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“Utópica liberdade”

Jacques Douglas

Caminhar....sentir a força do vento na face castigada pela dor

Sem olhar para trás, sem sangrar lágrimas

É apenas mais um dia na gigantesca imensidão das horas

Na mente, um barulho infernal; palavras, vozes, ecos do inconsciente

Nas esquinas, bares, becos escuros e sombrios

Todos parecem mendigar amor

Meus pés no infinito tapete de areia

Seguindo em direção ao vazio que absorveu as almas arrebatadas pela tecnologia

Não há um toque, um olho no olho, não há carne, não há vida

Todos persistem em caminhar a esmo pelo vácuo

Aonde essa estrada pode nos levar.....aonde ?

Minha garganta está seca, uma sede animal e incontrolável me consome

Eu preciso beber a esperança das escrituras

Ou irei me perder somado a todas essas criaturas

Nesse vale desgovernado, reflexos robóticos, palavras evasivas, escorrem

Pelos lábios hipócritas dos que proclamam a liberdade

Que liberdade ? por Deus, que liberdade ?

Somos todos África, sempre fomos África

Eu não quero beber essa taça de hipocrisia vergonhosa que nasce na capital

Eu não quero nada, eu não sou o bem e nem o mal

Eu sou a fumaça da sua alegria injetada em uma noite de carnaval.