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UNIVERSIDADE PAULISTA

PÓS-GRADUAÇÃO EM ESTRUTURAS DE CONCRETO E


FUNDAÇÕES

MIKAEL DE OLIVEIRA NUNES DA SILVA

O POSICIONAMENTO DOS APOIOS E O CUSTO DE VIGAS


CONTÍNUAS DE CONCRETO ARMADO

CURITIBA
2019
MIKAEL DE OLIVEIRA NUNES DA SILVA

O POSICIONAMENTO DOS APOIOS E O CUSTO DE VIGAS


CONTÍNUAS DE CONCRETO ARMADO

Trabalho de Conclusão de Curso


apresentado à Pós-Graduação em
Estruturas de Concreto e Fundações,
Universidade Paulista, como requisito
parcial para obtenção do título de
Especialista.

CURITIBA
2019
MIKAEL DE OLIVEIRA NUNES DA SILVA

O POSICIONAMENTO DOS APOIOS E O CUSTO DE VIGAS


CONTÍNUAS DE CONCRETO ARMADO

Trabalho de Conclusão de Curso


apresentado à Pós-Graduação em
Estruturas de Concreto e Fundações,
Universidade Paulista, como requisito
parcial para obtenção do título de
Especialista.

Aprovado em: ____/____/____


Resultado: _______________

BANCA EXAMINADORA:
______________________________________/___/___
Prof.
Universidade Paulista - UNIP

______________________________________/___/___
Prof.
Universidade Paulista - UNIP

______________________________________/___/___
Prof.
Universidade Paulista - UNIP
DEDICATÓRIA

Agradeço à Deus, pelo Seu infinito amor e misericórdia. Pelas oportunidades e


capacidade concedidas;

À minha esposa Daiane, pela compreensão, suporte e cuidado que sempre me


ofereceu;

Aos meus pais, pelo esforço que fizeram para que eu continuasse;

A todos os colegas que contribuíram direta e indiretamente com o


desenvolvimento deste trabalho.
RESUMO

A utilização consciente dos materiais de construção civil é de extrema importância,


uma vez que sua cadeia produtiva tem grande impacto no meio ambiente. Neste
contexto se insere a otimização estrutural, que pode ser quanto à forma dos elementos
geométricos que a consistem ou quanto à disposição destes elementos ao longo da
estrutura (Cohn & Dinovitzer, 1994). Este processo de otimização pode ser realizado
de diversas formas. Neste trabalho a otimização foi realizada através do processo
iterativo no dimensionamento de vigas contínuas, seguindo as prescrições da NBR
6118 (2014), através da realocação dos apoios, respeitando os limites inseridos pelo
usuário, buscando a solução de menor custo. Uma vez que a seção transversal
permanecerá a mesma, será avaliado unicamente o custo de armadura de flexão e
transversal. Através de exemplos numéricos, verificou-se o impacto do
posicionamento dos pilares no custo de vigas, chegando a reduções da ordem de
40%. Além disso, foram estudados os impactos da carga externa e dos comprimentos
dos vãos no custo das armaduras.

Palavras-chave: Construção Civil. Otimização Estrutural. JavaScript. Concreto


Armado. Vigas Contínuas.
ABSTRACT

The civil construction materials conscious use is extreme important, once its productive
chain has a great impact over the environment. The structural optimization, which can
be a shape, layout or topology optimization, comes up into this context (Cohn &
Dinovitzer, 1994). There are several ways to implement this process. On this paper the
iterative method is used on the design of multi-span reinforced concrete beans,
according to the NBR 6118 (2014), through columns reallocation, respecting the
boundaries imputed by user, looking up for the lowest cost solution. Once the cross
section remains the same, it will only be considered the longitudinal and shear
reinforcement. Through some numerical examples, it was possible to verify the impact
of the columns’ position over the cost, reaching about 40% in reduction. Besides that,
it was studied how the external load and the length of each spam influence the cost of
the reinforcement.

Keywords: Civil Construction. Structural optimization. JavaScript. Reinforced


concrete. Multi-span beams.
LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1 – Dados de entrada: características geométricas ....................................... 30


Figura 2 – Dados de entrada: CAA e tipo de concreto .............................................. 31
Figura 3 – Dados de entrada: cargas atuantes ......................................................... 32
Figura 4 – Dados de entrada: características dos apoios.......................................... 33
Figura 5 – Representação gráfica da viga a ser analisada........................................ 35
Figura 6 – Fluxograma de dimensionamento e otimização ....................................... 37
Figura 7 – Exemplo para validação de resultados: planta de fôrmas ........................ 39
Figura 8 – Resultados obtidos pelo Ftool (em kNm).................................................. 39
Figura 9 – Exemplo para validação de resultados: detalhamento proposto por
Carvalho & Filho (2016)............................................................................................. 40
Figura 10 – Exemplo 02: Layout................................................................................ 45
Figura 11 – Exemplo 03: Layout................................................................................ 46
LISTA DE TABELAS

Tabela 1- Publicações sobre otimização estrutural de pórticos de concreto armado 13


Tabela 2 – Características dos diâmetros comerciais ............................................... 29
Tabela 3 – Correspondência entre CAA, cnom e classe de concreto.......................... 31
Tabela 4 – Características do Concreto .................................................................... 31
Tabela 5 – Custo das barras de aço CA-50 .............................................................. 34
Tabela 6 – Comparação dos esforços internos ......................................................... 40
Tabela 7 – Comparação dimensionamento e detalhamento ..................................... 41
Tabela 8 – Comparação de resultados...................................................................... 42
Tabela 9 – Exemplo 02: Carregamentos utilizados ................................................... 44
Tabela 10 – Exemplo 03: Comprimentos de vãos e deslocamentos de pilares ........ 46
LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1 – Proporção de cada vão e Custo total, por iteração ................................. 43


Gráfico 3 – Comprimento do vão (%) em relação ao custo (%) ................................ 44
Gráfico 4 – Exemplo 02: Carregamento x Custo total ............................................... 45
Gráfico 5 – Exemplo 03: Comprimento total x Proporção do vão e custo total.......... 47
Gráfico 6 – Exemplo 03: Comprimento do vão (%) em relação ao custo (%)............ 48
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 11

2 OTIMIZAÇÃO DE ESTRUTURAS ......................................................................... 12

3 DIMENSIONAMENTO DE VIGAS SEGUNDO A NBR 6118 (2014) ...................... 18

3.1 Esquema estrutural ........................................................................................... 18

3.2 Esforços solicitantes ........................................................................................ 19

3.2.1 Método da Rigidez Direta .................................................................................. 19

3.3 Detalhamento transversal da armadura de flexão .......................................... 21

3.4 Verificação da altura útil ................................................................................... 22

3.5 Detalhamento longitudinal da armadura de flexão......................................... 22

3.5.1 Decalagem do diagrama de momentos fletores (aℓ) .......................................... 22

3.5.2 Comprimento básico de ancoragem (ℓ𝑏𝑏) .......................................................... 23

3.5.3 Comprimento de ancoragem necessário........................................................... 24

3.5.4 Armadura de tração nas seções de apoio ......................................................... 25

3.6 Cálculo da armadura de flexão ........................................................................ 25

3.6.1 Comprimento total da barra............................................................................... 26

3.7 Cálculo e detalhamento da armadura transversal .......................................... 27

4 PROPOSTA COMPUTACIONAL........................................................................... 28

4.1 Linguagem utilizada .......................................................................................... 28

4.2 Dados padrão .................................................................................................... 29

4.3 Dados de entrada .............................................................................................. 29

4.3.1 Características geométricas .............................................................................. 30

4.3.2 Classe de Agressividade e Concreto ................................................................ 30

4.3.3 Cargas sobre a viga .......................................................................................... 31


4.3.4 Características dos apoios ................................................................................ 32

4.3.5 Diâmetro da armadura transversal (estribos) .................................................... 33

4.3.6 Quantidade de pontos intermediários................................................................ 34

4.3.7 Custo das barras de aço ................................................................................... 34

4.4 Representação gráfica ...................................................................................... 35

4.5 Otimização da estrutura .................................................................................... 35

4.6 Tipos de análises disponíveis .......................................................................... 36

5 VALIDAÇÃO DOS RESULTADOS ........................................................................ 38

5.1 Esforços internos .............................................................................................. 38

5.2 Dimensionamento e detalhamento da armadura longitudinal....................... 40

6 EXPERIMENTAÇÃO NUMÉRICA ......................................................................... 42

6.1 Exemplo 01 ........................................................................................................ 42

6.2 Exemplo 02 ........................................................................................................ 44

6.3 Exemplo 03 ........................................................................................................ 45

7 CONCLUSÃO ........................................................................................................ 49

REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 50
11

1 INTRODUÇÃO

Devido ao avanço do poder e à redução dos custos computacionais, hoje em


dia o cálculo de dimensionamento estrutural é na maior parte das vezes realizado
através de computadores, sendo o engenheiro o responsável pela concepção
estrutural, análise dos resultados entregues pelo software e realização de adaptações
quando necessário. Devido a diversos fatores, em geral a estrutura final é muito
próxima ao pré-dimensionamento feito pelo profissional e não necessariamente condiz
com a estrutura de menor custo.

O uso eficiente dos materiais de construção civil é importante também devido


a fatores ambientais, uma vez que a extração da matéria-prima e a manufatura dos
produtos causa impactos ao meio ambiente. Segundo a WorldStell Association (2018)
são produzidas 1,83 toneladas de CO2 para cada tonelada de aço produzido.

O valor do aço de construção civil tem aumentado nos últimos anos. Segundo
a Câmara Brasileira da Industria da Construção (CBIC, 2019), de fevereiro de 2007
até fevereiro de 2019 o preço médio por kg dos vergalhões do aço CA-50 de 10 mm
de diâmetro aumentou 52% e este aumento impacta diretamente no custo total da
obra. Segundo Eleftheriadis et. al (2018) a redução no custo total da estrutura está
também relacionada com a redução das emissões de carbono atreladas a ela.

Tendo em vista o melhor aproveitamento dos materiais envolvidos que os


programas de otimização de estruturas surgem. Existem diversos métodos que podem
ser utilizados na otimização estrutural, que vão desde a experiência do engenheiro
até a implementação de redes neurais artificiais (Uz et al., 2018). Estes métodos
podem buscar a estrutura com menor peso ou custo, seja reduzindo a seção
transversal dos elementos que a constitui ou seja modificando a posição dos
elementos, buscando reduzir os esforços nestes, e, por consequência, reduzir a
quantidade de aço e/ou concreto necessárias (Nina, 2006).
12

2 OTIMIZAÇÃO DE ESTRUTURAS

Cohn & Dinovitzer (1994) realizaram um levantamento de diversos livros e


artigos sobre o assunto de otimização estrutural, publicados até o momento, para
diversos tipos de elementos estruturais, tanto em concreto quanto em aço. Nina (2006)
realizou um apanhado geral, apresentando em ordem cronológica os principais
trabalhos publicados sobre o assunto. Tal resumo é apresentado parcialmente na
Tabela 1.

Há também outros trabalhos os quais valem a pena serem destacados. Adeli &
Cheng (1994) desenvolveram um método de otimização de estruturas espaciais
através da combinação do algoritmo genético com o método Lagrangeano
Aumentado, aplicando a estruturas treliçadas. Neste método não há a necessidade
de estimativas ou tentativa e erro para o valor inicial do coeficiente da função de
penalidade.

Sharafi et al. (2014) desenvolveram um método de otimização de estruturas em


concreto armado o qual considera o custo do ciclo de vida dos materiais envolvidos
no processo (aço, concreto e fôrmas) na obtenção da função objetivo a ser minimizada

Uz, et al. (2018) aplicaram o algoritmo de buscas de sistemas carregados


(charged system search algorithm, em tradução livre) em vigas contínuas de concreto
armado sob diferentes carregamentos, estáticos e dinâmicos e compararam os
resultados com o algoritmo de otimização de colônia de formigas (ant colony
optimization, em tradução livre), obtendo custos cerca de 1% menores em
comparação com este método, porém entre 4 e 7% quando comparado com a solução
inicial.

Özkal & Uysal (2016), otimizaram o detalhamento de um pórtico plano através


do modelo de bielas e tirantes e a otimização da geometria das barras de aço. Em seu
trabalho, construíram dois protótipos, um detalhado conforme a norma Australiana
TS500 code e o outro detalhado conforme o método proposto por eles. O método
facilitou o detalhamento de elementos não usuais, principalmente no encontro
viga/pilar, trazendo maior ductilidade à estrutura.
13

Tabela 1- Publicações sobre otimização estrutural de pórticos de concreto armado

Comentários sobre a
Ano de Elemento Método de otimização
Autor Conclusões formulação do Obs.
publicação estudado utilizado
problema

1974 Friel Vigas Soluções fechadas para a Custo da forma e o aumento na altura da Restrições de momento Baseado
retangulares taxa ótima de viga não influenciam significativamente no último no ACI.
simplesmente aço/concreto para o custo ótimo
apoiadas mínimo custo
1977 Chou Viga T Método dos Redução de mais de 14% no custo com Duas variáveis: altura -
simplesmente multiplicadores de taxa máxima de armadura útil e área de aço. Linha
armada Lagrange neutra dentro da mesa
1986 Abendroth e Vigas seção T Otimização com 1. Custos menores na utilização de Assumido que o custo -
Salmon com restrições é transformada formas metálicas ao invés de formas de dos estribos é 1,5 vezes
extremidades em sem restrições madeira, mesmo com reaproveitamento 4 o custo da armadura
inteira ou usando o método da vezes; longitudinal
parcialmente função de penalidade 2. 5% de aumento nos custos para
restritas interior e resolvido pelo concreto com resistência entre 17,2 a
método quase-Newton 48,2 MPa e 15% para o aço com
Raphson resistência entre 275,6 e 516,8 MPa;
3. Projetos que consideram estados
limites parciais, ao invés de elástico, não
produzem economia significativa
1988 Prakash et al. Vigas T e Método Siimplex e 1. Lajes armadas em duas direções são - Baseado
retangulares multiplicadores de mais econômicas que pavimentos com na
com armadura Lagrange
14

Comentários sobre a
Ano de Elemento Método de otimização
Autor Conclusões formulação do Obs.
publicação estudado utilizado
problema

simples e viga T para vãos maiores que 6m em Norma


dupla prédios residenciais. Indiana.
2. Para cargas mais pesadas ou maiores
vãos, o contrário é verdadeiro.
1990 Kanagasundaram Vigas seção T, Programação linear Os custos do concreto e do aço são - -
e Karihaloo L e retangular sequencial e praticamente os mesmos, mas a forma é
contínuas programação sequencial mais que duas vezes o custo do concreto
simplesmente convexa e do aço juntos, tendo então uma
apoiadas significativa contribuição no custo total
1991ª Kanagasundaram Vigas seção Custo do concreto Concreto com fck > 60 MPa resultam em Consideraram -
e Karihaloo retangular e T relacionado à sua seções menores e levam a vigas mais resistência à tração
simplesmente resistência através de econômicas como variável, junto
apoiadas e de uma análise por com a seção
múltiplos vãos regressão não linear transversal e taxa de
usando uma função armadura
cúbica
1991b Kanagasundaram Vigas seção Custo do concreto Conclusões similares às anteriores Pressão de terra, -
e Karihaloo retangular de relacionado à sua (1991ª) pressão de água,
múltiplos vãos resistência através de cargas de vento ou de
uma análise por terremotos somadas às
regressão não linear cargas permanentes e
acidentais.
15

Comentários sobre a
Ano de Elemento Método de otimização
Autor Conclusões formulação do Obs.
publicação estudado utilizado
problema

usando uma função


cúbica
1992 Ezeldin e Hsu Vigas Método da procura direta Custos do concreto e forma são mais Seis variáveis: Largura -
retangulares influentes que o do aço e fibras e altura da seção,
reforçadas quantidade de fibras
com fibras dobradas, área da
seção transversal e
espaçamento de
estribos. Consideração
do custo dos estribos
na função objetivo
1992a Chakrabarty Vigas retas Método da programação 1. Custo do concreto e aço são parecidos, Pesquisa realizada na -
retangulares geométrica e de Newton- mas o da fôrma é aproximadamente ¼ do Índia, onde a mão-de-
simplesmente Rapson custo do concreto ou do aço; obra é barata. Em 1990
armadas 2. O valor ótimo leva a vigas dúcteis, o Kanagasundaram e
que é bom para resistir às forças Karihaloo disseram o
dinâmicas, como terremotos; inverso para países
3. O custo aumenta 35% quando a razão como Austrália e
largura/altura da seção aumenta de 0,25 Estados Unidos, onde a
para 0,67; mão-de-obra é mais
4. As seções ótimas são frequentemente cara, como foi exposto
mais altas para satisfazer as restrições de
16

Comentários sobre a
Ano de Elemento Método de otimização
Autor Conclusões formulação do Obs.
publicação estudado utilizado
problema

deslocamento, por isso, se tornam mais


dúcteis com menos armadura
1994 Al-Salloum e Vigas Método dos Obteve uma solução de forma fechada - Baseado
Siddiqui retangulares Multiplicadores de para as áreas de aço e altura da seção no ACI
simplesmente Lagrange em função do custo e de parâmetros de
armadas resistência
1994a Adamu e Vigas de seção Método do critério de - Variáveis de projeto são -
Karihaloo variada de dois otimização discretizado a altura ou a razão
tipos: tipo contínuo (DCOC) altura/área de aço
engastadas em
uma
extremidade e
simplesmente
apoiadas na
outra, e
contínuas de
três vãos
1997 Balling e Yao Pórticos Programação sequencial 1. Pórtico sujeito a forças horizontais e - Baseado
tridimensionais quadrática ou um método verticais. no ACI.
com pilares baseado em gradiente 2. Para o aço consideram duas definições
retangulares e diferentes para as variáveis de projeto.
vigas Na primeira, a área de aço de cada
17

Comentários sobre a
Ano de Elemento Método de otimização
Autor Conclusões formulação do Obs.
publicação estudado utilizado
problema

retangulares, membro é a única variável usada para o


seção T ou L, aço naquele membro. Na segunda são
de um, dois e considerados número, diâmetro e
quatro distribuição longitudinal das barras,
pavimentos resultando em uma otimização em dois
níveis.
3. Incluíram custo de material, fabricação
e montagem na função de custo.
4. Os custos ótimos baseados nas duas
definições acima ficam bem próximos um
do outro, portanto, não há necessidade
de incluir a segunda definição de custo
computacional na formulação. Baseado
nisso, os autores discutiram uma
aproximação simplificada para otimização
de custo de pórticos espaciais.
Fonte: Adaptado de Nina (2006)
18

3 DIMENSIONAMENTO DE VIGAS SEGUNDO A NBR 6118 (2014)

A Norma Brasileira que rege o dimensionamento de estruturas de concreto é a


ABNT NBR 6118 (2014). Como dito anteriormente, este trabalho tem como foco o
dimensionamento de vigas em concreto armado, utilizando armadura simples, ou seja,
apenas armadura de tração, em seções retangulares sob o efeito de flexão normal
simples.

Por definição a flexão normal simples é aquela onde o plano da resultante dos
esforços solicitantes é perpendicular à linha neutra da seção, atuando esforços
cortantes e de momento fletor, sendo nulos os esforços normais.

O dimensionamento será realizado de acordo com o Estado Limite de Utilização


(ELU), o qual considera o máximo carregamento ao qual a estrutura pode ser
solicitada. É importante ressaltar que o Estado Limite de Serviço (ELS) deve ser
sempre verificado e atendido, de modo a garantir o bom funcionamento da estrutura
para o propósito ao qual será construída, durante toda a sua vida útil, porém, a
verificação do ELS não será abordada neste trabalho.

A seguir serão mostrados todos os cálculos necessários para o


dimensionamento de uma viga de concreto armado

3.1 Esquema estrutural

O primeiro passo para o dimensionamento de uma viga de concreto é a


determinação de seu esquema estrutural, ou seja, determinação da posição dos
apoios e carregamentos atuantes. De posse do tipo e posicionamento dos apoios,
pode-se pré-dimensionar os elementos estruturais. Esta etapa deve levar em
consideração limitações e/ou requisições arquitetônicas.
19

3.2 Esforços solicitantes

Com o esquema estrutural definido e com os elementos pré-dimensionados é


possível calcular os esforços atuantes em cada trecho do elemento estrutural. Estes
esforços podem ser obtidos de diversas formas, seja através do cálculo manual, seja
através de softwares. Neste trabalho os esforços serão calculados através do Método
da Rigidez Direta, o qual será resumidamente descrito a seguir.

3.2.1 Método da Rigidez Direta

Este método de obtenção de esforços é a formulação matricial do Método dos


Deslocamentos, tendo em vista ter este método uma fácil aplicabilidade
computacional (Martha), sendo este um método já consagrado na engenharia de
estruturas. Este método tem por objetivo resolver o seguinte sistema:

[𝐾𝐾0 ] × {𝐷𝐷0 } = {𝐸𝐸0 }

Sendo:

K0 – Matriz de rigidez global da estrutura

D0 – Vetor de deslocabilidades global da estrutura

E0 – Vetor de esforços global da estrutura

A matriz de rigidez global é o somatório das matrizes dos n elementos que


constituem a estrutura (Filho, 2019):

𝑛𝑛 𝑒𝑒𝑒𝑒𝑒𝑒𝑒𝑒

[𝐾𝐾 0]
𝑖𝑖𝑖𝑖 = � [𝐾𝐾𝐸𝐸0 𝑛𝑛 ]𝑖𝑖𝑖𝑖
𝑛𝑛=1

Considerando todas as barras que formam a viga como biengastadas, tem-se


que a matriz de rigidez de cada barra é:
20

12 6𝐿𝐿 −12 6𝐿𝐿


𝐸𝐸𝐸𝐸 6𝐿𝐿 4𝐿𝐿² −6𝐿𝐿 2𝐿𝐿² �
[𝐾𝐾 ]𝑏𝑏𝑏𝑏𝑏𝑏𝑏𝑏𝑏𝑏 = 3�
𝐿𝐿 −12 −6𝐿𝐿 12 −6𝐿𝐿
6𝐿𝐿 2𝐿𝐿² −6𝐿𝐿 4𝐿𝐿²

Sendo:

E – Módulo de elasticidade da barra.

I – Momento de inércia da seção.

L – Vão efetivo da barra.

O vetor de deslocabilidades contém como incógnitas as deslocabilidades


(deslocamentos verticais e/ou rotações, para o caso de vigas sem esforços
horizontais) impostas pelos apoios (engaste, simplesmente apoiado ou balanço).

O vetor de esforços é a soma do vetor de reações de apoio, cargas nodais e


cargas nodais equivalentes (chamado também de β0).

Para resolver este sistema, reordena-se as linhas e colunas da matriz global e


dos vetores, de modo que todos os valores nulos de deslocabilidades fiquem na parte
inferior de {𝐷𝐷0 }. Subdivide-se então os elementos da seguinte forma:

[𝑎𝑎] [𝑏𝑏] {𝑒𝑒} {𝑔𝑔}


� �� � = � �
[𝑐𝑐 ] [𝑑𝑑 ] {𝑓𝑓} {ℎ}

Sendo:

[a] – Submatriz de [K0], quadrada, de ordem igual à quantidade de


deslocabilidades desconhecidas.

[b] – Submatriz de [K0], com mesma quantidade de linhas que [a] e colunas
iguais à quantidade de reações de apoio desconhecidas.

[c] – Submatriz de [K0], com mesma quantidade de linhas que [d] e mesma
quantidade de colunas que [a].

[d] – Submatriz de [K0], quadrada, de ordem igual à quantidade de reações de


apoio desconhecidas.
21

{e} – Subvetor de {D0} com quantidade de linhas correspondente às


deslocabilidades desconhecidas.

{f} – Subvetor de {D0} com quantidade de linhas correspondente às


deslocabilidades nulas.

{g} – Subvetor de {E0} com quantidade de linhas correspondente às


deslocabilidades desconhecidas.

{h} – Subvetor de {E0} com quantidade de linhas correspondente às


deslocabilidades nulas.

Desta forma, resolve-se o seguinte sistema de equações para obtenção das


reações de apoio e deslocabilidades desconhecidas:

[𝑎𝑎] × {𝑒𝑒} + [𝑏𝑏] × {𝑓𝑓} = {𝑔𝑔}



[𝑐𝑐 ] × {𝑒𝑒} + [𝑑𝑑 ] × {𝑓𝑓} = {ℎ}

Sendo { f } o vetor de deslocabilidades nulas, o sistema anterior pode ser


simplificado como:

[𝑎𝑎] × {𝑒𝑒} = {𝑔𝑔}



[𝑐𝑐 ] × {𝑒𝑒} = {ℎ}

De posse das reações de apoio e das cargas atuantes no sistema, é possível


traçar o diagrama de esforços internos (momentos fletores e esforços cortantes) da
viga e obter os esforços em qualquer ponto.

3.3 Detalhamento transversal da armadura de flexão

Tendo a área de aço necessária para resistir ao momento atuante, detalha-se


a quantidade de barras necessárias para a seção transversal adotada, de acordo com
a bitola desejada. No detalhamento, deve-se levar em consideração alguns aspectos:

• Espaçamento entre as barras: Definido no item 18.3.2.2 da NBR 6118


(2014), tem como objetivo facilitar a concretagem da viga, reduzindo as
chances de segregação dos agregados, além da passagem do vibrador.
22

• Cobrimento mínimo: Definido no item 7.4 da NBR 6118 (2014), visa a


proteção da armadura ao longo da vida útil da estrutura.

• Simetria: As barras devem estar dispostas simetricamente em relação


ao eixo transversal da seção, de modo que a resultante dos esforços de
tração permaneça neste plano, não gerando esforços laterais à viga.
Para garantir a simetria, pode ser necessário adicionar barras e/ou
modificar a quantidade de barras em cada camada.

3.4 Verificação da altura útil

Com a quantidade de barras e camadas definidas, verifica-se a altura útil real


na seção, a qual foi estimada inicialmente para calcular a quantidade necessária de
armadura, disposta em 3.3. A altura útil é definida como a distância entre a fibra mais
comprimida da viga e o centro de gravidade da armadura tracionada. Portanto, menor
é a altura útil, tanto maior o número de camadas necessárias para abrigar as barras
de aço tracionadas.

Caso a altura útil real seja diferente da estimada, recalcula-se a área de aço
necessária e faz-se novo detalhamento até a convergência do processo.

3.5 Detalhamento longitudinal da armadura de flexão

Tendo a quantidade de armadura necessária para suportar o momento


resultante do carregamento indicado, é possível otimizar a quantidade de aço ao longo
da viga, uma vez que os esforços não são constantes em todo o seu comprimento.
Cabe ao profissional definir o melhor detalhamento para a viga, levando em
consideração a execução e demais aspectos, porém, alguns parâmetros precisam ser
respeitados.

3.5.1 Decalagem do diagrama de momentos fletores (aℓ)


23

Disposto no item 17.4.2.2-c e no item 17.4.2.3-c da NBR 6118 (2014), este


procedimento visa substituir o cálculo dos efeitos da fissuração oblíqua na viga. A
forma como será calculada depende do modelo de cálculo utilizado no
dimensionamento dos estribos. Caso os estribos tenham sido dimensionados pelo
modelo de cálculo I, o valor de aℓ é dado por:

𝑉𝑉𝑆𝑆𝑆𝑆,𝑚𝑚á𝑥𝑥
𝑎𝑎ℓ = 𝑑𝑑 ∙ � (1 + 𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐 𝛼𝛼 ) − 𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐 𝛼𝛼� ≤ 𝑑𝑑
2�𝑉𝑉𝑆𝑆𝑆𝑆,𝑚𝑚á𝑥𝑥 − 𝑉𝑉𝑐𝑐 �

Sendo:

VSd, máx – Máxima força cortante solicitante de cálculo, na seção.

Vc – Parcela do esforço cortante suportada exclusivamente pelo concreto.

α – Ângulo de inclinação da armadura transversal em relação ao eixo

longitudinal da peça.

Porém, caso os estribos sejam dimensionados pelo modelo de cálculo II, o valor
de 𝑎𝑎ℓ é dado por:

0,5 ∙ 𝑑𝑑, 𝑛𝑛𝑛𝑛 𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐 𝑔𝑔𝑔𝑔𝑔𝑔𝑔𝑔𝑔𝑔


𝑎𝑎ℓ = 0,5 ∙ 𝑑𝑑 ∙ (𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐 𝜃𝜃 − 𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐 𝛼𝛼) ≥ �
0,2 ∙ 𝑑𝑑, 𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝 𝑒𝑒𝑒𝑒𝑒𝑒𝑒𝑒𝑒𝑒𝑒𝑒𝑒𝑒𝑒𝑒 𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖 𝑎𝑎 45°

Sendo:

θ – Ângulo de inclinação das diagonais de compressão.

3.5.2 Comprimento básico de ancoragem (ℓ𝑏𝑏 )

Descrito no item 9.4.2.4 da NBR 6118 (2014), o comprimento básico de


ancoragem é o mínimo comprimento reto necessário para uma armadura passiva
ancorar a força-limite 𝐴𝐴𝑠𝑠 ∙ 𝑓𝑓𝑦𝑦𝑦𝑦 , considerando que ao longo de todo este comprimento
24

haja resistência de aderência igual a fbd, onde fbd é descrito no item 9.3.2.1 da NBR
6118 (2014) e é dado por:

𝑓𝑓𝑏𝑏𝑏𝑏 = 𝜂𝜂1 ∙ 𝜂𝜂2 ∙ 𝜂𝜂3 ∙ 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐

Sendo:

fctd – Valor de cálculo da resistência à tração do concreto.

𝜂𝜂1 – 2,25 para barras nervuradas (Aço CA-50).

𝜂𝜂2 – Coeficiente relacionado à região de boa ou má aderência (descrito no item


9.3.1 da Norma), sendo igual a 1,0 para regiões de boa aderência e 0,7 para regiões
de má aderência.

𝜂𝜂3 – 1,0 para diâmetros até 32 mm.

O comprimento básico de ancoragem é calculado pela expressão:

𝜙𝜙 𝑓𝑓𝑦𝑦𝑦𝑦
ℓ𝑏𝑏 = ∙ ≥ 25𝜙𝜙
4 𝑓𝑓𝑏𝑏𝑏𝑏

3.5.3 Comprimento de ancoragem necessário

Definido no item 9.4.2.5 da Norma, é o comprimento necessário para ancorar a


barra de aço no concreto dentro do apoio. É baseado no comprimento básico de
ancoragem, porém leva em consideração a existência ou não de gancho no extremo
da barra e a taxa efetiva de aço utilizada. É dado por:

𝐴𝐴𝑠𝑠,𝑐𝑐𝑐𝑐𝑙𝑙𝑙𝑙
ℓ𝑏𝑏,𝑛𝑛𝑛𝑛𝑛𝑛 = 𝛼𝛼1 ∙ ℓ𝑏𝑏 ≥ ℓ𝑏𝑏,𝑚𝑚í𝑛𝑛
𝐴𝐴𝑠𝑠,𝑒𝑒𝑒𝑒

Sendo:

𝛼𝛼1 – Variável entre 0,5 e 1,0 conforme disposto na Norma.

ℓ𝑏𝑏,𝑚𝑚í𝑛𝑛 – Maior valor entre 0,3 ∙ ℓ𝑏𝑏 , 10 𝜙𝜙 e 10 cm.

As, calc – Área de aço calculada conforme descrito em 3.3.


25

As, ef – Área de aço efetiva na seção (número de barras multiplicado pela área
de aço de cada barra).

3.5.4 Armadura de tração nas seções de apoio

Deve ser respeitada uma quantidade mínima de armadura na região dos apoios
(extremos e intermediários). Esta taxa de armadura é variável de acordo com os
esforços internos na viga e é descrita no item 18.3.2.4 da NBR 6118 (2014).

3.6 Cálculo da armadura de flexão

Este trabalho tem como foco o dimensionamento de vigas ditas


“convencionais”, portanto, restringiu-se a classe do concreto até C50 (fck até 50 MPa),
de modo que a distribuição de tensões no concreto siga o diagrama parábola-
retângulo, tendo sua tensão máxima o valor de 0,85 * fcd, definido no item 12.3.3 da
Norma.

Como já citado em capítulos anteriores, as vigas aqui dimensionadas serão de


concreto armado com armadura simples, ou seja, terão apenas armaduras passivas
e nas regiões tracionadas da viga, de modo a suprir a baixa resistência à tração do
concreto.

O cálculo da armadura de flexão necessária é feito realizando o equilíbrio dos


esforços na seção transversal do elemento. Levando em consideração que a viga não
trabalhará no domínio 4, tem-se:

𝑀𝑀𝑑𝑑
𝐴𝐴𝑠𝑠 =
𝑧𝑧 × 𝑓𝑓𝑦𝑦𝑦𝑦

Sendo:

As – Área de aço necessária.

Md – Momento de cálculo atuante na seção


26

z – Braço de alavanca entre a resultante das tensões no concreto comprimido


e no aço

fyd – Tensão de escoamento do aço.

Temos, contudo, para o caso particular de vigas retangulares com armadura


simples:

𝑀𝑀𝑑𝑑
𝐴𝐴𝑠𝑠 =
(𝑑𝑑 − 0.4 ∙ 𝑥𝑥) × 𝑓𝑓𝑦𝑦𝑦𝑦

𝑀𝑀𝑑𝑑
𝑥𝑥 = 1,25 ∙ 𝑑𝑑 × �1 − �1 − �
0.425 × 𝑏𝑏𝑤𝑤 × 𝑑𝑑 2 × 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐

Sendo:

d – Altura útil da seção.

x – Profundidade da linha neutra.

bw – Base da viga.

fcd – Resistencia de cálculo à compressão do concreto.

3.6.1 Comprimento total da barra

Como já dito anteriormente, cabe ao profissional definir o detalhamento mais


adequado para cada situação. Caso o profissional opte por utilizar comprimentos
diferentes para as barras longitudinais, cada barra (ou grupo de barras) deve ser
definido somando-se:

• Comprimento medido no diagrama de momentos fletores, do momento


suportado pela barra (ou grupo de barras).

• 𝑎𝑎ℓ e ℓ𝑏𝑏,𝑛𝑛𝑛𝑛𝑛𝑛 para cada extremidade da barra.


27

• Comprimento do gancho (caso haja).

3.7 Cálculo e detalhamento da armadura transversal

A armadura longitudinal é a responsável por absorver os esforços de flexão,


enquanto os esforços de cisalhamento serão absorvidos pelos estribos. O
detalhamento da armadura de cisalhamento é descrito no item 17.4 da NBR 6118
(2014). O dimensionamento é realizado seguindo o modelo de treliça generalizada de
Mörsch, podendo ser realizado através de dois modelos distintos de cálculo.

O modelo I admite que o ângulo de inclinação das bielas de compressão é θ =


45° e que as tensões de compressão absorvidas pelo concreto (Vc) tem valor
constante, independente das tensões solicitantes (Vsd). Já no modelo II as diagonais
de compressão podem variar entre 30° e 45° e o valor de Vc reduz com o aumento de
Vsd.

Neste trabalho os estribos serão dimensionados seguindo o modelo II,


utilizando estribos simples e verticais. Neste caso, a força de compressão diagonal no
concreto é dada por:

𝑉𝑉𝑅𝑅𝑅𝑅2,𝐼𝐼𝐼𝐼 = 0,54 ∙ 𝛼𝛼𝑣𝑣2 ∙ 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 ∙ 𝑏𝑏𝑤𝑤 ∙ 𝑑𝑑 ∙ sin2 𝜃𝜃 ∙ (cot 𝛼𝛼 + cot 𝜃𝜃)

A parcela resistida pelo concreto pode ser descrita como sendo:

𝑉𝑉𝑐𝑐 = 0,6 ∙ 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐 ∙ 𝑏𝑏𝑤𝑤 ∙ 𝑑𝑑,

para valores de Vsd ≤ Vc, porém Vc = 0 quando Vsd = VRd2, II. Para valores
intermediários, Vc deve ser interpolado linearmente.

Para o caso de armaduras verticais, a armadura transversal é dada por:

𝐴𝐴𝑠𝑠𝑠𝑠
𝑉𝑉𝑠𝑠𝑠𝑠 = ∙ 0,9 ∙ 𝑑𝑑 ∙ 𝑓𝑓𝑦𝑦𝑦𝑦𝑦𝑦 ∙ cot 𝜃𝜃
𝑠𝑠
28

4 PROPOSTA COMPUTACIONAL

4.1 Linguagem utilizada

Para o desenvolvimento do software foi utilizada a linguagem de programação


JavaScript. “O JavaScript é uma linguagem baseada em protótipos, multi-paradigma
e dinâmica, suportando estilos de orientação a objetos, imperativos e declarativos
(como por exemplo a programação funcional)” (Mozilla, 2019).

Optou-se pela utilização do JavaScript devido à sua flexibilidade, pois, devido


à sua padronização conforme o ECMAScript, todos os navegadores de internet
modernos oferecem suporte a esta linguagem. Isto contribuiu para o amplo
crescimento da aplicação do JavaScript em servidores, websites e aplicações web em
geral (Mozilla, 2019). Este fato torna esta linguagem multiplataforma, ou seja, funciona
nativamente em todos os sistemas operacionais, tanto para computadores quanto
moblie.

Além de aplicações web, através do JavaScript é possível desenvolver


aplicações para dispositivos móveis, utilizando bibliotecas como AngularJS
(AngulaJS, 2019) ou Cordova (Apache Software Foundation, 2019), também
aplicações desktop, utilizando Electron (Electron, 2019), sempre em concomitância
com HTML e CSS, estes responsáveis pela estrutura e aparência da aplicação,
enquanto o JavaScript é o responsável pela lógica e cálculos. Portanto, utilizando em
essência o mesmo código, é possível ter uma aplicação web, aplicativo móvel ou
aplicativo desktop.
29

4.2 Dados padrão

Para realizar o dimensionamento e otimização da viga, alguns parâmetros


foram deixados em aberto, podendo ser modificados pelo usuário, enquanto outros
serão valores fixos, ou lista fixa de valores. São eles:

• Bitola e área de aço – Seguindo valores comerciais das barras mais


utilizadas em concreto armado, indicado na Tabela 1.

Tabela 2 – Características dos diâmetros comerciais

Diâmetro (mm) Área (cm²)


6,3 0,315
8 0,5
10 0,8
12,5 1,25
16 2
20 3,15
25 5
32 8
Fonte: XXXXX

• Coeficientes de ponderação – O dimensionamento das vigas será


realizado para o Estado Limite Último (ELU), portanto os coeficientes de
ponderação utilizados foram γc = 1,4 e γs = 1,15.

4.3 Dados de entrada

Todos os parâmetros restantes necessários para realizar o dimensionamento e


otimização da viga, ficam a cargo do usuário de informar. Estes parâmetros definem
30

o esquema estrutural, abordado no item 3.1, inclui a geometria dos elementos


envolvidos, tipo de concreto a ser utilizado, classe de agressividade ambiental onde
se encontra a estrutura e os carregamentos sobre a viga.

A seguir serão descritos em maior detalhe a inserção de cada item.

4.3.1 Características geométricas

A inserção das características geométricas é feita tramo a tramo da viga,


limitando-se em nove tramos para cada viga (até dez apoios). Insere-se o
comprimento total (vão efetivo, calculado segundo o item 14.6.2.4 da ABNT NBR 6118
(2014), base e altura do tramo, todos valores em centímetros, conforme indicado na
Figura 1.

Figura 1 – Dados de entrada: características geométricas

Fonte: Autor

Embora cada vão possa ter comprimentos diferentes entre si, as características
da seção transversal serão as mesmas (base e altura), portanto estes valores são
inseridos no primeiro tramo da viga e replicados para os demais.

4.3.2 Classe de Agressividade e Concreto

Conforme a Tabela 6.1 da ABNT NBR 6118 (2014), a definição da CAA “está
relacionada às ações físicas e químicas que atuam sobre a estrutura de concreto,
independentemente das ações mecânicas”, sendo classificas nas classes I, II, III e IV.
Este parâmetro irá condicionar, por exemplo, qual o cobrimento mínimo a ser
31

considerado e qual a classe mínima a ser utilizada no concreto, indicados na Tabela


3 a seguir.

Tabela 3 – Correspondência entre CAA, cnom e classe de concreto


CAA I II III IV
cnom (mm) 25 30 40 50
Classe de
≥ C20 ≥ C25 ≥ C30 ≥ C40
concreto
Fonte: Adaptado da Tabela 7.2 da NBR 6118 (2014)

A classe do concreto define sua resistência a compressão, módulo de


elasticidade inicial e módulo de elasticidade secante do concreto. O cálculo dos
módulos de elasticidade do concreto é definido no item 8.3.8 da ABNT NBR 6118
(2014) e são mostrados na Tabela 2, considerando o uso de granito como agregado
graúdo.

Tabela 4 – Características do Concreto

Classe C20 C25 C30 C35 C40 C45 C50


Eci (Gpa) 25 28 31 33 35 38 40
Ecs (GPa) 21 24 27 29 32 34 37
αi 0,85 0,86 0,88 0,89 0,90 0,91 0,93
Fonte: Adaptado da Tabela 8.1 da ABNT NBR 6118 (2014)

A inserção destes dados no programa é indicada na Figura 2.

Figura 2 – Dados de entrada: CAA e tipo de concreto

Fonte: Autor

4.3.3 Cargas sobre a viga

Continuando a definição do esquema estrutural, insere-se o carregamento


sobre a viga. Este carregamento consiste de cargas permanentes e cargas acidentais,
definidas conforme ABNT NBR 6120 (1980), aplicadas diretamente sobre a viga
32

(como pode ser o caso de paredes), ou cargas provenientes de lajes que se apoiam
na viga em análise.

Este estudo limitou-se a cargas horizontais distribuídas, de valor constante


atuante em todos os tramos da viga (no caso de vigas contínuas), sobre todo o seu
comprimento, portanto, não serão estudadas aqui cargas pontuais ou cargas
distribuídas variáveis.

A carga referente ao peso próprio da viga é calculada automaticamente, de


acordo com as características geométricas desta, considerando 25 kN/m³ o peso
específico do concreto armado, conforme ABNT NBR 6120 (1980).

Na Figura 3 é mostrada a inserção das cargas permanentes e acidentais


(valores em kN/m).

Figura 3 – Dados de entrada: cargas atuantes

Fonte: Autor

4.3.4 Características dos apoios

Serão aqui considerados três tipos possíveis de apoio: simplesmente apoiado,


engastado ou em balanço, sendo o primeiro passível de se utilizar em qualquer apoio
da viga e os dois últimos apenas em apoios extremos.

Quando o tipo de apoio for diferente de balanço, ou seja, existe um pilar


apoiando a viga naquele ponto, será necessário indicar as dimensões do pilar de
apoio, sendo a largura do apoio a dimensão vista em um corte longitudinal à viga.
Através destas dimensões é possível verificar a ancoragem das barras de aço da viga
no pilar.

Como já citado anteriormente, é através da mudança da posição dos pilares


que se encontrará a solução ótima para a viga, portanto, é necessário indicar os limites
33

máximos de deslocamento de cada pilar, para a esquerda e/ou direita. Este estudo
limitou-se a verificar vigas com a mesma quantidade de vãos e mesmo comprimento
total, ou seja, os pilares extremos não podem ser deslocados e o limite da soma do
deslocamento à esquerda e direita de dois pilares adjacentes não pode ser superior
ao comprimento total do vão, descontado 1 metro. O projeto arquitetônico deve ser
considerado pois pode limitar os deslocamentos dos pilares.

Pela continuidade da viga e de modo a evitar erro por parte do usuário, ao


inserir um novo tramo, as características do apoio esquerdo do novo tramo serão
iguais ao apoio direito do tramo anterior. A Figura 4 mostra um exemplo de inserção
destes dados.

Figura 4 – Dados de entrada: características dos apoios

Fonte: Autor

4.3.5 Diâmetro da armadura transversal (estribos)

Como citado anteriormente os estribos serão dimensionados conforme o


modelo de cálculo II da Norma, porém fica à critério do usuário escolher qual o
diâmetro das barras a considerar no dimensionamento.
34

4.3.6 Quantidade de pontos intermediários

O usuário indica a posição inicial de cada apoio e os máximos deslocamentos


de cada apoio. Caso deseje-se calcular para os pilares em posições entre a posição
original e os extremos indicados, é possível apontar quantos pontos entre a posição
original e o extremo esquerdo/direito, sendo sempre utilizados espaçamentos iguais
entre uma posição e outra.

O máximo de combinações (n) a serem calculadas é dado pela expressão:

𝑛𝑛 = 𝑝𝑝𝑎𝑎−2

Sendo:

p – Quantidade de posições possíveis dos pilares (p ≥ 1).

a – Quantidade total de apoios (a ≥ 3).

Destaca-se que o expoente da expressão é subtraído de 2 pois os apoios


extremos são fixos.

4.3.7 Custo das barras de aço

Para verificar qual a solução mais barata, levar-se-á em consideração o custo


por metro de cada diâmetro de barra de aço. Os valores utilizados neste estudo foram
levantados para a cidade de Curitiba, PR, no mês de março de 2019 (SBC, 2019).
São eles:

Tabela 5 – Custo das barras de aço CA-50


Diâmetro (mm) Custo (R$ / m)
6,3 1,15
8 1,85
10 2,77
12,5 4,12
35

16 6,74
20 10,53
25 16,45
32 30,19
Fonte: SBC (2019)
4.4 Representação gráfica

Ao criar uma viga, é indicado graficamente o esquema estrutural desta,


contendo o comprimento de cada vão, tipos de apoio, deslocamento máximo de cada
apoio e carregamento sobre a viga, como mostrado na Figura 5.

Figura 5 – Representação gráfica da viga a ser analisada

Fonte: Autor

4.5 Otimização da estrutura

Devido ao aumento da capacidade de processamento dos computadores e


dispositivos móveis nos últimos anos, os cálculos matemáticos necessários para o
dimensionamento de uma viga em concreto armado podem ser feitos em uma fração
de segundos.

Adicionalmente, o número de combinações possível para uma única viga não


será tão grande quando comparado com toda uma estrutura tridimensional, por isso
optou-se pela utilização do método iterativo, onde são feitas as diversas combinações
36

possíveis de arranjo entre posição dos pilares e é realizado o dimensionamento para


cada caso, buscando-se assim a solução de menor custo.

Para cada combinação de posição dos pilares, verificou-se a quantidade de aço


necessária para cada diâmetro comercial, buscando-se assim, a melhor solução em
termos de posicionamento de pilares e diâmetro de barras. Esta solução é mais
simples dispensa a busca pela equação de custo da viga para a sua minimização ou
a definição de sistemas mais complexos, como a criação de algoritmos genéticos.

Vale ressaltar, porém, que a otimização levou em conta unicamente o custo da


armadura transversal e longitudinal, desconsiderando custos de armaduras de pele,
armaduras devido ao momento de engastamento entre viga e pilares de extremidade,
quando edifícios de múltiplos pavimentos, concreto, fôrma, mão de obra,
equipamentos ou encargos sociais, uma vez que estes custos serão os mesmos
independente do arranjo de barras utilizado transversal ou longitudinalmente.

4.6 Tipos de análises disponíveis

A parte inferior do programa fornece duas opções de análise, a primeira é o


dimensionamento da viga conforme indicado pelo usuário, desconsiderando os
possíveis deslocamentos dos pilares. A segunda opção é o dimensionamento para o
menor custo da viga, levando em conta os deslocamentos dos apoios internos da viga.

A Figura 6 mostra o fluxograma de dimensionamento e otimização utilizado pelo


programa.
37

Figura 6 – Fluxograma de dimensionamento e otimização

Fonte: Autor
38

5 VALIDAÇÃO DOS RESULTADOS

5.1 Esforços internos

A primeira etapa de cálculo é a obtenção dos esforços internos, a saber, o


momento fletor, para o dimensionamento da armadura longitudinal e o esforço
cortante, para o dimensionamento da armadura transversal. Como citado no capítulo
3.2.1, estes esforços serão obtidos através do método da Rigidez Direta.

Os resultados obtidos através da aplicação aqui proposta serão validados


através da ferramenta Ftool, um programa para a análise estrutural de pórticos planos,
o qual é amplamente utilizado tanto no ensino de mecânica das estruturas quanto em
projetos executivos (Tecgraf PUC-Rio).

Posteriormente, serão validados os cálculos para o dimensionamento das


armaduras. O exemplo a ser estudado aqui foi proposto por Carvalho & Filho (2016),
e é mostrado na Figura 7.
39

Figura 7 – Exemplo para validação de resultados: planta de fôrmas

Fonte: Carvalho & Filho (2016)

Os resultados de reações de apoio e momentos fletores obtidos através do


Ftool, juntamente da carga atuante são indicados na Figura 8.

Figura 8 – Resultados obtidos pelo Ftool (em kNm)

Fonte: Autor, utilizando software Ftool

A Tabela XX mostra os resultados obtidos através do método dos esforços, de


acordo com Carvalho & Filho (2016) (calculados através do método dos esforços),
Ftool e pela aplicação aqui proposta.
40

Tabela 6 – Comparação dos esforços internos

Parâmetro Chust e Figueiredo Ftool Proposta


Mpositivo 1 230 229,9 229,95
Mnegativo 408,8 408,8 408,79
Mpositivo 2 230 229,9 229,95
Fonte: Autor

5.2 Dimensionamento e detalhamento da armadura longitudinal

Seguindo a formulação indicada na ABNT NBR 6118 (2014) e apresentada no


capítulo 3 deste trabalho, a Figura 9 mostra o detalhamento proposto por Chust e
Figueiredo. A Tabela 5 mostra os resultados obtidos pela aplicação proposta neste
trabalho e os resultados obtidos por Carvalho & Filho (2016).

Figura 9 – Exemplo para validação de resultados: detalhamento proposto por Carvalho & Filho (2016)

Fonte: Carvalho & Filho (2016)


41

Tabela 7 – Comparação dimensionamento e detalhamento

Parâmetro Chust e Figueiredo Proposta


d (cm) 80,47 85,5
As, nec (cm²) 10,18 8,08
As, pos 8 Ø 12.5 mm 11 Ø 10
As, ef (cm²) 10 8,8
As, nec (cm²) 20,05 18,06
As, neg 16 Ø 12.5 mm 6 Ø 20
As, ef (cm²) 20 18,9
As, trasnv, simples 24 Ø 6.3 mm 44 Ø 6.3
As, trasnv, duplo 11 Ø 6.3 mm 0
Fonte: Autor

Ressalta-se que no cálculo comprimento total de armadura longitudinal é


levado em consideração apenas as armaduras de flexão, desconsiderando armadura
de pele, armadura construtiva e/ou armadura devido ao engastamento entre viga e
pilar (para o caso de edifícios de múltiplos pavimentos).

O cálculo da armadura transversal apresentado por Carvalho & Filho (2016) foi
realizado através do modelo de cálculo I proposto pela ABNT NBR 6118 (2014),
enquanto o cálculo realizado no presente estudo utilizou o modelo de cálculo II, esta
diferença levou a um detalhamento diferente dos estribos.

Verifica-se então, que os resultados obtidos pela aplicação proposta estão de


acordo com resultados apresentados a literatura técnica, estado de acordo com as
prescrições da ABNT NBR 6118 (2014) e as diferenças encontradas se dão devido à
diferença no detalhamento da estrutura, não havendo, porém, prejuízo quanto à
segurança da estrutura.
42

6 EXPERIMENTAÇÃO NUMÉRICA

Neste capítulo serão apresentados 3 exemplos de otimização de vigas


contínuas de concreto armado, mostrando o impacto da posição dos pilares no custo
da armadura de flexão e transversal, a relação entre a carga e o custo e o
comprimento dos vãos e o custo. Para todos os exemplos serão considerados os
custos apresentados em.

6.1 Exemplo 01

O primeiro exemplo de otimização a ser realizado será o mesmo utilizado na


validação dos dados, proposto por Carvalho & Filho (2016). Será considerado Φestr =
6,3 mm e máximo deslocamento à esquerda e à direita de 300 cm, utilizando 8 pontos
intermediários em cada direção, totalizando 19 iterações.

O resultado obtido é apresentado na Tabela 6 em comparação com os


resultados obtidos por Carvalho & Filho (2016).

Tabela 8 – Comparação de resultados

Carvalho & Filho


Autor
(2016)
As Longitudinal
16 Ø 12.5 mm 21 Ø 10 mm
Positivo 1
As Longitudinal
16 Ø 12.5 mm 6 Ø 20 mm
Negativo1
Modelo de cálculo Modelo I Modelo II
As Transversal 2
70 Ø 6.3 mm 90 Ø 6.3 mm
d (cm) 80,47 84,4
Custo Total R$ 1.086,83 R$ 874,52
Fonte: Autor

1
Armadura para toda a viga
2
No trecho onde não há estribo mínimo, foi detalhado estribo duplo devido ao pequeno espaçamento
encontrado no detalhamento de estribos simples (< 8,90 cm)
43

Considerando a tabela de preços de aço mostrada no item 4.3.7, verifica-se


que houve uma redução de R$ 212,31, representado 19,5% no custo da armadura
longitudinal e transversal, quando comparado à solução proposta por Carvalho & Filho
(2016), com quantitativo indicado na Tabela 5.

O Gráfico 1 indica a proporção de cada vão em relação ao vão total e o custo


total da viga, para cada iteração realizada. Verifica-se que a máxima diferença entre
os custos é de R$ 580,97, o que representa uma redução de 41,4% do custo da
armadura.

Gráfico 1 – Proporção de cada vão e Custo total, por iteração

Fonte: Autor
Verifica-se que o custo ótimo da viga se encontra próximo à região onde a viga
é simétrica, com cada vão possuindo aproximadamente 50% do vão total. A diferença
entre o custo máximo e o custo mínimo da armadura é de R$ 402,31, o que representa
uma economia de 31,5%.

No Gráfico 2 é comparada a proporção do comprimento de cada vão em relação


ao vão total com o custo de cada vão em relação ao custo total e verifica-se que, na
média, estes valores são proporcionais.
44

Gráfico 2 – Comprimento do vão (%) em relação ao custo (%)

Fonte: Autor
6.2 Exemplo 02

Neste exemplo será analisada uma viga de 5 tramos , seguindo o layout


indicado na Figura 10. Será considerado que os pilares de apoio podem se deslocar
livremente, ou seja, até metade do valor total do vão, descontando 50 cm, conforme
abordado no capítulo 4.3.4. A mesma estrutura será otimizada para diferentes
carregamentos, conforme indicado na Tabela 9, verificando assim, a influência do
carregamento sobre a otimização.

Dados: Concreto = C30, CAA = II, base da viga = 25 cm, altura da viga = 100
cm.

Tabela 9 – Exemplo 02: Carregamentos utilizados

g + q (kN/m) 10 25 50 75 100 150


45

Figura 10 – Exemplo 02: Layout

Fonte: Autor

No Gráfico 3 é possível verificar a relação entre as cargas externas atuantes


nas vigas e o custo destas. Verifica-se que não há uma taxa de aumento linear.
Enquanto houve um aumento de 1400% no carregamento, o custo da viga aumentou
139%

Gráfico 3 – Exemplo 02: Carregamento x Custo total

Fonte: Autor
6.3 Exemplo 03

Considerando a viga esquemática indicada na Figura 11, possuindo um total


de 4 vãos com comprimentos proporcionais ao comprimento total de viga, 50 kN/m de
carga (permanente + acidental) acrescida do peso próprio de cada vão, serão
otimizadas 5 vigas tendo os comprimentos totais e comprimentos iniciais de cada vão
indicados na Tabela 10 juntamente dos deslocamentos à esquerda (Δ Esq.) e à direita
(Δ Dir.) do pilar à direita de cada vão e da altura de cada viga, sendo esta
46

aproximadamente 10% do maior vão (L4). Todos os deslocamentos terão 20% do valor
do vão.

Dados: Concreto = C30, CAA = II, base da viga = 25 cm.

Figura 11 – Exemplo 03: Layout

Fonte: Autor

Tabela 10 – Exemplo 03: Comprimentos de vãos e deslocamentos de pilares

Viga 1 Viga 2 Viga 3 Viga 4 Viga 5


L total (m) 10 15 20 25 30
L1 (cm) 130 195 260 325 390
Δ Esq. (cm) 26 39 52 65 78
Δ Dir. (cm) 58 87 116 145 174
L2 (cm) 290 435 580 725 870
Δ Esq. (cm) 58 87 116 145 174
Δ Dir. (cm) 34 51 68 85 102
L3 (cm) 170 255 340 425 510
Δ Esq. (cm) 34 51 68 85 102
Δ Dir. (cm) 82 123 164 205 246
L4 (cm) 410 615 820 1025 1230
Δ Esq. (cm) 0 0 0 0 0
Δ Dir. (cm) 0 0 0 0 0
h (cm) 40 60 80 100 120
47

O Gráfico 4 mostra os resultados obtidos para as análises. Conforme o


esperado, o custo total da armadura da viga cresce conforme aumenta o comprimento
total desta, porém, a proporção de cada vão para o menor custo não se mantém,
sendo a maior diferença para os vãos 2 e 3, sendo os valores máximo e mínimo 31%
e 17% para o vão 2 e 31% e 22% para o vão 3.

Gráfico 4 – Exemplo 03: Comprimento total x Proporção do vão e custo total

Fonte: Autor
O Gráfico 5 mostra a relação entre a proporção do tamanho do vão em relação
ao vão total e a proporção do custo de cada vão em relação ao custo total. Assim
como visto no Exemplo 01, a relação segue, em média, em 1:1, porém as relações
para cada vão são variáveis.
48

Gráfico 5 – Exemplo 03: Comprimento do vão (%) em relação ao custo (%)

Fonte: Autor
49

7 CONCLUSÃO

Foi visto neste trabalho a relação entre a posição dos apoios de vigas contínuas
e o custo total da armadura de flexão e dos estribos, quando estas vigas estão sob
efeito de um carregamento uniformemente distribuído e são dimensionadas com
armadura simples, seguindo as prescrições na ABNT NBR 6118 (2014). Esta
otimização foi feita através do método iterativo, utilizando a linguagem JavaScript,
sendo possível facilmente utilizar esta ferramenta em um servidor web, computadores
ou dispositivos móveis.

Após validação dos dados através do software Ftool e um exemplo proposto


por Carvalho & Figueiredo (2016), foram propostos 3 exemplos para verificação da
relação entre diversos parâmetros no custo total da armadura.

O primeiro exemplo mostrou que a diferença entre o custo máximo e mínimo


pode ultrapassar 40%, e mostrou também redução de 19,5% em relação ao
dimensionamento proposto na literatura. Foi possível também verificar o impacto da
modificação do diâmetro das barras no custo da viga, fator este que muitas vezes é
negligenciado na etapa de detalhamento.

No segundo exemplo foi discutida relação entre a carga externa aplicada e o


custo da armadura. Conforme o esperado, esta relação é diretamente proporcional,
porém não segue uma relação 1:1, mas um aumento de mais de 10 vezes no
carregamento representou um aumento de 139% no custo.

No último exemplo foi estudado o impacto do aumento do comprimento total da


viga no custo da armadura. Para isto, utilizou-se uma viga com 4 vãos sob um
carregamento externo de 50 kN/m, variando o comprimento total da viga, porém
mantendo a proporção inicial do comprimento de cada vão em relação ao
comprimento total, sendo que a proporção ótima de comprimento de cada vão não se
manteve com a variação do carregamento.

Conclui-se que a posição dos apoios pode ter grande impacto no custo total da
armadura, não podendo ser desprezada, principalmente nas etapas iniciais de projeto,
devendo ser levada em conta no projeto arquitetônico e estrutural.
50

REFERÊNCIAS

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