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PROJUDI - Processo: 0005212-73.2018.8.16.0026 - Ref. mov. 56.

1 - Assinado digitalmente por Mauro Cavanha Conceicao


11/06/2018: JUNTADA DE PETIÇÃO DE CONTESTAÇÃO. Arq: Contestação

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
EXCELENTÍSSIMO JUÍZO DA 1ª VARA CÍVEL DO FORO REGIONAL DE CAMPO LARGO, COMARCA

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJTWZ CHDF3 JRBSW ASFSD


DA REGIÃO METROPOLITANA DE CURITIBA - PARANÁ

Autos nº 0005212-73.2018.8.16.0026

MAURO CAVANHA CONCEIÇÃO, brasileiro, advogado, com registro na


OAB/PR n° 85.999, residente e domiciliado nos Estados Unidos da América, 7230 W 80th ST, Los
Angeles- CA, Zip Code 90045, advogando em causa própria, vem respeitosamente à presença de
Vossa Excelência, nos autos da AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL E MATERIAS c/c
PEDIDO DE ANTECIPAÇÃO DE TUTELA, que lhe promove LUIS CLAUDIO FERNANDES MIRANDA E
ANDERSON DA SILVA FLORES, apresentar

CONTESTAÇÃO COM PEDIDO CONTRAPOSTO

o que o faz consubstanciada nos motivos de fato e de direito a seguir aduzidos:

DO BENEFÍCIO DA JUSTIÇA GRATUITA

Preliminarmente, o demandado, na forma da Lei 1.060/50, com alterações advindas das


Leis 7.510/86 e 7.871/89, e do art. 5.º, LXXIV, da Magna Carta, vem, na presença de Vossa
Excelência, pleitear os benefícios da Assistência Judiciária Gratuita, por não poder arcar com as
custas, despesas cartoriais e honorários advocatícios sem comprometer sua manutenção e de sua
família. Apresenta última declaração de imposto de renda, em conjunto à declaração anexa.

DA SÍNTESE DOS FATOS

Trata-se de ação indenizatória por danos morais e materiais


consequentes de publicações injuriosas, difamatórias e caluniosas feitas na internet por parte dos
Réus e ainda de prejuízo material referente ao não cumprimento de um trato, através do
“Whatsapp”, qualificado pelos Autores como extorsão.
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11/06/2018: JUNTADA DE PETIÇÃO DE CONTESTAÇÃO. Arq: Contestação

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Requereu e logrou êxito, quanto à concessão da medida liminar para

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determinar que o Réu MAURO CAVANHA CONCEIÇÃO remova o vídeo intitulado “Luis Miranda
DESMASCARADO”, bem como que os réus se abstenham de fazer novas postagens e vídeos com
conteúdo ofensivo aos autores, sob pena de multa diária no valor de R$500,00 a incidir até
perfazer o montante de R$30.000,00, a qual reverterá em proveito dos autores.

Invoca, em virtude dos fatos imaginariamente ocorridos, a procedência


da ação, com a consequente condenação absurda dos Réus ao pagamento de R$ 200.000,00
(duzentos mil reais) a título de danos morais e do valor de R$ 35.000,00 (trinta e cinco mil reais) a
título de danos materiais.

Em sequência, emendou-se a peça inicial para um montante ainda mais


absurdo no valor de R$ 1.000.000,00 de danos morais, atribuindo-se novo valor à causa a monta
de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Não ficou clara a desistência do dano material, qual não
mais foi somado no valor da causa emendado.

De toda sorte, que pese as alegações acima, conforme será


demonstrado, à parte Autora não assiste razão, devendo-se julgar improcedentes os pedidos
aduzidos na inicial, inclusive imediatamente ser revogada a liminar concedida, tendo em vista a
escorreita conduta do contestante.

DA REALIDADE DOS FATOS

Ao contrário do que tenta fazer crer o autor, o verdadeiro desencadear


dos fatos é completamente oposto da situação por ele apresentada.

No início do ano de 2018, vivendo nos EUA e de lá ter postado um vídeo


denunciando a incoerência do Autor Luis Claudio Fernandes Miranda, onde este realizou
promessas que até o momento não haviam sido cumpridas, o Réu Mauro Cavanha recebeu vários
emails de pessoas prejudicadas, três destas pessoas decidiram participar de um próximo vídeo
alerta/denúncia para contar seus casos de prejuízo.

Como a intenção não era difamar o Autor, mas sim resolver o prejuízo
dessas pessoas, no dia 25/03/2018, o Réu Mauro Cavanha escreveu um email (cópia em anexo)
convidando o Autor Luis Claudio Miranda para apresentar uma defesa (que iria ao ar, juntamente
com as denúncias), ou de celebrar um acordo conciliatório, pagando simplesmente o que devia a
cada uma dessas pessoas.

Não tendo interesse na defesa ou conciliação, o Autor Luis Claudio


Miranda apenas se pronunciou depois que o vídeo ganhou proporção e uma vez que várias
pessoas lhe pediram explicações.
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Luis Miranda primeiramente entrou em contato através do seu

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empregado e segundo Autor, Anderson Flores, que realizou uma negociação confusa por
“Whatsapp” com o Réu Alexandre. Este achou que estaria recebendo o seu devido dinheiro.

Recebido o dinheiro, o Réu Alexandre retirou todas as postagens que


havia feito na mídia social “facebook”, mas o Autor Flores ainda queria a retirada do vídeo do
YouTube, dizendo que teria pago por isso. Percebendo a incongruência, o Réu Alexandre
prontamente ofereceu devolver o dinheiro, até porque nunca teria poderes para o fazer, já que o
canal é de propriedade do Réu Mauro Cavanha. Ainda nesta oportunidade, o Autor Flores disse
que era desnecessário devolver o dinheiro.

Agora, em contato também com o Réu Mauro Cavanha, o Autor


Anderson Flores novamente insistiu que havia pagado para retirar o vídeo do ar. O Réu Mauro
Cavanha, após conversar com o segundo Réu, igualmente ofereceu devolver o dinheiro, se aquele
fosse o caso.

Portanto, em ambas as oportunidades, o Autor Flores disse que não


queria seu dinheiro restituído, opção esta ainda confirmada pelo Autor Luis Miranda, o qual disse
em conversa pelo “Whatsapp”, podendo ser ouvida neste link (hora 1, minuto 43, segundo 10):
https://youtu.be/DOdyWABsEnw que:

“...por mais que ele faça a devolução do dinheiro, o que acho que é uma
burrice, agora é melhor ele ficar com o dinheiro que pelo menos a
gente tem um caminho já meio resolvido, amanhã mesmo estou
depositando para o Flores e está resolvido isso...”

Na sequência, foi a vez do Autor Luis Claudio Miranda publicar um vídeo


denominado: “DESMASCARANDO CRIMINOSOS - Luis Miranda USA x Mauro Cavanha” no seu canal
do Youtube “Luis Miranda USA” em que se apresenta como vítima e incrimina os Réus deste
processo como bandidos que praticaram a extorsão, através de ameaças e chantagens, além da
calúnia, difamação e injúria.

“Mesmo que fosse verdade já estaria cometendo o crime de calúnia,


difamação, injúria... No mínimo, no mínimo, chantagem, extorsão, que
foi como eles foram enquadrados na delegacia de Curitiba, por
chantagem e extorsão, sabe por quê? Por trás do vídeo tinha toda uma
negociação, inclusive sabida pelo senhor Mauro, para extorquir dinheiro
seja de quem fosse. E os caras mandaram mensagem para uma senhora
de 70 anos de idade extorquindo ela... “ (minuto 8:00 do seguinte link:
https://www.youtube.com/watch?v=q0ZzfGRnvfo&t=868s )

Não só incriminou os Réus, como editou e desvirtuou o conteúdo de


maneira maliciosa, dando a entender que o Réu Mauro Cavanha estaria se contradizendo,
pedindo desculpas e até demonstrando admiração ao Autor Luis Miranda (a partir do minuto
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27:59 do seguinte link: https://www.youtube.com/watch?v=q0ZzfGRnvfo&t=868s ). Tais crimes

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contra a honra vão inclusive contra o famoso ordenamento americano que se orgulha tanto da
liberdade de expressão, mas que sim repudia e incrimina qualquer liberdade de expressão
eivada de malícia e má-fé.

Além disso, várias ameaças podem ser constatadas em áudios trocados


pelo aplicativo “whatsapp”, onde Luis Miranda ataca o Réu Mauro Cavanha, ofendendo,
ameaçando e o pressionando para retirar o vídeo do ar, ao usar palavras como:

“A polícia dos Estados Unidos já esta acompanhando o processo das suas ameaças, a
polícia do Brasil já está participando deste processo das suas ameaças.”

“Você está humilhando a OAB do Brasil e a OAB de Curitiba, você é uma vergonha para os
advogados do Brasil, você é uma vergonha para a sociedade do Brasil, você é um cara mau
caráter”

“Você vai perder o pouco de força que ainda tinha que era sendo advogado no Brasil”

“Faça o que o que você achar melhor e pague pelas consequências, você só levou um
primeiro tapa porque o resto eu estou fazendo dentro da lei”

“Você vai sofrer consequências gravíssimas por essa atitude que você vem cometendo
frequentemente”

(áudio este encontrado na hora 3, minuto 04, segundo 43 do seguinte link:


https://youtu.be/DOdyWABsEnw)

DAS CONSIDERAÇÕES NECESSÁRIAS

Excelência, antes mesmo de discorrer acerca dos pedidos autorais, é


certo destacar a ausência de qualquer elemento probatório das alegações autorais. Os Autores
não juntaram nenhuma prova que pudesse, de maneira clara, comprovar a suposta ameaça,
extorsão, chantagem, calúnia, difamação, e injúria. O fazem de maneira genérica apenas
apontando conversas de whatsapp (entre o Autor Flores e o Réu Alexandre) além de citar um
vídeo de 26 minutos, onde não é possível saber de onde concluem indícios de tais crimes, além de
que, nem ao menos tiveram trabalho de relacionar os dispositivos da lei referentes a estes crimes.

PRELIMINARMENTE

DA CAUÇÃO
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Sendo que os Autores se encontram em país estrangeiro ao longo da

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tramitação deste processo, de acordo com o artigo 83 do CPC, é imprescindível prestar caução
suficiente ao pagamento das custas e dos honorários, ou relacionar bens imóveis como garantia,
conforme estipulado no dispositivo. E portanto, com risco de tornar-se inepta a inicial, pede-se
que seja feita tal medida assecutória.

Tomando-se por base o valor de causa de 1.000.000,00 (um milhão de


reais), para mensurar os honorários de sucumbência, deve-se garantir ao menos 20% deste, e
portanto o valor a ser depositado nos autos é de R$ 200.000,00, salvo se garantirem o juízo por
meio de nomeação de bem imóvel.

Art. 83. CPC O autor, brasileiro ou estrangeiro, que residir fora do Brasil
ou deixar de residir no país ao longo da tramitação de processo prestará
caução suficiente ao pagamento das custas e dos honorários de
advogado da parte contrária nas ações que propuser, se não tiver no
Brasil bens imóveis que lhes assegurem o pagamento.

DA INCOMPETÊNCIA TERRITORIAL

O Autor Luis Miranda declarou em vídeo no dia 23/10/2015, que havia


oficialmente se tornado residente americano. (https://www.youtube.com/watch?v=XtKJYslF6ds).

O Réu Mauro Cavanha, conforme será comprovado mais adiante, vive


nos Estados Unidos da América. Outrossim, a questão em pauta, também ocorreu nos EUA. E
portanto como estabelece o Novo Código de Processo Civil, lá seria o juízo competente.

Art. 53 - É competente o foro:

IV - do lugar do ato ou fato para a ação:

a) de reparação de dano;

Também nesse sentido converge o artigo 12 da Lei de Introdução as


Normas do Direito Brasileiro, DECRETO-LEI Nº 4.657, DE 4 DE SETEMBRO DE 1942.

Art. 12. É competente a autoridade judiciária brasileira, quando for o réu


domiciliado no Brasil ou aqui tiver de ser cumprida a obrigação.

Assim também coaduna a jurisprudência, no que se refere ao tema


específico de crimes praticados na internet.

TJ-RJ - APELAÇÃO CRIMINAL APR 00032703820168190011 RIO DE


JANEIRO CABO FRIO J VIO E ESP ADJ CRIM (TJ-RJ)
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Jurisprudência•Data de publicação: 24/10/2017

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Ementa: Apelação. Juizado Especial Criminal. Ação Penal
Privada. Crime contra a honra. Difamação. Art. 139 do Código Penal . Em
sendo o crime de menor potencial ofensivo, tem-se a regra do art. 63 da
Lei nº 9.099 /96 que dispões que: "A competência do Juizado será
determinada pelo lugar em que foi praticada a infração penal". Em sendo
o crime praticado pela internet, impossível a aferição quanto ao exato
local da infração, incidindo sobre a hipótese a regra do art. 72 do
Código Processo Penal que estabelece que não sendo conhecido o lugar
da infração, a competência regular-se-á pelo local do domicilio ou
residência do Réu. Não provimento do Recurso. VOTO 1. Modalidade
recente de crime, carece a norma que regula os crimes virtuais1 - como
identificamos em Legislações Especiais - de dispositivo legal definidor
da competência territorial. Desafia a matéria extenso debate para se
estabelecer os melhores critérios técnicos para a aferição da autoria da
postagem. Silente a norma, precisamos nos recorrer às regras existentes
na legislação vigente, não, sem antes observar que não se trata de
matéria pacífica. Não se está a ignorar os termos do art. 63 da Lei nº
9.099 /95 que estabelece que a competência será determinada pelo
lugar da infração penal, mas, se está a questionar qual seria o exato lugar
do aperfeiçoamento da conduta. Neste ponto é que nascem as
divergências: Local da hospedagem do site. Posição sustentada no C.C. nº
97.201-RJ 2em que se entendeu que a competência seria do local onde
está hospedado o provedor da página da internet, pois este seria o
responsável pela divulgação da informação. "[...] 1. Não recepcionada a
Lei n. 5.250 /1967 pela nova ordem constitucional (ADPF n. 130/DF), às
causas decorrentes das relações de imprensa devem ser aplicadas as
normas da legislação comum, inclusive, quanto à competência, o
disposto no art. 70 do Código de Processo Penal . 2. O crime de calúnia
(art. 138 , caput, do Código Penal ) consuma-se no momento em que os
fatos...

De toda sorte, existe a possibilidade de um crime cometido no


estrangeiro por brasileiros, a ser julgado no Brasil, porém conforme o artigo 7°, inciso II, CP.
Porém, esta extensão da jurisdição nacional depende do implemento de certas condições (§2º):

Art. 7º - Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro:

II - os crimes:

§ 2º - Nos casos do inciso II, a aplicação da lei brasileira depende do


concurso das seguintes condições:
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a) entrar o agente no território nacional (premissa necessária para a

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utilidade da ação penal no Brasil);

b) ser o fato punível também no país em que foi praticado (dupla


tipicidade);

Fato é que os crimes contra a honra, nos Estados Unidos da América,


comportam a exceção da verdade, e portanto o caso em voga não seria passível de punição
naquele país. Vejamos tradução de parte do Código Civil da California (local de residência do
Autor).

(Cal. Civ. Code §§ 44, 45a, and 46.) Os elementos que formam o crime de
difamação são: 1. Publicação de um discurso ou de um fato;
2. Que seja falso;

Impressiona, Vossa Excelência, que o Autor Luis Miranda, mostra-se


totalmente consciente desta informação, conforme gravação do seu áudio no “Whatsapp”:

“...Se você não me levar a sério, pode não sair nada nos EUA, mas sai no
Brasil, porque no Brasil calúnia e difamação é crime...”

Este trecho pode ser verificado no seguinte link:


https://youtu.be/zIhig1emUXc?t=17m40s (minuto 17:40 do vídeo)

Portanto, parece que aqui entendemos o porque esta ação não foi
proposta no país onde residem as partes do processo, denotando a má-fé do Autor que age
buscando o lugar mais conveniente para satisfazer seus interesses pessoais. O que vai contra
todos os princípios de lealdade processual e justiça, induzindo o juiz ao erro, e resumindo, um
verdadeiro atentado à dignidade da justiça brasileira.

DA RESIDÊNCIA E DOMICÍLIO DO RÉU

Neste momento podemos ver claramente a má intenção do Autor que


novamente peticiona inverdades sobre o Réu, onde em sua petição inicial delata:

“Ocorre que, o Réu Mauro Cavanha não é cidadão americano, tendo


apenas visto de visitante e não residente, sendo certo que tem
endereço fixo no Brasil, o qual, no momento é desconhecido pelos
Autores.”

Corrigindo, tal inverdade, informa-se que o Réu Mauro Cavanha se


mudou em definitivo há 5 anos para California – EUA. Em consonância ao Código Civil, é o Réu
domiciliado nos EUA:
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Art. 70. O domicílio da pessoa natural é o lugar onde ela estabelece a

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sua residência com ânimo definitivo.

Em seu “greencard” é possível observar a data onde o governo dos


Estados Unidos da América reconhece que é o Réu residente naquele país:

DA NÃO PRESENÇA DO FUMUS BONI JURIS ET PERICULUM IN MORA

Excelência, com devida vênia, não merece perpetuar a deferida liminar


para retirada de vídeos feitos pelo Réu Mauro Cavanha, pois não estão presentes os requisitos
quais sejam fumus boni juris et periculum in mora. Basta uma pesquisa rápida no Google ou no
Youtube para perceber vários vídeos onde o Autor Luis Miranda é apresentado por vários e
diferentes “youtubers” por não honrar com seus compromissos, recebendo apelidos como “Luis
Muamba”, “Luis Pilantra”, “Luis Mingana”, tendo inúmeros vídeos neste sentido desde o ano de
2016.
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De tal feita a não justificar que apenas o vídeo publicado pelo Réu Mauro

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Cavanha possa denegrir sua reputação, já bastante abalada. Não justificando portanto a urgência
do pedido.

Reputação esta que não estaria sendo colocada em jogo caso não
houvessem sido prejudicados não apenas o Réu Alexandre, mas também uma terceira pessoa que
participou com seu depoimento no vídeo em questão.

E justamente por contar apenas a verdade, afasta-se a “fumaça do bom


direito”, pois parece mais benéfico existir tal vídeo como serviço de utilidade pública, em prol de
evitar danos a outras pessoas que serão mais cautelosas antes de comprar a ideia de investir seu
dinheiro com um “milionário” bacana que vive nos EUA.

DO MÉRITO

Na remota oportunidade de Vossa Excelência encontrar-se competente


para julgar tais supostos ilícitos acontecidos em outro país, mesmo sendo as partes residentes
naquele país, vejamos:

1. Afirmam os Autores terem sido vítimas de injuria, calúnia e difamação.

Difícil é apresentar contestação quando os Autores não juntam provas na


petição inicial ou o fazem de maneira genérica, com um vídeo com duração aproximada de 26
minutos, sem ao menos pontuar e discriminar onde estariam os crimes contra a honra.

Art. 373. O ônus da prova incumbe:

I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito;

Entretanto, pede-se que seja observado o princípio da exceção da


verdade, que inclusive no local do fato, é excludente de responsabilização. Além de a liberdade de
imprensa, onde a real intenção dos Réus era de levar os prejuízos a conhecimento público, a fim
de alertar e evitar novas vítimas.

Conforme trata o Art. 138 do Código Penal, caluniar é imputar a alguém


um fato concreto, definido como crime, onde o agente tem a consciência da falsidade desta
imputação. Segundo esta definição, o crime de calúnia exige três condições: a imputação de fato
determinado, sendo este qualificado como crime, havendo ainda a falsidade da imputação.

No caso do agente acreditar que aquela imputação é verdadeira, crendo


no que está falando, não poderá ser enquadrado no crime de calúnia, ocorrendo o erro do tipo,
que afasta o dolo.
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“No fato imputado precisam estar presentes todos os requisitos do

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delito, ou não se poderá falar em fato definido como crime e,
consequentemente, em calúnia.” (STF, RTJ 79/856).

STJ - Relatório e Voto. AÇÃO PENAL APn 572 BA 2009/0087097-8 (STJ)

Jurisprudência•Data de publicação: 04/02/2010

Decisão: de iniciativa privada, deveria o querelante ter oferecido a


queixa-crime por calúnia nãoapenas... de que a imputação é verdadeira
, não responde pelo crime, pois incorre em erro de tipo , por ignorar....
ARQUIVAMENTO. 1. Não configura crime de calúnia a divulgação de
fatos de cuja veracidade o agente tinha...

“Não há crime se o fato for verdadeiro.” (TJPR, RF 259/271).

Então, só pratica crime contra a honra aquele que tiver o propósito


manifesto de ofender a honra, onde há o animus calumniandi. Se uma pessoa conta para outra o
que ouviu, ela simplesmente está agindo com animus narrandi. Um acusado, quando diz ao juiz
que outra pessoa cometeu o crime que está sendo imputado a ele, está agindo com animus
defendendi. Se o indivíduo está querendo fazer uma brincadeira, está agindo com animus jocandi.
Se estiver aconselhando alguém, age com animus consulendi. Nenhuma destas hipóteses se
enquadra na calúnia, pois inexiste a pretensão de caluniar.

Do mesmo modo, a Professor Heleno Cláudio Fragoso (in lições de direito


penal, parte especial, volume 2), afirma que a vontade de ofender deve ser específica, verbis:

"Em consequência, não se configura o crime se a expressão ofensiva for


realizada sem o propósito de ofender. É o caso, por exemplo, da
manifestação eventualmente ofensiva feita com o propósito de informar
ou narrar um acontecimento (animus narrandi), ou com o propósito de
debater ou criticar (animus criticandi)..."

A jurisprudência, já é pacífica quanto a esse assunto, verbis:

“Não há crime de calúnia quando o sujeito pratica o fato com ânimo


diverso, como ocorre nas hipóteses de animus narrandi, criticandi,
defendendi, retorquendi, corrigendi e jocandi" (STJ - Ação Penal - Rel.
Bueno de Souza).
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CRIMINAL. RESP. CALÚNIA. DOLO ESPECÍFICO. AUSÊNCIA. ABSOLVIÇÃO.

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CONTEXTO FÁTICO-PROBATÓRIO. INCURSÃO. INVIABILIDADE. NÃO
CONHECIMENTO. RECURSO NÃO CONHECIDO. I. Indispensabilidade do
dolo específico (animus calumniandi), ou seja, a vontade de atingir a
honra do sujeito passivo, para a configuração do delito de calúnia. II. Se o
Tribunal a quo afastou o crime de calúnia, sob o entendimento de que o
réu não teve a intenção de ofender a honra do magistrado, pois se
insurgia contra a procrastinação do andamento do feito prejudicial ao
seu cliente, não pode esta Corte modificar tal entendimento sem
incursão no mesmo contexto fático-probatório,diante do óbice da
Súmula 07/STJ.III. Recurso não conhecido.(STJ, RESP 711891, Relator
GILSON DIPP)

No caso em tela, os Réus em momento algum tiveram a intenção de


ofender a honra do Autor. O objetivo foi alertar outras pessoas, amparados por documentos que
configuram indícios de irregularidades e danos comprovadamente sofridos. Além disso, sensibilizá-
lo a agir de forma a honrar suas promessas.

Nas palavras de José Carlos Cosenzo, conselheiro nomeado do CDES -


Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República, como
representante do Ministério Público do Brasil:

"Em plena vigência do Estado democrático, vetar o direito da sociedade


de saber o que está acontecendo, é inadmissível."

Catalina Botero Marino, relatora especial para Liberdade de Expressão da


OEA, de 2009, também se insurgiu na temática:

"É incompreensível que enquanto os mais altos tribunais do Brasil


tenham tomado decisões exemplares em matéria de liberdade de
expressão, ainda exista a possibilidade de que alguns juízes locais possam
usar seu poder para censurar e impedir a divulgação livre da informação
a qual o público tem o direito de receber."

Ora se não há que falar em ofensa quando os atos narrados são


verídicos, obviamente não há que se falar em indenização por dano moral e ou perdas e danos,
uma vez que existem indícios claros de irregularidades e de imoralidade.

2. Afirmam os Autores terem sido vítimas de ameaças.

Art. 147 – Ameaçar alguém, por palavra, escrito ou gesto, ou qualquer


outro meio simbólico, de causar-lhe mal injusto e grave:
PROJUDI - Processo: 0005212-73.2018.8.16.0026 - Ref. mov. 56.1 - Assinado digitalmente por Mauro Cavanha Conceicao
11/06/2018: JUNTADA DE PETIÇÃO DE CONTESTAÇÃO. Arq: Contestação

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
Novamente se contesta a falta de provas juntadas ao processo a fim de

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caracterizar um suposto mal injusto e grave.

Novamente cito o artigo 373 do Novo CPC:

Art. 373. O ônus da prova incumbe:

I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito;

3. Afirmam os Autores terem sido vítimas de chantagem e extorsão.

Mais uma vez existe carência de provas juntadas ao processo, não sendo
comprovada a violência ou grave ameaça e nem tampouco comprovando a indevida vantagem
econômica pretendida.

Nas mensagens de “Whatsapp” juntadas ao processo pelos Autores,


comprovam de forma cristalina que a única intenção do Réu Alexandre era de buscar recuperar a
soma do prejuízo financeiro sofrido ao realizar negócios com o Autor Luis Miranda.

15/05/2018 17:18 Flores: Cara.... Você consegue tirar aquele vídeo e


quer quanto para acabar com isso?
15/05/2018 17:18 Alexandre Jose de Jesus Inácio: O que eu quero é o
que é meu de direito.

Art. 158 do Código Penal: “Constranger alguém, mediante violência ou


grave ameaça, e com o intuito de obter para si ou para outrem indevida
vantagem econômica, a fazer, tolerar que se faça ou deixar de fazer
alguma coisa. Pena: reclusão, de quatro a dez anos, e multa”

Como descrito na própria inicial: “O Réu Alexandre José, no ano de 2016,


efetuou transação comercial consistente na compra de 10 celulares junto a uma Franqueada na
Cidade de São Paulo, em que teve problemas para receber os produtos comprados.” (grifo nosso)

Não por coincidência, o valor da mercadoria não recebida conforme


comprovantes em anexo, era de USD 9.250,00 (nove mil, duzentos e cinquenta dólares). E
cristalino é o fato de que os Réus não visaram em momento algum vantagem econômica injusta.

Portanto se a vantagem obtida era devida, e de direito, inclusive com


ação processual transitada em julgado em favor do Réu Alexandre, Autos n° 0029654-
49.2017.8.26.0224 - TJSP, fica comprovada a não existência da extorsão, mas sim a tentativa por
parte dos Autores de dissimular tal crime.
PROJUDI - Processo: 0005212-73.2018.8.16.0026 - Ref. mov. 56.1 - Assinado digitalmente por Mauro Cavanha Conceicao
11/06/2018: JUNTADA DE PETIÇÃO DE CONTESTAÇÃO. Arq: Contestação

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DA LITIGÂNCIA DE MÁ FÉ

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Ao tentar ludibriar a própria Justiça, de forma temerária, injustificada e
mentirosa, o Réu também deve ser enquadrado como litigante de má fé.

Proceder de modo temerário é agir afoitamente, de forma açodada e


anormal, tendo consciência do injusto, de que não tem razão" (Nelson
Nery Júnior e Rosa Maria de Andrade Nery)

Senão vejamos:
LEI Nº 13.105, DE 16 DE MARÇO DE 2015 (Novo Código de Processo
Civil).

Art. 79. Responde por perdas e danos aquele que litigar de má-fé como
autor, réu ou interveniente.

Art. 80. Considera-se litigante de má-fé aquele que:

I - deduzir pretensão ou defesa contra texto expresso de lei ou fato


incontroverso;

II - alterar a verdade dos fatos;

III - usar do processo para conseguir objetivo ilegal;

IV - opuser resistência injustificada ao andamento do processo;

V - proceder de modo temerário em qualquer incidente ou ato do


processo;

VI - provocar incidente manifestamente infundado;

Art. 81. De ofício ou a requerimento, o juiz condenará o litigante de má-


fé a pagar multa, que deverá ser superior a um por cento e inferior a dez
por cento do valor corrigido da causa, a indenizar a parte contrária pelos
prejuízos que esta sofreu e a arcar com os honorários advocatícios e
com todas as despesas que efetuou.

§ 1o Quando forem 2 (dois) ou mais os litigantes de má-fé, o juiz


condenará cada um na proporção de seu respectivo interesse na causa
ou solidariamente aqueles que se coligaram para lesar a parte contrária.
PROJUDI - Processo: 0005212-73.2018.8.16.0026 - Ref. mov. 56.1 - Assinado digitalmente por Mauro Cavanha Conceicao
11/06/2018: JUNTADA DE PETIÇÃO DE CONTESTAÇÃO. Arq: Contestação

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
§ 2o Quando o valor da causa for irrisório ou inestimável, a multa poderá

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ser fixada em até 10 (dez) vezes o valor do salário-mínimo.

§ 3o O valor da indenização será fixado pelo juiz ou, caso não seja
possível mensurá-lo, liquidado por arbitramento ou pelo procedimento
comum, nos próprios autos.

DO DIREITO

DA LIBERDADE DE EXPRESSÃO

Hoje, nos deparamos com novas mídias, mais rápidas e acessíveis a


todos. A internet criou círculos de amigos, de conhecidos e de pessoas que se interessam por
assuntos diversos, que se conhecem em determinados fóruns de interesse, interagem, discutem,
fazem críticas, compartilham ideias com liberdade de pensamento.

Frisa-se que a internet e seus meios correlatos baseiam-se nessa


profusão de pensamentos contrastantes e possibilitam tais discussões de ideias, fazendo de cada
uma dessas pessoas um pouco jornalistas ou críticos relatando notícias, expondo suas opiniões e
pensamentos, seja de forma mais dura, seja através de ironia.

Dados os preceitos fundamentais, quais sejam: “o direito de pensar, falar


e escrever livremente, sem censura, sem restrições ou sem interferência governamental”, papel
fundamental do Estado Democrático de Direito. O Réu Mauro nada mais fez que utilizar seu
direito de livre pensamento para efetuar críticas ao trabalho de uma pessoa pública, valendo-se de
ironia e comparações simples e iconográficas para facilitar o entendimento do público em geral.

Suas críticas foram todas baseadas em indícios concretos, os quais até o


momento nem sequer foram refutados pelo Autor. Muito pelo contrário: é notório que este se
baseou em um contrataque infundado, unicamente para calar um crítico que vem
desempenhando papel efetivo no combate aos prejuízos causados por este.

DA LEGISLAÇÃO NORTE-AMERICANA

Excelência, respeitosamente, apresentamos a legislação americana


acerca da liberdade do discurso, ou o “Freedom of Speech”. Um dos direitos mais abrangentes
deste país, motivo de muito orgulho para os Americanos.
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11/06/2018: JUNTADA DE PETIÇÃO DE CONTESTAÇÃO. Arq: Contestação

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
Constituição dos Estados Unidos da América – 1°Emenda,

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Artigo 1° - O Congresso não legislará no sentido de estabelecer uma
religião, ou proibindo o livre exercício dos cultos; ou cerceando a
liberdade de palavra, ou de imprensa, ou o direito do povo de se reunir
pacificamente, e de dirigir ao Governo petições para a reparação de seus
agravos.

A liberdade de expressão neste país é bastante ampla, sendo que não


existe o crime de injúria e tanto a difamação quanto a calunia comportam a exceção da verdade.

Sabidamente a legislação Estado Unidense é baseada no sistema


“common law”, onde junto das leis acompanham o estudos de “cases”, ou também por se dizer,
jurisprudências.

A difamação em si é definida na jurisprudência e na legislação de cada


estado, conforme o disposto no Código Civil do estado da Califórnia.

(Cal. Civ. Code §§ 44, 45a, and 46.) Os elementos que formam o crime de
difamação são: 1. Publicação de um discurso ou de um fato;
2. Que seja falso;

Analisando a jurisprudência relevante, em casos envolvendo figuras


públicas, ou matérias de utilidade pública, recai o ònus de provar a falsidade do conteúdo
difamatório para o Autor. Nizam-Aldine v. City of Oakland, 47 Cal. App. 4th 364 (Cal. Ct. App.
1996).

Outro caso de grande peso no instituto da difamação foi o caso ocorrido


em 1964, New York Times v. Sullivan. Neste caso, a Suprema Corte decidiu que para existir o dever de
indenizar por difamação uma pessoa pública, teria de ser comprovada a “actual malice”, ou seja,
a má-fé do agente, em saber que o fato era falso ou que irresponsavelmente não investigou o
suficiente para saber se falso ou verdadeiro.

DO PEDIDO CONTRAPOSTO

Portanto, diante de vontade expressada tacitamente dos Autores, de se


submeter à jurisdição brasileira, conforme artigo 22 do CPC:

Art. 22 CPC/2015 - Compete, ainda, à autoridade judiciária brasileira


processar e julgar as ações: III - em que as partes, expressa ou
tacitamente, se submeterem à jurisdição nacional.

Conforme já demonstrado, os Autores sim, eivados de má-fé e malícia,


completos do animus calumniandi, fizeram o uso de inverdades com o único escopo de ofender e
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denegrir a imagem dos Requeridos, minar suas forças, tirar a atenção para o foco principal da lide,

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artifício difundido por aqueles que não conseguem refutar a verdade inquestionável. Calunia e
Difamação, encontrados no Código Penal Brasileiro, artigos 138, 139, 140:

Art. 138 - Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como crime:

Art. 139 - Difamar alguém, imputando-lhe fato ofensivo à sua reputação:

Art. 140 - Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro:

Conforme já exposto vejamos os seguintes exemplos de Injuria, Calunia e


Difamação, apresentadas no seu vídeo do Youtube, intitulado “DESMASCARANDO CRIMINOSOS -
Luis Miranda USA x Mauro Cavanha”, visualizado por mais de 200 mil pessoas:

“Mesmo que fosse verdade já estaria cometendo o crime de calúnia,


difamação, injúria... No mínimo, no mínimo, chantagem, extorsão, que
foi como eles foram enquadrados na delegacia de Curitiba, por
chantagem e extorsão, sabe por quê? Por trás do vídeo tinha toda uma
negociação, inclusive sabida pelo senhor Mauro, para extorquir dinheiro
seja de quem fosse. E os caras mandaram mensagem para uma senhora
de 70 anos de idade extorquindo ela... “ (minuto 8:00 do seguinte link:
https://www.youtube.com/watch?v=q0ZzfGRnvfo&t=868s )

Além de expor os Réus Mauro Cavanha e Alexandre em seu Facebook


para mais de 3 milhões de pessoas, imputando-lhes a calunia, difamação, injuria, chantagem, e
extorsão:
PROJUDI - Processo: 0005212-73.2018.8.16.0026 - Ref. mov. 56.1 - Assinado digitalmente por Mauro Cavanha Conceicao
11/06/2018: JUNTADA DE PETIÇÃO DE CONTESTAÇÃO. Arq: Contestação

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Não se atendo apenas a esta medida abusiva para afetar a credibilidade

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dos Réus, o Autor Luis Miranda também usou de várias ameaças para intimidar o Réu Mauro
Cavanha, vejamos algumas mensagens deixadas por mensagens de áudio pelo aplicativo
“Whatsapp”:

“Você vai sofrer consequências gravíssimas por essa atitude que você vem cometendo
frequentemente”

“Faça o que o que você achar melhor e pague pelas consequências, você só levou um
primeiro tapa porque o resto eu estou fazendo dentro da lei”

“A polícia dos Estados Unidos já esta acompanhando o processo das suas ameaças, a
polícia do Brasil já está participando deste processo das suas ameaças.”

“Você vai perder o pouco de força que ainda tinha que era sendo advogado no Brasil”

(áudio este encontrado na hora 3, minuto 04, segundo 43 do seguinte link:


https://youtu.be/DOdyWABsEnw)

Neste sentido preceituam os artigos do Código Civil Brasileiro:

Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou


imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que
exclusivamente moral, comete ato ilícito.

Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a
outrem, fica obrigado a repará-lo.

Veja Excelência, parte das agressões sofridas pelo Réu Mauro Cavanha
nas páginas do Facebook e Youtube:
PROJUDI - Processo: 0005212-73.2018.8.16.0026 - Ref. mov. 56.1 - Assinado digitalmente por Mauro Cavanha Conceicao
11/06/2018: JUNTADA DE PETIÇÃO DE CONTESTAÇÃO. Arq: Contestação

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Impossível é reverter tal quadro, já que a parte autora Luis Miranda


publicou o vídeo difamatório e calunioso eivados de malicia e má-fé para mais de 3 milhões de
seus seguidores entre página do Facebook e canal do Youtube. Portanto numa tentativa de
diminuir parte dos danos sofridos a imagem e reputação dos Réus, Sugere-se que aos Réus seja
oferecido, nesses mesmos canais do Autor Luis Miranda (Facebook e Youtube), um direito de
PROJUDI - Processo: 0005212-73.2018.8.16.0026 - Ref. mov. 56.1 - Assinado digitalmente por Mauro Cavanha Conceicao
11/06/2018: JUNTADA DE PETIÇÃO DE CONTESTAÇÃO. Arq: Contestação

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resposta num vídeo único e simples de 5 minutos sem acréscimos das partes Autoras, apenas para

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expressar que tais fatos já propagados nada mais eram que inverdades.

Vem o Réu oferecer pedido contraposto para que seja indenizado pelos
danos morais sofridos no valor de R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil reais) para cada um dos Réus.
Anotando que o Réu Mauro Cavanha também é pessoa pública e aufere salário da exploração da
sua imagem. Totalizando o valor de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais).

DOS PEDIDOS

Pelo exposto, REQUER se digne V. Exa.,

a) - Preliminarmente, o reconhecimento da incompetência deste E. juízo


deste Foro Regional de Campo Largo, determinando a perda de efeito de todos os atos
processuais, até a regularização da competência;

b) - O provimento do pedido de assistência judiciária gratuita.

c) - Seja imediatamente revogada a liminar concedida, pelos motivos de


fato e de direito aqui expostos;

d) - Que sejam julgados TOTALMENTE IMPROCEDENTES os pedidos dos


Autores;

e) - Requer, também, a condenação pela litigância de má-fé, por fazer


mal uso desse juízo;

f) A condenação para retirada das publicações que mencionam os Réus


no site “Facebook”. Além dos vídeos do Youtube dos quais parte as agressões caluniosas , com
URL: https://www.youtube.com/watch?v=q0ZzfGRnvfo&t=3s e
https://www.youtube.com/watch?v=UcFz2gcUOlA ;

g) Protesta-se pela produção de todos os meios de prova, sejam


documentais, anexas, e também o depoimento pessoal de testemunhas;

h) Dispensa-se a realização de audiência de conciliação.

i) - A condenação do requerente no PEDIDO CONTRAPOSTO, a


condenação dos Autores da lide ao pagamento de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) em função
das injustiças e danos a que foi submetido.

j) - A condenação do autor ao pagamento das custas processuais e


honorários de sucumbência.

l) - Em homenagem ao princípio da eventualidade, caso sejam aceitos os


pedidos iniciais, requer a redução do valor requerido a títulos de danos morais porque são
PROJUDI - Processo: 0005212-73.2018.8.16.0026 - Ref. mov. 56.1 - Assinado digitalmente por Mauro Cavanha Conceicao
11/06/2018: JUNTADA DE PETIÇÃO DE CONTESTAÇÃO. Arq: Contestação

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
exorbitantes, requer a redução das verbas devidas a título de danos materiais e de honorários de

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sucumbência, bem como que a data de atualização e de incidência dos juros legais sobre o valor
dos danos morais seja fixada a partir do julgamento que fixar seu valor.

Termos em que, Pede deferimento.

Los Angeles/CA – Estados Unidos da América

11 de junho de 2018.

Mauro Cavanha Conceição

OAB/PR – 85.999