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Cacau de Origem – Uma alquimia do cacauicultor.

Paulo Peixinho

“De cada dez pessoas, nove dizem que adoram chocolate. A décima está
mentindo” (Savarin). O incrível é que, ainda hoje, poucas pessoas sabem que o
chocolate vem do cacau, e poucos são os chocolatiers que viram uma árvore do
cacau.

A história do cacau e chocolate é repleta de lendas e mistérios. Há 3000 anos -


os Olmecas, habitantes de Mérida, México já bebiam um chocolate líquido. E
somente, em 1527 na última e quarta viagem de Colombo, que foi trazida para a
Espanha, nesta época o cacau funcionava como moeda entre Maias e Astecas.

O rei Felipe II da Espanha se encantou pelo chocolate. No final do século XIV


virou coqueluche na Corte. Considerada uma droga milagrosa e afrodisíaca,
levou a Igreja a só liberar na quaresma.

Aqui no sul da Bahia, o cacau está presente desde os meados do século XIX,
todavia, nunca foi apreciado como alimento. Apenas, como insumo para
fabricação de chocolates nos grandes centros ou no exterior.

Até o início XXI, apenas países do Caribe, Equador, Venezuela, Trinidad,


Madagascar eram vistos como produtores de cacau finos, exóticos. Embora, o
Cacau produzido na Bahia, antes da chegada da vassoura de bruxa, tinha uma
qualidade Superior nunca foi valorizado.

Um novo movimento para valorizar o território em face da globalização, estimulou


os cacauicultores de todas origens a buscar uma qualidade melhor, como
diferencial de marketing na esperança de agregar valor ao produto.

Hoje, vivemos um momento ímpar na economia do cacau, o movimento bean-to-


bar (da amêndoa ã barra). Onde os chocolateiros podem manejar sua fórmulas
de diversas origens, com características próprias. E, uma nova geração de
cacauicultores no sul da Bahia estão produzindo um chocolate com alto teor de
cacau.

No passado, apenas alguns países eram considerados produtores de cacau fino


ou aroma. Ainda, nesse mês de setembro a Organização Internacional do Cacau
(ICCO) reconheceu o Brasil como produtor de cacau fino.

O cacau sul Bahia, já é protegido por lei pela Indicação de Procedência, ou seja,
uma “marca” coletiva para quem produzir cacau com as especificações
regulamentadas. (ver cacausulbahia.org).

O cacau de Origem é sobretudo uma indicação que: o cacau foi produzido em


uma determinada região, com uma variedade de cacau e com uma maneira de
fazer.
Findo com algumas palavras em homenagem ao homem que vive na lida do
cacau:

O cacau nunca é, apenas, o que a natureza oferece.


Cacau é obra de gente. Feito com engenho e carinho.
Com amor e paciência. O cacau é homenagem de fazer
o que ainda não está escrito.

Sinto que - somente assim, o sul da Bahia, além ter um selo, e reconhecimento
de Origem, terá em um futuro próximo, escrito o capítulo de uma região próspera,
onde o homem que lida com a terra seja reconhecido.

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