Você está na página 1de 33

IBAMA

M M A

Roteiro Metodológico
para a Elaboração de
Plano Operativo de
Prevenção e Combate aos
Incêndios Florestais

RISCO DE INCÊNDIO FLORESTAL


MÉDIO
O AL
UEN TO
PEQ IBAMA
M M A

NULO
Ministério do Meio Ambiente – MMA
Carlos Minc

Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – Ibama


Roberto Messias Franco

Diretoria de Proteção Ambiental – Dipro


Luciano de Meneses Evaristo

Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais – Prevfogo


Elmo Monteiro da Silva Junior
Ministério do Meio Ambiente – MMA
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – Ibama
Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais – Prevfogo

Roteiro Metodológico
para a Elaboração de
Plano Operativo de
Prevenção e Combate aos
Incêndios Florestais

Brasília, 2009
EQUIPE TÉCNCA

Consultora Responsável
Giselle Paes Gouveia

Equipe do Núcleo de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais/PREVFOGO


José Carlos Mendes de Morais – Coordenador do Núcleo
Ana Maria Canut
Alexandre Avelino
Érika Regina Prado do Nascimento
Leonam Gomes Xavier

Produção Editorial
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis
Centro Nacional de Informação Ambiental – CNIA
SCEN, Trecho 2, Edifício-Sede, CEP: 70818-900 – Brasília, DF
Telefone: (61) 3316-1280 – Fax: (61) 3326-6619
e-mail: cnia.sede@ibama.gov.br
http://www.ibama.gov.br

Diretoria de Qualidade Ambiental – Diqua


Abelardo Bayma de Azevedo

Centro Nacional de Informação Ambiental – Cnia


Vitória Maria Bulbol Coêlho

Diagramação
Paulo Luna

Capa
Paulo Luna e Lavoisier Salmon

Revisão de Texto
Ana Célia Luli
Maria José Teixeira
Apresentação

Desde sua a criação, em 1989, o Prevfogo tem elaborado, ainda que descontinuamente, planeja-
mentos de prevenção e combate aos incêndios florestais, atendendo, em especial, as unidades de conser-
vação (UCs) do Brasil. Em função do aumento contínuo da pressão antrópica nestas UCs e o consequente
aumento na frequência de incêndios em seu interior, esses planejamentos foram se tornando cada vez mais
urgentes e necessários.
Diante dessa crescente demanda, em 2005, o Prevfogo elaborou o primeiro Roteiro Metodológico
para a Elaboração de Planos Operativos de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais em Unidades
de Conservação, que foi ajustado e melhorado ao longo dos anos, aplicado em 50 UCs, e que teve seus
resultados avaliados em 2008.
Fruto dessa larga experiência, este documento tem como objetivo estabelecer metodologia de
elaboração de plano operativo de prevenção e combate aos incêndios florestais aplicável às diferentes situ-
ações de risco, às áreas de abrangência, às esferas de governo, e poderá ser utilizado por qualquer profis-
sional em qualquer região do País.
Sumário

I. Princípios do Plano Operativo de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais ........................... 6


II. Roteiro de atividades ................................................................................................................................. 6
1. Atividades prévias às atividades de campo .................................................................................... 7
2. Atividades de campo ............................................................................................................................ 7
3. Atividades poscampo ....................................................................................................................... 8
III. O planejamento ..................................................................................................................................... 8
1. Apresentação do documento ............................................................................................................ 8
2. Apresentação da situação .................................................................................................................. 8
a. Caracterização da área .......................................................................................................................... 8
b. Estudo do quadro das ações de prevenção e combate na região ..................................................... 9
c. Estudo do histórico/combate de incêndios .......................................................................................... 10
d. Definição de áreas prioritárias/maior risco de ocorrência de incêndios .............................................10
e. Definição dos objetivos do plano ...........................................................................................................11
3. Ações preventivas ..............................................................................................................................11
a. Estabelecimento de um centro de gerenciamento de fogo .................................................................11
b. Campanhas educativas ....................................................................................................................... 12
c. Controle de queima e queima controlada ............................................................................................ 13
d. Manejo de combustíveis ...................................................................................................................... 14
e. Monitoramento meteorológico/risco de incêndios .............................................................................. 16
f. Definição de sistema de vigilância/detecção de incêndios .................................................................. 16
4. Ações de pré-supressão ........................................................................................................................19
a. Recursos humanos ................................................................................................................................19
b. Recursos materiais e serviços logísticos ............................................................................................ 21
c. Facilidades para o combate................................................................................................................... 25
d. Ações interagências e estabelecimento de parcerias ......................................................................... 27
5. Combate a incêndio ............................................................................................................................... 27
a. Sistema de acionamento ...................................................................................................................... 27
b. Organização para o combate ............................................................................................................. 28
c. Apoio aéreo .......................................................................................................................................... 29
d. Desmobilização ....................................................................................................................................29
6. SisFogo ................................................................................................................................................... 30
7. Pesquisas .............................................................................................................................................. 30
8. Avaliação dos resultados e revisão .................................................................................................... 31
9. Mapas ..................................................................................................................................................... 31
10. Apêndices ........................................................................................................................................... 31
I.Princípios do Plano Operativo
de Prevenção e Combate aos
Incêndios Florestais

O Plano Operativo de Prevenção e Comba- caráter dinâmico. Por isso, os planos operativos de-
te aos Incêndios Florestais é um documento pactual vem ser ajustados ou revisados à medida que os
e de ordem prática, que funciona como instrumen- quadros de riscos ou operacionais se modifiquem,
to dinâmico para a gestão de recursos humanos e que algumas ações sejam implementadas ou se-
materiais e para o apoio às tomadas de decisão no jam realizados levantamentos ou diagnósticos mais
desenvolvimento de ações específicas de prevenção precisos.
e combate aos incêndios florestais. Por apresentar as potencialidades, atores,
Deve ser pactuado entre todos os envolvi- responsabilidades, recursos humanos e materiai,
dos a fim de não haver dúvidas ou retrocessos quan- funcionam como instrumentos de gerenciamento,
to às responsabilidades de cada um dos atores en- favorecendo tomadas de decisões mais precisas por
volvidos direta ou indiretamente na implementação seus executores.
do planejamento. A metodologia aqui proposta procura ser
É um documento de ordem prática, de fácil adaptável a qualquer situação ou dimensão: esfera
leitura e interpretação, com orientações claras, espe- de governo, área de abrangência, área protegida,
cíficas e exequíveis. reflorestamento etc. No caso de aplicação específi-
Apesar da ampla gama de estudos e de ca para unidades de conservação, em função das
ações que devem ser realizadas para uma análise suas peculiaridades, recomenda-se o uso do roteiro
e planejamento de prevenção e combate mais pró- metodológico específico, também elaborado pelo
ximos do ideal, a estrutura deste roteiro metodológi- Prevfogo, disponível no site http://www.ibama.gov.
co viabiliza que eles seja realizado paulatinamente, br/prevfogo/wp-content/files/roteiro_planooperati-
de acordo com as condições locais, conferindo seu vo_2008.pdf.
II. Roteiro de atividades

O planejamento das ações anuais de pre- preencher as tabelas recomendadas e construir os


venção e combate está intimamente ligado ao clima mapas. Logo, recomenda-se que, ao início da elabo-
predominante na região. Assim recomenda-se que a ração do plano operativo, estejam disponíveis infor-
etapa de planejamento ocorra em algum momento mações como:
entre o final da última temporada de fogo e o início • bases georreferenciadas locais;
da temporada seguinte. O tempo gasto para realizar • caracterização da área;
o planejamento aqui proposto depende de diversos • quadro das ações de prevenção e com-
fatores, como a experiência da equipe responsável, bate na região;
a articulação das parcerias e do apoio ao desenvol- • informações locais para o estudo do
vimento do trabalho em campo. Elaborar o plano histórico/combate de incêndios;
operativo no menor tempo possível não é a meta; • dados de queima controlada;
porém salienta-se que as ações devam estar defini- • recursos materiais e serviços logísticos
das e implementadas pelo menos 2 meses antes da – infraestrutura, rede de atendimento
estiagem. hospitalar, alimentação, combustível,
aproveitar o tempo disponível para a ela- acomodações etc.;
boração do planejamento é fundamental para o al- • facilidades para o combate – rede viá-
cance de seus objetivos. Uma forma de otimizar o ria, captação de água, barreiras natu-
tempo é adotar um roteiro de atividades, pois serve rais, pistas de pouso etc.;
como um check-list de aspectos a serem tratados, • demais informações que possam ser
além de evitar o desvio de foco. Os tópicos seguin- antecipadas.
tes trazem um conjunto de recomendações para o
desenrolar das atividades de planejamento. A equipe diretamente responsável pela ela-
boração deve, paralelamente, buscar:

1. Atividades prévias às • Bases georreferenciadas locais – é pos-


sível que a equipe local não possua as
atividades de campo mesmas bases;
• mapas de focos de calor, de registros
Antes das atividades de campo, uma cópia de incêndios e de caracterização da
deste roteiro metodológico deve ser encaminhada a área;
todos os membros da equipe envolvida no planeja- • quadro das ações de prevenção e com-
mento. A equipe diretamente responsável pela ela- bate na região;
boração do documento e a equipe de apoio deverão • demais informações pertinentes.
refletir sobre os temas abordados no roteiro. Isso
garante que exista algum nivelamento prévio aos Conhecidas as demandas anteriores à
debates que ocorrerão durante a criação do Plano campanha de campo, marca-se uma data para o iní-
Operativo. cio dos trabalhos. Agenda-se, então, encontro com
A equipe responsável pela execução das os elaboradores e executores envolvidos diretamen-
ações do plano, ou seja, aquelas localizadas na re- te com a implementação do planejamento, sempre
gião, deve buscar antecipadamente informações observando-se que essas atividades não estão coin-
que serão necessárias para compor a redação, cidentes com a estação seca. Recomenda-se que
Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais

seja definida uma ou duas semanas para as ativida- mam ser: visitas a possíveis áreas críticas e às estru-
des de campo, em que todos os envolvidos estejam turas de prevenção e combate existentes; estudo de
disponíveis exclusivamente para a elaboração do possíveis pontos de detecção/vigilância; avaliação do
documento. sistema de comunicação regional; reuniões com par-
ceiros ou possíveis parceiros (prefeituras, associações,
empresas etc.); coleta de mais dados para refinamento
2. Atividades de campo da definição das áreas prioritárias/críticas e para carac-
terização da região.
Recomenda-se que o documento propria-
Recomenda-se que a primeira ação em mente dito seja finalizado ainda em campo, propon-
campo seja uma reunião com toda a equipe, visan- do, na medida do possível e de acordo com os objeti-
do definir, com base nas informações previamente vos, todos os aspectos propostos no roteiro metodo-
levantadas: lógico. A construção de mapas pode demandar mais
tempo, mas devem ser cocluídos antes de se finalizar
• áreas prioritárias e áreas críticas de o processo de elaboração.
ocorrência de incêndios;
• objetivos do plano operativo.
3. Atividades pós-campo
A partir dessas definições, em especial
quanto aos objetivos do plano e em conformidade Imediatamente após as atividades de cam-
com o tempo previsto para a elaboração do docu- po, os últimos ajustes devem ser feitos e o planeja-
mento, deve-se preparar o cronograma de ativida- mento dever ser encaminhado a todos os envolvidos
des em campo, garantindo 2 dias para a confecção e às autoridades, para, então, serem iniciadas as
do documento. Em geral, essas atividades costu- medidas de implementação do plano operativo.

12
III. O Planejamento

1. Apresentação do documento mações a serem levantadas em campo. Essa ca-


racterização deve abordar, na medida do possível,
Além de capa e contracapa, com a lista da os seguintes aspectos: descrição geopolítica da
equipe responsável pela elaboração do documento, região; fórum ou comitês para a discussão de te-
recomenda-se que seja feita breve apresentação do mas ambientais, em especial sobre o fogo; organi-
documento, englobando: a motivação que levou à zações sociais locais e suas potencialidades, em
elaboração de um plano operativo, breve descrição especial aquelas relacionadas ao tema; geografia
das atividades desenvolvidas, da metodologia de populacional; quadro fundiário da região, uso e
trabalho e da participação da equipe. ocupação do solo, em especial no entorno das
A fim de facilitar a elaboração, as consul- áreas prioritárias para a proteção; bioma; caracte-
tas e os ajustes posteriores à elaboração do plano
rização do clima, principalmente no período seco;
operativo, recomenda-se que o documento seja
hidrografia básica da região; topografia; cobertura
apresentado principalmente por meio de tabelas e
vegetal, em especial, de risco; presença de uni-
de mapas, inserindo em texto as demais informa-
dades de conservação e informações básicas so-
ções. Os formatos de tabelas aqui apresentados são
bre seu Plano de Manejo (em especial quanto às
apenas sugestões e devem ser ajustadas conforme
o quadro local. áreas prioritárias de proteção e programa de pro-
teção ao fogo); áreas prioritárias para prevenção
de incêndios florestais: Área de Preservação Per-
2. Apresentação da situação
manente (APP), reserva legal, reflorestamentos,
a. Caracterização da área unidades de conservação e suas áreas intangíveis
- seus limites, área e perímetro. Para esse tópico, é
deve ser feita ampla revisão bibliográfica recomendada a elaboração de um mapa de carac-
da região, a fim de complementar as demais infor- terização e o preenchimento da Tabela 1.

Tabela 1. Descrição básica da região.

Informações Descrição
Descrição geopolítica
Fóruns de discussão sobre o tema
Geografia populacional
Organizações sociais locais
Uso e ocupação do solo: agricultura, pecuária, reflorestamento,
carvoaria, turismo, área urbana, etc.
Bioma
Clima: tipo; definir estações seca e chuvosa; temperaturas médias,
precipitação anual e mensal
Estações meteorológicas: localização (em coordenadas), condições
de uso e tipo de dados
Hidrografia
continua
Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais

Informações Descrição

Cobertura vegetal

Unidades de conservação

Áreas prioritárias para a prevenção de incêndios

Conflitos: atividades de risco de incêndios, tais como caça,


desmatamento, queima de lixo, agropecuária, mineração etc.

Acessos

Rotina de fiscalização/vigilância ambiental

Demais informações pertinentes

b. Estudo do quadro das ações de A criação de brigadas, fóruns ou comi-


tês de prevenção e combate, planos de ação de
prevenção e combate na região corpos de bombeiros, planos de proteção de uni-
dades de conservação, e relatos sobre eventos
A fim de garantir que o planejamento configu-
de fogo são exemplos de documentos que de-
re um documento que será somado às demais ações
vem conter informações importantes sobre ações
dessa natureza na região, é importante que a equipe
responsável por sua elaboração tenha conhecimento anteriores na região. Os documentos estudados
desse tipo de atividade na região e em seus resultados, devem ser listados, ressaltando seus objetivos,
evitando assim a repetição de erros e estimulando as resultados e conhecimento adquirido, conforme
ações que obtiveram resultados positivos. a Tabela 2.

Tabela 2. Quadro das ações de prevenção e combate.

Identificação do projeto/programa Conhecimento


Realizadores Ano Objetivos Resultados
ou ação adquirido

c. Estudo do histórico/ dios, registros de combates de polícias florestais e


combate de incêndios bombeiros, registros de ocorrência de incêndios de
unidades de conservação ou de municípios, e infor-
Todas as informações sobre os incêndios mações de moradores. A maior parte dessas infor-
na região devem ser levantadas e exploradas. É co- mações pode ser inserida em uma tabela – como na
mum o uso de diferentes fontes: detecção de focos Tabela 3 – mas, se for possível, deve-se confeccionar
de calor por meio de satélites, boletins de incên- mapa específico para esse tópico.

Tabela 3. Histórico de incêndios.

Área
Fonte da Mês/ Provável Responsável Dados do combate (pessoal e Outras
Local queimada
informação Ano causa pela detecção equipamentos envolvidos etc.) informações
(ha)

14
Roteiro Metodológico para a Elaboração de Plano Operativo de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais

Geralmente, com esses dados, é possível • demais áreas consideradas pertinentes,


definir as épocas críticas e até mesmo regionalizar de acordo com a especificidade local.
as ocorrências dos incêndios e suas respectivas
causas/agentes causais – incendiários, caçadores, As áreas críticas e as áreas prioritárias para
queima agrícola, garimpo, queima de lixo etc. De- proteção devem ser ilustradas em mapa e breve-
pendendo da qualidade dos dados, é possível ainda mente descritas, conforme sugestão na Tabela 4.
gerar informações como qualidade e eficiência do
sistema de detecção, do combate, das informações, e. Definição de objetivos do plano
da capacidade operacional e de articulação, entre
outros. Para cada uma das áreas prioritárias, de-
d. Definição de áreas vem ser definidos, em função do seu histórico de in-
prioritárias/ maior risco de cêndios, os objetivos específicos das ações a serem
desenvolvidas, como por exemplo:
ocorrência de incêndios
• diminuir os riscos de incêndios prove-
Considerando a descrição da área e o his-
nientes de queimadas;
tórico de incêndios, devem ser definidas as áreas crí-
• viabilizar o controle regional sobre o
ticas de risco de incêndios. Para a definição dessas
uso do fogo;
áreas deve observar fatores tais como:
• otimizar os recursos e as oportunidades
• vegetação muito susceptível; locais;
• causas dos incêndios; • fortalecer/estabelecer parcerias;
• atividades de risco; • melhorar a capacidade de organização
• conflitos; ou articulação local;
• demais informações pertinentes. • minimizar a continuidade de combustível;
• diminuir o tempo de detecção e reposta
A partir da definição das áreas críticas, de- aos incêndios;
vem ser definidas e ordenadas as áreas prioritárias • diminuir ocorrências de incêndios e
para o desenvolvimento das ações, levando em con- área queimada;
sideração aspectos como: • minimizar o impacto dos incêndios pro-
venientes de descargas elétricas;
• unidades de conservação e suas áreas • reforçar a capacidade de fiscalização;
intangíveis; • melhorar a eficiência do combate;
• região com presença de espécies raras • melhorar a qualidade das informações;
ou ameaçadas de extinção; • desenvolver pesquisas como impacto do
• áreas de preservação permanente e de- fogo, manejo de combustível com uso de
mais áreas protegidas; fogo, alternativas ao uso do fogo etc.
• áreas com vegetação nativa próxima às
novas fronteiras agrícolas; Recomenda-se a organização das informa-
• beira de estradas; ções na Tabela 4.

Tabela 4. Áreas críticas e objetivos.

Nível de Análise das causas dos


Local Objetivos específicos do planejamento
prioridade incêndios

3. Ações preventivas natureza. São apenas recomendações, logo, nada


impede que outras iniciativas sejam incorporadas
Baseadas na experiência adquirida pelo ao planejamento. Além disso, devem ser abordados
Prevfogo, seguem algumas pistas sobre as ativida- apenas os tópicos que se relacionem com os objeti-
des preventivas propostas em planejamentos dessa vos do plano.

15
Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais

a. Estabelecimento de um centro a serem desenvolvidas por meio do CGF, de acordo


de gerenciamento de fogo com sua capacidade humana e operacional.
O planejamento deve propor que o CGF
O desenvolvimento organizado e integrado esteja inserido preferívelmente em estruturas já exis-
das ações de prevenção e combate aos incêndios tentes na área-foco do plano, tais como: prefeituras,
requer uma estrutura física e institucional definida, secretarias de meio ambiente, secretarias de agricul-
dotada de meios de comunicação e administrativos tura, órgãos de extensão rural, associações/coope-
com endereço fixo e conhecido por todos os par- rativas, escritórios do Ibama, sedes de unidades de
ceiros, denominado aqui como Centro de Gerencia- conservação, batalhão de corpo de bombeiros etc.
mento de Fogo (CGF). Dependendo da dimensão da área de abrangência
Tal estrutura pode funcionar como um es- do planejamento, recomenda-se propor unidades
paço para o desenvolvimento de atividades técnicas descentralizadas integradas ao CGF.
e administrativas: organização de informações sobre Além de sua localização, o plano operati-
fogo; sistematização das autorizações de queima vo deve definir as atividades a serem realizadas no
controlada; vigilância on-line, monitoramento meteo- CGF, bem como listar as demandas técnicas e opera-
rológico e geração de alertas de risco; facilitação ou cionais e a equipe responsável pela implementação.
realização de eventuais acionamentos para comba- Para maior facilidade de consulta, as informações po-
te. O próprio planejamento deve definir as atividades dem ser expressas conforme exemplo da Tabela 5.

Tabela 5. Informações básicas sobre o centro de gerenciamento de fogo.

Centro de Gerenciamento de Fogo

Equipe/função/órgão:

Endereço:
Telefones: FAX:
Frequência rádio:
E-mails:
Atividades:

b. Campanhas educativas ências das queimadas e dos incêndios


florestais na região; prejuízos; danos
A princípio, o plano operativo não tem a ambientais; alternativas ao uso do fogo;
pretensão de propor programa de educação am- cuidados durante a queima controlada
biental em função da natureza específica dessa e aspectos legais do uso do fogo - sem-
ação. porém pode servir como base de informações pre em consideração aos objetivos es-
para um programa nesse sentido e, se for o caso, re- pecíficos fixados pelo plano operativo;
comendar urgência na elaboração de um programa • considerar a matriz dos principais pro-
de educação ambiental. blemas socioambientais locais (e as
A ideia aqui é propor campanhas educa- suas alternativas de soluções) como
tivas para envolver preferencialmente as comunida-
subsídio à compreensão das causas
des localizadas nas áreas prioritárias. Uma vez que
das queimadas e dos incêndios flores-
nenhuma campanha de prevenção e combate a in-
tais;
cêndios florestais terá êxito se não houver integração
• alertar para o risco de incêndios flores-
e participação de todos os setores da sociedade, é
essencial que essas atividades englobem o maior tais durante o período de estiagem;
número possível de parceiros. Além disso, os temas • visar à redução e, no longo prazo, à
escolhidos devem: eliminação de práticas agrícolas que
utilizem o fogo como ferramenta, bem
• incluir o conhecimento e a reflexão so- como incentivar a adoção de técnicas
bre: as principais causas e consequ- alternativas ao uso do fogo.

16
Roteiro Metodológico para a Elaboração de Plano Operativo de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais

Devem ser identificados, conforme a Ta- de reuniões, seminários, palestras e en-


bela 6: trevistas etc.;
• os meios de comunicação a serem usa-
dos: rádio, televisão, jornal, cartilhas,
• o responsável pela ação;
cartazes etc.;
• os locais e os públicos-alvo a ser aten-
• os equipamentos e materiais necessá-
didos: escolas, associações, produto- rios;
res rurais, moradores do entorno etc.; • os custos para execução do programa
• o tipo de contato: individuais ou em gru- educativo;
pos, visitas técnicas, elaboração e divul- • os parceiros com recursos disponibili-
gação do material de apoio, realização zados.

Tabela 6. Propostas de campanhas educativas.


Responsável Local e Tipo de Meios de Equipamentos
Tema Custos Parceiros
pela ação público alvo contato comunicação necessários

c. Controle de queima e queima das emissões de autorização na região, indicando


controlada informações básicas sobre o assunto, conforme
a Tabela 7: legislação estadual pertinente, órgão
O conhecimento prévio sobre a rotina de responsável, principais finalidades de autorização,
uso de fogo para manejo agrícola na região é ferra- número de autorizações para a região nos últimos
menta fundamental para o direcionamento de medi- anos etc. Além disso, as informações locais cos-
das preventivas. Ações como criação de calendários tumam gerar uma boa noção sobre o uso do fogo
de queima ou estabelecimento de oficinas de queima como ferramenta agrícola na região, descreven-
controlada dependem diretamente do conhecimento do épocas, locais, horários preferenciais, motivos
sobre o uso do fogo na comunidade envolvida no etc.
plano operativo. É importante também o conhecimento so-
Importantes ferramentas de controle so- bre a efetividade destas emissões, ou seja, um pano-
bre o uso de fogo são as emissões de autoriza- rama geral sobre o efetivo controle sobre o uso do
ção de queima controlada. Segundo o Decreto Nº fogo nas áreas prioritárias, mesmo que nem não re-
2.661/98, são realizadas por órgãos que compõem flita plenamente a realidade. um indicador para essa
o Sistema Nacional de Meio Ambiente – Sisnama verificação pode ser a comparação entre a detecção
ou por entidades devidamente autorizadas. Reco- de focos de calor via satélite e o número de emis-
menda-se que o planejamento apresente o status sões de autorização de queima.

Tabela 7. informações gerais sobre queima controlada.

Informações Descrição Observações

Órgão responsável pela emissão de autorização

Lei estadual específica


Órgãos descentralizados de emissão
Principais finalidades
N° de emissões na região (mês/ano)
N° de focos de calor na região (mês/ano).
Informações locais
Demais informações pertinentes

17
Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais

A partir dessas informações devem ser ela- • elaboração participativa de um calendá-


boradas propostas para a melhoria do sistema de rio de queima nas áreas prioritárias;
controle de queima, sem perder de vista o estímulo • realização de cursos de queima contro-
ao uso de alternativas ao uso do fogo, conforme a lada na região;
Tabela 8 , abordando temas como: • realização de vistorias;
• verificação da possibilidade de apoio à
• estímulo à descentralização das emis- queima controlada por brigadas locais;
sões de autorização de queima; • fiscalização sobre o uso do fogo;
• divulgação das informações sobre as • desenvolvimento de pesquisas para al-
autorizações de queima aos respon- ternativas ao uso do fogo.
sáveis pela implementação do planeja-
mento; As atividades relacionadas com o controle
• cadastramento e mapeamento dos mo- das queimadas deverão ser programadas anualmen-
radores das áreas prioritárias, em espe- te, a fim de tornar possíveis visitas e o cadastramento
cial aqueles que usam o fogo como ferra- de todas as propriedades e comunidades em tempo
menta de trabalho, conforme a Tabela 9; hábil, ou seja, antes do início do período de estiagem.

Tabela 8. Ações para o controle de queima.

Ações de controle de queima Localização Época Observações

Tabela 9. Cadastro de usuários de fogo.

Localização Nome do proprietário Objetivo Provável data Observações

d. Manejo de combustível tal qual aceiros. Essas características


podem ser barreiras naturais (morro,
Denomina-se manejo de combustível a pedras, rios etc.) ou não naturais (estra-
prática de gestão do combustível vegetal, a fim de das, trilhas, estruturas físicas etc.). Por
evitar sua continuidade para a propagação do fogo, precaução, estruturas físicas em área
proporcionando à diminuição de riscos de incêndios de riscos de incêndios (torres, sedes,
e a mitigação de possíveis danos decorrentes des- estações meteorológicas etc.) também
ses eventos. É um dos meios mais eficazes para a devem ser isoladas antes da temporada
prevenção da entrada de fogo nas áreas prioritárias de fogo;
para a conservação. Em geral, o manejo de combus- • limpeza aérea de extrato herbáceo de
tível é feito por meio da construção/manutenção de beiras de estradas e trilhas, sempre
aceiros, da silvicultura preventiva ou da supressão mantendo a estrutura radicular viva, a
de combustível, muitas vezes usado com o próprio fim de garantir a fixação do solo e evitar
o fogo. Essas ações podem ser expressas na Tabela erosões;
10 e organizadas da seguinte forma: • retirada de material seco ou morto, prio-
ritariamente, das beiras de estradas e
Rotinas de curto prazo: trilhas;
• distanciamento da base das copas do
• descontinuar combustíveis de risco em solo em áreas florestais (desrama);
áreas críticas/prioritárias, aproveitando • diminuição de densidade das copas em
características físicas que funcionem áreas florestais (desbaste).

18
Roteiro Metodológico para a Elaboração de Plano Operativo de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais

A orientação quanto à necessidade de • pessoal envolvido: proprietários rurais,


confecção dos aceiros deve ser detalhada, e com prefeituras, UCs, brigadas, etc.;
responsabilidade compartilhada, especificando: • demais informações pertinentes.

• época: preferencialmente antes da épo- Ações de médio prazo: construção de es-


ca crítica; tradas, aceiros e caminhos vicinais, se necessário,
• locais, larguras e comprimentos; substituição de espécies por outras mais resistentes
• métodos: negro, roçagem (máquina ou ao fogo etc.
manual) etc.; Ações de longo prazo: planejamento regio-
• meios: manual, trator, roçadeira; nal prevendo espécies adaptadas, aceiros, estradas
• estimativa de gasto; etc.

Tabela 10. Ações de manejo de combustível.

Largura e Tempo Pessoal


Atividade Local época Método Equipamentos
comprimento gasto envolvido

Observação: o uso de fogo prescrito em unidades de conservação para fins de manejo deve estar de acordo com a Resolução Conama
n° 11/1988, sempre levando em consideração os objetivos do seu uso – manejo de combustível, estímulo à rebrota para pastoreio de
animais silvestres, manutenção de ecossistemas etc.

e. Monitoramento meteorológico/ sociados ao histórico de ocorrência de incêndios,


risco de incêndios esses parâmetros devem definir, em médio e longo
prazos, índices mais específicos e precisos de riscos
Os parâmetros meteorológicos como tem- de incêndios para a região. Além disso, o CGF deve
peratura, precipitação, umidade relativa do ar, velo- acompanhar diariamente o site do Instituto Nacional
cidade e direção do vento e dias sem chuva são fa- de Pesquisas Espaciais (Inpe), (http://sigma.cptec.
tores determinantes para a ocorrência de incêndios inpe.br/produto/queimadas/maparisco/risco_est.
florestais. Portanto, o planejamento deve apresentar html), que apresenta diariamente um mapa de risco
a rede de monitoramento meteorológico na região de incêndios para todo o Brasil. Essas informações
de abrangência, conforme a Tabela 11, e estabelecer devem manter um permanente controle de risco de
medidas para garantir a coleta dessas informações. ocorrência de incêndios para a região.
Em função dos tipos de parâmetros cole- Para complementar o monitoramento de
tados, deve-se definir o melhor índice de risco de risco, o planejamento deve propor um sistema de
incêndios a ser adotado na região, tais como: indi- ampla divulgação de riscos de incêndios, seja pla-
ces de Monte Alegre, Angstron etc. – detalhes no cas indicativas, em sítios na internet, avisos em rádio
site http://www.floresta.ufpr.br/~lpf/indices.html. As- comunitária etc.

Tabela 11: Rede de estação meteorológica.

Local latitude longitude Tipo de dados coletados Rotina de obtenção de informação

f. Definição de sistema de vigilância/ dio ainda em pequenas proporções. Com isso em


e a detecção de incêndios vista, o plano operativo deve propor um sistema de
vigilância viável em curto e em médio prazo, aprovei-
A vigilância e a detecção eficientes são fer- tando ao máximo os meios disponíveis na região e
ramentas fundamentais para inibir ações criminosas procurando atender principalmente as áreas prioritá-
e garantir que o combate seja iniciado com o incên- rias. Caso necessário, o documento deve apresen-

19
Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais

tar as demandas emergenciais para sua implemen- (diária, semanal, mensal etc.), a forma
tação, conforme a Tabela 12. Para rápida consulta, de deslocamento (a pé, animais, veícu-
recomenda-se que o sistema de vigilância seja ilus- los, motocicletas, bicicletas etc.), cola-
trado em mapa. boradores envolvidos e o sistema de
De modo geral, os sistemas de vigilância e comunicação.
de detecção se desenvolvem por meio de diferentes • Vigilância complementar: trata-se da
tipos de vigilância (terrestre, aérea e on-line) integra- vigilância comunitária, que dá o avi-
dos, detalhados a seguir. so de incêndio às autoridades locais.
Essa vigilância costuma ser relevante,
1. Vigilância terrestre porém, para melhor aproveitamento
desse importante meio de vigilância,
Em geral, costuma ser o tipo de vigilância é necessária a melhoria da qualidade
mais eficiente para a rápida detecção de incêndios da informação repassada. Assim, se a
florestais. Cada área crítica deve ter um modelo es- comunidade participa na vigilância au-
pecífico de rotina e meios para realizar a vigilância xiliar, o planejamento deve identificar os
terrestre, definido em função das características lo- colaboradores que possuam meios de
cais. o sistema de vigilância terrestre configura-se comunicação e de locomoção. Em co-
em três categorias, complementares entre si: munidades pequenas, recomenda-se
identificar postos de telefone públicos.
• Fixa: trata-se do estabelecimento de • Fiscalização ambiental: dependendo
pontos estratégicos de observação/ do contexto da região, recomenda-se
postos de vigia que podem ser torres, propor ações de fiscalização ambiental
casas, mirantes naturais, reservatórios integradas às ações de prevenção. Essa
de água, silos, árvores, entre outros; estratégia é particularmente proveitosa
enfim, o meio mais viável identificado em locais com histórico de incêndios
localmente. Para a definição da locali- causados por litígios, por piromaníacos
zação desses postos, deve-se abarcar ou por simples vandalismo.
o conjunto abrangente das seguintes
características: ampla visibilidade das 2. Vigilância on-line.
áreas prioritárias; estrutura de apoio
nas proximidades; acesso viável; meio A tecnologia de monitoramento ambiental
de comunicação acessível (rádios, tele- remoto se popularizou nos últimos 20 anos, tornando-
fone fixo, móvel ou público), É preferível se fundamental para o acompanhamento em grandes
que a equipe responsável por esta vi- áreas ou regiões remotas. Das ferramentas mais co-
gilância tenha profundo conhecimento muns dessa tecnologia, está a detecção de focos de
da região, garantindo boa qualidade de calor, que é o registro de calor captado na superfície
informação em caso de acionamento do solo por sensores a bordo de satélites.
para combate. A implantação desse sis- Assim como ocorre para as informações
tema deve regular também a rotina de de risco de fogo, descrito no tópico 3E, o Inpe forne-
observação, considerando regime de ce diariamente e gratuitamente as informações so-
turnos, horários de observação, forma bre focos de calor detectados por satélites, por meio
de deslocamento, salubridade etc. Em da página http://www.dpi.inpe.br/proarco/bdqueima-
geral este sistema é integrado ao uso das. Os dados são apresentados em mapa, com in-
de tecnologias como goniômetros, ma- dicação do horário da detecção e a localização do
pas específicos e Sistema de Informa- foco tanto em coordenadas geográficas como geo-
ções Geográficas (SIG), para facilitar a políticas (estado, município, terra indígena, unidade
localização dos focos de incêndio. de conservação). Apesar de sua grande utilidade,
• Móvel: a definição da rotina de vigilân- algumas considerações devem ser feitas quanto ao
cia móvel local deve complementar a vi- uso desse tipo de vigilância.
gilância fixa, em especial, as “sombras” Existe um tempo hábil de algumas horas en-
de observação visual. O plano operativo tre a detecção do foco de calor e a disponibilização da
deve definir o percurso (principalmente informação na Internet, tempo que pode fazer com que
nas áreas prioritárias), sua frequência um incêndio tome proporções de difícil combate.

20
Roteiro Metodológico para a Elaboração de Plano Operativo de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais

Pode ocorrer também o erro por omissão detectado e a localização do fogo, efetivamente,
ou falso negativo, em função de presença de nu- que pode variar em até 4 quilômetros. Assim, deve
vens e fumaça, horário da passagem, cobertura in- ser usada como ferramenta complementar de vi-
completa de alguns satélites e problemas operacio- gilância, em especial no caso de planejamentos
nais do satélite. Além disso, um sensor do satélite em regiões de dimensões pequenas, em que a vi-
detecta o foco de calor apenas quando atinge deter- gilância terrestre deve ter detecção imediata. Não
minada temperatura ou área, sendo que ainda não opstante, o plano operativo deve recomendar a
existem parâmetros de área mínima ou intensidade inclusão de uma rotina de consulta diária (3 vezes
mínima do fogo para gerar detecção. Portanto, a não ao dia), preferencialmente no Centro de Gerencia-
detecção de focos de calor não indica necessaria- mento de Fogo do sítio da internet apresentado.
mente que não há ocorrência de fogo. Se possível, os focos de calor detectados devem
Eventualmente, pode ocorrer o erro por ser processados por ferramentas de Sistema de
inclusão ou falso positivo, em que se detecta um Informação Geográfica (SIG) para uma localização
mesmo foco por vários satélites ou várias detecções mais precisa. Essa informação deverá ser trans-
sucessivas para uma mesma localização. Esse tipo mitida imediatamente para os responsáveis pelos
de erro pode se expressar também pela detecção combates na região ou para as unidades descen-
em superfícies com temperaturas superiores a 47 °C, tralizadas do CGF para sua averiguação e eventual
em que porém não ocorre fogo, tais como asfalto, combate.
areia e espelhos d’água no entanto, o “filtro” utiliza-
do tem sido cada vez mais refinado, desconsideran- 3. Vigilância aérea
do atualmente a maior parte desse tipo de superfície.
Assim, a detecção de foco de calor pode eventual- Apesar de se tratar de um tipo de vigilân-
mente não indicar a ocorrência de fogo, apesar de cia em geral muito onerosa e pouco tradicional no
ser forte indicador. Brasil, recomenda-se o estudo da possibilidade do
Além disso, devem ser consideradas tam- aproveitamento de voos domésticos (comercial, táxi
bém as distorções das localizações geográficas aéreo, aviação agrícola etc.) para a vigilância local,
que eventualmente podem ocorrer, ou seja, uma pos- visando ao estabelecimento de rotina para aviso
sível diferença entre a localização do foco de calor imediato de fogo.

Tabela 12. Sistemas de vigilância.

Meio de Meio de n° de pessoas


Áreas críticas monitoradas Tipo de vigilância Frequência
comunicação deslocamento mobilizadas

4. Ações de pré-Supressão bate (estradas, pontes, pistas de pouso, hospitais


etc.) também devem ser analisadas e, se possível,
Denomina-se pré-supressão o conjunto de mapeadas. Nos meses anteriores ao período críti-
ações que visam preparar estruturas, equipamen- co, as parcerias para as ações de combate devem
tos e pessoal para eminentes eventos de fogo. Em ser firmadas ou reafirmadas para que haja clareza
outras palavras, fazem parte desta etapa atividades e definição de papéis nos momentos de crise. Nos
que visem quantificar e avaliar tudo o que for preciso sub-tópicos, a seguir, tais fatores serão tratados com
maior detalhamento.
para as ações de combate a incêndios florestais. As-
sim, anualmente, antes do período de estiagem, to-
a. Recursos humanos
dos os recursos disponíveis e necessários por todos
os envolvidos devem ser quantificadas, qualificadas
1.Centro de gerenciamento de fogo
e receber as devidas manutenções.
A etapa ideal para que, de posse dos le- No que se refere aos recursos humanos do
vantamentos dos recursos, sejam feitas as aquisi- Centro de Gerenciamento de Fogo, é favorável que
ções do material faltante. As facilidades para o com- seja montada uma equipe fixa composta no mínimo

21
Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais

por um coordenador, 1 técnico com experiência em de campo e 1 secretário. Essas informações devem
geoprocessamento, 1 responsável pelas atividades ser listadas conforme a Tabela 13.

Tabela 13. Recursos humanos do Centro de Gerenciamento de Fogo.

Recursos humanos existentes


Conhecimento Telefone/
Função Instituição Nome Formação Atividades Endereço
específico e-mail

Recursos humanos demandados


Formação/
Função Instituição Atividades Observações
conhecimentos específicos

2. Contingente de brigadistas e de • o responsável por seu acionamento;


combatentes • época de contratação, se for o caso.

O acionamento das equipes de combate Nesse caso, o planejamento deve prever


deve transcorrer da forma mais ágil possível, reco- o período de contratação, considerando o perí-
mendando para tanto, que seja estabelecida ao me- odo crítico dos incêndios: contratação pelo me-
nos uma brigada em cada uma das áreas prioritárias nos 1 mês antes da época crítica. Deve indicar
do planejamento, considerando distâncias e meios também a provável rotina da brigada, definindo
de transporte e de comunicação disponíveis para ações pertinentes como manutenção de equi-
as atividades. Essa demanda deve ser devidamen- pamentos e instalações físicas; manutenção de
te equacionada e organizada conforme a Tabela 14, estradas, confecção de aceiros e supressão de
que deve ser mantida no CGF. combustível; apoio às queimas controladas; vigi-
No caso do planejamento ser executado lância; combate; elaboração de relatório de ati-
pela entidade que contrata/gerencia as brigadas, vidades das brigadas. recomenda-se o uso do
deve ser mantida uma relação completa desses bri- modelo disponível na página do Prevfogo: http://
gadistas no Centro de Gerenciamento de Fogo, com www.ibama.gov.br/prevfogo/documentos/progra-
os respectivos detalhes de seus componentes: ma-de-brigada-municipais/.
O plano operativo deve propor a contra-
• área crítica de atuação; tação de brigadistas que residam o mais próximo
• função: chefe de brigada, chefe de es- possível das respectivas áreas críticas, já que são
quadrão, gerente do fogo etc.; conhecedores da região. As pessoas incluídas
• nome, endereço, telefone etc.; nessas atividades devem ter boa capacidade física
• situação: atualmente contratado, con- e a intelectual, entusiasmo, habilidades, experiên-
tratado em anos anteriores, voluntários cia e terem sido treinadas para ações de combate
capacitados etc.; a incêndios florestais. No entanto, qualquer que
• habilidades específicas: tratorista, mo- seja o contratante ou o responsável pela brigada,
tosserrista, motorista de caminhão, ma- recomenda-se que se procure manter os mesmos
nuseador de ferramentas etc.; procedimentos.

Tabela 14. Quadro de contingente de brigada existente e a necessária.

Responsável
Área Contingente Contingente
Demanda
Localização
para Contato
Época de Objetivos
crítica necessário existente da brigada
acionamento
contratação rotina

22
Roteiro Metodológico para a Elaboração de Plano Operativo de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais

Tabela 15. Quadro de brigadistas.

Responsável
Área Habilidades Época de
Função Nome Endereço Telefone Situação pelo
Crítica específicas Contratação
Acionamento

3. Lista de contatos • instituição: Ibama/Prevfogo, ICMBio, cor-


po de bombeiros, prefeitura, proprietá-
Deve ser mantida no centro de gerencia- rio rural, empresas etc.;
mento de fogo uma lista atualizada dos responsá- • Nome, telefone, endereço e outros de-
veis pela execução do planejamento, bem como dos talhes do contato;
pontos focais das instituições envolvidas direta e • função: secretário de meio ambiente,
indiretamente nas ações de prevenção e combate, técnico de prefeitura, analista ambien-
já que poderão inclusive ser acionados em caso de tal/Ibama, chefe de UC, gerente muni-
combate. a lista deve conter: cipal de fogo, comandante de corpo de
• missão: é a atribuição a ser assumida ao bombeiros, coordenador estadual do
ser acionado pelo CGF. O combate a in- Prevfogo, secretário de meio ambien-
cêndios, geoprocessamento, logística, pe- te, chefe de brigada etc. (em caso de
rícia, fiscalização, segurança, comunica- militar, especificar patente e nome de
ção etc., são algumas dessas atribuições; guerra).

Tabela 16. Lista de contatos.

Missão Instituição Função Nome Endereço Telefone Contato internet

4. Demandas e capacitação ticas), a atividade a ser desenvolvida (coordenação


brigadista, etc.), os responsáveis pela contratação
Após o equacionamento dos recursos hu- ou disponibilização dos recursos e os responsáveis
manos, esta etapa é finalizada ao se verificar as ne- pela capacitação necessária (formação de briga-
cessidades ainda não supridas. Nesse ponto, apon- das, formação em SIG, formação em Sistema de
ta-se os profissionais necessários à implementação Comando de Incidente. (SCI) etc., como o exemplo
do plano operativo em cada setor (CGF e áreas crí- da Tabela 17.

Tabela 17. Demandas de recursos humanos e capacitações.

Instituição responsável pela Instituição responsável pela


Setor Demanda Atividade contratação/disponibilização de capacitação
profissionais

b. Recursos materiais e mento, é conveniente que se aponte mais de uma


serviços logísticos opção para cada necessidade. As indicações devem
constituir um conjunto de, pelo menos, um local para
1. Infraestrutura se estabelecer o CGF e as bases de apoio para as
brigadas, em especial nas proximidades das áreas
O plano operativo deve indicar as instala- críticas, que podem ser estruturas do poder públi-
ções físicas para a implementação das ações pro- co na região (tais como cômodos em prefeituras,
postas. Como nem sempre as edificações estão órgãos de extensão rural, polícias) ou associações
disponíveis para a destinação sugerida no planeja- de classe.

23
Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais

Assim, essa listagem deve apresentar in- sença de galpões ou almoxarifados para guardar
formações (Tabela 18), tais como: possibilidade de equipamentos; estado de conservação e demandas
alojamentos para brigadas e sua capacidade; pre- prioritárias para operação.

Tabela 18. Instalações físicas.

Infraestrutura Principal Instalações A quem Estado de Responsável pelo


Demandas
necessária utilização existentes pertence conservação atendimento da demanda

2. Equipamentos • autonomia do equipamento e fonte de


energia necessária para seu funciona-
A partir da experiência acumulada pelo Pre- mento;
vfogo, sabe-se que não é necessário muito para se lo- • características do terreno onde será em-
grar um combate. Um conjunto básico de ferramentas pregado o equipamento ou ferramenta:
manuais, alguns equipamentos motorizados, transpor- topografia, coberturas florestal e vege-
te, comunicação e uma equipe capacitada são os ele- tal etc.;
mentos principais para o bom andamento no combate. • facilidade de transporte, operação, ma-
Assim, a equipe responsável pela elabora- nutenção e guarda;
ção do plano operativo deve demandar equipamen- • possibilidade de reposição de peças e
tos condizentes com a realidade da região e com acessórios, e manutenção;
a do financeiro do planejamento, garantindo um • restrições do uso: o combate não pode
planejamento viável de ser implementado e não um causar maiores danos que o próprio in-
conjunto de metas utópicas de longo prazo. Além cêndio (como é o caso de tratores Clas-
disso, deve estar atenta às novidades em equipa- se III em áreas protegidas);
mentos que ofereçam soluções aos problemas par- • é desejável que os meios ofereçam po-
ticulares nas atividades de prevenção e combate. A livalência no seu emprego.
escolha adequada dos materiais pode ser determi-
nante na resposta a um incêndio. recomenda-se, Consta a seguir, na Tabela 19, listagem de
portanto, que o plano operativo considere os se- equipamentos usualmente utilizados em ações de
guintes aspectos: prevenção e combate com as quantidades recomen-
dadas. Esta é uma lista genérica adotada pelo Pre-
• aplicabilidade local dos materiais: por vfogo em seus planejamentos. Logo, pode e deve
exemplo, para o uso de motobomba é ser ajustada de acordo com a região ou com os ob-
necessária fonte de água condizente jetivos do plano operativo. devem ser consideradas
com o equipamento; as observações desse tópico na escolha dos itens
• possibilidade de armazenamento; da listagem.
Tabela 19. Equipamentos e materiais necessários para a implementação do plano.

Recursos materiais para o Centro de Gerenciamento de fogo


Valor unitário Valor total Responsável pelo atendimento
Infraestrutura necessária existente Demanda
(R$) (R$) da demanda
2 computadores
1 telefone
1 Fax
1 máquina fotográfica
1 GPS
Material de expediente
Móveis
Base de radiocomunicação
Total

24
Roteiro Metodológico para a Elaboração de Plano Operativo de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais

Listagem de material e equipamentos necessários para XX brigadistas


Responsável pelo
Sugestão p/ cada Nº Nº Valor unitário Valor total
EPI - Sem retorno Demanda atendimento da
7 brigadistas existente necessário (R$) (R$)
demanda
Boné 7
Calça 14
Camiseta 14
Cinto 7
Coturno 7
Luvas de vaqueta (par) 14
Máscara contra fumaça
Meia 14
Total
Responsável pelo
Sugestão p/ cada Nº Nº Valor unitário Valor total
EPI - Com retorno Demanda atendimento da
7 brigadistas existente necessário (R$) (R$)
demanda
Cantil 7
Capacete 7
Cinto NA 7
Gandola 7
Lanterna de mão 7
Mochila 7
Óculos de segurança 7
Total
Listagem de equipamentos de combate
Sugestão Responsável pelo
Nº Nº Valor unitário Valor total
Material para combate p/ cada Demanda atendimento da
existente necessário (R$) (R$)
pelotão demanda
Abafadores ou chicotes com
5
cabo
Ancinho ou rastelo 3
Barraca de campanha 1
Barraca para 2 pessoas 4
Bomba costal rígida/flexível 4
Caixa de primeiros socorros 1
Chibanca 2
Colchão para acampamentos 7
Enxada 2
Enxadão 2
Facão com bainha 7
Foice 2
Galão 200L
Galão 50L (combustível) 1
Galões 20L (água) 2
Garrafa térmica 12L ou 5L 2
Lima chata 3

continua

25
Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais

Listagem de equipamentos de combate


Sugestão Responsável pelo
Nº Nº Valor unitário Valor total
Material para combate p/ cada Demanda atendimento da
existente necessário (R$) (R$)
pelotão demanda
Pá 2
Pinga fogo 1
Rede de selva 7
Outros (especificar)
Total
Sugestão Responsável pelo
Nº Nº Valor unitário Valor total
Equipamentos operacionais p/ cada Demanda atendimento da
existente necessário (R$) (R$)
pelotão demanda
Antena Autotrac 1
Bateria de rádio HT 2
Bateria veicular 12V p/ rádio
1
fixo
Binóculo 2
Caixa de ferramentas 1
Carregador de bateria HT 2
GPS 1
Grupo gerador 1
Câmera fotográfica digital 2
Motobomba 1
Motosserra 1
Pipa 1
Piscina 10.000L 1
Rádio HT 2
Rádio móvel 1
Rádio fixo 1
Repetidora 1
Roçadeira 1
Trator 1
Termihigrômetro 1
Veículo 4X4 1
Outros (especificar)
Total
TOTAL GERAL

Assim como os equipamentos, a relação prietária e a qual principal atividade a que se destina
dos veículos disponíveis para o desenvolvimento das (rondas, apoio ao combate, fiscalização, administra-
ações deve ser sempre atualizada, conforme a Tabela ção etc.). Outras informações, tais como combustí-
20. O plano operativo deve informar principalmente vel, placa ou identificação, estado de conservação e
quais são os veículos (tratores, carros, motos, bicicle- gastos necessários com manutenção, também são
tas, helicópteros, aviões etc.), qual é a entidade pro- relevantes e devem estar sempre atualizadas.
Tabela 20. Veículos disponíveis.

Instituição
Principal Fonte de Estado de Manutenção Responsável pela
Veículo Placa responsável/
atividade energia conservação necessária manutenção
contato

26
Roteiro Metodológico para a Elaboração de Plano Operativo de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais

Os meios de comunicação disponíveis para sobre localização, número, endereço (internet) e


o desenvolvimento das ações (telefone, internet, fax, frequência (rádios) também são informações que
sistema de radiocomunicação, Autotrac, telefones devem estar sempre atualizadas, conforme sugestão
públicos comunidades, etc.), suas especificações da Tabela 21.
Tabela 21. Meios de comunicação.

Tipo Local Especificações

3. Rede de atendimento hospitalar nejamento forneça informações claras para o caso


de emergências. Portanto, deve-se manter uma lista-
Embora sejam enfatizadas as ações de gem do sistema de saúde local e regional: hospitais,
prevenção, deve-se sempre lembrar que o combate postos de saúde, clínicas etc., considerando, em
a incêndios florestais é notadamente uma atividade especial, o atendimento a queimaduras, fraturas e
de risco. Logo, é de suma importância que o pla- acidentes, conforme a Tabela 22.

Tabela 22. Localização de postos de atendimento hospitalar.

Hospitais ou
Especialidades Endereço Cidade Telefone Meio de acesso
postos de saúde

4. Combustível, alimentação e um súbito aumento da demanda por alimentação,


acomodações acomodação e combustível.
Para evitar contratempos nessas situ-
Durante as atividades de prevenção, a roti- ações, é importante conhecer os potenciais for-
na é constituída por uma equipe básica, mais enxuta, necedores locais. Assim, conforme sugerido nas
de forma a não altere as demandas por combustível, Tabela 23, 24 e 25, o planejamento deve listar
alimentação e acomodações na região. No entan- aqueles estabelecimentos com capacidade de
to, em eventos de fogo, em especial nos combates atendimento, acompanhado de telefone de conta-
ampliados, isto é, aqueles que recebem reforço de to e endereço. Caso necessário, priorizar aqueles
diversos colaboradores, existe a concentração de que cumpram os requisitos básicos para viabilizar
grande número de pessoas, que chegam a todo o aquisições pelo governo – nota fiscal dentro da va-
momento para auxiliar na operação. Assim, é criado lidade, CNPJ etc.

Tabela 23. Fornecedores de combustível.

Tipo de combustível Fornecedor Capacidade Telefone de contato Endereço Requisitos básicos


Querosene de aviação
Gasolina de aviação
Diesel
Gasolina e álcool

Tabela 24. Fornecedores de alimentação.

Fornecedor Capacidade (refeições/dia) Telefone de contato Endereço Requisitos básicos

27
Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais

Tabela 25. Acomodações.

Requisitos
Tipo de Acomodação Capacidade Endereço Telefone de contato Observações
básicos

c. Facilidades para o combate no operativo propõe é a consolidação dessa informa-


ção adquirida em um documento acessível a todos
1. Rede viária os envolvidos no combate, em especial àqueles que
não conhecem intimamente a área do incêndio.
É natural que a equipe responsável pela vigi- Portanto, devem ser delimitados em mapas
lância móvel conheça bem a situação de cada acesso os principais acessos às áreas críticas e seus esta-
utilizado durante a rotina de prevenção. No entanto, dos de conservação, listando a manutenção ou a
em um combate ampliado, o grau de conhecimento construção necessária e a entidade responsável por
da região pode variar bastante. O desconhecimento tais ações (Tabela 26). Salienta-se, no entanto, que a
sobre os acessos pode aumentar o risco de as equi- opção pela construção ou manutenção de acessos
pes se perderem, veículos quebrarem ou atolarem, deve ser precedida de reflexões sobre os impactos
ocasionando contratempos ao combate. O que o pla- ambientais e o estímulo a acessos indesejáveis.

Tabela 26. Descrição dos acessos e de estradas.

Forma de Estado de Ações Recursos Gastos Responsável


Acesso trecho
deslocamento conservação previstas necessários estimados pela ação

2. Captação de água suas respectivas utilidades: atende à pipa, helicóp-


tero com helibalde, bombas costais, apenas para
O conhecimento prévio sobre existência, consumo humano etc. (Tabela 27).
capacidade, potencial e fragilidades (ambiental, No caso de escassez de água em algu-
qualidade, restrição) das captações de água é es- mas regiões, mesmo que apenas na estiagem, o
sencial para definição de estratégias de prevenção plano deve propor alternativas como a construção
e do combate. Assim, é importante conhecer e listar de barragens e de tanques d’água, ou recomendar
rios perenes ou intermitentes, lagos, tanques d’água que se leve mais água para o caso de combate
e demais corpos d’água, bem como seus acessos e etc.

Tabela 27. Pontos de captação de água.

Localização (com
Área crítica Nome Utilidades Fragilidades Acesso
coordenadas)

3. Barreiras naturais sa informação, passaria apenas a monitorar o avan-


ço do fogo e seria possível priorizar outras regiões
O conhecimento sobre as barreiras natu- ameaçadas. Portanto, recomenda-se que as princi-
rais (rios, lagos, montanhas sem cobertura vegetal, pais barreiras sejam plotadas em mapa.
estradas etc.) na região pode ser determinante para
4. Pistas de pouso
a tomada de decisões durante um combate. Por
exemplo, ao saber que certa frente de fogo se en- As ações devem ser planejadas de forma
caminha para região rochosa, de combustível ralo, a apresentar recursos para qualquer combate, in-
pode-se mudar toda a estratégia de combate. nesse dependentemente da complexidade da operação.
caso, hipotético, a equipe em campo, de posse des- Assim, devem ser listadas as potenciais pistas de

28
Roteiro Metodológico para a Elaboração de Plano Operativo de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais

pouso da região, com as devidas coordenadas e tamento deve contar também com a avaliação de
especificações de comprimento, largura, estado de locais que sirvam de helipontos para a operação de
conservação e pavimentação (Tabela 28). O levan- helicópteros nas áreas críticas.

Tabela 28. Pistas de pouso.

Localização (coordenadas) Comprimento Largura Pavimentação Estado de conservação

d. Ações interagências e tanto para viabilizar as ações de prevenção e com-


estabelecimento de parcerias bate como para estabelecer a discussão sobre o
tema fogo na região. Assim, antes do período crí-
Como foi extensivamente tratado ao lon- tico de incêndios, é necessário que tais parcerias
go do texto, este modelo de planejamento depen- sejam estabelecidas, reavaliadas e reforçadas. É
de do estabelecimento de parcerias sob diversas importante a organização das informações, reco-
formas. As parcerias entre instituições públicas e mendando sua tabulação, conforme exemplo da
privadas, bem como com a sociedade civil servem Tabela 29.

Tabela 25. Quadro de parcerias.

Local de Instâncias de Estado da Ações Recursos Pessoa de Endereço e


Instituição Papel Meta e-mail
atuação discussão parceria previstas disponíveis contato telefone

5. Combate a incêndio das nas áreas críticas devem ser as responsáveis


pela realização dos primeiros combates na sua re-
a. Sistema de acionamento gião; em caso de necessidade de apoio, a equipe
de combate deverá solicitá-la ao centro de geren-
Um sistema de acionamento bem definido, ciamento de fogo, que acionará as brigadas mais
organizado, integrado e de conhecimento de todos próximas ou parceiros locais. Para o acionamento
os envolvidos é fundamental para a otimização dos em diferentes níveis de combate sugere-se o se-
recursos humanos e materiais, além de evitar ações guinte fluxograma, de acordo com o status dos in-
sobrepostas e desarticuladas. As brigadas localiza- cêndios:

29
Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais

b. Organização para o combate para o combate. No entanto, a Tabela 30 apresen-


ta um resumo das informações fundamentais à or-
A elaboração do plano de prevenção e ganização para o combate, facilitando a consulta e
combate aos incêndios por meio dessa metodolo- apresentando resumidamente os atores envolvidos
gia leva, naturalmente, a uma organização prévia diretamente.

Tabela 30. Resumo dos recursos disponíveis para combate aos incêndios florestais.

Meio de
Recursos humanos Recursos materiais Ações
Instituição acionamento/ Observações
disponíveis disponíveis esperadas
contato
Nível 1
(municipais)
Nível 1/2
(regionais)
Nível 2
(estaduais)
Nível 3
(federais)

30
Roteiro Metodológico para a Elaboração de Plano Operativo de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais

A etapa de organização para o combate para a dimensão do país e a sua distribuição é irre-
reúne todas as técnicas, produtos, equipamentos, gular com a maioria concentrada nos estados da
ferramentas, meios de transporte e pessoal. O bom Região Sudeste. Além disso, os parcos meios aé-
planejamento visa considerar o maior número de va- reos são compartilhados entre diversas instituições
riáveis possível, evitando surpresas nos momentos públicas ou reservados aos interesses de entidades
de crise. Assim, deve-se propor que o Centro de Ge- privadas. O resultado desse quadro é a constante
renciamento de Fogo tenha atribuições de: incerteza quanto ao atendimento de demandas que
dependem dos meios aéreos.
• quantificar e qualificar as pessoas dis- Logo, assim como para uma ferramenta
poníveis para as ações de combate; manual, é importante que se avalie a real necessi-
• caso necessário, regionalizar as ações dade de seu emprego, a fim de otimizar a aplicação
de cada célula de brigada; dos recursos disponíveis. O planejamento precisa
• definir meio de acionamento e de trans- deixar essa ideia bem clara: antes de demandar
porte; apoio aéreo aos parceiros, o plano operativo reco-
• providenciar alojamento e alimentação menda considerar:
para os combatentes;
• capacidade de melhoria efetiva na efici-
• manter lista atualizada de brigadistas na
ência do combate;
região, conforme discutido no tópico 4A3;
• a missão: transporte de equipe e mate-
• manter uma lista atualizada dos recur-
rial de combate, monitoramento, com-
sos existentes na região, conforme tópi-
bate;
co 4B2;
• infraestrutura existente: comunicação,
• definir as funções e as pessoas respon-
suprimento, abastecimento, fonte de
sáveis pelas brigadas, pois, em muitos
água etc.;
casos, as ações de combate exigem
• condições: distâncias, meteorologia,
número expressivo de pessoas. Preten-
topografia, pista de pouso, helipontos
de-se, assim, evitar que alguem seja so-
etc.
brecarregado ou subutilizado;
• nominar responsáveis para atividades
d. Desmobilização
tais como: manutenção e compra de
ferramentas e de equipamentos; trans- Ao término da operação de combate, deve-
porte de combatentes e distribuição de rá ser feita a desmobilização, que consiste em:
alimentação; fornecimento de água; in-
formações para a imprensa; distribuição • recolher e manter os materiais e equipa-
de equipamentos e de ferramentas; mentos envolvidos no combate;
• estabelecer já no início do incêndio o • devolver aos proprietários do material
Sistema de Comando de Incidentes utilizado;
(SCI) e operar conforme seus precei- • preencher e enviar o Registro de Ocor-
tos caso exista ampla capacitação das rência de Incêndios – ROI no sítio do
equipes na região, procurar Prevfogo na Internet: (http://siscom.iba-
ma.gov.br/sisfogo/):
c. Apoio aéreo • identificar e acionar no estado profis-
sional capacitado para fazer estudo de
Os meios aéreos são consagrados mundo
origem e da causa do incêndio;
afora como importantes ferramentas para se reduzir
• avaliar a eficiência do plano operativo;
o tempo de resposta a incêndios florestais, assumin-
• avaliar a adoção de medidas que dimi-
do larga diversidade de empregos: monitoramento e
nuam os impactos negativos do incên-
fiscalização, transporte de pessoas e equipamentos,
dio, por exemplo, plantio de espécies
suporte à coordenação do combate, combate pro-
nativas.
priamente dito etc. Apesar de operação relativamen-
te onerosa, sua relação custo-benefício pode-se fa-
6. SisFogo
zer valer por evitar danos ambientais ou patrimoniais
de grandes dimensões, se acionados nos estágios O Sistema Nacional de Informações sobre
iniciais do incêndio. Fogo (SisFogo) é um sistema do Prevfogo/Ibama
No entanto, os combates aéreos são ain- em que é permitido consultar bancos de dados ge-
da extremamente onerosos e incipientes no Brasil. ográficos com informações do ICMBio e do Ibama.
A quantidade de aparelhos é notadamente pequena Está disponível na internet no seguinte endereço:

31
Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais

http://siscom.ibama.gov.br/sisfogo/. Ele permite cru- São exemplos de indicadores das ações


zar informações e gerar relatórios sobre o controle de prevenção e combate: número de focos de calor
de material, o registro de ocorrência de incêndio, o detectados, número de registros de incêndios, área
relatório das atividades desenvolvidas pelas briga- queimada, número de postos de vigilância estabele-
das nas unidades de conservação federais. cidos, tempo de resposta às ocorrências etc.
O SisFogo integra informações e permite É sempre desejável que se estabeleça
a utilização dos dados com segurança e autono- metas a serem atingidas para viabilizar a avaliação
mia pelos usuários. É dividido em subsistemas que dos resultados das ações anualmente. Assim, ao fim
serão implementados em etapas. Entre eles está o de cada época crítica, o plano pode ser ajustado. A
subsistema Registro de Ocorrência de Incêndios em cada 3 anos deve ser feita avaliação global do plano,
Unidades de Conservação (já disponível), além de
consolidada em documento, indicando a necessida-
outros necessários à implementação do Sistema.
de de revisão ou elaboração de novo planejamento.
O subsistema Registro de Ocorrência de Incêndios
permite que os funcionários das unidades de con-
servação, coordenadores estaduais do Prevfogo, 9. Mapas
gerentes do fogo de unidades, estaduais e de briga-
das municipais, corpos de bombeiros e defesa civil Os mapas estão entre os componentes
preencham relatórios com os dados referentes aos mais utilizados do planejamento após sua conclu-
incêndios combatidos em unidades de conservação são. Portanto, é importante que sejam de fácil com-
(federais e estaduais). preensão e acesso à equipe responsável pelo de-
O relatório contém os dados referentes ao senvolvimento das ações. É comum que um mapa
incêndio, mapa de área queimada, coordenadas do seja pouco para expressar em detalhes os aspec-
centroide do incêndio, imagem da área queimada e tos a serem observados. Assim, caso necessário,
fotos da área quando houver. O ROI busca princi- pode ser construído mais de um mapa para cada
palmente uma melhora qualitativa das informações área crítica, área prioritária ou setor, tornando mais
obtidas (fonte: manual SisFogo/Prevfogo/Ibama – ja- rápida a visualização dos elementos. São diversos
neiro de 2009). os assuntos que podem ser expressos em mapas,
porém, existem limitações como: a habilidade da
7. Pesquisas equipe no uso de programas de construção de ma-
pas; a disponibilidade de bases georreferenciadas
Esse tipo de planejamento não tem a pre-
dos diferentes aspectos; o tempo para a conclusão
tensão de estabelecer linhas e métodos de pesquisa
desses documentos etc. Esse método sugere, pelo
acerca do tema fogo. No entanto, pode fazer referên-
menos, a elaboração de mapas com os seguintes
cias às demandas e possibilidades locais, buscando
respostas a uma série de questões que possam au- temas:
xiliar na gestão desse tema como: • localização, acessos;
• hidrografia, topografia, cobertura vege-
• desenvolvimento de índices locais de tal, área intangível, descrição do entor-
riscos de incêndios; no etc.;
• inventário e modelagem de combustí- • histórico de Incêndios, registros e em
veis; focos de calor detectados por satélite
• impactos ambientais locais do fogo; nos últimos 5 anos (no mínimo), e ou-
• alternativas locais ao uso do fogo; tros registros;
• mudanças nas fitofisionomias; • áreas críticas e causas de incêndios;
• desenvolvimento de pesquisas de tec- • mapa operativo: aceiros, estradas, su-
nologias de combate aplicáveis para a pressão de combustível, pontos de ob-
região; servação, rotas de vigilância, bases das
• recuperação de áreas queimadas etc. brigadas, pontos de captação de água,
barreiras naturais, direção do vento,
8. Avaliação dos resultados e revisão pistas de pouso etc.
De acordo com os objetivos propostos, o
plano operativo deve definir indicadores para a ava- 10. Apêndices
liação de seus resultados. Entende-se aqui, por indi-
cadores, ações implementadas ou resultados des- Recomenda-se que sejam elaborados cro-
sas ações, ambos quantificáveis em determinado nogramas físico e financeiro para a implementação
período – um semestre, 1 ano, 3 anos etc. das atividades.

32