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PAPIA

Revista Brasileira de Estudos do Contato Linguístico


Editores
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e-ISSN 2316-2767

PAPIA

Revista Brasileira de Estudos do Contato Linguístico

Volume 28(2), 2018

revistas.fflch.usp.br/papia
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Revisão dos autores


Table of Contents / Sumário

Seven ways to say no: the negation system in Macau Creole Portuguese
Sete maneiras de dizer não: o sistema de negação em Português Crioulo de Macau 157
Alexandre Lebel

O papel das bibliografias na História da Crioulística II: Uma reação em cadeia


The role of bibliographies in the History of Creolistics II: A chain reaction . . . 201
Silvio Moreira de Sousa

Documentação do português falado em comunidades rurais afro-brasileiras


de Sergipe: procedimentos metodológicos
Documentation of the Portuguese spoken in Afro-Brazilian rural communities of
Sergipe: methodological procedures . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 219
José Humberto dos Santos Santana / et al.

As proformas pronominais ‘esse um’, ‘aquele um’ e a comunidade quilombola


de Jurussaca
The pronominal proforms ‘esse um’, ‘aquele um’ and the quilombo community
of Jurussaca . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 239
Ednalvo Apóstolo Campos / Rosana Siqueira de Carvalho do Vale

As glides do guineense: proposta de interpretação fonológica


The glides of Guinea-Bissau Creole: proposal of a phonological interpretation . 255
Sandra Marisa Costa Chapouto

Nota editorial / Editor’s note . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 271


PAPIA, São Paulo, 28(2), p. 157-200, Jul/Dez 2018.

Seven ways to say no:


the negation system in Macau Creole Portuguese
Sete maneiras de dizer não:
o sistema de negação em Português Crioulo de Macau

Alexandre Lebel1
University of Saint Joseph, Macau sar, China
alexandre.lebel@usj.edu.mo

Abstract: The formation of Macau Creole Portuguese (MCP) is


attributed to Papia Kristang speakers. However, the contact with
Chinese Yue and Min dialects and Indo-Portuguese Creole varieties,
and the decreolization towards Standard Portuguese have significantly
altered MCP. The negation system in MCP has retained elements
from Kristang, but new ones were introduced while others were
replaced or eliminated. This study describes different usages of
negation in Asian Portuguese-based creole languages and in their
respective substrates. The analysis of historical and contemporary
written documents allowed us to identify the source of the negative
markers in MCP. We have identified seven different negative markers
in MCP. Nunca, nom, and nádi are undoubtedly related to Kristang.
The Kristang perfective nenáng is not present and the imperative nang
was relexified with ne-bom, possibly from Cantonese. The deontic
nuncassá was introduced, also a possible relexification from Cantonese.
Furthermore, we also identify grammaticalization of modal verbs (the
deontic numestê and volitional nonquêro) as negative markers. The
interaction between cognitive development and language acquisition
appears to be expressed semantically and syntactically in the negation
system in MCP, as is seen through the semantic analysis of nuncassá
and numestê, which suggests a strong interaction between negation
and deontic modality.

1I wish to thank Prof. Alan Baxter for encouragement and for helpful criticism of earlier versions. All
errors are mine.

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158 Alexandre Lebel

Keywords: Macau; Portuguese-lexified Creole; negation; deontic


modality.

Resumo: A formação do Português Crioulo de Macau (MCP) é


atribuída a falantes do Papia Kristang. No entanto, o contato com os
dialetos chineses Yue e Min e as variedades crioulas indo-portuguesas
e a descreolização sob pressão do português padrão alteraram de
maneira significativa a gramática do MCP. O sistema de negação no
MCP reteve elementos do Kristang, mas foram introduzidos itens
novos enquanto outros foram substituídos ou eliminados. Este estudo
descreve os diferentes usos da negação em línguas crioulas de base
portuguesa na Ásia e em seus substratos respectivos. A análise
de documentos históricos e contemporâneos escritos em MCP nos
permite identificar a fonte dos marcadores de negação em MCP.
Identificamos sete marcadores negativos no MCP. Nunca, nom e
nádi estão indubitavelmente relacionados com o Kristang. O nenáng
perfectivo do Kristang não existe e o imperativo nang foi relexificado
com ne-bom, possivelmente do cantonês. O nuncassá deôntico foi
introduzido, também uma possível relexificação do cantonês. Além
disso, também identificamos a gramaticalização de verbos modais (o
numestê deôntico e o nonquêro volitivo) como marcadores negativos. A
interação entre o desenvolvimento cognitivo e a aquisição de linguagem
parece expressar-se semanticamente e sintaticamente no sistema de
negação na MCP, como se vê através da análise semântica de nuncassá e
numestê, o que sugere uma forte interação entre negação e modalidade
deôntica.

Palavras-chave: Macau; crioulo de base lexical portuguesa; negação;


modalidade deôntica.

Introduction

The 16th century origin of Macau Creole Portuguese (MCP) is commonly attributed
to the presence of Malayo-Portuguese speakers (Holm 1988: 296) in a population
that included European Portuguese, people from Southeast and South Asia, and
Africa (Ptak 1982: 27), and an initially limited, but growing presence of Chinese. In
the last two centuries, under pressure from Portuguese and the growing influence
of Cantonese, the creole eventually underwent radical attrition2 .

2 This study was supported by Fundação Oriente Macau, Bolsa de Estudo para doutoramento.

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Seven ways to say no...
Sete maneiras de dizer não... 159

While a number of studies have drawn attention to elements of MCP grammar


(Batalha 1974; Morais-Barbosa 1969; Nunes 1994, 2008, 2012) and lexicon (Batalha
1988) that bear the stamp of the Malacca substrate and the diverse adstrates, many
points of the typology of MCP are yet to be explored and described. The present study
addresses the negation system of MCP, which has hitherto received little attention
in the existing research literature. In MCP, we will observe a complex negation
system which has introduced, eliminated and replaced several negative markers.
Focusing on 19th and 20th century written sources, we investigate synchronic and
diachronic variation in the MCP negation system, while considering comparative
data from other relevant Asian Portuguese-based creole languages (PCLs).
The first section presents the historical background of MCP. The second section
decribes our methodology. In the third section of the paper, we consider the
historical relation between MCP and the South and Southeast Asian PCLs and their
respective substrates, and we will present a cross-linguistic description of the usage
of negation in those languages, mainly sentential negation, negative imperatives and
tag questions. In the fourth section, we address the syntax of negation in the MCP
in order to identify the possible sources of the negation strategies and to observe
their evolution. We aim to determine how negation in MCP is related to other Asian
PCLs and to Sinitic languages, and how it was affected by the decreolization process.
Finally, in the fifth section, we will describe the development of negation in MCP
from a semantic perspective.

1 Historical background

Macau was officially established in 1557 from the Portuguese enclave of Malacca, and
the origin of MCP is mainly attributed to the presence of speakers of Malacca CP in
the foundation population (Holm 1988: 296; Baxter 2009: 284; Ansaldo 2009: 159-181).
While the early population also comprised indigenous and Eurasian elements from
the Portuguese enclaves in India (Ansaldo 2009: 44), as well as Malays, Timorese and
Africans (Ptak 1982: 27), the presence of Chinese within the Macanese community
was initially marginal.3 Subsequently, Chinese from neighboring villages were drawn
to Macau, and many converted to Catholicism and adopted the Portuguese culture,
especially women, who were integrated as wives, concubines and housemaids (Ptak
1982: 31). By the 19th century, the Chinese constituted a huge majority (Ptak 1982: 28;

3 Segregationof foreigners was imposed by Chinese authorities, regulating all contacts between
foreigners and the local Chinese population and forbidding Chinese to live within the settlement.
This policy was maintained until the aftermath of the Opium Wars, during the 1850s (Ansaldo 2009:
76-77).

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Ansaldo 2009: 159). In the same period, with increased socio-economic development
of Macau, and notably the establishment of Portuguese-language schools, the early
creole was fast decreolizing (Baxter 2009: 284; Nunes 2014: 31-33; 2012: 19). Finally,
during the 20th century, pressure from Portuguese and an ever-increasing Chinese
influence precipitated a language shift which contributed to the attrition of MCP
(Holm 1988: 298; Correia 1999. While Batalha (1978, 1988) was able to work with
functional L1 speakers of the language in the 1950-1970s decades, such speakers
can no longer be found. Rather, with rare exceptions, there is a population that,
in the main, has a passive knowledge of fragments of the language (Nunes 2012:
20; Baxter 2009). The language today is highly endangered (Moseley 2010: 72) and
essentially no longer vital as a language of day-to-day communication. Rather, MCP
now is mainly confined to an emblematic cultural role, in plays and video clips, and
literature (Nunes 2012: 21).

2 Data and method

The data for the present research are mainly from written materials.4 This naturally
imposes a number of constraints on our study, since the earliest documents on
Asian PCLs date only from the 19th century and some creoles are now either extinct,
decreolized, or have evolved significantly and may no longer preserve certain older
grammatical structures. The materials in question are all from published sources, and
relate to both MCP and the other Asian PCLs that will provide points of comparison
in the study.
Central to our study, we have built a searchable corpus of MCP which includes
published documents such as letters, songs, dialogues, poems, diaries, novels and
theatre plays5 . We should note that the authorship of some documents is unknown
and it is not clear to what extent the texts were edited for the purpose of publication.
Also, when the documents are not dated, we refer to the date of publication, although
the original documents are possibly older. Some of the earlier documents were
published in Ta-ssi-yang-kuo between 1889 and 1904 (Pereira 1995) and Renascimento
(Barreiros 1943-1944). Also, the recent works of José de Santos Ferreira (1921-
1993) and Carlos Coelho (1934-2016) are also represented. In total, the corpus

4 We anticipate a future study based on 20th century audio-recorded materials.


5A list of the documents included in the corpus is presented in Annex 1. Throughout this study, we use
the transcription systems as provided by the references. Also we use the original glosses, if provided
by the author, otherwise our glosses follow the Liepzig Glossing conventions.

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Sete maneiras de dizer não... 161

incorporates approximately 100,000 words. Concordancing and sorting of this


corpus was conducted by means of the AntConc Version 3.5.7 (Anthony 2018).
In investigating negation in MCP, we employ both synchronic and diachronic
descriptive approaches, as well as incorporating comparisons with other relevant
Asian PCLs, and appropriate substrates and adstrates. We address both semantic
and syntactic aspects of the negation system. Our cross-linguistic analysis relies
on studies of individual Asian PCLs (Batalha 1978; Baxter 1988, 1990; Maurer
2013; Nunes 2010) and comparative studies in the existing research literature
(Ferraz 1987; Michaelis et al. 2013). Where syntax is concerned, we will consider
negative declarative verbal main clauses (standard negation), negative imperatives
(prohibitives), and negative tag (disjunctive) questions. We will describe standard
negation in terms of symmetry. Standard negation is said to be symmetrical if the
negative and affirmative structures are identical, except for the presence of negative
marker(s) (Miestamo 2005: 51). Also, we will establish if prohibitives are different
or not from standard negation and require a marker that is not used in declarative
construction (Van der Auwera 2005: 25), and we will describe functionally the usage
of tag questions, as whether they are declarative statements or formal questions
(Kimps 2018: 14-25). From a semantic viewpoint, we will describe the interaction
between negation and modality based on the notions of modal suppletion and
negation placement strategies (De Haan 1997: 58). Furthermore, our analysis will
consider the semantic categories of negation (Dimroth 2010: 43, 60) and the lexical
aspect (Andersen and Shirai 1996: 529).

3 Cross-linguistic comparison

In this section, we undertake a review of negation constructions in the languages


that have potentially contributed to the development of negation in MCP. Thus,
we consider the contribution of Middle Portuguese (MP), which provided input
to creolization and essentially co-existed with these creoles. However, more
importantly, the Malayo-Portuguese Creoles and their respective substrates are of
special relevance, since Malacca was for many years the nearest official Portuguese
base to Macau and had been the main staging post for the foundation of Macau.
Papia Kristang, Batavia and Tugu CP (BTCP), Malay, the principal substrate and
wide-ranging lingua franca of Southeast Asia must be considered, as also must
Hokkien, present in Malacca before the arrival of the Portuguese. Further afield,
since Macau remained connected with South Asian ports via trade and migration
routes, locations where PCLs developed (Baxter 2012: 142), it is also necessary
to consider the potential contribution of the Indo-Portuguese Creoles and their
Indo-Aryan and Dravidian substrates (Holm 1988: 284-285). The creoles in question

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are primarily Sri Lanka CP (SLCP) and the Malabar CP varieties; and to a lesser
extent, Korlai CP, and Diu and Daman CP.
The Portuguese presence in the Malay peninsula and Indonesian archipelago
during the 16th and 17th centuries led to the formation of three documented
Portuguese-based creoles: Kristang (Baxter 1988), BTCP (Maurer 2011) and Bidau
CP (Baxter 1990). Kristang is still spoken in Malacca and shares structural features
with Malay (Baxter 1988: 218). BTCP are extinct creoles once spoken in the present-
day Jakarta region that were introduced by Kristang speakers and influenced by
Indo-Portuguese varieties (Maurer 2011). Each of these varieties may be classified as
a Malayo-Portuguese Creole, as the principal substrate and language in prolonged
contact with these varieties is Malay. At the same time, the development of coastal
and vehicular varieties of Malay owes much to Hokkien (Ansaldo 2009: 161), a
Southern Min dialect, whose influence is particularly significant in Baba Malay
and Bazaar Malay during the 15th century (Ansaldo 1999: 39), and indirectly, on
the subsequent formation of Kristang. Indeed, Bazaar Malay was the predominant
language of the cosmopolitan trade city of Malacca at the time of the Portuguese
conquest in 1511 (Baxter 1988: 4). Arcodia (2017: 24) has suggested that Sinitic
influence in MCP could be indirectly attributed to Hokkien during the diffusion of
Kristang in Southeast Asia.
In Macau itself, both Hokkien and Cantonese are of prime historical significance.
Hokkien merchants were actively engaged in Macau during the 16th century (Chin
2010: 171) and Hokkien fishermen could have had an early influence on MCP
(Ansaldo 2009: 80). Also, the influence of Yue dialects, especially Cantonese, on
MCP have been reported by Ansaldo and Matthews (2004: 13) and Nunes (2008: 19).
Finally, it is relevant to look further afield, to the Malabar Coast and Sri Lanka,
which were connected to Macau by commercial networks that could provide
channels through which speakers from those regions may have influenced MCP.
SLCP shares morphological and syntactic features with Sinhalese and Tamil (Smith
2016: 238), the latter being closely related to Malayalam which has also influenced the
formation of the Malabar CP varieties (Krajinović 2015: 79). Of lesser importance,
Korlai CP, spoken by a small and isolated population of Indian Christians, was
influenced by Marathi-speaking communities (Clements 2015: 15). Also, the
formation of Daman CP and Diu CP was influenced by Gujarati (Cardoso 2016:
25; Clements and Koontz-Garboden 2002: 199). A significant part of the MCP
lexicon certainly comes from Indo-Portuguese Creole languages (Baxter 2009: 288)
and grammatical structures were also inherited through Kristang (Hancock 1975:
217-218). However, it is not clear to what extent the structure of negation may have
been affected.

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3.1 Negation in Macau Creole Portuguese


Verbal negation in MCP is mainly constructed with nunca, nom and nádi (Baxter
2009: 286; Ferreira 1996: 243). Nom (and its variants non, nu, no, não) and nunca are
functionally similar and they serve as a general negative marker for all verb, aspect
and tense, except for the future-irrealis which is negated with nádi. In present tense,
symmetry is found between the affirmation and negation: the negative structure
is identical to the affirmative, except for the presence of the negative marker. On
the surface, MCP is using an uninflected negative particle which systematically
precedes the verb following a SNegVO pattern (1).

(1) Vôsso tio nunca dançá.


2S-GEN uncle NEG dance
“Your uncle doesn’t dance.”
(“8 de Novembro, 1869”, in Barreiros 1943: 133)

This SNegVO structure is found in Middle Portuguese (MP), although with


negator não, in a period which corresponds with the Portuguese colonial expansion
in Africa, India and East Asia (Clements and Koontz-Garboden 2002: 173). Broadly
speaking, the grammatical rules of negation found in MP documents from the 16th
century and onwards are syntactically similar to those of Modern Standard European
Portuguese.6 For instance, the negation of declaratives and imperatives only requires
the particle não “no” (2).

(2) Tu não tens nenhum miolo.


2S NEG have none crumb
“Your intelligence is small.” (Lit. “You have no crumb.”)
(Exhortação da Guerra, Gil Vicente 1513, in Bell 2014: 27)

However, in MCP, the symmetric/asymmetric relation is not found in the past (3)
and future tenses (4) where the aspect markers in declarative clauses are suppressed
with negation.

(3) a. Vôsso mai já olá diabo!


2S-GEN mother PRF see devil
“Your mother saw the devil!”
(“Estória de Maria co Alferis Juán”, Ferreira 1996: 72)

6 In this study we will use the term Portuguese to refer to Middle Portuguese and Modern Portuguese
alike.

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b. Iou nunca olá diabo!


1S NEG see devil
“I did not see the devil!”
(“Estória de Maria co Alferis Juán”, Ferreira 1996: 72)

(4) a. Êle onsong vem, e onsong logo vai.


3S alone come and alone FUT-IRR go
“He comes alone, and alone will he go.”
(Os Viúvos, 1928, in Barreiros (1943: 572)
b. Iou nádi vai Ongcông!
1S NEG go Hong Kong
“I will not go to Hong Kong!”
(“César co Cleópatra”, Ferreira 1996: 41)

Also, in some cases, the affirmative and its negative counterpart are morpholo-
gically different. For instance, the modal amestê “must” becomes nom-mestê under
negation (5) while quêre “want” becomes nomquêro (6).

(5) a. Agora, minha Chencha, amestê tomá muito cuidado.


now 1S-GEN Chencha must take much care
“Now, my dear Chencha, you must take care.”
(“7 de Abril, 1870”, in Barreiros 1943: 241)
b. Vôs non mestê papiá babuséra. . .
2S NEGDEON talk nonsense
“You must not talk nonsense. . .
(“Má-língu co má-língu”, Ferreira 1996: 186)

(6) a. Vôs querê más chá?


2S want more tea
“Do you want more tea?”
(“Mui-Mui sua neto”, Ferreira 1996: 48)
b. Non quêro más.
NEG want more
“I don’t want anymore.”
(“Mui-Mui sua neto”, Ferreira 1996: 48)

Additionally, one type of modality requires a specific negative marker, nuncassá


(also num cança or nuncaçá), the negation of necessity (7). Finally, nunca bom (or
nebom) is used for imperative negatives (8).

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(7) Vos nuncaçá medo.


2S NEGNEED afraid
“No need to be afraid!”
(Lolita, 1937, in Barreiros 1943: 26)

(8) Vos nebom medo.


2S NEGIMP afraid
“Don’t be afraid.”
(Lolita, 1937, in Barreiros 1943: 25)

Nom is functionally similar to nunca, although it only combines with a certain


set of verbs (quêro “want”, pôde “can”, sabe “know”; tem “have” and mestê “must”) as
exemplified in (9).

(9) a. Iôu non quêro dóda na casa.


1S NEG want crazy LOC house
“I don’t want a crazy woman in the house.”
(Nora moderna, 1943, in Barreiros 1943: 158)
b. Chico-Chai nom pôde durmí.
Chico-Chai NEG can sleep
“Chico-Chai cannot sleep.”
(“Estória de Maria co Alferis Juán”, Ferreira 1996: 77)
c. Eu nun sabe latim.
1S NEG know Latin
“I don’t know how to speak Latin.”
(“O senhor bem o sabe”, 1888, in Barreiros 1943: 354)
d. Vôs non tem nada di bom.
2SG NEG have nothing CONJ good
“There’s nothing good about you.”
(“Uma descompostura”, 1900, in Barreiros 1943: 591)
e. Vôs nomestê lembrá agora.
2S NEG-must think now
“You shouldn’t think for now.”
(“Macáo, 7 de Abril, 1870”, in Barreiros 1943: 243)

Finally, nunca can be used in focus negative constructions (10), tag questions
with the copula (11) and reduplicative questions (12).

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(10) Eu nunca sam querê ficá cholido.


1S NEG be want become meddlesome
“It is not that I want to be interfering.”
(“Mas um-a disgraça”, 1887, in Barreiros 1943: 254)

(11) Divéra chiste, sã nunca?


really funny be NEGTAG
“It’s really funny, isn’t it?”
(Escritos, Coelho 2012: 29/11)

(12) Vôs pôde, non-pôde ajudá iou?


2S can NEG-can help 1S
“Can you help me?”
(“Padrinho”, Ferreira 1996: 179)

3.2 Negation in Malayo-Portuguese and Indo-Portuguese Creoles


Four negative markers are found in Kristang which shares structural features with
Malay: ńgka, nadi, nenáng and nang (Baxter 1988: 137-142). The grammars of
BTCP are treated concurrently by Maurer (2011: 87-90) who describes four negative
markers: nungku, non, nada, and nang.
Similar to nunca in MCP, Kristang ńgka (13) and BTCP nungku (14) are derived
from the Portuguese nunca “never” and they are considered the general negative
marker for verbs in the past and present, for adjectives, and for nouns.

(13) Eli ńgka bai mar.


3S NEG go sea
“He doesn’t go fishing.”
(Baxter 1988: 139)

(14) Asílay sorti eo nungku buska.


such sort 1SG NEG look for
“This kind I am not looking for.”
(Maurer 2011: 87)

In SLCP, Dalgado (1900: 41) suggested that não negates the verb for the present
and the imperative, whereas nunca (or nunco) is used for the perfect. However,
Smith (2011: 269) argues that the modern nuku is used in both present and past
negative constructions, which supports Berrenger (1811) and Callaway (1820: 38)
who also did not make any distinction between past and present tenses involving
noque or noco (15).

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(15) a. Eu noco intinde aquel


1S NEG understand DEM
“I do not understand it.”
(Callaway 1820: 38)
b. Vosse noco intinde par mi?
2S NEG understand PREP 1S-ACC
“Did you not understand me?”
(Callaway 1820: 38)

Nevertheless, in Malabar CP varieties, a temporal distinction between nu/no and


nuka is also reported by Krajinović (2015: 53) (16).

(16) Olivia Francis s@ pært@ nuka kOmb@rsa Onti.


Olivia Francis GEN SOC NEG.PST conversar ontem
“A Olivia não falou com o Francis ontem.”
(Krajinović 2015: 53)

The distinction between nom and nunca in MCP is discussed further in section
4.
On the other hand, a negative marker morphologically equivalent to nunca
is absent in Diu CP and Korlai CP. The main negative particle in Diu CP (nã)
(Cardoso 2016: 209), and Korlai CP (nu) (Clements 1996: 175) is functionally identical
to standard Portuguese where it is used in all negative sentential constructions,
including prohibitives.
Kristang ńgka and BTCP nungku can also be used with stative verbs and
nonverbal predication without the use of a copula, while in Malay, tidak is mostly
used for verbs and adjectives (17a) and bukan applies to nominal predications (17b)
(Marsden 1812: 84; Shellabear 1912: 23-24; Mintz 2002: 277-284).

(17) a. Encik Ali tidak belajar di Australia.


Sir Ali NEG study LOC Australia
“Mr Ali doesn’t study in Australia.”
(Mintz 2002: 279)
b. Encik Ali belajar bukan di Australia, tetapi di
Sir Ali study NEG LOC Australia but LOC
Amerika.
America
“Mr Ali studies not in Australia, but in America.”
(Mintz 2002: 278)

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168 Alexandre Lebel

In general, the usage of ńgka or nungku follow a symmetrical pattern for present
tense constructions. However, the particles ja or logu which mark the perfective
aspect and the future-irrealis mood are suppressed under negation in both Kristang
and BTCP, and also in SLCP and Malabar CP varieties. In fact, the negation of
the future-irrealis mood is performed with nadi in Kristang (18), or nada in BTCP
(Maurer 2011: 59), but it has no parallel in Malay. The future negative marker
nad/nada is also found in SLCP (Smith 2011: 264), Malabar CP varieties (Krajinović
2015: 53-54) and in Diu and Daman CP7 .

(18) Eli nadi kantá.


3s NEG-FI sing
“He won’t sing.”
(Baxter 1988: 141)

In Indo-Aryan languages such as Sinhalese (Gunasekara 1891: 317; Gair and


Paolillo 1997: 44-46; Chandralal 2010: 265-267), Marathi (Wali 2005: 31-34; Dhoṅgad.e
and Wali 2009: 249-262) and Guajarati (Tisdall 1892: 59-60; Doctor 2004: 60-62),
sentential negation is performed with a simple particle that negates the predicate
by preceding or following it. On the other hand, in agglutinative languages from
the Dravidian family such as Tamil (Rhenius 1836: 97-101; Arden 1969: 228-234;
Schiffman 1999: 142-149) and Malayalam (Drummond 1799: 84-85; Peet 1841: 89-93;
Asher and Kumari 2012: 151-156; Nair 2012: 69-74), the negative is expressed in the
verb by adding a specific suffix to the root so that every verb has two distinctive
paradigms: a declarative and a corresponding negative. However, some distinctions
for tense, mood, and aspect, or person, number and gender between the affirmative
and negative sentences are not equivalent, such as in Tamil (Schiffman 1999: 142).
Moreover, the positive and negative form are not always morphologically related
one to another, such as in Malayalam (Asher and Kumari 2012: 153).
The Kristang nenáng (19) is similar to Malay belum (20) (Baxter 1988: 139) which
expresses the perfective aspect and may be translated as “not yet”. It evokes the
probability or the intention that the statement will eventually become a positive
affirmation. It indicates perfective aspect and it may occur in past, present of future
contexts.

(19) Eli nenáng bai kaza.


3s NEG-PF go house
“He hasn’t gone home yet.”
(Baxter 1988: 140)

7 In Diu and Daman CP nad or n’had is reported in Ta-ssi-yang-kuo (Pereira 1900: 517), but it is absent
from Cardoso’s description of Diu CP

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Seven ways to say no...
Sete maneiras de dizer não... 169

(20) Mariam belum balik.


Mariam NEG-PF back
“Mariam hasn’t returned yet.”
(Mintz 2002: 70)

This aspectual distinction is not found in MCP nor in BTCP. Instead, the
construction of the negated continuative, “not yet”, is formed with the expression
inda nun in MCP, inda na in BTCP (Maurer 2011: 90). Similarly, in Diu CP, ain is
placed after the negated verb (Cardoso 2016: 115).
The Kristang (21) and BTCP (22) nang is the negative particle for prohibitives
and, as with jangan in Malay (23), it occurs with directive speech, indirect commands
and implied purposes.

(21) (Bos) nang bebé sura! !


you NEG-IMP drink toddy IMP
“Don’t drink toddy!”
(Baxter 1988: 186)

(22) Kaladu, nang da sabe.


quiet PROH give know
“Be quiet, don’t tell to anybody.”
(Maurer 2011: 89)

(23) Jangan taruh di situ.


NEGIMP put LOC there
“Don’t put it there.”
(Mintz 2002: 289)

In modern SLCP, the negative deontic numistê became numis, the negative
marker for imperatives (24).

(24) Numis-kaa-largaa.
NEG.IMP-PFV-leave
“Don’t leave [it].”
(Smith 2016: 265)

Similarly, in Malabar CP varieties, the negative imperative uses the modal podi
“can” (25).

PAPIA, 28(2), e-ISSN 2316-2767


170 Alexandre Lebel

(25) BOs minha pært@ asi nu pO kOmb@rsa.


2.NOM 1SG.GEN SOC assim NEG poder conversar
“Não fales assim comigo.”
(Krajinović 2015: 51)

In Indo-Aryan and Dravidian languages, the negation of imperative and


declarative sentences also requires negative constructions different from declarative
sentences. For example, in Sinhalese, the negative particle eppa is added to the
imperative verb instead of nææ, the general negative marker (26).

(26) a. Ranjit wiiduru@ binde nææ.


Ranjit glass break.NPT.FOC NEG
“Ranjit didn’t break the glass.”
(Chandralal 2010: 223)
b. Hinaawenn@ eppa.
laugh.IMP NEG
“Don’t laugh.”
(Chandralal 2010: 255)

Similarly, in Tamil, the particles -aade and -aadenga (more polite) are used in
negative imperatives instead of the particle –lle (27).

(27) a. Avan poduvaa padattukku pooradulle.


he generally picture-DAT going-NEG
“He doesn’t usually go to the movies.”
(Schiffman 1999: 143)
b. Poohaadenga.
go.NEG.IMP
“Please don’t go.”
(Schiffman 1999: 46)

In Marathi, the prohibitive requires the volitional n@ko (“not want”, the negation
of pahije “want”) instead of nahi (28).

(28) a. Lili wed.i nahi.


Lili mad not
“Lili is not mad.”
(Dhońgade and Wali 2009: 251)

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Seven ways to say no...
Sete maneiras de dizer não... 171

b. Gh@ri jau n@ko-s.


home go NEG.2SG-IMP
“Don’t go home.”
(Wali 2005: 33)

In Gujarati, na (māñ or mā according to Tisdall 1892) is used instead of n@’i (29).

(29) a. R@vi aúlo du:khi h@to ke t@mhe puchśo n@hi.


Ravi so-much unhappy be+past result you ask+fut. not
“Ravi was so unhappy that you need not ask.”
(Doctor 2004: 70)
b. Sãpne mar na, jawa de.
snake+Dat. kill not, go+gerund give+IMP
“Do not kill the snake, let him go.”
(Doctor 2004: 56)

As in MCP, the negation of certain verbs in Kristang implies the fusion between a
short negator and the verb such as ńgka: nté (NEG-have), nggere (NEG-want), mpodi
(NEG-can), nsé (NEG-know), numisti (NEG-must) (Baxter 1988: 139). Such contracted
forms are also found in BTCP: nonteng (NEG-have or NEG-be), nungkere (NEG-
want), nompodi (NEG-can), nungsabe (NEG-know), numisti (NEG-must) (Maurer
2011: 88-89); in SLCP: nomtem/nuntinha (NEG-have), nompodê/nompodia (NEG-can),
ninquerê/ninqueria (NEG-want), nemistê (NEG-must), nuvé (NEG-be) (Dalgado 1900;
Smith 2011); and in Malabar CP varieties (Krajinović 2015): nika (NEG-want), nu pO
(NEG + “can).
A fusion is also observed in Korlai CP between the negative particle nu and
the auxiliary tE “is” which is analogous to Marathi nahi, and nutE and becomes the
general negative marker (30) (Clements 1996: 176).

(30) Elo nutE katad.


3PL NEG-be sing
“They have not sung.”
(Clements 1996: 195)

Similarly, nu can combine differently and becomes the future nupa and
conditional nupri, which are derived from Portuguese não pode “not able” and
não poderia “would not be able” (Clements 1996: 176-177).
The fusion between the negative marker and the verb is inherent to the
agglutinant structure of the Dravidian languages, but it is also found in Indo-Aryan

PAPIA, 28(2), e-ISSN 2316-2767


172 Alexandre Lebel

languages. For instance, in Marathi, the negative particle n@ combines with different
auxiliaries which can also work as independent negative verbs, such as “nahi (n@
+ ahe “is”) which negates all finite clauses, nesne (n@ + @sn.e “exist”), n@se (n@ + @se
“used to be”), n@sel (n@ + asel “may”), and n@vh@ta (n@ + hota “was”) (Wali 2005: 31;
Dhoṅgad.e and Wali 2009: 261).
Also, in Gujarati, 2 compound forms are present: n@thi (n@ + th@vũ “becoming”)
and nhOto (n@ + the past participle of hOvũ “to happen”) (Doctor 2004: 61). However,
in Diu CP, negation remains essentially identical to standard Portuguese and no
fusion is observed. Although, the formation of Diu CP was influenced by Gujarati,
Standard Portuguese was still used in school, government offices, and churches until
the end of the colony (Clements and Koontz-Garboden 2002: 203).
Finally, the use of negative markers for tag questions or to emphasize a word
that precedes the tag is commonly observed in most of the Asian PCLs: the usage of
ńgka in Kristang (Baxter 1988: 187) for tag questions can be compared to tidak and
bukan in Malay (Mintz 2002: 284-289). Also, tag question in Kristang can use the
question particle ka (31).

(31) Eli bebé sura ńgka ka.


3s drink toddy NEG QP
“He drinks toddy, doesn’t he?”
(Baxter 1988: 187)

This tag form is also found in BTCP (Maurer 2011: 89) but it is not present in
MCP.
In Diu CP, the usage of the requestative negative particle n@ (32) comes from
Gujarati (Cardoso 2016: 269-270), where na is used in imperatives and in the
formation of polar and tag questions, to ascertain unknown information, and to
establish clarity (Cardoso 2016: 136).

(32) Yo n@ te kaz n@ te n@?


1S NEGcl have.NPST house NEGcl have.NPST REQ
“I do not have a house, you see?”
(Cardoso 2016: 200)

Interestingly, the Diu CP particle n@ is similar to the MCP na, also used for
imperatives, as described in section 4.
In Korlai CP, the negative particles ne and nãw are used for tag question (33)
(Clements 1996), similarly to Marathi where both nahi and n@ can be used in tag
question (Dhońgade and Wali 2009: 250-251).

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Seven ways to say no...
Sete maneiras de dizer não... 173

(33) Mi irmã ti vid aki, nãw?


my sister had come here, TAG
“My sister had come here, right?”
(Clements 1996: 182)

In this section, we have observed similarities between MCP, Kristang, BTCP,


SLCP and Malabar CP varieties which possess a negative marker morphologically
similar to nunca which is used for standard negation. However, symmetrical
constructions are only found in present tense, while the perfective and future-
irrealis markers are suppressed under negation. Also, the fusion between a short
negative marker (nom) and a specific set of verbs as observed in those creoles
is inherent to agglutinative Dravidian languages and it is common Marathi and
Gujarati. Concerning negative imperatives, we saw that a different marker is used
in all languages, with the exception of Diu CP and Korlai CP which are similar
to Portuguese as the same marker is used for standard negation and prohibitives.
However, the prohibitive ne-bom and the deontic nuncassá in MCP were not found
in other creoles, and the aspectual nenáng from Kristang was not found in MCP.
Finally, the usage of negative markers for tag question seems to be common in Asian
PCLs. However, the structure and function of disjunctive questions as found in MCP
are not identical.

3.3 Negation in Sinitic languages


In section 3.1, we have established similarities between MCP, Kristang, BTCP, SLCP
and Malabar CP which corroborate the historical relations between those languages.
However, some features of the MCP negation system, such as the negation of
necessity (nuncassá) and the usage of reduplicative questions, were not found in
other Asian PCLs. Therefore, we should consider the possible influence of Sinitic
languages, mainly Cantonese, which is the predominant language in the region,
and possibly Hokkien, which was significantly present in Macau during the earliest
stage of the settlement.
In Sinitic languages, semantically distinct negative particles and adverbs can
express modality and aspect (Chappell and Peyraube 2016: 484). Such negation
systems include specific markers for standard negation, negative existential, copular
and possessive verbs, and negative imperatives.
In Hokkien (Chappell 2018: 24), bo5 , m7 are the main negative markers. The
negative imperative is generally achieved with mai3 but different markers are used
in nuanced constructions expressing the negation of ability or possibility (boe7 ), the
negation of necessity (m7 bien2 ) or the negation of permission (boe-sai). In Cantonese
(Matthews and Yip 1994: 248-260), m̀h is the main negative marker for present tense
while the existential móuh and the imminent meih are used to negate the past tense
and perfective aspect. Three markers are used for negative imperatives (34): the
general imperative maíh, the more usual and polite injunctive mhóu and the deontic
msái which indicates the lack necessity.

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174 Alexandre Lebel

(34) a. (Léih) máih gám góng yéh la!


(you) don’t so talk thing PRT
“Don’t talk like that!”
(Matthews and Yip 1994: 257)
b. (Léih) mhóu wah béi yàhn teng wo.
(you) don’t say to people hear PRT
“Don’t (you) tell anyone.”
(Matthews and Yip 1994: 257)
c. Ni geui yéh msái joi gói la.
this CL thing no-need again correct PRT
“There’s no need to correct this sentence again.”
(Matthews and Yip 1994: 1994)

The Hokkien bo5 and m7 can also occur at the end of a declarative statement
for formulating Yes-No polar questions (Chappell 2018: 29). In Cantonese, the
general negative marker m̀h is used to form polar Yes-No questions following a
Verb-NEG-Verb structure (35).

(35) Léih sik-m̀h-sik ngóh sailóu a?


you know-not-know my brother PRT
“Do you know my brother?”
(Matthews and Yip 1994: 311)

Similar to both Hokkien and Cantonese, nuncassá MCP, as seen in (7), is marker
that expresses the lack of necessity. Moreover, the structure of reduplicative
questions in Cantonese is also found in MCP, as seen above in (12). The introduction
of nuncassá and the usage of reduplicative questions, possibly attributable to Sinitic
languages, will be discussed further in the following section.

4 Diachronic and synchronic analysis

In section 3, we identified 7 morphologically and semantically different negative


markers in MCP verbal constructions: nom, nunca, nádi, nonquêro, nomestê, nuncassá,
and ne-bom. This system contrasts with the Portuguese não, the single negative
marker for all verbal constructions, but it is also different from the 4 markers of
Kristang (ńgka, nenáng, nadi, nang). We have found that the prohibitive nang was
replaced by ne-bom, and the perfective nenáng is not found in MCP.
In this section, we will clarify the source and the usage of each marker in order to
assess the synchronic and diachronic variation of the negation system. In particular,
we will investigate the Sinitic influence on negation on MCP and the decreolization
process towards Standard Portuguese.

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Seven ways to say no...
Sete maneiras de dizer não... 175

4.1 Nom, nunca and nádi


Nunca is present in MCP, Kristang, BTCP, SLCP, and Malabar CP varieties but it is
not found, or at least it is not dominant, in Diu CP nor in Korlai CP. However, the
grammaticalization of Portuguese nunca “never” as a negative marker is observed
in Língua de Preto “Language of the Negro” which was spoken by African slaves
in Portugal in the 16th century and is related to West African PCLs (Kihm 2013:
41). For example, in Atlantic PCLs such as Kriyol, the Portuguese-based creole of
Guinea-Bissau (Kihm 2004: 41-47), and Cape Verdean Creole (Baptista 2003: 116-
119), the negative particle ka is possibly derived from nunca (Kihm 2004: 47). This
suggests that nunca was present in Portuguese pidgins in Africa and could have been
present in pidgin Portuguese used as Lingua Franca in Asia, and it may have been
then introduced into Sri Lanka and Southeast Asia by sailors, merchants and slaves.
For instance, Holm (2009: 19) interprets the common usage of nunca as evidence of
partial reciprocal diffusion between different varieties of Portuguese-based creoles.
Nádi is derived from não há de “not have to” (Delgado 1900: 42; Baxter 2009:
286). It is the negative equivalent of the future-irrealis marker logo “will/would”
which is replaced in negation. Similar to nunca, nádi is present in Kristang, BTCP,
SLCP, and Malabar CP varieties, but not it is not found in Korlai CP where nupa
(NEG-can) is used and it is not commonly used in Diu and Daman CP.
In MCP, nom possibly derives from Portuguese não and mainly combines with
a specific set of verbs: the modals pôde “can” and mestê “must”, and the stative
verbs querê “want”, sabe “know”, and tem “have” (9). However, in Kriyol (36a), Cape
Verdean (36b) and in Língua de Preto (36c), ka occurs normally with that set of verbs.

(36) a. Kila ningin ka pudi tuji n el.


that nobody NEG can forbid me it
“Nobody can forbid me that.”
(Kihm 1994: 54)
b. Ma ami, nada N ka ten.
but NONCL nothing CL NEG have
“But, as for me, I don’t have anything.”
(Baptista 2003: 118)
c. N ka pudi mas.
I NEG can more
“I can’t go on/ I’m exhausted.”
(Kihm 1994: 27)

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176 Alexandre Lebel

Tab. 1: Combinations of nom, nunca, or nádi and modal or stative verbs in Macau
Creole Portuguese.

Verb Nom Nunca Nádi


Pôde 247 7 51
Querê 50 1 5
Sabe 88 6 8
Tem 241 8 23
Mestê 58 0 0
Sã 30 384 1
All other verbs 22 377 301
Total 736 783 389

In MCP, although nom and nunca are functionally similar, they don’t appear to
be interchangeable as the occurrence of nunca with the set of verbs as previously
listed is rare. In our corpus, we have found a grand total of 736 occurrences for nom
(and its variants não, num, nu, non), 783 for nunca, and 389 for nádi. However, when
the distribution of nunca and nom is considered relative to particular verbs, there is
a marked difference. The combinations of nom, nunca, or nádi are listed in Table 1.
The sentential combination with the copula sã “be” is also presented separately.
The combinations of nunca and sã “be” represent almost 50% of all occurrences
of nunca8 . The frequent usage of sã is mainly related to the usage of copula and
focus constructions such as in (10). On the other hand, the combination of nunca
with the 5 other modal verbs only occurs 22 times, compared to 684 times with
nom. In fact, 21 of those cases were found in the recent work of Carlos Coelho.
This suggests the instability of the declining MCP which resulted in simplification
and confluence in ongoing language contact, as observed in other dying languages
(Dorian 1978: 608).
In contrast, where nunca occurs 377 times with other types of verbs (i.e. non-
stative and non-modal) and 384 times with sã, nom only combines 22 times with
other verb types, and only 30 times with sã. Thus, nom is found in expressions such
as numpresta “not worth”, nun gosta “don’t like”, nom basta “not enough”, non vem
non vae “not coming not going”. Some of these occurrences, as in (37), are possibly
instances of the decreolization process.

8 The combination of nunca and sã should not be confused with nuncassá “not necessary”.

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Seven ways to say no...
Sete maneiras de dizer não... 177

(37) São divéra. Não é imaginação. . .


be true. NEG be imagination
“It’s true. It’s not imagination...”
(“Úngha Sônho”, 1926, in Barreiros 1943: 93)

It is sometimes suggested that nom is associated with the present tense while
nunca corresponds to past tense and nádi is used with future tense (Ferreira 1996:
243). However, since nom occurs with one of the 5 modals (pôde, querê, sabe, tem,
and mestê) more than 90% of the time while nunca almost never combines, it is
unlikely that the choice between nom and nunca is directly motivated by the verb
tense. In fact, MCP is similar to Malay and Sinitic languages, which are considered
as “grammatically tenseless” languages, in the sense that the verb is mostly defined
by aspectual distinctions and in particular, the perfective is considered to be the
“default tense reading” (De Caen 1995: 45). In MCP, the particles já, logo and tá
mark, repectively, the perfective, the future-irrealis, and progressive in affirmative
sentences. Although these particles can mark relative tense, they should mainly be
interpreted in terms of completeness or incompleteness of action, and as indefinite
potentiality. Já is suppressed in negative past constructions which supports the
claim that the perfective aspect tends to be less compatible with negation (Miestamo
and Van der Auwera 2011: 81).9 Also, the negation of the future-irrealis is formed
by replacing logo with nádi.
Also, we have observed that some constructions use nunca in the scope of
temporal adverbs that indicate present time (38).

(38) Agora nunca vivo onsong.


now NEG live alone
“We do not live alone now.”
(Lolita, 1937, in Barreiros 1943: 26)

On the other hand, nom may occur in constructions using a temporal adverb
referring to the past or indefinite tense as in (39).

9 Wehave observed 40 negative constructions where já is present (já + NEG). On the other hand, NEG +
já never occurs. In all the 40 cases found throughout our corpus, já + NEG doesn’t have the perfective
aspect value and can be interpreted as a discontinuative construction with the meaning of “not +
Verb + any longer”. This type of construction is commonly found in Portuguese and is possibly
attributable to decreolization.

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178 Alexandre Lebel

(39) Onte anôte, já fazê misinha savang, já bêbê, já


yesterday night, PFT make medication nausea, PFT drink, PFT
lavá e já tirá tres ventosa, tamen numpôde
wash CONJ PFT pull three ‘suction cup’, also NEG-can
passá.
pass
“Last night, I prepared nausea medication, I drank it, I bathed and applied
three suction cups, but it couldn’t pass.”10
(Os Viúvos, 1928, in Barreiros 1943: 572)

As was noted in section 3.1, Dalgado (1900: 41) and Krajinović (2015: 53)
suggested that the choice of the negative markers differentiates the present and
perfectin SLCP and Malabar CP varieties. However, the examples provided by
Krajinović (2015: 17, 53, 64) do not show that nuka can occur with every verb or
that nu can occur with different verbs than the set presented in Table 1 (Krajinović
2015: 41, 45, 50-52, 55, 56, 119, 121). Also, we saw that Callaway (1820: 38) used noco
in both present and past tenses, as in (15). Nevertheless, it was demonstrated that
SLCP was subject to significant convergent development during the 19th and 20th
century (Smith 2016: 238; Cardoso 2014: 108). Thus, it does not seem impossible
that a tense distinction between non and nunca may have actually been in place
at some point in the past, but on the basis of the data we have considered, we can
assume that the general difference between nom and nunca in MCP is not related to
verb tense. On the other hand, nádi (and its equivalent in other Malayo-Portuguese
creoles) is generally considered to have a conditional value or to express the irrealis
mood, and it can also be interpreted as the negation of the future tense (Baxter 1988:
151; Maurer 2011: 59).
The fusion between nom and modal verbs in MCP generally occurs with the
same verbs: pôde, querê, sabe, tem, and mestê. In Table 2, we compare the fusion
in MCP, Kristang, BTCP, SLCP and Malabar CP varieties. Also, we have included
a comparison with Korlai CP, where nunca is not present, but where the fusion
between the negative marker and the verb became an aspectual marker (nete for the
present, nupa for the future, nupri for the conditional). Such degree of fusion and
of grammatical function in Korlai CP is certainly influenced by Marathi (Clements
1996: 180). Also, we should note that the negative marker occurs after deontic
masi in Korlai CP and non miste became the imperative numis in SLCP. In a survey
covering 240 languages, Dahl (1979: 92) has observed that syntactically, the negative
marker tends to be as close as possible to the finite element. This proximity certainly
favours the fusion between the negative marker and verbs of high frequency, as
we have observed in Asian PCLs and Indo-Aryan languages. However, the striking
similarities confirm the close linguistic and historical relationship between MCP,
Kristang, BTCP, SLCP and the Malabar CP varieties.

10 Savang is more accurately described as an ailment caused by foul air or bad smell. Cupping therapy
has been traditionally used in China for various conditions such as pain, herpes zoster, cough or
asthma, acne, common cold, etc.

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Seven ways to say no...
Sete maneiras de dizer não... 179

Tab. 2: Fusion between the negative marker and modal verbs in related Portuguese-
based creoles. Sources: 1. Baxter 1988; 2. Maurer 2011; 3. Clements 2009; 4.
Krajinović 2015; 5. Smith 2014. (*) The presence or absence of a fusion between the
verb and the negative marker was not found in the available data.

Macau CP Kristang1 BTCP2 Korlai CP3 Malabar CP4 Sri Lanka CP5
Nompôde Mpodi Nompodi Nupa Nu pO Nompodi
Nomquêro Nggere Nungkere Nike Nike Ninquere
Nomtem Nté Nonteng Nute Nu tæ Nomtem, non tinhe
Nomestê Numisti Numisti Masi nu * Non miste Numis
Nonsabe Nsé Nungsabe * * *

4.2 Nonquêro, amestê, nuncassá and ne-bom


In Korlai CP, the fusion between the negative marker and modals has produced
morphologically distinct aspectual markers (Clements 1996: 175-176). In MCP, the
fusion has not developed to the same extent as in Korlai CP, but it has also created
distinct expressions which were eventually grammaticalized: nonquêro, amestê,
nuncassá and ne-bom.
Firstly, nonquêro “NEG-want” is the negative form of querê “want”. This
constitutes a special case in MCP where a verb has an affirmative and negative
form. In MCP, most verbs with Portuguese etymology are derived from the third
person form, but nonquêro appears to be derived from the first person, the Portuguese
quero. In our corpus, we have found 147 occurrences of querê and 53 occurrences of
its negative counterpart: 47 nonquêro, 2 non querê, 1 nunca querê, and 3 nádi querê.
“Quêro” appears alone in a positive form only once in Coelho (2012) and the only
occurrence of nunca querê is found, also in Coelho (2012). The two occurrences
of non querê were found in Nora Moderna (Barreiros 1943: 156), and in Ferreira
(1996: 190). The form nonquêro is not found in Kristang. This could be the result of
decreolization, yet equally could also be an earlier independent development of the
MCP (11 occurrences of “nonquêro” were found in documents dated between 1887
and 1900) that was caused by the effect of frequency, that is the tendency to retain
irregular but more frequent forms (conservation effect), and to weaken frequently
used forms (reduction effect) (Bybee and Thompson 1997: 378-380; Hopper and
Traugott 2003: 127-128). For instance, we might assume that volition is a frequent
category that it is likely to be negated in the first person during conversation and
the higher frequency could contribute to preserving the irregularity of the negative
variant nonquêro.
Secondly, the negation of the modal verb amestê “must” is nonmestê. This pair of
variants is similar to that of querê and nonquêro, but it is morphologically different,

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180 Alexandre Lebel

and amestê can also occur alone, with or without the prefix a-. In fact, the origin of
the prefix a- with mestê is uncertain as it is not found in other Asian PCLs. Mestê
comes from the Portuguese mister “essential, fundamental” and the prefix “a-” in
the formation of certain verbs in Portuguese is common, such as in abaular “to
bulge” from baul “trunk” or alargar “enlarge” from largo “large” (Kehdi 2003: 21).
It could also be derived from the expression há mester “it is necessary”. This case
is also special because, in our corpus, the affirmative construction with mestê was
eventually replaced by the expression têm qui or têm que (40) which has the same
meaning as Portuguese ter que “have to”.

(40) Seara tem que buscá otro gente pra trabalhá.


Madam have REL find other people PREP work
“Madam has to find other people to work.”
(Cava Tufang de 74, 1925, in Barreiros 1934: 473)

In the corpus, we found the following distribution: 3 mestê, 13 amestê, 48


nonmestê, 179 tem qui, and 4 NEG +tem qui. Amestê appears to be more common
than mestê, although both forms only occur 16 times, mostly in documents from
the 19th century, except for one instance in 1901 and another in 1986, the latter in a
text of traditional religious expression. Tem qui is mostly present during the 20th
century, and there are only 7 occurrences during the 19th century. Also, tem qui is
only negated 4 times while nonmestê remains the negative deontic auxiliary. The
results are presented in Table 3.
Because of their relative representation in our corpus, the stated periods cannot
be compared directly one with another. However, we can see that during the
19th century, mestê/amestê is competing with tem qui, but it is almost completely
eliminated during the 20th century, possibly because of decreolization. This suggests
that tem qui is semantically equivalent to mestê/amestê and that nonmestê was
preserved as an archaic and irregular form, possibly because of the effect of
frequency.
Thirdly, while we may assume that amestê and tem-qui are equivalent and that
both express a strong obligation, two other expressions in the corpus, sã preciso or
precisa, from the Portuguese é preciso “is necessary” and precisa “to need” are modal
constructions, and their presence is possibly also attributable to the decreolization
process (41).

(41) Nun sã preciso primeiro tirá escama.


NEG be necessary first pull scale
“There is no need to remove the scales first.”
(“Pode crê que sã verdade”, 1888, in Barreiros 1943: 352)

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Seven ways to say no...
Sete maneiras de dizer não... 181

Interestingly, in MCP, the negative marker nuncassá expresses the lack of


necessity or need. It is possibly derived from “nunca cansado”, “not tired”, or
nunca cansá, lit. “don’t tire (yourself)”. Nuncassá is not present in other Asian
PCLs and it should not be confused with nunca sã, “is not”. Throughout our corpus,
the grammaticalization of nuncassá as a form expressing lack of necessity or need
appeared to be complete. Nuncassá is semantically similar to the Cantonese msái,
which also indicates the lack of necessity, and it is more frequent than the affirmative
sã preciso or precisa. We have found imbalance between the respective positive and
negative constructions of necessity and between the choice of negative markers
within the different periods (Table 3). Sã preciso occurs 18 times throughout our
corpus, but is only negated once. Also, nuncassá becomes as frequent as nonmestê
during the 20th century. This suggests that MCP is similar to Cantonese, as the
negation of deontic modality involves different markers representing different
degrees of illocutionary force which may not be exactly equivalent to the affirmative
counterpart, amestê or tem-qui. This interaction between negation and modality is
detailed in section 5.
Tab. 3: Deontic modality auxiliaries in Macau Creole Portuguese.

Modal 19th 20th century 20th-21st Total


century (first half) centuries
Mestê 1 1 1 3
Amestê 13 0 0 13
Nonmestê 7 4 37 48
Tem qui 7 18 154 179
NEG + tem qui 1 0 3 4
Sã preciso 4 7 6 17
NEG + sã preciso 1 0 0 1
Nuncassá 3 3 42 48

Finally, in MCP, commands and requests are expressed syntactically with or


without the presence of any marker. These markers include, the use of adverbs such
as azinha “quick” or the emphatic particles -me or -na (42).

(42) a. Ajudá iou, Chico!


help 1S, Chico
“Help me, Chico!”
(“Estória de Maria co Alferis Juán”, Ferreira 1996: 78)
b. Vai azinha!
go quick
“Go!”
(“Ajuste de casamento”, 1886, in Barreiros 1943: 453)

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182 Alexandre Lebel

c. Vai-na, quiança.
go PRT, child
“Go away, kid.”
(“Mui-Mui sua neto” Ferreira 1996: 50)
d. Bebé me.
drink PRT
“Drink!”
(Notas 2e, in Pereira 1899: 61)

Imperatives in MCP are negated with a special marker, ne-bom or nunca-bom.


However, it appears that a negative imperative marker similar to the Kristang nang
may have been present at some point in MCP: nam is the negative marker used in
canonical prayers and biblical documents such as the Ten Commandments (43).

(43) Nam matá.


NEGIMP kill
“Thou shalt not kill.”
(“10 Mandamentos”, in Barreiros 1943: 251)

MCP nam can be compared to mám “hand”or onçôm “alone” where the final
consonant is a velar nasal [ŋ] (Fernandes and Baxter 2004), and it has the same
pronunciation as that of nang in Kristang (21).
Also, the usage of the particle –na for the formation of imperative in MCP is
very similar to the Diu CP requestative particle n@, as seen in (32). The addition of
n@ to the imperative can be interpreted as a firm but respectful command but under
negation, it enhances the vehemence of the prohibition (Cardoso 2016: 204-205).
However, -na is not used for prohibitives in MCP and Diu CP doesn’t have a specific
marker for prohibitives. Therefore, it is unlikely that imperatives and the particle
n@ in Diu CP is the source of the MCP ne-bom.
Although ne-bom may be derived from the Portuguese não é bom “it is not good”,
it could also be a relexification of the Cantonese mhóu (NEG + good). In fact, the
form of imperatives in Cantonese is very similar to that of MCP. In Cantonese,
the imperative is also expressed with emphatic use of an adverbial construction
(adjective + dı̄) such as faaidı̄ “faster”, and particles such as ā and lā (44).

(44) a. (Léih) faai dı̄ jāp yéh jáu!


(you) fast -ish pack thing leave
“Hurry up and get ready to leave.”
(Matthews and Yip 1994: 359)

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Seven ways to say no...
Sete maneiras de dizer não... 183

b. Héi-sān lā!
rise-body PRT
“Get up!”
(Matthews and Yip 1994: 359)
c. Léih ló fahn boují làih ā!
you bring CL newspaper come PRT
“Bring the paper over, will you?”
(Matthews and Yip 1994: 359)

Cantonese does have a negative imperative particle, máih, but it is less common
than mhóu. Both máih and mhóu mean “don’t”, but máih is mostly used for short
and direct commands, and it is considered a less polite form, mostly used among
peers (Matthews and Yip 1994: 256). Perhaps, this interpretation has motivated the
elimination of Kristang nang or MCP nam as the Cantonese influence on MCP was
increasing.

4.3 Nunca sã, Yes-No polar question and tag question


Firstly, contrastive focus suggests an opposition between the information conveyed
by the speaker and the assumed expectation state of the hearer, especially if the
hearer could be surprised by the assertion (Zimmerman 2008: 354). This type of
contrastive focus construction, which put emphasis on the contrast between the
hearer and the speaker, is common in Sinitic languages (Li 2008: 259-260) such as in
Cantonese (Matthews and Yip 1994: 307), as in (45).

(45) Mhaih hóu syufuhk.


not-be very comfortable
“It’s not very comfortable.”
(Matthews and Yip 1994: 250)

This type of construction is found in MCP, but not in Kristang. In MCP, the verb
sã “be” is often used to mark contrastive focus as in (46a), which could be translated
as a cleft sentence with the meaning of “it is. . . who/that. . . ”. However, in MCP,
contrastive focus constructions do not necessarily contain a surface relative clause.
In fact, sã or nunca sã can also mark directly an adjectival (46b) or verbal predicate
(46c).

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184 Alexandre Lebel

(46) a. Sempre são vôs qui pensá e tem cuidado di


always be 2S REL think CONJ have care PREP
ieu.
1S
“It is alway you who think and take care of me."
(Os Viúvos, 1928, in Barreiros 1943: 572)
b. Nunca sā frio. Sã tem qui bóta rópa máis grosso.
NEG be cold. be DEON put clothes more thick
“It is not that it’s cold. It is that one has to put thicker clothes on.”
(Escritos, Coelho 2013: 14/11)
c. Nunca sã lavá rópa, sã ta cuzinhá.
NEG be wash clothes, be PROG cook
“It’s not that she’s doing the laundry, it’s that she’s cooking.”
(“Má-língu co má-língu”, Ferreira 1996: 185)

In some cases, the usage of sã or nunca sã in cleft sentences could be interpreted


as a copula instead of a contrastive focus construction, thus providing another
example of the decreolization process. However, the transition from focus marker to
copula has been observed in other languages such as in Swahili (McWhorter 1994:
60-61).
Secondly, we have seen that the use of negation markers in tag question is
common in Indo/Malayo PCLs and in Indo-Aryan and Dravidian languages. Tag
questions can be used for requesting information, confirmation or for approbation.
However, a formal response is not systematically expected. In MCP, sã nunca “is not”
is added at the end of the sentence (47), regardless of the polarity of the proposition,
in the sense of Portuguese não e assim “isn’t it?”. In Kristang, the negative marker
can be used for tag questions, but Kristang has no copula (48).

(47) Vôs vêm pa matriculá, sã nunca?


2S come PREP register, be NEG
“You’ve come to register, haven’t you?”
(“Chico vai escola”, Ferreira 1996: 16)

(48) Eli bebé sura ńgka.


3S drink toddy NEG
“He drinks toddy, doesn’t he?”
(Baxter 1988: 187)

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Seven ways to say no...
Sete maneiras de dizer não... 185

Finally, we have observed that the negative marker in Macau is used in the
formation of Yes-No polar question, as in (12). This is a clear example of the Sinitic
influence on MCP and it is only observed in the most recent documents in our corpus.
This type of construction is found in Cantonese where the Yes-No polar questions
are formed with the affirmation and negation of the verb, as in (35). Reduplicative
questions in Mandarin are treated by Huang (1991) and McCawley (1994) as a special
form of disjunctive (tag) questions. However, unlike Portuguese where tags are
mostly used to indicate the attitude of the speaker (Cruz-Ferreira 1981: 351), in
Sinitic languages and MCP, reduplicative questions are formal questions and do not
imply any knowledge over the statement.

5 Interaction between negation, modality, and aspect

The formal comparison between the substrate/adstrate languages and the lexifier
language reveals syntactic principles, such as placement rules, but it does not
contribute much to an explanation of how new markers are introduced while
others are eliminated, such as we have seen in MCP. Therefore, we propose to
analyze negation as a polysemic modality, taking into consideration semantic
and cognitive categories. Such an analysis suggests that grammatical structures
incorporate concepts and symbols and they articulate a semantic description that is
psychologically plausible (Langacker 2013: 14). While processing negative sentences,
the representation of the positive argument is involved, through verification,
memory, and logical reasoning, but also, pragmatic information can facilitate
sentence processing (Tian and Breheny 2016: 41). The ability to negate a statement
requires the reconstruction of presuppositions from situational and contextual cues
and it has to be learnt during first-language acquisition (Cuccio 2011: 48). In fact,
longitudinal studies on first language acquisition show that negation is gradually
assimilated by children under 4 years old, from the rejection of something existing
in a present context, to the nonexistence of an abstract representation, and to the
denial of a predicate (Choi 1988: 522; Tam and Stoke 2001: 378-379). In particular,
Tam and Stoke (1988: 389) observed the ability of children to differentiate the
negative markers in Cantonese and they concluded that the progressive emergence
of lexical negation matched the acquisition of semantic categories. Also, Choi
(1988: 521) argues that some of the functions of negation precede the acquisition
of language and subsequently, cognitive and language development interact with
each other. Therefore, syntactic negation is intrinsically related to the capacity to
represent abstract concepts, to make assumptions, and to understand other people’s
mental state (Cuccio 2011: 49) and we can postulate a relation between cognitive
development, semantic categories of negation and grammatical elements. This type
of interaction could explain the evolution in the MCP negation system.
In this section we will analyze the interaction between modality and negation
and between lexical aspect and negation. Precisely, we want to understand what
could motivate MCP speakers to incorporate the deontic nuncassá and to eliminate
the aspectual nenáng, as observed in Kristang.

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186 Alexandre Lebel

5.1 Interaction between negation and deontic modality


Modality and negation are two categories that can change the meaning of a sentence
and when both are used in the same proposition, different strategies are necessary
to define the scope of the modality and the scope of the negation (De Haan 2003: 55).
For establishing the scope of the interpretation, strategies include modal suppletion
which is the choice of different modal verbs, and negation placement which is the
location of the negative marker in the sentence (De Haan 2003: 58-112).
Deontic modality conveys a necessity or an obligation to perform an action. In
MCP, it is expressed by amestê or tem qui which appear to be equivalent. However,
in a negative construction, a distinction is required to indicate whether it is a
deontic obligation (prohibition) or a lack of necessity (exemption) (Radden 2014: 529;
Sparvoli 2015: 168-170). In MCP, because the negative marker always precedes the
verb, negation placement is not a possible strategy for modifying the interpretation
of the proposition. Therefore, modal suppletion, or the use of a negated modal
grammaticalized as a negative marker, dictates the modality of the proposition. In
the following example (49), the negative marker has scope over the modality or the
whole proposition.

(49) a. Nuncassá pinchá sodado-sodado pa liám!


NEGNEED throw soldiers-PL PREP lions
“There’s no need to throw the soldiers to the lions.”
(“César co Cleópatra”, Ferreira 1996: 33)
b. Nomestê esquecê di mandá nova.
NEG-must forget PREP send news
“You must not forget to send news.”
(“3 de janero”, 1865, in Barreiros 1943: 31)

In the first sentence, the action is not proscribed nor denied, and there is simply
no obligation to perform the action: the negative marker modifies the obligation. In
the second sentence, the negative marker affects the whole proposition, and there is
still a strong obligation that is not to perform the action: the negative marker does
not negate the obligation. Therefore, the illocution force of the negation in the first
sentence is the weakest and the second one is the strongest.
The interaction between negation and deontic modality produces a semantic
distinction indicating whether the normative source represents the attitude of the
speaker (exemption) or if it considers a specific situation (obligation) (Sparvoli
2015: 172). The scope of the deontic modality exhibits polarity properties, and the
negation requires a lexical split or a syntactic interpretation (Iatridou and Zeijlstra
2010: 320). Therefore, the lexical distinction between prohibition (numestê) and

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Seven ways to say no...
Sete maneiras de dizer não... 187

exemption (nuncassá) serves a semantic or pragmatic purpose where syntactic rules


may have no means to express. The introduction of nuncassá in MCP may have been
motivated by the strong interaction between deontic modality and negation. Modal
suppletion is also present in Cantonese: nuncassá is semantically very similar to
Cantonese msái, and it can be attributed to relexification by Cantonese L1 speakers
learning MCP. Based on the analysis of 75 languages, De Haan (1997: 220) argues
that the choice of strategy is attributable to a difference in word order and processing
principles. On the other hand, one could argue that the cognitive capacity for scope
negation and modality is a parameter of Universal Grammar which pushes the child
to either adopt modal suppletion or to interpret negation placement.
Radden (2014: 523-526) defines negated modals through a theoretical matrix
of modal concepts, where distinctions combine with each other to create logical
expressions. For example, negation can apply to deontic or epistemic modality,
express a possibility or necessity, have scope over a modal or a proposition, or assess
a subjective or objective source, but since it would seem rather uneconomical for
a language to provide a specific marker for each possible relation, instead, logical
equivalences are established between some propositions and preferred patterns
are selected (Radden 2014: 523). Such an approach has the benefit of revealing
the asymmetry and irregularities of a negation system such as in MCP. It also
confirms the difficulties inherent in describing syntactically negative constructions:
conceptual negative categories can merge and the negative proposition may or may
not correspond exactly to its positive counterpart. For example, the expression of
possibility or probability in MCP is not syntactically different whether it is oriented
towards the speaker or the situation: pôde (and non pôde) can either indicate a
deontic (in)ability or (im)possibility, and no distinction similar to that expressed
by English may and can is made. The semantic distinction is thus expressed using
paraphrases such as pôde sã qui “maybe”. However, unlike numestê and nuncassá,
in non pôde, the illocutionary force always remains neutral, in the sense that no
polarity properties are inherent to the lexical choice (or lack thereof). Therefore,
in non pôde, the negative marker always has scope over the modal, and in MCP, as
in other languages such as Mandarin (Sparvoli 2015: 187), no other specific modal
is necessary to dissipate any ambiguity. Nevertheless, the arbitrary nature of such
logical equivalences can explain why an equivalent form to nuncassá was not found
in other creoles investigated in this study.
The relexification hypothesis (Lefebvre 2000: 11) can explain how negative
markers are added or replaced in MCP, but the semantic distinctions themselves
can also be associated with cognitive patterns observed during first or second
language acquisition. Various studies of the acquisition of negation in young
children have defined semantic categories to follow the development stages of
negation (Bloom 1991: 715; Choi 1988: 522; Tam and Stoke 2001: 378-379). These
categories include: non-existence of an object, state or quality, nonrecurrence of an

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188 Alexandre Lebel

object or even failure (non-occurrence) of an event, negative volition, prohibition,


denial of an object identity of function, denial of an event, inability, epistemic
negation, normative negation, and inferential negation. The number of categories
may fluctuate according to one author or another, but they can be regrouped into
broader ones (Dimroth 2010: 44). The semantic classification of children’s utterances
reveals that negation is learnt following a specific sequence (nonexistence, rejection,
denial), although the order of acquisition is still disputable, as mentioned by Tam
and Stokes (2001: 374).
MCP does not have a distinct marker for nonexistence, such as the Cantonese
móuh (50). In MCP, the locative and possessive existential predicate (tem) is negated
under standard negation with nontêm (51), as in Kristang.

(50) Go dói yahpbinh móuh saai chín.


CL bag inside not-have all money
“There’s no money in the bag.”
(Matthews and Yip 1994: 119)

(51) Nontem gente vem.


NEG-have people come
“There is nobody coming.”
(Cavá Tufang de 74, 1925, in Barreiros 1943: 484)

Croft’s (1991: 13) syntactic typology of negation of existential clauses suggests


that a cyclical development occurs where the standard negative marker is replaced
by a specific one, which becomes itself the existential predicate and eventually, the
new marker for standard negation. In MCP, nontêm is morphologically different
from the set of verbs which only occur with nunca, the general negator. As the
standard nunca was replaced by nom, one can speculate that nontêm eroded over
time, thus producing a morpheme functionally similar to Cantonese móuh. However,
this syntactic development itself does not explain why the negation of existential
clauses would give rise to a specific marker.
The cognitive approach defines the existential category as a specific stage during
acquisition of syntactic negation in children. In fact, this interaction between
semantic and syntactic negative categories is not limited to existentials. In MCP,
the contracted forms nom-Verb are possibly attributed to the effect of frequency,
but they also correspond to semantic categories. After nonexistence, rejection and
denial are considered to be the two other main stages during the acquisition of
syntactic negation in children. Rejection is the refusal of an external object or action,
and the refusal to comply with a request (Tam and Stokes 2001: 378). The speaker
may assume that an object or action is being imposed and it implies the child’s own

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Seven ways to say no...
Sete maneiras de dizer não... 189

perception of the situation. In MCP, rejection can be achieved semantically with


specific negative markers, such as the negative volitional nonquêro or the prohibitive
nebom. Finally, the denial of an object identity or function, or of an ability, or of an
event is used to negate the truth of a statement. Denial assumes the child’s ability
to represent the true state of the world and its false counterpart. Also, in MCP,
this mental reconstruction involves specific negative markers: the negation of a
physical ability or a state of event (nonpôde) and the epistemic negation (nonsabe).
In this view, semantic categories would have an indirect influence: non-thematic
verbs (copula, auxiliaries, and modal verbs) which are semantically associated to
categories of negation are likely to be expressed more frequently than other verbs
and may have a stronger interaction with syntactic structures.

5.2 Interaction between negation and aspect


Studies on L2 acquisition have demonstrated that adult learners also follow specific
cognitive stages during the acquisition of sentence negation (Dimroth 2010: 60-61).
According to Dimroth, during the first stage, negation mostly precedes nominal
items; secondly, verbs are negated, but they are not marked for finiteness; thirdly,
the negation of non-thematic verbs occurs; finally, verbs are negated in their finite
forms. Dimroth (2010: 61) concludes that the slower acquisition of finite verb
morphology influences the expression of negation. MCP has no verbal morphology
to differentiate finite and nonfinite clauses. However, the fact that L2 learners
generally struggle with the acquisition of finite verb morphology can be compared
to the primacy of aspect in L1 and L2 acquisition (Andersen and Shirai 1996: 529).
The aspect hypothesis suggests that the correct or incorrect use of inflectional
morphology in L1 and L2 speakers is strongly associated with lexical categories
(states, activities, accomplishment, achievement). In particular, Andersen and Shirai
(1996: 533) claim that consistent marking is gradually applied to verbs with an
inherent end point, and it later extends to activity and state verbs.
Observations on the lexical aspect in L2 acquisition in Chinese (Yang 2014:
305), Japanese (Shirai and Kuruno 1998: 264-265), Spanish and English (Andersen
1991: 314, 318) support the aspect hypothesis as L2 speakers gradually assimilate
aspectual markers, especially in relation to past events. However, for our purpose,
the only specific study on the interaction between negation and lexical aspect
was conducted by Zhou et al. (2014) with Mandarin L1 children speakers. Their
study classifies verbs according to their inherent temporal aspect: state verbs such
as xı̌huān “like” or zhı̄dào “know” have no obvious duration nor endpoint and
oppositely, activity verbs such as wán “play” have a duration and an endpoint. In
Mandarin, the negative particle méi is used to negate the completion of an event,
and it occurs with activity verbs, but not state verbs. It was found that although

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190 Alexandre Lebel

children may have separate knowledge of negation and aspect, they have difficulties
how to interpret the interaction between the two (Zhou et al. 2014: 155).
The Cantonese meih is similar to Mandarin méi, as it also carries a temporal
meaning, the perfective aspect translated as “not yet”, and to some extent, it is
functionally similar to Kristang nenáng. Meih was found to being acquired later by
children compared to other negative markers as they would need to understand the
temporal concept before they could correctly use the marker (Tam and Stokes 2001:
389).
As seen in the first section, MCP originated from Kristang, with possible
influence from Indo-Portuguese Creoles, and it became eventually spoken by
Chinese, mostly Cantonese L1 speakers, who integrated the Macanese society from
the second half of the 19th century. Interestingly, in MCP, the negative marker for
the perfective aspect was not retained, although it is present in Cantonese. Instead,
the negative perfective is realized with the continuative negative construction inda
+ NEG “not yet” (52). This construction is similar to BTCP ainda na, where nenáng
is also absent.

(52) Ung-a ome assim vêlo inda nun sabe falá!


ART man so old yet NEG know talk
“Such an old man doesn’t yet know how to talk!”
(“José e Pancha”, 1887, in Barreiros 1943: 590)

The absence of nenáng in BTCP suggests the possibility that it was never a
prominent feature of MCP. Also, no negative perfective marker was found in other
Asian PCLs, as presented in this study. Therefore, nenáng, if present, was possibly
competing with other strategies for negating the perfective aspect, and if the aspect
hypothesis is valid, the difficulty to assimilate correctly the negative marker for
perfective could have incited the Indo-Portuguese speakers to preserve the general
negative marker with the addition of an adverb. On the other hand, considering
that Cantonese speakers were familiar with a negative marker such as Kristang
nenáng, we may wonder if L2 speakers would struggle to assimilate the negative
perfective marker when such marker is present in L1. Unfortunately, reports on the
acquisition of aspectual negative markers are scarce, at least in European languages
where such markers are absent.
Finally, we have noted that the negative future-irrealis nádi was retained in MCP.
However, the function of nádi is not limited to relative tense marking. The semantic
opposition between the realis and irrealis category expresses a deontic or volitional
modality, it refers to necessities and desires (Sparvoli 2015: 167). Therefore, the
function of nádi can be pragmatically similar to a negative imperative that does not
incorporate a temporal concept and it can be interpreted without ambiguity.

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Seven ways to say no...
Sete maneiras de dizer não... 191

6 Conclusion

We have described seven negative markers in the MCP negation system, a system
originally derived from Kristang, but influenced by both Cantonese, through
language contact, and by Portuguese, under a decreolization process. Three negators,
nunca, nom, and nádi are undoubtedly related to other Asian PCLs, especially
Kristang as the main possible source. However, asuming that the perfective nenáng
was present in early Kristang, it was eliminated in MCP and the imperative nang
was relexified with ne-bom, possibly imposed from Cantonese. The deontic nuncassá
was introduced, also as a possible relexification from Cantonese. Finally, the deontic
numestê and volitional nonquêro were incorporated as negative variants.
It was seen that syntactic typologies were not sufficient for describing the
diachronic changes in negation strategies in MCP. Consequently, we have identified
semantic elements of negation in MCP that could relate to cognitive mechanisms
during first and second language acquisition. We have argued that negative
constructions corresponding to specific semantic categories are likely to occur
more frequently, and therefore, to display a stronger interaction with syntactic
structures. The effect of frequency may have caused the grammaticalization of the
volitional modal nonquêro into a specific negative marker and has contributed to
preservation of nonmestê as an archaic irregular form.
Semantic categories do not necessarily produce grammatical elements, but they
allow the mapping of cognitive concepts into formal syntactic constructions. For
example, the expression of the deontic modality in MCP shows that conceptual
distinctions are reflected in the lexical inventory of negative markers. Therefore, the
negative markers in MCP are not only adverb-like particles as in Portuguese, but
they are functionally similar to auxiliary verbs. This incites us to consider negation
in MCP as a polysemic modality instead of a logic operator.

Abbreviations

1S, 1SG; 1P, 1PL: First person singular; first person plural; 2S, 2SG; 2P, 2PL: Second
person singular, second person plural; 3S, 3SG; 3P, 3PL: Third person singular; third
person plural; ACC: accusative; ART: Article; Asian PCLs: Asian Portuguese-based
Creole Languages; cl: Clausal (in Cardoso 2016); CL: Clitic (in Baptista 2003); CL:
Classifier (in Matthews and Yip 1994); CONJ: Conjunction; CP: Creole Portuguese
(as in Daman CP, Korlai CP, etc.); Dat: dative; DEON: Deontic; FOC: Focal; Fut:
future; FUT-IRR, FI Future irrealis; GEN: Genitive; IMP: Imperative; L1: First
language; L2: Second language; LOC: Locative; MP: Middle Portuguese; NEED:
Necessity; NEG: Negation; NOM: Nominative; NPST, NPT: Non past; O: Object;
PastPart: past participle; PFV: Perfective; PL: Plural; PREP: Preposition; PRF, PF:
Perfective; PROG: Progressive; PROH: Prohibitive; PRT: Particle; PST: Past; QP:
Interrogative particle; REL: Relative marker; REQ: Requestative; S: Subject; SOC:
Sociative; TAG: Tag; V: Verb.

PAPIA, 28(2), e-ISSN 2316-2767


192 Alexandre Lebel

Annex

List of documents included in the written corpus when the date is unknown, the
year of publication is marked by a (*). For the writings of José dos Santos Ferreira,
the date refers to the original publication: the analysis presented in this study were
based on Adé, Obras Completas, vol. II: Papiaçám di Macau (1996) and vol. IV: Poéma
di Macau (1996), a compilation of Ferreira’s work, Natal, Amor - Paz -Alegria (1986),
and Poéma di Macau (1983).

Title Date Source


Neve... e... Chico 1824 Ta-Ssi-Yang-Kuo: 779
3 de janero 1865 1865 Ta-Ssi-Yang-Kuo: 323-324
11 de Novembro 1869 1869 Renascimento I: 134-136
12 de Outubro 1869 1869 Renascimento I: 34-36
21 de Outubro 1869 1869 Renascimento I: 37-38
25 de Otubro 1869 1869 Renascimento I: 129-131
5 de Outubro 1869 1869 Renascimento I: 32-34
8 de Novembro 1869 1869 Renascimento I: 131-133
1 de Abril 1870 1870 Renascimento I: 136-138
19 de Abril 1870 1870 Renascimento I: 243-245
3 de Junho 1870 1870 Renascimento I: 247-249
3 de Maio 1870 1870 Renascimento I: 246-247
7 de Abril 1870 1870 Renascimento I: 241-243
Carta de Nhy Roza para Nhy Chen-
1870 Renascimento II: 241-242
cha
28 de dezembro 1883 1883 Renascimento II: 251
Séramão di pe. Viéra 1883 Renascimento II: 348
Ajuste de casamento de Nhi Pancha
1886 Ta-Ssi-Yang-Kuo: 57-60
cô Nhum Vicente
O casamento de Joanarinho 1886 Renascimento II: 338-339
Pasquim 1886 Renascimento II: 339-341
Dialogo entre José Fagote e Pancha
1887 Ta-Ssi-Yang-Kuo: 517-518
Gudum
Mas um-a disgraça 1887 Ta-Ssi-Yang-Kuo: 259-261
Pranto ou lamentação de Anna Santa 1887 Ta-Ssi-Yang-Kuo: 519
O senhor "Bem o sabe" 1888 Ta-Ssi-Yang-Kuo: 192-194
Pode crê que sã verdade 1888 Ta-Ssi-Yang-Kuo: 124-125
Diálogo - Entre Augusta e o seu
1895 Renascimento III: 88-92
primo João
Em 23 de dezembro 1895 Ta-Ssi-Yang-Kuo: 190-191

PAPIA, 28(2), e-ISSN 2316-2767


Seven ways to say no...
Sete maneiras de dizer não... 193

Title Date Source


1 de Abril 1898 1898 Renascimento I: 357
2 di Abril 1898 1898 Renascimento I: 357
Ta-Ssi-Yang-Kuo: 319-321, 515-
Adivinhas 1900*
516
Cantilenas - Quadras Populares 1900* Renascimento III: 508-509
Lenga-lengas 1900* Ta-Ssi-Yang-Kuo: 63, 262, 784
Paródia à Bastiana 1900* Ta-Ssi-Yang-Kuo: 239-242
Sium Márquis Préra 1900* Ta-Ssi-Yang-Kuo: 780-781
Uma descompostura 1900* Ta-Ssi-Yang-Kuo: 518-519
Macau, Março 1915 1915 Renascimento I: 468-469
Cava tufang de 74 1925 Renascimento I: 473-484
Úngha Sônho 1926 Renascimento I: 92-93
Os Viúvos 1928 Renascimento I: 571-575
Lolita 1937 Renascimento II: 21-28
Aviso 1943* Renascimento I: 250
Nora-Moderna 1943* Renascimento II: 154-162
Padre Nosso - Ave Maria - Manda-
1943* Renascimento I: 250-251
mentos
Cabo tamém sã gente 1967 Papiaçám di Macau: 53-61
Má-língu co má-língu 1967 Papiaçám di Macau: 185-188
Maná-Chai na Portugal 1967 Papiaçám di Macau: 185-192
Marenda ai 1967 Papiaçám di Macau: 195-196
Mui-Mui sua neto 1967 Papiaçám di Macau: 45-52
Apresentação 1974 Papiaçám di Macau: 11-13
César co Cleópatra 1974 Papiaçám di Macau: 27-42
Chico vai escola 1974 Papiaçám di Macau: 15-19
Padrinho 1974 Papiaçám di Macau: 173-183
Panela di quartél 1974 Papiaçám di Macau: 197-198
Romeu co Juléta 1974 Papiaçám di Macau: 21-26
Sium Lopes co su nhónha 1974 Papiaçám di Macau: 209-210
Macau, 4 di Abril 1978 1983 Poéma di Macau (1983): 63-64
Estória de Maria co Alferis Juán 1985 Papiaçám di Macau: 67-111
Jesus piquinino já nacê 1986 Poéma di Macau (1996): 48-49
Natal sã festa grándi 1986 Poéma di Macau (1996): 39-40
Quelora Jesus nacê 1986 Poéma di Macau (1996): 29-30
Festa di Jesus piquinino 1987 Poéma di Macau (1996): 59-60
Natal! Anôte Sánto! 1987 Poéma di Macau (1996): 51-52
Carta di Chacha pa su neto Agapito 1988 Papiaçám di Macau: 199-208

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194 Alexandre Lebel

Title Date Source


Primo meno 1988 Papiaçám di Macau: 193-194
Unga estória di ôlo-deco 1988 Papiaçám di Macau: 211-212
Clu-Clu na Macau Áno-Nôvo-China 1996 Papiaçám di Macau: 213-216
Luís Vaz di Camões 1996 Papiaçám di Macau: 217-220
Tempo, têm compaixám di nôs 1996 Papiaçám di Macau: 221
Nôs Maquista-Maquista 2012 M.L. Carvalho
Unga estória di "tirá pum" 2012 M.L. Carvalho
Escritos de Carlos Coelho em Patuá 2012-
C. Coelho
di Macau 2016
Chicói vai dôtor 2013 M.L. Carvalho
Artrite 2017 M.S. Fernandes

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Received: 24/10/2018
Accepted: 03/11/2018

PAPIA, 28(2), e-ISSN 2316-2767


PAPIA, São Paulo, 28(2), p. 201-218, Jul/Dez 2018.

O papel das bibliografias na História da Crioulística II:


Uma reação em cadeia
The role of bibliographies in the History of Creolistics II:
A chain reaction

Silvio Moreira de Sousa1


Macau University of Science and Technology,
Macau sar, China
amdssilvio@must.edu.mo

Abstract: Coelho (1881) could be interpreted as a pivotal moment in


the study of creole languages among Portuguese-speaking creolists
because this publication sparked much international interest at its
time, being reviewed by Carolina Michaëlis de Vasconcelos and by
Hugo Schuchardt. A reaction to the article of Francisco Adolfo Coelho
was Gaidoz (1881-1882). The author confessed being unqualified to
emit an opinion about the matter of creole languages. Instead, he
presented a compilation of sources for French-based creoles. The
intention of Henri Gaidoz was to provide those interested in the study
of such contact varieties with works containing language samples or
research on those languages. Even though Schuchardt was at that
particular period greatly focused on collecting materials, he aided the
effort by publishing a bibliography of French-creoles in that same
journal. In this bibliography, Schuchardt deviates from the initial goal
of the bibliography and ends up making theoretical remarks about
Gaidoz (1881-1882) and Vinson (1883). He suggested a theoretical stance
about Brazilian Portuguese and Afrikaans; this stance has modern
equivalents in Rheinecke (1937) and in Holm (1988, 1992, 2001, 2004).
This paper, similarly to Sousa (2012), addresses a better evaluation of
the contribution of bibliographies to the development of a history of

1 Porcausa da ligação temática com Sousa (2012), o autor optou por sequenciar o título da presente
contribuição com o de aquela. Por esta via, procura-se enquandrar esta investigação dentro de um
âmbito mais geral.

e-ISSN 2316-2767
202 Silvio Moreira de Sousa

Creolistics, presenting an example of the interwoven relations in the


beginning of the scientific field.

Keywords: Bibliographies; Creolistics; Adolfo Coelho; Hugo Schu-


chardt; Henri Gaidoz.

Resumo: Coelho (1881) pode ser interpretado como um momento


pivot no estudo das línguas crioulas por parte dos crioulistas lusófonos,
porque esta publicação despoletou muito interesse internacional
aquando da sua divulgação, sendo recensionada por Carolina Michaëlis
de Vasconcelos e por Hugo Schuchardt. Uma consequência ao artigo
de Francisco Adolfo Coelho foi a publicação de Gaidoz (1881-1882),
com o seu autor a se confessar inqualificado para emitir uma opinião
sobre a matéria das línguas crioulas; em vez disso, ele apresenta uma
compilação de fontes para os crioulos de co-origem francesa. A intenção
de Henri Gaidoz é fornecer aos interessados no estudo de tais variedades
de contacto trabalhos com amostras de língua ou pesquisa sobre essas
mesmas (línguas). Embora Schuchardt estivesse, em esse intervalo
de tempo, focado em colecionar materiais, ele contribuiu para esse
esforço ao publicar uma bibliografia dos crioulos de base lexical francesa
no mesmo periódico. Em esta bibliografia, Schuchardt desvia-se do
seu intento inicial e acaba por fazer asserções teóricas sobre Gaidoz
(1881-1882) e Vinson (1883). Ele sugere uma posição teórica quanto
ao Português do Brasil e ao Afrikaans; esta posição tem equivalentes
modernos em Rheinecke (1937) e em Holm (1988, 1992, 2001, 2004).
Este artigo, tal como Sousa (2012), acentua uma melhor avaliação das
bibliografias para o desenvolvimento de uma História da Crioulistica,
apresentando um exemplo das relações entrelaçadas nos inícios da
disciplina científica.

Palavras-chave: Bibliografias, Creolistics, Adolfo Coelho, Hugo


Schuchardt, Henri Gaidoz.

1 Introdução

O presente artigo baseia-se parcialmente em Sousa (2012) e destina-se, novamente,


a chamar a atenção para o papel desempenhado pelas bibliografias no início da
Crioulística. O objetivo de esta contribuição toca no mesmo ponto de Sousa (2012),
mas através de um ponto de partida diferente. Alveja-se mostrar as relações subtis
entre vários investigadores a nível internacional. De um modo mais preciso: de
que forma Coelho (1881) despoletou uma reação a nível internacional, culminando

PAPIA, 28(2), e-ISSN 2316-2767


O papel das bibliografias na História da Crioulística II
The role of bibliographies in the History of Creolistics II 203

indiretamente em afirmações de cariz teórico sobre a variedade portuguesa falada


no Brasil e sobre o Afrikaans em uma bibliografia sobre os crioulos de co-origem
francesa (Schuchardt 1983a)?
Apesar de Coelho (1881) não ter em si qualquer caraterística marcadamente
bibliográfica, as recensões críticas de Carolina Michaëlis de Vasconcelos e de Hugo
Schuchardt apontam para lacunas de ordem bibliográfica. Por sua vez, Henri Gaidoz
reage à divulgação com a publicação de uma bibliografia acerca dos crioulos de
co-origem francesa na Revue Critique d’Histoire et de Littérature. Este facto não passa
despercebido a Chaudenson (1999). Tendo conhecimento desta bibliografia e de uma
entrada sobre os crioulos no Dictionnaire des sciences anthropologiques (Bertillon et
al. 1883), entrada com a autoria de Julien Vinson, Hugo Schuchardt adenda mais
referências bibliográficas a Gaidoz (1881-1882) no mesmo periódico.
Para uma melhor compreensão deste passeio bibliográfico, torna-se necessário
segmentar e destacar individualmente as várias obras em questão. Assim, Coelho
(1881) é o centro de atenções na primeira parte deste escrito, incluindo a revisão das
duas recensões críticas aqui já mencionadas: Vasconcelos (1881) e Schuchardt (1881).
Em seguida, as bibliografias aqui discutidas vão ser aprofundadas, tendo Gaidoz
(1881-1882) destaque no segundo ponto do trabalho. O terceiro momento deste artigo
centra-se em Schuchardt (1883a), ao que se segue uma imersão pelas perspetivas
mais atuais sobre as asserções proferidas por Schuchardt, nomeadamente suposições
e postulados presentes em Tagliavini (1931), em Reinecke (1937) e em Holm (1988,
1992, 2001, 2004, 2012).

2 Coelho (1881)

Existem duas datas para o primeiro de três artigos de Francisco Adolfo Coelho sobre
os crioulos na África, Ásia e América, mais concretamente Coelho (1880) e Coelho
(1881). Enquanto a indicação ao ano de 1880 significa o artigo divulgado no Boletim
da Sociedade de Geografia de Lisboa, a referência a 1881 limita-se a separatas do
mesmo artigo, que, por exemplo, surge disponível no catálogo da Biblioteca Nacional
de Portugal. Aliás, como se observa em Schuchardt (1881) e em Vasconcelos (1881), é
com base na separata que as recensões críticas são feitas; do mesmo modo, todas as
referências ou passagens desta obra têm por base o extrato publicado separadamente
pela Casa da Sociedade de Geografia de Lisboa e a reedição do artigo incluída na
coletânea de todos os trabalhos sobre crioulos publicados no Boletim da Sociedade
de Geografia de Lisboa (Morais-Barbosa 1967).
Importa igualmente referir que este trabalho permitiu visualizar Francisco Adolfo
Coelho como o primeiro crioulista a defender uma posição universalista quanto à
génese dos crioulos, opinião partilhada contemporaneamente por Andrade & Kihm
(1997: 386-387), DeGraff (1999: 39) ou Muysken (2001: 157). O impacto causado por

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204 Silvio Moreira de Sousa

Coelho (1881), para além das obras selecionadas para a corrente investigação, fez-se
sentir quase imediatamente: Gaston Paris (1839-1903) menciona em uma sessão
da Academie des Inscriptions et Belles-Lettres que “[c]es formules [sur les creoles],
ajoute M. Paris, ont une grande portée et peuvent éclairer quelques-uns des points
les plus difficiles et les plus importants de la science du langage”2 (Delaunay 1881:
6168). Elliott (1884: 248), ao fazer a recensão crítica de Schuchardt (1883b), considera
Coelho (1881) como a primeira tentativa de conceção geral dos crioulos. Ou seja,
a partir de estes exemplos, pode-se perceber a amplitude da relevância de Coelho
(1881) para os estudos linguísticos da segunda metade do século XIX, assim como o
significado das suas interpretações a um nível diacrónico.
O intuito de compor um “trabalho geral comparativo em que tentassemos
determinar as leis de formação d’esses dialectos” (Coelho 1881: 3, Morais-Barbosa
1967: 3) serve de pressuposto para recolher “dados importantes sob os pontos de vista
glottologico, ethnologico e psychologico” (Coelho 1881: 3, Morais-Barbosa 1967: 3),
angariados por meio de uma conferência na Sociedade de Geografia de Lisboa ou por
correspondência postal com “pessoas instruidas que fallam bem o portuguez, mas
conhecem o creolo rachado” (Coelho 1881: 5, Morais-Barbosa 1967: 5) ou até mesmo
pela consulta de publicações nas devidas línguas. Salientando a “miseravel dotação
das nossas bibliothecas, que não lhes permitte comprar senão poucos livros que
interessem a um pequeno numero de estudiosos” (Coelho 1881: 4, Morais-Barbosa
1967: 4), como uma das razões para não poder ter acesso a publicações de outras
línguas europeias, Adolfo Coelho explora as várias amostras disponíveis, tal como
expõe adivinhas e várias frases. Dado que Pott (1833), Whitney (1867) e Müller
(1861-1864) não abordam a temática, Coelho (1881: 3-4, Morais-Barbosa 1967: 4)
alega que existe uma lacuna nos estudos linguísticos e, procurando apontar “os
lados por que esses dialectos são mais importantes” (Coelho 1881: 4, Morais-Barbosa
1967: 4), visa fazer “progredir a sciencia de uma maneira sensivel” (Coelho 1881: 4,
Morais-Barbosa 1967: 4).
A estrutura do artigo reparte-se por grupos gerais de crioulos, sendo as
diferentes línguas analisadas individualmente. A exposição de cartas, adivinhas
e frases soltas antecede um comentário acerca dos traços linguísticos, que vai
desde observações fonéticas (entre o crioulo em questão e o Português europeu) ou
reparos lexicológicos até às várias alterações morfológicas. Sem motivos para uma
aprofundada examinação deste trabalho (cf. Sousa 2016), as observações referentes à
variedade brasileira do Português e aos crioulos de co-origem francesa sobressaem-
se como relevantes para enquadrar as asserções de Hugo Schuchardt. Na verdade,

2 ‘estas fórmulas sobre os crioulos, adiciona Sr. Paris, têm um grande escopo e podem esclarecer alguns
dos pontos mais difíceis e mais importantes da ciência da linguagem’.

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O papel das bibliografias na História da Crioulística II
The role of bibliographies in the History of Creolistics II 205

Coelho (1881: 64-67, Morais-Barbosa 1967: 98-102) reconhece a tendência no Brasil


para a aceitação da influência gramatical das línguas ameríndias no Português
brasileiro, rejeitando, todavia, parte desta visão com base na inexistência de provas
a favor de influência gramatical, além da influência lexical (Coelho 1881: 67, Morais-
Barbosa 1967: 102). Ademais, Adolfo Coelho constata que a “linguagem fallada
distingue-se, já na bôca dos mais instruidos, por essa entoação geral, por essa
tendencia determinada para tornar abertas todas as vogaes atonas, por esse amor do
iotacismo” (Coelho 1881: 27, Morais-Barbosa 1967: 37), apresentando “modificações
phoneticas mais consideraveis” (Coelho 1881a: 27, Morais-Barbosa 1967: 38) na
linguagem popular e na linguagem dos matutos. O uso de diminutivos nos pronomes
e nos artigos indefinidos é uma das caraterísticas que levam Coelho (1881: 30, Morais-
Barbosa 1967: 43) à seguinte conclusão:

Diversas particularidades caracteristicas dos dialectos creolos repetem-


se no Brazil; tal é a tendencia para a suppressão das fórmas do plural,
manifestada aqui em que, quando se seguem artigo e substantivo,
adjectivo e substantivo, etc., que deviam concordar, só um toma o signal
do plural. (Coelho 1881: 30, Morais-Barbosa 1967: 43)

No que diz respeito aos crioulos de base lexical francesa, Coelho (1881: 51-58,
Morais-Barbosa 1967: 78-88) escreve acerca de seis línguas, a saber Morisyen, Kréyol
La Lwizyàn, Guyanais, Ayisyen, Trinidadian e Martiniké. As suas afirmações são
por vezes sucintas ou limitam-se a reportar a existência de determinadas obras.
Um exemplo de estes rápidos apontamentos bibliográficos é o segmento dedicado
ao crioulo da Martinica. Nele, Coelho (1881: 58, Morais-Barbosa 1967: 88) supõe
somente pelo conhecimento do “catalogo da biblioteca de Burgaud des Marets” que
Goux (1842) se debruce sobre os traços gramaticais do idioma, enquanto afiança
Turiault (1876) como uma obra mais recente e dotada de enigmas, provérbios, contos,
canções e traduções do Francês. Porém, a referência a Turiault (1876) e ao conteúdo
do livro advêm de uma recensão crítica, nomeadamente Rolland (1878).3 O mesmo
acontece com o crioulo da ilha Trinidad, com Coelho (1881: 56-57, Morais-Barbosa
1967: 86-88) a admitir que não teve a possibilidade de consultar Thomas (1869) e,
como que em contrapartida, aborda Meyer (1872), uma recensão crítica de Thomas
(1869). Aliás, parágrafos completos de Meyer (1872) são colocados à disposição do
leitor sob a forma de citação. De igual modo, Coelho (1881: 56, Morais-Barbosa
1967: 85-86) faz referência a Saint Quentin & Saint Quentin (1872), porém sem
fornecer a referência bibliográfica completa; tal assim se sucede por culpa de outrém:
Rolland (1878) alude à mesma obra na sua recensão crítica de Turiault (1876). A

3 Por mera curiosidade bibliográfica, Rolland (1878) baseia-se em uma separata de Turiault (1874-1877).

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206 Silvio Moreira de Sousa

Mélusine, revista editada por Henri Gaidoz e por Ernest Rolland, também serve de
base para a referência ao crioulo do Louisiana, dado que um conto foi aí reproduzido
parcialmente e Coelho (1881: 54-56, Morais-Barbosa 1967: 82-85) divulga um extrato
do mesmo excerto e da respetiva tradução. Por fim, alguns comentários de teor
linguístico são tecidos. O conto ‘Compère Bouc et Compère Lapin’ foi fornecido
por Alfred Mercier, que, por sua vez, retirou o conto (Coffee 1876) de um outro
periódico norte-americano, Le Meschacébé. Em comparação com a singela menção
de Ducœurjoly (1802) para o crioulo do Haiti (cf. Coelho 1881: 56, Morais-Barbosa
1967: 86) e com o que vimos já para os outros crioulos de co-origem francesa, o
pormenor dispensado ao crioulo da ilha Maurícia surpreende. No fundo, Coelho
(1881: 51-54, Morais-Barbosa 1967: 78-82) difunde algumas passagens de Bos (1880),
intercaladas com notas sobre fonética e morfologia. Antes ficou também a indicação
a provavelmente Chrestien (1831), que Coelho (1881: 51, Morais-Barbosa 1967: 79)
teve conhecimento através de Meyer (1872).
As conclusões teóricas gerais do artigo escusam-se momentaneamente por causa
do abundante tratamento desta questão alhures (cf. D’Andrade & Kihm 1997, Sousa
2007, 2016) e também pela alusão às mesmas nas recensões críticas. Através desta
exposição, é possível notar que, não existindo o contacto direto com a obra, se denota
um esforço por aproveitar todas as informações provenientes de recensões críticas
face à incapacidade de consulta das obras. É também este mesmo aspeto que serve
de ponto negativo a Coelho (1881).

2.1 Vasconcelos (1881)


A recensão crítica de Carolina Michaëlis de Vasconcelos, publicada na Literaturblatt
für germanische und romanische Philologie, adianta logo de início que este pequeno
trabalho é dotado de alto grau de interesse, tendo Adolfo Coelho apresentando
materiais totalmente novos e ainda não avaliados na parte mais importante do
trabalho (Vasconcelos 1881: 256), ou seja, acerca dos crioulos de co-origem
portuguesa. A contraparte de esta constatação reside na limitação de Adolfo Coelho
quanto aos crioulos de base lexical espanhola e francesa. Por outras palavras, Coelho
(1881) restringe-se ao que “Teza, P. Meyer, Bos, Maspero und die Zeitschrift Mélusine
uns alle gelehrt haben”4 (Vasconcelos 1881: 256).
A inovação de Coelho (1881) também assenta na multiplicidade de elementos de
estudo: Em vez de direcionar a sua atenção exclusivamente para as caraterísticas
sonoras, Coelho (1881) atribui especial peso a áreas como “Wortbildung, Wortschatz

4 ‘Teza, P. Meyer, Bos, Maspero e a revista Mélusine nos ensinaram’.

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O papel das bibliografias na História da Crioulística II
The role of bibliographies in the History of Creolistics II 207

und Satzbau”5 (Vasconcelos 1881: 256). Destarte, Coelho (1881) toma as línguas
crioulas “überhaupt mehr als psychologisches, denn als physiologisches Phänomen”6
(Vasconcelos 1881: 256). As duas regras formuladas em Coelho (1881), mais
especificamente quanto aos “graus diversos na acquisição do portuguez” (Coelho 1881:
67, Morais-Barbosa 1967: 102; ênfase original) e quanto à génese dos crioulos graças
“á acção de leis psychologicas ou physiologicas por toda a parte as mesmas” (Coelho
1881: 69, Morais-Barbosa 1967: 105), são interpretadas por Carolina Michaëlis
de Vasconcelos da seguinte forma: Independentemente da diferença de povos
envolvidos, clima meteorológico, localização geográfica e data de constituição, as
caraterísticas linguísticas repetem-se em todos os crioulos observados (Vasconcelos
1881: 256-257). Mais, as leis envolvidas na génese dos crioulos “sind also allgemeine
und zwar verwandt mit denen, welchen das Kind gehorcht, wenn es sprechen lernt,
oder der Fremde, der sich, ohne grammatische Studien, eine neue Sprache aneignet”7
(Vasconcelos 1881: 257). Como se pode observar, a formação das línguas crioulas é
relacionada com a aquisição de uma língua na qualidade de L1 ou de L2. O principal
ponto distintivo é a velocidade de desenvolvimento dos crioulos, que são avaliados
como resultado de uma constituição acelerada (Vasconcelos 1881: 257). A última
conclusão retirada de Coelho (1881) por Vasconcelos (1881: 257) relaciona-se com
a questão do substratismo; fica bem claro na recensão crítica que, aos olhos de
Adolfo Coelho, uma profunda influência das línguas de substrato não é atestada nos
crioulos, com exceção feita ao vocabulário.

2.2 Schuchardt (1881)


Publicada na Zeitschrift für romanische Philologie, esta recensão trata de duas obras:
Baissac (1880) e Coelho (1881). Constatando o gradual interesse nas “jüngsten und
fernsten Ausläufer der romanischen Sprachentwicklungen”8 (Schuchardt 1881: 580),
Hugo Schuchardt qualifica as duas obras em questão como importantes. Schuchardt
(1881: 580-581) confere a Coelho (1881) os louros de um tratamento panorâmico das
línguas crioulas, assim como se regozija com a novidade dos materiais relativos a
Cabo Verde e a Macau e antecipa com interesse a intenção de Adolfo Coelho em
dedicar um trabalho exclusivo ao Indo-português.
À imagem do que foi expresso por Carolina Michaëlis de Vasconcelos, Schuchardt
(1881: 581) destaca a acessibilidade de Adolfo Coelho a escassos materiais sobre os

5 ‘formação de palavras, vocabulário e construção de frases’.


6 ‘sobretudo mais como fenómenos psicológicos do que como fenómenos fisiológicos’.
7 ‘são também gerais e até aparentadas com aquelas leis a que a criança obedece quando aprende a falar

ou o estrangeiro que se apropria de uma nova língua sem estudos gramaticais’.


8 ‘mais jovens e mais distantes ramificações dos desenvolvimentos das línguas românicas’.

PAPIA, 28(2), e-ISSN 2316-2767


208 Silvio Moreira de Sousa

crioulos de base lexical francesa, que, na opinião de Hugo Schuchardt, deveriam ter
maior atenção; o facto de a referência a Thomas (1869) surgir apenas por intermédio
de Meyer (1872) exemplifica cabalmente esta insuficiência. Ainda dentro deste
aspeto, Schuchardt (1881: 581) faz referência a Coruja (1856) – também esta obra é
uma separata de um artigo publicado na Revista do Instituto Histórico e Geográfico
Brasileiro (cf. Coruja 1852) – para auxílio à análise da variedade brasileira. Ao
mesmo tempo, é comentado sobre o Português do Brasil e sobre o Espanhol falado
em Buenos Aires e em Montevideo que “wären wohl noch mehr transatlantischen
Modificationen romanischer Sprachen zu nennen gewesen”9 (Schuchardt 1881: 581).
Isto é, Hugo Schuchardt deixa entender que existem mais caraterísticas linguísticas
da variedade brasileira em distinção para com a variedade europeia. Do ponto de
vista metodológico, Schuchardt (1881: 258) supõe como aconselhável a correlação
entre os crioulos (tanto dos crioulos românicos, como dos crioulos germânicos) e
as variedades transatlânticas que possuem o caráter de dialetos europeus na sua
essência. Esta ligação advém da asserção de Adolfo Coelho para a presença de
isoladas caraterísticas crioulas no Português brasileiro. Através de uma análise
comparativa de crioulos românicos e germânicos, Schuchardt (1881: 258) contesta a
posição universalista de Adolfo Coelho. Para tal, Schuchardt (1881: 258) apresenta a
sua perspetiva substratista ao referir que, no Chinese Pidgin English, existe várias
marcas do “chinesischen Sprachgeist”10 (Schuchardt 1881: 258).

3 Gaidoz (1881-1882)

Quando publica a primeira de três notas bibliográficas, Gaidoz (1881-1882: 167)


esclarece a razão para iniciar esta empresa de forma contundente: o “trés curieuse
étude”11 (Gaidoz 1881-1882: 167) de Adolfo Coelho desvenda a ausência de
competência “pour apprécier ce travail, mais, peut-être, dans un ordre de recherches
où les matériaux sont peu nombreux et peux accessibles, ne sera-t-il pas inutile de
compléter, au point de vue bibliographique, les sources indiquées par M. C[oelho]
pour le créole français”12 (Gaidoz 1881-1882: 167). Compreende-se a incapacidade
de Henri Gaidoz para ajuizar sobre os materiais apresentados, por exemplo, os do
crioulo de Cabo Verde, como uma razão suplementar. Visto que Adolfo Coelho
já tinha confessado a dificuldade em ter acesso a fontes, Gaidoz (1881-1882: 167)

9 ‘seriam
necessárias de nomear ainda mais modificações transatlânticas das línguas românicas’.
10 ‘espíritode língua chinês’.
11 ‘estudo muito curioso’.
12 ‘para apreciar este trabalho, mas, talvez, dentro de uma ordem de pesquisas onde os materiais são

pouco numerosos e pouco acessíveis não será inútil completar, do ponto de vista bibliográfico, as
fontes indicadas pelo Sr. Coelho para o crioulo françês’.

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O papel das bibliografias na História da Crioulística II
The role of bibliographies in the History of Creolistics II 209

entende como útil fazer adendas às referências bibliográficas apresentadas por


Adolfo Coelho. Optando por uma abordagem enumerativa (cf. Sousa 2012: 337-338),
Henri Gaidoz assume a ordem estrutural presente em Coelho (1881) e lista não só as
obras referidas por Adolfo Coelho, mas também publicações novas ou desconhecidas.
Desde o crioulo da ilha Maurícia, passando pelo do Louisiana, Guiana, Haiti, Trinidad,
até à língua crioula da Martinica, Gaidoz (1881-1882: 167-169) procura fornecer
todas as obras envolvendo os crioulos de base lexical francesa e extravasa o seu
objetivo para anotar também obras sobre os crioulos germânicos. Recuperando a
parte relativa ao crioulo de Trinidad, em nota de rodapé, Gaidoz (1881-1882: 169)
apresenta um censo populacional da ilha e uma nota histórica: este território nunca
esteve sob o controlo administrativo da França. Ou seja, pormenores sobre história
ou estrutura demográfica não são tidos como relevantes segundo o estudo atual das
bibliografias, mas fornecem já indicações para as relações interdisciplinares patentes
no estudo das línguas crioulas.
No mesmo ano, mas em um número posterior da Revue critique d’histoire et de
littérature, Gaidoz (1881-1882: 352-353) procede a novas adições, depois de ter sido
contactado por um bibliotecário em Estugarda, com a referência a uma obra em
um crioulo de base lexical holandesa, e por um bibliógrafo conhecido de Bordéus.
Gaidoz (1881-1882: 353) cita de seguida a carta deste bibliógrafo, contendo várias
referências a crioulos de co-origem francesa ou inglesa. É feita também menção a
uma segunda carta do correspondente francês e a um artigo publicado no jornal Le
Figaro.
Um ano depois, Gaidoz (1881-1882: 453) divulga uma nova nota complementar,
crendo que “les matériaux de cette branche de la linguistique sont peu connus, même
des spécialistes”13 (Gaidoz 1881-1882: 453). Desta vez, são apresentadas referências a
uma “variété de créole”14 (Gaidoz 1881-1882: 453) que ainda não tinha sido referida
por Adolfo Coelho (o Indo-inglês), tal como a um dos crioulos do Surimane, ao
Afro-inglês dos Estados Unidos, ao Chinook Jargon, ao Pidgin English, à Língua
Geral e ao crioulo da ilha de Reunião (Gaidoz 1881-1882: 454).

13 ‘os materiais de este ramo da linguística são pouco conhecidos, mesmo para os especialistas’.
14 ‘variedade de crioulo’.

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210 Silvio Moreira de Sousa

4 Schuchardt (1883a)

O mérito de Henri Gaidoz é atestado na primeira frase da bibliografia crioula de


Hugo Schuchardt, bibliografia que foi criada a partir do intento de reunir “tous les
matériaux necessaires pour une étude comparative, mais en même temps détaillée”15
(Schuchardt 1883a: 314). Ao passo que afirma ter amealhado um longo e assaz
suplemento de bibliografia, do qual se destacam “des journaux en créole avec des
correspondances politiques et des traductions de romans de Balzac”16 (Schuchardt
1883a: 314), Hugo Schuchardt conclue que é suficiente se limitar à literatura em
crioulo francês, “pour le moment”17 (Schuchardt 1883a: 314)
Em tom narrativo, isto é, fugindo a uma bibliografia plenamente enumerativa,
Schuchardt (1883a: 314-315) assume uma ordem semelhante à de Gaidoz (1881-
1882), que, por sua vez, recorde-se, seguiu a estrutura de Coelho (1881). A ordem
exposta em Coelho (1881) organiza Morisyen, Kréyol La Lwizyàn, Guyanais, Ayisyen,
Trinidadian e Martiniké dentro da mesma secção, ordem adotada no primeiro número
de Gaidoz (1881-1882) e que foi completamente renunciada nos seguintes números,
porque as referências extrapolaram o campo dos crioulos de base lexical francesa.
Já Schuchardt (1883a) apresenta a seguinte ordem: Morisyen, Rénioné, Kréyol La
Lwizyàn, Aisyien, Guyanais e comentários resumidos sobre Seselwa e o crioulo do
Senegal.
Schuchardt (1883a: 315) apronta-se a referir Baissac (1880), definindo o estudo
como excelente, e adiciona mais referências para o crioulo da ilha Maurícia, das quais
podemos destacar os catecismos e a comparação sumária das edições de Chrestien
(1820, 1831, 1869):

La première édition des Essais d’un bobre africain est introuvable. La


seconde, «augmentée de près du double « (Maisonneuve, n.o 2184; prix:
60 fr.) est três rare aussi; la deuxième partie du bobre africain, pp. 39-79,
manque sans doute à la première édition. Les poésies créoles remplissent
les pp. 5-26, 39-55. Il en existe une trosième édition, qui ne contient
que les poésies créoles: Le Bobre africain par F. Chrestien. Troisième
édition. Prix: deux schellings. Maurice, typographie A. Amelot et Cie ,
12, Chaussée, 12. 1869 pp. 23, in-8.18 (Schuchardt 1883a: 315).

15 ‘todos os materiais necessários para um estudo comparativo, mas, ao mesmo tempo, detalhado’.
16 ‘os jornais em crioulo com as correspondências políticas e as traduções dos livros de Balzac’.
17 ‘por enquanto’.
18 ‘A primeira edição dos Essais d’un bobre africain está indisponível. A segunda, «aumentada quase o

dobro» (Maisonneuve, n.o 2184; preço: 60 francos) é também muito rara; a segunda parte do bobre
africain, pp. 39-79, falta sem dúvida à primeira edição. As poesias crioulas ocupam as páginas 5-26,
39-55. Não existe uma terceira edição, que não contém mais do que as poesias crioulas: Le Bobre
africain par F. Chrestien. Terceira édição. Preço: dois schellings. Maurícia, tipografia A. Amelot et
Cie, 12, Chaussée, 12. 1869 páginas 23, in-8.’.

PAPIA, 28(2), e-ISSN 2316-2767


O papel das bibliografias na História da Crioulística II
The role of bibliographies in the History of Creolistics II 211

Relativamente à edição feita pela casa tipográfica Maisonneuve, não existe


qualquer informação disponível na internet; como se pode confirmar na bibliografia
a este trabalho, a versão disponível online pertence à editora da primeira edição (cf.
Chrestien 1831). Para Schuchardt (1883a: 315), François Chrestien é conceituado
como o poeta clássico da ilha Maurícia, à imagem de Louis-Emile Héry para a ilha da
Reunião. Porém, “ni l’un ni l’autre ne sera mis au premier rang par les philologues”19
(Schuchardt 1883a: 315). Acerca do crioulo falado no Haiti, Schuchardt (1883a:
316) anota que lhe ficaram de enviar diferentes publicações em crioulo e possui
momentaneamente uma recolha de provérbios crioulos (Audain 1877). Schuchardt
(1883a: 317) classifica este trabalho como deveras importante, porque totaliza mais
provérbios que Bigelow (1875, 1877) ou Wullschlägel (1856) e, simultaneamente,
porque é onde se pode penetrar melhor em “l’esprit de la race africaine”20 (Schuchardt
1883a: 317). Depois de confessar que desconhece novas publicações sobre o crioulo
da Guiana, Schuchardt (1883a: 318) divulga que tem em sua posse amostras do
crioulo das Seicheles e do “jargon annamito-français”21 (Schuchardt 1883a: 318). De
todos os crioulos caribenhos de co-origem francesa, Schuchardt (1883a: 318) não
possui amostras de Trinidad, Martinica e Haiti. Por esse mesmo motivo, é feito um
apelo:

J’ose donc faire appel à la bienveillance des lecteurs de la Revue critique


en les priant de me donner, s’il leur est possible, des renseignements et
des références qui puissent servir ou à combler les lacunes indiquées
ou à avancer mes études créoles en général.22 (Schuchardt 1883a: 318)

Aliás, como o próprio tinha deixado ciente em Schuchardt (1881: 581), Hugo
Schuchardt insiste na reunião da maior parte de materiais linguísticos e, indi-
retamente, acaba por sublinhar o objetivo primário a qualquer bibliografia: a
coleção de todas as publicações e trabalhos referentes a determinado campo de
estudo como primeiro suporte técnico à criação de um trabalho científico. Pode-se
mesmo interpretar a publicação desta bibliografia (Schuchardt 1883a) não como uma
dádiva ao público, mas como um apelo ao mesmo. Na sequência desta inversão de
funções, Hugo Schuchardt aproveita para esclarecer o seu ponto de vista acerca
de “l’expression dialectes créoles dans le sens que M. [Henri] Gaidoz semble lui

19 ‘nem um, nem o outro será colocado na primeira classe pelos filólogos’.
20 ‘espíritoda raça africana’.
21 ‘jargão anamito-françês’.
22 ‘Eu ouso, assim, apelar à bondade dos leitores da Revue critique ao lhes pedir de me dar, se lhes

é possível, informações e referências que possam servir ou a colmatar as lacunas indicadas ou a


avançar os meus estudos crioulos em geral.’

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212 Silvio Moreira de Sousa

attribuer”23 (Schuchardt 1883a: 318; ênfase original) e sobre a “différence essentielle


entre le négro-portugais, comme M. J[ulien] Vinson voudrait le supposer (Dict. des
sc. anthrop., art. Créoles)”24 (Schuchardt 1883a: 318). Na mesma linha, Schuchardt
(1883a: 318) faz reparos de ordem conceitual quanto à denominação das línguas
empregue por Henri Gaidoz.
Quando Hugo Schuchardt expõe que não compreende a expressão ‘dialetos
crioulos’, trata-se unicamente de uma questão de definição de uma língua crioula e
não de uma questão referente ao uso conjunto das palavras ‘dialeto’ e ‘crioulo’, i. e.
de concetualização. Os leitores ficam elucidados quando é dito que, para ele (Hugo
Schuchardt), os crioulos “ne sont que les dialectes sortis de langues européennes
chez les races de couleur et marqués de certains caractères communs (surtout de
celui de manque de flexion)”25 (Schuchardt 1883a: 318). Parte de esta definição,
mais precisamente a criação de línguas europeias fora da sua ecologia primária,
condiz com as linhas teóricas apresentadas no estudo sobre o crioulo de base lexical
espanhola das Filipinas (cf. Schuchardt 1883b: 124-127), onde duas direções de
influência linguística são apresentadas, nomeadamente um Hispano-Tagalo e um
Tagalo-Espanhol. Estas asserções permitem a interpretação de um maior peso do
substrato na aquisição de uma L2 e permitem compreender melhor o que é proferido
acerca da denominação das línguas crioulas. Afinal, os reparos de ordem conceitual
de Hugo Schuchardt a Henri Gaidoz vão no sentido de salientar a agência: aquele
assinala “qu’on ne devrait pas dire, comme le fait M. Gaidoz, anglo-nègre au lieu de
négro-anglais, anglo-hindou au lieu de indo-anglais”26 (Schuchardt 1883a: 318; ênfase
original). Pode-se interpretar, portanto, que se evidencia uma ação das línguas de
substrato na aquisição da língua de superstrato.
Já quanto à questão dos traços linguísticos comuns a todas as línguas crioulas,
Schuchardt (1883a: 318) realça a principal caraterística comum: a falta de morfologia
é um dos critérios afiançados na definição de uma língua crioula, mesmo nas
definições mais modernas (cf. Sousa 2016: 37). Neste preciso ponto, Schuchardt
(1883a: 318) toca em o que é dito em Vinson (1883) e desenvolve as suas ideias de
forma contundente, chegando a delimitar através de exemplos alguns conceitos
modernos de vários tipos de contacto linguístico:

23 ‘aexpressão dialetos crioulos no sentido que o Sr. Henri Gaidoz parece atribuir’.
24 ‘diferença essencial entre o Afro-Português, como o Sr. Julien Vinson quer supor (Dict. des sc. anthrop.,
art. Créoles)’.
25 ‘não são mais do que os dialetos saídos de línguas europeias junto das raças de côr e marcados de

certas caraterísticas comuns (sobretudo de falta de flexão)’.


26 ‘que não se deve dizer, como o faz o Sr. Gaidoz, Anglo-Africano ao invés de Afro-Inglês, Anglo-Indiano

ao invés de Indo-Inglês’.

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O papel das bibliografias na História da Crioulística II
The role of bibliographies in the History of Creolistics II 213

Dans le brésilien, on remarque une certaine tendance créolisante qui


s’accuse encore plus dans le hollandais du Cap, que ceux qui le parlent
affectent de nommer la langue africaine (die afrikaanse taal). L’hébreu-
allemand n’a absolument rien à voir avec les idiomes créoles. D’autre
part, il faut faire abstraction des langues indigènes plus ou moins
dégénérées, des autres parties du monde. Le fonds du jargon d’Orégon
est américaine, non pas européen. La lingua geral du Brésil est une
langue américaine comme une autre, dont nous avons une bibliographie
excellente (Bibliographia da lingua Tupi ou Guarani tambem chamada
língua geral do Brasil por Alfredo do Valle Cabral, Rio de Janeiro, 1880,
302 numéros).27 (Schuchardt 1883a: 318)

A ausência de flexão morfológica, em uma interpretação mais restrita, assume o


papel de elemento conclusivo para o reconhecimento de uma língua crioula, ao
passo que, em uma ligação mais expansiva, deslumbra-se aqui, de forma explícita,
uma fase anterior às formulações avançadas já no século XX acerca do caráter
linguístico da variedade portuguesa falada no Brasil e do Afrikaans na África do Sul.
Reinecke (1937) adopta mesmo uma escolha de palavras em todo semelhante às de
Hugo Schuchardt ao mencionar em “the creolisant dialects”28 (Reinecke 1937: 22).
Holm (2004: 6), no tratamento do conceito de Halbkreolisch29 de Hugo Schuchardt,
apresenta também a mesma formulação por parte de Tagliavini (1931), embora
“lingue creolizzanti”30 (Tagliavini 1931: 834) signifique línguas em pleno processo
de crioulização. Em contrapartida, Reinecke (1937: 559) opta pelo uso do termo
‘semi-creolized’ em referência ao Afrikaans para designar uma língua crioula que
“never got beyond the makeshift stage”31 (Reinecke 1937: 61). Seguindo a pegadas
de Reinecke (1937: 61) quanto à localização geográfica destas variedades semi-
crioulas (os exemplos referidos são Brasil, países caribenhos onde se fala a língua
espanhola e os estados do sul dos Estados Unidos da América), Holm (1988, 1992,

27 ‘No Português brasileiro, nota-se uma certa tendência crioulisante, que se acusa ainda mais no
Holandês do Cabo da Boa Esperança, que aqueles que o falam afetam de chamar a língua africana
(Afrikaans). O Hebreu-Alemão não tem absolutamente nada a ver com os idiomas crioulos. De outra
parte, é necessário fazer a abstração das línguas indígenas mais ou menos degeneradas, das outras
partes do mundo. O fundo do jargão de Oregon é americano e não europeu. A Língua Geral do Brasil
é uma língua americana como qualquer outra, sobre a qual nós temos uma bibliografia excelente
(Bibliographia da lingua Tupi ou Guarani tambem chamada língua geral do Brasil por Alfredo do
Valle Cabral, Rio de Janeiro, 1880, 302 números).’
28 ‘os dialetos crioulisantes’.
29 N. A. ‘meio-crioulo, semi-crioulo’.
30 ‘línguas crioulisantes’.
31 ‘nunca foi além da fase improvisada’.

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214 Silvio Moreira de Sousa

2001, 2004, 2012) empreendeu uma demonstração comparativa das afinidades entre
estas variedades; inicialmente, as denominou de semi-crioulos e, mais tarde, de
variedades parcialmente reestruturadas.
Na passagem acima exposta, também se pode denotar uma classificação dos
diferentes resultados de contacto linguísticos. Schuchardt (1883a: 318) permite a
visão das línguas crioulas como pertencentes à genealogia da língua que fornece
a sua base lexical. Deste modo, o Chinook Jargon – língua falada no estado norte-
americano do Oregon – tem de ser considerada como uma língua ameríndia. Sem
ser possível obter mais esclarecimentos acerca do que Hugo Schuchardt entende por
Língua Geral, uma vez que Rodrigues (1996: 6-10) enumera três, transparece enfim
uma coincidência quanto à visão vulgar de “línguas de origem indígena faladas [...]
por toda a população originada no cruzamento de europeus e índios tupi-guaranis”
(Rodrigues 1996: 6). Todavia, tal como Nobre (2013: 76) evidencia, Rodrigues (1996)
utiliza o facto de não existir uma interrupção na transmissão das línguas como
argumento contra a classificação da Língua Geral de São Paulo e da Língua Geral da
Amazónia como crioulos. Talvez, de um modo mais radical, toda a Língua Geral se
apresenta como um anti-crioulo (cf. Couto 1992).

5 Conclusão

O uso de separatas como base de disseminação de conhecimento e a atenção prestada


às recensões críticas podem servir de base para um estudo comparativo com as
práticas atuais de disseminação de conhecimento, dado que a impressão de separatas
se torna cada vez mais incomum face à partilha de documentos em formato PDF e, a
um nível posterior, diante das diretivas Open Access ou Creative Commons. Este é o
primeiro ponto que se pode aludir na conclusão a este percurso.
Como foi possível constatar, a publicação de um artigo (Coelho 1881) e a
distribuição de suas separatas iniciou uma reação em cadeia, avançando para a
publicação de recensões críticas (Vasconcelos 1881, Schuchardt 1881) e culminando
com a publicação de uma bibliografia. O que se iniciou em Gaidoz (1881-1882), com
uma delimitação aos crioulos franceses, foi posteriormente ampliado a crioulos de
co-origem germânica. A reação de Hugo Schuchardt a estas notas bibliográficas
levaram à publicação de uma bibliografia (Schuchardt 1883a), embora esta não
siga estritamente os parâmetros idealizados para uma bibliografia. No fundo,
Schuchardt (1883a) apresenta um apelo aos leitores para o fornecimento de materiais
linguísticos ou bibliográficos, à medida que expõe vários comentários de caráter
teórico em resposta a uma das notas bibliográficas de Henri Gaidoz e, por outro
lado, a uma entrada enciclopédica de Julien Vinson. A importância de estes
comentários sui generis dentro de uma bibliografia deixam-se claramente ordenar
com a conceitualização da variedade brasileira do Português e do Afrikaans como
variedades claramente expostas ao contacto linguístico.

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Wullschlägel, H. R. 1856. Deutsch-negerenglisches Wörterbuch. Nebst einem
Anhang, negerenglische Sprüchwörter enthaltend. Löbau: J. A. Duroldt. Retrieved
2018.06.06, from <https://bit.ly/2EQ4hnz>.

Recebido: 06/06/2018
Aprovado: 24/09/2018

PAPIA, 28(2), e-ISSN 2316-2767


PAPIA, São Paulo, 28(2), p. 219-237, Jul/Dez 2018.

Documentação do português falado em comunidades


rurais afro-brasileiras de Sergipe: procedimentos
metodológicos
Documentation of the Portuguese spoken in Afro-Brazilian rural
communities of Sergipe: methodological procedures

José Humberto dos Santos Santana


Secretaria Municipal do Desenvolvimento Social e
do Trabalho de Lagarto, Lagarto, Brasil
humbertosantana88@hotmail.com

Silvana Silva de Farias Araujo


Universidade Estadual de Feira de
Santana/pjd-cnpq, Feira de Santana, Brasil
silvana.uefs.2014@gmail.com

Raquel Meister Ko. Freitag


Universidade Federal de Sergipe/cnpq,
São Cristóvão, Brasil
rkofreitag@uol.com.br

Abstract: On the Brazilian sociolinguistic scenario, linguistic diversity


is a theme that needs to be discussed and further detailed before the
regularization and standardization of Brazilian linguistic varieties, espe-
cially those spoken outside large centers and in rural minority groups,
erase the main characteristics of the Brazilian popular vernacular. It
is necessary, therefore, to conduct research on recording, describing
and analysing the Portuguese spoken in these communities. With this
article, we draw attention to the importance of mapping and recording
the Portuguese spoken in Afro-Brazilian rural communities of the
state of Sergipe (BR), a linguistic variety that has not yet been object of
systematic studies. We highlight the importance of conducting regional
researches by developing specific methods for the regions under study.

e-ISSN 2316-2767
220 José Humberto dos Santos Santana / et al.

Keywords: Afro-Brazilian rural communities; formation of sociolin-


guistic speech samples; policy of Linguistic Diversity.

Resumo: No cenário sociolinguístico brasileiro, a diversidade lin-


guística é um tema que precisa ser discutido e aprofundado, antes
que a padronização e a normatização das variedades linguísticas
brasileiras, especialmente das que são faladas fora dos grandes centros
e em grupos minoritários rurais, apaguem as principais características
do vernáculo brasileiro popular. Urge, assim, que sejam realizadas
pesquisas de documentação, descrição e análise do português falado
nessas comunidades. Com este artigo, chamamos a atenção para a
importância do mapeamento e documentação do português falado em
comunidades rurais afro-brasileiras sergipanas, variedade linguística
que ainda não foi alvo de estudos sistemáticos. Ao longo do texto,
ressaltamos a importância da realização de pesquisas regionais com o
desenvolvimento de métodos específicos para as regiões em foco.

Palavras-chave: Comunidades quilombolas; constituição de amostras


de fala sociolinguísticas; Política da Diversidade Linguística.

1 Introdução

Os sociolinguistas brasileiros têm dedicado, desde a década de 1970, muito esforço


investigativo ao registro e descrição das variedades do português Brasileiro (PB),
caracterizando-as quanto às dimensões social e regional. Em 2010, com a implantação
da Política da Diversidade Linguística (Brasil 2010), eles adquiriram o direito de
documentar as línguas minoritárias faladas no território brasileiro e as variedades do
PB faladas por grupos minoritários. Implantada por meio do Decreto Presidencial nº
7.387, de 9 de dezembro de 2010 (Brasil 2010), essa política “[...] tem como principal
objetivo a valorização e a promoção da diversidade linguística brasileira [...]” (Iphan
2016: 10).
Uma das ações de valorização previstas nessa política é “[...] o reconhecimento
da importância das línguas como elementos de transmissão da cultura e como
referências identitárias para os diversos grupos sociais que vivem no país.” (Iphan
2016: 10). Essa importância é reconhecida por meio da emissão do título de Referência
Cultural Brasileira (Brasil 2010), pelo Ministério da Cultura, às línguas documentadas
“[...] portadoras de referência à identidade, à ação e à memória dos diferentes grupos
formadores da sociedade brasileira.” (Brasil 2010: art. 1º). No âmbito dessa política,
assume-se, por conseguinte, a concepção de língua como direito difuso, patrimônio
cultural imaterial de todo brasileiro, sendo passível, desse modo, de registro e
memória (Freitag 2014).

PAPIA, 28(2), e-ISSN 2316-2767


Documentação do português falado em comunidades rurais afro-brasileiras...
Documentation of the Portuguese spoken in Afro-Brazilian... 221

O Relatório de Atividades (2006–07) do Grupo de Trabalho da Diversidade


Linguística do Brasil (GTDL) classifica as línguas faladas no Brasil em seis
categorias histórico-sociológicas, conforme sua origem histórico-cultural e sua
natureza semiótica: indígenas, de comunidades afro-brasileiras, de imigração, de
sinais, crioulas e a Língua Portuguesa e suas variações dialetais (GTDL 2008). A
pesquisa cujos procedimentos metodológicos serão esboçados neste artigo visa
à documentação, descrição e análise do português falado em comunidades afro-
brasileiras, especificamente Comunidades Remanescentes de Quilombos (CRQs)
rurais, do estado de Sergipe; logo, contempla duas das categorias supracitadas:
línguas de comunidades afro-brasileiras e variedades dialetais do PB.
O estudo do vernáculo dos nativos de comunidades rurais afro-brasileiras
justifica-se pela possibilidade de revelar traços das origens da língua portuguesa
no Brasil que urgem serem investigados, antes que os processos de urbanização e
de escolarização minimizem as marcas de possíveis alterações linguísticas geradas
pelo intenso contato entre povos tão culturalmente diversos presentes na sócio-
história do PB. Outrossim, a documentação sociolinguística nessas comunidades
pode trazer dados robustos que permitam aprofundar a discussão sobre a formação
do PB, especialmente no que concerne à participação da população africana na
constituição da sua realidade, buscando responder às seguintes questões:

a) Existem fenômenos morfossintáticos que podem ser atribuídos particular-


mente ao fato de comunidades rurais afro-brasileiras terem uma intensa
história de contato entre línguas, especialmente, entre a língua portuguesa e
línguas africanas, de modo que esses fenômenos não sejam encontrados em
outras variedades populares do PB ou, se o são, o é com menor frequência de
uso?

b) Comunidades rurais afro-brasileiras da Bahia são linguisticamente próximas a


comunidades rurais afro-brasileiras de Sergipe? A proximidade espacial entre
Bahia e Sergipe conduz a uma similaridade nos usos linguísticos dos membros
dessas comunidades de fala ou questões sócio-históricas próprias a cada uma
delas — a exemplo das muitas situações nas quais conviveram grupos étnicos
e linguísticos distintos, e em diferentes níveis de complexidade e duração —
levaram a especificidades em suas gramáticas em perspectiva sincrônica?

Uma descrição sistemática comparativa entre comunidades rurais afro-brasileiras


dos estados da Bahia e de Sergipe possibilita o delineamento dos processos históricos
de formação das variedades da língua portuguesa do Brasil, permitindo identificar

PAPIA, 28(2), e-ISSN 2316-2767


222 José Humberto dos Santos Santana / et al.

que mudanças foram desencadeadas pelo contato entre línguas1 . Na Bahia, há uma
forte linha de investigação em comunidades rurais afro-brasileiras (Lucchesi, Baxter
& Ribeiro 2009; Almeida & Carneiro 2003 2008 2014; Almeida et al. 2016). Nesse
contexto, há o conceito que embasa a coleta e a descrição do português afro-brasileiro
(Lucchesi, 2009: 32)

[...] variedade constituída pelos padrões de comportamento linguístico


de comunidades rurais compostas em sua maioria por descendentes
diretos de escravos africanos que se fixaram em localidades remotas
do interior do país, praticando, até os dias de hoje, a agricultura de
subsistência.

Em Sergipe, no entanto, ainda não há estudos sociolinguísticos realizados com dados


do português afro-brasileiro: as amostras de fala do banco de dados Falares Sergipanos
(Freitag 2013), constituídas por entrevistas do tipo diálogo entre informante e
documentador, restringem-se ao perfil urbano e escolarizado.
Visando elucidar nossa proposta de documentação e descrição linguísticas,
estruturamos este artigo da seguinte forma: na seção 1, descrevemos o processo
de constituição de Sergipe, destacando a grande influência dos milhares de negros
afro-brasileiros e negros africanos importados para esse estado nos períodos colonial
e imperial na demografia local, e o de formação das CRQs sergipanas; na seção 2,
descrevemos as fases do processo de certificação e as do de regularização fundiária
das CRQs brasileiras, focando aquelas em que as CRQs sergipanas estão situadas e
o mapeamento dessas comunidades; e, na seção 3, apresentamos uma proposta de
tipologização das CRQs em Sergipe, levando em conta parâmetros sociolinguísticos,
como os contatos, os deslocamentos e a relação entre o português afro-brasileiro e
outras variedades do português rural brasileiro; e características da sócio-história
sergipana.

1 Está em execução o plano de trabalho intitulado “Caracterização do Português Popular Falado em


Comunidades Rurais Afro-Brasileiras da Bahia e de Sergipe: Documentação de Comunidades de
Práticas Afro-Brasileiras para o Estudo do Contato Linguístico”, desenvolvido por Silvana Silva de
Farias Araujo (Docente da UEFS), com o auxílio de Bolsa de Pós-Doutorado Júnior (PDJ-CNPq), com
supervisão da Professora Raquel Meister Ko Freitag (docente da UFS/ CNPq) – Processo 154982/2018-
0. Com a realização desse projeto, intenta-se ampliar as redes de contatos entre os pesquisadores,
principalmente, os da região Nordeste do Brasil, visando transpor os obstáculos impostos pela
padronização da coleta de dados, guiados, em grande parte, pela metodologia criada para a gravação
de entrevistas em grandes centros urbanos, a exemplo do Rio de Janeiro (Freitag, Lopes & Araújo
2018).

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Documentação do português falado em comunidades rurais afro-brasileiras...
Documentation of the Portuguese spoken in Afro-Brazilian... 223

2 Considerações sobre a sócio-história de Sergipe: da importação


de afro-brasileiros e africanos às comunidades quilombolas

A abordagem sócio-histórica a respeito do fenômeno linguístico perpassa pelo fato de


que uma língua mantém relação com a história da sociedade em que ela se constituiu,
pois cada estado da língua resulta de um e contínuo processo histórico. Desse modo,
a nosso ver, a estrutura de uma língua somente será totalmente entendida à medida
que se compreendam efetivamente os processos históricos de sua configuração,
pois as categorias linguísticas que compreendem estruturas fonéticas, fonológicas,
morfológicas, sintáticas, lexicais, semânticas, pragmáticas e discursivas convivem
não somente com o sistema conceitual humano, mas também com fatores sociais da
época e eventos históricos. Nesse sentido, entendemos que, para a documentação e
análise sociolinguística do português falado em comunidades rurais afro-brasileiras
sergipanas, é imprescindível o estudo prévio sobre o processo de constituição do
estado de Sergipe.

2.1 Caracterização sócio-histórico-demográfica de Sergipe


Sergipe foi capitania subalterna (1590–1820) à Bahia e, posteriormente, província
(1823–1889) do Império brasileiro (1822–1889) (Figueiredo 1988). “Sergipe nasce[u]
à sombra dos currais. De Estância, no Sul, ao rio São Francisco, no Norte, o gado
abr[iu] estradas por onde se process[ou] o povoamento.” (Figueiredo 1988: 49). Suas
primeiras povoações surgiram em 1590, ano em que seu território foi conquistado
pelo Cabo de esquadra português Cristóvão de Barros (Passos Subrinho 1987) e
integrado ao da Bahia (Figueiredo 1988).
No século XVII, as principais atividades econômicas de Sergipe eram a pecuária
extensiva e a agricultura de subsistência (Passos Subrinho 1987): era uma capitania
fornecedora de carne bovina e produtos agrícolas (farinha de mandioca, milho, etc.)
à região canavieira da Bahia (Recôncavo Baiano) (Figueiredo 1988; Nunes 2000-02).
Os primeiros cativos africanos e afro-brasileiros chegaram a Sergipe na primeira
metade do século XVII (Nunes 2000-02); nesse período, o quantitativo de escravizados
afro-brasileiros e africanos era baixo (Nunes 2000-02), e, visto que Sergipe não
dispunha de autonomia para importar (leia-se: traficar) mão de obra diretamente
da África, predominavam os afro-brasileiros, importados, principalmente, de
Salvador/BA.
No final do século XVIII, a pecuária e as lavouras de subsistência foram
substituídas pela monocultura da cana-de-açúcar e pela produção açucareira:

PAPIA, 28(2), e-ISSN 2316-2767


224 José Humberto dos Santos Santana / et al.

[...] o gado cedeu lugar à cana-de-açúcar, penetrando para o interior,


invadindo as terras do agreste e do sertão semi-árido (sic), ajudando
a fixação do colonizador. Mas, pouco a pouco, os canaviais come-
çaram a ocupar os vales férteis; com eles, emergem e proliferam
engenhos [produtores de açúcar] (Santos & Oliva 1998: 23, grifos
nossos).

O cultivo em larga escala da cana e a crescente produção açucareira exigiram


o aumento do contingente de lavradores de cana (trabalhadores do campo) e do
de fabricadores de açúcar (trabalhadores do engenho) (Santos & Oliva 1998). Para
suprir essa demanda, os proprietários dos engenhos intensificaram a importação
(leia-se: o tráfico) de cativos afro-brasileiros e a de cativos africanos. Os grandes
contingentes de escravizados afro-brasileiros chegavam, sobretudo, de Salvador/BA
(Mott 2008). Quase todos os escravizados africanos eram provenientes de Angola e
Congo (Mott 1986). Na medida em que a importação de cativos afro-brasileiros era
menos onerosa que a de africanos — nesse momento, a segunda ainda era realizada de
modo indireto: a capitania de Sergipe importava africanos importados pela capitania
da Bahia ou pela capitania de Pernambuco —, os grandes contingentes de cativos
eram constituídos majoritariamente por afro-brasileiros (Mott 2008).
A produção açucareira sergipana atingiu o auge na década de 1840 (Mott 1986),
duas décadas depois da elevação de Sergipe à categoria de Província do Império
(Figueiredo 1988; Oliveira 2012) e de sua emancipação político-administrativa, a
qual lhe concedeu autonomia para importar cativos diretamente da África. No
decênio de 1850, em razão da diminuição do quantitativo de escravizados — de 25,5%
da população em 1851 para 18% em 1869 — provocada pela interrupção do tráfico
transatlântico, a produção de cana de açúcar declinou (Mott 1986). Mas, mesmo
declinada, continuou sendo a base da economia da província: a mão de obra escrava
continuou sendo largamente utilizada nos engenhos sergipanos (Passos Subrinho
2000; Amaral 2012).
Nos séculos XVIII e XIX, o principal núcleo produtor de açúcar em Sergipe era a
região de Cotinguiba (Amaral 2012) — hoje, subdividida em Cotinguiba (microrregião
do Leste Sergipano), Baixo Cotinguiba (microrregião situada entre as regiões Leste
Sergipano e Grande Aracaju), Japaratuba (município da microrregião de Japaratuba e
da região do Leste Sergipano) e Nossa Senhora do Socorro (município da microrregião
de Aracaju e da região da Grande Aracaju). Essa região era “[...] ‘a porta de todos os
interesses e riquezas da Província’.” (Figueiredo 1988: 49). No período 1840/1850,
“[...] já movimentava [...] cerca de 90,8% do açúcar então produzido.” (Figueiredo
1988: 49).
Nessa região, a produção açucareira promoveu o desenvolvimento de dez núcleos
urbanos, a saber: Capela, Divina Pastora, Japaratuba, Laranjeiras, Maruim, Nossa

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Documentação do português falado em comunidades rurais afro-brasileiras...
Documentation of the Portuguese spoken in Afro-Brazilian... 225

Senhora do Socorro, Riachuelo, Rosário do Catete, Santo Amaro das Brotas e Siriri
(Amaral 2012). Sedes, nos séculos XVIII e XIX, de grandes quantitativos de engenhos
produtores de açúcar — em 1856, a Cotinguiba sediava cerca de 50% do total de
engenhos da província (Almeida 1993); em 1881, 63,8% (Bueno 1881) —, esses núcleos,
nos referidos séculos (à época, povoados, freguesias e vilas), ostentavam grandes
contingentes de cativos afro-brasileiros e africanos. Em 1854, cinco deles estavam
entre os dez maiores centros escravistas da província, ou seja, entre os dez que
exibiam os maiores quantitativos de escravizados: 1º, Laranjeiras (3.321 cativos ≡
36,5% da população), 3º, Capela (2.060 ≡ 30,5%), 4º, Nossa Senhora do Socorro (1.675
≡ 34,3%), 7º, Divina Pastora (1.490 ≡ 45,8%) e 8º, Santo Amaro das Brotas (1.440 ≡
29,9%) (Figueiredo 1988). Os outros cinco, embora fossem pouco populosos, também
acumulavam, no mesmo ano, grandes quantidades de cativos. Em Japaratuba, por
exemplo, havia mais pessoas em cativeiro (890 ≡ 57,2%) do que em liberdade (667 ≡
42,8%) (Figueiredo 1988).

2.1.1 O negro cativo em Sergipe: opressão, miscigenação e resistência


[...] foi tão bem recebida aquela breve e discreta
definição de quem chamou a um engenho [produtor]
de açúcar doce inferno.
Pe. Antônio Vieira (2004 [1633]: 13)

O negro cativo “[...] era coisa (rês), não era gente, não era nada. Não era brasileiro
(!). Não era cidadão. Era, a princípio, ‘as mãos e os pés [...]’” (Figueiredo 1988: 47)
de seu proprietário. Trabalhava, diariamente, das 6h às 18h (Schwartz 1988 [1985]),
“[...] inclusive aos domingos e feriados.” (Figueiredo 1988: 47). Em 1802, havia, em
Sergipe, 19.434 cativos (34,9% da população) (Mott 1986); em 1808, 20.500 (28,4%)
(Figueiredo 1988; Oliveira 2012); em 1823, 32.000 (26,6%) (Figueiredo 1988); em 1834,
47.812 (29,8%) (Mott 1976); em 1854, 32.448 (24,5%); em 1872, 31.969 (13,6%); em
1884, 25.874 (?); e, em 1887, 16.888 — ou 16.875 — (?) (Figueiredo 1988).
Esse grande contingente de afro-brasileiros e africanos escravizados contribuiu
sobremaneira para a elevação do nível de miscigenação da população sergipana
no século XIX, sobretudo na primeira metade, pois, entre 1802 e 1834 (em três
décadas), o quantitativo de pardos (descendentes de brancos e pretos, brancos e
pardos, pardos e pardos, e pardos e pretos) aumentou em 239,2% (triplicou): passou
de 20.849 (Figueiredo 1988) para 70.717 (Mott 1976). Segundo Mott (1976), em 1834,
os pardos — livres (55.466) e cativos (15.251) — equivaliam a 44,1% da população. Se,
a esse percentual, acrescentarmos o de pretos — livres (25.647) e cativos (32.561) —,
constataremos que os afro-brasileiros e os africanos representavam cerca de 80%
do total de habitantes da província (160.452). “Havia, em média, 4 pessoas ‘de cor’
para cada branco.” (Mott 1976: 10) e 85, para cada indígena. Com efeito, a população
sergipana consistia em:

PAPIA, 28(2), e-ISSN 2316-2767


226 José Humberto dos Santos Santana / et al.

[...] uma das mais altas “misturas” raciais ou étnicas do País, o


que, ainda hoje, é fácil de constatar. É de se admitir a existência, no
Estado, de contingente e mitigada democracia racial, a qual, na cama, no
mato ou no chão, nasceu de baixo para cima, feita de gente, cheirando
a povo (Figueiredo 1988: 55, grifos nossos).

Lutando pela sobrevivência — eram mal alimentados, mal abrigados e constante-


mente castigados (Schwartz 1988 [1985]) — e pela liberdade (Amaral 2012), muitos
cativos sergipanos — homens e mulheres jovens, adultos e idosos (Amaral 2012) —
fugiram das sedes das freguesias e vilas da capitania/província, das extensas áreas
de cultivo de produtos agrícolas — mandiocais (da primeira metade do século XVII
à segunda metade do XIX), milharais (da segunda metade do XVII à segunda do
XIX), canaviais (da segunda metade do XVIII à segunda do XIX) etc. (Nunes 2000-02;
Santos 2004) — de seus proprietários, das senzalas dos engenhos produtores de
farinha de mandioca e das dos produtores de açúcar — nas longas temporadas de
colheita da cana, trabalhavam até o limite da resistência física (Schwartz 1988 [1985]):
“[...] gente toda da cor da mesma noite (!), trabalhando vivamente, e gemendo tudo
ao mesmo tempo, sem momento de tréguas nem de descanso [...]” (Vieira 2004
[1633]: 13) —, e formaram quilombos (Oliveira 2010; Amaral 2012). Segundo Nunes
(2000-02), os primeiros surgiram no início da segunda metade do século XVII. Nesse
momento, localizavam-se na região do Vale do Rio Real, na do Baixo São Francisco
e, principalmente, nas matas de Itabaiana (Nunes 2000-02). Os erguidos nos séculos
XVIII e XIX localizavam-se, sobretudo, na região de Cotinguiba (Oliveira 2010;
Amaral 2012).
Após a abolição da escravidão, os ex-escravizados sergipanos que não haviam
fugido dos engenhos e formado quilombos continuaram trabalhando para seus
antigos proprietários e morando nos antigos engenhos (agora, fazendas) — ou
próximo a eles (formando povoados) — ou migraram para fazendas circunvizinhas e
para a periferia dos grandes centros urbanos do estado, em busca de trabalho e de
melhores condições de vida. Os ex-escravizados que viviam nos antigos quilombos
— os que fugiram dos engenhos e das sedes das freguesias e vilas antes da sanção
e promulgação da Lei Áurea, oficialmente Lei Imperial nº 3.353, de 13 de maio de
1888 (Brasil 1888) —, em contrapartida, permaneceram lá (isolados, geralmente)
ou seguiram o trajeto daqueles. Os povoados e os bairros (periféricos) fundados
por aqueles ex-escravizados e por seus descendentes diretos, bem como os antigos
quilombos que resistiram às tentativas de aniquilamento empreendidas pela polícia
(Oliveira 2010; Amaral 2012) e que se tornaram povoados, são chamados, hoje, de
Comunidades Remanescentes de Quilombos (CRQs) (Brasil 1988; FCP2 2016-18); e os

2 Ver lista de abreviaturas no final deste texto.

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Documentação do português falado em comunidades rurais afro-brasileiras...
Documentation of the Portuguese spoken in Afro-Brazilian... 227

moradores dessas comunidades, especificamente os “[...] descendentes de africanos


escravizados que mantêm tradições culturais, de subsistência e religiosas ao longo
dos séculos.” (FCP 2016-18: 1), quilombolas.
Na seção seguinte, apresentaremos as fases do processo de certificação (reconhe-
cimento) e as do de regularização fundiária das CRQs, bem como aquelas em que
as sergipanas estão situadas, pois, aos quilombolas que estejam ocupando as terras
dessas comunidades, “[...] é reconhecida a propriedade definitiva, devendo o Estado
emitir-lhes os títulos respectivos.” (Brasil 1988: art. 68).

3 O processo de certificação e o de regularização fundiária das


comunidades quilombolas

A Fundação Cultural Palmares (FCP), instituição voltada para promoção e preser-


vação da arte e da cultura afro-brasileiras, formaliza, há 30 anos, a existência das
CRQs no território brasileiro, emitindo a certidão de autodefinição (documento que
reconhece os direitos dos quilombolas) às comunidades que se autodefinem como
“[...] grupos étnicos raciais (sic) [...] com trajetória histórica própria, dotados de
relações territoriais específicas, com presunção de ancestralidade negra relacionada
com formas de resistência à opressão histórica sofrida.” (FCP 2007: art. 2º). Mais
de 3.000 comunidades quilombolas brasileiras já receberam a certidão (certificação)
(FCP 2016-18).
De acordo com dados divulgados pela FCP no início de 2018, há, no estado de
Sergipe, 33 comunidades remanescentes de quilombos certificadas e 3 com processo
de certificação aberto (em análise técnica) na referida fundação. Essas comunidades
estão distribuídas em 29 municípios e concentradas, principalmente, nas regiões
Leste, Centro-Sul e Baixo São Francisco Sergipano (Tabela 1).
No território da antiga Cotinguiba, há 8 (22,2%) comunidades quilombolas,
distribuídas em 5 municípios, a saber: Capela (3), Japaratuba (1), Laranjeiras (1),
Riachuelo (1) e Siriri (2).
Depois da obtenção da certidão de autorreconhecimento, emitida pela FCP,
inicia-se, caso a comunidade requeira, o processo de regularização do território
quilombola. Até o ano de 2003, competia à fundação supracitada a identificação,
o reconhecimento, a delimitação, a demarcação e a titulação das terras ocupadas
pelos remanescentes dos quilombos. Por força do Decreto Presidencial nº 4.887,
de 20 novembro de 2003 (Brasil 2003), a competência passou a ser do Instituto
Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Em Sergipe, não há, ainda,
comunidade plenamente titulada. A maioria (19 ≡ 52,8%) tem somente a certidão de
autodefinição.

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228 José Humberto dos Santos Santana / et al.

Tab. 1: Distribuição das comunidades quilombolas segundo a região geográfica,


Sergipe, 2018. Fonte: Elaborada pelos autores com dados extraídos do site da FCP.

Região geográfica Quant. de comunidades Percentual (%)


Agreste Central Sergipano 2 5,5
Alto Sertão Sergipano 3 8,3
Baixo São Francisco Sergipano 6 16,7
Centro-Sul Sergipano 7 19,5
Grande Aracaju 4 11,1
Leste Sergipano 9 25,0
Médio Sertão Sergipano 1 2,8
Sul Sergipano 4 11,1
Total 36 100,0

3.1 O mapeamento das comunidades quilombolas sergipanas


Das 14 comunidades quilombolas sergipanas com processo de regularização
territorial aberto no Incra, somente 7 (50%) têm o mapeamento de seu território
divulgado, a saber: Catuabo (município de Frei Paulo), Caraíba e Adjacências
(Amparo de São Francisco | Aquidabã | Canhoba | Cedro de São João | Telha), Ladeiras
(Japoatã), Luzienses (Santa Luzia do Itanhy), Pirangi (Capela), Pontal da Barra (Barra
dos Coqueiros) e Serra da Guia (Poço Redondo).3 A divulgação está sendo realizada
por meio de livretos.
O mapeamento é realizado pelo Incra durante a elaboração do Relatório Técnico
de Identificação e Delimitação (RTID) do território. Esse relatório, que consiste na
primeira etapa da regularização fundiária, visa ao “[...] levantamento de informações
cartográficas, fundiárias, agronômicas, ecológicas, geográficas, socioeconômicas,
históricas, etnográficas e antropológicas, obtidas junto a instituições públicas e
privadas” (Incra [2012?]-17: 2); e à identificação dos “[...] limites das terras das
comunidades [...]” (Incra [2012?]-17: 2). Na medida em que se trata de uma etapa
muito complexa, pois acarreta, geralmente, muitos conflitos entre os remanescentes
dos quilombos e os grandes latifundiários (os proprietários das terras a serem
expropriadas e entregues, ou “devolvidas”, àqueles), demora muito a ser concluída.
Bomfim (2016), em seu relato acerca do processo de elaboração do RTID (entregue em
2013) da comunidade quilombola Brejão dos Negros, localizada no município de Brejo
Grande (SE), confirma a existência dos conflitos interpessoais que, frequentemente,
retardam a conclusão dessa etapa:

3 Corrêa (2016), Frizero (2016a 2016b), Oliveira e Silva (2016), Santos (2016) e Silva (2016a 2016b).

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Documentação do português falado em comunidades rurais afro-brasileiras...
Documentation of the Portuguese spoken in Afro-Brazilian... 229

Enquanto os trâmites para continuidade do processo encontram bar-


reiras, na localidade, as relações se acirram. Ameaças, agressões
físicas e verbais, descrenças e um “batalhão” de “autoridades” da região
apoiando os “não quilombolas” [(os latifundiários)] (Bomfim 2016: 1267,
grifos nossos).

No ínterim de 20 anos — em 2000, certificou-se a primeira comunidade


quilombola sergipana: Mocambo (Porto da Folha) —, a FCP e o Incra (esse, a
partir de 2003) conseguiram mapear somente 14 comunidades e divulgar apenas
o mapeamento de 7. Almejando localizar as comunidades ainda não mapeadas
e contribuir para a divulgação de informações relevantes sobre esses territórios,
elaboramos, com base nos dados disponibilizados pela FCP e pelo Incra, um mapa
(figura 1) que possibilita identificar a quantidade de comunidades quilombolas
existentes em cada região e município sergipanos, e a etapa de certificação (FCP) ou
de regularização fundiária (Incra) em que cada uma está situada. Trata-se de um
mapa de pequena escala (1:1.500.000), sem a finalidade de “delimitar” o território de
nenhuma das comunidades nele representadas, apenas sistematizar o conjunto de
informações para uma ação de documentação sociolinguística a fim de subsidiar a
investigação se comunidades rurais afro-brasileiras da Bahia são linguisticamente
próximas a comunidades rurais afro-brasileiras de Sergipe, como apresentamos na
introdução deste texto.
O mapa foi elaborado no Software QGIS (Sherman et al. 2016), versão 2.14.16
Essen, com shapefile (de polígono) do estado de Sergipe, criado pelos cartógrafos
integrantes do Projeto Base Cartográfica de Sergipe, da Secretaria de Estado do
Planejamento, Orçamento e Gestão (SEPLAG), e disponibilizado no site Observatório
de Sergipe, especificamente na Base Cartográfica Digital de Sergipe (Sergipe 2017);
com shapefile (de polígono) de todos os estados brasileiros criado pelos cartógrafos
do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e disponibilizado no site
do referido instituto, especificamente em Bases Cartográficas Contínuas (IBGE
2017); e com dados referentes à situação das CRQs sergipanas perante a FCP
(de reconhecimento) e o Incra (fundiária), extraídos dos sites dessas entidades
administrativas. Nele foram incluídas 36 comunidades quilombolas: as 33 certificadas
e as 3 com processo de certificação aberto na FCP. A inclusão das ainda não
certificadas justifica-se pelo fato de tais comunidades se verem como grupos étnicos-
raciais descendentes dos milhares de negros afro-brasileiros e negros africanos
importados para este estado e escravizados, durante três séculos (XVII, XVIII e XIX),
nas terras dessa unidade federativa: um dos critérios a serem adotados no processo
seleção das comunidades rurais afro-brasileiras sergipanas cujas variedades do PB
serão documentadas, descritas e analisadas é o da identidade dos moradores: como
eles se veem. Na medida em que seus moradores já se autodeclaram “quilombolas”,

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230 José Humberto dos Santos Santana / et al.

Fig. 1: Mapeamento das comunidades quilombolas de Sergipe (2000-2018). Fonte:


Elaborado pelos autores com dados extraídos do site da FCP e do site do Incra.

tais comunidades continuarão se autodefinindo como “CRQs”, independentemente


do parecer (negativo ou positivo) emitido pela FCP.
O processo de regularização fundiária é constituído de 7 etapas. Como se
observa na figura 1, as comunidades quilombolas sergipanas com o mencionado
processo aberto estão distribuídas em cinco dessas etapas: (i) Relatório Técnico de
Identificação e Delimitação (RTID) publicado; (ii) Portaria de Reconhecimento dos
Limites do Território (PRLT) publicada no Diário Oficial da União (DOU) e no Diário
Oficial de Sergipe (DOS); (iii) Decreto Presidencial de Desapropriação por Interesse
Social (DPDIS) publicado no DOU; (iv) Titulação Parcial (TP); e (v) Concessão de
Direito Real de Uso (CDRU) do território. A tabela 2 mostra a quantidade e o
percentual de comunidades situadas em cada fase. Somente uma comunidade tem a
CDRU do território. A maioria tem apenas o RTID publicado.
De posse dessas informações fundiárias sobre as comunidades quilombolas
sergipanas e das antropológicas, históricas, econômicas e ambientais sobre as

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Documentação do português falado em comunidades rurais afro-brasileiras...
Documentation of the Portuguese spoken in Afro-Brazilian... 231

Tab. 2: Distribuição das comunidades quilombolas segundo a etapa de regularização


fundiária, Sergipe, 2018. Elaborada pelos autores com dados extraídos do site do
Incra.

Etapa de regularização Quant. de comunidades Percentual (%)


Com RTID publicado 7 50,0
Com PRLT publicada 1 7,1
Com DPDIS publicado 1 7,1
Com TP 4 28,7
Com CDRU 1 7,1
Total 14 100,0

sete cujos RTIDs foram publicados em livretos da Coleção “Terras de Quilombos”,


podemos elaborar, a partir delas, os critérios metodológicos que nortearão o processo
de seleção das comunidades rurais afro-brasileiras (os locais de coleta das amostras
de fala sociolinguísticas) cujos moradores falam o português afro-brasileiro.

4 Critérios para a documentação de CRQs: sócio-história e


representatividade

A estratificação de uma amostra para a descrição linguística aos moldes da


Sociolinguística costuma seguir critérios metodológicos que visam possibilitar a
comparabilidade de resultados (Freitag 2018), embora nem sempre se consiga adotar
procedimentos que garantam a aleatoriedade da amostra. Para a descrição linguística,
costuma-se parametrizar categorias sociodemográficas amplas, como escolarização,
faixa etária, sexo/gênero, faixa de renda, dentre outras. No caso da documentação
do português afro-brasileiro, um critério a ser adotado é o da representatividade.
Tal critério será adotado tanto na seleção das CRQs quanto na dos falantes.
Para Lucchesi et al. (2009), as CRQs mais representativas do português afro-
brasileiro são as [+ isoladas] e [+ afrodescendentes], pois quanto maiores forem o
isolamento da comunidade e a proporção de afrodescendentes diretos nela, maior
será o grau de interferência da transmissão linguística irregular (desencadeada em
situações de contato linguístico massivo) na formação da variedade linguística falada
por seus moradores.
Para a documentação linguística em Sergipe, propomos estender o critério
de representatividade de Lucchesi et al. (2009), de comunidades [+ isoladas] e
[+ afrodescendentes], para [± isoladas], [+ afrodescendentes], [+ africanizadas]

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232 José Humberto dos Santos Santana / et al.

e localizadas em municípios (microáreas) e regiões (macroáreas) que foram, nos


períodos colonial e imperial, [+ escravocratas]. O fato de uma comunidade
quilombola ser [+ afrodescendente] nem sempre a torna [+ africanizada], pois
seus proprietários (os residentes e os não residentes) podem não ver os ancestrais
africanos e afro-brasileiros como grupo de referência. As comunidades cuja maioria
dos quilombolas é adepta de religiões de matriz judaico-cristã (da religião Protestante
Evangelicalista, principalmente) exemplificam isso: geralmente são [- africanizadas].
Para a situação de Sergipe, constatamos que as comunidades [± isoladas],
[+ afrodescendentes], [+ africanizadas] e localizadas em municípios e regiões
sergipanos que foram, nos séculos XVIII e XIX, [+ escravocratas] — que importaram,
nesses séculos, grandes quantitativos de escravizados afro-brasileiros e africanos
— conservam, em maior grau, os costumes e tradições de seus fundadores ou dos
antepassados desses, assim como as comunidades [+ isoladas] e [+ afrodescendentes]
baianas analisadas por Lucchesi et al. (2009). Por hipótese, assim como conservam,
em maior grau, a cultura de seus fundadores ou dos seus antepassados, preservam,
em maior medida, os seus usos linguísticos.
Na medida em que, em Sergipe, não há comunidade quilombola rural [+
isolada] — todas as rurais têm acesso, em maior ou em menor grau, aos meios
de comunicação de massa e aos centros urbanos do estado —, a amostragem se
restringe a comunidades rurais [± isoladas], [+ afrodescendentes], [+ africanizadas]
e localizadas em municípios e regiões que foram, nos séculos XVIII e XIX, [+
escravocratas].
Como, nessas CRQs, não se fala somente o português afro-brasileiro — nelas
há, também, os quilombolas que, influenciados pelo contato inter-rural/intergrupal,
falam, de modo alternado, o português afro-brasileiro e outra(s) variedade(s) do portu-
guês popular rural brasileiro (alternância de variedades); e os que, influenciados pela
mídia, pela escola e pelos contatos inter-rural/intergrupal e extrarrural/extragrupal,
falam, de maneira alternada, o português afro-brasileiro, outra(s) variedade(s)
do português popular rural brasileiro e a norma urbana culta —, não convém
selecionarmos aleatoriamente os falantes representativos dessa variedade linguística.
Para selecioná-los, consideramos os deslocamentos e os contatos dos quilombolas —
os fluxos migratórios inter-rurais (entre a comunidade e os povoados circunvizinhos)
e extrarrurais (entre a comunidade e as zonas rurbana e urbana dos municípios
sergipanos) —, e os sentimentos e as atitudes (positivas ou negativas) desses frente
à comunidade.
Quilombolas que nasceram, cresceram e vivem na comunidade, e que gostam
dela e querem viver nela, são os falantes mais representativos do português afro-
brasileiro. Estudos sociolinguísticos de orientação variacionista que investigaram
os deslocamentos e os contatos dos falantes, e as reações subjetivas desses frente a
sua comunidade (cf. Labov 2008 [1972]; Battisti 2014) evidenciam que aqueles que
nasceram, cresceram e vivem na comunidade, e que gostam dela e querem viver
nela, inclusive os mais jovens, preservam, em maior medida, os usos linguísticos
(do nível lexical ao pragmático-discursivo) de seus ancestrais, pois veem-nos como
grupo de referência.

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Documentação do português falado em comunidades rurais afro-brasileiras...
Documentation of the Portuguese spoken in Afro-Brazilian... 233

5 Considerações finais

Neste artigo, chamamos a atenção para a importância da documentação e mapea-


mento do português falado em CRQs rurais sergipanas, destacamos a relevância da
realização de pesquisas regionais com o desenvolvimento de métodos específicos
para as regiões em foco, apresentando uma proposta de classificação das CRQs
sergipanas baseada na sócio-história do estado, e a necessidade de uma descrição
sistemática comparativa entre comunidades rurais afro-brasileiras dos estados da
Bahia e de Sergipe.
Tendo em vista as particularidades da estrutura sócio-histórico-demográfica do
estado de Sergipe:

1. baixo percentual de escravizados africanos no século XVII, na primeira metade


do XVIII e na segunda do XIX;
2. alto percentual de escravizados africanos na segunda metade do XVIII e na
primeira do XIX;
3. baixo percentual de escravizados afro-brasileiros no XVII e na primeira metade
do XVIII;
4. alto percentual de escravizados afro-brasileiros na segunda metade do XVIII e
no XIX; e
5. alto nível de miscigenação da população sergipana na segunda metade do
XVIII e no XIX.

Perguntamos: haverá convergências sociolinguísticas ao confrontarmos os resulta-


dos dos estudos realizados nas comunidades rurais afro-brasileiras da Bahia com os
dos realizados nas de Sergipe? Em outras palavras: as características sócio-histórico-
demográficas de Sergipe interferem nos usos linguísticos, de modo a diferenciá-los
dos usos já documentados e estudados na Bahia? Ações de documentação linguística
se fazem necessárias, para elucidar essa questão.

Abreviaturas

CDRU Concessão de Direito Real de Uso, CRQs comunidades remanescentes


de quilombos, DOS Diário Oficial de Sergipe, DPDIS Decreto Presidencial de
Desapropriação por Interesse Social, DOU Diário Oficial da União, FCP Fundação
Cultural Palmares, GTDL Grupo de Trabalho da Diversidade Linguística do Brasil,
IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Incra Instituto Nacional de
Colonização e Reforma Agrária, Iphan Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico
Nacional, PB português Brasileiro, PRLT Portaria de Reconhecimento dos Limites
do Território, RTID Relatório Técnico de Identificação e Delimitação, RTIDs
Relatórios Técnicos de Identificação e Delimitação, SEPLAG Secretaria de Estado do
Planejamento, Orçamento e Gestão, TP Titulação Parcial.

PAPIA, 28(2), e-ISSN 2316-2767


234 José Humberto dos Santos Santana / et al.

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Acesso em: 22 jun. 2018.

Recebido: 17/10/2018
Aprovado: 30/10/2018

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PAPIA, São Paulo, 28(2), p. 239-254, Jul/Dez 2018.

As proformas pronominais ‘esse um’, ‘aquele um’ e a


comunidade quilombola de Jurussaca
The pronominal proforms ‘esse um’, ‘aquele um’ and the quilombo
community of Jurussaca

Ednalvo Apóstolo Campos


Universidade do Estado do Pará, Belém, Brasil
ednalvo.apcampos@gmail.com

Rosana Siqueira de Carvalho do Vale


Universidade do Estado do Pará, Belém, Brasil
rosanaanita@yahoo.com.br

Abstract: In this paper, we propose an analysis of the pronominal


proforms esse um, essa uma, aquele um, aquela uma, very recurrent in
the variety of Jurussaca/PA, a former quilombo (maroon) community.
Such expressions have the same functions as deictics and/or third-
person referential pronominals proforms. Thus, we conducted our
study according to Déchaine & Wiltchko (2002), who propose a very
broad typology for pronominal proforms based on three different syn-
tactic ‘behaviors’: pro-DP, pro-FP and pro-NP. The authors argue that
pro-DPs are always arguments, pro-FPs are arguments or predicates,
and pro-NPs are only predicates. Thus, the proforms that occur in the
Jurussaca variety also seem to present a syntactic symmetry with the
English proform one, analyzed by Déchaine & Wiltchko (2002).

Keywords: Deictics; referentiality; prononimal proform.

Resumo: Neste artigo, propomos uma análise das proformas pronomi-


nais esse um, essa uma, aquele um, aquela uma, muito recorrentes
na variedade quilombola de Jurussaca/PA. Tais expressões têm as
mesmas funções das proformas pronominais dêiticas e/ou referenciais
de terceira pessoa. Assim, pautamos nosso estudo em Déchaine &
Wiltchko (2002) que propõem uma tipologia bastante abrangente para

e-ISSN 2316-2767
240 Ednalvo Apóstolo Campos / Rosana Siqueira de Carvalho do Vale

as proformas pronominais, a partir de três diferentes ‘comportamentos’


sintáticos: pro-DP, pro-FP e pro-NP. As autoras defendem que pro-DPs
são sempre argumentais, pro-FPs são argumentais e/ou predicacionais
e pro-NPs funcionam unicamente como predicados. Desse modo, as
proformas que ocorrem na variedade de Jurussaca parecem, também,
apresentar uma simetria sintática com a proforma one, do inglês,
analisada por Déchaine & Wiltchko (2002).

Palavras-chave: Dêixis; referencialidade; proforma pronominal.

1 Introdução

Neste trabalho, fazemos um estudo das expressões esse um/essa uma, aquele
um/aquela uma, muito recorrentes na variedade de português falada na comunidade
quilombola de Jurussaca/PA.
Em estudos anteriores (Campos 2014; Oliveira et al. 2015) propuseram que a
variedade de português falada nessa comunidade seja do tipo Português Afro-Indígena
– uma das variedades que compõem o continuum de português e constitui-se por ser
[+marcada], localizando-se em um dos extremos do continuum. Na análise atual,
retomamos essa temática com o estudo das expressões destacadas acima.
As expressões mencionadas têm funções similares às pronominais referenciais e
anafóricas de terceira pessoa, vejamos alguns exemplos:

(1) Eu acho que essa uma é que num conta mais nada. . . porque ela tá muito
velhinha...

(2) ...é partida assim no meio, só que essa uma o partimento dela é um banheiro
que tem no meio.

(3) DOC. Essa festa pra vocês é mais importante do que a de São Benedito?
INF. Olha, essa uma. . . (festa)

(4) ...e chegaru no Maranhão, de lá esses um partiru pra cá.

Vale mencionar que tais expressões são utilizadas indistintamente por todos os
falantes da comunidade. Logo, não faremos estudos quantitativos nem buscaremos
uma descrição com base em variáveis sociais ou linguísticas.
Dessa maneira, analisaremos as características morfossintáticas dos itens
linguísticos em questão sob a hipótese de que se tratam de itens com características

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As proformas pronominais ‘esse um’, ‘aquele um’ e...
The pronominal proforms ‘esse um’, ‘aquele um’ and... 241

configuracionais idênticas às expressões referenciais e aos pronomes prototípicos


no tocante às propriedades dêiticas e referenciais.
Este estudo pautou-se no quadro teórico da Teoria de Regência e Ligação na
versão de Princípios de Parâmetros (Chomsky 1981, 1986) e na tipologia pronominal
proposta por Déchaine & Wiltchko (2002). Faremos, ainda, um cotejo com a proforma
one, do inglês, com base no estudo das referidas autoras.
O presente artigo está dividido em três seções: na primeira, faremos um breve
resumo do tratamento dado à categoria pronome nas gramáticas tradicionais e
no quadro teórico de Regência e Ligação, versão Princípios e Parâmetros; na
segunda seção, discutiremos a tipologia proposta pelas autoras Déchaine & Wiltchko
(2002) e na terceira seção, apresentamos nossa proposta de análise das proformas
pronominais esse(a) um(a)/aquele(a) um(a).

1.1 Algumas assimetrias da categoria pronome


De modo geral, os quadros pronominais apresentados nas gramáticas de língua
portuguesa (cf. Bechara 2009; Cunha e Cintra 1985), normalmente, baseiam-se
na forma dos pronomes quanto à função gramatical que eles expressam, isto é, a
função sujeito, representada pelas formas pronominais do caso reto e as funções
completivas direta e indireta, representadas pelos chamados átonos (clíticos) e
tônicos preposicionados ou oblíquos. Uma curiosidade observada pelas gramáticas
tradicionais ou estruturalistas é o fato de os pronomes conservarem em suas formas
o resquício da morfologia de caso que existia no latim, a exemplo, as formas eu, me,
mim relativamente ao sujeito (caso nominativo) e aos objetos direto e indireto (casos
acusativo e dativo) – mantidas, também, nas línguas românicas como um todo –
mas com forte variação nas variedades brasileiras de português, pois, como é sabido,
o quadro pronominal do português standard descrito nas gramáticas apresenta uma
relação assimétrica com o uso que os brasileiros fazem dos pronomes.
Nesse sentido, os estudos mais recentes que seguem a tendência de abordagem
dos aspectos gramaticais do português brasileiro na perspectiva da oralidade e que,
mesmo compreendido como expressão da ‘norma culta’ dos brasileiros, a expressão
pronominal também é assimétrica em relação ao português dito standard. Sobre isso,
vejamos o Quadro 1, retirado de Perini (2010: 116).
É significativa a assimetria resultante da forma e da função na distribuição dos
pronominais nos quadros abordados pelas gramáticas mais tradicionais e os do
quadro da Gramática do Português Brasileiro, de Perini (2010), com a ausência dos
clíticos de terceira pessoa (o, a, lhe e flexões) na coluna Forma Oblíqua, assim como
a inserção de ‘lhe’ como pronome de segunda pessoa. Desse modo, Perini assume as
formas retas como as únicas disponíveis para preencherem as funções gramaticais
acusativa e dativa de terceira pessoa.

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242 Ednalvo Apóstolo Campos / Rosana Siqueira de Carvalho do Vale

Forma Reta Forma Oblíqua


eu me, mim, -migo
você, (tu) te, (-tigo), (ti), (lhe)
ele, ela —
nós nos, -nosco
vocês —
eles, elas —
— se [reflexivo]

Quadro 1: As formas pronominais do PB (Perini 2010).

No tocante aos pronomes clíticos, Galves (2001: 126) chamou a atenção para
as diferenças entre o alto uso de clíticos de 1ª. e 2ª. pessoas e o baixíssimo uso de
clítico de 3ª. no PB. Na verdade, a tese da autora defende a inexistência de clítico
de terceira pessoa na gramática do PB, confirmada pela ausência deles na fala das
crianças e, portanto, fora da aquisição. Essa tese é corroborada no Quadro 1, de
Perini (2010).
As variedades populares de português brasileiro ainda corroboram a tese de
Galves (2001), pois, no tocante às formas clíticas, somente os pronomes referentes
à 1ª. e 2ª. pessoas do singular (e com variações) serão semelhantes ao quadro
apresentado pelas gramáticas tradicionais1 .
Outra c aracterística a se considerar consiste na compreensão generalizada
de que pronomes são elementos com traços binários. No paradigma descrito
pela tradição normativa, por exemplo, esses traços assumem valores binariamente
opostos, quer sintaticamente com formas pronominais retas vs formas oblíquas e
as suas respectivas funções: sujeito vs complemento; quer fonologicamente, com
formas tônicas vs formas átonas. Já no quadro teórico formal, a categoria pronominal
(composta por traços ϕ – pessoa, gênero e número – e também regida por Caso)
institui outros critérios de oposições também binários, como positivo vs negativo
(cf. [+/– pronominal] e [+/– anafórico]).
Diversos estudos, no entanto, têm mostrado que a oposição meramente binária
não permite uma descrição acurada de todos os fenômenos da categoria pronominal

1 Na comunidade de Jurussaca, o uso dos pronomes clíticos de 1ª. e 2ª. pessoas é bastante produtivo,
mas convive com construções como ‘João viu eu’, enquanto que os clíticos pronominais de 3ª. pessoa
inexistem nessa variedade, a exemplo, ‘o João o viu/ viu-o’.

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As proformas pronominais ‘esse um’, ‘aquele um’ e...
The pronominal proforms ‘esse um’, ‘aquele um’ and... 243

nas línguas. Logo, surgiram propostas como a tripartição pronominal (Cardinaletti


& Starke 1999), a geometria de traços (Harley & Ritter 2002)2 , entre outras; porém
nenhuma delas é definitiva, dadas as especificidades da categoria em pauta.
O estudo clássico dos vocábulos proposto por Câmara Jr. (1996[1970]: 69-
70) inclui às formas livres e presas descritas por Bloomfield (1933), as formas
dependentes – aquelas que não são livres como os vocábulos nem presas como os
afixos; mas apenas se adjungem a outro vocábulo como o artigo, certas preposições
e certos pronomes que, por serem de natureza clítica, são integrados a um vocábulo
maior e subordinado ao acento que dá individualidade fonética a esse vocábulo.
Na classificação de Câmara Jr, os pronomes pessoais em língua portuguesa
foram distribuídos ‘binariamente’ em formas livres: os pronomes tônicos; e formas
dependentes: os clíticos ou átonos, na preferência das gramáticas.
Câmara Jr. (1996) ressalta, também, que o que distingue os pronomes de maneira
geral de outras classes, são três noções gramaticais: (i) a noção de pessoa gramatical,
(ii) a noção gramatical própria dos pronomes, existente em vários deles, de um
gênero neutro em função substantiva, quando a referência é a coisas inanimadas:
isto, isso, aquilo e formas específicas para seres humanos: alguém, ninguém e outrem,
e (iii) a categoria de casos – noção gramatical privativa dos pronomes.
Câmara Jr (1996: 85) explica, ainda, que essas três noções gramaticais caracterís-
ticas dos pronomes não entram no mecanismo flexional da língua portuguesa e são
expressas lexicalmente por mudança de vocábulo.3
As formas dependentes, tais quais as propostas por Câmara Jr. (op. cit.),
motivaram muita investigação dentro do modelo teórico formal, resultando numa
quantidade robusta de trabalhos nos últimos anos os quais analisam as características
morfossintáticas dessas formas nas línguas.
Assim, os estudos linguísticos passaram a diferenciar as tradicionais formas
pronominais face a certas noções pragmáticas, semânticas e sintáticas, como a
referencialidade, a especificidade, as noções de pessoa (pessoa vs não-pessoa – nos
termos de Benveniste (1976: 279) etc. A interpretação de itens pronominais com

2A geometria de traços também apresenta parâmetros binários, porém para um conjunto diversificado
de traços.
3 Sobre esse aspecto, as noções formais da categoria pronominal divergem da de Câmara Jr. no sentido

de as ‘noções gramaticais’ dos pronomes serem expressas lexicalmente. No quadro teórico formal,
essas noções não são universalmente lexicais, mas definidas por traços phi. Não sendo os pronomes
compreendidos como primitivos lexicais, mas elementos ‘valorados’ durante a numeração de uma dada
frase. A noção formal das categorias lexicais passou a considerar apenas os elementos categorias nome,
verbo, preposição e adjetivo como categorias lexicais principais do tipo [+/–N e +/–V] paralelamente à
noção de categoria sintagmática. Assim, os pronomes pessoais não substituem as categorias lexicais
[+N], mas a categoria sintagmática NP.

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244 Ednalvo Apóstolo Campos / Rosana Siqueira de Carvalho do Vale

a mesma forma, ligados à noção de correferência, passaram a ser vistos sob sua
propriedade de ligação (Chomsky 1981) como fenômenos sintáticos com distinções
peculiares e com necessidade de terem status independentes, como a anáfora, o
pronome (‘independente’ referencialmente), a expressão-R , e ainda as categorias
vazias como PRO e pro, variáveis e Vestígios DP 4 .
A título de exemplo, apresentamos um resumo dos DPs lexicais (categorias
visíveis) e as categorias vazias (não visíveis) do quadro teórico da teoria de Regência
e Ligação (Chomsky 1981, 1986), conforme Quadro 2.

Traços binários [+/-] Categorias Vazias Categorias Visíveis


[+pronominal, + anafórico] PRO *
[- pronominal, + anafórico] Vestígios de DP Anáforas
[-pronominal, - anafórico] Variáveis Expressões-R
[+pronominal, - anafórico] pro Pronomes

Quadro 2: DPs lexicais e categorias vazias.

Na próxima subseção, discutiremos brevemente as noções de pronomes, anáforas


e de expressão-R desenvolvidas no quadro teórico de P & P.

1.2 O pronomes, as Expressões-R e as Anáforas


Segundo Mioto et al. (2005) são considerados pronomes, teoricamente, apenas
aqueles que as gramáticas normativas chamam de pronomes pessoais, exceto
os reflexivos e os recíprocos (que são anáforas)5 . O quadro 2, na subseção
anterior, apresenta a distinção tipológica dos pronomes, das anáforas e das
expressões referenciais. Os pronomes no quadro teórico de Regência e Ligação têm
propriedades distintas das anáforas, o que faz das anáforas e pronomes elementos
com propriedades distribucionais complementares. Nos exemplos em (5), os índices
mostram as restrições na distribuição dos mesmos:6

4O Princípio de Categoria Vazia ECP, forte pressuposto da Teoria de Ligação, no programa minimalista
(Chomsky 1995, 1999) deixa de ser central, dando lugar a novas soluções para essas categorias.
5 O conceito de Anáfora é ambíguo. Em sentido amplo, uma anáfora diz respeito a uma retomada

“processo que consiste em utilizar uma forma linguística ou um vazio para remeter para algo que
foi dito anteriormente – o antecedente. (cf. Brito, Duarte & Matos 2003: 802)”. No quadro teórico
de Regência e Ligação o conceito de anáfora diz respeito à anáfora ligada e aplica-se apenas aos
pronomes reflexivos e recíprocos (que não são considerados pronomes, mas anáforas ligadas) cuja
referência nunca é autônoma e estão sujeitos ao princípio A, da Teoria de Ligação.
6 Exemplos retirados de Mioto et al. (2005: 224), renumerados.

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As proformas pronominais ‘esse um’, ‘aquele um’ e...
The pronominal proforms ‘esse um’, ‘aquele um’ and... 245

(5) a. A Mariai adora elak .


b. *A Mariai adora elai .
c. A Joanai disse que a Mariaj adora elai/k .

Verificamos que em (5a) o pronome ‘ela’ pode se referir a qualquer DP do gênero


feminino mas não ao antecedente, estando de acordo com o Princípio B da Teoria
de Ligação: um pronome é livre no domínio local ou domínio mínimo. O mesmo
princípio B e também o princípio A: uma anáfora tem de estar ligada no domínio
local ou domínio mínimo – restringem que (5b) seja gramatical, já que apenas as
anáforas podem ocorrer em domínios mínimos. Já em (5c), o pronome ‘ela’ tanto
pode ser correferente ao primeiro DP, quanto pode ter referência disjunta já que
num domínio não mínimo ele é livre.
Porém, a definição de pronome baseada na tipologia ‘pronomes pessoais’, não é
unânime na literatura. Na Gramática da Língua Portuguesa (organizada por Mateus
et al.) Brito, Duarte & Matos (2003) restringem tipologicamente sob o rótulo de
pronome unicamente os pronomes pessoais de terceira pessoa face ao traço de
correferencialidade típica da terceira pessoa. A primeira e segunda pessoas são
definidas tipologicamente pelas autoras como elementos dêiticos; logo, Expressões-
Referenciais (-pronominais, -anafóricas), conforme o Quadro 2, subseção anterior:

(. . . ) a partir deste momento designaremos anáforas apenas os


reflexivos e os recíprocos e pronomes os pronomes pessoais de 3ª.
pessoa. Deste modo, os pronomes eu, tu, nós, vós só têm valor dêitico,
nunca podendo ter valor de co-referência (Brito, Duarte & Matos 2003:
806).

Quanto às Expressões Referenciais (expressões-R), o princípio C da Teoria da


Ligação (cf. Chomsky 1986: 171) define as expressões-R como itens livres: “uma
expressão-R deve estar livre”. Elas são tratadas pela teoria sintática como itens
lexicais com autonomia referencial. São DPs do tipo [o João], [a Maria], [o Palácio
do Planalto]. Nesse sentido, distinguem-se das anáforas e dos pronomes diretamente
pelos princípios A e B da Teoria da Ligação (Chomsky 1986: 166-171):
A: uma anáfora tem de estar ligada no domínio local ou domínio mínimo;
B: um pronome é livre no domínio local ou domínio mínimo;
Dessa maneira, as expressões-R opõem-se às anáforas – itens dependentes
localmente de um antecedente para fixar sua referência, (i) por não serem capazes
de ‘referirem’ por si só (cf. princípio A); e (ii) pelo princípio B da Teoria de Ligação,
também distinguem-se dos pronomes – elementos que têm certa independência
referencial, podendo ter sua referência ancorada em um antecedente na oração desde

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246 Ednalvo Apóstolo Campos / Rosana Siqueira de Carvalho do Vale

que em um domínio não mínimo (cf. princípio B), ou no discurso, a depender das
condições pragmáticas dos enunciados.
A título de exemplo, vejamos as orações em (6):7

(6) a. O João não beijou a Maria na festa.


b. Os meninos gostam de sorvete.
c. O livro está na mesa amarela.

Em que todos os DPs em (6) dispensam a presença de um antecedente.


Segundo Mioto et al. (2005), as expressões-R também são impossíveis em vários
contextos sintáticos em que os pronomes podem ocorrer, conforme os exemplos em
(7):8

(7) a. *Elesi viram [os meninos]i .


b. *O Pedrok ouviu elesi elogiarem [os meninos]i .
c. *Elesi disseram que [os meninos]i saíram.

As razões que impossibilitam a expressão-R [os meninos] nas ocorrências em


(7a, b, c), como explicam Mioto et al. (2005: 227), são as restrições impostas por
c-comando, ou seja, as expressões têm de ser livres, mas, ao contrário, estão sendo
vinculadas tanto no domínio das anáforas (mínimo) em (7 a-b), quanto no domínio
dos pronomes (não mínimo) em (7c).
Na próxima seção, apresentamos uma proposta tipológica com distribuição
alternativa às proformas pronominais, baseada no estudo de Déchanie e Wiltchko
(2002).

7 Exemplos retirados de Mioto et al. (2005: 226, renumerados).


8 Exemplos retirados Mioto et al. (2005: 23, renumerados).

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As proformas pronominais ‘esse um’, ‘aquele um’ e...
The pronominal proforms ‘esse um’, ‘aquele um’ and... 247

2 A tipologia de Déchaine & Wiltchko (2002)

No quadro teórico do modelo de Princípios e Parâmetros (Chomsky 1986),


distinguem-se as categorias de nível sintagmático e as categorias nucleares. Os
pronomes tônicos assim como os DPs são itens lexicais e, portanto, são XPs ou
projeções máximas; já os clíticos ou deficientes são analisados como núcleos ou
X0s (cf. Kayne 1991). Para Kayne, os pronomes lexicais, tal qual os nomes, são
sintagmas completos e ocupam posições de base na sentença, enquanto pronomes
clíticos não comportam todas as camadas dos lexicais (razões ligadas a questões não
apenas fonológicas mas também referenciais) e, por isso, ocupam posições derivadas.
Déchaine & Wiltchko (2002) discutem os problemas teóricos presentes na literatura
relativamente ao tratamento uniforme de pronomes como DPs e contrapõem-se às
teorias que atribuem a distinção entre os pronomes a diferenças em sua estrutura
interna (cf Kayne 1991, Cardinaletti e Starke 1994; Ritter 1995, entre outros) e
argumentam que atribuir diferenças estruturais internas não resolve o problema
para as diferenças externas.
Assim, Déchaine & Wiltchko (2002) revisitam o estatuto categorial dos pronomi-
nais clíticos e propõem uma nova tipologia para dar conta da descrição das proformas
pronominais da língua ameríndia Halkomelem (língua do tronco Salish da Costa
Central, falada no oeste do Canadá). Argumentam ser necessário o reconhecimento
de status categórico distinto, sugerindo a existência de três tipos de pronomes, a
partir de uma tipologia bastante abrangente para as proformas pronominais, baseada
em três diferentes ‘comportamentos’ sintáticos: pro-DP, pro-FP e pro-NP, em que
cada um está associado a uma projeção sintática diferente. Assim, pro-DPs são sempre
argumentais, pro-FPs são argumentais e/ou predicacionais e pro-NPs funcionam
unicamente como predicados (op. cit. 2002: 419).
Um exemplo de pronome na função predicativa é dado por Brito, Duarte e Matos
(2003) que chamam a atenção para o comportamento sintático dos pronominais
clíticos:
os pronominais clíticos não se limitam a denotar a pessoa gramatical, podendo
exibir uma função predicativa, ou revestir-se de características morfossintáticas de
alguns sufixos derivacionais” (Brito, Duarte e Matos 2003: 827).
Portanto, em português, os pronominais clíticos tanto podem ser argumentais
quanto pedicacionais, pro-FPs, de acordo com a tipologia proposta por Déchaine e
Wiltchko (2002), ao menos a 3ª pessoa, conforme os exemplos em (8):

(8) a. O João encontrou-o na rua.


b. O João é feliz e o Pedro também o é.

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248 Ednalvo Apóstolo Campos / Rosana Siqueira de Carvalho do Vale

c. Ana disse-o (= isso foi dito por Ana).9

Nos exemplos em (8 a,b,c) apenas em (8a) o clítico é argumental, os demais são


predicacionais.
Voltando, à tipologia de Déchaine & Wiltchko (2002: 419), essas autoras defendem
que o inventário pronominal da língua inglesa consiste nas formas pro-DPs (1ª e
2ª pessoas) e pro-FPs (3ª pessoa). Nessa língua, as autoras informam que o uso da
função predicacional é feito pela proforma one, exclusivamente pro-NP. Déchaine &
Wiltchko trazem exemplo adicional: em contextos idênticos, enquanto o francês,
por exemplo, permite uma elipse nominal nula, em inglês é obrigatório o uso de
uma proforma não nula – one:10

(9) a. La grande [fille]i ne peut pas supporter la petite [Ø]i .


b. La [voiture]i rouge est plus chére que la [Ø]i jaune.

(10) The large [girl]i can’t stand the small [one]i .

Em inglês, como argumentam Déchaine & Wiltchko (2002: 419), o uso anafórico
da proforma pronominal one adquire ou possui as propriedades configuracionais de
pro-NP em função predicativa. As autoras asseveram que a palavra one do inglês ao
ser usada com o proforma pronominal distingue-se do numeral one, porque contém
as características morfossintáticas e semânticas de um verdadeiro pronome.11
Conforme as pesquisadoras, as formas pro-NPs não são definidas sob as
propriedades de c-comando da Teoria de Ligação e, portanto, não estão sujeitas
aos princípios A, B, C da Teoria. Suas propriedades semânticas são inerentes.
Assim, a proforma pro-NP – one não está sujeita às propriedades de correferência e
tem a sintaxe dos nomes. Para as autoras, espera-se que uma categoria com esse
comportamento possa seguir um determinante, um quantificador ou um modificador,
como ocorre com one em: the one, someone, the real one.
Fazendo um paralelo das propriedades pronominais nos exemplos apresentados
em (8) com os de Déchaine & Wiltchko em (9) e (10), a língua portuguesa assemelha-
se à francesa, e, distintamente da inglesa, apenas elipses ou clítico invariável de 3ª
pessoa podem estabelecer a relação predicacional, conforme os exemplos em (11):

9 Para Brito, Duarte e Matos (2003: 827-8) o clítico invariável o é o correlato do pronome forte
demonstrativo isso. Nesse exemplo dado pelas autoras, renumerado em (8c), o correspondente
do pronome clítico na posição de sujeito da oração passiva é o demonstrativo isso e não o pronome
ele, o que se pode conferir pela agramaticalidade de ‘*Ele foi dito pela Ana’.
10 Exemplos retirados de Déchaine & Wiltchko (2002: 420) e renumerados.
11 Em nota de rodapé Déchaine & Wiltchko (2002: 419) fazem a distinção entre o numeral one e a

proforma one: (i) the three large cars and the [ NUM one] small [NP one]...

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As proformas pronominais ‘esse um’, ‘aquele um’ e...
The pronominal proforms ‘esse um’, ‘aquele um’ and... 249

(11) a. A [menina]i mais velha não gosta da [ ]i menor.


b. O [carro] i vermelho é mais caro que o [ ]i amarelo.
c. O João é [feliz]i e o Pedro também [ ]i é.
d. O João é [feliz]i e o Pedro também [o]i é.

No entanto, no tocante às proformas esse um/ essa uma, aquele um/ aquela
uma, presentes na variedade de português de Jurrusaca, seu uso diferencia-se da
correferência expressa pelas elipses do francês e do português (cf. exemplos em (9
a,b) e (11 a, b,c)), e aproxima-se do emprego da proforma one, do inglês (cf. exemplo
(10)), como apontam os exemplos em (12 a,b):

(12) a. A [menina]i mais velha não suporta [essa uma]i


b. *A [menina]i mais velha não suporta essa uma [ ]i

Na próxima seção, voltamos às propriedades configuracionais das proformas


esse um/ essa uma, aquele um/ aquela uma.

3 Uma proposta de análise das expressões ‘esse um/essa uma’

As expressões esse um/essa uma, aquele um/aquela uma são bastante recorrentes
na variedade de português falada na comunidade quilombola de Jurrussaca/PA. Elas
têm as mesmas funções das proformas pronominais referenciais de terceira pessoa
e, como apontamos na seção anterior, parecem apresentar uma simetria sintática
com a proforma one, do inglês, analisada por Déchaine & Wiltchko (2002: 428).
Déchaine & Wiltchko (2002: 419) propuseram uma tipologia bastante abrangente
para as proformas pronominais a partir de três diferentes ‘comportamentos’
sintáticos expressos por esses itens gramaticais: pro-DP, pro-FP e pro-NP, em que
cada um está associado a uma projeção sintática diferente.
Interessam-nos para a análise das expressões mencionadas, as proformas pro-DP
e pro-FP. Nessa tipologia, como já mencionado, pro-DPs são sempre argumentais e
pro-FPs funcionam como argumentos e predicados.

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250 Ednalvo Apóstolo Campos / Rosana Siqueira de Carvalho do Vale

3.1 As evidências de esse um/ essa uma, aquele um/ aquela uma como
pro-DPs
Na Teoria de Ligação, as Expressões Referenciais (expressões-R), já discutidas em
1.2., são definidas sob o Princípio C (cf. Chomsky 1986: 171), são DPs livres em
qualquer domínio oracional, isto é, são itens lexicais com autonomia referencial. Em
muitas ocorrências, as expressões que ora analisamos, também são itens lexicais
livres, expressões não ligadas correferencialmente, cuja referência ou antecedente
não é local, mas ora apresentam propriedades pragmáticas que apontam para o
discurso, fora do escopo da sentença; ora são elementos dêiticos cuja referência
remete à situação a qual o enunciado é produzido. Vejamos alguns exemplos:

(13) a. DOC. Essa festa pra vocês é mais importante do que a de São Benedito?
b. INF. Olha, essa uma . . . assim o manifesto do pessoal é maior... (a festa).

(14) a. DOC. Tem uma senhora que é mais velha que vocês, a Dona Vicência,
né?
b. INF. Ela mora lá em Tracuateua, mas eu acho que essa uma é que num
conta mais nada. . . porque ela tá muito velhinha já...

(15) a. DOC. Essa casa é do projeto do INCRA? Tem uma que tá bem bonita,
atrás da casa do Genilson...
b. INF . ...pois olha... aquela uma , eles fizeru esta uma, não... ele agarrou
mandou aumentar tudinho.... mandou envarandar tudinho abeirando....

(16) ... essas casa são das primeira, o valor de sete mil que veio... essas uma
agora que nós tamo construindo agora é o valor de quinze mil o projeto dela.

Como mencionado, nos exemplos de (13) a (16) as proformas essa/esta uma,


essas uma, aquela uma são expressões referenciais ou dêiticas não correferenciais,
definidas sob o Princípio C, da noção de C-comando da Teoria de Ligação e funcionam
como pro-DPs, conforme a tipologia de Déchaine & Wiltchko (2002).

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As proformas pronominais ‘esse um’, ‘aquele um’ e...
The pronominal proforms ‘esse um’, ‘aquele um’ and... 251

3.2 As evidências de esse um/ essa uma, aquele um/ aquela uma pro-FPs
Em inglês, como argumentam Déchaine & Wiltchko (2002: 419), o uso anafórico da
proforma pronominal one possui as propriedades configuracionais de pro-NP em
função predicativa e defendem que a proforma contém as características morfos-
sintáticas e semânticas de um verdadeiro pronome, no entanto, diferentemente dos
pronomes, não possui o estatuto da correferência, conforme a agramaticalidade de
(17):

(17) *[Mary]i thinks [one]i is a genius.

Para as autoras, as formas pro-NPs possuem propriedades semânticas inerentes


e não são sujeitas às propriedades de c-comando da Teoria de Ligação. Logo, não
estariam sujeitas às propriedades de correferência. Outro argumento de que a
proforma one seja pro-NP, consiste no fato de que, assim como os nomes, pode seguir
um determinante, um quantificador ou um modificador, como ocorre com one em:
the one, someone, the real one.12

(18) The read [car]i is more expensive than the yellow [one]i (pro-NP).

Na subseção anterior, apresentamos exemplos em que proformas esse um,


aquele um assemelham-se a DPs livres, Expressões Referenciais ou dêiticas não
correferenciais, definidas sob o Princípio C, da noção de C-comando (cf. Chomsky
1986: 171). Nesta subseção, apresentaremos exemplos nos quais as proformas, de
alguma maneira, parecem possuir propriedades correferenciais.
Diferentemente da proforma pronominal one, do inglês, que é exclusivamente pro-
NP (predicado), as proformas que ocorrem na variedade de Jurussaca tem algumas
especificidades. Não são exclusivamente pro-NPs, mas pro-FPs, conforme a tipologia
proposta por Déchaine & Wiltchko (2002), ou seja, ora funcionam como proformas
predicativas, ora argumentais com propriedades correferenciais.
Uma propriedade que aproxima a proforma pronominal one das proformas
analisadas, consiste no fato de estas poderem variar na composição: determinante/
quantificador seguido de um/uma:
(i) é especificada por traço distintivo de gênero: (esse/aquele um/ essa /aquela
uma );
(ii) é especificada por traço distintivo de número, mas, contrariamente, ao gênero,
é expresso apenas sintaticamente: ( esse um - esses um / essa uma - essas uma)
(iii) Quanto ao traço animacidade , a proforma pronominal esse(a) um(a) pode
ser [+/-humano].
A seguir apresentamos exemplos nos quais as proformas possuem propriedades
correfenciais.

12 Exemplos retirados de Déchaine & Wiltschko (2002: 428), renumerado.

PAPIA, 28(2), e-ISSN 2316-2767


252 Ednalvo Apóstolo Campos / Rosana Siqueira de Carvalho do Vale

(19) Nós conseguimo (o documento) porque a gente descobrimu que nós tinha
sangue de quilombo, porque as três pessoa que se colocaru aqui (...). Foi [dos
pessoal]i que chegaru no Maranhão, de lá [esses um]i partiru pra cá.

Para finalizar essa seção, repetimos em (20) o exemplo apresentado em (12), na


seção anterior, em que a proforma diferencia-se da elipse, mas diferentemente do
inglês, argumentamos que, nesse exemplo, seja do tipo pro-FP e não pro-NP, por
conta da correferencialidade.

(20) a. A [menina]i mais velha não suporta [essa uma]i .


b. *A [menina]i mais velha não suporta essa uma [ ]i .

4 Considerações finais

O estudo das proformas pronominais esse um/ essa uma, aquele um/ aquela uma
apresenta um aspecto bastante interessante sobre o comportamento morfossintático
das categorias pronominais. Seu emprego na variedade de Jurussaca é bastante
intrigante pelo comportamento sintático híbrido que parecem apresentar e, nesse
sentido, podem tanto ser categorias livres como as expressões referenciais, ou
pronominais com as propriedades de correferência. Elas parecem estar, ao mesmo
tempo, sob o domínio das propriedades B e C dos princípios que regerem as categorias
pronominais propostos por Chomsky (1986) no quadro teórico da Teoria de Regência
e Ligação, ou seja, podem ser livres como as expressões-R ao mesmo tempo que
apresentam as características sintáticas dos pronomes.
No tocante ao quadro pronominal do português brasileiro, as proformas
mencionadas trazem também um aspecto interessante, pois, ao mesmo tempo que o
PB perde o clítico pronominal de 3ª pessoa (o, a), a variedade de Jurussaca parece criar
proformas com características sintáticas similares (às clíticas de 3ª ps.) e enriquecem
a coluna Forma Oblíqua do quadro gramatical, fazendo um paralelo com a tese da
inexistência de clítico de terceira pessoa na gramática do PB (cf. Galves 2001: 126).
Vale ressaltar que o estudo aqui apresentado ainda é bastante incipiente e carece
de um maior aprofundamento que possa lançar mais luzes sobre o comportamento
pragmático e morfossintático dessas proformas pronominais presentes nessa
variedade de português.

PAPIA, 28(2), e-ISSN 2316-2767


As proformas pronominais ‘esse um’, ‘aquele um’ e...
The pronominal proforms ‘esse um’, ‘aquele um’ and... 253

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PAPIA, 28(2), e-ISSN 2316-2767


254 Ednalvo Apóstolo Campos / Rosana Siqueira de Carvalho do Vale

Perini, Mário A. 2010. Gramática do Português Brasileiro. São Paulo: Parábola.

Recebido: 06/06/2018
Aprovado: 30/09/2018

PAPIA, 28(2), e-ISSN 2316-2767


PAPIA, São Paulo, 28(2), p. 255-269, Jul/Dez 2018.

As glides do guineense:
proposta de interpretação fonológica
The glides of Guinea-Bissau Creole:
proposal of a phonological interpretation

Sandra Marisa Costa Chapouto


Universidade de Coimbra, Coimbra, Portugal
smarisacc@gmail.com

Abstract: The existence of [j] and [w] in the phonetic structure


of Guinea-Bissau creole is consensual. However, the phonological
status of these segments is not clear. There are few proposals for
the phonological interpretation of these units (Andrade, E., Gomes,
A., and Teixeira, I. 1992; 2001). Thus, we present a description of
the behaviour of glides and intend to contribute to the clarification
of the phonological status of these segments. Taking into account
the linguistic studies already mentioned and analyzing phonetic
data, we formulate hypotheses to ascertain whether the surface
realizations correspond to phonological units or can be obtained
through phonological processes. In addition, we present a proposal for
a phonological interpretation of these units. The description proposed
in this work follows the Autossegmental Theory model: the description
of segments and phonological processes is represented according to
the Feature Geometry model (Ewen and van der Hulst 2001; Mateus e
Andrade 2000). The data analysis led to interpret phonetic glides (i) as
consonant segments when they occur at the beginning of the word and
in intervocalic position, (ii) as phonetic realizations of an underlying
vowel in contexts in which they are in pre-vocalic position preceded
by consonant segment(s) and (iii) as glides whenever they occur in
post-vocalic position.

Keywords: Glides; phonological processes; Guinea-Bissau Creole.

e-ISSN 2316-2767
256 Sandra Marisa Costa Chapouto

Resumo: A existência de [j] e de [w] na estrutura fonética do guine-


ense é consensual; no entanto, o estatuto fonológico destes segmentos
não é claro, havendo apenas algumas propostas de interpretação
fonológica destas unidades (Andrade, E., Gomes, A., e Teixeira, I. 1992;
Couto 1994; Kihm 1994; Mane 2001). Assim, pretende-se, com este
estudo, apresentar uma descrição do comportamento das glides do
guineense e contribuir para o esclarecimento do estatuto fonológico
destes segmentos. Tendo em consideração os estudos linguísticos
já referidos e com base na análise dos dados da estrutura fonética,
formular-se-ão hipóteses no sentido de averiguar se as realizações da
estrutura de superfície correspondem a unidades fonológicas ou se
podem ser obtidas por meio de processos fonológicos e apresentar-se-á
uma proposta de interpretação fonológica destas unidades. A descrição
proposta neste trabalho é apresentada de acordo com o modelo da
Teoria Autossegmental: a descrição dos segmentos e dos processos
fonológicos é representada segundo o modelo da Geometria de Traços
(Ewen e van der Hulst 2001; Mateus e Andrade 2000). A análise dos
dados levou à interpretação das glides fonéticas (i) como segmentos
consonânticos quando ocorrem em início de palavra e em posição
intervocálica, (ii) como realizações fonéticas de um segmento vocálico
subjacente nos contextos em que se encontram em posição pré-vocálica
antecedida de segmento(s) consonântico(s) e (iii) como glides sempre
que ocorrem em posição pós-vocálica.

Palavras-chave: Glides; processos fonológicos; guineense.

1 Introdução

Com este trabalho, pretende-se descrever o comportamento das glides do guineense


e apresentar uma proposta de interpretação fonológica destes segmentos. Partindo
da observação de um corpus que exemplifica a ocorrência das glides nos diversos
contextos, serão descritos os segmentos da estrutura fonética e serão formuladas
hipóteses no sentido de definir o estatuto fonológico destes segmentos; tendo também
em consideração as análises apresentadas pelos investigadores que trataram esta
questão, expor-se-á uma proposta de interpretação fonológica das glides e apresentar-
se-á a configuração da estrutura interna destes segmentos de acordo com o modelo
da Teoria Autossegmental e da Geometria de Traços (de acordo com os modelos
propostos por Mateus e Andrade (2000) e Clements e Keyser (1983)).
Os dados que serviram de base a este estudo foram retirados de Chapouto
(2014). Todos os exemplos apresentados nesta análise estão acompanhados pela
representação gráfica da palavra que, dada a inexistência de instrumentos de
normativização da língua, está de acordo com a proposta de Scantamburlo (1999).

PAPIA, 28(2), e-ISSN 2316-2767


As glides do guineense: proposta de interpretação fonológica
The glides of Guinea-Bissau Creole: proposal of a phonological interpretation 257

2 Análise fonética

Nos dados fonéticos, observou-se a ocorrência de [j] e de [w] em posição pré e


pós-vocálica. Apresentam-se exemplos de ocorrência destas realizações fonéticas de
acordo com a posição da glide relativamente ao segmento vocálico e de acordo com
a posição da sílaba em que os segmentos ocorrem na palavra: glides pré-vocálicas
em sílaba inicial (1a) e (1a’); glides pré-vocálicas antecedidas de consoante, em
sílaba inicial (1b), glides pré-vocálicas antecedidas de consoante, em sílaba interior
(1b’); glides intervocálicas (1c); glides pós-vocálicas, em sílaba inicial (1d) e glides
pós-vocálicas em posição final (1d’).

(1) (a) i. iasa ["jasa] assar


ii. ieba ["jEba] força
iii. iuli ["juli] embrenhar-se
iv. iogoli [jOgO"li] flor seca de roseta

(a’) i. uaga ["waga] derramar


ii. uenkelen ["wẼkElEN] pé torto
iii. uit [wit] grau superlativo
iv. uondjo [wõn"dZo]estar largo

(b) i. kuas ["kwas] quase


ii. kria ["kRja] criar
iii. puera ["pweRa] poeira
iv. kuantia [kwãn"tia] quantia
v. fiansa ["fjãnsa] garantia

(b’) i. ronia [Ro"nja] cerimónia religiosa


ii. regua ["Regwa] regua

(c) i. saia ["saja] saia


ii. maiu ["maju] maio
iii. kaiambra [ka"jãmbRa] ter cãibras

(d) i. aula ["awla] aula


ii. oito ["ojtu] oito
iii. bairu ["bajRu] bairro

PAPIA, 28(2), e-ISSN 2316-2767


258 Sandra Marisa Costa Chapouto

(d’) i. bai ["baj] ir


ii. mau ["maw] mau
iii. rei ["REj] rei

Observando o corpus, verificamos que [j] e [w] ocorrem em posição pré-vocálica,


intervocálica e pós-vocálica, mas nunca surgem como único segmento entre duas
consoantes.
Em posição pré-vocálica, as glides podem ocorrer em sílaba inicial ou interior de
palavra e, nestes contextos, estes segmentos podem ser antecedidos de consoante.
Nos exemplos de (1a) e (1a’), que mostram algumas das possíveis combinações de
glide e vogal em início de palavra, verificamos que [j] e [w] podem combinar-se com
segmentos vocálicos [-nasal], como ["jasa], e com segmentos vocálicos [+nasal], como
[wõndZó]. Considerando os exemplos de (1b) e (1b’), que apresentam as realizações
fonéticas da sequência de glide e vogal antecedida de segmento(s) consonântico(s),
em início e interior de palavra, observamos que esta sequência pode ser antecedida
de uma consoante, como em ["kwas] e ["Regwa], ou de grupo consonântico, como
em ["kRja]. É em posição pré-vocálica e em início de palavra que ocorre o maior
número de combinações possíveis de glide e vogal.
Observando os exemplos de (1c), verificamos que, em posição intervocálica,
ocorre apenas [j]. O segmento vocálico adjacente à esquerda é sempre [-nasal],
como em [sája], e o segmento vocálico adjacente à direita pode ser [-nasal], como
em ["maju], ou [+nasal], como em [ka"jãmbRa].
Nos exemplos de (1d) e (1d’), que apresentam as realizações fonéticas da
sequência de vogal e glide em posição interior e em posição final, observamos que
[j] e [w] podem combinar-se com todos os segmentos vocálicos [-nasal], excetuando,
no caso de [w], os segmentos [O] e [u] e, no caso de [j], o segmento [i]. Não é,
portanto, possível encontrar sequências como *[Ow], *[uw] e *[ij] nestes contextos.
Da observação dos exemplos apresentados, verificamos ainda que os segmentos
[j] e [w] não comportam o traço [nasal] e ocorrem como segmento adjacente de
vogal [+nasal] apenas em posição pré-vocálica.

3 Análise fonológica

Para a interpretação fonológica das glides, apresentam-se exemplos de ocorrência


destes segmentos organizados de acordo com a posição que as glides ocupam dentro
da palavra e dentro da sílaba: os exemplos de (2a) e (2a’) evidenciam a oposição entre
[j] e [w]; os exemplos de (2b) mostram a ocorrência destas realizações em posição de
início de palavra e, em (2b’) e (2b”), são apresentados exemplos de ocorrência de glide
e de segmentos consonânticos no mesmo contexto; em (2c) apresentam-se exemplos

PAPIA, 28(2), e-ISSN 2316-2767


As glides do guineense: proposta de interpretação fonológica
The glides of Guinea-Bissau Creole: proposal of a phonological interpretation 259

de ocorrência de glides pré-vocálicas antecedidas de segmento(s) consonântico(s);


os exemplos de (2d) mostram-nos que as glides podem comutar, em sílaba inicial,
com segmento consonântico (2d) e com segmento vocálico (2d’) e, em sílaba medial,
com segmento consonântico (2d”) e (2d”’); os exemplos de (2e) e (2e’) mostram a
ocorrência de glides e de segmentos consonânticos em posição intervocálica; os
exemplos de (2f) ilustram a ocorrência de glides pós-vocálicas em interior de palavra
e os de (2f’), (2f”) e (2f”’) evidenciam as possibilidades de comutação das glides
pós-vocálicas; os exemplos de (2g) ilustram a ocorrência de glides pós-vocálicas
seguidas de consoante.

(2) (a) i. bai ["baj (ir)


ii. kai ["kaj] (cair)
iii. tcai ["tSaj] (adultério)

(a’) i. bau ["baw] (calça boca de sino)


ii. kau ["kaw] (lugar)
iii. tcau ["tSaw] (adeus)

(b) i. iermon [jER"mõN] (irmão)


ii. entra ["jẼntRa] (entrar)
iii. iagu ["jagu] (água)

(b’) i. uaga ["waga] (derramar)


ii. uarga [wáRga] (tipo de bebida)
iii. iasa ["jasa] (assar)
iv. ieba ["jEba] (força)

(b”) i. paga ["paga] (pagar)


ii. djarga ["dZaRga] (proteção)
iii. pasa ["pasa] (passar)
iv. leba ["lEba] (guiar)

(c) i. kuantia [kwãn"tia] (quantia)


ii. fiansa ["fjãnsa] (garantia)
iii. kriadu ["kRjadu] (criado)

(d) i. kuas "[kwas] (quase)


ii. klas ["klas] (classe)

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260 Sandra Marisa Costa Chapouto

(d’) i. kria ["kRia] (cria)


ii. kria ["kRja] (criar)

(d”) i. ronia [ro"nja] (cerimónia religiosa)


ii. regua ["REgwa] (régua)

(d”’) i. ronka [rõn"ka] (vangloriar-se)


ii. regra ["REgRa] (regra)

(e) i. saia ["saja] (saia)


ii. maiu ["maju] (maio)
iii. kaia ["kaja] (caiar)

(e’) i. sala ["sala] (sala)


ii. matu ["matu] (mato)
iii. kala ["kala] (calar)

(f) i. oito ["ojtu] (oito)


ii. aula ["awla] (aula)

(f’) i. bai ["baj] (ir)


ii. mau ["maw] (mau)
iii. seu ["sEw] (céu)
iv. rei ["REj] (rei)

(f”) i. bal ["bal] (vale)


ii. mar ["maR] (mar)
iii. sen ["sẼN] (cem)
iv. rek ["REk] (justeza)

(f”’) i. ba ["ba] (v. aux.)


ii. ma ["ma] (mais)
iii. se ["sE] (seu/sua)
iv. re ["RE] (ré)

(g) i. seis ["sEjs] (seis)


ii. deus ["dEws] (Deus)

PAPIA, 28(2), e-ISSN 2316-2767


As glides do guineense: proposta de interpretação fonológica
The glides of Guinea-Bissau Creole: proposal of a phonological interpretation 261

Os exemplos de (2a) e (2a’) mostram-nos que os segmentos [j] e [w] comutam no


mesmo contexto e a comutação de um segmento pelo outro permite-nos distinguir
palavras com significados diferentes. No entanto, só é possível comutar e opor glides
pós-vocálicas em fim de palavra. Nos restantes contextos e em posição pré-vocálica,
as glides comutam apenas com segmentos consonânticos (exemplos de 2b’ e 2b”, 2d,
2d” e 2d”’, 2e e 2e’, 2f’ e 2f”) e com a ausência de segmento (exemplos de 2f”’).
Os exemplo de (2b’ e 2b”, 2d, 2d” e 2d”’, 2e e 2e’, 2f’ e 2f”) mostram-nos que é
possível comutar as glides com segmentos consonânticos em posição pré-vocálica
em início de palavra (["waga]/["paga]), em posição pré-vocálica antecedida de
consoante (["kwas]/["klas]), em posição intervocálica (["saja]/["sala]), e em posição
pós-vocálica (["baj]/["bal]). Neste último contexto, é ainda possível contrastar
sequências de vogal e glide com vogal (["maw]/["ma], ["REj]/["RE]). No entanto, não é
possível comutar glides com segmentos vocálicos. Observando os exemplos ["kRja]
e ["kRia], contemplados em (2d’), verificamos que o contraste entre glide e vogal
está dependente da incidência do acento. Na primeira palavra, a glide [j] ocorre
como segmento adjacente da vogal [a], que é acentuada. Na segunda palavra, [i] é o
segmento nuclear da sílaba tónica, sendo [a] átono.
Os exemplos de (2g) mostram-nos que, após uma sequência de vogal e glide,
podemos encontrar uma consoante homossilábica (["sEjs] e ["dEws]).
Observando os exemplos apresentados em (2), verificamos ainda que as glides
ocorrem sempre como segmentos adjacentes de uma vogal e, portanto, nunca surgem
como único segmento entre consoantes. Assim, estes segmentos não ocupam uma
posição nuclear na sílaba, nem recebem o acento.
A existência de [j] e de [w] na estrutura fonética é consensual; no entanto, o
estatuto fonológico destes segmentos não é claro, havendo apenas algumas propostas
de interpretação fonológica destas unidades. Couto (1994) considera que as glides pré-
vocálicas são consoantes e que as pós-vocálicas correspondem a vogais assilábicas.
Porém, não menciona os argumentos que motivaram esta interpretação. Kihm (1994:
15-17) refere que não é clara a existência de ditongos no crioulo, argumentando que
as glides pós-vocálicas em posição final têm um comportamento semelhante ao das
consoantes e, neste contexto, a glide final parece preencher a Coda da sílaba. Este
investigador acrescenta que, para manter o padrão silábico CV, em algumas palavras
de origem portuguesa que, na língua portuguesa, começam por vogal, houve a
prótese de uma glide ([jabri]). Scantamburlo (1999) refere apenas que as glides
pré-vocálicas parecem ter um comportamento mais parecido com o das consoantes
do que com o das vogais, mas não apresenta argumentos. Andrade et al. (1992)
e Mane (2001) apresentam as glides no sistema consonântico, mas não debatem a
questão, nem apresentam argumentos.

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262 Sandra Marisa Costa Chapouto

Tendo presentes as propostas de interpretação destes autores e o corpus apre-


sentado, tentar-se-á estabelecer os segmentos que estão subjacentes às realizações
fonéticas [j] e [w].
Observando os exemplos de (2b’) e (2b”), verificamos que as glides pré-vocálicas
em início de palavra comutam com segmentos consonânticos (["waga]/["paga],
["jasa]/["pasa]). Se considerarmos a hipótese de interpretar estes segmentos como
consonânticos, obtemos sílabas com o padrão silábico ótimo, CV, sendo o Ataque
da sílaba inicial da palavra preenchido pela glide pré-vocálica (["wa.ga], ["ja.sa]).
Se considerarmos as glides como realizações fonéticas de um segmento vocálico
subjacente, podemos formular duas hipóteses de interpretação:

(i) a glide fonética corresponde a uma vogal assilábica em estrutura profunda;

(ii) a glide é a realização fonética de uma vogal subjacente.

Considerando a primeira hipótese, a glide da estrutura fonética corresponderia


a uma vogal marcada como [-silábico] em estrutura de base e seria associada ao
Núcleo com o segmento vocálico adjacente à direita, formando um ditongo crescente.
Obteríamos, então, uma sílaba com um Núcleo ramificado, encontrando-se a vogal
assilábica à esquerda da vogal silábica. Porém, exemplos como ["jẼntRa], mostram-
nos que o traço nasal do segmento [n] se propaga à vogal adjacente à esquerda,
mas [j] não recebe essa propriedade. Se este segmento integrasse o Núcleo silábico,
estaria sujeito ao processo de expansão de nasalidade, tal como a vogal adjacente à
direita. Este facto invalida a hipótese de a glide corresponder a uma vogal assilábica
que integra o mesmo Núcleo da vogal silábica.
Considerando a segunda hipótese de interpretação, em estrutura profunda,
teríamos uma sequência de duas vogais e, portanto, duas sílabas V.V. No entanto,
no guineense, são raras as palavras que começam por um segmento vocálico e não
ocorrem hiatos neste contexto. Assim, propor que, em exemplos como os de (2b), a
sequência inicial seja interpretada como V.V seria estranho à estrutura fonológica da
língua. Além disso, a prótese de uma glide em palavras que, na língua de superstrato,
começam por vogal ([jER"mõN], ["jẼntRa], ["jagu]) parece ter sido motivada pela
estrutura silábica ótima da língua, o padrão CV, sendo o Ataque da sílaba preenchido
pela glide.
Pelo exposto, propõe-se que os segmentos [j] e [w], em posição de início de
palavra, sejam interpretados como segmentos consonânticos.
Esta proposta de interpretação vai ao encontro das análises apresentadas por
Couto (1994) e por Kihm (1994), que também consideram que as glides pré-vocálicas
em início de palavra assumem um comportamento consonântico.

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As glides do guineense: proposta de interpretação fonológica
The glides of Guinea-Bissau Creole: proposal of a phonological interpretation 263

As glides pré-vocálicas antecedidas de consoante também comutam com


consoantes (["kwas]/["klas], [ro"nja]/[rõn"ka], ["REgwa]/["REgRa]). Se, neste contexto,
considerarmos a hipótese de interpretar as glides como segmentos consonânticos,
obtemos sílabas com Ataque ramificado. Este constituinte silábico seria então
preenchido por uma consoante e uma glide e obteríamos uma sílaba com uma
estrutura CCV(C). No entanto, em posição de sílaba interior, os exemplos ronia e
ronka apresentam estruturas silábicas diferentes: [ro."nja]/[rõn."ka]1 , pelo que a
glide e o segmento consonântico não ocorrem no mesmo contexto. Além disso, em
exemplos como ["kRjadu], a sílaba inicial apresentaria um Ataque preenchido por três
segmentos, CCG, o que viola o Princípio de Binaridade Máxima dos Constituintes. Se
considerarmos que à glide fonética está subjacente um segmento vocálico, podemos
colocar a hipótese de, no nível fonológico, existir uma vogal assilábica ou uma vogal
silábica. Porém, as formas ["kRja] e ["kRia] mostram-nos que a realização fonética
[j] alterna com [i] em função da incidência do acento tónico. No primeiro exemplo,
[a] é a vogal acentuada e o segmento adjacente à esquerda realiza-se foneticamente
como [j] e, no segundo, [i] comporta o acento tónico. Além disso, observando os
exemplos [kwãn"tia] e ["fjãnsa], verificamos que, também neste contexto, a glide
não é afetada pelo processo fonológico de expansão do traço nasal, o que exclui
a hipótese de, em estrutura profunda, existir uma sequência de vogal assilábica e
vogal silábica como elementos do Núcleo da mesma sílaba.
As considerações expostas levam-nos a propor que as glides da estrutura de
superfície, em posição de sílaba inicial antecedida de segmento(s) consonântico(s),
sejam interpretadas como realizações fonéticas de segmentos vocálicos em estrutura
de base. Podemos, então, obter estas realizações fonéticas através do processo
fonológico de alteração do valor do traço [silábico] que afeta os segmentos vocálicos
[+alto] quando são adjacentes à esquerda de outro segmento vocálico. Assim, sempre
que, em estrutura de base, encontramos uma sequência heterossilábica de dois

1A divisão silábica de ronka está de acordo com a interpretação proposta de Chapouto (2014).

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264 Sandra Marisa Costa Chapouto

segmentos vocálicos adjacentes e o primeiro segmento da sequência é átono e


[+alto], sendo o segundo acentuado, esse segmento torna-se [-silábico] e realiza-se
no nível de superfície como uma glide, conforme ilustra a figura 1.

Fig. 1: Representação da alteração do valor do traço [silábico].

Relativamente à posição pós-vocálica em contexto de fim de palavra, verificamos


que as glides contrastam com consoantes (["baj]/["bal], ["maw]/["maR], ["sEw]/["sẼN],
["REj]/["REk]) e com a ausência de segmento (["baj]/["ba], ["maw]/["ma], ["sEw]/["sE],
["REj]/["RE]). Se interpretarmos [j] e [w] como segmentos consonânticos, obtemos
sílabas com a Coda preenchida pela glide. No entanto, atendendo a que depois da
sequência de vogal e glide é possível ocorrer uma consoante, como mostram os
exemplos ["sEjs] e ["dEws], se considerarmos que a glide é um segmento consonântico,
obtemos uma sílaba com a estrutura CVCC, sendo a Coda ramificada. Porém, esta
estrutura silábica é raríssima nesta língua e encontra-se apenas num reduzido
número de neologismos, sendo universalmente um formato marcado para este
constituinte. Colocando a hipótese de as glides corresponderem a realizações
fonéticas de um segmento de natureza vocálica subjacente, podemos interpretá-
las como segmentos [-silábico] e [-consonântico] em estrutura profunda, que se
associam ao Núcleo com a vogal que os antecede. Assim, obtemos sílabas com
Núcleo ramificado, preenchido por uma vogal e uma glide. Com esta hipótese,
exemplos como ["baj] teriam uma estrutura silábica CVG e exemplos como ["sEjs]

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As glides do guineense: proposta de interpretação fonológica
The glides of Guinea-Bissau Creole: proposal of a phonological interpretation 265

teriam uma estrutura silábica CVGC, sendo o Núcleo ramificado nos dois casos
e sendo a Coda não preenchida no primeiro caso e preenchida por um segmento
consonântico no segundo. A interpretação de [j] e [w] pós-vocálicos como vogais
assilábicas e que constituem Núcleo silábico com a vogal precedente parece ser mais
adequada do que a interpretação destes segmentos como consoantes, pelo facto de,
após a glide, ser possível ocorrer um segmento consonântico e esta estrutura silábica
ser extremamente invulgar nesta língua.
Esta proposta de interpretação vai ao encontro da análise apresentada por Couto
(1994), que também considera os segmentos [j] e [w] pós-vocálicos como vogais
assilábicas, mas distancia-se da interpretação de Kihm (1994), que considera que as
glides pós-vocálicas se comportam como segmentos consonânticos.
Relativamente à posição intervocálica, nela encontramos apenas [j], como
mostram os exemplos ["saja], ["maju], ["kaja] e também neste contexto é possível
comutar a glide com segmentos consonânticos (["saja]/["sala], ["maju]/["matu],
["kaja]/["kala]). Observando os exemplos em que a consoante ocorre em contexto
intervocálico, percebemos que este segmento preenche o Ataque de uma sílaba
(["sa.la], ["ma.tu], ["ka.la]). Porém, nos exemplos que ilustram a ocorrência da glide
intervocálica, a segmentação das sílabas não é tão clara: podemos colocar a hipótese
de este segmento se associar a um constituinte da sílaba anterior ou a um constituinte
da sílaba seguinte. Colocando a hipótese de o segmento pertencer à segunda sílaba
(["sa.ja], ["ma.ju], ["ka.ja]), tratar-se-ia de um segmento consonântico que preenche
o Ataque da sílaba. Se considerarmos que se trata de uma glide pós-vocálica (["saj.a],
["maj.u], ["kaj.a]), este segmento seria interpretado como uma vogal assilábica que
preenche com a vogal silábica adjacente à esquerda um Núcleo ramificado.
Nenhum dos investigadores que trataram questões fonológicas do guineense
apresentou uma proposta de interpretação fonológica destes segmentos em posição

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266 Sandra Marisa Costa Chapouto

intervocálica. No entanto, Kihm (1994: 15) refere que os hiatos em posição de interior
de palavra são resolvidos através da epêntese de uma glide ([diya]2 ).
No cabo-verdiano, as glides intervocálicas são interpretadas por Ferraz (1979)
como segmentos consonânticos que preenchem o Ataque da sílaba a cujo Núcleo se
associa a vogal adjacente à direita e, segundo a proposta de Mane (2007), o mesmo
se verifica no são-tomense.
Atendendo a que a estrutura silábica ótima do guineense é CV e considerando
a proposta de Kihm (1994) para a resolução de hiatos, embora no corpus analisado
neste trabalho não tenha ocorrido a epêntese de uma glide em hiatos, propõe-
se que, em posição intervocálica, as glides sejam interpretadas como segmentos
consonânticos. Assim, neste contexto, a glide associa-se ao Ataque da sílaba cujo
Núcleo é preenchido pelo segmento vocálico adjacente à direita. Esta proposta de
interpretação possibilita uma descrição mais económica e de acordo com a estrutura
fonológica do guineense, pois permite manter a estrutura silábica ótima desta língua.
Em suma, pelas razões expostas, sugere-se que as glides sejam interpretadas
como segmentos consonânticos quando ocorrem em início de palavra e em posição
intervocálica, como realizações fonéticas de um segmento vocálico subjacente nos
contextos em que se encontram em posição pré-vocálica antecedida de segmento(s)
consonântico(s) e como glides sempre que ocorrem em posição pós-vocálica.

4 Matriz fonológica

Apesar de se considerar a existência de glides [-consonântico] e de glides [+con-


sonântico], esta propriedade não é apresentada na matriz, uma vez que o valor
deste traço é determinado pela posição que a glide ocupa na estrutura silábica: este
segmento adquire a especificação [+consonântico], quando se associa ao Ataque,
e [-consonântico], quando se associa ao Núcleo. Assim, apresenta-se apenas uma
matriz com os segmentos /j/ e /w/, subespecificados quanto ao traço [consonântico].

2 Foram mantidos os símbolos fonéticos usados pelo autor (Kihm 1994: 15).

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As glides do guineense: proposta de interpretação fonológica
The glides of Guinea-Bissau Creole: proposal of a phonological interpretation 267

Segmentos j w
[silábico] - -
[DORSAL] • •
[recuado] - +

Quadro 1: Matriz das glides.

Apresenta-se também a representação da estrutura interna de uma glide, como


segmento vocálico assilábico, na figura 2, e como segmento consonântico, no figura 3,
segundo o modelo da Geometria de Traços e sem indicação dos traços redundantes:

Raiz [-consonântico]

[-silábico]
Cavidade Oral

P.A

[dorsal]

[-recuado]

Fig. 2: Representação da estrutura interna de /j/ [-cons]

Raiz [+consonântico]

[-silábico]
Cavidade Oral

P.A

[dorsal]

[+recuado]

Fig. 3: Representação da estrutura interna de /w/ [+cons]

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268 Sandra Marisa Costa Chapouto

5 Considerações finais

A análise dos dados fonéticos permitiu-nos observar que as glides (i) apresentam um
comportamento consonântico em posição pré-vocálica em início de palavra e em
posição intervocálica (nesta posição, ocorre apenas o segmento /j/); (ii) correspondem
a vogais assilábicas de base ([-consonântico], [-silábico]) em posição pós-vocálica;
e (iii) são realizações de superfície de um segmento vocálico [+alto] em estrutura
de base, pela atuação do processo de alteração do valor do traço [silábico], que
ocorre quando um segmento vocálico [+alto] átono está seguido de outro segmento
vocálico, heterossilábico.

Referências

Andrade, E., Gomes, A., & Teixeira, I. (1992). Observações sobre o Sistema
Acentual do Crioulo da Guiné-Bissau (CGB). In E. d’ Andrade, & A. Kihm (Orgs.),
Actas do Colóquio sobre Crioulos de base lexical portuguesa (135-140). Lisboa: Edições
Colibri.
Chapouto, S. M. 2014. Contributo para a descrição de aspetos fonológicos e
prosódicos do guineense. Dissertação de Mestrado, Universidade de Coimbra.
Clements, G. N., & Keyser S. J. (1983). From CV Phonology: A Generative Theory
of the Syllable. In J. A. Goldsmith (Ed.), Phonological Theory: the essential readings,
185-200. Massachusetts: Blackwell Publishers.
Couto, H. H. do. 1994. O Crioulo Português da Guiné-Bissau. Hamburg: Helmut
Buske Verlag.
Ewen, C. J., & Hulst, H. van der. (2001). The Phonological Structure of Words: An
Introduction. Cambridge: Cambridge University Press.
Ferraz, L. I. (1979). The Creole of São Tomé. Johannesburg: Witwatersrand
University Press.
Kihm, A. 1994. Kriyol Syntax: the Portuguese-based creole language of Guinea
Bissau. Amsterdam: Benjamins.
Mane, D. 2001. Estudo comparativo entre a fonologia do crioulo guineense, a do
manjaco, a do mancanha e a do Pepel. Papia, 11: 105-109.
Mane, D. (2007). Os crioulos portugueses do golfo da Guiné: Quatro línguas
diferentes ou dialetos de uma mesma língua? Dissertação de doutoramento, Universi-
dade de Brasília, Brasília. Disponível em http://repositorio.unb.br/handle/10482/3078,
acedido em 2 de outubro de 2012.
Mateus, M. H. M., & Andrade, E. d’. 2000. The Phonology of Portuguese. Oxford:
Oxford University Press.

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As glides do guineense: proposta de interpretação fonológica
The glides of Guinea-Bissau Creole: proposal of a phonological interpretation 269

Scantamburlo, L. 1999. Dicionário do Guineense: Introdução e Notas Gramaticais


(vol. 1). Lisboa: Edições Colibri / FASPEBI.
Scantamburlo, L. 2002. textitDicionário do Guineense: Dicionário guineense-
português / Disionariu guinensi-purtuguis (vol. 2). Bissau: Edições FASPEBI.

Recebido: 06/06/2018
Aprovado: 25/09/2018

PAPIA, 28(2), e-ISSN 2316-2767


PAPIA, São Paulo, 28(2), p. 271-275, Jul/Dez 2018.

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PAPIA publica textos científicos inéditos sobre línguas crioulas, pidgins ou similares,
sobre o contato de línguas em geral, a morte ou obsolescência de línguas, a
coineização, as línguas francas, as línguas internacionais, as ilhas linguísticas e
as línguas de minorias étnicas em contato. O material deve ser submetido online em
revistas.fflch.usp.br/papia

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PAPIA é uma publicação do tipo peer-review. Embora todos os esforços sejam feitos
para que o processo ocorra de forma rápida, às vezes, os pareceristas demoram
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A partir de 2018, a revista será publicada online no formato de edição contínua ao


longo do ano. Assim, os artigos estarão disponíveis tão logo seja possível de maneira
a evitar atrasos desnecessários. Os artigos publicados estarão elencados em dois
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Em geral, preferimos representar estruturas sintáticas com notações em colchetes.
Representações arbóreas devem ser evitadas, sempre que possível.
Abreviaturas devem seguir o modelo do Max Planck Institute como visto na
List of Standard Abbreviations1 e devem vir listadas ao final do texto, antes das
referências, utilizando o seguinte modelo:

acc accusative, com comitative, cond conditional, conj conjunction,


cont continuous, dat dative, def definite, defer deferential, dem
demonstrative, dur durative.

1 Disponível em http://www.eva.mpg.de/lingua/resources/glossing-rules.php

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Nota editorial / Editor’s note 273

Glosas devem seguir o modelo Leipzig Glossing Rules do Max Planck Institute2 .
Os abstracts (resumos em inglês) são revisados por falantes nativos e, algumas
vezes, podem ser modificados. A revisão do texto original, contudo, cabe ao(s)
autor(es).
PAPIA aconselha aos autores que revisem minuciosamente seus textos. As provas
finais serão enviadas para o autor e, caso haja, mais de um autor, apenas para o
primeiro. Espera-se uma resposta imediata do autor à revisão.
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Após o aceite, os autores cedem os direitos autorais à PAPIA, sendo necessária
autorização para republicação.

5 Instruções: notas e referências bibliográficas

As notas devem ser de ‘rodapé’.


As citações no corpo do texto devem seguir o padrão Autor-data, como em
Bickerton (1990) ou (Bickerton 1990) ou Bickerton (1990: 32). As citações com mais
de três linhas podem ser indentadas.
Ao final do texto, siga os seguintes exemplos para as referências:

5.1 Para livro


Bickerton, Derek. 1981. Roots of Language. Ann Arbor: Karoma.
Arends, Jacques, Pieter Muysken & Norval Smith (eds.) 1995. Pidgins and creoles,
an introduction. Amsterdam: John Benjamins.
Perl, Matthias (ed.) 1989. Portugiesisch und Crioulo in Afrika: Geschichte,
Grammatik, Lexik, Sprachentwicklung. Leipzig: Karl-Marx-Universität.

2 Disponível em http://www.eva.mpg.de/lingua/resources/glossing-rules.php

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274 Nota editorial / Editor’s note

5.2 Para capítulo de livro


Botelho, Joaquim Vieira & Custódio José Duarte. 1967. O Crioulo de Cabo
Verde. Breves Estudos sobre o Crioulo das Ilhas de Cabo Verde. In Morais-Barbosa,
Jorge (org.) Estudos lingüísticos crioulos, 235-328. Lisboa: Academia Internacional de
Cultura Portuguesa.
Bal, Willy. 1975. Á propos de mots d’origine portugaise en Afrique Noire.
In Valkhoff, Marius F. (org.) Miscelânea luso-africana, 119-32. Lisboa: Junta de
Investigações Científicas do Ultramar.
Holm, John. 2008. Creolization and the fate of inflections. In Stolz, Thomas, Dik
Bakker & Rosa Salas Palomo (eds.) Aspects of Language Contact. New Theoretical,
Methodological and Empirical Findings with Special Focus on Romancisation Processes,
299-324. Berlin-New York: Mouton de Gruyter.

5.3 Para artigo em periódico


Lefebvre, Claire & J. Lumsden. 1989. Les langues créoles et la théorie linguistique.
The Canadian Journal of Linguistics 34: 249-72.
Mühlhäusler, Peter. 1998. Layer upon layer of languages. Journal of Pidgin and
creole languages 13: 151-8.
Maurer, Pilippe. 1992. L’apport lexical bantou em angolar. Afrikanistische
Arbeitspapiere 29: 163-74.

5.4 Para teses e dissertações (não-publicadas) e outros inéditos


Pinto, Clarice Pereira. 1994. A prefixação: um estudo comparativo entre o
português padrão, o rural e os crioulos de base portuguesa. Dissertação de Mestrado,
Universidade de Brasília.
Dijkhoff, Marta. 1993. Papiamento word formation. Doctoral Dissertation,
University of Amsterdam.
Sampaio, Pedro. to apper. A Naricema Grammar. Doctoral Dissertation,
University of Palo Alto.
Mendes, Amélia. em preparação. A sintaxe dos nomes nus do crioulo de
Batticaloa. Universidad de Valladolid.

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Nota editorial / Editor’s note 275

6 Correspondências

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E-mail papia@usp.br
Revista PAPIA
A/C Prof. Gabriel Antunes de Araujo
DLCV/FFLCH
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São Paulo, SP, Brasil
05508-900

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