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EXCELENTI SSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREI TO DO 2ºJUIZ ADO


ESPECI AL CÍ VELDO FORO DA COM ARC A DE PETRÓPOLIS DO ESTADO DO
RIO DE J ANEI RO

TJRJ PET JC02 201803516340 18/05/18 14:22:39138550 PROGER-VIRTUAL


Processo nº 0000777-24.2018.8.19. 0042

ACBZ IMPORTAÇ ÃO E COMERCIO LTD A., pessoa jur ídica de dir eit o
privado, inscrita no CNPJ 09.509.531/0001-89, com sede à Rua Loef green, nº
1.057, Vila Clement ino, São Paulo – SP, CEP: 04.040-001, nos autos da AÇ ÃO
INDENIZ ATÓRI A que lhe move DIEGO GONÇ ALVES DE AR AUJO, perante est a
MM. Vara e respectiva Secretar ia, por seu advogado, que esta subscreve, vem,
apresentarCONTESTAÇ ÃO, com f ulcro no artigo 30 da Lei 9099/95 e demais
cominações legais pertinentes à matéria, pelos mot ivos de f ato e de direito a
seguir expostos:

RESUMO D A INI CI AL

Aduz oAut orter adquir idoum Notebookde f abricação da


Contest ante,conf orme narra em sua exordial. Narra ainda, que passado algum
tempo de uso, este veio apresentar eventuais vícios de f uncionamento.

Apoia a sua tese, alegando ter entrado em contato com a Fabr icante,
sendo or ient ado a encam inhar o produto para a assistência técnica, o que f oi
f eito através de autorização de postagem f ornecida pela Ré.

Avenida Nove de Julho, 4939, Torre A, 11º andar | Jardim Europa, São Paulo/SP | CEP 01407-200
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Entretanto, af irma que ao receber seu aparelho de volta, este estava


apresentando event uais vícios, havendo a necessidade de enviar o produto por
mais duas vezes para análise, porém, retornando o mesmo com os eventuais
vícios.

Em razão do exposto, f undamenta com o que acredita ser de direito:

a) Rest ituição dos valores pagos pelo produto;


b) Indenização à t ít ulo de danos morais.

No entanto, razão nenhuma assiste a parte Autora, conf orme restará


provado por meio desta peça cont estat ória, bem como por meio das provas que
são e ser ão produzidas. Aliás, resta clara, ainda, a t entativa de enr iquecimento
às custas desta Ré.

PRELIMIN ARM ENTE

Da Incom petência dos Juizados Especi ais

Acerca da compet ência dos Juizados Cíveis Especiais, dispõe o artigo


3º da lei 9.099/95: “O Juizado Especial Cível tem competência para conciliação,
processo e julgamento das causas cíveis de menor complexidade[...]”.

A presente demanda versa sobre um suposto def eito de produto, que de


acordo com o Autor não f oi devidament e comprovado. Conf orme se inf ere dos
autos, não f ora acostado pelo Autor qualquer documentação que comprove o
suposto def eito aleg ado, tendo apenas se paut ado em argumentos unilaterais e
sem qualquer suport e técnico, motivo pelo qual, para que sej a possível precisar a
existência e consequente causa do suposto def eito, se f az necessária a
realização de exame pericial imparcial por este juízo.

Pelo que se verif ica, a inicial apresentada expõe, clar amente, a


necessidade de realização de uma prova per icial, o que af asta de pronto a
competência do JEC.

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Isso porque, os f atos controversos somente podem ser comprovados


através de prova t écnica e a não det erminação da per ícia f ere os pr incípios
constit ucionais do contraditório, da ampla def esa e o devido processo legal.

Sendo assim, em razão da inevit ável e imprescindí vel pr odução d e


prova técnica para apuração da exist ência do suposto defeito menci onado e
a incompatibilidade com o rito adot ado nest e Juizado Especial, r equer se
digne Vossa Excelência r econhecer a incompet ência do Juízo para o
processamento da presente ação e, em consequência, a extinção do feito
sem o julgamento do mérito.

Ora, é f ato notório o de que os Juizados Especiais f oram criados como


uma tentat iva do Legislador de dar uma solução mais céler e a casos de menor
complexidade, que exijam menores ou nenhum esf orço probatór io das partes
mediante a simplicidade dos f atos e direitos apresentados; onde possa o
magistrado ef etuar, quase que de plano, sua prestação j urisdicional, sem se
prender à realização de provas complexas, como a per ícia t écnica necessár ia no
presente caso.

Pugnar pela competência dos Juizados Especiais em casos dessa


natureza ser ia uma af ronta ao espírit o e f inalidade da nor ma instituidora dest e
órgão jurisdicional. Se assim f osse, est ariam os Juizados Especiais invadindo a
competência da Just iça Estadual, reser vada e melhor equipada para dar solução
justa a casos mais complexos e, por consequência, de mais morosa resolução.

Ressalte-se que tal dispositivo limitador de competência tem caráter de


norma pública, sendo, portanto, inaf astável, uma vez que visa evitar lesões à
direitos f rente à celeridade do rito instituído pela Lei 9.099/95. A ext ensão da
competência dos Juizados Especiais a casos de maior complexidade, como o
presente, acarretaria inaceit ável risco à ordem democrática em nosso país
inst ituída, j á que tal f ato se traduziria em uma grande incer teza jur ídica e uma
af ronta direta a vár ios princípios constit ucionais.

Al ém de, cert amente, concretizar um inegável e inaceitável


cerceamento de defesa, posto que pri varia a Ré de pr ova i mprescindí vel para
comprovar o que alega, fator essencial para um a boa e justa sol ução do
litígio.

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Considerando a complexidade da matéria, incompat ível é o


procedimento eleito pela requerent e devendo a ação ser ext inta sem resolução do
mérito, consoante ar t. 51, II da lei 9.099/ 95.

Neste sentido, de f orma esclarecedora segue vot o prof erido pela Juíza
Relatora Maria do Carmo Honorio, da 4ª Turma Cível do Colégio Recursal dos
Juizados Especiais Cíveis e Cr iminais do Estado de São Paulo, no Recurso
Inominado nº. 989.09.002358-7, senão vejamos:

( .. .)

Ac on tec e q u e um dos r eq u is it os n ec es s ár i os à ex is t ênc i a e va l i da d e


da r e laç ã o pr oc es s u a l é a c om pet ê nc ia do J ui z, a qu a l é
de t er m in ad a p or v ár i o s c r i t ér ios , d en tr e os qu a is es tá ins er i do o da
c om pl ex id a de d a c a us a. V al e re s sa lt ar , a e ss e r esp e it o , q u e n ã o
se p o d e co n f u n d ir p eq u en o v al o r co m m en o r co m p l e xid ad e d a
lid e.

No c as o em an á l is e , f o i atr i b uí do à c a us a v a lor qu e n ã o u ltr a pas s a


qu ar e nt a s a l ár i os m ín im os , m as , em c on tr ap ar ti d a, a pr es e n ta
qu es tã o j ur íd ic a, c uj a s ol uç ão de p en d e d a pr o d uç ão de in tr inc a d a
pr o v a per ic i a l, i nc o m patí v e l c om o pr o c ed im en t o do J u i za do
Es pec i a l, c a lc a do n a o r a li d a de e t o das as s u as d er i v aç õ es .

A p ro p ó s it o , é im p o rt an t e r es s alt a r que as co n t es t an t e s
re q u er e r am a p ro d u ç ão d e p e rí c ia t é cn ic a , p ar a co mp ro v a r q u e
o d e f e it o d o ap a re lh o d e co r r eu p o r c o n t a d em au u so p o r p ar t e
d o co n su m id o r .

As s im , nã o s e po d e d e ix ar d e o bs er v ar o pr i nc í p io c o ns t i tuc i on a l da
am pl a d ef es a, q ue g ar a n te a o r é u o di r e it o d e pr o var o f a t o
des c o ns t i tu t i vo d o d ir e it o d o a ut or .

A e x p er i ên c i a t e m d emo n st r ad o q u e o p r o s se g u i me n t o d o f eit o
co m a re al iz aç ão d a p e rí ci a o es p í rit o d a l ei . 9. 09 9 /9 5, ei s q u e
est e a c ab a t o m an d o ru m o d o p r o c e ss o co mu m , co m in c id en t e s ,
q u e d e sc a ra ct e riz am o p ro c ed i m en t o es p e ci al , c o m d e sg a st e d a
im ag em d o Ju iz ad o E sp ec ia l, q u e s e o ri en t a p elo s cr it ér io s d a
o r al id ad e, s imp li ci d a d e e c el e ri d a d e .

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( .. .) ( D at a d o j u l gam en t o: 1 7 /0 2/ 2 00 9)

Isso porque, apesar de todo conheciment o jur ídico, os magist rados não
podem ser considerados pr of issionais competentes para elaborar um laudo
pericial, nem tampouco emit ir um simples parecer sem f undamentação técnica
acerca desta questão.

Assim, resta clar a a absoluta incom petência deste Juízo para julgar o
presente f eito f rente à complexidade da prova a ser pr oduzida, caract erizada pela
imprescindibilidade da produção de prova pericial, razão pela qual deve ser o
processo extinto, sem julgamento do mérito.

No mais, em atenção ao princípio da eventualidade, caso não seja esse


o entendimento dest e MM. Juízo, r equer a contestante, seja realizada per ícia no
Notebook adquir ido pelo Consum idor, a f im de apurar se houve ou não def eito
nos produtos.

D A RE ALID ADE F ÁTI C A

Em atendimento ao princípio da eventualidade, caso Vossa Excelência


entenda por não acolher a preliminar acima arguida, requer essa Contestante que
sejam considerados os f atos abaixo destacados, os quais demonstrarão que
razão alguma assist e a parte Aut ora, senão vejamos:

Pois bem, verif ica-se que o Autor af irma que enviou o apar elho para a
assistência técnica, entretanto, teve seu pedido de repar o negado.

Ocorre, Vossa Excelência, que dif erent emente do alegado pela parte
Autora a negativa de atendimento est á devidament e amparada nas cláusulas de
garantia da Fabr icante, senão vejam os:

Em 12 de dezembro de 2017, o equipamento f ora encam inhado para a


assistência técnica. Af irmava o Autor que o produto apresentava eventuais vícios
de f uncionamento no W if i. Ocorre que, quando o produto f oi submetido às
análises de praxe, f oi ident if icado q ue o sistema oper acional havia sof rido
mudanças, f ato este que exclui o aparelho da garantia da Fabricante, visto que

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sof reu modif icação por terceiro, não podendo a Fabricante se responsabilizar por
este tipo de ocorrência.

Cabe mencionar que a Política de Gar antia da Fabricante é clar a no


sentido inf ormar que os mot ivos pelos quais um produto poder ser excluído da
garantia, sendo um deles, a violação do item por terceiros, que f oi exatamente o
que ocorreu no pr esente caso.

O Autor menciona ainda que adquiriu o produto desta f orma da Loja e


que a alteração f oi r ealizada por est a. Isto posto, resta evidente que o pr oduto f oi
alterado, devendo a Loja responder por qualquer eventualidade que ocorra com o
produto. Se a modif icação do produto f oi realizada sem a autorização do Autor,
conf orme narra em sua inicial, cabe apenas à Corré responder pelo suposto dano,
não tendo a Fabricante qualquer ingerência sobre prejuízo sof rido.

Estaria esta Ré disposta a repara o item se este est ivesse dentro das
normas de garant ia estabelecidas previamente, ou seja, sem ter sido modif icado
ou violado por terceiros. Ademais, não pode esta Ré ser penalizada por dano ao
qual não de causa.

Conf orme laudos técnicos anexos, os vícios alegados pela parte Autor a
f oram devidamente solucionados quando do envio à assist ência, não exist indo
nos autos qualquer prova que evidencie o contrário.

Veja Excelência que a Contestante, em momento algum a Ré se negou


a realiza qualquer atendimento que visasse solucionar o contratempo or a
suscitado peloDem andante. Muito pelo contrário, a ré cumpriu com a sua
obrigação, atendendo a todas as solicitações do Autor, estando dentro dos
conf ormes da disposição legal, senão vej amos:

“ ( . ..) Ar t . 18 . O s f o r nec e d or es d e pr o du t os d e c ons um o d ur á v e is o u n ã o


dur á v e is r es po n dem s o li d ar iam en t e p el os ví c i os de qu a l id a de ou qu a nt i da d e
qu e os to r n em im pr ó p r i os ou i n ad e qu a d os a o c ons um o a q u e s e des t in am ou
l hes d im in u am o v al or , as s im c om o por a q u e les d ec or r e n tes d a d is par i d ad e,
c om a i n d ic aç õ es c o ns t a nt es do r ec i p ie n t e, d a em ba la g em , r o tu l ag em ou
m ens ag em pu bl ic i tár i a , r es pe i ta d as as var i a ç ões dec or r e nt es d e s ua na t ur e za ,
po d en d o o c o ns um ido r ex i g ir a s u bs t i tu iç ão das par tes v ic ia d as .

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§ 1° N ã o s e nd o o v íc i o s a na d o n o pr a zo m áx im o d e tr in t a d i as , p o de o
c ons um id or ex i g ir , a l t er n a ti v am en te e à s u a es c o lh a :

I - a s u bs t i tu iç ã o d o pr o du to por o u tr o d a m es m a es p éc i e , e m per f e it as
c on d iç ões d e us o;

II - a re st it u iç ão i m ed i at a d a q u a n t i a p ag a, m o n e t a ri a me n t e at u a liz ad a ,
se m p r ej u íz o d e ev e n t u a is p er d a s e d an o s ;

III - o a b at im en to pr o p or c io n a l do pr eç o. ( .. .)

Sendo assim, não pode a Ré ser responsabilizada por dano ao qual não
deu causa, visto que se pront if icou a solucionar o óbice apresentado pela part e
Autora dentro dos seus lim ites, o que f ez, estando de acordo com o estabelecido
pelo Código de Def esa do Consum idor.

D A INVERS ÃO DO ÔNUS D A PROV A

Ao que parece o CDC, submergiu a doutrina e as demais decisões


judiciais quase que impondo a inversão do ônus da prova nas relações de
consumo. Trata-se de regra f eral, que admite várias exceções.

Exceção importante, que merece análise particular, é a estabelecida no


artigo 6º, VIII, segunda parte, abaixo transcr ito, como se vê, a lei não impõe
inversão nas hipóteses indicadas, mas deixa a critér io do juiz analisar cada caso,
a ver se a alegação do consumidor é ver ossím il e se ele é hipossuf iciente.

Sendo que a ver ossimilhança bem como hipossuficiência são


conceitos carr egados de subjeti vidades!

Conf orme preconiza jurisprudência pátria oriunda do Tribunal de Justiça


do Estado de São Paulo, sobre o tema:

PR E ST AÇ ÃO DE S ER V IÇ O S . AÇ ÃO D EC L AR AT Ó R I A. C ER CE AM ENT O
DE F E S A. IN V ER S ÃO DO Ô NU S D A P R O V A. D E S C AB IM E NT O . P RE L IM IN AR
RE J E IT AD A. A p es ar d e r ec on h ec id a a r e laç ão de c ons um o, n ã o e s tá p r es e nt e
no c as o , a h i pos s uf ic i ênc i a t éc n ic a, r a zã o p e la q u a l nã o s e adm it e a i n v er s ã o
do ô n us da pr o v a, c onf or m e pr e v is t o n o ar t . 6° , i nc is o V II I, d o Có d ig o d o

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Co ns um id or . P R E ST A ÇÃ O D E S ER V IÇO . CO BR A NÇ A. F O RN E CI M ENT O D E
ÁG U A. O B RIG A Ç ÃO DE MO N ST RA D A. C O B R AN ÇA CO RR ET A . R EC UR S O
IM P RO VI DO . Im põ e- s e af ir m ar qu e a Re q u e r en t e at en d e u ao ô n us pr ob a tór i o,
ao d em ons tr a r a ex is t ênc i a d a obr i g aç ã o, a m er ec er os va l or es r ec lam ad os ,
v e z qu e , ní t id o, ho u v e pr o ve i to ec o nôm ic o po r par t e do Us u á r i o, c om a
pr es t aç ã o dos s er v i ç os de f or nec im en t o de á g ua . PR E S T AÇ ÃO DE
S ER V IÇO S . CO BR A N ÇA . HO NO R Á RIO S A DV O C AT ÍC IO S. F IX A ÇÃ O E M 10 %
SO B RE O V AL O R D A CO ND E N AÇ ÃO . M Í NI MO L EG A L. RA Z O A BI L ID AD E .
AR B IT R AM E NT O M AN T IDO . R E CU R SO I M P RO VI DO . T em - s e p or p le n am ent e
r a zo á v e l a f ix aç ã o d a v er ba h o nor ár i a em 10 % do va l or da c o n d en aç ão , po r
gu ar d ar c o nf or m id a d e c om o tr a b al h o r ea l i za d o . 0 0 05 6 82- 5 5. 2 01 1. 8. 2 6. 0 45 2
A pe l aç ão / R e ex am e Nec es s ár io - Re l a tor ( a) : Ar m an d o T o le d o - Com ar c a :
P ir aj u - Ó r g ão j u l ga dor : 3 1ª - Câm ar a d e D ir e i to Pr i va d o - D a ta d o
j ul g am ent o : 2 5/ 0 6/ 2 0 13 - Da t a d e r eg is tr o: 26 / 06 /2 0 1 3 - O u tr os n úm er os :
56 8 25 5 20 1 1 82 6 04 5 2.

Bem como decisão prof erida no Distr ito Federal a seguir transcrita:

PR O C E S SO CI V IL . AU S Ê N CI A DE T R ANS CR IÇ ÃO DO S D E PO IM ENT O S
G R AV AD O S . AP R E CI AÇ ÃO R E ST RIT A POR E ST A T URM A RE CU R S AL .
T EST EM UN H A. P R E ST ADO R DE S ER V IÇ O . SU S P EI Ç ÃO N ÃO
V ER IF IC AD A. N ÃO O BR IG AT O R I ED AD E DA I N V ER S ÃO DO Ô NU S DA
PR O V A. F AL H A NA PR E ST AÇ ÃO DE S ER V IÇO N ÃO CO M PRO V AD A.
S ENT EN ÇA M A NT ID A RE CU R SO IM P RO VI DO . S ENT EN Ç A M A NT ID A PO R
S EU S PRÓ P RIO S F UN D AM E NT O S , CO M S ÚM UL A DE J ULG A M ENT O
S ER V IN DO D E A CÓ RD ÃO , N A F O RM A DO ART . 4 6 D A L E I 9. 09 9 /9 5.
CO N D ENO A R E CO R RE NT E AO P AG AM E N T O DE CU ST A S PRO CE S S U AI S E
HO NO R ÁR IO S A D VO CAT Í CIO S , F IX ADO S EM 1 0% ( D EZ PO R C E NT O )
SO B RE O V A LO R DA CO ND E NA Ç ÃO , IS E NT A NDO - A , CO N T UDO , DO
P AG A M ENT O E M R AZ ÃO D A G R AT U ID AD E DE J UST I Ç A D EF ER I DA .( T J - DF -
ACJ : 2 0 07 0 61 0 1 16 7 4 3 DF , Re l at or : C A RM E N B IT T ENCO U RT , Da ta de
J u lg am en to : 1 4/ 1 0/ 20 08 , P r im e ir a T ur m a Rec ur s a l d os J u i za d o s Es p ec ia is
Cí v e is e Cr im in ais do D.F ., D at a d e P u b lic aç ão : DJ U 24 /1 0 /2 0 08 P ág . : 1 08)

Em conclusão, a inversão automát ica do ônus da prova, se não f eita à


prova elisiva do alegado def eito de seu produt o, gozando de ausência de
ver ossímeis as alegações do consumidor, arrostará a Cont estante, consequências
negativas e uma pr ovável condenação injusta, sob a ótica da hierarquia das
provas.

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DO DIREI TO

Inicialmente, a empr esa Ré agiu dentro da legalidade, ou seja, jamais


cometeu, conscientemente, qualquer ato que pudesse causar dano ao Autor.

Em sent ido amplo, para SAVATIER a cul pa seria a “inexecução de um


dever que o agent e poderia conhecer e obser var”. É a f alta de um dever
jur ídico. Para PLAI NOL, “culpa é a infração de uma obr igação preexi stent e,
ordenando a lei a sua repar ação, quando existir o dano”.

Sendo certo, que o Autor, prefere abar rotar o Poder Judi ciário, com
uma demanda de baixíssima complexidade.

DOS D ANOS MOR AI S

Super ada a f ase da ausência de culpa deste Réu, o que se cogit a


somente em respeito ao princípio da event ualidade, é f ato de não ter em
momento algum sof rido ao Autor, agressões à sua honra, aptas a justif icar o
pleito de um valor tão exorbitante, pleit eando ser indenizada, com valor muito
super ior ao valor do bem.

Ao contrár io do que alega o Autor, jamais a Ré cometeu a um ato ilícit o


que venha acatar lesões a sua honra, uma vez que não se opôs a analisar o
produto quando encaminhado para a assistência técnica, restando clara a sua
boa-f é perante o consumidor.

Portant o, jamais cometeu o Réu um erro gr osseiro, que justifique


quantia exorbitant e como dano moral. Isto porque, conforme já exposto nos
fatos, nunca houve recusa no reparo/consert o do cel ular.

Assim como, ainda que se considere a “t eoria do risco”, tão evocada por
autores que visam lucrar com a “maravilhosa indústr ia do dano moral” precisa ser
entendida corretamente, senão vejamos:

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O entendimento do ilustre jurist a SILVIO RODRIGUES, que assevera “o


texto legal é justificadamente tímido, pois a responsabilidade só em ergirá se
o risco criado f or grande e não houver o agente causador do dano tor nado as
medidas tecnicam ente adequadas para preveni-lo”.

Ilustra em sua obra o Douto RON ALDO BRETAS DE C ARVALHO DI AS


que “uma vez definida perigosa, em concr eto, a ati vidade, responde aquel e
que a exer ce, pelo risco, ficando a vítima obrigada apenas à pr ova do nexo
causal, exoner ando-se o aut or do dano se com provar que adotou todas as
medidas idôneas ou preventi vas e tecnicamente adequadas para evit á-lo, ou
que o resultado decorreu de caso fort uito.”

Por outro lado, a responsabilidade civil objetiva no Código Civil vigente


implica na ampliação dos casos de dano indenizável, o que causa pr eocupação,
haja vista que det erminadas atividades ou situações estar iam vistas sob a ótica
da teoria do risco criado, o que acarreta o problema do aum ento considerável do
número de ações indenizatór ias ajuizadas.

Tudo para que se evite i ndenizações absurdas, alimentando o senso


comum à indústria indiscriminada do dano mor al.

O que não pode concor dar est a Ré é com o descabido pedido de


indenização por danos morais.

Não cabe a nós, e nem é o propósit o da demanda, identif icar um


culpado, porém não pode arcar esta Ré com os despautérios pleiteados pelo
Autor, por f atos que não desabonaram em nada a sua moral.

Deste modo, somente se aquele que desempenha a atividade de r isco


não agir com as cautelas normais de segurança é que se poder ia concluir pela
aplicação da responsabilidade civil objet iva.

CONCLUS ÃO E PEDIDO

Pelo expost o, e na melhor f orma de direito, requer a Ré se digne Vossa


Excelência, em acolher a preliminar explanada, j ulgando extinto o processo, sem

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resolução do mér ito. Contudo, caso assim não entenda, Vossa Excelência, que se
digne em julgar a pr esente ação TO TAL MENTE IMPROCEDENTE, pr incipalmente
no que se ref ere ao pedido de danos m orais, isentando a Ré do pagamento do
valor exor bitante, pedido pela Autor a, a esse t ítulo, nos t ermos dest a
contestação, primeir amente em absolut o respeit o às normas constit ucionais no
que tange ao princípio da proporcionalidade, assim como em respeito às normas
de Direito Civil e demais cominações legais, de modo a não f avorecer o
enriquecimento ilícit o

Caso ainda não sej a este o entendimento deste MM. Juízo, no sent ido
de que eventual indenização deva ser imputada a Ré, o que se admite apenas por
uma questão de obser vância ao pr incípio da eventualidade, requer sejam
obser vados os cr it érios para f ixação da mesma, de forma a se mostrar
proporcional e condizente em r elação à condut a da Ré, após, inclusive, ver if icar-
se qual f oi o dano ef etivamente suportado pelo Autor, e não um f ator de
enriquecimento ilícito da mesma, conf orme estabelece o artigo 944 e seu
Parágraf o Único do Código Civil e tão pouco, desproporcional ao dano
ef etivamente sof rido, conf orme artigo 5º, V da Constit uição Federal.

Ainda, requer provar o alegado por todos os meios de prova em direit o


admit idos, pr incipalmente pelo depoim ento pessoal do Autor, sob pena de
conf esso, oitiva de testemunhas, inclusive as mesmas eventualment e arroladas
pelo Autor e juntada de novos documentos que se f izerem necessár ios ao
esclarecimento dos fatos.

Indica, para os efei tos do art. 77, V, do Código de Pr ocesso Ci vil, o


ender eço dos Patr onos do Consignante, requer endo que as intimações de
todos os at os pr ocessuais sejam publicadas em nome do advogado
habilitado nos autos, bem como, r equer, faça constar na capa deste feito em
todas as publicações advindas do mesmo seu nome, independente dos
patronos que assi narem f uturas peti ções refer ente aos autos em epí grafe,
sob pena de nulidade.

Termos em que,

Pede Def erimento

São Paulo,18 de maio de 2018.


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