a HoUand a desejava enviar outra
não reconhec eu D. João IV, razão porque foi preso esquadr a ao Brasil, quando em 1647, veio para
e substituí do pdo bispo D. Pera da Sih·a que cá, nom'ead o por D. João IV, o general Francisc o
era auxiliad o por Lourenç o de Brito e Lwz Bar- Barreto Menezes. encarreg ado da defesa da Bahia.
D. João IV, por uma reclama ção feita pela
balho Bezerra. .
Em 1642, foi nomeado Antonio Telles ela Sll- Holland a, relativa ao tratado de paz, mandou que·
va, :Jl9.o governa dor geral do Brasil. parassem as luctas, porém, offendid os, os pernam-
Nesse mesmo ann.o, no Maranh ão, os hollan- bucanos não deran1 execuçã o a essa ordem, re-
dezes ainda aqui estavam ; sendo ali batidos por gia, por desejare m a extincçã o complet a dos hol-
Antonio Muniz Barreiro s, indo e tabelece r-se no landezes .
Rio (;rande elo Nortle e no Ceará.

I I~
-40-
- 41 --
Deixou o gO\ erno do Brasil, o 19. 0 governa dor,
por ter sido demittid o, send onomea do An.torúo ,c de calma, com a expulsão definitiv a do'S hol-
Telles de Menezes, 20. 0 governa dor para succedel -o. landezes .
Esse go\'erna dor, ao passar pela Parahyb a, foi pre-
so pe1os hollande zes e mais tarde foi posto em 10.~ LIÇÃO LUCTA S ENTRE JESUIT AS E
liberdad e.
COLO NOS - BECKM AN.
Continu aram as luctas entre os indepen dentes
e os hollande zes, sendO uma dellas em Abril de Cam a expulsão definitiv a dos hollande zes, co-
1648 deoomin ada «Batalha dos Montes Guarara - mo atraz foi visto, o Brasil cahiu, de novo, sob a
' corôa de Portuga l, que, talvês, pela pouca importan -
pes», sahindo victorios os os indepen dentes em dois
combate s, naquelle mesmo lugar. cia dada á sua colonia, o Brasil, fosse a causa
Em 1650, o Brasil rocebeu seu novo gover- de levantes entre os jesuítas e os colonos.
nador, isto é, o 2l.o João Rodrigu es de Vasconc ellos. lOs factores desse levante foram os maus tratos
A Compan hia das Indias Occiden taes foi ago- aos indios. Os colonos queriam escravis al-os, em-
ra atacada pela Compar :hia 'd e Comrner cio do BrasiL quanto os jesuítas desejava m a sua liberdad e.
Em 1653 v.eio uma das esquadr as dessa Com- r.Disso fez-se o levante iniciado pelos jesuítas
panhia, cujo comman dante era Pedno de Magalhã es. que a seu favor tiveram a lei ae 1652, a qual de-
Os hollande zes, ,a tacados por m,ar e por terra, terminav a a abolição da escrava tura indígena .
capitula raram e em 26 de Janeiro de 1654, Si- .No norte, no Pará e no Maranh ão, os colonos
gismund o van Schoppe assign01u a capitula ção de indignad os, revoltar am-se e mandar am alguns e-
Taborda , nome este aado, a uma praça situada missario s para Lisboa, afim de se entende rem com
em frente ao forte das Cinco Pontas. D. João IV a esse respeito.
Entrega ram então os hollande zes, não só. os 10 padre Antonio Vieira, em 1653, chegou ao
seus homens como as suas cidades e em 27 daquel- Maranh ão que era goevrna do por André Vidal Ne-
le mesmo anno e mez, João Fernand es Vieira to- greiros, com quem padre Viera contava com sym-
mou posse da cidade em lugar de D. João IV. pathias. Antonio Vieira tinha tambem grandes rela-
O tratado de paz foi assignad o, em Haya, em ções na Côrte, porém, o seu ft,ttu:r;o auxilio na ques-
16 de Agosto de 1661. tão do levante tornou-s e um tanto difficil com a
O Brasil, desde ha muito, invadido por ele- morte de D. João IV, em 1656.
mento' differen tes dos seus, entra agora numa pha· Os colonos que bem sabiam do prestigio do
~adre Vieira, viram-no enfraque cido desse presti-
-42- -43-

gio, iniciando tambem, nesse tempd, as :,uas luctas. ção. {)ma junta porém, fonnada das classes. ~..·Lero
O padre Vieria era partidario da libertação nobreza e po·l'o, determinou a cessação do monopo-
do~ indios, o que concorreu pa ra que fosse preso Iio da rdericla Companhia , a expulsão dso jesuítas
pelos colonos. Antonio Vieira e os jesuítas foram e a retirada elas autoridades . Os revoluciona rios
banidos, porém, mais tarde, conseguira m mais uma em iaram emissarios a Lisboa c representan tt· a
lei em favor da liberdade dos índios. Belém. onde deveriam trabalhar em arranjar a
Para cessar tal levante, em t682., fundou -,-,e a dcptos. porém tal trabalho foi infructifero .
Companhia de Commercio do :\1ar'an hào. a qual O governador do Pará, Francisco de Sá Mene-
obrigaV'a-se a trazer. todos os annos, uma certa zc~. muito fez em pról dos revoltosos, inclusive
quantidade de escravos que seriam aqui os braços a sua amnistia, porém esses favores não foram coc-
para o trabalho, depois ele vendidos por importan- ceitos, quando, em' 1685 cheg<m ao Maranhão, pro·
cia determinad a. Nias. essa obrigação da Compa- vcniente de Portugal, uma expedição junta'mente
nhia, no anno de 1683, não foi posta em execução, com Gomes Freire de r-\ ndrade que. assumindo o
o que fez :VIanuel Beckman pôr-se <Í frente de gov·erno. vccupou os fortes. prendeu os chefes da
seus companheir os, commandan do-os. revolta. desfez a junta composta pelo deroJ no-
Eis então a revolução de Beckman. junta;ncllte breza e povo, protegeu e restabelece u os jesuítas,
com o'-i colonos. começada em Fevereiro de 1684, reorganisou a Companhia . emfim. deixou tudo res-
na cidade de São Luiz, actual capital elo Maranhão. ta bcleciclo clen tro da lei.
Bec:kman, ao penetrar ahi, encontrou o povo Os culpados foram castigados, uns condemna-
assistindo a uma funcção religiosa c aproveitand o dos á morte, como Manuel Beckman, ,mtros deca-
.
da occasião, fe.z um discurso mostrando quaes os pitados e outros banidos.
intentos, isto é, o combate ao monopolio que tinha Bec)<man foi nwrro, os seus bens foram con-
a Companhia elo ~1aranhão sobre a exportaç<io e fiscados , porém.. postos estes em leilão, o proprio
a importação , e a extincão da'-> leis fa\·oravcis aos Comes Freire arrematou- os, entregando -o· á viuva
incligenas. de Be~kman.
Como era natural, diante da massa que ouvia Foram principaes cabeças nessa re\rolta, além
Bcckman, manifestou- se exaltação e dahi o paníco de Manuel Beckman, Thomaz Beckman, Jorge Sam -
foi estabelecid o . a desorganisa çào da vida na cidade paio e Francisco D.ias Eiró.
foi grande, pois as prisões, os arrombame nto:;, a As~in1. terminou a revolução de Be..ckman.

pilhagem, tudo concorreu para aquella desorganisa -

I
45-
- 44 - "
nos, é que Domlingos Jorge Velho poz termo ao
seu intento.
1J.a LIÇAO - P ALMAR ES - EMBOA DAS E
O chefe ZJu!mbi, juntalme nte com seus colle-
MASCA TES - GUERR A D E PALMA RES. gas de governo , tenta;ram contra as suas proprias
vidas, jogando -se por um abysmb.
)Os e ffeitos d~astrosos de ta'ntas luctat> umas
de sutnma impor(a ncia, outras que não fo:pa.1~ além
GUERR A DOS EMBOA DAS
de alde ias, provoca ram, certa111re nte, umá desorga·
nisação -ge:la( no Brasil. Durante a g uerra do:a Recife e Olinda fora'rnJ os fócos iniciaes desta
hollande ~es, os senhores de engenho s abandon a- Iucta. Recife era habitada pelos portuCcuezes e O-
ram as suas propried ades, nesse tem po trabalha das linda pelos olindens es ou brasileir os. c.. 'L r
pelos escravos africano s, Esses pretos, tambem em Grande rivalidad e existia entre esses dois povos.
fuga, reuniram -se na serra da Barriga, no Estado Recife foi elevada á categori a de villa e Ülinda
d e Alagoas , onde formara m um quilomb o, num bos- já gosava das regalias daquella categori a, ta~to 'as-
que de palmeira s, por isso mesmo, que essa reunião sim, que o Juiz de Fóra, de O linda, devia exercer
tambem denomin ou-se «R.epublica áos Palmare s», dessa epoca em diante, o seu cargo, naquelle~ dois
cujo chefe era ch.;unafd.o Z utrnbi, tirado dentre os Jogares.
referido s preto~. Calcula-se, segundo uns, 10.000, Foi nomead a uma commiss ão compost a do dr.
e, segundo outros, 30.000, o numero de ssa gente Luiz Ortiz, ouvidor, e Sebastiã o de Castro Caldas,
reunida naquelle lugar:. governa dor ' da capitani a, para mJa.rcare m os limites
dessas duas jurisdicç ões.
No emtanto, os quiloimbolas, para mantere m
a vida, certame nte necessitava:mf de viver.es, e dahi Porém, não chegara m ellies a um accordo, pois
os contínuo s assaltos em'p rehendid os aos colonos, 'llill inclinav a mais para os interess es de Olinda.,
e outro, para os de ReCife.
ás propried ades agricola s. Po r vetes, sustenta ram
combate s por parte das tropas do governo.. Disso resulta re~ber, Sebastiã o de Castro Cal-
das, um tiro.
Fernão Carrilho , em 1675, num periodo de 3
annos, tentou destroça r o quilo,mbo, no emtanto , Os arrimos dos olinde nses lev:ant aramLse e o
sórnente o paulista Doming os Jo rge Velho poude governa dor fugiu p ,a ra a Bahia, sendo substitU ido
interinam ente pelo bispo de O;lndi;a, D. Manuel Alves
extingui r a Republi ca _dos Palmare s, porém, com a
condiçã o de serem-lh e entregu es a s terras conquis- da· Posta, cujo primeiro acto governa mental fui
connceâ er amnistia a todos.
tadas, os escravos e vestes para a sua força.
Parece que só dentro de 10 annos, mais ou me-
-46-
-47-
,\ lucta iniciou - ~e tambem acti·,·a pelos habi-
Rio de Janeiro e bonoed eu amnisti a aos que tomara m
tantes de Recife.
parte nessas luctas.
Ma~. em Outubr o de 1711. ·chegou ao Brasil o
Essa separaç ão foi feita em ?\fovem bro de 1709,
t'l,ovo govern ador, Antonio Felix Machad o, que foi
e as sim termino u a gtlerra dos emboad as.
recebid o com ca1inho pelas duas partes exaltad as.
• Vianna prestou então ohedi.e ncia a Antonio de
Felix Machad o foi para o lado dos habitan tes
.-\.lbuquerquc Coelho de Carvalh o, o primeir o gover-
de Recife, determ inando o desterr o do bispo e apri-
nador da Capitan ia de S. Paulo e Minas, e, pela
sionam ento de vultos olinden ses.
prepon deranci a em que ficou, chegou mesmo , por
D. João V_, sabedo r de tudo, poz em liberda de ,·ez<'s. <li ponto 'de desresp eitar as ordens do go-
rodos, menos dois cabeças que foram em degred o
verno elo Rio de Janeiro .
par~ as Indias.
~·-- t~. iucta, agora é tra,-ada entre paulista s e os t2a LIÇÃO l;UER RA DE SUCCE SSAO NA
portugu ezes. HESPA NHA - DUCL ERC . E. DUGU AY
Os paulist as davam aos portugue~es o nome TROU IN.
de e'mbQa das, que quer dizer forastei ros.
Em l609 falleceu Carlos Il, ó im}:>erador da
Paulist as e portugu ezes ia;m á: procura das mi- Hespan ba. sendo acclam. ado pelo povo. o Duque
nas pelo interio r dos nossos sertões . Philipp c de Anjou.
Os paulistas_, comm:a ndados por Domin gos -da No emtanto , o Archid uque Carlos d'Austr ia,
Silva Montei ro, derrotaraJ.nl, no anno 'de 1708, os ambicio na\·a tambem o throno, apoiado por diver-
portugu czes, que eram chefiad os por Manoe l Nunes sas nações_, como pela Inglate rra, Holl4n da, etc.
Vianna . Essa batalha feriu-se nas proxim idades de O rei de Portug al, D . Pedro II, alliou-s e ~om
um rio que se chamou Rio das Mortes_, tal foi ã car- as n·ações acima, inclusiv e a Allema nha, assigná ndo
nificina que ah.i se fez. com ellas o tr$.tado ele M·etwen, em Maio de 1703.
Essa victoria , pouco tempo depois, custou bem Porém, Carlos d'Austr ia. mesm ocom o apoio
cara aos paulista s, pois, os portugu ezes, á traição , daquell as nações, não consegu iu conqui star o thro·
fizeram -lhes de improv iso, grande numero de mor- no, sendo então coroado , con.1o rei, Duque d'Anjou ,
tes, obrigan do-os a fugir para S. Paulo. que recebeu o nome de Philipp e V.
Tal fug.a determ inou iOS pl1Cparativos para mna Luiz XIX, em vista disso, resolve u contrar iar
grande desforr a, quando o govern o de Porhtga l as colonia s de Portuga l, e o Brasil foi ill'-'adido
desligo u as capitan ias de S. Paulo e Minas da do por uma pequen a e:;quad ra, 's.o.b o corrúna ndo de Jean
·- 48 -

François Duclerc, que tencionou entrar na barra


do Rio de Janeir.o, aqui chegando em 1710. Co\ ernava o Rio, nesse tem_po, Francisco de
Porém. a sua tentativa foi infructifera e Pntão. Castro Moraes que, avisado pela Inglaterra, soube
escolheu novo ponto para. a sua investida. ··que de uma no\ a tentativa da França em virtude do
agora foi a ilha. Grande, desembarcando em Gua- fracasso da primeira.
ratiba, com 1000 homens mais ou menos. Uma nova esquadra, eom'manda.da por Duguay-
Percorrendos os frandezes parte das flore!;ta!:> Trouin, era !Composta de 17 navios, 4.000 homens.
e montanhas do RiP de Janeiro, vindos de Jaca- e 738 boccas de fogo.
repaguá, attingiratn o Engenho Velho, onde tra- Francisco Castro Moraes, já prevenido, recebeu
varam combate com o capitão Bento Gurgel 4.ue de Gaspar Ida Costa Athayde, reforços para en-
commanda.va um grupo de estudantes. Nesse com- frentar os francezes. Duguay-Trouin chegou ao Rio
bate, os francezes sahiram victoriosos, entraram de Janeiro em Setembro de 1711, onde fundeou perto
pela estrada dê MontecavaUos, sahindo em rumo da Armação, tomando as ilhas Pina e das Cobras,
da. Lapa. os morros. Livramento Conceição c S. Diogo, e
Soffr·eram elles combates no morro do Des- iniciou o ibombardeio d'a cidade. Gaspar da Costa
terro, sempre sahindo victoriosos. dava indícios de loucura, mandando incendiar os
Após atravessarem diversas ruas, Gregorio Cas- seus navios. Francisco de Moraes, desorientado, a-
tro de M.oraes commandando boas forças, offere- bandonou o seu posto, indO para Engej1ho Novo,
ceu-lhes resistencia, e conseguiu derrotai-os. e dali para Iguassú.
Essa derrota fez com que Duclerc ficasse es- O Rio era defendido pelo povo e pelos estu-
condido num trapiche da cidade, de onde, com dantes que tambem tornaram-se desorientados; Du-
pouco armamento, oppoz alguma resistencia ainda, guay-Trouin assim tomou-se senhor da cidade, bom-
porém, rendeu-se juntamente com as suas forças. bardeando-a e incendiando-a . Porém, o poYo que
ainda restava no Rio de Janeiro declarou que a
Duclerc e seus companheiros ficaram presos em
cidade rendia-se, mandando essa communicação a
diversas casas da cidade, indo Duclerc para o con-
Duguay-Trouin, que eJntrou juntamente com as suas
vento do Castello, de onde foi, mais tarde, para
forças, as quaes praticaram toda a sorte de desor-
a Tua de São Pedro, na casa de Thomaz Gomes.
dens. Castro d.e Moraes, depo-J.s de intimado, assignou
Nessa casa Duclerc foi assassinado em \Iarço
o resgate da cidade, mediante o pagamentv de 61(}
de 171'1 por dois assassinos. os quaes não foram
descobertos. mil cruzados, 100 caixas de assucar e 200 bois.
Em NO\embro de 1711 os francezes , após re-
--· 50
-·51 -
ceberem a ultima pre:;tação das suas quantias, reti -
Em 17:l8 crcou a capitania de Santa Catharína,
raram-se do Brasil, pondo fogo na ultim.a embar-
dependente ela do Rio de Janeiro, tendo ella como
cação da esquadra portug'Ueza que se achava anco- g ()\ crnador, Silva Paes.
rada. O Rio foi gO\·ernado por .-\ntQnio Albuqueryue
D. João V tratou de fundar mais capitanias, de
Coelho de Carvalho, que teve como substituto. Fran ·
fundar mais pO\·oaçiões, de elevar cidades e de es-
cisco Xa\'ier Tavora.
tabelecer o plantio da religião, creando novos bis-
Até então. o Brasil não \·iu actos mais criminosos pados.
como 0" <paraticado9 por Cas tro de Moraes, que
Em 1720 chegou o bispo dp Par.cí.. em 1746 os
bem demonstrou a sua inaptidão, õ seu pouco co- de São Paulo e d e Marianna.
nhecimento para o cargo que occupara.
Foram creadas, tambem, nessa epoca, as prela-
Foi elle :ver .os seus ultimos dias, nas bandas zias de Cuyabá e Goyaz.
das IncHas, em prisão perpetua.
Os paulistas, como atraz vimos, tambem con-
correram com as suas façanhas para o. engran-
1!3.a LIÇÃO. -- O BI~ASIL
NO REINADO DE D.
decimento do Brasil desse tempo, organisando elles,
JOAO V - -- BANDEfRAS. expedições com intuito exp1oratorio das minas; cha-
madas «Expedições dos Bandeirantes», ou simples-
[). João V subiu ao throno em lugar de D.
m.e nte bandeiras.
Pedro II, tque fallec~u em 1706. O novo imperado_r
lOs bandeirantes faziam as suas viagens, se-
iniciou o :seu trabalho procurando o desenvolvi-
guindo os rios, apoiando a sua direcção numa mon-
mento elo Brasil. Para isso tratou de augmentar a
tanha daqui ou numa extensa matta d'acolá.
sua população. de colonisar a terra, tend? _concor-
:\Iarchavam a pé, quando os rios não lhes con-
rido para tal desenvolvrmento, as expe~1çoes que '
sentiam a passagem, pelas cahoeiras que apresen-
os paulistas fizeram pelo interior brasileiro. ta\·am.
Um elos •seus actos de governo foi mandar Foram homens âe arrojo, heroes da sua terra,
Joâo de Magalhães, no anno de 1726, ao Rio Grande pois tinham de vencer todos os impeci:lhos que
do Sul estabelecer uma cormnunica.ção com a colo- em sua frente appareciam, como a lucta com os
nia de. ·Sacramento. Pouco depois, em 1737, o bri- indios , as h1olestias, as intemperies, etc.
gadeiro José Silva Paes desembarcou no Rio Gran-
Essas \ iagens foram iniciadas no seculo XVI
de do Sul, e, mais ou menps, a 12 kilometros da e continuaram pelo decorrer dos seculos XVII e
barra , lançou os fundamentos de um povoado. X\'ll l.
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-52-

Os principaes bandeirantes do seculo XVI fo-


dadas e tiradas da matta indígena que ainda pre- I
ram: Pero Lobo, Antonio Dias Adorno, Diogo Mar-
tins Cão, Gabriel Soares, Sebastião Tourinho
domina nos campos longínquos do occidente bra-
sileiro.
I
A elles, pois, o Brasil de hontem pensou num
outros.
Em 1628 apparece Antonio Raposo, á frente futuro e o ~e hoje realiza um ideal: - p seu de-J
de 3.000 homens; em 1672, Paschoal Paes de Arau- senvolVimento.
jo, mais tarde, Fernando Dias Paes Leme.
14.a LIÇÃO - D. JOSE' I E O MARQUEZ DE
Em 1700 ·salientaram-se Manuel Borba Gato
e Antonio Rodrigues Arzão, que exploraram o E"- POMBAL. - GUERRA DO SUL
pirito Santo, Minas Geraes e Goyaz.
Em 1719, surge Paschoal Moreira Cabral, ex- D. José I, por morte de seu pae, O. João
V, subiu ao throno em 1750.
plorando Cuyablá.
D. José I mostrou-se muito fraco como admi-
Em 1722, Bartholorneu Bueno da Silva, á fren-
nistrador, pois, em seu lugar, dominou o Marquez
te dos findigenas de Goy.az, praticou a proeza se-
Ide Pombal, ·que se chamava Sebastião José de
guinte:
Car->2..1~-::> e Me.l1o.
Collocou um !pouco de alcool numa vasilha,
Ma!"c;_'.:.ez de Pombal ou o Conde de Qeiras,
pondo fogo 1em seguida.
corno era tamb~ o seu titulo, governou pelo es-
Esse acontecimento aterrorisou os índios que
paço de 25 annos.
10 chamaram Anhanguera isto é, feiticeiro.
lOs seus actos foram: reduziu os direitos do
Isso fizera Bartholomeu, em vista de have-
tabaco e do fumo; regulou a extracção e o com-
rem os índios negado responder uma sua pergunta
merda ·àos diamantes; estabeleceu escolas publi-
sobre a proveni.encia dos metaes com os quaes elles
cas em diversas capitanias; protegeu alguns bra
se enfeitavam.
sileiros distinctos; prohibiu que as moças e me-
Desprovidos das communicações modernas, do
ninas brasileiras recebessem educação nos conven-
conforto dos seus lares, retirados pelo espaço de
tos de Portugal, de Hespanha ou da ltalia; ve-
mezes seguidos, arriscando as suas vidas, umas
dou o plantio da canna de assucar no Maranhão· )
uteis á fa)rrrilia, outras neccessarias á patrja, os ban-
vedou o desenvolvimento das industrias de ourives
fiadores de ouro, linhas de prata, tecidos, seda e'
deirantes muito fizeram em prol do nosso progresso,
pois é lbom o numero de cidades de hoje, que fo-
algodão, no Brasil; olhou para a construcção na-
ram aldeias daquellas epocas. lX>r s.uas mãos iun -
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,a] brasileira; extinguiu a naYegação em frotas; Gomes Fretre de Andrade foi nomeado pelo Mar-
creou as Companhias de Commercio do Paní e quez de Pombal, afim de que demarcasse os limi-
Maranhão, e ode Pernam.buco e Parahyba _; c..mse- clo sul.
;guiu que revertessem algumas capitanias a fa,·or Como representante da Hesspanha foi nomea-
da, Corôa, dentre ellas, destacaram- se S. Vicenh', do o ~\larquez ele Valdelirios. Esses dois \'Ultos di-
Cametá, Itaparica e outras. rigiram-se para I() sul afim de darem cumprimento
Decretou, Pombal, a emancipação dos indíge- aos seus trabalhos, porém foram esbarrados pelos
nas do 1Maranhão e do Pará; expulsou os jesuitas índios das .:\Ii.ssõcs, os quaes, instigados e com-
do Brasil, confiscando· todos os seus beus; cle,:ou o mandados pelos jesuítas hespanhoes, não queriam
Brasil a vice-r~inado, em 1763, sendo então mu- entregar os domínios de Portugal.
dada a ~apitai do Brasil, de São Salvador para o Pombal. chamando pela p~sst'a do seu rei,
Rio de Janeiro. conseguiu do papa, Benedi<:tv XIV, a reforma da
Marquez de Pombal, durante o governo, teve o Companhia de Jesus, relativa aos mandos dos je-
ensejo de fattender a diversos levantes no su1 elo suítas, retirando destes o poder de confessar os
Brasil, occasionados por questões de limites. índios·.
iEm 1750, ;antes de D. José irr~perar, assignou- Mais tarde, Pombal declarou a cmancipaç~'Y·
se o tratado de Madrid, entre as nações Portu- elos índios, facto esse que deixou indignados os
gal e Hespanha. jesuítas, os lquaes o consideravam sem aptidões
Pelo referido tratado, a Hespanha torna,·a-sc para o ·govermD.
dona ela Colo:nia elo Sacramento, e PortugaL dnno Pombal, pelos actos governamentaes que pra-
elas Sete 'Missões do· t' ruguay. ticou, uns notaveis, outros de importancia pequena,
'Esse tratado tinha por fim acabar as h!CLas uns justos e outros injustos, foi classificado como-
entre portuguezes 'e hespanhoes no sul do Brasil. homem energ-ico e estadista preclaro.
A Colonia do Sacramento foi fundada em 1680. Em 1761, um · accordo entre Portugal e Hes-
por D. Manuel Lobo, governador elo Rio de Ia- p~nha foi celebrado, annullando-se então o tra-
neiro, na 'margem esquerda do rio ela Prata. tado ele Madrid, dando isso origem a novos levan-
Os hespanhoes diziam ser sua aquella Colonia. tes no lsul.
As Sete ]\~issões occupadas pelos jesuítas hes- Em 1777 falleceu D. José I, subindo ao thro-
panhoes eram pequenos nucleos. no, sua filha, D. Maria I que não mantinha re-
Para cumprir o tratado de Madrid, o general lações ele amisade com Poml~J, pois era sua ini-
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miga. ( >s seus actos consistiram em desfazer tudo versidades de Coimbra, Bordeaux e Montpellier, des-
quanto Pombal fizera durante o seu período go- tacando-se d"'ntre elles, José Joaquim da :\1aia, que
vernamental. pediu ao (ministro Thomaz J~fferson, dos Estados
No emtanto, para provar ' que os homens fa- Unidos que, nessa epoca, em 1786, esta\ a na Fran-
zem a sua temporada politica c depois cabem, Pom- ça, um \á.poio á causa da libertação da sua terra.
bal, perseguido e processado, foi exilado da côrte Porém, tal apoio, por motivos justos, não foi
no anno de 1781, e falleceu um anno depois, na dado, occasionando isso um desanimo da parte de
,·illa de Pombal, e assim desappareceu o seu cor José Joaquim da Maia que, quando em vesperas
po, porém ficou o seu nome esculpido nas ·pa.- de vir !ao Brasil, falleceu em Lisboa.
ginas da nossa Historia. Domingos Vidal Barbosa, companheiro de Maia,
chegou a Minas Geraes, onde, com outros, tive-
15." LIÇÃO. - INCONFIDENCIA MINEIRA. ram todo p ensejo de ver tomar pé. dia a dia, o
que ambicionavam.
A antipathia que os brasileiros devotavam aos Organisou-se então uma conspiração, destacan.-
portuguezes, as consequencias das guerras civis dos do-se algm;s mineiros, dentre e11es José Joaquim
mascates e emboadas, as injustiças da corôa por- da Silva Xavier, alferes de cavallaria, dentista, vul-
tugueza jogadas sobre o Brasil foram os factores ga.cmente conhecido pelo nome de Tiradentes.
principaes que levaram o povo a d2.:- i::=~:;:, á~ Combinadas as medidas preliminares, iorma-
i-='_.:; de uma independencia futura que viesse ar- riam uma republica que . teria por capital S. João
rancar a nossa terra do domínio portuguez. d'El-Rei e uma. bandeira com a inscripção - Li-
Já antes de Tiradentes, em Pernambuco, no bertas quae sera tamen - Liberdade ainda ,que
anno de 1710, arrebentara uma revolução com esse tardia.
intento. Tiradentes partiu para o Rio de Janeiro afim
Minas Geraes não ficou atraz, pois em 1720 rde comprar armamentos e arranjar gente que auxi-
tambem naquellas terras um levante foi feito, tendo liasse tal levante, o qual devia arrebentar-se por oc-
corno chefe, Felippe dos Santos que pagou bem casião da cobrança dos impostos atrazados. As au-
caro o seu desejo. toridades foram entãD avisadas e a cobrança foi
No emtanto, da Europa é que partiu a idéa suspensa.
de um novo levante, levado a effeito pelos estu- Luiz Antonio Furtado de Mendonça, Visconde
dantes brasileiros que lá se achavam, nas Uni- de Barbacena, capturou alguns dos rebeldes e trans-
---58- - 59-

mittiu ordens para o Ri.o de Janeiro. ao vice-r('i A Europa passa,·a. nesse tempo, por J~Tandes
Luiz de Vasconcellos, para que ali prendes.:;c rira- agitações.
dentes, que foi encontrado na rua elos Latoeiros, ac- Tapoleão Bonaparte, conquistador celebre, que-
tualmente a rua Gonçahes Dias, -,endo pres,l. rendo attingir a Inglaterra, que era a rainha dos
rniciaram-se os jufgamentos elos crimes. -;endo mares c inimiga 'da França, lançou, em Berlim, o
condemnaclos á morte doze conspiradores principaes bloqueio continental, ao qual di,:ersas nações torna-
e outros a degredo perpetuo e degredo temporario. ram-se adeptas. Porém Portugal, fiel á Inglaterra..
Porém D. Maria I commutou as penas ele qua- não adheriu ià. tal bloqueio, sendo então invadido
si todos, ;a degredo na Africa, menos a Tiradentes por um dos emissarios de Napoleão, o general Junot.
a quem foi imposta a pena de morte. D. João VI, em perigos eminentes, embarcou
No dia 121 de abril de 1792, Tiradentes :;ubiu com toda ia sua família, para o Brasil. Na ,·iagem.
ao patibuio, ás 11 horas ela manhã, no Rio de Ja- a esquadra foi dividida por temporaes, chegando al-
neiro. Depois de morto, o seu corpo foi esqu,artejado, guns dos ·navios na Bahia e outros no Rio de Ja.
a cabeça foi exposta em Vílla Rica e os seus mem- neiro. D. João VI. em. 24 de Janei'ro de 1808, des~m­
bros, espalhados pelas estradas. do Riu de Janeiro barcou na Bahia.
a Mnias Geraes; a . sua casa foi arrazadà c sal- A conselho !de José da Silva Lisboa. visconde
gada; os seus descendentes foram declarados in- de Cayurú, assignou um decreto, abrindo a fran-
fames. Os outros foram degregados para a Africa quia de todos os portos do Brasil éÍS nações amigas.
e a fndia. 'No emtanto, o corpo de Tiradentes ser- Partiu logo D. João VI com rumo ao Rio de
viu de falimento aos \'ermes, mas a sua n1.emoría, a Janeiro, onde chegou em Março de 1808, sendo mui-
I
sua idéa, o seu heroismo e as façanhas que praticou to bem recebido pela população.
esculpiram no espírito dos brasileiros, a índependen- A primeiro de Maio, D. João VI publicou um
cia que tanto desejou, a qual cheia de glorias e manifesto de •guerra para com a França.
triumphos, surgiu mais tarde, em 1822. Começou então o rei a de ·ell\·olver o Rio.
creando um supremo conselho militar, o desembar-
16.a LIÇÃO -- TRANSMIGRA.ÇÃO DA FAMILL\. go do Paço, a academia de marinha, a fabrica ele
REAL PORTUGUEZA PARA O BRASIL-- polvora, a imprensa regia, o Banco do Brasil, escola
DO_M JOÃO VI REVOLUÇÃO DE 1817. de medicina, jardim botanico, escola de bellas artes,
D. João VI, em 1792, subiu ao throno, substi- etc. O povo, porém, ao lado de todos esses pro-
tuindo D. :\Iaria I, sua mãe, que havia adoecidu. gressos, por que ia passand() o Rio ele f aneiro, mos-
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trava-se mal satisfeito com a permanencia do rei officiaes elo seu regimento, admoestando-os brutat-
ali, pois além de outras medidas que aborreciam, foi !mente; foi Jentão o motivo porque, um dos apri-
dada ordem 'para que familias inteiras desoccu- sionados, o capitão José de Barros Lima, vulgar-
passem suas casas afim de dal-as a pessoas que mente t!bamado Leão Coroado, com a sua espada
acompanharam o rei, gente essa talvês de pouquís- matou o brigadeiro Manuel Joaquim.
simo merecimento.
O povo e a tropa, diante de tal acontecimento,.
Ao lado âessas violencias, deram empregos a revoltaram-se juntos.
muitas pessôas sem a devida competencia, o que O coronel Alexandre Thomaz de Aquino. aju-
m.ais concorreu para descontentamento geral. dante de 1ordem do governador, foi morto, quando
Mesmo assim, o Brasil, pelo notavel progresso I'
em marcha para o quarteL
que tomou, foi elevado a Reino-Unido ao de Por- A desordem por toda a parte foi grande; o go-
tugal e Algarves, em 16 de Dezembro de 1815, vernador não oonseguiu resistir, escondendo-se na
pelo proprio D. João VI. fortaleza de Brun, entregando-se depo1s. Foi preso
oo Rio Id e Janeiro, tendo ficado na ilha das Cobras.
REVO;LUÇAO DE 1817 Gomeçar.a:m então a , dominar os revoltosos, el~­
gendo o seu governo provisorio que ~stava org.am-
'E'!'. Pe::::a:r.buco, no am11o de 1817, rebentou . sado da seguinte fórma: capitão Dommgos Theoto--

uma forte 'revolução, cuja origem foi a antipathia nio Jorge, padre João Pessoa, Domingos José Mar-
que reinava entre os brasileiros e os portuguezes. tins, Manuel José Corrêa e José Luiz de Mendonça..
Pernambuo, nessa época, era governado por Depois de empossado, esse governo pr~lamou
Caetano Pinto de Miranda Montenegro, que foi a Republica, tendo adherido a Parahyba, RIO Gran-
avisado dessa revolução, publicando então um ma- de do Norte e Alag-oas.
nifesto ao povo, no qual declara,va tencionar aprisiar Como na ·Bahia reinasse qualquer coisa de a-
har os chefes da mesma. normal, 0 governador dali, Conde dos Arcos, enviou
Dando andamento ao seu intento, conseguiu forças sob as ordens do marechal Joaquim Cogo-
prender o negociante Domingos José Martins, o of- minho de Lacerda para enfrentarem os revoltosos,
ficial de infantaria, Manuel de Souza e outros. que já haviam sido dominados pelos pardos de
Essas prisões nada de anormal apresentaram. Penedo e\ os indios de Atalaya, sendo preso o seu
Porém, o brigadeiro Manuel Joaquim Barbosa chefe, Domingos Martins.
de Castro foi incumbido de effectuar a captura dbs Em Ipojuca, Francisco de Paula Cavalcanti,
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'hrk re1·oJucionariu.
. foi preso conl
- _ _ t-orças.
::sua:; moti' os de instrucção: isto é, dizendo que o regente
Do Rio Ide Janeiro foi tambem enviado um precisa\ a completar a sua educação.
r<'forço cununandado pelo almirante Ro<irigo Lo- Emfim, Portugal nada mais quiz do que que-
~o, _que . com uma esquadrilha entrou no porto de brar, de- ,-ez, a nossa unidade, commettendo raes
h.eclfc, unpondo a entrega da cidade , n"'" , -·
""" ac~J- actos. Porém , o povo sympathico a D. Pedro, en-
tan~o a s condições offerecidas por Domingos Theo dereçou-I:b e uma petição pedindo a sua perma.nen-
tomo para capitular-se. cia no !B rasil. O regente ,sem recusa alguma, annun-
. Theotonio, com um elemento
. de 2000 homens,. ciou desde logo que fica,·a, e são suas as palavras:
retirou-se para o interior. (<Como é• para bem de todos e fel?'cidade gé-
. Cmn a •Creação de um tribunal militar para ral d'{l nação, estou prom'pfo; diga ao uovo que
julgar os cumplices dessa revolta, foram onze con- fico. Dou-vos com a minha pessoa, a minlza dym;..
~emnados á morte, dentre elles Domingos José Mar- nas tia».
tms, D0:ningos 'T heotonio e outros. O regente obrigou as tropas portuguezas cón-
trarias áquclla decisão, a retirarem-~e para Po,r tu-
lV LIÇÃO - ~ REGENCIA DEr D. PEDRO . gal e !constituiu o seu ministerio, com José Boni,
A INDEPENDE,NCIA. facio de Andrla!die e Silva. Acceitou, logo mais, o 6-
:: tulo de K<Def,e nsor perpetuo do Brasil!> e convocou
D. João VI, afim de acudir os seus interesses 1':. uma Assembléa Constituinte para o Rio.
em Portugal, á chamado dos revoltosos que trium- l.i ::-\ecessidélldes de inspecção fizeram com que
pharam naquelle paiz, na revolução de 1820, em- D. Pedro realizasse algumas viagens pelo paiz.
barcou para lá, deixando no Brasil como rea-errte li Assim é que ~m Agosto de 1822 foi a Minas
' t> '
o :-,eu filho D. Pedro. Geraes ; na sua volta, passando por S. Paulo, ao
I:
D. João VI, quando no Brasil, dotou o Rio pisar as collinas do Ypiranga, recebeu os ultimos
de Janeiro de grandes melhoramentos, porém as officios injuriosos de Portugal, officios esses que
C'ôrtes de Lisboa adoptaram contra o Brasil, me- I' procuravam dcsorganisar tudo o que havia feito.
didas totalmente extranhas ás que aqui D. João VI Os animos já vinham azedados desde ha muito,
praticou. As Côrtes determinaram a suppressão das e D. Pedro [, num momento de coragem, investido
1.'
escolas e tribunaes superiores; dete r-m inaram a dis- do seu patriotismo\, ás 41/ 2 horas da tarde, aj 7
f: de Setembro 'de 1822, nas proximidades do riacho
solução do governo central do Rio de Janeiro; im
puzeram a volta de D . Pedro a Lisboa, allegando Ypira.nga. atirando fóra as armas portuguezas que

(
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-65-
enfeit avam o seu chape u, gritou : <<Jnde pende ncia !JIJ
Mort e. No emtan to, um projec to de Const ituiçã o foi
Esse grito foi trium phant e, poi mesm o terem - organ isado, sendo posto á aprec iação das Cama ras
e oppos to a elle, eleme ntos portug uezes que aqui Munic ipaes, sendo appro vada e jurad a em 25 de
se achav am, foi echoa do no Brasil do Norte a Sul, Março de 1824.
e de iOeste. a Leste. Nos period os decor ridos de 1824 a 1829, gran-
. Chega ndo ao Rio, recebi do com as mais tocan- des foram os levant es feitos no Brasil ; nessa mesm a
tes vibraç ões, D. Pedro design ou o dia 12 de Ou- epoc.a o Imper ador cuidou de regula risar o com-
tubro desse 1mesm o anno para a procla 'm'açã o desse merci o brasil eiro com as naçõe s amiga s.
novo imper io, e a sua coroa ção realizo u-se a 1.0 Além disso, outro s passo s para o desen volvi-
de Dezem bro de 1822. Curge então o Brasil , livre, mento intern o foram dados , como a regula risaçã o
sem o 'peso das oonqu istas extran geiras que aqui da instru cção public a nos seus differ entes ramos .
procu raram impla ntar-s e e liberto de Portu gal. cons- Em 1 t Ide Agost o de 1827 foram cread as as
tituind o-se em Imper io. Acade mias de Direit o de Olind a e S. Paulo , e,
em 5 de Outub ro do mesm o anno, creou- se uma.
l8.a LIÇÃ O - lei mand ando estabe lecer escola s de instru cção pri-
O PRIM EIRO REIN ADO .
maria. desde as aldeia s até as cidade s.
·O prime iro reinad o do Brasi l foi o de D. Pedro l. Em 1826 as Cama ras reunir am-se pela prime ira.
Foi um 'g overn o curto, porém cheio de luctas . vez; as üiscus sões tomar am increm ento e dahi a
Com a procla mação da Indep enden cia deu-se organ ização de partid os e luctas partkl arias.
o inicio Idas luctas chefia das por eleme ntos por- Isso obrig ou la. D. Pedro I tentar um gover no
tuguez es que aqui se acha,· am e que não qnizer am libera l, porém , tal tentat iva não foi avantJe em vir-
conco rdar com o estabe lecim ento do novo fmper io. tude da discor dia, já muito antiga , entre portug uezes
Essas luctas chama ram-s e <cLuctas da Indep en- c brasil eiros. Organ isou. então, Pedro I, o gabin ete
dencia>>. só de 'senad ores.
'C omo é natura l. além dessas , outras se mani- Esse acto do rei provo cou um levant e do povo·
fe taram em differ entes ponto s do paiz. auxili ado com algum a tropa, exigin do os revolt osos
Convo cada a ·Cons tituint e para uma reuniã o, a reinte graçã o do gabin ete dispen sado.
a sessão foi agitad i sima, do que result ou a extínc - D. Pedro I volveu os seus olhare s aos direito s
ção da mesm a, por D. Pedro I, "m' 12 de Novem da sua filha, mostr ando- se canÇa do com os tantos
bro
de 1823. levant es e manif estou desejo s de ir á Europ a tra-
tar daque lles direito s.
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.\ssim re,olveu, abdicando em fa\ln do -,cu fi- I, Padre Diogo Fcijó foi, nesse tempo, ministro
lho Pedro 'de Akantara. a í de Abril rie 1&11, da ] ustiça t· conseguiu abafar c suffocar diverso.3
data ern 4ue findou o ~cu ,·r·i naclo. ]e, ante:-: que se dfcctuaram em. diversas províncias.
Numa dessas revoltas ou levantes, José Boni-
19." !.f(.\() A RECENCIA. facio tomu parte activa, mandando Diogo Feijó,
que o parlame nto desse a sua demissão do cargo
D. Pedro de Alcantara. filho de D. Pedro !,
recebeu o throno que lhe dcixára seu pae, apcna:-.
de tutor de D . Pedro de Alcantara.
Porém, essa ordem foi observada na Camara
.
com cinco annos f' rneio mais ou menos. dos Deputados e nào na Carnara dos Senadores,
Nf'ssas <ondiç<'íb, crcarH,'a como era, não po- o que provoaou a sahida de Diogo Feijó da pasta
dia go\ c mar. para LJUC fôra nomeado.
Elegcct - ~e. cnt:io, o g-o\ cnl') ele regencias. As luctas continuaram por todo o paiz.
A primeira regencia composta de tres mem- Em 118.'14 falleoeu D. Pedro I e cont e:;sa morte
bros , fonna,da petos deputados e senadores da Côr- morreu lambem () partido restaura-dor que o queria
te, foi composta dos -.;eguintt's vultos: brigadeiro sustentar no throno.
Francisoo de Lima c Silva, Nicoláo Campo~ Ver- Nesse mesmo anno, ·as Camaras votaram o
gut:'iro c José Carneiro de Campos. Acto Addlcional, estabelecendo, entre outras me-
Essa regencia, pro\ i_sori'a , após ter rcadmittido didas, a if11.uclança no systema de regencia, isto é,
o ministC'rio demittidv por D. Pedro I. nomeou tem vez de trina., passando j)ara um só regente,
José Bonifaci(l de Andrade e Sih·a. tutor de D. Pe- sendo eleito Diogo Feijó.
dro de Akantara, juntamente com os seus irmàos, O seu gü\ erno iniciou em 18.% e foi até 1837.
isto é, os outros príncipe~. Feijó empregou os seus esforços em apaziguar
Em 18:11 foi nomeada u. na outra regencia t ri- as re,·oltas, em prol da questão da Santa Sé, que
na, com caracter pc nna1wntc, composta pelo bri- não queria concordar com a indicação do bispo
gadeiro Francisco Lima c Siha, deputados José ekito do Rio de Janeiro.
Costa Car,aJho e João Brauli~> ::\luniz. Luctou depois com uma agitação no Rio Gran-
As façanhas políticas nes~e ,..;overno permanente de elo 'Sul, sob a chefia de Bento Gonçalves da.
foram intensas, organisando - s~ tres partidos: o .1710- Sih·a, chamada «,G uerra dos Far.t:a.t20S».
derado, leal á regenr:-ia; o exaltado, desejoso por Os rebeldes. reunidos na serra de Tapes, pro-
tuna rcpublica; e o restaurador que queria a volta clamaram n Rcpublica elo Piratini.m!, cujo presi-
ck D. Pedro ao throno.
- 68- - 69-

dente foi acclamado Gonçalves da Silva, que nesse 20.• LIÇÃO - A MAIORIDADE - LUCTAS
tempo estava prisioneiro no Rio de Janeiro, pelo CIVIS ATE' 1848 - LUCTAS NO PRATA
governo central, sendo substituído, interinamente, -- ORIBE E ROSAS.
por José Gomes de Vasaonoellos.
!Em 1837, Bento Gonçalves da Silva, já na A maioridade 'd e D. Pedro foi proclamada em
1B.ah'ia, onde se conservava preso ainda, fugiu, re- 1840 e a sua coroação realisou-se em 1841.
•g ressando ao ·Rio Grande do Sul, ónde assumiu D. Pedro de Alcantara oomeçbu o seu governo
o seu cargo. sendo o primeiro acto, a creação do seu ministe-
Nesse ínterim, Dioglü Feijó resolveu renunciar, rio, fazendo parte delle, dentre outros, Antonio
passando o seu cargo de regente, a Araujo Lima. Carlos e Martim Francisco.
;No seu governo, foram creados o Co!J.egio Pe- Depois ooncedeu amnistia aos revoltosos e cri-
dro II ~ o Instituto Hist1orico e Geographico, do minosos políticos.
Rio de Janeiro. Luctou com os rio-grandenses do sul, mandan-
Na Bahia rebentou a guerra da Sabinada, che- do para alli o -duque de Caxias, Luiz Alves de Lima
fiada por Francisco Sabino, victoriosÓ no seu in- e Silva, que foi encarregado de, por sua passagem,
tento e depois derrotado. . permanecer em S. Paulo, onde havia manif~stado
No Maranhão houve tambetn o levante que se um movimento tendente tambem a desorgamsar a
denominou Revolução da Balaiada, chefiada por ordem, o que sucoedeu, na rnesma epoca, em Mi-
Manuel Franci~, Raymundo Vi·eira e o preto de nas Geraes.
nome Cos:m:e. Em Setembro de 1843, D. Pedro casou-se com
Em 1840, 10 povo já cançado com as luctas, d. Thereza Christina de. Bourbon, princeza de Na--
desgostoso oom a permanencia de varios governa- poles e da Sicilia.
dores sem acção diecisiVIa, nos seus governos, o · Em 1845, quando no Rio Grande do Sul ter-
partido liberal pediu que fosse declarada a maio- minou a lucta que ali se passou, 'Suas Magestades
ridade de D. Pedro, que nessa epoca, contava ·15 fizeram uma viagem até lá.
annos. Em Pernambuco tambem houve motins e lucta:s
•E ssa maioridade foi declarada ern 23 de Ju- partida rias. f '

'
lho de 1840, e D. Pedro, consultado, acceitou, pre.'l- Essa revolta chan1ou-s~ Praieira e o governo
tando o juramento COtl1stituci01nal naquelle mesmo oonseguiu dominai-a.
d'ia e an;no, inicia,ndo o seu governo. Foram essas as luctas civis que se passara.hli
mais ou ~nenos até o anno de 184K
- 70 - 71-

GUERRAS DO PR.\T:\ - ORTBE E ROSAS () Paraguay estaYa êlll com.plcta dalma; as


suas fronte iras e:,ta \·am bem defendidas, o exercito
A Confederação .\rgentina era composta pela dispunha ct c mais de 50.000 honH:' n::. l' a esquadra
reunião de 14 Estados. tendo como capital. Buenos conta\a cerca de 14 navios.
Aires. · O Rrasil. porém, um tanto desfalcado nas suas
Essa Confederaçw foi tomada e go,·ernada
força~. tratou de reorg'anisal-as, construindo mai'S
por Manuel Rosas, que della se tornou dictadur.
na\'Íos, chamou para a acti,·ida de a (Jaarda Na-
Rosas, tencionando dominar o Paraguay e o
clonrd, formou os corpos de \'oluntarios ela Pau·ia e
U ruguay, chamou o seu general Oribe , c mandou
chamou o::. recrutas. dando-lhe::. um campo de ins-
sitiar ;\'lontcvidéo. Porém, o Brasil, não podia fi-
trucção nas margens do U ruguay.
car em silencio em ,·irtudc das sua:, fron teiras. de-
~olano Lopes iniciou então a -,ua actividade
clarando guerra a Rosas.
occupando a margem esquer,cl;a do rio Paraná e :]Jiren"
Conde de Caxias, mais tarde, á frente ck
dendo dois vapores argentinos.
18.000 homens, entrou no Uruguay, c Oribc. 1 cn-
\ Argentina tinha como presidente, nessa actua-
do-se Derdido. renCieu-se com todos os :o eHs c.um.·
licladc, o general Mitre, que assignou um tratado
pa_nheiros, entregando o m.aterial bellico que pos-
ele alliança com o Brasil e com· o U ruguay, cons-
suJa,.
Parte elas tropas brasileiras alliou-sc ás forças g'; tituindo-se uma tríplice alliança, em 1.o de Maio
combatentes e marchara;m para Buenos Aires, con- -:; de 1865. A esquadra que deveria operar era comman-
seguindo por Rosas em fuga para a Europa. dada pelo almirante Tamandaré.
Dessa .epoca em diante, as forçq s brasileiras O general Ozorio era o commanclante do exer- '
alcançaram prestigio nota "e L dentre os paizes <la cito brasileiro.
' :\Iilrc era o g~ nen;l em cheFe. <'tnquanto a lucta
America do Sul pelos actos ele braYura e llH)stra
de heroismos praticados pelo seu po,·o . se effectuasse no Paraguay c na :-\rgentina.
:-\ guerra do Paraguay. com relação ao Bra-
21.a LIÇAO - GUERRA DO PARAGl.AY. sil, te,·e como u'rn dos seus inícios, a prisão do va-
por :\Iarquez de Olinda, que oonduzia para Matto
Esta guerra iniciou-se em 1865 e term.inou em
Grosso, Carneiro de Campos, presidente daquella
1870.
O Paraguay era go,·crnado pelo dictador Fran- província.
cisco Solano Lopes. homem cheio ele energias c :-\ guerra começou, no mes.no tempo, em :\Iatto
de tino bellico. Grosso e no Rio Grande do Sul.


I '
..
- 72 n --
A esquadra brasileira ancorou no Riachuelo Depois de renhidos combates de parte a parte~
e foi logo atacada pela paraguaya, composta de Caxias conseguiu passar Humaytá, em 1868, e ef-
oito Yapores que, ao passarem pelos nossos, abri- fectuou a tomada de Timbó.
ram fogo, por um espaÇK> de 10 horas. Ozorio, em Julho desse mesmo anno, fez cahir
O barão de Amazonas, vice-almirante Barroso, em seu poder, a fortaleza de Humaytá.
bellos feitos praticou na 0ataiha travada em 11 Emquanto isso, Caxias, que havia recebido no-
de Junho de 1865.
vos reforÇJOs, foi para a capital do Paraguay e,
Depois, 12.000 paraguayos saquearam São Bor- em Augostina e Villet.a venceu Solano Lopes, em
jas, tomando rumo de Uruguayana. 1868.
Levado pelo seu espírito patriotico, o Impe- Boas foram as glorias alcançadas nesse anno
rador D. Pedro II, em pessoa, entrou em campo pelas tropas brasileiras.
de combate, dando assim animo e coragem aos O Duque de Caxias, adoecendo, foi substitui-
brasileiros que puzeram cerco ao inimigo estabele- !' do pelo Conde d'Eu.
cido em Uruguay.ana, o qual se rendeu. Em 1869 as tropas brasileiras entraram em
'Em 1866, os alLiados passaram o Paraná, no Assumpção, organisanc1o fortes offensivas ás for-
'Passo da Patri~, e as tropas do general Ozorio, · ças de Solano Lopes, as quaes resistiram com bra-
ao Lado da esquadra de Tamandaré, apoderaram- vura porém, SolailJO Lopes, vendo perdidos os seus
se do forte de I tapirú. homens, retirou-se para o interior do Paraguay, ,.
O Visconde de Porto Alegre á frente c1e 9.000 tendo então os .alli.ados estabelecido um governo
·h omens, no Rio Grande do Sul, tomou o forte de provisorio.
Cururú e não teve o effeito desejado o combate I O general Camara perseguiu os fugitivos, e
dos alliados contra Curupaity, reinando, por isso., em Cerro-Cora, nas margens de Aquidaban, em
discordia entre os officiaes, dando-se a retirada 1870, deu-lhes derrota decisiva.
de Flores e a substituição de Tamandaré pelo Vis- Solaoo Lopes desejou antes morrer do que en-
conde de Inhaúma.
tregar-se.
Mitre foi para a Argentina, dando o comman- Depois dessas luctas todas, após grandes glo-
do que lhe fôra confiado, ao Duque de Caxias, rias conquistadas por essa brava gente do passado
em 1866.
de hontem, da qual somos provenientes, o Brasil,
Caxias, após marchas e trabalhos difficeis, foí pelo tratado de paz assignado em 9 de Janeiro
concentrar-se em frente de H!Jmaytá. ·-de 1871 J tornou-se senhor das terras das margens
'

I '
L
- 74- 75 -
do Paran á e d o Paraguay, a mbic-ionadas por So- (' ram posto" e m leilões publi c o -~ . onde. co mpractos .
lano Lopes .
iam para a~ fazendas receber os instrumento:-- d a
O soldado bras il eiro . ne ssa guerra, ~leu pro- la,·oura pa ra e nriquecer o, seus senhore-,.
va~ d e sua resistencia, conquis tando para o Hrasil ~o em ta nto , corações co n do ido s, como.< ) d·e•
a sua preponderancia sobre os outros paizes da A- Vi sconde elo Rio Branco. d e José ~a troc inw. d,e
merica do Sul e firmando o nosso nome perante J oaquim N a b uco, lançara m: o seu protesto cont ra
algumas das grandes nações do mundo.
essa esc ravatura.
E ' . p o is, a l·Uo Bra nco. que se t l c,·c :1 cn·:1
_\ ABOLI Ç AO.
ção ela emancipaç!io, le i d e 28 ele Set em bro d e 1871 ,
A. bondade santa daquella mulher se'l'á qtK d ec 1a ra\.a z·v
1 r es todos
- os t'ilhos de mul/J. ·r
lembrtJda eternamente pelos soff1·ulores das escrava, nascidos da.quel!a dnta em di~nte.
injustiças - os escravos africanos.
E ssa lei intitulou-sc: Lei dos nascduros.
O Autor .
E m 1885 outra lei surgiu , libertando o" escra-
A cscra\'atura no Brasil iniciou-se, ao qu e pa- vo ~ sexag.enarios. ,
rece, em J 758.
Raiava então ~o dia Jieliz para duas almas, lU~<I
Porém , n a occas tao da Con sp iração VJincira n ob re pelo :g{~S l\O que bem interpreta um co raçao
ella devia tornar-se ex l·incta. santo, e o utra humi[de, propria de um po,-o <de
A escra,·atura no Brail nada mais foi do que bom sent1111. 2nto, porem ' . ·do d e cultura in -
cl es p,r:O\'J
uma continua ção da e ~ e ra \·atura pra tic ada por pai- te llectual.
zes c i vilisados da Europa. :\ primei ra dessa s alm as es tava em [sabcl, e
Esses pre tos. homens dominados pela ignoran- a segunda no escravo.
cia. eram rraZldo~ miseran·Imen te para cá. por :\ primeira . I sabel, filh a d e D. P edro_ TI, cn~ ­
companbas- que somente âiss.o tratavam.
,,
.. ·q uanto reinava e m lugar d e seu pae, assl~r:_ou ~~
A man~ha do~ · aut :·cs
da cs cr;:n ·atur.a foi g ran- d ecreto que abolia, por completo, a csc ravid~o no
d e; qua n ta respons 1hdad e pesava- lh es sobre as . Brasil, decre to esse assignado em 13 de. Mato (k
con scien cias !!
1888. . .. ' -lr ·
O preto, a rrastado da Afr ica, de ixaYa ali os Isabel , a Re clemptora. foi como hcou cn~ ma m l
seus íntimos, não tendo nem sique r tempo para depois , essa mulher, cujo nome_ per_pe tuara pelo~
effectuar as suas despedid as. seculos, nas paginas da noss a H1 stona.
:-\qui c hegados, á .-emelhança ele mercadorias,

I
< r. .
- 76
-- 77 -
2.3." LIÇAO -A REPUBLICA O GOVERNO
PROVISORIO. t'Anna, onde proclamou a Republica, a qual foi
homenageada com 'uin.a salv;:t de palmas e por 21
tiros.
O afastamento dtc D. Pedro II para a Europa, 1:· O campo de Sant'Anna ficou com o nome de
em tratamento da sua saudJe, a remoção de um
Praça da Republica. . _
batalhão do AmaZJonas pa:r;a o Rio Grande do Sul
Continuaram por todo o dia as manifestaçoes
foram factores preponderantes para qfue o mare-
de regozijo, e á noite, em casa de Deodor?·· orga·
chal Deodoro da Fonseca, que já esperava qualquer
nisou-se o governo provisorio da Repubhca, que
occasião opportuna, fizesse romper um: movimento
geral, de ha muito combinado. teve coJll() chefe ou presidente, Deodoro da Fo~­
Formou-se o partido republicano. seca _; ministro da guerra, Benjaàn'in Constant; _rm-
nistro da fazenda, Ruy Barbosa; ministro da JUS-
Na manhã 'do dia 15 de Nüvembro de 1889
J tiça Dr. Campos Salles; do exterior Quintino Bo-
uma parte <las forças que estava.liJ.I na Capital, le-
Vlantou-se, tendo como Clhiefe, á frente, o marechal cay~va; da agricultura, Demetrio Ribeiro; ~ _ma-
rinha, Eduardo WandenkQ!k; do interior, Ansttdes
Deodoro da Fonseca, que sitiou, no campo de Sa.\n:-
t'Anna, o Quartel Geúeral, o;nde se achava u, mi- Lobo. 1 . • :,
Após essa organisaç.ão, D. Pedro vexo de l etro-
11isterio presidido por Visaonde .de Ouro Preto.
polis, chegiando ao 'Itio a uma hora da tarde. . _
!Esse levante feito, conquistou a sympathia,
No dia 16 foi intimado pelo governo proVI:so-
mesmo das forças que se mantinham' fieis ao Irn-
rio a /deixar ú Brasil dentro do prazo de 24 horas .
perio, as quaes juntaram-se ás de Deodoro, o qual
iniciou os actos planejados. D. Pedro II respondeu que partiria no ourro .cha
e não acceirou a dadiva de cipco mil contos que
Deodoro da Fonseca entrou no Quartel Gene-
o novo governo lhe offereceu.
ral, onde foi reoebido com provas de estima; ali
Retirou-se D. Pedro, fazendo os votos mai->
llllostrou ao tn:inisterio, os motivos d,a revolta.
ardentes pelo. progresso dessa terra que tanto amou
O ministerio demittiu-se por não querer derra-
D1.aJilento de sangue. e levaria 1saudades inesquecíveis do seu povo.
'Diz a .' Hisroria que D. Pedro pediu um punha-
D. Pedro II estava em Petropolis, tendo alli
do de terra brasileira com a qual deveria ser feito
~oebido cornmunicação do que estava acontecendo
ao Rio de Janeiro. 0 seu travesseiro de morte.
A família :i.Jnperial embarcou, de madrugada,
Deodoro dirigiu-se de novo ao campo de San-
na corveta Parnahyba, que a levou até a ilha C;.ran -
- 78- - 79-

de. ondv tomou o paquete Alagoas, rumo a Lisboa, () Presid nte da R e publica t< eleito pelo pm ,>,
tt·ndo ali fallccido a imperatriz D. Thereza Chris por espaço d e quatro annos.
I
tina, em D ezemb ro ele 1889. .\ sua reelei'ção para o quatriennio seguinte, não
D. Pedro tev;e o seu esta,clo d e saude cada será possi\·el.
1 l'7 mais aggravado, faUecendo em Paris en~ 0 de () Presidente é o responsa1·cl pela :\ação, etc.
Dezembro de 1891. ·'
<) ' <'l)Llltamento desses nwnarchas foi feito na
GOVER- 10S
igreja d e S. Vicente ele Fóra. em Portugal.
Hoje. esses restos preciosos estão no Brasil 1. 0 Quatriennio, de 1891 a 1894.
ond<' recebem a 1·eneração c o culto daquetles qu~ Foi Presidente, o Marechal Deodoro da Fonseca,
sab<'m. no, nossos dias, reconhecer a nobreza de · que , por desaw·nças com o Congresso. foi substi-
que foram dotados aquelles dois coraçõe3 imperiaes. tuído por Floriano Peixot-O, governo esse tambem
muito agitado. pela troca continua de m~nisterio
:d4." LiÇÃO A CONSTITUINTE ~ GOVER- e por 'J.e,·antes que se fiz·e ram.
NOS CONSTITUCTONAES ATE' O DE AR-
THl iR BERNARDES. 2." QUATRIENNIO

' não lnic[ou-se em 1894 e foi até 1898.


:\ Republica-iogo depois ele proclamada
esta1·a ainda constituída. Pre;,iclente, D r. Prudente ele Moraes Barros.
)I esse go• e r no determinaram a fixação dos no3-
Trataram então 'de elaborar as leis para o
sos limites com alguns paizes confinantes com o
no1 o regimen governamental, para o 4ue coni'O-
cou-se uma Assembléa Constituinte que installou-se Brasil.
Holll·e um. rompimento com Portugal e c!uYidas
no palacio ela Quinta da Boa \'ista, hoje ~Iuseu
com a França a respeito do territorio do .\mapá.
N acionai, tendo terminacro ella, os seus trabalhos,
em 24 d e Fe1·ereiro de f 891, data em que foi pro-
:3.o QUATRIEN~fO
mulg-ada a Constituição da Republica Brasileira.
As pro1·incias elo Brasil pa saram a Estados De 189b a 1902.
autonomo,. todos unidos em negocio.; de interes- Presidente. Dr. Campos Saltes.
ses communs aos mesmos. Houve a restauraçã,o das nossas finanças. fi-
Alguns topicos dessa Constituição constituem cando o Bras il em optimas condições.
factores principaes, taes como:

.
- 80- ·- 81-

4.o QUATRIENNIO Presidente, Dr. Wenceslau Braz.


De 1902 a. 1906. Foi um periodo muito difficil, devido á guerra
euro~a, que muito transtornou os actos gover-
Presidente, Dr. Rodrigues Alves.
namentaes.
Fizeram-se nesse periodo de governo, 0 sa- Nesse quatriennio, a 26 de Outubro de 1917,
neamento e o embellezamento do Rio de Janeiro. o Brasil \declarou guerra á A.ltemanha, pondo-se
Deu-se a questão do Acre, desejando a Bolí- ao lado dos Alliados.
via arrendai-o. a um syndicato americano.
Graças a Rio Branoo, os limites foram fixados. 8.o QUATRIENNIO
5.o QUATRIENNIO De 1918 a 1922.
De 1906 a 1910. Presidente Dr. Rodrigues Alves, que não to-
mou posse, d;vi,do ao seu estado de saude,_ vin~o
Presidente, Dr. Affonso Penna, que, fallecendo
a fallecer em 16 de Janeiro de 1919. A pres1deneta
em 1909, J01 substituído pelo Vice-Presidente Dr:
Nilo Peçanha. foi assumida, interinamente, pelo Vice-Presidente
Dr. Delfim Moreira. '
~~ealimu-s.e a oonferencia de Haya, para onde Realizou-se nova eleição, sendo eleito, Epita-
segum, rep1:1esentando o Brasil, o grande Ruy Bar-
bosa. cio Pessoa, que se achava na Europa, como repre-
·sentante no Brasil, na assignatura do tratado de
6. 0 QUATRIENNIO paz, com ta terminação da guerra europea.
• Tomou elle posse em 28 de Julho de 1919 .
De 1910 a 1914.
Nesse governo, celebrámos o nosso cente~rio,
Presidente, Marechal Hermes da Fonseca.
havendo grandes festas e Exposição InternaCional
Houve muitas revoltas de gente de terra e /
no Rio.
·de mar, dando-se o assassinato do Capitão Toão Tivemos a visita dos reis da Belgica e a trans-
Baptista das ·Neves, commandante elo «Minas . Ge-
raes». ladação das cinzas dos imperadores do Brasil, D.
Pedro H e D .a Thereza C h ri tina.
Deu-se a morte de Rio Branco.
9.o QUATRI~ lO
7. 0 QUATRIE NIO
De 1914 a 1918. De 1922 a 1926.
- 83 - -
- 82 -
mento do nosso progresso, da. nossa industria e
Presidente, Arthur Bernardes, cujo governo tem do nosso oommercio .
-;ido um tanto agitado, em virtude de levantes· em Emfim, o governo Arthur Bernardes está a
diversos pontos do paiz.
contar os seus dias, pois, terminará ern 15 de No-
Na actualidade , 5 de Julho de 1924. á seme- vembro de 1926, quando assumirá o poder ma-
lhança do que se viu em 1922, houve .n ovo · le- ximo da Naçãp o grande estadista Washingto n Luis.
vante, tendo elle por fóco a cidade de S. Paulo, O Presidente que ora occupa o governo experi-
e depois as princiP,aes cidades do interior do mes- mentou os g10lpes mais rudes que foram atirados
mo Estado.
sobre f Tação Brasileira, não só debaixo do ponto
Após a retirada dos elementos revoluciona rios de \ista physico oomo pelio lado moral, como, por
da cidade clre S. Paulo, esse movimento foi-se alas- eXJemplo, os desencontr os <:J:e opiniões que surgi-
trando por diversas zonas do mesm~o Estado, prin- ram no seio da Liga das Nações, relativas á con-
cipalmente as servidas pela E strada de Ferro So- quista do Brasil a um 1ogar permanente .
rocabana, pois, os revoltosos tentaram tambem in- Mas, de tudo, aquelle Presidente deu contas,
vadir o Estado de Matto Grosso, o que fize ram, mostrando assim a sua bQa v-Ontade e com'N.t:encia
lmas foram dominados pelas forças legalistas que na direcção que lhe foi confiada.
para esse fim dirigiram-s e para lá. Uma nova madrugada. apontará em 15 de No-
Desmancha dos os planos nascidos e m S. Paulo, vembro de 1926, quando assumirá o governo , V/a-
pelo General Izidoro Dias /Lopes, tudo entrou em .;. ~hington Luis ; a elle estão voltladas a s nossas es-
período de calma. peranças.
' No emtanto. pelas bandas do Sul, no Rio Que seja um governo feliz para o seu renom.e
Grande, ainda se manifestara m mo vimentos de le- que já é mundial, para a conquista da estima do
vantes entre diversas tro,pas ali aquartelada s. povo que o ele,geu e para a grandeza · desta Terra
Nos Estados do Norte (Amazonas , Pará e Ser- que tem as suas campinas verdejantes , as suas
gipe) . naquella epoca, registaram- se outros le vantes. mon tanhas cobe rtas d e luxuosa vegetação e para a
Actualmen te, alguns revoltosos, chefiado s pelo fgrandeza da sua Patria que tambem é a minha.
Coronel Prestes, estão distribuído s pelos Estados
de Goyaz, Piauhy e Bahia, para onde o governo
em·iou as suas tropas, afim de que ponha te rmo a
essa rebeldia que, se conta qualquer coisa provei-
tosa. tambem oonoorre r)ara desórganiz ar o anda-
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os quaes ~:-e destacam: Ruy Barbosa, Machado d e
A,;; ms, GonçalvPs Dia6, Càmões, Padre Antonio Vi~;ira l
Olavo Bil nc, Luiz Delfino, .Julia Lopes de Almeida
Vicente de Carvalho,. João Ribeiro, Eça de Queiro z
Coelho Netto, Baptista Cepellos, :Monteiro Lobaro. Va-1
lentim de Magalhães, Raymundo Corrêa, AssiA Brasil
Vi sconde de Ta unay, CqsPmiro de Abreu, Euelyde
da Cunha, Sylvio Romerv, Guerra Junqueiro, Am'aúel
Amaral, Affonso· Cel.sg, Anthero de Quental e muito ~
outros que séria long·o enumerar. ·
A obra se recommenda não só aos alumnos d as es
colas mas a todos · os que tem bom gosto literari
e queiram dedicar algumas horas á leitura amen"
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