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__CLASSE SECERMENTEA____

São helmintos de corpo cilíndrico, representada por uma grande quantidade


de espécies de vida livre ou parasitas de plantas, animais e homem (vias digestivas,
linfáticas e tecido muscular). A extremidade anterior (boca) é semelhante em ambos
os sexos, porém a posterior apresenta nítida diferença, indicando dimorfismo sexual.
Nas fêmeas a extremidade termina em ponta, e os machos a possuem enrolada ou em
forma de bolsa (bolsa copuladora). Possuem sistema muscular, sistema digestório,
sistema nervoso e poro excretor.

Ascaris lumbricoides
O Ascaris lumbricoides é o maior e o mais perigosos dos nematódios que parasitam o
intestino do homem. Ocorre em todo o mundo independente de clima ou condições
social da população. No Brasil, grande parte da população está parasita por este
verme, haja vista, sua incidência nos exames parasitológicos nos laboratórios de
análises clínicas. Estima-se em 50 milhões o número de pessoas portadoras.

Espécies assemelhadas
Os ascarídeos estão presentes em várias espécies de animais domésticos e todos são
muito semelhantes, modificando-se apenas no tamanho e na cor.

Ascaris lumbricoides sun – verme do porco – idêntico ao que parasita o homem


Ascaris lumbricoides hominis – verme do homem – idêntico ao que parasita o porco
Toxocara canis – parasita do cão – suas larvas podem passar ao ser humano
Toxocara cati – parasita do gato – suas larvas podem passar ao ser humano

Epidemiologia
A infecção humana por esta espécie de helminto está relacionada com a interação de
diversas características que asseguram o processo de transmissão, como o parasito e
hospedeiro, o meio ambiente e a falta de noções ou condições de higiene.
Assim alguns fatores interferem na prevalência desta parasitose, são eles:

 grande quantidade de ovos produzidos e eliminados pela fêmea;


 viabilidade do ovo infectante por até um ano, principalmente no peridomicílio;
 concentração de indivíduos vivendo em condições precárias de saneamento
básico;
Morfologia
Os áscaris humano são nematódeos branco-rosados quando recém emitidos do
organismo ou brancos – pérola quando fixados pelo formol.
Os machos com 25 cm de comprimento e as fêmeas com 35cm , embora casos de até
45 cm ter sido relatados, estes são raros.
Os machos têm a extremidade da cauda recurvada enquanto que nas Fêmeas, a
cauda é distendida ou reta.

Ovos: a grande quantidade de ovos garante a perpetuação da espécie. Elípticos,


redondos com casca muito grossa e resistente, granulada como se fosse um “abacaxi”
dá um aspecto inconfundível quando se observa no microscópico.
Tipos de ovos:
Fértil: o mais comum pode ser esférico ou elíptico onde se observa de dois a quatro
blastômeros e em fezes mais antigas, mesmo refrigeradas, a larva viva no interior;
Infértil: quase sempre elíptico opaco porque não há embrionamento, extremidades
achatadas, às vezes deformadas.
Descortiçado: aquele que perdeu, por atrito ou desgaste natural ou de ácidos, s
casca mais externa, geralmente ovos que já estiveram no exterior (solo x intempéries)
– mesmo assim, os embriões estão vivos e com viabilidade parasitária.

Química da casca: sucessivas camadas de albumina, lipídio e quitina entre outras


que garantem a integridade e permanência do ovo por até dois ou três anos na
intempérie, desde uma vez que as condições sejam estas:
- umidade relativa do ar = 65 a 85%
- pH do solo + 5.5 a 8.5
- temperatura = 8 a 40° C
Habitat:
Vivem no intestino delgado mas podem migrar para outras porções, incluindo o
estômago. As fêmeas adultas são fecundadas e fazem a postura de até 200 mil
ovos/dias (nem todos férteis).

Ciclo Biológico

Transmissão:
Ocorre através da ingestão de água ou alimentos contaminados com ovos contendo a
L3.
Sintomatologia
Febre 38 e 39° C; vômitos e convulsões epilépticas causadas pela ação dos lábios nos
terminais nervosos do intestino causando o sono noturno intranqüilo; desconforto ou
sensação de peso abdominal;
Patologia
O áscaris não é hematófago mas se alimenta de líquidos e semi-líquidos e substâncias
não totalmente digeridas. Pontos hemorrágicos podem aparecer pela ação traumática
dos lábios que se prendem na mucosa. Ingerem glicídios que transformam em
glicogênio, o cálcio e fósforo ou vitaminas B e C. Pode ocorrer febre.
As larvas quando estão no pulmão podem causar bronquite e pneumonia atípica.
A mais séria patologia é a oclusão parcial ou total pelo número de vermes que
obstruem a luz intestinal. Os vermes são vigorosos e podem lesar a parede do
intestino.
Profilaxia
educação em saúde; construção de redes de esgoto, com tratamento e/ou fossas
sépticas; tratamento de toda a população com drogas ovicidas, pelo menos, durante
três anos consecutivos; proteção dos alimentos contra insetos e poeira.
Tratamento
Mebendazol, Albendazol ;Piperazina; Óleo mineral .

Enterobius vermicularis
Causada por nematódio com dimorfismo sexual com dimensões aproximada de 0,7 a
1,2 cm de tamanho, distribuição cosmopolita e incidência maior na infância,
principalmente, em creches e orfanatos. Os idosos também não estão livres do
parasitismo.

Epidemiologia
Somente a espécie humana alberga o E. vermicularis; fêmeas eliminam grande
quantidade de ovos na região perianal; os ovos em poucas horas se tornam
infectantes, podendo atingir os hospedeiros por vários mecanismos (direto, indireto,
retroinfecção); os ovos podem resistir até três semanas em ambiente domésticos,
contaminando alimentos e "poeira";

Morfologia
Os machos são menores, a cauda é levemente curvada e na extremidade anterior se
observa duas expansões ao nível da cabeça, chamada de asas cefálicas. As fêmeas,
com 1,2 cm cauda retilínea e com as asas cefálicas também presentes. Ambos são
brancos.
Os ovos são transparentes, casca muito fina e com aspecto muito semelhante a letra
D.
Habitat
Geralmente são encontrados no ceco e no apêndice vermiforme, porém as grávidas
são frequentemente encontradas na região anal e perianal onde migram para fazer
postura.

Ciclo Biológico
Transmissão
Heteroinfecção :
Auto-infecção externa ou direta:
Transmissão indireta:
Auto-infecção interna :
Retroinfecção :

Sintomatologia
Assintomática: o hospedeiro pode albergar por muitos anos sem, no entanto,
apresentar qualquer sintoma;
Sintomática: o prurido anal é o principal sintoma, mas podem ser acompanhado de
anorexia, insônia, cólica retal e apendicite.

Diagnóstico
O prurido anal noturno e continuado pode levar a uma suspeita clínica de enterobiose.
O achado de ovos nas fezes, nem sempre é um sucesso. Necessário o método da “fita
gomada” que é o mais indicado.
Profilaxia
Cuidado com as roupas do doente; Tratamento das pessoas parasitadas; Corte das
unhas e Limpeza doméstica c/ aspirador.

Tratamento: Mebendazol e Albendazol.

Strongyloides stercoralis

O parasito da estrongiloidose tem muita importância nos imunodeprimidos. Apesar da


existência de inúmeras espécies assemelhadas, só S. stercoralis determina doença
severa no homem, sendo, pois, o que mantêm a doença em caráter patogênico e os
outros, são desprezíveis ou inexistentes. Cães e gatos como também macacos
apresentam o parasitismo, mas de curta duração, cabendo ao homem ser o
hospedeiro mais importante.

Morfologia: envolve várias formas larvais e adultas:


Fêmea partenogenética: Visível a olho nu (2,2mm), cilíndrica, vulva no terço posterior
de onde se origina o útero divergente. Ovovípara ( o ovo libera a larva rabditóide ainda
no interior da fêmea e conseqüentemente, as larvas são vistas ainda no intestino
humano) Aparecem nitidamente os órgãos reprodutores: útero, oviduto, ovários e
vagina.
Larva rabditóide: (esôfago curto) dimensões 0,2 a 0,3 m e primórdio genital bem
visível.
Larva filarióide : 0,5 mm
Fêmea de vida livre: 1,5 mm
Macho de vida livre: 0,7 mm

Habitat
As fêmeas partenogenéticas são os parasitas e vivem na mucosa duodenal e jejuno –
íleo.

Ciclo Biológico
Ciclo direto (semelhante aos ancilostomídeos): humano elimina larvas rabditóides
nas fezes; e 3n evolui para larva filarióide infectante ;
Ciclo indireto no solo: 2n evolui para fêmea de vida livre e 1n para macho de vida
livre, que após a copula originarão ovos, larvas rabditóides e filarióides infectantes
As larvas infectantes (L3) penetram ativamente pela pele ou mucosa-circulaçáo-
coração-pulmões-faringe-intestino-fémea partenogenética-oviposição.

Transmissão:

Via cutânea:

Heteroinfecção:

Autoinfecção:

Hiperinfecção:

Sintomatologia:
Diarréia, fraqueza, emagrecimento,irritabilidade e insônia.
Patogenia:
Lesões pulmonares: larvas que passam pelos pulmões podem determiner hemorragias
sem importância mas com presença de tosse, febre expectoração sanguinolenta.
Lesões cardíacas: podem determiner miocardite.
Sistema genitor-urinário:
Lesões no intestino: muco produzido pelo organism em decorrência da inflamação
pela presença do parasite.
Lesões Cutâneas: prurido pela ação das larvas ao penetrar a epiderme.
Forma disseminada : presença das larvas em todos os sistemas do organism em
indivíduos aidéticos, com insuficiência renal, denustrição e idosos.

Diagnóstico
Clínico: sinais cutâneos, pulmonares e intestinais( onde ocorrem os ciclos)
Laboratorial: método de Baermann
Profilaxia:
Educação sanitária, proteção dos pés e outra regiões,diagnósticar e tratar todas as
pessoas parasitadas, diagnósticar e tratar indivíduos com AIDS e
Imunodeprimidos (uso profilático).
Tratamento:
Tiabendazol, Cambendazol e Albendazol

Ancilostomídeos
(Ancylostoma duodenale, Necator americanus,
Ancylostoma caninum e Ancylostoma brasiliensis)

Ancilostomídeos é o nome genérico que se atribui a todos os parasitas do ser humano


e de animais domésticos e que pertencem à família Ancylostomidae. A ação dos
parasitos, tanto por etiologia primária como secundária, geralmente desencadeia um
processo patológico de curso crônico, mas que pode resultar em conseqüências até
fatais. São parasitas intestinais com “dentes pontiagudos” (gênero Ancylostoma) ou
com “placas cortantes” semelhantes a duas navalhas (Gênero Necator) causadores de
quadros profundos de anemia no hospedeiro humano.

Epidemiologia
Os ancilostomídeos estão presentes em todos os países tropicais e sub-tropicais e
fortemente presentes no Brasil, devido ao clima propício, a educação sanitária e o
saneamento básico, principalmente, nas áreas rurais do nordeste e no litoral brasileiro.

Morfologia
São vermes cilíndrico, aproximadamente com 1 cm, brancos, nos machos observa-se
na extremidade final uma expansão acentuada denominada de “bolsa copuladora”.
Na região oral há dentes pontiagudos ou placas cortantes o que faz a diferença das
espécies:
Ancylostoma duodenale – dois pares de dentes pontiagudos: parasita do homem
Ancylostoma caninum - três pares de dentes : parasita do cão e do gato
Ancylostoma brasiliensis – um par de dentes pontiagudos bem desenvolvidos:
parasita do cão e do gato
Necator americanus- um par de placas cortantes: parasita do homem.

Habitat

Vermes adultos dos dois gêneros vivem no intestino delgado, porção inicial, onde se
fixam pelos dentes ou placas onde causam traumatismo hemorrágico nas mucosas
com elevada perda de sangue – anemia intensa – na razão de 0,8 a 0,15 ml de
sangue/dia

Reprodução

Machos e fêmeas realizam cópula com troca de gametas de onde se originam ovos
com casca muito fina, transparente, desenvolvimento embrionário (mórula- blástula-
gástrula) com blastômeros bem visíveis ao microscópio em 400 X.

Larvas “rabditóides”
As larvas de 250 µm eclodem dos ovos entre 24 a 48 horas e são chamadas de
rabditóides onde são emitidas junto com as fezes para o meio externo.

Larvas “filarióides”
Após um período de desenvolvimento, as larvas passam a se denominar de filarióides,
são maiores 350 µm e já atingiram capacidade de infestar o ser humano, portanto, são
estas as que retornaram através do solo úmido (penetração via epidérmica) para
realizar novo parasitismo ao homem.

Ciclo Biológico
Transmissão

Via oral ou transcutânea

Patogenia
Nas infecções cutâneas ocorre prurido na ocasião da penetração das larvas, daí
migram pela corrente sangüínea atingindo o coração onde são distribuídas para vários
órgãos, principalmente o pulmão. Na passagem obrigatória das larvas pelo pulmão
denominado ciclo de Looss as larvas rompem os alvéolos/ bronquíolos originando a
tosse seca.
No intestino, a irritação da mucosa causa ulcerações e sangramento contínuo com
necrose tecidual. A espoliação causa quadros de anemia severa.

Profilaxia

O uso de calçados nas zonas rurais é a principal profilaxia, pois evita a penetração das
larvas via epidérmica, educação sanitária e saneamento básico.

Diagnóstico
O diagnóstico clínico individual baseia-se na anamnese e na associação e sintomas
cutâneos, pulmonares e intestinais, seguidos ou não de anemia. Em ambos os casos o
diagnóstico de certeza será alcançado pelo exame parasitológico

Tratamento

Mebendazol e seus derivados + sulfato ferroso (?)

Trichuris trichiura
A tricuríase é uma doença assintomática na maioria das vezes. É cosmopolita e
regularmente está associada ao parasitismo junto com os Áscaris, o que é justificável
pela forma de transmissão das duas patologias ser muito semelhantes, portanto, em
determinadas regiões quem é portador de ascaridíase, provavelmente o seja de T.
trichiura.

Epidemiologia

Cosmopolita. Crianças e idosos são atacados com maior intensidade. Clima quente e
úmido favorece o embrionamento dos ovos.

Morfologia

O dimorfismo sexual é pouco acentuado. Os machos e as fêmeas são brancos


dimensões aproximadas de 4 a 5 cm mas é na forma semelhante de um “chicote” que
reside a sua maior característica, isto é, na extremidade mais fina, parte anterior do
verme, se encontra a cabeça e foi esta forma anatômica que dei inicialmente o nome
do parasita: tricô, fio + céfalo, cabeça.
O ovo de T. trichiura é típico, bem formado e inconfundível na semelhança com um
barril ou com uma bandeja em vista frontal, razão da fácil identificação. Opérculos em
cada extremidade de tonalidade clara agem como se fossem rolhas que fazem a
retenção da massa celular germinativa do futuro embrião, são definitivamente
contrastes com a cor castanha escuro do restante do ovo. É um dos melhores vistos
no EPF, sua dimensão esta em torno de 30 µm.

Habitat
A tricurose é uma parasitose comum no Brasil, certamente só perde para as
infestações por Áscaris. Todo o trajeto intestinal está a mercê do parasita, mas é a
porção terminal do intestino grosso que recebe a maior carga parasitária.
Preferentemente, o verme com seus 3 ou 4 cm faz penetrar a extremidade anterior ( a
mais fina) nas vilosidades do órgão como se fosse um “gancho ou anzol de pesca” e
ali permanece ancorado por longo período, provavelmente, de 4 a 6 anos.

Transmissão

A transmissão é do tipo passiva como de sorte, a maioria dos vermes. A veiculação


pelo alimento (água e verduras) é a mais comum. Se aceita que moscas possam
trazê-los aderidos aos pêlos das pastas ou até mesmo o vento possa carreá-los para
nossa alimentação.
Ciclo Biológico

Sintomatologia

Além da diarréia e as cólicas intermitentes, a enterorragia e o prolápso retal são


componentes do quadro sintomatológico, especialmente em crianças desnutridas dos
bolsões de miséria das inúmeras áreas populacionais periféricas das cidades
brasileiras.

Diagnóstico
É fornecido pelas várias técnicas usadas habitualmente em laboratórios
especializados.

Profilaxia
Por ser um parasito com transmissibilidade semelhante ao Ascaris lumbricóides a
profilaxia é igual para os dois, ou seja: educação sanitária, construção de fossas
sépticas, proteção do alimento, higiene severa na alimentação e se possível,
tratamento da população afetada.
Tratamento
Medendazol , Albendazol

Wuchereria bancrofti
Os helmintos que causam esta parasitose vivem no sistema linfático do homem,
geralmente nas proximidades de um gânglio. Vermes adultos, ou seja, machos e
fêmeas enovelam-se formando uma barreira que dificulta a circulação linfática.
Morfologia
Forma adulta: machos de 4 cm e fêmeas de 8 cm.
Forma larval: chamada de “microfilárias” devido à reduzida dimensão, cerca de 250
µm.

Habitat
Os vermes adultos vivem nos canais linfáticos causando uma obstrução permanente
em vários órgãos e segmentos destes: pernas, braços, escrotal, mamas, glúteo e mais
raramente , o coro cabeludo. A deformação exagerada do membro atingindo gerou o
nome de “elefantíase”, que não é um sintoma mas um sinal visível e palpável originado
do extravasamento de líquidos linfáticos para os tecidos e que só se apresenta na
finalização do parasitismo ( de 10 a 15 anos).

Ciclo Biológico

Transmissão
A transmissão da filariose se dá pela veiculação das larvas microfilárias de um
mosquito doméstico o Culex fatigans ou de outro mais raramente, o Aedes aegypti
conforme se vê no ciclo.

Sintomatologia/Patogenia
Assintomáticos;
Doença Aguda: febre filarial (dor, inflamação dos linfonodos, geralmente
acompanhada por náuseas e vômitos);
Doença Crônica: pode ocasionar linfedema em ambos os sexos, bem como hidrocele
em homens ou aumento das mamas em mulheres.

Diagnóstico

Biópsia de linfonodos infartados, pesquisa de microfilárias no sangue periférico e


Testes imunológicos.

Profilaxia

Tratamento em massa das populações nas áreas endêmicas; (assistência à


morbidade filarial); Mobilização das comunidades nas áreas endêmicas;Controle de
vetores, adequado à realidade local; Reavaliação epidemiológica dos focos ativos e
dos antigos.

Tratamento
Dietilcarbamazina, Ivermectin, Filariosan e Correção das alterações.