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As sufragistas e o feminismo

Rodrigo da Paixão Pacheco


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O filme As sufragistas, datado em 1912, na Inglaterra, mostra a dura
realidade das mulheres de uma época androcêntrica, na qual precisaram
lutar para serem reconhecidas como algo além de objetos, e pelo direito
ao voto.
RESUMO: Este artigo tem como escopo abordar sobre o filme As
Sufragistas, lançado em 2015, com autoria de Abi Morgan, direção de Sarah Grovan,
e, produção de Allison Owen, Faye Ward, buscando fazer a relação com o feminismo.
No filme fica clara a cultura machista do período de 1912. A vida quotidiana das
mulheres é demonstrada com uma série de violências sofridas, além da luta travada
por elas para adquirir o direito de voto, de igualdade sobre os filhos, casamento e
educação. Diante das leituras disponibilizadas através da professora Maria José
Pereira Rocha, da disciplina de Epistemologia Feminista, foi possível perceber a
importância dessa militância feminista para a conquista do voto, e para o próprio
feminismo tendo em vista a primeira onda.

Palavras chaves: sufragistas, feminismo, voto, militância.

O filme AS SUFRAGISTAS, datado em 1912 na Inglaterra, mostra nada


mais do que a resistência de sobreviver frente ao sistema capitalista, sob as
explorações na relação trabalho e capital, e desperta, ainda, outra questão que
ultrapassa as questões sociais de classe, que são as relações sociais de sexo.
Ficando clara a cultura dominante masculina, andôcentrica, onde o Homem
pode dominar todos os espaços inclusive e principalmente os de poder, e do
mundo externo.

Conta com elenco feminino de peso, dentre elas, a indicada ao Oscar


,Carey Mulligan. Esta é a personagem principal, pois, viverá uma mudança
radical em sua vida Maud Watts, o filme conta ainda com elenco de atrizes
como: Bonham Carter, Brendam Gleeson, Ane Marie Duff, Meryl Streep.

No filme o movimento é comandado por uma líder que é rica, a senhora


Pankhurst, que faz diversas falas em praças públicas e sob a violência
escancarada de homens que ali se situam, que, com tons sarcásticos, soltam
piadas contra elas. Algumas mulheres que estão juntas no movimento
fortalecem e fazem as manifestações acontecerem, e ainda tentam convencer
mais mulheres a lutarem juntas.

A partir disso, visualiza-se que nos locais de trabalho, que são


especialmente as fabricas de lavar roupas, onde o a maioria das que trabalham
ali são mulheres, iniciam-se os primeiros indicativos de união e luta em prol do
voto e da igualdade. As lideres do movimento que ali trabalham começam a
convencer as outras trabalhadoras de que a luta é para todas e que precisam
juntas mudar o rumo daquele cenário escrito por homens.

Quando se tem uma fabrica de lavar roupas com mulheres,


majoritariamente é possível perceber onde elas estão “postas ou foram
colocadas” em um papel de cuidado, em um papel de feminização, onde não
ocupam os locais de trabalho “majoritariamente feito para os Homens”.

Então a Maud começa a se convencer ao ouvir as companheiras, de


que ela precisa participar desse movimento. Esta se encontra em um dilema
entre a família (filho e esposo), trabalho, e a própria vontade que tem de inserir
a cada dia nas manifestações e enfrentamento ao sistema.

Mas, ainda assim, ela encara e participa das manifestações convencida


por sua colega, vai à Assembleia como representante das mulheres ler a carta
feita por Pankhurst com as justificativas do porquê de as mulheres terem o
direito de votar, exercer a cidadania. Neste momento, percebe-se o quanto é
forte o domínio masculino e o quanto estes não querem que este acabe.

Eles tecem justificativas que não são plausíveis e não atendem, em


momento algum, à realidade. Ressaltam que a mulher não tem equilíbrio
emocional para estarem na política. E estão “bem” representadas por seus
avós, tios, etc. Esta situação transformou as manifestações em um movimento
com características de um feminismo que contribuíram para o feminismo que
temos atualmente.

Conforme retrata “Maria José parafraseando Victoria Sarau” diz que:

Como um movimento social e politico que inicia formalmente no final do


século XVIII ainda que sem adotar, todavia esta denominação e que supõe a
tomada de consciência das mulheres como grupo ou coletivo humano da
opressão, da dominação, da subordinação e da exploração de que tem sido e
são objeto por parte dos varões no seio do patriarcado em suas distintas fases
históricos de modelo de produção, as quais a movimenta na ação para
libertação de seu sexo com todas as transformações da sociedade que aquela
requer (1981, P.107)
A Pankhurst situou que as mulheres sempre lutaram de forma pacifica,
mas que, a partir disso, iriam unir-se com mais afinco, para modificar tal
realidade. E, assim, ocorreu o movimento que ganhou força e notoriedade. Elas
incendiaram até a casa do ministro, cortaram linhas telefônicas e organizaram
uma das maiores manifestações já vistas naqueles tempos.

Porém, como em outras manifestações anteriores, foram punidas com


a prisão, inclusive a Maud, que diante destas situações perdeu seu filho, que
foi entregue para adoção, e ainda foi expulsa de casa pelo seu esposo. Se já
não bastassem todas essas violências, na cadeia ela sofreu retaliações e
quando manifestavam com greve de fome, elas eram obrigadas a ingerir
alimentos através de sondas no nariz.
Percebe-se que todas estas estratégias para derrubar os indicativos de
movimentos e manifestações não enfraqueceram a luta e o desejo delas por
mais igualdade, isto é visualmente vislumbrado em cena. Este movimento fez
com que muitas mulheres e a própria personagem principal do filme
estampasse capas de jornais, sendo vista como: uma rebelde sufragista que
violava as leis e colocava em desequilíbrio o bem comum.

Houve um misto de sobrevivência das mulheres, porem com muita


resistência e luta. O que significa e significou o que temos hoje, denominada de
primeira onda do feminismo. As sufragistas iniciam um movimento de mulheres
que não apenas demonstraram a força através de uma luta pelo voto, além
disso, elas juntas demonstraram a força de ocupar os espaços neste período
onde ainda não haviam percebido, com tamanha força, de que existia sim uma
desigualdade provocada ou motivada em razão da genitália.

Perderam-se muitas mulheres no caminho e na luta travada para


derrubar esses modelos patriarcais. Houve muito sangue derramado na
primeira fase do feminismo, e não se pode ignorar o movimento que,
organizado, mostrou sua força contra “homens” que detinham todo o poder,
inclusive armados.

As mulheres sufragistas são parte de um movimento que ganhou


força, que resistiu e que resiste a todas as opressões e explorações em função
do sexo. E ainda mostra que é preciso não apenas votar, mas participarem,
estarem no espaço politico para decidirem sobre uma sociedade que é
composta por seres humanos, independente dos órgãos genitais.

REFERÊNCIAS
AS SUFRAGISTAS. De Abi Morgan, com direção de Sarah Grovan e
produção de Allison Owen, Faye Ward. Lançado em 26 de outubro de 2015,
1:46:54.

ROCHA, Maria jozé pereira. La problemática de la mujer: tendências


y divergências analíticas. In: la sexualidade feminina: su configuración, el
género, las esferas públicas y privadas em la colonia Hornos. Tese de
mestrado. México, DF, 1990.

https://jus.com.br/artigos/67973/as-sufragistas-e-o-feminismo
em 18. 01. 2019
Formas de violência contra a mulher
Segundo o artigo 7º da Lei nº 11.340/2006 são formas de violência doméstica e familiar
contra a mulher, entre outras:

I - a violência física, entendida como qualquer conduta que ofenda sua integridade ou
saúde corporal;

II - a violência psicológica, entendida como qualquer conduta que lhe cause dano
emocional e diminuição da autoestima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno
desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças
e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento,
vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, ridicularização,
exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à
saúde psicológica e à autodeterminação;

III - a violência sexual, entendida como qualquer conduta que a constranja a presenciar, a
manter ou a participar de relação sexual não desejada, mediante intimidação, ameaça,
coação ou uso da força; que a induza a comercializar ou a utilizar, de qualquer modo, a
sua sexualidade, que a impeça de usar qualquer método contraceptivo ou que a force ao
matrimônio, à gravidez, ao aborto ou à prostituição, mediante coação, chantagem, suborno
ou manipulação; ou que limite ou anule o exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos;

IV - a violência patrimonial, entendida como qualquer conduta que configure retenção,


subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho,
documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os
destinados a satisfazer suas necessidades;

V - a violência moral, entendida como qualquer conduta que configure calúnia, difamação
ou injúria.

Tipos de violência

Violência contra a mulher - é qualquer conduta - ação ou omissão - de discriminação,


agressão ou coerção, ocasionada pelo simples fato de a vítima ser mulher e que cause
dano, morte, constrangimento, limitação, sofrimento físico, sexual, moral, psicológico,
social, político ou econômico ou perda patrimonial. Essa violência pode acontecer tanto em
espaços públicos como privados.

Violência de gênero - violência sofrida pelo fato de se ser mulher, sem distinção de raça,
classe social, religião, idade ou qualquer outra condição, produto de um sistema social que
subordina o sexo feminino.

Violência doméstica - quando ocorre em casa, no ambiente doméstico, ou em uma relação


de familiaridade, afetividade ou coabitação.

Violência familiar - violência que acontece dentro da família, ou seja, nas relações entre os
membros da comunidade familiar, formada por vínculos de parentesco natural (pai, mãe,
filha etc.) ou civil (marido, sogra, padrasto ou outros), por afinidade (por exemplo, o primo
ou tio do marido) ou afetividade (amigo ou amiga que more na mesma casa).

Violência física - ação ou omissão que coloque em risco ou cause dano à integridade física
de uma pessoa.

Violência institucional - tipo de violência motivada por desigualdades (de gênero, étnico-
raciais, econômicas etc.) predominantes em diferentes sociedades. Essas desigualdades
se formalizam e institucionalizam nas diferentes organizações privadas e aparelhos
estatais, como também nos diferentes grupos que constituem essas sociedades.

Violência intrafamiliar/violência doméstica - acontece dentro de casa ou unidade doméstica


e geralmente é praticada por um membro da família que viva com a vítima. As agressões
domésticas incluem: abuso físico, sexual e psicológico, a negligência e o abandono.

Violência moral - ação destinada a caluniar, difamar ou injuriar a honra ou a reputação da


mulher.

Violência patrimonial - ato de violência que implique dano, perda, subtração, destruição ou
retenção de objetos, documentos pessoais, bens e valores.

Violência psicológica - ação ou omissão destinada a degradar ou controlar as ações,


comportamentos, crenças e decisões de outra pessoa por meio de intimidação,
manipulação, ameaça direta ou indireta, humilhação, isolamento ou qualquer outra
conduta que implique prejuízo à saúde psicológica, à autodeterminação ou ao
desenvolvimento pessoal.

Violência sexual - acão que obriga uma pessoa a manter contato sexual, físico ou verbal,
ou a participar de outras relações sexuais com uso da força, intimidação, coerção,
chantagem, suborno, manipulação, ameaça ou qualquer outro mecanismo que anule ou
limite a vontade pessoal. Considera-se como violência sexual também o fato de o agressor
obrigar a vítima a realizar alguns desses atos com terceiros.

Consta ainda do Código Penal Brasileiro: a violência sexual pode ser caracterizada de
forma física, psicológica ou com ameaça, compreendendo o estupro, a tentativa de
estupro, o atentado violento ao pudor e o ato obsceno.

A Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 é um canal de atendimento telefônico,


com foco no acolhimento, na orientação e no encaminhamento para os diversos serviços
da Rede de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres em todo o Brasil. As ligações
para o número 180 podem ser feitas por telefone móvel ou fixo, particular ou público. O
serviço funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, inclusive durante os finais de
semana e feriados.

http://www.cnj.jus.br/programas-e-acoes/lei-maria-da-penha/formas-de-violencia