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ISBN 978-85-02-21671-6

Schiavi, Mauro
Coleção preparatória para concursos jurídicos : Processo
do trabalho, v. 16 / Mauro Schiavi. – 2. ed. – São Paulo :
Saraiva, 2014.
1. Direito do trabalho 2. Direito processual do trabalho
I. Título.

11-01441 CDU-34:331

Índice para catálogo sistemático:


1. Direito do trabalho 34:331

Diretor editorial Luiz Roberto Curia


Gerente editorial Thaís de Camargo Rodrigues
Assistente editorial Sirlene Miranda de Sales
Produtora editorial Clarissa Boraschi Maria
Preparação de originais Ana Cristina Garcia / Maria Izabel Barreiros Bitencourt Bressan
Arte e diagramação Claudirene de Moura Santos Silva
Revisão de provas Amélia Kassis Ward / Willians Calazans de V. de Melo
Serviços editoriais Surane Vellenich / Kelli Priscila Pinto
Capa APIS design integrado
Produção gráfica Marli Rampim
Produção eletrônica Ro Comunicação

Data de fechamento da edição: 18-10-2013


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Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma sem a prévia autorização da
Editora Saraiva.
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Sumário

1 — TEORIA GERAL DO DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO


1.1. Do conflito trabalhista
1.2. Das formas de solução dos conflitos trabalhistas
1.3. Das comissões de conciliação prévia
1.4. Arbitragem no direito processual do trabalho
1.5. Conceito e autonomia do direito processual do trabalho
1.6. Dos princípios específicos do direito processual do trabalho
1.6.1. Protecionismo processual ao trabalhador
1.6.2. Informalidade
1.6.3. Conciliação
1.6.4. Celeridade
1.6.5. Simplicidade
1.6.6. Oralidade
1.6.7. Majoração dos poderes do juiz do trabalho na direção do processo
1.6.8. Função social do processo do trabalho
1.6.9. Princípio da subsidiariedade
1.7. Das fontes do direito processual do trabalho
1.8. Interpretação do direito processual do trabalho
1.9. Da vigência da norma processual trabalhista e as regras de direito intertemporal
Questões
2 — Organização da Justiça do Trabalho
2.1. Referências históricas e evolução da justiça do trabalho brasileira
2.2. Dos órgãos da justiça do trabalho e das garantias da magistratura do trabalho
2.3. Do juiz do trabalho e das varas do trabalho
2.4. Dos tribunais regionais do trabalho
2.5. Do tribunal superior do trabalho
2.6. Dos serviços auxiliares da justiça do trabalho
Questões

3 — Competência da Justiça do Trabalho


3.1. Do conceito e divisões da competência
3.2. Da competência material da justiça do trabalho
3.2.1. Controvérsias oriundas e decorrentes da relação de trabalho
3.2.1.1. Relação de consumo
3.2.1.2. Servidor público. Relação estatutária
3.2.1.3. Os contratos de empreitada e a pequena empreitada
3.2.1.4. Entes de direito público externo
3.2.1.5. Outras controvérsias decorrentes da relação de trabalho (inciso IX do art. 114 da CF)
3.3. Ações que envolvem o exercício do direito de greve
3.4. Ações sobre representação sindical
3.5. Habeas corpus
3.6. Mandado de segurança
3.7. Habeas data
3.8. Ações de indenização por danos morais e patrimoniais decorrentes da relação de trabalho
3.9. Penalidades administrativas impostas aos empregadores pelos órgãos da fiscalização do
trabalho
3.10. Execução, de ofício, das contribuições sociais das sentenças que proferir
3.11. Da competência territorial
3.12. Competência funcional da justiça do trabalho
Questões
4 — Das partes e dos procuradores na Justiça do Trabalho
4.1. Dos sujeitos no processo do trabalho
4.2. Da representação, assistência, sucessão e jus postulandi no processo do trabalho
4.3. Da substituição processual (legitimidade extraordinária)
4.4. Litisconsórcio no processo do trabalho
4.5. Do advogado e honorários advocatícios na justiça do trabalho
4.6. Da assistência judiciária e justiça gratuita no processo do trabalho
4.7. Dos deveres das partes e dos procuradores
4.8. Da intervenção de terceiros no processo do trabalho
4.8.1. Assistência
4.8.2. Nomeação à autoria
4.8.3. Oposição
4.8.4. Denunciação da lide
4.8.5. Chamamento ao processo
4.9. Ministério Público do Trabalho
Questões

5 — Dos atos processuais


5.1. Conceito de atos e fatos processuais
5.2. Princípios dos atos processuais
5.3. Da prescrição e reflexos no processo do trabalho
5.4. Dos prazos processuais
5.4.1. Da contagem dos prazos processuais
5.5. Da comunicação dos atos processuais trabalhistas
5.6. Das despesas processuais no processo do trabalho
5.7. Das nulidades dos atos processuais
Questões
6 — Da petição inicial e da resposta
6.1. Da petição inicial no processo do trabalho
6.2. Requisitos da petição inicial trabalhista
6.3. Da emenda e do aditamento da inicial no processo do trabalho
6.4. Documentos que devem acompanhar a inicial trabalhista
6.5. Do indeferimento da petição inicial
6.6. Da resposta no processo do trabalho
6.7. Da contestação
6.8. Das exceções
6.8.1. Exceções de impedimento e suspeição
6.8.2. Exceção de incompetência
6.9. Da reconvenção
Questões
7 — Da audiência trabalhista
7.1. Conceito e singularidades
7.2. Formalidades da audiência trabalhista
7.3. O procedimento da audiência trabalhista quando há o comparecimento do juiz do trabalho e das
partes
7.4. A questão da representação do reclamado por preposto na audiência trabalhista
7.5. Efeitos processuais da ausência das partes à audiência
7.5.1. Ausência do reclamante (arquivamento) e possibilidade de representação do reclamante
7.6. Da ausência do reclamado e da revelia
7.7. Da ausência do advogado
7.8. Ausência do reclamante e do reclamado
Questões
8 — Provas no Processo do Trabalho
8.1. Do conceito e finalidade da prova
8.2. Objeto da prova
8.3. Princípios da prova no processo do trabalho
8.3.1. Necessidade da prova
8.3.2. Contraditório e ampla defesa
8.3.3. licitude e probidade da prova
8.3.4. Aquisição processual
8.3.5. Livre convencimento motivado do juiz
8.3.6. Aptidão para a prova
8.4. Do ônus da prova
8.5. Valoração da prova no direito processual do trabalho
8.6. Dos meios de prova no processo do trabalho
8.6.1. Interrogatório e depoimento pessoal
8.7. Da confissão
8.8. Da prova documental
8.9. Da prova testemunhal
8.10. Da prova pericial
8.11. Da inspeção judicial no direito processual do trabalho
Questões
9 — Sentença Trabalhista
9.1. Conceito e singularidades da sentença trabalhista
9.2. Requisitos estruturais da sentença trabalhista
9.3. Da coisa julgada
Questões
10 — Dos Recursos no Processo do Trabalho
10.1. Conceito e fundamento dos recursos
10.2. Princípios dos recursos trabalhistas
10.2.1. Duplo grau de jurisdição
10.2.2. Taxatividade
10.2.3. Singularidade ou unirrecorribilidade
10.2.4. Fungibilidade
10.2.5. Proibição da reformatio in pejus
10.2.6. Variabilidade
10.3. Da remessa necessária ou recurso de ofício
10.4. Decisões irrecorríveis no processo do trabalho
10.4.1. Decisão interlocutória
10.4.2. Dissídios de alçada
10.4.3. Despachos
10.5. Pressupostos recursais
10.6. Pressupostos recursais intrínsecos ou subjetivos
10.6.1. Cabimento
10.6.2. Legitimidade
10.6.3. Interesse recursal
10.7. Pressupostos recursais extrínsecos ou objetivos
10.7.1. Preparo
10.7.2. Depósito recursal
10.7.3. Regularidade formal
10.7.4. Tempestividade
10.8. Efeitos dos recursos trabalhistas
10.8.1. Do efeito devolutivo
10.8.2. Efeito translativo
10.8.3. Regressivo
10.8.4. Substitutivo
10.8.5. Suspensivo
10.9. Do processamento dos recursos trabalhistas
10.10. Dos recursos trabalhistas em espécie
10.10.1. Do recurso ordinário
10.10.2. Recurso de revista
10.10.2.1. Hipóteses de cabimento do recurso de revista
10.10.3. Dos embargos de declaração
10.10.4. Agravo de instrumento
10.10.5. Agravo de petição
10.10.6. Do recurso adesivo no processo do trabalho
10.10.7. Pedido de revisão
10.10.8. Embargos para o TST
10.10.9. Do agravo regimental
Questões

11 — Liquidação no Processo do Trabalho


11.1. Do conceito de liquidação e natureza jurídica
11.2. Da liquidação por cálculos
11.3. Liquidação por arbitramento
11.4. Liquidação por artigos
11.5. Da natureza da decisão que decide a liquidação no processo do trabalho e impugnabilidade
Questões
12 — Execução Trabalhista
12.1. Do conceito de execução trabalhista
12.2. Dos princípios da execução trabalhista
12.3. Do título executivo
12.4. Da competência para a execução trabalhista
12.5. Da responsabilidade patrimonial
12.5.1. Responsabilidade do sucessor
12.5.2. Responsabilidade do sócio
12.5.3. Bens do cônjuge
12.6. Da execução provisória na justiça do trabalho
12.7. Execução em face da Fazenda Pública
12.7.1. Execução em face da Massa Falida e empresas em Recuperação Judicial
12.8. Da execução de parcelas sucessivas
12.9. Execução da parcela previdenciária
12.10. Execução de sentença trabalhista por quantia certa contra devedor solvente
12.11. Do início da execução trabalhista e da citação do executado
12.12. Do procedimento de cumprimento de sentença previsto no CPC — art. 475-J do CPC e sua
compatibilidade com o processo do trabalho
12.13. Da penhora
12.14. Dos bens impenhoráveis
12.15. Da penhora de dinheiro e bloqueio de contas bancárias
12.16. Do auto de penhora
12.17. Do depósito dos bens penhorados e a figura do depositário
12.18. Dos meios de defesa do executado e terceiro em face da execução
12.18.1. Dos embargos à execução
12.18.1.1. A questão da prescrição intercorrente
12.18.2. Da exceção de pré-executividade na justiça do trabalho
12.18.3. Dos embargos de terceiro
12.19. Da hasta pública e expropriação de bens
12.20. Remição da execução
12.21. Lance mínimo e lance vil
12.22. Da impugnação da expropriação no processo do trabalho
Questões

13 — Dos procedimentos especiais trabalhistas


13.1. Do rito sumário
13.2. Do rito sumaríssimo
13.3. Inquérito judicial para apuração de falta grave
13.4. Dissídio coletivo
13.4.1. Do poder normativo da justiça do trabalho
13.5. Da ação de cumprimento
Questões
14 — Procedimentos e ações civis aplicáveis ao Processo do Trabalho
14.1. Tutelas de urgência
14.2. Da tutela antecipada
14.3. Da tutela cautelar. Medidas cautelares
14.3.1. Arresto
14.3.2. Exibição
14.3.3. Da produção antecipada de provas
14.3.4. Protestos, notificações e interpelações
14.4. Da ação rescisória na justiça do trabalho
14.5. Ação Civil Pública
14.6. Da ação civil coletiva
14.7. Ação monitória
14.8. Mandado de segurança na justiça do trabalho
14.8.1. Do mandado de segurança coletivo
Questões
Referências
1
Teoria geral do direito processual do trabalho

1.1. Do conflito trabalhista


O conflito é inerente à condição humana, principalmente em razão da escassez de bens existentes
na sociedade e das inúmeras necessidades do ser humano.
Como nos ensina Amauri Mascaro Nascimento:
“O vocábulo conflito, de conflictus, que significa combater, lutar, designa posições antagônicas. Outra palavra usada é
controvérsia. Segundo a teoria, surge uma controvérsia quando alguém pretende a tutela do seu interesse, relativa à prestação do
trabalho ou seu regulamento, em contraste com interesses de outrem e quando este se opõe mediante a lesão de um interesse ou
mediante a contestação da pretensão, mas é possível dizer que o conflito trabalhista é toda oposição ocasional de interesses,
pretensões ou atitudes entre um ou vários empresários, de uma parte, e um ou mais trabalhadores a seu serviço, por outro lado,
sempre que se origine do trabalho e uma parte pretenda a solução coativa sobre outra” (1998, p. 314).

O Direito do Trabalho, como é marcado por grande eletricidade social, uma vez que está por
demais arraigado na vida das pessoas e sofre de forma direta os impactos das mudanças sociais e da
economia, é um local fértil para eclosão dos mais variados conflitos de interesse.
Os conflitos trabalhistas podem eclodir tanto na esfera individual como na esfera coletiva. Na
esfera individual, há o chamado conflito entre patrão e empregado, individualmente considerados,
ou entre prestador e tomador de serviços, tendo por objeto o descumprimento de uma norma
positivada, seja pela lei ou pelo contrato. Já o conflito coletivo trabalhista, também denominado
conflito de grupo ou de categorias, tem por objeto não somente o descumprimento de normas
positivadas já existentes (conflito jurídico ou de natureza declaratória), mas também a criação de
novas normas de regulamentação da relação de trabalho (conflitos de natureza econômica).
Surge a lide trabalhista, quando há uma pretensão resistida do trabalhador ou do tomador de
serviços, tendo por escopo a violação da ordem jurídica trabalhista.

1.2. Das formas de solução dos conflitos trabalhistas


Segundo nos traz a doutrina, são meios de solução dos conflitos na esfera trabalhista: autotutela
ou autodefesa, autocomposição e heterocomposição.
a) Autotutela: é o meio mais primitivo de resolução dos conflitos em que uma das partes, com
utilização da força, impõe sua vontade sobre a parte mais fraca. Nessa modalidade, há ausência do
Estado na solução do conflito, sendo uma espécie de vingança privada.
Hoje, nas legislações, ainda há resquícios da autotutela em alguns códigos, como a legítima defesa
da posse no Código Civil, ou o estado de necessidade e legítima defesa na esfera penal.
Na esfera do conflito coletivo de trabalho, temos como exemplo de autotutela a greve e o locaute,
sendo este vedado no ordenamento jurídico brasileiro pelo art. 17 da Lei n. 7.783/89. Na esfera
individual, temos o direito de resistência do empregado às alterações contratuais lesivas (arts. 468 e
483 da CLT) e o poder disciplinar do empregador.
b) Autocomposição: é modalidade de solução dos conflitos coletivos de trabalho pelas próprias
partes interessadas sem a intervenção de um terceiro que irá ajudá-las ou até propor a solução do
conflito. Como exemplos temos: a negociação coletiva para os conflitos coletivos e o acordo ou a
transação para os conflitos individuais.
Na esfera do Direito Coletivo do Trabalho, temos como instrumentos típicos de autocomposição
os acordos e convenções coletivas, que são produto de um instituto maior — a negociação coletiva.
c) Heterocomposição: exterioriza-se pelo ingresso de um agente externo e desinteressado ao
litígio, o qual irá solucioná-lo e sua decisão será imposta às partes de forma coercitiva. Como
exemplos temos a decisão judicial (dissídios individuais e coletivos) e a arbitragem.
A heterocomposição, sob a modalidade da decisão judicial (Poder Judiciário), tem sido o meio,
por excelência, de solução do conflito trabalhista, pois o Brasil, de cultura romano-germânica, não
tem tradição de resolução dos conflitos pela via da negociação nem da arbitragem.
d) Mediação e conciliação: mediação é a forma de solução dos conflitos por meio da qual o
mediador se insere entre as partes, procurando aproximá-las para que elas próprias cheguem a uma
solução consensual.
A conciliação é a forma de solução do conflito trabalhista, mediante o ingresso do conciliador
entre as partes, o qual as aproximará buscando a solução por meio de concessões recíprocas.
Segundo a doutrina, a atividade do mediador é mais intensa do que a do conciliador, pois toma
mais iniciativas que este, não só realizando propostas de conciliação mas também persuadindo as
partes para que cheguem a uma solução do conflito. Não obstante, o mediador, ao contrário do
árbitro e do juiz, não tem poder de decisão.
A mediação e a conciliação estão entre a autocomposição e a heterocomposição. Para alguns, são
modalidades de autocomposição, pois o mediador aproxima as partes para uma solução consensual,
e o conciliador faz propostas de solução do conflito que podem ou não ser aceitas pelas partes. No
entanto, nem um nem outro têm poderes para impor a solução do conflito às partes, nem estas são
obrigadas a aceitar as sugestões deles.
Para outros, são modalidades de heterocomposição, pois, ainda que não possam impor a solução
do conflito, inegavelmente, o conciliador e o mediador contribuem para sua solução.

1.3. Das comissões de conciliação prévia


As comissões de conciliação prévia são órgãos criados no âmbito dos sindicatos ou das empresas,
com a finalidade de resolução do conflito individual trabalhista por meio da autocomposição. Trata-
se de um meio alternativo, extrajudicial, de solução do conflito a fim de propiciar maior celeridade à
resolução da lide, sem a burocracia do Poder Judiciário Trabalhista.
Diante da presença de conciliadores, os empregados e os empregadores poderão,
consensualmente, colocar fim ao conflito.
A criação das comissões de conciliação prévia é facultativa, podem ser criadas no âmbito das
empresas ou dos sindicatos e terão o mesmo número de representantes dos empregados e dos
empregadores, conforme disciplina o art. 625-A da CLT.
As Comissões de Conciliação Prévia têm dez dias para tentar a conciliação a partir da provocação
do interessado (art. 625-F da CLT). Se o referido prazo for ultrapassado, será fornecida certidão ao
reclamante, que pode ingressar com a reclamação trabalhista.
O prazo prescricional será suspenso a partir da provocação da Comissão de Conciliação Prévia,
recomeçando a fluir, pelo que lhe resta, a partir da tentativa frustrada de conciliação ou quando o
prazo de dez dias para realização da audiência se esgotar (art. 625-G da CLT).
Diante do referido dispositivo legal, há entendimentos na doutrina e jurisprudência de que a
passagem do conflito individual trabalhista pela Comissão de Conciliação Prévia é um pressuposto
processual ou uma condição da ação os quais devem ser preenchidos no ajuizamento da ação
trabalhista. Vale ressaltar: se não houver a tentativa de conciliação perante a Comissão de
Conciliação Prévia, deverá o Juiz do Trabalho a requerimento, ou ex officio, extinguir o processo,
sem resolução de mérito, nos termos do art. 267 do CPC.
Outros argumentam que a passagem pela Comissão de Conciliação Prévia é faculdade do
trabalhador, em razão do princípio da inafastabilidade da jurisdição (art. 5º, XXXV, da CF), da
possibilidade da tentativa de conciliação judicial suprir a falta de tentativa de conciliação
extrajudicial, e do 625-D, da CLT, não mencionar penalidade devido à falta de passagem pela
Comissão.
O Supremo Tribunal Federal, recentemente, em controle concentrado de constitucionalidade (ADIs
ns. 2.139 e 2.160), fixou entendimento no sentido de não ser obrigatória a submissão do litígio
trabalhista à Comissão de Conciliação Prévia como condição de ingresso na Justiça do Trabalho, em
razão do que dispõe o art. 5º, XXXV, da CF, conforme notícia publicada no site do STF em
13.5.2009.
Diante da decisão do Supremo Tribunal Federal, a passagem pela Comissão de Conciliação
Prévia é faculdade do trabalhador.
Diante da redação do art. 625-E da CLT, parte da doutrina e jurisprudência trabalhista assevera
que os acordos firmados perante as Comissões de Conciliação Prévia têm eficácia liberatória geral,
exceto quanto às parcelas expressamente ressalvadas. O que não foi ressalvado não poderá ser
discutido em juízo.
Outros argumentam que, em sede extrajudicial, a quitação somente abrange parcelas e valores
consignados no termo de conciliação, conforme os arts. 320 do CC, 477, § 2º, da CLT e Súmula n.
330 do TST.
Embora haja grande celeuma na doutrina e jurisprudência, acreditamos que a transação firmada
perante a Comissão de Conciliação Prévia não tem eficácia liberatória geral, tampouco impede que
as partes (trabalhadores e empregadores) venham ao judiciário discutir a transação, tanto no aspecto
formal (capacidade, forma prevista em lei e manifestação espontânea da vontade), como no aspecto
de fundo (mérito da transação), ou seja, se efetivamente a transação observou seus princípios
fundamentais.
1.4. Arbitragem no direito processual do trabalho
A arbitragem é um meio de solução dos conflitos pelo ingresso de um terceiro imparcial (árbitro)
previamente escolhido pelas partes, com o propósito de solucionar o conflito de forma definitiva.
É considerada um meio alternativo de solução do conflito, pois o árbitro não pertence ao Estado.
Alguns doutrinadores sustentam que o árbitro tem jurisdição, não a estatal, mas a que lhe foi
outorgada pelas partes para resolução do conflito.
Não há tradição de resolução dos conflitos trabalhistas pela via da arbitragem no Direito
brasileiro, embora, em muitos países de tradição anglo-saxônica, ela seja o principal meio de
resolução de tais conflitos, principalmente o conflito coletivo de trabalho.
Diante do princípio da inafastabilidade da jurisdição (art. 5º, XXXV, da CF), a arbitragem no
Direito brasileiro é um meio facultativo de solução de conflitos, vale dizer: não se pode obrigar
alguém, contra sua vontade, a aceitar o procedimento arbitral.
A resolução dos conflitos pela via arbitral, conforme pacificado na doutrina e no próprio Supremo
Tribunal Federal, não viola os princípios constitucionais do acesso à Justiça, inafastabilidade da
jurisdição e do juiz natural, pois a arbitragem é um procedimento facultativo, o árbitro é um ente
imparcial escolhido previamente pelas partes. Além disso, eventuais nulidades do procedimento
arbitral podem ser discutidas no Judiciário.
Dentre os argumentos favoráveis à arbitragem, podemos destacar:
a) maior agilidade nas decisões, em face da inexistência de recursos; b) o árbitro é escolhido
pelas partes; c) melhores condições da real dimensão do conflito pelo árbitro; d) maior celeridade
de resolução do conflito; e) possibilidade de a decisão dar-se por equidade se assim
convencionarem as partes.
Nos termos da Lei n. 9.307/96, que disciplina a arbitragem e traça as regras do procedimento
arbitral, este é instaurado pela convenção de arbitragem, que compreende a cláusula
compromissória e o compromisso arbitral.
A cláusula compromissória, prevista no art. 4º da Lei n. 9.307/96, é o negócio jurídico por meio
do qual as partes se comprometem a submeter à arbitragem futuros litígios que possam surgir
relativamente a um contrato. O compromisso arbitral, previsto no art. 9º da Lei n. 9.307/96, é o
negócio jurídico de natureza contratual por meio do qual as partes submetem à arbitragem um litígio
já existente.
Na esfera do Direito Coletivo do Trabalho, há autorização constitucional para que o conflito
coletivo do trabalho, se assim convencionarem as partes, possa ser dirimido pela arbitragem. Nesse
sentido, o art. 114, § 1º, da CF dispõe: “Frustrada a negociação coletiva, as partes poderão eleger
árbitros”.
Não há previsão da arbitragem para solução dos conflitos individuais trabalhistas, como existe
para o conflito coletivo. Diante disso, discute-se na doutrina e jurisprudência a possibilidade da
arbitragem para resolução dos conflitos individuais trabalhistas. A doutrina e a jurisprudência não
têm admitido a arbitragem para a solução dos conflitos individuais trabalhistas com os seguintes
argumentos:
a) “acesso amplo e irrestrito do trabalhador ao Judiciário Trabalhista” (art. 5º, XXXV, da CF);
b) irrenunciabilidade do crédito trabalhista;
c) hipossuficiência do trabalhador;
d) o estado de subordinação inerente ao contrato de trabalho impede que o trabalhador manifeste
sua vontade ao aderir a uma cláusula compromissória.
Nesse sentido, note-se: TST — Processo: AIRR — 415/2005-039-02-40.9 — Data de
Julgamento: 17.6.2009 — Rel. Min. Horácio Raymundo de Senna Pires — 6ª T. — Data de
Divulgação: DEJT 26.6.2009.
A arbitragem, embora deva ser vista com cuidado e reservas na esfera do conflito individual do
trabalho, não é proibida pela lei, tampouco é contrária aos princípios que regem o Processo do
Trabalho, entretanto, pensamos que o trabalhador somente pode aceitar uma convenção arbitral
quando já cessada a relação de emprego, pois o estado de subordinação impede a manifestação livre
de sua vontade. Nesse sentido, note-se: TST — Processo: AIRR — 1475/2000-193-05-00.7 — Data
de Julgamento: 15.10.2008 — Rel. Min. Pedro Paulo Manaus — 7ª T. — Data de Divulgação: DEJT
17.10.2008.
Em suma:

1.5. Conceito e autonomia do direito processual do


trabalho
O Direito Processual do Trabalho pode ser conceituado como: “o conjunto de princípios, normas e
instituições que regem a atividade da Justiça do Trabalho, com o objetivo de dar efetividade à
legislação trabalhista e social e assegurar o acesso do trabalhador à Justiça”.
O conjunto nos dá a ideia de um todo, composto de várias partes, formando um sistema, cujo
núcleo é constituído pelos princípios.
Como ciência autônoma, o Direito Processual do Trabalho apresenta seus princípios peculiares
que lhe dão sentido e razão de ser. Os princípios são regras gerais e abstratas que norteiam a
aplicação do Direito Processual do Trabalho.
As normas são regras positivadas e destinadas a regular uma questão específica.
As instituições são entidades reconhecidas pelo Direito como encarregadas de aplicar e
materializar o cumprimento do Direito Processual do Trabalho. Constituem os órgãos que aplicam o
Direito do Trabalho, como os Tribunais e Juízes do Trabalho.
O Direito Processual do Trabalho, como Direito Instrumental, existe para dar efetividade ao
Direito Material do Trabalho e também facilitar o acesso do trabalhador ao Judiciário.
A legislação processual trabalhista visa impulsionar o cumprimento da legislação trabalhista e da
legislação social, que não se ocupa só do trabalho subordinado mas também do trabalhador, ainda
que este não tenha um vínculo de emprego, desde que viva de seu próprio trabalho. Nesse sentido, foi
a dilatação da competência material da Justiça do Trabalho dada pela EC 45/2004 para abranger as
controvérsias oriundas e decorrentes da relação de trabalho.
Assim como o Direito do Trabalho visa à proteção do trabalhador e à melhoria de sua condição
social (art. 7º, caput, da CF), o Direito Processual do Trabalho tem sua razão de existência em
propiciar o acesso dos trabalhadores à Justiça, a fim de garantir os valores sociais do trabalho, a
composição justa do conflito trabalhista e resguardar a dignidade da pessoa humana do trabalhador.
Ainda há acirradas discussões na doutrina sobre o Direito Processual do Trabalho possuir, ou não,
princípios próprios, vale dizer, se o Direito Processual do Trabalho é ou não uma ciência autônoma
do Direito Processual.
Para que se afirme a autonomia de determinado ramo do direito, é necessário avaliar se há
princípios próprios, uma legislação específica, um razoável número de estudos doutrinários a
respeito e um objeto de estudo próprio.
Inegavelmente, o Direito Processual do Trabalho observa muitos princípios do Direito Processual
Civil, como os princípios da inércia, da instrumentalidade das formas, oralidade, impulso oficial,
eventualidade, preclusão, conciliação e economia processual.
Na doutrina, alguns autores sustentam a autonomia do Direito Processual do Trabalho em face do
Direito Processual Civil, também chamados dualistas. Outros, denominados monistas, sustentam que
o Direito Processual do Trabalho não tem autonomia em face do Direito Processual Civil, sendo um
simples desdobramento deste. Há autores ainda que defendem a autonomia relativa do Direito
Processual do Trabalho em face do Direito Processual Civil em razão da possibilidade de aplicação
subsidiária do Processo Civil ao Processo do Trabalho.
Em contrapartida, há quem sustente que os princípios do Direito Processual do Trabalho são os
mesmos do Direito Material do Trabalho, máxime o princípio protetor.
Outros autores sustentam que o Direito Processual do Trabalho é autônomo em face do Direito
Material do Trabalho, e também em face do Direito Processual Civil (dualistas), mas o Processo do
Trabalho encontra-se também impregnado pelo princípio protetor.
Há autores que não conseguem enxergar princípios próprios no Direito Processual do Trabalho
(monistas), asseverando que seus princípios são os mesmos do Direito Processual Civil.
Além disso, outros autores sustentam a autonomia relativa do Direito Processual do Trabalho, já
que o art. 769 da CLT possibilita a aplicação subsidiária do Direito Processual Comum na fase de
conhecimento e o art. 889 da CLT, a aplicação da Lei dos Executivos Fiscais na fase de execução e
também do Código de Processo Civil, como forma de preenchimento de lacunas na CLT.
No nosso entender, embora o Direito Processual do Trabalho esteja, hoje, mais próximo do
Direito Processual Civil e sofra os impactos dos Princípios Constitucionais do Processo, deve-se
reconhecer alguns princípios peculiares do Direito Processual do Trabalho os quais lhe dão
autonomia e o distinguem do Direito Processual Comum.
Todavia, embora alguns princípios do Direito Material do Trabalho, como primazia da realidade,
razoabilidade, boa-fé, sejam aplicáveis também ao Direito Processual do Trabalho, a nosso ver, os
Princípios do Direito Material do Trabalho não são os mesmos do Processo, uma vez que o Processo
tem caráter instrumental e os princípios constitucionais da isonomia e imparcialidade — aplicáveis
ao Processo do Trabalho — impedem que o Direito Processual do Trabalho tenha a mesma
intensidade de proteção do trabalhador própria do Direito Material do Trabalho. Não obstante, deve-
se reconhecer certo caráter protecionista no Direito Processual do Trabalho, que, para alguns, é
princípio peculiar do Processo do Trabalho e, para outros, características do procedimento
trabalhista, com a finalidade de assegurar o acesso efetivo do trabalhador à Justiça do Trabalho e
também a uma ordem jurídica justa.
Da mesma forma, milita em prol da autonomia do Direito Processual do Trabalho o fato de que o
Brasil possui um ramo especializado do judiciário para dirimir as lides trabalhistas, uma legislação
própria a disciplinar o Processo do Trabalho (CLT, Lei n. 5.584/70 e Lei n. 7.701/88), um objeto
próprio de estudo e vasta bibliografia sobre a matéria.
Diante do exposto, Direito Processual do Trabalho é autônomo frente ao Direito Material do
Trabalho e também ao Direito Processual Civil.
Em suma:
1.6. Dos princípios específicos do direito processual do
trabalho
Os princípios constituem as diretrizes básicas de todo o sistema jurídico, verdadeiros alicerces
dele, dos quais emanam todas as normas. Violar um princípio é desconsiderar todo o sistema de
normas.
Segundo a melhor doutrina, os princípios têm tríplice função:
a) inspiradora do legislador;
b) interpretativa;
c) suprimento de lacunas.
Quanto à função inspiradora, o legislador costuma buscar nos princípios inspiração para criar
normas.
Na função interpretativa, os princípios ganham especial destaque, pois norteiam a atividade do
intérprete na busca da real finalidade da lei e também se ela está de acordo com os princípios
constitucionais. Segundo a doutrina, violar um princípio é muito mais grave do que violar uma
norma, pois é desconsiderar todo o sistema de normas.
Os princípios também se destinam ao preenchimento de lacunas na legislação processual. Há uma
lacuna quando a lei não disciplina determinada matéria. Desse modo, os princípios, ao lado da
analogia, do costume, serão um instrumento destinado a suprir as omissões do ordenamento jurídico
processual.
Além disso, os princípios têm por finalidade sistematizar o ordenamento jurídico, dando-lhe
harmonia e coerência.
O Direito Processual do Trabalho, no nosso sentir, tem os princípios dos quais será falado a
seguir.

1.6.1. Protecionismo processual ao trabalhador


Alguns autores denominam esse princípio como protetor visto sob o aspecto processual ou
instrumental, princípio da proteção temperada, princípio da compensação de desigualdades,
princípio da isonomia sob o aspecto real ou substancial, considerando que o trabalhador, como
regra, é o litigante mais fraco no Processo do Trabalho.
Não se trata do mesmo princípio da proteção do Direito Material do Trabalho, mas de uma
intensidade protetiva — vista sob o aspecto instrumental — ao trabalhador. Ele tem a finalidade de
assegurar-lhe algumas prerrogativas processuais para compensar eventuais entraves ao procurar a
Justiça do Trabalho, devido à sua hipossuficiência econômica e, muitas vezes, à dificuldade em
provar suas alegações, pois, via de regra, os documentos da relação de emprego ficam na posse do
empregador. Esse protecionismo ao trabalhador não é suficiente para alterar o chamado princípio da
paridade das armas do Processo do Trabalho. Diante dele, as partes no Processo do Trabalho
devem ter as mesmas oportunidades.
Encontramos exemplos no art. 844 da CLT, que prevê hipótese de arquivamento da reclamação
trabalhista em caso de ausência do reclamante, mas, se ausente o reclamado, haverá a revelia;
inversão do ônus da prova em favor do empregado; facilidade no acesso à Justiça, inclusive sem a
presença de advogado (art. 791 da CLT) e a possibilidade de petição verbal (art. 840 da CLT);
impulso oficial do juiz na execução é característica protetiva prevista no art. 878 da CLT; exigência
de depósito recursal para o reclamado poder recorrer também se trata de regra protetiva ao
trabalhador, visando bloquear recursos e garantir futura execução por quantia (art. 899 da CLT).
Para nós, esse protecionismo ao trabalhador não é suficiente para alterar o chamado princípio da
paridade das armas do Processo do Trabalho. Diante dele, as partes no Processo do Trabalho devem
ter as mesmas oportunidades.

1.6.2. Informalidade
Embora o procedimento seja, de certo modo, informal, não significa que determinadas
formalidades não devam ser observadas, inclusive sobre a documentação do procedimento, pois o
procedimento escrito é uma garantia da seriedade do processo.

1.6.3. Conciliação
Tradicionalmente, a Justiça do Trabalho é a justiça da conciliação. Historicamente, os primeiros
órgãos de composição dos conflitos trabalhistas foram, eminentemente, de conciliação.
Por mandamento do art. 764 da CLT, os Juízes do Trabalho devem envidar seus bons ofícios e
persuasão para tentar obter a conciliação.
Dizia Carnelutti que a conciliação é uma sentença dada pelas partes, e a sentença é uma
conciliação imposta pelo juiz.
Sem dúvida, a conciliação é a melhor forma de resolver o conflito trabalhista, pois é uma solução
vinda das próprias partes que conhecem a real dimensão do conflito, suas necessidades e
possibilidades para a melhor solução. Muitas vezes, a sentença desagrada a uma das partes e até
mesmo a ambas.
A CLT determina que a conciliação seja tentada, obrigatoriamente, em dois momentos: antes da
defesa, conforme o art. 846 da CLT, e após as razões finais (art. 850 da CLT).
Em razão do princípio da conciliação, parte significativa da jurisprudência trabalhista tem
sustentado a nulidade do processo, caso o Juiz do Trabalho não tente, ao menos, a última proposta de
conciliação em audiência.
A nosso ver, a ausência da última proposta conciliatória não acarreta nulidade, pois é necessário
avaliar se há prejuízo. Além disso, as partes podem conciliar-se a qualquer momento, e o Tribunal
também poderá, ao julgar o recurso, tentar a conciliação. Em contrapartida, o Juiz do Trabalho
poderá chamar as partes em juízo a qualquer tempo e tentar a conciliação, suprindo a proposta
conciliatória que não foi realizada em audiência.

1.6.4. Celeridade
Embora não seja uma característica exclusiva do Direito Processual do Trabalho, nele essa
característica se mostra mais acentuada, uma vez que o trabalhador postula um crédito de natureza
alimentar.

1.6.5. Simplicidade
Não há como negar que o Processo do Trabalho é mais simples e menos burocrático do que o
Processo Civil.

1.6.6. Oralidade
O princípio da oralidade constitui um conjunto de regras destinadas a simplificar o procedimento,
priorizando a palavra falada, com um significativo aumento dos poderes do juiz na direção do
processo, imprimindo maior celeridade ao procedimento e efetividade da jurisdição, destacando o
caráter publicista do processo.
Segundo a doutrina, a oralidade se decompõe nos seguintes subprincípios.
Identidade física do juiz: nesse caso, o juiz que instruiu o processo, que colheu diretamente a
prova, deve julgá-lo, pois possui melhores possibilidades de valorá-la, uma vez que tomou contato
direto com as partes e testemunhas. Nesse sentido, dispõe o art. 132 do Código de Processo Civil.
Pensamos que a identidade física do Juiz se aplica ao Processo do Trabalho, pois o princípio da
oralidade se exterioriza com maior nitidez nesta seara do processual. Além disso, inegavelmente, o
Juiz que colheu diretamente a prova teve contato pessoal com partes e testemunhas, formulou
diretamente as perguntas que entendeu pertinentes, observou as expressões das partes ao depor, tem
melhores condições de proferir sentença justa e que reflita realidade.
Diante do cancelamento da Súmula n. 136 do Tribunal Superior do Trabalho, a tendência dos
Tribunais Trabalhistas é aplicar o princípio da identidade física do juiz às Varas do Trabalho.
Prevalência da palavra oral sobre a escrita: a palavra falada prevalece sobre a escrita,
priorizando o procedimento de audiência, no qual as razões das partes são aduzidas de forma oral,
bem como a colheita da prova. Não obstante, os atos de documentação do processo devem ser
escritos.
Concentração dos atos processuais em audiência: por tal característica, os atos do procedimento
devem se desenvolver num único ato, máxime a instrução probatória a ser realizada em audiência
única.
Imediatidade do juiz na colheita da prova: a característica da imediatidade, as provas devem ser
produzidas em audiência, na presença do Juiz do Trabalho. Desse modo, o Juiz do Trabalho tem um
maior contato com as partes e testemunhas do processo, colhendo diretamente a prova e lhe
propiciando maior conhecimento da causa e melhores possibilidades de realizar a conciliação.
Irrecorribilidade das decisões interlocutórias: a Consolidação das Leis do Trabalho não nos dá
o conceito de decisão interlocutória. Não obstante, o Código de Processo Civil, de aplicação
subsidiária do Processo do Trabalho, nos traz esse conceito no § 2º do art. 162, que assim dispõe:
“Decisão interlocutória é o ato pelo qual o juiz, no curso do processo, resolve questão incidente”.
Diante do referido dispositivo legal, pensamos ser a decisão interlocutória a que resolve questão
incidente no processo, causando prejuízo a uma ou a ambas as partes, sem pôr fim à relação jurídica
processual.
Essa característica do princípio da oralidade tem por objetivo imprimir maior celeridade ao
processo e prestigiar a autoridade do juiz na condução do processo.
Em contrapartida, não é bem verdade que as decisões interlocutórias não são recorríveis no
processo. Elas o são, mas não de imediato, podendo ser questionadas quando do recurso cabível em
face da decisão definitiva. Nesse sentido, dispõe o art. 893, § 1º, da CLT.
O Processo do Trabalho é essencialmente um procedimento oral. Embora o princípio também faça
parte do Direito Processual Comum, no Processo do Trabalho ele se acentua, com a primazia da
palavra; concentração dos atos processuais em audiência; maior interatividade entre o juiz e as
partes; irrecorribilidade das decisões interlocutórias e identidade física do juiz.

1.6.7. Majoração dos poderes do juiz do trabalho na direção do


processo
O art. 765 da CLT possibilita ao Juiz do Trabalho maiores poderes na direção do processo,
podendo, ex officio, determinar qualquer diligência processual para formar seu convencimento em
busca da verdade, inclusive são amplos os poderes instrutórios do Juiz do Trabalho.
Conforme o art. 878 da CLT, a execução da sentença trabalhista poderá ser promovida de ofício
pelo Juiz do Trabalho.

1.6.8. Função social do processo do trabalho


Em razão do caráter publicista do processo do trabalho e do relevante interesse social envolvido
na satisfação do crédito trabalhista, a doutrina moderna tem defendido a existência do princípio da
função social do processo trabalhista.
Desse modo, o Juiz do Trabalho deve direcionar o processo para que caminhe de forma célere,
justa e confiável, assegurando às partes igualdade de oportunidades, dando a cada um o que é seu por
direito, bem como que os atos processuais sejam praticados de forma razoável e previsível,
garantindo a efetividade processual, mas preservando, sempre, a dignidade da pessoa humana tanto
do autor como do réu, em prestígio da supremacia do interesse público. Nesse sentido, dispõe o art.
8º da CLT.
Ao contrário do juiz de outras épocas, o Juiz de hoje está comprometido com a efetividade dos
atos processuais, bem como com a realidade e a justiça da decisão. A sociedade não tem tolerado
decisões injustas, fora da realidade ou sem resultados práticos.
O princípio da função social do processo do trabalho encontra suporte nos princípios
constitucionais da função social da propriedade e no da função social do contrato previsto no art.
421 do CC.
Sobre as funções sociais da propriedade e do processo, Miguel Reale ensinava que elas são
atingidas quando já há efetividade do princípio da igualdade real previsto no art. 5º da CF e
observada a dignidade da pessoa humana (art. 1º, III, da CF).

1.6.9. Princípio da subsidiariedade


O art. 769 da CLT disciplina os requisitos para aplicação subsidiária do Direito Processual
Comum ao Processo do Trabalho, com a seguinte redação: “Nos casos omissos, o direito processual
comum será fonte subsidiária do direito processual do trabalho, exceto naquilo em que for
incompatível com as normas deste Título”.
Conforme a redação do referido dispositivo legal, são requisitos para a aplicação do Código de
Processo Civil ao Processo do Trabalho:
a) omissão da CLT: quando a CLT e as legislações processuais trabalhistas extravagantes (Leis ns.
5.584/70 e 7.701/88) não disciplinam a matéria;
b) compatibilidade com os princípios que regem o processo do trabalho. Vale dizer: a norma do
CPC, além de ser compatível com as regras que regem o Processo do Trabalho, deve ser compatível
com os princípios que norteiam o Direito Processual do Trabalho, máxime o acesso do trabalhador à
Justiça.
A expressão direito processual comum, a que alude o art. 769 da CLT, deve ser interpretada neste
sentido: toda norma de natureza processual, prevista em lei (Código de Processo Civil, Código de
Processo Penal, Código de Defesa do Consumidor, Leis Especiais Processuais, como a Leida Ação
Civil Pública etc.), será compatível ao sistema do direito processual do trabalho.
A questão das lacunas do Direito Processual do Trabalho e da incompletude do sistema processual
sempre foi um assunto polêmico.
Diante dos princípios constitucionais do processo, da duração razoável e da efetividade, a
moderna doutrina tem voltado os olhos para o estudo das lacunas da legislação processual
trabalhista, à luz da teoria geral do direito.
Valendo-nos da classificação realizada por Maria Helena Diniz (1999), as lacunas da legislação
processual trabalhista podem ser:
a) normativas: quando a lei não contém previsão para o caso concreto. É importante ressaltar: não
há regulamentação da lei sobre determinado instituto processual;
b) ontológicas: quando a norma não mais está compatível com os fatos sociais, ou seja, está
desatualizada. Aqui, a norma regulamenta determinado instituto processual, porém não encontra mais
ressonância na realidade, não há efetividade da norma processual existente;
c) axiológicas: quando as normas processuais levam a uma solução injusta ou insatisfatória. Existe
a norma, mas sua aplicação leva a uma solução incompatível com os valores de justiça e equidade
exigíveis para a eficácia da norma processual.
Há duas vertentes de interpretação sobre o alcance do art. 769 da CLT. São elas:
a) restritiva: somente é permitida a aplicação subsidiária das normas do Processo Civil quando
houver omissão da legislação processual trabalhista. Desse modo, somente se admite a aplicação do
CPC quando houver a chamada lacuna normativa. Essa vertente de entendimento sustenta a
observância do princípio do devido processo legal, no sentido de não surpreender o jurisdicionado
com outras regras processuais, bem como na necessidade de preservar o princípio da segurança
jurídica. Argumenta que o processo deve dar segurança e previsibilidade ao jurisdicionado;
b) evolutiva (também denominada sistemática ou ampliativa): permite a aplicação subsidiária do
Código de Processo Civil ao Processo do Trabalho quando houver as lacunas ontológicas e
axiológicas da legislação processual trabalhista. Além disso, defende a aplicação da legislação
processual civil ao processo do trabalho quando houver maior efetividade da jurisdição trabalhista.
Essa vertente tem suporte nos princípios constitucionais da efetividade, duração razoável do
processo e acesso real e efetivo do trabalhador à Justiça do Trabalho, bem como no caráter
instrumental do processo.
No nosso entendimento, a vertente evolutiva está com a razão. Com efeito, os princípios basilares
do Direito Processual do Trabalho devem orientar o intérprete a todo momento. Não é possível, à
custa de se manter a autonomia do Processo do Trabalho e a vigência de suas normas, sacrificar o
acesso do trabalhador à Justiça do Trabalho, bem como o célere recebimento de seu crédito
alimentar.
Diante dos princípios constitucionais norteadores do processo e também da força normativa dos
princípios constitucionais, não é possível uma interpretação isolada da CLT, ou seja: divorciada dos
princípios constitucionais do processo, máxime o do acesso efetivo e real à Justiça do Trabalho,
duração razoável do processo, acesso à ordem jurídica justa, para garantia, acima de tudo, da
dignidade da pessoa humana do trabalhador e melhoria da sua condição social.
Assim como o Direito Material do Trabalho adota o princípio protetor, tendo como um dos seus
vetores a regra da norma mais benéfica, o Direito Processual do Trabalho, por ter um acentuado grau
protetivo, e por ser um direito, acima de tudo, instrumental, com maiores razões que o direito
material, pode adotar o princípio da norma mais benéfica, e diante de duas regras processuais as
quais possam ser aplicadas à mesma hipótese, escolher a mais efetiva, ainda que seja a do Direito
Processual Civil e aparentemente contrária à CLT.
O processo do trabalho foi idealizado, originalmente, na década de 1940, quando a sociedade
brasileira era diversa, e as necessidades dos jurisdicionados também. Além disso, a complexidade
dos conflitos trabalhistas não tinha a mesma intensidade como os de hoje. Atualmente, diante de
fatores como a flexibilização, terceirização e horizontalização das empresas, nos processos
trabalhistas são enfrentadas complexas questões processuais, como a presença de diversos
reclamados no polo passivo da ação. Além disso, a falta de efetividade dos dispositivos processuais
trabalhistas na execução é manifesta.
A CLT e a legislação processual trabalhista, em muitos aspectos, funcionam bem e devem ser
mantidas. O procedimento oral, as tentativas obrigatórias de conciliação, a maior flexibilidade do
procedimento, a majoração dos poderes do Juiz do Trabalho na condução do processo e a
irrecorribilidade imediata das decisões interlocutórias têm obtido resultados excedentes. Não
obstante, em alguns aspectos, a exemplo dos capítulos dos recursos e execução, deve-se permitir ao
Juiz do Trabalho buscar a melhoria constante da prestação jurisdicional trabalhista nos dispositivos
do Código de Processo Civil e da Teoria Geral do Processo.
Vale lembrar que a jurisdição do Estado é una e todos os ramos da ciência processual seguem os
princípios constitucionais da jurisdição e do processo. A segmentação da jurisdição nos diversos
ramos do Poder Judiciário tem em vista propiciar melhores resultados na efetividade do direito.
A maior aproximação do Processo do Trabalho ao Processo Civil não desfigura o princípio do
Processo do Trabalho, tampouco provoca retrocesso social à ciência processual trabalhista. Ao
contrário, possibilita a evolução conjunta da ciência processual. O próprio processo civil, muitas
vezes, se inspira no Processo do Trabalho para evoluir em muitos de seus institutos.
Propiciar ao Juiz do Trabalho maior flexibilidade em aplicar normas processuais civis, em nosso
entendimento, freia arbitrariedades ao tomar providências processuais sem uma fundamentação
adequada, com suporte apenas na equidade e nos amplos poderes de direção do processo conferidos
pelo art. 765 da CLT.
Além disso, as normas processuais do CPC, quando aplicadas ao Processo do Trabalho, são,
necessariamente, adaptadas às contingências do Direito Processual do Trabalho bem como
compatibilizadas com a principiologia deste. Vale advertir: o Juiz do Trabalho aplica e interpreta as
normas processuais civis com os olhos da sistemática processual trabalhista.
Pelo exposto, concluímos que o Direito Processual Civil pode ser aplicado ao Processo do
Trabalho, nas seguintes hipóteses: a) omissão da CLT (lacunas normativas, ontológicas e
axiológicas); compatibilidade das normas do Processo Civil com os princípios do Direito
Processual do Trabalho; b) ainda que não omissa a CLT, quando as normas do Processo Civil forem
mais efetivas do que as da CLT e compatíveis com os princípios do Processo do Trabalho.
No mesmo sentido é o Enunciado n. 66 da 1ª Jornada de Direito Material e Processual do
Trabalho da ANAMATRA, in verbis:
“AP LICAÇÃO SUBSIDIÁRIA DE NORMAS DO P ROCESSO COMUM AO P ROCESSO TRABALHISTA. OM
ONTOLÓGICA E AXIOLÓGICA. ADMISSIBILIDADE. Diante do atual estágio de desenvolvimento do processo comum
necessidade de se conferir aplicabilidade à garantia constitucional da duração razoável do processo, os arts. 769 e 889 da CLT
comportam interpretação conforme a Constituição Federal, permitindo a aplicação de normas processuais mais adequadas à
efetivação do direito. Aplicação dos princípios da instrumentalidade, efetividade e não retrocesso social”.

1.7. Das fontes do direito processual do trabalho


A palavra fonte significa origem, nascedouro.
A doutrina costuma dividir as fontes do direito em materiais e formais. Materiais são os
acontecimentos da sociedade que ensejam a criação das fontes formais — as normas —, ou seja, o
meio pelo qual o Direito se torna visível e obrigatório, ingressando no ordenamento jurídico.
No aspecto processual, as fontes são os meios pelos quais o direito processual do trabalho se
exterioriza.
O Direito Processual do Trabalho pertence ao ramo do Direito Público, sendo suas normas
preponderantemente cogentes, isto é, não podem ser alteradas pela vontade das partes. Além disso,
nos termos do art. 22, I, da CF, a União tem competência exclusiva para legislar sobre Direito
Processual do Trabalho. Por isso, na esfera processual, não há muito espaço para que outras fontes
do direito que não sejam as emanadas do Estado atuem, mediante lei federal.
As fontes do Direito Processual, não previstas na lei, são denominadas pela doutrina como fontes
subsidiárias do Processo do Trabalho, tendo a finalidade de preencher as lacunas da legislação
processual trabalhista. São elas: costumes, os princípios gerais de direito, a equidade e a
jurisprudência. Nesse sentido, é o art. 8º, da CLT.
São fontes do Direito Processual do Trabalho:
a) Lei: são textos normativos elaborados pelo Poder Legislativo, segundo as regras de
competência fixadas pela Constituição Federal.
Constituição Federal: é norma fundamental do Processo do Trabalho. Nela estão as regras e os
princípios fundamentais do processo (art. 5º); a estrutura do Poder Judiciário (arts. 93 e seguintes) e
toda a estrutura do Judiciário Trabalhista (arts. 111 a 116);
Leis Processuais Trabalhistas: estão disciplinadas na Consolidação das Leis do Trabalho (arts.
643 e seguintes); Lei n. 5.584/70 (disciplina regras do Processo do Trabalho) e a Lei n. 7.701/88,
que dispõe sobre a competência do Tribunal Superior do Trabalho;
Código de Processo Civil e Leis Processuais Civis: o Código de Processo Civil e as Leis
Processuais Civis são chamadas de fontes subsidiárias do Direito Processual do Trabalho para
preencher suas lacunas, também chamadas de “lacunas normativas”.
Não só o Código de Processo Civil é fonte subsidiária para preenchimento de lacunas da CLT na
esfera processual mas também toda legislação processual compatível com os princípios do Processo
do Trabalho, como a Lei n. 8.078/90 (Código de Defesa do Consumidor), a Lei n. 7.347/85 (Lei da
Ação Civil Pública) etc.
Até mesmo alguns dispositivos do Código de Processo Penal são aplicáveis ao Processo do
Trabalho, pois o art. 769 da CLT utiliza a expressão “direito processual comum” e também abrange o
Processo Penal. Como exemplos temos a possibilidade de prisão em flagrante da testemunha que
comete delito de falso testemunho, determinada pelo Juiz do Trabalho e a obrigatoriedade de
comunicação à autoridade competente sobre crimes ocorridos nos autos do processo trabalhista —
disposições previstas no Código de Processo Penal.
b) Regimentos Internos dos Tribunais: são textos normativos elaborados pelos próprios
Tribunais.
Os Regimentos Internos dos Tribunais dispõem sobre matérias administrativas e também sobre o
funcionamento interno da Justiça do Trabalho, destacando-se a competência funcional de cada órgão
do Tribunal, e também sobre a uniformização de procedimentos em cada órgão da Justiça do
Trabalho.
No Regimento, há ainda uma regulamentação das leis e resoluções, para cobrir-lhes as lacunas,
completar os preceitos vagos ou genéricos, sobretudo quando consta remissão expressa nesse
sentido, da norma hierarquicamente superior, como se dá, por exemplo, no caso do art. 479 do CPC.
c) Costume: é constituído pelo uso reiterado de determinada conduta processual (elemento
objetivo) e do elemento subjetivo, que é convicção de sua obrigatoriedade.
O costume tem sido utilizado no processo na chamada praxe forense da Justiça do Trabalho. Como
exemplos temos: apresentação da contestação escrita em audiência; o protesto em face de decisão
interlocutória proferida pelo Juiz do Trabalho que causa gravame à parte, máxime em audiência; a
procuração tácita passada em audiência ou apud acta.
d) Princípios: são fonte do Direito Processual do Trabalho, principalmente os princípios
constitucionais do processo e do Direito Processual do Trabalho, que norteiam a atividade do
intérprete, servindo, também, para preencher lacunas (art. 8º da CLT).
e) Jurisprudência: compõe o conjunto de decisões dos Tribunais, englobando os Tribunais
Superiores, os de 2º grau de jurisdição e também os órgãos de 1º grau de jurisdição (Varas do
Trabalho). Quando há reiteradas decisões em um mesmo sentido, diz-se que há jurisprudência
predominante sobre determinada matéria.
A jurisprudência uniforme dos Tribunais enseja a edição de Súmulas, que constituem o resumo da
interpretação pacífica de determinado Tribunal sobre uma matéria jurídica.
São inúmeras as Súmulas do Tribunal Superior do Trabalho disciplinando matéria processual,
principalmente sobre matérias de aplicação subsidiária do Código de Processo Civil ao Processo do
Trabalho.
f) Equidade: é fonte subsidiária tanto do Direito Processual Civil (art. 126 do CPC) como do
Direito Processual do Trabalho (art. 8º da CLT).
A doutrina costuma diferenciar o julgamento por equidade e o julgamento com equidade.
O julgamento por equidade constitui na decisão baseada em critérios de justiça e razoabilidade,
isto é, deixando de lado a lei e aplicando-se uma norma criada pelo julgador no caso concreto. Não
obstante, o julgamento por equidade somente será possível quando houver autorização legal. Nesse
sentido, é o disposto no art. 127 do CPC.
No Processo do Trabalho, o julgamento por equidade é possível nos dissídios coletivos de
natureza econômica (art. 766 da CLT) e na arbitragem, que pode ser de direito ou por equidade (Lei
n. 9.307/96).
O julgamento com equidade não significa desconsiderar a lei, mas interpretá-la de forma justa e
razoável, abrandando o seu rigor a fim de que se encaixe ao caso concreto, observando-se a
finalidade social da norma (arts. 5º da LINDB e 852, § 1º, da CLT).
g) Doutrina: ensina-nos Maurício Godinho Delgado que “a doutrina consiste no conjunto de
apreensões e leituras sistematizadas da ordem jurídica pelos juristas e estudiosos do Direito em
geral, que informam a compreensão do sistema jurídico e de seus ramos, institutos e diplomas
normativos, auxiliando o processo de aplicação concreta do Direito” (2010, p. 172).
Muitos autores negam que a doutrina seja fonte do Direito Processual, pois não é emanada de um
órgão de poder. Outros afirmam que ela é fonte mediata do Direito, ou seja: secundária.
Mesmo não sendo a fonte formal do Direito Processual do Trabalho, é inegável a importância dos
estudos doutrinários na aplicação e interpretação das normas processuais trabalhistas. Muitas vezes,
os entendimentos doutrinários influenciam a jurisprudência e servem de suporte à criação de normas
jurídicas.
Em suma:
1.8. Interpretação do direito processual do trabalho
Conforme Carlos Maximiliano: “interpretar é explicar, esclarecer; dar o significado de vocábulo,
atitude ou gesto; reproduzir por outras palavras um pensamento exteriorizado; mostrar o sentido
verdadeiro de uma expressão; extrair, de frase, sentença ou norma, tudo o que na mesma se contém”
(2003, p. 7).
A lei, uma vez publicada e inserida no sistema de normas, adquire vida própria, desvinculando-se
do seu criador e dos motivos que ensejaram sua edição. Por isso, deve ser livremente interpretada
em compasso com as demais normas do sistema e do momento social em que ela se insere e,
principalmente, confrontada com os princípios constitucionais do processo. Atualmente, doutrina e
jurisprudência admitem ampla liberdade do Juiz na interpretação das normas processuais como
decorrência do princípio do livre convencimento motivado e da imparcialidade.
Toda norma deve ser interpretada, não se aplicando mais, atualmente, o princípio in claris cessat
interpretatio.
Os meios de interpretação da legislação processual do trabalho são os mesmos pertencentes à
teoria geral do direito.
Há certo consenso na doutrina de que os principais métodos de interpretação da legislação
processual trabalhista são: literal ou gramatical, histórico, teleológico, sistemático, restritivo e
extensivo.
a) Literal ou gramatical: leva em consideração o significado das palavras para chegar à
interpretação da lei. Esse método é o primeiro recurso a ser usado na interpretação, mas não é
necessariamente o único, sendo que o Juiz do Trabalho deve sempre utilizar os demais métodos de
interpretação a fim de alcançar o real significado da norma.
b) Histórico: investiga os motivos sociológicos que originaram a edição de determinada norma,
buscando as principais discussões travadas em assembleias legislativas para a edição de
determinada lei processual.
c) Teleológico: tem por objetivo investigar a finalidade social da norma, ou seja, o seu objetivo e
fim social (conforme art. 852-I da CLT).
d) Sistemático: constitui a forma de interpretação da lei em cotejo com o sistema de normas no
qual ela se insere, comparando-a às demais regras e aos princípios que disciplinam determinado
instituto processual.
O método sistemático parte da ideia de ser o ordenamento jurídico processual um sistema
harmônico de normas.
e) Restritivo: nesse método se restringe o alcance de determinada lei processual, para que a regra
somente incida nas hipóteses taxativas que disciplina.
No processo, as normas que implicam restrições de direito são interpretadas restritivamente, como
a renúncia e transação, bem como as regras proibitivas.
f) Extensivo: por esse método se dilata o alcance de determinada regra processual para
disciplinar hipóteses não descritas expressamente na lei.

1.9. Da vigência da norma processual trabalhista e as


regras de direito intertemporal
Constituem princípios da aplicação da Lei Processual: irretroatividade da lei; vigência imediata
da lei aos processos em curso; impossibilidade de renovação das fases processuais já ultrapassadas
pela preclusão (também chamada pela doutrina de teoria do isolamento dos atos processuais já
praticados).
A Consolidação das Leis do Trabalho disciplina a questão da vigência da lei nos arts. 912 e 915,
e apresenta disposição expressa no art. 1.211 do CPC.
Em suma:
Questões
1. (TRT 8ª Região — 2008) Assinale a alternativa INCORRETA com relação aos princípios
norteadores do direito processual do trabalho:
a) Oralidade, transcendência e informalidade.
b) Celeridade, eventualidade, jus postulandi.
c) Contraditório, lealdade e boa-fé, dispositivo.
d) Protetor, irrenunciabilidade, primazia da realidade.
e) Inquisitivo, instrumentalidade das formas processuais, duplo grau de jurisdição.
2. (TRT 3ª Região — 2008) Com relação à arbitragem e à mediação no Direito brasileiro,
marque a alternativa incorreta:
a) A Constituição da República elenca a arbitragem como meio de solução do conflito
coletivo, caso frustrada a negociação coletiva.
b) De acordo com a lei que dispõe sobre a participação nos lucros e resultados, firmado
o compromisso arbitral, não será admitida a desistência unilateral de qualquer das
partes; por outro lado, o laudo arbitral somente terá força normativa se for objeto de
homologação judicial.
c) Em caso de insucesso da negociação coletiva que visa à participação nos lucros ou
resultados da empresa, as partes poderão recorrer à mediação para solucionar o litígio
e o mediador será escolhido de comum acordo entre elas.
d) Não é pacífica a validade da arbitragem como solução de conflitos de direito individual
do trabalho, em virtude do princípio da irrenunciabilidade.
e) A mediação se distingue da arbitragem porque o mediador, ao contrário do árbitro,
não tem poder decisório sobre o litígio.
3. (TRT 1ª Região — 2008) Direito Processual do Trabalho. Segundo a doutrina a respeito da
autonomia do direito processual do trabalho, é correto afirmar:
I. Pela teoria monista, o Direito Processual é um só e, por isso, não deveria haver aplicação de
direito processual especificamente do trabalho.
II. Segundo a teoria dualista, não há autonomia porque o Direito Processual do Trabalho é
integralmente dependente do processo civil, na fase de conhecimento e de execução.
III. Há autonomia integral do processo do trabalho, pela teoria dualista, ainda que utilizadas
subsidiariamente normas aplicáveis do processo civil.
IV. Há autonomia jurisdicional, desde que a matéria relacionada a toda relação de trabalho
passou para a regência do Direito Processual do Trabalho.
V. Só haverá independência quando da publicação de um código de processo do trabalho.
a) Os itens I e III estão corretos.
b) Os itens II e V estão errados.
c) Os itens I e IV estão corretos.
d) Todos os itens estão errados.
e) Somente o item I está correto.
4. (TRT 3ª Região — 2008) São mecanismos para solução dos conflitos coletivos de trabalho,
exceto
a) o dissídio coletivo.
b) a convenção coletiva de trabalho.
c) a mediação.
d) a arbitragem.
e) a comissão de conciliação prévia.
5. (TRT 2ª Região — 2009) Relativamente à Comissão de Conciliação Prévia o Excelso
Supremo Tribunal Federal firmou entendimento no sentido de que
a) é inconstitucional a norma jurídica que criou a Comissão de Conciliação Prévia.
b) é inconstitucional a interpretação que exige a submissão da demanda à Comissão de
Conciliação Prévia antes da interposição da ação.
c) a matéria não adentra ao campo da constitucionalidade, cabendo a interpretação
exclusivamente à Justiça do Trabalho, sendo impossível discutir o tema naquela Corte.
d) há necessidade de submissão da demanda à Comissão de Conciliação Prévia antes
da propositura da ação trabalhista e sua ausência acarreta em extinção do feito por falta
de condição da ação.
e) há necessidade de submissão da demanda à Comissão de Conciliação Prévia antes
da propositura da ação trabalhista e sua ausência acarreta em extinção do feito por
ausência de pressuposto processual.

Gabarito
1. D
2. D
3. A
4. E
5. B
2
Organização da justiça do trabalho

2.1. Referências históricas e evolução da justiça do


trabalho brasileira
A Justiça do Trabalho surgiu em razão do próprio surgimento do Direito do Trabalho e do grande
número de conflitos trabalhistas.
Não há consenso sobre quando surgiram os primeiros órgãos da Justiça do Trabalho, mas os
primeiros órgãos destinados à solução dos conflitos trabalhistas foram, eminentemente, de
conciliação.
Francesco Carnelutti afirmava que, na Itália, a conciliação precedeu a jurisdição nos conflitos
coletivos, e esta, nesse tipo de conflito, representa, historicamente, o último escalão de uma lenta
evolução que tem na conciliação a sua forma intermediária, facultativa e obrigatória, e a arbitragem
facultativa, para liberar a formação do regulamento coletivo da crise, violenta e perigosa da greve e
do locaute.
No Brasil, a resolução das questões trabalhistas passou por diversas fases. No início, eram os
Juízes de Direito que apreciavam as questões trabalhistas.
Os primeiros órgãos da Justiça do Trabalho brasileira foram os Tribunais Rurais em 1922,
destinados à apreciação das demandas trabalhistas.
Após a Revolução de 1930 e o início da industrialização brasileira, ocorreram várias mudanças
nas relações de trabalho; em 1932, foram criadas as Juntas de Conciliação e Julgamento e as
Comissões Mistas de Conciliação, sendo órgãos administrativos vinculados ao Poder Executivo.
Foi somente com a Constituição Federal de 1946 que a Justiça do Trabalho passou a integrar o
Poder Judiciário. Dispunha o art. 123 da CF de 1946: “Compete à Justiça do Trabalho conciliar e
julgar os dissídios individuais e coletivos entre empregados e empregadores, e, as demais
controvérsias oriundas de relações do trabalho regidas por legislação especial”.
Conforme o referido dispositivo, foi mantida a tradição conciliatória da Justiça do Trabalho e a
competência para as controvérsias entre empregados e empregadores e demais relações de trabalho,
cuja lei infraconstitucional disciplinasse a competência da Justiça do Trabalho.
Desde o seu nascimento, a Justiça do Trabalho contou com a representação paritária em todos os
seus órgãos, vale dizer: com a presença de juízes classistas leigos, também denominados “vogais”,
recrutados nos Sindicatos, ao lado de um juiz com formação jurídica. Os juízes classistas atuavam
majoritariamente na fase de conciliação e votavam nos julgamentos, uma vez que conheciam a fundo
a realidade das categorias profissional e econômica que representavam. Havia um representante
classista dos empregados e outro dos empregadores nas Juntas de Conciliação e Julgamento. Nos
Tribunais Regionais do Trabalho e no Tribunal Superior do Trabalho, os classistas compunham as
turmas, sendo em igualdade os representantes dos empregados e dos empregadores.
Todo o Processo do Trabalho previsto na CLT, na fase de conhecimento, foi idealizado para o
funcionamento dos órgãos da Justiça do Trabalho com a presença dos juízes classistas.
Com o passar dos anos, diante do crescimento dos conflitos de trabalho, e à medida que a Justiça
do Trabalho tornava-se mais técnica, desprestigiou-se a representação classista, pois já não conhecia
mais a realidade das categorias profissional e econômica, e, a cada dia, as decisões da Justiça do
Trabalho dependiam mais do conhecimento técnico do juiz formado em Direito do que dos
conhecimentos práticos dos juízes classistas.
A EC 24/99 extinguiu a representação classista na Justiça do Trabalho, transformando as antigas
Juntas de Conciliação e Julgamento em Varas do Trabalho. Nas Varas, nos TRTs e no TST somente
passaram a atuar magistrados com formação jurídica.
A EC 45/2004 prestigiou a Justiça do Trabalho, dilatando-lhe a competência para apreciar, além
das controvérsias entre empregados e empregadores, as controvérsias oriundas e decorrentes da
relação de trabalho e as questões que circundam a relação de emprego, como as sindicais, da greve,
entre outras especificadas no art. 114 da CF.
Em suma:
2.2. Dos órgãos da justiça do trabalho e das garantias da
magistratura do trabalho
A Justiça do Trabalho integra o Poder Judiciário da União, tendo sua estrutura federalizada (ver
art. 111 da CF). Os órgãos de primeiro grau são os Juízes do Trabalho que atuam nas Varas do
Trabalho. Os órgãos de segundo grau de jurisdição são os Tribunais Regionais do Trabalho,
compostos pelos Juízes dos TRTs. O órgão de terceiro grau de jurisdição é o Tribunal Superior do
Trabalho, composto pelos ministros do TST.
Esquematicamente:
Alguns Tribunais Regionais do Trabalho outorgaram, via regimento interno, o título de
Desembargador Federal do Trabalho aos seus juízes, entretanto, o projeto da lei que alterava a
denominação dos juízes de segundo grau para desembargadores ainda está em trâmite no Congresso
Nacional.
Para que possa bem exercer a jurisdição, com imparcialidade e independência, a Constituição
Federal outorga algumas garantias aos juízes, que não são garantias pessoais, mas do cargo. Não
obstante, tais garantias são do próprio cidadão, que terá sua causa examinada por um juiz imparcial e
independente.
Conforme dispõe o art. 95 da Constituição Federal, são garantias da magistratura:
a) vitaliciedade: após dois anos de efetivo exercício, o juiz adquire a vitaliciedade, por meio da
qual perde o cargo apenas mediante sentença judicial transitada em julgado;
b) irredutibilidade de vencimento: o salário do juiz, chamado atualmente de subsídio (redação
dada pela EC 19/98), é irredutível. Mas tal redução é apenas nominal, ou seja, em sua expressão
numérica e não real (poder de compra). Além disso, os salários dos juízes somente podem ser
majorados mediante lei. Em contrapartida, os juízes também estão sujeitos aos descontos de imposto
de renda e contribuição previdenciária;
c) inamovibilidade: o juiz não pode ser removido da comarca em que é titular, salvo a
requerimento ou por motivo de interesse público, mediante voto da maioria absoluta do Tribunal ou
do Conselho Nacional de Justiça, assegurada a ampla defesa.
Conforme o parágrafo único do art. 95 da Constituição Federal, aos juízes é vedado: I — exercer,
ainda que em disponibilidade, outro cargo ou função, salvo uma de magistério; II — receber, a
qualquer título ou pretexto, custas ou participação em processo; III — dedicar-se à atividade
político-partidária; IV — receber, a qualquer título ou pretexto, auxílios ou contribuições de pessoas
físicas, entidades públicas ou privadas, ressalvadas as exceções previstas em lei; V — exercer a
advocacia no juízo ou Tribunal do qual se afastou, antes de decorridos três anos do afastamento do
cargo por aposentadoria ou exoneração.
Em suma:
GARANTIAS VEDAÇÕES

VITALICIEDADE Exercer, ainda que em disponibilidade, outro cargo ou função, salvo uma de magistério.

IRREDUTIBILIDADE DE
Receber, a qualquer título ou pretexto, custas ou participação em processo.
VENCIMENTOS

INAMOVIBILIDADE Dedicar-se à atividade político-partidária.

Receber, a qualquer título ou pretexto, auxílios ou contribuições de pessoas físicas, entidades públicas ou
----------------------
privadas, ressalvadas as exceções previstas em lei.

Exercer a advocacia no juízo ou Tribunal do qual se afastou, antes de decorridos três anos do afastamento
-------------------------------
do cargo por aposentadoria ou exoneração.

2.3. Do juiz do trabalho e das varas do trabalho


O Juiz do Trabalho atua nas Varas do Trabalho, seja como titular ou substituto.
Nesse sentido, dispõe o art. 116 da CF: “Nas Varas do Trabalho, a jurisdição será exercida por
um juiz singular”.
As Varas do Trabalho são os órgãos de primeiro grau de jurisdição da Justiça do Trabalho.
Nos termos do art. 112 da CF, a lei criará Varas da Justiça do Trabalho, podendo, nas comarcas
não abrangidas por sua jurisdição, atribuí-las aos Juízes de Direito, com recurso para o respectivo
Tribunal Regional do Trabalho.
Desse modo, nas localidades em que não há Varas do Trabalho, o Juiz de Direito acumula a
jurisdição trabalhista. Das decisões proferidas pelo Juiz de Direito em causas trabalhistas, caberá
recurso ordinário para o Tribunal Regional do Trabalho do Estado.
Conforme o art. 113 da CF, a lei disporá sobre a constituição, investidura, jurisdição,
competência, garantias e condições de exercício dos órgãos da Justiça do Trabalho.
O Juiz do Trabalho substituto é o que não é titular, pois substitui ou auxilia o Juiz Titular das
Varas do Trabalho. Entretanto, enquanto o substitui ou auxilia, tem as mesmas prerrogativas e
deveres do Juiz Titular. O Juiz Titular permanece fixo em determinada Vara do Trabalho.
A Consolidação das Leis do Trabalho disciplina a carreira do Juiz do Trabalho, que deve ser lida
em conjunto com a Lei Orgânica da Magistratura.
O Juiz do Trabalho ingressará na carreira como Juiz do Trabalho Substituto, após aprovação em
concurso de provas e títulos, sendo designado pelo Presidente do TRT para auxiliar ou substituir nas
Varas do Trabalho. Após dois anos de exercício, o Juiz do Trabalho Substituto torna-se vitalício.
Alternativamente, por antiguidade ou merecimento, o Juiz será promovido a Juiz Titular de Vara do
Trabalho e, posteriormente, pelo mesmo critério, a Juiz de Tribunal Regional do Trabalho. Além
disso, pode chegar ao posto de Ministro do Tribunal Superior do Trabalho desde que preencha os
requisitos constitucionais.
Em suma:
2.4. Dos tribunais regionais do trabalho
Os Tribunais Regionais do Trabalho são órgãos de segundo grau de jurisdição, compostos por
Juízes do Trabalho de carreira, promovidos por antiguidade e merecimento, e um quinto dos seus
assentos será ocupado por membros do Ministério Público e da classe dos advogados, com mais de
dez anos de exercício profissional, observado o disposto no art. 94 da CF.
Compete aos Tribunais Regionais do Trabalho julgar os recursos ordinários interpostos em face
das decisões das Varas e também, originariamente, as ações rescisórias, os dissídios coletivos e de
greve, mandados de segurança impetrados em face de Juízes de Varas do Trabalho, entre outras
ações previstas na lei e no seu Regimento Interno (ver art. 115, da CF).
Atualmente, há, no Brasil, 24 Tribunais Regionais do Trabalho, distribuídos um por Estado, com
exceção do Estado de São Paulo, que possui dois Tribunais Regionais do Trabalho, o da 2ª Região,
que abrange a capital de São Paulo, região metropolitana de São Paulo e Baixada Santista, e o da 15ª
Região, que abrange a cidade de Campinas e as cidades do Interior do Estado.
Os 24 Tribunais Regionais do Trabalho brasileiros abrangem os seguintes Estados:
1ª Região: Estado do Rio de Janeiro. Sede: Rio de Janeiro; 2ª Região: abrange o Estado de São Paulo: Capital de São Paulo, região
metropolitana de São Paulo e baixada santista. Sede: São Paulo; 3ª Região: abrange o Estado de Minas Gerais. Sede: Belo
Horizonte; 4ª Região: Estado do Rio Grande do Sul. Sede: Porto Alegre; 5ª Região: Estado da Bahia. Sede: Salvador; 6ª Região:
compreende o Estado de Pernambuco. Sede: Recife; 7ª Região: compreende o Estado do Ceará. Sede: Fortaleza; 8ª Região:
compreende os Estados do Pará e Amapá. Sede: Belém do Pará; 9ª Região: Estado do Paraná. Sede: Curitiba; 10ª Região:
compreende Brasília, Tocantins e Distrito Federal. Sede: Brasília; 11ª Região: compreende os Estados do Amazonas e Roraima.
Sede: Manaus; 12ª Região: Estado de Santa Catarina. Sede: Florianópolis; 13ª Região: compreende o Estado da Paraíba. Sede:
João Pessoa; 14ª Região: compreende os Estados de Rondônia e Acre. Sede: Porto Velho; 15ª Região: abrange as cidades do
interior do Estado de São Paulo que não estão sob jurisdição da 2ª Região. Sede: Campinas; 16ª Região: Estado do Maranhão.
Sede: São Luiz; 17ª Região: Estado do Espírito Santo. Sede: Vitória; 18ª Região: Estado de Goiás. Sede: Goiânia; 19ª Região:
Estado de Alagoas. Sede: Maceió; 20ª Região: Estado de Sergipe. Sede: Aracaju; 21ª Região: Estado do Rio Grande do Norte.
Sede: Natal; 22ª Região: Estado do Piauí. Sede: Teresina; 23ª Região: Estado do Mato Grosso. Sede: Cuiabá; 24ª Região: Estado
do Mato Grosso do Sul. Sede: Campo Grande.

2.5. Do tribunal superior do trabalho


O Tribunal Superior do Trabalho é o órgão de cúpula da Justiça do Trabalho, com jurisdição em
todo o território nacional, composto por 27 ministros, cabendo-lhe uniformizar a interpretação da
legislação trabalhista no âmbito da competência da Justiça do Trabalho, cumprindo ainda dar a
última palavra nas questões de ordem administrativa da Justiça do Trabalho. A composição do TST
está no art. 111-A da CF.
A composição, as seções e o funcionamento das turmas do TST estão disciplinados na CLT e,
principalmente, no Regimento Interno do TST.
Os Ministros do TST são oriundos dos Juízes dos Tribunais Regionais do Trabalho, nomeados
pelo Presidente da República após figurarem em listas tríplices elaboradas pelo próprio Tribunal.
Um quinto dos Ministros do TST é oriundo do chamado “quinto constitucional”, sendo um décimo
de advogados e um décimo de membros do Ministério Público do Trabalho, ambos com mais de dez
anos de exercício profissional, observado o disposto no art. 94 da CF.
Junto ao Tribunal Superior do Trabalho funcionam a Escola Nacional da Magistratura do
Trabalho, encarregada do aperfeiçoamento dos magistrados trabalhistas.
Com o Tribunal Superior do Trabalho também funciona o Conselho Superior da Justiça do
Trabalho, cabendo-lhe exercer, na forma da lei, as supervisões administrativa, orçamentária,
financeira e patrimonial da Justiça do Trabalho de primeiro e segundo graus, como órgão central do
sistema, cujas decisões terão efeito vinculante.
Em suma:
2.6. Dos serviços auxiliares da justiça do trabalho
Além dos Juízes do Trabalho, as Varas e os Tribunais contam com a presença dos servidores da
Justiça do Trabalho e dos órgãos de auxílio, que realizam os atos processuais e os serviços
burocráticos da Justiça, também chamadas de Secretarias.
Nos Tribunais, há ainda as Secretarias e os funcionários dos gabinetes dos Juízes dos TRTs e
Ministros do TST, encarregados dos serviços de assessoramento, burocráticos e documentação do
processo.
A CLT, acertadamente, dedica um capítulo aos serviços auxiliares da Justiça do Trabalho, o
Capítulo VI, arts. 710 a 717.
Conforme o referido dispositivo, as Secretarias das Varas do Trabalho são dirigidas por um chefe,
atualmente chamado de Diretor de Secretaria, a quem cabe gerenciá-las, dirigindo os funcionários,
sob a supervisão do Juiz. Ainda lhe cabe realizar todos os atos determinados pelo Juiz e praticar os
atos processuais de sua competência, como autuação, notificações, atendimento aos advogados etc.
Nos termos do art. 711 da CLT, competem à Secretaria das Juntas: a) o recebimento, a autuação, o
andamento, a guarda e a conservação dos processos e outros papéis que lhe forem encaminhados; b)
a manutenção do protocolo de entrada e saída dos processos e demais papéis; c) o registro das
decisões; d) a informação, às partes interessadas e a seus procuradores, do andamento dos
respectivos processos, cuja consulta lhes facilitará; e) a abertura de vista dos processos às partes, na
própria secretaria; f) a contagem das custas devidas pelas partes, nos respectivos processos; g) o
fornecimento de certidões sobre o que constar dos livros ou do arquivamento da Secretaria; h) a
realização das penhoras e demais diligências processuais; i) o desempenho dos demais trabalhos que
lhe forem cometidos pelo presidente da Junta, para melhor execução dos serviços que lhe estão
afetos.
As Secretarias das Varas são compostas pelo Diretor de Secretaria, pelo Assistente de Diretor
(que substitui o diretor em suas ausências), um assistente de Juiz (que auxilia o Juiz diretamente), um
Secretário de Audiências, também chamado de datilógrafo das audiências, a quem compete
secretariar as audiências e digitar as atas, um assistente de cálculos (a quem compete auxiliar o Juiz
na elaboração e conferência dos cálculos de liquidação); o oficial de justiça avaliador, a quem
compete o cumprimento dos mandados e diligências solicitadas pelo Juiz, e pelos demais
funcionários da Justiça do Trabalho (analistas e técnicos judiciários), que ingressam mediante
concurso público de provas.
A Secretaria, sob responsabilidade do Diretor, também pode proferir alguns despachos no
processo, como mera juntada de documentos e concessão de prazos para manifestação, sob
supervisão do Juiz, conforme dispõe o § 4º do art. 162 do CPC.
Nas localidades em que há mais de uma Vara e também nos Tribunais em que há mais de uma
Turma, há um órgão distribuidor, encarregado de fazer a distribuição das reclamações trabalhistas e
dos processos que chegam aos Tribunais (ver art. 713 da CLT).
Diante do excesso de serviços nas Varas do Trabalho, em muitas regiões, além da distribuição, os
órgãos distribuidores realizam também a marcação da audiência e notificação das partes para nela
comparecerem.
Em suma:
Questões
1. (Juiz do trabalho — 3ª Região — 2012) Sobre o processo do trabalho, leia as afirmações
abaixo e, em seguida, assinale a alternativa correta:
I. A conciliação e a mediação são métodos adversariais de solução de conflitos.
II. O direito de ação contempla um complexo de direitos, tais como o de apresentar
argumentos e provas em favor de determinada pretensão, não se resumindo ao direito de
provocar a jurisdição.
III. As garantias processuais atribuem significado concreto ao direito material, na medida em
que favorecem o seu gozo efetivo, no caso da sua não observância espontânea.
IV. Os costumes, enquanto fonte do direito, consistem no uso reiterado, uniforme e
prolongado de determinada regra de conduta, pela convicção geral de consistir o respeito a
esta regra uma obrigação.
a) Todas as afirmativas estão corretas.
b) Somente as afirmativas I, III e IV estão corretas.
c) Somente as afirmativas III e IV estão corretas.
d) Somente a afirmativa I está correta.
e) Somente as afirmativas II, III e IV estão corretas.
2. (Juiz do trabalho — 3ª Região — 2012) Sobre o processo do trabalho, leia as afirmações
abaixo e, em seguida, assinale a alternativa correta:
I. Considerando como características do processo oral o predomínio da palavra falada, a
identidade física do juiz, a concentração dos atos em audiência e a irrecorribilidade das
decisões interlocutórias, pode ser afirmado que o processo do trabalho é um processo oral.
II. As partes podem indicar à oitiva no máximo três testemunhas, qualquer que seja o
procedimento impresso ao processo.
III. O caráter obrigatório da conciliação está na sua tentativa e não na sua celebração.
IV. O juiz é obrigado a homologar acordo celebrado pelas partes.
a) Somente as afirmativas I, II e III estão corretas.
b) Somente as afirmativas I, II e IV estão corretas.
c) Somente as afirmativas I e IV estão corretas.
d) Somente a afirmativa I está correta.
e) Somente as afirmativas I e III estão corretas.

Gabarito
1. E
2. E
3
Competência da justiça do trabalho

3.1. Do conceito e divisões da competência


Diante da multiplicidade de conflitos na sociedade, alguns critérios tiveram de ser criados para
que esses conflitos fossem distribuídos uniformemente aos juízes. Assim, a jurisdição poderia atuar
com maior efetividade e também propiciar ao jurisdicionado acesso mais célere e efetivo à
jurisdição. Por isso, criou-se o critério de distribuição da jurisdição entre os diversos juízes, que é
a competência.
Para um aparelhamento da atividade jurisdicional melhor, a jurisdição foi separada em partes, ou
seja, em matérias. Desse modo, cada ramo do Poder Judiciário julgará determinadas matérias, a fim
de que a atividade jurisdicional de aplicação do direito possa ser efetivada com eficiência e
qualidade. Assim, todo Juiz possui jurisdição, mas nem todo Juiz possui competência.
Há certo consenso na doutrina processual brasileira de que os critérios da competência são:
a) Competência em razão da matéria: nessa espécie é determinante a natureza da relação
jurídica controvertida para aferição da competência. Na Justiça do Trabalho, a competência material
vem disciplinada no art. 114 da CF e também no art. 652 da CLT.
b) Competência em razão da pessoa: esse critério leva em consideração a qualidade das partes
envolvidas na relação jurídica controvertida.
A nosso ver, a competência em razão da pessoa é uma subdivisão da competência em razão da
matéria, pois, quando o legislador constitucional a ela se refere, pretende enfatizar o status que
determinada pessoa ostenta diante de uma relação jurídica de direito material.
Apesar de a EC 45/2004 priorizar o critério material da competência, a competência em razão da
pessoa ainda foi mantida em alguns incisos e no § 3º do art. 114, quais sejam: entes de direito
público externo, União, Estados, Distrito Federal e Município (inciso I); sindicatos (inciso III);
órgãos de fiscalização das relações de trabalho (inciso VII) e Ministério Público do Trabalho (§ 3º).
Não obstante, para nós, mesmo nas hipóteses em que a Constituição Federal ainda menciona
competência em razão das pessoas, em primeiro lugar, o conflito deve ser oriundo ou decorrente de
uma relação jurídica básica, que é a relação de trabalho. Desse modo, o critério da competência em
razão das pessoas passou a ser secundário.
c) Competência em razão do lugar: leva em consideração o limite territorial da competência do
órgão jurisdicional.
d) Em razão do valor da causa: a competência em razão do valor leva em consideração o
montante pecuniário da pretensão, ou seja, o valor do pedido. Ela é relativa à luz do Código de
Processo Civil. No Processo do Trabalho, o valor dos pedidos serve para determinar o rito
processual: se até dois salários mínimos, o rito será sumário (Lei n. 5.584/70); de 2 a 40 salários
mínimos, o rito será sumaríssimo (Lei n. 9.957/2000) e rito ordinário (acima de 40 salários
mínimos).
Na Justiça do Trabalho, como não existem órgãos especiais destinados a demandas de pequenas
causas, como acontece nos juizados especiais cíveis e criminais (estaduais e federais), o valor da
causa não determina a competência do órgão jurisdicional, pois as causas sujeitas ao rito ordinário e
ao sumaríssimo são processadas pelo mesmo órgão jurisdicional.
e) Competência funcional: também denominada competência em razão da hierarquia dos órgãos
judiciários ou competência interna ou funcional. No Processo do Trabalho, a competência funcional
vem disciplinada na CLT e também nos Regimentos Internos dos TRT’s e TST.
As competências em razão da matéria, da pessoa e funcional são absolutas. Portanto, o Juiz delas
poderá conhecer de ofício, não havendo preclusão para a parte ou para o Juiz, podendo a parte
invocá-la antes do trânsito em julgado da decisão.
A competência em razão do território é relativa, devendo a parte invocá-la por meio de exceção
de incompetência. Caso não invocada pela parte no momento processual oportuno, prorroga-se a
competência (art. 114 do CPC).
Quanto à competência em razão do valor, o Código de Processo Civil (art. 102) diz ser ela
relativa, entretanto, se ela determina o rito processual, como o sumaríssimo, tem dito a doutrina ser
ela absoluta. No Processo do Trabalho, como já nos pronunciamos, não há competência em razão do
valor da causa (ver art. 111 do CPC).
Em suma:

3.2. Da competência material da justiça do trabalho


3.2.1. Controvérsias oriundas e decorrentes da relação de
trabalho
Antes da EC 45/2004, que dilatou a competência da Justiça do Trabalho, definir o alcance da
expressão relação de trabalho não era tão interessante para fins de competência, porque a Justiça do
Trabalho, exceto no contrato de pequena empreitada, praticamente só se ocupava das controvérsias
atinentes à relação de emprego. Grande parte da doutrina limitava-se a dizer que relação de trabalho
é gênero, do qual relação de emprego é espécie. A própria doutrina, muitas vezes, utilizava as
expressões relação de trabalho e relação de emprego para designar o trabalho prestado sob o
prisma dos arts. 2º e 3º, ambos da CLT. A CLT utiliza indistintamente as expressões relação de
emprego e contrato de trabalho (ver arts. 442, 443, 447 e 448). Também a Constituição Federal, no
art. 7º, caput e inciso XXIX, utiliza as expressões trabalhadores e relação de trabalho como
sinônimas de empregados e relação de emprego, respectivamente.
Atualmente, podemos dizer que há três posições preponderantes na doutrina sobre o alcance da
expressão relação de trabalho. Resumidamente, são elas:
a) nada mudou com a EC 45. O termo “relação de trabalho” significa o mesmo que relação de
emprego e a competência da Justiça do Trabalho se restringe ao contrato de emprego; b) exige que a
relação de trabalho tenha semelhanças com o contrato de emprego, ou seja, que o prestador esteja
sob dependência econômica do tomador dos serviços, haja pessoalidade, onerosidade e continuidade
na prestação. Entretanto, para as relações regidas por leis especiais, como a relação de trabalho que
é qualificada como relação de consumo, estão fora do alcance da competência da Justiça do
Trabalho; c) admite qualquer espécie de prestação do trabalho humano, seja qual for a modalidade
do vínculo jurídico que liga o prestador ao tomador, desde que haja prestação pessoal de serviços de
uma pessoa natural em favor de pessoa natural ou jurídica.
Interpretando-se o art. 114, I, da CF em conformidade com a Constituição Federal, chega-se à
conclusão de que o alcance do termo relação de trabalho é mais amplo do que relação de emprego.
Além disso, toda a legislação infraconstitucional, como a CLT e demais leis especiais que regulam a
relação de trabalho, deve ser lida em compasso com a Constituição e o consequente aumento de
competência.
Desse modo, diante das transformações das relações de trabalho, oriundas da globalização e do
incremento da tecnologia, parece-nos que o aumento da competência da Justiça do Trabalho é um
fator de sua natural vocação social, já que as relações de trabalho regidas pela CLT já não são
preponderantes, estando os demais trabalhadores, que trabalham sem vínculo de emprego, impedidos
de postular seus direitos na Justiça do Trabalho, que é Justiça encarregada de preservar os valores
sociais do trabalho e a dignidade da pessoa humana do trabalhador.
Vale lembrar ainda que a competência da Justiça do Trabalho é fixada na Constituição Federal de
forma taxativa, não podendo o intérprete distinguir no ponto em que a lei não distingue. Por fim,
cumpre destacar que a regra da nova competência da Justiça do Trabalho, fixada no art. 114, I, da
CF, deve ser interpretada em compasso com o princípio da máxima efetividade das normas
constitucionais.
Em razão disso, interpretando-se a expressão relação de trabalho em cotejo com os princípios
constitucionais da máxima eficiência das normas e do acesso do trabalhador à Justiça do Trabalho, e
ainda utilizando-se a regra hermenêutica da interpretação em conformidade com a Constituição, em
nosso sentir, o alcance do inciso I do art. 114 da CF abrange todas as modalidades de prestação de
trabalho humano, desempenhado de forma pessoal em prol de um tomador.
Não há como se excluir da competência material da Justiça do Trabalho as relações de trabalho
regidas por lei especial, como as dos servidores estatutários, e as regidas pela lei do consumidor, já
que a Constituição não excepciona a competência para as relações de trabalho regidas por lei
especial. Em contrapartida, não podemos esquecer que muitas relações de emprego são regidas por
leis especiais, como as dos domésticos, do rural, dos engenheiros, do jogador de futebol etc., e nunca
foi questionado à Justiça do Trabalho se seria competente para dirimir as controvérsias sobre as
aludidas relações de emprego.
Diante do que foi exposto, entendemos que a interpretação da expressão “relação de trabalho”,
para fins da competência material da Justiça do Trabalho, abrange: “As lides decorrentes de
qualquer espécie de prestação de trabalho humano, preponderantemente pessoal, seja qualquer a
modalidade do vínculo jurídico, prestado por pessoa natural em favor de pessoa natural ou jurídica.
Abrange tanto as ações propostas pelos trabalhadores, como as ações propostas pelos tomadores dos
seus serviços”.
Em suma:

3.2.1.1. Relação de consumo


O art. 2º da Lei n. 8.078/90 define consumidor como “toda pessoa física ou jurídica que adquire
ou utiliza produto ou serviço como destinatário final”.
Nos termos do art. 3º da Lei n. 8.078/90, “fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou
privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividades
de produção, montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou
comercialização de produtos ou prestação de serviços. § 1º Produto é qualquer bem, móvel ou
imóvel, material ou imaterial. § 2º Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo,
mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo
as decorrentes das relações de caráter trabalhista”.
Discute-se na doutrina e jurisprudência: se a relação de trabalho configurar também uma relação
de consumo, há incidência da competência material da Justiça do Trabalho?
Hoje, muito se tem questionado se a competência da Justiça do Trabalho abrange as relações de
consumo em que o prestador de serviços é pessoa física e o tomador (consumidor) é pessoa física ou
jurídica.
Muitos autores têm sustentado que a relação de consumo é regida por lei especial e tem princípios
diversos da relação de trabalho, porquanto o Direito do Consumidor protege o tomador dos serviços,
enquanto o Direito do Trabalho protege a figura do prestador, que é o trabalhador.
Não obstante as respeitáveis opiniões em contrário, entendo que a relação de trabalho que também
der origem a uma relação de consumo será da competência material da Justiça do Trabalho, tanto as
ações propostas pelo prestador pessoa natural, como pelo destinatário final dos serviços, pelos
seguintes argumentos: a) a Constituição Federal não exclui a competência da Justiça do Trabalho
para as lides que envolvam relações de consumo; b) a relação de trabalho é gênero, do qual a
relação de consumo que envolva a prestação de trabalho humano é espécie; c) o Juiz do Trabalho, ao
decidir uma relação de consumo que envolva prestação pessoal de trabalho, aplicará o CDC (Lei n.
8.078/90) e o Código Civil para dirimi-la e não o Direito do Trabalho; d) na Justiça do Trabalho,
não vigora o princípio protetor, próprio do Direito do Trabalho. Portanto, não há choque de
princípios entre o Direito do Consumidor (que tutela a parte vulnerável da relação jurídica de
consumo, que é o consumidor) e o Direito do Trabalho (que tutela a parte hipossuficiente da relação
jurídica de trabalho, que é o trabalhador); e) na relação de consumo, cujo trabalho é prestado por
pessoa física, em muito se assemelha ao trabalho autônomo, porquanto a responsabilidade do
profissional liberal é subjetiva. Portanto, resta mitigado o princípio da vulnerabilidade do
consumidor (art. 14, § 4º, do CDC); f) a CLT, no art. 652, III, atribui competência à Justiça do
Trabalho para dirimir controvérsias atinentes à pequena empreitada, que é nitidamente um contrato
de consumo, já que o pequeno empreiteiro oferece seus serviços no mercado de consumo em geral; g)
a Justiça do Trabalho saberá equalizar o Direito do Consumidor, que protege o destinatário dos
serviços, e o prestador pessoa física, enquanto cidadão.
Nesse sentido, o Enunciado n. 64 da 1ª Jornada de Direito Material e Processual do Trabalho
realizada no TST, em novembro de 2007, in verbis:
“COMP ETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO. P RESTAÇÃO DE SERVIÇO P OR P ESSOA FÍSICA. RELAÇ
CONSUMO SUBJACENTE. IRRELEVÂNCIA. Havendo prestação de serviços por pessoa física a outrem, seja a que título
for, há relação de trabalho incidindo a competência da Justiça do Trabalho para os litígios dela oriundos (CF, art. 114, I), não
importando qual o direito material que será utilizado na solução da lide (CLT, CDC, CC etc.)”.

Entretanto, esse não vem sendo o entendimento da jurisprudência trabalhista majoritária e também
do Superior Tribunal de Justiça, que pacificou a questão por meio da Súmula n. 363, que assim
dispõe: “Compete à Justiça estadual processar e julgar a ação de cobrança ajuizada por profissional
liberal contra cliente”.
Em suma:
3.2.1.2. Servidor público. Relação estatutária
“Em razão da ADIn n. 3.395, cuja liminar foi dada pelo Ministro Nelson Jobim, e posteriormente referendada pelo plenário do
STF, toda e qualquer interpretação dada ao inciso I, do art. 114 da CF, na redação dada pela EC 45/2004 que inclua na
competência da Justiça do Trabalho as ações entre os servidores públicos regidos pelo regime estatutário e o Estado, está
suspensa. Nesse sentido, pode-se observar: TRT/SP — 02372200531102000 — RE — Ac. 2ª T. — 20090450307 — Relatora
Odette Silveira Moraes — DOE 30.6.2009.”

3.2.1.3. Os contratos de empreitada e a pequena empreitada


O Código Civil de 2002 disciplina o contrato de empreitada nos arts. 610 a 626. Diz o art. 610 do
CC: “O empreiteiro de uma obra pode contribuir para ela só com o seu trabalho ou com ele e os
materiais”.
Para fins civis, o empreiteiro pode ser pessoa física ou jurídica e se obriga, mediante contrato,
sem subordinação, e mediante o pagamento de remuneração, a construir uma obra. A empreitada
pode ser de trabalho (lavor) ou mista, em que o empreiteiro se compromete a fornecer o serviço e o
material.
A questão dos contratos de empreitada e da competência da Justiça do Trabalho sempre foi
polêmica, pois a CLT e o Direito do Trabalho sempre se ocuparam do trabalho subordinado, por
conta alheia, regido pelos arts. 2º e 3º da CLT, e não do trabalho autônomo, em que o empreiteiro
corre os riscos de sua atividade.
A CLT disciplina a competência da Justiça do Trabalho para os contratos de empreitada. Com
efeito, diz o art. 652: “Compete às Varas do Trabalho: a) conciliar e julgar: (...) III — os dissídios
resultantes de contratos de empreitadas em que o empreiteiro seja operário ou artífice”.
A doutrina e jurisprudência denominam o contrato de empreitada referido no inciso III do art. 652
da CLT de pequena empreitada. Muitos autores fixaram entendimento no sentido de que o conceito
de pequena empreitada para fins do art. 652, a, III, da CLT significa o serviço prestado por um
empreiteiro de forma autônoma junto com alguns ajudantes ou empregados, sendo a obra de pequeno
vulto econômico. Outros asseveram que o empreiteiro tem de trabalhar com pessoalidade, sem a
ajuda de outros trabalhadores, independentemente do valor final da obra.
Em nosso sentir, o conceito de pequena empreitada previsto no art. 652 da CLT se refere ao
trabalhador pessoa física. Essa modalidade contratual não se reporta ao vulto econômico da
empreitada, pois o referido inciso III não vincula a empreitada ao valor do serviço, tampouco à sua
duração, mas, sim, ao fato de o empreiteiro ser operário ou artífice. Ora, operário ou artífice é
aquele trabalhador autônomo, podendo ser especializado ou não em determinado serviço, que vive
do seu próprio trabalho e que tem suas próprias ferramentas ou instrumentos de trabalho, prestando
serviços com pessoalidade. Mostra-se perigosa a interpretação no sentido de que o empreiteiro pode
estar acompanhado de outros trabalhadores e até constituir pessoa jurídica, sob consequência de se
aplicar por analogia o conceito de pequena empreitada para outras espécies de prestação de serviços
por pessoa jurídica ou até para microempresas. Além disso, a pequena empreitada é espécie do
gênero relação de trabalho e, portanto, somente será admissível a pequena empreitada se o
empreiteiro prestar serviços de forma pessoal. Em nossa visão, não importa se o contrato de
empreitada tem elevado vulto financeiro, ou se perdurará meses ou anos, o importante é que o
empreiteiro trabalhe com pessoalidade, de forma autônoma, sem a ajuda de outros trabalhadores e se
comprometa a realizar uma obra acabada. Desse modo, para nós, o art. 652, III, da CLT, à luz do art.
114, I, da CF, deve ser interpretado restritivamente, em conformidade com a Constituição Federal.
Em suma:

3.2.1.4. Entes de direito público externo


Conforme o inciso I do art. 114 da CF, compete à Justiça do Trabalho processar e julgar: “As
ações oriundas da relação de trabalho, abrangidos os entes de direito público externo e da
Administração Pública direta e indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios”.
Sempre foi polêmica a questão da competência da Justiça do Trabalho para ações movidas por
empregados que prestam serviços em prol de entes de direito público externo situados no território
brasileiro, uma vez que eles têm imunidade de jurisdição, não estando sujeitos, portanto, à jurisdição
brasileira, mas, sim, à do país de origem. A imunidade de jurisdição também abrange a imunidade de
execução de eventual sentença da Justiça brasileira.
O inciso I do art. 114 da CF disciplina a competência da Justiça do Trabalho para as demandas
trabalhistas oriundas da relação de trabalho, tendo em um dos polos um ente de direito público
externo domiciliado no Brasil.
Diante da previsão do texto constitucional, é claro que, se um ente de direito público externo,
como uma embaixada situada no Brasil, contratar um trabalhador, a competência para dirimir
eventual reclamação trabalhista envolvendo a embaixada será da Justiça do Trabalho brasileira, uma
vez que esse ente, quando contratar um empregado, no território brasileiro, estará sujeito à legislação
trabalhista brasileira e também à Justiça do Trabalho brasileira. Caso contrário, um trabalhador
brasileiro que prestasse serviço, no território brasileiro, para um ente de direito público externo,
teria de ingressar com um processo trabalhista fora do território nacional, o que, praticamente,
inviabilizaria o acesso à Justiça e o cumprimento da legislação trabalhista brasileira.
Por isso, a jurisprudência brasileira, a partir de entendimento firmado pelo Supremo Tribunal
Federal, tem entendido, acertadamente, que os entes de direito público externo, quando contratam
empregados brasileiros, praticam atos de gestão não abrangidos pela imunidade de jurisdição que
compreende apenas os atos de império.
A imunidade de jurisdição também abrange a imunidade de execução, tornando discutível na
doutrina e jurisprudência se a Justiça do Trabalho brasileira pode realizar a penhora dos bens de
entes de direito público internacional em eventual execução de sentença trabalhista.
Em que pese o respeito que merece o entendimento em sentido contrário, a Constituição não
restringe, no inciso I, a competência da Justiça do Trabalho para processar e julgar as demandas
oriundas da relação de trabalho que envolvem as pessoas jurídicas de direito público externo. Se há
a competência para processar, também haverá para executar a decisão. De que adianta a Justiça do
Trabalho condenar se não puder executar? Ou a demanda trabalhista se processa por inteiro, ou então
a Justiça do Trabalho somente atuará pela metade. A nosso ver, quando um ente de direito público
externo contrata um empregado brasileiro, no território brasileiro, pelo regime de CLT, despe-se do
poder de império para se equiparar ao empregador privado.
Em suma:
3.2.1.5. Outras controvérsias decorrentes da relação de trabalho (inciso IX do
art. 114 da CF)
Com a redação dada pela EC 45/2004, diz o inciso IX do art. 114 da CF competir à Justiça do
Trabalho processar e julgar outras controvérsias decorrentes da relação de trabalho.
Alguns doutrinadores têm sustentado a não necessidade do inciso IX do art. 114, pois o inciso I do
mesmo artigo, ao prever que a Justiça do Trabalho tem competência para as controvérsias oriundas
da relação de trabalho, já basta em si mesmo.
Outros autores sustentam que o inciso IX desse artigo da CF se harmoniza com o inciso I do
mesmo dispositivo legal.
Não obstante a redação primitiva do art. 114, I, se referir a controvérsias oriundas da relação de
emprego, o inciso IX do referido dispositivo tem de ser interpretado no sentido da máxima eficiência
da Constituição Federal e que possibilite aplicabilidade. Como destaca a melhor doutrina, a lei, uma
vez editada, ganha vida própria, desvinculando-se do seu criador. Nas lições de Maximiliano, a lei
não contém palavras inúteis. Além disso, diante dos princípios da unidade da Constituição e
razoabilidade e proporcionalidade, o intérprete deve buscar o resultado mais efetivo da norma
constitucional.
Para nós, a razão está com os que pensam que as ações oriundas da relação de trabalho envolvem
diretamente os prestadores e tomadores de serviços e as ações decorrentes envolvem controvérsias
paralelas, em que não estão diretamente envolvidos tomador e prestador, mas terceiros. Até mesmo a
lei ordinária poderá dilatar a competência da Justiça do Trabalho para outras controvérsias que
guardam nexo causal com o contrato de trabalho. Não há contradição ou desnecessidade da
existência do inciso IX, pois o legislador, prevendo um crescimento da Justiça do Trabalho e um
desenvolvimento das relações laborais maiores, deixou a cargo da lei ordinária futura dilatar a
competência da Justiça do Trabalho, desde que sob os parâmetros disciplinados pelos incisos I a
VIII do art. 114 da CF.
Assim, por exemplo, em nosso entender, a lei ordinária pode atribuir novas competências à Justiça
do Trabalho, como: a) aplicar multas administrativas, de ofício, nas decisões que proferir aos
empregadores que descumprem normas de proteção do trabalho; b) executar de ofício o imposto de
renda das decisões que proferir; c) decidir as controvérsias sobre cadastramento de empregado no
PIS; d) julgar as ações referentes a multas administrativas dos órgãos fiscalizadores do exercício de
profissões regulamentadas como CREA, OAB, CRM etc.; e) deliberar sobre controvérsias que
envolvem terceiros que não os envolvidos diretamente na relação de trabalho (tomador e prestador),
como a ação de reparação de danos movida por uma vítima decorrente de um ato culposo de um
empregado em horário de trabalho.
Quanto aos pedidos de complementação de aposentadoria, embora a questão já estivesse
sedimentada com relação à competência material da Justiça do Trabalho, pois tais pretensões
decorrem da relação de trabalho e os benefícios são custeados com parte do salário do trabalhador,
recentemente, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento dos Recursos Extraordinários n. 586.453 e
583.050, proferidos em sede de repercussão geral, concluiu, por maioria de votos, que cabe à Justiça
Comum julgar processos decorrentes de contrato de previdência complementar privada, ainda que
oriunda do contrato de trabalho. Após essas decisões, os Tribunais Trabalhistas têm declinado na
competência para julgamento dos pedidos de complementação de aposentadoria.
Em suma:

3.3. Ações que envolvem o exercício do direito de greve


A greve não é propriamente um meio de solução dos conflitos coletivos de trabalho, mas uma
forma de pressionar o empregador a negociar, ou até mesmo levar o conflito à Justiça do Trabalho
(Lei n. 7.783/89 e § 3º, do art. 114 da CF).
Diz o art. 114, II, da CF, com a redação dada pela EC 45/2004, competir à Justiça do Trabalho
processar e julgar as ações que envolvam exercício do direito de greve.
Envolver o exercício do direito de greve significa algo bem mais amplo do que as controvérsias
oriundas e decorrentes da relação de trabalho, uma vez que a greve é mais que um direito trabalhista,
é um direito social. No nosso sentir, diante da EC 45/2004, a Justiça do Trabalho detém competência
material para todas as ações que sejam relacionadas, direta ou indiretamente, ao exercício do direito
de greve. Portanto, tanto as ações prévias (inibitórias), para assegurar o exercício do direito de
greve para a classe trabalhadora, as ações possessórias, para defesa do patrimônio do empregador,
como as ações para reparação de danos, tanto aos trabalhadores como aos empregadores, e até danos
causados aos terceiros, são da competência da Justiça do Trabalho.
O Supremo Tribunal Federal, em decisão histórica, recentemente, regulamentou, por meio do
Mandado de Injunção n. 712-8, o direito de greve do servidor público.
Estando o direito de greve do servidor público regulamentado, aplicando, preponderantemente, as
disposições da Lei n. 7.783/89, questiona-se: tem a Justiça do Trabalho competência para apreciar
greve dos servidores públicos estatutários?
Como mencionamos anteriormente, o E. STF suspendeu a vigência do inciso I do art. 114 da CF
com relação à competência da Justiça do Trabalho para apreciar as relações de trabalho de natureza
estatutária, envolvendo a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios.
Considerando-se que a Justiça do Trabalho, por força de decisão do Supremo Tribunal Federal,
não tem competência para apreciar as controvérsias envolvendo servidor público estatutário e
Estado, a Justiça do Trabalho não seria competente para apreciar a greve desses trabalhadores, uma
vez que, se o judiciário trabalhista não pode apreciar as controvérsias oriundas da relação de
trabalho do servidor estatutário, também não pode apreciar as greves, pois a greve também é uma
controvérsia oriunda da relação de trabalho.
Sob outro enfoque, é possível justificar a competência da Justiça do Trabalho, pois o art. 114, II,
da CF atribui competência à Justiça do Trabalho para as ações que envolvam o exercício do direito
de greve, e o Direito de Greve é um direito social previsto no art. 9º da CF. O referido inciso II do
art. 114 não faz qualquer distinção entre greve de servidores celetistas ou estatutários.
Em nosso entendimento, em que pese o respeito que merece a decisão do STF, conjugando-se o
inciso I com o inciso II do art. 114, resta incontestável a competência da Justiça do Trabalho para
apreciar todos os dissídios de greve, sejam entre servidores celetistas e Estado ou entre servidores
estatutários e Estado. Além disso, o Direito de Greve, por ser um direito fundamental e social
previsto no art. 9º da CF, é autoaplicável para o servidor público, sendo certo que o art. 114, II, da
CF fixou de forma expressa e literal a competência da Justiça do Trabalho para as ações que
envolvam o exercício do Direito de Greve, independentemente do regime jurídico que rege a relação
de trabalho.
No entanto, diante da decisão do STF de excluir da Justiça do Trabalho a competência para as
ações que decorrem da relação de trabalho envolvendo o servidor público estatutário, ficamos
vencidos, mas não convencidos, pois, se a Justiça do Trabalho não tem competência para apreciar as
relações de trabalho envolvendo relações estatutárias, também não a terá para apreciar o dissídio de
greve do servidor público estatutário.
Diante do exposto, concluímos que a Justiça do Trabalho não detém competência material para
julgar dissídios de greve que envolvam servidores estatutários, permanecendo a competência para os
servidores públicos cujo regime é o celetista.
A greve, como não é apenas um fato trabalhista mas também social, pode abranger uma
multiplicidade de controvérsias que envolvem terceiros, os quais não participam do movimento
paredista, mas que têm direitos afetados em razão dele — por exemplo, os vizinhos ou empresas
vizinhas do local onde eclode o movimento paredista. O Poder Público e também a população podem
ser significativamente afetados com o movimento grevista nos serviços essenciais, como a greve dos
serviços de transportes.
Para nós, tanto as ações coletivas como as individuais que envolvem o exercício do direito de
greve são da competência da Justiça do Trabalho, sejam entre as partes diretamente envolvidas,
sejam entre os que sofrem os efeitos do movimento grevista, mas não participam da greve.
A Justiça do Trabalho sempre conviveu com as questões possessórias que eram conexas a um
contrato de emprego, como a moradia cedida pelo empregador para o empregado caseiro, para
melhor comodidade na prestação do trabalho, ou a residência concedida a um alto empregado para
exercer sua função fora do seu domicílio. Uma vez cessado o vínculo de emprego, muitas vezes,
diante da recusa do empregado em devolver a moradia, o empregador ingressa com reclamações
trabalhistas ou reconvenções para a reintegração da posse.
Durante o movimento paredista, são comuns as ações possessórias, quando já há a efetiva turbação
ou o esbulho da posse, ou as ações preventivas, como o interdito proibitório. Para apreciar tais
ações, a Justiça do Trabalho sempre aplicou o Direito Civil e o Código de Processo Civil, por força
dos arts. 8º e 769 da CLT.
Em nossa visão, mesmo as ações possessórias movidas por terceiros que não fazem parte do
movimento paredista são agora da competência material da Justiça do Trabalho, pois estão
relacionadas ao exercício do direito de greve. Cumpre destacar que o inciso II não vincula as ações
decorrentes da greve às controvérsias oriundas da relação de trabalho. Vale dizer, ele não restringe a
competência para as ações movidas pelas partes que estão envolvidas na greve.
O Supremo Tribunal Federal, recentemente, pacificou a questão da competência da Justiça do
Trabalho para as ações possessórias que decorrem da greve, por meio da Súmula Vinculante n. 23,
cuja redação segue: “A Justiça do Trabalho é competente para processar e julgar ação possessória
ajuizada em decorrência do exercício do direito de greve pelos trabalhadores da iniciativa privada”
(divulgada em 10.12.2009 e publicada no DJe do STF de 11.12.2009).
Em suma:
3.4. Ações sobre representação sindical
Atualmente, o art. 114, III, da CF, com a redação dada pela EC 45/2004, dispõe o seguinte: “As
ações sobre representação sindical, entre sindicatos, entre sindicatos e trabalhadores, e entre
sindicatos e empregadores”.
O termo Sindicato deve ser interpretado de forma ampla para abranger todas as entidades de
natureza sindical. No nosso sistema sindical confederativo, são entidades sindicais de qualquer grau:
sindicato, federação, confederação e até centrais sindicais, desde que as ações versem sobre alguma
das matérias do art. 114 da CF e também sobre a representação sindical. Para nós, também estão
inseridas no conceito de representação sindical as ações que envolvam comitês de empresa ou
representação no local de trabalho (art. 11 da CF), ou de grupo de trabalhadores que participarão da
gestão da empresa (art. 7º, XI, da CF).
Atualmente, há duas vertentes preponderantes de interpretação do inciso III do art. 114 da CF: uma
restritiva, no sentido de que somente há competência da Justiça do Trabalho para as ações que
versem sobre representação sindical (disputa entre sindicatos pela representação da categoria e
fixação de base territorial), não abrangendo as controvérsias entre sindicatos e terceiros e também
entre empregados e empregadores que envolvem o exercício da representação sindical.
A outra é uma corrente ampliativa, no sentido de que a competência da Justiça do Trabalho não
está restrita às ações sobre representação sindical, mas, sim, às ações que envolvem matéria
sindical, entre sindicatos e empregados e sindicatos e empregadores, pois o referido inciso III do art.
114 da CF não restringe a competência para as ações sobre representação sindical, uma vez que há
uma vírgula após o termo ações sobre representação sindical.
Para nós, o inciso III do art. 114 da CF abrange todas as ações que envolvem matéria sindical no
âmbito trabalhista, uma vez que elas envolvem matéria trabalhista. Tanto é verdade, que a
organização sindical vem disciplinada nos arts. 8º e seguintes da Constituição Federal e 511 e
seguintes da CLT. Em contrapartida, o inciso III do art. 114 da CF não pode ser interpretado
isoladamente, mas, sim, em cotejo com os incisos I e IX do próprio art. 114. Assim, como a matéria
sindical está umbilicalmente ligada à relação de emprego e também à relação de trabalho, a melhor
leitura do referido inciso III do art. 114 da CF, visando à maior eficiência desse dispositivo
constitucional, aponta que a competência da Justiça do Trabalho compreende todas as questões da
matéria sindical, sejam de sindicatos entre si, sindicatos e empregados, sindicatos e empregadores, e
as controvérsias de terceiros, como o Ministério do Trabalho, nas questões de registro sindical.
Podemos classificar os dissídios que envolvem os Sindicatos em: a) coletivos: que envolvem os
dissídios coletivos. Nessa hipótese, a competência da Justiça do Trabalho é disciplinada no art. 114,
§ 2º; b) intersindicais não coletivos: que envolvem os conflitos entre sindicatos; c) intrassindicais,
que envolvem as questões interna corporis do sindicato; e d) dissídios sobre contribuições
sindicais.
Em suma:

3.5. Habeas corpus


Nossa Constituição Federal consagra o habeas corpus no art. 5º, LXVIII, como um direito
fundamental e uma garantia que tutela o bem mais caro do ser humano, que é a liberdade. Aduz o
referido dispositivo constitucional: “Conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se
achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou
abuso de poder”.
Quanto à natureza jurídica do habeas corpus, em que pese a opinião majoritária da doutrina e
jurisprudência em sentido contrário, não se trata de uma ação criminal, mas, sim, de um remédio
constitucional para tutelar a liberdade de locomoção contra ato ilegal ou de abuso de poder, não
sendo exclusivamente uma ação de natureza penal.
Após a EC 45/2004, não há mais dúvidas de que a Justiça do Trabalho tem competência para
apreciar o habeas corpus, para as matérias sujeitas à sua jurisdição.
Com efeito, assevera o art. 114, IV, da CF competir à Justiça do Trabalho processar e julgar os
mandados de segurança, habeas corpus e habeas data, quando o ato questionado envolver matéria
sujeita à sua jurisdição.
Pela dicção do referido dispositivo legal, cabe o habeas corpus na Justiça do Trabalho toda vez
que o ato envolver a jurisdição trabalhista, vale dizer: estiver sujeito à competência material da
Justiça do Trabalho.
O eixo central da competência da Justiça do Trabalho, após a EC 45/2004, encontra suporte na
relação de trabalho (inciso I do art. 114 da CF) e também nas demais matérias mencionadas nos
incisos I a VIII do art. 114 da CF.
Na Justiça do Trabalho, as hipóteses de prisões determinadas pelo Juiz do Trabalho são em
decorrência ou do descumprimento de uma ordem judicial para cumprimento de uma obrigação de
fazer ou não fazer, ou do depositário infiel.
Inegavelmente, a hipótese mais comum da utilização do habeas corpus na Justiça do Trabalho é
em decorrência da prisão do depositário infiel, que se dá na fase de execução de sentença trabalhista.
Há, a nosso ver, a possibilidade de impetração de habeas corpus na Justiça do Trabalho quando o
empregador ou tomador de serviços restringe a liberdade de locomoção do empregado ou
trabalhador por qualquer motivo, como pelo não pagamento de dívidas. A Justiça do Trabalho, nesse
caso, não aprecia matéria criminal, ou se imiscui em atividade policial, mas julga ato de sua
competência material, pois cumpre à Justiça do Trabalho defender a liberdade ao trabalho, os
valores sociais do trabalho e a dignidade da pessoa humana do trabalhador (art. 1º, III e IV, da CF).
Nessa hipótese, o habeas corpus é cabível contra ato de ilegalidade.
Em suma:
3.6. Mandado de segurança
Dispõe o art. 5º, LXIX, da CF: “Conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito
líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, quando o responsável pela
ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de
atribuições do Poder Público”.
No Processo do Trabalho, em razão de não haver recurso para impugnar decisões interlocutórias
(art. 893, § 1º, da CLT), o mandado de segurança tem feito as vezes do recurso em face de decisão
interlocutória que viole direito líquido e certo da parte, como no deferimento de liminares em
Medidas Cautelares e Antecipações de Tutela, embora não seja essa sua finalidade constitucional.
Em razão do aumento da competência da Justiça do Trabalho, os mandados de segurança passam a
ser cabíveis contra atos de outras autoridades, além das judiciárias, como nas hipóteses dos incisos
III e IV do art. 114 da CF, em face dos Auditores Fiscais e Delegados do Trabalho, Oficiais de
Cartório que recusam o registro de entidade sindical, e até mesmo atos dos membros do Ministério
Público do Trabalho em Inquéritos Civis Públicos, uma vez que o inciso IV do art. 114 diz ser da
competência da Justiça trabalhista o mandamus quando o ato questionado envolver matéria sujeita
à sua jurisdição.
Na Justiça do Trabalho, a competência para o mandado de segurança se fixa, diante da EC
45/2004, em razão da matéria, ou seja, que o ato praticado esteja submetido à jurisdição trabalhista.
O critério determinante não é a qualidade da autoridade coatora, e sim a competência jurisdicional
para desfazer o ato praticado. Desse modo, ainda que a autoridade coatora seja Municipal, Estadual
ou Federal, se o ato questionado estiver sujeito à jurisdição trabalhista, a competência será da
Justiça do Trabalho e não das Justiças Estadual ou Federal.
Não obstante, fixada a competência material da Justiça do Trabalho, a competência funcional será
da Vara do Trabalho do foro do domicílio da autoridade coatora, salvo as hipóteses de foro especial,
conforme disciplinado na Constituição Federal. Se o ato impugnado for de autoridade judiciária, a
competência estará disciplinada nos arts. 678 e seguintes da CLT e Lei n. 7.701/88, bem como nos
Regimentos Internos dos TRTs e TST.
Na Justiça do Trabalho, o mandado de segurança é processado pelo rito da Lei n. 12.016/2009,
não se aplicando o procedimento da CLT.
Em suma:
3.7. Habeas data
Diz o inciso LXXII do art. 5º da CF: “Conceder-se-á habeas data: a) para assegurar o
conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de
dados de entidades governamentais ou de caráter público; b) para retificação de dados, quando não
se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo”.
O habeas data tem raríssima utilização, pois, na maioria dos casos, o mandado de segurança
resolve o problema. Na esfera trabalhista, por exemplo, podem ocorrer hipóteses de utilização, como
determinado empregador que não tem acesso a uma lista de “maus empregadores” do Ministério do
Trabalho, ou um servidor celetista que não tem acesso ao seu prontuário no Estado.
Quanto ao procedimento do habeas data na Justiça do Trabalho, aplica-se a Lei n. 9.507/97, por
ser uma ação constitucional de natureza civil regida por lei especial.
Em suma:
3.8. Ações de indenização por danos morais e patrimoniais
decorrentes da relação de trabalho
O dano é a lesão de um bem jurídico, material ou imaterial ou ainda moral, tutelado pelo direito,
que acarreta prejuízo à vítima.
O dano que causa prejuízo ao patrimônio da pessoa é considerado material e é reparado por um
montante em pecúnia para tornar indene o prejuízo sofrido, ressarcindo o lesado dos danos
emergentes (imediatos e atuais) e lucros cessantes (mediatos e futuros), ou seja, o que o lesado
razoavelmente ganharia se não houvesse o dano.
A moderna doutrina vem dando amplitude mais acentuada ao dano moral para abranger todo dano
que viole um direito da personalidade e a dignidade da pessoa humana, não podendo o conceito de
dano moral ficar exclusivamente balizado ao preço da dor e aos danos do Mundo Interior. A nosso
ver, diante da atual Constituição Federal (art. 5º, V e X) e também do Código Civil (arts. 10 e
seguintes), atualmente, o conceito de dano moral tem caráter mais amplo do que os chamados “danos
da alma” ou danos do mundo interior, pois abrange todo dano à pessoa, seja no aspecto interior
(honra, intimidade, privacidade), seja no aspecto exterior (imagem, boa fama, estética), que não
tenha natureza econômica, e que abale a dignidade da pessoa. Quanto às pessoas jurídicas, por não
possuírem intimidade e não terem sentimentos, o dano moral se configura quando há violação à sua
honra objetiva, seu nome, reputação e imagem.
O art. 114, VI, da CF dispõe sobre a competência da Justiça do Trabalho para as ações de
reparação por danos patrimoniais e morais decorrentes da relação de trabalho.
Desse modo, a Justiça do Trabalho apreciará os danos morais e patrimoniais, que decorrem da
relação de trabalho.
Os danos, tanto morais, como patrimoniais, podem ocorrer na fase pré-contratual, na fase
contratual e na fase pós-contratual. Quanto à fase contratual, não há discussões sobre a competência
da Justiça do Trabalho (art. 114, VI, da CF). Já quanto às fases pré-contratual e pós-contratual,
surgem dúvidas, pois o dano não se verifica durante a relação de emprego.
O entendimento majoritário da jurisprudência trabalhista, o qual entendo correto, atribui
competência à Justiça do Trabalho para dirimir os danos que eclodem na fase pré-contratual, pois
decorrem de um futuro contrato de trabalho. Em contrapartida, a controvérsia decorre da relação de
trabalho e se embasa na culpa in contrahendo. O fato de não existir ainda a relação de emprego não
é suficiente para afastar a competência da Justiça do Trabalho, pois só houve o dano em razão de um
futuro contrato de trabalho, se não fosse a relação de emprego ou de trabalho, que é o objeto do
negócio jurídico, não haveria o dano.
O termo decorrentes significa que as ações se originam de uma relação de trabalho, ou seja, que
foi em razão dessa relação que o dano eclodiu, independentemente de se a relação de trabalho ou
emprego ainda está vigente ou não, pois a Constituição assim não distinguiu. Se dúvidas podem
surgir quanto à competência da Justiça do Trabalho para apreciar o dano decorrente da fase pré-
contratual, parece não haver dúvida de que a competência para apreciar os danos decorrentes da fase
pós-contratual é da Justiça especializada trabalhista, desde que relacionados à relação de trabalho
— por exemplo, se um empregador manda uma carta a uma empresa que pretende contratar seu antigo
empregado, com informações desabonadoras a respeito da conduta do trabalhador, por fatos
ocorridos na antiga relação de emprego. Ora, nesse caso, a matéria está umbilicalmente atrelada ao
antigo contrato de trabalho, restando forçosa a aplicação do art. 114 da CF.
Quanto à competência para as ações de reparação por danos morais e patrimoniais decorrentes do
acidente de trabalho, ou doenças profissionais, o Supremo Tribunal Federal pacificou a questão em
prol da competência do Judiciário Trabalhista, nos termos da Súmula Vinculante n. 22, cujo teor vale
ser transcrito: “A Justiça do Trabalho é competente para processar e julgar as ações de indenização
por danos morais e patrimoniais decorrentes de acidente de trabalho propostas por empregado contra
empregador, inclusive aquelas que ainda não possuíam sentença de mérito em primeiro grau quando
da promulgação da Emenda Constitucional n. 45/2004” (divulgada em 10.12.2009 e publicada no
DJe do STF de 11.12.2009).
Em suma:
3.9. Penalidades administrativas impostas aos
empregadores pelos órgãos da fiscalização do trabalho
Diz o inciso VII do art. 114 da Constituição que compete à Justiça do Trabalho processar e julgar
as ações relativas às penalidades administrativas impostas aos empregadores pelos órgãos de
fiscalização das relações do trabalho.
Como o dispositivo menciona as penalidades impostas aos empregadores, tais cominações são as
previstas na CLT nos arts. 626 a 653.
Embora o inciso VII do art. 114 da CF fale em penalidades administrativas impostas aos
empregadores, é possível, por meio de interpretações teleológica e sistemática dos incisos I, VII e
IX do art. 114 da CF, entender que a competência da Justiça do Trabalho abrange também as ações
referentes às penalidades administrativas impostas aos tomadores de serviços, desde que,
evidentemente, o prestador seja pessoa física e preste o serviço em caráter pessoal, e também as
ações que decorrem de atos dos órgãos de fiscalização do trabalho.
Quanto ao rito de tais ações, salvo as que têm rito especial, como o mandado de segurança,
execução fiscal e ações cautelares, a via processual (arts. 763 e seguintes da CLT), a nosso ver, é a
reclamação trabalhista, podendo haver algumas adaptações por parte do Juiz do Trabalho, como
pautas especiais, uma vez que em tais ações não cabe conciliação e, na maioria das vezes, a prova é
documental e pré-constituída.
Cumpre destacar que a discussão da penalidade aplicada ao empregador pode ser realizada em
sede administrativa (arts. 626 a 642 da CLT).
Embora não esteja explícita no inciso VII do art. 114 da CF a competência para execução das
multas administrativas aplicadas ao empregador, no nosso sentir, a execução dessas multas (em razão
do não pagamento e inscrição de certidão da dívida ativa da União, decorrente de autuações do
Ministério do Trabalho) está implicitamente prevista no referido inciso VII, uma vez que a redação
do artigo fala em ações, e a execução também é uma ação. Em contrapartida, não teria sentido a
Justiça do Trabalho desconstituir as penalidades administrativas aplicadas ao empregador se não
pudesse executar as multas. Além disso, mesmo na execução, o empregador também poderá tentar
desconstituir o título que embasa a multa e eventual infração. A cisão de competência entre a Justiça
do Trabalho e a Justiça Federal para questões que envolvem a mesma matéria provoca insegurança
jurídica, decisões conflitantes sobre a mesma matéria e falta de efetividade da jurisdição.
A Justiça do Trabalho, embora não tenha grande tradição na aplicação da Lei de Execução Fiscal
na fase de execução trabalhista, no art. 889 da CLT há determinação expressa para que, nos casos
omissos, o Juiz do Trabalho aplique a Lei n. 6.830/80 na execução trabalhista.
Embora os títulos executivos extrajudiciais constem no art. 876 da CLT, em nossa visão, não se
trata de um rol taxativo, e sim exemplificativo, não vedando que outros títulos executivos
extrajudiciais possam ser executados no foro trabalhista, como o executivo fiscal oriundo dos atos de
fiscalização do trabalho. Após a EC 45/2004, a certidão da dívida ativa da União, decorrente de
infrações aplicadas ao empregador pelos Órgãos de Fiscalização do trabalho, constitui um novo
título executivo extrajudicial que será executado na Justiça do Trabalho, segundo a Lei n. 6.830/80.
Por se tratar de ação de rito especial, o Juiz do Trabalho não aplicará a CLT.
A competência fixada à Justiça do Trabalho pelo inciso VII do art. 114 da CF não alcança as
ações relativas às penalidades administrativas lavradas pelos Órgãos de Fiscalização de profissões
regulamentadas, como CREA, OAB etc. Primeiro, porque o inciso VII fala em penalidades
administrativas impostas aos empregadores. Segundo, porque, entre o órgão de fiscalização do
exercício de profissão e o prestador de serviços, não há uma relação de trabalho (art. 114, I, da CF).
Em suma:
3.10. Execução, de ofício, das contribuições sociais das
sentenças que proferir
Dispõe o art. 114, VIII, da CF: “Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar: (...) VIII — a
execução, de ofício, das contribuições sociais previstas no art. 195, I, a, e II, e seus acréscimos
legais, decorrentes das sentenças que proferir”.
O presente dispositivo atribui competência à Justiça do Trabalho para executar a parcela
previdenciária incidente sobre as parcelas de natureza salarial das sentenças que proferir.
Atualmente, há grande celeuma na doutrina e jurisprudência sobre a competência da Justiça do
Trabalho para executar as contribuições previdenciárias incidentes sobre as sentenças declaratórias
do vínculo de emprego, ou seja, das decisões meramente declaratórias sem conteúdo condenatório.
O Tribunal Superior do trabalho vem respondendo negativamente, conforme a Súmula 368 de sua
jurisprudência, in verbis:
“A Justiça do Trabalho é competente para determinar o recolhimento das contribuições previdenciárias e fiscais. A competência
da Justiça do Trabalho, quanto à execução das contribuições previdenciárias, limita-se às sentenças condenatórias em pecúnia que
proferir e aos valores objeto de acordo homologado que integrem o salário de contribuição. (ex-OJ n. 141 — Inserida em
27.11.1998). II. É do empregador a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e fiscais, resultante de
crédito do empregado oriundo de condenação judicial, devendo incidir, em relação aos descontos fiscais, sobre o valor total da
condenação, referente às parcelas tributáveis, calculado ao final, nos termos da Lei n. 8.541/1992, art. 46 e Provimento da CGJT
n. 01/1996. (ex-OJ n. 32 — Inserida em 14.3.1994 e OJ n. 228 — Inserida em 20.6.2001). III. Em se tratando de descontos
previdenciários, o critério de apuração encontra-se disciplinado no art. 276, § 4º, do Decreto n. 3.048/99 que regulamentou a Lei n.
8.212/91 e determina que a contribuição do empregado, no caso de ações trabalhistas, seja calculada mês a mês, aplicando-se as
alíquotas previstas no art. 198, observado o limite máximo do salário de contribuição. (ex-OJ n. 32 — Inserida em 14.3.1994 e OJ
n. 228 — Inserida em 20.6.2001)”.

Para nós, a interpretação do inciso VIII do art. 114 da CF não pode ser restritiva, abrangendo
também os recolhimentos pretéritos que não foram realizados pelo empregador, atinentes às parcelas
de índole salarial, conforme o art. 28 da Lei n. 8.212/91. Se a Justiça do Trabalho declara o vínculo
de emprego, deve executar as contribuições pretéritas desse reconhecimento, pois isso possibilita
não só maior efetividade da jurisdição, mas também a eficácia social da norma. Em contrapartida,
propiciará que o empregado obtenha futuramente a aposentadoria sem maiores transtornos, pois são
notórias as vicissitudes que enfrenta o trabalhador quando vai averbar o tempo de serviço
reconhecido em sentença trabalhista, mas os recolhimentos previdenciários não foram realizados.
Nesse sentido, é o Enunciado n. 73 da 1ª Jornada de Direito Material e Processual do Trabalho
realizada no Tribunal Superior do Trabalho:
“EXECUÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES P REVIDENCIÁRIAS. REVISÃO DA SÚMULA N. 368 DO TST. I — Com
da Lei n. 11.457/2007, que alterou o parágrafo único do art. 876 da CLT, impõe-se a revisão da Súmula n. 368 do TST: é
competente a Justiça do Trabalho para a execução das contribuições à Seguridade Social devidas durante a relação de trabalho,
mesmo não havendo condenação em créditos trabalhistas, obedecida a decadência. II — Na hipótese, apurar-se-á o montante
devido à época do período contratual, mês a mês, executando-se o tomador dos serviços, por força do art. 33, § 5º, da Lei n.
8.212/91, caracterizada a sonegação de contribuições previdenciárias, não devendo recair a cobrança de tais contribuições na
pessoa do trabalhador. III — Incidem, sobre as contribuições devidas, os juros e a multa moratória previstos nos arts. 34 e 35 da
Lei n. 8.212/91, a partir da data em que as contribuições seriam devidas e não foram pagas”.

Esse posicionamento restou consagrado pelo parágrafo único do art. 876 da CLT, com a redação
dada pela Lei n. 11.457, de 15 de março de 2007, que assim dispõe: “Serão executadas ex officio as
contribuições sociais devidas em decorrência de decisão proferida pelos Juízes e Tribunais do
Trabalho, resultantes de condenação ou homologação de acordo, inclusive sobre os salários pagos
durante o período contratual reconhecido”.
O Supremo Tribunal Federal, entretanto, fixou posição contrária, entendendo que a competência da
Justiça do Trabalho abrange somente a parcela previdenciária das decisões condenatórias, não
incidindo sobre os salários pagos durante o vínculo de emprego, conforme se constata de seu
Informativo n. 519/2008: RE n. 569.056/PR, Rel. Min. Menezes Direito, 11.9.2008.
Diante do atual posicionamento do Supremo Tribunal Federal, embora não vinculante, a
jurisprudência majoritária tem se orientado no sentido de que a competência da Justiça do Trabalho
somente abrange as decisões condenatórias.
Em suma:
3.11. Da competência territorial
A competência territorial (ratione loci), também chamada de competência de foro, leva em
consideração o limite territorial da competência de cada órgão que compõe a Justiça do Trabalho.
A competência territorial é relativa, pois está prevista no interesse da parte. Portanto, o Juiz não
pode conhecê-la de ofício. Caso não impugnada pelo reclamado no prazo da resposta (exceção de
incompetência em razão do lugar — arts. 799 e seguintes da CLT), prorroga-se a competência (ver
art. 651 da CLT).
Conforme o referido dispositivo legal, a competência territorial é determinada pelo local da
prestação de serviços do reclamante. A finalidade teleológica da lei ao fixar a competência pelo
local da prestação de serviços consiste em facilitar o acesso do trabalhador à Justiça, pois no local
da prestação de serviço, presumivelmente, o empregado tem maiores possibilidades de produção das
provas, trazendo suas testemunhas para depor. Além disso, nesse local, o empregado pode
comparecer à Justiça sem maiores gastos com locomoção.
Se o empregador promover sua atividade em várias localidades, nos termos do § 3º do art. 651 da
CLT, é assegurado ao empregado apresentar reclamação no foro da celebração do contrato ou da
prestação dos respectivos serviços. Trata-se de critério de competência, cuja escolha é
discricionária do empregado, que pode optar entre o local da contratação ou da prestação dos
serviços.
Mostra-se polêmica a seguinte questão: Se o reclamante trabalhou em várias localidades, qual será
a Vara competente em razão do lugar para apreciar o processo?
Doutrina e jurisprudência se inclinam em dizer que, nesse caso, prevalece a competência do
último local de prestação de serviços.
Em que pese o respeito que merecem os juristas anteriormente mencionados, com eles não
concordamos. Com efeito, se o reclamante trabalhou em vários locais, pensamos que a competência
das Varas do Trabalho de cada local trabalhado é concorrente, já que todas elas são competentes.
Assim cabe ao reclamante a escolha do local da propositura da ação, uma vez que a competência em
razão do lugar se fixa tendo por escopo facilitar o acesso do trabalhador à Justiça. Portanto, a nosso
ver, a competência, nesse caso, se dá pela prevenção, e, desse modo, é competente a Vara do local
em que a reclamatória foi proposta em primeiro lugar.
Nos termos do § 1º do art. 651 da CLT, quando for parte no dissídio o agente ou viajante
comercial, a competência será da Vara da localidade em que a empresa tenha agência ou filial e à
qual o empregado esteja subordinado. Na falta, será competente a Junta da localização em que o
empregado tenha domicílio ou a localidade mais próxima.
Conforme o referido dispositivo legal, se o reclamante for viajante ou agente comercial realizando
atividades em várias localidades sem se fixar em nenhuma delas, a fim de facilitar o acesso do
trabalhador à Justiça, determina a CLT que a reclamação possa ser proposta onde a empresa tenha
agência ou filial e esteja o empregado a ela subordinado ou no local em que o autor tenha domicílio
e, caso não tenha domicílio, na localidade mais próxima em que o empregado se encontra.
Diante da competência dada pela EC 45/2004, pensamos que a presente regra também se aplica ao
representante comercial autônomo (Lei n. 4.886/65) e também ao vendedor externo autônomo que não
seja representante (art. 114, I, da CF).
Nos termos da redação do citado § 1º, doutrina e jurisprudência têm-se posicionado no sentido de
que, primeiramente, a competência territorial é do foro em que a empresa tenha agência ou filial e ao
qual o empregado esteja subordinado e, sucessivamente, o local do domicílio do empregado ou a
localidade mais próxima.
Embora o § 1º do art. 651 da CLT diga que a competência será da filial e, na falta, do domicílio
do empregado ou da localidade mais próxima, pensamos que a finalidade teleológica da lei seja
facilitar o acesso do trabalhador à Justiça do Trabalho, e a presente regra fora idealizada em
benefício do trabalhador. Portanto, a interpretação não pode ser literal, mas, sim, teleológica.
Dispõe o § 2º do art. 651 da CLT: “A competência das Juntas de Conciliação e Julgamento,
estabelecida neste artigo, estende-se aos dissídios ocorridos em agência ou filial no estrangeiro,
desde que o empregado seja brasileiro e não haja convenção internacional dispondo em contrário”.
Conforme o referido dispositivo legal, restou consagrada a chamada “competência internacional”
da Justiça do Trabalho para dirimir controvérsias decorrentes da relação de trabalho, desde que o
empregado seja brasileiro e não haja convenção internacional em contrário. Mostra-se discutível a
aplicabilidade do referido dispositivo legal se a empresa reclamada não tiver agência ou filial no
Brasil, diante das vicissitudes que pode enfrentar o processo para citação da empresa, e também de
aplicabilidade da jurisdição trabalhista em outro país. Em razão disso, pensamos que a competência
da Justiça do Trabalho brasileira, salvo convenção internacional em sentido contrário, somente se
aplicará se a empresa reclamada tiver agência ou filial no Brasil. Em vez disso, não haverá
possibilidade de impor a jurisdição trabalhista em território sujeito a outra soberania (princípio da
territorialidade da jurisdição). Pensamos que a expressão “empresa que tenha agência ou filial no
estrangeiro” deva ser lida no sentido de que a empresa também tenha sede no Brasil. Sob outro
enfoque, como o referido dispositivo configura exceção à competência do local da prestação de
serviços, a interpretação deve ser restritiva.
Entendia o Tribunal Superior do Trabalho, por meio da Súmula n. 207, que a relação jurídica
trabalhista é regida pela lei do local da prestação de serviços (lex loci executionis). Entretanto, em
2012, a referida Súmula fora cancelada, havendo tendência doutrinária e jurisprudencial de se
aplicar a legislação mais benéfica ao trabalhador (ou a do local da prestação de serviços ou a
brasileira).
Em suma:

3.12. Competência funcional da justiça do trabalho


A competência funcional também é denominada hierárquica ou interna. Trata-se da competência
dos órgãos de 1º, 2º ou 3º graus, dentro de um mesmo segmento do Poder Judiciário. Por esse
critério, fixa-se a competência dos órgãos da Justiça do Trabalho para atuar no processo, durante as
suas diversas fases.
A competência funcional adota o critério do exercício das funções do Juiz em determinado
processo, ou seja, quais atos pode praticar o Juiz em determinado processo.
Quando se fala em competência funcional dos diversos órgãos que compõem certo segmento do
Poder Judiciário, em um primeiro plano, se avalia se tal órgão detém competência material para a
causa. Desse modo, a competência funcional, em nossa visão, é avaliada após a análise da
competência em razão da matéria. A competência funcional é absoluta, por isso, pode ser conhecida
de ofício, ainda que não invocada pelas partes.
A competência funcional, dos órgãos da Justiça do Trabalho está prevista na Constituição Federal,
nas leis processuais trabalhistas e nos Regimentos Internos dos Tribunais.
Pensamos que a competência funcional pode ser originária, recursal ou executória:
a) Originária: é a competência para conhecer da causa em primeiro plano. Salvo regra expressa
em sentido contrário, o processo inicia-se no primeiro grau de jurisdição. Na Justiça do Trabalho,
perante as Varas do Trabalho;
b) Recursal: é a competência para praticar determinados atos dos processos, em havendo recurso
das partes, como a competência dos Tribunais para julgamento dos Recursos;
c) Executória: é a competência, fixada na lei processual, para realizar a execução do processo,
seja por títulos executivos judiciais ou extrajudiciais. Na CLT, a matéria está prevista nos arts. 877 e
877-A.
Em suma:

Questões
1. (TRT 1ª Região — 2008) A respeito da atual competência da Justiça do Trabalho, é correto
afirmar que:
I. Compete conciliar e julgar dissídios individuais e coletivos entre trabalhadores e
empregadores.
II. Compete a execução, de ofício, das contribuições sociais previstas no art. 195, I, a, e II, e
seus acréscimos legais, decorrentes das sentenças que proferir.
III. Compete processar e julgar outras controvérsias da relação de trabalho, na forma da lei.
IV. Compete processar e julgar os mandados de segurança, habeas corpus e habeas data,
quando o ato questionado envolver matéria sujeita a sua jurisdição.
V. Compete processar e julgar as ações relativas às infrações administrativas e criminais,
decorrentes dos atos praticados pelos empregadores e tomadores de mão de obra.
a) os itens I e III estão totalmente corretos.
b) os itens II e V estão totalmente errados.
c) os itens I e IV estão totalmente corretos.
d) os itens I e V estão totalmente errados.
e) somente o item I está correto.
2. (TRT 2ª Região — 2009) No que tange à competência da Justiça do Trabalho, analise:
I. Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar as ações oriundas das relações de
trabalho, inclusive aquelas decorrentes da cobrança de honorários por profissionais liberais
aos seus clientes, consoante entendimento sumulado pelo Colendo Superior Tribunal de
Justiça.
II. Compete à Justiça do Trabalho julgar “habeas data” quando o ato questionado envolver
matéria sujeita à sua competência.
III. Compete à Justiça do Trabalho processar os executivos fiscais que visem a cobrança das
multas administrativas aplicadas pela fiscalização do trabalho aos empregadores.
IV. Não compete à Justiça do Trabalho julgar as ações de indenização por dano moral e
material, inclusive a decorrente de acidente de trabalho que levou o trabalhador a óbito,
promovida pela viúva e seus herdeiros.
V. Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar as ações sobre representação sindical,
entre sindicatos, entre sindicatos e trabalhadores, e entre sindicatos e empregadores.
Da análise das sentenças acima, é de se concluir que:
a) Todas as assertivas são falsas.
b) Somente a assertiva I é verdadeira.
c) Somente as assertivas II, III e V são verdadeiras.
d) Somente as assertivas I e IV são verdadeiras.
e) Somente as assertivas II e III são falsas.
3. (TRT 2ª Região — 2009) Analise as proposições abaixo:
I. Há competência da Justiça do Trabalho para execução de contribuições previdenciárias
resultantes de condenação ou homologação de acordo, inclusive sobre os salários pagos
durante o período contratual reconhecido em Juízo, segundo expressa previsão da
Consolidação das Leis do Trabalho.
II. A competência da Justiça do Trabalho para execução de contribuições previdenciárias
limita-se às sentenças condenatórias em pecúnia que proferir e aos valores, objeto de acordo
homologado, que integrem o salário de contribuição, segundo entendimento sumulado pelo
Colendo Tribunal Superior do Trabalho, afastando, assim, a execução sobre os salários pagos
durante o período contratual reconhecido em Juízo.
III. A Constituição Federal estabelece a competência da Justiça do Trabalho para execução
das contribuições previdenciárias decorrentes das sentenças que proferir de forma genérica,
sem especificar a natureza condenatória ou declaratória da decisão a ser executada.
IV. O Excelso Supremo Tribunal Federal tem entendimento firmado no sentido de que a
competência da Justiça do Trabalho para execução das contribuições previdenciárias não
prescinde de título executivo que lhe corresponda concluindo que a sentença declaratória de
vínculo de emprego não é título executivo, de sorte que não podem ser executadas na Justiça
do Trabalho as contribuições relativas aos salários pagos durante o período contratual
declarado na sentença.
V. Em se tratando de ação que tenha por objeto contrato de trabalho devidamente registrado
na CTPS, a Justiça do Trabalho não tem competência para conhecer e julgar pedido que trate
da regularização das contribuições previdenciárias incidentes sobre os salários pagos ao longo
do vínculo de emprego, posto que tais contribuições não decorrem de nenhuma decisão que
tenha proferido.
Da análise das assertivas acima, é de se concluir que:
a) Todas estão incorretas.
b) Apenas as assertivas I, III, IV e V estão incorretas.
c) Apenas as assertivas I, III e V estão incorretas.
d) Apenas as assertivas I e III estão incorretas
e) Todas estão corretas.
4. (TRT 8ª Região — 2009) Sobre competência, qual das assertivas não encontra amparo na
jurisprudência do TST:
a) Em se tratando de ação anulatória, a competência originária se dá no mesmo juízo
em que praticado o ato supostamente eivado de vício.
b) A Justiça do Trabalho é competente para apreciar ação de cobrança de honorários
advocatícios, pleiteados na forma do Estatuto da Advocacia.
c) Não cabe declaração de ofício de incompetência territorial no caso de o trabalhador
optar por propor a ação no foro da celebração do contrato ou no da prestação dos
respectivos serviços, resolvendo-se o conflito pelo reconhecimento da competência do
juízo do local onde a ação foi proposta.
d) Não se configura conflito de competência entre Tribunal Regional do Trabalho e Vara
do Trabalho a ele vinculada.
e) Na execução por carta precatória, a competência para julgar os embargos de terceiro
é do juízo deprecante, salvo se versarem, unicamente, sobre vícios ou irregularidades da
penhora, avaliação ou alienação de bens, praticados pelo juízo deprecado, em que a
competência será deste último.
5. (TRT 24ª Região — 2008) De acordo com os posicionamentos atualmente predominantes no
Supremo Tribunal Federal a respeito da competência material da Justiça do Trabalho, é
CORRETO afirmar que:
a) Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar as ações penais a respeito de
crimes contra a organização do trabalho.
b) Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar as ações que sejam instauradas
entre o Poder Público e seus servidores, a ele vinculados por típica relação de ordem
estatutária ou de caráter jurídico-administrativo.
c) Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar as ações acidentárias propostas
pelo segurado em face do Instituto Nacional do Seguro Social — INSS, nas quais se
discute controvérsia acerca do benefício previdenciário.
d) Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar as ações que tenham como causa
de pedir o descumprimento de normas trabalhistas relativas à segurança, higiene e
saúde dos trabalhadores.
e) Compete à Justiça do Trabalho estabelecer, de ofício, débito de contribuição social
para com o Instituto Nacional do Seguro Social — INSS com base em decisão que
apenas declare a existência de vínculo empregatício.

Gabarito
1. D
2. C
3. E
4. B
5. D
4
Das partes e dos procuradores na justiça do
trabalho

4.1. Dos sujeitos no processo do trabalho


Sujeitos do processo são todas as pessoas que nele atuam (partes, juiz, perito, servidores da
Justiça etc.).
Em sentido processual, as partes são aqueles que ajuízam uma ação e em face de quem a ação é
ajuizada. É quem pede a tutela jurisdicional, formulando uma pretensão, e quem resiste a essa
pretensão.
O Juiz é sujeito imparcial do processo.
No Processo do Trabalho, as partes recebem a denominação de reclamante (demandante) e
reclamado (demandado). Tal denominação vem da época em que a Justiça do Trabalho era
administrativa, ou seja, não pertencia ao Poder Judiciário.
Com a propositura da inicial, são qualificadas as partes e fixados os limites subjetivos da lide
(individualizados os polos ativo e passivo da relação jurídica processual), pois a decisão a ser
proferida vinculará apenas as partes do processo (art. 472 do CPC).
A capacidade, segundo a doutrina civil, é a aptidão para adquirir direitos e obrigações. Adquirida
a personalidade com o nascimento com vida, toda pessoa passa a ser capaz de direitos e obrigações.
Segundo a classificação da doutrina, a capacidade, para fins processuais, subdivide-se em:
a) capacidade de direito ou de ser parte: toda pessoa, desde que tenha adquirido a personalidade,
tem capacidade de ser parte, para figurar nos polos ativo ou passivo de uma reclamação trabalhista.
b) capacidade de fato ou ad processum: é a capacidade de estar em juízo sem necessidade de
representação ou assistência (é denominada também pela doutrina de legitimatio ad processum), ou
seja, de estar em juízo por si só.
Somente têm capacidade para estar em juízo, na Justiça do Trabalho, as pessoas maiores de 18
anos. Os incapazes serão representados e os relativamente incapazes serão assistidos, nos termos da
lei civil.
Nesse sentido, dispõe o art. 7º do CPC, in verbis: “Toda pessoa que se acha no exercício dos seus
direitos tem capacidade para estar em juízo”. No mesmo sentido é o art. 792 da CLT.
O referido art. 792 encontra-se parcialmente revogado pelo art. 5º, da CF, que igualou homens e
mulheres em direitos e obrigações, e também o art. 5º do CC de 2002, que reduziu a maioridade para
18 anos.
c ) capacidade postulatória ou jus postulandi: é a capacidade para postular em juízo, em causa
própria ou defendendo terceiros.
Em suma:

4.2. Da representação, assistência, sucessão e jus


postulandi no processo do trabalho
Há a representação processual quando alguém vem a juízo, autorizado por lei, a postular em juízo
em nome de outrem, defendendo em nome alheio interesse alheio.
A Consolidação adotou o gênero representação (ver arts. 791 e 793 da CLT), cujas espécies são a
representação stricto sensu, dos incapazes, e a assistência, para os relativamente incapazes (ver art.
8º do CPC).
Os incapazes serão, absolutamente, representados em juízo, pois não possuem aptidão para
praticar, por si mesmos, os atos do processo. O Código Civil brasileiro elenca os incapazes no art.
3º.
Os relativamente incapazes, como possuem mais discernimento, poderão manifestar suas vontades,
mas devem estar assistidos em juízo. O assistente não representa o relativamente incapaz, apenas o
assiste, auxilia-o para que manifeste sua vontade com mais discernimento. A disposição é constante
do art. 4º do CC.
O empregado, por ser pessoa física, deve figurar no polo ativo, e o empregador, pessoa física ou
jurídica, deve figurar no polo passivo, podendo, em audiência, ser representados, nos termos do art.
843 da CLT.
O § 1º do art. 791 da CLT não trata de representação legal para suprir incapacidade, mas, sim, da
representação voluntária ou convencional, cumprindo às pessoas mencionadas em referido
dispositivo atuar em nome do empregado ou empregador em juízo, desde que autorizadas por ele.
Em se tratando de reclamação plúrima — qual seja, vários reclamantes no polo ativo postulando
matéria comum (mesmos pedidos que tenham suporte em causa de pedir comum), que não exigir
dilação probatória —, a jurisprudência tem admitido que um reclamante compareça em audiência
representando os demais ou seja formada uma comissão de reclamantes que representem os demais.
Constituindo o empregador empresa, deverá ser representado por seus sócios ou quem determinar
seus estatutos. O art. 12 do CPC, que trata da representação para fins processuais, aplica-se
integralmente ao Processo do Trabalho.
Conforme o art. 793 da CLT, o menor de 18 anos será representado na Justiça do Trabalho.
A Consolidação das Leis do Trabalho não distingue assistência e representação. No entanto,
conforme já nos posicionamos, o art. 793 da CLT adota o gênero representação, que envolve a
própria representação e a assistência. Desse modo, pensamos que o menor entre 16 anos e 18 anos
será assistido na Justiça do Trabalho por seus representantes legais e, na falta deles, pela
Procuradoria da Justiça do Trabalho, pelo Ministério Público estadual ou por curador nomeado pelo
juízo. O menor de 16 anos será representado em juízo por essas pessoas.
Parte da doutrina tem defendido a desnecessidade da intervenção do Ministério Público do
Trabalho quando o menor estiver devidamente assistido ou representado pelos seus representantes
legais. Outros defendem que, mesmo quando o menor tiver representante legal, o Juiz do Trabalho
deve provocar a intervenção do Ministério Público do Trabalho como custos legis nos termos do art.
82, I, do CPC.
Se o menor estiver devidamente representado ou assistido em juízo, o Juiz do Trabalho somente
deverá provocar a intervenção do Ministério Público do Trabalho quando os interesses do menor
colidirem com os de seu representante.
Se o menor não tiver representante legal, não houver Procuradoria da Justiça do Trabalho, ele será
representado pelo Ministério Público Estadual ou por curador nomeado em juízo.
Em alguns casos, em localidades distantes, se o menor não tiver representante, a jurisprudência
tem admitido que o advogado atue como curador nomeado pelo próprio Juiz do Trabalho,
representando o menor em todos os atos processuais.
A irregularidade na representação processual acarreta a extinção do processo sem resolução do
mérito, por ausência de pressuposto processual de validade da relação jurídica processual (art. 267,
IV, do CPC).
Quando o Juiz do Trabalho verifica ausência de representação ou defeito, deverá conceder prazo
razoável (de 5 a 10 dias) para que a parte regularize a representação processual, restando
perfeitamente aplicável ao Processo do Trabalho (art. 769 da CLT) o disposto no art. 13 do CPC.
Nas audiências trabalhistas, é comum o Juiz do Trabalho conceder prazo de 48 horas para a
reclamada juntar carta de preposição aos autos ou à procuração, quando o empregador não as
apresenta em audiência. Embora a lei não exija que o preposto apresente carta de preposição, a
praxe trabalhista consagrou tal obrigatoriedade em razão das consequências que a atuação do
preposto em audiência pode acarretar ao empregador.
A jurisprudência não tem admitido, acertadamente, que se regularize a representação processual na
fase recursal, conforme se constata da redação da Súmula n. 383 do C. TST, in verbis:
“MANDATO. ARTS. 13 E 37 DO CP C. FASE RECURSAL. INAP LICABILIDADE. I — É inadmissível, em inst
recursal, o oferecimento tardio de procuração, nos termos do art. 37 do CP C, ainda que mediante protesto por posterior juntada, já
que a interposição de recurso não pode ser reputada ato urgente; II — Inadmissível na fase recursal a regularização da
representação processual, na forma do art. 13 do CPC, cuja aplicação se restringe ao Juízo de 1º grau”.

Sempre foi polêmica a questão do jus postulandi da parte na Justiça do Trabalho. Há quem o
defenda, argumentando que é uma forma de viabilizar o acesso do trabalhador à Justiça,
principalmente aquele que não tem condições de contratar um advogado. Outros defendem sua
extinção, argumentando que, diante da complexidade do Direito Material do Trabalho e do Processo
do Trabalho, já não é possível à parte postular sem advogado, havendo uma falsa impressão de
acesso à Justiça deferir à parte a capacidade postulatória.
No nosso sentir, com a EC 45/2004 e a vinda de outras ações para a Justiça do Trabalho que não
são oriundas da relação de emprego, não mais se justifica a existência do jus postulandi, até mesmo
pelo fato da complexidade das relações jurídicas que decorrem da relação de emprego.
A manutenção do art. 791 da CLT, em razão de que em algumas regiões do país não há número
suficiente de advogados, o que inviabilizaria o acesso do trabalhador à Justiça, não se justifica, pois
o próprio Código de Processo Civil já prevê a solução para tal situação.
Com efeito, dispõe o art. 36 do CPC: “A parte será representada em juízo por advogado
legalmente habilitado. Ser-lhe-á lícito, no entanto, postular em causa própria, quando tiver
habilitação legal ou, não a tendo, no caso de falta de advogado no lugar ou recusa ou impedimento
dos que houver”.
Parte significativa da doutrina tem defendido a manutenção do jus postulandi da parte na Justiça
do Trabalho a fim de facilitar o acesso do trabalhador à Justiça.
Em que pese o respeito que merece esse entendimento, pensamos que o empregado assistido por
advogado tem mais possibilidades de êxito no processo, assegurando o cumprimento do princípio
constitucional do acesso real à Justiça do Trabalho, e também a uma ordem jurídica justa. Não se
pode interpretar a lei pelas exceções. Hoje, se a parte não está assistida por advogado na Justiça do
Trabalho é uma exceção. Em contrapartida, diante da complexidade das matérias que envolvem o
cotidiano do Direito do Trabalho e da Justiça do Trabalho, a não assistência por advogado, ao invés
de facilitar, dificulta o acesso, tanto do trabalhador como do tomador de serviços, à Justiça.
Ainda, conforme o art. 791 da CLT, o jus postulandi na Justiça do Trabalho somente é observado
para as ações relativas à relação de emprego e também para a pequena empreitada (art. 652, III, da
CLT). Para as demais ações relativas à relação de trabalho, a nosso ver, o trabalhador necessita de
advogado.
O Tribunal Superior do Trabalho fixou recentemente o entendimento de que é necessária a
presença do advogado para postular junto ao TST, conforme a Súmula 425 de sua jurisprudência, in
verbis:
“JUS POSTULANDINA JUSTIÇA DO TRABALHO. ALCANCE — Res. 165/2010, DEJT divulgado em 30.04.2010 e 0
04.05.2010. O jus postulandi das partes, estabelecido no art. 791 da CLT, limita-se às Varas do Trabalho e aos Tribunais
Regionais do Trabalho, não alcançando a ação rescisória, a ação cautelar, o mandado de segurança e os recursos de competência
do Tribunal Superior do Trabalho”.

A sucessão das partes configura-se quando há a extinção da pessoa natural pela morte (causa
mortis), ou a transferência do direito em que se funda a ação (inter vivos). Há sucessão de empresas
quando há a transferência do fundo de comércio para outra empresa ou alteração na sua estrutura
jurídica (arts. 10 e 448 da CLT).
Se o reclamante for falecido, o espólio promoverá a reclamação trabalhista representado pelo
inventariante.
Se a morte do reclamante ocorrer no curso do processo, o Juiz do Trabalho deverá suspender o
processo (art. 265, I, do CPC) e determinar um prazo razoável para habilitação dos sucessores.
A jurisprudência trabalhista tem admitido a habilitação dos sucessores do credor trabalhista por
meio de certidão de dependentes junto à Previdência Social (art. 1º da Lei n. 6.858/80), ou de alvará
judicial, obtido na Justiça Comum. Não obstante, se houver dúvidas sobre a legitimidade dos
sucessores, deverá o Juiz do Trabalho aguardar o desfecho do inventário na Justiça Comum.
Se houver morte do sócio da empresa, não haverá alteração do polo passivo, pois quem nele figura
é a empresa.
Não obstante, se o reclamado for pessoa física ou firma individual, haverá sucessão causa mortis
no polo passivo, devendo o Juiz suspender o processo para regularização do espólio (art. 265, I, do
CPC).
No caso de sucessão de empresas, em nosso entender, o sucessor trabalhista deve responder
integralmente pela dívida, pois é o patrimônio da empresa que responde pela dívida. Segundo bem
assevera a moderna doutrina, não há necessidade de que o empregado ou o reclamante em Processo
Trabalhista tenha prestado serviços para a empresa sucessora, basta apenas que tenha havido a
transferência total ou parcial de uma unidade de produção de uma empresa para a outra, para que se
configure a sucessão para fins trabalhistas.
O sucessor responderá pela integralidade da dívida, salvo em caso de fraude em que a empresa
sucedida responderá solidariamente, nos termos do art. 9º da CLT e do art. 942 do CC.
Eventual cláusula no contrato de sucessão de irresponsabilidade da empresa sucessora pelos
débitos trabalhistas da empresa sucedida não tem validade perante a legislação trabalhista, pois as
normas dos arts. 10 e 448 da CLT são de ordem pública.
Em suma:
DAS PARTES E DOS PROCURADORES NA JUSTIÇA DO TRABALHO

DA REPRESENTAÇÃO, DA ASSISTÊNCIA, SUCESSÃO E JUS POSTULANDI NO PROCESSO DO TRABALHO

REPRESENTAÇÃO Quando alguém vem a juízo, autorizado por lei, a postular em juízo em nome de outrem, defendendo em
PROCESSUAL nome alheio interesse alheio.

Serão representados em juízo, pois não possuem aptidão para praticar, por si mesmos, os atos do
processo.
São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil:
ABSOLUTAMENTE
I — os menores de 16 anos;
INCAPAZES
II — os que por enfermidade ou deficiência mental não tiverem o necessário discernimento para a prática
desses atos;
III — os que, mesmo por causa transitória, não puderem exprimir sua vontade.

Por possuírem um grau maior de discernimento, poderão manifestar suas vontades, mas devem estar
assistidos em juízo.
São incapazes, relativamente a certos atos, ou à maneira de os exercer:
I — os maiores de 16 e menores de 18 anos;
RELATIVAMENTE
II — os ébrios habituais, os viciados em tóxicos, e os que, por deficiência mental, tenham o discernimento
INCAPAZES
reduzido;
III — os excepcionais, sem desenvolvimento mental completo;
IV — os pródigos.
A capacidade dos índios será regulada por legislação especial.

REPRESENTATIVIDADE O empregado, por ser pessoa física, deve figurar no polo ativo e o empregador, pessoa física ou jurídica, deve
EM JUÍZO figurar no polo passivo, podendo, em audiência, ser representados.

São vários reclamantes no polo ativo postulando matéria comum (mesmos pedidos que têm suporte em
RECLAMAÇÃO causa de pedir comum), que não exigir dilação probatória, a jurisprudência tem admitido que um reclamante
PLÚRIMA compareça em audiência representando os demais, ou seja formada uma comissão de reclamantes
representando os demais.

O menor de 18 anos será representado na Justiça do Trabalho.


O menor entre 16 anos e 18 anos será assistido na Justiça do Trabalho por seus representantes legais e, na
falta deles, pela Procuradoria da Justiça do Trabalho, pelo Ministério Público Estadual ou curador nomeado
pelo juízo. O menor de 16 anos será representado em juízo pelas referidas pessoas.
ASSISTÊNCIA E Se o menor estiver devidamente representado ou assistido em juízo, o Juiz do Trabalho somente deverá
REPRESENTAÇÃO provocar a intervenção do Ministério Público do Trabalho quando os interesses do menor colidirem com os de
PARA MENORES DE seu representante.
18 ANOS Se o menor não tiver representante legal, não houver Procuradoria da Justiça do Trabalho, ele será
representado pelo Ministério Público Estadual ou por curador nomeado em juízo.
Em localidades distantes, se o menor não tiver representante, a jurisprudência tem admitido que o advogado
possa atuar como curador nomeado pelo próprio Juiz do Trabalho, representando o menor em todos os atos
processuais.

A irregularidade na representação processual acarreta a extinção do processo sem resolução do mérito, por
ausência de pressuposto processual de validade da relação jurídica processual.
Quando o Juiz do Trabalho verificar ausência de representação ou defeito dessa, deverá conceder prazo
razoável (de 5 a 10 dias) para que a parte regularize a representação processual, restando perfeitamente
aplicável ao Processo do Trabalho.
Nas audiências trabalhistas, é comum o Juiz do Trabalho conceder prazo de 48 horas para a reclamada
PECULIARIEDADES juntar carta de preposição aos autos ou à procuração, quando o empregador não as apresenta em audiência.
Súmula n. 383 do TST: não tem admitido, acertadamente, a regularização da representação processual na
fase recursal.
Parte significativa da doutrina tem defendido a manutenção do jus postulandi da parte na Justiça do Trabalho
a fim de facilitar o acesso do trabalhador à Justiça.
O Tribunal Superior do Trabalho, recentemente, fixou entendimento de ser necessária a presença do
advogado para postular junto ao TST, conforme a Súmula 425.
A sucessão das partes configura-se quando há a extinção da pessoa natural pela morte (causa mortis), ou a
transferência do direito em que se funda a ação (inter vivos). Há sucessão de empresas quando há a transferência do
fundo de comércio para outra empresa ou alteração na sua estrutura jurídica.
Se o reclamante for falecido, o espólio promoverá a reclamação trabalhista representado pelo inventariante.
Quando a morte do reclamante ocorrer no curso do processo, o Juiz do Trabalho deverá suspender o processo e
determinar um prazo razoável para habilitação dos sucessores.
A jurisprudência trabalhista tem admitido a habilitação dos sucessores do credor trabalhista por meio de certidão de
dependentes junto à Previdência Social.
Se houve morte do sócio da empresa, não haverá alteração do polo passivo, pois quem nele figura é a empresa.
SUCESSÃO Se o reclamado for pessoa física ou firma individual, haverá sucessão causa mortis no polo passivo, devendo o Juiz
suspender o processo para regularização do espólio.
Se houver sucessão de empresas, o sucessor trabalhista deve responder integralmente pela dívida (pois é o patrimônio
da empresa que responde por ela), assim não há necessidade de o empregado ou o reclamante em Processo Trabalhista
ter prestado serviços para a empresa sucessora, basta apenas que tenha havido a transferência total ou parcial de uma
unidade de produção de uma empresa para a outra, para que se configure a sucessão para fins trabalhistas.
O sucessor responderá pela integralidade da dívida, salvo em caso de fraude em que a empresa sucedida responderá
solidariamente.
Eventual cláusula no contrato de sucessão de irresponsabilidade da empresa sucessora pelos débitos trabalhistas da
empresa sucedida não tem validade perante a legislação trabalhista.

4.3. Da substituição processual (legitimidade


extraordinária)
A substituição processual, também chamada de legitimidade extraordinária ou anômala, “consiste
na possibilidade de alguém vir a juízo postular em nome próprio direito alheio. Tal instituto não se
confunde com a representação processual, pois o substituto age em nome próprio”.
Dispõe o art. 6º do CPC: “Ninguém poderá pleitear, em nome próprio, direito alheio, salvo
quando autorizado por lei”.
Diante da falta de exigência legal, basta que a lei autorize, para que o substituto processual possa
atuar em juízo, independentemente de qualquer relação jurídica de direito material entre substituído e
substituto.
O Direito Processual Civil brasileiro somente permite a substituição processual legal, sendo
inválida cláusula contratual que obrigue o substituto a agir.
O substituto, defendendo direito alheio, poderá praticar todos os atos processuais (postular,
responder, recorrer, executar a decisão), exceto transigir, renunciar e reconhecer juridicamente o
pedido, pois o direito não lhe pertence. Em contrapartida, havendo anuência do substituído, o
substituto poderá renunciar ou transigir.
A legitimidade do substituído é concorrente (pois o direito lhe pertence), podendo integrar a lide
na qualidade de assistente litisconsorcial.
O referido instituto não se confunde com representação processual, pois o representante defende
em nome alheio direito alheio, vale dizer: age como verdadeiro mandatário da parte. Já o substituto
defende em nome próprio direito alheio.
Dispõe o art. 8º, III, da CF: “Ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos ou
individuais da categoria, inclusive em questões judiciais ou administrativas”.
Durante muito tempo, a jurisprudência, principalmente, do Tribunal Superior, foi refratária ao
admitir que o referido dispositivo constitucional consagrava a substituição processual pelo
Sindicato, argumentando que o Sindicato somente poderia substituir processualmente os membros da
categoria mediante autorização de lei infraconstitucional.
Nesse sentido, dispunha a Súmula n. 310 do C. TST, hoje cancelada, in verbis:
“SUBSTITUIÇÃO P ROCESSUAL. SINDICATO. CANCELADA — Res. n. 119/2003, DJ 1.10.2003 — I — O art. 8º, inciso
III, da Constituição da República não assegura a substituição processual pelo sindicato; II — A substituição processual autorizada
ao sindicato pelas Leis ns. 6.708, de 30.10.1979, e 7.238, de 29.10.1984, limitada aos associados, restringe-se às demandas que
visem aos reajustes salariais previstos em lei, ajuizadas até 3.7.1989, data em que entrou em vigor a Lei n. 7.788; III — A Lei n.
7.788/1989, em seu art. 8º, assegurou, durante sua vigência, a legitimidade do sindicato como substituto processual da categoria;
IV — A substituição processual autorizada pela Lei n. 8.073, de 30.7.1990, ao sindicato alcança todos os integrantes da categoria
e é restrita às demandas que visem à satisfação de reajustes salariais específicos resultantes de disposição prevista em lei de
política salarial; V — Em qualquer ação proposta pelo sindicato como substituto processual, todos os substituídos serão
individualizados na petição inicial e, para o início da execução, devidamente identificados pelo número da Carteira de Trabalho e
Previdência Social ou de qualquer documento de identidade; VI — É lícito aos substituídos integrar a lide como assistente
litisconsorcial, acordar, transigir e renunciar, independentemente de autorização ou anuência do substituto; VII — Na liquidação
da sentença exequenda, promovida pelo substituto, serão individualizados os valores devidos a cada substituído, cujos depósitos
para quitação serão levantados através de guias expedidas em seu nome ou de procurador com poderes especiais para esse fim,
inclusive nas ações de cumprimento; VIII — Quando o sindicato for o autor da ação na condição de substituto processual, não
serão devidos honorários advocatícios”.

Posteriormente, em razão de vários pronunciamentos do Supremo Tribunal em sentido contrário, e


também da posição majoritária da doutrina, o Tribunal Superior do Trabalho cancelou a referida
Súmula n. 310, assim entende-se atualmente a jurisprudência trabalhista no sentido de que o inciso III
do art. 8º da CF consagrou a substituição processual pelo Sindicato de forma ampla no Processo do
Trabalho.
O art. 81 da Lei n. 8.078/90, que é aplicável ao Processo do Trabalho (art. 769 da CLT), define,
por meio de interpretação autêntica, os interesses individuais homogêneos. Com efeito, aduz o
referido dispositivo legal: “A defesa dos interesses e direitos dos consumidores e das vítimas
poderá ser exercida em juízo individualmente, ou a título coletivo. Parágrafo único. A defesa
coletiva será exercida quando se tratar de: (...) III — interesses individuais homogêneos, assim
entendidos os decorrentes de origem comum”.
Como exemplos de interesses ou direitos individuais homogêneos na esfera trabalhista, objeto de
defesa pelo Sindicato por meio da substituição processual, temos pedidos de pagamento de
adicionais de periculosidade e insalubridade a trabalhadores de uma empresa, pagamento de horas
extras etc.
Pensamos que a finalidade teleológica do inciso III do art. 8º da CF foi de, efetivamente, conferir
ao Sindicato a possibilidade de atuar de forma ampla na qualidade de substituto processual dos
direitos individuais homogêneos da categoria, visando: a) conferir máxima efetividade ao
dispositivo constitucional; b) facilitar o acesso à Justiça do Trabalho dos trabalhadores; c) evitar a
proliferação de ações individuais sobre a mesma matéria; d) impedir que o empregado sofra
retaliações do empregador ao ingressar com uma ação individual durante a vigência do contrato de
trabalho; e) promover a efetividade dos direitos sociais previstos na Constituição Federal e
resguardar a dignidade da pessoa humana do trabalhador e os valores sociais do trabalho.
Ao contrário do que entendem alguns doutrinadores, penso que o Sindicato não pode substituir
processualmente um único trabalhador, pois é missão institucional e constitucional do Sindicato
defender os interesses individuais e coletivos da categoria (art. 8º, III, da CF) e não um único
trabalhador. Para tal desiderato, existe o instituto da representação processual (art. 791, § 1º, da
CLT) e também a prestação da assistência judiciária pelo Sindicato.
Dispunha o inciso V da Súmula n. 310, V, do C. TST, hoje revogado: "Em qualquer ação proposta
pelo sindicato como substituto processual, todos os substituídos serão individualizados na petição
inicial e, para o início da execução, devidamente identificados pelo número da Carteira de Trabalho
e Previdência Social ou de qualquer documento de identidade".
Hoje, a jurisprudência, acertadamente, não tem exigido o rol de substituídos juntado à inicial
quando o Sindicato atua como substituto processual dos trabalhadores da categoria, em razão da
autorização constitucional para a defesa de direitos individuais homogêneos. Além disso, não há
efetividade em se exigir a individualização dos substituídos na inicial, pois isso acontecerá na
liquidação e futura execução. Em contrapartida, a finalidade da substituição processual é obter
sentença genérica, não obstando o direito individual de ação do substituído.
A sentença proferida na ação em que se postula a defesa de interesses individuais homogêneos é
genérica, conforme dispõe o art. 95 da Lei n. 8.078/90, in verbis:
“Em caso de procedência do pedido, a condenação será genérica, fixando a responsabilidade do
réu pelos danos causados”.
Nos termos do art. 97 da Lei n. 8.078/90, a liquidação e a execução de sentença poderão ser
promovidas pela vítima e seus sucessores, assim como pelos legitimados de que trata o art. 82.
A liquidação da sentença genérica pode ser feita por cálculo, arbitramento ou artigos.
Como na decisão os substituídos não são nominados, eles devem ser individualizados na
liquidação e na subsequente execução.
Embora a Súmula n. 310 tenha sido cancelada, pensamos que, na liquidação, deva ser aplicado o
entendimento vazado no seu inciso VII, que assim dispõe: “Na liquidação da sentença exequenda,
promovida pelo substituto, serão individualizados os valores devidos a cada substituído, cujos
depósitos para quitação serão levantados através de guias expedidas em seu nome ou de procurador
com poderes especiais para esse fim, inclusive nas ações de cumprimento”.
Sendo assim, transitada em julgado a decisão, o Juiz do Trabalho deverá conceder um prazo
razoável para que todos os substituídos sejam individualizados e especificados os créditos de cada
um na liquidação. Os que não se habilitarem não perderão o direito, apenas não poderão executar o
crédito no processo em questão. Fixados os valores de cada substituído, a execução deve prosseguir
pelo rito da CLT (execução por quantia).
Em suma:
DAS PARTES E DOS PROCURADORES NA JUSTIÇA DO TRABALHO

DA SUBSTITUIÇÃO PROCESSUAL (LEGITIMIDADE EXTRAORDINÁRIA)

Também chamada de legitimidade extraordinária ou anômala, consiste na possibilidade de alguém vir a juízo postular
CONCEITO
em nome próprio direito alheio.

FALTA DE
Basta que a lei autorize, para que o substituto processual possa atuar em juízo, independentemente de qualquer
EXIGÊNCIA
relação jurídica de direito material entre substituído e substituto.
LEGAL

Defendendo direito alheio, poderá praticar todos os atos processuais (postular, responder, recorrer, executar a decisão),
exceto transigir, renunciar e reconhecer juridicamente o pedido, pois o direito não lhe pertence.
A legitimidade do substituído é concorrente, podendo integrar a lide na qualidade de assistente litisconsorcial.
O referido instituto não se confunde com representação processual, pois age como verdadeiro mandatário da parte. Já o
substituto defende em nome próprio direito alheio.
Durante muito tempo, o TST argumentou que o Sindicato somente poderia substituir processualmente os membros da
categoria mediante autorização de lei infraconstitucional (Súmula n. 310 do TST).
Posteriormente, em razão de vários pronunciamentos do Supremo Tribunal em sentido contrário, e também da posição
SUBSTITUTO majoritária da doutrina, o Tribunal Superior do Trabalho acabou por cancelar a referida Súmula n. 310, sendo o
entendimento atual da jurisprudência trabalhista no sentido de que o inciso III do art. 8º da CF consagrou a substituição
processual pelo Sindicato de forma ampla no Processo do Trabalho.
Como exemplos de interesses ou direitos individuais homogêneos na esfera trabalhista, objeto de defesa pelo Sindicato
por meio da substituição processual, temos pedidos de pagamento de adicionais de periculosidade e insalubridade a
trabalhadores de uma empresa, pagamento de horas extras etc.
Atualmente, a jurisprudência não tem exigido o rol de substituídos juntado à inicial quando o Sindicato atua como
substituto processual dos trabalhadores da categoria, em razão da autorização constitucional para a defesa de direitos
individuais homogêneos.

A sentença proferida na ação em que se postula a defesa de interesses individuais homogêneos é genérica.
A liquidação e a execução de sentença poderão ser promovidas pela vítima e seus sucessores, assim como pelos
seus legitimados.
SENTENÇA E A liquidação da sentença genérica pode ser feita por cálculo, arbitramento ou artigos.
EXECUÇÃO Como na decisão, os substituídos não são nominados, eles devem ser individualizados na liquidação e na
subsequente execução.
Transitada em julgado a decisão, o Juiz do Trabalho deverá conceder um prazo razoável para que todos os
substituídos sejam individualizados e especificados os créditos de cada um na liquidação.

4.4. Litisconsórcio no processo do trabalho


O litisconsórcio consiste na autorização legal para que mais de uma pessoa figure no polo
ativo, no polo passivo ou em ambos os polos da relação jurídica processual. Desse modo, teremos,
nos polos ativo, passivo ou nos dois, mais de um autor ou mais de um réu.
No Processo Civil, vigora o princípio da singularidade das partes, vale dizer: somente podem
postular em juízo um autor e um réu. Somente quando a lei autorizar, mais de uma parte poderá litigar
nos polos ativo, passivo ou em ambos.
Segundo a doutrina, o litisconsórcio subdivide-se:
a) Quanto à formação: 1. Inicial: quando ele está formado já na propositura da ação; 2. Ulterior:
forma-se quando já instaurado processo. Por exemplo, quando há intervenção de terceiros de forma
espontânea ou provocada.
b) Quanto à obrigatoriedade: 1. Facultativo: quando a formação do litisconsórcio se dá por
opção das partes. 2. Necessário: quando a lei exige a presença de mais de um litigante no processo,
compondo os polos ativo, passivo ou ambos, como condição de validade do processo.
c) Quanto aos polos: 1. Ativo: mais de um litigante no polo ativo; 2. Passivo: mais de um litigante
no polo passivo; 3. Misto: mais de um litigante nos dois polos do processo.
d) Quanto aos efeitos: 1. Simples: a decisão pode ser diferente para ambos os litisconsortes; 2.
Unitário: decisão uniforme para ambos os litisconsortes.
Dispõe o art. 48 do CPC: “Salvo disposição em contrário, os litisconsortes serão considerados,
em suas relações com a parte adversa, como litigantes distintos; os atos e as omissões de um não
prejudicarão nem beneficiarão os outros”.
Conforme o referido dispositivo legal, os litisconsortes são tratados como litigantes distintos em
relação à parte contrária, entretanto, os atos de um litisconsorte podem beneficiar o outro, caso a
matéria seja comum. Por exemplo, no caso de revelia de um litisconsorte, se o outro litisconsorte
contestar a lide, sendo comum a matéria, não se aplicarão, em face do litisconsorte ausente, os
efeitos da revelia (art. 320, I, do CPC). O mesmo se dá em face do recurso interposto por um dos
litisconsortes quando a matéria for comum (art. 509 do CPC). Entretanto, as omissões de um dos
litisconsortes não prejudicam os demais.
Conforme o art. 49 do CPC, cada litisconsorte tem o direito de promover o andamento do processo
e todos devem ser intimados dos respectivos atos.
A Consolidação das Leis do Trabalho tem um único artigo que trata do tema, que é o art. 842.
Dispõe o referido dispositivo sobre o litisconsórcio ativo facultativo, pois a opção pelo
litisconsórcio é faculdade dos trabalhadores.
Já que, como regra, o Processo do Trabalho apresenta vários pedidos decorrentes de um mesmo
contrato de trabalho, pensamos que o litisconsórcio ativo somente pode ser admitido quando houver
identidade de matérias (causa de pedir) e identidade de pedidos. Caso contrário, haverá o
comprometimento da rápida solução do processo e dificuldade na produção da prova.
Caso vários trabalhadores postulem direitos diferentes, ainda que em face do mesmo reclamado,
pensamos que deva o Juiz do Trabalho determinar o desmembramento da reclamação, pois a
instrução de pedidos diversos no mesmo processo comprometerá a rápida solução da lide.
Por força do permissivo do art. 769 da CLT, aplicam-se ao Processo do Trabalho as disposições
do litisconsórcio previstas no Código de Processo Civil (ver art. 47 do CPC).
O litisconsórcio necessário justifica-se quando a lei exige, ou em razão da natureza da relação
jurídica, ou dos efeitos da decisão que possam incidir na esfera jurídica de terceiros, quer eles
figurem ou no polo ativo ou no polo passivo do processo.
No Processo do Trabalho, não é frequente a exigência do litisconsórcio necessário. Como
exemplo podemos citar a Ação Anulatória de Normas Convencionais, em que devem figurar como
litisconsortes necessários os sindicatos que firmaram o instrumento normativo coletivo; no mandado
de segurança, deve figurar como litisconsorte necessário a parte a quem a concessão da ordem de
segurança pode prejudicar (ver art. 191 do CPC).
Para nós a jurisprudência firmou acertadamente ao instituir que não deve ser aplicável o disposto
no art. 191 do CPC ao Processo do Trabalho em razão dos princípios da celeridade e simplicidade
que norteiam o Processo do Trabalho. Nesse sentido, destacamos a OJ n. 310 da SDI-I do C. TST,in
verbis: “Litisconsortes. Procuradores distintos. Prazo em dobro. Art. 191 do CPC. Inaplicável ao
Processo do Trabalho. A regra contida no art. 191 do CPC é inaplicável ao Processo do Trabalho,
em face da sua incompatibilidade com o princípio da celeridade inerente ao Processo do Trabalho”.
DAS PARTES E DOS PROCURADORES NA JUSTIÇA DO TRABALHO

LITISCONSÓRCIO NO PROCESSO DO TRABALHO

Consiste na autorização legal para que mais de uma pessoa figure no polo ativo, no polo passivo
CONCEITO
ou em ambos os polos da relação jurídica processual.

1. Inicial: quando ele está formado já na propositura da ação;


QUANTO À FORMAÇÃO
2. Ulterior: forma-se quando já instaurado o processo.

1. Facultativo: quando a formação do litisconsórcio se dá por opção das partes.


QUANTO À OBRIGATORIEDADE 2. Necessário: quando a lei exige a presença de mais de um litigante no processo, compondo os
polos ativo, passivo ou ambos, como condição de validade do processo.

1. Ativo: mais de um litigante no polo ativo;


QUANTO AOS POLOS 2. Passivo: mais de um litigante no polo passivo;
3. Misto: mais de um litigante nos dois polos do processo.

1. Simples: a decisão pode ser diferente para ambos os litisconsortes;


QUANTO AOS EFEITOS
2. Unitário: decisão uniforme para ambos os litisconsortes.

Cada litisconsorte tem o direito de promover o andamento do processo e todos devem ser
LITISCONSORTES
intimados dos respectivos atos.

Somente pode ser admitido quando houver identidade de matérias e de pedidos; caso contrário,
LITISCONSÓRCIO ATIVO
haverá o comprometimento da rápida solução do processo e dificuldade na produção da prova.

DIREITOS DIFERENTES
Deve o Juiz do Trabalho determinar o desmembramento da reclamação, pois a instrução de
POSTULADOS EM FACE DO
pedidos diversos no mesmo processo comprometerá a rápida solução da lide.
MESMO RECLAMADO

Justifica-se quando a lei exige, ou em razão da natureza da relação jurídica, ou dos efeitos da
LITISCONSÓRCIO NECESSÁRIO decisão que possam incidir na esfera jurídica de terceiros, quer eles figurem ou no polo ativo ou no
polo passivo do processo.

Firmou entendimento de não ser aplicável o disposto no art. 191 do CPC ao Processo do Trabalho
JURISPRUDÊNCIA
em razão dos princípios da celeridade e simplicidade que norteiam o Processo do Trabalho.

4.5. Do advogado e honorários advocatícios na justiça do


trabalho
O advogado compõe a categoria dos sujeitos do processo, pois atua na relação jurídica
processual, praticando atos de representação da parte, mas não se confunde com esta (ver art. 133 da
CF).
Como é frase já consagrada na Ordem dos Advogados do Brasil, não se faz justiça sem
advogado. Ele não só é indispensável à Administração da Justiça mas também ao acesso real e
efetivo do cidadão à Justiça, principalmente na Justiça do Trabalho, na qual, a cada dia, as questões
de direito material do trabalho se tornam mais complexas e também o Processo do Trabalho, a cada
dia, se torna mais sofisticado.
Em contrapartida, o advogado, como primeiro juiz da causa, tem a missão de orientar o cliente e
até mesmo avaliar se a demanda deve ser proposta ou não, evitando que a parte possa ingressar com
um processo sem qualquer possibilidade de êxito, e também cumpre a ele esclarecer a parte sobre os
riscos e benefícios do processo.
Conforme já pacificado pela Jurisprudência, o advogado, na Justiça do Trabalho, é dispensável,
diante da redação do art. 791 da CLT, sendo facultativa a sua contratação pela parte, consoante
assevera o § 1º do art. 791 da CLT, in verbis: “Nos dissídios individuais os empregados e os
empregadores poderão fazer-se representar por intermédio do sindicato, advogado, solicitador ou
provisionado, inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil”.
Embora o § 1º do art. 791 da CLT mencione provisionado, ele equivale, hoje, ao estagiário.
O estagiário não pode atuar em juízo sem a presença do advogado e, portanto, não pode
representar a parte na Justiça do Trabalho, uma vez que a postulação em juízo é ato privativo do
bacharel em Direito regularmente inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil (art. 1º da Lei n.
8.906/94). O estagiário que porta a carteira, inscrito na OAB, pode praticar atos processuais
acompanhado do advogado e sob responsabilidade dele (art. 3º, § 2º, da Lei n. 8.906/94).
Desacompanhado, o estagiário poderá somente fazer carga do processo (retirá-lo da secretaria) e
requerer a juntada de documentos aos autos.
Recentemente, o Tribunal Superior do Trabalho publicou a Súmula 425 estabelecendo os limites
do jus postulandi na Justiça do Trabalho. Com efeito, dispõe o referido verbete sumular:
“JUS POSTULANDINA JUSTIÇA DO TRABALHO. ALCANCE — Res. 165/2010, DEJT divulgado em 30.04.2010 e 03 e
04.05.2010. O jus postulandi das partes, estabelecido no art. 791 da CLT, limita-se às Varas do Trabalho e aos Tribunais
Regionais do Trabalho, não alcançando a ação rescisória, a ação cautelar, o mandado de segurança e os recursos de competência
do Tribunal Superior do Trabalho”.

Quanto aos honorários advocatícios, em razão do jus postulandi da parte previsto no art. 791 da
CLT, o Tribunal Superior do Trabalho firmou jurisprudência, mesmo após a Constituição de 1988 (o
art. 133 da CF diz ser o advogado essencial à administração da Justiça), no sentido de não haver
necessidade de a parte estar assistida por advogado na Justiça do Trabalho.
Conforme o posicionamento da jurisprudência, os honorários advocatícios não decorrem da
sucumbência, salvo nas hipóteses do art. 14, § 1º, da Lei n. 5.584/70, que assim dispõe: “Na Justiça
do Trabalho, a assistência judiciária a que se refere a Lei n. 1.060, de 5 de fevereiro de 1950, será
prestada pelo sindicato da categoria profissional a que pertencer o trabalhador. § 1º A assistência é
devida a todo aquele que perceber salário igual ou inferior ao dobro do mínimo legal, ficando
assegurado igual benefício ao trabalhador de maior salário, uma vez provado que sua situação
econômica não lhe permite demandar, sem prejuízo do sustento próprio ou da família”.
Segundo o referido artigo, são requisitos para o deferimento dos honorários advocatícios na
Justiça do Trabalho o empregado a) estar assistido por Advogado do Sindicato de sua categoria. Nos
termos do art. 18 da Lei n. 5.584/70, o empregado não precisa ser associado do Sindicato que lhe
prestará assistência judiciária; e b) apresentar declaração de insuficiência econômica, nos moldes do
art. 1º da Lei n. 7.115/83 pessoalmente ou por intermédio de seu advogado (OJ n. 331 da SDI-I do C.
TST) ou receber salário não superior a dois mínimos (art. 790, § 3º, da CLT).
Nesse sentido, dispõe a Súmula n. 219 do C. TST, in verbis:
“HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. HIP ÓTESE DE CABIMENTO (nova redação do item II e inserido o item III à red
— Res. 174/2011, DEJT divulgado em 27, 30 e 31.05.2011. I — Na Justiça do Trabalho, a condenação ao pagamento de
honorários advocatícios, nunca superiores a 15% (quinze por cento), não decorre pura e simplesmente da sucumbência, devendo a
parte estar assistida por sindicato da categoria profissional e comprovar a percepção de salário inferior ao dobro do salário mínimo
ou encontrar-se em situação econômica que não lhe permita demandar sem prejuízo do próprio sustento ou da respectiva família
(ex-Súmula n. 219 — Res. 14/1985, DJ 26.09.1985). II — É cabível a condenação ao pagamento de honorários advocatícios em
ação rescisória no processo trabalhista. III — São devidos os honorários advocatícios nas causas em que o ente sindical figure
como substituto processual e nas lides que não derivem da relação de emprego”.
No mesmo sentido, a Súmula n. 329 do C. TST: “Honorários advocatícios. Art. 133 da CF/1988.
Mesmo após a promulgação da CF/1988, permanece válido o entendimento consubstanciado no
Enunciado n. 219 do Tribunal Superior do Trabalho”.
Para as lides que não envolvem relação de emprego, dispõe o art. 5º da Instrução Normativa n.
27/2005 do TST: “Exceto nas lides decorrentes da relação de emprego, os honorários advocatícios
são devidos pela mera sucumbência”.
Sendo assim, os honorários advocatícios que decorrem da sucumbência restam aplicáveis para
todas as ações propostas na Justiça do Trabalho, que não sejam as referentes às controvérsias diretas
entre empregados e empregadores. Nas reclamações trabalhistas regidas pela CLT (relação de
emprego), somente são cabíveis os honorários advocatícios nas hipóteses do art. 14 da Lei n.
5.584/70.
Embora sejamos contrários ao jus postulandi, a EC 45/2004 e a Instrução n. 27/2005 do C. TST
não revogaram o art. 791 da CLT.
Em contrapartida, há necessidade de reformulação da jurisprudência após a EC 45/2004 e do atual
momento em que vive o Processo do Trabalho, a fim de que seja alterada a visão do Tribunal
Superior do Trabalho para que sejam devidos os honorários advocatícios em razão da sucumbência,
pois ela existe em todas as esferas do direito processual e também no Processo do Trabalho (ex.:
pagamentos de custas e honorários periciais).
Em suma:
4.6. Da assistência judiciária e justiça gratuita no processo
do trabalho
O art. 5º, XXXV, da CF consagra o chamado princípio da inafastabilidade da jurisdição ou do
acesso à Justiça.
Diz o art. 5º, LXXIV, da CF que o Estado prestará assistência judiciária gratuita aos que
comprovarem insuficiência de recursos.
A doutrina costuma diferenciar a assistência judiciária gratuita da Justiça gratuita. Segundo a
doutrina, a assistência judiciária é gênero do qual a Justiça gratuita é espécie.
A assistência judiciária gratuita consiste no direito da parte de ter um advogado do Estado
gratuitamente, bem como estar isenta de todas as despesas e taxas processuais.
A Justiça gratuita consiste no direito à gratuidade de taxas judiciárias, custas, emolumentos,
honorários de perito, despesas com editais etc. Não terá a parte direito a advogado do Estado, mas
não pagará as despesas do processo.
Nos termos do art. 3º da Lei n. 1.060/50, a assistência judiciária compreende as taxas judiciárias,
os emolumentos, despesas com publicações, transporte de testemunhas, honorários de advogado e
peritos.
No Processo do Trabalho, a Assistência Judiciária Gratuita está disciplinada no art. 14, § 1º, da
Lei n. 5.584/70, que assim dispõe: “Na Justiça do Trabalho, a assistência judiciária a que se refere a
Lei n. 1.060, de 5 de fevereiro de 1950, será prestada pelo sindicato da categoria profissional a que
pertencer o trabalhador. § 1º A assistência é devida a todo aquele que perceber salário igual ou
inferior ao dobro do mínimo legal, ficando assegurado igual benefício ao trabalhador de maior
salário, uma vez provado que sua situação econômica não lhe permite demandar, sem prejuízo do
sustento próprio ou da família”.
Desde que preenchidos os requisitos seguintes: declaração de miserabilidade, ou percepção de
salário não superior a dois mínimos, a assistência judiciária será prestada pelo Sindicato da
categoria, sendo o empregado associado ou não.
Para fazer jus à Justiça gratuita, o empregado deve receber salário não superior a dois mínimos ou
fazer declaração de seu estado de miserabilidade, de próprio punho ou por seu advogado.
Nesse sentido é o art. 1º da Lei n. 7.115/83: “A declaração destinada a fazer prova de vida,
residência, pobreza, dependência econômica, homonímia ou bons antecedentes, quando firmada pelo
próprio interessado ou por procurador bastante e sob as penas da lei, presume-se verdadeira”.
No mesmo sentido a OJ n. 331 da SDI-I do C. TST: “Desnecessária a outorga de poderes
especiais ao patrono da causa para firmar declaração de insuficiência econômica, destinada à
concessão dos benefícios da Justiça Gratuita”.
A CLT, no art. 790, § 3º, possibilita ao Juiz do Trabalho conceder o benefício ao empregado que
receba salário não superior a dois mínimos. Dispõe o referido dispositivo legal: “É facultado aos
juízes, órgãos julgadores e presidentes dos Tribunais do trabalho de qualquer instância conceder, a
requerimento ou de ofício, o benefício da Justiça gratuita, inclusive quanto a traslados e instrumentos,
àqueles que perceberem salário igual ou inferior ao dobro do mínimo legal, ou declararem, sob as
penas da lei, que não estão em condições de pagar as custas do processo sem prejuízo do sustento
próprio ou de sua família”.
O benefício da Justiça gratuita deve ser requerido, como regra, na inicial ou na defesa, pois o
requerimento está sujeito à impugnação pela parte contrária. Entretanto, a jurisprudência majoritária
posicionou-se no sentido de que o requerimento pode ser formulado em qualquer fase do processo,
pois a ruína financeira da parte pode ocorrer a qualquer momento.
Nesse sentido, é a OJ 269 da SDI-I do TST,in verbis: “Justiça gratuita. Requerimento de isenção
de despesas processuais. Momento oportuno. (Inserida em 27.09.2002) O benefício da justiça
gratuita pode ser requerido em qualquer tempo ou grau de jurisdição, desde que, na fase recursal,
seja o requerimento formulado no prazo alusivo ao recurso”.
Quanto à possibilidade de concessão de Justiça gratuita ao empregador, há polêmica na doutrina e
jurisprudência.
A Constituição Federal não restringe, para efeitos de concessão da assistência judiciária gratuita,
os polos em que as partes se encontram no processo, seja ativo ou passivo. Por isso, pensamos ser
inconstitucional não se deferir à parte que figura no polo passivo de reclamação trabalhista os
benefícios da Justiça Gratuita quando presentes os pressupostos legais. Além disso, na prática, temos
observado que, muitas vezes, o reclamado está em pior situação econômica do que o reclamante.
Não obstante, a jurisprudência trabalhista, inclusive do TST, firmou-se no sentido de não ser
devida a assistência judiciária gratuita ao empregador diante da disposição do art. 14 da Lei n.
5.584/70, que diz ser devida a assistência judiciária gratuita apenas ao trabalhador que ganhe até
dois salários mínimos ou comprove seu estado de miserabilidade.
Pensamos que o art. 14 da Lei n. 5.584/70 não veda que se conceda a Justiça Gratuita ao
empregador, pois ela não se confunde com a assistência judiciária gratuita, que é mais ampla, sendo
o direito ao patrocínio profissional de um advogado em juízo custeado pelo Estado, e, na esfera do
Processo do Trabalho, pelo Sindicato. Em contrapartida, o § 3º do art. 790 da CLT não restringe o
benefício da Justiça gratuita ao empregado.
Ora, a Justiça Gratuita é o direito à gratuidade das taxas judiciárias, custas, emolumentos,
honorários de perito, despesas com editais etc. Para obtê-la, deve a parte comprovar a
miserabilidade por declaração pessoal (Lei n. 7.115/83) ou por declaração do advogado (Lei n.
1.060/50 e OJ n. 331 da SDI-I do C. TST). Desse modo, se o empregador demonstrar que está em
ruína financeira, o benefício da Justiça Gratuita deverá ser-lhe deferido.
Em suma:

4.7. Dos deveres das partes e dos procuradores


Na linguagem popular, diz-se que o processo não é instrumento para se levar vantagem, por isso
todos os sujeitos que nele atuam, principalmente os atores principais (juiz, advogados, autores e
réus), devem pautar-se, acima de tudo, pela ética e pela honestidade. Assim, os capítulos do Código
de Processo Civil que tratam dos deveres das partes e dos procuradores, bem como da litigância de
má-fé, ganham destaque na Justiça do Trabalho como inibidores e sancionadores de condutas que
violem os princípios da lealdade e boa-fé processual.
Lealdade é conduta honesta, ética, segundo os padrões de conduta aceitos pela sociedade, é agir
com seriedade e boa-fé.
A boa-fé é um princípio geral de Direito, aplicável principalmente na esfera do Direito Material
do Trabalho, mas também se destaca na esfera do Direito Processual do Trabalho, considerando-se o
caráter publicista da relação jurídica processual trabalhista e também do prestígio do processo do
trabalho na sociedade capitalista moderna, como sendo um meio confiável e ético de resolução dos
conflitos trabalhistas.
A CLT não contém disposição semelhante ao do CPC a respeito, portanto, pensamos inteiramente
aplicável ao Processo do Trabalho o disposto no art. 14 do CPC, uma vez que há compatibilidade
com os princípios que norteiam essa esfera do Direito Processual. Nesse sentido, TST — 2ª T. —
Ac. n. 11.170/97 — Rel. Min. Moacyr Roberto Tesch — DJ 28.11.97, p. 62.432.
Conforme o art. 15 do CPC, é defeso às partes e seus advogados empregar expressões injuriosas
nos escritos apresentados no processo, cabendo ao Juiz, de ofício ou a requerimento do ofendido,
mandar riscá-las. Parágrafo único. Quando as expressões injuriosas forem proferidas em defesa oral,
o Juiz advertirá o advogado que não as use, sob pena de lhe ser cassada a palavra.
A litigância de má-fé caracteriza-se como a conduta da parte, tipificada na lei processual (art.
17 do CPC), que viola os princípios da lealdade e boa-fé processual, bem como atenta contra a
dignidade e seriedade da relação jurídica processual.
A pena por litigância de má-fé é a sanção, prevista na lei processual, que tem a finalidade de
inibir (prevenir) e reprimir os atos do litigante de má-fé.
Ao contrário do que sustentam alguns, o título da litigância de má-fé, previsto no CPC, é
integralmente compatível com o Processo do Trabalho, por força do art. 769 da CLT. Aplica-se tanto
ao reclamante como ao reclamado, pois a finalidade da lei é assegurar a dignidade do processo,
como um instrumento público e confiável de materialização da Justiça.
Ainda que se possa sustentar a hipossuficiência do reclamante no processo do trabalho, esse
argumento, data venia, não pode ser utilizado como escudo para se permitir a lide temerária do
trabalhador na Justiça do Trabalho, pretensões formuladas fora da razoabilidade, ou de forma
abusiva. No cotidiano da Justiça do Trabalho, constatamos muitos exemplos de má-fé por parte do
próprio trabalhador, e esse fato se potencializa considerando-se a expectativa da revelia do
reclamado, ou até mesmo um acordo mais vantajoso para o trabalhador (ver art. 17 do CPC).
O art. 17 do CPC aplica-se integralmente ao Processo do Trabalho, por força do art. 769 da CLT
(ver ainda art. 18 do CPC).
A multa de 1% e a indenização decorrente da litigância de má-fé, segundo entendimento
dominante, somente são cabíveis em caso de conduta dolosa da parte, vale dizer: com a intenção de
tumultuar o processo ou obter vantagem indevida por meio dele, uma vez que o CPC não prevê
modalidade culposa.
O Juiz do Trabalho aplicará a pena por litigância de má-fé de ofício ou a requerimento da parte,
em decisão devidamente fundamentada (art. 93, IX, da CF). A multa é fixada em 1% sobre o valor da
causa, além de indenização não superior a 20% sobre o valor da causa.
Em suma:
4.8. Da intervenção de terceiros no processo do trabalho
Vigora, no Direito Processual Civil brasileiro, o princípio da singularidade. De acordo com esse
princípio, compõem os polos da relação jurídica processual somente autor e réu. Nos casos
expressamente previstos na legislação, cabe a intervenção de outras pessoas no processo.
O terceiro é rigorosamente toda pessoa que não seja parte no processo. Todos aqueles que não são
partes consideram-se, em relação àquele processo, terceiros (Liebman). São terceiros interessados,
por exemplo: o sócio que se retirou da sociedade há menos de dois anos; seguradora que vem ajudar
o segurado.
O fundamento da intervenção de terceiros é a proximidade entre certos terceiros e o objeto da
causa. Por isso, o terceiro, inegavelmente, tem interesse jurídico no objeto da demanda.
A intervenção pode ser: a) espontânea (voluntária): assistência, oposição; b) provocada (ou
coacta): denunciação à lide, chamamento ao processo, nomeação à autoria.
Em razão das peculiaridades do processo do trabalho, principalmente de seus princípios basilares,
muitos questionam a possibilidade da intervenção de terceiros no processo do trabalho.
No procedimento sumaríssimo trabalhista, não cabe tal intervenção em razão dos princípios da
celeridade e da simplicidade do referido procedimento. Embora a Lei n. 9.957/2000 não vede
expressamente a possibilidade de intervenção de terceiros, o art. 10 da Lei n. 9.099/95, aplicável
subsidiariamente ao procedimento sumaríssimo trabalhista, veda expressamente tal intervenção.
No rito ordinário, há grandes controvérsias sobre a possibilidade ou não da intervenção de
terceiros.
Na doutrina, alguns autores sustentam a viabilidade da intervenção de terceiros no Processo do
Trabalho mesmo antes da edição da EC 45/2004.
Antes dessa EC, a jurisprudência havia se firmado no sentido do não cabimento, como regra geral,
do Instituto da Intervenção de Terceiros no Direito Processual do Trabalho.
Dentre os argumentos contrários à intervenção de terceiros no Processo do Trabalho apontados
pela doutrina e jurisprudência anterior à EC 45/2004, destacamos: a) a Justiça do Trabalho não tinha
competência para resolver controvérsias entre terceiros, estranhos às controvérsias entre empregados
e empregadores; b) incompatibilidade da intervenção de terceiros com os princípios do processo do
trabalho, máxime dos princípios da celeridade, simplicidade e oralidade; c) criação de
complicadores no procedimento que impeçam que o processo tenha uma tramitação ágil e façam com
que ele perca o seu foco central, que é assegurar a efetividade do crédito trabalhista; d) obrigar o
reclamante a litigar contra quem não pretende.
Em contrapartida, muitos sustentavam a possibilidade da intervenção de terceiros no processo do
trabalho, com os seguintes argumentos: a) compatibilidade do instituto com o procedimento
trabalhista; b) omissão da CLT, podendo ser aplicado o instituto processual por força do art. 769 da
CLT; c) competência da Justiça do Trabalho para apreciar outras controvérsias decorrentes da
relação de trabalho (parte final do art. 114 da CF, com a redação anterior à EC 45/2004); d)
economia processual; e) maior efetividade do processo e pacificação dos conflitos que circundam a
relação de trabalho; f) possibilidade de decisões conflitantes entre a Justiça do Trabalho e a Justiça
comum sobre a mesma controvérsia; g) razões de justiça e equidade.
A nosso ver, diante da EC 45/2004, o instituto da intervenção de terceiros é admitido com maior
flexibilidade no Processo do Trabalho, máxime quando não se postula um crédito oriundo da relação
de emprego. Entretanto, cabe ao Juiz do Trabalho, como diretor do processo, zelar pela celeridade e
efetividade do procedimento (arts. 765 da CLT e 130 do CPC), avaliar o custo-benefício da
intervenção de terceiros e indeferi-la quando não trouxer benefícios aos litigantes, não inibir o
direito de regresso e gerar complicadores desnecessários ao rápido andamento do processo.
Sendo acolhida a intervenção de terceiros provocada (nomeação à autoria, chamamento ao
processo e denunciação da lide), deverá o Juiz do Trabalho adiar a audiência e propiciar a
notificação do terceiro para que, se quiser, compareça na audiência de instrução e julgamento,
apresentando defesa e as provas que pretende produzir. Caso a intervenção seja espontânea
(assistência e oposição), deverá o Juiz do Trabalho notificar o terceiro para, se desejar, participar
da audiência de instrução e julgamento, devendo ser intimado para participar do processo nos seus
ulteriores atos. A decisão que defere a intervenção de terceiros tem natureza de decisão
interlocutória, não sendo recorrível de imediato (art. 893, § 1º, da CLT). Não obstante, havendo
ilegalidade na decisão ou se ela tumultuar o processo, a parte prejudicada poderá impetrar mandado
de segurança ou propor a Correição Parcial.
Em suma:

4.8.1. Assistência
O interesse de terceiro na demanda é disposto no art. 50 do CPC. O interesse que legitima a
intervenção de terceiros é o jurídico. Interesse jurídico configura-se quando o resultado do
processo projeta efeitos sobre a esfera de direitos do terceiro, ou seja, o terceiro pode, de algum
modo, sofrer os efeitos da coisa julgada material — por exemplo, fiador, sócio que se retirou da
empresa há menos de dois anos (art. 1.102 do CC), seguradora. O interesse meramente econômico
não legitima a assistência.
Ao intervir, o terceiro adquire o status de parte. No entanto, o litígio não é seu, o assistente não
tem poderes de disposição do processo. Por isso, é chamado de parte auxiliar. Também o ingresso
do assistente não altera o objeto do processo, uma vez que ele se limita a aderir à pretensão do
assistido, sem formular demanda nova. O mérito tem o mesmo contorno com a assistência e sem ela.
A assistência cabe em qualquer espécie de processo, mesmo executivo (embargos à execução e de
terceiro), mas o assistente recebe o processo no estado em que se encontra (art. 50, parágrafo único,
do CPC). Cabe no rito sumário (art. 280 do CPC); não cabe no sumaríssimo (art. 10 da Lei n.
9.099/95) e também não cabe no rito sumaríssimo trabalhista da Lei n. 9.957/2000 em razão da
celeridade e da aplicação analógica da Lei n. 9.099/95.
A assistência pode ser simples ou litisconsorcial. Litisconsorcial (ou qualificada): quando a
sentença houver de influir na relação jurídica entre ele e o adversário do assistido (art. 54 do CPC).
A assistência, tanto sob a modalidade simples como a litisconsorcial, é compatível com o
Processo do Trabalho, inclusive a Súmula n. 82 do C. TST a admite. Diz o referido verbete Sumular:
“ASSISTÊNCIA. A intervenção assistencial, simples ou adesiva, só é admissível se demonstrado o
interesse jurídico e não o meramente econômico”.
Embora a jurisprudência admita amplamente a assistência no Processo do Trabalho, não são
muitas as hipóteses de sua ocorrência. Podemos citar, por exemplo, o sócio que ingressa como
assistente para ajudar a empresa; a empresa do mesmo grupo econômico de outra empresa que figura
como reclamada e vem ajudá-la no processo (assistência litisconsorcial); o empregador que ingressa
como assistente em ação coletiva promovida pelo sindicato em que este figura como substituto
processual.
Em suma:

4.8.2. Nomeação à autoria


Disposta no art. 62 do CPC, cabe somente no processo de conhecimento. No processo de execução
ela não é cabível. Se o réu não o fizer, deverá ressarcir perdas e danos. Com relação ao juiz, a
nomeação não tem efeitos sobre o poder do juiz de livremente apreciar a legitimidade ad causam. A
oportunidade para a nomeação à autoria é o prazo da resposta.
A utilidade da nomeação consiste em antecipar soluções para a questão da legitimidade passiva
mediante um incidente razoavelmente simples em que o autor, alertado, tem oportunidade de retificar
a mira da demanda proposta.
As hipóteses de nomeação à autoria vêm previstas nos arts. 62 e 63 do CPC. O art. 62 trata da
hipótese em que o réu é acionado em ação real, mas simplesmente detém a coisa, não sendo seu
proprietário ou possuidor. O art. 63 aduz ser aplicável o disposto no art. 62 à ação de indenização,
intentada pelo proprietário ou pelo titular de um direito sobre a coisa, toda vez que o responsável
pelos prejuízos alegar que praticou o ato por ordem, ou em cumprimento de instruções de terceiro.
A nosso ver, a nomeação à autoria, embora de difícil ocorrência no Processo do Trabalho, não é
com ele incompatível. O referido instituto pode ser compatibilizado com o Processo do Trabalho
(art. 769 da CLT), inclusive para beneficiar o próprio reclamante, mesmo sem os contornos dos arts.
62 e 63 do CPC, mas como medida de correção do polo passivo da ação, sem a necessidade de
extinção prematura do processo em razão de ilegitimidade. Muitas vezes, o autor postula verbas
trabalhistas em face do reclamado que não é o empregador, e este, em defesa, indica quem é o
verdadeiro empregador. Desse modo, havendo concordância do reclamante ou até se estiver
convencido o juiz, este poderá determinar o acertamento do polo passivo, sem precisar extinguir o
processo por ilegitimidade ad causam do demandado. Em hipóteses de terceirização ou contrato de
subempreitada, é comum o reclamante postular o vínculo de emprego em face de determinado
empregador, e este indicar, em defesa, o verdadeiro empregador.
Em suma:

4.8.3. Oposição
Dispõe o art. 56 do CPC: “Quem pretender, no todo ou em parte, a coisa ou o direito sobre que
controvertem autor e réu, poderá, até ser proferida a sentença, oferecer oposição contra ambos”.
Disposta no art. 56 do CPC, caracteriza-se a pretensão do oponente pelo pedido de tutela
jurisdicional em relação ao mesmo bem que as partes originárias disputam. Caso o oponente não
venha a juízo, a coisa julgada proferida na ação entre as partes originárias não o vinculará, em razão
dos limites subjetivos da coisa julgada material (art. 472 do CPC). A razão de ser da oposição é a
incompatibilidade entre a pretensão do terceiro e a das partes originárias.
A petição inicial deve preencher os requisitos dos arts. 282 e 283, ambos do CPC. A oposição não
pode ter objeto mais amplo que a coisa ou o direito controvertido entre autor e réu, senão, deve o
interessado propor ação autônoma. A oposição deve ser julgada primeiro que a ação, sob pena de
nulidade da sentença.
Cabendo ao juiz decidir simultaneamente a ação e a oposição (como no caso do art. 59), desta
conhecerá em primeiro lugar (CPC, art. 61), pois, julgando procedente a oposição, aplicará no
processo principal as consequências: é a prejudicialidade referida. A contrario sensu, quando ele
não tiver de decidir simultaneamente, porque a tanto não obrigado pela lei, poderá julgar antes a
ação e depois a oposição.
Ainda há acirradas dúvidas sobre a possibilidade da oposição no Processo do Trabalho.
O entendimento majoritário anterior à EC 45/2004 era no sentido da incompetência da Justiça do
Trabalho.
No dissídio individual do trabalho, em que pesem as opiniões em contrário, não vemos óbice,
máxime após a EC 45/2004 que atribuiu à Justiça do Trabalho competência para as ações oriundas e
decorrentes da relação de trabalho (art. 114, I e IX). Desse modo, a oposição, embora sejam
reduzidas suas hipóteses, é compatível com os princípios que norteiam o Processo do Trabalho (art.
769 da CLT).
Em suma:

4.8.4. Denunciação da lide


Trata-se de forma de intervenção de terceiros provocada ou coacta.
Pode dar-se tanto pelo autor como pelo réu. É exclusiva do processo de conhecimento, não sendo
admitida no processo executivo ou cautelar.
A denunciação à lide está prevista no art. 70 do CPC.
A nosso ver, malgrado o referido dispositivo legal mencione que a denunciação é obrigatória para
todos os casos, nas hipóteses dos incisos II e III, se o réu não ofertar o requerimento de denunciação,
não perderá o direito de regresso, podendo fazê-lo em processo autônomo, já que a norma de direito
material não dispõe sobre a modalidade de se postular o direito de regresso. Entendimento diverso
violaria o art. 5º, XXXV, da CF (acesso à Justiça) e também provocaria injustiça manifesta.
Portanto, nas hipóteses dos incisos II e III do art. 70 do CPC, a ausência da denunciação somente
faria o denunciante perder o direito de regresso na mesma relação jurídica processual.
Os incisos I e II do referido dispositivo não se aplicam ao Direito Processual do Trabalho por
serem matérias que não decorrem da relação de trabalho. Quanto ao inciso III, há divergências sobre
sua aplicabilidade no Processo do Trabalho.
A doutrina e a jurisprudência, salvo algumas vozes em sentido contrário, sempre foram refratárias
em admitir o instituto da intervenção de terceiros no Processo do Trabalho, diante da celeridade do
rito processual trabalhista e da falta de competência material da Justiça do Trabalho para dirimir
controvérsias atinentes a direito de regresso entre terceiros, que não guardam relação direta com o
contrato de trabalho.
O Tribunal Superior do Trabalho, diante da EC 45/2004, cancelou a OJ n. 227 da SDI-I, que
proibia a denunciação à lide no Processo do Trabalho. Os argumentos, da doutrina e jurisprudência,
antes da EC 45/2004, eram no sentido de que a Justiça do Trabalho não detinha competência para
apreciar a relação jurídica entre terceiros, máxime o direito de regresso, pois a antiga redação do
art. 114 da CF falava em dissídios entre empregados e empregadores.
Atualmente, os incisos VI e IX do art. 114 da CF falam em ações decorrentes da relação de
trabalho. Portanto, a espinha dorsal da competência da Justiça do Trabalho não são mais os dissídios
entre empregados e empregadores, e sim as controvérsias decorrentes da relação de trabalho, que
podem envolver terceiros, que não prestador e tomador de serviços, como se dá nas ações de
reparação por danos morais e patrimoniais decorrentes da relação de trabalho e também nas
hipóteses de sucessão de empresas.
No atual estágio da competência da Justiça do Trabalho, seja compatível a denunciação à lide nas
ações reparatórias de danos morais e patrimoniais, podendo o empregador, por exemplo, denunciar à
lide a seguradora, em eventual ação de reparação de dano oriundo de acidente de trabalho, ou em
caso de responsabilidade do empregador por ato de seu preposto ou empregado, denunciar à lide o
empregado que causou diretamente o dano (arts. 932, III, 933 e 942, todos do Código Civil).
A jurisprudência Trabalhista vem se pronunciando a respeito, ora admitindo ora rejeitando a
denunciação da lide no Processo do Trabalho, conforme se pode denotar, em: TRT 3ª R — 10ª T —
Relª Juíza Maria Cecília Alves Pinto (convocada) — 30.09.2009 — p. 205 — Processo RO n.
342/2009.020.03.00-4) (RDT n. 10 — outubro de 2009 e TRT 5ª R — 4ª T — Rel. Des. Roberto
Pessoa — 17.09.2009 — Processo RO n. 1136/2008.027.05.00-4) (RDT n. 10 — outubro de 2009.
Em suma:
4.8.5. Chamamento ao processo
Disposto no art. 77 do CPC, trata-se de uma modalidade de intervenção de terceiro provocada,
não cabendo, segundo posição majoritária, ao chamado a possibilidade de recusa. É exclusiva do
processo de conhecimento, sendo incompatível com o executivo e o cautelar porque visa sempre
obter a condenação do terceiro na sentença, o que só ocorre no processo de conhecimento.
O chamamento ao processo assemelha-se à denunciação à lide, mas com ela não se confunde, pois
se trata de figura específica prevista no CPC para que o chamado à lide venha a responder junto com
o devedor solidário, ou para que o devedor principal venha a ser chamado para responder quando
demandado o fiador. O chamamento ao processo, ao contrário das hipóteses de denunciação à lide,
não é obrigatório, tampouco inviabiliza o direito de regresso para a parte que não o fizer.
Nos termos do art. 78 do CPC, “para que o juiz declare, na mesma sentença, as responsabilidades
dos obrigados, a que se refere o artigo antecedente, o réu requererá, no prazo para contestar, a
citação do chamado”.
Conforme o art. 80 do CPC, “a sentença, que julgar procedente a ação, condenando os devedores,
valerá como título executivo, em favor do que satisfizer a dívida, para exigi-la, por inteiro, do
devedor principal, ou de cada um dos codevedores a sua quota, na proporção que lhes tocar”.
Pelos mesmos motivos que sustentamos a possibilidade da denunciação da lide, acreditamos ser
possível o chamamento ao processo na Justiça do Trabalho, com uma flexibilidade maior que a
denunciação, pois o chamamento visa uma maior garantia de pagamento do crédito do reclamante.
Em contrapartida, cabe ao Juiz do Trabalho, como diretor do processo, avaliar o custo-benefício
do chamamento e indeferi-lo quando não trouxer benefícios ao processo e também demora demasiada
à resolução da lide.
As hipóteses mais comuns de chamamento no Processo do Trabalho são as do sócio, quando a
empresa está insolvente, empresa do mesmo grupo econômico da reclamada; do subempreiteiro,
quando a demanda é proposta em face do empreiteiro principal; da empresa tomadora dos serviços,
quando se postula o vínculo de emprego em face da cooperativa; ou da empresa prestadora, quando
se postulam verbas trabalhistas em face da tomadora de serviços em hipótese de terceirização
(Súmula n. 331 do C. TST).
Em suma:

4.9. Ministério Público do Trabalho


Não há uniformidade na doutrina sobre quando surgiu o Ministério Público. Para alguns, foi no
Egito, para outros, na França, mas o certo é que, ao longo dos anos, a instituição cresceu e adquiriu
importância vital na defesa da ordem jurídica, dos direitos indisponíveis e do Estado Democrático
de Direito.
Conforme as palavras de Calamandrei, no Ministério Público se exercem a magistratura e a
advocacia ao mesmo tempo, pois o promotor é tão imparcial como o juiz na defesa do ordenamento
jurídico, mas tão combativo como o advogado quando postula um direito (ver art. 127 da CF).
A Constituição de 1988 desvinculou o Ministério Público do poder executivo, transformando-o em
uma instituição autônoma e permanente. Por isso, alguns sustentam ser ele o quarto poder da
República (ver art. 128 da CF).
Conforme dispõe o art. 128 da CF, o Ministério Público do Trabalho faz parte do Ministério
Público da União, tendo sua estrutura federalizada, sendo regido pela Constituição Federal e pela LC
75/93, que dispõe sobre o Ministério Público da União, a qual revogou tacitamente os arts. 736 a
757 da CLT.
Conforme o § 5º do art. 128 da CF, os membros do Ministério Público do Trabalho têm as mesmas
garantias da magistratura, quais sejam:
a ) vitaliciedade: após dois anos de exercício, não podendo perder o cargo senão por sentença
judicial transitada em julgado; b) inamovibilidade: salvo por motivo de interesse público, mediante
decisão do órgão colegiado competente do Ministério Público, pelo voto da maioria absoluta de seus
membros, assegurada ampla defesa; c) irredutibilidade de subsídio: fixado na forma do art. 39, § 4º,
e ressalvado o disposto nos arts. 37, X e XI, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I.
Outrossim, estão sujeitos às seguintes vedações: a) receber, a qualquer título e sob qualquer
pretexto, honorários, percentagens ou custas processuais; b) exercer a advocacia; c) participar de
sociedade comercial, na forma da lei; d) exercer, ainda que em disponibilidade, qualquer outra
função pública, salvo uma de magistério; e) exercer atividade político-partidária; f) receber, a
qualquer título ou pretexto, auxílios ou contribuições de pessoas físicas, entidades públicas ou
privadas, ressalvadas as exceções previstas em lei.
São órgãos do Ministério Público do Trabalho, segundo o art. 85 da LC 75/93: I — o Procurador-
Geral do Trabalho; II — o Colégio de Procuradores do Trabalho; III — o Conselho Superior do
Ministério Público do Trabalho; IV — a Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público
do Trabalho; V — a Corregedoria do Ministério Público do Trabalho; VI — os Subprocuradores-
Gerais do Trabalho; VII — os Procuradores Regionais do Trabalho; VIII — os Procuradores do
Trabalho.
Conforme o art. 86 da LC 75/93, a carreira do Ministério Público do Trabalho será constituída
pelos cargos de Subprocurador-Geral do Trabalho, Procurador Regional do Trabalho e Procurador
do Trabalho.
O cargo inicial da carreira é o de Procurador do Trabalho e o do último nível o de
Subprocurador-Geral do Trabalho.
O ingresso na carreira do Ministério Público, conforme o § 3º do art. 129 da CF, far-se-á mediante
concurso público de provas e títulos, assegurada a participação da Ordem dos Advogados do Brasil
em sua realização, exigindo-se do bacharel em Direito, no mínimo, três anos de atividade jurídica e
observando-se, nas nomeações, a ordem de classificação.
Os procuradores do trabalho são efetivos a partir da posse, não havendo a existência do cargo de
procurador do trabalho substituto. Entretanto, a vitaliciedade somente é adquirida após dois anos de
exercício no cargo.
As hipóteses de atuação do Ministério Público do Trabalho (competências) estão basicamente
elencadas no art. 83 da LC 75/93.
Em suma:
DAS PARTES E DOS PROCURADORES NA JUSTIÇA DO TRABALHO

MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO

O Ministério Público é instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da
CONCEITO ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis, sendo uma instituição
autônoma e permanente.

I — O Ministério Público da União, que compreende:


a) o Ministério Público Federal;
b) o Ministério Público do Trabalho;
COMPOSIÇÃO c) o Ministério Público Militar;
d) o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios;
II — Os Ministérios Públicos dos Estados.
§ 1º — O Ministério Público da União tem por chefe o Procurador-Geral da República.

Vitaliciedade;
GARANTIAS Inamovibilidade;
Irredutibilidade de subsídio.

Receber, a qualquer título e sob qualquer pretexto, honorários, percentagens ou custas processuais;
Exercer a advocacia;
Participar de sociedade comercial, na forma da lei;
VEDAÇÕES Exercer, ainda que em disponibilidade, qualquer outra função pública, salvo uma de magistério;
Exercer atividade político-partidária;
Receber, a qualquer título ou pretexto, auxílios ou contribuições de pessoas físicas, entidades públicas ou privadas,
ressalvadas as exceções previstas em lei.

I — o Procurador-Geral do Trabalho;
II — o Colégio de Procuradores do Trabalho;
III — o Conselho Superior do Ministério Público do Trabalho;
ÓRGÃOS DO MINISTÉRIO IV — a Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público do Trabalho;
PÚBLICO DO TRABALHO V — a Corregedoria do Ministério Público do Trabalho;
VI — os Subprocuradores-Gerais do Trabalho;
VII — os Procuradores Regionais do Trabalho;
VIII — os Procuradores do Trabalho.

Será constituída pelos cargos de Subprocurador-Geral do Trabalho, Procurador Regional do Trabalho e


CARREIRA DO
Procurador do Trabalho.
MINISTÉRIO PÚBLICO DO
O cargo inicial da carreira é o de Procurador do Trabalho e o do último nível o de Subprocurador-Geral do
TRABALHO
Trabalho.

Mediante concurso público de provas e títulos, assegurada a participação da Ordem dos Advogados do
Brasil em sua realização, exigindo-se do bacharel em Direito, no mínimo, três anos de atividade jurídica e
observando-se, nas nomeações, a ordem de classificação.
INGRESSO NA CARREIRA
Os procuradores do trabalho são efetivos a partir da posse, não havendo a existência do cargo de
procurador do trabalho substituto. Entretanto, a vitaliciedade somente é adquirida após dois anos de
exercício no cargo.

HIPÓTESES DE ATUAÇÃO
DO MINISTÉRIO PÚBLICO As competências estão basicamente elencadas no art. 83 da LC 75/93.
DO TRABALHO

Questões
1. (TRT 3ª Região — 2009) A respeito das atribuições do Ministério Público do Trabalho, leia as
afirmações abaixo e, em seguida, assinale a alternativa correta:
I. Segundo a jurisprudência consolidada do Tribunal Superior do Trabalho, o Ministério
Público do Trabalho não tem legitimidade para recorrer na defesa de interesse patrimonial
privado, inclusive de empresas públicas e sociedades de economia mista. Esta regra, contudo,
não se aplica quando se trata de decisão que declara a existência de vínculo empregatício com
sociedade de economia mista, após a CF/88, sem a prévia aprovação em concurso público.
II. As funções do Ministério Público só podem ser exercidas por integrantes da carreira, que
deverão residir na comarca da respectiva lotação, salvo autorização do chefe da instituição
ou, por delegação, do procurador regional.
III. Os Subprocuradores-Gerais do Trabalho serão designados para oficiar junto ao Tribunal
Superior do Trabalho e nos ofícios na Câmara de Coordenação e Revisão, cabendo-lhes
exercer, privativamente, as funções de Corregedor-Geral do Ministério Público do Trabalho.
IV. Entre as atribuições do Ministério Público está a de propor as ações cabíveis para
declaração de nulidade de cláusula de contrato, acordo coletivo ou convenção coletiva que
viole as liberdades individuais ou coletivas ou os direitos individuais indisponíveis dos
trabalhadores.
V. Por expressa disposição legal, não estão sujeitos a ponto os procuradores-gerais e os
procuradores do trabalho.
a) Somente uma afirmativa está correta.
b) Somente duas afirmativas estão corretas.
c) Somente três afirmativas estão corretas.
d) Somente quatro afirmativas estão corretas.
e) Todas as afirmativas estão corretas.
2. (TRT 2ª Região — 2010) Diante da regra do artigo 791 da CLT que assegura o jus postulandi
na Justiça do Trabalho e de acordo com o disposto no artigo 133 da Constituição Federal que
prevê a indispensabilidade do advogado para administração da justiça, é correto afirmar que a
presença do advogado é exigida quando:
a) Da oposição de Recurso Ordinário, de Revista e ajuizamento de Ação Rescisória;
b) Da oferta de embargos de declaração e no ajuizamento de Ação de Reconvenção;
c) Houver pedido de tutela antecipada e nos casos de levantamento de valores,
d) No indeferimento do pedido de assistência judiciária gratuita com base na Lei
5.584/70;
e) Do ajuizamento de Embargos de Terceiro.
3. (MPT/BR Procurador do Trabalho (Maio/2012) MPT — 17º Concurso) Sobre a substituição
processual no processo do trabalho, assinale a alternativa CORRETA:
a) Consoante a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, a Constituição da República
consagrou a substituição processual sindical ampla em relação a todos os integrantes da
categoria representada pela entidade sindical substituta, independentemente de
autorização dos substituídos.
b) Consoante a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, a Constituição da República
consagrou a substituição processual sindical ampla em relação a todos os integrantes da
categoria representada pela entidade sindical substituta, desde que haja a devida
autorização dos substituídos.
c) Consoante a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, a Constituição da República
consagrou a substituição processual sindical restrita aos associados da entidade sindical
substituta, independentemente de autorização dos substituídos.
d) Consoante a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, a Constituição da República
consagrou a substituição processual sindical restrita aos associados da entidade sindical
substituta, desde que haja a devida autorização dos substituídos.
e) Não respondida.

Gabarito
1. D
2. E
3. A
5
Dos atos processuais

5.1. Conceito de atos e fatos processuais


Processo significa marcha avante, caminhada, do latim procedere — seguir adiante.
O processo é indispensável à função jurisdicional. É definido pela doutrina como o instrumento
por meio do qual a jurisdição opera (instrumento de positivação do poder). Por outras palavras, é
o instrumento pelo qual o Estado exerce a jurisdição.
O processo é o método de solução dos conflitos e o instrumento público, previsto em lei, por meio
do qual o Estado exerce a jurisdição, dirimindo conflito de interesses, aplicando o direito ao caso
concreto, dando a cada um o que é seu por direito, e impondo coercitivamente o cumprimento da
decisão.
A relação jurídica processual é instrumental, uma vez que o processo é um instrumento a serviço
do direito material.
O processo é uma relação jurídica complexa que envolve atos das partes, do Juiz e atos de
impulso processual (praticados de ofício pelo Juiz ou pelos auxiliares da Justiça), a fim de que a
relação jurídica processual possa ter início, meio e fim.
Segundo a doutrina, fato jurídico em sentido amplo é todo acontecimento decorrente da vontade
das partes, ou da própria natureza, que tem por objetivo criar, modificar ou extinguir direitos. No
sentido estrito, fato jurídico é um acontecimento natural, e o ato jurídico decorre da vontade humana.
Os atos processuais são praticados pelas partes ou pelo Juiz, pois decorrem da vontade humana
visando a determinado efeito processual — por exemplo, a petição inicial, o recurso, a sentença etc.
Não diferem dos atos jurídicos em geral, pois, enquanto estes têm por objeto criar, extinguir ou
modificar direitos, os atos processuais têm por objetivo um efeito processual.
Os fatos processuais são acontecimentos naturais, não decorrentes da vontade humana, mas
produzem efeitos processuais — como exemplos temos a morte de uma das partes, a revelia, a
perempção etc.
Os atos processuais praticados pelo Juiz no processo estão mencionados, exemplificativamente, no
art. 162 do CPC.
Há outros atos processuais, não mencionados no referido dispositivo legal, que são privativos do
Juiz, como presidir às audiências, supervisionar os trabalhos da Secretaria, atender os advogados
etc.
Os atos da parte estão mencionados, de forma exemplificativa, no art. 158 do CPC, in verbis: “Os
atos das partes, consistentes em declarações unilaterais ou bilaterais de vontade, produzem
imediatamente a constituição, a modificação ou a extinção de direitos processuais. Parágrafo único.
A desistência da ação só produzirá efeito depois de homologada por sentença”.
Como exemplos de atos das partes, temos: petição inicial, contestação, recursos, depoimentos
pessoais, transação, entre outros.
Como exemplos de atos dos servidores da Justiça (auxiliares) temos a notificação inicial, que é
ato do diretor de secretaria (art. 841 da CLT), a penhora praticada pelo oficial de justiça avaliador
(art. 883 da CLT), a perícia realizada pelo perito do juízo (art. 195 da CLT) etc.
A Consolidação disciplina os atos processuais nos arts. 770 a 790-B, incluindo os prazos e
despesas processuais, permitindo-se a aplicação subsidiária do CPC naquilo em que houver
compatibilidade com o Processo do Trabalho (art. 769 da CLT).
Em suma:

5.2. Princípios dos atos processuais


Os atos processuais, para terem validade no processo, devem obedecer às diretrizes básicas
fixadas na CLT, as quais denominamos princípios dos atos processuais. São eles:
a) Publicidade: dispõe o art. 770 da CLT:
“Os atos processuais serão públicos salvo quando o interesse social determinar o contrário, e
realizar-se-ão nos dias úteis das 6 às 20 horas”.
O princípio da publicidade não é absoluto, pois, quando a causa estiver discutindo questões que
envolvam a intimidade das partes, o Juiz poderá restringir a publicidade da audiência. Nesse sentido,
dispõe o art. 5º, LX, da CF: “A lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a
defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem”.
b) Limites temporais: conforme o citado art. 770 da CLT, os atos processuais realizar-se-ão nos
dias úteis das 6 às 20 horas. Não obstante, sendo necessário, mediante autorização judicial, os atos
processuais podem ser praticados fora do limite temporal acima mencionado, aplicando-se o
disposto no art. 172 do CPC, que resta compatível com o Processo do Trabalho.
Conforme o parágrafo único do art. 770 da CLT, a penhora poderá realizar-se em domingo ou dia
feriado, mediante autorização expressa do Juiz do Trabalho.
Segundo dispõe o § 2º do art. 172 do CPC, os atos processuais praticados, com autorização
judicial, em domingos e feriados, devem respeitar o disposto no art. 5º, XI, que assim dispõe: “A
casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador,
salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por
determinação judicial”.
Conforme o referido dispositivo constitucional, inserido nas garantias fundamentais do cidadão,
portanto cláusula pétrea da Constituição Federal, não é possível ingressar na casa de alguém, mesmo
com ordem judicial, durante o período noturno. Durante o dia, é possível o ingresso, mediante
autorização judicial. Em casos excepcionais, no Processo do Trabalho, em que o reclamado ou
executado é encontrado somente no período noturno, o Juiz do Trabalho, valendo-se dos princípios
da razoabilidade e proporcionalidade, a fim de materializar o direito fundamental do acesso à Justiça
(art. 5º, XXXV, da CF), poderá determinar a realização do ato processual no período noturno, após
as 20 horas, em horário razoável que não comprometa o direito ao repouso noturno.
Dias úteis são aqueles em que há funcionamento do fórum. Somente o domingo é considerado
feriado (art. 175 do CPC). Desse modo, os fatos processuais podem ser praticados de segunda a
sábado. Entretanto, para fins de contagem do prazo processual, o sábado não é computado, pois não
há expediente forense (art. 184 do CPC).
Nos Tribunais e Varas do Trabalho que adotam o processo judicial eletrônico, o prazo para a
prática dos atos processuais pode dar-se até às 24 horas do último dia do prazo (art. 3º, parágrafo
único, da Lei n. 11.419/2006).
c) Forma: os atos processuais devem ser praticados conforme a forma prevista na lei. A lei
processual trabalhista determina a forma escrita. Nesse sentido, dispõe o art. 771 da CLT, in verbis:
"Os atos e termos processuais poderão ser escritos a tinta, datilografados ou a carimbo".
d) Documentação: Todos os atos processuais serão documentados e juntados aos autos do
processo.
Conforme o art. 772 da CLT: “Os atos e termos processuais, que devam ser assinados pelas partes
interessadas, quando estas, por motivo justificado, não possam fazê-lo, serão firmados a rogo, na
presença de duas testemunhas, sempre que não houver procurador legalmente constituído”.
Nos termos do art. 773 da CLT:
Os termos relativos ao movimento dos processos constarão de simples notas, datadas e rubricadas
pelos Chefes de Secretaria ou escrivães.
e) Preclusão: diante do caráter público da norma processual, para que o processo atinja sua meta
ou seu objetivo, qual seja, a justa composição da lide, é necessário que supere algumas fases
processuais. Impensável, modernamente, se chegar ao término da relação processual sem o instituto
da preclusão, que se define pela perda do direito de se praticar uma faculdade processual, seja pelo
seu não exercício no prazo previsto pela lei (temporal), seja por já ter exercido o ato (consumativa),
ou por ter praticado um ato incompatível com o ato que já se praticou (lógica).
Sendo assim, para que o processo tenha início, meio e fim, a preclusão torna-se essencial para a
solução da lide.
No aspecto constitucional, os princípios da inafastabilidade e inevitabilidade da jurisdição
previstos no art. 5º da CF asseguram o prosseguimento do processo até que atinja uma solução final.
f) Perempção: no processo civil, a doutrina tem definido o instituto da perempção como sendo
falta de pressuposto processual, ocorrido pela extinção do processo motivada pelo autor, que, por
três vezes anteriores, não promoveu os atos e as diligências que lhe competiam realizar, terminando
por abandonar a causa por mais de 30 dias (arts. 267, III, e 268, parágrafo único, do CPC).
Na esfera do Processo do Trabalho, a matéria é regulada pelos arts. 731 e 732 da CLT. Dispõem
os referidos dispositivos legais:
Art. 731. Aquele que, tendo apresentado ao distribuidor reclamação verbal, não se apresentar, no prazo estabelecido no parágrafo
único do art. 786, à Junta ou Juízo para fazê-lo tomar por termo, incorrerá na pena de perda, pelo prazo de 6 (seis) meses, do
direito de reclamar perante a Justiça do Trabalho.

Art. 732. Na mesma pena do artigo anterior incorrerá o reclamante que, por 2 (duas) vezes seguidas, der causa ao arquivamento
de que trata o art. 844.

A doutrina tem denominado de perempção no Processo do Trabalho a perda temporária do direito


de ação, por seis meses, nas hipóteses de o reclamante não se apresentar ao distribuidor no prazo de
cinco dias após a reclamação verbal para assinar a petição inicial, ou quando o autor dá ensejo,
imotivadamente, a dois arquivamentos consecutivos.
Não se aplica ao Direito Processual do Trabalho a perempção prevista no art. 268, parágrafo
único do CPC, que obsta o Direito de Ação do Autor de forma definitiva, por incompatibilidade com
os princípios que regem o Direito Processual do Trabalho. Além disso, a CLT tem regra própria
sobre a perda temporária do direito de ação nos arts. 731 e 732.
Em suma:
PRINCÍPIOS DOS ATOS PROCESSUAIS

PUBLICIDADE: os atos processuais serão públicos salvo quando o interesse social determinar o contrário, e realizar-se-ão nos dias
úteis das 6 às 20 horas. O princípio da publicidade não é absoluto, pois, quando a causa estiver discutindo questões que envolvem a
intimidade das partes, o Juiz poderá restringir a publicidade da audiência.

LIMITES TEMPORAIS: sendo necessário autorização judicial, os atos processuais podem ser praticados fora do limite temporal,
aplicando-se o disposto no art. 172 do CPC, que resta compatível com o Processo do Trabalho. Em casos excepcionais, no Processo
do Trabalho, em que o reclamado ou executado somente for encontrado no período noturno, o Juiz do Trabalho, valendo-se dos
princípios da razoabilidade e proporcionalidade, poderá determinar a realização do ato processual no período noturno.

FORMA: os atos processuais devem ser praticados conforme a forma prevista na lei. A lei processual trabalhista determina a forma
escrita.

DOCUMENTAÇÃO: todos os atos processuais serão documentados e juntados aos autos do processo.

PRECLUSÃO: define-se pela perda do direito de se praticar uma faculdade processual, seja pelo seu não exercício no prazo previsto
pela lei (temporal), seja por já ter exercido o ato (consumativa), ou por ter praticado um ato incompatível com o ato que já se praticou
(lógica).

PEREMPÇÃO: a doutrina tem denominado de perempção no Processo do Trabalho a perda temporária do direito de ação, por seis
meses, nas hipóteses de o reclamante não se apresentar ao distribuidor no prazo de cinco dias após a reclamação verbal para assinar
a petição inicial, ou quando o autor dá ensejo, imotivadamente, a dois arquivamentos consecutivos.

Não se aplica ao Direito Processual do Trabalho a perempção prevista no art. 268, parágrafo único, do CPC.

5.3. Da prescrição e dos reflexos no processo do trabalho


Conforme o art. 189 do CC, o Direito brasileiro adota o conceito de prescrição como sendo a
perda da pretensão, que é, segundo Carnelutti, a exigência de subordinação do interesse alheio ao
interesse próprio. Estando prescrita a pretensão, não se pode exigir em juízo o direito violado,
tampouco invocá-lo em defesa, pois a exceção prescreve no mesmo prazo que a pretensão, segundo o
art. 190 do CC.
A decadência consiste na perda do direito em razão da inércia de seu titular.
No Processo do Trabalho, destacam-se três prazos decadenciais típicos, quais sejam: a) 30 dias
para instauração do inquérito judicial para apuração de falta grave, tendo havido a prévia suspensão
do empregado; b) dois anos para propor a ação rescisória, contados do trânsito em julgado da
decisão; c) 120 dias para proposição do mandado de segurança, contatos a partir da ciência do ato
de autoridade praticado com ilegalidade ou abuso de poder.
Segundo a melhor doutrina, a prescrição extingue a pretensão e, por via oblíqua, o direito,
enquanto a decadência extingue o direito e, por via oblíqua, a pretensão. O prazo decadencial pode
ser fixado na lei ou pela vontade das partes (contrato), enquanto os prazos prescricionais somente
são fixados em lei. O prazo decadencial corre contra todos, não sendo objeto de suspensão,
interrupção ou de causa impeditiva, já a prescrição pode não correr contra algumas pessoas
(incapazes, por exemplo), pode sofrer causas de impedimento, suspensão ou interrupção. A
prescrição, uma vez consumada, pode ser objeto de renúncia. A decadência é irrenunciável.
Diante da sua importância para o Direito do Trabalho, a prescrição trabalhista está prevista no art.
7º, XXIX, da Constituição, que trata dos direitos fundamentais trabalhistas.
O prazo mencionado no citado artigo aplica-se tanto ao empregado como ao empregador quando
este for ingressar com uma reclamação trabalhista em face do empregado.
A Constituição Federal traça dois prazos prescricionais: um após a extinção do contrato de
trabalho (prescrição bienal) e outro durante o contrato de trabalho (prescrição quinquenal). Esses
prazos são distintos, não obstante, uma vez extinto o contrato de trabalho, deve o trabalhador trazer
sua pretensão a juízo dentro do prazo de dois anos contados da data do término do contrato. Caso
esse prazo seja observado, terá direito de postular as verbas trabalhistas dos últimos cinco anos,
contados retroativamente da data da propositura da reclamação trabalhista.
Nesse sentido, dispõe a Súmula n. 308 do TST, in verbis:
“P RESCRIÇÃO QUINQUENAL. I — Respeitado o biênio subsequente à cessação contratual, a prescrição da ação trabalhis
concerne às pretensões imediatamente anteriores a cinco anos, contados da data do ajuizamento da reclamação e, não, às
anteriores ao quinquênio da data da extinção do contrato; II — A norma constitucional que ampliou o prazo de prescrição da ação
trabalhista para 5 (cinco) anos é de aplicação imediata e não atinge pretensões já alcançadas pela prescrição bienal quando da
promulgação da CF/1988”.

Dispõe a Súmula n. 268 do TST: "PRESCRIÇÃO. INTERRUPÇÃO. AÇÃO TRABALHIS


ARQUIVADA — A ação trabalhista, ainda que arquivada, interrompe a prescrição somente em
relação aos pedidos idênticos".
Conforme sedimentado pela mais alta Corte Trabalhista do país, a ação trabalhista, ainda que
arquivada, sem a necessidade de citação válida do reclamado, interrompe a prescrição. Pensamos
que o Tribunal Superior do Trabalho seguiu a melhor diretriz, pois, a partir da propositura da ação,
já há interações entre Juiz e parte, e há ato inequívoco do credor trabalhista pretendendo a satisfação
do seu direito.
Não obstante, a interrupção se dá somente com relação às verbas expressamente postuladas, e não
em face de outras parcelas, ainda que decorram de um mesmo contrato de trabalho.
A prescrição é matéria de mérito, conforme dispõe o art. 269, IV, do CPC. Partindo-se dessa
premissa, muitos sustentam que o momento de se invocar a prescrição é na contestação.
Não obstante, o Código Civil dispõe no art. 193: “A prescrição pode ser alegada em qualquer grau
de jurisdição, pela parte a quem aproveita”.
Nesse sentido, dispõe a Súmula n. 153 do C. TST: “PRESCRIÇÃO — Não se conhece d
prescrição não arguida na instância ordinária”.
Mesmo diante do art. 193 do CC, pensamos que a referida Súmula n. 153 permanece inalterável,
pois a prescrição somente poderá ser invocada até o segundo grau de jurisdição, ou seja, até o
recurso ordinário, ou, no máximo, nas contrarrazões ao recurso ordinário, mas não no recurso de
revista (3º grau de jurisdição), pois, para conhecer esse recurso de natureza extraordinária, a matéria
deve estar prequestionada no segundo grau de jurisdição.
Atualmente, com a entrada em vigor do § 5º do art. 219 do CPC, que revogou o art. 194 do CC, a
prescrição pode ser conhecida de ofício pelo Juiz de Direito. Desse modo, independentemente de
requerimento do réu, a prescrição pode ser reconhecida pelo juiz em qualquer grau de jurisdição.
Inegavelmente, com o conhecimento de ofício pelo Juiz da prescrição, esta ganhou contornos de
matéria de ordem pública e interesse social, de modo que a prescrição deixa de ser um instituto
renunciável, para adquirir contornos de irrenunciabilidade, destacando o caráter publicista do
processo.
Nota-se que o legislador, motivado pelos novos rumos da celeridade e efetividade processual,
priorizou a segurança e a estabilidade das relações jurídicas, bem como a tranquilidade do devedor,
em detrimento do titular da pretensão.
Dentre os argumentos favoráveis ao reconhecimento da prescrição de ofício no processo do
trabalho, destacamos: a) no Processo do Trabalho não se aplica o princípio da irrenunciabilidade de
direitos; b) a prescrição ganhou contornos de matéria de ordem pública e interesse social; c) a CLT é
omissa a respeito do momento em que se deve pronunciar a prescrição e quem pode invocá-la,
restando aplicáveis as regras do CC (arts. 8º e 769 da CLT); d) embora a prescrição tenha natureza
jurídica de mérito e pertença ao Direito Material, é a lei processual que deverá dizer o momento de
sua alegação em juízo; e) se, em razão da natureza irrenunciável do crédito trabalhista, não se puder
invocar a prescrição de ofício, também não poderemos aplicar a decadência, diante das similitudes
entre os dois institutos, já que a prescrição fulmina a pretensão, e a decadência, o próprio direito; f)
há compatibilidade da norma processual civil com o Processo do Trabalho, pois a CLT é omissa e
não há violação dos princípios que regem o Direito Processual do Trabalho, restando aplicável o art.
769 da CLT. Nesse sentido: TRT — 18ª R. — AP 01234-2005-007-18-00-3 — Rel. Juiz Gentil Pio
de Oliveira. DJGO 23.6.2006, p. 56.
No nosso entendimento, a prescrição não pode ser reconhecida de ofício no Processo do Trabalho
pelos seguintes argumentos: a) a prescrição não é só um instituto de direito processual mas também
de direito material. Portanto, a questão deve ser solucionada à luz do princípio da melhoria da
condição social do trabalhador (art. 7º, caput, da CF). Desse modo, a prescrição de ofício não
compatível com a melhoria da condição social do trabalhador; b) incompatibilidade com os
princípios do processo do trabalho, principalmente, o do acesso à Justiça do trabalhador; c) regra
expressa na CLT, no sentido de que a prescrição é matéria de defesa (art. 884, § 1º, da CLT). Nesse
sentido: TST RR — 404/2006-028-03-00 — 6ª T. — Rel. Ministro Aloysio Corrêa da Veiga — DJ
28.3.2008.
Em suma:
DOS ATOS PROCESSUAIS

DA PRESCRIÇÃO E DOS REFLEXOS NO DIREITO DO TRABALHO

O Código Civil brasileiro adota o conceito de prescrição como sendo a perda da pretensão, que é a exigência de
subordinação do interesse alheio ao interesse próprio. Estando prescrita a pretensão, não se pode exigir em
PRESCRIÇÃO
juízo o direito violado, tampouco invocá-lo em defesa, pois a exceção prescreve no mesmo prazo que a
pretensão.

DECADÊNCIA Consiste na perda do direito em razão da inércia do seu titular.

PRAZOS a) 30 dias para instauração do inquérito judicial para apuração de falta grave, tendo havido a prévia suspensão
DECADENCIAIS do empregado;
TÍPICOS NO b) dois anos para propor a ação rescisória, contados do trânsito em julgado da decisão;
PROCESSO DO c) 120 dias para proposição do mandado de segurança, contatos a partir da ciência do ato de autoridade
TRABALHO praticado com ilegalidade ou abuso de poder.

A Constituição Federal traça dois prazos prescricionais: um após a extinção do contrato de trabalho (prescrição
bienal) e outro durante o contrato de trabalho (prescrição quinquenal). Esses prazos são distintos, não obstante,
uma vez extinto o contrato de trabalho, deve o trabalhador trazer sua pretensão a juízo dentro do prazo de dois
anos contados da data do término do contrato. Caso esse prazo seja observado, terá direito de postular as
PRESCRIÇÕES verbas trabalhistas dos últimos cinco anos, contados retroativamente da data da propositura da reclamação
CONSTITUCIONAIS trabalhista. Nesse sentido, dispõe a Súmula n. 308 do TST.
E PRESCRIÇÕES Conforme a Súmula n. 268 do TST, a ação trabalhista, ainda que arquivada, sem a necessidade de citação
JURISPRUDENCIAIS válida do reclamado, interrompe a prescrição somente em relação aos pedidos idênticos.
A interrupção se dá somente com relação às verbas expressamente postuladas, e não em face de outras
parcelas, ainda que decorram de um mesmo contrato de trabalho.
A prescrição pode ser alegada em qualquer grau de jurisdição, pela parte a quem aproveita, podendo ser arguida
somente em primeiro grau. Nesse sentido, dispõe a Súmula n. 153 do C. TST.
a) no Processo do Trabalho não se aplica o princípio da irrenunciabilidade de direitos;
b) a prescrição ganhou contornos de matéria de ordem pública e interesse social; c) a CLT é
omissa a respeito do momento em que se deve pronunciar a prescrição e quem pode invocá-la,
restando aplicáveis as regras do CC (arts. 8º e 769 da CLT);
ARGUMENTOS FAVORÁVEIS AO d) embora a prescrição tenha natureza jurídica de mérito e pertença ao Direito Material, é a lei
RECONHECIMENTO DA processual que deverá dizer o momento de sua alegação em juízo;
PRESCRIÇÃO DE OFÍCIO NO e) Se, em razão da natureza irrenunciável do crédito trabalhista, não se puder invocar a
PROCESSO DO TRABALHO prescrição de ofício, também não poderemos aplicar a decadência, diante das similitudes entre
os dois institutos, já que a prescrição fulmina a pretensão, e a decadência, o próprio direito;
f) há compatibilidade da norma processual civil com o Processo do Trabalho, pois a CLT é
omissa e não há violação dos princípios que regem o Direito Processual do Trabalho, restando
aplicável o art. 769 da CLT.

a) a prescrição não é só um instituto de direito processual, mas também de direito material.


Portanto, a questão deve ser solucionada à luz do princípio da melhoria da condição social do
ARGUMENTOS CONTRÁRIOS AO
trabalhador. Desse modo, a prescrição de ofício não compatível com a melhoria da condição
RECONHECIMENTO DA
social do trabalhador;
PRESCRIÇÃO DE OFÍCIO NO
b) incompatibilidade com os princípios do processo do trabalho, principalmente, o do acesso à
PROCESSO DO TRABALHO
Justiça do trabalhador;
c) regra expressa na CLT, no sentido de que a prescrição é matéria de defesa.

5.4. Dos prazos processuais


Prazo é o limite temporal estabelecido pela lei, pelas partes ou pelo Juiz, para a prática de um
ato processual, sob consequência da preclusão temporal.
Adotando-se a classificação da melhor doutrina, os prazos processuais são os seguintes:
a) Legais: são os fixados na lei processual, como o prazo de 20 minutos para apresentar
contestação em audiência (art. 847 da CLT), o prazo de oito dias para interposição do recurso
ordinário (art. 895 da CLT) etc.
b) Judiciais: são fixados pelo Juiz quando a lei for omissa; por exemplo, o prazo de 48 horas
concedido pelo Juiz para a reclamada juntar aos autos carta de preposição; o prazo de cinco dias
para o reclamante manifestar-se sobre a contestação e os documentos etc.
c) Convencionais: são os prazos fixados pelas próprias partes de comum acordo. Somente os
prazos dilatórios podem ser fixados pelas partes. Como exemplos: a suspensão do processo a
requerimento das partes pelo prazo por elas fixado, diante da possibilidade de tentativa de acordo
(ver art. 177 do CPC).
d) Peremptórios: também denominados fatais. São os prazos de natureza preclusiva, os quais não
podem ser alterados por vontade das partes. Tais prazos não se prorrogam (ver art. 182 do CPC).
e) Dilatórios: são os prazos não preclusivos. Admitem prorrogação pela solicitação da parte ou
por determinação do juiz. Outrossim, podem ser fixados pelas partes em comum acordo (ver art. 181
do CPC).

5.4.1. Da contagem dos prazos processuais


Os prazos processuais são contados, como regra geral, excluindo-se o dia do começo e incluindo-
se o dia do vencimento. Se o dia do vencimento for feriado ou dia não útil, o término prorroga-se
para o primeiro dia útil. Caso o dia do início seja feriado ou não útil, o prazo somente se inicia no
primeiro dia útil subsequente. Assim, por exemplo, se o prazo começa a fluir na sexta-feira, como
sábado e domingo não são considerados dias úteis, a contagem somente se inicia na segunda-feira
subsequente.
No mesmo sentido a Súmula n. 1 do TST: “PRAZO JUDICIAL — Quando a intimação tiver luga
na sexta-feira, ou a publicação com efeito de intimação for feita nesse dia, o prazo judicial será
contado da segunda-feira imediata, inclusive, salvo se não houver expediente, caso em que fluirá no
dia útil que se seguir”.
Nesse mesmo sentido também a Súmula n. 385 do C. TST: “FERIADO LOCAL. AUSÊNCIA D
EXPEDIENTE FORENSE. PRAZO RECURSAL. PRORROGAÇÃO. COMPROVAÇ
NECESSIDADE. Cabe à parte comprovar, quando da interposição do recurso, a existência de
feriado local ou de dia útil em que não haja expediente forense, que justifique a prorrogação do
prazo recursal”.
A CLT disciplina a contagem dos prazos nos arts. 774 a 776.
Conforme o art. 775 da CLT, os prazos processuais são contínuos, entretanto, há possibilidade de
suspensão e interrupção dos prazos.
Suspensão e interrupção dos prazos são eventos que paralisam o curso do prazo processual.
Na suspensão, a contagem paralisa-se pelo tempo correspondente ao fato determinante, retomando-
se do ponto da paralisação pelo que faltar. Na interrupção, a contagem é inutilizada, voltando a ser
feita quando cessar a causa determinante da paralisação.
Como exemplos de suspensão temos as férias forenses.
Quanto ao recesso forense, o Tribunal Superior do Trabalho fixou a natureza jurídica do recesso
forense como de suspensão dos prazos processuais, conforme a sua Súmula n. 262, in verbis:
“P RAZO JUDICIAL. NOTIFICAÇÃO OU INTIMAÇÃO EM SÁBADO. RECESSO FORENSE (incorporada a Or
Jurisprudencial n. 209 da SBDI-1) — Res. n. 129/2005,DJ 20, 22 e 25.4.2005 I — Intimada ou notificada a parte no sábado, o
início do prazo se dará no primeiro dia útil imediato e a contagem, no subsequente. (ex-Súmula n. 262 — Res. n. 10/1986, DJ
31.10.1986) II — O recesso forense e as férias coletivas dos Ministros do Tribunal Superior do Trabalho (art. 177, § 1º, do
RITST) suspendem os prazos recursais. (ex-OJ n. 209 da SBDI-1 — inserida em 8.11.2000)”.

Como exemplo de interrupção destacamos a oposição dos embargos de declaração, que


interrompem o prazo recursal (art. 897-A da CLT c/c o art. 538 do CPC) (ver também arts. 188 e 191
do CPC).
Acertadamente, a jurisprudência do TST firmou entendimento de não ser aplicável o disposto no
art. 191 do CPC ao Processo do Trabalho em razão dos princípios da celeridade e simplicidade que
norteiam o Processo do Trabalho. Nesse sentido, destacamos a OJ n. 310 da SDI-I do C. TST,in
verbis: “Litisconsortes. Procuradores distintos. Prazo em dobro. Art. 191 do CPC. Inaplicável ao
Processo do Trabalho. A regra contida no art. 191 do CPC é inaplicável ao Processo do Trabalho,
em face da sua incompatibilidade com o princípio da celeridade inerente ao Processo do Trabalho”.
5.5. Da comunicação dos atos processuais trabalhistas
A comunicação dos atos processuais é levada a efeito por dois institutos principais: a citação e a
intimação.
Citação é o ato pelo qual se dá ciência a alguém de que contra ela há uma ação em curso, para que,
se desejar, vá se defender (ver art. 213 do CPC).
Intimação é o ato pelo qual se dá ciência a alguém de um ato processual para que pratique ou deixe
de praticar uma ação (ver art. 234 do CPC).
No Processo do Trabalho, utiliza-se a expressão notificação, que é o gênero que abrange tanto a
citação como a intimação. A citação no Processo do Trabalho é denominada notificação inicial.
No Processo do Trabalho, a notificação inicial é realizada pela Secretaria da Vara, pelo Diretor
de Secretaria, e, ao contrário do Processo Civil, não necessita ser pessoal (ver art. 841 da CLT).
Como regra geral, a notificação será encaminhada pelo Correio, com aviso de recebimento.
Nos lugares em que não houver circulação do Correio, a notificação inicial se fará por meio de
oficial de justiça. Se o reclamado estiver em local incerto ou não sabido, a notificação se fará por
Edital (ver § 1º do art. 841 da CLT).
Em razão dos princípios do acesso à Justiça, da ampla defesa e da garantia do contraditório, e
considerando-se que a notificação por Edital não tem sido efetiva, a jurisprudência vem se
posicionando acertadamente no sentido de que, antes de se expedir o Edital, sejam esgotados os
meios de intimação da parte, como a notificação na pessoa do sócio.
As intimações aos advogados se fazem por meio do Diário Oficial, e às partes, pelo Correio, por
intermédio de oficial de justiça ou até mesmo por Edital, se a parte estiver em local incerto ou não
sabido.
A intimação ao órgão do Ministério Público do Trabalho, quando atua como parte ou fiscal da lei
no Processo do Trabalho, será feita pessoalmente, por meio de oficial de justiça (art. 84, IV, da LC
75/93).
Nos Tribunais e Varas do Trabalho que adotam o processo judicial eletrônico, as citações e
notificações serão realizadas por meio eletrônico.
Pela importância da temática, transcreve-se o inteiro teor do art. 18 da Resolução n. 94/2012, que
regulamenta a Lei n. 11.419/2006 e uniformiza procedimentos da tramitação do Processo Judicial
Eletrônico na Justiça do Trabalho, in verbis:
“No processo eletrônico, todas as citações, intimações e notificações, inclusive da Fazenda Pública, far-se-ão por meio eletrônico.
§ 1º As citações, intimações, notificações e remessas que viabilizem o acesso à íntegra do processo correspondente serão
consideradas vista pessoal do interessado para todos os efeitos legais. § 2º Quando, por motivo técnico, for inviável o uso do meio
eletrônico para a realização de citação, intimação ou notificação, esses atos processuais poderão ser praticados segundo as regras
ordinárias, digitalizando-se o documento físico, que permanecerá na secretaria da unidade judiciária até o trânsito em julgado da
sentença ou, quando admitida, até o final do prazo para propositura de ação rescisória, findo o qual será destruído, caso a parte
interessada, devidamente intimada, não o receber. § 3º As intimações endereçadas aos advogados nos módulos de primeiro e
segundo graus far-se-ão, em regra, diretamente pelo sistema, à exceção da ciência da inclusão do processo em pauta de órgão
julgador colegiado e de acórdãos publicados, aos quais serão realizadas por meio de publicação no Diário Eletrônico da Justiça do
Trabalho”.

Em suma:
5.6. Das despesas processuais no processo do trabalho
O acesso à Justiça é um mandamento constitucional e um direito fundamental do cidadão.
Entretanto, para se valer dos serviços do Poder Judiciário, a parte, salvo se beneficiária de Justiça
gratuita, deve pagar as despesas processuais.
Adotando a classificação da doutrina, no Processo, há despesas processuais obrigatórias, que
devem ser pagas pelas partes. São elas:
a) Taxa judiciária: é uma espécie de tributo que se paga em razão de um serviço público
específico, que é o serviço jurisdicional. Por isso é compulsória;
b) Custas processuais: são despesas devidas em razão da movimentação do processo;
c) Emolumentos: são devidos em razão de despesas realizadas no interesse da parte, como
obtenção de certidões, traslados etc.
A CLT disciplina as custas processuais nos arts. 789 e seguintes.
No Processo do Trabalho, na fase de conhecimento, as custas serão sempre pagas ao final e
incidirão no percentual de 2% sobre o valor da condenação, em caso de procedência ou procedência
em parte do pedido, e sobre o valor do acordo, em caso de conciliação. Em caso de improcedência,
arquivamento ou desistência, o valor será de 2% calculados sobre o valor atribuído à causa.
Responderão pelas custas no Processo do Trabalho:
a) Acordo: as partes, no importe de 1% cada uma. Se o autor é beneficiário de Justiça gratuita,
normalmente fica isento de sua cota-parte;
b) Procedência ou procedência em parte: o reclamado paga as custas;
c) Arquivamento: o reclamante;
d) Desistência ou abandono: a parte que desistiu ou abandonou.
Nos termos do § 4º do art. 789 da CLT, “nos dissídios coletivos, as partes vencidas responderão
solidariamente pelo pagamento das custas, calculadas sobre o valor arbitrado na decisão, ou pelo
Presidente do Tribunal”.
Na execução, o art. 789-A da CLT disciplina a questão.
Os emolumentos estão disciplinados no art. 789-B da CLT.
Nos termos do art. 790-A da CLT, “são isentos do pagamento de custas, além dos beneficiários de
Justiça gratuita: I — a União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e respectivas autarquias
e fundações públicas federais, estaduais ou municipais que não explorem atividade econômica; II —
o Ministério Público do Trabalho. Parágrafo único. A isenção prevista neste artigo não alcança as
entidades fiscalizadoras do exercício profissional, nem exime as pessoas jurídicas referidas no
inciso I da obrigação de reembolsar as despesas judiciais realizadas pela parte vencedora”.
Sobre as custas, relevante destacar as seguintes Súmulas do Tribunal Superior do Trabalho:
Súmula n. 25 do TST: “CUSTAS — A parte vencedora na primeira instância, se vencida na
segunda, está obrigada, independentemente de intimação, a pagar as custas fixadas na sentença
originária, das quais ficara isenta a parte então vencida” (RA n. 57/70, DO-GB 27.11.1970).
Súmula n. 36 do TST: “CUSTAS — Nas ações plúrimas, as custas incidem sobre o respectivo
valor global” (RA n. 57/70, DO-GB 27.11.1970).
Súmula n. 86: “DESERÇÃO. MASSA FALIDA. EMPRESA EM LIQUIDAÇÃ
EXTRAJUDICIAL. Não ocorre deserção de recurso da massa falida por falta de pagamento de
custas ou de depósito do valor da condenação. Esse privilégio, todavia, não se aplica à empresa em
liquidação extrajudicial”.
Em suma:
5.7. Das nulidades dos atos processuais
Nulidade, segundo a melhor doutrina, é a privação dos efeitos de um ato jurídico. Na esfera
processual, a nulidade acarreta perda do efeito de um ato processual, vale dizer: o ato processual
não produzirá os efeitos pretendidos.
A doutrina também utiliza a expressão invalidade dos atos processuais, que é um gênero, da qual
as nulidades absolutas e relativas são espécies.
É consenso na doutrina que as nulidades dos atos processuais podem ser absolutas, relativas, ou
até mesmo o ato processual pode ser inexistente. Em contrapartida, há as chamadas irregularidades
processuais, que são uma espécie de nulidade de menor potencial.
São nulos os atos processuais quando violam normas de ordem pública e interesse social. O ato
nulo não está sujeito à preclusão e pode ser declarado de ofício pelo Juiz. São relativas as nulidades
quando não violam normas de ordem pública. Dependem da iniciativa da parte, não podendo ser
conhecidas de ofício.
Os chamados atos inexistentes contêm um vício tão acentuado que não chegam a produzir efeitos.
Entretanto, a doutrina tem dito que mesmo os atos inexistentes devem ter seus efeitos cassados por
decisão judicial. Portanto, os atos inexistentes seguem o mesmo regime das nulidades absolutas.
A irregularidade não retira os efeitos dos atos, tampouco enseja declaração de nulidade.
As nulidades no processo do trabalho seguem alguns princípios básicos. São eles:
a) Princípio da transcendência ou do prejuízo: o eixo central da declaração das nulidades, tanto
no Direito Processual Civil como no Processual do Trabalho, é a existência de prejuízo (pas de
nullité san grief). Esse princípio é oriundo do art. 114, 2ª parte, do Código de Processo Civil
francês. Se o ato processual, embora defeituoso e contenha vícios, não causou prejuízos a uma das
partes, não deve ser anulado. A regra vale tanto para as hipóteses de nulidade como anulabilidade
(ver art. 794 da CLT).
b) Princípio da instrumentalidade das formas: o princípio da instrumentalidade das formas,
também chamado pela doutrina de princípio da finalidade, tem por objetivo conservar os atos
processuais praticados de forma diversa da prescrita na lei, mas que atingiram sua finalidade e
produziram os efeitos processuais previstos na lei. Tal princípio se assenta no fato de o processo não
ser um fim em si mesmo, mas um instrumento de realização da Justiça (ver art. 244 do CPC).
c) Princípio da convalidação: pelo presente princípio, se as nulidades não forem invocadas no
momento processual oportuno, haverá a convalidação do ato inválido, também chamada pela doutrina
de preclusão de se invocar a nulidade.
Em contrapartida, somente a nulidade relativa, ou seja, a que interessa apenas à parte, deve ser
invocada no momento processual oportuno, já a nulidade absoluta pode ser invocada a qualquer
tempo, inclusive de ofício, não estando abrangida pelo princípio da convalidação (ver art. 795 da
CLT).
A incompetência a que alude o § 1º do art. 795 da CLT é incompetência em razão da matéria e não
do lugar. A palavra foro está sendo utilizada como o foro cível, criminal, trabalhista etc. Conforme
o § 2º do art. 795 da CLT, o Juiz incompetente em razão da matéria deverá remeter os autos ao Juiz
competente, em atenção aos princípios da economia processual e efetividade da jurisdição.
Diante do que preconiza o art. 795 da CLT, já é prática costumeira incorporada ao Processo do
Trabalho pela doutrina e jurisprudência o chamado protesto, que tem suporte na interpretação
sistemática dos arts. 794 e 795 da CLT, a fim de se evitar a preclusão das nulidades processuais.
Desse modo, havendo uma decisão proferida no curso do processo que cause prejuízo à parte, mas
não possa ser recorrível de imediato, a parte lesada deverá registrar os protestos a fim de evitar a
preclusão da questão e eventual convalidação da nulidade.
Nos termos do § 2º do art. 795 da CLT, deve o Juiz do Trabalho, ao declarar a incompetência
absoluta da Justiça do Trabalho, remeter o processo ao juízo competente, para celeridade e
efetividade da jurisdição. Entretanto, no Processo do Trabalho, como a regra geral é a cumulação de
pedidos, o Juiz do Trabalho somente deverá remeter os autos a outro juízo se for incompetente para
todos os pedidos, uma vez que não há como se desmembrar o processo. Se for competente para um
dos pedidos, deverá instruí-lo e julgá-lo, e, para aqueles aos quais não for competente, deverá
extingui-los, sem resolução de mérito, nos termos do art. 267, IV, do CPC, uma vez que a
competência é um pressuposto processual de validade do processo.
d) Princípio do saneamento das nulidades: o presente princípio também é denominado pela
doutrina princípio da economia processual, pois visa aproveitar ao máximo a relação jurídica
processual, renovando os atos processuais defeituosos, sem a necessidade de extinção prematura do
processo (ver art. 796 da CLT).
É possível repetir o ato nulo ou anulável, desde que não haja demora significativa no processo,
ausência de prejuízo às partes e efetividade do ato processual. O dispositivo (art. 796, a, da CLT)
não restringe a renovação do ato por nulidade absoluta.
Sob outro enfoque, hipóteses há em que a nulidade do ato processual não pode ser sanada, como
nulidade da citação, inépcia da inicial, por conter os vícios elencados no parágrafo único do art. 295
do CPC, falta de uma das condições da ação, como ilegitimidade das partes, ou falta de interesse
processual etc.
Nos termos do art. 797 da CLT, o juiz ou Tribunal que pronunciar a nulidade declarará os atos a
que ela se estende.
Conforme o art. 798 da CLT, a nulidade do ato não prejudicará senão os posteriores que dele
dependam ou sejam consequência.
e) Interesse: esse princípio está previsto no art. 796, b, da CLT. Somente terá interesse de
postular a declaração da nulidade a parte que foi prejudicada, mas que não deu causa a ela.
Esse princípio decorre do princípio geral de Direito segundo o qual a ninguém é lícito alegar a
própria torpeza em juízo, sendo um meio de moralização da relação jurídica processual, destacando-
se o caráter publicista do processo.
Em suma:

Questões
1. (TRT 3ª Região — 2009) Analise as proposições abaixo e, considerando as disposições
contidas na Consolidação das Leis do Trabalho e no Código de Processo Civil, bem como no
entendimento jurisprudencial sumulado, assinale a alternativa correta:
I. À luz da teoria civilista, diz-se comumente que a nulidade de ato ocorre quando lhe falta
algum requisito que a lei prescreve como necessário para a sua validade.
II. A nulidade relativa somente será declarada se tiver sido oportunamente suscitada.
III. As nulidades não serão declaradas senão mediante provocação das partes, as quais
deverão argui-las a primeira vez em que tiverem de falar em audiência ou nos autos, salvo a
nulidade fundada em incompetência em razão do lugar, que poderá ser declarada ex officio.
IV. A nulidade do ato prejudicará os atos anteriores e posteriores que dele dependam ou
sejam consequência.
V. O princípio segundo o qual devem ser aproveitados os efeitos validamente produzidos pelo
ato irregular pode ser aplicado na declaração de nulidade do ato no Direito Processual do
Trabalho.
a) São falsas as proposições I, III e IV.
b) São falsas as proposições III e IV.
c) São falsas as proposições I, III, IV e V.
d) Apenas a proposição III é falsa e as demais são verdadeiras.
e) Apenas a proposição IV é falsa e as demais são verdadeiras.
2. (TRT 24ª Região — 2008) Sobre as partes, os procuradores e a representação no processo do
trabalho, é CORRETO afirmar que:
a) De acordo com a CLT, nas ações individuais trabalhistas apenas os empregados
poderão fazer-se representar por intermédio do respectivo sindicato da categoria.
b) De acordo com a CLT, se por doença ou qualquer outro motivo poderoso,
devidamente comprovado, não for possível ao empregado comparecer pessoalmente,
poderá fazer-se representar por outro empregado que pertença à mesma empresa, ou
pelo seu sindicato.
c) Na Justiça do Trabalho os empregados e empregadores, maiores de 18 (dezoito) e
civilmente capazes, possuem capacidade processual, postulatória e de ser parte.
d) De acordo com a CLT, é facultado ao empregador, exceto as pessoas jurídicas de
direito público, fazer-se substituir pelo gerente, ou qualquer outro preposto que tenha
conhecimento do fato, e cujas declarações obrigarão o proponente.
e) Exceto quanto à reclamação de empregado doméstico, o preposto deve ser
necessariamente empregado do reclamado, consoante entendimento sumulado do
Tribunal Superior do Trabalho.
3. (TRT 24ª Região — 2008) Considerando as disposições da CLT, assinale a alternativa
INCORRETA:
a) É facultado aos juízes, órgãos julgadores e presidentes dos tribunais do trabalho de
qualquer instância conceder, a requerimento ou de ofício, o benefício da justiça gratuita,
inclusive quanto a traslados e instrumentos, àqueles que perceberem salário igual ou
inferior ao dobro do mínimo legal, ou declararem, sob as penas da lei, que não estão em
condições de pagar as custas do processo sem prejuízo do sustento próprio ou de sua
família.
b) Terá preferência em todas as fases processuais o dissídio cuja decisão tiver de ser
executada perante o juízo da falência.
c) Os autos dos processos da Justiça do Trabalho não poderão sair dos cartórios ou
secretarias, salvo se solicitados por advogado regularmente constituído por qualquer das
partes ou por terceiro portador de autorização escrita e expressa firmada pelo referido
causídico, ou, ainda, quando tiverem de ser remetidos aos órgãos competentes, em
caso de recurso ou requisição.
d) A reclamação verbal será distribuída antes de sua redução a termo. Distribuída a
reclamação verbal, o reclamante deverá, salvo motivo de força maior, apresentar-se no
prazo de 05 (cinco) dias, ao cartório ou à secretaria, para reduzi-la a termo, sob pena
de perda, pelo prazo de 06 (seis) meses, do direito de reclamar perante a Justiça do
Trabalho.
e) A União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e respectivas autarquias e
fundações públicas federais, estaduais ou municipais que não explorem atividade
econômica não se eximem da obrigação de reembolsar as despesas judiciais realizadas
pela parte vencedora.
4. (TRT 2ª Região — 2009) Ao verificar que uma determinada ação foi distribuída à Justiça do
Trabalho e esta é absolutamente incompetente em razão da matéria para a totalidade de seu
objeto o juiz deve:
a) Remeter desde logo os autos ao juízo que entender competente.
b) Aguardar provocação da parte contrária pela via da exceção de incompetência, para
somente se tal ocorrer, determinar a remessa dos autos ao juízo que entender
competente.
c) Suscitar conflito de competência em face da parte autora e enviar os autos ao
Colendo Superior Tribunal de Justiça.
d) Extinguir desde logo o feito sem resolução do mérito por ausência de pressuposto
processual.
e) Aguardar a contestação do reclamado e, em havendo preliminar de incompetência,
extinguir o feito sem resolução do mérito por ausência de pressuposto processual.
5. (TRT 2ª Região — 2009) Analise as seguintes proposições:
I. No Processo do Trabalho há previsão de preclusão da nulidade, se a parte não apresentar
seu inconformismo na primeira oportunidade que tiver que se manifestar em audiência ou nos
autos.
II. A manifestação de inconformismo não tem forma prevista em Lei, tendo os usos e
costumes consagrado a utilização da expressão “protesto” ou “protesto antipreclusivo”.
III. Apresentados os “protestos” em audiência, cabe ao juiz analisar a oportunidade e
conveniência de seu registro em ata, podendo decidir pelo não registro de tal manifestação se
os “protestos” forem manifestamente impertinentes.
IV. Ao interpor seu recurso à Instância Superior a parte deve renovar a manifestação de
inconformismo, sob pena de preclusão, e, ainda, demonstrar o efetivo prejuízo que decorre da
decisão judicial impugnada sob pena de rejeição da arguição.
V. Ao apresentar os “protestos” há exigência legal que a parte faça acompanhar os
fundamentos desta manifestação de inconformismo, indicando os dispositivos legais e/ou
constitucionais violados pela decisão impugnada.
Diante das proposições supra, assinale:
a) Todas as assertivas são verdadeiras.
b) Somente as assertivas I, II e IV são verdadeiras.
c) Somente as assertivas I, III e V são verdadeiras.
d) Somente as assertivas I e IV são verdadeiras.
e) Somente as assertivas II e III são falsas.
6. (MPT/BR Procurador do Trabalho (Maio/2012) MPT — 17º Concurso) Analise as assertivas
a seguir transcritas:
I. Com base no que estabelece a Lei Complementar n. 75/1993, o membro do Ministério
Público do Trabalho poderá atuar como árbitro, se assim for solicitado pelas partes, nos
dissídios de competência da Justiça do Trabalho.
II. As nulidades relativas serão declaradas mediante provocação da parte interessada, que
terá que argui-las na primeira vez em que se manifestar em audiência ou nos autos.
III. A parte sucumbente no pedido fundado no objeto da prova pericial deverá efetuar o
pagamento dos honorários do perito oficial e do perito assistente contratado pela parte
vencedora.
IV. Consoante o ordenamento jurídico, o Ministério Público do Trabalho poderá atuar como
mediador nos conflitos coletivos de trabalho, quando solicitado pelas partes.
Marque a alternativa CORRETA:
a) todas as assertivas estão corretas;
b) apenas as assertivas I e II estão corretas;
c) apenas as assertivas I, II e IV estão corretas;
d) apenas as assertivas III e IV estão corretas;
e) não respondida.
7. (Juiz do trabalho — 3ª Região — 2012) Em relação ao processo do trabalho, leia as
afirmações abaixo e, em seguida, assinale a alternativa correta, de acordo com a jurisprudência
consolidada do Tribunal Superior do Trabalho:
I. É aplicável a prescrição bienal prevista no art. 7º, XXIX, da Constituição da República ao
trabalhador avulso, tendo como marco inicial a cessão do trabalho ultimado para cada
tomador de serviço.
II. Da extinção do último contrato começa a fluir o prazo prescricional do direito de ação em
que se objetiva a soma de períodos descontínuos de trabalho.
III. É trintenária a prescrição do direito de reclamar contra o não recolhimento da
contribuição para o FGTS, dispensada a observância do prazo de dois anos após o término do
contrato de trabalho.
IV. Em se tratando de pedido de reenquadramento, a prescrição é total, contada da data do
enquadramento do empregado.
a) Todas as afirmativas estão corretas
b) Somente as afirmativas I, II e IV estão corretas.
c) Somente as afirmativas I e IV estão corretas.
d) Somente as afirmativas I e II estão corretas.
e) Somente a afirmativa III está correta.
8. (Juiz do trabalho — 3ª Região — 2012) Em relação ao processo do trabalho, leia as
afirmações abaixo e, em seguida, assinale a alternativa correta:
I. Nos processos sujeitos à apreciação da Justiça do Trabalho só haverá nulidade quando
resultar dos atos inquinados manifesto prejuízo às partes litigantes.
II. As nulidades não serão declaradas senão mediante provocação das partes, as quais
deverão argui-las à primeira vez em que tiverem que falar em audiência ou nos autos, sem
exceção.
III. A nulidade não será pronunciada quando for possível suprir-se a falta ou repetir-se o ato.
IV. A nulidade do ato prejudicará todos os atos posteriores.
a) Todas as afirmativas estão corretas.
b) Somente a afirmativa I está correta.
c) Somente as afirmativas I e II estão corretas.
d) Somente as afirmativas I e III estão corretas.
e) Somente as afirmativas II e III estão corretas.

Gabarito
1. B
2. C
3. C
4. A
5. B
6. C
7. B
8. D
6
Da petição inicial e da resposta

6.1. Da petição inicial no processo do trabalho


A petição inicial é a peça formal de ingresso do demandante em juízo, na qual apresenta seu
pedido, declina a pessoa que resiste ao seu direito, explica os motivos pelos quais pretende a
atuação jurisdicional e pede ao Estado-Juiz a tutela do seu direito.
Do conceito que adotamos, a petição inicial apresenta as seguintes características:
a) peça formal: a petição inicial é peça formal, pois deve ser elaborada observando-se os
requisitos previstos em lei (arts. 840 da CLT e 282 do CPC). Ainda que a CLT admita a petição
inicial verbal, deve ser reduzida a termo, conforme o § 2º do art. 840 da CLT;
b) rompe a inércia do Judiciário: pela petição inicial se provoca o exercício da jurisdição, que
deve dar uma resposta à pretensão que foi trazida a juízo;
c) individualiza os sujeitos da lide: é estabelecido o limite subjetivo da lide, ou seja, em face de
quais pessoas a jurisdição atuará;
d) apresenta o motivo da lide e do pedido: o demandante deve dizer os motivos pelos quais há
resistência de seu direito e em razão dos quais pede a tutela jurisdicional.
Também deve o demandante fazer o pedido, que é o objeto da lide, o bem da vida pretendido. O
pedido balizará toda a atuação jurisdicional.
A importância da inicial é vital para o processo, pois é ela que baliza a sentença, que não pode
divorciar-se dos limites do pedido (arts. 128 e 460 do CPC), e é em cima dela que o réu formulará
sua resposta, resistindo ao direito do autor.
Pelo princípio do dispositivo que norteia o processo, todas as pretensões que o reclamante nele
pretende postular devem ser articuladas no corpo da inicial (princípio da eventualidade da inicial),
sob consequência de, salvo quando a lei permitir (aditamento ou emenda da inicial), não poder mais
alegar qualquer outra matéria na mesma causa (preclusão consumativa). Em contrapartida, se a
matéria não estiver prescrita, o reclamante poderá, em outro processo, mesmo com suporte em
idêntica causa de pedido do processo anterior, aduzir novas pretensões, mediante nova petição
inicial.

6.2. Requisitos da petição inicial trabalhista


Os requisitos da inicial são os elementos que ela deve conter, disciplinados na lei, como condição
de validade da inicial e viabilidade de prosseguimento da relação jurídica processual. A petição
inicial apta, ou seja, a que preenche os requisitos legais, constitui pressuposto processual de
validade e desenvolvimento do processo (ver arts. 840 da CLT e 282 do CPC).
Sendo escrita ou verbal, a petição inicial trabalhista deve conter os requisitos do art. 840, § 1º, da
CLT, quais sejam: o endereçamento, a qualificação do reclamante e do reclamado, uma breve
exposição dos fatos de que resulte o dissídio, o pedido, a data e a assinatura do reclamante ou de seu
representante. Confrontando-se os requisitos da petição inicial trabalhista com os do Processo Civil,
constatamos que a CLT contém menos exigências que o CPC no tocante à inicial, pois não se exige
que o reclamante apresente os fundamentos jurídicos do pedido e o requerimento de produção de
provas da citação do reclamado e do valor da causa. Quanto aos fundamentos jurídicos do pedido e
da indicação do valor da causa, há divergências na doutrina e jurisprudência. Alguns sustentam que
eles devem estar presentes na inicial trabalhista por aplicação do art. 282 do CPC, outros
argumentam que a CLT não os exige e que, portanto, não há omissão.
Porém, os requisitos da inicial trabalhista exigidos no art. 840 da CLT são compatíveis com os
princípios da oralidade e simplicidade do Processo do Trabalho, sendo a petição inicial trabalhista
mais simples e menos formal que a do Processo Civil.
São requisitos da petição inicial trabalhista, conforme o § 1º do art. 840 da CLT:
a) Endereçamento: no endereçamento, indica-se a Vara do Trabalho ou órgão judiciário
(Tribunal Regional do Trabalho ou Tribunal Superior do Trabalho) para o qual a ação se dirige. A
invocação é dirigida ao órgão e não ao seu ocupante, dado o caráter impessoal do exercício da
jurisdição.
Com o endereçamento, o reclamante já declina a competência em razão da matéria, do lugar e
funcional.
b) Qualificação das partes: a CLT exige que as partes sejam qualificadas, devendo o reclamante
indicar seu nome completo, CPF, RG, número da CTPS, endereço, nome do reclamado, endereço,
CNPJ da empresa etc.
Com a qualificação, individualizam-se reclamante e reclamado, fixando-se o elemento subjetivo
da lide e as partes sobre as quais a jurisdição irá incidir.
Nas Varas que adotam o processo judicial eletrônico, o cadastramento do processo, a distribuição
da petição inicial e a juntada da contestação, dos recursos e das petições em geral, todos em formato
digital, nos autos de processo eletrônico devem ser feitos diretamente pelos advogados públicos e
privados, sem necessidade da intervenção da secretaria judicial, situação em que a autuação ocorrerá
de forma automática, fornecendo-se o recibo eletrônico de protocolo (art. 21 da Resolução n.
94/2012 do CSJT).
c) Causa de pedir (breve exposição dos fatos de que resulte o dissídio): a doutrina costuma
denominar a exposição dos fatos e fundamentos jurídicos do pedido como causa de pedir ou causa
petendi. É constituída da: a) narrativa dos fatos que, segundo o autor, geraram as consequências
jurídicas pretendidas; b) proposta de enquadramento do fato numa norma jurídica ou no ordenamento
jurídico.
Não há necessidade de indicar os dispositivos legais, pois o Juiz conhece o direito (juria novit
curia). Além disso, não fica o Juiz vinculado à qualificação jurídica dos fatos dada pela parte, pois
pode qualificá-los de outra maneira.
Segundo a doutrina, os fundamentos de fato são a causa próxima e os fundamentos de direito, a
causa de pedir remota.
O Código de Processo Civil brasileiro, segundo entendimento dominante da doutrina, adotou,
quanto à causa de pedir, a teoria da substanciação, pois exige os fundamentos de fato e jurídicos do
pedido.
Teoria da individualização: exige apenas os fundamentos jurídicos do pedido.
Os fundamentos de fato compõem a causa de pedir próxima. São o inadimplemento, a ameaça ou a
violação do direito (fatos) que caracterizam o interesse processual imediato. Os fundamentos
jurídicos compõem causa de pedir remota, autorizando mediatamente o pedido. Constituem, também,
a autorização e a base que o ordenamento dá ao autor para que possa deduzir pretensão junto ao
poder judiciário. São, em suma, o título do pedido. Basta que o autor dê concretamente os
fundamentos de fato para que o Juiz possa dar-lhe o direito.
Quanto à causa de pedir, o § 1º do art. 840 da CLT apenas exige uma breve exposição dos fatos,
sem a necessidade de se indicarem os fundamentos jurídicos do pedido.
Desse modo, vários autores sustentam que a Consolidação das Leis do Trabalho adotou a teoria da
individualização quanto à causa de pedir da inicial trabalhista.
Outros autores defendem a aplicação da teoria da substanciação da causa de pedir na inicial
trabalhista.
Para nós, embora o art. 840 da CLT exija apenas uma breve exposição dos fatos, há necessidade
de se indicarem os fundamentos jurídicos dos pedidos, aplicando-se à hipótese, de maneira
subsidiária, pois compatível com o Processo do Trabalho (art. 769 da CLT), conforme disposto no
art. 282, III, do CPC. Em contrapartida, dificilmente o reclamante conseguirá individualizar sua
pretensão em juízo e obter sucesso na sua demanda sem aduzir os fundamentos jurídicos do pedido.
Além disso, todo fato declinado na inicial deve gerar uma consequência jurídica que dê suporte ao
pedido. Sem a qualificação jurídica dos fatos há grandes transtornos para o reclamado elaborar a
defesa e o Juiz do Trabalho apreciar o pedido — por exemplo, quando postula horas extras, não
basta declinar que trabalhou em sobrejornada, mas, sim, detalhar a jornada cumprida, demonstrando,
assim, o fundamento jurídico do pedido.
Pensamos que a adoção da teoria da substanciação no Processo do Trabalho encontra os seguintes
fundamentos: 1) complexidade das relações de trabalho; 2) possibilitar a exata compreensão da lide
pelo Juiz; 3) possibilitar ampla oportunidade defensiva para a reclamada; 4) facilitar a produção da
prova; 5) Conferir mais seriedade e honestidade à pretensão.
d) Do pedido e do princípio da extrapetição no Processo do Trabalho: o pedido é o objeto da
inicial. No dizer de Dinamarco, é o bem da vida pretendido, que está sendo resistido pela parte
contrária — o próprio objeto do processo.
O pedido baliza o provimento jurisdicional (arts. 128 e 460 do CPC), pois é ele a razão de existir
do processo e o objetivo da decisão. Em razão disso, a lei lhe impõe alguns requisitos e condições.
A doutrina costuma subdividir o pedido em mediato e imediato. Pedido imediato é o provimento
jurisdicional pedido (declaratório, constitutivo ou condenatório), ao passo que o pedido mediato é o
bem pretendido (pagamento), entrega de coisa certa ou incerta, obrigação de fazer ou não fazer.
O pedido deve ser certo e determinado, somente se admitindo pedido genérico quando houver
autorização legal. No entanto, a inicial que não apresenta pedido não está apta a ser conhecida, pois
falta um pressuposto processual de existência da relação jurídica processual.
Há alguns autores que admitem a possibilidade de o Juiz do Trabalho julgar fora do pedido ou até
mesmo além do pedido, em razão dos princípios da celeridade, informalidade e simplicidade do
Processo do Trabalho.
Em nosso sentir, pensamos que o Juiz do Trabalho não pode julgar fora do pedido ou além dele.
Somente em casos excepcionais se admite o julgamento ultra petita, como a aplicabilidade de ofício
do art. 467 da CLT e a possibilidade de conversão do pedido de reintegração em indenização (art.
729 da CLT). Além disso, a jurisprudência tem admitido, nos casos em que se postula a
solidariedade de determinada empresa tomadora de mão de obra, que o Juiz do Trabalho, presentes
os requisitos, possa conceder a condenação subsidiária.
Em razão do contraditório e ampla defesa, o julgamento fora do pedido ou além dele, pela Justiça
do Trabalho, somente pode ser levado a efeito pelo Juiz do Trabalho quando a lei expressamente
permitir ou, então, não causar qualquer prejuízo ao reclamado, como nas hipóteses de conversão da
reintegração em indenização ou concessão de responsabilidade subsidiária quando houve pedido de
responsabilização solidária.
Nas reclamações trabalhistas, como regra geral, exige-se que o pedido seja certo e determinado,
pois se trata de direitos patrimoniais, e o pedido indeterminado pode dificultar em demasia a
compreensão da lide e a oportunidade de defesa.
Não obstante, em algumas hipóteses, admite-se o pedido genérico quando não for possível
determinar o montante de eventual indenização, como acontece nos pedidos de reparação por danos
morais.
Conforme as regras de hermenêutica, o pedido se interpreta restritivamente, pois, diante do
princípio do dispositivo, o reclamante não é obrigado a pedir o que não pretende, tampouco o Juiz
pode julgar fora do que foi postulado (ver art. 293 do CPC).
Apesar disso, a doutrina tem admitido os chamados pedidos implícitos, ou seja, que não estão
postulados expressamente, como juros e correção monetária e também os honorários advocatícios
que decorrem da sucumbência, uma vez que tais parcelas decorrem da própria procedência do
pedido (ver art. 292 do CPC).
O dispositivo indicado encaixa-se perfeitamente ao Processo do Trabalho, que adota como regra
geral a cumulação de pedidos num único processo (cumulação objetiva), pois diversas parcelas
trabalhistas derivam de um mesmo contrato de trabalho.
e) Do valor da causa no Processo do Trabalho: valor da causa é a expressão econômica dos
pedidos formulados pelo reclamante no processo. A exigência de declará-lo no ato da propositura da
reclamação tem duas finalidades, quais sejam: a) servir de base de cálculo para as custas e demais
taxas judiciárias; b) indicar o procedimento a ser seguido (sumário, ordinário ou sumaríssimo) (ver
art. 258 do CPC).
Como o art. 840 da CLT não exige que o reclamante decline o valor da causa, parte da doutrina
entende que ele é desnecessário no Processo do Trabalho.
Embora o art. 840 da CLT não exija que o reclamante decline o valor da causa, acreditamos que
este deva ser indicado por aquele, pois o valor da causa determina o procedimento a ser seguido:
ordinário (CLT), sumário (Lei n. 5.584/70) ou sumaríssimo (Lei n. 9.957/2000). Ainda que alguns
sustentem que não há tal obrigação da parte, pois o valor pode ser fixado pelo Juiz do Trabalho,
conforme a Lei n. 5.584/70, acreditamos que tal argumento não seja suficiente, uma vez que, após a
Lei n. 9.957/2000, fica muito difícil sustentar tal entendimento, já que a parte deve, nas causas cujo
valor atinja até 40 salários mínimos, liquidar os pedidos.
f) Assinatura da petição inicial: ao contrário da petição inicial no Processo Civil (art. 282 do
CPC), a CLT exige que a petição inicial esteja assinada pelo reclamante ou por seu advogado. Nesse
sentido, dispõe o § 1º do art. 840 da CLT, in verbis: “sendo escrita, a reclamação deverá conter a
designação do presidente da Junta ou do Juiz de Direito a quem for dirigida; a qualificação do
reclamante e do reclamado; uma breve exposição dos fatos de que resulte o dissídio; o pedido, a data
e a assinatura do reclamante ou de seu representante”.
g) Requisitos não exigidos na inicial trabalhista: não se exige que na inicial trabalhista conste o
requerimento de provas, pois essas são produzidas em audiência (arts. 787 e 845 da CLT), tampouco
o requerimento de citação do reclamado, pois, no Processo do Trabalho, a notificação inicial, que
equivale à citação, é realizada automaticamente, por ato do Diretor de Secretaria ou por funcionário
por ele designado (art. 841 da CLT).
Em suma:

6.3. Da emenda e do aditamento da inicial no processo do


trabalho
Emendar a inicial significa corrigi-la. Aditar significa adicionar. Adita-se a inicial para
acrescentar pedidos.
A CLT não disciplina as hipóteses de aditamento da inicial. Desse modo, aplica-se à hipótese o
Código de Processo Civil (arts. 264 e 294), por força do art. 769 da CLT.
No Processo do Trabalho, ao contrário do Processo Civil, o Juiz do Trabalho somente toma
contato com a inicial em audiência, uma vez que a citação (rectius — notificação) é ato do Diretor
de Secretaria (art. 841 da CLT). Portanto, acreditamos, ao contrário do que ocorre no Processo
Civil, que o reclamante poderá aditar ou emendar a inicial na audiência antes do recebimento da
defesa, isto é, sem anuência da parte contrária, ou mesmo antes de decorrido o prazo para resposta
(art. 847 da CLT). Entretanto, ao reclamado deverá ser concedido o prazo para complementar defesa,
devendo a audiência ser adiada para tal finalidade, e a nova audiência ser designada em prazo não
inferior a cinco dias (art. 841 da CLT). Após recebida a defesa, o aditamento somente será possível
com a concordância do reclamado.

6.4. Documentos que devem acompanhar a inicial


trabalhista
São documentos indispensáveis à propositura da demanda apenas aqueles sem os quais o mérito
da causa não possa ser julgado, como a certidão de casamento na separação judicial, a escritura
pública, a norma coletiva, o instrumento de contrato quando pedir a anulação etc. A CLT dispõe
sobre a questão no art. 787.
Em suma:

6.5. Do indeferimento da petição inicial


Indeferir a inicial significa rejeitá-la liminarmente, antes do recebimento da defesa.
Verificando o Juiz do Trabalho que a petição inicial contém nulidade sanável (que pode ser
corrigida facilmente, sem alteração da substância da inicial, como, por exemplo: erros materiais,
falta de juntada de documentos, qualificação errônea das partes, endereçamento incorreto,
esclarecimento sobre qual parte pretende o vínculo de emprego, quando não estiver especificado e
houver mais de um reclamado no polo passivo etc.), deverá conceder à parte prazo para emendá-la.
Segundo a jurisprudência, a concessão do prazo para a emenda não fica ao critério discricionário do
Juiz, sendo um direito subjetivo processual da parte.
Quando for determinar a emenda, deverá o Juiz esclarecer à parte qual o ponto incorreto que
deverá ser corrigido.
Nesse sentido, é a Súmula n. 263 do C. TST, in verbis:
“P ETIÇÃO INICIAL. INDEFERIMENTO. INSTRUÇÃO OBRIGATÓRIA DEFICIENTE — Salvo nas hipóteses do
do CP C, o indeferimento da petição inicial, por encontrar-se desacompanhada de documento indispensável à propositura da ação
ou não preencher outro requisito legal, somente é cabível se, após intimada para suprir a irregularidade em 10 (dez) dias, a parte
não o fizer”.

Conforme a referida Súmula, a inicial somente deverá ser indeferida, sem possibilidade de
emenda se contiver vícios insanáveis, que são os constantes do art. 295 do CPC.
Conforme já mencionado, inclusive com suporte na Súmula n. 263 do C. TST, se a inicial
trabalhista contiver os vícios mencionados no art. 295 do CPC, o Juiz do Trabalho deverá indeferi-la
de plano, sem concessão do prazo mencionado no art. 284 do CPC.
Caso o Juiz não indefira de plano a inicial, ele poderá, na sentença final, decretar a extinção do
processo sem resolução de mérito no aspecto (art. 267, I, do CPC), por conter a inicial um defeito
previsto no art. 295 do CPC.
Como no Processo do Trabalho, o Juiz do Trabalho dificilmente toma contato com a inicial antes
da audiência, pois não há o despacho saneador, a apreciação dos vícios da inicial é,
costumeiramente, deixada para a sentença final, após a dilação probatória.
Quando a inicial for inepta; quando a parte for manifestamente ilegítima; quando o autor carecer de
interesse processual; quando o tipo de procedimento, escolhido pelo autor, não corresponder à
natureza da causa ou ao valor da ação, caso em que só não será indeferida, se puder adaptar-se ao
tipo de procedimento legal; quando não forem atendidas as prescrições dos arts. 39, parágrafo único,
primeira parte, e 284, ambos do CPC, o Juiz do Trabalho extinguirá o processo sem resolução de
mérito (art. 267, I, do CPC).
Quando pronunciar prescrição ou decadência, o processo extinguirá, com resolução de mérito, nos
termos do art. 269, IV, do CPC.
A decisão que indefere a inicial tem natureza terminativa, pois extingue o processo, sem resolução
de mérito (art. 267, I, do CPC). Desse modo, no Processo do Trabalho, tal decisão desafia a
interposição de recurso ordinário (art. 895 da CLT).
Pensamos, em razão da omissão da CLT e da compatibilidade com os princípios do Processo do
Trabalho da efetividade e celeridade (art. 769 da CLT), que o art. 296 do CPC é aplicável ao
Processo do Trabalho. Com efeito, dispõe o referido dispositivo legal: “Indeferida a petição inicial,
o autor poderá apelar, facultado ao juiz, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas, reformar sua decisão.
(Redação dada pela Lei n. 8.952, de 1994). Parágrafo único. Não sendo reformada a decisão, os
autos serão imediatamente encaminhados ao tribunal competente”.
Desse modo, se o Juiz do Trabalho indeferir a inicial, o reclamante poderá recorrer, no prazo de
oito dias, facultando-se a retratação do Juiz, deferindo o recebimento da inicial.
Cabe destacar que a aplicabilidade do art. 296 do CPC se refere apenas ao indeferimento liminar
da inicial. Se a inicial for indeferida após designação da audiência e oferecimento da defesa, o
recurso cabível será apenas o Ordinário, sem possibilidade de retratação do Juiz do Trabalho.
Se o Juiz decretar a inépcia de eventual pedido após a devida instrução do processo, a parte
poderá interpor recurso ordinário questionando a inépcia, juntamente com as demais matérias
recursais.
Em suma:
DO INDEFERIMENTO DA PETIÇÃO INICIAL

CONCEITO Indeferir a inicial significa rejeitá-la liminarmente, antes do recebimento da defesa.

Verificando o Juiz do Trabalho que a petição inicial contém nulidade sanável, deverá conceder à parte prazo
para emendá-la. Segundo a jurisprudência, a concessão do prazo para a emenda não fica ao critério
NULIDADE SANÁVEL
discricionário do Juiz, sendo um direito subjetivo processual da parte; quando for determinar a emenda, deverá
(SÚMULA n. 263 DO
o Juiz esclarecer à parte qual o ponto incorreto que deverá ser corrigido.
C. TST)
Conforme a referida Súmula, a inicial somente deverá ser indeferida, sem possibilidade de emenda se contiver
vícios insanáveis, que são os constantes do art. 295 do CPC.

I. quando for inepta;


II. quando a parte for manifestamente ilegítima;
III. quando o autor carecer de interesse processual;
IV. quando o juiz verificar, desde logo, a decadência ou a prescrição;
V. quando o tipo de procedimento, escolhido pelo autor, não corresponder à natureza da causa, ou ao valor da
ação, caso em que só não será indeferida se puder adaptar-se ao tipo de procedimento legal;
VI. quando lhe faltar pedido ou causa de pedir;
VII. quando da narração dos fatos não decorrer logicamente a conclusão;
VÍCIOS INSANÁVEIS
VIII. quando o pedido for juridicamente impossível;
NA PETIÇÃO INICIAL
IX. quando contiver pedidos incompatíveis entre si.
QUE ACARRETA O
Conforme já mencionado, inclusive com suporte na Súmula n. 263 do C. TST, se a inicial trabalhista contiver
SEU INDEFERIMENTO
os vícios mencionados no art. 295 do CPC, o Juiz do Trabalho deverá indeferi-la de plano, sem concessão do
prazo mencionado no art. 284 do CPC.
Caso o Juiz não indefira de plano a inicial, poderá, na sentença final, decretar a extinção do processo sem
resolução de mérito no aspecto (art. 267, I, do CPC), por conter a inicial um defeito previsto no art. 295 do
CPC.
Como no Processo do Trabalho dificilmente o Juiz do Trabalho toma contato com a inicial antes da audiência,
pois não há o despacho saneador, a apreciação dos vícios da inicial é, costumeiramente, deixada para a
sentença final, após a dilação probatória.

DECISÃO QUE
Possui natureza terminativa, uma vez que extingue o processo sem solução de mérito. No processo do Trabalho,
INDEFERE A
cabe recurso ordinário.
INICIAL

NA HIPÓTESE DE Se o Juiz do Trabalho indeferir a inicial, o reclamante poderá recorrer, no prazo de oito dias, facultando-se a
O JUIZ INDEFERIR retratação do Juiz, deferindo o recebimento da inicial, cabendo destacar que a aplicabilidade do art. 296 do CPC
A INICIAL NO se refere apenas ao indeferimento liminar da inicial. Se a inicial for indeferida após designação da audiência e
PROCESSO DO oferecimento da defesa, o recurso cabível será apenas o Ordinário, sem possibilidade de retratação do Juiz do
TRABALHO Trabalho.

NA HIPÓTESE DE
PRONUNCIAR
O processo será extinto com resolução de mérito.
PRESCRIÇÃO OU
DECADÊNCIA

6.6. Da resposta no processo do trabalho


Uma vez citado sobre a existência de um processo, como decorrência do princípio do
contraditório e ampla defesa (art. 5º, LV, da CF), o reclamado tem a faculdade de responder à
pretensão posta em juízo pelo reclamante, ou até mesmo se manter inerte.
A resposta, no processo do trabalho, consiste “no conjunto de faculdades, previstas na lei
processual, que o reclamado pode tomar para resistir de forma ativa à pretensão do reclamante”.
Se optar por responder, o reclamado poderá tomar uma das posturas previstas na lei (art. 297 do
CPC), ou seja, poderá contestar, apresentar exceções ou reconvenção. Poderá, cumulativamente,
apresentar as três modalidades de respostas.
Segundo o art. 297 do CPC, são modalidades de resposta: contestação, exceção e reconvenção.
A CLT disciplina duas modalidades de respostas, quais sejam: a contestação (art. 847 da CLT) e a
exceção (arts. 799 e seguintes da CLT). Não obstante, outras modalidades de respostas previstas no
CPC são compatíveis com o Processo do Trabalho (art. 769 da CLT), como a reconvenção, a ação
declaratória incidental, o reconhecimento jurídico do pedido.
No Processo do Trabalho, o momento para apresentação da resposta é a audiência, no prazo de 20
minutos, de forma oral, após a leitura da inicial, ou quando esta fora dispensada (arts. 846 e 847 da
CLT). Não obstante, a praxe trabalhista consagrou a resposta escrita.
Em suma:

6.7. Da contestação
A contestação é a peça defensiva por excelência, em que o reclamado terá a oportunidade de
impugnar a pretensão aduzida na inicial e também aduzir toda a matéria de defesa que entende
apropriada. Está disciplinada no art. 847 da CLT.
Conforme o citado dispositivo legal, a contestação, no Processo do Trabalho, é aduzida de forma
oral, no prazo de 20 minutos. Se houver mais de um reclamado no polo passivo, cada um deles terá
vinte minutos para aduzir a resposta. Não obstante, a praxe forense consagrou a contestação
apresentada de forma escrita. Dificilmente se apresenta a contestação de forma oral, em razão do
grande número de audiências na pauta, da cumulação de pedidos na petição inicial e também da
complexidade das matérias. Normalmente, a contestação é aduzida de forma oral quando o
reclamado está sem advogado ou, quando assistido por ele, este esquecer a contestação. Mesmo
sendo aduzida de forma oral, a contestação será reduzida a termo na própria ata de audiência.
Nas Varas que adotam o processo judicial eletrônico, a contestação deve ser encaminhada antes da
audiência (art. 10 da Lei n. 11.419/2006). Nesse sentido, dispõe o art. 22 da Resolução n. 94/2012
do CSJT, in verbis:
“Os advogados devidamente credenciados deverão encaminhar eletronicamente as contestações e documentos, com opção de
sigilo, quando for o caso, até antes da realização da audiência, sem prescindir de sua presença àquele ato processual. Parágrafo
único. Fica facultada a apresentação de defesa oral, pelo tempo de até 20 minutos, conforme o disposto no art. 847 da CLT”.

Nos termos dos arts. 300, 396 do CPC e 845 da CLT, a contestação deve estar acompanhada dos
documentos da defesa e também da referida peça. No nosso sentir, tanto a inicial como a contestação
trabalhista prescindem do requerimento de provas, pois estas serão produzidas em audiência,
independentemente de requerimento prévio.
A contestação segue dois princípios fundamentais que estão previstos no Código de Processo,
perfeitamente aplicáveis ao Processo do Trabalho (art. 769 da CLT). São eles: a) princípio da
eventualidade da defesa (art. 300 do CPC) e b) princípio da impugnação específica (art. 302 do
CPC).
a) Princípio da eventualidade: está previsto no art. 300 do CPC.
O princípio da eventualidade consiste no ônus do réu em aduzir todas as defesas que tiver contra o
processo (atacar diretamente a relação jurídica processual) e contra o pedido do autor, a fim de que,
na eventualidade de o Juiz não acolher a primeira alegação, acolha a segunda.
As defesas processuais, arguidas como matéria preliminar, estão previstas no art. 301 do CPC.
Não se dirigem diretamente aos pedidos do autor, buscando a extinção da relação jurídica
processual, ou seja, que o processo seja extinto sem resolução do mérito. São também chamadas de
defesas indiretas, pois não vão à essência do litígio, limitando-se a aduzir fundamentos para que ele
não seja julgado.
Quanto à matéria de mérito, essa deve ser deduzida integralmente no corpo da contestação. A
doutrina costuma denominar a defesa de mérito como defesa substancial, que pode ser direta ou
indireta. Será direta quando atacar diretamente os fatos declinados na inicial, negando a existência
do fato constitutivo do direito do autor. Outrossim, será indireta quando não consistir em negar os
fundamentos do autor, mas em trazer fundamentos novos de direito material (pagamento, prescrição
etc.). Também será indireta quando o reclamado, sem negar o fato constitutivo do direito do autor,
aduzir fatos modificativos, impeditivos ou extintivos do direito do autor.
Nos termos do art. 767 da CLT, a compensação, ou a retenção, só pode ser arguida como matéria
de defesa.
Portanto, diante da previsão expressa da CLT, tanto a compensação como a retenção devem ser
invocadas em defesa, estando precluso esse direito se for invocado após a fase defensiva.
b) Princípio da contestação específica: esse princípio está previsto no art. 302 do CPC.
Diante da redação do art. 302 do CPC, não é permitida a contestação genérica ou por negação
geral. Cabe ao réu impugnar um a um os fatos narrados pelo autor. Os fatos não impugnados são
presumidos verdadeiros. Entretanto, tal presunção é relativa, podendo ser elidida por prova em
contrário, (ver art. 303 do CPC).
O direito superveniente é o que surge no curso do processo, após a propositura da inicial e
apresentação de defesa. Na hipótese do inciso I do art. 303 do CPC, é o direito que surge após a
apresentação da defesa. Como exemplos: o reclamante que invoca doença profissional e passa por
cirurgia após a apresentação da contestação; a dispensa do reclamante após a apresentação da defesa
em razão de conduta faltosa praticada após a apresentação da contestação.
O Direito superveniente também pode ser conhecido de ofício pelo Juiz do Trabalho na sentença,
conforme a disposição do art. 462 do CPC, in verbis: “Se depois da propositura da ação, algum fato
constitutivo, modificativo ou extintivo do direito influir no julgamento da lide, caberá ao juiz tomá-lo
em consideração, de ofício, ou a requerimento da parte, no momento de proferir a sentença”.
Nesse sentido, cumpre destacar a Súmula n. 394 do TST, in verbis:
“Art. 462 DO CP C. FATO SUP ERVENIENTE (conversão da Orientação Jurisprudencial n. 81 da SBDI-1) — Res.
129/2005, DJ 20, 22 e 25.4.2005. O art. 462 do CP C, que admite a invocação de fato constitutivo, modificativo ou extintivo do
direito, superveniente à propositura da ação, é aplicável de ofício aos processos em curso em qualquer instância trabalhista (ex-OJ
n. 81 da SBDI-1 — inserida em 28.4.1997)”.

O Juiz pode conhecer de ofício as chamadas matérias de ordem pública, que podem ser invocadas
a qualquer tempo, antes do trânsito em julgado da decisão. Constituem o rol de matérias de ordem
pública as hipóteses elencadas no art. 301 do CPC, exceto o compromisso arbitral que depende de
invocação do reclamado. Com efeito, dispõe o § 4º do art. 301 do CPC: “Com exceção do
compromisso arbitral, o juiz conhecerá de ofício da matéria enumerada neste artigo”.
Em suma:

6.8. Das exceções


Em sentido amplo, exceção significa todas as espécies de defesa.
As exceções são defesas dirigidas contra o processo e não contra o mérito; não visam à
improcedência do pedido, mas, sim, a trancar o curso do processo, provocando sua extinção sem
resolução de mérito ou a dilatação do seu curso.
São classificadas, segundo a doutrina, em dilatórias, ou peremptórias. As dilatórias distendem o
curso do processo, sem extingui-lo. Nessa classificação estão incluídas as exceções de
incompetência, suspeição e impedimento. As peremptórias visam à extinção do processo. Como
exemplo, temos o próprio rol de preliminares do art. 301 do CPC, destacando-se a coisa julgada,
litispendência, perempção. As exceções são disciplinadas no art. 799 da CLT.
Conforme o dispositivo consolidado, as exceções dilatórias de incompetência em razão do lugar e
da suspeição devem ser invocadas separadamente, com suspensão do feito. As exceções
peremptórias devem ser arguidas como matéria de defesa, no corpo da contestação.

6.8.1. Exceções de impedimento e suspeição


A imparcialidade do Juiz é um princípio constitucional e um pressuposto processual de existência
da relação jurídica processual. Além disso, é um direito fundamental do cidadão que visa à justiça
da decisão e assegura a dignidade do processo.
Em razão disso, a lei determina que o Juiz não tenha qualquer vinculação, quer de ordem objetiva,
quer de ordem subjetiva com a lide.
As causas de impedimento do Juiz são de ordem pública, por isso não há preclusão, podendo ser
invocadas a qualquer tempo antes do trânsito em julgado da decisão.
O próprio Juiz pode espontaneamente se declarar impedido ou suspeito se estiver envolvido em
alguma das situações de impedimento ou suspeição previstas na lei, inclusive por motivo de foro
íntimo, sendo que este último não precisa de justificativa (ver art. 801 da CLT).
Conforme o art. 801 da CLT, há duas hipóteses de suspeição do Juiz do Trabalho, quais sejam: a
amizade íntima e inimizade pessoal, e uma hipótese de impedimento, o parentesco (a CLT trata o
parentesco como suspeição).
Alguns autores defendem a inaplicabilidade das hipóteses de impedimento e suspeição declinadas
nos arts. 134 e 135 do CPC, argumentando que a CLT não é omissa. Desse modo, por exemplo, o
parentesco do Juiz do Trabalho com o advogado da parte não geraria impedimento.
No nosso entendimento, em razão de omissão da CLT e compatibilidade com o Direito Processual
do Trabalho (art. 769 da CLT), restam aplicáveis as hipóteses de impedimento e suspeição previstas
nos arts. 134 e 135 do CPC ao Processo do Trabalho. Além disso, a imparcialidade do Juiz é um
mandamento constitucional e um direito fundamental do cidadão. Desse modo, no nosso sentir, as
hipóteses de impedimento e suspeição do Juiz previstas no Código de Processo Civil devem ser
transportadas para o Direito Processual do Trabalho, não sendo completa a Consolidação, para que
sejam efetivados os princípios constitucionais do devido processo legal e do acesso real à Justiça do
Trabalho.
O art. 134 do CPC declina as hipóteses de impedimento do Juiz.
O art. 135 do CPC disciplina as hipóteses de suspeição do Juiz.
A CLT disciplina o procedimento das exceções de impedimento e suspeição do Juiz do Trabalho
no art. 802.
Alguns autores sustentam que não há espaço para aplicação do CPC diante da inexistência de
omissão da CLT.
No nosso entendimento, o Juiz contra o qual foi arguida a exceção de impedimento ou suspeição
não pode participar do julgamento pelo simples fato de ser parte na exceção, de forma que é defeso
ao Juiz atuar no processo quando seja parte. Além disso, há quebra do princípio da imparcialidade.
Desse modo, pensamos ser aplicável ao Processo do Trabalho o disposto nos arts. 313 e 314 do
CPC quanto ao julgamento das exceções de suspeição e impedimento do Juiz do Trabalho.
Portanto, quem deve julgar as exceções de impedimento e suspeição arguidas em face do Juiz do
Trabalho é o TRT e não o Juiz monocrático da Vara do Trabalho, estando revogado o art. 802 da
CLT.
As exceções de suspeição ou impedimento podem ser arguidas no Processo do Trabalho tanto pelo
reclamante como pelo reclamado. Se o reclamado já souber do motivo de impedimento ou suspeição
do Juiz, deverá apresentá-la junto com a resposta, ou seja, no prazo de 20 minutos em audiência, nos
termos do art. 847 da CLT. O reclamante deverá invocar a suspeição ou impedimento do Juiz na
primeira oportunidade que tiver para falar no processo, nos termos do art. 795 da CLT.
Caso o reclamado saiba do motivo de impedimento ou suspeição do Juiz após a audiência, deverá
invocá-lo na primeira oportunidade em que falar nos autos, por aplicação do art. 795 da CLT, uma
vez que as nulidades devem ser invocadas no primeiro momento em que a parte tiver de falar nos
autos. Não obstante, as hipóteses de impedimento, por constituírem matérias de ordem pública e
interesse social, podem ser invocadas tanto pelo reclamado como pelo reclamante, a qualquer tempo,
inclusive após o trânsito em julgado na ação rescisória (art. 485, II, do CPC).
A jurisprudência tem admitido que as exceções na esfera do Processo do Trabalho sejam
apresentadas no próprio bojo da contestação, em peça separada ou até de forma verbal na própria
audiência. A exceção deverá conter o motivo da recusa, bem como estar acompanhada dos
documentos (art. 312 do CPC). Se o juiz reconhecer o impedimento, encaminhará o processo ao seu
substituto legal (art. 313 do CPC).
Caso o Juiz do Trabalho não reconheça os motivos invocados pelo excipiente, dará suas razões,
acompanhadas dos documentos, e remeterá os autos ao TRT, para instrução e julgamento da exceção.
Recebida a exceção de suspeição ou impedimento, deverá o Juiz do Trabalho suspender o feito
(art. 799 da CLT).

6.8.2. Exceção de incompetência


A exceção de incompetência tem por objetivo impugnar a competência em razão do território.
A incompetência absoluta deve ser alegada no próprio bojo da contestação, como matéria
preliminar (art. 799, § 1º, da CLT).
A competência em razão do lugar é relativa. Por isso, se não for arguida a exceção, no prazo para
resposta (art. 847 da CLT), haverá preclusão da matéria, prorrogando-se a competência da Vara em
que a reclamação foi proposta.
O Juiz do Trabalho não poderá conhecer, de ofício, a incompetência relativa. Embora o art. 795, §
1º, da CLT assevere que deverá ser declarada de ofício a incompetência de foro, essa incompetência
é a absoluta e não a relativa. O termo foro deve ser interpretado no sentido da Justiça competente em
razão da matéria, ou seja: foro civil, foro criminal, foro trabalhista etc.
Somente o reclamado poderá arguir a exceção de incompetência em razão do lugar, pois o
reclamante já escolheu a Vara do local em que pretendeu propor a ação, havendo preclusão
consumativa.
A CLT disciplina o procedimento da exceção de incompetência nos arts. 799 e 800 da CLT, não
havendo espaço para aplicação do CPC no aspecto.
Nos termos do art. 799 da CLT, o Juiz, apresentada a exceção, suspenderá o feito e abrirá vistas
ao exceto por 24 horas improrrogáveis (art. 800 da CLT) e proferirá a decisão na primeira audiência
ou sessão que se seguir. Se acolher a exceção, remeterá os autos à Vara competente; se rejeitar,
prosseguirá na instrução do feito.
Na praxe das Varas do Trabalho, o Juiz decide a exceção de incompetência em razão do lugar na
própria audiência em que ela foi arguida se o reclamante reconhecer que, efetivamente, trabalhou no
local de trabalho declinado pela excipiente.
A decisão que aprecia a exceção em razão do lugar é de natureza interlocutória, não havendo como
se recorrer de plano, restando a possibilidade de o reclamado renovar a matéria quando do recurso
cabível da decisão final (art. 799, § 2º, da CLT), ou seja, em sede de recurso ordinário (art. 895 da
CLT).
A Súmula n. 214, alínea c, do TST possibilita o recurso ordinário em face da decisão que acolhe
exceção de incompetência territorial, com a remessa dos autos para Tribunal Regional distinto
daquele a que se vincula o juízo excepcionado. Desse modo, se o Juiz do Trabalho acolher a exceção
de incompetência territorial, determinando a remessa dos autos para outra Vara do Trabalho
vinculada a outro Tribunal Regional do Trabalho, há a possibilidade de interposição do recurso
ordinário, pois a decisão é terminativa do feito junto à jurisdição do TRT em que o Juiz prolatou a
decisão.
A jurisprudência e a praxe trabalhista têm admitido que a exceção de incompetência em razão do
lugar seja apresentada no próprio bojo da contestação, em razão dos princípios de informalidade e
simplicidade do Processo do Trabalho. Além disso, como a exceção e a defesa podem ser
apresentadas num mesmo momento em audiência (arts. 846 e 847 da CLT), não há como não admitir
que a exceção possa ser apresentada na mesma peça da contestação.

6.9. Da reconvenção
A reconvenção é uma modalidade de resposta (art. 297 do CPC), por meio da qual o réu
demanda em face do autor, na mesma relação jurídica processual. A natureza jurídica da
reconvenção é de uma ação autônoma conexa ao processo.
São requisitos para a admissibilidade da reconvenção: a) que o juiz da causa principal não seja
absolutamente incompetente para a reconvenção; b) haver compatibilidade dos ritos procedimentais;
c) haver processo pendente: litispendência; d) haver conexão (art. 103 do CPC) entre a reconvenção
e a ação principal ou com o fundamento da defesa.
A reconvenção disciplinada no Código de Processo Civil (arts. 315 a 318) é compatível com o
Processo do Trabalho, por omissão da CLT e compatibilidade com os princípios que regem o
Direito Processual do Trabalho (art. 769 da CLT).
Nos ritos sumário (Lei n. 5.584/70) e sumaríssimo (Lei n. 9.957/2000), a reconvenção não se
mostra cabível, em razão do princípio da celeridade que envolve os ritos processuais desses
procedimentos.
A reconvenção, na esfera processual civil, deve ser proposta no prazo da resposta junto com a
defesa, em peça separada, no mesmo dia, sob pena de preclusão consumativa. Embora o réu, como
regra geral, não precise contestar para reconvir, quando a reconvenção for conexa com os
fundamentos da defesa, há essa necessidade.
No Direito Processual do Trabalho, a jurisprudência tem tolerado que a reconvenção seja aduzida
no próprio corpo da contestação, em peça separada, ou de forma verbal na própria audiência.
A reconvenção pode ser escrita ou verbal, mas deve observar os requisitos da petição inicial
trabalhista elencados no art. 840 da CLT.
Como no Processo do Trabalho a reconvenção é apresentada em audiência, o Juiz deverá adiá-la
para que o reclamante (reconvindo) apresente resposta à reconvenção na próxima audiência, que
deverá ser remarcada com antecedência mínima de cinco dias (art. 841 da CLT). Entretanto, o
reclamante pode, se possível, renunciar o prazo da resposta da reconvenção e ofertar sua resposta na
própria sessão da audiência de forma oral.
Se o reclamante (reconvindo) não apresentar resposta à reconvenção, aplica-se-lhe a confissão
ficta. No nosso sentir, se o reclamante estiver presente na audiência, não há revelia pela não
contestação à reconvenção, pois a revelia, no Processo do Trabalho, está vinculada à ausência do
reclamado na audiência (art. 844 da CLT).
A compensação, na esfera processual trabalhista, conforme o art. 767 da CLT, deve ser arguida em
contestação, mas, se o crédito do reclamado superar o do reclamante, este poderá propor a
reconvenção.
Nos termos do art. 317 do CPC, que se mostra compatível com o Direito Processual do Trabalho,
a desistência da ação ou qualquer causa que a extinga não obsta o prosseguimento da reconvenção.
A ação e a reconvenção devem ser julgadas na mesma sentença, nos termos do art. 318 do CPC,
que se mostra compatível com o Processo do Trabalho. Na parte dispositiva da sentença trabalhista,
deve o juiz abrir um parágrafo dizendo sobre a procedência, improcedência, ou procedência em parte
do pedido ou pedidos formulados na reconvenção, bem como as condições para o cumprimento. Da
decisão que julgar a reconvenção, cabe o recurso ordinário, nos termos do art. 895 da CLT.
Em suma:
DAS EXCEÇÕES

Em sentido amplo, exceção significa todas as espécies de defesas dirigidas contra o processo e não contra o
CONCEITO mérito, não visam à improcedência do pedido, mas, sim, a trancar o curso do processo, provocando sua extinção
sem resolução de mérito, ou a dilatação do seu curso.

DILATÓRIAS: distendem o curso do processo, sem extingui-lo. Nessa classificação, estão incluídas as
exceções de incompetência, suspeição e impedimento. As exceções dilatórias de incompetência em razão do
CLASSIFICAÇÃO
lugar e da suspeição devem ser invocadas separadamente, com suspensão do feito.
DOUTRINÁRIA
PEREMPTÓRIAS: visam à extinção do processo. Como exemplo, temos a coisa julgada, litispendência,
perempção. As exceções peremptórias devem ser arguidas como matéria de defesa, no corpo da contestação.

As causas de impedimento do Juiz são de ordem pública, por isso não há preclusão, podendo ser invocadas a
EXCEÇÕES DE qualquer tempo antes do trânsito em julgado da decisão.
IMPEDIMENTO E O próprio Juiz pode espontaneamente se declarar impedido ou suspeito se estiver envolvido em alguma das
SUSPEIÇÃO situações de impedimento ou suspeição previstas na lei, inclusive por motivo de foro íntimo, sendo que este
último não precisa de justificativa.

HIPÓTESES DE
SUSPEIÇÃO DO
A amizade íntima e inimizade pessoal.
JUIZ DO
TRABALHO

HIPÓTESE DE IMPEDIMENTO
O parentesco (a CLT trata o parentesco como suspeição).
DO JUIZ DO TRABALHO

Apresentada a exceção de suspeição, o juízo ou Tribunal designará audiência dentro de 48 horas,


para instrução e julgamento da exceção.
A CLT DISCIPLINA O
§ 1º nas Varas e nos Tribunais Regionais, julgada procedente a exceção de suspeição, será logo
PROCEDIMENTO DAS
convocado para a mesma audiência ou sessão, ou para a seguinte, o suplente do membro suspeito, o
HIPÓTESES DE SUSPEIÇÃO
qual continuará a funcionar no feito até decisão final. Proceder-se-á da mesma maneira quando algum
E IMPEDIMENTO DO JUIZ DO
dos membros se declarar suspeito.
TRABALHO
§ 2º Se se tratar de suspeição de Juiz de Direito, será este substituído na forma da organização
judiciária local.

COMPETÊNCIA PARA
Quem deve julgar as exceções de suspeição e impedimento arguidas em face do Juiz do Trabalho é o
JULGAR CAUSAS DE
TRT e não o Juiz monocrático da Vara do Trabalho.
IMPEDIMENTO E SUSPEIÇÃO

A jurisprudência tem admitido que as exceções na esfera do Processo do Trabalho sejam


apresentadas no próprio bojo da contestação, em peça separada ou até de forma verbal na própria
audiência. A exceção deverá conter o motivo da recusa, bem como estar acompanhada dos
documentos. Se o juiz reconhecer o impedimento, encaminhará o processo ao seu substituto legal.
JURISPRUDÊNCIA
Caso o Juiz do Trabalho não reconheça os motivos invocados pelo excipiente, dará suas razões,
acompanhadas dos documentos, e remeterá os autos ao TRT, para instrução e julgamento da
exceção.
Recebida a exceção de suspeição ou impedimento, deverá o Juiz do Trabalho suspender o feito.
EXCEÇÃO DE INCOMPETÊNCIA

A exceção de incompetência tem por objetivo impugnar a competência em razão do território; a incompetência
OBJETIVO
absoluta deve ser alegada no próprio bojo da contestação, como matéria preliminar.

A competência em razão do lugar é relativa. Por isso, se não for arguida a exceção, no prazo para resposta, haverá
preclusão da matéria, prorrogando-se a competência da Vara em que a reclamação foi proposta.
COMPETÊNCIA O Juiz do Trabalho não poderá conhecer, de ofício, a incompetência relativa. Somente o reclamado poderá arguir a
exceção de incompetência em razão do lugar, pois o reclamante já escolheu a Vara do local em que pretendeu
propor a ação, havendo preclusão consumativa.

A CLT disciplina o procedimento da exceção de incompetência, não havendo espaço para aplicação do CPC no
aspecto.
Apresentada a exceção, o Juiz suspenderá o feito e abrirá vistas ao exceto por 24 horas improrrogáveis e proferirá a
decisão na primeira audiência ou sessão que se seguir. Se acolher a exceção, remeterá os autos à Vara
competente, se rejeitar, prosseguirá na instrução do feito.
Na praxe das Varas do Trabalho, o Juiz decide a exceção de incompetência em razão do lugar na própria audiência
PROCEDIMENTO em que ela foi arguida se o reclamante reconhecer que, efetivamente, trabalhou no local de trabalho declinado pela
DA EXCEÇÃO DE excipiente.
INCOMPETÊNCIA A decisão que aprecia a exceção em razão do lugar é de natureza interlocutória, não havendo como se recorrer de
plano, restando a possibilidade de o reclamado renovar a matéria quando do recurso cabível da decisão final, ou
seja, em sede de recurso ordinário.
A jurisprudência e a praxe trabalhista têm admitido que a exceção de incompetência em razão do lugar seja
apresentada no próprio bojo da contestação, em razão dos princípios de informalidade e simplicidade do Processo
do Trabalho. Além disso, como a exceção e a defesa podem ser apresentadas num mesmo momento em
audiência, não há como não admitir que a exceção possa ser apresentada na mesma peça da contestação.

DA RECONVENÇÃO

A reconvenção é uma modalidade de resposta, por meio da qual o réu demanda em face do autor, na mesma
CONCEITO
relação jurídica processual.

NATUREZA JURÍDICA A natureza jurídica da reconvenção é de uma ação autônoma conexa ao processo.

a) que o juiz da causa principal não seja absolutamente incompetente para a reconvenção;
REQUISITOS PARA b) haver compatibilidade dos ritos procedimentais;
ADMISSIBILIDADE c) haver processo pendente: litispendência;
d) haver conexão entre a reconvenção e a ação principal ou com o fundamento da defesa.

No Direito Processual do Trabalho, a jurisprudência tem tolerado que a reconvenção seja aduzida no próprio
corpo da contestação, em peça separada, ou de forma verbal na própria audiência.
A reconvenção pode ser escrita ou verbal, mas deve observar os requisitos da petição inicial trabalhista
elencados no art. 840 da CLT.
Como no Processo do Trabalho a reconvenção é apresentada em audiência, o Juiz deverá adiá-la para o
reclamante (reconvindo) apresentar resposta à reconvenção na próxima audiência, que deverá ser remarcada
PROCEDIMENTO DA
com antecedência mínima de 5 dias.
RECONVENÇÃO NA
Se o reclamante (reconvindo) não apresentar resposta à reconvenção, aplica-se-lhe a confissão ficta. Se o
JUSTIÇA DO
reclamante estiver presente na audiência, não há revelia pela não contestação à reconvenção, pois a revelia,
TRABALHO
no Processo do Trabalho, está vinculada à ausência do reclamado na audiência.
A compensação, na esfera processual trabalhista, deve ser arguida em contestação, mas, se o crédito do
reclamado superar o do reclamante, este poderá propor a reconvenção.
A desistência da ação ou qualquer causa que a extinga não obsta o prosseguimento da reconvenção.
A ação e a reconvenção devem ser julgadas na mesma sentença, que se mostra compatível com o Processo
do Trabalho.

Questões
1. (TRT 3ª Região — 2009 — Processo Civil) Leia as afirmações abaixo e, em seguida, assinale
a alternativa correta:
I. O princípio da congruência entre pedido e sentença determina que o juiz deve decidir de
acordo com o que foi pedido, não podendo decidir fora, acima ou abaixo do pedido, sob pena
de nulidade da sentença.
II. Pelo princípio da eventualidade, cabe ao réu impugnar um a um os fatos articulados pelo
autor na petição inicial, mas essa regra não se aplica ao advogado dativo, ao curador especial
e ao órgão do Ministério Público.
III. A reconvenção — uma das modalidades de resposta do réu — é ação judicial do réu em
face do autor. Sua admissibilidade está condicionada, tanto na fase cognitiva, quanto na de
execução, ao preenchimento de pressupostos específicos, dentre eles a existência de conexão.
IV. Quando houver questão prejudicial externa em ação autônoma em curso, o processo que
surge posteriormente deverá ser suspenso, mas o período de suspensão nunca poderá exceder
6 (seis) meses.
V. Ocorre perempção quando o autor perde o direito material invocado, em virtude de ter
ensejado a extinção do processo sem resolução de mérito por três vezes por não promover
atos e diligências que lhe competir, abandonando a causa por mais de 30 (trinta) dias.
a) Somente uma afirmativa está correta.
b) Somente duas afirmativas estão corretas.
c) Somente três afirmativas estão corretas.
d) Somente quatro afirmativas estão corretas.
e) Todas as afirmativas estão incorretas.
2. (TRT 2ª Região — 2009) Assinale a alternativa correta:
a) Nos termos previstos na Consolidação das Leis do Trabalho, ao receber a petição
inicial a Secretaria da Vara deve enviar os autos imediatamente ao juiz para realização
do juízo de admissibilidade da ação.
b) No Processo do Trabalho o juiz tem contato com a petição inicial apenas em audiência
e é nesta oportunidade que deve realizar o juízo de admissibilidade da ação,
determinando, inclusive, quando for o caso, a emenda à peça vestibular se a hipótese
versar sobre vícios insanáveis.
c) É incorreto determinar a emenda à petição inicial na audiência, posto que a esta altura
o réu já foi citado, não se admitindo a alteração da “litiscontestatio” em nenhuma
hipótese.
d) A emenda à petição inicial, após a citação do réu, depende da concordância expressa
deste.
e) Constatada a ausência de documento essencial, o indeferimento da petição inicial
somente é cabível se, após intimada para suprir a irregularidade em 10 (dez) dias, a
parte não o fizer.
3. (TRT 11ª Região — 2007) Ao ser citada para contestar uma reclamação trabalhista ajuizada
por ex-empregado, a reclamada verifica que está sendo repetido pedido de horas extras já
decidido por sentença da qual não cabe mais nenhum recurso. A reclamada em defesa deverá:
a) opor exceção de coisa julgada.
b) arguir preliminar de coisa julgada.
c) opor exceção de nulidade.
d) arguir litigância de má-fé.
e) arguir preliminar de carência de ação.
4. (Juiz do trabalho — 3ª Região – 2012) Em relação ao processo do trabalho, leia as afirmações
abaixo e, em seguida, assinale a alternativa correta:
I. No processo de conhecimento, as custas devem ser pagas pelo vencido, sempre após o
trânsito em julgado da decisão.
II. Nas lides trabalhistas, compete ao Tribunal Regional do Trabalho dirimir conflito de
competência verificado, na respectiva região, entre Juiz Estadual e Vara do Trabalho.
III. Compete à Justiça do Trabalho julgar ação de reparação de danos morais, proposta pela
empregada contra o seu empregador, decorrentes de assédio sexual praticado contra
empregada doméstica em seu ambiente de trabalho, ainda que por parte de familiar que nesse
não residia, mas que praticou o ilícito somente porque a ele teve livre acesso.
IV. É admissível reconvenção na ação declaratória.
a) Somente as afirmativas II, III e IV estão corretas.
b) Somente as afirmativas II e III estão corretas.
c) Somente as afirmativas I e II estão corretas.
d) Somente as afirmativas II e IV estão corretas.
e) Todas as afirmativas estão corretas.

Gabarito
1. E
2. E
3. B
4. E
7
Da audiência trabalhista

7.1. Conceito e singularidades


A audiência trabalhista é um ato formal, solene, que conta com o comparecimento das partes,
advogados, funcionários da Justiça e do Juiz do Trabalho, em que são realizadas as tentativas de
conciliação, o reclamado poderá apresentar sua resposta (contestação, exceção e reconvenção),
se ouvem as partes e testemunhas e se profere a decisão.
O Processo do Trabalho, na expressão popular, é um processo de audiência, pois os atos
principais da fase de conhecimento se desenvolvem nesse ato. Além disso, a lei determina que todos
os atores principais do processo estejam presentes na audiência.
Em contrapartida, o Juiz do Trabalho, como regra geral, toma contato com a inicial pela primeira
vez na audiência e também a defesa, que é apresentada em audiência (escrita ou verbal), tenta a
conciliação, instrui e julga a causa.
São singularidades da audiência trabalhista:
a) Presença obrigatória das partes: já é frequente na doutrina dizer que o Processo do Trabalho
é um processo de partes, diante da importância do comparecimento delas para o Processo.
A CLT exige o comparecimento pessoal das partes em audiência (arts. 843 e 844 da CLT),
somente admitindo a ausência em casos específicos e justificados. Além disso, se o empregador se
fizer substituir por preposto, este deve ter conhecimento dos fatos (art. 843, § 1º, da CLT).
b) Concentração dos atos processuais numa única audiência (audiência una): pela sistemática
da CLT, a audiência é una ou única, na qual o Juiz do Trabalho toma conhecimento da inicial, faz a
proposta de conciliação, o reclamado apresenta a defesa, são produzidas as provas e, em seguida, é
prolatada a sentença.
Não obstante, se não for possível concluir a audiência no mesmo dia, a CLT possibilita que ela
seja adiada para data posterior. Nesse sentido, o art. 849 da CLT, in verbis:
“A audiência de julgamento será contínua; mas, se não for possível, por motivo de força maior, concluí-la no mesmo dia, o juiz ou
presidente marcará a sua continuação para a primeira desimpedida, independentemente de nova notificação”.

Embora o referido dispositivo se refira à força maior, a jurisprudência e a praxe trabalhista têm
flexibilizado a interpretação do art. 849 consolidado para possibilitar que o Juiz adie as audiências
ou até as fracione em inicial, instrução e julgamento, quando o número de processos na Vara impeça
a realização de audiências unas ou até mesmo quando a matéria for complexa e exija um estudo mais
apurado do Processo.
O Juiz do Trabalho, como diretor do Processo (arts. 130 do CPC e 765 da CLT), deve avaliar o
custo-benefício e, discricionariamente, decidir pela unicidade ou fracionamento das audiências,
embora seja conveniente, sempre que possível, adotar a audiência una.
Todavia, há algumas situações em que a audiência tem de ser adiada em razão do não
comparecimento de testemunha (art. 825 da CLT), para realização da prova pericial, ou por ausência
justificada das partes (arts. 843 e 844, ambos da CLT).
c) Publicidade: o princípio da publicidade dos atos processuais e da audiência é um mandamento
constitucional, conforme dispõe o art. 93, IX, da CF, in verbis:
“Todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade,
podendo a lei limitar a presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus advogados, ou somente a estes, em casos nos
quais a preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo não prejudique o interesse público à informação”.

Desse modo, qualquer pessoa pode ingressar nos recintos da audiência e assisti-la.
Não obstante, o princípio da publicidade não é absoluto, pois a própria Constituição Federal
determina que, em certas hipóteses, ele pode deixar de ser observado, para proteção da intimidade
de uma das partes ou de ambas (ver art. 155 do CPC).
d) Oralidade: a audiência trabalhista é oral, em que a defesa é apresentada de forma oral, são
ouvidas as testemunhas e são apresentadas as razões finais orais.
Tanto Juiz como partes e advogados se utilizam das palavras para praticar os atos processuais em
audiência.
Deve o Juiz do Trabalho, de forma oral, sempre que possível, sanear o processo na audiência,
resolver eventuais incidentes e fixar os pontos controvertidos para a produção da prova.
Além disso, no Processo do Trabalho, a defesa é oral (art. 847 da CLT), o Juiz inquire diretamente
as testemunhas, bem como o advogado tem direito a reperguntas (art. 820 da CLT), assim também as
razões finais são orais (art. 850 da CLT).
O Juiz do Trabalho aproxima-se mais das partes, tendo um contato mais estreito com elas em
audiência, principalmente quando estas postulam sem advogado.
e) Poderes mais acentuados ao Juiz do Trabalho na condução da audiência (inquisitivo): o Juiz
do Trabalho tem ampla liberdade na direção da audiência. Ele preside as sessões e também os atos
que se praticam durante a audiência.
f) Conciliação: o Juiz do Trabalho deve envidar os seus bons esforços em busca da conciliação,
exigindo a lei que faça a primeira proposta conciliatória antes do recebimento da defesa (art. 846 da
CLT) e após as razões finais (art. 850 da CLT).
Mesmo determinando o art. 846 da CLT que o Juiz proponha a conciliação antes de receber a
defesa, já na abertura da audiência, pensamos que o Juiz do Trabalho deva fazer a primeira proposta
de conciliação após a leitura da inicial e também da defesa, a fim de que, após analisadas as
pretensões e razões de defesa, possa formulá-la com maior objetividade, atento ao que consta dos
autos. A experiência tem demonstrado que dificilmente o Juiz consegue realizar uma proposta de
acordo justa e razoável sem a análise da inicial e da defesa.
A tentativa de acordo pode ser realizada a qualquer momento pelo Juiz, mesmo durante a
inquirição das partes e testemunhas. Muitas vezes, a conciliação é obtida durante a inquirição das
partes e testemunhas.
Em contrapartida, deve o Juiz do Trabalho adotar postura neutra, mas não passiva, na conciliação.
Deve buscar uma proposta equilibrada e que realmente observe a reciprocidade de concessões e a
efetividade do Direito do Trabalho.
Também não deve o Juiz do Trabalho tentar a conciliação a qualquer custo, utilizando-se de
argumentos para intimidar as partes.
Caso a proposta não seja razoável ou lese o direito do reclamante, deve o Juiz do Trabalho deixar
de homologá-la e prosseguir na instrução.

7.2. Formalidades da audiência trabalhista


a) Designação. Prazos: no Processo do Trabalho, não existe o despacho de recebimento da
inicial, quem a recebe é o Diretor de Secretaria (art. 841 da CLT), ou o funcionário por ele
designado. O Juiz do Trabalho somente toma contato com a petição inicial em audiência.
Por isso, ao receber a inicial, o Diretor de Secretaria deve designar a data da audiência,
notificando as partes da data, bem como sobre as consequências do não comparecimento e também
sobre o comparecimento das testemunhas.
Na própria notificação, o autor sai ciente de que, se não comparecer, o processo será arquivado,
podendo ser responsabilizado pelo pagamento das custas processuais. O reclamado fica notificado
de que, se não comparecer, haverá a revelia, além da confissão quanto à matéria de fato (art. 844 da
CLT).
Entre a ciência da audiência e a realização dessa, deve existir um prazo mínimo de cinco dias para
que o reclamado possa apresentar defesa e contatar as testemunhas. Nesse sentido, dispõe o art. 841,
caput, da CLT.
b) Limites temporais: conforme o art. 813 da CLT, as audiências trabalhistas devem ser
realizadas no horário entre 8 e 18 horas. O referido horário, no nosso sentir, por ser específico,
prevalece sobre a regra geral de prática dos atos processuais do art. 770 da CLT.
A melhor interpretação do art. 813 da CLT sinaliza no sentido de que o prazo máximo de cinco
horas é aplicável a todas as audiências da pauta e não a uma única audiência, pois, se cada audiência
puder durar no máximo cinco horas, dificilmente o Juiz do Trabalho conseguirá realizar todas as
audiências da pauta. Além disso, o art. 813 da CLT utiliza o termo audiências e não audiência, o que
denota que se quis referir-se à sessão das audiências do dia.
c) Local de realização: nos termos do art. 813, caput, da CLT, as audiências se realizam na sede
do juízo ou Tribunal. Excepcionalmente, nos termos do § 1º da CLT, poderá ser designado outro
local para a realização das audiências, mediante edital afixado na sede do juízo ou Tribunal, com a
antecedência mínima de 24 horas.
Para que as partes não sejam surpreendidas, é conveniente que na notificação conste o local de
realização da audiência com o endereço completo, telefones do fórum etc. Se o local da audiência for
alterado, também pensamos que as partes devam ser notificadas da alteração, pois dificilmente elas
terão contato com o Edital na sede do juízo, no prazo mínimo de 24 horas.
d) Poder de Polícia do Juiz: o art. 816 da CLT consagra o que se costuma chamar na doutrina de
“poder de polícia do juiz” nas audiências. Por esse poder, o magistrado que preside as audiências
deve zelar pelo bom andamento dos trabalhos. Embora o Juiz possa mandar que as pessoas que
estejam atrapalhando as audiências se retirem, ele deve, acima de tudo, tratar as partes com
urbanidade, exortando as partes e o advogado para essa finalidade.
e) Hipóteses de adiamento: se as partes ou uma das partes não comparecerem à audiência,
conforme o art. 844 da CLT, ocorrendo motivo relevante, a audiência poderá ser adiada pelo Juiz.
Pensamos que motivo relevante se refere a caso fortuito ou força maior e também um motivo
ponderável, como greve dos sistemas de transporte, alagamentos, doença, entre outros.
f) Registro das audiências: atualmente, o registro das audiências é feito eletronicamente com a
digitação das atas no computador e colocadas nos sites dos Tribunais Regionais do Trabalho.
Das atas de audiência devem constar as principais ocorrências havidas na audiência, como os
depoimentos das partes e testemunhas, juntadas de documentos e requerimentos das partes.
Terminada a audiência, é impressa uma cópia, que é assinada pelo Juiz e pelas pessoas que
participaram da audiência: as partes, os advogados, as testemunhas e o funcionário da audiência (ver
art. 817 da CLT).
7.3. O procedimento da audiência trabalhista quando há o
comparecimento do juiz do trabalho e das partes
a) Comparecimento do funcionário e do Juiz do Trabalho: conforme o art. 814 da CLT, o chefe
de Secretaria, atualmente chamado de Diretor de Secretaria, ou o funcionário designado para
trabalhar na sala de audiências deve estar presente com antecedência.
O Juiz do Trabalho deve também estar presente no horário designado (art. 815 da CLT).
b) Pregão e a questão do atraso: no horário previamente agendado, o Juiz Titular ou o Substituto
que estiver presidindo as audiências determinará o pregão.
O pregão consiste na chamada das partes para ingressarem na sala de audiências. É realizado
normalmente pelo funcionário da audiência (secretário de audiência), ou pelo próprio Juiz do
Trabalho.
A CLT trata da matéria quanto ao atraso do Juiz no art. 815.
Como se denota da redação do art. 815, a CLT apenas prevê a tolerância do atraso para o Juiz
presidente não para as partes.
Pode-se questionar a constitucionalidade do dispositivo, por violação do princípio da isonomia
(art. 5º da CF). Pensamos não ser inconstitucional o parágrafo único do art. 815 da CLT, já que a
figura do Juiz não se confunde com as partes e os advogados. Em contrapartida, o trabalho do Juiz, na
Vara do Trabalho, não se resume somente às audiências. Há os despachos urgentes, liminares,
decisões na execução, sentenças, atendimento aos advogados, supervisão do trabalho de Secretaria
etc. Essa concentração de atividades na pessoa do Juiz, a nosso ver, justifica o atraso de 15 minutos,
cujo lapso se mostra razoável. Não obstante a lei permitir o atraso, deve o Juiz zelar pela
pontualidade nas audiências e, somente em caráter excepcional, atrasar as audiências. Todavia,
entendemos que, se o motivo for justificável, o atraso do Juiz pode sobejar o limite de 15 minutos.
O entendimento que prevaleceu na jurisprudência foi no sentido de que a CLT não prevê a
possibilidade de atraso das partes nem sequer de alguns minutos, pois a nossa Consolidação
disciplina apenas a possibilidade de atraso para o Juiz. Caso o Juiz tolere o atraso de alguns minutos
de alguma das partes, ele pode violar, assim, o princípio da imparcialidade e de igualdade de
tratamento às partes. No mesmo sentido também é a posição majoritária da doutrina.
Também o Tribunal Superior do Trabalho, acolhendo a jurisprudência dominante, fixou
entendimento da impossibilidade do atraso das partes à audiência por meio da OJ n. 245 da SDI-I,
nos seguintes termos: “Revelia. Atraso. Audiência. Inexiste previsão legal tolerando atraso no
horário de comparecimento da parte à audiência”.
c) Conciliação: sentando as partes à mesa, o Juiz do Trabalho, após tomar contato com o
processo, fará a primeira proposta de acordo (art. 846 da CLT).
Como já destacado, deverá o Juiz do Trabalho ter equilíbrio na conciliação, formular propostas
após ouvir as pretensões das partes e analisar as razões da petição inicial e da contestação. Não
deverá o Juiz do Trabalho forçar o reclamante ou o reclamado a aceitar acordo contra a vontade. Em
contrapartida, deverá o Juiz do Trabalho deixar de homologar a avença quando prejudicial ao
reclamante, ao reclamado, ou a ambos, ou se ela tiver nítido propósito de fraudar a lei (ver art. 846
da CLT).
Se for aceita a conciliação, ela será reduzida a termo, encerrando-se o processo com resolução do
mérito (art. 831 da CLT), exceto para o INSS, que poderá recorrer das parcelas objeto de incidência
previdenciária.
d) Apresentação de resposta pelo reclamado e manifestação do reclamante: se não for aceita a
conciliação, passa-se à leitura da inicial, tendo o reclamado 20 minutos para apresentação de defesa
oral.
A Consolidação das Leis do Trabalho não prevê a possibilidade de manifestação sobre a defesa,
na peça denominada réplica. Desse modo, reputamos aplicável ao Processo do Trabalho o instituto
da réplica previsto nos arts. 326 e 327 do CPC.
No rito sumaríssimo, o reclamante deverá manifestar-se sobre a defesa e os documentos na própria
audiência, salvo impossibilidade material de fazê-lo. É o que deflui do art. 852-H, § 1º, da CLT.
Como no Processo do Trabalho a audiência é una, a manifestação sobre a defesa, como regra
geral, deve ser realizada em audiência, em prazo fixado pelo Juiz do Trabalho. Entretanto, se a
matéria for complexa, ou houver quantidade excessiva de documentos, deverá o Juiz conceder prazo
razoável fora da audiência para o autor manifestar-se sobre a defesa.
e) Instrução do processo: após a apresentação da defesa e manifestação do reclamante sobre ela,
haverá a instrução do processo.
Serão ouvidas as partes e testemunhas.
f) Razões finais: após a oitiva, as partes terão dez minutos sucessivos para a apresentação das
razões finais (art. 850 da CLT). Alguns juízes, quando a matéria é complexa, ou para não atrasar as
demais audiências da pauta, concedem prazo para que as partes apresentem as razões finais por
escrito.
Nas razões finais, a parte deve atentar o juiz da causa sobre a prova produzida nos autos e
demonstrar, de forma sintética, os argumentos que levam à procedência (reclamante) ou à
improcedência do pedido (reclamado). O ideal é realizá-las na própria audiência, de forma oral e
sintética em poucos minutos, na presença do próprio magistrado, pois é da essência do processo do
trabalho o princípio da oralidade. Além disso, o Juiz do Trabalho ouvirá as razões finais depois da
instrução do processo, podendo ser convencido com maior eficiência pela parte.
No rito sumaríssimo, não há previsão de razões finais. Por isso, pensamos que elas não são
cabíveis diante da própria natureza dinâmica desse rito processual. Não obstante, poderá o Juiz do
Trabalho, conforme a complexidade da matéria, permitir as razões finais à luz do princípio da
instrumentalidade.
g) Última proposta de conciliação e decisão: após as razões finais, o Juiz do Trabalho fará a
última proposta de conciliação.
Se não for aceita a última proposta de conciliação, será prolatada a decisão em audiência (art. 832
da CLT).
Em suma:
7.4. A questão da representação do reclamado por
preposto na audiência trabalhista
O preposto é o representante do empregador na audiência trabalhista (ver § 1º do art. 843 da
CLT).
Diante do § 1º do art. 843 da CLT, constata-se que a nomeação de preposto é faculdade do
empregador. Portanto, a preposição é voluntária, entretanto, as declarações do preposto vincularão o
proponente. Em contrapartida, a lei exige que o preposto tenha conhecimento dos fatos, ainda que não
os tenha presenciado. Basta que tenha ciência dos fatos pessoalmente ou por informações de
terceiros. Não obstante, não encerra penalidade específica para esse desconhecimento. Entretanto,
são pacíficas tanto a doutrina como a jurisprudência no sentido de que o desconhecimento dos fatos
pelo preposto acarreta a confissão ficta, nos termos dos arts. 345 e 348 e seguintes do CPC.
A praxe forense trabalhista e a jurisprudência consagraram a necessidade de o preposto apresentar
a Carta de Preposição em audiência. Embora a lei não exija que o preposto apresente carta de
preposição, a praxe trabalhista consagrou tal obrigatoriedade em razão das consequências que a
atuação do preposto em audiência pode acarretar ao empregador.
Caso o preposto não apresente a Carta de Preposição, pensamos que deva o Juiz do Trabalho
conceder prazo para que o reclamado providencie sua juntada aos autos, com suporte no art. 13 do
CPC, que assim dispõe: “O preposto representa o empregador em audiência, podendo praticar todos
os atos processuais de representação neste ato processual”.
Caso o reclamado não tenha advogado, poderá o preposto apresentar defesa oral, realizar
reperguntas para o reclamante e as testemunhas, aduzir razões finais (art. 791 da CLT) e realizar
propostas de acordo. Deve, outrossim, caso entenda o juiz, prestar depoimento (art. 848 da CLT).
A preposição exaure-se na audiência. Desse modo, o preposto não poderá praticar outros atos
processuais no processo, como os recursos.
Mostra-se polêmica a seguinte questão. Deve o preposto ser empregado da reclamada?
A CLT não prevê tal exigência, conforme o art. 843, § 1º. Desse modo, muitos doutrinadores
sustentam a não necessidade de o preposto ser empregado da reclamada; assim, o empregador pode
se fazer representar em audiência por qualquer preposto que tenha conhecimento dos fatos. Caso o
preposto não saiba dos fatos, o empregador correrá o risco da confissão.
Dentre os argumentos apontados pela doutrina, que entende ser desnecessária a condição de
empregado do preposto, destacamos: a) falta de previsão legal, pois o art. 843, § 1º, da CLT não
exige que o preposto seja empregado; b) obstar o acesso à Justiça do empregador, que não pode
nomear empregado para representá-lo em juízo; c) uma pessoa próxima ao empregador pode
conhecer, com maior riqueza de detalhes, os fatos da relação de emprego do que um empregado; d)
risco exclusivo do empregador em nomear preposto que não saiba dos fatos.
Os que entendem que o preposto deve ser empregado do reclamado elencam, entre outros, os
seguintes fundamentos: a) necessidade efetiva de o preposto conhecer os fatos que se passam na
empresa; b) princípio da oralidade do processo do trabalho; c) busca da verdade real no processo do
trabalho, uma vez que o empregado preposto tem, potencialmente, maiores possibilidades de relatar
a realidade do contrato de trabalho; d) evitar a “indústria” de prepostos profissionais; e)
moralização do processo do trabalho.
O TST pacificou a questão por meio da Súmula n. 377, recentemente alterada, dispondo:
“P REP OSTO. EXIGÊNCIA DA CONDIÇÃO DE EMP REGADO — Exceto quanto à reclamação de empregado doméstic
contra micro ou pequeno empresário, o preposto deve ser necessariamente empregado do reclamado. Inteligência do art. 843, §
1º, da CLT e do art. 54 da Lei Complementar n. 123, de 14 de dezembro de 2006”.

Para nós, embora a lei não exija que o preposto seja empregado, a interpretação teleológica e
sistemática dos arts. 843 e 844 da CLT em cotejo com o princípio da oralidade nos sinaliza no
sentido de que, efetivamente, o preposto deva ser empregado para que conheça os fatos da causa e
facilite o acesso do juízo aos fatos pertinentes e relevantes do processo.
Por isso, concordamos com a Súmula n. 377 do C. TST, pois propicia que o Juiz do Trabalho
possa, potencialmente, conhecer melhor a realidade do contrato de trabalho, uma vez que é de suma
importância o depoimento pessoal da parte para o processo do trabalho, que, acima de tudo, é um
“processo de partes”. Além disso, moraliza o processo, evitando o ingresso de prepostos
profissionais que, em vez de esclarecer os fatos, vem a juízo com a preocupação precípua de
defender os interesses do empregador.
Desse modo, à luz da Súmula n. 377 do TST, salvo para o empregador doméstico e para as
microempresas, o preposto, além da Carta de Preposição, deve comparecer à audiência com a CTPS.
Caso não porte a Carteira de Trabalho, deverá o Juiz conceder prazo para juntada, nos termos do art.
13 do CPC.
Quanto ao doméstico, o empregador, na verdade, é a entidade familiar. Desse modo, qualquer
pessoa da família pode atuar como preposto. Todavia, se houver outros empregados na residência, é
conveniente que um deles figure como preposto.
Para as micro e pequenas empresas, a lei não exige a condição de empregado do preposto (ver art.
54 da LC 123, de 14.12.2006).
O art. 54 da LC 123, de 14.12.2006, tem por objeto facilitar o acesso à Justiça das pequenas e
microempresas em razão do número reduzido de empregados que possuem. Em se tratando de
controvérsias que não envolvam a relação de emprego (EC 45/2004), pensamos não ser exigível a
condição de empregado do preposto, uma vez que não se está discutindo vínculo de emprego,
bastando apenas que o preposto conheça os fatos referentes à relação de trabalho discutida no
processo.
Desse modo, estamos de acordo com a Súmula n. 377 do TST, com um pequeno ajuste, qual seja:
para as controvérsias decorrentes da relação de trabalho, ou seja, as que não envolvem a relação de
emprego, o preposto não necessita ser empregado do reclamado.
Para os processos em que se discute relação de emprego, alguns autores sustentam a tese de que,
se o preposto não ostentar a condição de empregado, deve ser aberto prazo para a irregularidade ser
sanada, aplicando-se o art. 13 do CPC.
Em nosso entendimento, mesmo que o preposto não seja empregado, não há como se decretar a
revelia do reclamado, pois o preposto, efetivamente, compareceu à audiência, e a revelia, no
processo do trabalho, está vinculada ao fato do não comparecimento da parte na audiência. O fato de
o preposto não ser empregado acarreta confissão ficta do reclamado, mas não revelia, por não
conhecer os fatos. Assim, o conhecimento dos fatos é pertinente à fase probatória e não à questão de
representação processual. Portanto, inaplicável se mostra o art. 13 do CPC.
Sob outro enfoque, como se trata de confissão ficta, não deve o juiz encerrar prematuramente a
instrução processual e prosseguir na dilação probatória, pois o conjunto probatório pode elidir a
confissão ficta.
Em suma:

7.5. Efeitos processuais da ausência das partes à audiência


7.5.1. Ausência do reclamante (arquivamento) e possibilidade
de representação do reclamante
O art. 843 da CLT exige a presença do reclamante na audiência, independentemente da presença
de seu representante ou advogado. Já o art. 844 da CLT assevera que o não comparecimento do
reclamante importa em arquivamento.
O arquivamento equivale à extinção do processo sem resolução do mérito (art. 267 do CPC), não
gerando o efeito da confissão ficta ao reclamante, sendo certo que ele possa renovar a pretensão,
observado o lapso prescricional.
Uma vez arquivada a ação, o reclamante poderá propor novamente a reclamação trabalhista, sem
necessidade de comprovação de custas processuais, caso não tenha sido beneficiado pela Justiça
Gratuita.
A CLT prevê uma única hipótese de o processo prosseguir sem a presença do autor (ver art. 843, §
2º, da CLT).
Para muitos autores, a representação mencionada no art. 843, § 2º, da CLT é eficaz tão somente
para requerer o adiamento da sessão, não podendo o representante depor e confessar fato em
desfavor do reclamante. Não obstante o respeito que merece o entendimento acima transcrito, com
ele não concordamos. Com efeito, o § 2º do art. 843 da CLT não diz que a presença do representante
do empregado é limitada a apenas requerer o adiamento. Em contrapartida, o referido dispositivo
legal fala em “representação”, assim, é certo que é da essência da representação que o representante
pratique atos processuais no interesse do representado, presumivelmente segundo a vontade deste
último. Entretanto, que utilidade teria o dispositivo legal, se a representação tivesse somente o
escopo de evitar o arquivamento? Caso o autor esteja doente ou não possa comparecer, seu advogado
poderá alegar o fato, e o juiz adiar a sessão, mediante comprovação do motivo no prazo assinalado
pelo Juiz.
Sob outro enfoque, a lei diz que o empregado poderá fazer-se representar por outro empregado que
pertença à mesma profissão ou pelo seu Sindicato, o que denota que o representante deve ter
conhecimento dos fatos, já que somente outro empregado na mesma situação do autor pode conhecer
a realidade do trabalho do autor, ou o Sindicato. Se os poderes do representante fossem somente para
adiar a audiência, não haveria necessidade de a lei especificar empregado da mesma profissão ou
Sindicato de sua categoria.
Em suma:

7.6. Da ausência do reclamado e da revelia


O art. 843 da CLT assevera que o reclamado deve comparecer em audiência, independentemente
de seu patrono ou representante. Já o art. 844 do mesmo diploma legal diz que o não comparecimento
do reclamado importa revelia, além de confissão quanto à matéria de fato.
Portanto, deve o reclamado comparecer pessoalmente à audiência ou nomear preposto para
representá-lo, cujas declarações obrigarão o proponente.
Conforme anteriormente mencionado, a ausência do reclamado importa revelia, além de confissão
quanto à matéria de fato (art. 844 da CLT).
A doutrina designa a expressão contumácia para a inatividade das partes quando há o chamamento
judicial para comparecimento em juízo. A revelia é a contumácia do réu em não atender ao chamado
judicial para defender-se.
No nosso sentir, a revelia não é rebeldia, pena ou ônus para o réu. Trata-se de uma preclusão
qualificada que gera uma situação processual (fato processual) decorrente da inatividade do réu
em oferecer resposta à pretensão do autor que acarreta consequências processuais favoráveis ao
demandante e desfavoráveis ao demandado.
Alguns chegam a dizer que, quando há o julgamento à revelia, há uma decisão fictícia ou até
mesmo ausência de jurisdição.
Não temos dúvida de que a melhor forma de compreender a lide é por meio da atividade das
partes, tanto que o Direito Processual do Trabalho e o Direito Processual Civil adotam o princípio
da oralidade. Também é com a presença das partes que, muitas vezes, se atinge uma solução
consensual para o conflito, ou se chega mais próximo da realidade do litígio (ver art. 844 da CLT).
Em nosso entendimento, a revelia, no Processo do Trabalho, conceitua-se como a ausência do
reclamado, imotivadamente, regularmente notificado, à audiência em que poderia apresentar
resposta.
A revelia, no Processo do Trabalho, somente tem relevância se o autor comparecer à audiência.
Do contrário, ainda que não compareça o réu, o processo é arquivado, o que equivale à extinção sem
resolução do mérito, não havendo qualquer consequência processual em face do reclamado, diante da
dicção do art. 844 da CLT.
A revelia gera algumas consequências processuais. São elas: a) desnecessidade de intimação do
réu dos atos do processo (art. 322 do CPC), salvo se tiver advogado constituído nos autos; b)
presunção de veracidade dos fatos afirmados pelo reclamante. No Processo do Trabalho, o art. 844
da CLT assevera que a revelia acarreta ao reclamado confissão quanto à matéria de fato; c)
julgamento antecipado da lide (art. 330, II, do CPC).
O TST sumulou, recentemente, o entendimento no sentido de que, mesmo que compareça o
advogado, munido de procuração e defesa, em audiência, sem o preposto, tal situação não será
suficiente para elidir os efeitos da revelia. Nesse sentido é a Súmula n. 122 do C. TST:
“A reclamada, ausente à audiência em que deveria apresentar defesa, é revel, ainda que presente seu advogado munido de
procuração, podendo ser ilidida a revelia mediante a apresentação de atestado médico, que deverá declarar, expressamente, a
impossibilidade de locomoção do empregador ou do seu preposto no dia da audiência”.

Concordamos em parte com a referida Súmula n. 122, pois, não comparecendo o empregador ou
seu preposto à audiência, inegavelmente, haverá revelia, já que o art. 844 da CLT exige a presença
da parte, entretanto, no nosso sentir, o advogado poderá juntar a defesa e os documentos que poderão
ilidir os efeitos da revelia, já que houve ânimo de defesa por parte da reclamada.
Para nós, as consequências da ausência do reclamado no Processo do Trabalho são muito mais
drásticas que os efeitos da ausência do autor, pois, caso este último não compareça, o processo será
arquivado, podendo o reclamante, dentro do prazo prescricional, renovar sua pretensão, já que o
arquivamento acarreta extinção do processo sem resolução do mérito. Também, o arquivamento pode
gerar consequências benéficas para o autor, vez que a jurisprudência do TST (Súmula n. 268) fixou o
entendimento de que a reclamação trabalhista, ainda que arquivada, interrompe a prescrição.
Já para o réu, as consequências são pesadas, pois haverá a presunção de veracidade dos fatos
narrados na inicial, o processo será julgado antecipadamente e dificilmente poderá intervir no
processo antes da decisão, que em regra é prolatada na própria audiência de instrução e julgamento.
Se o advogado comparece, com procuração, defesa e documentos, deverá ser-lhe facultada a
juntada em homenagem ao melhor direito, equidade e aos ditames de justiça.
Em suma:
7.7. Da ausência do advogado
No Processo do Trabalho, a presença do advogado, embora ele seja essencial à administração da
Justiça (art. 133 da CF), não surte efeitos sem a presença da parte (art. 843 da CLT). Em
contrapartida, em razão do jus postulandi da parte (art. 791 da CLT), esta não terá prejuízo
processual se o advogado não comparecer, sendo certo que a eventual ausência do advogado não
será motivo para adiar a audiência.

7.8. Ausência do reclamante e do reclamado


Como já mencionado anteriormente, como a audiência trabalhista é una, se as duas partes não
comparecerem, a demanda será arquivada por força do imperativo do art. 844 da CLT.
Se houver prosseguimento da audiência, ou seja, audiência de instrução, a CLT não previu a
hipótese, restando a solução a cargo da doutrina e jurisprudência.
Quando há designação de audiência de instrução, as partes devem comprometer-se a comparecer
para depoimentos e, para tanto, devem sair cientes das consequências do não comparecimento, nos
termos do art. 343, § 1º, da CLT e da Súmula n. 74, I, do C. TST.
Se reclamante e preposto não comparecerem, o efeito será a aplicação da confissão ficta a ambos.
Como ambos foram confessos, a doutrina fixou o entendimento no sentido de que o processo deve ser
solucionado à luz das regras de distribuição do ônus da prova fixadas nos arts. 818, da CLT, e 333,
do CPC.
Embora haja a confissão ficta de ambos os litigantes, o juiz não está obrigado a encerrar de plano
a instrução e julgar o processo. Se não estiver convicto para decidir, ou entender que a versão de
uma ou de ambas as partes está fora da razoabilidade, poderá ouvir, conforme seu prudente arbítrio,
as testemunhas que estiverem presentes, ou determinar a realização das provas que entender cabíveis
nos termos dos arts. 130 do CPC e 765 da CLT.
Em suma:

Questões
1. (TRT 2ª Região — 2009) Numa determinada reclamação trabalhista, por ocasião da audiência
UNA, compareceu o advogado da reclamada munido de procuração, defesa escrita e
documentos, estando, entretanto, ausente injustificadamente o preposto. Nesta situação,
segundo entendimentos sumulados do Colendo Tribunal Superior do Trabalho, o Juiz deve:
a) Receber a defesa e aplicar a pena de confissão à reclamada ausente.
b) Permitir que o advogado atue também como preposto, desde que seja empregado da
reclamada.
c) Não receber a defesa e declarar a revelia da reclamada.
d) Nomear uma das testemunhas presentes da reclamada como preposto “ad hoc”.
e) Adiar a audiência para preservar o Princípio da Ampla Defesa e do Contraditório.
2. (TRT 2ª Região — 2009) Segundo interpretação do Colendo Tribunal Superior do Trabalho o
preposto deve, necessariamente:
a) Ser empregado da parte reclamada e ter presenciado os fatos controvertidos,
apenas.
b) Ser empregado da parte reclamada, salvo nos casos de trabalho doméstico ou se o
empregador for micro ou pequeno empresário.
c) Ser empregado da parte reclamada, salvo nos casos de trabalho doméstico.
d) Ser empregado da parte reclamada em demanda de qualquer natureza.
e) Não precisa ser empregado, bastando que tenha conhecimento dos fatos por
qualquer meio.
3. (TRT 2ª Região — 2009) Segundo previsão da Consolidação das Leis do Trabalho, na
audiência, ao término da instrução processual o juiz deve:
a) Renovar a proposta conciliatória e, se infrutífera esta, conceder às partes o prazo
sucessivo de 05 (cinco) dias para razões finais, designando o julgamento para outra
data.
b) Renovar a proposta conciliatória e, se infrutífera esta, conceder às partes o prazo de
dez minutos sucessivos para razões finais e, ao final, designar data de julgamento, salvo
se o feito tramitar pelo rito sumaríssimo, quando o julgamento será proferido de
imediato.
c) Conceder a cada parte o prazo de dez minutos para razões finais, renovar a proposta
conciliatória e, se infrutífera esta, proferir o julgamento de imediato, independentemente
do rito pelo qual tramita o processo.
d) Conceder a cada parte o prazo de dez minutos para razões finais em se tratando de
rito ordinário e cinco minutos em se tratando de rito sumaríssimo, renovar a proposta
conciliatória e, se infrutífera esta, proferir o julgamento de imediato, independentemente
do rito pelo qual tramita o processo.
e) Conceder a cada parte o prazo de dez minutos para razões finais em se tratando de
rito ordinário e cinco minutos em se tratando de rito sumaríssimo, renovar a proposta
conciliatória e, se infrutífera esta, designar data de julgamento, salvo se o feito tramitar
pelo rito sumaríssimo, quando o julgamento será proferido de imediato.
4. (TRT 2ª Região — 2009) Designada sessão de audiência para Instrução do feito, com defesa
já apresentada em audiência anterior, e tendo sido as partes diretamente intimadas para prestar
depoimento na referida sessão, restou ausente a reclamada, mas, presente seu advogado. O juiz
aplicou a pena de confissão à reclamada e determinou a colheita do depoimento pessoal do
reclamante, obtendo ali confissão expressa. Nesta situação é correto dizer para o julgamento da
causa que:
a) Todo procedimento está equivocado, pois o juiz deveria ter decretado a revelia da ré
com o desentranhamento da defesa e documentos.
b) A confissão do autor prevalece sobre a confissão da ré, devendo o juiz levar em
consideração esta prova quando do julgamento da lide.
c) A confissão da ré, ainda que relativa, somente poderia ser elidida por prova pré-
constituída, consoante entendimento sumulado pelo Colendo Tribunal Superior do
Trabalho de sorte que o depoimento do autor deve ser desconsiderado.
d) O depoimento pessoal do autor não poderia ser colhido, na medida em que a
confissão da ré era absoluta e não admitia prova em contrário.
e) As confissões são de idêntico valor. Confissões opostas e equivalentes anulam-se
reciprocamente, cabendo ao juiz julgar o feito pelo ônus da prova.

Gabarito
1. C
2. B
3. C
4. B
8
Provas no processo do trabalho

8.1. Do conceito e finalidade da prova


A palavra prova é originária do latim probatio, que significa demonstrar, examinar, persuadir.
Diante da importância da prova para o processo, Carnelutti chegou a afirmar que as provas são o
coração do processo, pois é por meio delas que se definirá o destino da relação jurídica processual.
As provas são os instrumentos admitidos pelo Direito como idôneos — a demonstrar um fato ou
um acontecimento ou, excepcionalmente, o direito que interessa à parte no processo —, destinados à
formação da convicção do órgão julgador da demanda.
O Código de Processo Civil não define o conceito de prova (ver art. 332 do CPC).
Desse modo, além dos meios legais de prova elencados no Código de Processo Civil, há a
admissão de qualquer meio moralmente legítimo de prova, vale dizer: o meio probatório que não
atente contra a moral e os bons costumes. Com isso, nota-se a amplitude probatória que consagra o
Código de Processo Civil, a fim de facilitar o acesso do cidadão à Justiça e a possibilidade de
demonstrar a veracidade de suas alegações em juízo.
Enquanto os meios de prova são os instrumentos legais ou admissíveis em Direito para se
demonstrar a veracidade das alegações em juízo, as fontes da prova são os fatos naturais ou humanos
que tenham relevância na esfera jurídica, bem como as coisas corpóreas ou incorpóreas existentes na
natureza ou criadas pelo homem, das quais se originam os meios de prova.
O direito à prova decorre do princípio do Devido Processo Legal consubstanciado no art. 5º, LIV,
da CF. Entretanto, a atividade probatória das partes no processo deve observar não só os ditames da
lei processual como também da moral, segundo preconiza o art. 332 do CPC.
O objeto da prova são os fatos, pois o Direito deve ser conhecido pelo Juiz (juria novit curia),
salvo as exceções do art. 337 do CPC.
O fato a ser provado deve ser relevante e pertinente ao esclarecimento do processo, ou seja, que
possa influir na convicção do Juiz. Além disso, há necessidade de que haja controvérsia sobre sua
existência. Vale dizer: que o fato seja afirmado por uma parte e contestado pela outra.
A finalidade da prova é formar a convicção do Juiz sobre os fatos relevantes e pertinentes da
causa.
A obtenção da verdade é o motivo e a finalidade última da prova no processo. Nesse sentido é
expressivo o art. 332 do CPC, quando assevera: “Todos os meios legais, bem como os moralmente
legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em
que se funda a ação ou a defesa” (o destaque é nosso).
Para nós, a definição de verdade para fins processuais significa: acontecimento que ocorreu na
realidade, o qual não fora objeto de alteração por vontade humana ou alterado em razão de erro
na sua percepção.
A doutrina clássica costuma realizar uma divisão da verdade em real (também chamada
substancial) e formal (também chamada processual ou verossimilhança). Verdade real é aquilo que
aconteceu na realidade, independentemente da vontade humana. Verdade formal é a verossimilhança,
ou seja, a verdade que se extrai dos autos do processo.
Durante muito tempo, a doutrina defendeu que no processo penal se persiga a verdade real (ou
substancial), pois os interesses envolvidos são indisponíveis. Já no processo civil, que lida, em
regra, com interesses disponíveis (patrimoniais), é suficiente ao julgamento a verdade formal. Desse
modo, na esfera cível, o Juiz poderá julgar com base em regra de ônus da prova, presunções, sem a
necessidade de investigação mais profunda da verdade.
A obtenção da verdade real, inegavelmente, atende aos princípios de justiça e efetividade do
processo, sendo, portanto, um dos escopos da jurisdição, que é pacificar o conflito com justiça.
Desse modo, a moderna doutrina defende a tese da superação da diferenciação entre verdade real e
formal, dizendo que a verdade é uma só, a real, mas esta é praticamente impossível de ser atingida.
Não obstante, todos que atuam no processo, principalmente o julgador, deve envidar esforços para se
chegar ao acertamento mais próximo da realidade (verdade substancial).
Todavia, diante do princípio da inafastabilidade da jurisdição e da necessidade de se proferir uma
decisão no processo, pois o atual sistema constitucional não admite o chamado non liquet, não é
possível que o processo fique aguardando a obtenção da verdade real. Caso tal fosse autorizado,
comprometeria a duração razoável do processo e inviabilizaria a tomada de decisão. Além disso,
diante das divergências dos fatos invocados no processo pelas partes, das vicissitudes que enfrenta o
processo e da falibilidade humana na interpretação dos fatos, é tarefa das mais difíceis para o
julgador apurar a verdade real. Além disso, o próprio julgador realiza valoração subjetiva dos fatos
e da realidade.
Em suma:
8.2. Objeto da prova
O objeto da prova são os fatos. Excepcionalmente, a Lei exige a prova do direito. Mas nem todos
os fatos são objeto, somente aqueles que se relacionam com a lide e sobre eles haja controvérsia.
O fato probante tem de ser controvertido, isto é, afirmado por uma parte e contestado pela parte
contrária. Os fatos não controvertidos, como regra geral, não são objeto da prova, pois são admitidos
como verdadeiros no processo. Não obstante, situações há em que mesmo o fato não contestado pode
ser objeto de prova (por exemplo: os fatos que não parecem verossímeis segundo o que
ordinariamente acontece ou que são fora do padrão médio da sociedade, e também os fatos
impossíveis ou pouco prováveis).
Entretanto, como a CLT não tem regra própria no aspecto, o art. 334 do CPC resta aplicável ao
Processo do Trabalho por força do art. 769 da CLT. Desse modo, passamos à análise dos quatro
incisos do art. 334 do CPC sob a ótica do Direito Processual do Trabalho.
a) Fatos notórios: os fatos notórios são os de conhecimento comum, de uma determinada
comunidade ou região, num determinado lapso de tempo.
O conceito de fato notório é relativo, pois, se uma das partes sobre ele não tiver conhecimento ou
se até mesmo o Juiz dele não conheça, é possível a produção de provas sobre a própria existência da
notoriedade do fato.
Ao contrário do que pensam alguns doutrinadores, que o fato notório pode ser contestado, se este
for contestado, deixa de ser notório e, portanto, deve ser provado.
b) Fatos afirmados por uma parte e confessados pela parte contrária: o fato confessado passa
a ser tido no processo como verdadeiro. Entretanto, somente a confissão expressa dispensa a prova
do fato. A confissão ficta, por ser relativa, pode ser elidida por provas em contrário.
c) Fato incontroverso: o fato incontroverso é aquele que não é contestado. Também o fato
admitido pelo réu, em razão da confissão, se torna incontroverso.
d) Presunção de existência e veracidade: a presunção não é propriamente um meio de prova, mas
um raciocínio lógico por meio do qual, a partir da existência de determinadas coisas ou situações,
pela reiteração de suas ocorrências, se passa a acreditar na existência de outras.
As presunções podem ser absolutas (juris et de jure) ou relativas (juris tantum). São absolutas as
presunções que não admitem prova em contrário e as relativas as que admitem.
Pensamos que na esfera do Direito Material do Trabalho não há espaço para as presunções legais
absolutas, em razão do princípio da primazia da realidade que norteia esse ramo do Direito. Desse
modo, o Juiz do Trabalho não deve atribuir caráter absoluto às presunções legais.
As presunções podem decorrer da lei ou da experiência comum do que ordinariamente acontece.
Com relação a esta última espécie, tem comumente sido fixada pela jurisprudência.
Como exemplos de presunções legais, ver o art. 456, parágrafo único, da CLT.
Como exemplos de presunções jurisprudenciais, destacamos as seguintes Súmulas do Tribunal
Superior do Trabalho:
Súmula n. 12: “CARTEIRA P ROFISSIONAL: As anotações apostas pelo empregador na carteira profissional do empregado nã
geram presunção juris et de jure, mas apenas juris tantum”.

Súmula n. 16: “NOTIFICAÇÃO: Presume-se recebida a notificação 48 (quarenta e oito) horas depois de sua postagem. O se
não recebimento ou a entrega após o decurso desse prazo constitui ônus de prova do destinatário”.
Súmula n. 43: “TRANSFERÊNCIA: Presume-se abusiva a transferência de que trata o §º 1do art. 469 da CLT, sem
comprovação da necessidade do serviço”.

Súmula n. 212: “DESP EDIMENTO — ÔNUS DA P ROVA: O ônus de provar o término do contrato de trabalho, quand
negados a prestação de serviço e o despedimento, é do empregador, pois o princípio da continuidade da relação de emprego
constitui presunção favorável ao empregado”.

Súmula n. 443: “DISP ENSA DISCRIMINATÓRIA. P RESUNÇÃO. EMP REGADO P ORTADOR DE DOENÇA G
ESTIGMA OU P RECONCEITO. DIREITO ÀINTEGRAÇÃO RE — Res. 185/2012, DEJT divulgado em 25, 26 e 27.09.2012
Presume-se discriminatória a despedida de empregado portador do vírus HIV ou de outra doença grave que suscite estigma ou
preconceito. Inválido o ato, o empregado tem direito à reintegração no emprego”.

Indício é uma circunstância conhecida e provada, por meio da qual se chega à conclusão de
existência de outra coisa.
Por exemplo, numa hipótese em que se discute a existência de relação de emprego tendo, de um
lado, reclamante pretendendo o reconhecimento de vínculo de emprego, de outro lado, a reclamada,
em defesa, sustentando a tese de que o reclamante era vendedor autônomo. A existência de alguns
indícios, como comparecimento a reuniões semanais, existência de cota mínima, área fixa de
trabalho, ressarcimento de despesas, pode autorizar o Juiz do Trabalho a reconhecer o vínculo de
emprego.
As máximas de experiência são conhecimentos adquiridos pelo Juiz, pela sua cultura e pelo seu
exercício funcional, que o fazem presumir a existência de determinadas situações ou coisas.
O Código de Processo Civil não disciplinou as presunções, mas tratou das máximas de
experiência, o que denota a importância de tal instituto no campo probatório (ver arts. 335 do CPC e
852-D da CLT).
Conforme os referidos dispositivos, as máximas de experiência constituem o conhecimento
adquirido pelo Juiz durante sua vida e também pelo que normalmente acontece, considerando-se o
padrão médio da sociedade. Esse conhecimento também pode advir de determinado comportamento
ou fato, que se repete nos Processos. Tais dispositivos são de grande utilização no Processo do
Trabalho, cujas matérias discutidas em juízo são eminentemente fáticas.
O Juiz do Trabalho poderá utilizar-se das regras de experiência como as poderosas aliadas para
valorar e interpretar a prova dos autos, principalmente se esta se encontrar dividida, se mostrar
inverossímil ou fora da razoabilidade. O referido art. 852-D da CLT realça a possibilidade de o Juiz
dar valor especial às regras de experiência comum ou técnica.
O Direito, excepcionalmente, pode ser objeto de prova, nos termos do art. 337 do CPC, que assim
dispõe: “A parte, que alegar direito municipal, estadual, estrangeiro ou consuetudinário, provar-lhe-á
o teor e a vigência, se assim o determinar o Juiz”.
O Juiz é obrigado a conhecer a legislação federal. Se a parte invocar legislação estadual,
internacional, consuetudinária, deverá comprovar o teor, bem como a vigência.
Na seara do Processo do Trabalho, são exemplos de espécies normativas em que a parte tem de
demonstrar o teor e a vigência: acordos e convenções coletivas, usos e costumes, regulamentos de
empresas, leis estaduais e municipais, que disciplinem regras trabalhistas e Normas Internacionais
(Tratados e Convenções).
Quanto às Convenções da OIT ratificadas pelo Brasil, como têmstatus de Lei Ordinária, o Juiz do
Trabalho deve conhecê-las, não necessitando a parte que as invocar provar o teor e a vigência.
A prova do Direito se faz por meio de certidões com as publicações oficiais no Diário Oficial e
de outros Órgãos Oficiais. Não havendo impugnação, pensamos não haver necessidade de
autenticação. Quanto ao direito costumeiro, pensamos ser possível a comprovação por meio de
testemunhas.
Em suma:

8.3. Princípios da prova no processo do trabalho


8.3.1. Necessidade da prova
Por este princípio, as partes têm o encargo de comprovar suas alegações em juízo. Não basta
alegar, a parte deve provar. Diz a doutrina clássica que o sucesso do processo depende da qualidade
da atividade probatória da parte. De outro lado, é bem verdade que a necessidade da prova depende
do encargo probatório das partes no processo e da avaliação das razões da inicial e da contestação
(arts. 818 da CLT e 333 e 334 do CPC).

8.3.2. Contraditório e ampla defesa


Por força do princípio do contraditório, as partes têm o direito de produzir todas as provas que a
lei lhes faculta, tanto os meios legais como os moralmente legítimos (art. 332 do CPC). Também
deve o Juiz assegurar às partes igualdade de oportunidades quanto à produção das provas. Além
disso, toda prova produzida em juízo deve estar sob o chamado crivo do contraditório, ou seja, da
prova produzida por uma parte, tendo a parte contrária o direito de impugná-la. Em razão disso, a
parte deve sempre ser cientificada das provas produzidas pelo adversário, tendo a faculdade de
impugná-la.

8.3.3. licitude e probidade da prova


A Constituição veda, no art. 5º, LVI, as provas obtidas por meios ilícitos, visando a resguardar o
princípio da legalidade e também a dignidade do processo. Somente em algumas situações especiais,
diante das circunstâncias do caso concreto, realizando juízo de ponderação de valores, o Juiz do
Trabalho poderá admitir a utilização da prova ilícita no Processo do Trabalho.
Além disso, o art. 332 do CPC também veda as provas moralmente ilegítimas no processo.

8.3.4. Aquisição processual


Por este princípio, uma vez produzida a prova, ela passa a pertencer ao processo, integrando o
corpo processual, independentemente da parte que a produziu. Sob outro enfoque, o Juiz poderá
formar sua convicção com qualquer elemento de prova produzida nos autos, independentemente de
quem a produziu e também independentemente de quem detinha o ônus da prova (ver art. 131 do
CPC).
Diante do art. 131 do CPC de total pertinência com o Processo do Trabalho, o Juiz se vincula à
prova do processo, ainda que não haja menção a elas pelas partes, na inicial ou na contestação.

8.3.5. Livre convencimento motivado do juiz


Este princípio, também chamado pela doutrina de persuasão racional, possibilita ao Juiz firmar
seu convencimento, livremente, sobre a verossimilhança dos fatos da causa, desde que apresente os
motivos de sua convicção (arts. 131 do CPC e 93, IX, da CF).

8.3.6. Aptidão para a prova


O presente princípio determina que deva produzir a prova não quem detenha o ônus processual
(arts. 818 da CLT ou 333 do CPC), mas, sim, quem detenha melhores condições materiais ou técnicas
para produzir a prova em juízo.
Trata-se, na verdade, da superação da regra do ônus da prova prevista nos arts. 818 da CLT e 333
do CPC à luz dos princípios constitucionais do acesso à Justiça, contraditório, ampla defesa e
igualdade substancial dos litigantes, uma vez que, no processo, em determinadas circunstâncias, a
prova pode ser produzida com maior facilidade e efetividade por uma parte que não detém o ônus da
prova.
O presente princípio se amolda perfeitamente ao Processo do Trabalho, considerando-se a
hipossuficiência e a dificuldade probatória de produção de determinadas provas pelo trabalhador, e
as melhores condições de produção de determinadas provas pelo empregador, como nas hipóteses da
prova do salário (art. 464 da CLT), da jornada (art. 74, § 2º, da CLT) etc.
Além disso, o Juiz do Trabalho deve sempre atuar com equilíbrio, avaliando sempre as
circunstâncias do caso concreto, à luz dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, ao
aplicar o princípio da aptidão para a prova.
Em suma:
PRINCÍPIO DA PROVA NO PROCESSO DO TRABALHO

Necessidade da prova: por este princípio, as partes têm o encargo de comprovar suas alegações em juízo.
Não basta alegar, a parte deve provar.

Contraditório e ampla defesa: as partes têm o direito de produzir todas as provas que a lei lhes faculta, tanto os meios legais como
os moralmente legítimos; também deve o Juiz assegurar às partes igualdade de oportunidades quanto à produção das provas. Além
disso, toda prova produzida em juízo deve estar sob o chamado crivo do contraditório, ou seja, da prova produzida por uma parte, tendo
a parte contrária o direito de impugná-la.

Licitude e probidade da prova: a Constituição veda as provas obtidas por meios ilícitos, visando a resguardar o princípio da
legalidade e também a dignidade do processo. Somente em algumas situações especiais, diante das circunstâncias do caso concreto,
realizando juízo de ponderação de valores, o Juiz do Trabalho poderá admitir a utilização da prova ilícita no Processo do Trabalho.

Aquisição processual: por este princípio, uma vez produzida a prova, ela passa a pertencer ao processo, integrando o corpo
processual, independentemente da parte que a produziu. Sob outro enfoque, o Juiz poderá formar sua convicção com qualquer elemento
de prova produzida nos autos, independentemente de quem a produziu e também independentemente de quem detinha o ônus da prova.

Livre convencimento motivado do Juiz: também chamado pela doutrina de persuasão racional, possibilita ao Juiz firmar seu
convencimento, livremente, sobre a verossimilhança dos fatos da causa, desde que apresente os motivos de sua convicção.

Aptidão para a prova: determina que deva produzir a prova não quem detenha o ônus processual, mas, sim, quem detenha melhores
condições materiais ou técnicas para produzir a prova em juízo.

8.4. Do ônus da prova


O ônus da prova é um dever processual que incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu
direito e ao réu quanto aos fatos modificativos, extintos e impeditivos do direito do autor, que, uma
vez não realizado, gera uma situação desfavorável à parte que detinha o ônus e favorável à parte
contrária, na obtenção da pretensão posta em juízo (ver arts. 818 da CLT e 333 do CPC).
Não há uniformidade de interpretação do ônus da prova no processo do trabalho. A CLT, como já
dito, apenas menciona que o ônus da prova incumbe à parte que as fizer.
Vários intérpretes se esforçaram para excluir o real alcance do art. 818 da CLT, mas não se
chegou a um consenso sobre de quem seria a carga probatória no processo à luz da CLT.
Inegavelmente, existem alguns critérios:
a) o ônus da prova no processo do trabalho é do reclamado, pois ele tem melhores condições de
produzir a prova no processo;
b) o ônus da prova é do reclamante, pois o autor tem a obrigatoriedade de demonstrar em juízo os
fatos da inicial;
c) tanto o reclamante como o empregado devem provar os fatos alegados tanto na inicial como na
defesa;
d) o reclamante deve provar os fatos constitutivos do seu direito e o reclamado, os fatos
impeditivos, modificativos e extintivos do direito do autor.
O art. 818 da CLT, no nosso entendimento, não é completo, e por si só é de difícil interpretação e
também aplicabilidade prática, pois, como cada parte tem de comprovar o que alegou, ambas as
partes têm o encargo probatório de todos os fatos que declinaram, tanto na inicial como na
contestação.
Além disso, o art. 818 consolidado não resolve situações de inexistência de prova no processo ou
de conflito entre as provas produzidas pelas partes. O Juiz da atualidade, diante do princípio da
inafastabilidade da jurisdição (art. 5º, XXXV, da CF), não pode furtar-se a julgar, alegando falta de
prova nos autos ou impossibilidade de saber qual foi a melhor prova. Por isso, a aplicação da regra
de ônus da prova como fundamento de decisão é uma necessidade do processo contemporâneo.
Embora alguns autores defendam que o art. 818 da CLT basta por si mesmo no Processo do
Trabalho, acreditamos que a razão está com os que pensam ser aplicável ao Processo do Trabalho a
regra do art. 333 do CPC conjugada com o art. 818 da CLT. Desse modo, no Processo do Trabalho, o
reclamante tem o ônus de comprovar os fatos constitutivos do seu direito e o reclamado, os fatos
modificativos, extintivos e impeditivos do direito do autor.
Desse modo, no Processo do Trabalho: a) o reclamante tem o ônus de comprovar os fatos
constitutivos do seu direito; b) o reclamado, os fatos modificativos, extintivos e impeditivos do
direito do autor.
O Tribunal Superior do Trabalho pacificou o entendimento sobre a aplicabilidade do entendimento
vazado no art. 333 do CPC quanto ao ônus da prova no Processo do Trabalho por meio da Súmula n.
6, VIII, do C. TST,in verbis: “É do empregador o ônus da prova do fato impeditivo, modificativo ou
extintivo da equiparação salarial”.
Os fatos constitutivos são os que geram o direito ao autor, como, por exemplo, a prova da
prestação pessoal de serviços, do horário em sobrejornada, do nexo causal entre a doença e a função.
Os fatos impeditivos são os que obstam o direito do autor — por exemplo, tempo de função
superior a dois anos na equiparação salarial.
Os fatos modificativos são os que impedem que o pedido do autor seja acolhido, em virtude de
modificações ocorridas entre os negócios havidos entre autor e réu — por exemplo: transação,
novação, compensação, confusão. É comum, no Processo do Trabalho, o reclamado admitir a
prestação pessoal de serviços do autor, mas dizer que tal prestação se deu em modalidade diversa da
do contrato de emprego, como, por exemplo: trabalho autônomo, eventual etc.
Os fatos extintivos não tornam improcedente o pedido do autor, porque extinto o direito ou a
pretensão postos em juízo — como exemplos: prescrição e decadência.
O ônus da prova é uma regra de julgamento. Desse modo, uma vez produzidas as provas, deve o
Juiz do Trabalho julgar de acordo com a melhor prova, independentemente da parte que a produziu
(princípio da aquisição processual da prova). O Juiz só utilizará a regra do ônus da prova quando
não houver nos autos provas ou, como um critério para desempate, quando houver a chamada prova
dividida ou empatada.
Em suma:
DO ÔNUS DA PROVA

É um dever processual que incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito e ao réu quanto
aos fatos modificativos, extintivos e impeditivos do direito do autor, que, uma vez não realizado, gera uma
situação desfavorável à parte que detinha o ônus e favorável à parte contrária, na obtenção da pretensão
CONCEITO posta em juízo.
É também considerado uma regra de julgamento, devendo o Juiz do Trabalho julgar de acordo com o
princípio da aquisição processual da prova. O Juiz só utilizará a regra do ônus da prova quando não houver
nos autos provas ou critério para desempate, quando houver a chamada prova dividida ou empatada.

a) O reclamante tem o ônus de comprovar os fatos constitutivos do seu direito;


b) O reclamado, os fatos modificativos, extintivos e impeditivos do direito do autor.
NO PROCESSO DO O Tribunal Superior do Trabalho pacificou o entendimento sobre a aplicabilidade do entendimento vazado
TRABALHO no art. 333 do CPC quanto ao ônus da prova no Processo do Trabalho por meio da Súmula n. 6, VIII, do C.
TST, entendendo ser do empregador o ônus da prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo da
equiparação salarial.

I — quando for inepta;


II — quando a parte for manifestamente ilegítima;
III — quando o autor carecer de interesse processual;
VÍCIOS INSANÁVEIS NA IV — quando o juiz verificar, desde logo, a decadência ou a prescrição;
PETIÇÃO INICIAL QUE V — quando o tipo de procedimento, escolhido pelo autor, não corresponder à natureza da causa ou ao
ACARRETA O SEU valor da ação; caso em que só não será indeferida se puder adaptar-se ao tipo de procedimento legal;
INDEFERIMENTO VI — lhe faltar pedido ou causa de pedir;
VII — da narração dos fatos não decorrer logicamente a conclusão;
VIII — o pedido for juridicamente impossível;
IX — contiver pedidos incompatíveis entre si.

Fatos constitutivos: são os que geram o direito ao autor, como, por exemplo, a prova da prestação pessoal de
serviços, do horário da jornada, do nexo causal entre a doença e a função.
Fatos impeditivos: são os que obstam o direito do autor — por exemplo, tempo de função superior a dois anos
FATOS
na equiparação salarial.
CONSTITUTIVOS,
Fatos modificativos: são os que impedem que o pedido do autor seja acolhido, em virtude de modificações
IMPEDITIVOS,
ocorridas entre os negócios havidos entre autor e réu. É comum, no Processo do Trabalho, o reclamado admitir
MODIFICATIVOS E
a prestação pessoal de serviços do autor, mas dizer que tal prestação se deu em modalidade diversa da do
EXTINTIVOS
contrato de emprego, como, por exemplo: o trabalho autônomo e o eventual etc.
Fatos extintivos: não tornam improcedente o pedido do autor, porque extinto o direito ou a pretensão postos em
juízo (como, por exemplo, a prescrição e a decadência).

DECISÃO QUE
Possui natureza terminativa, uma vez que extingue o processo sem solução de mérito. No Processo do
INDEFERE A
Trabalho, cabe recurso ordinário.
INICIAL

NA HIPÓTESE EM
Se o Juiz do Trabalho indeferir a inicial, o reclamante poderá recorrer, no prazo de oito dias, facultando-se a
QUE O JUIZ
retratação do Juiz, deferindo o recebimento da inicial, cabendo destacar que a aplicabilidade do art. 296 do CPC
INDEFERIR A
se refere apenas ao indeferimento liminar da inicial. Se a inicial for indeferida após designação da audiência e
INICIAL NO
oferecimento da defesa, o recurso cabível será apenas o Ordinário, sem possibilidade de retratação do Juiz do
PROCESSO DO
Trabalho.
TRABALHO

NA HIPÓTESE DE
PRESCRIÇÃO OU O processo será extinto com resolução de mérito.
DECADÊNCIA

8.5. Valoração da prova no direito processual do trabalho


O Juiz, como destinatário da prova, tem ampla liberdade para valorá-la, segundo o princípio da
persuasão racional, ou livre convencimento motivado, que vigora em sede processual civil, ex vi do
art. 131 do CPC.
Diante do que dispõe o art. 131 do CPC, o Juiz pode firmar sua convicção com qualquer elemento
de prova constante dos autos, ainda que não alegado na inicial ou na contestação. Por isso, qualquer
prova constante dos autos é apta a firmar a convicção do Juiz. Todavia, por mandamento
constitucional (art. 93, IX, da CF) e da lei processual civil, deve o julgador mencionar na
fundamentação da sentença qual ou quais provas existentes nos autos lhe formaram a convicção.
Não há, no ordenamento jurídico processual vigente, uma regra preestabelecida para valoração da
prova pelo Juiz. Entretanto, o magistrado deve considerar a prova existente nos autos. Não havendo
prova nos autos, ainda que o juiz possa estar convencido da veracidade de algum fato, não poderá
julgar com base em convicção íntima ou pessoal.
Porém, pensamos dever o Juiz valorar a prova no conjunto, considerando o ônus de cada parte, a
verossimilhança das alegações, a dificuldade probatória, a razoabilidade e o que ordinariamente
acontece. Outrossim, a prova se valora pela qualidade e não pela quantidade.
Deve o Juiz sopesar todas as circunstâncias dos autos, principalmente o Juiz do Trabalho, que
lida, preponderantemente, com matéria fática e analisa provas orais.
O comportamento das partes no processo e em audiência pode influir, significativamente, na
convicção do Juiz do Trabalho. Desse modo, a personalidade, o grau de humildade ou arrogância, a
cooperação com a Justiça, a firmeza no depoimento, a segurança ou insegurança ao depor, a boa-fé, a
honestidade dos litigantes, entre outros comportamentos, devem ser considerados pelo órgão
julgador.
Por isso, estamos convencidos de que o princípio da identidade física do juiz deve ser
implementado e impulsionado no processo do trabalho para que a valoração da prova seja realizada
com efetividade e a decisão reflita justiça e realidade.
Situações existem em que o Juiz se depara com a chamada prova dividida, ou “empatada”, que não
possibilita ao julgador saber qual versão é realmente verossímil.
Alguns autores asseveram que o Juiz nunca se encontrará na referida situação de dúvida, pois
sempre terá subsídios para firmar o convencimento e poderá distinguir qual prova foi superior, tanto
no aspecto qualitativo quanto no quantitativo.
Efetivamente, constatamos, inclusive por experiência própria, que há situações em que o Juiz se
encontra diante da chamada prova dividida e em dúvida sobre qual prova é melhor, necessitando
adotar critérios para o “desempate”, uma vez que, por dever de ofício, deve proferir a decisão.
A doutrina costuma apontar alguns critérios para a decisão do Juiz quando ele se encontra em
dúvida sobre a matéria probatória produzida nos autos.
Podemos elencar, segundo a melhor doutrina, os seguintes critérios que nortearão o Juiz na
situação de dúvida sobre a valoração da prova ou diante da chamada prova dividida:
a) aplicação do princípio in dubio pro operario ao Processo do Trabalho: Desse modo, diante de
dúvida, o Juiz do Trabalho deve decidir em favor do empregado ou do prestador de serviços, pois é
o litigante mais fraco no processo do trabalho;
b) impossibilidade de aplicação do princípio in dubio pro operario ao Processo do Trabalho,
devendo o Juiz decidir contra quem detinha o ônus da prova, uma vez que na esfera probatória não há
como se aplicar o princípio protetor, em razão da imparcialidade do Juiz do Trabalho e a
necessidade de resguardar a paridade de armas das partes;
c) aplicação pura e simples do Princípio da Persuasão Racional (art. 131 do CPC): Desse modo,
deve o Juiz do Trabalho fixar a convicção de acordo com a própria prova dos autos e dar valor à
prova que foi mais bem produzida no aspecto qualitativo.
No nosso sentir, o critério para valoração da prova deve ser discricionariamente avaliado pelo
Juiz, não podendo a doutrina ou a jurisprudência tarifar um critério para o Juiz se nortear quando
estiver diante de dúvida.
A própria existência da dúvida já se torna um elemento de valoração da prova, que é pessoal do
Juiz. Por isso, mesmo em caso de dúvida, deve o Juiz aplicar o critério de valoração que entenda
correto, segundo as circunstâncias do caso concreto.
Não obstante, em caso de dúvida, o Juiz do Trabalho deve procurar a melhor prova, inclusive se
baseando pelas regras de experiência do que ordinariamente acontece, intuição, indícios e
presunções. Somente se esgotados todos os meios de se avaliar qual foi a melhor prova poderá optar
pelo critério de aplicabilidade ou não do princípio in dubio pro operario como razão de decidir.
Reconhecemos, no entanto, que é predominante na doutrina e jurisprudência que não se aplica a
regra in dubio pro operario no campo probatório, devendo o Juiz do Trabalho, em caso de prova
dividida, decidir o caso contra quem detinha o ônus da prova.
Em suma:
8.6. Dos meios de prova no processo do trabalho
8.6.1. Interrogatório e depoimento pessoal
O interrogatório é um instrumento legal de prova por meio do qual a parte esclarece ao Juiz
fatos da causa. Trata-se de um ato personalíssimo entre o Juiz e a parte. Pode ser determinado de
ofício pelo magistrado e renovado quantas vezes entender necessário o Juiz antes da sentença.
Segundo parte da doutrina, o interrogatório não é propriamente uma modalidade de prova, mas
uma forma de se firmar a convicção do Juiz sobre os fatos relevantes e pertinentes da causa. Desse
modo, o interrogatório não tem por finalidade obter a confissão da parte.
O depoimento pessoal, conforme nos traz a doutrina, é o meio de prova destinado, além de obter
esclarecimento de fatos da causa, à confissão da parte contrária.
A finalidade do depoimento pessoal é provocar a confissão, fazendo com que a parte compareça e,
pessoalmente, fale sobre os fatos da causa. Por isso, será ela intimada também pessoalmente,
constando do mandado que se presumirão confessados os atos contra ela alegados caso não
compareça, ou comparecendo, se recuse a depor. Não pode ser imposta a pena de confissão se a
parte não for intimada com essa advertência (art. 343, parágrafo único, do CPC e Súmula n. 74, I, do
C. TST).
Na prática, o interrogatório e o depoimento pessoal, tanto no processo civil como no Processo do
Trabalho, se realizam em um único ato. Primeiramente, o Juiz faz as perguntas para esclarecimento
dos fatos da causa e firma seu convencimento, e, posteriormente, as partes fazem as reperguntas,
objetivando a confissão.
Conforme a redação do art. 343 do CPC, a parte tem direito a requerer o depoimento pessoal da
parte contrária, o que significa dizer que cabe ao Juiz analisar, segundo o seu livre convencimento
motivado, se defere ou não o requerimento.
Embora o CPC utilize a expressão “requer o depoimento pessoal”, este somente pode ser
indeferido em hipóteses restritas, com a devida fundamentação pelo magistrado que preside a
audiência, como em hipóteses de matéria exclusivamente de direito ou quando não há controvérsia
sobre a matéria fática ou ainda quando já houve confissão na defesa. Além disso, o Juiz deve tomar
muita cautela ao indeferir o depoimento pessoal, pois pode estar obstando um precioso instrumento
da prova e, muitas vezes, perdendo a chance de uma confissão real.
Tanto no interrogatório como no depoimento pessoal, as partes têm direito de fazer reperguntas,
nos termos do art. 820 da CLT, que assim dispõe:
As partes e testemunhas serão inquiridas pelo Juiz ou presidente, podendo ser reinquiridas, por
seu intermédio, a requerimento dos juízes classistas, das partes, seus representantes ou advogados.
Pensamos ser compatível com o Processo do Trabalho o parágrafo único do art. 344 do CPC, que
tem a seguinte redação: “É defeso, a quem ainda não depôs, assistir ao interrogatório da outra parte”.
Todavia, a experiência tem demonstrado que é muito conveniente a parte não presenciar o
depoimento pessoal da outra, pois há sempre o ânimo de rebater as declarações da parte contrária e a
falta de espontaneidade no depoimento. Pode-se questionar a aplicabilidade de tal dispositivo no
Processo do Trabalho, pois a CLT não prevê tal exigência. Além disso, a CLT fora idealizada para o
exercício do jus postulandi pela parte, sendo assim, não há como a parte formular reperguntas, se
não assistir ao interrogatório da parte contrária (art. 820 da CLT).
No nosso sentir, o parágrafo único do art. 344 do CPC aplica-se ao Processo do Trabalho, exceto
nas hipóteses em que a parte está sem assistência de advogado. Nessa situação, deverá presenciar o
depoimento da parte contrária para poder realizar as reperguntas, em razão dos princípios
constitucionais do contraditório e ampla defesa (art. 5º, LV, da CF).
A parte que já depôs poderá retirar-se da audiência, prosseguindo a instrução com o seu
representante ou advogado (art. 848, § 1º, da CLT). Desse modo, se o Juiz do Trabalho adiar a
audiência para oitiva das testemunhas, quando já ouvidas as partes, estas estarão desobrigadas de
comparecer na próxima sessão.
Nos termos do art. 346 do CPC, que resta aplicável ao Processo do Trabalho, por força do art.
769 da CLT: “A parte responderá pessoalmente sobre os fatos articulados, não podendo servir-se de
escritos adrede preparados; o Juiz lhe permitirá, todavia, a consulta a notas breves, desde que
objetivem completar esclarecimentos”.
Também resta aplicável em razão da omissão da CLT e compatibilidade com o Processo do
Trabalho as vedações do art. 347 do CPC, que desobriga a parte a depor sobre fatos criminosos ou
torpes que lhe forem imputados e a cujo respeito, por estado ou profissão, deva guardar sigilo.
Quanto ao depoimento pessoal do menor de 18 anos na Justiça do Trabalho, desde que ele tenha,
no mínimo, 16 anos e esteja assistido pelo seu representante legal na audiência (art. 793 da CLT),
acreditamos, ao contrário do que pensam alguns doutrinadores e parte da jurisprudência, que ele
possa confessar, pois tanto a CLT como o Código de Processo Civil não fazem distinção quanto à
possibilidade de confissão do menor de 18 anos. Ora, se o menor de 18 ou maior de 16 anos tem
capacidade para firmar contrato de trabalho e prestar depoimento em favor de terceiros (art. 405, §
1º, III, do CPC), é razoável que possa depor e responder pelos fatos que declarar em juízo, inclusive
que a confissão possa ser levada em consideração.
A Consolidação das Leis do Trabalho disciplina o interrogatório no art. 848.
Com suporte na literalidade do referido dispositivo, parte da doutrina e jurisprudência tem
sustentado que, no Processo do Trabalho, não existe o depoimento pessoal, somente o interrogatório
da parte, ademais, é faculdade do Juiz, não implicando cerceamento de defesa, dispensar a oitiva das
partes, ainda que a parte contrária tenha requerido o depoimento pessoal.
Em que pese o respeito que merecem os que pensam não ser compatível com o Processo do
Trabalho o depoimento pessoal, com eles não concordamos. Com efeito, embora a CLT preveja a
faculdade do Juiz em interrogar as partes, no art. 848, ela não disciplina o depoimento pessoal, ou
seja, há omissão da CLT e não silêncio intencional ou eloquente. Portanto, à luz do art. 769 da
Consolidação, é possível transportar para o Processo do Trabalho o instituto do depoimento pessoal
previsto no Código de Processo Civil.
Além disso, cumpre destacar que a oitiva das partes, diante da sua importância no Processo do
Trabalho, uma vez que se trata esse ramo do processo como um processo de partes, a oitiva dessas,
de ofício pelo Juiz, ou a requerimento da parte contrária, é fundamental, pois somente as partes
podem esclarecer os fatos da causa e confessar fatos relevantes e pertinentes do processo.
Embora alguns juízes e advogados adotem a postura de dispensar o depoimento pessoal das partes,
acreditamos que a oitiva das partes tem importância vital para o processo do trabalho, uma vez que a
parte pode não só esclarecer fatos relevantes da causa, como confessar fatos. Entretanto, muitas
vezes, considerando-se a boa-fé, o caráter e a honestidade de cada reclamante ou reclamado, é
possível se extrair a verdade real por meio dos depoimentos pessoais.
Não convence o argumento no sentido de que, como as partes não prestam compromisso de dizer a
verdade, é perda de tempo tomar os respectivos depoimentos. Ora, tanto a CLT (arts. 843 e 844)
como a jurisprudência exigem o comparecimento pessoal da parte na audiência. Embora tanto o
reclamante como o reclamado possam mentir ou ocultar a verdade, muitas vezes, mediante técnicas
de inquirição, é possível extrair das partes a verdade. Porém, embora a parte não esteja sujeita ao
delito de falso testemunho, caso altere de forma acintosa a verdade dos fatos, é possível aplicar-se-
lhe cominação pecuniária por litigância de má-fé, com suporte no art. 17, II, do CPC.
Em suma:
DOS MEIOS DE PROVA NO PROCESSO DO TRABALHO

INTERROGATÓRIO E DEPOIMENTO PESSOAL

É um instrumento legal de prova por meio do qual a parte esclarece ao Juiz fatos da causa. Trata-se de um ato
CONCEITO DE
personalíssimo entre o Juiz e a parte. Pode ser determinado de ofício pelo magistrado e renovado quantas vezes
INTERROGATÓRIO
entender necessário o Juiz antes da sentença.

É o meio de prova destinado, além de obter esclarecimento de fatos da causa, à confissão da parte contrária.
A finalidade do depoimento pessoal é provocar a confissão, fazendo com que a parte compareça e,
pessoalmente, fale sobre os fatos da causa. Por isso, será ela intimada também pessoalmente, constando do
CONCEITO DE mandado que se presumirão confessados os atos contra ela alegados caso não compareça, ou comparecendo,
DEPOIMENTO se recuse a depor. Não pode ser imposta a pena de confissão se a parte não for intimada com essa advertência
PESSOAL (art. 343, parágrafo único, do CPC e Súmula n. 74, I, do C. TST).
Conforme a redação do art. 343 do CPC, a parte tem direito a requerer o depoimento pessoal da parte contrária, o
que significa dizer que cabe ao Juiz analisar, segundo o seu livre convencimento motivado, se defere ou não o
requerimento.

Tanto no interrogatório como no depoimento pessoal, as partes têm direito de fazer reperguntas;
O depoimento pessoal somente pode ser indeferido em hipóteses restritas, com a devida fundamentação pelo
magistrado que preside a audiência, como em hipóteses de matéria exclusivamente de direito, ou quando não há
controvérsia sobre a matéria fática, ou ainda quando já houve confissão na defesa. Além disso, o Juiz deve tomar
INTERROGATÓRIO
muita cautela ao indeferir o depoimento pessoal, pois pode estar obstando um precioso instrumento da prova e,
E DEPOIMENTO
muitas vezes, perdendo a chance de uma confissão real.
PESSOAL NA
O parágrafo único do art. 344 do CPC aplica-se ao Processo do Trabalho, exceto nas hipóteses em que a parte
JUSTIÇA NO
está sem assistência de advogado. Nessa situação, deverá presenciar o depoimento da parte contrária para
PROCESSO DO
poder realizar as reperguntas, em razão dos princípios constitucionais do contraditório e ampla defesa (art. 5º,
TRABALHO
LV, da CF).
Também resta aplicável em razão da omissão da CLT e compatibilidade com o Processo do Trabalho as
vedações do art. 347 do CPC, que desobriga a parte a depor sobre fatos criminosos ou torpes que lhe forem
imputados e a cujo respeito, por estado ou profissão, deva guardar sigilo.

Com suporte na literalidade do referido dispositivo, parte da doutrina e jurisprudência tem sustentado que no
Processo do Trabalho não existe o depoimento pessoal, somente o interrogatório da parte, ademais, é faculdade
do Juiz, não implicando cerceamento de defesa, dispensar a oitiva das partes, ainda que a parte contrária tenha
requerido o depoimento pessoal.
Outra parte da doutrina e jurisprudência possui entendimento diverso defendendo a compatibilidade com o
Processo do Trabalho e o depoimento pessoal, embora a CLT preveja a faculdade do Juiz em interrogar as
partes, havendo omissão da CLT quanto ao depoimento da pessoa. Portanto, à luz do art. 769 da Consolidação,
ART. 848 DA CLT E
é possível transportar para o Processo do Trabalho o instituto do depoimento pessoal previsto no Código de
COMPATIBILIDADE
Processo Civil.
DOS INSTITUTOS
Além disso, cumpre destacar que a oitiva das partes, diante da sua importância no Processo do Trabalho, uma
NA JUSTIÇA DO
vez que se trata esse ramo do processo como um processo de partes, a oitiva destas, de ofício pelo Juiz, ou o
TRABALHO
requerimento da parte contrária, é fundamental, pois somente as partes podem esclarecer os fatos da causa e
confessar fatos relevantes e pertinentes do processo.
Embora alguns juízes e advogados adotem a postura de dispensar o depoimento pessoal das partes,
acreditamos que a oitiva das partes tem importância vital para o processo do trabalho, uma vez que a parte pode
não só esclarecer fatos relevantes da causa, como confessar fatos. Além disso, muitas vezes, considerando-se
a boa-fé, o caráter e a honestidade de cada reclamante ou reclamado, é possível se extrair a verdade real por
meio dos depoimentos pessoais.
8.7. Da confissão
O Código de Processo Civil, por meio de interpretação autêntica, nos traz a definição de confissão
no art. 348, que assim dispõe: “Há confissão quando a parte admite a verdade de um fato, contrário
ao seu interesse e favorável ao adversário (...)”.
Valendo-nos da doutrina de Moacyr Amaral Santos, na confissão se compreendem três elementos
inseparáveis, que dizem respeito: a) ao objeto (elemento objetivo); b) ao sujeito (elemento
subjetivo); c) intencional.
O elemento objetivo consiste no argumento de que só os fatos são suscetíveis de prova. Como
meio de prova que é, a confissão só abrange fatos, tanto os favoráveis como os desfavoráveis ao
confitente. O elemento subjetivo resulta que a confissão seja prestada pela própria parte ou,
excepcionalmente, por procurador com poderes especiais (art. 349, parágrafo único, do CPC). Sob o
aspecto intencional, a confissão pressupõe um ato de vontade de dizer a verdade quanto a fatos. Há o
chamado animus confitendi.
Diz a doutrina que a confissão pode ser expressa, quando feita de forma categórica. Pode ser
espontânea ou provocada pela parte contrária, por meio do depoimento pessoal.
A confissão é indivisível, não podendo a parte beneficiada aceitá-la no tópico que a beneficiar e
rejeitá-la no que lhe for desfavorável (art. 354 do CPC).
Fala-se em confissão ficta, tácita ou presumida a que resulta da taciturnidade da parte quando
provocada a falar. Geralmente resulta da recusa da parte em prestar depoimento.
Diz o art. 345 do CPC: “quando a parte, sem motivo justificado, deixar de responder ao que lhe
for perguntado ou empregar evasivas, o Juiz, apreciando as demais circunstâncias e elementos de
prova, declarará, na sentença, se houve recusa de depor”.
A confissão ficta é meio de prova, pois está inserida na seção II que trata do depoimento pessoal,
o qual consta do Capítulo VI do CPC, que trata das provas. Não obstante, não tem caráter absoluto,
pois pode ser contrariada por outras provas dos autos. Acreditamos que até mesmo a confissão real
feita pela própria parte em depoimento pessoal não tem caráter absoluto, não se podendo mais falar,
diante do caráter publicista e do princípio do livre convencimento do magistrado, que a confissão é a
rainha das provas, uma vez que essa pode ser neutralizada pelas demais provas dos autos e até
mesmo pela confissão real da parte contrária.
Se o reclamante, ao depor não souber os fatos da causa, haverá a confissão ficta. Entretanto, não
deve o Juiz encerrar prematuramente a instrução, mas, sim, tomar o depoimento do reclamado, pois a
confissão real deste pode elidir a confissão ficta. Se o reclamado ou seu preposto não souberem dos
fatos, haverá confissão ficta, pois o art. 843, § 1º, da CLT exige que o preposto tenha conhecimento
dos fatos. Entretanto, esse estado de confissão ficta pode ser elidido por provas em contrário.
Diante do exposto, no nosso sentir, a confissão, seja a real ou a presumida (confissão ficta), deve
ser valorada na sentença, juntamente com os demais elementos de provas dos autos. No nosso
sistema legal, a confissão não é mais a rainha das provas. Não há mais como se sustentar, no sistema
vigente, que a confissão prevalece sobre os demais elementos de prova. A confissão, como um meio
de prova com a mesma efetividade que os demais, (art. 332 do CPC) tem de ser sopesada em
compasso com o conjunto probatório dos autos e do livre convencimento motivado (art. 131 do
CPC).
O Tribunal Superior do Trabalho, recentemente, firmou entendimento diverso, conforme a Súmula
n. 74, com a seguinte redação:
“CONFISSÃO (nova redação do item I e inserido o item III à redação em decorrência do julgamento do processo TST
IUJEEDRR 801385-77.2001.5.02.0017) — Res. 174/2011, DEJT divulgado em 27, 30 e 31.05.2011. I — Aplica-se a confissão à
parte que, expressamente intimada com aquela cominação, não comparecer à audiência em prosseguimento, na qual deveria
depor. (ex-Súmula n. 74 — RA 69/1978, DJ 26.09.1978) II — A prova pré-constituída nos autos pode ser levada em conta para
confronto com a confissão ficta (art. 400, I, CP C), não implicando cerceamento de defesa o indeferimento de provas posteriores.
(ex-OJ n. 184 da SBDI-1 — inserida em 08.11.2000) III — A vedação à produção de prova posterior pela parte confessa
somente a ela se aplica, não afetando o exercício, pelo magistrado, do poder/dever de conduzir o processo”.

Concordamos com o inciso I da Súmula n. 74, pois, diante das consequências do depoimento
pessoal, há necessidade de advertência prévia quanto aos efeitos da ausência da parte para tal ato
processual.
Ousamos divergir do inciso II da referida Súmula, pois a confissão ficta não se confunde com a
real. O art. 400, I, do CPC, no nosso sentir, refere-se à confissão real, pois a confissão ficta acarreta
uma mera presunção. Além disso, é direito da parte pretender derrubar os efeitos decorrentes da
confissão ficta com a produção de provas, tanto a oral como a documental.
O recente inciso III da referida Súmula em boa hora reconheceu a possibilidade de o Juiz do
Trabalho prosseguir na dilação probatória para firmar sua convicção, com suporte nos princípios do
livre convencimento, motivo, justiça da decisão e impulso oficial na direção do processo (arts. 765
da CLT e 130 do CPC).
Em suma:
8.8. Da prova documental
No dizer de Carnelutti, documento é uma coisa capaz de representar um fato.
Diante dos princípios do acesso à Justiça, da ampla possibilidade probatória e do avanço
tecnológico, o conceito de documento tem sido amplo para abranger todo objeto real corpóreo ou
incorpóreo (desde que possa ser demonstrado), destinado a demonstrar os fatos em juízo.
Compreende os escritos, gravações magnéticas, fotografias, pedras, instrumentos de trabalho,
vestimentas etc.
Muito já se discutiu na doutrina sobre a prevalência da prova documental sobre a prova oral
(depoimentos pessoais e testemunhas). Não obstante, a moderna doutrina caminha no sentido de não
haver hierarquia entre as provas, pois o Juiz é livre para apreciar as provas e firmar sua convicção.
No Processo do Trabalho, em especial, em que dificilmente o empregado possui algum documento
referente à relação de emprego, pois, como regra geral, os documentos ficam na posse do
empregador, deve o Juiz do Trabalho analisar os documentos com reserva, sempre atento ao
princípio da primazia da realidade e da razoabilidade.
A CLT contém poucas disposições sobre a prova documental. Há alguns dispositivos esparsos,
exigindo a autenticação dos documentos (art. 830), a juntada dos documentos com a inicial (art. 787),
a juntada dos documentos pelo reclamado em audiência (art. 845), a necessidade de recibos de
pagamento de salários e quitação do contrato de trabalho (arts. 464 e 477, § 2º), bem como a
necessidade de anotação da CTPS (art. 456). Desse modo, em razão de a CLT conter pouquíssimas
disposições sobre a prova documental, aplica-se praticamente integralmente ao Processo do
Trabalho a seção V do CPC (Da prova documental — arts. 364 a 399), por força do permissivo do
art. 769 da CLT.
Os documentos se dividem em públicos e particulares.
Documento público é o escrito que goza de fé pública não só da sua formação, mas também dos
fatos ocorridos na presença da autoridade, perante a qual foi ele lavrado (art. 364 do CPC).
Já o documento particular é emitido sem a participação de um oficial público, vinculada sua força
probante à sua natureza e conteúdo (ver art. 368 do CPC).
Não havendo impugnação pela parte contrária, há presunção juris tantum de veracidade do
documento particular (arts. 372 e 373 do CPC).
A formação de documento não verdadeiro é chamada pela doutrina de falsidade material, pois há
vício nos aspectos exteriores do documento, uma vez que se cria um documento não verdadeiro (ver
art. 387 do CPC).
Na falsidade ideológica, o documento é verdadeiro em sua forma, mas seu conteúdo não é
verdadeiro, ou seja: ele retrata um fato ou um acontecimento inverossímil.
Como exemplo de falsidade material no Processo do Trabalho, podemos citar um recibo de
pagamento que contém assinatura falsificada do empregado. Já recibo, cuja assinatura é do
empregado, que menciona valor de salário que o empregado, efetivamente, não recebeu, contém
falsidade ideológica.
Nos termos do art. 386 do CPC, o Juiz apreciará livremente o documento, quando, em ponto
substancial e sem ressalva, contiver entrelinha, emenda, borrão ou cancelamento.
Não obstante a redação do referido dispositivo legal, se o Juiz do Trabalho estiver em dúvida
sobre borrões e entrelinhas, poderá determinar a produção de provas orais para formar sua
convicção sobre o conteúdo do documento ou até mesmo designar perícia grafotécnica para tal
finalidade.
Na esfera trabalhista, há documentos típicos, que valem ser destacados, quais sejam:
a) Carteira de Trabalho e Previdência Social: a Carteira de Trabalho e Previdência Social é o
documento por excelência da prova da relação de emprego. Diante da importância da CTPS, a CLT
dedica uma série de artigos destinados à carteira de trabalho e seu registro (arts. 13 a 56).
Não obstante a importância das anotações lançadas a efeito na CTPS, diante do princípio da
primazia da realidade que norteia o contrato de trabalho, a prova do contrato de trabalho pode ser
realizada por qualquer meio admitido em direito, sendo relativa a veracidade das anotações lançadas
a efeito na CTPS do empregado.
Muito já se discutiu na doutrina sobre ser absoluta a anotação na CTPS do empregado em face do
empregador, vale dizer: se o empregador procedeu à anotação na CTPS do autor, ele não poderá
realizar prova em sentido contrário, buscando demonstrar que ela não reflete a realidade.
Atualmente, a questão está praticamente pacificada pela doutrina e jurisprudência, no sentido de que,
em face do empregador, as anotações na CTPS são relativas, admitindo que esse possa produzir
prova em contrário.
b) Recibos de pagamento e quitação e cartões de ponto: a fim de proteção do empregado e da
segurança dos pagamentos realizados durante o contrato de trabalho e também da quitação do
contrato de trabalho, exige a lei que haja prova escrita com assinatura do empregado.
Nos recibos de pagamento deverão ser especificadas qual ou quais parcelas estão sendo quitadas,
bem como os valores, pois a quitação se interpreta restritivamente (arts. 320 do CC e 477, § 2º, da
CLT).
No recibo de quitação do contrato de trabalho, a lei exige a modalidade escrita e a homologação
pelas entidades mencionadas no § 1º do art. 477 da CLT, sob consequência de não validade da
quitação.
Parte da doutrina argumenta que a homologação é formalidade essencial. Outros argumentam que é
probatória. No nosso sentir, a falta de homologação do recibo de quitação faz presumir o não
pagamento das parcelas nele contidas, admitindo-se que o empregador produza prova em contrário
por todos os meios admitidos em direito.
Quanto à prova do pagamento dos salários, ver o art. 464 da CLT.
Ao exigir recibo assinado pelo empregado, a CLT apresenta regra protetiva ao trabalhador,
considerando o caráter alimentar do salário. Se o trabalhador for analfabeto, aporá sua impressão
digital no recibo, ou, se não puder fazê-lo, testemunhas poderão atestar o pagamento, assinando o
recibo.
Diante do avanço tecnológico e de todas as vicissitudes do porte de dinheiro, o depósito bancário
é a melhor forma do pagamento do salário.
Não havendo recibo de pagamento do salário, há presunção de que não houve o pagamento. Parte
significativa da jurisprudência não tem admitido a prova do salário por outro meio que não seja o
recibo assinado pelo trabalhador. Não obstante a clareza do art. 464 da CLT, a interpretação não
pode ser literal, considerando o princípio da primazia da realidade que norteia o Direito do
Trabalho. Desse modo, entendemos que a prova do salário possa ser suprida por confissão do
próprio trabalhador ou, em alguns casos, por prova testemunhal robusta do pagamento. Se o
empregado pode provar com testemunhas que não recebeu o salário, mesmo havendo recibo
assinado, ao empregador também deve ser dado o direito de produzir prova do pagamento do salário,
quando não há recibo assinado.
Para o doméstico, a jurisprudência tem flexibilizado a exigência do recibo para permitir a prova
do salário por todos os meios admitidos em direito, em razão de o trabalhador doméstico trabalhar
no ambiente familiar, sendo mais acentuado o laço de confiança entre empregado e empregador
doméstico.
A prova da jornada é do empregador e documental, caso ele tenha mais de dez empregados. A não
juntada dos cartões faz presumir a jornada declinada pelo empregado na petição inicial (ver art. 74
da CLT).
Todavia, os controles de ponto devem refletir a realidade, dessa forma a jurisprudência
uniformizada do TST não tem admitido controles britânicos ou invariáveis, uma vez que não
presumido, segundo as máximas de experiência, que o empregado anote os cartões de ponto todos os
dias no mesmo horário.
Nesse sentido, dispõe a Súmula n. 338 do C. TST, in verbis:
“JORNADA DE TRABALHO. REGISTRO. ÔNUS DA P ROVA. I — É ônus do empregador que conta com mais de 10 (
empregados o registro da jornada de trabalho na forma do art. 74, § 2º, da CLT. A não apresentação injustificada dos controles de
frequência gera presunção relativa de veracidade da jornada de trabalho, a qual pode ser elidida por prova em contrário; II — A
presunção de veracidade da jornada de trabalho, ainda que prevista em instrumento normativo, pode ser elidida por prova em
contrário; III — Os cartões de ponto que demonstram horários de entrada e saída uniformes são inválidos como meio de prova,
invertendo-se o ônus da prova, relativo às horas extras, que passa a ser do empregador, prevalecendo a jornada da inicial se dele
não se desincumbir”.

O art. 787 da CLT diz que os documentos do reclamante devem acompanhar a inicial. Quanto aos
documentos do reclamado, assevera o art. 845 da CLT: “O reclamante e o reclamado comparecerão
à audiência acompanhados das suas testemunhas, apresentando, nesta ocasião, as demais provas”.
Pela redação dos referidos dispositivos consolidados, a prova documental deve acompanhar a
inicial e a contestação. No mesmo sentido é o art. 396 do CPC: “Compete à parte instruir a petição
inicial (art. 283) ou a resposta (art. 297) com os documentos destinados a provar-lhe as alegações”.
Portanto, tanto à luz da CLT como do CPC, a prova documental é pré-constituída, pois deve
acompanhar a inicial e a contestação.
O CPC, no art. 397, possibilita a juntada de documentos fora da inicial ou da defesa em se tratando
de documentos novos para fazer prova de fatos ocorridos depois dos articulados, ou para contrapô-
los aos que foram produzidos nos autos. No nosso entendimento, o conceito de documento novo
abrange tanto o documento preexistente à propositura da ação como o que surge no curso do
processo.
Mesmo no Processo Civil há entendimentos mais liberais no sentido de que os documentos podem
ser juntados até o encerramento da instrução processual, pois os arts. 283 e 284 do CPC possibilitam
que os documentos essenciais à propositura da inicial possam ser juntados em momento posterior.
Desse modo, se até os documentos essenciais podem ser juntados posteriormente, os não essenciais
também poderão. Além disso, argumentam que, em razão dos princípios do acesso real à Justiça e
busca da verdade real, deve ser propiciado às partes a juntada dos documentos destinados a fazer
provas de suas alegações durante o transcorrer da instrução processual, ainda que em fase posterior à
apresentação da inicial ou da defesa, não havendo de se cogitar de prejuízo às partes, pois, sobre o
documento produzido por uma parte, deve ser propiciado o contrário para a outra, nos termos do art.
398 do CPC.
Na seara do Direito Processual do Trabalho, há também entendimentos mais flexíveis com suporte
no art. 845 da CLT no sentido de que os documentos podem ser juntados até o término da instrução
processual, pois, enquanto não encerrada a instrução, a audiência ainda está em andamento, e o
referido art. 845 assevera que as partes produzirão as provas em audiência, aí incluída a prova
documental.
No nosso sentir, os documentos, no Processo do Trabalho, podem ser juntados até o término da
instrução processual por interpretação sistemática dos arts. 283 e 284 do CPC em cotejo com o art.
845 da CLT e também em razão dos princípios do acesso efetivo e real à Justiça do Trabalho, a uma
ordem jurídica justa e também em razão da busca da verdade real.
Deve ser destacado que para o Juiz do Trabalho não há preclusão quanto à prova documental (art.
765 da CLT), podendo esse determinar de ofício a juntada de qualquer documento que entenda
pertinente para o deslinde da controvérsia.
Quanto à juntada de documentos na fase recursal, dispõe a Súmula n. 8 do TST:
A juntada de documentos na fase recursal só se justifica quando provado o justo impedimento para
sua oportuna apresentação ou se referir a fato posterior à sentença.
Quanto à autenticidade dos documentos no processo do trabalho, ver o art. 830 da CLT.
O documento oferecido em cópia poderá ser autenticado no Processo do Trabalho pelo próprio
advogado, sob sua responsabilidade pessoal.
Trata-se de providência que visa a desburocratizar o processo, facilitar a atuação do advogado e
destacar a importância deste no processo do trabalho como essencial à administração da justiça (art.
133 da CF).
Embora silente a lei, se a parte estiver sem advogado, fazendo exercício do jus postulandi
previsto no art. 791 da CLT, pensamos que a própria parte poderá declarar a autenticidade do
documento juntado sem autenticação, pela interpretação sistemática e teleológica dos arts. 830 e 791
da CLT, considerando-se que a finalidade da lei é desburocratizar o processo e prestigiar os
princípios da simplicidade e economia processual.
Caso a autenticidade do documento seja impugnada, a parte que o produziu será intimada a
apresentar as cópias autenticadas ou o original, cabendo ao serventuário proceder à conferência. A
lei não diz qual o prazo para apresentação dos originais ou das cópias autenticadas. Desse modo,
pensamos aplicável o art. 13 do CPC, devendo o Juiz do Trabalho conceder prazo razoável para
apresentação dos documentos, considerando-se o número de documentos, bem como a complexidade
da matéria.
Em suma:
DA PROVA DOCUMENTAL

Abrange todo objeto real corpóreo ou incorpóreo (desde que possa ser demonstrado), destinado a demonstrar os fatos
CONCEITO
em juízo.

O
DOCUMENTO
No Processo do Trabalho, em que dificilmente o empregado possui algum documento referente à relação de emprego,
NO
pois, como regra geral, os documentos ficam na posse do empregador, deve o Juiz do Trabalho analisar os
PROCESSO
documentos com reserva, sempre atento ao princípio da primazia da realidade e da razoabilidade.
DO
TRABALHO

PROVA Autenticação dos documentos, juntada dos documentos com a inicial, a juntada dos documentos pelo reclamado em
DOCUMENTAL audiência, a necessidade de recibos de pagamento de salários e quitação do contrato de trabalho, bem como a
NA CLT necessidade de anotação da CTPS.

DOCUMENTO É o escrito que goza de fé pública não só da sua formação mas também dos fatos ocorridos na presença da
PÚBLICO autoridade, perante a qual foi ele lavrado.

DOCUMENTOS
TÍPICOS DA Carteira de Trabalho e Previdência Social.
ESFERA Recibos de pagamentos, quitações e cartões de ponto.
TRABALHISTA

PROVA DO Deverá ser efetuado contra recibo, assinado pelo empregado; em se tratando de analfabeto, mediante sua impressão
PAGAMENTO digital, ou, não sendo esta possível, a seu rogo. Parágrafo único. Terá força de recibo o comprovante de depósito em
DOS conta bancária, aberta para esse fim em nome de cada empregado, com o consentimento deste, em estabelecimento
SALÁRIOS de crédito próximo ao local de trabalho.
Para o doméstico, a jurisprudência tem flexibilizado a exigência do recibo para permitir a prova do salário por todos os
EMPREGADO
meios admitidos em direito, em razão de o trabalhador doméstico trabalhar no ambiente familiar, sendo mais
DOMÉSTICO
acentuado o laço de confiança entre empregado e empregador doméstico.

A prova da jornada é do empregador e documental, caso ele tenha mais de dez empregados. A não juntada dos
PROVA DA cartões faz presumir a jornada declinada pelo empregado na petição inicial.
JORNADA DE Os controles de ponto devem refletir a realidade, dessa forma a jurisprudência uniformizada do TST não tem admitido
TRABALHO controles britânicos ou invariáveis, uma vez que não presumido, segundo as máximas de experiência, que o
empregado anote os cartões de ponto todos os dias no mesmo horário (Súmula n. 338 do C. TST).

O documento oferecido em cópia poderá ser autenticado no Processo do Trabalho pelo próprio advogado, sob sua
responsabilidade pessoal.
Caso a autenticidade do documento seja impugnada, a parte que o produziu será intimada a apresentar as cópias
autenticadas ou o original, cabendo ao serventuário proceder à conferência.
JUNTADA DE
Os documentos no Processo do Trabalho podem ser juntados até o término da instrução processual por interpretação
DOCUMENTOS
sistemática e também em razão dos princípios do acesso efetivo e real à Justiça do Trabalho, a uma ordem jurídica
justa e também em razão da busca da verdade real.
Para o Juiz do Trabalho não há preclusão quanto à prova documental, podendo este determinar de ofício a juntada de
qualquer documento que entenda pertinente para o deslinde da controvérsia.

SÚMULA N. 8 A juntada de documentos na fase recursal só se justifica quando provado o justo impedimento para sua oportuna
DO TST apresentação ou se referir a fato posterior à sentença.

8.9. Da prova testemunhal


Testemunha é pessoa física capaz, estranha e isenta, com relação às partes, que vem a juízo
trazer as suas percepções sensoriais a respeito de um fato relevante para o processo do qual tem
conhecimento próprio.
A testemunha é uma colaboradora da Justiça, que presta um serviço público relevante, pois vem a
juízo contribuir para que se faça justiça num caso concreto, esclarecendo os fatos controvertidos do
processo.
Como todo meio de prova que depende das percepções sensoriais do ser humano, a prova
testemunhal é falível. Embora seja apontada como o meio mais vulnerável das provas, ela ainda é
preponderante não só na Justiça Comum, mas, principalmente, na Justiça do Trabalho, em que a
quase-totalidade das controvérsias é atinente à matéria fática (horas extras, justa causa, equiparação
salarial etc.). Em razão disso, devem os operadores do Direito (juízes, procuradores e advogados)
conviver com esse tipo de prova e procurar aperfeiçoá-la com técnicas de inquirição e,
principalmente, desenvolver a cultura da seriedade e honestidade dos depoimentos.
A prova testemunhal é sempre admissível, salvo se a lei dispuser de modo contrário. Portanto, a
admissibilidade é a regra e a vedação, exceção. Considerando ser o homem falho na captação de
suas percepções, o legislador, na esfera processual civil, tratou a prova testemunhal com reservas,
sendo esse o campo de maior incidência do sistema da prova legal do Código.
Podem depor como testemunhas todas as pessoas que não sejam incapazes, impedidas ou
suspeitas.
A CLT disciplina as hipóteses de suspeição e impedimento de testemunhas no art. 829.
A CLT prevê uma hipótese de impedimento, quando se trata de parente até o terceiro grau civil de
uma das partes, e suspeição, quando se trata de amigo íntimo ou inimigo de qualquer das partes.
Em razão de omissão da CLT e compatibilidade com o Processo do Trabalho (art. 769 da CLT),
restam aplicáveis as hipóteses de incapacidade, impedimento e suspeição de testemunhas, previstas
no art. 405 do CPC.
As incapacidades e impedimentos são de ordem objetiva, enquanto a suspeição é de ordem
subjetiva (ver art. 405 do CPC).
No cotidiano das audiências trabalhistas, são frequentes as hipóteses de contraditas de testemunhas
pelos seguintes motivos: a) amizade da testemunha com o reclamante; b) exercer a testemunha do réu
cargo de confiança na empresa; c) mover a testemunha reclamação trabalhista em face da reclamada.
a) Amizade íntima: é fato comum nas audiências trabalhistas os reclamados arguirem contradita
em razão de amizade íntima entre reclamante e sua testemunha. Inegavelmente, a relação de trabalho,
por ser contínua, gera uma proximidade maior entre trabalhadores que exercem a mesma função. Mas
essa aproximação é inerente à relação de emprego e não se confunde com a amizade íntima. A
amizade íntima se revela por atos objetivos, como o contato do autor e testemunha fora do contrato
de trabalho, como frequências recíprocas às residências, saídas para passeios etc.
b) Empregado que exerce cargo de confiança na empresa: quanto ao empregado que exerce
cargo de confiança, por si só esse fato não gera suspeição para ser testemunha do empregador, pois
tal hipótese não está prevista em lei. Entretanto, deve o Juiz do Trabalho investigar outros elementos
que revelem se o empregado exercente de cargo de confiança tem interesse ou não na solução do
litígio, como, por exemplo, representação do empregador perante terceiros, exercício de encargos de
gestão (art. 62, II, da CLT), participação na Diretoria etc.
c) Testemunha que litiga contra o mesmo empregador em troca de favores: quanto à
testemunha que litiga contra o mesmo empregador, há discussões na doutrina e jurisprudência sobre
haver ou não suspeição da testemunha para depor. Autores há que consideram a testemunha, nessa
hipótese, suspeita para depor e até mesmo inimiga do empregador. A CLT não disciplina a questão,
portanto, a questão deve ser dirimida à luz da doutrina e jurisprudência.
No nosso pensamento, o simples fato de a testemunha litigar em face do mesmo empregador não a
torna suspeita, pois no Processo do Trabalho há peculiaridades dificilmente encontradas nos demais
ramos da esfera processual, já que, em regra, as testemunhas do reclamante são ex-empregados do
reclamado e as testemunhas do empregador lhe são empregados. Além disso, dificilmente, em juízo,
se dá credibilidade a depoimentos de testemunhas que não trabalharam junto com o reclamante, em
razão das peculiaridades da relação de trabalho, que é uma relação jurídica que se desenvolve
intuitu personae em face do trabalhador e, normalmente, o local da prestação de serviços está
rodeado de outros trabalhadores. Sob outro enfoque, o direito constitucional de ação é dirigido
contra o Estado para o empregado obter os direitos que entende violados, e não contra o empregador
que, via de regra, é uma empresa, sendo certo que, muitas vezes, nem sequer o empregado sabe quem
a administra. Por isso, o fato de mover ação em face do empregador, por si só, não é motivo de
suspeição ou impedimento da testemunha, ainda que os fatos sejam idênticos.
Nesse sentido, inclinou-se a jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho, conforme a redação
da Súmula n. 357, de sua jurisprudência, in verbis: “TESTEMUNHA — AÇÃO CONTRA A
MESMA RECLAMADA— SUSPEIÇÃO. Não torna suspeita a testemunha o simples fato de estar
litigando ou de ter litigado contra o mesmo empregador”.
Entretanto, o Juiz do Trabalho, quando colher o depoimento de testemunha que litiga em face da
mesma reclamada, deve investigar se não há outro motivo que a torne suspeita, e, ao tomar o
depoimento, ter a cautela de observar as atitudes da testemunha ao depor, podendo inclusive levar
em consideração o fato de a testemunha litigar contra o mesmo empregador para valorar o
depoimento.
Quanto à testemunha que depõe em processo em que o reclamante foi sua testemunha em processo
anterior, pensamos que nessa hipótese há a chamada “troca de favores”, que configura falta de
isenção de ânimo da testemunha, sendo, portanto, suspeita a testemunha. Entretanto, nessa situação,
caso necessário, deve a testemunha ser ouvida como informante (ver art. 821 da CLT).
Quanto ao rito sumaríssimo (ver o art. 852-H, § 2º, da CLT).
Conforme se constata nos arts. 821 e 852-H da CLT, os números máximos de testemunhas para
cada parte são:
a) procedimento ordinário: 3 testemunhas;
b) procedimento sumaríssimo: 2 testemunhas;
c) inquérito judicial para apuração de falta grave: 6 testemunhas;
d) rito sumário (Lei n. 5.584/70): 3 testemunhas.
Em casos excepcionais, a fim de não se obstar o acesso à Justiça da parte, como na hipótese de o
reclamante ter trabalhado em vários locais, poderá o Juiz, fundamentadamente, deferir que a parte
possa ouvir mais de três testemunhas.
A qualificação é um ato formal, em que a testemunha declina sua identificação: nome,
nacionalidade, idade, residência, estado civil, bem como se trabalhou para o empregador; se
afirmativa a resposta, por quanto tempo, (ver art. 828, caput, da CLT).
Antes de ser qualificada, a testemunha não está apta a depor, pois sem a qualificação não há como
se imporem eventuais sanções penais se a testemunha se calar ou ocultar a verdade.
O Juiz do Trabalho advertirá à testemunha que incorre em sanção penal quem faz a afirmação
falsa, cala ou oculta a verdade (ver art. 414 do CPC).
A contradita é a impugnação da testemunha pela parte contrária, arguindo-lhe a incapacidade,
impedimento ou suspeição.
A CLT não disciplina o procedimento da contradita. Desse modo, acreditamos ser perfeitamente
possível a aplicação do CPC, por força do art. 769 da CLT.
A contradita deve ser arguida após a qualificação da testemunha e antes do compromisso, sob
consequência de preclusão. Se, durante o depoimento, após compromissada, ficar comprovada
alguma hipótese de impedimento, incapacidade ou suspeição da testemunha, acreditamos que o Juiz
não poderá descompromissar a testemunha, mas terá de levar em conta tal fato na valoração do
depoimento.
Como, no Processo do Trabalho, não existe rol prévio de testemunhas, uma vez que as testemunhas
são trazidas pelas partes, independentemente de notificação, se a parte invocar a contradita e tiver
provas a serem produzidas, mas não na ocasião da audiência, deverá o Juiz adiar a audiência para
que a parte que invocou a contradita possa produzir tal comprovação.
Embora seja conveniente que o Juiz aprecie a contradita na própria audiência antes do
depoimento, acreditamos que, se ele não estiver suficientemente convencido, poderá, por cautela,
tomar o compromisso da testemunha e, na sentença, decidir a contradita, pois tal procedimento não
traz prejuízo às partes e também impede eventual nulidade futura do procedimento.
O momento para requerimento da prova testemunhal, no Processo Civil, é a petição inicial para o
autor e o da contestação para o réu (arts. 282, VI, e 300 do CPC). Todavia, no rito sumário, as
testemunhas já devem ser arroladas quando da prática desses atos, enquanto, no rito ordinário, o rol
pode ser juntado. No prazo assinalado pelo Juiz (art. 407 do CPC), as partes depositarão o rol de
testemunhas. Esse prazo visa justamente a outorgar à parte contrária o conhecimento prévio de quem
serão as testemunhas ouvidas no futuro ato, possibilitando a preparação de eventual contradita. O
limite máximo de testemunhas para cada parte é de dez, enquanto para cada fato controverso o Juiz
poderá dispensar as que excederem o número de três.
No Processo do Trabalho, não existe rol de testemunhas, pois essas comparecem à audiência,
independentemente de notificação. Nesse sentido, dispõe o art. 825 da CLT: “As testemunhas
comparecerão à audiência independentemente de notificação ou intimação”.
Se as testemunhas não comparecerem de forma independente, o parágrafo único do art. 825 da
CLT determina que elas sejam intimadas de ofício pelo juiz ou a requerimento da parte. Uma vez
intimada, se a testemunha, injustificadamente, deixar de comparecer, será conduzida coercitivamente,
além de ter de pagar multa equivalente a um salário mínimo (art. 730 da CLT).
Caso a parte na audiência em prosseguimento se comprometa a trazer a testemunha
espontaneamente, sem notificação judicial, em não comparecendo novamente a testemunha, haverá
preclusão, implicando a ausência em desistência tácita da oitiva.
Não há necessidade de a parte comprovar o convite da testemunha para que possa requerer o
adiamento da audiência e a consequente intimação da testemunha ausente, pois o referido art. 825 da
CLT não o exige, exceto no rito sumaríssimo em que o § 3º do art. 852-H da CLT exige que a parte
comprove o convite da testemunha que não compareceu. A prova do convite não precisa ser formal
(escrita) nem se realizar necessariamente no mesmo ato da audiência em que não compareceu a
testemunha.
Por ser o ato de testemunhar serviço público relevante, nos termos do art. 822 da CLT, as
testemunhas não poderão sofrer qualquer desconto pelas faltas ao serviço, ocasionadas pelo seu
comparecimento para depor, quando devidamente convocadas. Pelo referido dispositivo, o
trabalhador tem direito a faltar no trabalho, sem sofrer qualquer desconto, para prestar depoimento
na qualidade de testemunha.
Conforme o art. 824 da CLT, o Juiz ou presidente providenciará para que o depoimento de uma
testemunha não seja ouvido pelas demais que tenham de depor no processo.
O presente dispositivo tem por objeto assegurar a seriedade da prova testemunhal e evitar que a
testemunha, sabendo os fatos que a testemunha anterior já declarou, possa alterar seu depoimento.
Por vigorar o sistema presidencialista na colheita da prova, o Juiz do Trabalho preside a instrução
processual e a colheita da prova testemunhal. Desse modo, nos termos do art. 820 da CLT, cabe ao
Juiz inquirir as testemunhas e, posteriormente, as partes pessoalmente ou, por intermédio de seus
advogados, reinquirir as testemunhas. Os depoimentos serão resumidos na ata da audiência
(parágrafo único do art. 828 da CLT).
A ordem da oitiva das testemunhas caberá ao Juiz do Trabalho, considerando-se o ônus da prova
de cada parte, nos termos do § 2º do art. 848 da CLT.
Em suma:
PROVAS NO PROCESSO DO TRABALHO

DA PROVA TESTEMUNHAL

Pessoa física capaz, estranha e isenta, com relação às partes, que vem a juízo trazer as suas
CONCEITO percepções sensoriais a respeito de um fato relevante para o processo do qual tem conhecimento
próprio.

A prova testemunhal é falível. Embora seja apontada como o meio mais vulnerável das provas, ela
ainda é preponderante não só na Justiça Comum, mas, principalmente, na Justiça do Trabalho,
em que a quase totalidade das controvérsias é atinente à matéria fática (horas extras, justa
CARACTERÍSTICAS causa, equiparação salarial etc.).
A sua admissibilidade é a regra e a vedação, a sua exceção.
Podem depor como testemunhas todas as pessoas que não sejam incapazes, impedidas ou
suspeitas.

A CLT prevê uma hipótese de impedimento, quando se trata de parente até o terceiro grau civil de
HIPÓTESES DE SUSPEIÇÃO E uma das partes, e suspeição, quando se trata de amigo íntimo ou inimigo de qualquer das partes.
IMPEDIMENTO PREVISTAS NA Em razão de omissão da CLT e compatibilidade com o Processo do Trabalho, restam aplicáveis
CLT as hipóteses de incapacidade, impedimento e suspeição de testemunhas, previstas no art. 405
do CPC.

SÃO FREQUENTES NA ESFERA


a) Amizade da testemunha com o reclamante;
TRABALHISTA AS SEGUINTES
b) Exercer a testemunha do réu cargo de confiança na empresa;
HIPÓTESES DE CONTRADITA DE
c) Mover a testemunha reclamação trabalhista em face da reclamada.
TESTEMUNHAS:

a) procedimento ordinário: 3 testemunhas;


NÚMERO b) procedimento sumaríssimo: 2 testemunhas;
MÁXIMO DE c) inquérito judicial para apuração de falta grave: 6 testemunhas;
TESTEMUNHAS d) rito sumário (Lei n. 5.584/70): 3 testemunhas.
PARA CADA Em casos excepcionais, a fim de não se obstar o acesso à Justiça da parte, como na hipótese de o reclamante ter
PARTE trabalhado em vários locais, poderá o Juiz, fundamentadamente, deferir que a parte possa ouvir mais de três
testemunhas.

Antes de ser qualificada, a testemunha não está apta a depor, pois, sem a qualificação, não há como se imporem
eventuais sanções penais se a testemunha se calar ou ocultar a verdade.
QUALIFICAÇÃO
O Juiz do Trabalho advertirá à testemunha que incorre em sanção penal quem faz a afirmação falsa, cala ou oculta a
verdade.

A contradita é a impugnação da testemunha pela parte contrária, arguindo-lhe a incapacidade, impedimento ou


suspeição, devendo ser arguida após a qualificação da testemunha e antes do compromisso, sob consequência de
preclusão. Se, durante o depoimento, após compromissada, ficar comprovada alguma hipótese de impedimento,
incapacidade ou suspeição da testemunha, acreditamos que o Juiz não poderá descompromissar a testemunha,
CONTRADITA
mas terá de levar em conta tal fato na valoração do depoimento.
Como, no Processo do Trabalho, as testemunhas são trazidas pelas partes, independentemente de notificação, se a
parte invocar a contradita e tiver provas a serem produzidas, mas não na ocasião da audiência, deverá o Juiz adiar a
audiência para que a parte que invocou a contradita possa produzir tal comprovação.
No Processo do Trabalho, não existe rol de testemunhas, pois essas comparecem à audiência, independentemente
de notificação.
Se as testemunhas não comparecerem de forma independente, a lei determina que elas sejam intimadas de ofício
pelo juiz ou a requerimento da parte. Uma vez intimada, se a testemunha, injustificadamente, deixar de comparecer,
será conduzida coercitivamente, além de ter de pagar multa equivalente a um salário mínimo.
ROL DE
Caso a parte na audiência em prosseguimento se comprometa a trazer a testemunha espontaneamente, sem
TESTEMUNHAS
notificação judicial, em não comparecendo novamente a testemunha, haverá preclusão, implicando a ausência em
desistência tácita da oitiva.
Por ser o ato de testemunhar serviço público relevante, as testemunhas não poderão sofrer qualquer desconto pelas
faltas ao serviço, ocasionadas pelo seu comparecimento para depor, quando devidamente convocadas. O trabalhador
tem direito a faltar no trabalho, sem sofrer qualquer desconto, para prestar depoimento na qualidade de testemunha.

O Juiz ou Presidente providenciará para que o depoimento de uma testemunha não seja ouvido pelas demais que
tenham de depor no processo.
Por vigorar o sistema presidencialista na colheita da prova, o Juiz do Trabalho preside a instrução processual e a
OITIVA DE
colheita da prova testemunhal, cabendo ao Juiz inquirir as testemunhas e, posteriormente, as partes pessoalmente,
TESTEMUNHAS
ou por intermédio de seus advogados, reinquirir as testemunhas. Os depoimentos serão resumidos na ata da
audiência.
A ordem da oitiva das testemunhas caberá ao Juiz do Trabalho, considerando-se o ônus da prova de cada parte.

8.10. Da prova pericial


O juiz é um técnico em direito, habilitado, como regra geral, em concurso público. Como o
processo é destinado à composição de litígios dos mais diversos campos do conhecimento humano,
muitas vezes, a controvérsia dos autos exige análise de questões técnicas que refogem à órbita
jurídica, necessitando o Juiz de profissionais especializados na matéria discutida no processo. Para
dirimir a controvérsia técnica do processo, o Juiz se vale da prova pericial (ver art. 145 do CPC).
Nos termos do art. 420 do CPC, pericial consiste em exame, vistoria ou avaliação.
Adotando a classificação da melhor doutrina, a prova pericial se subdivide em exame, vistoria,
avaliação e arbitramento.
a) exame: é a inspeção sobre pessoa, semoventes e coisas, para verificação de fatos relevantes
para causa. No Processo do Trabalho, como exemplos de exame, temos as perícias médicas para
apuração de doença profissional para fins de estabilidade no emprego, bem como para aferir
eventual redução de capacidade laborativa para fins de indenização. Também a perícia grafotécnica,
no nosso sentir, se classifica como exame, pois tem por objeto verificar se um documento é autêntico
ou não;
b) vistoria: é a inspeção sobre imóveis ou determinados lugares. Como exemplos, temos as
perícias de insalubridade e periculosidade em que o perito faz a vistoria do local de trabalho e
avalia as condições de salubridade e periculosidade;
c) avaliação: é o exame pericial destinado à estimação de valor de determinadas coisas, bens ou
obrigações. Normalmente, a avaliação se destina a encontrar o preço de mercado de determinado
bem, como, por exemplo, o valor dos bens penhorados. A doutrina também inclui no conceito de
avaliação as perícias contábeis no Processo do Trabalho em que o perito, à vista dos documentos
dos autos, vai verificar a correção do pagamento de determinada parcela trabalhista ou verificar a
correção dos cálculos de liquidação;
d) arbitramento: destina-se a verificar o valor, a quantidade ou a qualidade do objeto do litígio,
como nas hipóteses de liquidação por arbitramento.
O Juiz, como diretor do processo e destinatário final da prova (arts. 130 do CPC e 765 da CLT),
deve avaliar a pertinência da prova pericial e indeferi-la quando a prova não exigir conhecimento
técnico ou quando for desnecessária em razão de outras provas já produzidas.
Nos termos do art. 195 da CLT, a perícia é obrigatória quando for arguida em juízo insalubridade
ou periculosidade (ver § 2º do art. 195 da CLT).
Discute-se na doutrina e jurisprudência se a confissão da parte supre a prova técnica, como no
exemplo de o empregador confessar o trabalho em condições de insalubridade. No aspecto, se a
confissão foi expressa do reclamado sobre o fato que depende de perícia, esta se torna
desnecessária, salvo nas hipóteses em que há controvérsia sobre o grau de eventual insalubridade.
Em casos de presunção de veracidade decorrente da revelia ou confissão ficta, pensamos, em
compasso com a jurisprudência dominante, que a perícia se faz necessária.
Caso a verificação do fato por perícia seja impraticável, em razão, por exemplo, da desativação
do local de trabalho nas hipóteses de insalubridade e periculosidade, a jurisprudência tem admitido,
acertadamente, a prova pericial emprestada.
Nesse sentido é a OJ n. 278 da SDI-I do C. TST, in verbis:
“Adicional de insalubridade. Perícia. Local de trabalho desativado. A realização de perícia é obrigatória para a verificação de
insalubridade. Quando não for possível sua realização, como em caso de fechamento da empresa, poderá o julgador utilizar-se de
outros meios de provas”.

A perícia no Processo do Trabalho pode ser realizada tanto na fase de conhecimento como na de
execução. Na fase de conhecimento, são típicas as perícias de insalubridade, periculosidade, médica,
grafotécnica e contábil. Na fase de execução, são típicas as perícias contábeis e de arbitramento.
Verificando a necessidade da perícia, o Juiz do Trabalho, de ofício, ou a requerimento da parte, a
designará, nomeando perito de sua confiança, com conhecimento técnico sobre a questão, e fixará
prazo razoável para entrega do laudo concluído. No prazo de cinco dias, as partes poderão
apresentar quesitos a serem respondidos pelo perito, bem como nomear assistentes técnicos. Durante
a diligência, poderão as partes apresentar quesitos complementares (art. 425 do CPC).
No Processo do Trabalho, as perícias são realizadas por um único perito da confiança do Juiz (ver
art. 3º da Lei n. 5.584/70).
Embora diga o parágrafo único do art. 3º da Lei n. 5.584/70 que a perícia deve ser realizada, no
Processo do Trabalho, por perito único, pensamos não haver incompatibilidade de, em casos
excepcionais, o Juiz do Trabalho nomear mais de um perito, notadamente quando a questão exigir
conhecimentos especializados de vários ramos da ciência.
O perito nomeado pelo Juiz está sob compromisso, embora a lei não exija a formalidade de que o
perito preste juramento por escrito nos autos (art. 422 do CPC), deverá ele ser imparcial e cumprir o
ofício que lhe foi designado com diligência e presteza (art. 146 do CPC). Podem as partes invocar,
contra o perito, as exceções de suspeição e impedimento previstas nos arts. 134 e 135 do CPC.
O assistente técnico é nomeado pela parte e não está sob compromisso de imparcialidade. O
assistente é remunerado pela parte e deve entregar o laudo no mesmo prazo do perito nomeado pelo
juiz (parágrafo único do art. 3º da Lei n. 5.584/70).
As perícias de insalubridade e periculosidade poderão ser realizadas na Justiça do Trabalho por
médico ou engenheiro do trabalho, uma vez que o art. 195 da CLT não faz qualquer distinção.
Nesse sentido é a OJ n. 165 da SDI-I do C. TST, in verbis:
“Perícia. Engenheiro ou médico. Adicional de insalubridade e periculosidade. Validade. Art. 195 da CLT. O art. 195 da CLT não
faz qualquer distinção entre o médico e o engenheiro para efeitos de caracterização e classificação da insalubridade e
periculosidade, bastando para a elaboração do laudo seja o profissional devidamente qualificado”.

No nosso sentir, embora algumas Varas adotem postura de realizar a perícia após a audiência de
instrução, pensamos que a perícia deva ser designada antes da audiência de instrução, a fim de que o
laudo pericial possa ser complementado com a prova oral, inclusive com a possibilidade de se ouvir
o perito em audiência, conforme os arts. 827 e 848, § 2º, ambos da CLT, e também o art. 435 do
CPC.
O juiz é livre para valorar a prova pericial, segundo o art. 436 do CPC. Não obstante, não pode
julgar com base em conhecimento técnico pessoal ou convicção pessoal, pois, se assim proceder,
estará violando o princípio da imparcialidade. Se não estiver satisfeito com a perícia, deverá
determinar a realização de nova diligência, ou, com base na perícia já realizada, à luz dos demais
elementos probatórios do processo (testemunhas, documentos etc.), firmar sua convicção. Caso
pretenda contrariar o laudo, deve fundamentar detalhadamente os pontos do laudo que não o
convenceram e apresentar as razões e as provas constantes dos autos que o convenceram (ver art.
790-B da CLT).
Já a remuneração dos assistentes técnicos é da responsabilidade da parte que os nomeou, conforme
dispõe a Súmula n. 341 do C. TST, in verbis:
“HONORÁRIOS DO ASSISTENTE TÉCNICO — A indicação do perito assistente é faculdade da parte, a qual deve respon
pelos respectivos honorários, ainda que vencedora no objeto da perícia”.

Em razão do princípio da gratuidade que vigora no Processo do Trabalho, a jurisprudência


pacificou no sentido de não serem exigidos os honorários periciais prévios na Justiça do Trabalho,
conforme dispõe a OJ n. 98 da SDI-II do C. TST, in verbis:
“Mandado de Segurança. Cabível para atacar exigência de depósito prévio de honorários periciais. É ilegal a exigência de depósito
prévio para custeio dos honorários periciais dada sua incompatibilidade com o processo do trabalho e Súmula n. 236 do TST,
sendo cabível o mandado de segurança visando à realização da perícia independentemente do depósito”.

Se o reclamante for sucumbente no objeto da perícia, não pagará os honorários periciais, segundo
o art. 790-B da CLT.
A fim de que o perito não fique sem receber quando a parte sucumbente na perícia for beneficiária
de Justiça gratuita, alguns Tribunais Regionais do Trabalho elaboraram provimento no sentido de ser
expedida certidão de honorários pelas Varas, cujos valores serão pagos pela União.
Nesse sentido, é a Orientação Jurisprudencial n. 387 da SDI-I do C. TST, in verbis:
“Honorários periciais. Beneficiário da justiça gratuita. Responsabilidade da União pelo pagamento. Resolução n.
35/2007 do TST. Observância. (DeJT 09/06/2010). A União é responsável pelo pagamento dos honorários de perito quando a
parte sucumbente no objeto da perícia for beneficiária da assistência judiciária gratuita, observado o procedimento disposto nos
arts. 1º, 2º e 5º da Resolução n. 35/2007 do Conselho Superior da Justiça do Trabalho — CSJT”.

8.11. Da inspeção judicial no direito processual do trabalho


A inspeção judicial é um meio legal de prova que consiste na própria constatação direta do fato
pelo Juiz.
Como sendo um meio legal de prova previsto no Código de Processo Civil, a inspeção judicial
deve sempre observar o princípio do contraditório, sob consequência de nulidade do processo (art.
5º, LV, da CF).
Pode a inspeção judicial ser feita na sede do juízo ou no local onde se encontra a pessoa ou coisa.
O Juiz irá ao local quando julgar necessário para melhor verificação ou interpretação dos fatos que
deva observar, quando a coisa não puder ser apresentada em juízo sem consideráveis despesas ou
graves dificuldades ou quando determinar a reconstituição dos fatos.
Segundo o Código de Processo Civil, determinada a inspeção, o Juiz deverá designar dia, hora e
local da inspeção, intimando as partes para que possam, se quiserem, acompanhá-la. Para parte da
doutrina, as partes têm sempre direito a assistir à inspeção, prestando esclarecimento e fazendo
observações que reputem de interesse para a causa. Concluída a diligência, o Juiz mandará lavrar
auto circunstanciado, mencionando nele tudo quanto for útil ao julgamento da causa, podendo o auto
ser acompanhado de desenho, gráfico ou fotografia.
No nosso sentir, embora o CPC diga que as partes têm direito de assistir à diligência, poderá o
Juiz do Trabalho, considerando os princípios da efetividade processual e busca da verdade real
(arts. 765 da CLT e 130 do CPC), postergar o contraditório para a fase posterior ao término da
diligência, pois a realidade tem demonstrado que, no âmbito trabalhista, dificilmente a inspeção
judicial terá eficácia se as partes, e principalmente determinada empresa, forem previamente
avisadas da inspeção judicial. Não se está com isso desconsiderando o contraditório, mas alterando
o seu momento, uma vez que já está sedimentado na doutrina que, em determinados casos, o
contraditório não precisa ser prévio, podendo o juiz, à luz dos princípios da razoabilidade,
proporcionalidade e efetividade, avaliar o custo-benefício em postergá-lo.
A inspeção judicial deverá ser valorada pelo Juiz do Trabalho em cotejo com as demais provas
dos autos, à luz do princípio da persuasão racional (art. 131 do CPC). Não obstante, quando efetiva a
diligência e o magistrado toma contato pessoal com os fatos discutidos no processo, a inspeção tem
grande poder de persuasão e pode prevalecer sobre outras provas existentes no processo.
Em suma:
PROVAS NO PROCESSO DO TRABALHO

DA PROVA PERICIAL

a) Exame: é a inspeção sobre pessoa, semoventes e coisas, para verificação de fatos relevantes para a causa. No
Processo do Trabalho, temos as perícias médicas para apuração de doença profissional para fins de estabilidade
no emprego, bem como para aferir eventual redução de capacidade laborativa para fins de indenização;
b) Vistoria: é a inspeção sobre imóveis ou determinados lugares. Como exemplos, temos as perícias de
CLASSIFICAÇÃO
insalubridade e periculosidade em que o perito faz a vistoria do local de trabalho e avalia as condições de
DOUTRINÁRIA
salubridade e periculosidade;
ACERCA DAS
c) Avaliação: é o exame pericial destinado à estimação de valor de determinadas coisas, bens ou obrigações. A
PROVAS
doutrina também inclui no conceito de avaliação as perícias contábeis no Processo do Trabalho em que o perito, à
PERICIAIS
vista dos documentos dos autos, vai verificar a correção do pagamento de determinada parcela trabalhista ou
verificar a correção dos cálculos de liquidação;
d) Arbitramento: destina-se a verificar o valor, a quantidade ou a qualidade do objeto do litígio, como nas hipóteses
de liquidação por arbitramento.

A perícia é obrigatória quando for arguida em juízo insalubridade ou periculosidade.


Discute-se na doutrina e jurisprudência se a confissão da parte supre a prova técnica. No aspecto, se a confissão
HIPÓTESES DA foi expressa do reclamado sobre o fato que depende de perícia, esta se torna desnecessária, salvo nas hipóteses
PERÍCIA em que há controvérsia sobre o grau de eventual insalubridade. Em casos de presunção de veracidade decorrente
OBRIGATÓRIA da revelia ou confissão ficta, em compasso com a jurisprudência dominante, a perícia se faz necessária.
Caso a verificação do fato por perícia seja impraticável, a jurisprudência tem admitido, acertadamente, a prova
pericial emprestada.
A perícia no Processo do Trabalho pode ser realizada tanto na fase de conhecimento como na de execução. Na fase de
conhecimento, são típicas as perícias de insalubridade, periculosidade, médica, grafotécnica e contábil. Na fase de
execução, são típicas as perícias contábeis e de arbitramento.
Verificando a necessidade da perícia, o Juiz do Trabalho, de ofício, ou a requerimento da parte, a designará, nomeando
perito de sua confiança, com conhecimento técnico sobre a questão, e fixará prazo razoável para entrega do laudo
concluído. No prazo de cinco dias, as partes poderão apresentar quesitos a serem respondidos pelo perito, bem como
nomear assistentes técnicos. Durante a diligência, poderão as partes apresentar quesitos complementares.
No Processo do Trabalho, as perícias são realizadas por um único perito da confiança do Juiz.
A PERÍCIA O perito nomeado pelo Juiz está sob compromisso, embora a lei não exija a formalidade de que o perito preste juramento
NO por escrito nos autos, deverá ele ser imparcial e cumprir o ofício que lhe foi designado com diligência e presteza. Podem
PROCESSO as partes invocar, contra o perito, as exceções de suspeição e impedimento.
DO O assistente técnico é nomeado pela parte e não está sob compromisso de imparcialidade. O assistente é remunerado
TRABALHO pela parte e deve entregar o laudo no mesmo prazo do perito nomeado pelo Juiz.
As perícias de insalubridade e periculosidade poderão ser realizadas na Justiça do Trabalho por médico ou engenheiro do
trabalho.
Em razão do princípio da gratuidade que vigora no Processo do Trabalho, a jurisprudência pacificou no sentido de não
serem exigidos os honorários periciais prévios na Justiça do Trabalho.
Se o reclamante for sucumbente no objeto da perícia, não pagará os honorários periciais.
A fim de que o perito não fique sem receber quando a parte sucumbente na perícia for beneficiária de Justiça gratuita,
alguns Tribunais Regionais do Trabalho elaboraram provimento no sentido de ser expedida certidão de honorários pelas
Varas, cujos valores serão pagos pela União.

DA INSPEÇÃO JUDICIAL NO DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO

Meio legal de prova que consiste na própria constatação direta do fato pelo Juiz, que deve sempre observar o
CONCEITO
princípio do contraditório, sob consequência de nulidade do processo.

Pode a inspeção judicial ser feita na sede do juízo ou no local onde se encontra a pessoa ou coisa. O Juiz irá ao
LOCAL DA local quando julgar necessário para melhor verificação ou interpretação dos fatos que deva observar, quando a coisa
INSPEÇÃO não puder ser apresentada em Juízo sem consideráveis despesas ou graves dificuldades ou quando determinar a
reconstituição dos fatos.

Segundo o Código de Processo Civil, determinada a inspeção, o Juiz deverá designar dia, hora e local da inspeção,
intimando as partes para que possam, se quiserem, acompanhá-la. Concluída a diligência, o Juiz mandará lavrar
auto circunstanciado, mencionando nele tudo quanto for útil ao julgamento da causa, podendo o auto ser
acompanhado de desenho, gráfico ou fotografia.
Embora o CPC diga que as partes têm direito de assistir à diligência, poderá o Juiz do Trabalho, considerando os
PROCEDIMENTO princípios da efetividade processual e busca da verdade real, postergar o contraditório para a fase posterior ao
término da diligência, pois a realidade tem demonstrado que, no âmbito trabalhista, dificilmente a inspeção judicial
terá eficácia se as partes, e principalmente determinada empresa, forem previamente avisadas da inspeção judicial.
Não se está com isso desconsiderando o contraditório, mas alterando o seu momento, uma vez que já está
sedimentado na doutrina que, em determinados casos, o contraditório não precisa ser prévio, podendo o Juiz, à luz
dos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e efetividade, avaliar o custo-benefício em postergá-lo.

A inspeção judicial deverá ser valorada pelo Juiz do Trabalho em cotejo com as demais provas dos autos, à luz do
VALORAÇÃO DA
princípio da persuasão racional. Não obstante, quando efetiva a diligência e o magistrado toma contato pessoal com
INSPEÇÃO
os fatos discutidos no processo, a inspeção tem grande poder de persuasão e pode prevalecer sobre outras provas
JUDICIAL
existentes no processo.

Questões
1. (TRT 2ª Região — 2009) Quanto ao ônus da prova analise as seguintes proposições:
I. O Direito Processual pátrio não admite, por regra, o ônus da prova negativo, salvo nas
hipóteses de inversão do ônus da prova.
II. No Direito Processual do Trabalho o ônus da prova é sempre do empregador, dada a
aplicação do Princípio Protetor que revela a hipossuficiência do empregado.
III. Estando determinada hipótese fática sem prova nos autos, gerando dúvida no espírito do
julgador, a decisão deve ser em favor do empregado, pela aplicação do Princípio “in dubio
pro operario”.
IV. O Princípio “in dubio pro operario” deve ser aplicado para julgamento em favor do
empregado quando houver prova dividida e não na ausência de provas. Na ausência de provas
julga-se em desfavor da parte que detinha o ônus da prova.
V. O Princípio “in dubio pro operario” não é aplicado no tema relativo ao ônus da prova.
Diante das proposições supra podemos dizer que:
a) Apenas as assertivas I e V são corretas.
b) Apenas as assertivas II e III são incorretas.
c) Apenas as assertivas I e IV são corretas.
d) Apenas a assertiva II é incorreta.
e) Apenas a assertiva I é correta.
2. (TRT 2ª Região — 2009) Analise as proposições abaixo:
I. Em processo cujo objeto verse sobre jornada de trabalho é ônus do empregador que conta
com mais de dez empregados no estabelecimento trazer aos autos, já com a defesa, e
independentemente de intimação específica, os controles de horário, sob pena de presunção
de veracidade da jornada de trabalho declarada na exordial.
II. A presunção que decorre da ausência dos controles de horário é absoluta e não pode ser
elidida por prova em contrário, salvo se justificada a ausência dos controles de horário por
motivo de força maior, quando, então, caberá ao empregador o ônus da prova da jornada de
trabalho do empregado.
III. Tendo a petição inicial informado que o reclamante foi dispensado sem justa causa e a
contestação negado qualquer dispensa, tem-se que a reclamada apresentou contestação de
mérito direta e, por consequência, o ônus da prova do fato negado é do autor.
IV. Em embargos à execução, a alegação é no sentido de que o imóvel penhorado é o único
bem do devedor, tratando-se, portanto, de bem de família. Em resposta aos embargos o
exequente nega a condição de único bem do devedor e, por consequência, a condição de bem
de família. Neste caso, tem-se que o embargado apresentou contestação de mérito direta, e o
ônus da prova do fato constitutivo (único bem) é do embargante.
V. Pretendendo a reclamante, empregada doméstica, o pagamento de horas extras e tendo a
reclamada negado tal direito em face da ausência de previsão legal, o ônus da prova é da
reclamada, pois a hipótese é de contestação de mérito indireta. Da análise das assertivas
acima, é de se concluir que:
a) Todas estão incorretas.
b) Apenas a assertiva I é correta.
c) Apenas as assertivas I e II são corretas.
d) Apenas as assertivas I, III e V são corretas.
e) Apenas as assertivas I e IV são corretas.
3. (TRT 2ª Região — 2009) É incorreto dizer que:
a) Segundo o princípio da identidade física do juiz, aquele que participar da instrução
deve julgar o processo; segundo entendimento sumulado do C. TST, não é aplicável o
referido princípio ao processo do trabalho.
b) Segundo a teoria da “ilicitude por derivação”, não pode ser aproveitada na instrução
processual a prova obtida a partir de interceptação telefônica realizada sem autorização
judicial, sendo que tal prática configura crime previsto no art. 10 da Lei 9296/96.
c) o herdeiro do confidente dispõe de legitimidade para prosseguir em ação anulatória
destinada a revogar a confissão obtida por meio de erro ou dolo; em ação rescisória,
visando desconstituir sentença transitada em julgado firmada a partir de confissão obtida
por meio de coação, o herdeiro não tem legitimidade para sua propositura.
d) O incidente de falsidade documental somente pode ser arguido antes de proferida a
sentença. Após proferida a sentença o juiz esgota sua jurisdição e, ademais, a
declaração de falsidade é inútil para o deslinde da ação.
e) O juiz poderá, a fim de resgatar a verdade dos fatos e no regular exercício dos
poderes instrutórios que lhe são atribuídos, realizar, de ofício ou a pedido da parte,
inspeção judicial de pessoas ou coisas, valendo-se inclusive de meios eletrônicos.
4. (MPT/BR Procurador do Trabalho (Maio/2012) MPT — 17º Concurso) A propósito das
provas, leia e assinale os itens a seguir:
I. O documento público faz prova da sua formação e dos fatos que o escrivão, o tabelião ou o
funcionário declarar que ocorreram na sua presença, porém, o documento feito por oficial
público incompetente, ou sem as formalidades legais, terá a mesma eficácia probatória do
instrumento particular, desde que subscrito pelas partes.
II. A confissão eivada de erro ou obtida por dolo ou coação poderá ser objeto de ação
anulatória ou ação rescisória. Será objeto de ação anulatória, se ainda estiver pendente o
processo em que foi feita; caso proferida a decisão de mérito, poderá ser revogada por ação
rescisória, desde que constitua um dos fundamentos em que se baseou a decisão.
III. A recusa legítima da exibição de documentos em juízo é direito das partes e de terceiros,
desde que o fundamento de fato ou de direito para a recusa se enquadre em uma das
hipóteses legais, podendo o juiz, segundo o seu prudente arbítrio, admitir outros motivos
graves que justifiquem a recusa da exibição.
Marque a alternativa CORRETA:
a) todas as assertivas estão corretas;
b) apenas a assertiva II está correta;
c) apenas as assertivas II e III estão corretas;
d) apenas as assertivas I e III estão corretas;
e) não respondida.

Gabarito
1. A
2. B
3. D
4. D
9
Sentença trabalhista

9.1. Conceito e singularidades da sentença trabalhista


A palavra sentença vem do latim sentire, que significa sentimento. Por isso, podemos dizer que a
sentença é o sentimento do Juiz sobre o processo. É a principal peça da relação jurídica processual,
na qual o Juiz irá decidir se acolhe ou não a pretensão posta em juízo, ou extinguirá o processo sem
resolução do mérito.
A sentença, para alguns, é um ato de vontade, no sentido de atendimento à vontade da lei, mas
também um comando estatal ao qual devem obediência os atingidos pela decisão. Para outros,
constitui um ato de inteligência do juiz, por meio do qual este faz a análise detida dos fatos, critica o
direito e propõe a conclusão, declarando a cada um o que é seu por direito.
Não obstante, há consenso de que a sentença é o ponto culminante do processo, sendo a principal
peça processual. É ato privativo do Juiz (art. 162, § 1º, do CPC) e personalíssimo do magistrado,
entretanto, a sentença deve seguir os requisitos legais e formais de validade (arts. 832 da CLT e 458
do CPC).
Na verdade, a sentença não é só um ato de inteligência do Juiz, mas também um ato de vontade, no
sentido de submeter a pretensão posta em juízo à vontade da lei ou do ordenamento jurídico, e
também de submeter as partes ao comando sentencial. Além disso, a sentença também é um ato de
justiça, no qual o Juiz, além de valorar os fatos e subsumi-los à lei, fará a interpretação do
ordenamento jurídico de forma justa e equânime, atendendo não só aos ditames da Justiça no caso
concreto, mas ao bem comum (art. 5º da LINDB).
Portanto, a natureza jurídica da sentença é de um ato complexo, sendo um misto de ato de
inteligência do Juiz, de aplicação da vontade da lei ao caso concreto e, acima de tudo, um ato de
justiça.
A Consolidação das Leis do Trabalho não define o conceito de sentença. Desse modo, resta
aplicável ao Processo do Trabalho (art. 769 da CLT) a definição de sentença prevista no art. 162 do
CPC.
O CPC de 1973, no art. 162, § 1º, fixava o conceito de sentença como sendo o ato pelo qual o Juiz
põe termo ao processo, decidindo ou não o mérito da causa.
Dispõe o § 1º do art. 162 do CPC, com a redação dada pela Lei n. 11.232/2005: “Sentença é o ato
do juiz que implica alguma das situações previstas nos arts. 267 e 269 desta Lei”.
Conforme se constata da redação do citado dispositivo legal, a sentença não põe mais fim ao
processo, mas implica uma das hipóteses do art. 267 do CPC, que consagra as hipóteses de extinção
do processo sem resolução do mérito, ou do art. 269 do CPC, que estabelece as hipóteses de
resolução do mérito.
Pode-se questionar o acerto do legislador ao delinear o novo conceito de sentença, pois há
algumas sentenças de mérito que efetivamente extinguem o processo, como a sentença de
improcedência, que é declaratória negativa, a sentença meramente declaratória e a sentença
constitutiva, evidentemente após confirmadas em grau de recurso ou se não forem interpostos
recursos em face delas, uma vez que não comportam a fase de execução. Também as chamadas
sentenças mandamentais, que expedem uma ordem de cumprimento pelo Juiz, não necessitam da fase
de execução.
Em contrapartida, a interpretação do referido § 1º do art. 162 do CPC não pode ser literal, pois,
embora tenha sido alterado o conceito de sentença, o sistema do Código de Processo Civil
permaneceu o mesmo quanto às decisões interlocutórias e os despachos (art. 162, §§ 2º e 3º, do
CPC).
Assim, conforme já sedimentado em doutrina, podemos definir sentença como o ato do juiz que
implica alguma das hipóteses dos arts. 267 e 269 do CPC, que extingue o processo ou encerra a fase
de conhecimento, ou de execução.
Diante do exposto, em nosso sentir, a sentença no processo do trabalho se conceitua da seguinte
forma: “Ato do Juiz do Trabalho que implica alguma das hipóteses dos arts. 267 e 269 do CPC, que
extingue o processo ou encerra a fase de conhecimento, ou de execução”.
São singularidades da sentença trabalhista:
a) Legalidade: a sentença trabalhista deve ser prolatada observando-se os requisitos legais
previstos na CLT. Deve ter, sob consequência de nulidade: relatório, fundamentação e conclusão. No
rito sumaríssimo, o relatório é dispensado. Outrossim, a sentença trabalhista deve ser proferida em
audiência de julgamento, devendo as partes sobre ela ser intimadas.
b) Livre convencimento do Juiz do Trabalho (arts. 131 do CPC e 765 da CLT): o Juiz do
Trabalho é livre para valorar a prova e interpretar a controvérsia jurídica, nos limites em que ela foi
proposta.
c) Vinculação do pedido (arts. 128 e 460 do CPC): o pedido baliza o provimento jurisdicional.
Portanto, a sentença trabalhista não pode afastar-se da pretensão posta em juízo, sob consequência de
nulidade.
d) Fundamentação: a fundamentação da decisão é uma garantia da cidadania e do Estado
Democrático de Direito (art. 93, IX, da CF c/c o art. 832 da CLT). Embora o Juiz do Trabalho seja
livre para decidir, deve expor os motivos do seu convencimento.

9.2. Requisitos estruturais da sentença trabalhista


Os requisitos estruturais da sentença trabalhista estão elencados no art. 832 da CLT.
Diante do art. 832 da CLT, são requisitos estruturais da sentença: a) relatório; b) fundamentação e
c) conclusão.
Além disso, a sentença trabalhista deve ser prolatada sob a forma escrita, mesmo quando proferida
sem audiência, pois é indispensável sua documentação para embasar eventual recurso.
São requisitos estruturais da sentença trabalhista:
a) Relatório: o relatório é uma pequena síntese do processo, em que são mencionados o resumo
do pedido e da contestação, bem como as principais passagens do processo.
O art. 832 da CLT exige que o relatório contenha o nome das partes e o resumo do pedido e da
defesa.
Um bom relatório de sentença trabalhista, além de mencionar o nome das partes, o resumo do
pedido e da defesa, deve fazer menção às principais passagens do processo, como às atas de
audiência e às provas mais relevantes produzidas nos autos, tais como perícia, inspeções etc.
Segundo a doutrina, a finalidade do relatório é a transparência do julgamento em que o Juiz mostra
que leu integralmente o processo e está apto a prolatar a decisão.
b) Fundamentação: a fundamentação é a parte mais detalhada da sentença, pois é nesse momento
que o Juiz do Trabalho apreciará os argumentos que embasam a causa de pedir, as razões pelas quais
o reclamado resiste à pretensão do autor, valorará as provas existentes nos autos e fará a subsunção
dos fatos provados ao Direito.
Contudo, a fundamentação da sentença, segundo vem defendendo a doutrina moderna, deve ser
clara, objetiva e concisa, a fim de que o cidadão que não tenha cultura jurídica a entenda, máxime no
Processo do Trabalho, em que ainda persiste o jus postulandi. Além disso, os recursos têm por
objeto impugnar a fundamentação da decisão e, por isso, o requisito da clareza é essencial.
c) Dispositivo ou conclusão: diz o art. 832 da CLT que da sentença deve constar a conclusão. No
mesmo sentido é o art. 458 do CPC: “São requisitos essenciais da sentença: (...) III — o dispositivo,
em que o juiz resolverá as questões, que as partes lhe submeterem”.
A conclusão, também chamada de dispositivo ou decisum, embora seja uma etapa mais
simplificada para o Juiz do que a fundamentação, acreditamos ser a parte mais importante da
decisão, pois é nela que estará mencionada a parte da decisão que condenará ou absolverá o
reclamado e especificará as parcelas objeto da condenação, bem como os parâmetros para
cumprimento da sentença. Sob outro enfoque, somente o dispositivo transita em julgado, conforme o
art. 469 do CPC.
Além das verbas objeto da condenação, o dispositivo da sentença deve conter: a) parâmetros para
liquidação das parcelas, bem como a modalidade de liquidação e a época própria de correção
monetária; b) a responsabilidade pelos recolhimentos fiscais e previdenciários, especificando quais
parcelas serão objeto de incidência das parcelas devidas ao INSS, conforme o § 3º do art. 832 da
CLT; c) quando houver obrigações de fazer, ou não fazer, o prazo para cumprimento, bem como
eventuais coerções pecuniárias (astreintes para cumprimento); d) custas que serão sempre 2% do
valor da condenação (se procedente ou procedente em parte o pedido), se improcedente, sobre o
valor atribuído à causa; e) o prazo para cumprimento. Como regra geral, a sentença deve ser
cumprida no prazo de oito dias após o trânsito em julgado; f) por fim, o dispositivo deve fazer
menção à intimação das partes. Se a decisão for proferida em audiência ou na forma da Súmula n.
197 do C. TST, as partes já sairão cientes na própria audiência ou na data agendada para a audiência
de julgamento.
Caso a intimação das partes não se dê em audiência, tampouco na forma da Súmula n. 197 do TST,
as partes serão intimadas da sentença, ou por Diário Oficial, ou pelo Correio.
Sendo revel o reclamado, a intimação da sentença será realizada por meio de Editais (arts. 841 e
852 da CLT).
9.3. Da coisa julgada
Em razão de ser escopo da jurisdição solucionar o conflito de forma definitiva, dizendo o direito
diante de um caso concreto, ganha destaque o instituto da coisa julgada que busca tornar imutável a
decisão, a fim de que seu cumprimento possa ser imposto pelo Estado, dando a cada um o que é seu
por direito.
Sem o efeito da coisa julgada, seria impossível o término da relação processual. Desse modo,
segundo a doutrina, a coisa julgada é a preclusão máxima do processo, pois, quando atingida, a
decisão se torna imutável.
Diante da importância da coisa julgada, não só para as partes do processo como para a sociedade,
a Constituição Federal, no art. 5º, XXXVI, disciplina a proteção da coisa julgada como direito
fundamental, constituindo cláusula pétrea constitucional e também uma garantia da cidadania (art. 60,
§ 4º, da CF). Dispõe o referido dispositivo constitucional: “A lei não prejudicará o direito
adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada”.
Entende-se por coisa julgada o efeito ou a qualidade da sentença que se torna imutável, sob a
mesma relação jurídica processual, em razão de já se terem escoado os recursos ou, ainda que não
esgotados todos os recursos, eles já não serem possíveis em razão de a parte que pretendia a reforma
da decisão não os ter interposto ou eles não terem sido recebidos (ver art. 467 do CPC).
O art. 467 do CPC consagra o que a doutrina denomina de coisa julgada material, qualidade
apenas verificada nos provimentos de mérito.
Coisa julgada material é a eficácia da decisão que projeta efeitos fora da relação jurídica
processual, pois aprecia o mérito da causa, acolhendo ou rejeitando o pedido ou pedidos de forma
definitiva, uma vez que não pode mais ser alterada mediante recurso, dentro da mesma relação
jurídica processual.
Todavia, embora a lei não defina, a coisa julgada formal é a impossibilidade de alteração da
decisão, por já esgotados todos os recursos, ou eles não serem mais possíveis. Na verdade, a coisa
julgada formal é uma mera preclusão, atinente a não mais ser possível a recorribilidade da sentença
dentro da mesma relação jurídica processual.
Toda sentença adquirirá a qualidade da coisa julgada formal (seja terminativa ou definitiva), pois
chegará o momento em que ela não poderá mais ser recorrível, entretanto, somente adquirirão a
qualidade de coisa julgada material as sentenças de mérito, pois serão imutáveis.
Por isso se diz que a coisa julgada material traz consigo a coisa julgada formal, uma vez que
somente haverá a qualidade da coisa julgada material se antes houver a coisa julgada formal.
A Consolidação das Leis do Trabalho tem um único artigo que se refere à coisa julgada, porém
sem defini-la (ver art. 836 do CPC). Quanto aos efeitos e às consequências da coisa julgada, restam
aplicáveis ao Processo do Trabalho as disposições dos artigos (arts. 467 a 475 do CPC), em razão
de omissão da CLT e compatibilidade com os princípios que regem o Processo do Trabalho (art. 769
da CLT).
Conforme destaca o art. 472 do CPC, a coisa julgada somente vincula as partes que participaram
do processo e também os litisconsortes que nele intervieram. A coisa julgada não pode vincular
quem não participou do processo.
Não obstante, em determinadas hipóteses, os efeitos da coisa julgada material se projetam sobre
terceiros, como espécie de seu efeito reflexo, mesmo que eles não tenham participado do processo.
Tal acontece com os terceiros que tenham interesse jurídico no processo em que se formou a coisa
julgada material, como o sócio da empresa demandada, a empresa do mesmo grupo econômico etc.
Nas ações coletivas em que se discutem direitos difusos e coletivos e individuais homogêneos, a
coisa julgada tem efeitos erga omnes e ultra partes, nos termos do art. 103 da Lei n. 8.078/90 (ver
art. 468 do CPC).
Os limites objetivos da coisa julgada são fixados pelo pedido, pela defesa e pelo que foi
apreciado na sentença (ver art. 469 do CPC).
Conforme o art. 469 do CPC, os motivos da decisão, a verdade dos fatos constantes da
fundamentação, bem como a questão prejudicial decidida na fundamentação não são abrangidos pelo
efeito da coisa julgada material. Somente o dispositivo da sentença ou acórdão adquire essa
qualidade.
O art. 470 do CPC determina que “faz coisa julgada a resolução da questão prejudicial, se a parte
o requerer, o juiz for competente em razão da matéria e constituir pressuposto necessário para o
julgamento da lide”. Questão prejudicial constitui uma relação jurídica controvertida, cuja existência
deve enfrentar o Juiz, declarando-a existente ou inexistente, na fundamentação da sentença, como
condição para decidir o pedido ou pedidos formulados na inicial.
A questão prejudicial não transita em julgado, exceto se uma das partes apresentar a chamada
Ação Declaratória Incidental (arts. 5º e 325 do CPC), objetivando que o Juiz declare, por sentença,
a questão prejudicial existente nos autos. Havendo a propositura da referida ação, a resolução da
questão prejudicial será transportada para o dispositivo da sentença e adquirirá os efeitos da coisa
julgada material.
Dispõe o art. 471 do CPC: “Nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas, relativas à
mesma lide, salvo: I — se, tratando-se de relação jurídica continuativa, sobreveio modificação no
estado de fato ou de direito; caso em que poderá a parte pedir a revisão do que foi estatuído na
sentença; II — nos demais casos prescritos em lei”.
Como menciona o art. 471 do CPC, a coisa julgada torna imutáveis os efeitos da sentença, exceto:
a) relação jurídica continuativa: é a relação que se prolonga no tempo, ou seja, que tem
continuidade após a decisão final. Normalmente, as decisões proferidas nesse tipo de relação são
provisórias, rebus sic stantibus, pois podem ser objeto de revisão. Como exemplos de relações
continuativas, temos os benefícios acidentários, que podem ser revistos (auxílio-doença,
aposentadoria por invalidez etc.); condenação no pagamento de adicionais de insalubridade ou
periculosidade quando o contrato de trabalho continua vigente; a sentença normativa em dissídio
coletivo de natureza econômica, que pode sofrer revisão.
b) nos casos previstos em lei: somente quando a lei possibilitar será possível a reapreciação da
sentença transitada em julgado, como na hipótese de ação rescisória (arts. 485 e seguintes do CPC).
Em suma:
SENTENÇA TRABALHISTA

Ato do Juiz do Trabalho que implica alguma das hipóteses dos arts. 267 e 269 do CPC, que extingue o processo
CONCEITO
ou encerra a fase de conhecimento, ou de execução.

NATUREZA
Ato complexo, sendo um misto de ato de inteligência do Juiz, de aplicação da vontade da lei ao caso concreto, e,
JURÍDICA DA
acima de tudo, um ato de justiça.
SENTENÇA

a) Legalidade: a sentença trabalhista deve ser prolatada observando-se os requisitos legais previstos na CLT.
Deve ter, sob consequência de nulidade: relatório, fundamentação e conclusão. No rito sumaríssimo, o relatório é
dispensado.
SINGULARIDADES b) Livre convencimento do Juiz do Trabalho: o Juiz do Trabalho é livre para valorar a prova e interpretar a
DA SENTENÇA controvérsia jurídica, nos limites em que ela foi proposta.
TRABALHISTA c) Vinculação do pedido: o pedido baliza o provimento jurisdicional. Portanto, a sentença trabalhista não pode
afastar-se da pretensão posta em juízo, sob consequência de nulidade.
d) Fundamentação: a fundamentação da decisão é uma garantia da cidadania e do Estado Democrático de
Direito.

a) Relatório: o relatório é uma pequena síntese do processo, em que são mencionados o resumo do pedido e da
contestação e as principais passagens do processo.
b) Fundamentação: a fundamentação é parte mais detalhada da sentença, pois é neste momento que o Juiz do
REQUISITOS
Trabalho apreciará os argumentos que embasam a causa de pedir, as razões pelas quais o reclamado resiste à
ESTRUTURAIS DA
pretensão do autor, valorará as provas existentes nos autos e fará a subsunção dos fatos provados ao Direito.
SENTENÇA
c) Dispositivo ou conclusão: a conclusão, também chamada de dispositivo ou decisum, embora seja uma etapa
TRABALHISTA
mais simplificada para o Juiz do que a fundamentação, acreditamos ser a parte mais importante da decisão, pois
é nela que estará mencionada a parte da decisão que condenará ou absolverá o reclamado e especificará as
parcelas objeto da condenação, bem como os parâmetros para cumprimento da sentença.

a) parâmetros para liquidação das parcelas, bem como a modalidade de liquidação e época própria de
correção monetária;
b) a responsabilidade pelos recolhimentos fiscais e previdenciários, especificando quais parcelas serão
objeto de incidência das parcelas devidas ao INSS;
ALÉM DAS VERBAS c) quando houver obrigações de fazer ou não fazer, o prazo para cumprimento, bem como eventuais
OBJETO DA CONDENAÇÃO, coerções pecuniárias (astreintes para cumprimento);
O DISPOSITIVO DA d) custas que serão sempre 2% do valor da condenação (se procedente ou procedente em parte o
SENTENÇA DEVE CONTER: pedido), se improcedente, sobre o valor atribuído à causa;
e) o prazo para cumprimento;
f) o dispositivo deve fazer menção à intimação das partes. Se a decisão for proferida em audiência ou
na forma da Súmula n. 197 do C. TST, as partes já sairão cientes na própria audiência ou na data
agendada para a audiência de julgamento.

DA COISA JULGADA

O efeito ou a qualidade da sentença que se torna imutável, dentro da mesma relação jurídica
processual, em razão de já se terem escoado os recursos ou, ainda que não esgotados todos os
CONCEITO
recursos, eles já não serem possíveis em razão de a parte que pretendia a reforma da decisão não os
ter interposto ou eles não terem sido recebidos.

É a eficácia da decisão que projeta efeitos fora da relação jurídica processual, pois aprecia o mérito da
COISA JULGADA
causa, acolhendo ou rejeitando o pedido ou pedidos de forma definitiva, uma vez que não pode mais ser
MATERIAL
alterada mediante recurso, dentro da mesma relação jurídica processual.

É uma mera preclusão, atinente a não mais ser possível a recorribilidade da sentença dentro da mesma
COISA JULGADA FORMAL
relação jurídica processual.

A coisa julgada somente vincula as partes que participaram do processo e também os litisconsortes
que nele intervieram.
Nas ações coletivas em que se discutem direitos difusos e coletivos e individuais homogêneos, a coisa
OBSERVAÇÕES
julgada tem efeitos erga omnes e ultra partes.
Os limites objetivos da coisa julgada são fixados pelo pedido, pela defesa e pelo que foi apreciado na
sentença.
Constitui uma relação jurídica controvertida, cuja existência deve enfrentar o Juiz, declarando-a existente ou
inexistente, na fundamentação da sentença, como condição para decidir o pedido ou pedidos formulados na
inicial.
QUESTÃO
A questão prejudicial não transita em julgado, exceto se uma das partes apresentar a chamada Ação
PREJUDICIAL
Declaratória Incidental, objetivando que o Juiz declare, por sentença, a questão prejudicial existente nos autos.
Havendo a propositura da referida ação, a resolução da questão prejudicial será transportada para o dispositivo
da sentença e adquirirá os efeitos da coisa julgada material.

A COISA JULGADA
a) relação jurídica continuativa: é a relação que se prolonga no tempo, ou seja, que tem continuidade após a
TORNA IMUTÁVEIS
decisão final.
OS EFEITOS DA
b) nos casos previstos em lei: somente quando a lei possibilitar será possível a reapreciação da sentença
SENTENÇA,
transitada em julgado, como na hipótese de ação rescisória (arts. 485 e seguintes do CPC).
EXCETO:

Questões
1. (MPT — 16º Concurso) Analise as hipóteses abaixo, de acordo com o ordenamento
processual civil aplicável ao processo do trabalho:
I. A sentença deixou de ser ato do juiz que põe termo ao processo, com ou sem julgamento do
mérito, e passou a ser o ato do juiz que implica algumas das situações previstas no CPC.
II. Sentença terminativa é o provimento judicial que, sem apreciar o mérito, pode extinguir o
processo.
III. Sentença definitiva é o provimento judicial que aprecia e resolve o mérito do pedido,
podendo implicar a extinção ou não do processo.
Marque a alternativa CORRETA:
a) todos os itens são corretos;
b) apenas os itens I e II são corretos;
c) apenas os itens I e III são corretos;
d) apenas os itens II e III são corretos;
e) não respondida.
2. (MPT — 16º Concurso) Analise as hipóteses abaixo:
I. A CLT e o CPC convergem quanto aos requisitos essenciais da sentença que deve conter: o
nome das partes, o resumo do pedido e da defesa, a apreciação das provas, os fundamentos da
decisão e a conclusão.
II. Sentença sem conclusão, ou dispositivo, ou decisum, é inexistente.
III. É certo afirmar que ao se aplicar o princípio da utilidade aproveitam-se os atos válidos
praticados no processo, eis que a nulidade do ato não prejudicará senão os posteriores que
dele dependam ou sejam consequência.
Marque a alternativa CORRETA:
a) apenas os itens I e III são corretos;
b) apenas os itens I e II são corretos;
c) apenas os itens II e III são corretos;
d) todos os itens são corretos;
e) não respondida.
Gabarito
1. A
2. D
10
Dos recursos no processo do trabalho

10.1. Conceito e fundamento dos recursos


Como a lei não define o conceito de recurso, essa árdua tarefa cabe à doutrina.
O termo recurso vem do latim recursus, que significa andar para trás, retorno, reapreciação.
No aspecto processual, podemos definir recursos como os “instrumentos previstos na lei
processual destinados a propiciar a nulidade, a reforma, ou aperfeiçoamento de uma decisão judicial,
dentro do mesmo processo em que ela foi proferida. Tais instrumentos são colocados à disposição
das partes, do Ministério Público e dos terceiros juridicamente interessados no processo”.
Os recursos se destinam, na mesma relação jurídica processual, à anulação, nos casos em que a
decisão contém um vício processual, a reforma, quando visa à alteração do mérito da decisão, ou
integração ou aclaramento (aperfeiçoamento), quando a prestação jurisdicional não foi completa, ou
está obscura ou contraditória.
Diante da sistemática do Direito Processual Civil brasileiro, os recursos não constituem meio de
impugnação autônomo, e sim instrumento de impugnação da decisão dentro da mesma relação
jurídico-processual em que foi prolatada a decisão, pois pressupõe a lide pendente na qual ainda não
se formou a coisa julgada.
Em contrapartida, os recursos constituem também uma forma de controle dos atos jurisdicionais
pelas instâncias superiores.
A doutrina costuma apontar como fundamentos dos recursos: a) aprimoramento das decisões
judiciais; b) inconformismo da parte vencida e c) falibilidade humana.
Com a possibilidade dos recursos, principalmente os juízes de primeiro grau e os mais novos irão
se esmerar e, cada vez mais, aprimorar suas decisões. Além disso, os recursos serão apreciados por
juízes mais experientes e também em composição colegiada.
Todavia, nem sempre as decisões de segunda instância têm maior justiça que as decisões de
primeiro grau. Para alguns, a Justiça de primeiro grau é mais justa, pois o Juiz de primeira instância
teve contato com as partes, viveu na pele o problema. O Juiz de segunda instância está mais distante.
O inconformismo, colocado pela doutrina como fundamento dos recursos, talvez seja um dos
argumentos mais contundentes para justificar a existência dos recursos, pois dificilmente alguém se
conforma com uma decisão desfavorável. É da condição humana buscar impor os próprios
argumentos e tentar reverter uma decisão desfavorável.
Por fim, pensamos que o argumento mais forte a justificar a existência dos recursos é a falibilidade
humana, pois os juízes, como homens, estão sujeitos a erros, que podem ser corrigidos pelo recurso,
principalmente nos grandes centros urbanos, onde a quantidade de serviços, muitas vezes, impede
que o Juiz proceda a uma reflexão mais detalhada sobre o processo.
Falhas também acontecem nas instâncias superiores, e, muitas vezes, são mais nocivas ao
jurisdicionado, pois as chances de correção são reduzidas.
Não obstante todas as vicissitudes que enfrenta o sistema recursal brasileiro — inclusive tem sido
apontado pelos estudiosos como um dos vilões que emperram a máquina judiciária —, pensamos que
os recursos são necessários e constituem um instrumento democrático do Estado de Direito e uma
forma democrática de se propiciar o acesso real do cidadão à Justiça.

10.2. Princípios dos recursos trabalhistas


Os princípios recursais são as diretrizes básicas e os preceitos fundamentais dos recursos
trabalhistas. Violar um princípio é mais que violar uma norma, pois viola todo um sistema de
normas.
Os recursos trabalhistas seguem basicamente as mesmas diretrizes dos princípios recursais do
Código de Processo e também da Constituição Federal.
Entretanto, a CLT e a legislação processual trabalhista extravagante elencam os recursos de forma
taxativa no Processo do Trabalho. Portanto, não é possível se aplicar ao Processo do Trabalho um
recurso previsto no Código de Processo Civil sob o argumento de que a Consolidação é omissa a
respeito.

10.2.1. Duplo grau de jurisdição


O princípio do duplo grau de jurisdição se assenta na possibilidade de controle dos atos
jurisdicionais dos órgãos inferiores pelos órgãos judiciais superiores e também a possibilidade ao
cidadão de recorrer contra um provimento jurisdicional que lhe foi desfavorável, aperfeiçoando, com
isso, as decisões do Poder Judiciário.
Em sentido contrário, argumenta-se que o duplo grau de jurisdição provoca uma demora
desnecessária na tramitação do processo, propiciando, principalmente ao devedor inadimplente, uma
desculpa para não cumprir sua obrigação (ver art. 5º, LV, da Constituição Federal).
Diante do dispositivo constitucional em questão, está assegurado como direito fundamental o
contraditório, ampla defesa, bem como os meios e recursos a ela inerentes. Questiona-se: o duplo
grau de jurisdição tem assento constitucional?
Alguns autores respondem afirmativamente, pois o art. 5º, LV, da Constituição consagra os
recursos inerentes ao contraditório e, desse modo, o princípio do duplo grau de jurisdição tem
guarida constitucional.
Para outros doutrinadores, o duplo grau de jurisdição estaria implícito na Constituição Federal,
não em razão do art. 5º, LV, mas decorre dos arts. 102 e 105, que regulamentam os recursos
extraordinário e especial.
Tem prevalecido o entendimento, correto no nosso sentir, de que o duplo grau de jurisdição não é
um princípio constitucional, pois a Constituição não o prevê expressamente, tampouco decorre do
devido processo legal, do contraditório ou da inafastabilidade da jurisdição. O acesso à Justiça e ao
contraditório são princípios constitucionalmente consagrados, mas não o duplo grau de jurisdição,
pois o art. 5º, LV, da CF alude aos meios e recursos inerentes ao contraditório e à ampla defesa. O
termo recurso não está sendo empregado no sentido de ser possível recorrer de uma decisão
favorável, mas dos recursos previstos em lei para o exercício do contraditório e da ampla defesa.
Portanto, o direito de recorrer somente pode ser exercido quando a lei o disciplinar e estiverem
observados os pressupostos.

10.2.2. Taxatividade
Pelo princípio da taxatividade, somente são cabíveis os recursos previstos na lei processual
trabalhista, tanto na CLT como na legislação extravagante.
Por ser o rol dos recursos trabalhistas taxativo, ou seja, numerus clausus, não há possibilidade de
interpretação extensiva ou analógica, para se admitirem outros recursos que não têm previsão na lei
processual trabalhista, tampouco há a possibilidade de se admitir recurso previsto no Código de
Processo Civil que não tem previsão na Consolidação das Leis do Trabalho.
No Processo do Trabalho são cabíveis os seguintes recursos, segundo a sistemática da CLT: a)
Recurso ordinário (art. 895 da CLT); b) Recurso de revista (art. 896 da CLT); c) Embargos para o
TST (art. 894 da CLT); d) Agravo de instrumento (art. 897 da CLT); e) Agravo de petição (art. 897
da CLT); f) Embargos de declaração (art. 897-A da CLT); g) Agravo regimental (art. 709, § 1º, da
CLT); e h) Pedido de revisão ao valor atribuído à causa (art. 2º, § 1º, da Lei n. 5.584/70).
Há, ainda, no Processo do Trabalho, a possibilidade de interposição do Recurso Extraordinário,
que não é um recurso trabalhista stricto sensu, mas, por ser um recurso constitucional, é aplicável ao
Processo do Trabalho (art. 102 da CF).
A remessa ex officio, também chamada de recurso de ofício, prevista no art. 475 do CPC e
Decreto-lei n. 779/69, embora não tenha a mesma natureza jurídica dos recursos, é aplicável ao
Processo do Trabalho.

10.2.3. Singularidade ou unirrecorribilidade


O princípio da singularidade ou unirrecorribilidade consiste em ser cabível somente um recurso
para cada decisão. Desse modo, cada decisão comporta apenas um recurso específico.
Por exceção, no Processo do Trabalho, algumas decisões podem comportar mais de um recurso:
como a do despacho que contém manifesto equívoco no juízo de inadmissibilidade do recurso. Esse
despacho, como trancou o recurso, pode ser objeto de Agravo de Instrumento (art. 897, b, da CLT),
mas também pode ser atacado pelos Embargos de Declaração (art. 897-A, da CLT).

10.2.4. Fungibilidade
O princípio da fungibilidade consiste no fato de o recorrente poder interpor um recurso em vez de
outro quando presentes alguns requisitos.
Tal princípio decorre do caráter instrumental do processo e do princípio do aproveitamento dos
atos processuais já praticados.
Omissa a CLT, o princípio em questão se alinha com as diretrizes básicas do Processo do
Trabalho (art. 769 da CLT), máxime os princípios da informalidade, simplicidade e efetividade
deste ramo especializado da ciência processual.
São pressupostos de aplicação da fungibilidade:
a) Dúvida objetiva sobre o recurso cabível: por essa característica, a dúvida dever ser de ordem
objetiva, não bastando a dúvida subjetiva do advogado sobre qual o recurso cabível. Há a dúvida
objetiva quando há fundada discussão tanto na doutrina como na jurisprudência sobre qual o recurso
cabível para a decisão; b) Inexistência de erro grosseiro ou má-fé: há erro grosseiro quando a lei
expressamente disciplina o recurso e a parte interpõe outro recurso. Há má-fé quando a parte
ingressa com um recurso incabível para a decisão a fim de procrastinar o feito, ou atentar contra a
boa ordem processual; c) Interposição no prazo do recurso correto: havendo dúvida sobre qual o
recurso correto, deve a parte interpor o recurso no prazo do recurso correto. Desse modo, se há dois
prazos distintos para cada recurso, deve a parte interpor o recurso no prazo menor dentre os dois
prazos possíveis.
A jurisprudência do C. TST tem acolhido o princípio da fungibilidade, conforme a Súmula n. 421,
in verbis:
“EMBARGOS DECLARATÓRIOS CONTRA DECISÃO MONOCRÁTICA DO RELATOR CALCADA NO ART. 5
CP C. CABIMENTO. (conversão da Orientação Jurisprudencial n. 74 da SDI-2). I — Tendo a decisão monocrática d
provimento ou denegação de recurso, prevista no art. 557 do CP C, conteúdo decisório definitivo e conclusivo da lide, comporta ser
esclarecida pela via dos embargos de declaração, em decisão aclaratória, também monocrática, quando se pretende tão somente
suprir omissão e não, modificação do julgado; II — Postulando o embargante efeito modificativo, os embargos declaratórios
deverão ser submetidos ao pronunciamento do Colegiado, convertidos em agravo, em face dos princípios da fungibilidade e
celeridade processual” (ex-OJ n. 74 — inserida em 8.11.2000) (Res. 137/2005 — DJ 22.8.2005).

10.2.5. Proibição da reformatio in pejus


O princípio da proibição da reformatio in pejus decorre do princípio do dispositivo e também do
tantum devolutum quantum appellatum, segundo o qual não se pode agravar a situação do
recorrente. Além disso, as matérias que o Tribunal pode apreciar no recurso já foram delimitadas
pelo recorrente na peça de recurso.
Pelos mesmos motivos recém-declinados, também não é possível a reforma para melhor ou
reformatio in mellius.
Constituem exceção ao princípio da vedação da reformatio in pejus as matérias que o Tribunal
pode conhecer de ofício, como as mencionadas no art. 301 do CPC (matérias de ordem pública).
Desse modo, ainda que não tenha sido ventilada pelo recorrente, o Tribunal pode pronunciar de
ofício a ilegitimidade passiva, falta de pressuposto processual etc.
Para parte da doutrina, a possibilidade de o Tribunal conhecer matérias de ofício constitui o
chamado efeito translativo do recurso e, para outra parte, o efeito devolutivo no aspecto vertical.
Pensamos que, nos recursos de natureza extraordinária, como o Recurso Especial, o
Extraordinário e o de Revista, não possa o Tribunal conhecer matérias de ofício, uma vez que tais
recursos dependem de prequestionamento da matéria, sendo, portanto, recursos de fundamentação
vinculada pelo Tribunal.
Além disso, a finalidade dos recursos de natureza extraordinária é a uniformização da
interpretação da legislação e guarda das legislações federal e constitucional.

10.2.6. Variabilidade
Alguns autores sustentam a existência do princípio da variabilidade dos recursos que consiste na
possibilidade de o recorrente, no prazo recursal, variar o recurso interposto, ou seja, alterar a
medida recursal já interposta, com a finalidade de interpor o recurso correto para a decisão.
Esse princípio constava do Código de Processo Civil de 1939, no art. 809, primeira parte, em que
o litigante poderia variar o recurso no prazo legal.
Há autores que defendem a aplicação do princípio da variabilidade no Processo do Trabalho em
razão da simplicidade do procedimento, da possibilidade do jus postulandi da parte, da ausência de
prejuízo e da instrumentalidade das formas.
Diante da sistemática processual vigente, tanto da CLT, que não contém regra a respeito, como do
CPC de 1973, que não repetiu o disposto no art. 809 do CPC de 1939, não existe o princípio da
variabilidade no ordenamento processual vigente, tampouco no Processo do Trabalho. Desse modo,
uma vez interposto o recurso, o recorrente consuma o ato, não podendo alterar a medida recursal,
pois estará configurada a preclusão consumativa, ainda que não escoado o prazo recursal. Pelas
mesmas razões, entendemos que, mesmo ainda em curso o prazo recursal, o recorrente não poderá
aditar o recurso interposto, tampouco alterar as razões já expostas.

10.3. Da remessa necessária ou recurso de ofício


Quando houver condenação em face da Fazenda Pública, nos termos do Decreto-lei n. 779/69 e
art. 475 do CPC, o processo estará sujeito ao duplo grau de jurisdição obrigatório, ou à remessa de
ofício também denominada recurso de ofício ou remessa obrigatória.
A remessa necessária, embora seja denominada também pela doutrina de recurso, não tem natureza
recursal, uma vez que não se busca aclarar, reformar, ou anular a decisão.
A remessa de ofício é condição de eficácia da decisão. Vale dizer: sem a apreciação do 2º grau de
jurisdição, não há o trânsito em julgado da decisão.
Segundo entendimento fixado da doutrina, aplica-se à remessa oficial o efeito translativo, pois a
devolutividade de tal recurso é ampla, ou seja: não se aplica o princípio da vedação da reformatio
in pejus.
O TST sumulou a questão conforme segue a Súmula n. 303, in verbis:
“FAZENDA PÚBLICA. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO.

I — Em dissídio individual, está sujeita ao duplo grau de jurisdição, mesmo na vigência da CF/1988, decisão contrária à Fazenda
Pública, salvo: a) quando a condenação não ultrapassar o valor correspondente a 60 (sessenta) salários mínimos; b) quando a
decisão estiver em consonância com decisão plenária do Supremo Tribunal Federal ou com súmula ou orientação jurisprudencial
do Tribunal Superior do Trabalho; II — Em ação rescisória, a decisão proferida pelo juízo de primeiro grau está sujeita ao duplo
grau de jurisdição obrigatório quando desfavorável ao ente público, exceto nas hipóteses das alíneas a e b do inciso anterior; III —
Em mandado de segurança, somente cabe remessa ex officio se, na relação processual, figurar pessoa jurídica de direito público
como parte prejudicada pela concessão da ordem. Tal situação não ocorre na hipótese de figurar no feito como impetrante e
terceiro interessado pessoa de direito privado, ressalvada a hipótese de matéria administrativa”.

Hipóteses em que não há necessidade da remessa necessária, no Processo do Trabalho. São elas:
a) quando a condenação não ultrapassar o valor correspondente a 60 (sessenta) salários mínimos
(art. 475, § 2º, do CPC); b) quando a decisão estiver em consonância com decisão plenária do
Supremo Tribunal Federal ou com Súmula ou Orientação Jurisprudencial do Tribunal Superior do
Trabalho (art. 475, § 3º, do CPC).

10.4. Decisões irrecorríveis no processo do trabalho


10.4.1. Decisão interlocutória
A CLT não define o conceito de decisão interlocutória, desse modo, por força do art. 769 da CLT,
aplica-se o conceito disciplinado no Código de Processo Civil.
Diz o art. 162, § 2º, do CPC: “Decisão interlocutória é o ato pelo qual o juiz, no curso do
processo, resolve questão incidente”.
À luz do referido dispositivo legal e da melhor técnica processual, decisão interlocutória é a
proferida no curso do processo, que resolve questão incidente, causando gravame a uma ou a ambas
as partes, sem pôr fim ao processo. O que diferencia a decisão interlocutória do despacho é a
lesividade da decisão que se encontra ausente no despacho.
Como já destacado, as decisões interlocutórias podem ter o conteúdo dos arts. 267 e 269 do CPC,
distinguindo-se das sentenças, no aspecto da finalidade do ato. As decisões interlocutórias não
encerram o processo ou a fase de conhecimento, já as sentenças têm o condão de encerrar o processo
ou a fase de conhecimento.
O princípio da irrecorribilidade das decisões interlocutórias no Processo do Trabalho decorre do
princípio da oralidade, a fim de atribuir maior agilidade ao procedimento, bem como propiciar
maior celeridade processual.
Entretanto, não é bem verdade que as decisões interlocutórias são irrecorríveis, uma vez que não o
são de imediato, mas podem ser questionadas quando do recurso interposto da decisão final.
A jurisprudência do TST tem fixado entendimento de que, se a decisão interlocutória dos
Tribunais Regionais do Trabalho contrariarem Súmula ou Orientação Jurisprudencial do TST, ou for
terminativa do feito na Justiça do Trabalho ou encaminhar o processo para tribunal diverso do que
prolatou a decisão em exceção de incompetência em razão do lugar, tal decisão, embora tenha
natureza interlocutória, poderá ser recorrível.
Nesse sentido, é a Súmula n. 214 do C. TST, in verbis:
“DECISÃO INTERLOCUTÓRIA. IRRECORRIBILIDADE — Na Justiça do Trabalho, nos termos do art. 893, º, da§ CLT,
1
as decisões interlocutórias não ensejam recurso imediato, salvo nas hipóteses de decisão: a) de Tribunal Regional do Trabalho
contrária à Súmula ou Orientação Jurisprudencial do Tribunal Superior do Trabalho; b) suscetível de impugnação mediante recurso
para o mesmo Tribunal; c) que acolhe exceção de incompetência territorial, com a remessa dos autos para Tribunal Regional
distinto daquele a que se vincula o juízo excepcionado, consoante o disposto no art. 799, § 2º, da CLT”.

Quanto à alínea a do referido verbete sumular, em que pese o respeito que merece a referida
Súmula, com ela não concordamos, pois, mesmo quando a decisão do TRT contrarie Súmula do
Tribunal Superior do Trabalho, ela não deixa de ser interlocutória. Além disso, desafia Recurso de
Revista para o TST, provocando demora demasiada na tramitação do processo.
Quanto à alínea b, da Súmula n. 214, do TST, quando houver possibilidade de interposição de
recurso para o mesmo Tribunal em Regimentos Internos, a decisão interlocutória será recorrível. É o
que acontece com as liminares concedidas ou denegadas por relatores em tutelas de emergência ou
em mandados de segurança ou nas hipóteses do art. 557 do CPC. Nessas hipóteses, será cabível o
Agravo Regimental.
No que tange à alínea c da Súmula n. 214 do C. TST, o fundamento é o art. 799, § 2º, da CLT, que
assim dispõe: “Nas causas da jurisdição da Justiça do Trabalho, somente podem ser opostas, com
suspensão do feito, as exceções de suspeição ou incompetência. (...) § 2º Das decisões sobre
exceções de suspeição e incompetência, salvo, quanto a estas, se terminativas do feito, não caberá
recurso, podendo, no entanto, as partes alegá-las novamente no recurso que couber da decisão final”.
Em que pese não se amoldar o verbete sumular à hipótese legal, o Tribunal Superior do Trabalho,
dando interpretação corretiva ao art. 799, § 2º, da CLT, fixou entendimento no sentido de que, se a
decisão proferida na exceção de incompetência em razão do lugar for extintiva do processo no
âmbito do Regional que a prolatou, encaminhando o processo para Tribunal diverso, a decisão
poderá ser impugnável por meio de recurso ordinário.
Tecnicamente, não concordamos com a alínea c da Súmula n. 214, pois, efetivamente, tal decisão
não é extintiva do processo, já que ele continuará em outro Tribunal Regional. Entretanto, tal
argumento fica vencido pelo entendimento do TST, pois a decisão é potencialmente apta a gerar
grandes prejuízos ao trabalhador, que poderá ter de se deslocar para outro Estado, podendo
inviabilizar, muitas vezes, seu acesso à Justiça.
Grande parte da doutrina, e também parte significativa da jurisprudência, tem exigido que a parte
tenha feito lançar os protestos no processo ou na ata de audiência, a fim de demonstrar sua
irresignação quanto à decisão interlocutória para que possa questionar o merecimento da decisão
quando do recurso em face da decisão definitiva.
O protesto, na verdade, não existe nem na Legislação Processual Trabalhista, tampouco na
Processual Civil, entretanto, a praxe e a jurisprudência o admitem por força de interpretação
sistemática dos arts. 794 e 795 da CLT, a fim de evitar eventual preclusão em face das nulidades,
pois exige o art. 795 consolidado que as nulidades sejam invocadas no primeiro momento em que a
parte tiver de falar nos autos.
Não obstante, pensamos que, diante da clareza do art. 893, § 1º, da CLT, não há necessidade de a
parte fazer lançar os protestos na ata de audiência ou em qualquer outra peça processual para poder
questionar o merecimento da decisão interlocutória no recurso em face da decisão principal, uma vez
que a própria lei determina que o merecimento das decisões interlocutórias será apreciado quando
do julgamento do recurso da decisão definitiva. Portanto, o momento de se impugnarem as decisões
interlocutórias é no recurso cabível em face da decisão definitiva, independentemente de
manifestação de qualquer irresignação anterior.
Diante da inexistência de remédio específico, no Processo do Trabalho, para se impugnar as
decisões interlocutórias, de imediato, a jurisprudência do TST tem admitido o manejo do mandado
de segurança para tal finalidade, quando houver na decisão ilegalidade ou abuso de poder.

10.4.2. Dissídios de alçada


O chamado dissídio de alçada ou rito sumário está previsto na Lei n. 5.584/70, art. 2º, § 3º,
aplicável para as causas cujo valor não exceda dois salários mínimos (ver Lei n. 5.584/70, art. 2º, §
4º).
Pode-se questionar a constitucionalidade desse dispositivo legal em razão da disposição do art.
7º, IV, da CF, que veda a vinculação do salário mínimo para qualquer fim.
O entendimento que prevaleceu na jurisprudência, a nosso ver, acertadamente, foi pela
constitucionalidade do referido dispositivo legal. Primeiro, porque o duplo grau de jurisdição não
tem assento constitucional, segundo, porque, para fins processuais, é possível fixar o salário mínimo
como padrão de referência, pois a vedação de utilização do salário mínimo prevista no art. 7º, IV, da
CF objetivou a não vinculação como padrão de correção monetária.
O valor da alçada é aferido quando da data da propositura da reclamação e também não se
confunde com o valor da condenação.
O recurso cabível em face da decisão proferida nos dissídios de alçada é o recurso extraordinário,
nos termos do art. 102, III, a, da CF, pois se trata de dissídio de instância única. Desse modo, caso a
decisão de primeiro grau viole a Constituição Federal, caberá diretamente o recurso extraordinário
para o Supremo Tribunal Federal, tanto por parte do reclamante como por parte do reclamado.
Caso a decisão proferida nos dissídios de alçada, embora não seja recorrível, contenha omissões,
obscuridades ou contradições, será possível a interposição dos embargos de declaração. Embora os
embargos de declaração, por previsão legal, tenham natureza jurídica de recurso, eles objetivam
complementar a prestação jurisdicional, saneando eventuais omissões, contradições ou obscuridades
da decisão. Em razão disso, não se admitir os embargos de declaração configura denegação de
justiça.

10.4.3. Despachos
O art. 504 do CPC determina que “dos despachos não cabe recurso”.
O art. 162, § 3º, do CPC define que são despachos todos os demais atos do juiz praticados no
processo, de ofício ou a requerimento da parte, a cujo respeito a lei não estabelece outra forma.
Os despachos de mero expediente não têm conteúdo decisório e, por isso, não são recorríveis.
Eles têm por objeto apenas impulsionar o procedimento.
Embora seja irrecorrível, se o despacho de expediente, prolatado de forma singela, contiver
conteúdo decisório, causando prejuízo à parte, no Processo do Trabalho poderá ser objeto de
questionamento quando da decisão definitiva (art. 893 da CLT).
Em suma:
10.5. Pressupostos recursais
Os pressupostos recursais também são denominados pela doutrina como requisitos de
admissibilidade dos recursos, pois constituem requisitos prévios que o recorrente deve preencher
para que seu recurso seja conhecido e julgado pelo Tribunal.
Na sistemática processual vigente, os pressupostos processuais são apreciados, provisoriamente,
pelo órgão do qual se recorre: a quo, não obstante, compete ao órgão ad quem: para o qual se
recorre a competência de decidir de forma definitiva sobre a admissibilidade do recurso.
Segundo classificação da melhor doutrina, os pressupostos processuais se dividem em:
intrínsecos ou subjetivos, e extrínsecos ou objetivos.
Adotando a classificação da melhor doutrina, podemos subdividir os pressupostos recursais em:
a) objetivos ou extrínsecos: regularidade formal, tempestividade; inexistência de fato impeditivo,
modificativo ou extintivo do direito de recorrer; e b) subjetivos ou intrínsecos: cabimento,
legitimação para recorrer e interesse recursal.

10.6. Pressupostos recursais intrínsecos ou subjetivos


10.6.1. Cabimento
Os recursos devem ser cabíveis à decisão a ser impugnada. Primeiramente, o ato judicial deve ser
recorrível, ou seja, ser passível de impugnação por medida recursal. Em contrapartida, o recurso
deve ser adequado a impugnar a decisão. Se a parte interpuser o recurso incorreto para a decisão, ele
não será conhecido, salvo as hipóteses de aplicação do princípio da fungibilidade.

10.6.2. Legitimidade
A legitimidade recursal é a pertinência subjetiva para recorrer, ou seja, quais pessoas podem
interpor recurso no processo.
A CLT não disciplina a questão. Desse modo, resta aplicável ao Processo do Trabalho (art. 769
da CLT) o disposto no art. 499 do CPC.
Desse modo, podem recorrer no Processo do Trabalho: a) as partes do processo; b) o Ministério
Público quando atuou como parte ou oficiou como fiscal da lei; c) o terceiro juridicamente
interessado.
As partes que figuraram no processo — reclamante, reclamado, litisconsortes, assistentes,
denunciados à lide, chamados à lide, opoentes — podem recorrer, pois figuraram no processo na
fase de conhecimento.
O Ministério Público do Trabalho tem legitimidade para recorrer como parte ou como fiscal da lei
(custos legis) desde que tenha intervindo no processo na fase de conhecimento.
Pode também recorrer o terceiro, ou seja, aquele que não participou do processo na fase anterior
ao recurso, mas que tem interesse jurídico, pois pode sofrer os efeitos e ser prejudicado pela
decisão.

10.6.3. Interesse recursal


Interesse recursal significa a necessidade da parte em buscar a alteração da decisão favorável por
meio do recurso.
A doutrina tem fixado o critério da sucumbência a legitimar o interesse recursal. A sucumbência é
o não atendimento, total ou parcial, da pretensão posta em juízo, ou seja: a improcedência total ou
parcial dos pedidos elencados na inicial ou em eventual reconvenção.
Pensamos existir o interesse recursal, quando a parte (autor ou réu) não obtém todos os benefícios
que pretendia no processo, ou seja, de alguma forma foram sucumbentes, pois perderam algo no
processo.
Discute-se na doutrina se a parte que foi beneficiada pela extinção do processo sem resolução de
mérito tem interesse recursal para interpor recurso.
A questão é complexa, pois tecnicamente não houve sucumbência, ou, se houve, ela não está
demonstrada facilmente.
Para parte da doutrina, a parte não tem direito a uma decisão de mérito, mas, sim, a uma resposta
jurisdicional tanto para a pretensão inicial como para a pretensão de defesa (art. 5º, XXXV, da CF).
Para outra vertente, a parte tem direito de obter do Judiciário pronunciamento sobre todas as
questões que postulou. Desse modo, mesmo a parte beneficiada pela extinção do processo sem
resolução de mérito poderá recorrer para buscar uma decisão de improcedência da pretensão do
autor.
Em nosso entendimento, estão corretos aqueles que pensam que a parte tem interesse processual ao
recorrer para buscar um pronunciamento de mérito, pois, em caso de extinção do processo sem
resolução de mérito, a pretensão poderá ser renovada em outro processo, tendo a parte ora
beneficiada pela extinção de responder a outro processo. Todavia, a possibilidade de recurso nessa
situação atende aos princípios da efetividade e economia processual, pacificando o conflito,
evitando que o litígio se perpetue.
Não terá interesse em recorrer a parte que aceita a decisão expressa ou tacitamente. Nesse sentido,
dispõe o art. 503 do CPC, que resta aplicável ao Processo do Trabalho, por força do art. 769 da
CLT.
A aceitação expressa se dá por termo nos autos. A aceitação tácita se configura quando a parte
vencida pratica atos inequívocos que são incompatíveis com a vontade de recorrer. No processo do
trabalho, são exemplos de aceitação tácita da decisão: a) o pagamento da condenação; b) a
reintegração do empregado espontaneamente, quando não concedida antecipação de tutela na
sentença.
Entretanto, a parte pode expressamente renunciar ao direito de recorrer, independentemente de
aceitação da parte contrária, conforme dispõe o art. 502 do CPC.

10.7. Pressupostos recursais extrínsecos ou objetivos


10.7.1. Preparo
O preparo significa o pagamento das taxas e despesas processuais para que o recurso seja
conhecido. A doutrina também tem incluído o depósito recursal como integrante do preparo, embora
não tenha natureza jurídica de taxa judiciária.
O valor das custas é fixado na sentença (art. 832, § 2º, da CLT), e é um requisito essencial. O
valor da condenação para efeito de custas não se confunde com o valor da causa, pois o valor da
condenação tem por base o somatório dos benefícios patrimoniais obtidos pelo autor no processo.
A parte beneficiária da Justiça gratuita não pagará custas para recorrer.
As custas no recurso são pagas da seguinte forma: a) procedência ou procedência em parte: pelo
reclamado, que deve comprovar o recolhimento quando da interposição do recurso. Nessa hipótese,
o reclamante não paga custas; b) improcedência: o reclamante deve pagar as custas para recorrer,
salvo se beneficiário de Justiça gratuita; c) extinção do processo sem resolução de mérito quanto a
todos os pedidos: reclamante paga as custas, salvo se beneficiário de Justiça gratuita; d) tratando-se
de controvérsia referente à relação de trabalho, aplica-se a sucumbência recíproca (Instrução
Normativa n. 27/2005 do C. TST), sendo que cada parte pagará proporcionalmente as custas nos
termos do art. 21 do CPC.

10.7.2. Depósito recursal


O depósito recursal consiste em valor pecuniário a ser depositado na conta do reclamante
vinculada ao FGTS, devido quando há condenação em pecúnia, como condição para conhecimento
do recurso interposto pelo reclamado (ver art. 899 da CLT).
Inegavelmente, o depósito recursal é um pressuposto objetivo do recurso, pois está atrelado aos
requisitos externos do direito de recorrer que a parte deve preencher para o seu recurso ser admitido.
Como visto, trata-se de um depósito que deve ser realizado na conta vinculada do reclamante junto
ao FGTS (§ 4º do art. 899 da CLT) em valor fixado pela lei.
O depósito recursal, no nosso sentir, tem natureza jurídica híbrida, pois, além de ser um
pressuposto recursal objetivo, que se não preenchido importará a deserção do recurso, é uma
garantia de futura execução por quantia certa. Não se trata de taxa judiciária, pois não está vinculado
a um serviço específico do Poder Judiciário, e sim de um requisito para o conhecimento do recurso e
uma garantia de futura execução.
Entretanto, a Instrução Normativa 03/93 do TST atribui natureza de garantia de futura execução
por quantia ao depósito recursal.
O § 1º do art. 899 da CLT determina que, uma vez transitada em julgado a decisão que condenou o
reclamado a pagar parcelas pecuniárias ao reclamante, o Juiz do Trabalho deve liberar o valor do
depósito recursal ao reclamante, o que denota ser o depósito uma verdadeira garantia de futura
eficácia da execução por quantia. Não obstante a clareza do dispositivo legal, acreditamos que, se a
sentença foi ilíquida, antes de liberar o valor do depósito ao reclamante, deve o Juiz do Trabalho
tomar algumas cautelas a fim de evitar que sejam liberados ao autor valores superiores ao seu
crédito, considerando-se todos os transtornos advindos de se ter que executar o reclamante caso tal
aconteça. Desse modo, pensamos dever o Juiz do Trabalho liberar o depósito ao reclamante somente
após a liquidação da sentença, se esta for ilíquida. Se a decisão de condenação for revertida em grau
de recurso, o depósito recursal será imediatamente liberado ao reclamado (ver § 1º do art. 899 da
CLT).
Conforme a redação do § 1º do art. 899 da CLT, somente há a exigência do depósito recursal se
houver condenação, total ou parcial, em pecúnia, ainda que indeterminado o valor.
Somente o empregador realizará o depósito recursal. O empregado, ainda que condenado em
eventual reconvenção, ou sendo este reclamado em demanda trabalhista proposta pelo empregador,
não realizará o depósito, uma vez que a exigência do depósito recursal é uma das exteriorizações do
protecionismo processual em favor do empregado na Justiça do Trabalho.
Para os processos em que não se discute uma relação de trabalho ou que não envolvem uma verba
trabalhista stricto sensu, o procedimento aplicável, salvo se forem processadas por rito especial, é o
da CLT (Instrução Normativa n. 27/2005 do TST). Desse modo, se figurar no polo passivo um
tomador de serviços, ainda que não seja empregador, para recorrer, deve realizar o depósito
recursal.
Não havendo condenação em pecúnia, por exemplo: em obrigações de fazer ou não fazer, bem
como nas sentenças declaratórias ou constitutivas, não há a exigência do depósito recursal. Nesse
sentido, é a Súmula 161 do TST, in verbis: “DEPÓSITO. CONDENAÇÃO A PAGAMENTO EM
PECÚNIA (mantida) — Res. 121/2003,DJ 19, 20 e 21.11.2003. Se não há condenação a pagamento
em pecúnia, descabe o depósito de que tratam os §§ 1º e 2º do art. 899 da CLT (ex-Prejulgado n.
39)”.
O depósito recursal é devido, pelo reclamado, nos recurso ordinário, de revista, agravo de
instrumento e recurso extraordinário (art. 899 da CLT c/c a Instrução Normativa n. 03/93 do C.
TST).
Também o depósito é necessário ainda que se trate de recurso interposto das sentenças proferidas
nas denominadas ações de alçada exclusiva dos órgãos de primeiro grau criadas pela Lei n. 5.584/70
(art. 2º, § 4º); a admissibilidade do recurso, nessas ações, está subordinada ao pressuposto de a
sentença envolver matéria constitucional.
Na execução, se o juízo já estiver garantido pela penhora, não há necessidade do depósito
recursal, uma vez que ele perdeu a finalidade diante da garantia do juízo.
Nesse sentido, é a Súmula 128, II, do C. TST: “Garantido o juízo, na fase executória, a exigência
de depósito para recorrer de qualquer decisão viola os incisos II e LV do art. 5º da CF/1988.
Havendo, porém, elevação do valor do débito, exige-se a complementação da garantia do juízo” (ex-
OJ n. 189 da SBDI-1 — inserida em 08.11.2000).
Se houver condenação solidária, apenas um dos reclamados realizará o depósito, salvo se um
deles pretender a sua exclusão da lide, hipótese em que os dois deverão realizar o depósito a fim de
que a garantia da execução não fique desfigurada. Nesse sentido, é o inciso III do art. 128 do C. TST,
in verbis: “Havendo condenação solidária de duas ou mais empresas, o depósito recursal efetuado
por uma delas aproveita as demais, quando a empresa que efetuou o depósito não pleiteia sua
exclusão da lide” (ex-OJ n. 190 da SBDI-1 — inserida em 08.11.2000).
Nos termos do inciso I do art. 128 do C. TST, é ônus da parte recorrente efetuar o depósito legal,
integralmente, em relação a cada novo recurso interposto, sob pena de deserção. Atingido o valor da
condenação, nenhum depósito mais é exigido para qualquer recurso. (ex-Súmula n. 128 — alterada
pela Res. 121/2003, DJ 21.11.2003, que incorporou a OJ n. 139 da SBDI-1 — inserida em
27.11.1998).
O depósito recursal tem um teto máximo que é o valor da condenação. Também há um teto fixado
em lei para o depósito recursal, tanto no recurso ordinário, como no de revista, como no
extraordinário.
A novel Lei n. 12.275/2010, em seu § 7º, exige o depósito de 50% do valor do depósito recursal
devido para o recurso ao qual se pretende destrancar, no ato de interposição do agravo de
instrumento.
Trata-se de providência salutar a desencorajar Agravos de Instrumento protelatórios, ou sem
fundamento, bem como reforçar a garantia de execução por quantia, pois o Agravo provoca delonga
na marcha processual.
A interpretação do referido dispositivo não pode ser literal, nem isolada em si em conjunto com a
principiologia do Direito Processual do Trabalho. Desse modo, os princípios da gratuidade e do
acesso real do trabalhador à Justiça impedem que se exija o depósito recursal do empregado no
recurso de Agravo de Instrumento.
Desse modo, somente o empregador realizará o depósito recursal para interpor Agravo de
Instrumento.
O depósito recursal deve ser comprovado no prazo que a lei prevê para o recurso, conforme
dispõe a Súmula n. 245 do C. TST, in verbis: “DEPÓSITO RECURSAL. PRAZO — O depósit
recursal deve ser feito e comprovado no prazo alusivo ao recurso. A interposição antecipada deste
não prejudica a dilação legal”.
A massa falida não está sujeita ao depósito recursal, conforme a Súmula n. 86 do C. TST, in
verbis: “DESERÇÃO. MASSA FALIDA. EMPRESA EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL.
ocorre deserção de recurso da massa falida por falta de pagamento de custas ou de depósito do valor
da condenação. Esse privilégio, todavia, não se aplica à empresa em liquidação extrajudicial”.
Nos termos da Instrução Normativa 03/93 do TST, não é exigido depósito recursal, em qualquer
fase do processo ou grau de jurisdição, dos entes de direito público externo e das pessoas de direito
público contempladas no Decreto-lei n. 779, de 21.8. 69, bem assim da massa falida e da herança
jacente.
Com relação à controvérsia de ser ou não devido o depósito recursal em recurso ordinário
interposto em face de Ação Rescisória, a Súmula n. 99 do TST pacificou a questão. Dispõe a
referida Súmula: “AÇÃO RESCISÓRIA. DESERÇÃO. PRAZO. (incorporada a Orientaç
Jurisprudencial n. 117 da SDI-2) Havendo recurso ordinário em sede de rescisória, o depósito
recursal só é exigível quando for julgado procedente o pedido e imposta condenação em pecúnia,
devendo este ser efetuado no prazo recursal, no limite e nos termos da legislação vigente, sob pena
de deserção”.
O Tribunal Superior do Trabalho pacificou entendimento no sentido de que a insuficiência do
depósito recursal, ainda que a diferença seja mínima, gera a deserção do recurso. Nesse sentido,
dispõe a OJ n. 140 da SDI-I do C. TST:
“Depósito recursal e custas. Diferença ínfima. Deserção. Ocorrência. Ocorre deserção do recurso pelo recolhimento insuficiente
das custas e do depósito recursal, ainda que a diferença em relação ao quantum devido seja ínfima, referente a centavos”.

Para nós, em caso de diferença de centavos referente ao depósito recursal, a deserção somente
deveria ser decretada após intimação da parte para complementação do depósito em 24 horas,
entretanto, a lei não faz qualquer distinção e não prevê a possibilidade de intimação para a parte
complementar o depósito faltante.
Somente o reclamado (empregador) realizará o depósito recursal quando se tratar de condenação
em pecúnia. Pode-se questionar a constitucionalidade da exigência do depósito recursal, pois,
inegavelmente, cria-se um óbice ao Direito de Recorrer. Em contrapartida, como só o empregador o
realiza, pode ser questionável se há violação do princípio da isonomia e também violar o duplo grau
de jurisdição.
De nossa parte, a exigência do depósito recursal não viola o acesso à Justiça do Trabalho (art. 5º,
XXXV, da CF), pois o princípio do duplo grau de jurisdição não tem assento constitucional. No
entanto, não há violação do princípio da isonomia (art. 5º, caput, da CF), pois há desigualdade
econômica entre reclamante e reclamado na relação jurídica processual.
Ainda que o empregador (reclamado) obtenha os benefícios da Justiça Gratuita, em nossa visão,
não estará isento do depósito recursal, pois este, conforme mencionamos antes, não tem natureza de
taxa judiciária. Além disso, o art. 5º, LV, da CF não assegura o princípio do duplo grau de
jurisdição, devendo a parte, quando recorrer, observar os pressupostos objetivos e subjetivos de
recorribilidade.
Não obstante, cumpre destacar que, em casos excepcionais, no caso de empregador pessoa física
ou firma individual em estado de insuficiência econômica, poderá o Tribunal dispensar o
empregador do depósito recursal, valendo-se os princípios da proporcionalidade, razoabilidade e do
acesso à Justiça no caso concreto (ver AIRR — 435/2006-071-03-40.3 — Data de Julgamento:
24.6.2008 — Rel. Ministro: Ives Gandra Martins Filho — 7ª T. — DJ 15.8.2008).
Atualmente, o art. 3º da Lei n. 1.060/50, com a redação dada pela Lei Complementar n. 132/2009,
fala que a assistência judiciária compreende as seguintes isenções: “(...) VII — dos depósitos
previstos em lei para interposição de recurso, ajuizamento de ação e demais atos processuais
inerentes ao exercício da ampla defesa e do contraditório”.
Diante do referido dispositivo legal, vozes da doutrina já estão sustentando que o depósito
recursal na Justiça do Trabalho está abrangido pelos benefícios da Justiça gratuita.
Pensamos, no entanto, de forma diversa. Com efeito, o depósito recursal tem natureza jurídica
híbrida, pois, além de ser um pressuposto recursal objetivo, que, se não preenchido, importará a
deserção do recurso, é uma garantia de futura execução por quantia certa. Não se trata de taxa
judiciária, pois não está vinculado a um serviço específico do Poder Judiciário, e sim de um
requisito para o conhecimento do recurso e uma garantia de futura execução. Além disso, o depósito
recursal visa coibir recursos protelatórios.
Ademais, conforme vêm entendendo, acertadamente, a doutrina e jurisprudência majoritária, o
duplo grau de jurisdição não é um princípio constitucionalmente albergado, pois não está inserido na
cláusula do contraditório e da ampla defesa.
Pelo exposto, conclui-se que o art. 3º, VII, da Lei n. 1.060/50 não se aplica ao processo do
trabalho quanto ao depósito recursal, pois este tem natureza jurídica não só de um pressuposto
recursal, mas também de garantia para a execução. Sob outro enfoque, a regra específica do art. 899
da CLT prevalece sobre a regra geral do art. 3º da Lei n. 1.060/50, que não fora idealizada para o
processo do trabalho.
Não obstante, como já mencionado, em casos excepcionais, diante dos valores envolvidos no
litígio, o Tribunal, aplicando os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, em situações em
que o empregador for pessoa física, microempresa, microempreendedor ou estiver em ruína
financeira, fundamentadamente, poderá dispensá-lo da exigência do depósito recursal.

10.7.3. Regularidade formal


Quanto ao aspecto formal de interposição do recurso ordinário, ver art. 899 da CLT.
Conforme se denota do referido dispositivo, o recurso ordinário poderá ser interposto por simples
petição. Questiona-se: há necessidade de o recorrente apresentar as razões, ou simplesmente declinar
que pretende a reforma da decisão, sem apontar os pontos da sentença que pretende reformar?
Parte da doutrina afirma que, mesmo que a CLT discipline a possibilidade de interposição do
recurso por simples petição, há a necessidade de o recorrente apresentar as razões e declinar os
tópicos da sentença que pretende reformar, por não existir a possibilidade de recurso genérico e não
propiciar ao Tribunal saber qual tópico da sentença pretende reformar o recorrente.
A doutrina tem denominado a necessidade de fundamentação da sentença como princípio da
dialeticidade ou discursividade dos recursos (ver art. 514 do CPC).
Segundo outra vertente de interpretação, o recurso ordinário pode efetivamente ser interposto por
simples petição, desacompanhada das razões, pois essa é a sistemática recursal de interposição dos
recursos trabalhistas. Desse modo, não há a necessidade de o recorrente declinar as razões, nem
apontar os tópicos que pretende reforma da decisão. Sendo o recurso por simples petição, o efeito
devolutivo será amplo, e, como é proibida a reforma prejudicial ao recorrente, deverá o Tribunal
apreciar todos os tópicos em que o apelante foi prejudicado em sua pretensão.
No nosso sentir, a razão está com os que pensam que o recurso ordinário, diante do que dispõe o
art. 899 da CLT, pode ser interposto por petição simples, desacompanhada das razões, sendo, nesse
caso, como não foram delimitadas as matérias pelo recorrente, o efeito devolutivo amplo do recurso,
mas não pode o Tribunal piorar a situação do recorrente, em razão do princípio da proibição da
reformatio in pejus.
Embora reconheçamos que o referido dispositivo consolidado possa estar desatualizado e, muitas
vezes, ser prejudicial ao recorrente, a finalidade teleológica da lei foi de, efetivamente, facilitar o
acesso à Justiça do Trabalho e propiciar o duplo grau de jurisdição à parte que litiga sem advogado
(jus postulandi — art. 791 da CLT) e, desse modo, embora sejamos contrários à manutenção do jus
postulandi da parte no Processo do Trabalho, não se pode negar vigência ao art. 899 da CLT,
quando se diz que o art. 791 da CLT tem plena aplicação.
Em razão dos princípios da celeridade, simplicidade, informalidade e acesso real e efetivo à
jurisdição trabalhista (art. 5º, XXXV, da CF), somos forçados a admitir que, no Processo do
Trabalho, os recursos são interpostos por simples petição, não precisando o recorrente, no recurso
ordinário, declinar as razões. Não obstante, se as razões forem declinadas e também as matérias, o
Tribunal Regional do Trabalho ficará vinculado à matéria impugnada.
O Recurso de Revista, por ser um recurso técnico, em que há necessidade de o recorrente
demonstrar os pressupostos específicos de admissibilidade previstos nos arts. 896 e 896-A, ambos
da CLT, não há como ser interposto por simples petição. Nesse sentido, foi pacificada a
jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho, conforme se constata da redação da Súmula n. 422,
in verbis:
“RECURSO. AP ELO QUE NÃO ATACA OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. NÃO CONHECIM
ART. 514, II, do CP C. (conversão da Orientação Jurisprudencial n. 90 da SDI-2). Não se conhece de recurso para o TST, pela
ausência do requisito de admissibilidade inscrito no art. 514, II, do CP C, quando as razões do recorrente não impugnam os
fundamentos da decisão recorrida, nos termos em que fora proposta”.

Quanto ao Agravo de Petição (art. 897, a, da CLT), no nosso sentir, também não há possibilidade
de interposição por simples petição, uma vez que o agravante deve preencher o requisito específico
do art. 897, § 1º, da CLT, qual seja: delimitar as matérias e os valores objetos da controvérsia.
Desse modo, quando o recurso trabalhista exige pressupostos específicos de admissibilidade, não
há como se interpretar isoladamente a regra geral do art. 899 da CLT, mas, sim, em cotejo com os
dispositivos que disciplinam os requisitos específicos de admissibilidade do recurso.
Quanto ao recurso extraordinário, ainda que este envolva matéria trabalhista, não é regido pela
CLT e, portanto, a formalidade de interposição deve seguir a disciplinada na legislação própria
(Constituição Federal, Código de Processo Civil e Regimento Interno do STF).
O preposto não pode assinar a petição de recurso, pois a preposição se exaure nos atos de
audiência. Podem assinar o recurso o reclamante, seu advogado, o reclamado, seu representante legal
ou seu advogado.
A jurisprudência, acertadamente, não tem admitido recurso sem assinatura, reputando-o
inexistente.
O Tribunal Superior do Trabalho pacificou a questão no sentido de ser possível a admissão do
recurso desde que haja assinatura na petição de interposição ou na petição das razões. Com efeito,
dispõe a OJ n. 120 da SDI-I do C. TST: “Recurso. Assinatura da petição ou das razões recursais.
Validade. O recurso sem assinatura será tido por inexistente. Será considerado válido o apelo
assinado, ao menos, na petição de apresentação ou nas razões recursais”.

10.7.4. Tempestividade
O requisito da tempestividade significa a interposição do recurso dentro do prazo previsto na lei.
Os recursos trabalhistas, como regra geral, são interpostos no prazo de oito dias. Nesse sentido, o
art. 6º da Lei n. 5.584/70, que unificou os prazos recursais trabalhistas.
Será de oito dias o prazo para interpor e contra-arrazoar qualquer recurso (CLT, art. 893).
Os prazos dos recursos são contados excluindo-se o dia do início e incluindo-se o dia do
vencimento (art. 775 da CLT).
A doutrina tem chamado as expressões intempestivo e extemporâneo de efeito do recurso
interposto fora do prazo legal. Alguns autores e parte da jurisprudência nominam o recurso
extemporâneo de interposto antes do prazo legal e o intempestivo, após o decurso do prazo.
O Tribunal Superior do Trabalho, recentemente, pacificou entendimento que já era majoritário na
jurisprudência, no sentido de ser extemporâneo o recurso interposto antes do prazo recursal. Nesse
sentido a Súmula n. 434, in verbis:
“Recurso. Interposição antes da publicação do acórdão impugnado. Extemporaneidade. (Conversão da Orientação Jurisprudencial
n. 357 da SBDI-1 e inserção do item II à redação) (Res. 177/2012 — DeJT 13.2.2012) I — É extemporâneo recurso interposto
antes de publicado o acórdão impugnado. (ex-OJ n. 357 da SBDI-1 — inserida em 14.3.2008) II — A interrupção do prazo
recursal em razão da interposição de embargos de declaração pela parte adversa não acarreta qualquer prejuízo àquele que
apresentou seu recurso tempestivamente”.

Em suma:
DOS RECURSOS NO PROCESSO DO TRABALHO

PRESSUPOSTOS RECURSAIS

Também são denominados pela doutrina como requisitos de admissibilidade dos recursos, pois constituem
CONCEITO requisitos prévios que o recorrente deve preencher para que seu recurso seja conhecido e julgado pelo
Tribunal.

CLASSIFICAÇÃO
a) Objetivos ou extrínsecos: regularidade formal, tempestividade; inexistência de fato impeditivo,
DOUTRINÁRIA DOS
modificativo ou extintivo do direito de recorrer.
PRESSUPOSTOS
b) Subjetivos ou intrínsecos: cabimento, legitimação para recorrer e interesse recursal.
RECURSAIS

PRESSUPOSTOS RECURSAIS INTRÍNSECOS OU SUBJETIVOS

Por um lado, o ato judicial deve ser recorrível, ou seja, ser passível de impugnação por medida recursal. Por
CABIMENTO outro lado, o recurso deve ser adequado a impugnar a decisão. Se a parte interpuser o recurso incorreto para
a decisão, ele não será conhecido, salvo as hipóteses de aplicação do princípio da fungibilidade.

A legitimidade recursal é a pertinência subjetiva para recorrer, ou seja, quais pessoas podem interpor recurso
no processo.
LEGITIMIDADE PODEM RECORRER NO PROCESSO DO TRABALHO:
a) as partes do processo;
b) o Ministério Público quando atuou como parte ou oficiou como fiscal da lei;

c) o terceiro juridicamente interessado.


As partes que figuraram no processo — reclamante, reclamado, litisconsortes, assistentes, denunciados à lide,
chamados à lide, opoentes — podem recorrer, pois figuraram no processo na fase de conhecimento.
LEGITIMIDADE O Ministério Público do Trabalho tem legitimidade para recorrer como parte ou como fiscal da lei (custos legis) desde
que tenha intervindo no processo na fase de conhecimento.
Pode também recorrer o terceiro, ou seja, aquele que não participou do processo na fase anterior ao recurso, mas que
tem interesse jurídico, pois pode sofrer os efeitos e ser prejudicado pela decisão.

Interesse recursal significa a necessidade da parte em buscar a alteração da decisão favorável por meio do recurso.
A aceitação expressa se dá por termo nos autos. A aceitação tácita se configura quando a parte vencida pratica atos
inequívocos que são incompatíveis com a vontade de recorrer. No processo do trabalho, são exemplos de aceitação
INTERESSE tácita da decisão:
RECURSAL a) o pagamento da condenação;
b) a reintegração do empregado espontaneamente, quando não concedida antecipação de tutela na sentença.
Em contrapartida, a parte pode expressamente renunciar ao direito de recorrer, independentemente de aceitação da
parte contrária.
PRESSUPOSTOS RECURSAIS EXTRÍNSECOS OU OBJETIVOS

Significa o pagamento das taxas e despesas processuais para que o recurso possa ser conhecido. A doutrina também
tem incluído o depósito recursal como integrante do preparo, embora este não tenha natureza jurídica de taxa judiciária.
As custas no recurso são pagas da seguinte forma:
a) procedência ou procedência em parte: pelo reclamado, que deve comprovar o recolhimento quando da interposição do
recurso. Nessa hipótese, o reclamante não paga custas;
PREPARO
b) improcedência: o reclamante deve pagar as custas para recorrer, salvo se beneficiário de Justiça gratuita;
c) extinção do processo sem resolução de mérito quanto a todos os pedidos: reclamante paga as custas, salvo se
beneficiário de Justiça gratuita;
d) tratando-se de controvérsia referente à relação de trabalho, aplica-se a sucumbência recíproca (Instrução Normativa n.
27/2005 do C. TST), sendo que cada parte pagará proporcionalmente as custas nos termos do art. 21 do CPC.

O depósito recursal consiste em valor pecuniário a ser depositado na conta do reclamante vinculada ao FGTS, devido
quando há condenação em pecúnia, como condição para conhecimento do recurso interposto pelo reclamado.
O depósito recursal tem natureza jurídica híbrida, pois, além de ser um pressuposto recursal objetivo, que, se não
preenchido, importará a deserção do recurso, é uma garantia de futura execução por quantia certa. Entretanto, a
Instrução Normativa 03/93 do TST atribui natureza de garantia de futura execução por quantia ao depósito recursal.
Somente há a exigência do depósito recursal se houver condenação, total ou parcial, em pecúnia, ainda que
indeterminado o valor.
O depósito recursal é devido, pelo reclamado, nos recursos ordinário, de revista, agravo de instrumento e recurso
extraordinário.
Na execução, se o juízo já estiver garantido pela penhora, não há necessidade do depósito recursal, uma vez que ele
perdeu a finalidade diante da garantia do juízo.
DEPÓSITO
Se houver condenação solidária, apenas um dos reclamados realizará o depósito, salvo se um deles pretender a sua
RECURSAL
exclusão da lide, hipótese em que os dois deverão realizar o depósito a fim de que a garantia da execução não fique
desfigurada.
Somente o empregador realizará o depósito recursal para interpor Agravo de Instrumento.
O Tribunal Superior do Trabalho pacificou entendimento no sentido de que a insuficiência do depósito recursal, ainda que
a diferença seja mínima, gera a deserção do recurso.
Há vozes da doutrina que já sustentam que o depósito recursal na Justiça do Trabalho está abrangido pelos benefícios da
Justiça gratuita.
Conclui-se que o art. 3º, VII, da Lei n. 1.060/50 não se aplica ao processo do trabalho quanto ao depósito recursal, pois
este tem natureza jurídica não só de um pressuposto recursal, mas também de garantia para a execução. Sob outro
enfoque, a regra específica do art. 899 da CLT prevalece sobre a regra geral do art. 3º da Lei n. 1.060/50, que não fora
idealizada para o processo do trabalho.

Parte da doutrina afirma que mesmo a CLT disciplinando a possibilidade de interposição do recurso por simples
petição, há a necessidade de o recorrente apresentar as razões e declinar os tópicos da sentença que pretende
reformar, por não existir a possibilidade de recurso genérico e não propiciar ao Tribunal saber qual tópico da
sentença pretende reformar o recorrente.
Em razão dos princípios da celeridade, simplicidade, informalidade e acesso real e efetivo à jurisdição trabalhista,
REGULARIDADE somos forçados a admitir que, no Processo do Trabalho, os recursos são interpostos por simples petição, não
FORMAL precisando o recorrente, no recurso ordinário, declinar as razões. Não obstante, se as razões forem declinadas e
também as matérias, o Tribunal Regional do Trabalho ficará vinculado à matéria impugnada.
Quando o recurso trabalhista exige pressupostos específicos de admissibilidade, não há como se interpretar
isoladamente a regra geral do art. 899 da CLT, mas, sim, em cotejo com os dispositivos que disciplinam os
requisitos específicos de admissibilidade do recurso.
O Tribunal Superior do Trabalho pacificou a questão no sentido de ser possível a admissão do recurso desde que
haja assinatura na petição de interposição ou na petição das razões.

O requisito da tempestividade significa o prazo do recurso, sendo os recursos trabalhistas, como regra geral,
interpostos no prazo de oito dias.
Constituem exceção à regra geral do prazo de oito dias:
TEMPESTIVIDADE a) embargos de declaração (cinco dias);
b) recurso extraordinário: deve ser interposto no prazo de 15 dias, por aplicação do Código de Processo Civil.
Embora não seja um recurso trabalhista em sentido estrito, é cabível no Processo do Trabalho.
Os prazos dos recursos são contados excluindo-se o dia do início e incluindo-se o dia do vencimento.

10.8. Efeitos dos recursos trabalhistas


10.8.1. Do efeito devolutivo
O efeito devolutivo significa devolver ao Tribunal a jurisdição para apreciação do recurso. Na
verdade, o termo “devolutivo” vem da época em que a jurisdição pertencia ao rei, que a delegava
aos seus prepostos e, quando havia alguma reclamação por parte dos súditos, a jurisdição era
devolvida a ele. Dessa forma, ficou consagrada a expressão “efeito devolutivo do recurso”.
O efeito devolutivo do recurso, na técnica processual, significa transferir ao Tribunal o julgamento
de determinado recurso, mas nos limites das razões do recorrente. O processo não é devolvido ao
Tribunal, pois, se existe determinada propriedade do processo, ela pertence ao primeiro grau de
jurisdição, pois é lá que o processo começa e termina.
Segundo a doutrina, todos os recursos têm efeito devolutivo no sentido de transferir a outro órgão
hierarquicamente superior ao que prolatou a decisão a reapreciação da matéria que fora objeto de
impugnação. Para parte da doutrina, os embargos de declaração, por serem apreciados pelo mesmo
órgão que prolatou a decisão, não possuem efeito devolutivo.
O efeito devolutivo abrange toda a matéria impugnada, e essa é a regra geral, o que significa dizer
que o efeito devolutivo fica balizado pela matéria impugnada. As questões suscitadas pelas partes
que não foram decididas por inteiro, bem como os fundamentos da inicial e da defesa não levados em
consideração na sentença, ficam abrangidas pelo efeito devolutivo por expressa previsão dos §§ 1º e
2º do art. 515 do CPC. Desse modo, se a defesa tiver dois fundamentos a e b, e a sentença acolher o
fundamento a, o fundamento b será transferido ao Tribunal em razão do efeito devolutivo da
apelação.
A doutrina costuma classificar os limites do efeito devolutivo da apelação em a) extensão ou
horizontal e b) vertical ou profundidade.
No aspecto horizontal ou de extensão, é necessário aquilatar se a decisão do Tribunal abrangerá a
mesma quantidade de matérias apreciadas pela sentença de origem.
O aspecto horizontal do efeito devolutivo está previsto no caput do art. 515 do CPC.
Quanto ao aspecto vertical, analisa-se se o Tribunal pode examinar se todas as questões
enfrentadas pela sentença podem ou não ser reapreciadas pelo Tribunal.
O aspecto vertical do efeito devolutivo está disciplinado nos §§ 1º e 2º do art. 515 do CPC, assim
redigidos: “§ 1º Serão, porém, objeto de apreciação e julgamento pelo tribunal todas as questões
suscitadas e discutidas no processo, ainda que a sentença não as tenha julgado por inteiro. § 2º
Quando o pedido ou a defesa tiver mais de um fundamento e o juiz acolher apenas um deles, a
apelação devolverá ao tribunal o conhecimento dos demais”.
Como decorrência do princípio da persuasão racional previsto no art. 131 do CPC, o Juiz não está
obrigado a responder a todas as indagações das partes, tampouco mencionar, no corpo da
fundamentação da sentença, todas as provas e todas as razões aduzidas pelas partes; deve, entretanto,
mencionar na decisão quais foram as teses jurídicas e as provas que o convenceram. Outrossim,
todos os pedidos devem ser apreciados, sob consequência de nulidade da decisão.
Conforme os referidos §§ 1º e 2º do art. 515 do CPC, o Tribunal pode apreciar as teses da inicial
e defensivas que não foram levadas em conta pela sentença como razões de decidir. Vale dizer: todas
as teses jurídicas discutidas nos autos são transferidas ao Tribunal, bem como todas as provas
produzidas nos autos, quer documental, oral ou pericial, também são transferidas ao órgão ad quem,
ainda que não levadas em consideração para formar a convicção do juízo a quo.
Como a CLT é omissa quanto à extensão e profundidade do efeito devolutivo no recurso ordinário
(art. 895 da CLT), restam aplicáveis, por força do art. 769 da CLT, o caput e os §§ 1º e 2º do art.
515 do CPC.
Nesse sentido, é a Súmula n. 393 do TST:
“RECURSO ORDINÁRIO. EFEITO DEVOLUTIVO EM P ROFUNDIDADE. ART. 515, º, DO
§ 1CP C (redação alterada
pelo Tribunal Pleno na sessão realizada em 16.11.2010) — Res. 169/2010, DEJT divulgado em 19, 22 e 23.11.2010. O efeito
devolutivo em profundidade do recurso ordinário, que se extrai do § 1º do art. 515 do CP C, transfere ao Tribunal a apreciação dos
fundamentos da inicial ou da defesa, não examinados pela sentença, ainda que não renovados em contrarrazões. Não se aplica,
todavia, ao caso de pedido não apreciado na sentença, salvo a hipótese contida no § 3º do art. 515 do CPC”.

10.8.2. Efeito translativo


A doutrina costuma denominar o efeito translativo da apelação ou do recurso ordinário trabalhista
como sendo a possibilidade de o Tribunal conhecer de matérias não invocadas pelo apelante no
corpo da apelação.
Como mencionado no tópico anterior, não há consenso na doutrina de ser o efeito translativo um
efeito próprio da apelação ou componente do próprio efeito devolutivo. Sendo assim, a
possibilidade de o Tribunal conhecer matérias não invocadas pelo apelante compõe o aspecto
vertical do efeito devolutivo ou sua profundidade.
Como tem acentuado a melhor doutrina, a extensão do efeito devolutivo é fixada pela parte,
segundo o princípio tantum devoluttum quantum apellatum, mas a profundidade desse efeito é a lei
que determina.
As preliminares são defesas de natureza processual que visam à extinção da relação jurídica
processual sem resolução do mérito (art. 301 do CPC); também chamadas pela doutrina de exceções
peremptórias ou defesas indiretas de cunho processual.

10.8.3. Regressivo
O efeito regressivo do recurso significa a possibilidade de o próprio órgão que prolatou a decisão
retratar-se, voltar atrás.
Tal efeito configura exceção à regra segundo a qual, quando o Juiz prolata a decisão, termina seu
ofício jurisdicional, conforme o art. 463 do CPC (ver arts. 285-A e 296 do CPC).

10.8.4. Substitutivo
Naquilo que foi objeto do recurso, o acórdão substitui a decisão dada na instância inferior.
Mesmo que o acórdão confirme a sentença pelos próprios fundamentos, haverá substituição
integral da sentença (ver art. 512 do CPC).

10.8.5. Suspensivo
O efeito suspensivo do recurso suspende a eficácia da decisão enquanto não for julgado o recurso
em face dela interposto.
No Processo do Trabalho, os recursos, como regra geral, não têm efeito suspensivo. Sendo assim,
a sentença trabalhista pode ser executada provisoriamente, conforme previsão do art. 899 da CLT.
Todavia, em se tratando de dissídio coletivo, há a possibilidade de se deferir efeito suspensivo ao
recurso ordinário, nos termos da Lei n. 10.192, de 14 fevereiro de 2001.
A jurisprudência tem admitido, em algumas hipóteses em que a execução provisória da sentença
possa acarretar danos irreparáveis ao reclamado, a propositura de medida cautelar inominada para
se obter efeito suspensivo ao recurso que tem apenas efeito devolutivo.
Nesse sentido, é a Súmula n. 414 do TST, in verbis:
“MANDADO DE SEGURANÇA. ANTECIPAÇÃO DE TUTELA (OU LIMINAR) CONCEDIDA ANTES O
SENTENÇA. (conversão das Orientações Jurisprudenciais ns. 50, 51, 58, 86 e 139 da SDI-2) I — A antecipação da tutela
concedida na sentença não comporta impugnação pela via do mandado de segurança, por ser impugnável mediante recurso
ordinário. A ação cautelar é o meio próprio para se obter efeito suspensivo a recurso (ex-OJ n. 51 — inserida em 20.9.00); II —
No caso da tutela antecipada (ou liminar) ser concedida antes da sentença, cabe a impetração do mandado de segurança, em face
da inexistência de recurso próprio (ex-OJs ns. 50 e 58 — ambas inseridas em 20.09.00); III — A superveniência da sentença, nos
autos originários, faz perder o objeto do mandado de segurança que impugnava a concessão da tutela antecipada (ou liminar)”
(ex-OJs n. 86 — inserida em 13.3.2002 e n. 139 — DJ 4.5.2004).

Em suma:
10.9. Do processamento dos recursos trabalhistas
O recurso é interposto para o Tribunal do qual se recorre (a quo), requerendo o recorrente que o
recurso seja encaminhado para o Tribunal competente para apreciá-lo (ad quem).
Uma vez interposto o recurso, o juízo do qual se recorre apreciará se estão presentes os
pressupostos recursais. Em caso afirmativo, notificará o recorrido para contra-arrazoar o recurso
(ver art. 900 da CLT).
Os pressupostos recursais são apreciados pelo juízo a quo, devendo ser reapreciados pelo juízo
ad quem, que não está vinculado à apreciação feita pela instância inferior.
Salvo se o prazo for comum, o advogado da parte poderá retirar os autos da Secretaria para
elaborar o recurso. Nesse sentido, ver o art. 901 da CLT.
No Tribunal, o recurso será distribuído imediatamente ao relator (art. 93, XV, da CF). O sistema
de distribuição dos processos é determinado pelo Regimento Interno de cada TRT. Entretanto,
deverá haver sorteio do relator. Nesse sentido, ver o art. 548 do CPC.
Conforme o art. 549 do CPC, “distribuídos, os autos subirão, no prazo de 48 (quarenta e oito)
horas, à conclusão do relator, que, depois de estudá-los, os restituirá à secretaria com o seu ‘visto’.
Parágrafo único. O relator fará nos autos uma exposição dos pontos controvertidos sobre que versar
o recurso”.
No Processo Civil, dispõe o art. 551 sobre o revisor. No Processo do Trabalho, a questão do
revisor é disciplinada nos Regimentos Internos dos TRTs, não sendo obrigatória sua existência.
Após o voto do revisor, se sua previsão houve no Regimento Interno do Tribunal, irá o recurso
para a sessão de julgamento.
Em suma:

10.10. Dos recursos trabalhistas em espécie


10.10.1. Do recurso ordinário
Recurso ordinário “é a medida recursal cabível em face da sentença de primeiro grau, proferida
pela Vara do Trabalho, seja de mérito, ou não. Quando a sentença é de mérito, diz a doutrina que ela
é definitiva, e quando não aprecia o mérito, recebe a denominação terminativa” (ver o art. 895 da
CLT, com a redação dada pela Lei n. 11.925/2009).
O termo “decisões” mencionado no referido dispositivo legal deve ser lido como sentença, ou
acórdão.
O recurso ordinário é cabível para anular ou reformar a sentença proferida pelo Juiz do Trabalho,
seja a decisão terminativa (art. 267 do CPC) ou definitiva (art. 269 do CPC), seja a decisão
declaratória, constitutiva ou de improcedência.
O recurso ordinário também é cabível para o TST em face dos acórdãos proferidos pelos
Tribunais Regionais do Trabalho em acórdãos de natureza definitiva ou terminativa, proferidos em
processos individuais ou coletivos de sua competência originária (art. 895, II, da CLT).
O Regimento Interno do TST disciplina as hipóteses de cabimento do recurso ordinário ao
Tribunal Superior do Trabalho em causas de competência originária do TST. Dispõe o art. 225 do
Regimento Interno do TST: “É cabível recurso ordinário em: I — ação anulatória; II — ação
cautelar; III — ação declaratória; IV — agravo regimental; V — ação rescisória; VI — dissídio
coletivo; VII — habeas corpus; VIII — habeas data; e IX — mandado de segurança”.

10.10.2. Recurso de revista


O Recurso de Revista, conforme nos traz a melhor doutrina, é um recurso de natureza
extraordinária, ao lado do recurso especial (que é cabível ao STJ) e do recurso extraordinário
(interposto perante o STF).
Pode-se conceituar o recurso de revista como sendo: “recurso de natureza extraordinária, cabível
em face de acórdãos proferidos pelos Tribunais Regionais do Trabalho em dissídios individuais,
tendo por objetivo uniformizar a interpretação das legislações estadual, federal e constitucional
(tanto de direito material como processual) no âmbito da competência da Justiça do Trabalho, bem
como resguardar a aplicabilidade de tais instrumentos normativos”.
A expressão dissídio individual a que se refere o art. 896 da CLT deve ser lida como sendo o
dissídio de competência originária do primeiro grau de jurisdição, uma vez que há ações de natureza
coletiva como as envolvendo substituição processual e própria Ação Civil Pública que se iniciam
em primeiro grau, podendo ser objeto do Recurso de Revista. Já os dissídios coletivos previstos na
legislação processual trabalhista (de natureza econômica, jurídica ou de greve) não se iniciam no
primeiro grau de jurisdição e, portanto, não podem ser objeto de Recurso de Revista.
O Recurso de Revista é o recurso último, na Justiça do Trabalho, para impugnação de decisões
proferidas em dissídios individuais, não obstante ainda haver a possibilidade de se questionar a
decisão no Supremo Tribunal Federal, na hipótese de violação da Constituição Federal.
Trata-se de recurso técnico, com pressupostos rígidos de conhecimento e, portanto, não se destina
a apreciar fatos e provas, tampouco avaliar a justiça da decisão, pois tem por objeto resguardar a
aplicação e vigência da legislação de competência da Justiça Trabalhista.
O Recurso de Revista vem regulamentado pelo art. 896 da CLT.
São requisitos peculiares do Recurso de Revista:
a ) regularidade formal: petição acompanhada das razões: Como já mencionamos, o Recurso de
Revista, por ser um recurso técnico, com pressupostos específicos de admissibilidade, deve ser
interposto com a petição acompanhada das razões, não sendo possível a interposição por simples
petição. Há necessidade de advogado (Súmula 425 do TST);
b) depósito recursal: o depósito recursal faz parte do preparo do Recurso de Revista. Seu valor é
o dobro do exigido para o recurso ordinário, observado o limite máximo do valor da condenação;
c ) demonstração de uma das hipóteses previstas nas alíneas a, b, ou c do art. 896 da CLT: o
Recurso de Revista somente é cabível nas hipóteses taxativas do art. 896 da CLT;
d) acórdão de TRT: o Recurso de Revista somente é cabível em face de Acórdão dos TRTs
proferidos em dissídios individuais;
e) legitimidade: podem interpor Recurso de Revista as partes que figuram no processo, o terceiro
juridicamente interessado e o Ministério Público, quando atuar como fiscal da lei ou como parte;
f) interesse: o interesse para interpor o Recurso de Revista surge quando uma das partes foi
sucumbente, de forma total ou parcial, ou quando não obteve tudo que pretendia no julgamento do
recurso ordinário;
g) prequestionamento: prequestionar significa questionar expressa e diretamente a matéria.
Diz-se que a matéria está prequestionada quando a decisão recorrida aprecia expressamente a tese
jurídica debatida nos autos, por meio da qual a parte vencida pretende reapreciação em grau
recursal.
Desse modo, para ser cabível o Recurso de Revista, a decisão do acórdão regional deve debater
expressamente a tese jurídica invocada pelo recorrente no Recurso de Revista.
O prequestionamento é próprio dos recursos de natureza extraordinária (especial, extraordinário e
de revista), pois nos recursos de natureza ordinária (por ex.: recurso ordinário) o efeito devolutivo
transfere ao Tribunal todas as teses jurídicas invocadas pelas partes, ainda que a sentença não as
tenha apreciado (§ 1º do art. 515 do CPC).
O Tribunal Superior do Trabalho traçou o conceito de prequestionamento na Súmula n. 297,
admitindo a oposição de embargos de declaração para tal finalidade. Com efeito, dispõe a referida
Súmula:
“P REQUESTIONAMENTO. OP ORTUNIDADE. CONFIGURAÇÃO. I — Diz-se prequestionada a matéria ou qu
quando na decisão impugnada haja sido adotada, explicitamente, tese a respeito; II — Incumbe à parte interessada, desde que a
matéria haja sido invocada no recurso principal, opor embargos declaratórios objetivando o pronunciamento sobre o tema, sob
pena de preclusão; III — Considera-se prequestionada a questão jurídica invocada no recurso principal sobre a qual se omite o
Tribunal de pronunciar tese, não obstante opostos embargos de declaração”.

h) vedação do reexame de fatos e provas : a finalidade do Recurso de Revista é uniformizar a


interpretação da legislação da competência da Justiça do Trabalho, e resguardar a vigência do texto
legal. Por isso, não é finalidade desse recurso de natureza extraordinária rever fatos e provas.
Nesse sentido é a Súmula n. 126 do C. TST: “RECURSO. CABIMENTO — Incabível o recurs
de revista ou de embargos (arts. 896 e 894, b, da CLT) para reexame de fatos e provas”.

10.10.2.1. Hipóteses de cabimento do recurso de revista


a) Divergência jurisprudencial (lei federal): assevera o art. 896 da CLT caber Recurso de
Revista quando a decisão proferida pelos Tribunais Regionais: “a) derem ao mesmo dispositivo de
lei federal interpretação diversa da que houver dado outro Tribunal Regional, no seu Pleno ou
Turma, ou a Seção de Dissídios Individuais do Tribunal Superior do Trabalho, ou a Súmula de
Jurisprudência Uniforme desta Corte”.
Nos termos do referido dispositivo consolidado, a alínea a do art. 896 refere-se à hipótese de
divergência jurisprudencial na interpretação da lei federal, tanto de direito material, como
processual, desde que aplicadas pela Justiça do Trabalho no âmbito de sua competência material,
entre Tribunais Regionais do Trabalho ou entre Tribunal Regional do Trabalho e Seção de Dissídios
Individuais do TST, ou entre Tribunal Regional do Trabalho e Súmula do TST. Não cabe Recurso de
Revista quando a divergência jurisprudencial se der entre turmas de um mesmo Tribunal Regional do
Trabalho.
A Súmula n. 296 do TST disciplina a divergência jurisprudencial, in verbis:
“RECURSO. DIVERGÊNCIA JURISP RUDENCIAL. ESP ECIFICIDADE. I — A divergência jurisprudencial ensejad
admissibilidade, do prosseguimento e do conhecimento do recurso há de ser específica, revelando a existência de teses diversas na
interpretação de um mesmo dispositivo legal, embora idênticos os fatos que as ensejaram; II — Não ofende o art. 896 da CLT
decisão de Turma que, examinando premissas concretas de especificidade da divergência colacionada no apelo revisional, conclui
pelo conhecimento ou desconhecimento do recurso”.

O TST exige requisitos específicos para comprovação da divergência jurisprudencial, conforme a


Súmula n. 337, que segue:
“COMP ROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA JURISP RUDENCIAL. RECURSOS DE REVISTA E DE EMBARGOS
do item IV alterada na sessão do Tribunal Pleno realizada em 14.9.2012) — Res. 185/2012 — DEJT divulgado em 25, 26 e
27.9.2012. I — Para comprovação da divergência justificadora do recurso, é necessário que o recorrente: a) Junte certidão ou
cópia autenticada do acórdão paradigma ou cite a fonte oficial ou o repositório autorizado em que foi publicado; e b) Transcreva,
nas razões recursais, as ementas e/ou trechos dos acórdãos trazidos à configuração do dissídio, demonstrando o conflito de teses
que justifique o conhecimento do recurso, ainda que os acórdãos já se encontrem nos autos ou venham a ser juntados com o
recurso. (ex-Súmula n. 337 — alterada pela Res. 121/2003, DJ 21.11.2003) II — A concessão de registro de publicação como
repositório autorizado de jurisprudência do TST torna válidas todas as suas edições anteriores. (ex-OJ n. 317 da SBDI-1 — DJ
11.8.2003) III — A mera indicação da data de publicação, em fonte oficial, de aresto paradigma é inválida para comprovação de
divergência jurisprudencial, nos termos do item I, a, desta súmula, quando a parte pretende demonstrar o conflito de teses
mediante a transcrição de trechos que integram a fundamentação do acórdão divergente, uma vez que só se publicam o dispositivo
e a ementa dos acórdãos. IV — É válida para a comprovação da divergência jurisprudencial justificadora do recurso a indicação
de aresto extraído de repositório oficial na internet, desde que o recorrente: a) transcreva o trecho divergente; b) aponte o sítio de
onde foi extraído; e c) decline o número do processo, o órgão prolator do acórdão e a data da respectiva publicação no Diário
Eletrônico da Justiça do Trabalho”.

b) Divergência jurisprudencial (interpretação de lei estadual, convenção coletiva, acordo


coletivo, sentença normativa ou regulamento de empresa): dispõe a alínea b do art. 896 da CLT
que caberá Recurso de Revista quando os Tribunais Regionais do Trabalho: “Derem ao mesmo
dispositivo de lei estadual, Convenção Coletiva de Trabalho, Acordo Coletivo, sentença normativa
ou regulamento empresarial de observância obrigatória em área territorial que exceda a jurisdição do
Tribunal Regional prolator da decisão recorrida, interpretação divergente, na forma da alínea a”.
Já está pacificada a questão da constitucionalidade do referido dispositivo, conforme a Súmula n.
312 do C. TST, in verbis: “CONSTITUCIONALIDADE. ALÍNEA B DO ART. 896 DA CLT — É
constitucional a alínea b do art. 896 da CLT, com a redação dada pela Lei n. 7.701, de 21.12.1988”.
Segundo a alínea b do art. 896 da CLT, é cabível o Recurso de Revista quando houve divergência
jurisprudencial na interpretação de acordo coletivo, sentença normativa ou regulamento empresarial
entre Tribunais Regionais do Trabalho, entre Tribunal Regional do Trabalho e Seção de Dissídios
Individuais do TST, ou entre acórdão de TRT e Súmula do TST.
A OJ n. 147 da SDI-I do C. TST estabelece alguns requisitos para conhecimento do Recurso de
Revista em razão de divergência jurisprudencial acerca de lei estadual, norma coletiva ou
regulamentar.
Dispõe a referida Orientação Jurisprudencial: “Lei estadual, norma coletiva ou norma
regulamentar. Conhecimento indevido do recurso de revista por divergência jurisprudencial. I — É
inadmissível o recurso de revista fundado tão somente em divergência jurisprudencial, se a parte não
comprovar que a lei estadual, a norma coletiva ou o regulamento da empresa extrapolam o âmbito do
TRT prolator da decisão recorrida. (ex-OJ n. 309 da SDI-I — inserida em 11.8.03). II — É
imprescindível a arguição de afronta ao art. 896 da CLT para o conhecimento de embargos
interpostos em face de acórdão de Turma que conhece indevidamente de recurso de revista, por
divergência jurisprudencial, quanto a tema regulado por lei estadual, norma coletiva ou norma
regulamentar de âmbito restrito ao TRT prolator da decisão”.
c) Violação de literal dispositivo de lei federal ou da Constituição da República: dispõe a
alínea c do art. 896 da CLT ser cabível o Recurso de Revista quando o acórdão de Tribunal
Regional do Trabalho violar dispositivo de lei federal ou da Constituição da República.
Não se exige divergência jurisprudencial com outro Tribunal Regional ou Tribunal Superior do
Trabalho, apenas que o acórdão do regional tenha negado vigência ou contrariado lei federal ou
constitucional.
A violação, segundo o dispositivo consolidado, tem de ser literal. Se o texto é de interpretação
controvertida, o Recurso de Revista não é cabível por tal fundamento.
Nesse sentido, é a redação da Súmula n. 221 do C. TST, in verbis:
“RECURSO DE REVISTA. VIOLAÇÃO DE LEI. INDICAÇÃO DE P RECEITO (cancelado o item II e conferida
redação na sessão do Tribunal Pleno realizada em 14.9.2012) Res. 185/2012 — DEJT divulgado em 25, 26 e 27.9.2012. A
admissibilidade do recurso de revista por violação tem como pressuposto a indicação expressa do dispositivo de lei ou da
Constituição tido como violado”.

Se a decisão regional não enfrentou expressamente as questões sobre a interpretação de lei federal
ou constitucional, são cabíveis os embargos de declaração para prequestionamento da matéria.
No tocante ao cabimento do Recurso de Revista na execução, dispõe o § 2º do art. 896 da CLT:
“Das decisões proferidas pelos Tribunais Regionais do Trabalho ou por suas Turmas, em execução
de sentença, inclusive em processo incidente de embargos de terceiro, não caberá Recurso de
Revista, salvo na hipótese de ofensa direta e literal de norma da Constituição Federal” (redação
dada pela Lei n. 9.756, de 17.12.1998).
Visando imprimir maior celeridade à execução de sentença, o Recurso de Revista a ser interposto
em face dos acórdãos proferidos na fase de execução somente será admissível se houver violação
direta e literal da Constituição Federal.
Nesse sentido, também dispõe a Súmula n. 266 do C. TST, in verbis: “Recurso de revista.
Admissibilidade. Execução de sentença. A admissibilidade do recurso de revista interposto de
acórdão proferido em agravo de petição, na liquidação de sentença ou em processo incidente na
execução, inclusive os embargos de terceiro, depende de demonstração inequívoca de violência
direta à Constituição Federal”.
O § 5º do art. 896 da CLT propicia ao relator não conhecer do Recurso de Revista quando o
acórdão estiver em consonância com Súmula do TST, ou nas hipóteses de intempestividade,
deserção, falta de alçada e ilegitimidade de representação. Nesse caso, cabe Agravo para a Turma
do TST, que seria competente para julgar o recurso caso ele fosse conhecido. A doutrina batizou tal
Recurso como “agravo interno” ou “agravo regimental”, cujo processamento é disciplinado pelo
Regimento Interno do TST.
Dispõe o § 6º do art. 896 da CLT: “Nas causas sujeitas ao procedimento sumaríssimo, somente
será admitido recurso de revista por contrariedade a súmula de jurisprudência uniforme do Tribunal
Superior do Trabalho e violação direta da Constituição da República”.
Para as causas submetidas ao rito sumaríssimo, ou seja, cujo valor da causa seja entre 2 e 40
salários mínimos (Lei n. 9.957/2000), pois até dois salários mínimos não cabe recurso (Lei n.
5.584/70), salvo matéria constitucional, em que será cabível o recurso extraordinário, somente
caberá o Recurso de Revista se a decisão violar diretamente a Constituição Federal ou estiver em
contrariedade à Súmula do Tribunal Superior do Trabalho.
A finalidade ao restringir as hipóteses de revista para as causas até 40 salários mínimos é impor
maior celeridade na tramitação desses processos e propiciar maior efetividade da jurisdição
trabalhista.
Conforme já sedimentado no Tribunal Superior do Trabalho, não cabe Recurso de Revista nos
processos que tramitam sob o rito sumaríssimo quando a decisão violar Orientação Jurisprudencial
do Tribunal Superior do Trabalho.
Nesse sentido, dispõe a Súmula n. 442 do TST:
“P ROCEDIMENTO SUMARÍSSIMO. RECURSO DE REVISTA FUNDAMENTADO EM CONTRARIEDA
ORIENTAÇÃO JURISP RUDENCIAL. INADMISSIBILIDADE. ART. 896, º, DA
§ 6 CLT, ACRESCENTADO P ELA LE
N. 9.957, DE 12.1.2000 (conversão da Orientação Jurisprudencial n. 352 da SBDI-1) — Res. 185/2012, DEJT divulgado em 25
26 e 27.9.2012. Nas causas sujeitas ao procedimento sumaríssimo, a admissibilidade de recurso de revista está limitada à
demonstração de violação direta a dispositivo da Constituição Federal ou contrariedade a Súmula do Tribunal Superior do
Trabalho, não se admitindo o recurso por contrariedade a Orientação Jurisprudencial deste Tribunal (Livro II, Título II, Capítulo
III, do RITST), ante a ausência de previsão no art. 896, § 6º, da CLT”.

10.10.3. Dos embargos de declaração


Os embargos de declaração constituem medida recursal destinada a retirar do julgado eventuais
omissões, contradições ou obscuridades, complementando e aperfeiçoando a prestação jurisdicional.
Ainda há discussões sobre a natureza jurídica dos embargos, se têm natureza jurídica de recurso
ou de um requerimento de complementação da prestação jurisdicional.
Em prol da vertente que entende não ter os embargos natureza jurídica recursal, podemos destacar
os seguintes argumentos: os embargos de declaração são julgados pelo mesmo órgão que prolatou a
decisão; a finalidade principal dos embargos é a complementação da prestação jurisdicional, não se
destinando à reforma da decisão; não há exigência de formalidade para interposição (rectius —
oposição), pois não há necessidade de recolhimento de custas ou depósito recursal, há apenas a
necessidade de o embargante apontar o ponto omisso, obscuro ou contraditório.
Em contrapartida, em prol da natureza recursal dos embargos de declaração, argumenta-se: a
legislação processual inseriu os embargos de declaração no capítulo dos recursos (ver arts. 496 do
CPC e 897-A da CLT que está inserido no capítulo VI “Dos Recursos”, na CLT); que os embargos,
conforme já sedimentado na doutrina, jurisprudência e com previsão no próprio art. 897-A da CLT,
podem ter caráter infringente, ou seja, podem modificar o julgado, como ocorre nos casos de omissão
da decisão.
No nosso sentir, os embargos de declaração têm natureza recursal, pois a própria lei os inclui no
rol dos recursos. Além disso, inegavelmente, os embargos têm o efeito de complementar a prestação
jurisdicional e até mesmo modificar a decisão.
Os embargos de declaração, na CLT, estão previstos no art. 897-A, assim redigido:
“Caberão embargos de declaração da sentença ou acórdão, no prazo de cinco dias, devendo seu julgamento ocorrer na primeira
audiência ou sessão subsequente a sua apresentação, registrada na certidão, admitido efeito modificativo da decisão nos casos de
omissão e contradição no julgado e manifesto equívoco no exame dos pressupostos extrínsecos do recurso” (ver art. 535 do
CPC).

Conjugando-se os arts. 535 do CPC em cotejo com o art. 897-A da CLT, os embargos de
declaração são cabíveis no Processo do Trabalho, nas seguintes hipóteses da sentença ou do
acórdão:
a) omissão: é a falta de apreciação de algo. A omissão típica configura-se na sentença citra petita
em que a sentença não aprecia um ou mais pedidos. Conforme o posicionamento que adotamos, não é
omissa a sentença quando não aprecia todas as razões da inicial e da defesa, mas aprecia todos os
pedidos e requerimentos de defesa, pois o efeito devolutivo do recurso ordinário transfere ao
Tribunal os fundamentos não apreciados pela sentença de primeiro grau (art. 515, § 1º, do CPC).
b) contradição: é o conflito entre duas proposições, a atual e a anterior — por exemplo, a sentença
diz que o reclamante não ultrapassava o limite de oito horas diárias e 44 semanais, mas condena no
pagamento de horas extras.
c) obscuridade: é falta de clareza, a proposição contida na sentença é de difícil compreensão.
Embora o art. 897-A não se refira à hipótese de obscuridade, pensamos que ela se aplica aos
embargos de declaração na Justiça do Trabalho, por omissão e compatibilidade com o Direito
Processual do Trabalho (art. 769 da CLT).
d) manifesto equívoco no exame dos pressupostos extrínsecos do recurso (art. 897-A da CLT).
Para tal finalidade, existe o agravo de instrumento, entretanto, em razão do princípio da
instrumentalidade das formas e da economia processual, os embargos de declaração podem ser a via
mais rápida e efetiva sem necessitar da burocracia do agravo de instrumento;
e) erro material: assevera o parágrafo único do art. 897-A da CLT: “Os erros materiais poderão
ser corrigidos de ofício ou a requerimento de qualquer das partes”.
Embora os erros materiais possam ser corrigidos de ofício pelo juiz ou até mediante simples
petição, os embargos de declaração também são admissíveis para tal hipótese.
Já está pacificado na doutrina e jurisprudência a possibilidade de que os embargos de declaração
tenham efeito de modificar o julgado, principalmente em razão de omissão da decisão. Nesse sentido,
é a Súmula n. 278 do C. TST, in verbis: “EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO N
JULGADO — A natureza da omissão suprida pelo julgamento de embargos declaratórios pode
ocasionar efeito modificativo no julgado”.
Nem a CLT tampouco o CPC exigem que os embargos de declaração sejam submetidos ao
contraditório, quando tenham efeito de modificar o julgado.
Caso os embargos de declaração não tenham efeito modificativo, manifesta-se majoritariamente a
doutrina e jurisprudência, acertadamente, pela desnecessidade de manifestação da parte contrária, em
razão da inexistência de qualquer prejuízo.
Segmentos da doutrina se mostram contrários à exigência do contraditório nos embargos de
declaração, mesmo quando há o caráter infringente.
Não obstante, parte da doutrina e jurisprudência exige que os embargos de declaração que tenham
caráter infringente ou de modificar o julgado sejam submetidos ao contraditório, atendendo ao
comando constitucional do art. 5º, LV.
A OJ 142 da SDI-I do TST dispõe a respeito:
“EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITO MODIFICATIVO. VISTA À PARTE CONTRÁRIA (inserido o item
redação) — Res. 178/2012, DEJT divulgado em 13, 14 e 15.2.2012. I — É passível de nulidade decisão que acolhe embargos de
declaração com efeito modificativo sem que seja concedida oportunidade de manifestação prévia à parte contrária. II — Em
decorrência do efeito devolutivo amplo conferido ao recurso ordinário, o item I não se aplica às hipóteses em que não se concede
vista à parte contrária para se manifestar sobre os embargos de declaração opostos contra sentença”.
Em nosso entendimento, em que pesem as opiniões em sentido contrário, somente se aplica o
contraditório prévio nos embargos de declaração com efeito modificativo, quando eles forem
opostos nos Tribunais Regionais do Trabalho e no Tribunal Superior do Trabalho, pois, no primeiro
grau, ou seja, quando os embargos forem opostos nas Varas do Trabalho, o contraditório pode ser
exercido a posteriori, quando da interposição do recurso ordinário, não havendo qualquer prejuízo
às partes (arts. 794 e seguintes da CLT), uma vez que o efeito devolutivo do recurso transfere ao
Tribunal toda a matéria impugnada, nos termos do § 1º do art. 515 do CPC (ver art. 538 do CPC). O
recente inciso II da OJ 142 da SDI-I do TST está em sintonia com nossa opinião.
A multa em razão dos embargos de declaração protelatórios prevista no CPC é aplicável ao
Direito Processual do Trabalho por ser compatível com os princípios que norteiam o processo
trabalhista (art. 769 da CLT).
Trata-se de cominação legal imposta àqueles que se utilizam dos embargos de declaração com a
finalidade de procrastinar o bom andamento do processo.
Somente quando manifestamente protelatórios, a multa será cabível. O termo manifestamente deve
ser interpretado no sentido de não apontar os embargos de forma objetiva: contradição, obscuridade
ou omissão no julgado. Não serão protelatórios os embargos que, embora não acolhidos, apontem o
defeito no julgado.
O fato de o CPC possibilitar a aplicação da multa de 1% para os embargos protelatórios não
exclui a possibilidade de se aplicar, cumulativamente, as sanções por litigância de má-fé, previstas
nos arts. 17 e seguintes do Código de Processo Civil.
Todavia, pensamos que o depósito da multa, como condição de ingresso para recorrer, somente se
aplica na reiteração dos embargos de declaração protelatórios, uma vez que o § 1º do art. 538 do
CPC primeiro fala na reiteração dos embargos e posteriormente na elevação da multa e na
exigibilidade do depósito.
Os embargos de declaração podem servir para prequestionamento da matéria conforme a própria
redação do art. 897-A da CLT e Súmula n. 297, admitindo a oposição de embargos de declaração
para tal finalidade. Com efeito, dispõe a referida Súmula:
“PREQUESTIONAMENTO. OP ORTUNIDADE. CONFIGURAÇÃO. I — Diz-se prequestionada a matéria ou questão
quando na decisão impugnada haja sido adotada, explicitamente, tese a respeito; II — Incumbe à parte interessada, desde que a
matéria haja sido invocada no recurso principal, opor embargos declaratórios objetivando o pronunciamento sobre o tema, sob
pena de preclusão; III — Considera-se prequestionada a questão jurídica invocada no recurso principal sobre a qual se omite o
Tribunal de pronunciar tese, não obstante opostos embargos de declaração”.

Conforme entendimento fixado acima, os embargos de declaração para prequestionamento só são


possíveis no segundo grau de jurisdição para fins de interposição de Recurso de Revista, uma vez
que, em primeiro grau de jurisdição, o efeito devolutivo do recurso transfere ao Tribunal toda a
matéria impugnada (§ 1º do art. 515 do CPC).
Os embargos de declaração serão opostos por petição dirigida ao Juiz que prolatou a decisão, no
prazo de cinco dias, acompanhada das razões, as quais devem apontar de forma clara e precisa o
ponto omisso, contraditório ou obscuro do julgado. Não é possível a apresentação dos embargos por
simples petição desacompanhada das razões.
Apresentados os embargos, o Juiz os apreciará na primeira sessão desimpedida (art. 897-A da
CLT).
Os embargos de declaração interrompem o prazo para interposição dos demais recursos cabíveis
em face da decisão. Desse modo, após a apreciação dos embargos, o prazo recursal começará a fluir
por inteiro novamente. Nesse sentido, é o caput do art. 538 do CPC.

10.10.4. Agravo de instrumento


O agravo de instrumento, no processo do trabalho, é o recurso cabível para impugnar decisão que
não admite o processamento de um recurso (ver art. 897 da CLT).
Ao contrário do agravo no Direito Processual Civil, que tem a finalidade específica de atacar as
decisões interlocutórias, no Processo do Trabalho, a finalidade específica do recurso de agravo de
instrumento é destrancar o recurso cujo seguimento foi negado, ou seja, o agravo tem a finalidade
específica de fazer com que o recurso cujo seguimento foi trancado no juízo a quo siga ao Tribunal
ad quem para julgamento.
O agravante deverá interpor o agravo à autoridade que denegou seguimento ao recurso,
acompanhado das razões. Não há a possibilidade de interposição por simples petição, pois deve o
agravante demonstrar o equívoco do juízo a quo em não conhecer do recurso que fora interposto.
Conforme o § 4º do art. 897 da CLT, o agravo de instrumento será julgado pelo Tribunal que seria
competente para conhecer o recurso cuja interposição foi denegada.
Nos termos do § 5º, I, do art. 897 da CLT, o agravo de instrumento será instruído com as seguintes
peças: obrigatoriamente, com cópias da decisão agravada, da certidão da respectiva intimação, das
procurações outorgadas aos advogados do agravante e do agravado, da petição inicial, da
contestação, da decisão originária, do depósito recursal referente ao recurso que se pretende
destrancar, da comprovação do recolhimento das custas e do depósito recursal a que se refere o § 7º
do art. 899 da CLT.
Facultativamente, com outras peças que o agravante reputar úteis ao deslinde da matéria de mérito
controvertida (inciso II do § 5º do art. 897 da CLT). O objetivo da juntada das referidas peças é
propiciar ao Tribunal ad quem, uma vez provido o agravo, passar ao julgamento imediato do recurso
que fora trancado, conforme o § 7º do art. 897 da CLT, o que possibilita maior celeridade e
efetividade do processo.
A responsabilidade pela correção na juntada das peças é do agravante.
O prazo para interposição do agravo de instrumento é de oito dias, contados da intimação da
decisão que denegou seguimento ao recurso. Uma vez interposto, o agravado será intimado para
contra-arrazoar o agravo, no prazo de oito dias, instruindo a petição com as peças necessárias à
instrução da defesa.
O agravo não está sujeito a pagamento de custas, mas está sujeito ao depósito recursal, a cargo do
reclamado, ou do tomador de serviços, quando há condenação em pecúnia, nos termos do art. 899, §
7º, da CLT.
O agravo de instrumento somente será recebido no efeito devolutivo. Desse modo, não haverá
suspensão do processo (ver § 2º do art. 897 da CLT).
O agravo de instrumento interposto contra o despacho que não receber agravo de petição não
suspende a execução da sentença.
Não obstante, a jurisprudência tem admitido a propositura de medida cautelar inominada para
suspensão da execução, quando há pendência do julgamento do agravo de instrumento interposto
contra despacho que denega o seguimento do agravo de petição, desde que presentes o fumus boni
juris e o periculum in mora.
Embora a CLT não exija, é praxe costumeira e recomendável no foro trabalhista que se proceda ao
juízo de retratação no agravo, ou seja, uma vez interposto o agravo, deverá o Juiz dizer se mantém ou
não a decisão que trancou o processamento do recurso. Caso mantenha, deverá processar o agravo.
Caso haja retratação, o agravo ficará prejudicado. Em razão de omissão da CLT e compatibilidade
com os princípios do Processo do Trabalho, máxime da celeridade e efetividade, pensamos
aplicável ao Processo do Trabalho (art. 769 da CLT) o disposto no § 2º do art. 523 do CPC.
Se o Recurso de Revista for admitido somente por um dos fundamentos invocados pelo recorrente,
a jurisprudência do C. TST não admite a interposição de agravo de instrumento quanto ao fundamento
não admitido. Nesse sentido, é a Súmula n. 285 do C. TST:
“RECURSO DE REVISTA. ADMISSIBILIDADE PARCIAL P ELO JUIZ-P RESIDENTE DO TRIBUNAL REGIO
TRABALHO. EFEITO — O fato de o juízo primeiro de admissibilidade do recurso de revista entendê-lo cabível apenas quando a
parte das matérias veiculadas não impede a apreciação integral pela Turma do Tribunal Superior do Trabalho, sendo imprópria a
interposição de agravo de instrumento”.

10.10.5. Agravo de petição


O agravo de petição é o recurso cabível em face das decisões do Juiz do Trabalho proferidas em
execução de sentença.
Trata-se de recurso exclusivo da fase de execução, não sendo cabível na fase de conhecimento —
por exemplo, se forem opostos embargos de terceiro na fase de conhecimento, o recurso cabível será
o ordinário, se, na execução, caberá o agravo de petição.
O termo decisão tem provocado grandes divergências na doutrina. À luz do art. 162 do CPC, as
decisões do Juiz constituem-se em sentenças, despachos e decisões interlocutórias. Questiona-se:
todas as decisões do Juiz na execução são passíveis de interposição de agravo de petição?
Para saber se uma decisão é recorrível na execução, por primeiro temos de compatibilizar a
decisão com a sistemática recursal trabalhista. Os despachos (art. 504 do CPC) e as decisões
interlocutórias (art. 893, § 1º, da CLT) não são recorríveis no Processo do Trabalho e também, como
regra geral, não o serão na fase executiva.
Entretanto, também na execução, há decisões que somente são impugnadas pelo remédio
processual específico previsto na lei, como o caso da sentença de liquidação, que somente pode ser
impugnada quando dos embargos à penhora (§ 3º do art. 884 da CLT) e também, após a garantia do
juízo, a parte somente pode invocar as matérias previstas no § 1º do art. 884 da CLT nos embargos à
execução. Desse modo, até a fase processual em que será possível a oposição de embargos à
execução, não será possível o manejo do agravo de petição.
A doutrina e jurisprudência têm admitido a interposição do agravo de petição, mesmo antes da
fase dos embargos, quando o Juiz do Trabalho acolhe a exceção de pré-executividade, extinguindo a
execução, uma vez que se trata de decisão terminativa da execução.
Efetivamente, o agravo de petição é cabível para impugnar as decisões proferidas nos embargos,
tanto à execução, à penhora, à arrematação, adjudicação e também nos embargos de terceiro na fase
de execução.
Pensamos que a expressão decisões do juiz na execução engloba tanto as decisões de mérito,
proferidas nos embargos à execução, à adjudicação, à arrematação, à penhora, como as terminativas,
por exemplo, que extinguem a fase de execução. Dos despachos e das decisões interlocutórias
proferidos na execução, como regra geral, não cabe o agravo de petição, não obstante, acreditamos
que, atualmente, diante do grande número de mandados de segurança impetrados na fase de execução,
buscando, de certa forma inadequada, fazer as vezes de mais um recurso na execução, o agravo de
petição possa ser utilizado para impugnar decisões interlocutórias na fase de execução, que não
podem ser objeto de impugnação pelos embargos e que causam gravame imediato à parte, como a
liberação de valores depositados, a decisão que não homologa acordo na fase de execução, a decisão
que determina o levantamento de penhora.
Desse modo, pensamos ser cabível o agravo de petição em face das seguintes decisões do Juiz do
Trabalho nas execuções: a) decisão que aprecia os embargos à execução; b) decisões terminativas na
execução que não são impugnáveis pelos embargos à execução, como a decisão que acolhe a exceção
de pré-executividade; c) decisões interlocutórias que não encerram o processo executivo, mas trazem
gravame à parte, não impugnáveis pelos embargos à execução (ver § 1º do art. 897 da CLT).
Conforme o referido dispositivo legal, o agravante deve declinar na petição do agravo as matérias
que impugna expressamente, bem como os valores incontroversos, a fim de possibilitar a execução
da parte não impugnada, que será definitiva.
O referido dispositivo tem por objetivo dar maior celeridade e efetividade à execução,
propiciando que o credor receba os valores incontroversos.
Nesse sentido, dispõe a Súmula n. 416 do TST, in verbis: “MANDADO DE SEGURANÇA
EXECUÇÃO. LEI N. 8.432/1992. ART. 897, § º1, DA CLT. CABIMENTO (conversão da
Orientação Jurisprudencial n. 55 da SBDI-2) — Res. n. 137/2005, DJ 22, 23 e 24.8.2005.
Devendo o agravo de petição delimitar justificadamente a matéria e os valores objeto de
discordância, não fere direito líquido e certo o prosseguimento da execução quanto aos tópicos e
valores não especificados no agravo” (ex-OJ n. 55 da SBDI-2 — inserida em 20.9.2000).
Doutrina e jurisprudência não têm admitido a indicação genérica das matérias e dos valores
impugnados.
O agravo de petição deve ser interposto perante o Juiz da Vara do Trabalho onde se processa a
execução em petição acompanhada das respectivas razões, com a delimitação das matérias e dos
valores objeto da controvérsia.
Se a execução já estiver garantida por penhora, não caberá o depósito recursal, já que este tem
exatamente a finalidade da garantia de execução futura (Súmula n. 128, II, do C. TST).
O prazo para interposição do agravo é de oito dias, tendo o agravado o prazo de oito dias para
contraminuta.
O agravo de petição não suspende a execução, admitindo a jurisprudência a propositura de medida
cautelar para tal finalidade.
Não há pagamento de custas no agravo de petição, pois essas são pagas ao final da execução (art.
789-A da CLT).

10.10.6. Do recurso adesivo no processo do trabalho


O recurso adesivo não é recurso, mas, sim, forma de interposição do recurso previsto na lei, que é
aderido ao recurso da parte contrária, quando a parte se conforma com a decisão que lhe foi
totalmente favorável, mas, diante do recurso da parte contrária, resolve a ele aderir, postulando a
reforma da decisão da parte que lhe foi desfavorável (ver art. 500 do CPC).
Diante do art. 500 do CPC, são requisitos do recurso adesivo:
a) sucumbência recíproca: cada parte tem de ter perdida alguma pretensão na decisão. Desse
modo, a decisão deve ter julgado procedente em parte os pedidos; b) somente a sentença de mérito
enseja recurso adesivo: a sentença terminativa não enseja recurso adesivo; c) a parte que pretende
valer-se do recurso adesivo não deve ter interposto o recurso principal, no prazo recursal, ou seja,
ter-se conformado com a decisão; d) tempestividade: a parte deve interpor o recurso adesivo no
prazo que tem para responder o recurso principal, ou seja, no prazo para contra-arrazoar o recurso
interposto pela parte contrária; e) o recurso adesivo deve ser interposto com todos os requisitos
exigíveis para o recurso principal; f) o conhecimento do recurso adesivo fica subordinado ao
conhecimento do recurso principal. Se o recurso principal for conhecido, o adesivo também o será.
O recurso adesivo, embora não previsto na CLT, é compatível com o Processo do Trabalho, por
força do art. 769 da CLT. Nesse sentido, já se pacificou o TST, conforme a Súmula n. 283, in verbis:
“RECURSO ADESIVO. P ERTINÊNCIA NO P ROCESSO DO TRABALHO. CORRELAÇÃO DE MATÉRIAS —
da Súmula n. 196 — Res. 2/1985, DJ 1.4.1985 — Republicada com correção DJ 12.4.1985 — O recurso adesivo é compatível
com o processo do trabalho e cabe, no prazo de 8 (oito) dias, nas hipóteses de interposição de recurso ordinário, de agravo de
petição, de revista e de embargos, sendo desnecessário que a matéria nele veiculada esteja relacionada com a do recurso
interposto pela parte contrária”.

Conforme a Súmula acima referida, o recurso adesivo no Processo do Trabalho é cabível no


recurso ordinário, no Recurso de Revista e de embargos, não sendo necessário que a matéria nele
discutida seja conexa ou relacionada com o recurso da parte contrária, conforme também já
sedimentado em doutrina e jurisprudência.
O recurso adesivo não é sucedâneo do recurso principal, ou seja, se a parte recorrer, ainda que
intempestivamente ou o recurso não for conhecido por ausência de algum pressuposto recursal, não
poderá se valer do recurso adesivo.
Os mesmos requisitos do recurso principal devem estar presentes no recurso adesivo, sob
consequência de não conhecimento. Desse modo, se o recurso exigir pagamento de custas e depósito
recursal, o recurso adesivo também deverá observar tais requisitos.

10.10.7. Pedido de revisão


Trata-se de recurso previsto na Lei n. 5.584/70, praticamente em desuso, pois, atualmente,
dificilmente o valor da causa é fixado pelo Juiz do Trabalho, e, se a inicial não o fixa, as Varas
costumam determinar que o reclamante emende a inicial para decliná-lo. Conforme fixamos
entendimento anteriormente, o valor da causa é requisito da inicial trabalhista.
O pedido de revisão não está previsto na CLT, mas, sim, no art. 2º da Lei n. 5.584/70, § 1º.
Trata-se de recurso admitido somente quando o valor da causa for fixado pelo Juiz do Trabalho e
mantido, após uma das partes impugná-lo em razões finais. Se o valor for mantido após a impugnação
nas razões finais, será cabível o pedido de revisão.
O § 2º do art. 2º da Lei n. 5.584/70 trata da tramitação do pedido de revisão.
Desse modo, o pedido de revisão deve ser interposto no prazo de 48 horas contado da data em que
o Juiz do Trabalho manteve o valor fixado à causa, rejeitando a impugnação ofertada em razões
finais, interposto perante o Juiz da Vara, que deverá encaminhá-lo ao TRT para julgamento. Não há
efeito suspensivo do processo. O recorrente deve anexar no recurso cópias da petição inicial e ata de
audiência. O prazo para apreciação do recurso é de 48 horas pelo TRT, contado do recebimento pelo
Presidente do TRT.

10.10.8. Embargos para o TST


Os embargos constituem espécie recursal cabível exclusivamente no âmbito do Tribunal Superior
do Trabalho, a fim de pacificar a jurisprudência no âmbito desse Tribunal. Não mais existem os
embargos no âmbito das Varas do Trabalho ou dos Tribunais Regionais do Trabalho.
Atualmente, os embargos no TST vêm disciplinados pela art. 894 da CLT.
Nos termos da alínea a do inciso I do art. 894 da CLT, os embargos são cabíveis em face de
decisões proferidas em dissídios coletivos da competência originária do TST, ou dissídios coletivos
de revisão, também de competência originária do Tribunal Superior do Trabalho, quando as decisões
não forem unânimes. Trata-se de inovação da lei que não constava da redação anterior do art. 894 da
CLT, que tem por objetivo a unificação da jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho em
dissídios coletivos de sua competência originária. Nota-se que a nova redação dada ao referido
dispositivo legal sinaliza no sentido de não ter havido extinção do poder normativo após a EC
45/2004.
Conforme o inciso II do art. 894 da CLT, os embargos são cabíveis das decisões das Turmas
proferidas em dissídios individuais: a) que divergirem entre si; b) que divergirem da Seção de
Dissídios Individuais do TST.
Não são cabíveis os embargos para o TST, se a decisão da Turma proferida em dissídios
individuais, ainda que divergir de outra Turma: a) estiver em consonância com Súmula do TST; b)
estiver em consonância com Orientação Jurisprudencial do TST; c) estiver em consonância com
Súmula do STF.
Não cabem embargos para o TST se a decisão da Turma violar lei federal ou Constituição
Federal. Desse modo, a Turma passou a ser o último grau de jurisdição para discutir a lei federal.
Para a discussão da Constituição Federal, será cabível, diretamente, o recurso extraordinário para o
Supremo Tribunal Federal.
Havendo, no acórdão da Turma do TST, divergência jurisprudencial com outra Turma ou da SDI
do TST e violação da Constituição Federal, serão cabíveis, simultaneamente, o recurso de embargos
e o recurso extraordinário, ficando este último sobrestado até o julgamento dos embargos. Após o
julgamento dos embargos, os autos serão encaminhados ao Supremo Tribunal Federal para
julgamento do recurso extraordinário.
Não obstante, há autores que pensam no seguinte sentido: se houver violação de lei constitucional
e divergência jurisprudencial sobre a interpretação do mesmo dispositivo constitucional,
primeiramente, a parte deverá interpor o recurso de embargos e, somente após sua apreciação,
interpor o recurso extraordinário, pois ainda será possível discutir a questão no âmbito do TST.
A doutrina costuma dividir os embargos para o Tribunal Superior do Trabalho em: a) embargos
infringentes; b) embargos de divergência; c) embargos de nulidade.
Nos termos da Súmula n. 353 do C. TST, não cabem embargos para a Seção de Dissídios
Individuais de decisão de Turma proferida em agravo, salvo: a) da decisão que não conhece de
agravo de instrumento ou de agravo pela ausência de pressupostos extrínsecos; b) da decisão que
nega provimento a agravo contra decisão monocrática do Relator, em que se proclamou a ausência de
pressupostos extrínsecos de agravo de instrumento; c) para revisão dos pressupostos extrínsecos de
admissibilidade do Recurso de Revista, cuja ausência haja sido declarada originariamente pela
Turma no julgamento do agravo; d) para impugnar o conhecimento de agravo de instrumento; e) para
impugnar a imposição de multas previstas no art. 538, parágrafo único, do CPC, ou no art. 557, § 2º,
do CPC.
Recebem a denominação de embargos infringentes os embargos dirigidos ao TST que têm por
objeto modificar a decisão proferida pelo TST em dissídios coletivos não unânimes, de sua
competência originária: que são os que excedem a competência territorial dos Tribunais Regionais
do Trabalho; ou dissídios de revisão ou de extensão.
São cabíveis nas decisões não unânimes proferidas em dissídios coletivos de competência
originária do TST (art. 894, I, a, da CLT c/c o art. 2º, II, da Lei n. 7.701/88) que assim dispõe:
“Compete à seção especializada em dissídios coletivos ou seção normativa: (...) II — em última
instância julgar: c) embargos infringentes interpostos contra decisão não unânime proferida em
processo de dissídio coletivo de sua competência originária, salvo se a decisão atacada estiver em
consonância com precedente jurisprudencial do Tribunal Superior do Trabalho ou da Súmula de sua
jurisprudência predominante”.
Desse modo, os embargos infringentes são cabíveis para a Seção de Dissídios Coletivos do TST,
quando a decisão proferida pelo Tribunal Superior do Trabalho, em dissídios coletivos de sua
competência originária, não for unânime, salvo se a decisão recorrida estiver em consonância com
precedente jurisprudencial do TST ou Súmula.
Os embargos de divergência têm por objeto uniformizar a interpretação da legislação da
competência do Tribunal Superior do Trabalho no âmbito da Seção de Dissídios Individuais, que
julga os recursos referentes aos conflitos individuais trabalhistas.
Não se trata de recurso que tem por objeto reapreciação de matéria fática, uma vez que seu objeto
é a uniformização da jurisprudência interna do TST.
A Lei n. 11.496/2007 deu nova redação ao inciso III, alínea b, do art. 3º da Lei n. 7.701/88.
Conforme o inciso II do art. 894 da CLT, se a decisão recorrida estiver em consonância com
súmula ou orientação jurisprudencial do Tribunal Superior do Trabalho ou do Supremo Tribunal
Federal, não são cabíveis os embargos de divergência. Outrossim, também não cabem os embargos
se houver divergência na mesma Turma do Tribunal Superior do Trabalho.
Os embargos de nulidade constavam, segundo a doutrina, na segunda parte do art. 3º, III, b, da Lei
n. 7.701/88.
A Lei n. 11.469/2007 suprimiu do art. 3º, III, b, da Lei n. 7.701/88 a possibilidade de embargos
quando as decisões das turmas do TST violarem literalmente preceito de lei federal ou da
Constituição Federal.
Desse modo, no nosso sentir, foram suprimidos os embargos de nulidade.
Os embargos devem ser opostos ao Presidente do TST, da SDI-I, da SDI-II, conforme a
competência do Tribunal Superior do Trabalho (Lei n. 7.701/88) em petição acompanhada das
razões. Não se admite o recurso por simples petição (art. 899 da CLT), já que se trata de medida
recursal que tem por objetivo uniformizar a jurisprudência do TST. O recorrente deve demonstrar, no
corpo dos embargos, a divergência havida entre as turmas do Tribunal Superior do Trabalho, bem
como pedir reforma da decisão.
O prazo para oposição dos embargos é de oito dias, que é o mesmo no caso de contrarrazões.
Os embargos são recebidos somente no efeito devolutivo.
Aos embargos para o TST, aplica-se o regime do depósito recursal e das custas processuais.

10.10.9. Do agravo regimental


O agravo regimental constitui recurso trabalhista previsto no art. 709, § 1º, da CLT, na Lei n.
7.701/88, nos regimentos internos dos Tribunais Regionais do Trabalho e do Tribunal Superior do
Trabalho.
Ele tem a finalidade de impugnar as decisões monocráticas proferidas pelos relatores das turmas
dos Tribunais Regionais do Trabalho e do TST que negarem seguimento ao recurso e também do Juiz
Corregedor nas correições parciais.
Assevera o art. 709, § 1º, da CLT: “Das decisões proferidas pelo Corregedor, nos casos do artigo,
caberá o agravo regimental, para o Tribunal Pleno”.
A Lei n. 7.701/88, nos arts. 2º, II, d, e 3º, III, c, prevê a possibilidade de interposição de agravo
regimental em face das decisões dos presidentes das Turmas que denegam recurso em face de
decisão proferida em dissídio coletivo e do recurso de embargos para o TST.
Alguns Tribunais Regionais do Trabalho disciplinam o agravo regimental para impugnar as
liminares concedidas pelo relator em sede de tutela antecipada, em mandado de segurança, e também
para decisões em que a lei não prevê recurso específico para impugnação.
O Tribunal Superior do Trabalho dispõe sobre o Agravo Regimental no art. 235 do seu Regimento
Interno, que assim dispõe: “Cabe agravo regimental, no prazo de oito dias, para o Órgão Especial,
Seções Especializadas e Turmas, observada a competência dos respectivos órgãos, nas seguintes
hipóteses: I — do despacho do Presidente do Tribunal que denegar seguimento aos embargos
infringentes; II — do despacho do Presidente do Tribunal que suspender execução de liminares ou de
decisão concessiva de mandado de segurança; III — do despacho do Presidente do Tribunal que
conceder ou negar suspensão da execução de liminar, antecipação de tutela ou da sentença em
cautelar; IV — do despacho do Presidente do Tribunal concessivo de liminar em mandado de
segurança ou em ação cautelar; V — do despacho do Presidente do Tribunal proferido em pedido de
efeito suspensivo; VI — das decisões e despachos proferidos pelo Corregedor-Geral da Justiça do
Trabalho; VII — do despacho do Relator que negar prosseguimento a recurso, ressalvada a hipótese
do art. 239; VIII — do despacho do Relator que indeferir inicial de ação de competência originária
do Tribunal; e IX — do despacho ou da decisão do Presidente do Tribunal, de Presidente de Turma,
do Corregedor-Geral da Justiça do Trabalho ou Relator que causar prejuízo ao direito da parte,
ressalvados aqueles contra os quais haja recursos próprios previstos na legislação ou neste
Regimento”.
Nos termos do art. 236 do Regimento Interno do TST: “O agravo regimental será concluso ao
prolator do despacho, que poderá reconsiderá-lo ou determinar sua inclusão em pauta visando
apreciação do Colegiado competente para o julgamento da ação ou do recurso em que exarado o
despacho. § 1º Os agravos regimentais contra ato ou decisão do Presidente do Tribunal, do Vice-
Presidente e do Corregedor-Geral da Justiça do Trabalho, desde que interpostos no período do
respectivo mandato, serão por eles relatados. Os agravos regimentais interpostos após o término da
investidura no cargo do prolator do despacho serão conclusos ao Ministro sucessor. § 2º Os agravos
regimentais interpostos contra despacho do Relator, na hipótese de seu afastamento temporário ou
definitivo, serão conclusos, conforme o caso, ao Juiz convocado ou ao Ministro nomeado para a
vaga. § 3º Os agravos regimentais interpostos contra despacho do Presidente do Tribunal, proferido
durante o período de recesso e férias, serão julgados pelo Relator do processo principal, salvo nos
casos de competência específica da Presidência da Corte. § 4º O acórdão do agravo regimental será
lavrado pelo Relator, ainda que vencido”.
O regimento interno do TST fixa o prazo de oito dias para interposição do agravo regimental para
o Tribunal Pleno (art. 235 do Regimento Interno do TST). Não obstante, nos Tribunais Regionais do
Trabalho, o prazo varia, conforme dispõem os regimentos internos.
O agravo regimental é recebido apenas no efeito devolutivo, pois a lei não prevê a possibilidade
de concessão de efeito suspensivo. Por isso, não obsta a execução provisória.
O agravo é interposto perante a autoridade que indeferiu a decisão (rejeitou liminarmente recurso,
concedeu liminar etc.), postulando a reconsideração da decisão e, em caso de manutenção,
encaminhamento ao órgão competente para julgar o recurso, conforme dispuser o regimento interno
do Tribunal (Turma ou Pleno).
Por falta de previsão legal, o agravo regimental não está sujeito a preparo (recolhimento de custas
e depósito recursal).
O agravo deve ser interposto nos próprios autos do processo, por meio de petição acompanhada
das razões. Nesse sentido, dispõe a OJ n. 132 da SDI-I do C. TST,in verbis: “Agravo regimental.
Peças essenciais nos autos principais. (Inserida em 27.11.1998) Inexistindo lei que exija a tramitação
do AG em autos apartados, tampouco previsão no Regimento Interno do Regional, não pode o
agravante ver-se apenado por não haver colacionado cópia de peças dos autos principais, quando o
AG deveria fazer parte dele”.
Em suma:
DOS RECURSOS TRABALHISTAS EM ESPÉCIE

DO RECURSO ORDINÁRIO

É a medida recursal cabível em face da sentença de primeiro grau, proferida pela Vara do Trabalho, seja de
CONCEITO mérito ou não. Quando a sentença é de mérito, diz a doutrina que ela é definitiva e, quando não aprecia o
mérito, recebe a denominação terminativa.

Para anular ou reformar a sentença proferida pelo Juiz do Trabalho, seja a decisão terminativa, definitiva, seja
a decisão declaratória, constitutiva ou de improcedência, sendo também cabível para o TST em face dos
CABIMENTO
acórdãos proferidos pelos Tribunais Regionais do Trabalho em acórdãos de natureza definitiva ou terminativa,
proferidos em processos individuais ou coletivos de sua competência originária.

I — ação anulatória;
II — ação cautelar;
HIPÓTESE EM QUE O III — ação declaratória;
TST APRECIA IV — agravo regimental;
RECURSO ORDINÁRIO V — ação rescisória;
EM COMPETÊNCIA VI — dissídio coletivo;
ORIGINÁRIA VII — habeas corpus;
VIII — habeas data; e
IX — mandado de segurança.
RECURSO DE REVISTA

É um recurso de natureza extraordinária, cabível em face de acórdãos proferidos pelos Tribunais Regionais do
Trabalho em dissídios individuais, tendo por objetivo uniformizar a interpretação das legislações estadual, federal e
CONCEITO
constitucional (tanto de direito material como processual) no âmbito da competência da Justiça do Trabalho, bem
como resguardar a aplicabilidade de tais instrumentos normativos.

O Recurso de Revista é o recurso último, na Justiça do Trabalho, para impugnação de decisões proferidas em
DISSÍDIOS
dissídios individuais, não obstante ainda haver a possibilidade de se questionar a decisão no Supremo Tribunal
INDIVIDUAIS
Federal, na hipótese de violação da Constituição Federal.

OBJETO Resguardar a aplicação e vigência da legislação de competência da Justiça Trabalhista.

a) regularidade formal;
b) depósito recursal;
c) demonstração de uma das hipóteses previstas nas alíneas a, b, ou c do art. 896 da CLT: o Recurso de Revista
somente é cabível nas hipóteses taxativas do art. 896 da CLT;
d) acórdão de TRT;
REQUISITOS
e) legitimidade;
PECULIARES
f) interesse;
g) prequestionamento;
h) vedação do reexame de fatos e provas: a finalidade do Recurso de Revista é uniformizar a interpretação da
legislação da competência da Justiça do Trabalho, e resguardar a vigência do texto legal. Por isso, não é finalidade
desse recurso de natureza extraordinária rever fatos e provas.

HIPÓTESES DE a) divergência jurisprudencial (lei federal);


CABIMENTO b) divergência jurisprudencial (interpretação de lei estadual, convenção coletiva, acordo coletivo, sentença normativa
NA JUSTIÇA ou regulamento de empresa);
DO TRABALHO c) violação de literal dispositivo de lei federal ou da Constituição da República.

DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO

Os embargos de declaração constituem medida recursal destinada a retirar do julgado eventuais


CONCEITO
omissões, contradições ou obscuridades, complementando e aperfeiçoando a prestação jurisdicional.

a) omissão;
HIPÓTESES DE b) contradição;
CABIMENTO NA JUSTIÇA c) obscuridade;
DO TRABALHO d) manifesto equívoco no exame dos pressupostos extrínsecos do recurso;
e) erro material.

ERROS MATERIAIS Os erros materiais poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento de qualquer uma das partes.

DOUTRINA E Já está pacificado na doutrina e jurisprudência a possibilidade de os embargos de declaração terem efeito
JURISPRUDÊNCIA de modificar o julgado.

Nem a CLT tampouco o CPC exigem que os embargos de declaração sejam submetidos ao contraditório
CONTRADITÓRIO
quando tiverem o efeito de modificar o julgado.

Caso os embargos de declaração não tenham efeito modificativo, manifesta-se majoritariamente a doutrina
INEXISTÊNCIA DE
e a jurisprudência pela desnecessidade de manifestação de parte contrária, em razão de inexistência de
QUALQUER PREJUÍZO
qualquer prejuízo.

A multa em razão dos embargos de declaração protelatórios prevista no CPC é aplicável no Direito
MULTA
Processual do Trabalho por ser compatível com os princípios que norteiam o processo trabalhista.
Podem servir para prequestionamento da matéria conforme a própria redação do art. 897-A da CLT e Súmula
297, admitindo a oposição de embargos de declaração para tal finalidade.
PREQUESTIONAMENTO Os embargos de declaração para prequestionamento só são possíveis no segundo grau de jurisdição para
fins de interposição de Recurso de Revista, uma vez que, em primeiro grau de jurisdição, o efeito devolutivo
do recurso transfere ao Tribunal toda a matéria impugnada.

Os embargos de declaração serão opostos por petição dirigida ao Juiz que prolatou a decisão, no prazo de
cinco dias, acompanhada das razões, as quais devem apontar de forma clara e precisa o ponto omisso,
PROCEDIMENTO contraditório ou obscuro do julgado. Não é possível a apresentação dos embargos por simples petição
desacompanhada das razões.
Apresentados os embargos, o Juiz os apreciará na primeira sessão desimpedida.

Os embargos de declaração interrompem o prazo para interposição dos demais recursos cabíveis em face
PROCEDIMENTO da decisão. Desse modo, após a apreciação dos embargos, o prazo recursal começará a fluir por inteiro
novamente.

AGRAVO DE INSTRUMENTO

CONCEITO É o recurso cabível para impugnar decisão que não admite o processamento de um recurso.

FINALIDADE NO A finalidade específica do recurso de agravo de instrumento é destrancar o recurso cujo seguimento foi negado,
PROCESSO DO ou seja, o agravo tem a finalidade específica de fazer com que o recurso cujo seguimento foi trancado no juízo
TRABALHO a quo siga ao Tribunal ad quem para julgamento.

Com cópias da decisão agravada, da certidão da respectiva intimação, das procurações outorgadas aos
PEÇAS
advogados do agravante e do agravado, da petição inicial, da contestação, da decisão originária, do depósito
INSTRUTÓRIAS
recursal referente ao recurso que se pretende destrancar, da comprovação do recolhimento das custas e do
OBRIGATÓRIAS
depósito recursal a que se refere o § 7º do art. 899 da CLT.

RESPONSABILIDADE A responsabilidade pela correção na juntada das peças é do agravante.

O prazo para interposição do agravo de instrumento é de oito dias, contados da intimação da decisão que
denegou seguimento ao recurso. Uma vez interposto, o agravado será intimado para contra-arrazoar o agravo,
PRAZO no prazo de oito dias, instruindo a petição com as peças necessárias à instrução da defesa.
O agravo de instrumento somente será recebido no efeito devolutivo. Desse modo, não haverá suspensão do
processo.

Embora a CLT não exija, é praxe costumeira e recomendável no foro trabalhista que se proceda ao juízo de
PROCEDIMENTO NO
retratação no agravo, ou seja, uma vez interposto o agravo, deverá o Juiz dizer se mantém ou não a decisão
DIREITO DO
que trancou o processamento do recurso. Caso mantenha, deverá processar o agravo. Caso haja retratação, o
PROCESSO DO
agravo ficará prejudicado. Em razão de omissão da CLT e compatibilidade com os princípios do Processo do
TRABALHO
Trabalho, máxime da celeridade e efetividade, pensamos aplicável ao Processo do Trabalho.

Se o Recurso de Revista for admitido somente por um dos fundamentos invocados pelo recorrente, a
RECURSO DE
jurisprudência do C. TST não admite a interposição de agravo de instrumento quanto ao fundamento não
REVISTA
admitido. Nesse sentido, é a Súmula n. 285 do C. TST.
AGRAVO DE PETIÇÃO

É o recurso cabível em face das decisões do Juiz do Trabalho proferidas em execução de


CONCEITO sentença, tratando-se de recurso exclusivo da fase de execução, não sendo cabível na fase
de conhecimento.

Ambas têm admitido a interposição do agravo de petição, mesmo antes da fase dos
embargos, quando o Juiz do Trabalho acolhe a exceção de pré-executividade, extinguindo a
execução, uma vez que se trata de decisão terminativa da execução.
DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA
Efetivamente, o agravo de petição é cabível para impugnar as decisões proferidas nos
embargos, tanto à execução, à penhora, à arrematação, adjudicação e também nos
embargos de terceiro na fase de execução.

a) decisão que aprecia os embargos à execução;


RECURSO CABÍVEL EM FACE DAS b) decisões terminativas na execução que não são impugnáveis pelos embargos à execução,
SEGUINTES DECISÕES DO JUIZ DO como a decisão que acolhe a exceção de pré-executividade;
TRABALHO NAS EXECUÇÕES c) decisões interlocutórias que não encerram o processo executivo, mas trazem gravame à
parte, não impugnáveis pelos embargos à execução.

O agravante deve declinar na petição do agravo as matérias que impugna expressamente,


MATÉRIA IMPUGNADA bem como os valores incontroversos, a fim de possibilitar a execução da parte não
impugnada, que será definitiva.

Dar maior celeridade e efetividade à execução, propiciando que o credor receba os valores
OBJETIVO
incontroversos (Súmula n. 416 do TST).

O agravo de petição deve ser interposto perante o Juiz da Vara do Trabalho quando se
processa a execução em petição acompanhada das respectivas razões, com a delimitação
PROCEDIMENTO das matérias e dos valores objeto da controvérsia.
Se a execução já estiver garantida por penhora, não caberá o depósito recursal, já que este
tem exatamente a finalidade da garantia de execução futura (Súmula n. 128, II, do C. TST).

O prazo para interposição do agravo é de oito dias, tendo o agravado o prazo de oito dias
PRAZO para contraminuta, bem como o agravo não suspende a execução, admitindo a jurisprudência
a propositura de medida cautelar para tal finalidade.

DO RECURSO ADESIVO NO PROCESSO DO TRABALHO

O recurso adesivo não é recurso, mas, sim, forma de interposição do recurso previsto na lei, que é
aderido ao recurso da parte contrária, quando a parte se conforma com a decisão que lhe foi
CONCEITO
totalmente favorável, mas, diante do recurso da parte contrária, resolve a ele aderir, postulando a
reforma da decisão da parte que lhe foi desfavorável.

CONFORME SÚMULA 283 DO


O recurso adesivo no Processo do Trabalho é cabível no recurso ordinário, no Recurso de Revista e
TST, SÃO REQUISITOS DO
de embargos, não sendo necessário que a matéria nele discutida seja conexa ou relacionada com o
RECURSO ADESIVO NO
recurso da parte contrária, conforme também já sedimentado em doutrina e jurisprudência.
DIREITO DO TRABALHO

O recurso adesivo não é sucedâneo do recurso principal, ou seja, se a parte recorrer, ainda que
intempestivamente ou o recurso não for conhecido por ausência de algum pressuposto recursal, não
poderá se valer do recurso adesivo.
PECULIARIEDADES
Os mesmos requisitos do recurso principal devem estar presentes no recurso adesivo sob
consequência de não conhecimento. Desse modo, se o recurso exigir pagamento de custas e
depósito recursal, o recurso adesivo também deverá observar tais requisitos.

PEDIDO DE REVISÃO

Trata-se de recurso admitido somente quando o valor da causa for fixado pelo Juiz do Trabalho e mantido, após uma das
CONCEITO partes impugná-lo em razões finais. Se o valor for mantido após a impugnação nas razões finais, será cabível o pedido de
revisão.

O pedido de revisão deve ser interposto no prazo de 48 horas contado da data em que o Juiz do Trabalho manteve o valor
fixado à causa, rejeitando a impugnação ofertada em razões finais, interposto perante o Juiz da Vara, que deverá
PRAZO encaminhá-lo ao TRT para julgamento. Não há efeito suspensivo do processo. O recorrente deve anexar no recurso cópias
da petição inicial e ata de audiência. O prazo para apreciação do recurso é de 48 horas pelo TRT, contado do recebimento
pelo Presidente do TRT.
EMBARGOS PARA O TST

Os embargos são cabíveis em face de decisões proferidas em dissídios coletivos da competência


originária do TST, ou dissídios coletivos de revisão, também de competência originária do Tribunal
Superior do Trabalho, quando as decisões não forem unânimes. Trata-se de inovação da lei que não
CABIMENTO constava da redação anterior do art. 894 da CLT, que tem por objetivo a unificação da jurisprudência do
Tribunal Superior do Trabalho em dissídios coletivos de sua competência originária. Nota-se que a nova
redação dada ao referido dispositivo legal sinaliza no sentido de não ter havido extinção do poder
normativo após a EC 45/2004.

SÃO CABÍVEIS DAS


DECISÕES DAS TURMAS a) que divergirem entre si;
PROFERIDAS EM b) que divergirem da Seção de Dissídios Individuais do TST.
DISSÍDIOS INDIVIDUAIS

NÃO SÃO CABÍVEIS OS a) estiver em consonância com Súmula do TST;


EMBARGOS PARA O b) estiver em consonância com Orientação Jurisprudencial do TST;
TST, SE A DECISÃO DA c) estiver em consonância com Súmula do STF.
TURMA PROFERIDA EM d) não cabem embargos para o TST se a decisão da Turma violar lei federal ou Constituição Federal.
DISSÍDIOS INDIVIDUAIS, Desse modo, a Turma passou a ser o último grau de jurisdição para discutir a lei federal. Para a
AINDA QUE DIVERGIR DE discussão da Constituição Federal, será cabível, diretamente, o Recurso Extraordinário para o Supremo
OUTRA TURMA Tribunal Federal.

Havendo no acórdão da Turma do TST divergência jurisprudencial com outra Turma ou da SDI do TST e
DIVERGÊNCIA violação da Constituição Federal, serão cabíveis, simultaneamente, o recurso de embargos e o recurso
JURISPRUDENCIAL NO extraordinário, ficando este último sobrestado até o julgamento dos embargos. Após o julgamento dos
TST embargos, os autos serão encaminhados ao Supremo Tribunal Federal para julgamento do recurso
extraordinário.

A DOUTRINA
a) embargos infringentes;
DIVIDE OS
b) embargos de divergência;
EMBARGOS
c) embargos de nulidade.
PARA O TST EM:

Recebem a denominação de embargos infringentes os embargos dirigidos ao TST que têm por objeto modificar a
decisão proferida pelo TST em dissídios coletivos não unânimes, de sua competência originária: que são os que
EMBARGOS excedem a competência territorial dos Tribunais Regionais do Trabalho; ou dissídios de revisão ou de extensão.
INFRINGENTES Os embargos infringentes são cabíveis para a Seção de Dissídios Coletivos do TST, quando a decisão proferida
pelo Tribunal Superior do Trabalho, em dissídios coletivos de sua competência originária, não for unânime, salvo se
a decisão recorrida estiver em consonância com precedente jurisprudencial do TST ou Súmula.

Tem por objeto uniformizar a interpretação da legislação da competência do Tribunal Superior do Trabalho no
âmbito da Seção de Dissídios Individuais, que julga os recursos referentes aos conflitos individuais trabalhistas,
OBJETO
não se tratando de recurso que tem por objeto reapreciação de matéria fática, uma vez que seu objeto é a
uniformização da jurisprudência interna do TST.

Se a decisão recorrida estiver em consonância com súmula ou orientação jurisprudencial do Tribunal Superior do
NÃO CABIMENTO
Trabalho ou do Supremo Tribunal Federal, não são cabíveis os embargos de divergência. Outrossim, também não
DE EMBARGOS
cabem os embargos se houver divergência na mesma Turma do Tribunal Superior do Trabalho.

O prazo para oposição dos embargos é de oito dias, sendo este mesmo prazo para contrarrazões, sendo
PRAZOS
recebidos somente no efeito devolutivo.

Os embargos devem ser opostos ao Presidente do TST, da SDI-I, da SDI-II, conforme a competência do TST em
petição acompanhada das razões. Não se admite o recurso por simples petição, já que se trata de medida
PROCEDIMENTOS recursal que tem por objetivo uniformizar a jurisprudência do TST. O recorrente deve demonstrar, no corpo dos
embargos, a divergência havida entre as turmas do Tribunal Superior do Trabalho, bem como pedir reforma da
decisão.

REGIME DO
DEPÓSITO
RECURSAL E DAS Aos embargos para o TST, aplica-se o regime do depósito recursal e das custas processuais.
CUSTAS
PROCESSUAIS
DO AGRAVO REGIMENTAL

Tem a finalidade de impugnar as decisões monocráticas proferidas pelos relatores das turmas dos Tribunais
FINALIDADE Regionais do Trabalho e do TST que negarem seguimento ao recurso, e também do Juiz Corregedor nas correições
parciais.

A lei prevê a possibilidade de interposição de agravo regimental em face das decisões dos presidentes das turmas
que denegam recurso em face de decisão proferida em dissídio coletivo, e do recurso de embargos para o TST.
CABIMENTO Alguns Tribunais Regionais do Trabalho disciplinam o agravo regimental para impugnar as liminares concedidas pelo
relator em sede de tutela antecipada, em mandado de segurança, e também para decisões em que a lei não prevê
recurso específico para impugnação.

O regimento interno do TST fixa o prazo de oito dias para interposição do agravo regimental para o Tribunal Pleno
PRAZO (art. 235 do Regimento Interno do TST). Não obstante, nos Tribunais Regionais do Trabalho, o prazo varia, conforme
dispõem os regimentos internos.

O agravo regimental é recebido apenas no efeito devolutivo, pois a lei não prevê a possibilidade de concessão de
efeito suspensivo. Por isso, não obsta a execução provisória, sendo interposto perante a autoridade que indeferiu a
EFEITOS E
decisão, postulando a reconsideração da decisão, e, em caso de manutenção, encaminhamento ao órgão
INTERPOSIÇÃO
competente para julgar o recurso, conforme dispuser o regimento interno do Tribunal (Turma ou Pleno). O agravo deve
ser interposto nos próprios autos do processo, por meio de petição acompanhada das razões.

Por falta de previsão legal, o agravo regimental não está sujeito a preparo (recolhimento de custas e depósito
PREPARO
recursal).

Questões
1. (TRT 15ª Região — 2010) Em relação aos recurso endereçados ao TST, assinale a incorreta.
a) por se tratar de recurso com fundamentação vinculada, o recurso de revista não
admite interposição de apelo adesivo;
b) excepcionando a regra da mera devolutividade, o recurso interposto de decisão
normativa terá efeito suspensivo, na medida e extensão conferidas em despacho do
Presidente do TST;
c) o relator poderá negar seguimento ao recurso de revista se a decisão recorrida
estiver em consonância com súmula da Corte;
d) julgado o agravo de petição envolvendo embargos de terceiro, o recurso de revista
somente será cabível na hipótese de ofensa direta e literal à Constituição Federal;
e) se o acórdão manteve a condenação de origem, o ente público que não apresentou
recurso ordinário voluntário não poderá interpor recurso de revista.
2. (MPT — 16º Concurso) Tendo em conta o efeito devolutivo em extensão e em profundidade
inerente ao recurso ordinário, na forma do art. 515, §§ 1º e 2º, do Código de Processo Civil,
aplicado subsidiariamente ao processo do trabalho, podemos afirmar que:
I. a extensão do efeito devolutivo consiste em precisar o que se submete, por força do recurso
ordinário, ao julgamento do Tribunal Regional do Trabalho; medir-lhe a profundidade é
determinar com que material há de trabalhar o órgão destinatário do recurso para julgar;
II. o efeito devolutivo em profundidade transfere automaticamente ao Tribunal a apreciação
de questão ou fundamento da defesa não examinado pela sentença, ainda que não renovado
em contrarrazões, não se aplicando, todavia, ao caso de pedido não apreciado na sentença;
III. o efeito devolutivo em extensão e em profundidade do recurso ordinário transfere ao
conhecimento do Tribunal Regional do Trabalho a matéria impugnada, nos limites dessa
impugnação, sendo vedada reapreciação de questões já decididas no mesmo processo. O que
se permite ao Tribunal revisor é conhecer, mesmo sem provocação, das questões relativas à
admissibilidade do processo, respeitada, porém, a preclusão;
Assinale a alternativa CORRETA:
a) apenas as alternativas I e II estão corretas;
b) todas as alternativas estão corretas;
c) apenas as alternativas II e III estão corretas;
d) apenas as alternativas I e III estão corretas;
e) não respondida.
3. (MPT— 16º Concurso) Assinale a alternativa INCORRETA:
a) os pressupostos extrínsecos de admissibilidade do recurso ordinário são
concernentes ao exercício do direito de recorrer; os pressupostos intrínsecos são
atinentes à própria existência do direito de recorrer;
b) a sucumbência formal consiste na discrepância entre o requerido e a parte dispositiva
da decisão; na sucumbência material, a decisão judicial gera gravame à parte vencida,
daí a utilidade do recurso para obter provimento mais vantajoso do ponto de vista
prático;
c) é inadmissível, em instância recursal, a regularização da representação processual,
uma vez que esse procedimento é restrito ao Juízo de primeiro grau; no entanto, admite-
se, por exceção, o protesto por posterior juntada do instrumento de mandato na fase
recursal, a fim de evitar perecimento do direito;
d) o princípio do jus postulandi somente é aplicável nas Varas do Trabalho e nos
Tribunais Regionais do Trabalho, não se estendendo ao recurso de revista interposto
para o Tribunal Superior do Trabalho;
e) não respondida
4. (MPT — 16º Concurso) Assinale a alternativa CORRETA:
a) nas causas sujeitas ao procedimento sumaríssimo, somente será admitido recurso de
revista por contrariedade a súmula de jurisprudência uniforme do Tribunal Superior do
Trabalho e violação direta da Constituição da República, sendo cabível conhecer, de
ofício, nessa fase recursal, da incompetência absoluta, sem necessidade de
prequestionamento;
b) no Tribunal Superior do Trabalho cabem embargos, no prazo de 8 (oito) dias, das
decisões das Turmas que divergirem entre si, ou das decisões proferidas pela Seção de
Dissídios Individuais, salvo se a decisão recorrida estiver em consonância com súmula
ou orientação jurisprudencial do Tribunal Superior do Trabalho ou do Supremo Tribunal
Federal;
c) as decisões interlocutórias não ensejam recurso de imediato, salvo em hipóteses
específicas, para evitar preclusão, como é o caso da decisão regional que, superando a
preliminar de carência da ação arguida na defesa de empresa privada, declara existente
o vínculo de emprego e determina o retorno dos autos à Vara do Trabalho, para julgar o
restante do mérito;
d) não é cabível recurso de revista de ente público que não interpôs recurso ordinário
voluntário da decisão de primeira instância, mesmo que tenha sido agravada, na segunda
instância, a condenação imposta, em face da preclusão;
e) não respondida.
5. (TRT 2ª Região — 2009) O advento do art. 897-A da CLT veio a regulamentar na legislação
trabalhista a utilização dos embargos declaratórios. A expressão legal “... admitido efeito
modificativo da decisão...” significa:
a) absolutamente nada, posto que ao proferir a decisão o juiz esgota sua jurisdição e só
pode alterá-la para sanar erro material.
b) trata-se de instrumento processual inovador que permite ao juiz rever sua própria
decisão, quando houver erro de julgamento.
c) atribuiu caráter infringente aos embargos declaratórios na ocorrência de manifesto
equívoco no exame de fatos e provas, mas é inaplicável para nova análise do direito
invocado.
d) permite ao juízo prolator da decisão a modificação de seu resultado quando esta
decorrer de omissão ou contradição, não podendo fazê-lo, entretanto, na hipótese de
erro de julgamento.
e) visou garantir o duplo grau de jurisdição para os chamados processos de “alçada” que
não admitem a interposição de qualquer recurso.
6. (TRT 2ª Região — 2010) Ao prolatar a sentença o juiz fez constar da fundamentação que a
ação fora atingida integralmente pela prescrição bienal. No dispositivo, porém, fez constar que a
ação foi julgada improcedente. O autor interpôs recurso ordinário e nas razões recursais trata
apenas do mérito da pretensão, sem tecer qualquer argumentação a respeito da prescrição.
Pretende o provimento do recurso para que a ação seja julgada procedente. Neste caso é
correto dizer que:
a) o recurso ordinário deve ser conhecido pelo Tribunal e declarada a nulidade da
sentença, “ex officio”, em face da contradição insuperável existente entre a
fundamentação e o dispositivo.
b) o recurso não deve ser conhecido, eis que o recorrente não ataca os fundamentos da
sentença recorrida.
c) o Tribunal Regional deve conhecer do recurso posto que ele ataca o dispositivo e
somente este transita em julgado. Constatando, entretanto, a ocorrência da prescrição,
pode declará-la “ex officio” antes mesmo da análise do mérito do recurso interposto.
d) a análise das razões do recurso constitui o próprio mérito recursal e não está sujeita
ao juízo de admissibilidade. Logo, o recurso deve ser conhecido e o mérito da ação
julgado, procedente ou improcedente, conforme for o entendimento do órgão revisor.
e) o recurso deve ser conhecido, competindo ao Tribunal Regional conhecer da
prescrição apenas se a matéria foi renovada pela reclamada recorrida na resposta ao
recurso.
7. (TRT 21ª Região — 2010) Certo advogado, defendendo a parte recorrente perante o
Tribunal Regional do Trabalho, acompanhou o julgamento do recurso ordinário perante a
Turma, que lhe foi desfavorável. Ciente dos argumentos expostos no voto condutor da decisão,
e de posse da respectiva certidão de julgamento, interpôs recurso de revista, em data, porém,
anterior à publicação do acórdão. De acordo com a jurisprudência dominante do Tribunal
Superior do Trabalho, o recurso:
a) não deverá ser conhecido, pois é tido por extemporâneo;
b) não deverá ser conhecido de imediato, mas ficará nos autos aguardando uma
manifestação de ratificação após a publicação do acórdão;
c) deverá ser conhecido, pois não há extemporaneidade pelo simples fato de ter sido
protocolado antes da publicação do acórdão;
d) deverá ser conhecido, desde que haja simetria entre os argumentos impugnados e
aqueles constantes do acórdão a ser publicado;
e) deverá ser conhecido, a critério do juízo de admissibilidade, de acordo com a
plausibilidade da pretensão recursal.
8. (MPT/BR Procurador do Trabalho (Maio/2012) MPT— 17º Concurso) Marque a alternativa
INCORRETA:
a) Conforme a jurisprudência uniformizada do Tribunal Superior do Trabalho, há
possibilidade de fungibilidade recursal quando o relator profere decisão monocrática de
provimento ou denegação do recurso com conteúdo decisório definitivo e conclusivo da
lide, sendo cabíveis embargos de declaração somente para suprir omissão e não para a
modificação do julgado. Se o embargante, insurgindo-se contra a decisão do relator,
opuser embargos de declaração com efeito modificativo, estes devem ser recebidos
como agravo.
b) O recurso sem assinatura é apócrifo e, portanto, inexistente, não merecendo ser
admitido. Todavia, a jurisprudência uniformizada do Tribunal Superior do Trabalho admite
a validade do apelo, caso assinado ao menos na petição de apresentação ou nas razões
recursais, aplicando, desta maneira, o princípio da instrumentalidade das formas
processuais.
c) O relator pode negar seguimento a recurso manifestamente inadmissível,
improcedente, prejudicado, ou em confronto com súmula ou jurisprudência dominante do
respectivo tribunal, do Supremo Tribunal Federal ou de Tribunal Superior, inclusive
súmula do Tribunal Superior do Trabalho. Esses poderes do relator são aplicáveis tanto
nos Tribunais Regionais do Trabalho, quanto no Tribunal Superior do Trabalho, tendo em
vista que não é inconstitucional a decisão monocrática, uma vez que existe recurso de
agravo, assegurando-se a revisão pelo colegiado.
d) O jus postulandi é aplicado nas Varas do Trabalho e nos Tribunais Regionais do
Trabalho, podendo incidir em ações cautelares e mandados de segurança, sendo
vedado somente para os casos de ação rescisória e recursos de competência do
Tribunal Superior do Trabalho.
e) Não respondida.
9. (Juiz do trabalho — 3ª Região — 2012) Sobre os recursos no processo do trabalho, leia as
afirmações abaixo e, em seguida, assinale a alternativa correta:
I. A denominada jurisprudência defensiva é traduzida por decisões que flexibilizam o exame
dos pressupostos de admissibilidade dos recursos, visando fazer chegar aos tribunais
superiores o maior número possível de recursos.
II. Em nenhuma hipótese as decisões interlocutórias são passíveis de recurso imediato.
III. O prazo recursal é de oito dias, sem exceções.
IV. O recurso adesivo não está sujeito ao depósito recursal.
a) Somente a afirmativa I está correta.
b) Todas as afirmativas estão corretas.
c) Somente a afirmativa II está correta.
d) Todas as afirmativas estão incorretas.
e) Somente a afirmativa IV está correta.
10. (Juiz do trabalho — 3ª Região — 2012) Em relação ao processo do trabalho, leia as
afirmações abaixo e, em seguida, assinale a alternativa correta, segundo a jurisprudência
consolidada do Tribunal Superior do Trabalho:
a) O depósito recursal deve ser feito e comprovado no prazo alusivo ao recurso, sendo
que a interposição antecipada deste prejudica a dilação legal.
b) É indispensável o trânsito em julgado da sentença normativa para propositura da ação
de cumprimento.
c) O recesso forense interrompe os prazos recursais.
d) O recurso adesivo é compatível com o processo do trabalho e cabe, no prazo de 8
(oito) dias, nas hipóteses de interposição de recurso ordinário, de agravo de petição, de
revista e de embargos, sendo desnecessário que a matéria veiculada esteja relacionada
com a do recurso interposto pela parte contrária.
e) Não cabem embargos para a Seção de Dissídios Individuais do TST de decisão de
Turma proferida em agravo.
11. (Juiz do trabalho — 3ª Região — 2012) Em relação ao processo do trabalho, leia as
afirmações abaixo e, em seguida, assinale a alternativa correta, segundo a jurisprudência
consolidada do Tribunal Superior do Trabalho:
I. O efeito devolutivo em profundidade do recurso ordinário transfere ao Tribunal a
apreciação dos fundamentos da inicial ou da defesa, não examinados pela sentença, ainda que
não renovados em contrarrazões.
II. O efeito devolutivo em profundidade do recurso ordinário transfere ao Tribunal a
apreciação do pedido não apreciado na sentença, inclusive na hipótese contida no § 3º do art.
515 do CPC.
III. Inadmissível na fase recursal a regularização da representação processual, na forma do
art. 13 do CPC, cuja aplicação se restringe ao juízo de 1º grau.
IV. As organizações ou organismos internacionais gozam de imunidade absoluta de jurisdição
quando amparados por norma internacional incorporada ao ordenamento jurídico brasileiro,
não se lhes aplicando a regra do Direito Consuetudinário relativa à natureza dos atos
praticados. Excepcionalmente, prevalecerá a jurisdição brasileira na hipótese de renúncia
expressa à cláusula de imunidade jurisdicional.
a) Somente as afirmativas I, III e IV estão corretas.
b) Somente as afirmativas I, II e IV estão corretas.
c) Somente as afirmativas III e IV estão corretas.
d) Somente as afirmativas I, II e III estão corretas.
e) Somente a afirmativa II está correta.

Gabarito
1. A
2. B
3. C
4. B
5. D
6. B
7. A
8. D
9. D
10. D
11. A
11
Liquidação no processo do trabalho

11.1. Do conceito de liquidação e natureza jurídica


Segundo os ensinamentos obtidos da melhor doutrina, a liquidação tem lugar quando a sentença ou
acórdão não fixa o valor da condenação ou não individualiza o objeto da execução. A decisão
contém a certeza da obrigação e as partes que são credora e devedora dessa obrigação (an
debeatur), mas não fixa o montante devido (quantum debeatur).
A liquidação constitui, assim, uma fase preparatória, de natureza cognitiva, em que a sentença
ilíquida passará a ter um valor determinado ou individualizada a prestação ou o objeto a ser
executado, por um procedimento previsto em lei, conforme a natureza da obrigação prevista no título
executivo.
Com a liquidação, o título executivo judicial está apto para ser executado, pois, se o título não for
líquido, certo e exigível, o procedimento de execução é nulo.
A doutrina ainda não chegou a um consenso sobre a natureza jurídica da liquidação. Para alguns, a
natureza é declaratória, para outros, constitutiva.
Para Liebman, a natureza jurídica da liquidação é declaratória, uma vez que traz a lume aquilo que
se encontra implicitamente na sentença anterior. Para outros, como Pontes de Miranda, a natureza
jurídica é constitutivo-integrativa, uma vez que não se limita a uma mera declaração, mas também dá
uma certeza àquilo que até então era incerto.
No nosso sentir, a liquidação é uma fase integrativa da sentença, de natureza constitutiva, fazendo
parte da fase de conhecimento, que visa a apurar o quantum debeatur ou individualizar o objeto da
execução.
A CLT disciplina a liquidação no art. 879. Diz o caput do referido dispositivo que, sendo ilíquida
a sentença exequenda, ordenar-se-á, previamente, sua liquidação, que poderá ser feita por cálculo,
arbitramento ou artigos.
O termo sentença deve ser interpretado em sentido amplo para abranger a sentença de primeiro
grau e também os acórdãos, tanto dos TRTs como do TST. No Processo do Trabalho, assim como no
Processo Civil, há três modalidades de liquidação: a) por cálculos; b) por arbitramento e c) por
artigos.
No nosso sentir, ainda que determinado no título executivo com trânsito em julgado que a
liquidação se processe por cálculos, poderá o Juiz do Trabalho se valer das três modalidades de
liquidação se necessário para se chegar ao quantum devido, pois não há vedação na legislação
processual e tal conduta se coaduna com os princípios do fiel cumprimento da obrigação consagrada
no título executivo e também da máxima efetividade da jurisdição.
Nesse sentido é a Súmula n. 344 do STJ,in verbis: “Liquidação — forma diversa na sentença —
não ofensa à coisa julgada. A liquidação por fora diversa da estabelecida na sentença não ofende a
coisa julgada”.
A liquidação não pode ir aquém ou além do que foi fixado na decisão transitada em julgado, sob
consequência de nulidade do procedimento e desprestígio da coisa julgada material, cabendo ao juiz
velar pelo seu fiel cumprimento. Além disso, a proteção à coisa julgada tem status constitucional
(art. 5º, XXXVI, da CF). Nesse sentido, ver a disposição do § 1º do art. 879 da CLT.
Em razão do referido dispositivo legal, não há preclusão para o Juiz ao apreciar os cálculos,
podendo ex officio determinar qualquer diligência probatória para que os cálculos espelhem a coisa
julgada material.

11.2. Da liquidação por cálculos


A liquidação por cálculos se dá quando, para se chegar ao quantum debeatur, houver necessidade
apenas de se realizarem cálculos aritméticos.
A CLT não conceitua a liquidação por cálculos (art. 879) e também é omissa quanto à forma de
apresentação destes pelo reclamante. Desse modo, em razão de omissão da CLT e compatibilidade
com o Processo do Trabalho (art. 769 da CLT), entendemos aplicável ao Processo do Trabalho o
disposto no art. 475-B, caput do CPC, com uma pequena adaptação. No Processo do Trabalho, como
a liquidação está prevista no capítulo V da CLT (Da Execução), embora não tenha natureza jurídica
executiva, conforme pronunciamos anteriormente, acreditamos que o início da liquidação possa ser
determinado de ofício pelo Juiz, com suporte na aplicação do art. 878 da CLT.
A liquidação de sentença no processo civil foi sensivelmente simplificada pela Lei n.
11.232/2005, tornando-se um incidente da fase de conhecimento, preparatória para a execução,
começando por simples requerimento do autor e terminando pela decisão que homologa os cálculos,
sem status de sentença, e sim de decisão interlocutória.
Desse modo, a decisão na liquidação tem status de decisão interlocutória, denotando a ausência
de autonomia do procedimento de liquidação.
No Processo do Trabalho, a liquidação está inserida no capítulo da execução. Não obstante,
também é um incidente da fase de conhecimento, não sendo um procedimento autônomo. Sendo assim,
nas Varas do Trabalho, uma vez transitada em julgado a decisão, o Juiz, de ofício, intima o
reclamante para apresentar os cálculos de liquidação em 10 dias. Se ele não apresentar, intima-se a
reclamada para fazê-lo, no prazo de dez dias. Nesse sentido, ver o § 1º-B do art. 879 da CLT.
O § 2º do art. 879 da CLT prevê dois procedimentos alternativos e facultativos para o Juiz do
Trabalho adotar na liquidação por cálculos. São eles:
a) apresentados os cálculos pelo reclamante, intimar o reclamado para impugná-los em 10 dias
sob pena de preclusão. Posteriormente à impugnação ou não a havendo, o juiz do trabalho
homologará a conta de liquidação;
b) apresentados os cálculos pelo reclamante, o Juiz do Trabalho os homologará, determinando a
citação do reclamado para pagamento nos termos do art. 880 da CLT, podendo a conta de liquidação
homologada ser discutida nos embargos à execução pelo reclamado e pelo exequente na impugnação
à sentença de liquidação, nos termos do § 3º do art. 884 da CLT (ver § 3º do art. 879 da CLT).
Diante da redação do § 3º do art. 879 da CLT, pode parecer que o Juiz do Trabalho deve,
obrigatoriamente, intimar o INSS para impugnar os cálculos, mesmo que adote a postura de postergar
a impugnação dos cálculos após a garantia do juízo; entretanto, não nos parece que tal providência
seja obrigatória, pois poderá o magistrado intimar o INSS para impugnar a conta de liquidação após
a garantia do juízo, não havendo qualquer prejuízo às partes e também ao INSS (art. 794 da CLT).
Desse modo, no nosso sentir, a interpretação do § 3º do art. 879 da CLT deve ser conjugada com o §
2º do referido dispositivo, no sentido de cumprir, discricionariamente, ao magistrado a faculdade de
estabelecer o momento para a Autarquia Previdenciária se manifestar sobre os cálculos de
liquidação.
Deve ser destacado que tanto num procedimento como no outro deve o Juiz do Trabalho conferir
os cálculos antes de homologá-los, podendo determinar que o autor os refaça, ou até determinar
perícia contábil para essa finalidade, pois para a parte há a preclusão, mas não para o Juiz, que tem o
dever de zelar pelo cumprimento da coisa julgada material, e a liquidação não pode ir aquém ou
além dos parâmetros fixados no título executivo (art. 879, § 1º, da CLT).
Caso o Juiz do Trabalho abra o prazo do art. 879, § 2º, da CLT para o reclamado impugnar os
cálculos e este não impugná-los, não poderá exercer esse direito nos embargos à execução (§ 3º do
art. 884 da CLT), pois, inegavelmente, haverá a preclusão. Não obstante, em algumas situações, a fim
de resguardar a observância da coisa julgada, a jurisprudência tem tolerado, mesmo não tendo
impugnado os cálculos na fase do § 2º do art. 879 da CLT, que o reclamado possa, nos embargos,
invocar matérias de ordem pública, incorreções de erros materiais nos cálculos e até mesmo apontar
títulos que não constam do título executivo judicial.

11.3. Liquidação por arbitramento


A CLT apenas menciona a possibilidade da liquidação ser levada a efeito por arbitramento, mas
não diz qual o seu procedimento. Portanto, aplica-se o procedimento do CPC (art. 769 da CLT) com
eventuais adaptações do Procedimento Trabalhista (ver art. 475-C do CPC).
Conforme o art. 475-C do CPC, a liquidação por arbitramento se realizará quando determinada
pelo Juiz na sentença, por convenção das partes, ou quando o exigir a natureza do objeto da
liquidação.
No Processo do Trabalho, raramente se utiliza a liquidação por arbitramento, pois é mais onerosa,
exige a realização de perícia e provoca mais demora no procedimento. Não obstante, hipóteses há em
que a liquidação por arbitramento se faz necessária, como, por exemplo, na apuração do valor do
salário in natura, em que a sentença determinou a integração de determinada utilidade ao salário.
Nos termos do art. 475-D do CPC, requerida a liquidação por arbitramento, o Juiz nomeará o
perito e fixará o prazo para a entrega do laudo. Parágrafo único — Apresentado o laudo, sobre o
qual poderão as partes manifestar-se no prazo de dez dias, o Juiz proferirá decisão ou designará, se
necessário, audiência.
No Processo do Trabalho, a liquidação não necessita de requerimento, pois pode ser determinada
de ofício pelo Juiz (art. 878 da CLT). Desse modo, entendendo necessária a liquidação por
arbitramento, o Juiz do Trabalho determinará a nomeação do perito que realizará o laudo no período
assinalado pelo Juiz.
No nosso sentir, não há de se falar em revelia na liquidação por arbitramento, pois a demanda não
está fundada em alegação de fato novo, uma vez que os fatos já estão delineados na sentença. Desse
modo, ainda que as partes não impugnem o laudo pericial, não há de se falar em confissão ou
presunção de veracidade dos valores encontrados pelo perito, pois se trata de matéria técnica.
O Juiz do Trabalho não é obrigado a acatar o laudo, pois pode firmar seu convencimento com
outros elementos dos autos (art. 436 do CPC).

11.4. Liquidação por artigos


A Consolidação das Leis do Trabalho admite a liquidação por artigos (art. 879, caput), mas não
disciplina seu procedimento. Portanto, será necessário recorrer ao Código de Processo Civil (art.
769 da CLT).
Assevera o art. 475-E do CPC: “Far-se-á a liquidação por artigos, quando, para determinar o
valor da condenação, houver necessidade de alegar e provar fato novo”.
Nas ordenações do reino, havia o termo artigo, que era o corpo articulado de fatos novos. Também
é utilizado o termo articulado ou articulação.
Fato novo é o reconhecido na sentença de forma genérica, mas que necessita ser detalhado na fase
de liquidação. Por exemplo: a condenação apenas determina: uma indenização, horas extras, danos
morais etc., mas para apurar o valor há necessidade de se determinar sua extensão, por meio de
prova de outros fatos constitutivos. Na liquidação por artigos em que a sentença determina apenas
uma indenização, irá se apurar o montante dos danos e se fixar o valor devido, após prova dos danos.
O rito da liquidação por artigos é o mesmo da fase de conhecimento. Assim, se o processo for
pelo rito ordinário, a liquidação tem que seguir o mesmo rito, se sumaríssimo ou sumário, deve
seguir o mesmo rito (ver art. 475-F do CPC).
São exemplos de liquidação por artigos no Processo do Trabalho: a) Sentença proferida em sede
de Ação Civil Pública em que a sentença condena a pagar dano moral coletivo, mas não fixa o valor;
b) Sentença que condena a pagar horas extras, em razão da não juntada dos cartões pela reclamada,
mas reconhece a veracidade destes, determinando que a empresa junte os cartões na fase de
liquidação para apurar o número de horas extras devidas; c) A liquidação da sentença penal, que
responsabiliza o empregador em determinado acidente de trabalho, pode ser executada na Justiça do
Trabalho, realizando-se a liquidação dos danos civis pela modalidade de artigos.
No Código de Processo Civil de 1939, não se admitia que, na liquidação por artigos, se
encontrasse o valor zero. Determinava o art. 915 do CPC/39 que se fizessem quantas liquidações
fossem necessárias para se apurar algum valor. No CPC atual, não há determinação para se realizar o
mesmo procedimento, dada a natureza jurídica integrativa da liquidação. Por isso, é possível que se
encontre a liquidação zero, conforme já sedimentado em doutrina, sem que com isso haja ofensa à
coisa julgada.

11.5. Da natureza da decisão que decide a liquidação no


processo do trabalho e impugnabilidade
Antes da Lei n. 11.232/2005, no Direito Processual Civil, a decisão que determinava a liquidação
tinha natureza jurídica de sentença (art. 605, parágrafo único, do CPC).
No Processo do Trabalho, a decisão que julga a liquidação, nos termos do § 3º do art. 884 da
CLT, tem natureza jurídica de sentença.
Não obstante o § 3º do art. 884 da CLT se referir à sentença, ela não é recorrível de imediato. Por
isso, muitos sustentam que ela tem natureza de decisão interlocutória e não de sentença.
No nosso sentir, a decisão que homologa os cálculos, apesar de ser chamada de “sentença”, nem
sequer encerra o procedimento de liquidação, pois as impugnações podem ser renovadas, na
impugnação, pelo reclamante e, nos embargos à execução, pela reclamada. Portanto, acreditamos que
ela é uma decisão especial, irrecorrível, que tem índole de uma decisão interlocutória qualificada ou
mista, que decide a fase de liquidação sem status de definitividade.
Ao contrário do que entendem alguns doutrinadores, a sentença de liquidação não é meramente
homologatória ou declaratória, pois pode ter contornos de decisão de mérito, quando, por exemplo,
fixa o critério para a época da correção monetária ou resolve a questão sobre recolhimentos fiscais e
previdenciários não disciplinados na decisão.
Deve ser destacado que a decisão proferida na liquidação, como toda decisão judicial, deve ser
fundamentada (art. 93, IX, da CF), ainda que de forma concisa quando não há divergência sobre o
quantum devido.
O Tribunal Superior do Trabalho fixou entendimento de que a decisão homologatória de cálculos,
se apreciar o mérito da controvérsia sobre os cálculos, pode ser impugnável pela via da ação
rescisória, conforme a redação do inciso II da Súmula n. 399 de sua jurisprudência, in verbis:
“A decisão homologatória de cálculos comporta rescisão quando enfrentar as questões envolvidas na elaboração da conta de
liquidação, quer solvendo a controvérsia das partes, quer explicitando, de ofício, os motivos pelos quais acolheu os cálculos
oferecidos por uma das partes ou pelo setor de cálculos, e não contestados pela outra”.

Atualmente, o art. 475-H do CPC, com a Lei n. 11.232/2005, dispõe que, na decisão de
liquidação, caberá agravo de instrumento.
Diante da nova sistemática da execução de sentença no Direito Processual Civil, com supressão da
execução não como um processo autônomo, e sim como fase do processo, também a liquidação passa
a ser determinada por meio de decisão interlocutória, desafiando o Agravo de Instrumento.
No Processo do Trabalho, por força do § 3º do art. 884 da CLT, a decisão da liquidação não é
recorrível de plano. Portanto, não há como se aplicar o Código de Processo Civil no aspecto, pois a
CLT não é omissa. Além disso, a recorribilidade de plano não traz benefícios ao Processo do
Trabalho.
Além disso, no nosso sentir, como a liquidação e a execução trabalhistas não são processos
autônomos, e sim fases do processo, a impugnação do autor e os embargos à execução por parte do
executado (art. 884, § 3º, da CLT) não têm natureza de ação, mas de simples impugnação. Vale dizer:
é um meio de defesa e não uma ação autônoma.
Diante da simplificação dos procedimentos de liquidação e execução no Processo Civil, não há
razão para não se interpretar o Processo do Trabalho com os mesmos princípios da celeridade,
simplicidade e efetividade do procedimento que nortearam o legislador ao confeccionar a Lei n.
11.232/2005 e aplicá-los ao Processo do Trabalho, para se dizer que as naturezas jurídicas da
impugnação e dos embargos do art. 884, § 3º, da CLT, são de mera impugnação.
Uma vez homologados os cálculos, após a garantia do juízo, o executado pode impugnar os
cálculos de liquidação, no corpo dos embargos à execução, cabendo ao exequente tal direito no
incidente processual denominado impugnação à sentença de liquidação (art. 884, § 3º, da CLT). A
decisão proferida nos embargos à execução em que se questionam os cálculos, ou na impugnação do
reclamante, é recorrível por meio do Agravo de Petição (art. 897 da CLT).
Em algumas raras hipóteses, a doutrina tem admitido a recorribilidade imediata da decisão que
homologa os cálculos de liquidação, na hipótese em que encerra o próprio processo, a exemplo da
decisão que fixa o valor zero na liquidação por artigos. Nesse caso, há divergência sobre qual seja o
recurso cabível. Considerando-se que a liquidação pertence à fase de conhecimento, seria cabível o
recurso ordinário (art. 895, a, da CLT). No entanto, a própria CLT incluiu a liquidação no capítulo
da execução. Dessa forma, seria cabível o agravo de petição (art. 897, a, da CLT).
Pensamos que, nessas raras hipóteses de extinção do próprio processo na decisão de apreciação
dos cálculos, há a possibilidade de recurso imediato. No nosso sentir, o recurso cabível é o de
Agravo de Petição, pois a CLT incluiu a liquidação no capítulo da execução, embora a melhor
técnica sinalize no sentido de que a liquidação tem natureza cognitiva.
LIQUIDAÇÃO NO PROCESSO DO TRABALHO

DO CONCEITO DE LIQUIDAÇÃO E NATUREZA JURÍDICA

A liquidação tem lugar quando a sentença ou acórdão não fixa o valor da condenação ou não individualiza o objeto da
execução. A decisão contém a certeza da obrigação e as partes que são credora e devedora dessa obrigação, mas
não fixa o montante devido, constituindo uma fase preparatória, de natureza cognitiva, em que a sentença ilíquida
CONCEITO DE
passará a ter um valor determinado ou individualizada a prestação ou objeto a ser executado, por um procedimento
LIQUIDAÇÃO
previsto em lei, conforme a natureza da obrigação prevista no título executivo.
Sendo ilíquida a sentença exequenda, ordenar-se-á, previamente, sua liquidação, que poderá ser feita por cálculo,
arbitramento ou artigos (art. 879 da CLT).

A doutrina ainda não chegou a um consenso sobre a natureza jurídica da liquidação. Para alguns, a natureza é
NATUREZA declaratória, para outros, constitutiva.
JURÍDICA Entendemos que a liquidação é uma fase integrativa da sentença, de natureza constitutiva, fazendo parte da fase de
conhecimento, que visa a apurar o quantum debeatur ou a individualizar o objeto da execução.

MODALIDADES Por cálculos;


DE Por arbitramento;
LIQUIDAÇÃO Por artigo.

TÍTULO Ainda que determinado no título executivo com trânsito em julgado que a liquidação se processe por cálculos, poderá
EXECUTIVO o Juiz do Trabalho se valer das três modalidades de liquidação se necessário para se chegar ao quantum devido, pois
COM não há vedação na legislação processual e tal conduta se coaduna com os princípios do fiel cumprimento da
TRÂNSITO EM obrigação consagrada no título executivo e também da máxima efetividade da jurisdição. Nesse sentido, é a Súmula
JULGADO n. 344 do STJ.

LIQUIDAÇÃO E A liquidação não pode ir aquém ou além do que foi fixado na decisão transitada em julgado, sob consequência de
COISA nulidade do procedimento e desprestígio da coisa julgada material, cabendo ao Juiz velar pelo seu fiel cumprimento.
JULGADA Além disso, a proteção à coisa julgada tem status constitucional.

PRECLUSÃO
Não há preclusão para o Juiz ao apreciar os cálculos, podendo ex officio determinar qualquer diligência probatória
DOS
para que os cálculos espelhem a coisa julgada material.
CÁLCULOS
DA LIQUIDAÇÃO POR CÁLCULOS

A CLT não conceitua a liquidação por cálculos e também é omissa quanto à forma de apresentação destes pelo
LIQUIDAÇÃO POR reclamante. Desse modo, em razão de omissão da CLT e compatibilidade com o Processo do Trabalho,
CÁLCULOS NO entendemos aplicável ao Processo do Trabalho o disposto no art. 475-B, caput, do CPC, com uma pequena
PROCESSO DO adaptação. No Processo do Trabalho, como a liquidação está prevista no capítulo V da CLT (Da Execução),
TRABALHO embora não tenha natureza jurídica executiva, conforme pronunciamos anteriormente, acreditamos que o início da
liquidação possa ser determinado de ofício pelo Juiz, com suporte na aplicação do art. 878 da CLT.

A liquidação de sentença no processo civil foi sensivelmente simplificada pela Lei n. 11.232/2005, tornando-se um
incidente da fase de conhecimento, preparatória para a execução, começando por simples requerimento do autor
STATUS DA
e terminando pela decisão que homologa os cálculos, sem status de sentença, e sim de decisão interlocutória.
DECISÃO
A decisão na liquidação tem status de decisão interlocutória, denotando a ausência de autonomia do
procedimento de liquidação.

No Processo do Trabalho, a liquidação está inserida no capítulo da execução. Não obstante, também é um
PROCEDIMENTO incidente da fase de conhecimento, não sendo um procedimento autônomo. Sendo assim, nas Varas do
NO PROCESSO Trabalho, uma vez transitada em julgado a decisão, o Juiz, de ofício, intima o reclamante para apresentar os
DO TRABALHO cálculos de liquidação em 10 dias. Se ele não apresentar, intima-se a reclamada para fazê-lo, no prazo de dez
dias.

Os cálculos das partes devem apresentar o valor das contribuições devidas à Previdência, que são fixadas em
CONTRIBUIÇÕES
sentença. A intimação do INSS para impugnar os cálculos da contribuição previdenciária apresentada pelas
PREVIDENCIÁRIAS
partes deve ser realizada, devendo o INSS impugnar os valores em dez dias, sob consequência de preclusão.

PROCEDIMENTOS
a) apresentados os cálculos pelo reclamante, intimar o reclamado para impugná-los em 10 dias sob pena de
LEGAIS,
preclusão. Posteriormente à impugnação ou não a havendo, o Juiz do Trabalho homologará a conta de
FACULTATIVOS E
liquidação;
ALTERNATIVOS PARA
b) apresentados os cálculos pelo reclamante, o Juiz do Trabalho os homologará, determinando a citação do
O JUIZ DO TRABALHO
reclamado para pagamento nos termos do art. 880 da CLT, podendo a conta de liquidação homologada ser
ADOTAR NA
discutida nos embargos à execução pelo reclamado e pelo exequente na impugnação à sentença de
LIQUIDAÇÃO DOS
liquidação, nos termos do § 3º do art. 884 da CLT.
CÁLCULOS

Ao parecer que o Juiz do Trabalho deve, obrigatoriamente, intimar o INSS para impugnar os cálculos,
IMPUGNAÇÃO DE mesmo que adote a postura de postergar a impugnação dos cálculos após a garantia do juízo, a
CÁLCULOS APÓS A interpretação deve ser no sentido de cumprir, discricionariamente, ao magistrado a faculdade de estabelecer
GARANTIA EM JUÍZO o momento para a Autarquia Previdenciária se manifestar sobre os cálculos de liquidação e não exatamente
uma obrigatoriedade.

Caso o Juiz do Trabalho abra prazo para o reclamado impugnar os cálculos e este não impugná-los, não
poderá exercer esse direito nos embargos à execução, pois inegavelmente haverá a preclusão. Não
AUSÊNCIA DE
obstante, em algumas situações, a fim de resguardar a observância da coisa julgada, a jurisprudência tem
IMPUGNAÇÃO DE
tolerado, mesmo não tendo impugnado os cálculos na fase do § 2º do art. 879 da CLT, que o reclamado
CÁLCULOS
possa, nos embargos, invocar matérias de ordem pública, incorreções de erros materiais nos cálculos e até
mesmo apontar títulos que não constam do título executivo judicial.
LIQUIDAÇÃO POR ARBITRAMENTO

A CLT apenas menciona a possibilidade da liquidação ser levada a efeito por arbitramento, mas não diz qual o seu
OMISSÕES E procedimento. Portanto, aplica-se o procedimento do CPC (art. 769 da CLT) com eventuais adaptações do
REALIZAÇÃO Procedimento Trabalhista; a liquidação por arbitramento se realizará quando determinado pelo Juiz na sentença, por
convenção das partes, ou quando o exigir a natureza do objeto da liquidação.

No Processo do Trabalho, raramente se utiliza a liquidação por arbitramento, pois é mais onerosa, exige a
LIQUIDAÇÃO NO
realização de perícia e provoca mais demora no procedimento. Não obstante, hipóteses há em que a liquidação por
PROCESSO DO
arbitramento se faz necessária, como, por exemplo, na apuração do valor do salário in natura, em que a sentença
TRABALHO
determinou a integração de determinada utilidade ao salário.

Requerida a liquidação por arbitramento, o Juiz nomeará o perito e fixará o prazo para a entrega do laudo;
apresentado o laudo, sobre o qual poderão as partes manifestar-se no prazo de dez dias, o Juiz proferirá decisão ou
PROCEDIMENTO designará, se necessário, audiência. No Processo do Trabalho, a liquidação não necessita de requerimento, pois
pode ser determinada de ofício pelo Juiz. Desse modo, entendendo necessária a liquidação por arbitramento, o Juiz
do Trabalho determinará a nomeação do perito que realizará o laudo no período assinalado pelo Juiz.

Não há de se falar em revelia na liquidação por arbitramento, pois a demanda não está fundada em alegação de fato
novo, uma vez que os fatos já estão delineados na sentença. Desse modo, ainda que as partes não impugnem o
REVELIA
laudo pericial, não há de se falar em confissão ou presunção de veracidade dos valores encontrados pelo perito,
pois se trata de matéria técnica.

LIQUIDAÇÃO POR ARTIGOS

AUSÊNCIA DE A CLT admite a liquidação por artigos, mas não disciplina seu procedimento. Portanto, será
PROCEDIMENTOS necessário recorrer ao Código de Processo Civil (art. 769 da CLT).

Na liquidação por artigos em que a sentença determina apenas uma indenização, irá se apurar o
INDENIZAÇÃO
montante dos danos e se fixar o valor devido, após prova dos danos.

O rito da liquidação por artigos é o mesmo da fase de conhecimento. Assim, se o processo for pelo
RITO rito ordinário, a liquidação tem que seguir o mesmo rito, se sumaríssimo ou sumário, deve seguir o
mesmo rito.

a) sentença proferida em sede de Ação Civil Pública em que a sentença condena a pagar dano moral
coletivo, mas não fixa o valor;
b) sentença que condena a pagar horas extras, em razão da não juntada dos cartões pela reclamada,
EXEMPLOS DE LIQUIDAÇÃO
mas reconhece a veracidade destes, determinando que a empresa junte os cartões na fase de
POR ARTIGOS NO
liquidação para apurar o número de horas extras devidas;
PROCESSO DO TRABALHO
c) a liquidação da sentença penal, que responsabiliza o empregador em determinado acidente de
trabalho, pode ser executada na Justiça do Trabalho, realizando-se a liquidação dos danos civis pela
modalidade de artigos.

DA NATUREZA DA DECISÃO QUE DECIDE A LIQUIDAÇÃO NO PROCESSO DO TRABALHO E IMPUGNABILIDADE

NATUREZA JURÍDICA DO
PROCESSO DO A decisão que julga a liquidação tem natureza jurídica de sentença.
TRABALHO

Como toda decisão judicial, deve ser fundamentada, ainda que de forma concisa quando não há
DECISÃO PROFERIDA
divergência sobre o quantum devido.

HOMOLOGADOS OS
Cabe embargos à execução. A decisão proferida nos embargos à execução em que se questionam os
CÁLCULOS E A GARANTIA
cálculos, ou na impugnação do reclamante, é recorrível por meio do Agravo de Petição.
DO JUÍZO

Considerando-se que a liquidação pertence à fase de conhecimento, seria cabível o recurso ordinário. No
DOUTRINA entanto, a própria CLT incluiu a liquidação no capítulo da execução. Dessa forma, seria cabível o agravo
de petição.

Questões
1. (TRT 13ª Região — 2006) De acordo com a CLT, assinale a alternativa correta:
a) na liquidação de sentença por cálculos, as partes serão obrigatoriamente intimadas
para a impugnação fundamentada do cálculo.
b) a impugnação aos cálculos só poderá ser feita por ocasião dos embargos à
execução;
c) julgada por sentença a liquidação, os erros materiais dos cálculos não podem ser
corrigidos de ofício, necessitando manifestação das partes;
d) é vedado às partes e ao juiz, na liquidação, inovar a sentença liquidanda;
e) os cálculos das obrigações previdenciárias, decorrentes das condenações
trabalhistas, devem ser efetuados pelo INSS, no prazo de 10 (dez) dias.
2. (TRT — 15ª Região 2010) Com relação à liquidação por arbitramento dos valores devidos em
decorrência de decisão judicial, é correto afirmar que:
a) só na própria sentença pode ser determinada a adoção do procedimento;
b) as partes podem convencionar que o valor devido seja apurado por arbitramento;
c) é processada da mesma forma que a liquidação por artigos;
d) não é possível seu processamento quando a execução é provisória;
e) nenhuma das anteriores.

Gabarito
1. D
2. B
12
Execução trabalhista

12.1. Do conceito de execução trabalhista


A execução trabalhista consiste num conjunto de atos praticados pela Justiça do Trabalho
destinados à satisfação de uma obrigação consagrada num título executivo judicial ou
extrajudicial, da competência da Justiça do Trabalho, não voluntariamente satisfeita pelo
devedor, contra a vontade deste último.
A sentença não voluntariamente cumprida dá ensejo a uma outra atividade jurisdicional, destinada
à satisfação da obrigação consagrada em um título. Essa atividade estatal de satisfazer a obrigação
consagrada num título que tem força executiva, não adimplido voluntariamente pelo credor, se
denomina execução forçada.

12.2. Dos princípios da execução trabalhista


Os princípios da execução trabalhista não diferem dos princípios da execução no Processo Civil,
entretanto, em face da natureza do crédito trabalhista e da hipossuficiência do credor trabalhista,
alguns princípios adquirem intensidade mais acentuada na execução trabalhista, máxime os da
celeridade, simplicidade e efetividade do procedimento.
Com suporte na melhor doutrina, acreditamos que a execução trabalhista é norteada pelos
seguintes princípios:
a) Primazia do credor trabalhista: a execução trabalhista se faz no interesse do credor. Desse
modo, todos os atos executivos devem convergir para satisfação do crédito do exequente. Nesse
sentido, dispõe o art. 612 do Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao Processo do
Trabalho.
Na execução, o presente princípio se destaca em razão da natureza alimentar do crédito trabalhista
e da necessidade premente de celeridade do procedimento executivo.
Esse princípio deve nortear toda a atividade interpretativa do Juiz do Trabalho na execução. Por
isso, no conflito entre normas que disciplinam o procedimento executivo, deve-se preferir a
interpretação que favoreça o exequente.
b) Menor onerosidade ao executado: o presente princípio está consagrado no art. 620 do CPC.
O presente dispositivo representa característica da humanização da execução, tendo por escopo
resguardar a dignidade da pessoa humana do executado.
A regra do art. 620 do CPC se mostra compatível com a execução trabalhista (arts. 769 e 889 da
CLT).
Em contrapartida, o presente dispositivo não atrita com o art. 612 do CPC, ao contrário, com ele
se harmoniza. Com feito, interpretando sistematicamente os referidos dispositivos legais, chega-se à
seguinte conclusão: somente quando a execução puder ser realizada por mais de uma modalidade,
com a mesma efetividade para o credor, se preferirá o meio menos oneroso para o devedor.
c) Princípio do título: toda execução pressupõe um título, seja ele judicial ou extrajudicial. A
execução é nula sem título (nulla executio sine titulo). Nesse sentido, o art. 586 do CPC.
Os títulos trabalhistas que têm força executiva estão previstos no art. 876 da CLT.
Outrossim, o título a embasar a execução deve ser líquido, certo e exigível.
O requisito da certeza está no fato de o título não estar sujeito à alteração por recurso (judicial) ou
que a lei confere tal qualidade, por revestir o título das formalidades previstas em lei (extrajudicial).
Exigível é o título que não está sujeito à condição ou termo. Ou seja, a obrigação consignada no
título não está sujeita a evento futuro ou incerto (condição) ou a um evento futuro e certo (termo).
Líquido é o título que individualiza o objeto da execução (obrigação de entregar) ou da obrigação
(fazer ou não fazer), bem como delimita o valor (obrigação de pagar).
d) Redução do contraditório: o contraditório na execução é limitado (mitigado), pois a obrigação
já está constituída no título e deve ser cumprida: ou de forma espontânea pelo devedor ou mediante a
atuação coativa do Estado, que se materializa no processo.
e) Patrimonialidade: a execução não incide sobre a pessoa do devedor, e sim sobre seus bens,
conforme o art. 591 do CPC. Tanto os bens presentes como os futuros do devedor são passíveis de
execução.
A Constituição prevê apenas duas possibilidades de a execução incidir sobre a pessoa do devedor
no art. 5º, LXVII, da CF, que assim dispõe: “Não haverá prisão civil por dívida, salvo a do
responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia e a do
depositário infiel”.
Portanto, somente poderá haver prisão civil por dívida em duas hipóteses, quais sejam: a)
depositário infiel, e b) devedor de obrigação alimentícia.
O Supremo Tribunal Federal fixou entendimento, com suporte no Tratado Interamericano de
Direito Humanos, não mais ser possível a prisão do depositário infiel, mesmo o judicial, pois, no
entender da suprema corte brasileira, eles são equiparados a devedores. Com efeito, dispõe a
Súmula Vinculante n. 25 do STF, in verbis: “É ilícita a prisão civil de depositário infiel, qualquer
que seja a modalidade do depósito” (divulgada em 22.12.2009 e publicada no DJe do STF de
23.12.2009).
No mesmo sentido, Sumulou o STJ, por meio do verbete 419, in verbis: “Descabe a prisão civil
do depositário judicial infiel” (DJe 11.03.2010).
f) Efetividade: há efetividade da execução trabalhista quando ela é capaz de materializar a
obrigação consagrada no título que tem força executiva, entregando, no menor prazo possível, o bem
da vida ao credor ou materializando a obrigação consagrada no título. Desse modo, a execução deve
ter o máximo resultado com o menor dispêndio de atos processuais.
g) Utilidade: como corolário do princípio da efetividade, temos o princípio da utilidade da
execução. Por esse princípio, nenhum ato inútil, a exemplo de penhora de bens de valor insignificante
e incapazes de satisfazer o crédito (art. 659, § 2º, do CPC), poderá ser consumado.
Desse modo, deve o Juiz do Trabalho racionalizar os atos processuais na execução, evitando a
prática de atos inúteis ou que atentem contra a celeridade e o bom andamento processual.
h) Subsidiariedade: o Processo do Trabalho permite que as regras do direito processual comum
sejam aplicadas na execução trabalhista, no caso de lacuna da legislação processual trabalhista e
compatibilidade com os princípios que regem a execução trabalhista.
Na fase de execução trabalhista, em havendo omissão da CLT, aplica-se em primeiro plano a Lei
de Execução Fiscal (Lei n. 6.830/80) e, posteriormente, o Código de Processo Civil (ver art. 889 da
CLT).
Entretanto, o art. 889 da CLT deve ser conjugado com o art. 769 consolidado, pois somente
quando houver compatibilidade com os princípios que regem a execução trabalhista a Lei n. 6.830/80
pode ser aplicada.
Atualmente, na execução trabalhista, há um desprestígio da aplicação da Lei n. 6.830/80 em razão
da maior efetividade do Código de Processo Civil em muitos aspectos. Entretanto, a Lei dos
Executivos Fiscais, que disciplina a forma de execução por título executivo extrajudicial, não foi
idealizada para o credor trabalhista, o qual, na quase totalidade das vezes, cumpre um título
executivo judicial e, por isso, a sua reduzida utilização na execução trabalhista.
i) Sincretismo processual: ainda há, na doutrina, respeitáveis opiniões no sentido de que a
execução trabalhista é um processo autônomo e não uma fase do procedimento.
Em prol desse entendimento, há o argumento no sentido de que a execução trabalhista começa pela
citação do executado, conforme dispõe o art. 880 da CLT. Milita também em favor desse
entendimento a existência de títulos executivos extrajudiciais que podem ser executados na Justiça do
Trabalho, conforme o art. 876 da CLT.
Na verdade, para os títulos executivos judiciais, a execução trabalhista nunca foi, na prática,
considerada um processo autônomo, que se inicia por petição inicial e se finaliza com a sentença.
Costumeiramente, embora a liquidação não seja propriamente um ato de execução, as Varas do
Trabalho consideram o início do cumprimento da sentença mediante despacho para o autor
apresentar os cálculos de liquidação e, a partir daí, a Vara do Trabalho promove, de ofício, os atos
executivos.
Todavia, no Processo do Trabalho, em se tratando de título executivo judicial, a execução é fase
do processo, e não procedimento autônomo, pois o Juiz pode iniciar a execução de ofício (art. 878 da
CLT), sem necessidade de o credor entabular petição inicial.
Além disso, a execução trabalhista prima pela simplicidade, celeridade e efetividade, princípios
esses que somente podem ser efetivados entendendo-se a execução como fase do processo e não
como um novo processo formal, que começa com a inicial e termina com uma sentença.
O próprio processo civil, por meio da Lei n. 11.232/2005, aboliu o processo de execução, criando
a fase do cumprimento da sentença. Desse modo, a execução passa a ser mais uma fase do processo,
e não um processo autônomo que começa com a inicial e termina com a sentença.
No nosso sentir, diante dos novos rumos do processo civil ao abolir o processo de execução, e
dos princípios constitucionais da duração razoável do processo e efetividade, consagrados pela EC
45/2004, pensamos que não há mais motivos ou argumentos para sustentar a autonomia da execução
no Processo do Trabalho.
A execução trabalhista constitui fase do processo, pelos seguintes argumentos: a) simplicidade e
celeridade do procedimento; b) a execução pode se iniciar de ofício (art. 878 da CLT); c) não há
petição inicial na execução trabalhista por título executivo judicial; d) princípios constitucionais da
duração razoável do processo e efetividade; e) acesso à Justiça e efetividade da jurisdição
trabalhista.
j) Impulso oficial: em razão do relevante aspecto social que envolve a satisfação do crédito
trabalhista, a hipossuficiência do trabalhador e a existência do jus postulandi no Processo do
Trabalho (art. 791 da CLT), a CLT disciplina, no art. 878, a possibilidade de o Juiz do Trabalho
iniciar e promover os atos executivos de ofício.
Em suma:

12.3. Do título executivo


O título executivo é o documento que preenche os requisitos previstos na lei, contendo uma
obrigação a ser cumprida, individualizando as partes devedora e credora da obrigação, com força
executiva perante os órgãos jurisdicionais.
Toda execução tem suporte em um título executivo, judicial ou extrajudicial. Não há execução sem
título.
O título que embasa a execução deve ter previsão legal, revestir-se das formalidades previstas em
lei e possuir a forma documental.
A execução pressupõe que o título seja líquido, certo e exigível. Nesse sentido, é o disposto no
art. 586 do CPC, com a redação dada pela Lei n. 11.382/2006.
O requisito da certeza está no fato de o título não estar sujeito à alteração por recurso (judicial) ou
que a lei confere tal qualidade, por revestir o título das formalidades previstas em lei (extrajudicial).
Exigível é o título que não está sujeito à condição ou ao termo. Ou seja, a obrigação consignada no
título não está sujeita a evento futuro ou incerto (condição) ou a um evento futuro e certo (termo). Em
outras palavras, exigível é o título cuja obrigação nele retratada não foi cumprida pelo devedor na
data do seu vencimento.
Líquido é o título que individualiza o objeto da execução (obrigação de entregar) ou da obrigação
(fazer ou não fazer), bem como delimita o valor (obrigação de pagar).
A Consolidação das Leis do Trabalho elenca os títulos com força executiva no art. 876 da CLT.
Os títulos executivos judiciais são os produzidos pela Justiça, após a fase de conhecimento. São
eles: a) sentença trabalhista transitada em julgado; b) sentença trabalhista pendente de julgamento de
recurso recebido apenas no efeito devolutivo; c) acordos homologados pela Justiça do Trabalho.
São títulos executivos extrajudiciais na Justiça do Trabalho: a) os Termos de Ajustes de Conduta
firmados perante o Ministério Público do Trabalho; b) os termos de conciliação firmados perante as
Comissões de Conciliação Prévia; c) a certidão de inscrição na dívida ativa da União referente às
penalidades administrativas impostas ao empregador pelos órgãos de fiscalização do trabalho (art.
114, VII, da CF, com a redação dada pela EC 45/2004).
Embora não esteja explícita no inciso VII do art. 114 da Constituição Federal a competência para
execução das multas administrativas aplicadas ao empregador, no nosso sentir, a execução dessas
multas (em razão do não pagamento e inscrição de certidão da dívida ativa da União, decorrente de
autuações do Ministério do Trabalho) está implicitamente prevista no referido inciso VII, uma vez
que a redação do artigo fala em ações, e a execução também é uma ação. No entanto, não teria
sentido a Justiça do Trabalho poder desconstituir as penalidades administrativas aplicadas ao
empregador se não pudesse executar as multas. Não obstante os títulos executivos extrajudiciais
constem no art. 876 da CLT, a nosso ver, não se trata de um rol taxativo, e sim exemplificativo, não
vedando que outros títulos executivos extrajudiciais possam ser executados no foro trabalhista, como
o executivo fiscal oriundo dos atos de fiscalização do trabalho. Após a EC 45/2004, a certidão da
dívida ativa da União decorrente de infrações aplicadas ao empregador pelos Órgãos de fiscalização
do trabalho constitui um novo título executivo extrajudicial, que será executado na Justiça do
Trabalho, segundo a Lei n. 6.830/80. Por se tratar de ação de rito especial, o Juiz do Trabalho não
aplicará a CLT.

12.4. Da competência para a execução trabalhista


A CLT disciplina a competência funcional para a fase de execução trabalhista nos arts. 877 e 877-
A.
Os referidos dispositivos legais tratam da competência funcional para a execução e, portanto, são
absolutos, não podendo ser alterada pela vontade das partes.
Em suma:
EXECUÇÃO TRABALHISTA

DO TÍTULO EXECUTIVO

Documento que preenche os requisitos previstos na lei, contendo uma obrigação a ser cumprida,
CONCEITO individualizando as partes devedora e credora da obrigação, com força executiva perante os órgãos
jurisdicionais.

O título que embasa a execução deve ter previsão legal, revestir-se das formalidades previstas em lei e
TÍTULO EXECUTIVO
possuir a forma documental.

A execução pressupõe que o título seja líquido, certo e exigível;


PRESSUPOSTOS E
O requisito da certeza está no fato de o título não estar sujeito à alteração por recurso (judicial) ou que a
REQUISITO DA CERTEZA
lei confere tal qualidade, por revestir o título das formalidades previstas em lei (extrajudicial).

TÍTULO EXIGÍVEL É o título cuja obrigação nele retratada não foi cumprida, pelo devedor, na data do seu vencimento.

Líquido é o título que individualiza o objeto da execução (obrigação de entregar) ou da obrigação (fazer ou
TÍTULO LÍQUIDO
não fazer), bem como delimita o valor (obrigação de pagar).

As decisões passadas em julgado ou das quais não tenha havido recurso com efeito suspensivo;
TÍTULOS COM FORÇA
Os acordos, quando não cumpridos os termos de ajuste de conduta firmados perante o Ministério
EXECUTIVA PREVISTOS
Público;
NA CLT
Termos de conciliação firmados perante as Comissões de Conciliação Prévia serão executados.

TÍTULOS
EXECUTIVOS
JUDICIAIS a) sentença trabalhista transitada em julgado;
PRODUZIDOS b) sentença trabalhista pendente de julgamento de recurso recebido apenas no efeito devolutivo;
APÓS A FASE c) acordos homologados pela Justiça do Trabalho.
DE
CONHECIMENTO

a) os Termos de Ajustes de Conduta firmados perante o Ministério Público do Trabalho;


b) os termos de conciliação firmados perante as Comissões de Conciliação Prévia;
c) a certidão de inscrição na dívida ativa da União referente às penalidades administrativas impostas ao empregador
TÍTULOS
pelos órgãos de fiscalização do trabalho.
EXECUTIVOS
Não se trata de um rol taxativo, e sim exemplificativo, não vedando que outros títulos executivos extrajudiciais
EXTRAJUDICIAIS
possam ser executados no foro trabalhista, como o executivo fiscal oriundo dos atos de fiscalização do trabalho.
NA JUSTIÇA DO
Após a EC 45/2004, a certidão da dívida ativa da União decorrente de infrações aplicadas ao empregador pelos
TRABALHO
Órgãos de fiscalização do trabalho constitui um novo título executivo extrajudicial, que será executado na Justiça
do Trabalho, segundo a Lei n. 6.830/80. Por se tratar de ação de rito especial, o Juiz do Trabalho não aplicará a
CLT.

DA COMPETÊNCIA PARA A EXECUÇÃO TRABALHISTA

É competente para a execução das decisões o Juiz ou o presidente do Tribunal que tiver conciliado ou julgado
originariamente o dissídio.
COMPETÊNCIA É competente para a execução de título executivo extrajudicial o Juiz, que teria competência para o processo de
FUNCIONAL conhecimento relativo à matéria.
Os dispositivos legais acima tratam da competência funcional para a execução e, portanto, são absolutos, não
podendo ser alterada pela vontade das partes.

12.5. Da responsabilidade patrimonial


Na legislação brasileira, a execução não é pessoal, mas atinge os bens do devedor (art. 591 do
CPC). O art. 5º, LXVII, da Constituição Federal diz que não há prisão civil por dívida, exceto no
caso de prestação alimentar e do depositário infiel. Desse modo, somente quando o texto
constitucional admitir, a execução pode ser pessoal, ou seja, incidirá na pessoa do devedor,
privando-o da liberdade. Não se trata de prisão de caráter penal, e sim de natureza civil, a fim de
forçar o devedor de prestação alimentícia a cumpri-la e o depositário a entregar o bem que estava em
sua posse.
A responsabilidade patrimonial é um vínculo de direito processual, pelo qual os bens do devedor
ficam sujeitos à execução e são destinados à satisfação do crédito do exequente.
O patrimônio do devedor responde pelas dívidas e também pela satisfação do processo, tanto os
bens presentes como futuros, segundo a regra do já mencionado art. 591 do CPC.
O Código de Processo Civil atribui responsabilidade patrimonial a certas pessoas que, embora
não constem do título executivo, poderão ter seus bens sujeitos à execução. Tal responsabilidade
vem sendo denominada na doutrina como responsabilidade patrimonial secundária.
Não há violação do contraditório ou ampla defesa em executar bens de pessoas que não constem
do título executivo, pois as responsabilidades que lhes foram atribuídas se justificam em razão de
manterem ou terem mantido relações jurídicas próximas com o devedor, de cunho patrimonial, que
podem comprometer a eficácia da execução processual, e daí a lei lhes atribuir tal responsabilidade,
visando à garantia do crédito. Além disso, os responsáveis secundários podem resistir à execução,
por meios processuais cabíveis, como os embargos de terceiro e os embargos à execução.
A Consolidação das Leis do Trabalho não disciplina a hipótese; desse modo, resta aplicável à
execução trabalhista o art. 592 do CPC.

12.5.1. Responsabilidade do sucessor


Segundo a melhor doutrina, a sucessão trabalhista, disciplinada nos arts. 10 e 448 da CLT, tem
fundamento nos princípios da continuidade do contrato de trabalho, despersonalização do
empregador e na inalterabilidade do contrato de trabalho. Por isso, quem responde pelo crédito
trabalhista é a empresa e não quem esteja no seu comando.
São hipóteses típicas de sucessão para fins trabalhistas: a transferência de titularidade da empresa,
fusão, incorporação e cisão de empresas, contratos de concessão e arrendamento e também as
privatizações de antigas estatais (ver arts. 10 e 448 da CLT).
Para a doutrina clássica, são requisitos da sucessão para fins trabalhistas: a) transferência de uma
unidade empresarial econômica de produção de um titular para outro; b) inexistência de solução de
continuidade do contrato de trabalho; vale dizer: o empregado da empresa sucedida deve trabalhar
para a empresa sucessora. Para a moderna doutrina, à qual me filio, com apoio da atual
jurisprudência dos Tribunais, não há necessidade de que o empregado ou o reclamante em processo
trabalhista tenha prestado serviços para a empresa sucessora, basta apenas que tenha havido a
transferência total ou parcial de uma unidade de produção de uma empresa para outra para que
ocorra a sucessão para fins trabalhistas.
A moderna doutrina defende a existência da sucessão, mesmo na transferência parcial de uma
unidade econômica de produção empresarial, desde que afete de forma significativa os contratos de
trabalho. Por exemplo, a transferência de propriedade da produção de um determinado produto de
uma empresa para outra.
A sucessão não exige prova formal, podendo ser demonstrada por indícios e presunções, tais
como: transferência do fundo de comércio, transferência do principal bem imaterial da atividade,
dentre outros elementos. Porém, a simples transferência de maquinários ou compra do imóvel
empresarial não configuram a sucessão.
A sucessão de empresas pode ser reconhecida pelo Juiz do Trabalho em qualquer fase do
processo, inclusive na execução, uma vez que o sucessor tenha a chamada responsabilidade
patrimonial, independentemente de ter figurado na fase de conhecimento, seus bens podem ser
atingidos. Diante do caráter cogente dos arts. 10 e 448 da CLT, autores há que sustentam a
possibilidade de o Juiz do Trabalho conhecer de ofício a sucessão de empresas. Na execução, a
possibilidade de reconhecimento da sucessão de ofício se justifica por força do art. 878 da CLT.
Como regra geral, o sucessor responderá pela integralidade da dívida, salvo em caso de fraude,
em que a empresa sucedida responderá solidariamente, nos termos dos arts. 9º da CLT e 942 do
Código Civil.
Eventual cláusula no contrato de sucessão de irresponsabilidade da empresa sucessora pelos
débitos trabalhistas da empresa sucedida não tem validade perante a legislação trabalhista, pois as
normas dos arts. 10 e 448 da CLT são de ordem pública.

12.5.2. Responsabilidade do sócio


A pessoa jurídica não se confunde com a do sócio (art. 20 do Código Civil de 1916), tampouco a
sociedade comercial se confunde com a de seus administradores ou acionistas. Não obstante, a lei
atribui ao sócio a chamada responsabilidade patrimonial (arts. 591 e 592, II, do CPC). Desse modo,
os bens do sócio podem vir a ser chamados a responder pela execução, nos termos da lei, caso a
sociedade não apresente bens que satisfaçam a execução.
Independentemente de ter figurado no polo passivo da reclamação trabalhista, os bens do sócio
podem responder pela execução, pois a responsabilidade do sócio é patrimonial (econômica e de
caráter processual).
Atualmente, a matéria está regulamentada pelo art. 28 da Lei n. 8.078/90 (Código de Defesa do
Consumidor) e art. 50 do Código Civil, que encamparam a teoria da desconsideração da
personalidade jurídica, também conhecida como disregard doctrine, disregard of legal entity,
lifting the corporate veil, oriunda do direito anglo-saxão e introduzida ao direito brasileiro por
Rubens Requião.
O Código Civil de 2002 encampou a teoria da desconsideração da personalidade jurídica no art.
50.
Pela teoria subjetiva da desconsideração da personalidade jurídica, os bens do sócio podem ser
atingidos quando: a) a pessoa jurídica não apresentar bens para pagamento das dívidas; b) atos
praticados pelo sócio como abuso de poder, desvio de finalidade, confusão patrimonial ou má-fé.
Atualmente, a moderna doutrina e a jurisprudência trabalhista encamparam a chamada teoria
objetiva da desconsideração da personalidade jurídica, que disciplina a possibilidade de execução
dos bens do sócio, independentemente de os atos desses terem violado ou não o contrato, ou de haver
abuso de poder. Basta a pessoa jurídica não possuir bens para ter início a execução aos bens do
sócio.
No Processo do Trabalho, o presente entendimento se justifica em razão da hipossuficiência do
trabalhador, da dificuldade que apresenta o reclamante em demonstrar a má-fé do administrador e do
caráter alimentar do crédito trabalhista.
A desconsideração da personalidade jurídica no Processo do Trabalho, na fase executória, pode
ser determinada de ofício pelo Juiz do Trabalho (art. 878 da CLT), independentemente de
requerimento da parte, em sede de decisão interlocutória, devidamente fundamentada (art. 93, IX, da
CF). Não obstante, o sócio, uma vez tendo seus bens constritados para a garantia da execução, tem o
direito de invocar o chamado benefício de ordem e requerer que, primeiro, sejam excutidos os bens
da sociedade, mas, para que tal seja possível, é necessário que indique onde estão os bens, livres e
desembarcados para penhora, que sejam de fácil liquidez e obedeçam à ordem de preferência
mencionada no art. 655 do CPC (ver art. 596, § 1º).
O dispositivo acima consagra a responsabilidade subsidiária do sócio, pois prevê a faculdade de
esse invocar o benefício de ordem. Desse modo, a responsabilidade do sócio é subsidiária em face
da pessoa jurídica, entretanto, a fim de dar maior garantia e solvibilidade ao crédito trabalhista, têm
a doutrina e a jurisprudência, acertadamente, entendido que a responsabilidade dos sócios entre si é
solidária. Sendo assim, se a pessoa jurídica tiver mais de um sócio, cada um deles responderá pela
integralidade da dívida, independentemente do montante das cotas de cada um na participação
societária. Aquele que pagou a dívida integralmente pode se voltar regressivamente em face dos
demais sócios.
Quanto às sociedades anônimas, é possível a responsabilização dos diretores administradores,
pois detêm a administração da sociedade, não sendo possível a responsabilização dos acionistas (ver
art. 158 da Lei n. 6.404/76).
Conforme o art. 1.003 do CC, o sócio que se retirou da sociedade não mais responde pelas dívidas
desta após dois anos da data da retirada.
Questiona-se: a limitação da responsabilidade do sócio retirante há dois anos é compatível com os
princípios que norteiam o Direito Material e o Processual do Trabalho?
Parte da jurisprudência se mostra refratária à aplicação do art. 1.003 do CC ao Processo do
Trabalho, argumentando que a responsabilidade do sócio retirante persiste para fins trabalhistas,
mesmo após dois anos, pois, se o sócio retirante estava na sociedade à época da prestação de
serviço e usufruiu da mão de obra do trabalhador, é justo que seu patrimônio responda pelos débitos
trabalhistas. Além disso, argumentam incompatibilidade com os princípios protetor da natureza
alimentar e irrenunciabilidade do crédito trabalhista.
Outros argumentam que o art. 1.003 do CC se aplica integralmente ao Processo do Trabalho, em
razão de omissão da CLT e compatibilidade com os princípios que regem a execução trabalhista,
máxime os da dignidade da pessoa humana do executado e meios menos gravosos da execução (arts.
769 e 889 da CLT).
No nosso sentir, o art. 1.003 do Código Civil se aplica ao Processo do Trabalho por conter um
critério objetivo e razoável de delimitação da responsabilidade do sócio retirante. Não obstante, em
casos de fraude ou de notória insolvência da empresa ao tempo da retirada, a responsabilidade do
sócio retirante deve persistir por prazo superior a dois anos.

12.5.3. Bens do cônjuge


Assevera o art. 592 do CPC, no inciso IV, que os bens do cônjuge, nos casos em que os seus bens
próprios, reservados ou de sua meação respondem pela dívida.
Os bens do cônjuge respondem pelas dívidas, uma vez que há presunção de que as dívidas
contraídas pelo outro cônjuge foram em benefício do casal, máxime se um deles exercer atividade
econômica.
Na esfera do Processo do Trabalho, a responsabilidade do cônjuge se justifica em razão da
proteção do crédito trabalhista quando a empresa não apresenta bens que solucionem a execução,
decorrente da atividade do sócio da empresa ser em benefício do casal e, na maioria das vezes,
todos os bens estarem em nome do casal ou do outro cônjuge, que não é sócio da empresa.
Não obstante, o cônjuge pode conseguir derrubar a presunção de que foi beneficiado pelas dívidas
contraíd