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FAMEP - FACULDADE DO MÉDIO PARNAIBA

CURSO DE PÓS – GRADUAÇÃO LATO SENSU DE ESPECIALIZAÇÃO EM


CIÊNCIAS AMBIENTAIS E CONSERVAÇÃO DA NATUREZA

Turma 2018.1

CURSO: ESPECIALIZAÇÃO EM CIÊNCIAS AMBIENTAIS E CONSERVAÇÃO


DISCIPLINA: TÓPICOS EM GEOLOGIA, GEOMORFOLOGIA E GEOQUÍMICA
AMBIENTAL
CARGA HORÁRIA: 45 HS
PROFESSOR (A) (O): LEILSON ALVES DOS SANTOS E RONEIDE DOS
SANTOS SOUSA

Tutor a Distância: Lorran André Moraes

RELATÓRIO DE CAMPO

Visita técnica ao Parque Nacional Sete Cidades

1. Fazer um levantamento de aspectos gerais (geologia, geomorfologia,


hidrografia) e sobre os fosseis ali encontrados; identificar o uso e ocupação (da
área e do entorno) e por fim relatar os principais impactos ambientais
identificados decorrente do uso e ocupação.

BACIA DO PARNAIBA

O estado do Piauí abrange em seu território parte da Bacia do Parnaíba. Essa


bacia desenvolveu-se sob um substrato de rochas datadas do Mesoproterozóico
muitas das quais classificadas como rochas de grau intermediário ou baixo de
metamorfismo. A bacia do Parnaíba é construída por diferentes camadas rochosas
dentre elas estão: Formação Pimenteiras, Formação Cabeças, Formação Codó,
Formação Itaim, Formação Tianguá, Formação Longá, Fomação Poti, Formação
Pedra de Fogo. Cada uma dessas camadas é constituída por diferentes tipos de
rochas e apresentam diversos tipos de sedimentos fossilíferos (ARAUJO, 2015)
(SANTOS & CARVALHO, 2009).

Como cada uma das formações rochosas que formam a bacia do Parnaíba são
oriundas de deposições sedimentares e processos de compressões de diferentes
épocas, cada formação rochosa apresenta exemplares de espécimes vegetais e
animais diferentes, cada qual correspondendo a uma diferente era geológica.
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CIÊNCIAS AMBIENTAIS E CONSERVAÇÃO DA NATUREZA

GEOLOGIA REGIONAL

A Bacia sedimentar do Parnaíba abrange 600.000km2 de área, compreendendo os


estados do Maranhão, Piauí e partes do Tocantins, Pará e Ceará. Na bacia, rochas do período
Siluriano e Tirássico estão presentes, e as formações geológicas Pedra de Fogo e Motuca
representam o período Permiano. As camadas dos períodos Carbonífero (Formação Poti) e
Permiano comportam a conhecida paleoflora do Piauí (Quaresma & Cisneros, 2013). As
relações de base da Formação Piauí contemplam os arenitos da Formação Poti, e as de topo
contemplam as camadas de sílex basal da Formação Pedra de Fogo (Santos & Carvalho, 2009).
A Floresta Fóssil do Rio Poti, assim como o Sítio Paleobotânico São Benedito, localizado a 19
km do município de Altos, assenta-se sobre a Formação Pedra de Fogo do período Permiano
(Conceição et al, 2016).

No Piauí, um importante elemento da geodiversidade que compõe este patrimônio


natural e paleontológico do país é a Floresta Fóssil do Rio Poti, dentro da cidade de Teresina,
que possui um rico e relevante acervo em registro de vegetais fósseis (Quaresma & Cisneros,
2013).

O Parque Municipal Floresta Fóssil do Rio Poti localiza-se dentro da cidade de


Teresina, Piauí, na vegetação que margeia o rio Poti, ao lado das avenidas Raul Lopes e
Marechal Castelo Branco, de acordo com a figura 1.

Figure 1. Mapa de localização da Floresta Fóssil de Teresina. Fonte: Quaresma & Cisneros, 2013.
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O acervo paleontológico do Parque Municipal da Floresta Fóssil do Rio Poti é considerado raro,
com a presença de fósseis em posição de vida. O referente é uma fonte informações
significativas para estudos e pesquisas, como exemplo o fornecimento de dados sobre as
mudanças no clima e na paisagem ao longo do tempo no Piauí. O trabalho de Caldas et al.
(1989) descreveu a floresta fóssil, identificando a dominância de troncos gimnospérmicos
permineralizados por sílica e estabelendo uma nova espécie de gimnosperma (pteridospérmica),
denominada Teresinoxylon eusebioi Mussa 1989. Entretanto, o parque vem sofrendo com o
descaso e a desvalorização por parte de autoridades e da própria comunidade, comprometendo a
sua conservação. A floresta fóssil é observada mal conservada e desprotegida das ações dos
processos naturais e do vandalismo.

Quaresma & Cisnero (2013) tem comprovado o desconhecimento da Floresta Fóssil do


Rio Poti pela comunidade local, especialmente por alunos de escola básica. Os mesmos autores
salientam a necessidade em se investir em ações públicas e em educação direcionadas à
conservação do parque. Essas iniciativas são fundamentais para levar a população a reconhecer
o local como um patrimônio cultural e identidade regional.

Através da observação dos fósseis encontrados no Parque Floresta Fóssil do Rio Poti
pode-se observar através dos padrões de crescimento dos anéis nos troncos que os exemplares
encontrados nessa região são representantes de plantas do grupo das Gimnospermas identificada
como Teresinoxylon eusebioi Mussa 1989 (Caldas et al, 1989). Os troncos fósseis foram
encontrados no leito do rio, sugerindo que os mesmo podem ser oriundos de outras regiões.

No entanto troncos em posição de vida também foram encontrados durante as


observações o que sugere que a região do Parque também foi povoada por essas plantas durante
eras geológicas anteriores e que essa região sofreu mudanças climáticas ao longo do tempo.

Referências bibliográficas
ARAUJO, D.B. Bacia do Parnaíba: Sumário Geológico e Setores em Oferta.
Agência Nacional do Petróleo, Gás natural e biocombustíveis decima
terceira rodada de licitações, vol. 1, p. 1-21, 2015.
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CIÊNCIAS AMBIENTAIS E CONSERVAÇÃO DA NATUREZA

Conceição, D. M.; Cisneros, J. C.; Iannuzzi, R. Novo registro de floresta petrificada em Altos,
Piauí: relevância e estratégias para geoconservação. Pesquisas em Geociências, v. 43, n. 3, p.
311-324, 2016.

Nascimento, M. A. L.; Schobbenhaus, C.; Medina, A. I. M. Patrimônio Geológico: Turismo


Sustentável. In: Silva, C. R. (ed). Geodiversidade do Brasil: conhecer o passado, para entender
o presente e prever o futuro. Rio de Janeiro: CPRM, 2008. p. 147-162.

Quaresma, R. L. S.; Cisneros, J. C. O. Parque Floresta Fóssil do Rio Poti como ferramenta para
o ensino de Paleontologia e Educação Ambiental. Terræ, v. 10, n. 1-2, p. 47-55, 2013.

Santos, M. E. C. M.; Carvalho, M. S. S. Pensilvaniano. In: Santos, M. E. C. M.; Carvalho, M. S.


S. Paleontologia das bacias do Parnaíba, Grajaú e São Luís. Rio de Janeiro : CPRM Serviço
Geológico do Brasil – DGM/DIPALE, 2009. p. 77-85.

SANTOS, M.E.C.M.; CARVALHO, M.S.S. Paleontologia das bacias do Parnaíba,


Grajaú e São Luís. Rio de Janeiro: CPRM Serviço Geológico do Brasil, 2009. 215p.