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2007

Compensação 
Reativa e a Correção 
do Fator de Potência 
Uma visão da engenharia de projetos 
Versão R2.0.0 
 
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Engeweb
Engenharia sem fronteiras
Ricardo Prado Tamietti 
VERT Engenharia 
 
E S T A P U B L I C A Ç Ã O T É C N I C A É D E P R O P R I E D A D E A U T O R A L D E R I C A R D O P R A D O
T A M I E T T I , S E N D O V E T A D A A D I S T R I B U I Ç Ã O , R E P R O D U Ç Ã O T O T A L O U P A R C I A L
D E S E U C O N T E Ú D O S O B Q U A I S Q U E R F O R M A S O U Q U A I S Q U E R M E I O S
(ELETRÔNICO, MECÂNICO, GRAVAÇÃO, FOTOCÓPIA, DISTRIBUIÇÃO NA WEB OU
O U T R O S ) S E M P R É V I A A U T O R I Z A Ç Ã O , P O R E S C R I T O , D O P R O P R I E T Á R I O D O
D I R E I T O A U T O R A L .

R E S E R V A D O S T O D O S O S D I R E I T O S .

T O D A S A S D E M A I S M A R C A S E D E N O M I N A Ç Õ E S C O M E R C I A I S S Ã O D E
P R O P R I E D A D E S D E S E U S R E S P E C T I V O S T I T U L A R E S .

EDITORAÇÃO ELETRÔNICA:

REVISÃO:
R I C A R D O P. T A M I E T T I

TAMIETTI, Ricardo Prado.


Compensação reativa e a correção do fator de potência – uma
visão da engenharia de projetos/ Ricardo Prado Tamietti – Belo
Horizonte, MG: Engeweb, 2007.

ISBN 85-905410-1-2

Inclui bibliografia
1. Engenharia. 2. Compensação reativa. 3. Correção do fator de
potência.

E S T A P U B L I C A Ç Ã O T É C N I C A É M A N T I D A R E V I S A D A E A T U A L I Z A D A P A R A
D O W N L O A D N O S I T E W W W . E N G E W E B . E N G . B R .
SOBRE O AUTOR

Ricardo Prado Tamietti


Graduado sem Engenharia Elétrica pela UFMG em 1994, onde também concluiu os
cursos de pós-graduação em Engenharia de Telecomunicações e em Sistemas de
Energia Elétrica com ênfase em Qualidade de Energia. Sócio-diretor da VERT
Engenharia. Engenheiro e consultor da COBRAPI desde 1994, com grande
experiência na elaboração, coordenação e gerenciamento de projetos de instalações
elétricas industriais e sistemas prediais, tendo atuado nas áreas de educação
corporativa, desenvolvimento de engenharia, sistema de gestão da qualidade,
engenharia de projetos, planejamento e controle, gerenciamento de contratos, de
projetos e de equipes técnicas de eletricidade. Auditor especializado em sistema de
gestão da qualidade para empresas de engenharia, segundo prescrições da ABNT
NBR ISO 9001. Membro da Comissão de Estudos CE-064.01 da ABNT/CB-03 -
Comitê de Eletricidade da ABNT. Autor de livros, softwares e artigos técnicos na área
de instalações elétricas. Na área acadêmica, atua como Coordenador técnico e
docente de cursos de pós-graduação lato sensu direcionados ao ensino da engenharia
de projetos industriais em diversas universidades do país.

Mantém na internet a loja virtual www.engeweb.eng.br, uma editora multimídia


especializada na produção e distribuição de conteúdos autorais e informativos – tanto
de criação própria quanto de autores parceiros – sob a forma de cursos e e-books
(livros digitais) para a área de engenharia.

contato: tamietti@vertengenharia.com.br
Este trabalho é dedicado aos meus pais,
meus grandes incentivadores, à minha
esposa Cris, pelo constante apoio e
compreensão e ao nosso filho Matheus, a
mais nova razão da nossa vida.

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COMPENSAÇÃO REATIVA – UMA VISÃO DA ENGENHARIA DE PROJETOS www.vertengenharia.com.br

SUMÁRIO

1 CONCEITOS BÁSICOS........................................................................................................................................... 2
1.1 ENERGIA ELÉTRICA .......................................................................................................................................... 2
1.2 TENSÃO E CORRENTE ELÉTRICA........................................................................................................................ 3
1.2.1 Análise de circuitos em corrente contínua (CC) e alternada (CA) .......................................................... 4
1.3 ELEMENTOS DE UM CIRCUITO ELÉTRICO ........................................................................................................... 5
1.3.1 Resistência ............................................................................................................................................. 5
1.3.2 Indutância ............................................................................................................................................... 7
1.3.3 Capacitância........................................................................................................................................... 8
1.3.4 Impedância ............................................................................................................................................. 9
1.4 POTÊNCIA E ENERGIA ELÉTRICA ..................................................................................................................... 13
1.4.1 Potência complexa ............................................................................................................................... 22
1.4.2 Medição de energia .............................................................................................................................. 26
2 FATOR DE POTÊNCIA: FUNDAMENTOS, CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS .............................................. 31
2.1 FUNDAMENTOS DO FATOR DE POTÊNCIA ........................................................................................................ 31
2.2 POR QUE PREOCUPAR-SE COM O FATOR DE POTÊNCIA? ................................................................................... 32
2.3 CAUSAS DE UM BAIXO FATOR DE POTÊNCIA ................................................................................................... 38
2.3.1 Motores de indução operando em vazio ou superdimensionados (operando com pequenas cargas) . 38
2.3.2 Transformadores operando em vazio ou com pequenas cargas.......................................................... 39
2.3.3 Lâmpadas de descarga ........................................................................................................................ 40
2.3.4 Grande quantidade de motores de pequena potência em operação durante um longo período .......... 40
2.3.5 Tensão acima da nominal..................................................................................................................... 40
2.3.6 Cargas especiais com consumo de reativo .......................................................................................... 40
2.4 CONSEQUÊNCIAS DE UM BAIXO FATOR DE POTÊNCIA ..................................................................................... 40
2.4.1 Aumento das perdas na instalação ...................................................................................................... 41
2.4.2 Aumento da queda de tensão............................................................................................................... 41
2.4.3 Subutilização da capacidade instalada................................................................................................. 41
2.4.4 Sobrecarga nos equipamentos de manobra, proteção e controle ........................................................ 42
2.4.5 Aumento da seção nominal dos condutores......................................................................................... 42
3 CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA ......................................................................................................... 46
3.1 MÉTODOS PARA CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA ..................................................................................... 46
3.1.1 Alterações na rotina operacional do sistema elétrico ........................................................................... 47
3.1.2 Aumento do consumo de energia ativa ................................................................................................ 47
3.1.3 Instalação de motores síncronos superexcitados................................................................................. 49
3.1.4 Instalação de capacitores ..................................................................................................................... 50
3.2 VANTAGENS DA CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA ..................................................................................... 60
3.2.1 Liberação da capacidade do sistema ................................................................................................... 60
3.2.2 Melhoria da tensão ............................................................................................................................... 68
3.2.3 Melhoria na regulação da tensão ......................................................................................................... 70
3.2.4 Redução das perdas ............................................................................................................................ 71
3.2.5 Redução da corrente de linha............................................................................................................... 74
4 TIPOS DE CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA ...................................................................................... 76
4.1 MODELOS DE CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA .......................................................................................... 76
4.1.1 Correção individual ............................................................................................................................... 77
4.1.2 Correção por grupos de cargas (quadro de distribuição terminal)........................................................ 82
4.1.3 Correção geral (quadro principal de baixa tensão)............................................................................... 82
4.1.4 Correção primária (entrada de energia em alta tensão) ....................................................................... 83
4.1.5 Correção mista ..................................................................................................................................... 84
4.2 OS TIPOS DE COMPENSAÇÃO DA ENERGIA REATIVA ........................................................................................ 86
4.2.1 Tipo clássico de banco fixo................................................................................................................... 86
4.2.2 Sistemas semi-automáticos e automáticos........................................................................................... 87
4.2.3 Correção do fator de potência em tempo real ...................................................................................... 89
4.3 NECESSIDADES ESPECÍFICAS DA INSTALAÇÃO ................................................................................................ 90

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4.3.1 Tamanho de carga ............................................................................................................................... 90


4.3.2 Tipo de carga........................................................................................................................................ 91
4.3.3 Regularidade da carga ......................................................................................................................... 91
4.3.4 Capacidade de carga ........................................................................................................................... 91
4.4 ESQUEMAS ELÉTRICOS DE CORREÇÕES INDIVIDUAIS PARA PARTIDAS DE MOTORES ........................................ 91
5 CAPACITORES DE POTÊNCIA.......................................................................................................................... 96
5.1 CARACTERÍSTICAS GERAIS ............................................................................................................................. 97
5.1.1 Princípios básicos................................................................................................................................. 97
5.1.2 Capacitância......................................................................................................................................... 98
5.1.3 Energia armazenada ............................................................................................................................ 99
5.1.4 Corrente de carga................................................................................................................................. 99
5.1.5 Ligação de capacitores......................................................................................................................... 99
5.2 CARACTERÍSTICAS CONSTRUTIVAS............................................................................................................... 100
5.2.1 Caixa .................................................................................................................................................. 101
5.2.2 Armadura............................................................................................................................................ 103
5.2.3 Dielétrico............................................................................................................................................. 103
5.2.4 Líquido de impregnação ..................................................................................................................... 104
5.2.5 Resistor de descarga.......................................................................................................................... 104
5.2.6 Ligação das unidades capacitivas em bancos.................................................................................... 104
5.3 DIMENSIONAMENTO DE BANCOS DE CAPACITORES ....................................................................................... 109
5.3.1 Configuração em estrela aterrada ou triângulo................................................................................... 110
5.3.2 Configuração em estrela isolada ........................................................................................................ 111
5.3.3 Configuração em dupla estrela isolada............................................................................................... 112
5.3.4 Configuração em dupla estrela aterrada............................................................................................. 113
5.3.5 Método prático NBR 5060 .................................................................................................................. 116
5.4 CARACTERÍSTICAS ELÉTRICAS ...................................................................................................................... 121
5.4.1 Conceitos básicos .............................................................................................................................. 121
5.5 MANOBRA E PROTEÇÃO DE CAPACITORES .................................................................................................... 128
5.5.1 Dimensionamento de equipamentos de manobra para bancos de capacitores em baixa tensão ...... 132
5.5.2 Dimensionamento de dispositivos de proteção para banco de capacitores em baixa tensão ............ 133
5.5.3 Dimensionamento de dispositivos de manobra e proteção para banco de capacitores em alta tensão
138
5.5.4 Dimensionamento de condutores ....................................................................................................... 139
5.6 INSPEÇÃO, ENSAIOS E MANUTENÇÃO DE CAPACITORES ................................................................................ 140
5.6.1 Ensaios de capacitores....................................................................................................................... 140
5.6.2 Inspeção de capacitores..................................................................................................................... 145
5.6.3 Manuseio e armazenamento .............................................................................................................. 145
5.6.4 Manutenção de capacitores................................................................................................................ 146
5.7 SEGURANÇA E INSTALAÇÃO DE CAPACITORES .............................................................................................. 146
5.7.1 Requisitos de segurança .................................................................................................................... 146
5.7.2 Interpretação dos parâmetros dos capacitores................................................................................... 148
5.7.3 Cuidados na instalação de capacitores .............................................................................................. 148
5.8 LIGAÇÕES DE CAPACITORES EM ALTA TENSÃO ............................................................................................. 150
5.9 ATERRAMENTO DE CAPACITORES ................................................................................................................. 151
5.9.1 Bancos de baixa tensão ..................................................................................................................... 151
5.9.2 Bancos de alta tensão ........................................................................................................................ 151
5.10 ESPECIFICAÇÃO TÉCNICA ............................................................................................................................. 151
5.11 NORMALIZAÇÃO TÉCNICA ............................................................................................................................ 152
6 TARIFAÇÃO DA ENERGIA ELÉTRICA......................................................................................................... 156
6.1 PRINCIPAIS DEFINIÇÕES ................................................................................................................................ 156
6.2 CLASSIFICAÇÃO DOS CONSUMIDORES DE ENERGIA ....................................................................................... 158
6.2.1 Consumidores do Grupo A ................................................................................................................. 158
6.2.2 Consumidores do Grupo B ................................................................................................................. 159
6.3 TARIFAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA .............................................................................................................. 159
6.3.1 Tarifação convencional....................................................................................................................... 162
6.3.2 Tarifação horo-sazonal ....................................................................................................................... 163
6.3.3 Tarifação monômia ............................................................................................................................. 168
6.4 DEMANDA, CONSUMO E FATOR DE POTÊNCIA ............................................................................................... 168

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6.5 A LEGISLAÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA ....................................................................................................... 171


6.5.1 O faturamento de energia e demanda ativa ....................................................................................... 174
6.5.2 O faturamento de energia e demanda reativas excedentes ............................................................... 180
6.5.3 Reduzindo a fatura de energia elétrica ............................................................................................... 189
6.6 FATOR DE CARGA ......................................................................................................................................... 200
6.6.1 Tarifação convencional....................................................................................................................... 203
6.6.2 Tarifação Horo-sazonal Azul .............................................................................................................. 203
6.6.3 Tarifação Horo-sazonal Verde............................................................................................................ 204
7 PROJETO DA CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA ............................................................................. 206
7.1 INSTALAÇÕES EM FASE DE PROJETO ............................................................................................................. 206
7.1.1 A contratação do projeto..................................................................................................................... 206
7.1.2 Levantamento dos dados para estimativa do fator de potência.......................................................... 208
7.1.3 Metodologia para estimativa do fator de potência .............................................................................. 210
7.2 INSTALAÇÕES EM OPERAÇÃO........................................................................................................................ 215
7.2.1 Levantamento de dados ..................................................................................................................... 216
7.2.2 Medições ............................................................................................................................................ 217
7.2.3 Método dos consumos médios mensais............................................................................................. 217
7.2.4 Método analítico ................................................................................................................................. 218
7.2.5 Método das medições diretas............................................................................................................. 218
8 GERENCIAMENTO ENERGÉTICO................................................................................................................. 221
8.1 CONTROLE DE DEMANDA, CONSUMO E FATOR DE POTÊNCIA ........................................................................ 221
8.1.1 A medição feita pela concessionária .................................................................................................. 222
8.1.2 Os controladores de demanda ........................................................................................................... 223
8.2 GERENCIAMENTO DE ENERGIA ..................................................................................................................... 228
8.2.1 Sistema típico de gerenciamento energético...................................................................................... 230
8.2.2 Monitoração energética remota (via internet) ..................................................................................... 234
8.3 CONTROLE AUTOMÁTICO DE BANCO DE CAPACITORES ................................................................................. 235
8.3.1 Controle automático de tensão........................................................................................................... 235
8.3.2 Controle automático da potência reativa capacitiva ........................................................................... 236
8.3.3 As vantagens do controle de fator de potência centralizado .............................................................. 237
9 BANCOS DE CAPACITORES E AS SOBRETENSÕES TRANSITÓRIAS ................................................. 240
9.1 ORIGEM DOS FENÔMENOS TRANSITÓRIOS ..................................................................................................... 241
9.1.1 Sobretensões ..................................................................................................................................... 245
9.1.2 Sobrecorrentes ................................................................................................................................... 250
9.2 COMO MINIMIZAR OS EFEITOS DOS FENÔMENOS TRANSITÓRIOS ................................................................... 251
9.2.1 Resistores de pré-inserção................................................................................................................. 251
9.2.2 Chaveamento com fechamento sincronizado..................................................................................... 252
10 COMPENSAÇÃO REATIVA EM REDES COM HARMÔNICAS.......................................................... 254
10.1 O QUE SÃO HARMÔNICAS ............................................................................................................................. 256
10.1.1 Ordem, freqüência e seqüência das harmônicas ............................................................................... 260
10.1.2 Espectro harmônico............................................................................................................................ 260
10.2 ORIGEM DAS HARMÔNICAS........................................................................................................................... 262
10.2.1 Classificação das cargas não-lineares ............................................................................................... 264
10.2.2 Exemplos de cargas geradoras de harmônicas.................................................................................. 265
10.3 PROBLEMAS CAUSADOS PELAS HARMÔNICAS ............................................................................................... 266
10.3.1 Motores e geradores .......................................................................................................................... 267
10.3.2 Transformadores ................................................................................................................................ 267
10.3.3 Aumento da corrente eficaz................................................................................................................ 268
10.3.4 Fator de potência................................................................................................................................ 268
10.3.5 Distorção das características de atuação de relés de proteção ......................................................... 268
10.3.6 Cabos de alimentação ........................................................................................................................ 268
10.3.7 Interferências...................................................................................................................................... 270
10.3.8 Ressonâncias ..................................................................................................................................... 270
10.3.9 Vibrações e acoplamentos ................................................................................................................. 270
10.3.10 Aquecimentos excessivos .................................................................................................................. 270
10.3.11 Disparos de dispositivos de proteção ................................................................................................. 270

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10.3.12 Tensão elevada entre neutro-terra ..................................................................................................... 271


10.3.13 Aumento do erro em instrumentos de medição de energia ................................................................ 271
10.3.14 Equipamentos eletrônicos .................................................................................................................. 271
10.4 DISTORÇÃO DE CORRENTE X DISTORÇÃO DE TENSÃO ................................................................................... 272
10.5 QUANTIFICAÇÃO DAS HARMÔNICAS ............................................................................................................. 273
10.5.1 A taxa de distorção harmônica ........................................................................................................... 273
10.5.2 Fator de crista..................................................................................................................................... 278
10.6 MEDIÇÃO DE SINAIS HARMÔNICOS ............................................................................................................... 279
10.6.1 Instrumentos convencionais de valor médio....................................................................................... 279
10.6.2 Instrumentos de valor eficaz verdadeiro (“TRUE RMS”)..................................................................... 279
10.7 HARMÔNICOS VERSUS TRANSITÓRIOS ........................................................................................................... 281
10.8 PERDAS DIELÉTRICAS EM CAPACITORES NA PRESENÇA DE HARMÔNICAS...................................................... 281
10.9 FATOR DE POTÊNCIA COM HARMÔNICAS ...................................................................................................... 281
10.9.1 Potências ativa, reativa e aparente .................................................................................................... 282
10.9.2 Fator de potência................................................................................................................................ 285
10.10 NORMALIZAÇÃO PARA HARMÔNICAS ........................................................................................................... 291
10.10.1 Limites da norma IEC 61000-3-2........................................................................................................ 292
10.10.2 Limites da Norma IEC 61000-3-6 ....................................................................................................... 292
10.10.3 Limites da Norma IEC 61000-2-2 ....................................................................................................... 292
10.10.4 Limites da norma IEEE 519-2............................................................................................................. 292
10.11 EFEITOS DA RESSONÂNCIA ........................................................................................................................... 294
10.11.1 Circuitos ressonantes série e paralelo: conceitos básicos em redes lineares .................................... 295
10.11.2 Circuitos ressonantes série e paralelo em redes não-lineares ........................................................... 298
10.12 LOCALIZANDO FONTES DE HARMÔNICAS ...................................................................................................... 300
10.13 PROTEÇÕES CONTRA HARMÔNICAS .............................................................................................................. 301
10.14 FLUXOGRAMA DA CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA NA PRESENÇA DE HARMÔNICAS .............................. 302
APÊNDICE A – RESOLUÇÃO 456/ANEEL............................................................................................................. 305

APÊNDICE B – GRAFIA DAS UNIDADES E SEUS SÍMBOLOS......................................................................... 344

APÊNDICE C – PROCEDIMENTO DE COMPRA DE BANCO DE CAPACITORES....................................... 354

APÊNDICE D – POTÊNCIA EM SISTEMAS NÃO-SENOIDAIS ......................................................................... 359

APÊNDICE E – BIBLIOGRAFIA .............................................................................................................................. 369

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PREFÁCIO

É com muita alegria e satisfação que, Faltava no mercado uma publicação


decorridos cinco anos do lançamento da técnica que apresentasse uma abordagem
versão 1.0 do eBook “Correção do fator de básica sobre o assunto, objetivando a
Potência”, apresentamos a versão 2.0, compreensão dos seus aspectos
rebatizada para “A compensação reativa e a fundamentais. Considerando-se a
Correção do Fator de potência: uma visão da experiência que obtive na minha vida
engenharia de projetos”, totalmente revisada, profissional e acadêmica, utilizo como
ampliada e com nova formatação. Foram filosofia a consideração de que o
incluídas dezenas de novas figuras e de entendimento e a compreensão de questões
novos exercícios. complexas pressupõem o domínio dos
aspectos mais fundamentais e básicos sobre
Esta publicação técnica tem o principal
o tema. Sem desmerecer o rigor matemático
objetivo de fornecer aos profissionais
que o tema merece, seremos objetivos na
orientações e subsídios técnicos mínimos
nossa explanação e na apresentação das
para um correto dimensionamento e
equações que serão utilizadas na prática,
aplicação de capacitores em sistemas de
sem desviar nosso foco (que é o projeto da
potência para fins de compensação de
compensação reativa) para as intermináveis
reativos da instalação e conseqüente
deduções das equações, através de uma
correção efetiva do fator de potência,
“sopa” de senos e cossenos. Isto fica a cargo
proporcionando às empresas maior
dos livros de análise de circuitos elétricos,
qualidade e maior competitividade. Especial
que tratam muito bem do assunto.
destaque é dado para plantas com
concentração de harmônicos, baseando-se Desde já, peço desculpas pelos
nas normas mais difundidas (nacional, como eventuais enganos cometidos ou assuntos
ABNT, e internacionais como IEC, NEMA, não abordados dentro do tema proposto.
ANSI/IEEE). Serão muito bem vindas as sugestões e
críticas para melhoria deste material.
Abordamos também a questão da
Obrigado a todos os leitores/usuários da
tarifação da energia elétrica, assunto
versão anterior que, de maneira muito
intimamente relacionado ao controle da
significativa, enviaram suas sugestões para a
demanda e do fator de potência, visando
conclusão desta nova versão.
apresentar as oportunidades típicas para
economia de energia através da redução do Por fim, vale salientar a principal filosofia
custo da energia comprada (R$/kWh) e da desta publicação: ser um material formativo,
redução do consumo de energia (kWh). e não informativo. Este é o grande diferencial
em relação a muitos livros na área técnica de
Considerando a importância das
eletricidade, onde acabamos apenas sendo
finalidades mencionadas e entendendo
“informados” sobre o assunto, tipo: “isto
tratar-se de matéria técnica já
serve para isto e pronto”. O grande objetivo é
exaustivamente apresentada, porém nem
formar o leitor, dando conhecimentos
sempre do alcance geral de maneira didática,
básicos e explicação do “por que” das coisas,
completa e abrangente, este material foi
para que ele possa adquirir conhecimento e
elaborado com uma fácil linguagem de
conseguir dar soluções aos problemas
exposição, com exemplos e aplicações
relativos à compensação reativa nas
práticas para engenheiros, eletrotécnicos e
instalações elétricas industriais.
demais profissionais envolvidos com o
assunto em referência.
Ricardo Prado Tamietti
tamietti@vertengenharia.com.br
Dezembro de 2005.

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INTRODUÇÃO

Cada vez mais se acentua a Juntamente com o aumento do consumo


preocupação com o aumento de de energia reativa, vieram os problemas
produtividade do sistema elétrico, através de decorrente do seu fluxo pelo sistema, sendo
estudos de otimização e execução de necessária a redução da mesma para
projetos de eficientização energética. atenuar suas conseqüências prejudiciais à
Devemos nos atentar não apenas em instalação.
economizar energia, mas em consumir com
Atualmente, um dos grandes problemas
produtividade, ou seja, minimizar ou
que merecem especial atenção dos
compensar o consumo de energia reativa em
profissionais envolvidos com projetos de
uma instalação elétrica.
correção do fator de potência está
O tema “correção do fator de potência” é relacionado com o aparecimento das cargas
relativamente antigo e exaustivamente não lineares, como fornos de indução a arco
estudado. Desde as primeiras décadas de e outros dispositivos de descarga, e
1900 têm-se utilizado capacitores para a principalmente devido ao avanço da
compensação dos reativos nos mais variados eletrônica de potência, com a utilização de
segmentos. Os conceitos básicos são inversores de frequência, soft starters,
antigos, mas sempre novos problemas conversores CA/CC, o que tem tornado
surgem, muitas vezes em função dos crítica a aplicação de capacitores nestas
avanços tecnológicos, como, por exemplo, as instalações.
instalações com conteúdo harmônico na
Os harmônicos e o fenômeno da
presença de capacitores. Portanto, é
ressonância, em conjunto, propiciaram o
necessário um constante acompanhamento e
aumento do consumo de energia, queima de
desenvolvimento de novas metodologias de
equipamentos eletrônicos sensíveis e dos
correção e medição do fator de potência.
próprios capacitores, além das perdas de
Até meados deste século, os sistemas produção, apenas para citar algumas das
elétricos existentes no País caracterizavam- conseqüências mais comuns. A partir disso,
se pela proximidade das Usinas Geradoras têm-se adotado algumas técnicas para a
às unidades consumidoras e pelo tipo de correção do fator de potência e redução dos
carga quase que exclusivamente resistiva níveis harmônicos aos valores normalizados
(basicamente lâmpadas incandescentes). pelo IEEE, IEC e ANEEL, com a adoção de
filtros, sistemas desintonizados, além de
A diversificação da utilização da energia
modelos híbridos.
elétrica e os novos tipos de carga, aliados ao
crescimento do mercado consumidor e da Desta forma, a compensação da energia
industrialização de maneira geral, alteraram reativa numa instalação é de suma
a característica do sistema elétrico de importância e produz grandes vantagens,
potência, aumentando as distâncias entre os entre elas:
pontos de geração e consumo da energia
ƒ Redução das perdas de energia em
elétrica, além da introdução de valores cada
cabos e transformadores, pela
vez maiores de energia reativa em virtude da
redução da corrente de alimentação;
instalação de motores, reatores, fornos,
capacitores, etc. ƒ Redução dos custos de energia
elétrica, não só pela eliminação do
Esta nova demanda de carga reativa no
ajuste na tarifa imposto pela
sistema originou a necessidade de ampliação
concessionária, como pela redução
do sistema de geração e transmissão, com
das perdas;
usinas com maior capacidade para atender o
aumento de cargas resistivas e reativas.

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ƒ Liberação da capacidade do sistema, para geração de energia elétrica aliado as


permitindo a ligação de cargas dificuldades econômicas para atender ao
adicionais, ou seja, aumento na mercado consumidor de energia em franca
capacidade de condução dos cabos e expansão, foi necessário rever os critérios de
da capacidade disponível em verificação e tarifação da energia reativa
transformadores; excedente.
ƒ Elevação dos níveis de tensão, Assim, o extinto DNAEE (Departamento
melhorando o funcionamento dos Nacional de Águas e Energia Elétrica),
equipamentos da instalação. atualmente com a denominação de ANEEL
(Agência Nacional de Energia Elétrica),
É importante observar que a
através da resolução Nº 479 de 20 de Março
preocupação com o consumo de energia
de 1992, estabeleceu que o fator de potência
reativa não deve ser apenas das grandes
mínimo de referência deveria ser igual a
instalações elétricas (usualmente complexos
92%, sendo válida, atualmente, a resolução
industriais). Nestes, o problema é acentuado
Nº 456/ANEEL, de 29 de Novembro de 2000.
e "pesa" no bolso dos proprietários, não
apenas devido ao aumento de perdas, queda Em outras palavras, o atual limite, livre de
de tensão ou sobrecarga nos equipamentos, tarifação para consumo de energia reativa, é
mas também através dos chamados "ajustes de 42% do consumo médio mensal e da
da tarifação" (as populares "multas") devido demanda instantânea de energia ativa
ao elevado consumo de energia reativa. (correspondente ao fator de potência de
92%) em cada posto horário (ponta e fora de
Por outro lado, as instalações de menor
ponta e entre 0 e 6 horas).
porte, como as instalações prediais
(residenciais de maior porte e principalmente Com o avanço da tecnologia e com o
comerciais) e pequenas indústrias e aumento das cargas não lineares nas
instituições, por não haver em muitos casos instalações elétricas (geradoras de
ajuste da tarifação, não se preocupam com a harmônicas), a correção do fator de potência
compensação da energia reativa. Porém, passa a exigir alguns cuidados especiais que
mesmos nestes casos, é importante observar veremos em detalhes, e que, infelizmente,
o consumo de reativo, pois uma nem sempre são levados em consideração
compensação poderá evitar todas as na elaboração dos projetos de correção do
conseqüências negativas acima fator de potência.
mencionadas, visando racionalizar o
É importante salientar que, na maioria
consumo de seus equipamentos elétricos e
das vezes, por desconhecimento técnico,
paradas de produção.
muitos projetistas limitam-se a aplicação de
Com o principal objetivo de otimizar o uso bancos de capacitores (fixos ou automáticos,
da energia elétrica gerada no país, limitando em baixa ou média tensão) utilizando-se
o fluxo de energia reativa no sistema elétrico simplesmente de medições pontuais de
e evitando o elevado sobredimensionamento consumo ou demanda de energia reativa,
do mesmo, surgiu a primeira regulamentação quando o correto é uma análise da curva
referente ao uso de energia elétrica, diária de demanda de reativos, conforme os
estabelecida pelo Decreto Lei Nº 75887 de limites estabelecidos pela legislação do fator
20/06/75 com a adoção do fator de potência de potência.
de 85% como referência. Consumidores
Aliado a este fato, não basta determinar
atendidos em alta tensão que apresentassem
apenas o montante de energia reativa e os
valor médio mensal abaixo desse referencial
respectivos capacitores para um eficiente
eram penalizados com um percentual de
projeto de compensação reativa. Faz-se
ajuste na conta de energia (multa).
necessário, além dos dados das medições
Com o esgotamento cada vez maior das de energia, as medições de harmônicas e
fontes hidráulicas economicamente viáveis possíveis ressonâncias com a rede, bem

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como a análise dos tipos de cargas correto da empresa dentro das diversas
envolvidas e seus respectivos regimes de modalidades tarifárias existentes, para que a
operação. empresa tenha um contrato de fornecimento
de energia adequado às suas condições e
De posse destes dados, dependendo da
necessidades.
sofisticação da solução e do desempenho
requerido para a rede elétrica, poder-se-á Em face do crescente uso de automação
adotar desde uma simples aplicação de nas indústrias e do aumento das multas e
capacitores (fixos ou automáticos), passando ajustes cobrados pelas concessionárias, o
pela instalação de reatores de dessintonia gerenciamento da energia elétrica vem se
(para evitar ressonâncias perigosas, apesar tornando uma necessidade para as
do aumento da distorção harmônica), filtros empresas interessadas em reduzir custos.
de harmônicos (para atenuar a distorção Como será apresentado, os consumidores
harmônica) até a utilização de sistemas não estão se preocupando apenas com os
automáticos de injeção de reativos em tempo ganhos decorrentes da eliminação de multas,
real, através de controladores dotados de e passam a exigir recursos para que se
tiristores para chaveamento rápido. alcance um aumento de produtividade
através da diminuição de interrupções, maior
Outro assunto bastante importante que
vida útil dos transformadores e demais
será abordado é o de gerenciamento de
equipamentos instalados nas subestações.
energia e os diagnósticos energéticos,
objetivando a indicação do enquadramento

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Capítulo
Conceitos básicos
I

CAPÍTULO 1 – CONCEITOS BÁSICOS 1


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1 Conceitos básicos

Sumário do capítulo
1.1 ENERGIA ELÉTRICA
1.2 TENSÃO E CORRENTE ELÉTRICA
1.2.1 Análise de circuitos em corrente contínua (CC) e alternada (CA)
1.3 ELEMENTOS DE UM CIRCUITO ELÉTRICO
1.3.1 Resistência
1.3.2 Indutância
1.3.3 Capacitância
1.3.4 Impedância
1.4 POTÊNCIA E ENERGIA ELÉTRICA
1.4.1 Potência complexa
1.4.2 Medição de energia

É extremamente importante ƒ Energia térmica;


estabelecer, logo de início, uma linguagem
ƒ Energia mecânica;
comum, de forma que a comunicação de
cada termo a ser utilizado seja bastante ƒ Energia elétrica;
clara. Cada nova “quantidade” introduzida ƒ Energia química;
deve ser apresentada. É o que chamamos de
unidades de medida. Para podermos ƒ Energia atômica, etc.
interpretar uma grandeza mensurável, é Uma das mais importantes
necessário o conhecimento tanto de um características da energia é a possibilidade
número quanto uma unidade, como, por de sua transformação de uma forma para
exemplo “10 metros”. outra. Por exemplo: a energia térmica pode
Neste livro será utilizado o Sistema ser convertida em energia mecânica
Internacional de Unidades (SI), conforme (motores de explosão), energia química em
descrito pela Resolução Conmetro 01/82, energia elétrica (pilhas), etc. Entretanto, na
sendo de uso compulsório no Brasil. Este maioria das formas em que a energia se
sistema é formado por sete unidades básicas apresenta, ela não pode ser transportada, ela
(metro, kilograma, segundo, ampère, kelvin, tem que ser utilizada no mesmo local em que
mol e candela) e duas unidades é produzida.
suplementares (radiano e esterradiano). A Na realidade, a energia elétrica é
combinação destas estabelece várias outras invisível. O que percebemos são seus
unidades, chamadas de unidades derivadas. efeitos, tais como:
As unidades de medidas, bem como as suas Luz;
grafias, símbolos e prefixos, estão
apresentadas no Anexo A e serão ƒ Calor;
introduzidas no momento da definição de ƒ Choque elétrico, etc.
cada termo técnico ao longo dos capítulos.

1.1 Energia elétrica A energia elétrica é uma forma de


energia que pode ser transportada com
facilidade, ao contrário de outras formas de
Energia é a capacidade de produzir energia.
trabalho e apresenta-se sob várias formas:

CAPÍTULO 1 – CONCEITOS BÁSICOS 2


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1.2 Tensão e corrente elétrica

Nos materiais condutores, como os fios,


existem partículas invisíveis chamadas - - -
elétrons livres, que estão em constante - - -
movimento de forma desordenada.
Para que estes elétrons livres passem a Figura 1.1 Fluxo de elétrons através da seção de um
se movimentar de forma ordenada nos fios, é condutor.
necessário ter uma força que os empurre em
uma mesma direção. A esta força é dado o
nome de potencial elétrico ou tensão Para fazermos idéia do comportamento
elétrica (U), e sua unidade de medida é o da corrente elétrica, podemos compará-la
volt [V]. Na verdade, o que faz com que os com uma instalação hidráulica, interpretando
elétrons se movimentem é a diferença de o fornecimento de energia elétrica a uma
potencial (tensão) entre dois pontos no fio, carga como sendo realizado por um
ou seja, uma diferença entre as “bombeamento de carga elétrica”.
concentrações de elétrons (carga elétrica).
A pressão que a água faz depende da
Esse movimento ordenado dos elétrons altura do reservatório (analogia com a
livres, provocado pela ação da diferença de energia elétrica: tensão). A quantidade de
potencial (tensão), forma uma corrente de água que flui pelo cano por unidade de
elétrons. Essa corrente ordenada de elétrons tempo, ou seja, a vazão d’água, expressa em
livres (ou seja, carga “Q” em movimento) por m3/s (analogia com a energia elétrica:
unidade de tempo (t) é chamada de corrente corrente) vai depender desta pressão e do
elétrica (I), e sua unidade de medida é o diâmetro do cano (analogia com a energia
ampère [A], definido como a “corrente elétrica: resistência).
elétrica invariável que, mantida em dois
condutores retilíneos, paralelos, de Observe a pilha da figura 1.2. A energia
comprimento infinito e área de seção química faz com que as cargas positivas
transversal desprezível e situados no vácuo (prótons) e as negativas (elétrons) se
a 1 metro de distância do outro, produz entre concentrem em extremidades opostas (polos
esses condutores uma força igual a 2 x 10-7 positivo e negativo), estabelecendo uma
newtons por metro de comprimento desses tensão elétrica U entre elas. Adicionalmente,
condutores”. como as duas extremidades da pilha estão
interligadas por um condutor, a tensão
Q elétrica obriga os elétrons livres do circuito a
I= (1.1) fluirem do polo negativo para o positivo. Este
Δt
fluxo ordenado de elétrons, como vimos, é a
corrente elétrica.
onde:
I = Corrente elétrica, em ampère [A];
Q = carga elétrica, em coulomb [C]; U I
Δt = intervalo de tempo, em segundo [s]. +
Pilha
-
Desta forma, pode-se dizer que a
intensidade da corrente é caracterizada pelo
número de elétrons livres que atravessa uma Figura 1.2 Tensão e corrente elétrica.
determinada seção do condutor na unidade
de tempo.

CAPÍTULO 1 – CONCEITOS BÁSICOS 3


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1.2.1 Análise de circuitos em corrente [Hz] e designado pela letra “f”. No Brasil, a
contínua (CC) e alternada (CA) frequência é padronizada em 60Hz, ou seja,
a tensão (e a corrente) se inverte 60 vezes
A figura 1.3, letra (a), mostra a por segundo. A relação entre a freqüência da
representação gráfica da tensão e corrente onda e o período é dada por:
contínuas (CC), onde se vê que suas
intensidades não variam ao longo do tempo. 1
f = (1.2)
T
No entanto, exceto para aplicações
muito específicas (equipamentos movidos à
bateria, na maior parte), as instalações
Nos circuitos alternados trabalha-se
elétricas (geração, transmissão, distribuição
com os valores instantâneos da intensidade
e utilização) são feitas sob tensão e corrente
da tensão e da corrente, que são expressos
alternadas (CA). Como mostra a letra (b) da
por:
mesma figura, as intensidades da tensão e
da corrente alternadas variam ao longo do
tempo, comportando-se, graficamente, por
exemplo, como uma curva de característica u(t ) = Um ⋅ sen(ω ⋅ t + α ) (1.3)
trigonométrica do tipo senoidal. i(t ) = Im⋅ sen(ω ⋅ t + β ) (1.4)
Importante:
onde:
Em análise de circuitos, é comum distinguir-
se as quantidades constantes das variáveis u = tensão instantânea, em volt [V];
com o tempo, pelo emprego de letras
i = corrente instantânea, em ampère [A];
maiúsculas para as constantes (contínuas) e
minúsculas para as variáveis (alternadas). Um = intensidade máxima da tensão em 1
período, em volt [V];
Denomina-se período da tensão e da
Im = intensidade máxima da corrente em 1
corrente alternadas o tempo “T”, medido em
período, em ampère [A];
segundos, necessário para que suas
intensidades "percorram" a onda senoidal, ϖ = 2 π f = frequência angular, em [rad/s],
isto é: irem de zero até o máximo positivo, sendo “f” a frequência em hertz [Hz];
voltarem a zero, irem até o mínimo negativo t = intervalo de tempo, em segundo [s];
e, por fim, retornarem novamente a zero. α e β = ângulo de fase da tensão e corrente,
O número de períodos por segundo que em graus (fase da onda em t = 0).
a tensão e a corrente alternadas perfazem é
denominado frequência, medido em hertz

Figura 1.3 Tensão e corrente contínuas e alternadas.

CAPÍTULO 1 – CONCEITOS BÁSICOS 4


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u 1.3 Elementos de um circuito elétrico

Dispositivos elétricos, tais como


Um
fusíveis, lâmpadas, baterias, bobinas, etc,
podem ser representados por uma
ω.t
combinação de elementos de circuitos muito
simples, constituídos, genericamente, por
dois terminais condutores perfeitos através
α dos quais a corrente pode entrar ou sair do
elemento (figura 1.5).

A
Figura 1.4 Onda de tensão senoidal com ângulo de B
fase diferente de zero.

Na figura 1.4, está representada a


expressão 1.3 com ângulo de fase igual a Figura 1.5 Um elemento de circuito geral.
zero (senóide na cor vermelha) e diferente de
zero (senóide na cor verde). Nesta situação,
pode-se dizer que o senóide verde está Os chamados elementos ativos são
adiantada de “α” graus. aqueles capazes de fornecer energia
(potência) para a rede (tais como as fontes
Na prática, utilizamos os valores
independentes de tensão e corrente). Os
eficazes da tensão (U) e da corrente (I)
elementos passivos são aqueles capazes de
senoidais, que representam valores médios e
absorver ou armazenar a energia das fontes
são expressos por:
(tais como resistores, capacitores e
Um indutores).
U= (1.5)
2
Im 1.3.1 Resistência
I= (1.6)
2 Todos os materiais oferecem alguma
resistência à circulação da corrente elétrica:
de pouca a quase nenhuma, nos condutores,
Onde U e I são medidos em [V] e [A], a alta, nos isolantes. A resistência elétrica,
respectivamente, e o significado dos termos designada pela letra R, é a medida em ohm
Um e Im já foram vistos. [Ω] da oposição que o circuito condutor
oferece à circulação da corrente, sendo
expressa por:
Importante:
U = R⋅ I (1.7)
Daqui para frente, sempre que nos referirmos
a tensão ou a corrente alternada, a menos
que dito o contrário, suas intensidades estão onde:
pressupostas serem as eficazes,
representadas pelas abreviaturas U e I, U = tensão, em volt [V];
respectivamente. I = corrente, em ampère [A];
R = resistência, em ohm [Ω].

CAPÍTULO 1 – CONCEITOS BÁSICOS 5


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A expressão 1.7 é a interpretação 1.3.1.1 Associação de resistências


matemática da Lei de Ohm, que diz:
A associação das resistências em um
A corrente que flui através de uma circuito elétrico pode ser de dois tipos:
resistência é diretamente proporcional à associação série e associação paralela.
tensão aplicada e inversamente proporcional
Uma associação em série é aquela em
à resistência.
que o valor da corrente elétrica é a mesma
em cada resistência (o valor da tensão sob
cada elemento é variável e depende do valor
Nesta forma simples, a Lei de Ohm se
da resistência). Já na associação em
aplica apenas aos circuitos de corrente
paralelo, todas as resistências estão
contínua e aos de corrente alternada que
submetidas ao mesmo valor da tensão (o
contenham somente resistências.
valor da corrente em cada elemento é
Para os circuitos alternados contendo variável e depende do valor da resistência).
indutores e/ou capacitores, novos
parâmetros precisam ser considerados - tais a) Associação de resistências em série
parâmetros sendo, respectivamente, a
indutância e/ou a capacitância do circuito, A associação de resistências em série
fenômenos que descreveremos logo adiante. pode ser representada através do seu valor
equivalente Req (figura 1.7), conforme
Em corrente alternada, como vimos, a
expressão 1.8.
tensão e, conseqüentemente, a corrente,
mudam de polaridade no ritmo estabelecido
pela frequência, seguindo um
comportamento senoidal.
R1 R2 Rn
Nas resistências elétricas, as senóides
da tensão e da corrente passam pelos seus
pontos notáveis (máximo, zero e mínimo)
simultaneamente, como mostra a figura 1.6. Req
Diz-se que estão "em fase" e representa-se
por ϕ = 0º. O ângulo ϕ, denominado ângulo Figura 1.7 Associação de resistências em série.
de fase, mede a defasagem entre a tensão e
corrente em um determinado instante, ou
seja, ϕ = α - β. Re q = R1 + R2 + ... + Rn (1.8)

b) Associação de resistências em paralelo

A associação de resistências em
paralelo pode ser representada através do
seu valor equivalente Req (figura 1.8)
conforme expressão 1.9.

Figura 1.6 Senóides da tensão e da corrente nas


resistências.

CAPÍTULO 1 – CONCEITOS BÁSICOS 6


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R1

R2

Rn

Req
Figura 1.9 Senóides da tensão e da corrente nas
Figura 1.8 Associação de resistências em paralelo. bobinas (indutores).

Como esquematizado na figura 1.9, nos


circuitos puramente indutivos, o
1 1 1 1 retardamento da corrente a faz ficar
= + + ... + (1.9)
Re q R1 R2 Rn defasada de 90° em relação à tensão, ou
seja, o ângulo de fase é ϕ = 90°.

1.3.2 Indutância
Dica:
A corrente alternada, ao circular em Nos circuitos de corrente contínua, as
uma bobina (indutor), gera o fenômeno de bobinas se comportam como um curto-
auto-indução, ou seja, a bobina, ao ser circuito.
energizada, induz tensão em si mesma.
Por sua vez, a tensão auto-induzida 1.3.2.1 Associação de indutores
gera uma contra-corrente, que provoca o
retardamento da corrente em circulação. A associação dos indutores em um
Este fenômeno (uma forma de circuito elétrico pode ser de dois tipos:
resistência) é denominado reatância associação série e associação paralela.
indutiva, designado por XL , medido em ohm Uma associação em série é aquela em
[Ω] e expresso por: que o valor da corrente elétrica é a mesma
em cada indutor (o valor da tensão sob cada
XL = ω ⋅ L = 2 ⋅ π ⋅ f ⋅ L (1.10) elemento é variável e depende do valor da
indutância). Já na associação em paralelo,
todos os indutores estão submetidos ao
onde: mesmo valor da tensão (o valor da corrente
em cada elemento é variável e depende do
f = frequência, em hertz [Hz];
valor da indutância).
L = indutância, em henry [H];
a) Associação de indutores em série
ϖ = 2 π f = frequência angular, em [rad/s].
A associação de indutores em série
pode ser representada através do seu valor
O indutor é um elemento passivo do equivalente XLeq (figura 1.10), conforme
circuito que armazena energia durante certo expressão 1.11.
período de tempo e devolve esta durante
outro período, de tal forma que a potência
média é zero (definiremos o termo “potência”
mais adiante).

CAPÍTULO 1 – CONCEITOS BÁSICOS 7


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XL1 XL2 XLn também eles, oferecem certa resistência à


passagem da corrente alternada,
denominada
= reatância capacitiva,
XLeq
designada por XC , medida em ohm [Ω] e
expressa por:

Figura 1.10 Associação de indutores em série.


1 1
XC = = (1.13)
ω ⋅ C 2 ⋅π ⋅ f ⋅ C
onde:
XLeq = XL1 + XL 2 + ... + XLn (1.11) f = frequência, em hertz [Hz];
C = capacitância, em farad [F];
ϖ = 2 π f = frequência angular, em [rad/s].
b) Associação de indutores em paralelo
No capacitor, o armazenamento de
energia é em um campo elétrico, enquanto
A associação de indutores em paralelo no indutor é em um campo magnético.
pode ser representada através do seu valor Conforme mostrado na figura 1.12, nos
equivalente XLeq (figura 1.11) conforme circuitos puramente capacitivos, a corrente
expressão 1.12. fica adiantada de 90° em relação à tensão,
XL1
ou seja, o ângulo de fase é: ϕ = - 90°.

XL2

XLn

XLeq

Figura 1.11 Associação de indutores em paralelo.

Figura 1.12 Senóides da tensão e da corrente nos


capacitores.

1 1 1 1
= + + ... + (1.12) Dica:
XLeq XL1 XL 2 XLn
Nos circuitos de corrente contínua, os
O comportamento da associação série capacitores se comportam como um
e paralelo de indutores são iguais ao interruptor aberto.
comportamento da associação de resistores.
1.3.3.1 Associação de capacitores

1.3.3 Capacitância A associação dos capacitores em um


circuito elétrico pode ser de dois tipos:
Capacitores são elementos passivos do associação série e associação paralela.
circuito que acumulam eletricidade e,

CAPÍTULO 1 – CONCEITOS BÁSICOS 8


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Uma associação em série é aquela em XCeq


que o valor da corrente elétrica é a mesma
em cada capacitor (o valor da tensão sob
cada elemento é variável e depende do valor
da capacitância). Já na associação em Figura 1.14 Associação de capacitores em paralelo.
paralelo, todos os capacitores estão
submetidos ao mesmo valor da tensão (o
valor da corrente em cada elemento é
variável e depende do valor da capacitância). XCeq = XC1 + XC 2 + ... + XCn (1.15)

a) Associação de capacitores em série O comportamento da associação série


e paralelo de capacitores é o inverso do
comportamento da associação de resistores
A associação de capacitores em série e indutores.
pode ser representada através do seu valor
equivalente XCeq (figura 1.13), conforme
expressão 1.14. 1.3.4 Impedância
XC1 XC2 XCn
Os circuitos elétricos de corrente
alternada raramente são apenas resistivos,
indutivos ou capacitivos. Na esmagadora
maioria das vezes, apresentam as duas
XCeq reatâncias (ou somente uma delas)
combinadas com a resistência.
A resistência total do circuito - que
Figura 1.13 Associação de capacitores em série. passa a ser denominada impedância,
designada por Z e, evidentemente, medida
em ohm [Ω] - é o resultado dessa
: combinação.
1 1 1 1 Porém, como vimos nas figuras 1.6, 1.9
= + + ... + (1.14) e 1.12, a resistência e as reatâncias são
XCeq XC1 XC 2 XCn vetores (grandezas que agrupam três
informações: módulo, direção e sentido).
b) Associação de capacitores em paralelo
A composição vetorial que fornece a
A associação de capacitores em impedância é bastante simples, pois seus
paralelo pode ser representada através do vetores são coplanares e posicionados a 90°,
seu valor equivalente XCeq (figura 1.14) como esquematizado na figura 1.15.
conforme expressão 1.15. Em vista disso, ela é determinada como
a hipotenusa do triângulo retângulo,
denominado triângulo das impedâncias,
em que um dos catetos é a resistência e o
outro a reatância indutiva ou a capacitiva ou,
XC1 XC2 XCn caso coexistam, a diferença vetorial entre
estas duas. Vetorialmente, considera-se a
reatância indutiva positiva e a capacitiva,
negativa.

CAPÍTULO 1 – CONCEITOS BÁSICOS 9


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XL Z Z
(a1) XL (b1) X
R R
R R R
(a2) XC (b2) X
XC Z Z

(a1) e/ou (a2) (b1) ou (b2)

Figura 1.15 Vetores componentes da impedância.

Z = R2 + X L
2
Podemos escrever, observando a figura (1.20)
1.15 e utilizando o Teorema de Pitágoras, as
seguintes relações trigonométricas: b) Caso a2

Z = R2 + X C
2
(1.21)
Z
X c) Caso b1 ou b2
ϕ
Z = R2 + X 2 = R2 + ( X L − X C )
2
R (1.22)

Nas expressões 1.20 e 1.21, casos (a1)


e (a2), todos os termos já são nossos
Z = R2 + X 2 (1.16) conhecidos. No caso (b1) ou (b2), o termo X
é a diferença algébrica entre a reatância
R = Z ⋅ cos ϕ (1.17) indutiva XL e a capacitiva XC. Quando, em
X = Z ⋅ senϕ (1.18) valores absolutos:
ƒ a indutância é maior, o circuito é
⎛X⎞
ϕ = arctg ⎜ ⎟ (1.19) predominantemente indutivo, caso (b1)
⎝R⎠ da figura 1.15;
Conforme apresentado na Tabela 1.1, o ƒ a indutância é menor, o circuito é
ângulo da impedância indicado na expressão predominantemente capacitivo, caso (b2)
1.19 torna-se respectivamente, para cargas da figura 1.15.
predominantemente indutivas e capacitivas:

⎛ XL ⎞ ⎛ ωL ⎞
ϕ = arctg ⎜ ⎟ = arctg ⎜ ⎟ (1.19a)
⎝ ⎠
R ⎝ R ⎠ 1.3.4.1 Combinação de impedâncias

⎛ XC ⎞ ⎛ −1 ⎞ As impedâncias combinam entre si


ϕ = arctg ⎜ ⎟ = arctg ⎜ ⎟ (1.19b)
⎝ ⎠
R ⎝ ωCR ⎠ (combinação série e paralelo) exatamente
como as resistências e as indutâncias.
A impedância de um circuito elétrico,
portanto, pode apresentar-se segundo uma
das seguintes variantes: a) impedâncias em série:
a) Caso a1 Zeq = Z1 + Z 2 + ... + Zn (1.23)

CAPÍTULO 1 – CONCEITOS BÁSICOS 10


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b) impedâncias em paralelo: A expressão (1.25), definida no


chamado “domínio da freqüência” (quando
1 1 1 1 descrito por meio de quantidades complexas
= + + ... + (1.24)
Zeq Z1 Z 2 Zn chamadas fasores), é formalmente igual à
Lei de Ohm (U = R.I), para uma rede resistiva
no “domínio do tempo” (quando o estado
estacionário é especificado por meio de
1.3.4.2 Impedância no domínio da senos e cosenos).
frequência
Uma carga pode ser reapresentada por
A Lei de Ohm, que permitiu a derivação sua impedância equivalente Z, que, como
da expressão 1.7, para os circuitos de vimos, é composta pela resistência R e pela
corrente alternada, passa então a ser reatância X equivalente.
expressa de maneira mais geral pela relação Existem duas maneiras de representar
entre a tensão fasorial U& e a corrente a impedância Z:
fasorial I& (onde Z& é um número complexo,
ƒ Forma retangular ou cartesiana;
mas não um fasor):
ƒ Forma polar.

U& = Z& ⋅ I& (1.25)


Nota:
Para maiores detalhes sobre as
Nota: representações na forma retangular e polar,
ver apêndice A.
O pequeno ponto sobre a variável indica que
é um número complexo, composto por suas
componentes real e imaginária. A forma retangular (também conhecida
por “representação complexa”) é
apresentada da seguinte maneira:

O fasor, uma representação Z& = R + jX (1.26)


geométrica de um segmento linear orientado
que gira no sentido anti-horário (convenção)
onde:
a uma velocidade angular ω (rad/s), possui
“tamanho” igual à amplitude do seu sinal R (resistência) é a chamada “parte real” da
equivalente da curva senóide; o ângulo entre
impedância, em ohm [Ω];
dois fasores é a diferença entre dois pontos
correspondentes na curva senóide. X (reatância) é a chamada “parte imaginária”
da impedância, em ohm [Ω];
Função:
j = operador matemático que define o
u = 150 ⋅ cos(200t + 45º ) V chamado “número complexo”.

A forma polar é representada da


Representação do fasor: U& = 150 ∠45º V seguinte maneira:
‘ U ∠α U
U& O fasor U& gira em Z& = Z ∠ϕ = = ∠α − β (1.27)
sentido anti-horário I ∠β I
150 V com velocidade
45º ω = 200 rad/s onde:

CAPÍTULO 1 – CONCEITOS BÁSICOS 11


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|Z|= módulo da impedância; predominantemente capacitivos, I se adianta


de U e -90º < ϕ < 0º.
α = ângulo da tensão;
β = ângulo da corrente;
A reatância, que, como vimos, na forma
ϕ = ângulo de fase da impedância, que mede retangular é a parte imaginária da
o ângulo pelo qual a tensão se adianta em impedância, é considerada positiva quando
corrente (ϕ = α - β); for uma reatância indutiva (j XL) e negativa
∠ = operador matemático para separar o quando for uma reatância capacitiva (-j XC).
módulo do ângulo de fase. Em circuitos A Tabela 1.1 apresenta circuitos
puramente resistivos, os valores de I e U elétricos combinados com resistências,
estão em fase e ϕ = 0º; em circuitos indutâncias e capacitâncias no domínio da
predominantemente indutivos, a corrente I se freqüência.
atrasa de U e 0º < ϕ < 90º; em circuitos

Tabela 1.1 Diagramas fasoriais para circuitos com elementos resistivos, indutivos e capacitivos.

Ângulo da
Diagrama fasorial Esquema elétrico Impedância Z
impedância
U&

I&
α=β
R Z& = R ∠ϕ ϕ = 0º
Os fasores I e U
estão em fase
ϕ = 0º

U&
j XL = j ωL ⎛ XL ⎞
ϕ ϕ = arctg ⎜ ⎟
α Z& = R + jXL ⎝ R ⎠
β
Z& = R 2 + X L ∠ϕ
2
⎛ω L⎞
R = arctg ⎜ ⎟
I& ⎝ R ⎠
I se atrasa de U
0º < ϕ < 90º

U&
ϕ
- j XC = -j(1/ωC) ⎛ − XC ⎞
I& ϕ = arctg ⎜ ⎟
β
Z& = R − jXC ⎝ R ⎠
α
Z& = R 2 + X C ∠ϕ
2
⎛ −1 ⎞
R = arctg ⎜ ⎟
⎝ω C R ⎠
I se adianta de U
-90º < ϕ < 0º

CAPÍTULO 1 – CONCEITOS BÁSICOS 12


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EXEMPLO 1.1 Calcule a impedância de um circuito RL, de (1.19b),


com R = 10 Ω, L = 50 mH e frequência igual a 60Hz.
⎛ XC ⎞ ⎛ −1 ⎞ ⎛ − 4,4 ⎞
ϕ = arctg ⎜ ⎟ = arctg ⎜ ⎟ ϕ = arctg ⎜ ⎟ = −28,8º
Solução: ⎝ R ⎠ ⎝ ωCR ⎠ ⎝ 8 ⎠

de (1.27), Z& = Z ∠ϕ = 9,1 ∠ − 28,8º


Como o circuito é reativo indutivo, temos que, de
(1.10):
XL = ωL = 2 ⋅ π ⋅ f ⋅ L = 2 ⋅ π ⋅ 60 ⋅ 0,05 = 19 Ω 8Ω

ϕ=62,2º
de (1.26), - j4,4 Ω
9,1 Ω
Z = R 2 + XL2 = 10 2 + 19 2 = 21,4 Ω

Representação na forma retangular:

de (1.26), Z& = (R + jXL ) = (10 + j19) Ω


EXEMPLO 1.3 Calcule a impedância Z e a corrente I
Representação na forma polar: para um circuito RL série, com R = 10 Ω, L = 4 mH e
uma tensão aplicada de u = 200⋅ sen 5000t .
de (1.19a),
⎛ XL ⎞ ⎛ 19 ⎞ Solução:
ϕ = arctg ⎜ ⎟ = arctg ⎜ ⎟ = 62,2º
⎝ R⎠ ⎝ 10 ⎠
Da expressão da tensão (1.3), temos que U = 200V e ϖ
de (1.27), Z& = Z ∠ϕ = 21,4 ∠62,2º = 5000. Portanto:

Triângulo das impedâncias: ( )


XL = ωL = 5000 ⋅ 4 × 10 −3 = 20 Ω

de (1.26), Z& = 10 + j 20 = 22,3 ∠63,4º Ω

21,4 Ω Para U& = 200∠0º V , a corrente será, de (1.25):


j19 Ω
ϕ=62,2º
U& 200 ∠0º
I& = = = 8,9 ∠ − 63,4º A
10 Ω Z& 22,3 ∠63,4º

EXEMPLO 1.2 Calcule a impedância de um circuito EXEMPLO 1.4 Calcule a impedância Zeq e a corrente I
RC, com R = 8 Ω, C = 600 μF e frequência igual a 60 para um circuito série com duas impedâncias Z1 = 10 ∠
Hz. 0º Ω e Z2 = 5 ∠ 63,4º Ω e tensão 127 ∠ 0º V.

Solução: Solução:

Como o circuito é reativo capacitivo, temos que, de Para as impedâncias em série, de (1.23) e (1.25),
(1.13): temos:

XC =
1
=
1
=
1
= 4,4 Ω Z& eq = (10 ∠0º ) + (5 ∠63,4º ) = 13 ∠20º Ω
ωC 2 ⋅ π ⋅ f ⋅ C 2 ⋅ π ⋅ 60 ⋅ 0,0006
U& 127 ∠0º
de (1.16), I& = = = 9,8 ∠ − 20º A
Z&eq 13 ∠20º
Z = R 2 + X C = 8 2 + 4,4 2 = 9,1 Ω
2

Representação na forma retangular:


1.4 Potência e energia elétrica
de (1.26), Z& = (R − jXC ) = (8 − j 4,4) Ω
Em uma grande classe de aplicações,
os cálculos de correntes e tensões nos
Representação na forma polar: circuitos não são suficientes para a

CAPÍTULO 1 – CONCEITOS BÁSICOS 13


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determinação das grandezas elétricas e Potência versus Energia:


especificação dos componentes dos
Qual a diferença entre potência e energia?
circuitos. Em numerosas instâncias um
objetivo de fundamental importância é a Potência é a capacidade de realizar um determinado
trabalho. Energia é o trabalho propriamente dito.
determinação da potência elétrica em um Imagine um halterofilista que tem a força para levantar
circuito ou da energia elétrica por ele até 200 quilos. Ele tem potência. Quando nosso
consumida ou fornecida. Será considerado halterofilista suspender um peso ele terá realizado um
em nosso estudo, a menos que considerado trabalho. Em conseqüência gastou uma certa
de maneira diferente, a potência e energia quantidade de energia.
em regime permanente senoidal. Os equipamentos elétricos também têm uma
capacidade de realizar trabalho como, por exemplo,
Observe que o estudo da potência e aquecer a água do seu banho. Haverá consumo de
energia elétrica são grandezas muito mais energia quando você ligar o chuveiro. Como o nosso
“assimiláveis” em termos práticos, visto que atleta, o chuveiro tem capacidade (potência) mas só
produzirá a energia quando for acionado.
em termos de sistemas elétricos de potência
é exatamente este produto – energia – que é
gerada pelas usinas, sendo transmitida, Supondo um caso geral de tensão
distribuída e faturada ($$$) pelas senoidal u(t ) = Um ⋅ sen (ω t ) no circuito da
concessionárias para os mais variados tipos figura 1.16, para uma carga passiva, a
de consumidores (industriais ou corrente resultante em regime permanente
residenciais). (amortecidos os eventuais transitórios do
Potência elétrica, em termos gerais, é a sistema) também será senoidal do tipo
quantidade de trabalho executado em um i(t ) = Im⋅ sen (ω t − ϕ ) , onde ϕ pode ser positivo
intervalo de tempo, ou seja, a taxa de ou negativo, correspondendo à impedância
variação de energia. No domínio elétrico da equivalente indutiva ou capacitiva,
tensão alternada, usando o circuito da figura respectivamente.
1.16 como exemplo, a potência p absorvida
por uma carga é diretamente proporcional à Substituindo os valores de u e i em
tensão instantânea u a que está submetida e (1.28) e considerando-se os valores eficazes
à corrente instantânea i que circula, ou seja: de tensão e corrente dados em (1.5) e (1.6),
temos:
p = u ⋅i (1.28)

Como a corrente é um fluxo de elétrons p = u ⋅ i = Um ⋅ sen (ω t ) ⋅ Im⋅ sen (ω t − ϕ )


mantido pela diferença de potencial entre
p = 2 ⋅ U ⋅ sen (ω t ) ⋅ 2 ⋅ I ⋅ sen (ω t − ϕ )
dois pontos do circuito, então, pela figura
1.16, uma analogia hidráulica para a potência p = UI ⋅ cos (ϕ ) − UI ⋅ cos (2ω t − ϕ ) (1.29)
elétrica seria que a pilha "bombeia" elétrons
através da carga e esta, ao ser alimentada
com este "fluxo sob a pressão u", executa As figuras 1.17 à 1.21 representam
certa quantidade de trabalho. graficamente as variações da tensão,
corrente e potência para um sistema
u
monofásico com e sem fluxo de potência
i reativa.
+
Pilha Carga
Observe que a potência instantânea p
-
da expressão (1.29) é formada por duas
parcelas: uma componente constante com
valor médio UI ⋅ cos (ϕ ) e que nunca torna-se
Figura 1.16 Potência absorvida por uma carga. negativo - denominada potência ativa P
(componente resistivo – efetua trabalho), e

CAPÍTULO 1 – CONCEITOS BÁSICOS 14


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uma componente com freqüência 2ω com


valor médio nulo, denominada potência
p
reativa Q (componente circulante – não u
efetua trabalho). Esta última, em
i
determinados intervalos, torna-se negativa, o
que indica que a energia flui da carga em
direção á fonte.
A observância dos gráficos das figuras 1.17 à
1.21 permite uma análise bastante prática.
Quando a curva da potência instantânea for
positiva ao longo de todo o período (como a
indicada na figura 1.20), significa que não
existe fluxo de potência reativa no sistema
elétrico. Por outro lado, quando a curva
torna-se negativa em certos intervalos, Figura 1.19 Tensão (u), corrente (i) e potência (p)
significa que existe fluxo de potência reativa. instantânea em um circuito monofásico com Q ≠ 0.

Potência ativa
u p
i

Figura 1.20 Potência instantânea (p) em um circuito


Figura 1.17 Tensão (u) e corrente (i) instantânea em monofásico com reativo Q = 0.
um circuito monofásico.

u
Potência ativa i p
p

Potência reativa

Figura 1.18 Potência instantânea (p = u.i) em um Figura 1.21 Tensão (u), corrente (i) e potência (p)
circuito monofásico com reativo Q ≠ 0. instantânea em um circuito monofásico com Q = 0.

CAPÍTULO 1 – CONCEITOS BÁSICOS 15


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Ambas as grandezas são vetoriais e a nulo) e a segunda parcela tem seu valor
sua soma é chamada de potência aparente, máximo (amplitude) Q igual a UI ⋅ sen ϕ e
medida em volt.ampère [VA] e designada representa a potência instantânea que é
pela letra S, ou seja: trocada entre a carga e a fonte.
A parcela P (potência ativa) quantifica o
S = P+Q (1.30) trabalho útil produzido pelo circuito, por
exemplo, mecânico (nos motores), térmico
(nos aquecedores) e luminoso (nas
Componente resistivo
(ativo) = realiza
lâmpadas). É o valor médio da potência
trabalho instantânea sobre um número integral de
Compotente circulante
períodos. Esta potência elétrica, no
(reativo) = não realiza consumidor, é transformada em outras
trabalho
formas de energia.

Figura 1.22 Potência aparente.

Em termos complexos, a expressão


(1.30) toma a forma:
Carga
S& = P + jQ (forma retangular) (1.31) resistiva
Aquecedor Lâmpada
S& = S ∠ϕ (forma polar) (1.32)
Figura 1.23 Potência ativa.
onde
|S| = módulo da potência aparente, em A potência ativa ("pura") é uma
volt.ampère [VA]; potência que é "absorvida" em circuitos cuja
carga tem uma característica puramente
P = potência ativa, em watt [W]; resistiva, sendo medida em watt [W] e
Q = potência reativa, em volt.ampère.reativo, expressa por:
[Var];
a) cargas ligadas entre fase e neutro
ϕ = ângulo de defasamento entre a tensão e
a corrente, em graus. P = U 0. I . cos ϕ (1.34)

Nota: b) cargas ligadas entre 2 fases


O pequeno ponto sobre a variável S indica que é
um número complexo, composto por suas P = U . I . cos ϕ (1.35)
componentes real (P) e imaginária (Q).
c) cargas ligadas entre 3 fases
Aplicando algumas relações
trigonométricas à expressão (1.29), obtém-
P = 3.U . I . cos ϕ (1.36)
se:
onde,
p = UI ⋅ cos ϕ ⋅ (1 − cos 2ωt ) − UI ⋅ senϕ ⋅ sen 2ωt P = potência ativa, em watt [W];
p = P ⋅ (1 − cos 2ωt ) − Q ⋅ sen 2ωt (1.33)
U = tensão de linha, em volt [V] – ver figura
1.25;
Observa-se que a primeira parcela tem,
como visto, seu valor médio P igual a U0 = tensão de fase, em volt [V] – ver figura
UI ⋅ cos ϕ (que também é o valor médio de p, 1.25;
visto que o valor médio do segundo termo é I = corrente de linha, em ampère [A].

CAPÍTULO 1 – CONCEITOS BÁSICOS 16


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O termo “cosϕ”, em redes lineares e em A potência reativa, além de não


regime permanente senoidal, é o chamado produzir trabalho, circula entre a carga e a
fator de potência (Fp), que veremos em fonte de alimentação, o que não é desejável
detalhe logo adiante. sob o ponto de vista de transferência de
energia, pois ocupa um espaço no sistema
A parcela Q (potência reativa)
elétrico que poderia ser utilizado para
representa quanto da potência aparente foi
fornecer mais energia ativa, exigindo da fonte
transformada em campo magnético (ao
e do sistema de distribuição uma potência
circular, por exemplo, através de motores de
adicional (consequentemente, uma corrente
indução e reatores) ou campo elétrico
adicional).
(armazenado nos capacitores), sendo
medida em volt.ampère-reativo [VAr] e
expressa por:

a) cargas ligadas entre fase e neutro


Q = U 0. I . sen ϕ (1.37)

Campo magnético
b) cargas ligadas entre 2 fases
Q = U .I . sen ϕ (1.38)
Figura 1.24 Potência reativa.

c) cargas ligadas entre 3 fases


Em circuitos trifásicos equilibrados (ou
Q = 3.U . I . sen ϕ (1.39)
seja, circuitos onde as cargas nas três fases
são exatamente iguais), a potência por fase
onde, (PF ou QF) é igual a 1/3 da potência trifásica
total, ou seja, P = 3.PF e Q = 3.QF.
Q = potência reativa, em volt.ampère.reativo
[VAr];
U = tensão de linha, em volt [V] – ver figura Importante:
1.25; Fluxo de potência:
U0 = tensão de fase, em volt [V] – ver figura Cargas puramente resistivas:
1.25;
P ≠ 0; Q = 0
I = corrente de linha, em ampère [A].

Cargas puramente indutivas/capacitivas:


O termo “senϕ” é denominado fator
P = 0; Q ≠ 0
reativo (Fr).
Como os campos crescem e Cargas compostas de resistência e reatância
decrescem, acompanhando a freqüência, a (indutiva ou capacitiva):
potência reativa varia duas vezes por período
P ≠ 0; Q ≠ 0
entre a fonte de corrente e condutores. Por
isso seu valor é dado em volt-ampère reativo.
Sua existência aumenta a carga dos É importante relembrar que, condutores
geradores, dos condutores e dos vivos, conforme a NBR 5410 – Instalações
transformadores. Elétricas de Baixa Tensão - são as fases e o

CAPÍTULO 1 – CONCEITOS BÁSICOS 17


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neutro da instalação elétrica (figura 1.25), na ƒ .A tensão de fase (ou fase-neutro) é


qual se salienta: medida entre qualquer fase do sistema e
o neutro, sendo designada por U0;
ƒ A tensão de linha (ou fase-fase) é medida
entre duas fases quaisquer do sistema e
designada por U;

F F F

N U0 F U F U0 U U
Monofásico a 2 fios U0 U0 F U0 U
N
Monofásico a 3 fios N U0
(bifásico simétrico)
Trifásico a 4 fios (estrela)
U U
U0 = U0 =
2 3
Figura 1.25 Sistemas elétricos de distribuição.

Analogamente ao que foi visto para o Q


triângulo das impedâncias, da expressão tgϕ = (1.43)
P
(1.30) resulta o triângulo das potências
(figura 1.26), em que as potências ativa e Substituindo na expressão (1.40) os
reativa são catetos, podendo-se, portanto, valores de P e Q fornecidos pelas
escrever, por aplicação direta do Teorema de expressões 1.34 a 1.39, obtém-se
Pitágoras: finalmente:
a) cargas ligadas entre fase e neutro
S = U 0. I (1.44)

S b) cargas ligadas entre 2 fases


Q
S = U .I (1.45)
ϕ
c) cargas ligadas entre 3 fases
P
S = 3.U . I (1.46)
Figura 1.26 Triângulo das potências.
O termo “fator de potência” (Fp), de
maneira geral, é definido agora em termos da
relação entre a potência ativa e o produto da
S 2 = P2 + Q2 (1.40)
tensão e corrente eficazes, ou seja:
P = S ⋅ cos ϕ (1.41)
P P P 1
Fp = = = = (1.47)
Q = S ⋅ sen ϕ U ⋅I S P +Q 1 + (Q P )
(1.42) 2 2 2

CAPÍTULO 1 – CONCEITOS BÁSICOS 18


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onde, no caso de cargas passivas e No capítulo 9, será abordada a


circuitos lineares (circuitos nos quais a definição geral de Fator de Potência,
relação entre a tesão e corrente é uma reta, considerando-se a não-linearidade dos
ou seja, possuem uma variação proporcional) circuitos e os harmônicos na instalação,
em regime permanente senoidal, obtemos: situação esta encontrada na prática nos
sistemas elétricos. Até lá, assumiremos que
todos os nossos circuitos em estudo serão
P U ⋅ I ⋅ cos ϕ lineares e, portanto, nesta condição, vale a
Fp = = = cos ϕ (1.48) definição apresentada pela expressão 1.48.
U ⋅I U ⋅I

Importante:

Sistema linear: Sistema não-linear:


A relação entre a tensão e a A relação entre a tensão e a
i corrente apresenta uma i corrente apresenta uma
variação proporcional variação que não é
(graficamente é uma reta). proporcional (graficamente
As formas de onda não é uma reta). As formas
permanecem senoidais em de onda não permanecem
qualquer ponto de operação. senoidais.
u u

Uma análise gráfica da expressão Fator de potência versus relação Q / P


(1.43) nos apresenta a variação do fator de
potência devido à variação das potências 1,00
Fator de potência

0,80
ativa e reativa (figura 1.27).
0,60
0,40
0,20
De fato: 0,00
00

50

00

50

00

50

00

50

00

50

00

50

00

50

00

50

00

50

00

50

0
,0
⎛Q⎞
0,

0,

1,

1,

2,

2,

3,

3,

4,

4,

5,

5,

6,

6,

7,

7,

8,

8,

9,

9,
10
Q
tgϕ = ⇒ ϕ = arctg ⎜ ⎟ Relação Q / P

P ⎝P⎠
Figura 1.27 Variação do fator de potência devido à
Logo, variação da relação Q/P.

⎡ ⎛ Q ⎞⎤
cos ϕ = cos ⎢arctg ⎜ ⎟⎥
⎣ ⎝ P ⎠⎦ Fator de potência versus relação Q / P

Observe que, quanto maior a relação 1,00


Fator de potência

entre a potência reativa e ativa (Q/P), o que 0,80


pode ser obtido aumentando Q ou
diminuindo P, menor o fator de potência. 0,60

0,40
0,00 0,20 0,40 0,60 0,80 1,00

Relação Q / P

Figura 1.28 Detalhe da variação do fator de potência


devido à variação da relação Q/P no intervalo entre 0 e
1.

CAPÍTULO 1 – CONCEITOS BÁSICOS 19


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A figura 1.28 nos mostra com mais 1.2) é dito capacitivo ou "em avanço", onde o
precisão a variação do fator de potência com ângulo ϕ é considerado NEGATIVO.
a relação Q/P variando-se entre 0 e 1.
Desta forma, o fator de potência deverá ser
Observe que o fator de potência igual a 0,92
acompanhado sempre das palavras
é obtido para uma relação Q/P = 0,4. Mais
“indutivo” (em atraso) ou “capacitivo” (em
adiante, veremos a importância desta
avanço) para caracterizar bem a carga
indicação do fator de potência igual a 0,92.
elétrica, uma vez que a função “cos ϕ” será
Levando-se em consideração a sempre positiva para qualquer ângulo ϕ.
expressão 1.25, podemos escrever para as
potências ativa e reativa definidas pelas O fator de potência indutivo significa que a
expressões 1.34 a 1.39: instalação elétrica está absorvendo a energia
reativa. A maioria dos equipamentos elétricos
P = U × I × cos ϕ possui características indutivas em função
das suas bobinas (ou indutores), que
P = Z × I 2 × cos ϕ = R × I 2 (1.49) induzem o fluxo magnético necessário ao
seu funcionamento.
O fator de potência capacitivo significa que a
Q = U × I × senϕ
instalação elétrica esta fornecendo a energia
Q = Z × I 2 × senϕ = X × I 2 (1.50) reativa. São características dos capacitores
que normalmente são instalados para
fornecer a energia reativa que os
equipamentos indutivos absorvem. O fator de
potência torna-se capacitivo quando são
instalados capacitores em excesso. Isso
ocorre, principalmente, quando os
P equipamentos elétricos indutivos são
Q desligados e os capacitores permanecem
ligados na instalação elétrica.

I A tabela 1.2 indica, para os diversos


tipos de carga, o fator de potência e as
U Z& = R + jX Carga potências ativa e reativa. Observe que uma
elétrica carga de natureza indutiva absorve Q
positivo (Q > 0), isto é, um indutor consome
potência reativa. Como exemplo de cargas
que consomem energia reativa, temos:
transformadores, motores de indução e
Figura 1.29 Carga elétrica e o fluxo de potência. reatores. Para uma carga capacitiva temos a
absorção de Q negativo (Q < 0), isto é, um
capacitor gera potência reativa. Como
exemplo de cargas que fornecem energia
Importante:
reativa, temos: capacitores e motores
síncronos.
O fator de potência para cargas
predominantemente indutivas (resistência Mais adiante, utilizaremos esta
mais indutância - ver tabela 1.2) é dito característica importante dos elementos
indutivo ou "em atraso", onde o ângulo ϕ é capacitivos para a compensação de energia
considerado, por convenção, POSITIVO. reativa na instalação elétrica para fins de
correção do fator de potência.
Cargas predominantemente capacitivas
(resistência mais capacitância - ver tabela

CAPÍTULO 1 – CONCEITOS BÁSICOS 20


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Tabela 1.2 Tipo de carga x Fator de Potência.

Tipo de Relação Fator de P Absorvido Q. Absorvido


Fase
carga Fasorial Potência pela carga pela carga

Resistiva I& U& ϕ=0 cosϕ = 1 P>0 Q=0

Indutiva U& ϕ = +90º cosϕ = 0 P=0 Q>0


I&

Capacitiva I& U& ϕ = -90º cosϕ = 0 P=0 Q<0

Resistiva e U& 0 < ϕ < +90º 1 > cosϕ > 0 P>0 Q>0
Indutiva I&
Resistiva e I&
U& -90º < ϕ < 0 0 < cosϕ < 1 P>0 Q<0
Capacitiva

Em termos de corrente, a corrente total


que circula numa carga qualquer é resultante
da soma vetorial de duas componentes de
corrente elétrica (figura 1.30). Uma Q S S
componente que é denominada de corrente = Q

ativa (IP) e a outra que é denominada de ϕ ϕ

corrente reativa. (IQ) A soma vetorial da P P


corrente ativa e da corrente reativa é
denominada de corrente aparente (I). Convenção: em cargas predominantemente indutivas, a corrente
apresenta-se atrasada em relação a tensão e o ângulo de fase ϕ é
positivo.
IP = I × cos ϕ (1.51)
Figura 1.31 Diagrama vetorial para cargas indutivas.

IQ = I × sen ϕ (1.52)
P P

ϕ ϕ
I
IQ
S = S
ϕ Q Q

IP

Figura 1.30 Triângulo das correntes. Convenção: em cargas predominantemente capacitivas, a corrente
apresenta-se adiantada em relação a tensão e o ângulo de fase ϕ é
O diagrama vetorial das potências negativo.
(triângulo das potências) para cargas
Figura 1.32 Diagrama vetorial para cargas capacitivas.
indutivas e capacitivas é mostrado nas
figuras 1.31 e 1.32, respectivamente.

CAPÍTULO 1 – CONCEITOS BÁSICOS 21


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Observe que o ângulo de fase "ϕ"


(ângulo de defasamento entre tensão e
corrente) é o mesmo ângulo de defasamento 10 Ω
entre a potência aparente S e a potência
ativa P. U& = 110 ∠0º V

j10 Ω
EXEMPLO 1.5 Calcule a impedância, as potências
ativa, reativa e o fator de potência de um circuito
monofásico a 2 fios (FN) com U& = 127 ∠30º V e
I& = 10 ∠60º A .

Solução:

I& = 10 ∠60º A
a) corrente
Z
de (1.25) e (1.26),
Z& = 10 + j10 = 14,14 ∠45º Ω

U& 110 ∠0º


I& = = = 7,78 ∠ − 45º Ω
Solução: Z& 14,14 ∠45º

a) impedância da carga:
b) fator de potência
de (1.25),
de (1.19a),
U& 127∠30º
Z& = = = 12,7∠ − 30º Ω
I& 10∠60º ⎛ XL ⎞
ϕ = arctg⎜
⎛ 10 ⎞
⎟ = arctg⎜ ⎟ = 45º
⎝R⎠ ⎝ 10 ⎠
b) potência ativa Fp = cos(ϕ ) = cos(45º ) = 0,71

de (1.34),
P = U 0. I . cosϕ c) potências ativa e reativa na impedância

P = 127.10. cos(− 30 º ) = 127 ⋅ 10 ⋅


3
= 1.100 W P = U ⋅ I ⋅ cos(ϕ ) = 110 × 7,78 × cos(45º ) = 605,14 W
2
c) potência reativa Q = U ⋅ I ⋅ sen(ϕ ) = 110 × 7,78 × sen(45º ) = 605,14 VAr

de (1.37),
Q = U 0. I . sen ϕ 1.4.1 Potência complexa

Q = 127.10.sen(− 30 º ) = 127 ⋅ 10 ⋅ −
1
= −635 VAr Sejam os vetores de tensão e corrente
2 abaixo:
d) fator de potência U& = U ∠α (1.53)
cos ϕ = cos (− 30 º ) = 0,866 (capacitivo ou em avanço)
I& = I ∠β (1.54)
EXEMPLO 1.6 Calcule o fator de potência e as
potências ativa e reativa em uma impedância com R = Vamos definir o fasor conjugado da
10 Ω e XL = j10 Ω, sabendo que U& = 110 ∠0º V . corrente por:
I&* = I ∠ − β (1.55)

CAPÍTULO 1 – CONCEITOS BÁSICOS 22


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Define-se potência complexa como o impedâncias ligadas em paralelo em um


"produto do fasor da tensão pelo conjugado circuito. Conforme a figura (1.33),
da corrente", ou seja:
S&T = U& ⋅ I&* = U& ⋅ (I&1 + I&2 + ... + I&n )
S&T = S&1 + S& 2 + ... + S& n = ∑i =1 S&i
n
(1.60)
S& = U& × I&* (1.56)
de onde,
Obtemos, de (1.53) e (1.55) em (1.56):
S&T = ∑i =1 S& i = ∑i =1 (Pi + jQi )
n n

S& = (U ∠α )× (I ∠ − β ) = U ⋅ I ∠α − β
S&T = PT + jQT = PT + QT
2 2
(1.61)

Sendo o ângulo de fase ϕ, como já PT = P1 + P2 + ... + Pn (1.62)


visto, igual a (α - β) e, com o auxílio das
expressões 1.49 e 1.50, obtém-se as QT = Q1 + Q2 + ... + Qn (1.63)
expressões da potência complexa (1.57 e
1.58): PT
cos ϕ = (1.64)
QT
S& = U × I ∠ϕ (1.57)
Estes resultados obtidos (que são
válidos também para cargas ligadas em
S& = (U × I × cosϕ ) + j (U × I × senϕ ) série) mostram que o triângulo de potência
para a rede total pode ser obtido através da
S& = P + jQ (1.58) ligação dos triângulos de potência para os
ramos, do vértice de uma carga a outra. Por
exemplo, para um circuito com 2 cargas
indutivas (cargas 1 e 3) e uma capacitiva
Em temos da impedância,
(carga 2), teremos a seguinte composição do
triângulo de potência indicada na figura 1.34.
S& = U& × I * = (Z& × I& )× I&* = Z& × I 2 (1.59)

A potência aparente também é uma


grandeza útil para analisar um conjunto de

I I
P1 P2 Pn PT
U Q1 Q2 Qn = U QT
cosϕ1 cosϕ2 cosϕn cosϕT

Figura 1.33 Potência aparente total em um circuito.

CAPÍTULO 1 – CONCEITOS BÁSICOS 23


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ST S3

P2 Q3
QT
Q2
S2
S1
Q1 P3
P1

PT

Figura 1.34 Representação vetorial dos triângulos de potência para um conjunto de cargas.

EXEMPLO 1.7 Obtenha informações completas sobre U& 35,4∠30º


a potência de uma rede passiva, considerando-se uma I& = = = 3,5∠ − 23,13º A
impedância Z = 6 + j8 Ω e tensão u = 50 cos (1000t + Z& 10∠53,13º
30º) V.

Aplicando-se a expressão (1.57) , obtemos:


Solução:
S& = U ⋅ I ∠ϕ = 35,4 × 3,5 ∠53,13º S& = 123,9 ∠53,13º VA
Da expressão u = 50 cos (1000t + 30º), obtemos:

Umáx = 50 V De (1.58), com cos 53,13º = 0,6 e sen 53,13º = 0,8,


obtemos:
α = 30º
S& = (U × I × cosϕ ) + j (U × I × senϕ )
Da expressão Z = 6 + j8 Ω, obtemos, por comparação
S& = (35,4 × 3,5 × 0,6) + j (35,4 × 3,5 × 0,8)
com (1.26): S& = 74,3 + j99,1 = P + jQ
R=6ΩeX=8Ω Dos cálculos acima, tiramos as seguintes conclusões:

P = 74,3 W
De (1.16) e (1.19), obtemos:
Q = 99,1 VAr (indutivo)
Z = 6 2 + 8 2 = 10 S = 123,9 VA
ϕ = 53,13º
ϕ = arctg (8 / 6) = 53,13º
FP = cosϕ = 0,6 (indutivo)
Z = 10∠53,13º
Observações:
Da expressão (1.5), temos: 1. Observe que poderíamos também obter o ângulo
de fase ϕ, como já visto, pelo ângulo de
Umáx 50 defasagem entre tensão e corrente, ou seja: ϕ =
U= = = 35,4 V
2 2 30º - (-23,13º) = 53,13º.
2. Se for refeito o exemplo 1.7 considerando-se uma
reatância capacitiva ao invés da indutiva, ou seja,
O fasor da tensão será: uma impedância Z = 6 –j8 Ω, teríamos os
seguintes resultados:
U& = U ∠α = 35,4 ∠30º
ƒ P = 74,3 W;

Da expressão (1.25), temos: ƒ Q = 99,1 VAr (capacitivo) ou -99,1 VAr;


ƒ S = 123,9 VA;

CAPÍTULO 1 – CONCEITOS BÁSICOS 24


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ƒ ϕ = - 53,13º; EXEMPLO 1.9 Determine as potências ativa e reativa


(por fase e total) de uma carga trifásica ligada em
ƒ FP = cosϕ = 0,6 (capacitivo).
estrela com impedância Z = (8 + j6) Ω/fase e tensão de
linha igual a 220V.
EXEMPLO 1.8 Obter os dados completos de potência
para um circuito passivo com tensão aplicada e
corrente resultante de: I&
a
a

u = 220 cos (ωt + 10º)V U = 220 V (8 + j6) Ω

i = 10 cos (ωt - 60º)A b


U& a (8 + j6) Ω
Solução:
c
Da expressão da tensão (u), temos: (8 + j6) Ω

Umáx = 220 V e α = 10º

Da expressão (1.5), temos:


Umáx 220 Figura 1.35 Carga trifásica equilibrada em estrela.
U= = = 155,6 V
2 2

O fasor da tensão será:


Solução:
U& = U ∠α = 155,6 ∠10º
Da expressão da corrente (i), temos: Pela figura 1.35, temos que:

Z& = 8 + j 6 = 10∠36,9º e
Imáx = 10 A e β = -60º
Da expressão (1.6), temos: Ua = Ub = Uc = U 3 = 220 3 = 127 V
U = Imáx / √2 = 10 / √2 = 7,1 A A corrente de linha para um circuito trifásico equilibrado
é a mesma em cada uma das fases e é calculado por:
Im áx 10
U= = = 7,1 V
2 2 U& 220 3 ∠0º
I&a = I&b = I&c = = = 12,7∠ − 36,9º
Z& 10∠36,9º
O fasor da corrente será:
onde ϕ (ângulo da impedância) é igual a 36,9º.
I& = I ∠β = 7,1 ∠ − 60º

De (1.36), temos que a potência ativa total é obtida


Utilizando a potência complexa temos, de (1.56): por:
S& = U& × I& * P = 3 ⋅ U ⋅ I ⋅ cosϕ = 3 ⋅ 220 ⋅12,7 ⋅ cos(36,9º ) P = 3.870 W
S& = (155,6 ∠10º ) × (7,1 ∠60º ) = 1.104∠70º
S& = 377,9 + j1.038,1 A potência ativa por fase em um sistema trifásico
equilibrado é calculada por:
Assim:
P 3.870
Pa = Pb = Pc = = = 1.290W
ƒ P = 377,9 W; 3 3
ƒ Q = 1.038,1 VAr (indutivo);
ƒ S = 1.104 VA; De (1.39), temos que a potência reativa total é obtida
ƒ FP = cosϕ = cos (70º) = 0,34 (indutivo). por:

CAPÍTULO 1 – CONCEITOS BÁSICOS 25


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Q = 3 ⋅ U ⋅ I ⋅ senϕ = 3 ⋅ 220 ⋅12,7 ⋅ sen(36,9º ) é necessária ao funcionamento de motores.


Q = 2.905,6 W Ela é responsável pela magnetização dos
enrolamentos de motores e transformadores.

A potência reativa por fase em um sistema trifásico


O oposto da energia reativa indutiva é a
equilibrado é calculada por: energia reativa capacitiva, e por isto ela é
expressa na mesma unidade, porém com
Q 2.905,6
Qa = Qb = Qc = = = 968,5 VAr valor negativo. A energia reativa capacitiva
3 3 é normalmente fornecida ao sistema elétrico
por capacitores.
Podemos chegar ao mesmo resultado utilizando-se da Outra forma de se explicar energia
expressão (1.59) para calcular a potência aparente por
fase:
reativa é considerando-se o sincronismo
entre tensão e corrente. Quando temos
S& = Z& × I 2 = 10∠36,9º × (12,7 ) apenas cargas resistivas, a tensão e a
2

S& = 1.612,9∠36,9 º = 1.290 + j 968,5 = P + jQ corrente estão perfeitamente em fase. Ao


ligarmos uma carga indutiva (motor), a
corrente se "atrasa" em relação à tensão. As
1.4.2 Medição de energia cargas capacitivas fazem o oposto, ou seja,
"atrasam" a tensão em relação à corrente.
Como sabemos, o resultado da Por esta razão é que utilizamos capacitores
multiplicação da corrente pela tensão para corrigir o baixo fator de potência
instantânea é denominada de potência. causado pelas cargas indutivas da maioria
Assim, o produto da corrente ativa numa das instalações elétricas.
carga pela tensão a que está submetida esta Para efetuar a medição da energia ativa
carga resulta na potência ativa da carga e o nas instalações dos médios e grandes
produto da corrente reativa numa carga pela consumidores industriais, as concessionárias
tensão a que está submetida esta carga utilizam medidores de energia ativa - kWh
resulta na potência reativa da carga e, a (quilowatímetros). O modelos mais comuns
soma vetorial da potência ativa e da potência são os eletromecânicos, e são dotados de
reativa de uma carga resulta na potência um disco que gira com velocidade
aparente da carga. Sabemos também, que o proporcional ao consumo de energia ativa a
resultado da multiplicação da potência pelo cada instante. Estes medidores são
tempo é denominado “energia”. Assim, o parecidos com o que temos em nossas
produto da potência ativa de uma carga por casas. A principal diferença é que o medidor
um intervalo de tempo "t" resulta na energia é dotado de um dispositivo que emite um
ativa da carga e, o produto da potência número determinado de pulsos a cada volta
reativa de uma carga pelo mesmo intervalo do disco. Estes pulsos são utilizados pelos
de tempo "t" resulta na energia reativa da sistemas de controle de demanda e fator de
carga e, a soma vetorial da energia ativa e potência quando não existe a transmissão
da energia reativa de uma carga, se serial de informações (usada nos
podemos dizer assim, resulta na energia registradores/medidores com saída serial
aparente da carga. para o usuário).
A energia elétrica ativa é normalmente Além dos medidores de energia ativa,
expressa e medida em kWh (kilo-watt-hora) e são também instalados medidores de
a energia elétrica reativa é normalmente energia reativa (kVArh), para que as
expressa em kVArh (kilo - concessionárias possam medir o fator de
volt.ampère.reativo-hora). Por convenção, potência na instalação. Da mesma forma,
quando a energia reativa é dada em valores são utilizados medidores eletromecânicos de
positivos ela é indutiva, e quando negativa energia reativa, na maioria das empresas.
ela é capacitiva. A energia reativa indutiva Entretanto, como os pulsos são iguais

CAPÍTULO 1 – CONCEITOS BÁSICOS 26


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quando o disco gira para o lado certo Com este artifício, as concessionárias
(energia reativa indutiva) ou para o lado podem medir fator de potência até 0,866
errado (energia capacitiva), e não se deseja capacitivo, e por este motivo os medidores
confundir os registradores ou controladores de kQh são muito comuns por todo o país.
que recebem estes pulsos, os medidores Na área de atuação da Eletropaulo, por
possuem uma trava que impede que o disco exemplo, quase a totalidade das instalações
gire para o lado errado. Assim, os medidores são feitas com medidores de kQh.
de kVArh normalmente só medem (e emitem
Fórmulas úteis:
pulsos) de energia reativa indutiva.
Com isto, os registradores nunca
"enxergam" energia capacitiva se o medidor 2.kQh − kWh
instalado for um medidor de kVArh. Para kVArh = (1.65)
3
minimizar este problema, algumas
concessionárias costumam utilizar medidores
especiais, preparados para medir energia 1
kVArh = kWh × −1 (1.66)
reativa em kQh. FP 2

( )
Para uma melhor compreensão, veja a
figura 1.36. Vetorialmente, o eixo da energia kWh + 3 × kVArh
kQh = (1.67)
reativa em kQh está 30º adiantado em 2
relação ao eixo da energia reativa em kVArh.
1
FP = 2
(1.68)
⎛ kVArh ⎞
⎜ ⎟ +1
⎝ kWh ⎠

A partir de 1996, passou-se a utilizar


sistemas de medição eletrônicos por todo o
país. A grande diferença entre um registrador
e um medidor eletrônico é que este último
dispensa o uso dos medidores
eletromecânicos.
kVArh
Os medidores eletrônicos são mais
Ind. modernos, mais fáceis de calibrar e testar,
kQh
mais baratos, e mais simples de instalar.
30º Com tantas vantagens, não há dúvida que as
instalações com medidores eletromecânicos
e registradores serão eliminadas aos poucos
pelas concessionárias.
kWh
No que se refere à medição de energia
reativa, os medidores eletrônicos são muito
mais eficientes. Eles têm a capacidade de ler
a energia reativa, seja ela indutiva ou
Cap. capacitiva.

Figura 1.36 Medição de energia em kQh.

Tabela 1.3 Medidores eletrônicos versus eletromecânicos.

CAPÍTULO 1 – CONCEITOS BÁSICOS 27


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Sistemas com medição eletrônica Sistemas com medidores eletromecânicos


Várias grandezas no mesmo instrumento Um instrumento para cada grandeza
Leituras instantâneas diretas permitem o registro Valores precisam ser processados, e não podem
histórico de todas as grandezas elétricas ser usados em manutenção preventiva.
Demanda e Fator de Potência instantâneos Demanda e Fator de Potência1 projetados2
Leituras de tensão e corrente por fase Não informa valores de tensões e correntes
Leituras de potências3 por fase Não informa valores de potência
Leituras de Distorções Harmônicas4 Não informa valores de distorções harmônicas
Valores de consumos devem ser acumulados pelo
Leituras de consumos acumulados (ativo e reativo)
sistema de gerenciamento5
Consistência dos dados é total (inclusive dos Consistência pode ser quebrada por falta de
acumuladores) energia nos diversos componentes do sistema
Leituras detalhadas auxiliam a conferência da Requer muita experiência para garantir a correta
ligação do próprio medidor ligação dos medidores
Instalação simplificada (rede serial RS-485 com Cabos de cada ponto de medição devem ser
um par de fios apenas) levados até a CPU central
Menor número de componentes (apenas os Vários componentes adicionais (emissores de
medidores e o gerenciador) pulsos, placas de entradas, etc.)
Maior confiabilidade e precisão (até 0,2%) Partes móveis diminuem a precisão (entre 1 e 2%)
Calibração única (na fabrica) Necessidade de calibrações periódicas
1
Disponível apenas se forem instalados medidores de energia reativa.
2
Não são divulgadas informações sobre os algoritmos de projeção destas grandezas no caso das medições setoriais.
3
Potências ativa, reativa e aparente (total).
4
Apenas alguns modelos de medidores.
5
Valores podem ser inconsistentes em caso de falta de energia.
Fonte: www.engecomp.com.br (divulgação)

Medição de energia em consumidores residenciais

O medidor de energia localizado no padrão de entrada de uma instalação elétrica residencial (vulgarmente conhecido
como “relógio”) é o responsável pela medição da energia (potência ativa, ou seja, a parcela da potência aparente que
efetivamente realiza trabalho). Não há mediação de energia reativa, como nas instalações industriais.
Este medidor mede a potência ativa consumida por hora, ou seja, o kWh. A concessionária de energia possui um valor
pré-fixado do preço do kWh. Mensalmente, é realizada uma leitura do medidor de energia para que possa ser cobrado
do consumidor. A diferença entre a leitura atual e a realizada no mês anterior é o valor em kWh efetivamente a ser
cobrado.
Por exemplo, se no mês atual a leitura foi 15.724 kWh e no mês anterior foi 15.510 kWh, o valor a ser cobrado será
referente a 214 kWh.
Existem dois tipos de relógio ou medidor de kWh (veja figura 1.26):
ƒ Primeiro tipo: É aquele que funciona como um medidor de quilometragem de automóvel. Nesse caso, os números
que aparecem no visor já indicam a leitura;

ƒ Segundo tipo: É aquele que tem quatro ou cinco círculos com números, sendo que cada círculo é semelhante a
um relógio. Nesse caso, os ponteiros existentes dentro de cada círculo indicam a leitura. Esses ponteiros
movimentam-se sempre na ordem crescente dos números. Quando estão entre dois números, deve-se contar
sempre o número menor.

O seu consumo de energia elétrica pode ser verificado em qualquer período: por hora, dia, semana ou mês. Porém, a
leitura da concessionária de energia é mensal.

CAPÍTULO 1 – CONCEITOS BÁSICOS 28


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Quando o assunto é eficiência Apesar da economia real em watts, as


energética, além do consumo que é medido mesmas necessitam de mais energia do
em kWh, uma outra importante característica sistema para funcionarem, e é justamente
quanto à qualidade energética dos isto o que nos interessa para a eficiência do
dispositivos eletroeletrônicos é o Fator de setor elétrico.
Potência, raramente (infelizmente) levado em
A ABNT, através da NBR 14418,
consideração. Um caso típico é a
estabeleceu normas técnicas para os
substituição de lâmpadas incandescentes
reatores eletrônicos de lâmpadas acima de
pelas fluorescentes (principalmente as
60W, referente a alguns critérios, tais como
compactas). A economia de energia para o
fator de potência e conseqüente distorção
sistema elétrico, neste tipo de substituição, é
harmônica da corrente.
um tanto ilusória. Apesar do fato das
fluorescentes possuírem uma maior eficácia Infelizmente, visto que o maior volume
luminosa, ou seja, maior relação lúmens por de vendas, principalmente em instalações
watts, para funcionarem, necessitam de um elétricas residenciais, é abaixo de 60W
dispositivo auxiliar, o "velho" reator, cujo fator (principalmente as fluorescentes compactas),
de potência fica entre 0,4 e 0,55 (valores continuaremos sem normas para orientarem
para os reatores eletrônicos presentes nas os fabricantes de reatores, e continuaremos
lâmpadas fluorescentes compactas). utilizando cargas de baixo fator de potência.

CAPÍTULO 1 – CONCEITOS BÁSICOS 29


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Capítulo
Fator de Potência:
fundamentos, causas e
conseqüências
II

CAPÍTULO 2 – FATOR DE POTÊNCIA: FUNDAMENTOS, CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS 30


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2 Fator de potência: fundamentos, causas e consequências

Sumário do capítulo
2.1 FUNDAMENTOS DO FATOR DE POTÊNCIA
2.2 POR QUE PREOCUPAR-SE COM O DO FATOR DE POTÊNCIA?
2.3 CAUSAS DE UM BAIXO FATOR DE POTÊNCIA
2.3.1 Motores de indução operando em vazio ou superdimensionados
2.3.2 Transformadores operando em vazio ou com pequenas cargas
2.3.3 Lâmpadas de descarga
2.3.4 Grande quantidade de motores de pequena potência em operação durante um longo período
2.3.5 Tensão acima da nominal
2.3.6 Cargas especiais com consumo de reativo
2.4 CONSEQUÊNCIAS DE UM BAIXO FATOR DE POTÊNCIA
2.4.1 Aumento das perdas na instalação
2.4.2 Aumento da queda de tensão
2.4.3 Subutilização da capacidade instalada
2.4.4 Sobrecarga nos equipamentos de manobra, proteção e controle
2.4.5 Aumento da seção nominal dos condutores

Em qualquer instalação elétrica estão indicadas através das expressões


alimentada em corrente alternada, como (1.40) à (1.43).
sabemos, a energia elétrica absorvida pode
O termo “fator de potência” (Fp), de
ser decomposta em duas parcelas: ativa (P)
maneira geral, é definido em termos da
e reativa (Q). A composição destas duas
relação entre a potência ativa e o produto da
formas de energia resulta na energia
tensão e corrente eficazes, ou seja:
aparente ou total (S).
P P P
Fp = = = (2.1)
U ⋅I S P + Q2
2

Também vimos que, no caso redes


P
lineares em regime permanente senoidal, o
S
Q fator de potência da instalação (Fp) é igual
ao cosseno do ângulo de defasagem entre
Figura 2.1 Consumo de potência ativa e reativa em um
as ondas de tensão e corrente, ou seja:
sistema elétrico.
P U ⋅ I ⋅ cos ϕ
Fp = = = cos ϕ (2.2)
U ⋅I U ⋅I

2.1 Fundamentos do fator de É importante salientar mais uma vez


potência que o fator de potência num sistema não-
linear (onde a senóide da tensão e/ou
O fator de potência, cujo significado já corrente apresenta-se distorcida), situação
foi visto no capítulo 1, é obtido pela relação esta encontrada na prática nos sistemas
trigonométrica do triângulo das potências elétricos industriais, não respeita as fórmulas
(veja a figura 1.26), em que as potências vistas até o momento se não forem
ativa e reativa são os catetos do triângulo instalados filtros ou indutores nos
retângulo. Estas relações trigonométricas equipamentos que geram harmônicas. Mais
adiante, veremos como conviver nas

CAPÍTULO 2 – FATOR DE POTÊNCIA: FUNDAMENTOS, CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS 31


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instalações elétricas com harmônicas (ou outra forma de energia, ou seja, estaria
mesmo eliminá-las) e qual a influência das desperdiçando toda a energia recebida. Não
mesmas no cálculo do fator de potência da precisamos nem dizer que esta situação é
instalação. Até lá, assumiremos as condições totalmente indesejável em um processo de
de contorno dos sistemas lineares e conversão de energia.
utilizaremos a expressão 2.2 para o cálculo
O fator de potência nas instalações
do fator de potência.
residenciais e institucionais é, via de regra,
Desta forma, sendo a potência ativa bem próximo da unidade, devido ao
uma parcela da potência aparente, pode-se predomínio das cargas resistivas. Nas
dizer que o fator de potência representa uma instalações industriais, no entanto, onde
percentagem da potência aparente que é predominam cargas indutivas (principalmente
transformada em potência útil (ou seja, motores elétricos de indução), o fator de
traduz o quanto da potência aparente potência assume, por vezes, valores bem
efetivamente produziu trabalho), como por inferiores à unidade.
exemplo, potência mecânica, térmica ou
luminosa. Ele indica a eficiência com a qual a
energia está sendo utilizada em um sistema EXEMPLO 2.1 Calcule o fator de potência para um
elétrico. Um alto fator de potência (próximo sistema elétrico em regime permanente senoidal que
trabalha com uma potência de 100 kW e consome 125
de 1) indica uma eficiência alta e, kVA.
inversamente, um fator de potência baixo
indica baixa eficiência na conversão de
Solução:
energia (potência), evidenciando seu mau
aproveitamento, além de representar
sobrecarga em todo sistema elétrico, tanto De (2.1), temos:
do consumidor como da concessionária.
P 100
Fp = = = 0,8 = 80%
O fator de potência é uma grandeza S 125
adimensional, ou seja, não possui unidade
de medida, podendo assumir valores
intermediários na faixa de 0 a 1 (ou em
termos percentuais, de 0 a 100%). 2.2 Por que preocupar-se com o fator
Quando o fator de potência é igual a 1 de potência?
(100%), significa que toda potência aparente
é transformada em potência ativa. Isto Para termos uma idéia da relação entre
acontece nos equipamentos que só possuem as potências ativa e aparente, vamos fazer
resistência, tais como: chuveiro elétrico, uma analogia com um copo de cerveja
torneira elétrica, lâmpadas incandescentes, (figura 2.2).
equipamentos de aquecimento em geral, etc.
Por outro lado, quando o fator de
potência é menor que 1, significa que apenas
uma parcela da potência aparente é
Espuma
transformada em potência ativa. Isto
acontece nos equipamentos que possuem
resistência e reatância, como os motores
elétricos e os reatores das lâmpadas
fluorescentes. Líquido

Apenas como comparação, um


equipamento de utilização que indicasse
fator de potência igual a zero não Figura 2.2 Analogia entre energia ativa e reativa.
transformaria a energia elétrica em nenhuma

CAPÍTULO 2 – FATOR DE POTÊNCIA: FUNDAMENTOS, CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS 32


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Num copo de cerveja temos uma parte adequadas, substancial despesa extra, além
ocupada só pelo líquido e outra ocupada só de sobrecarga nos transformadores, nos
pela espuma. Se quisermos aumentar a alimentadores, bem como menor rendimento
quantidade de líquido teremos que diminuir a e maior desgaste nas máquinas e
espuma. Assim, de maneira semelhante ao equipamentos em geral.
copo de cerveja, a potência elétrica
solicitada, por exemplo, por um motor elétrico
EXEMPLO 2.2 Calcule as potências reativa e aparente
comum, é composta de potência ativa (que para um sistema elétrico com fatores de potência iguais
corresponde ao líquido) e potência reativa a 70% (indutivo) e 95% (indutivo).
(que corresponde à espuma). Como já
vimos, a soma vetorial das potências ativa e Solução:
reativa é a potência aparente, que
corresponde ao volume do copo (líquido mais Na figura 2.3, os triângulos demonstram como o
espuma). consumo da potência reativa diminui com a melhoria do
fator de potência. Com uma carga de 100 kW com o
Assim como o volume do copo é fator de potência de 70% (indutivo), precisamos de 142
limitado, também a capacidade de fornecer kVA:
potência aparente (por intermédio dos
transformadores) é limitada de tal forma que, P P 100kW
FP = ⇒S= = = 142kVA
se quisermos aumentar a potência ativa em S FP 0,7
um circuito de uma instalação elétrica, temos
Com um fator de potência de 95% (indutivo), apenas
que reduzir a potência reativa. 105 kVA são absorvidos:
É mais fácil agora compreender por que
se diz que "um baixo fator de potência é FP =
P
⇒S=
P
=
100kW
= 105kVA
prejudicial à instalação elétrica". De fato, S FP 0,95
quanto menor o fator de potência, menor a Um outro modo de ver o problema é que, com um fator
eficiência com a qual a instalação elétrica de potência de 70%, precisamos de 35% a mais de
estará funcionando. A conseqüência imediata corrente para fazer o mesmo trabalho, pois, como a
é o pagamento de uma alta conta de energia corrente é proporcional a potência aparente consumida
pela carga (veja as expressões 1.44, 1.45 e 1.46),
elétrica, pois se necessita de muita energia temos que 142kVA/105kVA é igual a 1,35, ou seja,
para obter pouco trabalho. 35% a mais.
Observe o exemplo 2.1: com um fator Por exemplo, supondo o sistema elétrico trifásico com
de potência igual a 0,8, o sistema elétrico tensão 480 V (tensão fase-fase), temos, da expressão
(1.46):
está aproveitando apenas 80% da energia
fornecida pela concessionária de energia.
Isto quer dizer que apenas 80% da corrente a) fator de potência 70%:
que entra está produzindo trabalho útil.
S 142kVA
De fato, um baixo fator de potência I= = = 171A
numa instalação significa, como será 3 ×U 3 × 0,48kV
analisado adiante, sobrecarga em todo o
sistema de alimentação, desde a rede da
b) fator de potência 95%:
concessionária até a parte interna da
instalação, incluindo os equipamentos em S 105kVA
uso. Tanto assim que, uma vez constatado I= = = 126 A
um fator de potência de valor inferior a um 3 ×U 3 × 0,48kV
valor mínimo prefixado, as concessionárias
se vêem na contingência de, de acordo com o que equivale, conforme mencionado, a uma
a legislação em vigor, cobrar uma sobretaxa relação de 35% de diferença entre os dois valores
ou multa (ver capítulo 6). Isto representa, de corrente calculados.
para quem não está com suas instalações

CAPÍTULO 2 – FATOR DE POTÊNCIA: FUNDAMENTOS, CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS 33


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S2 = P2 +Q2 ⇒ Q2 = S2 − P2
142kVA Q = (S − P )
2 2

100kVA r
ϕ = 45º Q = (142 − 100 ) =
2 2
10 . 164 = 100 kVAr
100kW ⎛Q ⎞ ⎛ 100 kVAr ⎞
ϕ = arctan ⎜ ⎟ = arctan ⎜ ⎟ = arctan (1 ) = 45 º
⎝P⎠ ⎝ 100 kW ⎠

S2 = P2 + Q2 ⇒ Q2 = S2 − P2

105kVA
Q = (S − P )
2 2

ϕ = 17,8º 32kVA r Q = (105 − 100 ) =


2 2
1 . 025 = 32 kVAr
100kW ⎛Q ⎞ ⎛ 32 kVAr ⎞
ϕ = arctan ⎜ ⎟ = arctan ⎜ ⎟ = arctan (0 , 32 ) = 17 ,8 º
⎝P⎠ ⎝ 100 kW ⎠
Figura 2.3 Triângulos de potência do exemplo 2.2.

O gráfico da figura 2.4 mostra os efeitos Tabela 2.1 Variação da corrente conforme o gráfico da
de vários valores de fator de potência sobre figura 2.4.
um sistema elétrico trifásico com uma
demanda de 100 kW em 480 V. Fp 100% 90% 80% 70% 60%

Para o gráfico apresentado, temos as I [A] 120 133,7 150,5 170 201
variações no consumo de corrente devido à
variação do fator de potência apresentados
na tabela 2.1.

Características do FP em cargas de 100kW

200
167
142
150 125 133
111
100 100 100 100 100 100 100
100 75
48
50
0
0
100% 90% 80% 70% 60%

Fator de Potência
kW kVAr kVA

Figura 2.4 Características do fator de potência em cargas de 100 kW.

CAPÍTULO 2 – FATOR DE POTÊNCIA: FUNDAMENTOS, CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS 34


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EXEMPLO 2.3 Calcule a corrente demandada de uma EXEMPLO 2.4 Para uma indústria que possui a carga
rede trifásica de 220 V para uma carga de 200 kW com instalada abaixo indicada, calcule as potências
fator de potência igual a 0,7 (indutivo). Calcule também aparente, ativa, reativa e o fator de potência da
qual seria o valor da corrente se o fator de potência instalação.
fosse igual a 0,92.

Solução:
Quadro 1

Iluminação incandescente
Triângulo de potência:

Quadro 2
ϕ1 = ar cos(0,70) = 45,57º

Alimentação elétrica
Iluminação fluorescente

ϕ 2 = ar cos(0,92) = 23,07º
Quadro 3

Motores de indução (assíncronos)


S1
Quadro 4
S2
Motores síncronos
ϕ1
ϕ2

P = 150 kW
a) Iluminação incandescente: 25 kW;

b) Iluminação fluorescente: demanda máxima de 150


De (1.47):
kW; fator de potência (médio) = 0,9 (indutivo);
P1 200
S1 = = = 286kVA c) Motores de indução diversos: demanda máxima de
Fp1 0,70
300 cv = 221 kW; fator de potência (médio) de 0,85
P2 200 (indutivo);
S2 = = = 217kVA
Fp2 0,92
d) Dois motores síncronos de 50 cv acionando
compressores (2 x 50 cv = 100 cv ou 73,6 kW); fator de
potência de 0,9 (capacitivo).
De (1.46), para cos ϕ1, temos:
Solução:
S1 286kVA
I1 = = = 751A
3 ×U 3 × 0,22kV
Consideremos cada tipo de carga isoladamente:
Para cos ϕ2, temos:
S2 217kVA a) Iluminação incandescente: P = 25 kW; cosϕ = 1
I2 = = = 570 A
3 ×U 3 × 0,22kV (carga resistiva)
Observa-se que ocorre uma redução na corrente
de 24% (751 – 570 = 181A) com a elevação do fator de
potência de 0,70 para 0,92. P 25kW
S= = = 25kVA
cos ϕ 1
ϕ = ar cos(1) = 0º
Q = P × tgϕ = 25kW × 0 = 0

CAPÍTULO 2 – FATOR DE POTÊNCIA: FUNDAMENTOS, CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS 35


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Diagrama vetorial: d) Motor síncrono: P = 73,6 kW; cosϕ = 0,90


(capacitivo)
S = 25kVA
P = 25kW P 73,6kW
S= = = 81,78kVA
cos ϕ 0,90
Figura 2.5 Diagrama vetorial do exemplo 2.4, para
cosϕ = 1.
ϕ = ar cos( −0,90) = −25,84º
Q = P × tgϕ = 73,6kW × tg ( −25,84º ) = −35,6kVAr

b) Iluminação fluorescente: P = 150 kW; cosϕ = 0,90


(indutivo) Diagrama vetorial:

P = 73,6kW
P 150kW
S= = = 167 kVA
cos ϕ 0,90 ϕ = −25,84°
ϕ = ar cos(0,90) = 25,84º Q = - 35,6kVAr
Q = P × tgϕ = 1507 kW × tg (25,84º ) = 72,6kVAr S = 81,7kVA

Diagrama vetorial:
Figura 2.8 Diagrama vetorial do exemplo 2.4, para
cosϕ = 0,9 (capacitivo).
S = 167 kVA
Q = 72,6 kVAr
ϕ = 25,84°
Somando os vetores das cargas, temos:
P = 150 kW

Figura 2.6 Diagrama vetorial do exemplo 2.4, para Potência ativa total (PT):
cosϕ = 0,9 (indutivo). = 25 + 150 + 221 + 73,6 = 469,6 kW

c) Motores de indução diversos: P = 221 kW; cosϕ = Potência reativa total (QT):
0,85 (indutivo)
= 0 + 72,6 + 137 - 35,6 = 174 kVAr

P 221kW
S= = = 260kVA QT 174
cos ϕ 0,85 tgϕT = = = 0,37
PT 469,6
ϕ = ar cos(0,85) = 31,79º
ϕT = artg (0,37) = 20,33º
Q = P × tgϕ = 221kW × tg (31,79º ) = 137 kVAr
PT 469,6kW
ST = = = 500,8kVA
Diagrama vetorial: cos ϕT cos(20,33º )
cos ϕT = cos(21,21º ) = 0,938

S = 260kVA O triângulo de potência para a carga total


Q = 137kVAr
será:
ϕ = 31,79°
P = 221kW

Figura 2.7 Diagrama vetorial do exemplo 2.4, para


cosϕ = 0,85 (indutivo).

CAPÍTULO 2 – FATOR DE POTÊNCIA: FUNDAMENTOS, CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS 36


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P 73,6kW
S= = = 86,59kVA
ST = 500,8 kVA cos ϕ 0,85
QT = 174 kVAr ϕ = ar cos(0,85) = 31,79º
ϕΤ = 20,33°
Q = P × tgϕ = 73,6 × tg (31,79º ) = 45,62kVAr
PT = 469,6 kW
As potências totais instaladas seriam:
Figura 2.9 Diagrama vetorial do exemplo 2.4, para Potência ativa total (PT)
cosϕT = 0,938.
= 25 + 150 + 221 + 73,6 = 469,6 kW

É importante observar que, se não houvesse o


motor síncrono, teríamos um fator de potência bem Potência reativa total (QT)
menor que 0,938. De fato, teríamos: = 0 + 72,6 + 137 + 45,62 = 255,2 kVAr
Potência ativa total (PT):
= 20 + 150 + 221 + 73,6 = 391 kW QT 255,2
tgϕT = = = 0,543
PT 469,6
Potência reativa total (QT): ϕT = artg (0,543) = 28,52º
= 0 + 72,6 + 137 - 35,6 = 209,6 kVAr PT 469,6kW
ST = = = 534,5kVA
cos ϕT cos(28,52º )
QT 209,6 cos ϕT = cos(28,52º ) = 0,879
tgϕT = = = 0,536
PT 391
ϕT = artg (0,536) = 28,19º
PT 391kW
ST = = = 443,6kVA ST = 534,5 kVA
cos ϕT cos(28,19º ) QT = 255,2 kVAr
cos ϕT = cos(28,19º ) = 0,881 ϕΤ = 28,52 °
PT = 469,6 kW
O triângulo de potência para a carga total (sem o
motor síncrono) será: Figura 2.11 Diagrama vetorial do exemplo 2.4, para
cosϕT = 0,852.

ST = 443,6 kVA Observa-se com este exemplo que, com os


QT = 209,6 kVAr compressores acionados por dois motores de indução
de 50 cv, ao invés de motores síncronos da mesma
ϕΤ = 28,19°
capacidade, seria necessária uma potência adicional
PT = 391 kW de 33,7 kVA:

Figura 2.10 Diagrama vetorial do exemplo 2.4, para 534,5 kVA – 500,8 kVA = 33,7 kVA
cosϕT = 0,881.
Com o emprego dos motores síncronos em
substituição aos motores de indução, houve, por assim
A presença dos dois motores síncronos dizer, uma “liberação” de 33,7 kVA em benefício da
superexcitados, em paralelo com a carga, fez com que rede. É exatamente esta liberação de potência que se
o fator de potência passasse de 0,881 para 0,938. Se, busca no sistema elétrico. Este exemplo mostra uma
ao invés de termos motores síncronos acionando os importante característica dos motores síncronos
compressores, tivéssemos motores de indução, com superexcitados: eles geram potência reativa para rede
cosϕ = 0,85, as potências consumidas pelos dois ao invés de consumir (como fazem os motores de
motores seriam: indução). É uma característica similar aos capacitores,
que, como veremos no capítulo seguinte, são utilizados
para melhoria do fator de potência da instalação.

CAPÍTULO 2 – FATOR DE POTÊNCIA: FUNDAMENTOS, CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS 37


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EXEMPLO 2.5 Suponha uma concessionária Veremos no capítulo seguinte esta utilização de
entregando energia a duas fábricas diferentes. Ambas capacitores para correção do fator de potência da
as companhias estão localizadas à mesma distância do instalação.
centro de distribuição e recebem potência na mesma
tensão (4.700 V - 3φ) e requerem a mesma potência
ativa (1,5 MW). Porém, a fábrica A usa uma grande 2.3 Causas de um baixo fator de
quantidade de cargas reativas (motores) e opera com potência
um fator de potência de 60%. A fábrica B usa
geralmente cargas resistivas (aquecedores) e opera
com um fator de potência de 96%. Compare as duas O baixo fator de potência pode provir
fábricas (corrente, potências, etc). de diversas causas. A solução para melhoria
do fator de potência de uma instalação
Solução:
elétrica passa necessariamente pelo
Fábrica A profundo conhecimento e análise destas
causas, a fim de que o projetista possa
P P 1,5MW
Fp = ⇒S= = = 2,5MVA propor uma ação corretiva mais eficaz. Entre
S FP 0,6
as principais causas, podemos citar:
Para suprir esta carga, os condutores devem
transportar a seguinte corrente:
ƒ Motores de indução operando em vazio
ou superdimensionados (operando com
S 2500 kVA pequenas cargas);
I= = = 307,5 A
3 ×U 3 × 4,7 kV
ƒ Transformadores operando em vazio ou
com pequenas cargas;
A fábrica B consome a mesma potência ativa
que a fábrica A e, portanto, paga pela mesma ƒ Lâmpadas de descarga;
quantidade de energia. A fábrica B, contudo, requer a ƒ Grande quantidade de motores de
seguinte potência aparente:
pequena potência em operação durante
Fp =
P
⇒S=
P 1,5MW
= = 1,56 MVA um longo período;
S FP 0,96
ƒ Tensão acima da nominal;
ƒ Cargas especiais com elevado consumo
Isto é, quase 1 MVA a menos que o requerido
pela fábrica A. A corrente drenada pela fábrica B é de:
de reativo.

S 1560kVA 2.3.1 Motores de indução operando em


I= = = 191,8 A
3 ×U 3 × 4,7kV vazio ou superdimensionados
(operando com pequenas cargas)

Novamente, a fábrica B drena menos corrente Os motores de indução consomem


do que a A (191,8A contra 307,5A) para obter praticamente a mesma energia reativa, quer
exatamente a mesma potência ativa. A fábrica B, operando em vazio, quer operando a plena
portanto, gasta menos com condutores (além, é claro,
da necessidade de um transformador com potência carga. A energia ativa, entretanto, é
aparente kVA inferior para suprir a mesma carga em diretamente proporcional à carga mecânica
kW). As concessionárias de energia, bem como os aplicada ao eixo do motor. Nessas
consumidores, projetam seus sistemas de transmissão condições, quanto menor a carga, menor a
e distribuição de acordo com a potência aparente e a
corrente que ela supre. Desde que os consumidores
energia ativa consumida e menor o fator de
pagam pela potência ativa consumida, as companhias potência. Tratando de instalações industriais,
encorajam o uso de sistemas de alto fator de potência. há predominância de motores elétricos de
O fator de potência pode ser melhorado (ou corrigido) indução no valor total da carga, fazendo-se
inserindo-se, por exemplo, uma reatância oposta à necessário tecer algumas considerações
causa do baixo fator de potência. Então, um fator de
potência em atraso (indutivo) pode ser melhorado sobre sua influência no comportamento do
inserindo-se um equipamento ou dispositivo de fator de fator de potência.
potência adiantado, como um capacitor, no sistema.

CAPÍTULO 2 – FATOR DE POTÊNCIA: FUNDAMENTOS, CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS 38


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Motor de 50cv/380V - Valores aproximados

40
37
35
kW - kVAr - fator de potência

32,5
30
27,8
25
24
22,5
20 20 20
18,7
17 16,5
15 15
13,8 13,8
11,8 12 12,5
11 11,2 11
10
7,7
5 5,2
3,8

0,38 0,52 0,62 0,71 0,77 0,81 0,84 0,86 0,86 0,85
0 0
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100
Carga Nominal [%]
kVAr kW FP

Figura 2.12 Variação do fator de potência em função do carregamento do motor.

Segundo as curvas da figura 2.12, pode-se (100% da carga nominal acoplada ao motor),
observar que, conforme já salientado, a para 0,77, enquanto a potência reativa,
potência reativa absorvida por um motor de originalmente igual a 22,5 kVAr, reduz-se
indução aumenta muito levemente, desde a para 13,8 kVAr. Para uma redução de 70%
sua operação a vazio, até a sua operação a da nominal, o fator de potência cairia para
plena carga. Entretanto, a potência ativa 0,84 e a potência reativa atingiria apenas o
absorvida da rede cresce proporcionalmente valor de 16,5 kVAr.
com o aumento das frações de carga
acoplada ao eixo do motor.
2.3.2 Transformadores operando em
Como resultado das potências ativa e vazio ou com pequenas cargas
reativa na operação dos motores de indução,
desde o trabalho a vazio até a plena carga, o Analogamente aos motores de indução,
fator de potência varia também os transformadores, quando operando
proporcionalmente a esta variação, tornando- superdimensionados para a carga que
se importante, desta maneira, o controle devem alimentar, consomem uma certa
operativo dos motores por parte do quantidade de energia reativa relativamente
responsável pela instalação. grande (necessária para a magnetização do
Para exemplificar, reduzindo-se a carga transformador), se comparada à energia
solidária ao eixo de um motor de indução de ativa, dando origem a um fator de potência
50 cv (igual a 37 kW) a 50% de sua carga baixo.
nominal, o fator de potência cai de 0,85,
obtido durante o regime de operação nominal

CAPÍTULO 2 – FATOR DE POTÊNCIA: FUNDAMENTOS, CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS 39


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P 2.3.6 Cargas especiais com consumo de


↓ Fp =
S↑ reativo

Algumas cargas presentes em


Desta forma, grandes transformadores ambientes industriais apresentam grandes
alimentando pequenas cargas durante um consumos de reativo, contribuindo para a
longo período contribuem, portanto, para diminuição do fator de potência, entre elas:
uma acentuada redução do fator de potência ƒ Fornos a arco;
da instalação.
ƒ Fornos de indução eletromagnética;
ƒ Máquinas de solda a transformador;
2.3.3 Lâmpadas de descarga
ƒ Equipamentos eletrônicos.
As lâmpadas de descarga (vapor de
mercúrio, vapor de sódio, fluorescentes etc),
para funcionarem, necessitam do auxílio de
um reator. Os reatores, como os motores e 2.4 Consequências de um baixo fator
os transformadores, possuem bobinas que de potência
consomem energia reativa, contribuindo para
a redução do fator de potência. O uso de
Baixos valores de fator de potência,
reatores compensados (com alto fator de como já visto, são decorrentes de
potência) pode contornar, em parte, o quantidades elevadas de energia reativa.
problema. Métodos específicos de compensação deste
reativo excedente devem ser aplicados, visto
que essa condição de “excesso de reativos”
2.3.4 Grande quantidade de motores de
no sistema elétrico resulta em aumento na
pequena potência em operação
corrente total que circula nas redes de
durante um longo período
distribuição de energia elétrica da
A grande quantidade de motores de concessionária e das unidades
pequena potência provoca, muitas vezes, um consumidoras, podendo sobrecarregar as
baixo fator de potência, posto que o correto subestações, as linhas de transmissão e
dimensionamento de tais motores em função distribuição, prejudicando a estabilidade e as
das máquinas a eles acopladas pode condições de aproveitamento dos sistemas
apresentar dificuldades. elétricos, trazendo inconvenientes diversos,
tais como:

2.3.5 Tensão acima da nominal ƒ Aumento das perdas na instalação pelo


efeito Joule;
A potência reativa é, aproximadamente, ƒ Aumento das quedas de tensão;
proporcional ao quadrado da tensão
aplicada, enquanto que, no caso dos motores ƒ Subutilização da capacidade instalada
de indução, a potência ativa praticamente só (limitação da capacidade dos
depende da carga mecânica aplicada ao eixo transformadores de alimentação);
do motor. Assim, quanto maior o nível da ƒ Sobrecarga nos equipamentos de
tensão aplicada aos motores, maior a manobra, diminuindo sua vida útil;
energia reativa consumida e,
consequentemente, menor o fator de ƒ Aumento da seção nominal dos
potência. condutores e da capacidade dos
equipamentos de manobra e de proteção,
devido ao aumento da corrente
consumida;

CAPÍTULO 2 – FATOR DE POTÊNCIA: FUNDAMENTOS, CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS 40


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ƒ Acréscimo na conta de energia elétrica prejudiciais à instalação ainda estão


(multa) por estar operando por baixo fator relacionadas às quedas de tensão, tais como
de potência a diminuição da intensidade luminosa das
lâmpadas e o aumento da corrente nos
motores, diminuindo a sua vida útil e a sua
2.4.1 Aumento das perdas na instalação eficiência.

As perdas de energia elétrica na


instalação são divididas basicamente em 2.4.3 Subutilização da capacidade
perdas fixas e as perdas em função da instalada
operação da carga. As perdas Joule em
condutores ocorrem na forma de calor (2,5 a A subutilização da capacidade instalada
7,5% do consumo em instalações industriais) está relacionada à limitação da capacidade
e são proporcionais ao quadrado da corrente dos transformadores de alimentação em
total ( Perdas = R ⋅ I 2 ). Por outro lado, as função da redução do fator de potência.
perdas em função da operação das cargas A energia reativa, ao sobrecarregar
atingem de 2 a 5% da carga (IEEE 739). uma instalação elétrica, inviabiliza sua plena
A corrente consumida cresce com o utilização (em termos de aproveitamento
aumento do consumo de energia reativa (ver energético na realização de trabalho),
expressões 1.37 à 1.39). Desta forma, condicionando a instalação de novas cargas
estabelece-se uma relação diretamente a investimentos que seriam evitados se o
proporcional entre o incremento das perdas e fator de potência apresentasse valores mais
o baixo fator de potência, provocando o altos. O "espaço" ocupado pela energia
aumento do aquecimento de condutores e reativa poderia ser então utilizado para o
equipamentos. atendimento de novas cargas, pois teríamos
uma maior disponibilidade de potência ativa.
Especificamente no caso de
transformadores, observa-se um aumento
das perdas decorrentes da variação da Tabela 2.2 Liberação de kW em um transformador de
regulação de tensão (ΔU%= (Uo – Ucarga)/U0) 100 kVA.
com a diminuição do fator de potência (IEEE
241) e, no caso de motores, um aumento das Fp Potência ativa disponível [kW]
perdas (%) em função do aumento do
desbalanceamento de tensão (IEEE 739). 1,0 100
0,9 90
0,8 80
2.4.2 Aumento da queda de tensão
0,7 70
A queda de tensão em um circuito 0,6 60
também é diretamente proporcional a
0,5 50
corrente elétrica consumida (ΔU ≅ I). Desta
forma, o aumento da corrente devido ao
excesso de energia reativa consumida leva a
quedas de tensão acentuadas, podendo Observe pela tabela 2.2 que, quanto
ocasionar a interrupção do fornecimento de menor o fator de potência, menor a
energia elétrica e a sobrecarga em certos disponibilidade de consumo de potência ativa
elementos da rede. para uma determinada quantidade de
potência aparente. Assim, nota-se que é
Durante os períodos nos quais a rede é inviável, pelo exemplo dos dados da tabela
fortemente solicitada (aumento do consumo 2.2, a alimentação de uma carga de 80kW
de corrente), esse risco é, sobretudo, com fator de potência igual a 0,7 através de
acentuado. Outras conseqüências um transformador de 100 kVA, uma vez que

CAPÍTULO 2 – FATOR DE POTÊNCIA: FUNDAMENTOS, CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS 41


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este apenas disponibiliza 70 kW de potência capacidade nominal de corrente destes


ativa para consumo. Para alimentar esta componentes em virtude da sobrecarga a
carga seria necessário um transformador de, que estarão submetidos. A situação de
no mínimo: sobrecarga contínua deve ser evitada a todo
o custo, sobre pena de redução da vida útil
P 80kW dos componentes da instalação.
S= = = 115kVA
Fp 0,7
É importante salientar que os 2.4.5 Aumento da seção nominal dos
investimentos em ampliação das instalações condutores
estão relacionados principalmente à
aquisição de transformadores e a Para transportar a mesma potência
substituição de condutores por outros de ativa sem o aumento de perdas e diminuição
maior seção nominal. O transformador a ser da vida útil, a seção dos condutores deve
instalado deve atender à potência total dos aumentar na medida em que o fator de
equipamentos utilizados, mas devido a potência diminui. De fato, o aumento da
presença de potência reativa, a sua corrente devido ao excesso de energia
capacidade deve ser calculada não apenas reativa ocasiona um aumento da seção
pela potência ativa da instalação, mas com nominal dos condutores, devido a
base na potência aparente (kVA). necessidade do aumento da capacidade de
Observe o gráfico da figura 2.4. Ele nos condução de corrente dos mesmos.
mostra que, para uma instalação que
consome 100 kW, com a diminuição do fator
de potência, obtemos um aumento da
Tabela 2.4 Variação da seção do condutor em função
potência aparente e, consequentemente, do do fator de potência.
transformador necessário para alimentar este
sistema, conforme indicado da tabela 2.3. Fp Seção relativa

1,00 1,00 •
Tabela 2.3 Variação da potência do transformador em
função do Fp para uma carga de 100 kW.
0,90 1,23 •
Potência aparente Potência do trafo
Fp [kVA] [kVA] 0,80 1,56 •
1,0 100 100
0,9 111 125 0,70 2,04 •
0,8 125 125
0,7
0,6
142
167
150
185
0,60 2,78 •

2.4.4 Sobrecarga nos equipamentos de


0,50 4,00

manobra, proteção e controle

O aumento da corrente devido ao


excesso de energia reativa consumida leva
também ao aumento do custo dos sistemas
de manobra, proteção e controle, visto que
será necessário um redimensionamento da
0,40 6,25

CAPÍTULO 2 – FATOR DE POTÊNCIA: FUNDAMENTOS, CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS 42
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ƒ Tensão da fonte: 6,9kV;


Fp Seção relativa
ƒ Impedância da linha: ZL = (1,5 + j 0,5)Ω


ƒ Carga: 1000kW com cosϕ = 0,9

b) Corrente:
0,30 11,10
Da expressão (1.34), temos:
P 1000kW
I= = = 161 A
U 0 × cosϕ 6,9kV × 0,9
Fonte: Divulgação WEG - Manual para correção do fator de
potência.

A tabela 2.4 ilustra a variação da seção de


um condutor em função do fator de potência. c) Capacidade da "fonte":
Nota-se que a seção necessária, supondo-se
Da expressão (1.44), temos
um fator de potência 0,70 é o dobro da seção
para o fator de potência 1,0. S = U 0 × I = 6,9kV × 161A = 1.111kVA

EXEMPLO 2.6 Analisar dois sistemas A e B


d) Perdas na linha
monofásicos mostrados nas Figuras 2.13 e 2.14, para
verificar a influência do fator de potência nas
grandezas de um sistema elétrico. Da expressão (1.49), temos:

ΔP ≅ R × I 2 = 1,5 × 1612 = 39 kW

1,5 Ω j 0,5 Ω e) Queda de tensão na linha:

Das expressões (1.20) e (1.25), temos:

6,9 kV ~ I 1000 kW ΔU ≅ Z × I = (R 2
)
+ X2 ×I
cosϕ = 0,9
ΔU = 1,52 + 0,52 × 161A
ΔU = 2,5 × 161A = 255V
Figura 2.13 Sistema A.

Para o Sistema B, temos:


1,5 Ω j 0,5 Ω
a) Dados:

ƒ Tensão da fonte: 6,9kV;


6,9 kV ~ I 1000 kW
cosϕ = 0,6 ƒ Impedância da linha: ZL = (1,5 + j 0,5)Ω
ƒ Carga: 1000kW com cosϕ = 0,6
Figura 2.14 Sistema B.
b) Corrente:

Da expressão 1.34, temos:


Solução:
P 1000kW
I= = = 241A
Para o Sistema A, temos: U 0 × cos ϕ 6,9kV × 0,6

a) Dados: c) Capacidade da "fonte":

CAPÍTULO 2 – FATOR DE POTÊNCIA: FUNDAMENTOS, CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS 43


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Da expressão 1.44, temos Tabela 2.5 Grandezas elétricas dos sistemas A e B.


S = U 0 × I = 6,9kV × 241A = 1.633kVA Grandeza Sistema A Sistema B Aumento
Corrente 161 A 241 A 49,7 %
d) Perdas na linha Capacidade
1.111 kVA 1.663 kVA 49,7 %
da fonte
Da expressão 1.49, temos: Perdas na
39 kW 87 kW 230,1 %
linha
ΔP ≅ R × I 2 = 1,5 × 2412 = 87 kW Queda de
255 V 381 V 49,4 %
tensão
e) Queda de tensão na linha:
Observando a tabela 2.5, concluímos que um baixo
Das expressões 1.20 e 1.25, temos: fator de potência traz algumas conseqüências
negativas, tais como:
ΔU ≅ Z × I = (R 2
)
+ X2 ×I
ΔU = 1,5 + 0,5 × 241A
2 2
ƒ Solicitação de uma corrente maior para alimentar
ΔU = 2,5 × 241A = 381V uma carga com a mesma potência ativa;
ƒ Aumento das perdas por efeito Joule;
ƒ Aumento das quedas de tensão.

CAPÍTULO 2 – FATOR DE POTÊNCIA: FUNDAMENTOS, CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS 44


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Capítulo
Correção do
Fator de Potência III

CAPÍTULO 3 – CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA 45


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3 Correção do fator de potência

Sumário do capítulo
3.1 MÉTODOS PARA CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA
3.1.1 Alterações na rotina operacional
3.1.2 Aumento do consumo de energia ativa
3.1.3 Instalação de motores síncronos superexcitados
3.1.4 Instalação de capacitores
3.2 VANTAGENS DA CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA
3.2.1 Liberação da capacidade do sistema
3.2.2 Melhoria da tensão
3.2.3 Redução das perdas

Como ficou evidenciado anteriormente, metodologia e experiência para efetuar uma


é de suma importância manter o fator de compensação adequada de reativos,
potência dentro de limites pré-estabelecidos. lembrando que cada caso deve ser estudado
Serão estudados os métodos utilizados para individualmente, não havendo uma solução
corrigir o fator de potência, quando já é padronizada que atenda a todas as situações
conhecido o valor atual medido ou de projetos.
determinado (os métodos de medição e
Em princípio, o aumento do fator de
determinação do fator de potência serão
potência pode ser conseguido através um
vistos mais adiante).
conjunto de soluções e providências básicas
Para se obter uma melhoria do fator de para evitar o desperdício de dinheiro e de
potência (ou seja, um aumento do fator de energia e também riscos eventuais
potência), podem-se indicar algumas decorrentes do baixo fator de potência. Entre
soluções que devem ser adotadas, estas providências, citam-se:
dependendo das condições particulares de
cada instalação. ƒ Modificação na rotina operacional,
objetivando uma utilização correta de
Deve-se entender que a correção do
motores e transformadores;
fator de potência aqui evidenciada não
somente visa à questão do faturamento de ƒ Elevação do consumo de energia ativa
energia reativa excedente, mas também aos (kWh) se for conveniente à unidade
aspectos operacionais internos da instalação consumidora;
da unidade consumidora, tais como liberação ƒ Utilização de máquinas síncronas e
da capacidade de potência de capacitores;
transformadores, aumentando a capacidade
de condução dos cabos, redução das perdas, As soluções a serem adotadas
etc. dependem das condições particulares de
cada instalação. Independentemente do
3.1 Métodos para correção do fator método a ser adotado, o fator de potência
de potência teoricamente ideal, tanto para a instalação
(isto é, para o consumidor) como para a
concessionária, seria o fator de potência
A compensação da energia reativa em unitário, o que significaria a inexistência de
um sistema elétrico deve ser analisada com potência reativa na instalação e, portanto,
o devido cuidado, evitando-se soluções uma situação de máxima eficiência na
precipitadas que podem levar a resultados conversão de energia. Entretanto, essa
técnicos e/ou econômicos não satisfatórios. condição geralmente não é conveniente do
É necessário, antes de mais nada,

CAPÍTULO 3 – CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA 46


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ponto de vista da relação custo/benefício, pelo fato da instalação estar no limite de sua
sendo considerado satisfatório um fator de capacidade ou a rede sobrecarregada.
potência igual a 0,95 para a instalação.
Ao ser adotado o critério de aumento
do consumo de energia ativa para melhoria
3.1.1 Alterações na rotina operacional do do fator de potência, deve-se levar em
sistema elétrico consideração que tal escolha não deve
prejudicar a necessidade de conservação de
As modificações na rotina operacional energia elétrica. Desta forma, apenas como
devem ser dirigidas objetivando exemplo, não é conveniente substituir uma
principalmente a utilização correta de unidade hidráulica de um sistema por uma
motores, no sentido de manter os motores elétrica (cujo fator de potência é
em operação a plena carga, evitando o seu praticamente igual a 1) apenas para
funcionamento a vazio ou aumentar o fator de potência. Entretanto, se
superdimensionados (item 2.3.1). a indústria possuir duas unidades, uma
Analogamente, deve-se evitar também a hidráulica e outra elétrica, funcionando
utilização de transformadores operando em alternadamente, pode-se pensar em ampliar
vazio ou com pequenas cargas (item 2.3.2). os períodos de operação da unidade elétrica,
o que conduzirá a um aumento do fator de
potência médio da instalação.
3.1.2 Aumento do consumo de energia O aumento do acréscimo de carga
ativa pode ser determinado da forma apresentada
na figura 3.1:
Embora nem sempre conveniente para
a instalação, o aumento da demanda ativa
média da instalação, ou seja, do consumo de
energia ativa visando aumentar o fator de
potência, pode ser conseguido pela adição
de novas cargas com alto fator de potência
ou pelo aumento do período de operação de Q Q
cargas cujos fatores de potência sejam ϕ1 ϕ2
elevados.
P ΔP
Essa metodologia deve ser utilizada
com muito critério e é recomendada
principalmente para instalações que tenham Figura 3.1 Melhoria do Fp através do aumento do
consumo de energia ativa.
jornada de trabalho fora do período de ponta
de carga (aproximadamente das 18:00 às
20:00 horas), visando evitar a sobrecarga do
Verifica-se que, das relações
sistema elétrico.
trigonométricas do triângulo de potências:
É importante observar que a carga ativa
que irá aumentar o consumo de energia
ativa, além de atender às necessidades de Q
produção da indústria, deverá ser tgϕ 1 = ↔ Q = P × tgϕ 1 (3.1)
P
cuidadosamente escolhida para não
aumentar a demanda máxima, o que Q Q
acarretaria uma alteração no contrato de tgϕ 2 = ↔ ΔP = −P (3.2)
demanda da indústria e um conseqüente P + ΔP tgϕ 2
aumento na conta de energia elétrica. Por
outro lado, muitas vezes este aumento do
consumo de energia ativa não é possível,

CAPÍTULO 3 – CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA 47


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onde: Observe que, embora não haja a menor


dificuldade em aplicar a expressão (3.3),
Q = Consumo reativo [kVAh]; pode-se, contudo, utilizar alternativamente à
P = Consumo ativo [kWh]; tabela 3.1, que fornece o multiplicador K
igual à [(tgϕ1 / tgϕ2)- 1] em função do fator de
ΔP = aumento do consumo ativo [kWh]; potência original (cosϕ1) e daquele que se
ϕ1 = ângulo do fator de potência original; pretende obter (cosϕ2). Desta forma, temos:

ϕ2 = ângulo do fator de potência pretendido. ΔP = P × K (3.4)

Substituindo 3.1 em 3.2:

⎛ tgϕ 1 ⎞
ΔP = P × ⎜⎜ − 1⎟⎟ (3.3) Observação: a definição detalhada do termo
⎝ tgϕ 2 ⎠ “consumo” será apresentada no capítulo 6.

Tabela 3.1 Valores do coeficiente de acréscimo do consumo ativo K = [(tgϕ1 / tgϕ2) – 1] para compensação do Fp.
Fp tual Fp corrigido (cosϕ2)
(cosϕ1) 0,92 0,93 0,94 0,95 0,96 0,97 0,98 0,99
0,65 1,744 1,958 2,221 2,557 3,008 3,665 4,758 7,205
0,66 1,672 1,880 2,136 2,463 2,903 3,542 4,606 6,988
0,67 1,601 1,803 2,053 2,371 2,799 3,421 4,457 6,776
0,68 1,531 1,728 1,971 2,281 2,697 3,302 4,310 6,567
0,69 1,462 1,654 1,890 2,192 2,597 3,186 4,166 6,362
0,70 1,395 1,581 1,811 2,104 2,498 3,071 4,024 6,160
0,71 1,328 1,510 1,733 2,018 2,401 2,957 3,884 5,961
0,72 1,263 1,439 1,656 1,932 2,305 2,846 3,747 5,764
0,73 1,198 1,369 1,579 1,848 2,210 2,736 3,611 5,570
0,74 1,134 1,300 1,504 1,765 2,116 2,627 3,476 5,379
0,75 1,070 1,231 1,430 1,683 2,024 2,519 3,343 5,189
0,76 1,007 1,164 1,356 1,602 1,932 2,412 3,211 5,001
0,77 0,945 1,097 1,283 1,521 1,841 2,306 3,081 4,815
0,78 0,883 1,030 1,210 1,441 1,751 2,201 2,951 4,630
0,79 0,822 0,964 1,138 1,361 1,661 2,097 2,822 4,447
0,80 0,761 0,898 1,066 1,282 1,571 1,993 2,694 4,263
0,81 0,700 0,832 0,995 1,203 1,482 1,889 2,565 4,081
0,82 0,639 0,766 0,923 1,124 1,393 1,785 2,437 3,899
0,83 0,577 0,700 0,851 1,045 1,304 1,681 2,309 3,716
0,84 0,516 0,634 0,780 0,965 1,215 1,577 2,181 3,533
0,85 0,455 0,568 0,708 0,886 1,125 1,473 2,052 3,349
0,86 0,393 0,501 0,635 0,805 1,034 1,368 1,922 3,164
0,87 0,330 0,434 0,561 0,724 0,943 1,261 1,791 2,977
0,88 0,267 0,366 0,487 0,642 0,851 1,154 1,658 2,788
0,89 0,203 0,296 0,412 0,559 0,757 1,044 1,523 2,595
0,90 0,137 0,225 0,334 0,474 0,661 0,932 1,385 2,399
0,91 0,070 0,153 0,255 0,386 0,562 0,818 1,244 2,197
0,92 0,000 0,078 0,174 0,296 0,461 0,700 1,098 1,990
0,93 0,000 0,089 0,202 0,355 0,577 0,946 1,774
0,94 0,000 0,104 0,244 0,448 0,787 1,547
0,95 0,000 0,127 0,311 0,619 1,307
0,96 0,000 0,164 0,436 1,047
0,97 0,000 0,234 0,759
0,98 0,000 0,425
0,99 0,000

CAPÍTULO 3 – CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA 48


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EXEMPLO 3.1 Uma indústria tem um consumo ativo relação à tensão aplicada, fazendo com que
diário de 25.000 kWh. Verificou-se que o fator de o motor funcione com fator de potência
potência é igual a 0,81 (indutivo). Qual deverá ser o
acréscimo de consumo ativo (kWh) que, instalado,
capacitivo (condição de super ou
venha a compensar o fator de potência para de 0,92? sobreexcitação), fornecendo potência reativa
à rede (característica de um sistema
Solução: predominantemente capacitivo).
Temos que: P = 25.000 kWh O motor, nestas condições de
funcionamento, por razões óbvias, é
cosϕ1= 0,81
chamado de "capacitor síncrono", visto que,
cosϕ2= 0,92 além de suprir suas próprias necessidades
de reativos, também os fornecem ao sistema.
De (3.4) e da tabela 3.1: Os motores síncronos superexcitados
ΔP = P × K = 25.000 × 0,6995 = 6.995kWh podem ser instalados exclusivamente para a
correção do fator de potência ou podem ser
acoplados a alguma carga da própria
produção, em substituição, por exemplo, a
um motor de indução.
3.1.3 Instalação de motores síncronos
superexcitados Entretanto, a instalação de motores
síncronos requer investimento elevado é
Os motores síncronos, sob somente recomendada quando são
determinadas condições de operação, acionadas cargas mecânicas de grande
podem funcionar como “geradores” de porte, com potências superiores a 200 cv
potência reativa, contribuíndo para o (caso, por exemplo, de grandes
aumento do fator de potência. compressores) e funcionando por períodos
longos (superiores à 8 horas/dia). Nesses
Os motores síncronos, quando casos, o motor síncrono exercerá a dupla
subexcitados, correspondem a uma condição função de acionar a carga e aumentar o fator
de baixa corrente de excitação, na qual o de potência da instalação.
valor da força eletromotriz induzida nos pólos
do estator (circuito estatórico) é pequena, o É importante salientar que os motores
que acarreta a absorção de potência reativa síncronos, quando utilizados para corrigir o
necessária à formação de seu campo fator de potência, em geral funcionam com
magnético. Assim, a corrente estatórica carga constante.
mantém-se atrasada em relação à tensão EXEMPLO 3.2 Calcule o fator de potência final quando
(característica de um sistema um motor síncrono superexcitado (100 cv; cosϕ = 0,8
predominantemente indutivo). cap.; η = 0,92) é instalado junto a uma carga de 100
kW, com Fp = 0,62 (indutivo).
Partindo da condição anterior e
aumentando-se a corrente de excitação, Solução:
obtém-se uma elevação da força eletromotriz
O motor síncrono apresenta as seguintes
no campo estatórico, cuja corrente ficará em caracteríticas:
fase com a tensão de alimentação. Desta
forma, o fator de potência assume o valor 100cv × 736
P1 = = 80kW
unitário e o motor não necessita de potência 0,92 × 1000
reativa para a formação de seu campo De (1.40) e (1.41):
magnético (característica de um sistema
resistivo). S1 =
P
=
80
= 100kVA
cos ϕ1 0,8
Qualquer elevação de corrente de
excitação a partir de então proporciona o Q1 = S 12 − P12 = 1002 − 802 = −60kVAr (capacitivo)
adiantamento da corrente estatórica em

CAPÍTULO 3 – CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA 49


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A figura 3.2 mostra o comportamento desse motor, empregada na correção do fator de potência
quando instalado junto a uma carga de 100 kW, com de instalações industriais, comerciais e dos
FP igual a 0,62 (indutivo):
sistemas de distribuição e de potência, a fim
de se reduzir a potência reativa demandada
C F à rede e que os geradores da concessionária
motor 60 kVAr deveriam fornecer na ausência destes
160 kVA 100 kVA
E capacitores, uma vez que, como já visto,
191 kVA
estes fornecem energia reativa ao sistema
65 kVAr
ϕ2
elétrico onde estão ligados. É o método mais
ϕ1
A 100 kW B 80 kW D econômico e o que permite maior
flexibilidade de aplicação. Entretanto, quando
se optar por este método, alguns cuidados
Figura 3.2 Melhoria do Fp através do aumento do especiais devem ser tomados para a
consumo de energia ativa. instalação desses equipamentos,
principalmente com referência à tensão de
operação, uma vez que o capacitor tende a
Triângulo ABC – situação original (carga de 100 kW) elevar o seu nível e uma elevação de tensão
Triângulo ADE – situação final (carga + motor) poderá provocar danos aos equipamentos
ligados à rede elétrica e ao próprio capacitor.
Triângulo CFE – carga do motor síncrono
A determinação da potência do
capacitor por qualquer dos métodos que
A carga, antes de ligar o motor síncrono, era:
serão apresentados não deve implicar um
P2 = 100 kW fator de potência inferior a 0,92 indutivo ou
P 100
capacitivo, em qualquer ponto do ciclo de
S2 = = = 160 kVA carga da instalação, conforme determinação
cos ϕ 2 0,62
da Portaria 456 da Aneel (ver apêndice A).
Q2 = S 2 2 − P2 2 = 1602 − 1002 = 125kVAr (indutivo)
Teoricamente, os capacitores poderiam ser
utilizados para suprir 100% das
necessidades de potência reativa. Na prática
A carga, após a ligação do motor síncrono, ficará: porém, a correção do fator de potência para
0,95 traz o máximo retorno.
PT = P1 + P2 = 100 + 80 = 180 kW
Os capacitores utilizados para a
QT = Q1 + Q2 = 125 − 60 = 65 kVAr compensação reativa, os chamados
"capacitores de potência" (ver tabela 3.2),
ST = PT 2 + QT 2 = 1802 + 652 = 191 kVA
são caracterizados por sua potência nominal,
sendo fabricados em unidades monofásicas
O fator de potência final será: e trifásicas, para alta e baixa tensão, com
valores padronizados de potência, tensão e
PT 180 freqüência, ligados internamente em delta e
Fp = = = 0,94
ST 191 com potências até 50 kVAr. Os capacitores
de alta tensão são monofásicos com
potências não superiores a 100 kVAr e, em
3.1.4 Instalação de capacitores suas aplicações, ligados externamente em
estrela. Maiores detalhes técnicos serão
Praticamente nenhuma das soluções apresentados no capítulo 5.
descritas em 3.1.1, 3.1.2 e 3.1.3 são
adotadas, devido ao seu alto custo e
dificuldades operacionais.
A instalação de capacitores em
paralelo com a carga é a solução mais

CAPÍTULO 3 – CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA 50


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Tabela 3.2 Capacitores de potência. Vamos retomar o assunto de fluxo de


potência em um sistema elétrico. Como visto,
Característica Descrição
quando a carga consome somente potência
Capacitância Valor da capacitância atribuída ativa (cargas resistivas, como, por exemplo,
nominal pelo fabricante [μF].
aquecedores elétricos, lâmpadas
Valor eficaz da tensão senoidal incandescentes, etc), toda a potência
entre os terminais de linha, para a
Tensão nominal
qual um capacitor é projetado
aparente S gerada, excluindo-se as perdas
[V, kV]. de transporte (perdas Joule), é transformada
Valor eficaz da corrente que pelos sistemas de transmissão e distribuição
percorre um terminal de linha, ao da concessionária de energia elétrica e
Corrente qual corresponde a potência absorvida pela carga mencionada
nominal nominal, quando aplicada ao (transformada em trabalho), conforme
capacitor a sua tensão nominal
indicado na figura 3.3 e no seu
sob freqüência nominal [A].
correspondente histograma de potências
Potência reativa sob tensão e
Potência (gráfico de barras – figura 3.4). Observe que,
freqüência nominais, para a qual o
nominal nesta situação, toda a energia ativa P
capacitor é projetado [kVAr].
consumida pela carga C é registrada no
medidor M e faturada pela concessionária.
Na maior parte das aplicações em
projetos de compensação reativa, os
capacitores são utilizados em bancos P P P
Carga
resistiva
trifásicos (conjunto de capacitores de G M C
potência, estruturas de suporte e os
necessários dispositivos de manobra, Geração Transmissão Distribuição Utilização
controle e proteção, montados de modo a
Figura 3.3 Diagrama unifilar para carga com consumo
constituir um equipamento completo),
de potência ativa (P).
montados com unidades trifásicas ou
monofásicas (caso de alta tensão).
P 100 kW
Esta possibilidade de “fracionamento” Q 0 kVAr
das potências dos capacitores permite a S 100 kVA
obtenção de potências relativamente
elevadas (devido à combinação dos Figura 3.4 Histograma para carga com consumo de
potência ativa (P) de 100 kW e Fp = 1.
elementos capacitivos), além de possibilitar
maior flexibilidade de instalação e de
manutenção. Mais adiante será dada ênfase Por outro lado, quando a carga é
aos tipos de correção de fator de potência constituída de aparelhos de utilização que
(manual, automática, etc) e características absorvem uma determinada quantidade de
construtivas e elétricas dos capacitores. energia ativa P para produzir trabalho e
necessita também de energia reativa de
É importante salientar que a instalação
magnetização Q para ativar o seu campo
de capacitores deve evitar na instalação o
indutor (cargas predominantemente
excesso de reativos. Desta forma, a potência
indutivas, como, por exemplo, motores e
manobrada não deve introduzir na instalação
reatores de lâmpadas de descarga), o
um fator de potência capacitivo no período
sistema de suprimento passa a transportar
de 0 às 6:00h, a fim de evitar o faturamento
um bloco de energia reativa indutiva Q que
de energia reativa capacitiva excedente.
não produz trabalho e que flui entre a carga e
Por outro lado, deve-se prever também a fonte, porém, como visto, sobrecarrega o
a manobra do banco de capacitores do sistema. A figura 3.5 ilustra esta situação,
período de 6:00 às 24:00h para evitar o bem como o seu correspondente histograma
faturamento de energia reativa indutiva de potências (figura 3.6).
excedente.

CAPÍTULO 3 – CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA 51


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Carga Nessas condições, o excesso de energia


indutiva
P P P reativa capacitiva causa efeitos adversos ao
G M C sistema elétrico da concessionária, com, por
Q Q Q exemplo, sobretensões indesejáveis.

Geração Transmissão Distribuição Utilização


Não há
Figura 3.5 Diagrama unifilar para carga com consumo trabalho
de potência ativa (P) e reativa indutiva (Q). G M C=0
Q Q Q
P 100 kW Q
Geração Transmissão Distribuição
Q 75 kVAr
S 125 kVA Capacitor

Figura 3.6Histograma para carga com consumo de Figura 3.8 Carga a vazio com capacitor instalado.
potência ativa (P) de 100 kW e Fp = 0,8.

É comum dizer que os capacitores são


Analisando a situação descrita, para "geradores de potência reativa". Na
que a energia reativa indutiva excedente que realidade, eles não são geradores, pois são
flui no sistema elétrico entre a geração e a elementos passivos que acumulam energia
carga não ocupe "espaço" nos condutores, estaticamente e, produzem potência reativa
transformadores, etc do sistema de sem custo.
suprimento, basta que num ponto próximo ao
da carga C se conecte um banco de Os capacitores são equipamentos
capacitores que passará a fornecer o capazes de armazenar, como vimos, energia
excedente de energia reativa capacitiva Q2 elétrica. Assim, em vez de devolver à fonte
diretamente à carga C, liberando o sistema externa a energia reativa consumida, a
de suprimento para transportar mais energia energia fica armazenada no capacitor, para
ativa P (figura 3.7). em seguida retorná-la. Desta forma, a troca
de energia reativa não é feita entre a
indústria e a fonte geradora externa, mas
entre a indústria e os capacitores.
Carga
P P P P reativa As figuras 3.9 e 3.10 ilustram bem os
G M C conceitos apresentados e representam, de
maneira esquemática, a correção do fator de
Q1 Q1 Q1 Q = Q1 + Q2
potência através de capacitores.
Geração Transmissão Distribuição Q2
Serão apresentados a seguir os
Capacitor
principais métodos para determinação da
Figura 3.7 Carga com consumo de potência ativa (P) potência dos capacitores para correção do
e reativa indutiva (Q) e instalação de um capacitor. fator de potência (kVAr):

ƒ Método analítico;
Quando a carga C não é solicitada a ƒ Método tabular;
realizar nenhum trabalho (como, por
exemplo, um motor de indução sem carga ƒ Método dos consumos médios mensais.
acoplada ao eixo), ela deixa de consumir
energia ativa P. Se, no entanto, o banco de
capacitores não for desligado, este passará a
fornecer energia reativa ao sistema de
suprimento, conforme mostrado na figura 3.8.

CAPÍTULO 3 – CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA 52


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P
R
S
L
Q

Figura 3.9 Representação do fluxo de potência ativa e reativa em um sistema elétrico (antes da correção do fator de
potência através da instalação de capacitores).

P
R

S
Q L

QC

Capacitor de correção

Figura 3.10 Representação da correção de fator de potência em um sistema elétrico utilizando capacitores.

ângulo de ϕ1 para ϕ2, ou seja, aumentar o


3.1.4.1 Método analítico fator de potência de cosϕ1 para cosϕ2), o que
equivale a reduzir a componente reativa Q1
Observe a instalação com carga da potência para Q2 (figura 3.11b),
instalada conforme indicado na figura 3.11a. mantendo, porém, o mesmo valor da
Existe uma potência ativa P e, em potência ativa P.
conseqüência do fator de potência cosϕ1, a
potência aparente é S1. Pretendemos
melhorar o fator de potência (reduzir o

CAPÍTULO 3 – CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA 53


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QC
S1 S1
Q1 Q1
S2 S2
ϕ1 Q2 ϕ1 Q2
ϕ2 ϕ2
P P P

a b c

Figura 3.11 Diagrama vetorial mostrando o benefício da correção do fator de potência (método analítico).

A figura 3.11c representa a EXEMPLO 3.3 Uma indústria tem instalada uma carga
superposição dos diagramas 3.11a e 3.11b, de 1.300 kW. Verificou-se que o fator de potência é
igual a 0,81 (indutivo). Qual deverá ser a potência
onde Qc é a quantidade de potência reativa reativa (kVAr) do capacitor que, instalado, venha a
necessária para reduzir Q1 para Q2. reduzir a potência reativa, de modo que o fator de
Podemos escrever, de (1.43): potência atenda ao valor de 0,92?

Q1 = P x tgϕ1 (Figura 3.11a) Solução:

Q2 = P x tgϕ2 (Figura 3.11b) cosϕ1 = 0,81 ⇒ ϕ1 = arcos (0,81) = 35,90º

Onde P1 = P2 = P cosϕ2 = 0,92 ⇒ ϕ2 = arcos (0,92) = 23,07º


Portanto, usando a expressão (3.5), teremos a
Para reduzir a potência reativa de Q1 potência reativa a ser compensada pelo capacitor:
para Q2, deverá ser ligada uma carga
capacitiva igual a: Qc = Q1 − Q 2 = P × (tgϕ 1 − tgϕ 2 )

Qc = 1300kW × [tg (35,9º ) − tg (23,07º )] = 390kVAr


QC = Q1 - Q2
Considerando células capacitivas de 50 kVAr
Ou seja: cada, o número de células no banco (NC) vale:

Qc = Q1 − Q 2 = P × (tgϕ 1 − tgϕ 2 ) (3.5)


NC = 390 / 50 = 7,8 ≅ 8
QC = 8 x 50 = 400 kVAr
onde:

QC = Potência do capacitor a ser instalado, EXEMPLO 3.4 Uma indústria apresenta um consumo
em volt-ampère reativo [kVAr]; mensal de 10.000 kWh, sendo de 200 h o período
(mensal) de funcionamento e o fator de potência
Q1 = potência reativa da rede antes da original de 0,70. Determinar a potência reativa (kVAr)
instalação de capacitores, em volt-ampère do capacitor que, instalado, venha a reduzir a potência
reativo [kVAr]; reativa, de modo que o fator de potência atenda ao
valor de 0,92.
Q2 = potência reativa da rede depois da
instalação de capacitores, em volt-ampère Solução:
reativo [kVAr];
P = potência ativa, em watt [W]; demanda =
10.000kWh
= 50kW
200h
ϕ1 = ângulo do fator de potência original;
cosϕ1 = 0,70 ⇒ ϕ1 = arcos (0,70) = 45,57º
ϕ2 = ângulo do fator de potência pretendido.
cosϕ2 = 0,92 ⇒ ϕ2 = arcos (0,92) = 23,07º

CAPÍTULO 3 – CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA 54


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Da expressão (3.5), obtemos a potência capacitiva a 3.1.4.2 Método Tabular


ser ligada em paralelo com a instalação:
Observe que, embora não haja a menor
Qc = 50kW × [tg (45,57º ) − tg (23,07º )]
dificuldade em aplicar a expressão (3.5),
Qc = 50kW × [1,02 − 0,426] = 29,5kVAr pode-se, contudo, utilizar alternativamente a
tabela 3.3, que fornece o multiplicador Δtg
Observação: É comum, em algumas situações, ao (tgϕ1 – tgϕ2) em função do fator de potência
invés de termos disponível o valor da potência ativa P original (cosϕ1) e daquele que se pretende
[kW] da expressão (3.5), termos o valor do consumo ao obter (cosϕ2). Desta forma, temos:
longo de um período [kWh]. Quando for este o caso,
para obter a potência ativa (ou Demanda Ativa Média),
basta dividir o consumo pelo período de funcionamento Qc = P × (tgϕ 1 − tgϕ 2 ) = P × Δtgϕ (3.6)
medido (horas).

Tabela 3.3 Valores do multiplicador Δtg = (tgϕ1 - tgϕ2) para obtenção da potência reativa com um Fp desejado.
Fp tual Fp corrigido (cosϕ2)
(cosϕ1) 0,80 0,81 0,82 0,83 0,84 0,85 0,86 0,87 0,88 0,89 0,90 0,91 0,92 0,93 0,94 0,95 0,96 0,97 0,98 0,99 1,00
0,50 0,98 1,01 1,03 1,06 1,09 1,11 1,14 1,17 1,19 1,22 1,25 1,28 1,31 1,34 1,37 1,40 1,44 1,48 1,53 1,59 0,73
0,51 0,94 0,96 0,99 1,02 1,04 1,07 1,09 1,12 1,15 1,17 1,20 1,23 1,26 1,29 1,32 1,36 1,40 1,44 1,48 1,54 1,69
0,52 0,89 0,92 0,95 0,97 1,00 1,02 10,5 1,08 1,10 1,13 1,16 1,19 1,22 1,25 1,28 1,31 1,35 1,39 1,44 1,50 1,64
0,53 0,85 0,88 0,90 0,93 0,95 0,98 1,01 1,03 1,06 1,09 1,12 1,14 1,17 1,21 1,24 1,27 1,31 1,35 1,40 1,46 1,60
0,54 0,81 0,84 0,86 0,89 0,91 0,94 0,97 0,99 1,02 1,05 1,08 1,10 1,13 1,16 1,20 1,23 1,27 1,31 1,36 1,42 1,56
0,55 0,77 0,80 0,82 0,85 0,87 0,90 0,93 0,95 0,98 1,01 1,04 1,06 1,09 1,12 1,16 1,19 1,23 1,27 1,32 1,38 1,52
0,56 0,73 0,76 0,78 0,81 0,83 0,86 0,89 0,91 0,94 0,97 1,00 1,02 1,05 1,09 1,12 1,15 1,19 1,23 1,28 1,34 1,48
0,57 0,69 0,72 0,74 0,77 0,80 0,82 0,85 0,88 0,90 0,93 0,96 0,99 1,02 1,05 1,08 1,11 1,15 1,19 1,24 1,30 1,44
0,58 0,66 0,68 0,71 0,73 0,76 0,79 0,81 0,84 0,87 0,89 0,92 0,95 0,98 1,01 1,04 1,08 1,11 1,15 1,20 1,26 1,41
0,59 0,62 0,65 0,67 0,70 0,72 0,75 0,78 0,80 0,83 0,86 0,89 0,91 0,94 0,97 1,01 1,04 1,08 1,12 1,17 1,23 1,37
0,60 0,58 0,61 0,64 0,66 0,69 0,71 0,74 0,77 0,79 0,82 0,85 0,88 0,91 0,94 0,97 1,00 1,04 1,08 1,13 1,19 1,33
0,61 0,55 0,58 0,60 0,63 0,65 0,68 0,71 0,73 0,76 0,79 0,82 0,84 0,87 0,90 0,94 0,97 1,01 1,05 1,10 1,16 1,30
0,62 0,52 0,54 0,57 0,59 0,62 0,65 0,67 0,70 0,73 0,75 0,78 0,81 0,84 0,87 0,90 0,94 0,97 1,02 1,06 1,12 1,27
0,63 0,48 0,51 0,54 0,56 0,59 0,61 0,64 0,67 0,69 0,71 0,75 0,78 0,81 0,84 0,87 0,90 0,94 0,98 1,03 1,09 1,23
0,64 0,45 0,47 0,50 0,53 0,56 0,58 0,61 0,63 0,66 0,69 0,72 0,75 0,78 0,81 0,84 0,87 0,91 0,95 1,00 1,07 1,20
0,65 0,42 0,45 0,47 0,50 0,52 0,55 0,58 0,60 0,63 0,66 0,69 0,71 0,74 0,77 0,81 0,84 0,88 0,92 0,97 1,03 1,17
0,66 0,39 0,41 0,44 0,47 0,49 0,52 0,55 0,57 0,60 0,63 0,65 0,68 0,71 0,74 0,78 0,81 0,85 0,89 0,94 1,00 1,14
0,67 0,36 0,38 0,41 0,44 0,46 0,49 0,52 0,54 0,57 0,60 0,62 0,65 0,68 0,71 0,75 0,78 0,82 0,86 0,91 0,97 1,11
0,68 0,33 0,35 0,38 0,41 0,43 0,46 0,49 0,51 0,54 0,57 0,59 0,62 0,65 0,68 0,72 0,75 0,79 0,83 0,88 0,94 1,05
0,69 0,30 0,33 0,35 0,38 0,40 0,43 0,46 0,48 0,51 0,54 0,57 0,59 0,62 0,65 0,69 0,72 0,76 0,80 0,85 0,91 1,05
0,70 0,27 0,30 0,32 0,35 0,37 0,40 0,43 0,45 0,48 0,51 0,54 0,56 0,59 0,63 0,66 0,69 0,73 0,77 0,82 0,88 1,02
0,71 0,24 0,27 0,29 0,32 0,35 0,37 0,40 0,43 0,45 0,48 0,51 0,54 0,57 0,60 0,63 0,66 0,70 0,74 0,79 0,85 0,99
0,72 0,21 0,24 0,27 0,29 0,32 0,34 0,37 0,40 0,42 0,45 0,48 0,51 0,54 0,57 0,60 0,64 0,67 0,71 0,76 0,82 0,96
0,73 0,19 0,21 0,24 0,26 0,29 0,32 0,34 0,37 0,40 0,42 0,45 0,48 0,51 0,54 0,57 0,61 0,64 0,69 0,73 0,79 0,94
0,74 0,16 0,19 0,21 0,24 0,26 0,29 0,32 0,34 0,37 0,40 0,43 0,45 0,48 0,51 0,55 0,58 0,62 0,66 0,71 0,77 0,91
0,75 0,13 0,16 0,18 0,21 0,24 0,26 0,29 0,32 0,34 0,37 0,40 0,43 0,46 0,49 0,52 0,55 0,59 0,63 0,68 0,74 0,88
0,76 0,11 0,13 0,16 0,18 0,21 0,24 0,26 0,29 0,32 0,34 0,37 0,40 0,43 0,46 0,49 0,53 0,56 0,60 0,65 0,71 0,86
0,77 0,08 0,11 0,13 0,16 0,18 0,21 0,24 0,26 0,29 0,32 0,35 0,37 0,40 0,43 0,47 0,50 0,54 0,58 0,63 0,69 0,83
0,78 0,05 0,08 0,10 0,13 0,16 0,18 0,21 0,24 0,26 0,29 0,32 0,35 0,38 0,41 0,44 0,47 0,51 0,55 0,60 0,66 0,80
0,79 0,03 0,05 0,08 0,10 0,13 0,16 0,18 0,21 0,24 0,26 0,29 0,32 0,35 0,38 0,41 0,45 0,48 0,53 0,57 0,63 0,78
0,80 0,00 0,03 0,05 0,08 0,10 0,13 0,16 0,18 0,21 0,24 0,27 0,29 0,32 0,36 0,39 0,42 0,46 0,50 0,55 0,61 0,75
0,81 0,00 0,03 0,05 0,08 0,10 0,13 0,16 0,18 0,21 0,24 0,27 0,30 0,33 0,36 0,40 0,43 0,47 0,52 0,58 0,72
0,82 0,00 0,03 0,05 0,08 0,11 0,13 0,16 0,19 0,21 0,24 0,27 0,30 0,34 0,37 0,41 0,45 0,50 0,56 0,70
0,83 0,00 0,03 0,05 0,08 0,11 0,13 0,16 0,19 0,22 0,25 0,28 0,31 0,34 0,38 0,42 0,47 0,53 0,67
0,84 0,00 0,03 0,05 0,08 0,11 0,13 0,16 0,19 0,22 0,25 0,28 0,32 0,35 0,40 0,44 0,50 0,65
0,85 0,00 0,03 0,05 0,08 0,11 0,14 0,16 0,19 0,23 0,26 0,29 0,33 0,37 0,42 0,48 0,62
0,86 0,00 0,03 0,05 0,08 0,11 0,14 0,17 0,20 0,23 0,26 0,30 0,34 0,39 0,45 0,59
0,87 0,00 0,03 0,06 0,08 0,11 0,14 0,17 0,20 0,24 0,28 0,32 0,36 0,42 0,57
0,88 0,00 0,03 0,06 0,08 0,11 0,15 0,18 0,21 0,25 0,29 0,34 0,40 0,54
0,89 0,00 0,03 0,06 0,09 0,12 0,15 0,18 0,22 0,26 0,31 0,37 0,51
0,90 0,00 0,03 0,06 0,09 0,12 0,16 0,19 0,23 0,28 0,34 0,48
0,91 0,00 0,03 0,06 0,09 0,13 0,16 0,21 0,25 0,31 0,46
0,92 0,00 0,03 0,06 0,10 0,13 0,18 0,22 0,28 0,43

CAPÍTULO 3 – CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA 55


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Fp tual Fp corrigido (cosϕ2)


(cosϕ1) 0,80 0,81 0,82 0,83 0,84 0,85 0,86 0,87 0,88 0,89 0,90 0,91 0,92 0,93 0,94 0,95 0,96 0,97 0,98 0,99 1,00
0,93 0,00 0,03 0,07 0,10 0,14 0,19 0,25 0,40
0,94 0,00 0,03 0,07 0,11 0,16 0,22 0,36
0,95 0,00 0,04 0,08 0,13 0,19 0,33
0,96 0,00 0,04 0,09 0,15 0,29
0,97 0,00 0,05 0,11 0,25
0,98 0,00 0,06 0,20
0,99 0,00 0,14
1,00 0,00

EXEMPLO 3.5 Uma indústria tem instalada uma carga onde:


de 1.300 kW. Verificou-se que o fator de potência é
igual a 0,81 (indutivo). Qual deverá ser a potência fc = fator de carga relativo a potência de
reativa (kVAr) do capacitor que, instalado, venha a trabalho do motor:
reduzir a potência reativa, de modo que o fator de
potência atenda ao valor de 0,92? − motor operando a 50% da potência
ativa nominal (fc = 0,5);
Solução:
− motor operando a 75% da potência
ativa nominal (fc = 0,75);
cosϕ1 = 0,81 ⇒ ϕ1 = arcos (0,81) = 35,90º
cosϕ2 = 0,92 ⇒ ϕ2 = arcos (0,92) = 23,07º − motor operando a 100% da potência
ativa nominal (fc = 1).
Portanto, usando a expressão (3.6) e a tabela
3.3 (de onde obtemos o Δtg igual a 0,3 para cosϕ1 =
η = rendimento do motor em função do
0,81 e cosϕ2 = 0,92), teremos a potência reativa a ser percentual de carga que está operando.
compensada pelo capacitor:

Qc = P × (tgϕ1 − tgϕ 2 ) = P × Δtgϕ Por outro lado, determina-se a potência


do capacitor na correção de transformadores
Qc = 1300kW × 0,3 = 390kVAr funcionando a vazio, através da seguinte
Considerando células capacitivas de 50 kVAr expressão:
cada, o número de células no banco (NC) vale:

NC = 390 / 50 = 7,8 ≅ 8
⎡ (i 0 × Sn )⎤
2

Q0 = ⎢ − P02
⎣ 100 ⎥⎦
QC = 8 x 50 = 400 kVAr
(3.8)
Observa-se que o presente método chegou ao
mesmo resultado do método analítico, indicado no onde:
exemplo 3.3.
Q0 = potência reativa do transformador [kVAr]
necessária para corrigir seu fator de potência
Alguns tipos de equipamentos elétricos para 1;
merecem uma atenção especial no que diz
respeito ao projeto de correção individual do i0 = é a corrente em vazio (valor em p.u. e em
fator de potência, como é o caso de motores %, ou seja, a razão (I0 / INS) x 100);
e transformadores. Sn = potência nominal do transformador, em
[kVA];
Para correção do fator de potência de
motores, utiliza-se a expressão: I0 = corrente em vazio do transformador em
[A]. É um dado da placa do fabricante ou
P × Δtg × fc fornecido via relatório de ensaio;
Qc = (3.7)
η INS = corrente nominal no secundário do
transformador;

CAPÍTULO 3 – CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA 56


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P0 = potência de perdas a vazio, em [kW]. É O objetivo desta metodologia é obter a


um dado da placa do fabricante ou fornecido potência capacitiva para correção “em plena
via relatório de ensaio. carga”, considerando-se que os capacitores
a serem dimensionados e instalados serão
Obs: recomenda-se a utilização em kVAr´s
desligados no horário de carga leve, a fim de
de 95% do valor calculado em Q0.
se evitar um fator de potência capacitivo
(excesso de reativos) neste horário.
EXEMPLO 3.6 Uma indústria tem instalada um motor Este cálculo é feito através da
trifásico de 10 cv/4 pólos, com fator de potência igual a expressão (3.9):
0,84 (indutivo), fator de carga 75% e rendimento 0,77.
Qual deverá ser a potência reativa (kVAr) do capacitor
que, instalado, venha a reduzir a potência reativa, de
modo que o fator de potência atenda ao valor de 0,92?
Qc =
(CQe − CQeo) − [(CPt − CPto)× tgϕ 2]
(3.9)
Solução: T
De (3.7), temos:
onde:
P × Δtg × fc
Qc =
η CQe - média dos consumos mensais de
Da tabela 3.3, obtemos, para cosϕ1 = 0,84 e cosϕ2 = energia reativa indutiva, em [kVArh];
0,92, uma valor de Δtg = 0,22. Logo: CQeo - média dos consumos mensais de
energia reativa indutiva, referente ao
Qc =
(10cv × 0,736kW ) × 0,22 × 0,75 = 1,6kVAr funcionamento da instalação em carga leve,
0,77 em [kVArh];
Considerando células capacitivas de 2 kVAr cada, o CPt - média dos consumos mensais de
número de células no banco (NC) vale: energia ativa, em [kWh];
CPto - média dos consumos mensais de
NC = 1,6 / 2 = 0,79 ≅ 1 energia ativa, referente ao funcionamento da
QC = 1 x 2 = 2 kVAr
instalação em carga leve, em [kWh];
ϕ2 - ângulo do fator de potência desejado;
3.1.4.3 Método dos consumos médios T- tempo de funcionamento da
mensais instalação (plena carga), em horas.
A aplicação deste método consiste em
determinar a potência dos capacitores Qc Conhecendo-se a média dos
necessária para corrigir o fator de potência, consumos mensais de energia reativa,
levando-se em consideração as médias dos
para o cálculo do fator de potência corrigido
consumos mensais de energia ativa (kW) e
com a instalação dos capacitores, pode-se
reativa (kVAr) durante um certo período de
utilizar a expressão 3.10:
funcionamento da instalação.
Observe neste método que, ao se
calcular a potência do capacitor a ser ⎡ ⎛ CQe − (Qc × T ) ⎞⎤
instalado (QC), as parcelas de consumo cos ϕ 2 = cos⎢arctg ⎜ ⎟⎥ (3.10)
mensais de energia ativa e reativa da ⎣ ⎝ CPt ⎠⎦
instalação em carga leve (em muitos casos,
estes valores são relativos aos
transformadores que funcionam em vazio por
longos períodos) são descontadas das
parcelas de consumo mensais de energia
ativa e reativa totais mensais da instalação.

CAPÍTULO 3 – CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA 57


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EXEMPLO 3.7 Seja uma indústria para a qual se Tabela 3.6 Horas de funcionamento em carga leve
deseja determinar a potência nominal dos capacitores (somente iluminação de vigia da indústria).
necessária para corrigir o fator de potência médio
mensal de 0,81 para 0,92. Dimensionar o banco de Dia da
Período Total (horas)
capacitores, de sorte a não se ter um fator de potência semana
capacitivo em carga leve, considerando que no período Segunda 17:00 – 7:00h 14
de 7:00 às 17:00h a demanda é praticamente Terça 17:00 – 7:00h 14
constante. Considere a demanda em carga leve igual a
7 kW e 4,7 kVAr. Com base nos dados de faturamento, Quarta 17:00 – 7:00h 14
referentes aos últimos 6 meses de atividade, elaborou- Quinta 17:00 – 7:00h 14
se a tabela abaixo:
Sexta 17:00 – 24:00h 7
Sábado 00:00 – 24:00h 24
Tabela 3.4 Dados de faturamento nos últimos 6 meses. Domingo 00:00 – 24:00h 24
Segunda 00:00 – 7:00h 7
Mês CPt [kWh] CQe [kVArh] cosϕ
Total da semana 118
Março 184.300 119.100 0,83
Total do mês 4,28 x 118 = 505
Abril 172.100 113.040 0,83
Maio 169.300 117.300 0,82
Considerando-se o mês de julho, por apresentar o mais
Junho 170.500 119.200 0,82 baixo fator de potência, têm-se, com o auxílio da tabela
Julho 167.200 117.600 0,81 de dados de faturamento (tabela 3.4), da tabela de
horas de funcionamento a plena carga (tabela 3.5) e do
Agosto 173.400 114.390 0,83 horário de funcionamento em carga leve (tabela 3.6),
os valores de consumo mensal. Considerou-se que a
Solução: curva de carga não variou praticamente ao longo do
ano.
O primeiro passo para determinar os valores de CQe = 117.600 kVArh
consumo médio mensal é conhecer o número de horas
CQeo = T0 x Q = 505h x 4,7 kVAr = 2.373 kVArh
de funcionamento da instalação nas condições de
plena carga (demanda máxima prevista) e leve CPt = 167.200 kWh
(demanda mínima prevista). O levantamento dessas
horas é apresentado nas tabelas 3.5 e 3.6, CPto =T0 x P = 505h x 7kW = 3.535 kWh
considerando-se uma semana de 7 dias e um mês de T0 = 214 h
30 dias (30 / 7 = 4,28 semanas).

Da expressão (3.9), temos:


Tabela 3.5 Horas de funcionamento a plena carga.
Dia da Qc =
(CQe − CQeo) − [(CPt − CPto) × tgϕ 2]
Período Total (horas)
semana T
Segunda 7:00 – 17:00h 10 QC =
(117.600 − 2.373) − [(167.200 − 3.535) × tg (ar cos0,92)]
214
Terça 7:00 – 17:00h 10 QC = 212,6kVAr
Quarta 7:00 – 17:00h 10
Considerando unidades capacitivas de 15 e 50 kVAr, o
Quinta 7:00 – 17:00h 10 banco será composto de:
Sexta 7:00 – 17:00h 10
QC = (4 x 50) + (1 x 15) = 215 kVAr
Sábado Sem expediente 0
Domingo Sem expediente 0 O fator de potência pode ser obtido da expressão
(3.10):
Total da semana 50
⎡ ⎛ CQe − (Qc × T ) ⎞⎤
Total do mês 4,28 x 50 = 214 cos ϕ 2 = cos⎢arctg ⎜ ⎟⎥
⎣ ⎝ CPt ⎠⎦
⎡ ⎛ 117.600 − (215 × 214 ) ⎞⎤
cos ϕ 2 = cos⎢arctg ⎜ ⎟⎥ = 0,92
⎣ ⎝ 167.200 ⎠⎦

CAPÍTULO 3 – CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA 58


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Em carga leve, isto é, ligada somente a iluminação de Curva de demanda ativa [kW] e reativa [kVAr]
vigia, o fator de potência, com o banco capacitivo
50
conectado, será de:

Demanda [kW, kVAr]


40

30 kW

QC = P × (tgϕ 1 − tgϕ 2 )
20 kVAr

10

⎛ 4,7 ⎞
ϕ 1 = arctg ⎜ ⎟ = 33,87º
0
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24

⎝ 7,0 ⎠ Tempo [horas]

tgϕ 2 =
(P × tgϕ1) − QC = (7,0 × tg 33,87º ) − 215
P 7,0 Figura 3.12 Curva de demanda ativa e reativa.
tgϕ 2 = −30 → ϕ 2 = −88º
cosϕ 2 = cos(− 88º ) = 0,033(capacitivo)
Solução:

Observa-se que no período após as 17:00h, quando a


indústria parar suas atividades, haverá um excedente Período e funcionamento da instalação a plena carga:
de reativo capacitivo caso as células do banco de 10 h/dia x 25 dias/mês = 250 h/mês
capacitores de 215 kVAr não sejam desligadas da
instalação.
No período de carga leve, sem o banco de capacitores Cálculo da carga em vazio do transformador (na
de 215 kVAr conectado, temos: ausência da curva de demanda medida, utiliza-se como
referência a tabela 4.3):
⎛ 4,7 ⎞
ϕ 1 = arctg ⎜ ⎟ = 33,87º → cos ϕ 1 = 0,83 a) Da figura 3.12, temos: carga em vazio 0,95
⎝ 7,0 ⎠ kW e 7,5 kVAr. Considerando-se a curva de
cos ϕ 2 = 0,92 carga e o mês comercial de 30 dias, o
funcionamento em vazio do transformador
Da tabela 3.3, que fornece o multiplicador Δtg em será:
função do fator de potência original (cosϕ1 = 0,83) e
b) Dias normais: 14 h x 25 dias = 350 h/mês
daquele que se pretende obter (cosϕ2 = 0,92), obtemos
o valor de Δtg = 0,25. c) Dias sem expediente: 24 horas x 5 dias = 120
h/mês
Da expressão (3.6), temos:
d) Total = 470 h/mês
Qc = P × Δtgϕ
e) Assim, o consumo em vaio do transformador
Qc = 7kW × 0,25 = 1,75kVAr será:
Nota-se que um banco de apenas 2 kVAr já seria
suficiente para a correção do fator de potência no
CA = 470 x 0,95 = 446,5 kWh
período de funcionamento de carga leve.
CR = 470 x 7,50 = 3.525 kVArh

EXEMPLO 3.8 Determinar a potência capacitiva


necessária para corrigir o fator de potência médio Aplicando-se a expressão (3.9), temos:
mensal de 0,66 para 0,94 em uma instalação cuja
curva de carga está representada na figura 3.12. O
transformador de 225 kVA funciona em vazio no
Qc =
(CQe − CQeo) − [(CPt − CPto)× tgϕ 2]
intervalo de 18 às 8h (14horas/dia) nos dias de
funcionamento normal. Considere o período de T
funcionamento normal (plena carga) das 8:00h às
Qc =
(10.950 − 3.525) − [(9.708− 446,5)× tg(ar cos(0,94))]
18:00h (10h/dia).
250
Dados:
Qc = 17kVAr
Demanda registrada (DR): 45 kW
Obs: esta potência reativa do banco de capacitores
Consumo ativo (CA): 9.708 kWh deverá permanecer ligada apenas durante o horário de
Consumo reativo (CR): 10.950 kVArh funcionamento normal da instalação.

Dias normais de operação no mês: 25 dias/mês

CAPÍTULO 3 – CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA 59


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3.2 Vantagens da correção do fator Portanto, a aplicação de capacitores


de potência deve ser feita através de um estudo técnico e
econômico, caso contrário, pode-se ganhar
de um lado (liberação da capacidade do
A compensação da energia numa sistema, elevação dos níveis de tensão,
instalação trás inúmeras vantagens para a redução das perdas, etc) e perder de outro
instalação, entre elas: (má qualidade da energia).
a) Liberação da capacidade do
sistema, permitindo a ligação de
cargas adicionais (a capacidade dos 3.2.1 Liberação da capacidade do
transformadores alcança melhor sistema
aproveitamento);
Em instalações industriais, em várias
b) Elevação dos níveis de tensão, situações torna-se necessário um acréscimo
melhorando o funcionamento dos de carga. Porém, normalmente não é
equipamentos e a utilização da possível aumentar o suprimento de energia
instalação; (potência dos transformadores), devido à
c) Redução das perdas de energia, instalação estar operando já no seu limite de
pela redução da corrente de carga.
alimentação, diminuindo o Como já visto, quando capacitores
aquecimento dos condutores e estão em operação num sistema elétrico,
aumentado a vida útil dos estes funcionam como "fonte" de energia
equipamentos; reativa, fornecendo corrente magnetizante
d) Redução dos custos de energia (potência reativa) para os motores,
elétrica, não só pela eliminação do transformadores, etc, reduzindo assim a
ajuste da tarifa imposta pela corrente (consequentemente a potência) da
concessionária (sobretaxa), como fonte geradora. Menor corrente significa
pela redução das perdas. menos potência ou carga nos
transformadores, alimentadores ou circuitos
de distribuição. Isto quer dizer que
A motivação inicial para a aplicação de capacitores podem ser utilizados para reduzir
capacitores para a redução do fator de a sobrecarga existente ou, caso não haja
potência é geralmente econômica. Porém, sobrecarga, permitir a ligação de cargas
questões de ordem técnica relacionadas à adicionais.
qualidade da energia devem também ser Desta forma, as cargas adicionais
observadas quando da utilização de podem ser ligadas a circuitos já em sua
capacitores. Os problemas mais usuais são plena carga, através da elevação do fator de
os problemas relacionados aos harmônicos potência das cargas existentes, o que
do sistema. Embora os capacitores, como acarreta a redução da potência ativa
elementos lineares presentes na instalação, absorvida (kVAr) e a elevação da potência
não sejam fontes de harmônicos, eles ativa (kW), sem afetar a potência aparente
interagem com o sistema amplificando os da instalação (kVA).
harmônicos existentes (ver capítulo 10).
É de fundamental importância calcular
Também deve ser levado em qual a carga em kVA que poderemos
consideração os problemas referentes aos adicionar a um sistema, para uma
transientes ocasionados em virtude das determinada correção de fator de potência.
operações de manobra (abertura e Esta liberação de capacidade é geralmente
fechamento) de capacitores, ocasionando conhecida pelo símbolo SL.
sobretensão e sobrecorrente (ver capítulo 9).

CAPÍTULO 3 – CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA 60


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Tabela 3.7 Redução do fator de potência: vantagens para o consumidor e para a concessionária.

Vantagens para o consumidor Vantagens para a concessionária


O bloco de potência reativa deixa de circular no
Redução significativa do custo de energia elétrica
sistema de transmissão e distribuição
Aumento da eficiência energética da empresa Evita as perdas pelo efeito Joule
Aumenta a capacidade do sistema de transmissão e
Melhoria da tensão
distribuição para conduzir o bloco de potência ativa
Aumento da capacidade dos equipamentos de Aumenta a capacidade de geração com intuito de
manobra atender mais consumidores
Aumento da vida útil das instalações e
Diminui os custos de geração
equipamentos
Redução do efeito Joule
Redução da corrente reativa na rede elétrica

A determinação numérica da
P2 P1
capacidade liberada do sistema, como S2 = =
conseqüência da correção do fator de cos ϕ 2 cos ϕ 2
potência, é um processo árduo, já que as
cargas adicionais podem ter fatores diversos Sendo, na figura 3.13, as novas
e diferentes do fator de potência da carga condições representadas pelo triângulo OAC.
original. Para maior facilidade de cálculo e
com aproximação bastante razoável, A determinação da carga SL a ser
consideremos o fator de potência da carga a adicionada sem acréscimo da potência da
ser adicionada igual ao fator de potência da instalação S1 não conduzirá a um resultado
carga original. único, uma vez que a carga a ser
acrescentada poderá ter qualquer fator de
A figura 3.13 mostra o diagrama básico potência (obviamente, desde que o fator de
que se aplica a todas as expressões de SL, potência final do conjunto não fique abaixo
onde SL é a capacidade liberada em kVA ou do valor esperado). Nessas condições, para
em percentual da carga total, conforme o simplificar os cálculos, considere que a carga
caso, como conseqüência do aumento do SL a ser acrescentada tenha o mesmo fator
fator de potência de cosϕ1 para cosϕ2. de potência da carga original, cosϕ1.
Prosseguindo na análise, considerando Devemos observar que a potência
uma instalação com uma potência aparente aparente total deverá permanecer igual à
S1 e fator de potência cosϕ1, sua potência inicial, isto é, OB, e então o limite é
ativa será inicialmente P1: estabelecido pela circunferência BB', como
mostra a figura 3.13.
P1 = S1 × cos ϕ1 O novo fator de potência será (fator
final, com as cargas combinadas):
Na figura 3.13, o triângulo OAB
representa as condições iniciais de carga. P 1 + PL
cos ϕ 3 = (3.11)
Com a colocação de uma carga S1
capacitiva adicional, em paralelo, de potência
reativa QC, o fator de potência da instalação Deduz-se, da mesma figura, que a
é corrigido para cosϕ2, mantendo-se a potência aparente da carga adicional
mesma potência ativa P1, passando a (capacidade liberada do sistema), é dada
potência aparente S2 a valer: pela expressão 3.12:

CAPÍTULO 3 – CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA 61


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⎡ (QC × senϕ1) 2⎤ cosϕ3 = fator de potência final, das cargas


2 ⎛ QC ⎞
SL = S1 × ⎢ −1 + 1− (cosϕ1) × ⎜ ⎟ ⎥ (3.12) combinadas;
⎢⎣ S1 ⎝ S1 ⎠ ⎥⎦
SL (CE) = potência aparente da carga
adicional;
PL (DC) = potência ativa da carga adicional
onde, (acréscimo de potência pretendida);
QC = potência dos capacitores instalados; QL (DE) = potência reativa da carga
cosϕ1 = fator de potência original; adicional;

cosϕ2 = fator de potência da original, já cosϕL = fator de potência da carga adicional.


corrigido;

QC E
S1
SL Q
L
S3=S1 ϕ1
C PL D

S2

ϕ3 ϕ1
0 ϕ2
P1 A F B'

Figura 3.13 Diagrama para obtenção da capacidade liberada (SL).

Uma outra análise da geometria da Observe que QC é o valor do banco de


situação identificada na figura 3.13 traduz em capacitores (kVAr) necessário para um
uma nova expressão bastante útil: aumento de potência ativa PL (kW) sem
aumento da potência aparente (kVA)
Qc = Q 1 − (Q 3 − PL × tgϕ 3) (3.13) disponível pela unidade transformadora (S1 =
S3).

CAPÍTULO 3 – CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA 62


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1,4
kVA liberado para cada kW

1,0
1,2 Fator de potência
0,95
corrigido 1
1 0,95
0,9
0,8 0,9
0,8
0,6 0,8
0,7
0,4 0,7
0,6
0,6
0,2
0
0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 0,95
Fator de potência original

Figura 3.14 Liberação de kVA do sistema elétrico com a melhoria do fator de potência.

O gráfico da figura 3.14, baseado na Temos:


expressão (3.12), permite uma análise
S1 = 500 kVA
bastante rápida e precisa de quanto kVA
pode ser liberado pela melhoria do fator de QC = 241,6 kVAr
potência. Por exemplo, aumentado o fator de cosϕ1 = 0,70 → ϕ1 = arcos (0,70) = 45,57º
potência de 0,6 (fator de potência original)
logo, senϕ1 = sen (54,57º) = 0,714
para 0,95 (fator de potência corrigido),
teremos a liberação de 0,69 kVA por kW, ou
seja, para 10 kW, teremos a liberação de 6,9
kVA no sistema elétrico. da expressão (3.12):

⎡ (241,6 × 0,714 ) ⎛ 241,6 ⎞ ⎤⎥


2

S L = 500 × ⎢ − 1 + 1 − (0,70 ) × ⎜
2

EXEMPLO 3.9 Seja uma indústria alimentada por um ⎢⎣ 500 ⎝ 500 ⎠ ⎥⎦
transformador de 500 kVA, operando a plena carga,
sendo de 0,70 o fator de potência inicial. S L = 143 ,05 kVA

a) Vamos inicialmente determinar a potência reativa c) Admitindo que a carga adicional (capacidade
capacitiva necessária para aumentar para 0,95 o liberada) de 143,05 kVA tenha uma fator de
fator de potência: potência igual ao inicial, cosϕ1 = 0,70, sua potência
ativa será:
A potência ativa será, com o fator de potência original
cosϕ1 = 0,70: PL = SL x cosϕ1 = 143,05 kVA x 0,70
PL = 100,14 kW
P1 = S1 x cosϕ1 = 500 x 0,70 = 350 kW
E o novo fator de potência será, da expressão (3.11):
Da tabela 3.3, entrando com cosϕ1 = 0,70 e cosϕ2 =
0,95, obtemos: P1 + PL 350 + 100,14
cos ϕ 3 = = = 0,90
S1 500
Δtg = 0,69
Assim, o transformador de 500 kVA, que antes fornecia
Da expressão (3.6), obtemos:
uma potência ativa de 350 kW, passa a fornecer uma
potência igual a 350 + 100,14 = 450,14 kW, sendo 0,90
QC = P1 x Δtg = 350 x 0,69 = 241,6 kVAr o novo fator de potência global da instalação.

b) Cálculo da capacidade liberada: EXEMPLO 3.10 Uma indústria tem uma potência
aparente instalada de 1.500 kVA, com dois

CAPÍTULO 3 – CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA 63


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transformadores operando em paralelo. O fator de Pmotor = 150 cv x 0,736 kW = 110,4 kW


potência medido é de 0,87, para uma demanda
máxima de 1.480 kVA. Desejando-se fazer um Utilizando a expressão (2.1), lembrando-se que para
aumento de carga com a instalação de um motor de carga motora, a potência ativa P é igual a potência do
150 cv (rendimento η = 0,95), com fator de potência de motor dividida pelo seu rendimento, temos:
0,87, calcular a potência necessária dos capacitores, a
fim de evitar alteração nas unidades de transformação, P Pmotor 110,4kW
ou seja, aquisição de novos transformadores de maior S= = = = 133,5kVA
potência. cos ϕ cos ϕ × η 0,87 × 0,95

Da expressão (3.11), pode-se explicitar o valor de QC


na equação do 2º grau:
Solução:

A potência do motor em kVA será (considerando 1 cv =


0,736 kW):
QC 2 − [(2 × SL × senϕ1) + (2 × S1 × senϕ1)]× QC + (2 × P1 × SL ) + SL2 = 0
QC 2 − [(2 ×133,5 × sen(ar cos(0,87))) + (2 ×1.500× sen(ar cos(0,87)))]× QC + (2 ×1.500×133,5) + 133,52 = 0
QC 2 − 1.610× QC + 418.332 = 0
1.610 ± 1.6102 − 4 ×1× 418.332
QC =
2 ×1
QC1 = 1.284kVAr
QC 2 = 325kVAr

⎡ (1.284 × sen 29,54º ) ⎛ 1.284 ⎞ ⎤⎥


2

SL1 = 1.500 × ⎢ − 1 + 1 − (cos 29,54º ) × ⎜


2

⎢ 1.500 ⎝ 1.500 ⎠ ⎥⎦

SL1 = 1.500 × (0,422 − 1 + 0,667 ) = 133,5kVA
⎡ (325 × sen 29,54º ) ⎛ 325 ⎞ ⎤⎥
2

SL 2 = 1.500 × ⎢ − 1 + 1 − (cos 29,54º ) × ⎜


2

⎢ 1.500 ⎝ 1.500 ⎠ ⎥⎦

SL 2 = 1.500 × (0,1068 − 1 + 0,982 ) = 133,2kVA

Logo, pode-se perceber facilmente que a solução mais Q1 = 1.605 × sen(ar cos 0,87 ) = 791kVAr
econômica é adotar um banco de capacitores de 325
kVAr, ou seja: Q 2 = Q1 − QC = 791 − 325 = 466kVAr
QC = 6 x 50 kVAr + 1 x 25 kVAr = 325 kVAr S 2 = 1.397 2 + 466 2 = 1.472kVA
Desta forma, percebe-se que, após a inserção de um
banco de capacitores de 325 kVAr para correção do
Pode-se comprovar esse resultado através do triângulo
fator de potência, pode-se adicionar à instalação um
das potências (veja o método analítico apresentado em
motor de 150 cv, e o carregamento dos
3.1.4.1), conforme figura 3.15a e 3.15b, isto é:
transformadores ainda se reduz para 1.472 kVA.
P = 1.480kVA × 0,87 = 1.287 kW
P1 = 1.287 + (150 × 0,736 ) = 1.397 kW
P1
S1 = = 1.605kVA
cos ϕ 1

CAPÍTULO 3 – CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA 64


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S1=1.605kVA QC = 325kVAr
S1 Q1 = 791kVAr
Q1=791kVAr
S2
ϕ1=29,54° ϕ1 ϕ2 Q2 = 466kVAr
P1=1.397kW P1

a b
Figura 3.15 Diagrama vetorial mostrando o benefício do acréscimo de capacitores no exemplo 3.10.

EXEMPLO 3.11 Uma instalação industrial tem um S1 = S3 + PL = 750 kVA


transformador de 750 kVA operando a plena carga com
cosϕ3 = P3 / S3 = 697,5 kW / 750 kVA = 0,93
fator de potência igual a 0,85. Deseja-se instalar
equipamentos de utilização cuja potência total é de 60 como cosϕ3 = 0,93 ⇒ ϕ3 = 21,57º
kW, com fator de potência igual a 0,83, sem que haja a
sobrecarga do transformador ou a necessidade de A potência reativa, após a instalação dos capacitores,
aquisição de um novo transformador para suprir o será:
acréscimo de carga pretendida. Determine qual o valor Q3 = P3 x tgϕ3 = 697,5 kW x 0,395
do banco de capacitores necessário para alcançar este
objetivo. Q3 = 275,7 kVAr

Solução: Finalmente, a potência do banco de capacitores


necessária será, de (3.13):

a) carga inicial
Qc = Q 1 − (Q 3 − PL × tgϕ 3)
S1 = 750 kVA Qc = 395− (275,7 − 60× 0,395)
Fp: cosϕ = 0,85 ⇒ ϕ = 31,79º Qc = 143kVAr

P1 = S1 x cosϕ1 = 750 kVA x 0,85 = 637,5 kW ou seja, banco paralelo de:

Q1 = S1 x senϕ1 = 750 kVA x sen (31,79º) QC = 3 x 50 kVAr = 150 kVAr

Q1 = 395 kVAr
3.2.1.1 Disponibilização de potência em
transformadores
b) acréscimo de carga
A tabela 3.8 fornece, através da
PL = 60 kW
aplicação sucessiva da expressão (2.1), a
Fp: cosϕL = 0,83 ⇒ ϕ = 33,90º potência ativa (em kW) que pode ser
SL = PL / cosϕL = 60 kW / 0,83 = 72,3 kVA fornecida por um transformador, funcionando
a plena carga (100% da potência do
QL = PL x tgϕL = 60 kW x tg (31,79º)
transformador), para diferentes valores do
QL = 40,2 kVAr fator de potência. Para transformadores que
não estejam funcionando a plena carga,
c) carga final, após o acréscimo
bastará multiplicar os números da tabela pelo
coeficiente correspondente ao nível de
P3 = P1 + PL = 637,5 kW + 60 kW = 697,5 kW utilização real de carga do transformador
(75%, 50%, etc).

Observe que a potência aparente S3 final é a mesma


que a inicial S1, pois esta não deverá ser ultrapassada.

Tabela 3.8 Potência ativa [kW] disponível em um transformador em função do fator de potência.

CAPÍTULO 3 – CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA 65


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POTÊNCIA NOMINAL DO TRANSFORMADOR [kVA]


tgϕ cosϕ
15 30 45 75 112,5 150 225 300 500 750 1000
2,29 0,40 6,0 12,0 18,0 30,0 45,0 60,0 90,0 120 220 300 400
1,99 0,45 6,8 13,5 20,3 33,8 50,6 67,5 101,3 135 225 337,5 450
1,73 0,50 7,5 15,0 22,5 37,5 56,3 75 112,5 150 250 375 500
1,52 0,55 8,3 16,5 24,8 41,3 61,8 82,5 123,8 165 275 412,5 550
1,33 0,60 9,0 18,0 27,0 45,0 67,5 90,0 135,0 180 300 450 600
1,17 0,65 9,8 19,5 29,3 48,8 73,1 97,5 146,3 195 325 487,5 650
1,02 0,70 10,5 21,0 31,5 52,5 78,8 105,0 157,5 210 350 525 700
0,88 0,75 11,3 22,5 33,8 56,3 84,4 112,5 168,8 225 375 562,5 750
0,75 0,80 12,0 24,0 36,0 60,0 90,0 120,0 180,0 240 400 600 800
0,70 0,82 12,3 24,6 36,9 61,5 92,3 123,0 184,5 246 410 615 820
0,64 0,84 12,6 25,2 37,8 63,0 94,5 126,0 189,0 252 420 630 840
0,62 0,85 12,8 25,5 38,3 63,8 95,6 127,5 191,3 255 425 637,5 850
0,54 0,88 13,2 26,4 39,6 66,0 99,0 132,0 198,0 264 440 660 880
0,48 0,90 13,5 27,0 40,5 67,5 101,3 135,0 202,5 270 450 675 900
0,42 0,92 13,8 27,6 41,4 69,0 103,5 138,0 207,0 276 460 690 920
0,36 0,94 14,1 28,2 42,3 70,5 105,8 141,0 211,5 282 470 705 940
0,33 0,95 14,3 28,5 42,8 71,3 106,9 142,5 213,8 285 475 712,5 950
0,29 0,96 14,4 28,8 43,2 72,0 108 144,0 216,0 288 480 720 960
0,21 0,98 14,7 29,4 44,1 73,5 110,3 147,0 220,5 294 490 735 980

A utilização da tabela 3.8 tem duas A "potência reativa suplementar" a ser


funções principais: conhecer o aumento da instalada para elevar o fator de potência de
potência disponível (em kW) conseguido com cosϕ1 para cosϕ2 será:
a elevação do fator de potência e determinar
a possibilidade um acréscimo de potência ΔQ = Q1 − Q2 = S × (tgϕ1 × cosϕ1 − tgϕ 2 ×cosϕ 2) (3.14)
ativa na instalação sem trocar o
transformador, apenas elevando o fator de
potência com uma carga capacitiva. EXEMPLO 3.12 Utilizando-se a tabela 3.8, para um
transformador de 150 kVA, quando o fator de potência
Observe que, para um transformador passa de 0,5 a 0,85, fornece um acréscimo de potência
de potência aparente S (kVA), a potência de 127,5 - 75 = 52,5 kW.
ativa disponível será, como sabemos:
EXEMPLO 3.13 Se tivermos uma instalação com um
P1 = S x cosϕ1 transformador de 500 kVA, cosϕ1 = 0,70 (tgϕ1 =1,02) e
Para um fator de potência cosϕ2 > cosϕ1, quisermos aumentar de 100 kW a potência por ele
fornecida, deveremos aumentar o fator de potência
P2 = S x cosϕ2 para cosϕ2 = 0,90 (tgϕ2 =0,48), pois para cosϕ1 = 0,70
temos 350 kW e para cosϕ2 = 0,90 temos 450 kW
As potências reativas correspondentes (diferença de 100 kW pretendida), o que pode ser
serão: conseguido com uma carga capacitiva de (expressão
3.14):
Q1 = P1 x tgϕ1
ΔQ = 500 x (1,02 x 0,70 - 0,48 x 0,90)
Q2 = P2 x tgϕ2 ΔQ = 141 kVAr

CAPÍTULO 3 – CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA 66


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EXEMPLO 3.14 Complementando o exemplo 3.13, a X = reatância do circuito para o qual se quer
potência reativa suplementar calculada pela expressão liberar carga, em [Ω];
(3.14) não é nada mais do que a diferença entre a
carga capacitiva utilizada na compensação (QC), e a R = resistência do circuito para o qual se
potência reativa adicional (QL).
quer liberar carga, em [Ω];
No caso, devido às aproximações, obtemos:
QC = potência dos capacitores instalados, em
PL 100,14 [kVAr];
QL = = = 98,2kVAr
tgϕ 1 1,02 ϕ = ângulo do fator de potência da carga
Q 3 = QC − QL = 241,6 − 98,2 = 143,4kVAr original.

Observe que a diferença (erro entre os cálculos) é da


ordem de 2%. EXEMPLO 3.15 Um Centro de Controle de Motores
(CCM) é alimentado por um condutor isolado, trifásico,
isolação em PVC, instalado no interior de um
3.2.1.2 Liberação da capacidade de carga eletroduto, temperatura ambiente 30ºC, seção nominal
2
de circuitos terminais e de 300 mm , cuja capacidade de corrente nestas
distribuição condições da instalação é de 426 A. Deseja-se instalar
neste CCM um motor de 75 kW / 4 pólos / 380 V, com
fator de potência igual a 0,86 e rendimento igual a 0,92.
Uma situação bastante comum em Sabe-se que a demanda deste CCM no circuito
instalações industriais é a necessidade do alimentador é igual a 400 A (com fator de potência
acréscimo de uma determinada carga em medido no barramento do CCM é igual a 0,75), cujo
circuitos de distribuição ou terminais, como, comprimento é de 160 m. Calcular o banco de
capacitores necessário para instalação do novo motor
por exemplo, motores em um CCM (Centro sem que haja necessidade da troca do cabo de
de Controle de Motores), tendo como fator alimentação, evitando-se a condição de sobrecarga do
limitante a seção nominal do condutor de mesmo.
alimentação deste CCM (circuito de
distribuição). A instalação de um banco de
Solução:
capacitores no barramento do CCM poderá
liberar a potência necessária, da mesma
forma que obtivemos a liberação de carga Corrente do motor a ser acrescentado ao CCM
em um transformador (item 3.2.1.1). Sem a (expressão 1.36):
liberação desta potência obtida pelo P 75kW
capacitor, poderíamos estar causando uma Im = =
3 × U × Fp ×η 3 × 0,38kV × 0,86 × 0,92
sobrecarga no cabo alimentador com o
Im = 144,2 A
acréscimo de carga no circuito de
distribuição (ou terminal), diminuindo sua
vida útil. A expressão (3.15) permite Demanda total do circuito alimentador:
conhecer o valor desta potência a ser
disponibilizada. Obviamente, convém que se ID = 400 + 144,2 = 544,2 A
estude a viabilidade econômica entre a Observe que o valor acima calculado para a demanda
substituição do condutor e a instalação do do circuito alimentador é maior que a capacidade de
banco de capacitores. condução do condutor (544,2 > 426 A). A menos que
alguma alteração seja feita, o motor não poderá ser
Qc× X instalado, pois acarretará sobrecarga no condutor.
SL = (3.15)
( X × senϕ) + (R × cosϕ) Investigaremos, portanto, a liberação de carga com a
instalação de um banco de capacitores no barramento
do CCM, para viabilizar a instalação do motor sem a
onde, necessidade de substituição do condutor de 300mm2
por um de maior seção.
SL = potência aparente a ser liberada pelo Da expressão (3.15), pode-se explicitar o valor da
sistema com a instalação de capacitores, em potência reativa necessária do banco capacitivo (Qc):
[kVA];

CAPÍTULO 3 – CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA 67


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SL × [( X × senϕ) + (R × cosϕ)] É importante salientar que, obviamente, um estudo de


Qc =
X viabilidade econômica se faz necessário para verificar
a possibilidade de aquisição do banco capacitivo ou a
onde: troca do condutor por um de maior seção nominal.
P 75kW
SL = = = 94,8kVA
Fp ×η 0,86 × 0,92
3.2.2 Melhoria da tensão
R = 0,0781 mΩ/m (dado obtido dos catálogos de
fabricantes de condutores); Como já visto, com a diminuição do
X = 0,1068 mΩ/m (dado obtido dos catálogos de fator de potência, a corrente da linha
fabricantes de condutores); aumenta-se. Desta forma, agrava-se a queda
Considerando-se o comprimento do circuito de 160 m, de tensão na instalação, a qual é diretamente
temos: proporcional ao aumento dessa corrente.
As desvantagens de tensões abaixo da
0,0781 × 160 nominal em qualquer sistema elétrico são
R= = 0,0125 Ω bastante conhecidas, acarretando diminuição
1000
da vida útil e do desempenho dos
0,1068 × 160 equipamentos. Entre as principais
X = = 0,0171Ω
1000 desvantagens da tensão abaixo da nominal,
cos ϕ = 0,75 ⇒ ϕ = arcos (0,75) = 41,4 º citam-se:

a) Nos motores de indução os efeitos


Logo: principais de uma tensão muito baixa são
94,8 × [(0,0171× sen 41,4º) + (0,0125× cos 41,4º)] a redução do conjugado de partida
Qc =
0,0171 (proporcional ao quadrado da tensão) e a
Qc = 114,7 kVAr elevação da temperatura em condições
de carga plena; o primeiro é crítico em
Neste caso, poderia-se utilizar um banco de
capacitores de:
acionamentos de cargas de inércia
elevada, resultando em períodos muito
QC = 3 x 40 = 120 kVAr longos de aceleração, enquanto que o
segundo reduz a vida útil da isolação do
Da expressão (5.11), temos que a corrente consumida motor;
pelo capacitor é:
b) Nas lâmpadas incandescentes, o fluxo
luminoso e a vida útil são muito afetados
INC =
120kVAr
= 182,5 A
pela tensão aplicada; assim, uma queda
3 × 0,38kV de tensão de 10% reduz em cerca de
30% o fluxo luminoso emitido;

Temos agora que a corrente total no barramento do c) Tensões muito baixas podem impedir a
CCM será, considerando o acréscimo do motor e do partida das lâmpadas de descarga.
capacitor (lembre-se que a corrente capacitiva tem
sinal negativo): A instalação de capacitores em uma
instalação produz o aumento do nível de
Ibarramento = ICCM + IM - INC
tensão, como conseqüência da diminuição
da corrente de carga. Embora os capacitores
Ibarramento = 400A + 144,2A – 182,5A = 361,7A elevem os níveis de tensão, é raramente
econômico instalá-los em estabelecimentos
Observe que o valor calculado (361,7 A) é inferior à industriais apenas para esse fim, sendo, na
capacidade nominal de corrente do condutor (426 A), o maioria das vezes, mais eficaz trocar a
que significa que ele pode ser utilizado, mesmo com o posição dos tapes do(s) transformador(es) da
acréscimo do motor! subestação, desde que a regulação do
sistema o permita. A melhoria de tensão

CAPÍTULO 3 – CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA 68


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deve ser considerada como um benefício X= resistência [Ω], por fase;


adicional dos capacitores.
ϕ= ângulo do fator de potência;
É importante observar que a utilização I= corrente total [A];
de capacitores para elevar a tensão é uma
“faca de dois gumes”, do ponto de vista da (+) = para cargas com fator de potência
qualidade do sistema elétrico. Se a tensão atrasado (indutivas);
está baixa, os capacitores são inseridos para (−) = para cargas com fator de potência
aumentar a tensão dentro de limites adiantado (capacitivas);
toleráveis mínimos, conforme foi
apresentado. Porém, caso os capacitores t= constante igual a 2 para circuitos
continuem energizados quando a carga (de monofásicos e √3 para circuitos trifásicos.
natureza predominantemente indutiva) for
desligada, a tensão irá aumentar muito acima
da nominal, resultando em uma condição de Conhecido o fator de potência e a
sobretensão. corrente total, as componentes da corrente
são facilmente obtidas, conforme
A tensão U em qualquer ponto de um apresentado nas expressões (3.18) e (3.19).
circuito elétrico é igual a da fonte geradora
UF menos a queda de tensão até aquele IP = I × cos ϕ (3.18)
ponto (ΔU), ou seja,
IQ = I × sen ϕ (3.19)
ΔU = UF - U (3.16)
Onde,
IP = corrente ativa da corrente [A];
ΔU IQ = corrente reativa da corrente [A];
UF U
Assim, a expressão (3.17) pode ser escrita
Figura 3.16 Queda de tensão em um circuito.
da seguinte forma:

Assim, se a tensão da fonte geradora e ΔU = t × [(R × IP ) ± ( X × IQ )] (3.20)


as diversas quedas de tensão forem
conhecidas, a tensão em qualquer ponto Por esta expressão, torna-se evidente
pode ser facilmente determinada. Como a que a corrente relativa à potência reativa (IQ)
tensão na fonte é conhecida, o problema opera somente na reatância. Como esta
consiste apenas na determinação das corrente é reduzida pelos capacitores, a
quedas de tensão. queda de tensão total é então reduzida de
um valor igual a corrente do capacitor
A fim de simplificar o cálculo das
multiplicada pela reatância. Portanto, é
quedas de tensão, a expressão (3.17) é
apenas necessário conhecer a potência
geralmente usada:
nominal do capacitor e a reatância do
sistema para se conhecer a elevação de
ΔU = t × [(R × I × cosϕ ) ± ( X × I × sen ϕ )] (3.17) tensão ocasionada pelos capacitores, ou
seja:
onde,

ΔU t × ( Xcir × IQ )
ΔU = queda de tensão [V], por fase; ΔU % = ×100 = ×100 (3.21)
U U [V ]
R= resistência [Ω], por fase;

CAPÍTULO 3 – CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA 69


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Substituindo-se as expressões (1.39) e (3.19) do núcleo. Outro sintoma é a perda de um


na expressão (3.21), obtém-se: número excessivo de lâmpadas
incandescentes coincidindo com a instalação
Xcir × QC do banco de capacitores.
ΔU % = (3.22)
10 × U [kV ]2
EXEMPLO 3.16 Determine o aumento do nível de
onde, tensão em um circuito após a instalação de um banco
de capacitores igual a 100 kVAr em um Quadro de
ΔU% = aumento percentual de tensão; Distribuição de Força, sendo o cabo alimentador deste
quadro igual a 300 mm2 (X = 0,1068 Ω/km), com
Xcir = reatância do circuito para o qual se comprimento igual a 150m. Considere o sistema em
quer liberar carga [Ω]; 380 V.

QC = potência do capacitor [kVAr]; Solução:


U = tensão nominal do sistema [kV].
Temos que:
Xcir = 0,1068 Ω/km x 0,15 km = 0,01602 Ω
Nos estabelecimentos industriais com
sistemas de distribuição modernos e a uma Pela expressão (3.22):
só transformação, a elevação de tensão QC × Xcir 100 × 0,01602
proveniente da instalação de capacitores é ΔU % = = = 1,10%
10 × U 2 10 × 0,382
da ordem de 4 a 5%.
Uma outra expressão bastante prática é
apresentada em 3.23, onde assume-me que
a impedância do transformador é a maior
3.2.3 Melhoria na regulação da tensão
parte da impedância total do sistema de
potência até o ponto da instalação do
Os capacitores podem ser aplicados
capacitor.
para melhoria da regulação de tensão em
QC × Z t sistemas de potência (devido à melhoria da
ΔU % = (3.23) tensão, conforme apresentado no item
St
anterior), tanto na configuração série como
na paralela (shunt), conforme figura 3.17.
onde,

ΔU% = aumento percentual de tensão;


Zt = impedância percentual do transformador
[%];
QC = potência do capacitor [kVAr];
St = potência do transformador [kVA].

Conforme já mencionado, um dos problemas (a) (b)


reside no fato da sobretensão resultante
devido à permanência dos capacitores Figura 3.17 Elevação de tensão em alimentador devido
energizados na rede após a redução de ao capacitor na configuração paralela (a) e em série
carga indutiva. Um sintoma comum desta (b). (1) indica a elevação de tensão devido ao
ocorrência é o “alto zunido” dos capacitor; (2) indica a queda de tensão devido à carga;
(3) indica a resultante, mostrando a redução da queda
transformadores e, em alguns casos, de tensão no alimentador.
sobreaquecimento devido à sobreexcitação

CAPÍTULO 3 – CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA 70


COMPENSAÇÃO REATIVA – UMA VISÃO DA ENGENHARIA DE PROJETOS www.vertengenharia.com.br

3.2.3.1 Capacitores em paralelo configuração série não necessitam ser


chaveados como resposta às alterações de
Conforme apresentado na figura 3.17a, carga.
a presença do capacitor em paralelo com a
Além disso, os capacitores em série
carga no final do alimentador resulta em uma
necessitarão de menores “quantidades” de
mudança (redução) gradual na tensão ao
kV e KVAr em comparação à configuração
longo do alimentador. Idealmente, a elevação
paralela para conseguir uma mesma
percentual de tensão no ponto de instalação
regulação.
do capacitor (regulação de tensão), dada
pela expressão (3.24), seria nula sem carga Existem também os pontos negativos
e se elevaria ao seu valor máximo com carga para levar em consideração para a
plena. configuração série. A primeira desvantagem
é que os capacitores série não podem
100 × (U cap − U ) fornecer compensação reativa para as
ΔU % = (3.24) cargas dos alimentadores nem tão pouco
U cap reduzir as perdas do sistema. Podem apenas
reduzir a capacidade de carga adicional do
onde, sistema, limitados pela excessiva queda de
tensão no alimentador.
ΔU% = elevação porcentual de tensão Outro importante ponto para se levar
(regulação); em consideração diz respeito a falta de
Ucap = tensão com o capacitor; tolerância das correntes de falta. Esta
situação resultaria em uma catastrófica
U = tensão sem o capacitor. sobretensão e deve ser evitada através de
“by-pass” do capacitor através de um sistema
de chaveamento automático. Um dispositivo
A regulação de tensão quantifica o limitador também deve estar conectado ao
efeito da variação da tensão terminal, através capacitor para desviar a corrente até o
da variação da tensão com e sem o fechamento da chave.
capacitor.
Existem várias outras preocupações
Entretanto, com capacitores em que devem ser levadas em conta quando da
paralelo, a elevação percentual de tensão é aplicação de capacitores em série. Entre
essencialmente independente da carga. estas, incluem-se ressonância (série) com
Assim, o chaveamento automático de motores síncronos e de indução e
capacitores é frequentemente empregado, a ferroressonância com transformadores.
fim de fornecer a regulação de tensão ideal Devido a estes efeitos, as aplicações de
em plena carga, mas prevenindo a elevação capacitores série nos sistemas de potência
de tensão acima da nominal quando da são bastante limitadas. Uma área
redução da carga. comprovadamente vantajosa para aplicação
de capacitor série é quando a reatância do
3.2.3.2 Capacitores em série alimentador deve ser minimizada, por
exemplo, para reduzir o efeito “flicker”.
Diferentemente do capacitor em
paralelo, a configuração série com o
alimentador (figura 3.17b) resulta em uma 3.2.4 Redução das perdas
elevação da tensão no final do alimentador
cuja variação é diretamente proporcional com A redução das perdas em um sistema
a corrente de carga. Esta variação de tensão elétrico decorrente da melhoria ou correção
é nula sem carga e máxima com a carga do fator de potência, resulta em lucro
completa. Portanto, capacitores em financeiro anual da ordem de 15% do valor

CAPÍTULO 3 – CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA 71


COMPENSAÇÃO REATIVA – UMA VISÃO DA ENGENHARIA DE PROJETOS www.vertengenharia.com.br

do investimento feito com a instalação dos Dividindo I1 por I2 virá:


capacitores.
I 1 cos ϕ 2
Na maioria dos sistemas de distribuição = (3.27)
I 2 cos ϕ 1
de energia elétrica de estabelecimentos
industriais, as perdas de energia (perdas
Joule = R.I2.t) variam de 2,5 a 7,5% dos kWh Chamando de R a resistência (por fase)
da carga, dependendo das horas de trabalho do circuito de distribuição, as perdas nesse
a plena carga, seção nominal dos condutores circuito serão, com cosϕ1:
e comprimento dos alimentadores e circuitos
de distribuição. P1 = R x I12 (3.28)

As perdas causadas pelo baixo fator de e com cosϕ2:


potência são devidas a corrente reativa que
flui no sistema e que pode, como já visto, ser P2 = R x I22 (3.29)
reduzida ou até mesmo eliminada com a
correção do fator de potência. Observe que sendo, é claro, P2 < P1.
as perdas são proporcionais ao quadrado da
corrente (expressão 1.49) e como a corrente Podemos definir a diferença porcentual
é reduzida na razão direta da melhoria do de perdas, ΔP%, pela relação:
fator de potência, as perdas são
inversamente proporcionais ao quadrado do ⎛ P1 − P 2 ⎞
fator de potência. ΔP % = ⎜ ⎟ × 100 (3.30)
⎝ P1 ⎠
Consideremos inicialmente uma
instalação como esquematizado na figura
3.18, onde U1 é a tensão de alimentação E então, substituindo (3.28) e (3.29) na
(fonte), U2 é a tensão no quadro de expressão (3.30), obtemos:
distribuição (carga); sejam P o consumo de ⎛ RI 12 − RI 2 2 ⎞
potência ativa da carga, cosϕ1 o fator de ΔP% = ⎜⎜ 2
⎟⎟ ×100
potência original e cosϕ2 > cosϕ1 o fator de ⎝ RI 1 ⎠
potência após a compensação. ⎛ I 12 − I 2 2 ⎞
I1 R
ΔP% = ⎜⎜ 2
⎟⎟ ×100
⎝ I1 ⎠

U1 U2
Carga ⎡ ⎛ I 2 ⎞2 ⎤
P (watts) ΔP% = ⎢1 − ⎜ ⎟ ⎥ ×100 (3.31)
⎣⎢ ⎝ I 1 ⎠ ⎦⎥
Figura 3.18 Circuito elétrico com perdas Joule.
O que resulta, em termos dos fatores de
potência, substituindo a expressão (3.27) em
Admitindo um sistema monofásico, as (3.31):
correntes correspondentes serão (ver 1.34):
P ⎡ ⎛ cos ϕ 1 ⎞ 2 ⎤
I1 = (3.25) ΔP % = ⎢1 − ⎜⎜ ⎟⎟ ⎥ × 100 (3.32)
U 2 × cos ϕ 1 ⎢⎣ ⎝ cos ϕ 2 ⎠ ⎥⎦
P
I2 = (3.26)
U 2 × cos ϕ 2 onde,

ΔP% = diferença porcentual de perdas;


Sendo, logicamente, I2 < I1. cosϕ1 = fator de potência original;

CAPÍTULO 3 – CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA 72


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cosϕ2 = fator de potência final (após a portanto a perda percentual no sistema será
compensação; menor.
A figura 3.19 está baseada na É importante salientar que a expressão
consideração de que a potência original da (3.32) fornece o cálculo da redução percental
carga permanece constante. Se o fator de de perdas à partir do capacitor. Não há
potência for melhorado para liberar redução de perdas nas linhas e nos
capacidade do sistema e, em vista disso, for transformadores entre o capacitor e a carga.
ligada a carga máxima permissível, a
corrente total é a mesma, de modo que as
perdas também serão as mesmas.
Entretanto, a carga total em kW será maior e

Redução percentual das perdas em função do fator de potência


Redução percentual

80
das perdas [%]

60
40

20
0
0,5 0,55 0,6 0,65 0,7 0,75 0,8 0,85 0,9 0,95 1
Fator de Potência original

FP=0,8 FP=0,9 FP=1,0

Figura 3.19 Redução [%] das perdas em função do fator de potência.

Algumas vezes, torna-se bastante útil instalação de um banco de capacitores para


conhecer o porcentual das perdas em função aumento do fator de potência.
da potência aparente (S), da potência reativa
(Q) da carga e da potência reativa (QC) do R × Qc × (2 × Sd × senϕ1 − Qc )
Ee = × 8.760 (3.34)
capacitor. A expressão (3.33) permite 1.000 × U 2
conhecer esse porcentual de perdas.

Qc × (2 × Q × Qc ) onde,
ΔP% = × 100 (3.33)
S2 Ee = energia anual economizada, em [kWh];
Sd = demanda do circuito, em [kVA];
Por outro lado, sabe-se que as perdas
nos condutores de uma instalação (kW) são R = resistência do circuito para o qual estão
registradas nos medidores de energia ativa sendo calculadas as perdas, em [Ω];
da concessionária e o consumidor paga por U = tensão nominal do circuito, em [kV];
este consumo desperdiçado. A expressão
(3.34) permite calcular a energia ϕ1 = ângulo de fase original.
economizada num período anual após a

CAPÍTULO 3 – CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA 73


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EXEMPLO 3.17 Considere uma instalação elétrica com de um banco de capacitores de 100 kVAr no circuito de
consumo anual de 150.000 kWh, fator de potência distribuição.
original cosϕ1 igual a 0,70 e fator de potência corrigido
cosϕ2 igual a 0,90, com perdas Joule (5% do consumo)
iguais a 8.000 kWh. Calcule a redução de perdas Solução:
nessa instalação com a melhoria do fator de potência.

Temos que:
Solução:
0,0781 × 160
R= = 0,0125 Ω
1000
A redução de perdas será, de (3.32):
Qc = 100 kVAr
⎡ ⎛ 0,70 ⎞ 2
⎤ Sd = 3 × 0,38 × 400 = 263,2kVA
ΔP% = ⎢1 − ⎜ ⎟ ⎥ ×100 = 39,5%
⎢⎣ ⎝ 0,90 ⎠ ⎥⎦
Da expressão (3.34),
O que representa uma redução de:
0,395 x 8.000kWh = 3.160 kWh por ano. 0,0125×100× (2 × 263,2 × sen44,1º−100)
Ee = × 8.760
Teremos, portanto, perdas anuais de: 1000× 0,382
8.000 – 3.160 = 4.840 kWh Ee = 20.196 kWh/ano
ou 3,2% do consumo, que originalmente representava
5,4 %.
A economia em R$ será, considerando-se o valor do
kWh igual a R$ 0,10:
EXEMPLO 3.18 Uma instalação elétrica possui fator de
potência igual a 0,75 com consumo anual igual a
150.000 kWh. Com a instalação de capacitores, = 20.196 kWh/ano x R$ 0,10
pretende-se melhorar o fator de potência para 0,92. = R$ 2.020,00/ano
Calcule a redução anual de kWh, admitindo-se que as
perdas na instalação por efeito joule representam 4%
do consumo.
3.2.5 Redução da corrente de linha
Solução:
O percentual de redução da corrente de
cosϕ1 = 0,75 linha pode ser dado por:
cosϕ2= 0,92
⎡ ⎛ cos ϕ 2 ⎞⎤
A redução de perdas será, de (3.32): ΔI % = 100 × ⎢1 − ⎜⎜ ⎟⎟⎥ (3.35)
⎣ ⎝ cos ϕ1 ⎠⎦
⎡ ⎛ 0,75 ⎞ 2

ΔP % = ⎢1 − ⎜ ⎟ ⎥ ×100 = 33,5%
⎢⎣ ⎝ 0,92 ⎠ ⎥⎦ onde,

As perdas por efeito joule serão: ΔI% = percentual de redução da corrente, em


%;
4% de 150.000 kWh = 6.000 kWh
cosϕ1 = fator de potência original;
Desta forma, teremos, anualmente, uma redução nas
perdas por dissipação (sob a forma de calor), igual a: cosϕ2 = fator de potência final (após a
compensação;
0,335 x 6.000 kWh = 2.010 kWh.
Mais uma vez, aplica-se aqui o conceito
EXEMPLO 3.19 Considerando-se as condições do da aplicabilidade da expressão (3.35) apenas
exemplo 3.15, sem a instalação do motor de 75 kW, para correntes à montante do capacitor.
determine a economia anual em R$ com a instalação

CAPÍTULO 3 – CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA 74


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Capítulo
Tipos de correção do
fator de potência IV

CAPÍTULO 4 – TIPOS DE CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA 75


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4 Tipos de correção do fator de potência

Sumário do capítulo
4.1 MODELOS DE CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA
4.1.1 Correção individual
4.1.2 Correção por grupos de cargas (quadro de distribuição terminal)
4.1.3 Correção geral (quadro principal de baixa tensão)
4.1.4 Correção primária (entrada de energia em alta tensão)
4.1.5 Correção mista
4.2 OS TIPOS DE COMPENSAÇÃO DA ENERGIA REATIVA
4.2.1 Tipo clássico de banco fixo
4.2.2 Sistemas semi-automáticos e automáticos
4.2.3 Correção do fator de potência em tempo real
4.3 NECESSIDADES ESPECÍFICAS DA INSTALAÇÃO
4.3.1 Tamanho de carga
4.3.2 Tipo de carga
4.3.3 Regularidade da carga
4.3.4 Capacidade de carga
4.4 ESQUEMAS ELÉTRICOS DE CORREÇÕES INDIVIDUAIS PARA PARTIDAS DE MOTORES

O primeiro problema a ser resolvido 4.1 Modelos de correção do fator de


após o cálculo da energia reativa necessária potência
à correção do fator de potência é como
distribuir essa quantidade de energia obtida
com a instalação de capacitores no sistema A escolha do modelo de correção do
(tipo, tamanho e quantidade de capacitores), fator de potência deve ser feito considerando
de modo a: reduzir custos, evitar problemas o tipo de instalação, as potências e
técnicos e atender a legislação. Desta características de funcionamento das cargas,
maneira, torna-se de suma importância a a potência e o número de capacitores a
análise da localização dos capacitores na serem instalados, o tipo de medição e a
instalação, observando-se sempre que todas modalidade tarifária em que se enquadra o
as vantagens descritas na seção 3.2 apenas consumidor, entre outros fatores.
se aplicam à parte da instalação a montante
A distribuição da quantidade de energia
de seu ponto de ligação, ou seja, entre a
reativa necessária pode ser feita na alta ou
fonte geradora e seu ponto de instalação.
baixa tensão, através da instalação dos
O que interessa para a concessionária capacitores de quatro maneiras diferentes
é a correção do fator de potência no (uma na alta e três na baixa tensão),
barramento de entrada do consumidor, ou conforme figura 4.1, tendo como objetivos
seja, deve-se garantir neste barramento um principais a relação custo/benefício e a
fator de potência mínimo igual a 0,92. Com conservação de energia:
base nas curvas de demanda ativa e reativa
horária do sistema elétrico e nas a) Correção individual (junto à carga) –
metodologias de cálculo apresentadas no instalação em BT (capacitor C1);
capítulo 3, determina-se facilmente a
b) Correção por grupo de cargas -
quantidade total de energia reativa
instalação em BT (quadro de distribuição
necessária para se fazer a correção do fator
terminal - capacitor C3);
de potência.
c) Correção geral - instalação em BT
(quadro de distribuição principal de baixa

CAPÍTULO 4 – TIPOS DE CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA 76


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tensão ou junto ao transformador - b) Diminuição da carga nos circuitos de


capacitor C2); alimentação dos equipamentos;
d) Correção primária - instalação em AT c) Pode-se utilizar um sistema único de
(entrada de energia em AT, sempre acionamento para a carga e o capacitor,
depois da medição - capacitor C4). economizando-se um equipamento de
manobra, pois não se requer comutação
e) Correção mista.
separada. A carga sempre trabalha junto
Seja qual for o tipo de correção com o capacitor;
adotada, como será visto a seguir, o controle d) Geração de potência reativa somente
da injeção de reativos no sistema por meio onde é necessário;
de banco de capacitores pode ser manual
e) Facilidade de escolha do capacitor
(feito pelo pessoal da operação) ou
correto para cada carga.
automático (através de transdutores de fator
de potência e controladores lógicos
A compensação individual, com
programáveis).
capacitores ligados diretamente à carga, é
Configure, no mínimo, duas alternativas uma solução muito utilizada quando a
de instalação de Bancos de capacitores e potência da carga indutiva (por exemplo,
estime os investimentos necessários para motores) é elevada em relação à potência
determinar o período de "pay-back" individual instalada e quando é freqüente o seu
e escolher a melhor solução. funcionamento em vazio ou com carga
Atenção: Evite a adição de uma quantidade excessiva reduzida. Normalmente, o capacitor é
de capacitores porque, além do investimento da comandado pelo mesmo dispositivo de
correção ser mais alto, tecnicamente a rede elétrica comando do motor. Desta maneira, não
permanecerá sobrecarregada com perdas JOULE ocorre risco de haver, em certos momentos,
adicionais e com riscos de amplificação dos
harmônicos eventualmente existentes a níveis
excesso ou falta de energia reativa.
indesejados, além de estar submetida a um aumento A energia magnetizante de um motor é
da tensão de alimentação junto aos Bancos de
Capacitores.
praticamente constante, e depende pouco da
solicitação mecânica da carga acionada.
Este fato faz com que um motor elétrico
4.1.1 Correção individual trabalhando em vazio tenha um baixo fator
de potência. Esta característica torna a
É a chamada correção “ponto-a-ponto”, aplicação de capacitores junto aos motores
obtida instalando-se os capacitores muito atrativa, principalmente nos casos de
diretamente junto ao equipamento que se motores com solicitações mecânicas
pretende corrigir o fator de potência (figura variáveis (compressores de ar, moinhos,
4.1 - capacitor C1). Representa, do ponto de trefiladores, bambores, prensas, etc.)
vista técnico, a melhor solução, Apesar destas características
principalmente quando da existência de favorecerem o uso de Bancos de
cargas de grande porte e com funcionamento Capacitores, na prática não se justifica
contínuo a plena potência. Do ponto de vista técnica e economicamente sua instalação na
econômico, apresenta o custo de instalação totalidade dos motores existentes na
mais alto. Entre as principais vantagens, empresa. Para maximizar os resultados da
citam-se: correção com custos compatíveis
a) Redução das perdas energéticas em normalmente são instalados capacitores nos
quase toda a instalação, visto que a motores elétricos de maior potência que
corrente reativa só circulará pelos acionam cargas com solicitação mecânica
circuitos terminais aos quais estejam variável. Tipicamente potências acima de 20
ligados os capacitores; cv proporcionam uma boa relação
custo/benefício.

CAPÍTULO 4 – TIPOS DE CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA 77


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C4

C2

C3

C1

Figura 4.1 As possibilidades de localização dos capacitores (bancos) numa instalação de baixa tensão.

Observe na figura 4.1 que a Existem três opções para instalar


compensação individual proporciona a capacitores junto a motores para partida
redução de perdas em quase toda a direta (conforme figura 4.2):
instalação, pois a injeção local de reativo
impede a circulação dessa energia a Local A: Entre o motor e o relé térmico
montante do capacitor C1, diminuindo a Nesta aplicação o motor e capacitor
circulação de corrente. Resolve-se, desse são energizados simultaneamente através do
modo, a questão de consumo de reativos na contator. Sugere-se a aplicação para:
origem do “problema”, ou seja, no ponto os
reativos estão sendo consumidos. Quanto a) Instalações novas onde a faixa de ajuste
mais próximo da carga for feita a correção, do relé térmico pode ser escolhida em
melhor para o sistema elétrico. função da corrente reduzida resultante da
combinação motor + capacitor;
É importante salientar algumas
precauções a serem tomadas em relação ao b) Motores já instalados que não
aparecimento de harmônicos durante a necessitarão de mudanças no ajuste de
partida de cargas motoras e quanto a sobrecarga.
corrente do capacitor (ou do banco), que
deve ser inferior à corrente de magnetização Local B: Entre o contator e o relé térmico
do motor. De fato, a potência do capacitor
(em tensão nominal) não deve ser superior a Energização simultânea do motor e
90% da potência absorvida pelo motor em capacitor. É adotada nos casos onde já
vazio, que pode ser determinada a partir da existe um relé térmico cuja faixa de
corrente em vazio e que corresponde a cerca regulagem não atende a corrente resultante
de 20 a 30% da corrente nominal, para do motor + capacitor. Sugere-se a aplicação
motores de 4 pólos e velocidade síncrona de para:
1800rpm.

CAPÍTULO 4 – TIPOS DE CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA 78


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a) Motores já instalados com ajustes de e) Motores de grande inércia, onde o


sobrecarga acima da especificação de conjunto motor/capacitor, mesmo
corrente para capacitores. desligado, pode tornar-se um gerador
com auto-excitação.
Local C: Na linha, antes do contator

Adotado quando se deseja que o Precauções adicionais para a


capacitor permaneça constantemente instalação de capacitores junto a motores:
energizado para auxiliar na compensação do
a) Nos casos onde o motor continue em
fator de potência da rede elétrica. A
rotação pela inércia da máquina acionada
vantagem desta aplicação é o
após a sua desenergização, deve-se
aproveitamento da chave seccionadora do
evitar a instalação de capacitores junto
próprio motor para a energização do
ao motor (casos A e B), pois pode ocorrer
capacitor. Esta condição de instalação
sua autoexcitação que geram
também é adotada quando a partida do
sobretensões indesejáveis;
motor é realizada através de auto
transformador, chave estrela-triângulo, chave b) Quando a partida do motor é com tensão
reversível e comando tipo "jogging". Sugere- reduzida (auto transformador ou estrela-
se a aplicação para: triângulo) e deseja-se o chaveamento do
capacitor em conjunto com o motor, é
a) Motores que são "pulsados" ou sofrem preferível empregar um contator adicional
reversão; específico para o capacitor e
b) Motores de velocidade variável; independente do sistema de partida para
evitar que o motor seja submetido a
c) Chaves que desligam e religam durante o torques transientes que podem danificá-
ciclo; lo.
d) Motores sujeitos a partidas freqüentes;

Proteção
Barramento de térmica
energia C B A
Motor

Chave de segurança Contator


com fusíveis ou
disjuntor

Capacitor C Capacitor B Capacitor A


Figura 4.2 As opções para instalação de capacitores junto a motores.

CAPÍTULO 4 – TIPOS DE CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA 79


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Tabela 4.1 Potência máxima recomendada para capacitores ligados a motores.


Número de pólos e rotação do motor (rpm)
2 4 6 8 10 12
Motor 3600 rpm 1800 rpm 1200 rpm 900 rpm 720 rpm 600 rpm
[HP] Redução Redução Redução Redução Redução Redução
Capacitor de Capacitor de Capacitor de Capacitor de Capacitor de Capacitor de
[kVAr] corrente [kVAr] corrente [kVAr] corrente [kVAr] corrente [kVAr] corrente [kVAr] corrente
[%] [%] [%] [%] [%] [%]
2 1 14 1 24 1,5 30 2 42 2 40 3 50
3 1,5 14 1,5 23 2 28 3 38 3 40 4 49
5 2 14 2,5 22 3 26 4 31 4 40 5 49
7,5 2,5 14 3 20 4 21 5 28 5 38 6 45
10 4 14 4 18 5 21 6 27 7,5 36 8 38
15 5 12 5 18 6 20 7,5 24 8 32 10 34
20 6 12 6 17 7,5 19 9 23 10 29 12,5 30
25 7,5 12 7,5 17 8 19 10 23 12,5 25 17,5 30
30 8 11 8 16 10 19 15 22 15 24 20 30
40 12,5 12 15 16 15 19 17,5 21 20 24 25 30
50 15 12 17,5 15 20 19 22,5 21 22,5 24 30 30
60 17,5 12 20 15 22,5 17 25 20 30 22 35 28
75 20 12 25 14 25 15 30 17 35 21 40 19
100 22,5 11 30 14 30 12 35 16 40 15 45 17
125 25 10 35 12 35 12 40 14 45 15 50 17
150 30 10 40 12 40 12 50 14 50 13 60 17
200 35 10 50 11 50 11 70 14 70 13 90 17
250 40 11 60 10 60 10 80 10 90 13 100 17
300 45 11 70 10 75 12 100 14 100 13 120 17
350 50 12 75 8 90 12 120 13 120 13 135 15
400 75 10 80 8 100 12 130 13 140 13 150 15
450 80 8 90 8 120 10 140 12 160 14 160 15
500 100 8 120 9 150 12 160 12 180 13 180 15
Notas:
1. esta tabela deve ser utilizada como alternativa quando o valor da corrente a vazio do motor não estiver disponível.
2. A potência do capacitor (kVAr) indicada refere-se à máxima potência necessária do banco de capacitor para corrigir o motor.
Esta potência não deve exceder à potência solicitada pelo motor funcionando a vazio, a fim de se evitar eventuais
inconveniências de sobretenção após a abertura da chave.
3. A redução da corrente de linha com a inclusão do banco de capacitor corresponde a redução percentual que deve ser feita no
ajuste do relé térmico do motor caso a instalação do capacitor seja feita após o relé de proteção;
4. Para uso em motores trifásicos, 60Hz, NEMA tipo B, para aumentar o fator de potência para aproximadamente 95%;
5. Para motores de 50Hz, multiplicar os valores da tabela por 1,2;
6. Motores em anéis, multiplicar os valores da tabela por 1,1;
7. Para motores de corrente de partida muito elevada, multiplicar os valores da tabela por 1,3.

A tabela 4.1 indica a potência máxima EXEMPLO 4.1 Calcule a potência máxima de um
do capacitor ou banco que deve ser ligado capacitor ou banco para ligação aos terminais de um
aos terminais de um motor de indução motor de indução trifásico, 100 CV, 380 V, 4 pólos, cuja
trifásico para atingir um fator de potência de corrente nominal é de 136 A. Considere a corrente à
95%, com torque e corrente normal de vazio igual a 30% da nominal.
partida de acordo com a classificação NEMA. Solução:
No caso de numa correção não estiver
disponível a potência exata do capacitor, I 0 = 0,30 ×136 = 41A
deverá ser escolhida a potência Qc = 3 ×U × I 0 = ( )
3 × 0,38× 41 × 0,9 = 24kVAr
imediatamente inferior para maior segurança
quanto a sobretensões por autoexcitação e
limitar eventuais torques transientes.

CAPÍTULO 4 – TIPOS DE CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA 80


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Tratando-se de instalações elétricas Motor de 50 cv / 380 V


industriais, há uma grande predominância de
40
motores elétricos de indução no valor total da 35
potência instalada. 30
25

kW - kVAr
Atualmente, no Brasil, estes motores 20
kW
kVAr
são responsáveis por cerca de 50% do 15

consumo elétrico industrial ou por 25% do 10


5
consumo total. Desta forma, é necessário 0
estabelecer algumas considerações sobre a 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100

influência dos motores de indução no Carga nominal em %

comportamento do fator de potência.


Figura 4.4 Variação das potências ativa e reativa em
função do carregamento do motor (% de carga
nominal).

Motor de 50 cv/380 V

47%
Motores 1
Outras cargas 0,9
53% Fator de potência
0,8
0,7
0,6
0,5 Fp
0,4
0,3
0,2
0,1
Figura 4.3 Contribuição dos motores elétricos de 0
indução no consumo elétrico industrial (Fonte: revista 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100
EM – Junho 2005). Carga nominal em %

Figura 4.5 Variação do fator de potência em função do


Conforme pode ser observado na figura carregamento do motor (% de carga nominal).
4.4, a potência reativa absorvida por um
motor de indução aumenta muito levemente,
desde a sua operação em vazio (sem carga Analisando a figura 4.5, observa-se
acoplada ao eixo, ou seja, 0% da carga que, operando o motor de indução de 50
nominal), até a sua operação em plena carga cv/380 V com 50% da carga nominal, o fator
(100% da carga nominal). Contudo, a de potência reduz-se de 0,85 (operação
potência ativa absorvida da rede cresce nominal, com 100% de carregamento) para
proporcionalmente com o aumento de carga 0,78. Por sua vez, pela figura 4.4, a potência
no eixo do motor. reativa, originalmente igual a 23 kVAr, reduz-
se para 13,5 kVAr. Analogamente, para uma
Como resultado das variações das operação com 75% da carga nominal,
potências ativas e reativas durante o teríamos um fator de potência igual a 0,84
aumento da carga nominal, nota-se que o (note a melhoria obtida) e a potência reativa
fator de potência também varia atingiria 17 kVAr.
proporcionalmente a esta variação, conforme
indicado na figura 4.5. Desta forma, torna-se Na prática, os fabricantes de motores
de suma importância o controle operativo dos apresentam tabelas, como a apresentada na
motores da instalação por parte do pessoal tabela 4.2, para indicar os dados de
responsável pela operação. rendimento e do fator de potência em função
do carregamento do motor, para uma ampla
faixa de potências.

CAPÍTULO 4 – TIPOS DE CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA 81


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Tabela 4.2 Características técnicas de motores de carga no transformador, redução da corrente


indução trifásicos, gaiola, 1800 rpm – 4 pólos – 60 Hz – (e consequentemente de perda Joule) nos
categoria N.
circuitos de distribuição que alimentam
Rendimento η quadros onde estejam ligados capacitores.
Cos φ
(%)
Potência In
% potência % potência (A)
A principal desvantagem deste tipo de
nominal nominal correção é a ausência de diminuição da
cv kW 50 75 100 50 75 100
0,50 0,37 64,7 68,6 68,0 0,55 0,68 0,76 1,08
corrente nos circuitos de alimentação de
0,75 0,55 66,3 68,8 67,5 0,55 0,68 0,77 1,60 cada equipamento, como ocorre na correção
1,00 0,75 75,2 78,4 78,5 0,49 0,63 0,72 2,00 individual.
1,50 1,10 78,8 81,1 81,0 0,50 0,64 0,73 2,81
2,00 1,50 80,9 83,1 83,0 0,53 0,66 0,75 3,64
3,00 2,20 82,4 84,0 83,5 0,57 0,71 0,77 5,10
4,00 3,00 81,0 83,0 84,0 0,59 0,72 0,74 6,90 4.1.3 Correção geral (quadro principal de
5,00 3,70 84,0 85,0 85,0 0,63 0,75 0,81 8,20 baixa tensão)
6,00 4,50 85,0 86,0 86,0 0,61 0,71 0,81 9,80
7,50 5,50 85,0 87,5 87,5 0,58 0,69 0,76 12,6
10,0 7,50 85,0 87,5 87,5 0,65 0,76 0,83 15,70 Na correção geral, a instalação do
12,5 9,20 87,0 88,0 88,0 0,62 0,76 0,82 19,40 capacitor é feita na saída do transformador
15,0 11,0 87,0 88,5 88,5 0,66 0,76 0,83 22,70 ou do quadro de distribuição principal (geral),
20,0 15,0 87,0 89,0 89,5 0,64 0,74 0,81 31,40
25,0 18,5 89,0 90,5 90,5 0,64 0,75 0,81 38,30 proporcionando compensação global à
30,0 22,0 91,5 92,5 92,4 0,66 0,77 0,83 44,00 instalação (figura 4.1 - capacitor C2). Utiliza-
40,0 30,0 92,3 93,1 93,0 0,67 0,78 0,83 58,00 se este tipo de correção em instalações
50,0 37,0 92,3 93,1 93,0 0,67 0,78 0,83 72,00
elétricas com elevado número de cargas com
Fonte: Divulgação Siemens – motores IPW 55.
potências diferentes e regimes de utilização
pouco uniformes. Tem sido a de maior
utilização na prática, por resultar, em geral,
em menores custos finais. Apresenta como
4.1.2 Correção por grupos de cargas vantagens principais:
(quadro de distribuição terminal)
a) Os capacitares instalados são mais
Quando existirem grupos de cargas utilizados;
com características uniformes de operação
ao longo do dia, a sua correção do fator de b) Possibilidade de controle automático;
potência pode ser feita através de Bancos c) Melhoria geral do nível de tensão;
Fixos de Capacitores.
d) Instalação suplementar relativamente
Na correção por grupos de cargas, o simples;
capacitor é instalado de forma a corrigir um
setor ou um conjunto de máquinas. É e) Liberação de potência do(s)
colocado junto ao quadro de distribuição que transformador(es) de força;
alimenta esses equipamentos (figura 4.1 - f) Podem ser instalados no interior da
capacitor C3). É a correção indicada quando subestação, local normalmente utilizado
um ou mais dos circuitos de distribuição pelo próprio quadro de distribuição geral.
principais alimentam quadros de distribuição
terminais onde estão ligadas muitas cargas
de pequeno porte ou um conjunto de Neste tipo de correção, ocorre a
pequenos motores (< 10 cv), para as quais liberação da carga no transformador, porém,
não se justifica a compensação individual. não há redução de perdas nos diversos
Essa solução, com utilização de fatores circuitos (de distribuição - caso apresentado
de demanda adequados, pode proporcionar na seção 4.1.2 e terminais – caso descrito na
uma economia razoável (embora, via de seção 4.1.1), visto que por eles circulará a
regra, menor que a do caso indicado no item corrente reativa. É a solução indicada para
4.1.3). Com ela haverá, além da liberação de

CAPÍTULO 4 – TIPOS DE CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA 82


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instalações mais simples, onde não haja materiais, e assim poder funcionar. Trata-se
conjuntos de cargas muito diferentes entre si. do princípio básico de funcionamento do
transformador. É uma boa prática instalar um
Esse tipo de ligação pode proporcionar
banco de capacitores fixo, dimensionado
uma economia apreciável, desde que se leve
adequadamente, para compensar a sua
em conta, no dimensionamento dos
energia magnetizante, de tal forma que,
capacitores, a diversidade entre os diferentes
quando o transformador trabalhar em vazio,
circuitos de distribuição (principais) que
sem carga elétrica, seu fator de potência
partem do quadro geral, pela aplicação de
estará corrigido.
fatores de demanda convenientes. Haverá
necessidade, nesse caso, de ser instalado A tabela 4.3 apresenta valores
um dispositivo de manobra que permita orientativos da potência capacitiva (kVAr)
desligar os capacitores quando a indústria adequada para os tamanhos padronizados
cessar suas atividades diárias. Do contrário de transformadores disponibilizados
poderão ocorrer sobretensões indesejáveis comercialmente.
em toda a instalação.
Pode-se instalar uma maior quantidade
A principal desvantagem consiste em de potência capacitiva do que os valores
não haver alívio sensível dos alimentadores indicados na tabela 4.3, para compensar o
de cada equipamento. fator de potência das cargas por ele
alimentadas. Porém, recomenda-se que o
total da potência capacitiva em kVAr não
Tabela 4.3 Dados médios de transformadores trifásicos seja superior a 2/3 da potência em kVA do
– classe 15 kV.
transformador para não ocorrer riscos com
Potência do Perdas a Perdas reativas a amplificação dos harmônicos existentes.
trafo vazio a vazio Caso forem necessárias potências
(kVA) (kW) (kVAr)
superiores ao limite indicado, deverão ser
10 0,14 1,0
15 0,18 1,5 empregados dispositivos de chaveamento
30 0,30 2,0 automático (bancos automáticos).
45 0,35 3,0
75 0,55 4,0
112,5 0,60 5,0 4.1.4 Correção primária (entrada de
150 0,80 6,0 energia em alta tensão)
225 0,95 7,5
300 1,10 8,0
500 1,70 12,5
Essa solução não é muito usada em
750 2,00 17 instalações industriais (figura 4.1 - capacitor
1000 3,00 19,5 C1). Neste caso, os capacitores devem ser
Notas: instalados após a medição no sentido da
1- Nesta tabela estão computados o limite de KVAr a ser fonte para a carga.
instalado por meio de capacitores no barramento de BT do
transformador, não computando a correção feita junto as Esta opção é válida técnica e
cargas e/ou alimentadores desenergisados. economicamente quando são necessárias
2- Fator de potência médio (a vazio): de 0,14 a 0,17; grandes potências capacitivas (da ordem de
3- Os valores tabelados são médios e servem como 1.000 kVAr). O custo elevado dos
referência, não devendo ser utilizados para determinação
do consumo a vazio do transformador, o que, neste caso, dispositivos de manobra em tensões
deverá ser feito por medição específica; superiores a 5 kV, inviabiliza
economicamente sua aplicação em
instalações de pequeno porte.

É importante observar que cada Em geral, o custo final da instalação


transformador, para o seu funcionamento, com correção primária é superior a um banco
requer uma determinada parcela de energia equivalente instado no sistema secundário,
reativa para a magnetização dos seus visto que não proporciona liberação de

CAPÍTULO 4 – TIPOS DE CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA 83


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capacidade no transformador, nem redução 4.1.5 Correção mista


de perdas, além de exigir a utilização de um
dispositivo de manobra e proteção de alta A correção mista consiste em utilizar a
tensão para os capacitores, muito embora o correção geral (seção 4.1.3) e por grupos de
preço por kVAr dos capacitores seja menor carga (seção 4.1.2). Esta correção é
para tensões mais elevadas. vantajosa quando existem cargas de grande
porte e consequentemente as perdas no
Geralmente, essa solução só é utilizada
sistema são reduzidas significativamente.
em indústrias de grande porte, com várias
subestações transformadoras. Nessas No ponto de vista da "Conservação de
condições, a diversidade entre as Energia", considerando aspectos técnicos,
subestações pode resultar em economia na práticos e financeiros, torna-se a melhor
quantidade de capacitores a instalar. A solução.
correção primária limita seus benefícios no A partir do perfil horário da potência
menor custo por kVAr, na correção do fator capacitiva, determina-se, no caso da
de potência geral da instalação (eliminando instalação elétrica ser faturada pelo sistema
qualquer tipo de cobrança pelo uso de kVAr) horosazonal, os valores mínimo e o máximo
e, em segundo plano, à liberação de carga de capacitores necessários para a instalação
do alimentador da concessionária de energia. elétrica. A potência mínima representa a
Entre as desvantagens da correção na parcela fixa de Bancos de Capacitores que
alta tensão, pode-se citar: deverá ser adicionada à rede elétrica e a
diferença entre o valor máximo e o valor
a) Inviabilidade econômica de instalar banco mínimo, a potência modulável de capacitores
de capacitores automáticos; a serem adicionados, ou através de
capacitores chaveados em conjunto com os
b) Maior probabilidade da instalação se
motores ou através de Bancos Automáticos.
tornar capacitiva (capacitores fixos);
Utiliza-se o seguinte critério para
c) Aumento da tensão do lado da
correção mista:
concessionária;
d) Aumento da capacidade de curto-circuito a) Motores de aproximadamente 10 cv ou
na rede da concessionária; mais, corrige-se localmente, conforme
metodologia descrita na seção 4.1.1
e) Maior investimento em cabos e
(cuidado com motores de alta inércia,
equipamentos de baixa tensão;
pois não se deve dispensar o uso de
f) Manutenção mais difícil; contatores para manobra dos capacitores
g) Não otimiza o rendimento da instalação sempre que a corrente nominal dos
elétrica como um todo, que continuará mesmos for a 90% da corrente de
com as correntes reativas indesejáveis excitação do motor);
em circulação nos circuitos de baixa b) Motores com menos de 10 cv corrige-se
tensão, gerando perdas adicionais e por grupos (conforme metodologia
sobrecarregando a rede elétrica. Assim, descrita na seção 4.1.2);
os benefícios relacionados com a
c) Instala-se um banco automático de
diminuição das correntes reativas nos
pequena potência no lado secundário do
cabos, trafos, etc, não são obtidos.
transformador para equalização final
(conforme metodologia descrita na seção
4.1.3).

CAPÍTULO 4 – TIPOS DE CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA 84


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Tabela 4.4 Resumo das vantagens e desvantagens dos tipos de instalação de capacitores.

Tipo Vantagens Desvantagens


a) Redução das perdas energéticas em quase toda a a) Custo de instalação alto
instalação, visto que a corrente reativa só circulará
pelos circuitos terminais aos quais estejam ligados os
capacitores;
b) Diminuição da carga nos circuitos de alimentação dos
equipamentos;
c) Pode-se utilizar um sistema único de acionamento para
Correção individual a carga e o capacitor, economizando-se um
equipamento de manobra, pois não se requer
comutação separada. A carga sempre trabalha junto
com o capacitor;
d) Geração de potência reativa somente onde é
necessário;
e) Facilidade de escolha do capacitor correto para cada
carga.

a) Indicada quando um ou mais dos circuitos de a) Não ocorre a diminuição da corrente


distribuição principais alimentam quadros de nos circuitos de alimentação de cada
distribuição terminais onde estão ligadas muitas cargas equipamento, como ocorre na correção
Correção por grupo de de pequeno porte ou um conjunto de pequenos motores individual.
cargas (< 10 cv);
(Quadro Terminal) b) Além da liberação de carga no transformador, ocasiona
a redução da corrente (e consequentemente de perda
Joule) nos circuitos de distribuição que alimentam
quadros onde estejam ligados capacitores.

a) Tem sido a de maior utilização na prática, por resultar, a) Não há redução de perdas nos
em geral, em menores custos finais; diversos circuitos (de distribuição e
terminais), visto que por eles circulará
b) Os capacitares instalados são mais utilizados; a corrente reativa.
c) Possibilidade de controle automático; b) É a solução indicada para instalações
d) Melhoria geral do nível de tensão; mais simples, onde não haja
Correção geral conjuntos de cargas muito diferentes
(Quadro Geral) e) Instalação suplementar relativamente simples; entre si.
f) Liberação de potência do(s) transformador(es) de
força;
g) Podem ser instalados no interior da subestação, local
normalmente utilizado pelo próprio quadro de
distribuição geral.

CAPÍTULO 4 – TIPOS DE CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA 85


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Tipo Vantagens Desvantagens


a) Preço por kVAr dos capacitores é menor para tensões a) Inviabilidade econômica de instalar
mais elevadas; banco de capacitores automáticos;
b) Correção do fator de potência geral da instalação b) Maior probabilidade da instalação se
(eliminando qualquer tipo de cobrança pelo uso de tornar capacitiva (capacitores fixos);
KVAr);
c) Aumento da tensão do lado da
c) Liberação de carga do alimentador da concessionária concessionária;
de energia.
Correção primária d) Aumento da capacidade de curto-
(Alta Tensão) circuito na rede da concessionária;
e) Maior investimento em cabos e
equipamentos de baixa tensão;
f) Manutenção mais difícil;
g) Benefícios relacionados com a
diminuição das correntes reativas nos
cabos, trafos, etc, não são obtidos.

comando de um banco de capacitores


4.2 Os tipos de compensação da trifásico por contator tripolar.
energia reativa
Fusíveis
retardados
A compensação de reativos pode ser
feita basicamente de quatro maneiras:
Contator
a) Tipo clássico de banco fixo;
Indutor In Rush
b) Sistemas semi-automáticos (timers); (opcional)

c) Sistemas automáticos
(controladores);
d) RTPFC (Real Time Power Factor
Correction - correção do fator de
potência em tempo real). Figura 4.6 Sistema convencional de manobra de
capacitores.

4.2.1 Tipo clássico de banco fixo Os fusíveis (tipo retardado) são


utilizados para proteção dos capacitores
Nas instalações elétricas com poucos contra correntes de curto-circuito. Por sua
equipamentos e onde se conhece vez, os indutores (também conhecidos como
exatamente a necessidade de kVAr para a reatores de “in-rush” ou limitadores), são
compensação reativa em cada carga utilizados para limitar a corrente de “in-rush”
(principalmente em sistemas elétricos que que ocorre durante a energização dos
operam 24 horas por dia e têm uma capacitores (no momento da comutação),
demanda constante), são utilizados bancos evitando dados aos elementos de
capacitivos fixos, ou seja, a injeção de chaveamento (contator), fusíveis e aos
reativos para melhoria do fator de potência próprios capacitores. O uso dos reatores de
não varia durante o período de operação. De “in-rush” é opcional, porém, de grande
maneira geral, a utilização de capacitores benefício à instalação quando utilizados.
fixos é a solução mais econômica. A figura
4.6 ilustra o modelo mais simples de O tipo mais clássico de utilização de
banco fixo é aquele aplicado na correção de

CAPÍTULO 4 – TIPOS DE CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA 86


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motores. Um caso bastante comum em horas, cinco dias por semana) ou


instalações industriais é quando ocorre a equipamentos cujas potências absorvidas
utilização dos contatores de comando da sejam extremamente variáveis e cujas
carga também para o comando do banco de variações possam levar o fator de potência a
capacitores. Desta maneira, os capacitores valores indesejáveis, justificam-se a
sempre estarão ligados apenas quando a utilização da compensação automática,
carga também estiver, evitando o exceto de aplicada globalmente ou a setores da
injeção de reativo no sistema. Um exemplo instalação, conforme o caso, com a principal
típico deste sistema é o comando de motores finalidade de manobrar automaticamente os
com a ligação dos capacitores realizada após capacitores em função da falta ou do
o contator de comando do motor (figura 4.7). excesso de potência reativa no sistema.
O sistema mais simples de se
compensar a injeção de reativos no sistema,
R S T
conhecido como “sistema semi-automático”,
Contator
é através da utilização de programadores
horários ou temporizadores (“timers”), onde,
na hora programada, atuam no circuito de
comando da carga (bobinas dos contatores),
Relé térmico conectando ou desconectado os bancos de
capacitores. Sistemas de temporização mais
modernos, que necessitem de uma lógica de
programação mais avançada (principalmente
quando é necessário a interação com outras
variáveis elétricas), podem ser feito
utilizando-se CLP´s (Controladores Lógicos
Programáveis).
Sistemas automáticos de correção do
M
3~ fator de potência são aqueles que utilizam
um dispositivo conhecido como Controlador
Digital Microprocessado. O controlador,
Figura 4.7 Sistema semi-automático. através dos canais de entrada de dados,
recebe sinal de corrente (por meios de TC´s
– transformadores de corrente) e de tensão
É importante observar que, no caso de (por meio de TP´s – transformadores de
motores com cargas de alta inércia aplicadas potencial) do barramento e é capaz de
ao eixo do motor, não deve ser dispensado o calcular as variações de energia ativa e
uso de contator exclusivo para manobra do reativa no ponto de instalação. Possui relés
capacitor. na saída para conexão e desconexão do
banco de capacitores, atuando na comutação
dos estágios dos capacitores necessários à
4.2.2 Sistemas semi-automáticos e
obtenção do fator de potência desejado
automáticos
(figura 4.8).

Em instalações com demanda variável


ao longo do dia, isto é, que possuem
demandas por turno (por exemplo, oito

CAPÍTULO 4 – TIPOS DE CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA 87


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Figura 4.8.Esquema elétrico de ligação de um controlador de 8 estágios com dois bancos capacitivos.

Neste tipo de sistema, o banco


automático de capacitores é constituído por 4.2.2.1 Quantidade de estágios
unidades que poderão ser ligadas ou
desligadas em função do fator de potência Recomenda-se dividir em estágios de
detectado, fornecendo, portanto, uma no máximo 25 kVAr (380/440 V) ou 15 kVAr
quantidade variável de potência reativa, (220 V) por estágio do controlador,
função das necessidades de instalação ou do excetuando-se um dos estágios, o qual deve
setor alimentado. Desta forma, o controle ter a metade da potência em kVAr do maior
automático de capacitores assegura a estágio projetado, a fim de facilitar o “ajuste
dosagem exata da potência de capacitores fino” da injeção de reativo para correção do
ligada a qualquer momento, eliminando fator de potência, uma vez que os
possíveis sobretensões. controladores modernos fazem leitura por
varredura, buscando a melhor combinação
A utilização de controladores de estágios em cada situação.
microprocessados disponibiliza uma série de
alternativas quanto a níveis de aquisição de A recomendação de valor máximo para
dados, desde a apresentação das os estágios não é aleatória. Está baseada
informações mais básicas (tensão, corrente, em aspectos práticos de aplicação e permite
potências ativa, reativa e aparente, fator de que se mantenham as correntes de surto,
potência, distorção total de harmônicas de provocadas pelo chaveamento de bancos (ou
tensão e corrente, etc) até uma completa módulos) em paralelo, em níveis aceitáveis
análise da performance do sistema e alarmes para os componentes. Estas correntes
de limites pré-programados, além da podem atingir patamares superiores a 100
integração a sistemas de automação por vezes a corrente nominal dos capacitores,
redes de dados. decorrendo deste fato todo tipo de dano que
possa ser provocado por altas correntes em
O principal obstáculo para a sua um circuito qualquer (atuação de fusível,
utilização é o seu alto custo de implantação e queima de contatos de contatores, queima
de manutenção. de resistores de pré-carga, além da

CAPÍTULO 4 – TIPOS DE CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA 88


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expansão da caneca do capacitor, com R S T


conseqüente perda deste).
Fusíveis rápidos

4.2.3 Correção do fator de potência em


SCR-Diodo
tempo real

Os sistemas automáticos de correção Indutores


do fator de potência vistos até agora utilizam
controladores comandando a manobra de
contatores eletromecânicos para
conexão/desconexão dos bancos de
capacitores. Esta manobra “convencional” de
capacitores ocasiona transientes na rede,
devido à lentidão no tempo de resposta Figura 4.9 Estrutura de chaveamento eletrônico.
obtido através desses contatores (da ordem
de segundos).
Observe na figura 4.9 que apenas dois
Os transientes de manobra dos elementos de manobra (SCR-diodo) são
capacitores ocasionam baixa qualidade de usados nas fases R e S. A terceira fase (T) é
energia no sistema (entenda “qualidade de conectada diretamente ao banco.
energia” como qualquer ocorrência de desvio
de tensão, corrente ou freqüência que resulta Com o uso desses dispositivos de
em falha de equipamento ou interrupção em manobra, a conexão e desconexão dos
processos), diminuindo a vida útil dos capacitores ocorrem precisamente no
componentes da instalação, causando dados instante de “zero-crossing”, isto é, o
a equipamentos, produzindo falhas no momento onde a corrente para pelo zero.
sistema de alimentação das cargas e Esta condição de conexão suave evita os
degradando os próprios capacitores. transientes causados pelos sistemas típicos
de correção de fator de potência (aqueles
O “estado da arte” em correção utilizados para manobra de contatores
automática do fator de potência é conhecido eletromecânicos), aumentando
pela sigla RTPFC (Real Time Power Factor consideravelmente a vida útil dos
Correction - Correção do fator de potência componentes do sistema (inclusive dos
em tempo real), onde a manobra dos capacitores), redução de custos de
capacitores comandada pelo controlador é manutenção e maior confiabilidade da rede
feita utilizando-se contatores de estado de alimentação.
sólido (dispositivos eletrônicos, com
combinações SCR/SCR ou SCR/diodo), com Entre as principais vantagens da
tempos de resposta da ordem de compensação em tempo real, pode-se citar:
milisegundos (os sistemas em tempo real
atuam em 1 ciclo – 16 ms), conforme modelo a) Tempo de resposta adequado, aplicado a
apresentado na figura 4.9. qualquer tipo de carga nos mais variáveis
regimes de operação (compensação
instantânea de energia reativa);
b) Controle preciso do fator de potência,
mesmo na presença de harmônicas, com
compensação integral de reativos no
sistema (kW = kVA);
c) Manobra de capacitores totalmente isenta
de transientes;

CAPÍTULO 4 – TIPOS DE CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA 89


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d) Previne os “spikes” resultantes da utilização de filtro ressonante ou de filtro anti-


corrente de “in-rush” do chaveamento dos ressonante. No capítulo 9 será abordada a
capacitores; questão da ressonância e dos filtros
ressonantes e anti-ressonantes.
e) Qualidade de energia assegurada;
f) Compatibilidade a cargas não lineares; Tabela 4.5 Comparação entre os tipos de
compensação de energia reativa.
g) Confiabilidade operacional;
Configuração
h) Flexibilidade de operação; Semi- Tempo
Regime Fixo Autom.
aut. real
i) Ilimitado número de manobras (conexões Várias cargas de
e desconexões); pequeno porte em
regime constante
9 9 9 9
j) Prevenção de desgaste dos elementos Cargas de porte médio
de manobra e capacitores. e grande 9 9 9
Várias cargas em

Para operação de um sistema


regime variável
(dezenas de minutos)
9 9
automático de correção do fator de potência Carga em regime
extremamente variável
em tempo real, é necessária a seguinte (milisegundos a 9
estrutura (na maioria das vezes, montada segundos
dentro de um único painel ou gabinete): Manobra de
capacitores sem
transientes
9
a) Controlador digital microprocessado;
240 a
Custo (% em s/ind 100 110 -----
b) Módulo de manobra (chave estática – relação ao
300
contatores de estado sólido); fixo) relativo a
350 a
bancos de 300
300 a 450
c) Módulo de reatores (“in-rush” e/ou para a 400 kVAr c/ind 160 170
360 (não
sintonia/dessintonia nas freqüências de linear)
ressonância); Fonte: Apostila CPF – José Starosta, 04/2005. Divulgação.

d) Módulo de capacitores de potência.


4.3.1 Tamanho de carga
4.3 Necessidades específicas da Quando a instalação elétrica tem
instalação muitos motores acima de 10 cv, normalmente
é vantajoso instalar um capacitor por motor e
Para decidir qual é o tipo de instalação comandar o motor e o capacitor juntos. Se a
de capacitores que melhor atende as instalação tem um grande número de
necessidades do sistema elétrico, deverão pequenos motores, menores que 10 cv,
ser analisadas as vantagens e desvantagens pode-se instalar os capacitores no
de cada opção apresentada na seção 4.1 e barramento de um grupo de motores.
resumida na tabela 4.5, considerando-se as Frequentemente, a melhor solução para
variáveis de operação, incluindo tipo, plantas com motores grandes e pequenos é
tamanho, capacidade e regularidade da utilizar ambos os tipos de instalação
carga, métodos de partida dos motores e tipo (correção mista).
de tarifação de energia elétrica. Instalações com grandes cargas
Seja qual for o tipo de compensação (elevada potência) podem se beneficiar de
reativa, conforme apresentado na seção 4.2 todos os tipos de instalação combinados:
(fixo, semi-automático, automático ou tempo capacitores individuais, em grupos, em
real), a solução de projeto a ser adotada pelo bancos fixos e em bancos automáticos. Uma
projetista deve passar também pela análise instalação pequena, por outro lado, poderá
da necessidade ou não de indutor de in-rush, necessitar de apenas um capacitor na
entrada de energia.

CAPÍTULO 4 – TIPOS DE CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA 90


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4.3.2 Tipo de carga 4.3.4 Capacidade de carga

Às vezes, a correção com capacitores é Se os transformadores estão


necessária apenas em pontos isolados. Este sobrecarregados ou existe a necessidade de
pode ser o caso quando se tem máquinas de adicionar carga em linhas já carregadas, os
solda, aquecimento indutivo, ou capacitores devem ser ligados às cargas. Se
acionamentos em corrente contínua. Se um o sistema tem capacidade de corrente
transformador que alimenta uma carga de sobrando, podem-se instalar os capacitores
baixo fator de potência tem seu fator de junto aos transformadores de entrada.
potência corrigido, o fator de potência geral Entretanto, se a carga da instalação varia
da instalação poderá subir a ponto de muito, a melhor solução é a instalação de
dispensar capacitores adicionais. bancos automáticos.

4.3.3 Regularidade da carga 4.4 Esquemas elétricos de correções


individuais para partidas de
Para os sistemas elétricos que operam motores
24 horas por dia e têm uma demanda
constante, a utilização de capacitores fixos As figuras 4.10 a 4.13 mostram
são a solução mais econômica. Se a esquematicamente algumas situações
demanda é determinada por turnos de oito frequentemente encontradas na indústria
horas, cinco dias por semana, vai ser relacionadas a partida de motores,
necessária a instalação de bancos semi- apresentando soluções de como deve ser
automáticos para reduzir a capacitância feita a instalação dos capacitores, via de
durante as horas de demanda baixa. regra com ligação triângulo.
R S T Ponto A: conexão antes do relé de sobrecarga
Ponto B: conexão após o relé de sobrecarga

C1 Observações:

1. Aplica-se para motores de indução (gaiola ou


A rotor bobinado) de baixa potência. Proceder, para
rotor bobinado, a conexão indicada no ponto A.
2. Para a conexão indicada no ponto B, ajustar o
RT1 relé de sobrecarga para a nova corrente que
passará pelo mesmo;
3. Para reenergização do banco capacitivo, observe
B o tempo mínimo necessário para descarga do
mesmo;
FU1
4. Não dispensar a instalação de um contator
exclusivo para manobra do banco capacitivo caso
a carga aplicada ao eixo do motor for de alta
inércia (ver figura 4.11). O contator poderá ser
dispensado apenas para carga de baixa inércia ou
M sempre que a corrente nominal do capacitor for
3~ menor ou igual a 90% da corrente de excitação do
motor.
5. Para motores acionados através de chave
softstart, os capacitores podem ficar conectados
nos terminais de carga da referida chave.

Figura 4.10 Correção para chave de partida direta.

CAPÍTULO 4 – TIPOS DE CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA 91


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Ponto A: conexão antes do relé de sobrecarga


Ponto B: conexão após o relé de sobrecarga
C1 Observações:

1. Esta configuração aplica-se quando a potência do


A capacitor ou banco de capacitores obrigar a
utilização de uma chave independente do motor
para manobrar o referido banco.
RT1 2. Para a conexão indicada no ponto B, ajustar o
relé de sobrecarga para a nova corrente que
passará pelo mesmo;
B
3. Para reenergização do banco, observe o tempo
mínimo necessário para descarga do mesmo;
FU1
4. Os contatores C1 e C2 devem ser intertravados;
5. Contator C2: especificar para regime AC-6b. Sua
manobra depende de um contato auxiliar do
C2 contator principal da chave de partida (C1);
6. Em correções gerais de carga através de um
único capacitor, deve ser instalado contator
convencional. A manobra deste contator
M geralmente depende dos seguintes dispositivos:
3~ relé horário, foto-célula, botoeira ou comutador de
comando liga-desliga, etc.
Figura 4.11 Correção para chave de partida direta com contator exclusivo C2.

CAPÍTULO 4 – TIPOS DE CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA 92


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R S T

FU1

C1
C2 C3
A

RT1

B M
3~

FU2

C4

Ponto A: conexão antes do relé de sobrecarga


Ponto B: conexão após o relé de sobrecarga

Observações:

1. Para a conexão indicada no ponto B, ajustar o relé de sobrecarga para a nova corrente que
passará pelo mesmo;
2. Nesta configuração, o capacitor ou banco deve permanecer ligado à rede durante a comutação da
chave, da posição estrela para a posição final em triângulo.
3. Para reenergização do banco capacitivo, observe o tempo mínimo necessário para descarga do
mesmo. O capacitor ou banco deve permanecer ligado à rede durante a manobra de comutação da
chave, da posição estrela para a posição final em triângulo;
4. C4 = contator exclusivo de manobra dos capacitores (atua junto com C2);
5. Para motores de rotor em curto-circuito, de potência até 10 HP, o capacitor deve ser ligado aos
terminais do motor de tal forma que sejam energizados simultaneamente. Para motores superiores
a 10 HP, desde que a chave estrela-triângulo seja automática, pode ser usado o mesmo esquema.

Figura 4.12 Correção para chave de partida estrela-triângulo.

CAPÍTULO 4 – TIPOS DE CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA 93


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R S T

FU1

C2
A
C1

T1

RT1

C3
B

FU2

C4
M
3~

Ponto A: conexão antes do relé de sobrecarga


Ponto B: conexão após o relé de sobrecarga

Observações:

1. Para a conexão indicada no ponto B, ajustar o relé de sobrecarga para a nova corrente
que passará pelo mesmo;
2. Para reenergização do banco capacitivo, observe o tempo mínimo necessário para
descarga do mesmo;
3. C4 = contator exclusivo de manobra dos capacitores (atua junto com C1).

Figura 4.13 Correção para chave de partida compensadora.

CAPÍTULO 4 – TIPOS DE CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA 94


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Capítulo
Capacitores de potência
V

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 95


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5 Capacitores de potência

Sumário do capítulo
5.1 CARACTERÍSTICAS GERAIS
5.1.1 Princípios básicos
5.1.2 Capacitância
5.1.3 Energia armazenada
5.1.4 Corrente de carga
5.1.5 Ligação de capacitores
5.2 CARACTERÍSTICAS CONSTRUTIVAS
5.2.1 Caixa
5.2.2 Armadura
5.2.3 Dielétrico
5.2.4 Líquido de impregnação
5.2.5 Resitor de descarga
5.2.6 Ligação das unidades capacitivas em bancos
5.3 DIMENSIONAMENTO DE BANCOS DE CAPACITORES
5.3.1 Configuração em estrela aterrada ou triângulo
5.3.2 Configuração em estrela isolada
5.3.3 Configuração em dupla-estrela isolada
5.3.4 Configuração em dupla-estrela aterrada
5.3.5 Método prático NBR 5060
5.4 CARACTERÍSTICAS ELÉTRICAS
5.4.1 Conceitos básicos
5.5 MANOBRA E PROTEÇÃO DE CAPACITORES
5.5.1 Dimensionamento de dispositivos de proteção para bancos de capacitores de baixa tensão
5.5.2 Dimensionamento de equipamentos de manobra para bancos de capacitores de baixa tensão
5.5.3 Dimensionamento de dispositivos de manobra e proteção para bancos de capacitores em alta tensão
5.5.4 Dimensionamento de condutores
5.6 INSPEÇÃO, ENSAIOS E MANUTENÇÃO DE CAPACITORES
5.6.1 Ensaios de capacitores
5.6.2 Inspeção de capacitores
5.6.3 Manuseio e armazenamento
5.6.4 Manutenção de capacitores
5.7 SEGURANÇA E INSTALAÇÃO DE CAPACITORES
5.7.1 Requisitos de segurança
5.7.2 Interpretação dos parâmetros dos capacitores
5.7.3 Cuidados na instalação de capacitores
5.8 LIGAÇÕES DE CAPACITORES EM ALTA TENSÃO
5.9 ATERRAMENTO DE CAPACITORES
5.9.1 Bancos de baixa tensão
5.9.2 Bancos de alta tensão
5.10 ESPECIFICAÇÃO TÉCNICA
5.11 NORMALIZAÇÃO TÉCNICA

Como já mencionado, em geral são Desta forma, vamos nos limitar a tratar
utilizados capacitores para compensação de dos capacitores como o melhor “meio” de
energia reativa em uma instalação elétrica. correção do fator de potência. Tornam-se,
Os motores síncronos, quando acionam assim, de suma importância o conhecimento
compressores, bombas, etc, também das características gerais, construtivas e
beneficiam a instalação, mas não elétricas dos capacitores, bem como as
representam a solução ideal para a principais técnicas de projeto para
compensação reativa. dimensionamento, instalação, manobra e
proteção de capacitores e acessórios.

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 96


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5.1 Características gerais Representativamente, cada linha de


fluxo tem origem numa carga de 1 coulomb.
Considerando-se todas as linhas de fluxo do
campo eletrostático, pode-se afirmar que ela
5.1.1 Princípios básicos se origina de uma carga total de Q coulombs.

Os capacitores são dispositivos O "coulomb" é a quantidade de carga


estáticos capazes de acumular eletricidade, elétrica que pode ser armazenada ou
cujo principal objetivo é introduzir descarregada em forma de corrente elétrica
“capacitância” em um circuito elétrico, durante um certo período de tempo tomado
compensando ou até mesmo neutralizando o como unidade.
efeito de indução das cargas indutivas. Em Desta forma, 1 (um) coulomb é,
linhas gerais, os capacitores são constituídos portanto, o fluxo de carga ou descarga de
basicamente de duas placas condutoras uma corrente de 1 A num tempo de 1 s e é
paralelas (postas frontalmente), também calculada através da expressão 5.1.
denominadas “eletrodos”, separadas por um
dielétrico (meio qualquer isolante, com Q = I × Δt (5.1)
resistividade bastante elevada), que pode ser
o ar, papel, plástico etc. A carga é onde:
armazenada na superfície das placas, no
limite com o dielétrico. Devido ao fato de I = corrente elétrica, em ampère [A];
cada placa armazenar cargas iguais, porém Q = carga elétrica, em coulomb [C];
opostas, a carga total no dispositivo é Δt = intervalo de tempo, em segundo [s].
sempre zero. Conforme se pode observar na
Considerando-se que a carga elétrica
figura 5.1, nas faces externas destas placas
de 1 elétron é de 1,6 x 10-19 C, durante o
liga-se uma fonte de tensão que gera um
tempo de 1 s, quando a carga ou descarga
campo eletrostático no espaço compreendido
do capacitor é de 1 C, temos, por regra de
entre as duas placas.
três simples, 6,25 x 1018 elétrons
Campo transportados de uma placa a outra.
Eletrodo
elétrico
A densidade de carga elétrica D do
dielétrico é determinada pela razão entre
Q+ Q- quantidade de carga elétrica Q que é
transportada de uma placa a outra e a área A
dessas placas, conforme expressão 5.2.
G
Q
D= (5.2)
Figura 5.1 Campo elétrico entre as placas de um S
capacitor.
onde:

O gerador G indicado na figura 5.1 D = densidade de carga elétrica, em


pode ser uma bateria ou um gerador coulomb/metro quadrado [C/m2];
qualquer de corrente contínua (c.c) ou Q = carga elétrica, em coulomb [C];
alternada (c.a). As linhas de fluxo indicadas S = área das placas do capacitor, em metros
entre os eletrodos são imaginárias. A energia quadrados [m2].
eletrostática fica acumulada entre os
eletrodos e em menor intensidade, na sua
vizinhança. Se uma determinada tensão U é
aplicada entre as placas paralelas separadas
por uma distância d, a intensidade de campo

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 97


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elétrico (gradiente de tensão) pode ser Q = C ×U (5.4)


determinada através da expressão 5.3.

U onde,
E= (5.3)
d Q = carga elétrica, em coulomb [C];

onde: C = capacitância, em farad [F];

E = intensidade de campo elétrico, em volt U = tensão aplicada entre as placas do


por metro [V/m]; capacitor, em volt [V].
U = tensão elétrica, em volt [V];
d = distância entre as placas do capacitor, Desta forma, 1 (um) farad é a
em metros [m]. capacidade de carga elétrica de um
capacitor, quando uma carga elétrica de 1
coulomb (6,25 x 1018 elétrons) é armazenada
EXEMPLO 5.1 Calcular a densidade de carga e a no meio dielétrico, sob a aplicação da tensão
intensidade de campo elétrico (gradiente de tensão) no de 1 V entre os terminais das placas
capacitor indicado no circuito da figura 5.2. paralelas.

2 mm
A capacitância de um capacitor pode
também ser calculada com o auxílio da
Q = 10μC
expressão (5.5):

A
S = 0,02m 2 C =ε× (5.5)
d
G
onde:
U = 127V
C = capacitância, em farad [F];
Figura 5.2 Capacitor de placas paralelas do exemplo
5.1. d = distância entre as placas do capacitor,
em metros [m];
Solução: S = área das placas do capacitor, em metros
quadrados [m2];
ε = permissividade, a constante de isolação
Q = 10 μC = 10 × 10 −6 C do material entre as placas (dielétrico), em
Q 10 × 10 −6 10 × 10 − 6 farad por metro, [F/m]. Para o ar ou vácuo, ε
D= = = = 5 × 10 − 4 C / m 2
S 0,02 2 × 10 − 2 = ε0 = 8,854 pF/m.
127
E= = 63,5 × 10 3 V / m = 63,5V / mm
2 × 10 −3

EXEMPLO 5.2 Calcular a capacitância do capacitor


indicado no circuito do exemplo 5.1.
5.1.2 Capacitância

Todo elemento capacitivo de um Solução:


circuito (ou seja, um capacitor) é
“quantificado” pela quantidade de carga
elétrica que é capaz de armazenar no seu Do exemplo 5.1, temos que:
campo elétrico, conforme expressão 5.4. Q = 10μC = 10 ×10 −6 C
U = 127V

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 98


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De (5.4), 1 1
E= × C × Um 2 = × 0,079 × 10 −6 × 180 2
2 2
Q 10 × 10 −6 E = 1,28 × 10 −3 J = 1,28mJ
C= = = 0,079 × 10 −6 F = 79 nF
U 127

5.1.3 Energia armazenada 5.1.4 Corrente de carga

Quando os eletrodos de um capacitor A corrente de carga de um capacitor


são submetidos a uma tensão nos seus depende da variação do campo elétrico (e
terminais, passa a circular no seu interior consequentemente, da tensão aplicada) em
uma corrente de carga, o que faz com que seus terminais e do período de tempo
uma determinada quantidade de energia se durante o qual se variou a tensão. Elevando-
acumule no seu campo elétrico. A energia se a tensão, eleva-se a carga acumulada.
média armazenada no período de 1/4 de Desta forma, uma tensão constante através
ciclo pode ser dada pela expressão (5.6), do capacitor ocasiona uma corrente nula, de
onde observamos que a energia armazenada onde se conclui que um capacitor é um
é diretamente proporcional a variação da circuito aberto para c.c.
capacitância e da tensão aplicada. Considerando-se uma corrente I,
correspondente a uma carga média do
1 capacitor que circula durante um período de
E= × C × Um 2 (5.6)
2 tempo Δt, para uma variação ΔU de tensão
em seus terminais, a sua grandeza é
onde, calculada pela expressão (5.7).

E = energia média armazenada, em joule [J];


C = capacitância, em farad [F]; dU ΔU
I =C× =C× (5.7)
dt Δt
Um = tensão de pico aplicada, em volt [V].
onde,

I = corrente elétrica, em ampère [A];


EXEMPLO 5.3 Calcular a energia média armazenada
no capacitor indicado no circuito dos exemplos 5.1 e C = capacitância, em farad [F];
5.2.
Δt = intervalo de tempo no qual se variou a
tensão, em segundo [s];
Solução:
ΔU = variação da tensão nos terminais do
capacitor durante o intervalo de tempo Δt, em
Do exemplo 5.2, temos que: volt [V].
C = 0,079 × 10 −6 F
U = 127V 5.1.5 Ligação de capacitores
De (1.5), Como qualquer elemento de um
circuito, os capacitores podem ser ligados
Um = U × 2 = 127 × 2 = 180V em série (figura 1.13) ou em paralelo (figura
1.14), conforma apresentado na seção
De (5.6),
1.3.3.1.
A ligação em série de um determinado
número de capacitores resulta numa

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 99


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capacidade do conjunto dada pela expressão EXEMPLO 5.5 Calcular a capacitância de dois
(5.8), uma variação da expressão (1.14): capacitores colocados em paralelo, cujas capacidades
sejam, respectivamente, 10 μF e 20 μF.
1 1 1 1 1 Solução:
= + + + ... + (5.8)
Ceq C1 C 2 C 3 Cn
Ceq = C1 + C 2 = 10 + 20 = 30μF
onde,
Ceq = capacitância equivalente do conjunto,
5.2 Características construtivas
em farad [F];
C1, C2, C3,..., CN = capacitância individual de
As condições de operação e a
cada unidade capacitiva, em farad [F].
respectiva identificação dos capacitores são
fatores importantes a serem observados. Os
Observando-se a expressão 5.8, pode-
capacitores, em condições normais de
se dizer que a capacitância equivalente de
funcionamento, devem ser adequados para
um circuito com vários capacitores ligados
trabalhar na posição vertical em altitudes não
em série é menor do que a capacitância do
superiores a 1.000 m e em temperaturas
capacitor de menor capacitância do conjunto.
ambientes que cobrem uma faixa de -25°C a
A ligação em paralelo de um +55°C. A mais baixa temperatura do ar
determinado número de capacitores resulta ambiente na qual o capacitor pode operar
numa capacidade do conjunto dada pela deve ser escolhida entre os seguintes
expressão (5.9), uma variação da expressão valores: +5°C, -5°C e -25°C. A mais alta
(1.15): temperatura varia de 40 a 55°C, em
intervalos de 5°C.
Ceq = C 1 + C 2 + C 3 + ... + CN (5.9)
É importante salientar que, quando as
onde, unidades capacitivas forem destinadas a
serem utilizadas em condições especiais de
Ceq = capacitância equivalente do conjunto,
funcionamento, estas devem ser levadas ao
em farad [F];
conhecimento do fabricante. São exemplos
C1, C2, C3,..., CN = capacitância individual de de condições especiais de funcionamento
cada unidade capacitiva, em farad [F]. (NBR 5282):
Observando-se a expressão (5.9), a) Altitudes superiores a 1.000m;
pode-se dizer que a capacitância equivalente
b) Temperaturas ambientes fora dos
de um circuito com vários capacitores em
limites estabelecidos;
paralelo é igual á soma das capacidades
individuais das unidades capacitivas. c) Atmosfera corrosiva;
d) Umidade relativa elevada;
EXEMPLO 5.4 Calcular a capacitância de dois
capacitores colocados em série, cujas capacidades e) Ambientes excessivamente
sejam, respectivamente, 10 μF e 20 μF. poluídos;
Solução: f) Exposição a severas condições
atmosféricas;
1 1 1 1 1 g) Vibrações;
= + = + = 0,1 + 0,05 = 0,15
Ceq C 1 C 2 10 20 h) Limitações de espaço;
Ceq =
1
= 6,67 μF i) Requisitos especiais de isolamento;
0,15
j) Dificuldades de manutenção;

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 100


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k) Distorção anormal de forma de ƒ Número de série, fabricação e ano;


onda ou harmônicos, causando
ƒ Potência nominal, em kVAr (potência
tensões ou cargas reativas
reativa sob tensão e freqüência
anormais;
nominal para o qual o capacitor é
l) Possibilidade de surgimento de projetado);
morfo.
ƒ Tensão nominal, em V ou kV (indica o
As principais partes componentes de valor eficaz da tensão senoidal para a
um capacitor de potência são: qual o capacitor é projetado);
ƒ Freqüência nominal, em Hz
a) Caixa;
(freqüência nominal para o qual o
b) Armadura; capacitor foi projetado);
c) Dielétrico; ƒ Capacitância (C), em μF, ou a relação
d) Líquido de impregnação; C/Cn (onde Cn é a capacitância
nominal);
e) Resistor de descarga.
ƒ Categoria de temperatura;
ƒ Referência de isolamento, ou nível de
5.2.1 Caixa isolamento. O nível de isolamento
deve ser indicado por dois números
A caixa de um capacitor, conhecida separados, por uma barra; o primeiro
também como carcaça, é o invólucro da número indica o valor da tensão
parte ativa do capacitor. É confeccionada em suportável nominal à freqüência
chapa de aço com espessura adequada ao nominal, em kV (eficaz) e o segundo
volume da unidade, sendo disponibilizada indica o valor da tensão suportável de
pelo fabricante em várias dimensões, impulso atmosférico, em kV (crista).
normalmente em formas retangulares ou Exemplo: 34/110;
cilíndricas.
ƒ Referência à existência ou não de
É importante salientar que os dispositivo interno de descarga;
capacitores devem ter sua carcaça (caixa)
ligada a terra, conforme estabelece a NBR ƒ A inscrição “contém fusíveis internos”,
5410. Esta ligação é muito importante, pois quando aplicável, seguida da
proporciona proteção contra choques informação sobre a configuração
elétricos. interna dos elementos, observando a
seguinte indicação: nS/mP, onde n e
A caixa compreende as seguintes m são os números de elementos série
partes: e paralelo, respectivamente;
a) Placa de identificação ƒ Número da norma;
ƒ Massa em kg;
Na placa de identificação estão
contidos todos os dados característicos ƒ Nome químico ou comercial do
necessários à identificação do capacitor, impregnante, seguido da palavra
segundo a NBR 5282. “BIODEGRADÁVEL”.
As seguintes informações devem
constar na placa de identificação de cada
unidade capacitiva:
ƒ Nome do Fabricante;
ƒ Tipo ou marca;

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 101


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A figura 5.3 apresenta um modelo ƒ Número de unidades em paralelo por


exemplificado de placa de identificação. grupo série;
EMPRESA FULANA DE TAL S.A. ƒ Número total de unidades;
Capacitor de potência
Nº de Série Tipo Data da fabricação ƒ Tempo mínimo necessário entre
0857 734912 24/10/98
Potência Tensão Nominal Capacitância
desligamento e religamento.
30 kVAr 13,8 kV 651,15 μF
Frequência Nível de Isolamento Massa
60 Hz 34/110 kV 20 kg
Categoria de temperatura Conforme ABNT Ordem de compra A tabela 5.1 apresenta outros dados
-5º a 50ºC NBR 5289 e NBR 5282 OC-058-98 técnicos usualmente apresentados nos
Contém dispositivo interno de descarga catálogos dos fabricantes de capacitores.
FLUÍDO WEMCOL BIODEGRADÁVEL
COMBUSTÍVEL CLASSE OSHA III - B Tabela 5.1 Dados técnicos de capacitores – padrões
CGC 054.685.714/03-56 - Indústria Brasileira IEC 60831-1 e IEC 60831-2/96.
Figura 5.3 Placa de identificação de um capacitor. Dados técnicos Característica
UN + 10% (até 8h/dia)
UN + 15% (até 30min/dia)
As seguintes informações mínimas UN + 20% (até 85 min.)
Sobretensão (Umáx.)
devem constar na placa de identificação de UN + 30% (até 1 min., 200
vezes durante a vida útil
um banco de capacitores: do capacitor)
ƒ Nome do Fabricante; Sobrecorrente (Imáx.) 1,3 x In

ƒ Potência nominal, em MVAr; Corrente de Inrush 100 x In

ƒ Potência fornecida à tensão de Freqüência 50/60 Hz


operação, em MVAr; Perdas (dielétrico) < 0,5 W/kVAr
ƒ Tensão nominal, em kV; Tolerância da
-5% / + 10%
ƒ Tensão de operação, em kV; capacitância
Tensão de provas entre
ƒ Freqüência nominal, em Hz; 2,15 * Uni, AC, 2s
terminais
ƒ Referência de isolamento, ou nível de Tensão de prova,
3000 Vac, 10s
terminal/carcaça
isolamento. O nível de isolamento
Vida útil 100.000 h
deve ser indicado por dois números
separados, por uma barra; o primeiro Temperatura ambiente -25% / D, máx. 55º C
número indica o valor da tensão Refrigeração Natural ou forçada
suportável nominal à freqüência
Umidade Máx. 95 %
nominal, em kV (eficaz) para Um <
300 kV ou a tensão suportável 2.000 m acima do nível do
Altitude
mar
nominal de impulso de manobra (para Interruptor de
Um ≥ 300 kV), em kV (crista) e o Segurança
sobrepressão
segundo indica o valor da tensão Resistências de Módulo de descarga
suportável de impulso atmosférico, descarga incorporado
em kV (crista). Exemplo: 275/650; Carcaça Alumínio extrudado
Nota: A tensão máxima do equipamento (Um) Invólucro IP 20, montagem abrigada
indica o valor eficaz da maior tensão de linha
para o qual o equipamento é projetado. Dielétrico Filme de polipropileno
Isento de PCB, resina de
Impregnação
óleo vegetal
ƒ Tipo de ligação (delta, estrela, estrela Fonte: Divulgação Siemens – Capacitores Phicap.
aterrada etc). Deve ser indicado por
letras ou símbolos padronizados;
ƒ Número de grupos série por fase;

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 102


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b) Isoladores ou buchas

Correspondem aos terminais externos


das unidades capacitivas. Devem ser de
material isolante resistente à intempérie,
soldadas diretamente ao tanque e
posicionadas simetricamente na superfície
superior da caixa e devem estar de acordo
com a NBR 5034.

c) Alças para fixação

Utilizadas para fixar a unidade Figura 5.4 Capacitor de placas paralelas.


capacitiva na sua estrutura de montagem.

5.2.2 Armadura O dielétrico (elemento isolante) é


formado por uma fina camada de filme de
As bobinas (armaduras) dos polipropileno especial, associada, muitas
capacitores são normalmente constituídas de vezes, a uma camada de papel dielétrico
folhas de alumínio enroladas com o elemento (papel kraft) com espessura de
dielétrico, com espessuras compreendidas aproximadamente 18 μm (capacitores do tipo
entre 3 e 6 mm e padrão de pureza de alta auto-regenerável).
qualidade, a fim de manter em baixos níveis Para não influenciarem negativamente
as perdas dielétricas e as capacitâncias nas perdas dielétricas, os componentes
nominais de projeto. dielétricos devem ser constituídos de
materiais selecionados e de alta qualidade.
5.2.3 Dielétrico O uso de um dielétrico em um capacitor
apresenta uma série de vantagens. A mais
Um dielétrico, ou isolante elétrico, é simples destas é que as placas condutoras
uma substância que possui alta resistência podem ser colocadas muito próximas sem o
ao fluxo da corrente elétrica. risco de elas entrarem em contato. Além
disto, qualquer substância submetida a um
No capacitor, os elétrons nas moléculas campo elétrico muito alto pode ionizar-se e
migram para a placa carregada tornar-se um condutor. Os dielétricos são
positivamente. As moléculas então criam um mais resistentes à ionização que o ar, deste
campo no lado esquerdo que anula modo um capacitor contento um dielétrico
parcialmente o campo criado pelas placas. pode ser submetido a uma tensão mais
(O espaço com ar é mostrado apenas para elevada. Camadas de dielétricos são
uma maior clareza da imagens, o diéletrico comumente incorporadas ao capacitores
está em contato direto com as placas). para melhorar sua performance com relação
aos capacitores que contém apenas ar ou
vácuo entre suas placas. O termo dielétrico
pode se referir tanto a esta aplicação quanto
à isolação utilizada em cabos de potência e
RF.

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 103


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5.2.4 Líquido de impregnação Resistor de descarga


Terminais
Atualmente, os fabricantes utilizam
como líquido molecular impregnante
(capacitores do tipo impregnado) uma
substância biodegradável (resina de óleo
vegetal, isento de PCB) de estrutura Caixa metálica
constituída de carbono e hidrogênio (Ecóleo
200 - hidrocarboneto aromático sintético).
Além de não agredir o meio ambiente, este
impregnante apresenta características Unidades
elétricas até superiores às de seu capacitivas
antecessor, o ascarel (substância proibida
pelo governo brasileiro pelo fato desta
provocar manifestações cancerígenas nas Figura 5.5 Resistor de descarga.
pessoas que entrassem em contato direto
com o líquido).
Não deve existir nenhum dispositivo de
manobra ou proteção entre a unidade
5.2.5 Resistor de descarga capacitiva e o dispositivo de descarga. O fato
de existir um dispositivo de descarga não
No momento em que a tensão é elimina a necessidade de se curto-circuitar
retirada dos terminais de um capacitor, é os terminais entre si e a terra, antes de
importante que a carga elétrica armazenada qualquer manuseio.
seja drenada, para que a tensão resultante
seja eliminada, evitando-se situações
perigosas de contato com os referidos 5.2.6 Ligação das unidades capacitivas
terminais. em bancos
O método mais utilizado para “drenar”
esta energia armazenada no capacitor é Os capacitores podem ser ligados em
através da utilização do chamado “resistor de várias configurações (estrela aterrada,
descarga”, inserido entre os terminais do estrela isolada, triângulo, etc), formando
capacitor com a finalidade de transformar em bancos, sendo o número de unidades
perdas joule a energia armazenada do limitado em função de determinados critérios,
dielétrico, reduzindo para 5 V o nível de os quais serão posteriormente apresentados.
tensão num tempo máximo de 1 minuto para É importante unificar alguns conceitos a
capacitores de tensão nominal de até 660 V serem praticados:
e 5 minutos para capacitores de tensão
nominal superior a 660 V. a) Célula capacitiva monofásica: 1 (um)
capacitor monofásico.
O resistor de descarga pode ser
instalado interna ou externamente à unidade b) Célula capacitiva trifásica: 1 (um)
capacitiva, sendo mais comum a primeira capacitor trifásico.
solução, conforme mostrado na figura 5.5. c) Módulo trifásico: conjunto de células
capacitivas interligadas, montadas em rack,
com resistor de descarga, de forma a
constituir um estágio de um banco de
correção do fator de potência.
d) Banco de correção do fator de
potência: armário composto de vários
módulos trifásicos interligados.

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 104


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Em instalações industriais de baixa neutro é isolado, pois estaria criando-se um


tensão, normalmente os bancos de caminho de circulação das correntes de
capacitores são ligados na configuração seqüência zero, o que poderia ocasionar
triângulo (delta), utilizando-se, para isto, elevado níveis de sobretensão nas fases não
unidades trifásicas. atingidas, quando uma delas fosse levada à
terra.
5.2.6.1 Configuração em estrela aterrada Este tipo de ligação fornece uma via de
escoamento de baixa impedância para
Neste tipo de arranjo, as células correntes de descarga atmosférica. Algumas
capacitivas podem ser ligadas tanto em série vezes essa autoproteção é utilizada e o
como em paralelo, conforme apresentado banco é operado sem pára-raios. Por outro
nas figuras 5.6 e 5.7. lado, oferece também uma baixa impedância
para a terra às correntes harmônicas,
reduzindo substancialmente os níveis de
A sobretensão em virtude dos harmônicos
referidos.
B A
Como o neutro é fixo, neste tipo de
ligação, a tensão de restabelecimento é
menos severa. Este tipo de ligação oferece
baixo custo de instalação e ocupa pouca
área, no entanto, pode provocar interferência
em circuitos de comunicação e proteção,
C devido à circulação de correntes harmônicas
de seqüência zero para terra. Sendo assim,
Figura 5.6 Ligação em série de um banco de os relés associados devem possuir filtros.
capacitores com configuração estrela aterrada.
Devido à circulação de correntes
harmônicas, poderão surgir problemas de
atuações indevidas na proteção de
B sobrecorrente do banco, queima acima do
normal de fusíveis além de possíveis
danificações nas unidades capacitivas. No
caso de defeito fase-terra, existe contribuição
de corrente de seqüência zero pela estrela
do banco.
É importante salientar que quando
ocorre curto-circuito nas proximidades do
C
banco, o produto do módulo x freqüência da
Figura 5.7 Ligação em paralelo de um banco de
corrente transitória de descarga é muito alto,
capacitores com configuração estrela aterrada. exigindo a instalação de reatores série. Isto
porque a circulação destas correntes através
das cargas indutivas do TC provoca o
Esta configuração deve ser surgimento de tensões elevadas prejudiciais
implementada apenas em sistemas com ao isolamento secundário e equipamentos
neutro solidamente aterrado, condição esta associados (relés, medidores, etc.)
frequentemente encontrada nas subestações Não é recomendável a especificação
de potência dos sistemas elétricos da em projeto de banco de capacitores
concessionária e das instalações industriais. contendo apenas um único grupo série, por
Por outro lado, este tipo de arranjo não fase, de células capacitivas. Deve-se a isto o
deve ser empregado em sistemas cujo ponto fato de o banco apresentar, em cada fase,

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 105


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uma baixa reatância, resultando em elevadas Uma das grandes vantagens desta
correntes de curto-circuito e, em configuração é referente à insensibilidade no
conseqüência, proteções fusíveis individuais que diz respeito à circulação das correntes
de elevada capacidade de ruptura. de terceira harmônica, uma vez que as
mesmas são bloqueadas.
Esse tipo de configuração oferece uma
vantagem adicional sobre as demais: permite Dependendo do risco assumido, não há
que um maior número de células capacitivas necessidade de preocupações tão fortes
possa falhar sem que atinja o limite máximo como no caso do neutro aterrado, para a
de sobretensão de 10%. proteção do secundário de transformadores
de corrente, porém deverá ser dada atenção
5.2.6.2 Configuração em estrela isolada especial para tensões transitórias de
restabelecimento nos equipamentos de
Este tipo de arranjo pode ser utilizado manobra do banco. Este fato poderá
tanto em sistemas com neutro aterrado como encarecer o disjuntor ou chave associado ao
em sistemas com neutro isolado. Por não banco.
possuírem ligação com a terra, os bancos de Os bancos de capacitores com esta
capacitores nesta configuração não permitem configuração permitem que o potencial de
a circulação de correntes de seqüência zero, neutro atinja o valor do potencial de fase
nos defeitos de fase e terra (figuras 5.8 e (como resultado de manobras ou pela
5.9). eliminação de células defeituosas ou com a
operação dos seus respectivos fusíveis),
acarretando a necessidade de isolamento do
banco para a tensão entre fases.
A
No que diz respeito a custos, isto é
B pouco importante nas tensões mais baixas,
mas pode se tornar dispendioso e
antieconômico em tensões acima de 15 kV,
devido à sua isolação à terra, comparando-
se com os outros arranjos.

5.2.6.3 Configuração em triângulo (delta)


C
É usada especialmente em classes de
Figura 5.8 Ligação em série de um banco de tensão até 2,4 kV, geralmente em banco de
capacitores com configuração estrela isolada.
capacitores ligados à rede secundária
(figuras 5.10 e 5.11). Para tensões
A superiores se torna anti-econômica, se
comparada com as outras, devido ao elevado
B
custo da proteção associado.
Esta ligação impede a circulação de
correntes de terceira harmônica, que ocorre
na conexão estrela com neutro aterrado e
que pode causar interferência nos circuitos
de comunicação e proteção. Essas correntes
circulam no “triângulo” em fase entre si,
C anulando-se.
Nos bancos onde existe apenas um
Figura 5.9 Ligação em paralelo de um banco de grupo série por fase, o fusível a ser utilizado
capacitores com configuração estrela isolada.

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 106


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para proteção de cada unidade, deverá ser 5.2.6.4 Configuração em dupla estrela
capaz de, em caso de defeito, interromper o isolada
valor da corrente de curto-circuito.
Este tipo de configuração é utilizado
No caso de bancos próximos à
somente em bancos de grande capacidade
subestações ou a outros bancos, esse valor
(figura 5.12).
é muito alto e às vezes requer o uso de
reatores limitadores de corrente, de custo Dentre as características desta ligação,
muito elevado. pode-se dizer que os distúrbios do sistema
É importante observar que, durante a não se transmitem ao circuito de proteção do
ocorrência de um defeito (no caso de bancos banco de capacitores. Como no caso de uma
formados por um único grupo de capacitores única estrela isolada, não há vias de
em série), quando uma das células escoamento para correntes harmônicas de
capacitivas é eliminada pelo respectivo seqüência zero e os esquemas de proteção
fusível de proteção, não se verifica a possuem custos relativamente baixos,
ocorrência de sobretensão nas células principalmente no que diz respeito aos relés.
remanescentes. Esta ligação exige uma maior área para
a mesma capacidade, quando comparada
com a estrela simples, assim como maior
A quantidade de material por barramento e
conexões. O neutro deve ser isolado para
tensão fase-fase do sistema, tal como
qualquer banco ligado em estrela com neutro
isolado. Neste arranjo também o neutro está
B sujeito à tensão de fase, quando da
eliminação de células capacitivas pelos
C
fusíveis correspondentes ou por ocasião de
manobras no banco.

Figura 5.10 Ligação em série de um banco de


capacitores com configuração triângulo (delta). R

A
A

B S
C
C

Figura 5.11 Ligação em paralelo de um banco de T


capacitores com configuração triângulo (delta).

Figura 5.12 Ligação em série de um banco de


capacitores com configuração dupla estrela isolada.

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 107


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Tabela 5.2 Análise comparativa entre os tipos de ligação de bancos capacitivos.

Tipo de ligação Vantagens Desvantagens


Triângulo (delta) ƒ Não há circulação de correntes ƒ Anti-econômica para tensões superiores
harmônicas de terceira ordem no banco a 2,4 kV;
capacitivo; ƒ Custo elevado da proteção,
ƒ Conexão em redes elétricas com tensão especialmente quando é necessária a
inferior a 2,4 kV; proteção diferencial;
ƒ Durante a ocorrência de um defeito (no ƒ Sensibilidade moderada dos relés de
caso de bancos formados por um único sobrecorrente, notadamente quando se
grupo de capacitores em série), quando trata de grandes bancos, onde o
uma das células capacitivas é eliminada desequilíbrio de corrente é muito
pelo respectivo fusível de proteção, não pequeno em comparação à corrente
se verifica a ocorrência de sobretensão nominal.
nas células remanescentes.
Estrela aterrada ƒ Maior número de capacitores com ƒ As proteções devem ser dotadas de
defeito antes que se atinja o limite filtros contra terceiras harmônicas, caso
máximo de sobretensão de 10%; contrário, poderão surgir problemas de
atuações indevidas na proteção de
ƒ Custo de instalação inferior ao custo de sobrecorrente do banco, queima acima
outras configurações; do normal de fusíveis além de possíveis
ƒ Ocupação de uma pequena área; danificações nas unidades capacitivas.;
ƒ O banco de capacitores é autoprotegido ƒ Pode haver interferência nos circuitos de
contra corrente de descargas comunicação e proteção por causa do
atmosféricas, já que fornece uma via de fluxo de terceira harmônica (correntes
escoamento para estas correntes. Em harmônicas de seqüência zero) para a
alguns casos, pode-se dispensar a terra.
proteção de pára-raios;
ƒ Oferece uma baixa impedância para a
terra às correntes harmônicas, reduzindo
substancialmente os níveis de
sobretensão em virtude dos harmônicos
referidos.

Estrela Isolada ƒ As correntes de defeito são limitadas ƒ Isolamento do banco para a tensão de
pela impedância das fases não atingidas; fase, em virtude de surtos de manobra;
ƒ Não há circulação de correntes ƒ No que diz respeito a custos, isto é
harmônicas de terceira ordem pouco importante nas tensões mais
(seqüência zero). baixas, mas pode se tornar dispendioso
e antieconômico em tensões acima de
15 kV, devido à sua isolação à terra,
comparando-se com os outros arranjos.

ƒ Não há circulação de correntes ƒ Uso de células capacitivas em


Dupla estrela isolada harmônicas de terceira ordem quantidade superior a de outros
(seqüência zero); esquemas para satisfazer ao número
mínimo de células capacitivas em
ƒ Banco de baixo custo. Os esquemas de paralelo;
proteção possuem custos relativamente
baixos, principalmente no que diz ƒ O neutro deve ter o mesmo nível de
respeito aos relés. isolamento do sistema;
ƒ Comparativamente com os outros
esquemas, é necessário dispor de uma
maior área (considerando-se a mesma
capacidade) para instalação do banco.

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 108


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sobretensões, quando da eliminação, pela


5.3 Dimensionamento de bancos de atuação dos respectivos fusíveis, de uma ou
capacitores mais células do grupo. Assim, verifica-se que
o número de células em paralelo por grupo e
por fase está diretamente comprometido com
Independentemente do nível de tensão
o nível de sobretensão que surgirá nos
do sistema, a potência total de um banco de
capacitores remanescentes, cujo limite,
capacitores é definida pela necessidade de
conforme estabelecido na NBR 5282, não
potência reativa estabelecida em projeto.
pode ultrapassar em 110% a tensão nominal
Entretanto, a configuração do banco e o
da célula.
número de células capacitivas formando os
grupos correspondentes devem obedecer a
determinadas precauções.
Grupo de células A
capacitivas em paralelo
Nos bancos de capacitores secundários
(baixa tensão), a potência nominal das
células monofásicas e trifásicas
padronizadas comercialmente está
apresentada nas tabelas 5.11 e 5.12.
Normalmente, para potência de até 30 kVAr
Para os capacitores de tensão de
isolamento de até 660 V (220 - 380 - 440 e
480 V), a potência nominal não ultrapassa B
normalmente os 50 kVAr em células C
trifásicas (pode-se chegar a 70 kVAr para
480 V) e os 30 kVAr em células monofásicas. Figura 5.13 Ligação em série de um banco de
Já os bancos de capacitores primários capacitores com configuração dupla estrela isolada.
(tensão de isolamento de 2,2 a 15 kV, com
valores de: 2,20 – 2,40 – 3,80 – 6,64 – 7,62-
7,96 – 12,70 – 13,20 – 13,80 – 14,40 kV) são Serão apresentadas, mais adiante, as
geralmente monofásicos com potências expressões utilizadas para o cálculo mínimo
padronizadas de 25, 50, 100 e 200 kVAr, de capacitores em paralelo por grupo e por
sendo o de 100 kVAr o mais utilizado na fase, para cada tipo de arranjo. Os
prática. resultados são bem diferentes para cada
configuração, inclusive os valores das
A grande a variedade de potência correntes e tensões resultantes.
disponível para os capacitores possibilita a
construção de bancos com capacitores de Nos projetos de bancos capacitivos, é
maior ou menor potência, sendo esta prática usual dimensionar o número máximo
definição, em princípio, econômica. de capacitores em paralelo, que compõe
Entretanto, alguns outros fatores determinado grupo por fase, de forma que a
(principalmente normativos – NBR 5282 – energia a ser transferida para um eventual
Capacitores de Potência – especificação) capacitor danificado não seja superior a
estão envolvidos na determinação da 10.000 W x s. De fato, em qualquer um dos
potência unitária das células em função do tipos de arranjos apresentados, quando
número de capacitores utilizados por grupo. ocorre um defeito no interior de um capacitor
ligado em paralelo em um determinado
Na prática, os capacitores podem estar grupo, todas as demais células em perfeito
ligados em série por fase ou em paralelo por estado de funcionamento descarregam as
grupo e por fase (figura 5.13). Observa-se respectivas energias armazenadas no núcleo
que, para um número reduzido de do capacitor que apresentou o defeito.
capacitores em série por fase ou em paralelo Através destas considerações, pretende-se
por grupo e por fase, pode-se implicar em

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 109


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garantir que não haja ruptura ou explosão da Condições básicas


caixa metálica da célula capacitiva. É por fase.
necessário, para implementação desse
5. Limitar o número de células capacitivas
procedimento, que os grupos não sejam eliminadas para não causar uma sobretensão no
compostos por células capacitivas cuja sistema superior a 10%.
potência supere os 3.100 kVAr por fase. Este 6. O número de estágios no banco deve ser
limite satisfaz a maioria das aplicações para limitado, a fim de não se provocar sobretensão
o dimensionamento de banco de capacitores. maior que 10% durante a manobra de
energização destes estágios.
Nos projetos de bancos, deve-se
atentar também para a limitação da
quantidade de potência reativa capacitiva
que se pode manobrar, a fim de não se 5.3.1 Configuração em estrela aterrada
permitir uma elevação de tensão superior a ou triângulo
10%.
Visando impedir uma sobretensão
A expressão (5.10) apresenta a superior a 10% quando da eliminação de
potência reativa capacitiva máxima que pode uma ou mais células do grupo, a
ser manobrada simultaneamente, a fim de se determinação do número mínimo de células
limitar a elevação de tensão na barra da capacitivas em paralelo em cada grupo série
subestação. por fase é determinada através da expressão
(5.11):
Qm = 10 × Pcc × ΔU % (5.10)
11 × N ce × (N gs − 1) (5.11)
onde, N mcp =
N gs
Qm = potência reativa capacitiva máxima a
ser manobrada, em kVAr; onde,
Pcc = potência de curto-circuito na barra da
subestação, em MVA; Nmcp = número mínimo de capacitores em
paralelo em cada grupo série por fase;
ΔU% = sobretensão resultante da manobra de
Ngs = número de grupos em série por fase;
Qm, em porcentual.
Nce = número de células capacitivas
eliminado de um único grupo série por fase.
A tabela 5.3 prescreve as condições
para um dimensionamento correto de um
banco de capacitores. É importante observar que, quando
existir somente um grupo de capacitores em
Tabela 5.3 Prescrições para um correto série por fase (ou seja, Ngs = 1), caso ocorra
dimensionamento de bancos de capacitores.
atuação do fusível de alguma célula
Condições básicas capacitiva, não ocorrerá sobretensão nas
1. A célula capacitiva pode ser especificada para células remanescentes do grupo, uma vez
uma tensão nominal igual ou inferior à máxima que, pela expressão (5.11), teremos Nmcp
tensão prevista para operação do sistema. igual à zero.
2. Deve-se atentar que, quando o capacitor é
especificado para operação uma tensão nominal A expressão (5.12) apresenta, para um
inferior à máxima tensão prevista, o rendimento arranjo onda há vários grupos em série por
do capacitor fica reduzido. fase, a tensão resultante nas demais células
3. Visando reduzir a relação custo/kVAr, devem ser
capacitivas em paralelo do mesmo grupo
escolhidas, preferencialmente, células
capacitivas de maior potência nominal. remanescentes, quando da queima da
4. Observar o limite de 3.100 kVAr para a potência proteção fusível de Nce capacitores:
máxima de um grupo de capacitores em paralelo

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 110


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N cp (5.12) onde,
U ur = U fn ×
N gs × (N cp − N ce ) + N ce
In = corrente nominal de fase do banco, em
Deve-se ter Uur ≥ Uc A.

onde,
5.3.2 Configuração em estrela isolada
Uc = tensão em cada grupo, quando todas as
Visando impedir uma sobretensão
células estão em operação;
superior a 10% quando da eliminação de
Ufn =tensão entre fase e neutro do sistema, uma ou mais células do grupo, a
em kV; determinação do número mínimo de células
Ncp = número de capacitores em paralelo em capacitivas em paralelo em cada grupo série
cada grupo série; por fase é determinada através da expressão
(5.16):
Uur = tensão resultante nas células
remanescentes do mesmo grupo com Nce 11× N ce × (3 × N gs − 2) (5.16)
N mcp =
capacitores excluídos, em kV. 3 × N gs

onde,
A expressão (5.13) permite determinar
a tensão nos outros grupos em série Nmcp = número mínimo de capacitores em
restantes (Ngs > 1) da mesma fase: paralelo em cada grupo série por fase;
N cp − N ce Ngs = número de grupos em série por fase;
U gr = U fn × (5.13)
N gs × (N cp − N ce ) + N ce Nce = número de células capacitivas
eliminado de um único grupo série por fase.
onde,

Ugr = tensão nos grupos em série restantes, A expressão (5.17) apresenta, para um
da mesma fase, em kV. arranjo onda há vários grupos em série por
fase, a tensão resultante nas demais células
Deve-se ter Ugr < Uc. É importante
capacitivas em paralelo do mesmo grupo
observar que, caso o banco esteja ligado na
remanescentes, quando da queima da
configuração triângulo, a tensão tomada será
proteção fusível de Nce capacitores:
entre fases, ou seja, Uff em vez de Ufn.
3 × N cp (5.17)
As expressões (5.14) e (5.15) permitem U ur = U fn ×
determinar, respectivamente, a corrente que 3 × N gs × (N cp − N ce ) + (2 × N ce )
circula na fase afetada pela saída dos Nce
capacitores (Ifa) e a corrente que circula para onde,
a terra através do neutro do sistema quando
são excluídos Nce capacitores de um grupo Uc = tensão em cada grupo, quando todas as
(It): células estão em operação;
Ufn =tensão entre fase e neutro do sistema,
N gs × (N cp − N ce ) (5.14) em kV;
I fa = I n ×
N gs × (N cp − N ce ) + N ce
Ncp = número de capacitores em paralelo em
cada grupo série;
N ce
It = I n × (5.15)
N gs × (N cp − N ce ) + N ce

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 111


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Uur = tensão resultante nas células em cada grupo série por fase é determinada
remanescentes do mesmo grupo com Nce através da expressão (5.21):
capacitores excluídos, em kV.
11 × N ce × (6 × N gs − 5) (5.21)
Na expressão (5.17), deve-se ter Uur > N mcp =
6 × N gs
Uc.. Neste caso, observa-se que a tensão é
sempre inferior à tensão de neutro do grupo.
onde,
A expressão (5.18) permite determinar
a tensão nos outros grupos em série Nmcp = número mínimo de capacitores em
restantes (Ngs > 1) da mesma fase: paralelo em cada grupo série por fase;
Ngs = número de grupos em série por fase;
3 × (N cp − N ce ) (5.18)
U gr = U fn × Nce = número de células capacitivas
3 × N gs × (N cp − N ce ) + (2 × N ce )
eliminado de um único grupo série por fase.
Deve-se ter Ugr < Uc.
A expressão (5.22) apresenta, para um
onde, arranjo onda há vários grupos em série por
fase, a tensão resultante nas demais células
Ugr = tensão nos grupos em série restantes, capacitivas em paralelo do mesmo grupo
da mesma fase, em kV. remanescentes, quando da queima da
As expressões (5.19) e (5.20) permitem proteção fusível de Nce capacitores:
determinar, respectivamente, a corrente que
circula na fase afetada pela saída dos Nce 6 × N cp
U ur = U fn × (5.22)
capacitores (Id) e a tensão entre o neutro e 6 × N gs × (N cp − N ce ) + (5 × N ce )
terra quando são excluídos Nce capacitores
de um grupo (Unt): onde,
3 × N gs × (N cp − N ce ) (5.19) Uc = tensão em cada grupo, quando todas as
Id = In ×
3 × N gs × (N cp − N ce ) + (2 × N ce ) células estão em operação;
Ufn =tensão entre fase e neutro do sistema,
N ce (5.20) em kV;
= U fn ×
3 × N gs × (N cp − N ce ) + (2 × N ce )
U nt
Ncp = número de capacitores em paralelo em
cada grupo série;
Uur = tensão resultante nas células
onde, remanescentes do mesmo grupo com Nce
capacitores excluídos, em kV.
In = corrente nominal de fase do banco, em
A.
Na expressão (5.22), deve-se ter Uur >
Uc..
5.3.3 Configuração em dupla estrela
isolada A expressão (5.23) permite determinar
a tensão nos outros grupos em série
Analogamente aos arranjo anteriores, restantes (Ngs > 1) da mesma fase:
visando impedir uma sobretensão superior a
10% quando da eliminação de uma ou mais
células do grupo, a determinação do número 6 × (N cp − N ce )
U gr = U fn × (5.23)
mínimo de células capacitivas em paralelo 6 × N gs × (N cp − N ce ) + (5 × N ce )

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 112


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Deve-se ter Ugr < Uc. Ngs = número de grupos em série por fase;
Nce = número de células capacitivas
onde,
eliminado de um único grupo série por fase.
Ugr = tensão nos grupos em série restantes, Para uma melhor compreensão da
da mesma fase, em kV. situação apresentada, analisar a figura 5.14.
As expressões (5.24) e (5.25) permitem
determinar, respectivamente, a corrente que
circula entre os neutros pela saída dos Nce R
S
capacitores de um determinado grupo (Id) e a T

tensão entre o neutro e terra quando são A C E G I K

excluídos Nce capacitores de um grupo (Und),


no caso de conexão do neutro do banco de
capacitores à terra através de uma
impedância elevada:

3 × N ce
I d = I mf × (5.24)
6 × N gs × (N cp − N ce ) + (5 × N ce ) B D F H J L

N ce (5.25)
U nd = U fn ×
6 × N gs × (N cp − N ce ) + (5 × N ce )
Figura 5.14 Ligação em série de um banco de
capacitores com configuração dupla estrela aterrada.

onde,
Denomina-se, por exemplo, de meia
Imf = corrente que circula na meia fase do fase para a fase R aquela em que estão
banco, em A. ligados os grupos A e B. A outra meia fase
corresponde àquela em que estão ligados os
grupos C e D. Analogamente, denomina-se
5.3.4 Configuração em dupla estrela de meia fase para a fase S aquela em que
aterrada estão ligados os grupos E e F. A outra meia
fase corresponde àquela em que estão
Como nos arranjo apresentados ligados os grupos G e H. considerar nas
anteriormente, visando impedir uma explicações que se seguem, para um melhor
sobretensão superior a 10% quando da entendimento, que as células danificadas
eliminação de uma ou mais células do grupo, (eliminadas do grupo pela abertura do elo
a determinação do número mínimo de fusível) e tomadas como referência são as do
células capacitivas em paralelo em cada grupo G da figura 5.14.
grupo série por fase é determinada através
da expressão (5.26), considerando-se que o
banco esteja ligado com o ponto médio A expressão (5.37) apresenta, para um
interligado em cada uma das meias fases: arranjo onda há vários grupos em série por
fase, a tensão resultante nas demais células
N ce × (22 × N gs − 3 × N gs ) (5.26) capacitivas em paralelo do mesmo grupo
N mcp =
2 × N gs remanescentes, quando da queima da
proteção fusível de Nce capacitores:
onde,
2 × Ncp (5.37)
Uur = U fn ×
Nmcp = número mínimo de capacitores em 2 × N gs × (Ncp − Nce ) + (3 × Nce )
paralelo em cada grupo série por fase;

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 113


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onde, A expressão (5.30) permite determinar


a tensão resultante em cada um dos grupos
Uc = tensão em cada grupo, quando todas as restantes localizados na outra metade do
células estão em operação; circuito, isto é, aqueles que correspondem
Ufn =tensão entre fase e neutro aplicada ao aos grupos F e H da figura 5.14:
grupo em análise, em kV;
2× Ngs × (Ncp − Nce ) + (2× Nce) (5.30)
Ncp = número de capacitores em paralelo em U gr = U fn ×
2× Ngs × (Ncp − Nce ) + (3× Ngs × Nce )
2
cada grupo série;
Uur = tensão resultante nas células Deve-se ter Ugr < Uc.
remanescentes do mesmo grupo com Nce
capacitores excluídos, em kV. Com relação à figura 5.14, as
expressões (5.31), (5.32) e (5.33) permitem
Na expressão (5.27), deve-se ter Uur > determinar, respectivamente, a corrente Igf
Uc.., ou seja, a tensão Uur deve ser superior à que circula nos grupos da meia fase em que
tensão em cada grupo do banco considerado ocorreu a falta (grupo G), a corrente Igr que
em todas as suas células em operação (Uc ). circula nos grupos restantes, localizados na
outra metade do circuito (grupos F e H) e a
A expressão (5.28) permite determinar
corrente que circula nos grupos de meias
a tensão nos outros grupos em série
fases correspondentes ao grupo defeituoso
restantes (Ngs > 1) da mesma meia fase (que
(grupo E):
corresponde ao grupo H da figura 5.14):
2 × Ngs × ( Ncp − N ce ) (5.31)
Igf = I mf ×
2 × (Ncp − Nce ) (5.28) 2 × N gs × (N cp − N ce ) + (3 × N ce )
U gr = U fn ×
2 × N gs × (Ncp − Nce ) + (3 × Nce )
Deve-se ter, em (5.31): Igf < Imf.
Deve-se ter Ugr < Uc.
onde,
onde,
Imf = corrente que circula na meia fase do
Ugr = tensão a que fica submetido cada um banco, em A.
dos grupos da mesma meia fase, em kV.
2 × Ngs × (Ncp − N ce ) + (2 × N ce ) (5.32)
Igr = I mf ×
2 × N gs × (N cp − N ce ) + (3 × N ce )
A expressão (5.29) permite determinar
a tensão a que fica submetido cada um dos
grupos da outra meia fase correspondente,
isto é, o grupo E da figura 5.14: Deve-se ter, em (5.32): Igr < Imf.

2 × Ngs × (Ncp − Nce ) + (4 × Nce) (5.29) 2 × Ngs × ( Ncp − N ce ) + (4 × N ce )


Ugr = U fn × Igd = I mf × (5.33)
2 × Ngs × (Ncp − Nce ) + (3× Ngs × Nce )
2
2 × N gs × (N cp − N ce ) + (3 × N ce )

Deve-se ter Ugr > Uc. Deve-se ter, em (5.33): Igd > Imf.

onde,

Ugr = tensão a que fica submetido cada EXEMPLO 5.6 Determine a configuração do banco de
um dos grupos da outra meia fase capacitores a ser ligado no secundário de um sistema
trifásico de uma subestação industrial 69/13,2 kV, em
correspondente, em kV. estrela aterrada, que precisa de 3.600 kVAr de
potência reativa para compensação.

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 114


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Solução: Caso, ao invés da utilização inicial do número de


grupos em série por fase igual a 2, fosse arbitrado
apenas um grupo de capacitores em série, teria:
a) Dimensionamento do número mínimo de capacitores
em paralelo em cada grupo e por fase. 11 × N ce × (N gs − 1) 11 × (1 − 1)
N mcp = = =0
N gs 2
A potência reativa por fase em um sistema trifásico
equilibrado é calculada por: Desta forma, um outro arranjo possível seria o
Q 3.600 apresentado na figura 5.16, através da utilização de um
Qa = Qb = Qc = = = 1.200 kVAr/fase banco com células de 100 kVAr de 7,62 kV,
3 3 empregando 12 células por fase no único grupo de
Considerando, inicialmente, o número de grupos em cada fase.
série por fase em 2 (dois), tem-se:
A
1.200
Qg = = 600 kVAr
2
Desta forma, para a condição de estrela aterrada e 100 kVAr

7,62 kV
apenas uma célula excluída, o número mínimo de
capacitores por grupo e por fase, vale, da expressão
(5.11): N

11 × N ce × (N gs − 1)

13,2 kV
11 × 1 × (2 − 1)
N mcp = = = 5,5 ≅ 6
N gs 2

7,62 kV
b) Dimensionamento da potência reativa nominal de 12 unidades
cada célula.
B

Qg 600
Qc = = = 100 kVAr C
N mcp 6

A figura 5.15 representa a configuração adotada.


Observa-se que a tensão de cada célula é a metade da
Figura 5.16 Ligação de células de 100 kVAr em
tensão fase-neutro, ou seja:
paralelo e 1 (um) grupo série na configuração estrela
1 1 Uff 1 13,2 aterrada.
U c = ×Ufn = × = × = 3,81kV
2 2 3 2 3
Entretanto, esta configuração não é recomendável
A devido à baixa reatância e elevada corrente de curto-
circuito a que estaria submetida este ponto da
instalação. A potência total do banco de capacitores
seria:
7,62 kV

100 kVAr 100 kVAr

Qt = 12 × 100 × 3 = 3.600kVAr
Capacitores
excluídos
N
13,2 kV

c) Considerando que, se no banco apresentado na


figura 5.15, houvesse a exclusão de dois capacitores
7,62 kV

na fase A, determinar as tensões resultantes nas


células capacitivas remanescentes, no grupo série não
B afetado, e a corrente que circularia na fase onde estão
3,81 kV
instalados os referidos grupos de capacitores.
3,81 kV C
A tensão nas 4 células restantes do grupo pode ser
calculada através da expressão (5.15):
Figura 5.15 Ligação de células de 100 kVAr em N cp
U ur = U fn ×
N gs × (N cp − N ce ) + N ce
paralelo e 2 (dois) grupos série na configuração estrela
aterrada.

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 115


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U ur =
13,2
×
6
= 4,57kV
5.3.5 Método prático NBR 5060
3 2 × (6 − 2) + 2
A NBR 5060 apresenta em seu anexo A
A tensão no grupo série não afetado pode ser
determinada através da expressão (5.16): um conjunto de tabelas para o cálculo da
tensão resultante nas demais células
N cp − N ce capacitivas em paralelo do mesmo grupo. Os
U gr = U fn ×
N gs × (N cp − N ce ) + N ce valores apresentados nestas tabelas (tabelas
5.4 a 5.6) estão apresentados em valores
13,2 6−2 “por unidade” (abreviadamente, p.u.). Esta
U gr = × = 3,04kV
3 2 × (6 − 2 ) + 2 forma de representação é bastante prática e
A sobretensão percentual nas quatro células do grupo largamente utilizada em cálculos do sistema
afetado pode ser calculada pela expressão abaixo: elétrico de potência.
⎛ Um − Un ⎞ ⎛ 4,57 − 3,81 ⎞ O sistema “por unidade”é um meio
U st = ⎜ ⎟ × 100 = ⎜ ⎟ × 100 = 19,9% conveniente de expressar grandezas
⎝ Un ⎠ ⎝ 3,81 ⎠
elétricas. Impedâncias, correntes, tensões e
Onde, potências são muitas vezes expressas em
Um = tensão medida na célula capacitiva, em kV; p.u., em vez de em ohms, ampères, volts e
Un = tensão nominal da célula capacitiva, em kV. watts.
O valor por unidade de uma grandeza é
Percentualmente, a redução da tensão no grupo não
definido como a relação entre o valor da
afetado da mesma fase A vale: grandeza e um valor da mesma grandeza
tomado como base. Assim, para uma
⎛ 3,81 − 3,04 ⎞ grandeza de valor “g”, o valor p.u “gpu”, na
Ug = ⎜ ⎟ × 100 = 20,2%
⎝ 3,81 ⎠ base gB, será:

g valor real da grandeza


Para o cálculo da corrente que circularia na fase onde gpu = = (5.34)
estão instalados os referidos grupos de capacitores, gB valor base da grandeza
pode-se aplicar:
O valor percentual (g%) será cem vezes
De (5.38): o valor o valor por unidade, ou seja:
Qc 2 × 6 × 100kVAr g % = 100 × gpu
In = = = 157,4 A (5.35)
3 ×U 3 × 13,2kV
Desta forma, por exemplo, se a tensão
De (5.14):
base for de 127 V, as tensões de 110, 127 e
22 V ficam, em p.u., com os seguintes
N gs × (N cp − N ce )
I fa = I n × valores:
N gs × (N cp − N ce ) + N ce

2 × (6 − 2 )
110
= 0,87 pu ou 87%
I fa = 157,4 × = 125,9 A
2 × (6 − 2 ) + 2
127
127
Observa-se que a redução percentual de corrente será:
= 1 pu ou 100%
127

⎛ 157,4 − 125,9 ⎞ 220


ΔI = ⎜ ⎟ × 100 = 20% = 1,73 pu ou 173%
⎝ 157,4 ⎠ 127

O uso dos valores por unidade ou dos


valores percentuais conduz a cálculos mais
simples, por exemplo, na determinação de

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 116


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correntes presumidas de curto-circuito em Tensão em cada célula, antes da retirada das células
sistemas elétricos. Por outro lado, o método defeituosas: 3,81 kV (este será o valor base da tensão
UBkV).
p.u. apresenta a vantagem de que o produto
de dois valores p.u. é um valor p.u., ao passo Entrando na tabela 5.4 com NCP = 6, NCE = 2 e NGS = 2,
encontramos o valor 1,2 p.u. para a tensão nas células
que o produto de dois valores percentuais restantes do grupo, ou seja, aplicando (5.34):
deve ser dividido por 100 para que o
resultado seja também um valor percentual. gpu =
g
→ Upu =
UkV
gB UB kV
No caso das tabelas 5.4 a 5.6, observe
que o valor base é a tensão anterior à 1,2 =
UkV
→ UkV = 1,2 × 3,81 = 4,57 kV
retirada das unidades capacitivas de um 3,81
determinado grupo série. Estas tabelas foram
Observe que chegamos ao mesmo
obtidas através das expressões (5.12), (5.16)
resultado calculado no exemplo 5.6.
e (5.21), conforme apresentadas nos itens
5.3.1, 5.3.2 e 5.3.3, respectivamente.
Ao aplicar a tabela 5.4, no exemplo 5.6,
teríamos:

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 117


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Tabela 5.4 Tensão nas unidades restantes de um grupo paralelo (em p.u. da tensão anterior à retirada de NCE
unidades). Fonte: NBR 5060 – Anexo A – Tabela 1.

NÚMERO DE GRUPOS PARALELOS EM SÉRIE POR FASE (NGS)


NCP NCE
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
2 1 1,000 1,333 1,500 1,600 1,667 1,714 1,750 1,778 1,800 1,818 1,833 1,846

3 1 1,000 1,200 1,286 1,333 1,364 1,385 1,400 1,412 1,421 1,429 1,435 1,440
3 2 1,000 1,500 1,800 2,000 2,143 2,250 2,333 2,400 2,455 2,500 2,538 2,571

4 1 1,000 1,143 1,200 1,231 1,250 1,263 1,273 1,280 1,286 1,290 1,294 1,297
4 2 1,000 1,333 1,500 1,600 1,667 1,714 1,750 1,778 1,800 1,818 1,833 1,846
4 3 1,000 1,600 2,000 2,286 2,500 2,667 2,800 2,909 3,000 3,077 3,143 3,200

5 1 1,000 1,111 1,154 1,176 1,190 1,200 1,207 1,212 1,216 1,220 1,222 1,224
5 2 1,000 1,250 1,364 1,429 1,471 1,500 1,522 1,538 1,552 1,563 1,571 1,579
5 3 1,000 1,429 1,667 1,818 1,923 2,000 2,059 2,105 2,143 2,174 2,200 2,222
5 4 1,000 1,667 2,143 2,500 2,778 3,000 3,182 3,333 3,462 3,571 3,667 3,750

6 1 1,000 1,091 1,125 1,1443 1,154 1,161 1,167 1,171 1,174 1,176 1,179 1,180
6 2 1,000 1,200 1,286 1,333 1,364 1,385 1,400 1,412 1,421 1,429 1,435 1,440
6 3 1,000 1,333 1,500 1,600 1,667 1,714 1,750 1,778 1,800 1,818 1,833 1,846
6 4 1,000 1,500 1,800 2,000 2,143 2,250 2,333 2,400 2,455 2,500 2,538 2,571
6 5 1,000 1,714 2,250 2,667 3,000 3,273 3,500 3,692 3,857 4,000 4,125 4,235

7 1 1,000 1,077 1,105 1,120 1,129 1,135 1,140 1,143 1,145 1,148 1,149 1,151
7 2 1,000 1,167 1,235 1,273 1,296 1,313 1,324 1,333 1,340 1,346 1,351 1,355
7 3 1,000 1,273 1,400 1,474 1,522 1,556 1,581 1,600 1,615 1,628 1,638 1,647
7 4 1,000 1,400 1,615 1,750 1,842 1,909 1,960 2,000 2,032 2,059 2,081 2,100
7 5 1,000 1,556 1,909 2,154 2,333 2,471 2,579 2,667 2,739 2,800 2,852 2,897

8 1 1,000 1,067 1,091 1,103 1,111 1,116 1,120 1,123 1,125 1,127 1,128 1,129
8 2 1,000 1,143 1,200 1,231 1,250 1,263 1,273 1,280 1,286 1,290 1,294 1,297
8 3 1,000 1,231 1,333 1,391 1,429 1,455 1,474 1,488 1,500 1,509 1,517 1,524
8 4 1,000 1,333 1,500 1,600 1,667 1,714 1,750 1,778 1,800 1,818 1,833 1,846
8 5 1,000 1,455 1,714 1,882 2,000 2,087 2,154 2,207 2,250 2,286 2,316 2,341

9 1 1,000 1,059 1,080 1,091 1,098 1,102 1,105 1,108 1,110 1,111 1,112 1,113
9 2 1,000 1,125 1,174 1,200 1,216 1,227 1,235 1,241 1,246 1,250 1,253 1,256
9 3 1,000 1,200 1,286 1,333 1,364 1,385 1,400 1,412 1,421 1,429 1,435 1,440
9 4 1,000 1,286 1,421 1,500 1,552 1,588 1,615 1,636 1,653 1,667 1,678 1,688
9 5 1,000 1,385 1,588 1,714 1,800 1,862 1,909 1,946 1,976 2,000 2,020 2,038

10 1 1,000 1,053 1,071 1,081 1,087 1,091 1,094 1,096 1,098 1,099 1,100 1,101
10 2 1,000 1,111 1,154 1,176 1,190 1,200 1,207 1,212 1,216 1,220 1,222 1,224
10 3 1,000 1,176 1,250 1,290 1,316 1,333 1,346 1,356 1,364 1,370 1,375 1,379
10 4 1,000 1,250 1,364 1,429 1,471 1,500 1,522 1,538 1,552 1,563 1,571 1,579
10 5 1,000 1,333 1,500 1,600 1,667 1,714 1,750 1,778 1,800 1,818 1,833 1,846

11 1 1,000 1,048 1,065 1,073 1,078 1,082 1,085 1,086 1,088 1,089 1,090 1,091
11 2 1,000 1,100 1,138 1,158 1,170 1,179 1,185 1,189 1,193 1,196 1,198 1,200
11 3 1,000 1,158 1,222 1,257 1,279 1,294 1,305 1,313 1,320 1,325 1,330 1,333
11 4 1,000 1,222 1,320 1,375 1,410 1,435 1,453 1,467 1,478 1,486 1,494 1,500
11 5 1,000 1,294 1,435 1,517 1,571 1,610 1,638 1,660 1,678 1,692 1,704 1,714

12 1 1,000 1,043 1,059 1,067 1,071 1,075 1,077 1,079 1,080 1,081 1,082 1,083
12 2 1,000 1,091 1,125 1,143 1,154 1,161 1,167 1,171 1,174 1,176 1,179 1,180
12 3 1,000 1,143 1,200 1,231 1,250 1,263 1,273 1,280 1,286 1,290 1,294 1,297
12 4 1,000 1,200 1,286 1,333 1,364 1,385 1,400 1,412 1,421 1,429 1,435 1,440
12 5 1,000 1,263 1,385 1,455 1,500 1,532 1,556 1,574 1,588 1,600 1,610 1,618
Notas:
1- NCP = células capacitivas em paralelo por grupo série.
2- NCE = número de células capacitivas eliminadas de um único grupo série.
3- Esta tabela deve ser utilizada com as ligações das figuras 5.7 e 5.11.

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 118


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Tabela 5.5 Tensão nas unidades restantes de um grupo paralelo (em p.u. da tensão anterior à retirada de NCE
unidades). Fonte: NBR 5060 – Anexo A – Tabela 3.

NÚMERO DE GRUPOS PARALELOS EM SÉRIE POR FASE (NGS)


NCP NCE
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
2 1 1,200 1,500 1,636 1,714 1,765 1,800 1,826 1,846 1,862 1,875 1,886 1,895

3 1 1,125 1,286 1,350 1,385 1,406 1,421 1,432 1,440 1,446 1,452 1,456 1,459
3 2 1,286 1,800 2,077 2,250 2,368 2,455 2,520 2,571 2,613 2,647 2,676 2,700

4 1 1,091 1,200 1,241 1,263 1,277 1,286 1,292 1,297 1,301 1,304 1,307 1,309
4 2 1,200 1,500 1,636 1,714 1,765 1,800 1,826 1,846 1,862 1,875 1,886 1,895
4 3 1,333 2,000 2,400 2,667 2,857 3,000 3,111 3,200 3,273 3,333 3,385 3,429

5 1 1,071 1,154 1,184 1,200 1,210 1,216 1,221 1,224 1,227 1,230 1,231 1,233
5 2 1,154 1,364 1,452 1,500 1,531 1,552 1,567 1,579 1,588 1,596 1,602 1,607
5 3 1,250 1,667 1,875 2,000 2,083 2,143 2,188 2,222 2,250 2,273 2,292 2,308
5 4 1,364 2,143 2,647 3,000 3,261 3,462 3,621 3,750 3,857 3,947 4,024 4,091

6 1 1,059 1,125 1,149 1,161 1,169 1,174 1,178 1,180 1,182 1,184 1,186 1,187
6 2 1,125 1,286 1,350 1,385 1,406 1,421 1,432 1,440 1,446 1,452 1,456 1,459
6 3 1,200 1,500 1,636 1,714 1,765 1,800 1,826 1,846 1,862 1,875 1,886 1,895
6 4 1,286 1,800 2,077 2,250 2,368 2,455 2,520 2,571 2,613 2,647 2,676 2,700
6 5 1,385 2,250 2,842 3,273 3,600 3,857 4,065 4,235 4,378 4,500 4,605 4,696

7 1 1,050 1,105 1,125 1,135 1,141 1,145 1,148 1,151 1,152 1,154 1,155 1,156
7 2 1,105 1,235 1,286 1,313 1,329 1,340 1,349 1,355 1,360 1,364 1,367 1,370
7 3 1,167 1,400 1,500 1,556 1,591 1,615 1,633 1,647 1,658 1,667 1,674 1,680
7 4 1,235 1,615 1,800 1,909 1,981 2,032 2,070 2,100 2,124 2,143 2,159 2,172
7 5 1,313 1,909 2,250 2,471 2,625 2,739 2,827 2,897 2,953 3,000 3,039 3,073

8 1 1,043 1,091 1,108 1,116 1,121 1,125 1,128 1,129 1,131 1,132 1,133 1,134
8 2 1,091 1,200 1,241 1,263 1,277 1,286 1,292 1,297 1,301 1,304 1,307 1,309
8 3 1,143 1,333 1,412 1,455 1,481 1,500 1,514 1,524 1,532 1,538 1,544 1,548
8 4 1,200 1,500 1,636 1,714 1,765 1,800 1,826 1,846 1,862 1,875 1,886 1,895
8 5 1,263 1,714 1,946 2,087 2,182 2,250 2,301 2,341 2,374 2,400 2,422 2,441

9 1 1,038 1,080 1,095 1,102 1,107 1,110 1,112 1,113 1,115 1,116 1,117 1,117
9 2 1,080 1,174 1,209 1,227 1,239 1,246 1,252 1,256 1,259 1,262 1,264 1,266
9 3 1,125 1,286 1,350 1,385 1,406 1,421 1,432 1,440 1,446 1,452 1,456 1,459
9 4 1,174 1,421 1,528 1,588 1,627 1,653 1,673 1,688 1,699 1,709 1,717 1,723
9 5 1,227 1,588 1,761 1,862 1,929 1,976 2,011 2,038 2,059 2,077 2,092 2,104

10 1 1,034 1,071 1,084 1,091 1,095 1,098 1,099 1,101 1,102 1,103 1,104 1,104
10 2 1,071 1,154 1,184 1,200 1,210 1,216 1,221 1,224 1,227 1,230 1,231 1,233
10 3 1,111 1,250 1,304 1,333 1,351 1,364 1,373 1,379 1,385 1,389 1,392 1,395
10 4 1,154 1,364 1,452 1,500 1,531 1,552 1,567 1,579 1,588 1,596 1,602 1,607
10 5 1,200 1,500 1,636 1,714 1,765 1,800 1,826 1,846 1,862 1,875 1,886 1,895

11 1 1,031 1,065 1,076 1,082 1,086 1,088 1,090 1,091 1,092 1,093 1,093 1,094
11 2 1,065 1,138 1,165 1,179 1,187 1,193 1,197 1,200 1,202 1,204 1,206 1,207
11 3 1,100 1,222 1,269 1,294 1,310 1,320 1,328 1,333 1,338 1,341 1,344 1,347
11 4 1,138 1,320 1,394 1,435 1,460 1,478 1,490 1,500 1,508 1,514 1,519 1,523
11 5 1,179 1,435 1,547 1,610 1,650 1,678 1,699 1,714 1,727 1,737 1,745 1,752

12 1 1,029 1,059 1,069 1,075 1,078 1,080 1,082 1,083 1,084 1,084 1,085 1,085
12 2 1,059 1,125 1,149 1,161 1,169 1,174 1,178 1,180 1,182 1,184 1,186 1,187
12 3 1,091 1,200 1,241 1,263 1,277 1,286 1,292 1,297 1,301 1,304 1,307 1,309
12 4 1,125 1,286 1,350 1,385 1,406 1,421 1,432 1,440 1,446 1,452 1,456 1,459
12 5 1,161 1,385 1,479 1,532 1,565 1,588 1,605 1,618 1,628 1,636 1,643 1,649
Notas:
1- NCP = células capacitivas em paralelo por grupo série.
2- NCE = número de células capacitivas eliminadas de um único grupo série.
3- Esta tabela deve ser utilizada com as ligações da figura 5.9.

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 119


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Tabela 5.6 Tensão nas unidades restantes de um grupo paralelo (em p.u. da tensão anterior à retirada de NCE
unidades). Fonte: NBR 5060 – Anexo A – Tabela 5.

NÚMERO DE GRUPOS PARALELOS EM SÉRIE POR FASE (NGS)


NCP NCE
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
1 1 1,200 2,400 3,600 4,800 6,000 7,200 8,400 9,600 10,800 12,000 13,200 14,400

2 1 1,091 1,412 1,565 1,655 1,714 1,756 1,787 1,811 1,831 1,846 1,859 1,870
2 2 1,200 2,400 3,600 4,800 6,000 7,200 8,400 9,600 10,800 12,000 13,200 14,400

3 1 1,059 1,241 1,317 1,358 1,385 1,403 1,416 1,426 1,434 1,440 1,445 1,450
3 2 1,125 1,636 1,929 2,118 2,250 2,348 2,423 2,483 2,531 2,571 2,605 2,634
3 3 1,200 2,400 3,600 4,800 6,000 7,200 8,400 9,600 10,800 12,000 13,200 14,400

4 1 1,043 1,171 1,220 1,247 1,263 1,274 1,282 1,289 1,293 1,297 1,300 1,303
4 2 1,091 1,412 1,565 1,655 1,714 1,756 1,787 1,811 1,831 1,846 1,859 1,870
4 3 1,143 1,778 2,182 2,462 2,667 2,824 2,947 3,048 3,130 3,200 3,259 3,310
4 4 1,200 2,400 3,600 4,800 6,000 7,200 8,400 9,600 10,800 12,000 13,200 14,400

5 1 1,034 1,132 1,169 1,188 1,200 1,208 1,214 1,218 1,222 1,224 1,227 1,229
5 2 1,071 1,304 1,406 1,463 1,500 1,525 1,544 1,558 1,570 1,579 1,587 1,593
5 3 1,111 1,538 1,765 1,905 2,000 2,069 2,121 2,162 2,195 2,222 2,245 2,264
5 4 1,154 1,875 2,368 2,727 3,000 3,214 3,387 3,529 3,649 3,750 3,837 3,913
5 5 1,200 2,400 3,600 4,800 6,000 7,200 8,400 9,600 10,800 12,000 13,200 14,400

6 1 1,029 1,108 1,137 1,152 1,161 1,168 1,172 1,176 1,178 1,180 1,182 1,184
6 2 1,059 1,241 1,317 1,358 1,385 1,403 1,416 1,426 1,434 1,440 1,445 1,450
6 3 1,091 1,412 1,565 1,655 1,714 1,756 1,787 1,811 1,831 1,846 1,859 1,870
6 4 1,125 1,636 1,929 2,118 2,250 2,348 2,423 2,483 2,531 2,571 2,605 2,634
6 5 1,161 1,946 2,512 2,939 3,273 3,541 3,761 3,945 4,101 4,235 4,352 4,454

7 1 1,024 1,091 1,115 1,128 1,135 1,140 1,144 1,147 1,149 1,151 1,152 1,153
7 2 1,050 1,200 1,260 1,292 1,313 1,326 1,336 1,344 1,350 1,355 1,359 1,362
7 3 1,077 1,333 1,448 1,514 1,556 1,585 1,607 1,623 1,636 1,647 1,656 1,663
7 4 1,105 1,500 1,703 1,826 1,909 1,969 2,014 2,049 2,077 2,100 2,119 2,136
7 5 1,135 1,714 2,066 2,301 2,471 2,598 2,697 2,777 2,842 2,897 2,943 2,982

8 1 1,021 1,079 1,099 1,110 1,116 1,121 1,124 1,126 1,128 1,129 1,131 1,132
8 2 1,043 1,171 1,220 1,247 1,263 1,274 1,282 1,289 1,293 1,297 1,300 1,303
8 3 1,067 1,280 1,371 1,422 1,455 1,477 1,493 1,506 1,516 1,524 1,530 1,536
8 4 1,091 1,412 1,565 1,655 1,714 1,756 1,787 1,811 1,831 1,846 1,859 1,870
8 5 1,116 1,574 1,823 1,979 2,087 2,165 2,225 2,272 2,310 2,341 2,368 2,390

9 1 1,019 1,069 1,087 1,096 1,102 1,106 1,109 1,111 1,112 1,113 1,114 1,115
9 2 1,038 1,149 1,191 1,213 1,227 1,237 1,243 1,249 1,253 1,256 1,258 1,261
9 3 1,059 1,241 1,317 1,358 1,385 1,403 1,416 1,426 1,434 1,440 1,445 1,450
9 4 1,080 1,350 1,473 1,543 1,588 1,620 1,643 1,662 1,676 1,688 1,697 1,705
9 5 1,102 1,479 1,670 1,785 1,862 1,917 1,959 1,991 2,017 2,038 2,055 2,070

10 1 1,017 1,062 1,078 1,086 1,091 1,094 1,097 1,098 1,100 1,101 1,102 1,103
10 2 1,034 1,132 1,169 1,188 1,200 1,208 1,214 1,218 1,222 1,224 1,227 1,229
10 3 1,053 1,212 1,277 1,311 1,333 1,348 1,359 1,368 1,374 1,379 1,384 1,387
10 4 1,071 1,304 1,406 1,463 1,500 1,525 1,544 1,558 1,570 1,579 1,587 1,593
10 5 1,091 1,412 1,565 1,655 1,714 1,756 1,787 1,811 1,831 1,846 1,859 1,870

11 1 1,015 1,056 1,070 1,078 1,082 1,085 1,087 1,089 1,090 1,091 1,092 1,092
11 2 1,031 1,119 1,151 1,168 1,179 1,186 1,191 1,195 1,198 1,200 1,202 1,204
11 3 1,048 1,189 1,245 1,275 1,294 1,307 1,316 1,323 1,329 1,333 1,337 1,340
11 4 1,065 1,269 1,356 1,404 1,435 1,456 1,471 1,483 1,492 1,500 1,506 1,511
11 5 1,082 1,361 1,489 1,562 1,610 1,643 1,668 1,687 1,702 1,714 1,724 1,733
Notas:
1- NCP = células capacitivas em paralelo por grupo série.
2- NCE = número de células capacitivas eliminadas de um único grupo série.
3- Esta tabela deve ser utilizada com as ligações da figura 5.12, considerando-se a ligação em série de um ou mais grupo de
capacitores em paralelo.

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 120


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monofásicos com potências padronizadas de


5.4 Características elétricas 25, 50, 100 e 200 kVAr (ver tabelas 5.7, 5.8,
5.11 e 5.12).

5.4.1 Conceitos básicos Tabela 5.7 Valores comerciais usuais em bancos de


capacitores trifásicos em baixa tensão.

5.4.1.1 Potência nominal Tensão (V) Faixa de potência (kVAr)


220 Até 25 kVAr
Trata-se da potência reativa sob tensão
380 Até 50 kVAr
e freqüência nominal, para a qual o capacitor
é projetado. 440 Até 65 kVAr

Para a maior parte dos equipamentos, 480 Até 70 kVAr


a característica elétrica principal é a potência
nominal aparente (como, por exemplo, os
EXEMPLO 5.7 Calcular a capacitância de uma célula
transformadores) ou ativa (como os motores monofásica de 2,5 kVAr em 220 V, 60 Hz.
e demais equipamentos de utilização). Os
Solução:
capacitores, contrariamente, são
normalmente designados pela sua potência
nominal reativa. De (5.36),
A potência reativa nominal de um
capacitor em kVAr é aquela absorvida do 1000 × QC 1000 × 2,5
sistema quando este for submetido a uma C= = = 137 μF
2 × π × f × UN 2 2 × π × 60 × 0,22 2
tensão e freqüências nominais a uma
temperatura ambiente não superior a 20ºC
(ABNT). Conhecida a potência nominal do EXEMPLO 5.8 Calcular a capacitância de um módulo
capacitor, pode-se facilmente calcular a sua trifásico em estrela constituído por 3 (três) células
capacitância, através da expressão (5.36): monofásicas de 2,5 kVAr em 220 V, 60 Hz.

1000 × QC Solução:
C= (5.36)
2 × π × f × UN 2
Qc = 3 x 2,5 = 7,5 kVAr
onde,
De (5.36),
QC = potência reativa nominal do capacitor,
em kilovolt.ampère.reativo [kVAr];
1000 × QC 1000 × 7,5
f = frequência nominal, em hertz [Hz]; C= = = 411μF
2 × π × f × UN 2 2 × π × 60 × 0,22 2
UN = tensão nominal, em kilovolt [kV];
C = capacitância, em microfarad [μF]. Observe que a capacitância na célula (elemento) em
configuração estrela é igual a:

Para os capacitores de tensão de Qc = 2,5 kVAr


isolamento de até 660 V, a potência nominal
não ultrapassa normalmente os 70 kVAr em UN =
U
=
220
= 127V
células trifásicas e os 30 kVAr em células 3 3
monofásicas. Já os capacitores de tensão de
isolamento de 2,3 a 15 kV são geralmente

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 121


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1000 × QC 1000 × 2,5 5.4.1.3 Tensão nominal


C= = = 411μF
2 × π × f × UN 2
2 × π × 60 × 0,127 2
A tensão nominal (Un) é o valor eficaz
da tensão senoidal para a qual o capacitor é
EXEMPLO 5.9 Calcular a capacitância de um módulo
trifásico em triângulo constituído por 3 (três) células projetado.
monofásicas de 2,5 kVAr em 220 V, 60 Hz.
Os capacitores de potência são
normalmente fabricados para a tensão
Solução: nominal do sistema elétrico (tensão entre
fases para células trifásicas ou entre fase e
neutro para células monofásicas).
Qc = 3 x 2,5 = 7,5 kVAr
Ao contrário da maioria dos
De (5.36), equipamentos elétricos, os capacitores
ligados em derivação, quando postos em
serviço, funcionam perfeitamente a plena
1000 × QC 1000 × 7,5 potência ou a potência que se afastam
C= = = 411μF
2 × π × f × UN 2
2 × π × 60 × 0,22 2 daquele valor somente devido a variações de
tensão.
Observe que a capacitância na célula (elemento) em Os capacitores utilizados em sistemas
configuração triângulo é igual a: industriais de pequeno e médio porte são
normalmente em baixa tensão (abaixo de
Qc = 2,5 kVAr 1000 V), sendo fabricados para 220, 380,
440 e 480 V, independentemente de que
U N = U = 220V sejam células monofásicas e trifásicas
1000 × QC 1000 × 2,5 (tabela 5.8).
C= = = 137 μF
2 × π × f × UN 2 2 × π × 60 × 0,22 2
Tabela 5.8 Capacitores industriais – baixa tensão e alta
Note uma importante característica observada através tensão.
dos exemplos 5.8 e 5.9: a capacitância na célula
(elemento capacitivo) é igual à capacitância total do Baixa tensão Alta tensão
módulo trifásico na configuração estrela e igual a 1/3 2.300, 3.810, 4.160,
da capacitância total do módulo trifásico na 4.800, 6.600, 7.620,
220, 380, 440 e 480 V
configuração triângulo. 7.967, 13.200 e
13.800V
Monofásico Trifásico Monofásico e trifásico
5.4.1.2 Freqüência nominal
60 Hz 60 Hz
A freqüência nominal (fn) é a freqüência 0,5 a 30 0,5 a 70
25, 50, 100 e 200 kVAr
para a qual o capacitor é projetado. kVAr kVAr

Conforme pode ser observada através


da expressão (5.36), a potência reativa Os capacitores ligados em tensão
nominal do capacitor é diretamente primária, normalmente alta tensão (acima de
proporcional à freqüência. Usualmente, os 1000 V), são usualmente fabricados para as
dados da potência e capacitância tensões de 2.300, 3.810, 4.160, 4.800, 6.600,
apresentadas nos catálogos dos fabricantes 7.620, 7.967, 13.200 e 13.800 V. Para
são referentes a uma freqüência de operação tensões superiores, somente são fabricados
de 60 Hz. Para outras freqüências, é sob encomenda (tabela 5.8).
necessário calcular estas variáveis. As tabelas 5.11 e 5.12 disponibilizam
as características elétricas básicas dos
capacitores e de seus acessórios
(capacitância, corrente nominal, dispositivo
de proteção, cabo de ligação, etc),

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 122


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respectivamente, para unidades de baixa excessiva margem de segurança, visto que


tensão trifásicas e monofásicas. Pequenas isto resultaria numa diminuição da potência
variações podem ser encontradas na efetivamente disponível, quando se
composição destas tabelas entre os vários comparada a potência nominal (de placa) do
fabricantes. capacitor.
É importante levar em conta, na
5.4.1.4 Tensão máxima de operação determinação da tensão prevista nos
terminais do capacitor, as seguintes
A tensão máxima de operação considerações:
permissível é o valor máximo eficaz da
tensão alternada que o capacitor pode a) Os capacitores produzem um
suportar por um determinado tempo, em aumento de tensão no ponto onde
condições específicas. eles se encontram. Este aumento de
tensão pode ser considerável para
O limiar de tensão aplicada ao certos harmônicos que possam
capacitor não pode exceder 110% da sua existir. Em conseqüência, os
tensão nominal. Esta tensão nominal do capacitores podem ser levados a
capacitor, em princípio, deve ser igual à funcionar a uma tensão superior
tensão efetiva de operação do sistema no àquela medida antes da ligação dos
qual o capacitor deve ser instalado, levando- capacitores;
se em conta a influência do próprio capacitor.
De fato, conforme apresenta a expressão b) A tensão nos terminais do capacitor
(5.37), a potência reativa nominal fornecida pode ser particularmente elevada nos
pelo capacitor é igual à potência efetiva do períodos de baixa carga. Portanto,
capacitor (considerada a tolerância de nesta situação, uma parte ou a
fabricação conforme NBR 5282) vezes o totalidade dos capacitores deverá ser
quadrado da relação entre a tensão efetiva colocada fora de funcionamento, de
de operação e a tensão nominal do modo a evitar que os capacitores
capacitor. sejam submetidos a esforços
excessivos e o aparecimento de
sobretensões anormais no sistema.
2
⎛ Uo ⎞
Qo = Qc × ⎜ ⎟ (5.37) Os capacitores poderão funcionar à
⎝ UN ⎠ tensão máxima de operação e à temperatura
ambiente máxima, simultaneamente,
onde, somente em casos excepcionais e durante
períodos de curta duração, conforme
QC = potência reativa nominal do capacitor, estabelece a NBR 5060.
em kilovolt.ampère.reativo [kVAr];
Qo = potência reativa real fornecida pelo
EXEMPLO 5.10 Calcular a perda de potência de um
capacitor, em kilovolt.ampère.reativo [kVAr];
capacitor de capacitância nominal 3,456 μF, tensão
U0 = tensão efetiva de operação do nominal 8,764 kV, 60 Hz, quando instalado em um
capacitor, em kilovolt [kV]; sistema cuja tensão efetiva de operação seja 7,967 kV
( 13,8 / 3 kV).
UN = tensão nominal do capacitor, em kilovolt
[kV];
Solução:

A expressão (5.37) mostra que deve-se


Temos que:
evitar, na escolha da tensão nominal UN, uma
U0 = 7,967 kV

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 123


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UN = 8,764 kV A NBR 5060 prescreve alguns


C = 3,456 μF requisitos a serem observados referentes à
condição de sobretensão durante a operação
f = 60 Hz
de capacitores de potência:
De (5.36):
a) Quando os capacitores são
2 × π × f × C × UN 2 colocados fora de funcionamento
Qc = por dispositivos de manobra que
1000
permitem religação, podem ser
2 × π × 60 × 3,456 × 8,764 2 reproduzidas sobretensões
Qc = = 100kVAr
1000 transitórias elevadas. Recomenda-
se, nestes casos, a escolha de
dispositivos de manobra que
De (5.37): operem sem causar excessiva
2 2
sobretensão devida às religações.
⎛ Uo ⎞ ⎛ 7,967 ⎞
Qo = Qc × ⎜ ⎟ = 100 × ⎜ ⎟ = 82,6kVAr b) Capacitores que podem ser
⎝ UN ⎠ ⎝ 8,764 ⎠ submetidos à sobretensões
elevadas, devido a descargas
Verifica-se, claramente, uma perda (redução) de atmosféricas, devem ser
potência de 17,4% quando da instalação do capacitor
cuja tensão nominal é superior à tensão efetiva de adequadamente protegidos. No
operação do sistema. caso de serem usados pára-raios,
os mesmos devem ser colocados o
mais próximo possível dos
5.4.1.5 Sobretensões
capacitores. Cuidados especiais
Conforme prescrições da NBR 5282 devem ser tomados, quando se
(Capacitores de Potência – especificação), utilizam pára-raios em grandes
os capacitores devem suportar os seguintes bancos de capacitores. Para
limites de sobretensão: suportar a corrente de descarga,
podem ser necessários pára-raios
a) 110% da tensão nominal em regime especiais.
de operação contínua;
c) Podem aparecer problemas quando
b) Acima de 110% da tensão nominal um capacitor, permanentemente
durante períodos curtos de ligado a um motor, é desligado da
operação não superiores a 200 fonte de alimentação. De fato,
ocorrências ao longo de sua vida quando o motor ainda está girando,
útil (conforme tabela 5.9). o mesmo pode passar a funcionar
como gerador e,
consequentemente, fazer surgir
Tabela 5.9 Limites de sobretensão (NBR 5282). tensões consideravelmente mais
elevadas do que a tensão do
Período de Limite de sobretensão
sistema. Este inconveniente pode
operação (V)
ser evitado assegurando-se que a
Duração de 6 Hz 2,2 x UN
corrente do capacitor seja inferior à
Duração de 15 Hz 2,0 x UN corrente de excitação do motor.
Duração de 1 s 1,75 x UN Sugere-se, neste caso, um valor de
cerca de 90%.
Duração de 15 s 1,4 x UN
d) Até a parada de um motor, as suas
Duração de1 min. 1,3 x UN
partes vivas ao qual o capacitor é
Duração de 5 min. 1,2 x UN permanentemente ligado não
Duração de 30 min. 1,15 x UN

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 124


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devem, por precaução, serem à escolha a esmo das unidades


tocadas. e de acordo com a NBR 5282;
Notas: ƒ Conforme apresentado em
Ressalta a NBR 5060: detalhes na seção 5.3, quando
uma ou mais unidades de um
1. “A possibilidade de que a tensão possa
subsistir após o desligamento da banco são retiradas pelos
máquina é particularmente perigosa no dispositivos de proteção, em
caso de geradores de indução e de conseqüência de faltas,
motores providos de um sistema de algumas das unidades não
frenagem que opera por ocasião de
uma falta de tensão. atingidas podem ficar sujeitas a
tensões mais elevadas.
2. No caso em que o motor parte
imediatamente depois de ter sido
desligado da rede, a corrente do 5.4.1.6 Nível de isolamento
capacitor pode ultrapassar o valor
indicado acima.
O nível de isolamento do banco de
3. Capacitor (ou banco) de potência capacitores, das unidades capacitivas com a
superior à acima indicada deve ser caixa aterrada e das unidades capacitivas
desligado do motor quando este é
desligado da rede. A providência não é com a caixa isolada da terra deve ser
obrigatória no caso da nota 2.” escolhido de acordo com o sistema ao qual o
banco será ligado, conforme estabelece os
e) Quando um capacitor é ligado a um
requisitos específicos da NBR 5282.
motor com partida estrela-triângulo,
durante a partida do mesmo, a A NBR 5060 prescreve a distinção
instalação deve ser feita de modo a entre o nível de isolamento do banco e o das
evitar sobretensões. unidades, considerando-se as seguintes
possibilidades:
f) É importante observar que, na
formação de bancos capacitivos, as a) O nível de isolamento das unidades
unidades devem ser escolhidas é idêntico ao do banco. Este pode
convenientemente, de modo que as ser, por exemplo, o caso de quando
diferenças de capacitância entre as as unidades não são montadas em
unidades não causem sobretensões série. Um isolamento externo
inadmissíveis em algumas suplementar das unidades não é
unidades. necessário;
g) Conforme prescreve a NBR 5282, a b) O nível de isolamento das unidades
diferença de capacitância entre é inferior ao do banco. Este é
duas unidades igualmente geralmente o caso em que as
especificadas pode ser de até 15%. unidades são montadas em série, e
Neste caso, podem ser adotados os é necessário um isolamento externo
seguintes procedimentos: suplementar das unidades. Quando
existirem dúvidas sobre a repartição
ƒ Constituir o banco da maneira
da tensão entre as unidades e o
recomendada pelo fabricante,
isolamento externo, este último
que levou em consideração as
deverá estar de acordo com o nível
diferenças de capacitância,
de isolamento pleno do banco.
evitando as diferenças de
tensão entre as unidades;
5.4.1.7 Temperatura de funcionamento
ƒ Escolher a tensão nominal das
unidades considerando o Uma das características que mais
acréscimo possível conseqüente influenciam na vida útil do capacitor, apesar

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 125


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de não ser uma grandeza elétrica, é a sua a) Proteger os capacitores das


temperatura de funcionamento. A radiações;
temperatura do elemento mais quente é o
b) Escolher um determinado capacitor
fator determinante, porém, na prática, é
para uma temperatura ambiente
praticamente impossível medir esta
mais elevada, por exemplo,
temperatura diretamente.
categoria -10°C a + 45°C, ou que
O valor médio da temperatura do ar de tenha um projeto apropriado;
resfriamento (temperatura do ar medida no
c) Utilizar capacitores com uma tensão
ponto mais quente do banco capacitivo, a
nominal superior àquela no
meia distância entre duas unidades), durante
barramento ao qual será ligado o
1 h, não deve ultrapassar mais do que 5 °C a
capacitor (dever-se-á levar em
temperatura ambiente (temperatura do ar no
conta a diminuição de potência
local da instalação) indicada para a categoria
reativa).
apropriada, conforme apresentado na NBR
5282. Notas:
1- No caso de instalações abrigadas, deve-se
É importante salientar que os
dar atenção especial aos locais em que a
capacitores devem ser dispostos de modo a temperatura do ar de resfriamento pode se
permitir a dissipação do calor produzido tornar excessiva, por falta de ventilação
pelas perdas do mesmo, seja por radiação adequada. Recomenda a NBR 5060, neste
ou convecção. Deve ser levado em caso, a utilização de ventilação forçada, para
evitar o envelhecimento muito rápido do
consideração, conforme prescrições da NBR capacitor.
5060:
2- Condições especiais de funcionamento, além
a) A ventilação no local da instalação e da alta temperatura ambiente, se existir,
a disposição das unidades devem ser levadas em consideração quando
da especificação de capacitores. Entre as
capacitivas devem assegurar uma
condições desfavoráveis mais importantes,
boa circulação de ar em volta de destacam-se: ocorrência freqüente de
cada unidade, sendo esta períodos de alta umidade relativa,
particularidade importante aparecimento rápido de bolor, atmosfera
principalmente para as unidades corrosiva e ação de insetos.
montadas uma sobre as outras;
b) A temperatura dos capacitores 5.4.1.8 Corrente nominal
aumenta consideravelmente
quando submetidos à radiação de A corrente nominal (INC) de um
uma superfície à temperatura capacitor é o valor eficaz da corrente
elevada ou aos raios do sol. alternada que o capacitor pode conduzir por
um tempo indeterminado. Trata-se da
Para evitar um sobreaquecimento corrente para a qual o capacitor foi projetado.
excessivo, os capacitores devem ser Considerando a expressão 1.39 e a
instalados voltando a superfície menor da tabela 1.2, onde, para uma carga capacitiva,
caixa na direção do percurso do sol. temos cosϕ = 0 e senϕ = 1, obtemos a
Dependendo da temperatura do ar de expressão (5.38) para o cálculo da corrente
resfriamento, da intensidade do resfriamento nominal no capacitor:
e da intensidade da duração, será necessário
escolher-se uma das seguintes soluções 1000 × QC 1000 × Qc
INC = = (5.38)
prescritas na NBR 5060 (Guia para t × U × senϕ t ×U
instalação e operação de capacitores de
potência):
onde,

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 126


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INC = corrente nominal no capacitor, em introduzem não-linearidade nas condições do


ampère [A]; circuito), podendo chegar ao limite de
provocar o fenômeno da ressonância entre o
Qc = potência do capacitor, em
capacitor e o transformador. Por isso, é
kilovolt.ampère.reativo [kVAr];
recomendável o desligamento do banco de
U = tensão nominal, em volt [V]; capacitores no período de carga leve da
t = constante igual a 1 (um) para circuitos instalação.
monofásicos e √3 para circuitos trifásicos. Caso a corrente no capacitor ultrapasse
o valor máximo especificado na NBR 5282
EXEMPLO 5.11 Calcular a corrente de linha no módulo (dentro do limite de sobretensão de 10%), o
capacitivo trifásico do exemplo 5.8. harmônico predominante deve ser
determinado de maneira a se encontrar a
Solução: melhor solução. As seguintes soluções
devem ser levadas em consideração:

Qc = 7,5 kVAr; C = 411 μF; U = 220 V


a) Deslocar uma parte ou a totalidade
dos capacitores para outro ponto do
De (5.38), sistema;
b) Ligar uma reatância em série com o
1000 × 7,5
INC = = 19,7 A capacitor, a fim de baixar a
3 × 220
freqüência de ressonância do
circuito até um valor inferior àquele
5.4.1.9 Sobrecorrentes do harmônico perturbador;
c) Aumentar o valor da capacitância
Os capacitores podem suportar uma
quando o capacitor está instalado
sobrecarga admissível de até 135% da sua
próximo de cargas não-lineares
potência nominal, com tensão não superior a
(geradoras de harmônicos).
110% da sua tensão nominal, excluído os
transitórios e acrescida das eventuais Sobretudo nas situações da existência
tensões harmônicas a que são submetidas
de cargas não-lineares, a forma de onda da
as células capacitivas, como no caso de tensão e as características do circuito devem
instalação contendo cargas não-lineares ser determinadas antes e depois da
(retificadores, inversores, no-breaks etc). instalação do banco capacitores.
Os valores máximos de corrente estão É importante salientar que, quando os
estabelecidos na NBR 5282. Os capacitores capacitores são colocados em operação,
podem operar continuamente com no
podem ser produzidas sobrecorrentes
máximo 143% da sua corrente nominal, em transitórias de grande amplitude à alta
valor eficaz, com até 110% da sua tensão freqüência. Efeitos transitórios devem ser
nominal, à freqüência nominal, considerando esperados quando uma seção de banco de
as eventuais correntes harmônicas. As capacitores é colocada em paralelo com
correntes de sobrecarga podem ser
outras seções já energizadas. Pode ser
produzidas por uma tensão excessiva na necessário reduzir-se estas sobrecorrentes
freqüência nominal, ou por harmônicos ou transitórias a valores aceitáveis para os
por ambos. capacitores e equipamentos, colocando-se
Se a elevação de tensão no sistema em funcionamento os capacitores por meio
(principalmente nos períodos de baixa carga) de uma resistência (comutação por
é mantida com a operação dos capacitores, resistência) ou introduzirem-se reatâncias no
pode ocorrer uma saturação no núcleo do circuito de alimentação de cada seção do
transformador, resultando na formação de banco, conforme sugere a NBR 5060.
harmônicas (cargas magnéticas saturadas

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 127


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5.4.1.10 Perdas dielétricas 5.5 Manobra e proteção de


capacitores
Em virtude da corrente que flui no meio
dielétrico (isolante) do capacitor, existe a
ocorrência de perdas Joule, conforme Na maioria das situações, os
apresentado na tabela 5.10. capacitores ligados às redes elétricas de
baixa tensão são manobrados juntamente
com a carga na qual se corrige o fator de
potência (seção 4.2.1).
Por outro lado, a manobra também
Tabela 5.10 Perdas dielétricas (NBR 5282).
pode ser feita por estágios de grupos
Perdas Dielétricas capacitivos que compõem o banco, ligados
Dielétrico
(W/kVAr) de acordo com o comportamento da carga da
Papel Kraft 2,2 instalação, conforme os sistemas semi-
Papel Kraft e filme 1
automáticos e automáticos apresentados na
seção 4.2.2.
Filme 0,6
A interrupção da corrente em
capacitores de baixa tensão é segura e
A relação entre as perdas do capacitor simples. Por outro lado, a ligação de
e a sua potência reativa é conhecida por capacitores merece maior atenção por parte
tangente do ângulo de perdas (tg δ), do projetista.
conforme expressão 5.39 e apresentado na
De fato, o comportamento dos
figura 5.17.
capacitores é o contrário do comportamento
de cargas indutivas. No instante da ligação, o
Pr
Tgδ = (5.39) capacitor se apresenta como um curto-
QC circuito para a rede, exigindo desta forma
uma corrente elevada que é limitada apenas
pela impedância da própria rede.
onde,
Por outro lado, desligar-se um capacitor
Pr = Perdas Joule, em watt [W]; é nitidamente menos severo e mais fácil do
que desligar-se um motor de mesma
Qc = potência do capacitor, em
potência, uma vez que o capacitor (ao
kilovolt.ampère.reativo [kVAr].
contrário do motor – carga indutiva) não
procura manter a corrente que absorve.
Assim sendo, o desligamento de um
capacitor não apresenta normalmente a
formação de arco elétrico.
Perdas Joule ( W )

Nota-se, portanto, que os contatos das


chaves de manobra, ao ligar um capacitor ou
banco, são demasiadamente solicitados pela
ϕ corrente inicial, acarretando, como
conseqüência, a necessidade de
kVAr dimensionamento destas chaves para
correntes bem superiores à sua capacidade
nominal.
Figura 5.17 Diagrama vetorial de perdas no dielétrico.
A NBR 5060 prescreve que os
equipamentos de manobra, controle e
proteção (bem como as suas ligações)
devem ser projetados para suportar

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 128


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permanentemente uma corrente igual a 1,3 Qc = potência máxima trifásica do capacitor,


vezes a corrente dada para uma tensão em kilovolt.ampère.reativo [kVAr].
senoidal de valor eficaz igual à tensão
Un = Tensão nominal entre fases do motor,
nominal, na freqüência nominal.
em kV;
As tabelas 5.11 e 5.12 foram
In = corrente nominal do motor, em A;
desenvolvidas baseadas nos critérios de
dimensionamento descritos nas seções 5.5.1 A tabela 4.1 fornece especificamente a
e 5.5.2. potência máxima dos capacitores que devem
ser ligados aos motores de acordo com as
Uma situação bastante interessante é
respectivas potências nominais.
aquela referente à manobra de bancos
capacitores para compensar individualmente
motores de indução trifásicos, conforme EXEMPLO 5.12 Calcular, para um motor de 150 cv, IV
esquemas de ligação apresentados na seção pólos, 380 V/60 Hz, corrente nominal igual a 194,2 A, a
4.4. máxima potência que deve ter um banco de
capacitores monofásicos para correção do fator de
É economicamente importante potência. Considerar o esquema de ligação da fig.
seccionar simultaneamente o motor e o 4.10.
capacitor ou banco. Neste caso, a potência Solução:
do banco de capacitores deve ficar limitada a
Da expressão (5.40), temos:
90% da potência do motor em operação em
vazio. Em média, os motores trifásicos com QC ≤ 0,42 × Un × In
velocidade síncrona de 1.800 rpm
QC ≤ 0,42 × 0,38 × 194,2
apresentam uma corrente de cerca de 27%
da corrente nominal quando funcionam em QC ≤ 30,9kVAr
vazio. Desta forma, a potência máxima do
Observe que, ao aplicar-se a expressão (5.40),
banco de capacitores trifásicos pode ser considera-se o banco de capacitores como uma célula
dada aproximadamente pela expressão capacitiva trifásica. Para o cálculo da potência reativa
(5.40): das células capacitivas monofásicas, temos que:
30,9
QC = = 10,3kVAr
3
QC ≤ 0,42 × Un × In (5.40)

onde,

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 129


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Tabela 5.11 Características elétricas básicas em bancos trifásicos em baixa tensão (Divulgação: Induscon).
Tensão Potência reativa [kVAr] Corrente nominal [A]
Capacitância Fusível Disjuntor Cabo de
de linha 2
50Hz 60Hz [μF] 50Hz 60Hz [A] [A] ligação [mm ]
[V]
2,1 2,5 137,01 5,5 6,6 10 10 2,5
4,2 5,0 274,03 10,9 13,1 25 20 4
6,3 7,5 411,04 16,4 19,7 36 30 6
8,3 10,0 548,05 21,8 26,2 50 50 6
10,4 12,5 685,07 27,3 32,8 50 50 10
220
12,5 15,0 822,08 32,8 39,4 63 70 16
14,6 17,5 959,09 38,2 45,9 80 90 16
16,6 20,0 1096,12 43,7 52,5 100 100 25
18,7 22,5 1233,12 49,1 59,0 100 100 25
20,8 25,0 1370,14 54,6 65,6 125 125 35
2,1 2,5 45,92 3,2 3,8 10 10 1,5
4,2 5,0 91,85 6,3 7,6 16 15 2,5
6,3 7,5 137,77 9,5 11,4 25 20 2,5
8,3 10,0 183,70 12,7 15,2 25 30 4
10,4 12,5 229,62 15,8 19,0 36 30 4
12,5 15,0 275,55 19,6 22,8 36 40 6
14,6 17,5 321,47 22,2 26,6 50 50 6
380 16,6 20,0 367,39 25,3 30,4 50 50 10
18,7 22,5 413,32 28,5 34,2 50 60 10
20,8 25,0 459,24 31,7 38,0 63 70 16
25,0 30,0 551,09 38,0 45,6 80 90 16
29,2 35,0 642,94 44,3 53,2 100 100 25
33,3 40,0 734,79 50,6 60,8 100 100 25
37,7 45,0 826,64 57,0 68,4 125 125 35
41,6 50,0 918,48 63,3 76,0 125 125 35
2,1 2,5 34,25 2,7 3,3 10 10 1,5
4,2 5,0 68,51 5,5 6,6 10 10 2,5
6,3 7,5 102,76 8,2 9,8 16 20 2,5
8,3 10,0 137,01 10,9 13,1 25 30 4
10,4 12,5 171,26 13,7 16,4 25 30 4
12,5 15,0 205,52 16,4 19,7 36 30 4
14,6 17,5 239,77 19,2 23,0 36 40 6
440 16,6 20,0 274,03 21,8 26,2 50 50 6
18,7 22,5 308,28 24,6 29,5 50 50 10
20,8 25,0 342,53 27,3 32,8 50 50 10
25,0 30,0 411,04 32,8 39,4 63 70 16
29,2 35,0 479,54 38,2 45,9 80 90 25
33,3 40,0 548,05 43,7 52,5 125 100 25
37,7 45,0 616,56 49,1 59,0 100 100 35
41,6 50,0 685,07 54,6 65,6 125 125 35
2,1 2,5 28,78 2,5 3,0 10 10 2,5
4,2 5,0 57,56 5,0 6,0 10 10 4
6,3 7,5 86,34 7,5 9,0 16 20 2,5
8,3 10,0 115,13 10,0 12,0 25 20 4
10,4 12,5 143,91 12,5 15,0 36 30 4
12,5 15,0 172,69 15,0 18,0 36 30 4
14,6 17,5 201,47 17,5 21,0 36 40 6
480 16,6 20,0 230,26 20,1 24,1 50 50 6
18,7 22,5 259,04 22,6 27,1 50 50 6
20,8 25,0 287,82 25,1 30,1 50 50 10
25,0 30,0 345,39 30,1 36,1 63 70 10
29,2 35,0 402,95 35,1 42,1 80 70 16
33,3 40,0 460,52 40,1 48,1 80 90 16
37,7 45,0 518,08 45,1 54,1 100 100 25
41,6 50,0 575,65 50,1 60,1 100 100 25
Notas:
1. Fusíveis fornecidos no interior dos capacitores podem ter capacidade maior que as mostradas nesta tabela;
2. Esta tabela é correta para instalações em campo e reflete as recomendações dos fabricantes para proteção contra sobrecorrente
de acordo com padrões internacionais. Condições específicas de instalação, proceder conforme NBR 5410 e NBR 14039;
3. Pequenas variações podem ser encontradas na composição desta tabela entre os vários fabricantes.

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 130


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Tabela 5.12 Características elétricas básicas em bancos de capacitores monofásicos em baixa tensão (Divulgação:
Induscon).
Tensão Potência reativa [kVAr] Corrente nominal [A] Cabo de
Capacitância Fusível Disjuntor
de linha ligação
50 Hz 60 Hz [μF] 50 Hz 60 Hz [A] [A]
[V] [mm2]
2,1 2,5 137 9,5 11,4 20 20 1,5
2,5 3,0 165 11,4 13,6 25 25 1,5
4,2 5,0 274 19,1 22,7 36 40 6
5,0 6,0 329 22,7 27,3 50 50 10
220 6,3 7,5 411 28,6 34,1 63 60 16
8,3 10,0 548 37,7 45,5 80 70 25
10,0 12,0 657 45,5 54,5 100 90 35
12,5 15,0 822 56,8 68,2 125 125 35
16,6 20,0 1096 75,5 90,1 160 150 50
2,1 2,5 46 5,5 6,6 10 10 1,5
2,5 3,0 55 6,6 7,9 16 15 1,5
4,2 5,0 92 11,1 13,2 25 25 1,5
5,0 6,0 110 13,2 15,8 30 25 4
8,3 10,0 184 21,8 26,3 50 40 10
10,0 12,0 220 26,3 31,6 50 50 16
380
12,5 15,0 276 32,9 39,5 63 70 16
15,0 18,0 330 39,5 47,4 80 90 25
16,6 20,0 367 43,7 52,6 100 90 35
20,0 24,0 440 52,6 63,2 100 100 35
20,8 25,0 460 54,7 65,8 125 125 35
25,0 30,0 551 65,8 78,9 160 150 50
4,2 5,0 68 9,5 11,4 20 20 1,5
5,0 6,0 82 11,4 13,6 25 25 1,5
8,3 10,0 137 18,9 22,7 36 40 6
10,0 12,0 164 22,7 27,3 50 50 10
440
12,5 15,0 206 28,4 34,1 63 60 16
16,6 20,0 274 37,7 45,5 80 70 25
20,8 25,0 343 47,3 56,8 100 90 35
25,0 30,0 411 56,8 68,2 125 125 35
4,2 5,0 58 8,7 10,4 20 20 1,5
5,0 6,0 69 10,4 12,5 20 25 1,5
8,3 10,0 115 17,3 20,8 36 35 6
10,0 12,0 138 20,8 25,0 50 40 10
480
12,5 15,0 173 26,0 31,3 50 50 16
16,6 20,0 230 34,6 41,7 80 70 16
20,8 25,0 288 43,3 52,1 100 90 25
25,0 30,0 345 52,1 62,5 100 100 35
Notas:
1. Fusíveis fornecidos no interior dos capacitores podem ter capacidade maior que as mostradas nesta tabela;
2. Esta tabela é correta para instalações em campo e reflete as recomendações do fabricante para proteção contra sobrecorrente
de acordo com padrões internacionais. Condições específicas de instalação, proceder conforme NBR 5410 e NBR 14039;
3. Pequenas variações podem ser encontradas na composição desta tabela entre os vários fabricantes.

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 131


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INC = corrente nominal do capacitor, em


5.5.1 Dimensionamento de equipamentos ampère [A].
de manobra para bancos de
capacitores em baixa tensão
É importante observar que a corrente
O dimensionamento de equipamentos calculada através da expressão (5.41)
de manobra, tais como um contator representa um valor mínimo.
magnético ou uma chave seccionadora Apenas como referência, a norma
tripolar, segue as recomendações da norma americana NEC prescreve em 1,35 o fator
IEC 60831-1, aplicável a capacitores de multiplicador para cálculo da corrente de
baixa tensão (≤ 660 V). Ela estabelece que: projeto, contrapondo-se ao fator de 1,43
a) Os capacitores poderão suportar prescrito pela IEC, norma na qual se apóiam
uma sobrecarga de até 30%, isto é, que a as prescrições nacionais que tratam do tema,
corrente máxima do capacitor pode chegar a como a NBR 5060.
1,3 vezes a corrente nominal (sob tensão e O fator de sobrecorrente leva em conta
freqüências nominais); um limiar de 10% da tensão nominal. Outro
b) A tolerância quanto à capacitância ponto que deve ser levado em consideração
do capacitor é de -5 a +15% para unidades pelos projetistas no cálculo da corrente de
capacitivas e bancos até 100 kVAr, e de 0 a projeto para equipamentos de manobra é o
+10% para bancos superiores a 100 kVAr. efeito das harmônicas na instalação elétrica
(este “fenômeno” será tratado em detalhes
Nota: A NBR 5282, aplicada à capacitores no próximo capítulo, e está intimamente
instalados em sistema de tensão nominal acima de
1000 V, prescreve que a capacitância calculada do
relacionado a presença de componentes
banco de capacitores, obtida através das capacitâncias harmônicas nos sinais de tensão e corrente,
medidas das unidades capacitivas, deve estar entre os ou seja, outras freqüências diferentes da
seguires limites: -5% a +10% (para bancos de até 3 chamada “fundamental” – 60 Hz). De fato,
MVAr de potência nominal); 0% a +10% (para bancos observando a expressão (1.13), nota-se que
de enrte 3 MVAr e 30 MVAr de potência nominal); 0% a
+5% (para bancos acima de 30 MVAr de potência a reatância capacitiva é inversamente
nominal). proporcional à variação da freqüência
(quando “f” aumenta, “XC” diminui).
Face às considerações acima, a
A suportabilidade de sobrecarga do
corrente de projeto IP que constitui o ponto
capacitor em 30% na IEC 60831-1 leva em
de partida para o dimensionamento dos
conta as harmônicas que possam por
equipamentos de manobra, será calculada
ventura circular no capacitor. Entretanto, até
considerando a sobrecarga admissível de
o limite de 30%. Obviamente, se o nível de
30% e que a tolerância máxima praticada
distorção harmônica na instalação for
pelos fabricantes no Brasil, em qualquer caso
elevado, o projetista deve atentar-se para
(baixa e alta tensão), é de + 10% (apesar da
que a corrente que circula nos capacitores
IEC 60831-1 admitir até + 15%), conforme
não ultrapasse os 1,3 x INC admissíveis. Caso
apresentado na expressão (5.41):
contrário, deverão ser adotadas soluções
como sobredimensionamento dos
IPman ≥ 1,3 × 1,1 × INC ≥ 1,43 × INC (5.41) capacitores ou filtros de absorção
sintonizados nos harmônicos principais
Onde, presentes na instalação.
IPman = corrente de projeto para A tabela 5.13 apresenta um exemplo de
equipamentos de manobra, em ampère [A]; contatores a serem utilizados com
capacitores de baixa tensão. É importante
salientar que, quando consultar os catálogos

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 132


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dos fabricantes para seleção do contator, 5.5.2 Dimensionamento de dispositivos


observar o tipo de contator adequado para a de proteção para banco de
manobra de carga capacitiva (existem capacitores em baixa tensão
contatores específicos para cargas
predominantemente resistivas, indutivas e As perturbações mais comuns a que os
capacitivas). capacitores podem ser submetidos são
basicamente de dois tipos: sobretensões e
curtos-circuitos. Estas perturbações podem
Tabela 5.13 Contatores para capacitores (Divulgação: ser de origem externa ou provocadas pelo
Siemens). próprio equipamento, necessitando, desta
forma, que sejam instalados elementos de
Contator corrente Potência do capacitor (kVAr)
proteção para evitar ou limitar danos às
Tipo (A) 220 V 380 V 440 V células capacitivas.
3TF43 22 3 5 5
3TF44 35 5 10 10 5.5.2.1 Proteção contra sobretensão
3TF45 45 12,5 20 25
3TF49 85 20 30 40
Os surtos de tensão ou sobretensões
transitórias a que estão frequentemente
3TF50 110 25 40 50
submetidos os capacitores devem ser
3TF52 170 40 60 80 protegidos, usualmente, através de pára-
3TF54 250 60 100 120 raios a resistor não linear. A proteção dos
3TF56 400 90 160 180 capacitores contra estes surtos é
3TF57 475 130 240 260 normalmente prevista em função das
3TF69 700 200 340 400
descargas atmosféricas, que geram ondas
eletromagnéticas de impulso ao longo das
linhas aéreas (transmissão e distribuição) até
EXEMPLO 5.13 Dimensionar o dispositivo de manobra atingir as subestações consumidoras.
(contator) para uma célula capacitiva trifásica, ligada a
um ramal de um motor de 50 cv, 380 V, 60 Hz, 1200 Deve ser observado o nível de
rpm. sobretensão que pode aparecer entre as
fases não afetadas durante um defeito fase à
terra, a fim de se proceder corretamente ao
Solução:
dimensionamento dos pára-raios contra
surtos de tensão, seja qual for a configuração
A tabela 4.1 fornece-nos, para 50 HP (1 HP = do banco de capacitores.
1,013 cv) e 1200 rpm, uma potência reativa do
capacitor igual a 20 kVAr. A fim de se evitar que a energia
armazenada nos capacitores danifique os
A corrente será dada pela expressão (5.38):
pára-raios durante as manobras do disjuntor,
1000 × QC 20.000VAr
principalmente em capacitores de potência
INC = = = 30,4 A elevada, deve-se localizar os pára-raios no
3 × UN 3 × 380V
lado dos terminais de alimentação do
De (5.41), temos:
disjuntor.
É importante observar que, se o banco
IPman ≥ 1,43 × INC de capacitores está ligado na configuração
IPman ≥ 1,43 × 30,4 ≥ 43,5 A
estrela aterrada, fica praticamente
assegurada sua autoproteção contra surtos
Pela tabela 5.13, obtemos o contator de corrente de tensão decorrentes da redução da frente
nominal igual a 45 A (3TF45), cuja capacidade de de onda. Para a configuração de banco
condução de corrente é superior a corrente mínima
calculada (43,5 A).
isolado da terra, é compulsória a instalação
de pára-raios. De qualquer forma, a boa

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 133


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prática da engenharia aliada a motivos de Para unidades em alta tensão, devem-


segurança, orienta, em ambos os casos, a se utilizar elos fusíveis ou fusíveis de alta
utilização de pára-raios. capacidade de ruptura.
É importante salientar que o fusível
5.5.2.2 Proteção contra sobrecorrentes deve atuar no tempo inferior ao valor máximo
admitido para a caixa metálica do capacitor
(limite de coordenação), seja para a
a) Fusíveis aplicação individual ou em grupo. Quando o
fusível não interrompe a corrente de curto
A proteção de capacitores de baixa dentro deste limite de tempo, a ruptura da
tensão basicamente é feita por fusíveis do caixa pode resultar em vazamento do líquido
tipo NH (ou diazed), de característica isolante ou, em casos mais graves, na
retardada. Preferencialmente, as células explosão da célula capacitiva, ocasionando
capacitivas devem ser protegidas graves riscos a vida e danos ao patrimônio.
individualmente. Porém, no caso de querer Como já apresentado, ocorre uma
aplicar fusíveis para proteção em grupo, não sobretensão nas células remanescentes de
devem ser utilizadas mais do que três um grupo quando um ou mais capacitores
capacitores em paralelo, protegidos pelo ligados em paralelo, componentes deste
mesmo fusível. grupo, são eliminados pela atuação de seus
A expressão (5.42) permite obter a respectivos fusíveis de proteção.
corrente de projeto para dimensionamento do A proteção deve permitir que o banco
fusível, a fim de permitir a passagem em continue em operação desde que esta
regime contínuo de até 165% da corrente sobretensão não ultrapasse 10% da tensão
nominal do capacitor. nominal e a corrente circulante também não
ultrapasse os mesmos 10% em relação à
I Pf ≥ 1,65 × INC (5.42) corrente nominal do capacitor. Este
desequilíbrio do banco proporciona a
circulação de corrente de neutro quando o
Onde, arranjo é em estrela aterrada.
IPf = corrente de projeto do fusível, em
ampère [A]; b) Disjuntores
INC = corrente nominal do capacitor, em
ampère [A]. Os disjuntores para proteção e
manobra dos capacitores deverão ser
trifásicos e possuir capacidade de
A fim de evitar a ruptura da caixa interrupção adequada, devendo ser
metálica da unidade capacitiva (o que dimensionados para permitir, em regime
ocasiona a formação de gases, devido a sua contínuo, a passagem de até 165% da
queima), a boa técnica recomenda que cada corrente nominal do capacitor, conforme
capacitor de um banco seja protegido expressão (5.43).
individualmente contra correntes de curto-
circuito interno. O valor desta corrente é
função do tipo de configuração do banco. As I Pd ≥ 1,65 × INC (5.43)
tabelas 5.11 e 5.12 fornecem o valor do
fusível de proteção para unidades Onde,
capacitivas de baixa tensão, bem como o
IPd = corrente de projeto do disjuntor, em
condutor necessário para ligar o capacitor ao
ampère [A];
sistema.

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 134


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INC = corrente nominal do capacitor, em 5.14 apresenta os valores para os resistores


ampère [A]. usualmente recomendados pelos fabricantes.

R S T

Os valores de corrente nominal dos


disjuntores apresentados nas tabelas 5.11 e
5.12 apresentam proteção para os
condutores indicados nas mesmas tabelas.
Caso o projetista utilize valores de seção C2 C1
nominal diferente dos indicados, deve-se
efetuar o dimensionamento dos disjuntores
conforme estabelece a NBR-5410, no caso resistores

da instalação dos capacitores em sistemas


de baixa tensão (até 1 kV) e NBR 14039 em
sistemas de alta tensão (até 36,2 kV).
b
A regra geral de proteção contra C2

sobrecargas para o dimensionamento de C2 C1

disjuntores estabelece que a corrente C1 = contator principal para manutenção do


nominal IN do disjuntor (ou corrente de ajuste, capacitor ligado e desligamento do capacitor
C2 = contator para ligamento do capacitor
para disjuntores com disparador de
sobrecarga ajustável) deve ser maior ou igual
a corrente de projeto do circuito (neste caso, Figura 5.18 Esquema de ligação de contatores para
manobra de capacitores com potências superiores a 15
IPd) e menor ou igual a capacidade de kVAr em 220 V e 25 kVAr em 380/440 V.
condução de corrente dos condutores, nas
condições previstas para sua instalação.
Para a proteção contra curto-circuito, a
capacidade de interrupção do disjuntor deve
ser maior ou igual à corrente de curto-circuito Tabela 5.14 Dimensionamento de contatores para
presumida Ik no ponto de instalação. Além manobra de capacitores com potências superiores a 15
disso, devem atuar em um tempo kVAr em 220 V e 25 kVAr em 380/440 V (divulgação
WEG).
suficientemente rápido para que os
componentes do circuito não sejam Tensão kVAr Contator AC-6B
(V) máx. C1 C2 Resistor
danificados por superaquecimento.
17,5 CWM50 CWM9
3x1Ω/25W
25 CWM65 CWM12
c) Proteção contra correntes de surto 30 CWM80 CWM18
3x1Ω/60W
220 35 CWM105 CWM18
60 CW177 CWM32 3x0,56Ω/160W
Em bancos automáticos com estágios 85 CW247 CWM32 3x0,33Ω/160W
de potência superior a 15 kVAr em 220 V e 115 CW330 CWM32 3x0,33Ω/200W
25 kVAr em 380/440 V, deve ser utilizado 30 CWM50 CWM9 3x1,8Ω/20W
40 CWM80 CWM18 3x1,5Ω/30W
sempre em série com os capacitores, um 380 50 CWM95 CWM25
dispositivo de proteção contra o surto de 60 CWM105 CWM25
3x1Ω/75W
corrente que surge no momento em que se 100 CW177 CWM32 3x0,56Ω/100W
energiza capacitores. 35 CWM50 CWM18 3x1,5Ω/30W
45 CWM65 CWM25
A proteção contra surto pode ser feita 3x1Ω/75W
440 50 CWM80 CWM25
através da associação de contatores 75 CWM105 CWM32
3x0,56Ω/100W
convencionais mais os resistores de pré- 100 CW177 CWM32
carga (normalmente não fornecidos com os
contatores), conforme figura 5.18. A tabela

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 135


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A proteção contra surto pode também XL = reatância indutiva (com indutância Lc),
ser feita através de contator convencional em em ohm [Ω];
série com indutores de pré-carga (anti-surto)
feitos com os próprios cabos de força que XC = reatância capacitiva, em ohm [Ω].
alimentam os capacitores. No caso de se
optar pelo uso de indutores, o contator
Se Is1 ≥ Is2, o capacitor estará
convencional deve ser especificado para
devidamente protegido. Caso contrário, deve
regime de operação AC-6b, desenvolvido
ser calculada a indutância necessária para
especialmente para a manobra de
Is1, conforme expressão (5.47):
capacitores (especificação técnica conforme
IEC 60947-4 e VDE 0660).
2
O cálculo da indutância anti-surto pode ⎡ 2 ×U ⎤
ser feito através da expressão (5.44): L =C×⎢ ⎥ (5.47)
⎣ 3 × IS1 ⎦

⎡⎛
LC = 0,2 × l × ⎢⎜ 2,303× log
(4 × l ) ⎞ − 0,75⎤ Onde,
⎟ ⎥ (5.44)
⎣⎝ d ⎠ ⎦
L = indutância, em microhenry [μH];
Onde,
Para confecção do indutor L de N
LC = indutância do cabo, em microhenry [μH];
espiras, utiliza-se a expressão (5.48):
l = comprimento do condutor, em metros
[m]; Li × d
N= (5.48)
d = diâmetro do condutor, em metros [m]. 2
⎛ S ⎞
3,142 ×10−7 × ⎜⎜ D − d − 2 × ⎟
As correntes de surto nominal (Is1) e ⎝ 3,14 ⎟⎠
real (Is2) são calculadas através das
expressões (5.45) e (5.46): Onde,

IS1 = 100 × IN (5.45) Li = indutância do indutor, em microhenry


[μH];
Onde, d = diâmetro externo do condutor, em metros
[m];
Is1 = corrente de surto nominal, em ampère
[A]; S = seção externa do condutor, em metros
quadrados [m2];
IN = corrente nominal, em ampère [A].
D = diâmetro interno do indutor (desejável no
mínimo 0,075m ou 75 mm), em metros [m].

U× 2
IS 2 = (5.46) Em função do descarregamento de
3 × XL × XC toda a energia armazenada em cada célula
capacitiva no ponto em curto-circuito, quando
ocorre um defeito no sistema ao qual está
ligado um banco de capacitores, a corrente
Onde, resultante (contribuição dos capacitores mais
a do sistema) percorre toda a rede desde o
Is2 = corrente de surto real, em ampère [A]; ponto de instalação do referido banco até o
U = tensão, em volt [V]; ponto onde se localiza a falta. A corrente de

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 136


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contribuição dos capacitores é dada pela (Xp – também chamada de “reatância própria”) e
2
expressão (5.49), que é uma outra maneira capacitiva (Xc) para o cabo de 95 mm , para
condutores de cobre com isolação em PVC e
de apresentar a expressão (5.46): isolamento para 8,7/15 kV):
Xp = 0,1599 mΩ/m = 0,1599 Ω/mm
I c = 0,816 × Uf × C / L (5.49) Xp = 11.167 mΩ.m =11.167 mΩ.m

Onde,
De (1.10), considerando-se um comprimento “D”
Ic = corrente de contribuição, valor de crista para o cabo igual a 130 m:
[kA]; Xp × D 0,1599 × (130 1000 )
L= = = 5,51 × 10 −5 H
Uf = tensão entre fases do sistema, em 2πf 2π × 60
kilovolt [kV]; De (1.13), considerando-se um comprimento “D”
para o cabo igual a 130 m, calcula-se a capacitância do
C = capacitância do banco acrescida a do cabo:
sistema, em farad [F];
1× D 1 × (130 1000 )
C= = = 3,01 × 10 −8 F
L – indutância entre o ponto de instalação 2πf × Xc 2π × 60 × 11.167
dos capacitores e o ponto de defeito, em
De (5.36), calcula-se a capacitância do capacitor
henry [H]. de correção do FP:
1000 × QC 1000 × 1.500
C= = = 22,84μF
EXEMPLO 5.14 Para a indústria apresentada na figura 2 × π × f × UN 2 2 × π × 60 × 13,2 2
19, calcular a corrente de contribuição de um banco C = 22,84 × 10 −6 F
capacitivo de 1.500 kVAr, em um sistema de 13,2 kV,
durante um defeito identificado no ponto de falta. De (5.9), a capacitância paralela vale
(capacitância do condutor e capacitância do capacitor
de correção do FP):

Rede aérea
( ) (
C p = C s + C c = 3,01 × 10 −8 + 22,84 × 10 −6 )
(
C p = 3,01 × 10 −8
) + (2.284 × 10 ) = 2.287 × 10
−8 −8

Medição
Observe que, na prática, pode até ser
Distribuição desprezada a capacitância do cabo (ela é mais de 700
vezes menor que a capacitância do capacitor de
13,2 kV
correção!).

Falta
Finalmente, de (5.49), tem-se:
1.500 kVAr 130 m – 95 mm
2
a I c = 0,816 × Uf × C / L

I c = 0,816 × 13,2 × 2.287 × 10 −8 / 5,51 × 10 −5


Setor A Setor B
I c = 6,9kA

Figura 5.19 Representação da instalação industrial. Nota: o valor da capacitância do cabo pode ser
calculada pela expressão (5.50), através da qual se
calcula a reatância capacitiva do condutor:
Solução:

Pela figura 5.19, o ponto de falta no cabo de 95 0,0566 × ε (5.50)


mm2 (alimentador do setor B – cabos unipolares) está a C=
130 m do ponto de instalação do banco de capacitores. ⎛ Dsi ⎞
ln ⎜⎜ ⎟⎟
Através do catálogo de fabricantes de ⎝ c 2 × Ebi
D + ⎠
condutores (tabela de parâmetros elétricos dos cabos
de energia isolados), obtêm-se as reatâncias indutiva Onde,

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 137


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C = capacitância do cabo, em μF/km; possam atender às particularidades de


ε = constante dielétrica da isolação (PVC = 5; XLPE = abertura de correntes capacitivas com
2,3; EPR = 2,6); bom desempenho.
Dsi = diâmetro sobre a isolação (= Dc + 2 x Ei + 2 x Ebi),
em milímetros [mm]; 5.5.3.1 Elementos fusíveis
Ei = expessura da isolação, em milímetros [mm];
Dc = diâmetro do condutor, em milímetros [mm]; Quando o nível da corrente de curto-
circuito for compatível com a capacidade de
Ebi = expessura da blindagem interna das fitas
ruptura do dispositivo, podem ser utilizados
semicondutoras (valor, em geral, encontrado na
prática, igual a 0,80 mm), em milímetros [mm]; elos fusíveis.

Tabela 5.15 Fusíveis para ligação individual em


capacitores de alta tensão (Divulgação: Induscon).
5.5.3 Dimensionamento de dispositivos
de manobra e proteção para banco Tensão
kVAr
Tipo de ligação
de capacitores em alta tensão (V) Y Δ ou Y Y aterrado
25 10K 12K 12K
50 20K 20K 25K
Na maior parte das situações, a 2.200
100 40K 40K 50K
proteção de um banco de capacitores é feita 200 80K 80K 100K
por elementos fusíveis ou relés de 25 10K 10K 12K
sobrecorrente (ligados a transformadores de 2.400
50 20K 20K 25K
corrente que atuam sobre disjuntores). 100 40K 40K 50K
200 80K 80K 100K
Dentre os equipamentos de manobra, 25 6K 6K 8K
os mais indicados para operação de 3.800
50 12K 12K 15K
capacitores são: 100 25K 25K 30K
200 50K 50K 65K
25 5K 5K 6K
a) Disjuntores a SF6 6.640
50 8K 8K 8K
100 15K 15K 15K
Este tipo de disjuntor praticamente não 200 30K 30K 30K
25 5H 5H 5H
permite a reignição do arco no seu 50 6K 6K 8K
interior, devido a utilização de uma 7.620
100 12K 12K 15K
câmara de interrupção a gás 200 25K 25K 30K
hexafluoreto de enxofre (SF6). Mesmo 25 5H 5H 5H
na pouco provável situação de ocorrer 50 6K 6K 8K
7.960
a reignição do arco, o gás tem a 100 12K 12K 15K
200 25K 25K 30K
capacidade de absorver a energia 25 3H 3H 3H
gerada pelo mesmo, evitando que o 50 5H 5H 5H
disjuntor seja danificado. 12.700
100 8K 8K 8K
200 15K 15K 15K
25 3H 3H 3H
b) Disjuntores a vácuo 50 5H 5H 6K
13.200
100 8K 8K 8K
São dispositivos também muito eficazes 200 15K 15K 15K
na operação de capacitores, com 25 3H 3H 3H
grande capacidade de interrupção de 50 5H 5H 5H
13.800
100 6K 8K 8K
correntes capacitivas.
200 15K 15K 15K
25 2H 3H 3H
c) Disjuntores a óleo 50 5H 5H 5H
14.400
100 6K 6K 8K
200 12K 15K 15K
Devem ser especificados com
determinadas características que

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 138


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Tabela 5.16 Fusíveis para ligação de bancos de If = corrente mínima do elo fusível, em
capacitores de alta tensão (Divulgação: Induscon). ampère [A];
Tipo de ligação
kVAr
6,6 kV - Δ 11,4 kV – Y 13,2 kV - Y
In = corrente nominal do banco de
150 12K 8K 8K capacitores, em ampère [A].
225 20K 12K 12K
300 25K 15K 15K
5.5.3.2 Proteção por relé de sobrecorrente
450 40K 25K 20K
6001 50K 30K 30K
9001 --- 50K 40K A melhor performance no que diz
1.2002 --- 65K 65K respeito a proteção de banco de capacitores
1.8002 --- --- 80K
3
é encontrada quando da utilização de relés
Notas: de proteção contra sobrecorrentes. Os relés
1- Somente com unidades de 100 kVAr;
de sobrecorrente atuam para correntes de
2- Somente com unidades de 200 kVAr; sobrecarga e curto-circuito, podendo ser
3- Não se recomenda o banco com fusíveis de grupo. instantâneos (função 50 – Tabela ASA) ou
temporizados (função 51 – Tabela ASA).
Devem ser ligados a transformadores de
O dimensionamento do elo fusível de corrente (para reduzir a intensidade do sinal
proteção é função da corrente de fase em de corrente) e interligados para atuar sobre a
serviço contínuo, ressaltando-se que não bobina de disjuntores, os quais atuam sobre
deve atuar durante os transitórios de todo o banco.
descarga ou de energização do banco de Os relés de sobrecorrente devem ser
capacitores. O seguinte critério deve ser ajustados para atuar em 30% da corrente
adotado para o dimensionamento: nominal do capacitor:
a) bancos com neutro aterrado
I a = 1,30 × I n (5.53)

I f = 1,35 × I n (5.51)
Onde,
Onde, Ia = corrente de atuação do relé, em ampère
If = corrente mínima do elo fusível, em [A];
ampère [A]; In = corrente nominal do banco de
In = corrente nominal do banco de capacitores, em ampère [A].
capacitores, em ampère [A].

b) bancos com neutro isolado ou ligados em


triângulo 5.5.4 Dimensionamento de condutores

Nesta situação é importante observar que a Os condutores de ligação do capacitor


corrente do elo fusível da fase sob falta é deverão ter capacidade para, no mínimo,
limitada pela impedância das fases não 143% da corrente nominal do capacitor (NBR
atingidas. 5060), conforme expressão (5.54), além de
levar em conta outros critérios de projeto, tais
como: maneira de instalar, temperatura
I f = 1,25 × I n (5.52) ambiente, agrupamento de circuitos,
distorções harmônicas, etc.

Onde,
IP ≥ 1,43 × INC (5.54)

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 139


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Onde, Pode-se confirmar, pela tabela 5.11 (380V e 20


kVAr), que a corrente é exatamente a calculada (30,4
IP = corrente de projeto, em ampère [A]; A). Devemos utilizar fusível de 50 A e condutor de 10
2
mm .
INC = corrente nominal do capacitor, em
ampère [A]. Obs: assumimos, neste exemplo, que estão presentes
as condições impostas para utilização da referida
tabela.
É importante observar que a seção
nominal indicada nas tabelas 5.11 e 5.12
foram calculas considerando-se fatores de EXEMPLO 5.11 A conta de energia elétrica de uma
correção unitários para a capacidade de indústria revelou o consumo de 42.000 kWh e indicou
condução de corrente do condutor, ou seja, um fator de potência de 0,82. A alimentação em baixa
apenas o circuito de alimentação do tensão é de 380 V entre fases. A frequência da
corrente é 60 Hz. Determinar os capacitores, fusível e
capacitor está presente no conduto elétrico cabo que deverão ser instalados no barramento de
(não há agrupamento de circuitos), a baixa tensão, a fim de se conseguir melhorar o fator de
temperatura ambiente é igual a 30° C e a potência para 0,92. A indústria trabalha 250 horas por
interferência harmônica é desprezível. mês.

Para situações de instalação diferentes


das citadas acima, não devem ser utilizados Solução:
os dados de seção nominal indicados nas
tabelas 5.11 e 5.12, devendo o projetista
a) Consumo médio horário:
efetuar o dimensionamento dos condutores
conforme prescrições da NBR-5410, no caso 42.000 kWh
da instalação dos capacitores em sistemas P= = 168kW
250 h
de baixa tensão (até 1 kV) e NBR 14039 em
sistemas de alta tensão (até 36,2 kV). b) Entrando na tabela 3.2, com cosϕ1 = 0,82 e cosϕ2 =
0,92, obtemos o multiplicador 0,27.
No caso de capacitores para
compensação individual de motores, se não Aplicando a expressão 3.2, temos:
for utilizada proteção independente para o
QC = P × Δtg = 168kW × 0,27 = 45,69kVAr
capacitor, os condutores do ramal do
capacitor não deverão ter capacidade inferior
Na tabela 5.11, observamos que existe um capacitor de
a 1/3 do limite de condução de corrente dos 50 kVAr (380 V), com fusível de 125 A e cabo de
condutores do ramal do motor. 2
ligação de seção nominal 35 mm .

EXEMPLO 5.15 Dimensionar os dispositivos de 5.6 Inspeção, ensaios e manutenção


manobra, proteção e os condutores para uma célula de capacitores
capacitiva trifásica, ligada a um ramal de um motor de
50 cv, 380 V, 60 Hz, 1200 rpm.

Solução:
5.6.1 Ensaios de capacitores

Depois de concluído o protótipo das


A tabela 4.1 fornece-nos, para 50 HP (1 HP = células capacitivas a serem comercializadas,
1,013 cv) e 1200 rpm, uma potência reativa do o fabricante fica responsável pela realização
capacitor igual a 20 kVAr. dos ensaios nas condições previstas pela
A corrente será dada pela expressão (5.38): NBR 5282 (Capacitores de Potência –
Especificação) e NBR 5289 (Capacitores de
1000 × QC 20.000VAr Potência – Método de Ensaio). São previstos
INC = = = 30,4 A
3 × UN 3 × 380V três tipos de ensaios:

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 140


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ƒ Ensaios de rotina; capacitores (isoladores suportes, chaves,


fusíveis externos etc) deverão ser realizados
ƒ Ensaios de tipo;
de acordo com as condições estabelecidas
ƒ Ensaios de recebimento. nas respectivas Especificações Técnicas.

Os ensaios devem ser feitos para se Os ensaios de rotina a serem


verificar se os produtos atendem as normas executados são os seguintes:
técnicas pertinentes e proporcionar garantia
ao cliente de que ele está adquirindo a) Medição de capacitância e potência
produtos fabricados de acordo com as
mesmas. Caso contrário, os prejuízos Destina-se a comprovar os dados de
poderão ser enormes, pois, além dos custos placa quanto à capacitância e à
de aquisição, haverão prejuízos relacionados potência nominal que é capaz de ser
ao correto funcionamento do equipamento, fornecida pelo equipamento.
podendo, inclusive, colocar vidas humanas A capacitância pode ser ensaiada
em risco. satisfatoriamente pela medida da
O laboratório de ensaios de tipo e rotina corrente durante a aplicação de tensão
deve ser certificado por um Instituto e freqüência conhecidas (de
independente e de reconhecida capacidade e preferência nominais), de boa forma de
reputação. onda, não distorcida por dispositivos de
controle de tensão. A capacitância deve
O fornecedor do equipamento (por
ser medida estando o capacitor
exemplo, do capacitor) deve sempre
submetido a uma tensão entre 0,9 vez
apresentar certificado de ensaios de tipo,
e 1,1 vez a tensão nominal,
conforme as Normas ABNT, IEC ou ANSI.
empregando-se um método que elimine
Deve-se, também, apresentar certificados de
os erros de medição devido aos
ensaios de rotina para cada unidade do lote
harmônicos.
adquirido. Estes certificados devem
identificar o tipo de equipamento, seu Esta medição de capacitância deve ser
número de série e a relação de ensaios executada após os ensaios de tensão
efetuados. Estes 2 ensaios devem ser feitos aplicada.
em laboratórios certificados. O ensaio da capacitância também
indica capacitores abertos e em curto-
5.6.1.1 Ensaios de rotina circuito. Os valores devem estar de
acordo com a NBR 5282 e com a placa
Ensaios de rotina são aqueles que de identificação.
devem ser aplicados a todas as células de
produção para assegurar a qualidade de
b) Medição da tangente do ângulo de
fabricação do equipamento. São realizados
perdas (fator de perdas)
pelo fabricante em sua fábrica, cabendo ao
comprador o direito de designar um inspetor Ensaio destinado a determinar as
para assisti-los. O fabricante deve fornecer perdas internas da célula capacitiva. O
os relatórios dos ensaios realizados. fator de perdas dielétricas deve ser
Todas as unidades que não alcançarem medido estando o capacitor submetido
os requisitos especificados deverão ser a uma tensão entre 0,9 vez e 1,1 vez a
rejeitadas. Se o total de unidades defeituosas tensão nominal, empregando-se um
for superior a 5% do lote, é conveniente que método que elimine os erros de
o mesmo seja rejeitado por inteiro. medição devido aos harmônicos. A
precisão do método de medição e a
Os ensaios relativos aos demais
correlação com os valores medidos
equipamentos componentes do banco de

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 141


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com tensão e freqüência nominais capacitor poderá ser danificado se


devem ser fornecidas. descarregado pela colocação em
curto-circuito dos terminais, antes
c) Tensão suportável nominal entre de decorrido um minuto da retirada
terminais e caixa do potencial de ensaio). A corrente
de carga não poderá também
A verificação de capacitores novos, exceder 1 A. Isto pode ser obtido
antes da entrada em funcionamento, colocando-se em série com o
pode ser feira através de ensaios de capacitor um resistor de resistência
tensão aplicada para verificação em ohms, numericamente igual ou
apenas do dielétrico e isolação contra a maior do que a tensão de ensaio,
caixa. em volts. Um resistor de 50 W é
satisfatório. Resistor similar, de
As unidades capacitivas que possuem 50.000 Ω ou 100.000 Ω, deve ser
todos os terminais isolados devem ligado aos terminais do capacitor
suportar durante 10 s uma tensão para descarregá-lo, após a remoção
contínua de 4,3 x U0 e uma tensão da tensão de ensaio;
alternada senoidal de 2,15 x U0,
conforme estabelece a NBR 5282. U0 é ƒ A tensão de ensaio dos terminais
o valor da tensão eficaz entre os curto-circuitados para a caixa,
terminais que produz o mesmo esforço quando for necessário fazer o
dielétrico nos elementos do capacitor ensaio de campo em tensão
que a tensão nominal em contínua, deve ser a indicada na
funcionamento normal. Durante o tabela 5.17.
ensaio, nenhuma perfuração ou
descarga deve ocorrer. Tabela 5.17 Tensão de ensaio de campo (Fonte: NBR
5060).
Dicas:
Tensão nominal do Tensão de ensaio de
ƒ A tensão aplicada entre os terminais capacitor (terminal a campo terminais à caixa
não deve ser aplicada de uma só terminal) corrente contínua
(V) (V)
vez se o ensaio for realizado em
15.000 (7.500 para
tensão alternada; 216 a 1.999
capacitores não expostos)
ƒ Deve-se aumentar a tensão 1.200 a 5.000 28.500
continuamente até atingir o valor da 5.001 a 15.000 39.000
tensão de ensaio ou então aplicar
uma tensão não superior a tensão
d) Ensaio de vazamento
nominal do capacitor e então,
(estanqueidade)
levantar continuamente a tensão
até o valor da tensão de ensaio; Destina-se a comprovar, sob
ƒ Para se desligar o capacitor, a determinadas condições, a
tensão deverá ser abaixada possibilidade de vazamento do líquido
continuamente até a tensão nominal impregnante.
do capacitor ou abaixo, antes da Pode ser feito limpando completamente
abertura do circuito; a caixa, aquecendo o capacitor durante
ƒ Se o ensaio for realizado em tensão pelo menos 6 h em estufa, e colocando-
contínua, a duração total, inclusive o horizontalmente sobre um papel
o tempo necessário para carregar o limpo, com o ponto de suspeita de
capacitor, não deve exceder um vazamento para baixo. A temperatura
minuto, para não sobrecarregar o da caixa não deve exceder 100°C.
dispositivo interno de descarga (o

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 142


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e) Ensaio do dispositivo interno de protótipo poderão ser dispensados, se o


descarga comprador assim o desejar. Se solicitado, o
fabricante deverá fornecer cópia autenticada
Destina-se para comprovar que a dos resultados dos ensaios dos respectivos
resistência ôhmica do dispositivo protótipos.
interno de descarga, durante 1 minuto
Os ensaios de protótipo deverão ser
para capacitores de até 660 V e 5
realizados conforme especificados na NBR
minutos para capacitores de tensão
5282 e NBR 5289.
nominal superior a 660 V após o
desligamento do capacitor, proporciona Caso as amostras submetidas aos
uma tensão residual nos terminais da ensaios de protótipo deixem de alcançar os
célula capacitiva não superior a 50 Vcc. requisitos especificados, o projeto deverá ser
rejeitado, não se admitindo contraprova.
Neste ensaio, o capacitor deve ser
energizado em até 2 vezes Un em A eventual dispensa de qualquer ensaio
corrente contínua para em seguida ser pelo comprador só será válida se feita por
desligado da fonte. escrito. Os ensaios de tipo são os seguintes:
A NBR 5282 prescreve também o
ensaio de medição da resistência a) Todos os ensaios de rotina
ôhmica do dispositivo interno de relacionados
descarga propriamente dita, a qual
deve estar dentro do limite máximo
permitido. b) Ensaio de estabilidade térmica

Este ensaio destina-se a assegurar a


5.6.1.2 Ensaios de tipo estabilidade térmica do capacitor nas
condições de sobrecarga prolongada,
Os ensaios de tipo (também chamados ou seja, verificar se o capacitor é
de ensaios de protótipo) são aqueles termicamente estável. Para isso, o
destinados a comprovar a qualidade do capacitor é levado para o interior de
projeto do equipamento e confirmar o uma estufa (sem circulação de ar, na
atendimento às características específicas da posição vertical), cuja temperatura é
unidade capacitiva, bem como às exigências mantida controlada em função da
normativas. São de responsabilidade do categoria de temperatura do
fabricante. equipamento, valor este que pode
Os ensaios de protótipos deverão ser variar entre 29 a 48°C.
executados em pelo menos 5% (cinco por
cento) dos capacitores comprados. Salvo c) Ensaio de tensão aplicada
especificação em contrário, cada amostra de
capacitores a ser submetida aos ensaios de É o mesmo aplicado no ensaio de
tipo deve antes satisfazer a todos os ensaios rotina, variando-se apenas a sua
de rotina. duração.
No caso do fabricante já ter projetado e d) Ensaio de impulso atmosférico
fabricado anteriormente unidades capacitivas
ou componentes do banco de capacitores Este ensaio deve comprovar a
com características iguais às especificadas capacidade de isolamento do
na encomenda (ou seja, de projeto idêntico equipamento quando submetido a uma
ou de projeto que não difira do encomendado onda de impulso de tensão na forma de
sob nenhum aspecto que possa influenciar 1,2 x 50 μs, de acordo com a NBR
as propriedades a serem verificadas pelo 6936.
ensaio de tipo), os ensaios aplicáveis ao

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 143


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A inexistência de falha total ou parcial h) Ensaio de rádio-ruído


durante o ensaio deve ser verificada
por meio de análise dos oscilogramas Também chamado de “ensaio de
de todas as ondas de impulso rádiointerferência”. Destina-se a
aplicadas. A unidade será considerada comprovar que, à freqüência de 1 MHz,
aprovada se não ocorrer nenhuma a tensão não deve exceder a 250 μV
descarga interna e se ocorrerem até (medição da tensão de
duas descargas externas em cada rádiointerferência - TRI).
polaridade.
i) Ensaio de rigidez dielétrica
e) Ensaio de descarga de curto-
circuito A célula capacitiva é submetida às
tensões mencionadas na NBR 5282
Neste ensaio, o capacitor é carregado aplicada entre terminais com a
em tensão contínua com valor duas finalidade de verificar a rigidez do
vezes e meia superior ao valor eficaz dielétrico.
da tensão nominal e logo após
Quando se aumenta a quantidade de
descarregado de uma só vez, por meio
carga de um capacitor, o campo elétrico
de um dispositivo de impedância
também aumenta. Se for
desprezível. O número de descargas
suficientemente intenso, pode arrancar
deve ser cinco no intervalo de 10 min.
elétrons dos átomos do dielétrico,
causando sua ionização. O valor
f) Ensaio de tensão residual
máximo do campo elétrico que esse
Este ensaio é realizado carregando-se isolante suporta sem se ionizar (tornar-
o capacitor em tensão contínua com o se condutor) é chamado de rigidez
valor correspondente ao valor eficaz da dielétrica do meio e ao se atingir esse
valor, “salta” uma faísca entre as
tensão alternada nominal (em até 2
armaduras do capacitor, danificando-o.
vezes Un), e logo em seguida desligado
da fonte. Neste caso, a tensão nos
terminais do capacitor não deve ser 5.6.1.3 Ensaios de recebimento
superior a 50 Vcc após 1 minuto para
capacitores de até 660 V e após 5 Recomenda-se que o usuário sempre
minutos para capacitores de tensão faça ensaios de recebimento (aceitação)
nominal superior a 660 V. para o lote adquirido, independentemente da
apresentação do certificado do ensaio de tipo
g) Ensaio de ionização e de rotina. Os ensaios de recebimento (que
na verdade são os mesmos indicados nos
Serve para comprovar o nível de ensaios de rotina) podem ser executados nas
ionização no dielétrico da célula instalações do fornecedor ou do cliente e não
capacitiva (capacidade de se tornar há necessidade de ser realizado na fábrica.
condutor) quando submetida a várias Não é necessário repetir ensaios de tipo.
aplicações de tensão com tempos e O lote adquirido deve ser ensaiado
valores diferentes. Dessa forma, pode- segundo um plano de amostragem dupla,
se determinar o nível de descargas conforme definido na NBR 5282. Todas as
parciais no referido dielétrico. Os unidades deverão ser submetidas à
dielétricos são mais resistentes à verificação visual e dimensional. Aquelas que
ionização que o ar, deste modo um não estiverem de acordo com a
capacitor contento um dielétrico pode especificação de compra deverão ser
ser submetido a uma tensão mais rejeitadas.
elevada.

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 144


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Para os ensaios de medição da periodicamente. O intervalo entre as


capacitância e medição da tangente do inspeções depende das condições
ângulo de perdas, os valores medidos no a que estiverem expostos os
ensaio de recebimento devem ser capacitores;
comparáveis àqueles medidos pelo
d) Capacitores e equipamentos ao
fabricante nos ensaios de rotina.
tempo podem requerer pintura
Devem ser levadas em consideração, periódica para evitar corrosão e
entretanto, as diferenças devidas aos erros garantir a qualidade da superfície
de medição e às condições ambientes. Caso de radiação;
sejam constatadas diferenças significativas,
e) Podem ser feitos ensaios de campo
o fabricante deve repetir esses ensaios de
nos capacitores, para verificação do
rotina.
dielétrico (resistência de isolamento
do dielétrico), resistência de
5.6.2 Inspeção de capacitores isolamento entre terminais e caixa,
capacitância ou corrente, tangente
Não são necessários ensaios de do ângulo de perdas ou perdas, e
capacitores a intervalos curtos. Como eles vazamento. Durante a realização
são hermeticamente fechados, suas destes ensaios devem ser tomadas
características permanecem relativamente medidas adequadas de proteção do
constantes em condições normais de pessoal contra possível explosão do
funcionamento. Estas condições podem, capacitor;
entretanto, mudar, recomendando-se
inspeções e verificações periódicas, para
5.6.3 Manuseio e armazenamento
constatar condições de funcionamento
capazes de danificar ou reduzir a vida útil
As unidades capacitivas, demais
dos capacitores.
componentes e acessórios do banco, bem
A NBR 5060 prescreve alguns itens a como as ferragens da estrutura de elevação
serem observados para verificar a condição deverão ser armazenados preferencialmente
de um capacitor após ter estado em serviço e em sua embalagem original e cobertos com
em casos de suspeita de defeito ou após lona plástica.
exposição a possível causa de defeito:
As unidades capacitivas devem ser
a) No período de 8 a 24 h após a armazenadas em local abrigado, niveladas e
instalação dos capacitores e protegidas contra corrosão e danos
durante os primeiros períodos de mecânicos. Deverá ser verificada a
carga baixa, devem ser lidas a existência de qualquer tipo de vazamento de
tensão e a corrente em cada fase, óleo.
de forma a determinar que as
A resistência de isolamento deve ser
tensões estejam equilibradas e
medida no recebimento, conforme
dentro dos limites normais dos
estabelece a NBR 5060. Deverá ser aplicada
capacitores e que a potência de
vaselina neutra nos terminais das unidades
funcionamento não exceda o limite
capacitivas.
de 135% da nominal;
As instruções relativas ao manuseio e
b) O programa de inspeções regulares
transporte das unidades capacitivas, contidas
da instalação de capacitores deve
no Manual de Instruções fornecido pelo
incluir verificações de ventilação,
fabricante do banco, deverão ser
fusíveis, temperaturas e tensões;
rigorosamente seguidas.
c) As buchas e superfícies isolantes
dos capacitores devem ser limpas

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 145


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5.6.4 Manutenção de capacitores g) Verificar o aperto das conexões (fast-on)


dos capacitores.
Os capacitores não têm partes móveis Observação: sempre que um terminal tipo "fast-on" for
que possam se desgastar e não exigem desconectado, deverá ser reapertado antes de ser
nenhum tipo de manutenção, exceto a reconectado.
verificação periódica dos fusíveis. Se existem
condições de sobretensão, harmônicas,
surtos de chaveamento ou vibrações, os II) Semestral
fusíveis devem ser verificados mais
frequentemente. a) Repetir todos os procedimentos do item
anterior (mensal);
Normalmente, os capacitores, em
operação normal, apresentam um leve b) Efetuar limpeza completa do armário
aquecimento perceptível com o toque. Se a metálico interna e externamente, usando
caixa estiver fria, deve-se verificar se os álcool isopropílico;
fusíveis estão queimados ou se alguma c) Medição da capacitância dos módulos
chave está desligada. Verifique também se capacitivos em comparação com os
há caixas abauladas pela pressão interna ou valores nominais;
tampas abauladas que assinalam que o
interruptor de segurança foi acionado. d) Reapertar todos os parafusos dos
contatos elétricos e mecânicos;
5.6.4.1 Manutenção preventiva e) Medir a temperatura dos cabos
conectados ao contator;
I) Mensal f) Verificar estado de conservação das
vedações contra a entrada de insetos e
a) Verifique visualmente em todas as
outros objetos;
unidades capacitivas se houve atuação
do dispositivo de segurança interno, g) Teste do sistema de comando: chaves
indicado pela expansão da caneca de comutadoras, chaves de acionamento,
alumínio no sentido longitudinal. Caso programador cíclico ou controlador do
positivo, substituir por outra com a fator de potência, verificação e se
mesma potência; necessário reprogramação dos
instrumentos de controle.
b) Verifique se há fusíveis queimados. Caso
positivo, tentar identificar a causa antes
da troca. Usar fusíveis com corrente 5.7 Segurança e instalação de
nominal indicada no catálogo; capacitores
c) Verificar o funcionamento adequado dos
contatores;
d) Nos bancos com ventilação forçada, 5.7.1 Requisitos de segurança
comprovar o funcionamento do
termostato e do ventilador. Medir a Com relação aos aspectos de
temperatura interna (máxima de 45ºC); segurança, devem ser atendidos os
seguintes itens, conforme NBR 5060:
e) Medir a tensão e a corrente das unidades
capacitivas; a) Em instalações com presença de
f) Verificação visual dos bornes de harmônicas, evitar a ressonância série
terminais, bem como condutores (fios, (aumento da corrente) e a ressonância
cabos e barramentos); paralela (aumento da tensão);
b) Após a desenergização de um capacitor,
deve-se esperar no mínimo cinco minutos

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 146


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para sua reenergização ou aterramento n) Os dispositivos de proteção devem


de seus bornes. Isto porque o capacitor interromper as correntes de falta nos
retém carga por alguns minutos, mesmo capacitores de modo que a probabilidade
desligado; de ruptura da caixa do capacitor se
c) Antes de se tocar nos terminais de um enquadre no grau de periculosidade
capacitor (partes vivas), este deve estar admitido pela instalação;
devidamente aterrado, observando-se a o) Nas instalações normais, a probabilidade
precaução acima; de ruptura da caixa do capacitor deve ser
d) Deve-se evitar a energização simultânea igual ou inferior a 10%. Nessa faixa de
de dois ou mais banco de capacitores; probabilidades, uma falta no capacitor é
geralmente acompanhada de tão
e) Para capacitores ligados em média
somente pequeno inchamento da caixa;
tensão, é necessário que as operações
de ligar e desligar sejam feitas utilizando- p) Nos locais em que a ruptura da caixa
se o disjuntor principal da instalação e/ou vazamento do líquido isolante não
antes de se abrir ou fechar a chave oferecem perigo, a probabilidade de
principal do banco de capacitores, salvo o ruptura da caixa pode situar entre 10 e
caso de banco de capacitores com 50%. Em locais que, após cuidadoso
manobra através de disjuntor próprio; estudo, for considerado que a ruptura
violenta da caixa não apresenta perigo, a
f) Os capacitores devem ser instalados em
probabilidade desta ruptura pode ser
local bem ventilado e com espaçamento
admitida entre 50 e 90%. Uma
adequado entre as unidades (mínimo de
probabilidade de ruptura igual ou superior
5 cm);
a 90% é insegura na maioria das
g) Quando for adotado o banco de aplicações. Geralmente ocorre a ruptura
capacitores em média tensão, é da caixa com violência suficiente para
necessário que o disjuntor tenha danificar os capacitores vizinhos. A
capacidade para manobrar o banco em probabilidade de ruptura da caixa do
questão; capacitor pode ser determinada pela
h) As estruturas de suporte e carcaça dos tabela 5.18.
capacitores deverão ser rigidamente
Tabela 5.18 Tempos máximos de interrupção da
aterradas;
corrente (em segundos). Fonte: NBR 5060.
i) O capacitor não deve ser energizado
Probabilidade (%)
estando com tensão residual superior a Potência I (A)
10 50 90
10% de sua tensão nominal; 70 > 30 > 60
---
Capacitores de 25 kVAr

j) Manter a corrente de surto menor que 100 6 > 60


100 vezes a corrente nominal; 200 0,9 10 > 60
500 0,15 0,55 5,5
ou 50 kVAr

k) A temperatura não deve ultrapassar o 1.000 0,047 0,15 0,75


limite máximo do capacitor: Máximo 2.000 0,018 0,043 0,18
50ºC; Média 24h: 40ºC; Média anual: 2.500 0,013 0,030 0,12
30ºC (conforme IEC); 4.000 0,013 0,017 0,05
Acima de 4.000 A, a probabilidade é
l) Não utilizar os terminais das células para considerada superior à 90%, para qualquer
fazer interligações entre si, pois assim a tempo.
corrente que circula nos terminais 100 > 30 > 60 ---
aumenta, aquece os terminais e provoca 200 6 30 > 60
Capacitores de

500 0,8 3 > 60


vazamento nas células;
100 kVA

1.000 0,2 0,6 3


m) Durante os ensaios de campo, devem ser 2.000 0,06 0,15 0,4
tomadas medidas adequadas de 5.000 0,013 0,027 0,046
proteção do pessoal contra possível Acima de 5.000 A, a probabilidade é
considerada superior à 90%, para qualquer
explosão do capacitor; tempo.

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 147


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5.7.2 Interpretação dos parâmetros dos d) Perdas Joule por kVAr


capacitores
Este dado é importante para
a) Temperatura de operação dimensionar a temperatura interna do banco
de capacitores.
Temperatura de operação: são os
limites de temperatura das células, montadas e) Corrente de Pico Transitória Máxima
dentro dos capacitores. Não confundir com (100 x IN)
temperatura ambiente.
É a máxima corrente de surto na
energização do capacitor.
b) Máxima Tensão Permissível (IEC
60831-1)
NOTA: deve-se ter um cuidado especial com o
- 1,0 x UN - Duração contínua: maior instrumento de medição utilizado que deve ser do tipo
valor médio durante qualquer período de True RMS.
energização do banco.
f) Utilização de capacitores com tensão
- 1,1 x UN - Duração de 8h a cada 24h nominal reforçada, ou seja, acima do valor de
de operação (não contínuo) - Flutuações do operação da rede:
sistema.
- Capacitor com UN de 380V/60Hz em
- 1,15 x UN - Duração de 30 min. a cada rede 220V/60Hz: a potência nominal do
24h de operação (não contínuo) - Flutuações mesmo fica reduzida em 2202 / 3802 = 0,335,
do sistema. ou seja, 66,5%;
- 1,20 x UN - Duração de 5 min. (200 - Capacitor com UN de 440V/60Hz em
vezes durante a vida do capacitor) - Tensão rede 380V/60Hz: a potência nominal do
a carga leve. mesmo fica reduzida em 3802 / 4402 = 0,746,
- 1,30 x UN - Duração de 1 min. (200 ou seja, 25,4%;
vezes durante a vida do capacitor). - Capacitor com UN de 880V/60Hz em
Obs: Causas que podem elevar a rede 440V/60Hz: a potência nominal do
tensão nos terminais dos capacitores: mesmo fica reduzida em 4402 / 4802 = 0,84,
ou seja, 16%
- Aumento da tensão da rede elétrica;
NOTA: é necessário sobredimensionar a potência
- Fator de potência capacitivo; nominal dos capacitores dividindo a mesma pelo fator
de redução.
- Harmônicas da rede;
- Descargas atmosféricas;
5.7.3 Cuidados na instalação de
- Mau contato nos cabos e fusíveis; capacitores
- Tempo de religamento (banco
automático) muito curto; Devem ser tomados alguns cuidados
mínimos para a instalação de capacitores
- Ligar e desligar os capacitores, sem [10], principalmente no que diz respeito ao
respeitar o tempo de religação mínimo. local da instalação e na localização dos
cabos de comando.
c) Máxima corrente permissível (1,3 x
IN) I) Local da instalação

É a corrente máxima permitida, a) Evitar exposição ao sol ou proximidade


considerando os efeitos das harmônicas e a de equipamentos com temperaturas
sobretensão por curtos períodos de tempo elevadas;
(não confundir com corrente nominal).

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 148


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b) Não bloquear a entrada e saída de ar dos seja menor ou igual a 90% da corrente de
gabinetes; excitação do motor (NBR 5060).
c) Os locais devem ser protegidos contra
b) Inversores de Freqüência
materiais sólidos e líquidos em
suspensão (poeira, óleos); Inversores de freqüência que possuam
d) Evitar instalação de capacitores próximo reatância de rede conectada na entrada dos
do teto (calor); mesmos emitirão baixos níveis de
freqüências harmônicas para a rede. Se a
e) Evitar instalação de capacitores em
correção do fator de potência for necessária,
contato direto sobre painéis e quadros
aconselha-se a não instalar capacitores no
elétricos (calor);
mesmo barramento de alimentação do(s)
f) Cuidado na instalação de capacitores inversor(es). Caso contrário, instalar em série
próximo de cargas não lineares. com os capacitores Indutores Anti-
harmônicas.
II) Localização dos cabos de comando
c) Soft-starter
Os cabos de comando deverão estar
preferencialmente dentro de tubulações Deve-se utilizar um contator protegido
blindadas com aterramento na extremidade por fusíveis retardados (gL - gG) para
do Controlador Automático do Fp. manobrar o capacitor, o qual deve entrar em
operação depois que o soft-starter entrar em
III) Cuidados na instalação localizada regime. É sempre importante medir as
harmônicas de tensão e corrente se o
Alguns cuidados devem ser tomados capacitor for inserido no mesmo barramento
quando se decide fazer uma correção de do soft-starter.
fator de potência localizada:
d) Capacitores em instalações elétricas
a) Cargas com alta inércia com fonte de alimentação alternativa

Por exemplo, ventiladores, bombas de Em instalações elétricas com fonte de


recalque, exaustores, etc. alimentação alternativa através de grupo
Deve-se instalar contatores para a gerador, aconselha-se que todos os
comutação do capacitor, pois o mesmo, capacitores sejam desligados, pois o próprio
quando é permanentemente ligado a um grupo gerador pode corrigir o fator de
motor, ocasiona problemas quando o motor é potência da carga, evitando assim problemas
desligado da fonte de alimentação. O motor tais como perda de sincronismo e excitação,
ainda girando irá atuar como um gerador e pelo fato do gerador operar fora da sua curva
fazer surgir sobretensão nos terminais do de capabilidade (curva de operação).
capacitor. A tabela 5.19 apresenta as principais
Pode-se dispensar o contator para o causas e conseqüências da instalação
capacitor, desde que sua corrente nominal incorreta de capacitores usualmente
observada nas indústrias.

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 149


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Tabela 5.19 Principais causas e conseqüências da instalação incorreta de capacitores (Fonte: Manual para correção do
fator de potência - divulgação WEG).

Fato (Conseqüência) Causa


Queima do Indutor de Pré-Carga do Contator Especial a) Repique do contator, que pode ser causado pelo
repique do controlador.

Queima de Fusíveis a) Harmônicas na rede, gerando ressonância série,


provocando sobrecorrente;
b) Desequilíbrio de tensão;
c) Fusíveis ultra-rápidos (usar fusível retardado);
d) Aplicar tensão em capacitores ainda carregados.

Expansão da Unidade Capacitiva a) Repique no contator que pode ser causado pelo
repique do controlador;
b) Temperatura elevada;
c) Tensão elevada;
d) Corrente de surto elevada (> 100x IN);
e) Descargas atmosféricas;
f) Chaveamento de capacitores em bancos automáticos
sem dar tempo (30 a 180s) para a descarga dos
capacitores;
g) Final de vida.

Corrente especificada abaixo da nominal a) Tensão do capacitor abaixo da nominal;


b) Células expandidas.

Aquecimento nos terminais da unidade capacitiva a) Mau contato nos terminais de conexão;
(vazamento da resina pelos terminais)
b) Erro de instalação (ex: solda mal feita nos terminais);
c) Interligação entre células capacitivas, conduzindo
corrente de uma célula para outra via terminal.
Tensão acima da nominal a) Fator de potência ter ficado unitário, mesmo não
tendo harmônicas, porém provocou ressonância
paralela;
b) Efeito da ressonância paralela entre capacitores e a
carga.
Corrente acima da nominal a) Efeito de ressonância série entre os capacitores e o
transformador, provocado pela igualdade entre a
freqüência do transformador e a freqüência de alguma
harmônica significativa na instalação.

5.8 Ligações de capacitores em alta b) A instalação deverá possuir placas de


tensão advertência no disjuntor geral de entrada
e no compartimento de medição, nas
dimensões mínimas de 30 cm x 20 cm,
A ligação de capacitores em média tensão com fundo preto e letras amarelas, com
merece atenção especial para a instalação: os seguintes dizeres : "CAPACITORES
a) O banco de capacitores deverá ser ligado NA ALTA TENSÃO";
em estrela não-aterrada em triângulo;

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 150


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c) Os capacitores deverão possuir É importante assegurar a ligação do


dispositivo de descarga interno e externo ponto neutro do sistema à terra quando a
ao banco; configuração dos bancos é em estrela
aterrada ou dupla estrela aterrada. Vale a
d) A instalação deverá possuir seccionadora
pena salientar que somente deve-se aterrar o
tripolar com dispositivo para aterramento
ponto neutro de um banco de capacitores se
do banco de capacitores com alerta
o sistema que se quer compensar for do tipo
referente à sua manobra, intertravada
efetivamente aterrado. Caso contrário,
mecânica ou eletricamente com o
muitos transtornos seriam introduzidos ao
disjuntor de entrada da alimentação;
sistema elétrico, pois seria oferecido um
e) Recomenda-se que os bancos de caminho para a corrente de seqüência zero.
capacitores instalados em média tensão
possuam proteções adequadas de
sobrecorrente e sobretensão que os
5.10 Especificação técnica
desconectem ao ser atingido o limite de
tensão da norma para o qual foram Em um projeto de instalações elétricas,
construídos. a especificação técnica dos diversos
componentes (inclui-se aí os capacitores de
potência) é de fundamental importância. Com
5.9 Aterramento de capacitores
efeito, é a partir dessas especificações que
serão adquiridos os componentes que,
quando montados, deverão garantir o
5.9.1 Bancos de baixa tensão funcionamento adequado da instalação, a
segurança dos usuários, bem como a
Nesta situação, o banco de capacitores conservação dos bens.
é geralmente ligado na configuração Uma especificação técnica é um
triângulo. Deve ser aterrada somente a documento estruturado para informar todas
carcaça de cada equipamento e a sua as características relevantes para a
estrutura metálica de montagem. aquisição, seleção e aplicação de um
O condutor de proteção deve ser ligado componente. Deve-se utilizar a terminologia
à malha de terra da subestação e ter seção oficial, bem como as características técnicas
transversal não inferior à do condutor fase do previstas nas correspondentes normas
capacitor ou banco. técnicas. Uma especificação deve ser
completa e não dar “margem a dúvidas”.
A especificação técnica dos
5.9.2 Bancos de alta tensão componentes deve indicar, para cada
componente, uma descrição sucinta, suas
Analogamente aos bancos de baixa características nominais e a norma ou as
tensão, as caixas e estruturas metálicas dos normas e que devem atender, de modo a
capacitores de alta tensão (≥ 2,3 kV) devem informar todas as características relevantes
ser cuidadosamente aterradas à malha de para a aquisição, seleção e aplicação dos
terra da subestação e ter seção transversal componentes.
não inferior à do condutor fase do capacitor
ou banco (condutor de cobre não inferior a É importante salientar que, para
25 mm2). Atenção: não utilizar jamais o especificar tecnicamente um componente,
condutor de aterramento do pára-raios para deve-se utilizar a terminologia oficial, bem
compor a ligação à terra da como as características técnicas previstas
carcaça/estruturas metálicas e do ponto nas correspondentes normas técnicas. Nada
neutro dos bancos de capacitores. de "inventar" termos para descrever um
componente a ser utilizado na instalação. A
boa especificação técnica é aquela que

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 151


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prescinde da citação de marca (fabricante) ƒ Terminais e conectores;


para contemplar a sua identificação. ƒ Dizeres e localizações das placas de
Constituem exceção os casos em que tal características;
citação se torna necessária.
ƒ Características da chave separadora;
Infelizmente, em boa parte dos projetos ƒ Características da chave de aterramento;
de instalações elétricas (principalmente os de
ƒ Características do transformador de
baixa tensão), a especificação técnica é
corrente;
extremamente falha: os componentes são
mal descritos, são omitidas características ƒ Suportabilidade frente a sobrecorrentes;
nominais importantes, não são indicadas as ƒ Nível de isolamento;
normas respectivas e, com muita freqüência, ƒ Tensões de comando;
indica-se marca e tipo de um determinado ƒ Características da fiação de comando;
fabricante, geralmente um líder de mercado,
acrescentando-se, em seguida, a famosa ƒ Relação de peças sobressalentes;
expressão “ou similar”. ƒ Número de estágios;
Esse procedimento dá margem a que, ƒ Características das unidades capacitivas;
por ignorância ou por uma economia ƒ Acessórios;
criminosa, sejam utilizados “similares” ƒ Características da estrutura de elevação;
inadequados, invariavelmente mais baratos, ƒ Tipo de ligação entre unidades
que podem perturbar o funcionamento capacitivas;
adequado da instalação e, até mesmo,
comprometer a segurança dos usuários e a ƒ Características da chave de abertura;
conservação dos bens. Observe-se que, ƒ Tipo de intertravamento a ser utilizado;
nessas condições, é legalmente indiscutível ƒ Condições climáticas e de serviço;
a conivência do projetista. ƒ Suportabilidade frente a sobretensões;
As informações descritas a seguir são ƒ Perdas máximas do capacitor;
as mínimas necessárias para a correta ƒ Normas técnicas a serem atendidas.
aquisição de um capacitor de potência, a fim
de se orientar os projetistas na elaboração
da especificação técnica: EXEMPLO 5.16 Exemplo de especificação técnica
mínima para aquisição de um capacitor de potência:
No pedido de compra do banco de Célula capacitiva trifásica, 30 kVAr, tensão nominal
capacitores deverão estar descritas as 13,8 kV, 60 Hz, nível de isolamento 34/110 kV,
características listadas a seguir, sendo estas categoria de temperatura -10° a 50°C, com dispositivo
definidas na Especificação Técnica do banco interno de descarga, tolerância da capacitância igual a
-5%/+10%, conforme NBR 5289 e NBR 5282.
de capacitores e demais documentos do
projeto:
5.11 Normalização técnica
ƒ Número de fases (monofásico ou
trifásico);
A tabela 5.20 apresenta uma relação
ƒ Potência nominal (kVAr); das principais normas ABNT sobre
ƒ Tensão nominal do banco (V ou kV); capacitores de potência, atualizada conforme
ƒ Freqüência (Hz); respectivas datas de publicação, até o
fechamento desta edição. As normas
ƒ Categoria de temperatura;
abrangem termos e definições, métodos de
ƒ Características do dispositivo de instalação, especificação, fabricação,
descarga; ensaios, inspeções, etc.
ƒ Número de unidades capacitivas;

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 152


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Tabela 5.20 Principais normas da ABNT sobre capacitores de potência.


Norma Descrição
NBR 5060:1977 Guia para instalação e operação de capacitores de potência
Capacitores fixos utilizados em equipamentos eletrônicos – Determinação de características
NBR 5087:1984
elétricas, mecânicas e climáticas
Capacitores de potência em derivação para sistema de tensão nominal acima de 1000 V -
NBR 5282:1998
Especificação

NBR 5289:1977 Capacitores de potência

NBR 5469:1986 Capacitores

NBR 6011:1980 Dimensões máximas para corpos de capacitores

NBR 6012:1980 Série de números normalizados para valores de capacitores fixos

NBR 6013:1980 Marcação impressa para capacitores fixos

NBR 6015:1980 Estabelece os procedimentos de inspeção de capacitores cerâmicos


NBR 6525:1983 Capacitor cerâmico fixo em forma de disco, tipo 1, categoria climática 55-085-21, média tensão
NBR 6526:1983 Capacitor cerâmico fixo em forma de disco, tipo 1, categoria climática 55-085-21, alta tensão
NBR 6687:1981 Inspeção de capacitores de poliéster e policarbonato metalizados ou não
Capacitor fixo com dielétrico de policarbonato metalizado, achatado, categoria climática
NBR 6723:1981
40/100/21
NBR 6724:1981 Código indicativo de classe de temperatura para capacitores cerâmicos tipo 2

NBR 6725:1981 Capacitor cerâmico fixo em forma de disco, tipo 3, categoria climática 40/085/21
NBR 6726:1981 Capacitor cerâmico fixo em forma de disco, tipo 2, categoria climática 55/085/21, alta tensão
NBR 6802:1981 Capacitor fixo com dielétrico de poliester metalizado, achatado, categoria climática 40/100/04
NBR 6803:1981 Capacitor fixo com dielétrico de poliéster cilíndrico, categoria climática 40/085/21

NBR 6806:1981 Capacitor fixo com dielétrico de poliéster metalizado, categoria climática 55-085-56

NBR 6981:1981 Determinação do espaço ocupado por capacitores

NBR 7354:1989 Monoetilenoglicol – Formação de óxido de alumínio em solução aquosa de ácido bórico

NBR 8017:1983 Capacitor de acoplamento

NBR 8371:2005 Ascarel para transformadores e capacitores: características e riscos


NBR 8440:1984 Capacitores eletrolíticos fixos de alumínio – Seleção dos métodos de ensaio e requisitos gerais
NBR 8603:1998 Fusíveis internos para capacitores de potência – requisitos de desempenho e ensaios

NBR 8757:1985 Inspeção e homologação de capacitores eletrolíticos de alumínio

Seleção de métodos de ensaio e requisitos gerais de capacitores fixos com dielétrico de filme
NBR 8758:1985 de polipropileno e folhas metálicas para corrente continua, utilizados em equipamentos
eletrônicos

NBR 8759:1985 Seleção de métodos de ensaio e requisitos gerais de capacitores fixos com dielétrico de filme

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 153


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Norma Descrição
de poliestireno e fitas metálicas para corrente contínua, utilizados em equipamentos eletrônicos
Seleção de métodos de ensaio e requisitos gerais de capacitores fixos com dielétricos de
NBR 8760:1985
cerâmica, classe 1
NBR 8763:1998 Capacitores série para sistemas de potência

Seleção de métodos de ensaio e requisitos gerais de capacitores fixos para uso em


NBR 9031:1985 equipamento eletrônico com dielétrico de filme de polietileno teraftalado metalizado para
corrente contínua

Seleção de métodos de ensaio e requisitos gerais de capacitores fixos com dielétrico de filme
NBR 9323:1986
polipropileno metalizado para corrente contínua, utilizados em equipamentos eletrônicos

NBR 9324:1986 Seleção de métodos de ensaio e requisitos gerais de capacitores com dielétrico de cerâmica

Capacitores secos auto-regeneradores com dielétrico de filme polipropileno metalizado para


NBR 9934:1987
motores de corrente alternada

Seleção dos métodos de ensaio e requisitos gerais de capacitores fixos com dielétrico de filme
NBR 10016:1987
de polietileno-teraftalato em folhas metálicas para corrente contínua

Seleção de métodos de ensaio e requisitos gerais de capacitores fixos para corrente continua,
NBR 10017:1987
usando dielétricos de papel impregnado ou papel/filme plástico

Seleção de métodos de ensaio e requisitos gerais de capacitores fixos com dielétrico de papel
NBR 10018:1987
metalizado para corrente contínua

Capacitores fixos com dielétrico de filme de polipropileno metalizado para corrente contínua,
NBR 10489:1988
para uso em equipamento eletrônico

NBR 10503:1988 Capacitores fixos com dielétrico de mica para CC com tensão nominal não excedendo 3000 V

NBR 10671:1989 Guia para instalação, operação e manutenção de capacitores de potência em derivação

Capacitores secos auto-regeneradores com dielétrico de filme de polipropileno metalizado para


NBR 10862:1989
motores de corrente alternada

NBR 11871:1991 Capacitores eletrolíticos para motores de corrente alternada

Capacitores de potência em derivação, para sistema de tensão nominal acima de 1000 V –


NBR 12479:1992
Características elétricas e construtivas

CAPÍTULO 5 – CAPACITORES DE POTÊNCIA 154


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Capítulo
Tarifação da energia
elétrica VI

CAPÍTULO 6 – TARIFAÇÃO DA ENERGIA ELÉTRICA 155


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6 Tarifação da energia elétrica

Sumário do capítulo
6.1 PRINCIPAIS DEFINIÇÕES
6.2 CLASSIFICAÇÃO DOS CONSUMIDORES DE ENERGIA
6.2.1 Consumidores do grupo A
6.2.2 Consumidores do grupo B
6.3 TARIFAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA
6.3.1 Tarifação convencional
6.3.2 Tarifação Horo-sazonal
6.3.3 Tarifação monômia
6.4 DEMANDA, CONSUMO E FATOR DE POTÊNCIA
6.5 A LEGISLAÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA
6.5.1 O faturamento de energia e demanda ativa
6.5.2 O faturamento de energia e demanda reativas excedentes
6.5.3 Reduzindo a fatura de energia elétrica
6.6 FATOR DE CARGA
6.6.1 Tarifação convencional
6.6.2 Tarifação Horo-sazonal Azul
6.6.3 Tarifação Horo-sazonal verde
6.7 SISTEMAS DE MEDIÇÃO DA CONCESSIONÁRIA

Este capítulo apresenta noções básicas consumidor responsável por unidade


sobre as formas de tarifação da energia consumidora do Grupo “A” ajustam as
elétrica e a legislação do fator de potência, características técnicas e as condições
estando calcado no instrumento legal mais comerciais do fornecimento de energia
recente que versa sobre o tema, a Resolução elétrica.
456 da Agência Nacional de Energia Elétrica
Demanda: média das potências
- ANEEL, publicada no Diário Oficial em 29
elétricas ativas ou reativas, solicitadas ao
de novembro de 2000 e disponibilizado no
sistema elétrico pela parcela da carga
apêndice A.
instalada em operação na unidade
consumidora, durante um intervalo de tempo
6.1 Principais definições especificado (kW ou kVAr).
Demanda contratada: demanda de
Para melhor compreensão dos potência ativa a ser obrigatória e
assuntos a serem tratados ao longo deste continuamente disponibilizada pela
capítulo, é importante o conhecimento de concessionária, no ponto de entrega,
alguns conceitos e definições: conforme valor e período de vigência fixados
no contrato de fornecimento e que deverá ser
Carga instalada: soma das potências
integralmente paga, seja ou não utilizada
nominais dos equipamentos elétricos
durante o período de faturamento, expressa
instalados na unidade consumidora, em
em quilowatts (kW).
condições de entrar em funcionamento,
expressa em quilowatts (kW). Demanda de ultrapassagem: parcela da
demanda medida que excede o valor da
Contrato de fornecimento: instrumento
demanda contratada, expressa em quilowatts
contratual em que a concessionária e o
(kW).

CAPÍTULO 6 – TARIFAÇÃO DA ENERGIA ELÉTRICA 156


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Demanda faturável: valor da demanda Fatura de energia elétrica: nota fiscal


de potência ativa, identificada de acordo com que apresenta a quantia total que deve ser
os critérios estabelecidos e considerada para paga pela prestação do serviço público de
fins de faturamento, com aplicação da energia elétrica, referente a um período
respectiva tarifa, expressa em quilowatts especificado, discriminando as parcelas
(kW). correspondentes.
Demanda medida: maior demanda de Modulação: corresponde a redução
potência ativa, verificada por medição, percentual do valor de demanda no horário
integralizada no intervalo de 15 (quinze) de ponta em relação ao horário fora de
minutos durante o período de faturamento, ponta.
expressa em quilowatts (kW).
Potência disponibilizada: potência que
Estrutura tarifária: conjunto de tarifas o sistema elétrico da concessionária deve
aplicáveis às componentes de consumo de dispor para atender às instalações elétricas
energia elétrica e/ou demanda de potência da unidade consumidora, segundo os
ativas de acordo com a modalidade de critérios estabelecidos na Resolução 456/00
fornecimento. da Aneel e configurada nos seguintes
parâmetros:
Horário de Ponta (P): corresponde ao a) unidade consumidora do Grupo “A”:
intervalo de 3 horas consecutivas, definido a demanda contratada, expressa em
por cada concessionária local, compreendido quilowatts (kW);
entre as 17 e 22 horas, de segunda à sexta-
b) unidade consumidora do Grupo “B”:
feira.
a potência em kVA, resultante da
Horário Fora de Ponta (F): corresponde multiplicação da capacidade nominal ou
às horas complementares às relativas ao regulada, de condução de corrente elétrica
horário de ponta, acrescido do total das do equipamento de proteção geral da
horas dos sábados e domingos. unidade consumidora pela tensão nominal,
observado no caso de fornecimento trifásico,
Período Seco (S): período de 7 (sete)
o fator específico referente ao número de
meses consecutivos, compreendendo os
fases.
fornecimentos abrangidos pelas leituras de
maio a novembro. Potência instalada: soma das potências
nominais de equipamentos elétricos de
Período Úmido (U): período de 5 (cinco)
mesma espécie instalados na unidade
meses consecutivos, compreendendo os
consumidora e em condições de entrar em
fornecimentos abrangidos pelas leituras de
funcionamento.
dezembro de um ano a abril do ano seguinte.
Segmentos Horo-Sazonais: são as
Fator de carga: razão entre a demanda
combinações dos intervalos de ponta e fora
média e a demanda máxima da unidade
de ponta com os períodos seco e úmido,
consumidora, ocorridas no mesmo intervalo
conforme abaixo:
de tempo especificado.
a) horário de ponta em período seco -
Fator de demanda: razão entre a
PS;
demanda máxima num intervalo de tempo
especificado e a carga instalada na unidade b) horário de ponta em período úmido
consumidora. - PU;
Fator de potência: razão entre a c) horário fora de ponta em período
energia elétrica ativa e a raiz quadrada da seco - FPS;
soma dos quadrados das energias elétricas
d) horário fora de ponta em período
ativa e reativa, consumidas num mesmo
úmido - FPU.
período especificado.

CAPÍTULO 6 – TARIFAÇÃO DA ENERGIA ELÉTRICA 157


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Tarifa: preço da unidade de energia elétrico, aplicável ao faturamento de


elétrica e/ou da demanda de potência ativas. unidades consumidoras do Grupo “B”, de
acordo com os limites fixados por tipo de
Tarifa monômia: tarifa de fornecimento
ligação.
de energia elétrica constituída por preços
aplicáveis unicamente ao consumo de
energia elétrica ativa. Definições conforme Resolução 456/00 da Aneel, Art.
Tarifa binômia: conjunto de tarifas de 2º (ver Apêndice A).
fornecimento constituído por preços
aplicáveis ao consumo de energia elétrica 6.2 Classificação dos consumidores
ativa e à demanda faturável. de energia
Tarifa de ultrapassagem: tarifa aplicável
sobre a diferença positiva entre a demanda Os consumidores de energia são
medida e a contratada, quando exceder os classificados (conforme resolução 456/00 da
limites estabelecidos. Aneel, inciso XXII do art. 2º - ver apêndice A)
Tarifas de Ultrapassagem: são as pelo nível de tensão em que são atendidos e
tarifas aplicadas à parcela da demanda podem ser divididos em três categorias:
medida que superar o valor da demanda
contratada, no caso de Tarifas Horo- a) Consumidores do Grupo A - Tarifação
Sazonais, respeitados os respectivos limites Convencional;
de tolerância. b) Consumidores do Grupo A - Tarifação
Tolerância de ultrapassagem de Horo-Sazonal;
demanda: é uma tolerância dada aos c) Consumidores do Grupo B.
consumidores das tarifas horo-sazonais para
fins de faturamento de ultrapassagem de A energia elétrica pode ser cobrada de
demanda. Esta tolerância é de: diversas maneiras, dependendo do
a) 5% para os consumidores atendidos enquadramento tarifário de cada consumidor.
em tensão igual ou superior a 69 A apresentação das características de cada
kV; uma das modalidades tarifárias
(convencional e horo-sazonal) será
b) 10% para os consumidores introduzida na seção 6.3.
atendidos em tensão inferior a 69
kV (a grande maioria), e demanda
contratada superior a 100 kW;
6.2.1 Consumidores do Grupo A
c) 20% para os consumidores
atendidos em tensão inferior a 69
kV, e demanda contratada de 50 a Corresponde ao grupamento composto
100 kW. de unidades consumidoras com tensão de
fornecimento igual ou superior a 2,3 kV, ou,
Valor líquido da fatura: valor em moeda
ainda, atendidas em tensão inferior a 2,3 kV
corrente resultante da aplicação das
a partir de sistema subterrâneo de
respectivas tarifas de fornecimento, sem
distribuição.
incidência de imposto, sobre as componentes
de consumo de energia elétrica ativa, de O grupo A, subdividido nos subgrupos
demanda de potência ativa, de uso do apresentados na tabela 6.1, é caracterizado
sistema, de consumo de energia elétrica e pela estruturação tarifária binômia (os
demanda de potência reativas excedentes. consumidores são cobrados tanto pela
demanda quanto pela energia ativa que
Valor mínimo faturável: valor referente
consomem), além da tarifação imposta por
ao custo de disponibilidade do sistema
baixo fator de potência (inferior a 0,92,

CAPÍTULO 6 – TARIFAÇÃO DA ENERGIA ELÉTRICA 158


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indutivo ou capacitivo) para o consumo de Tabela 6.2 Subgrupos dos consumidores do grupo B.
energia elétrica e demanda de potências
reativas excedentes. Subgrupos Tensão de fornecimento
B1 Residencial e residencial de baixa
Os grandes consumidores e a maioria
renda
das pequenas e médias empresas brasileiras B2 Rural, cooperativa de eletrificação
(industriais ou comerciais) são classificados rural, serviço público de irrigação
no Grupo A, podendo ser enquadrados na B3 Demais classes
tarifação convencional ou na tarifação horo- B4 Iluminação pública
sazonal (azul ou verde).

Como exemplo, podemos citar as


Tabela 6.1 Subgrupos dos consumidores do grupo A. residências, iluminação pública,
consumidores rurais, e todos os demais
Subgrupos Tensão de fornecimento usuários alimentados em baixa tensão
A1 ≥ 230 kV (abaixo de 600 V), divididos em três tipos de
A2 88 kV a 138 kV tarifação: residencial, comercial e rural.
A3 69 kV
A3a 30 kV a 44 kV Os consumidores atendidos por redes
A4 2,3 kV a 25 kV elétricas subterrâneas são classificados no
AS Subterrâneo1
Nota:
Grupo A, Sub-grupo AS, mesmo que
atendidos em baixa tensão.
1- Tensão de fornecimento inferior a 2,3 kV, atendida a partir
de sistema subterrâneo de distribuição e faturada neste É necessária, para consumidores do
Grupo em caráter opcional.
Grupo B, a assinatura de um “Contrato de
É necessária, para consumidores do Adesão”, destinado a regular as relações
Grupo A, a assinatura de um “Contrato de entre a concessionária e a unidade
Fornecimento”, destinado a regular as consumidora.
relações entre a concessionária e a unidade
consumidora.

6.2.2 Consumidores do Grupo B

Corresponde ao grupamento composto


de unidades consumidoras com fornecimento
em tensão inferior a 2,3 kV ou, ainda,
atendidas em tensão superior a 2,3 kV e
faturadas neste Grupo nos termos definidos
nos arts. 79 a 81 da resolução 456/00 da
Aneel (ver apêndice A). O grupo B, Figura 6.1 Consumidores dos Grupos A e B.
subdividido nos subgrupos apresentados na
tabela 6.2, é caracterizado pela estruturação
tarifária monômia (isto é, os consumidores 6.3 Tarifação de energia elétrica
são cobrados apenas pela energia ativa que
consomem), além da tarifação imposta por Tarifação de Energia Elétrica é o
baixo fator de potência (consumo de energia sistema organizado de tabelas de preços (da
reativa excedente), quando aplicável. unidade de energia elétrica e/ou da demanda
de potência ativa) correspondentes às
diversas classes de serviço oferecidas às
unidades consumidoras, aprovadas e
reguladas pela Aneel - Agência Nacional de

CAPÍTULO 6 – TARIFAÇÃO DA ENERGIA ELÉTRICA 159


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Energia Elétrica, em cujo site podem ser períodos indicava um perfil de


obtidas as tabelas de tarifas atualizadas. comportamento vinculado exclusivamente
aos hábitos de consumo e às características
A compreensão da forma como é
próprias do mercado de uma determinada
cobrada a energia elétrica e como são
região. E, diga-se de passagem, não havia
calculados os valores apresentados nas
nenhum interesse ou intenção na mudança
contas de energia elétrica é fundamental
destes hábitos, visto que a legislação vigente
para a tomada de decisão em relação a
não acrescentava nada a este respeito.
projetos de eficiência energética.
A conta de energia reflete o modo como
100
a energia elétrica é utilizada e sua análise

Capacidade de Consumo (%)


por um período de tempo adequado permite Curva de Carga
Dia Útil
estabelecer relações importantes entre
hábitos e consumo.
50
Dadas as alternativas de
enquadramento tarifário disponíveis para
alguns consumidores, o conhecimento da
formação da conta e dos hábitos de consumo 10
permite escolher a forma de tarifação mais 0 6 12 18 24 horas
adequada e que resulta em menor despesa
com a energia elétrica. Figura 6.2 Comportamento médio do mercado de
eletricidade ao longo de um dia útil.
As tarifas de eletricidade em vigor
possuem estruturas com dois componentes
básicos na definição do seu preço: A figura 6.2 mostra o comportamento
médio do mercado de eletricidade (consumo
a) componente relativo à demanda de
energético), ao longo de um dia típico de
potência ativa (quilowatt ou kW);
operação (dia útil). Observa-se, claramente,
b) componente relativo ao consumo de que no horário das 17 às 22 horas existe
energia ativa (quilowatt-hora ou kWh). uma intensificação do uso da eletricidade se
comparado com os demais períodos do dia.
É importante observar que, até 1981, Esse comportamento resulta das influências
existia apenas um sistema de tarifação, e características individuais das várias
denominado Convencional. Este sistema, classes de consumo que normalmente
bastante simplificado, não permitia que o compõem o mercado: industrial, comercial,
consumidor percebesse os reflexos residencial, iluminação pública, rural e outras.
decorrentes da melhor forma de utilizar
(consumir) a eletricidade, uma vez que não O horário de maior uso é denominado
havia diferenciação de preços segunda sua "horário de ponta" do sistema elétrico. É o
utilização durante as horas do dia e períodos período onde a tarifa de energia é mais cara,
do ano. sendo compreendido somente por 3 horas
consecutivas de segunda a sexta-feira, entre
Desta forma, esta única estrutura de 17:00 h e 22:00 h, estabelecido por cada
tarifação levava o consumidor a ser concessionária local (em geral, entre 17:30 h
indiferente no que diz respeito à utilização da e 20:30 h). Neste período, as redes de
energia elétrica durante a madrugada ou no distribuição assumem maior carga, atingindo
final da tarde, assim como consumir durante seu valor máximo (pico de consumo)
o mês de junho ou dezembro, no inverno ou aproximadamente às 19 horas, variando um
no verão. pouco este horário de região para região do
Esta indiferença com relação ao país.
consumo de energia ao longo desses

CAPÍTULO 6 – TARIFAÇÃO DA ENERGIA ELÉTRICA 160


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No horário de ponta, um novo A curva A representa a disponibilidade


consumidor a ser atendido pelo sistema média de água nos reservatórios das usinas
custará mais à concessionária nesse período hidrelétricas, constituindo o potencial
de maior solicitação do que em qualquer predominante de geração de eletricidade
outro horário do dia, devido ao maior (disponibilização energética). Por outro lado,
carregamento das redes de distribuição neste a curva B representa o comportamento de
horário. De fato, existirá a necessidade de consumo médio do mercado de energia
ampliação do sistema (aumento de custo elétrica a nível nacional, assumindo um valor
para a concessionária) para atender aos máximo justamente no período em que a
consumidores no horário de ponta. disponibilidade de água fluente nos
mananciais é mínima.
O horário Fora de Ponta é o período
onde a tarifa de energia é mais barata, sendo Em outras palavras, pode-se dizer que
o horário complementar ao horário de Ponta, no período de maior consumo existe o menor
de segunda a sexta-feira, e o dia inteiro nos potencial de geração de eletricidade. Este
sábados, domingos e feriados. fato permite identificar, em função da
disponibilidade hídrica, uma época do ano
denominada "período seco", compreendido
Fora de ponta Ponta Fora de ponta entre maio e novembro de cada ano, e outra
denominada “período úmido", de dezembro
de um ano até abril do ano seguinte.
0:00h 17:30h 20:30h 24:00h
O período úmido é aquele onde, devido
à estação de chuvas, os reservatórios de
Figura 6.3 Horário de ponta e fora de ponta. nossas usinas hidrelétricas estão mais altos.
Como o potencial hidráulico das usinas
Em geral, o custo da tarifa de energia cresce, existe um incentivo (tarifas mais
no horário de Ponta é três vezes maior do baixas) para que o consumo de energia seja
que no horário Fora de Ponta, motivando as maior neste período.
empresas a utilizarem menos energia neste O período seco é aquele onde, devido à
horário como forma de reduzir suas contas falta de chuvas, os reservatórios de nossas
mensais pagas às concessionárias. usinas hidrelétricas estão mais baixos. Como
Da mesma forma que o comportamento o potencial hidráulico das usinas diminui,
do consumo de energia varia ao longo de um existe um acréscimo nas tarifas para que o
dia, o comportamento do mercado de consumo de energia seja menor neste
eletricidade ao longo do ano também período.
apresenta características próprias, as quais A capacidade de acumulação nos
podem ser visualizadas na figura 6.4. reservatórios das usinas, que estocam a
água afluente durante o ano, torna possível o
atendimento ao mercado no período seco.
Consequentemente, o fornecimento de
Período úmido Período seco Período energia no período seco tende, também, a
úmido ser mais oneroso, pois leva à necessidade de
A
se construir grandes reservatórios, e
eventualmente, operar usinas térmicas ou
B
investimentos em outras formas alternativas
de geração de energia (como a eólica, por
exemplo).
JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ
Devido a estes fatos típicos do
Figura 6.4 Disponibilidade média dos reservatórios comportamento da carga ao longo do dia e
(curva A) x consumo ao longo do ano (curva B). ao longo do ano (em função da

CAPÍTULO 6 – TARIFAÇÃO DA ENERGIA ELÉTRICA 161


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disponibilidade de água), foi concebida a a) energia elétrica ativa contratada, se


Estrutura Tarifária Horo-Sazonal (THS), com houver; ou
suas Tarifas Azul e Verde, caracterizadas
b) energia elétrica ativa medida no
pela aplicação de tarifas e preços
período de faturamento.
diferenciados de acordo com o horário do dia
(ponta e fora de ponta) e períodos do ano III - consumo de energia elétrica e
(seco e úmido). demanda de potência reativas excedentes:
quando o fator de potência da unidade
A Tarifa Azul caracteriza-se pela
consumidora, indutivo ou capacitivo, for
aplicação de preços diferenciados de
inferior a 0,92.
demanda e consumo de energia elétrica para
os horários de ponta e fora de ponta e para
os períodos seco e úmido. A Tarifa Verde 6.3.1 Tarifação convencional
caracteriza-se pela aplicação de um preço
único de demanda, independente de horário A estrutura tarifária convencional,
e período e preços diferenciados de conforme definido pela Aneel, é a “estrutura
consumo, de acordo com as horas do dia e caracterizada pela aplicação de tarifas de
períodos do ano. consumo de energia elétrica e/ou demanda
O faturamento de unidade consumidora de potência independentemente das horas
do Grupo “B” será realizado com base no de utilização do dia e dos períodos do ano”.
consumo de energia elétrica ativa, e, quando Os consumidores do Grupo A, sub-
aplicável, no consumo de energia elétrica grupos A3a, A4 ou AS (ou seja, fornecimento
reativa excedente. inferior a 69 kV) , podem ser enquadrados na
Por outro lado, o faturamento de tarifa Convencional quando a demanda
unidade consumidora do Grupo “A”, contratada for inferior a 300 kW, desde que
observados, no fornecimento com tarifas não tenham ocorrido, nos 11 meses
horo-sazonais, os respectivos segmentos, anteriores, 3 (três) registros consecutivos ou
será realizado com base nos valores 6 (seis) registros alternados de demanda
identificados por meio dos critérios definidos superior a 300 kW. Quando este for o caso, é
pela Aneel e descritos a seguir: obrigatório o enquadramento na Tarifação
Horo-Sazonal (THS).
O enquadramento na tarifa
I - demanda de potência ativa: um único Convencional exige um contrato específico
valor, correspondente ao MAIOR dentre os a com a concessionária no qual se pactua um
seguir definidos: único valor da demanda pretendida pelo
a) a demanda contratada, exclusive no consumidor (demanda contratada),
caso de unidade consumidora rural ou independente da hora do dia (ponta ou fora
sazonal faturada na estrutura tarifária de ponta) ou período do ano (seco ou
convencional; úmido).
b) a demanda medida; ou Na tarifação convencional, o
consumidor paga à concessionária até três
c) 10% (dez por cento) da maior parcelas: consumo, demanda e ajuste de
demanda medida, em qualquer dos 11 (onze) fator de potência. O faturamento do consumo
ciclos completos de faturamento anteriores, é feito pelo critério mais simples, semelhante
quando se tratar de unidade consumidora ao de nossas casas, sem a divisão do dia em
rural ou sazonal faturada na estrutura tarifária horário de ponta e fora de ponta. Acumula-se
convencional. o total de kWh consumidos e aplica-se uma
II - consumo de energia elétrica ativa: tarifa de consumo para chegar-se à parcela
um único valor, correspondente ao MAIOR de faturamento de consumo.
dentre os a seguir definidos:

CAPÍTULO 6 – TARIFAÇÃO DA ENERGIA ELÉTRICA 162


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A parcela de faturamento de demanda


é obtida pela aplicação de uma tarifa de Tarifa
Convencional
demanda à demanda faturada, tal qual é (binômia)
aplicado à tarifação horo-sazonal.
Note bem a importância do controle de
demanda: um pico de demanda na tarifação Demanda única Consumo único
convencional pode significar acréscimos na (R$/kW) (R$/kWh)
conta de energia por até 12 meses.
Para cálculo da parcela de ajuste de Figura 6.5 Tarifação convencional.
fator de potência, o dia é dividido em duas
partes: horário capacitivo e o restante. Se o
fator de potência do consumidor estiver 6.3.2 Tarifação horo-sazonal
dentro dos limites pré-estabelecidos, esta
parcela não é cobrada. O limite estabelecido Esta modalidade de tarifação, conforme
pela Aneel é de 0,92 indutivo. definido pela Aneel, é estruturada para
Como exemplo, podemos citar as “aplicação de tarifas diferenciadas de
pequenas indústrias ou instalações consumo de energia elétrica de acordo com
comerciais que não estejam enquadradas na as horas de utilização do dia e os períodos
Tarifação Horo-Sazonal (THS), normalmente do ano, bem como de tarifas diferenciadas de
com demanda abaixo de 300 kW. demanda de potência de acordo com as
horas de utilização do dia”.
A tabela 6.3 apresenta um exemplo de
tarifas de energia elétrica para tarifação Na tarifação horo-sazonal, os dias são
Convencional. divididos em períodos fora de ponta e de
ponta, para faturamento de demanda, e em
Tabela 6.3 Tarifas de energia elétrica para modalidade
horário capacitivo e o restante, para
de tarifação Convencional referente à concessionária faturamento de fator de potência. Além disto,
CEMIG (Fonte: resolução ANEEL N° 87/2000 – Quadro o ano é dividido em um período úmido e
A). outro seco.

Tarifa Convencional Assim, para o faturamento do consumo,


acumula-se o total de kWh consumidos em
Subgrupo
Demanda Consumo cada período: fora de ponta seca (FS) ou fora
(R$/kW) (R$/MWh)
de ponta úmida (FU), e ponta seca (PS) ou
A2 (88 a 138 kV) 16,33 41,11
A3 (69 kV) 17,60 44,30
ponta úmida (PU).
A3a (30 kV a 44 kV) 6,10 89,43
A4 (2,3 kV a 25 kV) 6,33 92,73
Para cada um destes períodos, aplica-
AS (subterrâneo) 9,35 97,04 se uma tarifa de consumo diferenciada, e o
B1 – RESIDENCIAL 180,23 total é a parcela de faturamento de consumo.
B1 – RESIDENCIAL DE BAIXA
RENDA:
Evidentemente, as tarifas de consumo nos
Consumo mensal até 30 kWh 63,09 períodos secos são mais caras que nos
Consumo mensal de 31 a 100 kWh 108,14 períodos úmidos, e no horário de ponta é
Consumo mensal de 101 a 180 kWh 162,20 mais cara que no horário fora de ponta.
B2 – RURAL 105,48
B2 – COOPERATIVA DE 74,52 Os custos por kWh são mais baixos nas
ELETRIFICAÇÃO RURAL
B2 – SERVIÇO DE IRRIGAÇÃO 96,97 tarifas horo-sazonais, mas as multas por
B3 – DEMAIS CLASSES 168,26 ultrapassagem são mais pesadas. Assim,
B4 – ILUMINAÇÃO PÚBLICA: para a escolha do melhor enquadramento
B4a – Rede de distribuição 86,70
B4b – Bulbo da lâmpada 95,15
tarifário (quando facultado ao cliente) é
B4c – Nível de IP acima do padrão 140,97 necessária uma avaliação específica.

CAPÍTULO 6 – TARIFAÇÃO DA ENERGIA ELÉTRICA 163


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Nos consumidores enquadrados na de fornecimento inferior a 69 kV sempre que


Tarifação Horo-Sazonal (THS), as a demanda contratada for inferior a 300 kW.
concessionárias utilizam medidores
Esta modalidade tarifária exige um
eletrônicos com saídas para o usuário
contrato especifico com a concessionária, no
(consumidor). Esta “saída para o usuário” é
qual se pactua tanto o valor da demanda
uma saída serial de dados que segue uma
pretendida pelo consumidor no horário de
norma ABNT onde são disponibilizadas as
ponta (demanda contratada na ponta) quanto
informações de consumo de energia ativa e
o valor pretendido nas horas fora de ponta
reativa para o intervalo de 15 minutos
(demanda contratada fora de ponta).
corrente (tempo de medição utilizado para
faturamento) separado por posto horário É importante salientar que o
(ponta e fora de ponta indutivo e fora de consumidor poderá optar pelo retorno à
ponta capacitivo). estrutura tarifária convencional, desde que
seja verificado, nos últimos 11 (onze) ciclos
Nos demais consumidores, os sistemas de faturamento, a ocorrência de 9 (nove)
de medição das concessionárias não registros, consecutivos ou alternados, de
possuem qualquer interface para o demandas medidas inferiores a 300 kW.
consumidor. Esta é uma das razões, dentre
A Tarifa Azul será aplicada
outras, que faz com que a grande maioria
considerando-se a seguinte estrutura
dos casos de controle de demanda seja de
tarifária:
consumidores enquadrados na THS. Nestes
casos, as informações de consumo ativo e
reativo (assim como posto tarifário e I - demanda de potência (kW):
sincronismo do intervalo de integração) são
fornecidas por medidores ou registradores a) um preço para horário de ponta (P);
das próprias concessionárias de energia, ou b) um preço para horário fora de ponta
seja, um medidor de energia denominado (F).
medidor THS, específico para a modalidade
tarifária horo-sazonal, cujas medições II - consumo de energia (kWh):
(dados) ficam registrados na chamada a) um preço para horário de ponta em
“memória de massa” do medidor. período úmido (PU);
b) um preço para horário fora de ponta
6.3.2.1 Tarifação horo-sazonal azul em período úmido (FU);
c) um preço para horário de ponta em
O enquadramento dos consumidores período seco (PS); e
do Grupo A na tarifação horo-sazonal azul é
obrigatório para os consumidores dos d) um preço para horário fora de ponta
subgrupos A1, A2 ou A3, ou seja, para os em período seco (FS).
consumidores atendidos em tensão igual ou
superior a 69 kV. O enquadramento também
é compulsório com tensão de fornecimento Na tarifação horo-sazonal azul, a
inferior a 69 kV quando a demanda resolução 456 permite, embora não seja
contratada for igual ou superior a 300 kW. explícita, que o faturamento da parcela de
Opcionalmente, o enquadramento na demanda seja igualmente composto por
tarifação horo-sazonal azul pode ser feito parcelas relativas a cada período: fora de
para as unidades consumidoras com tensão ponta seca ou fora de ponta úmida, e ponta
seca ou ponta úmida.

CAPÍTULO 6 – TARIFAÇÃO DA ENERGIA ELÉTRICA 164


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Tarifa Horo-sazonal
AZUL
(binômia)

Consumo Demanda
(R$/kWh) (R$/kW)

Ponta Fora de Ponta Ponta Fora de Ponta


(P) (F) (P) (F)

Seco Úmido Seco Úmido

Figura 6.6 Tarifação Horo-Sazonal Azul.

Para cada período, o cálculo será o atendida em tensão de fornecimento inferior a 69 kV,
seguinte: caindo para 5% para unidade consumidora atendida
em tensão de fornecimento igual ou superior a 69 kV.

Caso 1 - Demanda registrada inferior à


Para o cálculo da parcela de ajuste de
demanda contratada. Aplica-se a tarifa de
fator de potência, o dia é dividido em duas
demanda correspondente à demanda
partes: horário capacitivo e o restante. Se o
contratada.
fator de potência do consumidor estiver fora
Caso 2 - Demanda registrada superior dos limites estipulados pela legislação,
à demanda contratada, mas dentro da haverá penalização por baixo fator de
tolerância de ultrapassagem (ver nota potência. Se o fator de potência do
abaixo). Aplica-se a tarifa de demanda consumidor estiver dentro dos limites pré-
correspondente à demanda registrada. estabelecidos, esta parcela não é cobrada.
Caso 3 - Demanda registrada superior As tabelas 6.4 a 6.6 apresentam
à demanda contratada e acima da tolerância. exemplos de tarifas de energia elétrica para a
Aplica-se a tarifa de demanda tarifação horo-sazonal azul.
correspondente à demanda contratada, e
soma-se a isso a aplicação da tarifa de Tabela 6.4 Tarifas de energia elétrica para modalidade
ultrapassagem correspondente à diferença de tarifação Horo-sazonal azul – segmento horário -
entre a demanda registrada e a demanda referente à concessionária CEMIG (Fonte: resolução
contratada. Ou seja: paga-se tarifa normal ANEEL N° 87/2000 – Quadro B).
pelo contratado, e a tarifa de ultrapassagem
sobre todo o excedente. É importante Tarifa horo-sazonal Azul
salientar que a tarifa de ultrapassagem é Demanda
superior (normalmente 3 a 4 vezes) ao valor Segmento horário (R$/kW)

da tarifa normal de fornecimento. Subgrupo


Ponta
Fora de
ponta

Nota: A tolerância de ultrapassagem de A1 (230 kV ou mais) 9,58 2,00


demanda é uma tolerância dada aos consumidores das A2 (88 a 138 kV) 10,30 2,37
A3 (69 kV) 13,82 3,78
tarifas horo-sazonais para fins de faturamento de
A3a (30 kV a 44 kV) 16,14 5,40
ultrapassagem de demanda (ou seja, quando a
A4 (2,3 kV a 25 kV) 16,74 5,8
demanda medida superar a demanda contratada). Esta AS (subterrâneo) 17,52 8,57
tolerância é de 10% para unidade consumidora

CAPÍTULO 6 – TARIFAÇÃO DA ENERGIA ELÉTRICA 165


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Tabela 6.5 Tarifas de energia elétrica para modalidade Opcionalmente, o enquadramento na


de tarifação Horo-sazonal azul – segmento sazonal - tarifação horo-sazonal verde pode ser feito
referente à concessionária CEMIG (Fonte: resolução
ANEEL N° 87/2000 – Quadro C).
para as unidades consumidoras com tensão
de fornecimento inferior a 69 kV sempre que
Tarifa horo-sazonal Azul a demanda contratada for inferior a 300 kW.
Consumo O enquadramento nesta modalidade
Segmento sazonal (R$/MWh) tarifária exige um contrato especifico com a
Subgrupo Ponta
concessionária no qual se pactua a demanda
Seca Úmida
pretendida pelo consumidor (demanda
A1 (230 kV ou mais) 54,53 47,69
A2 (88 a 138 kV) 57,77 53,89 contratada), independente da hora do dia
A3 (69 kV) 65,47 58,03 (ponta ou fora de ponta).
A3a (30 kV a 44 kV) 105,86 97,98
A4 (2,3 kV a 25 kV) 109,76 101,59 A Tarifa Verde será aplicada
AS (subterrâneo) 114,88 106,32 considerando a seguinte estrutura tarifária:
Fora de Ponta
Seca Úmida
A1 (230 kV ou mais) 38,59 32,79
A2 (88 a 138 kV) 41,41 37,96
I - demanda de potência (kW): um
A3 (69 kV) 45,11 38,93 preço único.
A3a (30 kV a 44 kV) 50,35 44,51
A4 (2,3 kV a 25 kV) 52,19 46,12 II - consumo de energia (kWh):
AS (subterrâneo) 54,62 48,28
a) um preço para horário de ponta em
período úmido (PU);

Tabela 6.6 Tarifas de energia elétrica para modalidade b) um preço para horário fora de ponta
de tarifação Horo-sazonal azul – tarifas de em período úmido (FU);
ultrapassagem - referente à concessionária CEMIG
(Fonte: resolução ANEEL N° 87/2000 – Quadro D). c) um preço para horário de ponta em
período seco (PS); e
Tarifa de ultrapassagem - Horo-sazonal Azul d) um preço para horário fora de ponta
Demanda em período seco (FS)
(R$/kW)
Segmento horo-sazonal Fora de
Embora não seja explícita, a Resolução
subgrupo
Ponta
ponta 456 permite que sejam contratados dois
Seca ou Seca ou valores diferentes de demanda, um para o
úmida úmida período seco e outro para o período úmido.
A1 (230 kV ou mais) 35,51 7,47
A2 (88 a 138 kV) 38,14 8,71 Não existe contrato diferenciado de
A3 (69 kV) 51,21 14,00 demanda no horário de ponta, como na tarifa
A3a (30 kV a 44 kV) 54,30 18,09
A4 (2,3 kV a 25 kV) 50,21 16,74 azul. Assim, o faturamento da parcela de
AS (subterrâneo) 52,54 25,66 demanda será composto por uma parcela
apenas, relativa ao período seco ou ao
período úmido, usando o mesmo critério do
THS-azul, quanto a eventuais ultrapassagens
6.3.2.2 Tarifação horo-sazonal verde
de demanda contratada.
O enquadramento dos consumidores Para o cálculo da parcela de ajuste de
do Grupo A na tarifação horo-sazonal verde é fator de potência, o dia é dividido em três
obrigatório para tensão de fornecimento partes: horário capacitivo, horário de ponta, e
inferior a 69 kV (subgrupos A3a, A4 e AS) o restante. Se o fator potência do
quando a demanda contratada for igual ou consumidor, registrado ao longo do mês,
superior a 300 kW, em alternativa a tarifação estiver fora dos limites estipulados pela
horo-sazonal azul. legislação, haverá penalização por baixo
fator de potência. Se o fator de fator de

CAPÍTULO 6 – TARIFAÇÃO DA ENERGIA ELÉTRICA 166


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potência do consumidor estiver dentro dos Tabela 6.8 Tarifas de energia elétrica para modalidade
limites pré-estabelecidos, esta parcela não é de tarifação Horo-sazonal Verde – segmento sazonal -
referente à concessionária CEMIG (Fonte: resolução
cobrada. ANEEL N° 87/2000 – Quadro F).
Assim como na tarifação horo-sazonal
azul, o consumidor poderá optar pelo retorno Tarifa horo-sazonal Verde
à estrutura tarifária convencional, desde que Consumo
seja verificado, nos últimos 11 (onze) ciclos Segmento horo-sazonal (R$/MWh)
de faturamento, a ocorrência de 9 (nove) Subgrupo Ponta
Seca Úmida
registros, consecutivos ou alternados, de
A3a (30 kV a 44 kV) 479,10 471,26
demandas medidas inferiores a 300 kW. A4 (2,3 kV a 25 kV) 496,69 488,54
AS (subterrâneo) 519,79 511,27
As tabelas 6.7 a 6.9 apresentam
Fora de Ponta
exemplos de tarifas de energia elétrica para a Seca Úmida
tarifação horo-sazonal verde. A3a (30 kV a 44 kV) 50,35 44,51
A4 (2,3 kV a 25 kV) 52,19 46,12
AS (subterrâneo) 54,62 48,28
Tabela 6.7 Tarifas de energia elétrica para modalidade
de tarifação Horo-sazonal Verde – segmento horário -
referente à concessionária CEMIG (Fonte: resolução
ANEEL N° 87/2000 – Quadro E). Tabela 6.9 Tarifas de energia elétrica para modalidade
de tarifação Horo-sazonal Verde – tarifas de
ultrapassagem - referente à concessionária CEMIG
Tarifa horo-sazonal Verde
(Fonte: resolução ANEEL N° 87/2000 – Quadro G).

Subgrupo
Demanda Tarifa de ultrapassagem - Horo-sazonal Verde
(R$/kW)
Demanda
Segmento horo-sazonal (R$/kW)
A3a (30 kV a 44 kV) 5,40
subgrupo Período Seco ou
A4 (2,3 kV a 25 kV) 5,58
AS (subterrâneo) 8,57 úmido
A3a (30 kV a 44 kV) 18,09
A4 (2,3 kV a 25 kV) 16,74
AS (subterrâneo) 25,66

Tarifa Horo-sazonal
VERDE
(binômia)

Consumo Demanda única


(R$/kWh) (R$/kW)

Ponta Fora de Ponta


(P) (F)

Seco Úmido Seco Úmido

Figura 6.7 Tarifação Horo-Sazonal Verde.

CAPÍTULO 6 – TARIFAÇÃO DA ENERGIA ELÉTRICA 167


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Tabela 6.10 Quadro comparativo entre as condições de enquadramento das tarifações convencional e horo-sazonal.
Condições para tarifação
Condições para Tarifação Horo-sazonal (THS)
Convencional
Tarifa Compulsória Opcional

Unidades consumidoras com


Unidades consumidoras
Unidades consumidoras com tensão tensão de fornecimento igual ou
do Grupo A com tensão
de fornecimento inferior a 69 kV superior a 69 kV (subgrupos A1, A2
de fornecimento inferior
(subgrupos A3a, A4 e AS) quando a Azul ou A3), independente da demanda
a 69 kV sempre que a
demanda contratada for inferior a 300 contratada ou inferior a 69 kV,
demanda contratada for
kW, desde que não tenham ocorrido, quando a demanda contratada for
inferior a 300 kW.
nos 11 meses anteriores, 3 (três) igual ou superior a 300 kW.
registros consecutivos ou 6 (seis)
registros alternados de demanda Unidades consumidoras com
Unidades consumidoras
superior a 300 kW. Quando este for o tensão de fornecimento inferior a
com tensão de
caso, é obrigatório o enquadramento 69 kV (subgrupos A3a, A4 e AS)
fornecimento inferior a
na Tarifação Horo-Sazonal (THS). Verde quando a demanda contratada for
69 kV sempre que a
igual ou superior a 300 kW, em
demanda contratada for
alternativa a tarifação horo-sazonal
inferior a 300 kW.
azul.

6.3.3 Tarifação monômia Para o cálculo da parcela de ajuste de


fator de potência, o dia é dividido em duas
Na tarifação monômia, o consumidor partes: horário capacitivo e o restante. Se o
paga à concessionária até duas parcelas: fator de potência do consumidor estiver fora
consumo e ajuste de fator de potência. Não dos limites estipulados pela legislação,
há cobrança da Concessionária quanto a haverá penalização por baixo fator de
Demanda. Não existe a divisão do dia em potência. Se o fator de potência do
horário de ponta e fora de ponta. Acumula-se consumidor estiver dentro dos limites pré-
o total de kWh consumidos, e aplica-se uma estabelecidos, esta parcela não é cobrada.
tarifa de consumo para chegar-se à parcela
de faturamento de consumo.
6.4 Demanda, consumo e fator de
No entanto, o custo da Tarifa de potência
Consumo neste Sistema é bastante
acentuado em relação aos demais. O custo
do Consumo é o mesmo praticado para os Demanda é a média das potências
Consumidores do Grupo B, ou seja, dos ativas instantâneas solicitadas à
Consumidores que não possuem concessionária de energia pela unidade
transformadores particulares, dependendo consumidora e integradas num determinado
apenas da sua classificação como comercial, intervalo de tempo (período de integração), e,
industrial, etc. portanto, só existe quando findo este
intervalo (figura 6.8). Em outras palavras, é o
A possibilidade de enquadramento consumo de energia da sua instalação (kWh)
neste Sistema Tarifário está condicionada a dividido pelo tempo no qual se verificou tal
transformadores particulares com potência consumo. É importante salientar que não
de até 112,5 kVA inclusive. Para existe demanda instantânea, o que existe é a
consumidores com transformadores potência instantânea sendo integrada.
superiores a esta potência existem pré-
requisitos a serem analisados. Para faturamento de energia pelas
concessionárias nacionais, se utilizam
intervalos de integração de 15 minutos (em

CAPÍTULO 6 – TARIFAÇÃO DA ENERGIA ELÉTRICA 168


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outros países este período varia de 5 a 30


minutos). Assim, a sua demanda de energia
(medida em kW ou MW), é igual ao valor do
consumo registrado a cada intervalo de 15
minutos (medido em kWh ou MWh) dividido
por 1/4 (15 minutos são iguais a 1/4 de hora).

C (kWh)
D(kW ) = (6.1)
1 4h Figura 6.9 Cálculo do consumo “C” (kWh).

Em um mês, ocorrem quase 3000


Tomando-se como exemplo a curva da
intervalos de quinze minutos (30 dias x 24
figura 6.9, pode-se calcular o consumo “C”
horas / 15 minutos = 2880 intervalos), os
(energia) através do cálculo da área indicada,
quais servirão de base para o cálculo de
ou seja:
parte da conta de energia elétrica. A
concessionária cobra pela maior demanda
registrada no mês (ou seja, no período de
faturamento), conhecida como demanda
C = (3 × 100 ) + (3 × 200 ) + (3 × 100 ) + (6 × 200 )
máxima, ainda que tenha sido verificada C = 2400kW . min
apenas uma única vez, sendo no mínimo
igual à contratada.
Na prática, a unidade de medida do
consumo (energia) é o kWh, devendo-se,
portanto, dividir o resultado obtido por 60 (60
minutos = 1h):

2400kW . min
C= = 40kWh
60 min

Figura 6.8 Cálculo da demanda “D” (kW).


Observe que a demanda (potência
média), conforme definida pela expressão
(6.1), é igual ao consumo (energia) dividido
Além da demanda há ainda a fatura do pelo intervalo de integração (15 minutos = ¼
consumo, que nada mais é do que a energia hora):
consumida no mês, medida em kWh. Em
outras palavras, é a energia elétrica
despendida para realizar trabalho num C (kWh) 40
D(kW ) = = = 160kW
determinado período de tempo considerado 1 4h 14
(potência x tempo). Fazendo uma analogia
com a mecânica de movimento é como se o
consumo fosse o espaço percorrido e a A figura 6.10 exemplifica um gráfico
demanda fosse a velocidade média em 15 típico de demanda diária, destacando-se o
minutos. horário de ponta no intervalo entre as 18:00h
Matematicamente, a energia (consumo) e 21:00h. Observa-se que o valor da máxima
é a integral de tempo da potência demanda medida é igual a 7.100 kW e
instantânea. Graficamente, representa a área ocorreu às 9:00h. Os gráficos de demanda
sob a curva potência x tempo (figura 6.9). diária são apresentados através das

CAPÍTULO 6 – TARIFAÇÃO DA ENERGIA ELÉTRICA 169


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medições realizadas a cada intervalo de 15 Normalmente, os gráficos


minutos. O gráfico da figura 6.11 ilustra em disponibilizados pelos softwares dos
escala maior o intervalo de medição das 5 controladores de demanda apresentam
(cinco) primeiras horas, onde nota-se também os valores contratuais de demanda e
claramente a representação dos quatro o limite de tolerância de ultrapassagem, além
intervalos de 15 minutos de cada hora das medições da demanda máxima fora de
medida. A figura 6.12 indica o mesmo gráfico ponta e em ponta diárias, semanais, mensais
da figura 6.10, porém representado através ou anuais.
de linha ao invés de barras.
Para o faturamento de energia, o fator
de potência (que, como já visto, é o índice de
eficiência da instalação que mede a
Curva de demanda ativa [kW]
capacidade de converter a potência total
8000
ponta fornecida à instalação – kVA – em potência
7000

6000
que possa realizar trabalho - kW) é registrado
de hora em hora.
Demanda [kW]

5000

4000
Desta maneira, como no caso da
3000

2000
demanda, os mecanismos de tarifação
1000 levarão em conta o pior valor de fator de
0 potência registrado ao longo do mês, dentre
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23

Tempo [horas] os mais de 700 valores registrados (30 dias x


24h = 720 medições).
Figura 6.10 Exemplo de um gráfico típico de demanda
diária (gráfico de barras). É importante lembrar que, como já
apresentado, cada um dos valores do fator
Curva de demanda ativa [kW] de potência medidos são identificados como
4800 indutivos ou capacitivos (figura 6.13).
4700
4600 Como será visto mais adiante, a multa
Demanda [kW]

4500
4400 aplicada pela concessionária depende não
4300
4200
apenas do valor do fator de potência, mas
4100 também se o mesmo é capacitivo ou indutivo
4000
3900
em um determinado horário do dia.
0 1 2 3 4

Tempo [horas]

Figura 6.11 Exemplo de um gráfico típico de demanda


diária (detalhe da fig. 6.10 para o intervalo 0 – 5h).

Curva de demanda ativa [kW]


Cap Ind
8000
1,00
7000 ponta
6000
0,92 0,92
Valor
Demanda [kW]

5000 medido
4000
3000 0,85
2000 0,85
1000
0
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23

Tempo [horas]
0 0

Figura 6.12 Exemplo de um gráfico típico de demanda Figura 6.13 Representação gráfica do fator de potência
diária (gráfico de linha). indutivo e capacitivo.

CAPÍTULO 6 – TARIFAÇÃO DA ENERGIA ELÉTRICA 170


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períodos em que ele é mais


solicitado;
Posto capacitivo Ponta
d) Redução do consumo de energia
reativa capacitiva nos períodos de
carga leve que provocam elevação de
1,0 tensão no sistema de suprimento,
havendo necessidade de investimento
na aplicação de equipamentos
corretivos e realização de
Figura 6.14 Gráfico típico de fator de potência diário.
procedimentos operacionais nem
sempre de fácil execução;

A figura 6.14 representa um gráfico e) Criação de condições para que os


típico de fator de potência diário, onde os custos de expansão do sistema
valores de fator de potência indutivo estão elétrico nacional sejam distribuídos
representados acima do eixo de simetria (Fp para a sociedade de forma mais justa.
= 1) e os valores de fator de potência
De acordo com a legislação atual, tanto
capacitivo abaixo. O horário de ponta está
a energia reativa indutiva como a energia
destacado (18 às 20h), bem como o horário
reativa capacitiva serão medidas e faturadas.
capacitivo (posto capacitivo).
De fato, todo excesso de energia reativa é
prejudicial ao sistema elétrico, seja o reativo
6.5 A legislação do fator de potência indutivo, consumido pela unidade
consumidora, seja o reativo capacitivo,
A Resolução Nº 456 da Aneel (Agência fornecido à rede pelos capacitores dessa
Nacional de Energia Elétrica), de Novembro unidade. Assim, o tradicional ajuste por baixo
de 2000, estabelece as regras e condições fator de potência deixa de existir, sendo
para medição e faturamento da energia substituído pelo faturamento do excedente de
reativa excedente. O Apêndice A energia reativa indutiva consumida pela
disponibiliza na íntegra o texto desta instalação e do excedente de energia reativa
resolução. capacitiva fornecida à rede da concessionária
pela unidade consumidora.
O fator de potência de referência
estabelecido como limite para cobrança de O controle da potência reativa deve ser
energia reativa excedente por parte da tal que o fator de potência da unidade
concessionária é de 0,92, independente do consumidora seja no mínimo 0,92 (média
sistema tarifário. horária), permanecendo sempre dentro da
faixa que se estende do fator de potência
Estes princípios são fundamentados 0,92 indutivo até 0,92 capacitivo (figura 6.15).
nos seguintes pontos: Isto significa que, para cada kWh de energia
a) Necessidade de liberação da ativa consumida, a concessionária permite a
capacidade do sistema elétrico utilização de 0,425 kVAr de energia reativa
nacional; indutiva ou capacitiva, sem acréscimo no
faturamento.
b) Promoção do uso racional de energia;
c) Redução do consumo de energia
reativa indutiva, que provoca
sobrecarga no sistema das empresas
fornecedoras e concessionárias de
energia elétrica, principalmente nos

CAPÍTULO 6 – TARIFAÇÃO DA ENERGIA ELÉTRICA 171


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É importante introduzir os conceitos de


Cap Ind posto capacitivo e posto indutivo, conforme
apresentado nas figuras 6.16 e 6.17.
1,00
0,92 0,92
Valor
medido Capacitivo Indutivo
0,85
0,85
23:30h 6:30h 23:30h

0 0 Figura 6.16 Posto capacitivo e posto indutivo.

Figura 6.15 Representação gráfica da faixa do fator de


potência regulamentada pela Aneel, isenta de
tributação (multa).

Horário
Reativa Capacitiva Reativa Indutiva

Em linhas gerais, para consumidores

Hora do dia

23:30
01:00
02:00
03:00
04:00
05:00
06:30
07:00
08:00
09:00
10:00
11:00
12:00
13:00
14:00
15:00
16:00
17:00
18:00
19:00
20:00
21:00
22:00
23:30
do grupo A, a medição do fator de potência é
compulsória e, para evitar multas, deverá ser
mantido acima de 0,92 indutivo (durante os Figura 6.17 Intervalos de avaliação do consumo de
horários fora de ponta indutivo e de ponta), e energia reativa excedente.
acima de 0,92 capacitivo no horário
capacitivo. Para unidades consumidoras do
Grupo B, a medição do fator de potência é Posto Capacitivo é um período de 6
facultativa, sendo admitida a medição horas consecutivas de segunda a domingo,
transitória, desde que por um período mínimo compreendidas, a critério da concessionária,
de 7 (sete) dias consecutivos. entre 23:30h e 06:30, onde ocorre a medição
da energia reativa capacitiva.
A determinação do fator de potência
poderá ser feita através de duas formas
distintas: Cap Ind
a) Avaliação horária 1,00
0,92 0,92
Valor
O fator de potência será calculado medido
através dos valores de energia ativa e reativa 0,85
0,85
medidos a cada intervalo de 1 hora, durante
o ciclo de faturamento.
b) Avaliação mensal 0 0

Neste caso, o fator de potência será Figura 6.18 Representação gráfica da faixa do fator de
calculado através de valores de energia ativa potência (período capacitivo) regulamentada pela
Aneel, isenta de tributação.
e reativa medidos durante o ciclo de
faturamento.
Segundo a legislação vigente da Aneel, Neste período, as instalações devem
todos os consumidores pertencentes ao manter seu fator de potência acima de 0,92
sistema tarifário horo-sazonal serão Capacitivo (para evitar multas), lembrando
faturados, tomando como base a avaliação que o excesso de capacitores na rede
horária do fator de potência. Para os elétrica poderá levar o fator de potência
consumidores pertencentes ao sistema abaixo de 0,92 capacitivo, acarretando o
tarifário convencional, a avaliação do fator de pagamento de multas por excedentes
potência em geral deverá ser feita pelo reativos nas contas de energia. Neste
sistema de avaliação mensal. período, somente o fator de potência

CAPÍTULO 6 – TARIFAÇÃO DA ENERGIA ELÉTRICA 172


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capacitivo é passivo de cobrança de e evitando assim, o pagamento de multas por


excedentes, o que significa dizer que se o baixo fator de potência. Assim, é importante
fator de potência estiver baixo, porém observar que, nas instalações com correção
indutivo, os excedentes não são cobrados. de fator de potência através de capacitores,
os mesmos devem ser desligados conforme
Por outro lado, Posto Indutivo é o
se desativam as cargas indutivas, de forma a
período de 18 horas complementares ao
manter uma compensação equilibrada entre
Posto Capacitivo de segunda a domingo, ou
reativo indutivo e capacitivo.
seja, das 06:30 às 23:30, onde ocorre a
medição da energia reativa indutiva. Os mesmos critérios de faturamento
aplicados ao excedente de reativo indutivo
Neste período, as instalações devem
serão aplicados ao excedente do reativo
manter seu fator de potência acima de 0,92
capacitivo. O cálculo das sobretaxas (multas)
Indutivo (para evitar multas), lembrando que
por baixo fator de potência serão tratados
a falta de capacitores na rede elétrica poderá
com maiores detalhes na seção 6.5.2.
levar o fator de potência abaixo de 0,92
indutivo, também acarretando o pagamento A curva da figura 6.20 e a tabela 6.11
de multas por excedentes reativos nas exemplificam os intervalos de avaliação do
contas de energia. Neste período, somente o consumo de energia reativa excedente para
fator de potência indutivo é passivo de uma instalação elétrica com postos
cobrança de excedentes, o que significa dizer capacitivo e indutivo definidos pela
que se o fator de potência estiver baixo, concessionária para os períodos de 0:00 às
porém capacitivo, os excedentes não são 6:00h e de 6:00 às 24:00h, respectivamente.
cobrados. Observando-se a figura 6.20, nota-se que no
intervalo das 4 às 6 horas não será
contabilizado o excedente de energia reativa
indutiva, nem no intervalo das 11 às 13 horas
Cap Ind e das 20 às 24 horas o excedente de energia
reativa capacitiva.
1,00
0,92 0,92
Valor
medido

0,85
kVAr indutivo
0,85

0 0
horas
Figura 6.19 Representação gráfica da faixa do fator de 0
4 6 11 13 20 24
potência (período indutivo) regulamentada pela Aneel,
isenta de tributação.

Resumidamente, para evitar a cobrança capacitivo


de multa na conta de energia, pode-se dizer
que: no período indutivo, devem ser ligados
os capacitores; no período capacitivo, os Figura 6.20 Exemplo de intervalos de avaliação do
consumo de energia reativa excedente em uma
capacitores podem ser desligados. instalação elétrica.
Desta maneira, o fator de potência deve
ser monitorado constantemente nos Postos
Capacitivo e Indutivo, atuando
automaticamente (através de controladores)
sobre bancos de capacitores, de forma a
manter o fator de potência sempre adequado

CAPÍTULO 6 – TARIFAÇÃO DA ENERGIA ELÉTRICA 173


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Tabela 6.11 Avaliação da curva de energia reativa da Denomina-se por “importe” o total da
figura 7.20. fatura do consumidor exclusive os tributos,
Período Avaliação
sendo calculada, de maneira genérica, por:
Período de 0 às 4 h Excedente de energia reativa
capacitiva: valores pagos I = [(D × TD ) + (C × TC )]ph / ps + Aj (6.1a)
para FP < 0,92 capacitivo.
Período de 4 às 6 h Excedente de energia reativa
indutiva: valores não pagos Onde,
Período de 6 às 11 h Excedente de energia reativa
indutiva: valores pagos para I = importe (R$);
FP < 0,92 indutivo
Período de 11 às 13 h Excedente de energia reativa D = demanda medida ou contratada, o maior
capacitiva: valores não valor entre ambos (kW);
pagos, independentemente
do valor de FP capacitivo. TD = tarifa de demanda (R$/kW);
Período de 13 às 20 h Excedente de energia reativa
indutiva: valores pagos para
C= consumo medido (kWh);
FP < 0,92 indutivo. TC = tarifa de consumo (R$/kWh);
Período de 20 às 24 h Excedente de energia reativa
capacitiva: valores não ph = posto horário (ponta/fora de ponta);
pagos, independentemente
do valor de FP capacitivo. ps = posto sazonal (seco/úmido);
Aj = ajustes por violação de parâmetros.
De forma simplista, as faturas de
energia elétrica são compostas da soma de
dois grupos de faturamento (além dos A tarifa de consumo deve cobrir todas
encargos e tributos – ICMS, PIS/COFINS): as despesas de geração, mediante uma tarifa
de energia mais os encargos incidentes
a) parcelas referente ao consumo e sobre a parcela “consumo”. A tarifa de
demandas ativas (incluindo a sobretaxa por demanda deve cobrir todas as despesas de
ultrapassagem de demanda contratada) – ver transporte (transmissão e distribuição),
seção 6.5.1; mediante uma tarifa “fio” acrescida dos
b) parcelas referente ao consumo e encargos incidentes sobre a parcela
demandas reativas excedentes, quando “demanda”.
pertinente (não há sobretaxa de Dependendo do tipo de tarifação, a
ultrapassagem para a demanda reativa) – ver expressão de cálculo do importe sobre
seção 6.5.2. variações, as quais serão apresentas em
detalhes a seguir.
Tabela 6.12 Composição da conta de energia elétrica.
Faturamento da energia Faturamento da energia
ativa reativa excedente 6.5.1 O faturamento de energia e
Parcela de Consumo de Parcela de Consumo de demanda ativa
energia ativa (Pc) energia reativa excedente
(FER)
Parcela de Demanda de Parcela de Demanda de
energia ativa (Pd) energia reativa excedente 6.5.1.1 A tarifação convencional
(FDR)
Parcela de Parcela de ultrapassagem A conta de energia elétrica desses
Ultrapassagem de para o consumo de energia consumidores é composta da soma de
Demanda (Pu) reativa (FER de parcelas referentes ao consumo, demanda e
ultrapassagem).
ultrapassagem.

CAPÍTULO 6 – TARIFAÇÃO DA ENERGIA ELÉTRICA 174


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a) Parcela de consumo (PC) c) Parcela de ultrapassagem (PU)

A parcela de consumo é calculada A parcela de ultrapassagem é cobrada


multiplicando-se o consumo medido pela apenas quando a demanda medida
Tarifa de Consumo: ultrapassa em mais de 10% a Demanda
Contratada. É calculada multiplicando-se a
Pc = CA × TCA (6.2) Tarifa de Ultrapassagem pelo valor da
demanda medida (DA) que supera a
Onde: Demanda Contratada (DF):

Pc = valor do faturamento total (em R$) Pu = (DA − DF ) × TDAu (6.4)


correspondente ao consumo de energia
ativa, no período de faturamento; Onde:
CA = consumo de energia ativa medida
durante o período de faturamento, em kWh; Pu = valor do faturamento total
correspondente a demanda de energia ativa
TCA = tarifa de energia ativa aplicável ao excedente à quantidade permitida, no
fornecimento, em R$/kWh; período de faturamento, em R$;
b) Parcela de demanda (Pd) DA = demanda ativa medida durante o
período de faturamento, em kW;
A parcela de demanda é calculada DF = demanda de energia ativa faturável
multiplicando-se a Tarifa de Demanda pela (contratada) no período de faturamento, em
Demanda Contratada ou pela demanda kW;
medida (a maior delas), caso esta não
ultrapasse em 10% a Demanda Contratada: TDAu = tarifa de ultrapassagem de demanda
de potência ativa aplicável ao fornecimento,
Pd = DF × TDA (6.3) em R$/kW.

Onde: Na tarifação Convencional, a Tarifa de


Ultrapassagem corresponde a três vezes a
Pd = valor do faturamento total (em R$) Tarifa de Demanda.
correspondente à demanda de potência
ativa, no período de faturamento; d) Fatura total
DF = demanda faturável, correspondente a
demanda contratada ou a demanda medida O cálculo do custo da fatura de energia
(a maior delas), caso esta não ultrapasse em elétrica para um consumidor enquadrado na
10% a demanda contratada; tarifação convencional é dado por:
TDA = tarifa de demanda de potência ativa Fatura = Pc + Pd + Pu (6.5)
aplicável ao fornecimento, em R$/kW.
Desta forma, caso a demanda
registrada seja inferior à demanda 6.5.1.2 A tarifação horo-sazonal verde
contratada, aplica-se a tarifa de demanda
correspondente à demanda contratada. Caso A conta de energia elétrica desses
contrário, para a demanda registrada consumidores é composta da soma de
superior à demanda contratada, mas dentro parcelas referentes ao consumo (na ponta e
da tolerância de ultrapassagem, aplica-se a fora dela), demanda e ultrapassagem.
tarifa de demanda correspondente à
demanda registrada.

CAPÍTULO 6 – TARIFAÇÃO DA ENERGIA ELÉTRICA 175


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a) Parcela de consumo TDA = tarifa de demanda de potência ativa


aplicável ao fornecimento, em R$/kW;
A parcela de consumo, cuja tarifa na
Desta forma, caso a demanda
ponta e fora de ponta é diferenciada por
registrada seja inferior à demanda
período do ano, sendo mais caras no período
contratada, aplica-se a tarifa de demanda
seco (maio à novembro), é calculada através
correspondente à demanda contratada.