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DIREITOS HUMANOS

Responsabilidade Internacional dos Estados – Sistema Interamericano de Direitos Humanos II


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RESPONSABILIDADE INTERNACIONAL DOS ESTADOS – SISTEMA


INTERAMERICANO DE DIREITOS HUMANOS II

1. Responsabilidade internacional dos Estados


Existem 2 órgãos de proteção dos Direitos Humanos no (sistema interameri-
cano):

1. Comissão Interamericana de Direitos Humanos: denominada de Comis-


são. Trata-se de um órgão ligado a OEA;
2. Corte Interamericana de Direitos Humanos: denominada de Corte. É
uma Corte autônoma e não pertence à estrutura da OEA.

Comissão Corte
Função principal: promover a obser-
vância e a defesa dos direitos humanos Função principal: analisar e julgar os
mediante recomendações aos Estados. casos de violação dos direitos humanos
A Comissão não tem competência para encaminhados a sua apreciação.
julgar casos.
Não pertence à OEA. É um órgão jurisdicio-
É órgão especializado pertencente à OEA
nal do sistema interamericano que resolve
que funciona como instância preliminar à
sobre os casos de violação de direitos
submissão do caso à Corte.
humanos.
Composição: 7 juízes eleitos a título pes-
soal dentre juristas de mais alta autoridade
Composição: 7 membros, que deverão
moral, de reconhecida competência em
ser pessoas de alta autoridade moral
matéria de direitos humanos, e que reúnam
e de reconhecido saber em matéria de
as condições requeridas para o exercício
direitos humanos.
das mais elevadas funções judiciais em seu
país.
Mandato dos membros: 4 anos, podendo Mandato dos juízes: 6 anos, podendo ser
ser reeleitos uma única vez. reeleitos uma única vez.
Não pode fazer parte da Comissão mais de Não pode haver dois juízes da mesma
um nacional de um mesmo país. nacionalidade.
ANOTAÇÕES

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Sede: Washington Sede: San José, Costa Rica

Competências: somente os Estados-par-


Competência: qualquer pessoa ou grupo tes e a Comissão podem submeter um caso
de pessoas, ou entidade não governa- à decisão da Corte. Reconhecimento da
mental legalmente reconhecida em um competência pelos Estados: deve haver
ou mais Estados membros da OEA, declaração do Estado no sentido de reco-
nhecer a competência da Corte. (cláusula
pode apresentar à Comissão petições
facultativa de jurisdição obrigatória) A Corte
que contenham denúncias ou queixas
possui duas competências: 1. Consultiva:
de violação da Convenção Americana
relativa à interpretação dos artigos da Con-
sobre Direitos Humanos (Pacto de San
venção Americana e das disposições de tra-
José da Costa Rica) por um Estado-
tados concernentes à proteção dos direitos
-parte. Quando a Comissão verifica um humanos nos Estados Unidos. 2. Conten-
caso de violação de direitos humanos, ciosa: caráter jurisdicional para o julgamento
ela encaminha o caso para julgamento de casos concretos quando se alega que
da Corte. um Estado-parte da Convenção Americana
violou algum de seus preceitos.

Para que uma petição que contenha denún-


cia ou queixa de violação da Convenção e dos
direitos humanos seja aceita pela Comissão,
necessário o preenchimento dos seguintes
requisitos: a) que hajam sido interpostos e
esgotados os recursos da jurisdição interna,
de acordo com os princípios de direito inter-
Para que a Corte reconheça um caso, é
nacional geralmente reconhecidos; b) que
necessário que, primeiramente, o caso seja
seja apresentada dentro do prazo máximo
analisado pela Comissão. Sentença profe-
de 6 meses, a partir da data em que o pre-
rida pela Corte: deve ser fundamentada e
sumido prejudicado em seus direitos tenha
definitiva e inapelável.
sido notificado da decisão definitiva; c) que
a matéria da petição não esteja pendente de
outro processo de solução internacional; d)
que a petição contenha o nome, a nacionali-
dade, a profissão, o domicílio e a assinatura
da pessoa ou pessoas ou do representante
legal da entidade que submeter a petição.
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Atenção!
No caso da Maria da Penha, o Brasil foi punido, pois não assegurou a Maria da
Penha a proteção de seus direitos.

As disposições das alíneas “a” e “b”


não se aplicarão quando: 1. Não existir,
na legislação interna do Estado violador,
o devido processo legal para a proteção
do direito ou direitos que se alegue que
tenham sido violados; 2. Não se houver
permitido ao presumido prejudicado
em seus direitos o acesso aos recursos
da jurisdição interna, ou houver sido
ele impedido de esgotá-los; 3. Houver
demora injustificada na decisão sobre
os mencionados recursos.

Uma sentença proferida pela Corte necessita ser homologada pelo STJ
para ter validade no Brasil? O artigo 105, inciso I da Constituição Federal, esta-
belece a necessidade de homologação de sentença estrangeira. Porém, uma
sentença proferida pela Corte é internacional, não estrangeira, logo não neces-
sita ser homologada pelo STJ, bastando a execução perante uma vara federal,
além de que a jurisdição internacional da Corte foi reconhecida pelo Brasil no
momento de assinatura da cláusula facultativa de jurisdição obrigatória.

Atenção!

• Não é necessário que uma decisão a Corte Interamericana de Direitos


Humanos seja internalizada por meio de homologação de sentença
estrangeira ou de concessão de exequatur a carta rogatória. As decisões
da Corte têm eficácia e aplicabilidade imediata no ordenamento interno
brasileiro.
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Art. 105. Compete ao Superior Tribunal de Justiça:

I – Processar e julgar, originariamente:


(...)
i) a homologação de sentenças estrangeiras e a concessão de exequatur às cartas
rogatórias;

Questões de Concurso

1. (DPU/CESPE/2010) Qualquer pessoa ou grupo de pessoas, ou entidade não


governamental legalmente reconhecida em um ou mais Estados-membros
da Organização dos Estados Americanos (OEA) podem apresentar à Comis-
são Interamericana de Direitos Humanos petições que contenham denúncias
ou queixas de violação à Convenção Americana de Direitos Humanos por um
Estado-parte.

2. Qualquer pessoa pode apresentar à Comissão Interamericana de Direitos Hu-


manos (CIDH) petições que contenham denúncias ou queixas de violações
aos direitos consagrados na Convenção Americana sobre Direitos Humanos
por um Estado-parte, desde que, esgotados os recursos de direito interno, o
pleito obtenha o endosso do Estado do qual o indivíduo seja nacional.

Comentário

Não é necessário o endosso do Estado.

3. Embora sem competência contenciosa, de caráter jurisdicional, a Corte In-


teramericana de Direitos Humanos tem competência consultiva, relativa à
interpretação das disposições da Convenção Americana e das disposições
de tratados concernentes à proteção dos direitos humanos.
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Comentário

A Corte possui competência contenciosa e consultiva.

4. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos tem por função principal a


observância e defesa dos direitos humanos e, no exercício de seu manda-
to, tem a atribuição de formular recomendações aos governos dos Estados-
-membros.

5. (MPT/2006) Não é da competência da Comissão Interamericana de Direitos


Humanos examinar as comunicações, encaminhadas por indivíduos ou en-
tidades não governamentais, que contenham denúncia de violação a direito
consagrado pela Convenção Americana, por Estado que dela seja parte.

Comentário

• É sim da competência da Comissão Interamericana de Direitos Humanos


examinar as comunicações, encaminhadas por indivíduos ou entidades
não governamentais, que contenham denúncia de violação a direito
consagrado pela Convenção Americana, por Estado que dela seja parte.

6. (PM/PA/CFO/2016) A Comissão Interamericana de Direitos Humanos é o


órgão da Organização dos Estados Americanos especializado em matéria
de Direitos Humanos, cujas atribuições também são definidas pelo Pacto de
São José da Costa Rica. Sobre a Comissão Interamericana de Direitos Hu-
manos, é correto afirmar que:
a. tem sede em São José da Costa Rica.
b. tem como principal atribuição processar denúncias individuais, bem como
monitorar o cumprimento das obrigações decorrentes da Convenção Ame-
ricana de Direitos Humanos, exercendo função judicial.
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c. é composta por membros com notório conhecimento na matéria de direitos


humanos, não havendo a obrigatoriedade de que sejam da área jurídica.
d. tem competência para receber e processar petições individuais, mas não
comunicações interestatais, as quais são de competência da Corte Intera-
mericana de Direitos Humanos.

Comentário

• A sede da Comissão Interamericana de Direitos Humanos é em Washing-


ton nos EUA. É a sede da Corte que fica localizada em São José da Costa
Rica.
• A Comissão não exerce função judicial.

7. (IRBR/2009) Todos os Estados-membros da Convenção Interamericana so-


bre Direitos Humanos estão, ipso facto, sujeitos à jurisdição da Corte Intera-
mericana de Direitos Humanos, com sede em São José, na Costa Rica.

Comentário

Somente os Estados que assinem a cláusula facultativa de jurisdição obrigatória


irão estar sujeitos à jurisdição da Corte.

8. (MPT/2009) Nos termos da Convenção Americana, o indivíduo, a Comissão


Interamericana e os Estados-partes podem submeter um caso à Corte Inte-
ramericana de Direitos Humanos.

Comentário

Um indivíduo não pode submeter um caso à Corte.


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9. (MPSP) Considerando que o Brasil é signatário da Convenção Americana


de Direitos Humanos, também conhecida como Pacto de San José da Costa
Rica, assinale a alternativa correta.
a. O Brasil está sujeito à jurisdição contenciosa da Corte Interamericana de
Direitos Humanos, porque se trata de cláusula obrigatória da Convenção.
b. A competência da Corte Interamericana de Direitos Humanos está limitada
à emissão de sentença declaratória por violações da Convenção.
c. A cláusula da Convenção relativa à jurisdição obrigatória da Corte é facul-
tativa e o Brasil a ela não aderiu até hoje.
d. O Brasil sujeitou-se voluntariamente à jurisdição da Corte e pode ser con-
denado à obrigação de fazer cessar as violações à Convenção e indenizar
as vítimas.
e. A Constituição Federal não permite a sujeição do Brasil à jurisdição de
Tribunais Internacionais.

Comentário

• A cláusula da Convenção é facultativa, não obrigatória.


• A Corte pode emitir sentenças declaratórias e/ou condenatórias.
• O Brasil é signatário da cláusula da Convenção relativa à jurisdição
obrigatória da Corte.

10. (DPU/2007) A República Federativa do Brasil, que reconhece a jurisdição


obrigatória da Corte Interamericana de Direitos Humanos, em nenhum mo-
mento foi ré por violações geradoras de responsabilidade internacional.

Comentário

• O Brasil já foi réu por violações geradoras de responsabilidade internacional.


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11. O dano gerado pelo Estado por descumprimento de um tratado de Direitos


Humanos deve ser exclusivamente material.

Comentário

• O dano pode ser material ou moral.

12. (PMCFO/2010) Julgue os itens que se seguem, referentes ao Sistema Inte-


ramericano de Direitos Humanos.
O Sistema Interamericano de Proteção dos Direitos Humanos é formado pela
Comissão Interamericana de Direitos Humanos e pela Corte Interamericana
de Direitos Humanos, órgãos especializados da Organização dos Estados
Americanos, com atribuições fixadas pelo Pacto de São José da Costa Rica,
tratado de maior importância dentro do sistema.

Comentário

A Corte não é um órgão especializado da Organização dos Estados Americanos.


A Comissão é.

13. A respeito da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, assinale a op-


ção correta.
a. Essa comissão não está autorizada a aceitar petições de caráter individual.
b. Apenas dois membros eleitos dessa comissão podem ter a mesma nacio-
nalidade.
c. Os membros dessa comissão serão eleitos a título pessoal, pela Assem-
bleia Geral da OEA, a partir de nomes propostos pela própria OEA, não
podendo os Estados-partes indicar candidatos a membros da comissão.
d. Essa comissão representa todos os Estados-partes que integram a OEA,
mesmo aqueles que não reconhecem a jurisdição da Corte Interamericana
de Direitos Humanos.
e. O mandato dos membros dessa comissão é vitalício.
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Comentário

Só pode haver um único membro de uma nacionalidade na comissão.

Gabarito

1. C
2. E
3. E
4. C
5. E
6. c
7. E
8. E
9. d
10. E
11. E
12. E
13. d

�Este material foi elaborado pela equipe pedagógica do Gran Cursos Online, de acordo com a
aula preparada e ministrada pelo professor Luciano Favaro.
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