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Macroeconomia I

Modelo de Gerações Sobrepostas

Edilean Aragón
PPGE/UFPB

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1. Introdução
• Modelo de Gerações Sobrepostas: Samuelson (1958), Diamond (1965).
– Em cada período, indivíduos de diferentes gerações estão vivos e podem realizar trocas
uns com os outros.
– Cada geração realiza trocas com diferentes gerações em diferentes períodos de suas
vidas.

• O modelo permite analisar as implicações agregadas da poupança do ciclo


da vida.
– Estoque de capital surge das decisões de poupança dos indivíduos durante o período da
vida economicamente ativa.
– Indivíduo poupa para financiar o consumo durante a aposentadoria.

• O modelo pode ser utilizado para estudar os determinantes do estoque de


capital agregado, bem como os efeitos de políticas governamentais sobre
o estoque de capital e bem-estar de diferentes gerações.

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1. Introdução
• Modelo de gerações sobrepostas, ao contrário do modelo de Ramsey, abre
espaço para mais de um equilíbrio de k que pode ser, por sua vez,
ineficiente.

• O modelo prevê circunstâncias onde um excesso de poupança pode ser


neutralizado por um planejador social.
– Dado que existe um número infinito de gerações, o planejador pode transferir consumo
de uma geração para outra ad infinitum.

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2. Suposições
• O modelo de Diamond assume que os indivíduos nascem, vivem por dois
períodos e morrem.
• Contudo, existe uma sobreposição de indivíduos velhos e novos ao longo
em cada período.
• A análise usa o tempo discreto.

• As variáveis do modelo são definidas em t=0,1,2,... ao invés de t≥0.

• Lt indivíduos nascem no período t. A população cresce a uma taxa


constante e igual a n. Logo, Lt=(1+n)Lt-1.

• Dado que os indivíduos vivem por dois períodos no tempo t, existem Lt


pessoas no primeiro período de suas vidas e Lt-1=Lt/(1+n) no seu segundo
período.

• Cada indivíduo oferta uma unidade de trabalho.

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2. Suposições
• Na juventude, o indivíduo destina sua renda para consumo e poupança.

• C1t e C2t representam o consumo dos jovens e velhos no período t.

• Logo, a utilidade de um indivíduo nascido em t, denotada por Ut, é função


de C1t e C2t+1.

• Assumindo uma função de utilidade CRRA, temos:

C1-θ
1t  C1-θ  1 
Ut = +  2t+1    ,θ > 1 e ρ > -1
1 - θ  1 - θ  1 + ρ 

• θ indica o desejo da família em postergar o consumo entre diferentes


períodos. Quanto menor for θ, mais desejosas as famílias estarão em
deslocar consumo ao longo do tempo (ou seja, maior a propensão a
poupar).
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2. Suposições

• O termo ρ representa a taxa de desconto subjetiva.

• Quanto maior ρ, menor será o valor do consumo futuro em relação ao


consumo presente.

• Se ρ > 0, as pessoas põem maior peso no consumo do primeiro período.


Se ρ < 0, a situação se inverte .

• ρ > -1 assegura que um peso positivo é atribuído ao consumo no segundo


período.

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2. Suposições
• A produção segue os pressupostos clássicos, ou seja, mercado atomizado,
função de produção com retornos constantes de escala F(Kt, LtAt), que, por
sua vez, satisfaz as condições de Inada.

• rt=f’(kt) e wt=f(kt) – ktf’(kt), onde wt é o salário por unidade de trabalho


efetivo (não há depreciação do capital no modelo)
• Existe um estoque inicial de capital, K0, que é apropriado igualmente por
todos os indivíduos velhos.

• No período 0, o capital dotado pelos velhos e o trabalho ofertado pelos


jovens são combinados na produção e ambos são remunerados por suas
produtividades marginais.

• Os velhos consomem custeados pela renda do capital e pela riqueza


existente.

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2. Suposições

• Cada jovem divide sua renda do trabalho (wtAt) entre consumo e


poupança.

• A poupança é para custear o consumo do jovem no período seguinte.

• Logo, o estoque de capital em t+1, Kt+1, é igual ao número de indivíduos


jovens em t, Lt, vezes o volume de recursos poupados (wtAt –C1t) por estes.

• Este capital combinado com a oferta de trabalho da próxima geração são


utilizados na produção em t+1.

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3. Comportamento das Famílias

• O consumo do segundo período de uma pessoa nascida em t é:


C2t+1= (1+rt+1) (Atwt–C1t)

• Dividindo os dois lados da expressão por 1+rt+1,, temos a restrição


orçamentária:
C2t1
C1t   A twt
1  rt1
• O Lagrangeano para o problema de maximização de utilidade do
consumidor é:
C1-θ 1 C1-θ
  1 
L= 1t
+ . 2t+1
+ λ  A t wt -  C1t + C2t+1  
1-θ 1+ρ 1-θ   1 + rt+1 

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3. Comportamento das Famílias

• A combinação das condições de primeira ordem implica na seguinte


relação:
1/θ
C2t+1  1 + rt+1 
=
C1t  1 + ρ 
• A última expressão atesta que se o consumo do indivíduo ao longo do
tempo é crescente ou decrescente depende se a taxa de retorno é maior
ou menor que a taxa de desconto.

• Substituindo a última equação na restrição orçamentária em termos de


C1t, temos:
 1 + rt+1 
(1-θ)/θ

C1t + 1/θ
C1t = A t w t
(1 + ρ)

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3. Comportamento das Famílias
• Resolvendo para C1t :

(1 + ρ)1/θ
C1t = .A t w t
 1 + rt+1 
1/θ (1-θ)/θ
(1 + ρ)
• A última equação mostra que a fração da renda destinada ao consumo no
primeiro período é determinada pela taxa de juros.

• Assumindo que s(r) é a parcela da renda destinada a poupança, tem-se


que este é igual a:
1 + r 
(1-θ)/θ

s(r) =
(1 + ρ)  1 + r 
1/θ (1-θ)/θ

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3. Comportamento das Famílias
• Portanto, reescrevendo a antepenúltima equação:

C1t=(1-s(rt+1))Atwt
• A equação para s(r) indica que a poupança dos jovens é crescente em r se
e somente se (1+r)(1-θ)/ θ for crescente em r.

• A derivada de (1+r)(1-θ)/ θ em relação a r é ((1-θ)/ θ) (1+r)(1-2θ)/ θ . Portanto,


s(r) será crescente em r se θ<1 e decrescente se θ>1.

• Um aumento de r tem dois efeitos: um efeito substituição e um efeito


renda.

• O efeito substituição se caracterizaria por um aumento do consumo no


segundo período em relação ao primeiro.

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3. Comportamento das Famílias
• Entretanto, o fato de um dado montante de poupança aumentar o
consumo no segundo período tende a diminuir a poupança,
caracterizando assim o efeito renda.

• Quando as pessoas são muito dispostas a substituir consumo ao longo do


tempo (θ é baixo), o efeito substituição domina o efeito renda e a
poupança aumenta quando r se eleva.

• Quando os indivíduos tem fortes preferências pela suavização do consumo


(θ é alto), o efeito renda domina o efeito substituição.

• Assumindo θ=1 (função logarítmica), os dois efeitos se anulam e a


poupança dos jovens independe de r.

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4. A Dinâmica de k
• Assim como no modelo de horizontes infinitos, nós podemos agregar o
comportamento dos indivíduos e dessa forma caracterizar a dinâmica da
economia.

• O estoque de capital é representado pela seguinte expressão:


Kt+1=s(rt+1)LtAtwt
• A poupança no período t depende da renda total do trabalho neste
período e do retorno do capital esperado para t+1.

• Dividindo a última expressão por Lt+1At+1, temos:


1
k t+1 = s(rt+1 )w t
(1 + n)(1 + g)

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4. A Dinâmica de k

• Substituindo r e w tem-se:
1
k t+1 = s(f'(k t+1 ))  f(k t ) -k t f'(k t )
(1 + n)(1 + g)
• Observe que kt+1 é uma função (implícita) de kt. Um valor de kt tal que
kt+1 = kt satisfazendo essa equação é o valor de k na trajetória de
crescimento equilibrado.

• Vamos analisar o modelo considerando uma função de utilidade


logarítmica e uma função de produção de Cobb-Douglas.

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4.1 Utilidade logarítmica e
produção Cobb-Douglas
• Sabendo que
 1 + r
(1-θ)/θ

s(r) =
(1 + ρ)  1 + r 
1/θ (1-θ)/θ

e assumindo um θ=1 , temos


1
s(r) =
2+ρ
• Assumindo uma função de produção Cobb-Douglas, temos y=kα e que w
passa a ser (1-α)kα. Logo:
1  1  α
k t+1 = (1 - α)k
(1 + n)(1 + g)  2 + ρ 
t

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4.1 Utilidade logarítmica e
produção Cobb-Douglas

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4.1 Utilidade logarítmica e
produção Cobb-Douglas
• Do último gráfico pode-se ver que kt+1 é função de kt.

• Pode-se observar que kt+1 = kt quando a função kt+1(kt) intercepta a linha de


45°.

• Outra igualdade se dá quando kt = 0, mas esse ponto é descartado porque


k0 > 0.

• Existe apenas um único equilíbrio de estado estacionário representado por


k*.

• Vale ressaltar que k* é globalmente estável. Para observar isso, assuma


que k0 < k*. Da função kt+1(kt) , verifica-se que k1 é maior que k0. Portanto,
k está se movendo para k*.

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4.1 Utilidade logaritimica e
produção Cobb-Douglas
• As propriedades da economia no equilíbrio de estado estacionário são
semelhante as do modelo de Solow e de Ramsey.

• A taxa de poupança é constante, o produto por trabalhador cresce a uma


taxa g e o produto agregado cresce a taxa n+g.

• O gráfico a seguir mostra os efeitos de uma queda na taxa de desconto, ρ.

• Uma queda em ρ faz com que os jovens poupem uma parcela maior da
renda do trabalho.

• Após o choque a função kt+1 se desloca para cima. A economia convergirá,


portanto, para um equilíbrio com nível de k maior que o de equilíbrio
anterior.

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4.1 Utilidade logaritimica e
produção Cobb-Douglas

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4.1 Utilidade logaritimica e
produção Cobb-Douglas
• As equações de estado estacionário de y* e k* são:
1
 1-α  1α
k* =  
 (1 + n)(1 + g)(2 + ρ) 
α

*  1-α  1α
y = 
 (1 + n)(1 + g)(2 + ρ) 

• A última equação mostra como os parâmetros afetam o produto por


trabalho efetivo na trajetória de crescimento equilibrado.

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4.2 Velocidade de convergência
• O quão rápido a economia converge para o k*? A resposta é obtida através
da linearização da equações de transição de k em torno da trajetória de
crescimento equilibrado. A equação de movimento é dada por:
1  1  α
k t+1 = (1 - α)k
(1 + n)(1 + g)  2 + ρ 
t

• Fazendo uma aproximação de Taylor de primeira ordem em torno de k*:


 dk 
k t 1 k   t 1
*
 k t  k* 
 dk t 
 k t k* 
• Considerando λ igual a dkt+1/dkt em torno de kt=k*, temos:
k t 1  k * λ t k 0  k* 
onde k0 é o valor inicial de k.

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4.2 Velocidade de convergência
• A convergência para a trajetória de crescimento equilibrado é
determinado por λ.

• Se λ está entre 0 e 1, o sistema converge suavemente.

• Caso λ está entre -1 e 0, a convergência se dará de modo errático.

• Se λ for maior que 1, o sistema não converge e caso seja menor que -1
apresenta oscilações explosivas.

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4.2 Velocidade de convergência
• Para se encontrar λ parte-se da equação de movimento kt+1 , daí:

dk t+1 α(1 - α)k*α-1


λ =
dk t k t =k*
(1 + n)(1 + g)(1 + ρ)
α-1
α(1 - α)  1-α  1-α
=
(1 + n)(1 + g)(1 + ρ)  (1 + n)(1 + g)(1 + ρ) 

• Dado que α está entre 0 e 1, então k converge suavemente para trajetória
de crescimento equilibrado.

• Se α for igual a 1/3, k se move 2/3 de seu caminho para k* em cada


período.

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4.2 Velocidade de convergência

• É importante destacar que a taxa de convergência no modelo de Diamond


difere da do modelo de Solow.

• A explicação é a seguinte: apesar da taxa de poupança do jovem ser uma


fração constante da renda e sua renda uma fração constante da renda
total, a despoupança dos velhos não é uma fração constante da renda
total.

• A despoupança dos velhos equivale a uma fração do produto Kt/F(Kt,AtLt)


ou kt/f(kt). O fato de existirem retornos decrescentes para o capital implica
que esta razão é crescente em k.

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4.2 Velocidade de convergência
• Dado que este termo entra negativamente na poupança, o total poupado
como fração do produto é função decrescente de k.

• Portanto, a poupança total como parcela do produto está acima de seu


valor na trajetória de crescimento equilíbrio quando k<k*. Como
resultado, a convergência é mais rápida do que a do modelo de Solow.

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4.3 O caso geral
• Relaxemos as suposições associadas a função de utilidade logarítmica e a
função produção Cobb-Douglas.
• Veja que a equação de movimento de capital
1
k t+1 = s(f'(k t+1 ))  f(k t ) -kf'(k t )
(1 +n)(1 + g)
pode ser reescrita como

k t+1 =
1
s(f'(k t+1 ))
 f(k t ) -kf'(k t )
f(k t )
(1 +n)(1 + g) f(k t )
• Esta equação expressa o capital por unidade de trabalho efetivo no tempo
t+1 como função do produto por trabalho efetivo em t, da fração do
produto que remunera o trabalho em t; a fração da renda do trabalho que
é poupada e a razão do montante de trabalho efetivo no tempo t (LtAt) em
relação ao tempo t+1 (Lt+1At+1).

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4.3 O caso geral

• O gráfico a seguir apresenta o caso de múltiplos valores de k*, onde k1 e k3


são equilíbrios estáveis e k2 é equilíbrio instável.

• Para justificar a idéia de equilíbrios múltiplos, vale salientar que o produto


por unidade de capital diminui a medida em que k cresce.

• Neste caso, para que exista mais de um equilíbrio, a poupança dos jovens
como proporção do produto deve aumentar a medida em que a renda
cresce.

• Quando a fração do produto destinada ao trabalho e a fração da renda do


trabalho poupada são constantes, a poupança dos jovens será uma fração
constante do produto, inexistindo múltiplos equilíbrios.

28
4.3 O caso geral

29
4.3 O caso geral

• Essa última descrição refere-se a um cenário onde se tem uma função de


utilidade logarítmica e uma produção Cobb-Douglas.

• Contudo, se a parcela do trabalho é maior em níveis mais altos de k e/ou


se os trabalhadores poupam uma parcela maior da renda quando a taxa
de retorno é mais baixa (θ>1), existirá mais de um nível de k de equilíbrio
no qual a poupança é suficiente para reproduzir os níveis de capital
existentes.

• No gráfico a seguir, kt+1 sempre será menor que kt. Logo, k converge para
zero não importando seu valor inicial.

• Para que isto ocorra é necessário que a fração da renda destinada ao


trabalho ou a fração da renda poupada se aproxime de zero a medida em
que k se aproxime de zero.

30
4.3 O caso geral

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4.3 O caso geral
• No gráfico a seguir, é mostrado um caso onde k tende a zero se k<k1, e k
tenderá a k2 se k>k1.

• Esses diferentes resultados mostram que assumir gerações sobrepostas


tem implicações relevantes para a dinâmica da economia: por exemplo, o
crescimento sustentado pode depender diretamente das condições
iniciais da economia.

• Ao mesmo tempo o modelo não vai muito além do proposto pelos


modelos e Solow e de Ramsey no tocante aos determinantes do
crescimento sustentado.

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4.3 O caso geral

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5. Ineficiência dinâmica
• A principal diferença entre as trajetórias de crescimento sustentado do
modelo de Diamond e as dos modelos de Solow e Ramsey envolve
discussões a respeito do bem-estar.

• No modelo de Diamond, os indivíduos nascem em diferentes períodos.


Logo, atingem diferentes níveis de utilidade.

• Portanto, os meios de avaliar o bem-estar social não são claros.

• No entanto, um critério mínimo pode ser estabelecido: o equilíbrio deve ser


Pareto eficiente.

• Contudo, o equilíbrio do modelo de Diamond nem sempre satisfaz esse


critério de eficiência.

• O estoque de capital de equilíbrio, k, pode exceder o seu valor da regra de


ouro, de modo que um aumento permanente do consumo é possível.
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5. Ineficiência dinâmica

• Para ver esta possibilidade é conveniente assumir uma função logarítmica,


uma função de produção Cobb-Douglas e um g=0 de modo que:
1

* 1-α  1α
k = 
 (1 + n)(2 + ρ) 
• O produto marginal do capital na trajetória de equilíbrio é αk*α-1:
* α(1 + n)(2 + )
f'(k ) =
(1 - α)
• O estoque de capital de Regra de Ouro (GR) implica em f’(kGR)=n. Assim,
f’(k*) pode ser maior ou menor que f’(kGR).

• Para um α muito pequeno, f’(k*) tende a ser menor que f’(kGR). Logo, o
estoque de capital da trajetória de equilíbrio balanceado excede o estoque
de capital físico da Regra de Ouro.

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5. Ineficiência dinâmica

• A noção de ineficiência fica evidente quando se considera um k maior que


kGR.
• Caso não haja alteração deste cenário, o montante de produto por
trabalhador disponível para consumo será, f(k*), menos o investimento
necessário para manter constante o k*, nk*. Isto é indicado pelas cruzes no
próximo gráfico.

• Suponha que, no período t0, um planejador aloque mais recursos para o


consumo (e menos para poupança), tal que o capital por trabalhador no
próximo período seja kGR.

• Em t0, os recursos por trabalhador disponíveis para o consumo são


f(k*)+(k*-kgr)-nkGR.

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5. Ineficiência dinâmica

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5. Ineficiência dinâmica
• Em cada período após t0, o consumo por trabalhador será f(kRG)-nkRG
(representado pelos os círculos no gráfico).

• Visto que kRG maximiza c = f(k)-nk, cRG = f(kRG)-nkRG excede c* = f(k*)-nk*.

• Dado que k* é maior que kRG então f(k*)+(k*-kRG)-nkRG é maior que


f(kRG)-nkRG.

• O planejador pode, portanto, alocar consumo entre jovens e velhos de


modo a melhorar o bem-estar de cada geração.

• Logo, o modelo de Diamond considera a possibilidade de Ineficiência no


sentido de Pareto.

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5. Ineficiência dinâmica
• Questão: dado que os mercados são competitivos e que não existem
externalidades, como o resultado de uma economia descentralizada pode não
ser Pareto eficiente?
• O motivo dessa aparente inconsistência se deve ao fato de que, além da
ausência de externalidades e da existência competição perfeita, é necessário
considerar um número finito de agentes.
• Em outras palavras, a ineficiência se deve ao fato de que a infinidade de
gerações permite ao planejador fornecer consumo para os idosos que não
estão no mercado.
• Em uma economia descentralizada, se os indivíduos que estão no mercado
desejam consumir quando idosos, esses optam por poupar, mesmo a uma taxa
de juros baixa.

• Para o planejador benevolente, entretanto, o consumo entre idosos e jovens


não precisa ser determinado pelo estoque de capital e sua taxa de retorno.

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5. Ineficiência dinâmica

• Por exemplo, o planejador pode alocar uma unidade da renda do trabalho


de um jovem para um idoso.

• Dado que existe 1+n pessoas jovens para cada idoso, este tipo de
transferência aumentará o consumo de cada pessoa idosa em 1+n
unidades.

• De modo a tornar atraente esta perda de renda para os jovens no


presente, o planejador pode propor que esta medida seja aplicada nos
períodos seguintes.

• Neste cenário, caso k* > kRG, esta forma de transferência de recursos é


mais eficiente do que a poupança. Assim, o planejador pode aperfeiçoar a
alocação descentralizada.

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6. Governo no modelo de Diamond

• Deixe Gt denotar os gastos governamentais por unidade de trabalho


efetivo no tempo t financiados por um imposto lump-sum.
• Neste caso, a renda dos trabalhadores após o imposto é (1 - α)k αt  Gt .
• Assumindo uma função de utilidade logarítmica e uma função de
produção Cobb-Douglas, a introdução do governo no modelo de Diamond
implica em:
1  1 
k t+1 =   
(1- α)k 
t  Gt 
α

(1+n)(1+ g)  2 + ρ 
• Com base na última equação quanto mais alto G, menor kt+1 e,
consequentemente, k*. Portanto, um aumento dos gastos governamentais
conduz a um nível mais baixo de estoque de capital e uma taxa de juros
mais alta.

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6. Governo no modelo de Diamond

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6. Governo no modelo de Diamond

• Intuitivamente, os indivíduos reduzem o consumo no primeiro período


numa proporção menor que a do aumento dos gastos governamentais.

• Dado que o imposto incide apenas no primeiro período de suas vidas, isto
resulta numa redução da poupança.

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Referências
Romer, D. Advanced Macroeconomics, 3ª ed., cap. 2, seção 2.8-2.12.

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