Você está na página 1de 60

Educação e Formação de Adultos

Técnico Auxiliar de Saúde

Gestão do stress profissional em saúde


(FT25) – 25 horas
2013
As três imagens que se seguem, são usadas para medir o nível de stress que
uma pessoa pode aguentar.

Quanto mais lento as figuras que se seguem, pareçam mover-se, melhor a


habilidade para lidar com o stress.

As pessoas nervosas, vêm-nas a girar com uma velocidade louca!

As crianças vêem-nas sem movimento.

Nenhuma destas imagens é animada, estão perfeitamente estáticas.

2
3
4
5
O que é o Stress?
Stress é a resposta do organismo a determinados estímulos que
representam circunstâncias súbitas ou ameaçadoras. Para se
adaptar à nova situação, o corpo desencadeia reações que ativam a
produção de hormonas.

6
Quando é que uma pessoa se
sente em stress?

Um indivíduo sente-se em stress quando desenvolve a perceção de


não ter controlo sobre um acontecimento:

1. Com que se defronta;


2. Que é considerado importante para si;
3. Perante o qual sente que as exigências que lhe cria ultrapassam
as suas aptidões e recursos pessoais e/ou sociais.

7
Quando é que uma pessoa se
sente em stress?
Stress é um estado gerado pela percepção de um acontecimento
vivido pela pessoa, mas …
o factor decisivo para se sentir ou não em stress, depende da
avaliação que faz das circunstâncias.

Assim …

uma pessoa está em stress quando sente que o grau de exigência


é superior à sua capacidade de resposta, para ultrapassar com
êxito o acontecimento.

8
Situações indutoras de
stress (stressores)
1. Acontecimentos traumáticos – Correspondem a uma ameaça para
a vida ou segurança da pessoa, de natureza excepcionalmente
ameaçadora ou catastrófica.
Exemplos: ameaça de morte; espancamento; rapto; violação; vítima
incêndio; naufrágio…

2. Acontecimentos significativos ao longo da vida – Simbolizam uma


“martelada” que, de repente, ocorre na vida da pessoa, porque
determinam uma alteração do estilo de vida e obrigam à
modificação de hábitos, padrões de actividades e de relações
sociais.
Exemplos: morte de um filho ou do cônjuge; perda do emprego…

9
Situações indutoras de
stress (stressores)
3. Situações crónicas de stress – São assuntos perturbadores que
interferem no desempenho dos papeis e das actividades diárias e
por isso se comportam como se fossem contínuos. Segundo
Wheaton (1994), correspondem “à ferrugem que se acumula e
enfraquece o material”.
Exemplos: ter frequentemente tarefas a realizar que tenham de ser
terminadas num curto espaço de tempo; viver num bairro em que
há riscos permanentes de assalto e agressão; ter conflitos diários
com o cônjuge, com o chefe ou colegas de trabalho…

4. Pequenos aborrecimentos regulares da vida quotidiana.


Exemplos: ter um vizinho incomodativo e barulhento; perder muito
tempo para chegar ao local de trabalho, devido ao trânsito; ter um
amigo aborrecido que fala sempre do mesmo assunto maçador…
10
Situações indutoras de
stress (stressores)
5. Condições que o sistema socioeconómico impõe.
Exemplos: dificuldades em arranjar emprego; tempos difíceis para
determinada indústria; recessão da economia e outros aspectos
semelhantes…

6. Acontecimentos desejados e que não ocorrem – Aspirações que,


embora muito ambicionadas, não surgem ou tardam a se
concretizar.
Exemplos: ser mãe/pai; promoção profissional a um lugar a que tem
direito…

11
Situações indutoras de
stress (stressores)
7. Traumas em estádios de desenvolvimento – Ocorrem ao longo do
desenvolvimento e sabe-se que podem ter uma influência negativa
na vida adulta. A criança/adolescente encontra-se ainda numa fase
formativa, com poucas defesas psicológicas e muito vulnerável.
Exemplos: ser vítima de abuso físico ou sexual; ter um ambiente
familiar hostil; pais toxicodependentes…

Estes acontecimentos traumáticos têm uma influência negativa, muito


significativa, no desenvolvimento psicológico, interpessoal,
emocional, cognitivo e neurobiológico da criança, porque pode:
-prejudicar a identidade do género;
-tornar a pessoa insegura, pouco afirmativa e temerosa;
-criar dificuldades no relacionamento com os outros.

12
Situações indutoras de
stress (stressores)
1. Acontecimentos traumáticos.

2. Acontecimentos significativos ao longo da vida.

3. Situações crónicas de stress.

4. Pequenos aborrecimentos regulares da vida quotidiana.

5. Condições que o sistema socioeconómico impõe.

6. Acontecimentos desejados e que não ocorrem.

7. Traumas em estádios de desenvolvimento.

13
Níveis de stress

14
Como se avalia a gravidade
do stress?
Vários autores referem que para se avaliar a importância de
qualquer situação de stress devemos analisar três componentes
diferentes:

1. O estímulo perturbador, ou seja, o stressor;


2. O modo como fica afetada a vida corrente da pessoa, tendo em
conta a forma como decorria antes do acontecimento ter surgido;
3. As características pessoais ou predisposição do ser humano que foi
exposto ao estímulo perturbador.

15
Como se avalia a gravidade
do stress?
Podemos referir que um acontecimento é considerado grave:

1. Quando induz uma mudança substancial nas atividades usuais da


pessoa;
2. A impede de alcançar objetivos considerados importantes para si.

16
Estratégias para lidar com o
stress
Qualquer situação de stress obriga a uma nova adaptação por parte
do indivíduo. O termo adaptação significa, no caso, que o ser
humano se sente solicitado a desenvolver uma série de atividades
que possam:

1. Reparar a relação perturbadora que foi gerada entre si e o meio


ambiente (resolver o problema), utilizando aptidões e recursos
pessoais, bem como recursos sociais;

2. Diminuir as emoções negativas que entretanto


apareceram.

17
Estratégias para lidar com o
stress
Segundo Snyder e Dinoff (1999) a eficácia das estratégias avalia-se
pela capacidade que têm em reduzir de imediato a perturbação sentida
bem como em evitar, em termos futuros, o prejuízo do bem-estar ou do
estado de saúde da pessoa. As estratégias podem ser focadas:
-no problema;
-nas emoções;
-na interação social.

Estas estratégias são encontradas e


utilizadas pela própria pessoa ou então
com a ajuda de um técnico.

18
Estratégias para lidar com o
stress
• As estratégias centradas no problema tendem a ser utilizadas
quando a situação é tida como controlável e resolúvel.
- As aptidões e recursos são diferentes de pessoa para pessoa e, por isso, o que
é sentido como stress intenso por dada pessoa pode ser considerado por outro
como um stress banal. Estas estratégias são as ideais, porque levam ao
confronto e resolução das dificuldades e removem de uma vez a fonte de stress,
tendo efeitos benéficos sobre o funcionamento psicológico.

19
Estratégias para lidar com o
stress
• Quando o stress é sentido como mais grave e a pessoa está
convicta de que tem poucas possibilidades de resolver o seu
problema, o foco é então orientado para o controlo das emoções.
-“Apoio emocional” para desabafar e “aliviar” o peso do problema;
-Fugir de forma real ou imaginada da situação;
-Praticar ioga… exercício físico… relaxamento;
-Tomar psicofármacos;
-Controlo percetivo da situação;
-Fumar, comer em excesso, ingerir bebidas alcoólicas…

As estratégias centradas no controlo das emoções não têm como


objetivo o confronto direto e a resolução do problema. Contudo,
algumas vezes são úteis quando:
-Ajudam a distanciar transitoriamente o problema, a considerá-lo de forma mais
objetiva e a reorganizar meios de confronto;
-Nada mais se pode fazer.
20
Estratégias para lidar com o
stress
• As estratégias de interação social dependem essencialmente dos
recursos sociais existentes, do comportamento de apoio que recebe
e da avaliação que faz desse apoio.
• Tipos de apoio social:
-Afetivos/emocionais _ a pessoa sente-se estimada e aceite apesar dos seus
erros, defeitos ou limitações e são transmitidos sentimentos de ajuda e apoio
(“Deixe lá… fracassos na vida todos temos…”), (“Como acha que a posso
ajudar?... Conte comigo…”);
-Informativo _ são dadas informações e conselhos que facilitam a tomada de
decisão;
-Instrumental _ representa uma ajuda concreta em termos materiais ou de
serviços;
-Convívio social _ correspondem a atividades de lazer que concorrem para
aliviar tensões acumuladas, fazem sentir que “a pessoa não está isolada” e “faz
parte integrante de um grupo”.

21
Estratégias para lidar com o
stress
Destas estratégias quais são as mais eficazes?
Depende:
• Do tipo de situação de stress;
• De como a pessoa avalia a situação (é encarada como um problema?...);
• Do tipo de pessoa, ou seja, recursos pessoais e sociais disponíveis.

O stress é inevitável e existe sempre enquanto vivermos.


A algumas fontes de stress

Não podemos escapar Outras podemos evitar ou gerir

O que é grave é que a maioria de nós não distingue entre uma situação e outra

22
Tipos de stress
Segundo Rio (1995) são vários os tipos de stress: o stress físico; o
stress psíquico; o stress por monotonia… O stress crónico, que
persiste por mais tempo, sem encontrar meios que o desativem
eficientemente.

E, o stress que dura alguns momentos, horas ou dias e depois se


dissipa, este stress prepara o organismo para a luta/fuga, através da
ativação do sistema nervoso e endócrino.

O stress é visto como uma adaptação ao meio, em que a pessoa, em função das
estimulações, excitações e agressões, acaba por produzir uma escalada progressiva
na defesa do seu organismo. No início é só um aumento do alerta geral, estimulando
os sistemas para se defenderem. O prejuízo, entretanto acontece, quando as
situações stressantes são contínuas e o organismo começa a sofrer com as reações
químicas que se sucedem, sem que haja tempo para a eliminação dessas
substâncias e sem o tempo necessário para o descanso e recuperação física e
emocional. 23
Conceito e definição

• “Stress é um conjunto de reações orgânicas e psíquicas de


adaptação, que o organismo emite quando é exposto a qualquer
estimulo que o excite, irrite, amedronte ou o faça muito feliz”.

Hans Selye

• “O stress é uma condição absolutamente necessária à vida humana


saudável, pois significa a energia do corpo e da psique para
adaptação sistemática e permanente”
Quintino Aires

24
Síndrome da Adaptação Geral ao
Stress
Quando o nosso cérebro, independente de nossa vontade, interpreta
alguma situação como ameaçadora (stressante), todo o nosso
organismo passa a desenvolver uma série de alterações denominadas,
no seu conjunto, de Síndrome da Adaptação Geral ao Stress:

• Reação de Alarme

• Fase de Resistência

• Estado de Esgotamento (Exaustão)

25
Reação de alarme

• Há uma ativação da amígdala no mesencéfalo;


• No hipotálamo um sinal é desencadeado;
• O hipotálamo processa as informações e envia um
mensageiro químico à hipófise;
• Isto estimula a hipófise que envia também o seu
mensageiro químico para as glândulas supra-renais;
• Doses de adrenalina, cortisol e outras hormonas são
libertadas para o sangue pelas supra-renais, sendo
mais tarde a informação processada por uma estrutura
cerebral – sistema reticular;
• Este por sua fez decide se a informação deve ou não
tornar-se consciente, desencadeando ou não, assim,
alterações orgânicas.

26
Reação de alarme

• Também no hipotálamo uma 2ª via é


ativada, através do sistema nervoso
autónomo, os nervos sensitivos
fazem a estimulação das supra-renais
na porção medular ou do córtex, com
secreção de hormonas, adrenalina,
cortisol e outras que são libertadas
para o sangue.

27
Reação de alarme

• Nesta primeira etapa da SAG ao stress ocorre uma Reação de


Alarme, onde todas as respostas corporais entram em estado de
prontidão geral ou seja, todo o organismo é mobilizado. É um
estado de alerta geral, tal como se fosse um susto.

• O corpo fica em estado de tensão por forma a enfrentar situações


de emergência mobilizando as forças defensivas.

• Os sintomas mais frequentes são, mal estar gástrico, angústia,


palpitações, suores frios, tremores, entre outros.

28
Reação de Alarme

• Adrenalina - prepara o organismo para realizar atividades físicas e


esforços físicos.

• Cortisol - ativa respostas do corpo ante situações de emergência


para ajudar a resposta física aos problemas, aumentando a pressão
arterial e o açúcar no sangue, propiciando energia muscular.

29
Alterações da Reação de Alarme

Alterações Objectivo
Aumento da frequência cardíaca e pressão arterial Sangue circula mais rápido e melhora a actividade muscular
esquelética e cerebral, facilitando a acção e o movimento.

Contração do baço. Levar mais glóbulos vermelhos à corrente sanguínea e melhorar


a oxigenação do organismo e de áreas estratégicas.

O fígado liberta mais glicose. Para ser utilizado como alimento e energia para os músculos e
cérebro.
Redistribuição sanguínea. Diminui o sangue dirigido à pele e vísceras, aumentando-o para
músculos e cérebro.

Aumento da frequência respiratória e dilatação dos brônquios. Favorece a captação de mais oxigénio pelo sangue.

Dilatação das pupilas. Para aumentar a eficiência visual.

Aumento do número de linfócitos na corrente sanguínea. Preparar os tecidos para possíveis danos por agentes externos
agressores

30
Fase de resistência

• Se esse stress continua, surge a segunda fase, chamada de Fase


de Resistência, a qual acontece quando a tensão se acumula.
Nesta fase o corpo começa a acostumar-se aos estímulos
causadores do stress e entra num estado de resistência (ou de
adaptação).

• Durante este estágio, o organismo adapta as suas reações e o seu


metabolismo para suportar o stress por um período de tempo.

• Os sintomas mais frequentes são as mudanças no comportamento


habitual da pessoa. As respostas emocionais tornam-se oscilantes:
irritabilidade e apatia podem coexistir na mesma pessoa. Há queda
da concentração e da capacidade de memorização. E ainda
alterações comportamentais: inquietação na marcha, verborreia.

31
Fase de Resistência

• Fase de resistência: é a luta do organismo contra a fase de alerta.


O indivíduo pode controlar-se (neste caso regressa a um estado pré
estado de alerta e o stress passa despercebido) ou continuar
stressado.

• Assim, se os estímulos stressores continuam e se tornam crónicos,


a resposta começa a diminuir de intensidade.

32
Estado de Esgotamento

• Entretanto, a energia da pessoa para responder à solicitação


stressante não é ilimitada e se o stress ainda continuar, o corpo
todo pode entrar na terceira fase, o Estado de Esgotamento, onde
haverá queda acentuada de nossa capacidade adaptativa.

• Aparecem as doenças físicas ou psíquicas. Entre as doenças


desencadeadas pelo stress podemos citar a depressão, ansiedade
crónica, fobias, obsessões e compulsões, alterações do sono,
queda da libido, alterações do apetite, abuso de drogas e álcool,
transtorno de pânico, doenças respiratórias, úlceras gástricas,
obesidade, HTA, hipercolesterolemia, EAM, AVC, diabetes,
amenorreia, infeções diversas como herpes, gripes, processos
alérgicos entre outras.

33
Fase de Esgotamento

• Como se supõe, a resistência do organismo não é ilimitada. O


estado de Esgotamento é a soma das reações gerais que se
desenvolvem como resultado da exposição prolongada aos agentes
stressores, frente aos quais se desenvolveu adaptação e que,
posteriormente, o organismo não pode mantê-la.

• É quando começam a falhar os mecanismos de adaptação e deficit


das reservas de energia.

34
Síndrome da Adaptação
Geral ao Stress
• Fase de alarme - O corpo fica em estado de tensão por forma a
enfrentar situações de emergência mobilizando as forças
defensivas do organismo.
• Fase de resistência - O organismo procura resistir – o metabolismo
procura suportar o stress mas a sua resistência é limitada.
• Fase de esgotamento (exaustão) - O organismo não aguenta
indefinidamente em estado de resistência. Devido ao esforço
contínuo, esgota-se a capacidade de adaptação, provocando uma
afinidade de complicações, entre elas o enfraquecimento do
sistema imunitário, deixando o corpo vulnerável a lesões e/ou
doenças.

35
36
37
O stress não é igual para todos

• Cada pessoa percebe determinada situação de uma maneira


própria, isto é, cada pessoa tem uma forma única de ver o mundo
• Acontecimentos iguais são percebidos de formas distintas por
sujeitos diferentes.
• As ocorrências por si só não são suficientes para definir uma
resposta ao stress. O significado que cada indivíduo dá a
determinada situação é crucial.
• Perante a frustração sujeitos diferentes reagem de formas
diferentes.
• Interacção entre o sujeito e o meio.
• importância das vivências passadas e da forma como foram
interpretadas pelo sujeito, na resposta a situações posteriores.

38
5 ideias falsas
• As férias - Indispensáveis para respirar fundo, mas cuidado quando
regressa e se “volta tudo a mais do mesmo”;

• O álcool – Permite relaxar da tensão, permite abstrair, mas não


resolve o problema;

• Se… - Os “ses” da vida são os piores inimigos, e porque não


aproveitar já a vida;

• Quando… - A vida é feita de problemas e dificuldades, portanto não


espere para “quando….”;

• Os outros – Porquê estragar a vida por causa dos outros?

39
stress positivo / stress negativo

• O stress é uma reação do organismo a estímulos externos ou


internos, relacionados com a necessidade de luta/fuga. No entanto
há o stress positivo e o stress negativo. Quando positivo, o stress
impulsiona-nos a realizar e a concretizar coisas e possibilita-nos um
nível adequado de adrenalina. Ele é necessário à concretização,
pois está associado diretamente ao impulso para buscar a
realização de algo. Quando negativo gera um nível excessivo de
adrenalina que ocasiona um colapso a nível corporal, físico ou
emocional, atuando de modo a desequilibrar todo o nosso
funcionamento.

40
stress positivo / stress negativo

41
Fase de eustress Fase de distress
(fase positiva ou ascendente) (fase negativa ou descendente)
vitalidade fadiga
entusiasmo irritabilidade
otimismo falta de concentração
perspetivas positivas depressão
resistência à doença pessimismo
vigor físico doenças
lucidez mental acidentes
relações humanas óptimas dificuldade de comunicação
alta produtividade e criatividade baixa produtividade e criatividade 42
stress positivo / stress negativo

O stress permite-nos enfrentar os desafios utilizando o


máximo das nossas capacidades

Eustress - otimiza o funcionamento


adaptativo, de tal forma que, caso no futuro haja uma situação idêntica,
o sujeito apresentar-se-á com mais auto-estima, auto-imagem mais
realista e terá maior probabilidade de resolver a situação.

Distress - as exigências são intensas, excessivas, prolongadas,


imprevisíveis, ou o sujeito não possui as competências apropriadas
43
para lidar com elas.
Prevenção do stress

É necessário algum stress à vida, mas demasiado pode resultar


numa vasta gama de problemas e perturbações. Felizmente,
existem sinais de aviso que lhe podem dizer quando algo está mal.
Pessoas diferentes experimentam sensações diferentes em relação
a uma determinada situação e isso depende de vários fatores,
como: personalidade, auto-conceito, estratégias de coping, sistema
endócrino ou até o tipo de dia que está a ter. Por vezes, a mesma
situação pode causar sentimentos de stress num dia e no dia
seguinte não.

TORNE-SE MAIS RESILIENTE 44


Prevenção do stress

• Alimente-se de maneira saudável e em períodos regulares.


• Reavalie as suas atividades e modo de pensar.
• Não faça uso de tranquilizantes sem orientação médica.
• Evite o fumo, café, bebidas alcoólicas...
• Mantenha, pelo menos, uma atividade física periódica.
• Faça a gestão do seu tempo realizando uma atividade de cada vez.
• Programe e tire férias anuais.
• Crie e mantenha atividades de lazer.
• Durma o suficiente para o seu descanso.
• Resolva os problemas de forma racional e positivamente.

45
Prevenção do stress

• Delegue atividades e aprenda a trabalhar em grupo (equipa).


• Procure ser mais compreensivo e menos exigente.
• Mantenha a mente alerta e o corpo relaxado.
• Desenvolva um bom relacionamento interpessoal.
• Procure conhecer o seu organismo e respeite-o, não ultrapassando
os limites.
• Busque a sua paz interior.
• Melhore a qualidade da sua vida.
E AINDA, SE FOR NECESSÁRIO
Procure aconselhamento. Consulte especialistas: médicos, psicólogos,
terapeutas ou inscreva-se em grupos de apoio.

46
47
Stress ocupacional

• De acordo com Guimarães (2000), o stress ocupacional


ocorre quando há a percepção, por parte do trabalhador,
da sua incapacidade para realizar as tarefas solicitadas,
o que provoca sofrimento, mal-estar e um sentimento de
incapacidade para enfrentá-las.

48
Stress ocupacional

• Afeta um assustador número de 28% dos colaboradores existentes


no mercado de trabalho da União Europeia (2005).

• Os custos diretos, vão desde quebras de ritmos de produção,


causados pelo desgaste da capacidade produtiva dos
trabalhadores; custos relacionados com a saúde e medicina
ocupacional, para o tratamento e reabilitação e ainda seguros;
custos com a formação para a reposição e integração de novos
trabalhadores, greves e absentismo. Neste último caso, “o stress
ocupacional é responsável por cerca de 25% da taxa de
absentismo, na UE, durante duas ou mais semanas”.
• Os custos indiretos estão associados às reduções na motivação, na
moral e na satisfação no trabalho, à degradação das relações de
trabalho, a falhas na comunicação e a erros na tomada de decisão.

49
Causas organizacionais do
stress ocupacional
O aparecimento do stress laboral pode estar relacionado a situações
reais ou imaginárias:

• Excesso de atividade/ má distribuição do tempo.


• Acumular de raiva e sentimentos negativos.
• Problemas de relacionamento.
• Descontrolo diante de situações críticas.
• Preocupação excessiva.
• Falta de descanso e lazer.
• Dificuldade de lidar com as perdas.
• Características da tarefa, o estilo de liderança, a estrutura, o clima
organizacional, as condições físicas de trabalho.
• …
50
Causas extra-organizacionais do stress
ocupacional

• As ocorrências da vida, por si só, podem ser importantes fontes de


pressão. Dezenas de circunstâncias da vida (individual, familiar ou
social) podem induzir níveis mais ou menos elevados de stress e,
assim, provocar problemas na saúde física e psicológica. Mas os
inúmeros fatores do quotidiano podem também adquirir um estatuto
altamente stressante quando numa sequência incessante (como
tratar do desempenho dos filhos na escola, responder a um inspetor
das Finanças, conflito com os vizinhos, trânsito, etc).

51
Causas
organizacionais/extraorganizacionais

Temos que compreender que os factores organizacionais e extra-


organizacionais se interpenetram. Os problemas do quotidiano
extra-laboral não ficam fora da organização, e os problemas de
génese organizacional não se podem congelar no seio da
organização, impedindo-os de influenciarem o resto da vida dos
indivíduos.

52
Sinais de Stress ocupacional
Psicológicos
• Nunca tenho tempo suficiente
• Nunca conseguirei
• Estou muitas vezes angustiado(a)
• Tenho muitas vezes um nó na garganta
• Tornei-me impulsivo/ agressivo/ insatisfeito
• Cada vez fumo mais/ bebo mais álcool

Físicos
• Formigueiro nos membros durante as horas de trabalho
• Cada vez mais tenho doenças
• Dormir mal e acordar com cansaço de manhã
• Perder o gosto pela vida
• Falta de apetite ou aumento exagerado
• Sentimento de fraqueza
• Tonturas, dores de cabeça, palpitações, problemas digestivos,
problemas de pele…
53
Manifestações do stress
ocupacional
• Plano biofisiológico - hipertensão arterial, suores, dores de
cabeça frequentes, fadiga crónica, perda de peso, insónias, úlceras
ou desordens intestinais, menor resistência às infecções, etc.

• Plano comportamental - absentismo, postura conflituosa, abuso


de álcool ou de drogas, falta de empenho profissional, etc.
• Plano emocional - distanciamento afectivo, impaciência,
irritabilidade, frustração, apatia, perda do envolvimento e
entusiasmo profissional, sensação de pressão constante ou de ter
muito para fazer em pouco tempo, etc.
• Plano cognitivo - diminuição da auto-estima, dificuldade na tomada
de decisão, etc.

54
Programas de gestão do stress
ocupacional
• Os programas de gestão de stress podem ser individuais ou
organizacionais. O programa individual destina-se a ajudar as
pessoas que já estão a sofrer de stress, enquanto que o
organizacional atua numa perspetiva mais preventiva, reduzindo os
stressores, reais ou potenciais.

55
Programas de gestão do stress
ocupacional

• Para melhor satisfação das necessidades dos empregados, a


importância das intervenções primárias é colocada na mudança do
ambiente físico ou social. Exemplo dessas intervenções é a
restruturação de unidades, as mudanças no processo de tomada de
decisão (exemplo: introdução de uma maior participação dos
empregados), o enriquecimento funcional (permitindo maior
autonomia e controlo dos empregados sobre o desempenho das
suas tarefas), a reorganização das linhas de autoridade, o
estabelecimento dum sistema de compensação com maior
equidade. No entanto há algumas intervenções primárias mais
dirigidas aos empregados individualmente ou em grupo, como o
desenvolvimento da competência de gestão individual do stress ou
programas de prevenção da saúde (incluem check-ups médicos,
ioga do riso, relaxamento ou promoção do exercício físico).

56
Diferença entre eustress e distress
(Jesus, 1998)
Desafio Potencial fator de mal-estar Problema
(exigências profissionais)

Reação de alarme
(perceção da situação)

Resistência
(tentativa de lidar com a situação)

"Coping" (eustress) "Exaustão" (distress)


(resolução do problema) (tensão muito elevada e/ou
durante demasiado tempo)

Otimização do funcionamento
adaptativo Sintomas de mal-estar

57
Combatendo o stress
ocupacional
Um sujeito chegou ao trabalho todo desanimado, a arrastar-se,
nitidamente stressado. Como ele era um bom funcionário, o chefe
chamou-o a um canto e aconselhou-o:
- Porque é que você não faz como eu?! Quando estou assim, vou
para casa, tomo um bom banho, faço amor com a minha mulher, e
sinto-me logo outro homem.

O sujeito saiu e voltou, no final da tarde todo animado.


- E então, deu certo? - perguntou o chefe.
- Se deu! Estou totalmente refeito! A sua mulher é fantástica!

58
59
60